NOVEMBRO/04
ANO 2 - Nº 10
[email protected]
“Informação e cidadania
a serviço da sociedade”
Conselho Federal de
Jornalismo divide opiniões
Marcelo Tavares
Imprensa paulista
x
futebol paranaense
A postura de parte da imprensa esportiva paulista ao tratar do Atlético Paranaense tem
sido no mínimo deselegante.
Coincidência ou não, o clube
paranaense briga diretamente
pelo título com clubes paulistas
(Santos, Palmeiras, São Paulo
e São Caetano).
Alguns comentaristas chegam a insinuar um esquema
para favorecer o clube de
Curitiba, mesmo sem qualquer
evidência real . As boas campanhas de Coritiba e Atlético
nos últimos campeonatos parecem incomodar parte da crônica paulista.
O poder da banana
A chegada da banana ao
Ocidente ocorreu através dos
grandes comerciantes árabes,
que a transportavam como
alimento durante suas viagens.
Depois começaram a plantá-las
nas costas do Atlântico, porém
seu cultivo intensificou-se com
mais força em sua terra de
origem: as úmidas selvas da
Índia e a península da Indochina.
Além disso, foram os árabes
que lhe deram o nome pelo qual
é conhecida em quase todos os
idiomas: banana significa ‘’dedo’’
em árabe. Entretanto, essa
planta bastante útil só conquistou
o planeta com a vinda do
missionário Tomás de Berlanga,
no início do século XVI.
Com alto valor energético e
vitamínico, a banana é rica em
sais minerais (ferro,cobre,
f l ú o r, c á l c i o , f ó s f o r o ) . S e u
consumo é recomendado após
a realização de qualquer
atividade física.
Redação do jornal Gazeta do Povo: mesmo entre os jornalistas, a criação do conselho carece de mais discussões
A criação de um conselho
federal para regulamentar e
controlar a profissão de jornalista
no país não é uma idéia nova. Mas
nos últimos meses, o assunto entrou
em pauta e vem provocando
CULTURA
diversas manifestações. Tanto a
favor, quanto contra o CFJ.
Os críticos argumentam que o
governo, através do conselho,
tenta impor uma censura aos
meios de comunicações.
MODA
Já os defensores dizem que o
conselho é prejudicial somente
para o mal profissional e para os
grandes veículos. E você, o que
pensa sobre o CFJ?
Pág. 4 e 5
ESPORTE
Centro de artes Curitiba busca O kart conquista
oferece cursos a seu espaço no de amadores a
jovens carentes mundo da moda p r o f i s s i o n a i s
Despertar na criança o gosto
pela arte e através dela formar
cidadãos melhores. Esta é a
missão do Centro Juvenil de Artes
Plásticas, fundada pelo italiano
Guido Viaro, há mais de 50 anos.
Com diversas oficinas, sobre
inúmeras formas de arte, o centro
oferece subsídios para crianças
pobres, dando maiores condições
para o jovem desenvolver todo o
seu potencial.
Pá g.8
Com o crescimento da cidade,
a moda curitibana vem se
desenvolvendo e se diversificando.
Hoje o modelo tradicional, tímido,
pode ser visto disputando espaço
com um estilo mais jovem e
descontraído. Com isto, estilistas
curitibanos ganham cada vez mais
espaço no cenário nacional.
Curitiba Faschion Art é exemplo da
tentativa da cidade se firmar no
mundo da moda.
Pág. 6
Muitas pessoas desejam
experimentar a sensação de
disputar uma corrida, fazer uma
ultrapassagem , apenas para se
divertir sem ingressar numa
carreira profissional.
O Kart atende a expectativa
dessas pessoas, além de servir
como aprendizado a futuros
pilotos, como porta de entrada
para quem sonha em ingressar em
outras categorias.
Pág. 7
Capital da Notícia
Curitiba
Convidamos novamente o leitor para
acompanhar este jornal, feito por estudantes
de jornalismo, com o compromisso de a cada
matéria produzida aprender mais e crescer
profissionalmente, sem esquecer a razão de
ser de toda notícia, o público.
Nesta edição você irá encontrar, como
matéria principal, o Conselho Federal de
Jornalismo, que causou tanta polêmica nos
últimos meses. Na matéria o leitor terá ao
alcance argumentos de quem é a favor e
contrário ao conselho. Com isto, você poderá
identificar o seu ponto de vista nesta questão
tão importante.
Sobre cultura, uma interessante matéria
sobre o centro de artes plásticas Guido Viaro,
que leva o nome de um italiano que dedicou
a vida à arte, e a repassar seus
conhecimentos para jovens curitibanos. Na
editoria de esportes, você saberá mais sobre
o kart indoor, modalidade que tanto presta
ao aprendizado de futuros campeões, quanto
ao lazer de quem gosta de carros e
velocidade.
Na pág 6, uma matéria de moda mostra
que nossa cidade abriga hoje mais de um
estilo. Os tempos de conservadorismo, de
cidade pequena, passaram. Com o
crescimento de Curitiba, os estilos
diversificaram e a cidade ganhou espaço no
cenário nacional.
A editoria de perfil, mostra um pouco da
vida de três artistas de rua, suas dificuldades
superadas pelo amor à arte e seus sonhos.
Silverman, o estátua branca, e Ticlao a
bailarina de caixinha de música são as
personagens que fazem parte do dia-a-dia
das pessoas que passam pelo calçadão da
X V. De certo modo ignorados, ou
incorporados na paisagem urbana da
cidade, são vistos apenas como
personagens. Aqui você verá um pouco de
uma outra face destes artistas ou de pessoas.
Esperamos você na próxima edição, boa
leitura.
Expediente
Diretor Geral: Prof. Sérgio Ferraz de Lima
Diretor Acadêmico: Prof. Lodércio Culpi
Coord. do Curso de Jornalismo: Prof. Emerson Cervi
Professor responsável: Roberto Nicolato
Finalização gráfica: Jorge Luiz Kimieck
Impressão: Editora Vitrine
Tiragem: 2.000 exemplares
O jornal Capital da Notícia/Curitiba é uma publicação
do Curso de Jornalismo da Unibrasil, produzido
pelos alunos do 5º período.
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Opinião
Acidente em Paranaguá
expõem despreparo
Depois do acidente com o navio chileno Vicunha, no porto
de Paranaguá, neste mês de novembro, milhares de litros
de óleo foram derramados nas águas do litoral paranaense.
Mesmo após vários dias o navio apresentava diversos
vazamentos. Animais mortos foram encontrados na Ilha do
Mel, a quilômetros de distância do local do incidente. O
comércio local teme pela queda no movimento no litoral,
justamente na época do ano em que conseguem renda extra
para o restante do ano.
Os pescadores que vivem no litoral do Paraná são os
mais prejudicados. O governo do estado proibiu a pesca e
concedeu ajuda de um salário mínimo para cada pescador
até a liberação de suas atividades. Porém, eles alegam
que esta ajuda é paliativa. O maior temor da população
local é que a próxima temporada de pesca esteja
comprometida uma vez que a mancha de óleo pode ter
matado filhotes e peixes menores. Esta ameaça é real, pois
foi comprovado que a região dos mangues e baixios onde
eles se escondem de predadores foi atingida.
As empresas responsáveis pelo navio e pela carga foram
multadas em um valor total de R$ 2 milhões. No entanto,o
estrago ao meio ambiente já foi feito. Pior que isto é a
possibilidade de novos acidentes no futuro, pois a demora
na contenção dos vazamentos e retirada do óleo indicam
que as autoridades, apesar de todo empenho, não estão
preparadas para atuar nestas situações.
Dança flamenca, beleza
que poucos conhecem
Existem em Curitiba vários grupos Flamencos.Um
exemplo é o de Amália Moreira – La Morita que, junto com
sua filha Tâmara de La Macarena e seu esposo Sant a Ana,
radicou-se na capital paranaense e montou no ano de 1981
a escola Ballet Espanhol Flamenco de La Morita y Santa
Ana.
Hoje o trabalho realizado pela escola é reconhecido em
todo o país por sua autenticidade, qualidade e dedicação.
Depois do desaparecimento prematuro de Santa Ana em
1993, passa integrar em seu lugar Fabiano Zanin como 1º
guitarrista. Entre seus mestres mais destacados encontramse: Rafael de Cordoba, Antonio Gades e Cristina Hoyos,
estes dois últimos, intérpretes dos filmes ‘’Bodas de
Sangue’’,’’Carmen’’ e ‘’Amor Brujo’’, trilogia do cineasta
espanhol Carlos Saura.
Segundo o aluno do Centro Espanhol do Paraná, Sílvio
Souza Semprebon, 26, o principal problema para a dança
flamenca não ser valorizada totalmente na cidade é a falta
de cultura do povo em compreendê-la, ou seja, em estudar
seus ritmos, danças e principalmente seu valor artístico.Diz
ele ainda que o próximo espetáculo do grupo será realizado
no ano que vem, no Teatro Guaíra.
Glênio Semprebon (Redação/Diagramação)
Marcelo Tavares (Redação/Diagramação/Editorial)
Novembro/04
2
Aprendendo
com os erros
Helio Marques
Nesta edição vamos analisar a
edição n.º 9, de outubro/2004. Gostaria
de apontar um pequeno erro na capa: o
uso exagerado da locução “através” em
algumas chamadas. Para evitar
empregos incorretos no futuro, ela só
deve ser utilizada em frases em que haja
o sentido de “por dentro de, de um lado
a outro ou, ainda, ao longo de”. A
utilização, em situações que signifiquem
“por meio de” está errada. Outra coisinha
ainda com relação à capa: deve-se
utilizar nos títulos que aparecem em
colunas próximas a mesma quantidade
de linhas. O uso incorreto, como foi feito
na edição em análise, deixa a
diagramação manca.
Na 2, o Editorial deveria expressar
uma opinião do veículo e não dizer o
que o leitor vai encontrar nas próximas
páginas. Se for assim, melhor abolir o
“editorial”.
Na página 3, a reportagem conta a
história de Lorenzo Corso, que lutou na
II Guerra. Estaria muito boa, se não
fosse o último parágrafo. Tudo que ali
está escrito o leitor já leu e concluiu.
Não precisava escrever. Além do mais,
nunca esquecer da regrinha básica:
adjetivos para quê?
Nas páginas 4 e 5, ocupadas pela
matéria de capa, a discussão entre a
programação das TVs públicas e
privadas, se há manipulação e se
distorcem os fatos ou se privilegiam um
determinado segmento, ficou repetitiva.
Apesar dos textos ficarem distribuídos
de forma adequada, o conteúdo deixou
a desejar. Nada que já não tivesse sido
abordado em reportagens publicadas
sobre o assunto. Seria melhor se a
abordagem tivesse encontrado um outro
enfoque.
A página 6 traz uma matéria
interessante, com abordagem sobre
cinema. Mas começa com erros. Devese evitar começar o texto com aspas.
E o pior é que o segundo parágrafo
também abusou do artifício. Um lead e
um sub ruins. A razão é que o conteúdo
das frases não justifica a utilização das
aspas, que se deve evitar, mas não são
proibidas. No rest ante está boa. A
matéria está como um carro velho:
custou a pegar, mas depois sumiu no
horizonte.
A 7 traz uma boa matéria sobre o
ciclismo feito à noite e a 8 um bom texto
sobre os cursos técnicos. Mas poderia
ser melhor, como por exemplo, jogar fora
a primeira frase da matéria: “Muito se
tem comentado sobre os reflexos da
globalização nos mais diversos setores
da sociedade”. Batida, sem vida, não
diz nada. Outra observação: MEC quer
dizer Ministério da Educação e não
como está grafado no texto. Ou o
repórter quer derrubar o Gilberto Gil?
Até o próximo número!
Helio Marques é jornalista, professor de
Redação Jornalística na UniBrasil e
diretor do site de notícias sobre
educação www.nota10.com.br .
Capital da Notícia
Curitiba
Perfil
Novembro/04
Estátuas e
boneca
ganham
vida na XV
3
Artistas contam como é a rotina
do trabalho nas ruas de Curitiba
Silverman: “O esforço acaba sendo gratificante”
Estátua Branca: “a arte deve-se fazer com amor”
Todos os dias milhares de pessoas costumam ir
ao centro da cidade para trabalhar e fazer compras.
Com tantas lojas e lanchonetes na Rua XV de
novembro, elas também desempenham papéis
importantes, sendo culturais ou artísticos. E é lá no
calçadão da cidade que encontramos “figuras”
surpreendentes que podem mudar a rotina, alegrando
as crianças e encantando os adultos. São as
estátuas vivas, a bailarina da caixinha de música,
entre outros que estão ali ganhando o seu dinheiro
de forma digna e alegre. Muitas pessoas não
reconhecem esse trabalho, no entanto, outras ficam
pasmas ao ver tanta força de vontade, como é o caso
de Paulo, 28 anos, estátua viva que prefere ser
chamado como “Silverman”, não revelando seu
sobrenome. Gaúcho, o artista passou por
Florianópolis e Joinville até chegar em Curitiba, onde
reside há seis anos.
Silverman conta que não é fácil ficar praticamente
o dia inteiro em pé sentindo frio e calor muitas vezes
num dia só. “Mas o esforço é gratificante, afinal
sustento minha casa com o dinheiro arrecadado
durante as apresentações”, afirma orgulhoso. Num
local onde centenas de pessoas transitam a cada
hora acontecem muitos fatos inusitados. Para
Silverman, o mais emocionante foi quando uma moça
aproximou-se e, sem que esperasse, beijou seus pés.
“Muitas coisas acontecem, e cada dia é uma
novidade. Um dia vem um e me xinga dizendo que
não tenho nada p ara fazer, outros se assustam, mas
existem ainda aqueles que ficam admirados e até
me tratam como santo beijando meus pés”.
O artista de rua, que durante o dia de trabalho
permanece calado, reclama melhores condições e
apoio da prefeitura. “Em dias de chuva, não podemos
trabalhar. A prefeitura não libera um alvará para que
possamos nos apresentar em terminais de ônibus
ou em parques da cidade”, queixa-se.
O sonho desta estátua vai muito além de
arrecadar moedas no centro da cidade. O simples
rapaz que saiu do Rio Grande do Sul em busca de
realização pessoal e principalmente reconhecimento
profissional tem projetos para um futuro próximo.
Ele pretende montar sua própria escola para vitrines
vivas mirins.
Leonir lima, 24 anos, demonstra o amor pela arte
nas apresentações de rua. O artista, que iniciou o
trabalho há seis anos, diz que faz tudo isso porque
gosta mesmo e que também já trabalhou como officeboy. Lima demorou dois anos para aprender as
técnicas de estátua viva em aulas de teatro, mas diz
que valeu a pena, pois hoje pode trabalhar com amor.
Ele afirma orgulhoso que chegou a fazer o que se pode
chamar de treinamento em alguns circos. “Foi muito
bom, aprendi muito, principalmente que arte deve-se
fazer com amor, se não, não pode ser chamada de
arte”.
Conhecido no calçadão da Rua XV de Novembro
como “Estátua Branca”, cativa o público com seus
movimentos leves e carinhosos. “É muito suave, criativo
e traz alegria. Tudo que eu precisava era que alguém
beijasse a minha mão”, declara Maria de Fátima Araújo,
49 anos, artesã que passava pelo calçadão no
momento da apresentação.
O apoio da família, para ele, é essencial. “Minha
família é de Curitiba mesmo, e sempre me apoiou.
Sem dúvida mesmo que eles não me apoiassem
trabalharia com isso mesmo assim”.
Trabalhar todos os dias, inclusive nos finais de
semana, não é uma obrigação para estes
conquistadores de sorrisos, afinal eles mesmos fazem
seu horário, mas o que não se pode deixar de lembrar
é que esses finais de semana podem lhes render as
compras de Natal. E é bem nesta época do ano que o
Estátua Branca diz ter maiores lucros.
Toda esta criação de emoções já ganha seus fãs.
Marilu Cordeiro, 56 anos, residente em Paranaguá,
conta que ao chegar na cidade seus filhos de seis e
sete anos ficam bastante entusiasmados, pedindo
diversas vezes para que ela os leve até os estátuas
vivas. “Na cabeça deles não é uma pessoa que está
ali imitando uma estátua, mas sim uma estátua
movendo-se como pessoa”, conta emocionada. Com
tanta alegria e sensibilidade, o artista consegue
transportar para o público emoção em forma de
movimentos, pedindo em troca apenas algumas
moedas.
A bonequinha Ticlao(foto), bailarina de caixinha
de música é impulsionada pelo público na Rua das
Flores. Fernanda Torres de Moraes, 38 anos, nascida
em Minas Gerais e há dois anos está em Curitiba
cursando o curso de licenciatura em Teatro na
Faculdade de Artes do Paraná é quem dá vida à
personagem. Ela atua como atriz há onze anos, e
há seis, quando estava trabalhando como artista de
rua entre Portugal e Espanha, criou a bailarina Ticlao.
No início, a boneca era uma estátua que, conforme
as pessoas pagavam-na, fazia alguns movimentos.
Quando
voltouchega
ao Brasil
em do
1999,
ajuda
da
Quando
o final
dia,com
Mr. aPin
e seus
amiga Letícia Fonseca,
montou
um novo figurino
para
colaboradores
transportam
a refeição
em veículos
a boneca eereuniu
os movimentos,
fazendo
particulares
fazemtodos
a entrega
para as pessoas
que
uma
performance
de quinze
já
o aguardam
ansiosas
emminutos.
frente à Catedral de
Lançada
em
Juiz
de
Fora
(MG),
a
Boneca
Ticlao
Curitiba, na Praça Tiradentes.
com No
movimentos
deébailarina,
eraaacompanhada
pelo
local onde
distribuída
refeição há pouca
som de Mozart.
Trabalhando
há dois anos,
segurança
e as pessoas
logona
seXV
aglomeram
para
Fernanda
conta
que foi uma
nova experiência
saciar
a fome.
Há mendigos,
prostitutas,
menores de
trabalhar
na
rua.
“Quando
você
está
em
um
teatro
rua muitas vezes drogados, traficantes, assaltantes,
fechado, o público é que está te esperando. Já na
muitas crianças e idosos.
rua você
é quem
espera
o público.
Nunca alimento
sabe o
Mr. Pin
não tem
dúvidas
que aquele
tamanho
da éplatéia.
só tenha
para
muitos
a únicaMesmo
refeiçãoque
do dia
e, por uma
isso,
pessoaamanhece
me observando,
estarei
me
quando
já existe uma
grande sempre
preocupação:
apresentando”.
“Será que terei o que oferecer hoje? Haverá
Para a atriz, o fato mais tocante acontecido em
colaboradores? Confiante ele vai à luta e sempre
suas apresentações é que os meninos de rua sempre
consegue. “Para mim é muito prazeroso fazer caridade
se identificam com ela e ficam encantados com a
e contar com a ajuda de fiéis voluntários como é o
boneca, repartindo as poucas moedas que eles têm.
caso do colegas Borba e Arli que mesmo com as
No entanto, a bailarina não se importa com valores
atividades do dia- a- dia dispensam um horário para
e mesmo que às vezes ganhe poucos centavos não
auxiliar
no projeto”, ressalta.
estará desmerecendo
o seu trabalho, já que sempre
é dado
de coração. Fã da boneca Ticlao, a menina
Doação
Gianna Manssani às vezes desvia seu caminho só
para Borba
olhar aFernandes,
boneca por 51
alguns
minuto.
Para ela,tem
a
anos,
empresário,
bonecadepassa
uma energia
“Fico
orgulho
ser voluntário
de uma gostosa.
causa tão nobre.
impressionada
com por
o encanto
queconstrangedoras
ela causa às
Conta
que já passou
situações
crianças.
Elas
ficam
imobilizadas
olhandoinclusive
para a
no
local onde
são
distribuídos
os alimentos,
bailarina
e nunca
passei
por aqui
que não
de
insegurança
quanto
à violência.
“Jásem
conseguimos
houvesse
alguém parado
para ficar
aqui
a recuperação
de pessoas
queadmirando”.
não tinham poder
Cristiane Rocha (reportagem,foto e diagramação)
Andressa A Nascimento (reportagem )
Laura Brown(reportagem)
Capital da Notícia
Reportagem
Curitiba
Conselho Federal de Jornalism
Marcelo Tavares
“Não temos nenhuma entidade, nenhum
instrumento que regule o acesso à nossa profissão.
O Conselho Federal de Jornalismo vai ser a porta de
entrada da profissão depois de um curso superior, e
irá fiscalizar o exercício da profissão”
O jornalista e presidente da Fenaj (Federação Nacional de Jornalismo) Sérgio
Murillo de Andrade, esteve na Unibrasil, no mês de outubro, para defender a criação
do CFJ (Conselho Federal de Jornalismo). No encontro, afirmou que mais do nunca,
se faz necessário ter um conselho que regulamente a profissão e defenda os
interesses dos jornalistas, cuidando e orientando a atividade. Mesmo sabendo que
existe um grupo forte contrário a criação do CFJ, ele acredita que chegou o momento
certo para retomar com força essa discussão, aproveitando o ato do presidente
Lula, que encaminhou o projeto ao Congresso Nacional. Confira os principais pontos
da entrevista.
Capital da Notícia - Como o
Conselho irá desenvolver seu trabalho?
Sérgio de Andrade - Vai funcionar
do ponto de vista formal, exatamente da
mesma forma que os outros. São mais
de 40 conselhos profissionais
organizados no Brasil, e a nossa
intenção é que ele tenha o mesmo
formato, estrutura e atrubuições. É claro
que vão existir especificidades, no caso
da categoria do jornalismo.
CN - Como funcionará o Conselho?
Andrade - Vai definir regras de
acesso à profissão, vai ser o mecanismo
de acesso à profissão, como são o
Conselho Federal de Medicina, o
Conselho Federal da OAB. Não temos
nehuma entidade, nenhum instrumento
que regule o acesso à nossa
profissão.Vai ser a porta de entrada da
profissão depois de um curso superior,
e irá fiscalizar o exercício da profissão.
A fiscalização do exercício da profissão
é muito diferente da suposta fiscalização
de conteúdo, como os opositores da
idéia do Conselho têm mencionado. Irá
também estimular e fiscalizar a
qualidade do ensino do jornalismo.
Temos mais de 350 escolas de
jornalismo no Brasil, formando
aproximadamente 8 mil novos
jornalistas, e não se têm uma entidade
que zele pela ética e qualidade do ensino
do jornalismo, sendo hoje uma tarefa
exclusivamente do Estado. E por último
e talvez a principal missão do Conselho
é zelar pelo cumprimento do código de
Ética do jornalista. Nós temos um
Código de Ética, mas infelizmente a
aplicação não existe, depende muito da
suposta boa vontade dos profissionais
estarem envolvidos com esse assunto
da ética.
CN - No que o Conselho poderá
mudar o sistema do jornal impresso?
Andrade - Jornal impresso, jornal
na tevê, jornal no rádio, da mesma forma
que as escolas contribuíram no sentido
de aperfeiçoar o jornalismo no Brasil.
Valorizar nossa profissão e
profissionalizar o mercado. Essa é a
aceleração do processo que o Conselho
possibilitará.
CN - Porquê só agora a criação de
um Conselho Federal de Jornalismo?
Andrade - Na verdade, um
levantamento feito no Congresso
Nacional indica que o primeiro projeto
encaminhado ao Congresso para se
criar uma Ordem ou um Conselho já tem
39 anos. Há 20 anos que o movimento
sindical dos jornalistas retomou essa
discussão. É uma discussão feita de
dentro dos sindicatos para criar outra
entidade, por isso entre nós tem uma
Ney Birk
Andrade (centro) em palestra na Unibrasil, esclareceu dúvidas sobre o Conselho
porção contrária justamente por estar
criando
uma
entidade
que
eventualmente possa estar disputando
espaço institucional com a Fenaj e com
os sindicatos. Então nós levamos algum
tempo para convencer as direções dos
sindicatos. Eu mesmo precisei de algum
tempo para perceber que a criação é
fundamental e inclusive irá contribuir para
o fortalecimento das entidades
sindicais. O Conselho se preocupará
com as condições de trabalho, com a
geração de emprego, com as questões
salariais. Houve um tempo de maturação
dentro do próprio movimento sindical
para poder convencer os sindicatos, que
hoje estão convencidos. Em 1996, esse
projeto foi para votação da categoria em
um congresso realizado em Porto
Alegre. Agora, o projeto foi aclamado em
João Pessoa, quando recebemos a
informação de que o presidente Lula
estava assinando e encaminhando o
projeto ao Congresso Nacional.
CN - No que a criação de um
Conselho afetará a categoria dos
jornalistas?
Andrade - É um processo que hoje
pode avançar ou retroagir. Nossa
profissão vive um momento histórico, em
que dará um salto de qualidade ou ela
retroagirá, no sentido em que vira uma
profissão de “ bico”, onde o sujeito tem
uma profissão principal e o jornalismo
como secundário. Eu acredito que o
Conselho pode evitar essa segunda
possibilidade, a do retrocesso, e
acelerar
o
processo
de
profissionalização do mercado, da
valorização da nossa profissão e de
qualificação da prática do jornalismo no
Brasil.
CN - O Conselho cuidará dos
interesses dos jornalistas ou dos jornais,
já que estes possuem grande poder
político?
Andrade - O Conselho é de
jornalistas, não tem absolutamente
nenhuma relação com as empresas e
nem com o governo. É um conselho de
jornalistas, que vai se preocupar em
defender o profissional e estará a serviço
da sociedade no sentido de estar sendo
um instrumento que zele pela ética
profissional. É um instrumento de defesa
do jornalista, inclusive na sua relação
com as empresas, no momento de
conflito, por exemplo, o momento
eleitoral, em que os jornalistas ficam sob
pressão da sociedade, dos políticos, e
até mesmo das empresas, e não podem
contar com uma entidade, além dos
sindicatos, que tenha um peso
institucional que possa fazer a sua
defesa diante dessas pressões que vêm
por todos os lados.
Não somente em momentos de
conflitos, mas no dia-a-dia nas
redações, eventualmente você é obrigado
a fazer uma pauta que envolve
interesses comerciais, que não são
claros. Não se tem uma entidade que
possa estar polemizando e questionando
Andrade: “o Conselho é necessário”
esta atitude da empresa. O Conselho
irá fazer isso.
CN - O Grupo RBS, do Rio Grande
do Sul, afirma que vai trabalhar contra
o Conselho Federal de Jornalismo. O
quê o senhor acha disso?
Andrade - Eles representam a
entidade patrão e são empresas que
sempre foram contra a nossa
regulamentação profissional. A maioria
delas questionaram e combateram a
exigência do diploma para exercício da
profissão e era natural que viesse
também se opor à idéia de criar um
conselho que vai nos dar um grau de
organização, articulação e valorização
bastante superior ao que se tem hoje.
Então, nada mais natural que essas
entidades, que representam essas
empresas fossem contra a criação de
um Conselho. A oposição à criação do
Conselho é formada por patrões e seus
cães de guarda, que são alguns
jornalistas à serviço dos interesses
patronais.
A formação do Cons
A discussão do momento no
meio jornalístico é a criação do
Conselho Federal de Jor nalismo.
As opiniões se dividem. De um
lado os profissionais que vêem
no Conselho um órgão que irá
proteger a categoria contra o
empr e guismo, o contr ole da
mídia, não pela sociedade mas
apenas pelos g randes grupos de
com unicação, e a falta de ética,
enquanto do outro lado
encontram-se jornalistas e
juristas que percebem uma linha
inconstitucional anti-democrática
e censuralista no desen volvimento do novo Órgão
Feder al.
A Constituição Feder al
garante a liberdade de
expressão, de inf ormar e de ser
Setembro/04
Reportagem
5
nalismo: proteção ou censura
“Ao pretender ‘orientar’ e ‘fiscalizar ’ o trabalho do
jornalista e a ‘atividade do jornalismo’, envolvendo
até a administração das empresas de comunicação,
a criação do Conselho é manifestadamente
inconstitucional.”
Essa é a principal ‘falha’ detectada
pelo jurista René Dotti no projeto do
Conselho Federal de Jornalismo.Em
palestra para os alunos de jornalismo da
Unibrasil, ele afirmou ser a favor do
conselho desde que sejam feitas algumas
alterações na redação do projeto,
enviado ao Congresso. Dotti é professor
titular de Direito Penal na Universidade
Federal do Paraná e vice-presidente da
Associação Internacional de Direito
Penal. Confira a entrevista:
Capital da Notícia: O projeto do
Conselho Federal de Jornalismo ( CFJ )
possui uma raiz antidemocrática?
René Dotti: Sim, porque pretende
orientar (palavra usada no projeto) uma
atividade que por sua natureza e pela
sua história deve estar a salvo de
qualquer amarra política, social,
econômica, religiosa ou de outra
natureza.
CN: A criação do CFJ não faria
renascer a censura e o autoritarismo
sobre as informações?.
Dotti: Sim, na medida em que se
cria um órgão para “orientar, disciplinar
e fiscalizar o exercício da profissão de
jornalista e da atividade de jornalismo”
(cf. o art. 1°, § 1° do projeto de lei), a
tendência se dirige para intervir, direta
e arbitrariamente da consciência do
profissional e no coração da empresa
de comunicação.
CN: Na época da ditadura milit ar, o
senhor defendeu vários jornalistas,
acusados políticos. Se o CFJ já
existisse, teria mudado algo nesta
época?
Dotti: Penso que teria mudado; para
pior. Durante a vigência do Ato
Institucional nº 5 (de 12.12.1969) até a
sua revogação pela Emenda nº 11
(13.10.1978), a liberdade de imprensa
estava suspensa em face da censura
prévia exercida sobre os meios de
comunicação. Diante do poderes
autoritário de cassar mandatos e
interditar atividades civis, um Conselho
Federal de Jornalismo não teria
liberdade para agir em defesa dos
profissionais cerceados em suas
atividades. A censura existente na
época quanto aos jornais, rádio,
televisão, cinema e teatro, bem
demonstra que um CFJ seria impotente
diante do Estado autoritário.
CN: Qual é a sua posição a respeito
da criação do CFJ?
o do Conselho Federal de Jornalismo
inf or mado, inde pendentemente
de censura ou licença, é o que
consta no capítulo V art. 220 :
A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e
a infor mação, sob qualquer forma,
pr ocesso ou veículo, não sofrerão
qualquer r estrição, obser vado o
disposto nesta Constituição .
1º - Nenhuma lei conterá
dispositivo que possa constituir
embaraço à plena liberdade de
inf or mação jornalística em
qualquer veículo de comunicação
social, obser vado o disposto no
ar t. 5º, IV, V, X, XIII, XIV.
2º - É vetada toda e qualquer
censura de natureza política,
ideológica e artística. Este artigo
resume de f or ma simples o
e xer cício do jor nalismo , que
contempla ainda a ética e a
seriedade do indivíduo na
execução de sua pr ofissão . É
possível então dizer ou até
a f ir mar que os sindica tos
podem, amparados pelas Leis
Feder ais e Estaduais, resolver as
problemáticas existentes entre
pro f is-sionais, imprensa e a
sociedade na realização da
comunicação.
Assim como distante é a
certeza de que o Conselho
Feder al de Jornalismo dará
conta de tantos af az eres. Por
ser um Órgão Federal, estará ele
acima
dos
Sindicatos
Regionais.
Por tanto cabe a ele delegar
funções , ver tar efas e
obrig ações.
Dotti: Como tive oportunidade de
dizer em aula para a turma de
Jornalismo da Unibrasil, não sou
contrário à existência de um órgão de
representação dos interesses
institucionais e profissionais dos
jornalistas, especialmente quanto às
liberdades fundamentais para o
exercício de suas atividades. Como
disse o prestigiado jornalista Clovis
Rossi num artigo sobre o assunto, é
preciso garantir a liberdade da empresa .
No entanto, o atual projeto de
criação do Conselho Federal de
Jornalismo, ao pretender “orientar” e
“fiscalizar” o trabalho do jornalista e a
“atividade de jornalismo”, envolvendo até
a administração das empresas de
comunicação, é manifestamente
inconstitucional. Com efeito, a nossa
lei fundamental estabelece que
“Nenhuma lei conterá dispositivo que
possa constituir embaraço à plena
liberdade de informação jornalística em
qualquer veículo de comunicação social,
observado o disposto no art. 5°, IV, V,
X, XIII e XIV”.
Em artigo recentemente
publicado (Folha de São Paulo, de 9.11,
pág. 3), Ivens Gandra Martins, observa
muito bem: “Um Conselho Federal de
Jornalismo seria tão esdrúxulo quanto
criar, por exemplo, um Conselho
Federal de Poesia para fiscalizar os
poetas, como acontecia na antiga
União Soviética, e condicionar sua pena
às exigências burocráticas e
ideológicas dos dirigentes do órgão
controlador””.
Eu também penso assim,
lembrando a perseguição movida pelo
stalinismo contra o genial romancista
e poeta Boris Pasternak (1890-1960,
agraciado com o Prêmio Nobel de
Literatura, o prestigiado autor de Dr.
Jivago. Ele foi impedido de publicar na
União Soviética e foi banido da União
dos Escritores Soviéticos.
Sandro Honório
“A tentativa de
profissionalizar a
informação,
subordinando-a a
controles corporativos,
representa séria
ameaça ao Estado
Democrático de Direito.
É importante
considerar, também,
que inúmeros
colaboradores dos
meios de comunicação
não são jornalistas.
Estariam eles
impedidos de
manifestar o
pensamento e as idéias
por não terem a
carteirinha e o registro
no Conselho? “
(René Dotti : O renascimento
dos Atos Institucionais, Gazet a
do Povo, 12 de agosto, 2004)
Sandra Bertolini (Report./Edição)
Sandro Honório (Report./Diagramação)
Sandro Honório
Dotti:”Existem colaboradores que não são jornalistas, serão impedidos de escrever?”
Capital da Notícia
Trabalho
Curitiba
Curitiba está no
circuito da moda?
Fernanda e a mãe Tânia durante as aulas no Senai, em Curitiba
Mercado expande suas
raízes no solo das
Araucárias afirmando a
cidade como pólo criador
A moda curitibana tem um viés
específico e original, fruto das
misturas de raças e certa timidez e
introspecção típicas de quem se sabe
curitibano. De alguns anos para cá o
mercado cresceu muito, graças às
indústrias de confecções fixadas
principalmente no norte do Paraná.
Curitiba assume um papel mais ativo,
contratando mão-de-obra local e com
isso abrindo uma nova safra de
criadores, consumidores e profissionais de áreas diversas que
pretendem fazer da moda algo mais
forte e de relevância nacional.
O estilista Roberto Arad, que tem
uma loja que leva seu nome na rua
Vicente Machado, completou 10 anos
de carreira fazendo uma linha mais
“alternativa e original”, contrariando a
tese de que os curitibanos são mais
tradicionais e avessos a novidades.
”Será que o curitibano é assim? Hoje
temos curitibanos mineiros, catarinenses, cariocas, paulistas,
recifenses, do interior... Isso dá uma
arejada na cabeça das pessoas. Eu
conheço muita gente bem informada
e, principalmente, bem intencionada”,
define o estilista.
O perfil de compradores de Arad
tem faixa etária entre 20 e 35 anos,
gostam de sair á noite, moda e
novidades.”Tenho clientes de 12
anos e com mais de 30 também, amo
isso”, diz .
Na mesma região que Roberto tem
loja, os fashion designers locais, Jean
Pierre Lobo e Jefferson Kulig também
apresentam suas coleções para os
moradores da cidade. Lobo e Kulig
conseguiram atrair este novo perfil de
consumidores para suas lojas ,cada
um com características específicas.
Kulig tem duas marcas, a Voos,
que é mais comercial e outra mais
elaborada, chamada Jefferson Kulig,
onde ele trabalha com um tecido feito
de borracha, que molda o corpo
dando um caráter único para suas
peças. Jefferson estreou em 2003 no
São Paulo Fashion Week, importante
evento de moda em São Paulo, e
obteve críticas muito favoráveis de
profissionais
extremamente
respeitados do meio.
Lobo faz roupas para um público
mais jovem e participa juntamente
com Arad do evento local Curitiba
Fashion Art. Realizado em agosto
deste ano, na sua 4º Edição, e
idealizado pela jornalista Nereide
Michel e o produtor Paulo Martins,
iniciou-se em 2002. Com uma
iniciativa corajosa e muito sacrifício
conseguiram estruturar uma semana
de moda valorizando e dando maior
visibilidade
aos
criadores
paranaenses, que não tinham onde
desfilar suas coleções.
Paralelo a esta semana, acontece
no mês de outubro outra produção
local chamada Crystal Fashion, já na
sua IX Edição, realizado pelo
shopping Crystal Plaza. Os desfiles
apresentados são das próprias lojas,
com uma estrutura cada ano melhor,
com mais novidades e patrocínios,
abrindo um espaço até então vago
que
se
profissionaliza
e
conseqüentemente requer mais
pessoas especializadas no setor.
Um exemplo de dedicação
O estilist a Silmar Alves é
professor do Senai e um dos
principais nomes do mundo fashion
paranaense. ”Acabei por dedicar-me
em grande parte ao Senai, onde
faço parte do grupo contratado da
instituição e desenvolvi neste setor
trabalhos como o desfile da Fenit em
São Paulo, que homenageava a
imigração polonesa no Paraná”,
conta Alves. Este desfile o levou a
Brasília em 2003, na comemoração
aos 150 anos da emancipação
política do Paraná.O fashion
designer desenvolveu com os alunos
mostras importantes como um
desfile de roupas feitas em papel
para lançamento de um papel de
impressão junto a Inventário Papéis
Especiais.
Arad busca novo perfil de consumidores
Setembro04
6
Novos talentos da
moda em formação
Os admiradores do estilismo
dispõe em Curitiba de várias
alternativas de cursos técnicos e
profissionalizantes ou mesmo uma
Faculdade de Moda. O Senai é um
dos mais reconhecidos e oferece
opções com cursos completos que
incluem desde a criação, técnicas de
montagem, marketing até a produção
final.
O curso técnico de estilismo de
confecção industrial, oferecido pelo
Senai Cietep, tem duração de dois
anos e é dividido em quatro módulos.
Em cada um, para manter as turmas
motivadas, trabalha-se as várias
etapas
teóricas
e
práticas,
simultaneamente; como desenho,
estudo da linguagem visual e a
produção. “Nossos professores são
o que há de melhor no mercado”,
cont a Jussara Bahr, coordenadora
dos cursos do Senai.
Aos alunos que se destacam em
cada turma, a instituição oferece
uma bolsa para um curso de
aperfeiçoamente em Milão, através de
uma parceria formada com o SAR
europeu . “Isso proporciona ainda
mais motivavação à equipe”,
completa a coordenadora.
Silmar Alves, design de moda
curitibano, é professor de modelagem
e moulage, técnica que consiste na
confecção das peças, diretamente
sobre o manequim ou corpo. Ele diz
que é necessário investir na formação
dos novos talentos, visando a
valorização dos profissionais locais.
“Curitiba é autofágica, já dizia
Leminski, e precisa mudar esse
conceito. Temos excelentes criadores
curitibanos, mas a maioria dos
consumidores prefere pagar mais,
comprando peças de profissionais de
outros estados.”
Muitos
alunos
de
Silmar
concordam com ele, como Tania e
Fernanda Talles. Mãe e filha estão
concluindo o curso neste ano e têm
muitos projetos na área. Tânia
pretende abrir uma confecção em
parceria com a filha. “Eu faço a parte
de execução e montagem e ela, a
criação e os desenhos”, diz.
Fernanda já está fazendo estágio
em uma loja e conta que sua área de
interesse é o esporte wear e almeja
um dia trabalhar na Adidas. Apesar
de jovem, a estudante já tem
consciência que se trata de um
segmento que exige muito trabalho e
dedicação. “As pessoas enxergam
somente a parte glamourosa das
passarelas, não imaginam como é
difícil se evidenciar entre tanta
concorrência”, diz Fernanda.
O curso, bastante abrangente,
permite ao aluno, uma visão macro
do universo da moda. Isso engloba
desde a história da arte, a
tecnologia da confecção, os
materiais e os processos texteis,
gestão e marketing e finalmente a
criação e produção. Dessa forma,
é possível definir a etapa que
proporciona mais afinidade e buscar
o aperfeiçoamento.
Ivone Macedo (Repórter/Diagramação/
Edição/Fotos)
Marianna Camargo (Repórter/
Diagramação/Edição)
Capital da Notícia
Esportes
Curitiba
Novembro/04
7
Em alta velocidade
www.pedrobianchini.com.br
Para os apaixonados por velocidade
e que não aspiram se tornar um piloto
profissional, os karts indoor são uma boa
alternativa. Contudo, para os que
sonham em se profissionalizar, as
dificuldades começam fora das pistas.
O esporte praticado como lazer se
popularizou, sobretudo pela segurança
que oferece e também pelo baixo custo.
“Hoje em dia uma pessoa que passa em
média 30 minutos numa pista não gasta
mais do que R$ 20,00”, é o que diz
Gislaine Silva, funcionária de um Indoor
em Curitiba. Gislaine ressalta ainda que
o acesso a esse esporte foi
popularizado,
entretanto,
os
freqüentadores das pistas indoor ainda
pertencem à classe média.
Entre os adolescentes, os karts
indoor são o programa favorito de final
de semana, e a mania não atinge
apenas os garotos, pois as meninas
estão aderindo cada vez mais a essa
prática.
Ana Carolina Ximenes, 14 anos, corre
de kart desde os 12, e não abre mão de
todos os finais de semana encarar uma
pista. “Quando eu tinha 10 anos, já
queria participar das corridas, mas a
minha mãe me achava muito nova.
Quando fiz 12, ela aceitou a idéia”, diz
emocionada.
Janete Ximenes, mãe de Ana
Carolina, diz incentivar a filha. “A minha
preocupação era com a questão da
segurança, mas logo na primeira
participação da Ana percebi que não
havia perigo”. Janete ainda reforça que
o kart tem contribuído para o
desenvolvimento da filha. “Na escola, o
rendimento dela é muito maior, e sem
contar a auto-estima, que também
aumentou”, diz.
No aspecto profissional, o kart
encontra
sérias
dificuldades.
Praticamente não há incentivos, e os
patrocinadores são poucos. O custo para
se manter nos campeonatos é alto, e
tudo corre por conta dos pilotos, os quais
na sua grande maioria são adolescentes
e dependem financeiramente de seus
familiares. Por isso, para ingressar
nessa carreira, contar com um bom
patrocínio é indispensável, pois os
gastos são os mais diversos: peça,
mecânicos, combustível, entre outros.
Deixando os aspecto recreativo de
lado e também as dificuldades
financeiras para quem deseja se tornar
piloto profissional, o kart, desde a sua
invenção, tem despertado paixão e
curiosidade, mesmo naqueles que não
se encorajam em pilotar um.
O piloto paranaense Pedro Bianchini é uma das revelações do esporte
Futuro promissor
O paranaense Pedro Bianchini, de
apenas 13 anos de idade, iniciou sua
carreira de piloto em 1999, quando
ganhou um kart de presente de seu pai.
Em 2000, após meses de treinos,
começou a disputar oficialmente
campeonatos pelo Brasil. Logo após sua
primeira temporada no kart, conquistou
os títulos de Campeão da Copa Brasil,
Campeão Paulista, Paranaense,
Catarinense e ainda garantiu o ViceCampeonato Sul Brasileiro. Estas
conquistas chamaram a atenção de
empresas multinacionais, como a Red
Bull, atual patrocinadora e parceira da
carreira vitoriosa deste jovem talento
paranaense.
Em 2004, comprovando todo o
profissionalismo do jovem piloto, bem
como de toda sua equipe, Bianchini
fechou mais um grande patrocínio, agora
com a petroleira espanhola Repsol, que
tem tradição mundial de investir no
esporte automotor. O jovem promissor é
o recordista brasileiro de vitórias numa
só temporada.
“Quase todos os meninos da minha
idade sonham em correr como piloto de
automobilismo. Mesmo estando nos
primeiros degraus do esporte, posso
garantir que a velocidade é algo
apaixonante. Quem a experimenta nunca
mais quer deixar de sentir a emoção de
ter a adrenalina correndo nas veias, junto
com aquele ventinho batendo no rosto”,
garante o jovem piloto paranaense.
E Bianchini, apesar da pouca idade,
sabe o que diz: a melhor maneira de se
iniciar no mundo das corridas é através
do kart. O kart é o primeiro passo na
carreira de todo grande campeão do
automobilismo mundial, de onde vieram
o tricampeão Ayrton Senna, o
pentacampeão Michael Schumacher,
entre outros campeões. É no kart que
crianças e adolescentes vivem a fase de
aprendizado mais importante na vida de
um piloto.
Bianchini, que reside em São José dos
Pinhais, tem sido destaque do Paraná
nas principais competições do país. Em
menos de três anos de carreira, o piloto
já conquistou 14 títulos. Atualmente,
Pedro Bianchini ocupa a vice-liderança do
Campeonato Paulista de Kart, uma das
competições mais importantes do kart
brasileiro.
nacional ousava em criatividade: os
pneus eram de carrinhos de mão e
motor d’água.
Nas pistas brasileiras, o kart
começa a se profissionalizar com
Emerson Fittipaldi, que antes mesmo
de completar 18 anos pois era
necessária carteira de habilitação
para pilotar na categoria já
participava de campeonatos.
Na companhia de Emerson,
outros pilotos assumiram a
vanguarda do esporte no Brasil,
entre eles Wilsinho Fittipaldi, Carol
Figueiredo, Maneco Cambacau,
Afonso Giaffone e José Carlos Pace.
Praticamente todos os pilotos, das
mais diversas categorias automobilísticas, iniciaram suas carreiras
correndo de kart. O saudoso Ayrton
Senna da Silva não foi exceção à
regra, pois a sua trajetória também
teve inicio nas pistas de kart.
A década de 70 se apresentou de
forma pródiga, no que se refere à
safra de pilotos. Nelson Piquet,
Roberto Pupo Moreno, Chico Serra,
entre outros, encabeçaram essa fase
e profissionalizaram ainda mais o
esporte.
Em se tratando de inovações
tecnológicas, o álcool, nesse período,
passa a ser utilizado como
combustível. Esse advento não se
restringiu apenas aos carros de
corrida da época e tornou-se matéria
dos veículos de passeio.
Acelera
Movido com motor de aparador de
grama, em Los Angeles, no ano de
1956 é construído o primeiro kart. A
invenção foi um sucesso, tanto que
no ano seguinte, a cidade de
Pasadena, nos Estados Unidos,
sediou a primeira corrida da
categoria.
No Brasil, o kart começou a
tomar forma nas mãos do
comerciante de automóveis
Cláudio Daniel Rodrigues,
que, impressionado com as
corridas assistidas em território
americano, trouxe a idéia para
o Brasil.
O comerciante passou a
fabricar os primeiros chassis
para o kart brasileiro.
Tecnologia à parte, o protótipo
Márcio Norberto (Reportagem/Pauta)
Thiago Silva (Reportagem/ Diagramação)
Capital da Notícia
Cultura
A imaginação na
ponta dos dedos
Curitiba
Estimular a criança a gostar de
Com dedicação e amor à arte, eles
arte através do “fazer arte” e com isso aplicam aos pequenos freqüentadores as
despertar a criatividade e contribuir para diversas técnicas artísticas existentes e
a formação e desenvolvimento do caráter compartilham dessa vivência com
humano. Este foi o grande desejo do conhecimentos da história da arte para
mestre italiano Guido Viaro e que se que a criança tenha maior compreensão
tornou realidade ao criar o Centro Juvenil dos movimentos artísticos acontecidos
de Artes Plásticas em 1953.
ao longo dos tempos. “A procura pelos
Em 1937, o mestre já começou a cursos é sempre grande, e muitas vezes
revolucionar o meio artístico da cidade são recomendados por psicólogos porque
dando os primeiros passos para a criação auxiliam as crianças a desenvolver a
do Centro. Viaro visitava escolas e parte motora, a vencer a timidez e
convidava as crianças a desenharem. Os despertar a criatividade”, comenta a
melhores trabalhos eram selecionados professora e artista plástica, Consulelo
para serem expostos num grande Jacó Calixto, 45.
barracão. A alegria e satisfação das
Oficinas de arte
crianças e do mestre eram tão grandes,
O Centro Juvenil de Artes Plásticas
que resultaram na instalação de uma oferece cursos de desenho, pintura,
“escolinha”, e que passou a funcionar gravura, tecelagem, cerâmica, teatro e
regularmente quando da organização de folclore. “As crianças participam com
uma grande exposição para comemorar freqüência
de
exposições
e
o centenário de emancipação política do apresentações de teatro levando ao
Paraná. Foi assim que Viaro passo a público o aperfeiçoamento conquistado
passo concretizou seu grande projeto.
através da arte na busca constante de
Atividades
novas formas de expressão”, comenta a
O Centro Juvenil de Artes Plásticas artista plástica e também professora,
constitui-se num importante espaço Débora Maria Russo.
cultural dedicado a arte infantil e que
A escola também possui uma
trabalha com crianças de 6 a 14 anos. É Associação de Amigos mantida pelos
vinculado à Secretaria de Estado da pais dos alunos que quando necessário
Cultura e seus professores pertencem ao subsidia uma bolsa e vale-transporte
quadro da Secretaria de Estado da para estudantes carentes que possuem
Educação. Neste lugar, meninos e talento e amor pela arte. É o caso de
meninas apuram a sensibilidade através João Paulo, 13, morador em Colombo
da beleza das formas e das cores e do que, por seu esforço e talento, foi
equilíbrio da composição. Funcionou por merecedor da bolsa. “Eu já era aluno,
36 anos no subsolo da Biblioteca Pública mas tivemos um problema financeiro em
do Paraná e em 1989 conquistou sua casa e minha família não podia mais
sede própria num casarão antigo, no continuar pagando”.
Largo da Ordem.
O aluno César Mateus Wolf ,11 anos,
Atualmente, as atividades do Centro está na 5ª série e freqüenta a escola uma
Juvenil vem sendo
praticadas em salas
improvisadas no Museu
“Os cursos auxiliam as
Alfredo Andersen, em
crianças
a desenvolver a parte
conseqüência de sua
sede estar desativada por motora, vencer a timidez e
necessitar de urgentes despertar a criatividade”
reformas. A diretoria,
coordenação e o corpo de
professores do Centro Juvenil são vez por semana. Matheus conta que
formados por artistas plásticos, em sua gosta de desenhar e suas habilidades
maioria pós-graduados em Fundamentos tendem mais pelo desenho de animais e
Estéticos da Arte e Educação e Belas que ele mesmo decidiu optar pelo curso
Artes.
de desenho. Diz que sente-se bem na
escola e gosta muito da professora.
Clesi França
Segundo sua mãe Regina Wolf,
arquiteta, “César sempre
demonstrou interesse
pelo desenho. Ele
pra-ticamente criouse vendo desenhos
devido a minha
profissão”, afirma a
mãe que diz ficar
tranqüila ao deixar
seu filho no curso
para desenvolver
suas habilidades.
A artista plástica
Viviane Zeni, 40,
professora
de
Desenho ressalta
que
as
aulas
Sede da escola no Largo da Ordem
possibilitam treinar a observação tendo
Novembro/04
8
Evelize de Tullio
Professora Silvia com o aluno Adrielton, premiado com trabalho em pintura
contato com os elementos formais do
desenho (linha, ponto, luz, sombra,
volume) desenvolvendo uma linguagem
própria. O conteúdo programático
comprende a história da arte, artistas
brasileiros e universais, trabalhos com
relação a temas e visita a museus.
A coordenadora das oficinas, a
artista plástica Silvia Maria de Gracia
Marques, trabalha no Centro Juvenil há
13 anos. Atualmente comanda a oficina
de folclore Boi de Mamão. “Essa
manifestação folclórica é encontrada
somente no sul do país, trazida por
nossos colonizadores e que caíram no
gosto do homem do litoral. Na verdade
é uma brincadeira que conta a morte e
a ressureição do boi. É parecida com o
“bumba-meu-boi” ou “boi-bumbá”, do
norte do Brasil, e o que muda são
somente os personagens: benzedeira,
médico, bernunça (cobra de pano)e
dragão chinês”.
A professora Silvia conta que a
oficina oferecida pelo Centro JUvenil
porporciona ao aluno construir os
personagens, aprender canto e
representar. “As crianças adoram e
esta peça foi selecionada para o
Festival de Antonina, este ano”,
comenta.
Importantes nomes vêm se
revelando no Centro Juvenil, que é uma
das mais antigas escolinhas de arte do
Brasil. É o caso de Adrielton Galvão
Siqueira,13, que há dois anos freqüenta
as oficinas de desenho, pintura e teatro.
Em 2004, ele foi premiado com uma
pintura que lhe conferiu medalha de
prata na Índia.
A artista Magda Sella, 43,
professora de teatro há 10 anos, diz que
este ano por motivo das mudanças, as
oficinas de teatro iniciaram atrasadas.
“As crianças se envolvem tanto que
fazem disso sua vida’. Entre as peças
mais famosas estão: Gato de Botas e
Sonhos de Uma Noite de Verão, de
Shakespeare
Salas improvisadas, espaço
limitado, adaptações ao calendário do
Museu Alfredo Andersen, nada disso
impede que as crianças brinquem,
pintando com liberdade e sem a rigidez
das escolas, pois o objetivo do Centro
Juvenil, como dizia seu fundador, não é
formar desenhistas ou artistas, mas sim
contribuir para formar pessoas de
sensibilidade apurada, com gosto pela
arte, e em buscar a cada dia o
aperfeiçoamento, corrigindo deficiências
e discernindo a beleza estética de cada
trabalho.
A visão humanista de Viaro
Guido Viaro deixou a alma em tudo
que criou. Foi paisagista, marinhista,
pintor de figuras e de naturezasmortas. A paisagem paranaense, com
seus pinheiros típicos e sua neblina
nele teve o intérprete talvez mais
sensível. Fixou em marinhas aspectos
do litoral paranaense sobretudo em
Guaratuba. Mas foi acima de tudo
pintor de figuras e ele próprio
costumava explicar: “Tudo isso é feito
para chegar à figura humana; a gente
faz paisagem para ser fundo da figura
humana; a gente faz natureza-morta
para ser complemento da figura
humana. É no homem que se realiza
toda a grandeza e a meta final da obra
plástica”. Guido Viaro nasceu em
1897 na Itália (Badia Polesine), vindo
a falecer em Curitiba (PR) em 1971.
Serviço
O Centro Juvenil de Artes Plásticas
atende crianças de 06 a 14 anos.
Sede própria - Rua Mateus |Leme,
336- Largo da Ordem. Atualmente
desenvolve suas atividades nas
dependências do Museu Alfredo
Andersen, no endereço : Rua Mateus
Leme, 56. Fones 41 222-8262 e 3235148 Atividades: Oficinas de desenho,
pintura, gravura, cerâmica, tecelagem,
teatro e folclore.Valor R$ 40,00 (somente
matrícula) Horário de visitas: terça a
sexta das 9 h às 18:30h - sábados e
domingos das 10h às 16h. Obs: A s
matrículas para 2005 estarão abertas a
partir de dezembro. Haverá oficinas de
férias.
Evelize de Tullio (Edição/Diagramação)
Clesi A. França (Reportagem/ Edição)
Download

10 - Curso de Jornalismo do UniBrasil