NOVEMBRO/04 ANO 2 - Nº 10 [email protected] “Informação e cidadania a serviço da sociedade” Conselho Federal de Jornalismo divide opiniões Marcelo Tavares Imprensa paulista x futebol paranaense A postura de parte da imprensa esportiva paulista ao tratar do Atlético Paranaense tem sido no mínimo deselegante. Coincidência ou não, o clube paranaense briga diretamente pelo título com clubes paulistas (Santos, Palmeiras, São Paulo e São Caetano). Alguns comentaristas chegam a insinuar um esquema para favorecer o clube de Curitiba, mesmo sem qualquer evidência real . As boas campanhas de Coritiba e Atlético nos últimos campeonatos parecem incomodar parte da crônica paulista. O poder da banana A chegada da banana ao Ocidente ocorreu através dos grandes comerciantes árabes, que a transportavam como alimento durante suas viagens. Depois começaram a plantá-las nas costas do Atlântico, porém seu cultivo intensificou-se com mais força em sua terra de origem: as úmidas selvas da Índia e a península da Indochina. Além disso, foram os árabes que lhe deram o nome pelo qual é conhecida em quase todos os idiomas: banana significa ‘’dedo’’ em árabe. Entretanto, essa planta bastante útil só conquistou o planeta com a vinda do missionário Tomás de Berlanga, no início do século XVI. Com alto valor energético e vitamínico, a banana é rica em sais minerais (ferro,cobre, f l ú o r, c á l c i o , f ó s f o r o ) . S e u consumo é recomendado após a realização de qualquer atividade física. Redação do jornal Gazeta do Povo: mesmo entre os jornalistas, a criação do conselho carece de mais discussões A criação de um conselho federal para regulamentar e controlar a profissão de jornalista no país não é uma idéia nova. Mas nos últimos meses, o assunto entrou em pauta e vem provocando CULTURA diversas manifestações. Tanto a favor, quanto contra o CFJ. Os críticos argumentam que o governo, através do conselho, tenta impor uma censura aos meios de comunicações. MODA Já os defensores dizem que o conselho é prejudicial somente para o mal profissional e para os grandes veículos. E você, o que pensa sobre o CFJ? Pág. 4 e 5 ESPORTE Centro de artes Curitiba busca O kart conquista oferece cursos a seu espaço no de amadores a jovens carentes mundo da moda p r o f i s s i o n a i s Despertar na criança o gosto pela arte e através dela formar cidadãos melhores. Esta é a missão do Centro Juvenil de Artes Plásticas, fundada pelo italiano Guido Viaro, há mais de 50 anos. Com diversas oficinas, sobre inúmeras formas de arte, o centro oferece subsídios para crianças pobres, dando maiores condições para o jovem desenvolver todo o seu potencial. Pá g.8 Com o crescimento da cidade, a moda curitibana vem se desenvolvendo e se diversificando. Hoje o modelo tradicional, tímido, pode ser visto disputando espaço com um estilo mais jovem e descontraído. Com isto, estilistas curitibanos ganham cada vez mais espaço no cenário nacional. Curitiba Faschion Art é exemplo da tentativa da cidade se firmar no mundo da moda. Pág. 6 Muitas pessoas desejam experimentar a sensação de disputar uma corrida, fazer uma ultrapassagem , apenas para se divertir sem ingressar numa carreira profissional. O Kart atende a expectativa dessas pessoas, além de servir como aprendizado a futuros pilotos, como porta de entrada para quem sonha em ingressar em outras categorias. Pág. 7 Capital da Notícia Curitiba Convidamos novamente o leitor para acompanhar este jornal, feito por estudantes de jornalismo, com o compromisso de a cada matéria produzida aprender mais e crescer profissionalmente, sem esquecer a razão de ser de toda notícia, o público. Nesta edição você irá encontrar, como matéria principal, o Conselho Federal de Jornalismo, que causou tanta polêmica nos últimos meses. Na matéria o leitor terá ao alcance argumentos de quem é a favor e contrário ao conselho. Com isto, você poderá identificar o seu ponto de vista nesta questão tão importante. Sobre cultura, uma interessante matéria sobre o centro de artes plásticas Guido Viaro, que leva o nome de um italiano que dedicou a vida à arte, e a repassar seus conhecimentos para jovens curitibanos. Na editoria de esportes, você saberá mais sobre o kart indoor, modalidade que tanto presta ao aprendizado de futuros campeões, quanto ao lazer de quem gosta de carros e velocidade. Na pág 6, uma matéria de moda mostra que nossa cidade abriga hoje mais de um estilo. Os tempos de conservadorismo, de cidade pequena, passaram. Com o crescimento de Curitiba, os estilos diversificaram e a cidade ganhou espaço no cenário nacional. A editoria de perfil, mostra um pouco da vida de três artistas de rua, suas dificuldades superadas pelo amor à arte e seus sonhos. Silverman, o estátua branca, e Ticlao a bailarina de caixinha de música são as personagens que fazem parte do dia-a-dia das pessoas que passam pelo calçadão da X V. De certo modo ignorados, ou incorporados na paisagem urbana da cidade, são vistos apenas como personagens. Aqui você verá um pouco de uma outra face destes artistas ou de pessoas. Esperamos você na próxima edição, boa leitura. Expediente Diretor Geral: Prof. Sérgio Ferraz de Lima Diretor Acadêmico: Prof. Lodércio Culpi Coord. do Curso de Jornalismo: Prof. Emerson Cervi Professor responsável: Roberto Nicolato Finalização gráfica: Jorge Luiz Kimieck Impressão: Editora Vitrine Tiragem: 2.000 exemplares O jornal Capital da Notícia/Curitiba é uma publicação do Curso de Jornalismo da Unibrasil, produzido pelos alunos do 5º período. Fale conosco Rua Konrad Adenauer, 442 Tarumã CEP: 82.820-540 - Curitiba/Pr Jornal Laboratório Telefone: 361-4252 Endereço eletrônico: [email protected] Opinião Acidente em Paranaguá expõem despreparo Depois do acidente com o navio chileno Vicunha, no porto de Paranaguá, neste mês de novembro, milhares de litros de óleo foram derramados nas águas do litoral paranaense. Mesmo após vários dias o navio apresentava diversos vazamentos. Animais mortos foram encontrados na Ilha do Mel, a quilômetros de distância do local do incidente. O comércio local teme pela queda no movimento no litoral, justamente na época do ano em que conseguem renda extra para o restante do ano. Os pescadores que vivem no litoral do Paraná são os mais prejudicados. O governo do estado proibiu a pesca e concedeu ajuda de um salário mínimo para cada pescador até a liberação de suas atividades. Porém, eles alegam que esta ajuda é paliativa. O maior temor da população local é que a próxima temporada de pesca esteja comprometida uma vez que a mancha de óleo pode ter matado filhotes e peixes menores. Esta ameaça é real, pois foi comprovado que a região dos mangues e baixios onde eles se escondem de predadores foi atingida. As empresas responsáveis pelo navio e pela carga foram multadas em um valor total de R$ 2 milhões. No entanto,o estrago ao meio ambiente já foi feito. Pior que isto é a possibilidade de novos acidentes no futuro, pois a demora na contenção dos vazamentos e retirada do óleo indicam que as autoridades, apesar de todo empenho, não estão preparadas para atuar nestas situações. Dança flamenca, beleza que poucos conhecem Existem em Curitiba vários grupos Flamencos.Um exemplo é o de Amália Moreira – La Morita que, junto com sua filha Tâmara de La Macarena e seu esposo Sant a Ana, radicou-se na capital paranaense e montou no ano de 1981 a escola Ballet Espanhol Flamenco de La Morita y Santa Ana. Hoje o trabalho realizado pela escola é reconhecido em todo o país por sua autenticidade, qualidade e dedicação. Depois do desaparecimento prematuro de Santa Ana em 1993, passa integrar em seu lugar Fabiano Zanin como 1º guitarrista. Entre seus mestres mais destacados encontramse: Rafael de Cordoba, Antonio Gades e Cristina Hoyos, estes dois últimos, intérpretes dos filmes ‘’Bodas de Sangue’’,’’Carmen’’ e ‘’Amor Brujo’’, trilogia do cineasta espanhol Carlos Saura. Segundo o aluno do Centro Espanhol do Paraná, Sílvio Souza Semprebon, 26, o principal problema para a dança flamenca não ser valorizada totalmente na cidade é a falta de cultura do povo em compreendê-la, ou seja, em estudar seus ritmos, danças e principalmente seu valor artístico.Diz ele ainda que o próximo espetáculo do grupo será realizado no ano que vem, no Teatro Guaíra. Glênio Semprebon (Redação/Diagramação) Marcelo Tavares (Redação/Diagramação/Editorial) Novembro/04 2 Aprendendo com os erros Helio Marques Nesta edição vamos analisar a edição n.º 9, de outubro/2004. Gostaria de apontar um pequeno erro na capa: o uso exagerado da locução “através” em algumas chamadas. Para evitar empregos incorretos no futuro, ela só deve ser utilizada em frases em que haja o sentido de “por dentro de, de um lado a outro ou, ainda, ao longo de”. A utilização, em situações que signifiquem “por meio de” está errada. Outra coisinha ainda com relação à capa: deve-se utilizar nos títulos que aparecem em colunas próximas a mesma quantidade de linhas. O uso incorreto, como foi feito na edição em análise, deixa a diagramação manca. Na 2, o Editorial deveria expressar uma opinião do veículo e não dizer o que o leitor vai encontrar nas próximas páginas. Se for assim, melhor abolir o “editorial”. Na página 3, a reportagem conta a história de Lorenzo Corso, que lutou na II Guerra. Estaria muito boa, se não fosse o último parágrafo. Tudo que ali está escrito o leitor já leu e concluiu. Não precisava escrever. Além do mais, nunca esquecer da regrinha básica: adjetivos para quê? Nas páginas 4 e 5, ocupadas pela matéria de capa, a discussão entre a programação das TVs públicas e privadas, se há manipulação e se distorcem os fatos ou se privilegiam um determinado segmento, ficou repetitiva. Apesar dos textos ficarem distribuídos de forma adequada, o conteúdo deixou a desejar. Nada que já não tivesse sido abordado em reportagens publicadas sobre o assunto. Seria melhor se a abordagem tivesse encontrado um outro enfoque. A página 6 traz uma matéria interessante, com abordagem sobre cinema. Mas começa com erros. Devese evitar começar o texto com aspas. E o pior é que o segundo parágrafo também abusou do artifício. Um lead e um sub ruins. A razão é que o conteúdo das frases não justifica a utilização das aspas, que se deve evitar, mas não são proibidas. No rest ante está boa. A matéria está como um carro velho: custou a pegar, mas depois sumiu no horizonte. A 7 traz uma boa matéria sobre o ciclismo feito à noite e a 8 um bom texto sobre os cursos técnicos. Mas poderia ser melhor, como por exemplo, jogar fora a primeira frase da matéria: “Muito se tem comentado sobre os reflexos da globalização nos mais diversos setores da sociedade”. Batida, sem vida, não diz nada. Outra observação: MEC quer dizer Ministério da Educação e não como está grafado no texto. Ou o repórter quer derrubar o Gilberto Gil? Até o próximo número! Helio Marques é jornalista, professor de Redação Jornalística na UniBrasil e diretor do site de notícias sobre educação www.nota10.com.br . Capital da Notícia Curitiba Perfil Novembro/04 Estátuas e boneca ganham vida na XV 3 Artistas contam como é a rotina do trabalho nas ruas de Curitiba Silverman: “O esforço acaba sendo gratificante” Estátua Branca: “a arte deve-se fazer com amor” Todos os dias milhares de pessoas costumam ir ao centro da cidade para trabalhar e fazer compras. Com tantas lojas e lanchonetes na Rua XV de novembro, elas também desempenham papéis importantes, sendo culturais ou artísticos. E é lá no calçadão da cidade que encontramos “figuras” surpreendentes que podem mudar a rotina, alegrando as crianças e encantando os adultos. São as estátuas vivas, a bailarina da caixinha de música, entre outros que estão ali ganhando o seu dinheiro de forma digna e alegre. Muitas pessoas não reconhecem esse trabalho, no entanto, outras ficam pasmas ao ver tanta força de vontade, como é o caso de Paulo, 28 anos, estátua viva que prefere ser chamado como “Silverman”, não revelando seu sobrenome. Gaúcho, o artista passou por Florianópolis e Joinville até chegar em Curitiba, onde reside há seis anos. Silverman conta que não é fácil ficar praticamente o dia inteiro em pé sentindo frio e calor muitas vezes num dia só. “Mas o esforço é gratificante, afinal sustento minha casa com o dinheiro arrecadado durante as apresentações”, afirma orgulhoso. Num local onde centenas de pessoas transitam a cada hora acontecem muitos fatos inusitados. Para Silverman, o mais emocionante foi quando uma moça aproximou-se e, sem que esperasse, beijou seus pés. “Muitas coisas acontecem, e cada dia é uma novidade. Um dia vem um e me xinga dizendo que não tenho nada p ara fazer, outros se assustam, mas existem ainda aqueles que ficam admirados e até me tratam como santo beijando meus pés”. O artista de rua, que durante o dia de trabalho permanece calado, reclama melhores condições e apoio da prefeitura. “Em dias de chuva, não podemos trabalhar. A prefeitura não libera um alvará para que possamos nos apresentar em terminais de ônibus ou em parques da cidade”, queixa-se. O sonho desta estátua vai muito além de arrecadar moedas no centro da cidade. O simples rapaz que saiu do Rio Grande do Sul em busca de realização pessoal e principalmente reconhecimento profissional tem projetos para um futuro próximo. Ele pretende montar sua própria escola para vitrines vivas mirins. Leonir lima, 24 anos, demonstra o amor pela arte nas apresentações de rua. O artista, que iniciou o trabalho há seis anos, diz que faz tudo isso porque gosta mesmo e que também já trabalhou como officeboy. Lima demorou dois anos para aprender as técnicas de estátua viva em aulas de teatro, mas diz que valeu a pena, pois hoje pode trabalhar com amor. Ele afirma orgulhoso que chegou a fazer o que se pode chamar de treinamento em alguns circos. “Foi muito bom, aprendi muito, principalmente que arte deve-se fazer com amor, se não, não pode ser chamada de arte”. Conhecido no calçadão da Rua XV de Novembro como “Estátua Branca”, cativa o público com seus movimentos leves e carinhosos. “É muito suave, criativo e traz alegria. Tudo que eu precisava era que alguém beijasse a minha mão”, declara Maria de Fátima Araújo, 49 anos, artesã que passava pelo calçadão no momento da apresentação. O apoio da família, para ele, é essencial. “Minha família é de Curitiba mesmo, e sempre me apoiou. Sem dúvida mesmo que eles não me apoiassem trabalharia com isso mesmo assim”. Trabalhar todos os dias, inclusive nos finais de semana, não é uma obrigação para estes conquistadores de sorrisos, afinal eles mesmos fazem seu horário, mas o que não se pode deixar de lembrar é que esses finais de semana podem lhes render as compras de Natal. E é bem nesta época do ano que o Estátua Branca diz ter maiores lucros. Toda esta criação de emoções já ganha seus fãs. Marilu Cordeiro, 56 anos, residente em Paranaguá, conta que ao chegar na cidade seus filhos de seis e sete anos ficam bastante entusiasmados, pedindo diversas vezes para que ela os leve até os estátuas vivas. “Na cabeça deles não é uma pessoa que está ali imitando uma estátua, mas sim uma estátua movendo-se como pessoa”, conta emocionada. Com tanta alegria e sensibilidade, o artista consegue transportar para o público emoção em forma de movimentos, pedindo em troca apenas algumas moedas. A bonequinha Ticlao(foto), bailarina de caixinha de música é impulsionada pelo público na Rua das Flores. Fernanda Torres de Moraes, 38 anos, nascida em Minas Gerais e há dois anos está em Curitiba cursando o curso de licenciatura em Teatro na Faculdade de Artes do Paraná é quem dá vida à personagem. Ela atua como atriz há onze anos, e há seis, quando estava trabalhando como artista de rua entre Portugal e Espanha, criou a bailarina Ticlao. No início, a boneca era uma estátua que, conforme as pessoas pagavam-na, fazia alguns movimentos. Quando voltouchega ao Brasil em do 1999, ajuda da Quando o final dia,com Mr. aPin e seus amiga Letícia Fonseca, montou um novo figurino para colaboradores transportam a refeição em veículos a boneca eereuniu os movimentos, fazendo particulares fazemtodos a entrega para as pessoas que uma performance de quinze já o aguardam ansiosas emminutos. frente à Catedral de Lançada em Juiz de Fora (MG), a Boneca Ticlao Curitiba, na Praça Tiradentes. com No movimentos deébailarina, eraaacompanhada pelo local onde distribuída refeição há pouca som de Mozart. Trabalhando há dois anos, segurança e as pessoas logona seXV aglomeram para Fernanda conta que foi uma nova experiência saciar a fome. Há mendigos, prostitutas, menores de trabalhar na rua. “Quando você está em um teatro rua muitas vezes drogados, traficantes, assaltantes, fechado, o público é que está te esperando. Já na muitas crianças e idosos. rua você é quem espera o público. Nunca alimento sabe o Mr. Pin não tem dúvidas que aquele tamanho da éplatéia. só tenha para muitos a únicaMesmo refeiçãoque do dia e, por uma isso, pessoaamanhece me observando, estarei me quando já existe uma grande sempre preocupação: apresentando”. “Será que terei o que oferecer hoje? Haverá Para a atriz, o fato mais tocante acontecido em colaboradores? Confiante ele vai à luta e sempre suas apresentações é que os meninos de rua sempre consegue. “Para mim é muito prazeroso fazer caridade se identificam com ela e ficam encantados com a e contar com a ajuda de fiéis voluntários como é o boneca, repartindo as poucas moedas que eles têm. caso do colegas Borba e Arli que mesmo com as No entanto, a bailarina não se importa com valores atividades do dia- a- dia dispensam um horário para e mesmo que às vezes ganhe poucos centavos não auxiliar no projeto”, ressalta. estará desmerecendo o seu trabalho, já que sempre é dado de coração. Fã da boneca Ticlao, a menina Doação Gianna Manssani às vezes desvia seu caminho só para Borba olhar aFernandes, boneca por 51 alguns minuto. Para ela,tem a anos, empresário, bonecadepassa uma energia “Fico orgulho ser voluntário de uma gostosa. causa tão nobre. impressionada com por o encanto queconstrangedoras ela causa às Conta que já passou situações crianças. Elas ficam imobilizadas olhandoinclusive para a no local onde são distribuídos os alimentos, bailarina e nunca passei por aqui que não de insegurança quanto à violência. “Jásem conseguimos houvesse alguém parado para ficar aqui a recuperação de pessoas queadmirando”. não tinham poder Cristiane Rocha (reportagem,foto e diagramação) Andressa A Nascimento (reportagem ) Laura Brown(reportagem) Capital da Notícia Reportagem Curitiba Conselho Federal de Jornalism Marcelo Tavares “Não temos nenhuma entidade, nenhum instrumento que regule o acesso à nossa profissão. O Conselho Federal de Jornalismo vai ser a porta de entrada da profissão depois de um curso superior, e irá fiscalizar o exercício da profissão” O jornalista e presidente da Fenaj (Federação Nacional de Jornalismo) Sérgio Murillo de Andrade, esteve na Unibrasil, no mês de outubro, para defender a criação do CFJ (Conselho Federal de Jornalismo). No encontro, afirmou que mais do nunca, se faz necessário ter um conselho que regulamente a profissão e defenda os interesses dos jornalistas, cuidando e orientando a atividade. Mesmo sabendo que existe um grupo forte contrário a criação do CFJ, ele acredita que chegou o momento certo para retomar com força essa discussão, aproveitando o ato do presidente Lula, que encaminhou o projeto ao Congresso Nacional. Confira os principais pontos da entrevista. Capital da Notícia - Como o Conselho irá desenvolver seu trabalho? Sérgio de Andrade - Vai funcionar do ponto de vista formal, exatamente da mesma forma que os outros. São mais de 40 conselhos profissionais organizados no Brasil, e a nossa intenção é que ele tenha o mesmo formato, estrutura e atrubuições. É claro que vão existir especificidades, no caso da categoria do jornalismo. CN - Como funcionará o Conselho? Andrade - Vai definir regras de acesso à profissão, vai ser o mecanismo de acesso à profissão, como são o Conselho Federal de Medicina, o Conselho Federal da OAB. Não temos nehuma entidade, nenhum instrumento que regule o acesso à nossa profissão.Vai ser a porta de entrada da profissão depois de um curso superior, e irá fiscalizar o exercício da profissão. A fiscalização do exercício da profissão é muito diferente da suposta fiscalização de conteúdo, como os opositores da idéia do Conselho têm mencionado. Irá também estimular e fiscalizar a qualidade do ensino do jornalismo. Temos mais de 350 escolas de jornalismo no Brasil, formando aproximadamente 8 mil novos jornalistas, e não se têm uma entidade que zele pela ética e qualidade do ensino do jornalismo, sendo hoje uma tarefa exclusivamente do Estado. E por último e talvez a principal missão do Conselho é zelar pelo cumprimento do código de Ética do jornalista. Nós temos um Código de Ética, mas infelizmente a aplicação não existe, depende muito da suposta boa vontade dos profissionais estarem envolvidos com esse assunto da ética. CN - No que o Conselho poderá mudar o sistema do jornal impresso? Andrade - Jornal impresso, jornal na tevê, jornal no rádio, da mesma forma que as escolas contribuíram no sentido de aperfeiçoar o jornalismo no Brasil. Valorizar nossa profissão e profissionalizar o mercado. Essa é a aceleração do processo que o Conselho possibilitará. CN - Porquê só agora a criação de um Conselho Federal de Jornalismo? Andrade - Na verdade, um levantamento feito no Congresso Nacional indica que o primeiro projeto encaminhado ao Congresso para se criar uma Ordem ou um Conselho já tem 39 anos. Há 20 anos que o movimento sindical dos jornalistas retomou essa discussão. É uma discussão feita de dentro dos sindicatos para criar outra entidade, por isso entre nós tem uma Ney Birk Andrade (centro) em palestra na Unibrasil, esclareceu dúvidas sobre o Conselho porção contrária justamente por estar criando uma entidade que eventualmente possa estar disputando espaço institucional com a Fenaj e com os sindicatos. Então nós levamos algum tempo para convencer as direções dos sindicatos. Eu mesmo precisei de algum tempo para perceber que a criação é fundamental e inclusive irá contribuir para o fortalecimento das entidades sindicais. O Conselho se preocupará com as condições de trabalho, com a geração de emprego, com as questões salariais. Houve um tempo de maturação dentro do próprio movimento sindical para poder convencer os sindicatos, que hoje estão convencidos. Em 1996, esse projeto foi para votação da categoria em um congresso realizado em Porto Alegre. Agora, o projeto foi aclamado em João Pessoa, quando recebemos a informação de que o presidente Lula estava assinando e encaminhando o projeto ao Congresso Nacional. CN - No que a criação de um Conselho afetará a categoria dos jornalistas? Andrade - É um processo que hoje pode avançar ou retroagir. Nossa profissão vive um momento histórico, em que dará um salto de qualidade ou ela retroagirá, no sentido em que vira uma profissão de “ bico”, onde o sujeito tem uma profissão principal e o jornalismo como secundário. Eu acredito que o Conselho pode evitar essa segunda possibilidade, a do retrocesso, e acelerar o processo de profissionalização do mercado, da valorização da nossa profissão e de qualificação da prática do jornalismo no Brasil. CN - O Conselho cuidará dos interesses dos jornalistas ou dos jornais, já que estes possuem grande poder político? Andrade - O Conselho é de jornalistas, não tem absolutamente nenhuma relação com as empresas e nem com o governo. É um conselho de jornalistas, que vai se preocupar em defender o profissional e estará a serviço da sociedade no sentido de estar sendo um instrumento que zele pela ética profissional. É um instrumento de defesa do jornalista, inclusive na sua relação com as empresas, no momento de conflito, por exemplo, o momento eleitoral, em que os jornalistas ficam sob pressão da sociedade, dos políticos, e até mesmo das empresas, e não podem contar com uma entidade, além dos sindicatos, que tenha um peso institucional que possa fazer a sua defesa diante dessas pressões que vêm por todos os lados. Não somente em momentos de conflitos, mas no dia-a-dia nas redações, eventualmente você é obrigado a fazer uma pauta que envolve interesses comerciais, que não são claros. Não se tem uma entidade que possa estar polemizando e questionando Andrade: “o Conselho é necessário” esta atitude da empresa. O Conselho irá fazer isso. CN - O Grupo RBS, do Rio Grande do Sul, afirma que vai trabalhar contra o Conselho Federal de Jornalismo. O quê o senhor acha disso? Andrade - Eles representam a entidade patrão e são empresas que sempre foram contra a nossa regulamentação profissional. A maioria delas questionaram e combateram a exigência do diploma para exercício da profissão e era natural que viesse também se opor à idéia de criar um conselho que vai nos dar um grau de organização, articulação e valorização bastante superior ao que se tem hoje. Então, nada mais natural que essas entidades, que representam essas empresas fossem contra a criação de um Conselho. A oposição à criação do Conselho é formada por patrões e seus cães de guarda, que são alguns jornalistas à serviço dos interesses patronais. A formação do Cons A discussão do momento no meio jornalístico é a criação do Conselho Federal de Jor nalismo. As opiniões se dividem. De um lado os profissionais que vêem no Conselho um órgão que irá proteger a categoria contra o empr e guismo, o contr ole da mídia, não pela sociedade mas apenas pelos g randes grupos de com unicação, e a falta de ética, enquanto do outro lado encontram-se jornalistas e juristas que percebem uma linha inconstitucional anti-democrática e censuralista no desen volvimento do novo Órgão Feder al. A Constituição Feder al garante a liberdade de expressão, de inf ormar e de ser Setembro/04 Reportagem 5 nalismo: proteção ou censura “Ao pretender ‘orientar’ e ‘fiscalizar ’ o trabalho do jornalista e a ‘atividade do jornalismo’, envolvendo até a administração das empresas de comunicação, a criação do Conselho é manifestadamente inconstitucional.” Essa é a principal ‘falha’ detectada pelo jurista René Dotti no projeto do Conselho Federal de Jornalismo.Em palestra para os alunos de jornalismo da Unibrasil, ele afirmou ser a favor do conselho desde que sejam feitas algumas alterações na redação do projeto, enviado ao Congresso. Dotti é professor titular de Direito Penal na Universidade Federal do Paraná e vice-presidente da Associação Internacional de Direito Penal. Confira a entrevista: Capital da Notícia: O projeto do Conselho Federal de Jornalismo ( CFJ ) possui uma raiz antidemocrática? René Dotti: Sim, porque pretende orientar (palavra usada no projeto) uma atividade que por sua natureza e pela sua história deve estar a salvo de qualquer amarra política, social, econômica, religiosa ou de outra natureza. CN: A criação do CFJ não faria renascer a censura e o autoritarismo sobre as informações?. Dotti: Sim, na medida em que se cria um órgão para “orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de jornalista e da atividade de jornalismo” (cf. o art. 1°, § 1° do projeto de lei), a tendência se dirige para intervir, direta e arbitrariamente da consciência do profissional e no coração da empresa de comunicação. CN: Na época da ditadura milit ar, o senhor defendeu vários jornalistas, acusados políticos. Se o CFJ já existisse, teria mudado algo nesta época? Dotti: Penso que teria mudado; para pior. Durante a vigência do Ato Institucional nº 5 (de 12.12.1969) até a sua revogação pela Emenda nº 11 (13.10.1978), a liberdade de imprensa estava suspensa em face da censura prévia exercida sobre os meios de comunicação. Diante do poderes autoritário de cassar mandatos e interditar atividades civis, um Conselho Federal de Jornalismo não teria liberdade para agir em defesa dos profissionais cerceados em suas atividades. A censura existente na época quanto aos jornais, rádio, televisão, cinema e teatro, bem demonstra que um CFJ seria impotente diante do Estado autoritário. CN: Qual é a sua posição a respeito da criação do CFJ? o do Conselho Federal de Jornalismo inf or mado, inde pendentemente de censura ou licença, é o que consta no capítulo V art. 220 : A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a infor mação, sob qualquer forma, pr ocesso ou veículo, não sofrerão qualquer r estrição, obser vado o disposto nesta Constituição . 1º - Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de inf or mação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, obser vado o disposto no ar t. 5º, IV, V, X, XIII, XIV. 2º - É vetada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística. Este artigo resume de f or ma simples o e xer cício do jor nalismo , que contempla ainda a ética e a seriedade do indivíduo na execução de sua pr ofissão . É possível então dizer ou até a f ir mar que os sindica tos podem, amparados pelas Leis Feder ais e Estaduais, resolver as problemáticas existentes entre pro f is-sionais, imprensa e a sociedade na realização da comunicação. Assim como distante é a certeza de que o Conselho Feder al de Jornalismo dará conta de tantos af az eres. Por ser um Órgão Federal, estará ele acima dos Sindicatos Regionais. Por tanto cabe a ele delegar funções , ver tar efas e obrig ações. Dotti: Como tive oportunidade de dizer em aula para a turma de Jornalismo da Unibrasil, não sou contrário à existência de um órgão de representação dos interesses institucionais e profissionais dos jornalistas, especialmente quanto às liberdades fundamentais para o exercício de suas atividades. Como disse o prestigiado jornalista Clovis Rossi num artigo sobre o assunto, é preciso garantir a liberdade da empresa . No entanto, o atual projeto de criação do Conselho Federal de Jornalismo, ao pretender “orientar” e “fiscalizar” o trabalho do jornalista e a “atividade de jornalismo”, envolvendo até a administração das empresas de comunicação, é manifestamente inconstitucional. Com efeito, a nossa lei fundamental estabelece que “Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5°, IV, V, X, XIII e XIV”. Em artigo recentemente publicado (Folha de São Paulo, de 9.11, pág. 3), Ivens Gandra Martins, observa muito bem: “Um Conselho Federal de Jornalismo seria tão esdrúxulo quanto criar, por exemplo, um Conselho Federal de Poesia para fiscalizar os poetas, como acontecia na antiga União Soviética, e condicionar sua pena às exigências burocráticas e ideológicas dos dirigentes do órgão controlador””. Eu também penso assim, lembrando a perseguição movida pelo stalinismo contra o genial romancista e poeta Boris Pasternak (1890-1960, agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura, o prestigiado autor de Dr. Jivago. Ele foi impedido de publicar na União Soviética e foi banido da União dos Escritores Soviéticos. Sandro Honório “A tentativa de profissionalizar a informação, subordinando-a a controles corporativos, representa séria ameaça ao Estado Democrático de Direito. É importante considerar, também, que inúmeros colaboradores dos meios de comunicação não são jornalistas. Estariam eles impedidos de manifestar o pensamento e as idéias por não terem a carteirinha e o registro no Conselho? “ (René Dotti : O renascimento dos Atos Institucionais, Gazet a do Povo, 12 de agosto, 2004) Sandra Bertolini (Report./Edição) Sandro Honório (Report./Diagramação) Sandro Honório Dotti:”Existem colaboradores que não são jornalistas, serão impedidos de escrever?” Capital da Notícia Trabalho Curitiba Curitiba está no circuito da moda? Fernanda e a mãe Tânia durante as aulas no Senai, em Curitiba Mercado expande suas raízes no solo das Araucárias afirmando a cidade como pólo criador A moda curitibana tem um viés específico e original, fruto das misturas de raças e certa timidez e introspecção típicas de quem se sabe curitibano. De alguns anos para cá o mercado cresceu muito, graças às indústrias de confecções fixadas principalmente no norte do Paraná. Curitiba assume um papel mais ativo, contratando mão-de-obra local e com isso abrindo uma nova safra de criadores, consumidores e profissionais de áreas diversas que pretendem fazer da moda algo mais forte e de relevância nacional. O estilista Roberto Arad, que tem uma loja que leva seu nome na rua Vicente Machado, completou 10 anos de carreira fazendo uma linha mais “alternativa e original”, contrariando a tese de que os curitibanos são mais tradicionais e avessos a novidades. ”Será que o curitibano é assim? Hoje temos curitibanos mineiros, catarinenses, cariocas, paulistas, recifenses, do interior... Isso dá uma arejada na cabeça das pessoas. Eu conheço muita gente bem informada e, principalmente, bem intencionada”, define o estilista. O perfil de compradores de Arad tem faixa etária entre 20 e 35 anos, gostam de sair á noite, moda e novidades.”Tenho clientes de 12 anos e com mais de 30 também, amo isso”, diz . Na mesma região que Roberto tem loja, os fashion designers locais, Jean Pierre Lobo e Jefferson Kulig também apresentam suas coleções para os moradores da cidade. Lobo e Kulig conseguiram atrair este novo perfil de consumidores para suas lojas ,cada um com características específicas. Kulig tem duas marcas, a Voos, que é mais comercial e outra mais elaborada, chamada Jefferson Kulig, onde ele trabalha com um tecido feito de borracha, que molda o corpo dando um caráter único para suas peças. Jefferson estreou em 2003 no São Paulo Fashion Week, importante evento de moda em São Paulo, e obteve críticas muito favoráveis de profissionais extremamente respeitados do meio. Lobo faz roupas para um público mais jovem e participa juntamente com Arad do evento local Curitiba Fashion Art. Realizado em agosto deste ano, na sua 4º Edição, e idealizado pela jornalista Nereide Michel e o produtor Paulo Martins, iniciou-se em 2002. Com uma iniciativa corajosa e muito sacrifício conseguiram estruturar uma semana de moda valorizando e dando maior visibilidade aos criadores paranaenses, que não tinham onde desfilar suas coleções. Paralelo a esta semana, acontece no mês de outubro outra produção local chamada Crystal Fashion, já na sua IX Edição, realizado pelo shopping Crystal Plaza. Os desfiles apresentados são das próprias lojas, com uma estrutura cada ano melhor, com mais novidades e patrocínios, abrindo um espaço até então vago que se profissionaliza e conseqüentemente requer mais pessoas especializadas no setor. Um exemplo de dedicação O estilist a Silmar Alves é professor do Senai e um dos principais nomes do mundo fashion paranaense. ”Acabei por dedicar-me em grande parte ao Senai, onde faço parte do grupo contratado da instituição e desenvolvi neste setor trabalhos como o desfile da Fenit em São Paulo, que homenageava a imigração polonesa no Paraná”, conta Alves. Este desfile o levou a Brasília em 2003, na comemoração aos 150 anos da emancipação política do Paraná.O fashion designer desenvolveu com os alunos mostras importantes como um desfile de roupas feitas em papel para lançamento de um papel de impressão junto a Inventário Papéis Especiais. Arad busca novo perfil de consumidores Setembro04 6 Novos talentos da moda em formação Os admiradores do estilismo dispõe em Curitiba de várias alternativas de cursos técnicos e profissionalizantes ou mesmo uma Faculdade de Moda. O Senai é um dos mais reconhecidos e oferece opções com cursos completos que incluem desde a criação, técnicas de montagem, marketing até a produção final. O curso técnico de estilismo de confecção industrial, oferecido pelo Senai Cietep, tem duração de dois anos e é dividido em quatro módulos. Em cada um, para manter as turmas motivadas, trabalha-se as várias etapas teóricas e práticas, simultaneamente; como desenho, estudo da linguagem visual e a produção. “Nossos professores são o que há de melhor no mercado”, cont a Jussara Bahr, coordenadora dos cursos do Senai. Aos alunos que se destacam em cada turma, a instituição oferece uma bolsa para um curso de aperfeiçoamente em Milão, através de uma parceria formada com o SAR europeu . “Isso proporciona ainda mais motivavação à equipe”, completa a coordenadora. Silmar Alves, design de moda curitibano, é professor de modelagem e moulage, técnica que consiste na confecção das peças, diretamente sobre o manequim ou corpo. Ele diz que é necessário investir na formação dos novos talentos, visando a valorização dos profissionais locais. “Curitiba é autofágica, já dizia Leminski, e precisa mudar esse conceito. Temos excelentes criadores curitibanos, mas a maioria dos consumidores prefere pagar mais, comprando peças de profissionais de outros estados.” Muitos alunos de Silmar concordam com ele, como Tania e Fernanda Talles. Mãe e filha estão concluindo o curso neste ano e têm muitos projetos na área. Tânia pretende abrir uma confecção em parceria com a filha. “Eu faço a parte de execução e montagem e ela, a criação e os desenhos”, diz. Fernanda já está fazendo estágio em uma loja e conta que sua área de interesse é o esporte wear e almeja um dia trabalhar na Adidas. Apesar de jovem, a estudante já tem consciência que se trata de um segmento que exige muito trabalho e dedicação. “As pessoas enxergam somente a parte glamourosa das passarelas, não imaginam como é difícil se evidenciar entre tanta concorrência”, diz Fernanda. O curso, bastante abrangente, permite ao aluno, uma visão macro do universo da moda. Isso engloba desde a história da arte, a tecnologia da confecção, os materiais e os processos texteis, gestão e marketing e finalmente a criação e produção. Dessa forma, é possível definir a etapa que proporciona mais afinidade e buscar o aperfeiçoamento. Ivone Macedo (Repórter/Diagramação/ Edição/Fotos) Marianna Camargo (Repórter/ Diagramação/Edição) Capital da Notícia Esportes Curitiba Novembro/04 7 Em alta velocidade www.pedrobianchini.com.br Para os apaixonados por velocidade e que não aspiram se tornar um piloto profissional, os karts indoor são uma boa alternativa. Contudo, para os que sonham em se profissionalizar, as dificuldades começam fora das pistas. O esporte praticado como lazer se popularizou, sobretudo pela segurança que oferece e também pelo baixo custo. “Hoje em dia uma pessoa que passa em média 30 minutos numa pista não gasta mais do que R$ 20,00”, é o que diz Gislaine Silva, funcionária de um Indoor em Curitiba. Gislaine ressalta ainda que o acesso a esse esporte foi popularizado, entretanto, os freqüentadores das pistas indoor ainda pertencem à classe média. Entre os adolescentes, os karts indoor são o programa favorito de final de semana, e a mania não atinge apenas os garotos, pois as meninas estão aderindo cada vez mais a essa prática. Ana Carolina Ximenes, 14 anos, corre de kart desde os 12, e não abre mão de todos os finais de semana encarar uma pista. “Quando eu tinha 10 anos, já queria participar das corridas, mas a minha mãe me achava muito nova. Quando fiz 12, ela aceitou a idéia”, diz emocionada. Janete Ximenes, mãe de Ana Carolina, diz incentivar a filha. “A minha preocupação era com a questão da segurança, mas logo na primeira participação da Ana percebi que não havia perigo”. Janete ainda reforça que o kart tem contribuído para o desenvolvimento da filha. “Na escola, o rendimento dela é muito maior, e sem contar a auto-estima, que também aumentou”, diz. No aspecto profissional, o kart encontra sérias dificuldades. Praticamente não há incentivos, e os patrocinadores são poucos. O custo para se manter nos campeonatos é alto, e tudo corre por conta dos pilotos, os quais na sua grande maioria são adolescentes e dependem financeiramente de seus familiares. Por isso, para ingressar nessa carreira, contar com um bom patrocínio é indispensável, pois os gastos são os mais diversos: peça, mecânicos, combustível, entre outros. Deixando os aspecto recreativo de lado e também as dificuldades financeiras para quem deseja se tornar piloto profissional, o kart, desde a sua invenção, tem despertado paixão e curiosidade, mesmo naqueles que não se encorajam em pilotar um. O piloto paranaense Pedro Bianchini é uma das revelações do esporte Futuro promissor O paranaense Pedro Bianchini, de apenas 13 anos de idade, iniciou sua carreira de piloto em 1999, quando ganhou um kart de presente de seu pai. Em 2000, após meses de treinos, começou a disputar oficialmente campeonatos pelo Brasil. Logo após sua primeira temporada no kart, conquistou os títulos de Campeão da Copa Brasil, Campeão Paulista, Paranaense, Catarinense e ainda garantiu o ViceCampeonato Sul Brasileiro. Estas conquistas chamaram a atenção de empresas multinacionais, como a Red Bull, atual patrocinadora e parceira da carreira vitoriosa deste jovem talento paranaense. Em 2004, comprovando todo o profissionalismo do jovem piloto, bem como de toda sua equipe, Bianchini fechou mais um grande patrocínio, agora com a petroleira espanhola Repsol, que tem tradição mundial de investir no esporte automotor. O jovem promissor é o recordista brasileiro de vitórias numa só temporada. “Quase todos os meninos da minha idade sonham em correr como piloto de automobilismo. Mesmo estando nos primeiros degraus do esporte, posso garantir que a velocidade é algo apaixonante. Quem a experimenta nunca mais quer deixar de sentir a emoção de ter a adrenalina correndo nas veias, junto com aquele ventinho batendo no rosto”, garante o jovem piloto paranaense. E Bianchini, apesar da pouca idade, sabe o que diz: a melhor maneira de se iniciar no mundo das corridas é através do kart. O kart é o primeiro passo na carreira de todo grande campeão do automobilismo mundial, de onde vieram o tricampeão Ayrton Senna, o pentacampeão Michael Schumacher, entre outros campeões. É no kart que crianças e adolescentes vivem a fase de aprendizado mais importante na vida de um piloto. Bianchini, que reside em São José dos Pinhais, tem sido destaque do Paraná nas principais competições do país. Em menos de três anos de carreira, o piloto já conquistou 14 títulos. Atualmente, Pedro Bianchini ocupa a vice-liderança do Campeonato Paulista de Kart, uma das competições mais importantes do kart brasileiro. nacional ousava em criatividade: os pneus eram de carrinhos de mão e motor d’água. Nas pistas brasileiras, o kart começa a se profissionalizar com Emerson Fittipaldi, que antes mesmo de completar 18 anos pois era necessária carteira de habilitação para pilotar na categoria já participava de campeonatos. Na companhia de Emerson, outros pilotos assumiram a vanguarda do esporte no Brasil, entre eles Wilsinho Fittipaldi, Carol Figueiredo, Maneco Cambacau, Afonso Giaffone e José Carlos Pace. Praticamente todos os pilotos, das mais diversas categorias automobilísticas, iniciaram suas carreiras correndo de kart. O saudoso Ayrton Senna da Silva não foi exceção à regra, pois a sua trajetória também teve inicio nas pistas de kart. A década de 70 se apresentou de forma pródiga, no que se refere à safra de pilotos. Nelson Piquet, Roberto Pupo Moreno, Chico Serra, entre outros, encabeçaram essa fase e profissionalizaram ainda mais o esporte. Em se tratando de inovações tecnológicas, o álcool, nesse período, passa a ser utilizado como combustível. Esse advento não se restringiu apenas aos carros de corrida da época e tornou-se matéria dos veículos de passeio. Acelera Movido com motor de aparador de grama, em Los Angeles, no ano de 1956 é construído o primeiro kart. A invenção foi um sucesso, tanto que no ano seguinte, a cidade de Pasadena, nos Estados Unidos, sediou a primeira corrida da categoria. No Brasil, o kart começou a tomar forma nas mãos do comerciante de automóveis Cláudio Daniel Rodrigues, que, impressionado com as corridas assistidas em território americano, trouxe a idéia para o Brasil. O comerciante passou a fabricar os primeiros chassis para o kart brasileiro. Tecnologia à parte, o protótipo Márcio Norberto (Reportagem/Pauta) Thiago Silva (Reportagem/ Diagramação) Capital da Notícia Cultura A imaginação na ponta dos dedos Curitiba Estimular a criança a gostar de Com dedicação e amor à arte, eles arte através do “fazer arte” e com isso aplicam aos pequenos freqüentadores as despertar a criatividade e contribuir para diversas técnicas artísticas existentes e a formação e desenvolvimento do caráter compartilham dessa vivência com humano. Este foi o grande desejo do conhecimentos da história da arte para mestre italiano Guido Viaro e que se que a criança tenha maior compreensão tornou realidade ao criar o Centro Juvenil dos movimentos artísticos acontecidos de Artes Plásticas em 1953. ao longo dos tempos. “A procura pelos Em 1937, o mestre já começou a cursos é sempre grande, e muitas vezes revolucionar o meio artístico da cidade são recomendados por psicólogos porque dando os primeiros passos para a criação auxiliam as crianças a desenvolver a do Centro. Viaro visitava escolas e parte motora, a vencer a timidez e convidava as crianças a desenharem. Os despertar a criatividade”, comenta a melhores trabalhos eram selecionados professora e artista plástica, Consulelo para serem expostos num grande Jacó Calixto, 45. barracão. A alegria e satisfação das Oficinas de arte crianças e do mestre eram tão grandes, O Centro Juvenil de Artes Plásticas que resultaram na instalação de uma oferece cursos de desenho, pintura, “escolinha”, e que passou a funcionar gravura, tecelagem, cerâmica, teatro e regularmente quando da organização de folclore. “As crianças participam com uma grande exposição para comemorar freqüência de exposições e o centenário de emancipação política do apresentações de teatro levando ao Paraná. Foi assim que Viaro passo a público o aperfeiçoamento conquistado passo concretizou seu grande projeto. através da arte na busca constante de Atividades novas formas de expressão”, comenta a O Centro Juvenil de Artes Plásticas artista plástica e também professora, constitui-se num importante espaço Débora Maria Russo. cultural dedicado a arte infantil e que A escola também possui uma trabalha com crianças de 6 a 14 anos. É Associação de Amigos mantida pelos vinculado à Secretaria de Estado da pais dos alunos que quando necessário Cultura e seus professores pertencem ao subsidia uma bolsa e vale-transporte quadro da Secretaria de Estado da para estudantes carentes que possuem Educação. Neste lugar, meninos e talento e amor pela arte. É o caso de meninas apuram a sensibilidade através João Paulo, 13, morador em Colombo da beleza das formas e das cores e do que, por seu esforço e talento, foi equilíbrio da composição. Funcionou por merecedor da bolsa. “Eu já era aluno, 36 anos no subsolo da Biblioteca Pública mas tivemos um problema financeiro em do Paraná e em 1989 conquistou sua casa e minha família não podia mais sede própria num casarão antigo, no continuar pagando”. Largo da Ordem. O aluno César Mateus Wolf ,11 anos, Atualmente, as atividades do Centro está na 5ª série e freqüenta a escola uma Juvenil vem sendo praticadas em salas improvisadas no Museu “Os cursos auxiliam as Alfredo Andersen, em crianças a desenvolver a parte conseqüência de sua sede estar desativada por motora, vencer a timidez e necessitar de urgentes despertar a criatividade” reformas. A diretoria, coordenação e o corpo de professores do Centro Juvenil são vez por semana. Matheus conta que formados por artistas plásticos, em sua gosta de desenhar e suas habilidades maioria pós-graduados em Fundamentos tendem mais pelo desenho de animais e Estéticos da Arte e Educação e Belas que ele mesmo decidiu optar pelo curso Artes. de desenho. Diz que sente-se bem na escola e gosta muito da professora. Clesi França Segundo sua mãe Regina Wolf, arquiteta, “César sempre demonstrou interesse pelo desenho. Ele pra-ticamente criouse vendo desenhos devido a minha profissão”, afirma a mãe que diz ficar tranqüila ao deixar seu filho no curso para desenvolver suas habilidades. A artista plástica Viviane Zeni, 40, professora de Desenho ressalta que as aulas Sede da escola no Largo da Ordem possibilitam treinar a observação tendo Novembro/04 8 Evelize de Tullio Professora Silvia com o aluno Adrielton, premiado com trabalho em pintura contato com os elementos formais do desenho (linha, ponto, luz, sombra, volume) desenvolvendo uma linguagem própria. O conteúdo programático comprende a história da arte, artistas brasileiros e universais, trabalhos com relação a temas e visita a museus. A coordenadora das oficinas, a artista plástica Silvia Maria de Gracia Marques, trabalha no Centro Juvenil há 13 anos. Atualmente comanda a oficina de folclore Boi de Mamão. “Essa manifestação folclórica é encontrada somente no sul do país, trazida por nossos colonizadores e que caíram no gosto do homem do litoral. Na verdade é uma brincadeira que conta a morte e a ressureição do boi. É parecida com o “bumba-meu-boi” ou “boi-bumbá”, do norte do Brasil, e o que muda são somente os personagens: benzedeira, médico, bernunça (cobra de pano)e dragão chinês”. A professora Silvia conta que a oficina oferecida pelo Centro JUvenil porporciona ao aluno construir os personagens, aprender canto e representar. “As crianças adoram e esta peça foi selecionada para o Festival de Antonina, este ano”, comenta. Importantes nomes vêm se revelando no Centro Juvenil, que é uma das mais antigas escolinhas de arte do Brasil. É o caso de Adrielton Galvão Siqueira,13, que há dois anos freqüenta as oficinas de desenho, pintura e teatro. Em 2004, ele foi premiado com uma pintura que lhe conferiu medalha de prata na Índia. A artista Magda Sella, 43, professora de teatro há 10 anos, diz que este ano por motivo das mudanças, as oficinas de teatro iniciaram atrasadas. “As crianças se envolvem tanto que fazem disso sua vida’. Entre as peças mais famosas estão: Gato de Botas e Sonhos de Uma Noite de Verão, de Shakespeare Salas improvisadas, espaço limitado, adaptações ao calendário do Museu Alfredo Andersen, nada disso impede que as crianças brinquem, pintando com liberdade e sem a rigidez das escolas, pois o objetivo do Centro Juvenil, como dizia seu fundador, não é formar desenhistas ou artistas, mas sim contribuir para formar pessoas de sensibilidade apurada, com gosto pela arte, e em buscar a cada dia o aperfeiçoamento, corrigindo deficiências e discernindo a beleza estética de cada trabalho. A visão humanista de Viaro Guido Viaro deixou a alma em tudo que criou. Foi paisagista, marinhista, pintor de figuras e de naturezasmortas. A paisagem paranaense, com seus pinheiros típicos e sua neblina nele teve o intérprete talvez mais sensível. Fixou em marinhas aspectos do litoral paranaense sobretudo em Guaratuba. Mas foi acima de tudo pintor de figuras e ele próprio costumava explicar: “Tudo isso é feito para chegar à figura humana; a gente faz paisagem para ser fundo da figura humana; a gente faz natureza-morta para ser complemento da figura humana. É no homem que se realiza toda a grandeza e a meta final da obra plástica”. Guido Viaro nasceu em 1897 na Itália (Badia Polesine), vindo a falecer em Curitiba (PR) em 1971. Serviço O Centro Juvenil de Artes Plásticas atende crianças de 06 a 14 anos. Sede própria - Rua Mateus |Leme, 336- Largo da Ordem. Atualmente desenvolve suas atividades nas dependências do Museu Alfredo Andersen, no endereço : Rua Mateus Leme, 56. Fones 41 222-8262 e 3235148 Atividades: Oficinas de desenho, pintura, gravura, cerâmica, tecelagem, teatro e folclore.Valor R$ 40,00 (somente matrícula) Horário de visitas: terça a sexta das 9 h às 18:30h - sábados e domingos das 10h às 16h. Obs: A s matrículas para 2005 estarão abertas a partir de dezembro. Haverá oficinas de férias. Evelize de Tullio (Edição/Diagramação) Clesi A. França (Reportagem/ Edição)