Ensino, Aprendizagem e a Vida Universitária: Um Bate-Papo com os Acadêmicos – Parte 1 Renato Dourado Maia Faculdade de Ciência e Tecnologia de Montes Claros Fundação Educacional Montes Claros Ensino Brasileiro – Contexto Ô vontade de ir embora... 24/02/2014 Ê aula que não acaba... Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 2/43 Ensino Brasileiro – Contexto SE AS COISAS FERVEREM ASSIM... 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 3/43 Ensino Brasileiro – Contexto INJUSTIÇAS PODEM OCORRER... 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 4/43 Ensino Brasileiro – Contexto E RECUPERAR-SE PODE SER IMPOSSÍVEL... 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 5/43 Ensino Brasileiro – Contexto Situação atual dos alunos: Um pouco mais do que figurantes, um pouco menos do que personagens... SERÁ QUE ESSA É, TAMBÉM, A SITUAÇÃO ATUAL DOS PROFESSORES? 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 6/43 Ensino Brasileiro – Contexto 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 7/43 Ensino Brasileiro – Contexto 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 8/43 Ensino Brasileiro – Contexto 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 9/43 Ensino Brasileiro – Contexto Arquitetura das salas de aula (Stephen Kanitz): “Nossos alunos, na maioria, estão desmotivados, cheios das aulas. É só lhes perguntar de vez em quando. Alguns professores adoram ser o centro das atenções, mas muitos estão infelizes com sua posição de ator obrigado a entreter por cinquenta minutos um bando de desatentos.” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 10/43 Ensino Brasileiro – Contexto Arquitetura das salas de aula (Stephen Kanitz): “Não é por coincidência que somos uma nação facilmente controlada por políticos mentirosos e intelectuais espertos. Nossos arquitetos valorizam a autoridade, não o indivíduo. Nossas salas de aula geram alunos intelectualmente passivos, e não líderes; puxa sacos, e não colaboradores. Elas incentivam a ouvir e obedecer, a decorar, e jamais a ser criativos.” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 11/43 Ensino Brasileiro – Contexto Estudar apenas para as provas (Stephen Kanitz): “O sistema de "dar" notas está tão enraizado no nosso sistema educacional que nem percebemos mais suas nefastas consequências. Muitos alunos estudam para tirar boas "notas", não para aprender o que é importante na vida. Depois de formados, entram em depressão pois não entendem por que não arrumam um emprego apesar de terem tido excelentes "notas" na faculdade. Foram enganados e induzidos a pensar que o objetivo da educação é passar de ano, tirar nota 5 ou 7, o mínimo necessário.” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 12/43 Ensino Brasileiro – Contexto Estudar apenas para as provas (Stephen Kanitz): “Ninguém estuda mais pelo amor ao estudo, mas pelas cenouras que colocamos na sua frente. Ou seja, as "notas" de fim de ano. Educamos pelo método da pressão e punição. Quando adultos, esses jovens continuarão no mesmo padrão. Só trabalharão pelo salário, não pela profissão.” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 13/43 Ensino Brasileiro – Contexto Estudar apenas para as provas (Stephen Kanitz): “Se o seu filho não quer estudar, não o force. Simplesmente corte a mesada e o obrigue a trabalhar. Ele logo descobrirá que só sabe ser menino de recados. Depois de dois anos no batente ele terá uma enorme vontade de estudar. Não para obter notas boas, mas para ter uma boa profissão.” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 14/43 Ensino Brasileiro – Contexto Perguntas prontas (Stephen Kanitz): “O primeiro caso a ser resolvido naquela noite era de marketing, em que a empresa gastava boas somas em propaganda, mas as vendas caíam ano após ano. Havia comentários detalhados de cada diretor da companhia, um culpando o outro, e o caso terminava com uma análise do presidente sobre a situação.” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 15/43 Ensino Brasileiro – Contexto Perguntas prontas (Stephen Kanitz): “O caso terminava ali, e ponto final. Foi quando percebi que estava faltando algo. Algo que nunca tinha me ocorrido nos dezoito anos de estudos no Brasil. Não havia nenhuma pergunta do professor a responder. O que nós teríamos de fazer com aquele amontoado de palavras?” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 16/43 Ensino Brasileiro – Contexto Perguntas prontas (Stephen Kanitz): “Eu, como meus outros colegas brasileiros, esperava perguntas do tipo "Deve o presidente mudar de agência de propaganda ou demitir seu diretor de marketing?". Afinal, estávamos todos acostumados com testes de vestibular e perguntas do tipo "Quem descobriu o Brasil?” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 17/43 Ensino Brasileiro – Contexto Perguntas prontas (Stephen Kanitz): “Harvard queria justamente o contrário. Queria que nós descobríssemos as perguntas que precisam ser respondidas ao longo da vida. Uma reviravolta e tanto. Eu estava acostumado a professores que insistiam em que decorássemos as perguntas que provavelmente iriam cair no vestibular.” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 18/43 Ensino Brasileiro – Contexto Perguntas prontas (Stephen Kanitz): “Adorei esse novo método de ensino, e quando voltei para dar aulas na Universidade de São Paulo, trinta anos atrás, acabei implantando o método de estudo de casos em minhas aulas. Para minha surpresa, a reação da classe foi a pior possível. "Professor, qual é a pergunta?", perguntavam-me. E, quando eu respondia que essa era justamente a primeira pergunta a que teriam de responder, a revolta era geral: "Como vamos resolver uma questão que não foi sequer formulada?” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 19/43 Ensino Brasileiro – Contexto Perguntas prontas (Stephen Kanitz): “Temos um ensino no Brasil voltado para perguntas prontas e definidas, por uma razão muito simples: é mais fácil para o aluno e também para o professor. O professor é visto como um sábio, um intelectual, alguém que tem solução para tudo. E os alunos, por comodismo, querem ter as perguntas feitas, como no vestibular.” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 20/43 Ensino Brasileiro – Contexto Perguntas prontas (Stephen Kanitz): “Em minha experiência e na da maioria das pessoas que trabalham no dia-a-dia, uma vez definido qual é o verdadeiro problema, o que não é fácil, a solução não demora muito a ser encontrada. Se você pretende ser útil na vida, aprenda a fazer boas perguntas mais do que sair arrogantemente ditando respostas. Se você ainda é um estudante, lembre-se de que não são as respostas que são importantes na vida, são as perguntas.” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 21/43 Ensino Brasileiro – Contexto Notas (Stephen Kanitz): “Damos notas a hotéis, a videogames e a tipos de café. Mas faz sentido dar notas a seres humanos como fazem as escolas e nossas universidades? Ninguém dá a Beethoven ou à Quinta Sinfonia uma nota como 6,8, por exemplo.” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 22/43 Ensino Brasileiro – Contexto Notas (Stephen Kanitz): “O que significa dar uma "nota" a um ser humano? Que naquele momento da prova, ele sabia x% de tudo o que os professores gostariam que ele soubesse da matéria. Mas saber "algo" significa alguma coisa hoje em dia? Significa que você criará "algo" no futuro? Que você será capaz de resolver os inúmeros problemas que terá na vida? Que será capaz de resolver os problemas desta nação?” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 23/43 Ensino Brasileiro – Contexto Notas (Stephen Kanitz): “É possível medir a capacidade criativa de um aluno? Quantos alunos tiraram nota zero justamente porque foram criativos ou criativos demais? Por isso, não damos notas a Beethoven nem a Picasso, não há como medir criatividade.” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 24/43 Ensino Brasileiro – Contexto Informação sem discussão (Stephen Kanitz): “Lá não há aulas de inauguração, na qual o professor diz quem ele é e o que ensinará durante o ano, matando assim o primeiro dia de aula. Essas informações podem ser dadas antes. Aliás, a carta em que me avisaram que fora aceito como aluno veio acompanhada de dois livros para ser lidos antes do início das aulas.“ 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 25/43 Ensino Brasileiro – Contexto Informação sem discussão (Stephen Kanitz): “Nossos alunos estão sendo levados a uma falsa consciência, o mito de que todas as questões do mundo já foram formuladas e solucionadas. O objetivo das aulas passa a ser apresentá-las, e a obrigação dos alunos é repeti-las na prova final.” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 26/43 Ensino Brasileiro – Contexto Informação sem discussão (Stephen Kanitz): “As aulas a que eu estava acostumado em toda a minha vida de estudante consistiam num bando de alunos ouvindo pacientemente um professor que dominava as nossas atenções pelo resto do dia. Simplesmente, naquele fatídico dia, eu não estava preparado quando todos viraram suas atenções para mim - e, pelo jeito, eu é que teria de dar a aula.” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 27/43 Ensino Brasileiro – Contexto Informação sem discussão (Stephen Kanitz): “A maioria das decisões na vida é de problemas que ninguém teve que enfrentar antes, e sem literatura pré-estabelecida. Estamos sozinhos no mundo com nossos problemas pessoais e empresariais. Quão mais fácil foi a minha vida de estudante no Brasil, quando a obrigação acadêmica era decorar as teorias do passado de Keynes, Adam Smith e Peter Drucker, como se fossem livros de auto-ajuda para os problemas do futuro.” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 28/43 Ensino Brasileiro – Contexto O conceito de justiça (Stephen Kanitz): “Isso porque existem dois tipos de professor no Brasil: um deles é formado pelos que corrigem de acordo com o que é certo e errado. São geralmente professores de engenharia, produção, direito, matemática, recursos humanos e administração. Escrever que dois mais dois podem ser três ou doze, dependendo “da interpretação lógica do seu contexto histórico desconstruído das forças inerentes”, não comove esse tipo de professor. Ele dá nota dependendo do resultado, e fim de papo.” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 29/43 Ensino Brasileiro – Contexto O conceito de justiça (Stephen Kanitz): “Mas, para a minha alegria, e agora também a sua, existe outro tipo de professor, mais humano e mais socialmente engajado, que dá nota segundo o critério de esforço despendido pelo aluno e não apenas pelo resultado. Se você escreveu dez páginas e disse coisas interessantes, mesmo que não pertinentes ao tema, ficou as duas horas da prova até o fim, mostrou esforço, ganhará uns pontinhos, digamos uma nota 3 ou até um 3,5.” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 30/43 Ensino Brasileiro – Contexto O conceito de justiça (Stephen Kanitz): “O que pode ser a sua salvação. Na próxima prova você só precisará tirar um 6,5 para compensar, e não uma impossível nota 10. Se você estudar um mínimo e usar esse truque, vai tirar um 5.“ 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 31/43 Ensino Brasileiro – Contexto O conceito de justiça (Stephen Kanitz): “O que é mais justo, remunerar pelo esforço de cada um ou pelos resultados alcançados? O que é mais correto, remunerar pela obediência e cumprimento de horário ou pelas realizações efetivas com que cada um contribuiu para a sociedade?” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 32/43 Ensino Brasileiro – Contexto O conceito de justiça (Stephen Kanitz): “Como o Brasil ainda não resolveu essa questão, não podemos discutir o próximo passo, que são as injustiças da opção feita. É justo só remunerar pelo resultado? É justo remunerar somente pelo esforço? Podemos até escolher um meio-termo, mas qual será a ênfase que daremos na educação dos nossos filhos e na avaliação de nossos trabalhadores? Ao esforço ou ao resultado?” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 33/43 Ensino Brasileiro – Contexto O conceito de justiça (Stephen Kanitz): “Quem tentou ser útil à sociedade mas fracassou teria direito a uma “renda mínima”? É justo dar 3,5 àqueles cujo esforço foi justamente enganar seus professores e o “sistema”? Não seria justo dar-lhes um sonoro zero? Precisamos optar por uma sociedade justa ou uma sociedade eficiente, ou podemos ter ambas?” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 34/43 Ensino Brasileiro – Contexto O conceito de justiça (Stephen Kanitz): “Como aluno, eu tive de me esforçar muito mais para as provas daqueles professores carrascos, que avaliavam resultados, do que para as provas dos professores mais bonzinhos. Quero agradecer publicamente aos professores “carrascos” pela postura ética que adotaram, apesar das nossas amargas críticas na época.” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 35/43 Ensino Brasileiro – Contexto O conceito de justiça (Stephen Kanitz): “Que sociedade é mais justa, aquela que valoriza as boas intenções e o esforço ou aquela que valoriza os resultados? Uma boa pergunta para começar a discutir no retorno às aulas.” 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 36/43 Ensino Brasileiro – Contexto E POR QUE TUDO ISSO NÃO MUDA? QUEBRAR PARADIGMAS NÃO É SIMPLES... Ainda não estamos habituados com o mundo. Nascer é muito comprido... Murilo Mendes 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 37/43 Pergunta Essencial... É possível ensinar? REFLITAM SOBRE ESSA PERGUNTA! INICIAREMOS A PRÓXIMA AULA A PARTIR DELA... 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 38/43 Leituras Recomendadas para Reflexão Artigos do Stephen Kanitz, especialmente sobre os temas Emprego e Ensino, disponíveis em: http://www.kanitz.com/artigos_tematica.htm. (acesso em 05/03/2013) Destaques – Ensino: 24/02/2014 Parabéns, Calouros de 2007. Por uma Sociedade Justa. Qual é o Problema. Revolucione a Sala de Aula. Vamos Acabar com as Notas. Volta às Aulas. Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 39/43 Leituras Recomendadas para Reflexão Artigo “Engenheiros múltiplos”, de autoria de Mário Neto Borges, que foi diretor científico da FAPEMIG – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais, disponível na página da disciplina. 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 40/43 Leituras Recomendadas para Reflexão Artigos do professor Waldimir Pirró e Longo, disponíveis em: http://www.waldimir.longo.nom.br/publicacoes.html. 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 41/43 Reflexão Final “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza!”. “Todo o caminho da gente é resvaloso. Mas, também, cair não prejudica demais – a gente levanta, a gente sobe, a gente volta.” João Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas (1956). 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 42/43 That`s All Folks! 24/02/2014 Renato Dourado Maia – Introdução à Engenharia de Controle e Automação 43/43