LUIZ ALBERTO PEREIRA PODER E CLIMA ORGANIZACIONAL: UM ESTUDO DE CASO EM UMA EMPRESA PETROQUÍMICA Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado Profissional da Escola de Administração, da Universidade Federal da Bahia, como requisito para a obtenção do grau de Mestre em Administração. Orientador: Prof. Dr. Antônio Virgílio Bittencourt Bastos Salvador 2003 2 LUIZ ALBERTO PEREIRA PODER E CLIMA ORGANIZACIONAL: UM ESTUDO DE CASO EM UMA EMPRESA PETROQUÍMICA Dissertação para obtenção do grau de Mestre em Administração. Salvador, 24 de abril de 2003 Banca Examinadora: Antônio Virgílio Bittencourt Bastos ____________________________________________ Universidade Federal da Bahia José Célico Silveira Andrade ___________________________________ Universidade Federal da Bahia Sônia Regina Fernandes _______________________________________ Universidade Federal da Bahia 3 A Manoel e Dilma, meus pais que a muito se foram, cujo exemplo e ensinamento permanecem vivos. 4 AGRADECIMENTOS Agradecer é muito mais difícil do que receber ajuda, já que é grande a possibilidade de cometer injustiças tendo em vista que recebi contribuições de muitas pessoas. Portanto, a todos aqueles que direta ou indiretamente me auxiliaram nesta caminhada, meu reconhecido agradecimento e, em especial: - aos meus mentores espirituais, por me darem forças e iluminarem meu caminho, quando parecia não haver saída; - ao Prof. Doutor Antônio Virgílio Bittencourt Bastos, pela segura e positiva orientação, disponibilidade, dedicação, compreensão e amizade durante a realização deste trabalho; - aos demais professores do Mestrado Profissional, que transmitiram seus conhecimentos e suas experiências. - aos meus colegas da turma de Mestrado Profissional, que através do contato nos diversos trabalhos em grupo e no cotidiano do curso muito me ensinaram. - aos meus colegas da antiga COPENE, que comigo compartilharam suas vivências e entusiasmo e disponibilizaram tempo para responder os questionários desta pesquisa, dois quais destaco Railda Nascimento, Celestino Boente e Lidice Hausner pelo apoio entusiasmado que recebi; - à Cintia Cursino, do Great Place to Work Institute, pela colaboração na pesquisa de campo; - à BRASKEM por ter me proporcionado condições, sem as quais seria impossível realizar este trabalho; - e finalmente, aos meus familiares, sobretudo à Márcia, minha esposa, e meus filhos Tiago e Luana, que tiveram que suportar minha ausência, e que sempre me apoiaram e auxiliaram e em todos os momentos com muito amor. 5 “Quando as dúvidas, as questões que nos assolam; quando as ideologias, os dogmas nos formam; quando juntos eles nos condicionam a tal ponto de nos subjugar passivamente é necessário responder com uma dúvida ativa, ousada, que se impõe o dever de os encarar; ripostar a esses ‘dizem’, vivendo passivamente, por um ‘vamos ver’, que empreende com resolução o seu exame crítico” GADOTTI ( 1991) 6 RESUMO Muitos estudos tem sido feitos tanto sobre Clima Organizacional como também sobre Poder Organizacional. Esta pesquisa tem com objetivo identificar as relações entre a percepção de Clima e Poder em uma organização. A presente pesquisa utilizou a teoria das configurações do poder, proposta por Mintzberg (1983), para alcançar os objetivos do estudo na identificação e a descrição das configurações de poder presentes na organização pesquisada. Para a identificação dos fatores de Clima Organizacional foi utilizada uma enquete realizada pelo Great Place to Work Institute. A pesquisa foi realizada na COPENE, uma empresa petroquímica localizada em Camaçari- Bahia, no período de outubro de 2001 a maio de 2002, Foram realizadas duas amostragens: uma para Clima Organizacional e outra para Configurações de Poder. Identificou-se que a Configuração de Poder predominante na organização é a SISTEMA FECHADO, seguida pela configuração AUTOCRÁTICA. Foi possível identificar uma correlação positiva entre a Configuração de Poder SISTEMA FECHADO e os fatores de Clima Organizacional ou seja os departamentos onde esta configuração foi predominante apresentaram os melhores escores nos diversos fatores de Clima Organizacional. 7 ABSTRACT Many studies have been made in such a way on Organizacional Climate as also on Organizacional Power. This study objectived to identify the relations between the perception of Climate and Power in an organization. The present research used the theory of the power configurations, proposal for Mintzberg (1983), to reach the objectives of the study of the identification and the description of the power configurations present in the searched organization. For the identification of the factors of Organizacional Climate was used a survey carried through by the Great Place Work Institute. The research was carried through in the COPENE, petrochemical company located in Camaçari- Bahia, during the period of October of 2001 to May of 2002. It had been carried through two samplings: one for Organizacional Climate and another one for Power Configurations. It was identified that the Power Configuration predominant in the organization is the CLOSED SYSTEM, followed for the AUTOCRATIC. It was possible to identify a positive correlation between the Power Configuration CLOSED SYSTEM and the factors of Organizacional Climate, i.e., the departments where this configuration was predominant had presented the best scores in the several factors of Organizacional Climate. 8 SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS LISTA DE TABELAS LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 1 INTRODUÇÃO 2 MARCO TEÓRICO 2.1 CLIMA ORGANIZACIONAL 2.2 MODELOS DE ESTUDO DE CLIMA ORGANIZACIONAL 2.2.1 Modelo de Litwin e Stringer 2.2.2 Modelo de Kolb 2.2.3 Modelo de Sbragia 2.2.4 Modelo de Coda 2.2.5 Modelo de Kozlowski 2.2.6 Modelo do Great Place to Work Institute 2.3 PODER ORGANIZACIONAL 2.4 PODER ORGANIZACIONAL DE MINTZBERG 2.4.1 A coalizão externa 2.4.2 A coalizão interna 2.4.3 Os objetivos Organizacionais 2.4.4 Configurações de Poder 2.4.5 Estágios de desenvolvimento organizacional 3 DESCRIÇÃO DA ORGANIZAÇÃO 3.1 O PÓLO PETROQUÍMICO DE CAMAÇARI E A COPENE 3.2 O MODELO DE GESTÃO E AS POLITICAS DE RECURSOS HUMANOS 4 METODOLOGIA 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA 4.2 OBJETIVOS DA PESQUISA 4.3 POPULAÇÃO DA PESQUISA 4.4 DEFINIÇÃO DA AMOSTRA 9 4.5 INSTRUMENTOS UTILIZADOS NA COLETA DE DADOS 4.6 PROCEDIMENTOS PARA ANÁLISE DOS DADOS 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.1 CARACTERÍSTICAS DOS PARTICIPANTES DO LEVANTAMETO DE CLIMA E PODER 5.2 CLIMA ORGANIZACIONAL 5.3 CONFIGURAÇÕES DE PODER ORGANIZACIONAL 5.4 ANÁLISE DOS CLUSTERS DE CONFIGURAÇÕES DE PODER 5.5 RELAÇÃO ENTRE CLIMA ORGANIZACIONAL E CONFIGURAÇÕES DE PODER 5.6 EXPECTATIVAS QUANTO AO PROCESSO DE INTEGRAÇÃO DA BRASKEM 6 CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES REFERÊNCIAS ANEXOS A Questionário para pesquisa de Clima Organizacional B Questionário para pesquisa das Configurações de Poder C Análise fatorial dos instrumentos de coleta de dados 10 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Comparação dos métodos de pesquisa de Clima Organizacional Figura 2 - Os influenciadores internos e seus jogos de poder Figura 3 - Estágios de Desenvolvimento Organizacional Figura 4 - Fatores da variável Clima Organizacional Figura 5 - Fatores da variável Configuração de Poder Figura 6 - Clima Organizacional na COPENE – 1998/1999/2001 Figura 7 - Distribuição dos clusters 11 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Características dos participantes da pesquisa Tabela 2 - Características adicionais da amostra de Configurações de Poder Tabela 3 - Médias dos fatores de Clima Organizacional Tabela 4 - Médias dos fatores de Clima Organizacional por regime de trabalho Tabela 5 - Comparação dos fatores de Clima Organizacional por regime de trabalho Tabela 6 - Médias dos fatores de Clima Organizacional por Órgão Tabela 7 - Comparação das médias dos fatores de Clima Organizacional por Órgão Tabela 8 - Médias dos fatores de Clima Organizacional por tempo de serviço Tabela 9 – Comparação das médias dos fatores de Clima Organizacional por tempo de serviço Tabela 10 -Média dos fatores de Clima Organizacional por órgão e cargo Tabela 11 -Médias das Configurações Poder Organizacional Tabela 12 -Comparação das médias de Configurações de Poder por sexo Tabela 13 -Comparação das médias de Configurações de Poder por órgão Tabela 14 -Comparação das médias de Configurações de Poder por regime de trabalho Tabela 15 -Comparação das médias de Configurações de Poder por cargo Tabela 16 -Comparação das médias de Configurações de Poder por grau de escolaridade Tabela 17 - Comparação das médias Configurações de Poder por tempo de serviço Tabela 18 -Médias dos fatores de Configuração de Poder em cada cluster Tabela 19 -Distribuição de clusters por órgão Tabela 20 -Distribuição de clusters por faixa etária Tabela 21 -Distribuição de clusters por sexo Tabela 22 -Distribuição de clusters por cargo Tabela 23 -Distribuição de clusters por regime de trabalho Tabela 24 -Distribuição de clusters por tempo de serviço Tabela 25 -Distribuição de clusters por grau de escolaridade Tabela 26 -Escores de Clima Organizacional e Configurações de Poder por Órgão Tabela 27 -Correlação entre os fatores de Clima e de Configurações de Poder Tabela 28 -Correlação entre as Configurações de Poder Tabela 29 -Fatores de Clima Organizacional por regime de trabalho Tabela 30 -Configurações de Poder por regime de trabalho 12 Tabela 31-Clusters de Configurações de Poder e Clima Organizacional por Órgão Tabela 32 -Correlação dos clusters de Configurações de Poder e Clima Organizacional Tabela 33 – A integração irá empresa irá trazer melhoria para o Brasil? Tabela 34 – A integração irá empresa irá melhorar desempenho da empresa? Tabela 35 – A integração irá empresa irá trazer melhorias para os empregados? Tabela 36– Expectativa quanto à integração por regime de trabalho Tabela 37– Expectativa quanto à integração por Órgão Tabela 38– Expectativa quanto à integração por cargo Tabela 39 – Expectativa quanto à integração por tempo de serviço Tabela 40 – Expectativa quanto à integração por clusters de Configuração de Poder 13 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CDI - Conselho de Desenvolvimento Industrial GECOM - Gerencia Comercial GECONT – Gerencia de Controladoria GEPRO – Gerência de Produção GEQUAL – Gerencia de Qualidade GERAF – Gerência Administrativa Financeira GEREM – Gerencia de Engenharia e Materiais GESSEMA – Gerencia de Segurança Saude e Segurança GETEC – Gerencia de Tecnologia SPSS - Statistical Package for Social Science 14 1 – INTRODUÇÃO As organizações apresentam-se como um importante fenômeno da sociedade moderna. Seja por sua complexidade, pelo impacto econômico e social ou pela influência no cotidiano das pessoas, inúmeros trabalhos têm sido realizados nos diversos campos das ciências sociais e econômicas. As empresas são, segundo Wood Jr. (2002, p. 20), “uma das manifestações mais adoradas e odiadas da vida organizacional, são fontes de prazer e neurose, realização e estresse. Poderosas, atraem e seduzem, cooptam e socializam”. A velocidade das mudanças tecnológicas, a competição das empresas em uma economia globalizada, a crescente exigência dos consumidores por produtos e serviços personalizados e acessíveis tem provocado constantes mudanças nas organizações. Essas mudanças têm impactos nas equipes e no cotidiano dos integrantes das organizações. Gayotto e Domingues (1995) afirmam: O cotidiano é um espaço, um tempo, um ritmo. A problematização do cotidiano configura-se uma experiência que supõe novas relações de trabalho e de poder, flexibilidade na assunção de papéis, transformações na organização e na cooperatividade dos grupos (GAYOTTO e DOMINGUES, 1995, p. 59). Para Pfeffer (1992), a implementação de mudanças tem se tornado cada vez mais complexa, pois a autoridade formal está menos efetiva, e a criação de uma visão comum é dificultada pela heterogeneidade dos membros nas organizações modernas. A autoridade formal vem se deparando com as mudanças das regras sociais e da maior interdependência dentro da organização. A importância do Clima Organizacional no desempenho da organização é uma questão já bastante debatida. Aktouf (1996) aponta que esta é uma questão relevante para o crescimento e a sobrevivência no longo prazo: [...] é necessário que o administrador do futuro compreenda que os instrumentos de administração, as técnicas econômicas e contábeis, as tecnologias sofisticadas não são nada sem a existência de um clima social e humano propício à adesão, à colaboração e ao desempenho (AKTOUF, 1996, p. 21) 15 As pressões exercidas sobre as organizações e a forma como elas são absorvidas pelos indivíduos têm implicações sobre o Clima Organizacional. Em muitas organizações, a resposta a essas pressões tem sido uma correria e uma demonstração explícita de energia contagiante, sugerindo que todos estão comprometidos e entusiasmados. É o que Gayotto (1995) denominou de “ativismo frenético compulsivo”. O comportamento das organizações é influenciado pelos diversos atores presentes no ambiente externo como os acionistas, governos, clientes, concorrentes, fornecedores, sindicatos e, também, por aqueles que estão no ambiente interno, ou seja, os integrantes dos diversos níveis hierárquicos da organização. A interação desses influenciadores, entre si e com a organização, provoca um jogo político e estabelece uma relação de poder dinâmica que afeta o cotidiano de todos os seus integrantes. Pesquisa realizada por Gandz e Murray (apud PFEFFER, 1992), com 428 executivos americanos, mostrou que 93,2% dos pesquisados afirmam que é comum a existência de um ambiente político nas organizações. O objetivo geral deste trabalho é identificar as possíveis relações entre Poder Organizacional e o Clima Organizacional. A pesquisa é um estudo de caso em uma empresa petroquímica do Pólo Petroquímico de Camaçari, Bahia. A coleta de dados foi realizada em dois momentos, novembro de 2001 e abril de 2002, com amostragens através de cortes transversais. Os resultados de uma pesquisa de Clima Organizacional representam importante instrumento para que organização possa identificar pontos que devem ser objetos de aprofundamento e para elaboração de um plano de ação para melhoria do clima. Sabe-se que um bom clima organizacional, isoladamente, não irá assegurar o sucesso e a perpetuidade da organização, mas um clima ruim, certamente, tornará essa tarefa impossível. Kozlowski e Doherty (1989), relatam que diversos autores como Blake e Mouton, Lewin, Likert, e Stringer, têm destacado o papel da liderança e a forma como este exerce o poder, como um importante fator na percepção do Clima Organizacional. O poder, conforme sugere Bennis (apud PFEFFER, 1992), é a energia básica para iniciar e sustentar a ação no sentido de transformar intenção em realidade, entretanto Aktouf (1996) aponta para a necessidade de haver algum processo de moderação no uso do poder : 16 O fato de contornar a hierarquia e a incitação, através de vários sinais e comportamentos implícitos e explícitos, à expressão, ao questionamento e mesmo à contestação, parecem constituir a espinha dorsal do clima geral da empresa. [... ] é uma forma de temperar o poder e de colocar-lhe freios (AKTOUF, 1996, p. 223). Mintzberg (1983) analisa poder organizacional na perspectiva da estrutura e do fluxo de poder dentro e em torno da organização, estabelecendo uma tipificação para as Configurações de Poder mais freqüentes nas organizações. Não foram encontrados, na parte da literatura revisada por esse trabalho, relatos de pesquisas empíricas sobre possíveis relações entre poder organizacional e clima organizacional. Portanto, esta pesquisa torna-se relevante, pois ela poderá contribuir para ampliar a abrangência da análise dos resultados das pesquisas de Clima Organizacional, criando novas perspectivas para intervenções em organizações. Esta dissertação está assim estruturada: no capítulo 1, além da introdução, são apresentados o objetivo da pesquisa, a delimitação do problema e sua relevância; no capítulo 2 é feita uma revisão da literatura sobre Clima Organizacional e Poder Organizacional; no capítulo 3 é feita uma descrição da organização estudada; no capítulo 4 é apresentada a metodologia utilizada na pesquisa; no capítulo 5 são apresentados e analisados os dados coletados. No capitulo 6 são apresentadas às conclusões e recomendações da pesquisa. Além disso, são apresentados como elementos pós-textuais as referências e anexos, estes com os instrumentos de coleta de dados utilizados na pesquisa. 17 2- MARCO TEÓRICO Neste capitulo será apresentada uma revisão de parte da literatura existente sobre os temas clima organizacional e poder organizacional para fundamentar a discussão sobre o caso estudado. A sociedade moderna é cada vez mais uma sociedade de organizações, praticamente não há como o Homem deixar de ter contato com as organizações. Para Etzioni (1976): [...] os cidadãos das sociedades modernas nascem em hospitais, são educados em escolas, trabalham em uma ou outra organização e, de acordo com sua participação em atividades político-religiosas, também com freqüência ocupam lugares nas organizações complexas. Em resumo, os membros das sociedades modernas tiram grande parte de sua satisfação material, social e cultural de organizações feitas em grande escala (ETZIONI, 1976, p.13). São inúmeras as tentativas de caracterizar as organizações: • Chanlat (1993) as define a organização como um local onde diversos agentes contribuem com seus recursos para produzir objetos e serviços, mas também é um local onde cada membro atua para realizar seus próprios objetivos; • Morgan (1996) as caracteriza como pequenas comunidades que têm padrões próprios de cultura, e que se articulam como um grupo bem integrado ou uma família; • Srour (1998) diz que as organizações são um microcosmo social, onde os agentes individuais são os portadores das relações sociais. A despeito da dominância de uma dimensão, que justifica existência e diferencia uma determinada organização, todas elas possuem as seguintes dimensões: econômica, política e simbólica. E enfatiza: [...] toda organização se conforma, a um só tempo, como unidade produtiva, entidade política e agência ideológica. Dito de outra maneira, toda organização comporta espaços variados. Em termos econômicos, as relações de haver (ou de produção) articulam uma espécie de praça em que se produzem e intercabiam bens e serviços. Em termos políticos, as relações de poder articulam uma espécie de arena em que se defrontam diferentes forças sociais. E, em termos simbólicos, as relações de saber articulam uma espécie de palco em que se elaboram e difundem representações imaginárias (discursos ou mensagens) (SROUR, 1998, p. 122); 18 • Kanaane (1999) as vê como conjunto de sistemas interdependentes e observa: A organização é um sistema integrado de subsistemas interdependentes, havendo intercâmbios entre os respectivos elementos: clima, cultura, estrutura e sistemas administrativos. A missão, os objetivos, a tecnologia, o produto, as atividades, a própria estrutura e os trabalhadores constituem o nicho organizacional (KANAANE, 1999, p. 50). Portanto, a organização é, em sua essência, o produto da integração dos membros que a compõem, pois o resultado das mais diversas personalidades que nela interagem com os seus valores e crenças, possibilita àquele grupo social constituir uma identidade própria. O ambiente onde a organização esta inserida também contribui na construção dessa identidade, como observa Morgan (1996): As organizações são concebidas como sistemas vivos, que existem em um ambiente mais amplo do qual dependem em termos de satisfação das suas várias necessidades. Assim, à medida que se olha à volta do mundo da organização, percebe-se que é possível identificar diferentes tipos de organizações em diferentes tipos de ambientes (MORGAN, 1996, p. 43) Ao ingressar em uma organização, o indivíduo traz consigo um conjunto de expectativas que espera concretizar objetivando assim sua auto-realização. A organização, por outro lado, também tem a expectativa de satisfazer suas necessidades, criando princípios que norteiem o comportamento de seus empregados (CAVEDON, 1988). A cultura de uma organização é estabelecida considerando sua natureza institucional, o momento histórico da sua criação e os indivíduos que a irão constituir. Estes elementos se articulam entre si de forma a consolidar uma cultura organizacional (CAVEDON, 1988). Segundo Morgan (1996), as organizações modernas são mantidas por sistemas de crenças que enfatizam a importância da racionalidade, sendo que a sua legitimidade depende da habilidade que tenham de se mostrarem racional e objetivamente em ação. 2.1 – CLIMA ORGANIZACIONAL O conceito de clima organizacional vem sendo trabalhado há várias décadas. Mesmo sem ser explicitado, já estava presente na proposta da Escola das Relações Humanas 19 na década de 30, conforme Oliveira (1995). Talvez, uma explicação para essa longa trajetória seja a dificuldade para delimitar o conceito. Outra possibilidade, para explicar esse interesse, é a levantada por Ferguson (apud Oliveira, 1995): Nada é menos tangível, nem mais importante, na vida das organizações e nas transações interpessoais do que o clima psicológico. Sua existência é tão real e tão sujeita a alterações quanto o é o clima físico, embora os componentes que perfazem o clima psicológico, ainda que igualmente identificáveis, não sejam tão concretos (FERGUSON apud OLIVEIRA, 1995, p. 17) Para Puente-Palacios (2001), clima organizacional é um fenômeno de natureza complexa, pois é resultado da interação das variáveis que o compõe. A revisão da literatura mostra diferentes abordagens para o conceito de clima organizacional. Verbeke (1998) e Puente-Palacios (2001) detalham quatro tipos de abordagens: Estrutural; Perceptual; Interativa e Cultural, que foram identificadas por Moram e Volkein. Estas abordagens serão descritas a seguir. Na abordagem Estrutural, o clima organizacional é considerado como resultante objetivo da estrutura organizacional. O clima é formado porque os integrantes estão expostos a características estruturais comuns na organização; como resultado dessa exposição, os membros têm percepções similares com respeito ao conjunto de características organizacionais (SCHNEIDER e REICHERS, 1983). Já na abordagem Perceptual, a base para a formação do clima organizacional está dentro do indivíduo. Os indivíduos respondem a variáveis situacionais de maneira psicologicamente significante para eles. Dessa forma, no entender de Puente-Palacios (2001): [...] o clima pode ser entendido como o resultado de processos de percepção, carregados de um significado cognitivamente construído e psicologicamente importante para o sujeito. O papel outorgado ao indivíduo é o de autor, que percebe as condições organizacionais e, a partir delas, cria um mapa de representações abstratas ou psicológicas (PUENTE-PALACIOS, 2001, p. 97). Na abordagem Interativa, a idéia básica é que a interação dos indivíduos, submetidos às mesmas situações organizacionais, faz com que eles compartilhem uma visão comum, socialmente construída, que é à base do clima organizacional (JACKOFSKY and SLOCUM apud VERBEKE, 1998). 20 A abordagem Cultural complementa as abordagens Estrutural, Perceptual e Interativa, pois considera que a cultura organizacional constitui um modelo que influencia o comportamento, a interação e a percepção dos membros da organização. Para Puente-Palacios (2001): As características da organização constituem a base do processo de percepção individual que, por sua vez, está influenciado pelas caraterísticas pessoais de quem percebe. As percepções deste sujeito, que já receberam influência vinda de diversas fontes, ainda vão ser moldadas por processos de interação social e é a partir das atribuições de significados compartilhados socialmente, que o clima social se constrói..Segundo esta abordagem, o clima sofre influência da cultura da organização que molda os processos sociais e individuais de percepção (PUENTEPALACIOS, 2001, p. 98). As diferentes abordagens do conceito de Clima Organizacional foram sendo progressivamente incluídas nos diversos modelos de estudos de clima que serão detalhados a seguir. 2.2- MODELOS DE ESTUDO DE CLIMA ORGANIZACIONAL Os instrumentos utilizados para avaliar o clima de uma organização são “pesquisas de clima”, ou seja, é uma pesquisa de opinião que caracteriza uma representação ou uma percepção da realidade organizacional. Alguns dos modelos desenvolvidos para levantamento do clima organizacional, que apresentam diferentes fatores, são apresentados a seguir. 2.2.1 - Modelo de Ltiwin e Stringer O modelo proposto por Litwin e Stringer (apud SANTOS, 1983) apresenta 7 fatores: a) Estrutura – representa a percepção dos membros da organização sobre a quantidade de regras, procedimentos e outras limitações enfrentadas para a realização dos trabalhos; ênfase que a organização coloca na burocracia versus a que posta em um ambiente de trabalho livre, informal e não estruturado; b) Responsabilidade - é o sentimento dos membros da organização a respeito da sua autonomia nas decisões relacionadas ao seu trabalho. Leva em consideração se a supervisão que recebem é do tipo mais geral, ou seja, o sentimento de ser seu próprio chefe; 21 c) Desafio – corresponde à percepção dos membros da organização quanto aos desafios impostos pelo trabalho. É o parâmetro pelo qual a organização promove a aceitação de riscos calculados para atingir os objetivos propostos; d) Recompensa - corresponde à percepção dos membros sobre a adequação da recompensa por um trabalho bem feito. É a medida que a organização utiliza mais a premiação do que a punição; e) Relações – é a percepção dos membros da organização acerca da existência de um ambiente de trabalho gratificante e de boas relações sociais, tanto entre os pares quanto entre chefe e subordinados; f) Cooperação – é o sentimento dos membros da organização sobre a existência de um espírito de ajuda, tanto por parte das lideranças quanto dos demais colegas, é colocada ênfase no apoio mútuo; g) Conflito – é o sentimento de que os membros da organização, em todos os níveis, aceitam opiniões contrárias e não temem enfrentar e solucionar problemas tão logo estes surjam. 2.2.2 Modelo de Kolb O modelo de Kolb (1986), com a definição de oito fatores, é uma ampliação do modelo de Litwin e Striger: a) Conformismo – sentimento de que há muitas limitações impostas pela organização; com inúmeras regras, políticas, procedimentos, determina que o indivíduo deve se amoldar e não fazer o à sua maneira; b) Responsabilidade – grau com que os trabalhadores podem tomar decisões e resolver problemas sem consultar seus superiores em cada etapa; c) Padrões – é a percepção dos membros acerca da ênfase que a organização coloca nos padrões de desempenho e se esses são objetivos desafiadores; d) Recompensa - mede o nível de reconhecimento por um trabalho bem feito.Está relacionado, também, com o nível de crítica e das punições; e) Clareza organizacional – percepção dos membros da organização de que os padrões e as rotinas de trabalho estão organizados, assim como as metas claramente definidas; f) Relações – sentimento de que as relações entre seus membros são positivas, que existe confiança entre eles; 22 g) Cooperação – existência de um espírito de ajuda mútua entre os membros da organização; h) Liderança - a disposição dos membros da organização em aceitar a liderança e a direção de pessoas qualificadas. 2.2.3 – Modelo de Sbragia O modelo aplicado por Sbragia (1983), em um estudo de clima organizacional em uma instituição de pesquisa, utilizou um instrumento de coleta de dados com 20 fatores: a) Estado de tensão – grau com que as pessoas agem e decidem de forma lógica e racional; b) Conformidade exigida – grau de flexibilidade que os membros têm dentro do contexto organizacional, ou seja, como as normas e regulamentos são percebidos por seus membros; c) Ênfase na Participação - grau de envolvimento dos membros da organização no processo decisório e da aceitação de idéias e sugestões; d) Proximidade da Supervisão - indica como o controle é exercido pelo supervisor e qual o grau de autonomia que o empregado tem para definir os métodos de trabalho; e) Consideração Humana - indica o grau de humanização com que a organização trata seus membros; f) Adequação da Estrutura - descreve o quanto o esquema organizacional facilita as ações das pessoas, em termos de normas e canais de comunicação consistentes com os requisitos do trabalho; g) Autonomia Presente - reflete o grau de liberdade com que as pessoas têm para tomar decisões; h) Recompensas Proporcionais - descreve como as pessoas são recompensadas pelo trabalho e quão justas são a política de remuneração e os planos de carreira; i) Prestígio Obtido- indica a percepção dos membros da organização de como são vistos pelos agentes externos; j) Cooperação Existente: descreve o grau de confiança entre os membros da organização e o quão boa é a relação entre eles; 23 k) Padrões Enfatizados - descreve a ênfase que é dada nas metas e os padrões de desempenho; l) Atitude Perante Conflitos - descreve o grau com que as pessoas estão dispostas considerar opiniões diferentes e a explicitar os conflitos existentes; m) Sentimento de Identidade - explicita quanto as pessoas sentem que pertencem a organização; n) Tolerância Existente - indica como os erros das pessoas são tratados pela organização; o) Clareza Percebida - descreve o quanto a organização informa seus membros sobre os assuntos relevantes para eles; p) Justiça Predominante - explicita o grau com que os critérios de habilidade e desempenho são considerados nas decisões da organização; q) Condições de Progresso - descreve o grau com que a organização disponibiliza oportunidades e estimula o crescimento profissional; r) Apoio Logístico Proporcionado - indica o quanto a organização provê às pessoas os recursos necessários para um desempenho adequado; s) Reconhecimento Proporcionado - descreve o quanto o desempenho diferenciado é valorizado e reconhecido pela organização; t) Forma de Controle - descreve o grau com que a organização usa indicadores de performance para melhorias ao invés de usá-los para punições. 2.2.4 – Modelo de Coda Este modelo foi aplicado por Coda (1997) em diversas pesquisas de clima organizacional realizadas em empresas públicas e privadas no Brasil. Foi utilizado um instrumento de coleta que possui 10 fatores, conforme descrito a seguir: a) Liderança - descreve o grau de feedback e orientação fornecido ao subordinado sobre seu desempenho e assuntos de seu interesse; b) Compensação - descreve o equilíbrio do pacote de remuneração, ou seja, amplitude dos benefícios, relatividade com mercado, concessão de promoções por desempenho; c) Maturidade Empresarial - compreensão dos membros da organização sobre o mercado, concorrentes e expectativas dos clientes; valorização de altos padrões de desempenho; 24 d) Colaboração entre Áreas Funcionais - descreve o grau de respeito e colaboração entre as diversas áreas para atingir os objetivos da organização; e) Valorização Profissional -estímulo ao desenvolvimento e crescimento profissional; disponibilização de oportunidades de crescimento e promoção; f) Identificação com a Empresa - sentimento de pertencer a uma grande equipe em busca de objetivos mútuos; g) Processo de Comunicação – rapidez na comunicação de decisões, informações necessárias ao bom desempenho das pessoas são disponibilizadas de forma clara; h) Sentido de Trabalho - importância do trabalho realizado para os objetivos da organização; i) Política Global de Recursos Humanos - RH - apoio fornecido pelas políticas de RH e importância desta área; j) Acesso - grau de acesso a outros tipos de trabalho ao longo da carreira. 2.2.5 – Modelo de Kozlowski O modelo proposto por Kozlowski (1989) possui uma escala com 11 dimensões, conforme descrito a seguir: a) Estrutura do Trabalho - indica como são percebidas a organização e a estrutura do trabalho; b) Entendimento do Trabalho - indica quão claro são os objetivos para os membros da organização; c) Apropriação - indica como é percebido o grau com que o empregado é responsabilizado por suas ações; d) Responsabilidade - indica como é percebido o grau de autonomia para tomar decisões; e) Ênfase de Supervisão - indica como é percebida a pressão de trabalho feita pelo supervisor; f) Participação - indica o grau de como o supervisor incentiva a participação dos empregados nos processos de decisão; g) Suporte - indica como são percebidos o grau de apoio, confiança e respeito demonstrado pelo supervisor; 25 h) Trabalho em Equipe - indica a percepção de que existe um ambiente de cooperação e amizade na equipe; i) Cooperação - mede a percepção de que existe cooperação entre as diversas áreas da organização; j) Gerenciamento Consciente - indica a percepção do grau com que os gerentes estão preocupados com as necessidades dos empregados; k) Comunicação - é o grau com que o sistema de comunicação é suficiente em termos de receptividade, abertura e fluxo. 2.2.6 - Modelo do Great Place to Work Institute O modelo do Great Place to Work Institute – GPTW, consultoria americana que atua no Brasil desde 1997, não se propõe a avaliar o clima organizacional e sim estabelecer um conjunto de fatores que permita a comparação do grau de satisfação dos empregados em diversas organizações empresariais. Na verdade, conforme descreve Levering (1984), no início a idéia era verificar se existia alguma correlação entre satisfação dos empregados e desempenho econômico/financeiro da empresa. Depois de entrevistar empregados em diversas empresas americanas o autor concluiu que um excelente lugar para se trabalhar é onde o individuo confia na organização, tem orgulho do que faz e gosta das pessoas com quem trabalha. O modelo proposto por Levering possui cinco fatores: Credibilidade, Respeito, Justiça, Orgulho e Camaradagem., apresentados a seguir: a) Credibilidade - grau de acesso e abertura nas comunicações, competência em coordenar os recursos humanos e materiais, integridade e consistência das decisões; b) Respeito - suporte aos empregados em decisões relevantes, tratar os empregados como indivíduos com vida pessoal, apoiar o desenvolvimento profissional; c) Imparcialidade – eqüidade, ou seja, tratamento equilibrado para todos em termos de recompensas, bem como ausência de favoritismo em recrutamento e promoção, não discriminação e possibilidade de apelação; d) Orgulho - no trabalho realizado pelo indivíduo, no resultado alcançado por um membro ou pelo grupo, e nos produtos e serviços oferecidos pela empresa; 26 e) Camaradagem - qualidade da hospitalidade, intimidade e comunidade no ambiente de trabalho, senso de equipe. Esse modelo vem sendo utilizado no Brasil, desde 1997, por empresas que têm participado anualmente da pesquisa “Guia Exame – As 100 Melhores Empresas Para Você Trabalhar”, uma iniciativa da Editora Abril em parceria com o Great Place to Work Institute. A participação das empresas, que vem aumentado a cada ano, tem como objetivo verificar o desempenho do seu sistema de gestão de pessoas e, também, obter visibilidade na mídia, através de uma imagem favorável para atrair e reter talentos. Para a definição das “100 Melhores Empresas para Você Trabalhar”, além dos questionários respondidos pelos empregados e enviados diretamente para o Great Place to Work Institute, também é feita uma avaliação das políticas de Recursos Humanos das Empresas. A publicação do Guia Exame em 1997 apontou as 30 melhores empresas de um total de 63 participantes, já em 2003 foram apontadas as 100 melhores de um total de 410 participantes. Comparando os diversos modelos de pesquisa de clima organizacional, observa-se que os modelos mais abrangentes são o modelo de Sbragia e o modelo do Grate Place to Work Institute, que cobrem mais de 80% dos aspectos pesquisados em todos os modelos, como mostra a figura 1, a seguir. 27 FATORES Estrutura / Resp. / LITWIN- KOLB SBRAGIA CODA KOZLOWISKI STRINGER Sim Sim Regras Autonomia GPTW Sim - Sim - Sim Sim Sim - Sim Sim Desafio Sim Sim Sim Sim - Sim Recompensa Sim Sim Sim Sim - Sim Relações Interpessoais Sim Sim Sim Sim Sim Sim Cooperação Sim Sim Sim Sim Sim Sim Conflito Sim - Sim - - - Liderança / Suporte - Sim Sim Sim Sim Sim Clareza - Sim Sim Sim Sim Sim Participação - - Sim - Sim Sim Reconhecimento - - Sim Sim Sim Sim Identidade / Orgulho - - Sim Sim - Sim Justiça - - Sim - - Sim Oport. de crescimento - - Sim Sim - Sim Consideração Humana - - Sim - Sim - Comunicação - - - Sim Sim Sim Fonte: Elaborada pelo autor Figura 1 – Comparação dos métodos de pesquisa de clima organizacional 2.3 – PODER ORGANIZACIONAL Não há dúvida de que o poder é um dos elementos centrais na estrutura das sociedades humanas, distinguindo os seus elementos constitutivos em termos de quem o tem e quem não o tem, de quem o deseja, de quem está, a priori, excluído, e de quem sabe que não o terá jamais. Há mais de 50 anos Russel (apud PETTIGREW e McNULTY, 1995, p. 851) escreveu “[...] o conceito fundamental em ciências sociais é poder, da mesma forma que energia é um conceito fundamental na física” . Para Hillman (2001), a sociedade atual, com sua ênfase no mercado, se estrutura em função da Economia e o poder é a idéia principal a nortear as interações cotidianas dos indivíduos e organizações: 28 [...] os negócios fornecem o princípio organizador de cada dia e a principal razão para levantar de manhã. [...] O drama dos negócios, com suas lutas, desafios, vitórias e derrotas, forma o mito fundamental de nossa civilização, a história que explica a motivação implícita nos rituais do nosso comportamento (HILLMAN, 2001, p. 15). Os estudos sobre poder nas organizações partem desde uma análise baseada no indivíduo - o poder diádico, até uma abordagem no nível macro - o poder organizacional, passando também por análises intermediárias - o poder social e grupal. Bass (apud MELO 2001) e Hillman (2001), listam algumas definições de autores que associam o poder como força e dominação: • Russel – Poder é a produção dos efeitos pretendidos; • Dahl – Poder é a diferença da probabilidade de um evento, considerando certas ações de A, e a probabilidade desse evento sem tais ações de A; • Canetti – Inerente ao poder, portanto, por oposição à força, é certa extensão no tempo e no espaço; • Biertedd – Habilidade para empregar a força; • Janda – O direito de prescrever padrões de comportamento para os outros; • French – O poder de A sobre B equivale à força máxima que A pode induzir em B, menos a força de resistência que B pode mobilizar em direção oposta. Para Etzioni (1976), o poder é um atributo que alguém detém, independentemente de outras pessoas, e se sustenta através de uma base de poder. As bases de sustentação, segundo Etzioni são: a) Poder Coercitivo – baseia-se na aplicação ou ameaça de sanções físicas, no controle, através da força, da satisfação de necessidades; b) Poder Remunerativo – baseia-se no controle sobre recursos e recompensas materiais; c) Poder Normativo – baseia-se na distribuição e manipulação de recompensas simbólicas ou de privações; French e Raven (1959), que concebem poder como um fenômeno relacional, identificaram 5 tipos de poder: 29 a) Poder do Especialista – baseia-se na percepção que um indivíduo tem sobre a competência do outro; b) Poder Referente – baseia-se na identificação de uma pessoa com outra; c) Poder de Recompensa – baseia-se na percepção de que o outro possui a habilidade e a competência de fornecer-lhe recompensas; d) Poder Coercitivo – baseia-se na percepção de que o outro tem condições de puni-lo; e) Poder Legítimo – baseia-se na percepção de que o outro tem o direito legítimo para definir o seu comportamento. Para Srour (1998), poder é a capacidade de intervir sobre a vontade dos agentes sociais ou sobre seus interesses. Poder é, portanto, uma relação social , cuja origem está na a capacidade de coagir ou de estabelecer uma relação de domínio sobre os outros para o controle ou produção de resultados desejados. O autor insere as relações de poder nas dimensões econômica, política e simbólica: Mando e influência constituem capacidade de interferir no curso dos acontecimentos sociais, de agir sobre as relações sociais. Enquanto a energia específica da dimensão econômica é o trabalho, move a dimensão política o mando e anima a dimensão simbólica à influência (SROUR, 1998, p. 141). As formas de poder, ou melhor, de exercício de poder, segundo Srour, que sevem para a regulação dos interesses dos agentes sociais são: a) Coagir - dar ordens; b) Administrar – realizar objetivos; c) Julgar – emitir juízos; d) Deliberar – definir políticas. No âmbito macrossocial essas formas de poder legítimo são exercidas por diferentes instituições como Polícia, Órgãos da Administração Pública, Tribunais do Poder Judiciário e Poder Legislativo. No âmbito microssocial, ou seja, nas organizações, as diversas formas de poder são exercidas pelos gestores. 30 2.4 – PODER ORGANIZACIONAL DE MINTZBERG A teoria do poder organizacional de Mintzberg (1983) focaliza o poder dentro e em torno das organizações. Para autor o comportamento organizacional é resultado de um jogo de poder, no qual vários influenciadores, ou jogadores, procuram controlar as ações organizacionais. Esses influenciadores usam meios ou sistemas de influência para controlar decisões e ações da organização. A correlação de forças entre os diferentes influenciadores irá determinar uma configuração do poder organizacional. Assim, para entender a organização, é necessário verificar quais são os influenciadores da organização, quais necessidades eles desejam que sejam satisfeitas pela organização e quão apto cada um dos influenciadores se encontram para exercer o poder, em busca da satisfação de suas necessidades. Poder, para Mintzberg, é a capacidade de afetar os resultados organizacionais e concebido como força mobilizadora. Paz (1997) resume: O exercício do poder demanda energia, além de vontade e habilidade política, esta última ligada a recursos pessoais, como inteligência e esperteza, atratividade e charme necessários à utilização efetiva das bases de poder para convencer pessoas e alcançar resultados (PAZ, 1997, p. 161). 2.4.1 - A Coalizão Externa A coalizão externa, segundo Mintzberg (1983), é formada pelos influenciadores que estão fora da organização: os proprietários, o conselho de administração, os políticos, as associações de empregados e de empresas, os parceiros e outros interessados e que no âmbito externo. Esses grupos podem articular-se de diversas maneiras e a coalizão adquire as seguintes características: a) Coalizão Externa Dominadora – poucos influenciadores que agem em conjunto e exercem o poder de forma direta e focalizada; b) Coalizão Externa Passiva – os influenciadores potenciais não exercem o poder e se submetem à coalizão interna; c) Coalizão Externa Dividida - muitos influenciadores têm demandas conflitantes e que provocam a divisão da coalizão externa. 31 Os sistemas de influência utilizados pela coalizão externa são normas sociais, restrições legais, campanhas de pressão, controle direto e indicação de membros para a direção da organização. 2.4.2 – A coalizão Interna Os membros da coalizão interna são os indivíduos que vivem o cotidiano da organização e estão diretamente vinculados a ela, constituindo sua hierarquia. Fazem parte da coalizão interna o presidente, a diretoria, os operadores , os gerentes de linha, os analistas e pessoal de suporte. O jogo de poder, na coalizão interna, é mediado pelos sistemas de influência que determinam o fluxo interno de poder. Os sistemas de influência na coalizão interna são: a) Sistema de autoridade – tem por objetivo manter uma unidade de esforços dentro da organização A autoridade é investida do poder pelo cargo ou posição que ocupa na organização, desta forma o poder dentro desse sistema é considerado formal ou legítimo. O sistema de autoridade é mantido por dois sistemas de controle: o pessoal e o burocrático. O controle pessoal é exercido pelo líder máximo e pelos gerentes de linha que interferem no trabalho dos empregados para controlar seu comportamento. O outro sistema de controle é o burocrático, onde o controle dos empregados é feito por normas e padrões estabelecidos pela organização; b) Sistema de ideologia – baseado em tradições, símbolos, crenças, mitos e ritos, tenta estabelecer uma organização com identidade própria. Procura obter uma identificação pouco diferenciada de seus membros e a sua lealdade para com a organização, conduzindo dessa forma a uma maior coesão organizacional sem a necessidade de um rígido controle; c) Sistema de Especialistas - o poder é centralizado em quem tem conhecimento especializado e que se diferencia na cadeia administrativa. A legitimidade desse poder é conseqüência do domínio de funções críticas e de tarefas altamente especializadas e visa a coordenação de trabalhos mais complexos e imprescindíveis à organização. Dois elementos são fundamentais nesse sistema: o profissional, pelo conhecimento acumulado, e a função crítica para a organização, ou seja, funções que sejam essenciais para o funcionamento da organização; 32 d) Sistema Político - Os sistemas de autoridade, o ideológico e o de especialistas, atuando de forma isolada ou simultânea, são incompletos e imperfeitos, deixando um certo grau de liberdade para a atuação independente dos integrantes - surge assim o sistema político. Esse sistema transforma todos os membros da organização em jogadores, tentando subverter o interesse organizacional em favor dos interesses individuais ou grupais. Se este sistema é predominante, a organização tem dificuldades para atingir suas metas, pois há uma divisão de poder e uma fragmentação da estrutura de trabalho. Os membros da organização tratam suas tarefas como fins e não como meio para a organização atingir seus objetivos. Este é o único sistema de influência que está à disposição de qualquer membro da organização. Para exercer esse poder, que é considerado ilegítimo, pois não é formalmente delegado, basta vontade e habilidade política além de acesso às informações relevantes e aos influenciadores que detêm poder legítimo na organização. Segundo Mintzberg (1983), em cada organização, em função da predominância de um dos sistemas de influência acima descritos, vai se caracterizar um tipo de coalizão interna: a) Coalizão Interna Personalizada – predominância do sistema de autoridade onde o poder é exercido de forma centralizada pelo executivo principal da organização, que toma todas decisões sem a influencia dos demais membros da hierarquia da organização; b) Coalizão Interna Burocrática - predominância do sistema de autoridade onde o poder é exercido dentro da linha hierárquica, por aqueles que estão em posições gerenciais, a partir de regras e padrões impessoais estabelecidos pelos dirigentes para orientar o comportamento de todos os membros da organização; c) Coalizão Interna Ideológica – predominância do sistema de ideologia, fazendo com que a autoridade se submeta a ideologia da organização; d) Coalizão Interna Profissional – predominância do sistema de especialistas, que exercem o poder e ocupam posições nas funções críticas para a organização; e) Coalizão Interna Politizada – é quando ocorre a predominância do sistema político. Nesta situação, podem surgir vários grupos dentro da organização buscando objetivos diversos e conectados a algum influenciador externo. 33 2.4.3 Os objetivos Organizacionais Os objetivos da organização podem ser analisados a partir das decisões e ações de seus integrantes. As principais características dos objetivos organizacionais são a consistência e a intencionalidade. Segundo Mintzberg (1983), a interação entre as coalizões interna e externa estabelece quatro tipos de objetivos organizacionais: ideológicos, formal, pessoal compartilhado e sistêmico. Os objetivos sistêmicos normalmente aparecem como objetivos primários da organização, mesmo que ela persiga outros objetivos. Para Melo (2001), as metas sistêmicas funcionam como um moderador do desejo de poder dos influenciadores. Os objetivos sistêmicos da organização são: sobrevivência, eficiência, controle e crescimento. Normalmente as organizações perseguem um objetivo e procuram maximizar os demais, quando o principal objetivo é atingido elas passam a perseguir outro. Existe um equilíbrio dinâmico entre o sistema de poder e os objetivos organizacionais, pois como escreve Mintzberg (1983, p. 287): “Nas organizações há um complexo jogo de poder entre os influenciadores, onde a distribuição de poder muda continuamente, causando também uma mudança no conjunto de objetivos perseguidos pela organização”. Na figura 2 é apresentado um quadro com a definição do autor sobre o papel, os meios utilizados para exercer o poder e o comportamento de cada um dos influenciadores que fazem parte da coalizão interna. 34 PRINCIPAL GERENTES STAFF DE STAFF DE OPERADORES OPERA- EXECUTIVO DE LINHA ANALISTAS APOIO PROFISSIO- DORES NÃO NAIS ESPECIALIZADOS Papel Gerenciamento Gerenciamento de toda organização de sua unidade Projeto e operação do sistema de controle burocrático Burocratização, Metas preferidas Crescimento acima eficiência econômica, Sobrevivência e de tudo, mudanças lentas e crescimento sobrevivência e contínuas, excelência divisionalização profissional Autoridade (pessoal Meios de e burocrática), Influência conhecimento privilegiado, acesso a influenciadores, habilidade política Principal informação privilegiada, habilidade política e conhecimento profissional e proteção do grupo social Controle burocrático e conhecimento influenciadores especializado Inversão meios/fins e ligação direta com influenciadores externos externos especialidade, Proteção do excelência grupo social profissional, Missão especializado especializado e ligação direta com influenciadores externos Processo decisório e aconselhamento ao Vontade política Inversão meios/fins e Inversão ligação direta com meios/fins do influenciadores grupo externos Processo decisório, Aconselhamento Aconselhamento e construção de Expertise, Expertise e Expertise e império, linha x staff e candidato candidato linha x staff e candidato estratégico estratégico estratégico nível superior do poder função reconhecimento da Conhecimento inversão meios/fins ligação direta com Processo decisório operação da sua Autonomia, Conhecimento objetivos, pessoal para o jogo Excelência Subotimização, deslocar o preferido da sua função Distorções nos subotimização e Campo para as operações Prover a especializado Manter o poder legítimo Prover a operação Autoridade, razão para poder Suporte indireto execução Execução interno Jogo Político Favorito Candidato estratégico e contra-insurgência Patrocínio, alianças insurgência Fonte: Mintzberg (1983), adaptado pelo autor Figura 2 - Os Influenciadores internos e seus jogos de poder Insurgência e submissão 35 2.4.4 – As Configurações de Poder Mintzberg (1983) propõem uma tipologia das configurações de poder, a partir da inter-relação entre as coalizões interna e externa, dos sistemas de influência e de metas da organização. Várias combinações entre as coalizões interna e externa são possíveis, entretanto, o autor detalhou seis configurações por possuírem características resultantes de uma combinação harmoniosa e, conseqüentemente, representarem configurações mais estáveis. As seis configurações de poder propostas são: a) Configuração de Poder Autocrática - Nessa configuração a coalizão externa é passiva e a coalizão interna é personalizada. O poder é concentrado no mais alto dirigente da organização, que define as metas que a organização deve perseguir. A hierarquia é rígida e se apóia nos líderes mais próximos ao principal executivo. Não há espaço para jogos políticos, pois os membros devem expressar lealdade ao líder ou sai da organização. Essa configuração é mais comum em organizações jovens, ou que passam por uma situação de crise, e que têm líderes fortes. b) Configuração de Poder Instrumento - Nessa configuração a coalizão externa é dominante e a coalizão interna é burocrática. O poder está fora da organização, que é considerada um instrumento para atingir os objetivos de um ou mais influenciadores externos. A burocracia interna age de maneira que os membros da organização se comportem de acordo com os interesses dos influenciadores externos. A hierarquia é rígida e flui a partir do exterior da organização. A organização possui metas claras, definidas pelo influenciador externo. Os membros da organização se empenham em função de um sistema impessoal de compensações e vantagens; c) Configuração de Poder Missionária - Nessa configuração a coalizão externa é Passiva e a coalizão interna é ideológica. O grande influenciador é a ideologia, normalmente contida na missão, e que domina a atividade organizacional envolvendo e orientando seus membros. Existe forte identificação com a organização, que é reforçada pela socialização e doutrinação que asseguram lealdade, preservação e aperfeiçoamento da missão. A hierarquia é fraca e não há necessidade de controle, pois os membros se integram numa mesma ideologia e objetivos através de intensa participação nas atividades. Neste tipo de organização, normalmente, a liderança é exercida por líderes carismáticos; 36 d) Configuração de Poder Sistema Fechado - Nessa configuração a coalizão externa é passiva e a coalizão interna é burocrática. Os membros da organização, principalmente seus administradores e analistas de apoio, são quem dominam nesta configuração. As metas e objetivos são definidos internamente e buscam a sobrevivência, eficiência e o crescimento da organização. Os integrantes são motivados pelo utilitarismo, e não pela ideologia. O sistema de recompensas é priorizado e alinhado com o sistema de metas. O poder é relativamente difuso e reside no controle burocrático do sistema de autoridade que é exercido pelos gerentes. Neste tipo de configuração há espaço para alguns jogos políticos; e) Configuração de Poder Meritocracia - Nesta configuração a coalizão externa é passiva e a coalizão interna é profissional. Os especialistas são os membros mais influentes na organização e detêm o poder com base nas habilidades e domínio de conhecimentos. O sistema de autoridade é fraco e as chefias têm pouca capacidade de coordenação das ações. A ideologia organizacional é fraca porque a ideologia profissional é forte. A lealdade dos especialistas é maior com sua especialidade ou imagem profissional do que com a própria organização. O sistema de metas é dividido entre o trabalho profissional e o de apoio. O poder é dividido entre os diversos grupos profissionais. Os objetivos formais da organização são facilmente deslocados para os objetivos pessoais dos especialistas, que também conseguem manter a coalizão externa passiva. Este tipo de configuração pode ocorrer quando uma organização tem uma estrutura operacional tecnicamente complexa que exige profissionais com alto grau de especialização; f) Configuração de Poder Arena Política - Nesta configuração a coalizão externa é dividida e a coalizão interna é politizada, característica de uma organização que está em crise. Há conflitos dentro das coalizões e entre a coalizão externa e interna e nenhum influenciador é claramente dominante. Os sistemas de autoridade e ideológicos são fracos e o conflito predomina, uma vez que todos perseguem objetivos individuais ou grupais. Os conflitos prolongados podem levar a organização à extinção, pois a política sobrepõe-se à habilidade técnica e o sistema de metas é fluido e instável. Os jogos políticos são intensamente utilizados. Esta configuração é transitória e surge para resolver crises internas, provocadas pela transição entre as configurações, ou devido a uma forte 37 mudança no contexto externo, seja no plano político, econômico ou tecnológico. 2.4.5 – Estágios de desenvolvimento organizacional Para Mintzberg (1983), possivelmente algumas das seis configurações de poder estarão presentes na organização em determinado período do seu ciclo. Entretanto, uma delas é predominante em uma determinada fase do seu desenvolvimento. O modelo dos estágios de desenvolvimento organizacional prevê quatro fases: a formação, o desenvolvimento, a maturidade e o declínio. Normalmente, a configuração Autocrática aparece nos estágios iniciais da organização após a sua criação. A configuração Missionária ou a configuração Instrumento aparece no estágio seguinte, que corresponde ao período de desenvolvimento da organização. Entretanto, algumas organizações podem passar diretamente para o estágio de maturidade que corresponde às configurações Sistema Fechado ou Meritocracia . Em todas as transições, com exceção da configuração Autocrática para a Missionária, as organizações podem passar por um período que caracteriza a configuração Arena Política onde existe grande confrontação interna. As configurações Sistema Fechado e Meritocracia possuem grande capacidade de se renovarem e, portanto, tem mais chances de sobreviverem às crises na conjuntura externa e a se manterem vivas por longos períodos. Caso a organização permaneça muito tempo na configuração Arena Política, e não consiga estabelecer outra configuração de poder, haverá um progressivo enfraquecimento e o desaparecimento da organização. Na figura 3 abaixo é apresentado, de forma esquemática, os estágios de desenvolvimento das organizações segundo Mintzberg (1983). 38 INSTRUMENTO Arena Política Arena Política Arena Política AUTOCRACIA SISTEMA FECHADO FIM ARENA POLITICA Arena Arena Política Política Organização Politizada MISSIONÁRIA FIM Arena Política Estágio de Formação - Estágio de Desenvolvimento Fonte: Mintzberg (1983) adaptado pelo autor Figura 3 – Estágios de Desenvolvimento das Organizações Arena Política MERITOCRACIA - Estágio de Maturidade Estágio de Declínio FIM 39 3- DESCRIÇÃO DA ORGANIZAÇÃO A pesquisa deste estudo de caso, foi realizada com os integrantes da COPENE Petroquímica do Nordeste S.A., entre novembro de 2001 e abril de 2002. A COPENE deixou de existir, pois os Grupos Odebrecht e Mariani, que haviam adquirido o controle acionário da empresa em julho de 2001, decidiram integrar em uma única empresa petroquímica, todos os seus ativos industriais em operação no Brasil. Assim, em 16 de agosto de 2002, após longa negociação com os demais acionistas1, foi finalmente criada a BRASKEM S.A., empresa resultante da fusão das seis empresas petroquímicas brasileiras: COPENE, OPP, TRIKEM, POLIALDEN, PROPET e NITROCARBONO. A BRASKEM produz petroquímicos básicos, resinas termoplásticas e produtos intermediários. Os petroquímicos básicos são: etileno, propileno, benzeno, butadieno, paraxileno e outros. As resinas termoplásticas são: polietileno, polipropileno, PVC e PET. Os produtos intermediários são cloro, soda, DMT e caprolactama. A empresa possui cerca de 3000 empregados, um faturamento anual, em 2002 de R$ 8,8 bilhões e exportações da ordem de US$ 415 milhões. Ela nasceu como uma das cinco maiores empresas privadas nacionais e a líder do mercado de polietileno e PVC na América Latina. A BRASKEM S.A. está estruturada em unidades de negócio, que têm a responsabilidade de produzir e vender, e em Centros de Competência Corporativa, responsáveis pelo apoio às unidades de negócios. São quatro as Unidades de Negócios: Insumos Básicos, Poliolefinicos, Vinilicos e Desenvolvimento de Negócios. A empresa possui ativos industriais no valor de US$ 4,0 bilhões e suas plantas industriais estão situadas em quatro estadas: Bahia, Alagoas, São Paulo e Rio Grande do Sul. A Unidade de Negócios de Insumos Básicos, que opera os ativos industriais da antiga COPENE, está localizada Pólo Petroquímico de Camaçari, a aproximadamente de 40 km de Salvador, capital do Estado da Bahia. É responsável pela produção de petroquímicos básicos e utilidades distribuídas para as empresas de segunda geração petroquímica, a _______________________________ Nota 1 – Odebrecht, Mariani, Petrobrás, PETROS, PREVI e NORQUISA 40 maioria delas localizadas no complexo Industrial de Camaçari. Além de ser a maior central produtora de petroquímicos básicos da América do Sul, responde sozinha por 50% de toda a demanda nacional de petroquímicos básicos. 3.1 – O PÓLO PETROQUIMICO DE CAMAÇARI E A COPENE Para compreender a cultura organizacional e as relações de trabalho na organização, é importante rever a história da implantação da industria petroquímica na Bahia e a criação e desenvolvimento da COPENE. A partir da segunda metade década de 60, o desenvolvimento brasileiro passou a exigir substanciais quantidades de produtos petroquímicos para suprir a industrialização crescente, o que levou a uma dinamização dos recursos existentes a fim de evitar a dependência de importações. Levando-se em consideração este fato e observando-se as vantagens econômicas oferecidas por concentrações industriais planejadas, o Governo Federal decidiu pela implantação de um segundo Pólo Petroquímico no país. O primeiro, implantado em 1966, localiza-se em Capuava, São Paulo e tem a Petroquimica União S.A. como central produtora de petroquímicos básicos. A COPENE foi fundada em 12 de janeiro de 1972, sob a denominação de Companhia Petroquímica do Nordeste - COPENE Ltda. Sua criação foi conseqüência direta da Resolução 2/70 de 21/07/70 do Conselho de Desenvolvimento Industrial- CDI do Ministério de Industria e Comércio-MIC, que fixou as diretrizes básicas para a implantação do Pólo Petroquímico do Nordeste, e da Exposição de Motivos 213/71, que dava a PETROQUISA, subsidiária da Petrobrás, a incumbência de "promover a formação de uma empresa piloto, que realizará o detalhamento dos trabalhos técnicos e econômicos correspondentes, inclusive para as indústrias de segunda geração que consumirão os produtos básicos produzidos pela Central". Segundo Suarez (1986), essa estratégia de implantação permitiu a consolidação da tecnoburocracia na indústria petroquímica, através do modelo tripartite, que inclui a participação estatal, via PETROQUISA, de empresas internacionais e de grupos nacionais. 41 A necessidade de diminuir os desníveis regionais e a estratégia de desconcentração industrial, preconizadas no Plano Nacional de Desenvolvimento - PND dos governos militares, conduziram a estudos para localização deste Pólo em região sem muita densidade industrial, porém provida de potencialidades de mão de obra e de facilidades de matériasprimas, transportes e de certos recursos de infra-estrutura. Após a definição da Bahia para a localização do Pólo, uma conjunção de fatores levou à seleção do recôncavo como ponto preferencial e, nele, a escolha da planície de Camaçari para a instalação do Complexo Básico, constituído das centrais de utilidades e de matérias- primas, de parcela considerável das unidades de Segunda Geração e de algumas unidades de transformação. Essa localização permitiria ainda uma interligação para utilização do cloro da SALGEMA, atualmente uma unidade da BRASKEM no estado de Alagoas, e fornecimento de butadieno a COPERBO, atualmente PETROFLEX, na cidade de Cabo, em Pernambuco. A área selecionada de Camaçari, tem posição geográfica privilegiada, situada à apenas 40km de Salvador, 20km do Centro Industrial de Aratu -CIA e a 30km da Refinaria Landulfo Alves – RLAM da Petrobrás,. facilitando a utilização de três portos: Salvador, Aratu e Madre de Deus, sendo que este último pertence à Petrobrás.. Dispõe, também, de bacias hidrográficas dos rios Joanes, Jacuípe e Pojuca.. Em 1976, a COPENE iniciou a operação das primeiras unidades da Central de Utilidades, passando a abastecer com vapor, energia elétrica e água àquelas fábricas que, naquele ano, começaram a produzir a partir de matérias-primas ou intermediários que, por serem de fácil transporte, podiam ser importados enquanto terminava a construção da Central de Matérias Primas. Em 29 de junho de 1978, o presidente Ernesto Geisel inaugurava a COPENE e mais dez indústrias de segunda geração do Complexo Básico, No final de 1978, a COPENE abriu seu capital à participação do público através do lançamento de ações ordinárias, que foram subscritas por terceiros. Desta forma a participação da PETROQUISA no capital votante da COPENE reduziu-se para menos de 50%, levando à privatização da empresa. Na segunda metade de 1980 houve uma modificação substancial no modelo institucional da COPENE: dezessete empresas down-stream, que eram clientes da COPENE no Pólo de Camaçari, fundaram a Nordeste Química S/A - NORQUISA, transferindo para ela 42 as ações ordinárias que possuíam na COPENE. A nova holding da petroquímica brasileira passou a dividir, com a PETROQUISA, a direção da COPENE, cada uma delas com cerca de 48 % do capital. Em agosto de 1995 a PETROQUISA, dentro do programa federal de desestatização, vende parte das suas ações ordinárias e a NORQUISA assume o controle da COPENE. Em julho de 2001, o Banco Central do Brasil, que era o interventor no Banco Econômico S.A., após dois leilões fracassados, vende a participação do Banco Econômico na POLIALDEN e na NORQUISA para o consórcio Odebrecht/Mariani.. Dessa forma consócio Odebrecht/Mariani assume o controle acionário da COPENE; o a partir dessa operação foi possível negociar com os demais acionistas a criação da BRASKEM S.A. 3.2 – O MODELO DE GESTÃO E AS POLÍTICAS DE RECURSOS HUMANOS A COPENE nasceu como uma subsidiária da Petrobrás, em 1972, em pleno regime militar e com a finalidade de coordenar a implantação de um complexo industrial. Em sua organização adotou um modelo de gestão semelhante ao da Petrobrás, de onde vieram os diretores e alguns gerentes e supervisores. Para Lemos (2003), que pesquisou o processo de trabalho na COPENE, essa gênese criou uma cultura hierárquica autoritária, e acrescenta: Esse histórico de concentração de poder e cultura militar fez com que fosse desenvolvido um padrão de relações de trabalho bastante autoritário, uma estratégia organizacional de ser a melhor em tudo, a vanguarda, o que de certa forma parece ter gerado uma auto-imagem de onipotência, fortemente presente na equipe gerencial. (Lemos, 2003, p. 19) As fábricas do Pólo Petroquímico são indústrias de processo contínuo, ou seja, um grande número de equipamentos industriais integrados e interligados por tubulações que uma vez colocado em funcionamento, produzem de maneira automatizada. A função dos operadores é supervisionar as variáveis de processo para assegurar as especificações dos produtos e o volume de produção. Lemos (2003) considera que mesmo nesse tipo de indústria permanece o modelo taylorista, uma vez que as atividades de planejamento e melhoria do processo estão nas mãos dos engenheiros que atuam como o grupo pensante da organização. 43 Outra característica da indústria de processo contínuo é o seu funcionamento vinte e quatros horas todos os dias da semana. Isso implica que operadores tenham que trabalhar em regime de revezamento de turno. No caso da COPENE eram cinco turmas que trabalhavam em turnos de 8 horas. A jornada semanal, estabelecida na Constituição Federal de 1988, é de trinta e seis horas. Esse regime de trabalho dificulta a vinculação desse grupo com os demais integrantes que trabalham em regime administrativo e cria problemas de adaptação na família e no círculo de amizade dos empregados que trabalham nos finais de semanas e feriados. Na campanha salarial de1985, as relações deterioradas levaram a um clima de confrontação em que uma das reivindicações, o adicional de turno de 88,5%, transformou-se numa bandeira política convertendo-se uma greve geral que levou a paralisação de todo o complexo de Camaçari. Esta greve, quando alguns empregados foram demitidos, deixou profundas marcas nas relações entre a empresa e os empregados. A partir de 1986 a COPENE começou a implantação de várias iniciativas de RH com objetivo de recuperar seu espaço na relação com os empregados, que havia atingido níveis críticos com a greve do ano anterior. Em 1988 foi realizada uma Pesquisa de Clima com os seguintes resultados: 61% da população pesquisada dizia que a COPENE, de modo geral, era um local de trabalho acima da média, 65% achava que havia um clima de confiança e respeito; e 73% estavam satisfeitos com a empresa. Os resultados insatisfatórios foram relacionados a itens como: salário, promoções, desenvolvimento técnico, condições físicas e segurança industrial. No início da década de 90, em função da política de abertura comercial do governo Collor, que reduziu drasticamente o imposto de importação de produtos petroquímicos, a empresa obteve resultados financeiros aquém das expectativas. Começo, então, um esforço organizacional para implementação de programas de produtividade, para redução de custos e de pessoal. O processo decisório passou a ser mais centralizado e a COPENE terceirizou as atividades de manutenção e informática. Em abril de 1992, ocorreu a demissão de um grupo significativo de empregados, atingido de forma definitiva um Valor histórico da empresa, desde a sua criação, que era a segurança no emprego. Em 1999, a COPENE participou da pesquisa da Revista Exame e não conseguiu se classificar entre as 50 melhores empresas para se trabalhar, em decorrência da insatisfação 44 de seus empregados, apesar de práticas avançadas de Recursos Humanos, como: política salarial igual a média do Pólo; participação nos lucros e resultados; plano de carreira por habilidades e competências; prêmio de férias; fundo de pensão; assistência médica supletiva; clube social; academia de ginástica no local de trabalho. Adicionalmente os empregados dispunham de transporte e alimentação fornecidos pela empresa e não tinham controle de ponto. Em Setembro de 1999 a COPENE ganhou o prêmio de excelência na aplicação na metodologia Total Productive Maintenance -TPM, conferido pelo Japan Institute for Plant Maintenance, sendo a primeira empresa petroquímica, fora do Japão, a conquista-lo. Este programa , juntamente com a certificação ISO 9000, era o principal pilar do sistema de qualidade da organização. 45 4 - METODOLOGIA 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA Esta pesquisa é uma pesquisa quantitativa, de correlacional. A variável-critério é antecedentes as corte transversal e o Clima Organizacional, tendo como variáveis Configurações de Poder, os dados demográficos e funcionais que caracterizam os participantes do estudo. 4.2 – OBEJETIVOS DA PESQUISA O objetivo geral desta pesquisa é identificar as possíveis relações entre poder organizacional e o clima organizacional em uma empresa petroquímica. Os objetivos específicos da pesquisa são: a) Verificar qual a configuração de poder predominante na organização pesquisada; b) Verificar se existe diferença na percepção das configurações de poder, em função dos dados demográficos; c) Verificar o grau de expectativa dos membros da organização pesquisada com a criação de uma nova empresa, resultante da fusão de várias empresas petroquímicas. 4.3 – POPULAÇÃO DA PESQUISA A população desta pesquisa é constituída pelos empregados da COPENE, trabalhavam nas unidades industriais localizadas na Rua Eteno no Pólo Petroquímico de Camaçari -BA. O critério adotado visou delimitar a população da pesquisa ao grupo de empregados que estava envolvido pela mesma cultura organizacional, segregando, desta forma, os empregados oriundos da PROPET, empresa que havia sido incorporada pela COPENE dois meses antes da coleta de dados. O número de empregados da COPENE, em novembro de 2001, era de 1195. Deduzindo-se as 123 pessoas oriundas da PROPET e 12 empregados que então afastados ou 46 cedidos a outras organizações (Sindicato dos Trabalhadores, CETREL, COFIC), tem-se a população considerada nesta pesquisa que foi de 1072 empregados. 4.4 – DEFINIÇÃO DA AMOSTRA Para o dimensionamento da amostra foi considerada a população de 1072 empregados, um erro amostral de 5,0%, com um nível de confiança de 95%, com valores presumíveis de p=50% e q=50%, obtendo-se uma amostra de 285 empregados. A amostra teve seu número aumentado para 450 empregados visando contemplar uma possível nãodevolução de questionários. Para a composição da amostra foi realizada uma escolha randômica simples a partir de uma relação nominal dos empregados fornecidos pela área de Recursos Humanos da empresa. Foram enviados, através do correio interno da empresa, 450 questionários de Configurações de Poder, aos empregados previamente sorteados, com uma carta explicando os objetivos e solicitando a sua devolução até uma data preestabelecida. A amostra para Clima Organizacional foi do tipo censitário, ou seja, foram enviados questionários a todos os empregados e determinado um prazo para devolução dos mesmos. 4.5 – INSTRUMENTOS UTILIZADOS NA COLETA DE DADOS Foram utilizados dois instrumentos para coleta dos dados. O primeiro para a variável Clima Organizacional e o segundo para Configurações de Poder. Como os instrumentos foram aplicados em períodos diferentes, nos dois foram incluídas questões sobre os dados demográficos e funcionais dos indivíduos Os dados referentes a variável Clima Organizacional foram obtidos utilizando-se a base de dados coletada em novembro de 2001 através de enquete realizada por empresa de consultoria, dentro da metodologia Great Place to Work Institute, utilizada por uma revista de negócios brasileira para estabelecer um ranking das melhores empresas brasileira para se trabalhar. A metodologia utiliza uma escala de 5 fatores: Credibilidade, Respeito, Imparcialidade, Orgulho e Camaradagem. Para garantir o sigilo das respostas individuais, o 47 questionário não possui identificação e são remetidos diretamente para a empresa de consultoria. Foi utilizado um questionário com 54 perguntas fechadas (ver Anexo A), tendo como campos de respostas um escala tipo Likert com cinco níveis de avaliação (1- discordo sempre a 5- concordo sempre). As perguntas do questionário estão reproduzidas no anexo A. Na figura 4 são apresentados os números das perguntas, para cada um dos 5 fatores da variável Clima Organizacional. Itens do questionário Credibilidade 7, 8, 14, 19, 20, 21, 25, 26, 31, 36, 39, 45, e 47 Respeito 2, 3, 9, 10, 15, 16, 22, 27, 40, 42, 48 e 52 Imparcialidade 4, 11, 18, 23, 28, 32, 33, 34, 41, 44 e 49 Orgulho 5, 12, 17, 24, 29, 37, 50 e 54 Camaradagem 1, 6, 13, 30, 35, 38, 43, 46, 51 e 53 Fonte : Elaborado pelo autor Figura 4- Fatores da variável Clima Organizacional Os questionários foram enviados a todos os 1072 empregados da empresa e retornaram, no prazo estabelecido, 686 questionários, o que dá uma taxa de resposta de 64%. Para coleta dos dados referentes a variável Configuração de Poder foi utilizada a Escala de Configuração de Poder Organizacional, elaborada por Paz (1997), com base no modelo desenvolvido por Mintzberg (1983). A escala contém cinco fatores e um questionário com 40 perguntas fechadas (ver Anexo B), tendo como campos de respostas uma escala tipo Likert com cinco níveis de avaliação (1-Não Aplicável a 5- Totalmente Aplicável). A autora denominou os fatores como: Autocracia, Missionária, Meritocracia, Sistema Fechado e Instrumento Partidário, sendo que este último aglutina as configurações Instrumento e Arena Política. A autora obteve índice de confiabilidade (Alpha de Cronbach) superior a 0.70 para os cinco fatores. As perguntas do questionário estão reproduzidas no Anexo B. Na figura 5 são apresentados os números das perguntas, para cada um dos cinco fatores da variável Configuração de Poder. 48 Itens do questionário Autocracia 3, 8, 14, 20, 25, 28 e 33 Sistema Fechado 4, 9, 13, 18, 23, 29, 34, 38 e 40 Missionária 1, 6, 16, 22, 26, 31 e 36 Meritocracia 2, 7, 11, 12, 17, 24, 27, 32, e 37 Instrumento Partidário 5, 10, 15, 19, 21, 30, 35 e 39 Fonte: Elaborada pelo autor Figura 5 - Fatores da variável configuração de Poder Além das questões relativas as Configurações de Poder, foram incluídas no questionário, conforme Anexo B, três perguntas sobre as expectativas dos empregados a respeito do processo de fusão e incorporação que estava em curso na organização. Os questionários foram enviados aos 450 empregados da amostra em abril de 2002. Retornaram dentro do prazo estabelecido um total de 211 questionários, obtendo-se, portanto, uma taxa de resposta de 46,9%. Dos questionários que retornaram 12 tiveram que ser eliminados, pois apresentavam problemas no preenchimento, assim foram considerados válidos 199 questionários. A partir destes, foi recalculado o erro amostral, considerando nível de confiança de 95% e valores presumíveis de p e q igual a 50%, obtendo-se o valor de 6,3 %, o que pode ainda ser considerado satisfatório. 4.6 – PROCEDIMENTOS PARA A ANÁLISE DOS DADOS Para realizar as análises estatísticas dos foi utilizado o programa Statistical Package for Social Sciences - SPSS , versão 10.0 para Windows. Foram feitas as análises descritivas para os dados demográficos e para os fatores das escalas de Clima Organizacional e de Configurações de Poder. Com o objetivo de identificar a Configuração de Poder predominante foram realizados análise de variância e o teste T. Para identificar grupos homogêneos de Configurações de Poder na população pesquisada, foi realizada uma análise de cluster, também conhecida como análise de 49 conglomerado. O método empregado foi o K-Means, que é um algoritmo não hierárquico e que utiliza a distância euclidiana como critério de agrupamento em um processo iterativo. Visando atender aos objetivos propostos por esta pesquisa, foi realizada a análise de associação entre os fatores de Clima Organizacional e os padrões de Configuração de Poder. A análise fatorial, pelo método Varimax com normalização de Kaiser, utilizandose o programa SPSS, foi realizada para os dois instrumentos de coleta de dados desta pesquisa (ver Anexo B). Os resultados do questionário de Configurações de Poder mostraram boa aderência com os fatores identificados por Paz (apud MELO 2001). Já a análise dos dados do questionário de Clima Organizacional mostra divergências entre alguns dos fatores apontados por Levering (1984), indicando que este instrumento deve ser aperfeiçoado de modo a escolher as questões que são relevantes para cada fator. Entretanto, como esse questionário vem sendo utilizado, desde 1997, em diversas empresas brasileiras, decidiu-se manter todas as perguntas. 50 5 – RESULTADOS E DISCUSSÃO Este capítulo está estruturado em seis seções . Nas três primeiras seções são apresentados os resultados das análises descritivas de cada variável do estudo. Na quarta seção é apresentada a analise dos clusters de Configurações de Poder. Na quinta seção são analisadas as relações entre as variáveis de Clima Organizacional e de Configurações de Poder. E na última seção é feita uma análise das expectativas dos membros da organização quanto ao processo de integração da BRASKEM. 5.1 – CARACTERÍSTICAS DOS PARTICIPANTES DO LEVANTAMENTO DE CLIMA E PODER A distribuição da amostra para levantamento de Clima Organizacional por área de trabalho, tabela 1, indica que o maior continente está localizado na Gerência de Produção (GEPRO) que representa 69,27% da amostra. As Gerências de Tecnologia (GETEC) com 5,66% , Engenharia e Materiais (GEREM) e Administrativa/Financeira (GERAF), ambas com 5,10% vêm em seguida. As demais áreas, Gerência Comercial (GECOM), Controladoria (GECONT), Saúde, Segurança e Meio-Ambiente (GESSEMA) e Qualidade (GEQUAL) representam, cada uma delas, menos que 4,00% da amostra. Analisando-se a distribuição por faixa etária, na amostra para levantamento de Clima Organizacional, verifica-se que 47,54 % dos indivíduos têm mais do que 40 anos de idade, indicando uma organização com um corpo funcional maduro. Considerando-se o tempo de serviço na empresa, verifica-se que 36,35% dos indivíduos da amostra têm até 5 anos de trabalho na organização, esse percentual é elevado em função da incorporação, em 1998, de um grupo de 194 pessoas que prestava serviços de manutenção por outra empresa. O percentual de indivíduos com até 10 anos de trabalho na organização é de 51,95%. Os trabalhadores da área de produção, que trabalham em regime revezamento de turno, representam 49,25% da amostra para o Clima Organizacional. Já os trabalhadores da área administrativa e as lideranças representam, respectivamente, 38,10% e 12,65%. 51 Tabela 1 – Características dos participantes da pesquisa Características Clima Poder Freqüência Percentual Freqüência Percentual Área GEPRO GETEC GERAF GEREM GECONT GESSEMA GECOM GEQUAL OUTROS Total 453 37 35 35 26 20 19 15 14 654 69,27 5,66 5,35 5,35 3,98 3,06 2,91 2,29 2,14 100,00 133 12 7 13 9 8 8 7 2 199 66,83 6,03 3,52 6,53 4,52 4,02 4,02 3,52 1,01 100,00 Faixa Etária Abaixo de 29 anos De 30 a 39 anos De 40 a 49 anos Acima de 50 anos Total 132 219 277 41 669 19,73 32,74 41,41 6,13 100,00 32 63 85 18 198 16,08 31,82 42,93 9,09 100,00 Tempo de Serviço Até 5 anos De 6 a 10 anos De 11 a 20 anos Acima de 20 anos Total 233 100 216 92 641 36,35 15,60 33,70 14,35 100,00 50 32 85 31 198 25,25 16,16 42,93 15,66 100,00 Regime de Trabalho Liderança Administrativo Turno Total 84 253 327 664 12,65 38,10 49,25 100,00 13 103 81 197 6,60 52,30 41,10 100,00 Fonte: Elaborada pelo autor . 52 Quando se compara distribuição dos participantes do levantamento de Configuração de Poder por área de trabalho, tabela 1, verifica-se que o percentual de indivíduos na área de produção (GEPRO) é de 66,83%, o que corresponde a praticamente o mesmo valor da amostragem de Clima Organizacional que era de 69,27 %. As demais áreas também apresentaram resultados semelhantes nas duas amostragens. A distribuição por faixa etária se manteve bastante semelhante nas duas amostras apontando 53,02% de integrantes com mais de 40 anos na de Configurações de Poder contra 47,54% na amostragem de Clima. Entretanto, a distribuição por tempo de serviço apresentou diferença significativa entre a amostragem na faixa de até 5 anos, 25,25% contra 36,25%, e também na faixa de 11 a 20 anos, 42,93% contra 33,70% na amostragem de Clima. Na amostragem para avaliação das Configurações de Poder, além de dados demográficos levantados na amostragem de Clima Organizacional, foram pesquisados também: sexo, escolaridade e cargo, características apresentadas na tabela 2. Observa-se que somente 15,58% da amostra é composta por integrantes do sexo feminino e que 41,92% dos indivíduos da amostra possuem curso universitário. Tabela 2 – Características adicionais da amostra de Configurações de Poder Características Freqüência Percentual Sexo Masculino Feminino Total 168 31 199 84,42 15,58 100,00 Escolaridade 2o grau 3o grau Pós-graduação Total 115 51 32 198 58,08 25,76 16,16 100,00 Fonte: Elaborada pelo autor 53 5.2 CLIMA ORGANIZACIONAL A percepção do Clima Organizacional na população estudada é, em todos os fatores pesquisados, superior ao ponto médio da escala, como demonstra a tabela 3. As médias mais elevadas verificam-se fatores Orgulho (3,73) e Camaradagem (3,41), que são fatores, respectivamente, ligados ao objeto do trabalho e ao nível de relacionamento com os colegas. A média mais baixa encontrada foi no fator Imparcialidade (3,23), que é muito relacionado à forma como os líderes exercem o poder. Entretanto, não há forte variação na avaliação dos empregados entre os diversos fatores, da mesma forma as variáveis não se alteram significativamente. Tabela 3– Médias dos fatores de Clima Organizacional Fator CREDIBILIDADE RESPEITO IMPARCIALIDADE ORGULHO CAMARADAGEM N Média 682 683 682 681 684 3,33 3,27 3,23 3,73 3,41 Desvio Padrão 0,78 0,73 0,79 0,78 0,73 Fonte: Elaborada pelo autor A avaliação dos empregados, considerando o regime de trabalho, para cada um dos cinco fatores de Clima Organizacional é apresentada na tabela 4. Verifica-se que as médias do grupo de lideranças é superior as demais em todos os fatores. Já as médias dos empregados que trabalham em regime de turno são as menores em todos os fatores de Clima Organizacional. 54 Tabela 4– Médias dos fatores de Clima Organizacional por regime de trabalho Fator Regime de trabalho CREDIBILIDADE Liderança Administrativo Turno Total Liderança Administrativo Turno Total Liderança Administrativo Turno Total Liderança Administrativo Turno Total Liderança Administrativo Turno Total RESPEITO IMPARCIALIDADE ORGULHO CAMARADAGEM N Média Desvio Padrão 84 253 324 661 84 253 324 661 84 253 324 661 84 253 323 660 84 253 325 662 3,67 3,49 3,13 3,33 3,57 3,47 3,05 3,28 3,63 3,49 2,92 3,23 3,98 3,97 3,51 3,74 3,62 3,61 3,22 3,42 0,8053 0,7336 0,7319 0,7709 0,7800 0,6568 0,6880 0,7226 0,8768 0,6984 0,7136 0,7904 0,8859 0,6734 0,7259 0,7645 0,8331 0,6560 0,6834 0,7206 Fonte: Elaborada pelo autor Com o objetivo de determinar as diferenças nas percepções dos grupos em cada um dos fatores, foi realizada uma análise de variância, ANOVA (one-way) com comparação múltipla post hoc do teste de Tukey, para a hipótese de igualdade entre as médias dos fatores de Clima Organizacional, cujo resultado é apresentado na tabela 5. Observam-se diferenças significativas, ao nível de p<0,05, entre o a população de turno e a população em regime de trabalho administrativo. No fator Imparcialidade a diferença entre a média das lideranças e do turno foi de 0,71, que corresponde a uma diferença de 24,32 % entre as médias. 55 Tabela 5– Comparação dos fatores de Clima Organizacional por regime de trabalho Fator CREDIBILIDADE A Liderança RESPEITO Administrativo Liderança IMPARCIALIDADE Administrativo Liderança ORGULHO Administrativo Liderança CAMARADAGEM Administrativo Liderança Administrativo Diferença das Sig. B Médias (B – A) ( 2- t) Administrativo 0,19 0,11 Turno Turno Administrativo Turno Turno Administrativo Turno Turno Administrativo Turno Turno Administrativo Turno Turno 0,55 0,37 0,11 0,52 0,41 0,14 0,71 0,57 0,01 0,48 0,47 0,00 0,40 0,39 * 0,00 * 0,00 0,43 * 0,00 * 0,00 0,29 * 0,00 * 0,00 0,99 * 0,00 * 0,00 1,00 * 0,00 * 0,00 * Médias que apresentaram diferença significativa para p< 0,05 N= 661 Fonte: Elaborada pelo autor A avaliação de Clima em cada um dos setores da organização é apresentada na tabela 6. No fator Credibilidade, que mede o grau de acesso e abertura da liderança, bem como a integridade e consistência de suas decisões, a média mais elevada foi obtida pela GECONT (3,95) e a mais baixa pela GEPRO (3,21). No fator Respeito, que indica como o líder reconhece os esforços de seus liderados e os envolve nas questões ligadas ao trabalho, a média mais alta foi encontrada na GERAF (3,82) e a mais baixa na GEPRO (3,15). Já no fator Imparcialidade, que indica que não há discriminações nem favoritismo e que os empregados são tratados com justiça, quatro órgãos obtiveram as maiores médias: GEQUAL (3,85), GERAF (3,84), GESSEMA (3,84) e GECONT (3,83); enquanto a média mais baixa foi verificada na GEPRO (3,07). Orgulho é o fator que indica o grau de satisfação com o tipo de trabalho e pelos resultados atingidos, neste fator a média mais elevada foi alcançada pela GERAF (4,29) e a mais baixa pela da GEPRO (3,62). No fator Camaradagem, que indica como é o relacionamento entre colegas e o senso de equipe, a média mais alta foi a da GECONT (3,98), seguida da GEQUAL e GERAF ambas com 3,95, e a média mais baixa, mais uma vez, ficou com a GEPRO (3,29). 56 Tabela 6 – Médias dos fatores de Clima Organizacional por Órgão Órgão N GEPRO GECOM GECONT GEQUAL GERAF GEREM GESSEMA GETEC OUTROS Total 450 19 26 15 35 35 20 37 14 651 Credibi- Respeito Impar- Orgulho Camalidade cialidade radagem 3,21 3,15 3,07 3,62 3,29 3,27 3,32 3,42 3,90 3,65 3,95 3,78 3,83 4,31 3,98 3,67 3,76 3,85 4,14 3,95 3,84 3,82 3,84 4,29 3,95 3,72 3,60 3,60 4,05 3,73 3,67 3,58 3,84 4,23 3,73 3,28 3,23 3,34 3,80 3,46 3,48 3,54 3,50 4,01 3,56 3,34 3,28 3,25 3,76 3,43 Fonte: Elaborada pelo autor A GEPRO que corresponde à área de produção, ficou abaixo da média global em todos os cinco fatores de Clima Organizacional pesquisados. Cabe salientar que a maioria dos integrantes dessa área trabalha em regime de turno e que estes têm uma percepção de Clima pior do que os integrantes que trabalham em regime administrativo, como já foi mostrado na tabela 5.No fator Credibilidade, também a GECOM e GETEC ficaram abaixo da média global, o que também ocorreu com a GETEC no fator Respeito. Cavalcante e Miranda (2001) procurando entender o resultado insatisfatório da pesquisa de Clima Organizacional para o Guia Exame, em 1999, identificaram que a principal questão na GECOM e GETEC eram relativas ao papel das lideranças, seu desenvolvimento e sua forma de atuação. Para analisar as diferenças entre as avaliações de Clima Organizacional dos diversos órgãos foi realizada uma análise de variância, ANOVA (one-way) com comparação múltipla post hoc do teste de Tukey, para a hipótese de igualdade entre as médias dos fatores, cujo resultado é apresentado na tabela 7. Observa-se que não houve diferenças significativas, ao nível de p<0,05, em nenhum dos fatores de Clima, entre o a população da GEPRO, GETEC e GECOM. Nas áreas da GECOM e GETEC, ao contrário da GEPRO, todos os indivíduos trabalham em regime administrativo. Houve diferença significativa ao nível de p<0,05, em relação a GEPRO, em todos os fatores de Clima Organizacional e as médias da 57 GECONT, GERAF e GEREM. No caso da GEQUAL houve diferença significativa com a GEPRO nos fatores Respeito, Imparcialidade e Camaradagem. Já a GESSEMA apresentou diferença significativa em relação a GEPRO nos fatores Imparcialidade e Orgulho. Tabela 7– Comparação das médias dos fatores de Clima Organizacional por Órgão Fator Órgãos CREDIBILIDADE Gepro RESPEITO Gepro IMPARCIALIDADE Gepro ORGULHO Gepro CAMARADAGEM Gepro Gecom Gecont Gequal Geraf Gerem Gessema Getec Gecom Gecont Gequal Geraf Gerem Gessema Getec Gecom Gecont Gequal Geraf Gerem Gessema Getec Gecom Gecont Gequal Geraf Gerem Gessema Getec Gecom Gecont Gequal Diferença das Médias -0,0598 -0,7382 * -0,4554 -0,6308 * -0,5131 * -0,4597 -0,0647 -0,1679 -0,6252 * -0,6099 * -0,6623 * -0,4473 * -0,4295 -0,0734 -0,3492 -0,7549 * -0,7807 * -0,7683 * -0,5258 * -0,7642 * -0,2718 -0,2855 -0,6918 * -0,5258 -0,6738 * -0,4335 * -0,6115 * -0,1805 -0,3618 -0,6919 * -0,6601 * Sig. 1,00 0,00 0,32 0,00 0,00 0,15 1,00 0,98 0,00 0,02 0,00 0,01 0,15 1,00 0,53 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,44 0,75 0,00 0,12 0,00 0,02 0,01 0,87 0,37 0,00 0,01 58 Geraf Gerem Gessema Getec -0,6632 * -0,4441 * -0,4449 -0,1735 0,00 0,01 0,10 0,87 N= 661 Fonte: Elaborada pelo autor A percepção dos empregados, em cada um dos fatores de Clima Organizacional, estratificados pelo tempo de serviços dos integrantes na organização, é apresentada na tabela 8. As faixas de tempo serviço de 6 a 10 anos e de 11 a 20 anos apresentaram valores inferiores à média em todos os fatores de Clima analisados. Esse resultado pode indicar que, nesta pesquisa, as pessoas com pouco tempo de organização estão influenciadas positivamente com suas perspectivas na empresa. Já as pessoas com mais de vinte anos de serviço, provavelmente, possuem um grau maior de participação e comprometimento com a organização, o que também influencia positivamente na percepção do Clima. Tabela 8 – Médias dos fatores de Clima Organizacional por tempo de serviço Fator Tempo de Serviço N Média CREDIBILIDADE Abaixo de 5 anos 6 a 10 anos 11 a 20 anos Acima de 20 anos 233 99 214 92 638 233 99 214 92 638 233 99 214 92 638 233 99 213 92 3,43 3,14 3,24 3,49 3,33 3,32 3,10 3,23 3,45 3,28 3,32 3,02 3,14 3,44 3,23 3,83 3,54 3,69 3,88 RESPEITO IMPARCIALIDADE ORGULHO Total abaixo de 5 anos 6 a 10 anos 11 a 20 anos Acima de 20 anos Total abaixo de 5 anos 6 a 10 anos 11 a 20 anos Acima de 20 anos Total abaixo de 5 anos 6 a 10 anos 11 a 20 anos Acima de 20 anos 59 CAMARADAGEM Total abaixo de 5 anos 6 a 10 anos 11 a 20 anos Acima de 20 anos Total 637 233 99 215 92 639 3,75 3,49 3,25 3,32 3,62 3,42 Fonte: Elaborada pelo autor Na tabela 9, é apresentado o resultado da análise de variância , ANOVA (one-way) com comparação múltipla post hoc do teste de Tukey, para a hipótese de igualdade entre as médias dos fatores de Clima Organizacional por tempo de serviço na organização. Observa-se que não houve diferenças significativas, ao nível de p<0,05, entre a faixa de 6 a 10 anos e 11 a 20 anos em todos os fatores de Clima Organizacional. Tabela 9– Comparação das médias dos fatores de por tempo de serviço Fatores Tempo de Serviço CREDIBILIDADE 6 a 10 anos RESPEITO 6 a 10 anos IMPARCIALIDADE 6 a 10 anos ORGULHO 6 a 10 anos CAMARADAGEM 6 a 10 anos Abaixo de 5 anos 11 a 20 anos Acima de 20 anos abaixo de 5 anos 11 a 20 anos Acima de 20 anos Abaixo de 5 anos 11 a 20 anos Acima de 20 anos Abaixo de 5 anos 11 a 20 anos Acima de 20 anos Abaixo de 5 anos 11 a 20 anos Acima de 20 anos Diferença das Médias Sig. -0,2890 -0,0927 -0,3484 -0,2211 -0,1227 -0,3493 -0,3013 -0,1220 -0,4259 -0,2913 -0,1562 -0,3439 -0,2369 -0,0685 -0,3700 * 0,01 0,75 * 0,01 * 0,05 0,49 * 0,00 * 0,01 0,57 * 0,00 * 0,01 0,32 * 0,01 * 0,03 0,86 * 0,00 * Médias que apresentaram diferença significativa para p< 0,05 N= 638 Fonte: Elaborada pelo autor Na tabela 10 é apresentada a média dos diversos fatores de Clima Organizacional estratificados por órgão e cargo. Observa-se que na GEQUAL os valores do grupo administrativo são superiores aos valores do grupo de liderança em todos os fatores. De forma 60 semelhante a GERAF também teve as médias do grupo administrativo superior aos do grupo de lideranças em todos os fatores, com exceção do fator Credibilidade. Na GESSEMA as médias do grupo administrativo são superiores aos do grupo de liderança nos fatores Imparcialidade e Orgulho. Para todas as demais áreas, as médias, em cada um dos fatores de Clima, do grupo de liderança foi superior ao grupo administrativo que, por sua vez, foi superior ao grupo de turno. Tabela 10 – Média dos fatores de Clima Organizacional por órgão e cargo Gepro Gecom Gecont Gequal Geraf Gerem Gessema Getec CREDIBI- RESPEITO IMPARCIA- ORGULHO CAMARALIDADE LIDADE DAGEM 3,56 3,49 3,48 3,91 3,47 Liderança (44) 3,37 3,32 3,35 3,85 3,46 Adm (105) 3,10 3,04 2,90 3,48 3,19 Turno ( 294) 3,21 3,15 3,06 3,61 3,28 Total ( 443) 3,52 3,60 3,95 4,25 3,91 Liderança (4) 3,20 3,25 3,28 3,81 3,58 Adm (15) 3,27 3,32 3,42 3,90 3,65 Total (19) 4,36 4,08 4,48 4,46 4,28 Liderança (3) 3,90 3,74 3,74 4,29 3,94 Adm ( 23) 3,95 3,78 3,83 4,31 3,98 Total (26) 3,63 3,65 3,70 4,02 3,83 Liderança (6) 3,69 3,90 4,04 4,33 4,11 Adm ( 8) 3,69 3,33 3,27 3,38 3,33 Turno (1) 3,67 3,76 3,85 4,14 3,95 Total (15) 3,97 3,60 3,63 4,09 3,69 Liderança (7) 3,80 3,87 3,90 4,32 3,99 Adm (26) 3,84 3,81 3,85 4,27 3,92 Total (33) 3,79 3,63 3,82 4,06 3,73 Liderança (6) 3,71 3,60 3,55 4,05 3,73 Adm (29) 3,72 3,60 3,60 4,05 3,73 Total (35) 3,73 3,85 3,91 4,06 3,80 Liderança (4) 3,73 3,63 3,93 4,32 3,84 Adm (14) 3,12 2,71 3,00 3,88 2,85 Turno (2) 3,67 3,58 3,84 4,23 3,73 Total (20) 4,07 3,92 4,20 4,33 3,83 Liderança (4) 2,95 3,13 3,23 3,61 3,27 Adm (15) 3,37 3,16 3,24 3,83 3,54 Turno (18) 3,28 3,23 3,34 3,80 3,46 Total (37) 61 Total Liderança (82) Adm (245) Turno (315) Total (642) 3,68 3,50 3,12 3,34 3,59 3,48 3,05 3,28 3,66 3,51 2,92 3,24 4,01 4,00 3,51 3,76 3,64 3,63 3,21 3,42 Fonte: Elaborada pelo autor O Clima Organizacional na COPENE foi acompanhado, com a metodologia do Great Place to Work Institute, a partir de 1999, quando a empresa decidiu, pela primeira vez, participar da pesquisa do “Guia Exame – As cinquentas melhores empresas para você trabalhar”. A avaliação do questionário pelo Guia Exame é feita considerando o percentual respostas CONCORDO NA MAIORIA DAS VEZES e CONCORDO SEMPRE. Quando se compara os resultados dos três anos em que foi realizada na empresa, observa-se que houve uma piora nos dois últimos anos em relação ao ano de 1999, como mostra a figura 6, em todos os fatores de Clima pesquisados. Esse resultado pode ser explicado pela expectativa que a organização viveu no período em função de indefinições no seu processo de venda do controle acionário. Com esses resultados, a COPENE não foi selecionada com uma da cinqüenta melhores empresas para se trabalhar em 1999, e nem tampouco entre as cem melhores no ano seguinte. No ano 2001, a empresa aplicou o questionário internamente, mas não participou da pesquisa do Guia Exame, entretanto, caso tivesse participado também não ficaria em as 100 melhores já que a média geral da COPENE em 2001 foi 52% de concordância e a média das cem melhores foi de 78%. 62 % 100 80 60 40 20 0 1998 1999 2001 em ag ad ar am C ho ul e rg ad O lid ia rc pa Im ito pe es e R ad lid bi di re C Fonte: Elaborado pelo Autor Figura 6 - Clima Organizacional na COPENE – 1998/1999/2001 Os resultados das pesquisas de Clima Organizacional das empresas, normalmente são tratados apenas no âmbito interno das organizações, dificultado assim comparações entre as empresas do mesmo segmento econômico. Nesse sentido, apesar de contar com um universo limitado de empresas, o Guia Exame torna-se bastante útil para se estabelecer um padrão de comparação. A COPESUL, empresa localizada no Pólo Petroquímico de Triunfo no Rio Grande do Sul e concorrente da COPENE, participou do Guia Exame no período de 1999 a 2001 e, diferentemente da COPENE, conseguiu ficar entre as cem melhores empresas para se trabalhar por três anos consecutivos. As políticas de Recursos Humanos da COPESUL e da COPENE eram muito parecidas, e incluem transporte e alimentação de gratuitos, planos de 63 assistência médica, treinamentos intensivos, plano de carreira por habilidades, fundo de pensão etc. O processo produtivo e o porte das duas empresas também eram bastante semelhantes. Em 2000 a COPESUL faturou R$ 2,9 bilhões e possuía 951 empregados, conforme Revista Exame, que também indicou sua estrutura funcional composta por somente três níveis hierárquicos (Diretoria, Executivos e Colaboradores) e equipes com altos níveis de informação, participação e autonomia. Na avaliação da Great Place to Work Institute (GPWI, 2001) o ponto forte da pesquisa realizada na COPENE em novembro de 2001 foi o orgulho, que obteve um percentual de concordância de 63%. Algumas frases retiradas dos questionários ilustram esse sentimento: • “A COPENE é referencial para todas as empresas do Pólo Petroquímico”; • “Sinto orgulho em trabalhar na COPENE”; • “Gosto de estar na Copene e das pessoas. espero ficar por muito e muito tempo, sempre aprendendo mais”. Por outro lado, os pontos fracos apontados pela pesquisa diziam respeito à relação líder – integrante, na qual os fatores Credibilidade, Respeito e Imparcialidade ficaram com um índice de concordância abaixo de 45%. Esta percepção pode ser mais bem compreendida com algumas frases que foram colhidas nos questionários: • “Existe uma certa pressão e ironia quando um funcionário exprime suas idéias”; • “As pessoas que estão em uma posição hierárquica acima de alguns não estão preparadas para ouvir nossas opiniões a respeito das diretrizes da empresa, ora [...] somos todos interessados em que a empresa se torne cada vez mais produtiva e lucrativa, afinal é dela (empresa) que tiramos nosso sustento.”; • “Quando se comete algum erro, o mesmo é sempre lembrado, porém, quando se faz um bom trabalho nada é dito.”; • “Os gerentes e gestores não são líderes, são seguidores do acertado isso precisa mudar por parte das lideranças intermediárias. Acho que ainda existe o medo”. (GPTW, 2001) 64 5.3 - CONFIGURAÇÕES DE PODER ORGANIZACIONAL A percepção da população pesquisada sobre as Configurações de Poder presentes na organização, é apresentada na tabela 11, a seguir. Tabela 11 – Médias das Configurações de Poder Organizacional Média Missionária Meritocracia Autocracia Sistema Fechado Instrumento Partidário 2,86 2,38 3,10 3,33 2,13 Desvio Padrão 0,62 0,52 0,66 0,46 0,60 N=199 Fonte: Elaborada pelo autor Observa-se que as Configurações de Poder Sistema Fechado (3,33), na qual os administradores e os analistas de apoio são os membros mais influentes e as metas e objetivos da organização são definidos internamente, e a Autocracia (3,10), onde as metas são definidas pelo principal executivo e que possui uma rígida hierarquia, são predominantes na organização, pois ficaram acima do ponto médio da escala. A Configuração de Poder Instrumento Partidário (2,13), que aglutina as características das Configurações Instrumento, que também possui uma rígida hierarquia mas tem suas metas e objetivos definidos externamente e Arena Política, que é caracterizada pelo alto grau de conflito interno entre seus membros, foi a que obteve a menor média, apesar da organização encontrar-se em processo de integração com as demais empresas do Grupo Mariani/Odebrecht, o que poderia levar a um elevado nível de disputa interna. Já a Missionária (2,86), que tem a ideologia como o grande influenciador da organização, e a Meritocracia (2,38), onde os especialistas são os que exercem maior influencia na organização e o sistema de autoridade é fraco, ficaram com médias abaixo do ponto central da escala. Mintzberg (1983) afirma que a Configuração de Poder Sistema Fechado é a Configuração de Poder predominante na fase de maturidade das organizações. Este resultado também aparece nesta pesquisa, pois a organização estudada tem cerca de trinta anos de 65 existência. Entretanto, a Configuração de Poder Autocracia, que aparece como a segunda Configuração predominante, indica que alguns traços característicos da cultura dos primeiros anos da organização ainda estão presentes. Lemos (2003) descreve um processo de mudança, denominado de Repensar, ocorrido na organização após a greve geral dos trabalhadores petroquímicos em setembro de 1985: O Repensar foi um processo contraditório por lidar de um lado, com uma cultura extremamente autoritária e de outro, com a possibilidade de mudança dessa cultura, através de um modelo de racionalidade oposta; isso gerou em muitos momentos confusão, insegurança, mistura de objetivos. Um processo que emergiu da história, da petroquímica, da COPENE, das pessoas envolvidas; não foi uma receita pronta, importada dos EUA ou Japão, até porque um dos valores era a construção conjunta, a partir do ponto onde mais incomodava os trabalhadores, cada grupo poderia ter seu caminho. (LEMOS, 2003, p. 162) A percepção das Configurações de Poder não é influenciada pelo gênero dos participantes desta pesquisa, pois não houve diferenças significativas ao nível de p<0,05, como mostra a tabela 12, na opinião de homens e mulheres. Esse resultado também foi observado por Melo (2001) em uma pesquisa numa organização de prestação de serviço público. Tabela 12– Comparação das médias de Configurações de Poder por sexo Missionária Meritocracia Autocracia Sistema Fechado Instrumento Partidário M (168) 2,86 2,40 3,12 3,32 2,15 F (31) 2,87 2,28 2,97 3,38 2,00 Diferença das médias -0,01 0,12 0,14 -0,06 0,15 Sig (2-t) 0,96 0,23 0,26 0,49 0,19 N=199 Fonte: Elaborada pelo autor Quando se analisa a percepções das Configurações em cada órgão, tabela 13, verifica-se que a Configuração de Poder Missionária, cuja média foi 2,86, teve o seu menor valor na GERAF (2,59) e o maior na GECONT (3,02), ficando todos os demais abaixo do ponto médio da escala. Não foi encontrada diferença significativa, ao nível de p< 0,05, para as médias obtidas nesta a Configuração nos diversos órgãos. Na Configuração de Poder Meritocracia, cuja média foi 2,38, todos os órgãos tiveram média abaixo do ponto médio da escala, sendo o menor valor na GECOM (2,14) e a 66 maior na GESSEMA (2,54), indicando que esta Configuração não é predominante em nenhuma das áreas da organização pesquisada.. Para a Configuração de Poder Autocracia a GESSEMA, GERAF e GEQUAL ficaram abaixo do ponto médio da escala, sendo a menor média na GERAF (2,73) e a maior na GECOM (3,34). Na Configuração Sistema Fechado, que foi a predominante na organização, todos os órgãos ficaram acima do ponto médio da escala. O menor valor encontrado foi na GETEC (3,18), muito próximo da GECOM (3,19) e o maior valor na GECONT (3,57). Finalmente, na Configuração de Poder Instrumento Partidário, que foi a Configuração menos evidente na organização, todos os valores ficaram abaixo do ponto médio da escala, sendo que o menor valor foi na GECOM (1,81) e o maior na GEPRO (2,18). Tabela 13– Comparação das médias de Configurações de Poder por órgão Órgão N GEPRO GESSEMA GEREN GECOM GETEC GERAF GECONT GEQUAL Total 133 8 13 8 12 7 9 7 197* Missionária Meritocracia Autocracia 2,90 2,88 2,64 2,82 2,66 2,59 3,02 2,98 2,86 2,43 2,54 2,26 2,14 2,20 2,30 2,42 2,32 2,38 3,12 2,90 3,11 3,34 3,20 2,73 3,06 2,90 3,10 Sistema Fechado 3,32 3,39 3,28 3,19 3,18 3,48 3,57 3,51 3,33 Instrumento Partidário 2,18 2,05 1,83 1,81 2,16 2,13 2,15 2,14 2,13 * Foram excluídos 2 casos onde não havia indicação do órgão Fonte: Elaborada pelo autor A Configuração de Poder Sistema Fechado foi a Configuração predominante, ou seja, a que aparece com valor mais elevado em cada uma das áreas da organização pesquisada, a exceção da GECOM e GETEC onde houve a predominância da Configuração de Poder Autocracia. Cavalcante e Miranda (2001), procurando compreender os resultados da pesquisa para o Guia EXAME realizada em 1999, aprofundaram a análise através de uma pesquisa- 67 ação com os grupos da GECOM e GETEC, e também encontraram alguns traços de postura autoritária nessas áreas. Algumas das questões levantadas pelos grupos de discussão foram: - Necessidade de acesso mais fácil ao gerente que deveria ter maior disponibilidade para melhor interação; A inovação deve sr estimulada, evitando-se inibi-la por medo do erro; Há um conflito a ser resolvido entre a sobrecarga de atividades e o grau ainda elevado de centralização; Necessidade de um fluxo mais intenso e ágil de informações na empresa, trazendo os fatos, as propostas e as decisões para dentro do grupo, e levando o trabalho gerado pelo grupo à empresa (CAVALCANTE e MIRANDA, 2001, p.11). Verifica-se, na tabela 14, que houve diferenças significativas, ao nível de p<0,05, na percepção das Configurações de Poder Meritocracia e Instrumento Partidário, entre os empregados que trabalham em regime administrativo e aqueles que trabalham em turno de revezamento. As médias nas Configurações de Poder Meritocracia, Instrumento Partidário e Autocracia, para os empregados que trabalham em regime de turno foram maiores do que as médias dos empregados que trabalham no horário administrativo. Barbosa (1996) afirma que na maior parte dos segmentos sociais brasileiros não existe a ideologia da meritocracia, o que parece se confirmar nesta pesquisa, pois a Configuração de Poder Meritocracia aparece em penúltimo lugar. Entretanto, nesta Configuração, houve diferença significativa entre os indivíduos que trabalham em regime de turno e aqueles que trabalham em regime administrativo, o que poderia ser explicado pelo fato dos operadores de processo que exercem uma função altamente técnica tenderiam a valorizar e reconhecer este conhecimento. Tabela 14 – Comparação das médias de Configurações de Poder por regime de trabalho Missionária Meritocracia Autocracia Sistema Fechado Instrumento Partidário Turno (82) Adm (115) 2,84 2,49 3,17 3,30 2,27 2,88 2,31 3,05 3,35 2,05 Diferença das médias -0,04 0,18 0,12 -0,05 0,22 Sig (2 – t) 0,70 0,02 * 0,70 0,50 0,01 * * Médias que apresentaram diferença significativa para p< 0,05 Fonte: Elaborada pelo autor No geral, não houve diferença significativa entre as percepções das Configurações de Poder em função do cargo, como demonstra o resultado da análise de variância , ANOVA (one-way) com comparação múltipla post hoc do teste de Tukey, para a hipótese de igualdade 68 entre as médias por cargo, apresentada na tabela 15. Entretanto, observa-se que para a Configuração de Poder Meritocracia houve diferenças significativas, ao nível de p<0,05, entre as médias dos indivíduos que ocupam cargos de nível médio e aqueles que ocupam cargos de nível superior ou de liderança. Também houve diferença significativa na Configuração de Poder Missionária entre os empregados de nível médio e superior, fato que indica que os indivíduos com menor grau de instrução têm uma maior identificação com a organização. Tabela 15– Comparação das médias de Configurações de Poder por cargo Médio (149) Superior (37) Liderança A - B (13) Sig (2 – t) A-C Sig (2 – t) B-C Sig (2 – t) Missionária 2,93 2,66 2,70 0,27 * 0,04 0,22 0 ,41 -0,04 0,97 Meritocracia 2,41 2,18 2,63 0,23 * 0,03 -0,22 0,29 -0,45 * 0,02 Autocracia 3,03 3,25 3,41 -0,22 0,16 -0,37 0,11 -0,15 0,74 Sistema Fechado 3,36 3,24 3,31 0,12 0,34 0,05 0,93 -0,07 0,89 Instrumento Partidário 2,16 2,02 2,06 0,14 0,41 0,11 0,81 -0,03 0,98 C B * Médias que apresentaram diferença significativa para p< 0,05 Fonte: Elaborada pelo autor A percepção de Configuração de Poder Sistema Fechado é relativamente homogênea nos três grupos, nível médio (3,36), nível superior (3,24) e liderança (3,31). Na Configuração Missionária, o maior valor foi do grupo de empregados de nível médio (2,93), resultado esse que aponta uma forte identificação com a missão funcional desses indivíduos. A média do grupo liderança (3,41), na Configuração de Poder Autocracia, foi o maior valor observado em todas as Configurações, o que indica que esse grupo tem uma percepção do viés autoritário na forma como a liderança é exercida na organização. As Configurações de Poder estratificadas por grau de instrução dos indivíduos é apresentada na tabela 16. O teste de variância apontou que só existe diferença significativa, ao nível de p< 0,05, em uma das cinco Configurações de Poder. Na Missionária aparece uma diferença significativa tanto entre os empregados com segundo grau e os empregados com grau universitário de graduação, bem como entre aqueles e os de pós-graduação. Este resultado está consistente com aquele mostrado na Tabela 15, já que os cargos de nível 69 médios são ocupados, em sua maioria, por pessoas com grau de escolaridade igual ao 2o grau. Melo (2001), estudando uma população de uma empresa estatal, também encontrou diferenças significativas na percepção da Configuração Missionária entre os integrantes com diferentes níveis de escolaridade. Tabela 16 - Comparação das médias de Configurações de Poder por grau de escolaridade Missionária Meritocracia Autocracia Sistema Fechado Instrumento Partidário 2º grau (115) 2,97 2,45 3,08 3,37 2,16 3º grau (51) 2,72 2,28 3,02 3,3 2,13 pós-graduação (32) 2,72 2,33 3,27 3,26 2,06 N=198 Fonte: Elaborada pelo autor A tabela 17 apresenta as médias das Configurações de Poder estratificadas por tempo de serviço na organização. Quando se compara as médias das Configurações em cada um dos quatro grupos em que foram estratificados, observa-se que o grupo é bastante homogêneo, pois somente em três das trinta comparações ocorreu diferença significativa ao nível de p<0,05. Em todas as faixas, em que a amostra foi estratificada, as Configurações Sistema Fechado e Autocracia foram as predominantes, entretanto na faixa acima de 20 anos foi encontrada a maior média na Configuração Missionária. Os integrantes mais antigos da organização têm uma maior possibilidade de participarem do processo decisório e com isso se identificam com a missão da organização e mostram níveis de comprometimento mais elevado, conforme Melo (2001). Tabela 17 – Configurações de Poder por tempo de serviço Missionária Meritocracia Autocracia Sistema Fechado Instrumento Partidário N=198 Fonte: Elaborada pelo autor Entre 1 e 5 anos (N=50) 2,93 2,27 3,01 3,47 2,05 Entre 6 e 10 anos (N=32) 2,95 2,45 3,19 3,33 2,29 Entre 11 e 20 Mais do que 20 anos anos (N=31) (N=85) 2,74 3,01 2,41 2,41 3,13 3,06 3,21 3,44 2,21 1,88 70 5.4 – Análise de clusters de Configuração de Poder Nesta seção será apresentado o resultado da análise de clusters com o objetivo de identificar subgrupos de indivíduos que percebem de forma semelhante o seu contexto organizacional, de modo a possibilitar a verificação da existência de correlação destes subgrupos com os fatores observados na pesquisa de Clima Organizacional. A amostra se constituiu em quatro subgrupos distintos, cuja média para cada uma das Configurações de Poder é apresentada na tabela 18. Tabela 18 – Médias dos fatores de Configurações de Poder em cada cluster Cluster Missionária Meritocracia Autocracia Sistema Fechado Instrumento Partidário 1 2,36 2,24 3,66 3,14 1,98 2 2,65 1,96 2,47 3,39 1,56 3 2,75 2,77 3,35 3,08 2,80 4 3,56 2,44 2,85 3,70 2,00 Média 2,86 2,38 3,10 3,33 2,13 N=199 Fonte: Elaborada pelo autor No cluster 1, o escore mais elevado foi na Configuração de Poder Autocracia (3,66), que ficou 18% acima da média geral da população pesquisada; por isso este cluster é denominado de Autocracia Predominante. Todas as demais Configurações de Poder deste cluster ficaram com escores abaixo da média geral da respectiva Configuração, sendo que o valor mais baixo foi na Instrumento Partidário (1,98). No cluster 2, o escore mais alto foi da Configuração de Poder Sistema Fechado (3,39), todas as demais ficaram com escores abaixo de 3,0, que é o ponto médio da escala, e são também inferiores à média da população pesquisada. Este cluster foi denominado de Sistema Fechado Predominante No cluster 3 houve um equilíbrio maior entre as Configurações de Poder, sendo que o escore mais alto foi da Configuração de Poder Autocracia (3,35), seguido da Configuração Sistema Fechado (3,08). Já os escores das Configurações de Poder Missionária 71 27,6% 23,1% 1 - Autocracia Predominante 2 - Sist. Fechado Predominante 3 = Autocracia Confuso 4 = Sist. Fechado Missionário 21,1% 28,1% Fonte: Elaborado pelo Autor Figura 7 - Distribuição dos Clusters (N= 199) (2,75), Meritocracia (2,77) e Instrumento Partidário (2,80) ficaram muito próximos ente si. Entretanto, este foi o cluster em que a Configuração Instrumento Partidário obteve o escore mais elevado, indicando que, na percepção dos membros desse subgrupo, há um ambiente de disputa entre os influenciadores da organização, portanto, este cluster foi o que se denominou Autocracia Confusa. Finalmente no cluster 4, a exemplo do cluster 2, o escore mais alto foi na Configuração de Poder Sistema Fechado (3,70), entretanto a Configuração de Missionária também mostrou presença significativa com um escore de 3,56. As demais Configurações ficaram abaixo do ponto médio da escala. Em função da predominância dessas duas Configurações este cluster foi denominado Sistema Fechado Missionário. A freqüência de distribuição dos indivíduos nos quatro subgrupos é mostrada na figura 7, onde se pode verificar uma ligeira predominância do cluster 3 – Autocracia Confusa (28,1%), seguido do cluster 4 – Sistema Fechado Missionário (27,6%). Os demais subgrupos tiveram uma freqüência menor, mas pode-se afirmar que houve uma distribuição equilibrada nas quatro categorias identificadas na análise de clusters. O percentual de integrantes das diversas áreas da organização que foram incluídos em cada um dos clusters definidos anteriormente é apresentado na tabela 19. 72 Tabela 19 – Distribuição dos clusters por órgão Cluster GEPRO GESSEMA 1 2 3 4 Total 20,3 21,1 31,5 27,1 100,0 0,0 37,5 25,0 37,5 100,0 GEREM GECOM 46,1 23,1 0,0 30,8 100,0 50,0 12,5 12,5 25,0 100,0 Em % GETEC GERAF 25,0 16,7 33,3 25,0 100,0 28,6 28,6 42,8 0,0 100,0 GECONT GEQUAL Total 11,1 22,2 44,5 22,2 100,00 28,6 14,3 0,0 57,1 100,0 23,1 21,1 28,1 27,6 100,0 N=199 Fonte: Elaborado pelo autor O cluster 1 – Autocracia Predominante, aparece de forma relevante na GECOM e na GEREM, onde respectivamente 50% e 46% dos integrantes dessas áreas estão incluídos neste subgrupo. Este resultado indica que nestas áreas os integrantes têm uma forte percepção de que o poder é exercido de forma autoritária. A GESSEMA não teve nenhum integrante neste grupo. O cluster 2 - Sistema Fechado Predominante, é a percepção de 37,5% dos integrantes da GESSEMA e 28,6% da GERAF, nas demais áreas este percentuais ficam abaixo de 25%. Este foi o cluster no qual houve a menor freqüência na população pesquisada, entretanto foi o único cluster que esteve presente em todos os órgãos. O cluster 3 – Autocracia Confusa, é a percepção predominante em quatro das oito áreas funcionais da organização. A GECONT (44%) foi a área da organização que apresentou maior percentual de integrantes nesta Configuração, as demais foram: GERAF (42,8%), GETEC (33,3%) e GEPRO (31,5%). A GEREM e GEQUAL não tiveram nenhum integrante incluído neste cluster. Este resultado indica que a organização encontra-se em uma fase de transição, pois 28,1% da população pesquisada encontra-se neste cluster. O cluster 4 – Sistema Fechado Missionário, aparece de forma significativa na GEQUAL e GESSEMA onde respectivamente 57,1% e 37,5% dos integrantes tiveram essa percepção. Pode-se tentar entender este resultado analisando as características dessas áreas A GEQUAL é a área responsável pelo sistema da qualidade e a GESSEMA é encarregada das atividades de segurança industrial e meio ambiente. Estes dois órgãos são considerados áreas de apoio operacional, cujos profissionais desenvolvem atividades técnicas de assessoramento e controle e têm forte identificação com a ideologia e missão profissional. 73 A GEPRO, que é a área de produção e onde está concentrado o maior número de integrantes, teve 31,5% dos seus integrantes no cluster 3 – Autocracia Confusa, seguida do cluster 4 – Sistema Fechado Missionário. Os demais clusters ficaram com 21,1% e 20,3% respectivamente no cluster 2 – Sistema Fechado Predominante e cluster 1 – Autocracia Predominante. Quando se analisa a distribuição por faixa etária, tabela 20, observa-se que e há uma predominância significativa do cluster 4 – Sistema Fechado Missionário, nas faixas etárias de 20 a 29 anos (37,5%) e acima de 50 anos (38,9%), indicando que esse grupo vê a organização com forte perfil técnico e missionário. As outras faixas etárias apresentaram um maior equilíbrio na distribuição, sendo que na de 30 a 39 anos houve predominância do cluster 3 - Autocracia Confusa (33,3%) e na faixa 40 a 49 anos a maior freqüência foi do cluster 1 – Autocracia Predominante (30,6%), indicando que a população de 30 a 49 anos, que representa 74,75% da população pesquisada, vêem a organização como autoritária. Tabela 20 – Distribuição dos clusters por faixa etária Em % Cluster 1 2 3 4 Total Entre 20 e Entre 30 e Entre 40 e Mais do 29 anos 39 anos 49 anos que 50 anos 9,4 20,6 30,6 16,7 25,0 23,8 16,5 27,8 28,1 33,3 27,1 16,7 37,5 22,2 25,9 38,9 100,0 100,0 100,0 100,0 Total 22,7 21,2 28,3 27,8 100,0 N=198 Fonte: Elaborada pelo autor Na percepção da população masculina houve uma ligeira predominância do cluster 3 – Autocracia Confusa (29,8%), seguida do cluster 4 – Sistema Fechado Missionário (26,2%), conforme apresentado na tabela 21. Já para a população feminina houve forte predominância do cluster 4 – Sistema Fechado Missionário (35,5%), entretanto quando se considera a soma dos clusters 2 e 4 este percentual sobe para 67,8%, indicando que somente 32,2% da população feminina vê a organização como autoritária. 74 Tabela 21 – Distribuição dos clusters por sexo Em % Clusters 1 – Autocracia Predominante 2 – Sistema Fechado Predominante 3 – Autocracia Confusa 4 – Sist. Fechado Missionário Total M F Total 25,0 19,0 29,8 26,2 100,0 12,9 32,3 19,4 35,5 100,0 23,1 21,1 28,1 27,6 100,0 N=198 Fonte: Elaborada pelo autor Analisando-se a tabela 22 verifica-se que para os membros que ocupam cargos de nível médio na organização houve uma predominância do cluster 3 - Autocracia Confusa (32,2%) e do cluster 4 – Sistema Fechado Missionário (28,9%). Já para a população de nível superior e liderança houve forte predominância do cluster 1 – Autocracia Predominante, respectivamente com 43,2 % e 38,%. Considerando-se a aglutinação do cluster 1 – Autocracia Predominante e do cluster 3 - Autocracia Confusa, que indicam uma tendência de percepção da organização como autoritária, o maior valor encontrado foi em liderança (69,3%), seguido do de profissionais que ocupam cargos de nível médio (59,0%) e por último o de profissionais que ocupam cargos de nível superior (54,1%). Tabela 22 – Distribuição dos clusters por cargo Em % Clusters 1 – Autocracia Predominante 2 – Sistema Fechado Predominante 3 – Autocracia Confusa 4 – Sist. Fechado Missionário Total Médio Superior Liderança Total 16,8 22,1 32,2 28,9 100,0 43,3 21,6 10,8 24,3 100,0 38,5 7,7 30,8 23,1 100,0 23,1 21,1 28,1 27,6 100,0 N=199 Fonte: Elaborada pelo autor A percepção do grupo liderança de que a organização é autoritária é um resultando não esperado, pois normalmente as pessoas que ocupam estas posições participam do processo decisório e podem influenciar na forma como a organização trata as questões relevantes para seus integrantes. Talvez este seja um indicativo que os níveis gerenciais 75 intermediários percebam que o poder está concentrado na alta administração e, portanto, sentem-se incapazes de influenciar a organização. Analisando-se a distribuição dos clusters por regime de trabalho, tabela 23, verifica-se que a população que trabalha em regime de turno percebe a organização como Autocracia Confusa (41,5%), já os que trabalham em regime administrativo a vêem como Sistema Fechado Missionário (32,3%). Considerando-se o somatório dos clusters 1 e 3, o percentual para a população de turno cresce para 59,8% e o da a população que trabalha em regime administrativo para 46,0%, o que indica que a população que trabalha em turno percebe a organização com autoritária. Tabela 23 – Distribuição dos clusters por regime de trabalho Em % Clusters Turno Adm Total 1 – Autocracia Predominante 18,3 26,9 23,4 2 – Sistema Fechado Predominante 18,3 21,7 20,3 3 – Autocracia Confusa 41,5 19,1 28,4 4 – Sist. Fechado Missionário 21,9 32,3 27,9 Total 100,0 100,0 100,0 N= 197 Fonte: Elaborada pelo autor A distribuição dos clusters por tempo de serviço na organização, tabela 24, mostra que o cluster 3 - Autocracia Confusa é o predominante na faixa de 11 a 20 anos com 36,5%. Em todas as demais faixas o cluster 4 – Sistema Fechado Missionário foi o que mais aparece, sendo 36,0% na faixa de 1 a 5 anos, 34,4% na faixa de 6 a 10 anos e 38,7% na faixa acima de 20 anos. Quando se soma os resultados dos clusters 2 e 4, somente a faixa com tempo de serviço entre 11 e 20 anos (36,5%), fica abaixo de 55%, indicando que este grupo considera a organização autoritária. 76 Tabela 24– Distribuição dos clusters por tempo de serviço Clusters 1 – Autocracia Predominante 2 – Sistema Fechado Predominante 3 – Autocracia Confusa 4 – Sist. Fechado Missionário Total Entre 1e5 anos 20,0 26,0 18,0 36,0 100,0 Entre Entre 11 Mais do 6 e 10 e 20 que 20 anos anos anos 15,6 27,1 22,6 21,9 20,0 16,1 28,1 36,5 22,6 34,4 16,5 38,7 100,0 100,0 100,0 Em % Total 22,7 21,2 28,3 27,8 100,0 N=198 Fonte: Elaborada pelo autor A distribuição dos clusters por grau de escolaridade, tabela 25, indica que a população com pós-graduação percebe a organização como autoritária, pois 40,6% está incluída no cluster 1-Autocracia Predominante. Quando se considera a soma dos clusters 1 e 3, respectivamente Autocracia Predominante e Autocracia Confusa, o percentual sobe para de 56,2%. Para a população com terceiro grau essa soma é 54,9% e finalmente para a população com segundo grau é 47,8%, ou seja quanto maior o grau de instrução maior o percentual de pessoas que percebem a organização como autoritária. Tabela 25 – Distribuição dos clusters por grau de escolaridade Em % Clusters 1 – Autocracia Predominante 2 – Sistema Fechado Predominante 3 – Autocracia Confusa 4 – Sist. Fechado Missionário Total 2o. grau 3o. grau 17,4 20,9 30,4 31,3 100,0 23,5 23,5 31,4 21,6 100,0 pós graduação 40,6 18,8 15,6 25,0 100,0 Total 22,7 21,2 28,3 27,8 100,0 N=198 Fonte: Elaborada pelo autor Em síntese, o resultado da análise de clusters demonstra que a organização encontra-se em processo de transição, pois. em 50% das áreas da empresa houve predominância do cluster 3 – Autocracia Confusa.Também é relevante o percentual dos integrantes que exercem cargo de liderança (69,3%) que percebem a organização com autoritária, ou seja, aqueles que estão incluídos no cluster 1- Autocracia Predominante ou no cluster 3 – Autocracia Confusa. 77 5.5 – RELAÇÃO ENTRE CLIMA ORGANIZACIONA E CONFIGURAÇÕES DE PODER Nesta seção serão analisadas possíveis relações entre os fatores de Clima Organizacional, conforme a metodologia da Great Place to Work Institute, e as Configurações de Poder definidas por Mintzberg (1983), tendo como base os dados levantados nesta pesquisa e que foram discutidos nas seções anteriores. Tendo como unidade de análise as diversas áreas da organização, são apresentados na tabelas 26 os escores para os fatores de Clima Organizacional: Credibilidade, Respeito, Imparcialidade, Orgulho e Camaradagem; bem como os respectivos escores para as Configurações de Poder: Missionária, Meritocracia, Autocracia, Sistema Fechado e Instrumento Partidário. A GEPRO, GECOM e GETEC apresentaram as médias mais baixas em todos os fatores de Clima. De modo geral a GECONT e a GERAF obtiveram as mais altas, com exceção do fator Imparcialidade no qual a GEQUAL tem uma média maior do que a GECONT e GERAF, todavia a diferença entre as médias é de apenas 0,5%. A GEPRO, GECOM ,GETEC, GECONT e GEREM tiveram escores acima do ponto médio da escala nas Configurações Autocracia e Sistema Fechado. Na GEQUAL, GERAF e GESSEMA somente a Configuração Sistema Fechado ficou acima do ponto médio da escala. A GECONT foi a única área em que a Configuração Missionária teve um escore acima de 3,0. Tabela 26 – Escores de Clima e Configurações de Poder por Órgãos Órgão Cred Res Imp Org Cam MI ME AU SF IP GEPRO GECOM GETEC GEQUAL GESSEMA GEREM GERAF GECINT 3,21 3,27 3,28 3,67 3,67 3,72 3,84 3,95 3,15 3,32 3,23 3,76 3,58 3,60 3,82 3,78 3,07 3,42 3,34 3,85 3,84 3,60 3,84 3,83 3,62 3,90 3,80 4,14 4,23 4,05 4,29 4,31 3,29 3,65 3,46 3,95 3,73 3,73 3,95 3,98 2,90 2,82 2,66 2,98 2,88 2,64 2,59 3,02 2,43 2,14 2,20 2,32 2,54 2,26 2,30 2,42 3,12 3,34 3,20 2,90 2,90 3,11 2,73 3,06 3,32 3,19 3,18 3,51 3,39 3,28 3,48 3,57 2,18 1,81 2,16 2,14 2,05 1,83 2,13 2,15 Fonte: Elaborada pelo autor Procurando verificar as vinculações entre as variáveis desta pesquisa foi calculada a correlação de Pearson entre cada um dos fatores de Clima Organizacional e as percepções de Configurações de Poder dos diversos órgãos da população pesquisada, cujo resultado é 78 apresentado na Tabela 27. Observa-se que há uma correlação positiva e significativa, ao nível de p < 0,05, entre a Configuração de Poder Sistema Fechado e todos os fatores de Clima pesquisados. Observa-se também que há uma correlação negativa entre a Configuração de Poder Autocracia e todos os fatores de Clima Organizacional, entretanto, essa correlação só é significativa, ao nível de p<0,05, para o fator de Clima Organizacional Respeito. Tabela 27 – Correlação entre os fatores de Clima e de Configurações de Poder Fatores de Clima Missionária Meritocracia Autocracia Sistema Fechado Instrumento Partidário Credibilidade 1,00 Respeito Orgulho 1,00 Imparcialidade 1,00 1,00 Camaradagem 1,00 0,08 0,36 -0,67 *0,81 0,10 0,09 0,24 *-0,73 * 0,82 0,08 0,13 0,28 -0,69 *0,73 0,03 0,10 0,31 -0,67 *0,74 0,02 0,15 0,09 -0,58 *0,75 -0,02 * Correlação é significativa ao nível de 0,05 Fonte: Elaborada pelo autor Também pode ser observado na tabela 28 que entre as Configurações de Poder aparece uma correlação negativa, significativa ao nível de p<0,05, entre Sistema Fechado e Autocracia. Esse resultado indica um antagonismo entre essas duas Configurações, que foram as mais presentes na população pesquisada, na percepção dos indivíduos de acordo com o órgão a que ele esteja vinculado. Tabela 28 – Correlação entre as Configurações de Poder Missionária Meritocracia Autocracia Sistema Fechado Instrumento Partidário MISSIONÁRIA MERITOCRACIA 1,00 0,51 0,06 0,48 0,28 1,00 -0,51 0,57 0,47 * Correlação é significativa ao nível de 0,05 Fonte: Elaborada pelo autor INST. AUTOSIST. PARTIDÁCRACIA FECHADO RIO 1,00 *-0,74 -0,47 1,00 0,50 1,00 79 Nas tabelas 29 e 30 são apresentadas as médias dos fatores de Clima Organizacional e das Configurações de Poder por regime de trabalho. A categoria liderança apresenta sempre os melhores resultados de Clima Organizacional, esta constatação é recorrente e observada em algumas pesquisas de Clima. Como grande parte das decisões dos líderes afetam o Clima Organizacional, suas respostas nos questionários tendem a ser uma auto-avaliação, e, portanto, mais condescendente do que quando se avalia outro grupo. Em um estudo para conhecer o estilo gerencial de líderes em uma empresa de petróleo chegou-se também a conclusão semelhante (ARAUJO e PINHEIRO, 2000). Entretanto, não foi possível correlacionar esses resultados com a percepção das Configurações de Poder dessas categorias. Tabela 29 - Fatores de Clima Organizacional por regime de trabalho Credibilidade 3,67 3,49 3,13 3,33 Liderança Administrativo Turno Total Respeito Imparcialidade 3,57 3,47 3,05 3,28 3,63 3,49 2,92 3,23 Orgulho 3,98 3,97 3,51 3,74 Camaragem 3,62 3,61 3,22 3,42 Fonte: Elaborada pelo autor Tabela 30 – Configurações de Poder por regime de trabalho Liderança Administrativo Turno Total Missionária Meritocracia Autocracia Sist. Fechado Instrumento Partidário 2,70 2,63 3,41 3,31 2,06 2,90 2,28 3,02 3,35 2,05 2,84 2,48 3,15 3,30 2,26 2,86 2,39 3,10 3,33 2,14 Fonte: Elaborada pelo autor Na tabela 31 é apresentado o percentual de cada cluster por órgão e também cada fator de Clima Organizacional expresso em percentual. O valor percentual foi obtido considerando como referência o valor máximo, ou seja, o valor 5,0. 80 Tabela 31 – Clusters de Configurações de Poder e Clima Organizacional por Órgão Em % Cluster GEPRO GESSEMA GEREM GECOM GETEC GERAF GECONT GEQUAL 1 2 3 4 Credibilidade Respeito Imparcialidad e Orgulho Camaradage m 20,3 21,1 31,5 27,1 64,2 63,0 61,4 0,0 37,5 25,0 37,5 73,4 71,6 76,8 46,1 23,1 0,0 30,8 74,4 72,0 72,0 50,0 12,5 12,5 25,0 65,4 66,4 68,4 25,0 16,7 33,3 25,0 65,6 64,6 66,8 28,6 28,6 42,8 0,0 76,8 76,4 76,8 11,1 22,2 44,5 22,2 79,0 75,6 76,6 28,6 14,3 0,0 57,1 73,4 75,2 77,0 72,4 65,8 84,6 69,2 81,0 74,6 78,0 73,0 76,0 69,2 85,8 79,0 86,2 79,6 82,8 79,0 Fonte: Elaborada pelo autor Analisando-se a tabela 32, que mostra a correlação de Pearson entre os clusters de Configurações de Poder e os fatores de Clima Organizacional, observa-se que há uma correlação significativa, ao nível de p<0,05, entre o cluster 1 – Autocracia Predominante e o fator de Clima Organizacional Imparcialidade. Tabela 32 – Correlação dos Clusters de Configurações de Poder e Clima Organizacional Cred Resp Imp Org Cam Cluster Cluster Cluster` Cluster 1 2 3 4 Credibilidade 1,00 Respeito -0,21 1,00 Imparcialidade -0,34 0,40 1,00 Orgulho -0,24 0,33 0,23 1,00 Camaradagem -0,42 -0,43 0,10 -0,08 1,00 Cluster 1 0,28 -0,51 * -0,74 -0,01 -0,12 1,00 Cluster 2 0,11 0,05 0,35 0,49 0,35 -0,06 1,00 Cluster 3 -0,53 0,18 0,66 0,24 0,12 -0,22 0,01 1,00 Cluster 4 0,07 -0,14 -0,64 0,42 0,11 0,30 0,10 -0,63 * Correlação é significativa ao nível de 0,05 Fonte: Elaborada pelo autor 1,00 81 5.6 – EXPECTATIVAS QUANTO AO PROCESSO DE INTEGRAÇÃO DA BRASKEM Conforme descrito no capitulo 3, em julho de 2001 houve uma mudança do controle acionário da empresa, que passou ao Consórcio Mariani/Odebrecht. A partir de então, a organização passou a viver um clima de ansiedade com relação às mudanças que viriam a serem realizadas com a futura integração às empresas pertencentes ao novo grupo controlador. Para avaliar essa situação decidiu-se incluir no questionário perguntas relativas às expectativas dos membros da organização quanto às mudanças que ocorreriam no futuro. As questões que foram formuladas visavam avaliar a percepção do impacto da integração no nível macro, ou seja, do país e da empresa, e no nível individual, neste caso, as perspectivas para o empregado. Na tabela 33 é apresentada a distribuição das respostas dos membros da organização avaliando se a integração das diversas empresas, na BRASKEM, seria benéfica para a economia do país, e verifica-se que o grau de concordância foi de 54,5%. Esse percentual indica que um grande número de empregados não concorda com a premissa que em uma economia globalizada é importante que o país possua empresas de grande porte capazes de competir no cenário internacional. Tabela 33 – A integração das empresas irá trazer melhoria para o Brasil? 1- Discordo totalmente 2- Discordo parcialmente 3- Nem discordo, nem concordo 4- Concordo parcialmente 5- Concordo totalmente Total Freqüência Percentual Percentual Cumulativo 10 5,1 5,1 25 12,6 17,7 55 82 26 198 27,8 41,4 13,1 100,0 45,5 86,9 100,0 Fonte: Elaborada pelo autor Na tabela 34 é apresentada a distribuição das respostas dos membros da organização avaliando se a integração das diversas empresas, na BRASKEM, irá melhorar o desempenho da nova empresa, e verifica-se que o grau de concordância foi de 76,3% . Esse resultado indica que os membros da organização percebem que a organização irá obter ganhos 82 de sinergia em sua operação, eliminando superposições e redundâncias na estrutura Organizacional das empresas que vieram a formar a BRASKEM. Também são esperados ganhos devido a um melhor serviço aos clientes, através da oferta de um leque maior de produtos, e uma redução de custos em função do aumento do Poder de negociação junto aos seus fornecedores . Tabela 34 – A integração das empresas irá melhorar desempenho da empresa? Freqüência Percentual 1- Discordo totalmente 2- Discordo parcialmente 3- Nem discordo, nem concordo 4- Concordo parcialmente 5- Concordo totalmente Total 2 16 29 109 42 198 1,0 8,1 14,6 55,1 21,2 100,0 Percentual Cumulativo 1,0 9,1 23,7 78,8 100,0 Fonte: Elaborada pelo autor Na tabela 35 é apresentada a distribuição das respostas dos membros da organização avaliando se a integração das diversas empresas, na BRASKEM, irá trazer melhoria para os empregados da nova empresa, e verifica-se que o grau de concordância foi de somente 31,8%. Esse resultado indica um receio com a perda de emprego em função da sobreposição de funções nas diversas empresas que seriam integradas, ou receio quanto ao processo de mudança, pois, a nova organização terá uma cultura diferente daquela que existia na COPENE, que foi consolidada em seus 30 anos de existência. Tabela 35 – A integração das empresas irá trazer melhorias para os empregados? 1- Discordo totalmente 2- Discordo parcialmente 3- Nem discordo, nem concordo 4- Concordo parcialmente 5- Concordo totalmente Total Fonte: Elaborada pelo autor Freqüência Percentual Percentual Cumulativo 10 5,1 5,1 62 31,3 36,4 63 31,8 68,2 55 27,8 96,0 8 4,0 100,0 198 100,0 83 A tabela 36 apresenta o grau de concordância, para cada uma das três perguntas, considerando o regime de trabalho dos membros da organização. Pode-se observar que tanto o pessoal do turno (70,4%) quanto o pessoal do administrativo (80,9%) consideram que haverá uma melhoria na performance da empresa. Essa avaliação não se repete quando se avalia o benefício para o país, em que somente 42,0% do pessoal de turno concordou com essa afirmação, contra 63,5% dos trabalhadores administrativos. Já com relação as melhorias para os empregados somente 23,5% do pessoal de turno avaliou como positiva contra 37,4% do grupo administrativo. Considerando-se que a maior probabilidade de desligamento era do pessoal que trabalha em regime administrativo, em decorrência da superposição de funções, esse resultado indica que o grupo de turno tem outros receios que não a redução dos postos de trabalho na empresas. Tabela 36– Expectativa quanto à integração por regime de trabalho Em % Pergunta Turno Adm P 43 -A integração das empresas será melhor para o País P 41-A integração das empresas será melhor para a Empresa P 42 -A integração das empresas será melhor para os Empregados 42,0 70,4 23,5 63,5 80,9 37,4 Total 54,6 76,5 31,6 Fonte: Elaborada pelo autor A tabela 37 apresenta o grau de concordância, a cada uma das perguntas, considerando a área de trabalho dos membros da organização. Verifica-se que a GESSEMA (62,5%), GECOM (87,5%), GECONT (88,9%) e GEQUAL (85,7%) tiveram um grau de concordância maior do que 60% na questão referente a melhorias para o país. Quando a questão foi em relação a melhora na performance da empresa, todas as áreas, com exceção da GERAF (57,1%) tiveram grau de concordância acima de 60%. Já na questão referente a melhoria para os empregados, somente a GECOM (62,5%) e GECONT (66,7%) tiveram grau de aprovação superior a 60%. Sendo que a GETEC foi a área que apresentou os menores valores na questão melhorias para o país (33,3%) e na questão melhorias para os empregados (8,3%). 84 Tabela 37– Expectativa quanto à integração por Órgão Em % Pergunt Gepro Gessema Gerem Gecom Getec Geraf Gecont a 50,8 62,5 46,2 87,5 33,3 57,1 88,9 P 43 74,2 87,5 69,2 87,5 83,3 57,1 100,0 P 41 31,8 25,0 23,1 62,5 8,3 14,3 66,7 P 42 Gequal Total 85,7 85,7 42,9 54,5 76,3 31,8 Fonte: Elaborada pelo autor Analisando-se a tabela 38, que apresenta o grau de aprovação, a cada uma das perguntas, considerando o cargo dos membros na organização, verifica-se que em todas as três dimensões, ou seja, país, empresa e empregado, a percepção da categoria liderança é mais positiva do que a dos profissionais de nível superior e que, por sua vez, é mais positiva do que os membros da organização que ocupam cargos operacionais. Um dado interessante é que na percepção de 46,2% do grupo liderança a integração não trará melhorias para os empregados. Tabela 38– Expectativa quanto à integração por cargo Em % Pergunta P 43 P 41 P 42 Médio Superior Liderança 49,3 73,0 27,7 64,9 83,8 40,5 84,6 92,3 53,8 Total 54,5 76,3 31,8 Fonte: Elaborada pelo autor Analisando-se a tabela 39, que apresenta o grau de concordância, a cada uma das perguntas, considerando o tempo de serviço na organização, verifica-se que em todas as dimensões, ou seja, país, empresa e empregado, o grupo de empregados na faixa de 1 a 5 anos, apresentou a avaliação mais positiva. Tabela 39 – Expectativa quanto à integração por tempo de serviço Em % Pergunta P 43 P 41 P 42 Entre 1 e 5 anos 68,0 80,0 44,0 Fonte: Elaborada pelo autor Entre Entre Mais do 6 e 10 anos 11 e 20 anos que 20 anos 50,0 43,5 66,7 78,1 74,1 73,3 25,0 25,9 33,3 Total 54,3 76,1 31,5 85 Na tabela 40, que apresenta o grau de aprovação a cada uma das perguntas, considerando os clusters definidos na seção 5.4, verifica-se que o resultado do cluster 1 – Autocracia Predominante e cluster 3 – Autocracia Confusa, nas três dimensões são muito próximos. O mesmo acontece com os resultados dos clusters 2 – Sistema Fechado Predominante e o cluster 4 – Sistema Fechado Missionário. Verifica-se, também que a percepção dos membros dos clusters 2 e 4 são mais positivas do que a percepção dos membros do cluster 1 e 3, indicando que as pessoas que percebem a organização como autoritária tem as piores expectativas quanto à integração e criação da BRASKEM . Tabela 40 – Expectativa quanto à integração por clusters de Configuração de Poder Em % Pergunta P 43 P 41 P 42 Autocrático 43,5 76,1 15,2 Fonte: Elaborada pelo autor Sistema Fechado 66,7 81,0 45,2 Autocrático Sist.Fechado Confuso Missionário 41,1 68,5 69,6 79,6 25,0 42,6 Total 54,5 76,3 31,5 86 6 - CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES O objetivo principal desta pesquisa era investigar as relações entre Poder Organizacional e Clima Organizacional. Também se procurou verificar qual a Configuração de Poder prevalente na COPENE e se existia diferença na percepção da Configuração de Poder em função de dados demográficos e funcionais dos participantes do estudo. Todos os objetivos propostos no capítulo 4 foram atingidos nesta por essa pesquisa. A Configuração de Poder dominante na organização, no período em que foi realizada a pesquisa, foi a Configuração de Poder Sistema Fechado. Confirmando o que foi preconizado por Mintzberg (1983), que afirma que as organizações, na sua fase de maturidade, tende a essa Configuração. Outro ponto relevante que contribuiu para esse resultado, é que nos últimos anos a coalizão externa tornou-se passiva, pois o governo federal deixou de exercer a liderança, após a privatização que ocorreu em agosto de 1995, e os sócios privados permaneceram divididos. A disputa entre os acionistas controladores, em função de interesses empresariais conflitantes, e o fato de não haver predominância de nenhum deles, permitiu à Administração da COPENE uma grande autonomia na gestão no período. A Configuração de Poder Autocracia aparece como segunda Configuração predominante na organização, essa característica talvez possa ser explicada pela própria gênese da organização. A COPENE foi fundada pela PETROBRAS, em 1972, período em que o país vivia sob o regime militar. A empresa foi criada com o objetivo de implantar um Pólo Industrial em uma região onde não havia essa tradição, sob a oposição política de setores que eram contrários à desconcentração industrial, mas que os militares viam como estratégica para o país. Apesar da origem autoritária, após a greve geral dos trabalhadores do Polo Petroquímicos, em setembro de 1985, e concomitante com o clima de abertura política do país, a alta administração da empresa estimulou, naquela época, esforços na direção de uma gestão mais participativa (Lemos, 2001). Durante esse período pode ter predominado a Configuração de Poder Arena Política, que segundo Mintzberg (1983) é característica no processo de transição entre configurações mais estáveis, que neste caso poderia ser a passagem da Configuração Autocracia para Sistema Fechado. 87 Não foi observada nenhuma diferença significativa na percepção das configurações de Poder em função do sexo, idade ou grau de instrução. Resultado semelhante foi obtido por Melo (2001) ao pesquisar uma empresa estatal. A pesquisa aponta que há uma correlação positiva significativa entre a Configuração Sistema Fechado e todos os fatores de Clima Organizacional analisados, ou seja as áreas onde a média da Configuração Poder Sistema Fechado foram mais elevadas, foram também as que obtiveram as maiores médias nos fatores de Clima Organizacional: Credibilidade, Respeito, Imparcialidade, Orgulho e Camaradagem. Segundo Mintzberg (1983), as organizações com Configuração de Poder Sistema Fechado tem um sistema de autoridade burocrático, a principal meta organizacional é o crescimento da organização e tem grande foco em servir a ela mesma. Uma explicação para a correlação positiva entre Clima Organizacional e a Configuração de Poder Sistema Fechado, com se depreende dos resultados empíricos que foram obtidos na presente pesquisa, talvez seja o fato da organização estar voltada para si mesma e para seus integrantes, principalmente os gerentes e as analistas, tornando seus membros cada vez mais corporativista. Quando se avalia a relação da Configuração de Poder Autocracia, que foi a segunda predominante na organização, observa-se uma correlação negativa significativa apenas com o fator de Clima Organizacional Respeito, ou seja as áreas que obtiveram as maiores médias nesta Configuração foram as tiveram as menores médias no fator Respeito. Para Mintzberg (1983) as organizações com esta Configuração de Poder possuem um sistema de autoridade personalizado. A fator Respeito indica como o integrante acredita que é percebido pelo líder (TOLOVI, 1999). Esta correlação negativa encontrada na pesquisa, parecer reafirmar o senso comum, ou seja, que uma organização autoritária ou um líder autoritário não estão preocupados com a conseqüência de suas decisões sobre os integrantes da organização. Considerando que no período da pesquisa houve mudança no controle acionário da COPENE pesquisou-se o grau de expectativa dos seus integrantes com relação ao futuro. Quanto ao grau de expectativa com a nova organização resultante da integração de seis empresas petroquímicas brasileiras, observamos que 76,3% da população pesquisada concorda que essa integração possibilitará uma melhoria na performance da organização, permitindo dessa forma melhores condições de competição em um mercado petroquímico cada vez mais global. Na opinião de 54,5% da população pesquisada, a integração das empresas não será interessante para 88 o país, o que demonstra alguma preocupação por parte dos integrantes quanto ao fato da nova empresa torna-se dominante no mercado doméstico. Entretanto, quando se avalia se a integração irá trazer benefícios para seus integrantes, o nível de concordância cai para 31,8% da população pesquisada. Esses resultados apontam que há uma clara visão dos integrantes quanto à necessidade das organizações se reposicionarem dentro do cenário competitivo atual, e indicam, também, que existe uma insegurança das pessoas quanto a possíveis reduções no número de postos de trabalho, natural em um processo de fusão de empresas. Indica ainda, uma certa ansiedade quanto à possibilidade de mudança no sistema de gestão da organização. Foram identificados, através da analise de clusters, quatro grupos de integrantes que possuem uma percepção semelhante das Configurações de Poder. Os grupos que vêem a organização como uma Configuração Autocrática foram também aqueles que tiveram uma expectativa negativa quanto às conseqüências da integração das empresas e formação da BRASKEM. As conclusões dessa pesquisa, por ser tratar de um estudo de caso específico com as limitações decorrentes de abrangência e de repetibilidade, não podem ser generalizadas nem extrapoladas para outras organizações ou contextos fora do ambiente em que ela foi conduzida. Desta forma é recomendada a realização de pesquisas envolvendo um conjunto maior de organizações, com o objetivo de verificar se as relações entre Configurações de Poder e Clima Organizacional, aqui encontradas, podem ser generalizadas. Também, seria interessante realizar pesquisas que abrangessem um período maior na vida da organização, para analisar as características dinâmicas das Configurações de Poder e do Clima Organizacional, bem como as relações entre essas variáveis. 89 7 - REFERÊNCIAS AKTOUF, Omar. 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Este é um lugar fisicamente seguro para trabalhar. 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Todos aqui têm a oportunidade de receber um reconhecimento especial As pessoas aqui estão dispostas a dar mais de si para concluir um trabalho Pode-se se contar com a colaboração das pessoas A liderança deixa claro o que ela espera do nosso trabalho Posso fazer qualquer pergunta razoável para os chefes e obter respostas diretas Oferecem-me treinamento e oportunidade de desenvolvimento para o meu crescimento profissional A liderança demonstra reconhecimento/ agradecimento pelo bom trabalho e pelo esforço extra As pessoas são pagas adequadamente pelo serviço que fazem Meu trabalho tem um sentido especial. Para mim, não é só “mais um emprego” Quando as pessoas mudam de função ou de área, fazem com que se sintam rapidamente “em casa” É fácil se aproximar da liderança e é também fácil falar com ela. A liderança reconhece erros não intencionais como necessários para se tocar o negócio A liderança está interessada nas idéias e sugestões que damos e tomam medidas com base nelas Quando vejo o que fazemos por aqui, sinto orgulho Eu acredito que os critérios de distribuição do PPR são justos A liderança me mantém informado sobre assuntos importantes e sobre mudança na Copene A liderança tem uma visão clara para onde estamos indo e como fazer para chegar lá A liderança confia no bom trabalho das pessoas sem precisar vigia-las 2 3 DISCORDO DISCORDO ÀS VEZES SEMPRE NA CONCORMAIORIA DO, AS DAS VEZES VEZES DISCORDO 4 5 CONCORDO NA MAIORIA DAS VEZES CONCORDO SEMPRE 93 1 Cod 22 ITENS 29 A liderança envolve as pessoas em decisões que afetam suas atividades e seu ambiente de trabalho A liderança evita favorecer uns em detrimentos de outros Eu me sinto bem com a forma pela qual a Copene contribui para a comunidade A liderança sabe coordenar pessoas e distribuir tarefas adequadamente Em geral a liderança dá muita autonomia às pessoas Este é um lugar psicológica e emocionalmente saudável para trabalhar As promoções são dadas às pessoas que realmente mais merecem As pessoas têm vontade de vir para o trabalho 30 Posso ser eu mesmo por aqui 31 A liderança cumpre o que promete 32 As pessoas aqui são bem tratadas independentemente de sua idade As pessoas aqui são bem tratadas independentemente de cor ou raça As pessoas aqui são bem tratadas independentemente de sexo Aqui as pessoas se importam umas com as outras A liderança age de acordo com o que fala 23 24 25 26 26 28 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 Tenho orgulho de contar a outras pessoas que trabalho aqui Existe um sentimento de “família” ou de “equipe” por aqui Acredito que só se promoveria uma demissão em massa como último recurso As pessoas são encorajadas a equilibrar a sua vida profissional e pessoal Se eu for tratado injustamente, acredito que serei ouvido e acabarei obtendo justiça Temos benefícios especiais e personalizados aqui Nós sempre comemoramos eventos especiais 45 As pessoas evitam fazer “politicagem” como forma de obter resultados A liderança é competente para tocar o negócio 46 Sinto que estamos todos “no mesmo barco” 2 3 DISCORDO DISCORDO ÀS VEZES SEMPRE NA CONCORMAIORIA DO, AS DAS VEZES VEZES DISCORDO 4 5 CONCORDO NA MAIORIA DAS VEZES CONCORDO SEMPRE 94 1 Cod 47 ITENS 53 A liderança é honesta e ética na condução dos negócios A liderança mostra interesse sincero por mim como pessoa e não somente como empregado Eu sou bem tratado, independentemente de minha posição na Copene Sinto que eu sou valorizado aqui e que posso fazer a diferença Quando se entra na Copene, fazem você se sentir bem-vindo Nossas instalações contribuem para um bom ambiente de trabalho Este é um lugar divertido para trabalhar 54 Pretendo trabalhar aqui por muito tempo 48 49 50 51 52 Fonte: Great Place to Work Institute 2 3 DISCORDO DISCORDO ÀS VEZES SEMPRE NA CONCORMAIORIA DO, AS DAS VEZES VEZES DISCORDO 4 5 CONCORDO NA MAIORIA DAS VEZES CONCORDO SEMPRE 95 ANEXO B – Questionário para das Configurações de Poder PARTE I A seguir você encontrará uma série de itens que contêm características de empresas e instituições que foram levantadas em diferentes organizações de trabalho. A sua tarefa consiste em avaliar o quanto estas características são aplicáveis à COPENE Observe que não se trata de avaliação do comportamento de pessoas que trabalham com você. O que se pretende é que você dê a sua opinião sobre as características da COPENE COMO UM TODO . Pense na COPENE dos dois últimos anos, sem levar em conta a BRASKEM. Para responder, assinale com “X” apenas um dos códigos da escala de 1 a 5, à direita de cada frase, que significam: Cod 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 ITENS O compromisso de servir a quem precisa direciona todas as atividades desta organização. Nesta organização, a administração(chefia) é fraca devido ao grande poder de influência dos especialistas. Aqui, a autoridade é concentrada no mais alto chefe da organização. Esta organização proporciona benefícios que deixam satisfeitos os seus empregados. Aqui, a chefia superior faz pactos com pessoas de fora que exercem influência na organização. A missão de servir aos que precisam é atraente para os membros dessa organização. Os objetivos formais desta organização são facilmente mudados para objetivos individuais dos especialistas. As metas que a organização deve atingir são impostas pela direção. Uma das principais metas desta organização é a manutenção de sua autonomia. Os objetivos operacionais desta organização são estabelecidos por algumas pessoas de fora. Nesta organização, os administradores se submetem aos funcionários especializados. Certos órgãos do governo exercem influência nesta organização. Esta organização se preocupa em recompensar bem os seus funcionários. Os diretores desta organização exercem uma liderança autoritária. Aqui, os diretores são indicados por pessoas que não trabalham na organização. Esta organização conta com o trabalho de voluntários. Aqui, a ideologia organizacional é fraca porque a ideologia profissional é forte. 1 2 3 4 5 Não aplicável Pouco aplicável Mais ou menos aplicável Muito aplicável Totalmente aplicável 96 Cod 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 ITENS As regras e normas desta organização são claramente definidas. Esta organização é dominada por políticos. O mais alto chefe controla pessoalmente a dinâmica desta organização. Tanto os membros desta organização como pessoas que estão fora dela, podem influenciar o processo de tomada de decisão. A missão de servir bem à comunidade tem o apoio de todos os membros desta organização. Os membros desta organização têm interesse em expandir a empresa. Os funcionários especializados desta organização são o coração do sistema. O sistema disciplinar desta organização é rígido. Esta organização tem intenção de melhorar algo na sociedade. Os especialistas desta organização não aceitam ser controlados por gerentes não especializados. Os diretores desta organização evitam a participação de outros membros no processo de tomada de decisão. Muitas decisões, nesta organização, são tomadas em conjunto com as diversas áreas. Há conflitos entre os membros desta organização e pessoas do ambiente externo que querem interferir nela. Há cooperação entre os membros desta organização. Esta organização é dominada pelos funcionários especializados. Os trabalhos mais importantes que devem ser realizados são definidos pela diretoria desta organização. As metas desta organização são claras para todos os seus membros. A escolha da diretoria desta organização é feita por indicação política. O compromisso de servir bem à comunidade é a principal meta desta organização. Os objetivos pessoais dos membros desta organização são prioritários aos objetivos organizacionais. Só os membros desta organização exercem influência sobre ela. A política partidária faz parte da vida desta organização. Os trabalhos que esta organização deve realizar, tanto podem ser definidos pela diretoria, como por gerentes e funcionários especializados. 1 2 3 4 5 Não aplicável Pouco aplicável Mais ou menos aplicável Muito aplicável Totalmente aplicável PARTE – II Considerando a mudança de controle acionário ocorrido em julho/2001, que irá possibilitar a criação da BRASKEM, através integração da COPENE / OPP / TRIKEN / POLIALDEN / NITROCARBONO / PROPET, responda as questões seguintes, assinalando com um “X” apenas um dos códigos da escala de 1 a 5 ao lado de cada frase, manifestando o seu nível de concordância em relação a cada uma delas: Cod 41 42 43 ITENS 1 2 3 4 5 Discordo totalmente Discordo Nem concordo nem discordo Concordo Concordo Totalmente Acredito que as mudanças que vêm ocorrendo irão melhorar o desempenho da empresa. Acredito que as mudanças que vêm ocorrendo na empresa trarão melhoria para os empregados. Acredito que as mudanças que vêm ocorrendo na empresa trarão melhoria para o país. IMPORTANTE: VERIFIQUE SE TODAS AS QUESTÕES ANTERIORES FORAM RESPONDIDAS PARTE III – DADOS COMPLEMENTARES Finalmente solicitamos que você preencha os dados a seguir: 1. Sexo: 1( ) Masculino 2. Idade: 1( ) Menos de 19 anos 4( ) Entre 40 e 49 anos 2( ) Feminino 2( ) Entre 20 e 29 anos 5( ) Mais do que 50 anos 3. Escolaridade (Assinale o último nível concluído): 1( ) 1º grau 2( ) 2º grau 3( ) 3º grau 4. Tempo de Serviço na COPENE 1( ) Menos de 1 anos 2( ) Entre 1 e 5 anos 4( ) Entre 11 e 20 anos 5( ) Mais do que 20 anos 3( ) Entre 30 e 39 anos 4( ) Pós-graduação 3( ) Entre 6 e 10 anos 98 5. Lotação 1( ) GEPRO 6( ) GETEC OUTROS 2( ) GESSEMA 7( ) GERAF 6. Regime de Trabalho: 1( ) Turno 3( ) GEREM 4( ) GEREMP 5( ) GECOM 8( ) GECONT 9( ) GEQUAL 10( ) 2( ) Administrativo 7. Nível do seu cargo: 1( ) Médio 2( ) Superior 3( ) Gerente/Gestor/Facilitador/Cotur Muito obrigado pela sua colaboração! Você contribuiu muito para o meu trabalho. 99 ANEXO C – Análise fatorial dos instrumentos de coleta de dados Foi realizada a análise fatorial, utilizando-se o método Varimax com normalização de Kaiser, através de uma função especifica do programa SPSS. As questões agrupadas pelos fatores conforme definidos pelos respectivos autores dos instrumentos. Nas tabelas X a Y são apresentados os resultados obtidos para cada pergunta do questionário de Clima.. Já nas tabelas de X a Y são apresentados os resultados para o questionário de configuração de poder. Clima organizacional Tabela 40 - Carga fatorial para o fator Credibilidade (CRED) Fator CRED Questão 7 8 14 19 20 21 25 26 31 36 39 45 47 0,61 0,54 0,53 0,54 0,60 0,68 0,63 0,65 0,71 0,44 0,47 0,21 0,36 RESP 0,17 0,53 0,34 0,32 0,38 0,32 0,35 0,29 0,22 0,16 0,25 0,19 0,28 CAMAR 0,12 0,24 0,33 0,28 0,38 0,26 0,14 0,28 0,20 0,29 0,40 0,70 0,45 ORG 0,21 0,05 0,18 0,17 0,23 0,22 0,28 0,27 0,23 0,43 0,39 0,09 0,39 IMPARC 0,32 0,14 0,33 0,24 0,11 0,14 0,16 0,16 0,17 0,45 0,29 0,23 0,31 Fonte: Elaborada pelo autor Tabela 41- Carga fatorial para o fator Respeito (RESP) Fator CRED Questão 2 3 9 10 15 16 22 27 40 42 48 52 Fonte: Elaborada pelo autor 0,29 0,13 0,31 0,16 0,29 0,43 0,64 0,64 0,55 0,24 0,46 0,22 RESP 0,58 0,60 0,27 0,42 0,54 0,46 0,23 0,32 0,20 0,30 0,25 0,29 CAMAR 0,05 0,18 0,38 0,24 0,28 0,21 0,26 0,13 0,40 0,56 0,44 0,33 ORG 0,09 0,27 0,40 0,20 0,35 0,16 0,13 0,28 0,26 0,19 0,29 0,38 IMPARC 0,29 0,36 0,40 0,55 0,11 0,37 0,23 0,30 0,17 0,40 0,36 0,34 100 Tabela 42 - Carga fatorial para o fator Imparcialidade (IMPARC) Fator CRED Questão 4 11 18 23 28 32 33 34 41 44 49 0,25 0,15 0,37 0,41 0,42 0,47 0,24 0,23 0,39 0,33 0,38 RESP CAMAR 0,22 0,12 0,46 0,21 0,28 0,23 0,21 0,29 0,28 0,30 0,21 0,23 0,25 0,13 0,45 0,25 0,27 0,23 0,14 0,20 0,44 0,50 ORG 0,16 0,35 0,09 0,17 0,30 0,22 0,78 0,75 0,64 0,42 0,20 IMPARC 0,65 0,67 0,51 0,39 0,41 0,54 0,23 0,23 0,21 0,24 0,42 Fonte: Elaborada pelo autor Tabela 43 - Carga fatorial para o fator Orgulho CRED RESP CAMAR ORG IMPARC Fator Questão 5 12 17 24 29 37 50 54 0,36 0,23 0,27 0,31 0,28 0,25 0,32 0,26 0,38 0,61 0,55 0,60 0,56 0,40 0,49 0,40 0,33 0,22 0,11 0,32 0,35 0,40 0,38 0,45 0,33 0,31 0,27 0,26 0,17 0,39 0,36 0,33 0,40 0,16 0,22 0,22 -0,03 0,36 0,23 0,23 Fonte: Elaborada pelo autor Tabela 44 - Carga fatorial para o fator Camaradegem Fator CRED Questão 1 6 13 30 35 38 43 46 51 53 Fonte: Elaborada pelo autor RESP 0,35 0,30 0,29 0,27 0,28 0,28 0,23 0,34 0,48 0,26 0,41 0,40 0,64 0,36 0,44 0,28 0,36 0,24 0,30 0,63 CAMAR 0,35 0,34 0,19 0,35 0,42 0,44 0,56 0,59 0,53 0,30 ORG 0,41 0,35 0,18 0,39 0,25 0,38 0,35 0,31 0,12 0,14 IMPARC 0,24 0,32 0,30 0,11 0,27 0,27 0,20 0,27 0,10 0,11 101 Configuração de Poder Tabela 45 - Carga fatorial para Configuração de Poder Autocratica (AU) Fator Questão 3 8 14 20 25 28 33 MI IP ME SF AU -0,17 -0,13 -0,43 0,03 0,18 -0,21 0,05 0,05 0,03 0,14 -0,04 0,25 0,19 0,08 0,19 0,00 0,04 0,36 -0,10 0,26 0,15 -0,15 -0,37 -0,21 0,05 -0,22 -0,26 0,22 0,60 0,62 0,61 0,48 0,43 0,44 0,60 Fonte: Elaborada pelo autor Tabela 46 - Carga fatorial para Configuração de Sistema Fechado (SF) Fator Questão 4 9 13 18 23 29 34 38 40 MI IP ME SF AU 0,08 0,42 0,19 0,40 0,51 0,26 0,36 0,09 0,38 0,04 0,17 0,00 -0,11 -0,16 -0,07 -0,10 -0,42 -0,35 0,11 -0,14 0,10 -0,13 -0,12 -0,07 -0,04 0,29 0,11 0,65 0,19 0,70 0,37 0,05 0,54 0,41 0,02 0,06 -0,10 0,44 -0,15 -0,05 0,18 -0,06 0,04 0,03 -0,35 Fonte: Elaborada pelo autor Tabela 47 - Carga fatorial para Configuração de Poder Missionária (MI) Fator Questão 1 6 16 22 26 31 36 Fonte: Elaborada pelo autor MI IP ME SF AU 0,72 0,62 0,29 0,63 0,67 0,58 0,69 0,06 0,17 0,16 -0,04 -0,06 -0,19 0,10 0,22 0,18 0,36 -0,11 -0,03 -0,20 0,16 -0,02 -0,01 0,05 0,06 0,25 0,23 0,03 -0,11 -0,22 -0,21 -0,18 0,00 -0,06 -0,02 102 Tabela 48 - Carga fatorial para Configuração de Poder Meritocracia (ME) Fator Questão 2 7 11 12 17 24 27 32 37 MI IP ME SF AU 0,05 0,17 0,01 0,05 -0,23 0,30 -0,06 -0,12 0,15 0,16 0,28 0,01 0,64 0,23 -0,14 0,16 0,08 0,29 0,41 0,39 0,59 -0,01 0,46 0,47 0,58 0,70 0,42 -0,27 -0,38 0,14 0,12 -0,17 -0,20 -0,09 0,20 -0,44 0,15 0,09 0,07 0,21 0,07 0,00 0,15 0,01 -0,08 Fonte: Elaborada pelo autor Tabela 49 Carga fatorial para Configuração de Poder Instrumento Partidário (IP) Fator Questão 5 10 15 19 21 30 35 39 MI IP ME SF AU -0,12 -0,05 -0,26 -0,03 0,04 -0,11 -0,03 0,33 0,61 0,65 0,14 0,63 0,39 0,60 0,50 0,50 0,13 -0,10 -0,15 0,22 0,23 0,26 0,17 0,11 0,02 -0,24 -0,01 -0,20 0,09 -0,02 -0,38 -0,37 0,19 0,20 0,30 0,04 0,03 -0,04 -0,07 0,15 Fonte: Elaborada pelo autor