Bahia
Federação das Indústrias do Estado da Bahia Sistema FIEB
ISSN 1679-2645
Ano XVIII nº 224 jan/fev/mar 2013
o desafio
de crescer
Empresários avaliam
cenários e apontam entraves
ao bom desempenho da
indústria baiana
OS PROFISSIONAIS QUE AS INDÚSTRIAS
MAIS PROCURAM ESTÃO AQUI
FACULDADE SENAI CIMATEC, A MELHOR INSTITUIÇÃO
DE ENSINO SUPERIOR DO NORTE/NORDESTE
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EDITORIAL
Em meio ao vai-vém da
economia, o desafio de crescer
Projetar o desempenho futuro da indústria face a tantas incertezas
na economia global, que pode incluir ser surpreendido a qualquer
momento por fatores como a Grécia, ou, para tomar um exemplo mais
recente, como Chipre – que deixou os mercados em polvorosa com o
anúncio de que o país estava à beira de um colapso financeiro – pode
parecer uma temeridade. As mudanças de rumo no mercado são rápidas e surpreendentes e a nossa economia não pode fugir ao princípio
de que, definitivamente, não está imune às turbulências.
Se a economia do Brasil está intimamente vinculada aos humores
econômicos que circulam pelo mundo, é no campo interno que residem os maiores desafios a serem vencidos pela indústria nacional. Por
aqui, o mercado produtivo vive assombrado com a escorchante carga
tributária, infraestrutura e logística carentes de investimentos mais
maciços. Como reflexo, os efeitos da concorrência externa, que deságua seus produtos importados a preços bem mais competitivos em relação ao equivalente nacional, e a desaceleração no ritmo da produção,
provocando, assim, redução no ritmo das contratações e da geração de
emprego e renda.
Mas em meio a tantas adversidades, o empresário não arrefece os
ânimos. Como diz Mauro Pereira, superintendente do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), é próprio ao perfil do empreendedor não alimentar pessimismos. Ou, como afirma o presidente do
Sistema FIEB, José de Freitas Mascarenhas, fazer indústria no Brasil é
ter paixão. Com uma dose de paixão e outra de otimismo, a indústria
brasileira traça seus rumos para 2013 e, em vez de se limitar a queixas,
prefere alimentar boas expectativas.
Uns, olham para o horizonte e anteveem um futuro de bons negócios. A indústria de plásticos trabalha com uma projeção de crescimento da ordem de 6% este ano. Outros, que dependem de conjunturas
mais favoráveis e de outros segmentos, como é o caso da indústria metal-mecânica, que fornece à Petrobras – que por sua vez está vivenciando uma de suas maiores crises dos últimos anos –, assistem à escalada
da inadimplência em escala jamais vista nos últimos 10 anos. Contrastes
de um país que também assistiu ao desempenho positivo da indústria
automotiva, ancorada na redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos automotivos, e que agora refaz suas contas e
projeções para 2013, com o fim do benefício a partir de junho.
Na reportagem de capa desta edição da Bahia Indústria, um painel do cenário econômico e do desempenho de alguns dos principais
setores da economia baiana, baseado nas expectativas do empresariado industrial.
Indústria automotiva foi um dos
setores que mais cresceram no país
em 2012, com índice de 6,1%
Com uma dose de paixão e outra
de otimismo, a indústria brasileira
traça seus rumos para o futuro e, em
vez de se limitar a queixas, prefere
alimentar boas expectativas
Unidades do
Sistema FIEB
Para informações sobre a
atuação e os serviços
oferecidos pelas entidades do
Sistema FIEB, entre em contato
SESI – Serviço Social
da Indústria
Sede: 3343-1301
@Educação de Jovens e Adultos – RMS: (71)
3343-1429
@Responsabilidade Social: (71) 3343-1490
@Camaçari: (71) 3205 1801 / 3205 1805
@Candeias: (71) 3601-2013 / 3601-1513
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@Eunápolis: (73) 8822-1125
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@Oeste: (77) 3628-2080
SENAI – Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial
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@Dendezeiros: (71) 3534-8090
@Cetind: (71) 3534-8090
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@Ilhéus: (73) 3639-9302
@Luís Eduardo Magalhães: (77) 3628-5609
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IEL – Instituto
Euvaldo Lodi
Sede: 71 3343-1384/1328/1256
@Barreiras: (77) 3611-6136
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CIEB - Centro das Indústrias
do Estado da Bahia
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4 Bahia Indústria
FIEB
CIEB
Presidente José de Freitas Mascarenhas. 1º Vice-
Diretor-Presidente José de Freitas Mascarenhas.
presidente: Victor Fernando Ollero Ventin. Vice-
Vice-Presidentes José Carlos Boulhosa Baqueiro;
presidentes Carlos Gilberto Cavalcante Farias;
Irundi Sampaio Edelweiss; Carlos Antônio Borges
Cohim Silva. Diretores Titulares Clovis Torres Junior; Fernando Elias Salamoni Cassis; João de Teive e Argollo; João Ricardo Aquino; Luís Fernando
Galvão de Almeida; Luiz Antunes Athayde Andrade
Nery; Marconi Andraos Oliveira; Roberto Fiamenghi; Rogelio Golfarb; Ronaldo Marquez Alcântara;
Diretores Suplentes Davidson de Magalhães Santos; Erwin Reis Coelho de Araujo; Givaldo Alves
Sobrinho; Heitor Morais Lima; Jorge Robledo de
Oliveira Chiachio; José Luiz Poças Leitão Filho;
Mauricio Lassmann Diretor regional oeste Pedro
Ovídio Tassi
Emmanuel Silva Maluf; Reinaldo Dantas Sampaio;
Vicente Mário Visco Mattos. Diretores Titulares
Alberto Cânovas Ruiz; Antonio Ricardo Alvarez Alban; André Régis Andrade; Carlos Henrique Jorge
Gantois; Claudio Murilo Micheli Xavier; Eduardo Catharino Gordilho; Josair Santos Bastos; Leovegildo
Oliveira De Souza; Luiz Antonio de Oliveira; Manuel
Ventin Ventin; Maria Eunice de Souza Habibe; Reginaldo Rossi; Sérgio Pedreira de Oliveira Souza;
Wilson Galvão Andrade. Diretores Suplentes Adalberto de Souza Coelho; Alexi Pelagio Gonçalves
Portela Júnior; Carlos Alberto Matos Vieira Lima;
Juan José Rosário Lorenzo; Marcos Galindo Pereira
Lopes; Mário Augusto Rocha Pithon; Noêmia Pinto
de Almeida Daltro; Paulo José Cintra Santos; Ricardo de Agostini Lagoeiro
SESI
Presidente do Conselho e Diretor Regional José
Bahia
Editada pela Superintendência
de Comunicação Institucional
do Sistema Fieb
Conselho Editorial Irundi Edelweiss, Adriana Mira, Cleber Borges
e Patrícia Moreira. Coordenação
editorial Cleber Borges. Editora
Patrícia Moreira. reportagem Patrícia Moreira, Carolina Mendonça, Marta Erhardt. colaboração
Luciane Vivas e Milena Marques.
fotografia João Alvarez. Projeto
Gráfico e Diagramação Ana Clélia
Rebouças. Ilustração e Infografia
Bamboo Editora.
de Freitas Mascarenhas.
Superintendente José Wagner Fernandes
conselhos
Conselho de Economia e desenvolvimento indus-
SENAI
trial Antônio Sérgio Alípio; Conselho de Assun-
Presidente do Conselho José de Freitas
tos Fiscais e Tributários Cláudio Murilo Micheli
Mascarenhas.
Diretor Regional: Leone Peter Andrade
Xavier; Conselho de Comércio Exterior Reinaldo
Dantas Sampaio; Conselho da Micro e Pequena
Empresa Industrial Carlos Henrique Jorge Gantois; Conselho de Infraestrutura Marcos Galindo
Pereira Lopes; Conselho de Meio Ambiente Irundi Sampaio Edelweiss; Comitê de Petróleo e Gás
Eduardo Rappel; Conselho de inovação e Tecnologia José Luís Gonçalves de Almeida; Conselho
de Responsabilidade Social Empresarial Marconi
Andraos Oliveira; Conselho de Relações Trabalhistas Homero Ruben Rocha Arandas; Comitê de
Portos Reinaldo Dantas Sampaio Comitê de Jovens Lideranças Industriais Eduardo Faria Daltro
IEL
FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS
DO ESTADO DA BAHIA
Rua Edístio Pondé, 342 –
Stiep, CEP.: 41770-395 / Fone: 71
3343-1280 /
w w w.f ieb.or g.br/ b ahia _ indu stria_online
Presidente do Conselho e Diretor Regional
José de Freitas Mascarenhas.
Superintendente Armando da Costa Neto
As opiniões contidas em artigos
assinados não refletem necessariamente o pensamento da FIEB.
Diretor Executivo do Sistema FIEB
Alexandre Beduschi
Filiada à
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Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria de Fiação
e Tecelagem no Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria do tabaco no Estado da Bahia, sinditabaco@
fieb.org.br / Sindicato da Indústria do Curtimento de Couros e Peles no Estado da Bahia,[email protected] / Sindicato da
Indústria do Vestuário de Salvador, Lauro de Freitas, Simões Filho, Candeias, Camaçari, Dias D’ávila e Santo Amaro, sindvest@
fieb.org.br / Sindicato das Indústrias Gráficas do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria de Extração de
Óleos Vegetais e Animais e de Produtos de Cacau e Balas no Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria da
Cerveja e de Bebidas em Geral no Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato das Indústrias do Papel, Celulose, Papelão,
Pasta de Madeira para Papel e Artefatos de Papel e Papelão no Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato das Indústrias do Trigo, Milho, Mandioca e de Massas Alimentícias e de Biscoitos no Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato
da Indústria de Mineração de Calcário, Cal e Gesso do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria de Calçados, seus Componentes e Artefatos
no Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do
Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato das Indústrias de Cerâmica e Olaria do Estado da Bahia, [email protected] /
Sindicato das Indústrias de Sabões, Detergentes e Produtos de Limpeza em geral e Velas do Estado da Bahia, sindisaboesba@
fieb.org.br / Sindicato das Indústrias de Serrarias, Carpintarias, Tanoarias e Marcenarias de Salvador, Simões Filho, Lauro
de Freitas, Camaçari, Dias D’ávila, Sto. Antônio de Jesus, Feira de Santana e Valença, [email protected] / Sindicato das
Indústrias de Fibras Vegetais no Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria
da Cidade do Salvador, [email protected] / Sindicato da Indústria de Produtos Químicos, Petroquímicos e Resinas Sintéticas do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado da Bahia, sindiplasba@
sindiplasba.org.br / Sindicato da Indústria de Produtos de Cimento no Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da
Indústria de Mineração de Pedra Britada do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos para Fins Industriais e de Produtos Farmacêuticos do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria de
Mármores, Granitos e Similares do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria Alimentar de Congelados,
Sorvetes, Sucos, Concentrados e Liofilizados do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria de Carnes
e Derivados do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria do Vestuário da Região de Feira de Santana, [email protected] / Sindicato da Indústria do Mobiliário do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria
de Refrigeração, Aquecimento e Tratamento de Ar do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato das Indústrias de
Construção Civil de Itabuna e Ilhéus, [email protected] / Sindicato das Indústrias de Café do Estado da Bahia, sincafeba@
fieb.org.br / Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos, Computadores, Informática e Similares dos Municípios de Ilhéus e
Itabuna, [email protected] / Sindicato das Indústrias de Construção de Sistemas de Telecomunicações do Estado da Bahia,
[email protected] / Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Feira de Santana,
[email protected] / Sindicato das Indústrias de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado da Bahia, sindirepaba@
sindirepabahia.com.br / Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores, sindipecas@sindipecas.
org.br / Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais no Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato das Indústrias de
Cosméticos e de Perfumaria do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato das Indústrias de Artefatos de Plásticos,
Borrachas, Têxteis, Produtos Médicos Hospitalares, [email protected]
sumário jan/fev/mar 2013
Mateus Pereira/Coperphoto/Sistema FIEB
16
Cenários
e tendências
A Bahia desponta
como um dos
estados em que a
indústria mais
vem crescendo;
empresários do
setor avaliam este
desempenho
Ilustração
Gentil
12
6
28
30
fotos João alvarez
valter pontes/Coperphoto/Sistema FIEB
Micro e Pequenas indústrias
debatem aplicação da NR 12
IEL e SENAI ampliam foco de
ação com novas estratégias
O desafio de
gerir a cidade
Capacitação
em SMS
Programa de Melhoria da
Competitividade para Micro e Pequenas
Indústrias, desenvolvido pela FIEB em
parceria com o Sebrae, promoveu
seminário sobre a NR 12.
Desenvolvimento de carreiras e de
empresas ganha espaço no portfólio de
negócios do Instituto Euvaldo Lodi na
Bahia, enquanto o SENAI vai investir
mais em pesquisa e inovação.
Rosemma Maluf
fala dos desafios
que tem à frente
da Secretaria de
Ordem Pública.
Fornecedoras da
Petrobras
concluem curso
ministrado pelo
SESI Bahia.
SESI e SENAI
desenvolvem
soluções em
segurança
Fotos: Valter Pontes/Coperphoto/Sistema FIEB
Seminário apresentou
metodologia para reduzir impacto
da implantação da NR 12 nas
pequenas e médias empresas
por Marta Erhardt
E
m vigor desde 1978, a Norma Regulamentadora
12 (NR 12), que trata da segurança no trabalho
com máquinas e equipamentos, foi reformulada ao longo do tempo. Os prazos para que as
empresas se adequassem à sua última atualização,
realizada em 2010, já expiraram e o não atendimento
às exigências da norma tem provocado a interdição
de diversas organizações em todo o país.
O instrumento normativo foi discutido durante o
seminário NR 12: Impactos e Soluções para Micro e
6 Bahia Indústria
Pequenas Empresas, realizado pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), por iniciativa da
Superintendência de Relações Institucionais (SRI),
com o apoio do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas da Bahia (Sebrae-BA) e do Conselho de Micro e Pequenas Empresas da FIEB (Compem).
“Estamos trabalhando para que as micro e pequenas empresas possam compreender a norma,
que é complexa, e, com esse entendimento, possam
se adequar às novas exigências”, destacou o supe-
Cid Vianna
destaca a
importância
de discutir a
norma com os
empresários
rintendente da SRI da FIEB, Cid
Vianna.
Para auxiliar as empresas no
cumprimento da norma e minimizar seus impactos, SESI e SENAI
desenvolveram uma metodologia
que engloba um levantamento das
máquinas e equipamentos das empresas, um diagnóstico e a elaboração de um Plano de Adequação
com cronograma de ações.
“Nesta primeira etapa, serão
verificados os perigos mecânicos,
que são responsáveis pelo maior
índice de acidentes e lesões. Mas
precisamos lembrar que este é o
primeiro passo para a adequação
à norma”, salientou a engenheira
de saúde e segurança do trabalho,
Maria Fernanda Lins, que apresentou a metodologia. O programa
foi desenvolvido pelo SESI-RJ em
parceria com a Superintendência
Regional do Trabalho e Emprego
(SRTE) do Rio de Janeiro.
"Os afastamentos por problemas de saúde interferem na competitividade das empresas. Emprestamos nosso conhecimento
técnico em busca de um processo
que possa auxiliar na implementação da norma e reduzir o número
Seminário
reuniu
empresários,
representantes
do Sebrae e
dos Conselhos
da FIEB
de acidentes de trabalho", destacou o superintendente do SESI-BA, Wagner Fernandes.
O seminário reuniu empresários e dirigentes de sindicatos de
diversos segmentos industriais
para discutir os impactos do marco regulatório. O diretor operacional do Sebrae-BA, Lauro Ramos,
salientou que este diálogo “é o
melhor caminho para que o setor
produtivo atenda com louvor às
exigências que esse instrumento
normativo requer”.
A necessidade de adequação
da norma à realidade das micro e
pequenas empresas foi defendida
pelo coordenador do Conselho de
Micro e Pequenas Empresas da
FIEB (Compem), Carlos Gantois.
“É preciso que se tenha um prazo
diferenciado para que as micro
e pequenas empresas, que têm
grande representatividade na economia do estado, possam cumprir
as exigências”, pontuou.
A ideia também foi defendida
pelos empresários, que questionaram alguns pontos do marco regulatório. “Alguns trechos da norma
tratam de aspectos técnicos dos
equipamentos, que deveriam ser
exigidos dos fabricantes. Como é
que o estado deixa que esses equipamentos sejam vendidos se não
estão adequados?”, interrogou o
empresário Mário Pithon, presidente do Sindicato das Indústrias
de Panificação e Confeitaria de
Salvador (Sindpan).
Diante dos pleitos, o superintendente Cid Vianna, ressaltou
que a FIEB tem trabalhado junto
ao Governo Federal, por intermédio da CNI, para propor uma revisão da NR 12. “Mas, enquanto isso,
a norma está em vigor e é preciso
que as empresas atendam às exigências”, pontuou.
Já o auditor fiscal e chefe do setor de Segurança e Saúde do Trabalho, Flávio Nunes, que representou
a Superintendência Regional do
Trabalho e Emprego (SRTE), lembrou que o atual texto da NR 12 foi
aprovado em dezembro de 2010,
por uma comissão tripartite, que
envolveu representantes do governo federal, dos trabalhadores e
dos empresários.
“O auditor tem que cumprir o
que prevê a norma. Caso sejam
identificadas condições de trabalho que podem gerar riscos graves,
é preciso interditar o equipamento”, explicou, ressaltando que “a
proposta é que as empresas continuem gerando riqueza, mas com
um ambiente de trabalho seguro”.
COMPETITIVIDADE
Voltado para micro e pequenos
empresários, o seminário integra
as ações do novo Programa de
Melhoria da Competitividade para Micro e Pequenas Indústrias do
Estado da Bahia. Desenvolvido em
parceria entre a FIEB e o Sebrae, o
programa foi reestruturado e passou a contar com os sindicatos como elo entre as duas instituições e
o empresariado.
O programa tem como principais objetivos estratégicos a ampliação do atendimento das duas
instituições, o fortalecimento do
associativismo e a interiorização das ações. A meta é sensibilizar 2 mil empresas até 2016 em
todo o estado. Para isso, FIEB e
Sebrae vão atuar conjuntamente
e, em parceria com os sindicatos
patronais industriais, vão identificar as necessidades setoriais,
em áreas como acesso a mercado,
tecnologia e inovação, gestão empresarial e saúde e segurança no
trabalho. [bi]
Bahia Indústria 7
Programa ViraVida será
implantado no extremo-sul
Com a presença do presidente do Conselho Nacional do SESI, Jair Meneguelli, foi
anunciada a parceria da Veracel para implantação da iniciativa em Porto Seguro
O
programa ViraVida, iniciativa do Serviço Social da
Indústria (SESI), vai passar
a atender às vítimas de exploração
sexual do extremo-sul do estado.
Ele chega à região por iniciativa
da Veracel, que decidiu adotar o
programa em razão das estatísticas, que apontam alta incidência
de casos de abuso sexual contra
crianças e adolescentes, em Porto
Seguro.
Implantado na Bahia em 2010,
o ViraVida já atendeu 333 jovens
no estado e, atualmente, tem 175
jovens matriculados em Salvador.
Com a expansão para o extremo-sul baiano, o programa, incialmente, acolherá 50 jovens.
Wagner
Fernandes e
Jair Meneguelli
conversam
com jovens do
ViraVida em
Salvador
A reunião durante a qual foi
anunciado o interesse do novo
parceiro em aderir ao programa
ocorreu no dia 5 de março, na sede
da FIEB. Na ocasião, o presidente
do Conselho Nacional do SESI, Jair
Meneguelli, visitou a nova sede do
ViraVida, em Salvador. Ele esteve
acompanhado do superintendente
do SESI Bahia, Wagner Fernandes,
e conversou com os adolescentes
que participam do programa.
Com a parceria da Veracel, o ViraVida vai oferecer a estes jovens a
oportunidade de se inserir em um
programa de capacitação no mercado de trabalho. A empresa vai
atuar como agente articulador e
também com aporte de recursos fiFoto Roberto Abreu / Coperphoto / Sistema FIEB
8 Bahia Indústria
nanceiros, reforçando sua função
social e reafirmando sua parceria
com o SESI Bahia.
Para o presidente do Conselho
Nacional do SESI, a parceria de
grandes empresas como a Veracel é importante para expandir o
programa, não só na capital, mas
também em outras cidades do estado. “Há um interesse grande da
empresa, há um interesse grande
da comunidade, há um interesse
grande da rede de enfrentamento
de Porto Seguro, portanto, é absolutamente certo que implantaremos (o programa)”, afirmou.
Essa parceria não somente
amplia a atuação do VivaVida na
Bahia, como traz um novo componente, que é atender à comunidade
indígena, que também sofre com
o problema. Será uma turma de
testagem, mas a ideia é articular,
junto com a Veracel, outros parceiros para dar continuidade ao programa na região. “Será um marco
para a região e para o programa”,
ressaltou Wagner Fernandes.
Segundo o coordenador do projeto na Bahia, Jeandro Ribeiro, a
previsão das novas instalações em
Porto Seguro será para o segundo
semestre deste ano. “Eu costumo
dizer que uma das palavras de ordem do projeto é parceria, e o projeto só existe por conta da parceria
do Sistema S, e agora a Veracel vem
se somar”, acrescentou Ribeiro. [bi]
circuito
por patrícia moreira
Mineração em compasso de espera
Caso o novo código de mineração saia do papel, a
previsão é que até 2017 a indústria mineradora
receba o correspondente a US$ 75 bilhões em
investimentos. A estimativa é do Instituto
Brasileiro de Mineração (Ibram). Mas à vera, o
setor encontra-se paralisado e a insegurança
jurídica gerada pelo atraso na aprovação do novo
marco legal da mineração tem levado as empresas
a refrearem os investimentos. O governo vem
realizando consultas a diversos segmentos para a
elaboração do texto final do novo código para ser
enviado ao Congresso. Mas o clima de insegurança
jurídica e o fato de pedidos de pesquisa e lavra
mineral estarem congelados no Departamento
Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão
responsável pela administração do setor, podem
comprometer o ritmo dos aportes financeiros. O
ministro das Minas e Energia, Edison Lobão
admite que o governo tem retido as licenças de
pesquisa e lavra, mas argumenta que há um
"número excessivo de concessões circulando", e a
decisão de reter novos pedidos "não deve
prejudicar a produção nacional". O novo código,
que está sendo discutido há quatro anos, contém
questões polêmicas, a exemplo da possível
mudança no processo de concessão de lavra.
Empresas na mira da Receita
O Leão anda com as garras bem afiadas e promete
fechar o cerco contra as empresas sonegadoras ou
devedoras de impostos federais em 2013. Além de
implantar a malha fina para as empresas, que já foi
testada em São Paulo, a Receita Federal vai
implantar uma ação de cobrança direcionada a
grandes contribuintes. Foram selecionados pelo
órgão 184 grandes companhias de diversos setores
que devem R$ 6,8 bilhões em tributos atrasados e
que serão objeto de ações especiais por meio da
intensificação da cobrança. Em relação ao sistema de
malha fina, será feita uma análise diária dos
documentos obrigatórios de arrecadação de
impostos das companhias com o objetivo de detectar
tributos que foram declarados e não foram pagos.
Quando inconsistências forem detectadas, a malha
fina emitirá e enviará automaticamente um extrato
ao contribuinte, alertando-o do ocorrido.
"O Brasil está
muito atrasado
em relação a
conhecimento e
definição do perfil
de profissionais
de logística, uma
área crítica para as
empresas"
Paulo Fleury, professor da UFRJ e
diretor do Instituto de Logística e
Supply Chain
Proposta para modernizar as leis trabalhistas
Os altos custos do emprego formal são, na avaliação da
Confederação Nacional da Indústria (CNI), um dos mais graves
gargalos de competitividade para as empresas brasileiras. Visando
contribuir para a redução destes custos, a CNI elaborou o
documento 101 Propostas para Modernização Trabalhista, que lista
101 "irracionalidades" da CLT e as sugestões para eliminá-las. Fiat
Chrysler, Hering e ThyssenKrupp são empresas que apoiam o
documento. Na opinião do diretor de Relações Humanas do grupo
ThyssenKrupp, Adilson Sigarini, o excesso de proteção ao
trabalhador podia ser justificado em 1943, quando surgiu a
legislação, em um país de industrialização incipiente. Mas hoje,
estaria ignorando o fortalecimento dos sindicatos, a ampliação do
diálogo entre patrões e empregados e as novas formas de
organização da produção. A CNI diz existir um ambiente
antiemprego no país, provocado pela rigidez da legislação
trabalhista, a burocracia e a insegurança jurídica crescentes.
Bahia Indústria 9
sindicatos
Luiz Oliveira
foi reconduzido
à presidência
do sindicato
Sindifiação-BA faz balanço anual
Um balanço das ações desenvolvidas pelo Sindicato
de Fiação e Tecelagem foi realizado em janeiro, durante um jantar de confraternização promovido pela
instituição. O evento, que contou com a participação
de empresários e representantes baianos do segmento, aconteceu no Restaurante Boi Preto, em Salvador.
Durante o encontro, o presidente do sindicato,
Eduardo Catharino Gordilho, fez um breve relato sobre as ações da entidade, reforçando a importância
do espírito associativo. Outro aspecto ressaltado foi
a importância do processo de negociação com o sindicato laboral, finalizado em janeiro, que culminou
com a assinatura da convenção coletiva de trabalho,
com vigência para 1º de setembro de 2012 a 31 de
agosto de 2013, e data-base em 1º de setembro.
Márcio Caetano / Divulgação
Sindiplasba empossa diretoria
A nova diretoria do Sindicato da Indústria de Material Plástico no Estado da Bahia (Sindiplasba), eleita
para o triênio 2013/2015, tomou posse em janeiro. De
acordo com o presidente reeleito, o empresário Luiz
Antônio de Oliveira, a atuação do sindicato continuará voltada para a busca de políticas tributárias que
beneficiem o setor.
“A dilatação do prazo do programa Desenvolve,
em 2012, foi uma conquista em nível estadual. Em
2013, estaremos focados na redução de tributos, em
nível federal, para os produtos fabricados com materiais reciclados”, destaca.
Eleita diretoria do sindicato de sucos
A nova diretoria do Sindicato da Indústria Alimentar de Congelados, Sorvetes, Sucos Concentrados e
Liofilizados do Estado da Bahia foi eleita em novembro para o triênio 2013/2015. Presidente reeleito, o
empresário Luiz Joaquim de Carvalho ressalta a importância do trabalho que vem sendo realizado pela
instituição na busca pelo reconhecimento do setor.
“O sindicato continuará firme na busca por novos investimentos, incentivos fiscais e tecnológicos visando o desenvolvimento do agronegócio de citros e de
frutas tropicais, que representa uma oportunidade de
aumento da oferta de empregos, fixação do homem
no campo e fortalecimento da agricultura familiar”,
destacou. A Bahia ocupa o segundo lugar no ranking
nacional dos estados brasileiros produtores de citros.
10
Bahia Indústria
Alberto
Cánovas e
Emmanuel
Maluf, na
inauguração
da nova sede
Nova gestão do Simmeb toma posse
Responsável por representar parte relevante do PIB
baiano, o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas,
Mecânicas e de Material Elétrico do Estado da Bahia
(Simmeb), deu posse em dezembro à nova diretoria,
eleita para o triênio 2013/2015, composta por Alberto
Cánovas (Acolpa), diretor-presidente; Marta Fernandes Teixeira Barroso (Ferbasa), diretora-tesoureira; e
Ricardo Franco (Papaiz), diretor secretário.
A posse aconteceu durante a inauguração da nova
sede do sindicato, no Edifício Salvador Prime, salas
417/420, Avenida Tancredo Neves. Estiveram presentes os vice-presidentes da FIEB, Emmanuel Maluf e
Carlos Gilberto Farias. São empresas filiadas ao Simmeb a ABB, Acopla, Aliston, Autometal, Cia. Vale,
Cia. Ferroligas, Ferbasa, Ford, Gerdau, Latapack, Paranapanema, Papaiz, Semp Toshiba e Siemens.
Divulgação
Indústria de
cerâmica tem novo
sindicato na Bahia
A Federação das Indústrias do Estado da Bahia
(FIEB) passou a contar com 41 sindicatos, em seu
quadro de filiados, com a chegada do Sindicato
Patronal das Indústrias de Cerâmicas Vermelhas e
Brancas para Construção e Olaria da Região Sudoeste e Oeste da Bahia (Sindiceso).
Com dois anos de criação, o novo integrante da
FIEB representa as indústrias de cerâmica localizadas nas regiões sudoeste e oeste. O registro sindical do Sindiceso foi concedido pelo Ministério do
Trabalho e Emprego em março de 2012, decorrente
do desmembramento das regiões sudoeste e oeste
da Bahia da base territorial do Sindicer. O desmembramento foi embasado na jurisprudência, hoje dominante, da prevalência da representação municipal, em detrimento da representação estadual das
entidades sindicais.
O sindicato já inicia com um significativo número de indústrias em seu quadro de associados, 42,
de uma base de 85 empresas localizadas na região.
Presidente da entidade, o empresário Dirceu Alves
da Cruz, reconhece a importância da filiação. “O
Sinduscon tem proposta para resíduos
O Sinduscon/BA indicou dois representantes para
a Comissão de Meio Ambiente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). A comissão
tem como objetivo elaborar propostas que contribuam na formulação do Plano de Gerenciamento
de Resíduos da Construção, que será entregue ao
Ministério do Meio Ambiente ainda este ano.
O vice-presidente do Sinduscon/BA, Carlos
Henrique Passos, e a assessora técnica, Natasha
Thomas, estão inseridos nos grupos de trabalho
que irão apontar os procedimentos a serem adotados, a partir de um mapeamento de boas ações do
que se pratica hoje nesta área na construção civil.
Dirceu Cruz
destaca o papel
do Sistema
FIEB para o
desenvolvimento
das indústrias
no estado
Sistema FIEB contribui para o desenvolvimento das
indústrias do estado de forma responsável, comprometida e bem organizada e o Sindiceso não poderia
estar de fora. Além disso, a parceria é necessária
para o enfrentamento dos desafios específicos do
nosso segmento industrial”, afirmou.
Sindirepa participou do Conarem
O Sindicato das Indústrias da Reparação de Veículos e Acessórios do
Estado da Bahia (Sindirepa-BA) participou, em janeiro, da reunião do
Conselho Nacional de Retíficas de Motores (Conarem). O encontro, que
ocorreu em Joinville-SC e contou com a presença de diretores de todo o
Brasil, teve como objetivo debater questões relevantes do setor e apresentar os projetos da entidade para o exercício de 2013 em parceria com
diversos fabricantes de motores e autopeças.
Para representar o sindicato, foi designado o vice-presidente da entidade, o empresário Maurício Toledo de Freitas, que também faz parte do
conselho e responde pelo segmento de retífica no estado. “A participação no Conarem é fundamental para estarmos alinhados com o restante
do país no que tange a inovações tecnológicas e ações de estímulo ao associativismo. Devemos trazer, ainda este ano, uma central de negócios
para compras coletivas, que já ocorre no sul do país”, destacou Freitas.
A participação do Sindirepa contou com o apoio da FIEB.
Bahia Indústria 11
IEL define linhas
de atuação
Instituto vai concentrar sua atuação no
desenvolvimento de carreiras e de empresas,
adotando novas estratégias e produtos
por Marta Erhardt
Fotos João Alvarez
A
pós 44 anos de atuação na
Bahia, o Instituto Euvaldo Lodi (IEL-BA) decidiu
mudar o seu posicionamento no mercado. A partir deste
ano, a instituição passa a trabalhar com duas linhas de atuação:
Desenvolvimento de Carreiras e
Desenvolvimento Empresarial. Esses eixos englobam todos os serviços oferecidos pelo IEL-BA, sendo
que a área de Desenvolvimento de
Carreiras reúne as soluções de capacitação de profissionais, como o
estágio e o programa de trainee,
enquanto a de Desenvolvimento
Empresarial abarca assessorias e
consultorias in company, além dos
programas voltados para coletivos
empresariais.
“Organizamos nosso portfólio
de serviços em uma nova linguagem, de forma a facilitar o entendimento da nossa atuação e,
consequentemente, a venda dos
nossos serviços”, ressalta o superintendente do IEL-BA, Armando
Neto. Ele explica, ainda, que, nos
12 Bahia Indústria
Armando Neto
explica que
o portfólio
de ações da
instituição foi
reformulado
próximos anos a meta da entidade
é aprimorar ainda mais os produtos oferecidos e intensificar o atendimento a pequenas e médias empresas, oferecendo produtos que
as auxiliem no aprimoramento da
gestão das organizações e as capacitem na área de inovação.
Para atingir este objetivo, estão
em fase de desenvolvimento novos
projetos nas duas áreas de atuação
do IEL-BA. Na linha de Desenvolvimento Empresarial, um dos destaques é o Jogo da Inovação. “É
um projeto desafiador. Estamos
desenvolvendo uma metodologia
própria, com uma linguagem lúdica, que é o grande diferencial. A
ideia é fazer com que as empresas
pensem em inovação de forma sistêmica”, explica Armando Neto.
Os recursos para o projeto, na
ordem de R$ 2,3 milhões, foram
captados junto à Financiadora de
Estudos e Projetos (Finep). Participam do programa 20 bolsistas de
diversas áreas, como comunicação, design, tecnologia da informação, economia, engenharia e
pedagogia.
QUALIFICAÇÃO
Ainda para este ano, dois projetos de qualificação e desenvolvimento de fornecedores merecem destaque: um da cadeia de
Petróleo e Gás e Indústria Naval e
outro da cadeia Automotiva. Empreendimentos nas duas áreas vão
impulsionar a demanda por fornecedores qualificados. Na indústria
naval, o Estaleiro Enseada do Paraguaçu vai demandar produtos e
serviços. Já na área automotiva, as
O IEL está
desenvolvendo
novas
tecnologias
para atender
aos seus
clientes
Bahia Indústria 13
empresas fornecedoras terão que
atender às necessidades de empresas que atuam no estado.
“Os programas vão capacitar
empresas destas cadeias, com
o objetivo de fortalecer a competitividade. As empresas que
têm potencial para atender a esses empreendimentos, mas que,
por algum motivo, não possuem
algum procedimento desenvolvido, serão capacitadas para se
credenciar como fornecedoras”,
destacou Armando Neto. Os dois
projetos são financiados pelo
Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior
(MDIC), por meio de editais vencidos pelo IEL-BA.
Há novidades também na linha
de Desenvolvimento de Carreira, na qual será implementado o
Programa Trainee de Engenharia,
que surge em um cenário de escassez de mão de obra para a área.
Dados do Instituto Nacional de
Estudos e Pesquisas Educacionais
- Inep (2008) apontam que, apesar
de a indústria brasileira apresentar uma crescente demanda por
profissionais de engenharia, na
Bahia, apenas 8% dos cursos de
ensino superior oferecidos são
voltados para essa área, enquanto
32% estão relacionados à área de
Educação e 30% a de Ciências Sociais Aplicadas.
Orçado em R$ 29 milhões, o
projeto do IEL Nacional será replicado na Bahia com o objetivo
de melhorar a formação de novos
profissionais, a partir de uma vivência corporativa. Para isso, a
meta é oferecer, em todo o Brasil,
mil bolsas para estudantes recém-formados ou no último ano de
graduação. As bolsas serão disponibilizadas para projetos que promovam a inovação nas empresas.
14 Bahia Indústria
Uma década premiando
a excelência na
formação profissional
Reconhecer as boas práticas de estágio desenvolvidas por empresas
baianas e auxiliar as organizações
a aprimorar seus programas de
treinamento e formação profissional. Com esse objetivo, o Instituto
Euvaldo Lodi (IEL-BA) criou, em
parceria com o Fórum de Estágio
da Bahia, o Prêmio Melhores Práticas de Estágio.
A premiação, que completa 10
anos em 2013, foi criada em 2004,
a partir das discussões do Fórum
de Estágio, que apontavam a necessidade de se desenvolver ações
para conscientizar empresas e estudantes sobre a verdadeira essência do estágio, que é contribuir para a formação dos jovens. “Na época, enxergavam-se os estudantes
como mão de obra barata e muitos
deles desenvolviam tarefas consideradas menores. Além disso,
muitos estudantes viam a oportunidade de estágio apenas como
uma forma de ganhar dinheiro”,
recorda a gerente de Estágio e Formação de Talentos do IEL-BA, Edneide Lima.
A décima edição do prêmio
foi destacada durante a primeira
reunião do Fórum de Estágio em
2013, realizada no dia 6 de março,
no auditório da sede da Federação
das Indústrias do Estado da Bahia
(FIEB). Representantes de empresas e instituições de ensino participaram do encontro e puderam se
informar sobre a premiação, que ao
longo dos 10 anos de existência tem
contribuído para a mudança da
cultura de estágio nas empresas.
As organizações que avançam
para a fase de avaliação recebem
um relatório que sinaliza os pontos nos quais seus programas de
estágio podem ser incrementados.
O relatório é elaborado por representantes da comissão julgadora,
que visitam as organizações e analisam pontos como a integração
dos estagiários com os projetos, o
acompanhamento do estágio pela
empresa e o processo de seleção,
treinamento e desenvolvimento
de estagiários. “É uma consultoria
para que as empresas melhorem
ainda mais suas práticas”, destaca
Edneide Lima.
O sucesso da iniciativa do IEL
foi tamanho que, dois anos depois
de criado, o projeto foi adotado
pelo IEL nacional, que replicou a
ideia nos demais estados do país.
Desta forma, foi criada, em 2006,
a edição nacional do prêmio, que
reúne os vencedores estaduais de
cada categoria (pequena, média e
grande empresa).
Com três organizações finalistas, a Bahia ganhou destaque na
premiação nacional de 2011, realizada na sede da Confederação
Nacional da Indústria (CNI), em
Brasília. As empresas Lacerta Ambiental e Petrobras foram vencedoras das categorias Micro e Pequenas Empresas e Grande Empresa,
respectivamente. Já a Portugal Telecom Inovação Brasil ficou com o
segundo lugar na categoria Média
Empresa. “Todos os anos, pelo menos uma empresa baiana fica entre
as finalistas”, pontua Edneide.
Indicadores de
Estágio na Bahia
Principais destaques ao longo
destes 44 anos de atuação do
IEL no estado
» Mais de 180 mil estudantes
alocados em estágio nas
organizações baianas
» Cerca de 400 mil estudantes
cadastrados
» Parceria com mais de 10 mil
organizações para alocação de
estagiários
» Cerca de 60 mil estudantes
capacitados por meio de cursos
e oficinas
» Criação do Fórum de Estágio
da Bahia
A gerente de estágio do IEL-BA
ressalta que, com a participação
no Prêmio Melhores Práticas, as
organizações trocam experiências, ampliam suas redes de relacionamento e têm a chance de divulgar, na Bahia e nacionalmente,
seus programas de estágio.
INOVAÇÃO
A premiação contribui, ainda,
para o esforço de incorporar a inovação nos processos produtivos
das empresas baianas. Os projetos
vencedores reduzem custos, melhoram os processos de produção
e aumentam a competitividade
das organizações.
Foi o que aconteceu na Cromex
S/A, vencedora na categoria média empresa, na edição 2012. A
analista de Recursos Humanos,
Luciana Andrade, responsável
pelo programa de estágio da organização, conta que, motivados
pela ideia de vencer a premiação
e conquistar reconhecimento,
muitos estagiários se engajaram
em projetos de suas áreas e apresentaram ideias que resultaram
em melhorias nos processos produtivos e trouxeram rentabilidade para a empresa.
Entre os projetos, estava o de
Leonardo Correia, na época estagiário da área de engenharia,
que venceu a edição da premiação 2012 na categoria média empresa. “A Cromex dá espaço para
a inovação e busca conscientizar
os estagiários sobre a importância de aplicarem o conhecimento
adquirido na faculdade em sua
prática profissional. O estágio
Edneide Lima
no lançamento
do Prêmio
Melhores
Práticas 2013
é a oportunidade para que eles
criem, ousem, errem e acertem”,
salienta Luciana Andrade.
INSCRIÇÕES
As inscrições para a edição 2013
do prêmio iniciaram no dia 6 de
março e seguem até 10 de abril. As
empresas podem se inscrever pela
internet, no site www.fieb.or.br/iel/
melhorespraticas. Ao se cadastrar,
a empresa tem que preencher um
questionário de autoavaliação, que
norteia a pontuação e classificação
das finalistas. O IEL-BA garante a
confidencialidade das informações fornecidas. Apenas o nome
das empresas finalistas é divulgado. Mais informações podem ser
obtidas por telefone no número
3343-1365 ou pelo e-mail [email protected]. [bi]
Bahia Indústria 15
Desafio estratégico
SENAI investe em atuação mais complexa,
voltada para a inovação industrial
POR carolina mendonça
Fotos João Alvarez
C
om uma longa experiência
em formação e qualificação
profissional, o SENAI-BA
consolidou-se pela qualidade educacional voltada para
o mercado de trabalho na indústria. Há mais de uma década, no
entanto, a instituição vem sendo
reconhecida também pelos serviços técnicos e tecnológicos que
oferece ao setor e pelos projetos
de desenvolvimento de produtos
e processos como solução às demandas dos empresários. O crescimento acelerado no número e
valor desses projetos impôs à casa
o seu maior desafio estratégico:
transformar uma atuação predominantemente educacional em um
portfólio mais complexo de suporte à inovação industrial no estado.
A escolha da unidade mais
avançada do SENAI, o Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia
(Cimatec), como uma das três instituições de referência para o desenvolvimento de projetos da Empresa
Brasileira de Pesquisa e Inovação
Industrial (Embrapii) reforçou esta mudança de visão de futuro e
apontou o centro como local ideal
para a concentração das atividades
de pesquisa e inovação. “A operacionalização da Embrapii envolve
grandes empresas como montado16 Bahia Indústria
ras, empresas químicas, petroquímicas, da área de alimentos, dentre
outras, e seus projetos de inovação
precisavam de um ambiente propício às apostas no principal ativo
das empresas: seus produtos, processos e imagem”, conta o gerente
do Núcleo Estratégico do SENAI,
Luis Alberto Brêda Mascarenhas.
Desde a sua criação, em 2002,
o Cimatec vem confirmando sua
vocação de centro difusor de conhecimento e inovação na produção de soluções para a indústria.
Em 2007, a unidade ganhou novas
áreas de competência com a inauguração do prédio II, passando a
atender demandas com um aprofundamento maior em algumas
“
O SENAI-BA continuará
inovando em uma
velocidade compatível com
a nossa indústria e esta
visão é compartilhada com
toda a força de trabalho
Luis Alberto Breda
Mascarenhas, gerente do Senai
áreas de interesse do estado, como automotiva, transformação de
plástico, mecânica de precisão e
microeletrônica e eletrônica embarcada. Já em 2010, abrigou os
novos programas de mestrado e
doutorado, que já estão bem avaliados pela Capes.
Em 2012, iniciou-se a mudança
dos núcleos de projetos de outras
unidades para lá. O centro também
recebeu o Escritório de Projetos do
SENAI, um núcleo que criou uma
metodologia para acompanhar desenvolvimento e resultados e, em
abril deste ano, deve inaugurar
uma incubadora com o objetivo
de estimular o surgimento de empresas que aplicam conhecimento
no aperfeiçoamento ou desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços tecnológicos. “A
implantação da incubadora vai
reforçar a cadeia produtiva, garantindo que serviços de alto valor
agregado, normalmente feitos fora
do país ou no eixo Rio-São Paulo,
possam ser realizados e internalizados pela indústria baiana”, avalia Mascarenhas.
NOVAS DEMANDAS
O investimento intensificado
nessas atividades, que envolvem
estudos, pesquisa aplicada, tes-
Laboratórios
do SENAI
desenvolvem
atividades de
pesquisa e
inovação
tes, projeções, desenvolvimento
de novos processos e protótipos
de produtos eleva o SENAI a outro
patamar no atendimento às solicitações da indústria baiana com o
objetivo de ganhar mais competitividade: o de centro tecnológico.
Apesar da concentração no Cimatec, esta função de propulsor do
conhecimento se estende às sete
unidades da instituição (duas
em Salvador, e uma em Lauro de
Freitas, Feira de Santana, Ilhéus,
Barreiras e Luís Eduardo), além
das cinco agências de apoio nos
municípios de Camaçari, Vitória
da Conquista, Itabuna, Jequié e
Teixeira de Freitas.
Esta nova realidade, que começou a ser construída há mais de
uma década, porém, não faz com
que a instituição abandone sua
missão de preparar pessoas para
o mercado de trabalho por meio
de cursos e capacitações de alta
qualidade. Uma prova disso é a
criação de novas graduações, cursos de pós-graduação e ampliação
de vagas ofertadas por meio do
Programa Nacional de Acesso ao
Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). “O SENAI-BA continuará
inovando em uma velocidade
compatível com a nossa indústria
e esta visão é compartilhada com
toda a força de trabalho, que está
comprometida e motivada com este processo de contínua mudança
e transformação”, confirma Luis
Alberto Breda Mascarenhas. [bi]
Bahia Indústria 17
Cenário e
expectativas
O empresariado baiano
está cauteloso e em
alerta em relação
ao sobe e desce
dos números que
monitoram a atividade
econômica
POR Patrícia moreira
Fotos João Alvarez
manutenção do Indicador de Confiança do Empresário da Indústria (Icei), na casa de 57,3 pontos, nos
últimos meses, indica que os empresários ainda não
estão seguros da retomada do crescimento da indústria. O índice, divulgado em 18 de março pela Confederação nacional da Indústria (CNI), caiu em todas as
regiões do país, em todos os portes e segmentos do
setor, sendo que a maior queda foi registrada na indústria extrativa,
onde houve retração de 3,9 pontos em relação a fevereiro.
A expectativa dos empresários industriais baianos, medida pela
Sondagem Industrial – Bahia, pela Superintendência de Desenvolvimento Industrial (SDI) da Federação das Indústrias do Estado da
Bahia (FIEB), reflete os números nacionais. O índice de fevereiro
deste ano, em relação à demanda, é de 57,8 pontos percentuais, 54%
em relação à projeção de exportações, 53,4% em relação à compra de
matéria-prima. Apenas o índice de expectativa quanto ao número de
empregados ficou negativo: 49,3 pontos.
Outro indicador que chama a atenção é o
que mede a capacidade instalada (UCI). Os
empresários baianos relataram ociosidade da indústria baiana em fevereiro, com UCI efetiva abaixo do
usual para o período analisado: 41,9 pontos. A ociosidade
é reflexo da queda de produção industrial, registrada nos três
primeiros meses de 2013, situando-se na casa dos 45%, que afetou,
especialmente, as pequenas e médias empresas.
LOGÍSTICA E TRIBUTOS
Os levantamentos traduzem uma preocupação do presidente da
Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) e vice presidente
da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José de Freitas Masca-
18 Bahia Indústria
Mateus Pereira / Coperphoto /Sistema FIEB
Luiz de Oliveira, do
Sindiplasba: “Indústria de
plástico vive cenário chinês”
Bahia Indústria 19
renhas, sobre a perda de competitividade da indústria. Para Mascarenhas, que também preside o
Conselho Permanente de Infraestrutura da CNI, os gargalos econômicos e logísticos insistem em
minar a produtividade e a competitividade da indústria brasileira.
Segundo ele, a redução do crescimento e a baixa produtividade
industrial são reflexos do excesso
de encargos, carência de infraestrutura logística, guerra fiscal
e redução da demanda internacional. “O Brasil vem perdendo
substância na indústria de transformação, por isso afirmo que fazer indústria é ter paixão, pois o
desempenho não é estimulante
para os investidores”, declarou
durante coletiva à imprensa baiana, em janeiro.
Um dos segmentos que vêm
experimentando mais de perto os
efeitos destas variantes é a indústria metalúrgica e mecânica, que
está à margem dos pacotes de incentivos oficiais distribuídos pelo
governo para desonerar os investimentos e reduzir a carga tributária do setor produtivo.
De acordo com o presidente do
Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e Mecânicas da Bahia (Simmeb), Alberto Cánovas, para beneficiar o setor, é preciso reduzir
a carga tributária para os ativos
imobilizados, que, segundo ele, é
uma cobrança que existe apenas
no Brasil.
“Se o governo dá incentivos à
Ford, por exemplo, eles não atingem quem fabrica os bens imobilizados para fornecer à indústria automobilística. Com isso, as empresas nacionais ficam sem condições
de concorrer com as fabricantes
estrangeiras, que vendem os mesmos equipamentos importados por
20 Bahia Indústria
um custo menor. Sai mais barato
importar da China ou da Turquia
do que comprar um produto onerado pela incidência de PIS, Confins
e outros tributos. Isso enfraquece
a indústria nacional”, analisa. Os
reflexos se fazem sentir no aumento da inadimplência por parte das
empresas do ramo, que está na
casa dos 30%, índice que Cánovas
considera elevado, considerando o
histórico do setor.
CENÁRIO CHINÊS
“
As empresas nacionais ficam sem
condições de concorrer com as
estrangeiras, que vendem os mesmos
equipamentos importados por um
custo menor. Sai mais barato importar
do que comprar um produto onerado
pela tributação. Isso enfraquece a
indústria nacional
Alberto Cánovas, presidente do
Sindicato das Indústrias Metalúrgicas
e Mecânicas da Bahia (Simmeb)
A indústria de plásticos, que
juntamente com a de artigos em
borracha, cresceu 12,1% no volume
de produção física da indústria de
transformação, medido mensalmente pelo IBGE (janeiro 2013),
projeta um crescimento entre 5%
e 6% para este ano. “Levantamentos internos revelam que entre 2011
e 2012 tivemos um crescimento de
6% e para este ano a perspectiva é
boa. Temos o que se convencionou
chamar um cenário chinês”, ilustrou Luiz Antonio de Oliveira, presidente do Sindicato das Indústrias
de Plástico da Bahia (Sindiplasba).
No geral, na pesquisa que monitora a indústria de transformação,
a Bahia registrou um crescimento de 4,5% em 2012, enquanto no
plano nacional houve uma desaceleração de 2,8%. Os setores que
atingiram melhores resultados
foram os de produtos químicos e
petroquímicos, refino e borracha e
plástico, que registraram aumento
da produção entre 5% e 10%.
Em seguida, vêm os setores de
produção de veículos automotores (1,2%), minerais não-metálicos (3,4%) e alimentos e bebidas
(1%). O desempenho negativo
ficou por conta da indústria de
metalurgia básica, que registrou
queda de 9,9%.
Indústria de
alimentos
e bebidas
vem tendo
desempenho
positivo
INVESTIMENTOS
Mauro Pereira, superintendente do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), reitera que os
empresários do Polo de Camaçari, que concentra o
parque automotivo e a indústria química e petroquímica, mantêm uma postura cuidadosa em relação ao
cenário econômico. Mas como também faz parte do
perfil do empreendedor não alimentar o pessimismo, e apesar de toda a conjuntura de desaceleração
econômica internacional e estagnação de algumas
economias de peso, ele revela que a perspectiva de
atração de novos investimentos para o Polo é uma realidade e serve de termômetro para medir o clima de
expectativa da indústria.
O interesse pela Bahia é forte e isso se revela pela
grande procura por parte das indústrias nacionais e
estrangeiras. No início de março, por exemplo, o Cofic
recebeu representação de uma indústria alemã, interessada em expandir seus negócios com uma unida-
de na Bahia. No ano passado, a Jac Motors confirmou
seus investimentos em uma fábrica em Camaçari,
gerando novas oportunidades e empregos e fortalecimento da cadeia automotiva. “O Polo continua sendo
bastante procurado pois a área de Camaçari tem um
grande apelo que é a vanguarda em relação à questão
ambiental, não só gerenciamento, mas de estrutura,
criada pela Cetrel”, explica Pereira.
Outro segmento que vem dando uma nova configuração ao complexo industrial é o de energia eólica, que
promete ser um dos novos vetores de crescimento do
polo. Mas Mauro Pereira faz questão de reafirmar que a
indústria vem perdendo competitividade em razão da
infraestrutura inadequada e do excesso de carga tributária, que podem ter reflexos no longo prazo.
CELULOSE
O setor de celulose é um dos que podem ter seus
investimentos comprometidos em razão das dificulBahia Indústria 21
dades de logística do estado. O presidente do Sindicato da Indústria de Papel e Celulose e Papelão
(Sindpacel), Jorge Cajazeira, considera que a atual
infraestrutura viária e portuária da Bahia pode
dificultar a realização de novos investimentos. Em
2012, o setor fechou o ano registrando um aumento
de 3,2% na produção na Bahia (PIM-BA/IBGE).
A Suzano, por exemplo, cresceu em torno de 2%
em 2012 em relação a 2011. Com as recentes mudanças nos planos de expansão da companhia, anunciados no último dia 13 de março, pelo presidente
Walter Schalka, que determinou a suspensão de
R$ 4,3 bilhões em investimentos previstos para este ano, a fabricante de papel e celulose deverá se
dedicar a aplicar recursos na melhoria operacional
das fábricas já instaladas. Um exemplo é a implantação de uma caldeira de biomassa, na unidade de
Mucuri, no extremo-sul da Bahia, que visa a redução de gargalos.
Apesar do freio nos investimentos anunciado
pela Suzano, o setor de celulose vive uma boa fase.
Em abril, está previsto o início das atividades da
unidade da Kimberly-Clark em Camaçari, que recebeu R$ 100 milhões em investimentos.
Em relação à produção brasileira de celulose
e papel em 2012, o volume se manteve estável, na
comparação com 2011. De janeiro a dezembro foram
produzidas 13,8 milhões de toneladas de celulose
(-0,2%) e 10,1 milhões de toneladas de papel (0,2%),
22 Bahia Indústria
conforme pesquisa da Associação Brasileira de
Celulose e Papel (Bracelpa). Na exportação, houve
uma queda de 7,4% em relação ao valor de 2011.
Foram exportadas 8,5 milhões de toneladas de celulose e 1,8 milhão de toneladas de papel, principalmente para a Europa, China e América do Norte.
AUTOMOTIVO
O setor automotivo, que fechou o ano de 2012
com crescimento de 6,11%, em especial na comercialização de automóveis e veículos comerciais leves, espera por resultados um pouco mais modestos em 2013. As vendas devem sofrer os efeitos da
suspensão da isenção do Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI), que a partir de junho volta
a ser cobrado sem desconto na alíquota.
A Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenarave) trabalha com uma
projeção de crescimento da ordem de 2,8%. Isso,
levando em consideração o crescimento do PIB em
3%, conduzindo a uma retomada positiva do ritmo
da economia e melhoria da renda familiar e manutenção do emprego.
Em investimentos, a Bahia soma US$ 2,5 bilhões para o setor nos próximos anos, incluindo a
ampliação e instalação da JAC Motors, que produzirá 100.000 carros/ano, em 2014, e de fabricantes
de componentes e autopeças. [bi]
Setor
automotivo
deve sofrer
efeitos do fim
da isenção
do IPI
conselhos
Encontro analisa impacto
das tarifas de água e
saneamento na indústria
Os preços das tarifas de água e esgoto são apontados como um entrave à competitividade da indústria
brasileira e baiana. Para discutir o tema, a Superintendência de Desenvolvimento Industrial da FIEB
convidou a Empresa Baiana de Águas e Saneamento
(Embasa) para participar da Reunião Conjunta dos
Conselhos de Infraestrutura (Coinfra), Responsabilidade Social (Cores), Desenvolvimento Industrial
(Cedin), de Meio Ambiente (Comam) e de Assuntos
Fiscais e Tributários (Caft), realizada em janeiro.
O encontro teve como tema a Água como Fator de
Competitividade Industrial e discutiu os aumentos das
tarifas dos serviços. Em 10 anos (2002-2012), os reajustes representaram um aumento médio de 230%, muito
acima dos praticados pelas suas congêneres, que foi de
90,81%, enquanto a inflação foi de 34,89%.
A FIEB reconhece que a oferta de abastecimento de
água e esgotamento sanitário foi ampliada, seguindo
o objetivo do governo estadual de universalização
dos serviços na Bahia até 2040. Esta “conta”, porém,
está sendo paga pelos atuais usuários do sistema e
a expansão da rede demandará um esforço concentrado de investimentos e de manutenção da operação
pelos cidadãos e empresas.
Na visão da Federação, a Embasa deve contar com
subsídios do estado para fazer os investimentos.
Novas lideranças
Evandro Mazo
(sentado, D) e
os integrantes
do novo
conselho
Representantes
da Embasa e
dos conselhos
discutiram
impacto da
tarifa de água
na indústria
Os conselhos e comitês temáticos da Federação das
Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) ganharam uma
nova representação. Trata-se do Comitê de Jovens Lideranças Industriais (CJLI), que realizou sua primeira reunião oficial no dia 20 de fevereiro. Ele é composto por Eduardo Faria Daltro (coordenador), Hilton
Barbosa Lima Filho, Lizi Pessoa Buzanelli, Murilo
Vilpert, Nayana Carvalho Pedreira, Ricardo Cohim e
Rodrigo Barbosa Paolilo.
Na primeira reunião, o superintendente de Desenvolvimento Industrial, João Marcelo Alves, apresentou
a Diretoria Executiva do Sistema FIEB e a estrutura
funcional dos Conselhos Temáticos. Também foram
elencadas as prioridades a serem trabalhadas no Programa de Ação de 2013, dentre outras deliberações.
FIEB colabora para a Agenda Legislativa
A Federação das Indústrias do Estado da Bahia
(FIEB) é uma das 27 federações que participaram, por
meio de seus conselhos temáticos, da elaboração da
Agenda Legislativa da Indústria – 2013, publicada
anualmente pela Confederação Nacional da Indústria
(CNI). Com previsão de ser publicada em abril, a 18ª
edição reflete os anseios da indústria em relação aos
projetos que tramitam no Congresso, levando os conceitos, posicionamentos e temas que são prioridade
para o setor e que também vão servir como respaldo
para ações em defesa de seus interesses.
Além das 27 federações, a elaboração da agenda
contou com a contribuição de 60 associações de empresas. Juntas, elas opinaram sobre 4 mil projetos
que tramitam em Brasília.
Foto: Valter Pontes/Coperphoto/Sistema FIEB
Bahia Indústria 23
Empresários baianos conhecem
chances de negócios com
Estaleiro do Paraguaçu
Por Marta Erhardt
Divulgação
C
Oportunidades para a
indústria
24 Bahia Indústria
naval
om obras em fase de terraplenagem e de dragagem de aprofundamento para construção
do cais de atracamento e do dique-seco, o
Estaleiro Enseada do Paraguaçu (EEP) movimenta o Recôncavo baiano. Formado por um consórcio das empresas Odebrecht, OAS, UTC e a KHI (Kawasaki Heavy Industries Ltd.), o estaleiro representa
investimentos de R$ 2,6 bilhões e produzirá navios,
sondas de perfuração e plataformas, processando até
36 mil toneladas de aço por ano. O início das atividades em Maragogipe está previsto para 2014.
No estaleiro serão construídos seis navios-sonda,
contratados pela empresa Sete Brasil, com vistas à
exploração do pré-sal. De acordo com o diretor de
Relações Institucionais do EEP, Humberto Rangel, a
última entrega está prevista para 2015. Cada plataforma terá capacidade de produzir até 150 mil barris
de petróleo por dia e comprimir 7 milhões de metros
cúbicos de gás natural diariamente.
As oportunidades de negócios para as empresas
interessadas em fornecer produtos e serviços para o
empreendimento foram apresentadas durante evento
realizado no auditório da Federação das Indústrias
do Estado da Bahia (FIEB). “Este encontro é uma convocatória para que os empresários aqui presentes se
unam a nós nesse desafio, que envolve o fornecimento de produtos e serviços, além da qualificação de
mão de obra”, afirmou Rangel.
Os empresários assistiram a um ciclo de palestras
ministrado por executivos do EEP. O diretor de implantação do estaleiro, João Cândido, enumerou as
demandas de produtos e serviços terceirizados para o
empreendimento, como o serviço de manutenção predial, produtos e assessórios de aço, como escotilhões,
passarelas, escadas de acesso; além de produtos de
tubulação e voltados para a parte elétrica.
Na abertura do evento, o presidente da FIEB, José
de Freitas Mascarenhas, destacou a importância da
instalação do estaleiro na Bahia. “Com o desenvolvimento da indústria naval, precisamos discutir a
instalação de uma cadeia de fornecedores. Este é um
empreendimento chave para que possamos desenvolver um polo de metal mecânica no nosso estado”,
pontuou.
Ele ressaltou que existem, no momento, vários
projetos na área de offshore no país, muitos dos quais
não terão capacidade de se manter. Mas segundo ele,
o EEP, da forma como foi concebido, tem tudo para
ser um empreendimento duradouro. "Todos nós temos que colaborar para que o estaleiro do Paraguaçu
seja eficiente e competitivo", afirmou. O presidente da
FIEB disse, ainda, que o SENAI-BA tem compromisso
para treinamento de mão de obra destinada ao empreendimento, que deve gerar 5 mil empregos diretos
e 10 mil indiretos.
Já o secretário da Indústria Naval e Portuária do
Estado da Bahia, Carlos Costa, ressaltou que o EEP é
um dos maiores projetos privados em andamento no
país e representa um momento de revitalização da indústria naval brasileira.
QUALIFICAÇÃO
Na oportunidade, o superintendente do IEL-BA,
Armando Neto, apresentou aos empresários o Programa de Qualificação de Fornecedores (PQF), desenvolvido pelo IEL com o objetivo de fortalecer a cadeia
produtiva, atendendo às exigências das empresas
compradoras.
O programa é dividido em quatro etapas, que incluem treinamento e consultoria em áreas como gestão da qualidade, saúde e segurança no trabalho e
gestão da inovação. Entre as empresas patrocinadoras do PQF estão a Petrobras, Bahia Mineração, Veracel, Vale e Deten Química.
O superintendente do IEL destacou, ainda, o Programa de Fortalecimento da Cadeia de Fornecedores
da Indústria de Petróleo e Gás Naval da Bahia, que
deve ser lançado ainda no primeiro semestre de 2012.
“Esse programa vai subsidiar a capacitação de empresas desta cadeia, com o objetivo de fortalecer a
competitividade, principalmente das pequenas e médias empresas”, destacou. [bi]
Área onde
está sendo
implantado
o Estaleiro
Enseada do
Paraguaçu,
na região de
Maragogipe
Bahia Indústria 25
indicadores Números da Indústria
Desempenho da indústria
baiana é destaque nacional
A
produção da indústria de
transformação da Bahia
apresentou em janeiro,
de acordo com a taxa
anualizada, crescimento de 4,5%,
o mesmo percentual registrado
em dezembro de 2012. Dessa forma, mantém a trajetória de recuperação da atividade industrial,
conforme levantamento feito pela
Superintendência de Desenvolvimento Industrial da FIEB, a partir
de dados do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE).
No ranking dos 13 estados pesquisados pelo IBGE, seis deles
apresentaram desempenho positivo: Bahia, Minas Gerais (2,5%),
Goiás (2,1%), Pernambuco (0,6%),
Ceará (0,4%) e Pará (0,2%). Os demais estados registraram desempenho negativo: São Paulo (-3,0%),
Rio de Janeiro (3,5%), Paraná
(-5,5%), Rio Grande do Sul (-4,8%),
Santa Catarina (-1,9%), Amazonas
(-7,4%) e Espírito Santo (-10,5%).
Dos oito segmentos pesquisados na Bahia, nada menos que
sete apresentaram resultados
positivos: Borracha e Plástico
(12,1%), Produtos Químicos/Petroquímicos (7,7%), Celulose e
Papel (7,4%), Refino de Petróleo e
Produção de Álcool (5,7%), Veículos Automotores (4,5%), Minerais
Não-Metálicos (3,0%) e Alimentos
e Bebidas (0,3%). Apenas o segmento de Metalurgia Básica registrou queda na produção (-9,1%),
26 Bahia Indústria
O crescimento de 4,5% registrado
em janeiro, na taxa anualizada,
superou a média nacional, que
ficou negativa em 2,1%
devido à parada programada para
modernização e ampliação da Paranapanema, de 21 de maio a 6 de
agosto de 2012.
Na comparação de janeiro de
2013 com igual mês do ano passado, a produção física da indústria
de transformação baiana apresentou crescimento de 7,8%, superando a média Brasil (5,9%). Naquele
mês, seis dos oito segmentos pesquisados registraram crescimento
da atividade: Veículos Automotores (45%, influenciado pela base de comparação deprimida de
2012), Celulose e Papel (32,3%, por
conta da expansão na produção
de celulose e papel não revestido
para usos na escrita e impressão),
Borracha e Plástico (22,4%, em
razão do incremento na produção
de garrafões, garrafas e frascos
de plástico), Refino de Petróleo e
Produção de Álcool (13,8%, pela
maior fabricação de óleo diesel,
outros óleos combustíveis e gasolina automotiva), Metalurgia
Básica (8,8%, com incremento na
produção de barras, perfis e vergalhões de cobre) e Produtos Químicos/Petroquímicos (0,2%).
Por outro lado, verificou-se que-
produção física por estados:
indústria de transformação
Estados
Variação (%)
jan13/jan12
Fev12-Jan13/ Fev11-Jan12
São Paulo
5,3
-3,0
Minas Gerais
10,2
2,5
Rio de Janeiro
18,7
-3,5
Paraná -3,9-5,5
Rio Grande do Sul
1,9
-4,8
Bahia 7,84,5
Santa Catarina
3,1
-1,9
Amazonas-2,2 -7,4
Espírito Santo
-16,4
-10,5
Pará -3,70,2
Goiás -3,52,1
Pernambuco1,6
0,6
Ceará 15,40,4
Brasil 5,9-2,1
Fonte IBGE; elaboração Fieb/SDI
da na produção de Alimentos e
Bebidas (-3,9%, com recuo da produção de refrigerantes, leite em pó,
óleo de soja bruto, farinhas e “pellets” da extração de óleo de soja e
tortas, bagaços e farelos da extração do óleo de soja) e Minerais Não-Metálicos -3,9%, por conta da menor produção de ladrilhos e placas
de cerâmica para revestimento).
Já em dezembro de 2012, a taxa anualizada da produção física
da indústria de transformação da
Bahia alcançou 4,5%, após ter
registrado queda de 4,5% em dezembro de 2011, mantendo a trajetória de recuperação da atividade
industrial.
No ranking dos 13 estados que
participam da pesquisa, cinco estados apresentaram desempenho
positivo: Bahia, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco e Pará. Os outros oito estados que registraram
resultados negativos foram: Espírito Santo, Amazonas, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul,
São Paulo, Santa Catarina e Ceará.
Na Bahia, dos oito segmentos
pesquisados, apenas um apresentou desempenho negativo: Metalurgia Básica (-9,9%, em função,
sobretudo, da parada programada
de modernização e ampliação da
Paranapanema). Por outro lado,
apresentaram resultados positivos
os segmentos: Borracha e Plástico (10,8%), Produtos Químicos/
Petroquímicos (9,9%), Refino de
Petróleo e Produção de Álcool
(5,2%), Minerais Não-Metálicos
(3,4%), Celulose e Papel (3,2%),
Veículos Automotores (1,2%) e Alimentos e Bebidas (1%). [bi]
BAHIA - PRODUÇÃO FÍSICA DA
INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO (2011 - 2013)
140
2013
135
130
125
120
115
2012
110
105
2011
100
DEZ
NOV
OUT
SET
AGO
JUL
JUN
MAI
ABR
MAR
FEV
JAN
95
Fonte: IBGE; elaboração Fieb/SDI. Nota: Exclusive a indústria extrativa mineral (CNAE 10, 11, 13 e 14); base = 100 (média 2002)
Bahia Indústria 27
Entrevista Rosemma Maluf
“Salvador tem que voltar a ser
boa para morar e fazer negócios”
Empresária que comanda a Secretaria da Ordem Pública de Salvador revela o
que a motivou a aceitar o desafio e como vem conduzindo a gestão da pasta
POR carolina mendonça
Fotos João Alvarez
C
om uma longa experiência
em gestão empresarial e
atuação ativa em entidades representativas, como
a Associação Comercial da Bahia
e o Conselho da Micro e Pequena
Empresa Industrial (Compem) da
FIEB, Rosema Maluf não pensava em assumir um cargo no setor
público até ser convidada para dirigir a Secretaria Municipal de Ordem Pública. Nesta entrevista, ela
conta quais os principais desafios
que tem pela frente.
28 Bahia Indústria
Como surgiu o convite para a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), a antiga Sesp?
Eu não tinha uma vivência na política, não sou filiada a qualquer
partido político. Meu nome surgiu
por indicação da classe empresarial baiana e foi levado a ACM Neto
pelo deputado federal Jutahy Magalhães Jr. Reuni-me com o prefeito para conversar e logo depois fui
chamada a assumir o cargo. Percebi que o cargo era um desafio e que
tinha condições de me afastar das
minhas atividades empresariais
para contribuir com minha experiência em gestão. Assumi com o
compromisso de ajudar a fazer da
cidade um bom lugar para se viver
e fazer negócios, baseada no tripé do desenvolvimento formado
pela sociedade civil organizada,
empresariado e governo. Venho
com muito entusiasmo. Aliás, o
empresário só vem para o setor
público por este motivo, porque
todo mundo sabe que a área não
remunera bem. Estou colocando à
disposição minha capacidade empreendedora, visando melhorias
na infraestrutura, no bem-estar,
no lucro social.
Quais as principais dificuldades
enfrentadas nesses primeiros meses à frente do órgão?
Para quem, como eu, vem da iniciativa privada, o maior impacto é
na gestão. Encontramos a secretaria sem infraestrutura para exercer
a sua missão, que é basicamente
fiscalizar e ordenar a cidade. Não
temos um sistema de Tecnologia da
Informação, equipamentos, nem
pessoal suficiente para fazermos
uma gestão integrada. E, sob o
nosso guarda chuva, estão os serviços de coleta de lixo, iluminação,
a administração de dez cemitérios,
feiras e mercados, a Salvamar, a
Guarda Municipal e a Codecon.
A insegurança jurídica, o acúmulo
de lixo e a sensação de desordem
em Salvador foram alvo de duras
críticas na gestão passada. Como
estas questões estão sendo tratadas agora?
A insegurança jurídica gerada em
relação ao uso do solo não é objeto
de trabalho direto da nossa secretaria, mas como empresária vejo
que os negócios precisam de um
ambiente propício para prosperar,
com estabilidade, critérios claros e
a garantia de que as regras não vão
mudar a cada governo. O empresário quer segurança para investir.
Em relação à coleta de resíduos,
encontramos a cidade com 60 mil
toneladas de lixo acumulado do
período de agosto a dezembro de
2012. Fizemos um plano de ação
junto com os consórcios responsáveis pela coleta e já estamos regularizando o serviço. Outra questão
grave era o descarte de entulho,
que estava sendo feito de forma
irregular por falta de fiscalização.
Para se ter uma ideia, tínhamos
apenas uma fiscal que atuava sem
veículo. Agora, contamos com 20
equipes organizadas e pretendemos aumentar o número de Pontos
de Descarte de Entulho (PDE), pois
hoje só temos dois: um no Itaigara
e outro no Vale das Muriçocas.
E sobre a situação de desordem?
Este é um dos nossos grandes desafios. Estimamos que Salvador
tenha hoje mais de 40 mil ambu-
lantes informais sem licença. Legalizados, há oficialmente cerca
de 11.500. Nos pontos críticos – Av.
Sete, passarela do Iguatemi-Rodoviária, Calçada, etc. – o pedestre
perdeu seu lugar de direito, o passeio, e disputa espaço com os carros na rua. Mas isso vai mudar. Estamos estruturando projetos com
a Fundação Mário Leal Ferreira e
parcerias com o Sebrae para qualificar os trabalhadores e adequá-los à legislação. Foram oito anos
em que tudo era permitido. Acho
que era uma decisão política não
fiscalizar ambulante. Há pontos
críticos onde o passeio não é mais
do pedestre, como Av. Sete, as passarelas (Iguatemi), o Relógio de
São Pedro, Rótula da Feira, em Cajazeiras. Temos poucos agentes de
fiscalização, apenas 150 para todo
o uso do espaço público, e um orçamento insuficiente (R$ 378 milhões
para este ano), mas vamos fazer
ações para orientar e ordenar. A secretaria vem também com a missão
de mudar a cultura, de estimular a
população a cuidar do que é público, do que é seu e de todos.
“
Estou colocando à
disposição
do município minha
capacidade
empreendedora, visando
melhorias na
infraestrutura
Durante a campanha eleitoral,
ACM Neto defendeu a municipalização do Porto de Salvador. Qual
a sua opinião?
Eu defendo a municipalização ou
estadualização do Porto. A gestão deve estar próxima de quem
o utiliza. Quando a gestão fica
distante, como hoje, feita pelo
governo federal, esses gestores
nem sempre têm o sentimento da
realidade e as decisões são muito
demoradas. Além disso, o governo
administra vários portos, então há
questões político-partidárias que
interferem nos investimentos. Os
grandes portos do mundo têm administração municipal ou estadual; é uma tendência mundial, que
acredito ser a mais adequada. [bi]
Bahia Indústria 29
Programa conclui
curso de capacitação
Petrobras, Prominp e SESI qualificaram fornecedores da Petrobras
na área de gestão em segurança, saúde e meio ambiente
Por Patrícia Moreira
P
ara a Setel Serviços de Terraplenagem e Empreendimentos Ltda., adequar a
empresa às exigências da
ISO 14001 e OHSAS 18001 era um
desafio. A empresa já havia tentado colocar em prática, por duas
vezes, as normas de Saúde, Meio
Ambiente e Segurança (SMS), sem
sucesso. A AMG Engenharia Ltda.,
do Espírito Santo, já detinha toda
a documentação necessária para
certificação nestas normas, mas
30 Bahia Indústria
faltava o comprometimento dos colaboradores para
que as orientações passassem a fazer parte da rotina
da empresa.
Para estas duas empresas e outras 11, este problema somente foi sanado após a capacitação oferecida
pela Petrobras no Programa de Desenvolvimento de
Fornecedores da Engenharia (PDFE). Resultado de
uma parceria entre o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp)
e o Serviço Social da Indústria (SESI Bahia).
A diplomação e a premiação das empresas que mais
se destacaram ocorreram no dia 21 de fevereiro, na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia
(FIEB). Estiveram presentes o coordenador executivo do Prominp,
Paulo Sérgio Rodrigues Alonso, a
gerente executiva de Engenharia,
Tecnologia e Materiais Corporativos da Petrobras, Renata Baruzzi
Lopes, e o superintendente do SESI
Bahia, Wagner Fernandes.
Os resultados positivos do curso de capacitação dos fornecedores da Petrobras em SMS habilitaram a experiência a figurar como
modelo a ser adotado em outros
estados, conforme avaliou Paulo
Alonso. Já Renata Baruzzi comemorou a melhoria do desempenho
dos fornecedores: “Agora, eles
estão habilitados a participar de
processos licitatórios que requerem um desempenho de SMS mais
elevado. Para a Petrobras é bom,
porque aumenta a competitividade de nossas estações.”
O superintendente do Serviço
Social da Indústria, Wagner Fernandes, observou que o programa
está alinhado com a missão do
SESI de promover a qualidade de
vida e o ambiente saudável para o
trabalhador da indústria.
Os resultados foram atestados
pelos alunos do curso e empresários. Para Leonardo Cortizo, gerente de SMS da Terrabras, o curso foi
um diferencial. “Nós não tínhamos
conhecimento técnico com a habilidade necessária para implantar o
sistema de SMS”, explica.
Tatiana Azevedo Olivaes, diretora da empresa e também aluna
do curso, apresentou a experiência da Setel, destacando que o
treinamento da equipe e a supervisão feita pela Petrobras e SESI
permitiram os resultados alcançados. “A Petrobras acertou no alvo”,
sintetizou.
Também na avaliação da empresária Maria da Graça Kelher
Pesca, da AMG, a parceria entre
as instituições e as empresas foi a
chave do sucesso do programa, em
especial, em razão das auditorias
presenciais. A AMG, a AP Consultoria e Projetos Ltda. e a Terrabras
foram homenageadas por obterem
as melhores avaliações de desempenho. O diretor da AP, Alfredo
Americano, ressaltou os ganhos
obtidos; em especial, a melhoria
na satisfação dos trabalhadores,
redução de riscos e aumento da
produtividade.
CAPACITAÇÃO
Participaram do programa as
empresas que integram o Cadastro
Turma de
profissionais
qualificados
no curso e os
representantes
da Petrobras,
Prominp e SESI
Corporativo da Petrobras, mas não
detinham os requisitos técnicos
em SMS. Para participar da capacitação, as empresas convidadas
se submeteram a três avaliações
presenciais realizadas pela Petrobras e pelo SESI e arcaram com
50% dos custos. Das 13 empresas
da primeira turma, nove foram da
Bahia, uma do Rio de Janeiro, duas
do Espírito Santo e uma de Sergipe.
Com a adaptação de seus ambientes de produção às normas
ISO 14001 e OHSAS 18001, as empresas se habilitaram a participar
das licitações da Petrobras e já estão recebendo convites para novos
contratos, ampliando seus portfólios de negócios com a companhia.
As demais empresas participantes foram: AF Engenharia, BNG Metalmecanica, Construtora Lucaia,
CPL Construtora, Ebrae, Lomater
Locações e Serviços LTDA, Padrão
Engenharia e Montagens, Pelir Engenharia e Minercon Mineração e
Construções SA. [bi]
Fotos Valter Pontes / Coperphoto / Sistema FIEB
Bahia Indústria 31
Roberto Abreu / Coperphoto /Sistema FIEB
painel
Programa discute temas relevantes para a indústria
O vice-presidente da FIEB, Victor Ventin, e o diretor e coordenador do Conselho de Assuntos Fiscais e Tributários da
instituição, Murilo Xavier, foram os entrevistados do programa Indústria em Foco, no Canal Assembleia, de março, sobre
a competitividade da economia baiana, discutindo a carga tributária. No ar desde junho de 2012, o programa, elaborado
em parceria com a Fundação Paulo Jackson, é uma iniciativa da Superintendência de Relações Institucionais (SRI) com o
apoio da Superintendência de Comunicação Institucional (SCI) da FIEB. Os programas podem ser vistos no site www.
canalassembleia.ba.gov.br e no portal da FIEB (www.fieb.org.br).
SENAI-BA oferece cursos no Japão
Medvedovsky apresentou oportunidades empresariais
Perspectivas de negócios com a Rússia
Com o objetivo de estreitar as relações comerciais com a
Bahia, 17 dirigentes de empresas e representantes do governo
da Rússia participaram, dia 18 de fevereiro, na FIEB, do 1°
Encontro de Negócios entre a Bahia e aquele país. Reunidos
com secretários de estado e industriais baianos, eles
conheceram o perfil da economia local e as oportunidades de
comércio bilateral. Esta foi a primeira vez que um encontro
com a finalidade de ampliar as relações comerciais entre os
dois países foi realizado fora do eixo Rio-São Paulo. De
acordo com o representante do Conselho Empresarial
Rússia-Brasil, Aleksander Medvedovsky, este é um esforço do
governo russo para que o empresariado brasileiro conheça
seu mercado e proponha parcerias de interesse.
32 Bahia Indústria
O SENAI-BA vai oferecer, ainda neste semestre, cursos a
distância para brasileiros que vivem no Japão. Uma parceria
firmada, no dia 18 de janeiro, em Tóquio, com o grupo
educacional Kurazemi, administrador da Escola Alegria de
Saber (EAS), vai viabilizar a realização dos cursos técnicos
em Manutenção de Computadores e Redes de Computadores.
De acordo com o gerente das áreas de Tecnologia da
Informação e Desenvolvimento de Software do SENAI-BA,
Adhvan Novais, os cursos técnicos vão atender à demanda
reprimida por formação de brasileiros que vivem no Japão.
Outro objetivo do curso é dar oportunidade para que eles
possam voltar ao Brasil melhor capacitados para atuar na
indústria nacional. As primeiras duas turmas terão até 20
alunos cada uma e a duração dos cursos é de 18 meses. Mais
informações, acesse http://www.fieb.org.br/senai/ead/.
Linha de produtos com couro ecológico
A criação de uma linha de produtos em couro sustentável e
socialmente responsável é um dos resultados da parceria
entre SESI, SENAI e a indústria, que foi apresentada, nos dias
22 e 23 de fevereiro, na cidade de Ipirá, no interior da Bahia.
Trata-se da linha Dominus Eco, desenvolvida por meio do
Edital SESI/SENAI de Inovação 2011, dentro do Projeto Design
Inovador. O projeto incluiu a capacitação de fornecedores em
responsabilidade social e sustentabilidade para adoção de
boas práticas e de processos de produção mais limpa (P+L).
ideias
Duas notícias e o futuro
Por Reinaldo Sampaio
A primeira é que a presidente Dilma Rousseff anunciará um novo
sistema de financiamento a empresas e instituições, orientado
para a inovação e desenvolvimento tecnológico. Recursos da ordem
de R$ 30 bilhões para crédito, recursos não reembolsáveis e cooperação entre institutos, universidades e empresas.
A outra notícia é que, em janeiro, a balança comercial brasileira
registrou o seu maior déficit mensal dos últimos 20 anos. Mesmo
retirando o efeito das compras da
Petrobras em 2012, lançadas em
janeiro, o resultado é preocupante.
Essa última evidencia a fragilidade de ter nas commodities a
sustentação do comércio internacional; não pode ser seguro aquilo
que, além de não incorporar elevado conteúdo tecnológico, não determinamos o preço de venda, salvo em específicas circunstâncias.
A primeira notícia trata de uma
ação para a construção do futuro,
que se associa a outras, destacando-se: os novos marcos regulatórios da infraestrutura, a criação
da EPL (logística), o Programa Ciências sem Fronteiras, o Pronatec,
o Prouni, os Institutos de Inovação e P&D do Sistema Indústria e
a Embrapii. Ainda falta viabilizar
a qualidade da educação básica,
o desenvolvimento regional, a reforma tributária e a desburocratização do Estado, além da criação
de novas “engenharias sociais”
capazes de mobilizar o potencial
criativo e produtivo de parcela importante da sociedade.
É preciso romper com a barreira
da polarização modernização-marginalização, diagnosticada por
Celso Furtado como um dos obstáculos ao desenvolvimento nacional, dado que “o desenvolvimento
em inovação e tecnologia está associado a um sistema educacional
conectado com a infraestrutura
científica, permitindo a associação
e adaptação das novas técnicas;
o que requer um sistema de bem-estar social resultante da melhor
distribuição da renda nacional que
diversifique os padrões de consumo da maioria da população”.
Portanto, não se trata de um
processo quantitativo, onde mais
instituições e mais recursos promoveriam o desenvolvimento. Há
aspectos qualitativos relacionados à estrutura econômica, indispensáveis à obtenção e disseminação de conhecimentos científicos,
necessários para operar novas tecnologias capazes de promover a
destruição criadora decorrente de
novos paradigmas tecnológicos,
presentes em processo de catching
up da economia.
Na ciência e tecnologia, o Brasil
se encontra em um estágio intermediário, caracterizado por certa
capacidade de geração de conhecimento científico, mas, com produção tecnológica insuficiente para
retroalimentar a produção científica (Albuquerque, 2009). A estratégia de desenvolvimento requer
ações que superem essa armadilha
do subdesenvolvimento, como definiu Furtado, de modo a tornar a
ciência e a tecnologia determinantes do crescimento econômico.
Vivemos uma era de oportuni-
“
Vivemos uma era de oportunidades
baseada no conhecimento e isso exige
uma profunda transformação na sua
produção e disseminação em todos os
segmentos da sociedade
Reinaldo
Sampaio é
economista e
vice-presidente
da FIEB
dades baseada no conhecimento e
isso exige uma profunda transformação na sua produção e disseminação em todos os segmentos da
sociedade, para tornar o Brasil um
país de alto conteúdo de desenvolvimento humano, interagindo com
a inovação e a tecnologia. Nesse
sentido, melhor que pulverizar os
futuros recursos do pré-sal, seria
usá-los para transformar a sociedade e a economia, privilegiando
segmentos estratégicos como a
indústria de bens de capital, engenharias elétrica, eletrônica e ambiental, robótica, nano e biotecnologia, biociência, novos materiais
e aeronáutica, conforme proposto
pelo Fórum Nacional do Instituto
Nacional de Altos Estudos.
Cada nação escolhe seu próprio
caminho para o desenvolvimento,
mas há algo em comum em todas
aquelas que tiveram êxito: 1) Clima de confiança mútua entre o
setor público e privado; 2) Quantidade e qualidade da mão de obra e
do estoque de capital e 3) O avançado estágio tecnológico em que
ambos são operados.
Quando esses fatores se associam, o “espírito animal” dos empresários se manifesta e os investimentos crescem. [bi]
Bahia Indústria 33
leitura&entretenimento
fotos Márzia Lima/divulgação
exposição
50 Anos de Arte na Bahia
Baseado em publicações da crítica de arte
Matilde Matos, 50 Anos de Arte na Bahia é
composta por 60 obras de artistas baianos,
exibindo um panorama de cinco décadas e
seis gerações da arte visual na Bahia, a
partir da introdução do Modernismo, com a
chamada “Geração 45”. Seguindo uma
linha de tempo, a exposição passa pelos
anos 1950 a 1990, revelando nomes como
Floriano Teixeira, Maria Adair, Márcia
Magno, Bel Borba e Carybé.
não perca Caixa Cultural, ter. a dom., das 9h às 19h, até 28/4. Gratuito. Av. Carlos Gomes, 57. Informações: (71) 3421-4200
divulgação
vídeo
Mostra intinerante no MAM
O MAM Bahia recebe um recorte da mostra
itinerante VideoBrasil, na Galeria 3 e na
Capela. São obras premiadas da exposição
Panoramas do Sul 2012-2013, como o vídeo
As Aventuras de Paulo Bruscky (foto),
de Gabriel Mascaro. A proposta da mostra
é ampliar a visibilidade das obras do
Festival Internacional de Arte
Contemporânea, que premiou vídeos,
pinturas e instalações. A mostra tem uma
proposta educativa.
não perca MAM, ter. a dom., das 13h às 19h, sáb, 13 às 21h, 11/4 a 12/5. Gratuito. Av. Contorno, Solar do Unhão. Informações (71) 3117-6139
livros
Empreendedorismo
Paulo Sertek –
IBPEX, 240 p.
R$ 25
34 Bahia Indústria
Gestão e gerenciamento
Sustentabilidade
O consultor em gestão e professor Paulo
Sertek apresenta os passos e as
habilidades para empreender com a
propriedade de quem vivencia o
empreendedorismo na prática. Ele
estabelece um diálogo centrado em dez
pontos fundamentais para a gestão e o
gerenciamento de uma empresa. O livro
traz ferramentas como estudos de caso,
indicações bibliográficas, além de
questões para revisar os conceitos
abordados e temas para reflexão.
O livro incorpora a sensibilidade e a
cultura dos diferentes grupos de interesse,
reunindo autores do universo acadêmico,
do setor produtivo, do mundo político e
das organizações não governamentais. A
proposta é oferecer uma abordagem
ampla, que cobre desde a visão global até
os aspectos nacionais e locais dos temas.
O objetivo é apresentar a importância da
criação de valor econômico de forma que
também atenda às demandas da
sociedade.
Desenvolvimento
Sustentável
2012-2050 - Visão,
Rumos e
Contradições
Fernando Almeida,
Elsevier-Campus,
288 p.
R$ 95
Bahia Indústria 35
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