UNIVERSIDADE DE LISBOA
FACULDADE DE BELAS-ARTES
AS VARIANTES ANTROPOMÉTRICAS DA FACE
NA COSTA MEDITERRÂNICA
DA PENÍNSULA IBÉRICA
Beatriz Manteigas
Dissertação
Mestrado em Anatomia Artística
2014
UNIVERSIDADE DE LISBOA
FACULDADE DE BELAS-ARTES
AS VARIANTES ANTROPOMÉTRICAS DA FACE
NA COSTA MEDITERRÂNICA
DA PENÍNSULA IBÉRICA
Beatriz Manteigas
Dissertação orientada pelo Prof. Doutor Artur Ramos
Dissertação
Mestrado em Anatomia Artística
2014
2
RESUMO
A presente dissertação foca-se nos estudos feitos ao longo dos séculos sobre a
análise antropométrica da face e suas variantes reunindo condições para analisar uma
amostra real recolhida exclusivamente para esse efeito junto a cinco populações da costa
mediterrânica da Península Ibérica tratando-se de um estudo que se estende não só pelo
campo da Arte mas também pelos campos da História e da Ciência. Ao longo deste
estudo é abordada a história dos seres vivos e, mais pormenorizadamente, a história do
Homem; a sua expansão pelo planeta e consequentes estudos antropológicos; a sua
natureza genética; a sua variação genética; a noção de raça, etnia e população; a história
da Europa e a sua relação com a língua e por fim o estudo feito ao longo dos séculos,
por cientistas e artistas, nos campos da anatomia, fisionomia, antropologia e
antropometria. Estes campos são estudados, analisados e relacionados ao longo dos
primeiros capítulos até culminarem no estudo em que os conhecimentos adquiridos são
postos em prática. Esse estudo final prova a correlação intrínseca entre a Arte e a
Ciência e procura enaltecer e incentivar esse câmbio mútuo de conhecimentos para
conseguir maiores e melhores resultados.
PALAVRAS-CHAVE
Antropometria, anatomia, fisionomia, Arte, Ciência, Mediterrâneo, Península Ibérica.
3
ABSTRACT
This dissertation focuses on studies done over the centuries on the anthropometric
analysis of the face and its variants, gathering conditions to analyse a real sample
collected solely for that purpose by the five populations of the Mediterranean coast of
the Iberian Peninsula. It is a study which extends not only into the field of art but also
into the History and Science fields. Throughout this study an approach is made of the
history of living beings and, in more detail, of the history of man:
his expansion
through the planet and subsequent anthropological studies, his genetic nature, his
genetic variation, the notion of race, ethnicity and population, the history of Europe and
its relationship to language. Finally the study made over the centuries by artists and
scientists in the fields of anatomy, physiognomy, anthropology and anthropometry.
These fields are studied, analysed and linked throughout the first chapters to culminate
in a study in which the acquired knowledge is put into practice. This final study proves
the intrinsic correlation between the Arts and the Science and magnifies and encourages
this mutual exchange of knowledge in order to achieve bigger and better results.
KEYWORDS
Anthropometry, anatomy, physiognomy, Art, Science, Mediterranean, Iberian
Peninsula.
4
AGRADECIMENTOS
Esta dissertação foi apenas possível graças ao contributo de todos os que
acompanharam o seu processo e dos quais devo destacar o imprescindível apoio do
Professor Dr. Artur Ramos que, pelo seu domínio do campo do desenho e em particular
do desenho do retrato trouxe a esta dissertação um notório enriquecimento e sedimento;
à Professora Dra. Isabel Ritto, pelo seu enorme apoio a nível científico, ao Professor Dr.
Luís Jorge Gonçalves, pelo seu apoio nos capítulos ligados à História do Homem e da
Europa; à fotógrafa Adele Gordon, pelas suas imprescindíveis indicações sobre
fotografia jornalística e documental bem como à fotografa Sheila Piçarra, também uma
ajuda essencial no tratamento estatístico dos dados recolhidos; à professora Maria
Fernanda Lopes por disponibilizar a sua vasta biblioteca de História; à antropóloga
Emily Somerville pela bibliografia disponibilizada e que me ajudou a dar início a este
projeto; às Dras. Inês Marques e Águeda Pires por disponibilizarem os seus livros de
anatomia e genética, às minhas amigas Tamara Garcevic e Rugitza Bozinova pelas
traduções; a todos os fotografados, pela sua disponibilidade, aos meus amigos pelo seu
entusiasmo e incentivo; ao Alex, por me levar a fazer intervalos, e claro à minha Mãe,
por tudo. A todos muito obrigada.
5
ÍNDICE
INTRODUÇÃO
9
I.O HOMEM
11
I.1.Breve introdução à origem das espécies
11
I.2.A genética humana
12
I.2.1.Conceitos
12
I.2.2.O polimorfismo e a frequência genética
14
II. A EVOLUÇÃO DO HOMEM
17
II.1. O género Homo
17
II.2. A nossa espécie: teorias do seu aparecimento
21
III. AS RAÇAS HUMANAS
23
III.1.Conceitos: raça, etnia, população
23
III.2. Estudos antropológicos
25
III.2.1. Primeiros estudos
25
III.2.2. O racismo
28
III.2.3. Teorias modernas
31
III.2.4. A história e geografia dos genes
33
III.2.5. As línguas
38
IV. VARIANTES ANTROPOMÉTRICAS DA FACE
44
IV.1. A face e a sua representação: Arte e Ciência
44
IV.2. Análise antropométrica da face
50
6
IV.2.1. Os ossos da cabeça
52
IV.2.2. Os músculos de superfície da cabeça
53
IV.2.3. Pontos notáveis em antropometria da face
54
IV.2.4. As medidas lineares, profundidade e ângulos da face
56
IV.2.5. Ângulos e inclinação do perfil
57
IV.2.6.Índice cefálico e forma do crânio
59
IV.2.7. Forma da face, fronte e mento
61
IV.2.8. Os olhos
63
IV.2.9. O nariz
65
IV.2.10. A boca
66
IV.2.11. As orelhas
67
IV.2.12. O tom de pele
67
IV.2.13. O cabelo
69
V. ESTUDO
75
V.1. Introdução
75
V.2. Contextualização
76
V.2.1. Contextualização: história e ambiente físico
76
V.2.2. Contextualização: genética
83
V.3. Método de recolha da amostra
84
V.4. Amostra
89
V.5. Análise
90
V.6. Conclusões: pontos-chave e tendências
7
110
CONCLUSÃO
115
ANEXOS
117
BIBLIOGRAFIA
142
ÍNDICE DE FIGURAS
156
8
INTRODUÇÃO
O estudo que aqui se apresenta visa dar a conhecer as variantes antropométricas
da face, citando e compilando desde os mais antigos tratados às suas mais recentes
interpretações, aliando o olhar atento e perspicaz dos artistas ao olhar rigoroso e
profundo dos homens da ciência. O que aqui expomos é a análise e o cruzamento de
estudos desenvolvidos ao longo dos séculos numa tentativa de conjugar mais
informação que possa aqui ser considerada de caracter científico. Este estudo visa não
só organizar e analisar informação sobre as variantes antropométricas (e como estas
podem ser estudadas) mas compreender esta variabilidade a partir do conhecimento do
próprio Homem e da sua história, sua causadora e potenciadora. Este estudo, apesar de
feito por e dedicado a todos aqueles que dão primazia ao ato de observar (neste caso o
rosto humano), pretende ser atual e cientificamente correto e pertinente para todos
aqueles a quem desperte interesse, sejam eles homens da história, da ciência ou outros.
Os Exmos. Srs. Professores Artur Ramos, orientador desta dissertação (departamento de
Desenho, professor da disciplina de Desenho de Modelo na FBAUL e autor da obra “O
Retrato – o desenho da presença”, em muitas alturas citado) e Isabel Ritto
(coordenadora do Mestrado de Anatomia Artística e professora de Anatomia FBAUL e
médica oftalmologista) foram imprescindíveis para a realização desta dissertação e a
eles se deve a legitimidade científica desta obra. Não obstante, esta dissertação estendese um pouco mais. Após os primeiros capítulos, de cariz mais científico, em que
percorremos a História e natureza do Homem, falamos da intrínseca relação entre Arte
(nas suas várias formas) e Ciência: a sua contribuição mútua em ambos os sentidos e a
sua inquebrável relação que adquiriu várias formas ao longo dos séculos. É marcada a
importância da compreensão e observação da natureza para que seja feita a sua
representação corretamente e para que, a partir daí, se crie segundo uma lógica natural:
Cabe ao desenho ser a forma de expressão que melhor sintetiza a nossa relação com o
1
Mundo.
Analisando estudos de natureza artística e científica focados na face humana
percorremo-la analisando a sua constituição, as variantes que pode adquirir, onde é que
estas são mais comuns e, nos casos em que temos resposta para tal, o porquê dessas
manifestações. Nos últimos capítulos é selecionada uma pequena amostra (indivíduos
da costa mediterrânica da Península Ibérica) e é feita a sua análise facial. Com este
estudo pretende-se demonstrar que a análise sugerida pelos mais variados autores
9
citados é pertinente, atual e interligada. Para além disso pretende-se assinalar os pontos
comuns entre os vários elementos da amostra e assinalar quais destas variantes são mais
representadas na área geográfica em causa, demonstrando resultados concordantes com
os factos históricos (veremos que a amostra procurou consistir em indivíduos cujos
antepassados habitavam já no mesmo local, tendo sido excluídos os indivíduos
provenientes de migrações recentes). No entanto, fica o desejo de, em breve, realizar o
mesmo estudo aplicado a uma maior área podendo comparar entre si as variantes
“chave” de cada ponto geográfico e mais consistentemente cruzar essas conclusões com
factos históricos, genéticos e ambientais assinalando as relações entre estes vários
campos de modo a criar um estudo original e de interesse científico sobre a população
mediterrânica do século XXI.
Que este estudo seja dedicado aqueles que desenham e/ou pintam diariamente
observando atenta e intensamente o Mundo; a todos aqueles que aceitam e se deliciam
com a diversidade e riqueza humana.
1
SARAIVA, Pedro – Acerca de um Gabinete. Aparecer e Desaparecer do Desenho. In MARQUES, António
Pedro Ferreira et alt. – Desenhar, saber Desenhar. Lisboa: Faculdade de Belas Artes da Universidade de
Lisboa, 2012. p.95.
10
I.
O HOMEM
I.1. Breve introdução à Origem das Espécies
Para darmos início a este estudo será importante dominar alguns conceitos básicos
e conhecer as bases do funcionamento e história da evolução do seres vivos pois, como
veremos, para compreendermos as populações humanas é essencial compreender a sua
origem e o modo como as espécies evoluem.
No início os continentes não existiam, havia apenas uma grande massa de terra
onde habitavam as primeiras formas de vida e que se começou a separar, pelo movimento
das placas tectónicas, há 225 milhões de anos.1 Durante este período ter-se-ão definido as
18 ordens que conhecemos hoje. Nós pertencemos à ordem dos mamíferos descendente
da estirpe que sobreviveu à catástrofe natural (mas de natureza desconhecida) que
aniquilou os grandes répteis carnívoros que dominavam a Terra até então, há cerca de 65
milhões de anos. Nesta altura todo o planeta sofreu grandes alterações climáticas e apenas
pequenos seres conseguiram prosperar. É quando surgem os primeiros primatas, próximos
dos lémures. No início do Miocénico2 a África retoma contacto com a Arábia e com a
Eurásia (massa formada pela Europa e Ásia) e começam as migrações dos animais que
haviam evoluído separadamente. No entanto, no final deste período, deram-se novas
alterações climáticas (a Terra tornou-se mais fria e seca) e isso fez com que os primatas
ficassem restringidos à zona equatorial onde, de modo a sobreviver, se tornaram mais
hábeis e maiores (período em que se considera terem começado a desenvolver a
capacidade de se locomover de forma bípede). 3
Apesar das muitas interpretações e estudos anteriores, só em 1763 é que Carl Von
Linné4 cria um sistema que relaciona os seres vivos consoante as suas semelhanças
anatómicas (apesar de, influenciado pela religião, afirmar que as espécies seriam tantas
quantas as criadas por Deus5). Só com A Teoria da Evolução atribuída a Charles Darwin6
na sua obra A Origem das Espécies7 se dá início à compreensão do Mundo Natural e,
consequentemente, à história do Homo Sapiens, a espécie humana. Pela primeira vez,
com a descoberta dos fósseis, os cientistas tiveram consciência de que houvera outras
espécies no passado, agora extintas, mas relacionadas com as atuais. As espécies
começaram a ser comparadas e foram encontrados pontos em comum nas características
de seres vivos diferentes, o que indiciou um passado comum e, consequentemente, a
possibilidade de mutação e evolução (processo que será aprofundado mais à frente). Para
11
além disso a compreensão do desenvolvimento dos seres desde o seu nascimento até à
forma adulta mostrou que diferentes seres, bastante distintos, podem desenvolver-se de
modo muito semelhante, demonstrando que mesmo quando as espécies parecem não ter
qualquer relação entre si podem mostrar-se semelhantes no modo como se desenvolvem8.
Nada na Natureza é imutável e nada do que conhecemos corresponde a uma forma
definitiva que se irá manter no futuro.
Atualmente a teoria da evolução é denominada como Neo-Darwinista pois alia a
teoria original de Darwin com a teoria de hereditariedade ou seja, as características de
cada ser são-lhes transmitidas pelos seus progenitores e isso acontece sucessivamente9.
Uma espécie será então o nome dado ao conjunto de indivíduos com
características específicas em comum e que o distinguem das outras espécies. Uma
espécie possui uma unidade química e uma unidade física relacionadas e não separáveis
(pois o todo de uma espécie é sempre condicionado por leis da física por intermédio de
reações químicas)10. Estes indivíduos podem reproduzir-se apenas com outros da mesma
espécie (salvo raras exceções) e dão origem a novos indivíduos também da mesma
espécie.
Os homens, mesmo possuindo características morfológicas variáveis, podem
sempre reproduzir-se logo pertencem à mesma espécie. Assim, apesar de uma espécie
prever as mesmas características nos indivíduos que a ela pertencem, admite pequenas
variações: a variabilidade das espécies.
Como veremos as variantes dentro da mesma espécie tendem a fazê-la evoluir mas
não levam necessariamente à criação de uma nova. Isto acontece apenas quando a mesma
espécie evolui em dois sentidos distintos que deixam de ter contacto entre si (isto
normalmente acontece por fatores geográficos e espaciais que separam as populações).
Note-se que serão necessários muitos milhares de anos de separação entre esses dois
grupos populacionais para que se possam definir duas espécies distintas.
I.2. A genética Humana
I.2.1. Conceitos
Para compreendermos a variabilidade das espécies devemos analisar como são
transmitidos os caracteres comuns de cada espécie e como surgem as variações. Esta
informação é denominada como informação genética (ou genoma) e está presente em
todas as células de qualquer ser vivo em forma de cromossomas. No ser humano os
12
cromossomas estão organizados sobre a forma de 23 pares em cada célula. Estes pares
são compostos por 23 cromossomas de origem materna e os restantes 23 cromossomas
de origem paterna. As únicas células com um diferente número de cromossomas são os
gâmetas, apenas com metade, ou seja 23 cromossomas. Em qualquer caso os
cromossomas são iguais a nível morfológico mas distintos a nível químico. O principal
constituinte dos cromossomas é o ADN (ácido desoxirribonucleico) organizado em
nucleótidos11. Ao dividirmos o ADN em segmentos (ou seja, sequências de nucleótidos)
compreendemos que cada segmento responde a uma função específica. Estes segmentos
têm o nome de genes12.
Matt Ridley13 simplifica esta constituição do genoma comparando-o a um livro:
Existem vinte e três capítulos, chamados cromossomas.
Cada capítulo contém várias centenas de histórias, chamadas genes.
Cada capítulo é constituído por parágrafos, chamados Exons,
interrompidos por anúncios chamados Introns.
Cada parágrafo é composto por palavras, chamadas Codons.
Cada palavra é escrita em letras, chamadas bases.14
Quando uma célula se multiplica, dividindo-se em duas, as duas novas células
geram um ADN idêntico ao da célula original mas por vezes surgem pequenas alterações.
A nova célula com pequenas alterações será matriz para as células que se formem a partir
dela e assim sucessivamente. Estas mutações podem ter resultados indetetáveis ou muito
notórios dependendo da função do gene que sofreu a mutação. Os genes com mutações
multiplicam-se entre células do mesmo indivíduo mas só são transmitidas às gerações
seguintes quanto ocorrem nas células germinais ou gâmetas15. Apesar das mutações
surgirem raramente e só serem transmitidas quando presentes nos gâmetas se tivermos
em conta o número elevado de indivíduos que constitui uma população, compreendemos
que a probabilidade de um gene se propagar não é assim tão baixa.16 A hereditariedade é
uma das condições internas dos seres vivos.17
O genoma de um indivíduo refere-se à tensão entre as características
universais da raça humana e as características particulares deste. De certa forma
o genoma é responsável por ambos os lados: o que partilhamos e o que nos
distingue dos demais.18
13
I.2.2. O Polimorfismo e a Frequência Genética
Quando um gene sofre uma mutação a esse gene chama-se alelo. É natural os
genes terem vários alelos, ou seja, várias formas. Nesse caso tratam-se de genes
polimórficos.
Se não surgissem continuamente novos alelos e se estes não se multiplicassem
pelos indivíduos, não existiria evolução. Faça-se aqui um parênteses para assinalar que o
nosso aspeto físico (sob a qual se debruça esta dissertação) não é definido por um único
gene mas por vários sendo o resultado ainda afinado por outros fatores sociais, nãogenéticos.19
Ao serem transmitidos, os alelos propagam-se por vários indivíduos mas tendem
a desaparecer em poucas gerações. Apenas persistem os alelos que se mostrem propícios
ao desenvolvimento da espécie e, se for esse o caso, acabarão por se tornar mais comuns
do que o alelo original. Os elementos naturais e o meio envolvente têm uma relação estrita
com as formas que os seres vivos que aí habitam adquirem.20 Isto acontece por efeito da
seleção natural. Quando as mutações oferecem soluções aceitáveis às necessidades dos
organismos estas são adotadas pela seleção natural..21
A propagação e sobrevivência dos alelos é assim definida por três fatores: a
seleção natural, as migrações (pois um alelo mostra-se benéfico ou não consoante o
ambiente onde o organismo habita) e a variação genética aleatória.22
Darwin introduziu também a noção de seleção sexual, que daria primazia por parte
das fêmeas aos indivíduos mais fortes e bem adaptados, capazes de criar maior número
de descendentes, como se tratasse de um ideal de beleza que, consequentemente também
varia consoante o meio envolvente. A seleção sexual seria o impulsionador da seleção
natural. Esta última teoria, apesar de pertinente, ainda não pode ser comprovada.23
Veremos que é comum uma população ter vários alelos de cada gene e é muitas
vezes impossível compreender quais os alelos mais antigos.
Devido ao efeito de todos estes fatores as espécies privilegiadamente adaptadas
têm maior sucesso e eficácia na produção de descendência.
A Frequência Genética é um meio de estudar uma população através dos seus
genes. Ao fazê-lo podemos definir padrões associados a determinada população.
Evidentemente estes estudos consideram vários alelos referentes ao mesmo gene mas,
14
cruzando essa informação com o maior número de genes possível, podemos definir os
elementos genéticos mais comuns de uma determinada população e, consequentemente,
comparar a frequência genética de diferentes populações.
É muito importante chamar a atenção para o facto de, nos dias de hoje, as
populações já terem sofrido várias miscigenações. Estudar uma amostra atual não nos
garante que os indivíduos abordados têm descendência exclusivamente do povo em
causa.24 Veremos que, para realizar um estudo desta natureza, uma das grandes
dificuldades está em definir as populações a estudar visto estarmos em constante evolução
e migração e ter em conta a questão temporal, muito importante.
Só em 2007 é que se conseguiu descodificar pela primeira vez um genoma na sua
totalidade. Atualmente os estudos mais avançados, e em constante evolução, conseguem
já agrupar os indivíduos através de uma árvore genealógica baseada no seu ADN,
relacionando-os com grupos étnicos da pré-história. Estes grupos têm o nome de
haplogrupos e são de dois tipos: do cromossoma Y (ADN-Y) ou de ADN mitocondrial
(mtADN) sendo que o primeiro se refere à herança paternal e o segundo à herança
maternal. Destes dois o primeiro é o mais interessante para o estudo aqui desenvolvido
pois é aquele que permite definir uma árvore genealógica25. Os haplogrupos são definidos
por mutações ou por polimorfismos de um único nucleótido (SNP)26. Estudando-os,
apesar de não conseguirmos definir o perfil genético de uma população, podemos
comparar a frequência de determinado haplogrupo e através disso tirar conclusões sobre
a proximidade e contacto entre os povos. Falaremos mais sobre as divergências genéticas
entre indivíduos nos próximos capítulos.
1
Formando dois primeiros continentes: Laurásia a norte e Gondwana a sul.
Entre 23 milhões de anos e 5 milhões de anos atrás.
3
GORE, Rick – O Poder Maternal. Fotog. Robert Clark. National Geographic. Lisboa: RBA Revistas
Portugal. Vol. 3, nº25 (Abril 2003). p. 81-83.
4 Linné (1707-1778), botânico, físico e zoologista sueco considerado o pai da taxonometria das espécies
utilizada atualmente.
5
FRIGOLÉ REIXACH, Juan - As Raças Humanas. Lisboa : Resomnia. Vol. 1, p. 2.
6 Charles Darwin (1809-1882), naturalista e geólogo britânico conhecido pelos seus estudos sobre a
evolução das espécies e o conceito de seleção natural.
7
Cuja a primeira edição é de 1859.
2
15
8
Cfr., GORE, Rick – O Poder Maternal. Fotog. Robert Clark. National Geographic. Lisboa: RBA Revistas
Portugal. Vol. 3, nº25 (Abril 2003). p. 83-101.
9
Descoberta atribuída a Gregor Johann Mendel (1822-1884), monge e botânico austríaco, que em 1868
reconheceu a existência de fatores hereditários transmitidos em pares, um da parte do pai e outro da
parte da mãe e aos quais chamamos atualmente genes.
10
[S.A.] - Les Races Humaines. Premier Congrès D’AUCAM. Louvain: Éditions de L’AUCAM, 1930. p. 24.
11
Um cromossoma possui cerca de 100 milhões de nucleótidos variáveis em quatro tipos e cuja ordem
pela qual se organizam é repetida infinitamente pelas várias células.
12
CAVALLI-SFORZA, L. Luca; MENOZZI, Paolo; PIAZZA, Alberto – The History and Geography of Human
Genes. 1ª ed. New Jersey: Princeton University Press, 1996. p.5.
13
n. 1958, jornalista britânico conhecido pelas suas publicações sobre ciência, ambiente e economia.
14 There are twenty-three chapters, called chromossomes. Each chapter contains several thousand
stories, called genes. Each story is made up of paragraphs, called exons, which are interrupted by
advertisements called introns. Each paragraph in made up of words, called codons. Each word is written
in letters called bases. RIDLEY, Matt – Genome. London: Harper Perennial, 2004. p. 6.
15
Pois só na união de um gameta feminino com um masculino surge um zigoto, com 23 pares de
cromossomas e a primeira célula de uma nova vida.
16
Cfr., KIMURA, Motoo – The Neutral Theory of Molecular Evolution. Cambridge: Cambridge University
Press, 1983.
17
DUVAL, Mathias – Traite Elementaire de Physiologie. Paris: J-B. Baillière et Fils, 1909. p.1138.
18
The tension between universal characteristics of the human race and particular features of individual is
what the genome is all about. Somehow the genome is responsible for both the things we share with
other people and the things we experience uniquely in ourselves. RIDLEY, Matt, Op. cit., 2004. p.161.
19
Idem., p.66.
20
PENERTY, Antoine-Joseph – La Conoissance de l’Homme Moral par celle de l’Homme Physique. Berlin:
G.J. Degred, 1776. p.68.
21
When mutations offer acceptable solutions to the needs of organisms they are adopted via natural
selection. CAVALLI-SFORZA, L. Luca; MENOZZI, Paolo; PIAZZA, Alberto, op. Cit., 1996. p.11.
22
Idem, p.11.
23 Cfr., RIDLEY, Matt – Darwins Modernos. National Geographic. Lisboa: RBA Revistas Portugal. Vol. 8, nº
95 (Fevereiro 2009). p. 36.
24
A revista National Geographic, em Novembro de 2013, publicou mesmo um artigo sobre a população
americana e as respostas obtidas no inquérito Census: nos Estados Unidos da América é possível, desde
o ano 2000, responder ao campo “Etnia” com uma resposta múltipla. FUNDERBURG, Lise – As Novas
Faces da América. Fotog. Martin Schoeller. National Geographic. Lisboa: RBA Revistas Portugal [S.ISSN].
Vol. 13, nº152 (Novembro 2013). p. 53.
25 O mtADN, de proveniência materna, possui mais informação sobre doenças transmitidas a nível
genético, provocadas por mutações. Os haplogrupos de cromossoma Y dão-nos mais informação não só
porque possuem 60 milhões de nucleótidos (em comparação com as 16 569 nucleotídos dos mtADN)
mas também porque, consequentemente, são mais propícios a mutações.
26 WIIK, Kalevi - Where Did European Men Come From?. Journal of Genetic Genealogy [em linha] nº4
(2008) 35-85. [Consult. 14 Fevereiro 2014] Disponível em <http://www.jogg.info/41/Wiik.pdf> p.35.
16
II. A EVOLUÇÃO DO HOMEM
II.1. O Género Homo
Analisemos a evolução do género Homo e o surgimento do Homo sapiens, a
espécie à qual todos os homens pertencem. Independentemente das nossas diferenças e
das suas causas sabemos hoje que todos descendemos de um antepassado comum. A nossa
espécie pertence à classe Mammalia, ordem dos Primatas, superfamília Hominoidea,
família Hominidae e género Homo.1
Apesar dos estudos de Linné e Darwin terem sido publicados há vários séculos só
no século XX se puderam tirar conclusões importantes e irrefutáveis sobre os
antepassados do Homem. Para além do imprescindível domínio da genética e descoberta
do ADN e seu comportamento, os estudiosos atuais aliam várias ciências que, ao
cruzarem informação, permitem chegar a conclusões mais acertadas, congruentes e
detalhadas. Se anteriormente a evolução do Homem era estudada apenas por arqueólogos
(baseados em pouco mais do que artefactos, fósseis e ossos), hoje dedicam-se a este
estudo antropólogos, paleontólogos, geneticistas, biólogos, físicos, químicos e até
linguistas (analisaremos esta relação entre a evolução do Homem e a língua mais à frente).
Hoje podemos afirmar sem qualquer dúvida que o Homem pertence à mesma
superfamília dos primatas (algo impensável para os nossos antepassados relativamente
recentes): a Hominoidea. Esta superfamília subdivide-se em famílias separando-nos dos
restantes primatas sendo que o nosso parente vivo mais próximo é o chimpanzé, mais
próximo dos humanos do que dos gorilas, em termos genéticos.2 O elo comum terá
começado a evoluir em dois sentidos distintos entre há cerca de 6,3 milhões e 7,7 milhões
de anos atrás.3 Da família Hominidae, o Homem é a única espécie viva.
Naturalmente é impossível indicar uma data exata para o início da existência de
antepassados já pertencentes à família Hominidae pelo que podemos apenas indicar um
espaço de tempo na qual sabemos que esses antepassados existiram (através da análise
dos vestígios encontrados). Os primeiros antepassados exclusivos da espécie Humana,
são aqueles que já apresentavam certas características exclusivas do Homem: a postura
bípede, o crânio globalizado com face reduzida, um dedo grande do pé não oponível aos
restantes, entre outras. Respondendo a estes predicados os fósseis mais antigos foram
encontrados em África e têm cerca de 6 milhões de anos4 razão pela qual África é
apelidada como o berço da humanidade. No entanto, muito mais recentes são os fósseis
de Austrolopitecus afarensis, o hominídeo mais antigo do qual temos conhecimento
17
suficiente para que possa ser considerado como uma espécie fóssil autónoma e
antepassado exclusivo do Homo sapiens. Os seus vestígios mais antigos, também eles
encontrados em África, têm cerca de 3 milhões de anos.5 O famoso esqueleto parcial de
Lucy, descoberto na década de 70, faz parte desta espécie e foi o primeiro a ser encontrado.
Só se tem conhecimento da presença de Austrolopitecus em África, Israel e Ilha de Java.
O elo seguidor do Austrolopitecus afarensis foi descoberto na década de 60
também em África. Este possuía maior capacidade craniana6, face alta e provou-se ser o
primeiro hominídeo capaz de construir ferramentas. Consequentemente batizaram esta
espécie Homo habilis. Este terá vivido há cerca de 2,5 e 1,5 milhões de anos7.
A espécie seguinte, e última a anteceder o Homem moderno, foi encontrada em
Java: o Homo erectus.8 Considera-se que esta espécie seria capaz de desenvolver um nível
básico de organização dentro de um grupo de indivíduos.9 A principal característica desta
espécie seria a sua capacidade de locomoção, facto comprovado não só pela estrutura dos
esqueletos encontrados mas também por se tratar do primeiro hominídeo de que se
encontram vestígios não só em África mas também na Europa e Ásia (excluindo o norte
da Ásia onde as condições seriam talvez demasiado rigorosas)10. O Homo erectus terá
vivido até há cerca de 300 mil anos, quando apareceu o elo seguinte.
O Homo sapiens primitivo foi primeiro encontrado na Europa. O tamanho dos
cérebros dos primeiros indivíduos teria já o tamanho do cérebro humano atual. Desta
espécie são conhecidas duas subespécies que coexistiram na Europa: o Homo
Neanderthalensis (ou Homem de Neandertal) e o Homem de Cro-Magnon.11
O Homem de Neandertal (cujos primeiros fósseis foram encontrados em Neander,
Alemanha) estaria já muito próximo do Homem atual, com uma capacidade craniana
muito elevada12. Esta raça viveu a glaciação de Wurm e essa terá sido a razão para
algumas das modificações que apresenta: tal como os arcos supraorbitários muito
desenvolvidos, a face alta e maciça, a grande cavidade nasal e o corpo robusto e membros
curtos para conservar o calor13. Note-se que já aqui é percetível e consequente a seleção
natural. O Homem de Neandertal, apesar de se considerar que nunca teve uma população
com mais de 15 mil indivíduos, dominou a Eurásia durante cerca de 200 mil anos numa
altura em que o clima seria muito rigoroso, idêntico ao atual clima do norte da
Escandinávia14. Sabe-se também que foi neste período que surgiram as primeiras formas
de ritual (cultura) e a presença do gene associado à capacidade da fala.15
No entanto, como já foi dito, esta é uma raça fóssil sem descendência e que se
extinguiu por razões ainda incertas. Nos seus últimos dias estaria apenas confinado à
18
Península Ibérica, pequenas zonas na Europa Central e costa Mediterrânica. Uma das
hipóteses para o seu estranho desaparecimento é o extermínio pelo Homem de CroMagnon, o verdadeiro e último antepassado do Homem atual (de estatura elevada, sem
prognatismo, crânio globalizado e grande capacidade craniana). A razão pela qual uma
espécie sobreviveu e outra não ainda não é clara e é até possível que tenha havido alguma
miscigenação ocasional entre as duas espécies. Atualmente alguns cientistas defendem
esta hipótese. No entanto calcula-se que a grande diferença entre as duas estaria na sua
organização em termos de sociedade (algo muito próprio da natureza humana): o Homem
de Cro-Magnon estaria mais evoluído em termos de adaptação cultural, procura e
diversidade do alimento, distribuição do trabalho pelos indivíduos (beneficiando as
mulheres, os mais novos e os mais fracos) e organização em tribos com maior número de
indivíduos. Calcula-se que os Neandertais, não tão bem preparados, tenham sido
aniquilados pelos Homens de Cro-Magnon em alguns casos mas tenham também sido
vítimas das alterações climáticas que se sucederam. No entanto o seu desaparecimento
pode ter-se dado de modo diferente, em alturas diferentes e em locais diferentes.16
O Homem de Cro-Magnon possuía já conhecimentos na criação de instrumentos,
usava roupas e criou as primeiras formas de Arte. Estas representavam o observado mas
estavam também muitas vezes ligadas a um misticismo primitivo: algumas peças eram
feitas para acompanhar os mortos na sua passagem para o outro Mundo.17
A sua especial capacidade de adaptação permitiu ao Homem espalhar-se por todo
o globo e instalar-se nos ambientes mais remotos e distintos. O Homem desenvolveu
características exclusivas e extraordinárias que o distanciam em muito das outras
espécies, não só características óbvias (como o facto de serem bípedes) mas também
outras características que facilitaram o desenvolvimento cerebral e a sobrevivência (como
o cabelo, uma dentição complexa que permite extrair o máximo de nutrientes presentes
nos alimentos, os seios, a nascimento placentário, uma infância longa, entre outros)18.
19
Fig.1) Crânios de 1- Chimpanzé, 2- Orangotango, 3- Austrolopitecus afarensis, 4- Austrolopitecus
robustus, 5- Homo habilis, 6- Homo erectus, 7- Homem de Neandertal, 8- Homem de Cro-Magnon,
9- Homo sapiens
Conclui-se que o Homem possui características biológicas e orgânicas
privilegiadas que potenciam uma evolução com êxito em vários sentidos: somos um
sucesso ecológico.19 Somos a única espécie que possui um processo de pensamento tão
evoluído que permite a autoconsciência, a racionalidade e a sapiência e, para além disso,
detemos uma característica inexistente em qualquer outra espécie, a cultura. Esta
permitiu-nos a adaptação a novas situações não só através de modificações no organismo
mas também através da criação de instrumentos e de novas formas de pensar, encarar e
solucionar problemas. O Homem tem ainda a capacidade de criar complexas estruturas
sociais cooperantes e o desejo (também inexistente nas outras espécies) de criar e de
compreender a natureza.20
20
II.2. A nossa espécie: Teorias do seu aparecimento
Os dados apresentados até aqui estão todos estudados e comprovados (dando
sempre algum espaço a acertos especialmente temporais mediante a descoberta de novos
fosseis). No entanto os antropólogos têm opiniões divergentes quanto à evolução entre o
Homo erectus para o Homo sapiens. Se por um lado os cientistas defendem a evolução de
uma espécie para a outra discordam na localização espacial e temporal dessa ocorrência
colocando-se a existência de duas hipóteses: a evolução do Homo erectus num único local
dando origem a um Homo sapiens que se espalha pelo globo - Monofiletismo; a evolução
do Homo erectus em alturas diferentes em vários pontos do Mundo (ou seja os atuais
povos europeus descenderiam dos Homo erectus europeus, os povos asiáticos
descenderiam dos Homo erectus asiáticos e assim sucessivamente) - Polifiletismo.
É também um dado aceite que o Homem de Neandertal habitou apenas na Europa
e parte ocidental da Ásia pelo que neste caso seria uma evolução exclusiva do Homo
erectus europeu. No entanto como já vimos, esta é uma subespécie extinta e que
possivelmente não teve descendência. 21
O Monofiletismo tem, hoje em dia, uma maior aceitação por parte da comunidade
antropóloga.22
1
Note-se que pertencemos à mesma ordem de qualquer mamífero por isso, retrocedendo tempo
suficiente os nossos antepassados seriam os mesmos de animais tão distintos como as baleias ou os
musaranhos.
2
Cfr., RIDLEY, Matt – Genome. London: Harper Perennial, 2004. p. 28.
3 Algo apenas comprovado em 1967 por Vicent Sarich e Allan Wilson da Universidade da Califórnia
através de estudos genéticos mas também comportamentais.
4
SHREEVE, Jamie – A Estrada da Evolução. National Geographic. Lisboa: RBA Revistas Portugal. Vol. 10,
nº112 (Julho 2010). p. 11.
5
O Austrolopitecus afarensis já possuía a capacidade de se movimentar em apenas dois membros mas
media apenas cerca de 1,10m de altura, pesava pouco (peso médio de 50 quilos), possuía ainda uma
fraca capacidade craniana e a sua face seria ainda muito próxima da do chimpanzé (larga, maciça e
projetada para a frente, com caninos muito desenvolvidos). No entanto, apesar dos ombros se
mostrarem semelhantes aos de um jovem gorila, o ângulo formado entre o joelho e a bacia é muito
semelhante com o ângulo formado no joelho do Homem moderno, o que sugere uma postura bípede
eficiente. SLOAN, Christopher P. - Menina de Dikika. Fotog. Kenneth Garrett. National Geographic.
Lisboa: RBA Revistas Portugal. Vol. 6, nº68 (Novembro 2006). p. 5. Também em África foram
descobertas outras duas espécies de Austrolopitecus que coexistiram mas que se terão extinguido há
21
cerca de 1 milhão de anos não sendo antepassados reais do Homem mas antes outras linhagens da
família Hominidae que não tiveram continuidade. JOHANSON, D. C. – The Current Status of
Austrolopitecus. Hominidae. Milano: Jaca Books. (1989).
6
Possuía um cérebro notoriamente maior do que o Austrolopitecus (mas ainda mais pequenos do que
metade do tamanho do cérebro humano. CAVALLI-SFORZA, L. Luca; MENOZZI, Paolo; PIAZZA, Alberto –
The History and Geography of Human Genes. 1ª ed. New Jersey: Princeton University Press, 1996. p.61.
7
KLEIN, R. G. – The Human Career: Human Biological and Cultural Origins. Chicago: University of Chicago
Press, 1989.
8
Este possuía um esqueleto que o permitia mover-se como os humanos atuais. O seu o crânio era largo,
a mandíbula robusta e o seu queixo inexistente. Os arcos supra-orbitários continuavam proeminentes.
9
Cfr., HOWELL, F. Clark – Early Man. Netherlands: Time-Life International, 1970. p.86.
10 Cfr., CAVALLI-SFORZA, L. Luca; MENOZZI, Paolo; PIAZZA, Albert, op. cit., 1996. p.61.
11
Estas duas subespécies começam a separar-se acerca de 700 milhares de anos e há 300 mil anos eram
distintas. Destas duas a primeira ter-se-á extinguido à cerca de 40 mil anos e a segunda evoluído até ao
Homem moderno. HALL, Stephen S. - O Último Neandertal. Fotog. David Liittschwager. National
Geographic. Lisboa: RBA Revistas Portugal. Vol. 8, nº 92 (Novembro 2008). p. 14.
12
(Portador de um cérebro ligeiramente maior do que o nosso) e um prognatismo notoriamente inferior
ao apresentado pelas espécies até então.
13 MCNALLY, Joe – O Último Neandertal. National Geographic. Lisboa: RBA Revistas Portugal. Vol. 8, Nº
92 (Novembro 2008). p. 1.
14
HALL, Stephen S., op. cit., Vol. 8, nº 92 (Novembro 2008). p. 7.
15
Isto indica que possivelmente esses indivíduos seriam capazes de comunicar entre si com destreza face
aos seus antepassados. Idem. p. 12.
16
Cfr., Idem. p. 21-27.
17
BLAINEY, Geoffrey – Uma Muito Breve História do Mundo. 1ª ed. Alfragide: Livros d’Hoje Publicações
D. Quixote. p.24.
18
GORE, Rick – O Poder Maternal. Fotog. Robert Clark. National Geographic. Lisboa: RBA Revistas
Portugal. Vol. 3, nº25 (Abril 2003). p. 83.
19
RIDLEY, Matt, op. cit., 2004. p. 25.
20 A evolução do Homem distingue-se da evolução dos demais seres vivos pela presença da cultura e
durante muitos anos este facto tornou complexa a inclusão do Homem no Reino Animal. Só quando foi
reconhecido o lugar que o Homem ocupa na Natureza, relacionando-o com os seus antepassados,
espaço e tempo, foi possível relacioná-lo com as outras espécies (facto já referido desde a Antiguidade,
desde Aristóteles, mas apenas consolidado e aceite após Darwin publicar a sua obra A Origem do
Homem).
21
O Monofiletismo foi principalmente defendido pelo antropólogo francês Henri V. Vallois e o
Polifiletismo pelo antropólogo alemão Franz Weidenreich e pelo antropólogo americano Carleton S.
Coon. Os segundos defendiam o surgimento do Homem moderno em quatro pontos: Médio Oriente,
África, Norte da China e Sudeste Asiático.
22
CAVALLI-SFORZA, L. Luca; MENOZZI, Paolo; PIAZZA, Alberto, op. cit., 1996. p.62.
22
III. AS RAÇAS HUMANAS
III.1. Conceitos: Raça, Etnia e População
Neste capítulo iremos definir diferentes populações humanas e, para tal,
necessitamos compreender como podemos definir os limites destas populações bem como
compreender determinados termos referentes a conjuntos de indivíduos.
Já vimos que uma espécie define uma entidade biológica e sabemos, até pela
linguagem corrente, que uma espécie pode ter várias raças (exemplo dos cães que quer
sejam Podengos ou Perdigueiros são sempre cães e podem reproduzir-se entre si). Isto
quer dizer que, apesar das variações, qualquer raça é idêntica a nível biológico às demais
raças da mesma espécie. Assim as diferenças entre as raças nunca são indubitavelmente
corretas: raça é uma classificação taxonómica fictícia.
No caso dos humanos o termo raça é utilizado há muitos anos dividindo
grosseiramente os homens pela diferença entre as suas características morfológicas mais
evidentes mas sem ter em conta um grande número de outros fatores importantes. O termo
raça tem contornos tão indefinidos que o termo é constantemente utilizado erradamente
em vez de espécie, subespécie, tribo, entre outros.1 Atualmente é um termo em desuso
por três razões principais: provou-se ser impossível crer em apenas um único sistema de
classificação; o estudo das populações a nível cultural e social mostrou-se muito mais
eficaz para analisar as diferenças entre os povos; a perceção de que a divisão entre raças
tendia ao afastamento e hierarquização dos povos.2
Quando são tidos em conta fatores ligados à cultura, à história, à língua e à
organização social o termo raça é substituído por etnia3. Este é um termo mais recente e
foi sugerido pela Unesco com o seu estudo The Race Question4.
O pecado original da antropologia consiste na confusão entre a
noção puramente biológica de raça (supondo-se que [...] essa noção
pudesse pretender objetividade, o que a genética moderna contesta) e os
produtos sociológicos e psicológicos das culturas humanas. 5
23
No entanto o termo etnia pode definir grupos de indivíduos provenientes de
diferentes pontos do globo mas que têm uma cultura comum ou até agrupar indivíduos
que dentro de uma população se distinguem dos demais em termos culturais. Digamos
que enquanto o termo raça se prende apenas a fatores físicos e antropométricos evidentes,
o termos etnia peca por se focar maioritariamente nas características culturais. Nenhum
dos dois termos é eficaz para o estudo que pretendemos realizar.
O termo raça é associado a uma ciência errónea, ligada a diferenças
físicas e muitas vezes à cor da pele. É regularmente utilizado como um termo
pejorativo e as ideologias nele baseadas estão ligadas a regimes de opressão. Por
outro lado, o termo etnia pode ser utilizado como um termo analítico das ciências
sociais, regularmente utilizado voluntariamente e de forma benigna para
autoidentificação de grupos de indivíduos.6
O termo que será usado neste estudo será população. Este pressupõe um conjunto
de indivíduos que se relacionam e coabitam deixando em aberto os limites a nível cultural
ou morfológico. Seremos nós, ao decidirmos a população a estudar, que iremos definir
quais esses limites pois consoante a população escolhida, será pertinente estudar ou não
os indivíduos a nível morfológico, cultural, genético e linguístico 7. Veremos que ao
cruzar todos estes campos conseguimos ter muito mais informação sobre uma população
do que abordando-os separadamente).
Alterações linguísticas seguem regras de alguma forma ligadas à
evolução genética, diferindo desta por se tratar de um processo muito mais rápido
e particularmente difícil (…). A antropologia física pode ser mal entendida
porque certas características observadas nos ossos podem sofrer rápidas
alterações por ação das condições ambientais (…). Apenas os genes apresentam
quase sempre um nível de permanência que permite tirar conclusões quanto a
cruzamentos, fusões e migrações entre povos que remontem à história das
subespécies, isto é, há pelo menos 100 000 anos atrás (…).8
24
Note-se no entanto que no século XX ficou claro que havia muito mais a estudar
do que as diferenças morfológicas evidentes.
III.2. Estudos Antropológicos
III.2.1. Primeiros Estudos
Como referimos, mostra-se impossível classificar os seres humanos como
pertencentes a diferentes raças pela dificuldade em definir os limites de cada uma e a
pertinência dessa classificação. No entanto os estudos feitos com o propósito de catalogar
essas raças levaram à observação mais ou menos cuidada das variantes antropométricas
pelo que são pertinentes para o nosso estudo, apenas completo conhecendo a evolução do
pensamento antropológico e antropométrico ao longo dos séculos.
Desde sempre que os povos, ao serem confrontados, denotam diferenças entre si
e os primeiros tratados são puramente especulativos. Os primeiros estudos conhecidos
remontam aos egípcios, ao Antigo Testamento (que divide os homens como filhos de
Cam, Sem ou Jafé) e à antiga Grécia onde Herodotus, no século V a.C., distinguia povos
pela sua localização, costumes e aparência física9.
Fig. 2) As quatro raças reconhecidas no antigo Egipto: os Líbios, os Namíbios, os Asiáticos e os
Egípcios. Ilustração feita a partir de um mural da tumba de Seti I.
25
Carl von Linné foi o primeiro a criar um sistema com base científica, o Systema
Naturae, com base na localização geográfica dos seres vivos, comparando-os e
agrupando-os. Edward Tyson10 compara a anatomia do Homem com a dos macacos e
John Ray11 cria o termo espécie. No século XVIII a Antropologia torna-se independente
da Zoologia.12
No entanto a visão dos cientistas ainda não era homogénea: George Louis Leclerc,
conde de Buffon13, opôs-se à sistematização de Linné afirmando que essas convenções
não tinham propósito pois na natureza existem apenas indivíduos.
Os homens segundo a sua cor, variam desde o branco ao negro (…) Estas
são variações comuns da natureza e são causadas pelas diferenças do clima e da
dieta (…) Estes homens tão diferentes na aparência pertencem todos a uma única
espécie.14
No século XIX o trabalho de Charles Darwin dá o passo seguinte. Darwin foi, sem
dúvida, o pai do pensamento evolutivo atual. Em The Descent of Man and Selection in
Relation to Sex este afirma que as raças do homem não são suficientemente distintas para
que coexistam sem se cruzarem; o não cruzamento entre indivíduos apresenta-se como a
melhor prova de que estes são realmente distintos.15
Na segunda metade do século XIX Johann Friedrich Blumenbach 16 classificou
pela primeira vez os humanos em raças em cinco grupos baseados na morfologia:
caucásica
(branca),
mongólica
(amarela),
etiópica
(negra),
americana
(acobreada/vermelha) e malaia (morena/parda). No entanto Blumenbach estava ciente de
que as variações que à primeira vista parecem consideráveis, não têm valor absoluto e,
sendo possível a sua fusão, a classificação das raças humanas seria, consequentemente,
arbitrária.17 Da mesma altura são os trabalhos de Petrus Camper18, crente de que o
Homem é uma criação de Deus, apontava que todas as raças humanas seriam
descendentes desse primeiro Homem e, quaisquer que fossem as formas em que se
apresentasse, a sua base seria sempre igual.19 Jean Léopold Cuvier (também conhecido
por George Cuvier)20 simplificou esta classificação considerando apenas os três primeiros
grupos. Por outro lado Louis Agassiz21 indicava nove raças pertencentes à mesma espécie,
mas criadas por Deus, em diferentes alturas e em diferentes locais (uma teoria poligenista
relacionando a antropologia com a ideologia cristã), uma visão bastante retrógrada em
relação à de Jean-Baptiste Lamarck,22 seu contemporâneo, que afirmava que uma espécie
26
é um momento em que um equilíbrio transitório de condições e funções produz um tipo
orgânico.23 Mesmo Immanuel Kant24 se dedicou a esta temática na sua obra Das
Diferentes Raças Humanas de 1775. Ainda no século XIX surgem os zoológicos humanos
em que pigmeus, trazidos de África, são exibidos como animais.25 É o primeiro sinal do
Racismo, a hierarquização dos povos.
Fig.3) Cartaz alemão de 1928 anunciando um Zoo Humano
Posteriormente Ernst Haeckel26, a partir das conclusões de Lamarck, cria o termo
Antropogenia, uma visão monogenista que defende a proveniência do Homem de uma
única série evolutiva mas também poligenista, pois assume que quando surge a
capacidade da fala já o Homem estaria dividido em doze raças. Retzius27, em 1840, parte
do trabalho de Blumenbach e conclui que mesmo dentro das raças humanas definidas até
então havia variações, comparando o crânio dos escandinavos com o crânio de outros
povos eslavos.28
Foi também no século XIX que surgiu a primeira sociedade antropológica em
Paris, fundada por Paul Broca29. Depois de Broca, Paul Topinard30, define a antropologia
como o ramo da história natural que trata do homem e das raças humanas.31
Em 1881, Joaquim Pedro Oliveira Martins32 analisou detalhadamente os vários
sistemas de classificação racial utilizados até então na sua obra As Raças Humanas.
Oliveira Martins considerava que a divisão das raças com base no tom de pele era o
método mais popular mas totalmente erróneo argumentando que o tom de pele era
influenciado não só pelo clima mas também pela alimentação. Para Oliveira Martins a
27
classificação baseada na morfologia peca pela sua simplicidade, enquanto a classificação
baseada na psicologia e moral dos povos falha pela sua complexidade apontando como
mais indicado o método baseado na língua de cada população33 por considerar que esta
possui uma base sólida que indica não só a ligação com os outros povos como também a
sua evolução (explica contudo que este método não serve para a definição de um quadro
atual etnográfico porque a língua falada por um indivíduo muitas vezes não corresponde
à sua natureza de sangue; permite no entanto determinar a descendência dos povos sem
se restringir a indicações físicas ou morais mas podendo aliar-se a estas de modo a atingir
conclusões mais exatas).
34
Segundo este método as raças europeias não seriam mais do
que populações unidas por religiões, línguas ou costumes comuns (cultura)35.
III.2.2. O Racismo
Um inimigo é alguém cuja história não foi ouvida.36
Como referido, um dos pontos que impossibilita a viabilidade da classificação dos
seres humanos em raças é a tendência para a hierarquização destas. Isto prende-se com o
que conhecemos como Racismo, uma realidade desde que o Homem observou diferenças
entre indivíduos mas apenas considerado como um modo de pensamento e de encarar o
outro a partir do século XIX. Durante este e mais de metade do século XX, em paralelo
com os estudos apresentados, defendia-se a ideia de que a espécie humana estava dividida
em raças completamente diferentes em termos sociais, políticos e científicos organizadas
de forma hierárquica dando primazia à raça dita Europeia, Caucásica ou Branca. Esta
ideia foi popularizada por Joseph Arthur Comte de Gobineau37 no século XIX, o criador
do racismo e do mito ariano, considerando a mestiçagem como algo nefasto.38 O termo
raça era utilizado como diferenciador não só de características morfológicas mas também
para determinar a cultura, capacidades e temperamento de um povo39. Alguns defendiam
mesmo uma total diferença entre os povos a nível cerebral, físico, e em termos de
compreensão como resultado de diferentes construções civilizacionais com mais ou
menos instrução40.
28
Fig.4) Craniómetro, inventado por Theodor Kocher nos anos 10 do século XX
Note-se que o Racismo pode ser infligido não apenas contra indivíduos com uma
característica morfológica evidente (como os indivíduos de origem Africana, de tez negra)
mas também contra uma religião (os Judeus) ou contra uma etnia (os ciganos)41, sendo
que estes dois últimos grupos foram assinalados pelos nazis como grupos a exterminar,
com base em termos raciais.42 Consequentemente os grupos de indivíduos vítimas de
racismo, numa tentativa de defesa, utilizam as mesmas características para se afastarem,
tornando-se também eles racistas com aquele traço obstinado e irrefletido que se
manifesta em Alguém Pequeno que toda a vida sofreu abusos de Alguém Grande 43. Só
após a 2ª Guerra Mundial é que o pensamento das massas compreendeu o despropósito
do Racismo. Concluiu-se que a conceção científica de raça, baseada na ideia de tipologias
fixas e determinadas características fisionómicas, não tinha qualquer utilidade ou
propósito científico e que não existe qualquer ligação entre as características físicas e
genéticas e as características culturais.44 No entanto o Racismo nunca desapareceu
completamente como prova o livro The Bell Curve onde Richard Herrnstein e Charles
Murray, já em 1994, afirmam ter encontrado uma relação entre as raças branca e negra no
que diz respeito à inteligência e estas duas raças estarem separadas por fatores de origem
genética que conduzem a diferenças de comportamento a nível social.45
Apesar de todos os avanços científicos os homens ainda não compreendem na
totalidade as suas semelhanças e as diferenças nem sempre são bem aceites. Hoje, no
século XXI, vivemos ainda com resquícios de Racismo e de uma nova versão deste: a
Xenofobia (uma espécie de racismo mais direcionado para as características culturais).
29
Fig.5) Crianças vítimas do Holocausto
Fig. 6) capa do livro “Comment reconnaitre le Juif?” de George Montadon (1940)
30
Fig.7) Aviso de 1976 na África do Sul, indicando área exclusiva para o uso de indíviduos de raça branca
Fig.8) Protestos em França após a deportação de uma estudante de etnia cigana
III.2.3. Teorias Modernas
A entrada no novo século está associada a uma busca incessante de um sistema de
classificação e análise das variantes internacionais, a ser utilizado da mesma forma em
todos os países. Assim, em 1912, aceita-se o Acordo Internacional para Unificação das
Medidas do Indivíduo Vivo. Dezasseis anos depois Rudolf Martin46 define os pontos
antropométricos que conhecemos (49 na cabeça e 71 no corpo).47
No século XX distinguem-se as classificações de Egon Freiherr von Eickstedt48,
que considerava apenas três troncos raciais; Renato Biasutti49 que considerava 16 troncos;
William Cloused Boyd50 que se baseia nos grupos sanguíneos (concluindo existirem cinco
troncos raciais) e Desmond Morris51 que, na década de 60, agrupa o Homem em cinco
31
grupos utilizando cautelosamente o termo subespécie (em vez de raça)52. Destacam-se
ainda os estudos de Carleton Stevens Coon53 defensor do poligenismo e Henri Victor
Vallois54 defensor do monogenismo ou unigenismo. Devemos por último referir
Theodosius Dobzhansky55 que defende a existência de 34 raças, algumas delas formadas
no último milénio.
Autores dedicados à Europa, focam-se nas diferenças presentes dentro do grande
grupo racial europeu, tão pouco homogéneo. É o caso de Ripley (e de outros como
Beddoe, Broca, Collignon, Livi e Topinard) que assumem que a Europa terá pelo menos
três tipos distintos: os teutónicos, alpinos e mediterrânicos.56 Difere destes Joseph
Deniker57, contemporâneo de Ripley, que considera seis: Nórdicos (Teutónicos);
Ocidentais (Alpinos); Adriáticos ou Dináricos (braquicéfalos de alta estatura dos Balcãs);
Atlanto-Mediterrânicos (Pirenéus, parte de Espanha, sul de França e norte de Itália);
Orientais (eslavos da Bielorrússia e Ucrânia) e Ibero-insular (mediterrânicos do sul da
Península Ibérica e da Península Itálica), cada grupo com algumas sub-raças.58
Apesar do estudo que realizaremos mais à frente se focar numa amostra apenas
representativa de indivíduos europeus e de uma área geográfica relativamente pequena,
estes apresentam um elevado número de variantes ao contrário da maioria das populações
de outros pontos do Mundo59. A Europa é um verdadeiro patchwork de tipos físicos.60
Note-se que, por vezes, todas estas teorias por vezes em pouco divergem das
demais e em qualquer um dos casos a definição dessas raças e da sua quantidade prendese apenas com os contornos que o cientista seu criador define e considera pertinentes.
Assim, apesar dos inúmeros estudos realizados e referidos, estes não se inviabilizam uns
aos outros, procurando apenas dar uma resposta mais pertinente e mais global a uma
mesma realidade.
No entanto, os contornos tornam-se muito menos manuseáveis tendo em conta o
ADN e o código genético (de que falámos anteriormente). A sua descoberta veio deitar
por terra todos os sistemas baseados apenas nos caracteres morfológicos pois não só foi
impossível provar as diferenças entre os homens a nível genético como foi provada a sua
semelhança.
No início das pesquisas em genética, os cientistas, que tinham em mente
32
as classificações raciais herdadas do século passado, pensavam que iriam
encontrar os genes dos Amarelos, dos Negros, dos Brancos... Pois bem, nada
disso, não foram encontrados. Em todos os sistemas genéticos humanos
conhecidos, os repertórios de genes são os mesmos. 61
Note-se que apesar de este ser um grande avanço nunca poderá trazer respostas a
longo prazo porque, tal como vimos no capítulo I, a natureza dos genes é estarem em
constante mutação, o princípio básico da evolução. Esta descoberta permite-nos no
entanto compreender e comparar qualquer grupo de indivíduos desde que haja informação
a nível genético suficiente para que seja analisada.62
Apesar de todos estes estudos não existe consenso sobre quantas divisões
considerar entre os homens e atualmente a opinião dos cientistas varia entre três e sessenta
ou mais divisões. Fiquemo-nos para já com a certeza que pertencemos todos à mesma
espécie e que somos idênticos a nível genético.
Todas as populações ou aglomerados populacionais interligam-se quando
um único gene é considerado pois em quase todas as populações todos os alelos
estão presentes mas em diferentes quantidades. Não existe um único gene que só
por si seja suficiente para classificar as populações humanas em categorias. Em
todas as populações, mesmo nas mais pequenas, existe uma enorme variação
genética. Isto deve-se ao facto de a maioria dos polimorfismos observados nos
humanos serem anteriores à separação dos continentes e talvez até anteriores à
origem das espécies, há meio milhão de anos atrás. Os mesmos polimorfismos são
assim encontrados na maioria das populações mas em diferentes quantidades.63
III.2.4. A História e Geografia dos Genes
Os genes trazem-nos informação irrefutável sobre a relação entre os indivíduos e,
consequentemente, entre as populações. Se por um lado os países são definições que
evoluem com base em conquistas e migrações, as fronteiras de uma nação em nada se
relacionam com a genética dos povos: unem subgrupos pela sua língua e facilitam a
miscigenação dentro de portas. É aqui que a genética desempenha o seu papel crucial,
tirando dúvidas sobre migrações e miscigenações que até aqui a história não tinha
conseguido compreender. Se até aqui, como o põe Zizek64, a nossa história era baseada
33
na metáfora constitutiva da subjetividade humana: a palavra do nosso pai em como o é65,
com o discurso científico essa subjetividade desvanece-se. Considera-se que, com os
estudos feitos até aos dias de hoje, as frequências genéticas nos possam dar informação
fidedigna sobre as migrações do Homem dos últimos 40 000 anos 66 (quatro vezes mais
do que a informação que se conseguia extrair anteriormente através de estudos
arqueológicos e linguísticos).
Luigi Luca Cavalli-Sforza67, no prefácio da sua obra The History and Geography
of Human Genes, escreve
Este livro começou com o desejo de analisar a geografia dos genes
humanos, utilizando novas tecnologias desenvolvidas com o propósito de estudar
as antigas migrações humanas (…) mas a complexa tarefa de reconstruir a
história da evolução humana dificilmente será inteiramente satisfatória se
usarmos apenas as evidências provenientes dos dados genéticos. A informação
que podemos extrair de outros recursos, como a história das línguas, antropologia
e arqueologia são também muito úteis e devem ser comparados com os dados
genéticos para que possamos tirar conclusões realmente satisfatórias.68
Cavalli-Sforza ao introduzir a premissa de que qualquer estudo desta natureza é
apenas válido em relação a um determinado espaço e tempo faz-nos ressalvar que também
o estudo aqui apresentado terá validade apenas relativamente ao tempo e espaço em que
foi realizado.
No seu estudo, Cavalli-Sforza define e compara, a nível genético, nove grandes
grupos69 com 42 populações das quais 7 são europeias: os lapões, sardenhos, gregos,
bascos, italianos, dinamarqueses e ingleses sendo que as restantes nacionalidades
europeias que conhecemos estão muito próximas destas.
proximidade mais à frente.
34
70
Analisaremos essa
Fig.9) Esquema de Cavalli-Sforza demostrando a distância genética entre diferentes populações europeias
Fig. 10) Esquema de Cavalli-Sforza dividindo os grandes grupos populacionais da Europa baseados na
sua diferença genética
35
Cavalli-Sforza não é o único que trouxe avanços neste campo. Os estudos a nível
genético estão neste momento a ser aprofundados e surgem novos dados todos os dias.
Atualmente existem mapas que indicam a percentagem de incidência de cada haplogrupo
(ver capítulo I) em cada país Europeu bem como mapas que indicam onde este terá
surgido e como se terá propagado ao longo do tempo. Estes estudos estão numa fase de
constante atualização como comprovam as variadas publicações periódicas eletrónicas
mensais dedicadas exclusivamente a este tema pelo que todos os dias surgem novas
descobertas e dados a analisar. Visto esta não ser a nossa área, abordaremos estes estudos
de genética com cuidado apenas de modo a sedimentar o estudo que aqui desenvolvemos
e propondo que, futuramente, se faça um paralelismo entre estes estudos científicos de
vanguarda e este estudo mais focado na observação e análise (apesar de devidamente
documentado e cuidado). Felizmente, a Europa tem a vantagem de ser o continente em
que não só é mais fácil recolher informação genética fidedigna e numa quantidade
considerável como é também o continente que apresenta dados mais antigos
relativamente organizados. No entanto a complicada história da Europa torna-os por
vezes difíceis de interpretar. As constantes migrações e rotas comerciais tornaram o
Mediterrâneo um ponto de encontro de três continentes e religiões e isso reflete-se nos
dias de hoje tanto a nível cultural como morfológico e genético.71
A complexidade da história genética do Mediterrâneo é também
testemunhada pelo número de eventos históricos ocorridos nesta área (…). Um
estudo recente da variação do cromossoma-Y nas populações mediterrânicas
mostra a diferença entre os habitantes do norte de África e o resto do
Mediterrâneo mas é inconclusivo como prova da heterogeneidade entre as
restantes populações.72
Como já vimos, os cromossomas-Y, referentes à linhagem por transmissão
paterna, dão-nos muito mais informação do que os mtDNA, de origem materna, pelo que
muitos estudos assinalam com cautela e que estes dados mostram as migrações
masculinas mas que podemos assumir, sem receio, que as conclusões a que chegamos
estarão muito próximas das que tiraríamos caso tivéssemos acesso à informação
encerrada nos cromossomas provenientes de ambos os progenitores.
Atualmente considera-se que existem nove Y-cromossoma haplogrupos ou clãs
36
mais comuns na Europa.73 Estes grupos surgiram há muitos anos e atualmente já podemos
alinhar os primeiros acontecimentos a nível genético da História da Europa:
- há 50 000 anos os antecessores dos povos europeus ainda viviam no nordeste africano
e pertenciam apenas a um haplogrupo tendo-se dado a primeira divisão há 45 000 anos,
dividindo o clã E (africano) e o clã F (asiático) que migrou para a Península Arábica e
Médio Oriente;
- 5 000 anos depois este clã F volta a subdividir-se e surge o clã K na Ásia Central;
- há 35000 anos surgem deste duas novas ramificações: R, que define a Ásia Central a
Ocidente e NO, a Oriente. Seguidamente o clã R divide-se em R1 e R2. O primeiro desde
dois migra para as estepes entre o Mar Cáspio e os Montes Urais. Mais de 50% da
população europeia é familiar com o haplogrupo R que tem também ramificações no
ocidente, centro e sul da Ásia.74 O haplogrupo R1 é o primeiro a representar homens
modernos na Europa;
- há 25 000 anos atrás uma subdivisão de R1, R1b, chega à costa Atlântica e à Península
Ibérica e, anos depois, R1a migra para a zona da atual Ucrânia. Entretanto nos Balcãs e
Anatólia surge o clã I, ramificação do clã F, ao mesmo tempo que NO se subdivide e surge
o clã que se dirige para norte, o clã N, que por sua vez se subdivide em N3 e N2 que
migram primeiro para Sibéria e posteriormente para a Europa Oriental.
- após estas migrações dá-se a última Era Glaciar e os habitantes do norte da Europa
migram para sul para quatro refúgios principais: na Península Ibérica, na Ucrânia, nos
Balcãs e na Sibéria.
- há 10 000 anos os clãs E3b (agricultores do Médio Oriente), G (caucasianos,
descendente do clã F) e J (orientais também descendentes do clã F) migram para a
Anatólia, Grécia e costa Mediterrânea.
Estes três grupos formam os primeiros
agricultores. No entanto, um outro clã, I, formou-se no Médio Oriente mas foram para os
Balcãs antes de dominar a agricultura. Estes começaram a dominar esta técnica anos mais
tarde, ensinados pelos seu “irmãos” do Médio Oriente.75 Do haplogrupo E apenas a
ramificação E3b é encontrada fora do continente africano, talvez originário da África
subsariana e que se expandiu para o norte de África e Médio Oriente no final do
pleistoceno. 76
Como vemos podemos dividir os homens Europeus em dois grupos: aqueles que
já povoavam a Europa antes da Idade do Gelo, os primeiros europeus (clãs R1b, R1a, I e
N) e aqueles que migraram para a Europa posteriormente, os Primeiros Agricultores, há
cerca de 10 000 anos (clãs E3b, J2 e G). Note-se que é nesta altura que começamos a ter
37
informação fidedigna proveniente dos estudos antropológicos, arqueológicos e
linguísticos.
Anos mais tarde novos movimentos trarão algumas alterações ao panorama
genético europeu. Depois do colapso do Império Romano, por volta do século VII, os
árabes trazem o haplogrupo E3b1b1b-M81 para a Europa e a nível genético essa presença
está especialmente marcada nos genes da Península Ibérica e a Sicília.77
Faremos uma análise a nível genético mais específica aquando do estudo a que
nos propomos nos últimos capítulos.
III.2.5. As Línguas
As línguas constituem um poderoso guia étnico que, ao contrário da
informação estritamente etnográfica, se mostra muito completo.78
Já foi indicado atrás que o estudo das línguas nos traz um importante meio para
encontrar elos de ligação entre os povos. Estudando a sua evolução podemos criar um
paralelismo com os dados históricos e genéticos e chegar a novas conclusões. A língua
permite-nos encontrar ligações entre povos, facilita a comunicação entre eles, e evidencia
limites, mesmo quando não concordantes com os limites políticos ou antropológicos79
(note-se o caso dos bascos, numa região de Espanha, com um dialeto próprio e
completamente distinto do espanhol).
A proximidade entre as línguas é estudada através da análise dos cognatos
(palavras semelhantes com origem comum) e, ao cruzar esta informação com as várias
ciências e história consegue-se determinar a distância temporal desde a sua separação.
Note-se que será mais provável o cruzamento entre indivíduos com a mesma língua e
base cultural. As línguas evoluem e propagam-se muito mais depressa do que os genes.
Na Europa a grande maioria das línguas pertence a uma família indo-europeia que
se divide em nove ramos80 dos quais ficam de fora apenas duas línguas ainda hoje faladas:
o húngaro, que terá origem na língua falada pelos Magiares, vindos dos Montes Urais e o
Basco, de proveniência desconhecida, e que poderá ser uma língua antiga do tempo do
Mesolítico, mas que apresenta semelhanças com línguas do norte do Cáucaso 81 e dos
Berberes (línguas Afro-asiáticas)82.
38
Fig.11) Grupos linguísticos da Europa segundo Cavalli-Sforza
Naturalmente, os estudos genéticos vieram confirmar que os povos e as suas
línguas apresentam intrínsecas relações que nos permitem chegar mais longe em ambos
os campos. Se até aqui apenas conseguíamos extrair informação através da língua pela
análise da informação direta com base em registos escritos (nunca anteriores a 5 000 anos
atrás)83 agora é possível ir mais além.
Antes, os linguistas eram imprescindíveis para estudar a origem e a mais
antiga história do povos (…) estes pensavam que conseguiam identificar a origem
das línguas (…). O principal papel desempenhado pela língua era baseado no
conceito de nação, de modo que as nacionalidades eram definidas pelas línguas
aí faladas (…). Partia-se do princípio de que os povos e as línguas teriam uma
mesma origem com base na ideia gentem facit língua (a nação é determinada pela
língua). No entanto, os métodos utilizados pelos linguistas são limitados,
especialmente em termos temporais. Estes conseguem apenas regredir no tempo
cerca de 6 000-10 000 anos(…) não mais do que o período Mesolítico. (…) Uma
mudança decisiva surgiu nos anos 80 do século XX quando os geneticistas
39
começaram a estudar profundamente as raízes das populações. Hoje a origem
dos povos é definida pelos seus genes e não pela língua que falam atualmente.84
1
Cfr., MORRIS, Desmond - The Human Zoo. Tokyo: Kodansha Globe, 1996. p. 154.
Cfr., FENTON, Steve – Ethnicity: Modernity, Racism, Class and Culture. London: MacMillan, 1999. p.5.
3
Idem., p.62.
4 Onde participa o antropólogo e filósofo francês Claude Lévi-Strauss) e na Declaração sobre a Raça
(1949). Lévi-Strauss é o primeiro a afirmar que é unicamente pela cultura que os grupos humanos se
devem dividir.
5
LÉVI-STRAUSS, Claude. - Raça e História. Lisboa: Editorial Presença, 2008.
6
The term race is associated with mistaken science, it connotes physical difference and, frequently, color.
It is typically seen as malign, and racial ideologies have been associated with compulsion and regimes of
oppression. By contrast, ethnic can be taken as an analytic term in social science, is often seen as the
voluntary identification of peoples, and as (at least potentially) benign. FENTON, Steve, op. cit., 1999.
p.69.
7
Cfr., Veremos quão útil se apresenta a língua relacionada com a história e até a comum semelhança
entre o nome de um povo e o nome da língua por ele falada CAVALLI-SFORZA, L. Luca; MENOZZI, Paolo;
PIAZZA, Alberto – The History and Geography of Human Genes. 1ª ed. New Jersey: Princeton University
Press, 1996. p.22.
8
Linguistic change follows rules that are somewhat analogous to those of genetic evolution, except that
it is much faster and especially difficult (…) Physical anthropology can be misleading because certain
physical traits observed in bones can sometimes change quickly with environmental conditions (…). Only
genes almost always have the degree of permanence necessary for discussing fissions, fusions and
migrations that took place during the history of subspecies, which goes back at least 100 000 years (…).
Idem., p.2.
9
MYRES, J. L. - [no title] in Anthropology at Oxford: the proceedings of the five-hundredth meeting of the
Oxford University Anthropological Society. (15 Fevereiro 1953).
10
Edward Tyson (1651-1708), cientista e físico britânico muitas vezes referido como fundador da
anatomia comparada.
11
John Ray (1627-1705), naturalista britânico autor de importantes estudos de botânica, zoologia e
teologia natural.
12 RITTO, Isabel - Antropometria : medidas dos ângulos e inclinações do perfil de uma população
portuguesa e comparação com alguns cânones artísticos. Lisboa: [s.n.], 2001 [Tese de doutoramento em
2
40
Anatomia (Antropometria)]. p.190.
13
George Louis Leclerc (1707-1788), naturalista, matemático e escritor francês. O trabalho de Leclerc foi
também importante por compreender a importância dos fósseis e como estes poderiam ser úteis para
compreender os antepassados dos seres vivos atuais sendo também famosos os seus estudos sobre a
história da Terra.
14
BUFFON, Georges-Louis Leclerc – História Natural, General y Particular. Madrid: Câmara S. M., 1785.
15
The races of man are not sufficiently distinct to inhabit the same country without fusion; and the
absence of fusion affords the usual best test of specific distinctness. DARWIN, Charles – The Descent of
Man and Selection in Relation to Sex. London: J. Murray, 1871.
16
Johann Friedrich Blumenbach (1752-1840), antropólogo e naturalista alemão.
17
RITTO, Isabel, op. cit., 2001, p.194.
18 Petrus Camper (1722-1789), físico, anatomista, fisiologista, zoologista, antropologista, paleontologista
e naturalista holandês membro da Royal Society famoso pelos seus estudos em anatomia comparada e
pela proposta da medida do ângulo facial. Também reconhecido como escultor e patrono das Artes. Os
seus escritos são muitas vezes acompanhados de desenhos da sua autoria.
19
CAMPER, Peter – Dissertation sur les Variétés Naturelles qui Caractérisent la Physionomie des
Hommes des Divers Climats et des Différents Ages. Paris: A la Haye. 1791.p.16.
20
George Cuvier (1769-1832), naturalista e zoologista francês famoso pelos seus trabalhos em anatomia
comparada e paleontologia. Considerado fundador da paleontologia vertebrada é também famoso por
ter incluído pela primeira vez fosseis no sistema criado por Linné.
21
Louis Agassiz (1807-1872), biologista, geologista e físico suíço, famoso pelos seus estudos sobre a
história natural da Terra.
22 Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829), naturalista francês e um dos primeiros a considerar que a
evolução era regida por leis naturais.
23
MARTINS, Oliveira - As Raças Humanas e a Civilização Primitiva. 5ª ed. Lisboa : Guimarães
Editores, 1955. p.82.
24
Immanuel Kant (1724-1804), filósofo alemão, considerado uma das figuras centrais da filosofia
moderna. Famoso pelos seus estudos sobre metafísica, epistemologia, ética, filosofia, política e estética.
25
BRADFORD, Phillips Verner - Ota Benga: The Pygmy in the Zoo. Illinois:Delta Publisher, 1993.
26 Ernst Haeckel (1834-1919), biólogo, naturalista, filósofo e artista alemão.
27
Retzius (1796-1860), professor de anatomia e antropologista sueco, estudou profundamente o crânio
humano e considera-se ser o criador do índice cefálico. O seu filho, Gustaf, continuou os seus estudos
apesar de muito ligado ao racismo científico, defendendo a superioridade da raça ariana.
28 RITTO, Isabel, op. cit., 2001, p.196.
29
Paul Broca (1824-1880), físico, anatomista, antropologista e cirurgião francês reconhecido pelos seus
estudos do cérebro e da sua ligação com a língua, estudos de antropometria e antropologia física.
30 Paul Topinard (1830-1911), físico e antropologista francês, foi diretor da École d’Antropologie e
secretário-geral da Société d’Anthropologie de Paris.
31
RITTO, Isabel, op. cit., 2001, p.199.
32
Oliveira Martins (1845-1895), político e cientista social(possivelmente o português que mais se
dedicou a esta matéria).
33
(Partilhando a opinião de Edward Evan-Pritchard, antropólogo britânico da Universidade de Oxford)
34
MARTINS, Oliveira, op. cit., 1955. p. 77.
35
[S.A.] - Les Races Humaines. Premier Congrès D’AUCAM. Louvain: Éditions de L’AUCAM, 1930. p. 32.
36 An enemy is someone whose story you have not heard. BROWN, Wendy – Regulating Aversion.
Princeton, NJ: Princeton University Press, 2006.
37
Joseph Arthur Comte de Gobineau (1816-1882), aristocrata francês famoso pelo seu ensaio Essai sur
L’inegalité des les Races Humaines e pelo desenvolvimento do mito ariano.
38
GOBINEAU, Le Comte de - Essai sur L'inegalité des Races Humaines. Carolina do Sul: BiblioLife, 2009.
39
FENTON, Steve, op. cit., 1999.. p. 4-5.
40
[S.A.] - Les Races Humaines. Premier Congrès D’AUCAM. Louvain: Éditions de L’AUCAM, 1930. p.32.
41 O termo “raça” tende a ser um termo pejorativo. A definição de raças, superiores ou inferiores, foram
a razão que levou a catástrofes como a escravidão, o genocídio, o colonialismo e claro ao nazismo (onde
o acontecimento do Holocausto marcou o expoente mais terrível a que o medo e a ignorância podem
conduzir).
42
FONSECA, Isabel – Bury me Standing. London: Vintage, 2006. P.308.
43
ROY, Arundhati – O Deus das Pequenas Coisas. Porto: Público Comunicação Social, 203. P.189.
41
44
Cfr., MILES, Robert. - Racism.1ª ed. Nova Iorque: Routledge, 1989. p. 37.
HERRNETEIN, Richard, MURRAY, Charles.- The Bell Curve. Nova Iorque: Free Press Paperback, 1996.
46
Rudolf Martin (1864-1925), antropologista suíço, especialista em antropologia física.
47 RITTO, Isabel, op. cit., 2001, 221.
48
Egon Freiherr von Eickstedt (1864-1925), antropologista suíço especializado em física antropologista.
49
Renato Biasutti (1892-1965), físico antropologista alemão conhecido pela sua classificação das raças
humanas.
50 William Cloused Boyd (1878-1965), geografo e antropologista italiano conhecido pelos seus estudos
em antropologia física.
51
Desmond Morris (1903-1983), imunoquímico americano conhecido pelos seus estudos sobre a
distribuição dos tipos sanguíneos.
52 MORRIS, Desmond - The Human Zoo. Tokyo: Kodansha Globe, 1996. p.155.
53
Carleton Stevens Coon (n. 1928), zoologista e etnólogo inglês famoso pelos seus livros sobre
sociobiologia. É também conhecido como pintor surrealista.
54 Henri Victor Vallois (1904-1981), antropologista físico americano.
55
Theodosius Dobzhansky (1889-1981), antropólogo e paleontólogo francês.
56
William Z. Ripley (1867-1941), economista e teórico racial Americano, famoso pelo seu trabalho sobre
as raças da Europa. RIPLEY, William Z. - The Races of Europe : a Sociological Study. New York: D Appleton
& Company, 1915. p.104.
57
Joseph Deniker (1852-1915), naturalista e antropologista francês conhecido pelos seus estudos sobre
as raças europeias.
58
RIPLEY, William Z. - The Races of Europe : a Sociological Study. New York: D Appleton & Company,
1915. p.597.
59
Se pensarmos por exemplo no grande tronco racial que engloba os asiáticos (a chamada raça
amarela), a semelhança entre os vários povos é muito maior do que se compararmos um indivíduo da
Sardenha com um indivíduo da Suécia, apensar de ambos terem ao longo dos tempos considerados
parte do mesmo tronco racial, fosse ele definido como branco ou europeu.
60
Idem., p.56.
61
LANGANEY, André - Tous Parents, Tous Différents, Baiona: Chabaud, 1992.
62 Os pioneiros desta abordagem foram Karl Landsteiner e os irmãos Hirszfeld que no início do século XX
compararam os grupos sanguíneos dos exércitos da 1ª Grande Guerra Mundial (através do Sistema
ABO). No entanto só na década de 50 é que foi publicada a primeira tabela de frequência genética
moderna com uma interpretação a nível evolutivo que indicava que a variação era bem mais complexa
do que apenas alguns grupos sanguíneos. MOURANT, A. E. – The Distribuition of the Human Blood
Groups, and other Polymorphisms. London: Oxford University Press, 1976.
63
All populations or population clusters overlap when single genes are considered and in almost all
populations all alleles are present but in different frequencies. No single gene is therefore sufficient for
classifying human populations into systematic categories. There is great genetic variation in all
populations, even in small ones. This individual variation has accumulated over very long periods
because most polymorphisms observed in humans antedate the separation into continents and perhaps
even the origin of the species, less than half million years ago. The same polymorphisms are found in
most populations but in different frequencies in each. CAVALLI-SFORZA, L. Luca; MENOZZI, Paolo;
PIAZZA, Alberto – The History and Geography of Human Genes. 1ª ed. New Jersey: Princeton University
Press, 1996. p.19.
64
Slavoy Zizek (n. 1949), filósofo marxista, psicanalista e crítico cultural esloveno.
65 ZIZEK, Slavoy – In Defense of Lost Causes. London: Verso, 2009. p.32.
66
Cfr., WIIK, Kalevi - Where Did European Men Come From?. Journal of Genetic Genealogy [em linha]
nº4 (2008) 35-85. p.35.
67
Um dos geneticistas mais importantes do século XX em especial no que toca à genética das
populações, nasceu em Itália em 1922, lecionou na Universidade de Stanford, é membro pontífice da
Academia Francesa das Ciências e vencedor dos prémios Balzac e Kistler pelos avanços que trouxe para
a ciência da origem do Homem.
68
This book was started with the desire to analyze the geography of human genes, using new techniques
we have developed for the purpose studying ancient human migrations (…) but the challenging task of
reconstructing the history of human evolution can hardly be entirely satisfactory using only evidence
provided by the genetic data. Information from historical linguistic, anthropological and archaeological
sources is also useful and it should be compared with the genetic evidence if we wish to reach fully
45
42
satisfactory conclusions. CAVALLI-SFORZA, L. Luca; MENOZZI, Paolo; PIAZZA, Alberto – The History and
Geography of Human Genes. 1ª ed. New Jersey: Princeton University Press, 1996. p.1.
69
Que serão os Africanos; os caucasóides europeus; os caucasóides extra europeus; os mongóis do
Norte; as Populações do Ártico; os mongóis do Sul; os Australianos e populações da Nova Guiné; as
populações das Ilhas do Pacífico e por fim os Americanos.
70
CAVALLI-SFORZA, L. Luca; MENOZZI, Paolo; PIAZZA, Alberto, op. cit., 1996. p.78.
71
ABULAFIA, David – The Mediterranean in History. London: Thames & Hudson Ldt, 2003. p.23.
72 The complexity of Mediterranean genetic history is testified also by the number of historical events
occurring in this area (…). A recent study of Y chromosome variation in Mediterranean populations
showed the distinctiveness of North Africans compared to the rest of the Mediterranean, but failed to
find any heterogeneity among other Mediterranean populations. CAPELLI, C.; REDHEAD, N.; ROMANO, V.
et al. - Population Structure in the Mediterranean Basin: a Y Chromosome Perspective. Annals of Human
Genetics [em linha] (2005). p.2.
73
Que, por ordem alfabética são E3b, G, I1a, I1b1-P37, I1b2-M223, J2, N3, R1a e R1b vindos de seis
ramos principais: R1, I, N, E, J e G WIIK, Kalevi, op. cit., 35-85.
74
MYRES, Natalie M.; ROOTSI, Siiri, LIN, Alice et al - A major Y-Chromosome haplogroup R1b Holocene
era founder effect in Central and Western Europe. European Journal of Human Genetics [em linha] nº19
(Agosto 2010). 95-101.
75 WIIK, Kalevi, op. cit., p.36.
76
CRUCIANI , Fulvio; LA FRATTA, Roberta; SANTOLAMAZZA, Piero et al. - Phylogeographic Analysis of
Haplogroup E3b (E-M215) Y Chromosomes Reveals Multiple Migratory Events Within and Out of Africa.
American Journal of Human Genetics [em linha] 74:5 (Março 2004) 1014-1022. p.1014.
77 CAPELLI, Cristian; ONOFRI, Valerio; BRISIGHELLI, Francesca et al - Moors and Saracens in Europe:
estimating the medieval North African male legacy in southern Europe. European Journal of Human
Genetics [em linha]. 17:6 (Janeiro 2009) 848-852. p.849.
78 Languages offer a powerful ethnic guide book, which is essentially complete, unlike strictly
ethnographic information. CAVALLI-SFORZA, L. Luca; MENOZZI, Paolo; PIAZZA, Alberto, op.cit., 1996.
p.23.
79
RIPLEY, William Z., op. cit.,1915. p.17.
80 A língua arménia, albânica e tocharian (extintas), indo-iraniana (que se divide em 93 línguas
atualmente faladas no Irão, Índia, Afeganistão e Paquistão), grega (que se divide em duas línguas),
italiana (de onde descende o latim, extinto, e as línguas romanas), celta (quatro línguas faladas nas ilhas
britânicas), germânica (onze línguas do norte e centro da Europa) e balto-eslávica (treze línguas do
oriente europeu). RUHLEN, M. – A Guide to World’s Languages. Califórnia: Stanford University Press,
1987.
81
GAMKRELIDZE, T. V.; IVANOV, V.V. – The Early History of Indo-European Languages. Scientific
American. United States of America: Nature Publishing Group, 1990. Vol. 262, nº3. p. 110-116
82
ALLIÉRES, J. – Manuel Pratique de Basque. Paris: Picard, 2011.
83
ROSSER, Zoe H.; ZERJAL, Tatiana; HURLES, E. et al - Y-chromosomal Diversity in Europe is Clinal and
Influenced Primarily by Geography, Rather than by Language. American Journal of Human Genetics [em
linha] 67:6 (Dezembro 2000). 1526-1543. p.1527.
84
Earlier, linguistics played a key role in studying the origin and early history of peoples (…) linguistics
thought that they could arrive at the original homes of languages (…). The special part played by
languages was largely based on the concept of the nation state, according to which nations were
decided on the basis of the languages they spoke (…). The point de depart in looking for a common origin
of peoples and languages, often even unquestioningly self-evident, was the idea that gentem facit lingua,
or “language determines the nation”. However, the methods used by linguists have their limitations,
especially when it comes to time. The farthest back in time that linguists can go is usually regarded as 6
000-10 000 years (…) no farther than Mesolithic time. (…)A decisive change came about when geneticists
started in the 1980’s to seriously study peoples roots. Now it came the time when people’s origins were
decided according to their genes rater that the language they spoke. WIIK, Kalevi, op. cit. p.82.
43
IV. VARIANTES ANTROPOMÉTRICAS DA FACE
IV.1. A Face e a sua representação: Arte e Ciência
Na pintura do nu, o artista necessita de partir do estudo do interior do
corpo para o exterior (…) só assim se conseguirá atingir a perfeição.1
Feito o reconhecimento do que envolve, causa e alimenta as variações
antropométricas, analisemos agora as formas em que se manifestam passando pelos vários
tratados sobre essa temática ao longo dos tempos e seguidamente organizando essa
informação de modo mais sucinto e objetivo. Concentremo-nos no que vemos, na
anatomia de superfície do rosto e nos caracteres morfológicos variáveis faciais fazendo a
ponte entre a Ciência e a Arte pois, como vimos, este é um tema há muito estudado não
só por homens de ciência mas principalmente por artistas através do desenho, raiz e
desígnio que interliga as ciências, as artes, e estas entre si.2
Os traços do rosto que fazem a fisionomia e são, por conseguinte,
constitutivos do retrato, confundem-se com os traços do próprio desenho.3
É tal a relação entre estes campos que parece não haver apenas relação no seu
conteúdo mas também na sua natureza e na dos que as estudam, com as mesmas ânsias:
A frustração é uma das grandes coisas em arte, a satisfação é nada.4; O combustível que
alimenta a ciência é a ignorância. (…) Um verdadeiro cientista aborrece-se com o
conhecimento.5
Entusiasmados em compreender e representar a natureza humana com destreza,
os artistas há muito que compreenderam a necessidade de desenhar a partir do natural e
de estudar as relações e funções das formas naturais. Desenhar é agir a partir do visível
ou do experienciado, ou da combinação de termos.6 Há muito que se concluiu que o
retrato jamais pode ser praticado levianamente 7 e a importância de compreender antes
de intervir (como nos conta o caricato episódio contado por Almada Negreiros, nos seus
Textos de Intervenção, entre Picasso e um entrevistador, que pergunta qual a primeira
44
coisa que o mestre fazia ao pintar, à qual este responde “sentar-se” mas quando
questionado se pintava sentado este respondeu: - Não, eu pinto em pé8).
A Arte do Retrato é a mais natural, a mais nobre e a mais útil de todas as
Artes – é a mais difícil, por mais fácil que pareça e que deveria ser. (…) Sem um
conhecimento exato das relações que existem entre as diversas partes do rosto,
entre os olhos e a boca, por exemplo, será por puro acaso, e por um enorme acaso,
que o Pintor consiga deixar marcas destas relações nas suas composições.9
Deixaremos aqui de lado, tanto quanto nos for possível, o sentido do olhar que
está subentendido no modo como se retrata, o modo como o retratado é visto e dado a ver
pelo artista10. Apesar de, como sabemos, o conceito de Desenho não se esgotar nas
certezas que acompanham os modelos de representação exata11 (os seus limites são
muitos, para arrumar ou estragar de vez a cabeça dos mais confusos12), foquemo-nos na
análise transparente e científica deste, utilizando todos os meios que a prática do desenho,
da pintura e da sua observação subjacente implicam. Para o nosso estudo interessa-nos
um olhar e desenho científico capaz de eliminar as ambiguidades da linguagem onde a
exatidão é prioridade.13
Isso, certamente, não teria razão de ser se não se lamentasse antigamente
que a natureza não tivesse criado uma janela para ver o que vai no coração dos
homens, os seus pensamentos e desígnios (...) ela espalhou toda a sua alma no
exterior, e assim não há necessidade de qualquer janela para ver os seus
movimentos, tendências e hábitos, uma vez que eles se expressam no rosto, e estão
descritos em caracteres de forma tão visível e tão óbvia.14
No entanto os intelectuais sempre tiveram dificuldade em chegar a um consenso
quanto ao carácter científico destes estudos. Se já na Antiga Grécia, Plínio censura
Aristóteles por dar demasiada importância a esta falsa ciência15 outros, séculos mais tarde,
consideravam que se havia uma ciência que estudava a divindade (a Teologia)
naturalmente teria de haver uma ciência que estudasse os homens criados à imagem de
Deus.
45
A Fisionomia, como todas as outras ciências, pode até certo ponto,
reduzir-se a determinadas regras, ter características que poderão ser aprendidas
e ensinadas, comunicadas, recebidas e transmitidas.16
Ao longo dos séculos, para sustentar as várias teorias (mais ou menos científicas)
até aqui enumeradas, foram desenvolvidos vários meios de comparar essas variantes.
Apesar destes estudos, uns mais do que outros, terem sido criados para distanciar as raças,
e muitas vezes hierarquiza-las, a verdade é que hoje podemos aproveitar muitos dos
métodos e estudos realizados para os cruzar com os outros dados de que temos vindo a
falar até aqui. Se até ao século XVIII a antropometria era um estudo maioritariamente
executado por artistas, a partir daí dedicam-se a este tema os homens das ciências. 17
Durante muitos anos a Arte e a Ciência foram inseparáveis porque, qualquer que
fosse a descoberta, seria necessário ilustrá-la e para isso o próprio artista teria de
compreender o que estava a representar. Com altos e baixos, em muitos casos ditados pela
moda da altura, o estudo do corpo humano nunca deixou de ser recorrente e pertinente18.
Se na Antiguidade a mimesis19 era considerado o grande expoente da Arte, alturas houve
em que correntes artísticas renegavam esta prática20, enquanto que outros a desenvolviam
e aprofundavam. Na disciplina de Modelos do 2º ano do curso de Pintura da faculdade de
Belas Artes de Lisboa, o programa do ano em que ingressei na faculdade, regido pelo
Professor Catedrático Lima de Carvalho, afirma que esta cadeira é herdeira de um
processo de aprendizagem que vem dos primórdios do Ensino da Pintura (…). Ver e
analisar modelos muito especialmente o corpo humano, foi sempre muito importante
para um profissional e apesar de tudo ainda hoje continua a ser.21 Também na faculdade
de Belas Artes de Lisboa podemos encontrar uma obra de Joaquim Rafael intitulada
Elementos do Desenho Coligidos e Adotados pela Academia das Bellas Artes de Lisboa
para uso dos seus discípulos (Lisboa, 1840), reunindo lições dedicadas à observação do
corpo humano e em especial à cabeça.22 Esta obra terá sido vastamente utilizada pelos
alunos e deixa-se aqui a sugestão de que volte a cumprir o seu propósito e seja de novo
disponibilizada.
Desde o Antigo Egipto era comum o estudo e representação do corpo humano
bem como a sua sistematização e idealização. Com os gregos e os romanos, procurando
46
atingir a mimesis absoluta, surge o primeiro tratado sobre anatomia de que há Memória –
o Cânone de Policleto23. Se nos seculos IV e III a.C. Herophilo e Erasistratus24 faziam
estudos complexos, quatro séculos mais tarde Galeno25 publica uma vasta obra dedicada
à anatomia (mesmo que muitos dos estudos se baseassem em corpos de animais), obra
que só foi devidamente reconhecida no século XIII26. Esta evolução foi adormecida
durante a Idade Média em que era proibida a dissecação de cadáveres humanos e,
curiosamente, adormecida a prática do desenho, ambas retomadas em força no
Renascimento. Nesta transição surgem os trabalhos de Giotto27 e a sua reforma nas artes
teorizada no final do século XIV por Cennino Cennini.28
Fig. 12) O Beijo de Judas, Giotto, fresco da capela Scrovegni, Pádua, Itália
Durante o Renascimento os artistas eram cientistas e vice-versa. Os artistas
perdem o carater de artesãos e, com os estudos que desenvolvem noutros campos da
ciência, aliam a Arte à geometria e à matemática e fazem profundos estudos anatómicos
e científicos (veja-se o caso de Leonardo da Vinci29 que, sabemos pelos seus desenhos e
escritos, ter feito dissecação de cadáveres). Durante este período ter-se-á dado um dos
maiores e primeiros avanços na anatomia quando Andries van Wezel (Vesalius) 30 em
1543 publicou De Corporis Humani Fabrica Libri Septem31. Este terá sido o arranque
para anatomia moderna científica derrubando na totalidade o pensamento medieval sobre
o funcionamento do corpo humano.32 Vesalius encara o corpo de um modo inovador,
como uma realidade estática e arquitetural e cria uma disciplina independente debruçada
unicamente na descrição anatómica do corpo.33
47
Fig. 13) Estudos anatómicos do ombro, 1510-1511, Leonardo Da Vinci, Royal Library, Windsor
É também durante o Renascimento que surgem os mais brilhantes trabalhos de
pintura, escultura e desenho a nível anatómico e os nomes dos artistas deste período são
familiares a todos. Albert Durer34 considerava a Arte como um dom divino aliado a uma
conquista intelectual que exigia instrução humanística e conhecimentos matemáticos e
que a Arte sem conhecimento científico não passa de imitação irrefletida, fantasia
irracional e prática cegamente aceite. Apesar de Durer se dedicar principalmente ao
estudo e representação do “ belo”, encorajava o artista a conhecer os extremos da natureza
humana para que lhes pudesse fugir sempre que quisesse e assim obter a forma bela.35 O
conhecimento da anatomia teria tanto peso para os pintores do Renascimento que são
prova disso as várias obras que apresentam esses estudos. Na mesma época Vasari36 vem
afirmar que o desenho é o pai das três belas artes (arquitetura, escultura e pintura).37
48
Fig. 14) A aula de anatomia de Dr. Tulp, Rembrandt, 1632, óleo sobre tela, 169,5x216,5 cm,
Maurtshuis, A Haia, Países Baixos
Deixemos claro que para o estudo que aqui desenvolvemos de pouco nos servem
os estudos das proporções e ideais de beleza: este estudo nada tem a ver com a busca de
cânones ou medidas ideias. No entanto os estudos da face, qualquer que fosse o seu
propósito, apresentam-se muito úteis pelos meios e técnicas que utilizam para comparar
os rostos. Estes estudos foram maioritariamente desenvolvidos entre o século XVI e
XVIII e pretendiam não só associar os traços de um indivíduo ao seu temperamento como
assumir conclusões tão assertivas que deveriam conduzir à constituição de uma ciência:
a Fisiognomia (que, a partir das conclusões fisionómicas as associa a determinado
temperamento).38 Estes estudos teriam uma relação estrita com a Pintura que Jean
Gaspard Lavater39 (que em muito se empenhou para que a Fisiognomia tivesse o carácter
de Ciência) considera sua mãe e sua filha. Para Lavater, o paralelismo entre o génio e os
traços faciais era verdadeiro e científico.40
49
Fig. 15) Os quatro temperamentos, ilustração de Jean Gaspar Lavater, 1783
Era sabido que estes estudos, quando associados ao temperamento, estavam em
muito relacionados com as artes divinatórias tão difundidas até ao Renascimento o que
lhes tirava credibilidade. Michele Savonarola41, no século XV, tentou atenuar este facto
aproximando o seu estudo Speculum physionomiae ao campo da medicina.42 A partir deste
surgiram vários tratados fisionómicos sendo que os primeiros a dedicarem parte dos seus
escritos diretamente à Fisiognomia serão Gaurico43 e Francisco d’Holanda.44 Este
segundo afirmava que o pintor muito fielmente há de entender de anatomia, se quer seguir
os preceitos dos antigos na perfeição da pintura”45.
IV.2. Análise Antropométrica da Face
De todas as formas (…), o corpo do outro permite-me formar a ideia do
meu próprio organismo corporal mediante o contacto e a contemplação. 46
Conhecido o percurso que a Anatomia e a Arte percorreram, umas vezes mais
outras vezes menos ligadas, com um propósito mais ou menos científico ou mais ou
menos artístico deixemos uma advertência trazida por Francisco de Assis Rodrigues47 que
nos faz ponderar quando afirma que não basta saber o nome dos ossos e dos músculos e
as suas proporções: nada disso nos vale se não forem estudados os trabalhos de autores
clássicos e se não aplicarmos os nossos conhecimentos no estudo do modelo vivo.48 Posto
isto, observemos a base fisionómica da cabeça (toda a parte do corpo sobre o pescoço 49)
50
e a face (vista anterior da cabeça, entre a raiz do cabelo e o mento).
A cabeça humana, longe de ser um objeto frio e inexpressivo é talvez um
dos temas mais difíceis de se adaptar aos limites da representação, por isso
mesmo se torna num tema tão propício a diferentes estratégias de construção.50
Mais à frente capítulo apresentaremos as variantes que cada elemento facial pode
adquirir apontando, quando pertinente, onde é que estes carateres estão mais presentes ou
até mesmo onde são exclusivos (em termos geográficos). Deixaremos de fora a análise
de variantes que surgem nos indivíduos por algum tipo de doença ou má formação.
Consideremos a cabeça na vertical, posição determinada pelo eixo vertical médio
da face e pela horizontal de Frankfurt que passa pelo rebordo inferior da órbita até ao
orifício de entrada do conduto auditivo externo e tenhamos em conta duas vistas: frontal
e de perfil.
51
IV.2.1. Os ossos da cabeça
Fig. 16) 1 - Frontal; 2 - Nasais; 3 - Maxila; 4 - Mandibula; 5 - Zigomatico;
6 - Esfen6ide; 7 - Temporal; 8 - Parietal
52
IV.2.2. Os mtisculos de superficie da cabe a
Fig. 17) 1- Occipitofrontal; 2- Supraciliar ou corrugador; 3- Orbicular dos olhos; 4- Nasal; 5Levantador do labio superior e da asa do nariz; 6- Levantador do labio superior; 7- Pequeno zigomatico;
8- Grande zigomatico; 9- Ris6rio; 10- Orbicular da boca; 11- Depressor do fmgulo da boca; 12Depressor do labio inferior; 13- Musculo do mento; 14- Masseter; 15- Estemocleidomast6ideo; 16Dilatador da asa do nariz
53
Perante essa base, comum a todos os homens, os estudos feitos ao longo dos
séculos definiram vários meios de analisar as variantes que ocorrem em cada individuo.
Note-se que são inúmeras as propostas que foram surgindo ao longo dos séculos e que
fazemos aqui apenas referência às mais importantes, corretas e pertinentes, mais originais
ou que se mostram mais úteis para o estudo que aqui desenvolvemos, não seguindo
exclusivamente nenhum modelo ou autor.
IV.2.3. Pontos notáveis em antropometria da face
Estes pontos, que procuram situar os sinais exteriores mais pertinentes, foram
definidos para que mais facilmente e universalmente se pudessem estudar as variantes
que o corpo humano assume. No entanto estes pontos são muitas vezes difíceis de
localizar rigorosamente uma vez que a sua determinação está interligada com uma
estrutura semi-invisível e parcialmente sujeita a alterações pela natureza mole dos tecidos.
A nomenclatura aqui utilizada une os termos mais tradicionais com alguns outros,
provenientes da obra de Leslie Farkas51, tal como sugere Artur Ramos.52
54
Fig. 18) Pontos notáveis na vista frontal
.
Fig. 19) Pontos notáveis na vista de perfil
55
IV.2.4. As medidas lineares, profundidade e ângulos da face
Fig. 20) Medidas lineares da face
56
Fig. 21) Medidas de profundidade da face
IV.2.5. Ângulos e Inclinações do Perfil
Para se fazer uma análise de perfil é necessário que a cabeça do indivíduo esteja
colocada de modo a que a linha média do perfil (que passa pela raiz nasal, base do septo
nasal e bordo inferior da mandíbula) fique na vertical e a linha que une o rebordo inferior
da órbita e o orifício de entrada do conduto auditivo externo esteja na horizontal.53 Nesta
posição podemos definir e comparar determinados ângulos e inclinações muito próprios
de cada indivíduo.
Peter Camper definiu, no século XVIII, um meio de analisar estes ângulos do
perfil facial. Para isso começou por definir o plano de Camper (que passa pelo meato
auditivo externo e pela base do nariz) e, ao estudar a sua relação com um segundo plano
definido pela glabela e bordo alveolar do maxilar superior, obteve o ângulo facial. Apesar
57
de Camper ter iniciado este estudo para comparar diferentes espécies, na busca de um
índice de inteligência relacionado com a amplitude deste ângulo, acabou por comparar
também indivíduos de diferentes proveniências definindo que este ângulo se aproxima
dos 80º nos Europeus, 70º nos Africanos, 58º nos Orangotangos e 90º no ideal de beleza
representado nas estátuas da antiga Grécia: as faces que apresentem um ângulo maior do
que 80º desviam-se dos cânones da Arte enquanto que as que apresentam um ângulo
menor do que 70º apresentam semelhanças com os primatas.54 Os europeus tendem a ter
a fronte mais desenvolvida para a frente55 (estes apontamentos e estudos sobre as
características próprias do europeu têm validade não somente para os indivíduos que
vivem na Europa política que conhecemos mas também para os habitantes da Síria, Egito,
Etiópia e Norte de África56). Estes estudos foram desenvolvidos sobre os ossos da cabeça
(desprovidos de partes moles) pelo que a medição do ângulo de Camper, a partir de
fotografias ou desenhos de rostos de indivíduos, como acontece no estudo que se segue,
nos permite apenas chegar a valores aproximados.
58
Fig. 22) Ilustração de Peter Camper, 1971
Com o mesmo propósito Jean Gaspard Lavater, contemporâneo de Camper, cria
um sistema de linhas cujos cruzamentos indicam os vários ângulos da cabeça de perfil.
Este sistema indica o desenho das seguintes linhas: bbb horizontal definida pela raiz dos
cabelos, eeee horizontal entre o sobrolho e a raiz do nariz, fff horizontal que passa pela
ponta do nariz, ggg horizontal que passa pelo meio da boca, cc vertical tangente à ponta
do nariz, ii vertical tangente ao mento, hhhh vertical tangente à raiz dos cabelos na fronte,
aaa tangente à ponta do nariz e ao mento e ddd tangente à ponta do nariz e à fronte.
Fig. 23) Análise de perfil segundo Lavater
59
A inclinação geral do perfil poderá, por sua vez e segundo os estudos de Albert
Durer, indicar um perfil direito (traços num plano vertical), convexo (em que o topo da
cabeça e mento estão retraídas em relação ao nariz, proeminente) ou côncavo (em que
nariz se apresenta deprimido face à linha tangente à fronte e mento). 57 A convexidade da
face, segundo Legan58, pode ser medida pelo ângulo formado pela glabela, subnasale e
pogonion. Um ângulo de 12º indicará uma convexidade normal (perfil direito) mas que
pode variar entre os 8º e os 16º.59
Fig. 24) Ângulos da cabeça de perfil
IV.2.6. Índice cefálico e forma do crânio
A forma do crânio difere de povo para povo, nas suas linhas gerais e
detalhes, em cada indivíduo.60
O índice cefálico é definido por uma equação que divide a largura da cabeça pelo
60
seu comprimento e cujo resultado se multiplica por cem. Estas medidas são estudadas
pela Antropometria que utiliza o método definido por Retzius que separa os indivíduos
em três grupos: os dolicocéfalos (de cabeça comprida e estreita), os mesocéfalos (de
cabeça intermédia) e os braquicéfalos (de cabeça curta e larga). Assim, nos primeiros o
comprimento está para a largura em 100:75, nos mesocéfalos em 100:88 e nos
braquicéfalos em 100:80. 61
Analisando o crânio de perfil, o Europeu será aquele onde o comprimento da
cabeça assume valores mais baixos.
62
Por outro lado a parte posterior do crânio é mais
arredondada nos indivíduos de proveniência africana.63 É nos caucasoides que surgem os
crânios mais volumosos.64 No entanto, só na Europa é possível encontrar qualquer um
dos tipos enumerados por Retzius: nos Alpes, do noroeste italiano, bem como nos Balcãs,
o índice cefálico ronda os 89 (cabeça extremamente arredondada) com uma frequência
inexistente em qualquer outra parte do Mundo. Por outro lado, na Córsega, relativamente
próxima e também ela no Mediterrâneo, o índice ronda os 73 (cabeça extremamente
longa).65 Também no norte, entre os teutónicos, prevalece a cabeça longa.
A distância de algumas centenas de quilómetros pode separar índices cefálicos
completamente diferentes, mesmo dentro da mesma nacionalidade (como acontece em
França e Itália, por exemplo).
Ripley assinala a correlação entre as proporções da cabeça e a forma da face como
uma forma rápida e assertiva para identificar o tipo racial de um indivíduo (ao mesmo
tempo que defende a relação entre as formas ósseas destas: cabeça longa – face oval,
cabeça curta – face arredondada). Para além disso aponta como a forma da cabeça se
mostra imune a alterações a nível ambiental e circunstâncias locais, alimentação ou estilos
de vida.66
61
Fig. 25) Esquema do índice cefálico distribuído em Espanha segundo Ripley
No estudo que apresentamos mais à frente os desenhos feitos a partir das
fotografias recolhidas não apresentam todo o comprimento da cabeça vista de perfil. Esta
simplificação mostrou-se pertinente para que a comparação do rosto em ambas as vistas
fosse mais direto. No entanto o comprimento da cabeça foi medido a partir das fotografias
e assim calculado o índice cefálico de cada indivíduo.
.
IV.2.7. Forma da face, fronte e mento
O rosto pode apresentar diferentes formas que podemos simplificar como sendo
oval, redonda, retangular, entre outras67, forma esta normalmente relacionada com a
forma do crânio, seguindo a lei da concordância, não aprofundada no nosso estudo mas
que sustenta a ideia de que as várias partes do corpo de um indivíduo têm relação em
termos de proporção.68 Em termos geográficos podemos no entanto considerar que
indivíduos mais expostos ao frio tendem a apresentar maior quantidade de gordura na
face e, por outro lado, o prognatismo é associado a indivíduos provenientes de África.
A face europeia tende a ser oval e menos larga do que nos outros povos.69 É no
entanto na Europa que se encontram faces mais compridas e onde há mais relevos ósseos
(como as apófises mastoides, mais salientes).70
62
Uma das partes da face a analisar com atenção, por influenciar em grande parte a
forma do rosto, será a fronte a que Cícero71 chama a porta da alma e do espírito. A análise
desta parece tão importante para o conhecimento geral de um rosto que Lavater inventa
o “frontómetro”, instrumento que permite medir com mais facilidade a dimensão da
fronte.72 Esta, correntemente assinalada como testa, deve a sua forma ao osso frontal que
varia em altura e largura e forma geral (mais plana ou mais arredondada).73 Nela podemos
encontrar uma ou duas bossas (sobre as arcadas supraciliares). Nos lados laterais a fronte
é arredondada para trás (de forma mais ou menos acentuada) e na sua junção com os ossos
temporais formam-se normalmente duas concavidades, as fossas temporais.
A fronte poderá então adquirir diferentes formas: quadrada (com depressões
notórias na zona das têmporas); redonda (mais convexa no seu centro); aberta (mais longa
e com uma depressão entre as têmporas); pequena ou baixa (em que representa menos do
que um terço da altura da face) ou estreita ou fechada (quando o cabelo avança sobre a
face tornando-a aparentemente mais estreita).74 A fronte é preenchida na totalidade pelo
músculo frontal.
A inclinação da fronte também varia estando a inclinação mais comum
compreendida entre os 10 e os 30º. Se a inclinação for inferior a 10º trata-se de uma fronte
vertical e se for superior a 30º trata-se de uma fronte recessiva.75
Também responsável pela forma que o rosto adquire é o mento, na parte inferior
da face, e que varia em forma e tamanho. Este é toda a parte compreendida deste o sulco
mentolabial até à extremidade inferior da face. A notoriedade deste sulco é definida pela
saliência deste e acentuada pela inclinação entre o labiale inferius e o sublabial que pode
ser mais ou menos notória. A sua forma define, em conjunto com o nariz, o perfil de um
indivíduo. A extremidade do mento pode apresentar uma cova ou uma prega no seu eixo
médio vertical.
Lavater assinala três tipos de mentos: aqueles que recuam (que este associa a
mentos femininos e que apresentam uma prega pouco profunda ou inexistente); os que de
perfil se apresentam na mesma vertical do lábio inferior e aqueles que ultrapassam essa
vertical (mentos pontiagudos).76 No estudo realizado mais à frente classificamos os
mentos respetivamente como fracos, regulares ou fortes. Identificamos ainda um quarto
tipo de mento, a que chamamos estreito, e que se refere a mentos que apresentam uma
altura particularmente inferior aos outros dois terços da face.
A forma da face, que já vimos ter relação com a forma do crânio, distingue-se
deste a nível de variação pois a face, com os seus vários pontos e ângulos, mais facilmente
63
adquire novas características que se podem mostrar representativas de pequenas
localidades ou mesmo famílias.77
IV.2.8. Os olhos
Os olhos são a imagem e espelho mais energético e expressivo da alma e podem
variar quanto à cor, forma, forma da pálpebra e sobrancelhas.78 Estes encontram-se nas
partes laterais do rosto e no centro da cabeça e estão incrustados nas órbitas e protegidos
pelas pálpebras.
O arco superior da órbita nasce na raiz do nariz, segue a direção do sobrolho e
dissipa-se exteriormente para se juntar à apófise orbital. Estes arcos unem-se nas suas
extremidades exteriores enquanto que as suas extremidades interiores se dissipam com a
face lateral do nariz. O bordo das pálpebras é grosso e talhado em bisel e sobre a sua
aresta externa dispõem-se as pestanas a partir de uma certa distância da comissura
interna.79 Naturalmente, pela sua orientação, vemos mais facilmente o bordo da pálpebra
inferior, que reflete luz. A pálpebra superior faz ainda uma prega denominada de sulco
palpebral superior. O espaço entre o sulco palpebral superior e o contorno da órbita é
constituído por uma parte de gordura a que damos o nome de eminência infraciliar. A
relação desta eminência com a pálpebra superior é variável, podendo cobri-la na sua
totalidade.
Fritz Lange80, que estuda cuidadosamente a forma das pálpebras, indica seis
grupos de pálpebras: em forma de pêssego (em que a eminência cobre ligeiramente a zona
cartilaginosa e onde as linhas da sobrancelha e o sulco palpebral são maioritariamente
paralelos e arredondados); tarsal (em que não existe quase gordura na eminência
infraciliar e a zona cartilaginosa vê-se na totalidade); em maça ou moca (em que a porção
interna apresenta menos tecido adiposo do que a externa); tarsal em pêssego (intermédio
entre o primeiro e o segundo tipo); tarsal em moca (intermédio entre o segundo e o terceiro
tipo) e angusta ou estreita (pálpebras pouco evidentes em que o espaço entre a sobrancelha
e o olho é muito curto em relação aos outros tipos de pálpebra).81
64
Fig. 26) Tipos de Pálpebras segundo Lavater: 1 – em pêssego, 2 – tarsal, 3 – em maça ou moca, 4
– tarsal em pêssego, 5 – tarsal em moca, 6 – estreita ou angusta
A fenda palpebral, a porta entre o olho e o Mundo, é comandada pela ação do
músculo orbicular das pálpebras. Quando esta está aberta enquadra o globo ocular que
apresenta uma forma ovoide que forma dois ângulos. O ângulo externo é mais agudo e
chama-se canthus e o ângulo interno, maior, chama-se lacrimal. Ao observar este ângulo
com atenção observamos que o seu vértice não é acentuado mas antes prolongado e
arredondado formando um arco que circunscreve a carúncula. Entre a carúncula e a parte
mais interna da esclerótica encontramos a membrana semilunar.
Acima dos olhos e sobre as arcadas supraciliares estão as sobrancelhas, conjuntos
de pelos com função protetora. Estas variam em forma e robustez mas variam dentro de
todas as raças de indivíduo para indivíduo. Ferembach82 afirma que os Europeus (a que
chama Leucodermes) possuem glabelas e arcadas supraciliares mais proeminentes.83 As
arcadas supraciliares juntamente com o bordo superior da arcada orbital, a porção superior
do músculo orbicular das pálpebras e ao volume das sobrancelhas definem a chanfradura
frontal que pode ser mais ou menos volumosa. Entre as arcadas supraciliares encontramos
a depressão designada como bossa nasal.
A cabeça da sobrancelha, ou seja, a extremidade interna, mais próxima do eixo do
rosto é normalmente mais grossa e mais pilosa e os pelos orientam-se a partir daqui para
cima e para fora. À medida que se afastam do eixo médio da face os pelos ganham uma
posição cada vez mais horizontal terminando por vezes mesmo a nascer de cima para
baixo (mas sempre de dentro para fora), na cauda da sobrancelha. A sobrancelha está
quase sempre colocada em baixo da parte interna da arcada supraciliar e não sobre ela.84
65
Rudolf Martin estuda os tons da íris e afirma serem 16.85 Estes podem todos ser
encontrados na Europa. A forma dos olhos é determinada pelo clima de modo que tendem
a ser mais pequenos em climas mais frios. Em qualquer ponto do Mundo a pupila é
habitualmente percebida como negra e o globo ocupar branco (desde que o indivíduo em
causa seja saudável).
Façamos um parênteses para assinalar que as variantes a nível dos tons dos olhos,
pele e cabelo funcionam exatamente da mesma forma e pelas mesmas razões entre todos
os seres vivos pelo que é uma questão que desperta interesse em biólogos mesmo que não
ligados à evolução humana.86
IV.2.9. O Nariz
Entre os olhos e abaixo da fronte o nariz, o honestamentum faciei87, encontra-se
no eixo médio da face e a sua forma deve-se à forma dos seus ossos próprios e das
cartilagens. A parte superior deste, que está ligada à bossa nasal e à fronte é denominada
raiz do nariz e a sua parte inferior é denominada base. A partir da raiz do nariz define-se
a forma deste que lateralmente pode ser confundido com parte das faces ou bochechas.
Na parte inferior formam-se as asas do nariz que apresentam com as ditas bochechas um
sulco semilunar provocado pela sinuosidade das cartilagens nasais. Entre a base do nariz
e os lábios surgem saliências, correspondentes aos músculos elevadores da asa do nariz e
do lábio superior e entre elas a prega naso-labial.88 Os orifícios da base do nariz variam
em forma, largura e direção. De dentro para fora, a forma destes orifícios é sempre
convergente podendo apresentar-se divergente apenas em indivíduos provenientes de
África. Estes orifícios também não costumam apresentar-se num plano horizontal visto
que o septo nasal costuma apresentar-se num plano mais abaixo do que o das asas do
nariz.
Para analisar o nariz podemos ter em conta a sua largura, a profundidade da raiz
nasal e o seu contorno (que pode ser retilíneo, convexo ou aquilino ou côncavo).
Delaistre89 assinala a existência de quatro tipos de nariz (admitindo haver muitos estados
intermédios entre estes): direito (que segue o alinhamento da fronte), aquilino (quando a
forma geral do nariz se apresenta mais convexa), chato (quando a forma geral do nariz é
concava) e largo (convexo e extenso).90 O ângulo nasal é assinalado pelas linhas que
seguem a direção geral do septo e dorso nasais.
A ponta do nariz pode ser regular, aguda, achatada ou bífida91 e tem a sua própria
66
inclinação: se tivermos em conta a linha que une o subnasale e a base da ponta do nariz
passando pelo bordo inferior do septo nasal veremos que esta pode adquirir uma posição
horizontal ascendente, logo de um nariz arrebitado, ou descendente, logo de um nariz
adunco (algo também tido em conta quando calculamos o ângulo naso-labial de que
falamos a cima).92 O ângulo naso-labial de que já falamos pode ser agudo (70º-80º),
médio (90º-100º) ou obtuso (quando ultrapassa os 112º).93
Segundo Camper o nariz Europeu tende a ser mais direito, estreito e/ou mais
aquilino. No caso das cabeças da Arte Antiga o nariz é caracterizado como estando no
mesmo alinhamento que a fronte, ultrapassando a linha do lábio superior. 94 O plano do
nasion é posterior em relação ao plano da glabela, a chanfradura nasal é a mais
leptorrímica e os bordos laterais são cortantes.95 Dentro da Europa a forma tende a tornarse mais plana e com asas mais largas à medida que nos dirigimos para sul. 96 Esta forma
está ligada ao clima: narizes de pequenos orifícios e compridos estão mais bem adaptados
ao frio enquanto que maiores orifícios funcionam melhor em climas secos.
No estudo realizado adiante classificamos o nariz pelo seu perfil, inclinação da
sua ponta e ainda pela largura da sua base. Esta última é assinalada como estreita sempre
que não ultrapassa as verticais tangentes a ambas as carúnculas.
IV.2.10. A boca
A boca, circunscrita pelo músculo orbicular labial, é toda a superfície
compreendida entre a base do nariz e o mento97 e é considerada por Lavater como o mais
expressivo de todos os órgãos.98
O comprimento da boca pode ser medido pela distância entre os dentes caninos.
Por outro lado os cantos da boca situam-se no mesmo sítio que os primeiros molares.99 A
forma e tamanho dos lábios determina a forma e tamanho da fenda labial. Este tamanho
é também coincidente com a distância entre as pupilas ou entre os cantos internos dos
limbos esclero-corneanos.100
O lábio superior aproxima-se da forma M e na sua parte média encontramos a
goteira ou philtrum, rodeada por bordos salientes. O lábio inferior adapta-se à forma do
primeiro e também ele apresenta duas saliências denominadas de toros. A sua forma
assemelha-se à da letra W. Ambos os lábios ficam mais finos à medida que se aproximam
das comissuras labiais. A arcada dentária superior excede normalmente a inferior o que
faz com que lábio superior seja o mais saliente. A dimensão dos lábios, mais ou menos
67
carnudos varia; igualmente varia o seu tom, sempre mais avermelhado do que o tom geral
do rosto.101
Nos europeus a boca é normalmente de tamanho médio e os lábios tendem a ser
finos e pouco salientes.102 Os lábios grossos, tal como o prognatismo, estão associados a
indivíduos africanos (apesar da razão desse facto ainda não estar clara) enquanto que nos
asiáticos os lábios tendem a ser bastante finos.
No estudo que apresentamos são assinalados alguns indivíduos com o lábio
superior, inferior ou ambos finos. Estes foram assinalados quando foi feita a comparação
com os demais indivíduos uma vez que sobressaem pela sua finura.
IV.2.11. As orelhas
A orelha tem a curiosa particularidade de, apesar das variadas formas que assume,
refletir sempre os ângulos e inclinações do perfil, nomeadamente do nariz.103
O nível do bordo superior do pavilhão auricular não tem uma posição definida:
pode estar situado acima da linha das sobrancelhas, ao nível da cauda desta ou ao nível
da pálpebra superior. Já o bordo inferior do lóbulo pode estar acima da asa do nariz, ao
seu nível, ao nível do lábio superior ou ao nível da comissura labial.
Os lóbulos podem ser livres os aderentes e o tragus e antitragus podem adquirir
formas muito diferentes de indivíduo para indivíduo.
O hélix pode ser enrolado ou extenso cobrindo a fosseta escafoide. 104
Nos europeus o diâmetro ou diagonal da orelha é sempre um pouco oblíqua e
nunca paralela à linha facial.105
IV.2.12. O Tom de pele
A pigmentação da pele, transmitida através da hereditariedade, une o tom rosado
dos vasos capilares com a ação da queratina (de tom amarelado) e da melanina, o protetor
natural da pele contra os raios solares (e o principal responsável pelo tom que esta
adquire).106 A variação da concentração deste pigmento na pele é o que faz com que
existam tons de pele diferentes: indivíduos mais expostos à radiação solar necessitam de
maior concentração de melanina (para que se protejam, por exemplo, de doenças
cancerígenas causadas pelos raios solares malignos, como os ultravioletas que podem
causar danos irreparáveis no ADN das células cutâneas107) enquanto que indivíduos que
68
habitam ambientes onde a radiação solar é deficiente devem apresentar menos desta
substância na pele para que a passagem dos raios solares através dela seja facilitada
(podem assim sintetizar a vitamina D, essencial ao bom funcionamento do organismo).
Como já vimos os povos do Ártico são uma exceção a esta regra pois a sua alimentação,
à base de peixe, é de tal modo rica em vitamina D que não necessitam de uma pele clara
para a sintetizar.
Os tipos de pele serão então o leucoderme (pele branca), melanoderme (pele
negra) e xantoderme (pele amarela, também com algumas capacidades como filtro solar).
Ferembach classifica os grupos humanos segundo a sua cor de pele definindo os
melanodermes (indivíduos de pele escura), os flavodermes (indivíduos de pele clara
asiáticos) e os leucodermes (indivíduos de pele clara europeus) e afirma que estes últimos
possuem uma derme relativamente fina, daí ser possível ver os vasos capilares e a tez
adquirir um tom rosado.108
O curioso trabalho e ainda em desenvolvimento Humanae, da artista brasileira
Angélica Dass109, apresenta-nos a amplitude da escala cromática da pele humana numa
série de fotografias. Apesar de esta frisar não relacionar os retratos com diferentes etnias,
raças, nacionalidades ou religiões, o seu trabalho remete o observador para esse
imaginário e é pertinente assinalar a semelhança entre as suas fotografias e as que
utilizamos na amostra do estudo aqui apresentado.
Não podemos deixar de reparar na diferente pigmentação da pele, cabelo e olhos
no norte e sul da Europa. Estes são mais claros no norte, principalmente à volta do mar
Báltico, e mais escuros no sul, no Mediterrâneo. São exceção a estas regras o povo da
Sicília e Médio Oriente (onde os olhos claros são muito comuns, no caso da primeira
talvez pelas invasões normandas, e no caso da segunda pelas invasões das cruzadas
cristãs) e os povos do Ártico (de pele escura que assumimos ser resultado da sua dieta
rica em vitamina D, processo de que já falámos). Como vimos, estas predominâncias
estão particularmente ligadas à melhor adaptação ao meio ambiente, a seleção natural.
69
Fig. 27) Ilustração de Ripley assinalando a distribuição dos “traços morenos” na Europa
Camper, que observava com atenção os diferentes homens que chegavam ao porto
de Amsterdam, assinala que nem sempre os homens diferem em tom de pele de uma forma
fácil de compreender (como no caso dos lapões, do norte da Europa, que têm uma pele
mais escura do que muitos africanos ou os índios americanos com feições aparentadas
com o norte asiático).
Cada nação tem no seu rosto algo de distintivo que se perpetua e se
reproduz constantemente, até que a eventual mistura dos diferentes povos entre si
vem alterar ou mesmo apagar completamente esse sinal característico.110
IV.2.13. O Cabelo
A tonalidade do cabelo está também ligada à melanina. É também esta substância
que, quanto mais presente mais escuro se apresenta o cabelo. Normalmente a quantidade
70
de melanina presente na pele será equivalente à presente no cabelo e é por isso que
individuos leucodermes têm uma vasta gama de tonalidades de cabelo (podendo ser quase
branco) mas os melanodermes possuem cabelo negro. Existem duas exceções: os albinos,
que não sintetizam a melanina, e os ruivos, cuja cor do cabelo está ligada à presença de
um outro pigmento chamado rodoqueratina.
Para a forma dos cabelos (mais ou menos ondulados e mais ou menos grossos)
existem também várias explicações relacionadas, mais uma vez, com o clima. Cabelos
mais grossos e escuros protegem melhor a cabeça do sol, e cabelos encaracolados
facilitam a passagem do ar para refrescar o couro cabeludo. Cabelos mais claros tendem
a ser mais finos e frágeis pois normalmente não precisam de criar uma barreira de
proteção tão forte. Assim, em indivíduos de pele escura encontramos cabelos muito
grossos, encaracolados e escuros; nos povos orientais cabelos lisos e negros e nos
caucasoides lisos, finos e em vários tons e formatos. Note-se que só surgem cabelos loiros,
castanhos-claros e ruivos nos caucasoides. O embranquecimento precoce e a calvície
estão também mais presentes nos europeus.111
Em termos de textura podemos considerar a Europa como uma zona intermédia
entre os típicos cabelos lisos asiáticos e os cabelos encrespados africanos.
Faça-se um parênteses para assinalar que, ao contrário da face e do crânio que
apresentam uma relação intrínseca entre si, isto não acontece entre o tom do cabelo e o
tom dos olhos. A definição de alguém como “moreno” ou “loiro” têm muitas variantes e
níveis que apesar de ligados à pigmentação estão mal definidos. Se no norte da Europa
encontramos cerca de um terço de loiros puros e 10% de morenos puros, no sul essa
percentagem desce para apenas 3% de louros puros na Sardenha.
112
Em Portugal, um
estudo feito pelo Dr. Ferraz de Macedo,113 com uma amostra de 1800 indivíduos,
identificou menos de 2% destes com cabelos loiros, um quinto com cabelos negros e os
restantes apresentando variações de castanho.114
71
1
ALBERTI, Leon Battista – On Painting. New Haven and London: Yale University Press, 1966, p.73.
QUARESMA, José – Zonas mais que comuns do Desenho e da Gravura .in MARQUES, António Pedro
Ferreira et alt. – Desenhar, saber Desenhar. Lisboa: Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa,
2012. p.142.
3
RAMOS, José Artur - Retrato : o Desenho da Presença. Lisboa : Campo da Comunicação, 2010. p.11.
4
Philip Guston in JACINTO, João – Do Verídico ao Verdadeiro. In MARQUES, António Pedro Ferreira et
alt. – Desenhar, saber Desenhar. Lisboa: Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, 2012.
p.123.
5
The fuel on which science runs is ignorance. (…) A true scientist is bored by knowledge. RIDLEY, Matt –
Genome. London: Harper Perennial, 2004. p. 271.
6 GANTES, Manuel – O Desenho em Aberto. In MARQUES, António Pedro Ferreira et alt. – Desenhar,
saber Desenhar. Lisboa: Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, 2012. p.127.
7
RAMOS, José Artur, op. cit., 2010. p.37.
8 SABINO, Isabel – A Pintura depois da Pintura. Lisboa: Faculdade de Belas Artes da Universidade de
Lisboa, 2000. p.10.
9
L’Art du Portrait eft le plus naturel, le plus noble, & le plus utile de tous les Arts – il en eft le plus difficile,
quelque facile qu’il paroiffe & qu’il devroit être. (…) Sans une conoiffance exacte du rapport qui fe trouxe
entre les parties du vifage, entre les yeux & la bouche par exemple, ce ne fera qu’un pur hazard, & un
très-grand hazard , fi le Peitre réuffit à marquer ces rapports dans fes compofitions. LAVATER, Jean
Gaspard - Essai sur Physiognomie, Destiné a Faire Connoitre l`Homme & à le Faire Aimer. Paris: A La
Haye, 1783.p.214-219.
10 Cfr., MARCELINO, Américo – O Saber Secreto de Hockney, in MARQUES, António Pedro Ferreira et alt.
– Desenhar, saber Desenhar. Lisboa: Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, 2012. P.72
11
Cfr., MARQUES, António Pedro Ferreira et alt. – Desenhar, saber Desenhar. Lisboa: Faculdade de Belas
Artes da Universidade de Lisboa, 2012. p.107.
12
SABINO, Isabel, op. cit., 2000. p.227.
13
Cfr., MARQUES, Diana – Desenhar a Ciência, Saber o que se Desenha. In MARQUES, António Pedro
Ferreira et alt. – Desenhar, saber Desenhar. Lisboa: Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa,
2012. p.150.
14
Celui-lá, certainement n’avait pas raison qui se plaiguait autrefois de ce que la nature n’avait pas mis
une fenestre au-devant du coeur pour voir les pensées et les desseins des hommes (…) elle a répandu
toute son âme au dehors, e til n’est point besoiu de fenestre pour voir ses mouvemens, ses inclinations et
2
72
ses habitudes, puisqu’elles paraissent sur le visage et qu’elles y sont écritès en caracteres si visibles et si
manifestes. CHAMBRE, Marin Cureau de la – L’Art de Connoistre les Hommes. Amsterdam: Chez Iacques
le Jeune, 1660. p.123-124.
15
RAMOS, José Artur, op. cit.,, 2010. p.193.
16
La Physiognomie , comme toutes lesa utres Sciences, peut jufqu’à un certain point, être réduite en
règles déterminées, avoir des caractères qu’on pourra enfeigner & apprendre, communiquer, recavoir, &
tranfmettre. LAVATER, Jean Gaspard, op. cit., 1783. p.63.
17 RITTO, Isabel – op. cit., 2001, p.191.
18
Esfolado apresenta-se como o modelo mais próximo do corpo humano dissecado pelo que é um
objeto de estudo essencial. (veja-se o caso do LÉcorché (esfolado) de Houdon de 1767 estudado na
maioria das academias europeias incluído a FBAUL) FARIA, Alberto – O estudo da anatomia na colecção
de Desenho Antigo da FBAUL. in TAVARES, Cristina Azevedo, et alt. – Representações do Corpo na
Ciência e na Arte. Lisboa: Fim de Século Edições, 2012. p.134. SCHREF, Guilhem et alt. – Jean-Antoine
Houdon: sculptor of the enlightenment. London: University of Chicago Press, 2003. p. 63.
19 Termo utilizado desde a antiga Grécia referente à representação e imitação da Natureza.
20
The technological manifesto of Futuristic painting – whose claim was: “We demand, for ten years, the
total suppression of the nude in painting” MARCO, Silvia Di – Naked to the Flesh. Some Notes on Medical
Imaging, Modernism and Body Art in TAVARES, Cristina Azevedo, et alt. – Representações do Corpo na
Ciência e na Arte. Lisboa: Fim de Século Edições, 2012. p.42.
21
CARVALHO, Lima – Programa da Disciplina de Modelos (Curso de Pintura) da FBAUL. 2007-2008.
22
ARRUDA, Luísa – Imagens do Corpo na Academia de Belas-Artes – Método de Aprender o Desenho. In
TAVARES, Cristina Azevedo, et alt. – Representações do Corpo na Ciência e na Arte. Lisboa: Fim de Século
Edições, 2012. p.140.
23
CALADO, Margarida – Desenhar o Corpo – uma Metodologia de Ensino Constante na Arte Ocidental in
TAVARES, Cristina Azevedo, et alt. – Representações do Corpo na Ciência e na Arte. Lisboa: Fim de Século
Edições, 2012. p.110.
24
Médicos gregos do II século a.c., fundadores da Escola de Medicina de Alexandria e os primeiros a
fazer dissecação de corpos humanos.
25
Galeno, 129-217 d.c., médico e filósofo romano.
26 VELOSO, António José de Barros – André Vesálio: a Descoberta da Anatomia in TAVARES, Cristina
Azevedo, et alt. – Representações do Corpo na Ciência e na Arte. Lisboa: Fim de Século Edições, 2012.
p.16.
27
Giotto (1266-1337), pintor e arquiteto italiano considerado o introdutor da perspetiva na pintura da
época.
28
Cennino Cennini (1370-1440), pintor italiano influenciado por Giotto, CALADO, Margarida, op. cit.,,
2012. p.113.
29 Leonardo Da Vinci (1452-1519), cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor,
escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico italiano; uma das figuras mais importantes do alto
Renascimento.
30
Vesalius (1514-1564), anatomista e físico belga.
31 Sete livros ilustrados com rigor sobre a constituição do corpo humano.
32
RITTO, Isabel, op. cit., 2001, p.185.
33
VELOSO, António José de Barros, op. cit., 2012. p.17.
34
Albert Durer (1471-1528), gravador, pintor, ilustrador, matemático e teórico de Arte alemão; uma das
figuras marcantes do Renascimento nórdico.
35
RITTO, Isabel – Albretch Durer: um Pioneiro da Antropometria. In TAVARES, Cristina Azevedo, et alt. –
Representações do Corpo na Ciência e na Arte. Lisboa: Fim de Século Edições, 2012. p.104.
36 Vasari (1511-1574), pintor e arquiteto italiano.
37
CALADO, Margarida, op. cit., 2012. p.115.
38
RAMOS, José Artur, op. cit., 2010. p.191.
39
Gaspard Lavater (1741-1801), filósofo, poeta e teólogo suíço, fundador da Fisiognomia.
40 LAVATER, Jean Gaspard, op. cit., 1783.p.65.
41
Michele Savonarola (1452-1498), padre dominicano dedicado à filosofia e medicina.
42
GAURICO, Pomponio, Sobre la escultura, Madrid: AKAL publicaciones, 1989. p. 104.
43 Gaurico (1475-1558), astrólogo, astrónomo e matemático italiano.
73
44
Francisco d’Holanda (1517-1584), humanista, arquiteto, escultor, desenhador e pintor português
considerado uma das figuras mais importantes do Renascimento em Portugal. RAMOS, José Artur Retrato : o Desenho da Presença. Lisboa : Campo da Comunicação, 2010. p194.
45 HOLANDA, Francisco de –Da Pintura Antiga. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1984, p.107.
46
ALBRECHT, Hans Joachim – Escultura en el siglo XX. Barcelona: Editorial Brume, 1981. p.87.
47
Francisco de Assis Rodrigues (1801-1877), escultor português envolvido na fundação da Academia de
Belas-Artes de Lisboa.
48 RODRIGUES, Francisco de Assis – Methodo das Proporções, e Anatomia do Corpo Humano, Dedicado à
Mocidade Estudiosa, que se aplica às Artes do Dezenho. Lisboa: Typographia de A.S. Coelhos & Comp.ª,
1836. p.18.
49
PENERTY, Antoine-Joseph – La Conoissance de l’Homme Moral par celle de l’Homme Physique. Berlin:
G.J. Degred, 1776. p.94.
50
RAMOS, José Artur - Retrato : o Desenho da Presença. Lisboa : Campo da Comunicação, 2010. p.57.
51
Leslie Farkas (1915-2008), médico húngaro pioneiro da antropologia craniofacial moderna.
52 RAMOS, José Artur, op. cit., 2010. p.63.
53
RITTO, Isabel, op. cit., 2001, p.203.
54
CAMPER, Peter – Dissertation sur les Variétés Naturelles qui Caractérisent la Physionomie des
Hommes des Divers Climats et des Différents Ages. Paris: A la Haye. 1791.p.41.
55 DELESTRE, Jean-Baptiste – De la Physiognomie. Paris: Jules Renouard Library Editeur, 1866.p.65.
56
CHAUSSIER, François – Noveau Manuel du Physionomiste et du Phrénologiste. Paris: Librairie
Enciclopédique de Roret, 1838.p.222.
57
DELESTRE, Jean-Baptiste, op. cit., 1866.p.138.
58 TOLLETH, H. – Parameters of Caucasian attractiveness. In MATORY, J. R. – Ethnic consideration in
facial surgery. Philadelphia. Lippincott-Raven. 1998.
59
RITTO, Isabel – op. cit., 2001, p.223.
60 Le forme du crâne différe de peuple à peuple, dans ses généralités et par les détails, chez individus.
DELESTRE, Jean-Baptiste, op. cit.,.p.160.
61
RITTO, Isabel, op. cit., 2001, p.221.
62
CAMPER, Peter, op. cit., 1791.p.48.
63 LAVATER, Jean Gaspard, op. cit., 1783. p.145.
64
RITTO, Isabel – op. cit., 2001, p.204.
65
RIPLEY, William Z. - The Races of Europe : a Sociological Study. New York: D Appleton & Company,
1915. p.55.
66 Cfr., Idem. p.39-52.
67
LAVATER, Jean Gaspard, op. cit., 1783.
68
Cfr., RAMOS, José Artur, op. cit., 2010. p.237.
69 CAMPER, Peter, op. cit., 1791.p.55.
70
RITTO, Isabel, op. cit., 2001, p.204.
71
Cícero (106-43 a.c.), filosofo, orador, escritor, advogado e político romano.
72
RAMOS, José Artur, op. cit., 2010. p.222.
73 FAU, Julien – Anatomie des Formes du Corps Humain, a lÚsage des Peintres et des Sculpteurs. Paris:
[s.n.], 1865. p.171.
74
PENERTY, Antoine-Joseph, op. cit., 1776.p.97-103.
75
RAMOS, José Artur, op. cit., 2010. p. 106.
76 RAMOS, José Artur, op. cit., 2010. p.228.
77
Cfr., RIPLEY, William Z., op. cit., 1915. p.50.
78
PENERTY, Antoine-Joseph, op. cit., 1776.p.110.
79 RAMOS, José Artur, op. cit., 2010. p.79.
80
Fritz Lange, médico alemão do século XX.
81
LANGE, Fritz – El Language del Rostro. Barcelona: Luis Miracle, 1942. p.174.
82
Ferembach (1924-1994), antropologista francês, especializado em antropologia física.
83 RITTO, Isabel, op. cit., 2001, p.219.
84
RAMOS, José Artur, op. cit., 2010. p.75.
85
RITTO, Isabel, op. cit., p.216.
86 Cfr., RIDLEY, Matt – Darwins Modernos. National Geographic. Lisboa: RBA Revistas Portugal. Vol. 8, nº
95 (Fevereiro 2009). p. 34.
74
87
Ou seja “o mais honesto da face”, RAMOS, José Artur - Retrato : o Desenho da Presença.
Lisboa : Campo da Comunicação, 2010. p.228.
88
RAMOS, José Artur, op. cit., 2010. p.76.
89 Louis Delaistre (1746-1832), escultor francês.
90
DELAISTRE, Louis – Cours Méthodique du dessin et de a Peinture. Paris: Imprimerie de Hennuyer,
1842.p.155.
91
RITTO, Isabel, op. cit., 2001, p.243.
92 RAMOS, José Artur, op cit., 2010. p.106.
93
RITTO, Isabel, op. cit., 2001, p.245.
94
CAMPER, Peter, op. cit., 1791.p.45.
95
RITTO, Isabel, op. cit., 2001, p.245.
96 RIPLEY, William Z., op. cit.,1915. p.122.
97
RAMOS, José Artur, op. cit., 2010. p.77
98
Idem., p.225
99 CAMPER, Peter, op. cit., 1791.p.44.
100
RITTO, Isabel, op. cit., 2001, p.240.
101
RAMOS, José Artur, op. cit., 2010. p.78
102
DELESTRE, Jean-Baptiste, op. cit., 1866.p.65.
103 RAMOS, José Artur, op. cit., 2010. p.77.
104
RITTO, Isabel, op. cit., 2001, p.248.
105
Cfr., CAMPER, Peter, op. cit., 1791.p.44.
106
BREATHNACH, A. S. - Melanin Pigmentation of the Skin. Oxford : Oxford University Press,1971. p.3.
107 SWERDLOW, Joel, L. – Desmascarar a Pele. National Geographic. Lisboa: RBA Revistas Portugal. Vol.
2, Nº 21 (Dezembro 2002). p. 2.
108
FEREMBACH, Denise – L’Homme, son Évolution, sa Diversité. Paris: CNRS Editors, 1998. p.502.
109 n. 1979, artista brasileira, vive e trabalha em Madrid, Espanha.
110
Chaque people a donc dans la figure quelque chofe de difinctif qui fe perpétuo & fe reproduit
conftamment, jusqu’à ce que le mêlange éventuel des differénts peuples entre eux vienne altérer ou même
effaçer entièrement ce figne caractèriftique. .CAMPER, Peter, op. cit., 1791.p.14.
111
Cfr., RITTO, Isabel, op. cit., 2001, p.226.
112 Cfr., RIPLEY, William Z., op. cit., 1915. p.65-70.
113
Ferraz de Macedo (1845-1907), medico português; desenvolveu complexos estudos antropométricos
sobre a população portuguesa.
114
RIPLEY, William Z., op. cit., 1915. p.71.
75
V. ESTUDO
V.1. Introdução
Compreendidos todos os conceitos e dominados todos os meios de interpretação
e análise das variantes antropométricas da face resta-nos aplicar todos estes
conhecimentos a uma amostra real e atual.
Este estudo inicialmente idealizado para uma amostra de todo o Mediterrâneo
Europeu acabou por ser confinado à costa Mediterrânica da Península Ibérica pela
complexidade do estudo e pelas premissas de uma tese de mestrado que implicam ser
realizada em determinado tempo e com uma determinada extensão. Assim este estudo é
uma amostra do que pode ser feito em maior escala (desejo que fica para já por realizar
mas que esperamos ser completo em breve).
A restrição à Península Ibérica pareceu-nos lógica por, para além de ser o espaço
do Mediterrâneo em que nos inserimos ser uma área definida não só a nível geográfico
mas também a nível de história, migrações, invasões e cultura comuns bem como ser o
espaço geográfico a que mais facilmente temos acesso para uma amostra fidedigna e
reunida exclusivamente para este estudo.
Definido o espaço restam-nos dois passos: conhecer bem a amostra, isto é, os
indivíduos que habitam na costa mediterrânica da Península Ibérica, a sua história, o seu
passado, antepassados e cruzamento entre povos que aí habitaram, bem como todos os
dados que possamos recolher a nível genético; definir o método de recolha da amostra,
quais os parâmetros para que esta amostra se mostre válida e a sua extensão para que o
estudo possa ter validade. Precorridos todos estes passos a análise da amostra deverá ser
correta, pertinente e conclusiva não só a nível anatómico mas também em relação aos
campos da história e da genética.
Deixemos aqui uma nota para explicar que a inclusão da costa sul de Portugal
como costa mediterrânica, apesar de não ser banhada por este mar, se mostra pertinente
não só para o nosso estudo mas também para outros anteriores a este, visto partilhar com
o resto da costa mediterrânica da península (bem como com outros pontos do
mediterrâneo) o mesmo envolvimento histórico e ambiental, social, cultural e religioso.1
Esta costa sul das terras lusitanas tem muito mais parecenças, a todos os níveis com os da
costa sul espanhola do que com as da costa oeste portuguesa devido às migrações que por
aí passaram, os portos que aí foram instalados ao longo dos séculos, clima (ainda
protegido pela costa africana, ao contrário de toda a costa oeste portuguesa fustigada pelo
75
Atlântico),costumes e noção de honra e orgulho tão marcantes nesta área e reconhecidos
como marcos da população mediterrânea por organizações como a UNESCO.2
Apesar de estarmos aqui apenas perante uma fronteira, Portugal e Espanha, é
importante referir o quanto estas delimitações políticas são despropositadas para um
estudo de natureza científica que visa estudar os caracteres faciais que como vimos são
transmitidos de geração em geração e que, como tal, refletem a genética de um povo.
Deixemos para já claro que as fronteiras não têm, na maior parte das vezes, nada a ver
com a genética dos povos e são definidas por razões tão simples como um rio ou uma
massa montanhosa. Estas divisões, de natureza política, unem muitas vezes regiões
distintas, algumas delas com culturas e dialetos próprios, e separam povos com uma
história e antepassados comuns (consequentemente se conhecermos apenas uma cidade
ou um região de um país, estamos longe de o conhecer na sua totalidade).
A geografia estabelece sempre, e independentemente das convenções
humanas, certas relações físicas entre esta enorme massa de território a que
chamamos Estados: indicaremos, com base no mapa, o que há de evidente nestas
relações naturais.3
V.2. Contextualização
V.2.1. Contextualização: História e Ambiente Físico
A Europa, que já vimos ser como um patchwork de povos, é também um
patchwork a nível climático dividindo-se em quatro zonas4. Se na Andaluzia (sul de
Espanha) o clima pode mesmo ser considerado subtropical, no extremo norte a neve e o
gelo são uma constante durante quase todo o ano enquanto que as ilhas diferem muitas
vezes do continente e são verdadeiro microclimas5 Quanto à vegetação, a Europa é
maioritariamente constituída por zonas agrícolas intercaladas por flora mediterrânea
(rasteira e perene) nos países do sul, floresta temperada mista na Europa Central e Ilhas
Britânicas, Dinamarca e parte da Rússia e floresta boreal na Escandinávia e Rússia e
estepes também na Rússia. Mas, mesmo em pequenas distâncias, as diferenças podem ser
abruptas. Só no Mediterrâneo encontramos uma grande riqueza e diversidade a nível
físico variando entre as quentes e secas planícies do sudoeste espanhol e as costas
insalubres da Albânia.6
Na costa mediterrânica da Península Ibérica, a que aqui nos dedicamos,
76
encontramos planícies quentes e secas e uma vegetação perene e rasteira com invernos
temperados e curtos. A única massa montanhosa a referir serão os Pirenéus, que definem
a fronteira entre Espanha e França, no nordeste, e que consequentemente marcam um
limite para o nosso estudo7.
Todos estes predicados marcaram esta região como extremamente propícia à vida
humana e, consequentemente, os fósseis e vestígios da vida pré-histórica são aqui
facilmente encontrados (bem como muitos vestígios de civilizações posteriores que uma
após outra colonizaram a região e de que iremos agora falar).
Já vimos, de uma maneira geral, como é que os antepassados do Homem moderno
saíram de África e se espalharam pelo globo mas parece-nos pertinente, como já foi
referido atrás, conhecer a história não só da região que aqui estudamos mas também a
história dos povos envolventes para que possamos compará-los em termos de
proximidade
ou
movimentos
populacionais
comuns.8No
Paleolítico
(há
aproximadamente 700 mil anos)9 a Europa era povoada pelo Homo erectus e pelas
primeiras formas de Homo sapiens onde se inclui o Homem de Neandertal. Este teve o
seu reinado até há 40 mil anos quando o Homo sapiens moderno se começou a instalar,
acabando o primeiro por se extinguir. Como já vimos, os cruzamentos poderão ter
ocorrido mas pontualmente. Dentro desta espécie de Homo sapiens sapiens encontramos
já algumas variantes, diferentes raças que apresentavam índices cefálicos diferentes e
variantes antropométricas marcadas e distintas sendo que destas a raça mais marcada e
conhecida é o Homem de Cro-Magnon. No último período glaciar, a Glaciação de Wurm,
já os vários tipos ancestrais de nórdicos, mediterrâneos e outros (à exceção dos alpinos
que terão vindo para a Europa mais tarde) habitavam a Europa e apresentavam
características distintas, apesar de todos apresentarem características ainda hoje
associadas aos caucasianos.10 Este período define-se como o Mesolítico (entre à 12 e 10
mil anos atrás).11 Talvez possamos afirmar que, durante este período, a população
Europeia seria dolicocéfala até às migrações vindas da Ásia, de povos mesocéfalos para
a Europa Central, hoje representados pelas comunidades alpinas.12 Em termos culturais
os vestígios deste período encontrados em todo o Mediterrâneo, desde Israel à Península
Ibérica, são muito semelhantes.13
Seguiu-se o Neolítico que se distingue pelo domínio da agricultura que se
considera ter surgido no Crescente Fértil, no sudoeste asiático. Surge a base da economia
pela troca de produtos e consequentemente surge a cerâmica (para transporte e
armazenamento). Estes povos seriam indo-europeus.14
77
O inicio da agricultura permitiu o aumento da densidade populacional e torna a
migração dispensável. Começam a criar-se tribos associadas a determinados locais,
estabelecem-se as primeiras aldeias e definem-se fronteiras (que aumentam lentamente
para que seja cultivado cada vez mais terreno). Se antes os mais fracos, mais velhos e
doentes eram deixados para trás por se tratarem de um fardo para as migrações, agora
deixam de o ser.
É possível que, no Mundo, tivessem apenas existido 10 milhões de pessoas,
na altura em que foram feitas as primeiras experiências de cultivo e de criação
de rebanhos. Contudo em 2000 a.C. a população do Mundo estava, possivelmente,
a chegar aos 90 milhões. 2000 anos depois, na época de Cristo, esta população
situava-se perto dos 300 milhões.15
O conhecimento da agricultura rapidamente se espalhou (primeiro nos climas mais
propícios, mediterrâneo e parte central e ao longo do curso de rios). Visto que algumas
ilhas eram também já povoadas podemos concluir que se dominaria já algum tipo de
embarcação primitiva.16
Começa aqui começa o período da Antiguidade, desde a invenção da escrita, pelos
sumérios, até à queda do Império Romano do Ocidente e início da Idade Média.
Entre 4000 e 3000 a.C. descobre-se o uso do cobre, fácil de extrair e trabalhar e
constroem-se machados e ornamentos. São também deste período a maioria dos
monumentos megalíticos que conhecemos como as antas, dolmens e menires (e o tão
conhecido Stonehenge). A localização destas descobertas comprova como os agricultores
de então já povoavam grande parte da Europa.
Por esta altura algumas civilizações europeias eram já notórias.17
No início do terceiro milénio a.C. terá sido domesticado o cavalo e criadas as
primeiras carroças e, a partir daí, toda a transmissão de técnicas e conhecimento foi
acelerada.
18
No final do Calcolítico (Idade do Cobre) a Península Ibérica seria povoada
por fortes cidades de comércio costeiras provenientes do norte de África.19
Por volta do ano 2000 a.C. surgem as primeiras dinastias de tribos pastorais
falantes de línguas indo-europeias. No mesmo período assinala-se a Era do Bronze em
que as civilizações europeias mais avançadas, tanto a nível cultural como social e político,
estariam sediadas na Grécia (minoas e micénicos)
20
, a par com os impérios Hitita da
Anatólia, Faraó do Egipto e civilizações da Mesopotâmia.21
78
Neste período a civilização egípcia estava no seu auge. Era sem dúvida a
civilização mais avançada até então com brilhantes médicos e engenheiros (tal como
Homero indica na sua obra Odisseia). Estas três grandes potências mundiais eram, no
entanto, constantemente ameaçadas por imigrantes errantes e bélicos vindos
especialmente das estepes onde continuavam a praticar o nomadismo. 22 Durantes estes
ataques as civilizações terão sido lentamente empurradas para sul.
A Idade do Ferro (primeiro milénio a.C.) surge primeiro entre os egeus e depois
mais a norte, no centro da Europa, com a Cultura de Hallstatt.23. Quando chega ao
mediterrâneo o trabalho do ferro desenvolve-se particularmente em Itália onde surge o
povo etrusco falante de uma língua extraindoeuropeia (e cuja proveniência é
desconhecida).24 Também durante o primeiro milénio a Península Itálica é invadida a
norte por um povo aparentado com o Etrusco e por emigrantes vindos da Gália, a
civilização Hallstatt, celta. A sua fusão originou os celtaiberos. Estes não chegaram à
Espanha meridional onde se iriam estabelecer portos fenícios.25
Por volta de 750 a.C. os Gregos colonizam grande parte do território mediterrâneo
pela mesma altura em que os Fenícios colonizam ilhas agora espanholas e italianas e a
costa oriental de Espanha e norte de África (tal como contam a Ilíada e a Odisseia). Estes
acabariam por não vingar face às opressões gregas mas uma das suas cidades, Cartago,
impõe-se e dela proveem os cartagineses.26
No final do primeiro milénio a.C. o oriente mediterrâneo era inteiramente
controlado pelos gregos (formados pela civilização helénica originária de Creta e pelos
os etruscos) e a decadência do império hitita estava eminente. No entanto os Romanos,
fortes em termos sociais, políticos e culturais, rapidamente começaram a tomar conta da
Europa Central e Mediterrâneo.27 É durante o este império que se populariza a alcunha de
“o Grande Mar” ou Mare Nostrum (o nosso Mar).28 Este foi o período histórico em que o
Mediterrâneo esteve mais unido a nível político.29
No entanto o Império Romano teve como principal oponente os movimentos
bárbaros que no século IV d.C. fizeram sucumbir a parte ocidental do Império30.
Destes movimentos bárbaros destacaram-se alguns, mais poderosos: os Godos
estabeleceram-se no sudoeste russo; os Ostrogodos em Itália; os Visigodos no Sudoeste
Francês e Península Ibérica (século VI31); os Anglo-saxões na Alemanha e Países Baixos
e mais tarde (século V d.C.) na Inglaterra. Os bárbaros acabaram por afetar toda a Eurásia
de forma semelhante: as suas técnicas agrícolas eram rudimentares pelo que necessitavam
de vastas terras e nunca deixam de ser povos seminómadas.
79
Não há, portanto, qualquer pureza racial nestes bárbaros que pisam o solo chinês
ou romano, mas antes o resultado composto de uma longa fermentação.32
Fig. 28) Expansão Romana e movimentos Bárbaros na Europa segundo Cavalli-Sforza
Note-se que nos referimos apenas aos maiores movimentos e que o seu início,
duração e local exato não estão ainda definidos.
As invasões bárbaras não afetam no entanto os Balcãs, parte do Império Romano
do Oriente o que leva o Imperador romano Constantino, no século III, a transferir a capital
para Bizâncio (mais tarde com o nome de Constantinopla) e surge o Império Bizantino
(dos resquícios do Império Romano). Em 476 d.C. a parte ocidental do Império tem o seu
fim.33 Nos séculos que se seguiram a Península Ibérica é invadida por muçulmanos que
confinam os Visigodos à zona das Astúrias. Estes viriam a controlar todo o Mediterrâneo.
34
No século IX d.C. os Árabes (ou Sarracenos) vêm do norte de África para as ilhas
do Sul de Itália e Península Ibérica onde estarão até serem completamente banidos pelos
reinos cristãos em 149235.
80
Durante a Idade Média o Mediterrâneo atravessou uma época de profundas
alterações marcadas pelo avanço dos reinos de ocidente e do declínio da ocupação
muçulmana bem como a conquista de Constantinopla pelos turcos em 1453.36
Note-se que todos estes movimentos e invasões contínuas durante séculos foram
prejudiciais à evolução da economia e cultura da Europa (que havia evoluído tão
rapidamente até à queda do Império Romano). Só no início do segundo milénio, sob a
visão do Papado e da Igreja Católica Romana, é que algumas cidades-estado começaram
a renascer da escuridão e durante o tempo que se seguiu, até ao século XX, a Europa do
Norte e Centro e o Mediterrâneo tiveram um contacto reduzido entre si, evoluindo de
forma distinta a nível sociológico e cultural, aumentando o seu contacto, com o põe
Abulafia37, com duas invenções (para além da revolução tecnológica): o avião e o bikini.38
A história prova-nos que o cruzamento entre os povos foi sempre uma constante.
No entanto podemos afirmar que estes invasores, apesar de poderosos guerreiros, nunca
seriam muito numerosos em relação às populações residentes pelo que de um modo geral
podemos considerar que as populações (e os seus genes) sediados há mais tempo
prevalecem ou seja, em termos genéticos, estes cruzamentos não serão muito profundos.39
Não devemos acreditar nas migrações dos povos senão com base em
provas muito positivas, e nos limites rigorosos que advêm destas provas. As
migrações de hordas asiáticas pouco modificaram a população e menos ainda as
línguas; quanto às migrações das nações europeias, não serão mais que
expedições de exércitos conquistadores; elas formaram castas e modificaram as
línguas; mas as populações, no fundo, permaneceram as mesmas.40
Podemos assim resumir a história da costa mediterrânica da Península Ibérica nos
seguintes acontecimentos e factos: a península sempre possuiu um clima quente de
invernos pouco rigorosos em planícies propícias à agricultura e pastorícia. Nela já
habitavam as primeiras formas de Homo sapiens e estas já apresentavam traços faciais
distintos das povoações mais a norte (são encontrados numerosos vestígios da sua
presença, como esqueletos, que nos dão a certeza da sua natureza dolicocéfala). O
domínio da agricultura foi abraçado rapidamente na região e durante o Calcolítico surgem
já fortes cidades de comércio marítimo provenientes do norte de África. Durante a Idade
do Ferro estabelecem-se portos fenícios fustigados pelos ataques gregos e no final do 1º
milénio a área é já dominada pelos romanos. No século VI esta parte do império sucumbe
81
face aos ataques dos Visigodos (povos bárbaros) a norte e dos sarracenos a sul. Estes
últimos ficam na Península até 1492 quando são banidos pelos reinos cristãos. Quer isto
dizer que, como vimos, apesar de tratarmos de uma pequena área os cruzamentos
possíveis são numerosos e a descendência que chega até aos dias de hoje pode ter
antepassados do norte de África, Celtas, Fenícios, Bárbaros, Cartagineses, Gregos,
Romanos e até Vikings (que pontualmente saquearam e pilharam a costa mediterrânica).
Apesar da influência destes ser em muitos casos mínima notemos toda e tão antiga
miscigenação (inexistente, pelo menos a este nível, na maior parte dos cantos do Mundo).
Em termos linguísticos as línguas faladas atualmente na Europa dividem-se em
quatro grupos principais41 sendo que todos os dialetos falados na Península Ibérica (à
exceção, como vimos, do basco) fazem parte das línguas indo-europeias, descendentes do
romano, ou seja, impostas durante o domínio romano. No entanto sabemos que tanto o
Castelhano como o Português incluem em si muitas palavras de origem árabe e isso prova,
como referimos anteriormente, a função da língua enquanto método de estudo das
populações. Apesar da língua para este estudo, não acrescentar muito (visto que as
populações em causa têm línguas muito semelhantes, resultado de um passado também
muito semelhante), ela vem confirmar essa proximidade e o contacto com o Império
Romano e com o norte de África.
Antes de avançarmos para o estudo, e apesar de este não ter em conta a estatura
dos indivíduos constituintes da amostra, devemos fazer ainda referência a alguns factos
sobre a antropologia física da Europa. Apesar das variantes antropométricas da face terem
sido estudados aprofundadamente no capítulo anterior, devemos sublinhar que nem todos
os sinais antropológicos/ antropométricos que vemos nos dias hoje são resultado de
séculos de interação com o ambiente em questão. Alguns são resultado de descobertas
tecnológicas e científicas recentes como é o caso da alta estatura europeia (mais notória
nos países do norte) e que se prende com a revolução industrial e melhores condições de
vida e alimentação das grandes massas. Com este exemplo compreendemos como o corpo
humano pode responder aos fatores envolventes de forma relativamente rápida, sem que
haja qualquer alteração a nível genético.
Não existe garantia de que as observações da variação antropométrica no
espaço e tempo sejam reflexo de diferenças genéticas mas antes de fatores
socioeconómicos, nutricionais, ambientais e históricos (…). No últimos dois
82
séculos a população Europeia esteve especialmente exposta às recentes
alterações ambientais, que afetam a antropometria. A Europa é provavelmente o
local do Mundo onde será mais perigoso tirar conclusões a nível genético a partir
de medições antropométricas.42
V.2.2. Contextualização: Genética
Se acima fizemos referência à história geral da genética Europeia façamos aqui
um rápido apanhado da costa mediterrânica da Península Ibérica (aqui fazemos apenas
referência ao nome dos vários haplogrupos pelo que é recomendada a consulta do capítulo
dedicado à genética para compreender a história e proveniência destes).
Em termos genéticos o haplogrupo mais representado é sem dúvida o R1b, mais
evidente no nordeste, na zona do País Basco (com frequência de 90%) mas nunca a baixo
dos 40% no resto da Península. A forte presença deste haplogrupo reflete o facto de esta
zona ter sido um dos quatro refúgios da Idade do Gelo e podemos afirmar que esta
frequência representa os homens que para aqui vieram há cerca de 35 000 anos. Estudos
recentes comprovam que a população que aqui habitava no neolítico e a atual não
apresentam diferenças muito significativas.43 Segue-se o haplogrupo E com frequência
genética de 32% no noroeste e quase inexistente a nordeste com um pico no distrito de
Málaga a sul o que nos leva a concluir que este haplogrupo, que representa indivíduos
vindos de África, chegou à península por duas vias: uns atravessando o mediterrâneo e
outros por terra, vindos do Médio Oriente. O haplogrupo J, dos primeiros agricultores,
atinge os 20% no sul e diminui em direção a norte e o haplogrupo I atinge os 30% no
centro da península.
Faça-se um apontamento para dizer que em França as frequências genéticas
assemelham-se às ibéricas. O haplogrupo ibérico R1b é aqui também muito comum,
sempre acima dos 50%. Aqui os haplogrupos E3b e J2 estão espalhados de forma mais
ou menos homogénea por todo o país atingindo os 6% no primeiro caso e os 8% no
segundo.44
83
V.3. Método de recolha da amostra
Definido o espaço a abordar e conhecido o seu envolvimento foi necessário definir
alguns limites que distinguissem os elementos da amostra válidos dos demais.
Assim, definiu-se que seriam apenas objeto de estudo os indivíduos entre os 18 e
os 35 anos, idade entre as quais o corpo já sofreu todas as alterações provocadas pelo
crescimento mas ainda não sofreu alterações provocadas pelo envelhecimento45. Destes,
as duas gerações anteriores deveriam ter nascido no mesmo local (dada uma margem de
100 kms), visto que os entrevistados na grande maioria não conseguiam indicar a
proveniência dos seus antepassados mais antigos. Ambos os sexos deveriam estar
representados mais ou menos no mesmo número e as amostras deveriam ser tantas quanto
as necessárias para que se pudesse tirar conclusões. Estas deveriam também excluir
indivíduos com algum tipo de má formação ou deformação a nível facial.
Selecionados os indivíduos a fotografar estes, idealmente, deveriam ser
fotografados sobre fundo branco, com uma mesma luz suave e geral, sem sombras, com
tripé, com um objeto de um cinzento-médio (que permitisse comparar tons de pele), em
formato RAW (que mantivesse toda a informação e tons originais) e à mesma distância
da objetiva (no mínimo 1,50 metros, de modo a evitar distorção). Para além disso cada
indivíduo deveria ser fotografado igualmente de perfil e na vista frontal para que se
pudesse extrair o maior número de informação possível de cada rosto. A face deveria
apresentar-se sem expressão e segundo a horizontal de Frankfurt, como referimos no
capítulo anterior.
Estes predicados foram concluídos após o estudo do trabalho de vários fotógrafos
que, de algum modo, se aproximam do nosso estudo (dos quais devemos referir August
Sander, Sebastião Salgado, Robert Frank, Edward S. Curtir e, em especial, os trabalhos
de Richard Avedon e Thomas Ruff). No entanto, no terreno, numa primeira experiência
no sul de França, concluiu-se que seria demasiado difícil seguir alguns deles:
logisticamente apresentou-se impossível montar uma espécie de estúdio com as condições
ideais em cada local pois a disponibilidade dos abordados não era suficiente para que
estes fossem até esse determinado local para recolha da amostra fotográfica. Para além
disso, excluídos turistas, não são muitos os indivíduos que encontramos na rua com
disponibilidade para conhecerem o projeto e serem devidamente fotografados. Assim,
após as primeiras horas falhadas no sul de França (em particular em Marseille, cuja
população é quase na totalidade imigrante de África), concluiu-se que as fotografias
84
teriam de ser tiradas na rua. Foram sentidas algumas dificuldades em explicar o projeto e
este foi muitas vezes olhado com desconfiança acontecendo que, por vezes não
compreendendo o seu propósito, os indivíduos preferiam não colaborar. O processo
fotográfico teve de ser o mais simplificado possível. Não obstante, a cada um dos
indivíduos abordados foi entregue um texto explicativo, com o carimbo da faculdade de
Belas Artes da Universidade de Lisboa, em francês ou espanhol respetivamente, onde se
podia ler:
Olá! O meu nome é Beatriz Manteigas, sou pintora, nascida em Portugal,
e estou atualmente a escrever a minha tese de mestrado em Anatomia Artística
pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa. A Tese tem como título As Variações
Antropométricas da Face nos Povos da Costa Mediterrânica da Península Ibérica.
A parte teórica desta tese engloba vários campos entre eles a anatomia, a
história e a genética dos povos em causa. Proponho-me, após estudar estes
campos detalhadamente, aprofundar o estudo das variantes antropométricas dos
atuais habitantes da costa mediterrânica da Península Ibérica.
É aqui que solicito a sua ajuda. Em cada localidade em que passo estou a
pedir aos habitantes locais, com idades entre os vinte e os trinta e cinco anos e
que se saibam descendentes de pelo menos duas gerações habitantes deste mesmo
local, que me permitam tirar duas fotografias, uma frontal e uma de perfil. Estas
serão analisadas a nível científico e comparadas com outras de modo a procurar
padrões referentes a determinadas áreas e distinções evidentes entre outras.
As fotografias serão apenas utilizadas com este caracter científico
podendo vir a ilustrar a tese que poderá, eventualmente, ser editada.
A tese estará terminada e será entregue até Janeiro de 2015.
Posteriormente, caso seja do vosso interesse, poder-lhes-ei enviar a tese
terminada via email. Caso esse seja o seu desejo envie-me um email através do
meu website onde poderá também consultar os meus trabalhos.
www.beatrizmanteigas.weebly.com
Obrigada pela sua ajuda!
Beatriz Manteigas
Abril 2014
Apesar de se ter mantido o objeto cinzento-médio (uma folha de cartão), que
85
podemos ver nas fotografias originais, concluiu-se que comparar de tons de pele seria
inconclusivo e pouco pertinente visto que muitos dos indivíduos apresentavam
maquilhagem ou estavam queimados pelo sol, não apresentando o seu tom de pele natural.
A questão da luz e das sombras foram parcialmente esquecidas, o tripé foi abolido e a
questão da posição da face foi cumprida grosseiramente tendo sido compensado este facto
posteriormente, aquando do tratamento das imagens e do seu desenho. Manteve-se no
entanto cuidadosamente a distância entre o modelo e o fotógrafo (para eliminar problemas
de distorção), a expressão neutra, o intervalo de idades válido e a naturalidade dos
antepassados dos fotografados.
Fig. 29) Exemplos da amostra recolhida em Nice, Sul de França
Posto isto conseguiu-se uma amostra válida e coesa mas que imperativamente teve
de ser abordada através dos meios do desenho e da pintura para que a sua compreensão e
análise fosse mais fácil (como vimos, a Arte tem dado tanto à Ciência como esta lhe tem
dado a si e aqui encontramos mais um desses casos em que as duas áreas se apoiam
86
mutuamente para chegar mais longe, uma das ideias fundamentais sobre a qual gira toda
esta dissertação).
Assim, nos cinco locais eleitos (Tavira, Tarifa, Almeria, Valência e Tarragona),
todos a menos de 500 kms entre si, foi recolhida uma amostra de vinte indivíduos em
cada cidade que preenchiam as anteriores premissas, dando um total de cem indivíduos
abordados.
Fig. 30) Exemplos da amostra recolhida na costa mediterrânica da Península Ibérica
A amostra traduz-se assim fisicamente em duzentas fotografias (cem frontais e
cem de perfil) que foram alinhadas e impressas de modo a serem mais facilmente
comparadas e, a partir destas, foram realizados duzentos desenhos respetivamente
(simples e à base de linha e com o auxílio de uma mesa de luz, de modo a facilitar a
compreensão de cada rosto). Sobre estes, foram tiradas medidas e ângulos (como indicam
os vários estudos referidos no capítulo anterior) e estes foram organizados na tabela que
87
se segue. Dos parâmetros a analisar foram apenas excluídos os que se apresentaram
desinteressantes para o estudo em causa (caso de alguns ângulos de perfil e das medidas
lineares da face, muito próprios de cada um e de cada família e muito variáveis), e aqueles
que não podiam ser devidamente estudados através da amostra recolhida (referimo-nos
ao tom de pele e também ao formato do cabelo, que muitas vezes não se apresenta na sua
forma natural). Foi também excluído o estudo da orelha.
Fig. 31) Exemplo do tratamento feito a partir das fotografias recolhidas
88
V.4. Amostra
Índice Cefálico
(nº de indivíduos)
Dolicocéfalo
Mesocéfalo
Braquicéfalo
Fronte (nº de indivíduos)
Quadrada
Pequena
Redonda
Estreita
Aberta
Pálpebras (nº de indivíduos)
Em pêssego
Tarsal
Em moca ou maça
De tarso em pêssego
De tarso em moca
Estreita ou Angusta
Cor dos Olhos (nº de indivíduos)
Azul
Verde
Castanho Claro
Nariz (nº de indivíduos)
Retilíneo
Convexo
Côncavo
Base Nasal (nº de indivíduos)
Estreita
Ponta do Nariz (nº de indivíduos)
Ascendente
Descendente
Queixo (nº de indivíduos)
Fraco
Forte
Regular
Estreito
Lábios (nº de indivíduos)
Finos
Superior Fino
Inferior Fino
Cabelo (nº de indivíduos)
Preto
Castanho-claro
Loiro-escuro
Inclinação frontal (em graus)
Máxima
Tavira
Tarifa
Almeria
Valência
Tarragona
13
7
0
13
7
0
10
9
1
15
5
0
10
8
2
6
0
8
0
6
3
5
7
0
5
1
2
10
0
7
4
3
6
1
6
5
3
10
2
0
3
1
3
1
2
10
1
0
11
0
1
7
5
0
6
1
3
5
6
0
6
2
0
6
6
1
5
0
2
6
2
3
4
1
0
4
3
0
3
4
2
3
1
1
0
11
8
1
12
5
3
12
8
0
14
5
1
12
6
2
1
2
2
2
1
3
4
5
2
1
1
5
0
5
1
5
1
9
5
6
3
8
3
5
1
10
4
5
1
9
5
6
0
9
5
0
0
0
0
3
0
5
0
0
3
0
0
1
1
1
3
1
1
2
1
0
4
3
0
3
3
2
1
3
0
28
27
26
26
23
89
Mínima
Média
Ângulo de Camper (em graus)
Máximo
Mínimo
Média
Convexidade do perfil (em graus)
Máxima
Mínima
Média
7
17,3
12
18,35
8
18,15
2
18,95
-4
11,5
81
70
75,15
78
66
74,35
83
72
76,35
84
69
77,65
82
72
77,4
21
0
11,25
18
2
10
14
1
9
21
3
11,4
19
1
9,95
V.5. Análise
Organizados os dados recolhidos averiguamos o seguinte:
- em todos os locais visitados há mais dolicocéfalos (61% da amostra total),
seguindo-se os mesocéfalos (33% da amostra total) e por fim os braquicéfalos, apenas
encontrados em Almeria (5%) e Tarragona (10%). Nestes mesmos locais a quantidade de
mesocéfalos aproxima-se muito da quantidade de dolicocéfalos concluindo-se que haverá
uma tendência para que o índice cefálico aumente à medida que nos dirigimos para
oriente.
90
Fig. 32) Exemplos de indivíduos dolicocéfalo, mesocéfalo e braquicéfalo
respetivamente (Tarragona)
- A forma da fronte mais comum em todos os locais é a redonda, presente em 41 %
da população total; seguida da fronte aberta que representa 24%, a quadrada 19%,
91
pequena 13% e estreita 3%. Estes últimos 3% foram encontrados em Valência e Tarragona
(os locais mais a oriente) e neste último local não foram encontradas frontes abertas.
92
93
Fig. 33) Exemplos de frontes aberta, redonda, quadrada, pequena e estreita respetivamente (Valência)
- as pálpebras mais comuns na população total são as em forma de moca e estreita
representadas em 31% e 34% respetivamente. A primeira encontra o seu expoente máximo
em Tarifa, presente em 55% da população desta região e a segunda em Tavira, 50% da
população. Os tipos de pálpebra em que a parte tarsal é mais visível são pouco comuns
sendo que, se considerarmos estes três tipos (tarsal, tarsal em pêssego e tarsal em moca)
estes representam apenas 14% da população total. Assinalemos que o tipo de pálpebra em
pêssego é mais comum à medida que nos dirigimos para oriente, onde o tipo estreito se
torna ligeiramente menos comum.
94
95
96
Fig. 34) Exemplos dos tipos de pálpebras: em pêssego (Valência), tarsal (Tarragona), em moca (Tarifa),
tarsal em pêssego (Tavira), tarsal em moca (Tarifa) e estreita (Tarifa).
- a cor dos olhos predominante é sem dúvida o castanho-escuro que representa
69% da população total. Os outros 31 % dividem-se entre olhos azuis (11%), olhos verdes
97
(6%) e olhos castanho-claros (14%). O maior número de olhos azuis foi encontrado em
Valência representando 20% da amostra e o local onde a percentagem de olhos claros é,
curiosamente, o local mais a norte, Tarragona (com apenas 90% de olhos castanhoescuros). Estarão os olhos claros encontrados no sul da Península Ibérica associados ao
norte de África?
- O nariz retilíneo é o mais comum representando 61% da população total. Seguese a este o nariz convexo (33%) e por fim o nariz côncavo que apresenta o seu máximo em
Tarifa (o ponto mais a sul e mais próximo de África) e mínimo em Almeria onde não
foram encontrados indivíduos com esta característica.
98
Fig. 35) Exemplos de nariz retilíneo, convexo e côncavo (Tavira)
- a base nasal, que foi considerada estreita sempre que não ultrapassava uma
vertical tangente ao ponto mais interno da carúncula, foi apenas encontrado em oito
99
indivíduos nunca ultrapassando os 10% da população.
- A ponta do nariz ascendente atinge os 25% em Tarifa, Valência e Tarragona mas
apenas os 5% em Almeria e 15% em Tavira. Esta é no entanto mais comum do que a ponta
descendente, associada ao nariz adunco, mais presente em Tavira (25%) mas apenas
representada por um ou dois indivíduos nos restantes locais, sendo mesmo inexistente na
amostra recolhida em Valência.
- o queixo regular é o mais comum em toda a amostra representando 46% da
população. Segue-se o queixo fraco, ou seja em que o sulco mento labial e o respetivo
ângulo é pouco profundo e muito obtuso (aproximando-se dos 180%) representando 27 %
da população total e não sendo encontrado em nenhum local com uma percentagem
inferior a 25%. Segue-se o queixo estreito que está presente em 22% da amostra total e o
queixo forte em apenas 6% com uma representação mais marcada apenas em Tarifa
(15%).
100
101
Fig. 36) Exemplos de queixo regular, forte, fraco e estreito respetivamente (Almeria)
- os lábios mais finos surgem nos locais mais a oriente com expoente máximo em
Valência com uma representação de 15%. A restante população apresenta lábios regulares
e em nenhum caso se mostrou pertinente assinalar a presença de lábios especialmente
volumosos. O prognatismo é inexistente na amostra recolhida.
- os cabelos são castanhos em 84% da amostra e 73% apresenta um tom escuro. No
entanto 13% da população apresenta cabelo preto e apenas 3% cabelo loiro (escuro). A
percentagem de cabelo preto é menor a norte, em Tarragona, e atinge o seu máximo em
Almeria. Nos três locais mais a oriente é onde surge uma percentagem mais elevada de
cabelos castanho claros e loiros representando o total de 11% da amostra.
- a inclinação frontal tem uma média constante em todos os locais visitados
variando entre os 17º e os 19º à exceção de Tarragona onde a média da inclinação frontal é
de 11,5 º. É também em Tarragona que surgem os valores mais baixos tanto para a
inclinação máxima como para a inclinação mínima encontradas (23º e -4º respetivamente).
Este é também o único local onde surge um indivíduo que apresenta uma inclinação
negativa, relativa a um índice braquicéfalo.
102
Fig. 37) Indivíduos encontrados com a inclinação frontal máxima (28º, Tavira) e mínima (-4, Tarragona)
- a média do ângulo de Camper nos vários locais varia entre os 74,35º e os 77,65º
apresentando-se maior para oriente. O ângulo de valor mais baixo surge em Tarifa (66º) e
103
o ângulo de valor mais elevado em Valência (84º), sendo no entanto os valores muito
próximos em todos os locais. Relembremos que estes valores são aproximados pois o
ângulo de Camper deve ser medido no esqueleto desprovido de partes moles.
Fig. 38) Indivíduos encontrados com o maior e menor ângulo de Camper: Valência, 84º e Tarifa, 66º
104
- a convexidade do perfil atinge a média mais alta em Valência (11,4º) e mais baixa
em Almeria (9º) apesar de a diferença não ser significativa entre os vários locais.
Fig. 39) Indivíduos, encontrados em Tarifa, com a convexidade de perfil máxima (21º) e mínima (0º)
105
Para terminar foram traçadas as tendências referentes à amostra total,
representando a costa mediterrânica da Península Ibérica na sua totalidade. Para isso
foram construídos os seguintes gráficos organizando cada uma das variantes estudadas,
de modo a que cada uma destas seja facilmente compreendida em termos percentuais
tendo em conta a população total.
Índice Cefálico
Dolicocéfalo
Mesocéfalo
Braquicéfalo
Tipos de Fronte
Quadrada
Pequena
Redonda
106
Estreita
Aberta
Tipos de Pálpebras
Pêssego
Tarsal
Moca
Tarso em pêssego
Tarso em moca
Cor dos Olhos
Azul
Verde
Castanho Claro
107
Castanho Escuro
Estreita
Tipos de Nariz
Rectilíneo
Convexo
Côncavo
Inclinação da Ponta do Nariz
Ascendente
Descendente
108
Sem inclinação
Tipos de Queixos
Fraco
Forte
Regular
Estreito
Grossura do Lábios
Finos
Lábio superior fino
Lábio inferior fino
109
Regulares
Cor do Cabelo
Preto
Castanho Claro
Loiro Escuro
Castanho Escuro
V.6. Conclusões: pontos-chave e tendências
Após a análise cuidada dos dados concluímos:
- tal como indicado nos estudos citados nos capítulos anteriores, os dolicocéfalos são
predominantes em toda a península, representando 61% da população total da amostra.
Para além disso, este índice aumenta ao aproximarmo-nos da Europa Central e dos Alpes
confirmando os estudos que referem os habitantes desta área como apresentando um
índice cefálico particularmente mesocéfalo (ou seja, cabeça é mais arredondadas). Este é
o dado de todo o estudo mais proeminente e mais notório o que confirmando os estudos
citados que consideram a estrutura óssea do crânio como uma das variantes
antropométricas mais fiáveis e imutáveis face ao tempo, espaço e meio ambiente;
- a fronte mais comum na amostra total, representando a população de toda a costa
mediterrânica da Península Ibérica, é a fronte redonda presente em 41% dos indivíduos;
- a análise da forma das pálpebras, apesar de não trazer conclusões importantes entre as
populações abordadas, indica-nos que nesta região os tipos mais comuns são, com um
destaque notório, a forma em moca e estreita ao contrário dos tipos tarsais muito pouco
representados;
- a cor dos olhos mais predominante confirma-se ser o castanho-escuro representado em
cerca de 70% da população total da amostra, seguido do castanho-claro, mais presente no
sul podendo talvez confirmar o contato mais próximo com o norte de África (onde os
110
olhos claros são também comuns). A mais elevada presença de olhos verdes e azuis em
Tavira poderá ser indicador de uma menor influência dos povos do mediterrâneo oriental
e um maior contacto com povos vindos do Atlântico como é o caso dos Vikings. No
entanto os dados são pouco marcantes e apresentam os mesmos resultados em Valência
para a qual não encontrámos razão aparente. Na amostra total, representando a população
de toda a costa mediterrânica da Península Ibérica, a cor mais comum é sem dúvida o
castanho-escuro presente em 69% dos indivíduos abordados;
- apesar de o nariz retilíneo ser o mais representado (em 61% da população total), e o
segundo ser o convexo, associado aos europeus, é de notar a maior presença do nariz
côncavo no ponto mais a sul da península, Tarifa, levando a crer que este será um traço
comum com o norte de África;
- a ponta do nariz apresenta-se sem inclinação em 73% da amostra total, representando a
população de toda a costa mediterrânica da Península Ibérica;
- a forma do queixo não apresenta grandes discrepâncias entre as populações estudadas
mas devemos referir a maior presença do queixo forte em Tarifa, mais a sul. Tendo em
conta a amostra total, representando toda a população da costa mediterrânica da
Península, o queixo regular é o mais comum, presente em 45% dos indivíduos;
- os lábios finos são pouco representados na população total abordada confirmando que
este será um traço particular do norte e centro da Europa e não da Península Ibérica.
Considerada a amostra total 86% dos indivíduos possuem lábios com uma grossura
regular;
- o tom dos cabelos mais comum foi também confirmado como sendo o castanho-escuro.
Para além disso a presença de cabelos pretos é mais notória a sul, mais próxima de África
e onde a presença muçulmana foi mais duradora. Também podemos apontar a maior
presença de cabelos claros à medida que nos aproximamos de França e dos Alpes (apesar
de se tratar de uma amostra mínima). Considerando a amostra total, representando a
população de toda a costa mediterrânica da Península Ibérica, 73% da população
apresenta cabelos castanhos-escuros.
- a inclinação frontal, que se mantém semelhante em todos os locais visitados, mostra-se
particularmente baixa na localidade mais a norte onde também se encontra o maior
número de indivíduos não-dolicocéfalos confirmando a proximidade com as populações
alpinas e a notória persistência dos traços a nível ósseo.
111
1
ABULAFIA, David – The Mediterranean in History. London: Thames & Hudson Ldt, 2003. p.17.
GODDARD, Victoria A.; et al. – The Anthropology of Europe: Identities and Boudaries in Conflict. Oxford:
Berg Publishers Ltd, 1994.P.59. A sociedade do Mediterrâneo funcionará como uma “república de
primos”, em contraste com a “republica de cunhados” das sociedades primitivas e da “república de
cidadãos” dos países mais desenvolvidos. Idem., p.84.
3
La géographie établit toujours, et indépendamment des convetions humaines, certains rapports
physiques entre ces masses de territoire que nous appelons Etats: nous indiquerons, la carte à la main, ce
qu’il y a de manifeste dans ces relations naturelles. MALTE-BRUN, Conrad – Geographie Universelle. 6ª
ed. Paris: Garnier Fréres Libraires-éditeurs, 1853.p.52.
4
O clima mediterrâneo no sul (subtropical com invernos húmidos e temperados e verão muito quente e
seco); clima oceânico nos países com costa atlântica excluindo Portugal (com invernos mais frios e
verões quentes mas bastante precipitação durante todo o ano); clima central ou sub-oceânico nos
países interiores (com invernos mais rigorosos); clima continental nos países a este e norte (com
invernos muito intensos, longos e nevosos), clima boreal em grande parte da Península da Escandinávia
e norte da Rússia Europeia e clima de estepe em redor do Mar Negro e sul da Rússia Europeia (clima
húmido todo o ano com invernos rigorosos) [S.A.] – Atlas National Geographic – Europa. Lisboa: RBA
Colecionáveis, S.A. 2005. p.19.
5
Creta, por exemplo, é um mini continente com as suas próprias montanhas, desertos e selvas e muitos
animais e plantas nativos e exclusivos da ilha. Mesmo ilhas próximas, como a Córsega e a Sardenha,
apresentam notórias diferenças a nível geológico; ABULAFIA, David, op. cit., 2003. P.33.
6
Idem. p.20.
7
MALTE-BRUN, Conrad, op. cit., 1853. p.46.
8
Os próximos parágrafos sobre a História Europeia podem à primeira vista parecer demasiado extensos
(apesar de que muito resumidos em termos históricos), mas o seu conhecimento parece-nos pertinente
para compreender a história particular da costa mediterrânica e em especial, da Península Ibérica, em
paralelo com as civilizações vizinhas e com que tiveram contacto ao longo dos séculos pois, como
veremos, as civilizações em muito se enriqueceram e influenciaram entre si e nenhuma delas evoluiu
autónoma das outras: todas elas beberam descobertas e costumes entre si.
9
GAMBLE, C. – Cambridge World Archaeology- The Paleolithic Settlement of Europe. Cambridge:
Cambridge University Press, 1987.
10
HAWKES, Jacquetta; WOOLLEY, Leonard – Histoire du Developpement Culturel et Scientifique de
l’Humanite: Volume I, La Prehistoire et les Debuts de la Civilization. Paris: UNESCO, Robert Laffont, 1967.
p.70.
11 CAVALLI-SFORZA, L. Luca; MENOZZI, Paolo; PIAZZA, Alberto – The History and Geography of Human
Genes. 1ª ed. New Jersey: Princeton University Press, 1996. p.256.
12
RIPLEY, William Z. - The Races of Europe : a Sociological Study. New York: D Appleton & Company,
1915. p.470.
13 ABULAFIA, David, op. cit., 2003. p.69.
14
Falantes de uma língua que é antepassada comum da grande maioria das línguas faladas nos dias de
hoje desde a Irlanda até à Índia e, desde há pelo menos 8 000 anos ter-se-ão começado a expandir,
provenientes da sua terra-mãe na atual Ucrânia e Turquia. As palavras constitutivas e mais utilizadas por
cada povo indiciam os seus hábitos: dos povos indo-europeus e da sua língua provêm palavras ligadas à
agricultura enquanto que povos não falantes de línguas indo-europeias (como o turco e o urálico), que
chegaram à Europa mais tarde, possuíam um vocabulário que nos remete à domestica do cavalo (no
caso dos turcos); RIDLEY, Matt – Genome. London: Harper Perennial, 2004. p.186. No entanto, deixemos
uma nota para afirmar que, se retrocedermos bastante no tempo, cerca de 15 000 de anos, podemos
encontrar laços entre estas línguas. No entanto, existem línguas que, tanto quanto sabemos, não
apresentam qualquer afinidade com esta superfamilia linguística, como por exemplo o basco, restrito a
uma pequena área, curiosamente coincidente com uma notória quantidade de cavernas pintadas por
homens de Cro-Magnon. Será que esta, entre outras, é uma língua proveniente desses tempos,
anteriores ao homem atual? Idem., p.188.
15
BLAINEY, Geoffrey – Uma Muito Breve História do Mundo. 1ª ed. Alfragide: Livros d’Hoje Publicações
D. Quixote. p.48.
16
Cavalli-Sforza afirma que, no decorrer destas migrações, os agricultores homens tenderiam a criar
relações com as mulheres caçadoras-recolectoras locais, mas não o contrário (tal como acontece na
2
112
África central entre os agricultores e os pigmeus) o que em termos genéticos cria uma variabilidade do
cromossoma Y notoriamente superior à dos demais, algo que podemos comprovar atualmente em
povos como os finlandeses. RIDLEY, Matt, op. cit., 2004. p.190.
17
A oriente, a sudeste da Hungria até à Macedónia reinava a cultura Vardar-Morava, uma cultura
possivelmente mais antiga do que a cultura suméria; a nordeste da Hngria povos da cultura Bukk, ainda
muito primitivos viviam em cavernas e subsistiam da caça e pesca; a oeste, até Koln, os Danubian I, os
mais evoluídos, vindos de sul ou talvez da Anatólia (atual Turquia); povos do mediterrâneo ocidental
bastante evoluídos vindos também da Anatólia e do Norte de África e que migraram também mais para
norte, pela costa Atlântica, entre outras, mais pequenas. As zonas mais a norte, como a Escandinávia,
estariam entregues a grupos mesolíticos de caçadores-recolectores até mais tarde. Em paralelo, nas
estepes, surge outro tipo de economia, a pastorícia (em particular na atual Ucrânia e a norte do
Cáucaso). HAWKES, Jacquetta; WOOLLEY, Leonard, op. cit., 1967.p.214.
18 CAVALLI-SFORZA, L. Luca; MENOZZI, Paolo; PIAZZA, Alberto, op. cit., 1996. p.258.
19
Durante o mesmo período os Fenícios, vindos do Golfo Pérsico, instalam-se na costa da Síria. Em Creta,
povoada por imigrantes da costa meridional asiática e egípcios fugidos das guerras civis, surge uma
cultura original que se estende pela Grécia. HAWKES, Jacquetta; WOOLLEY, Leonard, op. cit., 1967.p.696.
20
WHITEHOUSE, D; WHITEHOUSE, R. – Archaeological Atlas of the World. San Francisco: W.H. Freeman,
1975.
21
Neste período há também grandes migrações de povos vindos do sul da Rússia e estabelecem-se os
primeiros impérios marcadamente mercantes: os micenos e os fenícios. ABULAFIA, David, op. cit., 2003.
p.73.
22
Pelos artefactos encontrados, concluímos que teriam contacto com civilizações europeias a oeste e
com mongóis a este. HAWKES, Jacquetta; WOOLLEY, Leonard, op. cit., 1967.p.343. Esta civilização Hitita,
nunca referenciada nos textos gregos, seria uma das principais potências durante o segundo milénio
a.c., dominando a Ásia Menor, e foi apenas descoberta no final do século XIX. ABULAFIA, David, op. cit.,
2003. P.72. A razão para o seu desaparecimento é nos entanto ainda negada se bem que muitos ligam
este acontecimento às invasões dos “povos do mar” (Sea Peoples), povos do mediterrâneo, nomeados
segundo as suas proveniências e que saqueavam e atacavam a costa. Textos egípcios consideram o
segundo milénio a.c. como o era destes povos desordeiros. Idem., 2003. p.96.
23
Também neste período dá-se o apogeu das culturas celtas que apesar de provenientes de zonas
diferentes encontravam semelhança e uniam-se pela língua. Se inicialmente estes se confinavam à zona
dos Alpes aqui penetram na parte este da Gália, até à Bélgica. Destes, os mais a norte misturaram-se
com os povos germânicos primitivos. Outro acabam por voltar à sua origem, nos Alpes e, a partir daí
espalham-se pelos e para lá dos Balcãs. PARETI, Luigi - Histoire du Developpement Culturel et Scientifique
de l’Humanite: Volume II, La Antiquite, de 1200j.c.à 500 de notre ère. Paris: UNESCO, Robert Laffont,
1967.p. 46.
24 CAVALLI-SFORZA, L. Luca; MENOZZI, Paolo; PIAZZA, Alberto, op. cit., 1996. p.260.
25
PARETI, Luigi, op. cit., 1967.p.47.
26
Durante este período os etruscos, uma das potências do ocidente mediterrânico, muito influenciados
pelos gregos, mantêm fortes rotas marítimas comerciais com estes. Todos estes, bem como os
cartagineses, competiam o domínio das rotas marítimas. ABULAFIA, David, op. cit., 2003. p.94.
27
. Se no século VI a.c. Roma, a Cidade Eterna, era apenas uma pequena cidade-fortaleza nos séculos II e
III a.c. apoderou-se de todo o Mediterrâneo. PARKER, Geoffrey – The Times Compact Atlas o World
History. 1ª ed. – London: Times Books, 1995. p.34.
28
ABULAFIA, David, op. cit., 2003. p.15.
29
Idem. p.125.
30
Estes atacaram e saquearam por todas as frentes os territórios até então homogeneamente romanos
e como os navios saqueados atacaram também as ilhas. Estes povos eram nómadas e originários das
estepes do norte e oriente europeu e asiático. Não demorou até todo o Império Romano se desmoronar
e o Mar Mediterrâneo deixar de ser um lago do império.
31
ADAMS, Susan M.; BOSCH, Elena; BALARESQUE, Patricia L. et al. - The Genetic Legacy of Religious
Diversity and Intolerance: Paternal Lineages o Christians, Jews, and Muslims in the Iberian Peninsula.
The American Journal of Human Genetics [em linha] 83:6 (Dezembro 2008) 725-736. p.726.
32
Aucune pureté raciale, donc, chez ces Barbares qui foulent le sol chinois ou romain, mais le résultat
composite d’un long brassage. ELISSEEFF, Vadime; NAUDOU, Jean; WIET, Gaston; WOLFF – Histoire du
113
Developpement Culturel et Scientifique de l’Humanite: Volume III, Les Grandes Civilizations du Moyen
Age.. Paris: UNESCO, Robert Laffont, 1969.p.46.
33
A partir do fim do século V os eslavos penetram nos Balcãs e estabelecem-se em toda essa zona, até à
Grécia e no século VII os búlgaros estabelecem-se a sul do Danúbio mostrando-se um forte ameaça
contra Constantinopla e o Império Bizantino começa a perder força. ABULAFIA, David, op. cit., 2003.
p.155.
34
Ao mesmo tempo que os Lombardos invadem o norte de Itália (pouco interessados na costa e no
domínio das rotas marítimas, não afetando o império de oriente) e que a Inglaterra é repartida em
reinos instáveis e que os Francos dominam a Germânia. Estes últimos formavam o império Carolíngio
que acaba por restabelecer o Império Romano de Ocidente sob o poder do Rei dos Francos, o Imperador
Carlos Magno. Estes acabariam por ser muito atacados pelos normandos e, numa destas batalhas, acaba
por se assinar o Tratado de Verdun (843 d.c.) que assinala o nascimento da França e da Alemanha.
ELISSEEFF, Vadime; NAUDOU, Jean; WIET, Gaston; WOLFF, op. cit., 1969.p.145.
35
Durante o mesmo período os Magiares, vindos dos montes Urais, vêm ocupar a zona da atual Hungria
e os Vikings, vindos da Escandinávia, criam rotas marítimas comerciais a sul até ao Mediterrâneo e a
norte até à Rússia. Estes eram especialmente violentos e pilhavam as cidades por onde passavam.
PARKER, Geoffrey, op. cit., 1995. p.50.
36
ABULAFIA, David, op. cit., 2003. p.183.
37 n. 1949, historiador britânico especialista na história do Mediterrâneo.
38
Idem., p.312.
39
CAVALLI-SFORZA, L. Luca; MENOZZI, Paolo; PIAZZA, Alberto, op. cit., 1996. p.262.
40
Il ne faut croire à des migrations des peuples que sur des preuves très positives, et das les limites
rigoureuses qui résultent de ces preuves. Les migrations des hordes asiatiques n’ont que peu changé la
population, et moins encore les langues; quant aux migrations des nations européennes, ce sont plutôt
des expéditions d’armées conquérantes; eles ont formé des castes et modifié les langues; mais le fond
des populations reste le même. MALTE-BRUN, Conrad, op. cit., 1853. p.46.
41 Indo-europeu (subdividido em germânico, báltico, eslávico, romano, celta, albanês e grego), basco,
fino-úgrico (língua urálica subdividida em línguas do norte e centro europeu como finlandês e húngaro)
e turco (em pequenas regiões e na Turquia, neste estudo não considerada).
42There is therefore no guarantee that the observations of anthropometric variation in space or ti me
reflect genetic differences than socioeconomic, nutritional, or other environmental and historical factors
(…). In the last two centuries, European population, more than other aboriginal groups have been
exposed to recent environmental changes affecting anthropometrics, Europe is probably that part of the
World in which it would be most dangerous to rely on genetic conclusions based on anthropometric
measurements. CAVALLI-SFORZA, L. Luca; MENOZZI, Paolo; PIAZZA, Alberto, op. cit., 1996. p.266.
43
Cfr., SAMPIETRO, M. L.; LAO, O.; CARAMELLI, D. et al. - Palaeogenetic evidence supports a dual model
of Neolithic spreading into Europe. Proceeding of the Royal Society B: Biological Sciences [em linha]
10:1098 (Setembro 2007) 2161-2168. p. 2165.
44
WIIK, Kalevi - Where Did European Men Come From?. Journal of Genetic Genealogy [em linha] nº4
(2008) 35-85. p.76.
45 FARKAS, Leslie – Anthropometry of the Head and Face. Nova Iorque: Raven Press, 1994.
114
CONCLUSÃO
O presente estudo, realizado fisicamente entre janeiro de 2014 e setembro do
mesmo ano (apesar de incluir uma pesquisa realizada durante mais de dois anos)
abordou com profundidade as variantes antropométricas da face da população da costa
mediterrânea da Península Ibérica e, através da recolha de factos reais recolhidos no
local para base do estudo, confirmou a unidade desta área geográfica, apresentando uma
amostra em muitos pontos coesa e semelhante em toda a sua extensão. A amostra
recolhida mostra-nos que, na área abordada, os indivíduos partilham grandes
semelhanças. No entanto, foram assinalas e confirmadas divergências representantes
não só da variação individual herdada dos antepassados, representando características
familiares que não se mostram relevantes para a análise de uma população, mas também
outros pontos que, como vimos, estão muitas vezes associados à estrutura óssea da
cabeça representando indícios reais de diferentes passados (não a nível familiar mas a
nível de população, referentes a milhares de anos). Essas diferenças são reflexo da
relação com outras populações, diferentes ambientes e história. Apesar de a amostra não
ser muito extensa tendo em conta cada população abordada de per si, esta foi suficiente
para encontrar discrepâncias que não só fazem sentido entre si como confirmam
estudos de vários autores citados ao longo da dissertação.
Em breve pretende-se estender este estudo ao restante mediterrâneo e/ou ao
norte de África de modo a aplicar o estudado nesta dissertação sobre uma amostra maior
pois, num estudo que abranja uma área mais extensa, será possível não só confirmar a
homogeneidade entre os povos mas também as grandes discrepâncias notórias a olho nu
mas ainda pouco estudadas a nível científico.
Os estudos citados, mesmo quando feitos há vários séculos, mostraram-se
pertinentes e atuais quando utilizados aliados às descobertas mais recentes. Por vezes a
pertinência de um estudo não está totalmente em si mesmo mas na forma como é
abordado: mesmo estudos que sabemos estarem ultrapassados e não terem valor
científico foram-nos úteis a nível de dados de observação e método, ou seja, nem
sempre conclusões erradas partem de observações ou métodos errados. Note-se que na
bibliografia encontramos obras científicas da última década confrontadas com obras
escritas há vários séculos e que, hoje em dia, são questionáveis a nível científico.
Mais uma vez a correlação inquestionável entre a Arte e a Ciência mostrou-se
uma mais-valia, relação sem a qual este estudo não teria sido possível. Mesmo se não
115
tivessem sido utilizados métodos de representação tradicionais, como o desenho, a
utilização de um outro meio para a simplificação de informação iria sempre recair sobre
o domínio das artes; por outro lado o tratamento dessa informação é indiscutivelmente
mais preciso quando estudado por alguém que domine esse campo, dando primazia à
observação, numa perspetiva independente e neutra.
…desenhar é uma forma de pensamento que se dá de um modo muito
particular, que nos ilumina, nos esclarece e nos aproxima não só do mundo
visível mas para lá dele, o mundo da vida.1
Nunca a Ciência poderá ser estudada sem o auxílio das Artes.
Que este estudo inspire outros e todos aqueles que se interessam pelos campos
das artes, das ciências e, mesmo que em menor escala, da história; acima de tudo, que
encoraje o ver o outro, a observação cuidada do corpo e, de uma forma mais abrangente,
num olhar inteligente, fundamentado e intrigado; que este olhar se alie cada vez mais às
novas descobertas, as complemente e corrija, que se auto aperfeiçoe sem nunca se
esconder por trás destas.
O olhar inteligente é o que nos traz novas descobertas e garante a sua validade.
O conhecimento do Mundo e o autorreconhecimento, o “eu” no Mundo, são os
maiores feitos da qualidade da observação e do pensamento; são o que nos distingue dos
outros seres vivos.
É imprescindível que estas qualidades do Homem sejam sempre exaltadas e
motivadas pois sem elas a Ciência estagna e a Arte morre e, nestes dois passos,
perdemos o que nos caracteriza como seres humanos e pomos fim à Humanidade.
Sem eles e sem a correlação entre ambos não existiria Arte ou Ciência.
1
RAMOS, Artur – Prefácio, in MARQUES, António Pedro Ferreira et. alt. – Desenhar, saber Desenhar.
Lisboa: Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, 2012. p.10.
116
ANEXOS
Apresentamos aqui os restantes desenhos feitos durante o decorrer do estudo
apresentado mas que não foram introduzidos no corpo de texto. Estes estão organizados
segundo a população a que os representados pertencem.
1. Tavira
117
118
119
120
2. Tarifa:
121
122
123
124
125
3. Almeria:
126
127
128
129
130
131
4. Valência:
132
133
134
135
5. Tarragona:
136
137
138
139
140
141
BIBLIOGRAFIA
ABULAFIA, David – The Mediterranean in History. London: Thames & Hudson Ldt,
2003. ISBN 0-89236-725-3.
ALLIÉRES, J. – Manuel Pratique de Basque. Paris: Picard, 2011. ISBN:
9782708400382.
ANDERSEN, Margaret L. - Race, Class & Gender: An Anthology. 8.ª ed. California:
Wadsworth Publishing, 2012. ISBN 1111830940.
AYMARD, André; AUBOYER, Jeannine – Histoire Générale des Civilisations: Tome
I, l’Orient et la Grèce Antique. 4ªed. Paris: Presses Universitaires de France, 1961.
AYMARD, André; AUBOYER, Jeannine – Histoire Générale des Civilisations: Tome
II, Rome et son Empire. 5.ª ed. Paris: Presses Universitaires de France, 1967.
BENEDICTS, U. - Anatomía para Artistas. 5.ª ed. - Barcelona : Las Ediciones de
Arte, 1971.
BERGER, Maurice - White: Whiteness and Race in Contemporary Art. Baltimore:
Center for Art and Visual Culture UMBC, 2003. ISBN 1890761060 .
BINDER, Engène – Genética das Populações. Lisboa: Editorial Veja, 1978.
BLAINEY, Geoffrey – Uma Muito Breve História do Mundo. 1.ª ed. Alfragide: Livros
d’Hoje Publicações D. Quixote. ISBN 978-972-20-4141-6.
BLANCHARD, Pascal - Zoos Humains et Exhebitions Coloniales. Paris: La
Decouverte. ISBN 2707169978.
BLUMENBACH, Johann Friedrich; HUNTER, John - The Anthropological Treatises of
Johann Friedrich Blumenbach. Charleston: Nabu Press, 2010. ISBN 1177677326.
BOGIN, B. - Patterns of Human Growth (Cambridge Studies in Biological and
Evolutionary Anthropology). 2.ª ed. Cambridge: Cambridge University Press, 1999.
ISBN 0521564387.
BOYD, Robert - How Humans Evolved. Nova Iorque : W.W. Norton & Company,
1997. ISBN 0-393-97076-0.
BRADFORD, Phillips Verner - Ota Benga: The Pygmy in the Zoo. Illinois:Delta
Publisher, 1993. ISBN 0385311052.
BREATHNACH, A. S. - Melanin Pigmentation of the Skin. Oxford : Oxford University
Press,1971. ISBN 0 19 914107 X .
142
BROWN, Wendy – Regulating Aversion. Princeton, NJ: Princeton University Press,
2006.
BUFFON, Georges-Louis Leclerc – História Natural, General y Particular. Madrid:
Câmara S. M., 1785.
CABECINHAS, Rosa - Racismo e Etnicidade em Portugal. Braga : [s.n.], 2002. Tese
de Doutoramento.
CAMPER, Peter – Dissertation sur les Variétés Naturelles qui Caractérisent la
Physionomie des Hommes des Divers Climats et des Différents Ages. Paris: A la Haye.
1791.
CAMPER, Peter – Works on the Connexion Between the Science of Anatomy and the
Arts of Drawing, Painting, Statuary etc. Londres: C. Dilly Company, 1794.
CASTELFRANCHI, Yuri; PITRELLI, Nico – La Storia della Terra. Italia: DoGi SpA,
2002. ISBN 972-0-70488-8.
CAROLI, Flavio - Storia della fisiognomica : Arte e Psicologia da Leonardo a Freud. Milão : Electa, 2002. ISBN 88-370-2036-8.
CARVALHO, Rómulo de - As Origens de Portugal. 4ªed. Lisboa: Fundação Calouste
Gulbenkian, 2006. ISBN 972-31-1152-7.
CAVALLI-SFORZA, L. L. - The Great Human Diasporas: The History Of Diversity
and Evolution. 1.ª ed. Tennessee: Perseus Books, 1996. ISBN 0201442310.
CAVALLI-SFORZA, L. Luca; MENOZZI, Paolo; PIAZZA, Alberto – The History and
Geography of Human Genes. 1.ª ed. New Jersey: Princeton University Press, 1996.
ISBN-13: 978-0-691-02905-4.
CORTEZ, Jerónimo – Fisionomia, e Vários Segredos da Natureza. Lisboa : Off. de
Domingos Gonçallo, 1786.
CHAMBRE, Marin Cureau de la – L’Art de Connoistre les Hommes. Amsterdam: Chez
Iacques le Jeune, 1660.
CHAUSSIER, François – Noveau Manuel du Physionomiste et du Phrénologiste. Paris:
Librairie Enciclopédique de Roret, 1838.
CLIMENT, Carlos Plasencia, LANCE, Manuel Martínez – Las Proporciones Humanas
y los Canones Artísticos. Valencia : UPV. Departamento de Dibujo, Facultad de Bellas
Artes, Universidad Politécnica de Valencia, D.L. 2007. ISBN 978-84-8363-111-9.
DANTAS, Júlio - Estatica e Dynamica da Physionomia. 3.ª ed. Lisboa : Clássica, 1920.
143
DARWIN, Charles – Origem das Espécies. Porto: Lello& Irmão Editores. [s.d.].
DARWIN, Charles – The Descent of Man and Selection in Relation to Sex. London: J.
Murray, 1871.
DAVEY, Basiro - Human Biology and Health: an Evolutionary Approach. Berkshire:
Open University Press, 2001. ISBN 0335208398.
DAWKINS, Richard – The Ancestors Tale. Boston: Houghton Mifflin, 2004. ISBN 0618-00583-8.
DAWKINS, Richard – The Selfish Gene. Oxford: Oxford University Press, 1976. ISBN
0-19-8575-19-X.
DELAISTRE, Louis – Cours Méthodique du dessin et de a Peinture. Paris: Imprimerie
de Hennuyer, 1842.
DELESTRE, Jean-Baptiste – De la Physiognomie. Paris: Jules Renouard Library
Editeur, 1866.
DELLA PORTA, Giovan Battista - Della Fisionomia di tutto il Corpo Humano.
Roma : per Vitale Mascardi, 1637.
DURER, Albert – Della Simmetria de l Corpi Humani. Veneza, [s.n.], 1591.
DUVAL, Mathias – Cour de Physiologie. 7.ª ed. Paris: J-B. Baillière et Fils, 1892.
DUVAL, Mathias – Précis d'Anatomie. Paris: Librairie d'Education Nationale, 1903.
DUVAL, Mathias – Traite Elementaire de Physiologie. Paris: J-B. Baillière et Fils,
1909.
ELISSEEFF, Vadime; NAUDOU, Jean; WIET, Gaston; WOLFF – Histoire du
Developpement Culturel et Scientifique de l’Humanite: Volume III, Les Grandes
Civilizations du Moyen Age.. Paris: UNESCO, Robert Laffont, 1969.
ERMIANE, Roger - Le Visage et le Caractère : Prosopologie : Tome IV: Deux
Applications de la Prosopologie. 6.ª ed. Paris: Unesco,1963.
EVANZZ, Karl - The Messenger: The Rise and Fall of Elijah Muhammad. Reino
Unido: Vintage Books, 2001.) ISBN 0679774068.
FARKAS, Leslie – Anthropometry of the Head and Face. Nova Iorque: Raven Press,
1994. ISBN 0 7817 0159 7.
FAU, Julien – Anatomie Artistique du Corps Humaine. Paris, Librairie J-B. Baillière et
Fils, 1908.
144
FAU, Julien – Anatomie des Formes du Corps Humain, a lÚsage des Peintres et des
Sculpteurs. Paris: [s.n.], 1865.
FENTON, Steve – Ethnicity: Modernity, Racism, Class and Culture. London:
MacMillan, 1999. ISBN 0-333-66224-5.
FEREMBACH, Denise – L’Homme, son Évolution, sa Diversité. Paris: CNRS Editors,
1998. ISBN-10 2704004927.
FERRARO, Gary - Anthropology: An Applied Perspective. 1.ª ed. California: Thomson
Learning, 1994. ISBN 031402879X.
FIGUIER, Louis - As Raças Humanas: versão da 4.ª ed. francesa por Abílio
Lobo. Lisboa : Empresa Lit. Luso-Brasileira, 1881.
FONSECA, Isabel – Bury me Standing. London: Vintage, 2006. ISBN:
9780099740216.
FRIGOLÉ REIXACH, Juan - As Raças Humanas. Lisboa : Resomnia.
FUNDERBURG, Lise – As Novas Faces da América. Fotog. Martin Schoeller. National
Geographic. Lisboa: RBA Revistas Portugal [s.ISSN]. Vol. 13, nº152 (novembro 2013).
p. 50-59.
GAMBLE, C. – Cambridge World Archaeology- The Paleolithic Settlement of Europe.
Cambridge: Cambridge University Press, 1986.
GAMKRELIDZE, T. V.; IVANOV, V.V. – The Early History of Indo-European
Languages. Scientific American. United States of America: Nature Publishing Group,
1990. [s.ISSN]. Vol. 262, nº3. p. 110-116.
GAURICO, Pomponio, Sobre la escultura, Madrid: AKAL Publicaciones, 1989.
GOBINEAU, Le Comte de - Essai sur L'inegalité des Races Humaines. Carolina do
Sul: BiblioLife, 2009. ISBN 1116551136.
GODDARD, Victoria A.; et alt. – The Anthropology of Europe: Identities and
Boudaries in Conflict. Oxford: Berg Publishers Ltd, 1994. ISBN 0 85496901 2.
GORDON, Louise – Desenho Anatómico. Lisboa : Presença, imp. 1980.
GORE, Rick – O Poder Maternal. Fot. Robert Clark. National Geographic. Lisboa:
RBA Revistas Portugal [s.ISSN]. Vol. 3, nº25 (abril 2003). p. 72-107.
145
HALL, Stephen S. - O Último Neandertal. Fot. David Liittschwager. National
Geographic. Lisboa: RBA Revistas Portugal. [s.ISSN]. Vol. 8, nº 92 (novembro 2008).
p. 2-27.
HAWKES, Jacquetta; WOOLLEY, Leonard – Histoire du Developpement Culturel et
Scientifique de l’Humanite: Volume I, La Prehistoire et les Debuts de la Civilization.
Paris: UNESCO, Robert Laffont, 1967.
HEIM, Jacques - Traité des visages : Essai d'une physiognomie nouvelle . Paris : René
Julliard, 1961.
HERRNETEIN, Richard, MURRAY, Charles.- The Bell Curve. Nova Iorque: Free
Press Paperback, 1996. ISBN-10 0-684-82429-9.
HOWELL, F. Clark – Early Man. Nederlands: Time-Life International, 1970.
INSTITUTO GALLACH - As Raças Humanas. Lisboa: Enciclopédia,1988.
JOBLING, Mark; HOLLOX, Edward; HULES, Matthew – Human Evolutionary
Genetics. 2.ªed. United States: Garland Science, 2013. ISBN 9780815341482.
JOHANSON, D. C. – The Current Status of Autrolopitecus. Hominidae. Milano: Jaca
Books. (1989). p.77-96.
KANT, Immanuel. Opuscules sur L’Histoire. Paris: Flammarion, 1990.
KIMURA, Motoo – The Neutral Theory of Molecular Evolution. Cambridge:
Cambridge University Press, 1983.
KLEIN, R. G. – The Human Career: Human Biological and Cultural Origins. Chicago:
University of Chicago Press, 1989.
KOENIGSWALD, Gustav Heinrich Ralph Von – Les Premiers Hommes sur la Terre.
Paris : Denoël, 1956.
KOLMOS, John – The Biological Standard of Living on Three Continents : further
explorations in anthropometric history. Boulder : Westview Press, cop. 1995. ISBN 08133-2055-0 .
KOLN, M. - The Race Gallery: The Return of Racial Science. Londres: Jonathan Cape,
1995. ISBN 022403958X.
LABAT, Guy-Victor; NOGUÈRES, Henri (dir.) - D'où Vient où en est le Racisme? In:
LABAT, Guy-Victor; NOGUÈRES, Henri (dir.) - Janus. Paris: L'Imprimerie Moderne
de l'Est, 1966. Vol. 9.
LANGANEY, André - Tous Parents, Tous Différents, Baiona: Chabaud, 1992.
146
LANGE, Fritz – El Language del Rostro. Barcelona: Luis Miracle, 1942.
LAVATER, Jean Gaspard - Essai sur Physiognomie, Destiné a Faire Connoitre
l`Homme & à le Faire Aimer. Paris: A La Haye, 1783.
LAPOUGE, George Vacher – Race et Millieu Social; Essais de Anthroposociologie.
Paris: Librarie Marcel Rivière, 1909.
LÉVI-STRAUSS, Claude. - Raça e História. Lisboa: Editorial Presença, 2008. ISBN
9789722319973.
LEWONTIN, Richard C. - Human Diversity. Philadelphia: Diane Publishing Company,
1995. ISBN 0756761786.
MAHLER, Jane Gaston; UPJOHN, Everard M.; WINGERT, Paul S. – História
Mundial da Arte – da Pré-História á Grécia Antiga. 9.ª ed. Lisboa: Bertrand Editora,
1987.
MAHLER, Jane Gaston; UPJOHN, Everard M.; WINGERT, Paul S. – História
Mundial da Arte – dos Etruscos ao Fim da Idade Média. 8.ª ed. Lisboa: Bertrand
Editora, 1987.
MAHLER, Jane Gaston; UPJOHN, Everard M.; WINGERT, Paul S. – História
Mundial da Arte – o Renascimento. 7.ª ed. Lisboa: Bertrand Editora, 1987.
MALTE-BRUN, Conrad – Geographie Universelle. 6.ª ed. Paris: Garnier Fréres
Libraires-éditeurs, 1853.
MARKS, Jonathan M. - Human Biodiversity Genes, Race and History. New Jersey:
Aldine Transaction,1995. ISBN 0202020339.
MARQUES, António Pedro Ferreira, et alt. – Desenhar, saber Desenhar. Lisboa:
Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, 2012. ISBN: 978-989-8300-43-0.
MARTINS, Oliveira - As Raças Humanas e a Civilização Primitiva. 5.ª ed.
Lisboa : Guimarães Editores, 1955.
MCNALLY, Joe – Os Últimos Neandertais. National Geographic. Lisboa: RBA
Revistas Portugal. [s.ISSN]. Vol. 8, Nº 92 (novembro 2008). p. 1.
MIELE, James H.; KONGSBERG, Lyle W.; RELETHFORD, John H. - Human
Biological Variation. 2.ª ed. Oxford: Oxford University Press, 2010. ISBN 0195387406.
MILES, Robert. - Racism.1.ª ed. Nova Iorque: Routledge, 1989. ISBN 0-415-01809-9.
147
MOLNAR, Stephen - Human Variation: Races, Types and Ethnic Groups. 3.ª ed. New
Jersey: Prentice Hall College Division, 1991. ISBN 0134461622.
MONTAGU, Ashley - An Introduction to Physical Athropology. 2.ª ed.
Illinois : Charles C Thomas, 1951.
MORRIS, Desmond – O Macaco Nu. 2.ª ed. Sintra: Publicações Europa-América, 1969.
MORRIS, Desmond - People Watching. Reino Unido: Vintage Books, 2012.
MORRIS, Desmond -The Human Animal: A Personal View of the Human Species. 1.ª
ed. Nova Iorque: The Crown Publishing Group, 1994. ISBN 0517700905.
MORRIS, Desmond - The Human Zoo. Tokyo: Kodansha Globe, 1996. ISBN
1568361041.
MOURANT, A. E. – The Distribuition of the Human Blood Groups, and other
Polymorphisms. London: Oxford University Press, 1976. ISBN 10: 0192641670.
MYRES, J. L. - [s.n.], Anthropology at Oxford: the proceedings of the five-hundredth
meeting of the Oxford University Anthropological Society. (15 fevereiro 1953).
NETTER, Frank Henri – Atlas da Anatomia Humana. 2.ª ed. - Porto
Alegre : Artmed, 2000. ISBN 85-7307-533-3.
PARETI, Luigi - Histoire du Developpement Culturel et Scientifique de l’Humanite:
Volume II, La Antiquite, de 1200j.c.à 500 de notre ère. Paris: UNESCO, Robert
Laffont, 1967.
PARKER, Geoffrey – The Times Compact Atlas o World History. 1.ª ed. – London:
Times Books, 1995. ISBN 972-22-1776-3.
PENERTY, Antoine-Joseph – La Conoissance de l’Homme Moral par celle de
l’Homme Physique. Berlin: G.J. Degred, 1776.
PERROY, Édouard – Histoire Générale des Civilisations: Tome III, Le Moyer Age,
L’Expansion de l’Orient et la Naissance de la Civilization Occidentale. 3.ª ed. Paris:
Presses Universitaires de France, 1961.
PICARD, Max - Le Visage Humain - Paris : Buchet/Chastel, 1962.
PINDER, Kymberly N. - Race-ing Art History: Critical Readings in Race and Art
History. 1.ª ed. Oxford: Routledge, 2002. ISBN 0415927617.
148
POSTER, Winifred R. - Racialism, Sexuality, and Masculinity: Gendering Global
Ethnography of the Workplace. In: Social Politics: International Studies in Gender,
State, and Society. [S.L]: Cary, 2002. ISSN1072-4745.
RAMOS, José Artur - Retrato : o Desenho da Presença. Lisboa : Campo da
Comunicação, 2010. ISBN 978-972-8610-79-1.
RELETHFORD, John - The Human Species: an Introduction to Biological
Anthropology, 9.ª ed. Berkshire: McGraw-Hall Humanities/Social Sciences/Languages,
2012. ISBN 0078034581.
RIBEIRO, Orlando - Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico. Coimbra Editora, 1945.
RICHER, Paul – Introduction a l'étude de la Figure Humaine. Paris: Gaultier; Magnier, [s.d.].
RICHER, Paul - Nouvelle Anatomie Artistique du Corps Humain. Paris : Librairie
Plon, 1926.
RICO,J. Palomeque; CABALLÍN, M.R., et alt. – O Homem (Antropologia e Etnologia).
Lisboa: Marina Editores, 1998. ISBN 84-8236-075-2.
RIDLEY, Matt – Darwins Modernos. National Geographic. Lisboa: RBA Revistas
Portugal. [s.ISSN]. Vol. 8, nº 95 (fevereiro 2009). p.22-39.
RIDLEY, Matt – Genome. London: Harper Perennial, 2004. ISBN 1-85702-835-X.
RIPLEY, William Z. - The Races of Europe : a Sociological Study. New York: D
Appleton & Company, 1915.
RITTO, Isabel - Antropometria : medidas dos ângulos e inclinações do perfil de uma
população portuguesa e comparação com alguns cânones artísticos. Lisboa: [s.n.],
2001 [Tese de doutoramento em Anatomia (Antropometria)].
ROBERT, Paul (dir.) – Le Petit Robert 2: Dictionnaire Universel des Noms Propres. 4.ª
ed. Paris: SNL – Le Robert, 1980. ISBN 2-85036-0003-1.
ROBINS, Ashley H. - Biological Perspectives of Human Pigmentation.Cambridge:
Cambridge University Press, 1991. ISBN 0-521-36514-7.
ROY, Arundhati – O Deus das Pequenas Coisas. Porto: Público Comunicação Social,
203. ISBN 84-96200-73-6.
RUHLEN, M. – A Guide to World’s Languages. Califórnia: Stanford University Press,
1987.
149
SABINO, Isabel – A Pintura depois da Pintura. Lisboa: Faculdade de Belas Artes da
Universidade de Lisboa, 2000. ISBN 158967/00.
SANTOS, Isabel Maria Barbas dos - Facial Stereotypes. Lisboa : [s.n.], 2001. Tese de
Doutoramento.
SARAMAGO, José – Viagem a Portugal. Lisboa: Editorial Caminho, 2000. ISBN
9789722100472.
SCHWARTZ, Stuart; CONLEY, Craig - Human Diversity: a Guide for Understanding.
4.ª ed. Berkshire: McGraw-Hall Learning Solutions, 2000. ISBN 0072428317.
.
SEGAL, Daniel A. – The European Allegories of Racial Purity. Anthropology Today.
Vol. 7, nº5 (outubro 1991).
SHREEVE, Jamie – A Estrada da Evolução. National Geographic. Lisboa: RBA
Revistas Portugal [s. ISSN]. Vol. 10, nº112 (Julho 2010). p. 2-33.
SLOAN, Christopher P. - Menina de Dikika. Fot. Kenneth Garrett. National
Geographic. Lisboa: RBA Revistas Portugal. [s.ISSN.]. Vol. 6, nº68 (Novembro 2006),
p. 2-13.
SNYDER, Louis Leo - Idea of Racialism its Meaning and History. Toronto: D. Van
Nostrand Company, 1907.
SOARES, João – Novo Atlas Escolar Português: Histórico-Geográfico. 9.ªed. Lisboa:
Livraria Sá da Costa Editora, 1963.
SOBOTTA, Johannes – Atlas de Anatomia. Munique: Elsevier GmbH, 2009. ISBN 9783-8331-5404-1.
STANFORD, Craig Britton - Biological Anthropology: The Natural History of
Humankind. New Jersey: Prentice Hall, 2005. ISBN. 0131828924.
STIMILLI, Davide - The Face of Immortality : Physiognomy and Criticism. Nova
Iorque: State University of New York Press, cop. 2005. ISBN 0791462633.
STOCKER, A. - L' Homme : Son Vrai Visage et ses Masques. Paris : Emmanuel Vitte,
Éditeur, 1954.
SWERDLOW, Joel, L. – Desmascarar a Pele. National Geographic. Lisboa: RBA
Revistas Portugal. [s.ISSN]. Vol. 2, Nº 21 (dezembro 2002). p. 2-29.
TANNER, J. M. - Fetus into Man: Physical Growth from Conception to Maturity.
Cambridge: Harvard University Press, 1990. ISBN 0674306929.
150
TAVARES, Cristina Azevedo, et alt. – Representações do Corpo na Ciência e na Arte.
Lisboa: Fim de Século Edições, 2012. ISBN 978-972-754-290-1.
TEMPLETON, Alan R. – Human Races: a Genetic and Evolutionary Perspective. In
American Anthropologist, setembro 1998, Vol. 100, Nº 3.
THOMPSON, William; HICKEY, Joseph - Society Focus. 7.ª ed. New Jersey: Prentice
Hall, 2010. ISBN 0205665748.
TOLLETH, H. – Parameters of Caucasian attractiveness. In MATORY, J. R. – Ethnic
consideration in facial surgery. Philadelphia. Lippincott-Raven. 1998.
TWINE, Richard - Physiognomy, Ohrenology and the Temporality of the Body.
In: Body and Society. London: [s.n.], 2002. - ISSN 1357-034X. Vol. 8.
VERNEAU, R. - L'Homme : Races et Coutumes. Paris : Librairie Larousse, 1931.
VILLIERS, Gérard de - Le Visage. Paris : Librairie Plon, 1962.
WAYNBAUM, Israël - La Physionomie Humaine : Son Mécanisme et son Rôle Social.
Paris : Félix Alcan, 1907. Carimbo: Biblioteca de Agostinho Fortes.
WHITEHOUSE, D; WHITEHOUSE, R. – Archaeological Atlas of the World. San
Francisco: W.H. Freeman, 1975.
ZIZEK, Slavoy – In Defense of Lost Causes. London: Verso, 2009. ISBN-13: 978-184467-429-9.
[S.A.] – Atlas National Geographic – Europa. Lisboa: RBA Colecionáveis, S.A. 2005.
ISBN 84-473-4366-9.
[S.A.] The Cambridge Encyclopedia of Human Evolution . Cambridge : University
Press, 2000.
[S.A.] - Les Races Humaines. Premier Congrès D’AUCAM. Louvain: Éditions de
L’AUCAM, 1930.
Documentos eletrónicos
ADAMS, Susan M.; BOSCH, Elena; BALARESQUE, Patricia L. et al. - The Genetic
Legacy of Religious Diversity and Intolerance: Paternal Lineages o Christians, Jews,
and Muslims in the Iberian Peninsula. The American Journal of Human Genetics [em
linha] 83:6 (Dezembro 2008) 725-736. [Consult. 17 Fevereiro 2014]. Disponível em
<http://www.cell.com/AJHG/abstract/S0002-9297%2808%2900592-2>
BARAC, Lovorka; PERICIC, Marijana; KLARIC, Irena Martinovic et al. - Y
Chromosomal heritage of Croatian population and its island isolates. European Journal
151
of Human Genetics [em linha] nº11 (Fevereiro 2013) 535-542. [Consult. 15 Fevereiro
2014]. Disponível em
<http://www.nature.com/ejhg/journal/v11/n7/full/5200992a.html>
BELEZA, Sandra; GUSMÃO, Leonor; LOPES, Alexandra et al. - MicroPhylogeographic and Demographic History of Portuguese Male Lineages. Annals of
Human Genetics [em linha]. 70:2 (Março 2006) 181-194. [Consult. 16 Fevereiro 2014].
Disponível em <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16626329>
BOATTINI, Alessio; MARTINEZ-CRUZ, Begoña; SARNO, Stefania et al. Uniparental Markers in Italy Reveal a Sex-Biasel Genetic Structure and Different
Historical Strata. PLoS ONE [em linha] 8:5 (May 2013) [Consult. 16 Fevereiro 2014].
Disponível em
<http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0065441>
BOSCH, E.; CALAFELL, F.; GONZÁLEX-NEIRA, A. et al. - Paternal and maternal
lineages in the Balkans show a homogeneous landscape over linguistic barriers, except
for the isolated Aromuns. Annals of Human Genetics [em linha] nº70 (2006) 459-487.
[Consult 13 Fevereiro 2014]. Disponível em <http://www.carswell.com.au/wpcontent/documents/homogenous-balkan-analysis.pdf>
BRISIGHELLI, Francesca; ÁLVAREZ-IGLESIAS, Vanesa, FONDEVILA, Manuel et
al. - Uniparental Markers of Contemporary Italian Population Reveals Details on its
Pre-Roman Heritage. PLoS ONE [em linha] 7:12 (Dezembro 2012). [Consult. 13
Fevereiro 2014]. Disponível em
<http://www.plosone.org/article/info:doi/10.1371/journal.pone.0050794>
BUSBY, George B. J.; BRISIGHELLI, Francesca; SÁNCHEZ-DIZ, Paula et al. - The
peopling of Europe and the cautional tale of Y chromosome lineage R-M269.
Proceedings of the Royal Society B:Biological Sciences [em linha] 10:1098 (Agosto
2011). [Consult. 17 Fevereiro 2014]. Disponível em
<http://rspb.royalsocietypublishing.org/content/early/2011/08/18/rspb.2011.1044.full>
CAPELLI, Cristian; ONOFRI, Valerio; BRISIGHELLI, Francesca et al - Moors and
Saracens in Europe: estimating the medieval North African male legacy in southern
Europe. European Journal of Human Genetics [em linha]. 17:6 (Janeiro 2009) 848-852.
[Consult. 16 Fevereiro 2014]. Disponível em
<http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2947089/>
CAPELLI, C.; REDHEAD, N.; ROMANO, V. et al. - Population Structure in the
Mediterranean Basin: a Y Chromosome Perspective. Annals of Human Genetics [em
linha] (2005) [Consult. 16 Fevereiro 2014]. Disponível em
<http://www.ucl.ac.uk/tcga/tcgapdf/Capelli_AHG06_Med_Basin_Y.pdf>
CONTU, Daniela; MORELLI, Laura; SANTONI, Federico et al. - Y-chromosome
Based Evidence for Pre-Neolithic Origin of the Genetically Homogeneous but Diverse
Sardinian Population: Inference for Association Scans. PLoS ONE [em linha] 3:1
152
(2008). [Consult. 14 Fevereiro 2014]. Disponível em
<http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2174525/pdf/pone.0001430.pdf>
CRUCIANI , Fulvio; LA FRATTA, Roberta; SANTOLAMAZZA, Piero et al. Phylogeographic Analysis of Haplogroup E3b (E-M215) Y Chromosomes Reveals
Multiple Migratory Events Within and Out of Africa. American Journal of Human
Genetics [em linha] 74:5 (Março 2004) 1014-1022. [Consult. 15 Fevereiro 2014].
Disponível em <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1181964/>
CRUCIANI, Fulvio; LA FRATTA, Roberta; TROMBETTA, Beniamino et al. - Tracing
Past Human Male Movements in Northern/Eastern Africa and Western Eurasia: New
Clue from Y-Chromossomal Haplogroups E-M78 and J-M12. Molecular Biology and
Evolution [em linha] 24:6 (Março 2007) 1300-1311 [Consult. 16 Fevereiro 2014].
Disponível em <http://mbe.oxfordjournals.org/content/24/6/1300.long>
GAETANO, Cornelia di; CERUTTI, Nicoletta; CROBU, Francesca et al. - Differencial
Greek and northern African migrations to Sicily are supported by genetic evidence from
the Y chromosome. European Journal of Genetics [em linha] nº17 (Agosto 2008) 9199. [Consult. 15 Fevereiro 2014]. Disponível em
<http://www.nature.com/ejhg/journal/v17/n1/abs/ejhg2008120a.html>
GIACOMO, F. di; LUCA, F.; ANAGNOU, N. et al. - Clinal patterns of human Y
chromosomal diversity in continental Italy and Greece are dominated by drift and
founder effects. Molecular Phylogenetics and Evolution [em linha] nº28 (2003) 387395. [Consult. 15 Fevereiro 2014]. Disponível em
<http://www.familytreedna.com/pdf/italy.pdf>
GIACOMO, F. di; LUCA, F.; POPA L. O. et al. - Y chromosomal haplogroup J as a
signature of the post-neolithic colonization of Europe. Human Genetics [em linha]
nº115 (Agosto 2004) 357-371. [Consult. 16 Fevereiro 2014]. Disponível em
<http://class.csueastbay.edu/anthropologymuseum/2006IA/dna_pdfs/ydna/digiacamo20
04.pdf>
GONÇALVES, Rita; FREITAS, Ana; BRANCO, Marta -Y-chromossome lineages
from Portugal, Madeira and Açores Record Elements of Sephardim and Berber
Ancertry. Annals of Human Genetics [em linha] nº 69 (2005) 443-454. [Consult. 17
Fevereiro 2014]. Disponível em <http://www.cell.com/AJHG/abstract/S00029297%2808%2900592-2>
KING, Roy J.; CRISTOFARO, Julie di; KOUVATSI, Anastasia et al. - The coming of
the Greeks to Provence and Corsica: Y-chromosome models of archaic Greek
colonization of the western Mediterranean. Evolutionary Biology [em linha] 11:69
(2011) 1471-2148. [Consult. 16 Fevereiro 2014]. Disponível em
<http://www.nature.com/ejhg/journal/v17/n1/abs/ejhg2008120a.html>
LACAN, Marie; KEYSER, Christine; RICAUT, François-Xavier et al. - Ancient DNA
reveals male diffusion through the Neolothic Mediterranean route. PNAS Early Edition
153
[em linha] 10:1073 (Maio 2011) [Consult. 17 Fevereiro 2014]. Disponível em
<http://www.pnas.org/content/early/2011/05/24/1100723108>
MACA-MAYER, N. ; SÁNCHEZ-VELASCO, P.; FLORES, C. et al. -Y chromosome
and Mitichondrial DNA Characterization of Pasiegos, a Human Isolate from Cantabria
(Spain). Annals of Human Genetics [em linha] 67:4 (Julho 2003) 329-339. [Consult. 16
Fevereiro 2014]. Disponível em <http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1046/j.14691809.2003.00045.x/pdf>
MARTINEZ, Laisel; UNDERHILL, Peter A.; ZHIVOTOVSKY, Lev A. et al. Paleolithic Y-haplogroup heritage predominates in a Cretan highland plateau. European
Journal of Human Genetics [em linha] nº15 (January 2007) 485-493. [Consult. 15
Fevereiro 2014]. Disponível em
<http://www.nature.com/ejhg/journal/v15/n4/pdf/5201769a.pdf>
MYRES, Natalie M.; ROOTSI, Siiri, LIN, Alice et al - A major Y-Chromosome
haplogroup R1b Holocene era founder effect in Central and Western Europe. European
Journal of Human Genetics [em linha] nº19 (Agosto 2010) 95-101.[Consult. 16
Fevereiro 2014]. Disponível em
<http://www.nature.com/ejhg/journal/v19/n1/full/ejhg2010146a.html>
NOVESKI, P.; TRIVODALIEVA, S.; EFREMOV, G.D.; PLASESKAKARANFILSKA, D. – Y chromosome single nucleotide polymorphisms. Balkan
Journal of Medical Genetics [em linha] 12:2 (2009) [Consult. 17 Fevereiro 2014].
Disponível em <http://www.bjmg.edu.mk/record.asp?recordid=535>
PERICIC, Marijana; LAUC, Lavorka, Barac; KLARIC, Irena Martinovic et al - Highresolution Phylogenetic Analysis of Southeastern Europe Traces Major Episodes of
Paternal Gene Flow Among Slavic Populations. Molecular Biology and Evolution [em
linha] 22:10 (Outubro 2005) 1965-1975. [Consult. 17 Fevereiro 2014]. Disponível em
<http://mbe.oxfordjournals.org/content/22/10/1964.full.pdf+html>
ROOTSI, Siiri; MAGRI, Chiara; KIVISILD, Toomas et al. - Phylogeography of YChromosome Haplogroup I Reveals Distinct Domains of Prehistoric Gene Flow in
Europe. American Journal of Juman Genetics [em linha] 75:1 (Julho 2004) 128-137.
[Consult. 17 Fevereiro 2014]. Disponível em
<http://www.cell.com/AJHG/abstract/S0002-9297%2807%2962002-3>
ROSSER, Zoe H.; ZERJAL, Tatiana; HURLES, E. et al - Y-chromosomal Diversity in
Europe is Clinal and Influenced Primarily by Geography, Rather than by Language.
American Journal of Human Genetics [em linha] 67:6 (Dezembro 2000) 1526-1543.
[Consult. 14 Fevereiro 2014]. Disponível em
<http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1287948/?tool=pubmed>
SAMPIETRO, M. L.; LAO, O.; CARAMELLI, D. et al. - Palaeogenetic evidence
supports a dual model of Neolithic spreading into Europe. Proceeding of the Royal
Society B: Biological Sciences [em linha] 10:1098 (Setembro 2007) 2161-2168.
154
[Consul. 16 Fevereiro 2014] Disponível em
<http://rspb.royalsocietypublishing.org/content/274/1622/2161>
SEMINO, Ornella; MAGRI, Chiara; BENUZZI, Giorgia - Origin, Diffusion and
Diferentiation of Y-Chromosome Haplogroups E and J: Inferences on the Neolithization
of Europe and Later Migratory Events in the Mediterranean Area. American Journal of
Human Genetics [em linha] 74-5 (Abril 2004) 1023-1034. [Consult. 14 Fevereiro 2014].
Disponível em <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1181965/>
UNDERHILL, Peter A.; MYRES, Natalie M.; ROOTSI, Siiri et al. - Separating the
post-glacial coancestry of European and Asian Y chromosomes within haplogoup R1a.
European Journal of Human Genetics [em linha] nº18 (Novembro 2009) 479-484.
[Consult. 18 Fevereiro 2014]. Disponível em
<http://www.nature.com/ejhg/journal/v18/n4/abs/ejhg2009194a.html>
WIIK, Kalevi - Where Did European Men Come From?. Journal of Genetic Genealogy
[em linha] nº4 (2008) 35-85. [Consult. 14 Fevereiro 2014] Disponível em
<http://www.jogg.info/41/Wiik.pdf>
YOUNG, Kristin Leigh - The Basques in the Genetic Landscape of Europe [em linha].
Kansas: Kansas University, 2009 [Tese de Mestrado em Antropologia]. [Consult. 13
Fevereiro 2014] Disponível em
<http://kuscholarworks.ku.edu/dspace/bitstream/1808/6632/1/Young_ku_0099D_10393
_DATA_1.pdf>
155
ÍNDICE DE FIGURAS
Fig. 1) Desenho da autora, caneta sobre papel, 17x17 cm, 2013.
Fig. 2) [s.a.] As quatro raças do Mundo: os Líbios, os Namíbios, os Asiáticos e os
Egípcios (ilustração feita a partir de um mural da tumba de Seti I, Vale dos Reis,
Egípto). (Apud The Book of Gates [em linha] (7 Setembro 2014). [Consult. 2 Outubro
2014]. Disponível em http://en.wikipedia.org/wiki/Book_of_Gates).
Fig. 3) Cartaz alemão anunciando um Zoo Humano, 1928. (Apud Human Zoo [em
linha] (12 de Outubro de 2014). [Consult. 19 Outubro 2014]. Disponível em <
http://en.wikipedia.org/wiki/Human_zoo>).
Fig. 4) Craniómetro, fotografia da primeira década do século XX. (Apud History of
Anthropometry [em linha] (16 Setembro 2014). [Consult. 2 Outubro 2014]. Disponível
em < http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_anthropometry>).
Fig. 5) Crianças vítimas do Holocausto, fotografia dos anos quarenta. (Apud Holocaust
Victims [em linha]. [Consult. 16 Setembro 2014]. Disponivel em <
http://www.trueactivist.com/first-they-came-for-the-roma-is-history-repeating-itself-forthe-forgotten-victims-of-the-holocaust/ créditos: ceskapozice.cz>).
Fig. 6) Capa do livro Comment reconnaitre le Juif?de George Montadon (1940). (Apud
Confederation aime et sers [em linha]. [Consult. 16 Setembro 2014]. Disponível em <
http://der-stuermer.org/french/comment-reconnaitre-le-juif.pdf>).
Fig. 7) Aviso indicando uma área exclusiva para o uso de indivíduos de raça branca,
fotografia, África do Sul, 1976. (Apud Holocaust Victims [em linha]. [Consult. 16
Setembor 2014]. Disponível em < http://www.trueactivist.com/first-they-came-for-theroma-is-history-repeating-itself-for-the-forgotten-victims-of-the-holocaust/>).
Fig. 8) Protestos em França após a deportação de uma estudante de etnia cigana,
fotografia [s.d.]. (Apud Holocaust Victims [em linha]. [Consult. 16 Setembor 2014].
Disponível em < http://www.trueactivist.com/first-they-came-for-the-roma-is-historyrepeating-itself-for-the-forgotten-victims-of-the-holocaust/>).
Fig. 9) Cavalli-Sforza, ilustração, 1996. (Apud Cavalli-Sforza, L. Luca; MENOZZI,
Paolo; PIAZZA, Alberto – The History and Geography of Human Genes. 1ª ed. New
Jersey: Princeton University Press, 1996. P.262).
Fig. 10) Cavalli-Sforza, illustração, 1996. (Apud Cavalli-Sforza, L. Luca; MENOZZI,
Paolo; PIAZZA, Alberto – The History and Geography of Human Genes. 1ª ed. New
Jersey: Princeton University Press, 1996. P. 263).
Fig. 11) Cavalli-Sforza, Ilustração, 1996. (Apud Cavalli-Sforza, L. Luca; MENOZZI,
Paolo; PIAZZA, Alberto – The History and Geography of Human Genes. 1ª ed. New
Jersey: Princeton University Press, 1996. P. 263).
Fig. 12) Giotto, O Beijo de Judas, fresco, 200x185cm, 1304, capela Scrovegni, Pádua,
Itália. (Apud Kiss of Judas [em linha]. (15 Outubro 2014). [Consult. 19 Outubro 2014].
Disponível em < http://en.wikipedia.org/wiki/Kiss_of_Judas>).
156
Fig. 13) Análise Anatómica dos Movimentos do Ombros e do Pescoço, pena e aguada
sobre pedra negra, 292x198mm, Windsor Castle, Royal Library, Londres. (Apud
Zollner, Frank, Leonardo da Vinci – Pintura, Desenhos e Esboços. Koln: Tachen, 2007.
p.300)
Fig. 14) Rembrandt, A Lição de Anatomia de Dr. Tulp, óleo sobre tela, 169,5x216,5cm,
1632, Maurtshuis, A Haia, Paises Baixos. (Apud A Lição de Anatomia de Dr. Tulp [em
linha]. (7 Junho 2014). [Consult. 15 Setembro 2014]. Disponível em <
http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Li%C3%A7%C3%A3o_de_Anatomia_do_Dr._Tulp>).
Fig. 15) Lavater, Os quarto temperamentos, ilustração, 1783. (Apud Lavater, Jean
Gaspard - Essai sur Physiognomie, Destiné a Faire Connoitre l`Homme & à le Faire
Aimer. Paris: A La Haye, 1783).
Fig. 16) Desenho da autora, aguarela sobre papel, 21x29cm, 2014.
Fig. 17) Desenho da autora, aguarela sobre papel, 21x29cm, 2014.
Fig. 18) Desenho da autora, grafite sobre papel, 21x14cm, 2014.
Fig. 19) Desenho da autora, grafite sobre papel, 21x14cm, 2014.
Fig. 20) Desenho da autora, grafite sobre papel, 21x14cm, 2014.
Fig. 21) Desenho da autora, grafite sobre papel, 21x14cm, 2014.
Fig. 22) Camper, ilustração, 1971. (Apud Camper, Peter – Dissertation sur les Variétés
Naturelles qui Caractérisent la Physionomie des Hommes des Divers Climats et des
Différents Ages. Paris: A la Haye. 1791).
Fig. 23) Desenho da autora segundo Lavater, grafite sobre papel, 21x14 cm, 2014.
Fig. 24) Desenho da autora, grafite sobre papel, 21x14 cm, 2014.
Fig. 25) Ripley, Cephalic Index Spain. Ilustração, 1915. (Apud Ripley, William Z. - The
Races of Europe : a Sociological Study. New York: D Appleton & Company, 1915.
P.274.
Fig. 26) Desenho da autora segundo Fritz Lange, grafite sobre papel, 15x23cm, 2014.
Fig. 27) Ripley, Relative Frequency of Brunet Traits. Ilustração, 1915. (Apud
Ripley, William Z. - The Races of Europe : a Sociological Study. New York: D
Appleton & Company, 1915. P.67).
Fig. 28) Cavalli-Sforza, ilustração, 1996. (Apud Cavalli-Sforza, L. Luca; MENOZZI,
Paolo; PIAZZA, Alberto – The History and Geography of Human Genes. 1ª ed. New
Jersey: Princeton University Press, 1996. P. 261).
Fig. 29) Fotografias da autora, Junho 2014.
Fig. 30) Fotografias da autora, Julho 2014.
Fig. 31) Fotografias (Almeria, Julho 2014) e desenho da autora (grafite sobre papel
21x29 cm, Agosto 2014).
157
Fig. 32) Desenhos da autora, grafite sobre papel, 21x29 cm, Agosto 2014.
Fig. 33) Desenhos da autora, grafite sobre papel, 21x29 cm, Agosto 2014.
Fig. 34) Desenhos da autora, grafite sobre papel, 21x29 cm, Agosto 2014.
Fig. 35) Desenhos da autora, grafite sobre papel, 21x29 cm, Agosto 2014.
Fig. 36) Desenhos da autora, grafite sobre papel, 21x29 cm, Agosto 2014.
Fig. 37) Desenhos da autora, grafite sobre papel, 21x29 cm, Agosto 2014.
Fig. 38) Desenhos da autora, grafite sobre papel, 21x29 cm, Agosto 2014.
Fig. 39) Desenhos da autora, grafite sobre papel, 21x29 cm, Agosto 2014.
158
Download

as variantes antropométricas da face na costa mediterrânica da