CONFUSÃO SEXUAL DA TRAÇA-DA-UVA, LOBESIA BOTRANA, COM DIFUSORES ISONET-LTT MATING DISRUPTION OF THE EUROPEAN GRAPEVINE MOTH, LOBESIA BOTRANA, USING ISONET LTT DISPENSERS Fátima Gonçalves1, Cristina Carlos1,2, Susana Sousa1, Maria Carmo Val2, Rui Soares3 e Laura Torres1 1CITAB – Centro de Investigação e de Tecnologias Agro-Ambientais e Biológicas, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, 5001-801 Vila Real, Portugal, [email protected]; 2ADVID – Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense, Quinta de Santa Maria, Apt. 137, 5050-106 Godim, Portugal; 3Real Companhia Velha- R. Azevedo Magalhães, n.º 314 Oliveira do Douro, 4430-022 Vila Nova de Gaia Na Região Demarcada do Douro (RDD), a protecção da vinha contra a traça-da-uva era, tradicionalmente feita com recurso à luta química; porém, dadas as preocupações de carácter ambiental e de saúde publica, cada vez mais produtores têm optado por utilizar outros meios de protecção contra a praga, como é o caso da luta por confusão sexual. Estima-se que, o método da confusão sexual (CS), homologado em Portugal para a traça-da-uva desde 2002, esteja a ser implementado na RDD, numa área que actualmente ronda os 300 ha (Eira com. pess.). Contudo, os resultados da sua implementação nem sempre se mostraram satisfatórios, em virtude de vários condicionalismos, nomeadamente de carácter climático, fisico e biológico (Carlos et al., 2010). Com vista a ultrapassar tais condicionalismos, desde 2011 que no âmbito do projecto Ecovitis, a CS tem vindo a ser implementada, com recurso a um novo difusor de feromona, desenvolvido pela Shin-Etsu Chemical Co, o ISONET-LTT (com 300 mg (E,Z)-7,9-dodecadienil acetato) (Figura 1). No presente trabalho, apresentam-se os resultados da sua aplicação na Quinta dos Aciprestes (S. João da Pesqueira - 41o12’N, 7o26’O), no biénio de 2012 e 2013. Os difusores foram instalados nos dias 26 e 16 de Março de 2012 e 2013, numa área com cerca de 19 hectares constituída por várias parcelas de vinha ao alto das castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Amarela; os difusores foram colocados à razão de 455 difusores por ha. A estimativa do risco fez-se: (1) por análise da curva de voo em armadilhas sexuais do tipo delta, instaladas no início de Março, em cada uma das parcelas (o registo das capturas fez-se semanalmente, as cápsulas de feromona renovaram-se a cada cinco ou seis semanas e as bases de cola foram substítuidas sempre que necessário); (2) por observação visual de cachos e quantificação quer do número de ninhos por 100 cachos, na 1ª geração quer da percentagem de cachos atacados nas 2ª e 3ª gerações. A eficácia do método avaliou-se através do cálculo da: (1) taxa de desorientação dos machos e (2) da taxa de redução do ataque. As diferenças entre o ataque observado na testemunha e o registado nas parcelas em CS foram avaliadas por análise de Qui-Quadrado (χ2). Figura 1 - Difusor do tipo ISONET-LTT Figura 2 - Fotografia aérea da área em confusão sexual e da testemunha referência (T6B). Curva de voo e taxa de desorientação dos machos A análise das curvas de voo da parecela testemunha, mostra que em 2012 os níveis populacionais da traça-da-uva foram baixos (no total, 98 capturas) comparativamente com 2013 (total de 750 capturas), tendo-se verificado no primeiro ano a ocorrência de três voos (figura 3A) enquanto que no segundo ocorreram, aparentemente, quatro voos (figura 3B). As taxas de desorientação nas parcelas em CS variaram entre 97,6±2,4% e 100%, em 2012 e entre 99,9±0,03 e 100 % em 2013 . Avaliação da intensidade do ataque Em 2012, o ataque foi muito baixo, não se tendo verificado diferenças significativas entre os ataques da testemunha e das parcelas em CS (χ2 =4,0, g.l = 7, P > 0,05 na 1ª geração, χ2 =1,2, g.l = 7, P > 0,05 na 2ª geração e χ2 = 11,6, g.l = 7, P > 0.05 na vindima) (figura 4A). Em 2013, na 1ª geração, apenas se observou ataque em duas parcelas (T18 e T19B), embora em percentagem bastante inferior ao observado na testemunha (χ2 = 6,1, g.l = 7, P > 0,05) e abaixo do nível económico de ataque. Na 2ª geração, verificou-se uma percentagem de ataque elevada em duas parcelas em CS (T14 e T15) que, estatisticamente, não diferiu da testemunha (χ2 =0,7, g.l = 1, P > 0,05). Nestas parcelas, o ataque foi de 9,6% e a redução do ataque de apenas 28,9%. Na vindima, a testemunha foi significativamente mais atacada que as parcelas em CS (χ2 =23,8, g.l = 7, P < 0,001); apesar de se terem observado ataques da ordem dos 6% em duas parcelas (T15 e T19B), estes revelaram-se bastante inferiores aos observados na testemunha (χ2 = 0,7, g.l = 1, P < 0,001) (figura 4B)., 1º voo A 3º voo 2º voo 4 90 intensidade do ataque (%) 20 15 10 5 80 70 3 60 50 2 40 30 1 20 10 0 0 0 1ªG T14_CS T15_CS T16_CS T18_CS T19A_CS T19B_CS T19C_CS Testemunha B B 2ªG CS 3ªG red. Ataque 25 120 100 20 80 15 60 10 40 5 20 0 Agradecimentos: Os autores agradecem aos proprietários das Quintas envolvidas , terem permitido o acesso às mesmas. 0 1ªG Carlos, C., Alves, F. & Torres, L. 2010. Constrains to the application of mating disruption against Lobesia botrana in Douro Wine Region. In CERVIM, Sicília, 11-14 May 2010 (Cd-Rom). 2ªG Testemunha Figura 3 - Curva de voo da traça-da-uva nas parcelas testemunhas e nas parcelas em confusão sexual em 2012 (A) e 2013 (B). redução do ataque (%) T6B_test intensidade do ataque (%) De um modo geral, a aplicação do método parece estar a ter resultados positivos. As parcelas onde o método se mostrou menos eficaz são parcelas maioritariamente localizadas junto ao rio Douro, pelo que se admite que possa aí ter lugar um arrastamento da nuvem de feromona, devido à ocorrência de ventos ascendentes, ficando essa área desprotegida. Nº capturas/ armadilha/ semana 25 redução do ataque (%) A CS 3ªG red. Ataque Figura 4 – Intensidade do ataque de traça-da-uva nas parcelas testemunha e em CS e redução do ataque da praga nas parcelas em CS devido à aplicação do método em 2012 (A) e 2013 (B). Co-financiado pelo Programa de Desenvolvimento Rural – Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território – Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural – A Europa investe nas zonas rurais. 10º Encontro Nacional de Protecção Integrada Beja, Instituto Politécnico de Beja 2 e 3 de Maio de 2014