ACERVO ARQUEOLÓGICO - FORTALEZAS DA ILHA DE SANTA
CATARINA E ILHAS ADJACENTES.
O acervo arqueológico pertinente às Fortalezas da Ilha de Santa
Catarina e ilhas adjacentes, que se encontra em Reserva Técnica do Museu
de Arqueologia e Etnologia Professor Osvaldo Rodrigues Cabral da
Universidade Federal (MArquE) foi reunido a partir de pesquisas científicas.
Entre os anos de 1989 e 1992, sob a responsabilidade do MArquE1,
foram realizadas pesquisas arqueológicas no Forte de São José da Ponta
Grossa e Fortaleza de Santa Cruz e, posteriormente, no início dos anos 2000,
na Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição.
Estes fortes integravam o complexo militar implantados no Brasil
Meridional, no século XVIII, pelo primeiro Governador da Capitania da Ilha de
Santa Catarina, Brigadeiro José da Silva Paes
FORTE SÃO JOSÉ DA PONTA GROSSA
O Forte São José da Ponta Grossa foi construído em 1739, na Baia
Norte da Ilha de Santa Catarina, município de Florianópolis. Os estudos
arqueológicos nele centrados foram norteados pelo projeto intitulado
Pesquisa Arqueológica no sítio histórico São José da Ponta Grossa.
Proposto pelo Setor de Arqueologia do MArquE - encaminhado ao
IPHAN em julho de 1989 – o referido projeto buscava identificar os elementos
técnicos e materiais construtivos, dimensionamentos originais, reformas e
adaptações e confirmação das funções originais das edificações que
compõem
este
conjunto
arquitetônico2.
E,
principalmente,
produzir
informações sobre aspectos relacionados ao Forte São José da Ponta Grossa
enquanto assentamento humano, em especial àquelas que dizem respeito ao
cotidiano dos seus antigos moradores.
Na época denominado Museu Universitário Professor Osvaldo Rodrigues Cabral da
Universidade Federal
2
O objetivo do projeto maior Fortalezas da Ilha de Santa Catarina – 250 anos de História
Brasileira.
1
Este projeto contou, inicialmente, com o apoio financeiro da
Associação Comercial de Florianópolis e depois com o da Fundação Banco
do Brasil - esta última a financiadora do projeto maior - Fortalezas da Ilha de
Santa Catarina – 250 anos de História Brasileira.
O desenvolvimento do projeto arqueológico no sítio histórico São José
da Ponta Grossa envolveu pesquisas de campo, pesquisas de laboratório e
pesquisa histórica, além da produção de documentação primária.
As pesquisas de campo, realizadas em duas etapas, aconteceram
entre os meses de agosto e setembro de 1989 - a primeira delas, e entre
novembro e dezembro de 1990 - a segunda.
Posteriormente,
efetuou-se
o
acompanhamento
das
obras
da
“reconstrução” do Forte São José da Ponta Grossa para controlar e vistoriar
essas obras tendo em vista evitar maiores danos ao patrimônio arqueológico.
Trabalhos estes, realizados entre os meses de maio e junho de 1991 e os
meses de setembro de 1991 e fevereiro de 1992.
Com exceção da coordenadora da pesquisa, arqueóloga Teresa
Domitila Fossari, a equipe de arqueologia era formada por especialistas e
estagiários não pertencentes ao quadro do MArquE, como segue: Deise Lucy
Montardo, Maria Madalena Velho do Amaral, Rodrigo Lavina; historiadora
Ana Maria Martins C. Correia; bióloga Dione da Rocha Bandeira, arquiteta
Eliane Veras da Veiga, socióloga Maria Soledad Echeverrya. Participaram,
ainda, da pesquisa arqueológica os licenciados em História George Luis
Coelho, Isabel Knoll, Maria de Lourdes Pinheiro e Osvaldo Paulino da Silva.
A pesquisa histórica, levantamento em fontes arquivísticas - no âmbito
estadual,
buscando
informações
sobre
as
fortificações
oitocentistas
brasileiras, principalmente aquelas referentes ao Forte são José da Ponta
Grossa e registro em fichas dos dados obtidos em arquivos - contou com a
colaboração de Yvone Veras da Veiga e bolsistas do curso de História do
Centro de Ciências Humanas (CFH) da UFSC.
As escavações arqueológicas na Forte São José da Ponta Grossa,
atingiram as áreas internas das ruínas das seguintes unidades que o
compunham: “Casa do Comandante”, “Paiol da Pólvora”, “Quartel da Tropa”,
“Cozinha”, “Palamenta”, “Portada”, “Calabouço”, “Casa da Guarda” e “Área
Lateral da Capela”.
Durante as escavações do sitio histórico São José da Ponta Grossa,
coletou-se uma grande quantidade de artefatos, ou melhor, fragmentos de
artefatos, transferidos para o laboratório do Setor de Arqueologia do MArquE
para receberem os devidos tratamentos.
No primeiro semestre de 1991 começaram as obras de “reconstrução”
do Forte São José da Ponta Grossa, o que exigiu o acompanhamento
técnico-arqueológico, a fim de controlar e vistoriar os trabalhos. Além disso,
também houve necessidade de se proceder com escavações arqueológicas
de salvamento em locais que não haviam sido prospectados nas etapas
anteriores e que seriam afetados pelas obras de engenharia em curso, ou
seja, nas áreas externas às ruínas escavadas interiormente e no interior da
Capela3.
As atividades de acompanhamento e de escavações – realizadas
durante os meses de maio, de junho e de setembro de 1991 e fevereiro de
1992 – que também resultaram em coleta de material arqueológico, contaram
com a participação da arqueóloga Maria Madalena Velho do Amaral e da
historiadora Ana Maria Martins Correia, contratadas pelo projeto, coordenado
pela arqueóloga do MArquE Teresa Domitila Fossari. Destes trabalhos
também participaram os acadêmicos Isabel Knoll e Oswaldo Paulino da Silva.
Os poços testes feitos na área externa às muralhas do forte resultaram
na coleta de material arqueológico quantitativamente expressivo – fragmentos
de ossos de animais, de ferro, de cerâmica portuguesa, principalmente na
parte próxima da Casa do Comandante.
Os trabalhos no laboratório partiram das triagens iniciais dos diferentes
artefatos (separação do material por categoria), seguidos dos registros em
fichas de controle, na qual constam itens de proveniência (área, setor,
trincheira ou poço-teste, camada e nível), data da coleta e do trabalho em
laboratório, bem como as anotações observadas em cada peça.
Depois de analisado, o material foi submetido a uma classificação
genérica, tendo como critério o atributo matéria-prima, o que resultou no
estabelecimento de cinco categorias de artefatos: cerâmica, vidro, metal,
artefatos de origem animal e artefatos líticos. A cerâmica - de produção local,
portuguesa, chinesa, inglesa, holandesa e francesa - foi classificada em três
3
Tendo em vista a troca do piso de uma reforma anterior ao projeto de restauração e
revitalização das Fortalezas da Ilha de Santa Catarina – 250 anos de História Brasileira.
subcategorias (cerâmica de barro cozido, louça branca e grés) e o material
elaborado sobre metal reúne artefatos de ferro, de cobre e prata.
Outras classificações foram estabelecidas em termos das possíveis
utilizações dos mesmos. Assim, pode-se dizer que o referido acervo é
integrado não só por peças de armamento que atestam a função militar do
sítio, como as bolas de canhão, mas também, por evidências artefactuais de
vestuário, ornamentos, moedas, objetos de uso pessoal (cachimbos, botões,
fivelas, monóculo, dedal), utilitários de cozinha, serviço de mesa, entre outros.
Conta-se ainda com exemplares de elementos construtivos (como tijolos,
cravos, ferrolhos).
Além dos artefatos, o material proveniente do sitio histórico São José
da Ponta Grossa reúne ecofatos, mais precisamente ossos de peixe (partes
do esqueleto e otólitos), mamíferos aquáticos e terrestres (esqueletos e
dentes), aves (esqueletos, principalmente os ossos longos), moluscos
(bivalves e gastrópodes), que apontam para aspectos da dieta alimentar de
seus antigos ocupantes.
Em laboratório também foram reconstruídas (por colagem) algumas
peças que permitiram identificar, principalmente, xicaras, pratos, panelas de
barro, bacias e outros utensílios de cozinha.
No que se refere ao tratamento dispensado ao material proveniente
deste Forte, para fins de armazenamento em Reserva Técnica, este depois
de devidamente analisado foi higienizado e acondicionado em caixas,
separadas de acordo com os dados de proveniências (área, trincheira ou
poços-teste escavados).
Em síntese, o acervo material reunido a partir das escavações e dos
trabalhos de acompanhamento das obras de “reconstrução” do Forte São
José da Ponta Grossa, corresponde a um total aproximadamente de 10.000
peças – mais precisamente, fragmentos de artefatos e ecofatos. No que se
refere
ao
acervo
documental,
conta-se
com
aproximadamente
270
documentos escritos (fichas de campo e de anotações de laboratório) e em
torno de 90 documentos iconográficos (entre croquis e fotografias).
Sobre este forte foram produzidos quatro relatórios e uma publicação:
1) FOSSARI et alii. Relatório Preliminar da Pesquisa Arqueológica no
Forte São José da Ponta Grossa – agosto/novembro de 1989. Mimeo.
2) FOSSARI et alii. Relatório Final da Pesquisa Arqueológica no Forte
José da Ponta Grossa – Projeto Fortalezas da Ilha de Santa Catarina 250 anos Na Historia Brasileira Mimeo.
3) FOSSARI, Teresa Domitila (coord.); AMARAL, Maria Madalena Velho do e
CORREIA, Ana Maria Martins C. Relatório do Controle Arqueológico
Efetuado Durante o Desenvolvimento das Obras de Restauração do
Forte José da Ponta Grossa. Dezembro de 1992. Mimeo.
4) BANDEIRA, Dione da Rocha. Análise e interpretação do material
arqueológico proveniente da ultima etapa de escavação arqueológica
do Forte São José da Ponta Grossa/ Florianópolis. Agosto de 1992.
FOSSARI, Teresa Domitila (coord.). A Pesquisa Arqueológica do Sítio
Histórico São José da Ponta Grossa. Anais do Museu de Antropologia,
Florianópolis, n.19, março de 1992 (05-103).
Foram montadas duas exposições na “Casa do Comandante” - depois
de concluída a sua “reconstrução” cujas temáticas fundamentaram-se nos
Aspectos sobre Técnicas e Elementos Construtivos da Edificação do Forte
São José da Ponta Grossa e no Cotidiano no Forte São José da Ponta
Grossa: Aspectos da Alimentação, respectivamente.
Atualmente vem sendo desenvolvido o projeto “O Doméstico e o
Bélico:
Análise
arqueológica
da
cultura
material
das
fortificações
catarinenses”. Este busca, a partir da documentação e materiais resultantes
das pesquisas anteriores, avançar no estudo das fortificações catarinenses. O
projeto, executado com financiamento da FAPESC, é coordenado pela
arqueóloga Fernanda Codevilla Soares em parceria com o MArquE e com o
LEIA – Laboratório de Estudos Interdisciplinares em Arqueologia da UFSC.
O
trabalho
a
ser
desenvolvido
abrange
a
digitalização
da
documentação e reorganização e verificação do acondicionamento do
material existente, além de novas pesquisas e elaboração de relatórios e
publicações. O projeto prevê também a realização de uma exposição com as
conclusões da pesquisa, além de trabalhos de divulgação com escolas e
comunidade.
Embora no momento esteja concentrado em estudos envolvendo a
Fortaleza de São José da Ponta Grossa, o projeto prevê a pesquisa com o
acervo disponível das demais fortalezas sob guarda do MArquE.
FORTALEZA DE SANTA CRUZ
A Fortaleza de Santa Cruz foi construída entre os anos de 1739 e
1744, na Ilha de Anhatomirim, município de Governador Celso Ramos. Os
estudos arqueológicos nela centrados foram norteados pelo projeto intitulado
Pesquisa Arqueológica na Fortaleza de Santa Cruz –, proposto pelo Setor de
Arqueologia do MArquE.
Como o projeto anterior, este também estava incorporado ao projeto de
restauração e revitalização “Fortalezas da Ilha de Santa Catarina – 250 anos
de História Brasileira”, proposto pela Universidade Federal de Santa Catarina
e com a participação da Secretaria do Patrimônio Artístico Nacional (atual
IPHAN) e Secretaria da Cultura do Estado de Santa Catarina.
Tendo em vista o cumprimento do cronograma do projeto de
restauração, a pesquisa arqueológica foi conduzida em caráter emergencial.
As escavações foram realizadas em apenas três unidades desta fortificação,
que seriam restauradas: “Armazém da Praia4”, “Paiol da Farinha” e “Antiga
Capela”.
Os trabalhos deveriam ser conduzidos no sentido de contribuir para a
identificação dos elementos técnicos e materiais construtivos, dos seus
dimensionamentos originais, bem como das reformas e adaptações e
confirmação das funções originais das edificações que foram escavadas5.
Por outro lado, procurou-se diagnosticar a potencialidade arqueológica
desta fortificação, tendo em vista realizar um projeto arqueológico futuro que
viria abranger a Fortaleza de Santa Cruz como um todo.
Entretanto, durante o desenvolvimento dos trabalhos estes ficaram
limitados as áreas internas daquelas três unidades, impossibilitando maiores
aprofundamentos
em
termos
da
identificação
de
certos
elementos
construtivos, ou mesmo de seus usos e funções.
O desenvolvimento do projeto arqueológico no sítio histórico Fortaleza
de Santa Cruz se deu entre os meses de dezembro de 1989 e março de
1990, sendo que durante este tempo foi realizado o levantamento documental
e as pesquisas de campo e laboratório.
4
As escavações na parte interna desta unidade, por motivos alheios a vontade da equipe,
foram interrompidas. Antes de abandonar a área orientou-se os operários, encarregados da
restauração, para cobrirem a área que havia sido evidenciada arqueologicamente com areia
para não prejudicar os trabalhos já realizados..
5
Objetivo do projeto maior Fortalezas da Ilha de Santa Catarina – 250 anos de História
Brasileira.
Com exceção da coordenadora da pesquisa, arqueóloga Teresa
Domitila Fossari, e da funcionária Deise Lucy Montardo, a equipe de
arqueologia era formada por especialistas e estagiários não pertencentes ao
quadro do MArquE, como segue: arqueólogos
Maria Madalena Velho do
Amaral e Rodrigo Lavina; historiadora Ana Maria Martins C. Correia; bióloga
Dione da Rocha Bandeira, arquiteta Eliane Veras da Veiga, socióloga Maria
Soledad Echeverrya.
Durante as escavações do sitio histórico Fortaleza de Santa Cruz,
coletou-se uma pequena quantidade de artefatos, ou melhor, fragmentos de
artefatos, todos transferidos para o laboratório do Setor de Arqueologia do
MArquE, onde foi devidamente tratado.
Os trabalhos no laboratório partiram das triagens iniciais dos diferentes
artefatos (separação do material por categoria), seguidos dos registros em
fichas de controle, na qual constam itens de proveniência (área, setor,
trincheira ou poço-teste, camada e nível), data da coleta e do trabalho em
laboratório, bem como as anotações observadas em cada peça.
Depois de analisado, o material foi submetido a uma classificação
genérica, tendo como critério o atributo matéria-prima, o que resultou no
estabelecimento três categorias de artefatos: cerâmica, vidro e metal. Contase ainda com exemplares de elementos construtivos (como tijolos, cravos,
ferrolhos), provenientes desta fortaleza.
Também
se
encontram
em
Reserva
Técnica
do
MArquE
remanescentes ósseos humanos, ou seja, fragmentos ósseos humanos de
dois indivíduos e que foram encontrados na Antiga Capela, porém,
anteriormente aos trabalhos da escavação arqueológica coordenadas pelo
Setor de Arqueologia do MArquE.
No que se refere ao tratamento dispensado ao material proveniente
desta fortaleza, para fins de armazenamento em Reserva Técnica, este
depois de devidamente analisado foi higienizado e acondicionado em caixas,
separadas de acordo com os dados de proveniências (área, trincheira ou
poços-teste escavados).
O material arqueológico relacionado ao sitio histórico Fortaleza de
Santa Cruz, que se encontra em Reserva Técnica, é quantitativamente pouco
significativo se comparado com aquele que foi coletado no Forte de São José
da Ponta Grossa e na Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição. As
evidências de cerâmica não ultrapassam 250 fragmentos; 130 fragmentos de
vidro antigo; algumas centenas de fragmentos de ferro. Conta-se, ainda, com
alguns ecofatos identificados como ossos de peixe, de mamíferos e de ave.
No
que
se
refere
ao
acervo
documental,
conta-se
com
aproximadamente 20 documentos escritos (fichas de campo e de anotações
de laboratório) e em torno de 30 documentos iconográficos (entre croquis e
fotografias).
Sobre este forte foram produzidos dois relatórios:
FOSSAR et alii, Teresa Domitila. RELATORIO PRELIMINAR DA PESQUISA
ARQUEOLOGICA na Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim. Dezembro
de 1989/janeiro de 1990. PRCE/UFSC/SPHAN/Fundação Banco do Brasil.
FOSSARI et alii. Relatório final pesquisa arqueológica na Fortaleza de
Santa Cruz de Anhatomirim. 1990. UFSC/SPHAN/Fundação Banco do
Brasil.
FORTALEZA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
A Fortaleza Nossa Senhora da Conceição foi construída em 1742, na
Ilha de Araçatuba, município da Palhoça. Os estudos arqueológicos nela
centrados foram coordenados pela arqueóloga Maria Madalena Velho do
Amaral em parceria com o setor de Arqueologia do MArquE. Esta arqueóloga
foi contratada pelo DAEX/UFSC6, para desenvolver a pesquisa arqueológica,
tendo em vista a execução das obras de restauração e consolidação que
envolveria o conjunto de edificações desta fortaleza.
A pesquisa arqueológica na Fortaleza Nossa Senhora da Conceição,
em termos da proposta de restauração, buscou identificar elementos técnicos
e materiais construtivos, dimensionamentos originais, reformas e adaptações
dos edifícios, bem como de algumas estruturas dispersas nos entornos. Por
outro lado, foi conduzida no sentido coletar informações sobre aspectos
relacionados ao cotidiano desta Fortaleza, enquanto assentamento humano,
em especial aquelas que dizem respeito e que possam ou não comprovar
hipóteses sobre as diversas atividades e inter-relações nela mantidas.
Os trabalhos nesta fortaleza, que contaram uma equipe formada por
alunos do Curso de História da UFSC, se desenvolveram durante os anos de
6
Este projeto foi financiado com verbas do Ministério de Esporte e Cultura.
2000/2001 e compreenderam um levantamento bibliográfico, a pesquisa em
campo e a pesquisa em laboratório.
O projeto arqueológico esteve voltado para as áreas interna e entornos
das seguintes unidades da Fortaleza Nossa Senhora da Conceição: “Paiol da
Pólvora”, “Palamenta”, “Quartel da Tropa”, “Fonte”, “Armazém da Praia”,
“Antigo Trapiche”, “Casa do Comandante”, “Cisterna”.
Os trabalhos no laboratório partiram das triagens iniciais dos diferentes
artefatos (separação do material por categoria), seguidos dos registros em
fichas de controle, na qual constam itens de proveniência (área, setor,
trincheira ou poço-teste, camada e nível), data da coleta e do trabalho em
laboratório, bem como as anotações observadas em cada peça.
Depois de analisado, o material foi submetido a uma classificação
genérica, tendo como critério o atributo matéria-prima, o que resultou no
estabelecimento de sete categorias de artefatos: cerâmica; vidro; artefatos
elaborados em metal; artefatos elaborados em osso; artefatos elaborados em
madeira e artefatos líticos.
O acervo também é integrado por elementos construtivos como
reboco; fragmento de piso; fragmentos de telhas, além de peças de
armamento que atestam a função militar do sítio.
Além das evidências de artefatos, o material proveniente do sitio
histórico reúne restos de alimento (ecofatos) como ossos de peixe (partes do
esqueleto e otólitos), mamíferos aquáticos e terrestres (esqueletos e dentes),
aves (esqueletos, principalmente os ossos longos), moluscos (bivalves e
gastrópodes).
Em síntese, o acervo material reunido a partir das escavações na
Fortaleza
Nossa
Senhora
da
Conceição
corresponde
a
um
total
aproximadamente de 12.000 peças – mais precisamente, fragmentos de
artefatos e ecofatos. No que se refere ao acervo documental, conta-se com
aproximadamente 780 documentos escritos (fichas de campo e de anotações
de laboratório) e em torno de 100 documentos iconográficos (entre croquis e
fotografias).
Sobre esta fortaleza foi produzido um relatório e um trabalho de
conclusão de Curso:
AMARAL, Maria Madalena Velho do. A pesquisa arqueológica na Fortaleza
Nossa Senhora da Conceição – Ilha de Araçatuba. Relatório de pesquisa.
Florianópolis, Janeiro de 2003.
ROSSI, Luciene A cerâmica da Fortaleza de Nossa Senhora da
Conceição: Antes e depois do torno de oleiro. Trabalho de conclusão de
curso apresentado para a obtenção do título de Bacharel em História, Centro
Filosofia Ciências Humanas, UFSC. Orientadora: Dra. Teresa D. Fossari, coorientadora: Me. Maria Madalena Velho do Amaral. Florianópolis/SC, junho
de 2008. Mimeo.
* * *
Acervo arqueológico reunido a partir de coletas assistemáticas nas
fortalezas de Santa Catarina
Na Reserva Técnica do MArquE se encontram, ainda,
acervo arqueológico
pertinentes à Fortalezas da Ilha de Santa Catarina, provenientes de doações,
como segue:
Acervo do Forte Santana
No ano de 1999 a arqueóloga Fabiana Comerlato
coletou na
superfície deste forte fragmentos de cerâmica (barro cozido e louça), sendo
que
alguns deles
apresentam decoração em pintura.
Depois de
devidamente higienizado e armazenado caixa apropriada, esta arqueóloga
doou o material para o MArquE.
Acervo da Fortaleza de Santo Antônio de Ratones
No ano de 1990 a arqueóloga do Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional/IPHAN, Edna Morley, encaminhou ao MArquE um
sepultamento humano que coletou entre os dias 14 e 15 de dezembro de
1990 na Fortaleza de Santo Antônio de Ratones. Porém, embora tenha
declarado que o mesmo teria sido evidenciado a 0,50 cm de profundidade,
não especificou a localização do esqueleto. Segundo a arqueóloga Luciane
Zanenga Scherer, do MArquE, trata-se de um indivíduo do sexo masculino,
adulto jovem.
Da
Fortaleza
de
Santo
Antônio
de
Ratones
conta-se
com
remanescentes ósseos humanos descontextualizados, segundo a arqueóloga
Luciane Zanenga Scherer eles seriam de pelo menos cinco indivíduos (quatro
possíveis adultos e uma criança). O material foi encontrado nesta Fortaleza
no início das obras de restauração, sendo encaminhado ao MArquE pelo
Departamento de Apoio à Extensão Universitária da UFSC (DAEX) em maio
de 1992 – unidade da UFSC que coordenava o projeto de restauração das
fortalezas.
Acervo da Fortaleza de Santa Cruz
Em julho de 1971, um senhor registrado apenas como Tirelli, doou
remanescentes ósseos humanos coletados na Fortaleza de Santa Cruz – Ilha
de Anhatomirim. Segundo a arqueóloga Luciane Zanenga Scherer estes
correspondem a, pelo menos, três indivíduos, sendo dois deles do sexo
masculino e com idade estimada entre 21-24 (adulto jovem).
Florianópolis, 23 de agosto de 2013.
Teresa Domitila Fossari, Dra.
Arqueóloga do MArquE/UFSC
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