Boletim Academia Paulista de Psicologia ISSN: 1415-711X [email protected] Academia Paulista de Psicologia Brasil Almeida Ferrari, Rafaela; Porto Witter, Geraldina Motivação na aprendizagem da Língua inglesa Boletim Academia Paulista de Psicologia, vol. 80, núm. 1, enero-junio, 2011, pp. 121-135 Academia Paulista de Psicologia São Paulo, Brasil Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=94622747012 Como citar este artigo Número completo Mais artigos Home da revista no Redalyc Sistema de Informação Científica Rede de Revistas Científicas da América Latina, Caribe , Espanha e Portugal Projeto acadêmico sem fins lucrativos desenvolvido no âmbito da iniciativa Acesso Aberto Bol. Acad. Paulista de Psicologia, São Paulo, Brasil - V. 80, no 01/11, p. 121-135 • Motivação na aprendizagem da Língua inglesa Motivation in studying the English language Rafaela Almeida Ferrari 1 Geraldina Porto Witter (Cad 23) 2 UNICASTELO Resumo: A língua inglesa é mundialmente reconhecida como o idioma mais usada no comércio, na diplomacia, no turismo, na ciência e em outras áreas. É de interesse social dos vários países que seus cidadãos tenham competência na referida língua, mas para aprendê-la é necessário contar com interesse por ela. O objetivo deste estudo foi avaliar a motivação para aprender a língua inglesa como segunda lingua (L2) considerando a variável gênero e realização de estudantes em um dado curso. Os participantes foram 14 meninos e 19 meninas, com idade entre 10 a 15 anos. Eles respondem a um questionário sobre motivação. Os resultados mostram diferenças concernentes a gênero. Para apresentar boas condições motivacionais na aprendizagem do inglês é relevante considerar as diferenças de gênero. Meninas apresentam motivação mais madura que os meninos, os professores e as famílias são variáveis importantes na motivação para a aprendizagem e precisam usar estratégias para ajudar os meninos a serem mais maduros na aprendizagem. Nenhuma correlação significante foi registrada entre motivação e realização escolar. Palavras-Chave: influência da família, gênero, realização acadêmica. Abstract: The English language is worldly recognized as the language mostly used in trade, diplomacy, tourism, science and other areas. It is of social interest of various countries that their citizens present competence in the language, but for learning it, it is necessary to take motivation into consideration. The aim of this study was to evaluate the motivation to learn the English Language as a second language (L2) considering the variable gender and performance of students in the course. The participants were 14 boys and 19 girls, aged 10 to 15 years old. They answered a questionnaire on motivation. The results showed differences concerning gender. In order to present good motivational conditions to the learning of English it is relevant to consider the gender differences. The girls presented more mature motivation than the boys. Teachers and families are important variables in the motivation toward learning, and they must use strategies in order to help boys to be more mature in their apprenticeship. No significant correlation was registered between motivation and school achievement. Keywords: family influence, gender, academic achievement. 1. Introdução A formação de profissionais qualificados, capazes de lidar com o mundo globalizado, conscientes e com espírito de compromisso profissional e social constitui-se uma necessidade, e um dos pré-requisitos para atingir essa meta é dominar a língua inglesa.(Gritti, 2001: xvi). 1 Contato: R. Osvaldo Cruz, 120, Lanifício - Santa Isabel – SP. - Brasil. CEP 07500-000. E-mail: [email protected] 2 Coordenadora dos cursos de pós-graduação da UNICASTELO. Contato: Av. Pedroso de Morais, 144, apto.302, Pinheiros 05420-000 – São Paulo, SP. - Brasil. E- mail: [email protected] 121 Bol. Acad. Paulista de Psicologia, São Paulo, Brasil - V. 80, no 01/11, p. 121-135 O Inglês é atualmente a língua dominante na área dos negócios e na ciência. De acordo com o Census Bureau dos Estados Unidos, a população de não nativos falantes da língua inglesa aumentou consideravelmente nos anos 80 e 90 do século XX (Lavey 1997 apud Oliveira 1999). Algumas razões que levam os indivíduos à aquisição da língua são: ascensão profissional; nível cultural; propósitos acadêmicos; para ciência e tecnologia e para propósitos específicos como, por exemplo, um arquiteto que precisa dominar a língua para poder utilizar adequadamente alguns programas de computador específicos na área e que não possuem uma versão na língua materna do usuário. Esta situação evidencia a relevância do ensino da língua inglesa como segunda Língua (L2). Diversos fatores afetam a aprendizagem de uma segunda língua, como lembram Schultz (2005), Ciardiello (2006) e Fink & Samuels (2007), estando entre eles: idade, formação lingüística, acuidade auditiva, características psicológicas, memória, disponibilidade mental, independência, tempo de dedicação, grau de envolvimento e motivação. Para McDonough (1986), um dos fatores mais importantes na aquisição de uma segunda língua é a motivação. A origem da motivação é o desejo de satisfazer necessidades. Pode ser ativada por fatores internos ou externos. Este comportamento pode ser classificado em forma direta, ou seja, impulsiona diretamente ao objeto que satisfaz a necessidade ou indireta, que é aquela que impulsiona em direção a um objeto intermediário que possibilitará a satisfação de uma necessidade. A complexidade dificulta a conceituação, segundo Oliveira (1999), conceituar motivação proporciona variadas formas de interpretações. Sendo um conjunto de fatores psicológicos, deve-se associa-se a uma ação em particular, isto é, a pessoa estar motivada em fazer alguma coisa. A mais conhecida categorização de motivação na aprendizagem de línguas é a distinção entre motivação integrativa e a motivação instrumental proposta por Gardner & Lambert (1972 apud Oliveira, 1999). Motivação integrativa é aquela tipicamente encontrada em alunos aprendendo uma língua estrangeira fora do seu país de origem, e que desejam ser aceitos por uma nova comunidade. Motivação instrumental caracteriza o aluno que deseja aprender uma língua estrangeira baseado em fatores profissionais ou acadêmicos ou a necessidade de ganhar acesso à informação especializada em outro idioma. Muitos estudiosos consideram que a motivação do aluno para estudar um idioma é a mola que propicia o sucesso na aprendizagem. De acordo com Piletti (1993), a motivação é fator fundamental da aprendizagem. Sem motivação não há aprendizagem. Pode ocorrer aprendizagem sem professor, sem livro, sem escola e sem uma porção de outros recursos. Mas mesmo que existam todos esses recursos favoráveis, se não houver motivação não haverá aprendizagem, ou a manutenção do aprendido, ou seja, não se obterá o sucesso pretendido (Gage, 2009; Boruchovitch, Bzuneck & Guimarães, 2010). 122 Bol. Acad. Paulista de Psicologia, São Paulo, Brasil - V. 80, no 01/11, p. 121-135 Em outra classificação, dois tipos básicos de motivação são assim caracterizados: motivação intrínseca, em que se faz algo pelo interesse e prazer inerentes à ação; e motivação extrínseca, em que se faz algo por causa de conseqüência ou desfecho distinto da ação. Este último tipo de motivação assume diferentes formas, que se distinguem pelo grau de internalização e integração de valores e regulação de condutas, refletindo diferentes graus de autonomia. Uma motivação autônoma relaciona-se com mais qualidade no aprendizado, maior persistência e melhor ajuste psicológico dos aprendizes, do ensino fundamental ao ensino superior (Sobral, 2003). A motivação intrínseca configura-se como uma tendência natural para buscar novidades e desafios. O indivíduo realiza determinada atividade pela própria causa, por considerá-la interessante, atraente ou geradora de satisfação. É uma orientação motivacional que tem por característica a autonomia do aluno e a auto-regulação de sua aprendizagem. Já a motivação extrínseca tem sido definida com o interesse para trabalhar em resposta a algo externo à tarefa, como a obtenção de recompensas externas, materiais ou sociais, em geral, com a finalidade de atender solicitações ou pressões de outras pessoas, ou de demonstrar competências (Neves & Boruchovitch, 2004). No âmbito escolar, a motivação é o fator interno que impulsiona o aluno para estudar, iniciar os trabalhos e perseverar neles até o fim. No contexto escolar, há indicadores de que a motivação intrínseca facilita a aprendizagem e o desempenho dos estudantes. O aluno intrinsecamente motivado envolve-se em atividades que oferecem a oportunidade para o aprimoramento de seus conhecimentos e de suas habilidades. Por sua vez, o indivíduo extrinsecamente motivado, realiza uma tarefa escolar para melhorar suas notas ou para conseguir prêmios e elogios (Neves & Boruchovitch, 2004). Estudos baseados na Teoria da Autodeterminação têm apresentado novas considerações sobre a motivação extrínseca, demonstrando que o comportamento extrinsecamente motivado também pode ser autodeterminado, não sendo necessariamente sempre negativo para a aprendizagem. Em síntese, pode-se dizer que a motivação para a aprendizagem vem sendo entendida pelos teóricos contemporâneos como um constructo multidimensional caracterizado por teorias pessoais acerca da própria inteligência, atribuições de causalidade, orientações motivacionais intrínsecas e extrínsecas, metas de realização e variáveis relativas ao self como o autoconceito e a auto-eficácia do aluno (Guimarães, Bzuneck & Boruchovitch, 2003) . A deficiência na aprendizagem da língua inglesa no Brasil é consideravelmente preocupante. Obter informações nesta área para pode subsidiar a qualidade do ensino. Devido a estes fatores, considerou-se relevante verificar alguns aspectos da motivação na aprendizagem da língua inglesa entre estudantes desta língua. 123 Bol. Acad. Paulista de Psicologia, São Paulo, Brasil - V. 80, no 01/11, p. 121-135 Objetivos Com base nos pressupostos expressos na introdução, foram definidos os objetivos. Geral O objetivo geral foi analisar as condições motivacionais que podem favorecer a aprendizagem do Inglês. Específicos 1. verificar a motivação de estudantes de Inglês como segunda língua (L2); 2. comparar esta motivação entre estudantes do gênero masculino e feminino e 3. correlacionar a motivação com o desempenho dos alunos no curso de Inglês. Método Participantes Foram sujeitos desta pesquisa 33 adolescentes que estudavam em escola privada de idiomas, localizada em município de interior paulista, sendo 14 do gênero masculino e 19 do gênero feminino com variação de idade entre 10 e 15 anos. Os alunos foram extraídos dos seis níveis de ensino oferecidos: Starter A (3 masculinos e 3 femininos, entre 10 e 13 anos); Starter B (4 femininos e um masculino, entre 10 a 12 anos); Progress A (5 masculinos e três femininos, entre 11 e 15 anos); Progress B (3 masculinos e 6 femininos, entre 12 e 15 anos; Early Intermediate A com 1 aluna e Early Intermediate B (2 meninos e 2 meninas, entre 13 e 14 anos). Os participantes eram de classe média baixa e baixa segundo a profissão e educação recebida pelos pais. Material Para cumprir os objetivos foram utilizados dois Termos de Consentimento Livre e Esclarecido; o primeiro foi destinado aos pais ou responsáveis pelos alunos menores de 18 anos, contendo os objetivos da pesquisa, endereço e RG das pesquisadoras e de outras informações sobre a coleta, o segundo Termo de Consentimento foi elaborado no mesmo formato do primeiro, simplificado e destinado ao próprio aluno. Para coleta de dados, foram utilizados um teste de motivação juntamente com um breve questionário de dados pessoais e um teste específico de Inglês para cada nível, já previamente elaborado pela escola. O teste de motivação aplicado é uma forma reduzida do teste de motivação elaborado por Gardner 124 Bol. Acad. Paulista de Psicologia, São Paulo, Brasil - V. 80, no 01/11, p. 121-135 (1985). O teste consiste em oito afirmativas a respeito da importância do estudo da L2, contendo 7 alternativas a serem assinaladas, sendo 1 = discordo totalmente, 2 = discordo moderadamente, 3 = discordo ligeiramente, 4 = neutro, 5 = concordo ligeiramente, 6 = concordo moderadamente e 7 = concordo totalmente. As avaliações são divididas em três partes: compreensão auditiva (Listening), gramática e vocabulário (Grammar and Vocabulary) e redação (Writing) que contém exercícios de múltipla escolha e questões dissertativas. Procedimento Após o aval do Comitê de Ética (Parecer nº 064/2005, CAAE 0040.0.237.000.05) os participantes foram contatados. Inicialmente foi pedida autorização da Direção da Escola, em seguida dos pais e dos alunos. A aplicação do instrumento foi coletiva. Antes de responder aos instrumentos da pesquisa seus pais ou responsáveis assinaram o Termo de Consentimento, o mesmo fazendo o adolescente. Foi garantido o sigilo das informações e a possibilidade de abandonar a pesquisa sem qualquer prejuízo. O registro das notas das avaliações de Inglês foi obtido junto à coordenadoria da Instituição. Após ter sido completado o trabalho a escola foi informada sobre o nível motivacional das classes e foram sugeridas estratégias para elevá-lo, sem identificar os alunos. Resultados e discussão A análise estatística dos dados foi feita por meio do teste do Qui-quadrado e Correlação de Spearman, sendo que para o primeiro foi utilizado o percentual e para o segundo os dados brutos (Moore, 1995/2000), trabalhando-se sempre no nível de p ≤ 0,05. A Tabela 1 demonstra as razões apontadas pelos estudantes que os levaram a iniciar o estudo da Língua Inglesa. Tabela 1 – Razão para estudar Inglês Razão Decisão dos pais Por gostar Para viajar Para o futuro Qualificação profissional É importante Aumentar conhecimento Total Masculino F % 1 7,1 4 28,6 3 21,4 1 7,1 1 7,1 2 14,3 2 14,3 14 99,9 Feminino F % 0 0 5 26,3 5 26,3 4 21,0 5 26,3 0 0 0 0 19 99,9 Total F 1 9 8 5 6 2 2 33 % 3,0 27,3 24,2 15,2 18,2 6,1 6,1 100,1 125 Bol. Acad. Paulista de Psicologia, São Paulo, Brasil - V. 80, no 01/11, p. 121-135 Dentre os 14 participantes do sexo masculino, 4 relataram que estudam Inglês Por gostar, 3 estudam com a intenção de Viajar para países de Língua Inglesa, 2 declararam que estudam porque É importante e também 2 Para aumentar o conhecimento, os itens Decisão dos pais, Para o futuro e Para qualificação Profissional obtiveram respectivamente 1 freqüência. Das dezenove meninas, 5 optaram consecutivamente pelas categorias Por gostar, Para viajar e Para qualificação profissional e 4 delas escolheram a opção Para o futuro. Para análise estatística foi aplicado o teste do Qui-quadrado com o intuito de verificar a homogeneidade dos dados. Para o grupo masculino, obteve-se χ2o=28,61 (χ2c=12,59; gl=6 e p≤0,05), rejeitando, portanto, a Hipótese nula e podendo-se afirmar que existe diferença estatisticamente significante entre as variáveis, concentrando-se no item Gostar. No grupo feminino a hipótese nula foi aceita, χ2o=0,83 (χ2c=7,82; gl=3 e p≤0,05), demonstrando não existir diferença estatisticamente significante entre os dados analisados. Para o total geral, χ2o=38,12 (χ2c=11,07; gl=5 e p≤0,05), constatando, novamente, heterogeneidade entre as razões mencionadas pelos alunos para estudar Inglês, sendo dominante o Gostar e o Viajar e muito baixa a interferência dos Pais. O cálculo de Correlação de postos sobre as preferências masculinas e femininas resultou em rs=0,62. Como N=7, n. p≤0,05 e rc=0,66, conclui-se que as razões que os dois gêneros apresentam para estudar inglês não estão correlacionadas, o que equivale a dizer que há necessidades do uso de estratégias distintas para motivar cada gênero, especialmente quando frequentam a mesma classe. Isto requer maior competência do professor em uso de procedimentos e tecnologias de ensino, bem como na seleção de material didático. Por exemplo, verificando o gosto preferencial por dado tipo de música, pode ser usada suas letras para manter a motivação dos alunos (Winstein, 2006), ou combinando estratégias que ajudem a fazer com que o ensino-aprendizagem seja mais eficiente e agradável como proposto por Burkins & Croft (2010) e Spence (2010). Com os dados da Tabela 1, já é possível verificar a motivação nos alunos no momento da decisão de estudar Inglês, ou seja, as razões principais que os levaram a ingressar no curso estão relacionadas com a categoria motivação intrínseca, eles entraram no curso porque gostam da Língua Inglesa. Isto é um facilitador do processo ensino-aprendizagem. Motivação extrínseca também colaborou na iniciativa do curso, pois entendiam que o domínio da língua os ajudaria para viajar e futuramente, para trabalhar. Contrariamente ao esperado, eles não estudam Inglês por imposição dos pais. Estes dados permitem considerar que buscaram a escola com boa base motivacional, cabendo à instituição mantê-la e ampliá-la. 126 Bol. Acad. Paulista de Psicologia, São Paulo, Brasil - V. 80, no 01/11, p. 121-135 Tabela 2 – Tempo de estudo de Inglês Tempo 1 ano ou menos 1 ano e 1 mês a 2 anos 2 anos e 1 mês a 3 anos Mais de 3 anos Total Masculino F % 3 21,4 7 50 1 7,1 3 21,4 14 99,9 Feminino F % 5 26,3 10 52,6 2 10,5 2 10,5 19 99,9 Total F 8 17 3 5 33 % 24 52 9 15 100 Os dados apresentados na Tabela 2 demonstram o tempo de estudo de inglês pelos participantes. A maior parte dos alunos estudavam entre 1 ano e um mês e 2 anos, 7 meninos e 10 meninas. Os itens 1 ano ou menos e Mais de 3 anos foram referidos por 3 estudantes masculinos, seguido de 1 estudante para 2 anos e 1 mês à respectivamente 3 anos. As meninas obtiveram a seguinte distribuição: 10 alunas com 1 ano e um mês à 2 anos, 5 estudantes com 1 ano ou menos e 2 meninas com 2 anos e um mês à 3 anos e Mais de 3 anos. No total geral, a prevalência foi de 52% para tempo de estudo 1ano e 1 mês à 2 anos, seguido de 1 ano ou menos (24%), mais de 3 anos (15%) e 2 anos e 1 mês à 3 anos com 9%. Face a distribuição do grupo abranger os vários níveis do curso este resultado era esperado. Pelo Qui-quadrado verificou-se que existe diferença significante entre as variáveis nos dois grupos, sendo, respectivamente, χ2o=38,77 e χ2o=47,36 (χ2c=7,82; gl=3 e p≤0,05). Para o total geral, obteve-se a mesma constatação χ2o=42,12 (χ2c=7,82; gl=3 e p≤0,05). Em todos os casos predominam os poucos anos de estudo. Verificou-se ser significante a correlação entre as categorias de tempo de estudo relativas a meninos e meninas, já que rs=0,85 e rc=0,81 (N=4, n. p≤0,05). Pode-se dizer que possivelmente os dois gêneros no grupo, estão tendo iguais possibilidades de entrar na escola e manter-se estudando o inglês. O contexto sócio-cultural de onde vieram os estudantes e o próprio ambiente acadêmico parece estar oferecendo iguais oportunidades para os dois grupos. Ao mesmo tempo os dados sugerem dificuldade para se manter estudando. Aqui podem estar influindo variáveis de contexto sócio-econômico dos participantes que dificultam, que prolonguem ou completem seus estudos por questões financeiras ou por terem que se engajar no mundo do trabalho, por vezes, precocemente. Acabam por abandonar sua motivação para aprender L2, conformando-se com o aprendido e alimentando a esperança de voltar algum dia ou de continuar a estudar por si mesmo, sem ir à escola. Por meio da Tabela 3, pode-se observar por quem foi feita a indicação da escola de Idiomas que freqüentam. 127 Bol. Acad. Paulista de Psicologia, São Paulo, Brasil - V. 80, no 01/11, p. 121-135 Tabela 3 – Indicação da Escola Indicação Pais Parentes Colegas Professores Propaganda Total Masculino F % 6 42,85 2 14,28 4 28,57 1 7,14 1 7,14 14 99,98 Feminino F % 4 21,05 5 26,31 6 31,57 4 21,05 0 0 19 99,98 Total F 10 7 10 5 1 33 % 30,3 21,2 30,3 15,2 3,0 100 Houve a prevalência da indicação dos Pais na categoria masculina com 6 escores, em seguida os Colegas com 4, os Parentes com 2 e Professores e Propaganda com 1 cada. Já para o grupo feminino, a indicação de Colegas foi a mais apontada como escolha de 6 alunas, os Parentes em segundo lugar com 5 e um empate entre Pais e Professores com 4 estudantes cada. Para o total geral, houve um empate entre as categorias Pais e Colegas com 30,3 seguida da indicação de Parentes com escore 7, Professores 5 e Propaganda 1. O teste do Qui-quadrado revelou que não existe diferença estatisticamente significante entre as indicações feitas para o grupo feminino χ2o = 3,04 (χ2c = 7,82; gl= 3 e p≤0,05) e existe para os meninos com χ2o = 47,95 (χ2c = 9,49; gl= 4 e p≤0,05), e para o total geral, χ2o = 26,27 (χ2c = 7,82; gl= 3 e p≤0,05). Vale dizer que as meninas estão igualmente expostas a influências dos pais, parentes, colegas e professores na escolha da escola. Já no gênero masculino a influência dos pais é dominante. No total, pais e colegas devem ser as principais figuras na decisão da escola para difundir a importância do aprender inglês. Vale destacar a ausência de impacto da propaganda, ou ela não está sendo feita ou não está alcançando o consumidor potencial. Isto requer a atenção dos administradores já que entre seus múltiplos papéis está a melhor inserção possível da escola na sociedade e com especial atenção à família do aluno, notadamente os pais (Cummins, 2006). Em síntese, pais e colegas influenciaram no grupo a escolha da escola a ser cursada. Os professores, que se espera orientem os alunos, só são citados depois dos parentes. Este quadro merece uma revisão institucional e pesquisas de avaliação mais específicas, talvez uma orientação psicológica aos professores e adolescentes para melhorar este quadro. Desta forma seria possível assegurar melhor aprendizagem e manutenção dos alunos em programas de Língua Inglesa. De qualquer forma é preciso rever as estratégias usadas para atrair e manter os alunos na instituição. 128 Bol. Acad. Paulista de Psicologia, São Paulo, Brasil - V. 80, no 01/11, p. 121-135 Os sujeitos foram também arguidos sobre sua vivência de ter viajado para países em que é utilizado o idioma Inglês. Verificou-se que nenhum deles teve esta experiência, o que de certa forma era esperado face à caracterização do grupo estudado, posto que era predominantemente de nível sócio-econômico médio baixo ou baixo, embora freqüentando escola privada. Vale destacar o esforço que representa a perspectiva educacional realista dos pais dos estudantes, objeto de estudo, para encaminhá-los e mantê-los estudando inglês. A Tabela 4 foi constituída pelos oito itens existentes no teste de motivação para aprendizagem da Língua Inglesa, as sete alternativas (1=discordo totalmente, 2=discordo moderadamente, 3=discordo ligeiramente, 4=neutro, 5=concordo ligeiramente, 6= concordo moderadamente, 7=concordo totalmente) que foram assinaladas em cada afirmação, a soma dos pontos e a média ponderada de cada item. Tabela 4 – Motivação para aprendizagem da Língua Inglesa Estudar Inglês é importante para... 1. Interação c/ falantes de Inglês 2. Futura carreira 3. Interação com maior nº de pessoas 4. Tornar-me mais culto 5. Apreciar arte e literatura Inglesa 6. Conquistar um bom emprego 7. Participar de ativ. de outras culturas 8. Obter mais respeito dos outros Masculino Pts. Média 88 6,3 88 6,3 90 6,4 87 6,2 81 5,8 90 6,4 76 5,4 70 5,0 Feminino Pts. Média 112 5,9 129 6,8 108 5,7 113 5,9 107 5,6 131 6,8 111 5,8 67 3,5 Total Pts. Média 200 6,42 217 6,28 198 6,28 200 6,21 188 5,78 221 6,42 187 5,42 137 5,0 Os participantes do sexo masculino acreditam que estudar Inglês é importante para (1) Interação com maior número de pessoas e para (6) Conquistar um bom emprego. Os itens mencionados apresentam a média ponderada mais elevada diante das outras alternativas, 6,42. Em seguida, é destacada a importância da língua para (3) Interação com falantes de Inglês e (2)Futura carreira, média 6,28. Com 6,21 a opção (4) Tornar-me mais culto, (5) Apreciar a arte e literatura Inglesa 5,78, Participar de atividades de outras culturas 5,42 e o item de menor importância Obter mais respeito dos outros com média 5,00. O Grupo Feminino destacou como item de maior relevância Conquistar um bom emprego obtendo a média de 6,89, Futura carreira demonstrou ser também de grande importância com 6,78 e nas seguintes categorias foi observado, na ordem decrescente: Me tornar mais culto 5,94, Interação com falantes do Inglês 5,89, Participar de atividades de outras culturas 5,84, Interação 129 Bol. Acad. Paulista de Psicologia, São Paulo, Brasil - V. 80, no 01/11, p. 121-135 com maior número de pessoas 5,68, Apreciar arte e literatura 5,63 e Obter mais respeito dos outros 3,52. Parecem estar aprendendo inglês para ação, o que é um bom indicativo de motivação e de desenvolvimento (Barden, 2010). Para verificar a homogeneidade do grau de importância atribuída pelos estudantes nas alternativas expostas, aplicou-se o teste do Qui-quadrado na soma dos pontos. Na categoria total, χ2o = 24,17 (χ2c =14,07; gl= 7 e p≤0,05), demonstrou existir diferença estatisticamente significante entre as respostas dos alunos no que concerne às afirmações do teste, prevalecendo a importância do Inglês para conquistar um bom emprego, seguido da opção futura carreira. Isto é indício das forças das motivações instrumental e extrínseca, o que é compreensível face a origem dos alunos e suas necessidades de alcançar melhores condições de vida e de trabalho. Ao correlacionar os grupos masculino e feminino, verificou-se que os dados não estão hierarquizados, sendo igualmente, ro= 0,55 (rs= 0,63; N= 8 e p≤0,05), não existe correlação. Normalmente, variáveis distintas devem estar influindo nos dois gêneros com impacto diversificado. Isto implica em que os docentes precisam recorrer a estratégias motivacionais e educacionais diferentes para os dois gêneros. Os resultados recomendam cuidados especiais na escolha de textos para os estudantes, com temas variados e que viabilizem escolhas diversificadas por gênero e atendendo a interesses pessoais (Vaserdevan, 2006; Garber-Miller, 2006). Apesar da pouca idade, devido ao grande acesso a informação nos dias de hoje, os alunos já têm consciência da importância da língua e já estão pensando no futuro, isto é, demonstrada pois a alternativa com maior pontuação no total foi a relevância do Inglês para conquistar um bom emprego e para futura carreira. Apesar do baixo nível de escolaridade dos pais, com o mundo globalizado, os jovens estão em contato com a Língua Inglesa e logo percebem sua importância. Isso mostra que eles têm um propósito para estudar Inglês, ou seja, um motivo, ligado ao seu próprio desenvolvimento profissional e pessoal (busca de cultura, competência social e empregabilidade). Foi demonstrado por meio de suas respostas uma motivação madura e adulta, uma preocupação técnica, ou seja, motivação com finalidades úteis, profissionais. São jovens de classes sociais que provavelmente possuem pais conscientes e que investem na educação dos filhos e conscientizando-os dos benefícios que a Língua Inglesa pode trazer para o futuro. A Figura 1 representa a pontuação obtida pelos alunos no teste de motivação para aprendizagem da Língua Inglesa. Ela foi elaborada com os dados indicando o percentual de sujeitos nos quartis em decorrência de seu nível de desempenho. 130 Bol. Acad. Paulista de Psicologia, São Paulo, Brasil - V. 80, no 01/11, p. 121-135 Figura 1 – Motivação na aprendizagem da Língua Inglesa Fazem parte do 1º quartil os valores de 0 à 42, o 2º quartil corresponde aos dados de 43 à 47,21 pontos, se enquadraram no 3º quartil alunos com pontuação de 47,22 à 52 e acima deste o 4º quartil. A maior parte do grupo masculino se classificou no 4ª quartil, ou seja, 35,71% deles. O restante ficou distribuído uniformemente nos três primeiros quartis, 21,42% cada. O teste do Qui-quadrado demonstra não existir diferença estatisticamente relevante nesta distribuição, χ2o = 6,12 (χ2c =7,82; gl= 3 e p≤0,05). Possibilitando a afirmação de que existem sujeitos que se enquadram nos quatro níveis de motivação sendo de se destacar a necessidade de trabalhar o interesse dos alunos do 1º e 2º quartis. O gênero feminino distribui-se desuniformemente. Com o χ2o = 29,64 (χ2c =7,82; gl= 3 e p≤0,05), percebe-se uma grande variação entre os dados, tendo predominância a porcentagem do 3º quartil, 42,1% e uma mínima classificação no 4º quartil, 5,26%. Quando unidos os dois grupos, a diferença estatisticamente significante desaparece, χ2o = 5,41 (χ2c =7,82; gl= 3 e p≤0,05), demonstrando distribuição homogênea. Ao comparar o grupo masculino e feminino por meio da Correlação de Spearman, observou-se que os dados não estão associados, ro=-0,77 (rc=0,81; N=4 e p≤0,05). A motivação não ocorre similarmente. Portanto, embora entre os com baixa motivação não se verifique diferenças de gênero, as meninas predominam nos grupos intermediários. Entretanto, entre os mais motivados os meninos sobressaem. A atenção motivacional, do professor é igualmente requerida em relação aos poucos motivados, a seguir é recomendável voltar-se mais para os meninos, sem esquecer de estimular as meninas para alcançar maior representatividade no 4º quartil. De um modo geral, há maturidade motivacional entre eles. Os meninos se mostraram mais motivados. É preciso trabalhar a motivação daqueles que se 131 Bol. Acad. Paulista de Psicologia, São Paulo, Brasil - V. 80, no 01/11, p. 121-135 enquadraram no primeiro e segundo quartil, cabendo a escola, principalmente aos professores e gestores, recorrer a estratégias motivacionais de vários tipos e níveis tendo por base as características dos alunos. Contar com ao menos uma assessoria de psicólogo escolar poderia ser de grande valia (Young & Hadaway, 2006, Cummins, 2006, Boruchovitch e outros, 2010). Também é recomendável uma atualização dos docentes quanto às novas práticas educacionais que as pesquisas mostram ser válidas e eficientes (Karchmer, Mallette, Kara-Soteriou & Leu, 2005) e para motivarem os alunos (Edmunds & Bauserman, 2006). O mesmo se pode dizer da indicação de textos para leitura complementar ou mesmo regular, em papel ou na Internet (Gainer, 2010, Lewis & Petrone, 2010). Gritti (2001) afirma que parece existir um crescente desinteresse dos alunos pela aprendizagem da língua inglesa, principalmente nas escolas públicas, o que não se confirma nos dados acima expostos no que se refere a motivação dos alunos de uma escola particular. Embora tenha caído o interesse dos pesquisadores no exterior quanto à influência do gênero na aprendizagem do inglês (Cassidy, Valadez & Garret, 2010), face a outros problemas, os dados aqui encontrados indicam a necessidade de dar continuidade ao estudo desta variável entre alunos que estão estudando a língua como L2 no contexto brasileiro. Na Tabela 5, pode-se observar a correlação entre pontos obtidos no teste de motivação para aprendizagem da Língua Inglesa e as notas da avaliação do curso de Inglês. Tabela 5 – Correlação entre pontos e notas por gênero e total dos participantes Turma Masculino Feminino Total N 14 19 33 rc 0,50 0,43 0,32 ro 0,15 -0,41 -0,13 Decisão Não existe correlação Não existe correlação Não existe correlação O cálculo de correlação entre pontos de motivação e notas para o gênero masculino resultou em rs=0,15, sendo N=14, p≤0,05 e rc=0,50, conclui-se pela ausência de correlação significante. No gênero feminino foi obtido o valor –0,41 para N=19, mesma margem de erro, e r c =0,43 também não alcançou significância. No total (N=33, rc=0,32), o mesmo ocorreu já que rs=-0,13. Isto sugere que há necessidade de aprofundar o estudo, analisando-se como motivação está sendo cuidada no processo ensino-aprendizagem e as relações 132 Bol. Acad. Paulista de Psicologia, São Paulo, Brasil - V. 80, no 01/11, p. 121-135 com o processo de avaliação (Burkins & Croft, 2010). Novamente, isto pede uma orientação psicoeducacional competente. Em outras palavras, é preciso verificar porque não houve correlação. Eles se mostraram motivados, porém não tiveram bom rendimento. Um fator que pode ter causado viés nos resultados foi a elaboração da avaliação de Inglês ter sido efetuada pela própria instituição de ensino. Faz-se necessário um estudo da análise do conteúdo da prova e dos conteúdos efetivados na sala de aula. Há também a possibilidade dos conteúdos de aula e prova não serem adequados a maturidade motivacional e instrucional dos alunos. Vale dar ênfase à necessidade de rever as estratégias de ensino. O trabalho de um psicólogo escolar pode auxiliar na orientação de como melhorar o método de ensino e/ou de avaliação para aproveitar melhor a motivação existente nos alunos. Poderá também orientar melhor os alunos quanto aos vários passos na vida profissional para os quais poderão se beneficiar tendo competência em Inglês (Moura, 2004) e os professores quanto a estratégias motivacionais e materiais diversos. Também é necessário capacitar os docentes em tecnologias que garantam melhor aprendizagem do inglês e que aumentem a probabilidade de êxito para todos os alunos, de todas as classes, como se pode visualizar no livro organizado por Young & Hadaway (2006). Conclusões e sugestões A pesquisa como um todo reflete a importância da família no que concerne a aprendizagem dos adolescentes. Encontrou-se pais humildes que investem na educação dos filhos. Foi encontrado nos resultados, alunos de classe médiabaixa e baixa possuindo motivação madura com finalidades profissionais, confirmando a orientação e preocupação dos pais quanto ao futuro de seus filhos. Tal motivação precisa ser aproveitada pela escola tanto nas aulas como nas avaliações e mesmo na propaganda para atrair alunos. Há necessidade de recorrer a estratégias motivacionais e educacionais que atendam melhor as características diferentes de cada gênero, o que pede avaliações psicoeducacionais específicas, domínio amplo de estratégias, tecnologias e materiais de ensino diferenciados por parte do professor da língua. Há necessidade também de um estudo aprofundando a análise da importância da família na aprendizagem do inglês como L2 e que compare níveis sócio-econômicos distintos. Sugere-se que seja feita a réplica da pesquisa sendo a avaliação do conhecimento de Inglês elaborada pelo pesquisador. 133 Bol. Acad. Paulista de Psicologia, São Paulo, Brasil - V. 80, no 01/11, p. 121-135 Referências • Barden, O. (2010). From “acting reading” to “reading for acting”: a case study of the transformational power of reading. Journal of Adolescent & Adult Literacy, 53(4), 293-302. • Boruchovitch, E., Bzuneck, J. A. & Guimarães, S. E. R. (orgs) (2010). Motivação para aprender: Aplicações no contexto educativo. Petrópolis: Vozes. • Burkins, J. M. & Croft, M. M. (2010). Preventing misguided reading: New Strategies for guided reading teachers. Newark: IRA. • Cassidy, J., Valadez, C. M. & Garret, S. D. (2010). Adolescent and Adult Literacy: what’s hot, what’s not. Journal of Adolescent & Adult Literacy, 53(6), 448456. • Ciardielo, A. V. (2006). Puzzie them first! Motivating adolescent readers with question-finding. Newark: IRA. • Cummins, C. (org.) (2006). Understanding and implementing reading first initiatives - The changing role of administrators. Newark: IRA. • Edmunds, K. M.; & Bauseman, K. L. (2006). What teachers can learn about reading motivation through conversation with children. The reading Teacher. 59 (5), 414-424. • Fink, R. & Samuels, S. J. (2007). Inspiring reading success: Interest and motivation in an ange of high-staques testing. Newark: IRA. • Gage, N. L. (2009). A conception of teaching. New York: Springer. • Gainer, J. S. (2010). Critical media literacy in middle school: exploring the politics of representation. Journal of Adolescent & Adult Literacy, 53(5), 364373. • Garber-Miller, K. (2006). Playfull textbook previews: letting go of familiar mustachemonologo. Journal of Adolescent & Adult Literacy, 50(4), 284-289. • Gardner, R. C. (1985). Social Psychology and Second Language Learning: the role of attitudes and motivation. London: Edward Arnold Publishers. • Guimarães, S. É. R., Bzuneck, J. A. e Boruchovitch, E. (2003). Estilos Motivacionais de professores: propriedades psicométricas de um instrumento de avaliação. Psicologia: Teoria e Pesquisa. 19 (1), 17-24. • Gritti, N. H. S. (2001). Inglês Instrumental: eficiência do ensino para 10 ingressantes do curso de psicologia. Tese de Doutorado, PUC-Campinas: Campinas. • Karchmer, R. A., Mallette, M. H., Kara-Soteriou, J. & Leu JR, D. J. (orgs.) (2005). Innovative approaches to literacy education. Using the internet to support new literacies. Newark: IRA. 134 Bol. Acad. Paulista de Psicologia, São Paulo, Brasil - V. 80, no 01/11, p. 121-135 • • • • • • • • • • • • • • • Lewis, M. A., Petrone, R. (2010). “Although adolescent need not be violent…”: preservice teachers’ connection between “Adolescence” and literacy curriculum. Journal of Adolescent & Adult Literacy, 53(5), 398-407. Mcdonough, S. H. (1986). Psychology in Foreign Language Teaching. London: Routledg. Moore, D. (1995/2000). Orientação profissional: sob o enfoque da análise do comportamento. Campinas: Alínea. Moura, C. B. (2004). Orientação profissional: sob o enfoque da análise do comportamento. Campinas: Alínea. Neves, E. R. C. & Boruchovitch, E. (2004). A motivação de alunos no contexto da progressão continuada. Psicologia: Teoria e Prática. 20 (1), 77-85. Oliveira, M. S. (1999). O Ensino Personalizado da Língua Inglesa: uma reflexão sobre o interesse e estilo de aprendizagem do aluno adulto. Dissertação de Mestrado, UBC: Mogi das Cruzes. Pfromm Netto, S. (2002). Psicologia da Aprendizagem e do Ensino. São Paulo: EPU. Piletti, N. (1993). Psicologia Educacional. 11ª ed. São Paulo: Ática. Siegel, S. (1956). Nonparametric statistics for the behavioral sciences. New York: McGraw-Hill. Schultz, R. (2005). O que é talento para Línguas? Texto disponível na internet: www.sk.com.br {07/04/05}. Sobral, D. T. (2003). Motivação do Aprendiz de Medicina: uso da escala de motivação acadêmica. Psicologia: Teoria e Prática. 19 (1), 25-31. Spence, L. K. (2010). Generous reading: seeing students through their writing. The Reading Teacher, 63(8), 634-642. Valdevan, L. (2006). Looking for angels: knowing adolescents by engaging with their mulltimodal literacy practices. Journal of Adolescent & Adult Literacy, 50(4), 252-259. Weinstein, S. (2006). A love for the thing: the pleasures of rap a literate practice. Journal of Adolescent & Adult Literacy, 50(4), 276-283. Young, T. A. & Hadaway, N. L. (orgs.) (2006). Supporting the literacy development of English learners: Increasing success in all classrooms. Newark: IRA. Recebido em 04/04/2011 / Aceito em: 15/05/2011. 135