Boletim Academia Paulista de Psicologia
ISSN: 1415-711X
[email protected]
Academia Paulista de Psicologia
Brasil
Almeida Ferrari, Rafaela; Porto Witter, Geraldina
Motivação na aprendizagem da Língua inglesa
Boletim Academia Paulista de Psicologia, vol. 80, núm. 1, enero-junio, 2011, pp. 121-135
Academia Paulista de Psicologia
São Paulo, Brasil
Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=94622747012
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• Motivação na aprendizagem da Língua inglesa
Motivation in studying the English language
Rafaela Almeida Ferrari 1
Geraldina Porto Witter (Cad 23) 2
UNICASTELO
Resumo: A língua inglesa é mundialmente reconhecida como o idioma mais usada no
comércio, na diplomacia, no turismo, na ciência e em outras áreas. É de interesse social
dos vários países que seus cidadãos tenham competência na referida língua, mas para
aprendê-la é necessário contar com interesse por ela. O objetivo deste estudo foi avaliar a
motivação para aprender a língua inglesa como segunda lingua (L2) considerando a variável
gênero e realização de estudantes em um dado curso. Os participantes foram 14 meninos
e 19 meninas, com idade entre 10 a 15 anos. Eles respondem a um questionário sobre
motivação. Os resultados mostram diferenças concernentes a gênero. Para apresentar
boas condições motivacionais na aprendizagem do inglês é relevante considerar as
diferenças de gênero. Meninas apresentam motivação mais madura que os meninos, os
professores e as famílias são variáveis importantes na motivação para a aprendizagem e
precisam usar estratégias para ajudar os meninos a serem mais maduros na aprendizagem.
Nenhuma correlação significante foi registrada entre motivação e realização escolar.
Palavras-Chave: influência da família, gênero, realização acadêmica.
Abstract: The English language is worldly recognized as the language mostly used in
trade, diplomacy, tourism, science and other areas. It is of social interest of various
countries that their citizens present competence in the language, but for learning it, it is
necessary to take motivation into consideration. The aim of this study was to evaluate the
motivation to learn the English Language as a second language (L2) considering the variable
gender and performance of students in the course. The participants were 14 boys and 19
girls, aged 10 to 15 years old. They answered a questionnaire on motivation. The results
showed differences concerning gender. In order to present good motivational conditions to
the learning of English it is relevant to consider the gender differences. The girls presented
more mature motivation than the boys. Teachers and families are important variables in
the motivation toward learning, and they must use strategies in order to help boys to be
more mature in their apprenticeship. No significant correlation was registered between
motivation and school achievement.
Keywords: family influence, gender, academic achievement.
1. Introdução
A formação de profissionais qualificados, capazes de lidar com o mundo
globalizado, conscientes e com espírito de compromisso profissional e
social constitui-se uma necessidade, e um dos pré-requisitos para atingir
essa meta é dominar a língua inglesa.(Gritti, 2001: xvi).
1
Contato: R. Osvaldo Cruz, 120, Lanifício - Santa Isabel – SP. - Brasil. CEP 07500-000. E-mail:
[email protected]
2
Coordenadora dos cursos de pós-graduação da UNICASTELO. Contato: Av. Pedroso de
Morais, 144, apto.302, Pinheiros 05420-000 – São Paulo, SP. - Brasil. E- mail: [email protected]
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O Inglês é atualmente a língua dominante na área dos negócios e na ciência.
De acordo com o Census Bureau dos Estados Unidos, a população de não
nativos falantes da língua inglesa aumentou consideravelmente nos anos 80 e
90 do século XX (Lavey 1997 apud Oliveira 1999). Algumas razões que levam os
indivíduos à aquisição da língua são: ascensão profissional; nível cultural;
propósitos acadêmicos; para ciência e tecnologia e para propósitos específicos
como, por exemplo, um arquiteto que precisa dominar a língua para poder utilizar
adequadamente alguns programas de computador específicos na área e que
não possuem uma versão na língua materna do usuário. Esta situação evidencia
a relevância do ensino da língua inglesa como segunda Língua (L2).
Diversos fatores afetam a aprendizagem de uma segunda língua, como
lembram Schultz (2005), Ciardiello (2006) e Fink & Samuels (2007), estando
entre eles: idade, formação lingüística, acuidade auditiva, características
psicológicas, memória, disponibilidade mental, independência, tempo de
dedicação, grau de envolvimento e motivação.
Para McDonough (1986), um dos fatores mais importantes na aquisição
de uma segunda língua é a motivação. A origem da motivação é o desejo de
satisfazer necessidades. Pode ser ativada por fatores internos ou externos. Este
comportamento pode ser classificado em forma direta, ou seja, impulsiona
diretamente ao objeto que satisfaz a necessidade ou indireta, que é aquela que
impulsiona em direção a um objeto intermediário que possibilitará a satisfação
de uma necessidade. A complexidade dificulta a conceituação, segundo Oliveira
(1999), conceituar motivação proporciona variadas formas de interpretações.
Sendo um conjunto de fatores psicológicos, deve-se associa-se a uma ação em
particular, isto é, a pessoa estar motivada em fazer alguma coisa.
A mais conhecida categorização de motivação na aprendizagem de línguas
é a distinção entre motivação integrativa e a motivação instrumental proposta
por Gardner & Lambert (1972 apud Oliveira, 1999). Motivação integrativa é aquela
tipicamente encontrada em alunos aprendendo uma língua estrangeira fora do
seu país de origem, e que desejam ser aceitos por uma nova comunidade.
Motivação instrumental caracteriza o aluno que deseja aprender uma língua
estrangeira baseado em fatores profissionais ou acadêmicos ou a necessidade
de ganhar acesso à informação especializada em outro idioma.
Muitos estudiosos consideram que a motivação do aluno para estudar um
idioma é a mola que propicia o sucesso na aprendizagem. De acordo com Piletti
(1993), a motivação é fator fundamental da aprendizagem. Sem motivação não
há aprendizagem. Pode ocorrer aprendizagem sem professor, sem livro, sem
escola e sem uma porção de outros recursos. Mas mesmo que existam todos
esses recursos favoráveis, se não houver motivação não haverá aprendizagem,
ou a manutenção do aprendido, ou seja, não se obterá o sucesso pretendido
(Gage, 2009; Boruchovitch, Bzuneck & Guimarães, 2010).
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Em outra classificação, dois tipos básicos de motivação são assim
caracterizados: motivação intrínseca, em que se faz algo pelo interesse e prazer
inerentes à ação; e motivação extrínseca, em que se faz algo por causa de
conseqüência ou desfecho distinto da ação. Este último tipo de motivação
assume diferentes formas, que se distinguem pelo grau de internalização e
integração de valores e regulação de condutas, refletindo diferentes graus de
autonomia. Uma motivação autônoma relaciona-se com mais qualidade no
aprendizado, maior persistência e melhor ajuste psicológico dos aprendizes, do
ensino fundamental ao ensino superior (Sobral, 2003).
A motivação intrínseca configura-se como uma tendência natural para
buscar novidades e desafios. O indivíduo realiza determinada atividade pela própria
causa, por considerá-la interessante, atraente ou geradora de satisfação. É uma
orientação motivacional que tem por característica a autonomia do aluno e a
auto-regulação de sua aprendizagem. Já a motivação extrínseca tem sido definida
com o interesse para trabalhar em resposta a algo externo à tarefa, como a
obtenção de recompensas externas, materiais ou sociais, em geral, com a
finalidade de atender solicitações ou pressões de outras pessoas, ou de
demonstrar competências (Neves & Boruchovitch, 2004). No âmbito escolar, a
motivação é o fator interno que impulsiona o aluno para estudar, iniciar os
trabalhos e perseverar neles até o fim.
No contexto escolar, há indicadores de que a motivação intrínseca facilita
a aprendizagem e o desempenho dos estudantes. O aluno intrinsecamente
motivado envolve-se em atividades que oferecem a oportunidade para o
aprimoramento de seus conhecimentos e de suas habilidades. Por sua vez, o
indivíduo extrinsecamente motivado, realiza uma tarefa escolar para melhorar
suas notas ou para conseguir prêmios e elogios (Neves & Boruchovitch, 2004).
Estudos baseados na Teoria da Autodeterminação têm apresentado novas
considerações sobre a motivação extrínseca, demonstrando que o
comportamento extrinsecamente motivado também pode ser autodeterminado,
não sendo necessariamente sempre negativo para a aprendizagem. Em síntese,
pode-se dizer que a motivação para a aprendizagem vem sendo entendida pelos
teóricos contemporâneos como um constructo multidimensional caracterizado
por teorias pessoais acerca da própria inteligência, atribuições de causalidade,
orientações motivacionais intrínsecas e extrínsecas, metas de realização e
variáveis relativas ao self como o autoconceito e a auto-eficácia do aluno
(Guimarães, Bzuneck & Boruchovitch, 2003) .
A deficiência na aprendizagem da língua inglesa no Brasil é
consideravelmente preocupante. Obter informações nesta área para pode
subsidiar a qualidade do ensino. Devido a estes fatores, considerou-se relevante
verificar alguns aspectos da motivação na aprendizagem da língua inglesa entre
estudantes desta língua.
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Objetivos
Com base nos pressupostos expressos na introdução, foram
definidos os objetivos.
Geral
O objetivo geral foi analisar as condições motivacionais que podem
favorecer a aprendizagem do Inglês.
Específicos
1. verificar a motivação de estudantes de Inglês como segunda língua (L2);
2. comparar esta motivação entre estudantes do gênero masculino e feminino e
3. correlacionar a motivação com o desempenho dos alunos no curso de Inglês.
Método
Participantes
Foram sujeitos desta pesquisa 33 adolescentes que estudavam em escola
privada de idiomas, localizada em município de interior paulista, sendo 14 do
gênero masculino e 19 do gênero feminino com variação de idade entre 10 e 15
anos.
Os alunos foram extraídos dos seis níveis de ensino oferecidos: Starter A
(3 masculinos e 3 femininos, entre 10 e 13 anos); Starter B (4 femininos e um
masculino, entre 10 a 12 anos); Progress A (5 masculinos e três femininos,
entre 11 e 15 anos); Progress B (3 masculinos e 6 femininos, entre 12 e 15
anos; Early Intermediate A com 1 aluna e Early Intermediate B (2 meninos e 2
meninas, entre 13 e 14 anos). Os participantes eram de classe média baixa e
baixa segundo a profissão e educação recebida pelos pais.
Material
Para cumprir os objetivos foram utilizados dois Termos de Consentimento
Livre e Esclarecido; o primeiro foi destinado aos pais ou responsáveis pelos
alunos menores de 18 anos, contendo os objetivos da pesquisa, endereço e RG
das pesquisadoras e de outras informações sobre a coleta, o segundo Termo de
Consentimento foi elaborado no mesmo formato do primeiro, simplificado e
destinado ao próprio aluno.
Para coleta de dados, foram utilizados um teste de motivação juntamente
com um breve questionário de dados pessoais e um teste específico de Inglês
para cada nível, já previamente elaborado pela escola. O teste de motivação
aplicado é uma forma reduzida do teste de motivação elaborado por Gardner
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(1985). O teste consiste em oito afirmativas a respeito da importância do estudo
da L2, contendo 7 alternativas a serem assinaladas, sendo 1 = discordo
totalmente, 2 = discordo moderadamente, 3 = discordo ligeiramente, 4 = neutro,
5 = concordo ligeiramente, 6 = concordo moderadamente e 7 = concordo
totalmente. As avaliações são divididas em três partes: compreensão auditiva
(Listening), gramática e vocabulário (Grammar and Vocabulary) e redação
(Writing) que contém exercícios de múltipla escolha e questões dissertativas.
Procedimento
Após o aval do Comitê de Ética (Parecer nº 064/2005, CAAE
0040.0.237.000.05) os participantes foram contatados. Inicialmente foi pedida
autorização da Direção da Escola, em seguida dos pais e dos alunos. A aplicação
do instrumento foi coletiva. Antes de responder aos instrumentos da pesquisa
seus pais ou responsáveis assinaram o Termo de Consentimento, o mesmo
fazendo o adolescente. Foi garantido o sigilo das informações e a possibilidade
de abandonar a pesquisa sem qualquer prejuízo. O registro das notas das
avaliações de Inglês foi obtido junto à coordenadoria da Instituição. Após ter sido
completado o trabalho a escola foi informada sobre o nível motivacional das
classes e foram sugeridas estratégias para elevá-lo, sem identificar os alunos.
Resultados e discussão
A análise estatística dos dados foi feita por meio do teste do Qui-quadrado
e Correlação de Spearman, sendo que para o primeiro foi utilizado o percentual
e para o segundo os dados brutos (Moore, 1995/2000), trabalhando-se sempre
no nível de p ≤ 0,05. A Tabela 1 demonstra as razões apontadas pelos estudantes
que os levaram a iniciar o estudo da Língua Inglesa.
Tabela 1 – Razão para estudar Inglês
Razão
Decisão dos pais
Por gostar
Para viajar
Para o futuro
Qualificação profissional
É importante
Aumentar conhecimento
Total
Masculino
F
%
1
7,1
4
28,6
3
21,4
1
7,1
1
7,1
2
14,3
2
14,3
14
99,9
Feminino
F
%
0
0
5
26,3
5
26,3
4
21,0
5
26,3
0
0
0
0
19
99,9
Total
F
1
9
8
5
6
2
2
33
%
3,0
27,3
24,2
15,2
18,2
6,1
6,1
100,1
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Dentre os 14 participantes do sexo masculino, 4 relataram que estudam
Inglês Por gostar, 3 estudam com a intenção de Viajar para países de Língua
Inglesa, 2 declararam que estudam porque É importante e também 2 Para
aumentar o conhecimento, os itens Decisão dos pais, Para o futuro e Para
qualificação Profissional obtiveram respectivamente 1 freqüência. Das dezenove
meninas, 5 optaram consecutivamente pelas categorias Por gostar, Para viajar
e Para qualificação profissional e 4 delas escolheram a opção Para o futuro.
Para análise estatística foi aplicado o teste do Qui-quadrado com o intuito
de verificar a homogeneidade dos dados. Para o grupo masculino, obteve-se
χ2o=28,61 (χ2c=12,59; gl=6 e p≤0,05), rejeitando, portanto, a Hipótese nula e
podendo-se afirmar que existe diferença estatisticamente significante entre as
variáveis, concentrando-se no item Gostar. No grupo feminino a hipótese nula
foi aceita, χ2o=0,83 (χ2c=7,82; gl=3 e p≤0,05), demonstrando não existir diferença
estatisticamente significante entre os dados analisados. Para o total geral,
χ2o=38,12 (χ2c=11,07; gl=5 e p≤0,05), constatando, novamente, heterogeneidade
entre as razões mencionadas pelos alunos para estudar Inglês, sendo dominante
o Gostar e o Viajar e muito baixa a interferência dos Pais. O cálculo de Correlação
de postos sobre as preferências masculinas e femininas resultou em rs=0,62.
Como N=7, n. p≤0,05 e rc=0,66, conclui-se que as razões que os dois gêneros
apresentam para estudar inglês não estão correlacionadas, o que equivale a
dizer que há necessidades do uso de estratégias distintas para motivar cada
gênero, especialmente quando frequentam a mesma classe. Isto requer maior
competência do professor em uso de procedimentos e tecnologias de ensino,
bem como na seleção de material didático. Por exemplo, verificando o gosto
preferencial por dado tipo de música, pode ser usada suas letras para manter a
motivação dos alunos (Winstein, 2006), ou combinando estratégias que ajudem
a fazer com que o ensino-aprendizagem seja mais eficiente e agradável como
proposto por Burkins & Croft (2010) e Spence (2010).
Com os dados da Tabela 1, já é possível verificar a motivação nos alunos
no momento da decisão de estudar Inglês, ou seja, as razões principais que os
levaram a ingressar no curso estão relacionadas com a categoria motivação
intrínseca, eles entraram no curso porque gostam da Língua Inglesa. Isto é um
facilitador do processo ensino-aprendizagem. Motivação extrínseca também
colaborou na iniciativa do curso, pois entendiam que o domínio da língua os
ajudaria para viajar e futuramente, para trabalhar. Contrariamente ao esperado,
eles não estudam Inglês por imposição dos pais. Estes dados permitem
considerar que buscaram a escola com boa base motivacional, cabendo à
instituição mantê-la e ampliá-la.
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Tabela 2 – Tempo de estudo de Inglês
Tempo
1 ano ou menos
1 ano e 1 mês a 2 anos
2 anos e 1 mês a 3 anos
Mais de 3 anos
Total
Masculino
F
%
3
21,4
7
50
1
7,1
3
21,4
14
99,9
Feminino
F
%
5
26,3
10
52,6
2
10,5
2
10,5
19
99,9
Total
F
8
17
3
5
33
%
24
52
9
15
100
Os dados apresentados na Tabela 2 demonstram o tempo de estudo de
inglês pelos participantes. A maior parte dos alunos estudavam entre 1 ano e um
mês e 2 anos, 7 meninos e 10 meninas. Os itens 1 ano ou menos e Mais de 3
anos foram referidos por 3 estudantes masculinos, seguido de 1 estudante para
2 anos e 1 mês à respectivamente 3 anos. As meninas obtiveram a seguinte
distribuição: 10 alunas com 1 ano e um mês à 2 anos, 5 estudantes com 1 ano
ou menos e 2 meninas com 2 anos e um mês à 3 anos e Mais de 3 anos. No
total geral, a prevalência foi de 52% para tempo de estudo 1ano e 1 mês à 2
anos, seguido de 1 ano ou menos (24%), mais de 3 anos (15%) e 2 anos e 1
mês à 3 anos com 9%. Face a distribuição do grupo abranger os vários níveis do
curso este resultado era esperado.
Pelo Qui-quadrado verificou-se que existe diferença significante entre as
variáveis nos dois grupos, sendo, respectivamente, χ2o=38,77 e χ2o=47,36
(χ2c=7,82; gl=3 e p≤0,05). Para o total geral, obteve-se a mesma constatação
χ2o=42,12 (χ2c=7,82; gl=3 e p≤0,05). Em todos os casos predominam os poucos
anos de estudo. Verificou-se ser significante a correlação entre as categorias de
tempo de estudo relativas a meninos e meninas, já que rs=0,85 e rc=0,81 (N=4,
n. p≤0,05). Pode-se dizer que possivelmente os dois gêneros no grupo, estão
tendo iguais possibilidades de entrar na escola e manter-se estudando o inglês.
O contexto sócio-cultural de onde vieram os estudantes e o próprio ambiente
acadêmico parece estar oferecendo iguais oportunidades para os dois grupos.
Ao mesmo tempo os dados sugerem dificuldade para se manter estudando.
Aqui podem estar influindo variáveis de contexto sócio-econômico dos
participantes que dificultam, que prolonguem ou completem seus estudos por
questões financeiras ou por terem que se engajar no mundo do trabalho, por
vezes, precocemente. Acabam por abandonar sua motivação para aprender L2,
conformando-se com o aprendido e alimentando a esperança de voltar algum
dia ou de continuar a estudar por si mesmo, sem ir à escola.
Por meio da Tabela 3, pode-se observar por quem foi feita a indicação da
escola de Idiomas que freqüentam.
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Tabela 3 – Indicação da Escola
Indicação
Pais
Parentes
Colegas
Professores
Propaganda
Total
Masculino
F
%
6
42,85
2
14,28
4
28,57
1
7,14
1
7,14
14
99,98
Feminino
F
%
4
21,05
5
26,31
6
31,57
4
21,05
0
0
19
99,98
Total
F
10
7
10
5
1
33
%
30,3
21,2
30,3
15,2
3,0
100
Houve a prevalência da indicação dos Pais na categoria masculina com 6
escores, em seguida os Colegas com 4, os Parentes com 2 e Professores e
Propaganda com 1 cada. Já para o grupo feminino, a indicação de Colegas foi a
mais apontada como escolha de 6 alunas, os Parentes em segundo lugar com
5 e um empate entre Pais e Professores com 4 estudantes cada. Para o total
geral, houve um empate entre as categorias Pais e Colegas com 30,3 seguida
da indicação de Parentes com escore 7, Professores 5 e Propaganda 1.
O teste do Qui-quadrado revelou que não existe diferença estatisticamente
significante entre as indicações feitas para o grupo feminino χ2o = 3,04 (χ2c =
7,82; gl= 3 e p≤0,05) e existe para os meninos com χ2o = 47,95 (χ2c = 9,49; gl= 4
e p≤0,05), e para o total geral, χ2o = 26,27 (χ2c = 7,82; gl= 3 e p≤0,05). Vale dizer
que as meninas estão igualmente expostas a influências dos pais, parentes,
colegas e professores na escolha da escola. Já no gênero masculino a influência
dos pais é dominante. No total, pais e colegas devem ser as principais figuras
na decisão da escola para difundir a importância do aprender inglês.
Vale destacar a ausência de impacto da propaganda, ou ela não está sendo
feita ou não está alcançando o consumidor potencial. Isto requer a atenção dos
administradores já que entre seus múltiplos papéis está a melhor inserção possível
da escola na sociedade e com especial atenção à família do aluno, notadamente
os pais (Cummins, 2006).
Em síntese, pais e colegas influenciaram no grupo a escolha da escola a
ser cursada. Os professores, que se espera orientem os alunos, só são citados
depois dos parentes. Este quadro merece uma revisão institucional e pesquisas
de avaliação mais específicas, talvez uma orientação psicológica aos
professores e adolescentes para melhorar este quadro. Desta forma seria
possível assegurar melhor aprendizagem e manutenção dos alunos em
programas de Língua Inglesa. De qualquer forma é preciso rever as estratégias
usadas para atrair e manter os alunos na instituição.
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Os sujeitos foram também arguidos sobre sua vivência de ter viajado para
países em que é utilizado o idioma Inglês. Verificou-se que nenhum deles teve
esta experiência, o que de certa forma era esperado face à caracterização do
grupo estudado, posto que era predominantemente de nível sócio-econômico
médio baixo ou baixo, embora freqüentando escola privada. Vale destacar o
esforço que representa a perspectiva educacional realista dos pais dos
estudantes, objeto de estudo, para encaminhá-los e mantê-los estudando inglês.
A Tabela 4 foi constituída pelos oito itens existentes no teste de motivação
para aprendizagem da Língua Inglesa, as sete alternativas (1=discordo
totalmente, 2=discordo moderadamente, 3=discordo ligeiramente, 4=neutro,
5=concordo ligeiramente, 6= concordo moderadamente, 7=concordo totalmente)
que foram assinaladas em cada afirmação, a soma dos pontos e a média
ponderada de cada item.
Tabela 4 – Motivação para aprendizagem da Língua Inglesa
Estudar Inglês é importante para...
1. Interação c/ falantes de Inglês
2. Futura carreira
3. Interação com maior nº de pessoas
4. Tornar-me mais culto
5. Apreciar arte e literatura Inglesa
6. Conquistar um bom emprego
7. Participar de ativ. de outras culturas
8. Obter mais respeito dos outros
Masculino
Pts. Média
88
6,3
88
6,3
90
6,4
87
6,2
81
5,8
90
6,4
76
5,4
70
5,0
Feminino
Pts. Média
112
5,9
129
6,8
108
5,7
113
5,9
107
5,6
131
6,8
111
5,8
67
3,5
Total
Pts. Média
200 6,42
217 6,28
198 6,28
200 6,21
188 5,78
221 6,42
187 5,42
137
5,0
Os participantes do sexo masculino acreditam que estudar Inglês é
importante para (1) Interação com maior número de pessoas e para (6)
Conquistar um bom emprego. Os itens mencionados apresentam a média
ponderada mais elevada diante das outras alternativas, 6,42. Em seguida, é
destacada a importância da língua para (3) Interação com falantes de Inglês e
(2)Futura carreira, média 6,28. Com 6,21 a opção (4) Tornar-me mais culto, (5)
Apreciar a arte e literatura Inglesa 5,78, Participar de atividades de outras culturas
5,42 e o item de menor importância Obter mais respeito dos outros com média
5,00. O Grupo Feminino destacou como item de maior relevância Conquistar
um bom emprego obtendo a média de 6,89, Futura carreira demonstrou ser
também de grande importância com 6,78 e nas seguintes categorias foi
observado, na ordem decrescente: Me tornar mais culto 5,94, Interação com
falantes do Inglês 5,89, Participar de atividades de outras culturas 5,84, Interação
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com maior número de pessoas 5,68, Apreciar arte e literatura 5,63 e Obter mais
respeito dos outros 3,52. Parecem estar aprendendo inglês para ação, o que é
um bom indicativo de motivação e de desenvolvimento (Barden, 2010).
Para verificar a homogeneidade do grau de importância atribuída pelos
estudantes nas alternativas expostas, aplicou-se o teste do Qui-quadrado na
soma dos pontos. Na categoria total, χ2o = 24,17 (χ2c =14,07; gl= 7 e p≤0,05),
demonstrou existir diferença estatisticamente significante entre as respostas
dos alunos no que concerne às afirmações do teste, prevalecendo a importância
do Inglês para conquistar um bom emprego, seguido da opção futura carreira.
Isto é indício das forças das motivações instrumental e extrínseca, o que é
compreensível face a origem dos alunos e suas necessidades de alcançar
melhores condições de vida e de trabalho.
Ao correlacionar os grupos masculino e feminino, verificou-se que os dados
não estão hierarquizados, sendo igualmente, ro= 0,55 (rs= 0,63; N= 8 e p≤0,05),
não existe correlação. Normalmente, variáveis distintas devem estar influindo
nos dois gêneros com impacto diversificado. Isto implica em que os docentes
precisam recorrer a estratégias motivacionais e educacionais diferentes para
os dois gêneros. Os resultados recomendam cuidados especiais na escolha de
textos para os estudantes, com temas variados e que viabilizem escolhas
diversificadas por gênero e atendendo a interesses pessoais (Vaserdevan, 2006;
Garber-Miller, 2006).
Apesar da pouca idade, devido ao grande acesso a informação nos dias
de hoje, os alunos já têm consciência da importância da língua e já estão
pensando no futuro, isto é, demonstrada pois a alternativa com maior pontuação
no total foi a relevância do Inglês para conquistar um bom emprego e para futura
carreira. Apesar do baixo nível de escolaridade dos pais, com o mundo
globalizado, os jovens estão em contato com a Língua Inglesa e logo percebem
sua importância. Isso mostra que eles têm um propósito para estudar Inglês, ou
seja, um motivo, ligado ao seu próprio desenvolvimento profissional e pessoal
(busca de cultura, competência social e empregabilidade).
Foi demonstrado por meio de suas respostas uma motivação madura e
adulta, uma preocupação técnica, ou seja, motivação com finalidades úteis,
profissionais. São jovens de classes sociais que provavelmente possuem pais
conscientes e que investem na educação dos filhos e conscientizando-os dos
benefícios que a Língua Inglesa pode trazer para o futuro.
A Figura 1 representa a pontuação obtida pelos alunos no teste de motivação
para aprendizagem da Língua Inglesa. Ela foi elaborada com os dados indicando
o percentual de sujeitos nos quartis em decorrência de seu nível de desempenho.
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Figura 1 – Motivação na aprendizagem da Língua Inglesa
Fazem parte do 1º quartil os valores de 0 à 42, o 2º quartil corresponde aos
dados de 43 à 47,21 pontos, se enquadraram no 3º quartil alunos com pontuação
de 47,22 à 52 e acima deste o 4º quartil. A maior parte do grupo masculino se
classificou no 4ª quartil, ou seja, 35,71% deles. O restante ficou distribuído
uniformemente nos três primeiros quartis, 21,42% cada. O teste do Qui-quadrado
demonstra não existir diferença estatisticamente relevante nesta distribuição,
χ2o = 6,12 (χ2c =7,82; gl= 3 e p≤0,05). Possibilitando a afirmação de que existem
sujeitos que se enquadram nos quatro níveis de motivação sendo de se destacar
a necessidade de trabalhar o interesse dos alunos do 1º e 2º quartis.
O gênero feminino distribui-se desuniformemente. Com o χ2o = 29,64 (χ2c
=7,82; gl= 3 e p≤0,05), percebe-se uma grande variação entre os dados, tendo
predominância a porcentagem do 3º quartil, 42,1% e uma mínima classificação
no 4º quartil, 5,26%. Quando unidos os dois grupos, a diferença estatisticamente
significante desaparece, χ2o = 5,41 (χ2c =7,82; gl= 3 e p≤0,05), demonstrando
distribuição homogênea.
Ao comparar o grupo masculino e feminino por meio da Correlação de
Spearman, observou-se que os dados não estão associados, ro=-0,77 (rc=0,81;
N=4 e p≤0,05). A motivação não ocorre similarmente.
Portanto, embora entre os com baixa motivação não se verifique diferenças
de gênero, as meninas predominam nos grupos intermediários. Entretanto, entre
os mais motivados os meninos sobressaem. A atenção motivacional, do
professor é igualmente requerida em relação aos poucos motivados, a seguir é
recomendável voltar-se mais para os meninos, sem esquecer de estimular as
meninas para alcançar maior representatividade no 4º quartil.
De um modo geral, há maturidade motivacional entre eles. Os meninos se
mostraram mais motivados. É preciso trabalhar a motivação daqueles que se
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enquadraram no primeiro e segundo quartil, cabendo a escola, principalmente
aos professores e gestores, recorrer a estratégias motivacionais de vários tipos
e níveis tendo por base as características dos alunos. Contar com ao menos
uma assessoria de psicólogo escolar poderia ser de grande valia (Young &
Hadaway, 2006, Cummins, 2006, Boruchovitch e outros, 2010). Também é
recomendável uma atualização dos docentes quanto às novas práticas
educacionais que as pesquisas mostram ser válidas e eficientes (Karchmer,
Mallette, Kara-Soteriou & Leu, 2005) e para motivarem os alunos (Edmunds &
Bauserman, 2006). O mesmo se pode dizer da indicação de textos para leitura
complementar ou mesmo regular, em papel ou na Internet (Gainer, 2010, Lewis
& Petrone, 2010).
Gritti (2001) afirma que parece existir um crescente desinteresse dos alunos
pela aprendizagem da língua inglesa, principalmente nas escolas públicas, o
que não se confirma nos dados acima expostos no que se refere a motivação
dos alunos de uma escola particular.
Embora tenha caído o interesse dos pesquisadores no exterior quanto à
influência do gênero na aprendizagem do inglês (Cassidy, Valadez & Garret,
2010), face a outros problemas, os dados aqui encontrados indicam a
necessidade de dar continuidade ao estudo desta variável entre alunos que estão
estudando a língua como L2 no contexto brasileiro.
Na Tabela 5, pode-se observar a correlação entre pontos obtidos no teste
de motivação para aprendizagem da Língua Inglesa e as notas da avaliação do
curso de Inglês.
Tabela 5 – Correlação entre pontos e notas por gênero e total dos
participantes
Turma
Masculino
Feminino
Total
N
14
19
33
rc
0,50
0,43
0,32
ro
0,15
-0,41
-0,13
Decisão
Não existe correlação
Não existe correlação
Não existe correlação
O cálculo de correlação entre pontos de motivação e notas para o gênero
masculino resultou em rs=0,15, sendo N=14, p≤0,05 e rc=0,50, conclui-se pela
ausência de correlação significante. No gênero feminino foi obtido o valor –0,41
para N=19, mesma margem de erro, e r c =0,43 também não alcançou
significância. No total (N=33, rc=0,32), o mesmo ocorreu já que rs=-0,13. Isto
sugere que há necessidade de aprofundar o estudo, analisando-se como
motivação está sendo cuidada no processo ensino-aprendizagem e as relações
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com o processo de avaliação (Burkins & Croft, 2010). Novamente, isto pede
uma orientação psicoeducacional competente. Em outras palavras, é preciso
verificar porque não houve correlação. Eles se mostraram motivados, porém
não tiveram bom rendimento.
Um fator que pode ter causado viés nos resultados foi a elaboração da
avaliação de Inglês ter sido efetuada pela própria instituição de ensino. Faz-se
necessário um estudo da análise do conteúdo da prova e dos conteúdos efetivados
na sala de aula. Há também a possibilidade dos conteúdos de aula e prova não
serem adequados a maturidade motivacional e instrucional dos alunos. Vale dar
ênfase à necessidade de rever as estratégias de ensino.
O trabalho de um psicólogo escolar pode auxiliar na orientação de como
melhorar o método de ensino e/ou de avaliação para aproveitar melhor a
motivação existente nos alunos. Poderá também orientar melhor os alunos quanto
aos vários passos na vida profissional para os quais poderão se beneficiar tendo
competência em Inglês (Moura, 2004) e os professores quanto a estratégias
motivacionais e materiais diversos.
Também é necessário capacitar os docentes em tecnologias que garantam
melhor aprendizagem do inglês e que aumentem a probabilidade de êxito para
todos os alunos, de todas as classes, como se pode visualizar no livro organizado
por Young & Hadaway (2006).
Conclusões e sugestões
A pesquisa como um todo reflete a importância da família no que concerne
a aprendizagem dos adolescentes. Encontrou-se pais humildes que investem
na educação dos filhos. Foi encontrado nos resultados, alunos de classe médiabaixa e baixa possuindo motivação madura com finalidades profissionais,
confirmando a orientação e preocupação dos pais quanto ao futuro de seus
filhos. Tal motivação precisa ser aproveitada pela escola tanto nas aulas como
nas avaliações e mesmo na propaganda para atrair alunos.
Há necessidade de recorrer a estratégias motivacionais e educacionais
que atendam melhor as características diferentes de cada gênero, o que pede
avaliações psicoeducacionais específicas, domínio amplo de estratégias,
tecnologias e materiais de ensino diferenciados por parte do professor da língua.
Há necessidade também de um estudo aprofundando a análise da
importância da família na aprendizagem do inglês como L2 e que compare níveis
sócio-econômicos distintos. Sugere-se que seja feita a réplica da pesquisa sendo
a avaliação do conhecimento de Inglês elaborada pelo pesquisador.
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Recebido em 04/04/2011 / Aceito em: 15/05/2011.
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