Universidade Federal da Paraíba
Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes
Departamento de Letras Estrangeiras Modernas
Licenciatura Plena em Letras – Inglês
KEICYANE KARLA PEREIRA DE MELO
DESAFIOS PARA O ENSINO DA LÍNGUA INGLESA NOS CURSOS
TÉCNICOS DO SENAI/JP: UM ESTUDO DE CASO
João Pessoa – PB
2014
KEICYANE KARLA PEREIRA MELO
DESAFIOS PARA O ENSINO DA LÍNGUA INGLESA NOS CURSOS
TÉCNICOS DO SENAI/JP: UM ESTUDO DE CASO
Trabalho apresentado no Curso de Graduação
de Licenciatura em Letras – Inglês, do Centro
de Ciências Humanas, Letras e Artes, da
Universidade Federal da Paraíba (UFPB),
como requisito final para a obtenção do grau
de Licenciado Pleno em Letras-Inglês.
Orientadora: Profª.Drª. Angélica Araújo de
Melo Maia
João Pessoa – PB
2014
M528d
Melo, Keicyane Karla Pereira.
Desafios para o ensino da língua inglesa nos cursos técnicos do
SENAI-JP: um estudo de caso / Keicyane Karla Pereira Melo.-- João
Pessoa, 2014.
43f.
Orientadora: Angélica Araújo de Melo Maia
Trabalho de Conclusão de Curso - TCC (Graduação) –
UFPB/CCHL
1. Língua inglesa - estudo e ensino. 2. Inglês técnico. 3.Curso
Técnico - SENAI-JP.
UFPB/BC
CDU: 802.0(043.2)
“We have different gifts, according to the grace given us. […] If your gift is
serving, then serve; if it is teaching, then teach; if it is encouraging, then
encourage; if it is contributing tothe needs of others, then give generously; if it
is leadership, govern diligently; if it is showing mercy, do it
cheerfully.”(Romans 12: 6-8)
AGRADECIMENTOS
Dedico...
A Deus, meu Senhor e Pai, que me fez existir, chegar até aqui e que continua me encorajando
e fortalecendo para prosseguir.
Aos meus pais e meu irmão, que se constituem como minha base para a vida e que estiveram
comigo nos momentos mais difíceis.
À professora Angélica Maia que, com tanta presteza e paciência, me orientou para que o
trabalho obtivesse êxito.
À Sra. Sônia Queiroz, Sr. Gláucio Chaves, Edson Alves, Rossana Porto e Josicleide Nunes do
SENAI (CEPORC) pelas orientações e por disponibilizar a Instituição para ser o meu campo
de pesquisa.
Aos que foram meus alunos no SENAI, principalmente, aos que cooperaram diretamente para
minha pesquisa.
Às professoras Andréa Burity e Maura Dourado que gentilmente se prontificaram para a
formação da minha banca de avaliação.
Aos familiares, amigos e intercessores que sempre torceram, oraram e me apoiaram em
minhas escolhas acadêmicas, profissionais e pessoais.
A todos aqueles que, de uma forma ou de outra, contribuíram para a realização dessa
pesquisa.
RESUMO
Este trabalho tem por objetivo investigar o processo de ensino-aprendizagem de língua
inglesa em cursos técnicos do SENAI/João Pessoa, considerando aspectos relacionados ao
material didático, metodologias de ensino, interação professor-aluno, interdisciplinaridade, a
relação entre a língua estrangeira e a formação técnica do aluno, bem como os desafios
enfrentados dentro dos cursos apresentados. Para isso, foi realizada uma pesquisa qualitativa
usando a técnica de observação participante e a aplicação de um questionário em duas turmas
do curso técnico em Eletromecânica do Centro de Educação Profissional Odilon Ribeiro
Coutinho (CEPORC) em João Pessoa. A análise dos dados permitiu constatar que a
abordagem do Inglês para fins específicos (ESP) usada como metodologia nas aulas permite
trabalhar os objetivos propostos nas ementas dos cursos de Inglês Técnico analisados. Além
disso, a análise das interações professor x aluno e aluno x aluno e da proposta interdisciplinar
pelos alunos entrevistados revelaram aspectos positivos. Porém, a escassez de material
didático, a péssima qualidade do material utilizado e a carga horária insuficiente são fatores
que apresentam uma repercussão negativa no processo de ensino-aprendizagem da disciplina
de Inglês Técnico. Apesar de se tratar de um estudo de caso específico, os achados da
pesquisa nos permitem pensar sobre possíveis caminhos e estratégias para melhorar o
processo de ensino de Língua Inglesa em cursos técnicos.
Palavras-chave: Curso técnico. Inglês Técnico. Material didático. Senai/JP.
ABSTRACT
This work aims at investigating the English language teaching and learning process in
technical courses at SENAI/ João Pessoa, considering aspects related to teaching materials,
teaching methods, teacher-student and student-student interaction, interdisciplinarity, the
relationship between the foreign language and students’ technical education process, as well
as the challenges faced within the courses presented. In order to achieve that aim, we did
some qualitative research, using participatory observation techniques and a questionnaire,
which was answered by two groups of the Eletromechanical Technician Course at the
Professional Education Center Odilon Ribeiro Coutinho (CEPORC) in João Pessoa. Data
analysis has shown that the approach English for specific purposes (ESP) used as a
methodological reference in the classes facilitated the accomplishment of the objectives
proposed for the Technical English courses in question. In addition, the analysis of the
interactions between the teacher and students and among students, and of the interdisciplinary
proposal of the course by the students interviewed revealed positive aspects. However, the
scarcity and poor quality of teaching materials and the limited number of classes are factors
that present a negative repercussion on the teaching-learning process of the Technical English
course. Although it is a specific case study, the findings of the research allow us to think
about possible paths and strategies for improving the process of English teaching in technical
courses.
Keywords: Technical courses. Technical English. Teaching materials. Senai/JP.
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Dados informativos referentes ao sexo e idade dos alunos da Turma 1.................23
Tabela 2 - Dados informativos referentes ao sexo e idade dos alunos da Turma 2.................24
Tabela 3 - Opinião dos alunos da T1 e T2 sobre a importância da disciplina de Inglês
Aplicado....................................................................................................................................27
Tabela 4 - Opinião dos alunos da T1 e T2 sobre a contribuição da LI para a formação
técnica.......................................................................................................................................28
Tabela 5 - Opinião dos alunos das Turmas 1 e 2 quanto ao material didático........................29
Tabela 6 - Respostas dos alunos das Turmas 1 e 2 quanto á interação em sala de aula..........32
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 -Justificativa dos alunos das turmas T1 e T2 quanto ao porquê de se fazer um curso
técnico.......................................................................................................................................24
Gráfico 2 -Justificativa dos alunos que afirmam gostar de estudar a língua estrangeira.........25
Gráfico 3 - Justificativa dos alunos que afirmam não gostar de estudar a língua
estrangeira.................................................................................................................................26
Gráfico 4 -Alunos que responderam ‘sim’ das turmas 1 e 2 quanto à
interdisciplinaridade..................................................................................................................33
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ......................................................................................................................10
1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA......................................................................................12
1.1 BREVE HISTÓRICO DO ENSINO PROFISSIONAL NO BRASIL ..............................12
1.2 O PAPEL SOCIAL DOS CURSOS TÉCNICOS...............................................................13
1.3 A FUNÇÃO DA LÍNGUA ESTRANGEIRA DENTRO DO CURSO TÉCNICO............15
1.4 ABORDAGENS DE ENSINO ..........................................................................................16
1.5 O MATERIAL DIDÁTICO ...............................................................................................18
1.6 INTERAÇÃO EM SALA DE AULA.................................................................................20
1.7 INTERDISCIPLINARIDADE............................................................................................21
2 METODOLOGIA ...............................................................................................................22
3 ANÁLISE DOS DADOS......................................................................................................23
3.1 CARACTERÍSTICAS DOS PARTICIPANTES................................................................23
3.1.1 ANÁLISE DOS ALUNOS PARTICIPANTES QUANTO Á FAIXA ETÁRIA......................................23
3.1.2 MOTIVO DE FAZER UM CURSO TÉCNICO ............................................................................24
3.1.3 MOTIVAÇÃO PARA O ESTUDO DA LÍNGUA ESTRANGEIRA (INGLÊS) ..................................25
3.2 ANÁLISE DE ASPECTOS ESPECÍFICOS.......................................................................27
3.2.1 A FUNÇÃO DA LI DENTRO DOS CURSOS TÉCNICOS...............................................................27
3.2.2 OS MATERIAIS DIDÁTICOS..................................................................................................29
3.2.3 ABORDAGENS DE ENSINO...................................................................................................30
3.2.4 INTERAÇÃO EM SALA DE AULA.......................................................................................... 31
3.2.5 INTERDISCIPLINARIDADE...................................................................................................32
CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................................34
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................37
APÊNDICES...........................................................................................................................39
ANEXOS
10
INTRODUÇÃO
O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), integrante do Sistema
Indústria, foi criado em 1942 com o objetivo de formar profissionais qualificados para os
segmentos industriais da esfera nacional. Na Paraíba, este serviço iniciou as atividades em
1953, mas só em 1979 ocorreu a inauguração oficial do Centro de Educação Profissional
Odilon Ribeiro Coutinho (CEPORC) na capital João Pessoa.
Dentre as modalidades ofertadas neste Centro, a habilitação técnica envolve as áreas
de Eletromecânica, Petróleo e Gás, Eletroeletrônica, Mecânico de Manutenção em Máquinas
Industriais, Administração, Panificação e Vestuário. Porém, apenas os cursos de
Eletromecânica e Petróleo e Gás incluem em sua grade curricular a disciplina Inglês Técnico.
Essa disciplina é um componente do 1º módulo do curso e tem como conteúdo programático
básico: Terminologia; Definição e Características de Textos; Técnicas de Intelecção de Texto;
Pré-leitura; Leitura e Tradução de Frases em Textos e Manuais Técnicos.
Com uma carga horária de 20 horas e com a intenção de responder a uma exigência do
mercado de trabalho quanto à formação de mão de obra mais especializada, o curso de Inglês
Técnico tem como público-alvo os profissionais que se disponham a serem capacitados com
foco no desenvolvimento de habilidades e competências voltadas à operação e à manutenção
de equipamentos de automação, compatíveis com os processos modernos de produção.
Porém, conforme o perfil dos alunos aponta, eles não dispõem de tempo necessário para se
dedicar integralmente aos estudos pelo fato de trabalharem diariamente, e isso se faz
necessário devido às exigências da própria atividade desenvolvida pela indústria.
Com relação a aspectos específicos do curso de Inglês Técnico, os alunos questionam
a falta de material didático apropriado e a baixa carga horária disponível para o estudo,
argumentando que o tempo é insuficiente para contemplar a ementa proposta. Por outro lado,
eles também acreditam que essa disciplina é indispensável para o aperfeiçoamento dos seus
conhecimentos dentro do mercado atual, só que o não aproveitamento necessário representaria
uma ineficácia da disciplina.1
Diante deste universo e considerando minha experiência prática de dois anos como
professora de Inglês técnico no SENAI/PB, este trabalho tem como objetivo geral investigar o
processo de ensino-aprendizagem de língua inglesa nos cursos técnicos de Eletromecânica.
De forma específica, os objetivos da pesquisa estão voltados para a análise do material
1
Fatos percebidos durante o processo de observação participante da docente.
11
didático,
explorar
as
abordagens
adotadas,
investigar
as
ações
interacionais
e
interdisciplinares e relacionar a língua estrangeira, a formação técnica e a formação integral
dos alunos, bem como os desafios a serem enfrentados dentro dos cursos apresentados,
finalizando com uma reflexão sobre que contribuições o Inglês Técnico tem trazido para a
formação dos alunos do curso e o que pode ser feito para se ter uma melhor qualidade no
ensino/aprendizagem da língua-alvo.
Entendemos que um trabalho dessa natureza é importante porque nos dará uma visão
panorâmica da realidade do ensino de inglês em cursos técnicos, com referência a um
contexto específico, e poderá servir de base para futuras modificações nos cursos, seja na
elaboração de novas ementas ou no desenvolvimento de material didático e mudanças na
metodologia adotada no processo pedagógico.
Para realizar a pesquisa, utilizaremos uma metodologia de base qualitativa, através da
técnica de observação participante, como também lançaremos mão de um questionário que
nos fornecerá informações sobre a visão dos alunos e alguns dados quantitativos sobre os
mesmos.
12
1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
1.1 BREVE HISTÓRICO DO ENSINO PROFISSIONAL NO BRASIL
Os primeiros registros de educação profissional no Brasil referem-se à época colonial,
onde os primeiros aprendizes de ofícios foram os índios e escravos. Mas apenas em 1808,
com a chegada da família real portuguesa, foi criado o Colégio das fábricas no Rio de Janeiro,
considerado o primeiro estabelecimento oficial relacionado à formação de aprendizes e
artífices. Contudo, o trabalho educativo desenvolvido nessa instituição não vingou devido à
concorrência do mercado internacional e aos interesses do comércio português (CUNHA
2005, p. 76).
Entretanto, cem anos depois e com a demanda advinda do crescimento do parque
industrial
do
período
republicano,
tornou-se
necessária
a
criação
de
escolas
profissionalizantes para capacitar operários. Por isso, em 1906, o então governador do Rio de
Janeiro Nilo Peçanha iniciou no Brasil o ensino técnico, por meio do Decreto nº 787 de 11 de
novembro de 1906, que criou quatro escolas profissionais voltadas para o ensino de oficiais e
aprendizagem agrícola (BRASIL, 2009, p. 2).
Com sua passagem pela presidência da república pós-falecimento de Afonso Pena
(1909), Peçanha instalou novas redes profissionalizantes destinadas ao ensino industrial. Esse
período foi marcado pela consolidação do ensino técnico-industrial no Brasil e pela
realização, dentre outras ações, do Congresso de Instrução, que apresentou ao Congresso
Nacional um projeto de promoção do ensino prático industrial, agrícola e comercial, em que
os alunos seriam habilitados como aprendizes nos campos e oficinas escolares.
Já no governo de Epitácio Pessoa, em meados dos anos 1920, começaram a serem
identificados os problemas nas escolas profissionalizantes “relativos às más instalações, à
falta de um planejamento pedagógico, de pessoal técnico para ministrar aulas nas oficinas
além de diferenças estruturais de conteúdos, objetivos, duração dos cursos e grande evasão de
alunos” (MULLER, 2010, p. 196).
Num período de expansão do ensino industrial, após a criação do Ministério da
Educação e Saúde (1930) a Constituição de 1937 é a primeira a tratar do ensino técnico,
profissional e industrial, impulsionada pela criação de novas escolas e introdução de
especializações nas escolas existentes.
Durante a Reforma Capanema, através de uma série de leis propostas pelo Ministro
Gustavo Capanema, reafirmando a necessidade de atender à demanda da industrialização
13
desencadeada na década de 30, o ensino profissional passou a ser de nível médio e dividido
em dois ciclos. O primeiro ciclo compreendia os cursos básico industrial, artesanal e de
aprendizagem; e o segundo correspondia ao curso técnico com estágio supervisionado na
indústria. Essas leis para regular o ensino profissional contribuíram para “oficializar a
seletividade” através dos exames de admissão, “acentuando ainda mais a elitização do ensino”
(MULLER, 2010, p. 198).
Nesse contexto, foi criado o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) em
1942, que passou a oferecer a formação profissional em nível equivalente ao secundário. O
SENAI foi criado como um órgão privado encarregado de criar e ministrar cursos para
aprendizes e operários, dirigido pelos empresários e mantido com recursos vindos das
indústrias.
A partir de 1959, as Escolas Industriais e Técnicas foram gradativamente transformadas
em Escolas Técnicas Federais, e mais tarde – em 1994 – Centro Federal de Educação
Tecnológica (CEFET). Hoje esses Centros se tornaram Institutos Federais devido ás
incorporações de novas atribuições. Enquanto o SENAI é subordinado tanto ao MEC (pelo
Regimento Único) quanto ao Ministério do Trabalho, as Escolas Industriais e Técnicas eram
mantidas pelo Governo e subordinadas ao Ministério da Educação e Cultura (MEC).
Com a Lei de Diretrizes e Bases de número 9.394 de 1996, a Educação Profissional
passou a ser analisada separadamente da Educação Básica, introduzindo conceitos de
flexibilidade, competências e habilidades. A partir da Lei 11.741 de 2008, a educação
profissional e tecnológica passou a abranger cursos de formação inicial e continuada ou
qualificação profissional; de educação profissional técnica de nível médio; e de educação
profissional tecnológica de graduação e pós-graduação.
1.2 O PAPEL SOCIAL DOS CURSOS TÉCNICOS
O mercado de trabalho nos dias atuais tem exigido cada vez mais profissionais
qualificados em cada área de atuação. Surge então uma corrida em busca do desenvolvimento
de competências, processo este facilitado pela globalização e pelos sistemas de ensino,
comunicação e negociação interligados entre diversos países. Desta forma, quanto mais
conhecimento se adquire, maior a sua classificação e destaque profissional. Com isso, fazer
um curso especializado e saber mais de uma língua se tornou fator essencial na sociedade
atual (OLIVEIRA, 2011, p. 144).
14
No Brasil, os cursos técnicos tiveram crescimento após o decreto da Lei de Diretrizes
e Bases2 de 1996 (BRASIL, 1996), com o objetivo de preparar o aluno para o mercado de
trabalho, habilitando-o para áreas específicas de acordo com as necessidades econômicas
locais.
Sabbi (2005) e Saviani (2008) observam que a escola técnica foi implementada para o
setor produtivo, já que os cursos são ofertados mediante a necessidade de suprir a carência
social do mercado de trabalho. Além disso, o público-alvo passa a ser “excludente e
equalizado”, já que a urgência em adquirir uma profissão pertence à classe média baixa,
enquanto a classe alta se capacita para escolher a profissão que melhor aprouver, dentro do
ensino superior.
De certa forma, os jovens têm sido induzidos a direcionar seu foco profissional
mediante o interesse do Estado em atender às suas próprias necessidades, levando, assim, os
indivíduos à proposta de competitividade, individualidade e formação orientada
prioritariamente por necessidades do mercado.
Por sua vez, o professor assume o papel de mediador no processo de ensinoaprendizagem, lançando mão de conhecimentos que já possui para trabalhar o conteúdo
solicitado. Percebe-se, no entanto, que no caso da língua estrangeira, por exemplo, não se
encontram profissionais capacitados e seguros na preparação de suas aulas, levando em
consideração a sua formação acadêmica frente às especificidades técnicas exigidas (diferente
da realidade da escola regular, onde basicamente se requer o domínio dos saberes
supostamente trabalhados na universidade).
Neste sentido, o docente passa a realizar um trabalho limitado e faz uso de temáticas
gerais, uma vez que essas temáticas faz com que se sintam mais seguros para lecionar a língua
estrangeira. Diante dessa restrição, o professor precisa se tornar polivalente em suas
competências, ou seja, tornar-se pesquisador, investigador, a ponto de buscar aprimorar seus
conhecimentos, com o intuito de atender à nova demanda exigida, através da expansão de
saberes em temáticas profissionalizantes específicas.
Para além do contexto de ensino de língua estrangeira, no entanto, a deficiência dos
cursos técnicos se dá, entre outras coisas, pela despreparação e falta de domínio das diversas
disciplinas pelos professores, que resultam na ineficácia da formação tecnológica e
profissional do aluno. Isso acaba por interferir no desenvolvimento da competência dos alunos
para se inserir no mercado, o que é esperado pela sociedade e pelo Estado. O aluno, assim,
2
Lei de Diretrizes e Bases doravante citada como LDB.
15
fica privado de um processo eficaz de profissionalização, como também tem deficiências
quanto a sua formação integral.
1.3 A FUNÇÃO DA LÍNGUA ESTRANGEIRA DENTRO DO CURSO TÉCNICO
Para atender a exigência social do mercado, torna-se necessário para os alunos do
curso técnico o estudo da Língua Estrangeira (LE), mas especificamente a Língua Inglesa
(LI). Esta tem se destacado como a Língua Internacional, devido a sua disseminação com a
globalização, sob o poderio das grandes potências: Inglaterra, com a Revolução Industrial, e
Estados Unidos, a partir da 2ª Guerra Mundial (SCHÜTZ, 2010).
Hoje, para se obter sucesso acadêmica e profissionalmente, a LI se torna uma das mais
importantes ferramentas e, como afirma Crystal (apud SCHÜTZ, 2010), “a medida em que o
inglês se torna o principal meio de comunicação entre as nações, é crucial garantirmos que
seja ensinado com precisão e eficientemente”(penúltimo parágrafo).
Colocando-se como uma proposta para facilitar o ensino de Língua Inglesa voltado
para interesses profissionalizantes, o ensino do Inglês para fins específicos (ESP – English for
Specific Purposes) caracteriza-se pelo ensino baseado nas necessidades reais e nas
especialidades da aprendizagem de LI. Conforme afirma Vilaça (2003), o que se busca com o
ESP é a preparação do aluno para que ele utilize este idioma como instrumento para a
realização de tarefas específicas que lhe são necessárias. O autor ainda salienta que o ESP no
Brasil é também chamado de Inglês Instrumental, já que o idioma é usado como um
instrumento necessário ou auxiliar para a obtenção de um fim, e tem sido empregado
predominantemente para disciplinas ou cursos de inglês para leitura. Já a denominação Inglês
Técnico, também usada em alguns contextos, enfatiza que o ensino de inglês está diretamente
voltado para a área de atuação profissional.
É nesse sentido que os cursos Técnicos de Petróleo e Gás e Eletromecânica do
SENAI/PB (Unidade CEPORC – João Pessoa) dispõem em suas ementas da disciplina de
Inglês Técnico, que tem como objetivo a leitura e interpretação de manuais técnicos,
reconhecendo suas estruturas léxico-gramaticais e o vocabulário específico predominante. De
fato, eles são os únicos cursos dessa instituição que ofertam a LI, com uma ementa que foca
basicamente na habilidade de leitura e interpretação de textos e vocabulário técnico.
Levando-se em consideração que grande parte dos alunos é oriunda de escolas
públicas, onde historicamente o ensino de LI não tem ocorrido de forma adequada, observa-se
16
que a garantia de ensinar a língua com precisão e eficientemente no curso técnico é
prejudicada pela gama de experiências mal sucedidas e crenças negativas trazidas pelos
alunos em relação à capacidade dos mesmos de aprender uma língua estrangeira. Isso porque
nas escolas regulares, o que geralmente esses alunos encontram são traduções e regras
gramaticais, a exemplo do verbo To be citado por alguns alunos como “o assunto que mais vi
no ensino médio e menos aprendi”.
Conforme afirma Leffa (2011) “a escola pública brasileira vive num estado
permanente de carnavalização”(p. 26) onde o “governo, aluno e professor formam o triângulo
do fracasso escolar” (p. 24). Nos discursos encontrados nas salas de aula é comum ouvir dos
próprios alunos que “inglês em escola pública não funciona”. É com essa crença3 que eles já
chegam às aulas de Inglês Técnico, expondo a profunda decepção e certeza de que não haverá
eficiência no aprendizado da língua, mesmo que seja apenas para leitura.
Contudo, diferentemente do inglês (não técnico) da escola regular, aprender o Inglês
Técnico significa aproveitar as próprias necessidades profissionais dos alunos, permitindo que
seu envolvimento seja primordialmente prático e aliado aos seus interesses.
Mas isso não implica na delimitação dos gêneros a serem trabalhados, tendo em vista
que os alunos demonstram interesses e anseios além dos que são exigidos pelo mercado.
Nesse sentido, a disciplina deve promover a abertura para o desenvolvimento de outros
conhecimentos e vivências com a língua. Os gêneros orais podem aqui ser um canal para a
nova motivação do alunado, a exemplo de descrições de ações vividas por eles em seu
ambiente de trabalho, estimulando a produção e compreensão oral.
Com isso, ampliando os horizontes dos futuros tecnólogos, através da construção de
novos saberes além dos já pré-determinados, o Inglês Técnico poderá contribuir para a
formação da consciência crítica dos alunos, tendo em vista seu crescimento no meio social e
profissional, de forma integral e abrangente.
1.4 ABORDAGENS DE ENSINO
Desde seu surgimento no Brasil, na década de 70, o ESP representa uma abordagem de
ensino pautada nas necessidades do aluno. Diferentemente das abordagens de ensino mais
tradicionais (Gramática-tradução, Direta, Audiolingual e Comunicativa), o Inglês para Fins
3
Observação feita no decorrer das aulas e em conversas informais com os alunos.
17
Específicos apresenta três características: análise das necessidades dos alunos; objetivos
claramente definidos; e conteúdo específico. Nas últimas décadas, as estratégias de leitura têm
sido o centro dessa abordagem, mesmo que ela não seja restrita à leitura (DOURADO, 2007).
Para que haja o ensino da leitura, o professor precisa fazer uso de gêneros textuais que
atendam às necessidades do aluno. Para a compreensão desses textos, professor e aluno farão
uso das capacidades de linguagem que, segundo Cristóvão et al. (apud OLIVEIRA, 2011),
são: de ação, discursiva, linguístico discursiva e de significação. Juntamente com essas
capacidades, Cristóvão propõe as seguintes técnicas de leitura:
Skimming – Ler para compreensão geral do texto;
Scanning – Ler para a busca de informações específicas, partindo das palavras-chave ou
outros recursos que ajudem o leitor nessa identificação;
Reconhecimento de cognatos – Prestar atenção nas palavras da língua estrangeira que se
assemelham a língua materna, seja no aspecto gráfico ou fonético;
Inferências – Compreender, interpretar o que não está no texto de forma explícita, com
base em indicações do texto, no contexto, bem como em seu conhecimento. Essas
inferências contribuem para o processo de construção de significados, podendo ser
confirmadas ou não;
Antecipação – Prever o que está por vir, com base em informações explícitas e em
suposições;
Leitura Extensiva – Ler em quantidade com o intuito de obter compreensão geral do que
se lê. Contribui para o desenvolvimento dos bons hábitos de leitura, a ampliação do
desenvolvimento de vocabulário e de estrutura da língua;
Reconhecimento dos grupos nominais – Identificar grupos nominais relevantes ao texto
contribui para a percepção de palavras essenciais à compreensão do texto e ao
reconhecimento de ideias centrais;
Uso do dicionário – Procurar palavras desconhecidas e essenciais à compreensão de um
texto (escrito ou oral) contribui para sua melhor compreensão e para a ampliação de
vocabulário. Deve ser realizada quando não for possível reconhecer seu significado
apenas pelo contexto (Adaptado de Cristóvão et al., apud OLIVEIRA, 2011).
Tendo em vista o objetivo do curso de ESP de preparar o aluno para aumentar seus
conhecimentos dentro da carreira de tecnólogo através do acesso a textos em uma língua
18
estrangeira, atenta-se mais incisivamente para o ensino da habilidade leitora, mediante as
estratégias acima citadas, para o provimento das necessidades expostas dos alunos.
Sabe-se que o ensino da Língua Inglesa nos Cursos Técnicos é uma exigência social e
que, para isso, o professor precisa estar preparado para suprir as necessidades emergentes dos
alunos, de forma que contribua para a sua formação acadêmica. “Pensando nisso, os futuros
licenciados ou já profissionais da língua devem trazer aos alunos gêneros de textos, sejam eles
escritos ou orais, condizentes com a temática do curso em que eles estão lecionando, e ainda,
ter o conhecimento suficiente para trabalhar com estes em sala.” (OLIVEIRA, 2011, p. 149).
No caso do ESP, o fato é que geralmente não encontramos é essa preparação do corpo
docente por inúmeros fatores, tais como: falta de tempo para preparação das aulas, jornada
intensa de trabalho e estudos, e a falta conhecimento de diversos conteúdos técnicos
específicos quando se leciona em diferentes contextos ao mesmo tempo. Além disso, os
cursos de Letras têm um currículo insuficiente para capacitar os futuros professores para
diferentes abordagens. Observamos que esses fatores já ocorriam no período pós-República,
onde os principais problemas identificados nas Escolas de Aprendizes Artífices eram “a má
formação de mestres e contramestres que, salvo raras exceções, não eram capazes de realizar
um ensino técnico de qualidade por não estarem habilitados para a tripla função deles exigida:
o ensino prático na oficina, o desenho industrial e a tecnologia de sua área” (Muller, 2010).
Falta, na formação pré-serviço, uma maior e melhor aplicação da teoria em sala de
aula através de estágios práticos, promovendo a vivência com os diversos setores da
educação, a exemplo dos cursos técnicos. O período do curso não permite ao aluno em
formação viver as experiências necessárias para exercer a função de professor. Enquanto
alunos do curso de Letras, eles são limitados em relação aos conhecimentos pedagógicos
necessários para aplicar a abordagem do ESP, e dispõem de um tempo de estudo insuficiente
para o alcance da fluência desejada na LI, além de prescindirem da articulação entre as
disciplinas especificas e pedagógicas.
1.5 O MATERIAL DIDÁTICO
Atualmente, é indispensável no processo de ensino/aprendizagem formal o material
didático (MD) para o professor e o aluno. Alguns autores consideram MDs desde um quadro e
um giz/pincel até um jornal, dicionário (no caso do estudo de Línguas), revistas, livros
didáticos ou qualquer material usado para fins pedagógicos. Nicolaides (apud Brito, 2007)
19
descreve os materiais didáticos como estimuladores da interação. Baseada em outros autores,
Nicolaides ainda mostra a função do MD de fazer ligação entre o que se vê em sala e o mundo
real, estimulando a autonomia, e levando em consideração as necessidades do aluno.
Dentre os materiais, o que tem maior relevância é o livro didático que, segundo o guia
de avaliação do PNLD, “passou a ser considerado o principal referencial do trabalho em sala
de aula” (BRASIL, 2002, p. 29). Mas nem sempre o encontramos nas escolas, sobretudo no
contexto público. Torna-se difícil, assim, o contato do aluno com esse guia didático, e o
contato do professor com orientações para planejamento de aulas.
Brito (2007) ressalta ainda (baseado em Chopin, 2004) que o livro tem funções
essenciais, tais como: referencial, sendo suporte de conteúdos, conhecimento e técnicas;
instrumental, por colocar em prática os métodos de ensino, exercícios e atividades; ideológica
e cultural, por se ligar aos valores e à cultura, adquirindo valor político; e documental, cuja
observação e análise podem desenvolver o senso crítico do aluno. Isso deixa clara a
importância e necessidade de se adotar um LD nos cursos/disciplinas de língua inglesa.
No SENAI (CEPORC) o material disponibilizado para o professor e o aluno é uma
apostila de apoio (não um livro). Nesse material encontram-se termos técnicos diversos e são
distribuídos de maneira confusa. É fato conhecedor da Coordenação dos Cursos Técnicos que
este material não tem a mesma função de um livro que contenha conteúdos e orientações
didáticas, levando em consideração o vocabulário apurado necessário aos cursos de
Eletromecânica, por exemplo.4
Neste caso, diante das funções primordiais do LD citadas pelos autores acima,
reconhecemos a falta de um material bem estruturado, que contemple as habilidades
essenciais para a aprendizagem da LI. Mesmo não existindo um Programa Nacional do Livro
Didático voltado exclusivamente para a formação técnica, poderíamos aproveitar os critérios
de adoção ou elaboração sugeridos pelo PNLD para a escola regular, que englobassem a
compreensão oral, escrita, e principalmente leitora, através de gêneros textuais e orais
voltados para a área técnica em que a disciplina está inserida, trazendo não só vocabulários
específicos como também aspectos gramaticais sistematizados a partir de situações de uso
variadas que orientassem os alunos nas suas interpretações e composições.
Além disso, o LD deveria também contemplar as orientações teórico-metodológicas
para nortear os professores na elaboração das aulas, permitindo as ações de avaliação
conforme seus objetivos e interesses dos alunos. Esses critérios buscam “oferecer
4
Fatos observados pela professora regente durante as aulas realizadas, avaliações do material didático e
conversas com a Coordenação Técnica Pedagógica do SENAI
20
possibilidades para que o professor construa com seu trabalho caminhos que levem o ensino
de língua estrangeira a participar da formação de cidadãos” (PNLD, 2013).
1.6 INTERAÇÃO EM SALA DE AULA
O processo de ensino-aprendizagem na perspectiva sociointeracionista, defendida por
Vygotsky (1998), se caracteriza pela construção social do conhecimento, realizada a partir de
interações entre aluno/professor e aluno/aluno. Para desenvolver o processo de aprendizagem,
é de crucial importância o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), definida
como a distância entre o nível de desenvolvimento real, determinado pela capacidade do
aluno em solucionar problemas de forma independente, e o nível de desenvolvimento
potencial, determinado pela solução de problemas com a colaboração de um adulto ou colegas
mais capazes (VYGOTSKY, 1998, p. 112).
No contexto educacional de ensino de línguas estrangeiras, a construção do
conhecimento baseado na ZDP é mediada pelo professor, bem como pelas atividades
desenvolvidas coletivamente. Neste sentido, a Língua Materna exerce um papel importante no
começo desse processo, já que ela subsidia linguisticamente o aluno para este superar suas
dificuldades com a LE, tornando-se assim mediadora nesse processo de aprendizagem.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais da Língua Estrangeira (PCN-LE) corroboram
com a teoria vygotskyana, já que “aprender é uma forma de estar no mundo com alguém, em
um contexto histórico, cultural e institucional” (BRASIL/MEC, 1998, p. 57). Além disso, a
proposta dos PCNs orienta que o professor compartilhe seu poder, deixando de lado sua
posição de detentor do saber e aprenda a dar voz ao aluno, para que ele possa se constituir
como sujeito do discurso. Mas o documento admite que o ensino atual ainda pratica uma
interação assimétrica, ou seja, uma relação em que o controle é exercido pelo professor,
restando ao aluno o mero cumprimento das atividades propostas.
No caso do ensino técnico, encontramos personagens possuidores de conhecimentos
práticos, tais como instruções e o próprio vocabulário relacionado a sua área de trabalho, que
podem ser aproveitados na troca de informações nesse processo sociointeracional, seja na
relação aluno/professor ou aluno/aluno.
Numa atividade de interpretação de texto, por exemplo, podem ser utilizados manuais
de máquinas ou peças que os próprios alunos têm acesso em seu ambiente de trabalho. Nessa
situação, a troca de conhecimentos e experiências proporcionaria a ação interacional que
21
facilitaria o aprendizado de vocabulário e das estruturas linguístico-gramaticais dentro do
gênero textual escolhido.
1.7 INTERDISCIPLINARIDADE
A função interdisciplinar que a aprendizagem de Língua Estrangeira pode
desempenhar no currículo oferece um benefício mútuo. De um lado, as disciplinas ganham
significados através de ações desenvolvidas no ensino de LE; por outro, essas ações
constituem uma maneira de viabilizar a prática social da língua dentro do contexto
educacional em sala de aula, ou seja, “fazer uso da linguagem para agir num mundo social”
(BRASIL, 1998, p. 38).
Para defender essa perspectiva, a autora Olga Pombo (1994) define a
interdisciplinaridade como “qualquer forma de combinação entre duas ou mais disciplinas
com vista à compreensão de um objeto a partir da confluência de pontos de vista diferentes e
tendo como objetivo final a elaboração de uma síntese relativamente ao objeto comum”
(p.13). O trabalho interdisciplinar permite, portanto, uma reflexão crítica sobre a metodologia
educacional, rompendo com a visão descontextualizada do ensino.
Do ponto de vista da educação profissional, surge a preocupação em potencializar no
indivíduo a capacidade de gerar conhecimentos a partir de uma prática interativa e uma
postura crítica. Busca-se, então, a integração entre a teoria e a prática, entre o saber e o fazer.
Considerando que o curso técnico em Eletromecânica do SENAI oferece em sua ementa
possibilidades para aprofundar tal integração, cabe ao professor aliar o contexto prático com o
novo conhecimento teórico a fim de obter contribuições positivas para a formação de
tecnólogo do aluno.
Tendo em vista que a maioria dos alunos já possui experiências profissionais, onde
eles veem na prática a aplicação da LI em manuais, catálogos e sistemas computadorizados
das máquinas e peças, a sala de aula se torna um bom momento para se relacionarem essas
experiências à formação linguística com base nesses conteúdos. Para isso, será necessário
envolver saberes de outras disciplinas, como por exemplo, AutoCad e Eletrônica, que contém
termos importantes para a área em inglês, tornando, portanto, a interdisciplinaridade a forma
mais aplicável de integração da teoria com a prática dos próprios alunos.
22
2. METODOLOGIA
Esta pesquisa foi realizada através de uma abordagem qualitativa, usando como
técnicas a observação participante e questionários aplicados em duas turmas do curso de
Eletromecânica, do período noturno, do SENAI(CEPORC), nas quais eu lecionei a disciplina
Inglês Técnico no ano de 2013.
Entende-se como observação participante uma técnica de investigação social onde o
pesquisador (no caso a professora regente) compartilha atividades, interesses e experiências
com o grupo estudado. Contudo, essa estratégia apresenta riscos do investigador deixar que a
sua subjetividade interfira por demais na interpretação dos dados, devido ao seu envolvimento
pessoal com o objeto (no caso, as duas turmas do curso de Eletromecânica). Nesse sentido, eu
declaro a minha posição de envolvimento pessoal com o contexto estudado, assumindo os
riscos que esse posicionamento pode ter acarretado ao longo da pesquisa.
Os questionários, composto por oito seções, foram aplicados com o objetivo de obter
algumas informações e dados de caráter quantitativo acerca dos sujeitos da pesquisa, bem
como aspectos da disciplina de Inglês Técnico. Para tanto, os alunos foram esclarecidos
quanto ao o sigilo e a fidelidade às respostas e opiniões dos mesmos, deixando claro que
todos os comentários tiveram o intuito de refletir sobre as contribuições que essa disciplina
tem trazido para a formação tecnológica dos alunos.
O trabalho de campo qualitativo desenvolvido teve como principais características o
princípio de interação entre o pesquisador e o objeto pesquisado, no caso os grupos de alunos,
bem como a ênfase e a preocupação com o processo de ensino-aprendizagem dos mesmos,
visando ao levantamento de novos conceitos e formas de entendimento da realidade, se
aproximando, por esse aspecto, de pesquisas de cunho etnográfico (ANDRÉ, 2012, p. 28-30).
Trata-se de um estudo de caso específico, não tendo, portanto, a intenção de generalizar os
achados para os diferentes contextos de ensino técnico encontrados em todo país.
As categorias propostas na fundamentação teórica servirão de base para a análise das
perguntas realizadas para os alunos, bem como para a análise dos seus discursos referentes à
função da LI para o curso técnico, metodologia de ensino e materiais didáticos utilizados em
sala, aspectos interacionais e interdisciplinaridade. Serão utilizados, ainda, gráficos e tabelas
para melhor mapeamento das informações importantes para o tema em questão.
A partir da sistematização dos dados, farei algumas reflexões sobre como se apresenta
o ensino de Inglês Técnico no tocante às categorias analisadas e algumas sugestões a respeito
do que se faz necessário para uma melhor qualidade no ensino/aprendizagem da língua-alvo.
23
3. ANÁLISE DE DADOS
3.1 CARACTERÍSTICAS DOS PARTICIPANTES
Os sujeitos dessa pesquisa são 23 alunos, todos do sexo masculino, de duas turmas do
Curso Técnico noturno em Eletromecânica do SENAI (CEPORC). A escolha dos alunos foi
aleatória. No dia escolhido e acordado com a Coordenação, foram levados os questionários
para a turma em um dia normal de aula, sendo os mesmos distribuídos a quem estava na hora
e voluntariamente se disponibilizava em respondê-los. Da turma que completava seu primeiro
período (denominada aqui como T1) do curso, 12 de 21 alunos matriculados se fizeram
presentes. Da outra turma, que completava seu segundo período do curso (denominada aqui
como T2), 11 de 24 responderam ao questionário.
As observações foram feitas durante os cinco dias de aulas ministradas (um total de 20
horas) em cada turma. Na T1, a disciplina foi lecionada durante o mês de outubro de 2013,
enquanto na T2 as aulas aconteceram entre o mês de abril e maio do mesmo ano.
3.1.1 Análise dos alunos participantes quanto á faixa etária:
Na T1, sete dos 12 alunos têm idade entre 21 e 30 anos; dois têm até 20 anos e dois
entre 31 e 40. Um participante não respondeu. Na T2 não encontramos um contexto muito
diferente: oito alunos têm entre 21 e 30 anos e os outros três, entre 31 e 40. Os dados estão
sistematizados nas tabelas a seguir:
Tabela 1: Dados informativos referentes ao sexo e idade dos alunos da Turma 1.
INFORMAÇÕES PESSOAIS – T1
1.1 SEXO
MASCULINO FEMININO
12
1.2 IDADE
Até de 20
Entre 21 e 30
Entre 31 e 40
Acima de
40
2
N=12
7
2
Não
respondeu
1
24
Tabela 2: Dados informativos referentes ao sexo e idade dos alunos da Turma 2
INFORMAÇÕES PESSOAIS – T2
1.1 SEXO
MASCULINO
FEMININO
11
1.2 IDADE
Até de 20
Entre 21 e 30
Entre 31 e 40
8
Acima de 40
3
N=11
3.1.2 Motivo de fazer um curso técnico
Quando perguntados sobre o (s) principal (is) motivo (s) pelo (s) qual (is) eles
decidiram fazer um curso técnico, as respostas mais usadas por ambas as turmas foram: por
qualificação profissional, aquisição de conhecimento e oportunidades no mercado. Apenas
dois alunos da T1 apresentaram o desejo por mudança de área, conforme o gráfico
apresentado abaixo:
1.5 PORQUE ESTÁ FAZENDO UM CURSO TÉCNICO?
12
10
8
6
4
Série1
2
0
Qualificação
profissional e
oportunidades no
Mercado
Mudança de área
Qualificação
profissional e
aquisição de
conhecimentos
Oportunidades no
mercado e carreira
N=23
Gráfico 1: Justificativa dos alunos das turmas T1 e T2 quanto ao porquê de se fazer um curso técnico
Conforme afirmamos no referencial teórico quanto ao papel social do curso técnico, o
público-alvo tem sido direcionado por requisitos do mercado, que busca a mão-de-obra
qualificada para assumir as oportunidades emergentes. Isso mostra também que a disciplina
de Inglês Técnico tem um papel instrumental importante ao atender a essas necessidades
emergenciais, contribuindo no desenvolvimento de conhecimentos específicos valiosos para
os alunos e para o mercado de trabalho.
25
3.1.3 Motivação para o Estudo da Língua Estrangeira (Inglês)
Cinco participantes de cada turma (totalizando 10 alunos) afirmaram não ter
conhecimento algum de inglês antes de iniciar a pesquisa. Por sua vez, a grande maioria disse
gostar de estudar a disciplina, num total de 15 alunos. Os motivos são variados, porém os
mais citados foram: aquisição de conhecimento e culturas diferentes (8 alunos) e por ser uma
língua universal e essencial no mercado de trabalho atual (7 alunos).
Por outro lado, entre os oito que alegaram não gostar de estudar inglês, os principais
motivos apresentados são a falta de interesse, vocação e/ou paciência (4) e por terem muitas
dificuldades - essas não especificadas (3). Apenas um não justificou.
1.7 GOSTA DE ESTUDAR LÍNGUA ESTRANGEIRA? POR QUÊ?
7
6
5
4
3
2
1
0
Aquisição de
Necessidade da
conhecimento e Língua universal no
culturas diferentes
Mercado de
Trabalho atual
N=15
Aquisição de
conhecimento
Por ser uma língua Necessidade do
universal
Mercado (novas
multinacionais e
máquinas
estrangeiras)
Gráfico 2: Justificativa dos alunos que afirmam gostar de estudar a língua estrangeira
26
1.7 GOSTA DE ESTUDAR LÍNGUA ESTRANGEIRA? POR QUÊ?
3,5
3
2,5
2
1,5
1
0,5
0
Não tem interesse
Tem muitas dificuldades
Não tem interesse, Tem muitas dificuldades
vocação e/ou paciência
Gráfico 3: Justificativa dos alunos que afirmam não gostar de estudar a língua estrangeira
Nota-se que há alunos que, mesmo não tendo nenhuma noção prévia da língua,
aparentemente, afirmam gostar de Inglês, mencionando a oportunidade de aquisição de
conhecimento e a necessidade do mercado profissional como sendo os principais motivos que
os levam a gostar da disciplina. Basicamente estes são os mesmos motivos que os levaram a
escolher fazer um curso técnico. Reafirma-se aqui, um dos objetivos do Ensino do Inglês para
Fins Específicos, que é atender às necessidades profissionais do aluno em termos de aquisição
de conhecimentos e qualificá-lo para uma inserção no mercado de trabalho.
É importante destacar, por outro lado, que a obtenção de conhecimento em relação às
diferentes culturas revela uma nova motivação dos estudantes, desvinculando o ensino
somente voltado para o âmbito profissional local e abrindo os horizontes para novos
objetivos.
Isso implica numa reorganização estratégica da metodologia de ensino, pois se há um
novo interesse emergente, há também uma nova motivação para estudar. E esta motivação
demanda aulas mais interativas e principalmente o crescimento crítico dos alunos, permitindo
uma formação tecnológica, mas também geral mais eficaz. Os currículos dos cursos técnicos
precisariam
ser
adaptados,
trazendo
aspectos
culturais
integrados
aos
aspectos
profissionalizantes já presentes. Tendo em vista que muitos alunos convivem em seu
ambiente de trabalho com falantes e nativos da LI, o interesse pelo conhecimento do inglês
aplicado à área de formação aumenta ainda mais, devido ao possível contato com o mercado
internacional e crescimento profissional.
27
3.2 ANÁLISE DE ASPECTOS ESPECÍFICOS
3.2.1 A função da LI dentro dos Cursos Técnicos
Com o objetivo de ler e interpretar manuais técnicos, reconhecendo suas estruturas
léxico-gramaticais e o vocabulário específico predominante, a disciplina de Inglês Técnico
(ou Aplicado), dentro do curso técnico de Eletromecânica, busca atender aos propósitos
específicos dos alunos deste curso. Apenas um dos estudantes que responderam ao
questionário disse não achar a disciplina importante, enquanto os demais reconheceram sua
importância dentro de um contexto profissional e social, envolvendo inclusive a comunicação,
conforme a tabela:
Tabela 3: Opinião dos alunos da T1 e T2 sobre a importância da disciplina de Inglês Aplicado.
8.1. VOCÊ ACHA IMPORTANTE A DISCIPLINA DE
INGLÊS APLICADO NO CURSO TÉCNICO EM
ELETROMECÂNICA?
SIM
NÃO
22
1
NÃO
JUSTIFICOU
8.2 JUSTIFIQUE
Não acho necessário
1
Para entender manuais, equipamentos e funções
mecânicas/elétricas
11
Comunicação e conhecimento
6
Primordial para um técnico
1
Pela importância do Inglês Aplicado na área técnica
1
Indispensável para crescimento profissional
1
2
N=23
Enquanto a justificativa mais mencionada foi entender manuais, equipamentos e
funções mecânicas/elétricas, o que é necessário dentro do contexto em que os alunos estão
inseridos, o segundo motivo mais citado foi a comunicação e o conhecimento, reafirmando a
nova motivação para estudar a LE, mencionada anteriormente, que não seja apenas para o
aprendizado instrumental objetivado pelo ESP. Essa nova motivação revelaria um interesse
pela comunicação com pessoas de outras culturas e dessa forma, se afasta do objetivo único
28
que nortearia o ESP e que, conforme afirma Vilaça (2003), seria a preparação do aluno para
que ele utilize este idioma como instrumento para a realização de tarefas específicas.
Ao mesmo tempo, as opiniões positivas dos alunos acerca da importância da disciplina
nos levam a questionar o motivo pelo qual a mesma compõe a grade curricular apenas dos
cursos de Eletromecânica e Petróleo e Gás, já que a instituição oferece outros cursos técnicos,
tais como Eletroeletrônica e Mecânico de Manutenção em Máquinas Industriais, ambos
relacionados ao mesmo campo profissional, envolvendo manuais, máquinas e vocabulários
específicos na língua inglesa.
Conforme afirmamos no capítulo sobre a função da LI nos cursos técnicos, é comum
ouvir dos próprios alunos que “inglês em escola pública não funciona”, e mesmo com a
certeza de que não haverá eficiência no aprendizado da língua devido às experiências
frustradas no Ensino Médio, observou-se que o resultado desse novo experimento com a LI
foi positivo para a maioria dos alunos: 21 dos 23 entrevistados afirmam que a disciplina de
Inglês Técnico contribuiu para sua formação técnica, mesmo que não concluída, segundo
tabela demonstrativa abaixo:
Tabela 4: Opinião dos alunos da T1 e T2 sobre a contribuição da LI para a formação técnica.
6.2. VOCÊ ACHA QUE A DISCIPLINA DE INGLÊS
APLICADO CONTRIBUIU PARA SUA FORMAÇÃO
TÉCNICA? POR QUÊ?
SIM
NÃO
21
2
NÃO
JUSTIFICOU
Justificativas:
Facilitou o entendimento de manuais e informações
técnicas
Novos conhecimentos
Só contribuiu devido ao conhecimento prévio
Interpretação e transmissão na língua
13
4
3
1
2
N=23
Estes dados comprovam que é importante o papel da disciplina em relação à formação
de tecnólogo do aluno, não só pela oportunidade de leitura de manuais e equipamentos
técnicos escritos em inglês que ela possibilita, mas também pelos novos conhecimentos
adquiridos ao longo da disciplina.
29
3.2.2 Os materiais didáticos
Quando perguntamos aos alunos sobre a avaliação que eles fazem do material
didático, a grande maioria avaliou esse material entre regular (11) e ruim (6). Os motivos
destacados são: conteúdo inadequado para a disciplina; material incompleto e/ou
desatualizado; sem aplicabilidade/didática do conteúdo; má qualidade das apostilas e
construção das mesmas. A tabela abaixo apresenta os principais motivos:
Tabela 5: Opinião dos alunos das Turmas 1 e 2 quanto ao material didático
2.1 O QUE VOCÊ ACHA DO MATERIAL DIDÁTICO UTILIZADO NAS
AULAS DE LÍNGUA INGLESA?
Ótimo, apenas o que a professora trouxe, não o do SENAI
Bom, mas falta material visual (vídeos)
Bom, mas falta uma introdução
Bom, mas precisa ser melhor avaliado e mais didático
Bom, quanto a construção e aplicação do conteúdo
Regular, conteúdo inadequado para disciplina
Regular, material incompleto
Regular, falta mais profundidade do conteúdo aplicado
Regular, pouco material (apostilas) e de má qualidade
Ruim, desatualização do conteúdo
Ruim, má qualidade do material
Ruim, pouco prático/ didático
Ressaltamos que o material analisado pelos alunos refere-se ao entregue pela instituição,
e corresponde a uma apostila com vocabulário e termos técnicos arranjados por categorias
(Lessons): Basic work; Shapes and bodies; Characteristics; Pressure, force and hardness;
Types of parts; Damages and defects; Gears; Electricity, combustion and thrust; Hydraulic
system; Technical terms; Types of service operations; and Relation of man’s body to
30
components. Foram encontrados, ainda, erros básicos na apostila5 (ver anexo), a exemplo da
palavra ‘Traduction’, quando na verdade o correto seria ‘Translate’.
Aqueles alunos que avaliaram o material como bom (4) e ótimo (2), destacaram as
apostilas elaboradas pela professora, contendo explicações gramaticais, relacionadas às
estratégias de leitura, e exercícios de aplicação de vocabulário, que serviram como forma de
apoio para os estudos dos alunos. Há, então, uma deficiência quanto à questão do material
didático, o que dificulta o aprendizado dos alunos.
Percebemos que a ausência deum livro didático de qualidade (ou material
equivalente) resulta na falta de suporte que o aluno precisa. Além disso, essa ausência priva o
aluno de ter acesso a funções essenciais do LD conforme Brito (2007), que seriam a de servir
como referencial, como suporte aos conteúdos, conhecimento e técnicas, e a de servir como
instrumento para que os alunos coloquem em prática os métodos de ensino, exercícios e
atividades.
3.2.3 Abordagens de ensino
Em nosso referencial teórico, vimos que o ensino para fins específicos apresenta três
características: análise das necessidades dos alunos; objetivos claramente definidos; e
conteúdo específico. Conforme destaca Dourado (2007), mesmo o ESP sendo centrado nas
estratégias de leitura, não está restrito a isso. Como professores preocupados com o
desenvolvimento efetivo do aluno, agregamos o ensino da LI à realidade e conhecimento
prévio do próprio aluno, motivando a sua participação nas aulas de inglês.
Quando indagados sobre a metodologia de ensino da professora, dos que responderam
à questão, quase todos afirmaram que a professora demonstrou objetividade e clareza em suas
aulas; incentivava a participação; dava atenção às dificuldades dos alunos; promovia a
interação professor/aluno e aluno/aluno (com atividades em grupo de interpretação de textos);
conseguia transmitir conhecimentos de forma que aperfeiçoasse o conhecimento prévio do
próprio aluno e se esforçava para que as aulas fossem dinâmicas, na medida do possível, já
que eles mesmos alegam chegar muitas vezes cansados a aula, com pouca disposição para
estudar depois de um longo dia de trabalho.
5
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Inglês Técnico. Departamento Regional da Paraíba, Campina
grande, PB. Edição Revisada, 2010, p. 30.
31
Chama a atenção, porém, o comentário de um aluno da T2: “Dificultou (a metodologia
da professora) para traduzir textos sem dicionário; penso que deveríamos utilizar mais o
dicionário para fixar mais as palavras em inglês, tradução e pronúncia, utilizar músicas para
traduções, pois chamava a atenção dos alunos”. Notamos aqui, uma crença trazida pelo
aluno com base na abordagem de ensino Gramática-Tradução, um modelo de educação
clássica que acontecia em três etapas: primeiro, a memorização de um glossário; segundo, o
conhecimento de regras gramaticais; e, por fim, os exercícios de tradução e versão do texto,
mencionada por Dourado (2007).
Na apresentação da disciplina nas duas turmas, ouvi várias vezes o relato6 dos alunos
de que a carga horária é insuficiente, principalmente porque a maioria vem sem bagagem
nenhuma da LE e tinham que se adequar ao aprendizado do inglês em apenas 20h/aula.
Quando questionados sobre a adequação da carga horária da disciplina para o curso técnico
em Eletromecânica, todos os alunos avaliaram essa carga horária de razoável a ruim. Todos
mencionaram a necessidade de se aumentar o número de horas da disciplina, e um aluno da
T1 ainda sugeriu que a disciplina fosse ofertada durante todo o curso, pelo menos uma vez na
semana.
De fato, mesmo sabendo que essa disciplina é ofertada pela abordagem do ESP, vimos
que a interdisciplinaridade é um meio de integrar a teoria e a prática interativa. Mediante essa
percepção, a sugestão feita pelo aluno serviria para o melhor aproveitamento da disciplina,
integrando-a as demais no decorrer do curso, não apenas no primeiro módulo, como ocorre no
SENAI.
3.2.4 Interação em sala de aula
Na seção referente à interação professor/aluno e aluno/aluno, apenas dois alunos de
cada turma avaliaram não ter acontecido esse tipo de interação em sala. Os demais apontaram
três principais momentos de ocorrência da interatividade: na socialização antes de começar a
aula; no feedback das explicações e retirada de dúvidas; na realização de trabalhos em
dupla/grupo, conforme vemos a seguir:
6
Relato procedente da observação participante desenvolvida pelo docente durante o curso.
32
Tabela 6: Respostas dos alunos das Turmas 1 e 2 quanto à interação em sala de aula.
5.3 OS ALUNOS ERAM SOLICITADOS A
INTERAGIR COM O PROFESSOR OU ENTRE SI?
SIM
22
5.4 SE SIM, ESPECIFIQUE AS SITUAÇÕES:
No feedback das explicações, perguntas e respostas
Na retirada das dúvidas
5
3
Na socialização/ comunicação antes e depois da aula
3
Na realização de trabalhos em grupo
1
Nas aulas práticas/ atividades
4
NÃO
1
NÃO
RESPONDEU
6
N=23
Isto segue, portanto, a proposta dos PCN, quando esse documento sugere que o
professor compartilhe seu poder, deixando de lado sua posição de detentor do saber e aprenda
a dar voz ao aluno, para que ele possa se constituir como sujeito do discurso (BRASIL/MEC,
1998).
A proposta de trabalhar em grupo, como por exemplo, em atividades de interpretação
de texto/manuais, admite a ampla capacidade do aluno em solucionar problemas de forma
independente com a colaboração de um adulto ou colegas mais capazes, característica trazida
pelo conceito da ZDP de Vygotsky (1998). Com base nesse conceito, o professor procurou
promover momentos em que os alunos pudessem interagir e trocar saberes, o que foi avaliado
pelos alunos de forma positiva.
3.2.5 Interdisciplinaridade
A teoria do trabalho interdisciplinar, defendida por Pombo (1994), firma-se na prática
social em que o aluno está inserido. Desta forma, o ensino da Língua Inglesa na formação
tecnológica deve romper com formas descontextualizadas de ensino, levando em consideração
as vivências dos próprios estudantes e relacionando-se com as demais disciplinas, teóricas ou
práticas, que os mesmos estudam em seu curso.
Temos como exemplo demonstrado na tabela abaixo, o uso de manuais e termos
técnicos da área da mecânica e elétrica, encontrados no decorrer do curso de Eletromecânica,
e que, muitas vezes, estão escritos em Inglês. O estudo da LI aplicado a outros conteúdos,
33
portanto, viabiliza um melhor desempenho educacional e profissional do aluno em sua
formação tecnológica.
6.1 OS CONHECIMENTOS ABORDADOS EM LI TÊM
RELAÇÃO COM O CONTEÚDO DE OUTRAS
DISCIPLINAS? SE SIM, EXEMPLIFIQUE.
6
5
4
3
2
1
0
Leitura de
Conversação no
manuais, peças e
ambiente de
instruções técnicas
trabalho
N=18
Na rotina de
Leitura de manuais Termos técnicos e
trabalho e
e catálogos
variações
entendimento da
técnicos
linguísticas
mêcanica e elétrica
Gráfico 4:Alunos que responderam ‘sim’ das turmas 1 e 2 quanto à interdisciplinaridade.
Retomando o item 2.3, referente à análise dos dados sobre metodologia de ensino,
verificamos que, na questão relacionada à carga horária, um aluno sugere que a disciplina seja
ofertada durante todo o curso, pelo menos uma vez na semana. Isso está de acordo com a
proposta interdisciplinar no tocante ao trabalho integrado com as outras disciplinas no
decorrer do curso técnico, levando em consideração a progressão dos conteúdos e a relação
teoria x prática a qual os alunos vão se deparando em seus estudos.
34
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Levando em consideração a análise dos dados construídos através do o questionário e
as observações desenvolvidas pela professora de LI, o objetivo do ensino da disciplina de
Inglês Técnico dentro do curso técnico em Eletromecânica do SENAI (CEPORC) está voltado
para as necessidades dos futuros tecnólogos, e assim busca tornar o aluno capaz de ler e
interpretar manuais e reconhecer o vocabulário técnico específico. Até por questões de tempo,
os conteúdos e objetivos didáticos não vão além de uma perspectiva instrumental.
Alguns pontos positivos e negativos destacados pelos alunos nos levam a refletir sobre
a prática do inglês instrumental para o curso mencionado e também sobre o desafio de
lecionar esta disciplina.
Para começar, os pontos positivos mais destacados pelos alunos foram: a metodologia
de ensino, relacionada à maneira como as aulas foram planejadas e conduzidas pela
professora; como foram definidos claramente os objetivos; e a transmissão do conteúdo
específico. O comprometimento do professor com a relação teoria x prática do aluno também
é destacado como um dos motivos que facilitaram o aprendizado do inglês instrumental.
Outro fator agregado à metodologia de ensino é a promoção da interação em sala de aula,
onde o aluno pode trazer sua própria experiência profissional, aplicando-a aos novos
conhecimentos na LE. Esse fato se relaciona à postura do professor de abrir mão da
centralidade na sua pessoa e rejeitar a simples transmissão de conteúdos em favor de uma
experiência de compartilhamento de conhecimentos.
Mesmo com as dificuldades apresentadas pelos alunos quanto ao aprendizado da
língua relacionadas a fatores externos, como o cansaço e falta de tempo para estudar, a
proposta sociointeracionista de Vygotsky (1998) parece ser fator crucial para despertar o
interesse dos alunos. Isso fica evidente na questão referente à motivação dos alunos em gostar
da língua inglesa, quando eles expressam motivações que vão além da proposta do ESP,
simplesmente instrumental, e sugerem novos objetivos, referentes a novos conhecimentos e
horizontes que a língua alvo e a cultura de outros países podem proporcionar.
Além disso, o viés interdisciplinar sugere a troca de conhecimentos adquiridos nas
outras disciplinas teóricas e práticas, e é visto pelos alunos como essencial para praticar a
própria língua e o conhecimento obtido com ela. Já que o objetivo da ementa corresponde ao
desenvolvimento da habilidade leitora, concordamos com a proposta de um aluno da Turma
1no que diz respeito à extensão da disciplina de Inglês Técnico, sendo esta realizada pelo
menos uma vez na semana, durante todo curso.
35
Com relação ao aspecto tempo, a carga horária da disciplina foi um dos pontos mais
criticados, pois esta corresponde a apenas 20h/aula no primeiro período do curso. Os alunos
alegam que este é um tempo insuficiente para cumprir com a ementa proposta, tanto pela falta
de conhecimento prévio dos mesmos, como pela gama de aspectos léxico-gramaticais e
estratégias de leitura que precisam aprender.
A dificuldade em entender a língua devido à falta de conhecimento prévio e a falta de
tempo para estudar fora da sala pela jornada de trabalho intensa, inclusive, são dois dos
pontos mais destacados como sendo negativos. Isto mostra a necessidade de uma preparação
maior do aluno, mesmo que dentro do curso, para receber o conteúdo técnico específico.
Outra questão negativa destacada, e criticada durante todo o curso e durante a pesquisa
pelos alunos é a escassez e baixa qualidade do material didático. Fica claro que o material que
a instituição oferece é apenas para apoio, mas nem esse apoio vem apresentado
coerentemente. Os erros e a má qualidade/elaboração da apostila deixam os alunos (e porque
não dizer também os professores) bastante indignados. Cabe então ao próprio professor,
quando for lecionar esta disciplina, preparar um material que sirva de referencial, como
suporte aos conteúdos, conhecimento e técnicas, e instrumental, para colocar em prática os
métodos de ensino, exercícios e atividades. Essas são funções do livro didático que não estão
presentes nos atuais materiais adotados no curso.
Um aspecto a ser questionado, levantado pela análise dos dados, é a formação do
professor de língua inglesa, que não é preparado em sua formação inicial para exercer a
função de professor de Inglês Técnico, e a quem faltam o conhecimento de estratégias e
vocabulários específicos para diferentes áreas técnicas, como o próprio curso em
Eletromecânica. Assim fica a questão: o que teria que mudar no currículo da formação inicial
de professores de LI, de forma que eles tivessem oportunidade de construir conhecimentos
mais densos sobre o campo de ensino de Inglês Técnico?
Enquanto a questão não é respondida, o professor atuante deve se preocupar, em sua
prática, com fatores (materiais, metodologias, estratégias) que estimulem o aprimoramento do
processo de ensino-aprendizagem e que permitam encontrar novos horizontes a partir das
necessidades profissionais dos alunos, integrando-as aos novos conhecimentos culturais que a
língua pode proporcionar. Os estudos e a formação em serviço (para suprir as deficiências da
formação inicial) devem ser constantes, pois só através das experiências práticas de cunho
reflexivo, nós docentes poderemos promover a melhoria da formação tecnológica.
Enfim, os desafios são grandes e continuarão sendo. O que não podemos deixar é de
lutar por uma educação de qualidade, pelo aperfeiçoamento dos conhecimentos e estratégias
36
de ensino do professor, e pelo desenvolvimento da formação humana e profissional do aluno
através do ensino de Língua Inglesa nos cursos tecnológicos.
37
REFERÊNCIAS
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VYGOTSKY, L.S. Pensamento e Linguagem. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
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APÊNDICE
APÊNDICE A: Questionário de avaliação da disciplina de Inglês
Prezado aluno,
Este questionário tem por objetivo a coleta de informações acerca dos diferentes
aspectos da disciplina de Inglês Aplicado, visando possíveis contribuições para a mesma na
formação Técnica.
Responda cuidadosamente às questões abaixo e não hesite em fazer os comentários
que julgar necessários à melhoria da disciplina.
Muito obrigada!
1 – INFORMAÇÕES PESSOAIS
1.1. SEXO
(
) Masculino
(
) Feminino
1.3. CURSO: ____________________________
1.2. IDADE _______________
1.4. PERÍODO: ____________
1.5. PORQUE ESTÁ FAZENDO UM CURSO TÉCNICO?
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
1.6. ANTES DE INICIAR A DISCIPLINA, TINHA ALGUM CONHECIMENTO
PRÉVIO EM INGLÊS? ( ) Sim
( ) Razoavelmente
( ) Não
1.7. GOSTA DE ESTUDAR LÍNGUA ESTRANGEIRA?
(
) Sim
(
) Não
1.7.1. POR QUÊ?
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
40
2 - QUANTO AO MATERIAL DIDÁTICO
2.1. O QUE VOCÊ ACHA DO MATERIAL DIDÁTICO UTILIZADO NAS AULAS
DE LÍNGUA INGLESA?
( )Ótimo
( ) Bom
( )Regular
( ) Ruim
2.2. JUSTIFIQUE SUA RESPOSTA:
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
3 - QUANTO Á CARGA HORÁRIA
3.1. COMO VOCÊ AVALIA O TEMPO DESTINADO AO ESTUDO DA LINGUA
INGLESA NO SEU CURSO TÉCNICO?
( )Suficiente
( ) Razoável
( ) Ruim
3.2. QUE SUGESTÕES VOCÊ FARIA NESSE ASPECTO?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
4 - QUANTO À METODOLOGIA DE ENSINO
4.1. DE QUE FORMA A METODOLOGIA DE ENSINO UTILIZADA PELA
PROFESSORA NAS AULAS DE LINGUA INGLESA FACILITOU OU DIFICULTOU
SUA APRENDIZAGEM?
__________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
41
5 - QUANTO À INTERAÇÃO
5.1. EM RELAÇÃO À INTERAÇÃO PROFESSOR X ALUNO, VOCÊ CONSIDERA
QUE ESTA FOI ADEQUADA?
( ) Sim
( ) Não
5.2. AS AULAS ERAM PREDOMINANTEMENTE DIALOGADAS OU O
PROFESSOR FALAVA A MAIOR PARTE DO TEMPO?
( ) Sim, dialogadas ( ) Não
5.3. OS ALUNOS ERAM SOLICITADOS A INTERAGIR COM O PROFESSOR OU
ENTRE SI?
( ) Sim
( ) Não
5.3.1. SE SIM, ESPECIFIQUE AS SITUAÇÕES.
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
6 - QUANTO A CONHECIMENTOS ADQUIRIDOS
6.1. EM RELAÇÃO AOS CONHECIMENTOS ABORDADOS EM LINGUA
INGLESA, ELES TÊM RELAÇÃO COM O CONTEÚDO DE OUTRAS
DISCIPLINAS? SE SIM, EXEMPLIFIQUE.
__________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
6.2. VOCÊ ACHA QUE A DISCIPLINA DE INGLÊS APLICADO CONTRIBUIU
PARA SUA FORMAÇÃO TÉCNICA? POR QUÊ?
__________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
7 - QUANTO AOS PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS
7.1. QUAIS AS PRINCIPAIS DIFICULDADES QUE VOCÊ ENFRENTOU NO
DECORRER DA DISCIPLINA?
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__________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
7.2. MENCIONE ALGUNS ASPECTOS POSITIVOS DA DISCIPLINA DE INGLÊS
APLICADO QUE VOCÊ CURSOU NO SENAI.
__________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
8 - OPINIÃO
8.1. VOCÊ ACHA IMPORTANTE A DISCIPLINA DE INGLÊS APLICADO NO
CURSO TÉCNICO EM ELETROMECÂNICA?
( )Sim
( ) Não
8.2. JUSTIFIQUE SUA RESPOSTA:
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
Comentários gerais (opcional):
Obrigada por sua participação!
Keicyane Melo
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ANEXO
SENAI/PB
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Desafios para o ensino de língua inglesa nos cursos