ÍNDICE aPOSTa 115 www.ctt.pt 10 3 EDITORIAL As Mulheres nos CTT 4 BREVES 10 ATUAL CTT apoiam desporto para todos Vamos falar de e-Commerce Reconhecer a memória histórica 16 À DESCOBERTA DE TALENTOS Carteiro e mestre desliza stress sobre os patins 18 PORTUGAL CONNOSCO À primeira é de vez 20 CAPA O lado feminino dos CTT 26 PARTICIPADAS Postcontacto desafia o futuro 30 INTERNACIONAL CTT marcam presença internacional 34 DAR UM GIRO Pedras que falam! 39 AGENDA CULTURAL 40 EMISSÕES Música para o espírito e alimento para o corpo 42 OPINIÃO A importância crescente da comunicação na empresa 43 VAGARES 16 30 34 A revista Aposta foi escrita ao abrigo do novo Acordo Ortográfico FICHA TÉCNICA PUBLICAÇÃO MENSAL . DISTRIBUIÇÃO GRATUITA Diretor Miguel Salema Garção . Diretora Executiva Adriana Eugénio . Coordenação Rosa Serôdio . Redação Bruno Vilão, Elsa Duarte, Inês Noronha Macedo, José Duarte Martins, Paula Padrão, Raquel Moz e Rosa Serôdio . Layout Strat Design . Conceção Gráfica . Miguel Dantas e Samuel Trindade . Capa Samuel Trindade . Fotografia Paula Padrão, Pedro Mónica, Sara Aresta e Arquivo CTT . Agradecemos ao Museu Nacional de Arqueologia e à AESE a colaboração e a cedência de imagens . Produção Comunicação . Propriedade CTT Correios de Portugal, S.A. - Av. D. João II, Lote 1.12.03, 1999-001 LISBOA . Tel.: 210 470 300 . Pessoa coletiva nº 500077568 A revista Aposta é impressa na Fernandes & Terceiro, S.A., empresa com Sistema de Gestão Q.A.S. certificada segundo as normas NP EN ISO 9001:2008 (cert nº PT08/02529), NP EN ISO 14001:2004 (cert nº PT08/02530), OHSAS 18001:2007 (cert nº PT08/02531), EMAS (cert nº PT-000004) . Isenta de registo na ERC ao abrigo do Dec. Regulamentar nº. 8/99, de 9 junho - artº. 12º. Nº. 1 a. Finishing . Mailtec . Tiragem 27 000 exemplares . Depósito Legal 186482/02 Esta revista foi impressa em Respecta Satin de 125 gramas (miolo) e 250 gramas (capa), ambos com certificação de Gestão Florestal FSC. 2 aPOSTa EDITORIAL 115 As Mulheres nos CTT Miguel Salema Garção Diretor de Comunicação OS CTT ESTÃO NO BOM CAMINHO. A EFICIÊNCIA E QUALIDADE, A CAPACIDADE DE ADAPTAÇÃO, A COMPETÊNCIA E PROFISSIONALISMO DOS TRABALHADORES E A CONFIANÇA NA MARCA SÃO MAIS-VALIAS EM QUE SE ALICERÇA A CONSTRUÇÃO DE UMA EMPRESA COM FUTURO Na data em que o mundo celebrou as conquistas femininas em contexto laboral, 8 de março, cinco das nossas trabalhadoras vieram de áreas diferentes e reuniram-se no Edifício CTT para começarem esse dia de forma especial. Recebidas pelas Administradoras Ana Jordão e Dionísia Ferreira, ali viveram momentos de partilha de experiências pessoais e profissionais, enquanto tomaram o pequeno-almoço. Através destas mulheres, todo o universo feminino dos CTT foi homenageado, pela sua entrega incondicional à Empresa. As mulheres representam um terço do efetivo CTT. No atendimento, essa presença é bastante expressiva, com 69% de rostos femininos a acolher os clientes nas Lojas CTT. Já na distribuição, apenas 12% de mulheres entregam as cartas em casa dos portugueses. Mas, também em atividades que antes lhes estavam vedadas, a mulher começa a ganhar terreno, embora timidamente. É o caso de uma condutora de camiões de Cabo Ruivo que integra uma equipa de 81 homens, o que traduz um bom sinal de mudança. Os CTT, cientes da paridade entre homem e mulher e da respetiva equivalência de competências, assinaram juntamente com outras 21 empresas um Compromisso para a Igualdade de Género, comprometendo-se a promover uma cultura de valores e direitos, encarada como pilar de desenvolvimento e estabilidade empresarial. A partir do segundo semestre iremos realizar várias ações com vista a tornar o Grupo CTT mais consciente nesta matéria, contribuindo para contrariar a desigualdade de género nas profissões tradicionais dos Correios. Esta revista divulga também as realizações de 2012 e os desafios para 2013 da Postcontacto que, apesar das condições adversas, mantém a liderança no mercado da publicidade não endereçada. Iniciativas inéditas como a concretizada no ano passado que permitiu formar e avaliar os 200 fornecedores, com reflexos muito positivos na qualidade de serviço, não foram por certo alheias aos resultados obtidos. Agora a Postcontacto está empenhada em tirar o máximo proveito da ocorrência de eleições autárquicas para dinamizar o correio não endereçado que está a perder volume e valor. Lá fora, o Presidente do Conselho de Administração foi dar a conhecer mais profundamente os Correios portugueses, num momento em que concentram esforços na preparação do processo conducente à sua privatização. E se a adesão crescente a novas formas de comunicar, em que o físico é preterido pelo eletrónico, constitui uma ameaça que chega a todos os operadores postais, ela abre em simultâneo uma janela de oportunidades para os Correios se modernizarem e fazerem crescer o seu negócio. Os CTT estão no bom caminho. A eficiência e qualidade, a capacidade de adaptação, a competência e profissionalismo dos trabalhadores e a confiança na marca são mais-valias em que se alicerça a construção de uma empresa com futuro. Todos juntos, homens e mulheres, vamos conseguir vencer os desafios. 3 BREVES CTT são Marca de Confiança 2013 Os CTT foram distinguidos como uma das marcas de maior confiança dos portugueses, na sequência do estudo realizado pelas Seleções do Reader’s Digest, para 40 diferentes categorias de produtos e serviços. As Marcas de Confiança são eleitas sem qualquer inscrição prévia, avaliação ou outra forma que condicione o voto dos assinantes. Neste estudo, que se realiza pelo 13º ano junto dos assinantes da revista, os CTT merecem o 1º lugar da confiança dos consumidores, na categoria de “empresas de serviço público”. Esta distinção permite aos CTT manterem o seu compromisso de qualidade e inovação na oferta de produtos e serviços relevantes para os seus clientes. A resposta dos CTT a este reconhecimento pelos portugueses reforça o profissionalismo e o total empenho na criação de cada vez mais valor para as populações, as empresas e o país. Este prémio é mérito de todos os trabalhadores e fruto do seu profissionalismo e dedicação. ● INM Sexta edição do PDRH chega ao fim No dia 8 de março chegou ao fim mais uma edição do Programa de Desenvolvimento de Recursos Humanos (PDRH), com a entrega de diplomas aos nove formandos que frequentaram o curso desde outubro de 2012. A cerimónia teve lugar no edifício da Rua da Palma, em Lisboa, e contou com a presença de vários dirigentes de que se destacam os 4 Diretores de Recursos Humanos e Organização, António Marques, de Estratégia e Desenvolvimento, Alberto Pimenta, e de Assuntos Internacionais e Cooperação, João Caboz Santana. Todos se congratularam pela conclusão de mais uma etapa decisiva para o desenvolvimento de competências pessoais e profissionais, que se reflete no fortalecimento das organizações. O PDRH foi lançado em 2007 e desde então realiza-se ininterruptamente ano após ano, tendo já formado 66 participantes oriundos de 19 países, incluindo Portugal, o que traduz a importância que os CTT atribuem à formação e à cooperação internacional. Também os formandos quiseram deixar uma mensagem, transmitida pela porta-voz do grupo Marta Neves: «O PDRH permitiu-nos a abertura de novos horizontes, novas perspetivas, novos conceitos, novas técnicas e métodos de abordagem. Foram meses de intensa aprendizagem mas também de partilha e representam, para nós, uma experiência única e enriquecedora. [...] Sentimo-nos preparados para enfrentar os desafios futuros, pois os seus ensinamentos tornaram-nos mais completos e permitiram-nos melhorar a nossa performance profissional. Foi uma aposta ganha. O nosso muito obrigado!». RS ● aPOSTa BREVES 115 De braço dado com o IPO Os CTT associam-se à campanha “Dar Mais Vida, Ajude a Equipar o IPO”, que decorre até final do ano. A iniciativa pretende angariar fundos para a compra de equipamento médico para o Instituto Português de Oncologia (IPO) e os CTT apoiam esta causa através da venda de produtos do IPO em 20 Lojas CTT de norte a sul do país. O lançamento da ação aconteceu no dia 6 de março na Loja CTT dos Restauradores, em Lisboa, e contou com a presença de António Pedro Silva, responsável pela Rede de Lojas CTT, do futebolista Carlos Martins, padrinho da iniciativa, e de Carla Castro, responsável pela campanha do IPO. Os CTT, enquanto empresa socialmente responsável, disponibilizam a sua rede de Lojas para apoiar a missão daquela instituição criada em 1923, que centra a sua atividade na luta contra o cancro. ED ● Delegação dos Correios do Equador visita CTT No dia 7 de março, o Presidente dos CTT, Francisco de Lacerda, recebeu a visita de uma Delegação Oficial do Equador no âmbito da promoção da candidatura do Diretor-Geral dos Correios do Equador, Robert Cavanna Merchán, ao lugar de Secretário-Geral da UPAEP (União Postal das Américas, Espanha e Portugal). Esta organização internacional com sede em Montevideo, Uruguai, é formada atualmente por 27 países membros. Na foto que regista o momento pode também ver-se, para lá dos dois dirigentes, o Embaixador do Equador em Portugal, Diego Aulestia Valencia (1º da esq. para a dta.). A eleição decorrerá durante o 22º Congresso da UPAEP que reúne no próximo mês de setembro em Havana, Cuba. RS ● Sustentabilidade leva CTT ao Equador O 2º Seminário de Desenvolvimento Sustentável da UPAEP (União Postal das Américas, Espanha e Portugal), que decorreu de 29 a 31 de janeiro no Quito, Equador, contou com a presença de 30 delegados de 15 países latino-americanos ao longo dos três dias de debates. Os CTT voltaram a estar representados pelo responsável da área de Sustentabilidade e Ambiente, Luís Paulo, com quatro apresentações onde se falou de metodologias e políticas para o tratamento, separação e reciclagem de resíduos decorrentes da atividade postal, quantificação e classificação do desperdício, campanhas de sensibilização e outros exemplos sobre as melhores práticas levadas a cabo pelo setor. A experiência dos CTT esteve ainda em foco numa intervenção sobre mobilidade sustentável e biodiversidade em Portugal. O programa obedeceu aos três pilares de referência: Ambiental (1º dia), Económico (2º dia) e Social (3º dia), sob a égide da União Postal Universal e coorganizado pelo Grupo La Poste. À semelhança da 1ª edição deste encontro internacional, que aconteceu em 2010 em São José, Costa Rica, os CTT são já um convidado habitual pela sua experiência e resultados na matéria, como “peer” capaz de assegurar a dinamização de trabalhos de grupo, elaboração de conclusões e “coaching” dos participantes. RM ● 5 BREVES CTT falam de mobilidade no JEAMB2013 Os CTT foram convidados pelo Instituto Superior Técnico para participar nas IV Jornadas de Engenharia do Ambiente (JEAMB2013), que decorreram a 13, 14 e 15 de fevereiro no auditório do Centro de Congressos do IST. O evento, subordinado ao tema “Sustentabilidade: Uma exigência do Futuro”, contou com a presença de vários académicos e representantes de entidades e empresas que marcam a atualidade a nível ambiental. Os painéis foram estruturados em quatro grandes áreas de reflexão: “A nova era da mobilidade” sobre os fatores que condicionam as opções de deslocação dos cidadãos nos meios urbanos; “O valor do território português” tendo em conta a situação económica atual e a necessidade urgente de avaliar recursos e potencial para a produção; “Smartcities e o papel das autarquias” na criação de cidades cada vez mais inteligentes e ecoconscientes; e “Startups: da ideia à empresa” para mostrar projetos e competências que desenvolvam a capacidade crítica da comunidade académica, com casos de estudo e outros exemplos nacionais emergentes. Os CTT participaram no painel “ A nova era da mobilidade” com o responsável pela Sustentabilidade e Ambiente, Luís Paulo, a par de investigadores e diretores de entidades como o Instituto Superior Técnico, a Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, a Transitec, a Prio.E e a Carris. O debate contribuiu para avivar a reflexão sobre os problemas e soluções que estão a ser pensados para as cidades, com o forte contributo do tecido empresarial. A crescente afluência dos alunos e o apoio dado pelo meio académico a estas Jornadas demonstram o interesse dos temas abordados, que se repartem por dois dias de conferências, mais um dedicado a workshops e visitas técnicas. Este ano foi a vez de conhecer os Parques de Ecologia Industrial do Seixal. RM ● Mailtec promove reunião anual de vendas A Direção Comercial da Mailtec reuniu-se recentemente no edifício de Cabo Ruivo, Lisboa, para fazer o balanço de 2012 e apresentar os objetivos para o ano de 2013. O Administrador Luís Filipe Santos encerrou o evento, tendo referenciado os objetivos delineados para 2013, 6 bem como a nova estrutura organizacional da Direção Comercial em que os Gestores de Cliente passam a ter uma ação mais direcionada para a captação de novos negócios, com uma oferta ainda mais abrangente. Por sua vez, os Assistentes de Cliente continuam a assumir o acompanhamento diário da produção e da assistência pós venda. Após a reunião, a equipa comercial almoçou no refeitório do Centro de Produção e Logística de Cabo Ruivo, seguindo-se uma visita pelas instalações, “guiada” pelo CPLS Nuno Galão. JDM ● aPOSTa BREVES 115 CTT em conferência de mobilidade e estacionamento Os CTT participaram na primeira conferência de mobilidade e estacionamento organizada pela ANEPE (Associação Nacional de Empresas de Parques de Estacionamento) em parceria com a Cascais Próxima. O evento contou com a presença dos maiores intervenientes do setor (operadores de parques de estacionamento, operadores de via pública, instaladores e fornecedores de equipamento). Na oportunidade, os CTT apresentaram a solução transversal STICO, baseada no conceito SaaS (Solution as a Service), que permite às entidades autuantes otimizar o processo de todo o ciclo de vida das contraordenações, desde a identificação do proprietário, geração e expedição dos documentos (notificação), cobrança e tratamento de respostas (aviso de receção / devoluções). Ao combinar a experiência na produção e distribuição de correio físico com o desenvolvimento de processos de gestão e de comunicação digital, o Grupo CTT é líder de mercado neste segmento, em resultado das parcerias de valor que estabelece com os seus clientes. JDM ● Equipas comerciais da CTT Expresso preparam futuro A CTT Expresso convocou no início de março as áreas comercial e de marketing para motivar equipas e comunicar as estratégias definidas para 2013. O encontro contou com a presença do Vice-Presidente dos CTT, Manuel Castelo-Branco, também Presidente do Conselho de Administração da CTT Expresso, para a abertura da sessão que decorreu no auditório do edifício do Parque das Nações. Na agenda esteve o enquadramento e a situação financeira da empresa de correio urgente e logística, a análise do mais recente estudo de satisfação de clientes e o resumo das tendências de mercado. Os cenários de evolução do negócio e os objetivos comerciais fizeram parte das várias apresentações, onde se avançaram medidas tecnológicas para facilitar a atividade do operador e clientes, além de métodos de prospeção e controlo para apoiar a força de vendas a atingir os resultados anuais pretendidos. O encerramento esteve a cargo do Administrador Pedro Salvador, que abordou o projeto ibérico através da união estratégica da CTT Expresso e da Tourline Express, reforçando a importância desta integração total entre as empresas portuguesa e espanhola, com vista a atingir nos próximos anos a liderança do mercado CEP peninsular. RM ● 7 BREVES EAD renova certificação No início de março, a SGS (entidade certificadora) realizou a auditoria de acompanhamento ao Sistema Integrado de Gestão da EAD, com vista à renovação da sua certificação. O resultado obtido confirmou que o sistema de gestão está globalmente concebido, implementado e mantido, cumprindo todos os requisitos das normas de referência: ISO 14001:2004 (ambiente), ISO 9001:2008 (qualidade) e OHSAS 18001:2007 (higiene, saúde e segurança no trabalho). Demonstra aptidão para, de forma consistente, cumprir os requisitos aplicáveis, atingir os objetivos e realizar as políticas da Organização. Foram registadas duas ações corretivas e cinco oportunidades de melhoria para os três referenciais. Os trabalhadores estão de parabéns. O empenho de todos contribuiu para os bons resultados conseguidos. RS ● CTT Expresso foi Transportador Oficial da Monstra 2013 A CTT Expresso foi este ano o Transportador Oficial da Monstra - Festival de Animação de Lisboa, que decorreu de 7 e 17 de março. Em parceria com a Triaxis, uma das empresas responsáveis pela organização do certame, a empresa de correio urgente e logística do Grupo CTT assegurou a recolha e entrega de documentos e materiais de apoio à 12ª edição do Festival, garantindo também o transporte internacional dos filmes portugueses, brasileiros e espanhóis que estiveram em exibição. O programa da Monstra 2013 contou com a apresentação de mais de 250 filmes nas retrospetivas do Brasil e de Espanha, bem como cerca de 140 filmes em competição representando 48 países. Foram dez dias de bom cinema de animação, com 500 obras divulgadas em mais de 250 sessões para miúdos e graúdos, que culminaram na atribuição de 14 prémios na gala de encerramento. A CTT Expresso tem mostrado a sua eficácia como parceiro nos grandes eventos nacionais, empresariais e públicos, contribuindo para o sucesso dos negócios e satisfação dos seus clientes, através das melhores soluções e de elevados padrões na qualidade do serviço prestado. Num mercado tão competitivo como o CEP (Courier, Express & Parcel), estes são fatores decisivos na escolha do operador de logística integrada. RM ● 8 aPOSTa BREVES 115 Sucesso de simulacro em Cabo Ruivo Os CTT levaram a cabo um simulacro de incêndio e queda em altura com evacuação geral, nas instalações de Cabo Ruivo, em Lisboa, no passado dia 8 de março, pelas 22 horas. O exercício contou com o apoio e colaboração dos Bombeiros Voluntários de Cabo Ruivo, da PSP de Chelas e da Divisão de Trânsito desta Polícia. Na sequência de um incêndio com origem em curto-circuito na área dos médios e grossos, os trabalhadores e as instalações ficaram em risco. O detetor de fumos foi ativado e fez soar o alarme da central de segurança das instalações. Dadas as proporções do incêndio, o Delegado de Segurança deu indicações para se acionar o alarme de evacuação geral do edifício e serem mobilizados os serviços de socorro. Os Bombeiros e a PSP foram contactados e os RPI das áreas assumiram as diligências de evacuação do edifício até aos pontos de encontro localizados no exterior do mesmo. Durante a evacuação ocorreu um acidente, porque o condutor de um empilhador facilitou e embateu num escadote onde estava outro trabalhador a executar trabalhos de manutenção. Este não se tinha apercebido do alarme, por estar a ouvir música através dos auriculares. Na evacuação, o RPI da equipa do cais verificou a deflagração de um incêndio no parque de veículos pesados, devido a uma beata largada por um motorista. O incidente foi de imediato debelado pelo RPI, recorrendo a um extintor. Durante a evacuação chegaram os Bombeiros e a PSP, que tomaram as medidas adequadas ao bom andamento dos trabalhos. Internamente, este simulacro teve a participação do Delegado Segurança, 18 RPI, um coordenador e a equipa de vigilantes do edifício, que constituiu a primeira linha de intervenção. Os RPI organizaram-se por abre-filas e cerra-filas, orientando a saída dos trabalhadores e o agrupamento destes nos pontos de encontro respetivos, bem como a prestação e acompanhamento dos primeiros socorros à vítima. Após verificação do edifício, os Bombeiros deram o incêndio como extinto, tendo decidido declarar o fim da emergência. O simulacro teve a duração de 43 minutos e constituiu um teste positivo. JDM ● 9 ATUAL CTT apoiam desporto para todos O empenho dos CTT no êxito das provas de Meia Maratona realizadas em Lisboa mantém-se com o apoio firme à “CTT Prova Deficientes Motores em Cadeira de Rodas” A Loja CTT dos Restauradores, bem no coração de Lisboa, foi palco, no passado dia 26 de fevereiro, da primeira conferência de imprensa promovida pela organização da 23 ª edição da Meia Maratona de Lisboa, com realização em 24 de março, em parceria com os CTT Correios de Portugal, que há muitos anos apoiam a “CTT Prova Deficientes Motores em Cadeira de Rodas”. Para lá da presença massiva dos órgãos de comunicação social, convidados, membros da organização e público em geral, o evento foi conduzido pelo presidente do Maratona Clube de Portugal, Carlos Móia, com intervenções do vice-presidente da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Pais Afonso, e de Lídia Praça, presidente do Instituto Português do Desporto e da Juventude, em representação do Secretário de Estado da tutela, Alexandre Mestre, além do anfitrião e diretor da Comunicação Institucional dos CTT, Miguel Salema Garção. 10 A sessão abriu com a passagem de um filme promocional da prova com a reta da meta junto aos Jerónimos. A travessia da Ponte 25 de Abril, o percurso ribeirinho tão espetacular quanto rápido, com o estuário do Tejo e a monumentalidade da capital como cenário, são atrativos para atletas e espectadores. A prova, que será animada por bandas de rock ao longo do seu trajeto, ostenta o título oficial da IAAF “Gold Road Race”, tendo entre os participantes alguns dos maiores atletas a nível mundial, que tentarão bater o recorde da distância e ganhar um bónus de 50 mil euros. Entre as estrelas da alta competição presentes, provenientes de 15 países, contam-se figuras como os campeoníssimos Martin Lel, Sileshi Sihine e Imane Merga, nos homens, e Edna Kiplagat, Sylvia Kibet e Gulnara Galinka, nas senhoras. Na sua intervenção, Carlos Móia, agradeceu aos patrocinadores e aos CTT, em particular, pelo apoio à aPOSTa ATUAL 115 CARLOS MÓIA AGRADECEU AOS PATROCINADORES E AOS CTT, EM PARTICULAR, PELO APOIO À ORGANIZAÇÃO E À PROVA COM O SEU NOME PARA ATLETAS DEFICIENTES MOTORES organização e à prova com o seu nome para atletas deficientes motores. Referiu que a 23ª edição da prova já superou o número de inscrições inicialmente agendado, com novo recorde à vista de 35 mil atletas e assegurou que o acesso à prova conta com os habituais transportes gratuitos. Cumpre-se assim a sua função de promoção do lazer e da saúde através da festa e do desporto, para lá da manutenção da alta competição. Uma elite muito especial Sem bónus, mas também com tentativa de recorde mundial, a corrida patrocinada pelos CTT, mais uma vez marcada pela presença dos principais atletas mundiais da modalidade, com destaque para o suíço Heinz Frei, “o melhor atleta paralímpico de todos os tempos”, com um palmarés impressionante e vencedor da prova lisboeta por inúmeras vezes. A ele juntam-se nomes maiores da elite mundial com vários recordistas e campeões do mundo, como Marcel Hug (CH), Ernst Van Dik (AS), Santiago Sanz (ES), Thomas Geierspichler (AU), Roger Puigbo (ES), Jordi Madera (ES), entre outros, e os portugueses já bem conhecidos Alberto Batista e Alexandrino Silva, acompanhados por outros atletas nacionais. Entre as senhoras marcam presença a britânica Jade Jones (a melhor atleta júnior do mundo), e as suíças Sandra Hager e Patricia Keller, campeã e vice-campeã em Lisboa no ano de 2010. Miguel Salema Garção reconheceu e salientou o esforço e dedicação destes atletas, que os CTT sentem orgulho em apoiar, no âmbito da política de responsabilidade social e de cidadania empresarial há muito praticada pela empresa. Uma corrida «inscrita no nosso ADN, revelando o espírito solidário e humanista, associado aos desafios futuros em que estamos empenhados e aos valores e causas de sempre». Lembrou também o valor competitivo da prova e Carlos Móia no uso da palavra Personalidades intervenientes na Conferência de Imprensa exortou os jornalistas presentes a darem o destaque devido aos atletas e à “CTT Prova Deficientes Motores em Cadeira de Rodas”. Respondendo a duas perguntas da Aposta, Carlos Móia salientou, que sendo os CTT uma empresa com milhares de carteiros que andam diariamente na rua e a pé, apoia uma prova com atletas que não o podem fazer, mas que lutam, saem de casa, praticam desporto e usam a sua cadeira de rodas para chegar a todo o lado. Notou ainda que a 23ª edição da Meia Maratona de Lisboa vai contar com mais uma “CTT Prova Deficientes Motores em Cadeira de Rodas” de alto nível, com os melhores atletas da elite mundial, pelo que o sucesso está garantido. Registe-se a presença na conferência de imprensa de um dos organizadores desta prova, João Correia, ele próprio deficiente motor e ex-atleta de elite empenhado na valorização dos atletas com deficiência (ver Aposta 114). Finalmente, uma referência para os mil trabalhadores dos CTT que se inscreveram internamente e vão participar nesta festa do desporto, correndo e ou caminhando a Meia ou a Mini Maratona de Lisboa. JOSÉ DUARTE MARTINS ● 11 ATUAL Vamos falar de e-Commerce Os mercados digitais não podem hoje ser ignorados por nenhuma empresa. A ACEPI veio falar de oportunidades num workshop de formação interna e a CTT Expresso contou a sua experiência como parceira logística de dimensão ibérica No âmbito do Programa de Desenvolvimento de Recursos Humanos (PDRH) dos CTT realizou-se no final de fevereiro um workshop de trabalho sobre o comércio eletrónico e a evolução dos mercados digitais. Que oportunidades de negócio se abrem hoje às empresas que têm presença na internet? Quem são os novos consumidores? Qual o volume de negócio que tem origem direta ou indireta nos sítios eletrónicos? O tema trouxe ao auditório do Centro de Formação dos CTT, em Lisboa, uma plateia interessada de público interno e de formandos. A sessão foi aberta pelo Diretor de Estratégia e Desenvolvimento, Alberto Pimenta, que convidou para o debate o Diretor da Associação do Comércio 12 Eletrónico e Publicidade Interativa (ACEPI), Alexandre Fonseca, e o Diretor de Logística da CTT Expresso, Rui Caeiro. Para falar das perspectivas de crescimento do e-Commerce, Alexandre Fonseca começou por abordar o impacto da internet nas nossas vidas. A revolução é recente e transformou por completo a forma como comunicamos, aprendemos, trabalhamos, compramos ou nos divertimos. Esta alteração de paradigma é hoje irreversível, mas os programas de estudo ainda não refletem a importância e dimensão da economia digital, fiéis a teorias que eram válidas há décadas atrás e que urgem ser revistas na formação de economistas, gestores, marqueteiros ou publicitários. A internet já não é só para jovens. As redes sociais começaram a trazer para estes fóruns de comunicação diferentes gerações, que assim se reencontram, passam a palavra, reforçam contactos, aprendem a aceder com facilidade à informação e à publicidade. Os novos utilizadores são uma teia intergeracional. E o crescimento é exponencial, à medida que as tecnologias se aperfeiçoam e se tornam mais amigáveis. Em Portugal são já 5.3 milhões de pessoas ligadas à internet. Quem são então os novos consumidores? Potencialmente, todos. Mesmo quem não compra na internet, já aprendeu a pesquisar, comparar, avaliar, sugerir ou opinar sobre o que vê online. As escolhas são baseadas nesta informação, pelo que qualquer aPOSTa ATUAL 115 60% DOS PORTUGUESES ESTÃO ONLINE. APENAS 11% DAS COMPRAS SÃO FEITAS NA INTERNET, MAS 97% DOS CONSUMIDORES PROCURAM ONLINE INFORMAÇÃO SOBRE PRODUTOS OU SERVIÇOS E 78% JÁ COMPRARAM ALGUMA COISA Alexandre Fonseca, ACEPI podem explorar a vantagem de se apresentarem ao mundo no 5º idioma mais falado da internet. Antes vêm o inglês, chinês, espanhol e japonês. BRIC lideram o clique Rui Caeiro, CTT Expresso empresa que hoje não tenha presença no mundo digital está condenada a desaparecer. Os números são claros: 60% dos portugueses estão online. Apenas 11% das compras são feitas na internet, mas 97% dos consumidores procuram online informação sobre produtos ou serviços e 78% já compraram alguma coisa. As mulheres são quem mais compra na internet: estudos indicam que 80% das compras familiares são por elas decididas. As vendas digitais mais populares são bilhetes de viagem (avião, comboio, camionete), roupas e acessórios, livros e revistas, férias (pacotes turísticos, hotéis), bilhetes de espetáculos, cosméticos e perfumes, electrodomésticos. O potencial de negócio é imenso, sobretudo na internacionalização de produtos e serviços, já que as fronteiras do mundo virtual não são geográficas, mas linguísticas. E até neste campo as empresas nacionais São hoje mais de 2.4 mil milhões os utilizadores de internet em todo o planeta, que em 2015 deverão subir aos 3.5 mil milhões. Só compradores são mil milhões. A economia digital dos 20 países mais ricos do mundo deverá duplicar entre 2010 e 2016, mas por cada emprego perdido na economia tradicional serão criados 2,6 novos empregos na economia digital. As atenções mundiais viram-se para os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) que irão liderar este crescimento, mas sob a mira dos especialistas estão também os MIKT (México, Indonésia, Coreia do Sul e Turquia). As compras mundiais online são atualmente de 850 mil milhões de euros, devendo duplicar em 5 anos. E em Portugal? O volume de compras online foi, no último semestre, de 1.6 mil milhões de euros. As estatísticas revelam que as razões da compra online são o preço mais baixo, poupança de tempo, facilidade de comparar valores e de comprar a qualquer hora. Contudo, os novos negócios digitais não teriam vingado se não houvesse boas parcerias capazes de assegurar, com qualidade e confiança, a gestão, transporte e entrega das mercadorias. É aqui que as empresas de logística e transporte urgente podem contribuir para o desenvolvimento de muitos negócios com futuro. A posição da CTT Expresso como operador de dimensão ibérica é disso exemplo, revela Rui Caeiro, com o enfoque na satisfação e conveniência de quem vende e de quem compra. Quem compra online quer informação de qualidade antes de fazer a encomenda, custos de distribuição incluídos no preço, decisão sobre instruções da entrega, track and trace online e mobile, sms de confirmação da data e hora de entrega e monitorização de todo o processo. Os meios de pagamento e a facilidade nas devoluções são também requisitos essenciais na relação entre vendedor e consumidor, cabendo ao operador a engenharia de soluções completas e fiáveis para tornar a experiência bem sucedida, já que 90% afirma poder voltar a comprar online se ficar satisfeito com o serviço. A aposta está em inovar a oferta de soluções de recolha e entrega convenientes com prazos adequados, melhorar as plataformas de acesso a múltiplas formas de pagamento (cartões de crédito e pré-pagos, serviços de fiança de operadores logísticos ou escrow services de terceiros), facilitar devoluções simples e rápidas, contratar seguros de transporte transparentes e credíveis, entre outras estratégias. A diferenciação do serviço entre operadores estará não só no custo das soluções, mas na confiança e qualidade dos fluxos de transação. O mundo da internet é o reino do marketing relacional por excelência. O que há 200 anos atrás era feito pelo dono da mercearia, que conhecia pessoalmente os clientes, hoje é possível de forma massificada através de parcerias e ferramentas online de personalização e fidelização em grande escala. E ainda agora estamos a começar. RAQUEL MOZ ● 13 ATUAL Reconhecer a memória histórica A Torre do Tombo foi palco das celebrações dos 120 anos da fundação do Museu Nacional de Arqueologia, que os CTT registaram para memória futura com o lançamento de um Inteiro Postal e um carimbo comemorativo no Posto de Correio Temporário ali instalado Os CTT lançaram no passado dia 20 de fevereiro um Inteiro Postal (IP) comemorativo dos 120 anos da fundação do Museu Nacional de Arqueologia (MNARQ) e do respetivo carimbo. A cerimónia realizou-se no auditório do Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT), em Lisboa, tendo sido muito participada. Uma ação na linha das parcerias dos CTT/Filatelia com entidades de relevo ligadas aos eventos filatélicos que a empresa vai registando. Durante a cerimónia foram evocadas várias figuras com realce para o pai fundador do museu e personalidade ímpar na investigação, José Leite de Vasconcelos, que também já tinha sido eternizado na filatelia portuguesa com um selo (2$50), numa emissão de 1966 alusiva a cientistas portugueses. 14 Com a imagem do IP ilustrado de fundo, a mesa foi constituída por Manuel Bairrão Oleiro, diretor do departamento de Museus, Credenciação e Conservação, em representação da Direção Geral do Património Cultural, pelo diretor do MNARQ, António Carvalho, pelo seu antecessor, Luís Raposo, que abordou a história da instituição, e pelo diretor do ANTT, Silvestre Lacerda, além do diretor da Filatelia dos CTT, Raul Moreira, que conduziu a cerimónia do lançamento filatélico. Os quatro académicos haveriam de proceder à obliteração e assinatura dos postais formalmente apresentados em primeira mão. Para lá do registo da efeméride, a imagética do IP apresenta algumas peças do MNARQ (Cabeça feminina ou aPOSTa ATUAL 115 O Posto de Correio esteve muito concorrido e a exposição sobre o “foral novo” merece uma visita atenta JUNTO AO AUDITÓRIO ONDE DECORREU A CERIMÓNIA DE LANÇAMENTO DO INTEIRO POSTAL FUNCIONOU UM POSTO DE CORREIO, VISITADO POR ALGUMAS DEZENAS DE FILATELISTAS, ESTUDANTES E ACADÉMICOS, QUE NÃO PERDERAM A OPORTUNIDADE DE SE DOCUMENTAREM COM AS PEÇAS DA EFEMÉRIDE retrato de Júlia, em mármore, de Milreu, ou Estói, Faro, da Época Romana, século I ou II d.C. e um Torques em ouro martelado, recortado e soldado, da segunda Idade do Ferro). As fotografias são de José Pessoa. O selo impresso na frente do postal mostra a fachada do Museu Nacional de Arqueologia, contígua ao Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. A tiragem foi de 10 mil exemplares com o preço individual, válido para Portugal, de 0,32 €. Posto de Correio concorrido Junto ao auditório onde decorreu a cerimónia de lançamento do Inteiro Postal funcionou um Posto de Correio, assegurado por Sónia Narciso e Jesabete Cadão dos serviços de Filatelia. A atividade foi intensa, com alguns momentos de pico por parte de algumas dezenas de filatelistas, estudantes e académicos, que não perderam a oportunidade de se documentarem com as peças da efeméride. Como era natural o Inteiro Postal liderou as vendas, mas os “packs” da emissão alusiva ao ANTT e o livro sobre a Arquitetura também foram requisitados por vários clientes, dada a analogia com o local e o evento. A este propósito, refira-se que a loja daquela instituição também dispõe para venda o IP e outras peças filatélicas relativas à “sua” emissão. A oportunidade da instalação do Posto de Correio Temporário foi muito positiva. Para lá do aspeto comercial, concorreu para a divulgação dos nossos produtos de colecionismo junto de um público nem sempre familiarizado com a filatelia. Forais que contam histórias A cerimónia encerrou com um convite do diretor da ANTT aos presentes para visitarem a exposição temporária “O foral novo: registos que contam histórias”, num espaço ambientalmente controlado do piso de entrada. A mostra assinala a passagem dos quinhentos anos sobre a reforma dos forais, expondo alguns documentos significativos que contam histórias da História desse empreendimento de fôlego conduzido por D. Manuel I durante um quartel, entre 1495 e 1520. A exposição é constituída por algumas dezenas de novas cartas de privilégio (forais novos), repartidas por sete núcleos, que conferiam e corrigiam injustiças antigas a determinado território ou comunidade com um regime jurídico próprio. Sem dúvida, uma exposição que merece visita atenta. Como curiosidade, registe-se que ao tempo de D. Manuel I, Portugal estendia-se por 88994 quilómetros, incluindo Olivença, tinha cerca de 550 concelhos e a população rondava apenas um milhão e meio de pessoas. Paralelamente, decorreu até 12 de março uma mostra com interesse para a Arqueologia em Portugal, que documentava pedaços da nossa história, com realce para uma edição de 1613 da publicação “Deliciae lusitano hispanicae”, de André de Resende, considerado o autor pioneiro no âmbito da arqueologia. JOSÉ DUARTE MARTINS ● 15 À DESCOBERTA DE TALENTOS Carteiro e mestre desliza stress sobre os patins Carteiro de profissão, mas já mestre em finanças empresariais, revela-se um apaixonado pelo hóquei em patins, desporto de grande tradição e que tem dado muitas alegrias aos portugueses Sérgio Afonso nasceu no “Dia de Portugal”, em 1977, na típica e tão afamada Nazaré das ondas gigantes do “canhão” à praia do norte, que definitivamente a internacionalizaram, mediaticamente falando. O nosso “mestre carteiro”, como carinhosamente o apelidam os colegas, é casado, pai de três filhos e reside em Alcobaça. Presta serviço no CDP local, tendo ingressado na empresa em janeiro de 2002, após um primeiro contrato em 1998. Percorre diariamente mais de 70 quilómetros na sua scooter, entrecortados com percursos a pé, levando a comunicação às populações de Évora de Alcobaça e de Turquel. Durante alguns anos foi escriturário em duas empresas da região, sem deixar o apetite académico por mente alheia e marcando classe no descanso ativo do exercício do hóquei em patins que ainda hoje pratica, razão pela qual aderiu ao passatempo proposto. 16 DESPORTO Saber mais e ser melhor O investimento na sua formação académica e humana reflete uma ambição natural de quem se esforça e segue um rumo firme. Aparentemente tímido, solta uma dinâmica confortável no que faz e no que pensa. Este membro da APOTEC (Associação Portuguesa de Técnicos de Contas) licenciou-se em Contabilidade e Administração e já é mestre em Finanças Empresariais pelo Instituto Politécnico de Leiria. E como o saber não ocupa lugar também acrescentou aos seus ativos um curso de Formação Pedagógica para Formadores, para lá da participação regular em aulas abertas, ateliês, conferências e seminários. Afirma que gosta do trabalho exigente da distribuição, mas está atento às oportunidades e concursos internos que surjam, porque «gostaria de responder a novos desafios e poder exercer novas responsabilidades na empresa». Domina vários idiomas, mostra capacidade de liderança e aPOSTa À DESCOBERTA DE TALENTOS 115 Confissões na primeira pessoa Agora é a vez de o nosso hoquista responder na primeira pessoa ao breve questionário: 1 – CASO NÃO TIVESSE OPTADO PELA VIDA PROFISSIONAL NOS CTT, O QUE É QUE GOSTARIA DE SER OU DE TER FEITO? A vida profissional nos CTT surgiu pela necessidade de ocupação e rendimento em simultâneo com a vida desportiva amadora. Gostaria de ter seguido uma carreira desportiva profissional. Atualmente, e após aposta continuada na formação académica, aspiro vir a trabalhar na área de Gestão de Empresas. 2 – O QUE REPRESENTA PARA SI ESTA ATIVIDADE DE LAZER QUE TANTO O APAIXONA? A prática do hóquei em patins representa convívio, amizade, manutenção de saúde, boa forma física e espírito de equipa, para lá do gosto pela competição, constituindo um desporto emotivo e muito dinâmico. A minha carreira de hoquista começou por influência do meu pai. Tinha 8 anos quando calcei o meu primeiro par de patins. A partir daí a paixão pela modalidade foi sendo cada vez maior. Durante o meu percurso de jogador nos escalões de formação do AACD fui sempre capitão de equipa, repetindo a função, agora no escalão sénior, desde 2011. Trata-se de um “cargo” que exige liderança, elevar a moral dos colegas quando as coisas não correm bem e ser o primeiro a mostrar uma conduta séria e trabalhadora, envolvendo todos nos objetivos da equipa. Aos fins de semana somos postos à prova, a exigência é grande e o nível tem de ser sempre elevado. 3 – COMO ENQUADRA A SUA ATIVIDADE LÚDICA LIGADA AO DESPORTO, ENQUANTO PESSOA E PROFISSIONAL DOS CTT? Nem sempre se torna fácil conciliar a atividade profissional com a desportiva e a vida familiar, mas com alguma gestão de tempo, apoio da família e fazendo escolhas com critério, promove-se os equilíbrios do dia a dia. Assim, consigo atingir a eficácia pretendida com benefícios pessoais e profissionais. O HÓQUEI EM PATINS FASCINA-O DESDE CRIANÇA E FORTALECE-O FÍSICA E ANIMICAMENTE, RESSALTANDO O SENTIMENTO DA AMIZADE REFORÇADA E DA PARTILHA COLETIVA QUE OTIMIZA NA SUA RELAÇÃO PROFISSIONAL de trabalho em equipa, pelo que não admira que na prática do seu desporto favorito exerça funções de treinador adjunto na formação júnior e de capitão na equipa sénior de hóquei em patins da Associação Alcobacense de Cultura e Desporto (AACD), que milita na segunda divisão nacional, depois de se sagrar campeã do terceiro escalão nacional, na época passada. Para o Sérgio o hóquei, que teve apenas um interregno durante a sua última fase da formação académica, é uma grande paixão e funciona como um complemento da atividade profissional, descarregando o stress e alimentando a forma física. Um hobby que o fascina desde criança e lhe fortalece o sentimento da amizade e da partilha coletiva, otimizados na sua relação profissional, nomeadamente no espírito de equipa e na ambição pessoal que legitimamente assume. JOSÉ DUARTE MARTINS A equipa vencedora da AACD com o Sérgio a capitanear (segundo, de pé, à esquerda) ● 17 CAPA O lado feminino dos CTT O Dia da Mulher traz consigo a oportunidade para dar a conhecer alguns dos rostos que fazem o lado feminino dos CTT. A Aposta desafiou cinco mulheres com diferentes funções a contar a sua história. E, naquela data, elas tomaram o pequeno-almoço com as Administradoras Para assinalar o Dia Internacional da Mulher, que se celebra a 8 de março, a Aposta quis dar a conhecer o lado feminino dos CTT. Elas representam um terço dos quadros do Grupo CTT e desempenham as mais variadas funções. Algumas contactam diretamente com o cliente, outras estão nos “bastidores” e contribuem de forma silenciosa para o bom funcionamento das diferentes estruturas da casa. Na impossibilidade de dar a conhecer todas, selecionámos representantes das mais emblemáticas profissões da Empresa e, para assinalar a efeméride, as administradoras Dionísia Ferreira e Ana Jordão convidaram estas trabalhadoras para tomarem o pequeno-almoço no Edifício CTT, em Lisboa. 20 Assim, na data que foi instituída pelas Nações Unidas em 1977 para recordar as conquistas femininas em contexto laboral, Maria Rebelo (Comunicação Institucional/STA), Carla Pereira (Mecanização), Natália Baião (Transportes), Dulce Gouveia (Distribuição) e Maria do Carmo Paulo (Atendimento) partilharam com as Administradoras o seu dia a dia profissional e experiências pessoais. Para os membros femininos do Conselho de Administração, a iniciativa foi uma forma de felicitar as trabalhadoras e saudar a sua motivação e entrega à Empresa. Realçam, no entanto, que o evento só foi possível com o apoio dos homens da casa e defendem que também deveria haver um dia dedicado a eles. Cinco rostos, cinco funções Distribuição Há cinco anos que Dulce Gouveia distribui o correio do CDP 2840 Seixal. A Carteira é uma de quatro mulheres numa equipa com 27 homens e exemplifica que naquela profissão elas estão em minoria. Nos CTT, as mulheres que tomam pulso às cartas representam 12% do número total de Carteiros. Encara esta desvantagem numérica com naturalidade e diz que entre colegas não sente qualquer tipo de diferença. O trabalho é desempenhado em equipa e em ambiente de respeito e camaradagem. Dulce Gouveia identifica o contacto e proximidade com as pessoas como aPOSTa CAPA 115 Maria Rebelo, Carla Pereira, Natália Baião, Dionísia Ferreira, Ana Jordão, Dulce Gouveia e Maria do Carmo Paulo NA DISTRIBUIÇÃO, ELAS REPRESENTAM 12% DO NÚMERO DE CARTEIROS. NO ATENDIMENTO, SÃO 69% DO VOLUME DE ATENDEDORES um dos aspetos de satisfação com a profissão em que, segundo diz, não há monotonia. Apesar de não estar sempre no mesmo giro, revela que faz normalmente distribuição apeada e, portanto, já perdeu a conta ao número de quilómetros percorridos a pé. Diz com humor que «à quinta-feira as pernas começam a falar». O tempo que tem livre é, em grande medida, dedicado à filha e a conciliação da maternidade com a responsabilidade laboral tem sido desenvolvida de forma harmoniosa. do atendimento geral, Maria do Carmo está especialmente vocacionada para os produtos financeiros e foi uma das participantes do concurso “À Descoberta de Talentos”, onde apresentou o seu hobby, cartões ilustrados para datas comemorativas. Estas serão as áreas com mais visibilidade dentro do universo CTT mas, longe do contacto com o público, há uma estrutura aparentemente invisível que torna possível a oferta de produtos e serviços da Empresa. Mecanização / Tratamento Atendimento Por outro lado, num universo maioritariamente feminino, Maria do Carmo Paulo integra uma equipa de sete mulheres e um homem. A Loja CTT de Cascais é um exemplo que segue a tendência geral no Atendimento, uma vez que 69% dos Atendedores são mulheres. Está ligada aos CTT desde 1999. Entrou como reforço de Natal e o seu profissionalismo ficou na memória. Anos mais tarde, vem a ser convidada para integrar os quadros e, desde 2005 que está naquela Loja. A sua ligação à Empresa não se fica pela parte profissional e estende-se também à vida pessoal, uma vez que foi lá que conheceu o marido. Além Antes de ser distribuído ou depois de ser recolhido, o correio tem de ser dividido e encaminhado para os seus diferentes destinos. É aqui que entra Carla Pereira. É animadora de máquinas no CPL S (Centro de Produção e Logística Sul), anteriormente designado de COC S. O seu trabalho consiste em abastecer com correio os equipamentos que dividem a correspondência. Integra a Empresa desde 1992 e na área da Mecanização / Tratamento no CPL S elas representam 27% do número de trabalhadores. Carla Ferreira também realça a camaradagem e a entreajuda entre colegas e revela que no horário da manhã, que é aquele que faz, existem mais mulheres. À tarde e à noite a predominância é atribuída ao género masculino. Fora dos CTT, é numa equipa de basquetebol exclusivamente feminina, relacionada com a escola da filha, que descontrai do dia de trabalho. Transportes Grande parte da correspondência que sai daquele centro de Cabo Ruivo é transportada em camiões conduzidos por Natália Baião. Na área dos transportes, no CPL S, existe apenas mais um elemento feminino entre 81 homens. Há 12 anos que não perde de vista o volante e o balanço não podia ser mais positivo: «gosto imenso do que faço. Não trocava a minha profissão por nada». Confessa que, de início, a adaptação às funções e à equipa teve as suas dificuldades. Eles pensaram que elas não iriam aguentar e que desistiriam ao final de duas semanas. Fizeram apostas. Perderam. Superado o desafio, eles acolheram os novos elementos e atualmente são uma equipa coesa. E quanto à rotatividade dos horários e aos dias em que o trabalho se faz durante a madrugada? Natália Baião diz que tudo é uma questão de hábito mas, claro, para a conciliação da vida profissional com a maternidade, o 21 CAPA Mecanização: Carla Pereira, CPL S Atendimento: Maria do Carmo Paulo, Loja CTT Cascais O LADO FEMININO REPRESENTA 33% DO CAPITAL HUMANO DO GRUPO CTT Serviços Centrais, Edifício CTT, Lisboa: Maria Rebelo, Comunicação Institucional/STA Distribuição: Dulce Gouveia, CDP 2840 Seixal horário da manhã é mais favorável. A trabalhadora acrescenta que fazer parte deste universo predominantemente masculino tem as suas vantagens: no Dia da Mulher recebe um tratamento especial. Na data que é dedicada a elas, eles esforçam-se por cumprimentar e presentear a colega. Serviços Centrais Longe do contacto com os clientes, Maria Rebelo contribui para a boa imagem e a competitividade da Empresa. A Engenheira do Ambiente, que assume as funções de Gestora Energética dos CTT, esteve envolvida na conceção do portefólio ecológico e na implementação de Sistemas de Gestão Ambiental. Participa em projetos internacionais no âmbito da 22 gestão carbónica e por estes dias é ao Relatório de Sustentabilidade que dedica o seu tempo. O documento «define tudo o que já foi feito no ano anterior e define os compromissos para o ano seguinte. As nossas ações vão ser definidas em termos dos nossos objetivos ambientais», explica. O início do seu percurso na Empresa começou em 2006 na área dos transportes. No Edifício CTT, onde Maria está colocada, o número de mulheres e homens é bastante semelhante. O gosto pelo ambiente e pela vida ao ar livre estende-se também à vida pessoal. É no mar da Ericeira que pratica surf com a filha. O lado feminino representa 33% do nosso capital humano e, para lá desta efeméride, todos os dias são oportunidades para saudar todas as pessoas que fazem dos CTT uma empresa de referência. Comprometidos com a igualdade Os CTT assinaram, no dia 18 de fevereiro, o Compromisso para a Igualdade de Género e propõem-se, desta forma, desenvolver uma cultura de paridade entre homens e mulheres como pilar do desenvolvimento e estabilidade empresarial. A iniciativa promovida pela CITE Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, no âmbito do Fórum Empresas para a Igualdade de Género, conta com 21 empresas signatárias, representativas dos mais importantes setores da economia nacional. Em Portugal as mulheres ganham em média menos 18% do que os aPOSTa CAPA 115 Mulheres Homens 4554 81 286 1852 837 646 106 656 533 2 Distribuição Atendimento Edifício CTT, Lisboa Transportes CPL S Mecanização / Tratamento CPL S Fonte: Dados relativos a efetivos CTT fornecidos por RH Grupo CTT 4027 8185 OS CTT ASSINARAM O COMPROMISSO PARA A IGUALDADE DE GÉNERO E PROPÕEM-SE DESENVOLVER UMA CULTURA DE PARIDADE ENTRE HOMENS E MULHERES COMO PILAR DO DESENVOLVIMENTO E ESTABILIDADE EMPRESARIAL homens, referem dados do Ministério da Solidariedade e Segurança Social relativos ao continente. Luís Paulo, Diretor de Sustentabilidade e Ambiente dos CTT, explica que esta realidade está em grande medida relacionada com as desigualdades de desenvolvimento de carreiras, nomeadamente o acesso a cargos de chefia, decorrentes do papel social desempenhado pela mulher: «as responsabilidades familiares, ainda normalmente assumidas pelas mulheres, acabam por ter um reflexo a nível profissional, na não evolução ou condicionamento da carreira profissional, com reflexos na remuneração». Com a adesão a este acordo, os CTT comprometem-se a contribuir para a promoção da igualdade de género, Transportes: Natália Baião, CPL S através de três ações que serão desenvolvidas no segundo semestre deste ano: elaboração de um “Plano de Igualdade” para os CTT, integração da temática de género na formação e promoção da igualdade e da não discriminação nos processos de recrutamento e seleção. Estas medidas pretendem contrariar a predominância de género em algumas profissões típicas da empresa e torná-la mais consciente nesta matéria. Luís Paulo explica que a igualdade de género faz parte de um tema mais abrangente, o da gestão da diversidade, que aborda também outras questões como a deficiência, a idade ou a nacionalidade. Acrescenta que, cada vez mais, as empresas promovem a inclusão da diversidade e a igualdade de oportunidades entre pessoas com necessidades e características diferentes. «Empresas socialmente diversas têm maior capacidade de perceção do mundo exterior, mais capacidade para se adaptarem e desenvolverem soluções para esses grupos, porque as cabeças não funcionam todas da mesma maneira. Não é meramente por boa vontade que as empresas têm vindo a promover a igualdade de oportunidades, é por saberem que isso lhes dá mais capacidades competitivas e eficácia», defende aquele responsável. O documento foi assinado pelo Presidente dos CTT, Francisco de Lacerda, e entre as empresas aderentes encontram-se, por exemplo, a PT, a Microsoft, a Nestlé Portugal, a RTP ou o Banco Santander Totta. ELSA DUARTE ● 23 CAPA Lehman Sisters Fátima Carioca Membro da Direção da AESE e Professora na área de Fator Humano na Organização A conciliação da vida laboral e familiar continuará a ser um tema muito presente no futuro próximo, dado o panorama do progressivo envelhecimento da população europeia. A tudo isto não é alheio a incorporação da mulher no mercado laboral (90% das mulheres em idade ativa trabalham profissionalmente, cerca de 50% da população empregada), bem como as alterações sociais com ele relacionadas (taxa de natalidade, equilíbrio na relação conjugal, dedicação à família, educação dos filhos, cuidado de familiares e não familiares dependentes). As estatísticas revelam-no de uma forma muito fria: em Portugal, o índice de fecundidade está em cerca de 1.32 (face aos mínimos desejáveis de 2.1); a idade média de maternidade está nos cerca de 30 anos (tendo o 1º filho em média aos 28 anos), etc. Estas mulheres, portuguesas, além disso trabalham muito (cerca de 85% das mulheres profissionais trabalham a tempo total, face a cerca de 15% que trabalha a tempo parcial, metade da média europeia). Curiosamente, e mesmo em organizações onde é possível aceder a regimes laborais de horário reduzido, normalmente apenas 1/3 das mulheres respondem que, caso tivessem essa oportunidade, optariam por esse regime. A razão mais óbvia é a de que receberiam menos. A segunda razão apresentada é a de que essa opção limitaria as suas possibilidades de promoção. Este raciocínio leva a várias conclusões: a de que o tempo, as necessidades económicas e as ajudas institucionais têm um papel muito importante na relação entre a família e o trabalho; e a de que são vários os agentes sociais que contribuem para uma resposta integrada a esta problemática. O problema não é a evolução social, em concreto não é a incorporação da mulher na vida profissional. Essa é uma evolução natural, fruto da diversidade e da igual dignidade entre todos os seres humanos. O problema não é mais um problema de deficit de mulheres no mundo laboral. O problema advém de que essa incorporação não foi acompanhada com igual velocidade pelas necessárias mudanças, nem na envolvente sócio-politica, nem na cultura empresarial, que dariam consistência a esse crescimento. Este é um caminho que ainda falta caminhar! Mas sem essa 24 LEMBRO-ME DE ROSABETH MOSS KANTER A PERGUNTAR COM GRAÇA SE TERIA SIDO DIFERENTE SE O LEHMAN BROTHERS FOSSE O LEHMAN SISTERS. E A RESPOSTA É CLARA - SEGURAMENTE QUE SIM - MAS NÃO É SIMPLES base estrutural dificilmente será possível aplicar políticas de conciliação para que o equilíbrio família-trabalho se consiga sem excessivos traumas, nem exigências heroicas, e permita aos implicados – homens e mulheres – resolver as tensões diárias com o maior grau de liberdade possível. O problema é agora uma questão de oportunidade e talento. As mulheres são um talento que as empresas, as organizações em geral, o mundo não se pode dar ao luxo de desperdiçar. Porquê? Porque há um mundo novo a construir. A necessidade de realizar mudanças complexas, profundas e criativas na economia, na educação, nos negócios, na organização social e laboral requer a colaboração solidária de todos, homens e mulheres. É uma missão gigantesca e bela mas também uma oportunidade única. Farão as mulheres a diferença? Lembro-me de Rosabeth Moss Kanter a perguntar com graça se teria sido diferente se o Lehman Brothers fosse o Lehman Sisters. E a resposta é clara - seguramente que sim - mas não é simples. Quem dera poder afirmar que, por serem mulheres, o ambiente seria mais aberto e inclusivo, nas suas decisões ouviriam mais stakeholders, as oportunidades e perspetivas que se equacionariam seriam mais diversificadas e que, tudo isto, permitiria minimizar a ocorrência de cenários semelhantes aos que estiveram na origem da crise financeira. Teorias à parte, é este o grande desafio, não são a maior flexibilidade nos horários, as medidas familiarmente responsáveis. Todas estas práticas são importantes. Mas o verdadeiro desafio é a criação de uma cultura empresarial mais aberta e inclusiva, aberta a novas trajetórias profissionais, a ideias e práticas inovadoras no trabalho e nos negócios, a partilha de responsabilidades em parceria. É essa a verdadeira mudança promovida pela presença feminina no mundo das empresas: uma cultura mais humana, que permita que o trabalho profissional, sendo uma realidade que faz parte da vida, seja sobretudo um âmbito de realização e de vida para as gerações de homens e mulheres do século XXI. PARTICIPADAS Postcontacto desafia o futuro No mercado altamente concorrencial da Publicidade Não Endereçada, a Postcontacto continua a consolidar a sua posição de liderança. Em 2013 mantém-se atenta aos sinais desse mercado e constrói um plano de ações ambicioso focado na resposta às necessidades dos clientes e no aumento de quotas No passado dia 8 de fevereiro, teve lugar a reunião anual da Postcontacto que contou com a presença do Conselho de Gerência, constituído por Dionísia Ferreira, Isabel Lourenço e Hernâni Santos, e dos 40 trabalhadores da empresa. As principais realizações de 2012 conseguidas com o envolvimento de toda a equipa, o estudo de mercado Publicidade Não Endereçada 2012 e as ações e metas para 2013 foram os temas abordados no encontro e que aqui damos conta. Isabel Lourenço, Gerente da Postcontacto, começa por destacar a concretização de uma iniciativa inédita e que resultou num êxito assinalável: a formação e avaliação de 26 fornecedores. De forma sistemática e organizada, esta foi a primeira vez em que cerca de 200 fornecedores de todo o país receberam formação em sala, sob o lema “Consigo Distribuir Melhor”. Depois, no âmbito da certificação de qualidade, foi possível avaliar o desempenho de cada um e identificar aquele que em cada Delegação Regional se destacou pelo nível de qualidade de serviço. Os quatro melhores tiveram direito a prémio. A entrega decorreu no final da reunião anual e esteve a cargo de Hernâni Santos, Dionísia Ferreira e Isabel Lourenço (ver caixa: Fornecedores no Quadro de Honra). «A ação decorreu acima das expetativas, com níveis de aPOSTa PARTICIPADAS 115 Fornecedores no QUADRO DE HONRA adesão muito altos, num ambiente de grande participação, em que não faltaram a troca de ideias e experiências, e relatos de boas práticas ligadas à distribuição de publicidade. Estreitaram-se os laços com os nossos fornecedores e notou-se uma maior articulação e melhoria dos processos, com vantagem para ambas as partes, e naturalmente também para os nossos clientes». Face ao balanço, Isabel Lourenço garante que «esta iniciativa vai continuar e certamente iremos introduzir novidades para potenciar os níveis de eficiência na distribuição e o selo de confiança na marca CTT». A auditoria de acompanhamento da certificação de qualidade realizada em 2012 concretizou-se com sucesso, tendo a empresa APCER realçado que «houve uma interiorização e aplicação dos conceitos de qualidade pela equipa da Postcontacto». Também no ano passado se assistiu ao reconhecimento e valorização da área de Controlo Operacional, «que com as suas auditorias regulares no terreno, foi ganhando protagonismo e credibilidade junto dos operacionais e dos fornecedores que passaram a vê-la como uma mais-valia para o desempenho da atividade». Outro destaque vai para a dinamização da área comercial, através de campanhas de angariação e fidelização de clientes, como a do grupo dos Mosqueteiros, que consistiu na visita a todas as lojas, uma vez que cada unidade comercial tem autonomia para escolher o seu fornecedor. «Com este trabalho persistente, que envolveu também a rede de vendas CTT, passamos de uma quota de 57% para 74% das lojas da marca». Outro dado relevante tem a ver com os bons resultados da avaliação da qualidade de serviço da Postcontacto realizada pelos clientes. No correio não endereçado, «a IKEA atribui-nos um prémio de qualidade porque atingimos em 2012 uma taxa de sucesso de distribuição do catálogo de 97%». De igual modo, no correio endereçado, a campanha do catálogo La Redoute registou melhorias significativas em todos os indicadores disponibilizados pelo Cliente. Líder incontestável de mercado Quanto aos resultados do ano, «por via dos novos negócios, que registaram um crescimento de 26%, conseguimos alavancar a nossa receita, que se situou nos 11 milhões e 141 mil euros, menos 4% que no ano transato. O tráfego caiu 5,1% e os resultados EBITDA continuam com valores razoáveis perto dos 2 milhões e 450 mil euros». O melhor fornecedor nacional «As ações realizadas pela Postcontacto contribuíram para o crescimento da equipa ao nível da organização e responsabilidade na execução do serviço e para que a informação fluísse melhor entre coordenadores, prestadores e Delegação, garantindo maior consistência ao nível da qualidade de serviço prestado aos clientes. É uma honra termos recebido o prémio de melhores prestadores de serviço da Postcontacto em 2012. Foi o resultado de um trabalho conjunto de coordenação A IKEA ATRIBUIU À POSTCONTACTO e prestação de serviçoDE e oQUALIDADE culminar do esforço queTER UM PRÉMIO POR fizemos e que nos responsabiliza ainda mais para o ATINGIDO EM 2012 UMA TAXA DE próximo ano. Estamos preparados para prestar serviço SUCESSO DE DISTRIBUIÇÃO de acordo com as normas e exigências que nos forem DO CATÁLOGO DE 97% estabelecidas pela Postcontacto». Anedinos Santos, Página d’Estrela O melhor fornecedor da Delegação Sul «As ações de formação foram muito importantes, pois permitiram-nos conhecer melhor as normas e o método de distribuição do serviço que nos foi entregue, tanto endereçado como não endereçado. As avaliações servem para sabermos até que ponto estamos a fazer a distribuição corretamente. Assim, podemos corrigir algum erro que possamos estar a cometer, com vista a uma melhoria contínua». Lorival Steinbach 27 PARTICIPADAS Fornecedores no QUADRO DE HONRA O melhor da Delegação Norte «As ações de formação foram extremamente importantes para adquirirmos mais conhecimento e assim irmos ao encontro do que o cliente pretende, ou seja, melhorar a qualidade e aumentar a sua satisfação. A avaliação permitiu aperfeiçoar a forma como desempenhamos algumas das nossas tarefas, numa tentativa de fazer sempre mais e melhor para atingirmos os melhores resultados possíveis». Eliana Oliveira, Paginotícia O melhor da Delegação Lisboa «A ação de formação foi um desafio que abraçámos desde o primeiro momento. Os conselhos e informações que nos foram ministrados resultaram numa melhoria dos serviços diários de distribuição que desempenhamos e numa maior responsabilidade para com a Postcontacto. A nota que nos foi atribuída, fruto do nosso desempenho, vem traduzir a justeza da avaliação. Mais ações desta envergadura deveriam ser postas em prática, periodicamente, para serem ouvidas as equipas que colaboram. Por vezes existem necessidades que ao serem atendidas resultam na melhoria dos serviços e no consequente lucro para ambas as partes, que têm o mesmo fim comercial, a obtenção de resultados positivos». Fernando Gomes 28 Em 2012, o mercado da PNE (Publicidade Não Endereçada) diminuiu 14,6% em volume (1,3 mil milhões folhetos) e 18,7% em valor (22,4 milhões de euros), de acordo com os resultados do estudo de mercado realizado pelo IMR – Instituto de Marketing Research. A Postcontacto perdeu menos volume do que o mercado (9%), ganhando assim quota (40.3%). Fruto dum reajustamento necessário de preços, perdeu mais em valor que o mercado, no entanto, ainda mantém uma quota apreciável de 45,2%, bastante distanciada dos três principais concorrentes, com quotas de 16%, 13% e 7,5%. «Nos tempos complexos que vivemos, estes resultados não podem servir para “descansar”, mas apenas para incentivar a fazer mais e melhor. Até porque a concorrência está atenta ao comportamento do líder e às suas vantagens competitivas», alerta Isabel Lourenço. Outra conclusão do estudo revela que o mercado tende para a concentração, com três ou quatro operadores credíveis. Ocorreram também alterações no processo de seleção dos operadores: para lá do reforço da pressão sobre o preço, o cumprimento de timings, o controlo e reporte fidedigno da operação ganharam peso na decisão dos clientes. Os grandes clientes diminuíram as quantidades e o número de campanhas anuais. A Postcontacto é referida como uma empresa credível e de confiança, atingindo um índice de notoriedade de 100%. Os clientes percecionam as melhorias no desempenho da proposta de valor da Postcontacto, reconhecendo-lhe um conjunto de vantagens que a evidenciam da concorrência: capacidade de distribuição de grandes quantidades, posse de base de dados fidedigna, distribuição correta na zona pretendida e um alto nível de confiança na marca. Depois há outros aspetos em que a Postcontacto está equiparada ao principal concorrente, os chamados “pontos de equilíbrio”: a informação sobre a planificação das campanhas e a capacidade de resposta a pedidos de informação e pedidos não programados. Um mar de oportunidades Os resultados obtidos neste estudo permitiram à Postcontacto uma melhor identificação das características do mercado e do comportamento dos clientes. Na posse desta informação foram então delineados os principais desafios para 2013. Foi apresentada uma nova estrutura da empresa. As quatro Delegações Regionais anteriores foram concentradas aPOSTa PARTICIPADAS 115 POTENCIAR SERVIÇOS DE VALOR ACRESCENTADO, ROBUSTECER AS REDES DE CORREIO ENDEREÇADO E NÃO ENDEREÇADO, OTIMIZAR CUSTOS, MELHORAR OS SISTEMAS DE CONTROLO E MANTER AÇÕES DE FORMAÇÃO AO NÍVEL DAS “BOAS PRÁTICAS” SÃO OS OBJETIVOS DA EQUIPA POSTCONTACTO em três (Norte, Centro e Sul) à semelhança da rede de distribuição CTT. A nível do negócio o foco vai para a dinamização do correio não endereçado, que está a perder volume e valor. As próximas eleições autárquicas surgem como uma oportunidade para inverter a tendência deste mercado. «Já estamos a trabalhar em conjunto com as Redes de Vendas CTT para uma boa preparação desta campanha que se vai desenvolver em três vagas (março, junho e setembro), contemplando as instituições associadas às eleições, os partidos políticos, candidatos e autarquias». A exemplo do que foi feito com o grupo dos Mosqueteiros, vão continuar as campanhas de angariação e fidelização junto de lojas dos Clientes E’Leclerc, Decathlon e outros. Para a promoção da excelência no relacionamento como os clientes «está construído um plano de ações para a melhoria dos pontos menos positivos detetados no estudo de mercado, de forma a chegarmos ao final deste primeiro semestre com índices de qualidade que nos permitam distanciar da principal concorrência». No início do ano arrancou o processo de Certificação Ambiental (ISO 14001:2004), a ser concluído em dezembro. Potenciar serviços de valor acrescentado, robustecer as redes de correio endereçado e não endereçado, otimizar custos, melhorar os sistemas de controlo e manter ações de formação ao nível das “boas práticas” são os objetivos da equipa Postcontacto. Isabel Lourenço acredita que apesar dos tempos conturbados, 2013 apresenta-se como um «mar de oportunidades». «Não sendo um mar calmo, mas com ondas agitadas, é necessário enfrentá-lo com determinação para chegar a bom porto». ROSA SERÔDIO ● 29 INTERNACIONAL CTT marcam presença internacional Em dois eventos internacionais e numa entrevista a uma revista britânica dedicados ao setor postal e ao mercado CEP, o Presidente dos CTT falou sobre o posicionamento estratégico da empresa que lidera, numa altura em que se prepara para a privatização Francisco de Lacerda, Presidente do Conselho de Administração dos CTT, participou na “World Mail & Express Americas Conference 2013”, que decorreu de 26 a 28 de fevereiro, no Rio de Janeiro, Brasil, subordinada ao tema “Entrega: O Desafio Universal”. A conferência reuniu os presidentes e CEO das empresas postais dos países da América e da Península Ibérica, com destaque para o Brasil, Chile, Panamá, Uruguai, bem como altos dirigentes de empresas de distribuição. Os participantes tiveram oportunidade de abordar o momento vivido pelas empresas do setor, no 30 que respeita ao elemento central da sua atividade: a entrega efetiva de objetos físicos num contexto em que os modelos de negócio e os desenvolvimentos da atividade postal sofrem transformações determinantes nas áreas legais e da concorrência. No dia 27, Francisco de Lacerda apresentou o tema “CTT Portugal, a strong operator with a partnership perspective”, dedicado ao posicionamento estratégico dos Correios portugueses e ao papel crucial do desenvolvimento de parcerias para a implementação dessa estratégia, tendo em vista a privatização da empresa em 2013. Na mesma sessão intervieram os presidentes das três maiores empresas de Correio da América do Sul: Wagner Pinheiro de Oliveira, do Brasil, Pablo Montané, do Chile, e Juan Claudio Tristan, da Argentina. Com um forte perfil de negócio, os CTT são um operador de referência internacional e um forte “benchmark” europeu em termos de rentabilidade, pelo que num contexto de acentuada diminuição do tráfego postal tradicional e de substituição eletrónica os CTT apresentam, nos últimos seis anos, uma excelente e consistente aPOSTa INTERNACIONAL 115 Presidente dos CTT na conferência do Rio de Janeiro performance que lhe tem permitido obter uma sustentada posição financeira e entregar ao Estado, seu Acionista, um valor correspondente a 276% o valor do seu capital social. Liberalização do mercado, contexto económico, claro posicionamento estratégico e uma abordagem horizontal multi-focal do seu programa de transformação em curso, são os fatores-chave para os CTT enfrentarem os desafios do futuro, tendo em vista a sua privatização. Para esse objetivo, as parcerias com os diversos stakeholders são igualmente um fator crítico de sucesso. CTT preparam o futuro Na entrevista concedida à Mail & Express Review, uma publicação britânica dedicada ao setor postal e ao mercado CEP (Courier, Express & Parcels), edição de março, Francisco de Lacerda confirma a importância das ligações internacionais, principalmente com países ibero-americanos. «Os CTT integraram a União Postal das Américas, Espanha e Portugal (UPAEP) em 1990 e, desde então, temos estado ativamente empenhados em colaborar com os operadores postais desses países. Temos trabalhado de uma forma aberta e colaborativa, permutando as melhores práticas, partilhando os nossos conhecimentos e experiência». O editor da revista, John Modd, lançou várias questões com vista a obter um conhecimento mais amplo sobre a empresa detida na totalidade pelo Estado, em que «existe um compromisso com o acionista no sentido da privatização até ao final do ano corrente. Já estamos a preparar a empresa neste sentido», afirmou o Presidente, esclarecendo sobre o papel do Regulador Português das Comunicações (ANACOM), que «é responsável pela emissão de licenças e autorizações aos operadores, pela CLARO POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO E UMA ABORDAGEM HORIZONTAL MULTI-FOCAL DO SEU PROGRAMA DE TRANSFORMAÇÃO EM CURSO SÃO OS FATORES-CHAVE PARA OS CTT ENFRENTAREM OS DESAFIOS DO FUTURO, TENDO EM VISTA A SUA PRIVATIZAÇÃO supervisão da qualidade e dos preços dos serviços postais no serviço universal, assim como pelo controlo do cumprimento. A liberalização postal total obrigará a uma evolução permanente do quadro regulatório de modo a garantir um funcionamento equilibrado de um mercado cada vez mais competitivo e a salvaguardar os interesses dos consumidores». Outro tema abordado diz respeito à adesão da sociedade portuguesa às novas formas de comunicar, com tendência crescente da substituição da comunicação física pela eletrónica. «Isto constitui uma ameaça para os CTT como para qualquer outro operador postal. Contudo, acreditamos que esta substituição salienta o nosso papel principal, que é ser uma excelente plataforma de comunicações, alavancando a distribuição de encomendas e tentando assegurar uma quota de mercado significativa nesse processo». Esta realidade leva o entrevistador a querer inteirar-se dos desafios que a organização está a enfrentar e que Francisco de Lacerda enumera: a transformação necessária para adaptação à tendência estrutural da substituição eletrónica, acelerada pela recessão económica, que faz decrescer de forma consistente os volumes 31 INTERNACIONAL «AS CAPACIDADES DE ADAPTAÇÃO DEMONSTRADAS NOS ÚLTIMOS ANOS, A QUALIDADE DOS NOSSOS TRABALHADORES, A CONFIANÇA NA MARCA E A FORTE SITUAÇÃO FINANCEIRA SÃO MAIS-VALIAS NAS QUAIS OS CTT ESTÃO A BASEAR A SUA TRANSFORMAÇÃO». FRANCISCO DE LACERDA de correio, mas que impulsiona o crescimento na distribuição de encomendas; a construção de um quadro regulatório no seguimento da liberalização do mercado postal; a preparação para a privatização. «Os níveis de automatização, eficiência e qualidade, as capacidades de adaptação demonstradas nos últimos anos, a qualidade dos nossos trabalhadores, a confiança na marca e a forte situação financeira são maisvalias nas quais os CTT estão a basear a sua transformação». Inovação e mudança A mudança tem vindo a ser concretizada através do 32 desenvolvimento de diversas soluções, como correio híbrido, plataforma de caixas de correio eletrónicas, e-mail seguro e arquivo físico e digital, que «combinam necessidades de comunicação físicas e eletrónicas de uma forma que apenas operadores postais como nós são capazes de desenhar». A acentuada procura de soluções digitais, a que não é alheia a crescente tomada de consciência sobre a proteção ambiental, levou os CTT a criar uma oferta integrada que responda a estas necessidades. São serviços de comunicação eletrónica, análise geográfica, gestão de documentos e desmaterialização, que «criam novos caminhos para garantir a fidelidade dos nossos clientes». Estas mensagens foram igualmente levadas pelo Presidente dos CTT à capital espanhola, quando no dia 13 de março marcou presença na conferência anual do Marketforce, “European Postal Services: Inovação e Mudança”, considerado o principal evento do setor postal que atrai altos dirigentes de operadores e empresas internacionais, num total de mais de 200 participantes, oriundos de mais de 40 países. O rápido crescimento do comércio eletrónico nos últimos anos mudou a dinâmica do mercado postal, fazendo rejuvenescer uma indústria que ano após ano se confronta com o declínio do correio físico. As empresas postais têm agora de centrar o seu negócio nas novas necessidades dos clientes, cujo desejo de rapidez, conveniência e interatividade constitui um desafio sem precedentes. Paralelamente, as imparáveis inovações tecnológicas apresentam oportunidades significativas para os Correios se modernizarem e fazerem crescer o seu negócio. Na sessão em que interveio, “CEO Forum”, o Presidente dos CTT esteve acompanhado por outros Chief Executive Officers, nomeadamente, Javier Cuesta Nuin, dos Correios de Espanha, e Aavo Kärmas, dos Correios da Estónia. Após apresentação do tema “Inovar para o sucesso: a aproximação ao cliente”, Francisco de Lacerda integrou o painel de discussão onde, entre outras, foram debatidas matérias como o setor postal europeu e a crise da zona euro, o e-commerce e a queda do tráfego postal e a adaptação dos Correios às exigências atuais dos clientes. ROSA SERÔDIO ● aPOSTa RUBRICA 115 DESTAQUE legenda 33 DAR UM GIRO Pedras que falam! «Quando um povo, em virtude das más cabeças dos homens que o constituem, ou de condições históricas e geraes, está em decadência, como o nosso, permita-se ao menos aos que amam a terra em que nasceram furtar-se, pela contemplação e estudo das cousas do passado, ás misérias do presente», escreveu José Leite de Vasconcelos, In “Religiões da Lusitânia”, Vol.I, 1897 Bem-vindo aos 120 anos do MNA O Museu Nacional de Arqueologia faz 120 anos em 2013. No dia 20 de dezembro de 1893 era fundado o então Museu Etnográfico Português, pela mão de um dos mais ilustres vultos da cultura portuguesa dos séculos XIX e XX, José Leite de Vasconcelos. A sua vasta obra é um legado que abrange campos de estudo tão diversos como a filologia, a linguística, a literatura, a etnografia, a arqueologia ou a numismática, onde procurou fazer prova de que a herança do passado é indissociável daquilo que somos no presente. Médico, investigador, professor, etnólogo, arqueólogo, teceu ao longo da sua vida uma teia de contactos regulares com milhares de pessoas, desde os camponeses pelas terras onde passou aos intelectuais europeus que conheceu em congressos e excursões, dando origem ao maior epistolário jamais conhecido por um autor nacional. A sua coleção de 24.289 cartas, trocadas com 3.727 correspondentes, foi publicada em 1999 pelo Museu Nacional de Arqueologia e merece nota especial nesta revista dos CTT. 34 Mas o ilustre estudioso é sobretudo lembrado pela extraordinária obra sobre o povo português, os seus modos de vida e tradições, de que se destaca a abordagem exaustiva e metódica às “Religiões da Lusitânia”, um tratado em três volumes que deu origem à exposição temporária com o mesmo nome, inaugurada pelo MNA em 2002, por altura do centenário da publicação do primeiro tomo. «Esta minha contribuição litteraria, humilde como é, não corresponde de modo algum á grandeza do facto que tem por fim comemorar; mas leve-se-me em conta a sinceridade com que, através dos mil espinhos do assumpto, busquei projectar alguma pouca luz numa das matérias mais obscuras e desconhecidas da nossa antiga historia – as religiões da Lusitania». Este é o ponto de partida para uma visita ao espaço museológico que integra o magnífico Mosteiro dos Jerónimos, onde anualmente passam milhares de pessoas, nacionais e estrangeiras, com particular relevo para as escolas e aPOSTa DAR UM GIRO 115 O culto aos mortos: urnas funerárias, vasilhas e unguentários de óleos e perfumes Guerreiros calaicos e berrões (javalis) em pedra «ENTRE OS DEUSES DA LUSITANIA É ENDOVELLICO O DE QUE RESTAM MAIS MONUMENTOS, E TAMBÉM AQUELLE A RESPEITO DE QUEM MAIS SE TEM ESCRITO. A HISTORIA DO DEUS É EXCEPCIONALMENTE IMPORTANTE», IN “RELIGIÕES DA LUSITÂNIA”, VOL.II academias do país. A vocação desta instituição é contar a história do povoamento do nosso território, desde as origens até à fundação da nacionalidade. Para desmontar pedra por pedra, começando pela ala oriental do museu, ao fundo da sala. Loquuntur Saxa Pedras que falam, reza o título em latim. Mas antes mesmo da interpretação das inscrições, a religiosidade estava associada ao culto das forças da natureza, paisagens sagradas com as suas entidades abstratas que se manifestavam nas águas, montanhas e bosques. Nas palavras de Leite de Vasconcelos, «em virtude da admiravel propensão do homem para a personificação e mesmo ás vezes dramatização, quer dos grandes espectaculos naturaes, como o gyro dos astros, as mudanças da atmosphera e das estações, a agitação dos mares, os volcões, os terremotos, quer dos phenomenos, mais modestos, do crescimento das plantas, da vida dos animaes, tão semelhante á delle, do deslisar, ora pacifico, ora tumultuoso dos rios, e do marulho sempre suave das fontes, – não é de estranhar que entre os cultos antigos se encontre, ao lado do das correntes fluviaes,(…) também o das fontes». As montanhas, com o seu aspeto majestoso e solitário, foram locais de culto que se perpetuaram não raras vezes até aos nossos dias, com a construção posterior de santuários, ermidas, capelas que foram reinterpretando os rituais sagrados ao longo dos tempos. De alguns há registos sobre práticas antigas, como o Promontorium Sacrum, ou Cabo de São Vicente em Sagres, onde o cronista romano Estrabão falou de costumes indígenas praticados pelos visitantes, mas onde ninguém ousava chegar de noite, por ser então restrito aos deuses. Aos cultos indígenas e seus “numina tutelares”, ou entidades abstratas que ofereciam proteção contra as forças secretas da natureza, foram-se sobrepondo outras deidades personalizadas, a quem se prestavam cultos e rituais sacrificiais. Muitas das crenças e tradições das épocas pré-históricas ter-se-ão mesmo fundido através das crenças e tradições populares em alguns costumes cristãos que derivam do paganismo. A mitologia pré-romana dos povos autóctones revela, sob a forma de testemunhos esculpidos na pedra, a existência de uma miríade de divindades, como Atégina, Bandua ou Endovélico. «Entre os Deuses da Lusitania é Endovellico o de que restam mais monumentos, e também aquelle a respeito de quem mais se tem escrito. A historia do deus é excepcionalmente importante», revela Leite de Vasconcelos. Aras, tábulas e cipos foram descobertas no cerro de São Miguel da Mota, no Alandroal, Alentejo, mas também fragmentos de objetos de 35 DAR UM GIRO A PENÍNSULA IBÉRICA É CONHECIDA DESDE A ANTIGUIDADE PELA RIQUEZA DE JAZIDAS DE METAL, ONDE ABUNDAVAM O COBRE, ESTANHO, OURO E PRATA. A EVOLUÇÃO DAS TÉCNICAS DE METALURGIA TROUXERAM DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO E CULTURAL AOS POVOS barro e vidro, além das esculturas de homens e de animais a que se dá o nome de ex-votos, ofertas que cumprem promessas pelas graças obtidas. Endovélico era um deus ctónico, que residia nas cavidades da terra, a quem os devotos vinham pedir proteção e cura contra doenças. Depois da invasão romana, que acrescentou às divindades indígenas da “Hispania Aeterna” os deuses clássicos da “Roma Aeterna”, o culto de Endovélico que seria tópico, circunscrito a uma pequena área geográfica, espalhou-se e tornou-se popular pela Península Ibérica. Muitas vezes associado ao deus romano da medicina Esculápio, ou Asclépio para os gregos, Endovélico sobreviveu até ao século V, quando o cristianismo se implantou na região. A tolerância religiosa como forma de aculturação romana permitiu a continuação dos rituais anteriores, mas os deuses trazidos pelos comerciantes e militares, como Júpiter, Minerva, Vénus, Marte, Mercúrio, começaram a ganhar seguidores, que os cultuavam publicamente. O culto imperial, que divinizava o imperador, era também político, enaltecendo os exércitos, a guerra, a vitória e os seus deuses. Mas havia os cultos privados, em casa, prestando devoção a génios e lares. Do oriente chegariam novas influências religiosas, cultos de mistério e revelação, oriundos da região da Palestina, como o judaísmo e o cristianismo, monoteístas, que acabariam por proibir os cultos pagãos e destruir muitos dos seus símbolos. Tanto os rituais da vida como os da morte, que coexistiam até aí, passariam a obedecer aos costumes da religião cristã que impunha a inumação dos corpos. Exemplos de sarcófagos pagãos e urnas romanas para as cinzas podem ser vistos na parte final da exposição, que não chega todavia ao período cristão. Nas lápides várias leemse, o nome, a idade e a filiação dos falecidos, algumas vezes as circunstâncias em que a morte os surpreendeu. O sincretismo religioso é em todo o percurso expositivo 36 Foto cedida pelo MNA a ideia dominante. Apesar das correntes e influências, a evolução não se fez tanto de ruturas, como da apropriação de rituais e recriação de divindades para aplacar os mesmos medos e mistérios que desde sempre maravilharam o homem. A Sala do Tesouro Num corredor estreito por trás do espaço dedicado às religiões da Lusitânia, encontra-se a bem guardada Sala do Tesouro onde se exibem as valiosíssimas peças que compõem a exposição permanente dos “Tesouros da Arqueologia Portuguesa”. O Museu possui uma coleção de notáveis objetos de joalharia antiga, proveniente de escavações ou comprada a ourives e achadores, que é representativa da evolução da metalurgia desde os seus primórdios até à Alta Idade Média. A Península Ibérica é conhecida desde a antiguidade pela riqueza de jazidas de metal, onde abundavam o cobre, estanho, ouro e prata. O Neolítico peninsular era caracterizado por comunidades simples de pastores e agricultores, mas o Calcolítico marcaria a descoberta das técnicas de metalurgia, que trouxeram desenvolvimento económico e cultural aos povos. A navegação marítima e o primitivo comércio mediterrânico e atlântico, contribuíram para o contacto entre povos e o cruzamento de influências que assinalaram o início da Idade do Cobre. A adoção deste metal maleável e dúctil, que podia ser martelado a frio ou a quente, foi decisiva para a criação de objetos de caça, instrumentos de trabalho agrícola, armas de guerra, a partir de técnicas primitivas. Também o ouro começou por ser trabalhado segundo métodos semelhantes, de esmagamento de pepitas e martelagem do metal, até DAR UM GIRO A SALA EGÍPCIA É UM NÚCLEO CONSISTENTE PARA A COMPREENSÃO DA FASCINANTE CULTURA DA CIVILIZAÇÃO DO NILO. AQUI SE DESVENDAM MITOS, TRADIÇÕES E CRENÇAS, ATRAVÉS DE PEÇAS QUE TESTEMUNHAM MAIS DE CINCO MIL ANOS DE HISTÓRIA serem obtidas chapas finas recortadas ou espirais de fios e arames. Eram joias com formas singelas, delgadas lâminas de ouro, diademas, pendentes, contas tubulares e espirais. Os métodos foram aperfeiçoados com o início da Idade do Bronze, metal que se obtém a partir da liga entre cobre e estanho, trazendo uma importante inovação tecnológica: a moldagem. Esta permite a criação de adornos fundidos em moldes, tais como braceletes maciças circulares ou ovaladas, decoração geométrica rica e exuberante, peças cada vez mais pesadas, numa clara ostentação simbólica de poder. O final da Idade do Bronze é o apogeu da ourivesaria europeia, com toda a faixa atlântica ligada por uma complexa rede de trocas comerciais. O metal é protagonista do comércio de longa distância e o acesso às jazidas de minério é negociado entre chefes comunitários através de presentes e ofertas. O tamanho, quantidade e peso das joias é proporcional ao poder e influência que exercem. Surgem as técnicas de molde em cera perdida e soldadura. A nossa ourivesaria tem neste período a sua mais brilhante expressão, com verdadeiras obras-primas de ourives como o colar da Herdade do Álamo, as braceletes da Cantonha ou a xorca de Sintra. Os contactos com o mundo mediterrânico trariam mais tarde influências orientais, pela mão dos Fenícios, por volta dos século VIII a.C.. Novos gostos e técnicas introduziram uma produção que privilegiava a leveza, contrastes cromáticos, decoração povoada por temas vegetalistas, antropomórficos, zoomórficos, simbólicos. As joias perderam peso, a qualidade do ouro melhorou com novas ligas, surgiram técnicas como a filigrana e o granulado, em amuletos, anéis e arrecadas que ainda hoje são ex-libris da joalharia nacional. Os CTT preparam um livro sobre “Ourivesaria Arcaica em Portugal – O Brilho do Poder”, da autoria dos arqueólogos Virgílio Correia, Rui Parreira e Armando Coelho Ferreira da Silva, que pretende celebrar a riqueza e singularidade destas peças, com data de lançamento agendada para o próximo mês de setembro. O mestre e os Faraós A exposição permanente de “Antiguidades Egípcias” é a maior de Portugal, constituída por mais de 500 peças das quais 300 estão em exibição. Em 1909, o fundador José Leite de Vasconcelos fez uma visita de estudo ao Cairo e trouxe de lá cerca de 70 objetos, a que se juntaram as 200 peças obtidas pela Rainha D. Amélia durante a sua viagem em 1903, que reverteriam para o Estado em 1910, bem como doações de outras ilustres famílias. As peças testemunham mais de cinco mil anos de história, onde estão representados os grandes períodos da civilização egípcia. Logo na entrada é recordada a frase relatada pelo escritor Eça de Queirós, após a sua passagem por terras faraónicas em 1869: «o Egipto é um país simples, luminoso e claro». A sala egípcia é um núcleo consistente para a compreensão desta fascinante cultura, suas tradições e crenças, tão longínquas das terras lusas. Por exótica que pareça a coleção, já que O olho de Hórus, símbolo da vitória do bem sobre o mal 37 DAR UM GIRO «O TEJO TEM NA FOZ UMA LARGURA DE VINTE ESTÁDIOS (*) E UMA PROFUNDIDADE TÃO GRANDE QUE PODE SER NAVEGADO POR BARCOS COM MAIS DE DEZ MIL ÂNFORAS DE CAPACIDADE», ESTRABÃO, GEOGRAFIA, LIVRO II. (*3700 METROS) Olaria romana da Quinta do Rouxinol não temos no nosso país tradição egiptológica, aqui se desvendam alguns mitos do imaginário coletivo, como os segredos das múmias ou a maldição dos faraós. Quanto aos despojos humanos, que sobre si concentram tão envolvente sortilégio, são conhecidas novidades recentes, após o estudo imagiológico feito no verão de 2011 aos dois sarcófagos expostos, inserido no pioneiro Lisbon Mummy Project, onde se revelou que uma da múmias veneradas era um coxo ancião com patologias ósseas, o outro sofria de cancro na próstata. Entraram nos juncais da eternidade, nos campos de Haru, depois de pesados os corações e julgados os preceitos do Livro dos Mortos. O conceito de salvação eterna, a deusa-mãe Ísis com a criança no colo, o ressuscitado deus Osíris, o filho Hórus que o salvou, contaminaram outros credos entre nós mais populares. A iluminação difusa da sala respeita a função dos objetos, que não foram feitos para ver a luz do dia, mas para acompanhar os defuntos na sua passagem, como bagagens para o além. Aí se encontram máscaras funerárias, vasos de vísceras, animais mumificados como aves e crocodilos, ou outros espólios tumulares. Há também os objetos do quotidiano como pentes e sandálias, os sílices, os vasos de boca negra, as paletas com as quais se pintavam os olhos de tintura preta, recipientes de mármore ou alabastro, estatuetas votivas, amuletos e escaravelhos. E há ainda as divindades da civilização do Nilo que aparecem de surpresa às crianças dos ateliês pedagógicos, como Anúbis com a sua cabeça de chacal ou Tot com cabeça em forma de íbis… lugar entre os séculos II e V d.C.. Os fornos de combustão produziam loiça de cozinha e de mesa para uso diverso, mas também as ânforas destinadas ao envase e transporte de molho de peixe, o famoso “garum” de Olisipo (Lisboa), e de vinho. A exposição é apoiada por acervo do Ecomuseu Municipal do Seixal e vai estar patente no MNA até 30 de junho de 2013. Numa sala contígua encontra-se a mais recente mostra “Mudança global. Símbolos e técnicas do agro-pastoralismo no Alto Alentejo”, que ficará em exibição até ao fim de abril. Aqui se pode compreender o processo de neolitização iniciado no sexto milénio a.C., com a novidade das técnicas introduzidas no quotidiano das populações, a domesticação dos animais e plantas, a ocupação humana do território e as suas marcas na paisagem, o aproveitamento de recursos naturais como a água, que se torna estrada de transporte fluvial entre os rios Guadalquivir, Guadiana e Tejo. As peças expostas, entre as quais réplicas que podem ser manuseadas pelos visitantes, pertencem ao MNA e ao Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado do Vale do Tejo em Mação. O Museu Nacional de Arqueologia é o local certo para revisitar o passado ancestral do nosso povo também através dos livros. A biblioteca está aberta a todos os interessados, dos estudantes e investigadores ao público em geral. Venha celebrar estes 120 anos que concentram milénios de história e de cultura. RAQUEL MOZ ● Museu Nacional de Arqueologia Ânforas, alfaias e afins A ala ocidental do Museu é ocupada por duas exposições temporárias mais recentes, que são resultado de parcerias com outras instituições. A “Quinta do Rouxinol. Uma olaria romana no estuário do Tejo” foi encontrada em 1986 na zona de Corroios, Seixal, onde são apresentados os achados do sítio arqueológico e recriada a indústria que ali teve Mosteiro dos Jerónimos Praça do Império, Belém Horário de Abertura: 3ª a Domingo, 10h-18h Preço: €5 (com descontos) Grátis: Domingos das 10h-14h, crianças até aos 14 anos. www.mnarqueologia-ipmuseus.pt *Agradecimento especial ao Dr. António Carvalho, Diretor do MNA, e à Dra. Maria José Albuquerque, Responsável pelo Serviço Educativo. 38 aPOSTa AGENDA CULTURAL 115 * “The XX Lisboa Night + Day”, no Jardim da Torre de Belém, em Lisboa, 5 maio, 18h00, 49€ mús * “Iron Maiden”, no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, 29 de maio, às 20h00, de 33€ * “MUSE – The 2nd Law Tour”, no Estádio do Dragão, no Porto, 10 de junho, às 20h00, 56€ * “Bon Jovi – Because We Can – The Tour”, no Parque da Bela Vista, em Lisboa, 26 de junho, às 20h00, 59€ destaque * ”Sumol Summer Fest 2013”, na Ericeira Camping, 28 e 29 junho, 18h00, 40€ * “Super Bock Super Rock 2013”, na Aldeia do Meco, 18 a 20 julho, às 16h00, 48€ * “Mafalda Arnauth e Conservatório de Música de Sintra - apresentam Audácia”, no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, 4 de maio, às 21h30, 8€ * “Broadway Baby”, no Teatro Rivoli, no Porto, a 12 abril, às 21h30,15€ * “Lar, Doce Lar”, no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, até 14 abril, sexta e sábado às 21h30, domingo às 16h00, 12€ a 22€ * “Capuchinho Vermelho – Teatro Infantil”, no Teatro Municipal Sá de Miranda, em Viana do Castelo, até 28 de junho, sábados às 11h00 e 15h00, 20€ * “Uma Noite em Casa de Amália”, no Teatro Politeama, em Lisboa, terça a sexta às 21h30, sábado às 17h00, 21h30 e domingo às 17h00, 30€ teatro destaque * “Humor com Humor se Paga”, no Teatro Maria Vitória, em Lisboa, quinta e sexta às 21h30, sábado e domingo às 16h30, 21h30, 15€ * “Há Muitas Razões para uma Pessoa Querer ser Bonita”, no Teatro Aberto, em Lisboa, quarta a sábado às 21h30, domingo às 16h00, 15€ * “O Livro dos Escuteiros”, de Marta Reis, Oficina do Livro, 15,90€ * “História Politicamente Incorreta de Portugal Contemporâneo”, de Henrique Raposo, Editora Guerra & Paz, 13,99€ destaque * “As Dez Questões da Recuperação”, de João César das Neves, Dom Quixote, 16,90€ * “O Leitor de Cadáveres”, de António Garrido, Porto Editora, 18,80€ * “O Ano Sabático”, de João Tordo, Dom Quixote, 15,90€ * “Vou Ser Pai”, de Mário Cordeiro, Marcador, 17,50€ * “As Esganadas”, de Jô Soares, Editorial Presença, 14,90€ “Obra Convidada - Lucas Cranach, o Velho”, no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, até 28 abril, terça das 14h00 às 18h00; quarta a domingo das 10h00 às 18h00, 5€ “Esculturas Sonoras 1994 - 2013”, na Culturgest, em Lisboa, até 19 maio, segunda, quarta, quinta e sexta das 11h00 às 19h00 (encerra 29/3, 31/3 e 1/5); sábado, domingo e feriados das 14h00 às 20h00 (encerra 29/3, 31/3 e 1/5), 2€ “360 Ciência Descoberta”, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, até 2 junho, terça a domingo das 10h00 às 18h00, 5€ A história desenvolve-se a partir de uma consideração pouco abonatória de Rui (Jorge Corrula) acerca da beleza da namorada, Xana (Ana Guiomar). Insegura e fragilizada, a jovem gera um turbilhão de situações que envolve os melhores amigos do casal, a atraente Carla (Sara Prata) e o inescrupuloso Daniel (Tomás Alves). livros * “Uma Deusa Para o Rei”, de Mari Pau Dominguez, Editorial Presença, 18,50€ * “Viva com energia”, de Brendon Burchard, Casa das Letras, 16,90€ Mafalda Arnauth, que prepara neste momento um novo trabalho discográfico, associa-se a este espetáculo que marca o arranque oficial de uma campanha de angariação de fundos para a construção de novas instalações para o Conservatório de Música de Sintra. O espetáculo será antecedido por uma breve cerimónia de lançamento. Rio de Janeiro, 1938. Um perigoso assassino anda à solta nas ruas. O alvo: mulheres jovens, bonitas e... gordas. A arma: irresistíveis doces portugueses. Para investigar os crimes, o famigerado chefe de polícia Filinto Müller designa uma trupe hilariante: um delegado sempre rabugento, assessorado por um auxiliar obtuso e medroso. expos destaque “Cartazes de Propaganda Chinesa”, no Museu do Oriente, em Lisboa, até 27 outubro, segunda a domingo das 10h00 às 18h00, sexta das 10h00 às 22h00 (entrada gratuita a partir das 18h), 5€ “Graça Morais – Desastres de Guerra”, na Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, em Lisboa, até 14 abril, segunda a domingo das 10h00 às 18h (encerra terças e feriados), 4€ A mostra de pintura e desenho de Graça Morais inaugura o ciclo de exposições temporárias da Fundação Arpad Zsenes – Veira da Silva para o ano de 2013. Os trabalhos expostos foram criados com base em fotografias de imprensa sobre as quais a artista trabalhou alterando escalas, espaços, gestos, posições, direções e mesmo os protagonistas. * As sugestões assinaladas com este símbolo podem ser adquiridas nas Lojas CTT ou através da loja virtual e da bilheteira on-line em www.ctt.pt 39 EMISSÕES Música para o espírito e alimento para o corpo A Filatelia portuguesa arrancou o ano de 2013 em grande com o lançamento da emissão alusiva ao Bicentenário do Nascimento de Richard Wagner e de Giuseppi Verdi, seguida do segundo grupo dos Sabores do Ar e do Fogo, que antecede o livro do mesmo nome a sair no final de maio O novo ano filatélico dos CTT Correios de Portugal trouxe para gáudio de filatelistas, melómanos e amantes da cultura duas figuras universais da história da Música. Trata-se do alemão Richard Wagner, natural de Leipzig, e do italiano Giuseppi Verdi, de Roncole. Nascidos em 1813 nunca se terão encontrado, mas residem vizinhos nas telas da fama da história pelo seu talento artístico germinado numa Europa romântica, em tempo de grandes convulsões políticas e sociais. Ambos criaram obras perenes, cujo valor e sensibilidade poéticas os perpetuam além da morte. Wagner foi um artista integral, com formação autodidata, alcançando a notoriedade como compositor, além de diretor de orquestra, poeta e teórico musical, tendo revolucionado a ópera. A mitologia escandinava embala o seu universo criativo. Entre as suas obras mais conhecidas contam-se “A Valquíria” da tetratologia “O Anel de Nibelungo” e “Tristão e Isolda” que definitivamente o celebrizaram. Por sua vez, Verdi estudioso da música, funda-se nos preceitos da tradição italiana, inovando para alcançar a verdade e o realismo dramáticos, inspirado em temas históricos. A sua consagração acontece em 1842 com a ópera “Nabuco”, seguindo-se êxitos de repertório lírico como “Rigoletto” e “Aïda”, entre outros. Já com 80 anos compõe a ópera “Falstaff”, que seria o seu último trabalho e a primeira incursão pela comédia, reconhecidamente “uma obra-prima de virtuosismo músico-teatral”. Eternizados também em selos A emissão “Bicentenário do Nascimento de Richard Wagner e de Giuseppe Verdi”, lançada em 31 de janeiro, adiciona dois novos selos da taxa para a Europa (E 20g) e dois blocos especiais (1,50 €) à lista dos pequenos múltiplos de arte, em tom de “música filatélica” impactante. A tiragem dos selos, expostos em folhas de 50 unidades, é, para cada homenageado, de 145 mil estampilhas e os blocos de 50 mil. A imagética dos selos assenta no retrato dos compositores e nos blocos por detalhes artísticos alusivos a duas das suas obras fundamentais (A Valquíria 40 aPOSTa EMISSÕES 115 e Falstaff). Quer os selos das folhas, quer os dos blocos apresentam uma picotagem tipo “Cruz de Cristo”, como vem sendo recorrente. Completa a emissão a pagela, cuja capa regista as assinaturas dos homenageados em pormenor de partituras, e os respetivos sobrescritos e carimbos de primeiro dia de Lisboa, Porto, Funchal e Ponta Delgada. DO ALIMENTO ESPIRITUAL AO CONFORTO GASTRONÓMICO, A FILATELIA PORTUGUESA MARCA PRESENÇA INTEGRAL COM SELO DE QUALIDADE Do etéreo para a gula A segunda emissão de 2013 aconteceu a 15 de março e constitui um forte estímulo ao pecado da gula. Este novo grupo de “Sabores do Ar e do Fogo”, com livro garantido em maio, desfila um conjunto de primores gustativos que falam predominantemente alentejano, mas também algarvio, beirão e açorenho. Oito novos selos e um bloco alimentam a filatelia portuguesa com sabores genuínos. Pela emissão perpassam cinco selos, mais dois do bloco, com imagens de enchidos e presuntos com sabor a cerdo de raça alentejana, curtidos na extensão rústica do montado, onde as carnes soltam o travo transformado da bolota. Os outros três sabores representam também terras e regiões afirmadas na nossa gastronomia. Para que conste, pelos selos apresentados em folhas de 50 exemplares, desfilam o paio branco (I20g), o paio enguitado (E20g) e o chouriço mouro (N20g), todos de Portalegre, o chouriço de carne (A20g) e a farinheira (N20g), ambos de Estremoz e Borba, além da farinheira de Monchique (A20g), dos maranhos da Sertã (I20g) e da morcela de S. Miguel (E20g). Já o bloco apresenta dois selos de 1,00 € cada com os célebres presuntos de Barrancos e de Santana da Serra. Todos exibem design de AF Ateliê e fotos de Mário Cerdeira. Na pagela, cuja capa ilustra um fumeiro tradicional, os leitores encontrarão todas as informações e características físicas e organoléticas destes sabores prazenteiros. A emissão apresenta um total de 1 milhão e 50 mil selos e 50 mil blocos. Os sobrescritos e carimbos de primeiro dia registam as quatro cidades habituais. Em jeito de remate final apetece referir que o sabor destas duas emissões complementa-se generosamente. Do alimento espiritual ao conforto gastronómico, a filatelia portuguesa também marca presença integral com o seu selo de qualidade. Um bom pretexto para ouvir e provar as maravilhas nelas estampadas. Como habitualmente, poderá fazer a encomenda na sua loja CTT, na Filatelia, av. D. João II, Lt. 1.12.03, 4º, 1999-001 LISBOA, em www.ctt.pt, ou através do endereço fi[email protected]. JOSÉ DUARTE MARTINS ● 41 OPINIÃO A importância crescente da comunicação na empresa Eduardo Guedes de Oliveira Presidente da APCE – Associação Portuguesa de Comunicação de Empresa TEMOS DE SER POSITIVOS E PROJETAR AS PESSOAS NO FUTURO! COMUNICAR INTERNAMENTE, POR MEIO DE FERRAMENTAS E SUPORTES APROPRIADOS, DE FORMA A FAVORECER O ORGULHO DE PERTENÇA E A MOTIVAÇÃO 42 A comunicação representa uma das necessidades mais básicas do homem desde que vive em sociedade organizada. Na génese das relações sociais e comportamentais do ser humano está a comunicação e o ato de comunicar tem tido um alcance inegável ao longo dos séculos. Ninguém pode negar a importância da comunicação na relação entre as pessoas e de uma forma geral em todos os aspetos da nossa vida social. Grande parte dos mal entendidos e conflitos que, por vezes, surgem na vida das pessoas, das empresas e até dos Estados são devidos a problemas, ou até, à falta de comunicação. Em qualquer tipo de organização se comunica, quer seja interna, como externamente. Tudo depende da dimensão da empresa e da estruturação da mesma, mas na maior parte das empresas e organizações a área de comunicação tem uma tendência para surgir de forma integrada e única com as suas várias valências. A nosso ver, esta tendência, que se verifica vem comprovar a necessidade que as empresas têm de se obter coerência em termos de mensagens e ideias a veicular, bem como os ganhos de produtividade que se obtêm ao colocar as várias áreas de comunicação a trabalhar de forma conjunta e com evidentes ganhos de sinergia, como um serviço organizacional homogéneo, no qual não existem sobreposições de tarefas e se evitam as designadas “quintas” e “quintinhas”. Importa comunicar melhor na empresa e obter resultados através dos colaboradores. Para isso há que trabalhar a Missão, a Visão e os Valores da empresa. Confiança, compromisso e cooperação são fatores cruciais em termos de comunicação e devem ser trabalhados pela sua relevância para a criação de uma motivação adicional nestes tempos difíceis que estamos a atravessar em Portugal. Temos de ser positivos e projetar as pessoas no futuro! Comunicar internamente, por meio de ferramentas e suportes apropriados, de forma a favorecer o orgulho de pertença e a motivação. Acredito sinceramente que através de melhor e mais comunicação se pode e consegue mudar a cultura organizacional. Os novos media (Intranet, redes sociais, blogues, etc), bem como as rádios e televisões corporativas (on line e via streaming) ganham cada vez um maior espaço face às restantes ferramentas de comunicação tradicionais (revista, newsletter, vídeos, manuais, quadros de aviso, circulares e até eventos e encontros internos). Potenciar os comportamentos de cidadania organizacional pode ser uma outra forma de envolver os colaboradores da empresa. A participação em programas de voluntariado pode ser um excelente exemplo disso mesmo. Nos tempos que correm este papel de cidadania e responsabilidade social corporativa é essencial. A comunicação empresarial nas suas inúmeras manifestações deve ser bem mais e melhor reconhecida e compreendida (Comunicação Externa, Relações Institucionais, Lóbi, etc…). Um forte catalisador de energia e um imperativo estratégico para as empresas dos nossos dias. Comunicar não só é estritamente necessário para o ser humano, como para as empresas. Porque quem não comunica, não existe! Para existir há que comunicar! VAGARES 115 RUZADAS ALAVRAS PALAVRAS CRUZADAS KU SUDO SUDOKU 7 8 1 5 3 GRAU DE DIFICULDADE:✪✪✪★★ 9 7 2 8 5 3 8 1 3 6 4 2 6 1 4 5 7 9 8 4 6 2 1 3 2 9 7 6 8 5 6 2 8 3 5 1 4 9 7 5 9 7 1 6 2 3 4 8 3 6 4 5 7 8 9 2 1 2 8 1 4 3 9 7 5 6 PALAVRAS CRUZADAS: HORIZONTAIS: 1 - Bissau; Mo. 2 - Aspar. 3 - Bata; ar. 4 - Cromo. 5 - Uh. 6 - Receitas. 7 - Te; Es. 8 - Barcarola. 9 - Sá; grei. 10 Aforro; sã. 11 - Dá; Ni. 12 - Teatro. 13 - Raio; água. VERTICAIS: 1 - Bebé; rabeador. 2 - Me; fá. 3 - Seta; curso; ti. 4 UE; cárneo. 5 - AA; chita; ria. 6 - Usar; tergo; tá. 7 - Prova; or; erg. 8 - MA ; seles ; ou. 9 - Oríon; saião. DIFERENÇAS: 1. Sombra carteiro, 2. Logotipo carrinho, 3. Canetas bolso colete, 4. Foco de luz no chão, 5. Cabeça de estátua trocada, 6. Elemento fundo do corredor, 7. Peça pendurada repetida, 8. Braço carteiro, 9. Holofotes superiores repetidos, 10. Logotipo colete. SUDOKU: SOLUÇÕES: FERENÇA DIFERENÇAS 9 3 13 2 1 12 8 2 4 11 8 9 10 4 6 5 9 5 9 7 8 2 2 7 1 3 6 3 8 5 7 4 6 4 2 7 3 1 6 9 VERTICAIS: 1 - Os CTT levaram até ao Banco do (...), 1700 embalagens solidárias cheias de donativos e a certeza de mais ajuda a quem precisa; que rabeia. 2 - A mim; quarta nota da escala musical. 3 - Flecha; o (...) de Comunicação e Relações Interpessoais atraiu mais de uma centena de pessoas no último trimestre de 2012; planta liliácea da China. 4 - União Europeia (abrev.); da cor da carne. 5 - Autores (abrev.); os CTT já patrocinaram alguns projetos de parceria com o Zoo de Lisboa e o mais recente foi o apadrinhamento da (...) (Acinonyx jubatus), o mais rápido de todos os animais terrestres; espécie de albufeira. 6 - Servir-se; o dorso (poét.); basta. 7 - João Correia, técnico informático e rosto do projeto “Super Atleta 2004”, coordena a “CTT (...) de Deficientes Motores em Cadeira de Rodas” que o Maratona Clube de Portugal organiza; ou (ing.); unidade de trabalho em todas as suas formas. 8 - Miliampere (s. fís.); ponhas selo em; alternativa (conj.). 9 - Constelação austral; subarbusto da família das crassuláceas. 9 1 2 4 5 1 Complete com números de 1 a 9. 4 HORIZONTAIS: 1 - As empresas portuguesa e espanhola de correio urgente do Grupo CTT vão apoiar a Associação Coração sem Fronteiras e levar solidariedade às crianças da Guiné (...); molibdénio (s.q.). 2 - Meter entre aspas. 3 - Tipo de roupão que se usa por cima do vestuário para o proteger; o espaço aéreo. 4 - Gravura a cores. 5 - Designa dor (interj.). 6 - Ao balcão há pratos inesquecíveis, chega agora o projeto “Portugal Connosco – (...) ao Balcão” dirigida aos Atendedores da Rede de Lojas. 7 - A ti; einstêinio (s.q.). 8 - Canção dos gondoleiros de Veneza. 9 – Apelido; rebanho de gado miúdo. 10 - Emitidos desde 1961, os Certificados de (...) são agora uma almofada financeira com maior rendimento; redução em próclise de Santo ou São. 11 - Oferece; níquel (s.q.). 12 - Resiliente no trabalho e apaixonada pelo (...), Julieta Martins tem algo que se ilumina numa contraluz funcional que ativa os sentidos quando é abordada a arte de representar. 13 - Emanação; líquido incolor e inodoro, composto 1 2 3 4 5 6 7 8 9 de hidrogénio e oxigénio. 9 aPOSTa Samuel Trindade / AG / COM Procure as dez diferenças entre os desenhos. 43