Congreso Iberoamericano de las Lenguas en la Educación y en la Cultura / IV Congreso Leer.es Salamanca, España, 5 al 7 de septiembre de 2012 A figura de Santo António no imaginário literário infanto-juvenil ibérico Isabel Dâmaso Santos 1 Sección: Literatura infantil y juvenil 1 Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. [email protected] INTRODUÇÃO A figura de Santo António ocupa um lugar particular na memória colectiva, conferindo-se-lhe o estatuto de santo mais conhecido e venerado em todo o mundo. O culto que foi despertando ao longo dos tempos tem evoluído em diversas perspectivas, adaptando-se a contextos diferentes, de acordo com as necessidades dos devotos e das sociedades em que foi sendo inserido. No espaço ibérico, a literatura, a par de outras formas de expressão artística como a pintura ou a escultura, tem encontrado na figura de Santo António um tópico de interesse, contemplando-o em algumas obras de mérito inquestionável e que, por sua vez, têm contribuído para fazer perdurar a imagem do santo no imaginário colectivo. A área específica da literatura infanto-juvenil reflecte também a rentabilidade da figura de Santo António como personagem central, capaz de atrair o público mais jovem para a leitura. Importa assinalar que esta tendência tem registado oscilações em conformidade com a evolução da sociedade e com os regimes políticos vigentes. Note-se que o Estado Novo em Portugal exaltou a imagem de Santo António como símbolo dos valores morais a incutir. Pretendia-se estimular o patriotismo e o orgulho nacionalista através de figuras portuguesas apresentadas na sua dimensão de heróis internacionais, como Camões ou Vasco da Gama, a par de Santo António. Pelo contrário, a tradição anticlerical espanhola inibiu certamente o recurso à imagem de santos em geral, e de Santo António em particular, na literatura infantil com fins moralizantes. Refira-se que, por exemplo, desde a década de quarenta e até ao início dos anos setenta, Santo António foi uma presença regular em publicações periódicas associadas ao regime político português, nomeadamente Lusitas e Fagulha, que se propunham contribuir para a formação cívica, moral e religiosa dos jovens. Em contrapartida, na imprensa espanhola verifica-se a ausência total do tratamento desta figura. As alterações políticas vividas na Península Ibérica em meados da década de setenta fizeram-se sentir também na literatura infantil, abrindo caminho ao tratamento de assuntos até aí proibidos ou pouco tratados. Surgem, então, novas temáticas, protagonizadas por novos heróis, que vão atrair autores, ilustradores e leitores. Verifica-se o uso de uma linguagem mais próxima da realidade infanto-juvenil que suscita formas de ilustração também mais apelativas, algumas das quais já experimentadas anteriormente mas que encontram uma maior expressividade, no caso da literatura antoniana infantojuvenil, a partir da década de noventa, impulsionada pelas comemorações do VIIIº centenário do nascimento de Santo António, em 1995, e até aos nossos dias, escopo temporal em que se centra a abordagem que se segue. 1 EM PORTUGAL Em Portugal, a literatura antoniana infanto-juvenil 2 fica marcada na década de noventa pela publicação de duas traduções: - a partir do italiano, em 1993, António de Lisboa, texto de Giuseppino de Roma, com ilustrações de Anna Curti; - a partir do catalão, em 1995, Santo António de Lisboa. Missionário fora de série, texto de Francesc Gamissans, com ilustrações de Jordi Longaron. Ambas as obras relatam os episódios mais emblemáticos da vida e da taumaturgia de Santo António, distinguindo-se essencialmente pela especificidade das ilustrações que condiciona o discurso. Ao passo que a artista italiana inclui pequenos apontamentos florais com a função de separadores para os diversos episódios e apresenta ilustrações de grande dimensão num traço mais clássico, o ilustrador catalão opta pelo formato de Banda Desenhada. Esta aposta numa modernização da linguagem em todos os sentidos, permite a ilustração do discurso directo através dos balões, combinando exclamações de foro religioso com expressões coloquiais, e chega, nas últimas páginas, à representação gráfica da actualidade do leitor, no que diz respeito ao seu aspecto físico e à sua relação com o culto antoniano. Pode-se considerar que estas obras vêm retomar o ciclo de publicações de literatura antoniana dirigida aos mais jovens, após um interregno de cerca de trinta anos, condicionado pelas alterações políticas e sociais do último quartel do século XX. Com efeito, regista-se um volume considerável de obras e de imprensa infanto-juvenil em torno da vida e dos milagres de Santo António dadas à estampa até aos anos setenta e a partir da década de trinta, na sequência das comemorações do VIIº centenário da canonização do santo. Assim, teríamos de esperar alguns anos até voltarmos a encontrar uma publicação de origem portuguesa inspirada na figura de Santo António e dirigida ao público mais jovem. Refiro-me à história “Santo António e o diabo”, parte do livro Diabos, diabritos e outros mafarricos, que Alexandre Parafita publicou em 2003, com ilustrações de Fátima Buco. Trata-se de uma colectânea de contos e lendas de tradição oral, em torno da figura do diabo e de outras entidades demoníacas, criaturas que tanto fascínio exercem junto dos mais novos. Neste caso, a versão relatada foi recolhida pelo autor em 1999, em Castelãos (Macedo de Cavaleiros), tendo como informante Maria Virgínia Pires Torres, de 39 anos. Consiste num texto curto que explora com humor a perspicácia de Santo António e as travessuras do Diabo, utilizando um vocabulário acessível, de cariz familiar, e que revela fortes marcas de oralidade. Esta antologia enquadra-se na tendência que se tem 2 Vide artigo da autora (Isabel Dâmaso Santos) sobre literatura antoniana infanto-juvenil publicada em Portugal entre 1895 e 1995: “Santo António dos Pequeninos: literatura e ilustração”, in Actas do 6º Encontro Nacional (4º Internacional) de Investigação em Leitura, Literatura Infantil e Ilustração, Braga, Universidade do Minho, 2009, pp. 181-190. 2 verificado de recuperar e difundir textos de tradição popular que, graças a alguns especialistas, continuam a ser recolhidos, recontados e devolvidos às novas gerações 3 . Neste domínio, há que referir “A afilhada de Santo António”, conto popular que António Torrado retomou da tradição 4 para transformar em peça de teatro em 2002. A adaptação dramática, estruturada em verso, foi publicada apenas em 2007 e o encenador João Mota levou-a ao palco do Teatro da Comuna a partir de Janeiro de 2008. Esta adaptação, que respeita o argumento tradicional, evidencia a riqueza da linguagem e a subtileza humorística que caracterizam as obras deste conceituado autor de literatura infantil. Igualmente em 2007, é publicado Santo António, da autoria de Ana Oom, com ilustrações de Sarah Pirson. Esta biografia do santo, que constitui o oitavo livro da colecção «Nomes com História», conta com a revisão técnica da Associação de Professores de História, conferindo credibilidade ao conteúdo, e pretende dar a conhecer aos leitores mais novos “personalidades que se destacaram e que contribuíram largamente para o desenvolvimento e reconhecimento do nosso país.” (p. 4). Estas palavras de abertura revelam uma clara intenção didáctica que é reforçada no final através de duas secções da responsabilidade de Inês Pupo: “No tempo de…”, uma tábua cronológica com o registo dos principais episódios da vida de Santo António, contrapondo acontecimentos históricos ocorridos em Portugal e no mundo (pp. 42 e 43), seguida de “Será que sabes?”, um questionário, em modalidade de escolha múltipla, que visa rever e condensar as informações mais relevantes sobre a biografia do santo (pp. 44 e 45). Inês Pupo é também a autora do poema acróstico que antecede a história (p. 6). Em 2008, José Manuel Castro Pinto escreve Chamo-me…Santo António de Lisboa, com ilustrações de Isabel Quintino, que integra a colecção «Chamo-me…», “uma colecção juvenil de biografias de personagens universais.” (p. 64). Estes relatos encontram-se apresentados em primeira pessoa, aproximando-se do discurso autobiográfico, o que constitui porventura uma estratégia para aumentar o índice de interesse no público-alvo, leitores a partir dos nove anos, conforme se indica na contracapa. Tal como no caso supramencionado, são apresentados, no final e em paralelo, dois quadros cronológicos: um relativo à vida de Santo António e outro referente a factos históricos considerados marcantes para a época (pp. 62 e 63). A partir da versão do romance “Santo António e os passarinhos” que integra o Romanceiro Português e Brasileiro: Índice Temático e Bibliográfico, de Manuel da Costa 3 Vide artigo da autora (Isabel Dâmaso Santos) sobre literatura portuguesa antoniana infanto-juvenil com raízes na literatura popular: “A figura de Santo António: da literatura popular à literatura infanto-juvenil”, in Sartingen, Kathrin e Gimeno Ugalde, Esther (org.), Perspectivas actuais na Lusitanística, Munique, Martin Meidenbauer Ed., 2011, pp. 65-76. 4 O conto “A afilhada de Santo António” integra a primeira edição de Contos Populares Portugueses, de 1879 (pp. 43-46), da responsabilidade de Adolfo Coelho, e foi também publicado no número 17 da Revista Moderna do Semanário Ilustrado (pp. 269-271), dedicado a assinalar o VIIº centenário do nascimento de Santo António. 3 Fontes (pp. 278-280), e contando com as belíssimas ilustrações do premiado João Caetano, publiquei em 2009 Fernando, Santo António e os passarinhos, que integra a colecção «Lendas de Portugal Ilustradas». Trata-se de uma adaptação do texto da tradição oral que relata o milagre dos passarinhos que o santo operou quando era criança. Procurei transformar este episódio, desconhecido do imaginário actual, numa história contada de uma forma cativante e próxima do universo infantil, no que toca à mensagem, à estrutura e à linguagem. As últimas páginas (pp.41-44) apresentam o «Rali de Santo António», que consiste numa proposta de passeio pela zona de Alfama e Graça (locais intimamente relacionados com a vida do santo), com vista a estimular o espírito de aventura e descoberta, e que se encontra dividido em três etapas: o “Rali Fernando”, em torno dos monumentos que marcam os primeiros anos de vida do santo - a Igreja de Santo António e a Sé de Lisboa; o “Rali Medieval”, que percorre a zona envolvente do Castelo de São Jorge; o “Rali Vicente”, centrado no Mosteiro de São Vicente de Fora, onde Santo António ingressou na vida monástica. Na última página (p. 45) é apresentado um crucigrama que o leitor deve completar de forma a obter uma síntese de alguns aspectos importantes da vida do santo. Em 2011, Maria João Gomes escreve e ilustra Santo António de Lisboa, o livro inaugural da colecção «Outros Heróis Portugueses» com enfoque em “portugueses que se destacaram ao longo da história por dedicarem a sua vida a ajudar os outros” (contracapa). Narra-se a biografia do santo em curtos trechos acompanhados de ilustrações, pressupondo um leitor ainda pouco treinado na leitura. Igualmente em 2011, Monsenhor Vítor Feytor Pinto prefacia O meu primeiro Santo António, da autoria de Patrícia Luz Pinto, com ilustrações de Carla Nazareth. O relato sobre a vida de Santo António e os seus milagres vai-se desenvolvendo através de um narrador infantil que se dirige ao leitor de modo informal e interpelando-o quanto a aspectos particulares da figura do santo ou do culto que tem suscitado por todo o mundo. O narrador pretende imprimir um ambiente de suspense ao longo do discurso, ao ritmo das novidades que vai descobrindo acerca de Santo António, com o intuito de criar empatia e sensação de partilha com o leitor. As páginas finais (pp. 36 e 37) apresentam um mapa designado «A grande viagem de Santo António» onde se assinala o percurso geográfico feito pelo santo entre Portugal, Marrocos e Itália. Através da estratégia de diálogo entre um avô, contador de histórias, e uma neta, óptima ouvinte e muito curiosa, desenrola-se o mais recente livro infanto-juvenil sobre Santo António. Publicado em Portugal em 2012, A História de António. O Santo sem nome, trata-se de uma tradução levada a cabo por António Maia da Rocha, a partir do original La storia di Antonio, da autoria de Maria Loretta Giraldo, com ilustrações de Nicoletta Bertelle, publicado em Itália em 2009. O título português remete para o facto de Santo António ser conhecido em Itália apenas por “Il Santo”, ou seja, o Santo, dispensando o nome próprio, devido à grandiosidade e à singularidade que envolve a sua figura e que o torna inconfundível. 4 EM ESPANHA Não são conhecidas em Espanha, ao longo das últimas duas décadas, tantas publicações de literatura antoniana infanto-juvenil como em Portugal. Ainda assim, podemos encontrar alguns exemplos bastante interessantes. Há que começar por retomar o livro da autoria de Francesc Gamissans, traduzido para português em 1995, ano em que foi também publicado em Espanha, em catalão e sob o título original Sant Antoni de Pàdua, un missioner súper. Conforme foi já exposto, o recurso à ilustração em formato de Banda Desenhada, da autoria de Jordi Longaron, revela-se o elemento inovador da obra na medida em que este tipo de discurso pode resultar numa concepção gráfica e narrativa muito atractiva para o leitor. Assim, pode-se considerar que esta publicação se inscreve na tradição da BD que alcançou grande projecção a partir de meados do século XX. É neste contexto que importa mencionar a “historia gráfica” (conforme se indica na capa) intitulada Vida de San Antonio de Padua, da autoria de Celia López Sainz, publicada em 1965. Embora fora do arco temporal definido para este estudo, é inevitável reconhecer certas afinidades no traço e nos ambientes retratados pelo ilustrador desta obra, Juan Miguel Fernández, relativamente às ilustrações de Jordi Longaron. Na apresentação, o editor esclarece que o livro reúne os fascículos publicados regularmente na revista dedicada a Santo António, preparada pelos franciscanos do Santuário de Aránzazu (País Basco), e tece as seguintes considerações quanto ao público que visa captar através da opção pelo formato BD: “La forma de esta Biografía en viñetas se ha hecho pensando en los niños, en los adolescentes, que devoran con ansiedad los Tebeos, a veces no del mejor gusto, ni del todo inocentes. (…) Pero no sólo se edita para los niños, sino que puede ser un buen entretenimiento para personas mayores. Sabemos que su publicación en la revista “San Antonio” ha gustado enormemente y hay numerosas personas que esperan con ansiedad su publicación en forma de libro para volver a leer la Vida de San Antonio.” (pp. 8 e 9). Em 1998, é publicado San Antonio de Padua, uma tradução a partir do original francês, da autoria de Marie Baudouin-Croix, publicado esse mesmo ano em Estrasburgo. As ilustrações de Augusta Curelli remetem para o universo pictórico criado por Ana Curti em António de Lisboa (1993) e ilustram os principais passos da vida do santo. As páginas finais (pp. 66-68) condensam informação sobre alguns aspectos relacionados com o culto antoniano, tais como o Pão dos Pobres ou a simbologia iconográfica da figura do Menino Jesus. Em 2006, Frei Antonio Corredor García publica San Antonio de Padua, uma curta biografia do santo que condensa os aspectos mais relevantes, numa fórmula equilibrada entre texto e ilustrações de Cecs Infante Silvia. Em 2008, Ana García Castellano viria revolucionar o panorama da literatura antoniana juvenil em Espanha com a publicação de San Antonio de la Florida, ilustrações 5 de Pablo Amargo. Trata-se de uma narrativa que ficciona o milagre que se encontra pintado por Goya na cúpula da ermida de Santo António da Florida em Madrid. Conta-se como o rei D. Carlos IV decide, por intercedência do iluminado Ministro da Justiça, Melchor Gaspar de Jovellanos, designar o pintor Francisco de Goya para executar a decoração da abóbada da ermida e como o povo da cidade acarinha esta decisão. Tendo como personagens de destaque duas crianças, a infanta Isabel e o seu amigo Ginesillo, narra-se sobretudo o suposto roubo ou desaparecimento de uma jóia da pequena princesa, levando à acusação de um inocente (o pai de Ginesillo), injustiça esclarecida no final, facto que remete para o episódio retratado no fresco de Goya. Simula-se como terá sido este acontecimento, presenciado pelo pintor, que terá determinado os contornos da cena pintada. Aliás, muitos especialistas têm desenvolvido estudos acerca da forma como a pintura da cúpula pretenderia reproduzir alguma situação de injustiça vivida na época, do conhecimento público, através da representação do milagre de Santo António. São feitas também referências ao milagre dos passarinhos, protagonizado pelo futuro santo, ainda criança, bem como a algumas tradições associadas aos festejos de cariz popular dedicados a Santo António. Esta história pode influir na formação dos jovens, na medida em que lhes dá a conhecer um pouco da sociedade oitocentista em que decorre, da construção da ermida de Santo António, do pintor Goya, do culto antoniano e dos hábitos de vida dos madrilenos, adultos e crianças. Embora cada vez mais esquecida, há ainda muitos jovens que guardam na memória a canção popular “San Antonio y los pajaritos”, imortalizada nos anos 90 por Cecilio (Cecilio Serrano) e pelo grupo Nuevo Mester de Juglaría, que terão ouvido trauteada na boca de avós ou de progenitores, e que terá contribuído para delinear a figura de Santo António no imaginário infanto-juvenil em Espanha. A LITERATURA ANTONIANA INFANTO-JUVENIL NO LIMIAR DO SÉCULO XXI CONCLUSÕES No limiar do século XXI, o volume de produção de obras de temática antoniana dirigidas ao público mais jovem é muito superior em Portugal, comparativamente a Espanha, como aliás se registou em períodos anteriores. Em Portugal e em Espanha a década de noventa fica marcada por traduções. Em Portugal, a partir do catalão e do italiano; em Espanha, a partir do francês. O mais recente livro sobre Santo António dirigido ao público mais jovem e publicado em Portugal é também uma tradução do italiano. A primeira década do século XXI regista um crescente interesse pela figura de Santo António, suscitando a publicação de vários trabalhos dirigidos às crianças, quer de autores e ilustradores consagrados no panorama literário infanto-juvenil português, quer de outros menos experimentados nesta área de trabalho. Esta pujança literária é bastante mais notória em Portugal que em Espanha, provavelmente devido à tendência de recuperar ícones identitários que se observa nesta viragem de século. 6 Alguns livros integram colecções de pendor mais ou menos didáctico, de forma mais ou menos lúdica e mais ou menos activa. Estas colecções visam destacar personalidades nacionais e internacionais, reconhecendo na figura de Santo António um valor inestimável e colocando-o a par de heróis como Vasco da Gama, Camões, Einstein ou Picasso. Sobretudo em Portugal, verifica-se que algumas das obras referidas se inspiram na literatura popular e retomam motivos do arquivo memorial do povo, tendo em consideração a forte presença desta figura na cultura popular. Quer se trate de traduções ou de originais, os episódios mais relatos e ilustrados são os milagres mais emblemáticos atribuídos ao santo: o sermão aos peixes, a aparição do Menino Jesus, o milagre da mula. O trabalho editorial de índole religiosa revela-se mais preponderante em Espanha, exceptuando-se o caso da mais recente obra espanhola que, pela especificidade do tema, conta com a chancela do Ayuntamiento de Madrid, em parceria com a associação Amigos del Libro Infantil y Juvenil. Pelo contrário, em Portugal, apesar de se registar igualmente a publicação de obras através de editoras de pendor religioso, parece ter-se descoberto na figura de Santo António um filão editorial com impacto comercial, verificando-se que na última década têm sido várias as editoras, das mais vigorosas às mais desconhecidas, a maioria delas sediada em Lisboa, a manifestar interesse nesta figura, preparando publicações consecutivas dirigidas ao público mais jovem. Nota-se, em geral, uma crescente qualidade e actualidade das ilustrações, facto que se inscreve na tendência para aproximar a linguagem utilizada, os ambientes recriados e a mensagem implícita ao código infanto-juvenil. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Baudouin-Croix, Marie (1988) San Antonio de Padua (Mónica Bobadilla, Trad.). Burgos: Editora Monte Carmelo. Corredor García, Antonio (2006). San Antonio de Padua. Sevilla: Apostolado Mariano. Fontes, Manuel da Costa (1997). Santo António e os passarinhos. In O Romanceiro Português e Brasileiro: Índice Temático e Bibliográfico (pp. 278-280). Madison: Hispanic Seminary of Medieval Studies. Gamissans, Francesc (1995). Santo António de Lisboa. Missionário fora de série (J. M. Fonseca, Trad.). Braga: Editorial Franciscana. 7 Gamissans, Francesc (1995). Sant Antoni de Pàdua, un missioner súper. Barcelona: Editorial Claret García Castellano, Ana (2008), San Antonio de la Florida. Madrid: Ed. Ayuntamiento de Madrid, con Asociación Amigos del Libro Infantil y Juvenil. Giraldo, Maria Loretta (2012). A História de António. O Santo sem nome (António Maia da Rocha, Trad.), Lisboa: Paulinas Editora. Gomes, Maria João (2011). Outros heróis portugueses: Santo António de Lisboa. Lisboa: Alêtheia Editores. López Sainz, Celia (1965), Vida de San Antonio de Padua. Oñate: Editorial Franciscana Aranzazu. Oom, Ana (2007). Santo António, Lisboa: Zero a Oito. Parafita, Alexandre (2003). Santo António e o Diabo. In Diabos, diabritos e outros mafarricos (16-17). Lisboa: Texto Editora. Pinto, José Manuel Castro (2008). Chamo-me…Santo António de Lisboa. Lisboa: Didáctica Editora. Pinto, Patrícia Luz (2011), O meu primeiro Santo António. Lisboa: Publicações Dom Quixote. Roma, Giuseppino de (1993). António de Lisboa (Maria de Lourdes Assis, Trad.). Lisboa: Edições Paulistas. Santos, Isabel Dâmaso (2009). Santo António dos Pequeninos: literatura e ilustração. In Actas do 6º Encontro Nacional (4º Internacional) de Investigação em Leitura, Literatura Infantil e Ilustração (pp. 181-190). Braga: Universidade do Minho. Santos, Isabel Dâmaso (2009). Fernando, Santo António e os passarinhos. S.l.: Edições Meiosdarte. Santos, Isabel Dâmaso (2009). A figura de Santo António: da literatura popular à literatura infanto-juvenil. In Kathrin Sartingen & Esther Gimeno Ugalde (Orgs.). Perspectivas actuais na Lusitanística (pp. 65-76). Munique: Martin Meidenbauer Ed. Torrado, António (2007). A Afilhada de Santo António. In Era uma vez quatro (pp. 87-139). Lisboa: Editorial Caminho. 8