Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação Maria da Graça Neves Investigadora Auxiliar Núcleo de Portos e Estruturas Marítimas LNEC DIA do DEC 2012 Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu Maio de 2012 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves O Porto de Sines Molhe oeste Molhe leste 2 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Porto de Sines na atualidade >Tráfego marítimo 3 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves História do Porto >Sines foi classificada no plano de melhoramento portuário 1929: obras previstas para 1945 o nenhuma das obras previstas foi realizada > Plano intercalar de Fomento 1964-1975 Em 1971 Novo porto: Lisboa, Setúbal ou Sines? o Lisboa, Setúbal : boas condições de abrigo, mas limitados pelas suas barras: navios com calado até cerca de 13 m, com dragagens. o Sines 4 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves História do Porto >Dados os objetivos do Porto Complexo industrial ambicioso Previsto como base de ampliação da economia de Portugal >Sines tinha Grandes profundidades o necessárias para os “supertanques” o a uma distância da ordem de 1Km da costa Boas condições geográficas para a dispersão da poluição atmosférica (indústrias a instalar, não poderiam deixar de poluir) Localizado na rota do crude 5 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves História do Porto >Em 1973 foi adjudicada a primeira fase das obras de construção do porto, constituída essencialmente por terminal de produtos refinados terminal de carga geral Molhe oeste molhe Sul: proteger o sector de carga geral e servir de base ao futuro terminal mineraleiro 6 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves História do Porto >Com o Porto foi ainda projetado Refinaria de petróleo Complexo petroquímico Outras indústrias, pesadas e não só Uma “nova” cidade para 100 000 habitantes o Escolas, centro recreativos, infraestruturas, etc... 7 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves O molhe oeste >Caraterísticas Construído entre 1973-1978 2 km de comprimento e profundidades de ~50 m Objetivo duplo o Proteger da agitação do Oceano Atlântico e apoio aos pipelines de “oil” três postos de acostagem construidos em caixotões e ligados ao quebramar Posto 3 Posto 2 Posto 1 8 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves O molhe oeste >Secção transversal 2 mantos de dolos de 42 ton com declive de 2:3 Onda de projecto, período de retorno de 100 anos: Hs = 11m À data foi a maior estrutura construida numa zona tão exposta 9 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Acidente >Datas 1º temporal: 26 Fev78 (construção do molhe já quase completa) Ondas do temporal com Hs=11m (Hs de projeto) 10 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Acidente >Entre Fev 1978 e Fev 1979 Temporais levaram a acidentes no molhe oeste o Falha dos mantos (perda de 2/3 do material do manto) o Falha na superestrutura na zona onde houve perda de material 11 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Acidente >Aspeto da estrutura depois do temporal de Fev. de 78 12 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Acidente >Aspeto da estrutura depois do temporal de Fev. de 78 13 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Acidente >Aspeto da estrutura depois do temporal de Fev. de 78 Aspeto do dano nos Dolos o Não danificados acima do SWL o Muito danificados abaixo do SWL 14 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Acidente >Aspeto da estrutura depois do temporal de Fev. de 78 Aspeto da superestrutura o Danos na zona onde os dolos desapareceram 15 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Acidente >Aspeto da estrutura depois do temporal de Fev. de 78 16 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Acidente >Secção transversal típica depois do temporal de Fev. de 78 17 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Acidente >Causas da falha “Port Sines Investigating Panel” Falhas na seleção da onda de projeto (falha de conceção) Diferenças entre o quebra-mar construído e as especificações de conceção (falha na construção e na supervisão de construção) O quebra-mar foi atingido por tempestades, quando a construção não estava totalmente concluída (inevitável) Baixa resistência estrutural das unidades Dolos (falha estrutural) Deslizamento global do manto (falha estrutural) Etc. 18 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Causas do acidente >Falhas na seleção da onda da projeto Só havia 1 ano de dados em Sines Dados utilizados: o 7 anos de dados na Figueira da Foz (250 Km a N de Sines) o Dados de navios em rota entre 63 e 71 7.9m<Hs<9.8m ocorre em 0.2% das observações 10.1m<Hs<12.2m ocorre em <0.1% das observações Hs é sempre menor que 12.2m Conclusão retirada pelo “Port Sines Investigating Panel” sobre a amostra: o Não tinha a dimensão adequada o Não tinha a qualidade suficiente para calcular extremos o Efeitos da refração e de grupos de ondas não foi tida em conta 19 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Causas do acidente >Falhas na seleção da onda da projeto Dados em Sines o com base em dados no Cabo da Roca o Hs~8m, Tp~18s 20 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Causas do acidente >Falhas na seleção da onda da projeto Outros dados o Visual e medidos Alguma concordância o Dias 27 e 28 Hs> 5m! o Temporal de 26 Fev. Entre as 9h e as 12h Hmax~8.5-9.5m W – WNW Tp~20 a 22s 21 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Causas do acidente >Falhas na seleção da onda da projeto Estudos posteriores o Temporal de 26 Fev. Entre as 9h e as 12h W – WNW Hmax~8.5-9.5m Tp~20 a 22s Outros estudos o Lab. Central d’Hyd. de France Sugerem que, no pico do temporal: Hs~9.5 – 10m Hmax~14 a 17 m Tp~18 a 20s 22 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Causas do acidente >Falhas na seleção da onda da projeto Estudos posteriores o Nato Po-waves (1998) – Sines 1D Tp θ (projecto NATO PO-WAVES) 23 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Causas do acidente >Falhas na seleção da onda da projeto Estudos posteriores o Carvalho e Capitão (1995): o Períodos de retorno baixos, RP O regime na Figueira da Foz é mais severo que o de Sines o Perídos de retorno maiores Regime em Sines mais severo Carvalho e Capitão (1995) 24 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Reparações >1980 Reparações urgentes Proteger e reativar os postos 2 e 3 Posto 3 Posto 2 25 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Reparações >1989-92 reabilitar o enraizamento (“Root Portion”) e a “Outer Portion” Construir a nova Cabeça Melhorar as obras de emergência 26 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Reparações >Entre o acidente (Fev. 78) e os últimos trabalhos de reparação Foram realizados diferentes ensaios em modelo físico Em diferentes laboratórios Para diferentes soluções Em diferentes escalas >Objetivo dos ensaios foi analisar Estabilidade Galgamento (em alguns casos) 27 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Reparações Reis et al. (2010) 28 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Reparações >1992 Últimos trabalhos de reparação 29 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Porto de Sines na atualidade >Resumo das Reparações > Redução em ≈1.6 km > Cubos Antifer 400kN parte central 900kN no tronco 900kN e 1050kN na nova cabeça > P.Ac.3 e 2 coroamento +19 m ZH (como orignalmente) reduzir o galgamento > P.Ac.2 até à cabeça algum galgamento Coroamento +13.2 m ZH Sem muro cortina P.Ac. 3 P.Ac. 2 P.Ac. 1 30 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Evolução do manto do quebra-mar oeste >Levantamentos periódicos IH – desde 1993 Manto estável >Projeto MEDIRES Levantamentos 2003 - IH Medires 110000 109800 109800 109600 109600 109400 109400 mais detalhados 109200 109200 109000 109000 108800 108800 108600 108600 108400 108400 108200 108200 133400 133600 133800 133400 133600 133800 Santos et al. (2004) 31 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Evolução do manto do quebra-mar oeste >Levantamentos periódicos Manto estável >Projeto Medires alguns levantamentos Diferenças <1m Em pequenas zonas: 2001-2000 2003-2000 109800 109800 109600 109600 Analisou o Entre 1 e 3m Dn dos blocos: 109400 109400 109200 109200 109000 109000 108800 108800 108600 108600 108400 108400 4.5 4 3.5 3 2.5 2 1.5 1 0.5 0 -0.5 -1 -1.5 -2 -2.5 -3 -3.5 -4 -4.5 -5 -5.5 -6 -6.5 -7 -7.5 -8 -8.5 o 3.27 m 133400 133600 133800 133400 Santos et al. (2004) 133600 133800 32 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Estado Atual P. Ac. 3 P. Ac. 2 P. Ac. 1 33 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Reparações futuras Remains of Original Breakwater Rehabilitation of Outer Portion & Construction of New Head Emergency Repair Rehabilitation of Root Portion Final Rehabilitation 34 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Reparações futuras Final rehabilitation >Atualmente Em curso estudos para o Reativar o posto 1 capacidade para navios de 400 000 DWT) o Melhorar as condições de abrigo do porto o Reabilitar a zona final a sul do posto 2 (com 35 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Reparações futuras Area not reconstructed Reconstructed (without superstructure) Berth 1 Reconstructed (with superstructure) Berth 2 Berth 3 Final rehabilitation >Solução proposta e materiais para a reparação final: similar às do atual quebra-mar pois: Comportamento tem sido satisfatório (estabilidade/galgamento) Ganhou-se experiência com os trabalhos anteriores Existe um enorme volume de material a remover e colocar (> 400,000m3) 36 DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Reparações futuras Remains of Original Breakwater Rehabilitation of Outer Portion & Construction of New Head Emergency Repair Rehabilitation of Root Portion >Onda de projeto Final Rehabilitation Return Period (years) Original Project & Emergency Repair (1973-1981) Rehabilitation Works (1989-1992) Final Rehabilitation (not implemented yet) 50 100 10 m 11 m 13.0 m 14.0 m 11.0 m 12.0 m 1 ano de dados de bóia em Sines + 7 anos de dados na Figueira da Foz 25 anos de dados de hindcast (não haviam anos de dados de boias suficientes) 18 anos de dados de uma boia direccional em Sines Reis et al. (2010) DIA do DEC 2012, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu – Maio de 2012 Molhe oeste do Porto de Sines: acidente e reabilitação - Maria da Graça Neves Obrigada! 38