Anais do X Encontro do CELSUL – Círculo de Estudos Linguísticos do Sul UNIOESTE - Universidade Estadual do Oeste do Paraná Cascavel-PR | 24 a 26 de outubro de 2012 | ISSN 2178-7751 A ESCALA COMUM DE VALORES E A INTERAÇÃO NOS FÓRUNS DE UM AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE ESPANHOL COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA (E/LE) Patricia Mussi ESCOBAR1 RESUMO: No ambiente virtual de aprendizagem (AVA) os fóruns são espaços criados para fomentar a interação. O fórum tem um papel fundamental no AVA, pois se configura como uma sala de aula, um lugar colaborativo e cooperativo, cujo auxílio e troca de conhecimento acontece mesmo sem a presença virtual do professor. Por este motivo, vemos nos fóruns a oportunidade de melhorar o processo de ensino aprendizagem se obtivermos mais pessoas interagindo. E é por esta razão que nosso estudo envolve os fóruns e as interações que nele ocorrem, identificando e descrevendo um dos elementos que acreditamos ser fundamental para que estas relações aconteçam: a escala comum de valores (PIAGET, 1973). Acreditamos que as interações ocorrem entre indivíduos covalorizantes (PIAGET, 1973; VETROMILLE-CASTRO, 2007), cujas ações de interesses mútuos são fomentadas através da identificação de valores recíprocos, e esta reciprocidade constitui uma escala comum de valores que fomenta a formação dos agregados (HOLLAND, 2004) que vemos como sistemas adaptativos complexos (SAC). Nossa investigação objetiva identificar e descrever as escalas comuns de valores nas trocas de benefício recíproco (PIAGET, 1973) e os valores envolvidos nas ações de sustentação solidária (ESTRÁZULAS, 2004). Verificar se os grupos nos fóruns do AVA de formação de professores de Espanhol como Língua Estrangeira comportam-se como um SAC. Neste trabalho apresentamos o resultado parcial da pesquisa de mestrado, obtido mediante a análise descritiva, de natureza qualitativa e de interpretação etnográfica virtual (HINE, 2004) das postagens do nosso corpus. PALAVRAS-CHAVE: AVA; E/LE; Interação. RESUMEN: En el entorno virtual de aprendizaje (EVA), los foros son espacios creados para fomentar la interacción. El foro tiene un rol fundamental en el EVA, pues se convierte en un salón de clases, un lugar colaborativo y cooperativo, cuyo auxilio e intercambio de conocimiento ocurre aun sin la presencia virtual del profesor. Por este motivo, vemos en los foros la oportunidad de mejorar el proceso de enseñanza-aprendizaje si obtuviéramos más personas interactuando. Es por esta razón que nuestro estudio involucra los foros y las interacciones que ocurren en él, identificando y describiendo uno de los elementos que creemos ser fundamental para que estas relaciones ocurran: la escala común de valores (PIAGET, 1973). Creemos que las interacciones suceden entre los individuos covalorizantes (PIAGET, 1973; VETROMILLE-CASTRO, 2007), cuyas acciones de intereses mutuos se fomentan a través de la identificación de los valores recíprocos, y esta reciprocidad constituye una escala común de valores que fomenta la formación de los agregados (HOLLAND, 2004) que vemos como sistemas complejos adaptables (SCA). Nuestra investigación tiene por objetivo identificar y describir las escalas comunes de valores en los intercambios de beneficio recíproco (PIAGET, 1973) y los valores involucrados en las acciones de apoyo solidario (ESTRÁZULAS, 2004). Verificar si los grupos en los foros del 1 Licenciada em Letras: Português-Espanhol. Mestranda em Letras: Estudos da Linguagem. Professora tutora da licenciatura de Formação de Professores em Espanhol como Língua Estrangeira (FPELE), do Centro de Educação a Distância da Universidade Federal de Pelotas. E-mail: [email protected]. 1 Anais do X Encontro do CELSUL – Círculo de Estudos Linguísticos do Sul UNIOESTE - Universidade Estadual do Oeste do Paraná Cascavel-PR | 24 a 26 de outubro de 2012 | ISSN 2178-7751 EVA de formación de profesores de español como lengua extranjera se comportan como un SCA. En este trabajo presentamos el resultado parcial de la investigación de la maestría, obtenido por medio del análisis descriptivo, de naturaleza y de interpretación etnográfica virtual (HINE, 2004) de los mensajes enviados al foro por nuestro corpus. PALAVRAS-CHAVE: EVA; E/LE; Interacción. 1 Introdução Nos estudos de Piaget (1991; 2005), o conhecimento humano é construído pela interação entre o desenvolvimento biológico e as aquisições advindas do meio, e em Vygotsky (1979; 1991) lemos que o conhecimento humano acontece nas relações de trocas sociais entre os sujeitos através da mediação e da interação. Ambos teóricos trazem em seus conceitos a importância de valores sociais e individuais para a construção do conhecimento. Transferindo estes conceitos para um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) de línguas estrangeiras (LE), temos a interação como o elemento essencial para que o estudante ative permanentemente os mecanismos mais gerais da inteligência: a adaptação, a organização, a assimilação e a acomodação (PIAGET, 2005, p.20-22), a fim de aperfeiçoar o seu nível de interlíngua e aprender a LE. Corroborando, Paiva (2005, p.35) comenta que “saber uma língua não é apenas uma questão relacionada ao acúmulo de informações sobre as estruturas lingüísticas e o vocabulário, mas também a capacidade de criar novos enunciados a partir das conexões e do gerenciamento de interações orais e escritas”. Contudo, é importante considerar que a Educação a Distância (EaD) é uma modalidade de ensino que se configura pela execução da maioria das atividades de forma assíncrona, sem a orientação presencial diária do docente. E, por apresentar estas características, o intercâmbio de informações para reflexão e discussão poderia ficar comprometido, e dificultar ao sujeito a ativação dos mecanismos mais gerais de funcionamento da inteligência para aprender a LE. Mas, segundo Iriondo-Otero (2008, p.27), isso não deveria ser motivo de preocupação, se pudéssemos contar com os fóruns, espaços criados no AVA especialmente para fomentar a interação. Entretanto, nem sempre o objetivo de uso interativo dos fóruns é alcançado, pois não são todos os indivíduos que interagem de fato, mesmo quando a interação nos fóruns é avaliada. Vemos esta situação como um problema a ser resolvido na Educação a Distância, segundo uma perspectiva sociointeracionista, pois sabemos que para que o processo de aprendizagem ocorra é fundamental que haja interação. Acreditamos que em virtude deste problema, aprender a trabalhar com os grupos e fomentar a interação para a formação deles é o grande desafio dos professores que trabalham com EaD. Procurando uma possível solução para o citado problema, nossa investigação se alicerça na escala comum de valores (PIAGET, 1973), elemento que vemos como fomentador das interações e, portanto, promovedor da formação dos grupos para construção de conhecimento nos fóruns do AVA. De acordo com Piaget (1973, p. 116), “(…) em toda a sociedade existe um número maior ou menor de escalas de valores” e “toda escala de valores corresponde a uma coletividade de covalorização constituída pelo conjunto de indivíduos copermutadores segundo esta escala” (1973, p. 131). Utilizando linguagem coloquial, poderíamos dizer que nosso estudo interpreta os fóruns como uma sala de aula, um espaço oportuno para a emergência das “panelinhas”, um fenômeno muito comum no ensino presencial, expressão que significa um conjunto de pessoas que se agregam por afinidade ou interesses comuns. A formação das “panelinhas” acontece em qualquer etapa da vida, em diferentes grupos sociais, onde uma pessoa pode ter 2 Anais do X Encontro do CELSUL – Círculo de Estudos Linguísticos do Sul UNIOESTE - Universidade Estadual do Oeste do Paraná Cascavel-PR | 24 a 26 de outubro de 2012 | ISSN 2178-7751 várias panelinhas. Os valores são uma espécie de ímã que atrai os indivíduos afins; prova disso também são as tribos sociais, as afinidades que temos com alguns colegas e com outros não, as amizades. As “panelinhas” no AVA são os grupos de alunos que compartilham valores sociais e que têm objetivos comuns. Assim sendo, um dos objetivos desta pesquisa é identificar e descrever estes valores sociais tanto nas trocas de benefício recíproco (PIAGET, 1973), quanto nas ações de sustentação solidária (ESTRÁZULAS, 2004, p. 252), que ocorrem entre os alunos nos fóruns do AVA e fazem com que se formem estas “panelinhas”. O principal objetivo da pesquisa consiste em identificar e descrever uma escala comum de valores a partir das trocas de benefício recíproco, o que não é possível fazer nas ações de sustentação solidária, pois o fato de um indivíduo prestar auxílio ao outro não significa que há covalorização. Aquele que presta auxílio poderá ter em sua escala de valores a colaboração e a solidariedade, mas isso não quer dizer que o sujeito auxiliado também os terá. Além disso, quando um sujeito presta auxílio, o outro, nesta situação, está em condição desigual, o que não permitirá a reciprocidade de benefícios. Nosso trabalho tem como ponto de partida os estudos de Piaget (1973) e a tese de Vetromille-Castro (2007). Esta última investigação constatou que a colaboração e a autonomia são os valores que fomentam a interação entre os sujeitos covalorizantes, mas também considerou a existência de outros valores envolvidos nesta ação. Os resultados preliminares da investigação, apresentados neste trabalho, apontam evidências que aparentam corroborar que além da colaboração e da autonomia há outros valores que fomentam a interação, e que constituem uma escala comum de valores (PIAGET, 1973); e que esta escala fomenta a emergência de um padrão de comportamento interativo por parte dos agentes envolvidos no processo de ensino aprendizagem de E/LE nos fóruns no AVA da disciplina de Língua Espanhola III. Acreditamos que se estes resultados se confirmarem ao finalizar a investigação, deixaremos um espaço para que novas pesquisas se desenvolvam tendo por princípio a covalorização para a interação e produção de conhecimento. 2 Referencial Teórico Holland (2004, p. 28-29), um dos criadores da definição de sistemas adaptativos complexos (SAC), os explica por meio de quatro propriedades e três mecanismos; um destes mecanismos é o que ele descreve em espanhol como “marbeteado”, em inglês como “tagging”, e nós traduzimos para o português como “marcação”. Segundo o autor, este mecanismo, […] facilita consistentemente a formação de agregados [...]. [...] A marcação constitui um mecanismo de sobrevivência para a agregação e para a formação de fronteiras nos SAC. As marcações são traços importantes nos SAC porque facilitam a interação seletiva e permitem aos agentes selecionarem a outros agentes ou objetos, que de outra maneira seriam indistinguiveis. As interações bem estabelecidas baseadas na marcação proporcionam uma base firme para a discriminação, a especialização e a cooperação. Isto, por sua vez, conduz a emergência (aparição) de metaagentes [...]2 (tradução nossa). 2 Texto original: […] facilita consistentemente la formación de agregados […]. […] El marbeteado constituye un mecanismo de supervivencia para la agregación y la formación de fronteras en los SCA. Los marbetes son rasgos importantes en los SCA que facilitan la interacción selectiva y permiten a los agentes seleccionar a otros agentes 3 Anais do X Encontro do CELSUL – Círculo de Estudos Linguísticos do Sul UNIOESTE - Universidade Estadual do Oeste do Paraná Cascavel-PR | 24 a 26 de outubro de 2012 | ISSN 2178-7751 Com base nos estudos de Holland (2004), comprendemos que a “marcação”, de forma semelhante a covalorização (PIAGET, 1973) é a identificação de valores em comum. Como se cada elemento3 participante do processo tivesse uma “etiqueta” mostrando sua escala valorativa. Em nosso contexto de pesquisa, esta escala de valores aparece por meio do texto, pois é nas mensagens postadas nos fóruns que os valores se mostram. A seleção e a agregação ocorre após a leitura “das etiquetas” do texto. Para Hine (2004, p.65), "poderíamos pensar o texto como uma forma de interação empacotada que se move de um lugar ao outro" (tradução nossa) 4. Para a descrição dos valores desta(s) escala(s) utilizaremos como base a terminologia desenvolvida por Shalom Schwartz (2005; 2006) a partir da teoria de Análise do Conteúdo e da Estrutura dos Valores e também do Inventario de Schwartz (SVS). Para Schwartz: "toda atitude, todo comportamento implica necessariamente em mais de um valor. A conciliação entre valores pertinentes e rivais é o que guia as atitudes e os comportamentos” 5 (tradução nossa) (Schwartz, 2006, p.5 apud SCHWARTZ, 1992, 1996). Através do conceito dos tipos motivacionais (valores como meta) de Schwartz (1992; 2006), e da abordagem dos valores como condição inicial para emergência de um comportamento (Piaget, 1973), logramos, com a união destas teorias, uma melhor compreensão do processo de covalorização; pois, além dos valores que são condição inicial para a interação, vemos que há outros, que vão sendo construídos no processo intra e intergrupos nos fóruns, como por exemplo, os valores relacionados à profissão. Com isso queremos dizer, que se um sujeito ambiciona ser didático para poder ser professor, a didática é um ‘valor que ele valoriza’, porém ainda não o desenvolveu (em nivel comportamental), mas deseja tê-lo, é seu valor meta. Assim sendo, para atingir esse objetivo, ele que é covalorizante desta ideia, interage com aqueles que manifestam valores que se configuram como meio de contrução do valor didática. E esta covalorização é a condição inicial para a obtenção do valor meta que orbita em função dos interesses mútuos de ser professor de Espanhol como Língua Estrangeira (E/LE). Vemos os fóruns do AVA de E/LE como sistemas adaptativos complexos, compostos de outros sistemas adaptativos complexos, que chamamos também de agregados, por considerarmos o uso deste termo mais didático, e pelo fato da agregação ser vista por Holland como a propriedade básica deste sistema, de acordo com Holland (2004, p. 28), a agregação "é, de fato, a característica básica de todos os SAC, e os fenômenos emergentes que resultam disso constituem o aspecto mais enigmático dos SAC” 6 (tradução nossa). Interpretamos os fenômenos emergentes como resultantes do processo interativo no agregado, as ações interativas são não lineares e imprevisíveis, pois é graças ao mecanismo de marcação (covalorização para Piaget) que são formados os níveis hierárquicos no SAC. Estes níveis hierárquicos são os grupos, os agregados, que juntos, no grupo e no fórum agem como SAC e u objetos, que de otra manera serían indistinguibles. Las interacciones bien establecidas basadas en marbetes proporcionan una base firme para la discriminación, la especialización y la cooperación. Esto, a su vez, conduce a la emergencia (aparición) de meta-agentes […]. 3 Utilizaremos o termo agente para identificar os envolvidos no processo de ensino aprendizagem (alunos e professores), porque assim como Holland (2004, p.22), acreditamos que “este termo tem a vantagem de ser muito descritivo e evitar preconceitos ” (tradução nossa). 4 Texto original: “podríamos pensar el texto como una forma de interacción empaquetada que se mueve de un lugar a otro”. 5 Texto original : « Toute attitude, tout comportement implique nécessairement plus d’une valeur. L’arbitrage entre des valeurs pertinentes et rivales est ce qui guide les attitudes et les comportements ». 6 Texto original: “(…) es, de hecho, la característica básica de todos los SCA, y los fenómenos emergentes que resultan de ello constituyen el aspecto más enigmático de los SCA”. 4 Anais do X Encontro do CELSUL – Círculo de Estudos Linguísticos do Sul UNIOESTE - Universidade Estadual do Oeste do Paraná Cascavel-PR | 24 a 26 de outubro de 2012 | ISSN 2178-7751 novamente se agregam intra e intergrupo, fenômeno que traz a figura do meta-agente e de multi agente (HOLLAND, 2004), conceitos que nos permitem estabelecer relação com o da inteligência coletiva de Lévy (2004, p.20): É uma inteligencia repartida por todas as partes, valorizada constantemente, coordenada em tempo real, que conduz a uma mobilização efetiva das competencias. Agregamos a nossa definição esta ideia indispensável: o fundamento e o objetivo da inteligencia coletiva é o reconhecimento e o enriquecimento mútuo das pessoas [..] Nesta perspectiva, o ciberespaço se convertiria no espaço instável das interações entre conhecimentos e conscientes de coletivos inteligentes desterritorializados 7 (tradução nossa) (LÉVY 2004, p. 20). A interação entre os agentes e entre os grupos produz e constrói conhecimento de maneira a transformar as trocas que emergem neste grupo de agentes covalorizantes em o que Lévy (2004) define como “inteligência coletiva”. Desta forma, poderíamos relacionar esta “resposta e produto” que surge do processo de aprendizagem de um agrupamento social, com o que Holland define como multiagente: "[...] Uma vez que tais agregados comecem a se formarem, uma mutação pode mover o marcador da fronteira de multiagente "mais acima" do agregado, para formar um multiagente que inclua a vários agentes” 8 (HOLLAND, 2004, p. 154-155). Esta ação resultaria na constituição de outro SAC. Mas os agregados assim formados, poderão também atuar como agentes a um nivel superior, "os meta-agentes podem agregar-se [...] e, também produzir meta-meta-agentes. Quando este processo se repete várias vezes chegamos à organização hierárquica típica dos SAC" 9 (HOLLAND, 2004, p. 27). Isso corresponde a emergência de comportamentos mais complexos a partir de interações agregadas de agentes menos complexos. Em um grupo de alunos que estuda uma língua estrangeira na modalidade a distância, o multiagente representaria uma ação integrada que promoveria a troca entre todos grupos, uma reflexão do conjunto de agregados (SAC) nos fóruns (SAC) a partir da aprendizagem obtida e compartilhada, ação que é resposta, produto e processo do desenvolvimento cognitivo na aprendizagem. O meta-agente promoveria a inter-relação intergrupo. Portanto, o que Wenger (2001) considera comunidade de prática e Braga (2007, p. 66) denomina comunidade de aprendizagem, nós entendemos como conjunto de agregados (SAC), ou seja, a formação de grupos, em uma sala de aula virtual ou física, que emerge por indivíduos que possuem uma escala comum de valores compartilhada em função de interesse(s) e objetivo(s) recíprocos. Este fenômeno contribui para a produção e construção de conhecimento, bem como para a promoção da inteligência coletiva (Lévy, 2004), e em nosso caso, para a formação de professores de Espanhol como Língua Estrangeira. 7 Texto original: Es una inteligencia repartida en todas partes, valorizada constantemente, coordinada en tiempo real, que conduce a una movilización efectiva de las competencias. Agregamos a nuestra definición esta idea indispensable: el fundamento y el objetivo de la inteligencia colectiva es el reconocimiento y el enriquecimiento mutuo de las personas […] En esta perspectiva, el ciberespacio se convertiría en el espacio inestable de las interacciones entre conocimientos y concientes de colectivos inteligentes desterritorializados. 8 Texto original: […] Una vez que tales agregados comiencen a formarse, una mutación puede mover al marcador de la frontera de multiagente “hacia arriba” del agregado, para formar un multiagente que incluya a varios agentes”. 9 Texto original: “los meta-agentes pueden agregarse […] y, a su vez, producir meta-meta-agentes. Cuando este proceso se repite varias veces llegamos a la organización jerárquica típica de los SCA”. 5 Anais do X Encontro do CELSUL – Círculo de Estudos Linguísticos do Sul UNIOESTE - Universidade Estadual do Oeste do Paraná Cascavel-PR | 24 a 26 de outubro de 2012 | ISSN 2178-7751 3 Metodologia Esta investigação envolve o estudo das ações interativas que ocorreram durante um semestre em uma turma de 30 alunos, professores em formação de Espanhol como Língua Estrangeira, mais as duas professoras investigadoras e a professora tutora de um polo, nos fóruns da disciplina de Língua Espanhola III de uma licenciatura, na modalidade a distância, de uma universidade federal localizada na região sul do Brasil. A fonte direta dos dados é o ambiente virtual de aprendizagem (AVA), lugar onde as interações ocorreram. Esclarecemos ainda, que este trabalho iniciou-se após um semestre de encerramento da disciplina de Língua Espanhola III. Entretanto, apesar de a disciplina haver sido encerrada antes do início da investigação, este fato não isenta a pesquisadora de interagir com os dados, uma vez que lhes atribui significado durante o exercício de descrição e análise interpretativa. A atitude da investigadora é aberta e permeável a tudo o que sucede. A análise dos dados traz a interpretação dos significados e funções das atuações. A partir dos objetivos de estudo da pesquisa, buscamos uma metodologia de investigação que melhor se adaptasse a estas características que mencionamos, e que vem orientando nosso trabalho. Pareceu-nos, portanto, pertinente, a eleição de um método aberto a todas as contingências do problema que estuda, que aceite a implicação do investigador no entorno social para a compreensão dos acontecimentos em termos de significado e que possibilite uma interpretação a partir de um contexto e de suas inter-relações adaptativocomplexas. Neste sentido, a nossa necessidade apontou para um estudo etnográfico virtual. Diante do surgimento da etnografia multissituada, conforme a denomina Hine (2004, p.77), compreendemos que o trabalho do etnógrafo será concebido na exploração da ação interativa, a partir da qual ele deverá interpretar semioticamente os dados de um dado contexto conectivo; interpretar nos signos textuais os significados representados e compartilhados, e desenvolver a partir destes uma “descrição profunda”, tal qual nos mencionam Bogdan & Biklen (1994, p. 59). Conforme Hine (2004, p.82): As novas tecnologias da interação permitem que os informantes apareçam dentro da etnografia e também estejam ausentes. Do mesmo modo, o etnógrafo pode estar ausente e presente junto a seus informantes. A tecnologia facilita que estas relações possam deslocarem-se ou manterem-se através de diferentes divisões espaciais e temporais. Todas as formas de interação são etnograficamente válidas, não somente as que implicam uma relação cara a cara. A conformação de um objeto etnográfico, com quanto esteja possibilitada por tecnologias acessíveis, é a etnografia no virtual, do virtual, e através do virtual”10 (tradução nossa) (HINE, 2004, p.82). Assim, muito além das fronteiras espaciais culturais, a etnografia online é uma proposta metodológica que se desenvolveu a fim de adaptar-se à evolução tecnológica, ao advento da educação a distância virtual e à prática pedagógica, mudanças que nos têm trazido cada vez mais a necessidade de novas investigações. A pesquisa qualitativa etnográfica virtual contempla inovações interessantes para os estudos na internet. Para Hine (2004, p. 77-78), ela 10 Texto original: Las nuevas tecnologías de la interacción permiten que los informantes aparezcan dentro de la etnografía y a la vez, que estén ausentes. Del mismo modo, el etnógrafo puede estar ausente o presente junto a sus informantes. La tecnología facilita que estas relaciones puedan desplazarse o sostenerse a través de diferentes divisiones espaciales y temporales. Todas las formas de interacción son etnográficamente válidas, no sólo las que implican una relación cara a cara. La conformación de un objeto etnográfico, en tanto esté posibilitada por tecnologías accesibles, es la etnografía en lo virtual, de lo virtual, y a través de lo virtual. 6 Anais do X Encontro do CELSUL – Círculo de Estudos Linguísticos do Sul UNIOESTE - Universidade Estadual do Oeste do Paraná Cascavel-PR | 24 a 26 de outubro de 2012 | ISSN 2178-7751 nos oferece a possibilidade de desenhar estudos de lugares de conexões, bastante comuns dentro do ciberespaço, mas sem preconceber uma noção determinada destes, concentrando-se nos processos sociais-culturais e não nos espaços físicos. Portanto, acreditamos ser a etnografia virtual o método que contempla e se adapta a nossa proposta investigativa, pois nosso estudo envolve sujeitos, ações, elementos e situações que correspondem às características necessárias para que uma pesquisa etnográfica virtual aconteça. Assim sendo, este estudo orienta-se por uma pesquisa de metodologia descritivista de natureza qualitativa e de interpretação etnográfica virtual (HINE, 2004). 4 Análise dos dados A disciplina de Língua Espanhola III é semestral e é parte do programa de disciplinas e atividades de uma licenciatura de formação de professores de espanhol como língua estrangeira (E/LE). A disciplina faz parte do conteúdo programático da licenciatura e é ministrada essencialmente via Moodle. Está estruturada em 16 semanas, e a cada semana um novo conteúdo inicia-se e um ou mais fóruns são abertos, geralmente um fórum de dúvidas e um fórum sobre algum conteúdo e/ou atividade específica. O enfoque do ensino é o comunicativo. Durante as 16 semanas o número de postagens total dos polos foi de 1466. Os alunos do polo de Cachoeira do Sul, nosso corpus, contabilizaram 87 postagens. A observação das interações vem sendo realizada nos fóruns de estudo: El cartero de Neruda e Escribiendo una carta (semana três); Contextualizando (semana quatro); Tarea complementaria (semana seis); Lecturas en español. Foro Cervantes (semana oito); Foro Video-instrucciones (semana 11); Foro los cantantes (semana 14). O foco está concentrado primeiramente no conteúdo resultante do processo interativo dos grupos de indivíduos (agregados) que se formam e participam em cada fórum, pois é a partir deste conteúdo que identificaremos a escala comum de valores de cada agregado (SAC). Após a análise de todos os fóruns, teremos desenhado uma matriz de valores do grande grupo de 30 alunos e das três professoras, onde estarão identificados os valores comuns do grupo. Em cada fórum também será feito o mesmo. Neste artigo apresentaremos este estudo a partir das trocas qualitativas dos grupos em um fórum, o fórum tarea complementaria da sexta semana. O tema do fórum da semana seis tratava das melhores e piores aulas, buscava uma avaliação das atividades realizadas na disciplina até o momento, estimulando, mediante discussão no fórum, possíveis sugestões e críticas dos alunos. O fórum recebeu 11 postagens, sendo que entre estas, três foram do mesmo aluno, o agente A27. Neste fórum, composto por nove participantes formaram-se três agregados inter-relacionados, onde a interação fluiu entre os pequenos grupos. A condição inicial era a abertura do fórum por uma das professoras investigadoras (a professora Y), com a seguinte chamada: “Diálogo en el foro sobre la asignatura: mejores y peores clases”. A partir desta solicitação, os alunos escreviam suas opiniões e sugestões. Entre os comentários observamos que durante o processo interativo emergiram os valores de autonomia e colaboração (VETROMILLE-CASTRO, 2007), pois todos os que participaram desta atividade demonstraram atitude pró-ativa em função da proposta colaborativa exposta pela professora; as sugestões e críticas demonstram o objetivo de contribuir para obter melhoria no processo de ensino-aprendizagem ou demonstrar satisfação e sugerir a manutenção da metodologia e didática utilizada pelas docentes. O comportamento autônomo daqueles que emitiram seus pareceres refletiu a responsabilidade latente de cada um como autor de seu processo de aprendizagem. 7 Anais do X Encontro do CELSUL – Círculo de Estudos Linguísticos do Sul UNIOESTE - Universidade Estadual do Oeste do Paraná Cascavel-PR | 24 a 26 de outubro de 2012 | ISSN 2178-7751 5 Primeiro agregado do fórum seis Nos fragmentos abaixo, vemos que o agente A27 atende prestativamente à solicitação de feedback sobre os conteúdos trabalhados nas aulas da disciplina, pois é o primeiro a oferecer apoio. Na sua escrita (figura 1) o agente explicita honestamente seu descontentamento, já que suas expectativas não foram correspondidas. A professora investigadora X responde também de forma prestativa ao aluno, a partir do exposto (figura 2), questionando-lhe sobre que tipos de atividades e conteúdos ele gostaria que fossem trabalhados na disciplina. A atitude aberta e colaborativa da professora corresponde à proposta do fórum, cujo objetivo era o recebimento de críticas e sugestões para futuras melhorias no planejamento e criação das semanas seguintes da disciplina. O agente A27 sente-se intimidado frente ao questionamento e responde defendendo-se (figura 3), também compara o trabalho atual com o do semestre anterior. Logo, A27 recebe o apoio da colega A03 (figura 4), que concorda com A27 e adiciona à fala dele a informação de que as ferramentas do sistema não funcionaram perfeitamente e que faltam os arquivos em *pdf (ou não abriram). Porém, ela comenta que a aula sobre as propagandas foi muito criativa. 6 Segundo agregado do fórum seis A agente A23 compartilha parte da opinião de A03 (figura 9), a de que a aula presencial, a das propagandas, foi muito criativa e atrativa. Abaixo temos os excertos dos agregados inter-relacionados que comentamos, e a seguir, a leitura que fizemos dos valores que foram compartilhados nos comentários dos estudantes e da professora. Figura 1 – Postagem dos agentes A27 no primeiro agregado do fórum seis Fonte: Ambiente Virtual de Aprendizagem Figura 2 – Postagem da professora investigadora X no primeiro agregado do fórum seis Fonte: Ambiente Virtual de Aprendizagem Figura 3 – Postagem do agente A27 no primeiro agregado do fórum seis Fonte: Ambiente Virtual de Aprendizagem Figura 4 – Postagem do agente A03 no segundo agregado do fórum seis 8 Anais do X Encontro do CELSUL – Círculo de Estudos Linguísticos do Sul UNIOESTE - Universidade Estadual do Oeste do Paraná Cascavel-PR | 24 a 26 de outubro de 2012 | ISSN 2178-7751 Fonte: Ambiente Virtual de Aprendizagem Figura 5 – Postagem do agente A23 no segundo agregado do fórum seis Fonte: Ambiente Virtual de Aprendizagem Piaget enfatizava a importância da interação entre iguais, ele acreditava que a interação social tinha um papel importante no desenvolvimento cognitivo. Vygotsky, diferentemente de Piaget, acreditava que a interação com um locutor mais capaz oferecia uma maior probabilidade para que acontecesse o desenvolvimento do conhecimento. Nos fóruns temos encontrado interações entre iguais e também entre um locutor mais capacitado interagindo com outros que no momento não gozam desta condição. Nestas ações verificamos o benefício recíproco e a sustentação solidária, as relações de benefício acontecem entre iguais e formam os agregados. As trocas de sustentação solidária nem sempre formam agregados. As matrizes a seguir apresentam a escala comum de valores de cada um dos dois agregados que emergiram ao início do fórum, através da exposição de opiniões sobre as piores e melhores aulas. Para Piaget (1932, p. 409 apud TUDGE & ROGOFF, 1995, p.109), “a crítica surge do debate e o debate somente é possível entre iguais: a cooperação por ela mesma, portanto, conseguirá o que a coação intelectual [causada por uma crença inquestionável na onisciência do adulto] não pode proporcionar” 11 (tradução nossa). Nos agregados do fórum seis, temos um debate entre iguais, entre professora e alunos, discussão estabelecida em prol de um mesmo objetivo, a exposição de ideias, críticas e sugestões sobre as melhores e piores aulas, a fim de manter a proposta daquelas que foram boas e mudar ou aperfeiçoar as que não obtiveram uma boa resposta por parte do alunado. Na escrita dos participantes identificamos e descrevemos as escalas de valores de cada agente (figura1), bem como a escala comum de valores que emergiu no grupo (primeiro agregado): Universalismo (colaboração); Autodeterminação (autonomia); Realização (didático: oferta de conteúdos interessantes, úteis à aprendizagem). Quando o agente A27 critica negativamente a seleção dos conteúdos utilizados na disciplina, ele implicitamente demonstra que valoriza conteúdos interessantes, úteis, que tenham relação com o processo para a aprendizagem de uma língua estrangeira. A professora investigadora X também demonstra sua valorização sobre o tema, pois não somente concordou com a professora investigadora Y quando abriu o fórum para que sugestões e opiniões sobre o assunto surgissem, mas também se preocupou em responder ao aluno e tentar buscar alternativas para contemplar suas aspirações. A agente A03 concorda com A27 adicionando uma informação que transmite que ela valoriza a produtividade, e que o uso de ferramentas tecnológicas que funcionem exerce influência sobre a produção do aluno. A discente agrega uma crítica positiva, mencionando a criatividade na aula das propagandas. A23 é covalorizante de A03 com respeito à criatividade da aula presencial (tabela 2), e não 11 Texto original: La crítica surge del debate y el debate sólo es posible entre iguales: la cooperación por sí sola, por lo tanto, conseguirá lo que la coacción intelectual [causada por una creencia incuestionable en la omnisciencia del adulto] no pudo proporcionar. 9 Anais do X Encontro do CELSUL – Círculo de Estudos Linguísticos do Sul UNIOESTE - Universidade Estadual do Oeste do Paraná Cascavel-PR | 24 a 26 de outubro de 2012 | ISSN 2178-7751 compartilha nenhum dos valores de realização com A27. Desta maneira, dois agregados são formados, e é possível traçar duas matrizes das escalas comuns de valores dos dois agregados inter-relacionados, uma formada pelos valores dos agentes A03, A27, ProfessoraY e Professora X (tabela 1) 12 e outra construída a partir dos valores compartilhados pelos agentes A03 e A23. Nesta situação, vemos que através da covalorização, o agente A03 agiu como um meta-agente (HOLLAND, 2004), capaz de formar novos níveis hierárquicos de agregação. A escala comum de valores constituída dos valores de A03 e A23 foi: Universalismo (colaboração); Benevolência (responsabilidade); Autodeterminação (autonomia e criatividade). É interessante mencionar, que os valores que a agente A03 possui em comum com os dois grupos, são somente os valores da colaboração e autonomia, já identificados por Vetromille-Castro (2007) em sua pesquisa, porém, com cada grupo a aluna compartilhava mais valores comuns. Desta forma, vemos que os outros valores, além destes dois, foram fundamentais para que A03 interagisse em dois agregados (SAC), formando outro nível hierárquico dentro do sistema adaptativo complexo ‘fórum’. Tabela 1 – as escalas de valores dos agentes A03, A27 e das professoras investigadoras Y e X (primeiro agregado) do fórum seis. Fonte: a autora 12 Somente as escalas de valores do primeiro e do segundo agregado serão expostas em formato tabela, as demais escalas serão descritas por extenso, por uma questão de aproveitamento de espaço no artigo. É importante ainda observar que as tabelas não representam ordem hierárquica de valores, e sim um continuum de valores que ou se complementam ou são opostos. 10 Anais do X Encontro do CELSUL – Círculo de Estudos Linguísticos do Sul UNIOESTE - Universidade Estadual do Oeste do Paraná Cascavel-PR | 24 a 26 de outubro de 2012 | ISSN 2178-7751 Tabela 2 – as escalas de valores dos agentes A03, A23 (segundo agregado) do fórum seis. Fonte: a autora 7 Terceiro agregado do fórum seis No agregado seguinte, temos primeiramente a menção da agente A11, ela participa de forma positiva do fórum, valorizando assertivamente a prática de revisar os conteúdos do semestre anterior (figura 6). Tal posicionamento recebe o apoio de A16 (figura 7), estabelecendo-se assim uma relação de covalorização, as agentes compartilham o valor de que revisar os conteúdos é importante. A16 comenta que “alguns pontos da matéria deixaram a desejar”, mas não determina quais foram. Figura 6 – Postagem do agente A11 no terceiro agregado do fórum seis Fonte: Ambiente Virtual de Aprendizagem Figura 7 – Postagem do agente A16 no terceiro agregado do fórum seis Fonte: Ambiente Virtual de Aprendizagem Com base nos excertos anteriores traçamos as escalas de valores das duas agentes (A11 e A16), a identificação destes valores mostrou relação com a solicitação inicial do fórum, condição inicial que favoreceu a emergência do valor revisar o conteúdo (tabela 3). As alunas consideraram boa a prática didática das docentes porque as professoras revisaram os conteúdos. É possível que as estudantes, ao contrário do colega A27 tivessem esta necessidade, e por isso valorizaram positivamente as aulas. As escalas de valores dos agentes 11 Anais do X Encontro do CELSUL – Círculo de Estudos Linguísticos do Sul UNIOESTE - Universidade Estadual do Oeste do Paraná Cascavel-PR | 24 a 26 de outubro de 2012 | ISSN 2178-7751 A11 e A16 eram iguais, e estas escalas originaram a seguinte matriz de escala comum de valores: Universalismo (colaboração); Benevolência (responsabilidade); Autodeterminação (autonomia); Realização (didático: revisão dos conteúdos). 8 Quarto agregado do fórum seis As agentes A19 e A07 entendem que o uso do manual virtual é muito importante (figura 8). A19 traz outros valores que emergem em sua escrita, estes valores também foram apontados na escala geral de valores do fórum (tabela 5), mas é importante considerar que a aluna A19 somente obteve a covalorização da colega A07 referente ao uso do manual virtual. A escala comum de valores que se formou a partir das escalas de valores das agentes foi a seguinte: Universalismo (colaboração); Benevolência (responsabilidade); Autodeterminação (autonomia); Realização (didático: uso de material didático pedagógico direcionado). A agente A19 apresentou em sua escala de valores a colaboração – Universalismo; a responsabilidade - Benevolência; a autonomia e a criatividade – Autodeterminação; ofertas de conteúdos interessantes (úteis a aprendizagem), produtividade (conhecimento), Uso de material didático-pedagógico direcionado - Realização. A07 mostrou uma escala composta dos valores colaboração – Universalismo; a responsabilidade - Benevolência; a autonomia – Autodeterminação; aprendizagem do espanhol e uso de material didático-pedagógico direcionado - Realização. Figura 8 – Postagem das agentes A19 e A07 no quarto agregado do fórum seis Fonte: Ambiente Virtual de Aprendizagem Se observarmos as matrizes das escalas comuns de valores de cada agregado, podemos dizer que todos os agregados deste fórum estão inter-relacionados, uma vez que cada um deles apresentou três valores (colaboração, autonomia e outro), o “outro valor” emergiu do tema tratado, condição inicial para que a interação ocorresse. Desta forma, os comentários sobre “a revisão do conteúdo” ou “o uso de manual direcionado”, ou ainda, “a produtividade na abordagem de conteúdos que tenham relação com a aprendizagem (ensinar conteúdos gramaticais)” e “o uso de ferramentas tecnológicas que funcionem”, são posicionamentos que apontam para o valor “didático”, e dentro deste valor então, há os subvalores que desenham o que é ser didático. Por este motivo, neste fórum podemos dizer que os agregados estavam inter-relacionados, podendo formar um único agregado a partir do valor “didático”. Entretanto, pareceu-nos interessante separar o agregado, especialmente porque é possível perceber a preferência de cada grupo, os estilos de aprendizagem (as destrezas que foram elencadas e priorizadas valorativamente) (ALONSO, GALLEGO & HONEY, 1999). Verificamos que na disciplina de Língua Espanhola III a oportunidade para a interação na língua estrangeira foi ofertada em diversos momentos, para Figueiredo (2006, p. 137 apud COELHO, 1992, p. 137), “um requisito básico para a aquisição da L2 é proporcionar aos 12 Anais do X Encontro do CELSUL – Círculo de Estudos Linguísticos do Sul UNIOESTE - Universidade Estadual do Oeste do Paraná Cascavel-PR | 24 a 26 de outubro de 2012 | ISSN 2178-7751 alunos ‘oportunidades para a interação freqüente e extensa na língua-alvo’, oportunidades essas que são favorecidas por um modelo de ensino que promova a aprendizagem colaborativa”. Vimos que isto ocorreu no fórum seis, a partir do qual os alunos interagiram e utilizaram a língua estrangeira em função de objetivos comuns para o aprendizado desta mesma língua estrangeira. Mediante a formação dos pequenos grupos nos fóruns, o grande grupo é beneficiado via cooperação e colaboração, concretizando assim os objetivos comuns dos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. 9 Considerações Finais A descrição e interpretação dos dados coletados até o momento permite que apontemos algumas considerações que mostram corroborar nossas hipóteses: - Com respeito aos valores e à escala comum de valores vemos que: a) as escalas de valores dos agentes do fórum seis foram identificadas e descritas nas relações de benefício recíproco, a partir das quais foi possível descrever uma escala comum de valores de cada agregado em estudo; b) os valores de autonomia e de responsabilidade com relação ao agenciamento da busca pelo conhecimento no processo de ensino-aprendizagem apareceram explicitamente nas trocas que traziam sugestões ou críticas com relação às aulas. Nestas interações ficou claro que o objetivo dos estudantes era cooperar para a criação de aulas que contribuíssem de fato para a sua formação e realização profissional; c) alguns valores, especialmente os valores meta, aqueles relacionados a profissão (localizados no espaço do tipo motivacional Realização) emergiram favorecidos pelas condições iniciais. - Referente às condições iniciais, d) a atitude do professor e /ou tutor durante a abertura do fórum corroborou que os grupos no AVA de E/LE são suscetíveis a estas condições, bem como regidos pelas regras de baixo nível, pois os objetivos comunicativos da disciplina mostraram-se implícitos em cada ação motivadora de interação por parte do professor investigador ou tutor que obteve resposta dos alunos; e) a condição inicial está na abertura de cada semana e apresentação do novo conteúdo e /ou assunto a ser tratado, das atividades e do(s) fórun(s) aos alunos. f) o atrator estranho, representado pela nova informação e tarefa(s) apresentada(s) exibe também dependência à condição inicial. A presença do atrator estranho gera nos elementos (agentes) do SAC um comportamento bifurcativo qualitativo que é não linear, e, portanto, imprevisível. Mas é durante esta ação que ocorre a seleção valorativa, a agregação e a formação dos SAC. Temos na emergência dos SAC a resposta auto-organizável e adaptativa. - No que concerne a agregação, a característica mais básica de todo SAC segundo Holland (2004), g) a agregação representa na formação dos SAC um comportamento fractal, pois o fórum da semana seis se constituiu de um agregado complexo (SAC) composto por outros agregados (sub)sistemas adaptativos complexos; h) alguns destes agregados estavam inter-relacionados interativamente e todos valorativamente. i) a relação interativa entre grupos (agregados), mostrou-nos na figura do meta-agente (Holland, 2004), sua covalorização nos dois grupos porque possuía valores em comum que eram diferentes para cada grupo, além dos valores da colaboração e autonomia (comum a todos). - Com relação aos agregados (SAC) do grupo de professores em formação de espanhol como língua estrangeira (E/LE) em ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) identificamos que eles se comportaram como um sistema adaptativo complexo (SAC) de acordo com a definição de Paiva (2002); Holland (2004); Vetromille-Castro (2007); Martins (2009); Souza (2011) e Fialho (2011), porque neles identificamos as seguintes características: j) mostram a relação entre a propriedade de agregação e o mecanismo de marcação; l) apresentam abertura 13 Anais do X Encontro do CELSUL – Círculo de Estudos Linguísticos do Sul UNIOESTE - Universidade Estadual do Oeste do Paraná Cascavel-PR | 24 a 26 de outubro de 2012 | ISSN 2178-7751 e adaptabilidade: a combinação de experiências vividas por cada agente é compartilhada e utilizada pelos agregados de maneira auto-organizativa e adaptativa; m) possuem sensibilidade às condições iniciais, pois foi a partir da solicitação das tarefas semanais e do conteúdo dado anteriormente que ocorreram ou não as postagens; n) têm comportamento imprevisível e não-linear dos agentes, pois, embora as condições iniciais favorecessem a emergência das trocas, nem todos alunos participaram nos fóruns (SAC); o) através da ação cooperativa e colaborativa, os agregados não apresentaram controle centralizado, fenômeno que se destaca especialmente pela ação meta-agente e pelos agregados inter-relacionados; p) a pesquisa indica que as interações e a formação dos agregados fazem com que o todo seja mais que a soma das partes (MORIN, 1994). E é em cada parte em que o todo emerge para a construção do conhecimento na Língua Espanhola, ação que de acordo com os resultados estudados até o momento, é fomentada pela covalorização, por uma escala comum de valores. Referências ALONSO, GALLEGO et HONEY. Los estilos de aprendizaje. Espanha: Ediciones Mensajero, 1999. BOGDAN, Robert; BIKLEN, Sari. Investigação Qualitativa em Educação – Uma Introdução à Teoria e aos Métodos. Porto: Porto Editora LDA, 1994. BRAGA, J. C. F. Comunidades autônomas de aprendizagem on-line na perspectiva da complexidade. 2007. 207 f. Tese (Doutorado em Linguística Aplicada) – Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007. ESTRÁZULAS, Mônica Baptista Pereira. Rede JOVEMPAZ: solidariedade a partir da complexidade. 2004. Tese (Doutorado em Psicologia do Desenvolvimento) – Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2004. FIALHO, Vanessa Ribas. 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