Já era noite e o seu coração ainda batia acelerado, pois o que encontrará pelo caminho irá decidir sua vida para sempre... Sophie elegantemente vestida, com os cabelos soltos, sem nada pra fazer caminhava pelas ruas tranquilamente quando 2 homens a atacaram, a jogaram-na dentro de um carro, com as mãos em sua boca seguiram adiante, ali dentro do carro ela nervosa, percebeu que um deles era seu ex-marido, que ainda não havia esquecido ela, e estava sempre pedindo para voltar. Ele falava, não vai por bem meu amor, vai por mal, você vai ficar comigo, por que se não ficar comigo não ficará com mais ninguém. Seu desespero foi tanto que desmaiou, acordando horas depois numa cama estranha com o corpo enrolado numa toalha, sem nada por baixo, ele havia cumprido o que prometera, estava sequestrando ela para que a fizesse voltar pra ele, não pensava que ela não poderia amá-lo mais, ela queria se libertar desse amor possessivo e agressivo que muitas vezes a fizera chorar, e ficar dias sem sair de casa, por causa das suas agressões, por pena não tinha coragem de denunciá-lo, e deixou as coisas seguirem até que um dia não aguentando mais saiu de casa, pediu a separação e queria levar uma vida mais tranquila e feliz, amava sim , aquele homem, que a maltratava, que a fazia infeliz, mas o coração dela estava tomado por esse amor doentio, e muitas vezes caía em tentação e procurava por ele, e depois como sempre vinha o arrependimento, mas era tarde, já estava feito. E agora ali naquele lugar, sem saber onde estava, o que fazia ali, ela se desesperou, estava sozinha e o quarto estava com as janelas fechadas, estava muito escuro, e um silêncio profundo, que ela se arrepiou de medo, o que será que ele poderia fazer com ela agora, que a tinha em suas mãos, presas, sem poder sequer gritar, estava amarrada na cama, não tinha mesmo como sair... De repente ela ouviu um barulho vindo da porta, que se abriu e ele entrou, com um sorriso no rosto a fitou e disse: _ Espero que esteja confortável meu amor, pois este quarto foi feito pra você, e quero que se sinta bem, assim que me prometer, não fugir de mim, não gritar, eu desamarro você, ok! Ela mal conseguiu se mexer, e balançou a cabeça afirmativamente, querendo dizer que sim, ela prometia, queria que a desamarrasse, pois as cordas a machucavam, ela precisava ir ao banheiro, estava com muita sede, e não podia falar, ele então tirou a mordaça da sua boca, e ela finalmente pode falar: _ Por favor Roberto me deixe sair daqui, entenda não somos mais casados, me deixe em paz, eu não vou denunciá-lo , agora por favor me solte, esta me machucando.. Ele gritou com muita raiva: _Cale a boca, não vou soltar você até dizer que me ama e implorar o meu amor! Novamente ele tapou sua boca, agora com mais raiva e saiu, batendo a porta atrás de si... Como pode uma pessoa mudar tanto assim? Pensou... Conhecera Roberto em uma tarde quando caminhava a beira mar, veio até ela lhe pedindo uma informação, ele era um homem muito bonito, corpo másculo, cabelos pretos e olhos castanhos, alto e de um sorriso, que a encantou no primeiro olhar, sem graça pois estava olhando pra ele quando ele a abordou, riu e respondeu sua pergunta, ele agradeceu e continuou andando, ela deu uma ultima olhada virando-se, ao mesmo tempo que ele também a olhava, e voltou, a convidou pra tomar uma água de côco com ele, ela aceitou, e começaram a conversar e se conhecerem mais. As horas passaram rápido e eles nem perceberam que já tinha anoitecido, despediram-se, trocaram telefones e cada um tomou uma direção, os dias se passaram, quando seu telefone tocou e era ele, convidou-a pra sair e marcaram um jantar, e dali em diante não se largaram mais, conheceram sua famílias e em seis meses já estavam casados e muito felizes. O casamento rolou muito bem por uns 2 anos, até que um dia o príncipe virou sapo e as coisas ficaram difíceis pra eles, ele perdeu o emprego e ficou agressivo por qualquer coisa que ela fazia, ele a agredia, tinha um ciúme doentio e ela não conseguia mais nem respirar sem que ele soubesse, até que ela pediu a separação, mas ele não concordou e a ameaçou matá-la. Ela então fugiu de casa e se escondeu dele por um longo tempo, até que ele sumiu, deixando-a em paz, até que nesta tarde ele a encontrou e a sequestrou... A porta do quarto se abriu novamente, e entrou um homem encapuzado, a soltou, deu-lhe comida e água, e saiu. Quem seria esse agora? Estava sendo vigiada, mas ele a soltara, pelo menos isso, não aguentava mais os braços e as pernas doíam por causa das cordas, foi ao banheiro, tomou um banho, e procurou um jeito de fugir, mas as janelas estavam com cadeado, a porta trancada, não havia jeito de escapar, o que faria agora? Sentou-se e ficou ali, pensando na vida que tinha antes de conhecê-lo, como era feliz e tinha muitos amigos, os quais agora estavam distantes, pois ele a fizera se desligar deles, não tinha ninguém, era muito só, e sentia falta de companhia, uma amiga do colégio a procurava sempre, pois não aceitava vê-la fugindo daquele jeito, aconselhava ela a dar parte a polícia, mas ela tinha muito medo dele, e ainda tinha um sentimento por ele, que ela não conseguia entender, era medo? Paixão? Amor? Ela não sabia ao certo, mas tinha... Roberto entrou no quarto e a viu sentada chorando, ele disse que partiriam dali em uma hora, e saiu. Não deu chance dela argumentar, apavorada tentou abrir a porta, mas nada, trancou-a novamente. O homem de capuz veio buscá-la e a levou para o carro, ele ja estava lá, sentou com ela no banco de trás, tentando beijá-la, lhe passando a mão pelo seu corpo, desejando-a como sempre o fez, ela resistiu e mandou que ele parasse com isso, ele insistiu e a violentou ali mesmo, dentro do carro com o cara de capuz dirigindo, e olhando tudo, o carro começou a correr mais rápido, o rapaz estava com um ódio no olhar, quando a fitou, depois de ter passado por aquele tormento. Chegaram num cais, colocaram-na num barco e partiram, ali ela percebeu que tinha de tudo, até umas roupas para ela, e percebeu que dali não sairia tão cedo, ficou com medo, e se o rapaz também a violentasse, não, isso não aguentaria. Ouviu Roberto dizer ao rapaz, vamos aquela ilha, lembra? Pronto iria ficar sozinha com eles numa ilha, o que faria agora, partiu pra cima dele com muita raiva o socou suas costas , mas ele mais rápido a empurrou que ela caiu ao chão, partiu pra cima dela , queria novamente violentá-la, ela gritava, chorava e dizia que ele a machucava, foi tirando suas roupas, apertando-a, até que sentiu ele saindo de cima dela , o rapaz o puxara e deu-lhe um soco, mandando ele parar, lutaram entre si, e ela ficou apavorada, Roberto apanhou tanto que desmaiou. Ele foi em sua direção, agora sem o capuz, ela pode perceber que homem bonito ele era, parecia carinhoso, e a olhava com pena e perguntou se estava tudo bem, ela respondeu em meio as lágrimas que sim, só sentia uma dor no braço esquerdo, ele segurou seu braço e ela gritou de dor, ele pegou a caixa de primeiros socorros e cuidou do braço dela, levou ela pro banco e a sentou delicadamente, colocando suas pernas em cima do banco, e disse pra ela que iria levá-la de volta pra casa, pra ela se acalmar, agora ia ficar tudo bem. Roberto acordou e pediu desculpas ao amigo, disse que não faria mais aquilo, olhou pra ela com o rosto inchado pelo soco e ajoelhou-se em seus pés pedindo perdão, chorando como uma criança, ela o perdoou, e pediu a ele pra levá-la pra casa, e ele consentiu, olhando pro amigo, pediu que retornasse. Mas o tempo virou e uma chuva forte começou a cair, ventos balançavam o barco , parecia que ia virar, ficaram parados por algum tempo até que o mar se acalmasse, tentou ligar o barco mas não conseguia fazê-lo funcionar, perderam o rumo de onde iam, e o mar levou o barco pra uma ilha, onde eles tiveram que descer, estavam molhados, com frio e tudo que tinha no barco estava perdido, muitas coisas caíram no mar... Roberto parecia arrependido e estava calado, no percurso até a praia deserta. De certo que todos estavam exaustos. Não demoraria e logo seria noite, o cenário de uma ilha deserta com aqueles dois lhe dava arrepios. Caiu quase sem forças na areia da praia, o capataz a ajudava segurando-lhe o braço e lhe perguntou se estava tudo bem com ela. Diante dos últimos acontecimentos ela apenas balançou a cabeça afirmando estar bem, dentro do possível, pois a cabeça lhe doía junto com todo o corpo. O desconforto de seus músculos pelas agressões de Roberto no carro agora eram visíveis, seus braços estavam roxos diante de tanta agressividade. Parecia um pesadelo o que estava vivendo, sem que se pudesse conter começou a lembrar de uns anos atrás quando foi dar a noticia para Roberto que ele ia ser pai. Grávida de apenas dois meses, chegara a casa muito feliz com o resultado do exame de gravidez nas mãos. Finalmente ela ia ser mãe, Estava ansiosa por contar a Roberto sua alegria, mas as coisas não foram como ela tinha imaginado, Roberto demorou muito a chegar em casa naquele dia. Ela acabou pegando no sono no sofá da sala e acordou assustada com o barulho na maçaneta da porta. Roberto chegara bêbado, sua roupa estava horrível e suas feições nada amigáveis. Disse ele: _o que foi? Por que está me olhando com essa cara? Um homem não pode tomar umas e outras para se divertir? Mulheres, vocês são todas iguais, se metem em tudo. Sophie acabou tentando esconder o exame pois temia falar com ele sobre o assunto naquela hora, esperaria até o outro dia quando ele estiver sóbrio, mas por uma fração de segundo Roberto já estava na frente dela e lhe tirava o envelope das mãos, perguntando do que se travava. Ela gelou naquele momento, como ele iria reagir meu Deus, ela já não sabia mais, estava com muito medo, pairava no ar um suspense, ela não ousava nem mesmo respirar . Disse ele: _Estou lhe fazendo uma pergunta, o que é isso? Ela respondeu, suas palavras mal saíam: _Nada demais Roberto, amanhã conversaremos, já está tarde, tome um banho e vá dormir. Quando ela se levantou para tentar pegar o envelope de sua mão, ele a agarrou forte pelo braço e abriu o envelope. Naquele momento, ela queria que o chão abrisse e ela sumisse. Com grosseria perguntou: _ O que é isso, você está grávida? Ela respondeu: _Roberto, por favor, deixa isso para amanhã, não é o momento. Ele a segurou pelo braço com tanta força que a machucou. _Sua vagabunda, quem é o pai, me diz? Roberto começou a arrastá-la pelo apartamento em direção a porta. Gritava muito, esbofeteava com aquele bafo alcoolizado que lhe dava náuseas. Sophie não sabia se chorava ou se gritava de dor, até que chegaram ao corredor do prédio, nessa hora não se veem vizinhos, eles simplesmente somem. Ela gritava por socorro, não conseguia ter forças para escapar de Roberto e naquele momento algo terrível aconteceu. Roberto a jogou de escadas abaixo, xingando e a chamando de nomes horríveis, depois de rolar uma eternidade por vários degraus ela bateu com a cabeça e só se lembra de sentir uma dor muito forte na barriga. Um grande silêncio. No dia seguinte, acordou num leito de um hospital, toda dolorida e com esfoliação em todo o corpo. Tentou sentar-se,mas não conseguia, até que uma enfermeira entrou e vendo-a acordada correu pra chamar um médico, que com muito carinho veio para lhe dar a triste notícia. Havia perdido o bebê, acabara com ele seus sonhos, só uma realidade vazia e cruel. No dia seguinte, Roberto entra pela porta do quarto de hospital, com flores nas mãos para sua adorada esposa, chorando e profundamente arrependido. Fitando o vazio, ela simplesmente não pode pronunciar nenhuma palavra a ele, seja de desafeto, mágoa, tristeza e nem nada. Parecia inerte a tudo e a todos, emudecida pela dor. Levada pelas tristes lembranças, ela adormeceu profundamente na areia da praia, encolhida pelo frio. O dia amanheceu mas seus pesadelos estavam apenas começando quando sentiu um toque em seu corpo, um arrepio percorreu-lhe a espinha, era Roberto tentando fazer as pazes querendo que ela o desculpasse, mas como podia desculpar, estava frágil e sofria muito com o que estava acontecendo, se pelo menos tivesse seu filho com ela, a vida seria muito melhor, teria mais forças para estar viva, mas agora, o que lhe resta, um homem mal, destruindo o pouco que ainda lhe resta, atormentando seus dias , seus sonhos, e nem sonhar mais ela poderia? Ela levantou-se gemendo de dor ainda, e andou pela areia da praia, o capataz se chamava Pedro, ela havia escutado Roberto o chamar, mais cedo ainda quando estava quase acordando. Ele estava sentado a frente pensativo, e ela chegou mais perto pra conversar e saber alguma coisa dele, ele sério a encarou perguntando se ela estava bem, ela respondeu que sim, e lhe perguntou: _Como vamos sair daqui? O que aconteceu com o barco? Ele respondeu; _Não sei, com o vento forte e as ondas, acho que deu pane, vou dar uma olhada nele depois que procurar alguma coisa pra gente comer. Ela entristeceu e com a cabeça baixe disse: _Por que você fez isso? Me defendeu dele? _Não suporto violência com mulher, eu acreditei nele quando disse que te amava e a queria de volta, tenho uma dívida muito grande com ele, e ele me convenceu a ajudá-lo,agora estou arrependido, tem grandes chances de nunca mais sairmos daqui, se o barco não funcionar, estamos perdidos._Respondeu ele olhando em seus olhos com ternura. _Tudo bem , o que posso fazer pra ajudar?-Disse ela. Ele respondeu: _Nada, só ficar descansando desses hematomas, já esta muito bom- Ele riu sem jeito. Encontraram na mata frutas , coco, e água doce, onde ela queria tomar banho, e ficou a vontade nadando, apesar da dor no corpo, relaxou bastante. Roberto mal chegou perto, a olhava de longe com aqueles olhos que ela bem conhecia, querendo devorá-la. Por um instante ele se levantou e foi em direção a praia. Pedro entrou na água assim que ela saiu, nadou bastante como se tivesse fugindo de alguma coisa, tentando esconder o que realmente estava passando pela sua cabeça. Ela o olhou de longe tentando entender o que será que ele devia para Roberto, que o faria fazer coisas que ele mesmo não concordava. Ele saiu da água e foi até o barco, pra ver o que realmente tinha acontecido, mas pra sua surpresa o barco não estava mais lá, e nem Roberto. Será que ele teria levado o barco embora, abandonando-a naquela ilha com um estranho? Na areia estava escrito em letras grandes "ADEUS!" Ela deu um grito desesperador, e agora, sem barco, como iriam embora dali? Correu até Pedro e o abraçou, seu corpo molhado deu uma sensação estranha ao corpo dela, ela tremeu só de pensar, não, esse não é o momento, nem o lugar...Suspirou fundo. Ele a soltou tentando acalmá-la, mas estava também muito preocupado, afinal a ilha era deserta, até quando conseguiriam sobreviver naquele paraíso no meio do nada. Sentaram na areia, e ficaram a olhar o mar, sem saber o que fazer, ele deitou e a puxou pra perto, pra que ela descansasse um pouco, ela se aconchegou nos braços dele e adormeceu. Sonhou com uma criança chamando por ela, pedindo pra ela ter coragem e muita força que ela conseguiria sair de lá, a criança veio andando em direção a ela e pegou suas mãos e a levantou, levando-a para o mar, se afogando em seguida. Um grito assustador saiu de seus lábios, Pedro a abraçou e pediu que se acalmasse, era um pesadelo, ela ficou ali agarrada aquele estranho, se sentindo segura e desejando nunca mais sair dali. Logo em seguida foram pra dentro da ilha procurar alguma coisa pra comer, encontrando pelo caminho, árvores, frutas que nunca haviam visto, um verdadeiro paraíso. Ela quis ser útil e subiu em um pé de manga, pegou umas 4 e jogou ao chão para descer, escorregando e caindo, e logo embaixo estava Pedro, prevendo o acontecimento a pegou em seus braços, seus olhos se encontraram, e o fogo novamente acendeu em seu corpo, a boca seca ansiando por um beijo, fechou os olhos e deixou que ele a beijasse, num doce e quente beijo que selaram naquele momento a paixão que já estava gritando em seu coração, desde o dia que o vira encapuzado já sentia algo estranho no ar. Ele a carregou nos braços e a levou até a praia, deitou-a na areia e delicadamente fez amor com ela, num gemido profundo de emoção e prazer. Adormeceram ali até que o dia amanheceu... Sophie acordou bem cedo, mas Pedro não estava por perto. Deveria ter ido procurar alguma coisa, ficou fitando o mar, o dia estava lindo, mas não se sentia sozinha. Pela primeira vez em muitos anos sentia-se em paz. Relembrou o que acontecera na noite anterior, talvez a situação atual somada aos acontecimentos dos últimos dias tivessem lhe tirado toda a sanidade. Meu Deus havia feito amor com um quase estranho. Feito o que? O que ela estava pensando? Mal conhecia aquele homem, não, definitivamente ela não estava normal, jamais faria isso em outra situação. Agora estavam numa ilha deserta, sem previsão de saída, porém não tinha um louco como Roberto por perto. Roberto era um caso para recuperação mental, simplesmente era um desequilibrado. Caso saíssem daquela ilha, ela já sabia o que fazer, agora sabia que tinha que agir e denunciá-lo a policia. Quantas mulheres vivem a mercê de homens agressivos, torturadas física e mentalmente numa chantagem em longo prazo. Caindo sempre na armadilha do arrependimento irreal, vivendo escravas de situações de violência. Parece que o pouco que conhecera de Pedro fora o suficiente para lhe dar forças para reagir, claro se um dia eles conseguissem sair daquela ilha. Pedro estava retornando: _ Bom dia Sophie! _ Bom dia! Achou alguma coisa por ai, ou uma forma de sair daqui? _ Não, nada. Temos que pensar em alguma coisa. Olha, quanto a ontem a noite... Sobre o que aconteceu conosco... Ela ficou corada, abaixou a cabeça, não envergonhada e nem arrependida, simplesmente se lembrou da onda de prazer que sentira. _ Não se preocupe Pedro, não somos mais crianças, aconteceu. Não sabemos quantos dias passaremos aqui e nem se vamos sair, deixa as coisas acontecerem. _ Tudo bem, só queria lhe deixar claro que não quis aproveitar de uma situação, eu gostei de estar com você e sei que você também. Melhor assim, agora coma alguma coisa, ainda tem frutas ali. Vou ver se arrumo alguma coisa para tentar pegar uns peixes. Algumas horas depois, eles já estavam se deliciando nuns peixes que ele conseguiu pegar e assar na fogueira improvisada. Ela aproveitou para observar as feições daquele homem, parecia ser um pouco rude, marcas fortes, mas exalava algo muito bom. De alguma forma ele lhe transmitia segurança, porém ele ainda era um mistério para ela. Ele viu que estava sendo observado e ficou meio sem jeito, se levantou e disse que precisava caminhar um pouco, saiu a deixando só. Ao entardecer os dois saíram a procurar algumas palmeiras e pedaços de galhos, o sol era muito forte, a pele já começava a arder precisavam montar alguma coisa que os protegessem do sol. Conseguiram montar uma cobertura improvisada que também seria bom para dormir. Passaram alguns dias, todas as noites dormiam um nos braços do outro, ele a acomodava em seus braços como apoio para a cabeça dela, no entanto não a tocara mais como mulher. Ela se sentia protegida, mas ansiava por ter aqueles momentos de volta, ser tocada por ele e sentir as mesmas emoções da primeira vez. Será que ele se arrependera? Será que não a desejava mais? Passavam os dias conversando, chegavam a rir mesmo naquela situação, corriam atrás um do outro como crianças a brincar. Nesses dias parecia que toda a comodidade de uma cidade não fazia a menor falta. Sentiam paz, mas de certo que um dia aquilo acabaria, não, não estava vivendo um sonho na LAGOA AZUL, aquilo de certo teria um fim e ainda tinha a situação do Roberto, que só de lembrar já lhe dava arrepios. Depois de vários dias, numa noite em que estava em seus braços, não deu para adormecer rapidamente. A lua era linda, o céu estava maravilhoso, o barulho das ondas, parecia que era o cenário perfeito para uma noite de amor. Ficaram a fitar aquela maravilha e como um sonho se beijaram, e novamente foram acometidos de uma onda insaciável de querer-se mutuamente. Fizeram amor várias vezes, sim amor, por que o que sentia Sophie era diferente de tudo que já sentira um dia, de fato estava encantada com o seu protetor, apaixonada, enamorada ou amando talvez. Adormeceram exaustos e com o semblante sereno e pleno, ela não pôde conter um suspiro de satisfação que não passou despercebido a ele. Ele a estreitou em seus braços e juntos adormeceram. Mal sabiam o que estava para acontecer, de madrugada ela acordou com um grito de Pedro e em meio à escuridão não sabia o que estava acontecendo e começou a gritar. Chamar por ele, Pedro lhe disse que achava ter sido mordido por uma cobra. Ela conseguiu acender a fogueira e pode ver a cobra sendo esmagada por ele, depois ele rasgou um pedaço da calça com o canivete e ela foi ajudá-lo. Não tinha muito expediente para essas coisas, ela era uma professora no passado, adorava crianças e não sabia quase nada na área da saúde. Lembrava de no colégio ter feito um cursinho de primeiros socorros e com a ajuda de Pedro ele a ajudou a tirar o veneno. Porém algum tempo depois, as coisas pioraram, Pedro foi ficando muito fraco, falando coisas sem sentido, queimando em febre. Sophie pegou sua blusa, com frio e apenas de sutiã ela molhou a blusa no mar e passava na testa e face de Pedro, numa tentativa de baixar a febre. Ele delirava, falava coisas que ela não entendia, parecia que era perseguido estava agoniado. Algumas vezes chamou por ela, e dizia para ela ir embora. Até que exausta ela adormeceu, acordou com o sol já quente, Pedro estava dormindo e parecia que a febre tinha baixado. Meu Deus, se ele morresse o que seria dela naquele lugar? Como ela ia sobreviver sozinha numa ilha deserta. Eles precisavam arrumar uma forma de sair dali. Ela foi buscar um pouco d'água para ajudá-lo a beber quando ele acordasse. Estava se sentindo uma maltrapilha, Ainda bem que seus cabelos loiros e lisos não lhe davam trabalho, tinha a pele clara e sensível e estava bem queimada de sol. Seus olhos claros, cor de mel lhe davam uma aparência bela, mas sinceramente aparência não era das melhores naquela situação. Sua calça não poderia dizer que era ainda uma calça, um tecido leve que já estava se rasgando do joelho pra baixo. Mas o que importava agora de fato, era a recuperação de Pedro e depois como sair dali. De qualquer forma se sentia uma mulher mais forte, a cada dia parecia nascer uma nova Sophie, determinada, amada, simplesmente mais mulher. Pedro acordou meio tonto, gemendo ainda de dor, olhou para ela e perguntou: _O que aconteceu? Ela respondeu meio preocupada: _Você teve muita febre e delirou algumas vezes. Ele abriu um sorriso e agradeceu a ela por ajudá-lo, abraçou-a e beijou os seus lábios com ternura. Imaginou, como ele era gentil e carinhoso, muito diferente do Roberto, se bem que no começo o Roberto também era assim e até melhor, cuidava dela como se ela fosse criança, chegava em casa do trabalho com flores, bilhetinhos apaixonados, enfim, um homem que toda mulher sonha. Mas o tempo o deixou agressivo e nervoso, ela imaginava que por causa do acontecido com o irmão dele , ele tenha se tornado assim, lembra como se fosse hoje: Certo dia ela estava em casa preparando o jantar quando o telefone tocou , era do hospital e Roberto estava com seu irmão internado, ela não entendeu muito bem, só que tinha que ir pra lá, trocou de roupa, deu um jeito no cabelo e saiu, pegou um táxi e foi ao hospital, chegando lá, encontrou ele parado na porta com os olhos em lágrimas e aflito demais falou pra ela: _É tudo minha culpa, eu o matei...chorando sem conseguir terminar a frase. _Matou quem? Do que esta falando? Disse ela assustada. _Rodrigo esta lá dentro e o médico disse que não tem chances dele sobreviver, teve traumatismo, por minha culpa, nós brigamos, ele saiu com o carro, correndo muito e bateu. Fui atrás dele mas não deu tempo, ele está muito mal._e chorava sem parar. Ela não sabia o que dizer, entrou no hospital e falou com o médico e infelizmente Rodrigo estava morto. Desde esse dia Roberto não foi mais o mesmo, tornou-se agressivo, frio e a agredia por tudo. Dias passaram e ela descobriu por que ele teve aquela briga com o irmão, encontrou um amigo do Roberto na rua e ele perguntou como ele estava, ela respondeu dizendo o que tinha acontecido, ele disse que Rodrigo estava mexendo com gente perigosa e estava usando drogas pesadas direto, Roberto tentou abrir os olhos dele, dar conselhos, mas ele ficava nervoso e acabava brigando. Ficou sabendo de uns caras que estavam atrás de Roberto pra receber um dinheiro que Rodrigo ficou devendo, não era pouco, e isso deixava Roberto muito nervoso. Meses depois descobriu que um desses caras havia sido assassinado, ela encontrou no apartamento uma arma em uma gaveta no fundo do armário, ficou com medo e tirou ela dali e a escondeu, quando ele descobriu que ela havia mexido na arma, brigou com ela, nervoso pediu a arma, sem que ela pudesse responder começou a procurar, jogando tudo no chão, e sem achar bateu nela, ela caiu sem conseguir falar, chorava muito, disse pra ela que se não lhe entregasse a arma a mataria também, foi aí que ela percebeu que ele havia matado alguém. Mas nem assim ela disse onde havia escondido a arma. E hoje perdida naquela ilha percebeu, por que ela teria ainda voltado pra ele depois de ter ido embora? Não fazia sentido esse sentimento que ela carregava no peito, sofria sim, mas queria se livrar desse sofrimento, mas não tinha forças. E acabava voltando pra ele. Pedro a chamou 2 vezes e ela não respondeu, voltando a realidade percebeu que se aproximava da ilha um barco, mas era o mesmo barco que Roberto levou embora, só que quem estava nele não era o Roberto, aliviada ajudou Pedro a se levantar e acenar pro barco, eles foram até o barco e seguiram mar adentro, aliviados por estarem indo embora, mas no meio do oceano o barco parou e o rapaz que o guiava disse , até aqui trouxe você meu camarada!- disse olhando para o Pedro. -ela estremeceu _Aqui você fica! disse já indo pra cima dele, ela gritou: _Não, o que esta fazendo? Ele não esta bem, foi picado por uma cobra, precisa de um hospital, deixe ele em paz, por favor- e caiu em lágrimas, desesperadamente o empurrou, e ele não gostando disso a amarrou, e foi novamente pra cima de Pedro, com muito dor ainda ele lutou com o rapaz deixando ele desacordado, ela pensou , nossa como ele conseguira, era forte demais, mesmo com dor, ele conseguiu bater no rapaz. Pedro a desamarrou e ela abraçou ele aliviada. Em seguida amarrou o rapaz ali mesmo no chão caído, foi pra direção do barco e seguiram em frente. Mas qual não foi sua surpresa quando chegando no cais viram Roberto parado, que assustado ficou quando viu quem guiava o barco, correu pro carro e deu partida. Fugiu deles, como ele pôde fazer isso, tentar matar o amigo? Não esse não podia ser a pessoa com quem me casei! Saíram dali e pediram ajuda, e foram para o hospital, do jeito que estavam sem dinheiro, sem documentos, sem nada, foram atendidos rapidamente, e o médico achou melhor deixá-los internados para se recuperarem dos ferimentos e da fraqueza que se encontravam, ela pediu para dar um telefonema e ligou para sua família, que a essa altura já estavam desesperados por falta de notícias. Foi para o quarto tomou banho com a ajuda da enfermeira, comeu, foi medicada, vestiu as roupas do hospital e adormeceu pelo cansaço... No dia seguinte, Sophie teve alta, a enfermeira do hospital conseguira levar uma roupa para ela. Tomou um banho, se sentia bem melhor, iria ver se Pedro também já tivera alta, mas quando chegou no quarto dele tamanha foi sua surpresa. Pedro já havia partido e ela nada sabia dele praticamente, nem um bilhete ele deixara, nada. Que homem estranho, parecia tão envolvido quanto ela, agora teria que ir caminhando até seu apartamento, não ficava tão longe assim se fosse bem devagar. Ainda bem que tinha uma chave extra guardada lá. Quando chegou a casa, ela não precisou de chaves para entrar, a porta estava aberta, seu apartamento todo revirado, coisas quebradas e para sua segurança estava sem ninguém. Só podia ser coisa do Roberto, mas o que será que ele tanto procurou ali? Tinha que se mudar, ou então passar uns dias com os pais, mas já eram tão idosos, não queria envolvê-los em nada e não preocupá-los. Sim, tinha que ir a polícia, assim como pensou na ilha. Sophie foi à delegacia, contara tudo que sabia e o que viveu e registrou uma queixa sobre o Roberto, foi orientada a sair e ficar um tempo em outro lugar até serem concluídas as investigações, ela não sabia o que fazer. Suas economias do último emprego não seriam o suficiente por muito tempo, precisava pensar. Precisava arrumar outro emprego, não sabia onde procurar Pedro, um telefone, nada. Porém, precisava deixar isso para o dia seguinte. O que tinha que fazer agora era preparar algo para comer e descansar um pouco, passar um bom creme em todo o corpo, pois sua pele estava seca do sol. Engraçado, a porta não tinha sido arrombada e a chave extra não estava no lugar que deixara, a pessoa entrou com ela e a deixou em cima da mesa. Roberto era mesmo o único que sabia onde ela guardava a chave , não tinha dúvidas fora mesmo ele. Sophie não sabe ao certo o quanto dormira, já era noite quando acordou, tinha deitado somente de calcinha e de bruços, ao se virar com seus seios nus, na penumbra do quarto quase morreu do coração. Havia um homem sentado na cadeira do quarto fitando-a. O coração foi a mil, achava ser o Roberto, mas uma voz muito familiar lhe saudou. _ Sou eu Sophie, não tenha medo, estou aqui. _Pedro, mas você... .Por que sumiu do hospital? Ela pegou o lençol e colocou na frente de seu corpo, tremia sem querer só de sentir a presença daquele homem, mas não de medo... Como ele entrará? Ela tinha passado a chave na porta, estranho, não ia perguntar isso agora, deixaria para outra hora. - Você quer comer algo, está com fome, vejo que conseguiu umas roupas, onde você estava? _Fui a minha casa, sai do hospital cedo, você ainda dormia e não quis te acordar. Precisava resolver algumas coisas, pegar outras, fazer a barba... agora estou aqui. Desculpe, mas vou ficar aqui com você, a gente nunca se sabe o que se passa pela cabeça do Roberto. Preciso te proteger e quero que se sinta mais segura. _ Ta bom então, fique a vontade, eu te agradeço, não sabia o que fazer e tenho muito medo. Fui à delegacia, dei queixa do Roberto. Ela não sabe ao certo o que passou na mente de Pedro quando disse isso, parecia reprovar o que ela fez, ou não. Indefinido a expressão dele ela diria. Ela se levantou com o lençol, vestiu um hobby e se dirigiu à cozinha para preparar alguma coisa. Precisava ir ao supermercado no dia seguinte fazer umas compras. Preparou um pequeno jantar para os dois com o que pode improvisar. Uma macarronada. Lembrou de ter guardado uma garrafa de vinho e preparou a mesa para os dois. Estava tudo bagunçado, mas deu para ajeitar pelo menos para comer. Engraçado, Pedro não demonstrou surpresa e nem perguntou o que ocorrera ali. Novamente ela nada disse a respeito, não queria quebrar o momento de fazerem uma refeição juntos, de forma mais sociável. Ele parecia estar com muita fome, repetiu a macarronada e quase bebeu uma boa parte do vinho. Agradeceu no fim e deitou-se no sofá, fez um gesto chamando-a a se juntar a ele e agarradinhos adormeceram. Na madrugada, com o desconforto do sofá, Sophie, levantou-se, tomou um banho, sacudi-o lentamente e o chamou para deitar na cama mais confortavelmente, porém não foram dormir de imediato. Começaram uma intimidade que os deixavam sem fôlego, uma perfeita entrega, sem reservas... Mais tarde com os corpos suados num prazer simultâneo adormeceram novamente. Antes de cerrar seus olhos SOPHIE AINDA PODE SORRIR, com aquele momento perfeito, onde tudo parecia sem sentido, mas muito real para eles. O dia amanheceu chuvoso, e ela percebeu que Pedro não estava ao seu lado, levantou-se depressa e foi até a cozinha, mais nada dele, olhou pela janela e o viu parado em frente ao prédio, falando no celular com o rosto sério, parecia preocupado, mas era estranho, ele estava muito diferente do homem que ela conheceu na ilha, parecia que não era mais a mesma pessoa. Ele entrou chamando por ela, sorrindo, a beijou, ela retribui sem entender seu comportamento, mas evitou falar no assunto, precisava sair , tinha uma entrevista de emprego e ligou para diarista marcando pra arrumar o apartamento enquanto ela estivesse fora, tomou um banho e deixou que Pedro a acompanhasse, chegou ao colégio , fez a entrevista e ficaram de ligar pra ela assim que tivesse o resultado. Resolveram passear um pouco, almoçaram fora, relaxaram bastante e quando estava quase anoitecendo voltaram pro apartamento, a diarista ainda estava lá, terminando a faxina, olhou séria para ela e falou: _Teve uma ligação da delegacia pra senhora, disse para ligar assim que chegasse. _Esta bem , vou ligar agora mesmo! Disse olhando para o Pedro que tinha um semblante estranho, parecia surpreso. Ela ligou e o delegado atendeu: _Sou a Sophie, estou retornando a ligação, alguma novidade? _Sim, senhora, encontramos um corpo com as característica do seu ex-marido, foi assassinado, pode reconhecer o corpo no IML? Ela estremeceu, deixou o telefone cair e sentou-se no sofá, com as mãos suadas e seu coração batia descompassado, Pedro chegou perto dela e a abraçou, perguntando-lhe o que estava havendo: _ O roberto, mataram ele Pedro, estou com medo! Me abrace, por favor! Ele segurou-a nos braços e disse: _Não se preocupe vou lá com você! Assim que ela se acalmou eles saíram pra delegacia, e foram ao IML, reconhecer o corpo, mas Sophie não aguentou e desmaiou, Pedro a segurou e realmente era Roberto quem estava ali. Levou-a para casa, deu-lhe um calmante e ela mal conseguia falar: _Isso não , ele não merecia, quem teria coragem de fazer isso com ele? Mas Pedro estava sério, parecia que tinha algo a dizer pra ela: _Calma Sophie, preciso te contar algo! Ontem quando saí do hospital eu ví o Roberto entrando num carro, esperei ele sair, e o segui, ele veio até aqui, não sei como , mas ele entrou, entrei em seguida atrás dele, ele se assustou quando me viu, e disse que eu precisava ajudá-lo a encontrar a arma do crime que ele sabia que você tinha aqui guardada, eu disse que não, eu não queria te prejudicar e disse a ele que estava apaixonado por você, pra ele te deixar em paz, ele me deu um soco, e disse que ía matar nós dois, que eu o traí e você era uma vadia, não fiquei quieto e parti pra cima dele, foi aí que ele caiu e bateu a cabeça na quina da mesa, desmaiando em seguida, não achei que ele tivesse mal, o carreguei até o carro e o deixei lá, ninguém viu, achei que ele iria acordar e iria embora, mas estou tão surpreso quanto você, eu o matei, mas eu juro, não sabia que ele estava morto. Sophie o olhou perplexa e mandou que ele saísse de perto dela e nunca mais voltasse, como ele teria coragem de matá-lo. não isso ela não perdoaria, levantou-se e o empurrou até a porta, ele gritando pra ela perdoá-lo, mas ela foi dura e bateu a porta na cara dele. Ela lembrou-se da arma, sim estava com ela, como ela tinha medo daquela arma ir parar nas mãos dele, estava escondida no armário da cozinha dentro de um bule de café, ninguém jamais acharia, ainda bem que eles não encontraram. Sentiu-se aliviada, pois com a raiva que Roberto estava sentindo...ah! Não poderia nem imaginar... No dia seguinte teria uma função muito difícil, teria que ir ao enterro do homem que fez parte da sua vida, foi sua salvação, mas também foi sua perdição, agora ela tinha certeza de que ele não mais voltaria a perturbá-la, apesar de tudo ele estava morto, e ela estava livre. Sentiria sim a falta dele, foram anos de convivência, e por tudo que eles viveram, ela sentiria falta sim, mas agora viraria esta página da sua vida, e recomeçaria novamente. Pedro andou ligando umas 5 ou 6 vezes, mas ela não atendeu, 2 semanas se passaram, e a escola ligou pra ela a chamando para trabalhar, até que enfim, ocuparia seu tempo e sua mente, uma nova vida a esperava, e o passado ela iria enterrar, nunca mais envolveria com ninguém, o que ela queria agora era paz. Sentiu-se mal na manhã seguinte, um enjoo muito forte tomava conta dela, deitou-se e esperou que passasse, não entendia, agora não era hora de ficar doente, iria ao médico sim, e pensara, será que era alguma coisa que comeu, ou estava realmente doente, marcou médico para a tarde. E depois da aula ela foi ao hospital. E mais uma vez a vida lhe surpreendeu, Sophie estava grávida, e agora? O que faria, não sabia se ria ou se chorava, entrou em pânico, e ao mesmo tempo sorriu só de imaginar um pedacinho do Pedro crescendo dentro dela, estava feliz sim, agora não seria mais sozinha, tinha alguém, a quem realmente se importaria. Na manhã seguinte foi chamada a delegacia novamente para esclarecimento, e ficou sabendo que Roberto morreu vítima de uma bala, que atravessou o seu coração, e quando o encontraram ele estava dentro do carro numa rua próxima ao prédio, e descobriram o assassino, seu corpo tremeu , ela não podia imaginar que carregava dentro dela um filho de um assassino, quem seria este homem tão carinhoso e gentil a quem ela amara com tanta intensidade. O delegado interrompeu seus pensamento e mostrando uma foto pra ela perguntou: _ Você conhece esta pessoa? Antes de olhar ela estremeceu novamente, ainda teria que reconhecê-lo, isso seria muito cruel. Mas para sua surpresa, o rapaz da foto não era Pedro, ela não o conhecia e o delegado disse que ele era traficante, e que estava atrás do Roberto a muito tempo por causa de uma dívida do irmão dele. Sophie respirou aliviada. No dia que pedro o deixou dentro do carro dele, tinha mais gente o seguindo, então ele não o matou! Ela sem saber o que fazer, saiu da delegacia, mas não sabia onde encontrar Pedro, queria pedir desculpas a ele, implorar o seu perdão e dizer que ele seria pai... No caminho de volta pra casa, resolveu dar uma ida ao shopping, fazia tempo que não comprava nada pra ela e hoje tinha um motivo especial para comprar, parou numa loja de bebê e ficou sonhando com o seu filho naquelas roupinhas, pegou uma camisetinha onde estava escrito "sou do papai" sorriu emocionada, precisava achar Pedro, ele ficaria feliz com aquela novidade, tinha certeza disso, comprou a camisetinha e outras peças para o bebê, deu mais uma volta e foi para casa. Pegou um táxi passando próximo ao hospital viu Pedro acompanhado de uma mulher grávida, ele estava abraçado a ela, mas uma vez ficou chocada com aquela cena, quem seria essa mulher? Ele já era casado, nunca havia perguntado a ele sobre sua vida e sua família, nada, simplesmente ele era um mistério pra ela. Mandou o motorista parar e entrou no hospital, foi até ele, agora estava sozinho sentado na recepção, ele a viu, com olhar surpreso e levantou-se, ela perguntou: _O que faz aqui Pedro? Por onde andou? Precisava falar com você, e nem um telefone você me deixou. Ele estava feliz ao vê-la, abraçou-a e disse: _Você mandou que eu fosse embora, disse pra nunca mais procurá-la, até te liguei algumas vezes, mas você nunca estava em casa... Ela o interrompeu: _Eu estava enganada, descobri tudo o que aconteceu com o Roberto, você não teve culpa de nada, me perdoe! Por favor! _Eu entendo meu amor, e perdoo sim, eu te amo e não quero nunca mais me separar de você! Neste momento a enfermeira veio até ele dizendo que a paciente ficaria internada e que o bebê seria para daqui algumas horas. Ela abaixou a cabeça e sentiu uma tristeza se abater sobre ela e disse com lágrimas nos olhos: _Parabéns! Por que não me disse que era casado? Por que escondeu isso de mim? Ele sorriu e respondeu: _Não meu amor, não é meu filho, ela é minha irmã,só estou acompanhando por que o pai da criança esta viajando, ela só tem a mim aqui. Que vergonha, ela se sentiu minúscula, como podia julgar assim? Mais uma vez pediu desculpas a ele, ele a abraçou e disse que nunca mais queria perdê-la, mas que naquele momento precisava ajudar sua irmã, assim que tivesse tudo resolvido procuraria por ela, se despediram e ela seguiu pra sua casa. Ela ficou pensando numa maneira de dizer a ele sobre a criança, precisa tomar coragem, e se ele reagisse da mesma forma que o Roberto, não , ela precisava esquecer o Roberto, Pedro não se parecia em nada com ele, é ,não mesmo. Preparou alguma coisa para comer, e sentou-se em frente a tv, estava distraída vendo um filme quando tocaram a campainha, era Pedro, que a abraçou e a beijou apaixonadamente, ela ficou muito feliz, e decidiu contar a novidade: _Preciso te falar uma coisa...estou sem coragem.. Ele disse preocupado: _O que foi meu amor? Esta me deixando curioso. _Estou grávida! -falou baixinho. Ele a abraçou forte e disse: _Não pode ser é felicidade demais, um filho, obrigada meu amor! Estou muito feliz! Eles choraram muito de tanta emoção, foram para o quarto passaram a tarde toda na cama, fizeram amor como nunca, e adormeceram felizes. Quando acordaram já era de manhã e o telefone dela tocava sem parar, atendeu e era para o Pedro. A enfermeira do hospital dizendo que sua irmã queria vê-lo. Ele tomou um banho, se arrumou e se despediu dela, dizendo que mais tarde voltaria, e que a amava muito. Uma coisa ficou na cabeça dela, ela precisava saber por que Pedro tinha uma dívida com o Roberto, ele havia comentado isso na ilha quando a salvou dele, iria perguntar quando ele chegasse. Tomou um banho e deu uma arrumada na casa, hoje ela não iria trabalhar, estava de folga, aproveitou pra descansar mais um pouco, antes de Pedro chegar. Passavam das 3 horas quando ele chegou, com um buquê de rosas para ela, e uma caixa de bombons, se abraçaram e se amaram novamente, era impossível resistir aquele amor. Deitados ainda na cama ela quis saber: _Qual era a dívida que você tinha com o Roberto?Estava me lembrando disso hoje de manhã. Ele levantou sério, meio sem jeito e disse: _Esquece isso meu amor, não vamos falar disso agora. _Mas eu quero saber, me fale! Ele respondeu meio sério: _Antes de conhecer o Roberto eu estava numa situação muito difícil, financeiramente e emocionalmente, tinha perdido num acidente de carro minha esposa e minha filha, minha loja estava falindo por que eu não tinha mais forças para trabalhar, por causa da tristeza que tomava conta do meu coração, Roberto me deu muita força, me ajudou com a loja, se tornando meu sócio, pagou as dívidas e nunca quis receber por isso, nos tornamos amigos, até aquele dia quando ele me pediu para ajudá-lo a recuperar o amor da sua vida, eu achei muito bonito o fato dele ainda te amar, e queria que fosse comigo,se eu tivesse a chance de recuperar o amor que eu perdi, eu correria atrás também, só que não imaginava que ele seria tão cruel assim, te tratou super mal, e dentro do carro eu ja queria acabar com ele, não suporto este tipo de violência, mas deixei e fui até o final, como ele sempre dizia pra mim, que eu o devia e tinha obrigação de ajudá-lo. Ela suspirou fundo e disse: _Nossa, não poderia imaginar isso, sinto muito! _Faz muito tempo, não sofro muito mais com isso, e agora então, estou recebendo de volta a felicidade e a vida esta me dando outra chance para ser feliz. Obrigada meu amor, por estar comigo. E acreditar em mim! Se abraçaram e Pedro chorava muito, aquelas lembranças fazia muito mal a ele. Ficaram abraçados por muito tempo, e ele levantou-se e a chamou para saírem, queria que ela conhecesse a irmã dele no hospital. No caminho do hospital ele passou numa joalheria e comprou um anel para ela, e disse colocando em seu dedo: _Quer se casar comigo? Ela não conteve as lágrimas e disse: _Sim...eu aceito! Beijaram-se apaixonadamente e abraçados saíram até o hospital. Sophie não podia acreditar na alegria que sentia, e que amava demais aquele homem, e que agora sim, a vida valeria a pena e que a felicidade existia com certeza. Se casaram dois meses depois, ela estava linda de noiva e ele muito emocionado, agora não faltaria mais nada , sua felicidade estaria completa, e viveram muito felizes. FIM AGRADEÇO EM ESPECIAL A PARTICIPAÇÃO DA AMIGA SIMONE DA ESCRIVANINHA "FLÔR", E DE TODOS OS LEITORES QUE ACOMPANHARAM ESTE CONTO.