LINGUAGEM E CONHECIMENTO GEOMÉTRICO EM INTERACÕES NO AMBIENTE VIRTUAL NA EAD ALBERTO LUIZ PEREIRA DA COSTA (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ), REGINA MARIA PAVANELLO (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ). Resumo O trabalho pretende analisar um processo de ensino e aprendizagem na EAD e as possibilidades e limitações de um curso que tem no tutor um papel central: atender os alunos em suas necessidades em relação à construção do seu conhecimento, no caso os referentes à geometria. Como esses tutores nem sempre são especialistas na área de Matemática e quando o são nem sempre têm uma visão mais aprofundada sobre o processo de ensino e aprendizagem nas séries iniciais, terão, possivelmente, dificuldades para acompanhar o processo de aprendizagem dos cursistas. Assim, o objetivo da investigação consiste em analisar a interação realizada via internet entre o docente universitário responsável pelo módulo de geometria do curso Normal Superior da UEM e os tutores responsáveis pelo acompanhamento dos cursistas. Pretendemos analisar especificamente as dificuldades de uma interação tendo como objeto ao conhecimento geométrico dever ser realizada em ambiente virtual. Isto porque, a comunicação sobre fatos, conceitos e atividades repousa não somente na compreensão da língua, mas da linguagem e da representação matemáticas, o que acrescente outros tipos de dificuldade. Embora a pesquisa esteja em andamento e os dados coletados ainda sendo analisados, já se podem perceber algumas dificuldades que os tutores encontram nesta comunicação virtual com o docente universitário para sanar suas dúvidas em relação aos conteúdos de ensino. Palavras-chave: Educação Matemática, Ensino a Distância, interação virtual. Primeiras Palavras O século XX foi palco de inúmeras transformações tecnológicas no que diz respeito à criação e à disseminação da informação. A base tecnológica sofreu significativas alterações que tiveram por efeito a singularização das condições reais de existência, afetando desde a esfera do trabalho, das relações humanas e mesmo a cultura e a educação como um todo. Com o avanço da tecnologia nos últimos anos do século XX, ocorreu um barateamento dos computadores pessoais e tal fato, juntamente com o advento da internet representou a possibilidade de uma comunicação mais rápida e um maior acesso à informação. De tal forma ocorreu o desenvolvimento neste campo da tecnologia que levou os educadores e os governos a pensarem em novas possibilidades de utilização dessas novas tecnologias para a educação. Já existiam experiências da utilização do rádio e da televisão para ampliar as possibilidades educativas de uma grande massa da população. Na década de 40, por exemplo, é criado em São Paulo o Instituto Universal Brasileiro oferecendo cursos por correspondência e, em 1970, a Fundação Padre Anchieta (TV Cultura), em parceria com a Fundação Padre Landell de Moura, criou o Projeto Minerva, responsável pela criação de textos e programas para a TV. E, ainda neste mesmo ano, a Fundação Roberto Marinho lançou um programa de educação supletiva a distância para o primeiro e o segundo graus. Tais projetos de educação eram voltados para a Educação Básica. Já na década de 1990 presenciamos a ampliação da possibilidade de cursos via teleconferências realizadas pelas universidades públicas de São Paulo e a PUCSP, projetos estes agora voltados para a formação continuada de professores. A Universidade de São Paulo criou o projeto Escola do Futuro, mantido pela ECA-USP, o qual oferece cursos sem custos, visando a atualização de professores do Ensino Fundamental e Médio. Por outro lado, a PUC-SP desenvolveu, junto com a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, um projeto de inserção do computador na prática pedagógica a partir do Programa de Educação Continuada Inovações no Ensino Básico. É nesse contexto de utilização das novas tecnologias que surge a idéia de cursos à distância no Brasil. Na década de 1960 cursos de ensino à distância nos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e Espanha já tinham sido implantados. A Universidade Aberta da Grã-Bretanha, mais conhecida como Open University, criada em 1962, desenvolveu um programa de EAD com cursos de ótima qualidade; na Espanha, a Universidade Nacional de Educação a Distância atraiu um grande número de estudantes de todo o mundo para cursos de graduação ou pós-graduação. Somente a partir de 1996 foi oficializada no Brasil a EAD pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº 9.394/96 - pelo Art. 1° do Decreto Federal nº 2.494/98 publicado no diário oficial da união de 11/02/1998 - e, com a oficialização da lei, o governo federal começa a investir na utilização dessa modalidade para suprir a necessidade de formação de professores. Com isso, existe um incentivo às Universidades e demais instituições de ensino para oferecerem cursos nessa modalidade. No entanto, no meio educacional, a Educação à Distância tem sido foco de diversas discussões desde últimos anos do século XX. Diversos artigos são produzidos tanto em defesa como contra a ampliação da oferta de cursos de Ensino a Distância (EAD) em todo o país. Argumentos a Favor e Contra a EAD Um argumento a favor do ensino à distância é que ele se apresenta como uma modalidade mais barata de formação, uma vez que dispensas as despesas com o pagamento de professores e com a manutenção de prédios escolares. Como diz (Bittencourt, 2007: 7): Quase todas as semanas encontram-se matérias com pretensão de análise sobre a relevância da implantação de projetos de educação de grande alcance, sempre com o argumento de que o país possui déficit de profissionais qualificados nas distintas áreas de conhecimento. A idéia subjacente é a de que, com a educação feita na modalidade à distância, conseguir-se-ia ampliar a oferta de educação, de formação profissional, em menor tempo, com menor custo e ainda com maior eficiência. Para o ex-ministro da educação Cristovam Buarque, o Ensino a Distância seria uma solução para a crise da universidade brasileira. Para ele, esta pecava por não reconhecer "a importância do ensino a distância como método e instrumento fundamental de cumprimento de seu papel". (Torres, 2004: 290). Mas, de acordo com Buarque (1994), essa modalidade de ensino superior não se destinava a substituir o ensino no campus, mas ser vista como o caminho para a universidade ampliar o seu papel pedagógico junto ao público, atingindo milhões de alunos em cursos de grande importância para a educação popular e para a cultura em geral da população (Buarque, 1994: 188, apud Torres, 2004: 290). Outro ponto positivo, conforme Dalmau (2006), é que a Educação à Distância apresenta características de flexibilidade de espaço e tempo que podem se adaptar às diversas demandas. O autor ressalta que é uma metodologia voltada para atender adultos com compromissos familiares e profissionais, pois permite as pessoas continuarem os estudos sem o abandono de suas atividades. Nessa mesma linha de raciocínio e apoiando-se em Bates (1997: 18, apud Dalmau, 2006: 3), para quem a possibilidade de se gerar produtos customizados, ajustados e adaptados às necessidades dos clientes, possibilita ganhos em tempo e adequação no atendimento a demandas específicas, que não estejam contempladas a contento em estruturas educacionais tradicionais, Moore (1996) observa que o grande diferencial da EAD está em proporcionar ao aluno a opção de escolher o próprio local e o horário de estudo. Outro aspecto a considerar com respeito à EAD é que nesta modalidade de educação há uma interação midiática do aluno com o processo de criação da linguagem dos conteúdos programáticos exigidos nos cursos online. Na mídia online, o interagente-operador-participante experimenta uma grande evolução. No lugar de receber a informação, ele tem a experiência da participação na elaboração do conteúdo da comunicação e na criação de conhecimento. A diferença em relação à atitude imaginal de um sujeito é que no suporte digital "a pluralidade significante é dada como dispositivo material": o sujeito não apenas interpreta mais ou menos livremente, como também organiza e estrutura, [...]. Essa mídia tem muito mais a dizer ao professor (Silva, 2005: 63). Para Lévy (2004), a possibilidade do uso da multimídia na educação possibilita ao educando participar de forma ativa e até mesmo lúdica no ato educativo, pois o aluno irá interagir com o conhecimento indo além do simples lápis e papel, ou seja, a educação virtual é uma forma de aprendizagem melhor estruturada. Outros autores, porém, contestam estes argumentos. Alguns deles argumentam que, se somarmos os materiais e os equipamentos necessários, veremos que a modalidade não é assim tão econômica. Se para alguns teóricos o custo desse ensino (EAD) é menor, há que se considerarem os meios midiáticos que estão envolvidos nesse tipo de educação e, pensando na realidade brasileira, tais equipamentos ainda resultam em grandes despesas. Ela também não se configura como uma modalidade de curso mais rápida, pois a preparação prévia detalhada é condição de sucesso nesse tipo de educação (Bittencourt, 2007: 10). Essa discussão nos leva a considerar necessário analisar em mais profundidade as possibilidades e as limitações que essa nova modalidade de ensino EAD apresenta. É fundamental discutir a EAD, aliás, como qualquer outra forma de ensino, principalmente quando uma ‘nova' versão de ensino está em nossas universidades e em escolas. As concepções sobre o Ensino a Distância (EAD) estão sendo tratadas de maneira que possa encaminhar o ensino brasileiro para revoluções e inovações no ambiente escolar. As rápidas descobertas e mudanças no universo da educação por meio da mídia[1] refletiram-se no mundo da escola, tornando mais amplos os conceitos e conhecimentos escolares. [...] uma preocupação sadia com os destinos e a qualidade da educação precisa ser estendida à compreensão e ao manejo da mídia indistintamente, sob o risco de, com a supressão ou o apagamento de um ou outro recurso ou tecnologia no âmbito do trabalho pedagógico, levarmos adiante uma educação fora do seu tempo, além, é claro, de não aproveitarmos as características dos diferentes veículos e linguagens para a melhoria dos processos de ensino-aprendizagem (Silva, 2005: 33). No entanto, a problemática da interação na educação por meio das mídias virtuais nesses últimos anos tem tomado a cena nacional. Uma questão que merece ser detalhada sobre a EAD é justamente a utilização dos meios midiáticos. Isto porque o fato de vivermos em um país com grandes dimensões territoriais acaba se tornando um desafio para a consolidação do Ensino a Distância. Muitas regiões no país estão completamente excluídas do acesso à energia, a qual permite a inclusão no mundo da tecnologia de comunicação a distância, inserindo o indivíduo na internet e na evolução tecnológica digital, que são as forças motoras que promoveram as grandes mudanças em EAD (Mundim, 2006: 122). Por outro lado, o Ensino a Distância envolve alguns pré-requisitos do aluno, que deve não só saber manusear os meios eletrônicos como também modificar o próprio texto. Desse modo, os alunos precisam de alguns conceitos de informática para que possam conhecer a forma como irão usar os recursos tecnológicos exigidos durante o curso da EAD. No entanto, isso não basta. Para o envolvimento do aluno com curso, temos que levar em conta, não só a criação de um bom ambiente de aprendizagem, uma infra-estrutura que contribua para o bom aprendizado, como também a linguagem, a comunicação, o meio social, cultural e outros espaços que influenciam na aprendizagem do ser humano, sem o que o indivíduo não será capaz de desenvolver sua capacidade criadora de argumentação e entendimento científico tecnológico. Para um bom curso de Ensino a Distância, além do ambiente devem-se criar momentos e situações de socialização entre os participantes, pois sabemos que estas situações são raras neste tipo de educação, e para que esta ocorra de forma efetiva é fundamental que seja valorizado o incentivo à pesquisa, bem como a troca de experiências e produções coletivas Neves (2005). Além disso, a expansão das capacidades de representação, comunicação e expressão está vinculada não apenas ao saber da língua, mas de todas as outras linguagens e, primordialmente, ao repertório cultural de cada indivíduo e de seu grupo social. Compartilhamos do pensamento de Borba e Penteado (2005) quando consideram que, se a oralidade é a mídia predominante na interação entre professor e alunos no ensino presencial, na EAD ela depende mais da combinação de diferentes meios. O estudo, Objetivo e Problema Geométrico A pesquisa tem como objetivo analisar as interações realizadas via internet entre os docentes universitários responsáveis pelo módulo de geometria do Curso Normal Superior/Pedagogia da Universidade Estadual de Maringá-PR e os tutores responsáveis pelo acompanhamento dos cursistas tendo em vista as possibilidades e dificuldades apresentadas por esses tutores para efetivar a mediação do conhecimento geométrico com os professores em formação. Supomos, inicialmente, a possibilidade de os tutores enfrentarem certas dificuldades em realizar tal mediação, originadas no seu próprio conhecimento do tema em questão e na interpretação dos textos do material de apoio do módulo, isto porque nem todos os tutores são de área da matemática e, mesmo o sendo, nem sempre têm o conhecimento necessário sobre a geometria. Aliás, vários autores como Pavanello (1989) e Perez (1991), entre muitos outros, têm assinalado a dificuldade de tanto de alunos da Educação Básica como de professores na compreensão dos conceitos geométricos. Pavanello (2003) tem denunciado algum tempo que a geometria não vem sendo devidamente trabalhada na escola básica. "Esse costume de programar a geometria para o final do ano letivo é, de certo modo, reforçado pelos livros didáticos que, pelo que pude observar, abordam esse tema quase sempre por último, dando a impressão de que esta é a programação mais conveniente" Pavanello (1989: 6). A autora comenta que na década de oitenta nas escolas públicas de São Paulo, em discussões sobre o currículo escolar, queriam que a geometria fosse considerada como uma disciplina fora dos conteúdos de matemática, ou seja, uma disciplina paralela à matemática com o nome de desenho geométrico Pavanello (1989). Um dos objetivos desta mudança está relacionado à formação inicial de professores, que muitas vezes não estudaram geometria em sua graduação, e que por ventura recai na insegurança que muitos professores têm com relação a este conteúdo quando estão lecionando. Este e entre muitos outros, são os motivos pelos quais os professores iniciantes e/ou veteranos na carreira encontram a respeito da geometria. Por outro lado, o fato de a interação entre os docentes responsáveis pelo módulo de geometria e os tutores se dar via internet nos leva à necessidade de analisar o processo comunicativo instaurado esses personagens tendo por pano de fundo a compreensão dos cursistas - e a sua - do discurso desses docentes, na webconferência e no material de apoio, e que não é instantâneo e face a face como em uma atividade presencial, como bem salienta Vergani (2002: 87). Avaliar é Preciso Embora já existam vários cursos na modalidade à distância, existem poucos trabalhos avaliando o que realmente ocorre em seu desenvolvimento. Um desses trabalhos é o de Marli André, da PUC-SP, que desenvolveu uma pesquisa que avalia e analisam opiniões de professores em exercício das primeiras séries do Ensino Fundamental de escolas do Norte, Nordeste e Centro Oeste do país, professores envolvidos num processo de formação. André indica a necessidade de se estabelecerem critérios para a análise de cursos (de formação inicial ou continuada). No entanto, os critérios para essa avaliação só serão construídos a partir da avaliação de outros cursos oferecidos na modalidade EAD. Na formação de educadores na modalidade EAD, os tutores têm um papel importante, pois lhes cabe facilitar a aprendizagem dos participantes, além de orientá-los na construção do conhecimento. Assim, a nosso ver, um dos aspectos problemáticos dos cursos EAD é quanto à qualificação dos tutores que deles participam, que nem sempre são especialistas nas áreas em que deverão atuar, o que é mais nítido no caso de cursos de formação de professores para as séries iniciais. E, no caso da Matemática, que nos interessa mais de perto, mesmo os especialistas na área, os licenciados em Matemática, nem sempre têm uma visão mais aprofundada sobre o processo de ensino e aprendizagem nas séries iniciais e um conhecimento pertinente sobre o conhecimento escolar da Matemática trabalhada nessas séries. Neste processo educacional a linguagem, ou melhor, o discurso do docente universitário com os tutores deve ocorrer de maneira que contemple a carência e as dificuldades que podem aparecer na troca de idéias entre eles. Vale ressaltar que o discurso midiático neste tipo de educação é relevante e merece destaque, uma vez que esta educação em parte acontece e efetiva-se a partir desta interação discursiva. Torna-se necessário, enfatizarmos que a linguagem assume certa característica local, ou seja, sofre influência do meio social e cultural. Goulart (2007: 95), ao analisar o discurso realizado em uma aula tradicional, com base na teoria de enunciação de Bakhtin, destaca o quanto a linguagem expressa valores de grupos sociais: As linguagens sociais são carregadas de conteúdos determinados, que as especificam. Tais linguagens implicam, além do vocabulário, formas de orientação intencional de interpretação, com direções definidas, e impregnam-se de apreciações concretas, ao unirem-se a objetos, a áreas expressivas de conhecimento e a gêneros. Bakhtin vai além, alargando a pluridiscursividade da linguagem, ao considerar que cada época, cada geração, em cada uma das suas camadas sociais, tem a sua linguagem social. Nestas linguagens há distinções metodológicas, já que se orientam por princípios básicos de seleção e constituição diversos. [...] as linguagens sociais organizam-se, atendendo a necessidades de grupos sociais - cumprindo funções específicas, conformando esferas de conhecimento e expressando diferenças históricas e culturais entre aqueles grupos. É importante salientarmos que a linguagem expressa valores que são assimilados pelo indivíduo. Portanto, analisar os fóruns de discussão, os chats e os diálogos do discurso online dos docentes universitários e dos tutores no Ensino a Distância é uma dimensão que deve ser tratada com cuidado e atenção, uma vez que nesta interação midiática o discurso estará presente em toda uma concepção carregada de conceitos ideológicos. Portanto, avaliar é preciso. Análise de Um Episódio da Interação on-line Para analisar a situação e o percurso seguido pela interação, faz-se necessário observar que os processos de interação verbal-escrita são ininterruptos, isto é, não têm começo nem fim (GIORDAN, 2008). Neste sentido, é pertinente observar que a resposta a um enunciado na interação on-line nem sempre se materializa no momento subseqüente da interação discursiva no ambiente virtual. Neste episódio abaixo, iremos analisar as dificuldades encontradas pelos tutores no que diz respeito à geometria e o possível diálogo com o docente universitário. Talvez usar essa ferramenta tecnológica para explicar geometria acaba induzindo a alguns erros e conflitos que interferem na aprendizagem, isto é, este tipo de interação midiática requer muita atenção do professor e do tutor, pois ambos devem ser conscientes que a linguagem utilizada no ambiente virtual deve ser clara e precisa. 1º Episódio: número de arestas do tetraedro, cubo e prisma. Data: 26/11/2007 Chat 1. (26/11/2007 18h44min: 40) Tutor Fernando fala para João: precisaria conferir a correção da atividade 1, página 52, principalmente quanto ao número de arestas do tetraedro, cubo e prisma. Seria possível? 2. (26/11/2007 18h45min: 06) Tutora Helena fala para Todos: Marli tem que buscar as provas no Pólo. 3. (26/11/2007 18h45min: 11) Prof. João fala para Todos: tetraedro: 6 faces. 4. (26/11/2007 18h45min: 17) Tutor Fernando fala para Todos: sim!!! 5. (26/11/2007 18h45min: 22) Prof. João fala para Todos: perdão... 4 faces. 6. (26/11/2007 18h45min: 40) Prof. João fala para Todos: 6 arestas. 7. (26/11/2007 18h45min: 44) Tutor Fernando fala para Todos: e arestass! 8. (26/11/2007 18h45min: 46) Prof. João fala para Todos: 4 vértices... 9. (26/11/2007 18h45min: 53) Prof. João fala para Todos: Cubo: 10. (26/11/2007 18h46min: 03) Tutora Merci fala para Todos: boa noite 11. (26/11/2007 18h46min: 19) Prof. João fala para Todos: 6 faces... 8 arestas... 8 vértices... 12. (26/11/2007 18h46min: 55) Prof. João fala para Todos: prisma: 7 faces... 15 arestas e 10 vértices. 13. (26/11/2007 18h47min: 19) Tutora Silvia fala para Todos: Professor eu contei 12 arestas no cubo. 14. (26/11/2007 18h47min: 20) Tutor Fernando fala para Todos: 6 faces... 8 arestas... 8 vértices... de qual figura??? 15. (26/11/2007 18h48min: 53) Prof. João fala para Todos: 12 arestas no cubo? Não... vá riscando cada uma delas, você verá que só tem 8. Escolhemos este episódio porque percebemos alguns problemas durante a comunicação entre os envolvidos neste diálogo. Faz-se necessário esclarecer que suprimimos alguns diálogos ocorridos neste episódio. No início deste diálogo o professor universitário tenta sanar a dúvida do tutor referente ao material de apoio que se encontra no livro formação de professores - EAD nº24: Espaço e Forma, p.52-53. O tutor ao indagar ao docente sobre a quantidade de faces, de arestas e de vértices de cada um dos poliedros (tetraedro, cubo, prisma) da atividade proposta, percebe na resposta do docente um equívoco no que diz respeito a faces do tetraedro e o diálogo acaba retornando sempre ao erro. Eis a revisão do professor que percebe depois de algum tempo o erro e corrige. Vale ressaltar que na escrita do docente percebemos que este chama a atenção para o quanto é importante ficar atento aos diversos discursos que ocorrem ao mesmo tempo. "Revisando o diálogo: Tetraedro - 4 faces, 6 arestas, 4 vértices. Vejam a dinâmica de uma aula "on-line": Os diálogos se intercalam e o professor, no caso eu, tem que prestar muita atenção à tela para procurar a última linha que leu." Ao esclarecer a dúvida sobre o total de arestas do cubo o docente enganase em sua resposta e o tutor fica completamente confuso e insiste a todo o momento sobre o total de arestas do cubo. Percebe-se neste diálogo uma insatisfação e insistência do tutor quanto à resposta dada. Enfim, nesta interação há um embaraço predominante percebido posteriormente pelo docente, que deixa explícito nesta correção: "Falei errado naquela hora, o correto é: Cubo - 6 faces, 12 arestas, 8 vértices. Vejam só no que vai dar isso. José e Silvana percebem o equívoco mais adiante." Em sua revisão o professor admite o erro, uma vez que ficou preocupado em dar atenção a todos os tutores e não percebeu que havia feito a contagem errada, confirmando oito arestas para o cubo. "José deve ter verificado sua contagem e manifesta sua indignação alguns minutos depois". Considerações No que se refere, a cursos em ambientes virtuais, a questão da geometria foi pouco explorada em âmbito nacional. Por esse motivo, e pela falta de pesquisas na área de educação Matemática, que nos motivou a investigar essa interação no ensino de geometria, ou seja, como o conteúdo de geometria é trabalhado pelo docente universitário e o tutor na modalidade de ensino a distância. É claro, que existem ferramentas que auxiliam o docente universitário na construção do conhecimento geométrico. Naturalmente, para que isso ocorra, é essencial que o professor desempenhe seu papel como mediador e aproveite as reais condições que lhe são oferecidas na modalidade EAD. Referências ANDRÉ, M. Uma pesquisa com os professores para avaliar a formação de professores. In: ROMANOWSKI, J. P. et al. (Orgs). Conhecimento local e conhecimento universal: pesquisa, didática e ação docente. Curitiba: Champagnat, 2004. BITTENCOURT, A. B. Editorial. Pro-Posições, Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas: Ed. Unicamp, v.18, n°.3 (54), 2007. BORBA, M. C.; PENTEADO, M. G. Informática e educação matemática. 3.ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2005. DALMAU, M. B. L. A educação profissional, a EAD e as universidades corporativas:.um-mercado-emergente.-Disponível-em: http://www.abed.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=15&UserActiveT emplate=4abed Acesso em: 29/08/2008. GIORDAN, M. Computadores e linguagens nas aulas de ciências: uma perspectiva sociocultural para compreender a construção de significados. Ijuí:Ed. Unijuí, 2008. GOULART, C. Enunciar é argumentar: analisando um episódio de uma aula de História com base em Bakhtin. Pro-Posições, Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas: Ed. Unicamp, v.18, n°.3 (54), 2007. p. 93-107. MOORE, M. G.; KEARSLEY, G. Distance education: a system's view. Belmont (USA): Wadsworth Publishing Company, 1996. MUNDIM, K. C. Ensino a distância no Brasil: problemas e desafios. In: Ministério de Educação (Org). Desafios da educação a distância na formação de professores. Brasília: Secretaria de Educação a Distância, 2006. NEVES, C. M. C. A educação a distância e a formação de professores. Integração das tecnologias na Educação/ Secretaria de Educação a Distância. Brasília: Ministério da Educação, 2005. p. 137-141. PAVANELLO, R. M. O abandono do ensino de geometria: uma visão histórica. 1989. Dissertação (Mestrado em Educação). Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas. ________________. A pesquisa na formação d professores de matemática para a escola básica. São Paulo: SBEM, 2003.p.8-13. PEREZ, G. Pressupostos e reflexões teóricas e metodológicas da pesquisa participante no ensino de geometria, para as camadas populares. 1991. Tese (Doutorado em Educação). Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas. PIERRE, L. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. trad. Carlos Irineu da Costa. Rio de Janeiro: ed. 34, 1993. SILVA, M. Internet na escola e inclusão. Integração das tecnologias na Educação/ Secretaria de Educação a Distância. Brasília: Ministério da Educação, 2005. p. 63. TORRES, P. L. Universidade virtual: da experiência global ao matice da PUCPR. In: ROMANOWSKI, J. P. et al. (Orgs.) Conhecimento local e conhecimento universal: diversidade, mídias e tecnologias na educação. Curitiba: Champagnat, v. 2, 2004. VERGANI, T. Matemática & linguagem: olhares interactivos e transculturais. Lisboa: Pandora Edições, Imagem e Comunicação, 2002. SITES: BUARQUE, C. - Disponível em: www.cristovam.org.br/index. Acesso em 25 de março de 2008. SEESP - Disponível em: Acesso em: 14 de agosto de 2008. MEC - Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seed/index.php?option=com_content&task=view&id=61 > Acesso em: 15 de agosto de 2008. [1] Mídias entendida como o conjunto de veículos e linguagens para a realização da comunicação humana para o cumprimento de diferentes interesses e propósitos. (SILVA, 2005, p. 33) LINGUAGEM E CONHECIMENTO GEOMÉTRICO EM INTERAÇÕES NO AMBIENTE VIRTUAL NA EAD Alberto Luiz Pereira da Costa 1 Regina Maria Pavanello 2 Primeiras Palavras [...] Queria que minha voz tivesse um formato de canto. Porque eu não sou da informática: Eu sou da invencionática. Só uso a palavra para compor meus silêncios. Manoel de Barros O século XX foi palco de inúmeras transformações tecnológicas no que diz respeito à criação e à disseminação da informação. A base tecnológica sofreu significativas alterações que tiveram por efeito a singularização das condições reais de existência, afetando desde a esfera do trabalho, das relações humanas e mesmo a cultura e a educação como um todo. Com o avanço da tecnologia nos últimos anos do século XX, ocorreu um barateamento dos computadores pessoais e tal fato, juntamente com o advento da internet representou a possibilidade de uma comunicação mais rápida e um maior acesso à informação. De tal forma ocorreu o desenvolvimento neste campo da tecnologia que levou os educadores e os governos a pensarem em novas possibilidades de utilização dessas novas tecnologias para a educação. Já existiam experiências da utilização do rádio e da televisão para ampliar as possibilidades educativas de uma grande massa da população. Na década de 40, por exemplo, é criado em São Paulo o Instituto Universal Brasileiro oferecendo cursos por correspondência e, em 1970, a Fundação Padre Anchieta (TV Cultura), em parceria com a Fundação Padre Landell de 1 Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência e a Matemática – Universidade Estadual de Maringá/UEM – PR. 2 Profª. Drª. do Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência e a Matemática – Universidade Estadual de Maringá/UEM – PR. Moura, criou o Projeto Minerva, responsável pela criação de textos e programas para a TV. E, ainda neste mesmo ano, a Fundação Roberto Marinho lançou um programa de educação supletiva a distância para o primeiro e o segundo graus. Tais projetos de educação eram voltados para a Educação Básica. Já na década de 1990 presenciamos a ampliação da possibilidade de cursos via teleconferências realizadas pelas universidades públicas de São Paulo e a PUC-SP, projetos estes agora voltados para a formação continuada de professores. A Universidade de São Paulo criou o projeto Escola do Futuro, mantido pela ECA-USP, o qual oferece cursos sem custos, visando a atualização de professores do Ensino Fundamental e Médio. Por outro lado, a PUC-SP desenvolveu, junto com a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, um projeto de inserção do computador na prática pedagógica a partir do Programa de Educação Continuada – Inovações no Ensino Básico. É nesse contexto de utilização das novas tecnologias que surge a idéia de cursos à distância no Brasil. Na década de 1960 cursos de ensino à distância nos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e Espanha já tinham sido implantados. A Universidade Aberta da Grã-Bretanha, mais conhecida como Open University, criada em 1962, desenvolveu um programa de EAD com cursos de ótima qualidade; na Espanha, a Universidade Nacional de Educação a Distância atraiu um grande número de estudantes de todo o mundo para cursos de graduação ou pósgraduação. Somente a partir de 1996 foi oficializada no Brasil a EAD pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº 9.394/96 - pelo Art. 1° do Decreto Federal nº 2.494/98 publicado no diário oficial da união de 11/02/1998 – e, com a oficialização da lei, o governo federal começa a investir na utilização dessa modalidade para suprir a necessidade de formação de professores. Com isso, existe um incentivo às Universidades e demais instituições de ensino para oferecerem cursos nessa modalidade. No entanto, no meio educacional, a Educação à Distância tem sido foco de diversas discussões desde últimos anos do século XX. Diversos artigos são produzidos tanto em defesa como contra a ampliação da oferta de cursos de Ensino a Distância (EAD) em todo o país. Argumentos a Favor e Contra a EAD Um argumento a favor do ensino à distância é que ele se apresenta como uma modalidade mais barata de formação, uma vez que dispensas as despesas com o pagamento de professores e com a manutenção de prédios escolares. Como diz (Bittencourt, 2007: 7) Quase todas as semanas encontram-se matérias com pretensão de análise sobre a relevância da implantação de projetos de educação de grande alcance, sempre com o argumento de que o país possui déficit de profissionais qualificados nas distintas áreas de conhecimento. A idéia subjacente é a de que, com a educação feita na modalidade à distância, conseguir-se-ia ampliar a oferta de educação, de formação profissional, em menor tempo, com menor custo e ainda com maior eficiência. Para o ex-ministro da educação Cristovam Buarque, o Ensino a Distância seria uma solução para a crise da universidade brasileira. Para ele, esta pecava por não reconhecer “a importância do ensino a distância como método e instrumento fundamental de cumprimento de seu papel”. (Torres, 2004: 290). Mas, de acordo com Buarque (1994), essa modalidade de ensino superior não se destinava a substituir o ensino no campus, mas ser vista como o caminho para a universidade ampliar o seu papel pedagógico junto ao público, atingindo milhões de alunos em cursos de grande importância para a educação popular e para a cultura em geral da população (Buarque, 1994: 188, apud Torres, 2004: 290). Outro ponto positivo, conforme Dalmau (2006), é que a Educação à Distância apresenta características de flexibilidade de espaço e tempo que podem se adaptar às diversas demandas. O autor ressalta que é uma metodologia voltada para atender adultos com compromissos familiares e profissionais, pois permite as pessoas continuarem os estudos sem o abandono de suas atividades. Nessa mesma linha de raciocínio e apoiando-se em Bates (1997: 18, apud Dalmau, 2006: 3), para quem a possibilidade de se gerar produtos customizados, ajustados e adaptados às necessidades dos clientes, possibilita ganhos em tempo e adequação no atendimento a demandas específicas, que não estejam contempladas a contento em estruturas educacionais tradicionais, Moore (1996) observa que o grande diferencial da EAD está em proporcionar ao aluno a opção de escolher o próprio local e o horário de estudo. Outro aspecto a considerar com respeito à EAD é que nesta modalidade de educação há uma interação midiática do aluno com o processo de criação da linguagem dos conteúdos programáticos exigidos nos cursos online. Na mídia online, o interagente-operador-participante experimenta uma grande evolução. No lugar de receber a informação, ele tem a experiência da participação na elaboração do conteúdo da comunicação e na criação de conhecimento. A diferença em relação à atitude imaginal de um sujeito é que no suporte digital “a pluralidade significante é dada como dispositivo material”: o sujeito não apenas interpreta mais ou menos livremente, como também organiza e estrutura, [...]. Essa mídia tem muito mais a dizer ao professor (Silva, 2005: 63). Para Lévy (2004), a possibilidade do uso da multimídia na educação possibilita ao educando participar de forma ativa e até mesmo lúdica no ato educativo, pois o aluno irá interagir com o conhecimento indo além do simples lápis e papel, ou seja, a educação virtual é uma forma de aprendizagem melhor estruturada. Outros autores, porém, contestam estes argumentos. Alguns deles argumentam que, se somarmos os materiais e os equipamentos necessários, veremos que a modalidade não é assim tão econômica. Se para alguns teóricos o custo desse ensino (EAD) é menor, há que se considerarem os meios midiáticos que estão envolvidos nesse tipo de educação e, pensando na realidade brasileira, tais equipamentos ainda resultam em grandes despesas. Ela também não se configura como uma modalidade de curso mais rápida, pois a preparação prévia detalhada é condição de sucesso nesse tipo de educação (Bittencourt, 2007: 10). Essa discussão nos leva a considerar necessário analisar em mais profundidade as possibilidades e as limitações que essa nova modalidade de ensino EAD apresenta. É fundamental discutir a EAD, aliás, como qualquer outra forma de ensino, principalmente quando uma ‘nova’ versão de ensino está em nossas universidades e em escolas. As concepções sobre o Ensino a Distância (EAD) estão sendo tratadas de maneira que possa encaminhar o ensino brasileiro para revoluções e inovações no ambiente escolar. As rápidas descobertas e mudanças no universo da educação por meio da mídia 3 refletiram-se no mundo da escola, tornando mais amplos os conceitos e conhecimentos escolares. [...] uma preocupação sadia com os destinos e a qualidade da educação precisa ser estendida à compreensão e ao manejo da mídia indistintamente, sob o risco de, com a supressão ou o apagamento de um ou outro recurso ou tecnologia no âmbito do trabalho pedagógico, levarmos adiante uma educação fora do seu tempo, além, é claro, de não aproveitarmos as características dos diferentes veículos e linguagens para a melhoria dos processos de ensino-aprendizagem (Silva, 2005: 33). No entanto, a problemática da interação na educação por meio das mídias virtuais nesses últimos anos tem tomado a cena nacional. Uma questão que merece ser detalhada sobre a EAD é justamente a utilização dos meios midiáticos. Isto porque o fato de vivermos em um país com grandes dimensões territoriais acaba se tornando um desafio para a consolidação do Ensino a Distância. Muitas regiões no país estão completamente excluídas do acesso à energia, a qual permite a inclusão no mundo da tecnologia de comunicação a distância, inserindo o indivíduo na internet e na evolução tecnológica digital, que são as forças motoras que promoveram as grandes mudanças em EAD (Mundim, 2006: 122). 3 Mídias entendida como o conjunto de veículos e linguagens para a realização da comunicação humana para o cumprimento de diferentes interesses e propósitos. (SILVA, 2005, p. 33) Por outro lado, o Ensino a Distância envolve alguns pré-requisitos do aluno, que deve não só saber manusear os meios eletrônicos como também modificar o próprio texto. Desse modo, os alunos precisam de alguns conceitos de informática para que possam conhecer a forma como irão usar os recursos tecnológicos exigidos durante o curso da EAD. No entanto, isso não basta. Para o envolvimento do aluno com curso, temos que levar em conta, não só a criação de um bom ambiente de aprendizagem, uma infra-estrutura que contribua para o bom aprendizado, como também a linguagem, a comunicação, o meio social, cultural e outros espaços que influenciam na aprendizagem do ser humano, sem o que o indivíduo não será capaz de desenvolver sua capacidade criadora de argumentação e entendimento científico tecnológico. Para um bom curso de Ensino a Distância, além do ambiente devem-se criar momentos e situações de socialização entre os participantes, pois sabemos que estas situações são raras neste tipo de educação, e para que esta ocorra de forma efetiva é fundamental que seja valorizado o incentivo à pesquisa, bem como a troca de experiências e produções coletivas Neves (2005). Além disso, a expansão das capacidades de representação, comunicação e expressão está vinculada não apenas ao saber da língua, mas de todas as outras linguagens e, primordialmente, ao repertório cultural de cada indivíduo e de seu grupo social. Compartilhamos do pensamento de Borba e Penteado (2005) quando consideram que, se a oralidade é a mídia predominante na interação entre professor e alunos no ensino presencial, na EAD ela depende mais da combinação de diferentes meios. O estudo, Objetivo e Problema Geométrico A pesquisa tem como objetivo analisar as interações realizadas via internet entre os docentes universitários responsáveis pelo módulo de geometria do Curso Normal Superior/Pedagogia da Universidade Estadual de Maringá-PR e os tutores responsáveis pelo acompanhamento dos cursistas tendo em vista as possibilidades e dificuldades apresentadas por esses tutores para efetivar a mediação do conhecimento geométrico com os professores em formação. Supomos, inicialmente, a possibilidade de os tutores enfrentarem certas dificuldades em realizar tal mediação, originadas no seu próprio conhecimento do tema em questão e na interpretação dos textos do material de apoio do módulo, isto porque nem todos os tutores são de área da matemática e, mesmo o sendo, nem sempre têm o conhecimento necessário sobre a geometria. Aliás, vários autores como Pavanello (1989) e Perez (1991), entre muitos outros, têm assinalado a dificuldade de tanto de alunos da Educação Básica como de professores na compreensão dos conceitos geométricos. Pavanello (2003) tem denunciado algum tempo que a geometria não vem sendo devidamente trabalhada na escola básica. “Esse costume de programar a geometria para o final do ano letivo é, de certo modo, reforçado pelos livros didáticos que, pelo que pude observar, abordam esse tema quase sempre por último, dando a impressão de que esta é a programação mais conveniente” Pavanello (1989: 6). A autora comenta que na década de oitenta nas escolas públicas de São Paulo, em discussões sobre o currículo escolar, queriam que a geometria fosse considerada como uma disciplina fora dos conteúdos de matemática, ou seja, uma disciplina paralela à matemática com o nome de desenho geométrico Pavanello (1989). Um dos objetivos desta mudança está relacionado à formação inicial de professores, que muitas vezes não estudaram geometria em sua graduação, e que por ventura recai na insegurança que muitos professores têm com relação a este conteúdo quando estão lecionando. Este e entre muitos outros, são os motivos pelos quais os professores iniciantes e/ou veteranos na carreira encontram a respeito da geometria. Por outro lado, o fato de a interação entre os docentes responsáveis pelo módulo de geometria e os tutores se dar via internet nos leva à necessidade de analisar o processo comunicativo instaurado esses personagens tendo por pano de fundo a compreensão dos cursistas – e a sua – do discurso desses docentes, na webconferência e no material de apoio, e que não é instantâneo e face a face como em uma atividade presencial, como bem salienta Vergani (2002: 87). Avaliar é Preciso Embora já existam vários cursos na modalidade à distância, existem poucos trabalhos avaliando o que realmente ocorre em seu desenvolvimento. Um desses trabalhos é o de Marli André, da PUC-SP, que desenvolveu uma pesquisa que avalia e analisam opiniões de professores em exercício das primeiras séries do Ensino Fundamental de escolas do Norte, Nordeste e Centro Oeste do país, professores envolvidos num processo de formação. André indica a necessidade de se estabelecerem critérios para a análise de cursos (de formação inicial ou continuada). No entanto, os critérios para essa avaliação só serão construídos a partir da avaliação de outros cursos oferecidos na modalidade EAD. Na formação de educadores na modalidade EAD, os tutores têm um papel importante, pois lhes cabe facilitar a aprendizagem dos participantes, além de orientá-los na construção do conhecimento. Assim, a nosso ver, um dos aspectos problemáticos dos cursos EAD é quanto à qualificação dos tutores que deles participam, que nem sempre são especialistas nas áreas em que deverão atuar, o que é mais nítido no caso de cursos de formação de professores para as séries iniciais. E, no caso da Matemática, que nos interessa mais de perto, mesmo os especialistas na área, os licenciados em Matemática, nem sempre têm uma visão mais aprofundada sobre o processo de ensino e aprendizagem nas séries iniciais e um conhecimento pertinente sobre o conhecimento escolar da Matemática trabalhada nessas séries. Neste processo educacional a linguagem, ou melhor, o discurso do docente universitário com os tutores deve ocorrer de maneira que contemple a carência e as dificuldades que podem aparecer na troca de idéias entre eles. Vale ressaltar que o discurso midiático neste tipo de educação é relevante e merece destaque, uma vez que esta educação em parte acontece e efetiva-se a partir desta interação discursiva. Torna-se necessário, enfatizarmos que a linguagem assume certa característica local, ou seja, sofre influência do meio social e cultural. Goulart (2007: 95), ao analisar o discurso realizado em uma aula tradicional, com base na teoria de enunciação de Bakhtin, destaca o quanto a linguagem expressa valores de grupos sociais: As linguagens sociais são carregadas de conteúdos determinados, que as especificam. Tais linguagens implicam, além do vocabulário, formas de orientação intencional de interpretação, com direções definidas, e impregnam-se de apreciações concretas, ao unirem-se a objetos, a áreas expressivas de conhecimento e a gêneros. Bakhtin vai além, alargando a pluridiscursividade da linguagem, ao considerar que cada época, cada geração, em cada uma das suas camadas sociais, tem a sua linguagem social. Nestas linguagens há distinções metodológicas, já que se orientam por princípios básicos de seleção e constituição diversos. [...] as linguagens sociais organizam-se, atendendo a necessidades de grupos sociais – cumprindo funções específicas, conformando esferas de conhecimento e expressando diferenças históricas e culturais entre aqueles grupos. É importante salientarmos que a linguagem expressa valores que são assimilados pelo indivíduo. Portanto, analisar os fóruns de discussão, os chats e os diálogos do discurso online dos docentes universitários e dos tutores no Ensino a Distância é uma dimensão que deve ser tratada com cuidado e atenção, uma vez que nesta interação midiática o discurso estará presente em toda uma concepção carregada de conceitos ideológicos. Portanto, avaliar é preciso. Análise de Um Episódio da Interação on-line Para analisar a situação e o percurso seguido pela interação, faz-se necessário observar que os processos de interação verbal-escrita são ininterruptos, isto é, não têm começo nem fim (GIORDAN, 2008). Neste sentido, é pertinente observar que a resposta a um enunciado na interação online nem sempre se materializa no momento subseqüente da interação discursiva no ambiente virtual. Neste episódio abaixo, iremos analisar as dificuldades encontradas pelos tutores no que diz respeito à geometria e o possível diálogo com o docente universitário. Talvez usar essa ferramenta tecnológica para explicar geometria acaba induzindo a alguns erros e conflitos que interferem na aprendizagem, isto é, este tipo de interação midiática requer muita atenção do professor e do tutor, pois ambos devem ser conscientes que a linguagem utilizada no ambiente virtual deve ser clara e precisa. 1º Episódio: número de arestas do tetraedro, cubo e prisma. Data: 26/11/2007 Chat 1. (26/11/2007 18h44min: 40) Tutor Fernando fala para João: precisaria conferir a correção da atividade 1, página 52, principalmente quanto ao número de arestas do tetraedro, cubo e prisma. Seria possível? 2. (26/11/2007 18h45min: 06) Tutora Helena fala para Todos: Marli tem que buscar as provas no Pólo. 3. (26/11/2007 18h45min: 11) Prof. João fala para Todos: tetraedro: 6 faces. 4. (26/11/2007 18h45min: 17) Tutor Fernando fala para Todos: sim!!! 5. (26/11/2007 18h45min: 22) Prof. João fala para Todos: perdão... 4 faces. 6. (26/11/2007 18h45min: 40) Prof. João fala para Todos: 6 arestas. 7. (26/11/2007 18h45min: 44) Tutor Fernando fala para Todos: e arestass! 8. (26/11/2007 18h45min: 46) Prof. João fala para Todos: 4 vértices... 9. (26/11/2007 18h45min: 53) Prof. João fala para Todos: Cubo: 10. (26/11/2007 18h46min: 03) Tutora Merci fala para Todos: boa noite 11. (26/11/2007 18h46min: 19) Prof. João fala para Todos: 6 faces... 8 arestas... 8 vértices... 12. (26/11/2007 18h46min: 55) Prof. João fala para Todos: prisma: 7 faces... 15 arestas e 10 vértices. 13. (26/11/2007 18h47min: 19) Tutora Silvia fala para Todos: Professor eu contei 12 arestas no cubo. 14. (26/11/2007 18h47min: 20) Tutor Fernando fala para Todos: 6 faces... 8 arestas... 8 vértices... de qual figura??? 15. (26/11/2007 18h48min: 53) Prof. João fala para Todos: 12 arestas no cubo? Não... vá riscando cada uma delas, você verá que só tem 8. Escolhemos este episódio porque percebemos alguns problemas durante a comunicação entre os envolvidos neste diálogo. Faz-se necessário esclarecer que suprimimos alguns diálogos ocorridos neste episódio. No início deste diálogo o professor universitário tenta sanar a dúvida do tutor referente ao material de apoio que se encontra no livro formação de professores - EAD nº24: Espaço e Forma, p.52-53. O tutor ao indagar ao docente sobre a quantidade de faces, de arestas e de vértices de cada um dos poliedros (tetraedro, cubo, prisma) da atividade proposta, percebe na resposta do docente um equívoco no que diz respeito a faces do tetraedro e o diálogo acaba retornando sempre ao erro. Eis a revisão do professor que percebe depois de algum tempo o erro e corrige. Vale ressaltar que na escrita do docente percebemos que este chama a atenção para o quanto é importante ficar atento aos diversos discursos que ocorrem ao mesmo tempo. “Revisando o diálogo: Tetraedro – 4 faces, 6 arestas, 4 vértices. Vejam a dinâmica de uma aula “on-line”: Os diálogos se intercalam e o professor, no caso eu, tem que prestar muita atenção à tela para procurar a última linha que leu.” Ao esclarecer a dúvida sobre o total de arestas do cubo o docente engana-se em sua resposta e o tutor fica completamente confuso e insiste a todo o momento sobre o total de arestas do cubo. Percebe-se neste diálogo uma insatisfação e insistência do tutor quanto à resposta dada. Enfim, nesta interação há um embaraço predominante percebido posteriormente pelo docente, que deixa explícito nesta correção: “Falei errado naquela hora, o correto é: Cubo – 6 faces, 12 arestas, 8 vértices. Vejam só no que vai dar isso. José e Silvana percebem o equívoco mais adiante.” Em sua revisão o professor admite o erro, uma vez que ficou preocupado em dar atenção a todos os tutores e não percebeu que havia feito a contagem errada, confirmando oito arestas para o cubo. “José deve ter verificado sua contagem e manifesta sua indignação alguns minutos depois”. Algumas Considerações No que se refere, a cursos em ambientes virtuais, a questão da geometria foi pouco explorada em âmbito nacional. Por esse motivo, e pela falta de pesquisas na área de educação Matemática, que nos motivou a investigar essa interação no ensino de geometria, ou seja, como o conteúdo de geometria é trabalhado pelo docente universitário e o tutor na modalidade de ensino a distância. É claro, que existem ferramentas que auxiliam o docente universitário na construção do conhecimento geométrico. Naturalmente, para que isso ocorra, é essencial que o professor desempenhe seu papel como mediador e aproveite as reais condições que lhe são oferecidas na modalidade EAD. Referências ANDRÉ, M. Uma pesquisa com os professores para avaliar a formação de professores. In: ROMANOWSKI, J. P. et al. (Orgs). Conhecimento local e conhecimento universal: pesquisa, didática e ação docente. Curitiba: Champagnat, 2004. BITTENCOURT, A. B. Editorial. Pro-Posições, Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas: Ed. Unicamp, v.18, n°.3 (54), 2007. BORBA, M. C.; PENTEADO, M. G. Informática e educação matemática. 3.ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2005. DALMAU, M. B. L. A educação profissional, a EAD e as universidades corporativas:.um-mercado-emergente.-Disponível-em: http://www.abed.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=15&UserActiv eTemplate=4abed Acesso em: 29/08/2008. GIORDAN, M. 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