CENTRO UNIVERSITÁRIO INTERNACIONAL UNINTER
ANEXO I – FORMULÁRIO DE PROJETO DE PESQUISA
1. IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO
Título do projeto:
Autonomia do estudante na Educação Superior a Distância
Pesquisador responsável: Luis Fernando Lopes
Contatos:
Telefones: (41)84710408 (41) 33115683
[email protected]
Tipo da pesquisa:
(x) BÁSICA
( ) APLICADA
e-mail:
Área de conhecimento (Curso de Vínculo):
Educação
Linha de pesquisa a que o projeto está vinculado:
Ensino, pesquisa e aprendizagem na EaD
Área de atuação:
[ ] Nacional [ X ] Regional [ ] Estadual [ ] Municipal [ ] Outra/ Especificar .....................
Prazos de execução:
Data de início
15 / 03 /2012
Previsão de
término
15/02/2014
Data de envio do
Relatório parcial
Data do envio do
relatório final
15 / 10 /2013
15/02/2014
2. RESUMO DO PROJETO
TEMA:
Autonomia do estudante na Educação Superior a Distância
JUSTIFICATIVA
Este projeto tem como objetivo analisar o princípio da autonomia na
educação a distância, um entre outros, tido como argumento que justifica a
oferta e a expansão da EaD na atualidade. Nosso intuito é investigar essa
categoria fundamental para compreensão da Educação a Distância dando
continuidade ao trabalho anterior procurando fazer um desdobramento da
pesquisa iniciada em fevereiro de 2012.
Muito da literatura atual prega que a EaD proporciona o desenvolvimento
da
autonomia
do
estudante.
Por
vezes,
essa
literatura
apresenta
superficialidade e certos exageros, o que pode conduzir a compreensões
equivocadas, pautadas no senso comum, como a de que para ser autônomo
“basta estudar na modalidade a distância”. A necessidade de esclarecer esses
equívocos é uma das razões que justificam esta pesquisa, bem como a
necessidade de compreender com maior profundidade a categoria autonomia e
de que modo discentes de EaD a desenvolvem.
Diante deste quadro, traçamos o nosso problema que sintetizamos em
duas questões principais:

A Educação a distância - da maneira como hoje está organizada e é
realizada
no
contexto
brasileiro
-
realmente
proporciona
o
desenvolvimento da autonomia do estudante?

A percepção do aluno em relação à autonomia na EaD é similar a
dos alunos matriculados na modalidade presencial?
OBJETIVOS:
Objetivo geral

Analisar o princípio da autonomia do estudante na Educação a
distância.
Objetivos específicos

Consultar bibliografia referente à Educação a Distância e
mais especificamente sobre a autonomia do estudante na EaD;


Analisar conceitos de autonomia e Educação a distância;
Analisar o perfil do aluno de pós-graduação lato-sensu
realizada na modalidade a distância.
METODOLOGIA
A pesquisa realizada nesse projeto é aprofundamento da uma
investigação de caráter bibliográfico realizada em 2012, seguida de uma
pesquisa de campo em forma de questionário, realizada com o objetivo de
analisar e cotejar o entendimento sobre autonomia de alunos que procuram
cursos na modalidade EaD e presencial.
Nas reuniões realizadas até o momento, o grupo refletiu principalmente
sobre as contribuições dos seguintes autores: (SANTOS, 2011); (AZEVEDO,
2011); (MALANCHEN, 2011).
As leituras e discussões realizadas até o momento, bem como as
sínteses produzidas nos ajudaram a perceber com maior profundidade o tema
pesquisado.
Foram tais reflexões que apontaram a necessidade de fazer
entrevistas com discentes de EaD
e ao mesmo tempo na modalidade
presencial para refletirmos sobre a concepção de autonomia desses alunos.
FUNDAMENTAÇÃO TÉÓRICA E PÓSSÍVEIS DESDOBRAMENTOS
Partindo da etimologia da palavra, autonomia é um termo de origem
grega, (αuτονομία) autonomia: (αuτόνομος), autonomos, palavra composta de
(αuτο/auto) e (νόμος/nomos) “lei” e designa a capacidade de fazer as próprias
escolhas, tomar as próprias decisões sem influências ou condicionamentos
externos. Para Kant, que propõe uma educação para autonomia, ela designa a
independência da vontade em relação a qualquer desejo ou objeto de desejo e
sua capacidade de determinar-se em conformidade com uma lei própria, que é
a da razão. (ABBAGNANO, 2000, p.97). Segundo Kant (2006), a educação
precisa desenvolver as capacidades dos educandos para que busquem atingir
as metas por eles mesmos postas.
Já Paulo Freire (2006, p. 59) propõe uma “pedagogia da autonomia” e
focaliza o respeito pela autonomia do educando. Tal respeito à autonomia e à
dignidade de cada um “é um imperativo ético e não um favor que podemos ou
não conceder uns aos outros”. A educação deve fomentar nos educandos a
curiosidade, a criticidade e a conscientização que é um esforço de
conhecimento
crítico
dos
obstáculos,
mas
ninguém
se
conscientiza
isoladamente (LOPES; PEREIRA e MUGNOL, 2010). Assim, em Freire a
autonomia ganha um sentido sócio-político-pedagógico, ela é condição de um
povo ou pessoa que tenha se libertado, se emancipado das opressões
(heteronomias) que restrigem ou anulam sua liberdade de determinação
(ZATTI, 2007, p. 53).
A partir do que apresentamos até aquele momento, foi possível focalizar
nosso problema de pesquisa e indagar: a EaD pode contribuir para formação
de sujeitos autônomos? Da mesma forma, podemos perguntar se a categoria
autonomia, da maneira como aparece comentada nos estudos atuais que
tratam de EaD, recebe uma abordagem adequada.
Para começarmos a responder foi importante compreendermos o objeto
ao qual fazemos referência, ou seja, a Educação a Distância, para em seguida
analisarmos a questão da autonomia discente nessa modalidade educacional.
Segundo Preti (2002, p. 25), a “Educação a Distância é antes de tudo
educação, é formação humana, é processo interativo de hetero-educação e
autoeducação”. Mas por que então ‘a distância’?
Procurar compreender a EaD pelo seu adjetivo, ou seja, pela distância,
ou qualquer outro dos seus complementos, como a tecnologia utilizada, por
exemplo, é tentar entender a Educação a Distância pelo que ela não é (PRETI,
2002; BELONI, 2008). Isto significa colocá-la em paralelo com a educação
presencial e defini-la de maneira apofática como educação não presencial, ou
seja, é conferir mais importância ao predicado que ao sujeito, como se ele
existisse por si mesmo.
Essa maneira de compreender a Educação a Distância provoca um
desvio de foco, uma vez que se concentra, no “como” o processo acontece,
deixando de lado ou para segundo plano a caracterização do “que” ele é, e
principalmente “quem” o realiza. Em outras palavras, ao se concentrar atenção
apenas sobre “a distância” aquilo que é fundamental “o quem” fica encoberto
(PRETI, 2002).
A educação é um fazer, um processo, um trabalho no qual os seres
humanos históricos e sociais entram em relação. Assim, ela comporta também
uma dimensão política. Ela é um processo concreto, historicamente situado e,
por isso mesmo, também determinado pelas condições históricas.
Ora, é justamente esta ausência de fundamento histórico que se
percebe em alguns conceitos sobre a EaD, que tendem a conceituá-la apenas
pelo uso de tecnologias. Por ser educação, é preciso recordar que a EaD é
uma práxis social essencialmente humana.
Esta práxis social aqui referenciada pode ser entendida como:
[...] atividade que toma por objeto não um indivíduo isolado, mas sim
grupos ou classes sociais [...]. Em um sentido mais estrito, a práxis
social é a atividade de grupos ou classes sociais que leva a
transformar a organização e a direção da sociedade, ou a realizar
certas mudanças mediante a atividade do Estado. Essa forma de
práxis é justamente a atividade política (VÁZQUEZ, 2007, p.231).
De acordo com o autor, pode-se então dizer que a EaD é práxis na
medida em que implica uma ação real, objetiva (atividade material
objetivamente consciente) sobre uma realidade humana, um tipo de práxis na
qual o homem é seu sujeito e objeto, isto é, práxis na qual ele atua sobre si
mesmo (VÁZQUEZ, 2007, p. 230). E é práxis social por que toma como objeto
não um indivíduo isolado, mas grupos ou classes sociais.
Em relação à política, esta é entendida como práxis humana diretamente
ligada ao poder. Na esfera educacional nos referimos às lutas pelo poder de
governo da educação. Assim, na Educação a Distância focalizamos nossa
atenção no governamento dos sujeitos da EaD, em particular, os discentes.
Esses apontamentos iniciais lançam luz sobre nosso objeto de estudo
que é o princípio da autonomia na educação a distância. Nesta perspectiva, é
importante agora mencionar as contribuições de alguns autores estudados pelo
grupo.
Santos (2011), em um artigo intitulado “Presença distante distância
presente: uma reflexão sobre a EaD” analisa a crescente instituição da EaD online no Brasil, manifestando preocupação sobretudo com a devida formação
integral do homem. Segundo o autor:
No modo próprio de perfazer-se humano, não há presença que não
comporte distância, não há distância que não comporte presença.
Todos nós, de uma forma ou de outra, experimentamos este fato,
quer percebamo-lo ou não, o que, evidentemente, só o confirma
(SANTOS, 2011, p. 13).
As análises apresentadas por esse autor nos oferecem subsídios para
compreendermos com maior profundidade a autonomia do discente na EaD,
pois “o distante, pela própria distância, pode ser a presença soberana que
acaba regendo, das mais variadas formas, o nosso viver” (SANTOS, 2011, p.
13).
Azevedo (2011) busca relacionar a teoria linguística de Ludwig
Wittgenstein, que utiliza o jogo como categoria para explicar a linguagem, e a
interatividade na Educação a Distância. Para isso, faz um breve histórico sobre
a filosofia da linguagem -- com ênfase nas denominadas “viradas linguísticas” -e discute sobre interatividade e interação na EaD, para finalmente chegar a
Wittgenstein e o jogo de linguagem.
Segundo a autora, partindo dos
pressupostos de Wittgenstein, é possível entender a interatividade na EaD
como um jogo no qual as regras são estabelecidas pelos atores que participam
da atividade comunicativa.
Neste contexto, cada sujeito (professor, aluno, tutor) tem seu papel, e
as regras não são todas pré-estabelecidas, mas podem ir sendo definidas de
acordo com o andamento da proposta inicial. Assim, as relações colaborativas
entre estes sujeitos-atores são parte essencial no processo de construção do
conhecimento em um ambiente virtual de aprendizagem (AZEVEDO, 2011).
Já Malanchen (2011) faz uma análise histórica da constituição do
processo de trabalho docente, tendo como ponto de partida o estudo da
categoria trabalho, nos escritos marxistas, utilizando duas categorias: a
subsunção formal e a subsunção real. O autor apresenta a autoditaxia como
coroamento do ideário liberal na esfera do ensino, e a autonomia do aluno
como princípio sobre o qual se assenta a EaD, juntamente com a objetivação
de parcela significativa do trabalho docente. Dessa forma, o trabalho docente
na EaD ganha uma nova configuração, para a qual os professores
convencionais não estão preparados.
REFERÊNCIAS
ABBAGNANO. N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
AZEVEDO, Heloisa Helena Duval de. “AZEVEDO, Heloisa Helena Duval de. “O
jogo de linguagem de Wittgenstein como exercício para olhar a interatividade
na modalidade de EaD”, in: Cadernos de Pesquisa Pensamento
Educacional. Vol.06 mº13. Disponível em:
http://www.utp.br/Cadernos_de_Pesquisa/pdfs/cad_pesq13/5%20_o_jogo_cp1
3.pdf
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo:
Atlas, 2002.
KANT. Critica da razão prática. São Paulo: Editora Escala, 2006.
LOPES, L. F; PEREIRA, M. de F; MUGNOL, M. Crítica da autonomia na EaD.
In: XIV Seminário de pesquisa e IX Seminário de Iniciação científica. UTP.
Disponível
em:
http://www.utp.br/proppe/pesquisa/seminarios_de_pesquisa/trienio_20082010/UTP_XIV_sempesq_IX_IC_2010/pdf's/pdf_chla/resumo_amp_chla_critica
.pdf . Acesso em 28/07/2012.
MALANCHEN, Júlia. Uma análise crítica sobre as políticas para formação
de professores no Brasil. In: Cadernos de pesquisa Pensamento
Educacional. Vol. 06 nº 13. Disponível em:
http://www.utp.br/Cadernos_de_Pesquisa/pdfs/cad_pesq13/6%20_uma_analise_cp13.pdf
MORAN, J. M. Ensino e aprendizagem inovadores com tecnologias. In:
Informática na Educação: teoria & prática, v. 3, n. 1. Porto Alegre : UFRGS,
2000.
SANTOS, Fausto dos. Presença distante, distância presente: uma reflexão
sobre a EaD. in: Cadernos de Pesquisa Pensamento Educacional. Vol.06
mº13. Disponível em:
http://www.utp.br/Cadernos_de_Pesquisa/pdfs/cad_pesq13/5%20_o_jogo_cp1
3.pdf
VÁZQUEZ, A. S. Filosofia da práxis. São Paulo: Expressão popular, 2007.
ZATTI. V. Autonomia e educação em Kant e Paulo Freire. Porto Alegre:
Edpucrs, 2007. Disponível em:
http://www.pucrs.br/edipucrs/online/autonomiaeeducacao.pdf. Acesso em:
15/09/2010.
3. CRONOGRAMA DAS ATIVIDADES DO PROJETO
PERÍODOS
ATIVIDADES
1
Envio do
projeto
avaliação –
Conselho de
Ética
2
Reunião do
Grupo
3
Revisão de
Literatura
4
Enviar artigo
para o Educere
2013
5
6
7
8
9
fev/mar mar/maio jun/ jul/ ago/ set/ out/ nov/ dez/ jan/ fev/
2013
2013
2013 2013 2013 2013 2013 2013 2013 2014 2014
Segunda
Reunião do
Grupo de
Pesquisa
Elaboração das
primeiras
sínteses.
Participação no
EDUCERE2013
apresentar
artigo
Seminário
Interno do
Grupo
Pesquisa
Reunião do
grupo
10
Envio do
Relatório
parcial
11
Reunião do
subgrupo de
pesquisa
12
Organização do
relatório final
13
Envio do
relatório Final
1 – Nesta primeira reunião serão tratados os temas inerentes a organização do Grupo e
procedimentos para continuar com o projeto de pesquisa.
2 – As reuniões estão previstas para acontecer nas quartas-feiras (tardes).
3 e 4 – A revisão de literatura será realizada procurando focalizar a questão o princípio da
autonomia na Educação a Distância.
5 – Na Segunda Reunião do Grupo de Pesquisa serão debatidos os resultados atingidos por
cada comitê até aquele momento a fim de direcionarmos para a elaboração de publicações.
6 – Elaboração de sínteses da literatura consultada sobre os temas de modo com vistas à
produção de publicações.
7 – Participação no EDUCERE 2013 (PUC – PR). Pretendemos publicar um ou dois artigos
com os resultados da pesquisa realizada em 2012 e o que já produzimos em 2013.
8 – Seminário Interno do Grupo de Pesquisa para apresentação dos trabalhos realizados nos
subgrupos do Núcleo Educacional. (Se for possível).
10 – Envio do relatório parcial do projeto de pesquisa.
12 – Avaliação do projeto, recolhimento de materiais para organizar o relatório final.
13 – Avaliação dos trabalhos realizados, envio do relatório final. Encerramento das atividades.
3. RECURSOS PREVISTOS NO PROJETO.
DESCRIÇÃO
UNID.
CUSTO
UNITÁRIO
R$
8
80
4
100
TOTAL DE RECURSOS (R$)
Livros
Inscrição Eventos
QUANT.
SUBTOTAL
R$
R$ 450,00
R$ 400,00
950,00
4. GRUPO DE PESQUISA
Nome
Patrícia Carla Ferreira
Marcos Aurélio Soares
Luis Fernando Lopes
Valentina Daldegan
Professor Estudante Titulação Unidade
x
Mestre
Educacional
x
Mestre
Educacional
x
Mestre
Educacional
X
Mestre
Educacional
5. RESPONSÁVEL PELO PROJETO
Data
22 / 05 / 2013
Assinatura do Responsável
Luís Fernando Lopes
OBS: Anexar os currículos Lattes do(s) professor (es) pesquisador(es).
Luís Fernando Lopes - http://lattes.cnpq.br/3537651145749677
Marcos Aurélio Silva Soares - http://lattes.cnpq.br/9789997604074205
Patricia Carla Ferreira - http://lattes.cnpq.br/0199694249827189
Valentina Daldegan - http://lattes.cnpq.br/5124954521258966
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