0 Míriam Heinen Marques da Silva ESTUDO DAS BARREIRAS ARQUITETÔNICAS A PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS FÍSICAS TEMPORÁRIAS E PERMANENTES: Estrutura Física das Unidades Básicas de Saúde e Estratégias de Saúde da Família nos Municípios da 13a Coordenadoria Regional de Saúde – RS Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação Mestrado em Promoção da Saúde – Área de concentração em Promoção da Saúde, Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC, como requisito parcial para obtenção de título de Mestre em Promoção da Saúde. Orientadora: Profª. Drª. Dulciane Nunes Paiva Co-orientadora: Profª. Dra. Miria Suzana Burgos Colaboradora: Profª. DraAnelise Gaya Santa Cruz do Sul, 2013. 1 Míriam Heinen Marques da Silva ESTUDO DAS BARREIRAS ARQUITETÔNICAS A PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS FÍSICAS TEMPORÁRIAS E PERMANENTES: estrutura física das Unidades Básicas de Saúde e Estratégias de Saúde da Família nos municípios da 13a Coordenadoria Regional de Saúde – RS Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação Mestrado em Promoção da Saúde – Área de concentração em Promoção da Saúde, Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC, como requisito parcial para obtenção de título de Mestre em Promoção da Saúde. BANCA EXAMINADORA Profª. Drª Vera Rocha Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS Profª. Drª.Hildegard Pohl Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC – RS Profa. Dra . Dulciane Nunes Paiva (Orientadora) Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC – RS 2 AGRADECIMENTOS À Deus, o que seria de mim sem a fé que eu tenho nele. Obrigada as minhas mães, Melita e Elsida, por acreditarem em mim, mesmo quando eu não mais acreditava. Sem vocês esse mestrado não teria acontecido, por todo o apoio que me deram, financeiro e humano, sempre. À Profa. Dulciane Paiva, orientadora dessa dissertação, pela confiança, pela oportunidade de trabalhar ao seu lado e por incentivar na superação de meus limites. Pelo seu empenho, sabedoria, compreensão e, acima de tudo, exigência. À Profa.Miria Burgos, coordenadora desse mestrado e co-orientadora dessa pesquisa, pela agilidade, organização e desprendimento. Por incentivar a busca do conhecimento, sendo exemplo de competência, garra, determinação e disciplina. À Profa. Anelise Gaya, por aceitar participar na análise de dados, proporcionando discussões e sugestões que serviram para o crescimento, aprendizado e incentivo à pesquisa. As colegas maravilhosas, que sempre estiveram nos momentos de alegria e preocupação. Duvido turma mais unida que a nossa. Em especial à Liciane Reis Guimarães, que me incentivou a sermos colegas novamente, recordando a nossa infância no colégio. À colega Josiane Pacheco pela companhia nas idas e voltas da UNISC. À Cezane Reuter, sempre disposta a auxiliar nos momentos de dúvidas. A colega Adriana Zeni que me conduziu a Gramado Xavier e região. A colega Fernanda Beatriz Alves, que me conduziu aos coordenadores das UBS e ESF em Santa Cruz do Sul, o que facilitou sobremaneira as minhas visitas de campo. À Sra. Marilise Thomas, coordenadora das ESF da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde, pois sem ela nenhuma dessas páginas estaria completa. Ao Delegado da 13ª CRS, Sr. Paulo Augusto Gomes, por acreditar que a pesquisa é peça fundamental para o desenvolvimento. Aos Secretários de Saúde dos municípios e coordenadores das UBS e ESF pela disponibilidade em responder aos questionários e apresentar a estrutura física de cada serviço. Quero finalizar agradecendo aos meus amores Eder e Maria Luiza, pois toda história de amor tem um final feliz e aproveitar para dizer, que mesmo nos dias de ausência, vocês estiveram e estarão sempre no meu coração. 3 DEDICATÓRIA Aos meus pais, Que me ensinaram a ousar, Com humildade, Questionar, Ter coragem, Ser curiosa e Acima de tudo, Ter fé, Muita fé. 4 LISTA DE QUADROS DO ARTIGO I Quadro 1 - Unidades Básicas de Saúde e Estratégias de Saúde da Família nos municípios da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde – RS avaliados no presente estudo. Quadro 2 - Encontram-se demonstrados os itens avaliados na área de acesso (externa) dos prédios avaliados no presente estudo. Quadro 3 - Podem ser observados os itens avaliados na área de circulação interna dos prédios avaliados no presente estudo. 5 LISTA DE FIGURAS DO ARTIGO Figura 1 Saúde – RS. Mapa de abrangência da 13ª nos municípios da 13ª Coordenadoria Regional de Figura 2 - Fluxograma de perdas. Figura 3 - Acesso ao prédio de uma UBS sem calçamento e sem faixa de pedestres no rebaixamento do meio fio. Figura 4 - Presença de obstáculos na área de circulação de uma UBS. Figura 5 - Instalações sanitárias que não permitem acesso e manobras de cadeira de rodas de uma UBS. 6 LISTA DE SIGLAS ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas ABT - Atenção Básica Tradicional CIR - Comissão de Intergestora Regional CNES - Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde CMS - Comissão Municipal de saúde CONADE - Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência CRS - Coordenadoria Regional de Saúde DATASUS - Departamento de Informática do SUS ESF - Estratégia de Saúde da Família IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística INMETRO - Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial LH - Linha do horizonte MR - Módulo de referência NBR - Norma Brasileira OMS - Organização Mundial da Saúde PCD - Pessoa com deficiência PCR - Pessoa em cadeira de rodas PMR - Pessoa com mobilidade reduzida PO - Pessoa obesa PSF - Programa de Saúde da Família SSPS - Statistical Package for Social Sciences SUS - Sistema Único de Saúde UBS - Unidade Básica de Saúde 7 APRESENTAÇÃO A presente dissertação foi desenvolvida ao longo do Programa de Mestrado em Promoção da Saúde da Universidade de Santa Cruz do Sul. A pesquisa foi desenvolvida junto às Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Estratégias de Saúde da Família (ESF) dos municípios pertencentes a 13ª Coordenadoria Regional de Saúde, tendo por objetivo verificar as possíveis barreiras arquitetônicas nas UBS e nas ESF às pessoas com deficiência física, nos municípios da 13a Coordenadoria Regional de Saúde. Parte dessa pesquisa intitulada ESTUDO DAS BARREIRAS ARQUITETÔNICAS A PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS FÍSICAS TEMPORÁRIAS E PERMANENTES: estrutura física das Unidades Básicas de Saúde e Estratégias de Saúde da Família nos municípios da 13a Coordenadoria Regional de Saúde – RS, deram origem a artigos apresentados como conclusão desse programa de Mestrado: um com o mesmo título da pesquisa e outro com o título PERFIL PROFISSIONAL DAS UBS E ESF DOS MUNICÍPIOS PERTENCENTES A 13ª CRS-RS. Espera-se que este estudo possa contribuir para aprimorar o conhecimento e a compreensão da população e das políticas públicas em relação a acessibilidade aos serviços de saúde das pessoas com deficiência da região, bem como sirva de base para o planejamento de ações de atendimento integrado e promoção da saúde contribuindo a inclusão social dessas pessoas. 8 RESUMO Objetivo: Verificar a existência de barreiras arquitetônicas na estrutura física das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Estratégias de Saúde da Família (ESF) às pessoas com deficiência física, nos municípios da 13a Coordenadoria Regional de Saúde - RS. Método: Foram avaliados serviços de atenção básica de saúde, através de questionários do tipo check list, avaliando a acessibilidade e a existência de possíveis barreiras arquitetônicas nas suas estruturas físicas. Resultados: Foram avaliados 44 serviços, dentre eles 17 UBS e 27 ESF nos municípios pertencentes à 13a Coordenadoria Regional de Saúde - RS. As UBS e ESF avaliadas apresentaram em sua maioria, prédios inadequados às necessidades das pessoas com deficiência física temporária ou permanente. Os serviços apresentaram-se instalados em prédios antigos da comunidade, sem construção específica para as necessidades dos usuários, bem como para os profissionais que lá atuam. Constatadas as mais evidentes inadequações: quanto aos corrimãos de acesso, largura das portas inferior na área de circulação interna e nas portas dos banheiros. As UBS apresentaram prédios mais inadequados que as ESF, entretanto ressalta-se que nenhum prédio avaliado estava totalmente de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (NBR 9.050). Conclusão: Foi observado nesse estudo, que nenhum serviço de atenção básica de saúde da 13a CRS encontra-se totalmente de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (NBR 9.050). Palavras-chave: Acesso aos Serviços de Saúde, Estruturas de acesso, Pessoas Portadoras de Deficiência. 9 ABSTRACT Objective: Verifying the existence of architectonic barriers in the physical structure of the Basic Health Units (BHU) and Family Health Strategies (FHS) for physically disabled people, in cities of the 13th Health Regional Coordination Centre - RS. Methods: Services of basic health attention were evaluated through checklist-type questionnaires evaluating the accessibility and the existence of possible architectonic barriers in their physical structures. Results: Forty-four services were evaluated, among them 17 Basic Health Units and 27 Family Health Strategies in the cities belonging to the 13th Health Regional Coordination Centre - RS. The evaluated BHU and FHS presented in their majority, inadequate buildings to the permanent or temporary physically disabled people´s necessities. The services are installed in old buildings of the community, without a specific construction for the users´ necessities, as well as for the professionals that work there. Inappropriateness were found regarding to access handrails, doors width smaller in the internal area and in the restrooms´ doors. The BHUs presented more inadequate buildings than the FHSs, however it is highlighted that any evaluated building was totally accordingly to the Brazilian Technical Standards Association (NBR 9.050). Conclusion: It was observed on this study that any service of basic health attention of the 13th Health Regional Coordination Centre is totally accordingly to the Brazilian Technical Standards Association (NBR 9.050). Key-words: Access to health services, access structures, disabled people. 10 SUMÁRIO AGRADECIMETOS ...........................................................................................................02 DEDICATÓRIA ..................................................................................................................03 LISTAS E TABELAS DO ARTIGO ..................................................................................04 LISTAS DE FIGURAS DO ARTIGO ................................................................................05 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS .........................................................................06 APRESENTAÇÃO ..............................................................................................................07 CAPÍTULO I .....................................................................................................................12 PROJETO DE PESQUISA ............................................................................................... 12 1. INTRODUÇÃO ...............................................................................................................13 2. OBJETIVO ......................................................................................................................16 2.1 Objetivo geral ................................................................................................................16 2.2 Objetivos específicos .....................................................................................................16 3. MARCO TEÓRICO ........................................................................................................17 4. MÉTODO ........................................................................................................................ 23 4.1 Contexto e amostra ........................................................................................................23 4.2 Delineamento metodológico .......................................................................................... 23 4.3 Critérios de inclusão e exclusão ....................................................................................24 4.3.1 Critérios de inclusão ...................................................................................................24 4.3.2 Critérios de exclusão ..................................................................................................24 5. HIPÓTESE E VARIÁVEIS ............................................................................................. 25 5.3.1 Hipóteses: ...................................................................................................................25 5.3.2 Variáveis .....................................................................................................................25 5.4 Procedimentos metodológicos ....................................................................................... 26 5.5Técnicas e instrumentos de coleta ..................................................................................26 5.6 Plano de análise .............................................................................................................27 5.7 Considerações éticas ......................................................................................................27 6. CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO ...............................................................................28 7. RECURSOS HUMANOS E INFRA-ESTRUTURA ......................................................29 8. ORÇAMENTO E RECURSOS MATERIAIS ................................................................ 30 9. RESULTADOS E IMPACTOS ESPERADOS ................................................................ 31 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................32 CAPÍTULO II ....................................................................................................................34 RELATÓRIO DO TRABALHO DE CAMPO................................................................ 34 CAPÍTULO III ..................................................................................................................37 ARTIGO I........................................................................................................................... 37 11 CAPITULO IV...................................................................................................................66 ARTIGO 2 .......................................................................................................................... 66 CAPÍTULO V ....................................................................................................................77 NOTA À IMPRENSA ........................................................................................................77 ANEXOS ............................................................................................................................ 79 12 CAPÍTULO I PROJETO DE PESQUISA 13 1. INTRODUÇÃO As pessoas com deficiência possuem limitações físicas temporárias ou permanentes, sensoriais ou mentais, que muitas vezes geram dificuldades na execução de atividades e no deslocamento de um lugar a outro. A Constituição Federal de 1988 assegurou o tratamento diferenciado às pessoas com deficiências, permitindo o exercício efetivo da cidadania e da convivência social, mediante o exercício do direito de liberdade e autonomia. Faz-se necessário assim, garantir o adequado deslocamento dos indivíduos com deficiência (BRASIL, 2006). Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), pessoa com deficiência é aquela que porta um comprometimento físico, sensorial ou mental, o qual lhe acarreta limitação e a coloca em situação de desvantagem, principalmente, por terem que utilizar muletas ou cadeiras de rodas. Diante disso, o simples ato de sair de casa significa um desafio, sobretudo porque as cidades não dispõem de estrutura adequada para deficientes (OMS, 2008a). No deslocamento aos serviços de saúde, as dificuldades vivenciadas pelas pessoas com deficiência são reconhecidas pelo próprio Ministério da Saúde quando este confirma os dados da OMS, segundo os quais, dos 10% das pessoas deficientes, apenas 2% recebem assistência. Contudo, os serviços de saúde ainda desempenham um papel secundário em relação à meta proposta pela OMS de oferecer saúde para todos. Os obstáculos ao deslocamento das pessoas segregam uma porção específica da sociedade: pessoas com deficiência física e sensitiva, idosos e obesos (VASCONCELOS; PAGLIUCA, 2006). As barreiras arquitetônicas são formadas por qualquer barreira relacionada às áreas urbanas ou edificações, limitando e impedindo o exercício do mais básico dos direitos de qualquer cidadão, o de deslocar-se livremente. A presença de escadas, degraus altos, banheiros não adaptados, transporte público inadequado, buracos nas vias públicas, constitui parte dos inúmeros exemplos que podemos citar como barreiras arquitetônicas. Esta mesma dificuldade é experimentada nos espaços destinados aos cuidados à saúde, com prédios inadequados às necessidades dos usuários (FACCHINI et al., 2006). As dificuldades para a pessoa com limitação física acessar os serviços públicos de saúde são percebidas, tanto no trajeto ao serviço, quanto no serviço em si. Portanto, a remoção de barreiras arquitetônicas representa um importante passo para a integração das pessoas com deficiência na atividade humana. Com esta finalidade, determinados municípios desenvolvem o programa "Acessibilidade - Projeto para Todos", no intuito de eliminar as barreiras arquitetônicas e ambientais que impedem o direito de locomoção das pessoas com deficiência 14 (VASCONCELOS; PAGLIUCA, 2006). A legislação assegura o direito de acesso, circulação e utilização dos espaços públicos para as pessoas com deficiência e pelas pessoas com mobilidade reduzida. A prioridade ao atendimento às pessoas com deficiências de qualquer tipo e de idosos em repartições públicas e outros locais, estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade dessas pessoas (BRASIL, 2006). A necessidade das pessoas com deficiência em usufruírem dos serviços oferecidos pela Atenção Básica exige esforço consciente do poder público para que se percebam as barreiras arquitetônicas que comprometem o acesso e a mobilidade a tais unidades (BRASIL, 2006). A perspectiva da Atenção Básica à Saúde tem como objetivo a universalidade e integralidade da atenção, baseando-se no reconhecimento das necessidades da população que vão além da assistência médica. A presença da ESF está relacionada à menos barreiras de acesso, menos problemas de distância dos serviços de saúde e maior envolvimento da equipe multidisciplinar no atendimento àqueles com incapacidade funcional motora (ELIAS et al., 2006). Outro importante item que confere qualidade nos serviços de atenção básica à saúde é a interdisciplinaridade. Essa impõe múltiplas ligações nas diferentes áreas, para que as ações se efetivem na promoção dos cuidados em saúde. Questiona-se o trabalho em saúde por frequentemente desconsiderarem a realidade vivida pelos sujeitos. Nessa reflexão tem-se reconhecido a potencialidade do trabalho interdisciplinar das práticas de saúde, considerando as dimensões que envolvem o processo saúde-doença. É necessário o respeito, para que todas diferenças possam ser escutadas, para se manter um dialogo permanente e aberto entre todas as especialidades (VELHO, 2010). A Atenção Básica à Saúde deve ser sempre prioritária, pois possibilitará melhor organização dos serviços de media e alta complexidade e, estando bem estruturada com a equipe multiprofissional, reduzirá filas nos hospitais, prontos socorros, uso abusivo de medicamentos e uso indiscriminado de recursos de alta tecnologia. Nesse contexto, existem as particularidades que garantem os direitos de casos especiais, como a garantia de melhor qualidade de vida aos deficientes e à saúde do trabalhador. A implantação desses serviços na Atenção Básica deve ser feito de acordo com sua realidade local (BRASIL, 2007b). A existência de barreiras arquitetônicas as pessoas com deficiência física nas unidades básicas de saúde fere o mais digno direito constitucional aos cidadãos. Sendo competência da União, prover adequado acesso físico as pessoas com deficiências físicas, sejam temporárias ou permanentes, é também responsabilidade da atenção básica proporcionar acesso adequado a tais pacientes que buscam atendimento nas UBS e ESF. As inadequações de acesso às 15 estruturas sociais e não apenas a deficiência em si, são consideradas atualmente, fatores facilitadores para a exclusão de parte dessa população ao acesso livre e digno aos serviços prestados pelas Unidades Básicas de Saúde seja no modelo tradicional ou no modelo adotado de Estratégia Saúde da Família. Por reconhecer os direitos legítimos e legais de acessibilidade e integração social das pessoas com limitação física, o presente estudo questiona: qual a prevalência de barreiras arquitetônicas a pessoas com deficiências físicas temporárias e permanentes nas UBS, nos municípios da 13a Coordenadoria Regional de Saúde? 16 2. OBJETIVO 2.1 Objetivo geral Verificar se há ou não possíveis barreiras arquitetônicas na estrutura física das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Estratégias de Saúde da Família (ESF), as pessoas com deficiência física, nos municípios da 13a Coordenadoria Regional de Saúde. 2.2 Objetivos específicos - Identificar as barreiras arquitetônicas de acesso e de circulação interna nas UBS e ESF da 13° Coordenadoria Regional de Saúde. - Caracterizar os tipos de acesso às UBS e ESF, avaliadas nos municípios da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde; - Caracterizar as áreas de circulação interna das UBS e ESF, avaliadas nos municípios da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde; - Identificar as condições arquitetônicas dos serviços básicos de saúde (UBS e ESF) nos municípios da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde. 17 3. MARCO TEÓRICO As pessoas com deficiência física são aquelas que apresentam alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo, comprometendo sua função física. A deficiência física apresenta-se como: paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação, ausência de membros, paralisia cerebral estando incluídos aqueles que apresentam membros com deformidade congênita ou adquirida. As deficiências adquiridas advêm em sua maioria, de lesões traumáticas de órgãos ou tecidos que podem resultar em perda de segmento apendicular ou importante limitação de movimentos, temporária ou permanente (FARIAS; BUCHALLA, 2005). Segundo a OMS, o Brasil atualmente é um dos países que mais se preocupa com a pessoa deficiente, pela vasta legislação para resguardar seus direitos. Por outro lado, o descaso e o descumprimento destas leis pela sociedade equivalem à retroação de centenas de anos, sacrificando o exercício dos direitos deste contingente social (OMS, 2008b). De cada seis pessoas, uma, ou seja 15%, tem algum tipo de deficiência. Não vemos essas pessoas circulando nas ruas e na sociedade, essa questão da acessibilidade dos centros urbanos exclui cerca de 70% desses do contexto social. Assim, aumenta a necessidade de promover o diagnóstico deste segmento da população brasileira (OMS, 2008a). Nas últimas décadas, o Brasil, está entre os campeões mundiais de acidente de trânsito, devido ao elevado número de veículos em circulação, à desorganização do trânsito, à deficiência da fiscalização, o mau comportamento dos usuários e a impunidade dos infratores. Entre esses acidentes, observa-se o aumento crescente envolvendo motocicletas, veículo que vem ganhando aceitação por sua agilidade e economia. As lesões decorrentes dos eventos traumáticos resultam, freqüentemente, em deficiências e incapacidades temporárias ou permanentes, que interferem na capacidade das vítimas sobreviventes cumprirem tarefas que delas são esperadas, assim como de obterem adequada qualidade de vida após o trauma (OLIVEIRA; SOUSA, 2003). O envelhecimento leva à diminuição da mobilidade e do equilíbrio físico, causando dependência pelas limitações crônicas, advindas do avançar da idade. Estatisticamente, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a estimativa é de que a população brasileira viverá em média 14 anos com alguma deficiência. Não há estatística precisa quanto ao número de idosos com deficiência, porém, é evidente que este número 18 cresce à medida que cresce a população idosa no país (FARIAS, BUCHALLA, 2005). O rápido processo de envelhecimento da população mundial e brasileira se configura num desafio para as autoridades sanitárias, especialmente para a implantação de novos modelos e métodos para maior demanda dos serviços de saúde. Afinal, é necessário um “novo olhar”, para proporcionar aos idosos, condições dignas de existência (BANDEIRA, PIMENTA, SOUZA; 2006). A população “mais idosa”, ou seja, aquela acima de 80 anos, também está aumentando. Isso quer dizer que a população considerada idosa também está envelhecendo, compreendendo um intervalo de 30 anos nesse grupo etário. A previsão do IBGE é que este número crescerá ainda mais até o ano de 2.050, ou seja, contaremos no Brasil com cerca de 34,3 milhões de idosos (IBGE, 2000). A Constituição Federal de 1988 não requer tratamento diferenciado às pessoas com deficiências, assegurando porém, a estes sujeitos o exercício efetivo da cidadania e da convivência social, mediante o exercício do direito de liberdade e autonomia para ir e vir. É, pois, necessário garantir o deslocamento decorrente dessas atividades (ABNT, 2001). A acessibilidade, segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), é a possibilidade e a condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação por pessoas com deficiências ou com mobilidade reduzida. A acessibilidade ao meio físico vem garantida através da Constituição Federal de 1988, no seu artigo 227, parágrafo 2º, que estabelece a lei federal de n.º 7.853/89 juntamente com o Decreto Federal n.º 3.289 de 20 de dezembro de 1999 que a regulamentou (OMS, 2008b). A Lei nº 10.098 também estabeleceu normas gerais e critérios básicos para promoção de acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, entre outras providências. Trata-se de regulamento específico, no âmbito federal, sobre o assunto (BRASIL, 2000). Para garantir o direito de livre acesso aos espaços físicos, reconhecido pela Constituição Federal, falta uma visão mais clara de obrigatoriedade, cumprindo as leis, bem como uma ligação entre a Lei e os já existentes parâmetros estabelecidos pelas normas técnicas de acessibilidade da Norma Brasileira aprovada pela ABNT (NBR) 9050/1994, feita pela ABNT que foi corrigida posteriormente em 2005 (ABNT, 2005). As barreiras arquitetônicas diminuem ou impossibilitam a acessibilidade das pessoas com deficiência física. Entre elas a ausência do rebaixamento do meio-fio, as obras no espaço público; as mesas e cadeiras de bar em calçadas; as jardineiras com saliências; as escadarias; a falta de corrimão nas escadas; a ausência de rampas; as ruas e calçadas estreitas; os declives 19 acentuados; os desníveis nas calçadas; as placas e letreiros em locais inconvenientes; a falta de placas de advertência, de sinalização de pisos, de botoeiras nos semáforos; a altura inadequada de maçaneta, interfones e telefones; a falta de estacionamento privativo sinalizado; a ausência de banheiros públicos e de transportes coletivos apropriados para deficientes físicos (FACHINI et al., 2006). O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO) tem realizado estudos a respeito das peculiaridades regionais, geográficas, econômicas, culturais e infra-estruturais, que visam diagnosticar a realidade do país e encontrar as melhores soluções técnicas para que o programa de acessibilidade (INMETRO, 2010). O projeto: "Acessibilidade - Projeto para Todos", desenvolvido por determinados municípios, tem o intuito de eliminar as barreiras arquitetônicas e ambientais que impedem o direito de locomoção das pessoas com deficiência, visto que a legislação assegura o direito de acesso, dando prioridade ao atendimento das pessoas com deficiências de qualquer tipo e de idosos em repartições públicas e outros locais. O referido projeto, também estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com necessidades especiais (VASCONCELOS; PAGLIUCA, 2006). As dificuldades vivenciadas por estas pessoas para o deslocamento aos serviços de saúde tem o reconhecimento do próprio Ministério da Saúde quando este confirma os dados da OMS, segundo os quais, dos 10% das pessoas deficientes, apenas 2% recebem assistência. Com base nesse princípio, espera-se melhor qualidade de vida mediante a superação de fatores que lesam a saúde e a resolução dos problemas que afetam o meio ambiente (OMS, 2008a). Para a pessoa com limitação física acessar os serviços públicos de saúde, as barreiras estão principalmente no trajeto casa-instituição assistencial. Portanto, as barreiras arquitetônicas representam um impasse para a integração dos deficientes às suas atividades de rotina (VASCONCELOS, PAGLIUCA, 2006). Às pessoas, com deficiência, fica garantido o acesso à rede de serviços de saúde pública e privada. De acordo com a lei, se constitui crime punível, com reclusão de um a quatro anos e multa, recusar, retardar ou dificultar de alguma forma seu acesso ao serviço de saúde, negligenciando assistência médico-hospitalar e ambulatorial (BRASIL, 2005). Tem-se como suporte a Lei n° 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. A legislação garante às pessoas com deficiência física acesso à promoção da saúde com direito de receber visita domiciliar e atendimento 20 diferenciado por meio de programas de saúde específicos (BRASIL, 2000). A presença de barreiras arquitetônicas, como escadas, banheiros não adaptados e transporte público inadequado são dificuldades experimentadas nos espaços destinados aos cuidados de saúde. As pessoas que apresentam algum comprometimento funcional, como idosos ou pessoas com deficiência física, devem ter o acesso garantido aos serviços de saúde, com prédios adaptados e adequados (FACCHINI et al., 2006). A Atenção Básica, tem a Saúde da Família como estratégia prioritária que caracteriza-se por um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrangem a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde. A estratégia de Saúde da Família visa à reorganização da Atenção Básica no País, constrói vínculos com a comunidade, verificando os problemas e as necessidades das famílias. Já nos Postos de Saúde que adotam sistema tradicional de atenção, o foco principal é a doença da população que chega a unidade de saúde (BRASIL, 2007a). Ao final dos anos 80, foi instituído o Sistema Único de Saúde (SUS) tendo o desafio de reformular as prioridades do Ministério da Saúde em relação à organização da Atenção Básica à Saúde. Para aprimorar o modelo de atenção, ocorre a integração entre a unidade de saúde e a comunidade ou entre profissionais de saúde e usuários, dentro de dado território, tendo por referência o Programa Saúde da Família (PSF), criado em 1994. Hoje, a perspectiva da Atenção Básica à Saúde tem como objetivo a universalidade e integralidade da atenção, baseando-se no reconhecimento das necessidades da população que vão além da assistência médica. A Portaria Nº 648 GM/2006, que aprova a Política Nacional de Atenção Básica define Atenção Básica como: Um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrangem a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde. É desenvolvida por meio do exercício de práticas gerenciais e sanitárias democráticas e participativas, sob forma de trabalho em equipe, dirigidas a populações de territórios bem delimitados, pelas quais assume a responsabilidade sanitária, considerando a dinamicidade existente no território em que vivem essas populações. Utiliza tecnologias de elevada complexidade e baixa densidade, que devem resolver os problemas de saúde de maior freqüência e relevância em seu território. É o contato preferencial dos usuários com os sistemas de saúde. Orienta-se pelos princípios da universalidade, da acessibilidade e da coordenação do cuidado, do vínculo e continuidade, da integralidade, da responsabilização, da humanização, da equidade e da participação social. (BRASIL, 2006, p.12). A definição de Unidade Básica de Saúde (UBS) tem como base os cálculos fornecidos pela portaria 1101 /2006, agregando as demais peculiaridades epidemiológicas de cada região. Para gerar a dimensão da unidade de saúde necessária, são analisados dados como: perfil 21 epidemiológico, número de habitantes, unidades de saúde existentes, raio de abrangência dos serviços, demanda existente, demanda reprimida, crescimento populacional, entre outros. Com as necessidades de Atenção Básica do município traçadas, bem como o uso e atividades nela desenvolvidas, é possível o lançamento físico-funcional de expansões futuras. Esses dados são fundamentais para elaboração e análise de qualquer unidade de saúde (BRASIL, 2007a). Atualmente o Programa de Saúde da Família (PSF), surgido em 1994, é denominado de Estratégia de Saúde da Família (ESF), visto a ESF ser uma reorganização da Atenção Básica que não prevê um tempo para finalizar esta reorganização, visto que o termo programa aponta para uma atividade com início, desenvolvimento e fim. Tal estratégia vem assumindo papel importante na organização do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, ao promover a integralidade no acesso ao sistema de saúde, a coordenação do cuidado e a articulação inter setorial. Os efeitos da expansão das ESFs têm sido observados por um número crescente de estudos divulgados em periódicos nacionais e internacionais, congressos e eventos no Brasil e no exterior. Nos últimos cinco anos, o volume de publicações sobre a Saúde da Família foi quase sete vezes maior do que o registrado nos primeiros anos de implantação dessa estratégia (BRASIL, 2007c). Um estudo realizado pelo presidente da Associação Internacional de Epidemiologia, Dr. Cesar G. Victora e publicado pelo Banco Mundial em 2005, analisou o alcance da cobertura de vários programas de saúde brasileiros sobre a população mais carente, reconhecendo que a ESF tem apresentado melhores resultados em promoção da equidade. Estudos comparativos entre a Atenção Básica Tradicional (ABT) e a Estratégia Saúde da Família (ESF) têm demonstrado resultados significativamente melhores quando se trata do modelo priorizado pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2008; BRASIL, 2007c; BRASIL, 2006). As maiores coberturas das ESF, são em municípios com piores resultados em termos de renda, nível educacional, cobertura de planos privados de saúde e acesso a água e saneamento. A presença da ESF está relacionada à menos barreiras de acesso, menos problemas de distância dos serviços de saúde e maior envolvimento da equipe multidisciplinar no atendimento àqueles com incapacidade funcional motora. Além de apresentar melhores resultados, a substituição do modelo de Atenção Básica tradicional pela ESF amplia consideravelmente as transferências federais de custeio para esse nível de atenção (ELIAS et al., 2006). No caso das UBS, são muitas as dificuldades institucionais em dispor de estruturas adequadas, principalmente pelo fato de utilizar edificações adaptadas. A lei orgânica da saúde 22 (Decreto nº 3298/99), em seu artigo 23, capítulo II, diz que é de competência da União, dos estados e dos municípios cuidar da saúde e da assistência pública, da proteção e da garantia do atendimento às pessoas portadoras de deficiência. É, portanto, responsabilidade da Atenção Básica estar preparada para o atendimento desta importante demanda que recorre às UBS em busca de assistência à saúde (ABNT, 2001). A existência de barreiras arquitetônicas as pessoas com deficiência física nas UBS e ESF fere o mais digno direito constitucional aos cidadãos, sendo competência da União, prover adequado acesso físico as pessoas com deficiências físicas, sejam temporárias ou permanentes, é também responsabilidade da Atenção Básica proporcionar acesso adequado a tais pacientes que buscam atendimento nas UBS e ESF. As inadequações de acesso às estruturas sociais e não apenas a deficiência em si, são consideradas atualmente, fator facilitador para a exclusão de parte dessa população ao acesso livre e digno aos serviços prestados pela Atenção Básica, seja no modelo tradicional ou no modelo adotado de Estratégia Saúde da Família (FACCHINI et al., 2006). Dessa forma, o objetivo deste estudo é avaliar a estrutura física das UBS e ESF dos municípios da 13ª CRS, mapeando as condições arquitetônicas no acesso de pessoas com limitação física temporária ou permanente, segundo a NBR 9050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o que pode auxiliar na qualificação das Unidades Básicas de Saúde e Estratégias de Saúde da Família para garantir a possibilidade de acesso seguro nos locais onde as mesmas estão inseridas. 23 4. MÉTODO 4.1 Contexto e amostra O contexto do estudo envolverá as 49 UBS e 33 ESF, pertencentes aos treze municípios que abrangem a 13ª Coordenadoria Regional de Saúde na região Sul do Brasil. A amostra estará composta de acordo com o Quadro 1, que contempla os municípios pertencentes a 13°CRS, a totalidade das UBS e ESF. Quadro 1 – Distribuição do número de Unidades Básicas de Saúde e Estratégias de Saúde da Família nos municípios da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde – RS. Municípios Candelária Gramado Xavier Herveiras Mato Leitão Pantano Grande Passo do Sobrado Rio Pardo Santa Cruz do Sul Sinimbu Vale do Sol Vale Verde Venâncio Aires Vera Cruz TOTAL UBS 5 0 0 0 5 0 5 13 2 1 0 13 5 49 ESF 3 1 1 1 1 2 3 10 1 4 1 3 2 33 Quadro 1 – DADOS CNES/DATASUS (2011). 4.2 Delineamento metodológico Estudo de delineamento transversal, de base institucional e com análises quantitativas, a ser realizado nas 49 UBS e 33 ESF pertencentes aos treze municípios que abrangem a 13ª Coordenadoria Regional de Saúde. Segundo Hulley et al. (2003), os estudos transversais são úteis quando se quer descrever variáveis e seus padrões de distribuição. Gauthier et al.(1998) 24 coloca que os estudos quantitativos devem ser utilizados nos casos de realização de estudo exploratório para o conhecimento aprofundado de determinado tema ou objeto de pesquisa. É utilizado também nos estudos que preconizam a análise de qualidade do desempenho profissional e estrutura ambiental (HULLEY et al., 2003; GAUTHIERet al., 1998). 4.3 Critérios de inclusão e exclusão 4.3.1 Critérios de inclusão - UBS e ESF que estejam na área de abrangência da 13° Coordenadoria Regional de Saúde segundo o DATASUS - UBS e ESF que tenham autorização perante a Comissão Intergestora Regional da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde. 4.3.2 Critérios de exclusão - UBS e ESF que não estejam na área de abrangência da 13° Coordenadoria Regional de Saúde segundo o DATASUS. 25 5. HIPÓTESE E VARIÁVEIS 5.3.1 Hipóteses: - Observam-se barreiras arquitetônicas nos acessos às Unidades Básicas de Saúde e Estratégias de Saúde da Família, bem como em sua estrutura física interna. - Há maior prevalência de barreiras arquitetônicas a pessoas com deficiências físicas nos espaços que possuem modelos tradicionais de oferta de serviço. 5.3.2 Variáveis Variável dependente: - Predomínio de barreiras arquitetônicas a pessoas com deficiências físicas temporárias e permanentes, considerando-se qualquer entrave que limite ou impeça o acesso, a liberdade de movimento e a circulação com segurança nas dependências das Unidades Básicas de Saúde e Estratégias de Saúde da Família dos municípios da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde. Variáveis independentes: - Modelo de Atenção das Unidades Básicas de Saúde: Os modelos de atenção podem ser divididos em dois tipos: os da Atenção Básica Tradicional (ABT) e o da Estratégia Saúde da Família (ESF). O modelo da ABT adota um sistema tradicional de atenção cujo foco principal é a doença da população que chega a unidade de saúde. O modelo da ESF por sua vez, visa à reorganização da Atenção Básica à saúde no País e a construção de vínculos com a comunidade, verificando os problemas e as necessidades das famílias. 26 5.4 Procedimentos metodológicos 1ª etapa: Revisão de bibliografia e encontros com orientador. 2ª etapa: Confecção e finalização do projeto. 3ª etapa: Defesa do projeto. 4ª etapa: Encaminhamento ao comitê de ética. 5ª etapa: Coleta dos contatos e revisão dos instrumentos. 6ª etapa: Aplicação de questionário após contato pessoal e por telefone com as UBS, para esclarecimentos sobre os objetivos do estudo. 7ª etapa: Levantamento de dados. 8ª etapa: Tabulação / análise / discussão de dados. 9ª etapa: Redação / revisão final da dissertação. 10ª etapa: Preparo de comunicação 11ª etapa: Defesa de dissertação 12ª etapa: Apresentação ao CMS. 13ª etapa: Submissão a revista para publicação 5.5 Técnicas e instrumentos de coleta Será utilizado um questionário validado (FACHINI et al., 2006), para avaliar as características gerais das UBS e ESF, que será respondido pelo coordenador de cada UBS e ESF, e um roteiro de observação às possíveis barreiras arquitetônicas internas e externas às UBS, que será preenchido pelo pesquisador do estudo (ANEXO I). O questionário será utilizado com a intenção de avaliar as UBS e ESF, abrangendo questões sobre a estrutura, quanto a existência de barreiras arquitetônicas internas e adjacentes, segundo as normas da ABNT entre outras (ANEXO I). A acessibilidade foi considerada como a possibilidade e condição de alcance para a utilização com segurança e autonomia dos espaços mobiliários e equipamentos, por pessoas idosas, pessoas com deficiência ou com qualquer comprometimento físico temporário (FACCHINI et al., 2006). 27 5.6 Plano de análise Os questionários terão suas questões fechadas e codificadas. Após a revisão geral, o banco de dados será convertido para o Statistical Package for Social Sciences (SPSS 18.0). Serão obtidas freqüências simples para descrição das variáveis descritivas. O formulário tipo check list discrimina as condições ideais de acesso estabelecidas na lei para avaliar acessibilidade e mobilidade das pessoas com deficiência física às Unidades Básicas de Saúde dos municípios da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde. 5.7 Considerações éticas A proposta dessa pesquisa envolve exclusivamente a realização de observações e entrevistas, com aplicação de questionários; não inclui coleta de material biológico ou experimento com seres humanos. Assim, o presente estudo se torna com risco ético mínimo, segundo parâmetros definidos pela Organização Mundial da Saúde no International Ethical Guidelines for Biomedical Research Involving Human Subjects (OMS, 2008a). O projeto será submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Santa Cruz do Sul (CEP- UNISC) e a participação de indivíduos no estudo, no caso, os coordenadores das equipes das UBS da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde – RS, – ocorrerá após conhecimento e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, estando os mesmos livres para se isentarem da pesquisa, se assim desejarem (ANEXO II). 28 6. CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO Nº Atividades/Etapas metodológicas 1 Revisão de bibliografia e encontros com orientador. 2 3 4 5 9 10 Confecção e finalização do projeto. Defesa do projeto. Encaminhamento ao comitê de ética. Coleta dos contatos e revisão dos instrumentos Aplicação de questionário por contato pessoal e por telefone com as UBS, para esclarecimentos sobre os objetivos do estudo. Levantamento de dados Tabulação / análise / discussão de dados Redação / revisão final da dissertação Preparo de comunicação 11 Defesa de dissertação 12 13 Apresentação ao CMS Submissão a revista para publicação 6 7 8 2011 J A S O N D M A M J x x x x x x x x x x A M J 2012 J A S O N D x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x 29 7. RECURSOS HUMANOS E INFRA-ESTRUTURA A infra-estrutura necessária ao desenvolvimento do trabalho será disponibilizada através de computador, internet, biblioteca e estrutura das Unidas Básicas de Saúde dos municípios a serem avaliados. A aplicação dos questionários, bem como a análise dos seus resultados, será realizada pela própria pesquisadora. 30 8. ORÇAMENTO E RECURSOS MATERIAIS ESPECIFICAÇÃO FINANCIADOR QUANTIDADE 40 VALOR UNITÁRIO R$ 6,00 VALOR TOTAL R$ 240,00 Pedágios PESQUISADOR Diárias PESQUISADOR 15 R$40,00 R$ 600,00 Transporte para as UBS (combustível) Ligações Telefônicas PESQUISADOR 100 L R$ 2,90 R$ 2900,00 PESQUISADOR 40 R$ 2,00 R$ 80,00 Fotocópias Outros PESQUISADOR 10 R$ 0,15 TOTAL R$ 150,00 R$ 200,00 R$ 4.170,00 31 9. RESULTADOS E IMPACTOS ESPERADOS Espera-se obter como resultados, dados que demonstrem a prevalência sobre a existência de barreiras arquitetônicas no acesso às UBS e ESF, na área de abrangência da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde (RS), bem como dados que demonstrem quais são e como se caracterizam tais barreiras. Com tais dados, espera-se gerar informações e dados que subsidiem a tomada de decisões no processo de planejamento, gestão e educação em saúde, principalmente nos municípios onde as UBS e ESF não estão arquitetadas de acordo com a legislação que prevê acessibilidade aos portadores de deficiência física. Ao identificar as possíveis barreiras arquitetônicas que estejam no acesso às UBS e ESF dos municípios que abrangem a 13ª CRS e para vir a requerer melhores adequações de acessibilidade ao portador de deficiência física, os resultados do presente estudo serão apresentados aos Conselhos Municipais de Saúde, Secretarias Municipais de Saúde, Colegiado de Gestão Regional (COGERE), Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (CONADE), Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Viver sem Limite, visando requerer maior adequação do Sistema Único de Saúde, no que tange a melhor qualificação de tais UBS e ESF, para garantir a possibilidade de acesso seguro nos locais onde as mesmas estão instaladas. 32 REFERÊNCIAS ABEP 2008. Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa. Disponível <http://www.abep.org/novo/Utils/FileGenerate.ashx?id=197>. Acesso em: 08 ago. 2011. em ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9.050:Acessibilidade. Rio de Janeiro: Bahia, 2001. BANDEIRA, E. M. F. de; PIMENTA, F. A. P; SOUZA, M. C. de. Atenção a Saúde do Idoso.Belo Horizonte: Secretaria de Atenção à Saúde/MG, 2006. BRASIL. Ministério da Saúde.Pacto pela Saúde – Política Nacional de Atenção Básica. 4. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2007a. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção Básica: Saúde da Família. Brasília:Editora MS, 2007 b. BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica. 4.ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2007,c. BRASIL. Coordenadoria Nacional para Interação da Pessoa Portadora de Deficiência. 2005.Disponível em: <http://www.mj.gov.br/sedh/ct/corde/dpdh/corde/principal.asp>. Acesso em: 20 de jul. 2011. BRASIL. Decreto Lei No. 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF,2011. Disponível em:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L10098.htm Acessado em: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Humanização da Gestão e da Atenção à Saúde: Humaniza SUS, Documento Base. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. BRASIL. Ministério da Saúde. SAS. DAB. “Saúde da Família no Brasil – Uma análise de indicadores selecionados, 1998-2006”. Brasília: Ministério da Saúde, 2008. ELIAS, P.E. et al.Atenção Básica em Saúde: comparação entre PSF e UBS por estrato de exclusão social no município de São Paulo.Ciência & Saúde Coletiva, v. 11, n. 3, p. 633-641, 2006. FACCHINI, L. A. et al. Desempenho do PSF no Sul e no Nordeste: avaliação institucional e epidemiológica da atenção básica à saúde. Ciência & Saúde Coletiva, v.11, n.3, p. 669–681, 2006. FARIAS, N.; BUCHALLA, C. M. AClassificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde da Organização Mundial da Saúde: Conceitos, Usos e Perspectivas.Revista Brasileira de Epidemiologia, v.8, n. 2, p.187–193, 2005. GAUTHIER, J.H.M.; CABRAL, I.E.; SANTOS I, dos; TAVARES, C.M de M. Pesquisa em enfermagem: Novas metodologias aplicadas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998. 33 GIL, R. R. Práticas profissionais em Saúde da Família: expressões de um cotidiano em construção. Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, 2006. HULLEY, S.B. et al. Delineando a pesquisa clínica: Uma abordagem epidemiológica. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2003. IBGE. CENSO demográfico 2000: Pessoas portadoras de deficiência. 2000. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/20122002censo.shtm . Acesso em 12 ago. 2011. INMETRO. Programa de acessibilidade nos transportes coletivos de passageiros nos modais rodiviários e aquaviários.2010. Disponível em: http://www.inmetro.gov.br/qualidade/acessibilidade.asp. Acesso em: 21 jul.2011. OLIVEIRA, N. L.; SOUSA, R. M. C. de. Diagnóstico de lesões e qualidade de vida de motociclistas, vítimas de acidentes de trânsito.Revista Latino-Americana de Enfermagem,v.11, n.6, p. 749-756, nov./dez.2003. OMS. 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Mana,Rio de Janeiro, v.16, n.1, p. 213-226, abr. 2010. 34 CAPÍTULO II RELATÓRIO DO TRABALHO DE CAMPO 35 Logística, coleta, controle de qualidade e processamento de dados Para dar inicio as coletas, foi realizado contato telefônico com as Secretarias de Saúde dos municípios da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde, sendo obtidos através dos mesmos, os endereços das UBS e ESF dos municípios a serem visitados. O mapa abaixo apresenta os municípios da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde (Figura1). Figura 1- Mapa dos municípios pertencentes a 13ª Coordenadoria Regional de Saúde. Após, foram verificados os serviços de saúde disponíveis à visitação. Foi constatada a existência de 44 serviços de atenção básica de saúde que atendiam aos critérios de inclusão e exclusão da pesquisa. Como a prerrogativa inicial do presente estudo foi a de analisar apenas UBS e ESF de prédios que abrangessem todos os serviços de atenção básica, foram excluídos os prédios da zona rural, os serviços em unidades móveis, os prédios em reformas e de atenção especializada (que prestavam apenas atendimento odontológico, infantil, entre outros). Foram avaliados 44 UBS e ESF de um total de 82 UBS e ESF (Figura 2). 36 AMOSTRA INCIAL SERVIÇOS (n=82) UBS E ESF RURAL (n=29) UBS E ESF EM REFORMAS (n=2) UBS E ESF MÓVEIS (n=4) UBS E ESF DE ATENÇÃO ESPECIALIZADA (n=3) AMOSTRA FINAL SERVIÇOS (n=44) Figura 2 – Fluxograma de perdas. Foram avaliados os serviços de atenção básica de saúde através de questionários do tipo check list, que permitiram a avaliação da acessibilidade e a existência de possíveis barreiras arquitetônicas nas suas estruturas físicas. Os questionários tiveram suas questões fechadas e codificadas. Após a revisão geral, o banco de dados foi convertido para o programa SPSS 18.0. Foram obtidas frequências simples para descrição das variáveis descritivas. 37 CAPÍTULO III ARTIGO I 38 ESTUDO DAS BARREIRAS ARQUITETÔNICAS A PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS FÍSICAS TEMPORÁRIAS E PERMANENTES: Estrutura Física das Unidades Básicas de Saúde e Estratégias de Saúde da Família nos Municípios da 13a Coordenadoria Regional de Saúde – RS Míriam Heinen Marques da Silva¹, Anelise Gaya1,2, Miria Suzana Burgos1,2, Dulciane Nunes Paiva1,3 1 PPG em Promoção da Saúde, Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Santa Cruz do Sul, RS, Brasil. ² Curso de Educação Física, Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Santa Cruz do Sul, RS, Brasil. ³ Curso de Fisioterapia, Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Santa Cruz do Sul, RS, Brasil. RESUMO Objetivo: Verificar a existência de barreiras arquitetônicas na estrutura física das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Estratégias de Saúde da Família (ESF) às pessoas com deficiência física, nos municípios da 13a Coordenadoria Regional de Saúde - RS. Método: Foram avaliados serviços de atenção básica de saúde, através de questionários do tipo check list, enfocando a acessibilidade e a existência de possíveis barreiras arquitetônicas nas suas estruturas físicas. Resultados: Foram avaliados 44 serviços, dentre eles 17 UBS e 27 ESF nos municípios pertencentes à 13a Coordenadoria Regional de Saúde - RS. As UBS e ESF avaliadas apresentaram em sua maioria, prédios inadequados às necessidades das pessoas com deficiência física temporária ou permanente. Os serviços apresentaram-se instalados em prédios antigos da comunidade, sem construção específica para as necessidades dos usuários, bem como para os profissionais que lá atuam. Constatadas as mais evidentes inadequações: quanto aos corrimãos de acesso, largura das portas inferior na área de circulação interna e nas portas dos banheiros. As UBS apresentaram prédios mais inadequados que as ESF, entretanto ressalta-se que nenhum prédio avaliado estava totalmente de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (NBR 9.050). Conclusão: Foi observado nesse estudo, que nenhum serviço de atenção básica de saúde da 13a CRS encontra-se totalmente de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (NBR 9.050). 39 Palavras-chave: Acesso aos serviços de saúde, estruturas de acesso, pessoas portadoras de deficiência. ABSTRACT Objective: Verifying the existence of architectonic barriers in the physical structure of the Basic Health Units (BHU) and Family Health Strategies (FHS) for physically disabled people, in cities of the 13th Health Regional Coordination Centre - RS. Methods: Services of basic health attention were evaluated through checklist-type questionnaires evaluating the accessibility and the existence of possible architectonic barriers in their physical structures. Results: Forty-four services were evaluated, among them 17 Basic Health Units and 27 Family Health Strategies in the cities belonging to the 13th Health Regional Coordination Centre - RS. The evaluated BHU and FHS presented in their majority, inadequate buildings to the permanent or temporary physically disabled people´s necessities. The services are installed in old buildings of the community, without a specific construction for the users´ necessities, as well as for the professionals that work there. Inappropriateness were found regarding to access handrails, doors width smaller in the internal area and in the restrooms´ doors. The BHUs presented more inadequate buildings than the FHSs, however it is highlighted that any evaluated building was totally accordingly to the Brazilian Technical Standards Association (NBR 9.050). Conclusion: It was observed on this study that any service of basic health attention of the 13th Health Regional Coordination Centre is totally accordingly to the Brazilian Technical Standards Association (NBR 9.050). Key-words: Access to health services, access structures, disabled people. 40 INTRODUÇÃO Segundo a Organização Mundial de Saúde, de cada seis pessoas (100%), uma (15%) tem algum tipo de deficiência. Aparentemente, esta afirmação é duvidosa, pois não vemos essas pessoas circulando nas ruas e na sociedade. A questão é que a desatenção dos setores públicos no que tange à adequação da acessibilidade dos centros urbanos exclui cerca de 70% desses indivíduos do contexto social. Define-se deficiência física como a redução, limitação ou inexistência das condições de mobilidade na utilização de edificações, espaços, mobiliário, equipamento urbano e de déficit no ato de relacionar-se com o meio e de utilizá-lo em caráter temporário ou permanente. Entende-se por pessoa com mobilidade reduzida, a pessoa com deficiência física, idosa, obesa, gestante entre outros¹. Um estudo realizado nos Estados Unidos nos anos 802 concluiu que as barreiras relacionadas aos cuidados à saúde são evidentes e significativamente maiores para este grupo de pessoas 2. Atualmente, no Brasil, 45 milhões de pessoas possuem algum tipo de deficiência, segundo o Censo IBGE/2010. O Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Viver sem Limite, por meio do Decreto 7.612, de 17 de novembro de 2011, o Governo Federal ressalta o compromisso do Brasil sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da ONU, ratificada pelo nosso país com equivalência de emenda constitucional. A proposta do Viver sem Limite é de articular as políticas governamentais de acesso à educação, inclusão social, atenção à saúde e acessibilidade3. Apesar do modelo de atendimento ao idoso e a pessoa com deficiência preconizar uma boa qualidade de vida, isso normalmente não é valorizado pelas políticas de saúde e, consequentemente muitas dificuldades se interpõem na implementação das práticas que são recomendadas4. Um recente estudo evidencia que a educação em saúde pode reduzir o desenvolvimento de deficiências na população idosa de países subdesenvolvidos da América Latina, Índia e China5. O expressivo contingente populacional com algum tipo de deficiência física aumenta a necessidade de promover o diagnóstico do problema para contribuir nas ações de inclusão social. Todos os projetos dirigidos às pessoas com deficiência devem seguir a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) NBR 9050, que padroniza as edificações destinadas a esse público. As barreiras arquitetônicas nas áreas de circulação externa incluem, quando se discute os serviços de atenção básica, o acesso direto a tais edificações6. Como cidadãos, todos devemos contribuir para melhorar a condição de vida dessas pessoas. Dessa forma, devemos refletir sobre a necessidade que elas têm de usufruir dos 41 serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde. Uma forma de contribuir é perceber as barreiras arquitetônicas que comprometem o acesso e a mobilidade das pessoas com deficiência física a tais unidades, para assegurar os direitos legítimos e legais de acessibilidade e integração social dos portadores de limitação física7. A ABNT NBR 90508 estabelece parâmetros e critérios no espaço urbano e edificações, quanto à acessibilidade; considerando as condições de mobilidade e de percepção do ambiente com ou sem ajuda de aparelhos como: bengalas, cadeiras de rodas, entre outros. Todos os espaços e edificações (mobiliário, equipamentos), construídos, montados ou implantados, bem como as reformas e ampliações devem estar adaptados a essa Norma, para se tornarem acessíveis. Não há exigência de que as entradas de acesso restrito estejam dentro dos padrões exigidos pelas normas da NBR 90508. A perspectiva da Atenção Básica à Saúde tem como objetivo a universalidade e integralidade da atenção, baseando-se no reconhecimento das necessidades da população que vão além da assistência médica. A Estratégia de Saúde da Família visa à reorganização da Atenção Básica no País, constrói vínculos com a comunidade, verificando os problemas e as necessidades das famílias. Já nas Unidades Básicas de Saúde, que adotam sistema tradicional de atenção, o foco principal é a doença da população que chega a unidade de saúde9. As inadequações no acesso são consideradas como fatores facilitadores para a exclusão de parte dessa população ao acesso livre e digno aos serviços prestados pela Atenção Básica, seja no modelo tradicional ou no modelo adotado de Estratégia de Saúde da Família. A presença da ESF está relacionada a um menor número de barreiras de acesso, menor distanciamento dos serviços de saúde e maior envolvimento da equipe multidisciplinar no atendimento àqueles com incapacidade funcional motora10. Dessa forma, o presente estudo objetivou identificar as condições arquitetônicas de acesso da pessoa com limitação física aos serviços básicos de saúde, segundo a NBR 9050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)8, das Unidades Básicas de Saúde e Estratégias de Saúde da Família nos municípios da 13ª CRS – RS. MÉTODO Foram avaliados Serviços de Atenção Básica de Saúde da zona urbana, sendo possível observar na Figura 1, o mapa de apresentação dos municípios que fazem parte da 13ª CRS. 42 Figura 1 – Mapa de abrangência da 13ª nos municípios da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde – RS. A avaliação (aferição em metros ou centímetros) foi baseada na NBR 90508, que considera como dimensões referenciais as medidas entre 5% a 95% da população brasileira, ou seja, os extremos correspondentes às mulheres de baixa estatura e homens de estatura elevada. No acesso externo dos serviços de Atenção Básica de Saúde, as calçadas devem ter largura mínima de 1,50 m e pavimentação regular, para que haja adequada circulação de duas cadeiras de rodas e rebaixamento da guia onde houver interligação ao leito carroçável, com faixa de pedestres. A inclinação das rampas, conforme a fórmula deve ser calculada segundo a seguinte equação: i : inclinação (%); h:altura do desnível; c: comprimento da projeção horizontal. i = h x 100 c Todas as barras de apoio utilizadas em sanitários e vestiários devem suportar a resistência a um esforço mínimo de 1,5 KN em qualquer sentido, ter diâmetro entre 3 e 4,5 cm, e estar firmemente fixadas em paredes ou divisórias a uma distância mínima destas de 4 cm da face interna da barra. Suas extremidades devem estar fixadas ou justapostas nas paredes ou ter desenvolvimento contínuo até o ponto de fixação com formato recurvado. Quando necessários, os suportes intermediários de fixação devem estar sob a área de empunhadura, garantindo a continuidade de deslocamento das mãos. 43 Quando não houver paredes laterais, as rampas devem incorporar guias de balizamento com altura mínima de 0,05 m, instaladas ou construídas nos limites da largura da rampa e na projeção dos guarda-corpos5. Nem todos os serviço de UBS e ESF foram avaliados, devido a não inclusão nos critério da pesquisa, como por exemplo aqueles os serviços de atenção especializada nos municípios pertencentes à 13ª CRS - RS. Conforme o fluxograma de perdas a seguir (Figura 2): AMOSTRA INCIAL SERVIÇOS (n=82) UBS E ESF RURAL (n=29) UBS E ESF EM REFORMAS (n=2) UBS E ESF MÓVEIS (n=4) UBS E ESF DE ATENÇÃO ESPECIALIZADA (n=3) AMOSTRA FINAL SERVIÇOS (n=44) Figura 2 – Fluxograma de perdas. Foi utilizado questionário para avaliar as características arquitetônicas das UBS e ESF tendo como referência as condições ideais estabelecidas na legislação brasileira7. Tal questionário, validado e adaptado por Fachini et al.11, avaliou as características da estrutura física externa e interna das UBS e ESF avaliadas. A maior parte das questões foram observadas e preenchidas pelo pesquisador responsável pelo estudo. A amostra avaliada foi composta por UBS e ESF dos municípios da 13ª CRS (Quadro I). 44 Quadro 1 – Unidades Básicas de Saúde e Estratégias de Saúde da Família nos municípios da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde – RS avaliados no presente estudo. Municípios População da zona Número de ESF Número de UBS urbana (número de habitantes) 7.428 Candelária 3 1 Gramado Xavier‡ 529 1 0 Herveiras‡ 384 1 0 Mato Leitão‡ 1.621 1 0 Pantano Grande 8.314 1 1 Passo do Sobrado‡ 1.429 2 0 Rio Pardo 25.614 2 2 Santa Cruz do Sul 93.650 10 7 Sinimbu 1.437 0 1 Vale do Sol 1.249 2 0 Vale Verde‡ 882 1 0 Venâncio Aires 41.416 2 3 Vera Cruz 13.320 2 1 TOTAL 197.273 27 17 Onde: ESF – Estratégia Saúde da Família; UBS: Unidade Básica de Saúde. ‡ - Municipios onde o serviço básico de saúde abrangem também a população da zona rural, com um total de habitante em: Gramado Xavier (3994 habitantes); Herveiras (2825 habitantes); Mato Leitão (3689 habitantes) e Passo do Sobrado (6.035 habitantes). Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 12. A acessibilidade foi considerada como a possibilidade e condição de alcance para a utilização com segurança e autonomia dos espaços mobiliários e equipamentos, por pessoas idosas, pessoas com deficiência ou com qualquer comprometimento físico permanente ou temporário11. Acesso é um conceito que varia entre autores e alguns autores, como Donabedian13, empregam o substantivo acessibilidade – caráter ou qualidade do que é acessível –, enquanto outros preferem o substantivo acesso – ato de ingressar, entrada14 – ou ambos os termos para indicar o grau de facilidade com que as pessoas obtêm cuidados de saúde13. Frenk15 sugere que a acessibilidade tanto pode ser definida como ajuste entre as características dos recursos de atenção à saúde, como as características das populações, no processo de busca e obtenção da atenção em saúde. 45 As questões do questionário foram fechadas e codificadas. O banco de dados foi convertido para o programa Statistical Package for Social Sciences (SSPS 18.0). Foram obtidas frequências simples para descrição das variáveis descritivas. O formulário do tipo check list discrimina as condições ideais de acesso, estabelecidas na lei, para avaliar a acessibilidade e a mobilidade das pessoas com deficiência física às Unidades Básicas de Saúde dos municípios da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde. RESULTADOS Foram avaliados 44 Serviços de Atenção Básica de Saúde da zona urbana dos municípios da 13ª CRS RS, tendo sido avaliadas 17 UBS e 27 ESF. Os resultados encontramse expressos em forma de tabelas, além de ilustrações por meio de fotografias das barreiras arquitetônicas de acesso (externas) e barreiras arquitetônicas de circulação (internas). Acesso aos prédios Foram observadas as condições de acesso por rampa e/ou escada, presença de corrimão nesses acessos, condições de segurança nas calçadas de acesso ao prédio e disponibilização de cadeira de rodas às pessoas portadoras de deficiência física temporária ou permanente. Na Figura 3 pode ser observada imagem de uma UBS em que o prédio apresenta uma calçada irregular, sem calçamento e sem faixa de pedestres no rebaixamento do meio fio. Figura 3 – Acesso ao prédio de uma UBS sem calçamento e sem faixa de pedestres no rebaixamento do meio fio. 46 Constata-se que apenas 39,3% das ESF e 37,5% das UBS pertencentes à 13ª CRS, tem largura mínima de 1,50 m, com calçadas com rebaixamento do meio fio, oferecendo um percurso livre de obstáculos. A legislação favorece a acessibilidade de pessoas com deficiência aos serviços públicos, e normatiza todos os meios que viabilize a locomoção das pessoas com dificuldades. As limitações apresentadas no acesso pelas calçadas geram insegurança e dificuldade de locomoção de pessoas com deficiência, mesmo quando conduzidos por carro, muletas ou cadeiras de rodas, o que impõe, nos casos mais críticos, que as pessoas com deficiência seja assistido por um acompanhante. Para pessoa que se desloca em cadeiras de rodas, a Norma estabelece uma área padrão, para ser por ela ocupada, equivalente à superfície delimitada pelo perímetro retangular de 0,80 m por 1,20 m, projetada no piso, denominado Módulo de Referência (MR). Presença de Corrimãos Conforme a legislação, os corrimões para serem utilizados com segurança, devem ser construídos de materiais rígidos e firmemente fixados às paredes ou barras de suporte. Nos prédios avaliados nesse estudo, nenhum apresentou corrimão nos corredores e 17,9 % dos corrimões presentes nos acessos com escadas e rampas nos serviços de atenção básica de saúde, não atendiam às normas da ABNT NBR 90508. Os corrimãos devem ser instalados em ambos os lados dos degraus isolados, das escadas fixas e das rampas. Devem ter largura entre 3,0 cm e 4,5 cm, sem arestas vivas, e um espaço livre de no mínimo 4,0 cm entre a parede e o corrimão. Devem permitir boa empunhadura e deslizamento, sendo preferencialmente de seção circular8. Presença de Rampas Foi observado nos prédios onde havia a presença de rampas ligando a calçada à recepção dos serviços de saúde, que em 10,7% das ESF e em 12,5% das UBS, as mesmas não estavam adequadas, apresentando acentuada declividade, piso irregular, ausência de corrimão ou presença de obstáculos, como bicicletas e usuários. Devido à inclinação das rampas avaliadas, o acesso das cadeiras de rodas, em 17,9% dos serviços avaliados, apenas tornava 47 possível o deslocamento de pessoas com deficiência com auxílio de outras pessoas com habilidade de transportá-las cuidadosamente, com força suficiente para que o deslocamento ocorresse com segurança. Tornou-se notório, o comprometimento do exercício dos direitos individuais e sociais de pessoas com deficiência e da integração social dos mesmos, garantidos desde 1989 com a Lei Federal n° 7.85316. Pode ser observado no Quadro 1, no que tange ao acesso por escada ou rampa, que a opção NSA (não se aplica) existe pelo fato de ocorrer platô (situação plana, não ocorrendo barreira arquitetônica de acesso ao prédio) em 71,4% dos serviços analisados. Em 17,9 % foram encontrados degraus e escadaria no acesso. Em outros serviços, foi constatada a presença de rampa e esta não configura barreira arquitetônica, sendo considerada como barreira, a presença exclusiva de degraus ao acesso. As rampas devem ter inclinação de acordo com os limites estabelecidos conforme fórmula descrita acima. Para inclinação entre 6,25% e 8,33%, devem ser previstas áreas de descanso nos patamares, a cada 50 m de percurso. A largura das rampas (L) deve ser estabelecida de acordo com o fluxo de pessoas. A largura livre mínima recomendável para as rampas em rotas acessíveis é de 1,50 m, sendo o mínimo admissível 1,20 m. No presente estudo foram observadas rampas com larguras inferiores a 1 m. No Quadro 2 encontram-se demonstrados os itens avaliados na área de acesso (externa) dos prédios avaliados no presente estudo. BARREIRAS ARQUITETÔNICAS EXTERNAS ESF UBS SIM NÃO 17,9% 82,1% 0 18,8% 81,3% 0 A rampa possui inclinação que minimiza 17,9% esforços 10,7% 71,4% 12,5 12,5% 75 % As calçadas são seguras 39,3% 60,7% 0 37,5% 62,5% 0 Existe corrimão no acesso ao prédio 17,9% 82,1% 0 6,3% 93,8% 0 Existe cadeira de rodas à disposição 75% 25% 0 62,5% 37,5% 0 Existem degraus de acesso Quadro 2 – Barreiras arquitetônicas de acesso aos prédios avaliados. NSA SIM NÃO NSA 48 Modelo de Portas No presente estudo, foi constatado que o modelo de porta vai e vem na área de circulação interna, não atende às Normas, em 28,6% das ESF e 25% das UBS avaliadas, apresentando inclusive, ausência de visor. A inexistência desse tipo de porta ocorreu em 64,3% das ESF e em 62,5% das UBS avaliadas, sendo codificada como NSA (não se aplica) (Quadro 2). Conforme preconizado pela NBR 90508, as portas do tipo vão e vem devem ter visor com a finalidade de facilitar a visibilidade e evitar transtornos, como a ocorrência de acidentes pessoais por abalroamentos ou quebra de material. Nas portas de correr, as guias ou trilhos não podem se projetar acima da superfície do piso. Em nosso estudo, todas as portas de correr, presentes nas unidades avaliadas estavam dentro do requerido pela ABNT, entretanto, em 92,9% das ESF e em 87,5% das UBS avaliadas foi constada inexistência das mesmas. Diante da inexistência houve a codificação de NSA (não se aplica). No Quadro 3 podem ser observados os itens avaliados na área de circulação interna dos prédios avaliados no presente estudo. BARREIRAS ARQUITETÔNICAS INTERNAS ESF SIM NÃO UBS NSA SIM NÃO NSA Tapetes na sala de espera 3,6% 96,4% 0 18,8% 81,3% 0 Assentos adequados na recepção 32,1% 67,9% 0 25% 75% 0 Mobiliário com altura de 80cm 78,6% 21,4% 0 81,3% 18,8% 0 Portas com largura de 80cm 75% 25% 0 50% 50% 0 Porta vai e vem com visor 7,1% 28,6% 64,3% 12,5% 25% 62,5% Porta com trilho rebaixado 7,1% 0 92,9% 12,5% 0 87,5% Piso firme, antiderrapante 21,4% 78,6% 0 18,8% 81,3% 0 100% 0 0 100% 0 25% 25% 75% 0 Telefone Bebedouros 0 71,4% 3,6 Quadro 3 – Barreiras arquitetônicas de circulação interna dos prédios das UBS e ESF. 49 Em 75% das ESF e em 50% das UBS avaliadas apresentaram portas com largura livre de 0,80 m, o que favorecia o trânsito de pessoas em cadeiras de rodas. Sabe-se que, portas com largura inferior à 0,80 m impossibilitam o acesso dos PCDs, conforme a NBR 90508. Corredores Em nosso estudo foi observado que os corredores apresentavam a largura mínima exigida de 1,50 m, porém a circulação não era livre, pois existiam obstáculos como bebedouros, lixeiras e até mesmo alguns corredores com bancos que serviam como espera de pacientes.Os corredores devem ter essa dimensão por serem edificações públicas, e também pelo fato de permitirem um grande fluxo de pessoas, assegurando uma faixa livre de barreiras ou obstáculos. Piso Os pisos, segundo a NBR 90508, devem ter superfície regular, firme, estável e antiderrapante sob qualquer condição. No presente estudo, os pisos observados eram de material de uso convencional e de superfície lisa, sendo que consideramos piso não adaptado, aquele que não preencheu aos critérios descritos acima. Na Figura 4, referente a uma ESF, pode ser observado que a área de circulação serve como espera dos pacientes, criando com isso obstáculo na circulação. Figura 4 – Presença de obstáculos na área de circulação de uma UBS. Instalações sanitárias 50 As instalações sanitárias devem estar próximas à área de maior circulação, devendo ser disponível para ambos os sexos e sinalizados com o Símbolo Internacional de Acesso as pessoas com deficiência física. Em 35,7% das ESF e em 68,8% das UBS as instalações sanitárias não permitiam acesso às pessoas com deficiência física, pois apresentavam largura da porta inferior a 0,80 m. As demais instalações não se encaixaram nas normas da ABNT por apresentarem um ou mais itens inadequados como: degrau de acesso, faltam barras de apoio, torneira de mono comando, pia com coluna além de não permitirem manobras de cadeira de rodas, apresentando também inadequação na altura da bacia sanitária. Algumas instalações sanitárias apresentavam o uso do Símbolo Internacional de Acesso, cujo uso deveria estar presente apenas em locais que atendessem totalmente às normas requeridas para o adequado acesso às pessoas com deficiência. Tantas inadequações podem causar desestímulo e exclusão as pessoas com deficiência física, fazendo com que os mesmos deixem de procurar os serviços de saúde. Devem ser garantidas as condições de deslocamento e manobra para o posicionamento do MR junto ao local de transferência. A altura do assento do local para o qual for feita a transferência deve ser semelhante à do assento da cadeira de rodas. Nos locais de transferência, devem ser instaladas barras de apoio, nas situações previstas nesta Norma, e deve ser garantido um ângulo de alcance que permita a execução adequada das forças de tração e compressão. A Figura 5 ilustra uma das situações que não permite manobras de cadeira de rodas e o acesso dessas, às instalações sanitárias. Figura 5 - Instalações sanitárias que não permitem acesso e manobras de cadeira de rodas de uma UBS. 51 Além dos casos observados no Check list, ocorreram ainda outras situações como: uma ESF apresentando banheiro com capacidade de manobras de cadeira de rodas identificado como “banheiro para deficiente”, mas sem nenhum tipo de adaptação para pessoas com deficiência física. O mesmo se mantinha chaveado, pois era utilizado para outros fins. Em outro serviço (UBS) foi observado instalações sanitárias postas na parte externa do prédio, apresentando degraus e impossibilitando o acesso de cadeira de rodas. Outros elementos Os serviços avaliados no presente estudo não dispuseram de telefone de uso público, tapetes em consultório e em outras repartições. Nenhum serviço dispôs de elevador, sendo que apenas três unidades, apresentaram circulação vertical. Foi constatada uma ESF com circulação vertical por escada. Tal unidade apresenta piso antiderrapante e disponibiliza cadeira de rodas no andar superior, mas inviabiliza o deslocamento vertical no prédio de pessoas com qualquer tipo de deficiência física. Modelo de atenção Em relação ao modelo de atenção, os prédios das UBS foram os mais inadequados, apresentando características inadequadas para o uso de pessoas com deficiência física temporária ou permanente, como a ausência de corrimãos de acesso, largura das portas da área de circulação interna e das portas dos banheiros inferiores às recomendadas pela ABNT, Independentemente das UBS terem os prédios mais inadequados, nenhum prédio, inclusive das ESF estava totalmente de acordo com as normatizações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (NBR 9.050)8. DISCUSSÃO 52 O presente estudo verificou se há ou não possíveis barreiras arquitetônicas na estrutura física das Unidades Básicas de Saúde e Estratégias de Saúde da Família às pessoas com deficiência física, nos municípios da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde. Essa avaliação foi realizada usando como parâmetros técnicos a NBR 90508, englobando os diversos aspectos de acesso ao prédio e circulação no seu interior, adequação de equipamentos, mobiliários, salas e auditórios das unidades básicas de saúde dos municípios. A Norma Brasileira ABNT - NBR 90508 estabelece critérios e parâmetros técnicos a serem observados quando do projeto, construção, instalação e adaptação de edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos necessários às condições de acessibilidade. As edificações que vierem a ser projetadas, construídas, montados ou implantados, bem como as reformas e ampliações de edificações, devem atender ao disposto nesta normatização para serem considerados acessíveis. Tais normatizações visam proporcionar à maior quantidade possível de pessoas, independentemente de idade, estatura ou limitação de mobilidade ou percepção, a utilização de maneira autônoma e segura do ambiente, edificações, mobiliário, equipamentos urbanos e elementos. Edificações e equipamentos urbanos que venham a ser reformados devem ser tornados acessíveis. Em reformas parciais, a parte reformada deve ser tornada acessível8. Estudos realizados com dados referentes à década de 90 constataram que no Brasil, o acesso e a utilização de serviços de saúde eram desiguais nos diferentes grupos sociais 16,17,18. Pesquisas constataram, em sua maioria, que pessoas com deficiência enfrentam condições socioeconômicas inferiores que aquelas sem deficiência. As pessoas com deficiência apresentam em sua maioria elevados níveis de pobreza, devido a baixas taxas de emprego e baixo nível de escolaridade. Elas também têm acesso restrito aos serviços de saúde, consequentemente possuem necessidades não satisfeitas quando comparadas à população em geral20,21. A falta de transporte é uma das razões da falta de assistência à saúde em países desenvolvidos, onde ocorrem diferenças estatisticamente significativas considerando a população com deficiência física (30,3%) na faixa etária maior que 60 anos, quando comparado com a população sem deficiência física (9,5%)22. Em estudo realizado por Vasconcelos et al.23, que avaliou a acessibilidade à serviços de saúde em município de médio porte, foi constatado que os desnivelamentos foram as barreiras prevalentes nas calçadas. Entretanto, a largura de 1,50 m e a ausência de obstáculos foi respeitada na maioria dos casos avaliados por esse autor 23. 53 Já no estudo de Aragão24, que avaliou acesso aos serviços hospitalares no Ceará, foi constatado que além dos desnivelamentos das calçadas, três dos quatro serviços avaliados apresentavam obstáculos no acesso aos prédios24. As pessoas com mobilidade reduzida como os usuários de muletas, obesos e idosos necessitam de corrimão e tal recurso era inexistente no acesso em 82,1% das ESF e em 93,8% das UBS. Nos corredores eram 100% ausentes. Tal dado é corroborado por Fachinni et al.12, que constatou que os corrimãos eram inexistentes na maioria dos serviços, tanto no acesso quanto nos corredores 12. Outra barreira arquitetônica identificada nesse estudo foi a inadequação das instalações sanitárias, com significativo agravo nas UBS. As portas de acesso aos sanitários apresentaram largura inferior a 0,80m em 81,3% das UBS e em 35,7% das ESF, considerando-se que o questionário previa no mínimo um banheiro adequado por unidade. Nos banheiros que possibilitavam acesso, havia impedimento de acesso a pia, devido à coluna que estava presente em 75% das ESF e em 93,8% das UBS e as manobras de cadeiras de rodas ficou impossibilitada em 42,9% das ESF e em 81,3% da UBS. Corroborando nosso achado, outros estudos constataram que as instalações sanitárias são os locais de maior prevalência de barreiras arquitetônicas dentre todos os itens usualmente avaliados 10,12 . No presente estudo, foi observado sanitário com localização externa aos prédios e com a presença de degraus10. França e Pagliuca25 desenvolveram estudo em que abordam a inclusão social da pessoa com deficiência e os mesmos ressaltam que direito à saúde é desrespeitado às pessoas com deficiência, ferindo os princípios fundamentais do SUS de universalidade, integralidade, equidade e o controle social. Dessa forma, os sentimentos de descriminação e injustiça são sentidos pelas pessoas com deficiência ao se depararem com as dificuldades de acesso aos serviços de saúde12. Na Europa, um estudo discutiu a importância da organização dos serviços para o acesso de pessoas com deficiência, apontando a falta de agendamento para consultas ou tratamento médico ou de reabilitação, como um tipo de barreira, devido a dificuldade apresentada por essas pessoas em chegar cedo ou esperar todo o dia para serem atendidas26. Os dados apresentados no presente estudo demonstram que as UBS e ESF apresentam inadequações as pessoas com deficiência física na maioria de seus prédios. Muitas unidades se encontram instaladas em prédios improvisados da comunidade local. Tais prédios não têm construção específica para as necessidades dos usuários e dos profissionais que lá atuam. É importante destacar algumas limitações metodológicas do presente estudo. As 54 informações acessadas a partir de um questionário também apresentam limitações, pois as perguntas podem não ser respondidas corretamente devido a incapacidade do sujeito recordar alguns aspectos em avaliação ou até, superestimar ou subestimar inconscientemente suas atividades e respostas. Outro fator a ser considerado foram as perdas existentes no tamanho amostral: unidades rurais, unidades móveis, unidades com serviços específicos de atendimento e ainda unidades em funcionamento que ainda não estavam cadastrados no CNES /DATASUS. Acreditamos que esse estudo seja um dos pioneiros em municípios de pequeno porte, com realidades distintas, mas pertencentes a uma mesma Coordenadoria de Saúde, oscilando entre 3 a 100 mil habitantes. Com isso, a dificuldade de acesso a estudos comparativos fez com que tivéssemos como maior parâmetro a própria legislação brasileira (Decreto Nº 7.612, de 17 de novembro de 2011) 27. Os resultados obtidos são relevantes, considerando o aumento da população idosa que se somam às pessoas com deficiência física, temporária e/ou permanente. Nos dias atuais, as desvantagens sentidas pelas pessoas com deficiência não deveriam mais existir, quando se considera a inclusão social1. CONCLUSÃO Nesse estudo, foi constatado que as condições de acesso e circulação interna em alguns serviços de atenção básica avaliados, inviabilizam o livre trânsito de pessoas em cadeira de rodas, de usuários de muletas ou aqueles com mobilidade reduzida. Foi evidenciado inobservância em relação às normas descritas pela legislação quanto ao acesso de pessoas com deficiência aos serviços de saúde. Os resultados encontrados refletem o descumprimento da legislação com essa parcela da população e denotam claramente que a arquitetura externa e interna dificulta e até impossibilita o acesso de pessoas com PCD, com ou sem auxílio de acompanhante. Constatou-se inexistência em alguns prédios avaliados, de auditórios e locais de reuniões para a realização de palestras educativas nas Unidades Básicas de Saúde e nas Estratégias de Saúde da Família, sendo essa uma importante prerrogativa do Sistema Único de Saúde. Poucas unidades visitadas dispunham de condições ideais para o acesso de pessoas com deficiências e tais fatos evidenciam o pouco cumprimento das normas da ABNT em 55 nosso país. Em relação ao acesso às instalações sanitárias, em sua maioria, as condições encontradas impossibilitam o acesso de pessoas com deficiência, sendo que em algumas, tais pessoas não têm condições de utilizá-las, nem mesmo com ajuda de terceiros. Esse desrespeito às normas da ABNT reduz de forma contundente a independência da pessoa portadora de deficiência física. Desde a Constituição Federal de 1988 está assegurado o acesso universal à saúde, e esse mapeamento nos mostra e evidencia a ausência de planejamento que contemple a necessidade específica de todos os usuários. Acreditamos que os resultados dessa pesquisa provocarão mudanças positivas no comportamento de gestores, diante da constatação da necessidade de inclusão das pessoas com deficiência física aos serviços de saúde e aos demais serviços públicos. Ao identificar as barreiras arquitetônicas que estejam no acesso às UBS e ESF dos municípios que abrangem a 13ª CRS e para vir a requerer melhores adequações de acessibilidade à pessoa com deficiência física, os resultados do presente estudo serão apresentados aos Conselhos Municipais de Saúde, Secretarias Municipais de Saúde, Colegiado de Gestão Regional (COGERE), Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (CONADE), visando requerer maior adequação do Sistema Único de Saúde, no que tange a melhor qualificação de tais UBS, para garantir a possibilidade de acesso seguro nos locais onde as mesmas estão instaladas. REFERÊNCIAS 1. Organización Mundial de La Salud. 2008a. Situación de saludenlasAméricas Indicadores Básicos 2008. Disponível em:<http://www.paho.org/spanish/gov/ce/ce142.r4-s.pdf>. Acesso em: 25 jul. 2011. 2. Singer J D. Butler J A, Palfrey J S. Health care access and use among handicapped students in five public school systems. 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Acessado em: 26 nov. 2012. 58 NORMAS DA REVISTA Periódico: Ciência & Saúde Coletiva – Qualis A2 (interdisciplinar), Qualis B1 (saúde coletiva Introdução Ciência & Saúde Coletiva publica debates e textos inéditos sobre análises e resultados de investigações sobre um tema específico considerado relevante para a saúde coletiva; e artigos inéditos sobre discussão e análise do estado da arte da área e das subáreas, mesmo que não versem sobre o assunto do tema central. A revista, de periodicidade mensal, tem como propósitos enfrentar os desafios, buscar a consolidação e promover a permanente atualização das tendências de pensamento e de práticas na saúde coletiva, em diálogo com a agenda contemporânea da Ciência & Tecnologia. A revista C&SC adota as “Normas para apresentação de artigos propostos para publicação em revistas médicas”, da Comissão Internacional de Editores de Revistas Médicas, cuja versão para o português encontra-se publicada na Ver Port Clin Geral 1997; 14:159-174. O documento está disponível em vários sítios na World Wide Web, como por exemplo, site:http://www.nlm.nih.gov/citingmedicine/ ou http://www.apmcg.pt/document/71479/ 450062.pdf. Recomenda-se aos autores a sua leitura atenta. Seções de publicação Editorial: responsabilidade do(s) editor(es). Este texto deve ter, no máximo, 4.000 caracteres com espaço. Debate: artigo teórico pertinente ao tema central da revista, que receberá críticas/comentários assinados de até seis especialistas, também convidados, e terá uma réplica do autor principal. O texto deve ter, no máximo, 40.000 caracteres com espaço. Os textos dos debatedores e a réplica terão no máximo de 10.000 caracteres cada um, sempre contando com os espaços. Artigos temáticos: revisão crítica ou resultado de pesquisas de natureza empírica, experimental ou conceitual sobre o assunto em pauta. Os textos de pesquisa não deverão ultrapassar os 40.000 caracteres. Os de revisão poderão alcançar até 50.000 caracteres. Para uns e outros serão contados caracteres com espaço. Artigos de temas livres: não incluídos no conteúdo focal da revista, mas voltados para pesquisas, análises e avaliações de tendências teórico-metodológicas e conceituais daárea ou das subáreas. Os números máximos de caracteres são os mesmos dos artigos temáticos. Opinião: texto que expresse posição qualificada de um ou vários autores ou entrevistas 59 realizadas com especialistas no assunto em debate na revista; deve ter, no máximo, 20.000 caracteres. Resenhas: análise crítica de livro relacionado ao campo temático da revista, publicado nos últimos dois anos, com, no máximo, 10.000 caracteres. Os autores de resenha deverão encaminhar à Secretaria da Revista uma reprodução em alta definição da capa do livro resenhado. Cartas: crítica a artigo publicado em número anterior da revista ou nota curta, descrevendo criticamente situações emergentes no campo temático (máximo de 5.000 caracteres). Observação: O limite máximo de caracteres leva em conta os espaços e inclui texto e bibliografia. O resumo/abstract e as ilustrações(figuras e quadros) são considerados à parte. Apresentação de manuscritos 1. Os originais podem ser escritos em português, espanhol, francês e inglês. Os textos em português e espanhol devem ter título, resumo e palavras-chave na língua original e em inglês. Os textos em francês e inglês devem ter título, resumo e palavras-chave na língua original e em português. Não serão aceitas as referências inseridas como notas de rodapé e notas explicativas no final do artigo ou pé da página. 2. Os textos têm de ser digitados em espaço duplo, na fonte Times New Roman, no corpo 12, margens de 2,5 cm, formato Word e encaminhados apenas pelo endereço eletrônico (www.cienciaesaudecoletiva.com.br) segundo as orientações do menu Artigos e Avaliações. No caso de dúvidas, entrar em contado com a editoria da revista cienciasaudecoletiva@ fiocruz.br. 3. Os artigos submetidos não podem ter sido divulgados em outra publicação, nem propostos simultaneamente para outros periódicos. Qualquer divulgação posterior do artigo em outra publicação deve ter aprovação expressa dos editores de ambos os periódicos. A publicação secundária deve indicar a fonte da publicação original. 4. As questões éticas referentes às publicações de pesquisa com seres humanos são de inteira responsabilidade dos autores e devem estar em conformidade com os princípios contidos na Declaração de Helsinque da Associação Médica Mundial (1964, reformulada em 1975,1983, 1989, 1996 e 2000). 5. Os artigos devem ser encaminhados com as autorizações para reproduzir material publicado anteriormente, para usar ilustrações que podem identificar pessoas e para transferir direitos de autor e outros documentos que se façam necessários. 60 6. Os conceitos e opiniões expressos nos artigos, bem como a exatidão e a procedência das citações são de exclusiva responsabilidade do(s) autor(es). 7. Os artigos publicados serão de propriedade da revista C&SC, ficando proibida a reprodução total ou parcial em qualquer meio de divulgação, impressa ou eletrônica, sem a prévia autorização dos editores-chefes da Revista. 8. Os textos são em geral (mas não necessariamente) divididos em seções com os títulos Introdução, Métodos, Resultados e Discussão sendo, às vezes, necessária a inclusão de subtítulos em algumas seções. Os títulos e subtítulos das seções devem estar organizados com recursos gráficos (caixa alta, recuo na margem, e não com numeração progressiva. O resumo/abstract terá no máximo 1.400 caracteres com espaço (incluindo-se palavras chave/keywords). Nele devem estar claros: o objeto, os objetivos, a metodologia, a abordagem teórica e uma síntese dos resultados e das conclusões do estudo. Logo abaixo do resumo os autores devem indicar até no máximo seis palavras-chave. É importante escrever com clareza e objetividade o resumo e as palavras-chave, pois isso facilita a divulgação do artigo e sua múltipla indexação. Autoria 1. As pessoas designadas como autores devem ter participado na elaboração dos artigos de modo que possam assumir publicamente a responsabilidade pelo seu conteúdo. A qualificação como autor deve pressupor: a) concepção e o delineamento ou a análise e interpretação dos dados, b) redação do artigo ou a sua revisão crítica, e c) aprovação da versão a ser publicada. 2. No final da submissão do artigo, anexar no campo “documento em Word” o artigo completo, contendo os agradecimentos e as contribuições individuais de cada autor na elaboração do texto (ex. LM Fernandes trabalhou na concepção e na redação final e CM Guimarães, na pesquisa e na metodologia). Nomenclaturas 1. Devem ser observadas rigidamente as regras de nomenclatura biológica, assim como abreviaturas e convenções adotadas em disciplinas especializadas. 2. Devem ser evitadas abreviaturas no título e no resumo. 3. A designação completa à qual se refere uma abreviatura deve preceder a primeira ocorrência desta no texto, a menos que se trate de uma unidade de medida padrão. Ilustrações 1. O material ilustrativo da revista C&SC compreende tabela (elementos demonstrativos como números, medidas, percentagens, etc.), quadro (elementos demonstrativos com informações 61 textuais), gráficos (demonstração esquemática de um fato e suas variações), figura (demonstração esquemática de informações por meio de mapas, diagramas, fluxogramas, como também por meio de desenhos ou fotografias). Vale lembrar que a revista é impressa em uma cor, o preto, e caso o material ilustrativo esteja em cor, deve ser convertido para tons de cinza. 2. O número de material ilustrativo deve ser de, no máximo, cinco por artigo, salvo exceções referentes a artigos de sistematização de áreas específicas do campo temático, quando deverá haver negociação prévia entre editor e autor(es). 3. Todo material ilustrativo deve ser numerado consecutivamente em algarismos arábicos, com suas respectivas legendas e fontes, e a cada um deve ser atribuído um breve título. Todas as ilustrações devem ser citadas no texto. 4. As tabelas e os quadros devem ser confeccionados no mesmo programa utilizado na 366 Instruções para colaborador e confecção do artigo (Word versões 2003 ou 2007). 5. Os gráficos devem ser gerados em programa de imagem (Corel Draw ou Photoshop) e devem ser enviados em arquivo aberto. 6. Os arquivos das figuras (mapa, por ex. devem ser salvos no (ou exportados para o) formato Corel Draw e inseridas no formato original. Este formato conserva a informação VETORIAL, ou seja, conserva as linhas de desenho dos mapas. Se for impossível salvar nesse formato, os arquivos podem ser enviados nos formatos TIFF ou BMP, que também são formatos de imagem, mas não conservam sua informação vetorial, o que prejudica a qualidade do resultado. Se usar o formato TIFF ou BMP, salvar na maior resolução (300 ou mais DPI) e maior tamanho (lado maior =18cm). O mesmo se aplica para o material que estiver em fotografia. Caso não seja possível enviar as ilustrações no meio digital, o material original deve ser mandado o em boas condições para reprodução. Agradecimentos 1. Quando existirem, devem ser colocados antes das referências (somente no arquivo em Word anexado no site). 2. Os autores são responsáveis pela obtenção de autorização escrita das pessoas nomeadas nos agradecimentos, dado que os leitores podem inferir que tais pessoas subscrevem os dados e as conclusões. 3. O agradecimento ao apoio técnico deve estar em parágrafo diferente daqueles que citam outros tipos de contribuição. 62 Referências 1. As referências devem ser numeradas de forma consecutiva de acordo com a ordem em que forem sendo citadas no texto. No caso de mais de dois autores, no corpo do texto, deve ser citado apenas o nome do primeiro autor seguido da expressão et al. Nas referências, devem ser informados todos os autores do artigo. 2. Devem ser identificadas por números arábicos sobrescritos, conforme exemplos abaixo: ex. 1: ... Outro indicador analisado foi o de maturidade do PSF”11; ex. 2: ... Como alerta Maria Adélia de Souza4, a cidade... As referências citadas somente nos quadros e figuras devem ser numeradas a partir do número da última referência citada no texto. 3. As referências citadas devem ser listadas ao final do artigo, em ordem numérica, seguindo as normas gerais dos Requisitos uniformes para manuscritos apresentados a periódicos biomédicos (http://www.icmje.org). 4. Os nomes das revistas devem ser abreviados de acordo com o estilo usado no Index Medicus (http://www.nlm.nih.gov/). 5. O nome de pessoa, cidades e países devem ser citados na língua original da publicação. Exemplos de como citar referências Artigos em periódicos 1. Artigo padrão (inclua todos os autores) Lago LM, Martins JJ, Schneider DG, Barra DCC, Nascimento ERP, Albuquerque GL, Erdmann Al. Itinerarioterapéutico de los usuários de una urgencia hospitalar. CienSaudeColet 2010; 15(Supl.1):1283-1291. 2. Instituiçãocomoautor The Cardiac Society of Australia and New Zealand. Clinical exercise stress testing. Safety and performance guidelines.Med J Aust 1996; 164:282-284 3. Sem indicação de autoria Cancer in South Africa [editorial].S AfrMed J 1994; 84:15. 4. Número com suplemento Duarte MFS. Maturação física: uma revisão de lilteratura, com especial atenção à criança brasileira. Cad Saude Publica 1993; 9(Supl.1):71-84. 5. Indicação do tipo de texto, se necessário Enzensberger W, Fischer PA. Metronome in Parkinson’s disease [carta].Lancet 1996; 347:1337. Livros e outras monografias 6. Indivíduo como autor 63 Cecchetto FR. Violência, cultura e poder. Rio de Janeiro: FGV; 2004. Minayo MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 8ª ed. São Paulo: Hucitec; Rio de Janeiro: Abrasco; 2004. 7. Organizador ou compilador como autor Bosi MLM, Mercado FJ, organizadores. Pesquisa qualitativa de serviços de saúde. Petrópolis: Vozes; 2004. 8. Instituição como autor Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Controle de plantas aquáticas por meio de agrotóxicos e afins. Brasília: DILIQ/Ibama; 2001. 9. Capítulo de livro Sarcinelli PN. A exposição de crianças e adolescentes a agrotóxicos. In: Peres F, Moreira JC, organizadores. É veneno ou é remédio.Agrotóxicos, saúde e ambiente. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2003. p. 43-58. 10. Resumo em anais de congressos Kimura J, Shibasaki H, organizadores. Recent advances in clinical neurophysiology. Proceedings of the 10th International Congressof EMG and Clinical Neurophysiology; 1995 Oct 15-19; Kyoto, Japan.Amsterdam: Elsevier; 1996. 11. Trabalhos completos publicados em eventos científicos Coates V, Correa MM. Características de 462 adolescentes grávidas em São Paulo. In: Anaisdo V Congresso Brasileiro de adolescência; 1993; Belo Horizonte. p. 581-582. 12. Dissertação e tese Carvalho GCM. O financiamento público federal do Sistema Único de Saúde 1988-2001 [tese]. São Paulo (SP): Faculdade de Saúde Pública; 2002. Gomes WA. Adolescência, desenvolvimento puberal e sexualidade: nível de informação deadolescentes e professores das escolas municipaisde Feira de Santana – BA [dissertação].Feira de Santana (BA): Universidade Estadualde Feira de Santana; 2001. Outros trabalhos publicados 13. Artigo de jornal Novas técnicas de reprodução assistida possibilitam a maternidade após os 40 anos. Jornaldo Brasil2004; 31 jan.p. 12. Lee G. Hospitalizations tied to ozone pollution: 64 study estimates 50,000 admissions annually. The Washington Post 1996 Jun 21; Sect.A:3 (Col. 5). 14. Material audiovisual HIV+/AIDS: the facts and the future [videocassette]. St. Louis (MO): Mosby-Year Book; 1995. 15. Documentos legais Brasil. Lei nº 8.080 de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. DiárioOficial da União 1990; 19 set. Material no prelo ou não publicado Leshner AI. Molecular mechanisms of cocaine addiction.N Engl J Med.In press 1996.Cronemberg S, Santos DVV, Ramos LFF, Oliveira ACM, Maestrini HA, Calixto N. Trabeculectomia com mitomicina C em pacientes com glaucoma congênito refratário. Arq Bras.Oftalmol. No prelo 2004. Material eletrônico 16. Artigo em formato eletrônico Morse SS. Factors in the emergence of infectious diseases. Emerg Infect Dis [serial on the Internet] 1995 Jan-Mar [cited 1996 Jun 5];1(1):[about 24 p.]. Availablefrom: http://www.cdc.gov/ncidod/EID/eid.htm Lucena AR, Velasco e Cruz AA, Cavalcante R. Estudo epidemiológico do tracoma em comunidade da Chapada do Araripe – PE – Brasil. ArqBrasOftalmol[periódico na Internet]. 2004 Mar-Abr [acessado 2004 jul 12];67(2): [cerca de 4 p.]. Disponível em: http://www.abonet.com.br/abo/672/197-200.pdf 17. Monografia em formato eletrônico CDI, clinical dermatology illustrated [CDROM]. Reeves JRT, Maibach H. MEA Multimedia Group, producers.2nd ed. Version 2.0. San Diego: CMEA; 1995. 18. Programa de computador Hemodynamics III: the ups and downs of hemodynamics [computer program]. Version 2.2. Orlando (FL): ComputerizedEducational; 1993. 367 65 CAPITULO IV ARTIGO 2 66 PERFIL PROFISSIONAL DAS UBS E ESF DOS MUNICÍPIOS PERTENCENTES A 13ª CRS-RS Míriam Heinen Marques da Silva¹, Miria Suzana Burgos 1,2, Dulciane Nunes Paiva 1,3 1 PPG em Promoção da Saúde, Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Santa Cruz do Sul, RS, Brasil. ² Curso de Educação Física, Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Santa Cruz do Sul, RS, Brasil. ³ Curso de Fisioterapia, Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Santa Cruz do Sul, RS, Brasil. RESUMO: Objetivo: Verificar o perfil dos profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Estratégias de Saúde da Família (ESF) nos municípios da 13a Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) - RS. Métodos: Foram avaliados os serviços de atenção básica de saúde através de questionário quanto ao perfil dos profissionais de atenção especializada existentes nessas unidades. Resultados: Foram avaliados 44 serviços, dentre eles 17 UBS e 27 ESF nos municípios pertencentes à 13a CRS - RS. As UBS e ESF avaliadas apresentaram o número de profissionais de acordo com o mínimo exigido pela legislação e a atenção especializada está conforme as necessidades particulares de cada município, de acordo com os planos de gestão. Conclusão: Foi observado nesse estudo, que as Estratégias de Saúde da Família, mesmo sendo formadas na maioria dos municípios, pelo número mínimo de profissionais exigidos por lei, ela constrói vínculos entres os profissionais nela atuantes com a comunidade, verificando os problemas e as necessidades das famílias. De modo concomitante, as Unidades Básicas de Saúde seguem os princípios básicos do Sistema Único de Saúde (SUS), mas também abrangem profissionais de atenção especializada de acordo com a necessidade do seu município e reconhecimento dessa necessidade pelo seu gestor. Palavras-chave: SUS, serviços de saúde, saúde pública INTRODUÇÃO A complexidade do mundo moderno que implica no rápido crescimento demográfico, na acentuada diferença sócio-econômica e no crescente desenvolvimento tecnológico está associado ao pensamento fragmentado, racionalista e rapidamente dividido em áreas isoladas. Essa idéia unitária, como mito desde a pré-história, sempre existiu na história do pensamento humano, sustentando que a unidade do saber conservaria a integridade epistemológica. Dessa maneira, o 67 século XIX marca a consolidação das especializações. Nesse período, novas profissões foram criadas, sendo caracterizadas pela fragmentação do objeto e pela crescente especialização1. A necessidade de novas abordagens para a produção do conhecimento científico e da intervenção prática através da interdisciplinaridade no trabalho em saúde, só foi intensificada a partir da década de 80 com o conceito ampliado de saúde, já que o predomínio da fragmentação e da especialização do conhecimento gera um modelo de atenção em saúde caracterizado por um grande número de especialistas1. A implementação da intervenção interdisciplinar na formação dos profissionais, sugere currículos que articulem conteúdos, valorizem os enfoques e desenvolvam o contexto dos trabalhos em prática interdisciplinares na saúde 2. O Programa de Saúde da Família (PSF), que teve início no Brasil em 1994, surgiu para implementar a atenção primária à saúde, como proposta do governo federal aos municípios. Com essa prática, o PSF é o reorganizador e orientador dos serviços e de profissionais no nível de assistência, promoção da saúde, prevenção de doenças e reabilitação. Tal estruturação traz, portanto, desafios a serem superados para consolidar-se na mudança do paradigma que orienta o modelo de atenção à saúde vigente, que vem sendo enfrentada desde a década de 70 pelos sujeitos comprometidos com um novo modelo. Ao longo do tempo, têm se reconhecido a importância de se criar “um novo modo de fazer saúde”, redefinindo o PSF, como ESF (Estratégia de Saúde da Família), visto que se trata de uma estratégia de organização que não prevê um tempo para finalizar essa reorganização com qualidade e resolução 3. A formação dos profissionais de saúde necessita avançar no delineamento dos possíveis cenários sociais nos quais estarão inseridos os atuais estudantes, identificando as diferentes necessidades de saúde da população e ampliando o foco da formação profissional. Portanto, é necessário superar a visão tradicional da saúde como ausência de doença para uma visão que a considere como resultante das condições de vida da sociedade, das famílias e dos indivíduos. É preciso resgatar o instrumento de preservação e de desenvolvimento da vida, mediante intervenções que contribuam para a aquisição de novas atitudes no estilo e no modo de viver das pessoas, bem como na produção de políticas públicas que priorizem o desenvolvimento humano 4 . As mudanças na formação profissional, tanto de graduação como de pós-graduação, pelas novas diretrizes curriculares, são necessárias para que se formem profissionais da saúde e não da doença. As residências e especializações em saúde evidenciam a importância do trabalho desenvolvido em equipe e a capacitação na área da saúde, pesquisa, ensino e assistência. Os estágios curriculares oportunizam a parceria entre quem faz a formação acadêmica e quem presta serviços de saúde, oferecendo espaço para a prática. Essa iniciativa qualifica os serviços e contribui para a reflexão dessa nova idéia de aperfeiçoamento técnico-cultural e científico, podendo ajudar a reconstruir os serviços básicos oferecidos à população 5. É necessário ampliar o entendimento do processo saúde/adoecimento, ultrapassando o 68 antagonismo de indivíduo/coletivo, pela conjugação de atenção, política, gestão e clinica, oportunizando um padrão de vida aceitável que inclua lazer, moradia, trabalho, educação e bem estar geral. Para a praxis de rotina desses serviços, um dos principais problemas são a formação de recursos humanos para o desenvolvimento dos sistemas de saúde, devendo inclusive ser repensada na formação acadêmica. A diversidade dos cenários formadores, deve extrapolar os limites técnicos da clínica, tanto pública quanto privada, promovendo além de tudo, os aspectos sociais da profissão 6 . A Atenção Básica à Saúde deve ser sempre prioritária, pois possibilitará melhor organização dos serviços de media e alta complexidade e, estando bem estruturada com a equipe multiprofissional, reduzirá filas nos hospitais, prontos socorros, o uso abusivo de medicamentos e o uso indiscriminado de recursos de alta tecnologia. Nesse contexto, existem as particularidades que garantem os direitos de casos especiais, como a garantia de melhor qualidade de vida aos deficientes e a saúde do trabalhador. A implantação desses serviços na Atenção Básica deve ser feito de acordo com sua realidade local 7. Dessa forma, o presente estudo objetivou identificar o perfil dos profissionais atuantes nas Unidades Básicas de Saúde e Estratégias de Saúde da Família (ESF) da 13ª CRS, tendo como referência os 13 municípios pertencentes a Coordenadoria. Identificar os profissionais que atuam nas UBS e ESF torna-se fundamental para traçar os rumos da saúde na região, com o intuito de mostrar a capacidade de potencializar a Atenção Básica, como parte da realidade do Estado e do País. PERFIL PROFISSIONAL DAS UBS E ESF DOS MUNICÍPIOS PERTENCENTES A 13ª CRS O Sistema Único de Saúde, com o propósito de descentralizar e ampliar a cobertura dos serviços de saúde passa por desafios para alcançar os objetivos propostos, reorganizando os serviços e os membros envolvidos no processo 8. Os profissionais ao se depararem com a realidade das pessoas, com suas atividades de vida diária e suas limitações, podem orientar as mesmas no sentido de promoção, prevenção e assistência coletiva e individual, inserindo seu trabalho de forma interdisciplinar, tanto no ESF como na Atenção Básica Tradicional. As mudanças na formação são necessárias para que se possa formar profissionais da saúde e não da doença 9. Todos os municípios devem ter seus resultados acompanhados, para que possa ocorrer novos planejamentos e programações estimulando a participação popular e o controle social. A avaliação do desempenho e dos resultados deve ser permanente, tendo como ponto de partida a constituição federal de 1988 e nas leis 8.080/90 e 8.142/90, baseada em informações que 69 expressem a relação local com o sistema, sugerindo melhorias e reformulações necessárias 10 . Como a prerrogativa inicial do presente estudo foi de identificar quais os profissionais que atuavam nas UBS e ESF apenas que abrangessem todos os serviços de atenção básica, foram excluídos os prédios da zona rural, os serviços em unidades móveis e de atenção especializada (que prestavam apenas um tipo atendimento: odontológico ou infantil, entre outros). Desse modo, do total de 82 prédios, foram avaliados 44 serviços de saúde. Para dar inicio as coletas, foi realizado contato telefônico com as Secretarias de Saúde dos municípios da 13ª CRS, sendo obtidos através dos mesmos, os endereços das UBS e ESF dos municípios a serem visitados para posteriormente aplicar o questionário aos coordenadores de cada serviço. Foi constatada a existência de 44 serviços de atenção básica de saúde que atendiam aos critérios de inclusão da pesquisa, ou seja: que abrangessem todos os serviços oferecidos pela atenção básica. Os questionários tiveram suas questões fechadas e codificadas. Após a revisão geral, o banco de dados foi convertido para o programa SPSS 18.0. Foram obtidas freqüências simples para descrição das variáveis descritivas. Outro fator a ser considerado foram as perdas existentes no tamanho amostral, tendo sido excluídas as unidades rurais, unidades móveis, unidades com serviços específicos de atendimento e ainda unidades de saúde em funcionamento que ainda não estavam cadastrados no CNES /DATASUS. Na Tabela 1 estão descritos os profissionais de atenção especializada nas UBS da 13ª CRS: ____________________________________________________________________________ PROFISSIONAIS FREQUÊNCIA (%) ____________________________________________________________________________ Fisioterapeuta 14,3% Fonoaudiólogo 17,9% Ginecologista 35,7% Neurologista 14,3% Oftalmologista 14,3% Otorrinolaringologista 25,0% Pediatra 46,4% Psicólogo 17,9% Outros ____________________________________________________________________________________________ 70 Conforme demonstrado o Ministério da Saúde11 ressaltou a importância do trabalho em equipe, objetivando resultados em oposição à gestão por procedimento, estando ainda o SUS em transformação por ter uma tendência a se responsabilizar pela enfermidade. Previu ainda que os profissionais atuantes na Atenção Básica de cada município, depende única e exclusivamente do conhecimento do seu gestor. A função deliberativa, consultiva e fiscalizadora do conselho de saúde, representada por usuários do SUS, trabalhadores de saúde, prestadores de serviço, tem autonomia de exigir a participação de profissionais na Atenção Básica e nos atendimentos de alta complexidade para sua população com a aplicação dos recursos recebidos. Desenvolver a interdisciplinaridade é, antes de tudo, aprender a conviver e aceitar as diferenças, percebendo na heterogeneidade de olhares a riqueza do objeto de estudo e da criação de estratégias frente às situações. No presente estudo, como em outras pesquisas, os municípios, ainda que incorporem a atenção integral com práticas de promoção e prevenção aliadas à assistência nas UBS e nas ESF, ainda apresentam prevalência do trabalho em saúde com moldes tradicionais, centrados na consulta médica, por meio da distribuição de fichas para demanda aberta. Os gestores se deparam com uma diversidade de situações e problemas, que podem ser resolvidos de maneiras variadas de acordo com a realidade do seu cotidiano, que dizem respeito a seus usuários, equipes, recursos financeiros, conflitos, organização social e contradições locais. Nesse sentido, a importância de um Plano Municipal, efetivando o processo de saúde local, estabelecendo a responsabilidade do gestor local com os planos estaduais e federais. Na Tabela estão descritos os profissionais de atenção especializada nas ESF da 13ª CRS: ______________________________________________________________________________ PROFISSIONAIS FREQUÊNCIA (%) ______________________________________________________________________________________________ Cardiologista 12,5% Fonoaudiólogo 6,3% Ginecologista 81,3% Neurologista 12,5% Oftalmologista 6,3% Traumato/ortopedista 6,3% Otorrinolaringologista 37,5% Pediatra 56,3% Outros 71 Considerações finais Para a promoção em saúde, o objetivo contínuo é um ótimo nível de vida, não sendo suficiente a ausência de doença, nem a prevenção, por ser um controle dos fatores causais de um grupo de enfermidades ou de uma enfermidade específica. Nesse contexto, a inserção de profissionais na equipe, torna-se imprescindível com suas atividades voltadas à realidade social interagindo com a equipe multiprofissional, de forma interdisciplinar, nas Unidades Básicas de Saúde e Estratégias de Saúde da Família. É importante destacar algumas limitações metodológicas do presente estudo. As informações acessadas a partir de um questionário também apresentam limitações, pois as perguntas podem não ser respondidas corretamente devido a incapacidade do sujeito recordar alguns aspectos em avaliação ou até, superestimar ou subestimar inconscientemente suas atividades e respostas. Para a formação de profissionais do SUS na perspectiva da integralidade é preciso ousar e ser capaz de assumir uma nova visão de mundo para que seja uma realidade necessária unânime para todos os municípios. REFERÊNCIAS 1. Mendes, I.; Villela, E. Interdisciplinaridade e saúde: estudo bibliográfico. Revista L. Americana de Enfermagem, Ribeirão Preto (SP), 2003:11, (4): 525-531. 2. Batista, Silvia. A interdisciplinaridade no ensino médico. Revista Brasileira de Educação Médica. Rio de Janeiro (RJ), 2006:30(1): 39-46. 3. Brasil. Ministério da Saúde. Atenção Básica: Saúde da Família. Editora MS, Brasilia (DF), 2007. 4. Gil, R. R. Práticas profissionais em Saúde da Família: expressões de um cotidiano em construção. Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Rio de Janeiro (RJ), 2006. 5. Matta, G.C.; Lima. Estado, sociedade e formação profissional em saúde: contradições e desafios em 20 anos de SUS. Editora Fiocruz. Rio de Janeiro (RJ), 2010: 355-356. 72 6. Czeresnia, Dina; Freitas, M. de Carlos. Promoção de Saúde. Conceitos, reflexões, tendências. Rio de Janeiro (RJ), 2003: 32-36. 7. Nascimento MC; Sampaio RF; Salmela JH; Mancini MC;Figueiredo IM. A profissionalização da fisioterapia em Minas Gerais. Revista Brasileira de Fisioterapia, São Carlos (SP), 2010:10 (2): 241-247. 8. Rezende, Mônica de; Moreira, Marcelo Rasga; Amâncio Filho, Antenor; Tavares, Maria de Fátima Lobato. A equipe multiprofissional da 'Saúde da Família': uma reflexão sobre o papel do fisioterapeuta. Ciências Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 1996:01(4). 9. Brasil. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília, 2006: (04): 20-35. 10. Mazon, L.; Trevisan, M. Fecundando o processo da interdisciplinaridade na iniciação científica. Revista Latino Americana de Enfermagem. Ribeirão Preto (SP),2006: 11(4):. 525-531. 11. Brasil. Ministério da Saúde. Atenção Básica: Saúde da Família. Editora MS, Brasília (DF), 2007. NORMAS PARA COLABORAÇÕES 1. A Revista Brasileira de Educação aceita para publicação artigos inéditos de autores brasileiros e estrangeiros que tratem de educação, resultantes de estudos teóricos, pesquisas, reflexões sobre práticas e discussões polêmicas. Excepcionalmente poderão ser publicados artigos de autores brasileiros ou estrangeiros editados anteriormente em livros e periódicos que tenham circulação restrita no Brasil. 2. Os trabalhos podem ser encaminhados em português, inglês, francês ou espanhol. 3. Os artigos devem ter no mínimo 40 mil e no máximo 70 mil caracteres com espaços, incluindo as referências bibliográficas e as notas (contar com Ferramentas do processador de textos – Word ou Star Office, por exemplo). 4. A publicação de artigos está condicionada a pareceres de membros do Conselho Editorial ou de colaboradores ad hoc. A seleção de artigos para publicação toma como critérios básicos sua contribuição à educação e à linha editorial da Revista, a originalidade do tema ou do tratamento dado a ele, assim como a consistência e o rigor da abordagem teórico-metodológica. Eventuais modificações de estrutura ou de conteúdo, sugeridas pelos pareceristas ou pela Comissão Editorial, só serão incorporadas mediante concordância dos autores. 5. A Revista Brasileira de Educação também publica documentos, resenhas e notas de leitura. Na seção Documentos, serão divulgados textos coletivos elaborados pela ANPEd ou por 73 associações afins, bem como documentos (leis, pareceres, normas), emanados de órgãos governamentais e que abordem questões de interesse para a área educacional. 6. As Resenhas não devem ultrapassar 10 mil caracteres com espaços e as Notas de leitura, 5 mil caracteres. É indispensável a indicação da referência bibliográfica completa da obra resenhada ou comentada. A digitação e a formatação devem obedecer à mesma orientação dada para os artigos. 7. Textos que tratem de temas polêmicos ou que debatam algum assunto, com defesa de posicionamentos, poderão ser publicados na seção Espaço Aberto. Neste caso, os textos devem obedecer ao limite de 50 mil caracteres e atender aos demais requisitos dos artigos. 8. Os originais devem ser encaminhados à Secretaria da Revista por meio do sistema SciELO. Orientações quanto aos procedimentos site http://www.scielo.br/revistas/rbedu/pinstruc.htm#003. Dúvidas constam e sugestões no devem ser enviadas para [email protected]. 9. Os artigos e outros textos para publicação devem ser digitados em um dos programas de edição de texto em formato padrão para PC. As orientações para formatação estão especificadas ao final destas Normas. 10. As menções a autores, no correr do texto, devem subordinar-se à forma (Autor, data) ou (Autor, data, p.), como nos exemplos: (Silva, 1989) ou (Silva, 1989, p.95). Diferentes títulos do mesmo autor, publicados no mesmo ano, deverão ser diferenciados adicionando-se uma letra depois da data, por exemplo: (Garcia, 1995a), (Garcia, 1995b) etc. 11. As Referências devem conter exclusivamente os autores e textos citados no trabalho e ser apresentadas ao final do texto, em ordem alfabética, obedecendo às normas atualizadas da ABNT. Matérias que não contenham as referências bibliográficas ou que as apresentem de forma incorreta não serão consideradas para exame e publicação. Observa-se que as bibliotecárias das Universidades estão aptas a oferecer orientações relativas ao uso correto das normas. Exemplos da aplicação das normas da ABNT encontram-se ao final destas Normas. 12. As notas de rodapé devem ser exclusivamente explicativas. Todas as notas deverão ser numeradas e aparecer no pé de página (usar comando automático do processador de textos: Inserir/Notas). 13. Todos os artigos devem conter, ao final, título, indicação de pelo menos três palavras-chave e resumo (em português, inglês e espanhol), que não ultrapassem 1.000 caracteres cada. 14. Ao final do texto o autor deve também registrar dados relativos à sua maior titulação, instituição, bem como indicar o endereço eletrônico e o endereço completo para correspondência. 15. Os quadros, gráficos, mapas, imagens etc. devem ser apresentados em folhas separadas do texto (indicando-se os locais em que devem ser inseridos), devendo ser numerados e titulados e apresentar indicação das fontes que lhes correspondem. Sempre que possível, deverão ser confeccionados para sua reprodução direta. 74 16. O envio de qualquer colaboração implica automaticamente a cessão integral dos direitos autorais à Revista Brasileira de Educação. Orientação para a formatação dos textos 1. Digitar todo o texto na fonte Times New Roman, tamanho 12, entrelinha simples, sem fontes ou atributos diferentes para títulos e seções. 2. Utilizar letras maiúsculas em negrito para o título principal; nos subtítulos das seções negrito e primeira letra maiúscula, seguida de minúsculas. 3. Para ênfase ou destaque, no interior do texto, utilizar apenas itálico; assinalar os parágrafos com um único toque de tabulação e dar Enter apenas no final do parágrafo. 4. Separar títulos de seções, nome do autor etc. do texto principal com um duplo Enter. 5. Para as transcrições, usar a fonte Times New Roman, tamanho 11, separadas do texto principal com duplo Entere introduzidas com dois toques de tabulação. Orientações para a aplicação das Normas da ABNT 1. Livros: sobrenome do autor (Maiúscula)/VÍRGULA/Seguido do nome (Maiúscula e Minúscula)/PONTO/Título da obra (em itálico)/DOIS PONTOS (se houver subtítulo)/Subtítulo (se houver)/PONTO/Edição, de forma abreviada e se não for a primeira/PONTO/Local da publicação/DOIS PONTOS/ESPAÇO/Editora/VÍRGULA/Data de publicação/PONTO Exemplo: APPLE, Michael W. Educação e poder. 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989. 2. Artigos: sobrenome do autor (Maiúscula)/VÍRGULA/Seguido do nome (Maiúscula e Minúscula)/(SE HOUVER OUTRO AUTOR, REPETIR ESTA OPERAÇÃO SEPARANDO OS NOMES ATRAVÉS DE PONTO E VÍRGULA)/PONTO/Título do artigo/PONTO/Título do periódico (em itálico)/VÍRGULA/Local (sede de publicação da revista)/DOIS PONTOS/Entidade à qual a revista é vinculada/PONTO PONTOS/Editora/VÍRGULA/Volume E do VÍRGULA/Local periódico (se da publicação/DOIS houver)/VÍRGULA/Número do periódico/VÍRGULA/Páginas correspondentes ao artigo/VÍRGULA/Mês (abreviado)/Data de publicação/PONTO. Exemplo: ZAGO, Nadir. Do acesso à permanência no ensino superior: percursos de estudantes universitários de camadas populares. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro: ANPEd; Campinas: Autores Associados, v. 11, n. 32, p. 226-237, maio/ago. 2006. 3. Coletâneas: sobrenome do autor do capítulo (Maiúscula)/VÍRGULA/Seguido do nome (Maiúscula e Minúscula)/PONTO/Título do capítulo/PONTO/Escrever “In:”/ Sobrenome do organizador (Maiúscula)/VÍRGULA/Iniciais do nome do organizador (SE HOUVER OUTRO ORGANIZADOR, REPETIR ESTA OPERAÇÃO SEPARANDO OS NOMES ATRAVÉS DE PONTO E VÍRGULA)/ Escrever, quando for o caso, “(Org.)”/PONTO/Título da coletânea (em itálico)/DOIS PONTOS (se houver subtítulo)/Subtítulo (se houver)/PONTO/Edição, de forma abreviada e se não for a primeira/PONTO/Local da publicação/DOIS PONTOS, ESPAÇO/Nome da editora/PONTO/Nome do tradutor, quando houver/VÍRGULA/Data de publicação/PONTO. 75 Exemplo: ROMÃO, José E. Alfabetizar para libertar. In: GADOTTI, Moacir; TORRES, Carlos A. (Orgs.). Educação popular: utopia latino-americana. São Paulo: Cortez, 1994. 4. Teses: sobrenome do autor (Maiúscula)/VÍRGULA/ Seguido do nome (Maiúscula e Minúscula)/PONTO/Título da obra (em itálico)/DOIS PONTOS (se houver subtítulo)/Subtítulo (se houver)/PONTO/Data da defesa/PONTO/Número de folhas/PONTO/Grau acadêmico a que se refere/TRAVESSÃO/Instituição onde foi apresentada/VÍRGULA/Local da publicação/PONTO. Exemplo: BARREIRA, Luis. História e historiografia: as escritas recentes da história da educação brasileira (1971-1988). 1995. 220f. Tese (Doutorado em História da Educação) – UNICAMP, Campinas. 5. Trabalhos apresentados em congressos: sobrenome do autor (Maiúscula)/VÍRGULA/Seguido do nome (Maiúscula e Minúscula)/PONTO/Título do trabalho apresentado/PONTO/Escrever “In:”/nome do evento(Maiúscula)/VÍRGULA/numeração do evento (se houver)/PONTO/VÍRGULA/Data de publicação/VÍRGULA/Local de realização/PONTO/Título do documento/Local de realização/DOIS PONTOS/Editora/VÍRGULA/Período de realização do evento/VÍRGULA/Mês (abreviado)/data de publicação/PONTO/página inicial e final da parte referenciada/PONTO. Exemplo: MALDONADO FILHO, Eduardo. A transformação de valores em preço de produção e o fenômeno da absorção e liberação de capital produtivo. In: ENCONTRO NACIONAL DE ECONOMIA, 15., 1975, Salvador. Anais…Salvador: ANPEC, 1-4, dez. 1975. p. 157-75. 6. Trabalhos em meio eletrônico: sobrenome do autor (Maiúscula)/ VÍRGULA/Seguido do nome (Maiúscula e Minúscula)/PONTO/Título/ PONTO/Título do Periódico (em itálico)/VÍRGULA/Local da publicação/DOIS PONTOS/Entidade a qual a revista é vinculada/PONTO E VÍRGULA/Editora/VÍRGULA/Volume do periódico/VÍRGULA/Número do periódico/VÍRGULA/Data de publicação/PONTO/Disponível em/DOIS PONTOS/endereço eletrônico (entre os sinais < >)/PONTO/acesso em/DOIS PONTOS/data da consulta/PONTO. Exemplo: SAVIANI, Dermeval. Formação de professores: aspectos históricos e teóricos do problema no contexto brasileiro. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro: ANPEd; Autores Associados, v. 14, n. 40, jan./abr. <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-24782009000100012&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 01 mar. 2011 2009. Disponível em: 76 CAPÍTULO V NOTA À IMPRENSA 77 Acessibilidade nos serviços de atenção básica a saúde nos municípios pertencentes a 13ªCRS O Programa de Pós Graduação em Promoção da Saúde da Universidade de Santa Cruz do Sul apresentou resultados de pesquisa sobre o perfil arquitetônico dos prédios das Unidades Básicas de Saúde e Estratégias de Saúde da Família pertencentes à 13ª Coordenadoria Regional de Saúde. Essa pesquisa incluiu os prédios da zona urbana que prestam todos os serviços de Atenção Básica de Saúde. Tais serviços foram avaliados através de questionários do tipo check list que permitiram avaliar a acessibilidade e a existência de possíveis barreiras arquitetônicas nas suas estruturas físicas, tanto de acesso, como de circulação interna. Nesse estudo, foi notório que as condições de acesso e circulação interna em alguns Serviços de Atenção Básica avaliados, inviabilizam o livre trânsito de pessoas em cadeira de rodas, de usuários de muletas ou aqueles com mobilidade reduzida, devido ao descumprimento da legislação ABNT NBR 9050 (2004). Muitas unidades se encontram instaladas em prédios improvisados pela comunidade local, não tendo construção específica para as necessidades dos usuários e dos profissionais que lá atuam. Esse caso ocorre com maior freqüência nas UBS, onde ocorrem os serviços tradicionais de saúde. Os resultados do presente estudo serão apresentados aos gestores dos órgãos públicos, visando requerer maior adequação do Sistema Único de Saúde, no que tange a melhor qualificação de tais UBS, para garantir a possibilidade de acesso seguro nos locais onde as mesmas estão instaladas. 78 ANEXOS 79 Monitoramento e Avaliação das Barreiras Arquitetonicas das UBS/ESF – 13°CRS BLOCO A - QUESTIONÁRIO UBS/ESF ESTRUTURA IDENTIFICAÇÃO GERAL Estado:__ __ Município: _________________________________________ Identificação: _____________________________________ Endereço: ______________________________________________________________ CEP: __ __ __ __ __ __ __ __ Telefone/Fax:_______________________________ E-mail do responsável pela UBS: _____________________________________________ Grupo:( 1 ) ESF (2) AB Tradicional (3) Outra:_______________ 80 1) Existem tapetes na sala de espera, consultório ou em alguma outra dependência do prédio? Sala de Espera (0)Não (1) Sim Consultório (0)Não (1) Sim Outra (0)Não (1) Sim 2)Existe(m) degrau(s) no(s) acesso(s) que dificulte(am) o ingresso de deficientes no prédio? (0)Não (1) Sim (9)NSA 3)Existem rampas alternativas para garantir o acesso de pessoas portadoras de deficiência? (0)Não (1) Sim (9) NSA 4)As calçadas do prédio permitem o deslocamento seguro de deficientes visuais, cadeirantes e idosos? (0)Não (1) Sim (8)NSA 5)Existem corrimãos para auxiliar o acesso de usuários com mobilidade reduzida? (0)Não (1) Sim (8) NSA 6)Os banheiros possuem espaço suficiente para manobras de aproximação de usuários de cadeiras de rodas? No mínimo 1 (0)Não (1) Sim (8)NSA 7)As portas dos banheiros apresentam a largura mínima de 0,80m para garantir acesso de cadeira de rodas? (0)Não (1) Sim (8)NSA 8)Existe cadeira de rodas a disposição de pacientes com esta necessidade? (0)Não (1) Sim (8)NSA 9)Áreas de circulação possuem portas com largura livre de 0,8m (0)Não (1) Sim (8)NSA 10)Portas do tipo vai-e-vem são dotadas de visor vertical 81 (0) Não(1) Sim (8) NSA (8)NSA 11)Portas de correr possuem trilhos rebaixados (0)Não (1) Sim (8) NSA 12)O piso possui superfície regular, estável, firme e antiderrapante (0)Não (1) Sim (8) NSA 13) Os elevadores Estão situados em local acessível (0)Não (1) Sim (8) NSA 14) Circulação vertical por meio de escada? (0)Não (1) Sim (8) NSA 15) Os lavatórios são do tipo sem coluna? (0)Não(1)Sim (8)NSA 16) Os balcões e mesas de trabalho têm, na sua parte superior, a altura de 0,8m do piso? (0)Não(1)Sim (8)NSA 17) Os bebedouros estão instalados a 0,80m do piso? (0)Não(1)Sim (8)NSA 18) Os telefones estão instalados a uma altura entre 0,80m e 1m do piso? (0)Não(1)Sim (8)NSA 19) Os assentos são adequados para o uso de pessoas com deficiência? (0)Não(1)Sim (8)NSA 82 7 20. Com relação a referência para atenção especializada, a UBS/ESF dispõe de consulta com: Cardiologia (0) Não (1) sim, satisfatório (2)sim, insatisfatório (9) não sabe Dermatologia (0) Não (1) sim, satisfatório (2)sim, insatisfatório (9) não sabe Educador Físico (0) Não (1) sim, satisfatório (2)sim, insatisfatório (9) não sabe Psicólogo (0) Não (1) sim, satisfatório (2)sim, insatisfatório (9) não sabe Fisioterapia (0) Não (1) sim, satisfatório (2)sim, insatisfatório (9) não sabe Ginecologia (0) Não (1) sim, satisfatório (2)sim, insatisfatório (9) não sabe Fonoaudiólogo (0) Não (1) sim, satisfatório (2)sim, insatisfatório (9)não sabe Nefrologia (0) Não (1) sim, satisfatório (2)sim, insatisfatório (9) não sabe Neurologia (0) Não (1) sim, satisfatório (2)sim, insatisfatório (9) não sabe Oftalmologia (0) Não (1) sim, satisfatório (2)sim, insatisfatório (9) não sabe Ortopedia (0) Não (1) sim, satisfatório (2)sim, insatisfatório (9) não sabe Otorrinolaringologia (0) Não (1) sim, satisfatório (2)sim, insatisfatório (9) não sabe Pediatria (0) Não (1) sim, satisfatório (2)sim, insatisfatório (9) não sabe Pneumologia (0) Não (1) sim, satisfatório (2)sim, insatisfatório (9) não sabe Psiquiatria (0) Não (1) sim, satisfatório (2)sim, insatisfatório (9) não Outro(s) (0) Não (1) sim, satisfatório (2)sim, insatisfatório (9) não