Universidade de Brasília Centro de Excelência em Turismo Mestrado Profissional em Turismo ROTEIRO TURÍSTICO HISTÓRICO CULTURAL “TERESINA ME FASCINA”: UMA PROPOSTA Maria Angélica Learth Cunha Meneses Brasília-DF 2011 Universidade de Brasília Centro de Excelência em Turismo Mestrado Profissional em Turismo ROTEIRO TURÍSTICO HISTÓRICO CULTURAL “TERESINA ME FASCINA”: UMA PROPOSTA Maria Angélica Learth Cunha Meneses Orientadora Profa. Dra. Ellen Fensterseifer Woortmann Dissertação apresentada ao Mestrado Profissional em Turismo da Universidade de Brasília como requisito parcial para obtenção do título de mestre. Brasília-DF Março, 2011 Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central da Universidade de Brasília. Acervo 989263. M543r Meneses , Mar i a Angé l i ca Lear t h Cunha . Ro t e i ro t ur í s t i co h i s t ór i co cu l t ura l "Teres i na me f asc i na" : uma propos t a / Mar i a Angé l i ca Lear t h Cunha Meneses . - - 2011 . 182 f . : i l . ; 30 cm. Di sser t ação (mes t rado) - Un i ver s i dade de Bras í l i a , Cent ro de Exce l ênc i a em Tur i smo , Mes t rado Prof i ss i ona l em Tur i smo , 2011 . I nc l u i b i b l i ogra f i a . Or i ent ação : El l en Fens t er se i f er Woor tmann. 1 . Tur i smo - Pi auí . 2 . Tur i smo cu l t ura l . I . Woor tmann, El l en F. - (El l en Fens t er se i f er ) . I I . Tí t u l o. CDU 338. 482 . 2: 39 15 Universidade de Brasília Centro de Excelência em Turismo Mestrado Profissional em Turismo ROTEIRO TURÍSTICO HISTÓRICO CULTURAL “TERESINA ME FASCINA”: UMA PROPOSTA Maria Angélica Learth Cunha Meneses Banca Examinadora: _____________________________________________________ Orientadora Profa. Dra. Ellen Fensterseifer Woortmann (CET/UnB) _____________________________________________________ Examinadora Profa. Dra. Sandra Lestinge (UFPI) _____________________________________________________ Examinadora Profa. Dra. Cléria Botelho da Costa (CET/UnB) AGRADECIMENTOS Hoje parei para pensar em tudo que passei para estar aqui, em primeiro lugar quero agradecer a Deus por ter me dado condição de terminar esta empreitada. Agradeço a minha mãe que é meu porto seguro, uma mulher batalhadora e muito guerreira, me ensinou a viver, me fazendo ser forte. Às minhas irmãs Socorro, Natércia e Carminha a meu cunhado Messias, a minha sobrinha (quase filha) Tatiana por sempre acreditarem em mim me dado coragem para seguir em frente e ao meu filho Vinícius pelo apoio e por me dar força me fazendo rir até mesmo quando tinha vontade de chorar. ―Tenho orgulho em ter vocês como família. Tenham certeza de que tudo que fizeram por mim, na verdade foi muito mais do que qualquer pessoa no mundo poderia querer. Vocês vão estar eternamente em tudo o que eu fizer. Amo vocês!‖ Agradeço à minha amiga Catarina Santos e ao meu amigo Marcello Atta pela grande compreensão e carinho que sempre tiveram comigo, prontos para ajudar em qualquer momento, pelos conselhos, pelas várias vezes que deixaram seus compromissos para sentarmos juntos e, quando isto acontecia como produzíamos! Nem todo o dinheiro do mundo será capaz de comprar o carinho que sinto por vocês. Agradeço à minha orientadora Professora Dra. Ellen, sempre paciente, me ajudando e transmitindo confiança. À Elenyce por me ajudar nas correções, traduções e formatação deste trabalho. Agradeço à Cleo, minha nora pela amizade, companhia e ajuda nas pesquisas. Agradeço ao Professor Doutor Miguel Bahl pelas orientações, mesmo impossibilitado de participar de minha Banca Examinadora, pelos desmandos dos nossos governantes e às Professoras Doutoras Cléia Botelho e Sandra Lestinge por participarem de minha Banca Examinadora e pelas contribuições, engrandecendo meu trabalho com sabedoria, atenção e confiança. Aos entrevistados Sr. Anchieta Correia e Genise Veloso, me recebendo com carinho e atenção. Agradeço às minhas ex-alunas Jaciara, Andréia, Nayara, Denise, Nájara, Samara e Karla Maia pelo carinho, dispostas a ajudar em todas as horas. Agradeço também ao Sérgio e a Silvane, funcionários do CET pela paciência e disponibilidade. Agradeço a uma pessoa especial que Deus colocou em minha vida, e que apesar de me ter tomado muito tempo de estudo, foi e é o principal incentivo de querer continuar lutando, minha netinha – Sophia, que nasceu durante este mestrado. RESUMO A importância do Turismo está sendo cada vez mais reconhecida a partir da globalização, sendo cada vez mais evidente a necessidade de estratégias que venham a conduzir tal atividade para satisfazer ao público alvo. O espaço urbano o objeto de uso pela atividade turística traz elementos que proporcionam melhor utilização desses espaços agregando-lhes valores e proporcionando o desenvolvimento desta atividade com maior grau de qualidade. O uso do espaço, pelo homem, é dinâmico e se transforma com tempo, podendo chegar a levar uma determinada localidade a se consolidar como um destino turístico. O presente trabalho tem como objetivo criar e apresentar aos órgãos públicos estadual e municipal ao grupo gestor Teresina, do Programa Destinos Indutores do Desenvolvimento Turístico Regional e aos operadores do turismo receptivo da cidade de Teresina, uma proposta de roteiro turístico histórico cultural tendo como público alvo, os idosos, do qual a própria população residente poderá usufruir e perceber o potencial que a cidade detém, e então provocar nesta população o reconhecimento, o despertar do sentimento de pertencimento e valorização deste potencial mais especificamente seus recursos históricos e culturais. Para a elaboração do roteiro foram realizadas pesquisas qualitativas e oficinas com a participação das entidades de classe que atuam na atividade turística, de representantes dos órgãos públicos federais, estaduais e municipais. A realização desta pesquisa evidenciou a potencialidade que a cidade de Teresina é detentora em relação ao seu patrimônio histórico e cultural e a grande contribuição que um roteiro turístico, como o aqui proposto, dará para a cidade. Palavras Chaves: Roteiro turístico. Patrimônio histórico e cultural. Turismo. Teresina. ABSTRACT The importance of Tourism is increasingly being recognized as globalization, is evident the need for strategies that will lead this activity to meet the target audience. The use of urban space by the tourism brings in elements that provide better use of space by adding value and providing them with the development of this activity with the highest degree of quality. The use of space by man is dynamic and changes with time and may even bring a certain location to consolidate itself as a tourist destination. This work aims to create and present state and municipal public agencies to the group manager Teresina, the Program of Tourism Destinations Inductors Regional and operators of inbound tourism in the city of Teresina, a proposed historic cultural tourist itinerary taking as target the elderly, which the resident may own people enjoy and realize the potential that the city owns, and then trigger the recognition in this population, the awakening of the sense of belonging and appreciation potential of more specifically its historic and cultural resources. In preparing the screenplay were qualitative studies and workshops with the participation of the associations that work in tourism, representatives of federal, state and city. This research has highlighted the potential that the city of Teresina holds in relation to its historical and cultural heritage and the great contribution that a tourist route, as proposed here, will make to the city. Keyword: Sightseeing tour. Historical and cultural heritage. Tourism. Teresina. SUMÁRIO Introdução Capítulo I A ATIVIDADE TURÍSTICA E O USO DO ESPAÇO.................................. 1.1. A atividade turística...................................................................................... 1.2. Turismo e espaço geográfico........................................................................ 1.3. Turismo e espaço turístico............................................................................ 1.4. Turismo, território usado e cidade................................................................ 1.5. Sobre patrimônio.......................................................................................... 1.5.1. Turismo, cultura e patrimônio cultural...................................................... 1.5.2. Patrimônio material e imaterial.................................................................. 1.5.3. Patrimônio identidade e memória.............................................................. 1.5.4. Patrimônio e turismo................................................................................. 1.5.5. Turismo, cultura e patrimônio................................................................... 18 20 22 24 28 36 38 40 42 45 47 Capítulo II PÚBLICO ALVO: VELHO, IDOSO, MELHOR IDADE............................ 2.1. Política pública de turismo para a melhor idade, no Brasil.......................... 2.2. Roteiros turísticos locais............................................................................... 56 65 68 Capítulo III UM OLHAR SOBRE TERESINA.................................................................. 3.1. A ocupação do ambiente urbano de Teresina................................................ 3.2. Aspectos geográficos..................................................................................... 3.3. Aspectos econômicos.................................................................................... 3.4. Patrimônio histórico e cultural de Teresina................................................... 3.4.1. Pontos turísticos de Teresina...................................................................... 3.4.2. Preservação do patrimônio cultural piauiense............................................ 3.4.3. Monumentos tombados de Teresina........................................................... 3.4.4. Patrimônio histórico cultural e ambiental de Teresina – Gastronomia...... 3.4.5. Artesanato.................................................................................................. 3.4.6. Folclore....................................................................................................... 3.4.7. Parques ambientais..................................................................................... 71 73 78 81 84 87 90 91 105 105 106 110 Capítulo IV ROTEIRIZAÇÃO / ROTEIRO TURÍSTICO 4.1. Elaboração da proposta de roteiro turístico – passos metodológicos............ 4.1.1. Justificativa................................................................................................. 4.1.2. Objetivos.................................................................................................... 4.2. Proposta do Roteiro Turístico Histórico Cultural ―Teresina me fascina‖..... 112 119 122 123 124 CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................ 5. REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO........................................................... ANEXOS............................................................................................................. 153 155 167 LISTA DE ILUSTRAÇÕES / TABELAS Figura 1: Igreja Nossa Senhora do Amparo......................................................... 125 Figura 2: Praça Marechal Deodoro da Fonseca / Praça da Bandeira................... 126 Figura 3: Museu do Piauí..................................................................................... 127 Figura 4: Mercado São José / Mercado Central / Mercado Velho....................... 128 Figura 5: Shopping da Cidade.............................................................................. 129 Figura 6: Feira do Troca-troca.............................................................................. 130 Figura 7: Antiga Escola Normal Antonino Freire / Hoje, Palácio da Cidade...... 131 Figura 8: Teatro de Arena.................................................................................... 133 Figura 9: Rua Climatizada.................................................................................... 134 Figura 10: Rua Paissandu.................................................................................... 135 Figura 11: Praça Pedro II..................................................................................... 136 Figura 12: Teatro 4 de Setembro e Cine Rex....................................................... 137 Figura 13: Clube dos Diários............................................................................... 138 Figura 14: Fachada da Central de Artesanato ―Mestre Dezinho‖........................ 139 Figura 15: Avenida Antonino Freire.................................................................... 140 Figura 16: Palácio de Karnak............................................................................... 141 Figura 17: Igreja ―São Benedito‖ e início da Avenida Frei Serafim.................... 144 Figura 18: Canteiro Central da Avenida Frei Serafim e decoração natalina........ 145 Figura 19: Convento ―São Benedito‖. Ao fundo Metropolitan Hotel.................. 146 Figura 20: Palácio Episcopal................................................................................ 147 Figura 21: Imóvel antigo em uso comercial e Metropolitan Hotel...................... 147 Figura 22: Colégio Sagrado Coração de Jesus / Colégio das Irmãs.................... 148 Figura 23: Prédios antigos em uso comercial...................................................... 148 Figura 24: Prédio do antigo Instituto Nacional da Previdência Social - INPS (primeira foto) e outros prédios antigos em uso comercial................................... 149 Figura 25: Hospital Getúlio Vargas.................................................................... 150 Figura 26: Prédio do Departamento de Estradas e Rodagens do Piauí - DER.. 151 Figura 25: Estação Ferroviária e Espaço Cultural.............................................. 152 TABELAS Tabela 1: Informações econômico-financeiras.......................................................... 82 LISTA DE SIGLAS ABAV/PI – Associação Brasileira de Agentes de Viagens ABBTUR/PI – Associação Brasileira do9s Bacharéis em Turismo ABCMI – Associação Brasileira dos Clubes da Melhor Idade ABIH - Associação Brasileira da Indústria Hoteleira ABRASEL – ADH – Banco Nacional de Habitação ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária BAHIATURSA – Empresa Bahiana de Turismo CEPRO – Fundação Centro de Pesquisas Econômicas e Sociais do Piauí COHAB – Companhia Brasileira de Habilitação COMEPI – Companhia Editorial do Piauí CRAS – Centro de Referência e de Atenção à Saúde. DER/PI – Departamento de Estradas e Rodagens do Piauí DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes EMBRATUR – Instituto Brasileiro de Turismo EMPETUR – Empresa Pernambucana de Turismo. EMPROTURN – Empresa de Turismo do Rio Grande do Norte FAGEPI - Fundação de Assistência Geral aos Desportos do Piauí FMCMC – Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves FMS – Fundação Municipal de Saúde FUNDAC – Fundação Cultural do Piauí FUNDEC – Fundação Estadual de Cultura E de Desportos do Piauí FUNDESPI – Fundação Estadual de Desportos do Piauí HIT – Hospital de Terapia Intensiva IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ICMS – Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional JET – José Elias Tajra MICT – Ministério da Indústria do Comércio e Turismo MINC – Ministério da Cultura MTUR – Ministério do Turismo OMS – Organização Mundial de Saúde OMT – Organização Mundial do Turismo OTAN – Organização do Trabalho do Atlântico Norte PIB – Produto Interno Bruto PIB – Produto Interno Bruto PIEMTUR – Empresa de Turismo do Piauí PMT – Prefeitura Municipal de Teresina PNAD – Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio PNI – Política Nacional do Idoso PNI – Política Nacional do Idoso PNPI – Programa Nacional do Patrimônio Imaterial PRT – Programa de Regionalização do Turismo REFESA – Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima SALIPI – Salão do Livro do Piauí SEMDEC – Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo SEMTCAS – Secretaria Municipal do Trabalho Cidadania a Assistência Social SESC – Serviço Social do Comércio SETUR/PI – Secretaria do Turismo do Estado do Piauí SINDETUR/PI – Sindicato das Empresas de Turismo do Piauí SINGTUR – Sindicato dos Guias de Turismo TIM – TIM Celular Sociedade Anônima UESPI – Universidade Estadual do Piauí UFPI – Universidade Federal do Piauí UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura ANEXOS Anexo 1: Sugestões................................................................................................... 167 Anexo 2: Mapa da cidade de Teresina....................................................................... 170 Anexo 3: Mapa do centro da cidade de Teresina ressaltando as denominações antigas dos logradouros............................................................................................. 171 Anexo 4: Itinerário do roteiro turístico histórico cultural ―Teresina me fascina‖..... 172 Anexo 5: Itinerário do segundo dia do roteiro turístico ―Teresina me fascina‖........ 173 Anexo 6: Itinerário do segundo dia do roteiro turístico ―Teresina me fascina‖...................................................................................................................... 174 Anexo 7: Capacidade hoteleira de Teresina.............................................................. 175 Anexo 8: Capacidade instalada para eventos............................................................ 176 Anexo 9: Espaços culturais de Teresina.................................................................... 178 Anexo 10: Principais eventos de Teresina................................................................. 180 Anexo 11: Comidas típicas de Teresina.................................................................... 181 Anexo 12: Letra da música ―Teresina‖...................................................................... 182 14 INTRODUÇÃO O turismo é atualmente uma das economias mais essenciais para a geração de renda e melhoria da qualidade de vida da população em diversas regiões no mundo. Sua contribuição é significativa para o desenvolvimento regional, sendo o planejamento, fundamental para o desenvolvimento econômico e social, bem como a valorização dos patrimônios e das populações locais. A atividade turística provoca transformações, causa impactos físicos, ambientais, sociais, culturais nos destinos em que ela ocorre, pois em geral vem acompanhada de desenvolvimento, crescimento, mudanças. Daí a importância do planejamento para otimizar e equilibrar os benefícios econômicos, ambientais, sociais e culturais do turismo e tentar minimizar os impactos negativos provocados por estas mudanças. Sem este planejamento, o crescimento desordenado das cidades, a especulação imobiliária, as mudanças dos comportamentos, os novos valores e estilos de vida podem gerar impactos irreversíveis nos bens constituintes do patrimônio, pois são fatores resultantes da vida capitalista da sociedade globalizada. A revitalização (uma ação de planejamento) é o movimento contrário, pois indica a retomada das discussões sobre preservação, conservação e restauração do patrimônio e, essencialmente, a preocupação com espaços e manifestações que permitem o olhar, a convivência, o conhecimento e a interação com valores, símbolos e manifestações dos destinos. O planejamento deve ocorrer de acordo com as peculiaridades de cada local e uma forma de se trabalhar a localidade é com a formatação de roteiros turísticos, que reflete um trabalho cauteloso, de identificação de iniciativas e atividades empreendedoras que atendam às exigências do mercado turístico e que estejam prontas para receber o visitante. Além disso, uma das premissas do roteiro turístico é a valorização de aspectos culturais e naturais de uma região, associados a uma rede de serviços de qualidade que valoriza a identidade local. A cidade de Teresina é dotada de um rico patrimônio cultural material e imaterial, representado pela arquitetura de suas casas e prédios; por sua história, pelas manifestações folclóricas do seu povo, incluindo as lendas, músicas, danças, sua culinária, enfim, por todo o seu contexto histórico desde sua fundação até os dias atuais. Para o desenvolvimento do segmento turismo cultural é necessário manter a identificação com o morador, e uma boa estratégia é incluir o patrimônio nas atividades 15 recreacionais da comunidade, com reorientação do uso de edifícios e a oferta de roteiros orientados. Dessa maneira afirma-se que a valorização do patrimônio histórico-cultural na cidade de Teresina será alcançada se houver uma sensibilização por parte da sociedade e dos órgãos públicos do seu significado na construção da identidade local e da importância da conservação e divulgação dos bens culturais. Acredita-se que através do reconhecimento do patrimônio e das tradições culturais será possível desenvolver a atividade turística através do segmento Turismo Cultural na cidade, gerando uma diversidade de benefícios sociais e econômicos para todos os agentes envolvidos em um mesmo intuito. O principal objetivo deste trabalho é contribuir para o desenvolvimento turístico do município de Teresina, com a elaboração e disponibilização aos agentes de viagens, operadores de turismo receptivo da cidade de Teresina, turistas individuais, uma proposta de roteiro turístico histórico cultural tendo como público alvo, os turistas idosos, do qual a própria população residente poderá usufruir e assim perceber o potencial que a cidade detém, e então provocar nesta população o reconhecimento, o despertar do sentimento de pertencimento e valorização deste potencial mais especificamente seus recursos históricos e culturais a partir do patrimônio histórico cultural já identificado e catalogado junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, à Fundação Cultural do Piauí - FUNDAC e à Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves - FMCMC. O presente trabalho se inicia com os estudos de captação de subsídios e compilação de dados para a melhor compreensão do turismo na cidade, sua origem, sua potencialidade, seu desenvolvimento, suas características e para delimitação da fração do território para o qual será proposto um roteiro turístico histórico cultural para a cidade de Teresina. A hipótese é de que Teresina possui atrativos históricos e culturais, que podem ser integrados a partir da percepção da identidade da região e interligados pelas estruturas de acesso, circulação, equipamentos de transporte, serviços e suportes ao turismo, para a formatação do roteiro, objeto do trabalho. A fundamentação metodológica para a identificação desses elementos foi buscada nos estudos existentes. Entre outros: Agenda 2015, Código de Postura do Município da Cidade de Teresina, Ignarra (2002), Santos (1985), Bahl (2004) na bibliografia utilizada no presente trabalho que está estruturado da seguinte forma: 16 No capítulo I que tem como tema – A atividade turística e o uso do espaço - é realizada uma revisão bibliográfica sobre os conceitos de turismo, segmentação turística, bem como de território e região, atrativos e roteiros turísticos. Também são apresentados estudos sobre turismo, cultura e patrimônio cultural; patrimônio e identidade; patrimônio e turismo No capítulo II, intitulado – Público alvo: velho, idoso, melhor idade - ressalta-se a importância de se pensar e executar um roteiro turístico prioritário para esse público (idoso, melhor idade), pois eles mais do que muitos historiadores, são detentores de um saber jamais adquirido em bancos de sala de aula ou mesmo em livros; eles guardam o tesouro maior que uma cidade pode oferecer: a memória viva do lugar. No capítulo III, denominado – Um olhar sobre Teresina - apresenta-se o objeto de estudo, localizando-o no contexto turístico municipal, delimitando a área a ser estudada, identificando os aspectos da fração do território relacionados ao turismo à potencialidade turística do espaço a ser trabalhado; seu patrimônio. Ressalta também a forma de tombamento desse patrimônio. No capítulo IV, identificado como – Roteirização / O roteiro turístico - aborda-se o tema roteiros turísticos na visão de vários autores e apresenta-se o roteiro turístico histórico cultural ―Teresina me fascina‖, bem como a metodologia usada para definição do mesmo, obedecendo os seguintes passos: 1) pesquisa bibliográfica – que gerou a base conceitual do trabalho e proporcionou contato com conceitos e definições que conduziram a pesquisa à perspectiva da participação; 2) leitura do ambiente local – que consistiu em um levantamento documental e de campo, possibilitando o reconhecimento, seleção e exploração de uma área para embasar a proposta de implantação de um roteiro; 3) aplicação de uma pesquisa junto à pessoas acima de 60 anos (trinta pessoas), assim desenvolvida: foram entregues a estas pessoas um mapa da cidade de Teresina e solicitado que nele fossem identificados os atrativos históricos culturais da cidade de Teresina. Estas informações serviram de base para a sistematização dos dados, reflexão e elaboração da proposta do roteiro que, em um momento posterior, foi apresentado em duas oficinas de Roteirização com o objetivo de apresentar aos participantes a sugestão de um roteiro turístico histórico cultural para análise e colaborações. A primeira oficina foi realizada em 20 / 08 / 2010 com a participação da iniciativa privada - entidades de classe ligadas à atividade turística – o ―trade turístico‖. 17 A segunda oficina, realizada em 13 / 10 / 2010, com as componentes do Clube da Melhor Idade ―Nosso Espaço‖ composto por pessoas de classe média, parte com formação universitária e parte com ensino médio completo, com o objetivo de discutir e estruturar o roteiro sugerido juntamente com os representantes dos efetivos interessados – pessoas acima de 60 anos. Por último, nas Considerações finais é feita uma síntese dos aspectos da cidade de Teresina enquanto espaço vivido, e as transformações sofridas pela busca da satisfação das necessidades da sociedade, transformando-o de modo que não há uma prioridade à identidade cultural, finalizando com a identificação das potencialidades da cidade em desenvolver a atividade turística, os problemas e dificuldades a serem enfrentados e as recomendações de ações a serem operacionalizadas. O reconhecimento do turismo em nível estadual e municipal, e das possibilidades de desenvolvimento desta atividade em Teresina vislumbram uma maior valorização da cidade como atrativo em nível nacional. Mais do que apenas fortalecer uma determinada atividade econômica, o reconhecimento dessa potencialidade pode fortalecer uma identidade regional, potencializando os esforços de planejamento e desenvolvimento na cidade de Teresina. 18 Capítulo I A ATIVIDADE TURÍSTICA E O USO DO ESPAÇO O poeta foi visto por um rio, por uma árvore, por uma estrada... (Mário Quintana / Diário de viagem) O conceito de Turismo pode ser estudado de diversas perspectivas e disciplinas, dada a complexidade das relações entre os elementos que o formam. Existe um debate aberto para se chegar a um conceito único e a um padrão que reflita uma definição universal. Em 1942, os professores da Universidade de Berna (Suíça), W. Hunzikar e K. Krapf definiram o turismo como: ―A soma de fenômenos e de relações que surgem das viagens e das estâncias dos não residentes, desde que não estejam ligados a uma residência permanente nem a uma atividade remunerada‖. (KRAPF e HUNZINER, apud SANCHO, 2001, p.10). Lançada em plena Guerra Mundial, é uma definição muito ampla e pouco esclarecedora, pois introduz muitos conceitos indeterminados que deveriam previamente ser definidos, mas já se permite considerar como turista quem precisar fazer um deslocamento para uma visita, com fins terapêuticos, a uma outra cidade. Posteriormente, definiu-se turismo como sendo ―os deslocamentos curtos e temporários das pessoas para destinos fora do lugar de residência e de trabalho e as atividades empreendidas durante a estada nesses destinos‖ (BURKAT e MEDIK, 1981, p. 33). Nesta definição, os autores introduzem positivamente a conotação de viagem e férias/lazer, em contraposição à ―residência‖ e ao ―trabalho‖, mas ao mesmo tempo deixam de fora conceitos modernos de turismo como as viagens por motivos de negócios. É também criticável o termo vago ―deslocamento curto‖. Nota-se que a globalização da economia, o desenvolvimento tecnológico e o consequente aprimoramento dos meios de transporte e de comunicação, entre outros fatores, facilitaram e estimularam a movimentação turística mundial tornando-se cada vez mais usuais as viagens a países e locais distantes. Mathieson e Wall (1982, p. 42), por sua vez, utilizaram uma definição semelhante para o turismo, mas com algumas modificações: 19 ―Turismo é o movimento provisório das pessoas, por períodos inferiores a um ano, para destinos fora do lugar de residência e de trabalho, as atividades empreendidas durante a estada e as facilidades são criadas para satisfazer as necessidades dos turistas‖. Como se pode observar, os autores destacam o caráter temporário da atividade ao introduzirem o termo ―período inferior a um ano‖ baseado no ano gregoriano, já ficando perceptível a visão econômica do turismo, visto que teoricamente, um tempo de permanência maior, acarretaria na fixação de residência e também apresentam duas inovações: de um lado a perspectiva da oferta quando mencionam as ―facilidades criadas‖; de outro, o fundamento de toda atividade turística: a satisfação dos turistas/clientes. Finalmente, há que se destacar a definição que foi adotada pela Organização Mundial de Turismo – OMT (1994), que une os pontos positivos das idéias expostas anteriormente e, por sua vez, formaliza os aspectos da atividade turística, como segue: ―O turismo compreende as atividades que realizam as pessoas durante suas viagens e estadas em lugares diferentes ao seu entorno habitual, por um período consecutivo inferior a um ano, com finalidade de lazer, negócios ou outras‖. Trata-se de uma definição ampla e flexível que concretiza as características mais importantes do turismo, tais como: introdução dos possíveis elementos motivadores da viagem (lazer, negócios, etc.); delimitação temporária do período máximo de permanência no destino - um ano; delimitação da atividade desenvolvida antes e durante o período de estada; localização da atividade turística como a atividade realizada ―fora de seu entorno habitual1‖. A prática da atividade turística, no decorrer dos anos, conduz a ampliação desse conceito e a inclusão de novas dimensões, que levam a identificar e/ou caracterizar ―as atividades que realizam...‖ como a segmentação de mercado que identifica vários segmentos, entre eles: o Turismo de Saúde, Turismo de Negócios e Eventos, Turismo de Aventura, Turismo Religioso etc. 1 Segundo a OMT (1995) ―entorno habitual de uma pessoa consiste em certa área que circunda sua residência mais todos aqueles lugares que visita freqüentemente‖. 20 Ignarra (2002, p.15) nos mostra, pela História, que o turismo é um fenômeno antigo, iniciado quando o homem abandonou o sedentarismo, impulsionado pela necessidade do comércio. Dessa forma, o autor entende que o turismo de negócios antecedeu às viagens lúdicas. Ele cita acontecimentos históricos que podem ser encaixados nas segmentações turísticas tão conhecidas por nós, por exemplo: as cruzadas como turismo religioso, os jogos olímpicos como turismo esportivo. Percebese, com isso, que o turista é um ser histórico, em contínua formação e o turismo é uma experiência, através da qual, o ser turista é construído, pois a prática da atividade turística proporciona a vivência de experiências, o ganho de novos conhecimentos, e amplia as oportunidades na prestação de serviços e o surgimento de novas demandas como já citado no parágrafo anterior 1.1. A atividade turística Como o turismo é uma das atividades econômicas que mais tem possibilidade de crescimento e incremento de divisas para países, estados e municípios, faz-se necessário um planejamento que vise ao desenvolvimento da localidade onde se pretenda desenvolver a atividade turística, pois a movimentação de pessoas, promovidas pelo turismo, pode ocasionar mudanças das paisagens cotidianas podendo estas serem observadas no conhecimento de novas culturas e pessoas, na degustação de sabores novos, nos atrativos naturais, culturais, nos conjuntos arquitetônicos, nos serviços turísticos e na infraestrutura de apoio ao turismo. Também pode proporcionar transformações sociais e econômicas, nos destinos onde a atividade se desenvolve. No desenvolvimento da atividade turística ocorrem impactos que tanto podem trazer benefícios para a população da localidade receptora como é caso de Jericoacoara, no Ceará, como também podem gerar problemas sérios para as comunidades envolvidas tal como Porto Seguro, na Bahia. Assim, para que esses problemas não ocorram, é necessário que haja um planejamento cuidadoso que ordene as ações do homem sobre o território, que direcione de forma adequada as construções dos equipamentos e das facilidades, minimizando assim, os efeitos negativos e maximizando os benefícios proporcionados pelo turismo. A natureza da atividade turística é um conjunto complexo de inter- relações de diferentes fatores que devem ser considerados conjuntamente sob uma ótica sistemática, 21 ou seja, um conjunto de elementos inter-relacionados que evoluem de forma dinâmica, delineando-se assim o sistema turístico. A cidade de Teresina, foco deste trabalho, desenvolve uma ação ainda tímida em relação ao turismo, por se caracterizar mais como núcleo emissor de turistas domésticos e internacionais do que como receptor, pois, o número de pessoas que saem da capital piauiense para outros destinos é maior que o número de pessoas que aqui chegam. Em compensação, o desenvolvimento do segmento turismo de saúde é uma realidade já reconhecida em nível nacional. Prova disso, é o Hospital São Marcos – único da região a oferecer serviço de radioterapia, também referência no tratamento de pacientes oncológicos e cardíacos; Hospital de Terapia Intensiva (HTI), pela abrangência clínica e também pela qualificação dos profissionais; Hospital Casa Mater, (referência em transplante renal e hemodiálise) e Hospital Santa Maria (referência em transplante cardíaco), dentre outros. Dias (2006, p.129) mostra que ―o setor Saúde é responsável por gerar riqueza na cidade, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico e financeiro.‖ A concentração de clínicas e hospitais particulares, grandes investidores em técnicas e tratamentos diferenciados ou inovadores é o grande atrativo para o deslocamento de pessoas em busca das diversas especificidades de tratamentos de saúde. Tais pessoas – oriundas, muitas vezes, de outros estados do país, principalmente da região norte – já dispõem, na capital, de estruturas de apoio desde pensões, pousadas, hotéis até clínicas especializadas 2 nas mais diversas áreas médicas, localizadas no centro médico da capital. Teresina é referência para o Nordeste na área de saúde, que tem grande importância econômica para o Estado. São milhares de trabalhadores envolvidos nessa área, gerando renda para mais de 12 mil piauienses, de forma direta e indireta. Entre os empreendimentos de saúde e complementares, os recursos gerados representam em média 2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado e 37% da arrecadação de Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS do Piauí, conforme consta no Perfil socioeconômico de Teresina, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Teresina. Embora a atividade turística de Teresina esteja mais voltada para os segmentos turismo de negócios e turismo de saúde, já que a capital é grande pólo regional de 2 Clínica ―Lucídio Portela‖, Clínica ―UDI‖ 22 saúde3, neste setor, a necessidade da permanência das pessoas que procuram este serviço e seus acompanhantes, durante o período de tratamento na cidade, desperta interesse em visitar a cidade a fim de conhecer seus recursos naturais e os atrativos histórico-culturais; e esta estada na capital é o momento oportuno para a prática do roteiro turístico sugerido neste trabalho. 1.2. Território e espaço geográfico Como já dito anteriormente, a pauta principal desse trabalho, é propor um roteiro histórico cultural para a cidade de Teresina, em frações do território da cidade, mais especificamente na sua zona central. Sabe-se que é comum entre os leigos confundir os termos território e espaço – substantivos tidos como sinônimos, para muita gente. E, como relata Claude Raffestin (1993), até os geógrafos já usaram esses termos sem critério e acabaram criando grandes confusões em suas análises. Além da confusão no conceito de espaço e território, não há consenso na literatura sobre esses nomes. Raffestin (1993, p.143) diz que ―o território se forma a partir do espaço, é o resultado de uma ação conduzida por um ator sintagmático (ator que realiza um programa) em qualquer nível‖. Enquanto Santos (in: STEINBERGER & CAMPOS, 2007, p. 3) adota a idéia de que ―a utilização do território pelo povo cria o espaço‖. Raffestin (idem, p. 143) entende o espaço como uma porção terrestre que existe independente da ação humana, e é preexistente ao território, que, por sua vez, necessita da ação humana para existir. Neste sentido, é a presença de uma sociedade ou grupos de indivíduos que faz um espaço. ―É essencial compreender bem que o espaço é anterior ao território. O território se forma a partir do espaço, é o resultado de uma ação conduzida por um ator sintagmático (ator que realiza um programa) em qualquer nível. Ao se apropriar de um espaço, concreta ou abstratamente [...] o ator ―territorializa‖ o espaço‖. 3 Pólo de saúde é a definição que se dá, segundo o engenheiro Cid Castro Dias (2006) à ―região que agrega serviços de alta complexidade e atrai usuários de outras áreas em busca de tratamento especializado‖. Definição esta totalmente aplicada à cidade de Teresina. 23 Infere-se, com isso, segundo o autor, que a ―territorialização‖ do espaço é definida pelas relações de poder, que pressupõem uma sociedade ou grupos de indivíduos. Assim, território e poder são ligados para materialização do conceito de território, pois o poder é inerente nas relações sociais. ―[...] Evidentemente, o território se apóia no espaço, mas não é o espaço. É uma produção, a partir do espaço. Ora, a produção, por causa de todas as relações que envolve, se inscreve num campo de poder‖. (RAFFESTIN, 1993, p. 144) Para Santos (1985, p. 64), o território é definido no seu percurso histórico, na apropriação do meio natural pela sociedade. Espaço é assim entendido como a soma dos elementos geográficos (naturais e artificiais) inseridos na dinâmica social, e é nesta inserção que ele adquire uma expressão territorial; daí entende-se o espaço como totalidade absoluta. ―O espaço, como realidade, é uno e total. É por isso que a sociedade como um todo atribui, a cada um dos seus movimentos, um valor diferente a cada fração do território [...] e que cada ponto do espaço é solitário dos demais, em todos os momentos. A isso se chama totalidade do espaço‖. (SANTOS in: STEINBERGER & CAMPOS, 2007, p. 4) Para os mesmos autores, território e espaço não podem ser analisados separadamente: ―[...] o espaço geográfico se define como união indissociável entre espaço e território: ações, e suas formas híbridas, as técnicas, que nos indicam como o território é usado: como, onde, por quem, por que, para quê [...] apreender a constituição do território, a partir de seus usos [...] permite pensar o território como ator e não apenas como um palco, isto é, o território no seu papel ativo‖. (ibidem SANTOS & SILVEIRA in: STEINBERGER E CAMPOS, 2007, p. 4-5) 24 Marcelo Lopes de Souza (1995) analisa o território nos aspectos político e cultural. Uma de suas maiores contribuições está na percepção dos múltiplos territórios dentro do território nacional, que pode ter existência temporária ou permanente no tempo e no espaço. Esses múltiplos territórios são definidos a partir da diversidade cultural dos grupos sociais, existindo, assim, o território do narcotráfico, da prostituição, do homossexualismo, mas também o território religioso. Fica bem claro que, para o autor, território não se restringe ao caráter estatal. De acordo com o autor, ―[...] não precisa e nem deve ser reduzido a essa escala ou à associação com a figura do Estado. Territórios existem e são construídos (e desconstruídos) nas mais diversas escalas, das mais acanhadas (p.ex. uma rua) à internacional (p. ex. a área formada pelo conjunto dos territórios dos países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN); territórios são construídos (e desconstruídos) dentro de escalas temporais as mais diferentes: séculos, décadas, anos, meses ou dias; territórios podem ter um caráter permanente, mas também podem ter uma existência periódica, cíclica‖. (SOUZA, 1995, p.81). Haesbaert (2004) fala de território em três aspectos: jurídico-político, que é uma porção do espaço delimitado pelo poder de caráter estatal; cultural, no qual prevalece a identidade social sobre o espaço; econômica ―que destaca a desterritorialização em sua perspectiva material, como produto espacial do embate entre classes sociais e da relação capital-trabalho‖. (HAESBAERT in: SPOSITO, 2004, p.18) O território, indiscutivelmente, é definido numa relação de poder e não pode ser definido por apenas uma perspectiva. A sua definição deve ser retratada nos mais diversos aspectos da sociedade. No território haverá sempre os elementos do trabalho, da cultura, da política, da identidade social, da economia e da natureza, definidos numa sociedade mais ou menos extensa ou em diversos grupos sociais de estilos de vida diferentes. 1.3. Território e espaço turístico Steinberger & Campos (2007), partindo da teoria de Milton Santos, propõe que o espaço é o resultado da ação humana ao se apropriar do território, e o turismo, como tal ação e se apropriando de uma porção de um dado território, produz um espaço turístico, 25 mesmo que inconscientemente, por meios de seus agentes. Ou seja, a relação entre espaço e território usado leva a refletir sobre quem usa e como usa o território. Portanto, permite mostrar como e porque é necessária uma ação mais efetiva dos agentes sociais sobre o turismo - requer ―responsabilidade espacial‖, como é o caso do Programa de Regionalização do Turismo do Ministério do Turismo – PRT/Mtur, que tem como objetivo a elaboração de roteiros turísticos nas e entre as regiões turísticas dos Estados. ―[...] estão (os agentes) produzindo espaço geográfico e território usado, ou seja, possibilitando que o turismo seja visto como parte do processo de produção do espaço [...] isso equivale admitir que tais agentes, ao serem responsáveis por efetivar o uso turístico, interferem na dinâmica sócio-espacial‖. (STEINBERGER & CAMPOS, 2007, p. 4). Para que o turismo aconteça é imprescindível o uso do espaço, pois o turista se desloca de sua localidade habitual para outra, o que acaba criando três territórios: territórios emissores de turistas, territórios de deslocamento e territórios receptores. Os territórios emissores são aqueles de onde sai o fluxo turístico para os territórios receptores. Segundo Cruz (2001), os fatores que podem caracterizar um espaço emissor são o grau de urbanização e estilo de vida, somado a vontade de viajar durante o tempo livre e renda disponível de sua população. É o caso da cidade de Teresina, com um fluxo turístico de saídas maior que o fluxo de chegadas. A autora ainda chama atenção para a transformação que o turismo provoca nesses territórios: ―Essas transformações acontecem no plano material e/ou no plano tangível, por meio da implantação de infra-estruturas, da mudança no significado de infra-estruturas preexistentes, de transformações no ritmo cotidiano desses locais, da geração de empregos, entre outras possíveis mudanças decorrentes de um novo arranjo sócio-espacial requerido pela prática do turismo‖. (CRUZ, 2001, p. 22) Percebe-se que o turismo é provocador de mudanças e reorganização espacial que ocorre direta e indiretamente pelo deslocamento das pessoas. Para que esse fluxo se desloque, é necessária a existência de infraestrutura que proporcione isso, tal como aeroportos, estações rodoviárias, ferroviárias, estradas pavimentadas. O turismo provoca a criação de oportunidades de empregos a ele relacionados nas agências e operadoras. 26 Isto acontece através do deslocamento de pessoas, por via aérea, fluvial, marítima ou rodoviária. No último caso, o deslocamento pode ser um ganho a mais na viagem, pois o viajante pode vislumbrar as paisagens, conhecer pequenas localidades, degustar alimentos e até mesmo descansar. No que se refere aos territórios de deslocamento, o fenômeno do turismo também não é indiferente, e provoca modificações. Ao viajarmos por estradas, observamos, no nosso percurso, infraestruturas criadas por incentivo desse fluxo de pessoas, ―como postos de abastecimento, equipamentos de restauração, meios de hospedagem [...] lojas de artesanato local, souvenirs e infra-estruturas de lazer [...]‖. (CRUZ, 2001, p. 24). Nos territórios receptores de turistas, é onde, indiscutivelmente, acontecem as maiores mudanças provocadas pelo fenômeno social do turismo, pois ele reorganiza o espaço, criando infraestruturas de hospedagem, lazer, restauração e acessibilidade e, além disso, também pode criar novos conceitos acerca dos aspectos identitários do lugar ou ainda dar novos significados aos já existentes. Cruz ressalta: ―O que o turismo faz nos núcleos receptores é impor sua lógica de organização dos espaços (a lógica do lazer) às lógicas já existentes. Daí as transformações que se colocam nos territórios em função do turismo.‖ (CRUZ, 2001, p. 25) Percebe-se que as modificações ocorridas nos territórios receptores são maiores porque é onde, de fato, ocorre a prática do turismo – que se pode chamar, efetivamente, de espaço turístico, pois é aí que a população flutuante se estabelecerá, buscando satisfazer suas maiores necessidades. Daí surge a necessidade da criação das infraestruturas específicas do turismo que modificarão o espaço, e a reestruturação da organização do trabalho, pois criará postos de empregos ligados ao turismo. Em Teresina, o poder de conquistar o visitante tem contribuído para elevar a taxa de ocupação hoteleira, que de acordo com a Fundação Cepro e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo – SEMDEC, a cidade disponibiliza 1.494 unidades habitacionais somando um total de 3.115 leitos dando suporte para o surgimento de outras oportunidades de negócios, como à organização de eventos, proporcionando o crescimento do segmento ―turismo de negócios e eventos‖ que conta com 23 auditórios, com um crescimento de 44% nos últimos oito anos, e 6.850 assentos diários, com crescimento de 35% no mesmo período, o que gera uma disponibilidade de 205.500 assentos por mês, permitindo que Teresina dispute a captação de eventos de pequeno e médio porte e ainda aconteça, simultaneamente, 27 acontecimentos com temática variada, como se percebe em tabela anexa. A cidade conta ainda com várias casas de shows, tais como: Baruk, Planeta Diário, Taj Mahal; barzinhos típicos: Água de Chocalho, Boi Bumbá, Boteco e restaurantes de qualidade: Confraria Uchoa, Favorito Comidas Típicas, Carnaúba, Camarão do Elias, Longa, entre outros. Em reportagem da revista Gol, nº. 104 (novembro de 2010, p.126), essa diversidade é assim retratada: ―Em Teresina você encontra badalação todos os dias e para todos os gostos. À noite, o ponto de encontro é o recém inaugurado Baruc, um dos restaurantes mais chiques da cidade que, às quintas-feiras, se transforma em nightclub‖ e ressalta‖ Para aprender um pouco mais sobre a cultura local, a dica é conhecer o bar Água de Chocalho, que aposta em coisas típicas do Nordeste e tem decoração feita com elementos regionais, como livros de literatura de cordel pendurados na parede. É uma boa oportunidade para assistir a bandas de forró pé de serra e de sertanejo. Os clássicos do rock e do blues entram em cena no pub ―Planeta Diário‖ As áreas turísticas se estendem por vários quilômetros, mas, somente nos pontos onde existe concentração de atrativos é onde ocorre a produção e comercialização do turismo, ou seja, onde existe o espaço turístico. Ressalta-se que a atividade turística acontece nas dimensões espacial e territorial do turismo, a partir de três elementos organizadores: os pólos compostos pelas áreas emissoras de turistas, os pólos definidos pelas áreas receptoras e as linhas de ligação desses pólos, por onde circulam os turistas e as informações. É nas áreas receptoras que se identifica o território do turismo por excelência. Importante destacar que a vida das populações transita, em geral, por espaços turísticos, visto que, mesmo que não sejam localidades propriamente dedicadas ao turismo ou a essa atividade, as cidades recebem viajantes de variados tipos, dependendo de suas peculiaridades geográficas e humanas. Dessa forma, regiões que, aparentemente, não foram afetadas ou transformadas pelo turismo, de certa forma, sofreram modificações socioambientais e econômicas por conta dos movimentos migratórios e de lazer; ou, ainda, podem vir a sofrer essas modificações, pois qualquer localidade pode ser objeto do interesse ou campo de atrativos turísticos. Um exemplo disso é o município de Cabeceiras, no Estado da Paraíba. Uma reportagem da Agência Folha (Cabeceiras, PB, 2007) aponta que, mesmo sendo um município de menos de 20 mil habitantes e com, aparentemente, pouquíssimos atrativos turísticos, tornou-se um reconhecido cenário cinematográfico. Por apresentar 28 características geográficas e arquitetônicas típicas do estereótipo nordestino, tornou-se locação do filme Auto da Compadecida, produzido por Guel Arraes e pela Rede Globo. A partir de então, autodenominou-se de ―Roliúde Nordestina‖, por ter-se tornado locação de diversos filmes e minisséries que tenham como pano de fundo a Região Nordeste. Seu território foi modificado pela atividade turística, que transformou a cidade em espaço turístico. 1.4. Turismo, território usado e cidade Fenômeno típico da sociedade capitalista pós-revolução industrial, o turismo apresenta peculiaridades espaciais e territoriais diversificadas e passíveis de análises várias. Fruto de atividades e práticas sociais diretamente relacionadas ao movimento e ao deslocamento espacial (NICOLÀS, 1996; MOESCH, 1998) de pessoas e de informações, na sua essência, esse fenômeno produz e consome espaços (RODRIGUES, 1997, 1996; NICOLÀS, 1996; LUCHIARI, 1998) e, por consequência, territorialidades e territórios. O turismo manifesta-se através de diversas formas, modalidades e escalas dentro de um mesmo território. Está subordinado tanto às ações da iniciativa privada quanto do Estado e até mesmo das pequenas comunidades organizadas; todo esse movimento ocorrendo de forma sincrônica num mesmo estado, região ou país. Sua velocidade de reprodução está acima da maioria das atividades humanas, não respeitando fronteiras ou limites territoriais, alimentando-se dos mais variados setores do conhecimento humano, especialmente daqueles ligados aos avanços tecnológicos e informacionais. Ressalta-se que é nas áreas receptoras onde o fenômeno do turismo se materializa e sobrepõe suas formas fixas: atrativos turísticos, equipamentos e serviços turísticos (meios de hospedagem, serviços de alimentação, agentes receptivos, guias de turismo, locais e instalações para entretenimentos, etc.) e infraestrutura de apoio (serviços de comunicações, transportes, segurança, etc.). É o locus da produção e do consumo do produto turístico que, pelas peculiaridades dessa atividade, em alguns momentos, ocorrem simultaneamente. Enquanto prática socioespacial, o turismo vai se apropriando de determinados espaços, transformando-os e, a partir disso, produzindo territórios e territorialidades flexíveis e descontínuas (SOUZA, 1995), e ―turistificando‖ os lugares (NICOLÀS, 1996). No dizer de Nicolàs: 29 ―[...] el turismo crea, transforma (sic), e inclusive (sic) valoriza diferencialmente espacios que podian (sic) no tener ‗valor‘ en el contexto de la lógica de producción: de repente la tierra de pastizal se puede transformar en parque de acampar, o la casa e semi-derruida del abuelo fallecido en casa de hospedes‖. (NICOLAS,1996, p. 49)4. Knafou (1996), em suas análises sobre as relações entre turismo e território, também nos lembra que os turistas estão na origem do fenômeno, e que são eles que definem, escolhem os lugares turísticos. Sua proposta é que não devemos perder de vista que o sujeito do fenômeno, responsável pela sua existência é o homem, na forma do turista, bem como a população das áreas receptoras. Também nos sugere a possibilidade de três tipos de relações entre turismo e território: a) pode existir território sem turismo; b) pode existir um turismo sem território; c) podem, enfim, existir territórios turísticos, esses últimos entendidos como ―territórios inventados e produzidos pelos turistas, mais ou menos retomados pelos operadores turísticos e pelos planejadores‖ (KNAFOU, 1996, p. 72-3). Nesses últimos é que presenciamos conflitos de territorialidades entre os turistas – nômades – e os anfitriões – sedentários: (...) há diferentes tipos de territorialidades que se confrontam nos lugares turísticos: a territorialidade sedentária dos que aí vivem frequentemente, e a territorialidade nômade dos que só passam, mas que não têm menos necessidade de se apropriar, mesmo fugidiamente, dos territórios que freqüentam (idem, p. 4). Teresina se encaixa nos dois tipos de territorialidade, pois os turistas e seus acompanhantes que chegam à cidade para tratamento de saúde ficam por alguns dias e retornam outras vezes - é a territorialidade sedentária, assim como existem os turistas que apenas pernoitam na cidade e a conhecem por um curto espaço de tempo caracterizando a territorialidade nômade. Para Falcão (1996, p. 65), ―o turismo, qualificado como uma nova modalidade de consumo de massa desenvolve-se no âmbito da emergente economia das trocas 4 [...] o turismo cria, transforma (sic), e inclusive (sic) valoriza de forma diferenciada espaços que podiam (sic) não ter ‗valor‘ no contexto da lógica de produção: de repente a terra de pastagem pode-se transformar em parque de acampamento, ou a casa semi-arruinada do avô falecido em casa de hospedes (tradução livre). 30 invisíveis de escala nacional e internacional. Esta modalidade se expande com a produção de bens (infraestrutura, construções, alimentos e produtos diversos) e serviços (transportes, hospedagem, alimentação, etc.) que se integram para o consumo final. Esse conjunto de bens e serviços oferece ao mercado de consumo as ‗condições de acessibilidade‘ a determinado lugar. O espaço assume caráter de objeto de consumo e, como tal, é (re) produzido e comercializado‖. É o território acrescido de um certo valor (simbólico) e de infraestruturas territorializadas (meios de hospedagem, parques temáticos, aeroportos, etc.), que se transforma em produto e como tal, é vendido e consumido. Por outro lado, o turismo é um fenômeno complexo, composto por um elenco relativamente grande de componentes que se relacionam e inter-relacionam constante e simultaneamente, dentro de uma lógica que inclui muitas incertezas e casualidades. O que se percebe na cidade de Teresina, nesta relação turismo X território é um novo perfil da cidade, um perfil de cidade turística, que demonstra o despertar de uma consciência nos homens públicos para a importância da atividade turística. Os governos municipal e estadual agora admitem que o turismo seja um fator de desenvolvimento salutar para as administrações. Começam a ser operacionalizados programas e projetos estaduais e municipais com objetivos de fincar bases sólidas para o desenvolvimento responsável da atividade. A título de exemplo cita-se a execução, pela Secretaria do Turismo do Estado do Piauí – Setur do programa ―Ambiente-se‖ com o objetivo de desenvolver um plano de ação em educação ambiental junto à comunidade e aos empresários dos municípios da Região Turística Pólo Costa do Delta. Em Teresina a Prefeitura Municipal criou uma Coordenação Especial de Turismo, que com apenas um ano de existência, já conveniou o Programa de Desenvolvimento do Turismo – Prodetur Nacional promoveu cursos de informações turísticas aos vendedores de água de coco e aos artesãos que trabalham nas ruas da cidade. Na administração dos problemas de um território, muitas prioridades sociais também interessam ao turismo, como limpeza urbana, educação, saneamento, segurança, transporte, comunicação e nestes etc. Enquanto fenômeno sociocultural característico das sociedades pós-revolução industrial, o turismo tem fortes situações espaciais, que se manifestam de diversas maneiras e em diversos pontos do espaço, formando uma rede mundial composta de pontos de emissão, pontos de recepção e raios de fluxos materiais e invisíveis. Nessa 31 rede, os pontos de recepção são classificados pelos mais diferentes nomes: centros turísticos, locais turísticos, regiões turísticas, áreas receptoras, etc. Como dito anteriormente, podemos ver o turismo a partir de três formas distintas de incidência territorial: as áreas emissoras, as áreas receptoras e os corredores de deslocamentos. Segundo Rodrigues, é nessas três formas ―que se produz o espaço turístico‖ (RODRIGUES, 1997, p. 43). Entendendo que esses três elementos estão descontínuos, mas interligados no espaço, podemos aí estabelecer um território-rede (SOUZA, 1995) do turismo, onde as áreas emissoras e as áreas receptoras se apresentam como nós e os corredores de deslocamentos são os raios que os interligam permanente (rodovias, ferrovias) ou temporariamente (rotas aéreas, redes de comunicação). Os deslocamentos dos turistas estabelecem um sistema de interações entre lugares, firmas, instituições e indivíduos que podem ser representados pelo que Raffestin (1980) classifica como um ―sistema de malhas, nós e redes‖, ou pelo que Souza (1995) propõe como território descontínuo ou território-rede. Tomando como base a idéia de Souza, conclui-se que Teresina interliga lugares, pois é hoje o portal de entrada para o turismo, no Piauí, para os turistas que se dirigem ao Delta do Parnaíba, ao Parque Nacional ―Serra da Capivara‖, ao Parque Nacional ―Sete Cidades‖, à Rota das Emoções, entre outros destinos. O que evidencia ainda mais a importância da elaboração de um roteiro para a cidade, que evidentemente promoverá a aumento da permanência deste turista na cidade. Maria Tereza D. P. Luchiari, no seu trabalho Urbanização Turística: Um novo nexo entre o lugar e o mundo, propõe uma análise mais complexa da atividade turística, de modo a vê-la como ―um dos vetores mais importantes para associar o mundo ao lugar, o global ao local‖ (LUCHIARI, 1998, p. 16). Para aquela autora, as discussões sobre a questão global-local ou local-global avançaram e já não se coloca com tanta certeza que a globalização implica no fim do local, na destruição das diferenças e peculiaridades locais: Tanto as peculiaridades locais, os localismos, os regionalismos emergiram deste global, quanto a própria globalização econômica passou a valorizar as diferenciações dos lugares, fazendo dessa diferenciação um atrativo para o capital (LUCHIARI, 1998, p.16). Em Teresina, por exemplo, essa valorização está voltada para o diferencial nos negócios e na referência em tratamentos de saúde – o que não impede que os turistas aproveitem para conhecer um pouco da cultura local, pois a cidade dispõe de muitas 32 facilidades para os que a escolhem como destino turístico. Três companhias aéreas operam vôos regulares, ligam a capital piauiense ao resto do mundo. Os acessos rodoviários se abrem aos visitantes por boas estradas federais e estaduais e diversas são as linhas de ônibus regulares. Para garantir roteiros profissionais, muitas agências de viagens nacionais já dispõem de informações e pacotes sobre o Piauí, inseridos em publicações especializadas, como guias de hotéis, e fazem divulgações nas participações em convenções e feiras diversas. Por não ter praias (Teresina é a única capital nordestina situada fora do litoral), a capital piauiense desenvolveu bastante a sua vida noturna, e cresceu culturalmente muito mais que a maioria de suas vizinhas. O turista desembarca com a agenda lotada: negócios a tratar, compromissos a cumprir, reuniões a pautar, compras a realizar e amigos a visitar ou a fazer. Hoje, Teresina oferece algo que só poucos lugares são capazes: boa receptividade, excelente culinária e muitas opções para quem quer ocupar o tempo. São acontecimentos consolidados, que se desenvolvem periodicamente, como os carnavais fora de época, grandes e contagiantes eventos musicais, um dos maiores salões do livro do país5, o Salão Internacional do Humor 6, o Festival de monólogos, o Boi de São João, O Encontro de Folguedos do Nordeste, o Festival de Teatro Amador etc. Focando seus estudos na questão da urbanização das cidades turísticas, Luchiari nos propõe entender o lugar, o território (para ela o mesmo que local) como ―o resultado de um feixe de relações que soma as particularidades (políticas, econômicas, sociais, culturais, ambientais...) às demandas do global que o atravessa‖. Para ela, o espaço enquanto abstração se realiza e se concretiza através das práticas sociais que ―constroem a identidade vivida cotidianamente nos lugares‖ (ibidem). Nesse movimento, as cidades turísticas se organizam não para a produção, mas para o consumo de bens, serviços e paisagens. O que para alguns autores é tido como 5 O SALIPI (Salão do Livro do Piauí) acontece, em Teresina, desde 2003 e já trouxe vários autores renomados (nacionais e internacionais), como Moacir Scliar, Zuenir Ventura, Evanildo Bechara, o angolano Londjaki, Inácio de Loyola Brandão, dentre outros. Em um só espaço, o Salão abriga feira de livros, lançamentos, bate-papo literário, e uma série de manifestações artísticas e literárias. O evento é organizado pela Fundação Quixote, em parceria com várias instituições públicas e privadas; e acontece anualmente, normalmente no mês de junho. 6 Em 2010, o Salão realizou sua 27ª edição em Teresina. O evento reúne artistas de vários lugares. O que dá a Teresina o caráter de cidade turística nesse período. Organizado por Albert Piauí, o Salão traz exposições, shows e muito humor. 33 impacto negativo do turismo (a destruição dos lugares), a autora prefere entender como um processo de construção de ―[...] novas formas contemporâneas de espacialização social, por meio das quais estamos construindo novas formas de sociabilidade, mais híbridas e mais flexíveis [...] estabelece-se uma relação entre antigas paisagens e velhos usos e novas formas e funções, impulsionando a relação do lugar com o mundo, que o atravessa com novos costumes, hábitos, maneiras de falar, mercadorias, modo de agir [...] Assim também, a identidade do lugar é constantemente recriada, produzindo um espaço social híbrido, onde o velho e o novo fundem-se dando lugar a uma nova organização socio-espacial‖. (LUCHIARI, 1998, p.17). Nicolàs (1996, p. 44), por sua vez, nos lembra que o uso do espaço pelo turismo não segue as mesmas leis das atividades de produção e reprodução dos setores econômicos tradicionais: ―El espacio-consumido pero no forzosamente destruído, implica que la producción turística no obedece a las leyes de la producción económica tradicional; el espacio turístico se crea y recrea como valor de uso (y también de cambio) sin que su destrucción sea obligada, aunque a veces ocurra‖. (NICOLÀS, 1996, p. 44).7 Também para Remy Knafou (1996, p. 67) a paisagem se transforma e não se destrói e, ―o que desagrada a um turista pode muito bem convir a outro, sobretudo se ele descobre o sítio em seu estado atual, sem tê-lo conhecido pouco ou não transformado, o que lhe impede de ter uma percepção nostálgica‖. Retornando a Luchiari (1998, p. 23), podemos ver que também para ela, a paisagem é uma construção social e, como tal, está em constante transformação: ―Se admitimos que a paisagem é uma representação [a partir do olhar do observador] e não um dado da natureza, não podemos concordar que ela seja um recurso não renovável‖. Ou seja, o turismo, para acontecer, apropria-se dos lugares, consome suas paisagens, 7 O espaço-consumido, porém, não forçosamente destruído, implica que a produção turística não obedece às leis de produção econômica tradicional; o espaço turístico se cria e recria como valor de uso (e também de troca) sem que sua destruição seja obrigada, ainda que às vezes ocorra (tradução livre). 34 promove relações e interações, temporárias e permanentes, estabelecendo articulações lugar-mundo, através da inserção dos lugares turísticos numa rede ampla e complexa. O turismo atual, segundo as estatísticas da OMT e de outros organismos internacionais e diversos estudos recentes, passa por um processo de reestruturação, gerado por uma nova forma de vida que a sociedade atual vem buscando, o que vem fazendo surgir o chamado turismo alternativo (NICOLÀS, 1996, p. 5). Trata-se de um modelo que propõe viagens mais curtas, mais individualizadas (pequenos grupos), voltadas para o contato com a natureza (turismo ecológico) e com as comunidades locais (turismo rural e cultural). O turismo de massa continua respondendo, quantitativamente, pela maioria dos fluxos de demanda, mas assiste-se a uma tendência crescente de segmentação dessa demanda, com o surgimento de um turista mais consciente, mais exigente, menos passivo e mais preocupado com a qualidade das suas experiências durante a viagem. Seria o caso do turista da melhor idade. Como exemplo de segmentação da demanda por faixa etária, no Brasil, cita-se o programa ―Viaja Mais Melhor Idade‖ uma iniciativa do Ministério do Turismo com o objetivo de facilitar e estimular brasileiros acima de 60 anos a viajarem pelo país e também minimizar a ociosidade dos equipamentos turísticos, na baixa estação através da oferta de pacotes especiais e descontos exclusivos dos prestadores de serviços que aderem ao programa: meios de hospedagem, agências de viagens, restaurantes, casas de shows, transportadores turísticas etc. O Programa fortalece o turismo interno, gera benefícios por todo o País, o que representa também um importante vetor de expansão do turismo interno, além de promover a inclusão social dos idosos, graças à organização de pacotes customizados para a melhor idade e descontos especiais. Teresina também se inclui neste programa. Conta com dois Clubes da Melhor Idade e também com uma agência de viagens que trabalha especificamente com este público; além de servir de pernoite para grupos de pessoas que se deslocam de outras cidades da região nordeste para a região norte e vice-versa. Constata-se assim que o roteiro turístico histórico cultural a ser sugerido neste trabalho possibilitará a permanência destes grupos por dois dias na cidade de Teresina. .Ainda segundo a OMT, enquanto o turismo de massa cresce a uma taxa anual média de 5%, o turismo segmentado (alternativo) vem mantendo uma taxa anual de crescimento acima de 10% nos últimos anos. 35 Esse novo perfil da demanda turística está exigindo dos operadores turísticos e dos gestores das áreas receptoras a criação de produtos especializados que permitam ao turista uma vivência no lugar visitado mais ativa, onde sejam possíveis contatos diretos, sem barreiras, com os habitantes locais e o estabelecimento de relações pessoais entre eles. O turista deixa de ser o invasor, o intruso, o estranho (KNAFOU, 1996) e passa a ser o outro para o habitante do lugar, enquanto esse passa a ser o outro para o turista, ambos com formações e informações culturais distintas e interessados na troca mútua de experiências. É através do revigoramento do conceito do turismo como um momento de encontro de alteridades que é possível a troca de experiências socioculturais e o enriquecimento pessoal, tanto do turista como do anfitrião. Ou seja, o turismo acontecendo como fenômeno sociocultural e não apenas como atividade econômica. Entretanto, esse lugar turístico só é passível de existência a partir do momento em que entendemos o turismo como fenômeno sociocultural complexo, no qual seus agentes e componentes existam num jogo constante de interações, e cada um é, ao mesmo tempo, causa e efeito no círculo do processo. Assim, não apenas o turista é sujeito. No momento do encontro com o habitante do lugar, ambos (turista e lugar) são sujeitos no processo de interação consciente com o outro. Não há aqui a relação positivista reducionista sujeito-objeto; pelo contrário, a relação é dialógica e apresenta uma circularidade construtiva (MORIN, 1999), carregada de uma grande dose de ordem-desordem e de incertezas. Até porque o perfil do turista mudou. Prova disso é o visitante recém-chegado em Teresina. Embora tenha vindo com um propósito definitivo, ele encontra muitas razões para permanecer e consegue dar maior objetividade à sua visita ao encontrar facilidades, como equipamentos turísticos confortáveis e preços competitivos. Além disso, a cidade dispõe de uma oferta diversificada, tais como, monumentos preciosos: o prédio da Estação Ferroviária, a Ponte João Luís Ferreira; históricos templos religiosos, como as Igrejas São Benedito e Nossa Senhora do Amparo e muitos atrativos que manifestam a cultura popular, a exemplos do folclore, da gastronomia, das danças, da música, da literatura, do teatro, e das lendas. Isso faz com que turista e lugar se misturem numa troca de experiências. É no território onde o turismo se realiza que acontecem as experiências, onde há a ocorrência de interações e inter-relações temporárias entre o anfitrião e o turista, aos quais irão permitir um contato direto, sem barreiras (físicas ou simbólicas) entre eles, o 36 reconhecimento da existência do outro, recíproca e simultaneamente, onde o cotidiano se torna possível, produzindo novas espacialidades a partir de uma relação dialética entre uma ordem global e uma ordem local. Para o turista, essa experiência proporciona um crescimento pessoal e a satisfação das expectativas, sonhos e ansiedades que o levarão a estabelecer sua viagem. A viagem torna-se um momento de aprendizado, de crescimento. Para o habitante, o anfitrião, a experiência irá propiciar, além do seu crescimento pessoal interior, a consolidação da sua identidade com o seu lugar e a consciência de todas as possibilidades do seu cotidiano. A interação com o turista torna-se um fator de fortalecimento e de recriação da sua noção de pertencimento ao lugar. Parafraseando Milton Santos (1996), entende-se o lugar turístico como o lugar onde os fragmentos das redes mostram sua dimensão social concreta, pois é nele que o fenômeno turístico ocorre, solidária e repetitivamente, fruto da diversidade e das incertezas das relações entre a população local residente e os turistas 1.5. Sobre Patrimônio No Brasil, a preocupação com o patrimônio surgiu ao final dos anos 30, em atenção a uma proposta de política de preservação do patrimônio brasileiro, encaminhada ao governo federal por intelectuais e artistas brasileiros ligados ao movimento Modernista que teve como representante principal o escritor Mário de Andrade, proposta esta que, elaborada com base na política patrimonial já existente na França, considerada marco inicial da forma moderna de proteção do poder público aos bens culturais definidos como memória da nação, ou seja, como patrimônio (BOTELHO, s.d). Daí surgiu o Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/SPHAN, hoje, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN organismo federal de proteção ao patrimônio. A sua criação chamou atenção para o início do despertar de uma vontade em proteger os monumentos históricos nacionais, que datavam do século XVII, e tinha como missão institucional promover e coordenar o processo de preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro para fortalecer identidades, garantir o direito à memória e contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do país (idem). Em 2004, o IPHAN passou por uma reestruturação, quando o Estado do Piauí foi administrativamente separado do Ceará, constituindo-se na nova 19ª Superintendência 37 Regional, através da Portaria nº 209 de 28 de maio de 2004, que em 2009 se tornou a Superintendência Estadual do IPHAN no Piauí, IPHAN-PI. Esta mudança corroborou o projeto político de expandir a presença do IPHAN no território nacional e, no caso do Piauí, permitiu melhorar a preservação e proteção dos mais de 700 sítios arqueológicos pré-históricos espalhados pelos 120 mil hectares do Parque Nacional da Serra da Capivara e suas imediações, com riquíssimas fauna e flora, grande beleza natural e um inestimável conjunto de pinturas rupestres, maior representante do patrimônio histórico-cultural piauiense. Até o ano de 1975 as ações governamentais de incentivo à cultura concentravam-se na Secretaria de Cultura do Estado. A partir de então, foram criadas mais duas instituições, com atuações específicas: a Fundação Cultural do Piauí, com atuação principalmente no resgate das manifestações folclóricas e da memória do Estado e a Fundação de Assistência Geral aos Desportos do Piauí - FAGEPI, com o objetivo de fomentar o esporte piauiense nas mais diversas categorias. Em 1997, foi criada a Fundação Estadual de Cultura e do Desporto do Piauí - FUNDEC, através da fusão dos dois órgãos FAGEPI e FUNDEC. Em 2003, aconteceu a separação das fundações, e que permanece até os dias atuais, criando-se então a Fundação Estadual de Esportes do Piauí – FUNDESPI e a Fundação Cultural do Piauí FUNDAC, esta com o objetivo de promover, desenvolver e divulgar a cultura do Estado através de diversos mecanismos, como leis de incentivos a Casas de Cultura: como o Museu do Piauí, Arquivo público, Biblioteca Estadual Cromwell de Carvalho, Theatro 04 de setembro, entre outros, que remetem ao patrimônio histórico-cultural da cidade. O trabalho de preservação do Patrimônio Cultural Piauiense tem sido desenvolvido em três níveis: Federal, estadual e municipal. Nível Federal – atua em Teresina o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN e desenvolve um trabalho, principalmente, na área de cadastramento de sítios arquitetônicos e arqueológicos, bem como serve de mediador entre projetos estaduais de restauração e o Ministério da Cultura - MINC. Nível Estadual – atua a Coordenação de Registro e Conservação, vinculada à Fundação Cultural do Piauí - FUNDAC que desenvolve um trabalho de cadastramento do acervo cultural, propostas de tombamentos, projetos de restauração, educação patrimonial e divulgação de informações às pessoas quanto à importância da conservação do Patrimônio Cultural Piauiense. 38 Nível Municipal – são poucos os municípios que têm uma preocupação com o Patrimônio Cultural local. A respeito da questão das políticas públicas voltadas para a preservação do patrimônio histórico da cidade, a Prefeitura Municipal de Teresina através da Fundação Municipal de Cultural Monsenhor Chaves – FMCMC, órgão ligado à Secretaria de Planejamento do Município – realizou várias tentativas de catalogação e caracterização dos prédios antigos no Centro. Grande parte do acervo histórico e cultural, tombado, nos três níveis oficiais, da cidade de Teresina, está contemplado no roteiro proposto por este trabalho na tentativa de repassar, de deixar transparecer às pessoas que irão praticá-lo as histórias de vida e de uso deste espaço como das famílias que passeavam todos os domingos na antiga Praça da Bandeira, onde por vários anos funcionou um zoológico, e onde todos os anos na ―missa do galo‖ era montado um parque de diversões e o brinquedo mais atraente era a roda-gigante. Dessa maneira percebe-se que tais órgãos em nível nacional, estadual e municipal são vitais para a proteção do patrimônio histórico-cultural como um todo, fazendo-se cumprir as leis pertinentes e criando mecanismos de gestão desses bens, tão importantes para afirmar a identidade de um povo. 1.5.1. Turismo, cultura e patrimônio cultural A temática levantada nesse trabalho é de que, por meio da organização, análise e estudo da problemática abordada, a população perceba a importância do patrimônio histórico-cultural de Teresina e o valorize. Deste modo, será possível desenvolver o turismo cultural na cidade, possibilitando sua proteção e conservação. A partir desta colocação, remete-se à seguinte problemática: Como a ausência de reconhecimento e valorização do patrimônio histórico-cultural, por parte da população local, interfere no desenvolvimento do turismo cultural em Teresina? O termo Cultura se refere a um conjunto de crenças, comportamentos, valores, instituições, regras morais que permeiam e identificam uma sociedade, em um território e em um determinado período. Segundo Santos (2003), ―cultura é uma preocupação contemporânea bem viva nos tempos atuais‖. Uma preocupação em entender os muitos caminhos que conduziram os grupos humanos às suas relações presentes e perspectivas de futuro. 39 O conceito de cultura remete ao conceito de patrimônio cultural que de acordo com Funari e Pinsk (2005, p. 8), ―o patrimônio cultural pode ser identificado como tudo aquilo que constitui um bem apropriado pelo homem, com suas características únicas e particulares‖. No âmbito do tratado internacional da Convenção sobre a Proteção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural, que em 1972 foi aprovado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO, órgão que se propõe a promover a identificação, a proteção e a preservação do patrimônio cultural e do patrimônio natural de todo o mundo considerado especialmente valioso para toda a humanidade, o patrimônio cultural é composto por monumentos, grupos de edifícios ou sítios que tenham valor histórico, estético, arqueológico, científico, etnológico ou antropológico. Já o patrimônio natural significa as formações físicas, biológicas e geológicas, habitats de espécies animais e vegetais ameaçadas e áreas que tenham valor científico, de conservação ou estético. Considerando o patrimônio em seus aspectos cultural e natural, a Convenção lembra as formas pelas quais o homem interage com a natureza e, ao mesmo tempo, a necessidade fundamental de preservar o equilíbrio entre ambos. O patrimônio cultural que cada sociedade possui é utilizado na atividade turística com a denominação de atrativos culturais e se torna efetivamente um mercado a ser utilizado no segmento turismo cultural. Para a Organização Mundial do Turismo (2003, p. 106), ―uma motivação atual do turismo é a nostalgia ou o paralelo com sociedades antigas‖, em que afirma que a busca pela cultura de outros povos é uma tendência a ser explorada pelo turismo. Relacionando turismo com cultura, Barretto (2000, p. 19) define turismo cultural como sendo ―todo turismo em que o principal atrativo não seja a natureza, mas algum aspecto da cultura humana‖. Para Gastal (2002, p. 121) a relação que existe entre a cultura e o turismo é que ―a cultura apropriada pelo turismo é a cultura que gera produtos e manifestações concretas, sejam elas eruditas ou populares‖, observando as definições de Barretto e Gastal, conclui-se que a relação entre turismo e cultura é toda manifestação humana que é explorada pelo turismo. Já o patrimônio histórico refere-se a um bem móvel, imóvel ou natural – que possua valor significativo para uma sociedade – podendo ser estético, artístico, documental, científico, social, espiritual ou ecológico. Outro foco de interesse são as construções representativas, que, por seus estilos, época de construção, técnicas construtivas utilizadas, constituem o patrimônio arquitetônico. 40 A história do turismo revela que o mesmo sempre mostrou certa peculiaridade, ao colocar uma cultura como uma de suas finalidades – idéia amplamente reforçada enquanto alternativa à banalização da viagem – perante a perspectiva meramente consumista de outras formas de turismo. Trata-se assim de procurar ser original em tempos de massificação e de produtos industrializados, transformando a experiência turística enquanto expressão da pesquisa da autenticidade típica do homem moderno. Hoje se entende que, além de proporcionar o conhecimento, os remanescentes materiais de cultura são testemunhos de experiências vividas, coletiva ou individualmente, e permitem aos homens partilhar uma mesma cultura e desenvolver a percepção de um conjunto de elementos comuns que fornecem o sentido de grupo e compõem a identidade social. 1.5.2. Patrimônio material e imaterial Não é recente o debate internacional, no âmbito das entidades multilaterais, sobre os direitos culturais dos povos. Os últimos 30 anos do século XX foram pródigos, inclusive no Brasil, nessa discussão principalmente entre vários autores: Silva (1998); Canotilho, (1992); Schier (2005); Benvenuti (1952); Sousa (2003); Candal (2002); Bobbio (1992); Medauar (1997), culminando, inclusive, na divisão ideológica em dois blocos: aquele que defendia que os direitos fundamentais eram os individuais – civis, políticos e de propriedade; enquanto o outro se aferrava na defesa de que os direitos coletivos - econômico, sociais e culturais, seriam superiores. Essa divisão, já no final do século XX, foi sendo superada pela idéia de que os direitos humanos são indivisíveis e, portanto, não se pode estabelecer uma hierarquia sobre quais são os de maior ou de menor importância. Assim, até mesmo no bloco ideológico de países que defendiam a sobreposição dos direitos individuais sobre os coletivos, a valorização destes ganhou força e consistência tanto em discurso, como em ação, no sentido da valorização, preservação e incentivo da cultura. Esse movimento teve forte apelo na construção das identidades nacionais e nacionalistas, mas com transbordamentos, com a formação de identidades regionais e locais. Reconhecidos anteriormente como ―direitos de segunda geração‖, os coletivos – aí inserido o direito cultural – foram assumindo nova roupagem, especialmente a partir 41 da consolidação dos direitos denominados de ―terceira geração‖ 8 (BENVENUTTI, 1994), notadamente representados pelo direito ambiental. A partir de então, fica cada vez mais nítida, para a sociedade, a compreensão de que não apenas a produção de conhecimento, as manifestações artísticas e históricas estão no rol da cultura de um povo. Paisagens, florestas, conhecimentos sequer ainda descobertos, mas existentes em forma de potencial, também devem ser protegidos como patrimônio de um povo, de uma nação, de uma cidade, estado ou país e, ainda, de toda a humanidade. Nesse sentido, a floresta amazônica é um exemplo de imenso patrimônio cultural brasileiro e da humanidade, além de poder ser vista tanto como patrimônio material, como imaterial. A Constituição de 1988, conhecida como Constituição Cidadã, estabelece, no artigo 216, que ―o patrimônio cultural brasileiro é formado por bens de natureza material e imaterial, tomadas individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: as formas de expressão; os modos de criar, fazer e viver; as criações científicas, artísticas e tecnológicas; obras, objetos documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico‖. Percebe-se, na letra da Lei, que o reconhecimento do conjunto de elementos que formam o patrimônio cultural material e imaterial tem uma relação intrínseca com a identidade de um povo, com a promoção do bem-estar e da cidadania. Por isso, mais que uma responsabilidade de cada pessoa, é essencial a participação do Estado e de suas instituições na criação, difusão e conservação desse patrimônio. Como o patrimônio cultural não se refere apenas ao legado das gerações anteriores, pois existe a dimensão viva do presente, da criação em si, da realidade que se modifica nos dias atuais e, também, nos potenciais culturais, o direito a essa cultura legado-presente-potencial tem uma relevância para o seu reconhecimento enquanto valor social e, portanto, os patrimônios culturais materiais e imateriais tornam-se referências fundamentais na instituição de novos valores, criações e culturas, 8 Para o autor, essa divisão ainda faz sentido no estudo histórico dos Direitos Humanos, mas não deve ser confundida com qualquer tipo de valoração entre a primeira e a última geração, mantendo-se a nova visão da indivisibilidade dos Direitos Humanos. 42 influenciando, no mundo atual da aldeia global, outras localidades em qualquer parte do planeta. Atualmente o patrimônio cultural é muito mais abrangente, não engloba somente os bens tangíveis como as obras arquitetônicas, esculturas, pinturas, cavernas, entre outros, mas também tudo o que é produzido pelos indivíduos em toda a sociedade como danças, gastronomia, entre outros. O IPHAN já utiliza desta perspectiva do patrimônio cultural e a produção intangível e tangível da sociedade. Daí a sua importância ser mais ampla do que para formação de uma identidade local, pois se reflete em outras culturas e se permite o diálogo – especialmente na atualidade, com as novas tecnologias de comunicação e a facilidade do fluxo de informação, que possibilita comunidades isoladas (do ponto de vista dos meios de transporte) conhecer outras culturas por meio da televisão, internet, rádio, entre outros. 1.5.3. Patrimônio, identidade e memória As teorias sociais apontam o indivíduo humano como em combate natural com os outros indivíduos que precisariam, portanto, de um contrato para garantir a pacificação e a coexistência em sociedade, pois, segundo Honneth (2003) ―toda teoria filosófica da sociedade tem de partir primeiramente dos vínculos éticos, em cujo quadro os sujeitos se movem juntos desde o princípio, em vez de partir dos atos de sujeitos isolados‖. O que se justifica, segundo o autor, porque ―[...] diferentemente do que se passa nas doutrinas sociais atomísticas, deve ser aceito como uma espécie de base natural da socialização humana um estado que desde o início se caracteriza pela existência de formas elementares de convívio intersubjetivo‖. (HONNETH, 2003, p. 43). Dessa forma, como os humanos são seres sociais, está na gênese dos mecanismos de formação da comunidade em geral, de transformação e de ampliação de formas primeiras de comunidade social em relações mais abrangentes de interação social a partir da intersubjetividade ética entre os seres humanos, sejam eles ou não componentes de um determinado grupo. 43 Esse processo de socialização e de construção de identidades é intrinsecamente conflituoso, mas tenderia, de acordo com Honeth (idem, p. 44) ao aprimoramento das relações sociais e à formação e reconhecimento das identidades individuais e coletivas. ―[...] A natureza ética alcança seu verdadeiro direito como um processo de negações a se repetirem, mediante as quais as relações éticas da sociedade devem ser sucessivamente liberadas das unilaterizações e particularizações ainda existentes: eis a 'existência da diferença', […] que permite à etnicidade passar de seu estágio natural primeiro e que, em uma série de reintegrações de um equilíbrio destruído, a levará finalmente a uma unidade do universal para o particular‖. Segundo o autor, o processo de socialização também é o de individuação, ou seja, de reconhecimento de si próprio, o que significa que a compreensão da identidade pessoal, individual é parte do processo da formação da identidade coletiva. Ainda, é nessa relação que se dá a formação de uma ―coesão orgânica no reconhecimento intersubjetivo da particularidade de todos os indivíduos‖. As relações sociais interpessoais são impregnadas da realidade cultural, num processo vivo de criação-recriação, que tem papel fundamental na formação da identidade e, segundo o autor, na coesão da sociedade, no bem-estar e, inclusive, no desenvolvimento social. O movimento de reconhecimento intersubjetivo e social é parte fundamental do processo de reconciliação pessoal e social, que permite os seres saírem do que outros autores chamam de ―estado de natureza‖, no qual os humanos tenderiam apenas à luta pela autoconservação, para entrarem num estágio de identidade que leva à coesão social e, portanto, a uma identificação coletiva. ―Doravante as relações éticas de uma sociedade representam as formas de uma intersubjetividade prática na qual o vínculo complementário e, com isso, a comunidade necessária dos sujeitos contrapondo-se entre si são assegurados por um movimento de reconhecimento. A estrutura de uma tal relação de reconhecimento recíproco é, em todos os casos, a mesma: na medida em que se sabe reconhecido por um outro sujeito em algumas de suas capacidades e propriedades e nisso está reconciliado com ele, um sujeito sempre virá a conhecer, ao mesmo tempo, as partes de sua identidade inconfundível e, desse modo, também estará contraposto ao outro novamente como um particular. […] O movimento de reconhecimento que 44 subjaz a uma relação ética entre sujeitos consiste no reconhecimento do patrimônio cultural um processo de etapas de reconciliação e de conflito ao mesmo tempo, as quais substituem umas a outras‖. (HONNETH, 2003, p. 47). O reconhecimento do patrimônio cultural sugere um processo simbólico de legitimação social e cultural de determinados conceitos, produtos, valores que conferem a um grupo um sentimento coletivo de identidade. Assim, toda construção patrimonial é uma representação simbólica de certa versão da identidade, de uma identidade construída pelo presente que a idealiza. Dessa forma, o patrimônio cultural compreenderá todos aqueles elementos que fundam a identidade de um grupo e que o diferencia dos demais. O elemento fundamental do patrimônio cultural, portanto, é seu poder de representar, simbolicamente, a identidade, a memória de um indivíduo, a memória coletiva. Em todos os níveis, a memória é um fenômeno construído social e individualmente, havendo uma ligação muito estreita entre a memória e o sentimento de identidade. Sabe-se que em toda atividade humana, a memória é social e pode ser compartilhada pelas pessoas, criando identidades coletivas, sendo materializada nas reminiscências e nos discursos individuais. As relações estabelecidas entre os indivíduos em suas representações do passado são mediadas por meio das memórias, mas não podemos nos esquecer que ―a elaboração da memória e o ato de lembrar são sempre construções individuais, em que pessoas e não um grupo inteiro é capaz de se lembrar da mesma maneira, sobre o passado‖. Pollak (1992) afirma que: ―a memória é um elemento constituinte do sentimento de identidade, tanto individual como coletiva, na medida em que ela é também um fator extremamente importante do sentimento de continuidade e de coerência de uma pessoa ou de um grupo em sua reconstrução de si‖. Tudo isto se aplica para a ―identificação‖ de grupos sociais ao longo de gerações, em busca de uma possível definição de sua cultura, através das memórias compartilhadas por seus pares, ou através da análise das memórias de um único sujeito, acompanhando a sua trajetória de vida. Aqui, segundo M. Pollak, no processo de mediação os elementos que formam a memória individual ou coletiva, são os acontecimentos ―vividos pessoalmente‖ e, aqueles que ele denomina de ―vividos por tabela‖, ou seja, acontecimentos vividos pelo grupo ou pela coletividade à qual a pessoa se sente pertencer. Esses acontecimentos dos quais nem sempre o indivíduo participou, devido à força do imaginário coletivo, 45 ganham tamanha relevância que, ao cabo, se torna quase impossível que a pessoa consiga saber se participou ou não, daqueles acontecimentos. Assim compreendida, essa introspecção pode ir ainda mais longe: ―A esses acontecimentos vividos por tabela vêm se juntar todos os eventos que não se situam dentro do espaço-tempo de uma pessoa ou de um grupo. É perfeitamente possível que, por meio da socialização histórica, ocorra um fenômeno de projeção ou de identificação com determinado passado, tão forte que podemos falar numa memória quase que herdada‖. (Pollak, 1992) A relação patrimônio / identidade / memória apresenta-se, portanto, como chave para a compreensão da importância do patrimônio cultural material e imaterial nas sociedades. Além disso, fica claro, que não apenas os grupos locais se valem do reconhecimento identitário, mas evidencia a relevância da proposta deste trabalho - um roteiro histórico cultural para a região central de Teresina – a participação ativa, onde as pessoas vivenciarão através das memórias transmitidas pelas edificações, monumentos, praças, pelas trajetórias de vida que se refletem no ambiente do lugar, e ainda, associado a tudo isso, propicia a preservação e conservação de estruturas, instalações e equipamentos já implantados. É como o Sr. Ernane Clark, funcionário público aposentado, faz uma menção saudosista acerca do Centro da Cidade de Teresina ―antigamente as diversões daqui se restringiam à vida diurna e noturna do centro, com seus bares, casas de sorvetes, cinemas, teatro, casas de shows noturnos, passeios pelas praças, pela Avenida Frei Serafim... Era uma beleza‘‘, finaliza. 1.5.4. Patrimônio e turismo O fenômeno do turismo é, atualmente, uma atividade da qual nenhum país pode prescindir. Assim como as grandes aglomerações urbanas já dispõem de ordenamentos e planejamentos para assegurar a prática do turismo, localidades longínquas, também, buscam agregar essa importante área de emprego e renda a suas vocações econômicas. Teresina começa a despertar para esta realidade ao criar, na prefeitura, uma Coordenação Especial de Turismo com o objetivo de definir um planejamento para 46 realização de ações específicas voltadas à atividade turística. Entre as primeiras ações desta Coordenação, em 2009/2010, estão a formação de mão-de-obra qualificada, a realização do Inventário da Oferta Turística – um importante trabalho de diagnóstico do município que gera informações e subsídios para a definição de um planejamento – enfim, fomentando o crescimento turístico local. Esta relação do homem com a atividade do turismo existe há muito tempo, algo intrínseco culturalmente, mas antigamente as pessoas não tinham noção da importância dessa atividade, que nos oferece muitos benefícios, principalmente do ponto de vista da população residente que pode ter como legado as várias mudanças positivas do cenário urbano de suas cidades. O exemplo dessa afirmativa está no relato do Senhor Francisco Reis Farias, funcionário aposentado do Banco do Brasil, que se lembra de ―uma Teresina de antes e, a outra, dos dias atuais, pois em se tratando das melhorias de infraestrutura básica e urbana, a cidade está muito bem, uma vez que são necessárias as modificações tanto para seus moradores, como também para quem nos visitam, porém sem macular seus recursos culturais, valorosos para o turismo‖. O turismo cultural vem se tornando uma fonte cada vez mais sólida e, ao mesmo tempo, vem ganhando bastante crédito pelas comunidades, seja pelo aspecto educativo para os turistas, seja pelo incentivo à valorização dos produtos culturais locais, seja ainda, pela diversificação das fontes de turismo, permitindo a incorporação de novas rotas oportunizando que outras comunidades passem a conquistar os benefícios econômicos proporcionados por essa atividade. Esse segmento turístico apresenta-se como uma alternativa às rotas já saturadas e, também, como opção aos ―paraísos‖ do litoral, um tanto quanto ameaçados pela ação predatória do homem. Mas também abre uma gama de problemas, como a dicotomia da devastação-preservação dos patrimônios, a intervenção que o turismo promove nas genuínas manifestações, o artificialismo das ações e produtos culturais a partir da participação do turismo, entre outros. O modo como a atividade turística foi implementada em muitos lugares mostrou-se danoso ao patrimônio cultural ou ineficaz, como aconteceu em Morro de São Paulo-BA, que com o advindo da atividade turística, a ação dos agentes imobiliários provocou alterações no espaço, devido ao surgimento de novos grupos sociais interessados em implementar atividades de lazer, impulsionou a especulação imobiliária e o espaço tomou novas características à medida que a própria sociedade se modificava diante das exigências da nova realidade. Isso se deveu, muitas vezes, à falta 47 de recursos humanos especializados, visitação descontrolada, desrespeito em relação à identidade cultural local – com a imposição de novos padrões, ou, ainda, pelo despreparo do próprio turista para a experiência turística cultural. Os problemas, entretanto, não invalidam essa nova atividade com enorme potencial econômico e de desenvolvimento. Ao contrário, a identificação das dificuldades é o primeiro passo para o planejamento e adequação da atividade turística aderente aos objetivos do turismo cultural. A exemplo da proposta de Neuma de Moura Horta, em sua Dissertação de Mestrado, no Centro de Excelência em Turismo - Universidade de Brasília / CET/UNB, em 2009, de realização de um projeto piloto – um curso ―Atrativos turísticos de Belo Horizonte‖, com o objetivo de oferecer aos funcionários da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte S.A - Belotur a oportunidade de conhecerem os atrativos turísticos da cidade de Belo Horizonte, o que certamente melhorou a qualificação dos funcionários da Empresa, o que reflete no contato com o turista e que, serviu de modelo para ser aplicado a outros públicos. 1.5.5. Turismo, cultura e patrimônio O turismo é a atividade que mais sofreu influência do fenômeno da globalização. A evolução tecnológica encurtou as distâncias, a política de livre comércio, circulação de bens e pessoas facilitou as viagens internacionais e dinamizou a economia. O acesso a mais informações despertou a curiosidade e o interesse a culturas diferentes e distantes. O turismo e a globalização não só despertaram a curiosidade por novos lugares, situações e experiências, como também criaram meios para que esta atividade ocorra. Ele e a cultura, no contexto da globalização, criam oportunidades de preservação da identidade cultural e dos bens patrimoniais de uma comunidade, pois este é um grande diferencial de mercado e atrativo turístico, e assim promove uma melhor oferta para a demanda turística. Por um lado, o fluxo turístico promove mecanismos de preservação e conservação da cultura e bens patrimoniais. Por outro, pode ocasionar a aculturação da comunidade e possível estrago dos bens patrimoniais, que não é bom para o turismo e muito menos para a comunidade receptora. Segundo o Ministério do Turismo (2007), 48 ―O turismo cultural compreende as atividades turísticas relacionadas à vivência do conjunto de elementos significativos do patrimônio histórico e cultural e dos eventos culturais, valorizando e promovendo os bens materiais e imateriais da cultura‖. Assim, esse segmento favorece a preservação cultural, estimula os agentes culturais a promoverem recursos para atrair demanda turística, principalmente, considerando a viagem como o deslocamento de pessoas de seu lugar de residência para outro, independente da distância percorrida. Isso leva o turista a entrar em contato com uma realidade diferente da sua, pois, no encontro de culturas diferentes ocorre o processo de aculturação, e no confronto entre receptores e visitantes há a demonstração cultural, definida por Burns (2002, p. 126): ―O processo pelo qual as sociedades tradicionais, sobretudo aquelas particularmente suscetíveis a influências externas, como os jovens, tentarão ―voluntariamente‖ adotar certos comportamentos (e acumular bens materiais), acreditando que sua posse levará a conquista do estilo de vida descontraído e hedonista demonstrado pelo turista‖. Diante do exposto, percebe-se que a atividade turística, analisada sob o aspecto cultural, causa impactos positivos e negativos na comunidade receptora. Os efeitos positivos (benéfico econômico, social e cultural) são mais fáceis de perceber, pois aparecem de forma mais clara; enquanto os negativos, como absorção da cultura e costumes dos visitantes, vão modificando a cultura receptora com o passar do tempo. Segundo Camargo (2005) o relacionamento entre turismo e patrimônio se deu na época da revolução francesa, quando os revolucionários perceberam que os patrimônios históricos atraiam viajantes, e daí surgiriam benefícios econômicos. Nesse período surge o Grand Tour, viagens realizadas por jovens da aristocracia inglesa, com intuito pedagógico e de formação do homem culto, em sintonia com o entendimento da época de cultos e incultos. Ele esclarece que o Grand Tour tomará formas mais parecidas com as de hoje em 1765 e 1820 quando as viagens dos ingleses, que já viviam a Primeira Revolução Industrial e desfrutavam de tempo livre, ganham um caráter mais lúdico, e 49 começam a configurar períodos com mais fluxos turísticos, ou seja, surgem as temporadas de viagens. A industrialização e os avanços tecnológicos das décadas seguintes ao Grand Tour intensificam os deslocamentos de pessoas. A literatura de viagens iniciada naquela época se expande ainda mais, e, somada aos romances históricos, artigos de viagens, expedições científicas e guia de turismo valorizam e criam grandes fluxos turísticos aos patrimônios históricos relatados. A visitação aos patrimônios históricos, segundo Camargo (2005), ao mesmo tempo em que expõe esses patrimônios ao vandalismo, exige da gestão local a conservação para que o fluxo de visitas seja mantido, e que o conhecimento e a visitação sejam perpetuados nas próximas gerações. No Brasil, a percepção do patrimônio como atrativo turístico se inicia com a ascensão de Ouro Preto em 1933 a Monumento Nacional 9 (SIMÃO, 2006), no entanto, a atividade turística ainda era tímida pela condição econômica da maioria dos brasileiros e se agravava pela condição de transporte. Segundo Dias e Aguiar (2002, p.134): ―Turismo cultural é uma segmentação do mercado turístico que incorpora uma variedade de formas culturais, incluindo museus, galerias, festivais, festas, arquitetura, sítios históricos, performances artísticas e outras, que identificadas com uma cultura em particular, integram um todo que caracteriza uma comunidade, e que atrai os visitantes em busca de características singulares de outros povos‖. Turismo Cultural é hoje uma realidade para muitos municípios que buscam desenvolver-se de forma sustentável e agregar mais valor a sua cidade. Ao valorizar as manifestações culturais, folclóricas, artesanais e a arquitetura da cidade, o Turismo Cultural melhora a autoestima da população local. Mesmo assim, ainda podemos observar que há gestores públicos que não perceberam a importância do turismo para a melhoria da qualidade de vida da população. É o que afirmam Boiteux e Werner (2003, p.42 - 43): 9 Ouro Preto foi a primeira cidade do Brasil a receber o título de Monumento Nacional. O prefeito Ângelo Oswaldo conta que, em 1933, o então presidente Getúlio Vargas declarou, por meio de decreto, Ouro Preto como Patrimônio Nacional. O tombamento pelo Iphan veio em 1938. 50 ―O município é a estrutura mais importante da atividade turística. É a primeira célula: é ali que nasce a vontade de crescer turisticamente. As administrações municipais normalmente não atribuem a devida importância ao secretário de tal pasta ou acoplam a outras atividades, pela falta de visibilidade que o turismo parece dar. Ledo engano. Embora saúde, educação, esportes possam dar mais mídia, o turismo finca melhorias a longo prazo, se entendido como prioritário [...] A função do turismo é melhorar a qualidade de vida da população e analisar a oferta existente, para segmentá-la. Não podemos pensar que tudo é turístico, que basta um cassino ou um parque temático, mas a sensibilidade ética e profissional permite buscar soluções para viabilizar núcleos receptores, para demandas locais ou regionais, de acordo com o inventário turístico e a respectiva hierarquização dos atrativos‖. Ressalta-se que os atrativos em si estão relacionados com as razões que levam os turistas a viajarem, bem como a interpretação que eles fazem a respeito desses atrativos. Geralmente, quanto mais diferente é o atrativo, maior é o interesse que ele desperta no turista. Para a grande maioria dos brasileiros, que ainda considera a atividade turística como aquela relacionada à praia – Segmento de Turismo de Sol e Mar e por não valorizar da mesma forma o Segmento Turismo Cultural, também pelo fato de Teresina não apresentar esta primeira característica, pois não se localiza no litoral bem como pelo desconhecimento da relevância de seu patrimônio histórico até mesmo pelo próprio teresinense não se identifica no próprio morador da capital do Piauí algo que é fundamental para o desenvolvimento do turismo, que é uma forte identidade cultural – no qual o folclore, as danças e as músicas regionais são elementos importantes como fator de atratividade turística. Contudo, Teresina tem sido considerada uma capital apropriada para a realização de eventos regionais: Casa Piauí Design, Artes de Março, Encontro de Bois, Festival de Musica Chapada do Corisco, Encontro de Corais de Teresina, Semana da Moda de Teresina; os nacionais: Salipi, Piauí Fashion Week, Salão de Artes Plásticas e até mesmo os internacionais: Salão Internacional do Humor, promovidos por entidades de classe, instituições de saúde, governamentais, filantrópicas, culturais que promovem congressos, simpósios, dentre outros eventos. Mas, a inexistência de espaços para realização de grandes eventos, ainda é um fator limitante para a consolidação deste segmento, na cidade. Não obstante esta limitação verifica-se em Teresina uma 51 capacidade para a realização de uma quantidade considerável de eventos, apesar de não haverem pesquisas sobre números exatos, mas a cidade dispõe de boa estrutura de hospedagem e de locais de realização de eventos de pequeno e médio porte, consolidando assim como seu principal atrativo, ou seja, o principal motivo das pessoas optarem por Teresina. Teresina, além de estar se desenvolvendo como centro de referência para realização de eventos de negócios, tem sua atividade turística concentrada em torno de recursos naturais e atrativos histórico-culturais. Dentre esses atrativos estão o Museu Histórico do Piauí, agora conhecido como Museu Odilon Nunes; Centro de Artesanato Mestre Dezinho, Igreja Nossa Senhora do Amparo, considerada como o templo mais antigo (datada de 1852). Outro templo que chama a atenção pela beleza é a Igreja de São Benedito. No roteiro a ser proposto constarão as informações detalhadas, tais como forma de visitação, valores etc. Atrativos a mais são a Feira do Troca-Troca – que já serviu de inspiração para a música ―Teresina‖ do extinto grupo Candeia e que virou uma espécie de hino em homenagem à cidade; o Mercado São José, conhecido pela população como Mercado Central e/ou Mercado Velho; e o encontro dos rios Poti e Parnaíba, no bairro Poti Velho. A culinária teresinense também conta com um cardápio para agradar quem chega à capital. Os pratos típicos da região mais conhecidos e festejados são: o Arroz de Maria-Isabel (mistura de carne seca cozida com arroz), a Paçoca de Carne de Sol (carne misturada com farinha, socados no pilão), o Arroz de Capote (arroz cozido com pedaços de capote – galinha da angola), a Galinha Caipira ao molho pardo (galinha cozida no próprio sangue), Bode Assado na brasa, Bode Cozido no leite de coco, o Doce de Limão, Doce de Caju, Doce de Leite, entre outros; e as bebidas que são a cachaça mangueira, a cajuína – produto ímpar local, os sucos e licores de frutas regionais (caju, limão, bacuri, buriti, pitomba, umbu, ciriguela e murici). Em anexo, apresentamos algumas receitas que tem como elemento principal essas frutas. Neste contexto, como atividade econômica, o turismo sofre inovações constantes em face da competitividade e das exigências do fluxo turístico. Com isso, as empresas oferecem produtos segmentados destinados a uma clientela específica, como é o caso da elaboração de pacotes customizados para a melhor idade com descontos especiais em meios de hospedagens, em passagens aéreas, o que representa também um importante vetor da expansão do turismo interno visto que os turistas tendem cada vez mais a se 52 dividirem por diferentes mercados, o que favorece o rápido crescimento do turismo de interesse social especial. O turismo destaca-se, assim, como uma ferramenta para promover e divulgar a cultura e os patrimônios históricos e culturais de uma sociedade, constituindo, junto ao patrimônio natural, um atrativo. Desta maneira, a atividade turística passa necessariamente, pela questão da tradição local e regional, e reforça a necessidade de compreender as suas peculiaridades, admirar a complexidade e estimular a participação da comunidade. Optou-se, neste trabalho, por abordar o turismo como um fenômeno típico da sociedade capitalista atual, resultado de políticas e práticas socio-espaciais, geradoras de territórios e territorialidades que ―turistificam‖ lugares. Assim, são analisadas as áreas receptoras, locus de produção e consumo do produto turístico, enquanto protagonistas de uma rede complexa, visualizados como lugares turísticos. Nos anos 50 a 70, o turismo despontou, no Brasil como uma atividade que crescia numa escala sem precedentes. Nessa época ocorreu o ―boom‖ do turismo, como consequência da estabilidade social e da expansão do ócio e da cultura vivida no ocidente. Surgiu a denominada sociedade do bem-estar, que, já com suas necessidades básicas supridas, buscavam a satisfação de novas necessidades. Foi através do contexto vivido nesse momento que se iniciaram as viagens com a finalidade de conhecer outros lugares, viagens por lazer, por descanso. Àquela época o povo piauiense, com maior ênfase o teresinense, já se deslocava para a região norte do Estado, a cidade de Parnaíba – o litoral, em busca de descanso, lazer etc. Nos outros Estados nordestinos como Bahia e Pernambuco esta atividade se desenvolvia mais fortemente. Os Estados nordestinos criam seus órgãos oficiais em tempos próximos: Em Pernambuco no ano de 1967, foi criada a Empresa Pernambucana de Turismo – EMPETUR, Na Bahia, 1968, foi criada a Empresa Bahiana de Turismo – BAHIATURSA, em 1968, nos Estados do Piauí e Ceará esta ação governamental aconteceu no ano de 1971 com a criação da Empresa de Turismo do Piauí – PIEMTUR e da Empresa Cearense de Turismo, respectivamente, e em 1973 foi crida a Empresa de Turismo do Rio Grande do Norte – EMPROTURN. O Piauí não era um destino procurado pelos turistas, haja vista nosso litoral ser pequeno (apenas 66 km) e naquela época só se dispunha de acesso rodoviário e de má qualidade. 53 O Governo Estadual, então criou, conforme Lei nº 3.007/71, de 28.06.1971, a Empresa de Turismo do Piauí – PIEMTUR10 com o objetivo de fomentar e qualificar o Estado para o desenvolvimento do turismo e posteriormente construiu hotéis em sete municípios: Altos, Campo Maior, Barras, União, Demerval Lobão e José de Freitas, considerados de localização estratégica, abrangendo as regiões sul, centro e norte no Estado com o objetivo de propiciar às pessoas a opção de permanência nestes locais nos seus deslocamentos internos. Teresina, por ser a capital, e, consequentemente, o município mais desenvolvido, com uma infra-estrutura já instalada, ganhou o Hotel Piauí e gradativamente foi se consolidando como portão de entrada de turistas, no Estado – o que oportunizou a permanência dos mesmos, por alguns dias na cidade. Segundo informações do Sr. Anchieta Correia, um dos primeiros presidentes da Empresa de Turismo do Piauí - PIEMTUR, posteriormente Piauí Turismo, foi a partir da criação de um órgão oficial para tratar exclusivamente dos assuntos pertinentes ao turismo que tal segmento se consolidou no estado do Piauí. Em entrevista (on line) 11, o presidente foi questionado sobre a motivação do então governador Alberto Silva sobre a criação da referida empresa de turismo e se os Estados vizinhos já estavam inseridos no turismo oficial através de organismos estaduais ou empresas de turismo. Para o presidente, ―O Eng. Alberto Silva sempre foi um grande idealista e empreendedor, dotado de notável descortino. Ele assimilou a importância da empresa de fomento ao turismo e tomou a decisão na hora certa. Em menos de seis meses a Empresa estava criada, sob a forma jurídica de uma Sociedade de Economia Mista... As empresas oficiais de turismo do Nordeste12 surgiram praticamente todas na década de setenta (1970). [...] No fim da década, todos os Estados contavam com as suas empresas de fomento ao turismo, adotando o modelo do Governo Federal, que havia criado a (Empresa Brasileira de Turismo, posteriormente, Instituto Brasileiro de Turismo) EMBRATUR. ―Ao longo desses trinta anos aconteceram muitas 10 A PIEMTUR foi extinta em dezembro de 2010, ficando suas atribuições a cargo da Secretaria de Turismo - SETUR, órgão criado em 02.04.2007. Em anexo, o documento. 11 12 Disponível em http://www.terraquerida.com/ acesso em: Empresa de Turismo da Bahia – Bahiatursa/BA, Empresa Pernambucana de Turismo - EMPETUR/PE, Empresa de Turismo do Rio Grande do Norte - Emproturn/RN. 54 modificações e algumas empresas chegaram a ser extintas, mas a PIEMTUR permaneceu até agora, numa demonstração de que foi bem nascida e mantida‖. Percebe-se, com isso, que o idealismo do governador da época foi um grande avanço para o desenvolvimento do turismo no Piauí. A fundação da PIEMTUR era baseada não só em projetos idealistas de um sonhador, mas também em uma perspectiva de crescimento e reconhecimento do Estado como um local de investimentos. ―[...] O funcionamento efetivo ocorreu no mesmo mês, em dependência do prédio do Seminário Diocesano (Av. Frei Serafim), que havia sido alugado para funcionar ali a sede do Governo, provisoriamente. O Palácio do Karnak estava sendo restaurado e ampliado. Havia muito espaço e éramos apenas a Diretoria e três funcionários. Nessa época não existiam bacharéis em turismo, já que o primeiro Curso do país foi instituído naquele mesmo ano (1971) na Faculdade Anhembi Morumbi em São Paulo‖. (idem) Quanto às estratégias utilizadas para o desenvolvimento do turismo no Piauí, iniciado do ponto zero, o presidente afirma: ―É preciso deixar claro que o fomento à atividade turística não pode ser feito empiricamente, mas seguir metodologia adequada, específica a cada situação. Mas àquela época o entusiasmo superava tudo. Costumo chamar de período heróico do turismo do nordeste. Portanto, estas considerações são oportunas, para que se entenda que o trabalho de fomento ao turismo no Piauí teve sempre uma orientação técnica pragmática, baseada em experiências científicas, para poder valorizar os parcos recursos à época disponíveis‖. (ibidem). E ainda cita o aprendizado adquirido com o espanhol Domingo Hernandez Peña, um professor que ele teria conhecido na Faculdade Morumbi (SP): ―para desenvolver o turismo é importante ter sempre em vista dois caminhos principais: a) organizar a oferta e, b) incentivar a demanda. Equilibrar as ações nessas duas vias de modo a fazê-las crescer em harmonia.‖ (ibidem) Há que se considerar que esse equilíbrio constituía um grande desafio, como afirma Correia. ―E assim, tudo que se pensava em realizar passava por essa balança metodológica‖. Várias foram as ações para a concretização do sonho de inserir a capital 55 piauiense em um roteiro turístico, segundo depoimento. Foi a consolidação do Hotel Piauí, hoje Luxor Hotel que deu forma à premonição do governador Alberto Silva em elevar o turismo no Estado. ―O Hotel Piauí continuou a sua missão pioneira, sendo cenário de importantes eventos atraídos para Teresina, graças à sua existência e qualidade. E o empreendimento continuou em perfeito estado de conservação e operação, sendo recentemente transferido a um grupo hoteleiro local, que modernizou o equipamento, continuando a sua operação‖. O hotel ainda recebe muitos turistas e também sedia eventos. E, por ter localização privilegiada – ao lado da igreja Nossa Senhora do Amparo, no centro da cidade, tornar-se-á ponto de partida para o roteiro turístico proposto neste trabalho. Tudo isso reforça ainda mais a pertinência de elaboração deste trabalho de dissertação, visto que ele tem como objeto principal o uso de frações do território na cidade de Teresina. E que se deve atentar ser um trabalho voltado para alguns espaços, dentro de um contexto maior - o território, fugindo das ações pontuais, mas com a visão de um todo. Pois, se por um lado, o turismo tem suas mazelas, que não podem ser negligenciadas, por outro, ele é também capaz de promover algum desenvolvimento local. O tipo de desenvolvimento turístico que decorrerá em cada lugar, do qual ele se apropria, dependerá da capacidade das pessoas de exercerem a cidadania, intervindo nos processos políticos e de planejamento que engendram o desenvolvimento turístico. Esse exercício de cidadania, muitas vezes, depende de um sentir-se sujeito de um lugar e querer fazer parte da história desse lugar – o que passa, na grande maioria das vezes, pela noção de cultura e identidade, considerando o conceito de identidade como algo que se constrói ao longo dos tempos, na convivência diária com os aspectos culturais de um povo. Assim, sentir-se parte integrante de um todo, leva o sujeito a repensar seus costumes e valores. Isso é perceptível, de forma mais enfática, nos sujeitos que constituem a chamada ‗melhor idade‘, talvez pelo fato de se sentirem mais agentes no processo de construção identitária de seu lugar de morada, já que são eles os guardiões da memória e, consequentemente, da tradição de um povo, como se ressalta no capítulo a seguir, que se destina ao público escolhido para desenvolvimento deste trabalho. 56 Capítulo II PÚBLICO ALVO: VELHO, IDOSO, MELHOR IDADE A vida é uma viagem a três estações: ação, experiência e recordação. Júlio Camargo Segundo o Censo 2000, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de 60 anos ou mais de idade, no Brasil, era de 14.536.029 de pessoas, contra 10.722.705 em 1991. O peso relativo da população idosa no início da década representava 7,3%, enquanto, em 2000, essa proporção atingia 8,6%. Neste período, por conseguinte, o número de idosos aumentou em quase quatro milhões de pessoas, fruto do crescimento vegetativo e do aumento gradual da esperança média de vida. Trata-se, certamente, de um conjunto bastante elevado de pessoas, com tendência de crescimento nos próximos anos. Outro dado relevante fornecido pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD é a distribuição da faixa etária acima dos 60 anos na população residente no Brasil. Percebe-se que a maior porcentagem de pessoas concentra-se na faixa acima dos 70 anos, e que este crescimento também acontece no Piauí e em Teresina. A população de Teresina também está envelhecendo, seguindo a tendência nacional. Os números do IBGE mostram que, entre 2000 e 2007, a população idosa cresceu 4,55%, passando de 44.436 para 57.901. Esses dados servem de alerta para os empresários e prestadores de serviços turísticos se preparem para atender bem essa demanda de consumidores que vão precisar de produtos adequados e diversificados. E como a população idosa tem crescido muito, é natural que ganhe mais destaque na sociedade e, assim, o envelhecimento se torne um ―mercado de consumo‖ cada vez mais em alta, principalmente para a atividade turística, pelo perfil desta população que dispõe de tempo livre, condição financeira estável, mas na grande maioria, não tem companhia, problema este a ser amenizado com a participação em programas como os Clubes da Melhor Idade e com a prática de roteiros turísticos oferecidos. 57 É importante assinalar que o envelhecimento, por ser um fato biológico e cultural, deve ser observado sob uma perspectiva histórica e socialmente contextualizada, pois o processo de envelhecimento varia de acordo com as culturas, tempo histórico, histórias pessoais, condições de vida, profissão e outra série de fatores. Assim, o tratamento dispensado à velhice dependerá dos valores e da cultura de cada sociedade em particular, a partir dos quais ela construirá sua visão dessa última etapa da vida, conforme citam Pinheiro e Gomes (2007, p. 31). ―Envelhecer bem vai depender do equilíbrio entre as limitações e as potencialidades do individuo, o que lhe permitirá, com diferentes graus de eficácia, lidar com as perdas de capacidades ocorridas durante o envelhecimento. Se tais perdas limitam a aprendizagem de novas habilidades, de coisas novas, em contrapartida, a experiência de vida facilita a solução de problemas da vida prática, traz a capacidade de aconselhamento e a troca de experiências‖. Há que se considerar, segundo Eclea Bosi (1987), que, na velhice, ―[...] as escadas ficam mais duras de subir, mais íngremes, as distâncias mais longas de percorrer, as ruas mais largas e perigosas de atravessar, os pacotes mais pesados de carregar [...]‖, mas nem por isso se deixa de viver. Ao contrário, surge aí a necessidade de se reaprender a viver e a conviver com a nova realidade. Pois quanto mais se aprende mais a pessoa (o idoso) se mantém vivo. Em face da mudança na estrutura demográfica brasileira decorrente, em parte, do aumento da expectativa de vida, aos indivíduos mais velhos da sociedade estão sendo atribuídos novos papéis sociais. Tais mudanças levam, inevitavelmente, à discussão sobre o conceito de idoso. Da mesma forma, impõe-se o questionamento dos critérios estabelecidos socialmente para determinar a partir de quando um indivíduo passa a ser incluído na categoria de idoso. A abordagem da temática do envelhecimento inclui, necessariamente, a análise dos aspectos culturais, políticos e econômicos relativos a valores, preconceitos e sistemas simbólicos que permeiam a história das sociedades. Entende-se que envelhecimento é um processo vitalício. Porém, vale salientar que fatores socioculturais definem o olhar que a sociedade tem sobre os idosos e o tipo de relação que ela estabelece com esse segmento populacional. Dentro de uma visão biogerontológica, Papaléo Netto (2002, p. 10) elaborou o seguinte conceito de envelhecimento: 58 ―O envelhecimento (processo), a velhice (fase da vida) e o velho ou idoso (resultado final) constituem um conjunto cujos componentes estão intimamente relacionados. [...] o envelhecimento é conceituado como um processo dinâmico e progressivo, no qual há modificações morfológicas, funcionais, bioquímicas e psicológicas que determinam perda da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente, ocasionando maior vulnerabilidade e maior incidência de processos patológicos que terminam por levá-lo à morte [...]‖. Às manifestações somáticas da velhice – última fase do ciclo da vida, caracterizadas por redução da capacidade funcional, calvície e redução da capacidade de trabalho e da resistência, entre outras – associam-se a perda dos papéis sociais, a solidão e perdas psicológicas, motoras e afetivas. Talvez por isso o termo envelhecimento seja, muitas vezes, associado a doenças, que, como tal, acarreta despesas. Pinheiro e Gomes (2007), discorrendo sobre o papel do idoso na sociedade, apontam que o envelhecimento é uma questão cultural e que, muitas vezes, o uso de uma terminologia inadequada é que determina uma visão estereotipada dessa fase da vida. Ainda segundo os autores, o termo apresenta variantes de acordo com a região. ―No Brasil, os termos e as expressões que designam as pessoas idosas variam muito. Não há uma definição única. Pois mudam de acordo com a região e, principalmente, com o (pré) conceito que se tem acerca do envelhecimento. Por mais que se discuta a nomenclatura mais adequada para indicar esse período da vida, concordamos com Barreto (1997) quando a autora destaca a importância de se utilizar o termo velhice. A autora ressalta a necessidade de evitarmos expressões ―glamourizadas‖ que são, na realidade, uma forma de negação da velhice [...]‖ (idem, 2007, p. 29) É lícito observar que esse ponto de vista acarreta uma série de interpretações equivocadas, pois muitos relacionam o termo velhice a um estágio de inutilidade e impotência. Os autores concordam com o uso do termo – até por uma questão de aceitação da fase – mas apontam problemas em relação ao uso da palavra velho para se referir a esse público. Eles refletem ainda que ―a fuga do envelhecimento e a negação da velhice escondem um receio mais profundo, que é o medo da morte‖ (idem, 2007, p. 32) e que isso é mais perceptível nos mais jovens. Pensamento que é corroborado por Gomes (2004). Segundo ela, os idosos não têm tanto medo da morte quanto os jovens; o 59 que eles temem, na verdade é a agonia de uma doença e a possibilidade de um desamparo, estando eles doentes ou não. Percebe-se que, sob essa ótica analítica, prevalece a visão do envelhecimento no seu aspecto biológico e suas consequencias no campo individual. Muitos autores já exploraram esse assunto nessa perspectiva. Simone de Beauvoir (1990), por exemplo, acredita que só se falará em velhice quando, além da idade avançada, as deficiências e as perdas biológicas não forem mais esporádicas e contornáveis, tornando-se importantes e irremediáveis causando fragilidade e impotência. A visão de Domenico De Masi (2000) sobre essa questão é particularmente interessante. Ele enfatiza que a velhice se reduz aos últimos dois ou três anos que precedem a morte, que geralmente são marcados por inabilidades físicas e psíquicas. A argumentação que ele apresenta nesse sentido assinala uma forma diferenciada e particular de identificar a velhice, e afirma que: ―Basta observar a progressão das despesas médicas e farmacêuticas: no último ano de vida nós gastamos uma quantia equivalente a que tínhamos gasto [sic] durante toda a vida até aquele momento. E o último mês custa tanto quanto o último ano inteirinho. Portanto a velhice é calculada não a partir do ano de nascimento, mas tendo como referência a morte‖. (DE MASI, 2000, p. 275). Infere-se, dessa forma, que a visão do autor associa velhice a aumento de despesas. Carvalho e Andrade (2000), por sua vez, apontam que, no plano individual, envelhecer, de um ponto de vista demográfico, significa aumentar o número de anos vividos. Vale ressaltar que nem sempre a quantidade de anos vividos representa um aspecto positivo para as pessoas, pois, considerando um leque de problemas, envelhecer também representa descaso, abandono. Envelhecendo, a pessoa perderia a chance de convivência com os demais membros da família, pois, dadas suas limitações, não interagem com os mais jovens e, por essa razão, são deixados em segundo plano. De acordo com Bosi (1994, p. 77), ―a sociedade rejeita o velho, não oferece nenhuma sobrevivência à sua obra. Perdendo a força de trabalho ele já não é produtor nem reprodutor‖. Paralelamente à evolução cronológica, coexistem fenômenos de natureza biopsíquica e social, importantes para a percepção da idade e do envelhecimento. O que se percebe nas sociedades ocidentais é a associação do envelhecimento com a saída da 60 vida produtiva pela via da aposentadoria, considerando-se velhos aqueles que alcançam 60 anos de idade. Porém, para a Professora Cleonice Cardoso, aposentada de 65 anos, essa afirmativa não se encaixa, pois, ―a aposentadoria me oportunizou vivenciar outras experiências de vida, como por exemplo: ir ao cinema em qualquer horário, fazer caminhadas, participar de grupos de danças, passear pela cidade e até viajar mais, ou seja, não me sinto não produtiva‖. Assim, é difícil caracterizar uma pessoa como idosa utilizando como único critério a idade. Além disso, o segmento conhecido como terceira idade inclui indivíduos diferenciados entre si, tanto do ponto de vista socioeconômico como demográfico e epidemiológico. Moragas (apud REZENDE e CALDAS, 1988, p. 19) aponta que não é a quantidade de anos vividos que estabelece uma velhice digna, mas a qualidade de vida das pessoas. ―A idade constitui um dado importante, mas não determina a condição da pessoa. O essencial não é o mero transcurso do tempo, mas a qualidade do tempo decorrido, os acontecimentos vivenciados e as condições ambientais que a reordenam‖. Esse aspecto da qualidade de vida é um grande desafio não só para os idosos, mas para a grande maioria das pessoas adultas. Assim, uma vida saudável, desde a infância, proporcionará uma velhice com menos problemas de saúde – o que, de certa forma, acarreta mais benefícios para o idoso. Livre de doenças, ele passa a ocupar o tempo com outras atividades, principalmente aquelas que lhes dão mais prazer, como danças, passeios, atividades esportivas, trabalhos voluntários, dentre outras. Muitas vezes, o idoso procura preencher as lacunas deixadas pelo fim da atividade produtiva com certas atividades porque a sociedade não o considera mais uma pessoa apta a exercer determinados papeis. Isso acontece porque a sociedade e as pessoas, de um modo geral, nem sempre estão preparadas para lidar com esse novo público exigente e carente de respeito pela sua nova fase, pois a velhice é um fato e precisa ser encarada como um estágio natural da vida. Bosi (1994, p. 77) defende: ―Além de ser um destino do individuo, a velhice é uma categoria social. Tem um estatuto contingente, pois cada sociedade industrial é maléfica para a velhice. Nas sociedades mais estáveis um octogenário pode começar a construção de uma 61 casa, a plantação de uma horta, pode preparar os canteiros e semear um jardim. Seu filho continuará a obra‖. Infere-se, com isso, a importância da família na vida do idoso, bem como a relevância de seu papel para a sociedade, que nem sempre o reconhece, haja vista sua condição de ―velho‖. Ainda segundo Bosi (idem, p. 80), ―Durante a velhice deveríamos estar ainda em causas que nos transcendem, que não envelhecem, e que dão significado a nossos gostos cotidianos. Talvez seja esse um remédio contra os danos do tempo. Mas, pondera Simone de Beauvoir, se o trabalhador aposentado se desespera com a falta de sentido da vida presente, é porque em todo o tempo o sentido de sua vida lhe foi roubado. Esgotada sua força de trabalho, sente-se um pária, e é comum que o escutemos agradecendo sua aposentadoria como um favor ou esmola‖. Reiterando esse discurso, Parahyba (1998), enfoca que, relativa aos indicadores sociais deste grupo populacional, os diferenciais por sexo, educação e renda costumam ser bastante expressivos. Para efeito legal, idoso é a denominação oficial de todos os indivíduos que tenham sessenta anos de idade ou mais. Esse é o critério adotado para fins de censo demográfico, utilizado também pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelas políticas sociais que focalizam o envelhecimento. Como exemplo, cita-se a Política Nacional do Idoso (PNI). Mesmo reconhecendo que a idade não é o único parâmetro para definir o processo sociodemográfico do envelhecimento, o presente trabalho adotou para seu público alvo a denominação terceira-idade - que será composto de pessoas com 60 anos ou mais de idade. Ressaltam-se as orientações de Pinheiro e Gomes (2007, p. 29-30) sobre a problemática quanto ao uso da nomenclatura ideal (se é que há) para se referir a esse público. De acordo com eles, o uso do termo ‗idoso‘, em vez de velho, ‖[...] parece indicar respeito quando há referência às pessoas velhas, ou seja, aos atores da velhice‖. Já a palavra ‗velho‘, designaria um quadro de pobreza e miséria social, no qual são inseridas as pessoas pertencentes a essa etapa da vida. 62 ―O termo ―velho‖ é geralmente retratado em um quadro de pobreza e abandono, no qual o indivíduo é marginalizado, infantilizado e tratado, às vezes, como ―inútil‖. Como coisas velhas que não são recicláveis, são descartadas na sociedade do descartável, o velho aponta para esse paradoxo, que é filosófico, ético e também político. Como ele é humano e não pode ser lançado fora, a sociedade tem seus meios sutis de descartá-lo‖. (ibidem). Essa sociedade do descartável, das coisas líquidas, conforme apontam os teóricos da contemporaneidade, está cada vez mais dividida entre manter os laços afetivos com a pessoa idosa e privá-la da convivência familiar, como se percebe nos asilos, por exemplo. Muitas pessoas ―depositam‖ seus idosos nessas instituições e lá o deixam a mercê da solidariedade alheia. Em algumas famílias, conforme cita Loureiro (2004, p. 53), os idosos ficam lá no seu canto, ―[...] no seu silêncio imposto pelos sons mais jovens, que, para seus ouvidos talvez já moucos, são sons desusados e sem harmonia‖. Estes mesmos idosos são privados de direitos básicos do cotidiano, como o de serem vistos, pois ―[...] são segregados, isolados, impedidos de sentar-se à mesa, mesa esta que talvez eles mesmos construíram ou compraram‖. É importante observar, conforme Bosi (1994, p. 78), que ―a moral oficial prega o respeito ao velho, mas quer convencê-lo a ceder seu lugar aos jovens, afastá-lo delicada, mas firmemente dos postos de direção. Que ele nos poupe de seus conselhos e se resigne a um papel passivo‖ É válido ressaltar que esse aspecto que ora apresentamos sobre o idoso não constitui regra. Muitas famílias ainda consideram a importância dessas pessoas em seu convívio e ressaltam isso em seu cotidiano, principalmente transferindo às gerações mais novas a necessidade de respeitar e entender o valor de se valer do aprendizado adquirido com os idosos. E essa questão de associar idoso à doença é um campo delicado de se aprofundar, pois não há como negar o surgimento de doenças próprias da idade, mas, como em toda fase da vida, é algo que pode ser contornado se houver tratamento adequado. Ressalta-se que, mesmo doente, o idoso não é um objeto material desgastado pelo tempo. De acordo com Pinheiro e Gomes (2007, p. 31), ―Mais do que a própria doença em si – com seus sintomas desagradáveis, com os cuidados e medicamentos que exige em qualquer fase da vida –, é a maneira como ela é encarada pelo indivíduo que determina a possibilidade ou não de continuar com o seu cotidiano, seus planos e projetos e participar de novas ações‖. 63 Infere-se que a possibilidade de a pessoa idosa continuar desenvolvendo um papel ativo na sociedade depende de como ela é encarada por essa sociedade e isso passa por uma questão de respeito aos direitos de cidadão, acima de tudo. É preciso também que o idoso sinta-se acolhido e útil, pois só assim desenvolverá competências que muitas vezes são associadas às pessoas mais jovens a exemplo da prática da atividade turística, conhecer novos lugares, novas culturas etc. Conforme a OMT (2000), os principais fatores que motivam as pessoas da terceira idade a viajar são: recreação e entretenimento, bailes de salão ou folclóricos, lazer ou férias, convívio social e fazer amizades durante a viagem, a maioria prefere viajar com os amigos (muitas vezes a maioria de seus amigos encontra-se no próprio grupo de terceira idade). Preferem viajar no verão para praias em geral, de ônibus, hospedando-se em hotéis com uma estada em média de quatro a sete dias. Assim, os locais para viagem, preferidos pelas pessoas da terceira idade, são: praias; estâncias hidrominerais, termais ou climáticas com finalidades terapêuticas; áreas rurais e hotéis fazendas; reservas ambientais e ecológicas; cidades culturais ou históricas e lugares com neve (tradução nossa). Um grande aliado no processo de inclusão e socialização do idoso são os trabalhos voluntários. E aqui cita-se um trabalho desenvolvido pelos idosos em Teresina – os Agentes da paz13 – através do qual um grupo de idosos voluntários levam apoio psicológico e conforto às pessoas que chegam de outras cidades para serem atendidas na capital. É um projeto de humanização oferecido pela Prefeitura de Teresina, através da Fundação Municipal de Saúde e que é reconhecido pela sociedade, conforme se descreve a seguir: ―O projeto é executado pela FMS em parceria com a Secretaria Municipal do Trabalho Cidadania e Assistência Social (SEMTCAS) e envolve pessoas com idade mínima de 60 anos e muita experiência de vida. Ao todo são 125 agentes, sendo 85 da FMS e 40 da Semtcas, que ficam nas unidades de saúde em 2 13 O Agente da Paz é remanescente do projeto Agente Experiente e foi implantado na atual gestão municipal por determinação do prefeito Sílvio Mendes. O método foi inspirado em um modelo existente nos Estados Unidos, que deu certo em Teresina. Por sua metodologia, o projeto repercutiu nacionalmente, sendo divulgado pela Globo News e é bastante elogiado fora de Teresina quando exposto por técnicos da FMS. 64 dias da semana, durante meio expediente, orientando as pessoas sobre como proceder na hora do atendimento para evitar incômodos e estresse desnecessários (on line) 14‖. Esse projeto é uma troca de experiência e de valorização: o doente sente-se valorizado pelo idoso que o oferece apoio emocional e este, consequentemente, sente-se valorizado por desempenhar um papel social tão importante e tão caro em nossa sociedade individualista. ―É uma iniciativa voltada não só para os usuários das unidades, mas também para os idosos por oferecer ocupação e melhorar a auto estima deles, afirma a coordenadora do projeto, Jamila Emérito. Ela acrescenta que para trabalhar no projeto, os idosos devem se inscrever nos Centros de Referência e de Atenção à Saúde (CRAS) e passar por um processo seletivo. Os selecionados participam de capacitação sobre políticas de saúde, doenças endêmicas e outros conhecimentos necessários‖. (idem). Essa participação ativa, como se percebe, é um beneficio para toda a sociedade, pois, além de ressaltar a capital piauiense como centro de referência em questões de saúde, eleva a autoestima das pessoas que desenvolvem o trabalho, devolvendo-lhes a capacidade produtiva e, assim, despertando-os para outros trabalhos e/ou mesmo práticas de lazer, como (re) construir a memória de sua cidade através de uma atividade turística na qual a participação direta de cada um, através de suas lembranças possa ser reforçada, reiterando o que Bosi (1994, p. 60) defende sobre a memória dos velhos. Para a autora, através das lembranças das pessoas idosas, ―é possível verificar uma historia social bem desenvolvida: elas já atravessaram um determinado tipo de sociedade, com características bem marcadas e conhecidas; elas já viveram quadros de referências familiar e cultural igualmente reconhecíveis: enfim, sua memória atual pode ser desenhada sobre um pano de fundo mais definido do que a memória de uma pessoa jovem, ou mesmo adulta, que, de algum modo, ainda está absorvida nas lutas e contradições de um presente que a solicita muito mais intensamente do que a uma pessoa de idade‖. 14 Disponível em http://www.teresina.pi.gov.br/portalpmt/orgao/noticia.php?not_codigo=1107077&org_codigo=5; acesso em 17/12/2010, às 13:38. 65 Neste sentido é que se ressalta a importância de se pensar e executar um roteiro turístico também para esse público, pois eles, mais do que muitos historiadores, são detentores de um saber jamais adquirido em bancos de sala de aula ou mesmo em livros; eles guardam o tesouro maior que uma cidade pode oferecer: a memória viva do lugar. 2.1. Política pública de turismo para a melhor idade15, no Brasil A política de turismo voltada ao idoso, no Brasil, teve origem no projeto Clube da Melhor Idade iniciado em 1985 no Estado de São Paulo, lançado pela Secretaria de Esportes e Turismo – o Clube da Melhor Idade. Posteriormente o governo federal, desenvolveu a idéia, em âmbito nacional, através do Ministério da Indústria, do Comércio e Turismo (MICT), coordenado pela EMBRATUR, incluída na ―Política Nacional de Turismo e na Política de Atenção ao Idoso‖, criada pela Lei nº 8.842/94, regulamentada pelo Decreto nº 1948/96, que procurou propiciar a melhoria da qualidade de vida – pelo lazer e turismo – para brasileiros com mais de 50 anos. Daí surgiu a Associação Brasileira dos Clubes da Melhor Idade - ABCMINACIONAL resultado da mudança de nome da antiga Associação Brasileira dos Clubes da Maior Idade, criada em 1986. É uma sociedade civil, sem fins lucrativos de duração indeterminada, constituída pelas Associações dos Clubes da Melhor Idade em funcionamento em todo o País com o objetivo de proporcionar oportunidades reais de lazer, turismo e cultura, contribuindo para a valorização e melhoria da qualidade de vida dos idosos. Os Clubes da Melhor Idade são sociedades civis, sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, onde são programadas atividades artísticas, culturais, de lazer e recreação, bem como viagens preparadas por agências credenciadas pela EMBRATUR, a custos reduzidos. São centros de convivência, onde pessoas da mesma faixa etária se reúnem para ocupar seu ―tempo livre‖ da forma que mais lhes agradar. Os clubes promovem o congraçamento dos seus associados realizando reuniões e festas em datas comemorativas para incentivar a participação nas diversas atividades 1515 No Brasil, adota-se a expressão ―Melhor Idade‖ para o programa direcionado para maiores de 60 anos, dentro do conceito sociológico de existência de ―tempo livre‖, essencial para o desenvolvimento do turismo. 66 ocupacionais, como viagens, passeios, cursos, treinamentos, concursos, palestras, seminários, debates, espetáculos artístico-culturais, depoimentos de experiências profissionais, programas sociais e filantrópicos. Com a criação do Ministério do Turismo, em 2003, esta ação sofreu ajustes e adequações e nova nomenclatura - o programa ―Viaja Mais Melhor Idade‖ que tem como objetivo principal a inclusão social das pessoas acima de 60 anos, aposentados e pensionistas, proporcionando-lhes oportunidade de viajarem e conhecerem o Brasil, sua diversidade natural e cultural, sua gastronomia e sua gente e de usufruir dos benefícios da atividade turística, ao mesmo tempo que fortalece o turismo regionalizado através de três produtos: Programa ―Viaja Mais Melhor Idade‖ – Pacotes de Viagens – montados exclusivamente para os associados da melhor idade. São viagens customizadas de níveis turísticos, superior e luxo, com transporte aéreos e/ou rodoviário. A duração dos pacotes varia conforme o mercado e o destino, e poderá ser de três a oito dias; Programa ―Viaja Mais Melhor Idade‖ – Hospedagem – oferece exclusivamente para a melhor idade, desconto de 50% na tarifa praticada no Portal de Hospedagem 16 no período de baixa ocupação; Programa ―Viaja Mais Melhor Idade‖ – Passagens Aéreas – oferece descontos de 35% em passagens aéreas em parceria com a companhia Trip Linhas Aéreas S/A. Além de promover a inclusão social dos idosos, o ―Viaja Mais Melhor Idade‖ fortalece o turismo interno, gera benefícios por todo o País e proporciona a inclusão digital dos pequenos meios de hospedagem e ainda oferece aos associados descontos por meio do ―Vai Brasil‖ 17, um projeto do Mtur. 16 É uma ação que visa estabelecer condições diferenciadas para o público acima de 60 anos e/ou aposentados e pensionistas, com desconto de 50% na tarifa praticada pelo Meio de Hospedagem em hotéis credenciados. Atualmente este portal conta com dois mil meios de hospedagem em 588 destinos do País. 17 O VAI BRASIL é um projeto criado pelo Mtur – Ministério do Turismo, em parceria com a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo - BRAZTOA e a Associação Brasileira das Agências de Viagem – ABAV com o intuito de fomentar a comercialização de pacotes turísticos em períodos de baixa ocupação nos diversos destinos do Brasil. Os serviços turísticos do VAI BRASIL são disponibilizados ao público, com condições especiais de preços, por meio do website http://www.vaibrasil.com.br 67 Esse programa, hoje, é coordenado pelo Ministério do Turismo e comprova sua importância para o desenvolvimento do turismo brasileiro, pois contribui para minimizar os problemas da sazonalidade nos destinos turísticos, garantindo a ocupação dos equipamentos e serviços turísticos na baixa estação, bem como gerando, distribuindo e mantendo emprego e renda para o setor, dinamizando a economia local, e ao mesmo tempo, desenvolve sua principal finalidade: contribuir para a melhoria da qualidade de vida de brasileiros na Melhor Idade. No Piauí, o Clube da Melhor Idade - ―Nosso Espaço‖, é o único em atividade, no Estado, com sede na capital, Teresina. Encontra-se em fase de elaboração, na Secretaria do Turismo do Estado do Piauí, um projeto de incentivo à criação de novos Clubes da Melhor Idade nos municípios Altos, Campo Maior, Barras, Demerval Lobão, União, José de Freitas, Barras, União, Castelo do Piauí, Buriti dos Montes, que constará da realização de seminários direcionados a dois públicos específicos: às pessoas com idade acima de 60 anos com o objetivo de incentivar a criação de novos Clubes da Melhor Idade e facilitar o acesso destas pessoas a viajarem, de forma exclusiva e organizada, em um primeiro momento dentro do próprio Estado do Piauí e aos empresários do trade turístico para serem parceiros e incrementar a eficiência e qualidade de seus serviços na recepção deste público específico. É uma iniciativa importante visto que o turismo da melhor idade é um segmento que permite maior flexibilidade para administrar seu tempo livre, pode ser direcionado para os destinos nos períodos de baixa ocupação, tornando-se um grande aliado para minimizar as variações sazonais que sofrem a maioria dos empreendimentos turísticos. A operacionalização deste projeto certamente provocará no Estado um aumento do fluxo turístico interno. Certamente o roteiro proposto neste trabalho, será essencial para o destino Teresina. Amélia Sinimbú Santiago Viana, presidente do Clube da Melhor Idade ―Nosso Espaço‖, assim se manifesta sobre a criação de um roteiro direcionado para o público da melhor idade, em Teresina. ―Acho oportuna e necessária a sugestão deste roteiro para a cidade de Teresina. É uma oportunidade para o próprio teresinense conhecer o que a cidade tem para oferecer às pessoas que nos visitam, já que a maioria da população não tem 68 conhecimento da potencialidade dos recursos históricos e culturais de nossa cidade. É um roteiro plenamente aplicável, no primeiro semestre do ano, por ser menos quente - ao público a que é destinado – pessoas da melhor idade - é um percurso plano e interessante‖. Observa-se que há uma preocupação em aprimorar o turismo local e, mais ainda, procura-se dar uma atenção especial à saúde do público para o qual a atividade turística se destina e essa preocupação caracteriza a relevância do roteiro proposto. É importante ressaltar que esse público procura uma socialização através de programas que o valorize como pessoa e permita uma aproximação com culturas várias, principalmente a sua. É o que comenta a Senhora Conceição Atta, ―gostaria de participar desse roteiro, pois me propiciará um conhecimento maior sobre alguns locais de relevância histórica e cultural de Teresina, que no nosso dia a dia passam despercebidos. Acho essa iniciativa muito importante‖, desabafa. Observa-se também que a procura por programas sociais é uma tentativa de fugir do isolamento, mesmo inconsciente, que lhes é imposto. Muitas vezes, há um desejo de participação, mas falta incentivo e até companhia para desenvolver certa atividade, por isso, o turismo em grupo é sempre tão procurado pelo público da melhor idade. 2.2. Roteiros Turísticos Locais A principal finalidade do roteiro, a seguir apresentado, é de se tornar, em um primeiro momento, instrumento facilitador, a seu público alvo, de conhecimento e identificação dos recursos históricos e culturais da cidade de Teresina; recursos estes disponibilizados em uma estrutura que se caracteriza por combinar atividades físicas (caminhada) e conhecimentos históricos, culturais, associando uma gastronomia regional que devem ser conduzidas por guias especializados, seguindo uma ordem cronológica de surgimento dos atrativos a serem visitados. A proposta de roteiro, incluída neste documento, apresenta sugestões de roteiros de interesse específico: histórico cultural para a Melhor Idade. A relevância na implementação do mesmo se dá pela sua forma de elaboração: em conseqüência de vários anos de experiência profissional tanto na atuação de 69 planejamento, de elaboração e operacionalização de políticas públicas quanto de atuação na Academia, na orientação de alunos em práticas de reconhecimento e identificação da oferta turística, visitas técnicas, em trabalhos de campo, no contato com o turista, na percepção que a própria população não reconhece a importância deste potencial. Identificou-se assim, uma lacuna – a inexistência da oferta de um serviço que atendesse ao turista, ou mesmo a própria população de Teresina. Essas ações, de oportunizar o teresinense a redescobrir sua própria cidade, a disponibilização de um roteiro turístico, somada à valorização do artesanato e da cultura local busca a construção de uma imagem própria de destino um turístico detentor de uma oferta turística diferencial e fascinante, para o incentivo tanto à permanência dos turistas na cidade de Teresina quanto aos teresinenses em conhecer seu patrimônio histórico cultural e assim valorizá-lo. Miguel Bahl (2004, p. 96-7) aborda o tema roteiros turísticos nacionais sob a ótica de roteiros locais e interlocais. O autor ressalta ainda os elementos a serem considerados tanto pelo operador na elaboração do roteiro quanto pelo guia na operacionalização do mesmo, conforme descrito a seguir. Para o planejamento e execução de um roteiro turístico local, o autor aponta os aspectos a serem analisados pelo operador: ―Objetivos / Direcionamento (público-alvo, faixa etária, número de pessoas) / Título (nome de fantasia) / Atrativos / Dias e horários para visitação / Locais para compras / Refeições, taxas, ―shows‖ / Itinerário: pontos de interesse, distâncias, caminho a percorrer, quilometragem / Número de paradas / Transporte: automóvel, ônibus ( micro ou convencional), outros / Motorista(s) / Guia / Animação (atividade/material) / Duração / Horários (partida/da programação em si/chegada) / Programa (produto) testagem / Datas de partida (frequência) / Despesas operacionais (telefone, faz, impressos ETs.) / Divulgação / Preço / Comercialização (comissionamento e vendagem) / Avaliação‖. 70 A observância de tais aspectos gera confiança no roteiro turístico oferecido pela empresa e/ou guia, pois o público precisa saber o que está previsto no roteiro para que se programe adequadamente para segui-lo. Bahl também orienta, ao guia, algumas providências que devem ser tomadas para preparação da operacionalização do roteiro turístico, a saber: ―Identificar o perfil do grupo procurando informações sobre idade, alimentação e características médicas / Procurar sempre saber o nome das pessoas e sempre levar uma lista de todos / A transmissão das informações será feita através de aparelho de comunicação / Descobrir informações como origem, profissão e experiências anteriores / Essas informações auxiliam bastante na condução do grupo e também no controle do mesmo / Checar horários / Checar equipamentos das atividades previstas –, O que levar - folders, mapas. Kit cortesia_ (porta garrafa d‘água, boné, bloco de anotações, lápis, caneta) / Carregar o telefone celular / Checar veículo / Checar os primeiros socorros / Ingressos de visitação etc.‖. Ressalta-se a importância da qualidade visual e funcional dos atrativos culturais, que compõem a memória de uma localidade e que podem variar no tempo e no espaço, surgindo novas opções ou modificações em suas funções, mas que, em princípio, não deixam de exercer interesse de inclusão na elaboração de um roteiro. Neste trabalho intenciona-se observar estes aspectos e colocá-los a disposição do público através de um folder contemplando todas as etapas de nosso roteiro, conforme descrito no capítulo IV. Para melhor se entender o objetivo proposto nesse trabalho, apresenta-se, a seguir, uma descrição do espaço destinado à execução do roteiro turístico para o publico da melhor idade. 71 Capítulo III UM OLHAR SOBRE TERESINA Você me deixa tonto, zonzo Quase como um louco de encantamento Eu desanoiteço no seu todo de mulher No verde dos teus olhos de menina Teu olhar de querubina faz o sol me esquentar E quando é noite a lua nina Teresina Que desatina até o sol raiar18 A cidade de Teresina foi cuidadosamente planejada para ser a nova Capital do Piauí. Na época, o presidente da província, Conselheiro Saraiva escolheu, para instalação da cidade, um local ―alto e aprazível‖ à margem direita do rio Parnaíba, no topo mais regular do planalto que se forma entre as últimas curvas dos rios Parnaíba e Poti. Até então, a capital era Oeiras 19 – conhecida por Vila da Mocha – que, estando localizada na região semiárida, a aproximadamente 180 km do rio Parnaíba, dificultava a comunicação com toda a província, especialmente com o litoral piauiense, que já constituía um importante posto de comércio externo e interno. Apesar dos protestos da comunidade de Oeiras, a transferência da capital para Teresina (até então Vila Nova do Poti) tinha como motivação principal facilitar o comércio através do rio Parnaíba, que, sendo navegável, tornava-se uma importante e fundamental via de transporte para o desenvolvimento econômico, contribuindo para que a capital da província do Piauí deixasse de ser subordinada comercialmente à próspera cidade de Caxias, no vizinho estado do Maranhão. Em 1852, a Vila Nova do Poti é elevada à categoria de cidade com o intuito de transferir a capital da província para lá, com o nome Teresina. O nome da nova capital 18 Teresina - Composição dos piauienses Aurélio Melo e Zé Rodrigues, resultado de uma parceria de longos anos em homenagem à Teresina. A música hoje é reconhecida como o Hino sentimental de Teresina. 19 Situada na microrregião de Picos, Oeiras é uma cidade histórica e uma das mais religiosas do estado do Piauí. Tem origem numa capela fundada em 1695 e dedicada a Nossa Senhora da Vitória. O povoado foi elevado à vila e sede de conselho em 1712. Em 1759, tornou-se a primeira capital do Piauí, sendo elevada a cidade em 1761. Foi capital até 1851. Existem duas versões para o aparecimento da cidade: a primeira é que ela teria surgido de um povoado de índios domesticados, fundado por Julião Afonso Serra, em 1676 e a segunda afirma que Domingos Afonso Mafrense estabeleceu na localidade uma fazenda de gado chamada Cabrobó. 72 foi uma homenagem de Saraiva à imperatriz dona Teresa Cristina Maria de Bourbon e Bragança (esposa de Dom Pedro II), italiana, cujo diminutivo do primeiro nome era ―coincidentemente‖ Teresina. Para assegurar o povoamento da nova cidade, Saraiva convenceu os habitantes da Vila do Poti20 (hoje bairro Poti Velho) a se mudarem pra lá e nela fixarem suas novas residências. Nessa tarefa recebeu o apoio dos fazendeiros da região norte do Piauí, dos deputados provinciais e do Padre Antônio Mamede de Lima. Este já vinha sentindo a necessidade de ajudar seus fiéis a encontrarem um lugar a salvo das enchentes que, periodicamente, atingiam a Vila do Poti, trazendo-lhes problemas econômicos e de insalubridade, uma vez que aquela Vila se situava na confluência dos Rios Poti e Parnaíba. O local era conhecido como a Chapada do Corisco, devido à frequência da queda de faíscas elétricas. Dias (2006, p. 19), assim se pronuncia sobre essa mudança: ―A mudança da Capital de Oeiras para a vila do Poti, nas condições em que fora efetuada, sem contar com recursos suficientes, sem dispor de infra-estrutura básica, contra os reclamos da população oeirense que não queria perder a primazia, traduziu-se num feito heróico, pois Saraiva contava com poucos seguidores na antiga Capital, e tudo dependeu de seu carisma e poder de convencimento, que conquistou desde as primeiras horas a adesão dos potienses‖. Hoje a capital piauiense recebe um número crescente de turistas, que certamente é um público potencial para o roteiro a ser proposto adiante, e tem como predominância de motivação o segmento de negócios e eventos. A outra maior frequência dentre as motivações evidenciadas diz respeito ao tratamento de saúde - a cidade tornou-se um centro de referência de medicina para toda a região, haja vista que esta atividade se realiza através de constantes deslocamentos, numa ocorrência de retorno até três vezes em um único mês, sem deixar de levar em consideração, também as visitas anuais que são feitas pelos piauienses que vivem e estudam fora a seus familiares aqui residentes, 20 Antiga vila de pescadores localizada no encontro dos rios Parnaíba e Poti. Hoje é o bairro Poti Velho onde se localiza o Parque Ambiental ―Encontro dos Rios‖ e um dos principais atrativos turísticos da cidade o Pólo Cerâmico de Teresina, que está se transformando na menina dos olhos da capital do Piauí. O que antes não passava de fábricas de tijolos, telhas, potes e filtros para água, hoje oferece uma variedade incrível de modelos de vasos decorativos, esculturas e peças com design exclusivo e acabamento esmerado. 73 conforme cita Filho (2002). Contudo, embora tenha crescido muito nesses últimos anos, juntamente com a rede hoteleira, Teresina ainda não se consolidou como destino turístico. Como mencionado pela precariedade de espaços para realização de eventos de grande porte. O estratégico centro de convenções de Teresina, por exemplo, maior espaço destinado a esse fim, encontra-se em reforma há três anos e ainda sem previsão de término. 3.1. A ocupação do ambiente urbano de Teresina Discorrer sobre a evolução urbana de Teresina requer uma reflexão a respeito da urbanização do Piauí. Primeiramente far-se-á um percurso histórico pelo Estado e posteriormente discorrer-se-á sobre o desenvolvimento do espaço urbano da capital piauiense. A transferência da capital do Piauí, de Oeiras para Teresina, resultou em um maior desenvolvimento do Estado, em especial da nova capital. Teresina, cidade estrategicamente nomeada para sediar a capital do Estado, configura-se numa área onde a comunicação interestadual é mais viável, além de assumir importância nas decisões administrativas, políticas e econômicas. Sobre esse aspecto, Franco (1983, p.68) afirma que ―Teresina nasceu de um pequeno povoado para cumprir uma destinação importante na vida política, econômica e social do Estado‖. O fato de exercer a função de sede administrativa contribuiu para estimular as atividades comerciais e de serviços. Teresina passa então a comandar o processo de criação de novos municípios no Estado, assumindo a responsabilidade sobre a evolução urbana do Piauí de modo mais intenso. Inicialmente as influências da nova capital ocorreram de forma modesta. Somente a partir dos anos de 1940, houve uma acentuação gradativa do processo de expansão urbana em nível estadual e local, que se acelerou a partir de 1950, período fundamental para a construção da atual configuração do espaço urbano de Teresina. Contudo, só a partir das décadas de 1960 e 1970 é que a capital começou a ganhar expressão como pólo de atração populacional (COSTA FILHO, 2002). No que diz respeito à arquitetura, a nova capital do Estado apresentou-se, inicialmente, com um traçado planejado, onde os cruzamentos de suas ruas formavam ângulos retos. Esse traçado geométrico foi representado graficamente pela primeira vez em 1855. 74 Sobre essa organização, Costa Filho (2002, p.30-1) documenta: ―Apesar do controle da Coroa portuguesa, no sentido de direcionar o traçado das cidades e vilas, a história da urbanização no Brasil, tem indicado que a espontaneidade foi a regra, ruas estreitas e tortuosas, demonstram que foram as habitações que lhes fixaram o traçado e a largura, sem que obedecessem a nenhum plano urbanístico, crescendo ao deusdará. No Piauí, a área central das cidades de Oeiras, Campo Maior e Parnaíba, podem ser tomadas como exemplo, pois correspondem ao sitio inicial da vila. No caso da Vila Nova do Poti, o traçado urbanístico é resultado de um plano préestabelecido com suas ruas regularmente traçadas, em forma de tabuleiro de xadrez, seus construtores tinham noção exata do que faziam‖. Como Teresina foi planejada para ser capital, é natural que os projetos urbanísticos fossem traçados de forma a atender as necessidades momentâneas locais. Ainda assim, ―os dez primeiros anos de edificação da Capital foram de provocação para seus construtores‖. (DIAS, 2006, p. 19). O Estado, como principal agente produtor e consumidor do espaço geográfico, foi o grande responsável pela construção, ocupação e ordenação da cidade de Teresina. Os prédios históricos erguidos no início da construção do município obedeciam a um padrão colonial e sediavam instituições públicas, moradias das elites governamentais, comerciais e fazendeiros da época, além de armazéns às margens do rio Parnaíba, na Avenida Maranhão, zona portuária importante. Muitas das edificações situadas nessa área foram descaracterizados e/ou demolidos, a exemplo de várias casas da Rua Paissandu, do famoso Bar Carnaúba, na Praça Pedro II e outros que se encontram em péssimo estado de conservação. Algumas dessas edificações, antigas residências de pessoas da elite da cidade como a residência do Dr. Alcenor Almeida – dono do hospital reconhecido como o melhor de Teresina, cederam lugar a outras atividades comerciais e de prestação de serviços, como por exemplo, os de estacionamentos automotivos. No período entre a década de 1940 a 1970, a expansão da cidade ocorreu primeiramente na direção norte e, posteriormente, nas direções leste-nordeste e sulsudeste. As décadas de 1970 e 1980 marcaram o crescimento da cidade de Teresina alavancada pela implementação de projetos habitacionais financiados pelo Banco 75 Nacional de Habitação – BNH e executados pela Companhia de Habitação do Piauí – COHAB-PI, atual Agência de Desenvolvimento Habitacional – ADH. A intensificação dos fluxos migratórios para a capital, em razão de uma série de melhorias infra-estruturais, fez surgir muitos problemas de ordem política, socioeconômica e ambiental e a necessidade de uma maior intervenção no espaço, concretizada através da elaboração e implantação de estudos, de planos e códigos de postura para a ordenação e normatização do crescimento da cidade. O crescimento acelerado de Teresina em sua área urbana tem associação direta com o elevado número de imigrantes oriundos da zona rural do próprio município e principalmente dos municípios do Piauí, Maranhão, Pará e Ceará. Conforme mencionado, Teresina configura-se como um pólo de atração populacional por apresentar serviços de saúde e educação de qualidade, além de possuir infraestrutura energética, viária, e habitacional satisfatória em âmbito local. Desde sua fundação, apresenta, portanto, um crescimento contínuo, progressivo, acelerado e desigual. A produção e reprodução do espaço urbano pelos agentes imobiliários refletem a lógica de mercado a que estes estão submetidos, implantando na cidade novas centralidades e necessidades de novos serviços em áreas segregadas socioespacialmente (condomínios, shoppings centers, verticalização e novos conjuntos habitacionais) No entanto, mesmo em razão desse processo de descentralização, Teresina ainda aglutina no seu centro uma série de atividades econômicas, políticas e sociais importantes para dinâmica da sociedade e do espaço geográfico piauiense e para os demais Estados circunvizinhos. A região central, atualmente conta com quatro hotéis, algumas pousadas, bares, lanchonetes, sorveterias, vários restaurantes que atendem com qualidade o que permite a permanência do turista nesta área e a prática do roteiro histórico cultural. No período de sua formação, a população de Teresina era constituída por pessoas que vinham da Vila (Velha) do Poti e de Oeiras - a antiga Capital, por autoridades e componentes das funções administrativas do executivo, legislativo, judiciário e militares, além de outras vindas das áreas vizinhas, como Campo Maior (PI) e Caxias (MA). Como estímulo ao aumento da população da cidade, foram distribuídos terrenos localizados nas ruas planejadas, ficando muitas famílias com uma quadra inteira para suas residências que passaram a formar verdadeiros pomares urbanos. 76 A área construída correspondia à região, entre o Largo das Dores (Rua Santo Antônio, hoje Olavo Bilac) até o Rio Parnaíba; o Alto da Jurubeba onde ficava o cemitério antigo e hoje se encontra a Igreja São Benedito; a Rua da Estrela (hoje Desembargador Freitas) até o rio Parnaíba. Mas a área total do novo município, correspondia às terras da Vila Nova do Poti (que se transformara em Teresina) e a uma porção de área desmembrada de Campo Maior. Com a expansão, as fazendas foram incorporadas à cidade e a ocupação crescente das margens das estradas fez nascerem bairros com ruas e avenidas que iniciaram o processo de anomalia ao plano inicial da cidade de ruas paralelas e perpendiculares entre si, passando, com sua evolução, a perder esse traçado regular. Também foram surgindo os primeiros problemas de ocupação em relação à drenagem, pois com a expansão dos serviços de calçamento as lagoas e os vales dos riachos (chamados de ―grotas‖ ou ―grotões‖) foram sendo pavimentados formando as primeiras ―baixas‖ do relevo do sítio urbano, que entre outras podem ser citadas a ―baixa do Chicão‖ ao sul (hoje Av. José dos Santos e Silva), a “Baixa da Égua‖ ao norte (atual Praça Landri Sales) e a lagoa da ―palha de arroz‖ (hoje Praça Da Costa e Silva), no centro-sul. A partir da década de 1960, a população foi ocupando as porções mais elevadas dessa Chapada, para o Sul e para o Leste, bem como as porções de relevo mais baixo da zona Norte. A expansão para a direção Leste foi motivada principalmente pelos serviços que aí se instalaram – a construção da primeira ponte de concreto sobre o Poti (ligando a cidade a BR-343) e o Campus da Universidade Federal, paralelamente à instalação do Jóquei Clube (lazer voltado para a elite da cidade), e do Centro Social de Nossa Senhora de Fátima, da Arquidiocese de Teresina. A Zona Norte da cidade, principalmente depois da instalação do aeroporto e conjuntos habitacionais da Companhia Brasileira de Habitação - COHAB passou a ser ocupada pela população de menor poder aquisitivo. É de longo tempo também a extração de argila pelos oleiros do, hoje, bairro Poti Velho que, artesanalmente, fabricam telhas, tijolos e artefatos domésticos, e que veio a se consolidar como um dos principais locais de interesse turístico da cidade na produção de peças artesanais. A Zona Sul foi ocupada principalmente ao longo das vias de comunicação, seguindo as áreas mais elevadas do planalto, como a ―estrada do gado‖ (atual Av. Miguel Rosa). O primeiro bairro que se formou nessa região mais próxima do rio Poti 77 (que abriga vários bairros e ainda hoje é conhecida por Catarina) recebeu e permanece até hoje com o nome de ―Piçarra‖, por ter sido essa estrada aterrada com o material assim chamado pela população. No início, a vida da cidade estava toda focalizada no centro, que possuía como ocupação do solo as residências, os prédios institucionais da administração pública, os pontos comerciais, as praças, o Clube dos Diários, o Theatro 4 de Setembro e, posteriormente, os cinemas. Nesta localidade também estavam implantadas a zona boêmia, com seus bares e cabarés, bem como a zona do porto, ribeirinha ao Rio Parnaíba. Hoje, esta região é conhecida como Centro Cultural e foi, propositalmente, escolhida para operacionalização do roteiro turístico histórico cultural, pois lá se encontram as construções antigas que cedem seus espaços para atividades culturais, e que fazem parte do roteiro histórico cultural, proposto, tais como a Central de Artesanato “Mestre Dezinho”, antigo Quartel de Polícia, o Cine Rex e o Teatro 4 de setembro que formam o complexo cultural ―Clube dos Diários‖, todos localizados na Praça Pedro II, antiga Praça Aquidabã – que nos anos 50/60 era local de convergência da comunidade na prática do chamado ―footing‖, conforme depoimento de Genise Veloso, integrante da alta sociedade e frequentadora da praça àquela época: ―A Praça Pedro II era o ponto central de encontros da população teresinense principalmente dos jovens que ali se encontravam – depois da sessão do cinema das 18:00 horas, nos Cines Rex e 4 de Setembro – alguns acompanhados de suas mães, desfilando em giros, contrário aos dos rapazes ―no quem me quer‖...oferta, maldosamente, atribuída às carolas. A parte baixa da praça, passarela das moças de ―boa família‖, enquanto que a de cima, reservada para as mais sapecas, nem sempre em atitude corretas para a época. Muitos namoros ali se iniciaram e alguns chegaram aos altares (casamento). Às 21:00hs vinha (ouvia-se) o ―toque de recolher‖ dado pelo quartel de polícia (sediado na praça), que ―soltava a onça‖ e esvaziava a praça. E as famílias, sentadas nas calçadas, também se recolhiam‖. E, assim, Teresina nasceu como uma bela cidade. ―Emoldurada por dois grandes rios‖ que a abraçam e com formas de relevo que se elevam em topos planos, densas do verde, onde muitos pássaros habitavam formados pelos pomares particulares, praças e ruas arborizadas, era tão expressivo que chamava a atenção dos visitantes – o que levou o poeta maranhense Coelho Neto, no final do século XIX, a batizar a cidade de ―cidade verde‖. 78 3. 2. Aspectos geográficos Localizada na região centro norte do Estado do Piauí – em uma área conhecida por Meio-Norte, que constitui uma faixa de transição entre o semiárido nordestino e a região Amazônica – Teresina é a única capital do Nordeste situada no interior, a 350 km do litoral. É favorecida pelo fato de se encontrar em um importante entroncamento rodoviário do Nordeste, que interliga seus estados à região Norte, facilitando a comunicação com os principais centros urbanos das regiões Sudeste e Centro-Oeste, tendo como principais vias de acessos as BRs: 316 (São Luís / Teresina / Recife) e 343 (Floriano / Teresina / Parnaíba). A cidade apresenta os seguintes limites geográficos: Norte: União, José de Freitas Sul: Palmeirais, Monsenhor Gil, Nazária, Demerval Lobão e Curralinhos Leste: Altos, Lagoa do Piauí e Pau d´Arco do Piauí Oeste: Timon (MA). Em relação à área, Teresina ocupa a 8ª posição dentre as capitais brasileiras quanto ao tamanho da área territorial, menor apenas do que as áreas das capitais da região amazônica (com exceção de Belém). Isto, de certa forma, favorece o seu desenvolvimento econômico, particularmente do setor da agroindústria. No quesito relevo, a cidade, localizada em uma área de chapada, com relevo plano (com suaves ondulações), apresenta uma das mais baixas altitudes do Estado. O centro da cidade localiza-se em uma depressão, e na maior parte da área do município, o relevo é bastante plano, com destaque para a região do bairro Monte Castelo (zona Sul), onde se verificam as maiores altitudes, e as adjacências dos bairros Satélite e Vila Bandeirante (ambos na zona Leste), onde existem muitos morros. Sua vegetação predominante é a típica de Cerrado, representada por uma cobertura vegetal de médio porte e densa. Também se faz presente, com uma participação significativa da área do município, a vegetação de matas e de coqueirais (palmeira do babaçu), cujo produto além de ser matéria-prima para a fabricação de óleo, tem inúmeras utilidades, inclusive como combustível. Uma das grandes vantagens da cidade – o que, inclusive lhe facilitou a transferência da capital – é que o município é banhado por dois grandes rios: o Parnaíba que percorre (com altitude de cerca de 700 m), cerca de 1.480 km até a sua foz no 79 Oceano Atlântico, onde se bifurca em 5 braços, formando um grande Delta – o Delta do Parnaíba, com mais de 80 ilhas (Baptista, 1981, p.25) e rio Poti, um dos grandes afluentes do Parnaíba, drena uma porção da bacia hidrográfica desse rio, tendo sua bacia aproximadamente 50.000 Km2, o que corresponde a cerca de 16% da área total da bacia do rio Parnaíba. Teresina se encontra numa situação privilegiada em recursos hídricos, pois está situada na grande bacia do Parnaíba, permanentemente alimentada por águas subterrâneas oriundas de excelentes equíferos. Quanto aos mananciais hídricos subterrâneos, estes são também consideráveis, com excelentes condições de aproveitamento, e com água em geral, de muito boa potabilidade. Situado em zona de latitude baixa e nos limites da área semiárida do nordeste brasileiro, a capital apresenta clima tropical, dos mais quentes do Brasil e sub-úmido do tipo seco. As temperaturas registradas são elevadas durante todo o ano, variando entre os extremos de 22,0ºC a 40,0ºC. A umidade relativa média do ar é de 69%, sendo que fevereiro e março são os meses de maior umidade. De agosto a outubro ocorrem as menores quantidades, variando de 54% a 59%, podendo nesta época do ano atingir até 20%, no horário da tarde. O clima da cidade apresenta-se de forma intensa, com temperaturas elevadas na maior parte do ano – o que não é fator de influência na repulsão dos turistas que vêm à cidade, pois mesmo com enormes médias térmicas Teresina possui valores que só podem ser nela encontrados, dentre eles a hospitalidade do povo teresinense, o verdadeiro calor humano, que se sobrepõe a condição climática. Esse posicionamento em relação ao clima, na maioria das vezes, é verbalizado de modo divertido e até carinhoso, principalmente pelos turistas piauienses, acrescido daqueles que já estabeleceram laços de afetividade com a cidade em decorrência dos constantes deslocamentos para a realização de negócios, já que esse é um dos maiores motivos do turismo da cidade. Infere-se, com isso, que o calor corresponde a um elemento marcante na vida da cidade de Teresina, dada a forma peculiar como esse aspecto é retratado pelos moradores e, principalmente, pelos turistas. O calor sentido e vivido é talvez, uma das principais marcas do povo teresinense. De modo geral o clima de Teresina pode ser definido da seguinte forma: de janeiro a maio, devido às chuvas, o clima é frio e úmido; de junho a agosto, o clima começa a ficar mais seco com noites relativamente frias; de setembro a dezembro, o clima se torna bastante quente e abafado, podendo ocorrer algumas pancadas de chuva a partir de novembro. 80 No espaço definido para operacionalização do roteiro, a tempetura varia de 35° C a 40°C, no segundo semestre do ano (de agosto a novembro) e de 30ºC a 35°C no primeiro semestre ( de dezembro a junho) daí a sugestão de operacionalização do roteiro no primeiro semestre. Retomando a reportagem da revista Gol ‖ Tá bonito pra chover‖, diz um teresinense. Quando as nuvens encobrem o céu e dão sinal de chuva o tempo é considerado bom, explica ele. Num lugar onde os termômetros marcam em média 35°C e que, em dias mais quentes, podem chegar facilmente aos 40°C, só a chuva é capaz de oferecer trégua ao calor. Chuva, uma cajuína bem gelada ou um chapéu de sol (sombrinha, no sul). Ainda mais para quem chega na capital em pleno b-r-o-bró ( pronúncia-se bê-érre-ó-bró), período mais quente do ano – de setembro a dezembro. O termo foi criado pelos piauienses e faz referência à última sílaba (bro) dos quatro meses de calor intenso (setembro, outubro, novembro e dezembro). Todos tem a mesma terminação, daí a expressão.‖ Devido a sua posição geográfica, a incidência dos raios solares sobre Teresina é de grande intensidade durante todo o ano, e a quantidade de radiação chega ao topo da atmosfera, variando de 935 a 700 cal/cm2. De setembro a dezembro ocorrem as mais altas temperaturas, fato este agravado por diversos fatores, como o desmatamento e queimadas em larga escala. A estação das chuvas em Teresina acontece praticamente em seis meses do ano – de dezembro a maio. Uma peculiar característica das chuvas da cidade, é que são rápidas e muito intensas, havendo grande força das águas, trovões impressionantes, e ventos fortes. A incidência de raios também é muito comum pelo fato de a cidade estar localizada sobre uma chapada 21, conhecida como Chapada do Corisco. A qualidade do ar da cidade de Teresina é considerada muito boa. Muito embora os órgãos ambientais não disponham de dados oficiais, esse índice de pureza é evidenciado pela ausência de registro de doenças, da população, ligadas à qualidade do ar. Há que se ressaltar que o roteiro histórico cultural, pauta principal deste trabalho tem como público alvo, o turista da melhor idade e que é um roteiro a ser realizado a pé; por isso, sugere-se que sua prática aconteça no período menos quente, ou seja, no período das chuvas, de dezembro a maio, visto que, mesmo sendo chuvas intensas e 21 Chapada - é uma formação geológica acima de 600 metros que possui uma porção plana na parte superior. Naturalmente são terrenos de superfície bastante plana, cuja a altitude se destaca das áreas ao redor. 81 fortes, acontecem mais frequentemente no horário da noite, continuando os dias ensolarados. A Professora Turismóloga Ermínia Medeiros considera ―a realização de um roteiro cultural dessa natureza, focando a região central de Teresina é um elemento agregador para o desenvolvimento turístico da nossa capital. Além disso, é um novo olhar para o nosso patrimônio cultural, que é pouco valorizado ainda por parte daqueles que visitam Teresina. A cidade só tem a ganhar com a operacionalização desse roteiro cultural‖. 3.3. Aspectos econômicos Por sua localização (350 km distante do litoral do Estado do Piauí) e por estar em um grande entroncamento rodoviário, com saídas para Belém, São Luís, Fortaleza, Recife, Salvador e Brasília, Teresina ocupa posição estratégica para seu desenvolvimento – o que contribui para exercer certa influência econômica regional, particularmente nos setores de serviços e no comércio – abrangendo grande parte dos estados do Maranhão, Pará, Tocantins e oeste do Ceará e de Pernambuco. Um dos aspectos estruturais mais importantes da economia de Teresina é o grau de participação das pessoas nas unidades produtivas do seu setor formal, que, em termos relativos, apresenta-se elevado e se destaca pela relevância social representada, evidenciando uma inserção expressiva de pessoas na economia de Teresina em relação ao seu produto interno bruto (PIB) gerado. Essa presença significativa das pessoas na atividade econômica em Teresina deve-se à predominância de atividades que, por natureza, utilizam menos o fator capital no seu processo produtivo – quando comparada com as atividades da maioria das capitais nordestinas. Atividades menos dotadas de tecnologia, destacando-se as seguintes: serviço público, educação, comércio, alimentos, confecção, avicultura, bebidas, construção, cerâmica, artefatos de metal, movelaria, dentre outras. Considera-se, no entanto, que a participação intensiva da população na economia de Teresina tem como causa principal a forte presença empregadora do poder público, que detém parcela considerável do mesmo – em 2008 situava-se em torno de 36% do total daquela população. Segundo informações da Guia de Turismo Karla Maia, a atividade turística mostra um crescente aumento no número e na permanência do turista em Teresina, fato este que provoca uma dinamização na economia local ―[...] Nós do Sindicato dos Guias 82 de Turismo do Piauí - SINGTUR-PI, sempre registramos os dados relacionados aos serviços que prestamos e em relação aos serviços efetuados por grupos de guias ligados ao sindicato de 2008 a 2010. Nesse período, identificou-se um aumento considerável na prestação de serviços de turismo receptivo em nossa capital, em torno de 50% em relação aos anteriores. Isso se dá por conta de grupos que se deslocam entre as regiões norte e nordeste, que antes só pernoitavam em Teresina e, atualmente, já solicitam um ―city tour‖ na capital com estada para visitar parentes e amigos ou a negócios. Acredito também que essa mudança é uma consequência das ações de marketing de entidades como o SEBRAE e o Governo do Estado, divulgando Teresina e o Piauí em workshops, feiras etc.‖. Embora a estrutura produtiva instalada em Teresina seja compatível com o objetivo de gerar ocupações, consta-se que nela poucas atividades exercem um efeito multiplicador na sua economia, no sentido de suscitar novas unidades produtivas que lhe sejam complementares, de modo a consolidar uma cadeia produtiva. O subsetor de confecção, por exemplo, um dos segmentos que mais geram emprego e renda em Teresina, encontra dificuldades em inserir seus produtos na pauta de exportações do município, uma vez que o preço das matérias-primas, que são importadas de outros estados, praticamente inviabiliza sua participação no comércio regional e nacional. Estudos realizados no setor de confecção indicam o custo como sendo o principal problema na aquisição da matéria-prima, o que justificaria a implantação, nesta capital, da indústria de fiação e tecelagem – pelo tamanho do mercado de Teresina – de modo a suscitar a consolidação da cadeia produtiva de confecções, tornando este segmento mais competitivo no mercado regional e nacional. Em relação à atividade turística – um dos grandes indicadores econômicos da capital –, tem-se a seguinte realidade, de acordo com a Fundação Centro de Pesquisas econômicas e Sociais do Piauí - Fundação Cepro, que realiza a Pesquisa de Demanda Turística duas vezes por ano, na baixa e na alta estação, em Teresina. O Relatório desta Pesquisa do mês de novembro de 2009, período de baixa estação, evidencia um crescimento no número, gasto e permanência de turistas em Teresina conforme Oscar de Barros Souza – Presidente de Fundação Cepro: ―as variáveis a seguir especificadas apresentam crescimento, comparando-se com igual período de novembro/08: o número de turistas internacionais cresceu 83,3%; o de turistas nacionais cresceu 29,24%; o gasto per capita cresceu 16,23% e as compras dos turistas cresceu 85,40%‖. 83 Outros dados significativos desta pesquisa referem-se ao período de permanência deste turista, em média 5,71 dias; a média de gastos é de R$ 496,26 correspondendo a R$ 86,89% per capita/dia, incluído neste gasto 1,31 pessoas. No quadro a seguir, tem-se o perfil dessa realidade econômica na capital piauiense: INFORMAÇÕES ECONÔMICO-FINANCEIRAS VARIÁVEIS Permanência na localidade REDE REDE EXTRA- HOTELEIRA HOTELEIRA 4,04 Gasto aproximado na localidade 693,09 GERAL (%) 7,46 5,71 607,15 651,40 (R$) Pessoas incluídas nos gastos 1,23 1,40 1,31 Gastos per capita dos turistas (R$) 564,47 433,54 496,26 Gastos per capita/dia (R$) 139,85 58,14 86,89 Renda média dos entrevistados (R$) 5.502,40 2.382,61 4.037,53 Faixa etária acima de 51 anos 17,5 18,5 15,5 (160 questionários aplicados) Fonte: Fundação CEPRO/Pesquisa direta-2009 Também importantes são os dados relacionados ao motivo da viagem. Percebese a enorme predominância da motivação com finalidades de negócios em 45,6% dos entrevistados. Fato este que a caracteriza como um destino voltado para o segmento ―turismo de negócio e eventos‖, reiterando o discurso inicial apresentado neste trabalho, de que Teresina é uma capital cuja atividade turística se destaca no setor saúde e negócios e enfatizando a relevância da aplicabilidade do roteiro proposto como opção de entretenimento aos participantes dos eventos e seus acompanhantes. Outro setor já mencionado e relevante para a economia local, que constitui um verdadeiro pólo regional, é o setor de saúde, que, tem uma participação importante em termos de empregos e de renda, já se estabelece como uma cadeia produtiva consolidada. As oportunidades de investimento no subsetor de medicamento, de produtos ortopédicos e materiais de uso hospitalar (gases, seringa, avental, soro, dentre outros) e com os negócios e eventos que são realizados voltados especificamente a este 84 setor como feiras, congressos, reuniões – que se constituem em fatores de fortalecimento desta cadeia produtiva. 3.4. Patrimônio histórico e cultural de Teresina O que vem ocorrendo na maioria das cidades brasileiras, com o processo de expansão urbana, é uma verdadeira decadência de suas áreas centrais nas quais os prédios históricos sofrem continuamente descaracterização interna acompanhada da deterioração de suas fachadas, mediante poluição visual (excesso de placas, faixas, toldos, falta de manutenção), reformas e demolições. Fatores como expansão comercial e imobiliária, o crescimento da indústria da construção civil e as deficiências das políticas de incentivo à cultura e preservação ambiental têm contribuído para a descaracterização acelerada do patrimônio histórico da capital, que sofre agressão constante das tendências modernizantes nas suas formas, funções, estrutura e processos. Em razão desses processos de mudanças, o conjunto arquitetônico que compreende o centro de Teresina vem, ano após ano, perdendo suas características. No caso específico de Teresina esse processo é crescente. A cidade tem o centro como o espaço de maior aglutinação de atividades comerciais e de serviços diversos, apresentando um fluxo muito intenso de automóveis pelas ruas de seu núcleo histórico, o que vem causando inúmeras modificações de ordem formal e funcional das estruturas arquitetônicas que contam a história da capital do Piauí desde sua fundação. Teresina tem vivenciado a desvalorização de seu centro histórico e paulatinamente o prestígio desse espaço está sendo perdido, conforme Sousa (2005, p. 63). ―[...] o comércio mais chique e os serviços mais refinados que antes lá se encontravam concentrados, tendem a deixá-lo em troca de outros locais buscando maior proximidade com os consumidores de alto poder aquisitivo‖. Para minimizar esta situação, encontra-se em plena fase de execução, com obras já inauguradas, o projeto, da prefeitura, de Revitalização do Centro de Teresina. Trata- 85 se de um projeto de recuperação das ruas e prédios antigos de Teresina e de áreas tomadas pelos ambulantes, implantação de equipamentos de acessibilidade, além da revitalização de praças e melhoria de segurança. Como dito anteriormente, parte deste projeto, como a retirada dos ambulantes das ruas22 e revitalização das mesmas e de algumas praças, bem como iluminação e segurança já estão em pleno funcionamento. O que proporciona uma melhor qualidade ao roteiro a ser proposto, visto que ele se insere precisamente nesta região A região central é hoje um núcleo histórico e cultural da cidade, onde se localiza a Praça Marechal Deodoro da Fonseca – primeira Praça de Teresina e os primeiros prédios, hoje tombados e reconhecidos como bens históricos. Nela está localizado o Teatro de Arena, um espaço usado para apresentações artísticas e culturais, a exemplo do Festival de Violeiros, evento que atrai participantes de todo o país. Considerando que toda região, cidade e lugar, possui traços culturais próprios, de valor único para a população local, podendo ser utilizados a fim de valorizá-los, e ainda que a cidade de Teresina não pratique o segmento em sua totalidade e possua um importante acervo de bens culturais tombados, torna-se oportuno e relevante o debate deste tema como enfrentamento das falhas e omissões do poder público, do setor privado, bem como da própria população com o objetivo principal de provocar uma reflexão destes agentes sobre a importância do patrimônio histórico-cultural local, para o desenvolvimento do segmento turismo cultural da cidade. "Teresina é uma cidade rica em verde e luz. Abrilhantar isso com a estruturação de um roteiro que conte, com vivacidade e excelência, suas histórias e lendas só contribuirá para fazer desta cidade ainda mais especial. A roteirização garantirá a manutenção de nossa essência cultural viva no consciente popular, pois por ele será apropriado rapidamente quando a circulação de turistas se intensificar...‖, é o que enfatiza a Turismóloga Ana Cristina Freitas, Diretora de Desenvolvimento Turístico da SETUR; e finaliza com otimismo ―(...) sabemos que este é um caminho de contramão, mas diante de eras sem o devido apoio do poder público a projetos de fortalecimento da cultura popular e das estruturas históricas teresinenses, pode a atividade turística legitimar esses espaços, dando aos mesmos a visibilidade e atratividade que tanto carecem". 22 Foi construído e já inaugurado o Shopping da Cidade e para lá foram os camelôs e ambulantes que ficavam nas ruas do centro. 86 A maior parte destes bens está situada no centro da cidade, palco de realização do roteiro turístico histórico cultural, e este fato é, sem dúvida, favorável à atividade turística devido ao fácil acesso e proximidade de outros atrativos turísticos. Infelizmente esses bens não recebem a devida atenção por parte das autoridades públicas e principalmente pela população teresinense, fato que acaba dificultando a prática do turismo cultural local. A valorização da identidade cultural permite que se intensifique o sentimento de pertencimento à comunidade, tornando essencial o seu envolvimento no processo de identificação e planejamento turístico, o que inclui a disponibilização de roteiros turísticos. São comuns os casos em que o entorno dos bens apresenta problemas como a degradação social e urbana, principalmente em relação aos atrativos localizados no centro. É significativa a existência de inibidores geográficos, tais como ruas e avenidas extremamente movimentadas. Estes elementos podem representar um empecilho à visitação turística. A partir dessa questão, Gastal (2003, p. 64) reforça a importância do poder público nesse processo: ―A intervenção política é obviamente decisiva, enquanto estratégia sustentável de atuação em relação à utilização de muitos recursos livres ou bens públicos, transformando recursos culturais em recursos turísticos, afetando meios e articulando uma relação equilibrada e pró ativa com os restantes setores da administração e empresarial do turismo‖. Isso comprova que esse segmento de turismo só pode ser viabilizado com a efetiva inserção da área cultural e com o estabelecimento de uma rede de parcerias entre os diversos agentes culturais e os órgãos de turismo e meio ambiente. No entanto, quando se pensa em desenvolver o turismo em uma determinada região, as primeiras ações se voltam geralmente para o transporte, a hospedagem, alimentação e as opções de compra e lazer. Há sempre um pressuposto de que o turista irá descobrir por si só e maravilhar-se automaticamente com as belezas naturais, as edificações e monumentos históricos, assim, pouca atenção é dada ao visitante, no que se refere à informação sobre o lugar, seus habitantes, hábitos e costumes, sua história e suas lendas, mas a realidade comprova que para vivenciar a cultura e o patrimônio de um lugar, o turista precisa encontrar lugares bem preservados, conservados e 87 valorizados pela comunidade que o recebe – aí incluídos todos aqueles envolvidos, direta e indiretamente, com os serviços e produtos turísticos. Conforme Funari e Pinsk (2005), a construção do patrimônio histórico-cultural depende das concepções que cada época tem a respeito do que, para quem e por que conservar. A conservação resulta da possível negociação entre os diversos setores sociais, articulando cidadãos e poder público. A criação e a credibilidade nesses cenários só são possíveis com a adoção, dentre outras, de eficientes políticas públicas de sensibilização que ajudem na formação de novas atitudes e comportamentos, contribuindo para a formação de indivíduos providos de uma consciência social e ambiental. É fato que está havendo um descobrimento do espaço Teresina como um patrimônio que representa identidade e que exalta o valor cultural, de algo que é retratado de um tempo histórico e de manifestações culturais. É evidente que a arquitetura e o urbanismo, bem como tradições culturais, aparecem como instrumentos de transformação do espaço e do social. Porém é preciso que ocorra o fortalecimento de vínculos entre comunidade local e patrimônio, para a valorização e agregação destes, ao uso a atividade turística, pois o turismo representa profunda relevância no contexto, também econômico de uma comunidade. 3.4.1. Pontos turísticos de Teresina O principal sítio histórico cultural de Teresina está localizado entre os rios Poti e Parnaíba, no centro da cidade. Entre os pontos turísticos mais importantes, destacam-se o Parque Municipal do Encontro dos Rios – reserva ambiental localizada onde deságua o rio Poti no Parnaíba, rio inteiramente nordestino; Parque Ambiental da Floresta Fóssil – reúne exemplares de troncos de árvores petrificadas, em posição de vida; Parque Zoobotânico de Teresina; Igreja São Benedito; Pólo Cerâmico de Teresina; Praça Pedro II; Balneário ―Curva São Paulo‖ e Ponte Estaiada Mestre João Isidoro França. De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN – Teresina conta com 18 monumentos tombados e outros de igual importância que ainda não passaram pelo processo de tombamento. Entre os mais importantes estão: Palácio de Karnak, Igreja São Benedito, Teatro 4 de Setembro, Clube dos Diários, Cine Rex, Museu do Piauí, Estação Ferroviária, Floresta Fóssil, Casa da Cultura - Barão de Gurguéia, Prédio da Antiga Intendência de Teresina, Prédio da Companhia Editorial do 88 Piauí (Comepi), Biblioteca Cromwell de Carvalho, Casa de Dona Carlotinha, Prédio da Prefeitura Municipal, Edifício Chagas Rodrigues (DER), Grupo Escolar Gabriel Ferreira, Grupo Escolar Mathias Olympio, Ponte Metálica João Luiz Ferreira, Ponte Estaiada João Izidoro França (único da relação a não passar ainda pelo tombamento) todos de valor social e cultura inestimável e de forte atratividade turística. ―Acho de suma importância o tombamento dos bens de uma cidade, pois efetivamente se inserem como patrimônios históricos, culturais e arquitetônicos, com base nas normativas legais que, dessa forma, estarão plenamente protegidos das ações irresponsáveis de descaracterizações patrimoniais‖, enfatiza o Professor Turismólogo Marcello Atta, Coordenador do Curso de Bacharelado em Turismo da Universidade Estadual do Piauí - UESPI. Infelizmente esses bens não recebem a devida atenção por parte das autoridades públicas e principalmente pela população teresinense, fato este que dificulta a prática do turismo cultural local, pois a valorização da identidade cultural permite que se intensifique o sentimento de pertencimento à comunidade, tornando essencial o seu envolvimento no processo de identificação e planejamento turístico. O envolvimento com o patrimônio, todavia, pode-se estabelecer na medida em que ele for incorporado ao cotidiano de forma gradativa. Um dos recursos é o redescobrimento da memória: o passeio pelo centro da cidade ganha colorido quando compartilhado por antigos moradores da cidade. Relembram acontecimentos, identificam edificações inexistentes, apontam peculiaridades de tempos idos: a Praça Pedro II e a prática do footing, o antigo Cine Rex, hoje convertido em espaço para shows, os logradouros que tiveram o desenho alterado e seus nomes mudados, a palmeira que eternizou o nome da Rua Palmeirinha, pois mesmo depois de arrancada e seu nome mudado, a população ainda se refere a ela pelo nome original, obras de arte removidas, para intensificar o tráfego local. A narrativa marcada pela recordação vem carregada de emoção e o passado ganha aspecto positivo. Essa recorrência à memória e esse envolvimento com o passado é mais comum nos idosos do que nos jovens. Até porque o ato de lembrar é uma atividade importante para as pessoas mais velhas. Assim, um passeio turístico pelo centro da cidade, totalmente modificado, faz com que a pessoa recrie sua história e para isso, ela recorre tanto a suas lembranças quanto às dos outros. Isso se dá, segundo Eclea Bosi (1994, p. 60), porque: 89 ― Ao lembrar o passado ele (o idoso) não está descansando, por um instante, das lides cotidianas, não está se empregando fugitivamente às delicias do sonho: ele está se ocupando consciente e atentamente do próprio passado, da substância mesma da sua vida‖. Neste sentido, a proposta de um roteiro turístico elaborado para o público da melhor idade, na cidade de Teresina, constitui aliado importante na manutenção da saúde dessas pessoas, principalmente se for considerado que Teresina ainda não disponibiliza aos visitantes Centros de Atendimento ao Turista que sejam localizados em pontos estratégicos da cidade. Assim, um acompanhamento mais direto aos turistas, independente de sua idade, é um grande diferencial na atividade turística. Salienta-se que, no contexto atual, faz-se necessário discutir a importância do patrimônio como expressão de cultura e de identidade, considerando que o conhecimento e a valorização dos bens culturais contribuem para o despertar da cidadania que expressam a história e a tradição local e regional; por isso, acredita-se que o patrimônio aguça o sentimento de pertencimento. O projeto de revitalização que se processa atualmente, no centro da cidade, é uma alternativa para o desenvolvimento que viabiliza a inserção social da comunidade e representa, ainda, um caminho para a dinamização do turismo. Vive-se em uma sociedade de avanços tecnológicos, de facilidade de comunicação e de deslocamento de pessoas, de integração econômica, política e cultural, em que a globalização tornou-se algo comum no cotidiano das pessoas. É preciso que essas pessoas redescubram seu valor típico e identitário (em contraposição ao global), as manifestações culturais, as tradições e as peculiaridades, pois assim reaprende-se a olhar para o patrimônio como um bem que representa identidade e que exterioriza o valor de uma cultura, de algo que pode ser a característica de uma conjuntura histórica, a leitura de uma concepção social ou a manifestação de uma tradição. O crescimento desordenado das cidades, a especulação imobiliária, as mudanças dos comportamentos, os novos valores e estilos de vida podem gerar impactos irreversíveis nos bens constituintes do patrimônio, pois são fatores resultantes da vida capitalista da sociedade globalizada. Por outro lado, a revitalização é o movimento contrário, pois indica a retomada das discussões sobre preservação, conservação e restauração do patrimônio e, essencialmente, a preocupação com espaços e 90 manifestações que permitem o olhar, a convivência, o conhecimento e a interação com valores, símbolos e manifestações. Dessa maneira afirma-se que a valorização do patrimônio histórico-cultural na cidade de Teresina será alcançada se houver uma plena conscientização por parte de toda a sociedade e dos órgãos públicos do seu significado na construção da identidade local e da importância da conservação e divulgação dos bens culturais. Acredita-se que através do reconhecimento do patrimônio e das tradições culturais será possível desenvolver a atividade turística através do segmento Turismo Cultural na região, gerando uma diversidade de benefícios sociais e econômicos para todos os agentes envolvidos em um mesmo intuito. 3.4.2. Preservação do patrimônio cultural piauiense A política de valorização de cultura em síntese precisa visar em todos os níveis a valorização do indivíduo e da sociedade, e o fortalecimento da imagem da comunidade como um todo, gerando a qualificação do espaço urbano e a geração de empregos e receitas para a região. Foi publicado, em 1998, um Inventário de Proteção do Acervo Cultural do Piauí, tomando como base a Lei nº 1939 de 16 de agosto de 1988, mas segundo o responsável pela Divisão de Patrimônio Cultural da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves, nada foi feito nos últimos treze anos decorridos. As alegações mais recorrentes para explicar esse fato, residem na falta de recursos humanos tecnicamente qualificados e recursos financeiros suficientes. O Prefeito de Teresina aprovou e sancionou a Lei nº 3.602 de 27 de janeiro de 2006, que dispõe sobre a preservação e o tombamento do Patrimônio Cultural do Município, e dez meses depois através da Lei complementar nº 3.563 de outubro de 2006, são criadas zonas de preservação ambiental acerca da proteção de bens de valor cultural. Essa última Lei institui normas de preservação ambiental e de proteção de bens de valor cultural, apresentando em seus anexos a descrição dos perímetros das zonas de preservação ambiental, bem como a relação dos imóveis (endereçamento) cujas fachadas devem ser preservadas. A Lei de Preservação e Tombamento do Patrimônio Cultural do Município de Teresina diz a esse respeito nos itens I, II, III e IV: 91 O poder público municipal deve promover garantir e incentivar a preservação, conservação, proteção, tombamento, fiscalização e execução de obras ou serviços, visando à valorização do patrimônio cultural do município. Compete ao poder público Municipal: I – a implementação da política de proteção e valorização do patrimônio cultural; e II – a promoção contínua da conscientização pública para a conservação do patrimônio cultural. III - Os bens tombados não podem ser destruídos, demolidos ou mutilados, nem, sem prévio parecer do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Teresina e expressa autorização da Prefeitura Municipal, serem reparados, pintados ou restaurados, sob pena de multa de 100 % (cem por cento) do valor da obra; IV - Sem prévio parecer do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Teresina e expressa autorização da Prefeitura Municipal, não se pode, na vizinhança do bem tombado fazer edificações que lhe impeça ou reduza a visibilidade, nem colocar anúncios ou cartazes sob pena de ser mandada destruir a obra irregular ou retirar o objeto, impondose, neste caso, multa de 50% (cinqüenta por cento) do valor da obra e do objeto, se for o caso. É de competência também dessa Lei a autorização para a instituição do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Teresina, um órgão de assessoria da Prefeitura que, periodicamente, deveria proceder à vistoria dos bens tombados. Como esse órgão ainda não foi criado, ficam a cargo da Secretária Municipal de Planejamento e Coordenação essas atribuições, porém as dificuldades impostas são muitas para realização dessas funções e recaem no que já foi exposto nesse anteriormente quanto à falta de recursos humanos e financeiros. 3.4.3. Monumentos tombados de Teresina O IPHAN diz que o tombamento configura-se em um ato administrativo realizado pelo Poder Público com o objetivo de preservar, por intermédio da aplicação de legislação específica, bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e também de valor afetivo para a população, impedindo que venham a ser destruídos ou descaracterizados. 92 Esse Ato Administrativo realizado pelo poder público é o grande reconhecimento que um monumento precisa ter para se consolidar como patrimônio cultural de uma região. De acordo com a Constituição Federal, no Artigo 216, compete à União, ao Estado e aos Municípios, apoiados pela comunidade, ―preservar os bens culturais e naturais brasileiros, dando especial atenção aos sítios arqueológicos‖ (on line)23. Ressalta-se que o tombamento ―somente é aplicado a bens de interesse para a preservação da memória e referenciais coletivos‖ (idem). No caso de Teresina, como em várias outras cidades, muitos prédios públicos já passaram pelo processo de tombamento, seja em nível federal, estadual ou municipal, e que por este motivo são incluídos no roteiro turístico histórico cultural posteriormente proposto. É importante frisar que é através do reconhecimento de um bem como patrimônio que se mantém viva a memória de um lugar e isso só é possível se a comunidade valorizar e entender a importância de um bem tombado. ―O Tombamento não tem por objetivo "congelar" a cidade ou outro bem. Tombar não significa apenas cristalizar ou perpetuar edifícios ou áreas, sem considerar toda e qualquer obra que venha contribuir para a melhoria da vida na cidade‖. ―Preservação e revitalização de áreas são ações que se complementam e, juntas, podem valorizar conjuntos de bens que se encontrem ameaçados ou deteriorados interferindo na qualidade de vida de uma população‖. (on line) 24. Infere-se, com isso, que, mais do que um reconhecimento em nível federal, estadual ou municipal, um monumento tombado representa a memória viva de um povo que passa a se reconhecer como sujeito constituinte no processo de construção identitária de sua cidade e/ou região. Outro fator importante a ser considerado é que, em sua grande maioria, os agentes desse processo são um público que faz do ato de lembrar um reconstruir e reconstituir um passado que se revitaliza à medida que as lembranças vão surgindo em 23 Disponível em http://www.patrimoniocultural.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=4. Acesso em 27/01/11, às 18:00. 24 Disponível em http://www.patrimoniocultural.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=4.Acesso em 27/01/11, às 18:00. 93 sua memória. Esses sujeitos que atendem pelo nome de idosos, ou público da terceira idade, ou ainda melhor idade é que, são o grande destaque deste trabalho. Segundo Bosi (1994, p. 63), no momento em que o homem deixa de ser ―um propulsor da vida presente do seu grupo‖, um membro ativo da sociedade, ―neste momento de velhice social resta-lhe, no entanto, uma função própria: a de lembrar. A de ser a memória da família, do grupo, da instituição, da sociedade‖. Isso reforça nossa proposta de trazer para esse público da cidade de Teresina, um roteiro turístico através do qual se reconheça também a importância desses sujeitos para a preservação da memória de nossa cidade, pois, ainda segundo Bosi (1994, p. 83), o papel da memória para o idoso tem caráter diferente do público jovem. ―Se o adulto não dispõe de tempo ou desejo para reconstruir a infância, o velho se curva sobre ela como os gregos sobre a idade do outro‖, considerando o ato de lembrar, nesse contexto, como um elemento essencial para a manutenção e preservação dos aspectos sociais, históricos e culturais. Em nível federal, de acordo com o IPHAN e FUNDAC, em Teresina encontramse tombados os seguintes monumentos: MUSEU DO PIAUÍ – Imóvel situado na Praça Marechal Deodoro, onde foram edificadas as primeiras residências na época da fundação da nova capital. O prédio, de linhas sóbrias, teve sua construção iniciada por volta de1859, pelo Comendador Jacob Manoel Almendra, um dos colaboradores da construção de Teresina, edificando vários prédios que serviram de instalação para as principais repartições públicas, entre os quais o Palácio do Governo Provincial e do Poder Executivo Estadual. De 1873 até 1925 o imóvel abrigou a sede do governo do Piauí. Entre 1926 a 1975 funcionou o Tribunal de Justiça. Em 1980, após a restauração passou a exercer a função de Museu do Piauí. Embora construído já no século XIX, o atual Museu do Piauí é um edifício de características neoclássicas, pela simetria da disposição das aberturas e modenatura bem marcada por pilastras. As aberturas são em arco plenas, emolduradas por cunhais em massa muito utilizada nas construções mais antigas de Teresina. Possui 15 salas abertas para permanente visitação e um acervo de cerca de 2 mil peças que versam sobre a história do Piauí: Pré-História, Piauí Colônia, Piauí Império, Piauí República, uma Pinacoteca e Coleção de Arte Sacra. Funciona de terça à sexta de 08 ás 17h e sábados e domingos de 08 ás 11h30min com taxa de visitação no valor de R$2,00(dois reais). O museu não possui rampas de acesso para o piso superior. Sendo que a visitação tem um 94 tempo aproximado de 50 minutos. Com o percurso de 5 minutos a próxima visita será ao Mercado Central. Área: aproximadamente 1.400m² Uso atual: Museu Histórico do Piauí Decreto: Nº 8.686 Diário Oficial: Nº 126 de 06/07/92 Data da inscrição no Livro de Tombo: 14/09/92 Código: 18 Condições de atendimento ao turista: estruturada para visitação interna, capacidade para pequenos e médios grupos. Fluxo de visitação: em média 12.000 visitantes ao ano (dados da administração do próprio museu). Avaliação: O museu não possui rampas de acesso para o piso superior. Há disponibilidade de comercialização de produtos referente à literatura de cordel e livros de autores piauienses. O prédio mantém bom estado de conservação. ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE TERESINA – A Estação Ferroviária, juntamente com a ponte metálica João Luis Ferreira, integram um conjunto de obras ferroviárias, efetuadas pela Companhia Geral de Melhoramentos do Maranhão, visando solucionar o problema de transporte entre duas capitais nordestinas, São Luis e Teresina. Sua construção foi iniciada por volta de 1922, e concluída, em 1926. Símbolo do progresso, a edificação seguiu o estilo arquitetônico adotado, na época, no Brasil - múltiplas características, próprias do ecletismo, que conjugou os elementos da arquitetura pitoresca às bases magistrais do neoclássico. Desde 1990, é a Estação Central do sistema de trens urbanos. Parte de sua estrutura abriga o ―Espaço Cultural Trilhos‖, localizado nos antigos galpões da Estação Ferroviária de Teresina com espaço para shows, exposições e o teatro da estação. Prédio histórico tombado pelo IPHAN. Localização: Av. Miguel Rosa, nº 2885 Proprietário: Rede Ferroviária Federal Área: 1.227,25m² Uso atual: Sede da Administração do Metrô de Teresina Tombamento Municipal: Decreto: Nº 9.710 de 15/05/97 Diário Oficial: Nº 92 de 16/05/97 Data da inscrição no Livro de Tombo: 03/06/97 Avaliação: Em bom estado de conservação, limpeza, dispõe de rampas de acesso. 95 PONTE METÁLICA JOÃO LUIS FERREIRA – A ponte metálica João Luis Ferreira é uma obra de engenharia ferroviária que se destaca na paisagem urbana de Teresina e é reconhecida como um dos símbolos da cidade. Integra um conjunto de obras efetuadas pela Companhia Geral de Melhoramentos do Maranhão, visando solucionar o problema de transporte entre as capitais nordestinas, São Luis e Teresina. Foi a primeira ponte construída sobre o Rio Parnaíba no estado do Piauí, inaugurada em 2 de dezembro de 1939, após 17 anos do início da obra, ligando Teresina a Timon. Projetada pelo engenheiro alemão Germano Franz, consumiu 702 toneladas de ferro em sua construção. Sua conclusão permitiu o estabelecimento da linha férrea Ferrovia São Luiz-Teresina da RFFSA conectando por trem as Capitais do Piauí e do Maranhão , que também é usada pela linha do Mêtro de Teresina para integrar à vizinha cidade de Timon que faz parte da Grande Teresina. A sua relevância pode ser aferida não só por sua utilidade, como elemento de ligação atualmente, rodo-ferroviário e para a circulação de pedestres, mas também por seu traçado magnífico, de características já empregadas em outras pontes em vários pontos do país. Tombamento federal: Processo: nº 1300-T-89. Livro: Histórico. Data: 11.09.08. Avaliação: Em bom estado de conservação, dispõe de acesso para bicicletas, motos e carros. FLORESTA FÓSSIL DO RIO POTI – A Floresta Fóssil do Rio Poti, é um sítio natural do período paleontológico de reconhecido interesse científico devido à raridade deste tipo de ocorrência na natureza pela posição de vida da maioria dos troncos, que afloram nas águas do rio numa área 8.960m², num total de 60 unidades, com dimensões variadas, estes fazem parte do pacote rochoso denominado Formação Pedra de Fogo, datado do período permiano (aproximadamente 200 milhões de anos). Encontra-se em bom estado de conservação, com suas estruturas internas bastante visíveis. Os cientistas acreditam que a floresta, por sua antiguidade, preexistiu aos grandes répteis que habitaram a terra (as plantas pteridófitas lá encontradas pertencem a um gênero extinto antes do surgimento dos dinossauros). O sítio destaca-se também por ser um exemplo de grande raridade pela posição de vida da maioria dos seus troncos (na vertical), caso único na América Latina, só havendo outro similar no Parque Yellowstone, nos Estados Unidos. 96 Considerado um caso unânime entre geólogos e paleontólogos do Brasil e do mundo, esse sítio faz parte das mais importantes amostras do passado geológico e biológico do Brasil. Por seu valor científico e pelo potencial paisagístico deste patrimônio, situado dentro do perímetro urbano de Teresina foi reconhecido pelo o IPHAN como patrimônio nacional. A Floresta Fóssil do Rio Poti não apresenta quase nenhuma estrutura, estando os fósseis expostos a todo tipo de intempérie e ação humana. A falta de estrutura é um fator negativo não apenas à visitação turística, mas também à preservação do bem. Localização: às margens direita e esquerda do Rio Poti, cerca de 1.200m à montante da ponte Juscelino Kubitscheck. Proprietário: Governo Federal da União Área: 23 hectares Processo: nº1510-T-03. Livro: Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico. Data: 11.09.08. Uso atual: Parque Municipal. Tombamento municipal: Decreto: Nº 9.885 Diário Oficial: Nº 50 de 16/03/98 Data da inscrição no Livro de Tombo: 29/04/98 Código: 34 Avaliação: O Parque deixa a desejar nos aspectos de segurança e limpeza. Não disponibiliza guias e nem equipamentos de apoio como: lanchonete, banheiro. IGREJA “SÃO BENEDITO‖- Construída em meados do século XIX em modelo toscano, inspirado em basílica medieval, a obra foi idéia do Frei Serafim de Catânia, missionário capuchinho da ordem dos franciscanos, que nasceu na Itália e chegou a Teresina em 10 de maio de 1874, então com 63 anos de idade. Em 13 de junho do mesmo ano fincou, no então ―Alto da Jurubeba‖, a pedra fundamental da Igreja São Benedito, por ele edificada com esmolas e trabalho do povo tendo sido concluída em 03 de junho de 1886. Foi formado um caminho que seguia da pedra fundamental da Igreja até o rio Poti, por onde as pessoas carregavam pedras e tijolos para a construção da igreja. As famílias se dirigiam em procissão e quando não, mandavam seus escravos. Em fins de junho de 1893, sob comoção da comunidade, o Frei partiu para a Itália, de onde, não mais retornou. A Igreja possui três de suas portas feitas por Sebastião Mendes, talhada em motivos florais, possui ainda uma bela escadaria que é muito utilizada quando há apresentação de corais da cidade. Todos os anos acontece, na época do natal, no adro da Igreja, a apresentação do coral das mil vozes, formado por crianças da rede municipal de ensino. Já é tradicional acontecer em todas as últimas sextas-feiras do mês, ao meio-dia, uma missa de ação de graças. 97 Localização: Teresina - Centro Proprietário: Patrimônio Público - Administração Arquidiocese de Teresina Uso atual: Templo religioso Ano de tombamento: 1998 Esfera de Tombamento: Federal e Estadual Condições de Atendimento ao Turista: Possibilidade de visitação interna. Avaliação: Em bom estado de conservação, perfeita higiene, dispõe de rampas de acesso. Em nível estadual, tem-se a seguinte relação conforme informações do IPHAN e FUNDAC: COMPANHIA DE NAVEGAÇÃO DO PIAUÍ - ATUAL COMEPI-COMPANHIA EDITORIAL DO PIAUÍ – Imóvel localizado no Centro histórico de Teresina. A edificação foi construída por volta do ano de 1860, com a finalidade de abrigar o maquinário da oficina de fundição das embarcações a vapor do rio Parnaíba. Após a decadência da navegação fluvial, o prédio passou a abrigar a Companhia Editorial do Piauí.Passou por trabalhos de consolidação, contudo encontra-se ainda descaracterizado, no que diz respeito à sua volumetria original. Localização: Praça Marechal Deodoro, nº 774 Proprietário: Governo do Estado do Piauí Uso atual: Sede da Companhia Editorial do Piauí Tombamento: Decreto: Nº 4.706 Diário Oficial: Nº 226 de 30/11/81 Data da inscrição no Livro de Tombo: 30/11/81 Código: 04 Avaliação: Em bom estado de conservação, perfeita higiene, dispõe de rampas de acesso. CASA DA DONA CARLOTINHA – Edificação característica da arquitetura implantada no Brasil na segunda metade do século XIX, sob inspiração do ecletismo, utilizando uma nova implantação da casa do lote, com jardim e entradas laterais. O imóvel possui ainda grande valor histórico por ter servido de residência do Dr. Anísio Brito, esposo de Dona Carlotinha, figura de muita importância no meio cultural piauiense, historiador, literato, diretor da Biblioteca, Arquivo e Museu do Piauí, da Escola Normal e do Liceu Piauiense. A edificação foi adquirida e restaurada pela Prefeitura Municipal de Teresina. Hoje, abriga a sede da Fundação Cultural Monsenhor Chaves. Localização: Praça João Luis Ferreira – centro Proprietário: Prefeitura Municipal de Teresina 98 Área: 300m² Uso atual: Sede da Fundação Cultural Monsenhor Chaves Decreto: Nº 10.247 Tombamento: Decreto: Nº 8.686 Diário Oficial: Nº 126 de 06/07/92 Data da inscrição no Livro de Tombo: 14/09/92 Código: 17 Avaliação: Em bom estado de conservação, perfeita higiene, dispõe de rampas de acesso. CINE REX – Edificação inaugurada em 29 de novembro de 1939. Foi um dos primeiros cinemas da cidade. É um exemplar de Art Déco, caracterizado por uma tipologia geometrizante dos volumes por linhas simples, sóbrias, proporções pesadas e fachadas pouco decoradas. Em 1973 sofreu sua primeira reforma, sendo mantidas suas características arquitetônicas externas. Em 2005 foi reformado para funcionar como Casa de Show de diversos tipos. Localização: Praça Pedro II, nº 1301 Esfera de Tombamento: Estadual Proprietário: David e Theresa Cortelazi Área: 819,84 m² Uso atual: Casa de shows Tombamento: Decreto 9310 de 24/03/95 Diário Oficial: nº 58 de 24/03/95 Data da inscrição no Livro de Tombo: 25/02/97 Código: 28 Condições de atendimento ao Turista: possibilidade de visitação interna somente durante eventos. Avaliação: Seu estado de conservação e higiene deixam a desejar não dispõe de rampas de acesso. É um espaço privado. Atualmente está fechado à visitação. CLUBE DOS DIÁRIOS – O Clube dos Diários foi clube de elite de Teresina, e palco de inúmeros acontecimentos sociais, políticos e culturais25, tendo como primeiro presidente o professor Agripino Oliveira.. Sua origem remonta bem antes da construção da sua sede própria, quando funcionava de maneira provisória na residência conhecida como Campina Modesta. Em 1925, o então governador Matias Olímpio doou o terreno de propriedade do Estado, adjacente ao Theatro 4 de Setembro, para a construção da sede definitiva, que teve início no mesmo ano, e foi executada pelo mestre de obras paraense B. Coelho. Após anos de abandono, no ano de 1996 a edificação foi restaurada e hoje abriga um espaço cultural, com áreas para exposições, oficinas, cinema de arte e 25 Bailes carnavalescos, aniversário de 15 anos das moças das famílias da elite, 99 a parte externa para apresentações de bandas tendo como destaque o Projeto Boca da Noite realizado ás quarta-feira com apresentações de bandas locais Localização: Rua Álvaro Mendes Proprietário: Governo do Estado Uso atual: Complexo Cultural Tombamento: Decreto: Nº 6.152 de 03/01/85 Diário Oficial: Nº 02 de 03/01/85 Data da inscrição no Livro de Tombo: 20/01/85 Código: 06 Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas. EDIFÍCIO CHAGAS RODRIGUES – DER – Imóvel edificado na década de 60 com a finalidade de abrigar a sede do Departamento de Estradas e Rodagens - DER. O autor do projeto é o arquiteto, carioca Maurício Sued, responsável por trazer, para o Piauí, em 1962, o primeiro prédio, da capital a apresentar características modernista, utilizando pilotis, painel trabalhado, escada helicoidal, panos rasgados de combongós. Localização: Av. Frei Serafim, nº 2492 Proprietário: Governo do Estado do Piauí Área: 3.000m² Uso atual: Sede do Departamento de Estradas e Rodagens do Estado do Piauí - DER Tombamento: Decreto: Nº 9.312 de 23/03/95 Diário Oficial: Nº 58 de 24/03/95 Data da inscrição no Livro de Tombo: 24/02/97 Código: 26 Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas. GRUPO ESCOLAR GABRIEL FERREIRA – Edificação situada no bairro Vermelha, zona sul de Teresina. Sua fundação data de 1928, época em que foram criadas várias escolas nas quais foi adotado semelhante partido arquitetônico. Seus frontispícios caracterizam tais grupos escolares da capital e do interior do Estado. A proposta de tombamento partiu da comunidade ligada à escola, assim como aconteceu com o Grupo Escolar Mathias Olympio, fato que legitima a ação do Departamento do Patrimônio Histórico, Artístico e Natural do Piauí. O imóvel encontrase em precário estado de conservação, necessitando de restauração urgentemente. Localização: Av. Barão de Gurguéia, Nº 1489 – Bairro Vermelha Proprietário: Governo do Estado do Piauí (Secretaria da Educação) Área: aproximadamente 1.342m² Uso atual: Escola pública Decreto: Nº 8.686 Diário Oficial: Nº 126 de 06/07/92 Data da inscrição no Livro de Tombo: 14/09/92 100 Código: 19 Tombamento: Decreto: Nº 8.686 Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas. GRUPO ESCOLAR MATHIAS OLYMPIO – Edificação situada no bairro Porenquanto, zona norte de Teresina. Foi construída na década de 20. Funcionou como ponto de referência do crescimento e evolução do bairro no qual está localizado. O imóvel apresenta planta baixa composta por formas retangulares que se unem e resultam num movimento plástico bastante interessante. A volumetria original sofreu alguns acréscimos que de certa forma não o descaracterizou, já que se manteve a utilização dos mesmos materiais construtivos. A iniciativa de tombamento desta edificação partiu da própria comunidade do bairro Porenquanto, um exemplo de conscientização a respeito do valor histórico e arquitetônico daquela escola. Localização: Av. Jacob Almendra, Nº 498 – Bairro Porenquanto Proprietário: Governo do Estado do Piauí (Secretaria da Educação) Área: 880m² Uso atual: Escola Pública Decreto: Nº 8.686 Diário Oficial: Nº 126 de 06/07/92 Data da inscrição no Livro de Tombo: 14/09/92 Código: 20 Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas. PALÁCIO DE KARNAK – Não há registro seguro quanto à data de construção do Palácio de Karnak. Sabe-se apenas que é remanescente do século XIX. Trata-se de uma edificação de linhas neoclássicas, possuindo elementos das arquiteturas grega e romana. A denominação ―Karnak‖ evoca um dos bairros de Tebas, no antigo Egito. Nos primeiros tempos, o imóvel sediou um estabelecimento de instrução secundária que funcionava em regime de internato, fundado por Gabriel Ferreira em 1890. Posteriormente o prédio foi vendido aos Barões de Castelo Branco para uso particular. Em 1926, o então Governador Mathias Olympio comprou o imóvel e nele instalou a sede do Poder Executivo do Piauí, que passou a funcionar como residência e palácio de despachos por muito tempo. No primeiro mandato de Alberto Silva (1971-1975) o Palácio de Karnak passou por reformas, deixando de existir os aposentos residenciais. Em 1992, a sede do Poder Executivo Estadual foi transferida para o Palácio Pirajá. O Palácio de Karnak sofre, entre 1993 e 1994, reformas para funcionar como sede de recepções oficiais. 101 Localização: Av. Antonino Freire, 1450-Centro Proprietário: Governo do Estado do Piauí Área: 1.910,71m² Uso atual: Sede do Executivo Estadual Decreto: Nº 9.168-A de 29/03/94 Diário Oficial: Nº 60 de 30/03/94 Data da inscrição no Livro de Tombo: 24/02/97 Código: 27 Avaliação: O acesso somente na parte externa. A visitação interna só com solicitação prévia. O prédio atualmente dotado de serviço de acessibilidade, limpeza e segurança pública. THEATRO 4 DE SETEMBRO – A decisão da construção de uma sede definitiva para a realização de espetáculos teatrais em Teresina ocorreu no dia 4 de Setembro de 1889, com o início das obras a partir de junho de 1890. A inauguração somente ocorreu no dia 21 de abril de 1894. A planta do Teatro é de autoria do engenheiro Alfredo Modrak, sua fachada incorporou elementos do Neogótico e do Neoclássico, expressão do ecletismo que vigorou a partir do século XIX. Durante o primeiro período de existência, da inauguração até a década de 30, o Teatro teve uma participação efetiva na dramaturgia piauiense. No início dos anos 30, com o advento do cinema falado, as encenações teatrais caem em decadência. As instalações do Teatro passaram então a funcionar como sala de exibições de filmes e a sediar outros tipos de manifestações sócio-culturais, como conferências literárias, solenidades cívicas e bailes de carnaval. Desde sua inauguração, o imóvel sofreu várias intervenções, sendo a maior em 1973, quando foi modificado internamente e teve sua área duplicada, com a construção de dois corpos laterais, justapostos ao seu corpo primitivo. Na reforma iniciada em 1995, o Clube dos Diários foi integrado ao Teatro, valorizando os aspectos históricos dos dois imóveis. Localização: Praça Pedro II Proprietário: Governo do Estado do Piauí Área: 1.275m² Uso atual: Casa de espetáculos Decreto: Nº 9.198 de 17/06/94 Diário Oficial: Nº Data da inscrição no Livro de Tombo: 27/02/97 Código: 30 Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas. 102 Existem também aqueles que recebem tanto a proteção estadual quanto municipal. São eles: BIBLIOTECA ESTADUAL “DESEMBARGADOR CROMWELL DE CARVALHO” - Trata-se de exemplar notável da arquitetura escolar realizada no início da década de 20 sob novas diretrizes arquitetônicas no Estado do Piauí. Sediou inicialmente o Grupo Escolar Abdias Neves. Em seguida, abrigou provisoriamente o Liceu Piauiense. Cromwel de Carvalho foi idealizador e um dos fundadores da Faculdade de Direito do Piauí, de onde foi diretor e professor catedrático durante 24 anos. Até meados de 1948, a Faculdade funcionou em um dos prédios do conjunto administrativo que existia entre as Praças Rio Branco e Marechal Deodoro, sendo transferida naquela data, após a federalização, para o prédio onde, hoje, funciona a Biblioteca Estadual ―Cromwell de Carvalho‖. Localização: Praça Demóstenes Avelino, S/N Proprietário: Universidade Federal do Piauí Área Construída: 1.408,57 m² Uso atual: Sede da Biblioteca Pública Estadual Tombamento estadual: Decreto: Nº 9.198 de 17/06/94 Diário Oficial: Nº Data da inscrição no Livro de Tombo: 26/02/97 Código: 29 Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas. CASA DA ANTIGA INTENDÊNCIA DE TERESINA – O prédio da Intendência foi construído em fins do século XIX, sofrendo reformas projetadas e realizadas pelo engenheiro Antonino Freire, quando foi adquirido do Estado pelo Município de Teresina para sediar a administração local (Intendência, Conselho Municipal da Intendência e Fundação Wall Ferraz órgão ligado à prefeitura municipal de Teresina, recebeu este nome em homenagem ao ex-prefeito Wall Ferraz. Edificado em estilo Neocolonial, teve suas fachadas alternadas quando da implantação de elementos Neoclássicos por ocasião daquela intervenção, tendo mantido, contudo, a estrutura original típica das construções de porão alto da arquitetura brasileira. Localização: Praça Marechal Deodoro, nº 900 Proprietário: Prefeitura Municipal de Teresina Área Construída: pavimento térreo – 1.026,33 m² ; pavimento superior - 1.408,57 m² 103 Uso atual: Sede da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento – SEMAB, da Fundação Wall Ferraz e do Departamento Municipal de Estradas e Rodagens – DMER e Fundação Wall Ferraz Tombamento Decreto: Nº 10.247 Diário Oficial: Nº 45 de 03/03/2000 Data da inscrição no Livro de Tombo: 22/03/2000 Código: 35 Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas. CASA DA CULTURA (ANTIGA CASA DO BARÃO DE GURGUÉIA) construída na última metade do século XIX (década de 70), por João do Rêgo Monteiro, o Barão de Gurguéia, para sua residência. Antigo Palácio dos Bispos, posteriormente Seminário Diocesano. La funcionou também o Colégio Pedro II. Casa de porão alto, pouco comum no restante do Estado, adotou também uma das novas tendências da arquitetura eclética de grande aceitação na região – o emprego da forma ogival e suas derivadas nos vãos das edificações. O imóvel foi cedido em comodato à Prefeitura de Teresina. Foi restaurado em 1993, passando em seguida a sediar a casa da Cultura de Teresina. Localização: Praça Conselheiro Saraiva, nº 324 e 325 Proprietário: Arquidiocese de Teresina Uso atual: Casa da Cultura de Teresina Tombamento: Decreto: Nº 6.775 de 21/07/86 Diário Oficial: Nº 144 de 31/07/86 Data da inscrição no Livro de Tombo: 08/08/86 Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas. ESCOLA NORMAL ANTONINO FREIRE – O prédio foi construído na administração João Luís Ferreira para abrigar a Escola Normal, e a inauguração se deu em julho de 1924, por ocasião da posse do governador Matias Olímpio de Melo. Em estilo neoclássico, projeto de 1919, inaugurado como educandário - a Escola Normal Oficial, depois Escola Normal Antonino Freire. Em 1984, sofreu restauração para abrigar a sede da Prefeitura Municipal de Teresina, passando então a denominar-se ―Palácio da Cidade‖. Embora conserve seu estilo básico nas estruturas externas, o imóvel foi modificado no seu interior, perdendo as características de edificação do início desse século. Localização: Praça Marechal Deodoro, nº 860 Proprietário: Governo do Estado do Piauí Área: 1.227,25 m² Uso atual: Sede da Prefeitura Municipal de Teresina Tombamento municipal: Decreto: Nº 4.706 de 30/11/81 Diário Oficial: Nº 226 de 03/12/81 Data da inscrição no Livro de Tombo: 03/12/81 104 Código: 05 Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas. E aqueles que recebem a proteção do tombamento municipal. São eles: CASARÃO DOS LIBÓRIO Local: Rua Olavo Bilac nº 1481, esquina com Rua 24 de Janeiro, zona Sul. Tombamento: Decreto nº 9.312 de 27 de março de 2009. Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas. IGREJINHA NOSSA SENHORA DO AMPARO - Construção iniciada em 1797, na povoação, em seguida freguesia e Vila do Poti, hoje, bairro Poti Velho da capital piauiense. O templo original feito de taipa não resistiu ao tempo e foi demolido. Outro Templo foi erigido no mesmo local. Local: Praça Maria do Carmo Rodrigues. Tombamento: Decreto nº 811 de 8 de maio de 1986. Avaliação: Bom estado, atualmente passa por reforma (limpeza).Conta com rampas de acesso. SEDE DA JUSTIÇA FEDERAL (atual CenaJus) - Construção iniciada em 1902, onde funcionou a Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional, local em que existiu um sobrado residencial dos presidentes da Província até 1856. Local: Praça Marechal Deodoro Tombamento: Decreto nº 812 de 8 de maio de 1986. Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas. ANTIGA FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS PIAUIENSE - Inaugurada por volta de 1920, como sede da Fábrica de Fiação e Tecidos Piauiense, atualmente ocupada por gerências e serviços de empresa comercial,o Armazém Paraíba. Local: Rua João Cabral entre as Ruas Desembargador Freitas e Benjamin Constant, com fundos para a Avenida Maranhão. Tombamento: Decreto nº 814 de 8 de maio de 1986. Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas. 105 3.4.4. Patrimônio histórico, cultural e ambiental de Teresina - Gastronomia A cozinha teresinense tem influência portuguesa, indígena e africana e traduz a piauiense no gosto pelos temperos como a pimenta de cheiro, o coentro e o cheiro verde. O maior destaque é a galinha caipira, que é cozida ao molho e acrescenta-se um pouco do sangue da galinha. Outros destaques aparecem no acompanhamento da galinha que são a paçoca (carne seca pilada com farinha e cebola roxa), a Maria Isabel (arroz misturado com carne seca), o baião de dois (arroz misturado com feijão verde) e o sarapatel (confeccionado com carne, fígado, coração e rim de porco). Destacam-se também comidas populares como a buchada de bode e a panelada, servida também nos mercados públicos. Algumas receitas, em anexo, podem ser apreciadas e/ou testadas. Apesar de todas essas especiarias famosas e deliciosas, a estrela maior fica por conta dos derivados do caju: o doce e a famosa cajuína (bebida sem álcool, clarificada e esterilizada, preparada a partir do suco de caju, apresentando uma cor amarelo-âmbar, resultante da caramelização dos açúcares naturais do suco). 3.4.5. Artesanato Teresina é conhecida por seu artesanato, principalmente pela arte santeira em madeira que tem como seu maior representante, o Mestre Dezinho 26, premiado até internacionalmente, pelo trabalho em cerâmica, dos quais são produzidas peças 26 José Alves de Oliveira, o Mestre Dezinho, como era conhecido, nasceu em 2 de março de 1916 em Valença do Piauí. Viveu grande parte de sua vida como mestre carpinteiro fazendo portas, balcões, tetos e vez por outra, um santuário. Já casado e com seis filhos, mudou-se para Teresina, onde começou a trabalhar como vigia noturno da pracinha do bairro Vermelha e, nas horas de folga, como carpinteiro na Igreja da Vermelha, que estava em construção. Ao término das obras da Igreja em 1966, o Padre Carvalho, que gostava dos ex-votos que vira Dezinho fazer, chamou-o para esculpir um Cristo. A sua obra foi de tal forma apreciada que lhe encomendaram todas as outras peças da Igreja, sendo atualmente um dos locais mais visitados por turistas, em Teresina, se tornando um registro histórico do nascimento artístico do Mestre Dezinho. Inaugurou uma arte santeira com estilo próprio. E foi com esse estilo que influenciou tantos outros artistas piauienses como Expedito, Cornélio, Edmar e José Soares. As peças do mestre Dezinho eram talhadas normalmente em cedro, obedecendo muitas vezes o tamanho natural. Nas roupas dos santos, referências da cultura piauiense, como cajus, folhagens e flores típicas da região. Dezinho continuou suas obras, expondo em coletivas e individuais, sendo escolhido pela crítica especializada, como autêntico escultor brasileiro, representando o Piauí. Faleceu aos 74 anos em fevereiro 2000, em Teresina-PI. Fonte: Catálogo da exposição ―Arte em madeira do Piauí: Santos e sertões do imaginário‖. Sala do Artista Popular, Museu de Folclore Edison Carneiro, Rio de Janeiro, 2010. 106 belíssimas. O bairro Poti Velho, situado na confluência dos rios Parnaíba e Poti, é um tradicional pólo de produção deste tipo de arte. A temática é variada e eclética, passando por peças decorativas, utensílios de uso diário a esculturas sacras e profanas. Com o passar do tempo, houve investimento em treinamento e organização de cursos promovidos em parceria entre Sebrae, Prefeitura de Teresina e Secretaria de Turismo do Estado, ministrados por arquitetos. Esta iniciativa promoveu a melhoria no níveis de qualidade, no acabamento e refinamento bem como o aumento na variedade das peças de uma forma ainda não vista antes. Atualmenre o artesanto piauiense é exportado para outros Estados e para o exterior. Novos materiais, novas tecnologias e o respeito ao meio-ambiente marcam esta nova fase de desenvolvimento do artesanato piauiense. Há locais em que se pode admirar isso, como: Polo Cerâmico do Poti Velho - Região onde artesãos confeccionam e vendem a cerâmica por eles produzida com a argila do rio Poti, são trabalhos que envolvem vasos, peças de decoração e até mesmo bijuterias. Centro Artesanal Mestre Dezinho – funciona no prédio do antigo quartel de polícia, ainda em processo de tombamento. São 25 lojas que oferecem cultura em fibra, couro, madeira, doces. Além disso, restaurante típico põe à mesa o melhor do cardápio do Piauí: maria isabel, sarapatel, baião de dois, feijão com pequi. 3.4.6. Folclore O tombamento, a restauração, conservação e fiscalização do patrimônio material foram práticas bastante desenvolvidas e conhecidas por vários segmentos da sociedade brasileira desde 1937 - quando o IPHAN foi criado. Entretanto, tais instrumentos se apresentavam de difícil aplicação para fatos culturais intangíveis como os folguedos, os credos, os saberes que então eram documentados por pesquisadores e divulgadores do folclore. E não houve nenhuma legislação especialmente desenvolvida para esta dimensão intangível do patrimônio. No final dos anos 40, ocorreu um movimento envolvendo artistas, intelectuais, pesquisadores, diplomatas, professores e outros segmentos sociais, que culminou com a Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro - a qual derivou no que hoje é o Centro Nacional de Cultura Popular. 107 O processo de constituição do campo de estudos de folclore foi de mais ou menos paternalista e etnocêntrico (com pesquisas e edições superficiais, doações pontuais de roupas, instrumentos...) a uma aproximação mais relativista e pragmática na elaboração de políticas (com pesquisas e edições com fundamento antropológico, ações de fomento voltadas para o modo de vida dos grupos e comunidades no sentido de gerar renda, garantir autonomia e melhorar o bem-estar social de maneira mais ampla) – e não meramente o apoio a esta ou aquela manifestação pontual. As duas tendências (a de patrimonialização da cultura material e a de defesa do folclore) proporcionaram as bases para a formulação do conceito e da política de patrimônio imaterial, bem como toda discussão sobre o assunto nos fóruns internacionais, sobretudo a UNESCO. ―Aliás, o conceito da UNESCO para o termo patrimônio imaterial é bastante semelhante àquele que propunha Câmara Cascudo27 para o folclore. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, patrimônio imaterial se constitui das tradições e expressões orais, das artes do espetáculo, das práticas sociais, das lendas, mitos e ritos transmitidos de geração a geração e recriados pelas comunidades e grupos em função de seu meio, de sua interação com a natureza e de sua história‖. Para Cascudo esse patrimônio de tradições é o folclore, que ele definia assim: ―Todos os países do mundo, raças, grupos humanos, famílias, classes profissionais, possuem um patrimônio de tradições que se transmite oralmente e é defendido e conservado pelo costume. Esse patrimônio é milenar e contemporâneo. Cresce com os conhecimentos diários desde que se integrem nos hábitos grupais, domésticos ou nacionais‖. A preocupação de salvaguardar os saberes e fazeres do povo, no entanto, é antiga. O período que vai de 1947 a 1964 ficou particularmente marcado pela grande mobilização em torno desses estudos, com a criação da Comissão Nacional de Folclore (47) e da Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro (58), hoje denominada Centro 27 Câmara Cascudo: Luís da Câmara Cascudo foi um historiador, folclorista, antropólogo, advogado e jornalista brasileiro. 108 Nacional de Folclore e Cultura Popular, órgão que mantém um museu e uma biblioteca, de âmbito nacional. Em discurso proferido por ocasião da criação da Comissão, seu presidente, Renato Almeida, afirmava as mesmas preocupações, já mencionadas, quanto à preservação do saber popular: ―A pesquisa, para o levantamento do material, permitindo o seu estudo; a proteção do folclore evitando a sua regressão; e o aproveitamento do folclore na educação‖. Caberia aí apenas mudar a palavra folclore pela nova nomenclatura adotada. E tanto isso é verdade que o antropólogo Roque de Barros Laraia ao mencionar a reação de alguns de seus pares antropólogos quando instituído o registro de patrimônio imaterial, revela que argumentaram ser o que vinham fazendo há muito tempo, mas não se esquece de destacar que ―essa espécie de registro já era feita por eminentes folcloristas‖. Sobre a breve história que estabelece o novo termo, patrimônio imaterial, é preciso dizer que começou após a adoção da convenção para a proteção do patrimônio mundial, cultural e natural, em 1972, quando alguns estados-membros manifestaram interesse em ver criado um instrumento de proteção do patrimônio imaterial. Em 1989, a UNESCO adotou a recomendação para a salvaguarda da cultura tradicional e do folclore. Em 1999, decidiu criar uma distinção internacional intitulada "proclamação das obras primas do patrimônio oral e imaterial da humanidade", para distinguir os exemplos mais notáveis de espaços culturais ou formas de expressão popular e tradicional. Assim, atendendo a recomendação da UNESCO, foi criado, no Brasil, o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial – PNPI, instituído pelo Decreto n° 3.551, de 4 de agosto de 2000, que viabiliza projetos de inventário, registro e ações de salvaguarda. Após identificação através de inventário, os bens culturais de natureza imaterial deverão ser classificados em Livro de Registro do Iphan segundo os temas: Saberes – para os conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades. Celebrações – para os rituais e festas que marcam vivência coletiva, religiosidade, entretenimento e outras práticas da vida social. Formas de expressão – para as manifestações artísticas em geral e lugares – para mercados, feiras, santuários, praças onde são concentradas ou reproduzidas práticas culturais coletivas. O folclore manifesta-se nos vários domínios do saber, da expressão e da comunicação; o importante é valorizar o que há de original, criativo e inteligente em cada manifestação e perceber o quão viva é a cultura de um povo, uma vez a 109 transformação é uma de suas características. E, no entanto podemos definir o folclore como um conjunto de mitos e lendas que as pessoas usam os temas folclóricos como destaque e também fazem parte da cultura popular. Teresina é uma colcha de retalho cultural, montada pelas tradições trazidas por quem veio do interior. Há um momento coletivo: O Encontro de Folguedos, que acontece em junho, com competições como concursos de quadrilhas que fortalecem a tradição e reforçam as raízes culturais piauienses. Entre as tradições religiosas, destaca-se a Procissão de São Pedro, no dia 29 de junho, que reúne embarcações que partem do cais do rio Poti e seguem até o cais do rio Parnaíba e o culto à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na Igreja de São José, bairro Vila Operária onde todas as terças-feiras acontecem novenas durante todo o dia e para onde se dirigem milhares de fiéis pagando e fazendo promessas. Teresina é muito conhecida por suas lendas. A estátua do Cabeça-de-Cuia se refere à maior lenda da região. Crispim era um pescador que vivia às margens do Rio Parnaíba com sua velha e doente mãe. Um dia ele voltou para casa revoltado, pois não havia conseguido pescar peixe algum. Sem ter com o que lhe servir para jantar, a mãe lhe dá para comer uma sopa de osso. Crispim se irrita e ataca a mãe com o osso. Sai correndo de casa e a mãe, machucada, lança uma maldição: ele se transformaria em um monstro e só descansaria quando fossem sacrificadas sete virgens chamadas Maria. Crispim virou o Cabeça-de-Cuia e até hoje amedronta pescadores que pescam além do necessário. Observando todos esses aspectos e considerando que a capital piauiense é um atrativo à parte, por uma série de motivos, dentre eles, o fato de não ser uma cidade litorânea e sobreviver a essa ausência, tem-se, em Teresina um achado: a capacidade que a cidade tem de surpreender ao turista. Outra lenda de significativa expressão para os teresinenses é a Num-se-Pode, que ocorria na Praça Saraiva, antigo Largo das Dores. Versa sobre a estória de uma linda mulher que tarde da noite, aparecia na Praça ostentando sua beleza debaixo dos lampiões ali existentes. Movidos por aquela bela aparição, os homens se aproximavam para conversar ou quem sabe aventurar mais uma conquista. Ao chegarem perto, a linda mulher pedia um cigarro e quando recebia, começava a crescer, crescer, até atingir o topo do lampião de gás e nele acender o cigarro. Enquanto crescia ela repetia: ―num-sepode, num-se-pode, num-se-pode‖. 110 3.4.7. Parques ambientais Teresina, a Cidade Verde, conta com uma riquíssima variedade e quantidade de parques ambientais, que servem para amenizar a temperatura e embelezá-la. Abaixo, o elenco dos principais parques: Parque Ambiental Encontro dos Rios - Localizado no bairro Poti Velho, no lado esquerdo da foz do Rio Poti ao desaguar no Rio Parnaíba. O Parque possui um centro de recepção ao turista, espaço para exposição e comercialização de produtos artesanais, monumento ao Cabeça-de-Cuia (personagem de uma lenda teresinense), algumas palhoças, dois mirantes, um restaurante flutuante, trilhas, áreas para pesca, esportes aquáticos e toda beleza natural da região. É uma área de preservação permanente que promove o turismo ecológico e resgata a cultura popular. Parque Mini-horto das Samambaias - O Parque é sombreado por árvores nativas com destaque para a grande quantidade de samambaias. Possui uma área de 1,8 hectares e está localizado na Zona Leste. No local a Prefeitura de Teresina pretende construir a 1º Igreja Ecológica da capital. Parque Municipal do Acarape - Possui uma área de 5 hectares e está localizado na av. Maranhão à margem direita do Rio Parnaíba. Possui trilhas com passeios para a prática de Cooper, área gramada, rosa-dos-ventos e uma biruta para orientação da direção dos ventos. Parque Ambiental Poti I - Criado através do Decreto nº 2.642 de 24 de maio de 1994. Com 2.700 metros de extensão, o Parque está situado às margens do rio Poti na Av. Marechal Castelo Branco. É um espaço de visitação pública com quadras poliesportivas, passeios para pratica de cooper, Box da polícia militar e um Monumento em homenagem ao motorista Gregório. Local de peregrinação de muitos devotos, bem como as sedes do Conselho Municipal do Meio Ambiente, da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária, Centro de Convenções e Assembleia Legislativa. Parque Ambiental Beira Rio - Localizado na Av. Raul Lopes em frente ao Shopping Riverside Walk. Possui árvores de grande porte como mangueiras, laranjeiras, goiabeiras, cajueiros e também exemplares do caneleiro (árvore símbolo da cidade) e plantas ornamentais como onze horas, margaridas e verdelas, além de pista de cooper e quiosques para a comercialização de lanches naturais em uma área de 2,5 hectares. Parque Zoobotânico de Teresina - Localizado na PI-112, ocupando um espaço de 137 hectares. O Parque Zoobotânico de Teresina possui uma grande variedade e 111 quantidade de répteis, pois além do rio que passa ao lado (Coisa que nenhum outro parque tem) há também a presença de três lagos. A fauna e a flora do parque são muito ricas e favoráveis à criação e reprodução desses animais, principalmente cobras. Éimportante ressaltar que o parque possui o menor lagarto do Brasil - Coleodactylus Meridionales, além de muitas outras espécies de animais do Brasil, da África, e de outros lugares, que torna o parque um ótimo lugar para um passeio ecológico e de lazer bastante agradável. Parque Ambiental de Teresina - Conhecido também como Jardim Botânico de Teresina, o Parque do Buenos Aires ou Antigo Horto Florestal possui uma área de 38 hectares. Está situado na Av. Freitas Neto 6415, zona norte da cidade no bairro Mocambinho e compreende a maior área de preservação permanente da cidade. No parque são desenvolvidas pesquisas com elementos da natureza, contando para isso com um laboratório, além de um herbário com vegetais secos para estudos de botânica. Destacam-se também trilhas educativas para os visitantes e um auditório para cursos seminários e treinamentos com capacidade para 50 pessoas. Parque da Cidade - Inaugurado em 9 de maio de 1982 com uma área de 17 hectares, está localizado na Av. Duque de Caxias. É considerado área de preservação ambiental constitui-se num local para realização de eventos culturais/ecológicos e de apoio às atividades de educação ambiental para escolas e grupos comunitários. Foram identificadas mais de 120 espécies vegetais entre árvores arbustos e ervas agrupadas em 48 famílias. A diversidade faunística encontrada no Parque mostra uma grande quantidade de invertebrados além de alguns vertebrados bem como várias espécies de peixes do Rio Poti. No interior do Parque o visitante encontra banheiros públicos, pontos de descanso e de observação. As trilhas levam o visitante a um passeio por toda a área do Parque. Parque Municipal Floresta Fóssil - A área é um espaço ecológico de grande importância para pesquisadores de várias universidades brasileiras devido a valiosas descobertas de afloramentos de troncos fossilizados - vegetais de gênero psarnius datados de aproximadamente 250 milhões de anos. Foram catalogados até o momento 60 unidades de vegetais fossilizados. Os troncos fossilizados têm como originalidade a sua posição em vida o único no Brasil. Nesses trechos também podem ser observados dois olhos-d'água subterrâneos que alimentam esse rio mesmo durante o período mais seco. 112 CAPÍTULO IV ROTEIRIZAÇÃO / O ROTEIRO TURÍSTICO Pior que não terminar uma viagem é nunca partir. Amyr Klink O Turismo ainda é percebido e muito discutido sob a vertente mercadológica e, conceitualmente, reduzido às categorias tempo e espaço. Entretanto, com um campo de atuação em pleno crescimento, já é visto como tábua de salvação para a economia de muitos países. Seus efeitos multiplicadores e benefícios econômicos, culturais e psicofísicos servem de subsídio para a realização de novas tentativas na sua exploração e implementação. A atividade vem sendo considerada por muitos países dependentes economicamente como um caminho alternativo e complementar para se chegar ao desenvolvimento e, assim, é rapidamente incorporada às políticas econômicas destas localidades. Da mesma forma, as publicações do conhecimento científico sobre o tema roteiros turísticos são restritas e, na sua maioria, limitam-se, a apontamentos de concepções teóricas, sem discorrer ou debater sobre elas e a um estudo mais aprofundado. O tema ainda é tratado com limitações de senso comum e pouco conhecimento científico, com ausência de discussões teórico-conceituais capazes de abarcar sua complexidade. De modo geral, o roteiro turístico, em suas concepções teóricas, é resumido a um itinerário de viagens/locais a serem visitados pelos turistas ou visitantes de uma localidade. Por reconhecer a importância de tais estudos, acredita-se na necessidade de discussões que avancem no sentido de construções teórico-metodológicas sobre o tema, ultrapassando as aplicações/informações técnicas sobre o assunto Com as vantagens apontadas, a atividade turística pode ser efetivada, em melhores termos, se for pensada de forma conjunta, ou seja, que os destinos turísticos sejam articulados entre si, traduzindo efeitos positivos mais imediatos e com menores riscos de insucesso. 113 Pensar o espaço de modo integral, com suas relações, contradições e complementaridades supera a visão estreita de verificar a parte excluída do todo. Desta forma, a atividade turística pode ser organizada sob a forma de roteiros turísticos. Quando se trata de roteiro turístico, existem vários termos e conceitos que o acompanham. Alguns, muitas vezes são utilizados como sinônimos ou complementares, tais como: circuito, excursão, itinerário e pacote turístico. Para Bahl (Bahl, 2004, p.31) ―um roteiro turístico resume todo um processo de ordenação de elementos intervenientes na efetivação de uma viagem. O roteiro pode estabelecer as diretrizes para desencadear a posterior circulação turística, seguindo determinados trajetos, criando fluxos e possibilitando um aproveitamento racional dos atrativos a visitar‖. O autor evidencia que os roteiros devem ser elaborados conforme o potencial e as características do espaço geográfico para uma demanda específica. E também ressalta que ―os benefícios de um roteiro ao turista, como: seleção dos locais que lhe interesse financiamento das despesas, previsão de permanência e escolha dos serviços de apoio‖ (idem, 2006, p. 299). A comprovação da afirmativa de Bahl está no exemplo da cidade de Santiago de Compostela, localizada na região noroeste da Espanha, considerada uma das cidades históricas mais importantes do país, que tem como centro das atenções a Monumental Catedral de Santiago que se levanta sobre o legendário sepulcro do Apóstolo Tiago – local de visitação que, historicamente, já foi uma das jornadas cristãs mais importantes e que hoje é um dos principais roteiros turísticos da Espanha - O Caminho de Santiago – que nasceu depois que um eremita espalhou que apareciam luzes no meio da floresta da Galícia e a Igreja afirmou que essas luzes seriam reflexos do túmulo do apóstolo. Com a notícia alastrada por toda a Espanha, muitos fiéis foram visitar o local, partindo inclusive de outros países da Europa. Esse fluxo fez surgir o famoso caminho espanhol, que, no último século, renasceu com grande esplendor para o Turismo. No percurso de 800 quilômetros que separam as cidades de Roncesvalles de Santiago de Compostela, o peregrino percorre lugares inesquecíveis e riquezas arquitetônicas produzidas em séculos de história espanhola, visita-se todo o norte da Espanha, passando por Navarra, La Rioja, Burgos, León, Palencia e La Coruña proporcionando ainda o desenvolvimento destas outras cidades. Este roteiro - O Caminho de Santiago – foi declarado conjunto histórico e artístico em 1962, e a cidade de Santiago de Compostela, reconhecida pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade em 1992. 114 Brambatti (2002, p. 6) entende roteiro turístico ―como o percurso ou caminho percorrido por turistas, onde os atrativos se encadeiam de forma organizada, e as paisagens, cultura e arquitetura se fundem‖. Segundo o autor, para que possa existir um roteiro, é necessário um planejamento e a existência de uma infraestrutura mínima para atender ao visitante, formando uma cadeia produtiva. Corroborando com a idéia de Brambatti, da necessidade de haver um planejamento na elaboração de um roteiro, cita-se como exemplo a ―Estrada Real‖, na Região Sudeste do Brasil, que nasceu devido ao fluxo de riquezas da Coroa de Portugal e a necessidade de escoá-la de Diamantina em Minas Gerais aos portos do Rio de Janeiro e da cidade de Paraty e de lá para Portugal. A circulação de pessoas, mercadorias e as riquezas extraídas nas minas eram obrigatoriamente feitos por estas estradas, constituindo crime de lesa-majestade a abertura de novos caminhos. O interesse fiscal, base política metropolitana para a região mineradora, da colônia, prevalecia sobre qualquer outro: cumpria, antes de tudo, ter as rotas de comunicação com as minas devidamente controladas e fiscalizadas, para que nelas se pudesse extrair uma massa cada vez maior de tributos para o tesouro. O nome Estrada Real, passou a aludir, assim, aquelas vias que pela sua antiguidade, importância e natureza oficial, eram propriedade da Coroa metropolitana. Atualmente esta estrada se transformou em um importante roteiro turístico planejado pelo poder público. Com itinerários divididos em três caminhos: o ―dos Diamantes‖ (Diamantina / Ouro Preto), o ‖Velho‖ (Ouro Preto / Paraty) e o ―novo‖ (de Ouro Preto / Rio). Seus 1410 km que cortam os Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro atravessam várias cidades: Santa Bárbara, Mariana, Conselheiro Lafaiete, Barbacena, Juiz de Fora, Petrópolis, São João Del Rei, São Lourenço, Tiradentes, Caxambu e oferecem inúmeras atrações, desde igrejas barrocas e paraísos naturais, passando por vilarejos pitorescos, fazendas históricas etc. Conforme Souza (apud CORREA, 2000, p. 130), roteiro turístico é ―[...] o itinerário escolhido pelo turista. Pode ser organizado por agência (roteiro programado) ou pode ser criado pelo próprio turista (roteiro espontâneo)‖. Já Moletta (2002, p. 40) o define ―como um pequeno plano de viagem em que o turista tem a descrição de todos os pontos a serem visitados, bem como o tempo de permanência em cada local e a noção dos horários de parada‖. 115 Montejano (1991, p. 210) conceitua itinerário turístico como: ―[...] toda ruta que transcurre por un espacio geográfico determinado, donde se describe y especifica los lugares de paso, estableciendo unas etapas y teniendo en cuenta las características turísticas propias – naturales, humanas, histórico-monumentales – relacionadas con la zona geográfica que se recorre a nivel local, comarcal, regional, nacional e internacional; la duración; los servicios turísticos – alojamientos, medio de transporte, etc. – y las actividades a desarrollar 28‖. Cisne e Gastal (2009) pautam, no artigo A produção acadêmica sobre Roteiro Turístico: um debate pela superação, como a questão roteiro turístico e roteirização tem sido tratada academicamente, onde discorrem sobre o resgate teórico da sistematização do conhecimento existente sobre o tema. As autoras concluem que, no âmbito das obras dedicadas à temática, os autores que se debruçam à sua compreensão são fundamentalmente Bahl (2004a, b), Legados étnicos e ofertas turísticas e Viagens e roteiros turísticos, e Tavares (2002), City-tour e comentam sobre este estudo. Para Tavares (2002, p. 14), os roteiros turísticos ―[...] são itinerários de visitação organizados‖ e complementa sobre a relevância dos mesmos, ao tratar do termo, referese a ele como um roteiro de viagem, que inclui os serviços a serem utilizados. Para a autora, eles ―[...] podem ser uma das importantes maneiras de contextualizar atrativos e aumentar o seu potencial de atratividade, o que pode dinamizar o potencial de atração turística da localidade‖ (idem, p. 20-21) e afirma ainda que esta é uma das nomenclaturas mais utilizadas para roteiro turístico; concernente ou relativo a caminhos; descrição de viagem, roteiro, caminho que se vai percorrer, ou se percorreu; caminho, trajeto, percurso. Ainda nesta perspectiva, Tavares (idem, p. 15-16) diz que ―os roteiros turísticos são uma das principais formas de contextualizar os atrativos existentes em uma localidade e, consequentemente, potencializar seu poder de atratividade‖, o que pode dinamizar o potencial de atração turística da localidade. Nele, os atrativos estão 28 Tradução: [...] toda rota que transcorre por um espaço geográfico determinado, onde se descreve e especifica os lugares de passagem, estabelecendo umas etapas e levando em conta as características turísticas próprias – naturais, humanas, histórico-monumentais – relacionadas com a zona geográfica que se recorre a nível local, estadual, regional, nacional e internacional; a duração; os serviços turísticos – alojamentos, meio de transporte, etc. – e as atividades a desenvolver. (tradução livre) 116 inseridos em um contexto maior, mas, de forma geral, os roteiros, por si só, são um atrativo. A autora afirma, acerca dos roteiros turísticos, que estes ―[...] não devem ser concebidos tão somente como uma seqüência de atrativos a serem visitados, mas como uma importante ferramenta para a leitura da realidade existente e da situação sociocultural vigente na localidade. Essa leitura, contudo, também está passível ao olhar subjetivo do operador‖. (TAVARES, 2002, p.14) A autora considera ainda que os pacotes turísticos podem ser classificados em dois tipos distintos: 1) individual (fortfairs), em que o ―cliente‖ pode escolher sua programação; e 2) coletivos (excursão) em que o passageiro está sujeito ao roteiro ―escolhido pelo grupo‖. Entretanto, percebe-se, na prática, a existência de um terceiro tipo, o roteiro elaborado pelo agente operador considerado como um ―produto turístico‖ a ser exposto na ―prateleira‖ da agência com um rótulo comercial criado para divulgação. Ressalta-se que, apesar de ser apontado pela literatura como sinônimo de roteiro, o itinerário turístico não possui uma abrangência tão grande no que concerne a inclusão de serviços como os roteiros turísticos. Bahl (2004a, p. 42) define roteiro turístico como sendo a ―descrição pormenorizada de uma viagem ou seu itinerário. Ainda, indicação de uma sequência de atrativos existentes em uma localidade e merecedores de serem visitados‖ e quanto a itinerário, este é descrito como um roteiro de uma viagem ou deslocamento; caminho a seguir de um local para o outro. Bahl acrescenta ainda que um roteiro bem idealizado é uma forma de reunir diversos elementos que apresentem os mais diversos aspectos de uma região ou localidades. Para ele, tais elementos despertam não só os interesses das pessoas como também preenchem as necessidades de evasão e deslocamento, o que as torna motivadoras para viagem. Sob esse ponto de vista, o autor, sugere que, nos roteiros, sejam incluídos aspectos relacionados a conteúdos históricos, geográficos, sociais, econômicos, urbanísticos, culturais, religiosos, folclóricos, dentre outros. Além disso, para o autor, a imagem do local estará vinculada aos seus atrativos oriundos das características culturais ou naturais. Essa afirmação está em conformidade com o que 117 diz o Ministério do Turismo – MTUR – ao afirmar que os roteiros turísticos são itinerários caracterizados por um ou mais elementos que lhe conferem identidade. De acordo com a Consultoria CREATO29, citado por Cisne e Gastal (2005) ―[...] o roteiro turístico como sendo aqueles que abordam Temas específicos, além de identificar e combinar as principais potencialidades do ambiente natural e cultural de uma região, interpretando-as, combinando-as e transformando-as em produtos turísticos comercializáveis. Essa descrição do que seria roteiro turístico exclui a possibilidade de existência de roteiros turísticos panorâmicos (gerais), considerado por Bahl (2004a). Sobre o assunto, o autor diz que os roteiros podem aglutinar Temas e objetivos. Para ele, o roteiro resume todo o processo de ordenação de elementos intervenientes (Tempo e Espaço), na efetivação de uma viagem e assim desencadear posterior circulação turística, seguindo determinados trajetos e assim criar fluxos e possibilidades de um aproveitamento racional dos atrativos a visitar, além de influenciar no valor final do produto‖. (grifos no original) Para Bahl (2004a, p. 52) ―o desenvolvimento de roteiros turísticos com exposição temática fundamentada em conteúdos culturais e naturais, desperta o interesse das pessoas e preenche sua necessidade de evasão e deslocamento motivandoas a viajar‖. Moesch (2002, p. 32) considera ―que os estudos nessa área são fragmentados, unilaterais e com insuficiência metodológica, pontuais, com ausência de um espírito crítico passível de autonomia intelectual. Esse reducionismo conceitual, aliado ao discurso do trade – ou seja, ao saber-fazer necessita de aprofundamento quando se trata de um fazer-sabe‖. Segundo a autora, o vislumbramento dos economistas quanto ao avanço do fenômeno turístico com o crescimento das taxas de desenvolvimento das diferentes regiões é uma visão calcada na égide economicista – o que contribui para que o Turismo 29 Oficina de Roteiros CREATO é uma consultoria com sede em Belo Horizonte- Minas Gerais, que elaborou e lançou o Manual técnico de desenvolvimento e operação de produtos e roteiros turísticos. 10. ed. Belo Horizonte. 2005. 118 seja analisado por uma vertente pragmática tomado pelo forte apelo econômico. Essa posição é, segundo Moesch (2002), outra responsável por seu reducionismo epistemológico. Tavares (2002 p. 12-3) considera três motivos que dificultam a existência de um consenso nas definições relacionadas ao turismo, e especificamente na definição e conceituação de roteiros turísticos. São elas: a) a pouca interação entre teoria e prática causada pela falta de estudo dos seus termos técnicos, em virtude da atividade turística ainda ser recente; b) por ser uma atividade que está sempre em mudanças, e sofre adaptações em relação à especificidade de cada localidade onde é operacionalizado; c) a pouca interação entre as empresas que compõem o mercado turístico. O Ministério do Turismo criou o - Programa de Regionalização do Turismo (PRT) - Roteiros do Brasil e o Fórum Nacional dos Secretários Estaduais de Turismo, que viabilizaram a abordagem regional do turismo e a possibilidade de se implementar roteiros turísticos. Para este Ministério o roteiro turístico é ―[...] um itinerário caracterizado por um ou mais elementos que lhe conferem identidade, definido e estruturado para fins de planejamento, gestão, promoção e comercialização turística das localidades que formam o roteiro‖. (Programa de Regionalização do Turismo - Roteiros do Brasil: Módulo Operacional 7, Mtur boletim..., 2007, p. 13). Desta forma, os roteiros turísticos podem ser organizados dentro de uma área que apresente certas peculiaridades ou afinidades e proximidades. Em razão disto, formatam-se roteiros ou rotas turísticas, que são regiões que apresentam, além de similaridades na oferta turística, certos objetivos em comum em relação à atividade turística. Convém destacar que não existem formulações conceituais para a expressão rota. Por analogia, entende-se que rota e roteiro sejam sinônimos. Assim, os roteiros turísticos surgem como uma possibilidade de conjugar os esforços empreendidos na atividade e por serem considerados um caminho para o desenvolvimento turístico. Os municípios que dispõem de atrativos turísticos devem ser incentivados a planejar a atividade não só isoladamente, mas também conjuntamente, sob uma idéia de cooperação e de complementaridade. A Agente de Viagens e Turismo Lysbela Freitas, Diretora do Setor Internacional da Miracéu Turismo, considera ―relevante e pertinente a proposta de um roteiro 119 histórico cultural para Teresina, pois vem ao encontro da necessidade do mercado ter como oferta esse tipo de serviço, estabelecendo, assim, a possibilidade de expandir e diversificar sua oferta aos diversos segmentos‖. Com o objetivo de subsidiar o presente estudo, com relação ao local e ao público a que se destinam as proposições deste trabalho, tem-se, a seguir, uma descrição do roteiro turístico proposto que, e será entregue aos gestores públicos, estaduais e municipais, aos operadores e agentes de viagens e à própria comunidade teresinense e sugere-se que o mesmo seja implementado no primeiro semestre do ano, visto ser uma época de clima mais agradável. 4.1. Elaboração da proposta de roteiro turístico – Passos metodológicos Por entender que o tema do trabalho a ser realizado insere-se na Linha de Pesquisa Planejamento e Gestão de Espaços, utilizar-se-á para o desenvolvimento do mesmo a pesquisa histórica e qualitativa, por se adequarem aos objetivos a serem alcançados. Pois, Segundo Dencker (1998, p.119) ―a pesquisa qualitativa possibilita a observação de elementos e ocorrências, selecionadas a partir de concepções teóricas acerca do objeto de estudo e permite a análise de suas causas, condições, freqüências. A observação dos fenômenos sociais, feita de maneira intensiva, a qual implica a participação do pesquisador no universo de ocorrência desses fenômenos‖. A pesquisa qualitativa não produz generalizações para entender o comportamento humano, nem necessita aplicar testes de validade e fidedignidade. ―Não apresenta padrões de objetividade e não atende aos critérios de verdade do paradigma positivista‖. (SANTOS, 2000, p.39). O método de pesquisa histórico será utilizado, já que, de acordo com Menezes (2000, p. 11-12), existe uma proximidade metodológica entre o tratamento que as duas áreas dão ao objeto histórico. Ambas definem um evento no passado, buscam apreendêlo, interpretá-lo e publicizarem essa interpretação. 120 ―[...] Este texto, dessa forma, elege como objeto central uma reflexão de caráter metodológico, elegendo instrumentos e estratégias de disciplinas distintas – História e Turismo – para pensá-los em ação integrada, neste caso, a elaboração de um roteiro turístico. Nessa abordagem específica, ele se distingue de tantos outros que tem abordado a questão da interpretação do patrimônio para a ação do turismo‖. Propõe-se também o método de planejamento, baseado na efetiva participação dos agentes sociais envolvidos no processo, no qual os principais beneficiários não são considerados apenas fornecedores de informações e receptores de definições, mas sim, parceiros no processo decisório (KLAUSMEYER e RAMALHO, 1985). Esta posição reflete a busca pela responsabilidade da atividade turística, visto que, segundo Irving (2002, p. 42), ―[...] o compromisso participativo em projetos de desenvolvimento possivelmente representa o caminho de maior sustentabilidade com relação à garantia de continuidade do processo e aos impactos indiretos dele decorrentes, e nem sempre mensuráveis‖. O processo de elaboração deste trabalho constou, em um primeiro momento, de consulta às fontes documentais e bibliográficas (em livros e em sites oficiais), e documentais (legislação, fotográfica), para um maior conhecimento e aprofundamento através do método empírico sobre o tema estudado, bem como visita a órgãos públicos competentes como: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional / PI - IPHAN, Secretaria de Turismo do Estado do Piauí - SETUR, Fundação de Apoio à Cultura FUNDAC, Fundação Municipal de Cultural Monsenhor Chaves - Prefeitura Municipal de Teresina - PMT. A pesquisa bibliográfica foi desenvolvida a partir de material já elaborado: livros, artigos científicos. Para Lakatos e Marconi (1999, p.73), ―sua finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que foi escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto‖. Ressalte-se que uma das principais vantagens da pesquisa bibliográfica se encontra no fato de permitir ao pesquisador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela produzida na pesquisa direta. 121 Essa pesquisa irá contribuir para a definição dos atrativos que comporão o itinerário do roteiro turístico que será sugerido. A partir da identificação desses atrativos, foi elaborada uma proposta de roteiro turístico histórico-cultural denominado ―Teresina me fascina‖, roteiro este que terá como foco o centro da cidade – região detentora de grande parte do acervo histórico cultural e arquitetônico da cidade – e como público alvo pessoas da melhor idade, mas poderá ser praticada por outro tipo de clientela, pois consta de caminhada, observação e interpretação dos aspectos culturais constantes do roteiro. A partir da definição do tema, o trabalho transcorreu em três focos principais que não seguiram uma ordem cronológica rígida, alternando-se durante todo o período de pesquisa, sendo um alimentado pelo outro, como consta a seguir: 1) pesquisa bibliográfica – que gerou a base conceitual do trabalho e proporcionou contato com conceitos e definições que conduziram a pesquisa para a perspectiva da participação; 2) a leitura do ambiente local – que consistiu em um levantamento documental e de campo, possibilitando um reconhecimento da área e a seleção e exploração de uma área para embasar a proposta de implantação de um roteiro; 3) aplicação de uma pesquisa junto à pessoas acima de 60 anos ( trinta pessoas), que transcorreu da seguinte forma: foram entregues a estas pessoas um mapa da cidade de Teresina e solicitado que nele fossem identificados os atrativos históricos culturais da cidade de Teresina. Este último foco proporcionou um bom contato com a comunidade local, mais especificamente com idosos, por ser o público alvo. Estas informações serviram de base para a sistematização dos dados, reflexão e elaboração da proposta do roteiro que, em um momento posterior, foi apresentado em duas oficinas de Roteirização. A primeira realizada em 20 / 08 /2010 com a participação da iniciativa privada - entidades de classe ligadas à atividade turística – o ―trade turístico‖: Associação Brasileira de Restaurantes Bares e Similares – ABRASEL / PI, Associação Brasileira de Agências de Viagens - ABAV / PI, Associação Brasileira da Indústria Hoteleira – ABIH / PI, Associação Piauiense dos Organizadores de Eventos APOE, Associação Brasileira dos Bacharéis em Turismo – ABBTUR / PI, Sindicato dos Guias de Turismo - SINGTUR, Sindicato das Empresas de Turismo do Piauí SINDETUR, e poder público: Prefeitura Municipal de Teresina - PMT, Secretaria de Turismo do Estado do Piauí - SETUR, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN. Com o objetivo de apresentar aos participantes o roteiro turístico histórico cultural para análise e sugestões. 122 A segunda oficina, realizada em 13 / 10 / 2010, com as componentes do Clube da Melhor Idade ―Nosso Espaço‖ composto por pessoas de classe média, parte com formação universitária e parte com ensino médio completo, com o objetivo de discutir e estruturar o roteiro sugerido juntamente com os representantes dos efetivos interessados. De acordo com Peixoto (1985), a oficina é um espaço de construção social, que utiliza algumas metodologias participativas. Neste caso, o autor defende o Método Metaplan, que promove exercícios de interação que ajudam a desenvolver certos comportamentos sociais e que viabilizam a construção coletiva. O objetivo é estabelecer uma atmosfera de cooperação entre os participantes; os exercícios utilizados devem possibilitar o estabelecimento de uma cumplicidade entre os envolvidos. A metodologia apresentada é uma união da contribuição de alguns autores e instituições, como: Irving (2002); Mitraud (2003); Vitae Civilis & WWF – Brasil (2003); Salvati (2004) além de subsídios das metodologias participativas contidas em Klausmeyer & Ramalho (1995) e Brose (2001) e do modelo utilizado pelo MTUR que foram utilizados com o objetivo de obter subsídios para análise e adequações, para o alcance dos resultados esperados, fomentando a importância da prática da atividade turística no município e contribuindo para o despertar do teresinense em relação à importância do patrimônio histórico e cultural da cidade. 4.1.1. Justificativa A política de turismo vem ganhando importância à medida que se atribui ao turismo a capacidade de catalisar processos de geração de trabalho, renda e desenvolvimento socioeconômico. Nos últimos dez anos, o mundo experimentou importantes avanços na pesquisa de turismo e iniciativas inovadoras foram propostas. Foram desenvolvidas também novas políticas para a formalização dessa atividade mediante a modernização da legislação e planos de desenvolvimento. Além disso, no Brasil, em 2003, foi criado e organizado o Ministério do Turismo com responsabilidades e competências específicas no setor, ressaltando-se a preocupação na articulação do desenvolvimento de projetos voltados ao idoso. A relevância do tema se dá por vários aspectos: possibilidade de despertar o interesse da comunidade em geral e em especial dos idosos no sentido de conhecer com mais detalhes a história do surgimento da cidade de Teresina; identificar e ressaltar sua 123 cultura, seu patrimônio, seu valor histórico, colaborar com a proposição de projetos e ações a serem desenvolvidos para perpetuar este legado histórico; despertar o interesse de estudiosos, pesquisadores e turistas de várias procedências; sugerir a implantação, junto à comunidade local, de melhorias significativas, proporcionando uma melhor qualidade de vida; sensibilizar os gestores municipais e estaduais, moradores vizinhos e toda a comunidade teresinense da importância desse potencial turístico pelo seu valor histórico, social, turístico e cultural. A cidade de Teresina é dotada de um rico patrimônio cultural material e imaterial, representado pela arquitetura de suas casas e prédios; por sua literatura, pelas manifestações folclóricas do seu povo, incluindo as lendas, músicas, danças, sua culinária, enfim, por todo o seu contexto histórico desde sua fundação até os dias atuais. Para manter a identificação com o morador, uma boa estratégia é incluir o patrimônio nas atividades recreacionais da comunidade, com reorientação do uso de edifícios e a oferta de roteiros orientados. Dessa forma, é preciso que as iniciativas de estímulo ao turismo dos órgãos públicos municipal e estadual que fazem a gestão da atividade turística sejam direcionadas de maneira que permitam a expressão da diversidade e da especificidade de cada comunidade, sem que essas expressões se transformem em mercadorias confeccionadas ao gosto médio do turista. Por outro lado, a manutenção das identidades é fator importante para atrair a atenção dos turistas, visto que estes buscam na singularidade local, alternativas de lazer, entretenimento, promoção e aumento do conhecimento próprio. 4.1.2. Objetivo O presente projeto pretende contribuir para o desenvolvimento turístico do município de Teresina, com a elaboração e disponibilização aos gestores públicos estaduais e municipais, aos agentes de viagens, operadores turísticos, turistas individuais e também à própria população de Teresina, em especial à população idosa de um roteiro turístico histórico cultural a ser operacionalizado, no primeiro semestre de 2011, no centro da cidade de Teresina a partir do patrimônio histórico cultural já identificado e catalogado junto ao IPHAN, à FUNDAC e à FMCMC. 124 4.2. Proposta do roteiro turístico histórico cultural ―Teresina me fascina‖ Grupo mínimo de 20 pessoas acima de 60 anos, participantes do programa ―Viaja mais melhor idade‖. Valor por pessoa: R$ 65,00 (incluído almoço, traslado e entrada no museu) Dois guias de turismo por grupo. Data de realização: 21 e 22.04.2011 1º DIA O roteiro tem início com vista e contemplação, da própria frente do Luxor Hotel, da Igreja Nossa Senhora do Amparo, da Praça Marechal Deodoro e os prédios que a circundam. Neste espaço está localizada a maioria dos prédios, casas e imóveis antigos da cidade. 08h00min: Luxor Hotel (antigo Hotel Piauí) Funciona em edificação de 1954. Em 1973 foi reformado, projeto dos arquitetos Acassio Gil Borsoi e Janete Borsoi, para funcionar o Hotel Piauí que ficou sob a gestão da recém criada PIEMTUR. Dois anos depois foi incorporado à Rede Luxor. Inaugurado pelo General Emilio Garrastazu Médici (Presidente da Republica de 1969 a 1974) que foi seu primeiro hóspede. Atualmente o hotel pertence ao grupo Jorge Batista, mantendo o nome e em 1999 passou por outra reforma, projeto do Arquiteto Gustavo Almeida. Por muito tempo foi o mais moderno da cidade. Avaliação: Hotel dispõe de apartamentos e banheiros adaptados, mantém bom estado de conservação e limpeza. 08h:10min Igreja Matriz Nossa Senhora do Amparo Onde se encontra o marco zero da cidade, inaugurada em 24 de dezembro de 1852 pelo Padre Mamede de Lima, no primeiro Natal de Teresina, localizada na Praça Marechal Deodoro à época, Largo do Amparo. No local, inicialmente existia somente a Capela Mor. O cruzeiro de pedra posicionado em seu adro marca a localização da cruz de madeira ali erigida em 1850, quando do início de sua construção dois anos antes da inauguração da nova capital pelo mestre João Isidoro França, era o primeiro edifício a ser erguido em Teresina. De arquitetura eclética com predominância neoclássica. As grandiosas torres neogóticas que a caracterizam foram construídas durante a década de 50 do século XX, no seu centenário. É tomada como referência para demarcação 125 topográfica da cidade. A imagem de Nossa Senhora do Amparo, original, foi trazida de Portugal em 1850 e levada em cortejo solene da pequena Igreja da Vila do Poti - o primeiro bairro da capital, atual Poty Velho, para a nova igreja. Porém, atualmente a igreja é bastante diferente da original por ter sido modificada e ampliada nos seus mais de 150 anos. Caso esteja aberta, pois está em processo de restauração, um breve momento para fotos no interior da igreja. Avaliação: Bom estado, atualmente passa por reforma (limpeza).Conta com rampas de acesso. Figura 1: Igreja Nossa Senhora do Amparo Fonte: www.teresinapanoramica.com 08h:20 min Praça. Mal. Deodoro da Fonseca Conhecida também como Praça da Bandeira, já foi chamada de Largo do Amparo e Praça da Constituição. É o núcleo inicial de povoamento de Teresina, ao redor da qual foram erguidos os mais importantes edifícios públicos da nova Capital, como a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Amparo, a sede do Governo Provincial, o Mercado Público e a Assembléia Legislativa, formando o principal sítio histórico e a maior praça da cidade. Sofreu ampla reforma na década de 70 do século XX, com projeto paisagístico de Roberto Burle Marx. Estatua simbolizando Marechal Deodoro, o marco de fundação da cidade, erigido em 1859, constituído por uma coluna de mármore sobre um pedestal, ornado por uma coroa de louros esculpida e cercada por quatro colunas coríntias com inscrições em latim que registram a fundação de Teresina e o agradecimento da Capital 126 ao Conselheiro Saraiva, Da praça observa-se também outros patrimônios que se localizam no seu entorno, tais como: Avaliação: Dispõe de rampas, mas não tem banheiros públicos, porém existem no Shopping da Cidade que hoje faz parte do espaço que compõe a praça. À noite é fechada ao público por questão de segurança, para evitar que vândalos ali se alojem, pois neste horário o movimento de pessoas e de carros é pequeno. Figura 2: Praça Marechal Deodoro da Fonseca / Praça da Bandeira. Fonte: www.teresinapanoramica.com 08h:30min Museu do Piauí (Casa Odilon Nunes) Museu do Piauí, antiga casa de ―Casa de Odilon Nunes (Professor e historiador) – e também do comendador Manoel Jacob de Almendra‖. Embora construído em 1859, já no século XIX, o atual Museu do Piauí é um edifício de características neoclássicas, pela simetria da disposição das aberturas. Foi sede do Governo Estadual e Tribunal de Justiça, em 1980 foi restaurado para torna-se o Museu do Piauí. Possui 15 salas abertas para permanente visitação, assim identificadas, Salas: ―Terra‖, ―Homem‖, ―Colônia, ―Império‖, ―Republica Velha‖, ―Republica Nova‖, ―Arte Sacra‖, ―Arte Popular‖, ―Heráldica‖, ―Numismática‖, ―Pinacoteca‖ e um acervo de cerca de 2 mil peças que versam sobre a história do Piauí, O museu funciona de terça à sexta de 08 ás 17h e sábado e domingo de 08 ás 11:30h com taxa de visitação no valor atualmente de R$2,00(dois reais). A visitação tem um tempo aproximado de 50 minutos. Avaliação: O museu não possui rampas de acesso para o piso superior. Há disponibilidade de comercialização de produtos referente à literatura de cordel e livros de autores piauienses. O prédio mantém bom estado de conservação. 127 Figura 3: Museu do Piauí Fonte: www.piaui.pi.gov.br 09h:20h Mercado São José / Mercado Central / Mercado Velho Tem suas origens na fundação da Cidade, começou a ser construído em 1862 embora tenha sido oficialmente inaugurado apenas em 1866, com o nome de Mercado São José. Está localizado junto ao cais do Rio Parnaíba, já que as mercadorias chegavam à capital por via fluvial para lá serem comercializadas. Descaracterizado pelo tempo, existe um projeto da Prefeitura para restaurá-lo e integrá-lo ao Shopping da Cidade. Além de ser um tradicional ponto de venda de hortifrutigranjeiros e de carne, o local também é um importante núcleo de comercialização de artesanato, na forma mais original do mesmo, onde se destacam peças produzidas em couro, palha, cerâmica e em metal. Recentemente (abril/10) foi inaugurado o ―Restaurante Popular‖ administrado pelo Serviço Social do Comércio - SESC, para atender os comerciários e visitantes em sistema de bandejão com preço atual no valor de R$2,50. Dispõe de cardápio variado com a orientação de nutricionista. Funciona de segunda a sexta-feira de 11h ás 14h. Avaliação: O restaurante é aberto ao público. É equipado com rampas, corrimões, banheiros públicos, bom serviço de limpeza. Já o mercado apresenta em seu estado geral a necessidade de intervenção para reforma, limpeza etc, o que já está previsto no projeto de revitalização do centro em fase de execução. 128 Figura 4: Mercado São José / Mercado Central / Mercado Velho. Fonte: Arquivo pessoal (2011). 09h:40min Shopping da Cidade- Ação do projeto de revitalização do centro da cidade da Prefeitura de Teresina e projeto desenvolvido pelos arquitetos Júlio Medeiros Costa e Daniele Bezerra para abrigar os vendedores de rua da capital o que gerou mais de cinco mil empregos. O complexo conta com três pavimentos interligados por passarelas, possui 1.915 boxes, entre lojas, lanchonetes, sala de vídeo e de reuniões com capacidade para 60 pessoas, supermercado e postos de atendimento da Caixa Econômica Federal, Correios, Agespisa- Água e Esgotos do Piauí S.A e caixas eletrônicos, além de banheiros em cada andar. A estrutura do shopping conta ainda com quatro escadas rolantes, dois elevadores e cinco escadas de emergência e é interligado à estação do metrô. Lá se comercializa de tudo como roupas, artesanato, bijuterias entre outros artigos. De lá se avista a Ponte Metálica João Luis Ferreira que liga a capital Teresina com a cidade vizinha Timon no estado do Maranhão. Avaliação: Dispõe de rampas, banheiros públicos, escada rolante, corrimões. Ótimo estado de conservação. 129 Figura 5: Shopping da Cidade (fachada na primeira foto e parte interna na segunda foto). Fonte: Arquivo pessoal (2011). 10h:00min Feira do Troca-troca, Trata-se de uma feira popular, que ganhou esse nome por sua forte característica de troca de produtos diversos, teve inicio nos anos 60 às margens do Rio Parnaíba, que divide o Piauí do Maranhão, debaixo de uma figueira. No decorrer do tempo o local foi dotado de infra-estrutura tais como: banheiros, edificação própria, porém conservando a figueira que faz parte de sua origem.Tem de tudo por lá: de discos de vinil a roupas, de bicicletas a geladeiras, de aparelhos de som a móveis antigos de madeira, além de eletroeletrônicos, miudezas como peças de eletrodomésticos e brinquedos, rádios, livros, revistas. Já foi motivo de reportagem do Jornal Nacional da Rede Globo que entrevistava um senhor trocando sua bicicleta por um jumento para fazer economia, pois segundo ele com a bicicleta ele tinha as despesas de manutenção (lubrificar, pneu furado etc.) e com o jumento não teria, pois era só parar no mato para o jumento comer. O local é verso e inspiração da música de Aurélio Melo e Zé Rodrigues em referência a este famoso atrativo turístico de Teresina, "Ai troca, quem troca destroca, minha Teresina não troco jamais". Se não for para comprar, vale a visita para ter uma conversa com o pessoal que lá trabalha. Avaliação: Existência de banheiros públicos e com adaptações para acessibilidade e dotado de limpeza. 130 Figura 6: Feira do Troca-troca Fonte: SETUR/PI /Arquivo pessoal (2011). 11h:10min Escola Normal Antonino Freire / Palácio da Cidade O prédio foi construído em estilo neoclássico, projeto de 1919, na administração João Luís Ferreira, e a inauguração se deu em julho de 1924, por ocasião da posse do governador Matias Olímpio de Melo para abrigar a Escola Normal Oficial - depois Escola Normal Antonino Freire. 131 Em 1984, sofreu restauração para abrigar a sede da Prefeitura Municipal de Teresina, passando então a denominar-se ―Palácio da Cidade‖. Embora conserve seu estilo básico nas estruturas externas, o imóvel foi modificado no seu interior, perdendo as características de edificação do início desse século. Avaliação: Tem uma arquitetura belíssima. Está em perfeito estado de conservação. É permitido visita ao seu interior, com prévia autorização, mas como o mesmo, já perdeu suas características originais (internas), a visita é só externa. Figura 7: Antiga Escola Normal Antonino Freire – Hoje, Palácio da Cidade Fonte: SETUR/PI 11h:20min Antiga Companhia de Navegação do Piauí / COMEPI Edificação construída por volta do ano de 1860, com a finalidade de abrigar o maquinário da oficina de fundição das embarcações a vapor do rio Parnaíba. Após a decadência da navegação fluvial, o prédio passou a abrigar a Companhia Editorial do Piauí. Passou por trabalhos de consolidação, contudo encontra-se ainda descaracterizado, no que diz respeito à sua volumetria original. Avaliação: Dispõe de ótimas instalações com banheiros adaptados, rampas e outros. Visitação só com prévia solicitação e agendamento. 132 11h:30min Prédio da antiga assembléia legislativa / FUNDAC Edificação de 1858 onde funcionou a primeira casa de espetáculos em Teresina, com o nome de Teatro Santa Teresa. Na época do império realizavam-se bailes, festas carnavalescas, sessões cívicas e outros. Funcionou também como escola pública por vários anos. Neste prédio hoje funciona a FUNDAC. Avaliação: Consta de rampas, banheiros adaptados e bom serviço de limpeza. Mantém bom estado de conservação. Visitação á com previa solicitação e agendamento. 10h:40min Casa da antiga intendência de Teresina Prédio construído em fins do séc.XIX, em estilo Neocolonial, teve suas fachadas alteradas com a implantação de elementos neoclássicos por ocasião de reformas. Sofreu outras reformas projetadas e realizadas pelo engenheiro Antonino Freire. Foi adquirido do Estado pelo Município de Teresina para sediar a administração local (Intendência e Conselho Municipal da Intendência). Foi mantida, contudo a estrutura original típica das construções de porão alto da arquitetura brasileira. Avaliação: O prédio é dotado de serviços com total acessibilidade, limpeza e segurança pública. É aberto ao público para atendimento específico e em horário comercial. 11h:00min Teatro de Arena Foi inaugurado com a peça o ―Barco sem pescador‖, em 5 de novembro de 1965, tornando-se palco das mais diversas manifestações culturais, corporativas e associações. Neste espaço anualmente acontece o Festival de Violeiros, evento de cunho regional. Lá encontra-se a estátua do patrono dos violeiros - Domingos Fonseca, condecorado com o titulo de o ―Rei do Repente‖. É dotado de dois camarins e tem capacidade física para 3.000 pessoas. Suas atividades e uso são subordinados ao Departamento de Artes da Fundação, através da Coordenação de Arte Cênicas. Avaliação: Dotado de serviços com acessibilidade, limpeza e segurança pública. É aberto ao público no horário comercial. Neste momento, sentados nos bancos do Teatro de Arena, sob as árvores frondosas, em momento de descontração, os turistas ouvirão dos guias relatos dos acontecimentos pitorescos relacionados àquela área, principalmente à feira do troca-troca, ao mercado central etc. 133 Figura 8: Teatro de Arena Fonte: Arquivo pessoal (2011) 11h:20min Praça Rio Branco Recentemente restaurada (ação do projeto de revitalização do centro da cidade) e agora conta com uma iluminação que remonta aos lampiões utilizados no século XX, outro destaque da praça é a ―A Coluna da Hora‖, como era conhecido o relógio instalado na praça, década de 30, era e por muitos anos foi um dos principais pontos de referência da cidade que recentemente recebeu pintura nova e tem uma iluminação especial. Após a restauração ganhou maior destaque por sua iluminação. Avaliação: A praça é dotada de rampas, bancos, e acessibilidade. Porém não há banheiros públicos. Tem serviços de limpeza pública, sendo assim, bem conservada. Poderia ser mais bem apropriada pela comunidade, voltando a acontecer os leilões da igreja (fica atrás da Igreja N. S. do Amparo) e as realizações de feiras culturais e/ou gastronômicas. ―Segue em destino ao ―Complexo Cultural Praça Pedro II‖ com trajeto pela Rua Elizeu Martins - Rua climatizada (espaço de um trecho de 100m que foi adaptada com serviços de climatização semi aberto pelo poder público municipal) com parada para degustação de petisco, sucos regionais e cajuína (bebida típica feita de caju), no restaurante Teresina. Os guias, sempre durante as paradas de descontração repassam informações e contar estórias, casos e lendas referentes à cidade. O trajeto continua pelo calçadão da Rua Simplício Mendes até a Rua Paissandu (Rua das antigas casas de tolerância).‖ 134 Figura 9: Rua Climatizada. Fonte: www.teresinapanoramica.com 12h:00min O passeio Continua pela Rua Paissandu Palco das antigas casas de tolerância quando algumas delas ganharam mais evidência a exemplo da boate das senhoras Raimundinha Leite, Gerusa, Rosa Banco (assim conhecida por ter sido a primeira mulher a ter uma conta bancaria em Teresina). Casas estas que junto a sua arquitetura também se encontrava traço eclético com predominância neoclássica, eram freqüentadas pelos jovens e senhores da elite teresinenses, que contam: acendiam seus charutos queimando notas de ―reis‖ nos lampiões. A Rua Paissandu também era destaque por ter vários tipos de comércio e residência de famílias Árabes, atualmente lá funcionam casas comerciais, pousadas, porém faz parte da memória teresinense. Avaliação: Atualmente algumas dessas edificações já foram demolidas dando lugar a novas edificações modernas e transformadas em prédios comerciais e estacionamento. As calçadas não possuem um bom pavimento, necessitando de melhoria para facilitar o deslocamento dos transeuntes. 135 Figura 10: Rua Paissandu Fonte: Arquivo pessoal 12h:20min Praça Pedro II Anteriormente chamada de Praça Aquidabã, Independência e João Pessoa é considerada ―a mais teresinense das praças‖ por ter sido durante muito tempo, o principal ponto de encontro da sociedade da Capital, já que o Clube dos Diários, o Theatro 4 de Setembro e o Cine Rex, que estão em seu entorno, eram as principais opções de lazer da Cidade nas décadas de 40, 50 e 60. Nela as moças passeavam em um sentido e os rapazes no oposto, flertando entre si e combinando encontros amorosos. Curiosamente, após o apito da usina que fornecia energia elétrica para a cidade, as moças de boa família corriam para casa, para não ficarem mal-faladas; os moços podiam, então, procurar a companhia das trabalhadoras da Rua Paissandu, conhecida região do meretrício àquela época, junto à zona portuária do Rio Parnaíba. Desfigurada pelo tempo, a praça foi reformada em 1996, recuperando parte de suas características originais, fato este elogiado pela população, principalmente os idosos que tiveram as memórias dos acontecimentos ali sucedidos, lembranças vividas no passado, despertadas. Ela é o 136 ponto central do ―Complexo Cultural Praça Pedro II‖ que é composto também pelo Theatro 4 de Setembro, Cine Rex, Clube dos Diários e ―Central de Artesanato Mestre Dezinho‖. Avaliação: Há rampas. Porém não existem banheiros públicos. Figura 11: Praça Pedro II Fonte: Arquivo pessoal (2011) 12h:40min Theatro 4 de Setembro Em 4 de Setembro de 1889 um grupo de senhoras da sociedade local em audiência com o presidente Teófilo dos Santos pediram a construção de uma casa de espetáculo na cidade haja visto a precariedade do teatro existente na época. No mesmo mês o presidente que fez o lançamento da pedra fundamental em 21 de setembro de 1889 sugerindo o nome daquela data para o Teatro, escolhido então a Praça Aquidabã, atual Pedro II para sua edificação. A planta da construção do teatro foi de Alfredo Modrak doada pelas senhoras Hermerlinda Teixeira de Holanda e Lavinia Fonseca ambas faziam parte de famílias ilustres de Teresina. A construção ficou a cargo de Manoel Raimundo da Paz e foi inaugurado em 21 de abril de 1894, apresenta estilo arquitetônico eclético com expressões do neogótico e neoclássico. Em 2 de maio de 137 1895 foi apresentado a primeira peça no Teatro ―O Pai Desnaturado ou Don Jorge de Aguilar‖, pelo Grupo Teatral Câmara Madureira. Durante o primeiro período de existência, da inauguração até a década de 30, o Teatro teve uma participação efetiva na dramaturgia piauiense. No início dos anos 30, com o advento do cinema falado, as encenações teatrais caem em decadência. As instalações do Teatro passaram então a funcionar como sala de exibições de filmes e a sediar outros tipos de manifestações sócio-culturais, como conferências literárias, solenidades cívicas e bailes de carnaval. O Teatro 4 de Setembro até hoje continua sendo um símbolo da cidade referente a imagem cultural.Atualmente o espaço possui 600 lugares,banheiros,bar e está incorporado ao Clube dos Diários. As visitas devem ser agendadas previamente. Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas. 12h:50min Cine Rex Ainda no complexo cultural encontra-se o Cine Rex construído em 1939, foi considerada a sala de projeção mais luxuosa do nordeste. Tem capacidade para 575 pessoas. O 1º filme a ser rodado foi a ―Grande Valsa‖. A arquitetura é em Art Decó. Atualmente o Cine Rex encontra-se desativado. É de propriedade privada. Avaliação: Atualmente não está aberto a visitação somente apreciação externa. Figura 12: Teatro 4 de Setembro à esquerda e Cine Rex à direita. Fonte: SETUR/PI 138 13h:00min Clube dos Diários O Clube dos Diários foi clube de elite de Teresina e palco de inúmeros acontecimentos sociais, políticos e culturais - bailes carnavalescos, aniversário de 15 anos das moças das famílias da elite. Teve como primeiro presidente o professor Agripino Oliveira. Sua origem remonta bem antes da construção da sua sede própria, quando funcionava de maneira provisória na residência conhecida como Campina Modesta. Em 1925, o então governador Matias Olímpio doou o terreno de propriedade do Estado, adjacente ao Theatro 4 de Setembro, para a construção da sede definitiva, que teve início no mesmo ano, e foi executada pelo mestre de obras paraense B. Coelho. Após anos de abandono, no ano de 1996 a edificação foi restaurada e hoje abriga um espaço cultural, com áreas para exposições, oficinas, cinema de arte e a parte externa para apresentações de bandas tendo como destaque o Projeto ―Boca da Noite‖ realizado ás quartas-feiras com apresentações de bandas locais. Avaliação: Em bom estado de conservação, banheiro com acessibilidade e perfeita higiene, dispõe de rampas de acesso também na sala de projeção com acessibilidade. Figura 13: Clube dos Diários. Fonte: www.teresinapanoramica.com 139 13h:20min Central de Artesanato Mestre Dezinho Antigo Quartel da Policia Militar. É o maior centro de vendas de artigos artesanais de Teresina onde se encontra trabalhos em fibras de carnaúba, madeira, cerâmica, artigos de couro, rendas de bilro, bordado, jóias de opala (pedra preciosa encontrada na cidade de Pedro II-PI) doces e licores regionais. Na sua parte superior funciona a administração e escola de música e na sua parte inferior funciona escola de dança, 25 lojas, auditório, lanchonete, balcão de informações turísticas e um amplo estacionamento. Na recepção encontra-se um painel em madeira talhada do artesão Mestre Dico representando o vaqueiro piauiense e os carnaubais, uma galeria das lendas, quadros do artista plástico Portelada destacando-se a lenda do Zabelê e Cabeça de Cuia entre outras lendas do nosso estado. No pátio está o Jardim da História com esculturas em argilas do escultor Charles do Delta representando alguns dos principais personagens da história do Piauí, com destaque para Mestre Dezinho, bem como as esculturas em ferro do artista plástico Carlos Oliveira representando a Árvore da Macro-Fauna, Bailarina e um vaqueiro e a estatua de Nossa Senhora da Vitória padroeira do Estado. Ótima parada para comprar souvenirs. No local há também espaços para degustar sucos e petiscos característicos da cidade. Com uma estada de 30 minutos para compras. Avaliação: Local dotado de rampas, corrimões, segurança pública, bom estado de conservação, banheiros adaptados. Figura 14: Fachada da Central de Artesanato ―Mestre Dezinho‖. Fonte: SETUR/PI 140 ―Em seguida após uma caminhada de 6 minutos até o Palácio de Karnak, pela Avenida Antonino Freire considerada pelo Guiness Book a menor avenida trafegável do mundo.‖ Figura 15: Av. Antonio Freire Fonte: Arquivo pessoal 13h: 30min Palácio de Karnak Construído no final do séc. XIX, onde funcionou inicialmente o ―Instituto do Karnak‖, titulo dado ao prédio piauiense que depois Gabriel Ferreira então governador do Piauí, vendeu ao Barão de Castelo Branco que o ocupou como residência familiar. Em 1924 o Governador João Luis Ferreira comprou o prédio por 100 contos de reis, mas só no governo Matias Olímpio de Melo (1926) passou a funcionar como sede do governo e 141 residência do governador. Sobre o nome Karnak sabe-se apenas ser de origem egípcia (este nome configura a simbologia histórica do templo egípcio e a reverência do prédio junto a sua arquitetura). Nos anos 70 ganhou um jardim do conceituado botânico Burle Marx, aberto à visitação. Hoje funciona como sede do governo estadual, não mais como residência. Lá existe uma pinacoteca com quadros de pintores piauienses: Pindaro Costa Andrade, Dora Parentes, Afrânio e o Italiano Flavane e obra do Pintor Almir Gadelha que representa a Batalha do Jenipapo. Faz parte de sua decoração: lustre de cristal Bacarat, espelho Veneziano, castiçais de prata, jarro de cristal de Murano, entre outros. A sua arquitetura é Greco-romano. Constando com rampas de acesso e banheiros públicos. As visitas devem ser agendadas previamente. Avaliação: O acesso somente na parte externa. A visitação interna só com solicitação prévia. O prédio atualmente dotado de serviço de acessibilidade, limpeza e segurança pública. Figura 16: Palácio de Karnak Fonte: SETUR/PI 142 13h: 40min Almoço Continuação do passeio, agora de van com destino ao restaurante ―Favorito Comidas Típicas‖ localizado na zona leste de Teresina, área nobre da cidade. O restaurante oferece pratos típicos da culinária piauiense tais como: Capote (galinha d'angola) Carne de sol, carneiro, doce de limão, doce de bacuri, cajuína, cachaça mangueira típica da região, entre outros. Tem decoração rústica estilo fazenda. Estabelecimento de propriedade do empresário Paulo Tajra Melo que investe no segmento de alimentos e bebidas na capital. Oportunidade para os turistas, em uma conversa descontraída com os guias, além de degustarem, conhecerem com mais detalhes, nossa culinária. Avaliação: Adaptado de uma residência, estilo rústico, aconchegante. Tem uma lojinha onde são expostos à venda produtos típicos da cidade. 15h: 30min – Retorno ao Luxor Hotel (de van) e resto do dia livre. Para os que ainda tiverem pique para passear após o descanso, no final da tarde, aproximadamente às 17hs, sugere-se pegar uma van e ir visitar o Parque Encontro dos Rios, no bairro Poty Velho, onde os rios que cortam a cidade, Parnaíba e Poty, se encontram e nos apresentam uma bela paisagem, principalmente ao se aproximar do por do sol. No bairro também se encontra o Pólo Cerâmico de Teresina, para apreciar e comprar as peças confeccionadas de forma artesanal como souvenirs que são conhecidas e revendidas nacional e internacionalmente. 143 2º DIA 17h00min – Saída do Luxor Hotel (antigo Hotel Piauí) com destino a Igreja “São Benedito”. Neste final de tarde e a noite será visitada a avenida principal da cidade e seus atrativos. 17h20min: Igreja “São Benedito‖Construída em meados do século XIX em modelo toscano, inspirado em basílica medieval, a obra foi idéia do Frei Serafim de Catânia, missionário capuchinho da ordem dos franciscanos, que nasceu na Itália e chegou a Teresina em 10 de maio de 1874, então com 63 anos de idade. Não o assustou a pobreza da terra e trabalhando com afinco em 13 de junho do mesmo ano fincou, no então Alto da Jurubeba, a pedra fundamental da Igreja São Benedito, que foi por ele edificada com esmolas e trabalho do povo e concluída em 03 de junho de 1886. Nesse período foi formado um caminho que seguia da pedra fundamental da Igreja até o rio Poti, por onde as pessoas carregavam pedras e tijolos para a construção da igreja no Alto da Jurubeba. As famílias seguiam em procissão, mandavam seus escravos, e eles iam buscar lá no rio Poti, tijolos e pedras para a construção da igreja. Em fins de junho de 1893, sob comoção da comunidade, o Frei partiu para a Itália, de onde, não mais retornou. A Igreja possui três de suas portas feitas por Sebastião Mendes, talhada em motivos florais, é tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional, possui ainda uma bela escadaria que é muito utilizada quando há apresentação de corais da cidade. Avaliação: Em bom estado de conservação, perfeita higiene, dispõe de rampas de acesso. 144 Figura 17: Inicio da Avenida Frei Serafim e Igreja ―São Benedito‖ ao fundo (primeira foto). Igreja São Benedito vista aérea à noite (segunda foto). Fonte: www.piaui.pi.gov.br 17h30min: Inicio do Passeio (a pé) pela Av. Frei SerafimUm dos principais cartões postais de Teresina, a Avenida Frei Serafim é marcada por sua história e tradição ao longo de seus 1.836 m. Inicia-se na Igreja São Benedito e termina na ponte Juscelino Kubitschek. O que hoje é a mais importante artéria da cidade constava nos primeiros mapas de Teresina como ―Estrada Real‖, trilha que se iniciava no limite oriental da cidade, na vizinhança do Cemitério da Jurubeba, atual localização da Igreja São Benedito, foi o eixo de crescimento da Capital durante o século XX, dirigindo-a para o Leste (que no início da construção eram apenas fazendas, hoje área nobre da cidade) e fazendo que o perímetro urbano fosse ampliado além do Rio Poti, ligando o centro à zona leste da capital, e separando a zona norte e da zona sul, a avenida surgiu após a chegada do Frei Serafim, em 1874. Aos poucos, a região começou a ser popularizada, ao redor da igreja São Benedito, grandes construções e chácaras de famílias nobres do Piauí foram construídos. Desde a década de 1950 as luxuosas residências foram preservadas e pelo seu valor imobiliário e comercial, deram abrigo ao comércio, clínicas e empresas de grande e médio porte, que também fazem contraste com grandiosos prédios. Ao longo do tempo, a via passou por várias reformas. As duas maiores aconteceram na década de 70 do 145 século XX. Recentemente, em 2007, na administração do então prefeito Sílvio Mendes, a via passou por novas modificações. As pistas foram ampliadas devido ao crescimento do tráfego de veículos e o canteiro central ganhou um novo aspecto, com novo calçamento, mais arborizada e melhor iluminada. A via tomou um ar de praça, servindo de ponto de encontro de amigos. Hoje, ela é um boulevard largamente arborizado com oitizeiros. Edificações históricas, adaptados para abrigar empresas, dividem suas margens com modernos arranha-céus, bancos, supermercados e postos de combustível. A história de Teresina também é contada em homenagens feitas a filhos ilustres do Estado ao longo do canteiro da Avenida Frei Serafim. Estátuas do próprio Frei Serafim de Catânia, do ex-prefeito Wall Ferraz e do ex-ministro Petrônio Portella podem ser vistas em seu trajeto. Não é à toa que a Avenida Frei Serafim é considerada o coração de Teresina. Apesar de ser uma obra recente, a principal via da capital carrega em si a história de um povo e deixa na lembrança a imagem de uma das mais belas paisagens da cidade. Figura: 18: Canteiro Central da Av. Frei Serafim à noite (primeira foto), durante o dia segunda e terceira fotos e com decoração natalina (quarta foto). Fonte: www.flogao.com.br/piaui /www.meionorte.com 146 17h40min: Convento São Benedito O Convento foi construído no ano de 1886, pelos religiosos da ordem dos Capuchinhos, sob o comando do Frei Serafim de Catânia. Na década de 70 do século XX, funcionou o Colégio ―São Francisco de Assis‖. Tem boa estrutura com sala de estudos, de recreação, biblioteca, capela, refeitório e sala de encontro, além das dependências individuais e de serviços. A Ordem dos Capuchinhos mantém o trabalho assistencial ―Pia União dos Pobres de Santo Antônio‖, que funciona com doações, e atende mais de 200 idosos com complementação alimentar e assistência na área da saúde. Atualmente residem no convento três padres e 12 frades. Avaliação: Em bom estado de conservação, perfeita higiene, dispõe de rampas de acesso. Figura 19: Convento São Benedito (na primeira foto antes da restauração de 2009, na segunda foto o Convento já restaurado. Ao fundo Metropolitan Hotel ( segunda foto). Fonte: www.teresina.pi.gov.br 17h50min: Palácio Episcopal Edificação eclética com arquitetura neoclássica de 1925, projetada por um engenheiro austríaco. Antiga residência do senhor Antônio Ferraz e dona Elmira Ferraz (família nobre da época) com a morte do marido, dona Elmira por conta da sua religiosidade resolveu doar metade do palácio para Arquidiocese de Teresina, que comprou a outra metade dos herdeiros. Residência do Arcebispado Metropolitano, tendo como o primeiro bispo a ocupá-lo, Dom Severino Vieira de Melo e na década de 60 do século passado seu hóspede mais ilustre Dom Avelar Brandão Vilela, arcebispo do Piauí e posteriormente Bispo Primaz do Brasil. Hoje reside, atualmente, o Arcebispo Dom Sérgio da Rocha. Neste local se tomam as principais decisões religiosas da 147 Arquidiocese de Teresina e são realizadas a apresentação e divulgação de eventos. Avaliação: Bom estado de conservação, com rampas de acesso e banheiros adaptados. Aberto a visitação a partir das 17h00. Figura 20: Palácio Episcopal Fonte: www.teresinapanoramica.com Metropolitan Hotel - Inaugurado em 2001, está localizado no coração de Teresina, dispõe de 124 apartamentos e 5 suítes, sendo 4 executivas e 1 presidencial. É o mais moderno hotel do Piauí. Desde sua arquitetura arrojada e com ar futurista, até seu interior, totalmente projetado pelo arquiteto piauiense Adriano Guimarães Melo oferecendo ao hóspede conforto, segurança e comodidade, em todos os ambientes. Tudo, inclusive a decoração, é sóbrio, elegante e de extremo bom gosto. Todos os 124 apartamentos possuem cofre digital e fechaduras eletrônicas, com acesso através de cartões magnéticos, apartamentos e banheiros adaptados, TV a cabo, ponto de Internet com provedor próprio e exclusivo para hóspedes. No terraço panorâmico, está localizado o Fitness Center. De lá obtem-se uma bela vista da cidade. Figura 21: Imóvel antigo em uso comercial (primeira foto) e Metropolitan Hotel (segunda e terceira fotos). Fonte: www.teresinapanoramica.com 148 18h00min: Caminhada pelo canteiro central da Av. Frei Serafim, Aos poucos a avenida foi se tornando mais centro econômico e menos residencial, mas sem perder a beleza. Durante o passeio acontecerão paradas para apreciação da arquitetura neoclássica de alguns prédios que passaram por restauração, mas continuam com suas fachadas conservadas, como segue abaixo: 18h:10min Colégio Sagrado Coração de Jesus Conhecido como Colégio das Irmãs, pertencente às irmãs Savinianas, o terreno onde é hoje o Colégio das Irmãs foi doado pela família Cruz, uma das famílias nobres de Teresina do século XX, que eram donos da Companhia de Navegação. O Presidente da República Getúlio Vargas, recebeu homenagem quando de sua visita ao colégio, em 1933. Figura 22: Colégio Sagrado Coração de Jesus / Colégio das Irmãs (na primeira foto fachada diurna e na segunda, vista aérea noturna com a capela neogótica). Fonte: www.teresinapanoramica.com Figura 23: Prédios antigos em uso comercial. (Av. Frei Serafim) Fonte: www.teresinapanoramica.com 149 A Avenida Frei Serafim foi o endereço elegante da cidade durante muitos anos. As famílias de posses (principalmente de prósperos comerciantes árabes) erguiam casarões ecléticos na avenida e nas ruas adjacentes, com elementos decorativos ricos e variados, como os estilos em ―chalé suíço‖ e inglês. Embora boa parte destes casarões tenha sido demolida, muitos resistiram aos anos e foram adaptados a usos comerciais modernos, que já foram citados anteriormente, alguns dos quais podem ser vistos nestas imagens: Figura 24: Prédio do antigo Instituto Nacional da Previdência Social - INPS (primeira foto) e outros prédios antigos em uso comercial. Observa-se que o estilo neoclássico é mantido nas fachadas. Av. Frei Serafim. Fonte: www.teresinapanoramica.com No terreno hoje se encontra o Metropilitan hotel e a loja ―Irineu‘s‖ Fotos já foi residência do governador Pedro Freitas e do desembargador Helvídio de Aguiar e Dona Genoveva, avôs da senhora Genu Moraes, conhecida na cidade por ser uma memória viva do registro da história da cidade de Teresina, pois acompanhou desde criança o desenvolvimento da capital. Próximo à eles residiram também Antonino Freire, que governou o Piauí de 1902 a 1910, e Leônidas Melo, que também foi gestor do estado, no período de 1935 a 1945.; e a casa do ex- Senador Antonino Freire que hoje virou um estacionamento na frente do Palácio de Karnak – todos eles se encontram no coração da cidade. 150 Neste momento far-se-á uma parada, para descanso e degustação de sorvete de frutas regionais e uma conversa informal quando os guias de turismo contarão casos interessantes e relevantes da cidade. ―Percebe-se que muitos imóveis perderam sua estrutura neoclássica e hoje dão lugar a empreendimentos comerciais com arquitetura moderna e arrojada, um exemplo de mudança é o terreno onde se situava a casa de Matias Olímpio, importante nome na história piauiense, que deu lugar ao supermercado Hiper Bompreço.‖ 19h00min: Hospital Getúlio Vargas Construído na gestão do Dr. Leônidas de Castro Melo, Governador do Piauí, Professor e Diretor do Liceu Piauiense e da Escola Normal e inaugurado nos anos 40, pelo Presidente Getúlio Vargas. No ano de 2010 passou por uma ampla reforma sendo conservada sua fachada original. É um dos principais hospitais que compõem o Pólo de Saúde do Centro de Teresina, onde funcionava o único Pronto Socorro da Cidade. Local de ensino dos estudantes da área de saúde da Universidade Federal do Piauí - UFPI e Universidade Estadual do Piauí - UESPI. Encontra-se à sua frente um busto de seu idealizador e construtor, Dr. Leônidas Melo. Avaliação: Em bom estado de conservação, perfeita higiene, dispõe de rampas de acesso,elevadores entre outros. Figura 25: Hospital Getúlio Vargas (primeira foto antes e segunda foto após a reforma). Fonte: www.cabecadecuia.com 151 19h20min: Departamento de Estradas e Rodagens do Piauí- DER Edifício sede do DER/PI, chama-se oficialmente Edifício Chagas Rodrigues iniciada sua construção em 1958, no Governo de Jacob Manuel Gayoso D'Almendra e concluída em 1962, pelo Governador Francisco das Chagas Rodrigues, com projeto do arquiteto carioca Maurício Sued é composto de volumes puros e linhas retas, com um amplo pavimento térreo livre, escada helicoidal e pilares modulados. Fica no cruzamento das duas principais avenidas de Teresina (Frei Serafim – antiga Estrada Real e Miguel Rosa – antiga Estrada do Gado), é uma das principais obras modernistas da cidade. Existe um grande painel do artista plástico piauiense Genes, retratando o típico vaqueiro piauiense na mata de carnaubais, traz para a realidade local esta obra que incorporou integralmente o estilo internacional. Avaliação: Em bom estado de conservação, limpeza, dispõe de rampas de acesso. Figura 26: Prédio do Departamento de Estradas e Rodagens do Piauí Fonte: www.teresinapanoramica.com 19h40min: Estação Ferroviária de Teresina Construída entre 1922 e 1926, de estilo francês, é um edifício eclético com ornamentação de madeira lavrada e telhado de duas águas, feito com telhas do tipo marselha e profundos beirais. Traz gravados em sua fachada o ano de construção (1926) e o nome da cidade com sua grafia original, ―Theresina‖. Desde 1990 é a Estação Central do sistema de trens urbanos. Parte de sua estrutura abriga o ―Espaço Cultural Trilhos‖, um dos mais ativos centros culturais públicos da cidade. Avaliação: Em bom estado de conservação, perfeita higiene, dispõe de rampas de acesso. 152 Figura 27: Estação Ferroviária / Espaço Cultural Trilhos. Fonte:SETUR/PI 19h50min às 22h00min: “Espaço Cultural Trilhos” Localizado nos antigos galpões da Estação Ferroviária de Teresina, com espaços para shows, exposições e o Teatro da Estação. É um espaço destinado a apresentações e divulgação dos trabalhos de artistas locais nas áreas de música, artes cênicas, dança lançamento de livros e exposições. Às quintas-feiras acontece a já tradicional apresentação do grupo Trombone e Cia, iniciativa do clube do Choro de Teresina que reúne chorões de todas as idades para curtir um dos mais genuínos ritmos brasileiros. Avaliação: Em bom estado de conservação, limpeza, dispõe de rampas de acesso. 22h00min – Retorno ao Luxor Hotel (de van) e noite livre. Para quem ainda buscar uma diversão noturna, sugere-se pegar um táxi e da um passeio na região leste da cidade, mais precisamente nas Avenidas Nossa Senhora de Fátima, Dom Severino e Homero Castelo Branco, onde estão situados diversos restaurantes e casas de shows. 153 CONSIDERAÇÕES FINAIS Teresina, como as demais cidades brasileiras enfrenta atualmente um grande desafio - encontrar um modelo de desenvolvimento. Desafio este que se amplia mediante as dificuldades de gestão urbana e de satisfação das necessidades de sua sociedade. Desde sua fundação, em 1852, a Capital do Piauí seguiu um plano estrutural e um zoneamento urbano que delimitavam sua estrutura viária, a localização das instituições públicas, os padrões residenciais, as atividades comerciais e até mesmo a localização de serviços de caráter especial, como o cemitério por exemplo. A concentração de atividades no centro urbano, definida por um modelo radiocêntrico de urbanização gerou um congestionamento de pessoas e interesses em um único pólo. Mesmo com o desenvolvimento dos subcentros, o núcleo central da cidade ainda é o principal destino dos teresinenses e de tantas outras pessoas que dele dependem. É grande a atração que a cidade de Teresina exerce sobre a população dos municípios mais próximos, configurando-se como um centro polarizador de bens e serviços. O processo de urbanização da cidade continua acelerado e se expandindo acima da capacidade de atender às demandas sociais, culturais e econômicas faz-se necessário a realização de um trabalho conjunto dos gestores públicos estaduais e municipais para a efetivação das melhorias necessárias (ver anexo), possibilitando assim, o êxito quando da implantação do roteiro turístico. Dessa forma, Teresina enfrenta um processo semelhante ao vivenciado por grande parte das cidades brasileiras, devido um intenso ritmo de urbanização em que o não planejamento da expansão da cidade dificulta o alcance de um modelo de desenvolvimento socioambiental sustentável. A busca pela sustentabilidade no meio ambiente urbano só é possível se a cidade passar a ser vista numa concepção social, em que a mesma é um espaço construído por meio de modelos políticos, econômicos e culturais, com a participação de todos em prol de interesses coletivos e individuais em que a presença do poder público é fundamental como mediador desse processo. Conceitos cristalizados que naturalizam o meio ambiente e colocam o homem como grande vilão para sua preservação devem ser esfacelados. ―É preciso trocar as lentes‖; homem e natureza não pertencem a mundos opostos, pelo contrário, é da 154 relação entre sociedade e suas culturas, com os elementos físicos e biológicos que se define o meio ambiente. Olhando por esse ângulo é possível ver que os impactos gerados pela interação entre homem e natureza, numa relação espaço-temporal, nem sempre são negativos, e que pode existir, sim, uma relação harmoniosa entre esses elementos criando espaços ambientalmente saudáveis e justos. Faz-se necessário, portanto, a adoção de eficientes políticas públicas integradas que visem à resolução desses problemas. Que os planos diretores que venham a surgir não encarem os problemas urbanos (saúde, transporte, meio ambiente, emprego, saneamento, segurança, habitação, etc..) de Teresina como casos isolados, independentes e efêmeros e, que os gestores e habitantes do município sejam, acima de tudo, sensíveis para perceber que a qualidade de vida é um direito e desejo de todos. Afinal, o alcance da justiça socioeconômica, ambiental e cultural só é possível com atitudes, comportamentos e ações disciplinadas de todos para todos, contribuindo para a formação de indivíduos providos de uma consciência de responsabilidade social. Frente ao exposto nesta dissertação, verificou-se que a cidade é detentora de uma grande potencialidade de atratividade turística nos segmentos turismo cultural, turismo de saúde, turismo de negócios e eventos, e ecoturismo (já que dispõe de dois rios e mais de trinta parques). Portanto, há necessidade da existência de maior conscientização por parte da população no sentido de conhecer os recursos que traduzem essa potencialidade e o valor que ela representa especialmente no que diz respeito aos recursos históricoculturais, visto que o segmento Turismo Cultural baseia-se no conjunto dos valores de cada localidade, colocando em destaque a relação entre o visitante e o atrativo, permitindo acesso ao patrimônio cultural, à sua história, às tradições, aos seus valores artísticos, revelando na visão do presente uma síntese do seu passado histórico. A existência de um Roteiro Turístico é essencial tanto para o visitante como o próprio teresinense ter conhecimento desta oferta e saber valorizá-la. Este trabalho tratou dos aspectos da cidade de Teresina enquanto espaço vivido, e que nele a busca pela satisfação da qualidade de vida e pelas necessidades da sociedade vem transformando-o de modo que não há uma prioridade à identidade cultural. É necessário vivenciarmos novas práticas orientadas por uma postura que nos ajude a respeitar e valorizar as naturezas, culturas e identidades de modo sensível e ético. 155 5. REFERENCIAL BILIOGRÁFICO ABREU, Irlane Gonçalves de. O papel de Teresina na organização espacial do Piauí. In: Cadernos de Teresina. Teresina, Fundação Monsenhor Chaves, ano I, nº 2, ago1987. ACAYABA, Cíntia. Reportagem de da Agência Folha, em Cabaceiras (PB) de 27 de maio de 2007, (Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2705200715.htm acesso em 14.02.2011 às 16:48). ANDRADE, Carlos Sait P. de. Representações do calor em Teresina – PI. D. Mestrado. Recife, 2000. ANDRADE, J. V. Turismo: Fundamentos e dimensões. SÃO Paulo, 2001. ANDRADE, Manuel Correia. Territorialidades, desterritorialidades, novas ARANTES, A. A. Produzindo o passado: estratégias de construção do patrimônio cultural. São Paulo: Brasiliense. Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, 1984. BAHL, M. Legados étnicos e ofertas turísticas. Curitiba: Juruá, 2004b. ______, M. Roteiros e eventos como elementos dinâmicos no desenvolvimento regional do Turismo. IN: Seminário de pesquisa em turismo do MERCOSUL, 03, 2005, Caxias do Sul, Anais... 1 CDROOM. ______, M. Viagens e roteiros turísticos. Curitiba: Protexto, 2004 a. BALLART, Josep. 1997. El Patrimônio Histórico y Arqueológico: Valor y Uso, Barcelona, Ariel BANDUCCI Jr., A., BARRETTO, M (orgs.) Turismo e Identidade Local – Uma visão Antropológica. Campinas, S.P. Papirus, 2001. BARRETTO, C. Patrimônio Histórico. In: Boff, C; Gonçalves, A. B. Turismo e Cultura: A história e os Atrativos Regionais. Santo Ângelo, RS: Gráfica Venâncio Ayres, 2002. p 99-104. BARRETTO, M. Turismo e Legado Cultural: As possibilidades do Planejamento. Campinas, S. P.: Papirus, 2001. 2ª ed. – Coleção Turismo. BEAUVOIR, S. de. A velhice. Rio de janeiro: Nova Fronteira, 1990. BOHOSLAVSKY, E. – 2005. Bombardeo de la Plaza de Mayo de 1955. Convocatória de Mesa de Trabajo. BOITTEUX, Bayard. Planejamento e Organização do Turismo. São Paulo. Ed. Qualitymark, 2003 156 __________, Bayard., WERNER, Mauricio. O turismo como fato empreendedor e de lazer. São Paulo: Ed. SENAC, 2003. BOMBASSARO, L. C. As fronteiras da epistemologia: uma introdução ao problema da racionalidade e da historicidade do conhecimento. Petrópolis, RJ: Vozes, 1992. BOSI, Eclea. Memória e sociedade: lembranças de velhos. 3ª ed. São Paulo: Cia das letras, 1994. BOTELHO, Cléria. Memória, patrimônio e turismo. UNB – CET BRAMBATTI, Luiz E. (org.). Roteiros de turismo e patrimônio histórico. Porto Alegre: EST, 2002. BRASIL. Ministério do Turismo. Coordenação Geral de Regionalização. Programa de Regionalização do Turismo – Roteiros do Brasil: Módulo Operacional 7: Regionalização turística. Ministério do Turismo. Brasília, 2007. BUONCRISTIANI, Paola. Paesaggio e viabilità: metodi di analisi e criteri di gestione per i paesaggi attraversati. In: TONUS, J. W. (org.). Projeto VICTUR: Valorização do turismo integrado à identidade cultural dos territórios. Caxias do Sul: Belas Letras, 2007. BURKART, A. J. & Medlik. S. 1981, Tourism: past, present and future. Heinemann, London. BURNS, P.M. Turismo e Antropologia: uma introdução. São Paulo. Ed. Chronos, 2002. CAMARGO, A. L. de Brasil. Desenvolvimento sustentável: dimensões e desafios. Papirus., 2005. CAMARGO, H. L. Patrimônio Histórico e Cultural. São Paulo: Aleph, 2002. Coleção ABC do Turismo. CENTENO, R. Metodologia de la investigación aplicada al turismo. Éxico: Trilllas, 1992 CARVALHO, J. A. M.; ANDRADE, F. C. D. Envejecimiento de la poblacion brasileña: oportunidades y desafios. In: Encuentro Latinoamericano y Caribeño sobre las Personas de Edad, 1999, Santiago. Anais. Santiago: Celade, 2000. p. 81-102. CASTELLS, Manuel. A Questão urbana. Trad. Arlete Caetano. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983. CASTELO BRANCO, Aline E. O Desenho urbano e sua relação com o microclima: um estudo comparativo entre duas áreas centrais em Teresina-Pi. Recife-PE. Dez. 2001. Dissertação de Mestrado. CASTRO, I. E, GOMES, P. & CORRÊA, R.L. (orgs). Geografia: Conceitos e Temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995, p. 77-116. 157 CENTENO, R. Metodologia de la investigación aplicada al Turismo. Éxico: Trilllas, 1992 CHAVES, Monsenhor Joaquim. Obra completa. Teresina, Fundação Monsenhor Chaves, 1998. CHUVA, Márcia (org.) A invenção do patrimônio: continuidade e ruptura na constituição de uma política oficial de preservação no Brasil. Rio de Janeiro: IPHAN,1995. (Detalhes,2) CISNE e GASTAL. A produção acadêmica sobre roteiro turístico: um debate. Artigo apresentado no grupo de trabalho do VI Seminário da Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação de Turismo (ANPTUR). São Paulo, 2009. CONNERTON, P. - 1999. Como as Sociedades Recordam. Celta Editora, Oeiras, Portugal. Introdução e Memória Social.. CONWAY, M. – 1998. El Inventario de la Experiência: memoria e identidad. In: PAEZ, D. et alli – Memorias Colectivas de Processos Culturales y Politicos. Univ. Del País Basso, Bilbao. CORNEY, F. - 1998. Rethinking a Great Event: the October Revolution as Memory Project. In: Social Science History, no.22,vol.4. COSSART, Henri. Método altadir de planejamento popular. In: KLAUSMEYER, A., RAMALHO, L. (orgs). Introdução a Metodologias Participativas: um guia prático. Recife: SACTES – DED, 1985. (Série Metodologias Participativas I) p. 29–40. COSTA FILHO, Alcebíades. Sob o signo das águas a gênese urbana do piauiense. In: Scientia et spes: revista do Instituto Camilo Filho – v.1, n.2 (2002) – Teresina-PI: ICF, 2002 – semestral. p.15-34. CREATO, Oficina de Roteiros. Manual técnico de desenvolvimento e operação de produtos e roteiros turísticos. 10. ed. Belo Horizonte. 2005. CRUZ, R. de C. Política de turismo e território. São Paulo: Contexto, 2001 TRANSE/CEAM, Cultura e Re-tradicionalização. Brasília, Universidade de Brasília, DE MASI, D. O ócio criativo. Rio de Janeiro: Edit. Sextante, 2000. DENKER, Ada de Freitas Maneti. Pesquisa em turismo: planejamento, métodos e técnicas. São Paulo: Futura, 1998. DIAS e Aguiar. Fundamentos do Turimso: conceitos, normas e definições. Ed. Alínea, 2002. DIAS, Cid de Castro. Piauí: projetos estruturantes. Alínea publicações Editora, Teresina: 2006. DIAS, Reinaldo. Turismo e patrimônio cultural: recursos que acompanham o crescimento das cidades. São Paulo: Saraiva, 2006.258 p. 158 DOBAL, Hindenburgo Teixeira. Roteiro sentimental e pitoresco de Teresina. Teresina: Fundação Cultural Monsenhor Chaves, 1992. ECKERT, C. - 1998. Memória e Identidade. In: FREITAS, C. op cit.Edpucrs, 2002. EICHENBERG, R. M. H. Estudo das manifestações culturais coloniais do roteiro caminhos de boa vista: Subsídios para a oferta como Turismo cultural em Santa Cruz do Sul-RS. Balneário Camboriú: UNIVALI, 2003. ELY, R. e McCABE, - 1996. Gender Differences in Memories for Speech. In: LEYDERSDORF, et ali – Gender and Memory. Oxford University Press, Oxford. EMBRATUR. Estudos do turismo brasileiro. Brasília: EMBRATUR, 1999. 253 p. ESTADO DO PIAUÍ. Plano de desenvolvimento local integrado de Teresina. Teresina. Governo do Estado/Prefeitura Municipal de Teresina. 1969. FALCÃO, J. A. G. O turismo internacional e os mecanismos de circulação e transferência de renda. In: Eduardo Yázigi (org.) Turismo: espaço, paisagem e cultura. São Paulo. HUCTEC, 1996. FILHO, Tito. Teresina meu amor. COMEPI, 4° ed. Teresina, 2002. FONTELES, José Osmar. Turismo e impactos socioambientais. São Paulo: Aleph, 2004. 218 p. ISBN 858588794X. FRANCO, José Patrício. Capítulos da História do Piauí. Teresina, 1983. FREIRE, D.; PEREIRA, L. L. História Oral, Memória e Turismo Cultural. In. Murta, S. M. Albano, C. (orgs) Interpretar o patrimônio: um exercício do olhar. Belo Horizonte: Ed. UFMG; Território Brasilis, 2002. p 121-130. FUNARI, Pedro Paulo A. (org.). Cultura e arqueologia histórica. Campinas (SP): UNIACMP, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas,1998.p. 179-220.(Idéias, 1) FUNARI, Pedro Paulo e PINSK, Jaime (Orgs). Turismo e Patrimônio Cultural. São Paulo: Contexto, 2005, 4 Ed (Coleção Turismo Contexto). FUNDAC, Fundação Cultural do Estado do Piauí, disponível <http://www.fundac.pi.gov.br>. Acesso em 07 de dezembro de 2011, às 07hs. em FUSTER, F. Teoría y técnica del Turismo. 4ed. Madrid: Nacional, 1972. GARCIA, João Gabriel L.C., M.V.C. e GUSMÃO, R. Patrimônio Imaterial, Performance Cultura e Re-tradicionalização. TRANSE/CEAM, Brasília, Universidade de Brasília, 2003. GASTAL, S. (org.). Turismo: 9 propostas pra um saber-fazer. Porto Alegre: GASTAL, S; CASTROGIOVANNI, A.C (orgs.). Turismo na pós-modernidade: (des)inquietações. Porto Alegre: EDIPURCRS, 2003. 159 ________, S. Turismo, imagens e imaginários. São Paulo: Aleph, 2005. GEERTZ, C. (1989). A Interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LCT. GIL, Antônio Carlos. Como elaborar Projetos de Pesquisa. 4 ed-11.reimpr. São Paulo: Atlas, 2008 GOMES, José Aírton Gonçalves. Teresina: Ontem e Hoje. Teresina, Fundação Cultural Monsenhor Chaves, 1992. GOMES, Lucy. O amor e a finitude da vida. In: Loureiro, Altair L. Terceira idade: ideologia, cultura, amor e morte. Brasília: universidade de Brasília, 2004. GONÇALVES, JR. Autenticidade, memória e ideologias nacionais: o problema dos patrimônios culturais. Estudos Históricos 1[2], 1988. GOODNEY, B.; MURTA, S. Interpretação do patrimônio para visitantes: um quadro conceitual. In: ALBANO, C.; MURTA, S. (orgs). Interpretação do patrimônio: um exercício do olhar. Belo Horizonte, Editora da UFMG; Território Brasilis, 2002. GRÜNEWALD, R. A. 2003. Turismo e Etnicidade. In. Horizontes Antropológicos: Antropologia e Turismo. n. 20, ano 9, P. 141 – 160. HADDAD, E. G. de M. O direito à velhice: os aposentados e a previdência social. São Paulo: Cortez, 1993. HAESBAERT, Rogério. O mito da desterritorialização: do „fim dos territórios‟ à multiterritorialidade. Rio de Janeiro: HALBWACHS, M. - 1990. A Memória Coletiva. Vértice Editora, São Paulo. HAUFE, H.-1999. Lugares à Beira d‟água. Espaços da Memória. In: Humbold, ano 44, nº84.Bertrand Brasil, 2004. HORTA, N. M. Curso – Patrimônio histórico, cultural e turístico de Belo Horizonte: Incentivo à Implantação do “Turismo de Cidade”. 2009, 144f. Dissertação de Mestrado em Turismo. CET/UNB, 2009. IGNARRA, L. R. Planejamento turístico municipal: um modelo brasileiro. São Paulo: Pioneira. Thomson Learning, 2002. __________, Luiz Renato. Fundamentos do turismo. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002. ILLANES OLIVA, M. A. – 2002. La Batalla de la Memoria. Planeta/Ariel, Santiago do Chile. Pag. 11-19. IN: Seminário de Pesquisa em Turismo do MERCOSUL, 03, 2005, Caxias do Sul, Anais... 1 CDROOM. IRVING, Marta A. Participação – questão central na sustentabilidade de projetos de desenvolvimento. In: IRVING, Marta A; AZEVEDO, Julia. Turismo: o desafio da sustentabilidade. São Paulo: Futura, 2002. 160 KLAUSMEYER e RAMALHO. Introdução à metodologias participativas: um guia prático. Recife. SACTES-DED, 1965 (p. 29-40). KNAFOU, R. Turismo e território. Por uma abordagem científica do turismo. In: Adyr A. B. Rodrigues (org.). Turismo e geografia. Reflexões teóricas e enfoques regionais. São Paulo, HUCITEC. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 6. Ed. São Paulo: Atlas, 2005. LAS MADRES DE LA PLAZA DE MAYO - 2001. Plaza Tomada con este Pañuelo Blanco. Poema Colectivo. In: Jornal do Grupo de Tortura Nunca Mais, ano 13, no.38 LEMOS, A. S. R. Análise do agenciamento dos roteiros turísticos culturais em Ilhéus-BA: Uma abordagem econômica e sócio-cultural. Ilhéus: UESC, 2005. LEMOS, A. S. R. Análise do agenciamento dos roteiros turísticos culturais em Ilhéus-BA: Uma abordagem econômica e sócio-cultural. Ilhéus: UESC, 2005. Dissertação (Mestrado em Cultura e Turismo), Universidade Estadual de Santa Cruz, Universidade Federal da Bahia, 2005. LIMA, Iracilde M.ª de Moura Fé e ABREU, Irlane Gonçalves de. Igreja do Amparo: O marco zero de Teresina. In: Cadernos de Teresina, Revista Informativa e Cultural da Fundação Monsenhor Chaves. Teresina, Ano XII, Nº 32, Outubro de 2000. _____, Iracilde M.ª de Moura Fé. Teresina: tempo e espaço. Teresina: Halley, 1998 (livro didático). _____, Iracilde M.ª de Moura Fé. Caracterização geomorfológica da bacia hidrográfica do Poti.. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1982. (Dissertação de Mestrado). _____, Iracilde M.ª de Moura Fé. Urbanização e meio ambiente em Teresina. Teresina, 2001 (inédito). LIMA, Milcíades G. de. O Clima de Teresina. Boletim da UFPI. Teresina: EDUFPI, v.1, n.1, p.1-2, 1985. LIMA, Milcíades G. de. Revalorizando o verde em Teresina: o papel das unidades ambientais. In: Cadernos de Teresina, Revista Informativa e Cultural da Fundação Monsenhor Chaves. Teresina, Ano X, n. 24, Dezembro de 1996, p. LIMA. Milcíades G. de. A Realidade sócio-ambiental do Piauí. In: SANTANA, R. N. Monteiro de (org.). Piauí: Formação – Desenvolvimento– Perspectivas Teresina. Halley/FUNDAPI, 1995. LIMA. Milcíades G. de. O Relevo piauiense: uma proposta de classificação. In: Carta CEPRO, Teresina, v. 12, n.2, ago./dez., 1987, p 55-84. LOWENTHAL, D. - 1998. El Pasado es un País Extraño. Akal Edit., Madrid. Introdução e Cap.1,2. 161 LUCHIARI, M. T. D. P. Urbanização turística: um novo nexo entre o lugar e o mundo. In: Luiz Cruz Lima (org.). Da cidade ao campo: A diversidade do saber-fazer turístico. Fortaleza, UECE. MARQUETTO & SZALANSKI. Roteiro Caminhos de Santiago das Missões: empreendedorismo e gestão. IN: Seminário de pesquisa em turismo do mercusul, 05, 2008, Caxias do Sul, Anais... 1 CD-ROOM. MATHIESON, A. and WALL, G., (1982. P. 42): Tourism: Econimic, Physical and Social Impacts. Kongman, London. MELO SALES, Maria do Socorro. Consciência ambiental do teresinense: determinantes históricos- sociais. Teresina, PI: Universidade Estadual do Piauí, 2004. MENEZES, E. M. Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertação. Florianópolis.Santa Catarina. Ed. Da URSC, 2000. MESSY, Jch. A Pessoa Idosa Não Existe: uma abordagem psicanalítica da velhice. São Paulo, Editora Aleph, 1993. MINISTÉRIO do Meio Ambiente. Projeto 1 – BRA /94/016. Cidades sustentáveis: subsídios à elaboração da agenda 21 brasileira / Maria do Carmo de Lima Bezerra e Marlene Allain Fernandes(coord.). Brasília: MMA; IBAMA; Consórcio Parceria 21 IBAMISERT– REDEH. 2000.155p. MINISTÉRIO DO TURISMO. Roteirização turística. Série Roteiros do Brasil. V.7. Brasília: Secretaria Nacional de Políticas de Turismo, 2007. _________________________. Segmentação do turismo: Marcos conceituais. Série Roteiros do Brasil. 2008 MITRAUD, Sylvia (Org.). Manual de Ecoturismo de Base Comunitária: ferramentas para um planejamento responsável. Brasília: WWF, 2003. MODELL, J. e HINSHAW, J. - 1996. Memory and Gender in Homestead, Pennsilvania. In: LEYDERSDORF et alli, op cit. MOESCH, M. A produção do saber turístico. 2ed. São Paulo: Contexto, 2002. MOESCH, Marutschka M. Para além das disciplinas: O desafio do próximo século. In: GASTAL, Susana (org.). Turismo investigação e crítica. São Paulo : Contexto, 2002, p. 25-44. MOESCH, N. M. Turismo: virtudes e pecados. In: Suzana Gastal (org.) Turismo: 9 propostas para um saber-fazer. S/local: dos autores. MOLETTA, V.F. Turismo rural. 3ªd. –Porto Alegre: SEBRAE/RS, 2002. MONTEIRO, Orgmar. Teresina descalça. Fortaleza: IOCE. 1987, vol. 2 e 3. 162 MONTEJANO, J. M. Estrutura del mercado turístico. Rotas e roteiros. Madri: Editorial Síntesis, 1991. Acesso em 07.01.2010. Disponível em MORAES, Adolfo M.. Rio Parnaíba. Um Rio em Busca de Norte. In: Carta CEPRO. Teresina: Cepro, v. 18, n. 1 Jan/Jun. 2000. MOREIRA, Amélia Alba Nogueira. A cidade de Teresina. In: IBGE. Boletim Geográfico. Rio de Janeiro. Ano 31, n. 230, set./out.. 1972, p. 3-185. MORIM, E. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 1999. MYANAKI, Jacqueline...[Cultura e turismo/ et al].;coordenação Regina Araujo de Almeida...[et al]. Ed.rev.eampl.—São Paulo:IPSIS,2007 N.A. (coord.)(2001).Turismo cultural y desarrollo sostenible. Análise de áreas patrimoniales. Universidad de Murcia, Servicio de Publicaciones. NICOLÁS, D. H. Elementos para un análisis sociogeográfico del turismo. In Adyr A. B. Rodrigues (org.) Turismo e geografia: reflexões teóricas e enfoques regionais. São Paulo, HUCUTEC. OLICK, J. - 1998. Memory and the Nation: continuities, conflicts and transformations. In: Social Science History, no.22, vol.4. OLIVEIRA, Antônio Pereira. Turismo e Desenvolvimento. apud ROSE, Alexandre Turatti de. Turismo: planejamento e marketing, aplicação da matriz de portfólio para destinações turísticas. Barueri, SP: Manole, 2002 OMT - ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE TURISMO. 2000. Tendências de los mercados turísticos: Edición para lãs Américas. Madrid: Organización Mundial Turismo, 2000. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO. Evaluación de la eficiencia de La promoción. apud ROSE, Alexandre Turatti de. Turismo: planejamento e marketing, aplicação da matriz de portfólio para destinações turísticas. Barueri, SP: Manole, 2002. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO. Turismo internacional: uma perspectiva global. Porto Alegre: Bookman, 2003. ORGANIZACION MUNDIAL DEL TURISMO (OMT), (1996): Implications of the UM/WTO Tourism Definitions for the U.S. Tourism Statistical System, (1994): Recomendações sobre estatísticas de turismo, Madrid. PANOSSO NETTO, A. Filosofia do turismo: teoria e epistemologia. São Paulo: Aleph, 2005. PAPALEO NETTO, Matheus. Gerontologia: a velhice e o envelhecimento em visão globalizada. São Paulo. Ed. Atheneu, 2002. 524 p. 163 ________________, M. O estudo da velhice no séc.XX: Histórico, definição do campo e termos básicos. In: Freitas, E. V. Et all. Tratado de Geografia e gerontologia. Rio de Janeiro. Ed. Guanabara Koogan, 2002. PP. 2-12. PARAHYBA, Maria Isabel. Evolução da mortalidade dos idosos. In: ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS POPULACIONAIS, 11., 1998, Caxambu. Anais... Caxambu: ABEP, 1998. PEIXOTO, Eugênio. Trabalhando com o Metaplan. In: KLAUSMEYER, A. RAMALHO, L. (orgs). Introdução a Metodologias Participativas: um guia prático. Recife: SACTES – DED, 1985, (Série Metodologias Participativas I) p. 77–96. PIAUÍ, GOVERNO DO PIAUÍ, disponível em <http://www.piaui.pi.gov.br>. Acesso em 06 de dezembro de 2011, ás 16hs e 10 de dezembro de 2010 ás 18hs. PINHEIRO, F. G. M. e GOMES, C. L. Lazer, velhice e instituição asilar: reflexões baseadas na revisão de literatura e nos trabalhos apresentados no encontro nacional de recreação e lazer. (2001-2005). In: A terceira idade: estudos sobre envelhecimento. Vol. 18. N. 40. São Paulo: SESC-GETI, 2007 PMT. Lei de Preservação e Tombamento do Patrimônio Cultural do Município de Teresina. POLLAK, M. - 1992. Memória, Esquecimento e Silêncio. In: Estudos Históricos op cit. ________, M. - 1992. Memória e Identidade Social. In: Estudos Históricos, vol. 10, Rio de Janeiro. PREFEITURA MUNICIPAL DE TERESINA. Teresina - Agenda 2015. Plano de desenvolvimento sustentável. Iracilde Maria Moura Fé. Teresina: Urbanização e meio ambiente, 2002. PREFEITURA MUNICIPAL DE TERESINA. Teresina - Agenda 2015: Plano de Desenvolvimento Sustentável. Alcília Afonso, Teresina: Revitalização do Centro, 2002. PUCCI, Paulo Roberto Bannach e CARDOZO, Poliana Fabíula. Planejamento interpretativo do patrimônio cultural, histórico e arquitetônico da região central da cidade de Castro – PR. Turismo & Sociedade, Curitiba, v. 1, n. 2, p. 133-153, outubro de 2008. RAFFESTIN, Claude. Por uma Geografia do Poder. São Paulo: Ática, 1993. (tradução: Maria Cecília França). REJOWSKI, M. Turismo e pesquisa científica: Pensamento internacional x situação Brasileira. 7ed. Campinas, SP: Papirus, 2003. REZENDE, M. de. CALDAS, C.P. A dança de salão na promoção da saúde do idoso. In: A terceira idade: benefícios da atividade aquática no combate à depressão. Vol. 14 n. 27. São Paulo: SESC-GETI, 2003. 164 RODRIGUES, A. B. Turismo e espaço: rumo a conhecimento transdisciplinar. São Paulo. Ed. HUCITEC, 1997. RODRIGUES, Marcus V.C. Qualidade de Vida no trabalho: evolução e análise no nível gerencial. Petrópolis: Editora Vozes, 1999. RUSCHMANN, Doris Van de Meene. Turismo e planejamento sustentável: a proteção do meio ambiente. 3. ed. Campinas: Papirus, 1999. 199 p. (Coleção turismo). _____________, Doris Van de Meene. Turismo no Brasil: Analise e tendências. Barueri: Manole, 2002. 165 p. SALVATI, Sérgio S. (org.). Turismo Responsável: Manual para Políticas Locais. SANCHO, Amparo. Introdução ao turismo. São Paulo: ROCA, 2001 (tradução Doloris Martin Rodriguez Coner). SANTIAGO, R. C. & NOVAES, M. H. Proposta de elaboração de roteiro turístico para o litoral sul de Santa Catarina. IN: Seminário de Pesquisa em Turismo do Mercusul, 03, 2005, Caxias do Sul, Anais... 1 CD-ROOM. SANTOS FILHO J. Ontologia do Turismo: Estudo de suas causa primeiras. 1. ed. Caxias do Sul: EDUCS, 2005. SANTOS FILHO, J. Ordem régia de censura a roteiros turísticos do século XVIII: André João Antonil no índex. IN: Turismo em Análise. v. 12, n. 1, 2001. SANTOS, A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo. HUCITEC. SANTOS, José Luís dos. O que é cultura. 16 ed. São Paulo: Brasiliense, 2003 (Coleção Primeiros Passos) SANTOS, Milton. Espaço e Método. São Paulo: Nobel, 1985. SIMÃO, Maria Cristina Rocha. Preservação do patrimônio cultural em cidades. 1ª Edição. SKARPERCITY, Skyskarpercity Teresina, disponível em skyscrapercity.com>. Acesso em 06 de dezembro de 2011, às 23hs. <http://www. SOUZA, A. M.; CORRÊA, M. V. M. Turismo – Conceitos, definições e siglas. Manaus: Editora Valer, 2000. SOUZA, M. J. L. O Território: Sobre espaço e poder, autonomia e desenvolvimento. In: territorialidades: os limites do poder nacional e do poder local. In SANTOS, Milton; _______, Marcelo Lopes de. ABC do desenvolvimento urbano. 2 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005 165 SPOSITO, Eliseu Savério. Geografia e filosofia: contribuição para o ensino do pensamento geográfico. São Paulo: Editora da UNESP, 2004. 199p. STEINBERGER, Marília & CAMPOS, Neio. Vulnerabilidade do uso do Território da Cidade pelos Turistas. In: The Fourth Internacional Conference On Population Geographies, The Chinese University of Hong Kong, July, 2007. STURKEN, M. – 1997. Tangled Memories. the Vietnam War, the AIDS Epidemic and the Politics of Remembering. University of California Press, Berkeley. Introdução. _________, M. - 1997. Tangled Memories: the Vietnam War, the AIDS Epidemic and the Politics of Remembering. Univ. of California. Cap.2 The Wall and the Screen Memory. TAMANINI, Elisabete. Memória e patrimônio: a proposta dos museus locais. Campinas: UNICAMP, 1994. Dissertação de Mestrado. TAVARES, A. de M. City-tour. São Paulo: Aleph, 2002. TERESINA PANORÂMICA, disponível em <http://www.teresinapanoramica.com> Acesso em 06 de dezembro de 2011, ás 19hs e em 10 de dezembro de 2010 às 20hs. TERESINA, Prefeitura de Teresina, disponível em <http://www.teresina.pi.gov.br>. Acesso em 07 de dezembro de 2011, às 09hs. TERESINA. Lei Nº 3602 de 27 de dezembro de 2006. Disponível em <http://www.teresina.pi.gov.br> Acesso em: 21 de jan. 2011. TITO FILHO, Arimathéia. Teresina: ruas, praças e avenidas. Teresina: 1986. TURISMO cultural: El patrimônio histórico como fuente de riqueza (2000). Fundación de Patrimônio Histórico de Castilla y León. VITAE CIVILIS & WWF – BRASIL. Sociedade e ecoturismo: Na trilha do desenvolvimento sustentável. Vitae Civilis e WWF – Brasil; São Paulo: Peirópolis, 2003. WEHRFRITZ, G. and TAKAYAMA, H. –2002.The Ties that Bind. In: Newsweek. 21-24. WOORTMANN, E.F. - 1998. Homens de Hoje, Mulheres de Ontem: gênero e memória no seringal. In: FREITAS, C.: Anais do I Seminário e da II Semana de Antropologia da UCG. Editora UCG, Goiânia. WOORTMANN, E.F. - 2001. Identidades e Memória entre Teuto - Brasileiros. In: Horizontes Antropológicos, UFRGS, no. 14, Porto Alegre. XAVIER, Herbe. A percepção geográfica do turismo. São Paulo: Aleph, 2007. 106 p. (Turismo). ISBN 9788576570288. 166 YAZIGI, E. A alma do lugar: turismo, planejamento e cotidiano. São Paulo: Contexto, 2001.In: Papaléo Netto M. Gerontologia. São Paulo: Atheneu; 1997. p. 31323. [ Links ]. 2. Neri AL. ... 2002;10(5): 660-6. [ Links ]. 11. Pavarini SCI. ZONABEND, F. – 1980. Croisées, Paris. Mémoire Longue: temps et histoires au village. Puf 167 ANEXO 1: SUGESTÕES POTENCIALIDADES Desenvolvimento dos segmentos: Turismo cultural, Turismo de negócios e eventos, Turismo de saúde e ecoturismo; Gastronomia; Parques; Hospitalidade; Boa estrutura de saúde; Vida noturna; Artesanato; Revitalização do centro. PROBLEMAS E DIFICULDADES: Trânsito; Segurança; Iluminação pública; Acessibilidade; Estrutura inadequada de aeroporto e rodoviária; Espaços públicos subutilizados; Transporte público deficitário; Inexistência de postos de informação turística; Acesso ferroviário não aproveitado; Trade turístico não integrado com ações dispersas, não unificadas; O poder público municipal ainda não tem o turismo como uma das prioridades; Inexistência da delegacia do turista; Perda das características do complexo arquitetônico do centro de Teresina RECOMENDAÇÕES GERAIS Criar a Secretaria Municipal de Turismo; 168 Reformar e ampliar o atual terminal de passageiros aeroportuário até a construção de um novo terminal; Construir um novo terminal de passageiros no aeroporto com capacidade para atender 1 milhão de passageiros/ano; Implantar a oferta de vôos diretos para São Luís, com destinos posteriores para Belém e Manaus; Disponibilizar ao visitante melhor infra estrutura e serviços de apoio ao turista: Construção de postos de informação turística, melhoria da estrutura do aeroporto e da rodoviária, criação da delegacia do turista; Instalar um sistema de destinação adequada do lixo: aterro sanitário, usina de compostagem, incineração de resíduos hospitalares, dentre outros; Implantar e executar o programa de coleta seletiva de lixo; Atender, com rede pública de coleta e tratamento de esgoto, entre 40% a 50% da população no prazo de cinco anos; Sensibilizar a população quanto à importância do patrimônio histórico e cultural: Preservação e conservação do patrimônio histórico através de tombamentos; Aumentar o acervo de bens tombados (patrimônio histórico e cultural) e agilizar o processo de tombamento; Revitalizar e recuperar os rios do município; Revitalizar os parques ambientais de Teresina e elaborar um plano de manejo para os mesmos; Implementar os projetos de conscientização junto à população em prol da preservação dos rios; Despertar nos prestadores de serviços de apoio ao turismo (bares, restaurantes, o interesse da prestação destes serviços com qualidade; Promover a integração do Trade turístico; Dinamizar a instância de governança regional; Articular parcerias entre os órgãos federal, estadual e municipal com vistas à implementação de programas e projetos turísticos na região; Elaborar o plano de desenvolvimento de marketing turístico por meio de parceria público-privada; Desenvolver junto à população teresinense campanhas de elevação da autoestima quanto à potencialidade turística da cidade; Reativar o site Teresina.org; 169 Criar na secretaria municipal de turismo um setor para o desenvolvimento de estudos e de pesquisa do turismo, bem como sistematização de um banco de dados de turismo para o destino; Reativar o Conselho Municipal de Turismo. 170 ANEXO 2: MAPA DA CIDADE DE TERESINA 171 ANEXO 3: MAPA DO CENTRO DA CIDADE DE TERESINA RESSALTANDO AS DENOMINAÇÕES ANTIGAS DOS LOGRADOURO 172 ANEXO 4: ITINERÁRIO DO ROTEIRO TURÍSTICO HISTÓRICO CULTURAL “TERESINA ME FASCINA” 173 ANEXO 5: MAPA DO ITINERÁRIO DO PRIMEIRO DIA DO ROTEIRO TURÍSTICO HISTÓRICO CULTURAL “TERESINA ME FASCINA” ANEXO 6: 174 ANEXO 6: ITINERÁRIO DO SEGUNDO DIA DO ROTEIRO TURÍSTICO HISTÓRICO CULTURAL “TERESINA ME FASCINA” 175 ANEXO 7: CAPACIDADE HOTELEIRA DE TERESINA COMPOSIÇÃO DA REDE HOTELEIRA DE TERESINA. PERÍODO: 2009 Tipos MH (%) UHs (%) Leitos (%) Hotéis 33 89,2 1232 82,5 2672 85,8 Pousadas 1 2,7 83 5,6 154 4,9 Flats 3 8,1 179 12 289 9,3 TOTAL 37 100 1494 100 3115 100 GERAL Fonte: Fundação Cepro MH – Meio de hospedagem UH- Unidade habitacional 176 ANEXO 8: CAPACIDADE INSTALADA PARA EVENTOS CAPACIDADE INSTALADA PARA REALIZAÇÃO DE EVENTOS EM TERESINA - PERÍODO: 2009 LOCAL Nº DE AUDITÓRIOS CAPACIDADE TOTAL HOTÉIS 33 3685 Metropolitan Hotel 4 360 Luxir Piauí Hotel 3 400 Real Palace 12 930 Hotel Cabana 2 230 Rio Poty Hotel 8 1500 Palácio do Rio Hotel 1 35 Executive Flat Rio Poty 3 230 UNIVERSIDADES/FACULDADES Universidade Estadual do PiauíUESPI Universidade Federal do Piauí- UFPI Novafapi Facid Facime Unesc Fap Faculdade Santo Agostinho Instituto Camilo Filho Ceut Instituto Empresarial do Piauí Ifet 23 1 3885 120 9 2 1 1 1 1 1 2 1 1 2 1191 820 170 172 70 180 300 320 122 150 270 CLÍNICAS E HOSPITAIS 9 Unimed 1 Udi 24h 1 HTI 1 Clínica Santa Fé 1 Aliança Casa Mater 1 Clínica Dr. Flávio Santos 1 Hospital de doenças Tropicais Nathan 1 Portela Sanatório Meduna 1 Medimagem 1 550 100 40 90 60 40 50 40 ÓRGÃOS PÚBLICOS Tribunal de Contas do Estado Receita Federal Ministério da Agricultura DER 5 1 1 1 2 460 60 200 100 100 ÓRGÃOS PÚBLICOS ESTATAIS SEBRAE 11 1 1811 213 70 60 177 SEST/SENAT SESC/SENAC FIEPI/SESI/SENAI/IEL ABAV OAB 1 1 6 1 1 90 115 865 28 500 OUTROS 7 3534 Colégio das Irmãs 1 230 Colégio Diocesano 1 299 Instituto dom Barretp 1 225 Liceu Piauiense 1 125 Instituto de Educação 1 255 Atlantic City 1 1200 Centro de Convenções 1 1200 TOTAL 88 13925 Fonte: Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo / 2009 178 ANEXO 9: ESPAÇOS CULTURAIS DE TERESINA ESPAÇOS CULTURAIS DE TERESINA A Concha Acústica é um espaço destinado a apresentações culturais em geral. Dispões de TEATRO palco semicircular, sistema de som, iluminação, camarins, banheiros e bancadas em DE ARENA concreto para abrigar 3 mil pessoas. A Concha Acústica ―Teatro de Arena‖ é mantida pela Fundação Cultural Monsenhor Chaves. . Seu nome oficial é Conjunto Cultural Hélio Correia Lima sendo inaugurado em 5 de novembro de 1965, com a peça ―O barco sem pescador‖, desde então um dos palcos da cidade com maior número de diversidades culturais. Localiza-se na Praça Mal. Deodoro - Praça da Bandeira, Centro. A Casa da Cultura foi inaugurada em 12 de agosto de 1994, onde sua edificação foi construída entre 1870 e 1880, recentemente restaurada que pertenceu a Sr. João do Rego Monteiro, o Barão de Gurguéia (1809-1897), para sua residência e família. Depois serviu de sede do Seminário de Teresina, Escritório do DNOCS – Departamento Nacional de CASA DA Obras Contra a seca e Colégio Pedro II. É mantida pela fundação Monsenhor Chaves CULTURA abrigando o Memorial Prof. Wall Ferraz, a Biblioteca Jornalista Carlos Castelo Branco, Galeria de Arte Lucílio Albuquerque, Centro de restauração de Artes do Estado, Oficina de artes plástica, Oficinas de Dança e Teatro, Museu com salas de numismática, arte sacra, zoologia, arquivo fotográfico José Medeiros, Clube de Vídeo, Laboratório de Fotografia, Biblioteca de Arte, Balé popular do Piauí, Orquestra de Câmara de Teresina, Auditório para 60 pessoas, lanchonete e pátio para eventos e shows. Localizada na Rua Rui Barbosa, 348 – Centro. Telefone: 3221-1755. Teatro Oficina desde 1987, localizado na zona norte da cidade. Onde tem a missão de TEATRO desenvolver um trabalho artístico voltado à população carente da região com oficinas de DO BOI capoeira, artes plásticas (desenho, pintura e reciclagem), bumba-meu-boi mirim, teatro, dança e música. ESPAÇO CULTURAL Espaço Cultural Trilhos, é dedicado para as apresentações e divulgação dos trabalhos de artistas locais. TRILHOS TEATRO Inaugurado no dia 13 de agosto de 2005 dentro da programação de aniversário de 153 anos ESCOLA de Teresina. Localizado na região Grande Dirceu. JOÃO PAULO II Localizada dentro do espaço físico da Universidade Federal do Piauí, com o objetivo de ESCOLA DE implantar o programa de incentivo à cultura artística piauiense, destinado à descoberta e a MÚSICA formação de jovens músicos, bem como uma melhor qualificação e aproveitamento de ADALGISA profissionais que já desenvolvem atividades na área. Este convênio teve duração de 10 PAIVA meses. 179 THEATRO 4 São mais de 100 anos de muita história e espetáculos, conserva uma fachada com DE arquitetura de inspiração portuguesa e detalhes greco-romanos. Abriga a Sala Torquato SETEMBRO Neto, a Galeria de Artes e o Espaço Cultural Osório Júnior, onde todas as quartas-feiras acontecem o projeto Boca da Noite. O Palácio de Karnak já foi uma chácara, que servia de residência da família do Barão de Castelo Branco (Mariano Gil Castelo Branco). Foi colégio. Comprado pelo governador PALÁCIO Gabriel Ferreira, foi pago muitos anos depois pelo governador Matias Olímpio de Melo DE (1920), hoje é sede do Poder Executivo Estadual. Foi reformado internamente na primeira KARNAK administração do governador Alberto Tavares Silva, seus jardins, com arquitetura contemporânea, leva a assinatura do paisagista Burle Max. Situado à Avenida Antonio Freire n° 1450, no centro de Teresina, próximo a igreja de São Benedito, o Palácio de Karnak teve a sua construção inspirada em um templo grego. Desde 1980 sendo museu do Piauí, o antigo casarão já foi sede do Governo da Província, mais tarde do Poder Judiciário. Atualmente o museu abriga um acervo eclético que vai desde aspectos históricos da fundação da cidade, passando por coleções de moedas, instrumentos de caça e pesca indígenas, manifestações da cultura popular e artes plásticas. MUSEU DO A construção do prédio foi iniciada em 1857/1858, servindo como residência e depois sede PIAUÍ do Governo da Província, mais tarde servindo como residência e depois sede do Governo da Província, mais tarde sede do Poder Judiciário. Em 22/12/1980, foi inaugurado o Museu do Piauí. O prédio do Museu do Piauí é uma construção de dois andares, apresentando treze salas de exposição; sala ―Terra‖, sala ―Homem‖, Sala ―Colônia, Sala ―Império‖, Sala ―Republica Velha‖, Sala ―Republica Nova‖, Sala ―Arte Sacra‖, Sala ―Arte Popular‖, Sala ―Heráldica‖, Sala ―Numismática‖, Sala ―Pinacoteca‖ e Pátio. Localizado na Praça Deodoro da Fonseca, 900 – Centro, Telefone: 3221-6027. 180 ANEXO 10: PRINCIPAIS EVENTOS DA CIDADE Eventos de Destaque Mês de Realização Corso do Zé Pereira Janeiro Carnaval da Cidade Fevereiro Artes de Março Março Encontro das Lendas Abril Casa Piauí Design Eliminatória do Festival de Musica Chapada do Corisco Piauí Fashion Week Salipi Maio Folguedos Cidade Junina Abertura do Salão de Fotografia Junho Piauí Pop Encontro de Bois Aniversário da Cidade Feira dos Municípios Abertura do Salão de Artes Plásticas Teresina é Pop Encontro de Corais de Teresina Festival de Teatro de Teresina Mostra de Teatro de Bonecos de Teresina Concurso de Monólogos ―Ana Maria Rego‖ Festival de Dança Semana da Moda de Teresina Julho Agosto Setembro Outubro Feira do Empreendedor Festival de Bandas Festival de Vídeo de Teresina Novembro Natal da Cidade Dezembro 181 ANEXO 11: COMIDAS TÍPICAS Carne de sol Carne de gado seca ao sol (geralmente por 2 dias), fritada no óleo, azeite de côco ou manteiga de nata. Servida com paçoca, baião de dois, Maria Isabel ou arroz branco Paçoca Carne de sol socada no pilão aos pedaços e misturada com farinha de mandioca. Servida com carne de sol, baião de dois, Maria Isabel ou banana. Maria Isabel Carne de sol cortada em pequenos pedaços, levada ao fogo com arroz, refogada no óleo ou azeite de coco. Servido com paçoca ou carne de sol Baião de dois Arroz misturado com feijão verde temperado no óleo ou azeite de coco. Acompanha qualquer prato, especialmente paçoca ou carne de sol Lingüiça Feita com carne de leitão. Frita ao óleo ou azeite de coco. A sobra do óleo é passada na farinha de mandioca. Acompanha baião de dois, Maria Isabel ou arroz branco. Bode ao leite de coco Carne de bode temperada e levada ao fogo; após cozimento, completa o caldo com leiite de coco de babaçu. É servido com arroz branco. Galinha ao molho pardo Galinha caipira refogada e cozida, se acrescenta o sangue da galinha e a farinha de mandioca para engrossar o caldo. É servida com arroz branco ou baião de dois. Capote com arroz Galinha d´angola temperada e refogada com arroz. Não acompanha outro prato. Panelada Vísceras bovinas cortadas e pedaços pequenos, temperadas e refogadas em azeite para cozimento. Acompanha arroz branco e farinha de mandioca. Sarapatel Vísceras e sangue de bode temperados, refogados e cozido. Acompanha arroz branco e farinha de mandioca Sobremesas Doces de caju, buriti, bacuri, banana, limão, laranja, jaca, goiaba, batata, coco, umbu e leite Bebidas Sucos e licores de frutas regionais; cajuína (refresco do sumo de caju) Outros Tapioca; bolo frito; cuscuz de arroz; mingau de milho; manteiga da terra 182 ANEXO 12: LETRA DA MÚSICA TERESINA Teresina Letra de: Aurélio Melo & José Rodrigues, Ei, você me deixa tonto, zonzo Quase como um louco de encantamento Eu desanoiteço no seu todo de mulher E no verde dos seus olhos de menina Seu olhar de querubina faz o sol me esquentar E quando é noite a lua nina Teresina Que desatina até o sol raiar E de manhã eu olho pra Timon E sinto um gosto bom do Parnaíba a desaguar Então eu choro transbordantemente De alegre enchente no meu coração São dois veios vivos como as águas claras Desse Parnaíba que não volta mais Apenas olho minha Teresina Como quem delira na beira do cais Ai, troca, quem troca destroca Minha Teresina não troco jamais No Troca-Troca, quem troca destroca Minha Teresina não troco jamais.