Universidade de Brasília
Centro de Excelência em Turismo
Mestrado Profissional em Turismo
ROTEIRO TURÍSTICO HISTÓRICO CULTURAL
“TERESINA ME FASCINA”: UMA PROPOSTA
Maria Angélica Learth Cunha Meneses
Brasília-DF
2011
Universidade de Brasília
Centro de Excelência em Turismo
Mestrado Profissional em Turismo
ROTEIRO TURÍSTICO HISTÓRICO CULTURAL
“TERESINA ME FASCINA”: UMA PROPOSTA
Maria Angélica Learth Cunha Meneses
Orientadora Profa. Dra. Ellen Fensterseifer Woortmann
Dissertação apresentada ao Mestrado Profissional
em Turismo da Universidade de Brasília como
requisito parcial para obtenção do título de mestre.
Brasília-DF
Março, 2011
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central da Universidade de
Brasília. Acervo 989263.
M543r
Meneses , Mar i a Angé l i ca Lear t h Cunha .
Ro t e i ro t ur í s t i co h i s t ór i co cu l t ura l "Teres i na me
f asc i na" : uma propos t a / Mar i a Angé l i ca Lear t h Cunha
Meneses . - - 2011 .
182 f . : i l . ; 30 cm.
Di sser t ação (mes t rado) - Un i ver s i dade de Bras í l i a ,
Cent ro de Exce l ênc i a em Tur i smo , Mes t rado Prof i ss i ona l
em Tur i smo , 2011 .
I nc l u i b i b l i ogra f i a .
Or i ent ação : El l en Fens t er se i f er Woor tmann.
1 . Tur i smo - Pi auí . 2 . Tur i smo cu l t ura l . I . Woor tmann,
El l en F. - (El l en Fens t er se i f er ) . I I . Tí t u l o.
CDU 338. 482 . 2: 39
15
Universidade de Brasília
Centro de Excelência em Turismo
Mestrado Profissional em Turismo
ROTEIRO TURÍSTICO HISTÓRICO CULTURAL
“TERESINA ME FASCINA”: UMA PROPOSTA
Maria Angélica Learth Cunha Meneses
Banca Examinadora:
_____________________________________________________
Orientadora Profa. Dra. Ellen Fensterseifer Woortmann (CET/UnB)
_____________________________________________________
Examinadora Profa. Dra. Sandra Lestinge (UFPI)
_____________________________________________________
Examinadora Profa. Dra. Cléria Botelho da Costa (CET/UnB)
AGRADECIMENTOS
Hoje parei para pensar em tudo que passei para estar aqui, em primeiro lugar
quero agradecer a Deus por ter me dado condição de terminar esta empreitada.
Agradeço a minha mãe que é meu porto seguro, uma mulher batalhadora e muito
guerreira, me ensinou a viver, me fazendo ser forte.
Às minhas irmãs Socorro, Natércia e Carminha a meu cunhado Messias, a minha
sobrinha (quase filha) Tatiana por sempre acreditarem em mim me dado coragem para
seguir em frente e ao meu filho Vinícius pelo apoio e por me dar força me fazendo rir
até mesmo quando tinha vontade de chorar. ―Tenho orgulho em ter vocês como família.
Tenham certeza de que tudo que fizeram por mim, na verdade foi muito mais do que
qualquer pessoa no mundo poderia querer. Vocês vão estar eternamente em tudo o que
eu fizer. Amo vocês!‖
Agradeço à minha amiga Catarina Santos e ao meu amigo Marcello Atta pela
grande compreensão e carinho que sempre tiveram comigo, prontos para ajudar em
qualquer momento, pelos conselhos, pelas várias vezes que deixaram seus
compromissos para sentarmos juntos e, quando isto acontecia como produzíamos! Nem
todo o dinheiro do mundo será capaz de comprar o carinho que sinto por vocês.
Agradeço à minha orientadora Professora Dra. Ellen, sempre paciente, me
ajudando e transmitindo confiança. À Elenyce por me ajudar nas correções, traduções e
formatação deste trabalho.
Agradeço à Cleo, minha nora pela amizade, companhia e ajuda nas pesquisas.
Agradeço ao Professor Doutor Miguel Bahl pelas orientações, mesmo
impossibilitado de participar de minha Banca Examinadora, pelos desmandos dos
nossos governantes e às Professoras Doutoras Cléia Botelho e Sandra Lestinge por
participarem de minha Banca Examinadora e pelas contribuições, engrandecendo meu
trabalho com sabedoria, atenção e confiança. Aos entrevistados Sr. Anchieta Correia e
Genise Veloso, me recebendo com carinho e atenção.
Agradeço às minhas ex-alunas Jaciara, Andréia, Nayara, Denise, Nájara, Samara
e Karla Maia pelo carinho, dispostas a ajudar em todas as horas.
Agradeço também ao Sérgio e a Silvane, funcionários do CET pela paciência e
disponibilidade.
Agradeço a uma pessoa especial que Deus colocou em minha vida, e que apesar
de me ter tomado muito tempo de estudo, foi e é o principal incentivo de querer
continuar lutando, minha netinha – Sophia, que nasceu durante este mestrado.
RESUMO
A importância do Turismo está sendo cada vez mais reconhecida a partir da
globalização, sendo cada vez mais evidente a necessidade de estratégias que venham a
conduzir tal atividade para satisfazer ao público alvo. O espaço urbano o objeto de uso
pela atividade turística traz elementos que proporcionam melhor utilização desses
espaços agregando-lhes valores e proporcionando o desenvolvimento desta atividade
com maior grau de qualidade. O uso do espaço, pelo homem, é dinâmico e se
transforma com tempo, podendo chegar a levar uma determinada localidade a se
consolidar como um destino turístico. O presente trabalho tem como objetivo criar e
apresentar aos órgãos públicos estadual e municipal ao grupo gestor Teresina, do
Programa Destinos Indutores do Desenvolvimento Turístico Regional e aos operadores
do turismo receptivo da cidade de Teresina, uma proposta de roteiro turístico histórico
cultural tendo como público alvo, os idosos, do qual a própria população residente
poderá usufruir e perceber o potencial que a cidade detém, e então provocar nesta
população o reconhecimento, o despertar do sentimento de pertencimento e valorização
deste potencial mais especificamente seus recursos históricos e culturais. Para a
elaboração do roteiro foram realizadas pesquisas qualitativas e oficinas com a
participação das entidades de classe que atuam na atividade turística, de representantes
dos órgãos públicos federais, estaduais e municipais. A realização desta pesquisa
evidenciou a potencialidade que a cidade de Teresina é detentora em relação ao seu
patrimônio histórico e cultural e a grande contribuição que um roteiro turístico, como o
aqui proposto, dará para a cidade.
Palavras Chaves: Roteiro turístico. Patrimônio histórico e cultural. Turismo. Teresina.
ABSTRACT
The importance of Tourism is increasingly being recognized as globalization, is evident
the need for strategies that will lead this activity to meet the target audience. The use of
urban space by the tourism brings in elements that provide better use of space by adding
value and providing them with the development of this activity with the highest degree
of quality. The use of space by man is dynamic and changes with time and may even
bring a certain location to consolidate itself as a tourist destination. This work aims to
create and present state and municipal public agencies to the group manager Teresina,
the Program of Tourism Destinations Inductors Regional and operators of inbound
tourism in the city of Teresina, a proposed historic cultural tourist itinerary taking as
target the elderly, which the resident may own people enjoy and realize the potential
that the city owns, and then trigger the recognition in this population, the awakening of
the sense of belonging and appreciation potential of more specifically its historic and
cultural resources. In preparing the screenplay were qualitative studies and workshops
with the participation of the associations that work in tourism, representatives of
federal, state and city. This research has highlighted the potential that the city of
Teresina holds in relation to its historical and cultural heritage and the great contribution
that a tourist route, as proposed here, will make to the city.
Keyword: Sightseeing tour. Historical and cultural heritage. Tourism. Teresina.
SUMÁRIO
Introdução
Capítulo I
A ATIVIDADE TURÍSTICA E O USO DO ESPAÇO..................................
1.1. A atividade turística......................................................................................
1.2. Turismo e espaço geográfico........................................................................
1.3. Turismo e espaço turístico............................................................................
1.4. Turismo, território usado e cidade................................................................
1.5. Sobre patrimônio..........................................................................................
1.5.1. Turismo, cultura e patrimônio cultural......................................................
1.5.2. Patrimônio material e imaterial..................................................................
1.5.3. Patrimônio identidade e memória..............................................................
1.5.4. Patrimônio e turismo.................................................................................
1.5.5. Turismo, cultura e patrimônio...................................................................
18
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24
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38
40
42
45
47
Capítulo II
PÚBLICO ALVO: VELHO, IDOSO, MELHOR IDADE............................
2.1. Política pública de turismo para a melhor idade, no Brasil..........................
2.2. Roteiros turísticos locais...............................................................................
56
65
68
Capítulo III
UM OLHAR SOBRE TERESINA..................................................................
3.1. A ocupação do ambiente urbano de Teresina................................................
3.2. Aspectos geográficos.....................................................................................
3.3. Aspectos econômicos....................................................................................
3.4. Patrimônio histórico e cultural de Teresina...................................................
3.4.1. Pontos turísticos de Teresina......................................................................
3.4.2. Preservação do patrimônio cultural piauiense............................................
3.4.3. Monumentos tombados de Teresina...........................................................
3.4.4. Patrimônio histórico cultural e ambiental de Teresina – Gastronomia......
3.4.5. Artesanato..................................................................................................
3.4.6. Folclore.......................................................................................................
3.4.7. Parques ambientais.....................................................................................
71
73
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91
105
105
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110
Capítulo IV
ROTEIRIZAÇÃO / ROTEIRO TURÍSTICO
4.1. Elaboração da proposta de roteiro turístico – passos metodológicos............
4.1.1. Justificativa.................................................................................................
4.1.2. Objetivos....................................................................................................
4.2. Proposta do Roteiro Turístico Histórico Cultural ―Teresina me fascina‖.....
112
119
122
123
124
CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................
5. REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO...........................................................
ANEXOS.............................................................................................................
153
155
167
LISTA DE ILUSTRAÇÕES / TABELAS
Figura 1: Igreja Nossa Senhora do Amparo.........................................................
125
Figura 2: Praça Marechal Deodoro da Fonseca / Praça da Bandeira...................
126
Figura 3: Museu do Piauí.....................................................................................
127
Figura 4: Mercado São José / Mercado Central / Mercado Velho.......................
128
Figura 5: Shopping da Cidade..............................................................................
129
Figura 6: Feira do Troca-troca..............................................................................
130
Figura 7: Antiga Escola Normal Antonino Freire / Hoje, Palácio da Cidade......
131
Figura 8: Teatro de Arena....................................................................................
133
Figura 9: Rua Climatizada....................................................................................
134
Figura 10: Rua Paissandu....................................................................................
135
Figura 11: Praça Pedro II.....................................................................................
136
Figura 12: Teatro 4 de Setembro e Cine Rex.......................................................
137
Figura 13: Clube dos Diários...............................................................................
138
Figura 14: Fachada da Central de Artesanato ―Mestre Dezinho‖........................
139
Figura 15: Avenida Antonino Freire....................................................................
140
Figura 16: Palácio de Karnak...............................................................................
141
Figura 17: Igreja ―São Benedito‖ e início da Avenida Frei Serafim....................
144
Figura 18: Canteiro Central da Avenida Frei Serafim e decoração natalina........
145
Figura 19: Convento ―São Benedito‖. Ao fundo Metropolitan Hotel..................
146
Figura 20: Palácio Episcopal................................................................................
147
Figura 21: Imóvel antigo em uso comercial e Metropolitan Hotel......................
147
Figura 22: Colégio Sagrado Coração de Jesus / Colégio das Irmãs....................
148
Figura 23: Prédios antigos em uso comercial......................................................
148
Figura 24: Prédio do antigo Instituto Nacional da Previdência Social - INPS
(primeira foto) e outros prédios antigos em uso comercial...................................
149
Figura 25: Hospital Getúlio Vargas....................................................................
150
Figura 26: Prédio do Departamento de Estradas e Rodagens do Piauí - DER..
151
Figura 25: Estação Ferroviária e Espaço Cultural..............................................
152
TABELAS
Tabela 1: Informações econômico-financeiras.......................................................... 82
LISTA DE SIGLAS
ABAV/PI – Associação Brasileira de Agentes de Viagens
ABBTUR/PI – Associação Brasileira do9s Bacharéis em Turismo
ABCMI – Associação Brasileira dos Clubes da Melhor Idade
ABIH - Associação Brasileira da Indústria Hoteleira
ABRASEL –
ADH – Banco Nacional de Habitação
ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária
BAHIATURSA – Empresa Bahiana de Turismo
CEPRO – Fundação Centro de Pesquisas Econômicas e Sociais do Piauí
COHAB – Companhia Brasileira de Habilitação
COMEPI – Companhia Editorial do Piauí
CRAS – Centro de Referência e de Atenção à Saúde.
DER/PI – Departamento de Estradas e Rodagens do Piauí
DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes
DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes
EMBRATUR – Instituto Brasileiro de Turismo
EMPETUR – Empresa Pernambucana de Turismo.
EMPROTURN – Empresa de Turismo do Rio Grande do Norte
FAGEPI - Fundação de Assistência Geral aos Desportos do Piauí
FMCMC – Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves
FMS – Fundação Municipal de Saúde
FUNDAC – Fundação Cultural do Piauí
FUNDEC – Fundação Estadual de Cultura E de Desportos do Piauí
FUNDESPI – Fundação Estadual de Desportos do Piauí
HIT – Hospital de Terapia Intensiva
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
ICMS – Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços
IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
JET – José Elias Tajra
MICT – Ministério da Indústria do Comércio e Turismo
MINC – Ministério da Cultura
MTUR – Ministério do Turismo
OMS – Organização Mundial de Saúde
OMT – Organização Mundial do Turismo
OTAN – Organização do Trabalho do Atlântico Norte
PIB – Produto Interno Bruto
PIB – Produto Interno Bruto
PIEMTUR – Empresa de Turismo do Piauí
PMT – Prefeitura Municipal de Teresina
PNAD – Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio
PNI – Política Nacional do Idoso
PNI – Política Nacional do Idoso
PNPI – Programa Nacional do Patrimônio Imaterial
PRT – Programa de Regionalização do Turismo
REFESA – Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima
SALIPI – Salão do Livro do Piauí
SEMDEC – Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo
SEMTCAS – Secretaria Municipal do Trabalho Cidadania a Assistência Social
SESC – Serviço Social do Comércio
SETUR/PI – Secretaria do Turismo do Estado do Piauí
SINDETUR/PI – Sindicato das Empresas de Turismo do Piauí
SINGTUR – Sindicato dos Guias de Turismo
TIM – TIM Celular Sociedade Anônima
UESPI – Universidade Estadual do Piauí
UFPI – Universidade Federal do Piauí
UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura
ANEXOS
Anexo 1: Sugestões................................................................................................... 167
Anexo 2: Mapa da cidade de Teresina....................................................................... 170
Anexo 3: Mapa do centro da cidade de Teresina ressaltando as denominações
antigas dos logradouros............................................................................................. 171
Anexo 4: Itinerário do roteiro turístico histórico cultural ―Teresina me fascina‖..... 172
Anexo 5: Itinerário do segundo dia do roteiro turístico ―Teresina me fascina‖........ 173
Anexo 6: Itinerário do segundo dia do roteiro turístico ―Teresina me
fascina‖...................................................................................................................... 174
Anexo 7: Capacidade hoteleira de Teresina.............................................................. 175
Anexo 8: Capacidade instalada para eventos............................................................ 176
Anexo 9: Espaços culturais de Teresina.................................................................... 178
Anexo 10: Principais eventos de Teresina................................................................. 180
Anexo 11: Comidas típicas de Teresina.................................................................... 181
Anexo 12: Letra da música ―Teresina‖...................................................................... 182
14
INTRODUÇÃO
O turismo é atualmente uma das economias mais essenciais para a geração de
renda e melhoria da qualidade de vida da população em diversas regiões no mundo. Sua
contribuição é significativa para o desenvolvimento regional, sendo o planejamento,
fundamental para o desenvolvimento econômico e social, bem como a valorização dos
patrimônios e das populações locais.
A atividade turística provoca transformações, causa impactos físicos, ambientais,
sociais, culturais nos destinos em que ela ocorre, pois em geral vem acompanhada de
desenvolvimento, crescimento, mudanças. Daí a importância do planejamento para
otimizar e equilibrar os benefícios econômicos, ambientais, sociais e culturais do
turismo e tentar minimizar os impactos negativos provocados por estas mudanças.
Sem este planejamento, o crescimento desordenado das cidades, a especulação
imobiliária, as mudanças dos comportamentos, os novos valores e estilos de vida podem
gerar impactos irreversíveis nos bens constituintes do patrimônio, pois são fatores
resultantes da vida capitalista da sociedade globalizada. A revitalização (uma ação de
planejamento) é o movimento contrário, pois indica a retomada das discussões sobre
preservação, conservação e restauração do patrimônio e, essencialmente, a preocupação
com espaços e manifestações que permitem o olhar, a convivência, o conhecimento e a
interação com valores, símbolos e manifestações dos destinos.
O planejamento deve ocorrer de acordo com as peculiaridades de cada local e
uma forma de se trabalhar a localidade é com a formatação de roteiros turísticos, que
reflete um trabalho cauteloso, de identificação de iniciativas e atividades
empreendedoras que atendam às exigências do mercado turístico e que estejam prontas
para receber o visitante. Além disso, uma das premissas do roteiro turístico é a
valorização de aspectos culturais e naturais de uma região, associados a uma rede de
serviços de qualidade que valoriza a identidade local.
A cidade de Teresina é dotada de um rico patrimônio cultural material e
imaterial, representado pela arquitetura de suas casas e prédios; por sua história, pelas
manifestações folclóricas do seu povo, incluindo as lendas, músicas, danças, sua
culinária, enfim, por todo o seu contexto histórico desde sua fundação até os dias atuais.
Para o desenvolvimento do segmento turismo cultural é necessário manter a
identificação com o morador, e uma boa estratégia é incluir o patrimônio nas atividades
15
recreacionais da comunidade, com reorientação do uso de edifícios e a oferta de roteiros
orientados.
Dessa maneira afirma-se que a valorização do patrimônio histórico-cultural na
cidade de Teresina será alcançada se houver uma sensibilização por parte da sociedade e
dos órgãos públicos do seu significado na construção da identidade local e da
importância da conservação e divulgação dos bens culturais. Acredita-se que através do
reconhecimento do patrimônio e das tradições culturais será possível desenvolver a
atividade turística através do segmento Turismo Cultural na cidade, gerando uma
diversidade de benefícios sociais e econômicos para todos os agentes envolvidos em um
mesmo intuito.
O principal objetivo deste trabalho é contribuir para o desenvolvimento turístico
do município de Teresina, com a elaboração e disponibilização aos agentes de viagens,
operadores de turismo receptivo da cidade de Teresina, turistas individuais, uma
proposta de roteiro turístico histórico cultural tendo como público alvo, os turistas
idosos, do qual a própria população residente poderá usufruir e assim perceber o
potencial que a cidade detém, e então provocar nesta população o reconhecimento, o
despertar do sentimento de pertencimento e valorização deste potencial mais
especificamente seus recursos históricos e culturais a partir do patrimônio histórico
cultural já identificado e catalogado junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional - IPHAN, à Fundação Cultural do Piauí - FUNDAC e à Fundação
Municipal de Cultura Monsenhor Chaves - FMCMC.
O presente trabalho se inicia com os estudos de captação de subsídios e
compilação de dados para a melhor compreensão do turismo na cidade, sua origem, sua
potencialidade, seu desenvolvimento, suas características e para delimitação da fração
do território para o qual será proposto um roteiro turístico histórico cultural para a
cidade de Teresina.
A hipótese é de que Teresina possui atrativos históricos e culturais, que podem
ser integrados a partir da percepção da identidade da região e interligados pelas
estruturas de acesso, circulação, equipamentos de transporte, serviços e suportes ao
turismo, para a formatação do roteiro, objeto do trabalho.
A fundamentação metodológica para a identificação desses elementos foi
buscada nos estudos existentes. Entre outros: Agenda 2015, Código de Postura do
Município da Cidade de Teresina, Ignarra (2002), Santos (1985), Bahl (2004) na
bibliografia utilizada no presente trabalho que está estruturado da seguinte forma:
16
No capítulo I que tem como tema – A atividade turística e o uso do espaço - é
realizada uma revisão bibliográfica sobre os conceitos de turismo, segmentação
turística, bem como de território e região, atrativos e roteiros turísticos. Também são
apresentados estudos sobre turismo, cultura e patrimônio cultural; patrimônio e
identidade; patrimônio e turismo
No capítulo II, intitulado – Público alvo: velho, idoso, melhor idade - ressalta-se
a importância de se pensar e executar um roteiro turístico prioritário para esse público
(idoso, melhor idade), pois eles mais do que muitos historiadores, são detentores de um
saber jamais adquirido em bancos de sala de aula ou mesmo em livros; eles guardam o
tesouro maior que uma cidade pode oferecer: a memória viva do lugar.
No capítulo III, denominado – Um olhar sobre Teresina - apresenta-se o objeto
de estudo, localizando-o no contexto turístico municipal, delimitando a área a ser
estudada, identificando os aspectos da fração do território relacionados ao turismo à
potencialidade turística do espaço a ser trabalhado; seu patrimônio. Ressalta também a
forma de tombamento desse patrimônio.
No capítulo IV, identificado como – Roteirização / O roteiro turístico - aborda-se
o tema roteiros turísticos na visão de vários autores e apresenta-se o roteiro turístico
histórico cultural ―Teresina me fascina‖, bem como a metodologia usada para definição
do mesmo, obedecendo os seguintes passos: 1) pesquisa bibliográfica – que gerou a
base conceitual do trabalho e proporcionou contato com conceitos e definições que
conduziram a pesquisa à perspectiva da participação; 2) leitura do ambiente local – que
consistiu em um levantamento documental e de campo,
possibilitando o
reconhecimento, seleção e exploração de uma área para embasar a proposta de
implantação de um roteiro; 3) aplicação de uma pesquisa junto à pessoas acima de 60
anos (trinta pessoas), assim desenvolvida: foram entregues a estas pessoas um mapa da
cidade de Teresina e solicitado que nele fossem identificados os atrativos históricos
culturais da cidade de Teresina. Estas informações serviram de base para a
sistematização dos dados, reflexão e elaboração da proposta do roteiro que, em um
momento posterior, foi apresentado em duas oficinas de Roteirização com o objetivo de
apresentar aos participantes a sugestão de um roteiro turístico histórico cultural para
análise e colaborações.
A primeira oficina foi realizada em 20 / 08 / 2010 com a participação da
iniciativa privada - entidades de classe ligadas à atividade turística – o ―trade turístico‖.
17
A segunda oficina, realizada em 13 / 10 / 2010, com as componentes do Clube
da Melhor Idade ―Nosso Espaço‖ composto por pessoas de classe média, parte com
formação universitária e parte com ensino médio completo, com o objetivo de discutir e
estruturar o roteiro sugerido juntamente com os representantes dos efetivos interessados
– pessoas acima de 60 anos.
Por último, nas Considerações finais é feita uma síntese dos aspectos da cidade
de Teresina enquanto espaço vivido, e as transformações sofridas pela busca da
satisfação das necessidades da sociedade, transformando-o de modo que não há uma
prioridade à identidade cultural, finalizando com a identificação das potencialidades da
cidade em desenvolver a atividade turística, os problemas e dificuldades a serem
enfrentados e as recomendações de ações a serem operacionalizadas.
O reconhecimento do turismo em nível estadual e municipal, e das
possibilidades de desenvolvimento desta atividade em Teresina vislumbram uma maior
valorização da cidade como atrativo em nível nacional. Mais do que apenas fortalecer
uma determinada atividade econômica, o reconhecimento dessa potencialidade pode
fortalecer uma identidade regional, potencializando os esforços de planejamento e
desenvolvimento na cidade de Teresina.
18
Capítulo I
A ATIVIDADE TURÍSTICA E O USO DO ESPAÇO
O poeta foi visto por um rio, por uma
árvore, por uma estrada... (Mário
Quintana / Diário de viagem)
O conceito de Turismo pode ser estudado de diversas perspectivas e disciplinas,
dada a complexidade das relações entre os elementos que o formam. Existe um debate
aberto para se chegar a um conceito único e a um padrão que reflita uma definição
universal. Em 1942, os professores da Universidade de Berna (Suíça), W. Hunzikar e K.
Krapf definiram o turismo como: ―A soma de fenômenos e de relações que surgem das
viagens e das estâncias dos não residentes, desde que não estejam ligados a uma
residência permanente nem a uma atividade remunerada‖. (KRAPF e HUNZINER,
apud SANCHO, 2001, p.10).
Lançada em plena Guerra Mundial, é uma definição muito ampla e pouco
esclarecedora, pois
introduz muitos conceitos indeterminados que deveriam
previamente ser definidos, mas já se permite considerar como turista quem precisar
fazer um deslocamento para uma visita, com fins terapêuticos, a uma outra cidade.
Posteriormente, definiu-se turismo como sendo ―os deslocamentos curtos e
temporários das pessoas para destinos fora do lugar de residência e de trabalho e as
atividades empreendidas durante a estada nesses destinos‖ (BURKAT e MEDIK, 1981,
p. 33). Nesta definição, os autores introduzem positivamente a conotação de viagem e
férias/lazer, em contraposição à ―residência‖ e ao ―trabalho‖, mas ao mesmo tempo
deixam de fora conceitos modernos de turismo como as viagens por motivos de
negócios. É também criticável o termo vago ―deslocamento curto‖. Nota-se que a
globalização da economia, o desenvolvimento tecnológico e o consequente
aprimoramento dos meios de transporte e de comunicação, entre outros fatores,
facilitaram e estimularam a movimentação turística mundial tornando-se cada vez mais
usuais as viagens a países e locais distantes.
Mathieson e Wall (1982, p. 42), por sua vez, utilizaram uma definição
semelhante para o turismo, mas com algumas modificações:
19
―Turismo é o movimento provisório das pessoas, por períodos
inferiores a um ano, para destinos fora do lugar de residência e
de trabalho, as atividades empreendidas durante a estada e as
facilidades são criadas para satisfazer as necessidades dos
turistas‖.
Como se pode observar, os autores destacam o caráter temporário da atividade
ao introduzirem o termo ―período inferior a um ano‖ baseado no ano gregoriano, já
ficando perceptível a visão econômica do turismo, visto que teoricamente, um tempo de
permanência maior, acarretaria na fixação de residência e também apresentam duas
inovações: de um lado a perspectiva da oferta quando mencionam as ―facilidades
criadas‖; de outro, o fundamento de toda atividade turística: a satisfação dos
turistas/clientes.
Finalmente, há que se destacar a definição que foi adotada pela Organização
Mundial de Turismo – OMT (1994), que une os pontos positivos das idéias expostas
anteriormente e, por sua vez, formaliza os aspectos da atividade turística, como segue:
―O turismo compreende as atividades que realizam as pessoas
durante suas viagens e estadas em lugares diferentes ao seu
entorno habitual, por um período consecutivo inferior a um ano,
com finalidade de lazer, negócios ou outras‖.
Trata-se de uma definição ampla e flexível que concretiza as características mais
importantes do turismo, tais como: introdução dos possíveis elementos motivadores da
viagem (lazer, negócios, etc.); delimitação temporária do período máximo de
permanência no destino - um ano; delimitação da atividade desenvolvida antes e durante
o período de estada; localização da atividade turística como a atividade realizada ―fora
de seu entorno habitual1‖. A prática da atividade turística, no decorrer dos anos, conduz
a ampliação desse conceito e a inclusão de novas dimensões, que levam a identificar
e/ou caracterizar ―as atividades que realizam...‖ como a segmentação de mercado que
identifica vários segmentos, entre eles: o Turismo de Saúde, Turismo de Negócios e
Eventos, Turismo de Aventura, Turismo Religioso etc.
1
Segundo a OMT (1995) ―entorno habitual de uma pessoa consiste em certa área que circunda sua
residência mais todos aqueles lugares que visita freqüentemente‖.
20
Ignarra (2002, p.15) nos mostra, pela História, que o turismo é um fenômeno
antigo, iniciado quando o homem abandonou o sedentarismo, impulsionado pela
necessidade do comércio. Dessa forma, o autor entende que o turismo de negócios
antecedeu às viagens lúdicas. Ele cita acontecimentos históricos que podem ser
encaixados nas segmentações turísticas tão conhecidas por nós, por exemplo: as
cruzadas como turismo religioso, os jogos olímpicos como turismo esportivo. Percebese, com isso, que o turista é um ser histórico, em contínua formação e o turismo é uma
experiência, através da qual, o ser turista é construído, pois a prática da atividade
turística proporciona a vivência de experiências, o ganho de novos conhecimentos, e
amplia as oportunidades na prestação de serviços e o surgimento de novas demandas
como já citado no parágrafo anterior
1.1. A atividade turística
Como o turismo é uma das atividades econômicas que mais tem possibilidade de
crescimento e incremento de divisas para países, estados e municípios, faz-se necessário
um planejamento que vise ao desenvolvimento da localidade onde se pretenda
desenvolver a atividade turística, pois a movimentação de pessoas, promovidas pelo
turismo, pode ocasionar mudanças das paisagens cotidianas podendo estas serem
observadas no conhecimento de novas culturas e pessoas, na degustação de sabores
novos, nos atrativos naturais, culturais, nos conjuntos arquitetônicos, nos serviços
turísticos e na infraestrutura de apoio ao turismo. Também pode proporcionar
transformações sociais e econômicas, nos destinos onde a atividade se desenvolve.
No desenvolvimento da atividade turística ocorrem impactos que tanto podem
trazer benefícios para a população da localidade receptora como é caso de Jericoacoara,
no Ceará, como também podem gerar problemas sérios para as comunidades envolvidas
tal como Porto Seguro, na Bahia. Assim, para que esses problemas não ocorram, é
necessário que haja um planejamento cuidadoso que ordene as ações do homem sobre o
território, que direcione de forma adequada as construções dos equipamentos e das
facilidades, minimizando assim, os efeitos negativos e maximizando os benefícios
proporcionados pelo turismo.
A natureza da atividade turística é um conjunto complexo de inter- relações de
diferentes fatores que devem ser considerados conjuntamente sob uma ótica sistemática,
21
ou seja, um conjunto de elementos inter-relacionados que evoluem de forma dinâmica,
delineando-se assim o sistema turístico.
A cidade de Teresina, foco deste trabalho, desenvolve uma ação ainda tímida em
relação ao turismo, por se caracterizar mais como núcleo emissor de turistas domésticos
e internacionais do que como receptor, pois, o número de pessoas que saem da capital
piauiense para outros destinos é maior que o número de pessoas que aqui chegam. Em
compensação, o desenvolvimento do segmento turismo de saúde é uma realidade já
reconhecida em nível nacional. Prova disso, é o Hospital São Marcos – único da região
a oferecer serviço de radioterapia, também referência no tratamento de pacientes
oncológicos e cardíacos; Hospital de Terapia Intensiva (HTI), pela abrangência clínica e
também pela qualificação dos profissionais; Hospital Casa Mater, (referência em
transplante renal e hemodiálise) e Hospital Santa Maria (referência em transplante
cardíaco), dentre outros. Dias (2006, p.129) mostra que ―o setor Saúde é responsável
por gerar riqueza na cidade, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico e
financeiro.‖
A concentração de clínicas e hospitais particulares, grandes investidores em
técnicas e tratamentos diferenciados ou inovadores é o grande atrativo para o
deslocamento de pessoas em busca das diversas especificidades de tratamentos de
saúde. Tais pessoas – oriundas, muitas vezes, de outros estados do país, principalmente
da região norte – já dispõem, na capital, de estruturas de apoio desde pensões,
pousadas, hotéis até clínicas especializadas 2 nas mais diversas áreas médicas,
localizadas no centro médico da capital. Teresina é referência para o Nordeste na área
de saúde, que tem grande importância econômica para o Estado. São milhares de
trabalhadores envolvidos nessa área, gerando renda para mais de 12 mil piauienses, de
forma direta e indireta. Entre os empreendimentos de saúde e complementares, os
recursos gerados representam em média 2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado
e 37% da arrecadação de Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS do
Piauí, conforme consta no Perfil socioeconômico de Teresina, da Secretaria Municipal
de Desenvolvimento Econômico de Teresina.
Embora a atividade turística de Teresina esteja mais voltada para os segmentos
turismo de negócios e turismo de saúde, já que a capital é grande pólo regional de
2
Clínica ―Lucídio Portela‖, Clínica ―UDI‖
22
saúde3, neste setor, a necessidade da permanência das pessoas que procuram este
serviço e seus acompanhantes, durante o período de tratamento na cidade, desperta
interesse em visitar a cidade a fim de conhecer seus recursos naturais e os atrativos
histórico-culturais; e esta estada na capital é o momento oportuno para a prática do
roteiro turístico sugerido neste trabalho.
1.2. Território e espaço geográfico
Como já dito anteriormente, a pauta principal desse trabalho, é propor um roteiro
histórico cultural para a cidade de Teresina, em frações do território da cidade, mais
especificamente na sua zona central. Sabe-se que é comum entre os leigos confundir os
termos território e espaço – substantivos tidos como sinônimos, para muita gente.
E, como relata Claude Raffestin (1993), até os geógrafos já usaram esses termos
sem critério e acabaram criando grandes confusões em suas análises. Além da confusão
no conceito de espaço e território, não há consenso na literatura sobre esses nomes.
Raffestin (1993, p.143) diz que ―o território se forma a partir do espaço, é o resultado de
uma ação conduzida por um ator sintagmático (ator que realiza um programa) em
qualquer nível‖. Enquanto Santos (in: STEINBERGER & CAMPOS, 2007, p. 3) adota
a idéia de que ―a utilização do território pelo povo cria o espaço‖.
Raffestin (idem, p. 143) entende o espaço como uma porção terrestre que existe
independente da ação humana, e é preexistente ao território, que, por sua vez, necessita
da ação humana para existir. Neste sentido, é a presença de uma sociedade ou grupos de
indivíduos que faz um espaço.
―É essencial compreender bem que o espaço é anterior ao
território. O território se forma a partir do espaço, é o resultado
de uma ação conduzida por um ator sintagmático (ator que
realiza um programa) em qualquer nível. Ao se apropriar de um
espaço, concreta ou abstratamente [...] o ator ―territorializa‖ o
espaço‖.
3
Pólo de saúde é a definição que se dá, segundo o engenheiro Cid Castro Dias (2006) à ―região que
agrega serviços de alta complexidade e atrai usuários de outras áreas em busca de tratamento
especializado‖. Definição esta totalmente aplicada à cidade de Teresina.
23
Infere-se, com isso, segundo o autor, que a ―territorialização‖ do espaço é
definida pelas relações de poder, que pressupõem uma sociedade ou grupos de
indivíduos. Assim, território e poder são ligados para materialização do conceito de
território, pois o poder é inerente nas relações sociais.
―[...] Evidentemente, o território se apóia no espaço, mas não é o
espaço. É uma produção, a partir do espaço. Ora, a produção,
por causa de todas as relações que envolve, se inscreve num
campo de poder‖. (RAFFESTIN, 1993, p. 144)
Para Santos (1985, p. 64), o território é definido no seu percurso histórico, na
apropriação do meio natural pela sociedade. Espaço é assim entendido como a soma dos
elementos geográficos (naturais e artificiais) inseridos na dinâmica social, e é nesta
inserção que ele adquire uma expressão territorial; daí entende-se o espaço como
totalidade absoluta.
―O espaço, como realidade, é uno e total. É por isso que a
sociedade como um todo atribui, a cada um dos seus
movimentos, um valor diferente a cada fração do território [...] e
que cada ponto do espaço é solitário dos demais, em todos os
momentos. A isso se chama totalidade do espaço‖. (SANTOS
in: STEINBERGER & CAMPOS, 2007, p. 4)
Para os mesmos autores, território e espaço não podem ser analisados
separadamente:
―[...] o espaço geográfico se define como união indissociável
entre espaço e território: ações, e suas formas híbridas, as
técnicas, que nos indicam como o território é usado: como,
onde, por quem, por que, para quê [...] apreender a constituição
do território, a partir de seus usos [...] permite pensar o território
como ator e não apenas como um palco, isto é, o território no
seu papel ativo‖. (ibidem SANTOS & SILVEIRA in:
STEINBERGER E CAMPOS, 2007, p. 4-5)
24
Marcelo Lopes de Souza (1995) analisa o território nos aspectos político e
cultural. Uma de suas maiores contribuições está na percepção dos múltiplos territórios
dentro do território nacional, que pode ter existência temporária ou permanente no
tempo e no espaço. Esses múltiplos territórios são definidos a partir da diversidade
cultural dos grupos sociais, existindo, assim, o território do narcotráfico, da prostituição,
do homossexualismo, mas também o território religioso. Fica bem claro que, para o
autor, território não se restringe ao caráter estatal. De acordo com o autor,
―[...] não precisa e nem deve ser reduzido a essa escala ou à
associação com a figura do Estado. Territórios existem e são
construídos (e desconstruídos) nas mais diversas escalas, das
mais acanhadas (p.ex. uma rua) à internacional (p. ex. a área
formada pelo conjunto dos territórios dos países membros da
Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN);
territórios são construídos (e desconstruídos) dentro de escalas
temporais as mais diferentes: séculos, décadas, anos, meses ou
dias; territórios podem ter um caráter permanente, mas também
podem ter uma existência periódica, cíclica‖. (SOUZA, 1995,
p.81).
Haesbaert (2004) fala de território em três aspectos: jurídico-político, que é uma
porção do espaço delimitado pelo poder de caráter estatal; cultural, no qual prevalece a
identidade social sobre o espaço; econômica ―que destaca a desterritorialização em sua
perspectiva material, como produto espacial do embate entre classes sociais e da relação
capital-trabalho‖. (HAESBAERT in: SPOSITO, 2004, p.18)
O território, indiscutivelmente, é definido numa relação de poder e não pode ser
definido por apenas uma perspectiva. A sua definição deve ser retratada nos mais
diversos aspectos da sociedade. No território haverá sempre os elementos do trabalho,
da cultura, da política, da identidade social, da economia e da natureza, definidos numa
sociedade mais ou menos extensa ou em diversos grupos sociais de estilos de vida
diferentes.
1.3. Território e espaço turístico
Steinberger & Campos (2007), partindo da teoria de Milton Santos, propõe que o
espaço é o resultado da ação humana ao se apropriar do território, e o turismo, como tal
ação e se apropriando de uma porção de um dado território, produz um espaço turístico,
25
mesmo que inconscientemente, por meios de seus agentes. Ou seja, a relação entre
espaço e território usado leva a refletir sobre quem usa e como usa o território. Portanto,
permite mostrar como e porque é necessária uma ação mais efetiva dos agentes sociais
sobre o turismo - requer ―responsabilidade espacial‖, como é o caso do Programa de
Regionalização do Turismo do Ministério do Turismo – PRT/Mtur, que tem como
objetivo a elaboração de roteiros turísticos nas e entre as regiões turísticas dos Estados.
―[...] estão (os agentes) produzindo espaço geográfico e
território usado, ou seja, possibilitando que o turismo seja visto
como parte do processo de produção do espaço [...] isso equivale
admitir que tais agentes, ao serem responsáveis por efetivar o
uso turístico, interferem na dinâmica sócio-espacial‖.
(STEINBERGER & CAMPOS, 2007, p. 4).
Para que o turismo aconteça é imprescindível o uso do espaço, pois o turista se
desloca de sua localidade habitual para outra, o que acaba criando três territórios:
territórios emissores de turistas, territórios de deslocamento e territórios receptores. Os
territórios emissores são aqueles de onde sai o fluxo turístico para os territórios
receptores. Segundo Cruz (2001), os fatores que podem caracterizar um espaço emissor
são o grau de urbanização e estilo de vida, somado a vontade de viajar durante o tempo
livre e renda disponível de sua população. É o caso da cidade de Teresina, com um
fluxo turístico de saídas maior que o fluxo de chegadas. A autora ainda chama atenção
para a transformação que o turismo provoca nesses territórios:
―Essas transformações acontecem no plano material e/ou no
plano tangível, por meio da implantação de infra-estruturas, da
mudança no significado de infra-estruturas preexistentes, de
transformações no ritmo cotidiano desses locais, da geração de
empregos, entre outras possíveis mudanças decorrentes de um
novo arranjo sócio-espacial requerido pela prática do turismo‖.
(CRUZ, 2001, p. 22)
Percebe-se que o turismo é provocador de mudanças e reorganização espacial
que ocorre direta e indiretamente pelo deslocamento das pessoas. Para que esse fluxo se
desloque, é necessária a existência de infraestrutura que proporcione isso, tal como
aeroportos, estações rodoviárias, ferroviárias, estradas pavimentadas. O turismo provoca
a criação de oportunidades de empregos a ele relacionados nas agências e operadoras.
26
Isto acontece através do deslocamento de pessoas, por via aérea, fluvial, marítima ou
rodoviária. No último caso, o deslocamento pode ser um ganho a mais na viagem, pois
o viajante pode vislumbrar as paisagens, conhecer pequenas localidades, degustar
alimentos e até mesmo descansar.
No que se refere aos territórios de deslocamento, o fenômeno do turismo
também não é indiferente, e provoca modificações. Ao viajarmos por estradas,
observamos, no nosso percurso, infraestruturas criadas por incentivo desse fluxo de
pessoas, ―como postos de abastecimento, equipamentos de restauração, meios de
hospedagem [...] lojas de artesanato local, souvenirs e infra-estruturas de lazer [...]‖.
(CRUZ, 2001, p. 24).
Nos territórios receptores de turistas, é onde, indiscutivelmente, acontecem as
maiores mudanças provocadas pelo fenômeno social do turismo, pois ele reorganiza o
espaço, criando infraestruturas de hospedagem, lazer, restauração e acessibilidade e,
além disso, também pode criar novos conceitos acerca dos aspectos identitários do lugar
ou ainda dar novos significados aos já existentes. Cruz ressalta: ―O que o turismo faz
nos núcleos receptores é impor sua lógica de organização dos espaços (a lógica do lazer)
às lógicas já existentes. Daí as transformações que se colocam nos territórios em função
do turismo.‖ (CRUZ, 2001, p. 25)
Percebe-se que as modificações ocorridas nos territórios receptores são maiores
porque é onde, de fato, ocorre a prática do turismo – que se pode chamar, efetivamente,
de espaço turístico, pois é aí que a população flutuante se estabelecerá, buscando
satisfazer suas maiores necessidades. Daí surge a necessidade da criação das
infraestruturas específicas do turismo que modificarão o espaço, e a reestruturação da
organização do trabalho, pois criará postos de empregos ligados ao turismo.
Em Teresina, o poder de conquistar o visitante tem contribuído para elevar a
taxa de ocupação hoteleira, que de acordo com a Fundação Cepro e a Secretaria
Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo – SEMDEC, a cidade
disponibiliza 1.494 unidades habitacionais somando um total de 3.115 leitos dando
suporte para o surgimento de outras oportunidades de negócios, como à organização de
eventos, proporcionando o crescimento do segmento ―turismo de negócios e eventos‖
que conta com 23 auditórios, com um crescimento de 44% nos últimos oito anos, e
6.850 assentos diários, com crescimento de 35% no mesmo período, o que gera uma
disponibilidade de 205.500 assentos por mês, permitindo que Teresina dispute a
captação de eventos de pequeno e médio porte e ainda aconteça, simultaneamente,
27
acontecimentos com temática variada, como se percebe em tabela anexa. A cidade
conta ainda com várias casas de shows, tais como: Baruk, Planeta Diário, Taj Mahal;
barzinhos típicos: Água de Chocalho, Boi Bumbá, Boteco e restaurantes de qualidade:
Confraria Uchoa, Favorito Comidas Típicas, Carnaúba, Camarão do Elias, Longa, entre
outros. Em reportagem da revista Gol, nº. 104 (novembro de 2010, p.126), essa
diversidade é assim retratada: ―Em Teresina você encontra badalação todos os dias e
para todos os gostos. À noite, o ponto de encontro é o recém inaugurado Baruc, um dos
restaurantes mais chiques da cidade que, às quintas-feiras, se transforma em nightclub‖
e ressalta‖ Para aprender um pouco mais sobre a cultura local, a dica é conhecer o bar
Água de Chocalho, que aposta em coisas típicas do Nordeste e tem decoração feita com
elementos regionais, como livros de literatura de cordel pendurados na parede. É uma
boa oportunidade para assistir a bandas de forró pé de serra e de sertanejo. Os clássicos
do rock e do blues entram em cena no pub ―Planeta Diário‖
As áreas turísticas se estendem por vários quilômetros, mas, somente nos pontos
onde existe concentração de atrativos é onde ocorre a produção e comercialização do
turismo, ou seja, onde existe o espaço turístico.
Ressalta-se que a atividade turística acontece nas dimensões espacial e territorial
do turismo, a partir de três elementos organizadores: os pólos compostos pelas áreas
emissoras de turistas, os pólos definidos pelas áreas receptoras e as linhas de ligação
desses pólos, por onde circulam os turistas e as informações. É nas áreas receptoras que
se identifica o território do turismo por excelência.
Importante destacar que a vida das populações transita, em geral, por espaços
turísticos, visto que, mesmo que não sejam localidades propriamente dedicadas ao
turismo ou a essa atividade, as cidades recebem viajantes de variados tipos, dependendo
de suas peculiaridades geográficas e humanas.
Dessa forma, regiões que, aparentemente, não foram afetadas ou transformadas
pelo turismo, de certa forma, sofreram modificações socioambientais e econômicas por
conta dos movimentos migratórios e de lazer; ou, ainda, podem vir a sofrer essas
modificações, pois qualquer localidade pode ser objeto do interesse ou campo de
atrativos turísticos.
Um exemplo disso é o município de Cabeceiras, no Estado da Paraíba. Uma
reportagem da Agência Folha (Cabeceiras, PB, 2007) aponta que, mesmo sendo um
município de menos de 20 mil habitantes e com, aparentemente, pouquíssimos atrativos
turísticos, tornou-se um reconhecido cenário cinematográfico. Por apresentar
28
características geográficas e arquitetônicas típicas do estereótipo nordestino, tornou-se
locação do filme Auto da Compadecida, produzido por Guel Arraes e pela Rede Globo.
A partir de então, autodenominou-se de ―Roliúde Nordestina‖, por ter-se tornado
locação de diversos filmes e minisséries que tenham como pano de fundo a Região
Nordeste. Seu território foi modificado pela atividade turística, que transformou a
cidade em espaço turístico.
1.4. Turismo, território usado e cidade
Fenômeno típico da sociedade capitalista pós-revolução industrial, o turismo
apresenta peculiaridades espaciais e territoriais diversificadas e passíveis de análises
várias. Fruto de atividades e práticas sociais diretamente relacionadas ao movimento e
ao deslocamento espacial (NICOLÀS, 1996; MOESCH, 1998) de pessoas e de
informações, na sua essência, esse fenômeno produz e consome espaços (RODRIGUES,
1997, 1996; NICOLÀS, 1996; LUCHIARI, 1998) e, por consequência, territorialidades
e territórios.
O turismo manifesta-se através de diversas formas, modalidades e escalas dentro
de um mesmo território. Está subordinado tanto às ações da iniciativa privada quanto do
Estado e até mesmo das pequenas comunidades organizadas; todo esse movimento
ocorrendo de forma sincrônica num mesmo estado, região ou país. Sua velocidade de
reprodução está acima da maioria das atividades humanas, não respeitando fronteiras ou
limites territoriais, alimentando-se dos mais variados setores do conhecimento humano,
especialmente daqueles ligados aos avanços tecnológicos e informacionais.
Ressalta-se que é nas áreas receptoras onde o fenômeno do turismo se
materializa e sobrepõe suas formas fixas: atrativos turísticos, equipamentos e serviços
turísticos (meios de hospedagem, serviços de alimentação, agentes receptivos, guias de
turismo, locais e instalações para entretenimentos, etc.) e infraestrutura de apoio
(serviços de comunicações, transportes, segurança, etc.). É o locus da produção e do
consumo do produto turístico que, pelas peculiaridades dessa atividade, em alguns
momentos, ocorrem simultaneamente.
Enquanto prática socioespacial, o turismo vai se apropriando de determinados
espaços, transformando-os e, a partir disso, produzindo territórios e territorialidades
flexíveis e descontínuas (SOUZA, 1995), e ―turistificando‖ os lugares (NICOLÀS,
1996). No dizer de Nicolàs:
29
―[...] el turismo crea, transforma (sic), e inclusive (sic) valoriza
diferencialmente espacios que podian (sic) no tener ‗valor‘ en el
contexto de la lógica de producción: de repente la tierra de
pastizal se puede transformar en parque de acampar, o la casa e
semi-derruida del abuelo fallecido en casa de hospedes‖.
(NICOLAS,1996, p. 49)4.
Knafou (1996), em suas análises sobre as relações entre turismo e território,
também nos lembra que os turistas estão na origem do fenômeno, e que são eles que
definem, escolhem os lugares turísticos. Sua proposta é que não devemos perder de
vista que o sujeito do fenômeno, responsável pela sua existência é o homem, na forma
do turista, bem como a população das áreas receptoras.
Também nos sugere a possibilidade de três tipos de relações entre turismo e
território: a) pode existir território sem turismo; b) pode existir um turismo sem
território; c) podem, enfim, existir territórios turísticos, esses últimos entendidos como
―territórios inventados e produzidos pelos turistas, mais ou menos retomados pelos
operadores turísticos e pelos planejadores‖ (KNAFOU, 1996, p. 72-3).
Nesses últimos é que presenciamos conflitos de territorialidades entre os turistas
– nômades – e os anfitriões – sedentários: (...) há diferentes tipos de territorialidades que
se confrontam nos lugares turísticos: a territorialidade sedentária dos que aí vivem
frequentemente, e a territorialidade nômade dos que só passam, mas que não têm menos
necessidade de se apropriar, mesmo fugidiamente, dos territórios que freqüentam (idem,
p. 4). Teresina se encaixa nos dois tipos de territorialidade, pois os turistas e seus
acompanhantes que chegam à cidade para tratamento de saúde ficam por alguns dias e
retornam outras vezes - é a territorialidade sedentária, assim como existem os turistas
que apenas pernoitam na cidade e a conhecem por um curto espaço de tempo
caracterizando a territorialidade nômade.
Para Falcão (1996, p. 65), ―o turismo, qualificado como uma nova modalidade
de consumo de massa desenvolve-se no âmbito da emergente economia das trocas
4
[...] o turismo cria, transforma (sic), e inclusive (sic) valoriza de forma diferenciada espaços que podiam
(sic) não ter ‗valor‘ no contexto da lógica de produção: de repente a terra de pastagem pode-se
transformar em parque de acampamento, ou a casa semi-arruinada do avô falecido em casa de hospedes
(tradução livre).
30
invisíveis de escala nacional e internacional. Esta modalidade se expande com a
produção de bens (infraestrutura, construções, alimentos e produtos diversos) e serviços
(transportes, hospedagem, alimentação, etc.) que se integram para o consumo final. Esse
conjunto de bens e serviços oferece ao mercado de consumo as ‗condições de
acessibilidade‘ a determinado lugar. O espaço assume caráter de objeto de consumo e,
como tal, é (re) produzido e comercializado‖.
É o território acrescido de um certo valor (simbólico) e de infraestruturas
territorializadas (meios de hospedagem, parques temáticos, aeroportos, etc.), que se
transforma em produto e como tal, é vendido e consumido. Por outro lado, o turismo é
um fenômeno complexo, composto por um elenco relativamente grande de
componentes que se relacionam e inter-relacionam constante e simultaneamente, dentro
de uma lógica que inclui muitas incertezas e casualidades.
O que se percebe na cidade de Teresina, nesta relação turismo X território é um
novo perfil da cidade, um perfil de cidade turística, que demonstra o despertar de uma
consciência nos homens públicos para a importância da atividade turística. Os governos
municipal e estadual agora admitem que o turismo seja um fator de desenvolvimento
salutar para as administrações. Começam a ser operacionalizados programas e projetos
estaduais e municipais com objetivos de fincar bases sólidas para o desenvolvimento
responsável da atividade. A título de exemplo cita-se a execução, pela Secretaria do
Turismo do Estado do Piauí – Setur do programa ―Ambiente-se‖ com o objetivo de
desenvolver um plano de ação em educação ambiental junto à comunidade e aos
empresários dos municípios da Região Turística Pólo Costa do Delta.
Em Teresina a Prefeitura Municipal criou uma Coordenação Especial de
Turismo, que com apenas um ano de existência, já conveniou o Programa de
Desenvolvimento do Turismo – Prodetur Nacional promoveu cursos de informações
turísticas aos vendedores de água de coco e aos artesãos que trabalham nas ruas da
cidade. Na administração dos problemas de um território, muitas prioridades sociais
também interessam ao turismo, como limpeza urbana, educação, saneamento,
segurança, transporte, comunicação e nestes etc.
Enquanto fenômeno sociocultural característico das sociedades pós-revolução
industrial, o turismo tem fortes situações espaciais, que se manifestam de diversas
maneiras e em diversos pontos do espaço, formando uma rede mundial composta de
pontos de emissão, pontos de recepção e raios de fluxos materiais e invisíveis. Nessa
31
rede, os pontos de recepção são classificados pelos mais diferentes nomes: centros
turísticos, locais turísticos, regiões turísticas, áreas receptoras, etc.
Como dito anteriormente, podemos ver o turismo a partir de três formas distintas
de incidência territorial: as áreas emissoras, as áreas receptoras e os corredores de
deslocamentos. Segundo Rodrigues, é nessas três formas ―que se produz o espaço
turístico‖ (RODRIGUES, 1997, p. 43).
Entendendo que esses três elementos estão descontínuos, mas interligados no
espaço, podemos aí estabelecer um território-rede (SOUZA, 1995) do turismo, onde as
áreas emissoras e as áreas receptoras se apresentam como nós e os corredores de
deslocamentos são os raios que os interligam permanente (rodovias, ferrovias) ou
temporariamente (rotas aéreas, redes de comunicação). Os deslocamentos dos turistas
estabelecem um sistema de interações entre lugares, firmas, instituições e indivíduos
que podem ser representados pelo que Raffestin (1980) classifica como um ―sistema de
malhas, nós e redes‖, ou pelo que Souza (1995) propõe como território descontínuo ou
território-rede.
Tomando como base a idéia de Souza, conclui-se que Teresina interliga lugares,
pois é hoje o portal de entrada para o turismo, no Piauí, para os turistas que se dirigem
ao Delta do Parnaíba, ao Parque Nacional ―Serra da Capivara‖, ao Parque Nacional
―Sete Cidades‖, à Rota das Emoções, entre outros destinos. O que evidencia ainda mais
a importância da elaboração de um roteiro para a cidade, que evidentemente promoverá
a aumento da permanência deste turista na cidade.
Maria Tereza D. P. Luchiari, no seu trabalho Urbanização Turística: Um novo
nexo entre o lugar e o mundo, propõe uma análise mais complexa da atividade turística,
de modo a vê-la como ―um dos vetores mais importantes para associar o mundo ao
lugar, o global ao local‖ (LUCHIARI, 1998, p. 16). Para aquela autora, as discussões
sobre a questão global-local ou local-global avançaram e já não se coloca com tanta
certeza que a globalização implica no fim do local, na destruição das diferenças e
peculiaridades locais:
Tanto as peculiaridades locais, os localismos, os regionalismos emergiram deste
global, quanto a própria globalização econômica passou a valorizar as diferenciações
dos lugares, fazendo dessa diferenciação um atrativo para o capital (LUCHIARI, 1998,
p.16). Em Teresina, por exemplo, essa valorização está voltada para o diferencial nos
negócios e na referência em tratamentos de saúde – o que não impede que os turistas
aproveitem para conhecer um pouco da cultura local, pois a cidade dispõe de muitas
32
facilidades para os que a escolhem como destino turístico. Três companhias aéreas
operam vôos regulares, ligam a capital piauiense ao resto do mundo. Os acessos
rodoviários se abrem aos visitantes por boas estradas federais e estaduais e diversas são
as linhas de ônibus regulares. Para garantir roteiros profissionais, muitas agências de
viagens nacionais já dispõem de informações e pacotes sobre o Piauí, inseridos em
publicações especializadas, como guias de hotéis, e fazem divulgações nas participações
em convenções e feiras diversas.
Por não ter praias (Teresina é a única capital nordestina situada fora do litoral), a
capital piauiense desenvolveu bastante a sua vida noturna, e cresceu culturalmente
muito mais que a maioria de suas vizinhas. O turista desembarca com a agenda lotada:
negócios a tratar, compromissos a cumprir, reuniões a pautar, compras a realizar e
amigos a visitar ou a fazer. Hoje, Teresina oferece algo que só poucos lugares são
capazes: boa receptividade, excelente culinária e muitas opções para quem quer ocupar
o tempo. São acontecimentos consolidados, que se desenvolvem periodicamente, como
os carnavais fora de época, grandes e contagiantes eventos musicais, um dos maiores
salões do livro do país5, o Salão Internacional do Humor 6, o Festival de monólogos, o
Boi de São João, O Encontro de Folguedos do Nordeste, o Festival de Teatro Amador
etc.
Focando seus estudos na questão da urbanização das cidades turísticas, Luchiari
nos propõe entender o lugar, o território (para ela o mesmo que local) como ―o resultado
de um feixe de relações que soma as particularidades (políticas, econômicas, sociais,
culturais, ambientais...) às demandas do global que o atravessa‖. Para ela, o espaço
enquanto abstração se realiza e se concretiza através das práticas sociais que ―constroem
a identidade vivida cotidianamente nos lugares‖ (ibidem).
Nesse movimento, as cidades turísticas se organizam não para a produção, mas
para o consumo de bens, serviços e paisagens. O que para alguns autores é tido como
5
O SALIPI (Salão do Livro do Piauí) acontece, em Teresina, desde 2003 e já trouxe vários autores
renomados (nacionais e internacionais), como Moacir Scliar, Zuenir Ventura, Evanildo Bechara, o
angolano Londjaki, Inácio de Loyola Brandão, dentre outros. Em um só espaço, o Salão abriga feira de
livros, lançamentos, bate-papo literário, e uma série de manifestações artísticas e literárias. O evento é
organizado pela Fundação Quixote, em parceria com várias instituições públicas e privadas; e acontece
anualmente, normalmente no mês de junho.
6
Em 2010, o Salão realizou sua 27ª edição em Teresina. O evento reúne artistas de vários lugares. O que
dá a Teresina o caráter de cidade turística nesse período. Organizado por Albert Piauí, o Salão traz
exposições, shows e muito humor.
33
impacto negativo do turismo (a destruição dos lugares), a autora prefere entender como
um processo de construção de
―[...] novas formas contemporâneas de espacialização social, por
meio das quais estamos construindo novas formas de
sociabilidade, mais híbridas e mais flexíveis [...] estabelece-se
uma relação entre antigas paisagens e velhos usos e novas
formas e funções, impulsionando a relação do lugar com o
mundo, que o atravessa com novos costumes, hábitos, maneiras
de falar, mercadorias, modo de agir [...] Assim também, a
identidade do lugar é constantemente recriada, produzindo um
espaço social híbrido, onde o velho e o novo fundem-se dando
lugar a uma nova organização socio-espacial‖. (LUCHIARI,
1998, p.17).
Nicolàs (1996, p. 44), por sua vez, nos lembra que o uso do espaço pelo turismo
não segue as mesmas leis das atividades de produção e reprodução dos setores
econômicos tradicionais:
―El espacio-consumido pero no forzosamente destruído,
implica que la producción turística no obedece a las leyes de la
producción económica tradicional; el espacio turístico se crea y
recrea como valor de uso (y también de cambio) sin que su
destrucción sea obligada, aunque a veces ocurra‖. (NICOLÀS,
1996, p. 44).7
Também para Remy Knafou (1996, p. 67) a paisagem se transforma e não se
destrói e, ―o que desagrada a um turista pode muito bem convir a outro, sobretudo se ele
descobre o sítio em seu estado atual, sem tê-lo conhecido pouco ou não transformado, o
que lhe impede de ter uma percepção nostálgica‖.
Retornando a Luchiari (1998, p. 23), podemos ver que também para ela, a
paisagem é uma construção social e, como tal, está em constante transformação: ―Se
admitimos que a paisagem é uma representação [a partir do olhar do observador] e não
um dado da natureza, não podemos concordar que ela seja um recurso não renovável‖.
Ou seja, o turismo, para acontecer, apropria-se dos lugares, consome suas paisagens,
7
O espaço-consumido, porém, não forçosamente destruído, implica que a produção turística não obedece
às leis de produção econômica tradicional; o espaço turístico se cria e recria como valor de uso (e também
de troca) sem que sua destruição seja obrigada, ainda que às vezes ocorra (tradução livre).
34
promove relações e interações, temporárias e permanentes, estabelecendo articulações
lugar-mundo, através da inserção dos lugares turísticos numa rede ampla e complexa.
O turismo atual, segundo as estatísticas da OMT e de outros organismos
internacionais e diversos estudos recentes, passa por um processo de reestruturação,
gerado por uma nova forma de vida que a sociedade atual vem buscando, o que vem
fazendo surgir o chamado turismo alternativo (NICOLÀS, 1996, p. 5). Trata-se de um
modelo que propõe viagens mais curtas, mais individualizadas (pequenos grupos),
voltadas para o contato com a natureza (turismo ecológico) e com as comunidades
locais (turismo rural e cultural).
O turismo de massa continua respondendo, quantitativamente, pela maioria dos
fluxos de demanda, mas assiste-se a uma tendência crescente de segmentação dessa
demanda, com o surgimento de um turista mais consciente, mais exigente, menos
passivo e mais preocupado com a qualidade das suas experiências durante a viagem.
Seria o caso do turista da melhor idade.
Como exemplo de segmentação da demanda por faixa etária, no Brasil, cita-se o
programa ―Viaja Mais Melhor Idade‖ uma iniciativa do Ministério do Turismo com o
objetivo de facilitar e estimular brasileiros acima de 60 anos a viajarem pelo país e
também minimizar a ociosidade dos equipamentos turísticos, na baixa estação através
da oferta de pacotes especiais e descontos exclusivos dos prestadores de serviços que
aderem ao programa: meios de hospedagem, agências de viagens, restaurantes, casas de
shows, transportadores turísticas etc.
O Programa fortalece o turismo interno, gera benefícios por todo o País, o que
representa também um importante vetor de expansão do turismo interno, além de
promover a inclusão social dos idosos, graças à organização de pacotes customizados
para a melhor idade e descontos especiais.
Teresina também se inclui neste programa. Conta com dois Clubes da Melhor
Idade e também com uma agência de viagens que trabalha especificamente com este
público; além de servir de pernoite para grupos de pessoas que se deslocam de outras
cidades da região nordeste para a região norte e vice-versa. Constata-se assim que o
roteiro turístico histórico cultural a ser sugerido neste trabalho possibilitará a
permanência destes grupos por dois dias na cidade de Teresina.
.Ainda segundo a OMT, enquanto o turismo de massa cresce a uma taxa anual
média de 5%, o turismo segmentado (alternativo) vem mantendo uma taxa anual de
crescimento acima de 10% nos últimos anos.
35
Esse novo perfil da demanda turística está exigindo dos operadores turísticos e
dos gestores das áreas receptoras a criação de produtos especializados que permitam ao
turista uma vivência no lugar visitado mais ativa, onde sejam possíveis contatos diretos,
sem barreiras, com os habitantes locais e o estabelecimento de relações pessoais entre
eles. O turista deixa de ser o invasor, o intruso, o estranho (KNAFOU, 1996) e passa a
ser o outro para o habitante do lugar, enquanto esse passa a ser o outro para o turista,
ambos com formações e informações culturais distintas e interessados na troca mútua de
experiências.
É através do revigoramento do conceito do turismo como um momento de
encontro de alteridades que é possível a troca de experiências socioculturais e o
enriquecimento pessoal, tanto do turista como do anfitrião. Ou seja, o turismo
acontecendo como fenômeno sociocultural e não apenas como atividade econômica.
Entretanto, esse lugar turístico só é passível de existência a partir do momento em que
entendemos o turismo como fenômeno sociocultural complexo, no qual seus agentes e
componentes existam num jogo constante de interações, e cada um é, ao mesmo tempo,
causa e efeito no círculo do processo.
Assim, não apenas o turista é sujeito. No momento do encontro com o habitante
do lugar, ambos (turista e lugar) são sujeitos no processo de interação consciente com o
outro. Não há aqui a relação positivista reducionista sujeito-objeto; pelo contrário, a
relação é dialógica e apresenta uma circularidade construtiva (MORIN, 1999),
carregada de uma grande dose de ordem-desordem e de incertezas. Até porque o perfil
do turista mudou. Prova disso é o visitante recém-chegado em Teresina. Embora tenha
vindo com um propósito definitivo, ele encontra muitas razões para permanecer e
consegue dar maior objetividade à sua visita ao encontrar facilidades, como
equipamentos turísticos confortáveis e preços competitivos. Além disso, a cidade dispõe
de uma oferta diversificada, tais como, monumentos preciosos: o prédio da Estação
Ferroviária, a Ponte João Luís Ferreira; históricos templos religiosos, como as Igrejas
São Benedito e Nossa Senhora do Amparo e muitos atrativos que manifestam a cultura
popular, a exemplos do folclore, da gastronomia, das danças, da música, da literatura,
do teatro, e das lendas. Isso faz com que turista e lugar se misturem numa troca de
experiências.
É no território onde o turismo se realiza que acontecem as experiências, onde há
a ocorrência de interações e inter-relações temporárias entre o anfitrião e o turista, aos
quais irão permitir um contato direto, sem barreiras (físicas ou simbólicas) entre eles, o
36
reconhecimento da existência do outro, recíproca e simultaneamente, onde o cotidiano
se torna possível, produzindo novas espacialidades a partir de uma relação dialética
entre uma ordem global e uma ordem local.
Para o turista, essa experiência proporciona um crescimento pessoal e a
satisfação das expectativas, sonhos e ansiedades que o levarão a estabelecer sua viagem.
A viagem torna-se um momento de aprendizado, de crescimento. Para o habitante, o
anfitrião, a experiência irá propiciar, além do seu crescimento pessoal interior, a
consolidação da sua identidade com o seu lugar e a consciência de todas as
possibilidades do seu cotidiano. A interação com o turista torna-se um fator de
fortalecimento e de recriação da sua noção de pertencimento ao lugar.
Parafraseando Milton Santos (1996), entende-se o lugar turístico como o lugar
onde os fragmentos das redes mostram sua dimensão social concreta, pois é nele que o
fenômeno turístico ocorre, solidária e repetitivamente, fruto da diversidade e das
incertezas das relações entre a população local residente e os turistas
1.5. Sobre Patrimônio
No Brasil, a preocupação com o patrimônio surgiu ao final dos anos 30, em
atenção a uma proposta de política de preservação do patrimônio brasileiro,
encaminhada ao governo federal por intelectuais e artistas brasileiros ligados ao
movimento Modernista que teve como representante principal o escritor Mário de
Andrade, proposta esta que, elaborada com base na política patrimonial já existente na
França, considerada marco inicial da forma moderna de proteção do poder público aos
bens culturais definidos como memória da nação, ou seja, como patrimônio
(BOTELHO, s.d).
Daí surgiu o Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/SPHAN, hoje, Instituto
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN organismo federal de proteção
ao patrimônio. A sua criação chamou atenção para o início do despertar de uma vontade
em proteger os monumentos históricos nacionais, que datavam do século XVII, e tinha
como missão institucional promover e coordenar o processo de preservação do
Patrimônio Cultural Brasileiro para fortalecer identidades, garantir o direito à memória e
contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do país (idem).
Em 2004, o IPHAN passou por uma reestruturação, quando o Estado do Piauí foi
administrativamente separado do Ceará, constituindo-se na nova 19ª Superintendência
37
Regional, através da Portaria nº 209 de 28 de maio de 2004, que em 2009 se tornou a
Superintendência Estadual do IPHAN no Piauí, IPHAN-PI.
Esta mudança corroborou o projeto político de expandir a presença do IPHAN
no território nacional e, no caso do Piauí, permitiu melhorar a preservação e proteção
dos mais de 700 sítios arqueológicos pré-históricos espalhados pelos 120 mil hectares
do Parque Nacional da Serra da Capivara e suas imediações, com riquíssimas fauna e
flora, grande beleza natural e um inestimável conjunto de pinturas rupestres, maior
representante do patrimônio histórico-cultural piauiense.
Até o ano de 1975 as ações governamentais de incentivo à cultura
concentravam-se na Secretaria de Cultura do Estado. A partir de então, foram criadas
mais duas instituições, com atuações específicas: a Fundação Cultural do Piauí, com
atuação principalmente no resgate das manifestações folclóricas e da memória do
Estado e a Fundação de Assistência Geral aos Desportos do Piauí - FAGEPI, com o
objetivo de fomentar o esporte piauiense nas mais diversas categorias. Em 1997, foi
criada a Fundação Estadual de Cultura e do Desporto do Piauí - FUNDEC, através da
fusão dos dois órgãos FAGEPI e FUNDEC.
Em 2003, aconteceu a separação das fundações, e que permanece até os dias
atuais, criando-se então a Fundação Estadual de Esportes do Piauí – FUNDESPI e a
Fundação Cultural do Piauí FUNDAC, esta com o objetivo de promover, desenvolver e
divulgar a cultura do Estado através de diversos mecanismos, como leis de incentivos a
Casas de Cultura: como o Museu do Piauí, Arquivo público, Biblioteca Estadual
Cromwell de Carvalho, Theatro 04 de setembro, entre outros, que remetem ao
patrimônio histórico-cultural da cidade.
O trabalho de preservação do Patrimônio Cultural Piauiense tem sido
desenvolvido em três níveis: Federal, estadual e municipal.
Nível Federal – atua em Teresina o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional – IPHAN e desenvolve um trabalho, principalmente, na área de cadastramento
de sítios arquitetônicos e arqueológicos, bem como serve de mediador entre projetos
estaduais de restauração e o Ministério da Cultura - MINC.
Nível Estadual – atua a Coordenação de Registro e Conservação, vinculada à
Fundação Cultural do Piauí - FUNDAC que desenvolve um trabalho de cadastramento
do acervo cultural, propostas de tombamentos, projetos de restauração, educação
patrimonial e divulgação de informações às pessoas quanto à importância da
conservação do Patrimônio Cultural Piauiense.
38
Nível Municipal – são poucos os municípios que têm uma preocupação com o
Patrimônio Cultural local. A respeito da questão das políticas públicas voltadas para a
preservação do patrimônio histórico da cidade, a Prefeitura Municipal de Teresina
através da Fundação Municipal de Cultural Monsenhor Chaves – FMCMC, órgão
ligado à Secretaria de Planejamento do Município – realizou várias tentativas de
catalogação e caracterização dos prédios antigos no Centro.
Grande parte do acervo histórico e cultural, tombado, nos três níveis oficiais, da
cidade de Teresina, está contemplado no roteiro proposto por este trabalho na tentativa
de repassar, de deixar transparecer às pessoas que irão praticá-lo as histórias de vida e
de uso deste espaço como das famílias que passeavam todos os domingos na antiga
Praça da Bandeira, onde por vários anos funcionou um zoológico, e onde todos os anos
na ―missa do galo‖ era montado um parque de diversões e o brinquedo mais atraente era
a roda-gigante.
Dessa maneira percebe-se que tais órgãos em nível nacional, estadual e
municipal são vitais para a proteção do patrimônio histórico-cultural como um todo,
fazendo-se cumprir as leis pertinentes e criando mecanismos de gestão desses bens, tão
importantes para afirmar a identidade de um povo.
1.5.1. Turismo, cultura e patrimônio cultural
A temática levantada nesse trabalho é de que, por meio da organização, análise e
estudo da problemática abordada, a população perceba a importância do patrimônio
histórico-cultural de Teresina e o valorize. Deste modo, será possível desenvolver o
turismo cultural na cidade, possibilitando sua proteção e conservação. A partir desta
colocação, remete-se à seguinte problemática: Como a ausência de reconhecimento e
valorização do patrimônio histórico-cultural, por parte da população local, interfere no
desenvolvimento do turismo cultural em Teresina?
O termo Cultura se refere a um conjunto de crenças, comportamentos, valores,
instituições, regras morais que permeiam e identificam uma sociedade, em um território
e em um determinado período. Segundo Santos (2003), ―cultura é uma preocupação
contemporânea bem viva nos tempos atuais‖. Uma preocupação em entender os muitos
caminhos que conduziram os grupos humanos às suas relações presentes e perspectivas
de futuro.
39
O conceito de cultura remete ao conceito de patrimônio cultural que de acordo
com Funari e Pinsk (2005, p. 8), ―o patrimônio cultural pode ser identificado como tudo
aquilo que constitui um bem apropriado pelo homem, com suas características únicas e
particulares‖. No âmbito do tratado internacional da Convenção sobre a Proteção do
Patrimônio Mundial Cultural e Natural, que em 1972 foi aprovado pela Organização das
Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO, órgão que se propõe
a promover a identificação, a proteção e a preservação do patrimônio cultural e do
patrimônio natural de todo o mundo considerado especialmente valioso para toda a
humanidade, o patrimônio cultural é composto por monumentos, grupos de edifícios ou
sítios que tenham valor histórico, estético, arqueológico, científico, etnológico ou
antropológico. Já o patrimônio natural significa as formações físicas, biológicas e
geológicas, habitats de espécies animais e vegetais ameaçadas e áreas que tenham valor
científico, de conservação ou estético. Considerando o patrimônio em seus aspectos
cultural e natural, a Convenção lembra as formas pelas quais o homem interage com a
natureza e, ao mesmo tempo, a necessidade fundamental de preservar o equilíbrio entre
ambos.
O patrimônio cultural que cada sociedade possui é utilizado na atividade turística
com a denominação de atrativos culturais e se torna efetivamente um mercado a ser
utilizado no segmento turismo cultural. Para a Organização Mundial do Turismo (2003,
p. 106), ―uma motivação atual do turismo é a nostalgia ou o paralelo com sociedades
antigas‖, em que afirma que a busca pela cultura de outros povos é uma tendência a ser
explorada pelo turismo.
Relacionando turismo com cultura, Barretto (2000, p. 19) define turismo cultural
como sendo ―todo turismo em que o principal atrativo não seja a natureza, mas algum
aspecto da cultura humana‖. Para Gastal (2002, p. 121) a relação que existe entre a
cultura e o turismo é que ―a cultura apropriada pelo turismo é a cultura que gera
produtos e manifestações concretas, sejam elas eruditas ou populares‖, observando as
definições de Barretto e Gastal, conclui-se que a relação entre turismo e cultura é toda
manifestação humana que é explorada pelo turismo.
Já o patrimônio histórico refere-se a um bem móvel, imóvel ou natural – que
possua valor significativo para uma sociedade – podendo ser estético, artístico,
documental, científico, social, espiritual ou ecológico. Outro foco de interesse são as
construções representativas, que, por seus estilos, época de construção, técnicas
construtivas utilizadas, constituem o patrimônio arquitetônico.
40
A história do turismo revela que o mesmo sempre mostrou certa peculiaridade,
ao colocar uma cultura como uma de suas finalidades – idéia amplamente reforçada
enquanto alternativa à banalização da viagem – perante a perspectiva meramente
consumista de outras formas de turismo. Trata-se assim de procurar ser original em
tempos de massificação e de produtos industrializados, transformando a experiência
turística enquanto expressão da pesquisa da autenticidade típica do homem moderno.
Hoje se entende que, além de proporcionar o conhecimento, os remanescentes
materiais de cultura são testemunhos de experiências vividas, coletiva ou
individualmente, e permitem aos homens partilhar uma mesma cultura e desenvolver a
percepção de um conjunto de elementos comuns que fornecem o sentido de grupo e
compõem a identidade social.
1.5.2. Patrimônio material e imaterial
Não é recente o debate internacional, no âmbito das entidades multilaterais,
sobre os direitos culturais dos povos. Os últimos 30 anos do século XX foram pródigos,
inclusive no Brasil, nessa discussão principalmente entre vários autores: Silva (1998);
Canotilho, (1992); Schier (2005); Benvenuti (1952); Sousa (2003); Candal (2002);
Bobbio (1992); Medauar (1997), culminando, inclusive, na divisão ideológica em dois
blocos: aquele que defendia que os direitos fundamentais eram os individuais – civis,
políticos e de propriedade; enquanto o outro se aferrava na defesa de que os direitos
coletivos - econômico, sociais e culturais, seriam superiores. Essa divisão, já no final do
século XX, foi sendo superada pela idéia de que os direitos humanos são indivisíveis e,
portanto, não se pode estabelecer uma hierarquia sobre quais são os de maior ou de
menor importância.
Assim, até mesmo no bloco ideológico de países que defendiam a sobreposição
dos direitos individuais sobre os coletivos, a valorização destes ganhou força e
consistência tanto em discurso, como em ação, no sentido da valorização, preservação e
incentivo da cultura. Esse movimento teve forte apelo na construção das identidades
nacionais e nacionalistas, mas com transbordamentos, com a formação de identidades
regionais e locais.
Reconhecidos anteriormente como ―direitos de segunda geração‖, os coletivos –
aí inserido o direito cultural – foram assumindo nova roupagem, especialmente a partir
41
da consolidação dos direitos denominados de ―terceira geração‖
8
(BENVENUTTI,
1994), notadamente representados pelo direito ambiental. A partir de então, fica cada
vez mais nítida, para a sociedade, a compreensão de que não apenas a produção de
conhecimento, as manifestações artísticas e históricas estão no rol da cultura de um
povo.
Paisagens, florestas, conhecimentos sequer ainda descobertos, mas existentes em
forma de potencial, também devem ser protegidos como patrimônio de um povo, de
uma nação, de uma cidade, estado ou país e, ainda, de toda a humanidade. Nesse
sentido, a floresta amazônica é um exemplo de imenso patrimônio cultural brasileiro e
da humanidade, além de poder ser vista tanto como patrimônio material, como
imaterial.
A Constituição de 1988, conhecida como Constituição Cidadã, estabelece, no
artigo 216, que ―o patrimônio cultural brasileiro é formado por bens de natureza
material e imaterial, tomadas individualmente ou em conjunto, portadores de referência
à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade
brasileira, nos quais se incluem: as formas de expressão; os modos de criar, fazer e
viver; as criações científicas, artísticas e tecnológicas; obras, objetos documentos,
edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; os
conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,
paleontológico, ecológico e científico‖.
Percebe-se, na letra da Lei, que o reconhecimento do conjunto de elementos que
formam o patrimônio cultural material e imaterial tem uma relação intrínseca com a
identidade de um povo, com a promoção do bem-estar e da cidadania. Por isso, mais
que uma responsabilidade de cada pessoa, é essencial a participação do Estado e de suas
instituições na criação, difusão e conservação desse patrimônio.
Como o patrimônio cultural não se refere apenas ao legado das gerações
anteriores, pois existe a dimensão viva do presente, da criação em si, da realidade que se
modifica nos dias atuais e, também, nos potenciais culturais, o direito a essa cultura
legado-presente-potencial tem uma relevância para o seu reconhecimento enquanto
valor social e, portanto, os patrimônios culturais materiais e imateriais tornam-se
referências fundamentais na instituição de novos valores, criações e culturas,
8
Para o autor, essa divisão ainda faz sentido no estudo histórico dos Direitos Humanos, mas não deve ser
confundida com qualquer tipo de valoração entre a primeira e a última geração, mantendo-se a nova visão
da indivisibilidade dos Direitos Humanos.
42
influenciando, no mundo atual da aldeia global, outras localidades em qualquer parte do
planeta.
Atualmente o patrimônio cultural é muito mais abrangente, não engloba somente
os bens tangíveis como as obras arquitetônicas, esculturas, pinturas, cavernas, entre
outros, mas também tudo o que é produzido pelos indivíduos em toda a sociedade como
danças, gastronomia, entre outros. O IPHAN já utiliza desta perspectiva do patrimônio
cultural e a produção intangível e tangível da sociedade.
Daí a sua importância ser mais ampla do que para formação de uma identidade
local, pois se reflete em outras culturas e se permite o diálogo – especialmente na
atualidade, com as novas tecnologias de comunicação e a facilidade do fluxo de
informação, que possibilita comunidades isoladas (do ponto de vista dos meios de
transporte) conhecer outras culturas por meio da televisão, internet, rádio, entre outros.
1.5.3. Patrimônio, identidade e memória
As teorias sociais apontam o indivíduo humano como em combate natural com
os outros indivíduos que precisariam, portanto, de um contrato para garantir a
pacificação e a coexistência em sociedade, pois, segundo Honneth (2003) ―toda teoria
filosófica da sociedade tem de partir primeiramente dos vínculos éticos, em cujo quadro
os sujeitos se movem juntos desde o princípio, em vez de partir dos atos de sujeitos
isolados‖. O que se justifica, segundo o autor, porque
―[...] diferentemente do que se passa nas doutrinas sociais
atomísticas, deve ser aceito como uma espécie de base natural
da socialização humana um estado que desde o início se
caracteriza pela existência de formas elementares de convívio
intersubjetivo‖. (HONNETH, 2003, p. 43).
Dessa forma, como os humanos são seres sociais, está na gênese dos
mecanismos de formação da comunidade em geral, de transformação e de ampliação de
formas primeiras de comunidade social em relações mais abrangentes de interação
social a partir da intersubjetividade ética entre os seres humanos, sejam eles ou não
componentes de um determinado grupo.
43
Esse processo de socialização e de construção de identidades é intrinsecamente
conflituoso, mas tenderia, de acordo com Honeth (idem, p. 44) ao aprimoramento das
relações sociais e à formação e reconhecimento das identidades individuais e coletivas.
―[...] A natureza ética alcança seu verdadeiro direito como um
processo de negações a se repetirem, mediante as quais as
relações éticas da sociedade devem ser sucessivamente
liberadas das unilaterizações e particularizações ainda
existentes: eis a 'existência da diferença', […] que permite à
etnicidade passar de seu estágio natural primeiro e que, em
uma série de reintegrações de um equilíbrio destruído, a levará
finalmente a uma unidade do universal para o particular‖.
Segundo o autor, o processo de socialização também é o de individuação, ou
seja, de reconhecimento de si próprio, o que significa que a compreensão da identidade
pessoal, individual é parte do processo da formação da identidade coletiva. Ainda, é
nessa relação que se dá a formação de uma ―coesão orgânica no reconhecimento
intersubjetivo da particularidade de todos os indivíduos‖.
As relações sociais interpessoais são impregnadas da realidade cultural, num
processo vivo de criação-recriação, que tem papel fundamental na formação da
identidade e, segundo o autor, na coesão da sociedade, no bem-estar e, inclusive, no
desenvolvimento social. O movimento de reconhecimento intersubjetivo e social é parte
fundamental do processo de reconciliação pessoal e social, que permite os seres saírem
do que outros autores chamam de ―estado de natureza‖, no qual os humanos tenderiam
apenas à luta pela autoconservação, para entrarem num estágio de identidade que leva à
coesão social e, portanto, a uma identificação coletiva.
―Doravante as relações éticas de uma sociedade representam as
formas de uma intersubjetividade prática na qual o vínculo
complementário e, com isso, a comunidade necessária dos
sujeitos contrapondo-se entre si são assegurados por um
movimento de reconhecimento. A estrutura de uma tal relação
de reconhecimento recíproco é, em todos os casos, a mesma: na
medida em que se sabe reconhecido por um outro sujeito em
algumas de suas capacidades e propriedades e nisso está
reconciliado com ele, um sujeito sempre virá a conhecer, ao
mesmo tempo, as partes de sua identidade inconfundível e,
desse modo, também estará contraposto ao outro novamente
como um particular. […] O movimento de reconhecimento que
44
subjaz a uma relação ética entre sujeitos consiste no
reconhecimento do patrimônio cultural um processo de etapas
de reconciliação e de conflito ao mesmo tempo, as quais
substituem umas a outras‖. (HONNETH, 2003, p. 47).
O reconhecimento do patrimônio cultural sugere um processo simbólico de
legitimação social e cultural de determinados conceitos, produtos, valores que conferem
a um grupo um sentimento coletivo de identidade. Assim, toda construção patrimonial é
uma representação simbólica de certa versão da identidade, de uma identidade
construída pelo presente que a idealiza. Dessa forma, o patrimônio cultural
compreenderá todos aqueles elementos que fundam a identidade de um grupo e que o
diferencia dos demais. O elemento fundamental do patrimônio cultural, portanto, é seu
poder de representar, simbolicamente, a identidade, a memória de um indivíduo, a
memória coletiva. Em todos os níveis, a memória é um fenômeno construído social e
individualmente, havendo uma ligação muito estreita entre a memória e o sentimento de
identidade.
Sabe-se que em toda atividade humana, a memória é social e pode ser
compartilhada pelas pessoas, criando identidades coletivas, sendo materializada nas
reminiscências e nos discursos individuais. As relações estabelecidas entre os
indivíduos em suas representações do passado são mediadas por meio das memórias,
mas não podemos nos esquecer que ―a elaboração da memória e o ato de lembrar são
sempre construções individuais, em que pessoas e não um grupo inteiro é capaz de se
lembrar da mesma maneira, sobre o passado‖.
Pollak (1992) afirma que: ―a memória é um elemento constituinte do sentimento
de identidade, tanto individual como coletiva, na medida em que ela é também um fator
extremamente importante do sentimento de continuidade e de coerência de uma pessoa
ou de um grupo em sua reconstrução de si‖. Tudo isto se aplica para a ―identificação‖
de grupos sociais ao longo de gerações, em busca de uma possível definição de sua
cultura, através das memórias compartilhadas por seus pares, ou através da análise das
memórias de um único sujeito, acompanhando a sua trajetória de vida.
Aqui, segundo M. Pollak, no processo de mediação os elementos que formam a
memória individual ou coletiva, são os acontecimentos ―vividos pessoalmente‖ e,
aqueles que ele denomina de ―vividos por tabela‖, ou seja, acontecimentos vividos pelo
grupo ou pela coletividade à qual a pessoa se sente pertencer. Esses acontecimentos dos
quais nem sempre o indivíduo participou, devido à força do imaginário coletivo,
45
ganham tamanha relevância que, ao cabo, se torna quase impossível que a pessoa
consiga saber se participou ou não, daqueles acontecimentos. Assim compreendida, essa
introspecção pode ir ainda mais longe:
―A esses acontecimentos vividos por tabela vêm se juntar todos
os eventos que não se situam dentro do espaço-tempo de uma
pessoa ou de um grupo. É perfeitamente possível que, por meio
da socialização histórica, ocorra um fenômeno de projeção ou
de identificação com determinado passado, tão forte que
podemos falar numa memória quase que herdada‖. (Pollak,
1992)
A relação patrimônio / identidade / memória apresenta-se, portanto, como chave
para a compreensão da importância do patrimônio cultural material e imaterial nas
sociedades. Além disso, fica claro, que não apenas os grupos locais se valem do
reconhecimento identitário, mas evidencia a relevância da proposta deste trabalho - um
roteiro histórico cultural para a região central de Teresina – a participação ativa, onde as
pessoas vivenciarão através das memórias transmitidas pelas edificações, monumentos,
praças, pelas trajetórias de vida que se refletem no ambiente do lugar, e ainda, associado
a tudo isso, propicia a preservação e conservação de estruturas, instalações e
equipamentos já implantados.
É como o Sr. Ernane Clark, funcionário público aposentado, faz uma menção
saudosista acerca do Centro da Cidade de Teresina ―antigamente as diversões daqui se
restringiam à vida diurna e noturna do centro, com seus bares, casas de sorvetes,
cinemas, teatro, casas de shows noturnos, passeios pelas praças, pela Avenida Frei
Serafim... Era uma beleza‘‘, finaliza.
1.5.4. Patrimônio e turismo
O fenômeno do turismo é, atualmente, uma atividade da qual nenhum país pode
prescindir. Assim como as grandes aglomerações urbanas já dispõem de ordenamentos
e planejamentos para assegurar a prática do turismo, localidades longínquas, também,
buscam agregar essa importante área de emprego e renda a suas vocações econômicas.
Teresina começa a despertar para esta realidade ao criar, na prefeitura, uma
Coordenação Especial de Turismo com o objetivo de definir um planejamento para
46
realização de ações específicas voltadas à atividade turística. Entre as primeiras ações
desta Coordenação, em 2009/2010, estão a formação de mão-de-obra qualificada, a
realização do Inventário da Oferta Turística – um importante trabalho de diagnóstico do
município que gera informações e subsídios para a definição de um planejamento –
enfim, fomentando o crescimento turístico local.
Esta relação do homem com a atividade do turismo existe há muito tempo, algo
intrínseco culturalmente, mas antigamente as pessoas não tinham noção da importância
dessa atividade, que nos oferece muitos benefícios, principalmente do ponto de vista da
população residente que pode ter como legado as várias mudanças positivas do cenário
urbano de suas cidades. O exemplo dessa afirmativa está no relato do Senhor Francisco
Reis Farias, funcionário aposentado do Banco do Brasil, que se lembra de ―uma
Teresina de antes e, a outra, dos dias atuais, pois em se tratando das melhorias de infraestrutura básica e urbana, a cidade está muito bem, uma vez que são necessárias as
modificações tanto para seus moradores, como também para quem nos visitam, porém
sem macular seus recursos culturais, valorosos para o turismo‖.
O turismo cultural vem se tornando uma fonte cada vez mais sólida e, ao mesmo
tempo, vem ganhando bastante crédito pelas comunidades, seja pelo aspecto educativo
para os turistas, seja pelo incentivo à valorização dos produtos culturais locais, seja
ainda, pela diversificação das fontes de turismo, permitindo a incorporação de novas
rotas oportunizando que outras comunidades passem a conquistar os benefícios
econômicos proporcionados por essa atividade.
Esse segmento turístico apresenta-se como uma alternativa às rotas já saturadas
e, também, como opção aos ―paraísos‖ do litoral, um tanto quanto ameaçados pela ação
predatória do homem. Mas também abre uma gama de problemas, como a dicotomia da
devastação-preservação dos patrimônios, a intervenção que o turismo promove nas
genuínas manifestações, o artificialismo das ações e produtos culturais a partir da
participação do turismo, entre outros.
O modo como a atividade turística foi implementada em muitos lugares
mostrou-se danoso ao patrimônio cultural ou ineficaz, como aconteceu em Morro de
São Paulo-BA, que com o advindo da atividade turística, a ação dos agentes
imobiliários provocou alterações no espaço, devido ao surgimento de novos grupos
sociais interessados em implementar atividades de lazer, impulsionou a especulação
imobiliária e o espaço tomou novas características à medida que a própria sociedade se
modificava diante das exigências da nova realidade. Isso se deveu, muitas vezes, à falta
47
de recursos humanos especializados, visitação descontrolada, desrespeito em relação à
identidade cultural local – com a imposição de novos padrões, ou, ainda, pelo
despreparo do próprio turista para a experiência turística cultural.
Os problemas, entretanto, não invalidam essa nova atividade com enorme
potencial econômico e de desenvolvimento. Ao contrário, a identificação das
dificuldades é o primeiro passo para o planejamento e adequação da atividade turística
aderente aos objetivos do turismo cultural.
A exemplo da proposta de Neuma de Moura Horta, em sua Dissertação de
Mestrado, no Centro de Excelência em Turismo - Universidade de Brasília / CET/UNB,
em 2009, de realização de um projeto piloto – um curso ―Atrativos turísticos de Belo
Horizonte‖, com o objetivo de oferecer aos funcionários da Empresa Municipal de
Turismo de Belo Horizonte S.A - Belotur a oportunidade de conhecerem os atrativos
turísticos da cidade de Belo Horizonte, o que certamente melhorou a qualificação dos
funcionários da Empresa, o que reflete no contato com o turista e que, serviu de modelo
para ser aplicado a outros públicos.
1.5.5. Turismo, cultura e patrimônio
O turismo é a atividade que mais sofreu influência do fenômeno da globalização.
A evolução tecnológica encurtou as distâncias, a política de livre comércio, circulação
de bens e pessoas facilitou as viagens internacionais e dinamizou a economia. O acesso
a mais informações despertou a curiosidade e o interesse a culturas diferentes e
distantes.
O turismo e a globalização não só despertaram a curiosidade por novos lugares,
situações e experiências, como também criaram meios para que esta atividade ocorra.
Ele e a cultura, no contexto da globalização, criam oportunidades de preservação da
identidade cultural e dos bens patrimoniais de uma comunidade, pois este é um grande
diferencial de mercado e atrativo turístico, e assim promove uma melhor oferta para a
demanda turística. Por um lado, o fluxo turístico promove mecanismos de preservação e
conservação da cultura e bens patrimoniais. Por outro, pode ocasionar a aculturação da
comunidade e possível estrago dos bens patrimoniais, que não é bom para o turismo e
muito menos para a comunidade receptora.
Segundo o Ministério do Turismo (2007),
48
―O turismo cultural compreende as atividades turísticas
relacionadas à vivência do conjunto de elementos significativos
do patrimônio histórico e cultural e dos eventos culturais,
valorizando e promovendo os bens materiais e imateriais da
cultura‖.
Assim, esse segmento favorece a preservação cultural, estimula os agentes
culturais a promoverem recursos para atrair demanda turística, principalmente,
considerando a viagem como o deslocamento de pessoas de seu lugar de residência para
outro, independente da distância percorrida. Isso leva o turista a entrar em contato com
uma realidade diferente da sua, pois, no encontro de culturas diferentes ocorre o
processo de aculturação, e no confronto entre receptores e visitantes há a demonstração
cultural, definida por Burns (2002, p. 126):
―O processo pelo qual as sociedades tradicionais, sobretudo
aquelas particularmente suscetíveis a influências externas, como
os jovens, tentarão ―voluntariamente‖ adotar certos
comportamentos (e acumular bens materiais), acreditando que
sua posse levará a conquista do estilo de vida descontraído e
hedonista demonstrado pelo turista‖.
Diante do exposto, percebe-se que a atividade turística, analisada sob o aspecto
cultural, causa impactos positivos e negativos na comunidade receptora. Os efeitos
positivos (benéfico econômico, social e cultural) são mais fáceis de perceber, pois
aparecem de forma mais clara; enquanto os negativos, como absorção da cultura e
costumes dos visitantes, vão modificando a cultura receptora com o passar do tempo.
Segundo Camargo (2005) o relacionamento entre turismo e patrimônio se deu na
época da revolução francesa, quando os revolucionários perceberam que os patrimônios
históricos atraiam viajantes, e daí surgiriam benefícios econômicos. Nesse período
surge o Grand Tour, viagens realizadas por jovens da aristocracia inglesa, com intuito
pedagógico e de formação do homem culto, em sintonia com o entendimento da época
de cultos e incultos. Ele esclarece que o Grand Tour tomará formas mais parecidas com
as de hoje em 1765 e 1820 quando as viagens dos ingleses, que já viviam a Primeira
Revolução Industrial e desfrutavam de tempo livre, ganham um caráter mais lúdico, e
49
começam a configurar períodos com mais fluxos turísticos, ou seja, surgem as
temporadas de viagens.
A industrialização e os avanços tecnológicos das décadas seguintes ao Grand
Tour intensificam os deslocamentos de pessoas. A literatura de viagens iniciada naquela
época se expande ainda mais, e, somada aos romances históricos, artigos de viagens,
expedições científicas e guia de turismo valorizam e criam grandes fluxos turísticos aos
patrimônios históricos relatados. A visitação aos patrimônios históricos, segundo
Camargo (2005), ao mesmo tempo em que expõe esses patrimônios ao vandalismo,
exige da gestão local a conservação para que o fluxo de visitas seja mantido, e que o
conhecimento e a visitação sejam perpetuados nas próximas gerações.
No Brasil, a percepção do patrimônio como atrativo turístico se inicia com a
ascensão de Ouro Preto em 1933 a Monumento Nacional 9 (SIMÃO, 2006), no entanto,
a atividade turística ainda era tímida pela condição econômica da maioria dos brasileiros
e se agravava pela condição de transporte. Segundo Dias e Aguiar (2002, p.134):
―Turismo cultural é uma segmentação do mercado turístico que
incorpora uma variedade de formas culturais, incluindo museus,
galerias, festivais, festas, arquitetura, sítios históricos,
performances artísticas e outras, que identificadas com uma
cultura em particular, integram um todo que caracteriza uma
comunidade, e que atrai os visitantes em busca de características
singulares de outros povos‖.
Turismo Cultural é hoje uma realidade para muitos municípios que buscam
desenvolver-se de forma sustentável e agregar mais valor a sua cidade. Ao valorizar as
manifestações culturais, folclóricas, artesanais e a arquitetura da cidade, o Turismo
Cultural melhora a autoestima da população local. Mesmo assim, ainda podemos
observar que há gestores públicos que não perceberam a importância do turismo para a
melhoria da qualidade de vida da população. É o que afirmam Boiteux e Werner (2003,
p.42 - 43):
9
Ouro Preto foi a primeira cidade do Brasil a receber o título de Monumento Nacional. O prefeito Ângelo
Oswaldo conta que, em 1933, o então presidente Getúlio Vargas declarou, por meio de decreto, Ouro
Preto como Patrimônio Nacional. O tombamento pelo Iphan veio em 1938.
50
―O município é a estrutura mais importante da atividade
turística. É a primeira célula: é ali que nasce a vontade de
crescer turisticamente. As administrações municipais
normalmente não atribuem a devida importância ao secretário de
tal pasta ou acoplam a outras atividades, pela falta de
visibilidade que o turismo parece dar. Ledo engano. Embora
saúde, educação, esportes possam dar mais mídia, o turismo
finca melhorias a longo prazo, se entendido como prioritário [...]
A função do turismo é melhorar a qualidade de vida da
população e analisar a oferta existente, para segmentá-la. Não
podemos pensar que tudo é turístico, que basta um cassino ou
um parque temático, mas a sensibilidade ética e profissional
permite buscar soluções para viabilizar núcleos receptores, para
demandas locais ou regionais, de acordo com o inventário
turístico e a respectiva hierarquização dos atrativos‖.
Ressalta-se que os atrativos em si estão relacionados com as razões que levam os
turistas a viajarem, bem como a interpretação que eles fazem a respeito desses atrativos.
Geralmente, quanto mais diferente é o atrativo, maior é o interesse que ele desperta no
turista.
Para a grande maioria dos brasileiros, que ainda considera a atividade turística
como aquela relacionada à praia – Segmento de Turismo de Sol e Mar e por não
valorizar da mesma forma o Segmento Turismo Cultural, também pelo fato de Teresina
não apresentar esta primeira característica, pois não se localiza no litoral bem como pelo
desconhecimento da relevância de seu patrimônio histórico até mesmo pelo próprio
teresinense não se identifica no próprio morador da capital do Piauí algo que é
fundamental para o desenvolvimento do turismo, que é uma forte identidade cultural –
no qual o folclore, as danças e as músicas regionais são elementos importantes como
fator de atratividade turística.
Contudo, Teresina tem sido considerada uma capital apropriada para a realização
de eventos regionais: Casa Piauí Design, Artes de Março, Encontro de Bois, Festival de
Musica Chapada do Corisco, Encontro de Corais de Teresina, Semana da Moda de
Teresina; os nacionais: Salipi, Piauí Fashion Week, Salão de Artes Plásticas e até
mesmo os internacionais: Salão Internacional do Humor, promovidos por entidades de
classe, instituições de saúde, governamentais, filantrópicas, culturais que promovem
congressos, simpósios, dentre outros eventos. Mas, a inexistência de espaços para
realização de grandes eventos, ainda é um fator limitante para a consolidação deste
segmento, na cidade. Não obstante esta limitação verifica-se em Teresina uma
51
capacidade para a realização de uma quantidade considerável de eventos, apesar de não
haverem pesquisas sobre números exatos, mas a cidade dispõe de boa estrutura de
hospedagem e de locais de realização de eventos de pequeno e médio porte,
consolidando assim como seu principal atrativo, ou seja, o principal motivo das pessoas
optarem por Teresina.
Teresina, além de estar se desenvolvendo como centro de referência para
realização de eventos de negócios, tem sua atividade turística concentrada em torno de
recursos naturais e atrativos histórico-culturais. Dentre esses atrativos estão o Museu
Histórico do Piauí, agora conhecido como Museu Odilon Nunes; Centro de Artesanato
Mestre Dezinho, Igreja Nossa Senhora do Amparo, considerada como o templo mais
antigo (datada de 1852). Outro templo que chama a atenção pela beleza é a Igreja de
São Benedito. No roteiro a ser proposto constarão as informações detalhadas, tais como
forma de visitação, valores etc.
Atrativos a mais são a Feira do Troca-Troca – que já serviu de inspiração para a
música ―Teresina‖ do extinto grupo Candeia e que virou uma espécie de hino em
homenagem à cidade; o Mercado São José, conhecido pela população como Mercado
Central e/ou Mercado Velho; e o encontro dos rios Poti e Parnaíba, no bairro Poti
Velho.
A culinária teresinense também conta com um cardápio para agradar quem
chega à capital. Os pratos típicos da região mais conhecidos e festejados são: o Arroz de
Maria-Isabel (mistura de carne seca cozida com arroz), a Paçoca de Carne de Sol (carne
misturada com farinha, socados no pilão), o Arroz de Capote (arroz cozido com pedaços
de capote – galinha da angola), a Galinha Caipira ao molho pardo (galinha cozida no
próprio sangue), Bode Assado na brasa, Bode Cozido no leite de coco, o Doce de
Limão, Doce de Caju, Doce de Leite, entre outros; e as bebidas que são a cachaça
mangueira, a cajuína – produto ímpar local, os sucos e licores de frutas regionais (caju,
limão, bacuri, buriti, pitomba, umbu, ciriguela e murici). Em anexo, apresentamos
algumas receitas que tem como elemento principal essas frutas.
Neste contexto, como atividade econômica, o turismo sofre inovações constantes
em face da competitividade e das exigências do fluxo turístico. Com isso, as empresas
oferecem produtos segmentados destinados a uma clientela específica, como é o caso da
elaboração de pacotes customizados para a melhor idade com descontos especiais em
meios de hospedagens, em passagens aéreas, o que representa também um importante
vetor da expansão do turismo interno visto que os turistas tendem cada vez mais a se
52
dividirem por diferentes mercados, o que favorece o rápido crescimento do turismo de
interesse social especial.
O turismo destaca-se, assim, como uma ferramenta para promover e divulgar a
cultura e os patrimônios históricos e culturais de uma sociedade, constituindo, junto ao
patrimônio natural, um atrativo. Desta maneira, a atividade turística passa
necessariamente, pela questão da tradição local e regional, e reforça a necessidade de
compreender as suas peculiaridades, admirar a complexidade e estimular a participação
da comunidade.
Optou-se, neste trabalho, por abordar o turismo como um fenômeno típico da
sociedade capitalista atual, resultado de políticas e práticas socio-espaciais, geradoras de
territórios e territorialidades que ―turistificam‖ lugares. Assim, são analisadas as áreas
receptoras, locus de produção e consumo do produto turístico, enquanto protagonistas
de uma rede complexa, visualizados como lugares turísticos.
Nos anos 50 a 70, o turismo despontou, no Brasil como uma atividade que
crescia numa escala sem precedentes. Nessa época ocorreu o ―boom‖ do turismo, como
consequência da estabilidade social e da expansão do ócio e da cultura vivida no
ocidente. Surgiu a denominada sociedade do bem-estar, que, já com suas necessidades
básicas supridas, buscavam a satisfação de novas necessidades. Foi através do contexto
vivido nesse momento que se iniciaram as viagens com a finalidade de conhecer outros
lugares, viagens por lazer, por descanso. Àquela época o povo piauiense, com maior
ênfase o teresinense, já se deslocava para a região norte do Estado, a cidade de Parnaíba
– o litoral, em busca de descanso, lazer etc.
Nos outros Estados nordestinos como Bahia e Pernambuco esta atividade se
desenvolvia mais fortemente. Os Estados nordestinos criam seus órgãos oficiais em
tempos próximos: Em Pernambuco no ano de 1967, foi criada a Empresa Pernambucana
de Turismo – EMPETUR, Na Bahia, 1968, foi criada a Empresa Bahiana de Turismo –
BAHIATURSA, em 1968, nos Estados do Piauí e Ceará esta ação governamental
aconteceu no ano de 1971 com a criação da Empresa de Turismo do Piauí – PIEMTUR
e da Empresa Cearense de Turismo, respectivamente, e em 1973 foi crida a Empresa de
Turismo do Rio Grande do Norte – EMPROTURN. O Piauí não era um destino
procurado pelos turistas, haja vista nosso litoral ser pequeno (apenas 66 km) e naquela
época só se dispunha de acesso rodoviário e de má qualidade.
53
O Governo Estadual, então criou, conforme Lei nº 3.007/71, de 28.06.1971, a
Empresa de Turismo do Piauí – PIEMTUR10 com o objetivo de fomentar e qualificar o
Estado para o desenvolvimento do turismo e posteriormente construiu hotéis em sete
municípios: Altos, Campo Maior, Barras, União, Demerval Lobão e José de Freitas,
considerados de localização estratégica, abrangendo as regiões sul, centro e norte no
Estado com o objetivo de propiciar às pessoas a opção de permanência nestes locais nos
seus deslocamentos internos.
Teresina, por ser a capital, e, consequentemente, o município mais desenvolvido,
com uma infra-estrutura já instalada, ganhou o Hotel Piauí e gradativamente foi se
consolidando como portão de entrada de turistas, no Estado – o que oportunizou a
permanência dos mesmos, por alguns dias na cidade.
Segundo informações do Sr. Anchieta Correia, um dos primeiros presidentes da
Empresa de Turismo do Piauí - PIEMTUR, posteriormente Piauí Turismo, foi a partir
da criação de um órgão oficial para tratar exclusivamente dos assuntos pertinentes ao
turismo que tal segmento se consolidou no estado do Piauí. Em entrevista (on line) 11, o
presidente foi questionado sobre a motivação do então governador Alberto Silva sobre a
criação da referida empresa de turismo e se os Estados vizinhos já estavam inseridos no
turismo oficial através de organismos estaduais ou empresas de turismo. Para o
presidente,
―O Eng. Alberto Silva sempre foi um grande idealista e
empreendedor, dotado de notável descortino.
Ele assimilou a importância da empresa de fomento ao turismo e
tomou a decisão na hora certa. Em menos de seis meses a
Empresa estava criada, sob a forma jurídica de uma Sociedade
de Economia Mista... As empresas oficiais de turismo do
Nordeste12 surgiram praticamente todas na década de setenta
(1970).
[...] No fim da década, todos os Estados contavam com as suas
empresas de fomento ao turismo, adotando o modelo do
Governo Federal, que havia criado a (Empresa Brasileira de
Turismo, posteriormente, Instituto Brasileiro de Turismo) EMBRATUR. ―Ao longo desses trinta anos aconteceram muitas
10
A PIEMTUR foi extinta em dezembro de 2010, ficando suas atribuições a cargo da Secretaria de
Turismo - SETUR, órgão criado em 02.04.2007. Em anexo, o documento.
11
12
Disponível em http://www.terraquerida.com/ acesso em:
Empresa de Turismo da Bahia – Bahiatursa/BA, Empresa Pernambucana de Turismo - EMPETUR/PE,
Empresa de Turismo do Rio Grande do Norte - Emproturn/RN.
54
modificações e algumas empresas chegaram a ser extintas, mas
a PIEMTUR permaneceu até agora, numa demonstração de que
foi bem nascida e mantida‖.
Percebe-se, com isso, que o idealismo do governador da época foi um grande
avanço para o desenvolvimento do turismo no Piauí. A fundação da PIEMTUR era
baseada não só em projetos idealistas de um sonhador, mas também em uma perspectiva
de crescimento e reconhecimento do Estado como um local de investimentos.
―[...] O funcionamento efetivo ocorreu no mesmo mês, em
dependência do prédio do Seminário Diocesano (Av. Frei
Serafim), que havia sido alugado para funcionar ali a sede do
Governo, provisoriamente. O Palácio do Karnak estava sendo
restaurado e ampliado. Havia muito espaço e éramos apenas a
Diretoria e três funcionários. Nessa época não existiam
bacharéis em turismo, já que o primeiro Curso do país foi
instituído naquele mesmo ano (1971) na Faculdade Anhembi
Morumbi em São Paulo‖. (idem)
Quanto às estratégias utilizadas para o desenvolvimento do turismo no Piauí,
iniciado do ponto zero, o presidente afirma:
―É preciso deixar claro que o fomento à atividade turística não
pode ser feito empiricamente, mas seguir metodologia adequada,
específica a cada situação. Mas àquela época o entusiasmo
superava tudo. Costumo chamar de período heróico do turismo
do nordeste. Portanto, estas considerações são oportunas, para
que se entenda que o trabalho de fomento ao turismo no Piauí
teve sempre uma orientação técnica pragmática, baseada em
experiências científicas, para poder valorizar os parcos recursos
à época disponíveis‖. (ibidem).
E ainda cita o aprendizado adquirido com o espanhol Domingo Hernandez Peña,
um professor que ele teria conhecido na Faculdade Morumbi (SP): ―para desenvolver o
turismo é importante ter sempre em vista dois caminhos principais: a) organizar a oferta
e, b) incentivar a demanda. Equilibrar as ações nessas duas vias de modo a fazê-las
crescer em harmonia.‖ (ibidem)
Há que se considerar que esse equilíbrio constituía um grande desafio, como
afirma Correia. ―E assim, tudo que se pensava em realizar passava por essa balança
metodológica‖. Várias foram as ações para a concretização do sonho de inserir a capital
55
piauiense em um roteiro turístico, segundo depoimento. Foi a consolidação do Hotel
Piauí, hoje Luxor Hotel que deu forma à premonição do governador Alberto Silva em
elevar o turismo no Estado.
―O Hotel Piauí continuou a sua missão pioneira, sendo cenário
de importantes eventos atraídos para Teresina, graças à sua
existência e qualidade. E o empreendimento continuou em
perfeito estado de conservação e operação, sendo recentemente
transferido a um grupo hoteleiro local, que modernizou o
equipamento, continuando a sua operação‖.
O hotel ainda recebe muitos turistas e também sedia eventos. E, por ter
localização privilegiada – ao lado da igreja Nossa Senhora do Amparo, no centro da
cidade, tornar-se-á ponto de partida para o roteiro turístico proposto neste trabalho.
Tudo isso reforça ainda mais a pertinência de elaboração deste trabalho de
dissertação, visto que ele tem como objeto principal o uso de frações do território na
cidade de Teresina. E que se deve atentar ser um trabalho voltado para alguns espaços,
dentro de um contexto maior - o território, fugindo das ações pontuais, mas com a visão
de um todo.
Pois, se por um lado, o turismo tem suas mazelas, que não podem ser
negligenciadas, por outro, ele é também capaz de promover algum desenvolvimento
local. O tipo de desenvolvimento turístico que decorrerá em cada lugar, do qual ele se
apropria, dependerá da capacidade das pessoas de exercerem a cidadania, intervindo nos
processos políticos e de planejamento que engendram o desenvolvimento turístico.
Esse exercício de cidadania, muitas vezes, depende de um sentir-se sujeito de
um lugar e querer fazer parte da história desse lugar – o que passa, na grande maioria
das vezes, pela noção de cultura e identidade, considerando o conceito de identidade
como algo que se constrói ao longo dos tempos, na convivência diária com os aspectos
culturais de um povo. Assim, sentir-se parte integrante de um todo, leva o sujeito a
repensar seus costumes e valores. Isso é perceptível, de forma mais enfática, nos
sujeitos que constituem a chamada ‗melhor idade‘, talvez pelo fato de se sentirem mais
agentes no processo de construção identitária de seu lugar de morada, já que são eles os
guardiões da memória e, consequentemente, da tradição de um povo, como se ressalta
no capítulo a seguir, que se destina ao público escolhido para desenvolvimento deste
trabalho.
56
Capítulo II
PÚBLICO ALVO: VELHO, IDOSO, MELHOR IDADE
A vida é uma viagem a três estações:
ação, experiência e recordação.
Júlio Camargo
Segundo o Censo 2000, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), a população de 60 anos ou mais de idade, no Brasil, era de
14.536.029 de pessoas, contra 10.722.705 em 1991. O peso relativo da população idosa
no início da década representava 7,3%, enquanto, em 2000, essa proporção atingia
8,6%. Neste período, por conseguinte, o número de idosos aumentou em quase quatro
milhões de pessoas, fruto do crescimento vegetativo e do aumento gradual da esperança
média de vida. Trata-se, certamente, de um conjunto bastante elevado de pessoas, com
tendência de crescimento nos próximos anos.
Outro dado relevante fornecido pela Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios - PNAD é a distribuição da faixa etária acima dos 60 anos na população
residente no Brasil. Percebe-se que a maior porcentagem de pessoas concentra-se na
faixa acima dos 70 anos, e que este crescimento também acontece no Piauí e em
Teresina.
A população de Teresina também está envelhecendo, seguindo a tendência
nacional. Os números do IBGE mostram que, entre 2000 e 2007, a população idosa
cresceu 4,55%, passando de 44.436 para 57.901. Esses dados servem de alerta para os
empresários e prestadores de serviços turísticos se preparem para atender bem essa
demanda de consumidores que vão precisar de produtos adequados e diversificados.
E como a população idosa tem crescido muito, é natural que ganhe mais
destaque na sociedade e, assim, o envelhecimento se torne um ―mercado de consumo‖
cada vez mais em alta, principalmente para a atividade turística, pelo perfil desta
população que dispõe de tempo livre, condição financeira estável, mas na grande
maioria, não tem companhia, problema este a ser amenizado com a participação em
programas como os Clubes da Melhor Idade e com a prática de roteiros turísticos
oferecidos.
57
É importante assinalar que o envelhecimento, por ser um fato biológico e
cultural, deve ser observado sob uma perspectiva histórica e socialmente
contextualizada, pois o processo de envelhecimento varia de acordo com as culturas,
tempo histórico, histórias pessoais, condições de vida, profissão e outra série de fatores.
Assim, o tratamento dispensado à velhice dependerá dos valores e da cultura de cada
sociedade em particular, a partir dos quais ela construirá sua visão dessa última etapa da
vida, conforme citam Pinheiro e Gomes (2007, p. 31).
―Envelhecer bem vai depender do equilíbrio entre as limitações
e as potencialidades do individuo, o que lhe permitirá, com
diferentes graus de eficácia, lidar com as perdas de capacidades
ocorridas durante o envelhecimento. Se tais perdas limitam a
aprendizagem de novas habilidades, de coisas novas, em
contrapartida, a experiência de vida facilita a solução de
problemas da vida prática, traz a capacidade de aconselhamento
e a troca de experiências‖.
Há que se considerar, segundo Eclea Bosi (1987), que, na velhice, ―[...] as
escadas ficam mais duras de subir, mais íngremes, as distâncias mais longas de
percorrer, as ruas mais largas e perigosas de atravessar, os pacotes mais pesados de
carregar [...]‖, mas nem por isso se deixa de viver. Ao contrário, surge aí a necessidade
de se reaprender a viver e a conviver com a nova realidade. Pois quanto mais se aprende
mais a pessoa (o idoso) se mantém vivo.
Em face da mudança na estrutura demográfica brasileira decorrente, em parte, do
aumento da expectativa de vida, aos indivíduos mais velhos da sociedade estão sendo
atribuídos novos papéis sociais. Tais mudanças levam, inevitavelmente, à discussão
sobre o conceito de idoso. Da mesma forma, impõe-se o questionamento dos critérios
estabelecidos socialmente para determinar a partir de quando um indivíduo passa a ser
incluído na categoria de idoso.
A abordagem da temática do envelhecimento inclui, necessariamente, a análise
dos aspectos culturais, políticos e econômicos relativos a valores, preconceitos e
sistemas simbólicos que permeiam a história das sociedades. Entende-se que
envelhecimento é um processo vitalício. Porém, vale salientar que fatores socioculturais
definem o olhar que a sociedade tem sobre os idosos e o tipo de relação que ela
estabelece com esse segmento populacional. Dentro de uma visão biogerontológica,
Papaléo Netto (2002, p. 10) elaborou o seguinte conceito de envelhecimento:
58
―O envelhecimento (processo), a velhice (fase da vida) e o velho
ou idoso (resultado final) constituem um conjunto cujos
componentes estão intimamente relacionados. [...] o
envelhecimento é conceituado como um processo dinâmico e
progressivo, no qual há modificações morfológicas, funcionais,
bioquímicas e psicológicas que determinam perda da capacidade
de adaptação do indivíduo ao meio ambiente, ocasionando maior
vulnerabilidade e maior incidência de processos patológicos que
terminam por levá-lo à morte [...]‖.
Às manifestações somáticas da velhice – última fase do ciclo da vida,
caracterizadas por redução da capacidade funcional, calvície e redução da capacidade de
trabalho e da resistência, entre outras – associam-se a perda dos papéis sociais, a solidão
e perdas psicológicas, motoras e afetivas. Talvez por isso o termo envelhecimento seja,
muitas vezes, associado a doenças, que, como tal, acarreta despesas.
Pinheiro e Gomes (2007), discorrendo sobre o papel do idoso na sociedade,
apontam que o envelhecimento é uma questão cultural e que, muitas vezes, o uso de
uma terminologia inadequada é que determina uma visão estereotipada dessa fase da
vida. Ainda segundo os autores, o termo apresenta variantes de acordo com a região.
―No Brasil, os termos e as expressões que designam as pessoas
idosas variam muito. Não há uma definição única. Pois mudam
de acordo com a região e, principalmente, com o (pré) conceito
que se tem acerca do envelhecimento. Por mais que se discuta a
nomenclatura mais adequada para indicar esse período da vida,
concordamos com Barreto (1997) quando a autora destaca a
importância de se utilizar o termo velhice. A autora ressalta a
necessidade de evitarmos expressões ―glamourizadas‖ que são,
na realidade, uma forma de negação da velhice [...]‖ (idem,
2007, p. 29)
É lícito observar que esse ponto de vista acarreta uma série de interpretações
equivocadas, pois muitos relacionam o termo velhice a um estágio de inutilidade e
impotência. Os autores concordam com o uso do termo – até por uma questão de
aceitação da fase – mas apontam problemas em relação ao uso da palavra velho para se
referir a esse público. Eles refletem ainda que ―a fuga do envelhecimento e a negação da
velhice escondem um receio mais profundo, que é o medo da morte‖ (idem, 2007, p. 32)
e que isso é mais perceptível nos mais jovens. Pensamento que é corroborado por
Gomes (2004). Segundo ela, os idosos não têm tanto medo da morte quanto os jovens; o
59
que eles temem, na verdade é a agonia de uma doença e a possibilidade de um
desamparo, estando eles doentes ou não.
Percebe-se que, sob essa ótica analítica, prevalece a visão do envelhecimento no
seu aspecto biológico e suas consequencias no campo individual. Muitos autores já
exploraram esse assunto nessa perspectiva. Simone de Beauvoir (1990), por exemplo,
acredita que só se falará em velhice quando, além da idade avançada, as deficiências e
as perdas biológicas não forem mais esporádicas e contornáveis, tornando-se
importantes e irremediáveis causando fragilidade e impotência.
A visão de Domenico De Masi (2000) sobre essa questão é particularmente
interessante. Ele enfatiza que a velhice se reduz aos últimos dois ou três anos que
precedem a morte, que geralmente são marcados por inabilidades físicas e psíquicas. A
argumentação que ele apresenta nesse sentido assinala uma forma diferenciada e
particular de identificar a velhice, e afirma que:
―Basta observar a progressão das despesas médicas e
farmacêuticas: no último ano de vida nós gastamos uma quantia
equivalente a que tínhamos gasto [sic] durante toda a vida até
aquele momento. E o último mês custa tanto quanto o último
ano inteirinho. Portanto a velhice é calculada não a partir do ano
de nascimento, mas tendo como referência a morte‖. (DE MASI,
2000, p. 275).
Infere-se, dessa forma, que a visão do autor associa velhice a aumento de
despesas. Carvalho e Andrade (2000), por sua vez, apontam que, no plano individual,
envelhecer, de um ponto de vista demográfico, significa aumentar o número de anos
vividos. Vale ressaltar que nem sempre a quantidade de anos vividos representa um
aspecto positivo para as pessoas, pois, considerando um leque de problemas, envelhecer
também representa descaso, abandono. Envelhecendo, a pessoa perderia a chance de
convivência com os demais membros da família, pois, dadas suas limitações, não
interagem com os mais jovens e, por essa razão, são deixados em segundo plano. De
acordo com Bosi (1994, p. 77), ―a sociedade rejeita o velho, não oferece nenhuma
sobrevivência à sua obra. Perdendo a força de trabalho ele já não é produtor nem
reprodutor‖.
Paralelamente à evolução cronológica, coexistem fenômenos de natureza
biopsíquica e social, importantes para a percepção da idade e do envelhecimento. O que
se percebe nas sociedades ocidentais é a associação do envelhecimento com a saída da
60
vida produtiva pela via da aposentadoria, considerando-se velhos aqueles que alcançam
60 anos de idade. Porém, para a Professora Cleonice Cardoso, aposentada de 65 anos,
essa afirmativa não se encaixa, pois, ―a aposentadoria me oportunizou vivenciar outras
experiências de vida, como por exemplo: ir ao cinema em qualquer horário, fazer
caminhadas, participar de grupos de danças, passear pela cidade e até viajar mais, ou
seja, não me sinto não produtiva‖.
Assim, é difícil caracterizar uma pessoa como idosa utilizando como único
critério a idade. Além disso, o segmento conhecido como terceira idade inclui
indivíduos diferenciados entre si, tanto do ponto de vista socioeconômico como
demográfico e epidemiológico. Moragas (apud REZENDE e CALDAS, 1988, p. 19)
aponta que não é a quantidade de anos vividos que estabelece uma velhice digna, mas a
qualidade de vida das pessoas.
―A idade constitui um dado importante, mas não determina a
condição da pessoa. O essencial não é o mero transcurso do
tempo, mas a qualidade do tempo decorrido, os acontecimentos
vivenciados e as condições ambientais que a reordenam‖.
Esse aspecto da qualidade de vida é um grande desafio não só para os idosos,
mas para a grande maioria das pessoas adultas. Assim, uma vida saudável, desde a
infância, proporcionará uma velhice com menos problemas de saúde – o que, de certa
forma, acarreta mais benefícios para o idoso. Livre de doenças, ele passa a ocupar o
tempo com outras atividades, principalmente aquelas que lhes dão mais prazer, como
danças, passeios, atividades esportivas, trabalhos voluntários, dentre outras. Muitas
vezes, o idoso procura preencher as lacunas deixadas pelo fim da atividade produtiva
com certas atividades porque a sociedade não o considera mais uma pessoa apta a
exercer determinados papeis. Isso acontece porque a sociedade e as pessoas, de um
modo geral, nem sempre estão preparadas para lidar com esse novo público exigente e
carente de respeito pela sua nova fase, pois a velhice é um fato e precisa ser encarada
como um estágio natural da vida. Bosi (1994, p. 77) defende:
―Além de ser um destino do individuo, a velhice é uma categoria
social. Tem um estatuto contingente, pois cada sociedade
industrial é maléfica para a velhice. Nas sociedades mais
estáveis um octogenário pode começar a construção de uma
61
casa, a plantação de uma horta, pode preparar os canteiros e
semear um jardim. Seu filho continuará a obra‖.
Infere-se, com isso, a importância da família na vida do idoso, bem como a
relevância de seu papel para a sociedade, que nem sempre o reconhece, haja vista sua
condição de ―velho‖. Ainda segundo Bosi (idem, p. 80),
―Durante a velhice deveríamos estar ainda em causas que nos
transcendem, que não envelhecem, e que dão significado a
nossos gostos cotidianos. Talvez seja esse um remédio contra os
danos do tempo. Mas, pondera Simone de Beauvoir, se o
trabalhador aposentado se desespera com a falta de sentido da
vida presente, é porque em todo o tempo o sentido de sua vida
lhe foi roubado. Esgotada sua força de trabalho, sente-se um
pária, e é comum que o escutemos agradecendo sua
aposentadoria como um favor ou esmola‖.
Reiterando esse discurso, Parahyba (1998), enfoca que, relativa aos indicadores
sociais deste grupo populacional, os diferenciais por sexo, educação e renda costumam
ser bastante expressivos. Para efeito legal, idoso é a denominação oficial de todos os
indivíduos que tenham sessenta anos de idade ou mais. Esse é o critério adotado para
fins de censo demográfico, utilizado também pela Organização Mundial de Saúde
(OMS) e pelas políticas sociais que focalizam o envelhecimento. Como exemplo, cita-se
a Política Nacional do Idoso (PNI).
Mesmo reconhecendo que a idade não é o único parâmetro para definir o
processo sociodemográfico do envelhecimento, o presente trabalho adotou para seu
público alvo a denominação terceira-idade - que será composto de pessoas com 60 anos
ou mais de idade.
Ressaltam-se as orientações de Pinheiro e Gomes (2007, p. 29-30) sobre a
problemática quanto ao uso da nomenclatura ideal (se é que há) para se referir a esse
público. De acordo com eles, o uso do termo ‗idoso‘, em vez de velho, ‖[...] parece
indicar respeito quando há referência às pessoas velhas, ou seja, aos atores da velhice‖.
Já a palavra ‗velho‘, designaria um quadro de pobreza e miséria social, no qual são
inseridas as pessoas pertencentes a essa etapa da vida.
62
―O termo ―velho‖ é geralmente retratado em um quadro de
pobreza e abandono, no qual o indivíduo é marginalizado,
infantilizado e tratado, às vezes, como ―inútil‖. Como coisas
velhas que não são recicláveis, são descartadas na sociedade do
descartável, o velho aponta para esse paradoxo, que é filosófico,
ético e também político. Como ele é humano e não pode ser
lançado fora, a sociedade tem seus meios sutis de descartá-lo‖.
(ibidem).
Essa sociedade do descartável, das coisas líquidas, conforme apontam os
teóricos da contemporaneidade, está cada vez mais dividida entre manter os laços
afetivos com a pessoa idosa e privá-la da convivência familiar, como se percebe nos
asilos, por exemplo. Muitas pessoas ―depositam‖ seus idosos nessas instituições e lá o
deixam a mercê da solidariedade alheia.
Em algumas famílias, conforme cita Loureiro (2004, p. 53), os idosos ficam lá
no seu canto, ―[...] no seu silêncio imposto pelos sons mais jovens, que, para seus
ouvidos talvez já moucos, são sons desusados e sem harmonia‖. Estes mesmos idosos
são privados de direitos básicos do cotidiano, como o de serem vistos, pois ―[...] são
segregados, isolados, impedidos de sentar-se à mesa, mesa esta que talvez eles mesmos
construíram ou compraram‖. É importante observar, conforme Bosi (1994, p. 78), que
―a moral oficial prega o respeito ao velho, mas quer convencê-lo a ceder seu lugar aos
jovens, afastá-lo delicada, mas firmemente dos postos de direção. Que ele nos poupe de
seus conselhos e se resigne a um papel passivo‖
É válido ressaltar que esse aspecto que ora apresentamos sobre o idoso não
constitui regra. Muitas famílias ainda consideram a importância dessas pessoas em seu
convívio e ressaltam isso em seu cotidiano, principalmente transferindo às gerações
mais novas a necessidade de respeitar e entender o valor de se valer do aprendizado
adquirido com os idosos. E essa questão de associar idoso à doença é um campo
delicado de se aprofundar, pois não há como negar o surgimento de doenças próprias da
idade, mas, como em toda fase da vida, é algo que pode ser contornado se houver
tratamento adequado. Ressalta-se que, mesmo doente, o idoso não é um objeto material
desgastado pelo tempo. De acordo com Pinheiro e Gomes (2007, p. 31),
―Mais do que a própria doença em si – com seus sintomas
desagradáveis, com os cuidados e medicamentos que exige em
qualquer fase da vida –, é a maneira como ela é encarada pelo
indivíduo que determina a possibilidade ou não de continuar
com o seu cotidiano, seus planos e projetos e participar de novas
ações‖.
63
Infere-se que a possibilidade de a pessoa idosa continuar desenvolvendo um
papel ativo na sociedade depende de como ela é encarada por essa sociedade e isso
passa por uma questão de respeito aos direitos de cidadão, acima de tudo. É preciso
também que o idoso sinta-se acolhido e útil, pois só assim desenvolverá competências
que muitas vezes são associadas às pessoas mais jovens a exemplo da prática da
atividade turística, conhecer novos lugares, novas culturas etc.
Conforme a OMT (2000), os principais fatores que motivam as pessoas da
terceira idade a viajar são: recreação e entretenimento, bailes de salão ou folclóricos,
lazer ou férias, convívio social e fazer amizades durante a viagem, a maioria prefere
viajar com os amigos (muitas vezes a maioria de seus amigos encontra-se no próprio
grupo de terceira idade). Preferem viajar no verão para praias em geral, de ônibus,
hospedando-se em hotéis com uma estada em média de quatro a sete dias. Assim, os
locais para viagem, preferidos pelas pessoas da terceira idade, são: praias; estâncias
hidrominerais, termais ou climáticas com finalidades terapêuticas; áreas rurais e hotéis
fazendas; reservas ambientais e ecológicas; cidades culturais ou históricas e lugares com
neve (tradução nossa).
Um grande aliado no processo de inclusão e socialização do idoso são os
trabalhos voluntários. E aqui cita-se um trabalho desenvolvido pelos idosos em Teresina
– os Agentes da paz13 – através do qual um grupo de idosos voluntários levam apoio
psicológico e conforto às pessoas que chegam de outras cidades para serem atendidas na
capital. É um projeto de humanização oferecido pela Prefeitura de Teresina, através da
Fundação Municipal de Saúde e que é reconhecido pela sociedade, conforme se
descreve a seguir:
―O projeto é executado pela FMS em parceria com a Secretaria
Municipal do Trabalho Cidadania e Assistência Social
(SEMTCAS) e envolve pessoas com idade mínima de 60 anos e
muita experiência de vida. Ao todo são 125 agentes, sendo 85 da
FMS e 40 da Semtcas, que ficam nas unidades de saúde em 2
13
O Agente da Paz é remanescente do projeto Agente Experiente e foi implantado na atual gestão
municipal por determinação do prefeito Sílvio Mendes. O método foi inspirado em um modelo existente
nos Estados Unidos, que deu certo em Teresina. Por sua metodologia, o projeto repercutiu nacionalmente,
sendo divulgado pela Globo News e é bastante elogiado fora de Teresina quando exposto por técnicos da
FMS.
64
dias da semana, durante meio expediente, orientando as pessoas
sobre como proceder na hora do atendimento para evitar
incômodos e estresse desnecessários (on line) 14‖.
Esse projeto é uma troca de experiência e de valorização: o doente sente-se
valorizado pelo idoso que o oferece apoio emocional e este, consequentemente, sente-se
valorizado por desempenhar um papel social tão importante e tão caro em nossa
sociedade individualista.
―É uma iniciativa voltada não só para os usuários das unidades,
mas também para os idosos por oferecer ocupação e melhorar a
auto estima deles, afirma a coordenadora do projeto, Jamila
Emérito. Ela acrescenta que para trabalhar no projeto, os idosos
devem se inscrever nos Centros de Referência e de Atenção à
Saúde (CRAS) e passar por um processo seletivo. Os
selecionados participam de capacitação sobre políticas de saúde,
doenças endêmicas e outros conhecimentos necessários‖.
(idem).
Essa participação ativa, como se percebe, é um beneficio para toda a sociedade,
pois, além de ressaltar a capital piauiense como centro de referência em questões de
saúde, eleva a autoestima das pessoas que desenvolvem o trabalho, devolvendo-lhes a
capacidade produtiva e, assim, despertando-os para outros trabalhos e/ou mesmo
práticas de lazer, como (re) construir a memória de sua cidade através de uma atividade
turística na qual a participação direta de cada um, através de suas lembranças possa ser
reforçada, reiterando o que Bosi (1994, p. 60) defende sobre a memória dos velhos. Para
a autora, através das lembranças das pessoas idosas,
―é possível verificar uma historia social bem desenvolvida: elas
já atravessaram um determinado tipo de sociedade, com
características bem marcadas e conhecidas; elas já viveram
quadros de referências familiar e cultural igualmente
reconhecíveis: enfim, sua memória atual pode ser desenhada
sobre um pano de fundo mais definido do que a memória de
uma pessoa jovem, ou mesmo adulta, que, de algum modo,
ainda está absorvida nas lutas e contradições de um presente que
a solicita muito mais intensamente do que a uma pessoa de
idade‖.
14
Disponível em
http://www.teresina.pi.gov.br/portalpmt/orgao/noticia.php?not_codigo=1107077&org_codigo=5; acesso
em 17/12/2010, às 13:38.
65
Neste sentido é que se ressalta a importância de se pensar e executar um roteiro
turístico também para esse público, pois eles, mais do que muitos historiadores, são
detentores de um saber jamais adquirido em bancos de sala de aula ou mesmo em livros;
eles guardam o tesouro maior que uma cidade pode oferecer: a memória viva do lugar.
2.1. Política pública de turismo para a melhor idade15, no Brasil
A política de turismo voltada ao idoso, no Brasil, teve origem no projeto Clube
da Melhor Idade iniciado em 1985 no Estado de São Paulo, lançado pela Secretaria de
Esportes e Turismo – o Clube da Melhor Idade. Posteriormente o governo federal,
desenvolveu a idéia, em âmbito nacional, através do Ministério da Indústria, do
Comércio e Turismo (MICT), coordenado pela EMBRATUR, incluída na ―Política
Nacional de Turismo e na Política de Atenção ao Idoso‖, criada pela Lei nº 8.842/94,
regulamentada pelo Decreto nº 1948/96, que procurou propiciar a melhoria da qualidade
de vida – pelo lazer e turismo – para brasileiros com mais de 50 anos.
Daí surgiu a Associação Brasileira dos Clubes da Melhor Idade - ABCMINACIONAL resultado da mudança de nome da antiga Associação Brasileira dos Clubes
da Maior Idade, criada em 1986. É uma sociedade civil, sem fins lucrativos de duração
indeterminada, constituída pelas Associações dos Clubes da Melhor Idade em
funcionamento em todo o País com o objetivo de proporcionar oportunidades reais de
lazer, turismo e cultura, contribuindo para a valorização e melhoria da qualidade de vida
dos idosos.
Os Clubes da Melhor Idade são sociedades civis, sem fins lucrativos, com
personalidade jurídica própria, onde são programadas atividades artísticas, culturais, de
lazer e recreação, bem como viagens preparadas por agências credenciadas pela
EMBRATUR, a custos reduzidos. São centros de convivência, onde pessoas da mesma
faixa etária se reúnem para ocupar seu ―tempo livre‖ da forma que mais lhes agradar.
Os clubes promovem o congraçamento dos seus associados realizando reuniões
e festas em datas comemorativas para incentivar a participação nas diversas atividades
1515
No Brasil, adota-se a expressão ―Melhor Idade‖ para o programa direcionado para maiores de 60
anos, dentro do conceito sociológico de existência de ―tempo livre‖, essencial para o desenvolvimento do
turismo.
66
ocupacionais, como viagens, passeios, cursos, treinamentos, concursos, palestras,
seminários, debates, espetáculos artístico-culturais, depoimentos de experiências
profissionais, programas sociais e filantrópicos.
Com a criação do Ministério do Turismo, em 2003, esta ação sofreu ajustes e
adequações e nova nomenclatura - o programa ―Viaja Mais Melhor Idade‖ que tem
como objetivo principal a inclusão social das pessoas acima de 60 anos, aposentados e
pensionistas, proporcionando-lhes oportunidade de viajarem e conhecerem o Brasil, sua
diversidade natural e cultural, sua gastronomia e sua gente e de usufruir dos benefícios
da atividade turística, ao mesmo tempo que fortalece o turismo regionalizado através de
três produtos:
Programa ―Viaja Mais Melhor Idade‖ – Pacotes de Viagens – montados
exclusivamente para os associados da melhor idade. São viagens customizadas de níveis
turísticos, superior e luxo, com transporte aéreos e/ou rodoviário. A duração dos pacotes
varia conforme o mercado e o destino, e poderá ser de três a oito dias;
Programa ―Viaja Mais Melhor Idade‖ – Hospedagem – oferece exclusivamente
para a melhor idade, desconto de 50% na tarifa praticada no Portal de Hospedagem 16 no
período de baixa ocupação;
Programa ―Viaja Mais Melhor Idade‖ – Passagens Aéreas – oferece descontos
de 35% em passagens aéreas em parceria com a companhia Trip Linhas Aéreas S/A.
Além de promover a inclusão social dos idosos, o ―Viaja Mais Melhor Idade‖
fortalece o turismo interno, gera benefícios por todo o País e proporciona a inclusão
digital dos pequenos meios de hospedagem e ainda oferece aos associados descontos
por meio do ―Vai Brasil‖ 17, um projeto do Mtur.
16
É uma ação que visa estabelecer condições diferenciadas para o público acima de 60 anos e/ou
aposentados e pensionistas, com desconto de 50% na tarifa praticada pelo Meio de Hospedagem em
hotéis credenciados. Atualmente este portal conta com dois mil meios de hospedagem em 588 destinos do
País.
17
O VAI BRASIL é um projeto criado pelo Mtur – Ministério do Turismo, em parceria com a
Associação Brasileira das Operadoras de Turismo - BRAZTOA e a Associação Brasileira das Agências
de Viagem – ABAV com o intuito de fomentar a comercialização de pacotes turísticos em períodos de
baixa ocupação nos diversos destinos do Brasil. Os serviços turísticos do VAI BRASIL são
disponibilizados ao público, com condições especiais de preços, por meio do website
http://www.vaibrasil.com.br
67
Esse programa, hoje, é coordenado pelo Ministério do Turismo e comprova sua
importância para o desenvolvimento do turismo brasileiro, pois contribui para
minimizar os problemas da sazonalidade nos destinos turísticos, garantindo a ocupação
dos equipamentos e serviços turísticos na baixa estação, bem como gerando,
distribuindo e mantendo emprego e renda para o setor, dinamizando a economia local, e
ao mesmo tempo, desenvolve sua principal finalidade: contribuir para a melhoria da
qualidade de vida de brasileiros na Melhor Idade.
No Piauí, o Clube da Melhor Idade - ―Nosso Espaço‖, é o único em atividade, no
Estado, com sede na capital, Teresina. Encontra-se em fase de elaboração, na Secretaria
do Turismo do Estado do Piauí, um projeto de incentivo à criação de novos Clubes da
Melhor Idade nos municípios Altos, Campo Maior, Barras, Demerval Lobão, União,
José de Freitas, Barras, União, Castelo do Piauí, Buriti dos Montes, que constará da
realização de seminários direcionados a dois públicos específicos: às pessoas com idade
acima de 60 anos com o objetivo de incentivar a criação de novos Clubes da Melhor
Idade e facilitar o acesso destas pessoas a viajarem, de forma exclusiva e organizada,
em um primeiro momento dentro do próprio Estado do Piauí e aos empresários do trade
turístico para serem parceiros e incrementar a eficiência e qualidade de seus serviços na
recepção deste público específico.
É uma iniciativa importante visto que o turismo da melhor idade é um segmento
que permite maior flexibilidade para administrar seu tempo livre, pode ser direcionado
para os destinos nos períodos de baixa ocupação, tornando-se um grande aliado para
minimizar as variações sazonais que sofrem a maioria dos empreendimentos turísticos.
A operacionalização deste projeto certamente provocará no Estado um aumento
do fluxo turístico interno. Certamente o roteiro proposto neste trabalho, será essencial
para o destino Teresina.
Amélia Sinimbú Santiago Viana, presidente do Clube da Melhor Idade ―Nosso
Espaço‖, assim se manifesta sobre a criação de um roteiro direcionado para o público da
melhor idade, em Teresina.
―Acho oportuna e necessária a sugestão deste roteiro para a
cidade de Teresina. É uma oportunidade para o próprio
teresinense conhecer o que a cidade tem para oferecer às pessoas
que nos visitam, já que a maioria da população não tem
68
conhecimento da potencialidade dos recursos históricos e
culturais de nossa cidade. É um roteiro plenamente aplicável, no
primeiro semestre do ano, por ser menos quente - ao público a
que é destinado – pessoas da melhor idade - é um percurso plano
e interessante‖.
Observa-se que há uma preocupação em aprimorar o turismo local e, mais ainda,
procura-se dar uma atenção especial à saúde do público para o qual a atividade turística
se destina e essa preocupação caracteriza a relevância do roteiro proposto. É importante
ressaltar que esse público procura uma socialização através de programas que o valorize
como pessoa e permita uma aproximação com culturas várias, principalmente a sua. É o
que comenta a Senhora Conceição Atta, ―gostaria de participar desse roteiro, pois me
propiciará um conhecimento maior sobre alguns locais de relevância histórica e cultural
de Teresina, que no nosso dia a dia passam despercebidos. Acho essa iniciativa muito
importante‖, desabafa.
Observa-se também que a procura por programas sociais é uma tentativa de fugir
do isolamento, mesmo inconsciente, que lhes é imposto. Muitas vezes, há um desejo de
participação, mas falta incentivo e até companhia para desenvolver certa atividade, por
isso, o turismo em grupo é sempre tão procurado pelo público da melhor idade.
2.2. Roteiros Turísticos Locais
A principal finalidade do roteiro, a seguir apresentado, é de se tornar, em um
primeiro momento, instrumento facilitador, a seu público alvo, de conhecimento e
identificação dos recursos históricos e culturais da cidade de Teresina; recursos estes
disponibilizados em uma estrutura que se caracteriza por combinar atividades físicas
(caminhada) e conhecimentos históricos, culturais, associando uma gastronomia
regional que devem ser conduzidas por guias especializados, seguindo uma ordem
cronológica de surgimento dos atrativos a serem visitados. A proposta de roteiro,
incluída neste documento, apresenta sugestões de roteiros de interesse específico:
histórico cultural para a Melhor Idade.
A relevância na implementação do mesmo se dá pela sua forma de elaboração:
em conseqüência de vários anos de experiência profissional tanto na atuação de
69
planejamento, de elaboração e operacionalização de políticas públicas quanto de
atuação na Academia, na orientação de alunos em práticas de reconhecimento e
identificação da oferta turística, visitas técnicas, em trabalhos de campo, no contato com
o turista, na percepção que a própria população não reconhece a importância deste
potencial. Identificou-se assim, uma lacuna – a inexistência da oferta de um serviço que
atendesse ao turista, ou mesmo a própria população de Teresina.
Essas ações, de oportunizar o teresinense a redescobrir sua própria cidade, a
disponibilização de um roteiro turístico, somada à valorização do artesanato e da cultura
local busca a construção de uma imagem própria de destino um turístico detentor de
uma oferta turística diferencial e fascinante, para o incentivo tanto à permanência dos
turistas na cidade de Teresina quanto aos teresinenses em conhecer seu patrimônio
histórico cultural e assim valorizá-lo.
Miguel Bahl (2004, p. 96-7) aborda o tema roteiros turísticos nacionais sob a
ótica de roteiros locais e interlocais. O autor ressalta ainda os elementos a serem
considerados tanto pelo operador na elaboração do roteiro quanto pelo guia na
operacionalização do mesmo, conforme descrito a seguir. Para o planejamento e
execução de um roteiro turístico local, o autor aponta os aspectos a serem analisados
pelo operador:
―Objetivos / Direcionamento (público-alvo, faixa etária, número
de pessoas) / Título (nome de fantasia) / Atrativos / Dias e
horários para visitação / Locais para compras / Refeições, taxas,
―shows‖ / Itinerário: pontos de interesse, distâncias, caminho a
percorrer, quilometragem / Número de paradas / Transporte:
automóvel, ônibus ( micro ou convencional), outros /
Motorista(s) / Guia / Animação (atividade/material) / Duração /
Horários (partida/da programação em si/chegada) / Programa
(produto) testagem / Datas de partida (frequência) / Despesas
operacionais (telefone, faz, impressos ETs.) / Divulgação / Preço
/ Comercialização (comissionamento e vendagem) / Avaliação‖.
70
A observância de tais aspectos gera confiança no roteiro turístico oferecido pela
empresa e/ou guia, pois o público precisa saber o que está previsto no roteiro para que
se programe adequadamente para segui-lo.
Bahl também orienta, ao guia, algumas providências que devem ser tomadas
para preparação da operacionalização do roteiro turístico, a saber:
―Identificar o perfil do grupo procurando informações sobre
idade, alimentação e características médicas / Procurar sempre
saber o nome das pessoas e sempre levar uma lista de todos / A
transmissão das informações será feita através de aparelho de
comunicação / Descobrir informações como origem, profissão e
experiências anteriores / Essas informações auxiliam bastante na
condução do grupo e também no controle do mesmo / Checar
horários / Checar equipamentos das atividades previstas –, O
que levar - folders, mapas. Kit cortesia_ (porta garrafa d‘água,
boné, bloco de anotações, lápis, caneta) / Carregar o telefone
celular / Checar veículo / Checar os primeiros socorros /
Ingressos de visitação etc.‖.
Ressalta-se a importância da qualidade visual e funcional dos atrativos culturais,
que compõem a memória de uma localidade e que podem variar no tempo e no espaço,
surgindo novas opções ou modificações em suas funções, mas que, em princípio, não
deixam de exercer interesse de inclusão na elaboração de um roteiro. Neste trabalho
intenciona-se observar estes aspectos e colocá-los a disposição do público através de um
folder contemplando todas as etapas de nosso roteiro, conforme descrito no capítulo IV.
Para melhor se entender o objetivo proposto nesse trabalho, apresenta-se, a
seguir, uma descrição do espaço destinado à execução do roteiro turístico para o publico
da melhor idade.
71
Capítulo III
UM OLHAR SOBRE TERESINA
Você me deixa tonto, zonzo
Quase como um louco de encantamento
Eu desanoiteço no seu todo de mulher
No verde dos teus olhos de menina
Teu olhar de querubina faz o sol me
esquentar
E quando é noite a lua nina Teresina
Que desatina até o sol raiar18
A cidade de Teresina foi cuidadosamente planejada para ser a nova Capital do
Piauí. Na época, o presidente da província, Conselheiro Saraiva escolheu, para
instalação da cidade, um local ―alto e aprazível‖ à margem direita do rio Parnaíba, no
topo mais regular do planalto que se forma entre as últimas curvas dos rios Parnaíba e
Poti. Até então, a capital era Oeiras 19 – conhecida por Vila da Mocha – que, estando
localizada na região semiárida, a aproximadamente 180 km do rio Parnaíba, dificultava
a comunicação com toda a província, especialmente com o litoral piauiense, que já
constituía um importante posto de comércio externo e interno.
Apesar dos protestos da comunidade de Oeiras, a transferência da capital para
Teresina (até então Vila Nova do Poti) tinha como motivação principal facilitar o
comércio através do rio Parnaíba, que, sendo navegável, tornava-se uma importante e
fundamental via de transporte para o desenvolvimento econômico, contribuindo para
que a capital da província do Piauí deixasse de ser subordinada comercialmente à
próspera cidade de Caxias, no vizinho estado do Maranhão.
Em 1852, a Vila Nova do Poti é elevada à categoria de cidade com o intuito de
transferir a capital da província para lá, com o nome Teresina. O nome da nova capital
18
Teresina - Composição dos piauienses Aurélio Melo e Zé Rodrigues, resultado de uma parceria de
longos anos em homenagem à Teresina. A música hoje é reconhecida como o Hino sentimental de
Teresina.
19
Situada na microrregião de Picos, Oeiras é uma cidade histórica e uma das mais religiosas do estado do
Piauí. Tem origem numa capela fundada em 1695 e dedicada a Nossa Senhora da Vitória. O povoado foi
elevado à vila e sede de conselho em 1712. Em 1759, tornou-se a primeira capital do Piauí, sendo elevada
a cidade em 1761. Foi capital até 1851. Existem duas versões para o aparecimento da cidade: a primeira é
que ela teria surgido de um povoado de índios domesticados, fundado por Julião Afonso Serra, em 1676 e
a segunda afirma que Domingos Afonso Mafrense estabeleceu na localidade uma fazenda de gado
chamada Cabrobó.
72
foi uma homenagem de Saraiva à imperatriz dona Teresa Cristina Maria de Bourbon e
Bragança (esposa de Dom Pedro II), italiana, cujo diminutivo do primeiro nome era
―coincidentemente‖ Teresina.
Para assegurar o povoamento da nova cidade, Saraiva convenceu os habitantes
da Vila do Poti20 (hoje bairro Poti Velho) a se mudarem pra lá e nela fixarem suas novas
residências. Nessa tarefa recebeu o apoio dos fazendeiros da região norte do Piauí, dos
deputados provinciais e do Padre Antônio Mamede de Lima. Este já vinha sentindo a
necessidade de ajudar seus fiéis a encontrarem um lugar a salvo das enchentes que,
periodicamente, atingiam a Vila do Poti, trazendo-lhes problemas econômicos e de
insalubridade, uma vez que aquela Vila se situava na confluência dos Rios Poti e
Parnaíba. O local era conhecido como a Chapada do Corisco, devido à frequência da
queda de faíscas elétricas.
Dias (2006, p. 19), assim se pronuncia sobre essa mudança:
―A mudança da Capital de Oeiras para a vila do Poti, nas
condições em que fora efetuada, sem contar com recursos
suficientes, sem dispor de infra-estrutura básica, contra os
reclamos da população oeirense que não queria perder a
primazia, traduziu-se num feito heróico, pois Saraiva contava
com poucos seguidores na antiga Capital, e tudo dependeu de
seu carisma e poder de convencimento, que conquistou desde as
primeiras horas a adesão dos potienses‖.
Hoje a capital piauiense recebe um número crescente de turistas, que certamente
é um público potencial para o roteiro a ser proposto adiante, e tem como predominância
de motivação o segmento de negócios e eventos. A outra maior frequência dentre as
motivações evidenciadas diz respeito ao tratamento de saúde - a cidade tornou-se um
centro de referência de medicina para toda a região, haja vista que esta atividade se
realiza através de constantes deslocamentos, numa ocorrência de retorno até três vezes
em um único mês, sem deixar de levar em consideração, também as visitas anuais que
são feitas pelos piauienses que vivem e estudam fora a seus familiares aqui residentes,
20
Antiga vila de pescadores localizada no encontro dos rios Parnaíba e Poti. Hoje é o bairro Poti Velho
onde se localiza o Parque Ambiental ―Encontro dos Rios‖ e um dos principais atrativos turísticos da
cidade o Pólo Cerâmico de Teresina, que está se transformando na menina dos olhos da capital do Piauí.
O que antes não passava de fábricas de tijolos, telhas, potes e filtros para água, hoje oferece uma
variedade incrível de modelos de vasos decorativos, esculturas e peças com design exclusivo e
acabamento esmerado.
73
conforme cita Filho (2002). Contudo, embora tenha crescido muito nesses últimos anos,
juntamente com a rede hoteleira, Teresina ainda não se consolidou como destino
turístico. Como mencionado pela precariedade de espaços para realização de eventos de
grande porte. O estratégico centro de convenções de Teresina, por exemplo, maior
espaço destinado a esse fim, encontra-se em reforma há três anos e ainda sem previsão
de término.
3.1. A ocupação do ambiente urbano de Teresina
Discorrer sobre a evolução urbana de Teresina requer uma reflexão a respeito da
urbanização do Piauí. Primeiramente far-se-á um percurso histórico pelo Estado e
posteriormente discorrer-se-á sobre o desenvolvimento do espaço urbano da capital
piauiense.
A transferência da capital do Piauí, de Oeiras para Teresina, resultou em um
maior desenvolvimento do Estado, em especial da nova capital. Teresina, cidade
estrategicamente nomeada para sediar a capital do Estado, configura-se numa área onde
a comunicação interestadual é mais viável, além de assumir importância nas decisões
administrativas, políticas e econômicas. Sobre esse aspecto, Franco (1983, p.68) afirma
que ―Teresina nasceu de um pequeno povoado para cumprir uma destinação importante
na vida política, econômica e social do Estado‖.
O fato de exercer a função de sede administrativa contribuiu para estimular as
atividades comerciais e de serviços. Teresina passa então a comandar o processo de
criação de novos municípios no Estado, assumindo a responsabilidade sobre a evolução
urbana do Piauí de modo mais intenso. Inicialmente as influências da nova capital
ocorreram de forma modesta. Somente a partir dos anos de 1940, houve uma acentuação
gradativa do processo de expansão urbana em nível estadual e local, que se acelerou a
partir de 1950, período fundamental para a construção da atual configuração do espaço
urbano de Teresina. Contudo, só a partir das décadas de 1960 e 1970 é que a capital
começou a ganhar expressão como pólo de atração populacional (COSTA FILHO,
2002).
No que diz respeito à arquitetura, a nova capital do Estado apresentou-se,
inicialmente, com um traçado planejado, onde os cruzamentos de suas ruas formavam
ângulos retos. Esse traçado geométrico foi representado graficamente pela primeira vez
em 1855.
74
Sobre essa organização, Costa Filho (2002, p.30-1) documenta:
―Apesar do controle da Coroa portuguesa, no sentido de
direcionar o traçado das cidades e vilas, a história da
urbanização no Brasil, tem indicado que a espontaneidade foi a
regra, ruas estreitas e tortuosas, demonstram que foram as
habitações que lhes fixaram o traçado e a largura, sem que
obedecessem a nenhum plano urbanístico, crescendo ao deusdará. No Piauí, a área central das cidades de Oeiras, Campo
Maior e Parnaíba, podem ser tomadas como exemplo, pois
correspondem ao sitio inicial da vila. No caso da Vila Nova do
Poti, o traçado urbanístico é resultado de um plano préestabelecido com suas ruas regularmente traçadas, em forma de
tabuleiro de xadrez, seus construtores tinham noção exata do
que faziam‖.
Como Teresina foi planejada para ser capital, é natural que os projetos
urbanísticos fossem traçados de forma a atender as necessidades momentâneas locais.
Ainda assim, ―os dez primeiros anos de edificação da Capital foram de provocação para
seus construtores‖. (DIAS, 2006, p. 19).
O Estado, como principal agente produtor e consumidor do espaço geográfico,
foi o grande responsável pela construção, ocupação e ordenação da cidade de Teresina.
Os prédios históricos erguidos no início da construção do município obedeciam a um
padrão colonial e sediavam instituições públicas, moradias das elites governamentais,
comerciais e fazendeiros da época, além de armazéns às margens do rio Parnaíba, na
Avenida Maranhão, zona portuária importante.
Muitas das edificações situadas nessa área foram descaracterizados e/ou
demolidos, a exemplo de várias casas da Rua Paissandu, do famoso Bar Carnaúba, na
Praça Pedro II e outros que se encontram em péssimo estado de conservação. Algumas
dessas edificações, antigas residências de pessoas da elite da cidade como a residência
do Dr. Alcenor Almeida – dono do hospital reconhecido como o melhor de Teresina,
cederam lugar a outras atividades comerciais e de prestação de serviços, como por
exemplo, os de estacionamentos automotivos.
No período entre a década de 1940 a 1970, a expansão da cidade ocorreu
primeiramente na direção norte e, posteriormente, nas direções leste-nordeste e sulsudeste. As décadas de 1970 e 1980 marcaram o crescimento da cidade de Teresina
alavancada pela implementação de projetos habitacionais financiados pelo Banco
75
Nacional de Habitação – BNH e executados pela Companhia de Habitação do Piauí –
COHAB-PI, atual Agência de Desenvolvimento Habitacional – ADH.
A intensificação dos fluxos migratórios para a capital, em razão de uma série de
melhorias infra-estruturais, fez surgir muitos problemas de ordem política,
socioeconômica e ambiental e a necessidade de uma maior intervenção no espaço,
concretizada através da elaboração e implantação de estudos, de planos e códigos de
postura para a ordenação e normatização do crescimento da cidade.
O crescimento acelerado de Teresina em sua área urbana tem associação direta
com o elevado número de imigrantes oriundos da zona rural do próprio município e
principalmente dos municípios do Piauí, Maranhão, Pará e Ceará.
Conforme mencionado, Teresina configura-se como um pólo de atração
populacional por apresentar serviços de saúde e educação de qualidade, além de possuir
infraestrutura energética, viária, e habitacional satisfatória em âmbito local. Desde sua
fundação, apresenta, portanto, um crescimento contínuo, progressivo, acelerado e
desigual.
A produção e reprodução do espaço urbano pelos agentes imobiliários refletem a
lógica de mercado a que estes estão submetidos, implantando na cidade novas
centralidades e necessidades de novos serviços em áreas segregadas socioespacialmente
(condomínios, shoppings centers, verticalização e novos conjuntos habitacionais) No
entanto, mesmo em razão desse processo de descentralização, Teresina ainda aglutina
no seu centro uma série de atividades econômicas, políticas e sociais importantes para
dinâmica da sociedade e do espaço geográfico piauiense e para os demais Estados
circunvizinhos. A região central, atualmente conta com quatro hotéis, algumas
pousadas, bares, lanchonetes, sorveterias, vários restaurantes que atendem com
qualidade o que permite a permanência do turista nesta área e a prática do roteiro
histórico cultural.
No período de sua formação, a população de Teresina era constituída por
pessoas que vinham da Vila (Velha) do Poti e de Oeiras - a antiga Capital, por
autoridades e componentes das funções administrativas do executivo, legislativo,
judiciário e militares, além de outras vindas das áreas vizinhas, como Campo Maior (PI)
e Caxias (MA). Como estímulo ao aumento da população da cidade, foram distribuídos
terrenos localizados nas ruas planejadas, ficando muitas famílias com uma quadra
inteira para suas residências que passaram a formar verdadeiros pomares urbanos.
76
A área construída correspondia à região, entre o Largo das Dores (Rua Santo
Antônio, hoje Olavo Bilac) até o Rio Parnaíba; o Alto da Jurubeba onde ficava o
cemitério antigo e hoje se encontra a Igreja São Benedito; a Rua da Estrela (hoje
Desembargador Freitas) até o rio Parnaíba. Mas a área total do novo município,
correspondia às terras da Vila Nova do Poti (que se transformara em Teresina) e a uma
porção de área desmembrada de Campo Maior.
Com a expansão, as fazendas foram incorporadas à cidade e a ocupação
crescente das margens das estradas fez nascerem bairros com ruas e avenidas que
iniciaram o processo de anomalia ao plano inicial da cidade de ruas paralelas e
perpendiculares entre si, passando, com sua evolução, a perder esse traçado regular.
Também foram surgindo os primeiros problemas de ocupação em relação à drenagem,
pois com a expansão dos serviços de calçamento as lagoas e os vales dos riachos
(chamados de ―grotas‖ ou ―grotões‖) foram sendo pavimentados formando as primeiras
―baixas‖ do relevo do sítio urbano, que entre outras podem ser citadas a ―baixa do
Chicão‖ ao sul (hoje Av. José dos Santos e Silva), a “Baixa da Égua‖ ao norte (atual
Praça Landri Sales) e a lagoa da ―palha de arroz‖ (hoje Praça Da Costa e Silva), no
centro-sul.
A partir da década de 1960, a população foi ocupando as porções mais elevadas
dessa Chapada, para o Sul e para o Leste, bem como as porções de relevo mais baixo da
zona Norte.
A expansão para a direção Leste foi motivada principalmente pelos serviços que
aí se instalaram – a construção da primeira ponte de concreto sobre o Poti (ligando a
cidade a BR-343) e o Campus da Universidade Federal, paralelamente à instalação do
Jóquei Clube (lazer voltado para a elite da cidade), e do Centro Social de Nossa Senhora
de Fátima, da Arquidiocese de Teresina.
A Zona Norte da cidade, principalmente depois da instalação do aeroporto e
conjuntos habitacionais da Companhia Brasileira de Habitação - COHAB passou a ser
ocupada pela população de menor poder aquisitivo. É de longo tempo também a
extração de argila pelos oleiros do, hoje, bairro Poti Velho que, artesanalmente,
fabricam telhas, tijolos e artefatos domésticos, e que veio a se consolidar como um dos
principais locais de interesse turístico da cidade na produção de peças artesanais.
A Zona Sul foi ocupada principalmente ao longo das vias de comunicação,
seguindo as áreas mais elevadas do planalto, como a ―estrada do gado‖ (atual Av.
Miguel Rosa). O primeiro bairro que se formou nessa região mais próxima do rio Poti
77
(que abriga vários bairros e ainda hoje é conhecida por Catarina) recebeu e permanece
até hoje com o nome de ―Piçarra‖, por ter sido essa estrada aterrada com o material
assim chamado pela população.
No início, a vida da cidade estava toda focalizada no centro, que possuía como
ocupação do solo as residências, os prédios institucionais da administração pública, os
pontos comerciais, as praças, o Clube dos Diários, o Theatro 4 de Setembro e,
posteriormente, os cinemas. Nesta localidade também estavam implantadas a zona
boêmia, com seus bares e cabarés, bem como a zona do porto, ribeirinha ao Rio
Parnaíba. Hoje, esta região é conhecida como Centro Cultural e foi, propositalmente,
escolhida para operacionalização do roteiro turístico histórico cultural, pois lá se
encontram as construções antigas que cedem seus espaços para atividades culturais, e
que fazem parte do roteiro histórico cultural, proposto, tais como a Central de
Artesanato “Mestre Dezinho”, antigo Quartel de Polícia, o Cine Rex e o Teatro 4 de
setembro que formam o complexo cultural ―Clube dos Diários‖, todos localizados na
Praça Pedro II, antiga Praça Aquidabã – que nos anos 50/60 era local de convergência
da comunidade na prática do chamado ―footing‖, conforme depoimento de Genise
Veloso, integrante da alta sociedade e frequentadora da praça àquela época:
―A Praça Pedro II era o ponto central de encontros da população
teresinense principalmente dos jovens que ali se encontravam –
depois da sessão do cinema das 18:00 horas, nos Cines Rex e 4
de Setembro – alguns acompanhados de suas mães, desfilando
em giros, contrário aos dos rapazes ―no quem me quer‖...oferta,
maldosamente, atribuída às carolas. A parte baixa da praça,
passarela das moças de ―boa família‖, enquanto que a de cima,
reservada para as mais sapecas, nem sempre em atitude corretas
para a época. Muitos namoros ali se iniciaram e alguns
chegaram aos altares (casamento). Às 21:00hs vinha (ouvia-se)
o ―toque de recolher‖ dado pelo quartel de polícia (sediado na
praça), que ―soltava a onça‖ e esvaziava a praça. E as famílias,
sentadas nas calçadas, também se recolhiam‖.
E, assim, Teresina nasceu como uma bela cidade. ―Emoldurada por dois grandes
rios‖ que a abraçam e com formas de relevo que se elevam em topos planos, densas do
verde, onde muitos pássaros habitavam formados pelos pomares particulares, praças e
ruas arborizadas, era tão expressivo que chamava a atenção dos visitantes – o que levou
o poeta maranhense Coelho Neto, no final do século XIX, a batizar a cidade de ―cidade
verde‖.
78
3. 2. Aspectos geográficos
Localizada na região centro norte do Estado do Piauí – em uma área conhecida
por Meio-Norte, que constitui uma faixa de transição entre o semiárido nordestino e a
região Amazônica – Teresina é a única capital do Nordeste situada no interior, a 350 km
do litoral. É favorecida pelo fato de se encontrar em um importante entroncamento
rodoviário do Nordeste, que interliga seus estados à região Norte, facilitando a
comunicação com os principais centros urbanos das regiões Sudeste e Centro-Oeste,
tendo como principais vias de acessos as BRs: 316 (São Luís / Teresina / Recife) e 343
(Floriano / Teresina / Parnaíba).
A cidade apresenta os seguintes limites geográficos:
Norte: União, José de Freitas
Sul: Palmeirais, Monsenhor Gil, Nazária, Demerval Lobão e Curralinhos
Leste: Altos, Lagoa do Piauí e Pau d´Arco do Piauí
Oeste: Timon (MA).
Em relação à área, Teresina ocupa a 8ª posição dentre as capitais brasileiras
quanto ao tamanho da área territorial, menor apenas do que as áreas das capitais da
região amazônica (com exceção de Belém). Isto, de certa forma, favorece o seu
desenvolvimento econômico, particularmente do setor da agroindústria.
No quesito relevo, a cidade, localizada em uma área de chapada, com relevo
plano (com suaves ondulações), apresenta uma das mais baixas altitudes do Estado. O
centro da cidade localiza-se em uma depressão, e na maior parte da área do município, o
relevo é bastante plano, com destaque para a região do bairro Monte Castelo (zona Sul),
onde se verificam as maiores altitudes, e as adjacências dos bairros Satélite e Vila
Bandeirante (ambos na zona Leste), onde existem muitos morros.
Sua vegetação predominante é a típica de Cerrado, representada por uma
cobertura vegetal de médio porte e densa. Também se faz presente, com uma
participação significativa da área do município, a vegetação de matas e de coqueirais
(palmeira do babaçu), cujo produto além de ser matéria-prima para a fabricação de óleo,
tem inúmeras utilidades, inclusive como combustível.
Uma das grandes vantagens da cidade – o que, inclusive lhe facilitou a
transferência da capital – é que o município é banhado por dois grandes rios: o Parnaíba
que percorre (com altitude de cerca de 700 m), cerca de 1.480 km até a sua foz no
79
Oceano Atlântico, onde se bifurca em 5 braços, formando um grande Delta – o Delta do
Parnaíba, com mais de 80 ilhas (Baptista, 1981, p.25) e rio Poti, um dos grandes
afluentes do Parnaíba, drena uma porção da bacia hidrográfica desse rio, tendo sua bacia
aproximadamente 50.000 Km2, o que corresponde a cerca de 16% da área total da bacia
do rio Parnaíba. Teresina se encontra numa situação privilegiada em recursos hídricos,
pois está situada na grande bacia do Parnaíba, permanentemente alimentada por águas
subterrâneas oriundas de excelentes equíferos. Quanto aos mananciais hídricos
subterrâneos, estes são também consideráveis, com excelentes condições de
aproveitamento, e com água em geral, de muito boa potabilidade.
Situado em zona de latitude baixa e nos limites da área semiárida do nordeste
brasileiro, a capital apresenta clima tropical, dos mais quentes do Brasil e sub-úmido do
tipo seco. As temperaturas registradas são elevadas durante todo o ano, variando entre
os extremos de 22,0ºC a 40,0ºC. A umidade relativa média do ar é de 69%, sendo que
fevereiro e março são os meses de maior umidade. De agosto a outubro ocorrem as
menores quantidades, variando de 54% a 59%, podendo nesta época do ano atingir até
20%, no horário da tarde.
O clima da cidade apresenta-se de forma intensa, com temperaturas elevadas na
maior parte do ano – o que não é fator de influência na repulsão dos turistas que vêm à
cidade, pois mesmo com enormes médias térmicas Teresina possui valores que só
podem ser nela encontrados, dentre eles a hospitalidade do povo teresinense, o
verdadeiro calor humano, que se sobrepõe a condição climática.
Esse posicionamento em relação ao clima, na maioria das vezes, é verbalizado
de modo divertido e até carinhoso, principalmente pelos turistas piauienses, acrescido
daqueles que já estabeleceram laços de afetividade com a cidade em decorrência dos
constantes deslocamentos para a realização de negócios, já que esse é um dos maiores
motivos do turismo da cidade. Infere-se, com isso, que o calor corresponde a um
elemento marcante na vida da cidade de Teresina, dada a forma peculiar como esse
aspecto é retratado pelos moradores e, principalmente, pelos turistas. O calor sentido e
vivido é talvez, uma das principais marcas do povo teresinense.
De modo geral o clima de Teresina pode ser definido da seguinte forma: de
janeiro a maio, devido às chuvas, o clima é frio e úmido; de junho a agosto, o clima
começa a ficar mais seco com noites relativamente frias; de setembro a dezembro, o
clima se torna bastante quente e abafado, podendo ocorrer algumas pancadas de chuva a
partir de novembro.
80
No espaço definido para operacionalização do roteiro, a tempetura varia de 35°
C a 40°C, no segundo semestre do ano (de agosto a novembro) e de 30ºC a 35°C no
primeiro semestre ( de dezembro a junho) daí a sugestão de operacionalização do roteiro
no primeiro semestre. Retomando a reportagem da revista Gol ‖ Tá bonito pra chover‖,
diz um teresinense. Quando as nuvens encobrem o céu e dão sinal de chuva o tempo é
considerado bom, explica ele. Num lugar onde os termômetros marcam em média 35°C
e que, em dias mais quentes, podem chegar facilmente aos 40°C, só a chuva é capaz de
oferecer trégua ao calor. Chuva, uma cajuína bem gelada ou um chapéu de sol
(sombrinha, no sul). Ainda mais para quem chega na capital em pleno b-r-o-bró (
pronúncia-se bê-érre-ó-bró), período mais quente do ano – de setembro a dezembro. O
termo foi criado pelos piauienses e faz referência à última sílaba (bro) dos quatro meses
de calor intenso (setembro, outubro, novembro e dezembro). Todos tem a mesma
terminação, daí a expressão.‖
Devido a sua posição geográfica, a incidência dos raios solares sobre Teresina é
de grande intensidade durante todo o ano, e a quantidade de radiação chega ao topo da
atmosfera, variando de 935 a 700 cal/cm2. De setembro a dezembro ocorrem as mais
altas temperaturas, fato este agravado por diversos fatores, como o desmatamento e
queimadas em larga escala.
A estação das chuvas em Teresina acontece praticamente em seis meses do ano –
de dezembro a maio. Uma peculiar característica das chuvas da cidade, é que são
rápidas e muito intensas, havendo grande força das águas, trovões impressionantes, e
ventos fortes. A incidência de raios também é muito comum pelo fato de a cidade estar
localizada sobre uma chapada 21, conhecida como Chapada do Corisco.
A qualidade do ar da cidade de Teresina é considerada muito boa. Muito embora
os órgãos ambientais não disponham de dados oficiais, esse índice de pureza é
evidenciado pela ausência de registro de doenças, da população, ligadas à qualidade do
ar.
Há que se ressaltar que o roteiro histórico cultural, pauta principal deste trabalho
tem como público alvo, o turista da melhor idade e que é um roteiro a ser realizado a pé;
por isso, sugere-se que sua prática aconteça no período menos quente, ou seja, no
período das chuvas, de dezembro a maio, visto que, mesmo sendo chuvas intensas e
21
Chapada - é uma formação geológica acima de 600 metros que possui uma porção plana na parte
superior. Naturalmente são terrenos de superfície bastante plana, cuja a altitude se destaca das áreas ao
redor.
81
fortes, acontecem mais frequentemente no horário da noite, continuando os dias
ensolarados. A Professora Turismóloga Ermínia Medeiros considera ―a realização de
um roteiro cultural dessa natureza, focando a região central de Teresina é um elemento
agregador para o desenvolvimento turístico da nossa capital. Além disso, é um novo
olhar para o nosso patrimônio cultural, que é pouco valorizado ainda por parte daqueles
que visitam Teresina. A cidade só tem a ganhar com a operacionalização desse roteiro
cultural‖.
3.3. Aspectos econômicos
Por sua localização (350 km distante do litoral do Estado do Piauí) e por estar
em um grande entroncamento rodoviário, com saídas para Belém, São Luís, Fortaleza,
Recife,
Salvador
e Brasília,
Teresina ocupa posição
estratégica para seu
desenvolvimento – o que contribui para exercer certa influência econômica regional,
particularmente nos setores de serviços e no comércio – abrangendo grande parte dos
estados do Maranhão, Pará, Tocantins e oeste do Ceará e de Pernambuco.
Um dos aspectos estruturais mais importantes da economia de Teresina é o grau
de participação das pessoas nas unidades produtivas do seu setor formal, que, em termos
relativos, apresenta-se elevado e se destaca pela relevância social representada,
evidenciando uma inserção expressiva de pessoas na economia de Teresina em relação
ao seu produto interno bruto (PIB) gerado.
Essa presença significativa das pessoas na atividade econômica em Teresina
deve-se à predominância de atividades que, por natureza, utilizam menos o fator capital
no seu processo produtivo – quando comparada com as atividades da maioria das
capitais nordestinas. Atividades menos dotadas de tecnologia, destacando-se as
seguintes: serviço público, educação, comércio, alimentos, confecção, avicultura,
bebidas, construção, cerâmica, artefatos de metal, movelaria, dentre outras.
Considera-se, no entanto, que a participação intensiva da população na economia
de Teresina tem como causa principal a forte presença empregadora do poder público,
que detém parcela considerável do mesmo – em 2008 situava-se em torno de 36% do
total daquela população.
Segundo informações da Guia de Turismo Karla Maia, a atividade turística
mostra um crescente aumento no número e na permanência do turista em Teresina, fato
este que provoca uma dinamização na economia local ―[...] Nós do Sindicato dos Guias
82
de Turismo do Piauí - SINGTUR-PI, sempre registramos os dados relacionados aos
serviços que prestamos e em relação aos serviços efetuados por grupos de guias ligados
ao sindicato de 2008 a 2010. Nesse período, identificou-se um aumento considerável na
prestação de serviços de turismo receptivo em nossa capital, em torno de 50% em
relação aos anteriores. Isso se dá por conta de grupos que se deslocam entre as regiões
norte e nordeste, que antes só pernoitavam em Teresina e, atualmente, já solicitam um
―city tour‖ na capital com estada para visitar parentes e amigos ou a negócios. Acredito
também que essa mudança é uma consequência das ações de marketing de entidades
como o SEBRAE e o Governo do Estado, divulgando Teresina e o Piauí em workshops,
feiras etc.‖.
Embora a estrutura produtiva instalada em Teresina seja compatível com o
objetivo de gerar ocupações, consta-se que nela poucas atividades exercem um efeito
multiplicador na sua economia, no sentido de suscitar novas unidades produtivas que
lhe sejam complementares, de modo a consolidar uma cadeia produtiva.
O subsetor de confecção, por exemplo, um dos segmentos que mais geram
emprego e renda em Teresina, encontra dificuldades em inserir seus produtos na pauta
de exportações do município, uma vez que o preço das matérias-primas, que são
importadas de outros estados, praticamente inviabiliza sua participação no comércio
regional e nacional. Estudos realizados no setor de confecção indicam o custo como
sendo o principal problema na aquisição da matéria-prima, o que justificaria a
implantação, nesta capital, da indústria de fiação e tecelagem – pelo tamanho do
mercado de Teresina – de modo a suscitar a consolidação da cadeia produtiva de
confecções, tornando este segmento mais competitivo no mercado regional e nacional.
Em relação à atividade turística – um dos grandes indicadores econômicos da
capital –, tem-se a seguinte realidade, de acordo com a Fundação Centro de Pesquisas
econômicas e Sociais do Piauí - Fundação Cepro, que realiza a Pesquisa de Demanda
Turística duas vezes por ano, na baixa e na alta estação, em Teresina. O Relatório desta
Pesquisa do mês de novembro de 2009, período de baixa estação, evidencia um
crescimento no número, gasto e permanência de turistas em Teresina conforme Oscar de
Barros Souza – Presidente de Fundação Cepro: ―as variáveis a seguir especificadas
apresentam crescimento, comparando-se com igual período de novembro/08: o número
de turistas internacionais cresceu 83,3%; o de turistas nacionais cresceu 29,24%; o gasto
per capita cresceu 16,23% e as compras dos turistas cresceu 85,40%‖.
83
Outros dados significativos desta pesquisa referem-se ao período de
permanência deste turista, em média 5,71 dias; a média de gastos é de R$ 496,26
correspondendo a R$ 86,89% per capita/dia, incluído neste gasto 1,31 pessoas.
No quadro a seguir, tem-se o perfil dessa realidade econômica na capital piauiense:
INFORMAÇÕES ECONÔMICO-FINANCEIRAS
VARIÁVEIS
Permanência na localidade
REDE
REDE EXTRA-
HOTELEIRA
HOTELEIRA
4,04
Gasto aproximado na localidade 693,09
GERAL (%)
7,46
5,71
607,15
651,40
(R$)
Pessoas incluídas nos gastos
1,23
1,40
1,31
Gastos per capita dos turistas (R$)
564,47
433,54
496,26
Gastos per capita/dia (R$)
139,85
58,14
86,89
Renda média dos entrevistados (R$) 5.502,40
2.382,61
4.037,53
Faixa etária acima de 51 anos
17,5
18,5
15,5
(160 questionários aplicados)
Fonte: Fundação CEPRO/Pesquisa direta-2009
Também importantes são os dados relacionados ao motivo da viagem. Percebese a enorme predominância da motivação com finalidades de negócios em 45,6% dos
entrevistados. Fato este que a caracteriza como um destino voltado para o segmento
―turismo de negócio e eventos‖, reiterando o discurso inicial apresentado neste trabalho,
de que Teresina é uma capital cuja atividade turística se destaca no setor saúde e
negócios e enfatizando a relevância da aplicabilidade do roteiro proposto como opção
de entretenimento aos participantes dos eventos e seus acompanhantes.
Outro setor já mencionado e relevante para a economia local, que constitui um
verdadeiro pólo regional, é o setor de saúde, que, tem uma participação importante em
termos de empregos e de renda, já se estabelece como uma cadeia produtiva
consolidada. As oportunidades de investimento no subsetor de medicamento, de
produtos ortopédicos e materiais de uso hospitalar (gases, seringa, avental, soro, dentre
outros) e com os negócios e eventos que são realizados voltados especificamente a este
84
setor como feiras, congressos, reuniões – que se constituem em fatores de
fortalecimento desta cadeia produtiva.
3.4. Patrimônio histórico e cultural de Teresina
O que vem ocorrendo na maioria das cidades brasileiras, com o processo de
expansão urbana, é uma verdadeira decadência de suas áreas centrais nas quais os
prédios históricos sofrem continuamente descaracterização interna acompanhada da
deterioração de suas fachadas, mediante poluição visual (excesso de placas, faixas,
toldos, falta de manutenção), reformas e demolições.
Fatores como expansão comercial e imobiliária, o crescimento da indústria da
construção civil e as deficiências das políticas de incentivo à cultura e preservação
ambiental têm contribuído para a descaracterização acelerada do patrimônio histórico da
capital, que sofre agressão constante das tendências modernizantes nas suas formas,
funções, estrutura e processos. Em razão desses processos de mudanças, o conjunto
arquitetônico que compreende o centro de Teresina vem, ano após ano, perdendo suas
características.
No caso específico de Teresina esse processo é crescente. A cidade tem o centro
como o espaço de maior aglutinação de atividades comerciais e de serviços diversos,
apresentando um fluxo muito intenso de automóveis pelas ruas de seu núcleo histórico,
o que vem causando inúmeras modificações de ordem formal e funcional das estruturas
arquitetônicas que contam a história da capital do Piauí desde sua fundação.
Teresina tem vivenciado a desvalorização de seu centro histórico e
paulatinamente o prestígio desse espaço está sendo perdido, conforme Sousa (2005, p.
63).
―[...] o comércio mais chique e os serviços mais refinados que
antes lá se encontravam concentrados, tendem a deixá-lo em
troca de outros locais buscando maior proximidade com os
consumidores de alto poder aquisitivo‖.
Para minimizar esta situação, encontra-se em plena fase de execução, com obras
já inauguradas, o projeto, da prefeitura, de Revitalização do Centro de Teresina. Trata-
85
se de um projeto de recuperação das ruas e prédios antigos de Teresina e de áreas
tomadas pelos ambulantes, implantação de equipamentos de acessibilidade, além da
revitalização de praças e melhoria de segurança.
Como dito anteriormente, parte deste projeto, como a retirada dos ambulantes
das ruas22 e revitalização das mesmas e de algumas praças, bem como iluminação e
segurança já estão em pleno funcionamento. O que proporciona uma melhor qualidade
ao roteiro a ser proposto, visto que ele se insere precisamente nesta região
A região central é hoje um núcleo histórico e cultural da cidade, onde se localiza
a Praça Marechal Deodoro da Fonseca – primeira Praça de Teresina e os primeiros
prédios, hoje tombados e reconhecidos como bens históricos. Nela está localizado o
Teatro de Arena, um espaço usado para apresentações artísticas e culturais, a exemplo
do Festival de Violeiros, evento que atrai participantes de todo o país.
Considerando que toda região, cidade e lugar, possui traços culturais próprios,
de valor único para a população local, podendo ser utilizados a fim de valorizá-los, e
ainda que a cidade de Teresina não pratique o segmento em sua totalidade e possua um
importante acervo de bens culturais tombados, torna-se oportuno e relevante o debate
deste tema como enfrentamento das falhas e omissões do poder público, do setor
privado, bem como da própria população com o objetivo principal de provocar uma
reflexão destes agentes sobre a importância do patrimônio histórico-cultural local, para
o desenvolvimento do segmento turismo cultural da cidade.
"Teresina é uma cidade rica em verde e luz. Abrilhantar isso com a estruturação
de um roteiro que conte, com vivacidade e excelência, suas histórias e lendas só
contribuirá para fazer desta cidade ainda mais especial. A roteirização garantirá a
manutenção de nossa essência cultural viva no consciente popular, pois por ele será
apropriado rapidamente quando a circulação de turistas se intensificar...‖, é o que
enfatiza a Turismóloga Ana Cristina Freitas, Diretora de Desenvolvimento Turístico da
SETUR; e finaliza com otimismo ―(...) sabemos que este é um caminho de contramão,
mas diante de eras sem o devido apoio do poder público a projetos de fortalecimento
da cultura popular e das estruturas históricas teresinenses, pode a atividade turística
legitimar esses espaços, dando aos mesmos a visibilidade e atratividade que tanto
carecem".
22
Foi construído e já inaugurado o Shopping da Cidade e para lá foram os camelôs e ambulantes que
ficavam nas ruas do centro.
86
A maior parte destes bens está situada no centro da cidade, palco de realização
do roteiro turístico histórico cultural, e este fato é, sem dúvida, favorável à atividade
turística devido ao fácil acesso e proximidade de outros atrativos turísticos. Infelizmente
esses bens não recebem a devida atenção por parte das autoridades públicas e
principalmente pela população teresinense, fato que acaba dificultando a prática do
turismo cultural local. A valorização da identidade cultural permite que se intensifique o
sentimento de pertencimento à comunidade, tornando essencial o seu envolvimento no
processo de identificação e planejamento turístico, o que inclui a disponibilização de
roteiros turísticos.
São comuns os casos em que o entorno dos bens apresenta problemas como a
degradação social e urbana, principalmente em relação aos atrativos localizados no
centro. É significativa a existência de inibidores geográficos, tais como ruas e avenidas
extremamente movimentadas. Estes elementos podem representar um empecilho à
visitação turística. A partir dessa questão, Gastal (2003, p. 64) reforça a importância do
poder público nesse processo:
―A intervenção política é obviamente decisiva, enquanto
estratégia sustentável de atuação em relação à utilização de
muitos recursos livres ou bens públicos, transformando recursos
culturais em recursos turísticos, afetando meios e articulando
uma relação equilibrada e pró ativa com os restantes setores da
administração e empresarial do turismo‖.
Isso comprova que esse segmento de turismo só pode ser viabilizado com a
efetiva inserção da área cultural e com o estabelecimento de uma rede de parcerias entre
os diversos agentes culturais e os órgãos de turismo e meio ambiente.
No entanto, quando se pensa em desenvolver o turismo em uma determinada
região, as primeiras ações se voltam geralmente para o transporte, a hospedagem,
alimentação e as opções de compra e lazer. Há sempre um pressuposto de que o turista
irá descobrir por si só e maravilhar-se automaticamente com as belezas naturais, as
edificações e monumentos históricos, assim, pouca atenção é dada ao visitante, no que
se refere à informação sobre o lugar, seus habitantes, hábitos e costumes, sua história e
suas lendas, mas a realidade comprova que para vivenciar a cultura e o patrimônio de
um lugar, o turista precisa encontrar lugares bem preservados, conservados e
87
valorizados pela comunidade que o recebe – aí incluídos todos aqueles envolvidos,
direta e indiretamente, com os serviços e produtos turísticos.
Conforme Funari e Pinsk (2005), a construção do patrimônio histórico-cultural
depende das concepções que cada época tem a respeito do que, para quem e por que
conservar. A conservação resulta da possível negociação entre os diversos setores
sociais, articulando cidadãos e poder público. A criação e a credibilidade nesses
cenários só são possíveis com a adoção, dentre outras, de eficientes políticas públicas de
sensibilização que ajudem na formação de novas atitudes e comportamentos,
contribuindo para a formação de indivíduos providos de uma consciência social e
ambiental.
É fato que está havendo um descobrimento do espaço Teresina como um
patrimônio que representa identidade e que exalta o valor cultural, de algo que é
retratado de um tempo histórico e de manifestações culturais. É evidente que a
arquitetura e o urbanismo, bem como tradições culturais, aparecem como instrumentos
de transformação do espaço e do social. Porém é preciso que ocorra o fortalecimento de
vínculos entre comunidade local e patrimônio, para a valorização e agregação destes, ao
uso a atividade turística, pois o turismo representa profunda relevância no contexto,
também econômico de uma comunidade.
3.4.1. Pontos turísticos de Teresina
O principal sítio histórico cultural de Teresina está localizado entre os rios Poti e
Parnaíba, no centro da cidade. Entre os pontos turísticos mais importantes, destacam-se
o Parque Municipal do Encontro dos Rios – reserva ambiental localizada onde deságua
o rio Poti no Parnaíba, rio inteiramente nordestino; Parque Ambiental da Floresta Fóssil
– reúne exemplares de troncos de árvores petrificadas, em posição de vida; Parque
Zoobotânico de Teresina; Igreja São Benedito; Pólo Cerâmico de Teresina; Praça Pedro
II; Balneário ―Curva São Paulo‖ e Ponte Estaiada Mestre João Isidoro França.
De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional –
IPHAN – Teresina conta com 18 monumentos tombados e outros de igual importância
que ainda não passaram pelo processo de tombamento. Entre os mais importantes estão:
Palácio de Karnak, Igreja São Benedito, Teatro 4 de Setembro, Clube dos Diários, Cine
Rex, Museu do Piauí, Estação Ferroviária, Floresta Fóssil, Casa da Cultura - Barão de
Gurguéia, Prédio da Antiga Intendência de Teresina, Prédio da Companhia Editorial do
88
Piauí (Comepi), Biblioteca Cromwell de Carvalho, Casa de Dona Carlotinha, Prédio da
Prefeitura Municipal, Edifício Chagas Rodrigues (DER), Grupo Escolar Gabriel
Ferreira, Grupo Escolar Mathias Olympio, Ponte Metálica João Luiz Ferreira, Ponte
Estaiada João Izidoro França (único da relação a não passar ainda pelo tombamento)
todos de valor social e cultura inestimável e de forte atratividade turística.
―Acho de suma importância o tombamento dos bens de uma cidade, pois
efetivamente se inserem como patrimônios históricos, culturais e arquitetônicos, com
base nas normativas legais que, dessa forma, estarão plenamente protegidos das ações
irresponsáveis de descaracterizações patrimoniais‖, enfatiza o Professor Turismólogo
Marcello Atta, Coordenador do Curso de Bacharelado em Turismo da Universidade
Estadual do Piauí - UESPI.
Infelizmente esses bens não recebem a devida atenção por parte das autoridades
públicas e principalmente pela população teresinense, fato este que dificulta a prática do
turismo cultural local, pois a valorização da identidade cultural permite que se
intensifique o sentimento de pertencimento à comunidade, tornando essencial o seu
envolvimento no processo de identificação e planejamento turístico.
O envolvimento com o patrimônio, todavia, pode-se estabelecer na medida em
que ele for incorporado ao cotidiano de forma gradativa. Um dos recursos é o
redescobrimento da memória: o passeio pelo centro da cidade ganha colorido quando
compartilhado por antigos moradores da cidade. Relembram acontecimentos,
identificam edificações inexistentes, apontam peculiaridades de tempos idos: a Praça
Pedro II e a prática do footing, o antigo Cine Rex, hoje convertido em espaço para
shows, os logradouros que tiveram o desenho alterado e seus nomes mudados, a
palmeira que eternizou o nome da Rua Palmeirinha, pois mesmo depois de arrancada e
seu nome mudado, a população ainda se refere a ela pelo nome original, obras de arte
removidas, para intensificar o tráfego local. A narrativa marcada pela recordação vem
carregada de emoção e o passado ganha aspecto positivo.
Essa recorrência à memória e esse envolvimento com o passado é mais comum
nos idosos do que nos jovens. Até porque o ato de lembrar é uma atividade importante
para as pessoas mais velhas. Assim, um passeio turístico pelo centro da cidade,
totalmente modificado, faz com que a pessoa recrie sua história e para isso, ela recorre
tanto a suas lembranças quanto às dos outros. Isso se dá, segundo Eclea Bosi (1994, p.
60), porque:
89
― Ao lembrar o passado ele (o idoso) não está descansando, por
um instante, das lides cotidianas, não está se empregando
fugitivamente às delicias do sonho: ele está se ocupando
consciente e atentamente do próprio passado, da substância
mesma da sua vida‖.
Neste sentido, a proposta de um roteiro turístico elaborado para o público da
melhor idade, na cidade de Teresina, constitui aliado importante na manutenção da
saúde dessas pessoas, principalmente se for considerado que Teresina ainda não
disponibiliza aos visitantes Centros de Atendimento ao Turista que sejam localizados
em pontos estratégicos da cidade. Assim, um acompanhamento mais direto aos turistas,
independente de sua idade, é um grande diferencial na atividade turística.
Salienta-se que, no contexto atual, faz-se necessário discutir a importância do
patrimônio como expressão de cultura e de identidade, considerando que o
conhecimento e a valorização dos bens culturais contribuem para o despertar da
cidadania que expressam a história e a tradição local e regional; por isso, acredita-se que
o patrimônio aguça o sentimento de pertencimento. O projeto de revitalização que se
processa atualmente, no centro da cidade, é uma alternativa para o desenvolvimento que
viabiliza a inserção social da comunidade e representa, ainda, um caminho para a
dinamização do turismo.
Vive-se em uma sociedade de avanços tecnológicos, de facilidade de
comunicação e de deslocamento de pessoas, de integração econômica, política e
cultural, em que a globalização tornou-se algo comum no cotidiano das pessoas. É
preciso que essas pessoas redescubram seu valor típico e identitário (em contraposição
ao global), as manifestações culturais, as tradições e as peculiaridades, pois assim
reaprende-se a olhar para o patrimônio como um bem que representa identidade e que
exterioriza o valor de uma cultura, de algo que pode ser a característica de uma
conjuntura histórica, a leitura de uma concepção social ou a manifestação de uma
tradição.
O crescimento desordenado das cidades, a especulação imobiliária, as mudanças
dos comportamentos, os novos valores e estilos de vida podem gerar impactos
irreversíveis nos bens constituintes do patrimônio, pois são fatores resultantes da vida
capitalista da sociedade globalizada. Por outro lado, a revitalização é o movimento
contrário, pois indica a retomada das discussões sobre preservação, conservação e
restauração do patrimônio e, essencialmente, a preocupação com espaços e
90
manifestações que permitem o olhar, a convivência, o conhecimento e a interação com
valores, símbolos e manifestações.
Dessa maneira afirma-se que a valorização do patrimônio histórico-cultural na
cidade de Teresina será alcançada se houver uma plena conscientização por parte de
toda a sociedade e dos órgãos públicos do seu significado na construção da identidade
local e da importância da conservação e divulgação dos bens culturais. Acredita-se que
através do reconhecimento do patrimônio e das tradições culturais será possível
desenvolver a atividade turística através do segmento Turismo Cultural na região,
gerando uma diversidade de benefícios sociais e econômicos para todos os agentes
envolvidos em um mesmo intuito.
3.4.2. Preservação do patrimônio cultural piauiense
A política de valorização de cultura em síntese precisa visar em todos os níveis a
valorização do indivíduo e da sociedade, e o fortalecimento da imagem da comunidade
como um todo, gerando a qualificação do espaço urbano e a geração de empregos e
receitas para a região.
Foi publicado, em 1998, um Inventário de Proteção do Acervo Cultural do Piauí,
tomando como base a Lei nº 1939 de 16 de agosto de 1988, mas segundo o responsável
pela Divisão de Patrimônio Cultural da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor
Chaves, nada foi feito nos últimos treze anos decorridos. As alegações mais recorrentes
para explicar esse fato, residem na falta de recursos humanos tecnicamente qualificados
e recursos financeiros suficientes.
O Prefeito de Teresina aprovou e sancionou a Lei nº 3.602 de 27 de janeiro de
2006, que dispõe sobre a preservação e o tombamento do Patrimônio Cultural do
Município, e dez meses depois através da Lei complementar nº 3.563 de outubro de
2006, são criadas zonas de preservação ambiental acerca da proteção de bens de valor
cultural. Essa última Lei institui normas de preservação ambiental e de proteção de bens
de valor cultural, apresentando em seus anexos a descrição dos perímetros das zonas de
preservação ambiental, bem como a relação dos imóveis (endereçamento) cujas
fachadas devem ser preservadas.
A Lei de Preservação e Tombamento do Patrimônio Cultural do Município de
Teresina diz a esse respeito nos itens I, II, III e IV:
91
O poder público municipal deve promover garantir e
incentivar a preservação, conservação, proteção, tombamento,
fiscalização e execução de obras ou serviços, visando à
valorização do patrimônio cultural do município.
Compete ao poder público Municipal:
I – a implementação da política de proteção e valorização
do patrimônio
cultural; e
II – a promoção contínua da conscientização pública para
a conservação do patrimônio cultural.
III - Os bens tombados não podem ser destruídos,
demolidos ou mutilados, nem, sem prévio parecer do Conselho
Municipal do Patrimônio Cultural de Teresina e expressa
autorização da Prefeitura Municipal, serem reparados, pintados
ou restaurados, sob pena de multa de 100 % (cem por cento) do
valor da obra;
IV - Sem prévio parecer do Conselho Municipal do
Patrimônio Cultural de Teresina e expressa autorização da
Prefeitura Municipal, não se pode, na vizinhança do bem
tombado fazer edificações que lhe impeça ou reduza a
visibilidade, nem colocar anúncios ou cartazes sob pena de ser
mandada destruir a obra irregular ou retirar o objeto, impondose, neste caso, multa de 50% (cinqüenta por cento) do valor da
obra e do objeto, se for o caso.
É de competência também dessa Lei a autorização para a instituição do
Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Teresina, um órgão de assessoria da
Prefeitura que, periodicamente, deveria proceder à vistoria dos bens tombados. Como
esse órgão ainda não foi criado, ficam a cargo da Secretária Municipal de Planejamento
e Coordenação essas atribuições, porém as dificuldades impostas são muitas para
realização dessas funções e recaem no que já foi exposto nesse anteriormente quanto à
falta de recursos humanos e financeiros.
3.4.3. Monumentos tombados de Teresina
O IPHAN diz que o tombamento configura-se em um ato administrativo
realizado pelo Poder Público com o objetivo de preservar, por intermédio da aplicação
de legislação específica, bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e
também de valor afetivo para a população, impedindo que venham a ser destruídos ou
descaracterizados.
92
Esse Ato Administrativo realizado pelo poder público é o grande
reconhecimento que um monumento precisa ter para se consolidar como patrimônio
cultural de uma região. De acordo com a Constituição Federal, no Artigo 216, compete
à União, ao Estado e aos Municípios, apoiados pela comunidade, ―preservar os bens
culturais e naturais brasileiros, dando especial atenção aos sítios arqueológicos‖ (on
line)23.
Ressalta-se que o tombamento ―somente é aplicado a bens de interesse para a
preservação da memória e referenciais coletivos‖ (idem). No caso de Teresina, como em
várias outras cidades, muitos prédios públicos já passaram pelo processo de
tombamento, seja em nível federal, estadual ou municipal, e que por este motivo são
incluídos no roteiro turístico histórico cultural posteriormente proposto.
É importante frisar que é através do reconhecimento de um bem como
patrimônio que se mantém viva a memória de um lugar e isso só é possível se a
comunidade valorizar e entender a importância de um bem tombado.
―O Tombamento não tem por objetivo "congelar" a cidade ou
outro bem. Tombar não significa apenas cristalizar ou perpetuar
edifícios ou áreas, sem considerar toda e qualquer obra que
venha contribuir para a melhoria da vida na cidade‖.
―Preservação e revitalização de áreas são ações que se
complementam e, juntas, podem valorizar conjuntos de bens que
se encontrem ameaçados ou deteriorados interferindo na
qualidade de vida de uma população‖. (on line) 24.
Infere-se, com isso, que, mais do que um reconhecimento em nível federal,
estadual ou municipal, um monumento tombado representa a memória viva de um povo
que passa a se reconhecer como sujeito constituinte no processo de construção
identitária de sua cidade e/ou região.
Outro fator importante a ser considerado é que, em sua grande maioria, os
agentes desse processo são um público que faz do ato de lembrar um reconstruir e
reconstituir um passado que se revitaliza à medida que as lembranças vão surgindo em
23
Disponível em http://www.patrimoniocultural.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=4.
Acesso em 27/01/11, às 18:00.
24
Disponível em
http://www.patrimoniocultural.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=4.Acesso em
27/01/11, às 18:00.
93
sua memória. Esses sujeitos que atendem pelo nome de idosos, ou público da terceira
idade, ou ainda melhor idade é que, são o grande destaque deste trabalho. Segundo Bosi
(1994, p. 63), no momento em que o homem deixa de ser ―um propulsor da vida
presente do seu grupo‖, um membro ativo da sociedade, ―neste momento de velhice
social resta-lhe, no entanto, uma função própria: a de lembrar. A de ser a memória da
família, do grupo, da instituição, da sociedade‖.
Isso reforça nossa proposta de trazer para esse público da cidade de Teresina, um
roteiro turístico através do qual se reconheça também a importância desses sujeitos para
a preservação da memória de nossa cidade, pois, ainda segundo Bosi (1994, p. 83), o
papel da memória para o idoso tem caráter diferente do público jovem. ―Se o adulto não
dispõe de tempo ou desejo para reconstruir a infância, o velho se curva sobre ela como
os gregos sobre a idade do outro‖, considerando o ato de lembrar, nesse contexto, como
um elemento essencial para a manutenção e preservação dos aspectos sociais, históricos
e culturais.
Em nível federal, de acordo com o IPHAN e FUNDAC, em Teresina encontramse tombados os seguintes monumentos:
MUSEU DO PIAUÍ – Imóvel situado na Praça Marechal Deodoro, onde foram
edificadas as primeiras residências na época da fundação da nova capital. O prédio, de
linhas sóbrias, teve sua construção iniciada por volta de1859, pelo Comendador Jacob
Manoel Almendra, um dos colaboradores da construção de Teresina, edificando vários
prédios que serviram de instalação para as principais repartições públicas, entre os quais
o Palácio do Governo Provincial e do Poder Executivo Estadual. De 1873 até 1925 o
imóvel abrigou a sede do governo do Piauí. Entre 1926 a 1975 funcionou o Tribunal de
Justiça. Em 1980, após a restauração passou a exercer a função de Museu do Piauí.
Embora construído já no século XIX, o atual Museu do Piauí é um edifício de
características neoclássicas, pela simetria da disposição das aberturas e modenatura bem
marcada por pilastras. As aberturas são em arco plenas, emolduradas por cunhais em
massa muito utilizada nas construções mais antigas de Teresina. Possui 15 salas abertas
para permanente visitação e um acervo de cerca de 2 mil peças que versam sobre a
história do Piauí: Pré-História, Piauí Colônia, Piauí Império, Piauí República, uma
Pinacoteca e Coleção de Arte Sacra. Funciona de terça à sexta de 08 ás 17h e sábados e
domingos de 08 ás 11h30min com taxa de visitação no valor de R$2,00(dois reais). O
museu não possui rampas de acesso para o piso superior. Sendo que a visitação tem um
94
tempo aproximado de 50 minutos. Com o percurso de 5 minutos a próxima visita será
ao Mercado Central.
Área: aproximadamente 1.400m²
Uso atual: Museu Histórico do Piauí
Decreto: Nº 8.686
Diário Oficial: Nº 126 de 06/07/92
Data da inscrição no Livro de Tombo: 14/09/92
Código: 18
Condições de atendimento ao turista: estruturada para visitação interna, capacidade para
pequenos e médios grupos.
Fluxo de visitação: em média 12.000 visitantes ao ano (dados da administração do
próprio museu).
Avaliação: O museu não possui rampas de acesso para o piso superior. Há
disponibilidade de comercialização de produtos referente à literatura de cordel e livros
de autores piauienses. O prédio mantém bom estado de conservação.
ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE TERESINA – A Estação Ferroviária, juntamente
com a ponte metálica João Luis Ferreira, integram um conjunto de obras ferroviárias,
efetuadas pela Companhia Geral de Melhoramentos do Maranhão, visando solucionar o
problema de transporte entre duas capitais nordestinas, São Luis e Teresina. Sua
construção foi iniciada por volta de 1922, e concluída, em 1926. Símbolo do progresso,
a edificação seguiu o estilo arquitetônico adotado, na época, no Brasil - múltiplas
características, próprias do ecletismo, que conjugou os elementos da arquitetura
pitoresca às bases magistrais do neoclássico. Desde 1990, é a Estação Central do
sistema de trens urbanos. Parte de sua estrutura abriga o ―Espaço Cultural Trilhos‖,
localizado nos antigos galpões da Estação Ferroviária de Teresina com espaço para
shows, exposições e o teatro da estação. Prédio histórico tombado pelo IPHAN.
Localização: Av. Miguel Rosa, nº 2885
Proprietário: Rede Ferroviária Federal
Área: 1.227,25m²
Uso atual: Sede da Administração do Metrô de Teresina
Tombamento Municipal: Decreto: Nº 9.710 de 15/05/97
Diário Oficial: Nº 92 de 16/05/97
Data da inscrição no Livro de Tombo: 03/06/97
Avaliação: Em bom estado de conservação, limpeza, dispõe de rampas de acesso.
95
PONTE METÁLICA JOÃO LUIS FERREIRA – A ponte metálica João Luis
Ferreira é uma obra de engenharia ferroviária que se destaca na paisagem urbana de
Teresina e é reconhecida como um dos símbolos da cidade. Integra um conjunto de
obras efetuadas pela Companhia Geral de Melhoramentos do Maranhão, visando
solucionar o problema de transporte entre as capitais nordestinas, São Luis e Teresina.
Foi a primeira ponte construída sobre o Rio Parnaíba no estado do Piauí, inaugurada em
2 de dezembro de 1939, após 17 anos do início da obra, ligando Teresina a Timon.
Projetada pelo engenheiro alemão Germano Franz, consumiu 702 toneladas de ferro em
sua construção. Sua conclusão permitiu o estabelecimento da linha férrea Ferrovia São
Luiz-Teresina da RFFSA conectando por trem as Capitais do Piauí e do Maranhão , que
também é usada pela linha do Mêtro de Teresina para integrar à vizinha cidade de
Timon que faz parte da Grande Teresina.
A sua relevância pode ser aferida não só por sua utilidade, como elemento de
ligação atualmente, rodo-ferroviário e para a circulação de pedestres, mas também por
seu traçado magnífico, de características já empregadas em outras pontes em vários
pontos do país.
Tombamento federal: Processo: nº 1300-T-89.
Livro: Histórico.
Data: 11.09.08.
Avaliação: Em bom estado de conservação, dispõe de acesso para bicicletas, motos e
carros.
FLORESTA FÓSSIL DO RIO POTI – A Floresta Fóssil do Rio Poti, é um sítio
natural do período paleontológico de reconhecido interesse científico devido à raridade
deste tipo de ocorrência na natureza pela posição de vida da maioria dos troncos, que
afloram nas águas do rio numa área 8.960m², num total de 60 unidades, com dimensões
variadas, estes fazem parte do pacote rochoso denominado Formação Pedra de Fogo,
datado do período permiano (aproximadamente 200 milhões de anos). Encontra-se em
bom estado de conservação, com suas estruturas internas bastante visíveis.
Os cientistas acreditam que a floresta, por sua antiguidade, preexistiu aos
grandes répteis que habitaram a terra (as plantas pteridófitas lá encontradas pertencem a
um gênero extinto antes do surgimento dos dinossauros). O sítio destaca-se também por
ser um exemplo de grande raridade pela posição de vida da maioria dos seus troncos (na
vertical), caso único na América Latina, só havendo outro similar no Parque
Yellowstone, nos Estados Unidos.
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Considerado um caso unânime entre geólogos e paleontólogos do Brasil e do
mundo, esse sítio faz parte das mais importantes amostras do passado geológico e
biológico do Brasil. Por seu valor científico e pelo potencial paisagístico deste
patrimônio, situado dentro do perímetro urbano de Teresina foi reconhecido pelo o
IPHAN como patrimônio nacional.
A Floresta Fóssil do Rio Poti não apresenta quase nenhuma estrutura, estando os
fósseis expostos a todo tipo de intempérie e ação humana. A falta de estrutura é um
fator negativo não apenas à visitação turística, mas também à preservação do bem.
Localização: às margens direita e esquerda do Rio Poti, cerca de 1.200m à montante da
ponte Juscelino Kubitscheck.
Proprietário: Governo Federal da União
Área: 23 hectares
Processo: nº1510-T-03. Livro: Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico.
Data: 11.09.08.
Uso atual: Parque Municipal.
Tombamento municipal: Decreto: Nº 9.885
Diário Oficial: Nº 50 de 16/03/98
Data da inscrição no Livro de Tombo: 29/04/98
Código: 34
Avaliação: O Parque deixa a desejar nos aspectos de segurança e limpeza. Não
disponibiliza guias e nem equipamentos de apoio como: lanchonete, banheiro.
IGREJA “SÃO BENEDITO‖- Construída em meados do século XIX em modelo
toscano, inspirado em basílica medieval, a obra foi idéia do Frei Serafim de Catânia,
missionário capuchinho da ordem dos franciscanos, que nasceu na Itália e chegou a
Teresina em 10 de maio de 1874, então com 63 anos de idade. Em 13 de junho do
mesmo ano fincou, no então ―Alto da Jurubeba‖, a pedra fundamental da Igreja São
Benedito, por ele edificada com esmolas e trabalho do povo tendo sido concluída em 03
de junho de 1886. Foi formado um caminho que seguia da pedra fundamental da Igreja
até o rio Poti, por onde as pessoas carregavam pedras e tijolos para a construção da
igreja. As famílias se dirigiam em procissão e quando não, mandavam seus escravos.
Em fins de junho de 1893, sob comoção da comunidade, o Frei partiu para a Itália, de
onde, não mais retornou. A Igreja possui três de suas portas feitas por Sebastião
Mendes, talhada em motivos florais, possui ainda uma bela escadaria que é muito
utilizada quando há apresentação de corais da cidade. Todos os anos acontece, na época
do natal, no adro da Igreja, a apresentação do coral das mil vozes, formado por crianças
da rede municipal de ensino. Já é tradicional acontecer em todas as últimas sextas-feiras
do mês, ao meio-dia, uma missa de ação de graças.
97
Localização: Teresina - Centro
Proprietário: Patrimônio Público - Administração Arquidiocese de Teresina
Uso atual: Templo religioso
Ano de tombamento: 1998
Esfera de Tombamento: Federal e Estadual
Condições de Atendimento ao Turista: Possibilidade de visitação interna.
Avaliação: Em bom estado de conservação, perfeita higiene, dispõe de rampas de
acesso.
Em nível estadual, tem-se a seguinte relação conforme informações do IPHAN e
FUNDAC:
COMPANHIA DE NAVEGAÇÃO DO PIAUÍ - ATUAL COMEPI-COMPANHIA
EDITORIAL DO PIAUÍ – Imóvel localizado no Centro histórico de Teresina. A
edificação foi construída por volta do ano de 1860, com a finalidade de abrigar o
maquinário da oficina de fundição das embarcações a vapor do rio Parnaíba. Após a
decadência da navegação fluvial, o prédio passou a abrigar a Companhia Editorial do
Piauí.Passou por trabalhos de consolidação, contudo encontra-se ainda descaracterizado,
no que diz respeito à sua volumetria original.
Localização: Praça Marechal Deodoro, nº 774
Proprietário: Governo do Estado do Piauí
Uso atual: Sede da Companhia Editorial do Piauí
Tombamento: Decreto: Nº 4.706
Diário Oficial: Nº 226 de 30/11/81
Data da inscrição no Livro de Tombo: 30/11/81
Código: 04
Avaliação: Em bom estado de conservação, perfeita higiene, dispõe de rampas de
acesso.
CASA DA DONA CARLOTINHA – Edificação característica da arquitetura
implantada no Brasil na segunda metade do século XIX, sob inspiração do ecletismo,
utilizando uma nova implantação da casa do lote, com jardim e entradas laterais.
O imóvel possui ainda grande valor histórico por ter servido de residência do Dr.
Anísio Brito, esposo de Dona Carlotinha, figura de muita importância no meio cultural
piauiense, historiador, literato, diretor da Biblioteca, Arquivo e Museu do Piauí, da
Escola Normal e do Liceu Piauiense. A edificação foi adquirida e restaurada pela
Prefeitura Municipal de Teresina. Hoje, abriga a sede da Fundação Cultural Monsenhor
Chaves.
Localização: Praça João Luis Ferreira – centro
Proprietário: Prefeitura Municipal de Teresina
98
Área: 300m²
Uso atual: Sede da Fundação Cultural Monsenhor Chaves Decreto: Nº 10.247
Tombamento: Decreto: Nº 8.686
Diário Oficial: Nº 126 de 06/07/92
Data da inscrição no Livro de Tombo: 14/09/92
Código: 17
Avaliação: Em bom estado de conservação, perfeita higiene, dispõe de rampas de
acesso.
CINE REX – Edificação inaugurada em 29 de novembro de 1939. Foi um dos
primeiros cinemas da cidade. É um exemplar de Art Déco, caracterizado por uma
tipologia geometrizante dos volumes por linhas simples, sóbrias, proporções pesadas e
fachadas pouco decoradas. Em 1973 sofreu sua primeira reforma, sendo mantidas suas
características arquitetônicas externas. Em 2005 foi reformado para funcionar como
Casa de Show de diversos tipos.
Localização: Praça Pedro II, nº 1301
Esfera de Tombamento: Estadual
Proprietário: David e Theresa Cortelazi
Área: 819,84 m²
Uso atual: Casa de shows
Tombamento: Decreto 9310 de 24/03/95
Diário Oficial: nº 58 de 24/03/95
Data da inscrição no Livro de Tombo: 25/02/97
Código: 28
Condições de atendimento ao Turista: possibilidade de visitação interna somente
durante eventos.
Avaliação: Seu estado de conservação e higiene deixam a desejar não dispõe de rampas
de acesso. É um espaço privado. Atualmente está fechado à visitação.
CLUBE DOS DIÁRIOS – O Clube dos Diários foi clube de elite de Teresina, e palco
de inúmeros acontecimentos sociais, políticos e culturais25, tendo como primeiro
presidente o professor Agripino Oliveira.. Sua origem remonta bem antes da construção
da sua sede própria, quando funcionava de maneira provisória na residência conhecida
como Campina Modesta. Em 1925, o então governador Matias Olímpio doou o terreno
de propriedade do Estado, adjacente ao Theatro 4 de Setembro, para a construção da
sede definitiva, que teve início no mesmo ano, e foi executada pelo mestre de obras
paraense B. Coelho. Após anos de abandono, no ano de 1996 a edificação foi restaurada
e hoje abriga um espaço cultural, com áreas para exposições, oficinas, cinema de arte e
25
Bailes carnavalescos, aniversário de 15 anos das moças das famílias da elite,
99
a parte externa para apresentações de bandas tendo como destaque o Projeto Boca da
Noite realizado ás quarta-feira com apresentações de bandas locais
Localização: Rua Álvaro Mendes
Proprietário: Governo do Estado
Uso atual: Complexo Cultural
Tombamento: Decreto: Nº 6.152 de 03/01/85
Diário Oficial: Nº 02 de 03/01/85
Data da inscrição no Livro de Tombo: 20/01/85
Código: 06
Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas.
EDIFÍCIO CHAGAS RODRIGUES – DER – Imóvel edificado na década de 60 com
a finalidade de abrigar a sede do Departamento de Estradas e Rodagens - DER. O autor
do projeto é o arquiteto, carioca Maurício Sued, responsável por trazer, para o Piauí,
em 1962, o primeiro prédio, da capital a apresentar características modernista,
utilizando pilotis, painel trabalhado, escada helicoidal, panos rasgados de combongós.
Localização: Av. Frei Serafim, nº 2492
Proprietário: Governo do Estado do Piauí
Área: 3.000m²
Uso atual: Sede do Departamento de Estradas e Rodagens do Estado do Piauí - DER
Tombamento: Decreto: Nº 9.312 de 23/03/95
Diário Oficial: Nº 58 de 24/03/95
Data da inscrição no Livro de Tombo: 24/02/97
Código: 26
Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas.
GRUPO ESCOLAR GABRIEL FERREIRA – Edificação situada no bairro
Vermelha, zona sul de Teresina. Sua fundação data de 1928, época em que foram
criadas várias escolas nas quais foi adotado semelhante partido arquitetônico. Seus
frontispícios caracterizam tais grupos escolares da capital e do interior do Estado.
A proposta de tombamento partiu da comunidade ligada à escola, assim como
aconteceu com o Grupo Escolar Mathias Olympio, fato que legitima a ação do
Departamento do Patrimônio Histórico, Artístico e Natural do Piauí. O imóvel encontrase em precário estado de conservação, necessitando de restauração urgentemente.
Localização: Av. Barão de Gurguéia, Nº 1489 – Bairro Vermelha
Proprietário: Governo do Estado do Piauí (Secretaria da Educação)
Área: aproximadamente 1.342m²
Uso atual: Escola pública
Decreto: Nº 8.686
Diário Oficial: Nº 126 de 06/07/92
Data da inscrição no Livro de Tombo: 14/09/92
100
Código: 19
Tombamento: Decreto: Nº 8.686
Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas.
GRUPO ESCOLAR MATHIAS OLYMPIO – Edificação situada no bairro
Porenquanto, zona norte de Teresina. Foi construída na década de 20. Funcionou como
ponto de referência do crescimento e evolução do bairro no qual está localizado.
O imóvel apresenta planta baixa composta por formas retangulares que se unem
e resultam num movimento plástico bastante interessante. A volumetria original sofreu
alguns acréscimos que de certa forma não o descaracterizou, já que se manteve a
utilização dos mesmos materiais construtivos. A iniciativa de tombamento desta
edificação partiu da própria comunidade do bairro Porenquanto, um exemplo de
conscientização a respeito do valor histórico e arquitetônico daquela escola.
Localização: Av. Jacob Almendra, Nº 498 – Bairro Porenquanto
Proprietário: Governo do Estado do Piauí (Secretaria da Educação)
Área: 880m²
Uso atual: Escola Pública
Decreto: Nº 8.686
Diário Oficial: Nº 126 de 06/07/92
Data da inscrição no Livro de Tombo: 14/09/92
Código: 20
Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas.
PALÁCIO DE KARNAK – Não há registro seguro quanto à data de construção do
Palácio de Karnak. Sabe-se apenas que é remanescente do século XIX. Trata-se de uma
edificação de linhas neoclássicas, possuindo elementos das arquiteturas grega e romana.
A denominação ―Karnak‖ evoca um dos bairros de Tebas, no antigo Egito. Nos
primeiros tempos, o imóvel sediou um estabelecimento de instrução secundária que
funcionava em regime de internato, fundado por Gabriel Ferreira em 1890.
Posteriormente o prédio foi vendido aos Barões de Castelo Branco para uso particular.
Em 1926, o então Governador Mathias Olympio comprou o imóvel e nele instalou a
sede do Poder Executivo do Piauí, que passou a funcionar como residência e palácio de
despachos por muito tempo.
No primeiro mandato de Alberto Silva (1971-1975) o Palácio de Karnak passou
por reformas, deixando de existir os aposentos residenciais. Em 1992, a sede do Poder
Executivo Estadual foi transferida para o Palácio Pirajá. O Palácio de Karnak sofre,
entre 1993 e 1994, reformas para funcionar como sede de recepções oficiais.
101
Localização: Av. Antonino Freire, 1450-Centro
Proprietário: Governo do Estado do Piauí
Área: 1.910,71m²
Uso atual: Sede do Executivo Estadual
Decreto: Nº 9.168-A de 29/03/94
Diário Oficial: Nº 60 de 30/03/94
Data da inscrição no Livro de Tombo: 24/02/97
Código: 27
Avaliação: O acesso somente na parte externa. A visitação interna só com solicitação
prévia. O prédio atualmente dotado de serviço de acessibilidade, limpeza e segurança
pública.
THEATRO 4 DE SETEMBRO – A decisão da construção de uma sede definitiva para
a realização de espetáculos teatrais em Teresina ocorreu no dia 4 de Setembro de 1889,
com o início das obras a partir de junho de 1890. A inauguração somente ocorreu no dia
21 de abril de 1894. A planta do Teatro é de autoria do engenheiro Alfredo Modrak, sua
fachada incorporou elementos do Neogótico e do Neoclássico, expressão do ecletismo
que vigorou a partir do século XIX.
Durante o primeiro período de existência, da inauguração até a década de 30, o
Teatro teve uma participação efetiva na dramaturgia piauiense. No início dos anos 30,
com o advento do cinema falado, as encenações teatrais caem em decadência. As
instalações do Teatro passaram então a funcionar como sala de exibições de filmes e a
sediar outros tipos de manifestações sócio-culturais, como conferências literárias,
solenidades cívicas e bailes de carnaval. Desde sua inauguração, o imóvel sofreu várias
intervenções, sendo a maior em 1973, quando foi modificado internamente e teve sua
área duplicada, com a construção de dois corpos laterais, justapostos ao seu corpo
primitivo. Na reforma iniciada em 1995, o Clube dos Diários foi integrado ao Teatro,
valorizando os aspectos históricos dos dois imóveis.
Localização: Praça Pedro II
Proprietário: Governo do Estado do Piauí
Área: 1.275m²
Uso atual: Casa de espetáculos
Decreto: Nº 9.198 de 17/06/94
Diário Oficial: Nº
Data da inscrição no Livro de Tombo: 27/02/97
Código: 30
Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas.
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Existem também aqueles que recebem tanto a proteção estadual quanto
municipal. São eles:
BIBLIOTECA
ESTADUAL
“DESEMBARGADOR
CROMWELL
DE
CARVALHO” - Trata-se de exemplar notável da arquitetura escolar realizada no início
da década de 20 sob novas diretrizes arquitetônicas no Estado do Piauí. Sediou
inicialmente o Grupo Escolar Abdias Neves. Em seguida, abrigou provisoriamente o
Liceu Piauiense. Cromwel de Carvalho foi idealizador e um dos fundadores da
Faculdade de Direito do Piauí, de onde foi diretor e professor catedrático durante 24
anos. Até meados de 1948, a Faculdade funcionou em um dos prédios do conjunto
administrativo que existia entre as Praças Rio Branco e Marechal Deodoro, sendo
transferida naquela data, após a federalização, para o prédio onde, hoje, funciona a
Biblioteca Estadual ―Cromwell de Carvalho‖.
Localização: Praça Demóstenes Avelino, S/N
Proprietário: Universidade Federal do Piauí
Área Construída: 1.408,57 m²
Uso atual: Sede da Biblioteca Pública Estadual
Tombamento estadual: Decreto: Nº 9.198 de 17/06/94
Diário Oficial: Nº
Data da inscrição no Livro de Tombo: 26/02/97
Código: 29
Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas.
CASA DA ANTIGA INTENDÊNCIA DE TERESINA – O prédio da Intendência foi
construído em fins do século XIX, sofrendo reformas projetadas e realizadas pelo
engenheiro Antonino Freire, quando foi adquirido do Estado pelo Município de
Teresina para sediar a administração local (Intendência, Conselho Municipal da
Intendência e Fundação Wall Ferraz órgão ligado à prefeitura municipal de Teresina,
recebeu este nome em homenagem ao ex-prefeito Wall Ferraz.
Edificado em estilo Neocolonial, teve suas fachadas alternadas quando da
implantação de elementos Neoclássicos por ocasião daquela intervenção, tendo
mantido, contudo, a estrutura original típica das construções de porão alto da arquitetura
brasileira.
Localização: Praça Marechal Deodoro, nº 900
Proprietário: Prefeitura Municipal de Teresina
Área Construída: pavimento térreo – 1.026,33 m² ; pavimento superior - 1.408,57 m²
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Uso atual: Sede da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento – SEMAB, da
Fundação Wall Ferraz e do Departamento Municipal de Estradas e Rodagens – DMER e
Fundação Wall Ferraz
Tombamento Decreto: Nº 10.247
Diário Oficial: Nº 45 de 03/03/2000
Data da inscrição no Livro de Tombo: 22/03/2000
Código: 35
Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas.
CASA DA CULTURA (ANTIGA CASA DO BARÃO DE GURGUÉIA) construída
na última metade do século XIX (década de 70), por João do Rêgo Monteiro, o Barão
de Gurguéia, para sua residência. Antigo Palácio dos Bispos, posteriormente Seminário
Diocesano. La funcionou também o Colégio Pedro II. Casa de porão alto, pouco comum
no restante do Estado, adotou também uma das novas tendências da arquitetura eclética
de grande aceitação na região – o emprego da forma ogival e suas derivadas nos vãos
das edificações. O imóvel foi cedido em comodato à Prefeitura de Teresina. Foi
restaurado em 1993, passando em seguida a sediar a casa da Cultura de Teresina.
Localização: Praça Conselheiro Saraiva, nº 324 e 325
Proprietário: Arquidiocese de Teresina
Uso atual: Casa da Cultura de Teresina
Tombamento: Decreto: Nº 6.775 de 21/07/86
Diário Oficial: Nº 144 de 31/07/86
Data da inscrição no Livro de Tombo: 08/08/86
Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas.
ESCOLA NORMAL ANTONINO FREIRE – O prédio foi construído na
administração João Luís Ferreira para abrigar a Escola Normal, e a inauguração se deu
em julho de 1924, por ocasião da posse do governador Matias Olímpio de Melo. Em
estilo neoclássico, projeto de 1919, inaugurado como educandário - a Escola Normal
Oficial, depois Escola Normal Antonino Freire.
Em 1984, sofreu restauração para abrigar a sede da Prefeitura Municipal de
Teresina, passando então a denominar-se ―Palácio da Cidade‖. Embora conserve seu
estilo básico nas estruturas externas, o imóvel foi modificado no seu interior, perdendo
as características de edificação do início desse século.
Localização: Praça Marechal Deodoro, nº 860
Proprietário: Governo do Estado do Piauí
Área: 1.227,25 m²
Uso atual: Sede da Prefeitura Municipal de Teresina
Tombamento municipal: Decreto: Nº 4.706 de 30/11/81
Diário Oficial: Nº 226 de 03/12/81
Data da inscrição no Livro de Tombo: 03/12/81
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Código: 05
Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas.
E aqueles que recebem a proteção do tombamento municipal. São eles:
CASARÃO DOS LIBÓRIO
Local: Rua Olavo Bilac nº 1481, esquina com Rua 24 de Janeiro, zona Sul.
Tombamento: Decreto nº 9.312 de 27 de março de 2009.
Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas.
IGREJINHA NOSSA SENHORA DO AMPARO - Construção iniciada em 1797, na
povoação, em seguida freguesia e Vila do Poti, hoje, bairro Poti Velho da capital
piauiense. O templo original feito de taipa não resistiu ao tempo e foi demolido. Outro
Templo foi erigido no mesmo local.
Local: Praça Maria do Carmo Rodrigues.
Tombamento: Decreto nº 811 de 8 de maio de 1986.
Avaliação: Bom estado, atualmente passa por reforma (limpeza).Conta com rampas de
acesso.
SEDE DA JUSTIÇA FEDERAL (atual CenaJus) - Construção iniciada em 1902,
onde funcionou a Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional, local em que existiu um
sobrado residencial dos presidentes da Província até 1856.
Local: Praça Marechal Deodoro
Tombamento: Decreto nº 812 de 8 de maio de 1986.
Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas.
ANTIGA FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS PIAUIENSE - Inaugurada por volta
de 1920, como sede da Fábrica de Fiação e Tecidos Piauiense, atualmente ocupada por
gerências e serviços de empresa comercial,o Armazém Paraíba.
Local: Rua João Cabral entre as Ruas Desembargador Freitas e Benjamin Constant, com
fundos para a Avenida Maranhão.
Tombamento: Decreto nº 814 de 8 de maio de 1986.
Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas.
105
3.4.4. Patrimônio histórico, cultural e ambiental de Teresina - Gastronomia
A cozinha teresinense tem influência portuguesa, indígena e africana e traduz a
piauiense no gosto pelos temperos como a pimenta de cheiro, o coentro e o cheiro
verde. O maior destaque é a galinha caipira, que é cozida ao molho e acrescenta-se um
pouco do sangue da galinha.
Outros destaques aparecem no acompanhamento da galinha que são a paçoca
(carne seca pilada com farinha e cebola roxa), a Maria Isabel (arroz misturado com
carne seca), o baião de dois (arroz misturado com feijão verde) e o sarapatel
(confeccionado com carne, fígado, coração e rim de porco). Destacam-se também
comidas populares como a buchada de bode e a panelada, servida também nos mercados
públicos. Algumas receitas, em anexo, podem ser apreciadas e/ou testadas.
Apesar de todas essas especiarias famosas e deliciosas, a estrela maior fica por
conta dos derivados do caju: o doce e a famosa cajuína (bebida sem álcool, clarificada e
esterilizada, preparada a partir do suco de caju, apresentando uma cor amarelo-âmbar,
resultante da caramelização dos açúcares naturais do suco).
3.4.5. Artesanato
Teresina é conhecida por seu artesanato, principalmente pela arte santeira em
madeira que tem como seu maior representante, o Mestre Dezinho 26, premiado até
internacionalmente, pelo trabalho em cerâmica, dos quais são produzidas peças
26
José Alves de Oliveira, o Mestre Dezinho, como era conhecido, nasceu em 2 de março de 1916 em
Valença do Piauí. Viveu grande parte de sua vida como mestre carpinteiro fazendo portas, balcões, tetos e
vez por outra, um santuário. Já casado e com seis filhos, mudou-se para Teresina, onde começou a
trabalhar como vigia noturno da pracinha do bairro Vermelha e, nas horas de folga, como carpinteiro na
Igreja da Vermelha, que estava em construção. Ao término das obras da Igreja em 1966, o Padre
Carvalho, que gostava dos ex-votos que vira Dezinho fazer, chamou-o para esculpir um Cristo. A sua
obra foi de tal forma apreciada que lhe encomendaram todas as outras peças da Igreja, sendo atualmente
um dos locais mais visitados por turistas, em Teresina, se tornando um registro histórico do nascimento
artístico do Mestre Dezinho. Inaugurou uma arte santeira com estilo próprio. E foi com esse estilo que
influenciou tantos outros artistas piauienses como Expedito, Cornélio, Edmar e José Soares. As peças do
mestre Dezinho eram talhadas normalmente em cedro, obedecendo muitas vezes o tamanho natural. Nas
roupas dos santos, referências da cultura piauiense, como cajus, folhagens e flores típicas da região.
Dezinho continuou suas obras, expondo em coletivas e individuais, sendo escolhido pela crítica
especializada, como autêntico escultor brasileiro, representando o Piauí. Faleceu aos 74 anos em fevereiro
2000, em Teresina-PI.
Fonte: Catálogo da exposição ―Arte em madeira do Piauí: Santos e sertões do imaginário‖. Sala do Artista
Popular, Museu de Folclore Edison Carneiro, Rio de Janeiro, 2010.
106
belíssimas. O bairro Poti Velho, situado na confluência dos rios Parnaíba e Poti, é um
tradicional pólo de produção deste tipo de arte. A temática é variada e eclética, passando
por peças decorativas, utensílios de uso diário a esculturas sacras e profanas.
Com o passar do tempo, houve investimento em treinamento e organização de
cursos promovidos em parceria entre Sebrae, Prefeitura de Teresina e Secretaria de
Turismo do Estado, ministrados por arquitetos. Esta iniciativa promoveu a melhoria no
níveis de qualidade, no acabamento e refinamento bem como o aumento na variedade
das peças de uma forma ainda não vista antes. Atualmenre o artesanto piauiense é
exportado para outros Estados e para o exterior. Novos materiais, novas tecnologias e o
respeito ao meio-ambiente marcam esta nova fase de desenvolvimento do artesanato
piauiense.
Há locais em que se pode admirar isso, como:
Polo Cerâmico do Poti Velho - Região onde artesãos confeccionam e
vendem a cerâmica por eles produzida com a argila do rio Poti, são trabalhos que
envolvem vasos, peças de decoração e até mesmo bijuterias.
Centro Artesanal Mestre Dezinho – funciona no prédio do antigo quartel
de polícia, ainda em processo de tombamento. São 25 lojas que oferecem cultura em
fibra, couro, madeira, doces. Além disso, restaurante típico põe à mesa o melhor do
cardápio do Piauí: maria isabel, sarapatel, baião de dois, feijão com pequi.
3.4.6. Folclore
O tombamento, a restauração, conservação e fiscalização do patrimônio material
foram práticas bastante desenvolvidas e conhecidas por vários segmentos da sociedade
brasileira desde 1937 - quando o IPHAN foi criado. Entretanto, tais instrumentos se
apresentavam de difícil aplicação para fatos culturais intangíveis como os folguedos, os
credos, os saberes que então eram documentados por pesquisadores e divulgadores do
folclore. E não houve nenhuma legislação especialmente desenvolvida para esta
dimensão intangível do patrimônio.
No final dos anos 40, ocorreu um movimento envolvendo artistas, intelectuais,
pesquisadores, diplomatas, professores e outros segmentos sociais, que culminou com a
Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro - a qual derivou no que hoje é o Centro
Nacional de Cultura Popular.
107
O processo de constituição do campo de estudos de folclore foi de mais ou
menos paternalista e etnocêntrico (com pesquisas e edições superficiais, doações
pontuais de roupas, instrumentos...) a uma aproximação mais relativista e pragmática na
elaboração de políticas (com pesquisas e edições com fundamento antropológico, ações
de fomento voltadas para o modo de vida dos grupos e comunidades no sentido de gerar
renda, garantir autonomia e melhorar o bem-estar social de maneira mais ampla) – e não
meramente o apoio a esta ou aquela manifestação pontual.
As duas tendências (a de patrimonialização da cultura material e a de defesa do
folclore) proporcionaram as bases para a formulação do conceito e da política de
patrimônio imaterial, bem como toda discussão sobre o assunto nos fóruns
internacionais, sobretudo a UNESCO.
―Aliás, o conceito da UNESCO para o termo patrimônio
imaterial é bastante semelhante àquele que propunha Câmara
Cascudo27 para o folclore. Segundo a Organização das Nações
Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, patrimônio
imaterial se constitui das tradições e expressões orais, das artes
do espetáculo, das práticas sociais, das lendas, mitos e ritos
transmitidos de geração a geração e recriados pelas
comunidades e grupos em função de seu meio, de sua interação
com a natureza e de sua história‖.
Para Cascudo esse patrimônio de tradições é o folclore, que ele definia assim:
―Todos os países do mundo, raças, grupos humanos, famílias,
classes profissionais, possuem um patrimônio de tradições que
se transmite oralmente e é defendido e conservado pelo
costume. Esse patrimônio é milenar e contemporâneo. Cresce
com os conhecimentos diários desde que se integrem nos
hábitos grupais, domésticos ou nacionais‖.
A preocupação de salvaguardar os saberes e fazeres do povo, no entanto, é
antiga. O período que vai de 1947 a 1964 ficou particularmente marcado pela grande
mobilização em torno desses estudos, com a criação da Comissão Nacional de Folclore
(47) e da Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro (58), hoje denominada Centro
27
Câmara Cascudo: Luís da Câmara Cascudo foi um historiador, folclorista, antropólogo,
advogado e jornalista brasileiro.
108
Nacional de Folclore e Cultura Popular, órgão que mantém um museu e uma biblioteca,
de âmbito nacional.
Em discurso proferido por ocasião da criação da Comissão, seu presidente,
Renato Almeida, afirmava as mesmas preocupações, já mencionadas, quanto à
preservação do saber popular: ―A pesquisa, para o levantamento do material, permitindo
o seu estudo; a proteção do folclore evitando a sua regressão; e o aproveitamento do
folclore na educação‖. Caberia aí apenas mudar a palavra folclore pela nova
nomenclatura adotada. E tanto isso é verdade que o antropólogo Roque de Barros Laraia
ao mencionar a reação de alguns de seus pares antropólogos quando instituído o registro
de patrimônio imaterial, revela que argumentaram ser o que vinham fazendo há muito
tempo, mas não se esquece de destacar que ―essa espécie de registro já era feita por
eminentes folcloristas‖.
Sobre a breve história que estabelece o novo termo, patrimônio imaterial, é
preciso dizer que começou após a adoção da convenção para a proteção do patrimônio
mundial, cultural e natural, em 1972, quando alguns estados-membros manifestaram
interesse em ver criado um instrumento de proteção do patrimônio imaterial. Em 1989,
a UNESCO adotou a recomendação para a salvaguarda da cultura tradicional e do
folclore. Em 1999, decidiu criar uma distinção internacional intitulada "proclamação
das obras primas do patrimônio oral e imaterial da humanidade", para distinguir os
exemplos mais notáveis de espaços culturais ou formas de expressão popular e
tradicional.
Assim, atendendo a recomendação da UNESCO, foi criado, no Brasil, o
Programa Nacional do Patrimônio Imaterial – PNPI, instituído pelo Decreto n° 3.551,
de 4 de agosto de 2000, que viabiliza projetos de inventário, registro e ações de
salvaguarda. Após identificação através de inventário, os bens culturais de natureza
imaterial deverão ser classificados em Livro de Registro do Iphan segundo os temas:
Saberes – para os conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das
comunidades. Celebrações – para os rituais e festas que marcam vivência coletiva,
religiosidade, entretenimento e outras práticas da vida social. Formas de expressão –
para as manifestações artísticas em geral e lugares – para mercados, feiras, santuários,
praças onde são concentradas ou reproduzidas práticas culturais coletivas.
O folclore manifesta-se nos vários domínios do saber, da expressão e da
comunicação; o importante é valorizar o que há de original, criativo e inteligente em
cada manifestação e perceber o quão viva é a cultura de um povo, uma vez a
109
transformação é uma de suas características. E, no entanto podemos definir o folclore
como um conjunto de mitos e lendas que as pessoas usam os temas folclóricos como
destaque e também fazem parte da cultura popular.
Teresina é uma colcha de retalho cultural, montada pelas tradições trazidas por
quem veio do interior. Há um momento coletivo: O Encontro de Folguedos, que
acontece em junho, com competições como concursos de quadrilhas que fortalecem a
tradição e reforçam as raízes culturais piauienses.
Entre as tradições religiosas, destaca-se a Procissão de São Pedro, no dia 29 de
junho, que reúne embarcações que partem do cais do rio Poti e seguem até o cais do rio
Parnaíba e o culto à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na Igreja de São José, bairro
Vila Operária onde todas as terças-feiras acontecem novenas durante todo o dia e para
onde se dirigem milhares de fiéis pagando e fazendo promessas.
Teresina é muito conhecida por suas lendas. A estátua do Cabeça-de-Cuia se
refere à maior lenda da região. Crispim era um pescador que vivia às margens do Rio
Parnaíba com sua velha e doente mãe. Um dia ele voltou para casa revoltado, pois não
havia conseguido pescar peixe algum. Sem ter com o que lhe servir para jantar, a mãe
lhe dá para comer uma sopa de osso. Crispim se irrita e ataca a mãe com o osso. Sai
correndo de casa e a mãe, machucada, lança uma maldição: ele se transformaria em um
monstro e só descansaria quando fossem sacrificadas sete virgens chamadas Maria.
Crispim virou o Cabeça-de-Cuia e até hoje amedronta pescadores que pescam além do
necessário.
Observando todos esses aspectos e considerando que a capital piauiense é um
atrativo à parte, por uma série de motivos, dentre eles, o fato de não ser uma cidade
litorânea e sobreviver a essa ausência, tem-se, em Teresina um achado: a capacidade
que a cidade tem de surpreender ao turista.
Outra lenda de significativa expressão para os teresinenses é a Num-se-Pode,
que ocorria na Praça Saraiva, antigo Largo das Dores. Versa sobre a estória de uma
linda mulher que tarde da noite, aparecia na Praça ostentando sua beleza debaixo dos
lampiões ali existentes. Movidos por aquela bela aparição, os homens se aproximavam
para conversar ou quem sabe aventurar mais uma conquista. Ao chegarem perto, a linda
mulher pedia um cigarro e quando recebia, começava a crescer, crescer, até atingir o
topo do lampião de gás e nele acender o cigarro. Enquanto crescia ela repetia: ―num-sepode, num-se-pode, num-se-pode‖.
110
3.4.7. Parques ambientais
Teresina, a Cidade Verde, conta com uma riquíssima variedade e quantidade de
parques ambientais, que servem para amenizar a temperatura e embelezá-la. Abaixo, o
elenco dos principais parques:
Parque Ambiental Encontro dos Rios - Localizado no bairro Poti Velho, no lado
esquerdo da foz do Rio Poti ao desaguar no Rio Parnaíba. O Parque possui um centro de
recepção ao turista, espaço para exposição e comercialização de produtos artesanais,
monumento ao Cabeça-de-Cuia (personagem de uma lenda teresinense), algumas
palhoças, dois mirantes, um restaurante flutuante, trilhas, áreas para pesca, esportes
aquáticos e toda beleza natural da região. É uma área de preservação permanente que
promove o turismo ecológico e resgata a cultura popular.
Parque Mini-horto das Samambaias - O Parque é sombreado por árvores nativas
com destaque para a grande quantidade de samambaias. Possui uma área de 1,8 hectares
e está localizado na Zona Leste. No local a Prefeitura de Teresina pretende construir a
1º Igreja Ecológica da capital.
Parque Municipal do Acarape - Possui uma área de 5 hectares e está localizado
na av. Maranhão à margem direita do Rio Parnaíba. Possui trilhas com passeios para a
prática de Cooper, área gramada, rosa-dos-ventos e uma biruta para orientação da
direção dos ventos.
Parque Ambiental Poti I - Criado através do Decreto nº 2.642 de 24 de maio de
1994. Com 2.700 metros de extensão, o Parque está situado às margens do rio Poti na
Av. Marechal Castelo Branco. É um espaço de visitação pública com quadras
poliesportivas, passeios para pratica de cooper, Box da polícia militar e um Monumento
em homenagem ao motorista Gregório. Local de peregrinação de muitos devotos, bem
como as sedes do Conselho Municipal do Meio Ambiente, da Associação Brasileira de
Engenharia Sanitária, Centro de Convenções e Assembleia Legislativa.
Parque Ambiental Beira Rio - Localizado na Av. Raul Lopes em frente ao
Shopping Riverside Walk. Possui árvores de grande porte como mangueiras, laranjeiras,
goiabeiras, cajueiros e também exemplares do caneleiro (árvore símbolo da cidade) e
plantas ornamentais como onze horas, margaridas e verdelas, além de pista de cooper e
quiosques para a comercialização de lanches naturais em uma área de 2,5 hectares.
Parque Zoobotânico de Teresina - Localizado na PI-112, ocupando um espaço
de 137 hectares. O Parque Zoobotânico de Teresina possui uma grande variedade e
111
quantidade de répteis, pois além do rio que passa ao lado (Coisa que nenhum outro
parque tem) há também a presença de três lagos. A fauna e a flora do parque são muito
ricas e favoráveis à criação e reprodução desses animais, principalmente cobras.
Éimportante ressaltar que o parque possui o menor lagarto do Brasil - Coleodactylus
Meridionales, além de muitas outras espécies de animais do Brasil, da África, e de
outros lugares, que torna o parque um ótimo lugar para um passeio ecológico e de lazer
bastante agradável.
Parque Ambiental de Teresina - Conhecido também como Jardim Botânico de
Teresina, o Parque do Buenos Aires ou Antigo Horto Florestal possui uma área de 38
hectares. Está situado na Av. Freitas Neto 6415, zona norte da cidade no bairro
Mocambinho e compreende a maior área de preservação permanente da cidade. No
parque são desenvolvidas pesquisas com elementos da natureza, contando para isso com
um laboratório, além de um herbário com vegetais secos para estudos de botânica.
Destacam-se também trilhas educativas para os visitantes e um auditório para cursos
seminários e treinamentos com capacidade para 50 pessoas.
Parque da Cidade - Inaugurado em 9 de maio de 1982 com uma área de 17
hectares, está localizado na Av. Duque de Caxias. É considerado área de preservação
ambiental constitui-se num local para realização de eventos culturais/ecológicos e de
apoio às atividades de educação ambiental para escolas e grupos comunitários. Foram
identificadas mais de 120 espécies vegetais entre árvores arbustos e ervas agrupadas em
48 famílias. A diversidade faunística encontrada no Parque mostra uma grande
quantidade de invertebrados além de alguns vertebrados bem como várias espécies de
peixes do Rio Poti. No interior do Parque o visitante encontra banheiros públicos,
pontos de descanso e de observação. As trilhas levam o visitante a um passeio por toda
a área do Parque.
Parque Municipal Floresta Fóssil - A área é um espaço ecológico de grande
importância para pesquisadores de várias universidades brasileiras devido a valiosas
descobertas de afloramentos de troncos fossilizados - vegetais de gênero psarnius datados de aproximadamente 250 milhões de anos. Foram catalogados até o momento
60 unidades de vegetais fossilizados. Os troncos fossilizados têm como originalidade a
sua posição em vida o único no Brasil. Nesses trechos também podem ser observados
dois olhos-d'água subterrâneos que alimentam esse rio mesmo durante o período mais
seco.
112
CAPÍTULO IV
ROTEIRIZAÇÃO / O ROTEIRO TURÍSTICO
Pior que não terminar uma viagem é
nunca partir.
Amyr Klink
O Turismo ainda é percebido e muito discutido sob a vertente mercadológica e,
conceitualmente, reduzido às categorias tempo e espaço. Entretanto, com um campo de
atuação em pleno crescimento, já é visto como tábua de salvação para a economia de
muitos países. Seus efeitos multiplicadores e benefícios econômicos, culturais e
psicofísicos servem de subsídio para a realização de novas tentativas na sua exploração
e implementação. A atividade vem sendo considerada por muitos países dependentes
economicamente como um caminho alternativo e complementar para se chegar ao
desenvolvimento e, assim, é rapidamente incorporada às políticas econômicas destas
localidades.
Da mesma forma, as publicações do conhecimento científico sobre o tema
roteiros turísticos são restritas e, na sua maioria, limitam-se, a apontamentos de
concepções teóricas, sem discorrer ou debater sobre elas e a um estudo mais
aprofundado. O tema ainda é tratado com limitações de senso comum e pouco
conhecimento científico, com ausência de discussões teórico-conceituais capazes de
abarcar sua complexidade. De modo geral, o roteiro turístico, em suas concepções
teóricas, é resumido a um itinerário de viagens/locais a serem visitados pelos turistas ou
visitantes de uma localidade.
Por reconhecer a importância de tais estudos, acredita-se na necessidade de
discussões que avancem no sentido de construções teórico-metodológicas sobre o tema,
ultrapassando as aplicações/informações técnicas sobre o assunto
Com as vantagens apontadas, a atividade turística pode ser efetivada, em
melhores termos, se for pensada de forma conjunta, ou seja, que os destinos turísticos
sejam articulados entre si, traduzindo efeitos positivos mais imediatos e com menores
riscos de insucesso.
113
Pensar o espaço de modo integral, com suas relações, contradições e
complementaridades supera a visão estreita de verificar a parte excluída do todo. Desta
forma, a atividade turística pode ser organizada sob a forma de roteiros turísticos.
Quando se trata de roteiro turístico, existem vários termos e conceitos que o
acompanham. Alguns, muitas vezes são utilizados como sinônimos ou complementares,
tais como: circuito, excursão, itinerário e pacote turístico.
Para Bahl (Bahl, 2004, p.31) ―um roteiro turístico resume todo um processo de
ordenação de elementos intervenientes na efetivação de uma viagem. O roteiro pode
estabelecer as diretrizes para desencadear a posterior circulação turística, seguindo
determinados trajetos, criando fluxos e possibilitando um aproveitamento racional dos
atrativos a visitar‖. O autor evidencia que os roteiros devem ser elaborados conforme o
potencial e as características do espaço geográfico para uma demanda específica. E
também ressalta que ―os benefícios de um roteiro ao turista, como: seleção dos locais
que lhe interesse financiamento das despesas, previsão de permanência e escolha dos
serviços de apoio‖ (idem, 2006, p. 299).
A comprovação da afirmativa de Bahl está no exemplo da cidade de Santiago de
Compostela, localizada na região noroeste da Espanha, considerada uma das cidades
históricas mais importantes do país, que tem como centro das atenções a Monumental
Catedral de Santiago que se levanta sobre o legendário sepulcro do Apóstolo Tiago –
local de visitação que, historicamente, já foi uma das jornadas cristãs mais importantes e
que hoje é um dos principais roteiros turísticos da Espanha - O Caminho de Santiago –
que nasceu depois que um eremita espalhou que apareciam luzes no meio da floresta da
Galícia e a Igreja afirmou que essas luzes seriam reflexos do túmulo do apóstolo. Com a
notícia alastrada por toda a Espanha, muitos fiéis foram visitar o local, partindo
inclusive de outros países da Europa. Esse fluxo fez surgir o famoso caminho espanhol,
que, no último século, renasceu com grande esplendor para o Turismo. No percurso de
800 quilômetros que separam as cidades de Roncesvalles de Santiago de Compostela, o
peregrino percorre lugares inesquecíveis e riquezas arquitetônicas produzidas em
séculos de história espanhola, visita-se todo o norte da Espanha, passando por Navarra,
La Rioja, Burgos, León, Palencia e La Coruña proporcionando ainda o desenvolvimento
destas outras cidades. Este roteiro - O Caminho de Santiago – foi declarado conjunto
histórico e artístico em 1962, e a cidade de Santiago de Compostela, reconhecida pela
UNESCO como Patrimônio da Humanidade em 1992.
114
Brambatti (2002, p. 6) entende roteiro turístico ―como o percurso ou caminho
percorrido por turistas, onde os atrativos se encadeiam de forma organizada, e as
paisagens, cultura e arquitetura se fundem‖. Segundo o autor, para que possa existir um
roteiro, é necessário um planejamento e a existência de uma infraestrutura mínima para
atender ao visitante, formando uma cadeia produtiva.
Corroborando com a idéia de Brambatti, da necessidade de haver um
planejamento na elaboração de um roteiro, cita-se como exemplo a ―Estrada Real‖, na
Região Sudeste do Brasil, que nasceu devido ao fluxo de riquezas da Coroa de Portugal
e a necessidade de escoá-la de Diamantina em Minas Gerais aos portos do Rio de
Janeiro e da cidade de Paraty e de lá para Portugal. A circulação de pessoas,
mercadorias e as riquezas extraídas nas minas eram obrigatoriamente feitos por estas
estradas, constituindo crime de lesa-majestade a abertura de novos caminhos. O
interesse fiscal, base política metropolitana para a região mineradora, da colônia,
prevalecia sobre qualquer outro: cumpria, antes de tudo, ter as rotas de comunicação
com as minas devidamente controladas e fiscalizadas, para que nelas se pudesse extrair
uma massa cada vez maior de tributos para o tesouro. O nome Estrada Real, passou a
aludir, assim, aquelas vias que pela sua antiguidade, importância e natureza oficial,
eram propriedade da Coroa metropolitana.
Atualmente esta estrada se transformou em um importante roteiro turístico
planejado pelo poder público. Com itinerários divididos em três caminhos: o ―dos
Diamantes‖ (Diamantina / Ouro Preto), o ‖Velho‖ (Ouro Preto / Paraty) e o ―novo‖ (de
Ouro Preto / Rio). Seus 1410 km que cortam os Estados de Minas Gerais e Rio de
Janeiro atravessam várias cidades: Santa Bárbara, Mariana, Conselheiro Lafaiete,
Barbacena, Juiz de Fora, Petrópolis, São João Del Rei, São Lourenço, Tiradentes,
Caxambu e oferecem inúmeras atrações, desde igrejas barrocas e paraísos naturais,
passando por vilarejos pitorescos, fazendas históricas etc.
Conforme Souza (apud CORREA, 2000, p. 130), roteiro turístico é ―[...] o
itinerário escolhido pelo turista. Pode ser organizado por agência (roteiro programado)
ou pode ser criado pelo próprio turista (roteiro espontâneo)‖. Já Moletta (2002, p. 40) o
define ―como um pequeno plano de viagem em que o turista tem a descrição de todos os
pontos a serem visitados, bem como o tempo de permanência em cada local e a noção
dos horários de parada‖.
115
Montejano (1991, p. 210) conceitua itinerário turístico como:
―[...] toda ruta que transcurre por un espacio geográfico
determinado, donde se describe y especifica los lugares de paso,
estableciendo unas etapas y teniendo en cuenta las características
turísticas propias – naturales, humanas, histórico-monumentales –
relacionadas con la zona geográfica que se recorre a nivel local,
comarcal, regional, nacional e internacional; la duración; los
servicios turísticos – alojamientos, medio de transporte, etc. – y
las actividades a desarrollar 28‖.
Cisne e Gastal (2009) pautam, no artigo A produção acadêmica sobre Roteiro
Turístico: um debate pela superação, como a questão roteiro turístico e roteirização tem
sido tratada academicamente, onde discorrem sobre o resgate teórico da sistematização
do conhecimento existente sobre o tema.
As autoras concluem que, no âmbito das obras dedicadas à temática, os autores
que se debruçam à sua compreensão são fundamentalmente Bahl (2004a, b), Legados
étnicos e ofertas turísticas e Viagens e roteiros turísticos, e Tavares (2002), City-tour e
comentam sobre este estudo.
Para Tavares (2002, p. 14), os roteiros turísticos ―[...] são itinerários de visitação
organizados‖ e complementa sobre a relevância dos mesmos, ao tratar do termo, referese a ele como um roteiro de viagem, que inclui os serviços a serem utilizados. Para a
autora, eles ―[...] podem ser uma das importantes maneiras de contextualizar atrativos e
aumentar o seu potencial de atratividade, o que pode dinamizar o potencial de atração
turística da localidade‖ (idem, p. 20-21) e afirma ainda que esta é uma das
nomenclaturas mais utilizadas para roteiro turístico; concernente ou relativo a caminhos;
descrição de viagem, roteiro, caminho que se vai percorrer, ou se percorreu; caminho,
trajeto, percurso.
Ainda nesta perspectiva, Tavares (idem, p. 15-16) diz que ―os roteiros turísticos
são uma das principais formas de contextualizar os atrativos existentes em uma
localidade e, consequentemente, potencializar seu poder de atratividade‖, o que pode
dinamizar o potencial de atração turística da localidade. Nele, os atrativos estão
28
Tradução: [...] toda rota que transcorre por um espaço geográfico determinado, onde se descreve e
especifica os lugares de passagem, estabelecendo umas etapas e levando em conta as características
turísticas próprias – naturais, humanas, histórico-monumentais – relacionadas com a zona geográfica que
se recorre a nível local, estadual, regional, nacional e internacional; a duração; os serviços turísticos –
alojamentos, meio de transporte, etc. – e as atividades a desenvolver. (tradução livre)
116
inseridos em um contexto maior, mas, de forma geral, os roteiros, por si só, são um
atrativo.
A autora afirma, acerca dos roteiros turísticos, que estes
―[...] não devem ser concebidos tão somente como uma
seqüência de atrativos a serem visitados, mas como uma
importante ferramenta para a leitura da realidade existente e da
situação sociocultural vigente na localidade. Essa leitura,
contudo, também está passível ao olhar subjetivo do operador‖.
(TAVARES, 2002, p.14)
A autora considera ainda que os pacotes turísticos podem ser classificados em
dois tipos distintos: 1) individual (fortfairs), em que o ―cliente‖ pode escolher sua
programação; e 2) coletivos (excursão) em que o passageiro está sujeito ao roteiro
―escolhido pelo grupo‖.
Entretanto, percebe-se, na prática, a existência de um terceiro tipo, o roteiro
elaborado pelo agente operador considerado como um ―produto turístico‖ a ser exposto
na ―prateleira‖ da agência com um rótulo comercial criado para divulgação. Ressalta-se
que, apesar de ser apontado pela literatura como sinônimo de roteiro, o itinerário
turístico não possui uma abrangência tão grande no que concerne a inclusão de serviços
como os roteiros turísticos.
Bahl (2004a, p. 42) define roteiro turístico como sendo a ―descrição
pormenorizada de uma viagem ou seu itinerário. Ainda, indicação de uma sequência de
atrativos existentes em uma localidade e merecedores de serem visitados‖ e quanto a
itinerário, este é descrito como um roteiro de uma viagem ou deslocamento; caminho a
seguir de um local para o outro.
Bahl acrescenta ainda que um roteiro bem idealizado é uma forma de reunir
diversos elementos que apresentem os mais diversos aspectos de uma região ou
localidades. Para ele, tais elementos despertam não só os interesses das pessoas como
também preenchem as necessidades de evasão e deslocamento, o que as torna
motivadoras para viagem. Sob esse ponto de vista, o autor, sugere que, nos roteiros,
sejam incluídos aspectos relacionados a conteúdos históricos, geográficos, sociais,
econômicos, urbanísticos, culturais, religiosos, folclóricos, dentre outros. Além disso,
para o autor, a imagem do local estará vinculada aos seus atrativos oriundos das
características culturais ou naturais. Essa afirmação está em conformidade com o que
117
diz o Ministério do Turismo – MTUR – ao afirmar que os roteiros turísticos são
itinerários caracterizados por um ou mais elementos que lhe conferem identidade.
De acordo com a Consultoria CREATO29, citado por Cisne e Gastal (2005)
―[...] o roteiro turístico como sendo aqueles que abordam Temas
específicos, além de identificar e combinar as principais
potencialidades do ambiente natural e cultural de uma região,
interpretando-as, combinando-as e transformando-as em
produtos turísticos comercializáveis. Essa descrição do que seria
roteiro turístico exclui a possibilidade de existência de roteiros
turísticos panorâmicos (gerais), considerado por Bahl (2004a).
Sobre o assunto, o autor diz que os roteiros podem aglutinar
Temas e objetivos. Para ele, o roteiro resume todo o processo de
ordenação de elementos intervenientes (Tempo e Espaço), na
efetivação de uma viagem e assim desencadear posterior
circulação turística, seguindo determinados trajetos e assim criar
fluxos e possibilidades de um aproveitamento racional dos
atrativos a visitar, além de influenciar no valor final do
produto‖. (grifos no original)
Para Bahl (2004a, p. 52) ―o desenvolvimento de roteiros turísticos com
exposição temática fundamentada em conteúdos culturais e naturais, desperta o
interesse das pessoas e preenche sua necessidade de evasão e deslocamento motivandoas a viajar‖.
Moesch (2002, p. 32) considera
―que os estudos nessa área são fragmentados, unilaterais e com
insuficiência metodológica, pontuais, com ausência de um
espírito crítico passível de autonomia intelectual. Esse
reducionismo conceitual, aliado ao discurso do trade – ou seja,
ao saber-fazer necessita de aprofundamento quando se trata de
um fazer-sabe‖.
Segundo a autora, o vislumbramento dos economistas quanto ao avanço do
fenômeno turístico com o crescimento das taxas de desenvolvimento das diferentes
regiões é uma visão calcada na égide economicista – o que contribui para que o Turismo
29
Oficina de Roteiros CREATO é uma consultoria com sede em Belo Horizonte- Minas Gerais, que
elaborou e lançou o Manual técnico de desenvolvimento e operação de produtos e roteiros turísticos.
10. ed. Belo Horizonte. 2005.
118
seja analisado por uma vertente pragmática tomado pelo forte apelo econômico. Essa
posição é, segundo Moesch (2002), outra responsável por seu reducionismo
epistemológico.
Tavares (2002 p. 12-3) considera três motivos que dificultam a existência de um
consenso nas definições relacionadas ao turismo, e especificamente na definição e
conceituação de roteiros turísticos. São elas: a) a pouca interação entre teoria e prática
causada pela falta de estudo dos seus termos técnicos, em virtude da atividade turística
ainda ser recente; b) por ser uma atividade que está sempre em mudanças, e sofre
adaptações em relação à especificidade de cada localidade onde é operacionalizado; c) a
pouca interação entre as empresas que compõem o mercado turístico.
O Ministério do Turismo criou o - Programa de Regionalização do Turismo
(PRT) - Roteiros do Brasil e o Fórum Nacional dos Secretários Estaduais de Turismo,
que viabilizaram a abordagem regional do turismo e a possibilidade de se implementar
roteiros turísticos. Para este Ministério o roteiro turístico é
―[...] um itinerário caracterizado por um ou mais elementos que
lhe conferem identidade, definido e estruturado para fins de
planejamento, gestão, promoção e comercialização turística das
localidades que formam o roteiro‖. (Programa de
Regionalização do Turismo - Roteiros do Brasil: Módulo
Operacional 7, Mtur boletim..., 2007, p. 13).
Desta forma, os roteiros turísticos podem ser organizados dentro de uma área
que apresente certas peculiaridades ou afinidades e proximidades. Em razão disto,
formatam-se roteiros ou rotas turísticas, que são regiões que apresentam, além de
similaridades na oferta turística, certos objetivos em comum em relação à atividade
turística. Convém destacar que não existem formulações conceituais para a expressão
rota. Por analogia, entende-se que rota e roteiro sejam sinônimos.
Assim, os roteiros turísticos surgem como uma possibilidade de conjugar os
esforços empreendidos na atividade e por serem considerados um caminho para o
desenvolvimento turístico. Os municípios que dispõem de atrativos turísticos devem ser
incentivados a planejar a atividade não só isoladamente, mas também conjuntamente,
sob uma idéia de cooperação e de complementaridade.
A Agente de Viagens e Turismo Lysbela Freitas, Diretora do Setor Internacional
da Miracéu Turismo, considera ―relevante e pertinente a proposta de um roteiro
119
histórico cultural para Teresina, pois vem ao encontro da necessidade do mercado ter
como oferta esse tipo de serviço, estabelecendo, assim, a possibilidade de expandir e
diversificar sua oferta aos diversos segmentos‖.
Com o objetivo de subsidiar o presente estudo, com relação ao local e ao público
a que se destinam as proposições deste trabalho, tem-se, a seguir, uma descrição do
roteiro turístico proposto que, e será entregue aos gestores públicos, estaduais e
municipais, aos operadores e agentes de viagens e à própria comunidade teresinense e
sugere-se que o mesmo seja implementado no primeiro semestre do ano, visto ser uma
época de clima mais agradável.
4.1. Elaboração da proposta de roteiro turístico – Passos metodológicos
Por entender que o tema do trabalho a ser realizado insere-se na Linha de
Pesquisa Planejamento e Gestão de Espaços, utilizar-se-á para o desenvolvimento do
mesmo a pesquisa histórica e qualitativa, por se adequarem aos objetivos a serem
alcançados. Pois,
Segundo Dencker (1998, p.119) ―a pesquisa qualitativa
possibilita a observação de elementos e ocorrências,
selecionadas a partir de concepções teóricas acerca do objeto de
estudo e permite a análise de suas causas, condições,
freqüências. A observação dos fenômenos sociais, feita de
maneira intensiva, a qual implica a participação do pesquisador
no universo de ocorrência desses fenômenos‖.
A pesquisa qualitativa não produz generalizações para entender o
comportamento humano, nem necessita aplicar testes de validade e fidedignidade. ―Não
apresenta padrões de objetividade e não atende aos critérios de verdade do paradigma
positivista‖. (SANTOS, 2000, p.39).
O método de pesquisa histórico será utilizado, já que, de acordo com Menezes
(2000, p. 11-12), existe uma proximidade metodológica entre o tratamento que as duas
áreas dão ao objeto histórico. Ambas definem um evento no passado, buscam apreendêlo, interpretá-lo e publicizarem essa interpretação.
120
―[...] Este texto, dessa forma, elege como objeto central uma
reflexão de caráter metodológico, elegendo instrumentos e
estratégias de disciplinas distintas – História e Turismo – para
pensá-los em ação integrada, neste caso, a elaboração de um
roteiro turístico. Nessa abordagem específica, ele se distingue de
tantos outros que tem abordado a questão da interpretação do
patrimônio para a ação do turismo‖.
Propõe-se também o método de planejamento, baseado na efetiva participação
dos agentes sociais envolvidos no processo, no qual os principais beneficiários não são
considerados apenas fornecedores de informações e receptores de definições, mas sim,
parceiros no processo decisório (KLAUSMEYER e RAMALHO, 1985).
Esta posição reflete a busca pela responsabilidade da atividade turística, visto
que, segundo Irving (2002, p. 42),
―[...] o compromisso participativo em projetos de
desenvolvimento possivelmente representa o caminho de maior
sustentabilidade com relação à garantia de continuidade do
processo e aos impactos indiretos dele decorrentes, e nem
sempre mensuráveis‖.
O processo de elaboração deste trabalho constou, em um primeiro momento, de
consulta às fontes documentais e bibliográficas (em livros e em sites oficiais), e
documentais (legislação, fotográfica), para um maior conhecimento e aprofundamento
através do método empírico sobre o tema estudado, bem como visita a órgãos públicos
competentes como: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional / PI - IPHAN,
Secretaria de Turismo do Estado do Piauí - SETUR, Fundação de Apoio à Cultura FUNDAC, Fundação Municipal de Cultural Monsenhor Chaves - Prefeitura Municipal
de Teresina - PMT.
A pesquisa bibliográfica foi desenvolvida a partir de material já elaborado:
livros, artigos científicos. Para Lakatos e Marconi (1999, p.73), ―sua finalidade é
colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que foi escrito, dito ou filmado
sobre determinado assunto‖. Ressalte-se que uma das principais vantagens da pesquisa
bibliográfica se encontra no fato de permitir ao pesquisador a cobertura de uma gama de
fenômenos muito mais ampla do que aquela produzida na pesquisa direta.
121
Essa pesquisa irá contribuir para a definição dos atrativos que comporão o
itinerário do roteiro turístico que será sugerido. A partir da identificação desses
atrativos, foi elaborada uma proposta de roteiro turístico histórico-cultural denominado
―Teresina me fascina‖, roteiro este que terá como foco o centro da cidade – região
detentora de grande parte do acervo histórico cultural e arquitetônico da cidade – e
como público alvo pessoas da melhor idade, mas poderá ser praticada por outro tipo de
clientela, pois consta de caminhada, observação e interpretação dos aspectos culturais
constantes do roteiro.
A partir da definição do tema, o trabalho transcorreu em três focos principais
que não seguiram uma ordem cronológica rígida, alternando-se durante todo o período
de pesquisa, sendo um alimentado pelo outro, como consta a seguir: 1) pesquisa
bibliográfica – que gerou a base conceitual do trabalho e proporcionou contato com
conceitos e definições que conduziram a pesquisa para a perspectiva da participação; 2)
a leitura do ambiente local – que consistiu em um levantamento documental e de
campo, possibilitando um reconhecimento da área e a seleção e exploração de uma área
para embasar a proposta de implantação de um roteiro; 3) aplicação de uma pesquisa
junto à pessoas acima de 60 anos ( trinta pessoas), que transcorreu da seguinte forma:
foram entregues a estas pessoas um mapa da cidade de Teresina e solicitado que nele
fossem identificados os atrativos históricos culturais da cidade de Teresina. Este último
foco proporcionou um bom contato com a comunidade local, mais especificamente com
idosos, por ser o público alvo.
Estas informações serviram de base para a sistematização dos dados, reflexão e
elaboração da proposta do roteiro que, em um momento posterior, foi apresentado em
duas oficinas de Roteirização. A primeira realizada em 20 / 08 /2010 com a participação
da iniciativa privada - entidades de classe ligadas à atividade turística – o ―trade
turístico‖: Associação Brasileira de Restaurantes Bares e Similares – ABRASEL / PI,
Associação Brasileira de Agências de Viagens - ABAV / PI, Associação Brasileira da
Indústria Hoteleira – ABIH / PI, Associação Piauiense dos Organizadores de Eventos APOE, Associação Brasileira dos Bacharéis em Turismo – ABBTUR / PI, Sindicato dos
Guias de Turismo - SINGTUR, Sindicato das Empresas de Turismo do Piauí SINDETUR, e poder público: Prefeitura Municipal de Teresina - PMT, Secretaria de
Turismo do Estado do Piauí - SETUR, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional - IPHAN. Com o objetivo de apresentar aos participantes o roteiro turístico
histórico cultural para análise e sugestões.
122
A segunda oficina, realizada em 13 / 10 / 2010, com as componentes do Clube
da Melhor Idade ―Nosso Espaço‖ composto por pessoas de classe média, parte com
formação universitária e parte com ensino médio completo, com o objetivo de discutir e
estruturar o roteiro sugerido juntamente com os representantes dos efetivos interessados.
De acordo com Peixoto (1985), a oficina é um espaço de construção social, que
utiliza algumas metodologias participativas. Neste caso, o autor defende o Método
Metaplan, que promove exercícios de interação que ajudam a desenvolver certos
comportamentos sociais e que viabilizam a construção coletiva. O objetivo é estabelecer
uma atmosfera de cooperação entre os participantes; os exercícios utilizados devem
possibilitar o estabelecimento de uma cumplicidade entre os envolvidos.
A metodologia apresentada é uma união da contribuição de alguns autores e
instituições, como: Irving (2002); Mitraud (2003); Vitae Civilis & WWF – Brasil
(2003); Salvati (2004) além de subsídios das metodologias participativas contidas em
Klausmeyer & Ramalho (1995) e Brose (2001) e do modelo utilizado pelo MTUR que
foram utilizados com o objetivo de obter subsídios para análise e adequações, para o
alcance dos resultados esperados, fomentando a importância da prática da atividade
turística no município e contribuindo para o despertar do teresinense em relação à
importância do patrimônio histórico e cultural da cidade.
4.1.1. Justificativa
A política de turismo vem ganhando importância à medida que se atribui ao
turismo a capacidade de catalisar processos de geração de trabalho, renda e
desenvolvimento socioeconômico.
Nos últimos dez anos, o mundo experimentou importantes avanços na pesquisa
de turismo e iniciativas inovadoras foram propostas. Foram desenvolvidas também
novas políticas para a formalização dessa atividade mediante a modernização da
legislação e planos de desenvolvimento. Além disso, no Brasil, em 2003, foi criado e
organizado o Ministério do Turismo com responsabilidades e competências específicas
no setor, ressaltando-se a preocupação na articulação do desenvolvimento de projetos
voltados ao idoso.
A relevância do tema se dá por vários aspectos: possibilidade de despertar o
interesse da comunidade em geral e em especial dos idosos no sentido de conhecer com
mais detalhes a história do surgimento da cidade de Teresina; identificar e ressaltar sua
123
cultura, seu patrimônio, seu valor histórico, colaborar com a proposição de projetos e
ações a serem desenvolvidos para perpetuar este legado histórico; despertar o interesse
de estudiosos, pesquisadores e turistas de várias procedências; sugerir a implantação,
junto à comunidade local, de melhorias significativas, proporcionando uma melhor
qualidade de vida; sensibilizar os gestores municipais e estaduais, moradores vizinhos e
toda a comunidade teresinense da importância desse potencial turístico pelo seu valor
histórico, social, turístico e cultural.
A cidade de Teresina é dotada de um rico patrimônio cultural material e
imaterial, representado pela arquitetura de suas casas e prédios; por sua literatura, pelas
manifestações folclóricas do seu povo, incluindo as lendas, músicas, danças, sua
culinária, enfim, por todo o seu contexto histórico desde sua fundação até os dias atuais.
Para manter a identificação com o morador, uma boa estratégia é incluir o
patrimônio nas atividades recreacionais da comunidade, com reorientação do uso de
edifícios e a oferta de roteiros orientados.
Dessa forma, é preciso que as iniciativas de estímulo ao turismo dos órgãos
públicos municipal e estadual que fazem a gestão da atividade turística sejam
direcionadas de maneira que permitam a expressão da diversidade e da especificidade
de cada comunidade, sem que essas expressões se transformem em mercadorias
confeccionadas ao gosto médio do turista. Por outro lado, a manutenção das identidades
é fator importante para atrair a atenção dos turistas, visto que estes buscam na
singularidade local, alternativas de lazer, entretenimento, promoção e aumento do
conhecimento próprio.
4.1.2. Objetivo
O presente projeto pretende contribuir para o desenvolvimento turístico do
município de Teresina, com a elaboração e disponibilização aos gestores públicos
estaduais e municipais, aos agentes de viagens, operadores turísticos, turistas
individuais e também à própria população de Teresina, em especial à população idosa
de um roteiro turístico histórico cultural a ser operacionalizado, no primeiro semestre de
2011, no centro da cidade de Teresina a partir do patrimônio histórico cultural já
identificado e catalogado junto ao IPHAN, à FUNDAC e à FMCMC.
124
4.2. Proposta do roteiro turístico histórico cultural ―Teresina me fascina‖
Grupo mínimo de 20 pessoas acima de 60 anos, participantes do programa ―Viaja mais
melhor idade‖.
Valor por pessoa: R$ 65,00 (incluído almoço, traslado e entrada no museu)
Dois guias de turismo por grupo.
Data de realização: 21 e 22.04.2011
1º DIA
O roteiro tem início com vista e contemplação, da própria frente do Luxor Hotel, da
Igreja Nossa Senhora do Amparo, da Praça Marechal Deodoro e os prédios que a
circundam. Neste espaço está localizada a maioria dos prédios, casas e imóveis antigos
da cidade.
08h00min: Luxor Hotel (antigo Hotel Piauí)
Funciona em edificação de 1954. Em 1973 foi reformado, projeto dos arquitetos
Acassio Gil Borsoi e Janete Borsoi, para funcionar o Hotel Piauí que ficou sob a gestão
da recém criada PIEMTUR. Dois anos depois foi incorporado à Rede Luxor.
Inaugurado pelo General Emilio Garrastazu Médici (Presidente da Republica de 1969 a
1974) que foi seu primeiro hóspede. Atualmente o hotel pertence ao grupo Jorge
Batista, mantendo o nome e em 1999 passou por outra reforma, projeto do Arquiteto
Gustavo Almeida. Por muito tempo foi o mais moderno da cidade.
Avaliação: Hotel dispõe de apartamentos e banheiros adaptados, mantém bom estado de
conservação e limpeza.
08h:10min Igreja Matriz Nossa Senhora do Amparo
Onde se encontra o marco zero da cidade, inaugurada em 24 de dezembro de 1852 pelo
Padre Mamede de Lima, no primeiro Natal de Teresina, localizada na Praça Marechal
Deodoro à época, Largo do Amparo. No local, inicialmente existia somente a Capela
Mor. O cruzeiro de pedra posicionado em seu adro marca a localização da cruz de
madeira ali erigida em 1850, quando do início de sua construção dois anos antes da
inauguração da nova capital pelo mestre João Isidoro França, era o primeiro edifício a
ser erguido em Teresina. De arquitetura eclética com predominância neoclássica. As
grandiosas torres neogóticas que a caracterizam foram construídas durante a década de
50 do século XX, no seu centenário. É tomada como referência para demarcação
125
topográfica da cidade. A imagem de Nossa Senhora do Amparo, original, foi trazida de
Portugal em 1850 e levada em cortejo solene da pequena Igreja da Vila do Poti - o
primeiro bairro da capital, atual Poty Velho, para a nova igreja. Porém, atualmente a
igreja é bastante diferente da original por ter sido modificada e ampliada nos seus mais
de 150 anos. Caso esteja aberta, pois está em processo de restauração, um breve
momento para fotos no interior da igreja.
Avaliação: Bom estado, atualmente passa por reforma (limpeza).Conta com rampas de
acesso.
Figura 1: Igreja Nossa Senhora do Amparo
Fonte: www.teresinapanoramica.com
08h:20 min Praça. Mal. Deodoro da Fonseca
Conhecida também como Praça da Bandeira, já foi chamada de Largo do Amparo e
Praça da Constituição. É o núcleo inicial de povoamento de Teresina, ao redor da qual
foram erguidos os mais importantes edifícios públicos da nova Capital, como a Igreja
Matriz de Nossa Senhora do Amparo, a sede do Governo Provincial, o Mercado Público
e a Assembléia Legislativa, formando o principal sítio histórico e a maior praça da
cidade. Sofreu ampla reforma na década de 70 do século XX, com projeto paisagístico
de Roberto Burle Marx. Estatua simbolizando Marechal Deodoro, o marco de fundação
da cidade, erigido em 1859, constituído por uma coluna de mármore sobre um pedestal,
ornado por uma coroa de louros esculpida e cercada por quatro colunas coríntias com
inscrições em latim que registram a fundação de Teresina e o agradecimento da Capital
126
ao Conselheiro Saraiva, Da praça observa-se também outros patrimônios que se
localizam no seu entorno, tais como:
Avaliação: Dispõe de rampas, mas não tem banheiros públicos, porém existem no
Shopping da Cidade que hoje faz parte do espaço que compõe a praça. À noite é
fechada ao público por questão de segurança, para evitar que vândalos ali se alojem,
pois neste horário o movimento de pessoas e de carros é pequeno.
Figura 2: Praça Marechal Deodoro da Fonseca / Praça da Bandeira.
Fonte: www.teresinapanoramica.com
08h:30min Museu do Piauí (Casa Odilon Nunes)
Museu do Piauí, antiga casa de ―Casa de Odilon Nunes (Professor e historiador) – e
também do comendador Manoel Jacob de Almendra‖. Embora construído em 1859, já
no século XIX, o atual Museu do Piauí é um edifício de características neoclássicas,
pela simetria da disposição das aberturas. Foi sede do Governo Estadual e Tribunal de
Justiça, em 1980 foi restaurado para torna-se o Museu do Piauí. Possui 15 salas abertas
para permanente visitação, assim identificadas, Salas: ―Terra‖, ―Homem‖, ―Colônia,
―Império‖, ―Republica Velha‖, ―Republica Nova‖, ―Arte Sacra‖, ―Arte Popular‖,
―Heráldica‖, ―Numismática‖, ―Pinacoteca‖ e um acervo de cerca de 2 mil peças que
versam sobre a história do Piauí, O museu funciona de terça à sexta de 08 ás 17h e
sábado e domingo de 08 ás 11:30h com taxa de visitação no valor atualmente de
R$2,00(dois reais). A visitação tem um tempo aproximado de 50 minutos.
Avaliação: O museu não possui rampas de acesso para o piso superior. Há
disponibilidade de comercialização de produtos referente à literatura de cordel e livros
de autores piauienses. O prédio mantém bom estado de conservação.
127
Figura 3: Museu do Piauí
Fonte: www.piaui.pi.gov.br
09h:20h Mercado São José / Mercado Central / Mercado Velho
Tem suas origens na fundação da Cidade, começou a ser construído em 1862 embora
tenha sido oficialmente inaugurado apenas em 1866, com o nome de Mercado São José.
Está localizado junto ao cais do Rio Parnaíba, já que as mercadorias chegavam à capital
por via fluvial para lá serem comercializadas. Descaracterizado pelo tempo, existe um
projeto da Prefeitura para restaurá-lo e integrá-lo ao Shopping da Cidade. Além de ser
um tradicional ponto de venda de hortifrutigranjeiros e de carne, o local também é um
importante núcleo de comercialização de artesanato, na forma mais original do mesmo,
onde se destacam peças produzidas em couro, palha, cerâmica e em metal.
Recentemente (abril/10) foi inaugurado o ―Restaurante Popular‖ administrado pelo
Serviço Social do Comércio - SESC, para atender os comerciários e visitantes em
sistema de bandejão com preço atual no valor de R$2,50. Dispõe de cardápio variado
com a orientação de nutricionista. Funciona de segunda a sexta-feira de 11h ás 14h.
Avaliação: O restaurante é aberto ao público. É equipado com rampas, corrimões,
banheiros públicos, bom serviço de limpeza. Já o mercado apresenta em seu estado
geral a necessidade de intervenção para reforma, limpeza etc, o que já está previsto no
projeto de revitalização do centro em fase de execução.
128
Figura 4: Mercado São José / Mercado Central / Mercado Velho.
Fonte: Arquivo pessoal (2011).
09h:40min Shopping da Cidade-
Ação do projeto de revitalização do centro da cidade da Prefeitura de Teresina e projeto
desenvolvido pelos arquitetos Júlio Medeiros Costa e Daniele Bezerra para abrigar os
vendedores de rua da capital o que gerou mais de cinco mil empregos. O complexo
conta com três pavimentos interligados por passarelas, possui 1.915 boxes, entre lojas,
lanchonetes, sala de vídeo e de reuniões com capacidade para 60 pessoas, supermercado
e postos de atendimento da Caixa Econômica Federal, Correios, Agespisa- Água e
Esgotos do Piauí S.A e caixas eletrônicos,
além de banheiros em cada andar. A
estrutura do shopping conta ainda com quatro escadas rolantes, dois elevadores e cinco
escadas de emergência e é interligado à estação do metrô. Lá se comercializa de tudo
como roupas, artesanato, bijuterias entre outros artigos.
De lá se avista a Ponte Metálica João Luis Ferreira que liga a capital Teresina com a
cidade vizinha Timon no estado do Maranhão.
Avaliação: Dispõe de rampas, banheiros públicos, escada rolante, corrimões. Ótimo
estado de conservação.
129
Figura 5: Shopping da Cidade (fachada na primeira foto e parte interna na segunda
foto).
Fonte: Arquivo pessoal (2011).
10h:00min Feira do Troca-troca,
Trata-se de uma feira popular, que ganhou esse nome por sua forte característica de
troca de produtos diversos, teve inicio nos anos 60 às margens do Rio Parnaíba, que
divide o Piauí do Maranhão, debaixo de uma figueira. No decorrer do tempo o local foi
dotado de infra-estrutura tais como: banheiros, edificação própria, porém conservando a
figueira que faz parte de sua origem.Tem de tudo por lá: de discos de vinil a roupas, de
bicicletas a geladeiras, de aparelhos de som a móveis antigos de madeira, além de
eletroeletrônicos, miudezas como peças de eletrodomésticos e brinquedos, rádios,
livros, revistas. Já foi motivo de reportagem do Jornal Nacional da Rede Globo que
entrevistava um senhor trocando sua bicicleta por um jumento para fazer economia, pois
segundo ele com a bicicleta ele tinha as despesas de manutenção (lubrificar, pneu furado
etc.) e com o jumento não teria, pois era só parar no mato para o jumento comer.
O local é verso e inspiração da música de Aurélio Melo e Zé Rodrigues em referência a
este famoso atrativo turístico de Teresina, "Ai troca, quem troca destroca, minha
Teresina não troco jamais". Se não for para comprar, vale a visita para ter uma conversa
com o pessoal que lá trabalha.
Avaliação: Existência de banheiros públicos e com adaptações para acessibilidade e
dotado de limpeza.
130
Figura 6: Feira do Troca-troca
Fonte: SETUR/PI /Arquivo pessoal (2011).
11h:10min Escola Normal Antonino Freire / Palácio da Cidade
O prédio foi construído em estilo neoclássico, projeto de 1919, na administração João
Luís Ferreira, e a inauguração se deu em julho de 1924, por ocasião da posse do
governador Matias Olímpio de Melo para abrigar a Escola Normal Oficial - depois
Escola Normal Antonino Freire.
131
Em 1984, sofreu restauração para abrigar a sede da Prefeitura Municipal de Teresina,
passando então a denominar-se ―Palácio da Cidade‖. Embora conserve seu estilo básico
nas estruturas externas, o imóvel foi modificado no seu interior, perdendo as
características de edificação do início desse século.
Avaliação: Tem uma arquitetura belíssima. Está em perfeito estado de conservação. É
permitido visita ao seu interior, com prévia autorização, mas como o mesmo, já perdeu
suas características originais (internas), a visita é só externa.
Figura 7: Antiga Escola Normal Antonino Freire – Hoje, Palácio da Cidade
Fonte: SETUR/PI
11h:20min Antiga Companhia de Navegação do Piauí / COMEPI
Edificação construída por volta do ano de 1860, com a finalidade de abrigar o
maquinário da oficina de fundição das embarcações a vapor do rio Parnaíba. Após a
decadência da navegação fluvial, o prédio passou a abrigar a Companhia Editorial do
Piauí.
Passou
por
trabalhos
de
consolidação,
contudo
encontra-se
ainda
descaracterizado, no que diz respeito à sua volumetria original.
Avaliação: Dispõe de ótimas instalações com banheiros adaptados, rampas e outros.
Visitação só com prévia solicitação e agendamento.
132
11h:30min Prédio da antiga assembléia legislativa / FUNDAC
Edificação de 1858 onde funcionou a primeira casa de espetáculos em Teresina, com o
nome de Teatro Santa Teresa. Na época do império realizavam-se bailes, festas
carnavalescas, sessões cívicas e outros. Funcionou também como escola pública por
vários anos. Neste prédio hoje funciona a FUNDAC.
Avaliação: Consta de rampas, banheiros adaptados e bom serviço de limpeza. Mantém
bom estado de conservação. Visitação á com previa solicitação e agendamento.
10h:40min Casa da antiga intendência de Teresina
Prédio construído em fins do séc.XIX, em estilo Neocolonial, teve suas fachadas
alteradas com a implantação de elementos neoclássicos por ocasião de reformas. Sofreu
outras reformas projetadas e realizadas pelo engenheiro Antonino Freire. Foi adquirido
do Estado pelo Município de Teresina para sediar a administração local (Intendência e
Conselho Municipal da Intendência). Foi mantida, contudo a estrutura original típica
das construções de porão alto da arquitetura brasileira.
Avaliação: O prédio é dotado de serviços com total acessibilidade, limpeza e segurança
pública. É aberto ao público para atendimento específico e em horário comercial.
11h:00min Teatro de Arena
Foi inaugurado com a peça o ―Barco sem pescador‖, em 5 de novembro de 1965,
tornando-se palco das mais diversas manifestações culturais, corporativas e associações.
Neste espaço anualmente acontece o Festival de Violeiros, evento de cunho regional. Lá
encontra-se a estátua do patrono dos violeiros - Domingos Fonseca, condecorado com o
titulo de o ―Rei do Repente‖. É dotado de dois camarins e tem capacidade física para
3.000 pessoas. Suas atividades e uso são subordinados ao Departamento de Artes da
Fundação, através da Coordenação de Arte Cênicas.
Avaliação: Dotado de serviços com acessibilidade, limpeza e segurança pública. É
aberto ao público no horário comercial.
Neste momento, sentados nos bancos do Teatro de Arena, sob as árvores frondosas, em
momento de descontração, os turistas ouvirão dos guias relatos dos acontecimentos
pitorescos relacionados àquela área, principalmente à feira do troca-troca, ao mercado
central etc.
133
Figura 8: Teatro de Arena
Fonte: Arquivo pessoal (2011)
11h:20min Praça Rio Branco
Recentemente restaurada (ação do projeto de revitalização do centro da cidade) e agora
conta com uma iluminação que remonta aos lampiões utilizados no século XX, outro
destaque da praça é a ―A Coluna da Hora‖, como era conhecido o relógio instalado na
praça, década de 30, era e por muitos anos foi um dos principais pontos de referência da
cidade que recentemente recebeu pintura nova e tem uma iluminação especial. Após a
restauração ganhou maior destaque por sua iluminação.
Avaliação: A praça é dotada de rampas, bancos, e acessibilidade. Porém não há
banheiros públicos. Tem serviços de limpeza pública, sendo assim, bem conservada.
Poderia ser mais bem apropriada pela comunidade, voltando a acontecer os leilões da
igreja (fica atrás da Igreja N. S. do Amparo) e as realizações de feiras culturais e/ou
gastronômicas.
―Segue em destino ao ―Complexo Cultural Praça Pedro II‖ com trajeto pela Rua Elizeu
Martins - Rua climatizada (espaço de um trecho de 100m que foi adaptada com serviços
de climatização semi aberto pelo poder público municipal) com parada para degustação
de petisco, sucos regionais e cajuína (bebida típica feita de caju), no restaurante
Teresina. Os guias, sempre durante as paradas de descontração repassam informações e
contar estórias, casos e lendas referentes à cidade. O trajeto continua pelo calçadão da
Rua Simplício Mendes até a Rua Paissandu (Rua das antigas casas de tolerância).‖
134
Figura 9: Rua Climatizada.
Fonte: www.teresinapanoramica.com
12h:00min O passeio Continua pela Rua Paissandu
Palco das antigas casas de tolerância quando algumas delas ganharam mais evidência a
exemplo da boate das senhoras Raimundinha Leite, Gerusa, Rosa Banco (assim
conhecida por ter sido a primeira mulher a ter uma conta bancaria em Teresina). Casas
estas que junto a sua arquitetura também se encontrava traço eclético com
predominância neoclássica, eram freqüentadas pelos jovens e senhores da elite
teresinenses, que contam: acendiam seus charutos queimando notas de ―reis‖ nos
lampiões. A Rua Paissandu também era destaque por ter vários tipos de comércio e
residência de famílias Árabes, atualmente lá funcionam casas comerciais, pousadas,
porém faz parte da memória teresinense.
Avaliação: Atualmente algumas dessas edificações já foram demolidas dando lugar a
novas edificações modernas e transformadas em prédios comerciais e estacionamento.
As calçadas não possuem um bom pavimento, necessitando de melhoria para facilitar o
deslocamento dos transeuntes.
135
Figura 10: Rua Paissandu
Fonte: Arquivo pessoal
12h:20min Praça Pedro II
Anteriormente chamada de Praça Aquidabã, Independência e João Pessoa é considerada
―a mais teresinense das praças‖ por ter sido durante muito tempo, o principal ponto de
encontro da sociedade da Capital, já que o Clube dos Diários, o Theatro 4 de Setembro
e o Cine Rex, que estão em seu entorno, eram as principais opções de lazer da Cidade
nas décadas de 40, 50 e 60. Nela as moças passeavam em um sentido e os rapazes no
oposto, flertando entre si e combinando encontros amorosos. Curiosamente, após o
apito da usina que fornecia energia elétrica para a cidade, as moças de boa família
corriam para casa, para não ficarem mal-faladas; os moços podiam, então, procurar a
companhia das trabalhadoras da Rua Paissandu, conhecida região do meretrício àquela
época, junto à zona portuária do Rio Parnaíba. Desfigurada pelo tempo, a praça foi
reformada em 1996, recuperando parte de suas características originais, fato este
elogiado pela população, principalmente os idosos que tiveram as memórias dos
acontecimentos ali sucedidos, lembranças vividas no passado, despertadas. Ela é o
136
ponto central do ―Complexo Cultural Praça Pedro II‖ que é composto também pelo
Theatro 4 de Setembro, Cine Rex, Clube dos Diários e ―Central de Artesanato Mestre
Dezinho‖.
Avaliação: Há rampas. Porém não existem banheiros públicos.
Figura 11: Praça Pedro II
Fonte: Arquivo pessoal (2011)
12h:40min Theatro 4 de Setembro
Em 4 de Setembro de 1889 um grupo de senhoras da sociedade local em audiência com
o presidente Teófilo dos Santos pediram a construção de uma casa de espetáculo na
cidade haja visto a precariedade do teatro existente na época. No mesmo mês o
presidente que fez o lançamento da pedra fundamental em 21 de setembro de 1889
sugerindo o nome daquela data para o Teatro, escolhido então a Praça Aquidabã, atual
Pedro II para sua edificação. A planta da construção do teatro foi de Alfredo Modrak
doada pelas senhoras Hermerlinda Teixeira de Holanda e Lavinia Fonseca ambas
faziam parte de famílias ilustres de Teresina. A construção ficou a cargo de Manoel
Raimundo da Paz e foi inaugurado em 21 de abril de 1894, apresenta estilo
arquitetônico eclético com expressões do neogótico e neoclássico. Em 2 de maio de
137
1895 foi apresentado a primeira peça no Teatro ―O Pai Desnaturado ou Don Jorge de
Aguilar‖, pelo Grupo Teatral Câmara Madureira. Durante o primeiro período de
existência, da inauguração até a década de 30, o Teatro teve uma participação efetiva na
dramaturgia piauiense. No início dos anos 30, com o advento do cinema falado, as
encenações teatrais caem em decadência. As instalações do Teatro passaram então a
funcionar como sala de exibições de filmes e a sediar outros tipos de manifestações
sócio-culturais, como conferências literárias, solenidades cívicas e bailes de carnaval. O
Teatro 4 de Setembro até hoje continua sendo um símbolo da cidade referente a imagem
cultural.Atualmente o espaço possui 600 lugares,banheiros,bar e está incorporado ao
Clube dos Diários. As visitas devem ser agendadas previamente.
Avaliação: Bom estado de conservação, de limpeza e equipado com rampas.
12h:50min Cine Rex
Ainda no complexo cultural encontra-se o Cine Rex construído em 1939, foi
considerada a sala de projeção mais luxuosa do nordeste. Tem capacidade para 575
pessoas. O 1º filme a ser rodado foi a ―Grande Valsa‖. A arquitetura é em Art Decó.
Atualmente o Cine Rex encontra-se desativado. É de propriedade privada.
Avaliação: Atualmente não está aberto a visitação somente apreciação externa.
Figura 12: Teatro 4 de Setembro à esquerda e Cine Rex à direita.
Fonte: SETUR/PI
138
13h:00min Clube dos Diários
O Clube dos Diários foi clube de elite de Teresina e palco de inúmeros acontecimentos
sociais, políticos e culturais - bailes carnavalescos, aniversário de 15 anos das moças
das famílias da elite. Teve como primeiro presidente o professor Agripino Oliveira. Sua
origem remonta bem antes da construção da sua sede própria, quando funcionava de
maneira provisória na residência conhecida como Campina Modesta. Em 1925, o então
governador Matias Olímpio doou o terreno de propriedade do Estado, adjacente ao
Theatro 4 de Setembro, para a construção da sede definitiva, que teve início no mesmo
ano, e foi executada pelo mestre de obras paraense B. Coelho. Após anos de abandono,
no ano de 1996 a edificação foi restaurada e hoje abriga um espaço cultural, com áreas
para exposições, oficinas, cinema de arte e a parte externa para apresentações de bandas
tendo como destaque o Projeto ―Boca da Noite‖ realizado ás quartas-feiras com
apresentações de bandas locais.
Avaliação: Em bom estado de conservação, banheiro com acessibilidade e perfeita
higiene, dispõe de rampas de acesso também na sala de projeção com acessibilidade.
Figura 13: Clube dos Diários.
Fonte: www.teresinapanoramica.com
139
13h:20min Central de Artesanato Mestre Dezinho
Antigo Quartel da Policia Militar. É o maior centro de vendas de artigos artesanais de
Teresina onde se encontra trabalhos em fibras de carnaúba, madeira, cerâmica, artigos
de couro, rendas de bilro, bordado, jóias de opala (pedra preciosa encontrada na cidade
de Pedro II-PI) doces e licores regionais. Na sua parte superior funciona a administração
e escola de música e na sua parte inferior funciona escola de dança, 25 lojas, auditório,
lanchonete, balcão de informações turísticas e um amplo estacionamento. Na recepção
encontra-se um painel em madeira talhada do artesão Mestre Dico representando o
vaqueiro piauiense e os carnaubais, uma galeria das lendas, quadros do artista plástico
Portelada destacando-se a lenda do Zabelê e Cabeça de Cuia entre outras lendas do
nosso estado. No pátio está o Jardim da História com esculturas em argilas do escultor
Charles do Delta representando alguns dos principais personagens da história do Piauí,
com destaque para Mestre Dezinho, bem como as esculturas em ferro do artista plástico
Carlos Oliveira representando a Árvore da Macro-Fauna, Bailarina e um vaqueiro e a
estatua de Nossa Senhora da Vitória padroeira do Estado. Ótima parada para comprar
souvenirs. No local há também espaços para degustar sucos e petiscos característicos da
cidade. Com uma estada de 30 minutos para compras.
Avaliação: Local dotado de rampas, corrimões, segurança pública, bom estado de
conservação, banheiros adaptados.
Figura 14: Fachada da Central de Artesanato ―Mestre Dezinho‖.
Fonte: SETUR/PI
140
―Em seguida após uma caminhada de 6 minutos até o Palácio de Karnak, pela Avenida
Antonino Freire considerada pelo Guiness Book a menor avenida trafegável do mundo.‖
Figura 15: Av. Antonio Freire
Fonte: Arquivo pessoal
13h: 30min Palácio de Karnak
Construído no final do séc. XIX, onde funcionou inicialmente o ―Instituto do Karnak‖,
titulo dado ao prédio piauiense que depois Gabriel Ferreira então governador do Piauí,
vendeu ao Barão de Castelo Branco que o ocupou como residência familiar. Em 1924 o
Governador João Luis Ferreira comprou o prédio por 100 contos de reis, mas só no
governo Matias Olímpio de Melo (1926) passou a funcionar como sede do governo e
141
residência do governador. Sobre o nome Karnak sabe-se apenas ser de origem egípcia
(este nome configura a simbologia histórica do templo egípcio e a reverência do prédio
junto a sua arquitetura). Nos anos 70 ganhou um jardim do conceituado botânico Burle
Marx, aberto à visitação. Hoje funciona como sede do governo estadual, não mais como
residência.
Lá existe uma pinacoteca com quadros de pintores piauienses: Pindaro Costa Andrade,
Dora Parentes, Afrânio e o Italiano Flavane e obra do Pintor Almir Gadelha que
representa a Batalha do Jenipapo. Faz parte de sua decoração: lustre de cristal Bacarat,
espelho Veneziano, castiçais de prata, jarro de cristal de Murano, entre outros. A sua
arquitetura é Greco-romano. Constando com rampas de acesso e banheiros públicos. As
visitas devem ser agendadas previamente.
Avaliação: O acesso somente na parte externa. A visitação interna só com solicitação
prévia. O prédio atualmente dotado de serviço de acessibilidade, limpeza e segurança
pública.
Figura 16: Palácio de Karnak
Fonte: SETUR/PI
142
13h: 40min Almoço
Continuação do passeio, agora de van com destino ao restaurante ―Favorito
Comidas Típicas‖ localizado na zona leste de Teresina, área nobre da cidade. O
restaurante oferece pratos típicos da culinária piauiense tais como: Capote (galinha
d'angola) Carne de sol, carneiro, doce de limão, doce de bacuri, cajuína, cachaça
mangueira típica da região, entre outros. Tem decoração rústica estilo fazenda.
Estabelecimento de propriedade do empresário Paulo Tajra Melo que investe no
segmento de alimentos e bebidas na capital.
Oportunidade para os turistas, em uma conversa descontraída com os guias, além
de degustarem, conhecerem com mais detalhes, nossa culinária.
Avaliação: Adaptado de uma residência, estilo rústico, aconchegante. Tem uma
lojinha onde são expostos à venda produtos típicos da cidade.
15h: 30min – Retorno ao Luxor Hotel (de van) e resto do dia livre.
Para os que ainda tiverem pique para passear após o descanso, no final da tarde,
aproximadamente às 17hs, sugere-se pegar uma van e ir visitar o Parque Encontro dos
Rios, no bairro Poty Velho, onde os rios que cortam a cidade, Parnaíba e Poty, se
encontram e nos apresentam uma bela paisagem, principalmente ao se aproximar do
por do sol. No bairro também se encontra o Pólo Cerâmico de Teresina, para apreciar
e comprar as peças confeccionadas de forma artesanal como souvenirs que são
conhecidas e revendidas nacional e internacionalmente.
143
2º DIA
17h00min – Saída do Luxor Hotel (antigo Hotel Piauí) com destino a Igreja “São
Benedito”.
Neste final de tarde e a noite será visitada a avenida principal da cidade e seus atrativos.
17h20min: Igreja “São Benedito‖Construída em meados do século XIX em modelo toscano, inspirado em basílica
medieval, a obra foi idéia do Frei Serafim de Catânia, missionário capuchinho da ordem
dos franciscanos, que nasceu na Itália e chegou a Teresina em 10 de maio de 1874,
então com 63 anos de idade. Não o assustou a pobreza da terra e trabalhando com afinco
em 13 de junho do mesmo ano fincou, no então Alto da Jurubeba, a pedra fundamental
da Igreja São Benedito, que foi por ele edificada com esmolas e trabalho do povo e
concluída em 03 de junho de 1886. Nesse período foi formado um caminho que seguia
da pedra fundamental da Igreja até o rio Poti, por onde as pessoas carregavam pedras e
tijolos para a construção da igreja no Alto da Jurubeba. As famílias seguiam em
procissão, mandavam seus escravos, e eles iam buscar lá no rio Poti, tijolos e pedras
para a construção da igreja. Em fins de junho de 1893, sob comoção da comunidade, o
Frei partiu para a Itália, de onde, não mais retornou. A Igreja possui três de suas portas
feitas por Sebastião Mendes, talhada em motivos florais, é tombada pelo Patrimônio
Histórico Nacional, possui ainda uma bela escadaria que é muito utilizada quando há
apresentação de corais da cidade.
Avaliação: Em bom estado de conservação, perfeita higiene, dispõe de rampas de
acesso.
144
Figura 17: Inicio da Avenida Frei Serafim e Igreja ―São Benedito‖ ao fundo (primeira
foto). Igreja São Benedito vista aérea à noite (segunda foto).
Fonte: www.piaui.pi.gov.br
17h30min: Inicio do Passeio (a pé) pela Av. Frei SerafimUm dos principais cartões postais de Teresina, a Avenida Frei Serafim é marcada por
sua história e tradição ao longo de seus 1.836 m. Inicia-se na Igreja São Benedito e
termina na ponte Juscelino Kubitschek. O que hoje é a mais importante artéria
da cidade constava nos primeiros mapas de Teresina como ―Estrada Real‖, trilha que se
iniciava no limite oriental da cidade, na vizinhança do Cemitério da Jurubeba, atual
localização da Igreja São Benedito, foi o eixo de crescimento da Capital durante
o século XX, dirigindo-a para o Leste (que no início da construção eram apenas
fazendas, hoje área nobre da cidade) e fazendo que o perímetro urbano fosse ampliado
além do Rio Poti, ligando o centro à zona leste da capital, e separando a zona norte e da
zona sul, a avenida surgiu após a chegada do Frei Serafim, em 1874. Aos poucos, a
região começou a ser popularizada, ao redor da igreja São Benedito, grandes
construções e chácaras de famílias nobres do Piauí foram construídos. Desde a década
de
1950 as
luxuosas
residências
foram
preservadas
e
pelo
seu
valor
imobiliário e comercial, deram abrigo ao comércio, clínicas e empresas de grande e
médio porte, que também fazem contraste com grandiosos prédios. Ao longo do tempo,
a via passou por várias reformas. As duas maiores aconteceram na década de 70 do
145
século XX. Recentemente, em 2007, na administração do então prefeito Sílvio Mendes,
a via passou por novas modificações. As pistas foram ampliadas devido ao crescimento
do tráfego de veículos e o canteiro central ganhou um novo aspecto, com novo
calçamento, mais arborizada e melhor iluminada. A via tomou um ar de praça, servindo
de ponto de encontro de amigos. Hoje, ela é um boulevard largamente arborizado com
oitizeiros. Edificações históricas, adaptados para abrigar empresas, dividem suas
margens com modernos arranha-céus, bancos, supermercados e postos de combustível.
A história de Teresina também é contada em homenagens feitas a filhos ilustres do
Estado ao longo do canteiro da Avenida Frei Serafim. Estátuas do próprio Frei Serafim
de Catânia, do ex-prefeito Wall Ferraz e do ex-ministro Petrônio Portella podem ser
vistas em seu trajeto. Não é à toa que a Avenida Frei Serafim é considerada o coração
de Teresina. Apesar de ser uma obra recente, a principal via da capital carrega em si a
história de um povo e deixa na lembrança a imagem de uma das mais belas paisagens da
cidade.
Figura: 18: Canteiro Central da Av. Frei Serafim à noite (primeira foto), durante o dia
segunda e terceira fotos e com decoração natalina (quarta foto).
Fonte: www.flogao.com.br/piaui /www.meionorte.com
146
17h40min: Convento São Benedito
O Convento foi construído no ano de 1886, pelos religiosos da ordem dos Capuchinhos,
sob o comando do Frei Serafim de Catânia. Na década de 70 do século XX, funcionou o
Colégio ―São Francisco de Assis‖. Tem boa estrutura com sala de estudos, de
recreação, biblioteca, capela, refeitório e sala de encontro, além das dependências
individuais e de serviços. A Ordem dos Capuchinhos mantém o trabalho assistencial
―Pia União dos Pobres de Santo Antônio‖, que funciona com doações, e atende mais de
200 idosos com complementação alimentar e assistência na área da saúde. Atualmente
residem no convento três padres e 12 frades.
Avaliação: Em bom estado de conservação, perfeita higiene, dispõe de rampas de
acesso.
Figura 19: Convento São Benedito (na primeira foto antes da restauração de 2009, na
segunda foto o Convento já restaurado. Ao fundo Metropolitan Hotel ( segunda foto).
Fonte: www.teresina.pi.gov.br
17h50min: Palácio Episcopal
Edificação eclética com arquitetura neoclássica de 1925, projetada por um engenheiro
austríaco. Antiga residência do senhor Antônio Ferraz e dona Elmira Ferraz (família
nobre da época) com a morte do marido, dona Elmira por conta da sua religiosidade
resolveu doar metade do palácio para Arquidiocese de Teresina, que comprou a outra
metade dos herdeiros. Residência do Arcebispado Metropolitano, tendo como o
primeiro bispo a ocupá-lo, Dom Severino Vieira de Melo e na década de 60 do século
passado seu hóspede mais ilustre Dom Avelar Brandão Vilela, arcebispo do Piauí e
posteriormente Bispo Primaz do Brasil. Hoje reside, atualmente, o Arcebispo Dom
Sérgio da Rocha. Neste local se tomam as principais decisões religiosas da
147
Arquidiocese de Teresina e são realizadas a apresentação e divulgação de eventos.
Avaliação: Bom estado de conservação, com rampas de acesso e banheiros adaptados.
Aberto a visitação a partir das 17h00.
Figura 20: Palácio Episcopal
Fonte: www.teresinapanoramica.com
Metropolitan Hotel - Inaugurado em 2001, está localizado no coração de Teresina,
dispõe de 124 apartamentos e 5 suítes, sendo 4 executivas e 1 presidencial. É o mais
moderno hotel do Piauí. Desde sua arquitetura arrojada e com ar futurista, até seu
interior, totalmente projetado pelo arquiteto piauiense Adriano Guimarães Melo
oferecendo ao hóspede conforto, segurança e comodidade, em todos os ambientes.
Tudo, inclusive a decoração, é sóbrio, elegante e de extremo bom gosto. Todos os 124
apartamentos possuem cofre digital e fechaduras eletrônicas, com acesso através de
cartões magnéticos, apartamentos e banheiros adaptados, TV a cabo, ponto de Internet
com provedor próprio e exclusivo para hóspedes. No terraço panorâmico, está
localizado o Fitness Center. De lá obtem-se uma bela vista da cidade.
Figura 21: Imóvel antigo em uso comercial (primeira foto) e Metropolitan Hotel
(segunda e terceira fotos).
Fonte: www.teresinapanoramica.com
148
18h00min: Caminhada pelo canteiro central da Av. Frei Serafim,
Aos poucos a avenida foi se tornando mais centro econômico e menos residencial, mas
sem perder a beleza. Durante o passeio acontecerão paradas para apreciação da
arquitetura neoclássica de alguns prédios que passaram por restauração, mas continuam
com suas fachadas conservadas, como segue abaixo:
18h:10min Colégio Sagrado Coração de Jesus
Conhecido como Colégio das Irmãs, pertencente às irmãs Savinianas, o terreno onde é
hoje o Colégio das Irmãs foi doado pela família Cruz, uma das famílias nobres de
Teresina do século XX, que eram donos da Companhia de Navegação. O Presidente da
República Getúlio Vargas, recebeu homenagem quando de sua visita ao colégio, em
1933.
Figura 22: Colégio Sagrado Coração de Jesus / Colégio das Irmãs (na primeira foto
fachada diurna e na segunda, vista aérea noturna com a capela neogótica).
Fonte: www.teresinapanoramica.com
Figura 23: Prédios antigos em uso comercial. (Av. Frei Serafim)
Fonte: www.teresinapanoramica.com
149
A Avenida Frei Serafim foi o endereço elegante da cidade durante muitos anos. As
famílias de posses (principalmente de prósperos comerciantes árabes) erguiam casarões
ecléticos na avenida e nas ruas adjacentes, com elementos decorativos ricos e variados,
como os estilos em ―chalé suíço‖ e inglês. Embora boa parte destes casarões tenha sido
demolida, muitos resistiram aos anos e foram adaptados a usos comerciais modernos,
que já foram citados anteriormente, alguns dos quais podem ser vistos nestas imagens:
Figura 24: Prédio do antigo Instituto Nacional da Previdência Social - INPS (primeira
foto) e outros prédios antigos em uso comercial. Observa-se que o estilo neoclássico é
mantido nas fachadas. Av. Frei Serafim.
Fonte: www.teresinapanoramica.com
No terreno hoje se encontra o Metropilitan hotel e a loja ―Irineu‘s‖ Fotos já foi
residência do governador Pedro Freitas e do desembargador Helvídio de Aguiar e Dona
Genoveva, avôs da senhora Genu Moraes, conhecida na cidade por ser uma memória
viva do registro da história da cidade de Teresina, pois acompanhou desde criança o
desenvolvimento da capital. Próximo à eles residiram também Antonino Freire, que
governou o Piauí de 1902 a 1910, e Leônidas Melo, que também foi gestor do estado,
no período de 1935 a 1945.; e a casa do ex- Senador Antonino Freire que hoje virou um
estacionamento na frente do Palácio de Karnak – todos eles se encontram no coração da
cidade.
150
Neste momento far-se-á uma parada, para descanso e degustação de sorvete de
frutas regionais e uma conversa informal quando os guias de turismo contarão casos
interessantes e relevantes da cidade.
―Percebe-se que muitos imóveis perderam sua estrutura neoclássica e hoje dão lugar a
empreendimentos comerciais com arquitetura moderna e arrojada, um exemplo de
mudança é o terreno onde se situava a casa de Matias Olímpio, importante nome na
história piauiense, que deu lugar ao supermercado Hiper Bompreço.‖
19h00min: Hospital Getúlio Vargas
Construído na gestão do Dr. Leônidas de Castro Melo, Governador do Piauí, Professor e
Diretor do Liceu Piauiense e da Escola Normal e inaugurado nos anos 40, pelo
Presidente Getúlio Vargas. No ano de 2010 passou por uma ampla reforma sendo
conservada sua fachada original. É um dos principais hospitais que compõem o Pólo de
Saúde do Centro de Teresina, onde funcionava o único Pronto Socorro da Cidade. Local
de ensino dos estudantes da área de saúde da Universidade Federal do Piauí - UFPI e
Universidade Estadual do Piauí - UESPI. Encontra-se à sua frente um busto de seu
idealizador e construtor, Dr. Leônidas Melo.
Avaliação: Em bom estado de conservação, perfeita higiene, dispõe de rampas de
acesso,elevadores entre outros.
Figura 25: Hospital Getúlio Vargas (primeira foto antes e segunda foto após a reforma).
Fonte: www.cabecadecuia.com
151
19h20min: Departamento de Estradas e Rodagens do Piauí- DER
Edifício sede do DER/PI, chama-se oficialmente Edifício Chagas Rodrigues
iniciada sua construção em 1958, no Governo de Jacob Manuel Gayoso D'Almendra e
concluída em 1962, pelo Governador Francisco das Chagas Rodrigues, com projeto do
arquiteto carioca Maurício Sued é composto de volumes puros e linhas retas, com um
amplo pavimento térreo livre, escada helicoidal e pilares modulados. Fica no
cruzamento das duas principais avenidas de Teresina (Frei Serafim – antiga Estrada
Real e Miguel Rosa – antiga Estrada do Gado), é uma das principais obras modernistas
da cidade. Existe um grande painel do artista plástico piauiense Genes, retratando o
típico vaqueiro piauiense na mata de carnaubais, traz para a realidade local esta obra
que incorporou integralmente o estilo internacional.
Avaliação: Em bom estado de conservação, limpeza, dispõe de rampas de acesso.
Figura 26: Prédio do Departamento de Estradas e Rodagens do Piauí
Fonte: www.teresinapanoramica.com
19h40min: Estação Ferroviária de Teresina
Construída entre 1922 e 1926, de estilo francês, é um edifício eclético com
ornamentação de madeira lavrada e telhado de duas águas, feito com telhas do tipo
marselha e profundos beirais. Traz gravados em sua fachada o ano de construção (1926)
e o nome da cidade com sua grafia original, ―Theresina‖. Desde 1990 é a Estação
Central do sistema de trens urbanos. Parte de sua estrutura abriga o ―Espaço Cultural
Trilhos‖, um dos mais ativos centros culturais públicos da cidade.
Avaliação: Em bom estado de conservação, perfeita higiene, dispõe de rampas de
acesso.
152
Figura 27: Estação Ferroviária / Espaço Cultural Trilhos.
Fonte:SETUR/PI
19h50min às 22h00min: “Espaço Cultural Trilhos”
Localizado nos antigos galpões da Estação Ferroviária de Teresina, com espaços para
shows, exposições e o Teatro da Estação. É um espaço destinado a apresentações e
divulgação dos trabalhos de artistas locais nas áreas de música, artes cênicas, dança
lançamento de livros e exposições. Às quintas-feiras acontece a já tradicional
apresentação do grupo Trombone e Cia, iniciativa do clube do Choro de Teresina que
reúne chorões de todas as idades para curtir um dos mais genuínos ritmos brasileiros.
Avaliação: Em bom estado de conservação, limpeza, dispõe de rampas de acesso.
22h00min – Retorno ao Luxor Hotel (de van) e noite livre.
Para quem ainda buscar uma diversão noturna, sugere-se pegar um táxi e da um
passeio na região leste da cidade, mais precisamente nas Avenidas Nossa Senhora de
Fátima, Dom Severino e Homero Castelo Branco, onde estão situados diversos
restaurantes e casas de shows.
153
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Teresina, como as demais cidades brasileiras enfrenta atualmente um grande
desafio - encontrar um modelo de desenvolvimento. Desafio este que se amplia
mediante as dificuldades de gestão urbana e de satisfação das necessidades de sua
sociedade. Desde sua fundação, em 1852, a Capital do Piauí seguiu um plano estrutural
e um zoneamento urbano que delimitavam sua estrutura viária, a localização das
instituições públicas, os padrões residenciais, as atividades comerciais e até mesmo a
localização de serviços de caráter especial, como o cemitério por exemplo.
A concentração de atividades no centro urbano, definida por um modelo
radiocêntrico de urbanização gerou um congestionamento de pessoas e interesses em
um único pólo. Mesmo com o desenvolvimento dos subcentros, o núcleo central da
cidade ainda é o principal destino dos teresinenses e de tantas outras pessoas que dele
dependem. É grande a atração que a cidade de Teresina exerce sobre a população dos
municípios mais próximos, configurando-se como um centro polarizador de bens e
serviços. O processo de urbanização da cidade continua acelerado e se expandindo
acima da capacidade de atender às demandas sociais, culturais e econômicas faz-se
necessário a realização de um trabalho conjunto dos gestores públicos estaduais e
municipais para a efetivação das melhorias necessárias (ver anexo), possibilitando
assim, o êxito quando da implantação do roteiro turístico.
Dessa forma, Teresina enfrenta um processo semelhante ao vivenciado por
grande parte das cidades brasileiras, devido um intenso ritmo de urbanização em que o
não planejamento da expansão da cidade dificulta o alcance de um modelo de
desenvolvimento socioambiental sustentável. A busca pela sustentabilidade no meio
ambiente urbano só é possível se a cidade passar a ser vista numa concepção social, em
que a mesma é um espaço construído por meio de modelos políticos, econômicos e
culturais, com a participação de todos em prol de interesses coletivos e individuais em
que a presença do poder público é fundamental como mediador desse processo.
Conceitos cristalizados que naturalizam o meio ambiente e colocam o homem
como grande vilão para sua preservação devem ser esfacelados. ―É preciso trocar as
lentes‖; homem e natureza não pertencem a mundos opostos, pelo contrário, é da
154
relação entre sociedade e suas culturas, com os elementos físicos e biológicos que se
define o meio ambiente. Olhando por esse ângulo é possível ver que os impactos
gerados pela interação entre homem e natureza, numa relação espaço-temporal, nem
sempre são negativos, e que pode existir, sim, uma relação harmoniosa entre esses
elementos criando espaços ambientalmente saudáveis e justos.
Faz-se necessário, portanto, a adoção de eficientes políticas públicas integradas
que visem à resolução desses problemas. Que os planos diretores que venham a surgir
não encarem os problemas urbanos (saúde, transporte, meio ambiente, emprego,
saneamento, segurança,
habitação, etc..) de Teresina como casos isolados,
independentes e efêmeros e, que os gestores e habitantes do município sejam, acima de
tudo, sensíveis para perceber que a qualidade de vida é um direito e desejo de todos.
Afinal, o alcance da justiça socioeconômica, ambiental e cultural só é possível com
atitudes, comportamentos e ações disciplinadas de todos para todos, contribuindo para a
formação de indivíduos providos de uma consciência de responsabilidade social.
Frente ao exposto nesta dissertação, verificou-se que a cidade é detentora de uma
grande potencialidade de atratividade turística nos segmentos turismo cultural, turismo
de saúde, turismo de negócios e eventos, e ecoturismo (já que dispõe de dois rios e mais
de trinta parques). Portanto, há necessidade da existência de maior conscientização por
parte da população no sentido de conhecer os recursos que traduzem essa potencialidade
e o valor que ela representa especialmente no que diz respeito aos recursos históricoculturais, visto que o segmento Turismo Cultural baseia-se no conjunto dos valores de
cada localidade, colocando em destaque a relação entre o visitante e o atrativo,
permitindo acesso ao patrimônio cultural, à sua história, às tradições, aos seus valores
artísticos, revelando na visão do presente uma síntese do seu passado histórico. A
existência de um Roteiro Turístico é essencial tanto para o visitante como o próprio
teresinense ter conhecimento desta oferta e saber valorizá-la.
Este trabalho tratou dos aspectos da cidade de Teresina enquanto espaço vivido,
e que nele a busca pela satisfação da qualidade de vida e pelas necessidades da
sociedade vem transformando-o de modo que não há uma prioridade à identidade
cultural. É necessário vivenciarmos novas práticas orientadas por uma postura que nos
ajude a respeitar e valorizar as naturezas, culturas e identidades de modo sensível e
ético.
155
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167
ANEXO 1: SUGESTÕES
POTENCIALIDADES

Desenvolvimento dos segmentos: Turismo cultural, Turismo de negócios e
eventos, Turismo de saúde e ecoturismo;

Gastronomia;

Parques;

Hospitalidade;

Boa estrutura de saúde;

Vida noturna;

Artesanato;

Revitalização do centro.
PROBLEMAS E DIFICULDADES:

Trânsito;

Segurança;

Iluminação pública;

Acessibilidade;

Estrutura inadequada de aeroporto e rodoviária;

Espaços públicos subutilizados;

Transporte público deficitário;

Inexistência de postos de informação turística;

Acesso ferroviário não aproveitado;

Trade turístico não integrado com ações dispersas, não unificadas;

O poder público municipal ainda não tem o turismo como uma das prioridades;

Inexistência da delegacia do turista;

Perda das características do complexo arquitetônico do centro de Teresina
RECOMENDAÇÕES GERAIS

Criar a Secretaria Municipal de Turismo;
168

Reformar e ampliar o atual terminal de passageiros aeroportuário até a
construção de um novo terminal;

Construir um novo terminal de passageiros no aeroporto com capacidade para
atender 1 milhão de passageiros/ano;

Implantar a oferta de vôos diretos para São Luís, com destinos posteriores para
Belém e Manaus;

Disponibilizar ao visitante melhor infra estrutura e serviços de apoio ao turista:
Construção de postos de informação turística, melhoria da estrutura do aeroporto
e da rodoviária, criação da delegacia do turista;

Instalar um sistema de destinação adequada do lixo: aterro sanitário, usina de
compostagem, incineração de resíduos hospitalares, dentre outros;

Implantar e executar o programa de coleta seletiva de lixo;

Atender, com rede pública de coleta e tratamento de esgoto, entre 40% a 50% da
população no prazo de cinco anos;

Sensibilizar a população quanto à importância do patrimônio histórico e cultural:

Preservação e conservação do patrimônio histórico através de tombamentos;

Aumentar o acervo de bens tombados (patrimônio histórico e cultural) e agilizar
o processo de tombamento;

Revitalizar e recuperar os rios do município;

Revitalizar os parques ambientais de Teresina e elaborar um plano de manejo
para os mesmos;

Implementar os projetos de conscientização junto à população em prol da
preservação dos rios;

Despertar nos prestadores de serviços de apoio ao turismo (bares, restaurantes, o
interesse da prestação destes serviços com qualidade;

Promover a integração do Trade turístico;

Dinamizar a instância de governança regional;

Articular parcerias entre os órgãos federal, estadual e municipal com vistas à
implementação de programas e projetos turísticos na região;

Elaborar o plano de desenvolvimento de marketing turístico por meio de
parceria público-privada;

Desenvolver junto à população teresinense campanhas de elevação da autoestima quanto à potencialidade turística da cidade;

Reativar o site Teresina.org;
169

Criar na secretaria municipal de turismo um setor para o desenvolvimento de
estudos e de pesquisa do turismo, bem como sistematização de um banco de
dados de turismo para o destino;

Reativar o Conselho Municipal de Turismo.
170
ANEXO 2: MAPA DA CIDADE DE TERESINA
171
ANEXO 3: MAPA DO CENTRO DA CIDADE DE TERESINA RESSALTANDO
AS DENOMINAÇÕES ANTIGAS DOS LOGRADOURO
172
ANEXO 4: ITINERÁRIO DO ROTEIRO TURÍSTICO HISTÓRICO
CULTURAL “TERESINA ME FASCINA”
173
ANEXO 5: MAPA DO ITINERÁRIO DO PRIMEIRO DIA DO ROTEIRO
TURÍSTICO HISTÓRICO CULTURAL “TERESINA ME FASCINA”
ANEXO 6:
174
ANEXO 6: ITINERÁRIO DO SEGUNDO DIA DO ROTEIRO TURÍSTICO
HISTÓRICO CULTURAL “TERESINA ME FASCINA”
175
ANEXO 7: CAPACIDADE HOTELEIRA DE TERESINA
COMPOSIÇÃO DA REDE HOTELEIRA DE TERESINA. PERÍODO: 2009
Tipos
MH
(%)
UHs
(%)
Leitos
(%)
Hotéis
33
89,2
1232
82,5
2672
85,8
Pousadas 1
2,7
83
5,6
154
4,9
Flats
3
8,1
179
12
289
9,3
TOTAL
37
100
1494
100
3115
100
GERAL
Fonte: Fundação Cepro
MH – Meio de hospedagem
UH- Unidade habitacional
176
ANEXO 8: CAPACIDADE INSTALADA PARA EVENTOS
CAPACIDADE INSTALADA PARA REALIZAÇÃO DE EVENTOS EM
TERESINA - PERÍODO: 2009
LOCAL
Nº DE AUDITÓRIOS
CAPACIDADE TOTAL
HOTÉIS
33
3685
Metropolitan Hotel
4
360
Luxir Piauí Hotel
3
400
Real Palace
12
930
Hotel Cabana
2
230
Rio Poty Hotel
8
1500
Palácio do Rio Hotel
1
35
Executive Flat Rio Poty
3
230
UNIVERSIDADES/FACULDADES
Universidade Estadual do PiauíUESPI
Universidade Federal do Piauí- UFPI
Novafapi
Facid
Facime
Unesc
Fap
Faculdade Santo Agostinho
Instituto Camilo Filho
Ceut
Instituto Empresarial do Piauí
Ifet
23
1
3885
120
9
2
1
1
1
1
1
2
1
1
2
1191
820
170
172
70
180
300
320
122
150
270
CLÍNICAS E HOSPITAIS
9
Unimed
1
Udi 24h
1
HTI
1
Clínica Santa Fé
1
Aliança Casa Mater
1
Clínica Dr. Flávio Santos
1
Hospital de doenças Tropicais Nathan 1
Portela
Sanatório Meduna
1
Medimagem
1
550
100
40
90
60
40
50
40
ÓRGÃOS PÚBLICOS
Tribunal de Contas do Estado
Receita Federal
Ministério da Agricultura
DER
5
1
1
1
2
460
60
200
100
100
ÓRGÃOS PÚBLICOS ESTATAIS
SEBRAE
11
1
1811
213
70
60
177
SEST/SENAT
SESC/SENAC
FIEPI/SESI/SENAI/IEL
ABAV
OAB
1
1
6
1
1
90
115
865
28
500
OUTROS
7
3534
Colégio das Irmãs
1
230
Colégio Diocesano
1
299
Instituto dom Barretp
1
225
Liceu Piauiense
1
125
Instituto de Educação
1
255
Atlantic City
1
1200
Centro de Convenções
1
1200
TOTAL
88
13925
Fonte: Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo / 2009
178
ANEXO 9: ESPAÇOS CULTURAIS DE TERESINA
ESPAÇOS CULTURAIS DE TERESINA
A Concha Acústica é um espaço destinado a apresentações culturais em geral. Dispões de
TEATRO
palco semicircular, sistema de som, iluminação, camarins, banheiros e bancadas em
DE ARENA
concreto para abrigar 3 mil pessoas. A Concha Acústica ―Teatro de Arena‖ é mantida pela
Fundação Cultural Monsenhor Chaves. . Seu nome oficial é Conjunto Cultural Hélio
Correia Lima sendo inaugurado em 5 de novembro de 1965, com a peça ―O barco sem
pescador‖, desde então um dos palcos da cidade com maior número de diversidades
culturais. Localiza-se na Praça Mal. Deodoro - Praça da Bandeira, Centro.
A Casa da Cultura foi inaugurada em 12 de agosto de 1994, onde sua edificação foi
construída entre 1870 e 1880, recentemente restaurada que pertenceu a Sr. João do Rego
Monteiro, o Barão de Gurguéia (1809-1897), para sua residência e família. Depois serviu
de sede do Seminário de Teresina, Escritório do DNOCS – Departamento Nacional de
CASA DA
Obras Contra a seca e Colégio Pedro II. É mantida pela fundação Monsenhor Chaves
CULTURA
abrigando o Memorial Prof. Wall Ferraz, a Biblioteca Jornalista Carlos Castelo Branco,
Galeria de Arte Lucílio Albuquerque, Centro de restauração de Artes do Estado, Oficina de
artes plástica, Oficinas de Dança e Teatro, Museu com salas de numismática, arte sacra,
zoologia, arquivo fotográfico José Medeiros, Clube de Vídeo, Laboratório de Fotografia,
Biblioteca de Arte, Balé popular do Piauí, Orquestra de Câmara de Teresina, Auditório
para 60 pessoas, lanchonete e pátio para eventos e shows. Localizada na Rua Rui Barbosa,
348 – Centro. Telefone: 3221-1755.
Teatro Oficina desde 1987, localizado na zona norte da cidade. Onde tem a missão de
TEATRO
desenvolver um trabalho artístico voltado à população carente da região com oficinas de
DO BOI
capoeira, artes plásticas (desenho, pintura e reciclagem), bumba-meu-boi mirim, teatro,
dança e música.
ESPAÇO
CULTURAL
Espaço Cultural Trilhos, é dedicado para as apresentações e divulgação dos trabalhos de
artistas locais.
TRILHOS
TEATRO
Inaugurado no dia 13 de agosto de 2005 dentro da programação de aniversário de 153 anos
ESCOLA
de Teresina. Localizado na região Grande Dirceu.
JOÃO
PAULO II
Localizada dentro do espaço físico da Universidade Federal do Piauí, com o objetivo de
ESCOLA DE
implantar o programa de incentivo à cultura artística piauiense, destinado à descoberta e a
MÚSICA
formação de jovens músicos, bem como uma melhor qualificação e aproveitamento de
ADALGISA
profissionais que já desenvolvem atividades na área. Este convênio teve duração de 10
PAIVA
meses.
179
THEATRO 4
São mais de 100 anos de muita história e espetáculos, conserva uma fachada com
DE
arquitetura de inspiração portuguesa e detalhes greco-romanos. Abriga a Sala Torquato
SETEMBRO
Neto, a Galeria de Artes e o Espaço Cultural Osório Júnior, onde todas as quartas-feiras
acontecem o projeto Boca da Noite.
O Palácio de Karnak já foi uma chácara, que servia de residência da família do Barão de
Castelo Branco (Mariano Gil Castelo Branco). Foi colégio. Comprado pelo governador
PALÁCIO
Gabriel Ferreira, foi pago muitos anos depois pelo governador Matias Olímpio de Melo
DE
(1920), hoje é sede do Poder Executivo Estadual. Foi reformado internamente na primeira
KARNAK
administração do governador Alberto Tavares Silva, seus jardins, com arquitetura
contemporânea, leva a assinatura do paisagista Burle Max. Situado à Avenida Antonio
Freire n° 1450, no centro de Teresina, próximo a igreja de São Benedito, o Palácio de
Karnak teve a sua construção inspirada em um templo grego.
Desde 1980 sendo museu do Piauí, o antigo casarão já foi sede do Governo da Província,
mais tarde do Poder Judiciário. Atualmente o museu abriga um acervo eclético que vai
desde aspectos históricos da fundação da cidade, passando por coleções de moedas,
instrumentos de caça e pesca indígenas, manifestações da cultura popular e artes plásticas.
MUSEU DO
A construção do prédio foi iniciada em 1857/1858, servindo como residência e depois sede
PIAUÍ
do Governo da Província, mais tarde servindo como residência e depois sede do Governo
da Província, mais tarde sede do Poder Judiciário. Em 22/12/1980, foi inaugurado o Museu
do Piauí. O prédio do Museu do Piauí é uma construção de dois andares, apresentando
treze salas de exposição; sala ―Terra‖, sala ―Homem‖, Sala ―Colônia, Sala ―Império‖, Sala
―Republica Velha‖, Sala ―Republica Nova‖, Sala ―Arte Sacra‖, Sala ―Arte Popular‖, Sala
―Heráldica‖, Sala ―Numismática‖, Sala ―Pinacoteca‖ e Pátio. Localizado na Praça Deodoro
da Fonseca, 900 – Centro, Telefone: 3221-6027.
180
ANEXO 10: PRINCIPAIS EVENTOS DA CIDADE
Eventos de Destaque
Mês de Realização
Corso do Zé Pereira
Janeiro
Carnaval da Cidade
Fevereiro
Artes de Março
Março
Encontro das Lendas
Abril
Casa Piauí Design
Eliminatória do Festival de Musica
Chapada do Corisco
Piauí Fashion Week
Salipi
Maio
Folguedos
Cidade Junina
Abertura do Salão de Fotografia
Junho
Piauí Pop
Encontro de Bois
Aniversário da Cidade
Feira dos Municípios
Abertura do Salão de Artes Plásticas
Teresina é Pop
Encontro de Corais de Teresina
Festival de Teatro de Teresina
Mostra de Teatro de Bonecos de Teresina
Concurso de Monólogos ―Ana Maria
Rego‖
Festival de Dança
Semana da Moda de Teresina
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Feira do Empreendedor
Festival de Bandas
Festival de Vídeo de Teresina
Novembro
Natal da Cidade
Dezembro
181
ANEXO 11: COMIDAS TÍPICAS
Carne de sol
Carne de gado seca ao sol (geralmente por 2 dias),
fritada no óleo, azeite de côco ou manteiga de nata.
Servida com paçoca, baião de dois, Maria Isabel ou
arroz branco
Paçoca
Carne de sol socada no pilão aos pedaços e misturada
com farinha de mandioca. Servida com carne de sol,
baião de dois, Maria Isabel ou banana.
Maria Isabel
Carne de sol cortada em pequenos pedaços, levada ao
fogo com arroz, refogada no óleo ou azeite de coco.
Servido com paçoca ou carne de sol
Baião de dois
Arroz misturado com feijão verde temperado no óleo
ou azeite de coco. Acompanha qualquer prato,
especialmente paçoca ou carne de sol
Lingüiça
Feita com carne de leitão. Frita ao óleo ou azeite de
coco. A sobra do óleo é passada na farinha de
mandioca. Acompanha baião de dois, Maria Isabel ou
arroz branco.
Bode ao leite de coco
Carne de bode temperada e levada ao fogo; após
cozimento, completa o caldo com leiite de coco de
babaçu. É servido com arroz branco.
Galinha ao molho pardo
Galinha caipira refogada e cozida, se acrescenta o
sangue da galinha e a farinha de mandioca para
engrossar o caldo. É servida com arroz branco ou
baião de dois.
Capote com arroz
Galinha d´angola temperada e refogada com arroz.
Não acompanha outro prato.
Panelada
Vísceras bovinas cortadas e pedaços pequenos,
temperadas e refogadas em azeite para cozimento.
Acompanha arroz branco e farinha de mandioca.
Sarapatel
Vísceras e sangue de bode temperados, refogados e
cozido. Acompanha arroz branco e farinha de
mandioca
Sobremesas
Doces de caju, buriti, bacuri, banana, limão, laranja,
jaca, goiaba, batata, coco, umbu e leite
Bebidas
Sucos e licores de frutas regionais; cajuína (refresco
do sumo de caju)
Outros
Tapioca; bolo frito; cuscuz de arroz; mingau de
milho; manteiga da terra
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ANEXO 12: LETRA DA MÚSICA TERESINA
Teresina
Letra de: Aurélio Melo & José Rodrigues,
Ei, você me deixa tonto, zonzo
Quase como um louco de encantamento
Eu desanoiteço no seu todo de mulher
E no verde dos seus olhos de menina
Seu olhar de querubina faz o sol me esquentar
E quando é noite a lua nina Teresina
Que desatina até o sol raiar
E de manhã eu olho pra Timon
E sinto um gosto bom do Parnaíba a desaguar
Então eu choro transbordantemente
De alegre enchente no meu coração
São dois veios vivos como as águas claras
Desse Parnaíba que não volta mais
Apenas olho minha Teresina
Como quem delira na beira do cais
Ai, troca, quem troca destroca
Minha Teresina não troco jamais
No Troca-Troca, quem troca destroca
Minha Teresina não troco jamais.
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Teresina me Fascina - Universidade de Brasília