Revista do Curso de Administração
ISSN 1679-723X
v. 1, n. 1, jan./jul. 2003
Publicação semestral da Faculdade Farias Brito
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Diretor de Ensino
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Editor Científico
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Conselho Editorial
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Augusto César de Aquino Cabral, Dr. – UFC
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Anna Cristina Barbosa Dias de Carvalho, Dra. – UFC
Assessoria Didático-metodológica
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Projeto Gráfico
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Ficha Catalográfica
Ffbusiness: revista do curso de administração/ Faculdade Farias Brito.
v. 1, n. 1 (jan. a jul.) – Fortaleza: Faculdade Farias Brito, 2003 –
Semestral
ISSN 1679-723X
1. Pesquisa. 2. Tecnologia. I. Faculdade Farias Brito
CDD–658.05
E DITORIAL
Iniciar uma revista de cunho científico na área de
Administração é uma tarefa arrojada pela responsabilidade
de apresentar artigos que tragam para o leitor informações,
interessantes para a leitura, com possibilidades de
aplicações práticas e imediatas, e, essencialmente úteis
para aqueles que fazem pesquisa bibliográfica em busca
do conhecimento científico estabelecido.
A Faculdade Farias Brito abre, por intermédio de
sua Revista do Curso de Administração, um espaço para
que os pesquisadores do conhecimento na formação de
executivos possam compartilhar, com todos aqueles que
estejam atuando em áreas semelhantes, de suas
experiências de sucesso. Incentiva-se o diálogo, o
questionamento de posições e o debate cientifico sadio e
construtivo. Para isto, disponibiliza-se, sob solicitação do
interessado, os endereços eletrônicos dos autores, que
podem fornecer cópias de seus arquivos e responder a
questionamentos.
O primeiro número traz oito artigos sobre as várias
áreas do conhecimento administrativo, dos recursos
humanos à produção, passando pelas finanças, os sistemas
de informação e a qualidade, sob a visão da estatística.
São pesquisadores em atividade que estão oferecendo ao
debate suas posições. Alguns trabalhos são fruto de teses
de doutorado, outros de dissertações de mestrado, os demais
são o resultado de investigações científicas com
interessantes resultados.
Desejamos nos próximos números abrir espaço para
um trabalho de iniciação científica dos alunos de graduação
por edição, devidamente orientados e em parceria com
professores doutores. Também desejamos abrir a toda a
comunidade científica, diretamente ligada a universidade
e faculdades, ou à iniciativa privada, espaço para este
debate de idéias e formação do conhecimento científico.
Agradecemos a todos os participantes e abrimos o
convite à apresentação de trabalhos para a segunda
edição, referente ao semestre 2003.2.
O editor
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Os textos são de inteira responsabilidade de seus autores
Artigos e colaborações devem ser remetidos a:
Faculdade Farias Brito
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Fortaleza – CE – CEP 60175-230
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SUMÁRIO
MEIO AMBIENTE E CULTURA ORGANIZACIONAL
Rose Mary Palmeira da Silva ............................................................................................................................. 6
OS SISTEMAS DE PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO DAS INDÚSTRIAS DE
CONFECÇÕES DO ESTADO DO CEARÁ - ESTUDO DE MÚLTIPLOS CASOS
Sérgio José Barbosa Elias
Dálvio Ferrari Tubino ...................................................................................................................................... 1 9
A LOGÍSTICA E AS CONFECÇÕES: ESTUDO SOBRE A INFLUÊNCIA DOS FLUXOS DE
MATERIAIS, INFORMAÇÕES E FINANCEIRO NA DETERMINAÇÃO DO TAMANHO MAIS
INDICADO PARA OBTER LONGEVIDADE E EFICÁCIA – CASO DA PRODUÇÃO DE JEANS
PARA ADOLESCENTES E JOVENS
Fernando Ribeiro de Melo Nunes
Carlos Manuel Taboada Rodriguez .................................................................................................................. 2 5
UMA INVESTIGAÇÃO DOS FATORES CRÍTICOS DA GESTÃO PELA QUALIDADE TOTAL NO
CENÁRIO INDUSTRIAL CEARENSE
João Welliandre Carneiro Alexandre
José Joaquim do Amaral Ferreira .................................................................................................................... 4 8
UMA ARQUITETURA DE MODELAGEM DE PROCESSOS DE NEGÓCIOS
José Belo Torres
Gregório Jean Varvakis Rados ........................................................................................................................ 5 7
A INSERÇÃO E MANUTENÇÃO DAS PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA NO MERCADO
DE TRABALHO
Rosanne Mª Medina Ávila Gomes
Sandra Maria dos Santos ................................................................................................................................ 6 8
OS SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES NO CEARÁ APÓS A PRIVATIZAÇÃO SOB A ÓTICA
DO CONSUMIDOR
Sandra Maria dos Santos
Maria Naiúla Monteiro Pessoa
José Nelson Tenório
Maria Célia Gomes Vasconcelos ...................................................................................................................... 8 0
OS PRÓS E CONTRAS DA GESTÃO ATIVA E A PASSIVA DE FUNDOS DE INVESTIMENTOS
EM AÇÕES
José Maria Porto Magalhães Sobrinho ............................................................................................................. 8 8
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MEIO AMBIENTE E CULTURA ORGANIZACIONAL
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Rose Mary Palmeira da Silva – Mestre em Administração
– Docente da Faculdade Farias Brito
RESUMO
A preservação ambiental antes não considerada pelo mercado, vem gradativamente ocupando espaço
significativo no âmbito das organizações, requerendo mudanças em sua cultura organizacional. Este
trabalho tem como objetivo verificar a utilização dos artefatos concretos da cultura organizacional para
inserir e/ou sedimentar a questão ambiental no interior da organização e identificar as fases de
envolvimento empresarial com o meio ambiente por parte das empresas industriais sediadas no
Ceará. Como suporte teórico relativo aos objetivos da pesquisa utilizou-se a classificação de Ralph
Kilmann e, para identificar as fases de envolvimento empresarial com o meio ambiente, trabalhou-se
com o Modelo de Ackerman e Bauer. A pesquisa constitui-se um estudo de casos múltiplos. Concluiuse que as empresas pesquisadas não estão, em sua maioria, investindo numa cultura de preservação
ambiental, nem utilizando seus artefatos concretos como meios auxiliares nesse sentido. Em alguns
casos têm sido implantados políticas e procedimentos de preservação ambiental, sem investimentos
em ações proativas e preventivas permanentes.
PALAVRAS-CHAVE: preservação ambiental; integração empresa-meio ambiente; gestão ambiental
na empresa; cultura organizacional.
ABSTRACT
Environment preservation, usually an issue not considered by the market, has gradually occupied a
significant space in the organizations ambit, requiring changes in their organizational culture. The
objective of this work is to verify the utilization of concrete artifacts of the organizational culture to insert
and/or sediment the environmental issue inside the organization and identify the business involvement
phases of the industrial businesses in Ceará state with the environment. Ralph Kilmann’s classification
was used as a theoretical support to the research’s objectives, and Ackerman & Bauer’s model was
used to identify the phases of the business involvement. The research is constituted by a study of
multiple cases. It was concluded that the researched businesses are not, in it’s majority, investing on an
environment preservation culture, neither are using concrete artifacts as auxiliary means in this sense.
Environment preservation procedures and politics, without proactive and permanently preventive
actions, have been implemented in some cases.
KEY WORDS: environment preservation; environment in the organizational; organizational-environment
integration; organizational culture.
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O PROBLEMA E A METODOLOGIA
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INTRODUÇÃO
Na busca da excelência ambiental, as empresas
industriais hoje se encontram diante de uma necessária
mudança na relação com o meio ambiente pelo fato
de que não só utilizam recursos finitos da natureza,
mas principalmente porque geram resíduos industriais
nocivos à vida humana e dos demais seres vivos, dos
quais o próprio homem depende para viver. Esta
constatação tem levado as empresas a uma
reavaliação de suas operações, uma vez que cabe as
mesmas buscar soluções para os problemas por elas
criados. De fato, a indústria tem demonstrado não em
sua maioria, que por meio da tecnologia e da
racionalização pode melhorar a eficiência no uso de
recursos naturais.
Durante o período de outubro de 1998 a outubro
de 1999 – foram ouvidos os responsáveis pela área
ambiental das empresas selecionadas por meio de
aplicação de questionários, seja em discussões de
grupos em algumas empresas mais integradas ou por
meio de entrevista individuais. Estes momentos estão
detalhados na primeira seção deste artigo.
Nesse movimento que se gesta no interior das
relações sociais, entende-se a importância da ação do
homem na construção da sociedade, entretanto não
se pode negar os impactos negativos, que determinados
empreendimentos humanos têm causado ao meio
ambiente. Reconhecer este problema como central na
continuidade da vida no Planeta requer uma mudança
na cultura vigente no mundo dos negócios onde
prevalece a racionalidade econômica.
Para dar embasamento e orientação ao
processo de coleta e interpretação dos dados, a
literatura referente à responsabilidade social e cultura
organizacional foram revisitadas e compõem a
segunda seção.
Como foi desenvolvido um estudo de casos
múltiplos, cada empresa foi apresentada separadamente
com seu breve histórico a fim de que se configurasse
uma contextualização e as fontes geradora de seus
estados atuais no que se refere à relação empresa-meio
ambiente resgatados naquele momento, para análise.
Assim está configurada a terceira seção.
Este estudo buscou trazer para o mundo
acadêmico uma amostra do quadro situacional dessa
questão, para que se pudesse analisa-la à luz de teorias
e modelos voltados para a realidade empresarial.
A quarta e última seção registra as considerações
finais da pesquisa seguida de sugestões para uma nova
agenda de investigações, que venham a contribuir com
o processo de conscientização ambiental na sociedade.
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Nos últimos tempos com o uso excessivo e
desordenado do aparato tecnológico, têm-se
impactado a base dos recursos naturais de maneira
comprometedora, haja visto o caso da água em diversas
regiões do mundo. Diante das constatações
sintomáticas da estrutura de uma sociedade de
consumo industrializada onde suas ações sempre
desconsideraram a conexão homem-natureza no
sentido de sua interdependência, vive-se hoje uma
extrema pressão sobre esses recursos naturais.
Tendo em vista o caráter multidisciplinar da
questão ambiental, o impacto das atividades
humanas ao meio ambiente e a urgente necessidade
de rever essa relação nos dias atuais, são cada vez
mais necessários estudos que venham elucidar como
se processa a internalização dessa problemática.
Portanto, este trabalho, é relevante.Elegeu-se um bloco
de oito (08) empresas de negócios e impactos
ambientais diferentes bem como suas culturas e
origens,que compuseram o estudo de casos múltiplos
aqui ora apresentado. Os objetivos traçados para a
pesquisa voltaram-se para a verificação do uso dos
artefatos concretos da cultura organizacional na
inserção e/ou sedimentação da variável ambiental/
ecológica nas empresas industriais do segmento
exportador sediadas no Ceará bem como para a
identificação das fases de envolvimento nas quais se
encontravam as empresas pesquisadas.
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2.1 PLANEJAMENTO E ESTRATÉGIA DA INVESTIGAÇÃO
c) Identificação e indicação das empresas com
alguma iniciativa de preservação ambiental,
através dos sindicatos das categorias
envolvidas.
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De acordo com YIN1 tomado por base para a
condução desta pesquisa, o estudo de caso enquanto
estudo empírico que, investiga um fenômeno atual dentro
de seu contexto real, no qual as fronteiras entre o
fenômeno e o contexto ainda não são claramente
definidas, exige por essa razão, a utilização de várias
fontes de comprovação ou evidência. Nesse sentido,
foram utilizadas: entrevistas, observação direta, análise
documental e aplicação de uma escala composta por
uma seleção de frases afirmativas envolvendo alguns
elementos da cultura que compõem o padrão cultural
de uma organização, os artefatos concretos da cultura
segundo a classificação de Kilmann, como registrado
no referencial teórico. Por fim, foram identificadas as
práticas de preservação ambiental envolvendo os
principais problemas ambientais hoje considerados
críticos: poluição atmosférica, das águas, do solo e o
uso de energia; essas práticas por sua vez, auxiliam na
identificação das fases de envolvimento da empresa com
o meio ambiente segundo o Modelo de Ackerman E
Bauer, respectivamente percepção, compromisso e ação,
(cf. a descrição no Quadro II contido no referencial
teórico).
d) Diversidade cultural dessas empresas:
nacionais com filiais em outros estados da
federação, empresas genuinamente
cearenses e empresas multinacionais.
Considerados os requisitos e disponibilidade das
empresas para participarem da pesquisa contou-se com
oito delas, configurando-se assim, o estudo de casos
múltiplos.
FASE 2 – ELABORAÇÃO
A partir das orientações teóricas quanto à
diversidade das fontes de evidência para se alcançar
os objetivos dessa investigação, foram construídos os
seguintes instrumentais: os roteiros de entrevista e
observação direta e as vinte e uma afirmativas a serem
avaliadas numa escala “tipo Likert” obedecendo ao
continumm de 0 a 4. Essas afirmativas foram
relacionadas aos seguintes aspectos: padrão cultural
da empresa para que se pudesse avaliar seu
envolvimento com a questão ambiental, através dos
seguintes elementos selecionados para este fim: a
filosofia de gestão, as políticas de T & D e o processo
de comunicação organizacional interno e externo; os
artefatos concretos da cultura organizacional de acordo
com a categorização de Kilmann; as fases de
envolvimento empresa X meio ambiente segundo o
modelo de Ackerman e Bauer, apud Donaire2.
O desenvolvimento da pesquisa necessitou das
fases, abaixo descritas para que se pudessem alcançar
os objetivos traçados uma vez que, a inserção da
questão ambiental no interior das empresas ainda não
é percebida como uma questão obrigatória.
FASE 1 – CRITÉRIOS
DE SELEÇÃO DAS EMPRESAS
a) Reconhecimento das atividades industriais
de maior envolvimento com a variável
ambiental ou ecológica - Consulta a
Superintendência Estadual do Meio
Ambiente (SEMACE) e ao SEBRAE(CE).
As atividades apontadas por estas
instituições foram: metal-mecânico, têxtil,
petroquímico, veterinário, siderúrgico,
bebidas, químico e agroindústria.
O reconhecimento das fases: percepção,
comprometimento e ação (Ackerman e Bauer), se deu
através das práticas ambientais vigentes nas
organizações pesquisadas bem como do padrão cultural
evidenciado e da cultura revelada pelos seus artefatos
concretos. Dessa forma, obteve-se um demonstrativo
do quadro situacional da empresa quanto ao seu
comportamento com a questão ambiental.
b) Identificação de pelo menos 20 (vinte) maiores
empresas no ranking exportador do Ceará,
pelo fato de que estas são mais pressionadas
a responderem às exigências do mercado na
questão ambiental. Para isso, analisou-se uma
lista dessas empresas fornecida pelo Centro
Internacional de Negócios (CINTER), da
Federação das Indústrias do Estado do Ceará
(FIEC) para posterior contato e seleção para
participarem da pesquisa.
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FASE 3 – VALIDAÇÃO DO INSTRUMENTO
O pré-teste do instrumento com as 21(vinte e
uma) afirmativas foi realizado em três empresas.
YIN, Robert K. Case study research: design and methods in Applied Social Research
Methods Series. Califórnia: SAGE Publications, 1989. v. 5.
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INSTRUMENTOS
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DONAIRE, Denis. Interiorização da variável ecológica na organização das empresas
industriais. USP, Livre-docência, 1993, p. 13-14
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Considerando que a questão ambiental, é uma
variável do macro-ambiente ainda em fase de
internalização nas organizações, buscou-se na teoria
organizacional, a explicação de como essa
internalização vem ocorrendo conforme visto no
referencial teórico dessa pesquisa.
2.2 EXECUÇÃO
a) Cronograma de Aplicação - Foi elaborado
de acordo com a agenda dos entrevistados.
Aconteceram dois adiamentos não previstos
e dois retornos a uma mesma empresa.
Todas as entrevistas foram realizadas.
A linha de condução teórica do estudo, está
pautada especificamente quanto ao uso da cultura
organizacional, na inserção e/ou sedimentação da
questão ambiental na empresa e, na identificação das
fases de envolvimento desta com o meio ambiente
verificando-se as práticas de preservação ambiental.
Estas por sua vez, cruzam com o modelo de Ackerman
& Bauer quanto ao envolvimento da empresa com as
variáveis socioambientais, demonstradas através das
fases de percepção, compromisso e ação.
b) Visitas - aos dirigentes das empresas
selecionadas com documento de
apresentação da Universidade de Fortaleza
(UNIFOR), explicando os objetivos da
referida pesquisa e solicitando apoio para
sua execução. Todas as empresas
selecionadas foram receptivas ao trabalho.
2.4 PROTOCOLO
b) Aspectos-chave do Estudo – As fontes
de evidência utilizadas enquanto técnicas
de coleta de dados foram:
Entrevista pessoal – com os dirigentes e/
ou responsável direto pela questão
ambiental na empresa seja sob forma de
atividade ou função com os quais aplicouse a escala.
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Observação Direta – utilizou-se um roteiro
de observação(ver anexo) como suporte para
verificação dos artefatos concretos da cultura
organizacional manifestados através: dos
símbolos específicos nas diversas áreas da
empresa; a própria decoração existente nos
diversos ambientes, as publicações que
circulam tais como jornais, informativos e
revistas. Treinamentos para empregados
inclusive, recém-chegados à empresa, a
existência de murais voltados para registros
dos eventos ambientais. Essas manifestações
foram registradas nas anotações de campo
para subsidiar o relatório final.
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2.3 PLANO DE INVESTIGAÇÃO
Apresentada a condução metodológica da
presente pesquisa, passa-se agora, a mostrar seu plano
de investigação. Por se tratar de um estudo de casos
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FORMALIZAÇÃO /
a) Propósitos – Verificar o uso da cultura
organizacional por meio de seus artefatos
concretos segundo a categorização de
Kilmann, como veículo de inserção e/ou
sedimentação das práticas de preservação
ambiental na empresa bem como identificar
as fases de envolvimento organizacional
com a questão ambiental segundo o modelo
de Ackerman & Bauer.
Os resultados totais referentes ao padrão
cultural, artefatos concretos da cultura e as fases de
envolvimento empresa X meio ambiente do Modelo
adaptado de Ackerman e Bauer, que aponta três fases
pelas quais as empresas necessariamente, passam nesse
processo de amadurecimento de sua relação interna e
externa com as variáveis macro ambientais de cunho
socioambiental, foram organizados em gráficos segundo
as categorias de análise já mencionadas.
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ESTUDO –
DESTE
IMPLEMENTAÇÃO/ANÁLISE
c) Organização dos dados obtidos –
entrevistas, observação direta e aplicação
da escala. Os itens da escala foram
totalizados em escores segundo as categorias
de análise para a verificação do padrão
cultural, da cultura organizacional quanto
aos artefatos concretos, que se apresentam
em três níveis: o verbal, o comportamental
e o físico, conforme a categorização de
Kilmann. Considerou-se também, as práticas
ambientais, que evidenciaram a relação
empresa meio ambiente, identificadas
através do Modelo de Ackerman e Bauer,
que identifica as fases de envolvimento
empresa X meio ambiente como percepção,
compromisso e ação. Em seguida, esses
escores foram transformados em uma
escala discreta de zero a quatro.
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Após as correções necessárias, o instrumento
com 21 (vinte e uma) afirmativas foi aplicada em oito
empresas de médio e grande portes, de setores e
impactos ambientais diferenciados.
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múltiplos, procurou-se obter informações de diferentes
setores industriais para que se pudesse chegar aos
objetivos traçados.
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FASE 4 – VERSÃO FINAL DO INSTRUMENTO
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Documentação – foram analisados
documentos probatórios sobre o
comportamento da empresa em relação a
questão ambiental: comunicações, planos,
relatórios, projetos, parcerias, eventos,
organogramas, fluxogramas e ecofluxogramas
do processo produtivo.
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A fase analítica da pesquisa realizou-se ao final
porque conteve como fonte principal, as respostas às
afirmativas da escala aplicada que faz parte da base
de dados coletados.
c) Anotações de campo
Os registros feitos por ocasião das entrevistas e
as anotações através da observação direta formaram
um pequeno relato individual de cada empresa
pesquisada, que subsidiaram o relatório final.
c) A base de dados deste estudo se
compõe de:
Caracterização do setor pesquisado;
Caracterização da atividade/função ligada
à variável ambiental/ecológica;
Perfil gerencial da área ambiental;
Padrão cultural das empresas;
Cultura organizacional e meio ambiente:
um estudo de múltiplos casos;
Fases do envolvimento organizacional com
a questão ambiental.
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Este estudo proporcionou condições de
responder aos objetivos propostos tendo em vista, que
o resultado da escala composta pelas vinte e uma
afirmativas os confirmou em cada uma das oito
empresas pesquisadas, representadas pelos seus
respectivos setores de atuação no mercado
(agroindústria, bebidas, metal-mecânico, petroquímico,
químico, siderúrgico, têxtil e veterinário) a pouca
importância dispensada à questão ambiental.
2.5 PLANO DE ANÁLISE
a) Estudo Individual de cada caso
Cada setor de atividade selecionado foi analisado
individualmente para que se pudesse, de acordo com
os objetivos da pesquisa, caracterizar seu padrão cultural,
identificar seus artefatos concretos da cultura
organizacional e suas práticas de preservação ambiental.
Utilizou-se a escala, as entrevistas e as anotações da
observação direta realizada, constante nas anotações
de campo. Para identificar as fases de envolvimento
organizacional com o meio ambiente, utilizou-se o
modelo de Ackerman e Bauer, que para determinar as
fases apontadas pelo modelo, recorreu-se às práticas
de preservação ambientais identificadas na escala.
Foram trabalhados na pesquisa os seguintes
aspectos, de acordo com os objetivos do estudo: o
primeiro deles o padrão cultural existente, considerandose os seguintes elementos da cultura (a filosofia de
gestão, as políticas de treinamento e desenvolvimento
e o processo de comunicação organizacional interno e
externo), que formam o padrão cultural; os artefatos
concretos da cultura organizacional (verbal,
comportamental e físico), segundo a categorização de
Kilmann (quadro 2), as práticas de preservação
ambiental mais usuais relativas aos quatro principais
problemas ambientais globais( poluição da água, ar,
solo e uso da energia), e as fases de envolvimento
organizacional com o meio ambiente,(percepção,
compromisso e ação) como indicado no modelo de
Ackerman e Bauer (quadro 3), partindo-se das práticas
de preservação ambiental encontradas. Dessa forma
obteve-se, um quadro aproximado da relação
empresarial com o meio ambiente.
b) Análise cruzada dos dados
A análise cruzada dos dados como parte
integrante do clássico estudo de casos múltiplos é
posterior à apresentação individual dos casos estudados
conforme afirmam Herriot e Grass 3.
Foram considerados como fatores de cruzamento
de interesse desse estudo, o padrão cultural mediante
os elementos selecionados para este fim, os artefatos
concretos da cultura organizacional evidenciados de
acordo com a classificação de Kilmann bem como as
fases de envolvimento da empresa com o meio ambiente,
a partir do modelo adaptado de Ackerman e Bauer,
que foi interpretado pelas práticas de preservação
ambiental e artefatos concretos da cultura e padrão
cultural vigente nas empresas. Esse cruzamento de dados
permitiu verificar como cada empresa vem trabalhando
essa questão.
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A seguir, apresentam-se os dados primários e
secundários obtidos no estudo de campo por meio da
observação direta, da aplicação da escala, das
entrevistas e da verificação documental, com suas
respectivas análises por setor de atividade, conforme
o protocolo desta investigação.
Para efeito compreensivo teórico do leitor,
desenvolveu-se o detalhamento da escala em todos os
aspectos citados anteriormente. construída
especificamente para esta pesquisa. Como se pôde
analisar, tanto o uso da cultura organizacional quanto
as fases do envolvimento empresarial com o meio
ambiente estão voltadas com muita ênfase para a
solução de problemas da empresa percebidos pela alta
administração. Observem-se os quadros 4, 5 e 6.
HERRIOT; GRASS. The dinamics of planned educational change. Berkeley: Mc
Cutchan, 1979, p. 14.
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APRESENTAÇÃO E RESULTADO DO
ESTUDO DE CASOS MÚLTIPLOS
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Rituais e cerimônias - Identificação de
a tivida de s cole tiva s re a liza da s na
organização, por exemplo: dramatizações,
jogos, gincanas, festas, teatros, danças,
treinamentos e seminários, que dêem
ênfase aos padrões de comportamento
relacionados à preservação ambiental.
Apresentados através de:
CO MPO RTAMENTAIS
S ímbolos - Constatação da existência de
publicações internas, tais como: jornais e
revistas, folders, cartazes, objetos de
decoração, tais como: vasos de flores,
jardins internos e externos que simbolizem
e s e ja m ve ículo inform a tivo da s
concepções organizacionais relativas ao
meio ambiente.
Normas - Verificação da existência de
documentos escritos que orientem o
tratamento dispensado ao meio ambiente
no âmbito da empresa.
Apresentados através de:
FÍSICOS
Fonte: KILMANN, R. H.; SAXTON, M. J.; SERRA, R. And Associates, Going Control of the Corporate Culture. San Francisco: Jossey-Boss Publishers, 1988.
Estórias Identificação de narrativas fictícias ou reais
sobre preservação ambiental que circulam entre os
membros da organização.
Tabus Orientações subjetivas que delimitam áreas
consideradas proibidas relativas à preservação
ambiental.
Heróis - Identificação de pessoas que transmitem
conceitos sobre preservação ambiental, inspirando
os membros da organização a seguirem o exemplo.
Mitos - Identificação de estórias fictícias que se
harmonizam com os valores e as crenças da
organiza ção, narrando e ventos re ferente s à
preservação ambiental.
Apresentados através de:
VERBAIS
Quadro 2 - Plano de Investigação - Artefatos Concretos da Cultura Organizacional (Categorização de KILMANN. et al. 1988)
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Quadro 3 - Fases do Envolvimento Organizacional no Processo de Conscientização Social das Organizações
(adaptado de ACKERMAN, R; BAUER, R. “Corporate Social Responsiveness: The modern Dilemma” – p. 128) citado por DONAIRE1
FASE 3
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c) D e s e nv olv e proje tos e s pe c ia is
internos
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1
DONAIRE, Denis. Deteriorização da Variável Ecológica na Organização das Empresas Industriais. Trabalho apresentado no concurso livre-docência, FEA/USP, 1993, p. 14.
e) Incorpora função na atividade linha da
estrutura organizacional
f) Modifica os processos e investe recursos
g) D issemina a responsabilidade por toda
a organização (insere na Cultura)
c) S oluciona problemas técnicos
c) P rovoca a lterações na s unida de s
d) D esenvolve sistema de aprendizado
operacionais
nos níveis técnicos/administrativos
d) Aplica os dados desenvolvidos na
e) D esenvolve sistema de interpretação
a v a lia çã o do de s e m pe nho
do ambiente externo
organizacional
f) R e p re s e n t a a o r g a n i z a ç ã o
externamente
FASE 1: Preocupação social existe, mas não está especificamente ligada com a organização (PERCEPÇÃO)
FASE 2: Fica clara a implicação da organização, mas a obrigatoriedade da ação é reduzida (COMPROMISSO)
FASE 3: Exige ações específicas da organização e torna-se possível a ocorrência de sanções (AÇÃO)
UNIDADE
ADMINIS TRATIVA
AS S E S S ORIA
ES P E CIALIZADA
CÚPULA
a) Reconhece importância na política a) Obtém conhecimento
organizacional
b) Contrata assessoria
b) E screve e comunica essa importância
aos grupos externos
a) Obtém compromissos organizacionais.
b) Modifica padrões de desempenho
organizacional
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FASE 2
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FASE 1
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NÍVEL
ORGANIZACIO NAL
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Fonte: Afirmativas constantes da escala construída para a realização desta pesquisa
12 A empresa divulga interna /externamente suas ações ecologicamente corretas.
12 Há um entendimento pelos chefes/supervisores sobre o que devem fazer pela preservação ambiental e a imagem da
empresa nessa área.
3. Processo de Comunicação organizacional
12 A área ambiental está integrada às demais áreas da empresa.
12 A empresa também se preocupa com a higiene industrial – a qualidade do ambiente de trabalho e a saúde do
trabalhador.
12 A empresa não estende a os empregados problemas ambientais, apenas aqueles estritamente necessários.
12 A política ambiental adotada reflete o compromisso da alta administração com a melhoria contínua do desempenho
ambiental da empresa.
2. Filosofia/Modelo de Gestão
12 Freqüente agenda de discussões e eventos relativos às ações de preservação ambiental na empresa.
12 Investimento em P rogramas de E ducação Ambiental
12 Utilização no TI (Treinamento Introdutório aos Novos E mpregados) de conceitos de preservação ambiental.
1. Políticas de T & D
I - PADRÃ O CULTURAL
Quadro 4 – Padrão Cultural
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Quadro 6 – Fases do Envolvimento Empresa Meio Ambiente/ Práticas de Preservação Ambiental
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1. PO LUIÇ Ã O A TMO S FÉRIC A
A empresa controla suas emissões atmosféricas, se acionada pelo órgão fiscalizador e/ou a comunidade.
2. Poluição da Á gua/ Racionalização do C ons umo
E xiste na empresa estação de tratamento de efluentes.
A empresa vem utilizando um processo de racionalização da água, dada a sua escassez na Região.
Há necessidade de redução de produtos químicos a serem descartados pela empresa em seu
processo produtivo.
3. Us o e racionalização de Energia
A empresa possui estudo e/ou programa de racionalização de energia
4. Res íduos Industriais S ólidos
A empresa reutiliza materiais e produtos gerados por ela e/ou outras organizações.
A empresa trabalha com coleta seletiva de resíduos gerados.
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Fonte: Afirmativas constantes da escala construída para realização desta pesquisa
O método de análise apresenta os cortes
analíticos dentro do segmento empresarial de
exportação, a partir da definição de seu porte, da
diferenciação da atividade industrial que, por sua vez,
indica a intensidade de seu impacto ambiental.
constantes da listagem do Centro Internacional de
Negócios (CINTER) nem através da companhia
telefônica.
Dessa forma, apenas oito empresas
apresentaram as condições exigidas para este estudo,
e se dispuseram a participar da pesquisa sem a
identificação da empresa.
Dentro deste conjunto situacional, inserem-se
os dados primários obtidos através da aplicação da
escala, entrevistas e observação direta bem como os
secundários extraídos da análise documental.
Contudo, como se trata de um estudo de casos
múltiplos, a quantidade aqui não compromete a
qualidade da pesquisa, e sim, seu aprofundamento
com as bases teórico-empíricas trabalhadas. Na tabela
1, tem-se a composição da amostra selecionada.
Após contato com as vinte empresas
selecionadas, houve uma dificuldade em obter telefones
corretos, algumas pareciam não existir mais, pois, não
se conseguiu contato em nenhum dos telefones
Tabela 1 – Caracterização da Amostra, por Setor e Porte
SETO R /PO RTE
MIC RO
PEQ UENA
MÉDIA
G RA NDE
TO TA L
Agroindústria
-
-
-
1
1
B ebidas
-
-
-
1
1
Exploração Extração de P etróleo
-
-
-
1
1
Metal-Mecânico
-
-
-
1
1
Refino de P etróleo
-
-
1
-
1
S iderúrgico
-
-
1
-
1
Têxtil
-
-
-
1
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Veterinário
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-
1
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TOTAL
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3
5
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Fonte: Pesquisa direta
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Quadro 7 - Caracterização da Amostra, por Setor e Origem
S ETO R
C A RA C TERÍS TIC A O RG A N IZA C IO N A L
Agroindústria
Multinacional
B ebidas
L ocal
E xpl.E xtr.P etróleo
Nacional
Metal-Mecânico
L ocal
Refino de P etróleo
Nacional
S iderúrgico
Nacional
Têxtil
Nacional
Veterinário
Multinacional
Fonte: Pesquisa direta
Um terceiro fator considerado na pesquisa foi o impacto ambiental da atividade industrial em seus diversos
graus porque é este o principal determinante da intensidade do envolvimento empresarial com o meio ambiente.
Esta informação atividade/impacto ambiental somente foi possível por meio do SEBRAE, pois o órgão fiscalizador,
por uma questão de “ética”, não identificou as empresas e seus graus de comprometimento ambiental.
Este comportamento revelou, mesmo sem uma pesquisa aprofundada, como o nível de conscientização
ambiental ainda não se instalou no Ceará, comparado à realidade americana onde o próprio órgão fiscalizador e
a sociedade publicam listas das empresas poluentes e reincidentes.
Dessa forma, agruparam-se os setores pesquisados e seus respectivos impactos ambientais para que se
possa refletir sobre a necessidade urgente de um processo de conscientização ambiental. Observe-se o quadro 8.
Q uadro 8 - Caracterização da Amostra, por S etor e Impacto Ambiental
S ETO R
IMPA C TO A MBIENTA L
Agroindústria
Alto
B ebidas
Médio
Expl.Extr.petróleo
Alto
Metal-Mecânico
Alto
Refino de P etróleo
Alto
S iderúrgico
Alto
Têxtil
Médio
Veterinário
Médio
Fonte: S E B RAE
Pôde-se verificar que o nível de envolvimento das empresas com a questão ambiental está diretamente
relacionado com o impacto ambiental que sua atividade provoca. Este, por sua vez, depende do estágio tecnológico
do setor, tipos de matéria-prima e energia utilizadas no processo produtivo.
Somando-se a esse fator encontram-se as pressões dos diversos atores sócio-político-econômicos e culturais
envolvidos direta ou indiretamente em seus negócios em diferentes gradações dependendo do grau de conscientização
alcançado com relação à preservação ambiental. Estas pressões, por sua vez, podem referir-se à poluição do ar, da
água, do solo ou uso da energia.
Todas as empresas pesquisadas afirmaram possuir atividade/função ambiental/ecológica, entretanto, necessário
se fez estabelecer uma sutil diferença entre desenvolver a atividade específica, juntamente com as atividade de
Saúde e Segurança do Trabalho, por exemplo, e considerando-se o nível hierárquico (departamentalização ou
assessoria), com a função meio ambiente definida. Observem-se essas diferenças, e a quantificação das empresas
nesse aspecto, nas tabelas 2 e 3, respectivamente.
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Esta caracterização do setor e sua origem, permitiu verificar as diferenças existentes na orientação da gestão
em cada uma delas, e as dificuldades decorrentes. Isto posto, destacam-se as multinacionais pois, depende de
orientações muitas vezes conflitantes com a cultura do país e da região onde estão instaladas. Este aspecto dificulta
o ajustamento à cultura local. Observe-se, o quadro 7.
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Ta b e la 2 – E m presas que não possuem atividade/função a m biental/ecológica
O R IG E M
Nº
Médio /G ra nde
Multina ciona l
2
Gra nde / Mé dio
Na ciona l
2
L oca l
2
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PO R TE
TOTAL
6
F o nt e : P esquisa D ireta
Nessa primeira situação, em que as empresas não possuem na estrutura organizacional, a função específica
para o meio ambiente, esta geralmente delegada à área de produção ou seja, a responsabilidade dos problemas
ambientais fica sob sua tutela; essa foi a realidade encontrada nesta pesquisa, na maioria das empresas, com
exceção de uma delas, que agregou as questões do meio ambiente à Coordenação de Qualidade.
Uma segunda situação, onde a empresa cria na sua estrutura organizacional, a função específica para o
meio ambiente percebe-se uma maior importância dada a questão. Encontrou-se apenas em duas empresas nacionais
cujas atividades são de alto risco ambiental, sendo pelos menos três delas, recentemente certificadas pela ISO
14.001 e SA 8.800 com uma unidade no Ceará. Foi necessário o deslocamento da pesquisadora até Natal, na sede
da empresa para que fosse possível coletar todas as informações necessárias ao trabalho relativo a essa unidade do
Ceará no município de Paracuru, observe-se a tabela 3.
Tabela 3 – Empresas que possuem a atividade ecológica/ambiental na estrutura organizacional
S ETO R
PO RTE
O RIG EM
Nº
P etroquímico
Médio
Nacional
1
Refino de P etróleo
Grande
Nacional
1
-
-
2
Total
Fonte: P esquisa D ireta
No tocante aos ocupantes da função/atividade ambiental, pôde-se observar que todos são do sexo masculino,
e se encontram na faixa etária entre os 35 a 45 anos, com experiência superior a três anos.
Foi importante verificar a recente qualificação dos recursos humanos para a área ambiental encontrada nesta
pesquisa, pelo fato de que esta pode ser considerada como um fio condutor de mudanças na postura empresarial,
principalmente quando a área está definida enquanto função na estrutura organizacional, na tabela 4.
Ta b e la 4 – P erfil G erencia l da Área Am bienta l
N º ID A D E
( 3 5 -4 5 )
N º E X PE R IÊ N C IA
( S U P. 3 A N O S )
N º E S PE C .
N º M E S TR A D O
Ma sc
8
8
8
3
F em
-
-
-
-
Tota l
8
8
8
3
S EX O
F o nt e : P esquisa D ireta
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Não se pretende, neste momento final,
simplesmente repetir ou resumir as várias descobertas
originadas dos oito (08) casos estudados. Busca-se
evidenciar, explicitar e refletir sobre as diferentes culturas
dessas empresas multinacionais, nacionais e locais e
suas relações com o meio ambiente a partir de suas
práticas de preservação ambiental. Desse modo, podese realizar prognósticos de necessidades de mudança
cultural no trato da questão ambiental.
Para as empresas enfrentarem essas mudanças,
reconhecerem a necessidade da preservação ambiental,
e responsabilizarem-se pelos efeitos de suas atividades
no meio ambiente — para quem dantes definia o que
interessava ao consumidor e desconsiderava o meio
ambiente — não tem sido fácil.
Além disso, à luz dessas reflexões, revisita-se as
principais tendências apontadas pelos resultados da
pesquisa empírica, e realçando o que acredita-se terem
sido as mais relevantes contribuições deste estudo.
Neste sentido, a revisão de literatura mostrou
que os processos organizacionais relativos ao trabalho
com a cultura organizacional não são fáceis de mudar,
requerem dedicação e estratégias inteligentes bastante
participativas para transformá-las.
Este trabalho, iniciou-se destacando a evolução
das relações do homem com a natureza, os principais
problemas ambientais globais, o novo redesenho da
cultura empresarial focada na cidadania e
responsabilidade socioambiental. Associam-se,
também, nesse contexto, as ferramentas tecnometodológicas de abordagem ambiental no âmbito
empresarial, que foram encontradas em uso em
algumas das empresas pesquisadas.
Ao selecionar-se a categorização de Kilman para
a verificação dos artefatos concretos da cultura
organizacional a serem trabalhados na pesquisa, pôdese verificar, ao aplicá-las em cada caso, uma maior
ou menor utilização dos artefatos concretos culturais
como auxiliares na inserção da questão ambiental na
empresa. Este fato, evidenciou na realidade, o pouco
ou quase nenhum conhecimento por parte da
organização da força de sua cultura para uma
mudança situacional requerida.
Dentre os muitos fatores contribuintes para
essas mudanças no quotidiano empresarial, podemos
dizer que, um deles está relacionado com as novas
posturas do consumidor quando da aquisição de
produtos industrializados. Até bem pouco tempo, o
consumidor fazia apenas pesquisas de preços;
atualmente considera além da qualidade,
durabilidade, eficiência, e confiabilidade do produto,
os atributos ambientais, que também entram na lista
de verificação. Esse consumidor hoje utiliza com
bastante freqüência e desenvoltura, o Código de
Defesa do Consumidor em busca de seus direitos.
Finalmente, ficou bem claro o estágio de
envolvimento organizacional da empresa com o meio
ambiente, quando da aplicação do Modelo de
Ackerman e Bauer, voltado para essa identificação.
Desse modo, viu-se em cada caso, a diversidade
cultural existente e o estágio de envolvimento
organizacional com o meio ambiente. Historicamente,
essa evolução se deu por meio de diversos estudos e
lutas de vários atores (ambientalistas e cientistas dentre
outros) interessados na evolução da ciência e da
qualidade de vida do homem e do planeta.
Com o desenvolvimento do processo de
conscientização do consumidor, os atributos ambientais
estão se tornando commodities: produtos recicláveis
aproveitáveis como fertilizantes de jardins, sabão líquido
e detergente lava-louça biodegradáveis, geladeiras
ecológicas (sem gás CFC, que destrói a camada de
ozônio da Terra) dentre outros. Estas são algumas das
respostas das indústrias à preservação ambiental.
Considerando-se as múltiplas culturas, que
nessas empresas convivem recomenda-se trabalhar
aspectos da cultura organizacional sob pena de não
se conseguir os objetivos de qualquer projeto
empresarial, que envolva mudança cultural. Neste
sentido, a academia contribui com o empresariado,
por estar mais familiarizada com a teoria, nesse tipo
de pesquisa; muitas investigações poderão ser
desenvolvidas para que realmente sejam criadas
abordagens e ferramentas que de fato expressem a
urgente necessidade de mudança de foco, do
mercado, ainda hoje pautado tão-somente no
aspecto econômico.
Por outro lado, as empresas vêm se
surpreendendo a cada dia com as comunidades, em
seu entorno, funcionários e organizações não governamentais conscientes e atuantes, lhes cobrando
qualidade de vida e qualidade ambiental. Todo este
cenário se traduz na formação de uma nova cultura,
que se gesta em meio ao conturbado momento social
nos dias atuais.
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Essa exigência de mudança na postura das
empresas em relação ao meio ambiente já está
também presente nas instituições financeiras, que
operam com linhas de crédito e seguros. Estas não
aprovam cadastros de empresas que não
apresentem uma boa performance ambiental, nem
com passivos ambientais.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
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OS SISTEMAS DE PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO DAS INDÚSTRIAS
DE CONFECÇÕES DO ESTADO DO CEARÁ - ESTUDO DE MÚLTIPLOS CASOS
Sérgio José Barbosa Elias – MSc. - Universidade Federal do Ceará
Dálvio Ferrari Tubino – Dr. - Universidade Federal de Santa Catarina
RESUMO
Este artigo apresenta uma análise dos Sistemas de Planejamento e Controle da Produção utilizados
pelas indústrias de confecções sediadas no Ceará, uma das mais representativas do Estado. Inicialmente
é feita a caracterização do setor, mostrando sua importância e problemas enfrentados e depois é
realizada uma pesquisa bibliográfica abordando o PCP e os fatores de maior relevância para a indústria
de confecções. É utilizado para este trabalho o estudo de casos múltiplos, envolvendo cinco empresas
sediadas no Ceará nos portes pequeno, médio e grande, tendo sido usado um questionário para a
obtenção das informações. Os dados obtidos são apresentados e analisados. Este artigo serve como
um referencial teórico sobre o assunto e também como um indicativo das ações a serem tomadas no
sentido da melhoria dos Sistemas de Planejamento e Controle da Produção das indústrias de confecções.
PALAVRAS-CHAVE: Sistemas de Planejamento e Controle da Produção; aparelhos industriais.
ABSTRACT
This paper presents an analysis of the Production Planning and Control Systems (PPCS) used by the
apparel industries located in the state of Ceará, representing one of the most important sectors of the
local economy. Initially it is characterized the sector, showing its economic importance and the problems
faced. Following, it is realized a bibliographic research over the theme PPCS and the most relevant
points in the apparel industry. It is used a multiple case study involving five companies located in
Ceará, with small, medium and large sizes, collecting data with the aid of a questionnaire. All results
were analyzed and presented. This paper serves as a theoretical reference about the subject as well as
an indication to the actions that should be taken in order to improve the Production Planning and
Control Systems for the apparel industries.
KEY WORDS: PPCS; apparel industries.
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INTRODUÇÃO
2.1 FUNÇÕES DE LONGO PRAZO DO PCP
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Entende-se por funções de longo prazo aquelas
que possuem um relacionamento mais estreito com o
planejamento estratégico da corporação, envolvendo
desta forma aspectos mais abrangentes relacionados
à produção, tais como a definição da estratégia de
produção a adotar, se será tradicional ou mais
avançada, como do tipo just in time, por exemplo;
estabelecimento do plano de produção em função do
plano de vendas desejado, o que envolverá a definição
prévia dos recursos produtivos necessários (mão-deobra, materiais e máquinas) para que este plano seja
atendido. Nesta etapa também deverá ser realizada a
previsão de vendas, que será a base fundamental para
a definição do plano de produção (TUBINO, 2000).
A indústria de confecções do Estado do Ceará é
considerada uma das mais representativas, já tendo sido
classificada como o segundo maior polo de confecções
do Brasil. De acordo com Oliveira & Ribeiro (1996), as
regiões Sul e Sudeste concentram grande parte da
produção, respondendo por 87% dos confeccionados
têxteis. Ainda segundo o mesmo informe, os Estados de
São Paulo e Santa Catarina são os que mais se destacam,
sendo que o Ceará possui forte representatividade.
A indústria de confecções possui tipicamente
um processo produtivo por lotes, caracterizando-se
como uma produção do tipo intermitente repetitiva.
Assim sendo, o sistema de Planejamento e Controle
da Produção (PCP) utilizado contribui fortemente para
um desempenho favorável ou desfavorável da
organização, trazendo à tona a questão de qual modelo
de PCP deve ser adotado para que possa contribuir
para a maior competitividade da empresa.
2.2 FUNÇÕES DE MÉDIO PRAZO
As funções de médio prazo compreendem
aquelas atividades que se relacionam com a definição
do plano-mestre de produção, que é definido a partir
do plano de produção estabelecido.
Poucas são as empresas de confecções que
possuem um patamar organizacional superior, havendo
O MPS (Master Production Schedule ou
Planejamento Mestre da Produção) coordena a
demanda do mercado com os recursos internos da
empresa de forma a programar taxas adequadas de
produção de produtos finais, sendo um nível
intermediário de planejamento responsável pelo
processo de desdobramento dos planos estratégicos,
de vendas e de operações em planos operacionais
(CORRÊA et al, 2001).
um grande número de empresas defasadas, que
competem via custo de mão-de-obra ou
terceirização, um mecanismo geralmente usado
em busca de ganhos de produtividade, mas, que
no Brasil, vem se confundindo com redução de
custos através da informatização (OLIVEIRA;
RIBEIRO, 1996, p. 2).
No caso específico do Ceará, os últimos dados
disponíveis que constam no Plano de Expansão e
Modernização da Indústria de Confecções do Ceará
(1994) apontam uma queda significativa da participação
da Indústria de Confecções em relação ao segmento
industrial. Esta mesma análise considera que a indústria
de confecções faz parte de um complexo produtivo de
extrema importância para o Estado do Ceará.
2.3 FUNÇÕES DE CURTO PRAZO
As funções de curto prazo relacionam-se com o
planejamento operacional do PCP, aproximando-se
assim das atividades ligadas às operações realizadas
em nível de “chão” de fábrica, necessitando então de
maior nível de detalhamento. Abrange a gestão dos
estoques, seqüenciamento da produção, programação
das ordens de fabricação e acompanhamento e controle
da produção (TUBINO, 2000).
No Brasil, a indústria do vestuário apresenta
sérias limitações em seus níveis de qualidade e
produtividade (FERRAZ et al, 1995).
Este artigo busca identificar e analisar os sistemas
de PCP utilizados pela indústria de confecções do
Estado do Ceará, avaliando esses sistemas em termos
da adequação das técnicas utilizadas e seus reflexos no
desempenho do sistema produtivo. Essa análise cobrirá
as funções de longo, médio e curto prazo.
2
Incluem-se nesse nível o MRP, MRP II, ERP,
kanban, OPT e os sistemas híbridos de PCP.
2.4 A INDÚSTRIA DE CONFECÇÕES
Podem ser muito variadas as possibilidades de
produção de roupas devido aos vários tipos de
confecções possíveis, tais como: calças, camisas,
vestidos, saias, roupa íntima, artigos de cama e mesa,
linha praia etc. Esta heterogeneidade fica mais evidente
se for considerara a fragmentação do mercado por
sexo, idade, renda etc. (OLIVEIRA; RIBEIRO, 1996).
Entretanto, o sistema produtivo apresenta algumas
características comuns que são apresentadas aqui para
clarificar, em linhas gerais, como ele funciona.
O PLANEJAMENTO E CONTROLE DA
PRODUÇÃO E A INDÚSTRIA DE
CONFECÇÕES
Em termos de abrangência, o PCP pode se
dedicar a aspectos relativos a decisões de longo, médio
ou curto prazo.
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APLICAÇÃO DOS QUESTIONÁRIOS E
RESULTADOS OBTIDOS
4.1 AS
EMPRESAS PESQUISADAS
Foram pesquisadas cinco empresas fabricantes
de roupas, três sediadas em Fortaleza e duas no
município de Maracanaú, distrito industrial situado
próximo à capital. Objetivando preservar sua identidade
e manter o sigilo das informações prestadas, as
empresas serão neste trabalho identificadas pelos
números 1, 2, 3, 4 e 5.
A indústria do vestuário, sendo tipicamente de
moda, é um ambiente bastante propício à utilização
de técnicas de flexibilização da produção, tais como o
JIT/Kanban (TAVARES, 1990).
4.2 ANÁLISE DOS DADOS
Os resultados obtidos das cinco empresas
pesquisadas demonstram que, apesar das diferenças
de porte, produtos e mercados, elas possuem muitas
semelhanças em termos de sistema de planejamento
e controle da produção, e algumas divergências,
conforme pode ser observado no quadro 1.
METODOLOGIA DE PESQUISA
3.1 MÉTODO DE PESQUISA
É interessante observar a inexistência de um órgão
formal de PCP na maior empresa pesquisada, que é de
grande porte, e o sentimento do seu gerente de produção
que não vê isso como uma necessidade, uma vez que
ele considera que tudo está bem assim. Esse aspecto
levanta a questão da importância ou não da existência
de um órgão estruturado de PCP para a melhoria do
desempenho da organização. Mesmo as empresas
pesquisadas que possuem um órgão de PCP, suas
atribuições, embora pertinentes, possuem pouca
abrangência e relevância estratégica para a organização,
concentrando-se basicamente em atividades
operacionais. As atribuições mais estratégicas encontramse nos níveis superiores da organização.
Para a coleta das informações necessárias à
identificação e análise dos sistemas de PCP utilizados
pelas indústrias de confecções do Estado do Ceará,
optou-se pelo uso do Estudo de Casos Múltiplos.
3.2 O INSTRUMENTO DE PESQUISA
Nesta pesquisa, foi utilizado um questionário
com perguntas fechadas, semifechadas e abertas. Esta
flexibilidade que foi utilizada para as perguntas visou
dar maior mobilidade para que pudesse ser obtida a
informação com o maior grau de detalhe possível, sem,
entretanto, cansar o respondente já que havia o
interesse de aprofundar as questões.
3.3 NÚMERO DE EMPRESAS PESQUISADAS
Considerando-se a abordagem teórica proposta,
cinco empresas é um número suficiente (DONAIRE,
1997). Por outro lado, a opção pela obtenção de
informações mais aprofundadas relativas ao sistema
de PCP das empresas, que tem por conseqüência a
necessidade de uma maior dedicação dos respondentes,
aliado ao caráter confidencial dos dados, restringem a
disponibilidade destas em participarem da pesquisa.
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O questionário é composto de seis blocos:
A,B,C,D,E,F. Cada bloco de questões busca obter
informações sobre determinados aspectos relacionados
ao PCP: A - “Dados Gerais Sobre a Empresa”; B “Visão Geral do PCP da Empresa”; C - “Funções de
longo prazo do PCP”; D - “Funções de médio prazo
do PCP”; E- “Funções de Curto Prazo”; F - “Outras
informações ligadas ao PCP”.
Após a definição dos produtos a serem
produzidos, é realizado o corte do tecido procurandose aproveitá-lo ao máximo, por intermédio do processo
de encaixe. Após o corte, os componentes gerados
são encaminhados para as áreas de preparação onde
são costurados os componentes, preparando-os para
as sub-montagens e montagens, possibilitando assim
a produção da roupa. Após isso, é feito o acabamento,
com a colocação de peças acessórias, tais como rebites,
botões, zíperes etc, bem como retiradas pontas de
linha, inspeção final e outros acabamentos pertinentes.
No caso de roupas jeans, antes deste acabamento é
realizada uma lavagem para dotá-la da coloração e
maciez necessária. Há também a passadoria onde é
feita a passagem da roupa pronta com ferros de
engomar. Finalmente é realizada a embalagem. Estas
etapas podem sofrer algumas variações em função do
tipo de roupa que está sendo confeccionada. (ÌTALO,
1987; NUNES,1998).
3
QUESTIONÁRIO DE PESQUISA
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3.4 O
O setor tem como característica básica ser
fortemente influenciado pela moda, podendo lançar
quatro coleções por ano: inverno, primavera-verão,
verão e alto verão.
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Um aspecto comum às empresas e que está
bastante evidente é a ausência de planejamento de
longo prazo e de uma definição formal da estratégia
de produção, o que traz, consequentemente,
indefinição de rumos nos níveis de médio e curto prazo.
Esse fato, possivelmente, está relacionado à
instabilidade econômica do nosso país que torna muito
vulneráveis os planos de longo. Embora a referida
instabilidade seja verdadeira, isso não justifica o falta
da determinação dos horizontes da organização, uma
vez que é melhor ter-se algum rumo, mesmo incerto, a
não possuir rumo algum.. Por outro lado, e por
conseqüência, a inexistência de uma estratégia formal
de produção, possivelmente, está associada a visão
predominante de que a produção não exerce um papel
estratégico para a organização, visão essa que está
em desacordo com os tempos atuais.
que fazer ajustes posteriores no plano de produção
devido à sua imprecisão. Além do mais, a previsão
pode ser feita para família de produtos, sem descer a
detalhes por referência. As empresas pesquisadas
demonstram nesse aspecto confiar muito na
experiência da direção da empresa, inclusive e
principalmente do próprio dono, que indica, pelo seu
sentimento, o que deverá ser mais vendido.
Demonstram também, no caso das maiores, um certo
poder de influência junto aos lojistas na oferta daquilo
que está sendo produzido.
Excluindo-se o fato de todas usarem arranjo
físico celular, as empresas demonstram não estarem
em sintonia com as modernas abordagens gerenciais
que aprimoram o PCP, tais como o JIT, TQC etc,
com exceção da empresa 3 que usa parcialmente
algumas ferramentas da qualidade. Neste sentido,
pode ser observado que a entrega de alguns
aviamentos é feito de uma forma muito rápida devido
à proximidade dos fornecedores. Esse fato pode
facilitar uma parceria cliente-fornecedor externo no
sentido de proporcionar entregas JIT, agilizando o
processo de produção e contribuindo para a redução
dos custos. Mesmo no caso do fornecimento dos
tecidos, isso também pode ser viabilizado, uma vez
que existem muitas tecelagens no Ceará.
Observa-se também que os objetivos de
desempenho declarados pelos respondentes possuem
certa coincidência, uma vez que custo e qualidade
estavam sempre em primeiro lugar, excetuando-se
uma que os colocou em segundo. Entretanto, não foi
observado nenhuma ligação formal desses objetivos
de desempenho com o sistema de PCP adotado.
Possivelmente essa vinculação não esteja tão clara
para a organização A consciência de que o PCP pode
contribuir para a redução dos custos, uma vez que
elimina desperdícios, poderá estimular a adoção de
sistemas mais adequados.
Nenhuma empresa pesquisada faz uso de
procedimentos estruturados para definição do plano
de produção, confiando-se basicamente em sua
experiência. Devem existir possibilidades de melhoria
neste aspecto, por meio de soluções mais
economicamente viáveis para a definição do plano.
Como já foi mencionado, a não formalização de um
plano de produção (para um horizonte de longo prazo)
ratifica a pouca preocupação das empresas pesquisadas
com relação ao plano estratégico, com evidentes
reflexos negativos nas ações de médio e longo prazos.
Além disso, por sua informalidade, as decisões carecem
de mensurações mais precisas em termos dos custos
das alternativas de produção.
Outro ponto comum, é o uso predominante
do arranjo físico celular, que na área de confecções é
chamado de “grupo compacto”, o que contribui para
redução do lead time e aumento da flexibilidade.
Entretanto, esses objetivos poderiam ser
incrementados com o uso do kanban, que não é usado
em nenhuma delas, embora possuam baixíssimo
tempo de setup que facilitaria sua viabilização.
Conforme pode ser coletado durante a
pesquisa, esse tipo de arranjo físico é de uso
disseminado nesse tipo de indústria. A utilização do
arranjo físico celular é de mais fácil utilização em
confecções tendo em vista a maior facilidade de
locomoção e rearranjo dos postos de trabalho.
Embora algumas empresas pesquisadas usem
técnicas relacionadas à gestão econômica dos estoques,
elas ainda são tímidas, o que indica a necessidade do
aprimoramento dessa gestão. Predomina nesse aspecto
o uso da “prática”, carecendo assim de aspectos
técnicos. As empresas que utilizam a lógica do MRP
não a usam integralmente, predominando apenas a
noção de aquisição dos materiais em função da
demanda dos produtos finais, sem usar, entretanto,
uma visão integrada de gestão. A classificação ABC é
utilizada só pelas empresas 2 e 5, entretanto, não foi
identificada nenhuma regra clara, de efetivo uso, para
essa classificação. O dimensionamento dos lotes é feito
também baseado, em todas elas, na prática, sem
considerações mais precisas desse dimensionamento
em fatores tais como custos ou lead time.
A ausência de técnicas estatísticas de previsão
de vendas também foi comum a todas elas, o que
contribui para tornar frágil o planejamento da
produção. Muito provavelmente, isso se deve ao fato
da demanda nesse setor ter características sazonais,
com produtos que mudam suas características em
função da moda, e da produção estar baseada em
parte na carteira de pedidos confirmados. Deve ser
observado, porém, que algumas das empresas
pesquisadas produzem produtos com certa
estabilidade de demanda, ou seja, que não sofrem
tanta influência da moda, como é o caso das que
produzem calças jeans e camisas tear. Assim sendo,
mesmo com produtos que variem em função da
moda, isso não invalida o uso de previsões estatísticas,
uma vez que, como pode ser observado, algumas têm
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De uma forma global, pode-se afirmar que as
empresas de confecções pesquisadas possuem boa
margem de possibilidades de melhoria nos seus
sistemas de PCP. A adoção de sistemas híbridos deve
ser considerada com o uso, por exemplo, do MRP,
para o nível macro de planejamento agregado e gestão
dos materiais e emissão de ordens de compra, e o
kanban para o nível operacional de fábrica, ou outra
combinação pertinente. A utilização dessas práticas
teria certamente, reflexos positivos no desempenho
da organização.
É ponto também comum a possibilidade de
aprimoramento dos métodos de controle e
acompanhamento da produção. Como pode ser
observado, apenas a empresa 3 usa ferramentas da
qualidade e apenas as empresas 2 e 3 utilizam mais
alguns indicadores de produção, além do cálculo da
eficiência, para mensurar o processo. É interessante
observar que a empresa 3, que utiliza ferramentas da
qualidade, apresenta um lead time de 6 dias, menor
entre as médias e grandes e igual à pequena, o que
pode estar indicando um aprimoramento no seu
processo de produção gerado por essas ferramentas.
Isso se torna ainda mais relevante ao se levar em
consideração que é a única que trabalha somente com
pedidos dos clientes, que contribui para um menor
nível de padronização e, consequentemente, uma
maior complexidade da produção.
CONCLUSÕES
Conforme foi proposto na introdução deste
trabalho, as informações obtidas possibilitaram a
identificação e análise crítica dos sistemas de PCP
utilizados pelas empresas de confecções do Estado do
Ceará e uma abordagem da adequação dos referidos
sistemas às necessidades das empresas, abrangendo
os horizontes de curto, médio e longo prazo.
Nenhuma das empresas faz uso do kanban,
embora a idéia predominante nas respostas tenha sido
a redução dos estoques. O kanban é plenamente
possível de ser usado por esse tipo de indústria.
Entretanto, há um fator inibidor que é a variação dos
modelos em função da moda, o que necessitaria um
trabalho das empresas no sentido de proporcionar uma
certa estabilidade dos projetos dos produtos, fato esse
que não é tão complexo, tendo em vista que muitas
possuem uma linha básica, em cima dos quais são
feitas variações em termos de aparência, que às vezes
não são tão significativas. Em outros casos, como
nas camisas tear, a variação entre modelos é
insignificante. Além disso, há fatores favoráveis à
adoção do kanban, como o arranjo físico celular
presente em todas elas e o reduzido tempo de setup.
As empresas de confecções do Estado do Ceará
fazem pouco uso das filosofias/técnicas mais recentes
da engenharia de produção, tendo sido observado
apenas como ponto comum a todas a adoção do
arranjo físico celular. Mesmo com relação às técnicas
tradicionais, pôde ser observado um uso pouco
aprimorado delas, carecendo de critérios adequados
que as dêem sustentação.
A partir das informações obtidas e da análise
crítica, pôde ser detectado que há uma defasagem entre
as práticas de PCP utilizadas e as possibilidades que a
moderna gestão dos sistemas de planejamento e
controle da produção podem possibilitar. Excetuandose o fato de que todas as empresas que foram
pesquisadas utilizarem um arranjo físico celular,
demonstrando uma boa prática nesse sentido (embora
isso esteja relacionado mais à infra-estrutura física do
que ao sistema de PCP propriamente dito, ainda que
exerça influência sobre o seu desempenho), a ausência
de uma prática formal de planejamento de longo prazo,
do uso de técnicas como o MRP I, MRP II, ERP, OPT,
kanban, ou outras correlatas, certamente deve estar
comprometendo o seu poder de competitividade.
As respostas dadas ao questionamento relativo
ao giro dos estoques mostraram um desconhecimento
dos que atuam no PCP em relação a esse aspecto,
uma vez que não houve resposta precisa para esse
quesito, o que indica a pouca importância dada pelos
gestores das empresas a esse indicador como um
mensurador das práticas desenvolvidas na produção
e do sistema e PCP adotado. Já o reduzido tempo de
setup que foi declarado por todas as empresas, mostra
uma grande vantagem desse tipo de fábrica já que
lhe confere boa flexibilidade e a possibilidade de
trabalhar com lotes pequenos.
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Através dessa pesquisa, após obter todos esses
resultados, tem-se o sentimento que as empresas
parecem não conhecer as possibilidades de melhoria
existentes em termos de PCP, ou então, não têm
segurança de que os modelos oriundos da teoria
possam surtir efeitos práticos em sua fábrica. Esse
fato é confirmado pelas informações bastante
reduzidas que foram obtidas a respeito dos pontos
fortes e fracos.
Mesmo considerando que duas das empresas
pesquisadas utilizam um software para apoio no
seqüenciamento da produção, é ponto comum a todas
o não uso de algoritmos de seqüenciamento que
possibilitem efeitos efetivos nos objetivos de
desempenho pretendidos, tal como o desempenho na
entrega, que esteve entre o primeiro e segundo lugar
no desejo das empresas. O uso predominante do PEPS
e das “prioridades” denota essa desvinculação entre
objetivo de desempenho e a prática da produção.
Além disso, a visão da OPT não foi identificada em
nenhuma das empresas pesquisadas.
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Quadro 1 - Principais informações obtidas a respeito dos Sistemas de PCP adotados pelas cinco empresas pesquisadas
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Empresa 1
Empresa 2
Empresa 3
Empresa 4
Empresa 5
(2.489 func.)
(579 func.)
(542 func.)
(42 func.)
(168 func.)
Não
S im
S im
Não
S im
E stratégia de produção
Informal
Informal
Informal
Informal
Informal
Arranjo físico predominante
Celular
Celular
Celular
Celular
Celular
Uso de técnicas matemáticas
ou de tentativa e erro para
preparação do plano de
produção
Não
Não
Não
Não
Não
Técnicas estatísticas de
previsão de vendas
Não
Não
Não
Não
Não
Definição do que produzir
P edidos
e previsão de
vendas
P edidos
e previsão de
vendas
P edidos dos
clientes
P revisão de
vendas (90%)
P edidos
e P revisão de
vendas
P lanejamento das
necessidades de material
através do uso efetivo do
MRP
Não
Não
Não
Não
Não
P EP S /
prioridade de
venda
P rioridade de
venda
P EP S
PEPS /
prioridade de
venda
PEPS /
prioridade de
venda
Ferramentas da Qualidade
para controle e
acompanhamento da
produção
Não
Não
S im
Não
Não
Uso do Kanban
Não
Não
Não
Não
Não
1 0 dias
1 5 dias
6 dias
6 dias
1 5 dias
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Empresa
○
C aracterística
Órgão de P CP
Regra de S eqüenciamento da
produção predominante
Lead time a partir da emissão
da ordem de Corte
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A LOGÍSTICA E AS CONFECÇÕES: ESTUDO SOBRE A INFLUÊNCIA DOS FLUXOS
DE MATERIAIS, INFORMAÇÕES E FINANCEIRO NA DETERMINAÇÃO DO TAMANHO
MAIS INDICADO PARA OBTER LONGEVIDADE E EFICÁCIA – CASO DA PRODUÇÃO
DE JEANS PARA ADOLESCENTES E JOVENS
Fernando Ribeiro de Melo Nunes – Dr. Eng. – Universidade Federal do Ceará
Carlos Manuel Taboada Rodriguez – Dr. Eng. – Universidade Federal de Santa Catarina
RESUMO
Neste trabalho o autor, usando sua experiência vivida em 25 anos de trabalho em empresas de
confecções, formula proposições, logo transformadas em três hipóteses, demonstradas ao longo do
trabalho, com o objetivo de mostrar que os fluxos logísticos influenciam no tamanho e na longevidade
das empresas de confecções. O método utilizado foi o de formular proposições a partir do levantamento
das características operacionais do setor, transformando estas proposições em hipóteses, a serem
fundamentadas no conhecimento teórico da logística e demonstradas por meio de pesquisa de campo
com aplicação de questionário. O tamanho mais eficiente de empresa de confecções para trabalhar em
um ambiente de alta mutabilidade, como o segmento de jeans feminino para adolescentes e jovens, é
o pequeno. A vida útil das empresas que operam neste segmento depende da vida produtiva do
proprietário. A logística estratégica é capaz de possibilitar o crescimento ordenado das empresas de
confecções, mesmo as que convivem em ambientes mutáveis. Na conclusão fica demonstrada a
contribuição deste trabalho para a área da logística e da administração em geral, tanto na prática
empresarial como na fundamentação teórica.
PALAVRAS-CHAVE: Logística; confecções; tamanho e longevidade.
ABSTRACT
In this paper the author, using his experience of 25 years of work in apparel companies, makes
proposals, later transformed in hypotheses demonstrated through the paper, to show that the logistic
fluxes have influence over the size and longevity of the apparel enterprises. The method used was the
formulation of proposals based on the operational characteristics of the apparel industry, later transformed
in hypothesis having fundament on the theoretical knowledge of logistics and demonstrated through
a field research using a questionnaire. The most efficient size to work in an environment of high
mutability, like the one that produces feminine jeans for teens and young ladies, is the little size. The life
span of the enterprises dealing in this environment depends upon the useful life of the owner. Strategic
logistics is capable of allowing the orderly growth of apparel enterprises, even those operating in the
market segment presented. At conclusion it stays demonstrated the paper contribution to logistics area
and to general administration, both practical and theoretical.
KEY WORDS: Logistics; apparel companies; size and longevity.
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INTRODUÇÃO
empresários, renovação constante de idéias, criatividade
e conseqüentemente formação e treinamento contínuos,
características empresariais que diminuem com a idade
dos dirigentes, gerando redução de competitividade e o
conseqüente fechamento das empresas.
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Este trabalho trata da determinação da
influência da logística sobre o tamanho e a longevidade
das empresas de confecção. Estas empresas trabalham
no universo da moda, ambiente de rápida mutação e
incerteza, sujeito à influência de um grande número
de variáveis. O segmento escolhido para servir de base
ao estudo foi o da confecção de jeans femininos para
adolescentes e jovens, em razão de ser o mais volátil
da indústria de confecções.O estudo foi desenvolvido
na Região Metropolitana de Fortaleza, importante pólo
brasileiro de confecções de moda.
O problema da mortalidade precoce tem várias
causas, fixar-se-á no estudo da parte do problema gerado
pelos fluxos logísticos. Os fluxos de informação, de
produção e financeiro, da forma como são realizados no
setor de confecções, requerem um tempo de reação
incompatível com a dinâmica do setor e exigem um capital
desproporcional ao porte das empresas.
O autor, em razão de ter trabalhado durante
vinte e cinco anos como dirigente de empresas de
confecção de jeans, ter sido dirigente do sindicato
patronal da categoria e ser professor universitário na
área de engenharia de produção, durante todo este
período, teve a oportunidade privilegiada de interagir e
pesquisar as empresas do ramo com maior facilidade.
1.2 A IMPORTÂNCIA DO PROBLEMA
Em todo o Brasil, o ramo do vestuário e em
particular as confecções de jeans, são grandes
empregadores de mão-de-obra e têm significativa
influência na arrecadação fiscal de boa parte dos
estados da União. No Estado do Ceará, as empresas
de confecção ocupam lugar de destaque.
A indústria têxtil, em razão de ser um dos mais
antigos ramos industriais, foi bastante pesquisada e já
não oferece a mesma atratividade investigatória que
as industrias eletrônicas, de automação ou de
informática. Entretanto, verifica-se que a cadeia têxtil
em geral, e as confecções em particular, se constituem
em um canteiro propício à aplicação de todas as mais
recentes inovações científicas e tecnológicas. A indústria
de confecções é uma das maiores empregadoras de
mão de obra feminina com baixa instrução e o
segmento de jeans femininos para adolescentes e
jovens, usando equipamento convencional, criatividade
e mão de obra habilidosa e barata, é um laboratório
aberto ao desenvolvimento de novos modelos de gestão
e ao estabelecimento de novos aportes ao
conhecimento teórico.
Tendo como vantagem competitiva a grande
habilidade manual da mulher cearense e contando
com os incentivos da SUDENE – Superintendência do
Desenvolvimento do Nordeste, inicialmente, e com o
FNE – Fundo de Desenvolvimento do Nordeste,
atualmente, além de incentivos fiscais do Governo do
Estado, a indústria de confecções migrou de vários
Estados para o Ceará, tornando-o um pólo avançado
da moda no Brasil.
A Região Metropolitana de Fortaleza abriga
cerca de 9% das empresas brasileiras da indústria de
confecção. No período entre 1970 e 1990, as
confecções responderam por uma arrecadação entre
25 e 28% do PIB cearense.
Evidente se torna, que o problema da
mortalidade nas empresas de um setor tão
representativo na economia do Estado do Ceará e na
do Brasil, como grande gerador de empregos e com
participação significativa no PIB do Estado, é um
problema importante e que precisa de solução. A
importância cresce na proporção em que os escassos
recursos são investidos na criação de empresas de curta
duração. Os prejuízos dados ao Governo em termos
de impostos não recolhidos e nos novos investimentos
necessários ao treinamento e relocação da mão-deobra dispensada são significativos, como também os
danos causados a outros setores, provocados pelos
créditos de fornecedores não pagos, abalando o
equilíbrio da economia e dificultando a abertura de
novos negócios. Todos estes são fatores que
demonstram a importância de estudar e tentar resolver
este problema.
1.1 O PROBLEMA
São fatos comprovados em todo o mundo as
dificuldades que sofrem as novas empresas para sobreviver
nos seus primeiros anos de vida. A mortalidade precoce
do setor industrial das confecções apresenta valores
superiores à média dos demais setores.
O autor identifica a curta longevidade das
empresas de confecções como uma conseqüência visível
do real problema de sobreviver em um ambiente de
incerteza e rápida variabilidade. Grande parte das
empresas que atuam nos segmentos mais sujeitos às
oscilações da moda, morre antes de atingir a adolescência.
Este fato gera uma inexperiência generalizada entre os
empreendedores e um êxodo da mão de obra treinada,
o que propicia a reincidência nos mesmos erros, sem que
se adotem ações corretivas. As empresas que sobrevivem,
precisam de constante atualização para acompanhar as
necessidades dos clientes, o que exige vitalidade dos
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Demonstrar que a aplicação da logística
estratégica é capaz de aumentar a
probabilidade de sucesso nas empresas de
maior tamanho e idade;
Propor uma metodologia de análise que
permita, através de uma abordagem da
logística estratégica, do marketing, do
empreendedorismo e da organização,
explicar as causas do problema da
mortalidade precoce nas empresas de moda
e propor medidas para evitá-las.
•
– o conhecimento desenvolvido e
sistematizado sobre o setor de confecções,
gerou farto material para promover um
treinamento eficaz, dirigido às empresas do
setor e às possíveis entrantes.
– uma abordagem teórica diversificada mas
integrada, que considera a Logística em seus
níveis empresarial e estratégico, o Marketing
e a Estratégia.
Específicos
• Aplicar a metodologia proposta no setor da
confecção de jeans femininos para
adolescentes e jovens, na região
metropolitana de Fortaleza, através da:
Ü Determinação dos indicadores para a
eficiência logística nas empresas
fabricantes de confecção de jeans
femininos para adolescentes e jovens;
Ü Determinação do tamanho mais
indicado para uma empresa de
confecções ter a maior probabilidade de
sucesso, a partir das necessidades de
operação e dos problemas referentes aos
fluxos logísticos;
Ü Estabelecimento da longevidade
esperada para as empresas de confecção
de jeans femininos para adolescentes e
jovens, a partir dos requerimentos
logísticos impostos pelo ambiente dos
negócios.
1.6 LIMITAÇÕES
O setor convive com alto índice de informalidade,
o que dificulta o levantamento de dados nas empresas
de menor porte, por serem aquelas que mais facilmente
proliferam neste ambiente. Declarações do presidente do
Sindicato de Confecções Femininas a um jornal de grande
circulação em Fortaleza, atestam o fato (DIÁRIO DO
NORDESTE, 1998): “Segundo levantamento da
Secretaria da Fazenda, o Estado do Ceará possui 4.327
empresas, estando 2.972 só em Fortaleza”. Este número,
quando comparado com as 1.555 empresas regularmente
registradas no ano de 1998 na Região Metropolitana de
Fortaleza, mostra um percentual de 47,7% de
informalidade.
O setor, em razão de depender da imagem que
passa ao público sobre sua capacidade de interpretar as
tendências da moda, é avesso a fornecer informações.
Sente nisto a possibilidade de vazar informações para as
mãos erradas, o que pode se transformar em uma ameaça
à seu sucesso. A pesquisa sofre as limitações da
dissimulação nas respostas.
1.4 HIPÓTESES
A partir dos estudos teóricos e da observação
realizada sobre as atividades das indústrias de
confecções, realizada durante 25 anos, é possível
formular as hipóteses a seguir:
A amostragem foi do tipo voluntária no seu início,
o que apresenta bias, já que somente participa quem
tem interesse. O ajuste promovido para focar a pesquisa
nas empresas produtoras de jeans, apresenta vício quando
a seleção das empresas visitadas segue o critério da
projeção comercial. Foram pesquisadas as empresas mais
representativas do setor, segundo opinião dos dirigentes
sindicais e das associações de classe.
Hipótese 1: Existe um tamanho mais
indicado para as empresas de confecções,
determinado pelos fluxos logísticos;
Hipótese 2: A vida útil das empresas de
confecções depende da vida ativa do
proprietário;
Hipótese 3: Existe uma logística estratégica
mais adequada às empresas de confecções.
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l
l
O estudo foi realizado em somente um segmento
da indústria de confecções, devido às restrições de
tempo e à complexidade do problema. Procurou-se
aquele segmento mais sujeito à influencia da moda e
portanto mais dependente da logística.
1.5 RESULTADOS ALCANÇADOS
A utilização das conclusões desta pesquisa será
um, dentre outros pontos, que possibilita:
– uma diminuição na mortalidade das
empresas de confecções e um aumento no
tempo médio do horizonte da sua vida útil.
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Gerais
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Este fato ajuda na melhoria da rentabilidade
destas empresas, em uma maior harmonia
nas relações de trabalho entre as empresas
os operários, na redução do risco de
prejuízos aos fornecedores e no aumento da
estabilidade na arrecadação fiscal do
Estado.
DO TRABALHO
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1.3 OBJETIVOS
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O UNIVERSO DAS CONFECÇÕES
como o vestir certo. A moda varia em função do local,
tempo e condições climáticas. Ela é influenciada pelos
costumes, a cultura, as inovações tecnológicas, os
eventos internacionais, regionais e locais (Figura 1).
Também merece citação as chamadas “ondas”, que
são movimentos rápidos de variação dos padrões de
vestir de determinadas classes sociais, principalmente
atuante entre os jovens, que ocorrem motivadas pôr
eventos esportivos, culturais ou sociais.. O movimento
da moda é descendente na pirâmide de distribuição
da renda. Há uma constante tentativa das classes de
renda superior de se diferenciarem das de rendas
inferiores e um movimento inverso das inferiores de
imitar as superiores, guardadas as limitações das
possibilidades financeiras. Devido a esta movimentação
contínua, a moda está sempre em mutação, podendo
mudar rapidamente de direção.
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O ato de vestir tem a finalidade de proteger o
usuário contra as agressões da natureza e do clima,
satisfaz o preceito moral de cobrir a nudez, realça a
beleza e os dotes físicos de quem veste. Todo homem
civilizado usa roupa e a grande maioria está sempre
tentando manter-se atualizado com os mais recentes
estilos da moda.
A indústria de confecções atende a uma
necessidade básica do ser humano, o vestir. A roupa
tem suas origens na época das cavernas, quando o
homem descobriu que podia usar a pele dos animais
como proteção ao seu corpo. A razão de vestir tem sido
motivo de muitas pesquisas e estas, apontam como
causas fundamentais a proteção, já mencionada, o
decoro, com suas raízes bíblicas que remontam ao tempo
de Adão e Eva, o conforto que a roupa oferece ao
usuário, o “status” transmitido pôr ela, quer identificando
profissões quando veste o soldado, a enfermeira ou o
piloto, quer ressaltando classes sociais ou mesmo grupos
étnicos e pôr fim, o adorno, embelezando quem a veste.
“A roupa nos enquadra no grupo a que pertencemos e
nos dá o” status “que temos, ou que queremos ter”
(NUNES, 1973).
Ninguém tem garantia de que o consumidor
final vai aceitar os produtos oferecidos. As empresas
seguem pistas, sugestões e opiniões quando lançam
novas coleções, não há certeza nas ações. A indústria
de confecções opera em um ambiente de contínua
incerteza. O que se quer hoje pode não ser o mesmo
daqui a uma semana. Os movimentos não chegam a
ser caóticos, mas às vezes não têm qualquer
racionalidade. A questão que se apresenta então é:
como planejar e controlar as atividades em uma
indústria que vive em estado de constante incerteza?
A indústria de confecções é uma indústria de
moda e tal como na definição estatística, a moda é a
representação do que a maioria das pessoas adota
Figura 1 – Fatores que influenciam a geração e o movimento da moda
Eventos
Tempo
Usos
Cultura
Folclore
Moda
Lugar
Costumes
Clima
Movimento descendente na
pirâmide de classes de renda
A indústria de confecções se insere dentro da
cadeia têxtil, cujas etapas industriais vão desde o
beneficiamento das fibras até a confecção de peças
prontas para o uso. A confecção é a última atividade
industrial antes da comercialização. Consiste no corte
e transformação de tecidos planos ou de malha em
peças de vestuário, com a ajuda de máquinas de costura
e a fixação através de aviamentos como linhas, botões
e zíperes, dentre muitos outros.
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As confecções trabalham abastecidas por
oligopólios que fornecem as principais matérias primas,
tais como tecidos, malhas, linhas e zíperes. Seu produto
é altamente elástico e volátil, uma vez que acompanha
os ditames da moda. Com tantos fornecedores, o
planejamento das compras, a estocagem e o transporte
são pontos vitais para o bom funcionamento do setor. A
competência produtiva da empresa fica dependente da
habilidade dos seus administradores em coordenar a
chegada dos materiais e serviços necessários à produção.
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Seu mercado, à exceção de alguns monopólios
técnicos, se constitui em um mercado de concorrência
perfeita (ROSSETTI, 1997) e determina o preço que
aceita pagar por cada produto. Nenhuma empresa
detém mais de 2% do mercado. A demande de
confecções é elástica ao preço, mas principalmente à
situação da economia. Em tempos de “vaca magra”
a demanda de vestuário é reprimida pelos
consumidores. A venda é sazonal, sendo mais
importante no segundo semestre.
Localizadas por todo o Brasil, as empresas de
confecções têxteis, e em particular as empresas de
fabricação do vestuário, são os grandes empregadores
de mão de obra feminina e têm influência significativa
no recolhimento de impostos de vários estados
brasileiros (quadro 1). O Estado de São Paulo detém
a mais forte concentração deste tipo de empresas, a
grande maioria de PME, dominando 54,26% do
mercado brasileiro. Lá também existe forte
concentração de empresas de fiação, tecelagem,
malharia e acabamento têxtil, facilitando o suprimento
de suas empresas de confecção.
A diferença de prazos de pagamento entre os
que se consegue dos fornecedores e o que exigem os
clientes situa-se em torno de 60 dias, o que eleva a
necessidade de capital de giro a três vezes o valor da
imobilização. O financiamento bancário é uma
necessidade a todas as empresas não capitalizadas.
Quadro 1 – Distribuição da produção das confecções no Brasil
Parc ela do Merc ado Bras ileiro detida pelas C onfec ç ões dos Es tados Líderes
S ão P aulo
54,26 %
Rio de Janeiro
1 2,80 %
Minas Gerais
5,95 %
Ceará
4,27 %
Outros
22,72 %
Fonte: Pesquisa SEBRAE-CE, 1996.
Os dados estatísticos sobre o Brasil (IBGE 1997) mostram um PIB equivalente a $ 806,24 bilhões de dólares
americanos e uma renda média por habitante de $ 5.039,00 dólares americanos. A superfície do Brasil é de 8.512.000
km², e sua população é de 165.864.341 habitantes. A distribuição por regiões é mostrada na tabela 1, abaixo.
Tabela 1 – Dados estatísticos do Brasil
Dado/Região
Brasil
Norte
Nordeste
C entro O este
Sudeste
S ul
S uperfície
8.51 2.000km²
38,2%
1 9,3%
24,2%
1 0,6%
7,7%
P opulação
1 65.864.341 habitantes
5,8%
28,5%
8,0%
42,7%
1 5,0%
P IB
US $ 806,24 bilhões
4,6%
1 6,5%
7,2%
53,7%
1 8,0%
Fontes: IBGE, Target/ Simonsen Associados – In Exame, ed. 673 – 1998.
Como se pode depreender claramente dos dados da tabela 1, o maior mercado consumidor se situa na
região sudeste, grande alvo de todas as empresas de confecções brasileiras. Esta região também detém a maior
parte das empresas fornecedoras de insumos para a indústria de confecções, o que provoca, um forte fluxo de
materiais entre esta região e as demais.
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Os clientes atrasam os pagamento sempre que
suas vendas aos consumidores finais caem. Esta
situação é mais grave no primeiro semestre de cada
ano, ocasião em que reduzem as encomendas às
fábricas de confecções. Estes clientes além de atrasar
costumam recusar o pagamento dos juros sobre os
atrasos, fato que dificulta o trabalho dos bancos que
passam a recusar sistematicamente o financiamento
às confecções ou a cobrar maiores taxas de juros devido
ao maior risco. As fabricas de confecções ficam com
duas opções: parar de fornecer a estes comerciantes
ou financia-los com seu próprio capital.
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As confecções estão situadas na posição final
da parte industrial da cadeia têxtil, têm empresas
industriais a montante e empresas comerciais a jusante.
Elas tratam com duas formas distintas de organização.
Os fornecedores são empresas industriais, que querem
a continuidade dos negócios e buscam a eficiência
através da produção padronizada. Os clientes são
empresas comerciais, que buscam a variedade e são
oportunistas para conseguir bons negócios, mesmo em
prejuízo das relações com as confecções que os suprem.
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2.1 S ITUAÇÃO
DAS
CONFECÇÕES
NA
Estes dados mostram que o problema da
mortalidade nas empresas de um setor tão representativo
na economia do Estado do Ceará e na do Brasil, como
grande gerador de empregos e impostos, é um problema
importante e que precisa de solução. Os gastos
infrutíferos na criação destas empresas, os prejuízos dados
ao Governo em termos de impostos não recolhidos e
novos investimentos no retreinamento e relocação da
mão-de-obra desempregada, as perdas provocadas pelos
créditos não pagos aos fornecedores, são as
conseqüências da mortalidade das empresas de
confecções mais visíveis.
REGIÃO
METROPOLITANA DE FORTALEZA
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O setor industrial responde por 29,3% do PIB
cearense, que por sua vez responde por 2,17% do PIB
brasileiro (EXAME, ed. 673 - 1998). No contexto da
indústria de transformação do Ceará, o segmento de
vestuário apresentava em abril de 1991 a seguinte
composição: 1989 empresas com 28.599 empregos,
representando 37% do número de empresas na
indústria de transformação e 22,58% do número de
empregados, constituindo-se no maior número de
empresas por categoria e o segundo maior empregador.
As micro-empresas representavam 90,35% do total de
empresas do setor, com 26,04% dos empregos gerados,
enquanto que as pequenas, médias e grandes empresas
somam 9,64 % das empresas, empregando 73,96%
do total de pessoas, salientando-se que deste total as
grandes empresas, em número de seis, empregavam
sozinhas 33,41% de todo o contingente de empregados
O setor tem grande informalidade e as estimativas extra
oficiais, à época, eram de que existiam 7.500 empresas
de confecções no Ceará (Secretaria do Planejamento
do Estado do Ceará - Seplan, In PEMIC, 1993).
A diferença entre os percentuais de
decrescimento, 29,4% na mão de obra empregada e
31,8% no número de empresas, mostra uma mudança
no perfil das empresas e do produto fabricado, indicando
produtos mais elaborados, o que provoca menor
produtividade por operário empregado.
As empresas de confecções do Estado do Ceará
e a região Sudeste, distante 4.000 Km, mantém forte
intercâmbio comercial. O Ceará importa matérias
primas e produtos acabados do Sudeste, maior mercado
produtor e consumidor (Tabela 1), e exporta para lá
parte dos seus produtos acabados. A ligação entre as
regiões é quase que integralmente feita por via rodoviária,
com pequena participação do transporte aéreo
principalmente nas épocas finais de coleção.
Os dados oficiais têm registrado quedas, desde
os últimos dados apresentados e o farão até que se
restabeleça o equilíbrio no mercado. Dados oficiais do
Ministério do Trabalho e da Secretaria da Fazenda do
Estado do Ceará (SEFAZ-CE), mostram na tabela 2:
2.2 O
As empresas de confecção trabalham sobre uma
coleção de modelos que atende aos requisitos da moda
e têm vida útil de curta duração. A criação das coleções
é realizada após um período de pesquisa das tendências
da alta costura, das previsões das revistas
especializadas e do que é exposto nas feiras
internacionais da moda. O projeto da coleção é seguido
da fabricação de protótipos, de sua análise de
viabilidade comercial, industrial e financeira, e de uma
previsão de vendas. Fruto das análises de viabilidade e
da previsão de vendas, procede-se às correções
sugeridas nos protótipos e às compras das materias
primas e acessórios correspondentes.
Tabela 2 – Estatística sobre o setor de confecções na região
metropolitana de Fortaleza
A no
N úm e ro
de e m pre s as
Q uantidade de
e m pre go s o fic iais
1 997
1 540
20.1 89
1 998
1 555
1 9.967
1 999
1 520
23.044
Fonte: SEFAZ-CE, e Ministério do Trabalho do Brasil.
O número de funcionários com carteira
registrada, em novembro de 1997, era 20.189
empregados, representando um decréscimo de 29,4%
em 7 anos. Quanto ao número de estabelecimentos,
a quantidade era de 1.540 empresas em fins de 1997,
um decréscimo de 22,5 % no mesmo período, oscilando
um pouco em 1998 e 1999, quando chegou a 1520
empresas e 23.044 empregados. Já os números
informais, estimados pelos mesmos órgãos oficiais,
apontam, conforme declarações feitas pelo presidente
do Sindiconfecções (DIÁRIO DO NORDESTE, 1998):
“Segundo levantamento da Sefaz, o Ceará possui 4.327
empresas, estando 2.972 em Fortaleza”, um decréscimo
de 42,30% no número total de empresas, maior do
que o percentual das empresas oficiais, fruto da ação
fiscal que se intensificou no período.
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FUNCIONAMENTO DAS EMPRESAS DE CONFECÇÃO
Cada vendedor ou representante comercial da
empresa trabalha com um mostruário completo da
coleção em venda. Os mostruários de venda são
fabricados dentro das linhas de produção,
concomitantemente com a produção regular dos
modelos da coleção anterior, para permitir a aferição
do grau de dificuldade. A direção comercial faz um
pré-lançamento da coleção, apresentando-a aos 20%
dos clientes que respondem por 80% das vendas. Um
ajuste na previsão de vendas é feito. Em seguida se
procede ao balanceamento das linhas de produção,
definição das seqüências de fabricação e determinação
dos custos previstos e preços de venda.
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Figura 2 – Ciclo projeto – produção – venda
ALTA COS TURA
Coleções dos estilistas célebres
B IRÔS DE MOD A
Revistas especializadas
F EIRAS INTERNACIONAIS
Paris, Milão, Londres, Nova York
VIAB ILIDADE INDUS TRIAL
P ROJE TO DA
COL EÇÃO
FAB RICAÇÃO DOS
P ROTÓTIP OS
VIAB ILIDADE COMERCIAL
VIAB ILIDADE F INANCE IRA
FAB RICAÇÃO DOS
MOS TRUÁRIOS
COMP RAS
P RE VIS ÃO INICIAL DE VE NDAS
B AL ANCE AMENTO DAS
LINHAS D E P RODUÇÃO
P RÉ
P RODUÇÃO
PRÉ VENDA
(Pareto)
AJUS TAR A
COL EÇÃO
VE ND AS
S E QÜENCIAR MOD ELOS
PARA A P RODUÇÃO FINAL
Na cadeia de suprimento as coleções seguem um calendário que acompanha as estações do ano (figura 3).
Devido à diferença de seis meses entre as estações nos hemisférios norte e sul, a moda no Brasil chega às lojas seis
meses antes de chegar às lojas européias, embora os lançamentos dos grandes costureiros tenham sido feitos a partir
das capitais européias.
Figura 3 – Diagrama de coordenação tecelagem/malharia – confecção – retalhistas
FIM DE
ANO
OUTONO
INVERNO
ALTO
VERÃO
4
78 9
16 84
7 8 6 7
6
M AR
1
4
FE V
94
12
8
7 4
JUL
1 JUN
PRIMAVERA
VERÃO
8
4
4
78
3
4
9 EZ JAN 4
D
4 3
4
123 4
45
OUT
6
6
NO 78
V
4
89
7
56 514 ET
4
S
3 57
O
G
A
8
16
7
8 1
6
5
A BR
MA 75
I
Confecções
Tecidos/Malhas
Retalhistas
Fonte: Abranches e Brasileiro, 1990.
Como se pode observar, o período de vendas para cada coleção é de três (3) meses somente em todas as
etapas da cadeia de suprimento. As quantidades vendidas em cada coleção são diferentes e portanto o período que
as empresas necessitam para fabricar os produtos também varia.
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Um terço da previsão de vendas é usualmente fabricado antes do início das vendas aos retalhistas. Após os
primeiros resultados das vendas se promove novo ajuste nas seqüências de fabricação para a totalidade dos
produtos que restam (figura 2).
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CONTRIBUIÇÕES DO CONHECIMENTO
TEÓRICO À EXPLICAÇÃO DO MODO DE
FUNCIONAMENTO LÓGICO DAS
EMPRESAS DE CONFECÇÃO
confecções. Com este objetivo serão explorados todos
os pontos, dentro e fora da empresa, que podem
colaborar na redução do tempo do ciclo de prestação
do serviço (figura 4).
A pesquisa bibliográfica das contribuições
teóricas à explicação do modo de funcionamento lógico
das empresas de confecções foi desenvolvida nos
campos da logística, da estratégia e do marketing.
Procurou-se estabelecer um fio condutor dentro da
logística envolvendo a estratégia e o marketing, para
demonstrar a unicidade de propósitos destas três
disciplinas, representada pelo que Colin e Fabbe-Costes
(1999) denominaram logística estratégica. O fio
condutor será puxado pela busca da redução dos
tempos de reação e do ciclo de produção, principal
indicador logístico deste ramo industrial, fator que será
demonstrado durante a análise das empresas de
Inicia-se com o estudo da evolução do conceito
da logística e o estabelecimento do seu entendimento
neste trabalho. Busca-se a evolução da estratégia e do
marketing com o intuito de clarificar a noção de unicidade
de pensamento e ação com a logística. Parte-se então
para analisar a cadeia de suprimento e nela, detalhar as
ações logísticas nas etapas da aquisição, produção e
distribuição, com o intuito de determinar os pontos onde
se pode reduzir tempo e custos, além de aumentar a
flexibilidade do sistema. Finalmente são analisadas as
principais estratégias logísticas e a participação dos
empreendedores no sucesso de suas aplicações.
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Figura 4 – Esquema das contribuições teóricas ao funcionamento lógico das confecções
MARKETING
LOGÍSTICA
ESTRATÉGIA
LOGÍSTICA
ESTRATÉGICA
EMPREENDEDORISMO
E ORGANIZAÇÃO
CADEIA DE SUPRIMENTO
ESTRATÉGIAS LOGÍSTICAS
4.1 CONCEITUAÇÃO DA LOGÍSTICA
prioriza o atendimento e na sua falta o impede, fato
constatado na experiência empresarial vivida pelo
autor. Desta forma, a definição de logística adotada
neste trabalho é um consenso das opiniões dos autores
citados, tendo a seguinte redação dada pelo autor:
Entender bem o conceito da logística é
fundamental para que possamos desenvolver o racional
teórico deste trabalho. Cada autor de livro ou trabalho
se preocupa em mostrar como entende a logística. As
associações que congregam os que trabalham com
esta atividade firmam posição. Identifica-se dois
direcionamentos claros: o pensamento europeu de que
a logística é a coordenação dos fluxos de produção e
da informação, liderados pela corrente francesa, e o
pensamento norte americano de que a logística é uma
ferramenta dentro da gestão da cadeia de suprimento,
liderados pela escola da Universidade de Michigan.
Logística é o processo de planejar, implementar
e controlar os fluxos de produtos ou serviços,
de informações e financeiro, desde a obtenção
das matérias-primas, passando pela fabricação
e satisfazendo os clientes em suas necessidades
de tipo, tempo e lugar, através da distribuição
adequada, com custos, recursos e tempo
mínimos.
O autor considera que a idéia de fluxo de
suprimento, introduzida por Magee (1968), adotada e
enriquecida pelo US Council of Logistics Management
(1986) com o acréscimo do fluxo de informações,
confirmada por Lambert (1993), Taylor (1997) e Balou
(1998), reforçada por Rushton e Oxley (1993) e
detalhada por Tixier, Mathe e Colin (1996), deve ser
acrescida da menção ao fluxo financeiro, fator que
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A seguir, no quadro 2, apresenta-se um sumário
dos aportes de cada autor ou associação ao conceito
da logística.
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Quadro 2 – Sumário de contribuições ao conceito da logística
A UTO R
DEFINIÇ Ã O DA LO G ÍS TIC A
Movimento e manutenção de mercadorias do ponto de produção
ao ponto de venda.
Movimento desde os fornecedores, passando pela cadeia
produtiva e em direção aos consumidores. Atividades de
transporte, estocagem, previsão de vendas, escolha e localização
das fábricas e entrepostos
Gestão do fluxo.
Determinação das necessidades, suprimento, distribuição e
manutenção.
Tornar disponível as mercadorias em um lugar e tempo
determinados.
Atividades que coordenam o fluxo dos produtos. Nível de serviço
a custo mínimo.
P lanejamento, implementação e controle dos fluxos físicos, de
informação e da estocagem, para satisfazer às especificações dos
clientes.
Fluxos físicos e de informação.
P rocesso de gestão estratégica que utiliza o marketing para
satisfazer os pedidos com o menor custo.
Logística do suprimento, logística da produção e logística da
distribuição.
P rocesso inteiro de movimentação dos materiais que entram,
passam e saem da empresa.
Integração, coordenação e controle da movimentação dos
materiais, estocagem dos produtos finais e informações.
S istema de controle dos fluxos físicos para suportar a estratégia
das “unidades de negócios”.
Garantia de menores custos, coordenação entre a oferta e a
demanda nos planos estratégico e tático.
Gestão estratégica do fluxo de informação, de suprimento e a
estocagem dos materiais e produtos acabados.
Missão de disponibilizar o produto certo, no lugar certo e na hora
certa dentro das especificações determinadas.
P arte da cadeia de suprimento que realiza a movimentação e o
armazenamento dos produtos.
American Marketing Association - 1 948
National Council of P hysical Distribution
Management 1 962
John F. Magee - 1 968
C.A.S tone - 1 968
J.L. Heskett, N.A., R.M. Ivie et Glaskowsky
Jr. - 1 973
James L. Heskett - 1 977
Council of Logistics Management -1 986
Lambert & S tock - 1 993.
David H.Taylor - 1 997
A. Rushton et J. Oxley - 1 993
John L. Gattorna - 1 994
J. Cooper, M. B rowne et M. P eters - 1 994,
J.C. Johnson et D.F. Wood - 1 996
IMAM- S ão P aulo - 1 996
D.J. B owersox et D.J. Closs - 1 996
Tixier, Mathe et Colin - 1 996
Martin Christopher - 1 997
Ronald H. B allou - 1 999
Council of Logistics Management - 2000
No quadro 3 sumariam-se as principais definições
de estratégia, dadas pelos autores mais conhecidos.
Estratégia é a concepção das ações envolvendo
os recursos de que dispõe uma empresa, visando
estabelecer uma posição futura que seja
diferencial com relação à concorrência e
coerente com o meio ambiente.
Em todas as definições citadas existem
elementos comuns que merecem ser destacados: (1)
recursos / forças da empresa, (2) meio ambiente e (3)
concepção do negócio futuro. As diferenças estão no
que se quer atingir no futuro.
Acredita-se neste trabalho que a
sustentabilidade de futuras posições fica mais sólida
na proporção em que elas são únicas. O conceito de
estratégia adotado neste trabalho pinça as boas idéias
dos autores citados:
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A estratégia é, por excelência, o lugar de
confrontação entre o pensamento e a ação. O caminho
da estratégia exige uma inteligência de conceitos e de
reflexões e a leitura das teorias se banaliza se não as
podemos confrontar aos procedimentos práticos, pelos
exemplos, pelos estudos de casos ou a própria
experiência nos negócios.
○
A problemática de desenvolvimento das
empresas está no centro da estratégia. Os princípios da
maximização do valor e da análise do meio ambiente
constituem as bases teóricas que fundamentam a
reflexão estratégica. Criar valor, desenvolver uma
vantagem competitiva e maximizar o lucro são palavras
de ordem na estratégia.
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4.2 DEFINIÇÕES DA ESTRATÉGIA
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Quadro 3 – Sumário comparativo das definições de estratégia
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DEFINIÇ Ã O DE ES TRA TÉG IA
Conhecendo as forças da empresa, propor o campo, o direcionamento e a taxa
Ansoff, 1 970
de expansão da empresa
E laborar uma política que externamente seja coerente com o meio ambiente e
Martinet, 1 983
internamente promova a coesão das estruturas da organização.
Conceber o negócio futuro a partir do diagnóstico da situação atual da
Andrews, 1 987
organização e do meio ambiente.
Conjunto de reflexões, decisões e ações que levam a escolher meios para
Marchesnay, 1 993
atender as metas futuras.
Ação formalizada que define as manobras que permitem atingir uma posição
Mintzberg, 1 993
favorável e durável no meio ambiente.
É uma mistura do que o ambiente impõe e o que os recursos da empresa
Koenig, 1 996
recomendam.
E scolha de forma deliberada de um conjunto diferente de atividades para ter
P orter, 1 996
um mix único de valores que lhe dê uma posição sustentável.
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A UTO R
4.3 DEFINIÇÕES DE MARKETING
O marketing é uma ciência onde a dominação
norte americana é quase total, fato que se comprova
pela grande quantidade de autores e publicações. No
quadro 4 selecionou-se autores americanos e europeus
que apresentam as últimas tendências no pensamento
do marketing.
A ponta de lança das empresas, ligação entre a
identificação do desejo insatisfeito dos clientes e as
possibilidades da empresa, o marketing é o terceiro
ponto de apoio deste trabalho. Desenvolvido como arma
para combater a saturação do mercado, o marketing
passou por diversas fases no seu processo evolutivo,
de facilitador de vendas a integrador do planejamento
de novos produtos, de componente da estratégia das
empresas a ponto chave da logística.
Quadro 4 – Sumário das definições de marketing
A UTO R
DEFINIÇ Ã O
Drucker, 1 975
Conhecer bem os clientes e adaptar os produtos ou serviços.
Dubois e Jolibert, 1 992
Ações para compreender e influenciar nos objetivos e nas condições de troca.
Kotler e Dubois, 1 992
Mecanismo econômico e social para satisfazer as necessidades e desejos pela
criação e troca de produtos e outras entidades de valor.
McCarthy e P erreault,
1 997
S atisfação do consumidor através do esforço total da empresa visando o
lucro e não só a venda.
Kotler, 1 999
Arte de encontrar, desenvolver e lucrar com as oportunidades.
Christopher, 1 999
Ações para criar e desenvolver relacionamentos duradouros e lucrativos com
os clientes.
Fabbe-Costes e Colin (1999), os mais destacados
representantes da corrente de pensamento logístico
francesa, explicam a transição da estratégia logística
para a logística estratégica. A abordagem clássica para
a formulação da estratégia logística consiste em começar
com a estratégia global da empresa e então definir a
estratégia logística que permitirá à firma alcançar seus
objetivos. A logística é concebida como um sistema
funcional de suporte e uma ferramenta para a estratégia
global. O controle dos fluxos de materiais e produtos
acabados hoje, constitui-se em um fator chave para o
sucesso em numerosos campos de ação, o que justifica
a abordagem por eles proposta:
Como se pode observar, as definições de
marketing tem pontos comuns que são o conhecimento
do cliente, a identificação de oportunidades e a
lucratividade pelo produto e pelo relacionamento
prolongado. Para este trabalho a definição adotada é:
Marketing é o conjunto de ações desenvolvido
por
uma
empresa
para
identificar
oportunidades, conhecer os clientes e canalizar
o total dos seus esforços para desenvolver um
relacionamento duradouro, que satisfaça ao
cliente e seja lucrativo para a empresa.
4.4 LOGÍSTICA ESTRATÉGICA
A logística, assim como outras funções tal como
o marketing e informática, também abrem novas
linhas estratégicas de ação. Para formular estas
novas linhas, é imperativo reverter a abordagem
clássica e pensar em logística estratégica ao invés
de estratégia logística.
As correntes de pensamento européias na área
da logística empresariais, principalmente a francesa e
a inglesa, se definem atualmente pelo reconhecimento
de que a logística é o motor e a fonte para a geração
de uma estratégia global para as empresas.
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Quadro 5 – Principais diferenças entre a logística estratégica e a estratégia logística
V isões →
Estratégia Logística
Logística Estratégica
Percepção das expectativas logísticas
S uporte estratégico
Fundação estratégica
Efeitos na organização
Melhora, evolução
Mudança, transmutação
Pontos de V ista ↓
Fonte: Fabbe-Costes e Colin, 1999.
O fator determinante para reverter as
perspectivas, parece ser a maturidade na percepção
de que a logística é um domínio de gestão interfuncional
aberto, que aumenta a eficiência operacional nas
empresas. A experiência, o saber fazer e os sistemas
desenvolvidos pelas ações logísticas retroagem sobre a
estratégia, tornando-se o vetor para a sua reformulação
e permitindo à empresa diferenciar-se pelos serviços
logísticos que fornece, pelo crescimento da gama
combinada de produtos e serviços ou ainda pela
diversificação das atividades logísticas.
Christopher (1999), o mais avançado
representante do pensamento logístico inglês, trata neste
seu livro, da fusão do marketing e da logística,
considerando ser este composto o componente essencial
da estratégia empresarial global. Para apoiar sua
proposição ele mostra que atualmente existe pouca
diferenciação na funcionalidade dos produtos e que os
clientes são sofisticados e experientes, o que leva à redução
na eficiência dos gastos com publicidade na decisão de
compra, conduzindo esta decisão à competição de preços
e à disponibilização dos produtos e serviços.
Hipótese 1: Existe um tamanho mais
indicado para as empresas de confecção de
jeans femininos para adolescentes e jovens,
determinado pelos fluxos logísticos;
•
Hipótese 2: A vida útil das empresas de
confecção de jeans femininos para
adolescentes e jovens depende da vida ativa
do proprietário;
•
Hipótese 3: Existe uma logística estratégica
mais adequada às empresas de confecção
de jeans femininos para adolescentes e
jovens.
Para a validação, adotou-se o levantamento de
dados oficiais e das empresas que atuam no segmento
de mercado em estudo, feito por enquête a partir de
questionário escrito e complementada através de
entrevista com os dirigentes das empresas identificadas
no questionário, bem como seus fornecedores e
principais clientes.
4.1 MODELO DA TESE
O tempo tornou-se um dos mais importantes
elementos no processo competitivo, pois os clientes,
devido à rápida mutação das necessidades, buscam
tempos de espera cada vez menores. Isto faz com que
a disponibilidade do produto supere a fidelidade à
marca. Somente a logística, como gerador e
fundamento da estratégia, capacita a empresa a lutar
por seu espaço no universo competitivo.
4
•
A moda, o mercado e os fornecedores se
constituem nos algozes que ditam as regras de operação
das empresas de confecção. Estas regras são captadas
pelas empresas através dos fluxos de informação,
financeiro e material, e forçam modificações nos seus
procedimentos estratégicos, táticos e operacionais para
se ajustarem com sucesso ao ambiente de negócios.
Segundo o tamanho e a idade da empresa, sua
adaptação a este ambiente se faz de diferentes formas
e com diferentes graus de adequação.
MODELAGEM DA PESQUISA
O autor construiu proposições a partir da sua
interação com as empresas de confecção onde
trabalhou e pesquisou. Estas proposições são
transformadas em hipóteses, a seguir especificadas, a
serem validadas junto ao universo a ser pesquisado.
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da estratégia global e que se preveja como, em
situações tipo a da indústria de confecções, a logística
pode ser a real fundação das ações estratégicas. O
quadro 5 mostra as principais diferenças entre as duas
visões estratégicas.
○
A logística estratégica consiste em imaginar e
desenvolver ações estratégicas, que seriam impossíveis
de obter sem que exista forte competência logística.
Este ponto de vista torna necessário que se pense em
logística no momento em que se inicia a elaboração
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O modelo escolhido para mostrar a influência
da logística sobre o tamanho e a longevidade das
empresas que confecionam jeans femininos para
adolescentes e jovens, trabalha sobre os efeitos
mensuráveis aparentes para concluir sobre as causas
reais em estado latente. Identificam-se as variáveis
manifestas do ambiente de negócios que representam a
influência no problema da variável latente chamada de
logística. Identificam-se a seguir as variáveis manifestas
das empresas de confecção que representam os efeitos
do ajuste destas empresas à pressão da logística. Estas
variáveis manifestas mostram o comportamento das
variáveis latentes chamadas de tamanho e idade, frente
à ação da outra variável latente chamada de logística.
A reação de ajuste das empresas de confecção
a esta influência da logística sobre sua idade e
tamanho, se faz sentir através das variáveis manifestas
que demonstram as mudanças nas empresas
provocadas pela variação destes dois itens em estudo.
Estas são as variáveis manifestas das empresas.
4.2 ESQUEMA DE COLETA DE DADOS
O esquema para a coleta de dados envolve os
órgãos públicos, detentores das informações gerais da
indústria de confecção e as empresas que atuam no
segmento da fabricação de jeans femininos para
adolescentes e jovens. A concepção do esquema vai
mostrada na figura 7, sendo delhada em seguida.
Na figura 5, apresenta-se em um esquema, todos
os itens relacionados ao problema, influenciando no
funcionamento das empresas de confecção ou sendo
conseqüência deste funcionamento. A figura contém sete
colunas onde se mostra desde os itens mensuráveis das
variáveis manifestas do ambiente de negócios, coluna “A”,
até os itens mensuráveis das varáveis manifestas das
empresas de confecção, referentes aos ajustes feitos por
estas para se enquadrarem nas exigências do ambiente
de negócios, coluna “G”.
O primeiro passo foi conhecer o universo das
empresas de confecção registradas e em funcionamento
regular. Contatou-se a Secretaria da Fazenda do Estado
do Ceará (SEFAZ), para fornecer a relação com o
nome e endereço destas empresas, bem como os
indicadores gerais referentes ao faturamento, compras
e estoque, tudo separado por volume de faturamento,
conforme se mostra na tabela 3. Contatou-se o
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), para fornecer
a relação de admissões, demissões e estoque de
empregados, com os índices de rotatividade da
indústria. Contatou-se a Junta Comercial do Estado
do Ceará (JUCEC), para fornecer os nascimentos e
mortes de empresas de confecções por ano, e a relação
das vivas por idade. Os clientes forneceriam dados
sobre o meio ambiente da comercialização das
confecções jeans femininas.
Na coluna “B” se mostram os fatores
representativos do ambiente de negócios: moda,
mercado e fornecedores. A coluna “C” mostra os meios
utilizados pela variável latente causa, a logística, para
captar a pressão exercida pelos fatores representativos
do ambiente de negócios.
A coluna “D” mostra o desdobramento da
variável latente logística nos seus instrumentos de ação,
os fluxos de informação, financeiro e físico. A coluna
“E” mostra as variáveis latentes influenciadas pela
logística, no caso o tamanho e a idade das empresas
de confecção de jeans para adolescentes e jovens.
A análise preliminar da relação fornecida pela
SEFAZ constatou que, o maior contingente das empresas
está na categoria vestuário em geral e que existem
empresas registradas em uma categoria mas atuando
em outra. Desta forma, não se consegue isolar o
segmento das empresas fabricante de jeans femininos.
A coluna “F” mostra os pontos onde são
refletidas as ações de ajuste promovidas pelas empresas
de confecção, em função do seu tamanho e idade. Os
itens mensuráveis, conforme já dito anteriormente, vão
explicitados sob a forma de variáveis manifestas na
coluna “G”.
Decidiu-se então que, todo o universo de 1520
empresas, constante da relação da SEFAZ precisava
ser contatado individualmente, para se poder
identificar quais as que pertencem ao segmento em
estudo. O contato presencial seria muito demorado,
o que inviabilizaria o trabalho. Optou-se então por
elaborar um questionário com perguntas objetivas e
cruzadas, que permite levantar dados gerais sobre a
indústria de confecção e dados específicos sobre a
influência dos fluxos logísticos nas empresas de
confecção. Além disso se pode identificar quais dentre
elas fabricam jeans femininos.
O modelo da tese, obtido como fruto da
análise estratégica da indústria de confecções
desenvolvida ao longo deste capítulo, vai sintetizado
na figura 6. Mostra de forma simplificada e objetiva a
influência da logística na idade e tamanho das empresas
de confecções. Estas variáveis são latentes e o estudo de
suas inter-relações é realizado indiretamente, através de
variáveis manifestas que representam as excitações de
entrada e dos ajustes de saída do sistema.
Na entrada, o sistema vai incitado a reagir pelo
ambiente de negócios, através das restrições logísticas
a que estão sujeitas as empresas de confecções de
jeans femininos. Estas são as variáveis manifestas do
meio ambiente.
○
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36
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, v.1, n.1, jan./jul. 2003.
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, v.1, n.1, jan./jul. 2003.
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A
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Diversidade produtos
Preço de venda
Prazos
Crédito clientes
Qualidade produtos
Prazos
Qualidade
Custo
Nível serviço
Atualização
Variação
FORNECEDOR
MERCADO
MODA
B
○
Treinamento
Estoques
Flexibilidade
Prazos
Qualidade PF
Controle
Qualidade MP
Automação
Máquinas
Sistemas gestão
Financ/bancário
Taxa de juro
Garantias
Fluxo Caixa
Crédito fornec.
Capital social
Informatização
Sistema de inform.
Vigilância
C
FLUXO
FÍSICO
FLUXO
FINANCEIRO
FLUXO DE
INFORMAÇÃO
D
IDADE
E
TAMANHO
○
Tempos de ciclo
Ajustes
Cores
Acessórios
Tecidos
Estilo
Figura 5 – Itens que influenciam no funcionamento da s empresas de confecção
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TECNOCRATIZAÇÃO
VELOCIDADE DE
DECISÃO
CONTROLE
CUSTOS
NÍVEL SERVIÇO
FLEXIBILIDADE
RENTABILIDADE
ORGANIZAÇÃO
CULTURA
CONHECIMENTO
F
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○
Tempo decisão
Processo rígido
Administração pesada
Finalização negócios
Obsolescência estoq.
Estoques obsoletos
Consumo de tecido
Estoques
Prazos
Tempo de reação
Mudança de pedidos
Adaptação às ondas
Margem fraca
Taxa FC/FAT
Sistema de inform
Centralização
Risco
Idiossincrasias
Personalização
Humanização
Produtos
Fornecedores
Processo fabric.
Clientes
G
○
○
37
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○
VARIÁVE IS MANIFE S TAS D O ME IO AMB IE NTE
Figura 6 - Modelo de Tese
IDADE
VARIÁVEIS MANIFESTAS DA EMPRESA
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Vigilância tecnológica
Vigilância da moda
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P CP – P lanejamento e Controle da P rodução
Custos da compra
Prazos dos fornecedores
Financiamento dos fornecedores
Financiamento bancário
Diversidade de produtos
Rapidez da variação
Nível de qualidade
Prazo do mercado
○
Preço de venda
Processos
Máquinas
Tecidos
Estilo
FC – F luxo de Caixa
LOGÍSTICA
○
FAT – Fatura mento
TAMANHO
PCP
Nível automação
Flexibilidade
Nível manutenção
Treinamento
Centralização administrativa
Estrutura
Controles
Qualificação do empreendedor
Grau de terceirização
Controle da qualidade
Sistema de informação
Rotação
Estoques
Nível/Controle
Grau de obsolescência
Custos das vendas
Tipo
Financiamento
Prazo
Custo
Mercado e vendas
% atraso recebimentos
Tamanho da coleção
Rapidez da mudança
Prazo de transporte
Tempo de reação
Margem de rentabilidade
Razão FC/FAT
Benefícios operários
Ambiente trabalho
Nível supervisão
○
Nível de humanização
○
○
Cores
Ajustes
○
VARIÁVE IS L ATE NTE S
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, v.1, n.1, jan./jul. 2003.
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PESQUISADOR
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, v.1, n.1, jan./jul. 2003.
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FORNECEDORES
CLIENTES
JUCEC
MTE
SEFAZ
○
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○
○
moda
Preço de aquisição
Prazos do mercado
Nível de qualidade
Diversificação
Velocidade da
Nascimentos,
mortes e idade
das empresas de
confecções
Relação de
admissões,
demissões e
estoque de
funcionários
Indicadores de
faturamento,
compras e
estoque
Relação de
empresas por
CAE e tamanho
Indicadores gerais
tamanhos
Visitas a empresas
de diversos
Análise das variáveis
manifestas do meio ambiente
Fabricantes de outras
categorias de vestuário
Envio de
questionários
pelo correio
Figura 7 – E squema da coleta de dados realizada
Indicadores específicos
Análise das variáveis
manifestas da empresa
Fabricantes de jeans
femininos
Coleta de
respostas
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39
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○
○
○
Este questionário teve como base o modelo de
tese e as perguntas identificam as variáveis manifestas
do ambiente de negócios e da empresa. Consta de 97
perguntas. Dentre as perguntas existem as que servem
para descontrair o entrevistado, as que identificam
indicadores gerais da indústria de confecção e as que
tratam da eficiência individual de cada empresa. As
perguntas foram cruzadas e colocadas em posições
diferentes do questionário, de modo a checar a
veracidade das respostas. O questionário foi
encaminhado através de correspondência explicativa,
assinada pelos dirigentes das entidades de classe e
órgão de apoio.
Identificados os fabricantes de jeans femininos,
estes foram contatados pessoalmente para se poder
complementar as informações. Foram feitas seis novas
perguntas, sendo solicitado que cada empresa
identificasse seus principais fornecedores e clientes. Os
clientes foram entrevistados pessoalmente pelo autor.
Os fornecedores foram acessados através de seus
representantes comerciais. A massa de dados gerada
é suficiente para permitir a análise e validação das
hipóteses. O detalhamento das etapas vai mostrado
nos sub-itens apresentados durante o desenvolvimento
deste capítulo.
As respostas a esta forma de pesquisa,
classificada como amostragem voluntária, permitem
separar as empresas em duas categorias, as que
fabricam jeans femininos, podendo também fabricar
outros artigos, e as que fabricam somente outros tipos
de artigos do vestuário, interior ou exterior. As variáveis
manifestas do ambiente de negócios e das empresas
fabricantes de jeans femininos são identificadas através
das respostas aos questionários e sua análise permite
o estabelecimento de indicadores específicos que
contribuem para a validação das hipóteses.
4.3 UTILIDADE DOS DADOS OFICIAIS
Boa parte dos dados oficiais fornecidos foi útil
ao trabalho (figura 8), principalmente os fornecidos
pela SEFAZ, que possibilitaram determinar com
precisão o universo de empresas a ser pesquisado no
município de Fortaleza. A informação sobre o
faturamento, compra e estoque médio por faixa de
tamanho das empresas, possibilita a determinação de
padrões de uso e permite a análise comparativa com
os indicadores do meio ambiente.
Figura 8 – Resultado da coleta de dados oficiais
Nascimentos – Registros deficientes
Mortes – Ausência de registros
JUNTA COME RCIAL
P E S QUIS ADOR
MINIS TÉ RIO DO
TRAB ALHO E D O
E MP RE GO
Admissões e D emissões
E stoque de pessoal empregado
S E CRE TARIA D A
FAZE NDA
E mpresas por faixa de faturamento
(tamanho) e classificação fiscal;
Compra, E stoque e Faturamento
médio por tamanho.
DE DADOS JUNTO AO MERCADO
adquirido dos fabricantes de jeans femininos para
adolescentes e jovens. O público alvo destas lojas que
comercializam confecções jeans femininas são as classes
A, B, C e D. Também foi feito levantamento junto a
micro empresas localizadas em um galpão mercado que
comercializa produtos unicamente para a classe E. A
amostra, embora local, é representativa do que existe
nas grandes cidades brasileiras em termos de
comercialização de produtos de moda.
O mercado foi pesquisado através de entrevistas
pessoais com os maiores clientes dos fabricantes de jeans
femininos, com representatividade no mercado brasileiro
e tendo lojas filiais ou franquias no município de
Fortaleza. A ótica da entrevista foi a quantidade
comercializada, a qualidade e a sofisticação do produto
Foram selecionadas empresas pertencentes a
grandes cadeias de lojas locais, regionais e nacionais,
grandes magazines especializados em confecções,
grandes supermercados, lojas franqueadas de grandes
grifes nacionais e pequenas lojas de mercados
populares. Ao todo foram entrevistados 20 dirigentes
lojistas.
Os dados sobre a mão de obra empregada,
fornecida pelo MTE são de grande utilidade e permitem
fazer inferências sobre a sazonalidade das contratações
na indústria. Já os dados da JUCEC de nada servem
pois não merecem credibilidade. A longevidade será
analisada a partir dos dados colhidos junto às próprias
empresas de confecções.
4.4 LEVANTAMENTO
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40
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, v.1, n.1, jan./jul. 2003.
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○
4.6 P L A N E JA M E N TO
DA
ENTREVISTA
COM
O questionário foi dividido em cinco partes,
tendo 97 quesitos desestruturados, parte deles
quantitativos, a maioria qualitativa. Os qualitativos
trazem opções preestabelecidas, podendo o entrevistado
marcar mais de uma opção. A quase totalidade das
questões elaborada visa determinar as variáveis
manifestas do meio ambiente e da empresa, de acordo
com o modelo de tese estabelecido. Existem algumas
questões que somente foram postas com o intuito de
evitar que o entrevistado fosse tendencioso nas suas
respostas. A posição da questão está colocada de acordo
com seu assunto, embora se possa ter questões que
tratam de uma mesma variável manifesta, colocadas
em partes diferentes.
OS
REPRESENTANTES COMERCIAIS DOS FORNECEDORES
As entrevistas foram realizadas com a
colaboração de alguns dos fabricantes de jeans
femininos. Os representantes comerciais foram
indagados sobre a participação no mercado local e
nacional, preços, prazos de entrega, tipo de frete usado
e seu custo. Foram feitos comentários sobre a tendência
das vendas, a organização dos fabricantes de jeans
femininos e os índices de atraso nos pagamentos de
seus clientes.
4.7 PLANEJAMENTO
DO QUESTIONÁRIO DE PESQUISA
4.8 IDENTIFICAÇÃO
JUNTO AOS FABRICANTES DE JEANS
DAS QUESTÕES QUE LEVANTAM AS
VARIÁVEIS MANIFESTAS
Planejou-se um questionário com conhecimento
prático do tipo de pergunta que poderia ser respondida
pelos entrevistados. As perguntas são simples, ao nível
dos conhecimentos dos dirigentes das empresas, e sua
apresentação facilita ao máximo as respostas. As
questões mais pessoais, que seriam refugadas se
Variáveis manifestas do ambiente de
negócios: Levantadas a partir de entrevista com
lojistas e por meio do questionário aplicado às
empresas de confecções (quadro 6).
Quadro 6 – Variáveis manifestas no ambiente dos negócios
Nº
○
○
○
○
○
○
○
○
V a riá v e l m a nife s t a d o a m b i e nt e d e ne g ó c io s
F o nt e d e o b t e nç ã o
1
Vigilâ ncia te cnológica
que sitos 7 6 e 7 7
2
P re ço de ve nda
P e squisa com lojista s
3
P ra zo d o m e rca do
P e squisa com lojista s
4
Níve l de qua lida de
P e squisa com lojista s
5
Ra pide z da va ria çã o
P e squisa com lojista s
6
D ive rsida de de produtos
P e squisa com lojista s
7
F ina ncia m e nto dos forne ce dore s
Que sitos 41 e 46
8
P ra zo d os forne ce do re s
Que sitos 44 e 45
9
C ustos da com pra
Que sitos 42 e 47
○
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○
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, v.1, n.1, jan./jul. 2003.
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41
○
○
○
○
As entrevistas foram marcadas com o apoio do
SINDICONF, que ajudou a selecionar os clientes mais
representativos. As perguntas se fixaram na
determinação das variáveis manifestas referentes ao
ambiente dos negócios. Foram perguntados os
percentuais de marcação dos preços de venda, os
prazos de entrega solicitados nos pedidos, o nível de
qualidade exigida dos produtos, a diversidade dos
produtos comprados para formar o mix de vendas, a
rapidez na variação da moda e os prazos de
pagamento das compras. As respostas deveriam ser
tabuladas para gerar indicadores logísticos.
○
perguntadas diretamente, foram divididas em partes e
espalhadas nas diferentes seções do questionário. Como
exemplo cita-se o faturamento, pergunta que se feita
diretamente ao entrevistado tem sua resposta negada,
ou se recebe uma resposta falsa. Para obter este dado
e poder compara-lo com a faixa em que a empresa se
encontra pelos dados oficiais, perguntou-se na primeira
seção quais os principais artigos produzidos e qual a
produção média anual por artigo. Na quarta seção se
pediu o preço médio de venda dos dois principais
artigos da empresa. São perguntas que isoladas não
se constituem em ameaça ao entrevistado, mas que
em conjunto, ao serem multiplicadas dão o valor
aproximado da média de faturamento da empresa.
4.5 PLANEJAMENTO DA ENTREVISTA COM OS LOJISTAS
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
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○
○
Variáveis manifestas da empresa – Levantadas a partir do questionário enviado às empresas de confecções e
das entrevistas realizadas com os fabricantes de jeans femininos (quadro 7).
○
○
○
○
Quadro 7 – Variáveis manifestas da empresa
Nº
○
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42
○
○
○
○
○
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○
V ariáveis manifestas da empresa
Fonte de obtenção
1
Nível de humanização
a
B enefícios a operários
Quesito 25
b
Ambiente de trabalho
Quesito 28 e 82
c
Nível de supervisão
Quesito 29
2
Flexibilidade
a
P lanejamento e Controle da P rodução
Quesito 67 a 75
b
Nível de automação
Quesito 93 a 95
c
Nível de manutenção
Quesito 96 e 97
d
Treinamento
Quesito 26 e 27
3
Controles
Quesito 65, 66, 78 a 81
4
Centralização administrativa
Quesito 1 6
5
E strutura
Quesito 1 7 a 22
6
Qualificação do empreendedor
Quesito 1 1 a 1 5
7
Grau de terceirização
Quesito 23 e 24
8
Controle da qualidade
Quesito 83 a 87
9
S istema de informação
Quesito 30 a 33
10
E stoques
a
Rotação
pesquisa S E FAZ
b
Nível de controle
Quesito 88 a 92
c
Grau de obsolescência
Quesito 57
11
Margem de rentabilidade
Quesito 1 02
12
Financiamento
Quesito 63 e 64
13
Razão fluxo de caixa x faturamento
Quesito 1 03
14
% atraso nos recebimentos
Quesito 59
15
Tamanho da coleção
Quesitos 37 a 40
16
Rapidez da mudança
Quesito 34
17
P razo de transporte
Quesito 48 e 49
18
Tempo de reação
Quesito 45 a 47
19
Custos da venda
Quesito 56 a 62
20
Mercado
Quesito 53 a 55
○
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○
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○
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○
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, v.1, n.1, jan./jul. 2003.
○
○
○
○
○
○
Após a análise detalhada das respostas aos
questionários aplicados às empresas fabricantes de
confecções em geral e jeans em particular, bem como as
respostas dos lojistas de diversos tamanhos, atuando em
classes sociais distintas, pode-se elaborar um sumário
conclusivo sobre as variáveis manifestas do meio ambiente,
responsáveis pela imposição das condições de trabalho
neste ramo industrial, e sobre as variáveis manifestas das
empresas de confecções, refletoras da idade e do tamanho
nas formas de ação estratégica.
A análise realizada nos itens anteriores aponta
para a validação de parte da hipótese 1: os fluxos
logísticos influem sobre o tamanho das empresas de
confecções.
5.1 VARIÁVEIS MANIFESTAS DO MEIO AMBIENTE –
estabelecem as condições mínimas de acesso ao
mercado e indicam os caminhos que devem ser
explorados para aumentar as chances de sucesso.
Como se detalha a seguir, as variáveis manifestas do
meio ambiente deixam claro a necessidade de
coordenação dos fluxos logísticos, quando priorizam
a vigilância da moda como ponto de partida e
mostram que as condições impostas nas duas pontas,
venda e suprimento, são desfavoráveis às empresas de
confecções no que tange aos prazos de entrega e
pagamento. A velocidade da variação define
claramente a necessidade básica de flexibilidade.
l
l
○
○
○
○
5.2 V ARIÁVEIS MANIFESTAS DAS EMPRESAS –
retratam os padrões de comportamento das empresas,
sendo característicos do tamanho e da longevidade.
○
○
○
○
○
○
○
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○
○
○
, v.1, n.1, jan./jul. 2003.
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
Crescimento exagerado dos itens a controlar,
face ao crescimento da necessidade de ter
coleções com maior quantidade de
modelos. Isto gera erros na tendência da
moda e resulta em itens que para ser
vendidos demoram mais que o período de
uma coleção, aumentando o capital de giro
necessário, forçando descontos e
atrapalhando as vendas;
Necessidade de programação das matérias
primas em prazos e quantidades maiores
para garantir o suprimento, o que diminui
a flexibilidade e aumenta a necessidade de
capital de giro;
Aumento do absenteísmo dos operários e
redução na sinergia do processo devido à
quantidade de funcionários que cresce e a
distância entre comandantes e comandados
que aumenta;
Aumento no tamanho do mercado, tanto
do ponto de vista dos clientes, que gera uma
baixa na qualidade do crédito, como do
ponto de vista geográfico, que gera custos
de frete, aumento no controle das entregas
e da cobrança, resultando em mais
necessidade de capital de giro;
Aumento do tempo de reação às
solicitações do mercado, o que diminui a
flexibilidade, fator vital às confecções de
jeans femininos.
l
Vigilância da moda – Verifica-se que a função
criação é considerada vital a partir do
tamanho pequeno de empresa. É a forma
que as empresas encontram para dar
identidade às suas marcas próprias, fazendo
sua interpretação pessoal das tendências da
moda, ou ajustando-a a eventos locais,
nacionais ou internacionais;
Vigilância tecnológica – Há uma preocupação
em reduzir custos e aumentar a eficiência
produtiva através de novas máquinas, mais
especializadas e automatizadas, quando
possível, novos processos produtivas e novas
técnicas de planejamento e controle. O acesso
às informações vem através dos vendedores,
consultores, feiras e cursos de treinamento;
Condições de mercado – Os preços de venda
são pressionados para baixo, em função da
redução do “mark up” dos lojistas. O cliente,
em virtude da rapidez dos meios de
comunicação, está cada vez mais consciente
do que está em moda e por isso, os prazos de
mudança estão diminuindo. A diversidade da
oferta aumenta como uma forma de
customisação dos produtos, tentando elevar
a qualidade através do seu conceito básico
de satisfação das necessidades dos clientes;
l
l
l
l
l
Os indicadores acima comentados,
apontam para a validação da hipótese 1: o
tamanho pequeno nas empresas de confecção
de jeans femininos para adolescentes e jovens é
o que reúne as maiores condições de sucesso.
○
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43
○
○
○
O suprimento de matérias primas para os
jeans – Setor oligopolizado nos tecidos e
principais aviamentos, trabalha com prazos
de pagamento curtos (60 dias no máximo),
vende FOB e entrega sob programação, com
prazos de até 60 dias (quando se trata de
lançamentos, os prazos de pagamento são
reduzidos, predominando a venda a vista).
Desta forma condiciona o trabalho das
confecções a ser antecipado, comprando
quase sempre antes de vender e assumindo o
risco total pelo erro de previsão.
l
○
SUMÁRIO DAS VARIÁVEIS MANIFESTAS
DO MEIO AMBIENTE E DAS EMPRESAS
○
5
○
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○
○
○
○
○
○
○
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○
○
○
○
○
○
○
Com relação à longevidade, as variáveis
manifestas mostram que há grande concentração nas
que têm menos de dez anos, não havendo nenhuma
que ultrapassou a barreira dos vinte anos sem
problemas financeiros e legais. As principais variáveis
manifestas indicam que:
Quando mais velhas são as empresas, mais
rígidos são os controles e mais centralizada
é a decisão, especialmente no que tange aos
lançamentos de coleções, o que dificulta a
flexibilidade;
Nas empresas mais velhas diminui o
treinamento dos funcionários, o que é forte
indicador que a capacidade de inovação
diminui e portanto a capacidade de se
adaptar às variações do mercado, ponto
fundamental para ter flexibilidade;
O nível de instrução dos funcionários é outro
ponto que indica dificuldades de adaptação
para as empresas velhas. É mais baixo que
o das empresas novas e representa
dificuldades maiores de adaptação e menor
flexibilidade;
O sistema de informações nas empresas mais
velhas é menos informatizado e mais informal,
o que propicia imprecisão e atrasos que são
vitais às mudanças temporais;
Somente uma, dentre as sessenta e sete
empresas que responderam ao questionário,
conseguiu passar do comando do
empreendedor fundador para o comando de
um técnico, parente em terceiro grau e que
começou na empresa como funcionário em
cargos subalternos, galgando a posição por
seus méritos próprios.
l
l
l
l
l
A redução da taxa de risco de errar a
tendência da moda é uma preocupação
vital para a sobrevivência das empresas
fabricantes de jeans femininos para
adolescentes e jovens. A redução do ciclo
de atendimento dos pedidos é uma solução
visualizada pela maioria.
l
Os pontos acima mostram que o uso da logística
é uma exigência inerente às características operacionais
do ramo de confecções em geral e especialmente dos
fabricantes de jeans femininos para adolescentes e
jovens. Um número bastante considerável dos
problemas enfrentados pelas empresas de confecção,
surge porque a logística não foi considerada quando
da formulação da estratégia destas empresas. A
essência da logística é a gestão da cadeia de
suprimentos; uma empresa que é concebida e cresce
segundo uma logística estratégica tem condições de
manter um crescimento sustentável, podendo enfrentar
e resolver problemas inerentes ao tamanho médio e
grande de empresas com sucesso.
Retardar a fabricação, aumentar a flexibilidade
da empresa, reduzir o ciclo de produção e fazer
parcerias com fornecedores e clientes, são estratégias
logísticas que devem ser adotadas pelos empresários
do segmento de mercado em estudo, para conseguirem
conviver com as restrições imposta pelo meio ambiente.
Os indicadores comentados, apontam
para a validação da hipótese 3: existe uma
logística estratégica mais adequada às empresas
de confecção de jeans femininos para
adolescentes e jovens.
5.3 VALIDAÇÃO DOS RESULTADOS
Estes indicadores apontam para a
validação da hipótese 2: a vida útil das empresas
de confecção de jeans para adolescentes e
jovens, depende da vida ativa do proprietário.
Utilizando a fórmula proposta por Stevenson
(1981, p. 213) calcula-se o erro desta amostragem em
população finita.
Com relação à análise das entrevistas com os
gestores maiores das empresas de confecção que
fabricam jeans femininos para adolescentes e jovens,
foram estabelecidos os seguintes pontos comuns:
As exigências temporais ditadas pelo
ambiente dos negócios, juntamente com a
identificação das necessidades dos clientes e
a tendência da moda, são os pontos de
partida na formulação da estratégia das
empresas;
A coordenação das atividades desenvolvidas
por setores da empresa ou de empresas
terceirizadas ou aliadas, é o principal problema
enfrentado pelos gestores;
l
l
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44
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⎡ ⎛ x ⎞⎤
⎢1 − ⎜ n ⎟⎥ (N)
⎣ ⎝ ⎠⎦
n=
⎛ x ⎞ ⎡ ⎛ x ⎞⎤
(N-1) e 2 + z 2 ⎜ ⎟ ⎢1 − ⎜ ⎟⎥
⎝ n ⎠ ⎣ ⎝ n ⎠⎦
⎛x⎞
z2⎜ ⎟
⎝n⎠
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n – tamanho da amostra = 67
N – tamanho da população finita = 1520
x/n – participação do item pesquisado na amostra =
0,796
z – normal padrão: usa-se o z para os casos de 99%
de confiança (2,58), 95% de confiança (1,96) e 90%
de confiança (1,65)
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Tabela 3 – Erros cometidos dependendo
do intervalo de confiança
z
(1 - α)
erro
2,58
0,99
+/- 0,124
1,96
0,95
+/- 0,094
1,65
0,90
+/- 0,079
À área da logística:
fortaleceu o conceito de logística estratégica ao
aplica-lo nas empresas sujeitas a restrições
temporais e a alto nível de incerteza da
demanda. A confecção de jeans femininos para
adolescentes e jovens foi o meio utilizado, por
estar sujeita a rápidas variações temporais da
moda e ter sua demanda dependente de um
público instável, devido à idade, e que tem na
moda uma forma de auto afirmação;
posicionou a logística estratégica como única
função não terceirizavel nas empresas que
operam no mercado de moda. A logística
estratégica passa a ser a geradora da
identidade destas empresas, não podendo
portanto ser delegada a terceiros. Foi usado o
caso real de Victor Fung, empreendedor chinês,
para apoiar a proposição;
identificou a logística como a gestão da cadeia
de suprimento, ao se demonstrar seu papel
como fator de coordenação e integração de
atividades funcionais diferentes nas empresas,
começando na sua concepção e na
identificação das necessidades dos clientes e
passando por toda área operacional, agindo
na aquisição das matérias primas, na
fabricação dos produtos e na sua distribuição
até o ponto de venda;
reforçou o papel do tempo como medida de
eficiência logística. Sempre e quando a
logística atue em segmentos sujeitos a
restrições temporais, sua eficiência será
demonstrada através da sua capacidade de
interagir entre os setores envolvidos e reduzir
os tempos de ciclos das atividades necessárias
à complementação dos objetivos;
adicionou o conhecimento da influência dos
fluxos logísticos de produção, informação e
financeiro, sobre o tamanho e a longevidade
das empresas que trabalham em ambientes
de incerteza, com informações imprecisas e
sujeitos a mudanças rápidas nas características
do produto demandado. Utilizou-se o estudo
das empresas fabricantes de jeans femininos
para adolescentes e jovens, cujo ambiente de
negócios se enquadra na situação descrita e
onde se pode mostrar que as restrições
logísticas apontam para um tamanho de
empresa com maior chance de sucesso, no
caso a pequena, e que estas mesmas restrições
logísticas restringem a vida da empresa à vida
útil do seu proprietário.
l
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Este trabalho foi realizado a partir de uma nova
proposição de abordagem epistemológica, o uso do
construtivismo e do positivismo em um mesmo problema.
Esta foi a forma de adequação desenvolvida para
situações onde o pesquisador tem muita vivência prática
no ramo em estudo, podendo assim inadvertidamente
introduzir bias na pesquisa, o que comprometeria a
imparcialidade do estudo. As proposições construídas pelo
autor de forma interativa com o meio pesquisado
puderam, desta forma, ser confrontadas com a realidade
vivida pelas empresas componentes do segmento de
mercado analisado, fato realizado através de uma
observação positivista feita em um estudo multicasos.
l
l
Salienta-se o valor metodológico deste trabalho,
que estabeleceu uma forma inovadora para a pesquisa
da influência da logística sobre o tamanho e a idade
das empresas de moda, feito a partir do estudo do
segmento das confecções de jeans femininos para
adolescentes e jovens, na região metropolitana de
Fortaleza. Os passos seguidos foram:
l
estudo do universo das empresas de confecção
para determinação do problema central a ser
resolvido;
l
levantamento das contribuições teóricas à
explicação do modo de funcionamento lógico da
indústria de confecção, a partir dos conhecimentos
atualizados da logística, da estratégia, do
marketing e da teoria das organizações;
l
análise estratégica das confecções, para
estabelecer as razões que fundamentam a
construção das proposições, que explicam as
causas do problema central identificado e
propõem soluções;
l
modelagem da pesquisa a partir da
transformação das proposições em hipóteses,
possibilitando a construção do modelo da tese.
O modelo desenvolvido propõe que o estudo
das variáveis latentes, que explicam a influência
dos fluxos logísticos sobre o tamanho e a idade
das empresas de moda, seja feito a partir das
variáveis manifestas que podem ser
mensuradas. Estas, permitem estabelecer um
roteiro para a pesquisa e elaborar um
questionário, através do qual se coletam os
dados necessários para validar as hipóteses;
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análise dos resultados inferidos a partir do
estudo dos dados tabulados, permitindo a
validação das hipóteses;
l
estabelecimento dos aportes teóricos e das
contribuições aplicadas aos modelos de gestão.
As contribuições deste trabalho ao conhecimento
teórico, são relacionadas nos pontos comentados a seguir:
l
○
Calculando-se o valor do erro a partir da fórmula
acima, encontramos (tabela 3):
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apresentou as estratégias logísticas como
elemento modificador das restrições do
ambiente de negócios, possibilitando que as
empresas promovam ajustes que propiciam sua
adequação ao meio ambiente e possam assim
crescer a tamanhos maiores com sucesso;
identificou quais são as variáveis que podem
ser manuseadas, para promover o ajuste às
restrições logísticas a que estão sujeitas as
empresas que operam em ambientes de
moda. Estas variáveis são inerentes à ação
da logística operacional.
○
○
l
estabelecimento de parâmetros operacionais
para os diversos tamanhos de empresas
fabricantes de jeans femininos. Foram
estabelecidos parâmetros gerais, tais como
proporção das compras sobre o faturamento,
giro dos estoques, ciclo de fabricação, tempo
de reação, e parâmetros específicos da região,
tais como rotatividade da mão de obra, nível
de estocagem, tempo de transporte, % de custo
do frete da matéria prima e dos produtos
acabados com relação ao faturamento;
l
determinação dos indicadores logísticos capazes
de medir a eficiência operacional das empresas
fabricantes de jeans femininos no segmento de
mercado estudado. Para cada indicador foram
estabelecidos os componentes necessários à sua
geração e determinado como levanta-los.
Como conseqüência se tem estabelecido as
variáveis que devem ser controladas para
permitir o ajuste destas empresas às restrições
logísticas;
l
estabelecimento dos pontos de coincidência na
atuação das empresas de confecção em termos
internacionais, comparando fatos locais com
os mesmos fatos apontados na França, Itália,
Estados Unidos e Hong Kong. A operação em
redes de subcontratados, a concentração das
organizações maiores na atividade logística,
englobando o marketing, a aversão das
empresas de confecção a dar informações sobre
sua operação, a dificuldade de automatização
das operações de fabricação na área dos jeans
femininos de moda, são pontos comuns
determinados.
Por fim, este trabalho aportou ao conhecimento
teórico e à prática da indústria de confecções, três
proposições transformadas em hipóteses e validadas:
l
À área da administração em geral:
explorou a integração dos conhecimentos
de logística, marketing e estratégia sob a
égide da logística estratégica, contribuindo
para a consolidação dos conceitos desta
área do conhecimento;
acrescentou subsídios à Teoria da Economia
dos Custos de Transação, para justificar que o
aumento do tamanho das empresas sujeitas a
mercados de moda, provoca rendimentos
decrescentes, devido ao volume de informações
imprecisas e aos custos associados ao
treinamento de pessoal para operar o sistema
de planejamento e controle;
relacionou os estudos de Mintzberg referentes
à idade das empresas, com as restrições
logísticas que influem na longevidade daquelas
que trabalham em mercados de moda. Foi
mostrado que as características inerentes à
idade das empresas, associam-se às
características de reação ligadas à idade do
fundador, com quem a empresa de moda se
identifica. Quanto mais idade tem o empresário
da moda, mais lento reage aos problemas e
mais segurança busca em suas decisões. O
ambiente de negócios dos fabricantes de jeans
femininos para adolescentes e jovens é arriscado
e veloz, incompatível portanto com as ações
normais dos líderes idosos;
estabeleceu um modelo capaz de identificar as
características das empresas que trabalham em
um ambiente de moda. Este modelo permite
analisar as influências a que estas empresas
estão submetidas, permitindo encontrar mais
facilmente a solução para seus problemas. A
extrapolação da análise aos problemas de
setores semelhantes, fica viabilizada através
deste modelo.
l
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Este trabalho adicionou à prática empresarial
da indústria de confecções, sub ramo da indústria
têxtil, os seguintes aportes:
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sistematização dos conhecimentos sobre a
operação das empresas de confecção em geral.
O processo produtivo foi detalhado, os controles
estabelecidos e a operação metodizada de
forma a possibilitar a sua utilização em outras
empresas similares do ramo das confecções;
l
46
o tamanho de empresa pequeno é o mais
indicado para as empresas de confecção de
jeans femininos que operam no segmento de
adolescentes e jovens, em razão dos parâmetros
de eficiência mínima dos fluxos logísticos
impostos pelo mercado de moda;
os fluxos logísticos impostos pelo ambiente dos
negócios de moda, influem na longevidade das
empresas de confecção femininas que
trabalham nos segmentos de mercado sujeitos
a maior incerteza e variabilidade, o dos
adolescentes e jovens, limitando esta
longevidade à vida ativa do proprietário;
a logística estratégica é capaz de influir na
longevidade e no tamanho das empresas de
confecção operando em ambientes de alta e
rápida variabilidade. Estabeleceu-se que a
logística é a força propulsora capaz de conceber
estratégias que possibilitam maiores tamanhos
e longevidade para as empresas de confecção
de jeans femininos para adolescentes e jovens.
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a urgente implantação, pelos sindicatos
patronais e as associações de classe, de
programas massificados de treinamento que
tragam ao seio das empresas de confecção
o s e n t i m e n t o l og í s t i c o, fo r n e c e n d o
instrumentos de adequação aos requisitos
do ambiente de negócios;
l
l
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a extensão desta pesquisa aos demais
segmentos da confecção feminina, tais como
a fabricação de vestidos, saias e blusas em
tecidos variados, típicos vestuários para o
trabalho e as comemorações sociais;
a aplicação dos moldes desta pesquisa em
setores similares do vestuário, tais como
calçados e acessórios;
a aplicação da metodologia proposta neste
trabalho a outros setores industriais sujeitos à
rápida variação de produtos, tais como o setor
de informática.
l
○
A constatação da falta de conhecimentos sobre
logística no setor da confecção é generalizada, apesar
de ter sido mostrado a sua total dependência das ações
logísticas. Novos campos de pesquisa se abrem a partir
dos resultados obtidos neste trabalho, tanto no campo
teórico quanto no prático. Recomenda-se:
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UMA INVESTIGAÇÃO DOS FATORES CRÍTICOS DA GESTÃO PELA QUALIDADE
TOTAL NO CENÁRIO INDUSTRIAL CEARENSE
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João Welliandre Carneiro Alexandre – Dr. - Universidade Federal do Ceará
José Joaquim do Amaral Ferreira – Dr. - Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
RESUMO
O objetivo deste artigo é apresentar alguns dos resultados de uma pesquisa empírica organizacional
que investigou a implantação da Gestão pela Qualidade Total (GQT) nas indústrias manufatureiras de
portes médio e grande do Estado do Ceará. A partir de uma extensa revisão bibliográfica um modelo
de referência com base nos fatores críticos de sucesso da GQT foi elaborado e, para medir esses fatores,
um questionário contendo medidas operacionais (práticas) da GQT foi construído e aplicado nessas
indústrias. Dentro outros resultados a pesquisa revelou que as indústrias manufatureiras médias e
grandes do Estado do Ceará que não têm qualquer programa de gestão pela qualidade, têm desempenho
inferior nos resultados da qualidade e aplicam de forma precária todos os elementos da GQT.
PALAVRAS-CHAVE: gestão pela qualidade total; fatores críticos de sucesso; indústria manufatureira
cearense.
ABSTRACT
The objective of this article is to show some of the results of a research done in the State of Ceará that
investigated the implementation of Total Quality Management (TQM) in medium and big manufacturing
industries. After an extensive literature revision a reference model based on the success critical factors
of TQM was elaborated. A questionnaire containing operational measures (practices) of TQM, for
measuring these factors, were created and applied in these industries. Among other results the research
reveled that medium and big manufacturing industries of the State of Ceará haven’t any quality
program, they have lower performance in the quality results and less intensive application of the
elements of TQM.
KEY WORDS: total quality management; success critical factors; manufacturing industries of the state
of Ceará.
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2
Surge então a seguinte questão: Como investigar
a maturidade na implantação dos elementos da GQT
através de pesquisas empíricas organizacionais?
O modelo de referência para a investigação dos
fatores críticos da GQT foi fundamento em três
direções: a primeira, baseada nos modelos filosóficos
de Galgano (1993), Merli (1993) e Shiba et al (1993),
referenciados acima; a segunda, baseada nos fatores
críticos da GQT, que efetivamente interferem no sucesso
de sua implantação (SARAPH et al, 1989; PORTER
e PARKER, 1993; BADRI et al, 1995; TAMMI, 1995;
TAMIMI e GERSHON, 1995; CROFTON e DALE,
1996; AHIRE, 1996; AHIRE et al, 1996; NGAI e
CHENG, 1997; SOLER, 1997); a terceira, baseada
nos prêmios nacionais da qualidade (REIMANN, 1989;
STRATTON, 1990; GHOBADIAN e WOO, 1996).
Como ilustração desses prêmios, podem ser citados:
Prêmio Deming de Aplicação (PDA - Japão), Malcolm
Baldrige National Quality Award (MBNQA - Estados
Unidos da América), Prêmio Australiano da Qualidade
(PAQ - Austrália), Prêmio Europeu da Qualidade (PEQ
da EFQM - European Foundation for Quality
Management). No Brasil existe o Prêmio Nacional da
Qualidade e o seu primeiro processo de premiação
ocorreu no ano de 1992.
O trabalho pioneiro nessa linha de pesquisa pode
ser creditado a SARAPH et al (1989) que após uma
revisão literária elaboraram e aplicaram um modelo
contendo os fatores críticos que afetam o sucesso na
implantação da GQT.
O objetivo, portanto, deste artigo, é colaborar
nessa direção tomando como cenário o setor
manufatureiro do Estado do Ceará - um Estado pobre
inserido dentro de um país em desenvolvimento, com
turbulência econômica, que é o Brasil.
Este artigo apresenta alguns resultados e análises
de uma pesquisa realizada em Fortaleza que investigou
a aplicação das práticas da GQT nas indústrias
manufatureiras de portes médio e grande do Estado
do Ceará. Maiores detalhes destes resultados podem
ser vistos em Alexandre (1999).
Alexandre e Ferreira (2001) apresentam dois
outros importantes resultados desta pesquisa:
l
○
○
○
O modelo de referência sintetizado da teoria é
composto dos seguintes elementos da GQT:
As indústrias cearenses têm menor desempenho
da qualidade e aplicam de forma menos
intensa os elementos da GQT, que as indústrias
não-cearenses (aquelas cuja matriz é de outra
região, como por exemplo, Regiões Sul e
Sudeste) instaladas no Estado do Ceará.
Acredita-se que esse cenário tende a se
modificar, uma vez que instituições de classes,
como por exemplo, a Federação das Indústrias
do Estado do Ceará – FIEC e o Serviço de
Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado
do Ceará – SEBRAE-CE vêm desenvolvendo
importante papel na disseminação da filosofia
da Gestão pela Qualidade (GQ).
As indústrias manufatureiras cearenses de
grande porte aplicam de forma mais intensa
os elementos da GQT e têm desempenho
superior, que as indústrias manufatureiras
cearenses de médio porte. Uma provável
explicação para esse fenômeno é a estratégia
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O MODELO DE REFERÊNCIA
Comprometimento da alta administração
Mensuração da qualidade
Treinamento
Envolvimento dos funcionários
Melhoria contínua
Parceria com fornecedor
Foco no consumidor
Empowerment
Benchmarking
Resultados da qualidade do produto (medida
de desempenho)
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l
l
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l
l
l
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Esses elementos foram medidos a partir da
elaboração de um conjunto de práticas da GQT, ou
seja, para cada elemento foram elaboradas questões
(sentenças) no sentido de medi-lo (ver Apêndice).
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A construção de modelos teóricos da Gestão
pela Qualidade Total (GQT) evoluiu de forma inversa
ao que normalmente ocorre: a princípio a implantação
da filosofia da GQT era uma “colcha de retalhos”. A
partir de experiências de sucessos das organizações,
diversos autores sintetizaram essa filosofia em um
modelo teórico conceitual. Como ilustração podem
ser citados SHIBA et al (1993), que apresentam o
modelo da GQT focado no ambiente norte-americano;
MERLI (1993), que apresenta um modelo europeu de
referência da GQT; e GALGANO (1993), que sintetiza
o modelo da GQT baseado na experiência japonesa.
○
política agressiva do Governo do Estado do Ceará,
no incentivo de instalações de novas indústrias
no Estado, para proporcionar maior crescimento
econômico e do parque industrial cearense.
Grande parte dessas indústrias que têm origem,
em sua maioria, das regiões Sul e Sudeste, centros
mais avançados economicamente, trazem o
know-how tecnológico de suas matrizes, e aplicam
em suas filiais sediadas no Estado do Ceará.
Acredita-se que esse fato pode servir como um
ponto positivo, um incentivo para que as indústrias
cearenses busquem a implantação de programas
de GQ.
INTRODUÇÃO
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1
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3
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METODOLOGIA DE PESQUISA
(4) Concordo Parcialmente. Significa que o
fundamento descrito na afirmação é aplicado
em sua maioria.
(3) Indeciso. Significa que existem dúvidas se o
fundamento é aplicado em sua maioria ou
minoria.
(2) Discordo Parcialmente. Significa que a
indústria não aplica o fundamento descrito em
sua maioria.
(1) Discordo Totalmente. Significa que a
indústria não aplica o fundamento descrito.
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A pesquisa desenvolveu-se entre os meses de
agosto de 1998 a fevereiro de 1999. Foram selecionadas
72 indústrias manufatureiras localizadas na região
metropolitana de Fortaleza e no interior do Estado do
Ceará. A coleta de informações foi feita essencialmente
por meio de entrevistas pessoais, executadas pelos
próprios pesquisadores (do total de 72 indústrias
pesquisadas, apenas em 4 indústrias, localizadas no
interior do Estado, o processo foi via correio). As indústrias
selecionadas faziam parte do Guia Industrial do Ceará/
1998, que estava em processo de elaboração pela
Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC).
4
RESULTADOS E ANÁLISES
É apresentado, na Tabela 1, o número de
indústrias pesquisadas segundo o porte e o ramo de
atividade (dentre as 72 indústrias pesquisadas 50 são
de porte médio e 22 indústrias são de grande porte).
A escala de Likert com 5 categorias (1-5) foi
utilizada como instrumento de registro das respostas.
O gerente da qualidade, diretor ou gerente com visão
mais abrangente da indústria foram os profissionais
escolhidos para marcar as respostas, conforme a
indústria se enquadrava nas sentenças, segundo as
seguintes definições:
É importante informar que o porte da indústria
é classificado de acordo com o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE): indústria de porte
médio, de 100 a 499 funcionários; indústria de porte
grande, de 500 ou mais funcionários.
(5) Concordo Totalmente. Significa que a
indústria aplica totalmente o fundamento
descrito na afirmação.
Tabela 1: Distribuição do número de indústrias por porte e ramos de atividades
Porte
Ramos de A tividades
Total
Médio
G rande
1.
Vestuários, Calçados, Artefatos de Tecidos, Couro e P eles
11
4
15
2.
P rodutos Alimentares
8
6
14
3.
P rodutos de Minerais Não-Metálicos
8
1
9
4.
Metalúrgica
8
1
9
5.
Têxtil
1
7
8
6.
Material E létrico e de Comunicação
2
1
3
7.
Mecânica
2
1
3
8.
B ebidas
2
1
3
9.
P rodutos Farmacêuticos e Veterinários
2
-
2
1 0. Mobiliário
1
-
1
1 1 . Química
1
-
1
1 2. P erfumaria, S abões e Velas
1
-
1
1 3. Editorial e Gráfica
1
-
1
1 4. S iderúrgica
1
-
1
1 5. Indústrias Diversas
1
-
1
50
22
72
TO TA L
○
○
50
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
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○
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○
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○
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○
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○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
, v.1, n.1, jan./jul. 2003.
○
○
○
○
○
○
Tabela 1: Distribuição do número de indústrias por porte e ramos de atividades
40
34
35
30
Freqüências
25
20
15
12
8
9
9
10
5
0
Tem GQT
Não Tem
Programa GQ
Alternativo IS O
9000 e GQT
Tem ISO 9000
e GQT
Pro gramas
de G Q
Tem ISO
9000
Tabela 2: Distribuição do número de indústrias, segundo a ordem de implantação de programas
O rdem de Implantação de Programas de G Q
N o.
%
Indústrias
Indústrias
1.
B usca Implantar P rimeiro a GQT e Depois a IS O 9000
31
43,0
2.
Não P retende nem IS O 9000 nem a GQT
12
1 6,7
3.
Certificada ou B usca a Certificação IS O 9000 e depois a GQT
11
1 5,3
4.
B usca S omente Implantar a GQT
10
1 3,9
5.
B usca S omente Implantar a IS O 9000
8
1 1 ,1
72
1 00,0
TO TA L
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
, v.1, n.1, jan./jul. 2003.
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
51
○
○
Muito embora a opção “outros” tenha sido 8
(21,1%), não há nenhum motivo com freqüência acima
de 1. Os motivos são diluídos, como por exemplo em
melhoria da qualidade de vida dos funcionários, busca
de mercado externo, visão estratégica da empresa, etc.
○
A tabela 2 discrimina a ordem de implantação
dos programas de GQT e ISO 9000, segundo as
indústrias pesquisadas. Dois resultados podem ser
destacados: o primeiro, 31 (43,0%) das empresas
afirmaram que pretendem implantar primeiro a GQT e
depois a ISO 9000; o segundo, 12 (16,7%) dos
profissionais afirmaram que suas indústrias não
A pesquisa buscou identificar, também, entre
as indústrias que declararam ter programas de GQ
(38 indústrias), quais são os motivos que levaram a
sua implantação. Os resultados (gráfico 2) mostram
que, fundamentalmente, “motivações internas”
levaram as indústrias a buscarem programas de GQ:
28 (73,7%) das indústrias afirmaram que o motivo foi
busca da melhoria dos processos, 21 (55,3%) sucessos
nos negócios e 16 (42,1%) sobrevivência da indústria.
Quanto às “motivações externas”, a concorrência 15
(39,5%), foi o fator predominante.
○
pretendem buscar nem a ISO 9000 nem a GQT.
Contudo, eles afirmaram que essa é uma posição de
momento, não descartando a hipótese de, futuramente,
desenvolverem a implantação de um modelo de GQ
(baseado na ISO 9000 ou GQT, por exemplo).
○
Os dados mostram que 38 (52,8%) das
indústrias têm algum programa de GQ e 34 (47,2%)
não têm qualquer programa de GQ (gráfico 1).
Programas de GQ, abordados aqui, são discriminados
em programas de GQT, ISO 9000, simultâneo de GQT
e ISO 9000, e alternativo a GQT e ISO 9000
(programas definidos pela própria indústria, sem o
rótulo de serem quer seja da GQT ou da ISO 9000). A
maioria, portanto, dos empresários parece ter
despertado para programas de GQ. Contudo,
observando isoladamente 12 (16,7%) das indústrias
aplicam somente a GQT e 9 (12,5%) aplicam a GQT
e a ISO 9000 simultaneamente. Tomando esses dois
valores conjuntamente, 21 (29,2%) aplicam a GQT. É
necessário, portanto, um maior despertar dos
empresários cearenses para a GQT.
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
GRÁFICO 2: Distribuição do número de motivos que conduzem a busca pela GQ
○
○
○
○
○
○
35
○
30
28
25
Freqüências
21
20
16
15
15
10
8
5
3
0
B usca
Melhoria
P rocessos
S ucessos
Negócios
S obrevivência
Indústria
Concorrência
As hipóteses, definidas e analisadas a seguir,
foram fatores de investigação da pesquisa, que serão
comprovadas ou não pelos resultados. Para maiores
detalhes sobre os testes aplicados ver Costa Neto (1977).
2
E xigência Consolidação
Consumidor
Imagem
Outros Motivos
O resultado do teste t-student (unilateral)
confirma essa hipótese. Somente para os elementos
“envolvimento dos funcionários” e “empowerment aos
funcionários” não existe estatisticamente, aos níveis
de 1% e 5% de significância, uma superioridade das
indústrias de desempenho superior sobre as indústrias
com desempenho inferior (tabela 3), na implantação
das práticas da GQT.
HIPÓTESE 1: As indústrias cearenses (ou
localizadas no Estado do Ceará), com desempenho
superior nos resultados da qualidade do produto (26
indústrias), aplicam mais intensamente os elementos
da GQT, do que aquelas com desempenho inferior
(46 indústrias).
Conclui-se, então, que a aplicação de forma
mais intensa dos elementos da GQT conduz a
resultados superiores no desempenho da qualidade dos
produtos. Provavelmente, isso se deve a que as
indústrias com desempenho superior buscam mais
programas de GQ (das 26 indústrias com desempenho
superior, 16 (61,5%) têm programas de GQ, enquanto
que das 46 indústrias com desempenho inferior, isso
acontece somente para 22 (47,8%) indústrias).
Para efeito deste trabalho, foi convencionado
como indústria com desempenho superior, aquela que
obteve uma média igual ou superior a 4,3 no item
Resultados da Qualidade do Produto (esse valor foi
determinado por meio de uma regra de três simples,
baseado no trabalho de Ahire et al (1996), que
considera desempenho superior uma média igual ou
superior a 6, em uma escala de Likert 1-7).
Tabela 3: Teste para comparação de médias, segundo o desempenho da indústria
Desempenho
Superior
Desvio
Média
P adrão
4,1 7
0,78
3,89
0,72
3,33
0,95
3,50
0,96
3,1 7
1 ,1 7
4,23
0,61
3,65
0,81
2,97
1 ,23
3,74
0,91
ELEMENTO S DA G Q T
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
Comprometimento da Alta Administração
Foco no Consumidor
Parceria com Fornecedor
Envolvimento dos Funcionários
Treinamento
Mensuração da Qualidade
Melhoria Contínua
B enchmarking
Empowerment
** Significativo a 1%
○
○
52
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
Desempenho
Inferior
Desvio
Média
Padrão
3,60
1 ,09
3,21
0,89
2,79
0,76
3,1 7
0,85
2,56
1 ,1 2
3,64
0,85
2,95
0,97
2,43
1 ,08
3,43
0,84
V alor da
Estatística t
2,60 **
3,33 **
2,64 **
1 ,50
2,1 9 *
3,41 **
3,1 5 **
1 ,94 *
1 ,44
* Significativo a 5%
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
, v.1, n.1, jan./jul. 2003.
○
○
○
○
○
○
Contudo, é razoável supor que indústrias mais
experientes em programas de GQ devem ser
significativamente superiores na aplicação de todos os
elementos da GQT e no desempenho da qualidade,
do que as indústrias menos experientes. Todavia, esse
teste não confirma essa suposição. Isso conduz a duas
observações: a primeira, o questionamento da
definição de 3 anos como limite de maturidade na
aplicação das práticas da GQT; a segunda, se há na
realidade, um efetivo processo de implantação da GQT
nas indústrias pesquisadas afetando, assim, os seus
resultados. O que prevalece, segundo este estudo, é a
segunda observação.
O teste t-student (unilateral) revela que, para
melhoria contínua e benchmarking, há estatisticamente
uma superioridade a um nível de 1% de significância das
indústrias mais experientes sobre as menos experientes.
Para foco no consumidor, treinamento e empowerment,
essa significância é de 5% (Tabela 4). Das 38 indústrias
que têm algum programa de GQ, 16 indústrias, dentre
as 21 que executam programas de GQ, a menos de 3
Tabela 4: Teste para comparação de médias, segundo o tempo de execução de programas de GQ
Indústria Mais
Experiente
Desvio
Média
P adrão
4,50
0,59
3,94
0,79
3,46
0,70
3,74
0,68
3,85
0,91
4,1 5
0,76
3,99
0,82
3,43
1 ,20
4,07
0,67
4,1 9
0,53
ELEMENTO S DA G Q T
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
1 0.
Comprometimento da Alta Administração
Foco no Consumidor
P arceria com Fornecedor
E nvolvimento dos F uncionários
Treinamento
Mensuração da Qualidade
Melhoria Contínua
B enchmarking
E mpowerment
Resultados da Qualidade do P roduto
** Significativo a 1%
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
1 ,52
1 ,83 *
1 ,36
0,95
2,07 *
0,39
2,54 **
2,46 **
2,1 8 *
1 ,53
Esses resultados reforçam a afirmação de que
uma condição necessária para uma indústria apresentar
um desempenho superior, nos resultados da qualidade
do produto, é uma aplicação efetiva de programas de
GQ baseado nos elementos da GQT. Esses resultados
vêm corroborar, mais uma vez, que a GQT é uma
forma de gestão, um diferencial competitivo superior
para as indústrias se manterem vivas no mercado
competitivo, frente à concorrência.
Conforme o teste t-student (unilateral), descrito
na Tabela 5, há uma superioridade estatisticamente,
ao nível de 5% de significância, nos resultados da
qualidade, das indústrias com algum programa de GQ,
sobre aquelas que não têm programas de GQ. Essa
tabela mostra, também, um resultado já esperado:
indústrias com programas de GQ aplicam mais
intensamente os elementos da GQT, do que as
indústrias sem programas de GQ (para benchmarking,
essa superioridade é significante ao nível de 5%, e para
os outros elementos é de 1%).
○
V alor da
E statística t
* Significativo a 5%
HIPÓTESE 3: Indústrias cearenses (ou
localizadas no Estado do Ceará), com programas de
GQ (38 indústrias), têm desempenho superior nos
resultados da qualidade do produto, do que aquelas
sem programas de GQ (34 indústrias).
○
Indústria Menos
Experiente
Desvio
Média
Padrão
4,1 5
0,79
3,54
0,55
3,07
0,98
3,50
0,83
3,25
0,88
4,07
0,51
3,30
0,82
2,40
1 ,33
3,54
0,82
3,88
0,67
○
, v.1, n.1, jan./jul. 2003.
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
53
○
○
○
○
anos, são cearenses. Isso pode ter conduzido a essas
diferenças significativas, uma vez que a pesquisa revelou,
também, que as indústrias não-cearenses instaladas no
Estado do Ceará parecem ser superiores às cearenses,
na aplicação dos elementos da GQT.
○
HIPÓTESE 2: As indústrias cearenses (ou
localizadas no Estado do Ceará), com maior experiência
(3 ou mais anos) em programas de GQ, aplicam mais
eficientemente os elementos da GQT e têm desempenho
da qualidade superior, do que aquelas menos experientes.
Das 38 indústrias pesquisadas que têm programas de
GQ, 21 executam programas de GQ a menos de 3 anos
e 17 executam esses programas com 3 ou mais anos (a
definição de 3 anos como limite, baseia-se no trabalho
de Ahire (1996)).
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
Tabela 5: Teste para comparação de médias, segundo a existência de programas de GQ
Tem Programa
de G Q
Desvio
Média
Padrão
○
○
○
○
○
○
○
ELEMENTO S DA G Q T
Comprometimento da Alta Administração
4,31
0,72
3,25
1 ,03
5,02 **
2.
Foco no Consumidor
3,72
0,69
3,1 6
1 ,00
2,72 **
3.
P arceria com Fornecedor
3,24
0,88
2,69
0,77
2,83 **
4.
Envolvimento dos Funcionários
3,61
0,77
2,94
0,91
3,42 **
5.
Treinamento
3,52
0,93
1 ,96
0,80
7,59 **
6.
Mensuração da Qualidade
4,1 1
0,63
3,57
0,93
2,83 **
7.
Melhoria Contínua
3,61
0,88
2,75
0,86
4,1 9 **
8.
B enchmarking
2,86
1 ,36
2,36
0,83
1 ,92 *
9.
Empowerment
3,78
0,79
3,29
0,90
2,46 **
4,01
0,62
3,74
0,77
1 ,72 *
** Significativo a 1%
* Significativo a 5%
CONCLUSÕES E COMENTÁRIOS FINAIS
Os resultados da pesquisa levam às seguintes
conclusões:
l
O desempenho superior nos resultados da
qualidade do produto está positivamente associado
à implantação das práticas da GQT (Hipótese 1).
Esse é um forte argumento para que as indústrias
cearenses busquem a filosofia da qualidade como
forma de gestão. Convém acrescentar, que a GQT
não é a atividade FIM, para uma indústria e, sim,
uma atividade MEIO, para que ela sobreviva no
mercado. Esse é um equívoco de conhecimento
assumido por muitas indústrias. É possível concluir,
também, que a chave para a superioridade das
indústrias de médio e grande porte da manufatura
cearense, com desempenho superior nos resultados
da qualidade dos produtos, sobre as indústrias com
desempenho inferior, parece estar mais relacionada
às “ferramentas e técnicas” da GQT, tais como,
mensuração da qualidade, parceria com
fornecedor, treinamento, melhoria contínua,
benchmarking, do que aos aspectos intangíveis envolvimento dos funcionários e empowerment,
uma vez que não há superioridade estatisticamente
significativa nesses dois elementos ao se estratificar
pelo desempenho da empresa;
l
Da hipótese 2, conclui-se que as indústrias
cearenses (ou localizadas no Estado do Ceará)
mais experientes na aplicação dos elementos da
GQT, não são significativamente superiores em
todos esses elementos, do que as indústrias menos
experientes. Uma explicação pode ser decorrente
do seguinte fato observado na pesquisa: parece
não haver, em muitas indústrias, um modelo de
sistema estruturado de implantação dos
programas de GQ. Isso pode demandar um
tempo maior para a efetiva implantação dos
○
○
○
○
V alor da
Estatística t
1.
1 0. Resultados da Qualidade do P roduto
54
Não Tem
Programa de G Q
Desvio
Média
Padrão
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
elementos da GQT e para a obtenção de
desempenho superior na qualidade do produto.
Provavelmente, a definição do tempo limite de
maturidade de 3 anos de aplicação de programas
de GQ, definido nesta pesquisa, pode ter afetado
os resultados. Dentro desse cenário, esse tempo
de maturidade será mais longo;
Uma das conclusões mais importantes desta
pesquisa é que as indústrias manufatureiras de
portes médio e grande do Estado do Ceará, que
não têm qualquer programa de GQ, têm
desempenho inferior nos resultados da qualidade
e aplicam de forma precária todos os elementos
da GQT, aqui pesquisados, do que as indústrias
com algum programa de GQ (hipótese 3).
l
Algumas restrições referentes a este estudo
devem ser esclarecidas para efeito das conclusões:
Os resultados da pesquisa podem ter sido
influenciados por outros fatores que não foram
isolados como, por exemplo, o ramo de atividade
(devido ao pequeno número de dados) das
empresas;
Não foram analisadas isoladamente indústrias que
têm somente programas de GQT, em função da
pequena quantidade de dados. Contudo, para
todos os estratos, as variáveis estudadas para
investigação das práticas da GQ são, na realidade,
os elementos da GQT;
Barreiras iniciais que influenciam na implantação
de programas de GQ, tais como, cultura
organizacional para a qualidade e monopólio de
mercado, não foram investigados na pesquisa;
Replicações da pesquisa devem ser efetuadas
para melhor corroborar os resultados. Como
sugestão, envolver um maior número de
indústrias na pesquisa e abranger, também,
indústrias dos portes micro e pequeno.
l
l
l
l
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
○
, v.1, n.1, jan./jul. 2003.
○
○
○
○
○
○
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APÊNDICE: O MODELO DE REFERÊNCIA DA GQT: FATORES CRÍTICOS DA GQT E PRÁTICAS OPERACIONAIS
1.
Comprometimento da alta administração
2.2
Avaliação Periódica da qualidade executada
pela alta administração
Fornecimento das reclamações dos
consumidores a todos os departamentos
2.3
1.2
Discussão da importância da qualidade pela
alta administração
Utilização das reclamações do cliente como base
para a melhoria da qualidade
2.4
1.3
Alocação de verbas e recursos para a qualidade
definida em orçamento
Manutenção de um serviço de atendimento ao
consumidor
2.5
Realização periódica de pesquisas junto ao
consumidor
1.4
Definição (identificação) e documentação das
metas da qualidade
1.5
As metas da qualidade inseridas no
planejamento estratégico da empresa
3.1
Qualidade e preço como critérios para a seleção
do fornecedor
1.6
Comunicação ativa da alta administração do
compromisso pela qualidade
3.2
Realização de contratos de longo prazo com
fornecedor
3.3
Fornecimento de assistência técnica ao
fornecedor
3.4
Participação do fornecedor no processo de
desenvolvimento e fabricação
1.1
2.
Parceria com o fornecedor:
Foco no consumidor:
2.1
○
3.
○
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○
Comparação da satisfação do cliente com
indicadores internos/concorrentes
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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4.
○
○
○
Envolvimento dos funcionários (relação com
os funcionários)
8.
Benchmarking:
4.1
Realização periódica de reuniões em cada área
para discussão sobre qualidade
4.2
Reuniões periódicas de equipes interfuncionais
para discussão sobre qualidade
4.3
Avaliação de todas as sugestões dos
funcionários
4.4
Implantação das sugestões dos funcionários
4.5
Prêmios e/ou recompensas não financeiras
pelas melhores sugestões
○
○
○
○
○
9.
7.
○
Visita
em
outras
reconhecidamente líderes
organizações
8.2
Efetivo procedimento de benchmarking dos
competidores mais fortes
8.3
Efetivo procedimento de benchmarking com
líderes não competidores
8.4
Manutenção efetiva do benchmarking como
uma política da empresa
“Empowerment”(delegação de poderes) aos
funcionários:
5. Treinamento:
6.
8.1
9.1
Delegação de poderes aos funcionários para a
solução de problemas
5.1
Alocação de recursos necessários para o
treinamento em qualidade
9.2
5.2
Envolvimento de todos os escalões no
treinamento em qualidade
Fornecimento de apoio aos funcionários para
a solução de problemas
9.3
5.3
Treinamento de muitos funcionários em técnicas
de solução de problemas
Inspeção da qualidade executada pelos
funcionários (não por um inspetor)
9.4
5.4
Treinamento dos funcionários em ferramentas/
técnicas estatísticas
Divulgação das experiências de sucesso na
solução de problemas
1 0 . Resultados da Qualidade do Produto
Mensuração da Qualidade:
10.1 Aumento significativo da produtividade
6.1
Execução de inspeções por amostragem
durante o processo de produção
10.2 Redução significativa de erros e desperdícios
6.2
Avaliação da qualidade não executada somente
com inspeção final
6.3
Medição periódica dos desperdícios e falhas
de produto não-conforme
10.5 Redução significativa no número de
reclamações dos consumidores
6.4
Manutenção de registros das avaliações da
qualidade
10.6 Diminuição significativa dos custos referentes à
qualidade
6.5
Fornecimento dos resultados das avaliações a
todos os funcionários
6.6
Resultados das avaliações como suporte para
a melhoria da qualidade
10.3 Aumento considerável da lucratividade
10.4 Aumento significativo da posição competitiva
Melhoria Contínua:
○
56
○
7.1
Manutenção de estrutura organizacional
específica para apoiar a Qualidade
7.2
Há programa formal para a redução de tempo
e custo nos processos internos
7.3
Execução de avaliações nos processos chaves
de produção
7.4
Há um programa formal para a redução do
tempo de entrega de produto
7.5
Há um programa formal para a redução do
tempo de fabricação
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RESUMO
Um problema identificado na modelagem de processos de negócios é que as organizações são
estruturadas em funções em vez de processos. Dentro desse contexto, é importante que as organizações
sejam centradas em processos. São identificadas duas etapas para estruturar uma organização em
processos. A primeira é organizar as unidades de negócios em torno de um processo central e, em
seguida, adicionar a essas unidades os outros tipos de processos. Este trabalho tem como objetivo
apresentar uma arquitetura de modelagem de processos de negócios - AMPN que selecione as técnicas
de modelagem em função dos objetivos de um projeto de processo. Essa arquitetura deve apoiar o
desenvolvimento de modelos voltados para a gestão do valor dos processos que propiciem a visão
dos negócios em diferentes perspectivas através das técnicas de modelagem.
PALAVRAS-CHAVE: Modelagem de processos; arquitetura de modelagem.
ABSTRACT
One problem identified in modeling is that the organizations are structured in functions instead of
processes. Within this context, it is important that the organizations should be centered in processes.
Two stages are identified in order to structure one organization in processes. The first one is to organize
the units of business around a central process and, afterward, to attach to these units the other kind of
processes. On this way, this work has as objective to present a AMBP that selects the techniques of
modeling in function of the objectives of processes project. This architecture has to give a support to the
development of models that consider the processes value and produce a business vision on different
perspectives using the modeling of process techniques.
KEY WORDS: Modelling of processes; modelling architecture.
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57
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José Belo Torres – Dr. Eng. – Universidade Federal do Ceará
Gregório Jean Varvakis Rados – PhD – Universidade Federal de Santa Catarina
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UMA ARQUITETURA DE MODELAGEM DE PROCESSOS DE NEGÓCIOS
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1 INTRODUÇÃO
Um problema identificado na modelagem é que
as organizações são estruturadas em funções em vez
de processos. Dentro desse contexto, é importante que
as organizações sejam centradas em processos.
Vanharverbeke (1998) identifica duas etapas para
estruturar uma organização em processos. A primeira
é organizar as unidades de negócios em torno de um
processo central e em seguida adicionar, a essas
unidades, os outros tipos de processos.
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Para Ould (1998), existem várias razões para
se utilizar uma estrutura organizacional centrada em
processos. Em um contexto de BPR, deseja-se uma
estrutura organizacional centrada em processos, já que
essa abordagem propõe modelar seus processos. Na
melhoria contínua, é necessária uma estrutura em
processos para que as suas ferramentas apóiem a
melhoria contínua através da identificação das
atividades que não agregam valor.
Quanto às metodologias de representação de
processos de negócios, Pandya (1997) afirma que existem
basicamente dois tipos. O primeiro é voltado para os
sistemas de informações, enquanto o segundo é voltado
para a gestão de valor dos processos. Uma diferença
básica entre os dois tipos é que as metodologias voltadas
para os sistemas de informações têm como princípio
básico a intenção de implementação para um projeto
computacional. Já para as metodologias de gestão de
valor dos processos têm como objetivo recuperar e avaliar
as medidas de seus desempenhos. Phalp (1998) afirma
que as técnicas para modelagens de processos de negócios
foram originalmente desenvolvidas para o estudo dos
sistemas de informações.
Para Gonçalves (2000), uma organização
centrada em processos está surgindo como a forma
organizacional dominante para o século XXI. Essa visão
horizontal das empresas é uma maneira de identificar
e aperfeiçoar as interfaces funcionais que são os pontos
nos quais o trabalho está sendo realizado. Esses
processos horizontais são desenhados utilizando como
base o fluxo de trabalho através de uma equipe que
executa todo o processo.
Em relação à modelagem de processos de
negócios, deve-se buscar uma arquitetura que permita
uma visão do negócio em diversas perspectivas
(CURTIS, 19992), (LUO, 1999), (TAIT, 2000), (YU,
2000a, 2000b), (PRESLEY, 2001), (TORRES, 2002).
Uma arquitetura, segundo Luo (1999), deve ser capaz
de atender aos objetivos de um projeto de processo.
Normalmente, é fundamentada nas perspectivas que
os modelos passam de uma visão de um negócio
através das técnicas de modelagem de processos.
Para Yu (2000a), os modelos podem ser vistos
de diferentes perspectivas e, assim, apoiar os usuários
a identificar e clarear aspectos particulares de um
negócio. Entende-se, assim, o modelo como uma
ferramenta que disponibiliza uma ou mais perspectivas
de um negócio.
Neste trabalho, aplica-se a AMPN para
selecionar as técnicas que devem atender ao
desenvolvimento de um modelo voltado para a gestão
do valor dos processos. Essa arquitetura é constituída
de um conjunto de elementos, como perspectivas,
características, qualidades e técnicas de modelagem.
2.1 AS ARQUITETURAS DE MODELAGEM DE PROCESSOS
Diversos trabalhos para o desenvolvimento de
sistemas de informações ou para a gestão de valor
dos processos (CURTIS, 1992), (LUO, 1999),
(PRESLEY, 2001), propiciam, em relação à
modelagem de processos, uma visão do negócio em
diferentes perspectivas. Os mais explorados são o Open
System Architecture – CIMOSA para o CIM (Computer
Integrated Manufacuring) (LEPKINSON, 1998),
(VALIRIS, 1999), (WESTON, 1999), (BORJE, 2000),
(YU, 2000a, 2000b), (PRESLEY, 2001), o modelo de
Curtis (CURTIS, 1992) e o modelo de Zachman
(VALIRIS, 1999), (TAIT, 2000). Esses trabalhos foram
propostos para atender o desenvolvimento de SI e para
eles foram dados o nome de Arquiteturas de Sistemas
de Informações – ASI.
Este trabalho está organizado em quatro seções.
As técnicas de modelagem de processos são
apresentadas na seção 2. Na seção 3, é proposta uma
arquitetura de suporte à modelagem de processos. Esta
arquitetura tem como objetivo dar uma visão holística
e organizar o modelo de processos sobre um conjunto
de perspectivas e características. Na seção 4, são feitas
as considerações finais.
2 A MODELAGEM DE PROCESSOS DE
NEGÓCIO
Segundo Boothroyd (apud PIDD, 1998), os
modelos são mundos artificiais que têm sido
deliberadamente criados para ajudar o entendimento
das possíveis conseqüências de ações particulares. Eles
são partes de um processo de reflexão antes da ação.
Os modelos podem ser quantitativos, mas, em qualquer
dos casos, eles serão abstrações simplificadas do
sistema de interesse. O conceito de modelo, segundo
Pidd (1998), é uma representação externa e explícita
de parte da realidade vista pela pessoa que quer usar
aquele modelo para entender, mudar, gerenciar e
controlar parte daquela realidade.
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Em um trabalho clássico sobre modelagem de
processos para engenharia de software, Curtis (1992)
sugere que o modelo de processos apresente uma ou
mais perspectivas e identifica as quatro mais
comumente utilizadas: a funcional, a comportamental,
a organizacional e a informacional. Neste artigo, o autor
descreve cada uma dessas perspectivas.
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A metodologia GRAI (PANDYA, 1997) propõe
uma visão do sistema de produção dentro de três
subsistemas, o subsistema de tomadas de decisão, o
subsistema de informação (estrutural) e o subsistema
físico. Foi desenvolvida em 1980 na universidade de
Bordeaux e concentra-se nas funções existentes de um
companhia, para analisar o gerenciamento dos
sistemas de informações. O sistema de decisão, o qual
tem uma estrutura hierárquica, controla o sistema físico
através dos dados fornecidos pelo sistema de
informação. No sistema físico, ocorre a transformação
dos materiais em produtos acabados. O quadro 1
mostra um resumo das arquiteturas levantadas.
Yu (2000b) propõe em uma pesquisa nos
Sistemas Flexíveis de Manufatura - FMS, uma
arquitetura que identifica as perspectivas funcional,
informacional e de controle, utilizando as técnicas
IDEF0, IDEF1 e SLAMII respectivamente. Ele conclui
que a abordagem que representa as múltiplas
perspectivas fornece o conhecimento necessário para
o entendimento correto e seguro de um sistema e
consequentemente fornece as facilidades para realizar
análises com mais confiabilidade.
Uma observação importante, em relação as
arquiteturas apresentadas, é quanto às semelhanças
de algumas perspectivas propostas. Por exemplo, a
perspectiva funcional pode ser vista como uma
perspectiva de atividades no sentido de que ambas
objetivam identificar as transformações de entradas
em saídas. A diferença básica entre elas é que a
funcional identifica quem está realizando as atividades.
A perspectiva informacional, embora mais ampla, é
semelhante à perspectiva de dados ou de objetos,
enquanto a de objetos se assemelha com as perspectivas
de recursos e de dados.
Luo (1999), por sua vez, sugere um framework
de seleção de técnicas de modelagem de processos de
negócios. Afirma que, para se modelar os processos, é
necessário que os seus objetivos sejam descritos. Esses
objetivos devem determinar a visão do negócio através
de suas perspectivas, e dessa visão selecionar as técnicas
de modelagem. A seleção, portanto, das técnicas de
modelagem é função dessas perspectivas e qualidades
do modelo para atender os objetivos do negócio.
Agora, existem algumas perspectivas que,
acredita-se, estão mais para as características ou
categorias das técnicas de modelagem. Por exemplo, a
perspectiva comportamental pode ser vista como uma
característica dinâmica através das interações, quando
da execução de um processo. O mesmo pode ser
observado em relação à perspectiva de dado, essa está
aqui devido à importância dos sistemas de informações.
Quanto às perspectivas que aparecem poucas vezes,
como estratégias, decisão, controle e desempenho, são
de fundamental importância, mas de difícil
representação através das técnicas de modelagem.
Já Presley (2001) apresenta uma abordagem
centrada em processos utilizando um esquema de
modelagem de processos para análise e projeto de
negócios convencionais e estendidos. Negócios
estendidos significam um conjunto de processos de
negócios distribuídos em multi-companhias ou negócios
virtuais. Para isso, utilizou-se de uma abordagem
baseada em holons da ARRI (Automation & Robotics
Research Institute), para modelar os componentes de
um negócio que permitisse o desenvolvimento de uma
visão integrada através das seguintes perspectivas:
atividade, processo, organizacional, regras e recurso.
Para o desenvolvimento dessas perspectivas, foram
utilizadas as técnicas de modelagem da família - IDEF.
Dentro desse contexto, observa-se que a
arquitetura deve servir para atender aos objetivos do
trabalho que se pretende realizar. Assim, quando o
objetivo é atender as metodologias de desenvolvimento
de SI, algumas perspectivas devem ser obrigatoriamente
apresentadas, como, por exemplo, a perspectiva
informacional, enquanto para as metodologias voltadas
para a gestão de valor dos processos as perspectivas
que devem ser apresentadas, pelo menos, são as
perspectivas de processos e controle em que as
seqüências de atividades podem ser visualizadas e a
simulação pode ser realizada.
Segundo Bal (1998), um processo de negócio
deve ser observado de várias perspectivas dependendo
da espécie de informação requerida. São dos tipos:
Que (What) trabalhos estão sendo feitos; Quem (Who)
está realizando, Como (How) está sendo feito e Quando
(When) será feito e, por último, quem tomará a
decisão. Dentro dessa ótica, afirma que existem várias
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perspectivas para uma visão de negócio: funcional,
comportamental, organizacional, informacional (estas
quatro fazem parte do modelo de Curtis), de recursos
e de decisão.
○
A arquitetura CIMOSA foi definida pelo projeto
ESPRIT e consiste de um conjunto de perspectivas da
visão organizacional as quais, juntas, dão uma
completa descrição da organização (VALIRIS, 1999).
O modelo CIMOSA é uma das arquiteturas mais
abrangentes, na medida em que inicia pela definição
estratégica de negócio. Esta procura visualizar a
manufatura segundo uma matriz de perspectivas e
atividades começando com a visão estratégica e
terminando com a implementação dos sistemas de
informações. As perspectivas utilizadas são a funcional,
a informacional, a de recursos e a organizacional.
Observa-se, assim, uma arquitetura voltada para o
desenvolvimento dos sistemas de informações.
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Quadro 1 - Arquiteturas de Modelagem de Processos de Negócios
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A RQ UITETURA S
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PERS PEC TIV A S
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CIMOS A
Funcional
GRAI
Zachman
Curtis
X
X
X
X
X
Comportamental
Organizacional
X
X
X
X
Informacional
X
X
X
X
ARRI
Yu
Luo
B al
ARIS
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Objetos
X
Atividades
X
X
Regras
X
X
Recursos
X
X
P rocesso
X
Dados
X
E stratégia
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Desempenho
X
Decisão
X
Controle
X
2.2 AS TÉCNICAS DE MODELAGEM DE PROCESSOS
Diversas são as técnicas empregadas para
identificar as diferentes perspectivas de negócios. Uma
descrição mais detalhada dessas técnicas pode ser vista
em Torres (2002). Entre elas podem ser citadas: a
metodologia Roles Activity Diagrams – RAD, a
simulação, a Rede de Petri, a Rede de Atividades – RA,
a Orientação a Objetos – OO, a UML, os componentes
de Software, a família IDEF e o Workflow.
Luo (1999) afirma que as técnicas de
modelagem de processos de negócios não têm somente
características diferentes, mas também proporcionam
perspectivas diferentes da visão dos negócios. Uma
técnica de modelagem deve atender aos objetivos de
um projeto, pois, assim, pode-se limitar o modo pelo
qual os processos podem ser descritos e analisados. A
seleção de uma técnica para modelagem de processos
de negócios deve atender aos objetivos que pretende
alcançar, como, por exemplo, representar, avaliar,
comunicar e controlar um processo existente.
2.3 UMA ANÁLISE
PROCESSOS
Nickols (1997) propõe uma classificação dos
modelos em estático, dinâmico e comportamental.
Estático devido aos modelos estruturais (dados) e
dinâmico devido ao modelo comportamental e de
processos. A característica dinâmica relaciona-se com
a avaliação dos modelos de processos de negócios por
meio da simulação. O dinâmico pode ir além da
simulação, ou seja, pode permitir que os modelos
interajam com os recursos organizacionais
dinamicamente. Dessa forma, ao fazer as
apresentações das técnicas nas próximas seções, as
análises serão feitas em função das perspectivas
acrescidas dos aspectos estático e dinâmico.
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DAS
TÉCNICAS
DE
MODELAGEM
DE
Esta seção tem como objetivo fazer uma
avaliação das técnicas apresentadas em função das
perspectivas e características estáticas e dinâmicas. As
características estáticas foram divididas em duas outras
características, ou seja, estrutura organizacional e
informacional. A estrutura organizacional está
relacionada com os recursos da organização, como os
equipamentos e recursos humanos, enquanto a
informacional está relacionada com as entradas e
saídas, ou seja, os dados e os seus relacionamentos e
os documentos ou materiais.
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Quanto aos aspectos de representação de dados
ou objetos, existem as técnicas IDEF1, IDEF1x e IDEF5
que tratam essas características muito bem. O IDEF1
usa o modelo tradicional, idêntico ao MER, para
modelar logicamente um banco de dado relacional,
enquanto o IDEF5 modela as ontologias de seus objetos,
de forma idêntica às abstrações da OO. O IDEF1x,
somente, aperfeiçoa o IDEF1 utilizando mais semântica.
Na perspectiva de processo, por exemplo, pode
ser observado o tempo de ciclo, enquanto na perspectiva
de recursos pode ser observada a produtividade. Do
levantamento das técnicas descritas e suas
características montou-se o quadro 2. Este quadro,
portanto, apresenta a capacidade de percepção das
características e perspectivas através das técnicas
descritas. Utilizou-se, para isso, o critério qualitativo
descritivo realizado a seguir.
Em relação à RA e à rede de Petri, são técnicas
semelhantes que têm os mesmos objetivos quanto à
modelagem de processos de negócios. Essas representam
com qualidade as características dinâmicas. Foram
consideradas boas para a avaliação no sentido de que
são técnicas que descrevem os fluxos de processos e
que podem ser desenvolvidas como objetos e assim ter
autonomia de cálculo para recuperação de medidas de
desempenho. Também, podem apoiar eficientemente
na derivação para uma ferramenta de simulação com
o apoio de outras técnicas como o IDEF0, por exemplo.
Isso é possível devido a essas técnicas descreverem as
rotas ou atividades realizadas no tempo por um processo.
Quanto ao controle, isso se deve por expressar em seus
modelos as ações que deve tomar um elemento do
modelo quando um determinado evento ocorrer.
Neste quadro, observa-se que o IDEF0 representa
as características estáticas. Embora não represente bem
os relacionamentos de dados, consegue ser abrangente,
modelando as entradas, saídas, mecanismos e recursos
utilizados nas atividades. Assim, o seu modelo ou
diagrama é uma ótima ferramenta para apoiar outras
técnicas de modelagem como as ferramentas de
simulação, por exemplo. Na perspectiva informacional,
os dados ou documentos que estão sendo processados
Quadro 2 - Análise das Técnicas de Modelagem de Processos
C A RA C TERÍSTIC A S
Técnicas de
Modelagem
Estática/Estrutural
Dinâmica
Estrutura
O rganizacional
Informacional
C omportamental
A valiação
*
*
***
*
**
**
OO
*
***
UML
*
***
RAD
Ferramentas
S imulação
de
C ontrole
***
**
***
**
*
***
**
*
Rede de P etri
**
**
RA
**
**
**
**
IDE F0
*
**
IDE F1
**
IDE F1 x
**
IDE F2
IDE F3
**
IDE F5
**
**
Componentes
***
*
**
***
***
Workflow
***
E spaço em branco nada representa
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* Média
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** B oa
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*** Muita boa
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são descritos, mas não mostra as relações com outras
entidades, como nos modelos de E-R. A grande
vantagem do IDEF0 é a facilidade de entendimento do
seu modelo projetado.
○
Quanto às características dinâmicas, foram
divididas em comportamental, de avaliação e de
controle. A característica comportamental é tratada
como dinâmica no sentido da interação que é realizada
entre duas entidades. A característica de avaliação
observa o comportamento dos modelos através das
medidas de desempenho por meio da simulação,
enquanto a característica de controle propõe o
monitoramento de forma dinâmica das medidas de
desempenhos da organização.
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Quanto à UML e à OO, pode-se observar que
preenchem bem quase todas as características, sejam
elas estáticas ou dinâmicas. Isso acontece porque essas
técnicas, voltadas para modelos, têm uma grande
quantidade de diagramas. Assim, para possibilitar todas
essas características, um certo número de diagramas
tem que ser desenvolvidos influenciando na capacidade
de seus modelos serem íntegros e consistentes. Em um
diagrama de classes, por exemplo, as suas classes
devem estar presentes nos outros diagramas com as
mesmas características.
realizadas como a junção de uma ou mais perspectivas
e a eliminação de outras por dificuldade de
representação. Essas perspectivas eliminadas podem
ser definidas através de uma forma descritiva.
Quanto às restrições, decidiu-se, primeiramente,
eliminar a perspectiva funcional e identificá-la como
de atividades. Assim, a organização deve ser vista
através de processos ou atividades sendo realizada por
alguém e liberando produtos para os processos
seguintes. Com a mesma motivação, definiu-se a
perspectiva organizacional, no sentido apresentado por
Presley (2001), para a perspectiva de processos de
negócio.
A pouca representatividade para a avaliação
se deve, principalmente, a OO não propor nenhum
modelo que mostre as seqüências de atividades no
tempo e principalmente a quantificação dos recursos.
A característica comportamental é vista através da
interação entre dois objetos, enquanto a característica
de controle é vista através dos seus eventos.
Quanto à RAD, é uma boa técnica para
representar as dinâmicas comportamentais das funções
organizacionais como o diagrama de caso de uso da
UML. O seu grande problema é que se preocupa em
modelar as interações entre funções, esquecendo o
principal objetivo da modelagem que é o processo.
Quanto às semelhanças de perspectivas, foram
identificadas a informacional, de dados e de objetos
que representam os dados, documentos ou entidades,
e foi denominada de perspectiva de objeto
informacional. Podia ser chamada, também, de
objetos, mas decidiu-se por informacional para não se
prender ou se confundir com os objetos da OO. A
perspectiva de objetos foi identificada como uma nova
perspectiva, a de recursos. E, por último, as
perspectivas de regras e controle são agrupadas na
perspectiva de controle.
A modelagem com componentes descreve a
estrutura organizacional com os seus recursos, as
relações desses recursos, os eventos e os métodos que
permitem a interação com do modelo com os recursos
organizacionais. Dessa forma esta técnica pode ser
comparada como um misto de modelo dinâmico das
metodologias OO e das ferramentas de simulação.
Essas características dão a essa técnica a viabilidade
de avaliação e controle através de seu modelo. A sua
característica de representar os recursos organizacionais
faz com que represente bem a estrutura organizacional.
A perspectiva de controle é diferente da
característica de controle. Na primeira, o modelo
identifica as atividades que devem ser realizadas
conforme a ocorrência de um evento, enquanto a
segunda se deve à condição de o modelo interagir, de
forma dinâmica, com os recursos da organização
recuperando e armazenando informações no banco
de dados – BD corporativo da organização. As técnicas
como rede de Petri e componentes possibilitam a
perspectiva dos recursos de forma dinâmica como o
desempenho de produtividade, por exemplo.
O que é importante nessa análise é que uma
técnica isoladamente não consegue representar todas
as características de um modelo de negócio. Dessa
forma, deve-se selecionar um conjunto de técnicas que
não sejam muitas, em torno de três, para que
representem bem a visão de negócio, conforme o
objetivo da modelagem proposta. Outra questão
importante é que os modelos possam não só
representar, mas também interagir, de forma dinâmica,
com os recursos organizacionais através de seus
elementos.
Em relação à análise do quadro 3, as seguintes
considerações podem ser feitas. Quanto às técnicas
da RAD, esta possibilita uma visão dos processos e
das atividades de uma forma dinâmica
comportamental. A OO e UML permitem a visão
através de um conjunto de perspectivas. Observa-se,
entretanto que não são as melhores técnicas, pois não
propõem aos modelos, a representação dos múltiplos
recursos utilizados na organização.
Uma outra análise foi realizada e resumida no
quadro 3. Este quadro descreve as relações entre as
perspectivas, características e técnicas com o objetivo
de visualizar de forma integrada esses três elementos.
O quadro identifica que uma determinada técnica
possibilita uma determinada perspectiva de forma
estática ou dinâmica. Para elaboração desse quadro,
algumas restrições quanto às perspectivas foram
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Quadro 3 - Relacionamento entre Características, Perspectivas e Técnicas
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C A RA C TERÍSTIC A S
Dinâmica
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Estática
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PERSPEC TIV A S
O rganizacional
Informacional
• Componentes
• Ferramentas de
S imulação
• Rede de P etri
P rocesso
C omportamental
• OO
• UML
• ID E F0
A valiação
C ontrole
• RAD
• OO
• UML
• ID EF3
• OO
• UML
• RA
• Rede de P etri
• Ferramentas de
S imulação
• Componentes
• IDE F2
• RA
• Rede de P etri
• Componentes
• Workflow
• RA
• Rede de P etri
• Componentes
• Workflow
• Componentes
• Ferramentas de
S imulação
• Rede de P etri
• OO
• UML
• ID E F0
• RAD
• OO
• UML
• ID EF3
• OO
• UML
• RA
• Rede de P etri
• Ferramentas de
S imulação
• Componentes
• IDE F2
Objetos Informacionais
• OO
• UML
• ID E F0
• OO
• UML
• ID E F0
• ID E F1
• ID E F1 x
• ID E F5
• OO
• UML
• RAD
• OO
• UML
• Componentes
• Workflow
Recursos
• OO
• UML
• ID E F0
• OO
• UML
• ID E F0
• OO
• UML
• RAD
• OO
• UML
• Rede de P etri
• Componentes
• Rede de P etri
• Componentes
Controle
• OO
• UML
• ID E F0
• OO
• UML
• ID E F0
• OO
• UML
• ID EF3
• OO
• UML
• Componentes
• Rede de P etri
• Componentes
• Workflow
Atividades
Para possibilitar todas estas perspectivas com
essas características, as técnicas de OO utilizam-se de
um conjunto de diagramas, que, muitas vezes, dificulta
a integridade desses diagramas, o que torna sua
utilização menos vantajosa. Assim, em vez de selecionar
técnicas de uma única metodologia, deve-se buscar
outras técnicas de outras metodologias.
Dessa forma, esse conjunto de técnicas pode
contribuir para que as perspectivas sejam visualizadas
de modo estático e dinâmico possibilitando uma
arquitetura de modelagem de processos de negócios
que venha apoiar as abordagens organizacionais como
BPR e melhoria contínua tornando-se, realmente, uma
disciplina de engenharia de negócios.
Quanto à RA e à rede Petri, juntamente com a
técnica de componentes, permitem a visão de negócio
através das perspectivas de processos e das atividades
com as características de avaliação e controle. Isso se
deve à recuperação de forma dinâmica de suas medidas
de desempenho como custo, tempo de ciclo e
produtividade. A família IDEF, como a OO, possibilita
uma visão ampla em relação às características estáticas.
Somente o IDEF3 descreve as características dinâmicas
comportamentais com as perspectivas de processos,
atividades e controle. O IDEF3 mostra, portanto, o
seqüenciamento ou coordenação de atividades,
enquanto o IDEF2, somente, diz da importância da
avaliação, mas não propõe nenhuma técnica.
3
A AMPN é definida, neste trabalho, como uma
framework para a construção de um conjunto de
perspectivas da visão de um negócio através das
técnicas de modelagem de processos de negócios. Essa
arquitetura é utilizada, tanto para as metodologias
voltadas para sistemas de informações quanto para
as metodologias voltadas para gestão de valor dos
processos. A figura 1 mostra a arquitetura proposta.
Observa-se que a arquitetura utiliza-se um de
modelos genéricos que podem personalizados para uma
organização específica. A arquitetura utiliza-se de um
conjunto de técnicas, perspectivas, características e
qualidades apresentadas e analisadas na seção anterior.
Esses elementos são, então, selecionados através de um
conjunto de etapas estruturadas. A seguir, são descritas
as etapas e ao mesmo tempo é feita a aplicação da
AMPN para seleção das técnicas que serão utilizadas
em um determinado projeto.
Por último, o modelo de componente. Este é
baseado nas ferramentas de simulação mostrando as
interações entre os recursos (equipamentos), entidades
(matéria-prima) e dados. Esta técnica, juntamente com
a RA ou rede de Petri, que identificam as rotas ou lógicas
e mais o IDEF0 conseguem modelar as perspectivas de
recursos, objetos informacionais e atividades.
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UMA ARQUITETURA DE MODELAGEM
DE PROCESSOS DE NEGÓCIOS (AMPN)
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·
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ETAPA 1 IDENTIFICAR
PROCESSO
OBJETIVOS
OS
DE
PROJETO
DE
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O objetivo primário da aplicação da AMPN é
dar suporte às metodologias voltadas para a gestão
de valor dos processos, enquanto o segundo é
possibilitar que o modelo de processos possa ser utilizado
nas diversas etapas de um projeto de processo como
representar, simular e controlar. O modelo de processo
deve, assim, ser capaz de recuperar de forma dinâmica
as medidas de desempenho como custo, tempo de
ciclo e produtividade, por exemplo.
Nesta etapa, identifica-se os objetivos de um
projeto de processos de negócios. Assim, o modelo de
processos de negócios é construído segundo o tipo de
projeto, ou seja, se o projeto é voltado para o
desenvolvimento de sistemas de informações ou para
gestão de valor dos processos. Dessa forma, neste
trabalho, a AMPN é aplicada para selecionar os
elementos que serão utilizados na metodologia de gestão
de valor dos processos.
Figura 1 - Arquitetura de Modelagem de Processo de Negócios
Perspectivas
Q ualidade (Curtis)
Técnicas X Características
Características
Técnicas
Dinâmica
Estáticas
1 . Processo de
Negócio
2. Atividades
RAD
Ferramenta
S imulação
3. Regras
OO e UML
4. Recursos
Comportamental
Informacional
Arranjo
Físico
2. Comunicação
Humana
Avaliação
3. S uporte para o GP
Avaliação /
Comportamental
Informacional
4. Orientação /
Automatização
P rocesso
Avaliação /
Controle
Avaliação /
Controle
RA
Rede de
Petri
ID E F0
ID E F1
ID E F1 x
ID E F2
5. Objetos
Informacionais
1 . Facilidade
E ntendimento
5. Facilitar
E struturação
P rocesso
Informacional
Informacional
Informacional
Avaliação
Avaliação /
Comportamental
ID E F3
Informacional
Arranjo F ísico /
Informacional
ID E F5
Componentes
Avaliação /
Controle
Controle
Workflow
E tapas para a S eleção das Técnicas da AMP N
1 . Identificar Objetivos do Projeto
2. S elecionar os E lementos da AMP N
2.1 S elecionar as Perspectivas Necessárias
2.2 S elecionar as Características Necessárias
3. S elecionar as Qualidades Necessárias
4. S elecionar as Técnicas
E lementos da AMP N
Técnicas
Perspectivas, Características e Qualidade
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· ETAPA 2.1 SELECIONAR
PERSPECTIVAS
AS
Essa etapa está preocupada com as diferentes
perspectivas que o modelo de processos de negócio
deve representar para que os objetivos de projeto sejam
alcançados. Para a seleção, foram utilizadas as
análises realizadas e resumidas no quadro 3. Para
este trabalho, foram, então, selecionadas seis
perspectivas que, acredita-se, sejam fundamentais
para alcançar os objetivos propostos do projeto. São
elas: processos de negócios, atividades, recursos,
objetos informacionais, controle e regras. Novas
perspectivas, entretanto, podem ser selecionadas caso
os objetivos do projeto sejam outros. Essas
perspectivas procuram dar uma visão global partindo
do negócio da organização até os níveis operacionais.
O quadro 4 mostra as perspectivas selecionadas.
· ETAPA 2.2 SELECIONAR
Nesta etapa, buscam-se as características que
deve ter o modelo de processos conforme os objetivos
especificados na etapa 1. As características foram
divididas em estática e dinâmica. A característica
dinâmica foi, ainda, subdividida em avaliação e
controle. A característica dinâmica de avaliação
recupera as medidas de desempenho através da
simulação dos processos, enquanto a característica de
controle recupera as medidas de desempenho em
tempo de execução dos processos.
Quadro 4 - As Perspectivas da AMPN
Perspectivas
○
Descrição
P rocessos de
Negócios
E ssa perspectiva tem como objetivo
representar de uma forma macro, o
modo como as organizações realizam
seus negócios. Disponibiliza, então, um
conjunto
de
processos
interrelacionados que pode ser adotado
estrategicamente, iniciando com uma
cadeia de valor genérica.
Atividades
E ssa perspectiva representa o modo
como a organização operacionaliza
seus negócios.
Recursos
E ssa perspectiva descreve os elementos
que executam as atividades. S ão,
então, definidos como equipamentos e
recursos humanos envolvidos na
execução da atividade.
Objetos
Informacionais
Nesta perspectiva, as entidades ou
objetos que interagem com as
atividades são descritos. E sses objetos
são identificados como dados e
documentos que são processados.
Controle
É uma perspectiva que mostra as
ocorrências de eventos e as rotas das
atividades.
Regras
Nesta perspectiva, são identificadas as
ações que devem ser realizadas caso as
medidas de desempenho não estejam
com resultados satisfatórios.
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, v.1, n.1, jan./jul. 2003.
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CARACTERÍSTICAS
AS
A perspectiva de recursos, por exemplo, deve
ser vista por meio das atividades, como, também, da
quantidade necessária para executar uma atividade.
A visão através dessa perspectiva é estática. Na
característica dinâmica, a perspectiva de recurso é vista
em função das suas medidas de desempenho como
produtividade, por exemplo. Em relação às técnicas,
pode-se observar que o IDEF0, juntamente com a RA
e o modelo com componentes de software propiciam
essas diversas perspectivas e características.
Dessa forma, o modelo de processos deve possuir
as características dinâmicas de avaliação e controle.
Quanto à característica dinâmica comportamental, não
é importante para o projeto de um processo em que o
objetivo é a recuperação das medidas de desempenho.
Acredita-se, assim, que essa característica está voltada
para o desenvolvimento de sistemas de informações.
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65
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○
○
Nesta etapa, selecionam-se os elementos
básicos da AMPN. Primeiramente, as perspectivas,
características e qualidades necessárias são
selecionadas e, em seguida, as técnicas de suporte
desses elementos. Nas próximas seções, serão aplicadas
as etapas para seleção dos elementos da AMPN.
○
Na perspectiva de processos de negócios,
identifica-se como as organizações podem realizar seus
negócios, como a logística de entrada definida em uma
cadeia de valor genérica, por exemplo. Na perspectiva
de atividades, identifica-se como as organizações
operacionalizam seus negócios e quem é responsável
por sua execução. A perspectiva de recursos identifica
os recursos e a quantidade necessária para
operacionalização das atividades das organizações. As
informações como dados e documentos são
identificadas na perspectiva de objetos informacionais.
Já a perspectiva de controle mostra o seqüenciamento
das atividades em função da ocorrência dos eventos.
Nas perspectivas de regras, são identificadas as ações
caso as medidas de desempenho não sejam
satisfatórias, como também identifica o modo como
as atividades devem ser executadas.
○
· ETAPA 2 SELECIONAR OS ELEMENTOS DA AMPN
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· ETAPA 2.3 SELECIONAR
QUALIDADES
AS
Então, as técnicas selecionadas devem possibilitar
as perspectivas e características selecionadas nas etapas
anteriores, como também possibilitar que as perspectivas
sejam observadas de uma forma estática e dinâmica.
Entre as características estáticas, foram selecionadas as
estruturas físicas dos recursos organizacionais, dados e
documentos, enquanto nas características dinâmicas
identificaram-se as necessidades da avaliação e controle.
○
○
○
○
○
As qualidades selecionadas para este trabalho
foram as propostas por Curtis (1992). Outras
qualidades podem ser incorporadas ao modelo. A
seleção pelo modelo de Curtis foi devido a sua grande
abrangência, como também atender aos objetivos
propostos da AMPN. Primeiro, as qualidades 1 e 2,
facilidade de entendimento e comunicação humana,
devem estar implícitas em qualquer modelo de
processos de negócios. É importante que o modelo
seja facilmente entendido pelas pessoas que irão
executar os processos para verificar se o projeto,
realmente, fará o que se está propondo.
Observou-se, através da seleção das técnicas,
que as mesmas podem propiciar perspectivas iguais,
mas com ênfases diferentes. Ou seja, uma perspectiva
pode ser mais detalhada em função da técnica utilizada.
Uma técnica, também, pode possibilitar mais de uma
perspectiva, embora com menos detalhes. No IDEF0,
por exemplo, observam-se as perspectivas de atividades,
objetos informacionais e de recursos de forma estática,
enquanto as ferramentas de simulação identificam as
perspectivas de recursos para realizar a avaliação do
modelo de forma dinâmica.
· ETAPA 3 SELECIONAR AS TÉCNICAS
As técnicas são selecionadas em função dos
seguintes elementos da AMPN: perspectivas,
características e qualidades. Uma vez selecionados
esses elementos, pode-se utilizar o quadro 3 para
selecionar as melhores técnicas. O quadro 5 apresenta
as técnicas selecionadas com as suas perspectivas,
características e qualidades, assim como a justificativa
de sua seleção para o desenvolvimento de um modelo
voltado para gestão do valor dos processos.
A AMPN buscou a RA para representar o fluxo
de trabalho ou rotas, as perspectivas de processos de
negócios e atividades de forma dinâmica. O IDEF0 foi
usado para representar os aspectos estáticos do modelo
de processos de trabalho. A técnica com componentes
de software foi proposta para representar tanto os
elementos do IDEF0 de forma quantitativa quanto as
rotas da RA. Essa técnica utiliza os mesmos conceitos
que são utilizados nas ferramentas de simulação, como
recursos e entidades.
Quadro 5 - Técnicas, Características e Perspectivas
Técnicas
C aracterísticas
Perspectivas
Q ualidade
Negócio
RA
Avaliação
Atividade
Controle
Regras e
2
3
Objetos
2
Recursos
3
Atividades
Representação
dos P rocessos de
trabalho através
dos componentes
de software
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Avaliação
Informacionais
3
Recursos
4
Controle
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E sta técnica vem complementar as outras duas
através da execução de controle dos diversos
elementos apresentados. Assim, enquanto no
IDE F 0 identificam-se quais os recursos
necessários, esta técnica quantifica os recursos
que são utilizados.
Objetos
E strutura F ísica
○
E sta técnica foi selecionada por ser de largo
alcance das perspectivas estáticas. Assim, ela é
bastante útil para fazer a derivação para outras
perspectivas, como a perspectiva de controle.
1
Informacionais
Informacionais
Duas são as técnicas que igualmente
possibilitam essas perspectivas e possuem as
características desejadas, a RA e a rede de P etri.
Como já foi observado, a escolha recaiu sobre a
RA devido a esta ter sido proposta como uma
particularidade da rede de P etri e assim torná-la
mais específica para o presente trabalho.
1
Controle
IDE F0
J ustificativas
Controle
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, v.1, n.1, jan./jul. 2003.
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○
Assim, os processos operacionais podem ser
projetados (desenhados) através dos conceitos do
IDEF0, RA e da representação dos recursos através
dos componentes de software. Enquanto o IDEF0
identifica os recursos como entradas, saídas,
mecanismos, controles e recursos, a RA identifica as
interdependências entre os processos. Já as entidades
e recursos são representados, mais detalhadamente
pelos componentes de software para realizar o controle
dos processos de trabalhos.
Conclui-se, portanto, que a arquitetura de
modelagem de processos de negócios propicia uma
forma autônoma de agir através das técnicas de
modelagem. Um elemento do modelo de processos é
identificado como um componente ou holon. Este
componente deve interagir com os recursos
organizacionais recuperando de uma forma dinâmica
os desempenhos organizacionais.
A AMPN utiliza-se de três técnicas RA, IDEF0 e
a representação com componentes de software. Essas
técnicas, além de propiciar diferentes perspectivas,
possibilitam as características estática e dinâmica do
modelo de processos. O IDEF0 e a RA representam as
características estáticas e dinâmicas respectivamente.
O modelo de representação dos recursos operacionais
pelos componentes de software apóiam a dinâmica
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67
○
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○
Durante muito tempo, as empresas foram
dirigidas por meio de metas estabelecidas para as áreas
financeiras, mas hoje as metas são definidas para os
processos essenciais (GONÇALVES, 2000),
(VANHARVERBEKE, 1998). E, como afirma Grahan
e LeBaron (apud GONÇALVES, 2000), todo o trabalho
importante realizado nas empresas faz parte de algum
processo. Não existe um produto ou serviço oferecido
por uma empresa sem um processo operacional. Da
mesma forma não faz sentido existir um processo
empresarial que não ofereça um produto ou um serviço.
Isso mostra a importância de uma estrutura
organizacional em processo.
○
pela recuperação das medidas de desempenho através
de sua autonomia. Essa representação é um misto de
diagrama dinâmico da metodologia OO e o modelo
das ferramentas de simulação.
○
CONSIDERAÇÕES FINAIS
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A INSERÇÃO E MANUTENÇÃO DAS PESSOAS PORTADORAS
DE DEFICIÊNCIA NO MERCADO DE TRABALHO
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Rosanne Mª Medina Ávila Gomes - Especialista em Administração de Recursos Humanos
- Consultoria Organizacional.
Sandra Maria dos Santos – Dra. - Universidade Federal do Ceará
RESUMO
A inserção e manutenção das pessoas portadoras de deficiência no mercado de trabalho vêm se
transformando num grande dilema para as instituições, principalmente no momento atual em que as
mudanças organizacionais estão se processando a um ritmo muito intenso e dentro de um contexto
crescente de globalização dos mercados. A polivalência, a capacitação, a agilidade são essenciais para
este novo perfil produtivo. Daí, manter-se dentro desses padrões torna-se imprescindível para disputar
uma vaga no mercado de trabalho. Sendo assim, portar uma deficiência significa ter um requisito a
menos para os empregadores, os quais consideram estes segmentos sociais, muitas vezes, como
incapazes de garantir a produtividades dos seus setores. O objetivo deste trabalho é analisar as
principais dificuldades encontradas na admissão e manutenção dos portadores de deficiência inseridos
no âmbito do trabalho. O estudo utilizou-se de técnicas de documentação indireta (pesquisa bibliográfica
e documental). Compreende um estudo de caso de uma empresa têxtil do Ceará. Os resultados
observados mostram que os principais entraves desta problemática foram: o preconceito por parte das
relações sociais, trabalhistas e culturais; os obstáculos arquitetônicos; a baixa qualificação dos que
portam deficiências; a falta de profissionalização e de flexibilização da legislação brasileira. Os portadores
de deficiência, basicamente, ficam relegados dos meios sociais e produtivos, tornando-se um exército
de excluídos.
PALAVRAS-CHAVE: mercado de trabalho; portadores de deficiência; Ceará.
ABSTRACT
The insertion and maintenance of disabled (handicapped) people in the work market has become a
great dilemma for the institutions, mainly at the present moment, when organizational changes are
being processed at a very intensive rate and within a context of increasing market globalization. The
polyvalence, the qualification, the agility are essential for this new productive profile. Thus, remaining
within these standards becomes indispensable to dispute a vacancy in the work market. This way,
carrying a disability means having one less requirement for the employers, that many times, consider
these social segments as incapable of warranting the productivity of their sectors. The objective of this
paper is to analyze the main difficulties found in the admission and maintenance of people with
disabilities in the scope of the work. The observed results show that the main impediments of this
problem were: the prejudice on the part of the social, working and cultural relations; the architectural
obstacles; the low qualification of the disability carriers; the lack of professionalization and flexibility of
the brazilian legislation. The handicapped are, basically, relegated by the social and productive means,
becoming an army of excluded.
KEY WORDS: work market; disabled (handicapped) people; Ceará.
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Investigar a problemática do portador de
deficiência não é tarefa fácil. Isso se justifica pelo fato
de qualquer “noção” ou “definição” de deficiência
implicar uma imagem que a sociedade faz sobre esses
indivíduos. Toda vez que forem usadas palavras como:
“excepcional”, “louco”, “aleijado”, “deficiente mental”,
etc, são construídas algumas concepções daquilo que
todas essas palavras querem dizer. Isso significa que
todos esses “rótulos” compõem a personalidade do
indivíduo, partindo-se da premissa de que ele é
diferente das pessoas consideradas “normais”.
1.1 C ONTEXTO H ISTÓRICO N O T R ATA M E N TO
QUESTÃO DA DEFICIÊNCIA
Ao longo da história da humanidade, a
deficiência teve um percurso marcado por sérias
conseqüências em relação a seus portadores. A forma
pela qual tais segmentos sociais eram considerados,
tratados ou compreendidos sempre variou muito nas
diversas sociedades, visto que estas não se constituem
em organismos estanques e imutáveis, sendo composta
por seres humanos, que estabelecem as relações sociais,
as quais são envolvidas por valores, normas e costumes
que estão em constante devir, de acordo com o
contexto histórico-social que os envolvem.
a sociedade estabelece os meios de categorizar
as pessoas e o total de atributos considerados
como comuns e naturais para os membros de
cada uma dessas categorias.
Assim, verifica-se que desde o início dos tempos
os portadores de deficiência foram alijados do convívio
social e impedidos de participar e desenvolver suas
capacidades como seres humanos e cidadãos, em virtude
de apresentarem uma inteligência ou habilidade inferior
àquela considerada normal para os padrões da época.
O Brasil é um dos países que apresenta um alto
índice de pessoas portadoras de algum tipo de
deficiência. Estima-se, de acordo com a Organização
Mundial de Saúde, que, neste país, 16 milhões de
pessoas são portadoras de deficiência, sendo registradas
como mais freqüentes as físicas e as mentais.
Paralelamente a este fato, encontra-se neste país uma
das menores taxas de participação deste segmento social
no mercado de trabalho, visto que 9 milhões estão em
idade de trabalhar, entretanto os que trabalham no
mercado formal somam cerca de 2%, enquanto nos
países mais avançados esta proporção fica entre 30% e
45% (PASTORE, 2000:76).
É possível perceber tal fato desde o período da
pré-história, quando o homem se associou a outros
homens para poder sobreviver diante de uma natureza
hostil. Nesta fase, cada membro do grupo era
importante para a própria sobrevivência da
coletividade. Porém, aqueles que não eram
considerados úteis (conforme os valores do momento)
foram colocados à margem por não terem a
capacidade de se defender.
A questão da deficiência não se limita ao
desenvolvimento físico, auditivo e mental, nem
exclusivamente no comportamento humano, mas,
sobretudo, nas implicações sociais que revestem o portador
de deficiência, emerge a necessidade de ser apresentado
o enfoque social e trabalhista da problemática.
A antiguidade foi a época em que os portadores
de deficiência, foram considerados como “seres malditos”, depositários do mal, fonte de repulsa, de medo,
seres divinizados ou com uma conotação de dádiva ou
castigo divino. Isto se deve ao fato de tal sociedade ser
marcada fortemente pelo misticismo, passando a atribuir
a entidades ocultas, o que para ela era inexplicável.
Desta forma, propõe-se, portanto, compreender
e analisar a realidade da inserção e manutenção do
portador de deficiência no atual mercado de trabalho.
Para a realização desse estudo, partiu-se de uma
compreensão teórica dentro da perspectiva social e
trabalhista sobre a questão da deficiência, e da análise
dos dados coletados nos relatos das pessoas portadoras
de deficiência sobre a sua inserção e as maiores
dificuldades enfrentadas para conseguirem se manter
no mercado de trabalho.
Nas sociedades escravagistas, mais
especificamente em Esparta, cidade militarista da
Grécia Antiga, no século XI (a.c), os portadores de
deficiência eram propriedades do Estado. Quando uma
criança nascia, era levada a um lugar pelos anciãos
da tribo que a examinavam. Se ela fosse robusta e
forte, poderia sobreviver. Se por acaso fosse
“defeituosa”, julgavam que a morte era melhor tanto
para a criança como para a cidade. Assim, após o
exame, resolviam jogá-la do alto do monte Taygetos
(CARNEIRO, 1995: 12).
Longe de tentar esgotar a temática, esse estudo
busca contribuir para o debate acerca da problemática
dos portadores de deficiência inseridos nas empresas,
oferecendo subsídios para novos trabalhos nessa área.
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A problemática da deficiência não é específica
das sociedades modernas, uma vez que emerge nas
relações milenares dos homens com os homens. São
estas que geram direta ou indiretamente as pessoas
portadoras de deficiência.
A sociedade favorece tais concepções, pois
estabelece padrões de normalidade que devem ser
obedecidos por todos. Aqueles que fogem das suas
normas são colocados à parte e excluídos do meio
social. Segundo Goffmam (1988:62),
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DA
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A DEFICIÊNCIA COMO FENÔMENO SOCIAL
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INTRODUÇÃO
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No decorrer da Idade Média, estava presente a
ideologia da Igreja Católica, que considerava o homem
um ser feito à imagem e semelhança de Deus. Tal
concepção demonstrava que os indivíduos deveriam
ter as mesmas características divinas da capacitação
e da perfeição. Por este motivo, aqueles concebidos
como incapacitados ou fora dos padrões da
normalidade, eram colocados à margem do âmbito
da realidade, sendo misturados aos “loucos” ou
reunidos aos criminosos e possuídos pelo demônio
(REGEN; ARDORE, 1993: 22).
No século XIX, surgem aqueles que reconhecem
a necessidade do portador de deficiência não ser vista
sob a lente do médico, tão exclusivamente,
introduzindo em seu tratamento a preocupação e a
atenção pedagógica e psicomotora. Neste momento,
estes indivíduos passam a ser considerados como
pessoas com alguma intercorrência (orgânica ou
acidental), daí tornarem-se “limitados”.
Com a ampliação da sociedade capitalista do
século XX, surge um mecanismo ideológico que propõe
o afastamento do meio social dos “deficientes” e o
tratamento em instituições especializadas, como:
escolas, hospitais psiquiátricos, clínicas e centros de
reabilitação, visando a reintegração do portador de
deficiência na sociedade e na família, objetivando
principalmente desenvolver suas capacidades para que
um dia possam participar do sistema produtivo.
Neste mesmo período, nos países cristãos, onde
estavam presentes os tribunais de inquisição,
estes tribunais foram criados no século XII pelo
Papa Gregório IX com o objetivo de julgar e
descobrir os praticantes de heresias, isto é, das
doutrinas contrárias aos dogmas oficiais da igreja
(COTRIM, 1989:100), vários portadores de
deficiência perderam a vida por não terem
condições de se defender quando acusados de
heresias. Tais segmentos sociais também foram
muito negligenciados, no final da Idade Média,
durante a Reforma Protestante sendo
considerados por Lutero e Calvino como
“indivíduos possuídos por Satanás” (REGEN;
ARDORE, 1993: 123).
O processo capitalista de produção expressa
uma maneira historicamente determinada dos homens
produzirem e reproduzirem as condições materiais de
sua existência e relações sociais através das quais levam
a efeito a produção. Com todas as suas implicações,
esta estrutura sócio-econômica supervaloriza a
produção, o produto, o lucro, em detrimento do
trabalhador, do ser humano, enquanto indivíduo e
cidadão. Neste processo, a pessoa portadora de
deficiência passa a ser, então, alguém definitivamente
improdutivo e excluído das relações normais de vida.
Entretanto, com o Renascimento, movimento
ocorrido nos séculos XV e XVI de renovação literária,
artística e científica, baseado em grande parte na
imitação da Antiguidade greco-romana, (COTRIM,
1989) e presente entre o final da Idade Média e o início
da Idade Moderna, surgem modificações mais sutis que
se afirmaram com perspectivas humanitárias
prolongadas até o século XVIII. Nessa perspectiva, a
dimensão humana passa a ser atribuída aos
“deficientes”, criando-se um terreno propício às tentativas
de educação e à abordagem científica, que tomam o
impulso no século XIX (REGEN; ARDORE, 1993: 122).
1.2 DEFICIÊNCIA: TERMOS
Vários são os conceitos e termos sobre a
deficiência encontrados nas obras e nos textos relativos
ao tema. Para Holanda (1986:141), o termo deficiente
vem assim enunciado: “Deficiente - falto, falho, carente,
incompleto e imperfeito”. De acordo com o Dicionário
Michaelis (2000: 483) deficiente significa: “falho;
incompleto; que tem deficiência”.
Assim, a partir de meados do século XVI,
verifica-se que com o advento do Renascimento, no
setor científico, surge um novo perfil do homem das
ciências, mais racional, opondo-se ao obediente
religioso que tudo acreditava em nome da fé.
Ultrapassando estas noções dos dicionários, se
encontrou a uma variedade de conceitos. Doll citado
por Telford (1974:152), indica alguns critérios essenciais
para a definição da deficiência, dentre estes:
incompetência social, subnormalidade mental, origem
constitucional e algo incurável. Para a Liga Internacional
de Associação Pró-Pessoas com Deficiência Mental
(LSMH), as pessoas são consideradas como portadoras
de deficiência mental quando o seu funcionamento
intelectual é significativamente abaixo da média,
proporcionando limitações no que consiste ao
ajustamento social.
Com a expansão do capitalismo, no século
XVIII, surgem algumas instituições, métodos e recursos
especiais para a educação dos portadores de
deficiência. Emerge um maior interesse por parte dos
pesquisadores A medicina passa a fazer parte deste
contexto, contribuindo para a institucionalização da
ordem social, pois, com sua expansão, os portadores
de deficiência começam a ser tratados como doentes,
demandando cuidados médicos associados a um
tratamento específico de acordo com a deficiência.
Por outro lado, a sociedade os considera como vítimas
da desgraça e dignos de piedade.
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CONCEITOS SOCIAIS
E
Percebe-se que as definições elaboradas pelos
diversos autores, dicionários e associações citadas,
deixam evidente uma noção de deficiência como falta,
incompetência, imperfeição e limitação. Todas estas
conceituações centralizam o foco nas “pessoas”
portadoras de deficiência, tornando-as por completo
atípicas e anormais.
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Essas classificações também não deixam de ser
preconceituosas, pois consideram os “deficientes” como
seres “incompletos”, nos quais o organismo humano
não desempenha satisfatoriamente suas funções, sem
nenhuma perspectiva de desenvolvimento no futuro.
Todavia, apesar das variedades de
conceituações, um ponto que parece ser comum entre
estas, se relaciona ao fato de os “deficientes” estarem
afastados dos padrões de normalidade por serem
considerados diferentes. Desta forma, torna-se
importante ressaltar que a conceituação da
problemática da deficiência não está apenas no
desenvolvimento físico, mental, intelectual,
comportamental ou de adaptação do indivíduo, mas,
sobretudo, nas implicações sociais que revestem o
portador de deficiência.
Ao longo do tempo, algumas tentativas surgiram
para solucionar esses conflitos com relação às definições
utilizadas e, conseqüentemente, aproximar os portadores
de deficiência da sociedade. A primeira destas foi a da
Organização das Nações Unidas (1975) ao homologar
a “Declaração dos direitos das pessoas deficientes”, que
propunha abolir os conceitos mais preconceituosos. Na
sua concepção,
a pessoa deficiente refere-se a qualquer
pessoa incapaz de assegurar por si mesma,
total ou parcialmente, as necessidades de uma
vida individual ou social normal, em
decorrência de uma deficiência congênita ou
não, em suas capacidades físicas ou mentais
(FILGUEIRA, 1995:35).
Tais implicações foram construídas ao longo da
história, sendo repassadas através de gerações, que
encaram a deficiência como sinônimo de inutilidade
social e a pessoa deficiente como ser dependente.
Em momento algum foram presenciados, nas
diversas definições existentes no trabalho, estes
segmentos sociais como sujeitos capazes, que,
independente de qualquer situação, têm o direito a
um espaço em nossa sociedade. Os conceitos aqui
utilizados limitaram-se às áreas específicas de cada
autor, sem se deter ao termo deficiente como sendo
proveniente de um contexto histórico e ideológico.
Apesar do enunciado ter tentado amenizar os
termos e expressões usadas de forma discriminada
socialmente, a Organização das Nações Unidas não
deixa de reafirmar o “velho” conceito de incapacidade
voltado para o “deficiente”.
A Organização Mundial de Saúde, em um
documento elaborado neste mesmo período, define
deficiência como:
Nestas concepções se verifica que o indivíduo,
com um desenvolvimento “atípico”, passa a ser deficiente
pelo comprometimento que porta, e não porque é
dificultado em seu desenvolvimento pelos preconceitos
e rejeições que o acompanham no decorrer da história.
Dificuldade existente para desempenhar uma
ou mais atividades que, de acordo com a idade,
o sexo e o papel social da pessoa, são geralmente
aceitas como componentes básicos essenciais
da vida diária, tais como: o autocuidado; as
relações sociais e as atividades econômicas
(FILGUEIRA, 1995:36).
Esta discussão enraíza a questão da
estigmatização, citada no próximo item do trabalho,
onde será mostrado que em qualquer grupo de pessoas
que compartilham de um conjunto de valores, com
base no qual desenvolvem normas sociais, construídas
historicamente, aqueles que não aderem a essas normas
são divergentes e tornam-se socialmente estigmatizados
e excluídos.
Para Organização Internacional do Trabalho
(OIT):
A pessoa portadora de deficiência foi definida
como aquela cuja possibilidade de conseguir,
permanecer e progredir no emprego é
substancialmente limitada em decorrência de
uma reconhecida desvantagem física ou mental
(PASTORE, 2000:39).
No Brasil, a partir da Constituição de 1988, o
termo adotado para se referir a estes segmentos sociais
foi “pessoa portadora de deficiência”. Tal termo diminui
o estigma da deficiência, ressaltando e valorizando o
conceito de pessoa e, conseqüentemente, reduz a
situação de desvantagem que caracteriza esse grupo
de indivíduos. Essa nova terminologia tem o objetivo
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de demonstrar o portador de deficiência apenas como
uma pessoa portadora de algumas limitações, não os
impedindo de conviver em sociedade e tornarem-se
úteis, ou seja, sem restringi-los por completo.
Muitos termos em pleno final do século XX são
utilizados de forma desatualizada, com relação aos
portadores de deficiência, visto que as marcas corporais
ou intelectuais desses indivíduos ainda impõem uma
imagem superficial, não permitindo que a sociedade
enxergue o ser humano além da deficiência.Em outras
palavras, presencia-se a existência de algumas
tendências que utilizam o termo deficiência para se
referir às pessoas portadoras de falhas sensoriais,
motoras ou mentais. Estas tentam demonstrar que tais
indivíduos são inúteis e incapacitados por completo.
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Portanto, ao terem sido apresentadas algumas
das definições acerca da deficiência, a pretensão
do trabalho foi de demonstrar como, ao longo dos
anos, foram se colocando as diversas formas de
compreendê-la, classificá-la e qualificá-la, numa
tentativa de comprovar que as várias maneiras que
se buscam para apresentar que tais explicações estão
intimamente ligadas ao modo individual, específico
e coletivo de perceber e inserir-se no mundo. Ou
seja, essas definições recebem um tratamento
histórico, contextualizado, condizente com a ordem
social que impera num certo momento em um
determinado espaço.
entre outros, pois de acordo com este autor, “as
palavras são expressões verbais criadas a partir de uma
imagem que nossa mente constrói”.
Constata-se, dessa forma, que os conceitos e
valores culturais ainda são semelhantes aos utilizados
em décadas passadas. Muitas generalizações feitas de
forma discriminatórias se mantêm presentes. Tal fato
é explicado, em parte, devido à falta de informações
corretas quanto à questão da deficiência e de uma
educação que incentive as pessoas a pensarem e terem
suas próprias concepções. Desta forma, continua-se
mantendo nos dias atuais estereótipos, que são
concretizações, julgamentos qualitativos que têm como
base o preconceito.
Em outras palavras, conclui-se esse momento
afirmando que
Ao falar em preconceito, uma outra categoria
paira sobre as demais consciências. Esta categoria é o
Estigma, entendido como uma marca ou impressão
de conotação degradativa e desprezível. Baseados em
Goffmam serão utilizados tal termo quando surgirem
referências a um atributo profundamente depreciativo.
todas as classificações que estigmatizam ou não
as pessoas portadoras de deficiência são
arbitrárias e só são úteis com referência às
épocas e finalidades que servem (TELFORD;
SAWREY, 1974:14).
De acordo com Goffmam (1988:14) existem
três tipos de estigmas nitidamente identificáveis:
1.3 ESTIGMA SOCIAL X DEFICIÊNCIA
No decorrer deste trabalho, é percebido que ao
longo da história foram diversas as discriminações e
os preconceitos voltados para as pessoas portadoras
de deficiência, pois não atendiam os padrões
estabelecidos como ideais para o momento.
Em primeiro lugar, há as abominações do corpo e
da mente, isto é, as várias deformidades físicas e
mentais. Em segundo, as culpas de caráter
individual, percebidas como vontade fraca, paixões
tirânicas ou não naturais, crenças falsas e rígidas,
desonestidade, sendo essas inferidas a partir de
relatos conhecidos de, por exemplo: Alcoolismo,
homossexualismo, vício, prisão, desemprego e
comportamento político radical. Finalmente, há
os estigmas tribais de raça, nação e religião, que
podem ser transmitidos através de linhagem e
contaminar por igual todos os membros de uma
família.
Como qualquer civilização mundial, a cultura
brasileira é uma herança de valores compartilhada por
um grupo humano, relativamente ligado, apesar das
mais diferentes manifestações culturais dentro do
mesmo país. De acordo com o que foi colocado por
Teles e citado por Ribas (1995:38), “a cultura não
somente nos envolve, mas nos penetra modelando a
nossa identidade, personalidade, maneira de agir,
pensar e sentir”. As normas, os princípios, os padrões
e os conceitos dentro do indivíduo são valores culturais
criados no decorrer da história e aceitos por grande
parte da sociedade. Em outras palavras:
Vale ressaltar que, entre esses diversos tipos que
foram citados, encontram-se as mesmas características
sociológicas, isto é, relaciona-se a um indivíduo que
possui traços que se destacam com diferenças em
relação às pessoas “normais”. É importante salientar
o que está sendo considerado como indivíduo normal,
isto é, julga-se normal àquelas pessoas cujas
características aparentes não choquem os sentidos e os
sentimentos emocionais, morais e estéticos, ou seja,
pessoas sem nenhum distúrbio visível. A noção de ser
humano “normal” pode ter sua origem na abordagem
médica da humanidade.
Assim é que em qualquer sociedade existem
valores culturais que se consubstanciam no modo
como a sociedade está organizada. São valores
que se refletem no pensamento e nas imagens
dos homens e norteiam as suas ações. São
valores que terminam por se refletir nas palavras
com que os homens se expressam. Assim sendo,
em todas as sociedades a palavra “deficiente”
adquire um valor cultural segundo padrões,
regras e normas estabelecidas no bojo de suas
relações sociais (RIBAS,1985:12).
De acordo com o referido autor (1995:7), as
“pessoas deficientes” são sempre representadas por
termos preconceituosos, estigmatizados, usados pela
população, tais como: “excepcional”, “retardado”,
“louco”, “aleijado”, inválido”, “inútil”, “improdutivo”,
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Desta forma, pela lógica dos valores sociais
dominantes, uma pessoa estigmatizada deve tentar
parecer o mais “normal” possível, para evitar situações
constrangedoras e estabelecer um melhor relacionamento
com seus familiares, meios produtivos e com aqueles
que estão ao seu redor.
No que se refere aos portadores de deficiência,
esta busca da normalidade surge, de acordo com
vários paises e com a própria sociedade, a partir do
momento em que este indivíduo inicia os tratamentos
especiais, os quais são vistos como meios capazes
de desenvolver as capacidades físicas e mentais
destes “deficientes”, possibilitando um melhor
relacionamento com seu meio social.
Neste pressuposto, constata-se que a probabilidade
de uma pessoa ser apontada como deficiente é afetada
pela cultura em que ela vive. Tomando como exemplo
uma sociedade ou área altamente industrializada, com
acirrada competição e um desenvolvimento acelerado, a
incapacidade de interação é mais suscetível de tornar-se
óbvia que em meios menos exigentes.
Porém, vale ressaltar que, por mais que o
indivíduo já tenha passado por todas as fases do seu
tratamento, perante a sociedade ele dificilmente obterá
um status de pessoa totalmente normal, pois sua
mudança ocorrerá apenas no sentido de sair da
condição de alguém que era portador de uma
deficiência, para a de alguém com o histórico de
correção de um problema.
Em outras palavras, é possível justificar essa
problemática dos portadores de deficiência inseridos
no meio urbano, baseados no atual modelo de
produção existente em uma sociedade industrializada,
no qual é exigido um novo tipo de trabalhador, mais
qualificado, especializado, polivalente e que tenha
principalmente um bom desempenho intelectual e físico
para que possa assumir qualquer fase do processo
produtivo, compreendendo, assim, todas suas inovações
tecnológicas (TEIXEIRA, 1994:17).
Assim, evidencia-se que para a sociedade a
palavra “deficiente” tem um significado muito forte,
pois se opõe a “eficiente”. Ser eficiente, por mais que
já tenha sido reabilitado e qualificado, não significa
ser totalmente capaz, eficaz. Verifica-se, portanto, que
as pessoas ainda não deixaram de formar visões
distorcidas e estigmatizadas quanto a estes segmentos
sociais, e continuam sem se preocupar com a
verdadeira identidade que eles possuem. Dessa forma,
conforme afirma Goffmam (1988:25),
Nesse âmbito, onde a robotização e a automação
se fazem fortemente presentes, verifica-se que o portador
de deficiência é relegado por não ser visto como
“perfeito”, ou seja, por não atender os valores exigidos
pelo novo modo de produção capitalista.É exatamente
isto que é denominado de estigma, esta marca imposta
pela sociedade às pessoas que não se enquadram às
suas normas e regras estabelecidas.
de um modo geral, a sociedade ainda constrói
uma identidade deteriorada em nome do
preconceito, levando, assim, a negação dos
portadores de deficiência de exercerem os seus
direitos e sua práxis de cidadãos.
Na realidade, é importante perceber que o
estigma não está na pessoa ou, neste caso, na
deficiência que ela possa apresentar. Em sentido
inverso, são os valores culturais estabelecidos que
permitem identificar quais pessoas são estigmatizadas.
Uma pessoa traz em si o estigma social da deficiência.
Contudo, é estigmatizada porque se estabeleceu que
ela possui uma marca que a distingue pejorativamente
das outras pessoas.
São estas diferenças sociais valorativas e não
necessariamente as biológicas, portanto, que
determinam as pessoas deficientes como pessoas
submissas.
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São estas diferenças sociais que fabricam
mecanismos de exclusão, fazendo com que os
considerados ‘diferentes’ construam um mundo
próprio, ‘mórbido’, na medida em que não se
‘encaixam’ e não se reconhecem neste mundo
que também é deles” (RIBAS. 1985:24).
Baseados em uma visão funcionalista verificase que para funcionar bem uma sociedade precisa estar
organizada com todos os seus membros em perfeito
equilíbrio e harmonia. Nesta, não podem existir
membros desequilibrados ou não eficientes, pois caso
existam serão considerados “fora do normal”. Tal visão
ainda pode ser encontrada nos dias atuais, ou melhor,
na sociedade capitalista (que prima pelo progresso e
pela ordem), visto que no conjunto de seus valores
culturais estão incluídos padrões de beleza, estética e
realizações intelectuais, que definem um corpo
esculturalmente bem formado e uma inteligência bem
desenvolvida. Com certeza, todos aqueles que não
estão enquadrados de acordo com estes padrões são
tidos como agressores da normalidade, sendo
colocados à margem desta sociedade.
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A I NSERÇÃO E M ANUTENÇÃO DAS P ESSOAS
PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA NO MERCADO DE
TRABALHO
para o portador de deficiência, alvo de tantos
preconceitos. Desta forma observa-se este segmento
social em subempregos. A vasta maioria é constituída
de pedintes de rua, camelôs que trabalham
irregularmente, vendedores de bilhetes de loteria,
distribuidores de adesivos nos semáforos, entre outras
funções (RIBAS, 1995:52).
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2.1 A QUESTÃO DA DEFICIÊNCIA FRENTE AO MERCADO
DE TRABALHO
Para que possa ser feita uma análise da questão
dos portadores de deficiência no campo trabalhista, fazse importante desvendar o significado do termo Mercado
de Trabalho. Assim, este passará a ser considerado como:
o conjunto de operações pelas quais se oferece
emprego, se compra ou se vende mão-de-obra, em
épocas e locais determinados, para fins de produção
(TEIXEIRA, 1994:32).
No Brasil o espaço de trabalho legal é muito
limitado, o que poderia ser diferente, visto que 7 milhões
de portadores de deficiência possuem limitações que,
com acomodações razoáveis do ambiente de trabalho,
da arquitetura e do transporte, teriam condições de
trabalhar de forma produtiva. Apenas 2 milhões
apresentam limitações muito mais severas e mais
difíceis de solucionar através de acomodações de baixo
custo (PASTORE, 2000:75).
Respaldado nesta relação mercantil, verifica-se
que o mercado de trabalho brasileiro possui
características específicas de um país capitalista,
entretanto em virtude dos traços culturais, da política,
da realidade social e econômica do país, este passa a
assumir uma identidade exclusiva.
Neste sistema de produção, o lucro é o objetivo
maior das organizações e este é garantido pelos
trabalhadores considerados “aptos”. Nessa conjuntura,
tendo mão-de-obra não deficiente à vontade no
mercado de trabalho, os empregadores não irão optar
evidentemente por uma classe que eles acreditam ser
inabilitada. Nas suas concepções esta é uma demanda
onerosa que não garante produtividade em curto prazo.
O Sistema Capitalista de produção expressa
uma maneira historicamente determinada de os
homens produzirem e reproduzirem as condições
materiais de sua existência e as relações sociais através
dos quais levam a efeito a produção. Neste sistema há
uma supervalorização do produto, da produção, do
lucro em detrimento do trabalhador, do ser humano.
O homem é considerado apenas como mão-de-obra e
valorizado conforme a sua capacidade de produzir. A
sociedade na qual ele está inserido, é muito competitiva
e discriminatória.
Através das observações feitas quanto a esta
questão da deficiência, desde seu histórico até os dias
atuais, detecta-se que, vários são os fatores que
favorecem a não inserção dos portadores de
deficiência no mercado de trabalho. Dentre estes
fatores destacam-se desde o preconceito e a má
informação, até a falta de educação e ausência de
qualificação no que diz respeito a essa demanda, bem
como a inexistência de estímulos para as empresas
quanto à admissão deste segmento da sociedade.
A pessoa portadora de deficiência, embora esteja
apta e possua uma grande potencialidade para assumir
o sistema produtivo, sente a resistência das organizações
para contratá-las.
2.2 F ATORES QU E D IFICULTA M A I NSERÇÃO E
MANUTENÇÃO DOS PORTADORES DE DEFICIÊNCIA
NO MERCADO DE TRABALHO
Muitas pessoas, hoje, ainda evitam o contato
social, o relacionamento profissional no que diz respeito
aos portadores de deficiência, devido à ignorância, ao
preconceito e à falta de informação, deixando por sua
vez seres humanos produtivos sem oportunidade de
competir no mercado de trabalho.
Conforme o que foi apresentado no decorrer
deste trabalho, fica patente que mesmo após vários
séculos, as atitudes preconceituosas permanecem
presentes, mantendo-se relativamente estáveis. As
sociedades avançaram em muitos aspectos, mas muito
pouco na superação dos preconceitos, os quais foram
apenas variando na sua manifestação.
Assim como o trabalho, a beleza e a forma física
são também supervalorizados nos dias atuais. Muitos
grupos sociais usam estes atributos como indicadores
de sucesso. Assim, as deformidades, as limitações e
as deficiências são vistas como entraves da eficiência
e do êxito. As percepções distorcidas, preconceituosas,
estigmatizam muitos seres humanos para vida social e
para o trabalho. A deficiência, sendo vista por este
ângulo, tem suas raízes ligadas muito mais ao meio
social e ao tratamento que as pessoas e organizações
oferecem aos portadores de deficiência do que as suas
próprias limitações.
O número de portadores de deficiência no Brasil
é expressivo, chega em torno de 16 milhões de pessoas,
sendo que o Nordeste concentra a maior parte destes
com um percentual de 40%; o Norte possui 14%; o
Sudeste, 12%; o Sul, 18%; e o Centro-Oeste, 16%. Destas
16 milhões de pessoas portadoras de deficiência estimase que 9 milhões estejam em idade de trabalhar, entretanto
as que trabalham formal e informalmente chegam
aproximadamente a um milhão (PASTORE, 2000:72).
Na atual conjuntura presencia-se uma grande
crise sócio-econômica, o desemprego, um mercado de
trabalho excludente versus uma grande oferta de mãode-obra. A conquista de um emprego para uma pessoa
considerada “normal” é difícil, logo é possível imaginar
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Essa educação básica lhes possibilitaria, num
segundo momento, sua capacitação por intermédio da
oferta de cursos profissionalizantes. Dessa forma,
poderiam ser inseridas no contexto, sendo parte integrante
e contribuindo para o desenvolvimento social e econômico
do país, através das suas forças de trabalho.
Ao abordar esta questão da educação, percebese que ela reflete diretamente nas grandes organizações,
onde há outro fator impeditivo quanto à inserção dos
portadores de deficiência no mundo produtivo, ou seja,
as pesquisas mostram que os empregadores, de um
modo geral, tendem a resistir ao ingresso e à
manutenção dos portadores de deficiência nas suas
empresas, visto que estes alegam haver a falta de
candidatos qualificados, bem como as pequenas e
médias empresas apresentam grandes dificuldades em
ter que assumir despesas arquitetônicas e de
equipamentos para poderem efetivar a contratação
das pessoas portadoras de deficiência. As mesmas
alegam não terem condições financeiras para tanto e
se queixam por não possuírem nenhum tipo de apoio
e estímulo por parte das políticas governamentais
(PASTORE, 2000:106).
Dentre os fatores que geram obstáculos na inserção
dos portadores de deficiência no mercado de trabalho, a
educação é um forte indicador desta fatalidade, visto
que estes sofrem sérias restrições em termos educacionais.
A proporção dos que possuem uma educação adequada
é restrita, pois se sabe que este campo voltado para
aqueles que tem limitações é bastante limitado. A falta
de formação e preparação dos docentes nesta área é de
fato um grande entrave. São poucos os alunos portadores
de deficiência que freqüentam as escolas de ensino regular,
visto que nem sempre estas se encontram em condições
de atender esta clientela. Quanto às “escolas de ensino
especial”, essas são muito reduzidas e muitas vezes
distantes das periferias, onde muitos permanecem
(PASTORE, 2000:77).
A realidade pela qual as organizações de
pequeno, médio e grande porte vêm passando,
atualmente, destacam de fato o lado financeiro, o qual
também sofrerá forte impacto no que diz respeito às
despesas voltadas para os custos administrativos, visto
que todo o ambiente de trabalho deverá estar preparado
para receber os portadores de deficiência, incluindo-se
aqui toda a reorganização do meio social, ou seja, o
treinamento das chefias e dos colegas de trabalho para
recebê-los. Muitas chefias, por sua vez, apresentam
resistências aos cursos e treinamentos oferecidos para
que possam se relacionar com os “deficientes” nos
seus setores. Alguns se opõem, visto que consideram
tais pessoas sem habilidade para o processo produtivo,
logo não aceitam a possibilidade de ocorrer uma queda
na produtividade do seu setor.
No que diz respeito à qualificação/
profissionalização destes segmentos sociais, o quadro
também é bastante preocupante devido à escassez de
órgãos especializados. Os poucos que existem
atualmente necessitam de uma melhor divulgação.
Os colegas de trabalho, por sua vez, também
temem que o apoio à entrada dos portadores de
deficiência nas organizações em que trabalham possa
significar, no médio prazo, o risco de sua dispensa.
Esta apreensão em perder seus empregos ainda tornase maior quando há exigência de ser cumprido o sistema
de cotas. Em certos casos, surge o sentimento de
discriminação negativa, pois é questionado o fato de
ter estas vagas garantidas apenas para “deficientes” e
não haver nada nesse sentido para os demais.
A dificuldade em torno da obtenção de um
curso superior também não poderá deixar de ser
mencionada, pois as pessoas portadoras de deficiência,
além de terem que enfrentar vários obstáculos
arquitetônicos para chegar e entrar nas universidades,
estes irão se deparar com um sistema de ensino que
possui professores despreparados para lidar com este
tipo de clientela juntamente com alunos considerados
“normais”. O material didático em Braille e a
preparação do corpo docente através dos cursos de
Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS), que
facilitaria a comunicação com estes “deficientes” é
bastante dispendioso, logo são raros.
É, sobretudo, importante e necessário que se
criem meios para qualificar estes segmentos sociais,
levando-se em conta as especificidades de suas
limitações, ou seja, é imprescindível dar a essas pessoas
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oportunidade para freqüentarem a escola regular e,
assim, terem um mínimo de instrução que lhes permitam
fazer uma leitura crítica do mundo que as cerca.
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O preconceito, enfim, é transformado numa
construção social, a qual passa a ser considerada como
uma grande barreira para a vida profissional, afetiva e
social das pessoas que portam algum tipo de limitação.
A globalização da economia e a alta
concorrência fizeram e ainda fazem com que os
empresários modernos busquem de forma obsessiva a
produtividade. O ambiente tecnológico demanda mais
qualificação, as tarefas se modificam com grande
rapidez e exigem dos trabalhadores condições de
aprendizagem e reciclagem.
Verifica-se que cada vez mais as organizações
estão sendo obrigadas a adotar novas tecnologias e
novas formas de trabalhar para poder competir neste
mercado globalizado. Desta forma é muito importante
para elas contar com trabalhadores que resolvam da
forma mais efêmera seus problemas. Tal fato exige
muito mais dos seus funcionários. A educação e a
qualificação nunca em toda a história da humanidade
foram tão significantes para que as pessoas
conseguissem um emprego e principalmente
permanecessem empregados.
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Vale ressaltar que nos países de primeiro mundo,
as políticas públicas oferecem incentivos para as
empresas admitirem e manterem os portadores de
deficiência. Dentre os incentivos destacam-se: I –
isenção de contribuições, onde os empregadores podem
receber a isenção total ou parcial de encargos sociais
quando empregam portadores de deficiência; II –
complemento dos salários, que é feito através de um
repasse às empresas de uma parcela do salário a fim
de compensar as despesas de acomodação ou
diferencial de produtividade do portador de deficiência
em relação ao não portador e se esta empresa superar
a cota exigida para a contratação; ou III – ajuda para
adaptação que servirá para cobrir parte dos custos
referentes aos investimentos e adaptações feitas para
admissão e manutenção desta clientela no âmbito do
trabalho (PASTORE, 2000:150).
2.2.1 O S ISTEMA
TRABALHO
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M ERCADO
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É exigida por este sistema de cotas uma definição
de portador de deficiência para saber quem entra e
quem não entra na categoria dos empregáveis. Além
disso, o sistema solicita a demonstração da qualificação
e a capacidade produtiva do portador de deficiência.
Quanto à avaliação da qualificação, esta busca estimar
e medir habilidade, aptidão e a potencialidade da
pessoa. Esta avaliação se divide em duas: na Funcional
onde se medem as capacidades para verificar o
potencial de trabalho ou as necessidades de habilitação
e reabilitação; e a Ocupacional, que busca verificar as
habilidades do portador de deficiência em função das
exigências das ocupações que pretende exercer.
Estes testes e avaliações geram na maioria das
vezes desconforto para as pessoas portadoras de
deficiência, um vez que se sentem muitas vezes alvo
de discriminação e de estigma. Por outro lado, àquelas
empresas que não desejam contratá-las podem criar
subterfúgios elevando as exigências de qualificação de
modo a reduzir o máximo possível o número de
candidatos aptos ao cargo.
Diante de todos esses empecilhos para contratar
pessoas que portam deficiência, nas empresas, se torna
importante para amenizar esta problemática, que sejam
tomadas as seguintes providências: preparar o
“deficiente”, buscando a sua qualificação e
profissionalização; educar o empregador, proporcionando
a sua conscientização, visto que esta questão é mais do
que um mandamento constitucional e legal, pois faz parte
de sua responsabilidade social; e por último dispor de
políticas públicas que interfiram nesta questão, conforme
ocorre nos países mais desenvolvidos.
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DE
Este sistema prosperou em toda a Europa sendo
expandido para militares e não-militares. Em 1923 a
Organização Internacional do Trabalho (OIT)
recomendou a aprovação de leis nacionais que
obrigavam entidades públicas e privadas a empregar
um certo montante de portadores de deficiência
causada por guerras. Em 1944 esta mesma
Organização passou a induzir os demais países a
empregar portadores de deficiência não-combatentes.
Dentre estes, os primeiros a aderirem à idéia foram: a
Inglaterra, a Holanda, a Grécia, a Espanha, a Bélgica,
entre outros (PASTORE, 2000:159).
Antes de ser apresentado o grande entrave da
maioria das organizações para contratar os portadores
de deficiência, ou seja, o sistema de cotas exigido por
lei, que será abordado no próximo item, vale ressaltar
que para ter acesso ao trabalho, este portador de
deficiência sofre com todo o despreparo da sua cidade
para poder transitar nos demais locais. Em outras
palavras, nos demais estados ainda são encontrados
vários obstáculos arquitetônicos e transportes
inadequados que prejudicam a locomoção destas pessoas.
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R ESERVAS
No intuito de favorecer uma melhor
compreensão sobre o sistema de reservas de mercado
de trabalho utilizada pela maioria das organizações
brasileiras, torna-se necessário uma breve abordagem
a cerca do seu histórico e desenvolvimento em alguns
países que passaram a adotá-la.Os sistemas de reservas
de mercado, também conhecido como sistemas de
cotas para emprego de portadores de deficiência, foram
desenvolvidos na Europa, no início do século XX, com
o objetivo de acomodar os feridos da Primeira Guerra
Mundial (PASTORE, 2000:157).
No Brasil, a escassez estímulos que forneçam a
inserção dos portadores de deficiência no mercado de
trabalho trás fortes conseqüências para esta problemática,
aumentando, assim, o exército de excluídos. As poucas
políticas sociais, com relação a esta classe, encontramse desarticuladas. A combinação de educação e
reabilitação com estímulos às empresas e às entidades
especializadas ainda necessitam ser consolidadas. O
avanço atingido até estão está registrado nos mecanismos
legais impressos na Constituição, mas estes necessitam
sair da teoria e passar a fazer parte da realidade destes
segmentos sociais, não se limitando às imposições e
punições àqueles que não cumprem com suas cotas,
mas incentivado e educando toda uma comunidade para
recebê-los e considerá-los como seres humanos que
também são capazes de conviver e participar nos meios
produtivos e sociais.
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No sistema de cota-contribuição, a obrigação
maior das empresas é oferecer oportunidades de
trabalho, entretanto quando tal fato torna-se
impossível, estas organizações possuem a obrigação
de recolher uma certa quantia para uma determinada
instituição, como compensação à parcela da cota legal
não preenchida. Este referido sistema, além disso,
poderá premiar as empresas que ultrapassam suas
cotas ou que admitem pessoas com deficiências mais
severas (PASTORE, 2000:187).
O sistema de cota terceirizada favorece as
demais empresas no preenchimento do seu percentual
exigido, visto que estipula uma quantidade de pessoas
portadoras de deficiência com vínculos empregatícios,
conforme a lei exige e o restante poderá ser
contabilizado para o preenchimento da cota com
pessoas “deficientes” contratadas pelas empresas
terceirizadas, ou seja, sem vínculos trabalhistas. Assim
o trabalhador autônomo, cooperado, “free-lancer”, por
tarefa, por projeto, domiciliar, entre outros, poderá ser
contado para cota da empresa contratante
(PASTORE, 2000:196).
Quanto à questão das demissões, a legislação,
ao obrigar a reposição do antigo trabalhador por outro
colaborador “deficiente”, traz outro grande entrave para
as organizações, visto que poderá eventualmente
mudar sua atividade, estabelecendo-se em outro local
com outro ramo de negócios e exigindo um quadro
com novas qualificações. Em outras palavras, mesmo
que não haja mais vaga, a admissão deverá ser feita,
independente da situação existente. Trata-se, portanto,
de uma operação complexa e conflitiva que exige, de
certa forma, um bom nível de flexibilidade, a qual
não é oferecida pela atual lei, implicando e dificultando
nas demais contratação destes segmentos sociais.
Diante dessa flexibilização vários projetos foram
desenvolvidos junto às empresas para ajudá-las a
remover as barreiras arquitetônicas, ajustar os móveis
e equipamentos, subsidiar salários, promover
treinamentos e várias outras atividades. No que se refere
aos portadores de deficiência, os recursos arrecadados
são usados para a reabilitação e qualificação
profissional.
Enfim, os fatores, citados acima, que vêm
impedindo, gerando obstáculos, para que um número
maior de portadores de deficiência seja admitido no
mercado de trabalho, acirram constantemente esta
problemática, inibindo e castrando os portadores de
deficiência de desenvolverem os seus verdadeiros
potenciais.
Na atual conjuntura brasileira, a lei estabelece
o sistema de cotas progressivas, que variam de 2% a
5%, de acordo com o tamanho das empresas e exige
que a vaga decorrente da dispensa de um trabalhador
portador de deficiência seja obrigatoriamente
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Segundo Pastore (2000:138) a simples
imposição de uma obrigatoriedade não garante que
ela seja cumprida e, muito menos que as empresas
venham a oferecer condições favoráveis de trabalho
para os portadores de deficiência. Ademais, uma
instituição poderá estar com seu quadro de pessoal
completo, não havendo necessidade de mais
funcionários. Assim, para que fosse contratado um
portador de deficiência, a mesma teria que despedir
um trabalhador aleatoriamente. Este fato poderá gerar
um clima conflituoso entre os empregados veteranos e
os candidatos aos seus postos de trabalho.
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Nos últimos anos o sistema de cota nestes países
evoluiu muito no que diz respeito à flexibilidade. Surgem
neste cenário outros tipos de cotas, ou seja, a cota
contribuição e a cota terceirizada.
Verifica-se diante deste contexto, um grande
entrave para as empresas brasileiras quanto à questão
da inserção dos portadores de deficiência nos seus
campos produtivos diante desta falta de flexibilidade
nos sistemas de reserva de mercado, bem como falta
de estímulos e flexibilidade presentes nesta realidade.
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preenchida por outro trabalhador “deficiente”. Este
país, por sua vez, não possui flexibilidade nos sistemas
de cotas. Ao invés disso, ele optou por um sistema de
cotas isoladas, sem exceções e sem estímulos, que
repercutem principalmente nas grandes empresas, as
quais devem adotar cotas altas. Tal fato gera um
impacto negativo quanto a estes sistemas para as
demais organizações. O fato delas não cumprirem as
cotas estipuladas repercute em punições através de
multas com valores elevados.
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Nos países da Europa o percentual de cotas
varia entre 1,5% e 7%, sendo muitas vezes também
fixado em função do tamanho da empresa. Aqueles
que desrespeitam a cota violam a lei e são sujeitos às
penalidades. Alguns destes países também possuem
um rígido sistema de demissão, como por exemplo, a
Áustria, onde os portadores de deficiência só podem
ser demitidos mediante a aprovação de uma comissão
responsável por supervisionar a questão da deficiência.
Neste caso os empregadores deverão apresentar uma
justificativa do motivo da demissão e fazer a defesa
perante esta comissão. Na Alemanha a dispensa destas
pessoas portadoras de deficiência só pode ser efetivada
depois de obtida uma autorização de órgão oficial.
Quanto à Bélgica, se por acaso houver uma demissão
de um portador de deficiência de forma injustificada,
o empregador deverá pagar uma indenização muito
alta ao empregado (PASTORE, 2000:159).
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CONCLUSÃO
O simples ato de punir ou aplicar penalidades
àqueles que não cumprem com o que nos papéis estão
estabelecidos, não irá oferecer ao “deficiente” a sua
condição de cidadão. Ao contrário, isto faz com que
esta demanda da sociedade sinta-se constrangida, por
ter que haver subterfúgios para abrir os seus caminhos,
objetivando a sua participação nos meios de produção.
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Acredita-se que este preconceito dirigido às
pessoas portadoras de deficiência nasça de uma cadeia
de valores que atravessa todas as gerações, levando o
estigmatizado a uma condição de descrédito de suas
capacidades e potencialidades em relação ao todo
social, tido como “normal”.
Baseado neste fato acredita-se que, as políticas
de apoio aos portadores de deficiência necessitam
considerar que o centro de todas as ações deve ser um
ser humano que tem limitações superáveis. Para tanto,
não basta emitir decretos e leis punitivas sem que antes
sejam negociados com as partes envolvidas no sistema.
Faz-se, assim, necessário um esforço conjunto e bem
articulado com a sociedade como um todo na busca
de prover meios para que estes segmentos tenham uma
vida digna, produtiva e de progresso individual.
Este sentimento de incapacidade atribuído à
pessoa “deficiente” surge também em decorrência da
sociedade, bem como das políticas públicas, não
oferecerem melhores condições necessárias para o pleno
desenvolvimento e independência destes segmentos
sociais.
Nos países do terceiro mundo, em
desenvolvimento, a questão da deficiência está muito
atrelada à questão social. A incidência de portadores
de deficiência torna-se maior em virtude das suas
condições de vida na maioria das vezes estar vinculada
a pobreza, a fome, a ignorância, a falta de prevenção
e assistência.
A flexibilidade nos sistemas de reserva de
mercado também se faz importante para favorecer um
maior índice de empregos aos “deficientes”. A rigidez
do sistema de cotas inibe as empresas de ampliarem
as oportunidades de emprego para os que portam
limitações, e por conseqüência, de se aproximarem
dos percentuais exigidos pela legislação.
É dentro deste contexto, permeado por
desigualdades na concentração de renda e pelos
preconceitos imputados pelas organizações sociais,
trabalhistas e culturais que se encontram as pessoas
portadoras de deficiência candidatos a disputarem uma
vaga no competitivo mercado de trabalho.
Enfim, objetivando reduzir as distorções e as
fragmentações da imagem construída a cerca dos
portadores de deficiência, bem como a possibilidade
de proporcionar um maior espaço para estes nos meios
produtivos, cabe aos empregadores, a sociedade, aos
meios de comunicação e as políticas sociais ampliarem
as discussões sobre a referida temática, favorecendo,
por sua vez, uma maior conscientização destes
indivíduos como seres capazes de produzir e viver
socialmente.
Com base no que foi exposto, surge então a
necessidade de serem tomadas algumas providências
quanto a esta questão. Dentre estas acredita-se que o
candidato “deficiente” que disputa uma vaga no
mercado de trabalho necessita de maiores atenções por
parte de todos. A educação e a profissionalização
destinada a estes ainda está muito distante do que
realmente é cobrado pelas organizações. Quanto aos
empregadores, emerge a necessidade de terem uma
maior conscientização no que se refere a esta
problemática. Para estes, conforme afirma Pastore
(2000:208), “faz-se importante que tenham a certeza
de que mais do que um mandamento constitucional e
legal, a facilitação da entrada dos deficientes no mercado
de trabalho faz parte das suas responsabilidades sociais”.
Portanto, longe de esgotar esta questão das
pessoas portadoras de deficiência, acredita-se que este
trabalho, de alguma forma, poderá contribuir para
levantar discussões sobre esta problemática,
favorecendo, por sua vez, novos elementos e um maior
aprofundamento para as diversas pesquisas
relacionadas a este assunto.
As políticas públicas existentes na atual
conjuntura, além de poucas serem voltadas para esta
demanda social, encontram-se também desarticuladas,
isoladas. A combinação da educação com a
reabilitação e com estímulos oferecidos às empresas e
às entidades especializadas é essencial para o trabalho
dos portadores de deficiência inseridos nas indústrias.
Embora a Constituição Federal apresente um
arcabouço legal moderno e compreensivo, as ações
de atendimento aos que portam limitações são
precárias para mantê-los em condições de respeito e
dignidade. Esses dispositivos legais imputam as
instituições à contratação de pessoas que portam
deficiência sem oferecer incentivos e condições
favoráveis, tanto para a organização como para os
que convivem com os deficientes nos meios sociais.
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MICHAELIS, C. Dicionário escolar da língua portuguesa.
São Paulo: Melhoramentos, 2000.
CARNEIRO, Stella Luiza Moura. O que querem os deficientes?
Revista Temas sobre Desenvolvimento, São Paulo: v. 4, n. 24,
p. 19-25, mai./jun. 1995.
PASTORE, José. Oportunidades de trabalho para os portadores
de deficiência. São Paulo: LTR, 2000.
REGEN, Mina; ARDORE, Marilena. Mães e filhos especiais.
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BRASIL.Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília:
Senado Federal, Centro Gráfico, 1988.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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OS SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES NO CEARÁ APÓS
A PRIVATIZAÇÃO SOB A ÓTICA DO CONSUMIDOR
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Sandra Maria dos Santos – Dra. - Universidade Federal do Ceará
Maria Naiúla Monteiro Pessoa – Dra. - Universidade Federal do Ceará
José Nelson Tenório – Mestrando - Universidade Federal de Pernambuco
Maria Célia Gomes Vasconcelos - Especialista - Universidade Federal do Ceará
RESUMO
Este trabalho consiste na abordagem da privatização das telecomunicações, com enfoque na opinião
dos usuários, que passaram a conviver em um novo cenário. Uma das conseqüências da privatização
foi o surgimento da concorrência, que por si só, deveria favorecer à sociedade, tendo em vista a disputa
pela conquista dos clientes. Passados três anos da privatização, se encontrou um nível de insatisfação
muito grande, tanto em quantidade quanto em qualidade dos serviços. Existe grande parcela da
população que ainda não dispõe de telefone, por não poder pagar e, quem pode pagar sofre com a má
qualidade dos serviços. Ao abordar a privatização das telecomunicações sob a ótica do usuário,
objetivou-se captar a percepção que a sociedade, especificamente a cearense, teria observado diante
das mudanças ocorridas, tal como a instalação de novas operadoras de telefonia; e a influência que
porventura ocorrera em sua vida, como por exemplo, mais facilidade de acesso aos serviços de
telefonia, melhor atendimento, possíveis reduções de tarifas, etc. A pesquisa foi realizada na capital e
nos dez maiores municípios cearenses, em termos de população.
PALAVRAS-CHAVE: privatização; telecomunicação; consumidor.
ABSTRACT
This work consists of the approach of the privatization of the telecommunications, with focus in the
users’ opinion. One of the consequences of the privatization was the appearance of the competition,
that by itself, it should favor the society, tends in view the dispute for the customers’ conquest. After
three years of the privatization, it was a higher level of dissatisfaction, in amount and in quality of the
services. Great portion of the population that doesn’t still have telephone exists, for not could pay and,
who can pay suffers with the bad quality of the services. When approaching the privatization of the
telecommunications under the user’s optics, it was aimed at to capture the perception that the society,
specifically the from Ceará, it would have observed before the happened changes, just as the installation
of new telephony operators; and the influence that by chance had happened in your life, as for
instance, more access to the telephony services, better attendance, possible reductions of tariffs, etc.
This research was accomplished in the capital and in the ten larger municipal districts from Ceará, in
population terms.
KEY WORDS: privatization; telecommunications; consumer.
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O Processo de privatização do setor de
telecomunicações passou, inicialmente, por um
programa de modernização e reestruturação. E isto
implicou inclusive em alterações na legislação vigente
de forma a possibilitar a abertura do setor ao capital
privado. Destacando-se:
a) a Emenda Constitucional no.8 (1995) que pôs
fim ao monopólio da operação dos serviços
(FERREIRA, 1999).
b) Lei específica (Lei 9295/96) - permitindo a
privatização dos primeiros serviços, entre os
quais o celular da banda B, a comunicação de
dados, os serviços de valor adicional (VAS) e
os por via satélite (ANATEL, 2000).
c) Licitação para a Banda B - a terceira etapa
consistiu na implementação da Lei específica,
por meio de licitação internacional que
selecionou os novos operadores da banda B
celular nas dez áreas do mercado (LIMA,
2000).
d) Lei Geral de Telecomunicações (julho de 1997)
que redefiniu o modelo institucional do setor,
criando um órgão regulador (a Agência
Nacional de Telecomunicações - ANATEL) e
estabelecendo as linhas gerais do processo de
privatização (FERREIRA, 1999).
No entanto, a comunicação deixou de limitar-se
apenas ao telefone, ampliando-se para uma variedade
de serviços de transmissão e recepção de vídeo, voz e
dados. As técnicas digitais aumentaram espantosamente
as alternativas de inovação. Novas idéias e produtos
nascem todos os dias.
O desenvolvimento e a demanda de novos
serviços e produtos cresceram num ritmo muito mais
acelerado que a capacidade de investimento do Estado.
Num mundo em que novas tecnologias passaram a
ser fator de competitividade, eficiência e poder, e em
que as telecomunicações não se limitam mais ao
telefone, mas abrangem uma miríade de serviços, o
Estado sofreu um verdadeiro imobilismo diante da
dinâmica tecnológica. Essas novas tecnologias não
apenas passaram a incorporar os tradicionais produtos
e processos industriais como possibilitaram um profundo
redimensionamento do comércio internacional. Com
tantas alternativas e variáveis, não foi possível manter
estes instrumentos nas mãos de um monopólio estatal,
por mais potente e dinâmico que este fosse.
No modelo anterior, todo o sistema de regulação
era voltado para as empresas operadoras, que embora
prestassem serviço público, os seus planos não estavam
sujeitos a sanções e nem corriam o risco de perder a
concessão. No novo modelo, o foco principal está
centrado nas necessidades e direitos do cidadão,
firmados em documentos de cumprimentos obrigatórios
pelas operadoras.
Nesse cenário, as telecomunicações vêm
desempenhando um papel de fundamental
importância, pois são a um só tempo, geradoras e
beneficiárias do novo paradigma tecnológico.
A ANATEL, criada em 1997 através da Lei no.
9.472/97, tem por objetivo viabilizar o novo modelo de
telecomunicações brasileiro, e assumindo ações
reguladoras e fiscalizadoras do Estado, garantindo o acesso
de toda população aos serviços de telecomunicações.
O interesse pelos serviços de telecomunicações
vai do analfabeto ao cientista, do empresário ao
trabalhador informal, dos moradores dos grandes
centros urbanos até os que ainda estão isolados em
longínquas localidades no interior do País. Ou seja, no
âmago de todas estas mudanças, o que deve estar
acima dos objetivos técnicos e mercadológicos, é o
atendimento às necessidades e interesses da população,
em todos os seus estratos e em conformidade com as
diferenças que permeiam a sociedade.
A universalização - popularização – com metas
obrigatórias de expansão e de qualidade é, portanto,
o primeiro pilar das telecomunicações brasileiras. O
segundo pilar é a competição entre empresas
prestadoras de serviços de telecomunicações, a fim de
que o jogo, com regras claras e confiáveis produza
benefícios para o consumidor e mesmo para o cidadão
que ainda não dispõe de telefone fixo residencial ou
celular. Ao mesmo tempo em que, tem nítida
preocupação social, o novo modelo confere às
telecomunicações tratamento como componente vital
de infra-estrutura de novas empresas no país.
(GUERREIRO, 2000).
Esse estudo tem por objetivo verificar o nível de
conhecimento e o grau de satisfação da população
cearense em relação às mudanças observadas no
sistema de telecomunicações, após a privatização.
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Considerando a importância das telecomunicações,
a maioria dos países escolheu como processo de
implantação e exploração, o monopólio pelo Estado
(MELO, 1999), na crença de que somente o governo
teria o capital e o interesse necessários para a prestação
do melhor serviço. Na verdade, o modelo funcionou
num certo período, sobretudo no lançamento dos
empreendimentos, no seu crescimento e operação nos
primeiros anos. Isto se deveu, talvez, a estabilidade
dos investimentos e ao reduzido ritmo de inovações.
ANTECEDENTES DA PRIVATIZAÇÃO NO
BRASIL
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2
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INTRODUÇÃO
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1
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Com a privatização das telecomunicações, várias
empresas passaram a atuar no Ceará, assim como nos
demais estados da federação, prestando serviços de
telefonia fixa, móvel e de longa distância. Na telefonia
fixa atuam duas empresas: a TELEMAR e a VESPER.
No caso da telefonia celular a disputa pelos clientes
está polarizada entre as empresas TIM ( Banda A) e a
BCP (Banda B). Para a comunicação de longa distância
tem-se a EMBRATEL, TELEMAR e INTERLIG.
A amostra foi calculada pela fórmula da amostra
casual simples onde todos os elementos da população
têm a mesma probabilidade de serem selecionados, com
erro de estimativa de 10% e nível de confiança de 95%.
Que conforme valores e fórmula abaixo, necessitava-se
uma amostra de 96 questionários, número arredondado
para 100 (POLASEK; KARMEL, 1976).
Fórmula utilizada para o cálculo da amostra:
Essa situação reflete um dos argumentos do
governo para justificar a privatização das
telecomunicações, ou seja, estimular a concorrência
na disputa pelos usuários e com isso se espera que
haja uma redução das tarifas e dos preços, bem como
uma melhoria na qualidade dos serviços.
Onde:
d = margem de erro;
Z = abscissa da distribuição normal
correspondente ao grau de confiança
(1– 1 ) estipulado;
P = proporção de usuários satisfeitos;
Q = proporção de usuários insatisfeitos (1–P)
Diante dessa nova realidade, esse estudo visa
conhecer a opinião dos usuários sobre os serviços de
telecomunicações no Ceará.
3
METODOLOGIA
Dados para o cálculo da amostra:
Para viabilizar o objetivo desse estudo de
natureza qualitativa, que pretende detectar o nível de
conhecimento e satisfação em relação aos serviços de
telecomunicações no Ceará após a privatização,
procedeu-se a realização de uma pesquisa de campo.
d = 0 ,10
1 − α = 95 % ⇒ Z = 1,96
P = 50 % = 0 ,50
Segundo Munhoz (1989, p. 84): “A pesquisa
de campo tem por objetivo a coleta de elementos não
disponíveis, que, ordenados sistematicamente, de
acordo com processos adequados, possibilitem o
conhecimento de uma determinada situação, hipótese
ou norma de procedimento”. Dessa forma justifica-se
o uso da técnica de documentação direta (aplicação
de questionário) utilizada no referido estudo.
Q = 50 % = 0 ,50
A distribuição da amostra foi proporcional à
população, resultando na aplicação de 70 entrevistas
na Capital e 30 no Interior. Os municípios pesquisados
no interior do estado foram: Juazeiro, Crato, Iguatu,
Sobral, São Benedito, Camocim, Aquiraz, Aracati,
Quixadá e Quixeramobim. A realização da pesquisa
se deu nos meses de julho e agosto de 2001.
Outro aspecto a considerar diz respeito a
amplitude da pesquisa de campo realizada. No caso
específico, utilizou-se o método estatístico de
amostragem. A amostragem fundamenta-se em leis
estatísticas que lhe conferem o rigor científico para
representar a população. As técnicas de seleção da
amostra e o seu cálculo dependem muito do tipo de
estudo e dos objetivos da pesquisa.
4
Do total de pessoas entrevistadas, tem-se que
63,0% sâo do sexo feminino. Considerando-se o nível
de escolaridade dos participantes da pesquisa constatase que, 32,0% têm o segundo grau completo, 13,0%
superior incompleto, e 20,0% com grau superior
completo; os demais 25% têm no máximo o segundo
grau incompleto (Tabelas 1).
A amostragem aleatória simples constitui o mais
puro tipo de amostragem aleatória. Essa
característica é verdadeira por duas razões.
Inicialmente, dada certa população de tamanho
N, todas as amostras de mesmo tamanho, n, têm
a mesma chance de ser sorteadas. Ademais, a
fim de constituir cada uma das n amostras
possíveis, cada elemento da população tem a
mesma probabilidade de ser sorteado,
relativamente aos demais. (BARBETTA, 2001,
p.155).
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SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES
APÓS A PRIVATIZAÇÃO – ÓTICA DOS
USUÁRIOS CEARENSES
4.1 PERFIL DOS ENTREVISTADOS
Sendo assim, optou-se pelo uso da amostragem
probabilística, o que significa dizer que o tamanho e
seleção da amostra obedeceram rígidos critérios
técnicos, e mais especificamente, optou-se pela
amostragem aleatória simples.
82
Z2 ⋅ P ⋅ Q
d2
n0 =
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%
1 ,0
1 6,0
1 4,0
4,0
32,0
1 3,0
20,0
1 00,0
Dos serviços de telecomunicações disponíveis,
as telefonias, fixa e celular, são os mais utilizados, por
93,9% e 53,7% da população, seguidos pela Internet
(28,0%), Caixa Postal (19, 5%) e TV por Assinatura.
(Tabela 4).
Fonte: Pesquisa direta.
Tabela 2 - Distribuição dos entrevistados
por atividades profissionais - 2000
PRO FISS Õ ES
E studante
E mpregado do setor público
E mpregado do setor privado
P rofissional liberal
Autônomo
Dona de casa
Desempregado
Aposentado
E mpresário
Total
Tabela 4 - Nível de utilização dos serviços de telefonia
pelos entrevistados - 2000
%
7,0
1 3,0
34,0
5,0
1 9,0
9,0
1 1 ,0
1 ,0
1 ,0
1 00,0
S ERV IÇ O S
Entre os motivos por não dispor de uma linha
fixa destacam- se: desinteresse em dispor de uma linha
fixa (28,0%) e não dispor de renda suficiente (32,0%),
o que é perfeitamente compreensível se for levado em
conta o percentual de desempregados (11,0%) e dos
que percebem menos de um salário mínimo e os sem
remuneração (28,0%). A falta de interesse, talvez seja
justificada, pelo fato do valor da tarifa mensal que a
época da privatização era R$ 0,44, e passou atualmente
a custar R$ 23,32.
Tabela 3 - Distribuição dos entrevistados por
faixa de renda - 2000
Quanto à telefonia celular, observa-se que,
semelhantemente à telefonia fixa, a falta de interesse
(45,5%) e a insuficiência de renda (38,2%), foram os
dois fatores preponderantes para a não aquisição de
uma linha celular.
%
22,0
Menos de um salário mínimo
6,0
Um salário mínimo
1 1 ,0
Acima de 1 sm a 3sm
31 ,0
Acima de 3sm a 6sm
1 3,0
Acima de 6sm a 9sm
07,0
Acima de 9sm
1 0,0
Total
Pode-se inferir que, apesar de existir a
concorrência entre empresas que operam o Serviço de
Telefonia Móvel Celular no estado do Ceará, a
população não foi, ainda, beneficiada com redução
de preços e tarifas. Continuando a ser um serviço
inacessível para a maioria da população.
1 00,0
Fonte: Pesquisa direta
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93,9
53,7
9,8
1 9,5
1 7,1
28,0
Fonte: Pesquisa direta. Obs: Resposta de Múltipla escolha
A faixa de renda dos que ganham acima de 1
(um) a 3 (três) salários mínimos, concentrou o maior
número de entrevistados. É também expressivo o número
dos entrevistados, que estão sem remuneração ou que
percebem menos de um salário mínimo (Tabela 3).
S em remuneração
%
Telefone fixo
Telefone celular
F ax
Caixa postal
Tv por assinatura
Internet
Fonte: Pesquisa direta.
REMUNERA Ç Ã O
○
Uma linha celular, que já chegou a custar R$
360,00, pode ser comprada hoje pelo mesmo preço
estando inclusos neste valor o aparelho e a habilitação.
(ANATEL, 2000).
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Antes da privatização, uma linha telefônica
residencial de telefone fixo custava perto de R$ 1.120,00,
pagos em até 24 meses. Hoje (2001) pode ser comprada
por R$ 50,00, na maioria dos estados, enquanto em
outros já é possível ter um telefone em casa com gastos
em torno de R$ 15,00, pagos só depois que o telefone
entrar em operação.(ANATEL, 2000).
Tabela 1 - Distribuição dos entrevistados por
grau de escolaridade - 2000
ESC O LA RIDA DE
Analfabeto
1 º grau incompleto
1 º grau completo
2º grau incompleto
2º grau completo
S uperior incompleto
S uperior completo
Total
○
4.2 GRAU DE UTILIZAÇÃO DOS SERVIÇOS
○
As atividades profissionais dos entrevistados são
bastante diversificadas, como consta na Tabela 2, tendo
preponderância de empregados do setor privado
(34,0%), profissionais liberais (19,0%), e empregados
do setor público (13,0%). É de razoável relevância,
também, o número de entrevistados que se encontram
desempregadas (11,0%).
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Esta inacessibilidade se torna mais visível quando
se analisa o grau de utilização dos serviços de Fax (9,8%),
Caixa Postal (19,5%), Tv por Assinatura (17,1%) e
Internet (28,1%), observando-se que apenas uma
pequena parcela da população usufrui destes serviços.
Na telefonia celular, a distinção entre as
empresas concorrentes mostrou-se maior, a troca dos
nomes das empresas foi praticamente insignificante,
com 3,9% trocando os nomes das empresas por marcas
dos aparelhos celulares Ericsson e Motorola.
Com o advento da telefonia celular e da
privatização de empresas, surgiram vários termos que
são utilizados com freqüência pela mídia de um modo
geral. Procurou-se saber o grau de assimilação destes
termos, por parte da população.
4.3 NÍVEL DE CONHECIMENTO EM RELAÇÃO ÀS EMPRESAS
E AOS SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES DAS
EMPRESAS QUE OPERAM NO ESTADO DO CEARÁ
Na seção anterior, foi mostrado que, com a
privatização, várias empresas passaram a explorar os
serviços de telefonia no Ceará, sendo a Telemar e
Vésper as empresas de telefonia fixa e Tim e BCP de
celular. Embratel, Intelig e Telemar, operando em
ligações de Longa Distância.
Sendo assim, buscou-se verificar se os usuários
tem conhecimento dessas empresas e suas atividades.
O resultado demonstrou que 81,0% dos entrevistados
afirmam conhecer as empresas operadoras de telefonia
fixa e 76,0% as empresas operadoras de telefonia
celular. No entanto, o consumidor não faz distinção
das atividades desenvolvidas pelas empresas.
Apesar de 98,7% terem afirmado com precisão
o nome da Telemar, a Embratel e a Intelig, operadoras
de longa distância, foram confundidas como operadoras
de telefonia fixa, por 41,2% e 26,5%, respectivamente.
Além de outros nomes citados que sequer são empresas
operadoras de telefonia, por exemplo, Telenorte e Anatel.
A Vésper que opera a telefonia fixa, concorrendo com
a Telemar, mostrou-se pouco conhecida, mencionada
por apenas 26,5% dos entrevistados.
Conforme exposto na Tabela 7, apesar de estes
termos serem freqüentemente utilizados pela mídia,
observa-se que eles são desconhecidos quase que
totalmente pela população. Apenas a ANATEL
mostrou-se familiar aos entrevistados.
Tabela 7- Percentual de conhecimento pelo usuário
da nomenclatura das telecomunicações - 2000
B anda A
B anda B
B anda C
E mpresa – espelho
E mpresa – espelhinho
ANATE L
81 ,0
Telefonia Celular
76,0
Total
1 00,0
Fonte: Pesquisa direta.
%
98,7
41 ,2
26,5
1 ,2
26,2
2,5
1 ,2
Telemar
E mbratel
Interlig
Telenorte
Vésper
Tim
Anatel
Obs: Resposta espontânea de múltipla escolha
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25,0
24,2
1 2,0
2,0
2,0
41 ,0
A ANATEL revelou - se a mais familiar pelos
entrevistados, foi identificada corretamente como sendo
uma empresa reguladora (15,0%), ou órgão regulador
(35,0%), empresa de fiscalização (10,0%) e pelo
significado da sua sigla como Agência Nacional de
Telecomunicações (17,5%).
Fonte: Pesquisa direta.
84
25,0
22,3
8,0
6,0
2,0
46,0
50,0
52,5
80,0
92,0
96,0
1 3,0
Com referência às empresas - espelho e
espelhinho, apesar do índice de desconhecimento dos
termos ser bem elevada, nota-se que as pessoas que
afirmaram que sabiam o significado, realmente o fizeram
com uma certa convicção. As empresas - espelho foram
corretamente identificadas por 28,6%, e as demais
respostas não fugiram em demasia do assunto.
Interessante é notar, que em relação às empresas
espelhinho, todas as respostas foram corretas 100,0%.
Tabela 6 - Índice de conhecimento pelo usuário das
empresas de telecomunicações atuantes no Ceará – 2000
EMPRESA S
OUVIRAM
FALAR
%
Para confirmar se o índice de conhecimento era
taxativo, foi solicitado às pessoas que responderam
que conheciam ou ouviram falar sobre os termos, que
explicassem o que os mesmos significavam. Os
resultados foram os seguintes: com relação as Bandas
A e B, observa-se que há uma associação quanto a
ambas serem de telefonia analógica (26,9%) e digital
(34,8), respectivamente, o que não corresponde a
realidade, tanto a Banda A quanto a Banda B, usam
tecnologia digital. Apenas 15,4%, 13,0% e 20,0%,
acertaram respondendo que Bandas A, B e C,
respectivamente, tratam-se de uma faixa de freqüência.
%
Telefonia Fixa
CO NHECEM
%
Fonte: Pesquisa direta
Tabela 5 - Índice de conhecimento pelo usuário dos
tipos de telefonia no Ceará - 2000
O PÇ Ã O
NÃ O
CO NHECEM
%
TERMO S
○
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4. 4 A SATISFAÇÃO DOS USUÁRIOS CEARENSES
SERVIÇOS DE TELEFONIA EM GERAL
%
S atisfeito
54,0
Insatisfeito
46,0
Total
1 00,0
Dentre os motivos elencados pelos clientes
insatisfeitos, prepondera o aparecimento de cobranças
indevidas na conta com 25%, seguido pelo atendimento
que foi considerado péssimo por 23,% e, o aumento de
tarifas foi relacionado com representação de 20%.
Dentre os entrevistados, 46,0% já procurou
diretamente as empresas para fazer algum tipo de
reclamação, com 68,7% classificando o atendimento
da reclamação entre regular e ruim. Apesar da
insatisfação com o atendimento ser alto, apenas 6,1%
recorreram a órgãos de defesa do consumidor.
A privatização é colocada como benéfica para a
população, na medida em que traz concorrência, que
gera competição e assim, uma possível redução de
preços na tentativa de se conquistar o cliente. Contudo,
a pesquisa revelou que a competição entre as empresas
não gerou uma redução de preços e tarifas que fosse
sentida pela população de maneira uniforme. Pouco
menos da metade da população afirmam que se sentiram
beneficiadas com redução de tarifas (43,0%), enquanto
que a maioria não percebeu estas reduções (57,0%).
Tabela 10 - Classificação do atendimento às reclamações do
usuário em relação aos serviços de telefonia no Ceará - 2000
Tabela 8 - A competição trouxe redução de tarifas – 2000
S im
43,0
Não
57,0
Total
1 00,0
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NÍV EL
%
Ótimo
6,5
B om
34,8
Regular
34,8
Ruim
23,9
Total
1 00,0
Fonte: Pesquisa direta.
Verificou-se que os serviços prestados pelas
empresas de telecomunicações após a privatização não
gozam de conceito elevado perante a população.
Solicitados a fornecerem um conceito para os serviços,
apenas 6,5% dos entrevistados os conceituaram como
ótimos, com a grande maioria colocando-os como
regular (34,8%) ou ruim (23,9%).
Fonte: Pesquisa direta
○
○
G RA U D E S A TIS FA Ç Ã O
Fonte: Pesquisa direta
Buscando obter informações sobre a penetração
destes projetos junto à população, verificou-se que eles
são desconhecidos pela grande maioria (85,0%). E ainda,
dos que afirmaram conhecer ou ouvir falar nos projetos,
ao ser solicitado que especificasse o projeto, 30,7 % não
souberam responder, ou especificar com precisão.
%
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Tabela 9- Índices de satisfação do usuário cearense com os
serviços de telefonia – 2000
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85
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Evidenciou-se que a população encontra-se de
certa forma dividida no que diz respeito à sua satisfação
com os serviços de telefonia. Conforme mostra a Tabela
9, dos entrevistados 54,0% se disseram satisfeitos com
os serviços prestados pelas operadoras, em geral. Este
percentual não fica muito distante dos que se
mostraram insatisfeitos (46,0%).
A BCP com o Projeto Dê um Alô para a
Natureza, para colaborar com a preservação do meio
ambiente; o Programa da Qualidade do Ensino, com
o objetivo de melhorar o ensino público, com a
formação continuada dos professores, avaliação da
aprendizagem dos alunos e o reforço para aqueles com
deficiência de aprendizagem e o Projeto da Fundação
Gilberto Freire: a cidadania está no conhecimento,
visando permitir a continuidade do trabalho de Gilberto
Freire, com o compromisso de difundir as diversas
manifestações de arte, da cultura e da ciência,
especialmente as relativas ao Nordeste: a sua história,
sua formação social e econômica, seus problemas e
alternativas de solução. (BCP, 2001).
RESPO STA S
COM OS
○
Algumas destas empresas de telefonia, visando
fixar sua imagem junto à população, implantaram
projetos sociais, principalmente no setor educacional.
A Telemar, com o Projeto Comunidade Virtual Telemar
em parceria com a Universidade de São Paulo, visando
facilitar o acesso de comunidades carentes à Internet.
No Ceará, o Município beneficiado com este projeto é
o de Paramoti.(TELEMAR, 2001).
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Isto pode ser corrigido se forem estabelecidas
leis que obriguem as empresas a cumprir o seu papel
social, e não visarem exclusivamente os lucros. Mesmo
não sendo mais estatais, vale lembrar que a exploração
dos serviços de telecomunicações é uma concessão
governamental, e que o governo não só pode como
deve estabelecer regras para que o acesso aos serviços
seja universal e de boa qualidade. Neste sentido, a
ANATEL, como órgão regulador e fiscalizador tem
papel fundamental, não permitindo que as empresas
ajam da forma que bem desejarem, criando suas
próprias leis, como se não tivessem uma função social
de grande relevância.
A constatação é que, embora não se tenham
dados de antes da privatização, para efeito comparativo,
o usuário dos serviços de telecomunicações, continua
tendo transtornos e aborrecimentos com as empresas
após a privatização.
CONCLUSÃO
É inegável o avanço das telecomunicações no
Brasil após a privatização. O avanço tecnológico
propiciou que milhares de telefones fixos fossem
instalados e que inúmeros celulares entrassem em
operação em tão pouco tempo. Contudo, o aumento
quantitativo não foi seguido de um aumento
qualitativo. A pesquisa realizada evidenciou que o nível
de insatisfação com a qualidade dos serviços prestados
à população é enorme. A insatisfação com a qualidade
dos serviços pelas empresas, por exemplo, chega aos
46,0%; o atendimento é considerado regular ou ruim
por 58,7% dos entrevistados.
O nível de informação do consumidor em
relação à nova realidade e aos seus direitos, pode influir
sobremaneira no comportamento das empresas, no
sentido que lhe seja garantido um serviço e um
atendimento de qualidade. Os dados da pesquisa
mostraram que a população sente-se confusa diante
do novo cenário que se formou, com novas empresas
e termos antes não utilizados. Há desconhecimento
de significados ou da utilidade destes termos,
independente de classe social ou grau de instrução,
deixando perceber que não houve realmente
esclarecimento deste novo momento social.
É verdade que o Estado, ao entregar as empresas
nas mãos do capital privado, esperava que a
competição gerada pelas empresas se revertesse em
benefícios para a sociedade, pois sozinho não teria
condições de bancar novas tecnologias, baratear os
custos e tornar os serviços de telecomunicações
acessíveis a todas as camadas da população. Porém,
não é isso o que está efetivamente acontecendo, talvez
porque as empresas que se instalaram não conseguiram
fazer frente às empresas do governo que foram
privatizadas, existindo, na realidade, um monopólio
privado; ou porque ao privatizar o governo não
estabeleceu metas ou condições que obrigassem as
empresas a tornar o acesso possível a todos os
cidadãos, e não somente aos que tenham condições
de pagar caro por estes serviços.
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Tecnologicamente, a privatização trouxe
avanços para o setor. A tecnologia digital e a fibra
ótica, possibilitou velocidade de comunicação e na
troca de informações. Mas socialmente, ainda é preciso
avançar bastante. O acesso à comunicação, ainda não
chegou às camadas menos favorecidas da população.
As tarifas continuam elevadas, tornando o serviço
inacessível para a população de baixa renda.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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OS PRÓS E CONTRAS DA GESTÃO ATIVA E A PASSIVA
DE FUNDOS DE INVESTIMENTOS EM AÇÕES
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José Maria Porto Magalhães Sobrinho - Mestre em Administração
– Faculdades Integradas do Ceará
RESUMO
O desafio do gestor de um fundo de investimento é aplicar da melhor maneira possível, os recursos
disponíveis em alternativas que proporcionem rentabilidade consistente no longo prazo. A grande
maioria das instituições financeiras, vem oferecendo aos seus clientes, produtos de investimentos com
estratégia de gestão ativa ou passiva. Essas alternativas de investimentos, podem comprometer seriamente
a rentabilidade almejada pelo cliente desses fundos. Portanto, é necessário que o investidor conheça
qual a técnica adotada pelo seu gestor a fim de não incorrer em custos ou até mesmo em prejuízos
desnecessários. Este artigo tem o propósito, distinguir de uma forma clara e objetiva as diferentes
técnicas adotadas por essas instituições, explicando o funcionamento das mesmas, seu processo
decisório, qual o papel do administrador e do gestor do fundo de investimento em ações, e discorrer
qual a visão do mundo acadêmico sobre esse “conflito de estratégias”.
PALAVRAS CHAVE: fundos de investimento; gestão ativa e a passiva.
ABSTRACT
The challenge of the manager of an investment fund is to apply in the best possible way, the available
resources in alternatives that provide consistent profitability in the long stated period. The great majority
of the financial institutions, offer for its customers, options of investments with strategy of active or
passive management. These alternatives of investments, may seriously compromise the profitability
desired for the customer of these investment funds. Therefore, it is necessary that the investor knows
which is the technique adopted for its manager, in order to do not incur in unnecessary costs or losses.
This article has the intention to distinguish in a clear and objective form, the different techniques
adopted by these institutions, explaining their rational, its decision process and what is the role of the
administrator and the manager of the investment fund in actions, and to comment about which is the
vision of the academic world on this “conflict of strategies”.
KEY WORDS: investment funds; active or passive management.
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Os fundos de investimento no Brasil detêm a
maior representatividade no segmento de aplicações
financeiras no mercado brasileiro, chegando inclusive a
ultrapassar os valores aplicados na popular caderneta
de poupança. Essa grande aceitação pelos investidores
locais advém da sua visão condominial, a qual permite
o acesso a pequenos e grandes investidores,
remunerando-os com as mesmas taxas indistintamente,o
que não era possível antes de sua criação.
No caso do gestor, compete a si a administração
dos recursos. Dentre as suas atividades, destacam-se
a de escolher os ativos que irão compor a carteira do
fundo, que maximize a utilidade para o investidor,
selecionando aqueles com melhor perspectiva de
rentabilidade, dado um determinado nível de risco
compatível com a política de investimento adotada.
Outra tarefa do gestor é a de emitir ordens de compra
e venda dos ativos que compõem a carteira do fundo,
em nome dos cotistas.
Em relação às estratégias adotadas pelos
administradores desses fundos, as instituições financeiras
especializadas em gestão de recursos de terceiros, em
sua grande maioria, vêm oferecendo aos seus clientes
fundos de investimento de gestão ativa ou passiva.
Entende-se como estratégia ativa, aquela que
visa obter uma performance superior a de um índice
de mercado contra o qual são comparados. Ë através
dessa estratégia que o gestor do fundo de investimento
em ações procura otimizar a relação entre o risco e o
retorno do portfólio, escolhendo ativos que no conjunto
apresentem uma performance superior a do próprio
mercado que, no Brasil, é mensurado geralmente pelo
Índice da Bolsa de Valores de São Paulo – Ibovespa.
Tanto o administrador como o gestor da carteira
devem estar devidamente credenciados na CVM para
poderem assumir suas funções. A maior responsabilidade
do gestor é, no entanto, a de cumprir, da melhor forma
possível, os objetivos do fundo, no tocante à rentabilidade
do investimento, grau de exposição a risco e liquidez das
aplicações. É papel do gestor do fundo “entregar o que
vendeu”, ou seja, se foi estabelecido algum tipo de
benchmark para o fundo, ele terá de se esforçar para
atender a essa necessidade. Ressalte-se que não se espera
que o gestor seja infalível, mas, em contrapartida, esperase que esse profissional aja como um expert, e não
simplesmente como um homem prudente. Segundo
Bernstein (1997:248), a regra do homem prudente
(prudent man rule), vinha sendo utilizada desde 1828, e
originou-se da decisão do juiz Samuel Putnam em uma
ação judicial contra um administrador de patrimônio em
Boston. Foi esta a decisão do juiz:
A administração passiva, por sua vez, procura
obter uma rentabilidade próxima a de um índice de
mercado pré-estabelecido, que pode ser denominado
de benchmark. Esse tipo de estratégia não requer
maiores habilidades dos gestores no ato de escolher
ativos para compor suas carteiras, pois o critério de
seleção se faz apenas pela simples réplica do índice,
ou seja, a carteira desses fundos, é semelhante à
composição do índice escolhido. A gestão passiva é
caracterizada por uma estratégia de comprar e manter,
sendo a carteira modificada somente por ocasião da
mudança da composição do próprio índice, no caso
do Ibovespa, de quatro em quatro meses.
Faça você o que fizer, o capital corre risco...
Tudo que se pode exigir de um administrador
do fundo fiduciário ao investir é que ele seja
leal e criterioso. Ele deve observar como
homens prudentes, criteriosos e inteligentes
gerenciam seus próprios negócios, não no
tocante à especulação, mas a disposição
permanente de seus fundos, considerando a
renda provável, bem como a segurança
provável do capital a ser investido.
Este artigo tem a finalidade de analisar, os prós
e contras da gestão ativa e a passiva. Será detalhado
o processo decisório de uma instituição administradora
de recursos de terceiros, demonstrando o papel do
administrador e do gestor de fundo de ações, o que é
a gestão ativa e a passiva, e a opinião dos grandes
nomes das finanças do mundo sobre o assunto.
2
Hoje, no entanto, prevalece o conceito do Expert
Prudent, exigindo que o administrador utilize técnicas
mais refinadas de gestão. Nesse caso, as decisões
tomadas pelo administrador não devem ser analisadas
caso a caso, mas no contexto de um portfólio,
incorporando dessa forma os conhecimentos da
Moderna Teoria dos Portfólios sobre a contribuição
individual de cada ativo, para o risco e retorno da carteira.
O PAPEL DO ADMINISTRADOR E DO
GESTOR DO FUNDO DE AÇÕES
Segundo a instrução normativa da Comissão
de Valores Mobiliários (CVM) n° 306/99, onde constam
as normas para administração de carteira de títulos e
valores mobiliários, o administrador do fundo de
investimento, são pessoas físicas ou jurídicas, que tem
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como responsabilidade a contabilização das operações
dos fundos, guarda dos valores mobiliários, recolhimento
de impostos e uma série de outras obrigações impostas
pelas autoridades fiscalizadoras Banco Central – BACEN
e CVM. A atividade foi inicialmente disciplinada pela
Instrução CVM, n° 43/85, que foi depois revogada pela
Instrução CVM, n° 82/88, e esta, por sua vez, o foi pela
Instrução CVM, n° 306/99.
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INTRODUÇÃO
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Muitas das 44 instituições financeiras que se
inscreveram na pré-seleção da Secretaria de
Previdência Complementar (SPC)1 para gerir
os recursos das fundações sob intervenção foram
desclassificadas por um descuido imperdoável.
Algumas das assets enviaram para avaliação da
SPC fundos passivos com rentabilidade maior
que os dos seus fundos ativos. (REVISTA
INVESTIDOR INSTITUCIONAL:2001a).
Para acompanhar a gestão desses profissionais,
algumas instituições financeiras criaram a figura do
compliance, que é uma espécie de “auditor interno”
que cobra desses administradores e gestores o fiel
cumprimento do que está estabelecido no regulamento
do fundo. Além disso, devem ser adotados mecanismos
rígidos de controle interno e padrões éticos.
A referência citada acima, refere-se ao processo
de seleção das instituições financeiras, instituído pela
Secretaria de Previdência Complementar – SPC, do
Ministério da Previdência, autarquia responsável pela
fiscalização e normalização os fundos de previdência
privada do Brasil.
Outro mecanismo interessante, implementado
através da Resolução CVM n° 2.451/97 e Instrução
CVM n° 306/99, seguindo uma tendência
internacional, foi a adoção do Chinese Wall, em
que as instituições financeiras devem segregar a
administração de recursos de terceiros das demais
atividades da instituição, constituindo divisão com
diretoria própria ou contratando administradora
de recursos independente. Isso foi feito para evitar
o conflito de interesses entre o fundo e a instituição
financeira. Foi nessa oportunidade que as
instituições financeiras criaram suas próprias
empresas, especializadas em gestão de recursos,
mais conhecidas como Asset Management, que
ficam, na maioria das vezes, fisicamente separadas
de seus bancos de origem.
3
GESTÃO ATIVA DE FUNDOS
INVESTIMENTOS EM AÇÕES
O segundo artigo refere-se ao mercado norteamericano:
Os fundos de gestão passiva vencem os fundos
ativos pelo quinto ano consecutivo. No ano
2000, o índice Standard & Poor’s 500 - S&P
500 – fechou com valorização de 27% e o
Nasdaq Composite em quase 38%. Enquanto
isso, a média dos fundos de administração ativa
ficou em 13,29%, de acordo com a Morningstar,
empresa norte-americana especializada em
avaliação de fundos. Segundo a pesquisa os
clientes já estão começando a telefonar para as
administradoras reclamando dos resultados e
questionando por que não estão num fundo
passivo.
(REVISTA
INVESTIDOR
INSTITUCIONAL, 1999).
DE
Na gestão ativa, os administradores acreditam
que conseguirão superar os índices de mercado,
movimentando posições de sua carteira. Esses
administradores exercem essa forma de gestão, por
entenderem que possuem habilidades em executar um
“giro” mais eficiente da carteira, acertando os pontos
ótimos de compra e venda e descobrindo ações que
estejam com seus preços sub-avaliados, ou seja, abaixo
do seu preço justo de mercado.
O terceiro artigo, saiu com o seguinte título:
“Mestres dos EUA preferem fundos passivos”, diz:
Muitos dos melhores e mais brilhantes
professores de finanças dos Estados Unidos
compõem um pacato grupo com preferência
por discretos investimentos e aplicações em
fundos passivos de ações”. Segundo o artigo, a
maior parte desses professores evita uma
administração direta dos seus portfólios,
contribuindo para fortalecer a teoria dos
mercados eficientes, pela qual os preços das
ações são baseados em informações públicas
relevantes e nas expectativas dos investidores,
tornando impossível a um investidor visto de
forma isolada levar vantagem sobre o mercado
durante a longa corrida. (REVISTA
INVESTIDOR INSTITUCIONAL, 2001).
A administração ativa deve focar a análise do
valor dos ativos, na tentativa de identificar aqueles
que, na opinião do investidor, estão incorretamente
precificados pelo mercado, ou seja, apresentam
divergência em relação ao consenso.
É claro que esta não é uma tarefa fácil
especialmente quando se considera que existem
milhares de outros investidores buscando fazer
o mesmo e que os preços dos ativos negociados
refletem o consenso dessas avaliações.
(SÁ,1999:135).
Kent (2001), professor de finanças da J.L.
Kellogg Scholl, no mesmo artigo enfatiza:
Estou relutante em pagar pela administração
ativa. Minha impressão é de que, na maioria
dos casos, não vale a pena.
O autor denota que os artigos recentemente
publicados pelas revistas especializadas em finanças,
vêm corroborar com aquilo que se chama de “conflito
de estratégias”.
Whitelaw (2001), professor de finanças na
Leonard N. Stern Scholl of Business, também se
manifesta contrário à gestão ativa:
Foram publicados três artigos na revista
Investidor Institucional que abordam o tema “estratégia
ativa de fundos de investimento”. O primeiro artigo,
denominado “Descuido Imperdoável”, saiu com a
seguinte nota:
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Não há nada que se ganhe com uma
administração ativa. Pelo menos o suficiente para
compensar o dinheiro que vai ser gasto com
isso’, diz Whitelaw, explicando o porquê de seus
colegas e ele próprio manterem seus recursos
em fundos passivos.(REVISTA INVESTIDOR
INSTITUCIONAL, 2001).
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3. Modelos de análise técnica ou gráfica, que
usam informações de preço e de volume dos
ativos para detectar as tendências dos preços;
O que é melhor: ter um portfólio administrado
de forma passiva, aquela que acompanha apenas
a tendência atual do mercado, ou ativa, aquela
mais agressiva, de apostas firmes em
determinadas ações ou tendências futuras?
Sharpe respondeu o seguinte: “Na média, é
melhor ter um portfólio administrado
passivamente. A matemática pura mostra que,
se você olhar todos os portfólios ativos em
qualquer ou em um dado mercado, eles se saem
pior ao longo do tempo.
4. Modelos de informação particulares (insider
information), que tentam obter mais ou
melhores informações sobre um ativo, as quais
estão disponíveis para outros investidores.
4
Outro ponto a ser abordado na gestão ativa é a
identificação dos timings, ou seja, o ponto ótimo de
compra e venda. O que se observa hoje em dia é que
isso se tornou uma tarefa bastante difícil para os
gestores de fundos de ações, dada a quantidade de
variáveis que foram impostas pelo processo de
globalização e aumentaram sobremaneira o risco
sistemático, ou não-diversificável – exemplos: crise na
Rússia, Argentina, Ásia, economia americana etc.
O PROCESSO DECISÓRIO NA GESTÃO
DOS FUNDOS DE INVESTIMENTOS EM
AÇÕES
A alocação de ativos recomendada para um
determinado portfólio é função dos objetivos do cliente e
de seu perfil de risco. Uma boa escolha dos ativos que
irão compor o portfólio dos fundos é fundamental. O
risco sistemático, demonstrado pela volatilidade
econômica, e política nacional e internacional, interferem
no lado fundamentalista das empresas e prejudicam,
sobremaneira, a rentabilidade dos fundos de ações.
Essa busca incessante pela maximização da
rentabilidade dos fundos requer uma estrutura pessoal
e tecnológica que incorre em grandes custos para as
instituições que os administram através da gestão ativa.
A política de gestão de recursos das instituições
financeiras, especializadas em administrar recursos de
terceiros, é formulada pelos seus comitês de investimentos,
estes normalmente são integrados pelas diretorias
executivas e pelos responsáveis das áreas de análise
econômica, análise de renda variável e análise de crédito.
Elas são custosas, em termos de tempo e de
recursos necessários para encontrar os valores
mobiliários mal avaliados e de custos de
transação, que podem variar ao longo das
estratégias.(DAMODARAN, 1998:209).
Esses comitês têm como responsabilidade a
formulação das estratégias a serem adotadas nos seus
fundos de investimento, de acordo com o objetivo dos
seus clientes em relação ao benchmark estabelecido,
retorno esperado e o grau de tolerância ao risco. O
autor afirma que geralmente nesses comitês de
investimentos são discutidas as seguintes questões:
No entanto, os investidores estão prontos para
aceitar esse alto custo, desde que eles sejam
superados pelos benefícios que oferecem, por exemplo,
superar o Ibovespa.
As estratégias de seleção ativa dos fundos podem
ser classificadas, de forma satisfatoriamente ampla, em
quatro grupos, conceituam (DAMODARAM;
BERNSTEIN:178):
1. Determinação e atualização da política de
investimentos em linhas gerais, em função da
sua análise dos acontecimentos políticos,
econômicos e financeiros;
2. Determinação da implementação da estratégia
de investimentos;
3. Controle da aderência ao benchmark,
estabelecido pelo cliente através de relatórios
produzidos pelos administradores de carteira;
4. Aprovação de propostas de investimentos, as
quais fogem aos padrões usuais de gestão (por
exemplo: diversificação, liquidez etc.);
5. Decisão sobre a submissão aos clientes de
propostas alheias ao mandato, em função de
oportunidades momentâneas de mercado;
6. Análise das performances das carteiras dos
fundos de investimento com os seus respectivos
administradores responsáveis;
1. Modelos de avaliação intrínseca, que usam
informação financeira para encontrar se o ativo
está sub ou superavaliado. Nesse modelo, o
valor de qualquer ativo é visto como uma
função do fluxo de caixa gerado pelo ativo, a
vida do ativo, o crescimento esperado nos fluxos
de caixa e o risco associado aos fluxos de caixa.
Ou seja, o valor de um ativo pode ser visto
como o valor presente dos fluxos de caixa
esperados sobre aquele ativo;
2. Modelos de avaliação relativa, que tentam
encontrar ativos que estão sub-avaliados em
relação aos outros comparáveis. Na avaliação
relativa, o núcleo da questão está em encontrar
os ativos mais baratos ou caros em relação a
como os ativos similares estão sendo
precificados pelo mercado no momento. É,
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portanto, inteiramente possível que um ativo
caro com base na avaliação intrínseca, seja
barato sob uma base relativa;
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William Sharpe, um dos maiores estudiosos do
mercado de capitais, em uma entrevista concedida à
Revista Bovespa (1977), foi perguntado:
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em relação ao binômio risco e retorno. A segunda fase,
a de customisação, consiste em adequar essa carteira
aos diversos fundos de investimento, com perfis
diferenciados (conservadores, moderados ou agressivos).
7. Definição de limites para arbitragens de curto
prazo (day trade)1 para a mesa de operações.”
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Na maioria das empresas de Asset Management,
a formulação das estratégias, realizadas em seus
comitês, dá ênfase à abordagem “Top-Down” – que
abrange uma análise macroeconômica, a definição
do asset alocation – composição da macrocarteira uma análise setorial e, por último, a análise da empresa.
A análise macroeconômica é o início desse
processo, pois é a partir dela que se “desenha” o
possível cenário para a economia, em um prazo
estabelecido pelo comitê, que geralmente é de um ano.
O resultado desse trabalho deve projetar as principais
variáveis que influenciam na conjuntura econômica
do país e, em particular, no dia-a-dia das empresas,
como taxa de juros, câmbio, inflação, evolução do
PIB2, as necessidades de financiamento do governo, o
balanço de pagamentos de um modo geral, onde é
analisado principalmente o saldo da balança comercial
- exportações e importações -, o déficit em transações
correntes e o nível das reservas internacionais.
Tendo essas variáveis projetadas, parte-se para
a segunda fase, que é a definição do Asset Alocation,
ou seja, em que ativos aplicar. No caso dos fundos de
investimento, a decisão fica em que percentual serão
distribuídos entre as classes de ativos de renda variável
e renda fixa.
O autor afirma que a alocação de ativos
geralmente passa por quatro etapas:
1. Definição da classe de ativos (ações de grandes
empresas, ações de pequenas empresas, papéis
de renda fixa, privados e públicos, de curto prazo
e longo prazo, ativos imobiliários etc);
2. Estimativa de retorno de cada classe de ativo;
3. Estimativa de volatilidade das diferentes classes
de ativos;
4. Definição dos objetivos de retorno para cada
nível de risco do cliente.
Decidido o percentual a ser aplicado em cada
classe de ativo, no caso dos fundos de ações, decide-se
em que setor da economia serão aplicados esses recursos.
Alguns setores tendem em determinado momento a liderar
a composição do índice Ibovespa, como é o caso
atualmente das empresas de Telecomunicações que detêm
forte participação nesse índice.
Após escolhidos os setores, inicia-se a fase de
construção do portfólio. Essa fase consiste em três partes:
a otimização, customisação e implementação das ordens
de compra e venda dos papéis. Na otimização, fica a
responsabilidade do administrador em selecionar a
carteira ótima que atenda às expectativas do investidor
1
Após a construção do portfólio, inicia-se a fase
de controle e monitoramento do mesmo, onde são
criados os relatórios de acompanhamento de risco e
revista a composição da carteira. Essa fase é de suma
importância, pois nela se observa se as ações da
carteira do fundo realmente se enquadram ao perfil
de risco estabelecido pelo comitê de investimento. Se,
por acaso, alguma ação não venha atendendo ao perfil
de risco e retorno estabelecido, é realizada a revisão
do portfólio, onde estas ações podem ser vendidas
dando oportunidade para compra de novas ações.
Finalmente, a análise de performance, que visa
a comparar se a rentabilidade da carteira está adequada
ao benchmark estabelecido pelo investidor do fundo de
investimento. Essa rentabilidade é quantificada através
do método de quotas e, em alguns poucos casos, por
exigência do cliente, é realizado o cálculo pelo método
da Taxa Interna de Retorno – TIR.
5
BENCHMARK
DE
FUNDOS
INVESTIMENTO EM AÇÕES
DE
A escolha de um benchmark adequado é
fundamental para quem deseja aplicar em um fundo de
ações. É ele que determinará toda a estratégia do gestor
do fundo, inclusive qual o risco que ele poderá incorrer.
Tanto em carteiras individuais como coletivas, é
importante determinar, de início, o benchmark
em relação ao qual o desempenho da carteira
será avaliado de forma objetiva, obrigando o
administrador e administrado a uma certa
disciplina na hora de investir e na hora de julgar
o desempenho...” “O benchmark tem um papel
adicional muito importante, o de “lastrear” e
dar consistência às decisões em momentos de
grande incerteza, diminuindo dessa forma o risco
de decisões equivocadas. (PRADO;1998:51).
Day trade são operações de compra e venda, realizadas no
mesmo dia, em bolsas de valores, de mercadorias ou futuros,
com o intuito de obter ganhos de capital de curtíssimo prazo.
O lucro se dá pela diferença entre a compra e a venda ou
vice-versa.
PIB é a denominação para Produto Interno Bruto, que
representa a produção de bens e serviços de um país.
2
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A fase de implementação trata da parte
operacional da estratégia, em que os operadores executam
as ordens determinadas pelos gestores dos fundos de
investimento. Nessas ordens são estabelecidos as ações
ou títulos que devem ser negociados e seus respectivos
níveis de preços para a entrada e saída das posições.
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Figura 1 – Política de Gestão de Recursos
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OBJETIVOS DO CLIENTE
– Benchmark
– Retorno esperado e
tolerância ao risco
FORMULAÇÃO DA
POLÍTICA
DE MEDICAMENTOS
ANÁLISE DA
PERFORMANCE
– Monitoramento das Posições
– Comitê de Investimentos
POLÍTICA DE GESTÃO
DE RECURSOS
CONTROLE E
MONITORAMENTO
FORMULAÇÃO DAS
ESTRATÉGIAS
– Quantitativo
– Macroeconômico e
– Microeconômico
(análise top-down)
– Relatório de Risco
– Revisão do Portfólio
CONSTRUÇÃO DO
PORTFÓLIO
– Otimização
– Customisação
– Implementação
Fonte: Baseado em Bernstein e Damodaran (2000:12)
O mercado define como sendo um bom
índice, aquele que atende às seguintes especificidades
(PICTET MODAL ASSET MANAGEMENT:2000):
O segundo índice é o Índice Brasil – IBX, que
também é calculado pela Bolsa de Valores de São
Paulo - BOVESPA, sendo elaborado em 28/12/1995 e
tendo sua divulgação a partir de 02/01/1997. Esse
índice é composto por 100 ações mais negociadas na
BOVESPA, e o critério de seleção baseia-se no índice
de negociabilidade semelhante ao do Ibovespa. A ação
para pertencer a esse índice tem de ter sido negociada
em pelo menos 70% dos pregões ocorridos nos doze
meses anteriores à formação da carteira. Sua carteira
teórica tem vigência de quatro meses, quando então
será reavaliada.
1. Ser teoricamente bem-definido e representativo
do mercado;
2. Ser definido a priori, isto é, os participantes do
mercado sabem qual a composição do índice antes
do início do período para medir a performance;
3. Ser representativo das transações do mercado:
as ações que integram o índice podem ser
compradas no mercado;
4. Ser amplamente divulgado e utilizado e,
O terceiro índice é o Índice Brasileiro de Ações
– IBA, que é publicado pela Comissão Nacional de
Bolsas de Valores – CNBV. Esse índice é calculado
desde 1986, sendo o único índice brasileiro cuja
ponderação é feita pelo valor de mercado das
empresas, e, portanto, melhor definido do ponto de
vista teórico. Apesar disso, o IBA apresenta alguns
problemas. Para as empresas que possuem dois tipos
de ações negociadas, por exemplo, ON e PN, apenas
o papel mais líquido é incluído no índice.
5. Ser um índice cuja performance é difícil de ser
batida (por exemplo, não colocar um índice de
renda fixa, como o CDI, para benchmark de um
fundo de ações). Os três índices de ações mais
utilizados no Brasil são o Índice da Bolsa de
Valores de São Paulo - Ibovespa, o Índice Brasil
– IBX e o Índice Brasileiro de Ações – IBA.
A maior ênfase recai sobre o Ibovespa, principal
índice do mercado acionário brasileiro, e benchmark,
utilizado pelos fundos analisados neste trabalho. O
Ibovespa é o mais importante indicador do desempenho
médio das cotações do mercado de ações brasileiro.
Retrata o comportamento dos principais papéis
negociados na BOVESPA, que passou a ser a única
Bolsa brasileira a negociar ações.
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São incluídas na amostra ações que tenham
participado de pelo menos 80% dos pregões nos últimos
6 meses e que tenham tido, no mínimo, uma média
de 10 negócios por pregão.
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Essa teoria tem levado a uma concentração de
recursos aplicados em bolsa, em um pequeno número
de empresas, o que pode estar causando enormes
sobrevalorizações dessas ações. Isso é fruto exatamente
da procura exacerbada de um benchmark para
acompanhar a rentabilidade dos fundos de investimento.
Ou seja, como todos querem acompanhar um
determinado índice de bolsa, todos compram os mesmos
papéis. Na realidade, isso pode ser explicado também
pela procura de liquidez pelos investidores. Comprando
os papéis do índice, estão comprando papéis que têm
seu capital social “pulverizado”. Para os investidores
globais que possuem um perfil claramente especulativo
e que investem em ações de países considerados
emergentes, é necessário que o investimento apresente
uma “porta” de saída, o que só se torna possível através
de ofertas de empresas listadas em bolsa que possuam
excelente liquidez.
GESTÃO PASSIVA DE FUNDOS DE
INVESTIMENTO EM AÇÕES
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Bodie et al (2000:253), conceitua a gestão
passiva da seguinte forma:
Uma estratégia passiva busca apenas estabelecer
uma carteira bem diversificada de títulos, sem
tentar achar ações sobre ou subvalorizadas. A
gestão passiva é, normalmente, caracterizada por
uma estratégia de comprar e manter.
Os administradores que atuam de forma passiva,
acreditam que, na média, os esforços e custos associados
– custo de pessoal e tecnológico, comissões de corretagem,
taxa de administração e de performance, dentre outros –
não justificam eventuais pequenos ganhos de performance
obtidos pelos administradores ativos.
Conseqüentemente, é melhor construir uma
carteira assemelhada a um índice de mercado e não
correr riscos do que movimentar as ações, na tentativa
de propiciar maiores ganhos ou gerar maior valor
agregado, que nem sempre são verificados.
A limitação básica dos fundos de gestão passiva
é que eles não podem fornecer mais do que foi
“pactuado”, ou seja, superar o índice de mercado
escolhido como benchmark. Na medida em que um
investidor quer ganhar do mercado, isso pode não ser
uma boa alternativa. Pode-se também argumentar que
a tendência de fundos passivos em reproduzir índices bemconhecidos (tais como o Ibovespa) pode resultar em uma
superavaliação das ações nestes índices, especialmente
quando os fundos indexados tornam-se mais populares.
Enfim, o administrador de gestão passiva procura
replicar sua carteira a um determinado benchmark, com
o objetivo de acompanhar a rentabilidade desse índice.
A carteira desses fundos, portanto, é semelhante à
composição do índice escolhido.
A mecânica dos fundos que pretendem
acompanhar determinado índice de mercado é bastante
simples. O primeiro passo é identificar o índice que o
fundo planeja reproduzir. Em geral, são escolhidos pelos
investidores, dois dos principais índices do mercado
acionário brasileiro: o Ibovespa e o IBX. É importante
salientar que o retorno desses índices no longo prazo é
bastante correlacionado. O segundo passo é criar uma
carteira de ações com os mesmos pesos da carteira do
índice, e ficar atento em relação à mudança da
composição dessas carteiras. O Ibovespa, por exemplo,
revisa sua carteira quadrimestralmente. Nessas
mudanças, pode ocorrer a entrada de novas ações, bem
como a saída de algumas que perderam liquidez.
CONCLUSÃO
A moderna teoria de portfólio deu sua
contribuição para a gestão passiva e alterou
fundamentalmente os enfoques individuais e
institucionais em direção ao investimento. Conforme
enfatiza Rossman (2001: 278),
As responsabilidades do gestor e do
administrador e o processo decisório dos fundos de
investimento, por exemplo, nem sempre são informados
aos investidores. É necessário que o investidor conheça
qual o estilo de gestão, se o fundo possui uma estratégia
ativa ou passiva, pois isso permitirá um melhor
acompanhamento de seu investimento e maiores
questionamentos em relação a rentabilidade e risco
incorridos sobre seu investimento.
A indústria de fundos de investimento, devido à
sua relevância no mercado financeiro, tem sido motivo
de constante observação pelos investidores brasileiros.
Apesar de sua pujança, em termos de volume
administrado, os fundos ainda possuem um histórico
relativamente pequeno, quando comparados aos
investimentos mais tradicionais, como o certificado de
depósito bancário e a caderneta de poupança. Este
artigo teve o propósito de dirimir algumas dúvidas
existentes sobre essa modalidade de aplicação
financeira, fornecendo aos investidores subsídios para
sua tomada de decisão.
a teoria conclui que um portfólio bem
diversificado é ótimo e mais bem adquirido
através da manutenção de posições no mercado.
Nesse caso, o “mercado” é considerado como o
portfólio de ações listadas nas principais bolsas de
valores, que nada mais é do que um índice de mercado,
como o Ibovespa.
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valores mobiliários mal-avaliados. Cabe no entanto,
uma melhor apreciação desses estudos. Alguns
cuidados devem ser tomados, principalmente no
tocante aos custos de agência, quando os
administradores ativos, na ânsia de obterem melhores
resultados no curto prazo, incorrem em riscos que
poderão ocasionar prejuízos no longo prazo.
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Em relação aos prós e contras da gestão ativa
e a passiva, identificou-se que o mundo acadêmico,
ainda não consegue ter uma opinião definitiva sobre o
assunto. Dessa forma, tudo indica que esse
questionamento será ainda motivo de várias pesquisas.
Estudos empíricos do mercado financeiro, tem revelado
ineficiências que podem ser exploradas para selecionar
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Aceitamos permuta.
Entre em contato!
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Revista 2003 - Faculdade Farias Brito