Avaliação da Prática de Ensino de “Criação e Gerenciamento de Empresa
Fictícia” da Disciplina de Iniciação Empresarial e as Suas Implicações na
Formação do Perfil Empreendedor dos Discentes do Curso de
Administração da UERN em Mossoró/RN
José Marcione da Costa (Autor)1
José Orlando Cosa Nunes (Co-autor)2
Andrea Kaliany da Costa Lima (Co-autora)3
Resumo
A educação empreendedora tem sido nos últimos anos, um objeto de pesquisa e de estudo que
vem crescendo gradativamente. E as instituições de ensino superior (IES) possuem a
capacidade de fornecer conhecimentos que servem para o desenvolvimento do potencial
empreendedor de seus discentes através do ensino do empreendedorismo. Assim, esta
pesquisa teve como objetivo geral fazer uma análise das implicações da metodologia de
ensino utilizada na disciplina de Iniciação Empresarial no curso de Administração da
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - UERN na formação do caráter
empreendedor dos discentes. A população da pesquisa foi composta por 38 alunos do curso de
Administração que participaram da metodologia em análise e a amostra foi constituída por 31
desses alunos. Quanto aos procedimentos metodológicos o estudo pode ser considerado uma
pesquisa do tipo exploratória e descritiva, quantitativa quanto ao processo, indutiva quanto a
sua lógica e básica com relação aos resultados. Os resultados apontam que um dos principais
fatores de relevância da metodologia é o fato de aliar a teoria à prática e dentre os fatores
negativos identificados no estudo foi constatado que a busca excessiva por empregos no setor
público por parte dos discentes tem sido um obstáculo ao desenvolvimento da mentalidade
empreendedora entre os alunos.
Palavras-Chaves: Empreendedorismo. Ensino de Empreendedorismo. Gestão de Cursos de
Administração.
1
Graduando em Administração de Empresas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - UERN, Rua
Dr. João Marcelino, 4000, Mossoró-RN, 084-99901845, [email protected].
2
Professor Me. na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN, Campus Universitário Central, BR
110, KM 48, Rua Prof. Antônio Campos, Costa e Silva 59610-090 - Mossoró-RN, 084-33152201,
[email protected].
3
Professora Me. na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN, Campus Universitário Central,
BR 110, KM 48, Rua Prof. Antônio Campos, Costa e Silva 59610-090 - Mossoró-RN, 084-33152201,
[email protected].
1
Evaluation of Teaching Practice of "Creation and Management Company
Dummy" of Discipline of Business Initiation and Its Implications for
Training Entrepreneur Profile of Students from the Administration Course
of UERN Mossoró/RN
José Marcione da Costa (Author)4
José Orlando Cosa Nunes (Co-author)5
Andrea Kaliany da Costa Lima (Co-author)6
Abstract
The entrepreneurial education has been in recent years a subject of research and study that has
been growing gradually. And the higher education institutions (HEIs) have the ability to
provide knowledge that serve to develop the entrepreneurial potential of their students
through teaching entrepreneurship. Thus, this research aimed to make an analysis of the
implications of the teaching methodology used in the discipline of Initiation course in
Business Administration from the University of Rio Grande do Norte - UERN in the
formation of entrepreneurial character of students. The research population consisted of 38
students of Directors who participated in the methodology and the analysis sample consisted
of 31 of these students. Regarding the methodological procedures the study can be considered
a search exploratory and descriptive, quantitative about the process, as its inductive logic and
basic with respect to the results. The results indicate that one of the main factors of relevance
of the methodology is that of combining theory with practice, and among the negative factors
identified in the study, it was found that the excessive search for jobs in the public sector by
students has been an obstacle the development of the entrepreneurial mindset among students.
Key Words: Entrepreneurship. Teaching Entrepreneurship. Management Courses of
Administration.
4
Majoring in Business Administration from the State University of Rio Grande do Norte - UERN, Rua Dr. João
Marcelino, 4000, Mossoró-RN, 084-99901845, [email protected].
5
Me professor at the State University of Rio Grande do Norte - UERN, Central College Campus, BR 110, KM
48, Rua Prof. Antonio Campos, Costa e Silva 59610-090 – Mossoró-RN, 084-33152201,
[email protected].
6
Me professor at the State University of Rio Grande do Norte - UERN, Central College Campus, BR 110, KM
48, Rua Prof. Antonio Campos, Costa e Silva 59610-090 – Mossoró-RN, 084-33152201,
[email protected].
2
1. Introdução
A história do ensino da Administração no Brasil quando for confrontada com a de
outros países como, por exemplo, os Estados Unidos, será visto que existe uma grande
diferença entre estes (ANDRADE e AMOBONI, 2004, p. 1). Porém, em ambos os casos, vêse que as mudanças ocorridas no ambiente externo bem como a velocidade com que os
paradigmas administrativos vêm sofrendo alterações têm influenciado de sobremaneira os
projetos pedagógicos e consequentemente as metodologias de ensino utilizadas em sala de
aula.
Como consequência dessas mudanças e também da importância que os
empreendedores passaram a ter no contexto econômico mundial emergiu entre o cenário
cientifico uma nova área de interesse entre os pesquisadores, a educação empreendedora.
Atualmente a educação empreendedora, ou seja, aquela que visa proporcionar ao
indivíduo uma mentalidade criativa e inovadora dentro do mercado de trabalho e também
dotá-los de conhecimentos que possam proporcionar-lhes a capacidade de abrir um próprio
negócio durante ou após o termino do curso superior, tem sido um objeto de estudo com
gradativo crescimento na área administrativa.
Segundo Hisrich e Peters (2004, p.36): “Primeiramente, havia poucas pesquisas sobre
esse aspecto do empreendedorismo, mas, desde 1985, o interesse nas carreiras e na educação
empreendedora vem crescendo.”
Diante desse contexto, percebe-se a importância das Instituições de Ensino Superior
(IES) na formação do caráter empreendedor dos indivíduos, visto que não basta tão somente
apenas lançar bacharéis com certificados de ensino superior ao mercado que, possivelmente,
tenham condições de gerir grandes organizações, mas também, pessoas dotadas de
conhecimentos que lhe possibilitem abrir um negócio futuramente, tendo em vista a
importância dos empreendedores no crescimento econômico e social de uma nação.
Outra preocupação em relação à metodologia de ensino aplicada nas IES no que
concerne ao desenvolvimento da formação empreendedora, se deve ao fato de não se ter
certeza se os métodos de ensino utilizados proporcionam as habilidades necessárias para o
indivíduo criar o seu próprio negócio e para desenvolver a capacidade de geri-lo (HISRICH e
PETERS, 2004, p. 36).
Para Andrade e Amboni (2004, p. 141), essa preocupação em relação aos
procedimentos de ensino/aprendizagem deve ser priorizada, principalmente na formulação do
projeto pedagógico do curso priorizando metodologias de uma forma que os docentes venham
trabalhar com procedimentos que possam proporcionar aos alunos a capacidade de
desenvolver as competências, habilidades e atitudes necessárias para o seu desenvolvimento
profissional.
Quanto à disciplina de Iniciação Empresarial, as habilidades, competências e atitudes
necessárias que esta deve proporcionar aos discentes tendem a priorizar o fato de que o
discente deve: ser visionário para identificar oportunidades de abrir novos negócios, ser
indivíduos capazes de fazer a diferença e saber explorar de maneira eficiente tudo o que
colocam no mercado. Sabe-se que também existem outras aptidões que caracterizam o perfil
da maioria dos empreendedores existentes, e que também devem ser trabalhadas, embora
algumas ainda não estão consolidadas no campo teórico de estudo.
Dessa forma, foi proposto neste trabalho, analisar o nível de influencia da prática
didático-pedagógica aplicada na disciplina “Iniciação Empresarial” e os seus efeitos na
formação empreendedora dos discentes. A pesquisa buscou verificar especificamente, o perfil
empreendedor dos discentes participantes da pesquisa, identificar se houve evolução da
capacidade empreendedora entre os alunos, conhecer o grau de satisfação com a metodologia
3
utilizada na disciplina e avaliar o nível de interesse dos discentes em abrir novos negócios
após a participação na prática didático-pedagógica da disciplina em foco no estudo.
Assim, tendo em vista o tema relacionado às práticas didático-pedagógicas utilizadas
no ensino de empreendedorismo, o presente estudo procura responder se: a prática didáticopedagógica aplicada na disciplina de “Iniciação Empresarial” do curso de
Administração da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - UERN cumpre
com o objetivo de desenvolver a formação empreendedora entre os discentes?
Acredita-se que a pesquisa seja de grande relevância, a partir do momento em que
possibilita aos docentes o acesso às informações sobre o posicionamento dos discentes no que
diz respeito à eficácia da prática didático-pedagógica aplicada na disciplina Iniciação
Empresarial.
Além disso, espera-se que os resultados obtidos nesta pesquisa possam servir como
um apoio para os docentes ministrantes de tal disciplina, para que estes possam aproveitar de
uma maneira mais eficaz as práticas didático-pedagógicas utilizadas em sala de aula.
Portanto, este trabalho defende o argumento de que o uso da metodologia de ensino
que vem sendo aplicada na disciplina de “Iniciação Empresarial” na UERN surta efeitos
positivos na formação empreendedora dos discentes, visto que é um método que visa aliar a
teoria à prática fornecendo, assim, uma visão mais ampla, tanto no aspecto teórico como no
campo prático de trabalho, especificamente no processo de empreender dos discentes
participantes desse estudo.
2. Referencial teórico
2.1 Empreendedor e Empreendedorismo: história, conceitos e características
Traçando o contexto histórico do surgimento do empreendedorismo, Dornelas (2001)
diz que o termo originou-se na França como entrepreneur o que para ele significava o modo
como as pessoas tinham uma disposição para arriscar e começar algo inovador. Na idade
média, a característica de assumir riscos foi esquecida e o termo agora era atribuído àqueles
que eram os administradores e gestores de grandes projetos de produção, como por exemplo,
a construção das igrejas. Ainda nesse sentido, no século XVII o termo passou a ter mais
evidencia no contexto social, tendo as suas características diferenciadas dos capitalistas.
Porém, apenas no século XVIII o empreendedor passou a ser exclusivamente aquele
que assumia riscos, enquanto que os capitalistas eram os fornecedores do capital. Já entre os
séculos XIX e XX os empreendedores eram frequentemente confundidos com os gestores.
Fazendo-se uma análise histórica do emergir do empreendedorismo até os dias atuais
pode-se perceber que os empreendedores tiveram suas atribuições enormemente
transformadas devido às mudanças pelas quais a sociedade passou com o decorrer dos anos.
Principalmente por isso, tornou-se necessário também que as conceituações dos termos
“empreendedor” e “empreendedorismo” fossem alteradas.
Desta forma, o conceito de empreendedorismo nos dias de hoje, mesmo com todas as
pesquisas realizados na área, ainda falta um consenso. Pessoas que detém certo conhecimento
sobre esse tema costumam defini-lo a sua maneira, como acharem mais adequados. Baron e
Shane (2010, p. 06) afirmam que: “Não é de surpreender, então, que não exista atualmente um
consenso sobre a definição de empreendedorismo como uma área de estudo dos negócios ou
uma atividade em que as pessoas se envolvem.” Assim, vê-se que o termo empreendedorismo
vem se desenvolvendo de acordo com as transformações ocorridas no ambiente social e no
mundo como um todo, sendo que o mesmo ainda continua sendo um termo extremamente
mutante.
4
Ainda em relação aos conceitos, são muitas as definições utilizadas para o termo
empreendedor, porém, uma conceituação amplamente aceita na literatura acadêmica é a de
Schumpeter (1949 apud DORNELAS, 2001, p. 37) o autor diz que: “O empreendedor é
aquele que destrói a ordem econômica existente pela introdução de novos produtos e serviços,
pela criação de novas formas ou pela exploração de novos recursos e materiais.”
Já Degen (1989) afirma que a inovação esta intrinsecamente ligada ao indivíduo que é
empreendedor, além disso, diz que o empreendedor tem de assumir riscos, tem que ter sempre
a necessidade de se aventurar em coisas novas, e ainda, que ele deve ter a disposição para sair
do campo da teoria e colocar em prática as ideias criadas.
Desta forma, entende-se que o empreendedor é alguém capaz de alterar a realidade
existente em seu espaço de abrangência, por meio da introdução de novas ideias que são, na
maioria das vezes, capazes de melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Já quanto ao termo empreendedorismo, Ronstadt (1984 apud HISRICH e PETERS
2004, p. 28) afirma que “é o processo dinâmico de criar mais riqueza.” A riqueza é criada por
indivíduos que assumem os principais riscos em termos de patrimônio, tempo e/ou
comprometimento com a carreira ou com o que proveem valor para algum produto ou serviço.
Tomando como base o pensando do autor, percebe-se que o empreendedorismo está
mais relacionado à geração de renda por meio do uso das habilidades dos indivíduos
empreendedores em algum negócio prático.
Desse modo, ainda faz-se necessário mostrar as principais características dos
empreendedores de sucesso que, de acordo com Dornelas (2001) são visionários, sabem tomar
decisões, são indivíduos que fazem a diferença, sabem explorar ao máximo as oportunidades
que aparecem, são determinados e dinâmicos, são dedicados, são otimistas e apaixonados pelo
o que fazem, são líderes e formadores de equipes, são organizados, planejam, possuem
conhecimento, assumem riscos e ainda criam valor para a sociedade.
Assim, pode-se compreender que são essas as características que fazem dos indivíduos
pessoas capazes de empreender, colocando em prática o seu próprio negócio no mercado e
fazendo a diferença no contexto social dos quais fazem parte.
2.2 O Ensino do Empreendedorismo nas IES com Foco na Mentalidade Empreendedora
e na Visão Intra-Empreendedora
Atualmente o empreendedorismo, por está em foco na sociedade, vem sendo bastante
trabalhado pelas organizações, sendo os cursos de graduações de diversos tipos, aqueles que
têm possuído maior relevância para focar nos seus trabalhos, o desenvolvimento de uma
mentalidade empreendedora para os discentes que de alguma forma, tem a ideia de criar um
negócio na sua área de estudo e consequentemente desenvolver a economia e a sociedade.
Segundo Hisrish e Peters (2004, p. 38):
A educação na área de empreendedorismo cresce rapidamente em faculdades
e universidades nos Estados Unidos e na Europa. Muitas universidades
oferecem pelo menos um curso de empreendedorismo em nível de graduação
ou pós-graduação, e algumas têm uma pequena ou grande concentração na
área.
Esses cursos precisam focar no ensino o desenvolvimento desta mentalidade, seja ela
tanto para a criação do negócio como também para trabalhar as mesmas ideias do
empreendedorismo dentro de uma empresa. Essa segunda forma de se trabalhar chama-se
intra-empreendedorismo.
5
Timmons (1994 apud DOLABELA 2008, p. 67) enfatiza que o: “Empreendedorismo é
criar e construir algo de valor a partir de praticamente nada. É o processo de criar e aproveitar
uma oportunidade e persegui-la a despeito dos recursos controlados.”
Já em relação ao intra-empreendedorismo, Hisrish e Peters (2004, p. 60) colocam que
ele “refere-se à criação de um novo negócio dentro de uma organização já existente. (...)
Inclui desenvolvimento de novos produtos, aperfeiçoamento de produtos e novos métodos e
procedimentos de produção.”
Assim, dessa forma, pode-se perceber que o acadêmico de administração ou de outras
áreas afins não tem como ficar a margem da busca desse conhecimento, pois em toda decisão
profissional de sua parte, seja para empreender ou para gerenciar uma empresa, ele vai
necessitar desse conhecimento para poder aplicar no trabalho com sucesso.
Ambas as visões necessitam serem trabalhadas pelos professores e isso de forma
interdisciplinar. A capacidade de correr risco com naturalidade, de inovar, capacidade
administrativa entre outras devem ser trabalhadas de forma natural, para que a mentalidade
empreendedora e intra-empreendedora seja desenvolvida a contento.
As capacidades específicas do empreendedorismo necessitam serem mais bem
conhecidas para poderem ser melhores trabalhadas. Dolabela (2008) cita algumas dessas
capacidades, são elas: perseverança, iniciativa, criatividade, protagonismo, energia,
capacidade de diferenciar-se, comprometimento, liderança, orientação para o futuro,
inovação, entre outras.
Para que esse trabalho tenha um alcance de sucesso, necessário se faz trabalhar o uso
de metodologias com objetivo principal de desenvolver a mentalidade empreendedora e intraempreendedora nos discentes. Algumas metodologias já foram validadas em congressos da
área de empreendedorismo como o congresso da Associação Nacional de Entidades
Promotoras de Empreendimentos Inovadores (ANPROTEC), ou na área de gestão de cursos
de administração como o congresso da Associação Nacional dos Cursos de Graduação em
Administração (ANGRAD). Outras já estão sendo trabalhadas nos demais cursos de
graduação em administração, consolidadas como metodologias de ensino eficazes para esse
fim.
É com fins de validação que a metodologia “Criação de Empresa Fictícia” está sendo
pesquisada, pois, acredita-se na sua capacidade de desenvolver as visões aqui apresentadas e
discutidas.
2.3 Gestão de Cursos de Administração e o Desenvolvimento da Mentalidade
Empreendedora
Os cursos de administração precisam de uma boa gestão de modo a priorizar a questão
da eficácia do ensino-aprendizagem. Na verdade este não é um trabalho de fácil realização,
pois como se sabe, o coordenador do curso deve priorizar melhorias de trabalhos nos seus
mais diversos aspectos. Segundo Andrade e Amboni (2004, p.92) “o gestor do curso deverá
estar disposto a identificar alternativas de ensino e criar atrativos para o curso.”
Para que um curso tenha qualidade é necessário que o mesmo atinja nota satisfatória
em três itens que são avaliados separadamente, mas que em conjunto dão a dimensão única da
avaliação ensino-aprendizagem resultante daquilo que se pretendia que é o sucesso do
discente no mercado de trabalho, seja como empregado, seja como empreendedor.
As três dimensões básicas que dão procedimentos para o sucesso de um curso, são: o
quadro de docentes, a infraestrutura e a organização-didática pedagógica (ANDRADE e
AMBONI, 2004, p. 97). No item quadro de docentes, é priorizada a titulação e se esta está na
área do curso, o tempo dedicado ao trabalho, a experiência no magistério e fora dele, as
6
publicações acadêmicas, participações em comissões e conselhos de cursos, participações em
pesquisas e em projeto de extensão entre outros itens diversos de importância significativa.
Já no item infraestrutura, este para conseguir uma boa avaliação, comporta excelente
biblioteca com capacidade para diversos tipos de trabalhos, sala de multimídias, refrigeração e
equipamentos de apoio nas salas de aulas, laboratórios de informática e laboratórios
específicos do curso de administração, como por exemplo, uma incubadora de empresa.
Outros itens de infraestrutura comportam ainda diversos tipos de salas, como sala de
professores, sala de estudo, sala de coordenação com privacidade, entre outros tipos de salas e
outros tipos de itens que abrangem uma lista de infraestrutura para avaliação.
A organização pedagógica é de grande importância para a qualidade do curso, nela são
avaliados os projetos que podem ser de diversos tipos, como por exemplo: projetos de eventos
acadêmicos como semana do administrador, projetos de pesquisa, projetos de
responsabilidade social, projetos de extensão, monitoria, iniciação científica, entre outros
tipos diversos.
O trabalho criativo do coordenador nestes projetos é fundamental para movimentar a
dinâmica diferenciada de um curso, gerando, portanto, uma maior qualidade na questão do
ensino-aprendizagem, e assim, tendo maior reconhecimento pelos órgãos responsáveis de
avaliação de cursos como o Ministério de Educação e Cultura (MEC) e a sociedade.
Na verdade todos os três itens são importantes para serem trabalhados na gestão dos
cursos universitários, no entanto a organização didática pedagógica tem um peso significativo
na avaliação, pois ela é representada pelos vários projetos inovadores e criativos que a própria
gestão pode trabalhar (BORBA, 2003). Desse modo, pode-se até ter um quadro de professores
doutores e uma infraestrutura de nível excelente, mas se os professores e a coordenação não
tiverem interesse em trabalhar com esses projetos, o curso pode sofrer depreciações, pois são
os projetos que de forma direta elevam e causam impacto na questão do ensino-aprendizagem
do discente.
Outra questão pertinente trabalhada pela gestão de cursos de graduação em
administração pelos coordenadores é a orientação estratégica do curso, que deve ser definida
estabelecendo a prioridade de uma orientação para a questão do empreendedorismo, pois esta
orientação deve ser representada na missão, na visão, nas políticas, nas metas, nas estratégias,
na cultura e no clima de trabalho vigente no curso de administração conforme orientação dada
por (DAFT, 2008) para todo tipo de organização. A orientação para o desenvolvimento da
mentalidade empreendedora inclusa na orientação estratégica da gestão do curso viabilizará
uma série de atividades que desenvolverá nos discentes participantes do curso a mentalidade
empreendedora, sendo a metodologia “criação de empresa fictícia” apenas uma delas.
Assim, pode-se perceber que a implantação dessas atividades nos cursos de graduação
em administração pelos gestores (Coordenadores) é fundamental para desenvolver a
mentalidade empreendedora atualmente tão discutida e trabalhada.
2.4 A Metodologia: criação e gerenciamento de empresa fictícia
Metodologias inovadoras são necessárias para se trabalhar num curso de gestão que
prioriza o ensino e a aprendizagem. Tachizawa e Andrade (2002, p.23) refletindo a respeito da
formação do aluno colocam que o resultado final do sucesso de um trabalho de gestão do
curso se concretiza quando o aluno que nele participou, consegue uma boa colocação
profissional na sociedade, seja como empregado ou empregador. Trabalhando neste sentido é
que esta prática foi implementada no curso de administração da UERN.
7
Para melhor compreender essa metodologia, apresenta-se neste artigo as etapas de
trabalho e a forma como a mesma foi e está sendo trabalhada na disciplina de iniciação
empresarial no curso de administração.
Assim, inicialmente a professora no primeiro dia de aula quando apresentava o
Programa Geral do Componente Curricular (PGCC) da disciplina já esclarecia a forma de
trabalho e ao mesmo tempo estabelecia uma relação de contrato psicológico com os discentes
para o trabalho que seria desenvolvido ao longo da disciplina.
Andrade e Amboni (2003, p. 50) enfatizam que o conhecimento “não está só no
sujeito, nem é dão apenas pelo objeto, mas se forma e se transforma pela interação de ambos”,
aluno e professor.
Na sequência dos trabalhos, a explanação da parte teórica foi trabalhada pela
professora que apresentou os conteúdos teóricos intitulados mentalidade empreendedora, o
indivíduo empreendedor, criação e ideia de negócio e formação de plano de negócio,
conteúdos que se encontravam no livro texto “Empreendedorismo” de autoria de Hisrich e
Peters (2004) trabalhado também na disciplina.
Ainda na sequência foi convidado um palestrante da área de contabilidade que dava a
devida orientação aos alunos sobre a forma de abertura de empresa nas suas mais diversas
modalidades.
Neste sentido Maximiano (2006 p. 30) enfatiza: “A abertura (ou registro) de uma
empresa compreende os procedimentos burocráticos necessários para a formalização de um
empreendimento.” O autor (2006) ainda coloca que o registro de uma empresa varia de acordo
com a região onde ela está inserida e também depende do tipo de sociedade que será
constituída.
Uma aula específica sobre uma discussão por equipe trabalhava também a ideia de
negócio e a sua avaliação de oportunidade, onde após tal atividade as equipes definiam o tipo
de empresa e estruturavam a mesma em um plano.
Neste contexto, itens como missão, definição do produto, divulgação e formas de
vendas, Demonstração do Resultado do Exercício – DRE, fluxo de caixa, ponto de equilíbrio,
entre outros itens trabalhados, proporcionaram aos discentes conhecimentos técnicos para
melhor ajudá-los na administração da empresa fictícia que já tinha definido o produto e que
partia para a comercialização.
No final da disciplina, depois das vendas do produto, cada equipe fechava os caixas e
trabalhavam os balanços com fins de verificar o saldo da empresa em termos de lucros ou
prejuízos, sendo que todo esse trabalho era realizado de forma sigilosa em relação a cada
grupo (empresas) de modo que somente tivessem conhecimento quando cada empresa
apresentasse os seus resultados em um seminário estruturado pela professora para esse fim.
A prática criação de empresa fictícia, como se pode observar, trabalha questões
teóricas e práticas, além de proporcionar uma atualização na legislação sobre abertura de
empresa. O tema de gerenciamento também é trabalhado na questão da gestão de pessoas,
financeira, comercialização, produção e outros itens também importantes como
relacionamento, visão intra-empreendedora, estratégias e outros.
3. A IES do estudo– Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - UERN
A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), instituição de ensino
superior pública, foi fundada no dia 28 de setembro de 1968. Criada com o nome de
Universidade Regional do Rio Grande do Norte (URRN) era vinculada à Fundação
Universidade Regional do Rio Grande do Norte (FURRN) (SOUSA, 2008).
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Esta universidade constitui-se em uma instituição de ensino superior de fundamental
importância para o desenvolvimento regional do estado do Rio Grande do Norte como
também para a melhoria da qualidade de vida da população na qual está inserida.
Atualmente a UERN se encontra em um amplo processo de expansão, estando
presente de forma direta com os seus campi e núcleos em 17 cidades do estado. Contando
com mais de 11 mil alunos distribuídos entre os 31 cursos de graduação oferecidos pela
Instituição, além da oferta de 22 cursos de especialização e 7 cursos de mestrado (SOUSA,
2008).
Portanto, todos esses dados e informações apresentados demonstram a importância da
UERN para o desenvolvimento social, humano, cultural e econômico da região, constituindo
assim, um importante papel no cenário regional, para também poder cumprir com o seu
objetivo de formar e lançar profissionais de alto nível ao mercado de trabalho.
4. Metodologia
Com relação aos procedimentos metodológicos, foi feito nesta pesquisa o uso do
paradigma positivista e quanto ao processo, o trabalho caracteriza-se como uma pesquisa
quantitativa.
Quanto ao paradigma Collis e Hussey (2005, p.58) afirmam que: “A proposta
positivista procura os fatos ou as causas de fenômenos sociais, dando pouca importância ao
estado subjetivo do indivíduo.” Desta forma, pode-se concluir que essa proposta procura
analisar a opinião de grupos ou populações para conseguir resultados mais objetivos sobre
certas experiências.
Ainda caracterizando a pesquisa, quanto ao processo, pode-se defini-la como
quantitativa, pois é um método que fornece uma análise mais confiável e precisa, visto que
trabalha com a mensuração dos fenômenos, ou seja, os dados obtidos através do método de
coleta de dados são transformados em informações estatísticas.
Já em relação aos objetivos da pesquisa ela pode ser considerada exploratória e
descritiva. Exploratória a partir do momento em que proporciona ao pesquisador um maior
conhecimento e familiaridade com o assunto tratado e por se tratar de um objeto de estudo
ainda inexplorado que no caso, é a metodologia em análise (ANDRADE, 2009), e descritiva
com relação ao fato de procurar descrever certas características de uma população e procurar
estabelecer relações entre variáveis (DIEHL e TATIM, 2004), variáveis essas, no caso, a
educação empreendedora e a evolução da capacidade de empreender do indivíduo.
Quanto à lógica, a pesquisa pode ser considerada indutiva, pois foi feita a observação
de uma realidade empírica, no caso da prática didático-pedagógica aplicada na disciplina
“Iniciação Empresarial”, e a partir dessa observação, pode-se criar conhecimentos teóricos
relevantes da perspectiva da educação empreendedora nas IES.
E ainda quanto os resultados, a presente pesquisa pode ser considerada do tipo básica,
pois, busca principalmente proporcionar uma maior compreensão e entendimento sobre o
assunto em questão que é a temática do individuo empreendedor e suas características e perfil.
Segundo Collis e Hussey (2005, p. 27): “A pesquisa básica é considerada a forma mais
acadêmica de pesquisa, visto que o principal objetivo é fazer uma contribuição para o
conhecimento, em geral para o bem comum, em vez de resolver um problema específico para
uma organização.”
A aplicação de um questionário elaborado com questões abertas e fechadas foi o
instrumento de coleta de dados utilizado na pesquisa. Todas as questões foram levadas a um
banco de dados para que pudessem ser quantificadas.
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A população da pesquisa contou com um total de 38 discentes e a amostra foi
composta por um total de 31destes.
A análise dos dados foi realizada por meio da tabulação de um banco de dados criado
com a utilização de recursos eletrônicos para auxiliar no processo de definição dos
percentuais da pesquisa.
5. Apresentação e análise dos resultados
Com o intuito de conhecer o perfil dos discentes foram elaboradas perguntas que
fornecem dados relacionados ao sexo, a faixa etária, os vínculos empregatícios e o setor do
vínculo empregatício, caso esteja trabalhando.
Na amostra pesquisada há a prevalência do sexo feminino que corresponde a 55% do
total versus 45% do sexo masculino, indo contra os dados da última pesquisa nacional do
Conselho Federal de Administração (CFA) realizada em 2011, onde mostra que a maior parte
dos Administradores registrados no conselho é do sexo masculino, representado um
percentual de 64,93% contra 35,07% do sexo feminino. O que se pode concluir é que as
mulheres estão também se interessando pela profissão de administração e que as mulheres
administradoras estão em crescimento.
No que diz respeito à faixa etária, os resultados podem ser vistos no gráfico a seguir:
Gráfico 1.1: Faixa etária dos estudantes.
Fonte: elaborado pelos autores, 2013.
Para Hisrish e Peters (2004, p. 82): “Geralmente, os homens empreendedores tendem a
começar seu primeiro empreendimento importante no início dos 30 anos, enquanto as
mulheres empreendedoras tendem a fazê-lo em meados dessa década da vida.” Assim,
percebe-se que a maioria dos discentes (entre 17 e 23 anos - 71%) estão fora da faixa etária na
qual existe a maior possibilidade de abertura de empreendimentos.
Constata-se que 35% dos discentes não trabalham, enquanto 65% desses possuem
algum vinculo empregatício com algum tipo de organização. Esses 65% estão distribuídos nos
seguintes setores: 39% exercem suas atividades em organizações de caráter privado, 22,75%
em organizações públicas e o restante, que corresponde a 3,25%, possuem negócio próprio.
Quanto ao vinculo empregatício, percebe-se que existe um número considerável dos
participantes da pesquisa trabalhando em organizações privadas (39%). Segundo Dolabela
(2008, p.46-47) o jovem brasileiro já tem mudado sua percepção em relação ao mercado de
trabalho, não tratando mais com prioridade o fato de conseguir um emprego em uma
organização de grande porte ou uma multinacional. Porém, essa ainda seria uma consequência
dos métodos de ensino aplicados durante o decorrer de suas vidas já que não são incentivados
desde jovens a ter uma mentalidade empreendedora.
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Objetivando também o aprofundamento da investigação no que concerne ao interesse
dos participantes do estudo em abrir e/ou criar novos negócios e sobre o nível de satisfação da
metodologia de ensino utilizada em sala de aula indagou-se a respeito de tais questões.
Procurou-se saber se os discentes possuem vontade de criar ou abrir um negócio
próprio e 65% responderam positivamente a essa questão, 32% responderam negativamente e
3% optaram por não responder. Dentre os motivos para as respostas positivas, destacam-se a
busca pela estabilidade e independência financeira com 22,75%, outros 16,25% afirmaram
que o curso de Administração estava despertando o interesse pelo empreendedorismo e 13%
alegaram ser a possibilidade de crescimento profissional o principal motivo para abrirem um
próprio negócio.
Em se tratando das motivações para iniciar um negócio próprio Degen (1989, p. 15)
afirma que “a maioria das empresas de sucesso foi iniciada por homens ou mulheres
motivados pela vontade de ganhar muito dinheiro.” Diante dessa afirmação, percebe-se que os
discentes corroboram com o pensamento de Degen (1989), visto que a grande parte alegou
terem os motivos financeiros como o principal fator impulsionador para a abertura do
empreendimento.
Um fato de grande interesse foi constatado nas respostas negativas, onde 12,8% dos
que afirmaram não ter vontade de abrir um próprio negócio, assim o fizeram devido ao
interesse na carreira pública. Interesse que pode desfavorecer ao crescimento econômico de
um país.
Drucker (1987, p. 349) enfatiza que: “O que precisamos é de uma sociedade
empreendedora, na qual a inovação e o empreendimento sejam normais, estáveis e contínuos.”
O interesse excessivo por cargos públicos pode se tornar um obstáculo à evolução da
mentalidade inovadora e empreendedora da sociedade.
Perguntados se a metodologia de ensino utilizada em sala de aula desperta o interesse
pelo empreendedorismo, 74% responderam que sim, tendo como principal justificativa o fato
de colocar a teoria em prática. Os demais 26% alegaram principalmente não ter interesse pela
área de empreendedorismo.
Em relação à aplicação da teoria à prática, Mardsen e Townley (2001, p. 31)
argumentam que: “Todo mundo, e não somente os acadêmicos, teorizam sobre as causas e
consequências do mundo social e age com base nisso.” Assim, vê-se a importância de se ter
um referencial teórico estruturado em relação ao empreendedorismo e que esse conhecimento
possa ser repassado de uma maneira eficaz para a evolução das práticas de criação de novos
negócios.
Observa-se que, mesmo despertando o interesse, as atividades desenvolvidas durante a
disciplina não proporcionam o conhecimento global que permitisse tomar a decisão de abrir
um próprio negócio (55%). Desse percentual 12,9% afirmaram que o aprendizado não foi
satisfatório e 9,7% que há mais teoria do que prática.
Fatores como o medo e a insegurança em ralação ao futuro e ainda a baixa faixa etária
dos discentes participantes seriam fatores que estariam dificultando a decisão de se tornar
empreendedores logo após a participação na metodologia.
Quando indagados sobre as características empreendedoras e o seu desenvolvimento
os entrevistados tinham 12 alternativas para marcar com livre escolha, ou seja, poderiam
escolher todas ou nenhuma.
Em relação às características mais desenvolvidas, as três que obtiveram a maior
quantidade de escolhas foram: saber organizar (70,9%), assumir riscos (64,5%) e tomar
decisões (61,3%). Já quanto às características menos desenvolvidas no decorrer da prática de
ensino utilizada em sala de aula, as alternativas mais escolhidas foram: ter tino empresarial
(38,7%), ser líder (32,2%) e manter o otimismo e conhecer o ramo ficaram equivalentes com
um percentual de 29% cada.
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Assim, vê-se que a metodologia em estudo é capaz de desenvolver importantes
características empreendedoras aos discentes, sendo que saber organizar, tomar decisões e
assumir riscos são atributos indispensáveis para o indivíduo empreendedor.
Quanto ao nível de aprendizagem adquirido por meio das atividades da disciplina
“Iniciação Empresarial”, tem-se os seguintes resultados:
Gráfico 1.2: Nível de aprendizagem dos discentes.
Fonte: Elaborado pelos autores, 2013.
Verificou-se ainda que para 58% dos discentes a metodologia é considerada boa,
outros 26% acharam regular e demais 16% afirmaram que as práticas desenvolvidas são
excelentes.
Indagou-se também aos entrevistados se eles recomendariam a prática de ensino de
criação e gerenciamento de empresa fictícia utilizada na disciplina de Iniciação Empresarial
para outras turmas.
Em relação a isso, 90% dos participantes do estudo responderam que recomendariam a
prática utilizada e os outros 10% responderam negativamente a essa indagação.
Dos 90% que recomendam a prática, 38,35% julgaram que a metodologia consegue
aliar a teoria a prática de uma forma simples. Enquanto 12,85% despertaram o interesse pela
área e 9,64% afirmaram que tiveram suas características empreendedoras estimuladas após
participaram das práticas desenvolvidas em sala de aula.
Diante desses últimos questionamentos, é possível perceber um elevado grau de
satisfação com a metodologia de ensino utilizada, já que todas as questões apresentaram um
elevado número de respostas positivas. Desta forma, pode-se concluir que a metodologia tem
surtido efeitos positivos entre os discentes e que, os dados, informações e análises realizadas
neste estudo, poderão trazer outras vantagens e melhorias a serem aplicadas durante a
disciplina para que esta possa vir a ser ainda mais eficaz e eficiente.
6. Considerações finais
A presente pesquisa buscou avaliar o nível de influência da pratica didáticopedagógica aplicada na disciplina “Iniciação Empresarial” e os seus efeitos na formação
empreendedora dos discentes por meio do levantamento de informações relacionadas ao perfil
desses estudantes, o nível de satisfação com a metodologia utilizada em sala de aula, como
também da análise do grau de aprendizagem proporcionado.
Na composição deste artigo, percebeu-se que a educação empreendedora é um campo
de estudo que vem se desenvolvendo de forma gradativa a partir da década de 80 do século
passado e vem chamando cada vez mais a atenção de pesquisadores da área.
Foi constatado na pesquisa que os docentes devem continuar levando em consideração
a utilização de meios que proporcionem aos alunos o aprendizado de forma que alie a teoria a
12
prática, tendo em vista ser esse um fator primordial para o despertar do interesse pela área de
empreendedorismo no que concerne ao seu ensino nas IES.
Confirmou-se também, diante dos estudos realizados, que a procura pela aprovação
em concursos públicos é um entrave ao desenvolvimento do empreendedorismo. Assim,
atenção especial deve ser dada ao fato de se buscar, por parte dos professores, uma mudança
da mentalidade dos seus discentes em relação a essa busca obsessiva pelos empregos do setor
público, tendo em vista a importância da criação de novos negócios para a economia local de
uma determinada região e sabendo que tal busca pode restringir a pesquisa e a inovação entre
o meio organizacional, causando prejuízos ao desenvolvimento de negócios promissores.
Já em relação ao desenvolvimento de cidades e parques tecnológicos, a presente
pesquisa apresenta diversas vantagens relacionadas a essa temática, tendo em vista que o
desenvolvimento econômico dessas cidades dá-se principalmente por conta do
empreendedorismo, e a metodologia estudada tem como objetivo elevar o grau de interesse
dos discentes por essa área, além disso, pode-se verificar que tal prática ainda busca a
elevação da cultura empreendedora entre os discentes, sendo que os atuais participantes da
metodologia estudada atualmente, poderão se tornar empresários de sucesso, capazes de
mudar a realidade existente em suas cidades de atuação proporcionando o desenvolvimento de
negócios inovadores.
Diante da temática abordada no estudo, presume-se que outras pesquisas podem ser
realizadas sobre esse enfoque, substituindo apenas a prática de ensino utilizada na disciplina
de “Iniciação Empresarial”, no caso, criação e gerenciamento de empresa fictícia, por alguma
outra metodologia que venha a ser empregada por outros docentes para os seus discentes.
Portanto, espera-se que o presente estudo tenha contribuído de sobremaneira para o
desenvolvimento e a exposição do tema educação empreendedora e que tal pesquisa possa
proporcionar o interesse das pessoas nas questões relacionadas ao empreendedorismo.
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Criação e Gerenciamento de Empresa Fictícia