Aplicação de gerenciamento de riscos no controle de variação de custos de projetos de automação de subestações Cristina Maria Pinto Silva Nilson de Jesus Ferreira Junior Light Linde Anderson Celso Maciel Vieira Julio Cesar de Almeida Pereira Prysmian Embratel Brasil End.: Av. Marechal Floriano, 168 2º andar – [email protected] RESUMO A redução de custos operacionais e a melhoria da qualidade dos serviços prestados são fundamentais para melhorar os resultados de uma empresa e, nesse âmbito, a automação tem sua importância aumentada. As subestações elétricas existentes em empresas de geração, transmissão e distribuição elétricas, refinarias e plataformas de petróleo, indústrias e empresas em geral são atualmente automatizadas com o objetivo de reduzir os custos operacionais, aumentar a agilidade de recuperação em caso de falha e suprir diversas informações sobre consumo e perdas energéticas. Os projetos de automação de subestações elétricas, em função da diversidade de sistemas, equipamentos e serviços envolvidos, apresentam variações de custo, prazo, escopo e qualidade que podem influenciar negativamente o retorno esperado para o investimento feito em tais projetos. Tais variações podem ser derivadas de situações mercadológicas, técnicas, ambientais ou até mesmo políticas. O objetivo deste trabalho é avaliar os componentes de custo de um projeto de automação de subestações, identificar os riscos que podem levar a variações significativas dos custos globais de implantação e propor uma metodologia para maximização dos riscos positivos e minimização dos riscos negativos de modo a otimizar os custos totais do projeto e, conseqüentemente, aumentar o retorno decorrente do processo de automação para as empresas que o empregam. PALAVRAS CHAVE Palavras Chave: Gerenciamento de Riscos, Gerenciamento de Custos, Automação, Subestações, Energia. 2 1. Introdução O Projeto de automação de uma subestação elétrica existente pode ser iniciado pela necessidade de redução de custos operacionais, necessidade de aumento de segurança operacional e como conseqüência da ampliação de capacidade de carga da instalação. Outro motivador para a automação de uma subestação elétrica existente é a necessidade de substituição de equipamentos de proteção existentes que se encontram no final de sua vida útil, apresentando baixo desempenho e custos de reposição de peças e manutenção elevados. 1.1. Atividades de projetos de automação de subestações Em geral, o processo de automação de uma subestação elétrica envolve a participação de vários setores da empresa, tais como planejamento, operação, despachos do sistema, manutenção, automação, proteção, suprimentos, dentre outros. Esse processo normalmente envolve também a participação de outras organizações externas, na forma de contratos com uma ou mais empresas para executar parte ou praticamente todo o empreendimento. O Planejamento de automação da subestação inclui a avaliação por parte de diversos setores da empresa dos aspectos operacionais, estratégicos, de custo, segurança e até mesmo regulatórios para a priorização e escolha da(s) subestação(ões) a automatizar. Aspectos estratégicos a serem considerados incluem a importância da subestação dentro do sistema elétrico, sua localização e criticidade das cargas por ela supridas, por exemplo. Os aspectos operacionais incluem a “idade” dos equipamentos existentes na subestação, notadamente os relés de proteção e os conjuntos blindados. No caso dos relés de proteção, caso os existentes estejam dentro de sua vida útil estimada, apresentando bom desempenho e baixos custos de manutenção e operação, a subestação pode ser automatizada com tecnologia que conserve os relés existentes, tais como Unidades Terminais Remotas ou Unidades de Controle distribuídas. No caso de presença de relés de proteção eletromecânicos com baixo desempenho, a substituição destes por equipamentos digitais durante o processo de automação, além de trazer os benefícios da automação, aumenta o desempenho do sistema de proteção ao agregar ferramentas de análise e configuração remotas. Os aspectos de custo incluem a avaliação do Total Cost of Ownership da subestação normalmente com base num horizonte de pelo menos 15 anos, compatível com a vida útil dos sistemas de automação atuais. Devem ser também avaliadas as tecnologias existentes, seus custos e seus benefícios, para definição da mais adequada às subestações em foco. A economia de escala deve também receber atenção, pois é possível a redução de até 30% do custo total caso sejam automatizados grupos de subestações utilizando a mesma tecnologia e equipes. Tal redução pode ser atingida pela padronização dos desenhos de projetos, treinamento unificado, uso comum de sobressalentes e equipamentos de testes, além dos ganhos em desempenho e redução de prazos obtidos com a evolução da curva de aprendizado das equipes envolvidas. Os aspectos de segurança a considerar no planejamento da automação de subestações estão relacionados às condições de segurança para a operação da subestação e envolvem desde as condições físicas e técnicas dos equipamentos até mesmo a condição de segurança pública da região. Com o crescente furto de cobre que afeta principalmente as concessionárias de energia e de telecomunicações, este último aspecto assume maior importância e exige inclusive que sistemas de supervisão patrimonial sejam agregados ao se planejar a desassistência de uma subestação. 3 Os aspectos regulatórios incluem a observação dos requerimentos legais e ou aqueles impostos pelas condições de regulação do setor. No caso de concessionárias de energia elétrica, destacam-se os índices de interrupção do fornecimento, que mensuram com que freqüência e duração as mesmas ocorrem. Valores máximos para estes índices são estabelecidos pelo agente regulador e sua ultrapassagem acarreta em penalidades para a concessionária. Contratação do projeto de automação O objetivo desta etapa é a contratação de equipamentos, materiais e serviços necessários para a automação da subestação e não disponíveis na empresa. Para tanto, são identificados os serviços e materiais que serão obtidos internamente e aqueles que precisarão ser adquiridos de terceiros (decisão de make or buy). Nesta etapa é normalmente elaborada uma especificação técnica para os serviços, equipamentos e materiais que se deseja adquirir. Nesta etapa estão também incluídas as atividades de prospecção de fornecedores, licitação e contratação. 1.2. Componentes de custos de projetos de automação Para os objetivos deste trabalho, os principais componentes de custos de um projeto de automação de subestação incorridos em suas diversas fases foram divididos inicialmente nas categorias serviços e equipamentos/materiais. Tipicamente os percentuais que estes dois componentes representam do custo total da automação de uma subestação existente correspondem a aproximadamente 60% para equipamentos e materiais e 40% para serviços, conforme apresentado na Figura 1-1. Estes percentuais foram calculados a partir de um grupo de projetos de automação e podem apresentar variações em função de mudanças cambiais ou disponibilidade de materiais e serviços. Figura 1-1 Componentes de Custos - Serviços e Equipamentos/Materiais 4 Para fins desta análise, o componente de custo Equipamentos e Materiais pode ser ainda subdividido em equipamentos e materiais de fornecimento nacional e equipamentos e materiais importados. Os percentuais destes sub-componentes de custo são apresentados na Figura 1-2 e correspondem a aproximadamente 65% para os itens importados e 35% para os itens nacionais. Figura 1-2 Equipamentos e Materiais - Importados e Nacionais Os itens de fornecimento nacional incluem, por exemplo, cabos, fibras ópticas, terminais, painéis, modems, computadores, calhas e relés auxiliares. Os itens de fornecimento importado incluem os relés de proteção, unidades controladoras e outros equipamentos normalmente de fabricação específica dos fornecedores dos sistemas digitais e receptores de GPS, roteadores, switches fornecidos por outras empresas, mas igualmente importados. Os serviços envolvidos na automação de uma subestação existente podem ser subdivididos em Desenhos de Projeto de Painéis, Desenhos de Projeto Executivo, Instalação, Integração da subestação ao Centro de Operação e outros usualmente menores como, por exemplo, transportes de cargas ou ajustes de painéis. A contribuição de cada um destes tipos de serviços no custo total de serviços na automação de uma subestação é exibida na Figura 13. A visão geral dos componentes de custo do projeto de automação de uma subestação, exposta nas Figuras 1-1, 1-2 e 1-3, é sintetizada na Tabela I. Figura 1-3 Componentes de Custos - Serviços 5 Componentes de Custo Automação SE Equipamentos Importados 39% Equipamentos Nacionais 21% Instalação 17% Projeto Executivo 9% Integração 6% Projeto de Painéis 6% Outros 3% 100% Tabela I - Ordenação dos Componentes de Custo do Projeto de Automação Pode-se observar que os equipamentos importados e nacionais e a instalação apresentam peso significativo no custo total do projeto, e é para estes componentes, portanto, que foram analisadas as questões de risco de variação de custos. 1.3. Identificação dos riscos de variação de custos A seguir são discutidas as principais causas de variação de custos para os três principais componentes de custos do projeto de automação de subestações, quais sejam: • Equipamentos Importados; • Equipamentos Nacionais e • Instalação. 1.4. Riscos de variação de custos dos equipamentos importados Os equipamentos importados representam aproximadamente 39% do total de equipamentos e materiais necessários à automação de uma subestação. Com intuito de realizar a estimativa de custos do projeto, o responsável pela decisão precisa entender algumas características da comercialização de equipamentos, sobretudo dos importados. Faz-se necessário ter o conhecimento do produto que irá ser adquirido, com as especificações básicas necessárias e as quantidades envolvidas. Na definição das responsabilidades numa transação de importação são utilizados os chamados INCOTERMS (Termos Internacionais de Comércio) que indicam em que momento e que localidade, do ponto de vista legal, as mercadorias são efetivamente entregues do exportador ao importador. A partir deles são estabelecidos os direitos e as obrigações mínimas do vendedor e do comprador quanto a fretes, seguros, movimentação em terminais, liberações em alfândega e obtenção de documentos de um contrato internacional de venda, ou seja, a maioria dos custos logísticos. A partir da classe de compra utilizada e do INCOTERM envolvido na transação é que são direcionados os custos de importação. Como exemplos de INCOTERMS podemos citar FOB (Free on Board Livre a Bordo do Navio) usado no transporte marítimo e FCA (Free Carrier - Franco Transportador ou Livre Transportador) usado nos modais rodoviário, ferroviário ou aéreo. Tais definições de responsabilidades afetam diretamente o preço total dos itens importados e devem ser avaliados cuidadosamente. 6 Outro aspecto a ser considerado é o tributário. As importações brasileiras, sob o aspecto fiscal, podem ser dividas em Importações com incidência tributária, Importações com benefícios tributários e Importações enquadradas em regimes aduaneiros especiais. Neste cenário são envolvidos também tributos que podem oferecer créditos em casos específicos. As classificações adequadas podem contribuir para a redução de custos e evitar penalizações fiscais. Os custos de importação compreendem componentes que fazem parte do transporte, da taxa de importação, do despacho aduaneiro e do custo do pedido. Inserido no componente transporte um item importante a ser considerado é o seguro, pois a carga pode sofrer algum acidente e, em conseqüência, o produto ou equipamento pode ficar danificado. Ainda há a possibilidade de ocorrer sinistro com o veículo, como explosão, tombamento ou afundamento (no caso do transporte marítimo), resultando na perda da carga. Para que nenhuma das empresas envolvidas na transação seja prejudicada quanto ao valor da carga, é preciso existir uma apólice, certificado, averbação ou endosso com uma seguradora. As taxas de importação envolvem o adicional ao frete da Marinha Mercante – AFRMM, o adicional de tarifas aeroportuárias – ATA, as taxas de armazenagem e capatazia, a declaração de importação – DI, as despesas bancárias e as taxas sobre o conhecimento de embarque (MALUF, 2000). As despesas bancárias poderão incidir na importação por meio da taxa de abertura de carta de crédito, taxa de despesa de emissão de contrato de câmbio, taxa para registro de cobrança e taxa de utilização da retransmissão do crédito. O acompanhamento do transporte e do armazenamento consiste no provimento de informações que possam evitar atrasos e contratempos na operação. Os custos são afetados diretamente pelo regime aduaneiro que influencia o transporte e o armazenamento, portanto o despacho aduaneiro é um fator preocupante na atividade de importação, pois o processo logístico necessita ser feito com agilidade. Muitas empresas decidem contratar despachantes aduaneiros para acompanhar o processo de importação e buscar agilidade na sida da carga dos portos e alfândegas, por já conhecerem os procedimentos necessários ao cumprimento das normas e leis vigentes no país. O despacho aduaneiro compreende: recepção, baixa no manifesto, valoração aduaneira, seleção parametrizada de canais, direcionamento do despacho, distribuição, conferência aduaneira, exigência da garantia, desembaraço aduaneiro, comprovante de importação, entrega de mercadoria, exame exclusivo de valor, revisão aduaneira, retificação de declaração e cancelamento de DI/DSI, ou seja, declaração de importação/declaração simplificada de importação. O custo do pedido envolve todos os custos ocorridos para a realização do pedido, considerando, por exemplo, as horas de trabalho do funcionário dedicado à realização do planejamento, execução e controle da comercialização. Os custos de comercialização envolvem as despesas pré-operacionais e administrativas. Observa-se que essas despesas são extremamente flexíveis a cada cliente e envolvem vários fatores, tais como: estruturação da empresa, necessidade de transporte, hospedagem, comunicação entre vendedor e comprador (intérprete) e assimilação das tradições culturais. Os custos de comercialização envolvem todos os dispêndios realizados no intuito de proceder a um bom contato com o cliente. 1.5. Riscos de variação de custos dos equipamentos nacionais Os equipamentos nacionais representam 21% do montante de equipamentos e materiais para a automação de uma subestação. Os principais riscos associados aos equipamentos nacionais se referem a atrasos na entrega. Não raramente painéis de proteção, controle ou automação não podem ser liberados para testes porque um item necessário a sua montagem ainda não foi entregue 7 pelo fabricante ou fornecedor. Isto é especialmente verdadeiro para itens específicos que possuem número reduzido de fornecedores ou até mesmo um único fabricante. A postergação da entrega de painéis incorre frequentemente em renegociações ou aditivos contratuais com empresas de instalação ou em pagamento de horas extras para as equipes da empresa contratante com a finalidade de reduzir/compensar o atraso do empreendimento. Variações de custos de transportes, insumos, etc, podem igualmente levar um fornecedor a requisitar uma revisão de preços e elevar os custos gerais do projeto. 1.5.1. Resposta ao risco de variação de custos dos equipamentos Com o intuito de minimizar os impactos em custos referentes aos riscos negativos do projeto, podemos mitigá-los de maneira preventiva, contratando consultorias ou profissionais especializadas em Comércio Exterior, que podem orientar com relação às mudanças de legislação, principalmente relacionadas a impostos de importação, e também à procedimentos rotineiros para liberação de mercadoria, já que se ocorrer atraso para liberálos, afeta-se diretamente o custo devido à necessidade de arcar com os valores referentes ao serviço de armazenagem da mercadoria na aduana. Porém a principal prática para se evitar grandes impactos no custo é a utilização de hedge, para assegurar operações financeiras em relação à flutuação cambial. Em relação à tributação, no Brasil, a tributação sobre o produto nacional, em alguns casos é maior que o produto importado, pois o PIS e o COFINS incidem várias vezes sobre o produto nacional, dependendo do tamanho da cadeia produtiva. Diante dessa questão, observa-se que em determinadas situações o produto pode ficar mais barato, se oriundo de outro país, principalmente se neste país não há incidência de impostos em cascata sobre suas cadeias produtivas. Com o intuito de minimizar os impactos em custos referentes à aquisição de equipamentos são sugeridas principalmente as seguintes ações: • Contratação de consultorias especializadas em Comércio Exterior, para orientação sobre mudanças de legislação, principalmente relacionadas a impostos de importação, e também à procedimentos rotineiros para liberação de mercadoria; • Contratação de hedge para proteção contra flutuação cambial indesejada; • Avaliação criteriosa dos tributos incidentes tanto nos produtos nacionais quanto nos importados, pois, no Brasil, a tributação sobre o produto nacional, em alguns casos é maior que o produto importado, pois o PIS e o COFINS incidem várias vezes sobre o produto nacional, dependendo do tamanho da cadeia produtiva; • Detalhamento dos preços por item no contrato; • Inclusão de cláusulas claras de reajustes de preços para itens nacionais e importados; 8 • Inclusão de cláusulas claras de penalizações por atraso no fornecimento ou incentivos para cumprimento de prazos ou adiantamentos e • Acompanhamento da colocação de pedidos de materiais aos fornecedores/fabricantes para certificar que os mesmos sejam feitos com a antecedência necessária. 1.6. Análise e identificação dos riscos de variação de custos de instalação Como 17% dos custos da automação de uma subestação referem-se às despesas com instalação, os riscos de variações nos orçamentos previstos inicialmente é significativo. Incluídos nos custos de instalação encontramos os custos com salários das equipes de instalação, manutenção de canteiro, hospedagem (no caso de empreiteiras oriundas de outros estados ou de locais remotos de implantação), aluguéis de equipamentos, aluguéis de transportes e desmobilização de equipes e canteiros. 1.6.1. Riscos de variação nos custos de equipes de instalação Os riscos de variações nos orçamentos previstos inicialmente para mão de obra são representativos e podem causar grandes impactos durante todas as fases do projeto. As principais causas para aumento de custos com mão de obra estão relacionadas a atrasos na implantação do empreendimento, acidentes e qualificação indevida de mão de obra. Riscos de atrasos na implantação do empreendimento Sempre existirá algum grau de incerteza no conhecimento técnico detalhado de um projeto normalmente associado a • • • • projetos “rápidos” com vícios de origem; prazos exíguos para detalhamentos e melhoria do conhecimento local; restrições financeiras e prazos e alteração nas equipes de projeto ao longo da execução do projeto. Os níveis de incerteza transferidos para as várias etapas do empreendimento resultam em riscos que podem ter impactos negativos em custos diretos, prazos e na segurança da implantação e operação do sistema de automação. Variações e propriedades não previstas, não identificadas, não quantificadas e não consideradas, em relação à especificação inicial podem acarretar em: • • • • • aumento da quantidade de serviços; necessidade de novos serviços ou atividades; alterações nos métodos executivos; atrasos de cronograma e acidentes. É preciso também considerar a importância do clima da área de influência dos empreendimentos. Os totais de precipitação, incidência de raios (nível ceráunico) e a época do ano em que ocorrem com maior intensidade, terão influência na construção de valas de 9 cabos, lançamento de cabos e conexões aos equipamentos instalados em pátio aberto. Sendo assim, o cronograma das obras deve também levar em conta o fator climático para aproveitar ao máximo a época de estiagem e baixa temperatura, pois períodos de chuva intensa podem causar atraso na implantação do empreendimento. A metodologia mais utilizada nos levantamentos se baseia principalmente nas informações de séries históricas, mapas, tabelas e planilhas obtidas de estudos, relatórios e registros das redes de observação (INMET, ANA, CEPEL) e posterior análise dos diferentes aspectos que possam intervir na realização das obras. O levantamento socioambiental da área onde os serviços são realizados também é de extrema importância, para que sejam avaliados os recursos de segurança patrimonial a serem empregados na guarda de equipamentos, containers, materiais e mesmo na segurança das pessoas envolvidas nos serviços. O roubo de materiais e equipamentos pode acarretar em atraso na execução até que se consigam novos equipamentos ou que novos materiais sejam adquiridos ou fabricados. Resposta ao risco de atraso na implantação Para mitigar os riscos de atraso na implantação do empreendimento é imprescindível: • Definir claramente o escopo e as responsabilidades dos envolvidos; • Definir a metodologia de gerenciamento da fase de execução; • Gerenciar o suprimento de materiais e equipamentos necessários ao empreendimento; • Gerir adequadamente o canteiro, garantindo condições de segurança para equipamentos, materiais e equipes; • Garantir as condições de segurança de trabalho através de treinamento, fornecimento de equipamentos de proteção e estabelecimento; • Avaliar as condições do local onde será executado o projeto de automação da subestação e os riscos das proximidades do local do empreendimento para tomar ações de prevenção de acidentes e furtos de materiais; • Garantir que as equipes de manutenção participem das fases de planejamento, execução e controle do projeto, adquirindo conhecimento e compartilhando experiências e informações de históricos e lições aprendidas em outros projetos de automação de subestações e • Exigir, contratualmente, que os fornecedores façam a transferência da tecnologia de seus produtos, processos ou serviços, em forma de treinamentos, documentações, simulações e assistência técnica permanente através de mão-de-obra especializada. 1.6.2. Risco da qualificação indevida das equipes Normalmente os profissionais envolvidos no projeto de automação de uma subestação são representados por pessoas com um grau de qualificação altamente técnico e muitas vezes com grande experiência na área. Estes profissionais são engenheiros e técnicos da própria empresa ou representados por terceiros através da prestação de serviços ou como funcionários de empresas executoras de projetos e ou fornecedores de materiais, como ocorre em projetos tipo turn key (fornecedores de materiais e responsáveis pela instalação dos mesmos). 10 Como trata-se de uma mão-de-obra cara e especializada, a oferta destes profissionais torna-se cada vez mais escassa em um mercado tão competitivo, globalizado e em fase de tantas mudanças, como ocorre atualmente no Brasil e no mundo. Também podemos notar que em nosso país há uma grande carência na formação e qualificação dos novos profissionais para atenderem de maneira eficaz e com qualidade as novas exigências e desafios tecnológicos encontrados na área de automação de subestações. Portanto, é nítida a deficiência na relação de oferta e procura por profissionais qualificados em automação de subestações. Resposta ao risco de qualificação indevida das equipes Atualmente o elevado turnover observado nas equipes de engenharia contribui para a dificuldade de manutenção dos históricos dos projetos e lições aprendidas nas empresas, portanto, para minimizar este risco é de grande importância que ao iniciar um novo projeto sejam utilizadas técnicas de gerenciamento de projeto e avaliadas as possibilidades de investimentos em capacitação de novos profissionais para acompanhamento da execução do novo empreendimento, documentando de forma sistemática todo o conhecimento adquirido. Outra forma de mitigar estes riscos refere-se às equipes de manutenção, que precisam participar das fases de planejamento, execução e controle do projeto, adquirindo conhecimento e compartilhando experiências com os envolvidos, inclusive contribuindo com informações de históricos e lições aprendidas em outras subestações existentes. Também é muito importante que seja exigido, de forma contratual, que os fornecedores façam a transferência da tecnologia de seus produtos, processos ou serviços, em forma de treinamentos, documentações, simulações e assistência técnica permanente através de mão-de-obra especializada. Para evitar variações de custos com mão-de-obra é importante que a empresa tenha uma política constante de investimentos em educação, treinamento e desenvolvimento, que devem ser planejados de acordo com as metas e objetivos do projeto e orientados para as necessidades do cliente. Tais esforços representam instrumento importante para que o empreendimento possa atingir e manter níveis superiores de qualidade e resultados obtidos por intermédio de investimentos no conhecimento e desenvolvimento das pessoas. Investir na formação e treinamento de novos profissionais com boa formação escolar e de alto potencial para atender às necessidades de desenvolvimento organizacional a médio e longo prazo pode ser possível através de programas de estágios ou de trainees. Com relação aos profissionais de nível superior, normalmente engenheiros eletrônicos ou eletricistas, também é importante que existam parcerias com universidades e especialistas no setor elétrico, para que nos momentos de crise e escassez do conhecimento técnico interno ou externo, seja possível a renovação e aperfeiçoamentos técnicos necessários para a continuidade dos projetos. A remuneração total (base e variável) é elemento importante na estratégia de negócios do empreendimento e deve basear-se nas seguintes premissas: • Atrair, reter e motivar profissionais qualificados para todas as funções e níveis do empreendimento; • Praticar níveis de remuneração competitivos no mercado profissional; • Estimular o desenvolvimento profissional e a melhoria permanente de desempenho, com ênfase no trabalho em equipe; • Desenvolver formas e alternativas de remuneração variável; 11 • Reconhecer e valorizar as contribuições individuais e de equipe para os resultados do empreendimento. Seguindo as recomendações citadas anteriormente, será possível minimizar os impactos decorrentes dos riscos provenientes de variações de custo com mão-de-obra. Também prepara a empresa para continuar expandindo suas atividades de forma sistêmica e dentro dos padrões tecnológicos mais atualizados e modernos existentes no mercado de automação de subestações. 2. CONCLUSÕES Conforme discutido neste trabalho, a modernização da operação de uma subestação existente através da implantação de um sistema moderno de automação ou digitalização traz o desafio de alterar equipamentos, cabeações e processos sem, contudo, interromper de modo significativo o fornecimento para as cargas por ela supridas. Práticas de excelência de gerenciamento de projetos ajudam a promover e manter melhor efetividade de custos e cronograma, além de auxiliar na previsibilidade dos retornos prometidos aos acionistas e/ou investidores. Outro ponto observado é que os projetos de automação são, com freqüência, planejados por diversos projetistas que podem estar situados em diferentes localizações geográficas, contratados e gerenciados através de parcerias estratégicas. Da mesma forma, os equipamentos utilizados na implantação do projeto, podem ser comprados e entregues por fornecedores espalhados por todos os continentes, uma vez que as barreiras tarifárias mundiais estão virtualmente diminuindo. Devido aos aperfeiçoamentos na produtividade e vantagens de economia de escala, empresas estrangeiras são cada vez mais capazes de competir com empresas locais em preço, qualidade e tempo de entrega. A partir da análise realizada neste trabalho dos componentes de custos de um projeto de automação de subestação, observou-se que os três itens que apresentam as maiores contribuições são os equipamentos importados, os equipamentos nacionais e os serviços de instalação e que, para estes componentes, portanto, devem ser cuidadosamente analisados os pontos de risco de variação de custos. 3. BIBLIOGRAFIA R.H.Ballou, Gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento, organização e logística empresarial. 4ª ed. Porto Alegre: Bookmann, 2001. S. N.Maluf, Administrando o comércio exterior brasileiro. São Paulo: Edições Aduaneiras, 2003. H. Kerzner, Project management: a system to approach to planning, scheduling and controlling. New York: John Wiley & Sons, 2003. PMI. PMBOK®: um guia do conjunto de conhecimentos em gestão de projetos. 3. ed. Pennsylvania: Project Management Institute, 2004. C. Salles et al., Gerenciamento de riscos em projetos. Rio de Janeiro: FGV, 2006. C. Barbosa et al., Gerenciamento de custos em projetos. Rio de Janeiro: FGV, 2007. I.M.P.A, Spritzer, R.M., Pereira, Automação e digitalização em subestações de energia elétrica: um estudo de caso. Fortaleza: XXVI ENEGEP, 2006. 12 C. M. P. Silva, Integração de Sistemas de Automação : Uma Proposta de Unificação de Sistemas de Configuração de Relés de Proteção. Dissertação de Mestrado. Niterói: UFF/CAA, 2003. Ações Ambientais em Sistemas de Transmissão. Disponível em http://www.eln.gov.br/opencms/opencms/pilares/meioAmbiente/acoesAmbientais/sistemaTra nsmissao.html. Acesso em 02/09/2008. 13