FOLHA DE ROSTO Identificação Nome do(a) Consultor(a): Maria Regina Teixeira da Rocha Número do Contrato: 113053 Nome do Projeto: PCT/BRA/IICA/08/003 – Consolidação do Crédito Fundiário Oficial Responsável: Christian Fischer Classificação Áreas Temáticas: Bibliotecas rurais; comunidades rurais; projetos culturais. Áreas de Conhecimento: Educação; cultura; desenvolvimento rural. Palavras-Chave: Arca das letras; incentivo à leitura; bibliotecas rurais Resumo Qual Objetivo da Consultoria? Propor estratégias para o fortalecimento da rede de bibliotecas rurais e sua integração com os programas formais de educação e com ações afirmativas para jovens e mulheres. Qual Objetivo Primário do Produto? Realizar sistematização de projetos de incentivo à leitura adequadas ao campo e elaborar propostas para integração das bibliotecas e agentes de leitura às escolas, às distintas gerações e gêneros nas comunidades rurais. Qual a Finalidade do Produto? Apresentar propostas para integração das bibliotecas rurais do Programa Arca das Letras às escolas, às distintas gerações e gêneros nas comunidades rurais. Quais Resultados Alcançados mais Relevantes? Informações sobre planos, programas e projetos governamentais de incentivo à leitura e sobre projetos de incentivo à leitura adequados ao campo. Proposta elaborada para a integração das bibliotecas às escolas e às distintas gerações e gêneros. O que se deve fazer com o produto para Potencializar o seu Uso? O produto pode ser utilizado como referência para as ações de integração do Programa Arca das letras às escolas do campo, às gerações e gêneros do campo. 2 PRODUTO 3- Documento contendo sistematização de projetos de incentivo à leitura adequados ao campo, e propostas para integração das bibliotecas e agentes de leitura às escolas, às distintas gerações e gêneros nas comunidades rurais. Brasília/DF Agosto/2013 LISTA DE SIGLAS 3 CEFAS Centro Familiar de Formação por Alternância CGAC Coordenação Geral de Ação Cultural CNDRSS Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário CONDRAF Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável FNDE Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IICA Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura MDA Ministério do Desenvolvimento Agrário MEC Ministério da educação MINC Ministério da Cultura OCDE Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico OEI Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura. ONGs Organizações Não Governamentais PDRB Política de Desenvolvimento do Brasil Rural PELL Planos Estaduais de Livro e Leitura PISA Programa Internacional de Avaliação de Alunos que avalia letramento em Leitura, Matemática e Ciências. PMLL Planos Municipais de Livro e Leitura PNBE Programa Nacional de Biblioteca da Escola PNCF Programa Nacional de Crédito Fundiário PNLL Plano Nacional do Livro e Leitura PROLER Programa Nacional de Incentivo à Leitura SRA Secretaria de Reordenamento Agrário UNESCO Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura SUMÁRIO 4 1 INTRODUÇÃO..........................................................................................................5 2 SOBRE O INCENTIVO Á LEITURA....................................................................... 8 2.1 PLANOS, PROGRAMAS E PROJETOS GOVERNAMENTAIS DE INCENTIVO À LEITURA....................................................................................................................11 2.2 OS PROJETOS DE INCENTIVO À LEITURA ADEQUADOS AO CAMPO.........13 3 SOBRE A INTEGRAÇÃO DAS BIBLIOTECAS E AGENTES DE LEITURA ÀS ESCOLAS ÀS DISTINTAS GERAÇÕES E GÊNEROS NAS COMUNIDADES RURAIS......................................................................................................................17 3.1 PROPOSTAS PARA INTEGRAÇÃO DAS BIBLIOTECAS E AGENTES DE LEITURA ÀS ESCOLAS.............................................................................................19 3.2 PROPOSTAS PARA INTEGRAÇÃO DAS BIBLIOTECAS E AGENTES DE LEITURA ÀS DISTINTAS GERAÇÕES E GÊNEROS NAS COMUNIDADES RURAIS......................................................................................................................21 CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................24 REFERÊNCIAS....................................................................................................... 26 ANEXO I....................................................................................................................30 ANEXO II...................................................................................................................32 5 1. INTRODUÇÃO O presente documento tem como finalidade apresentar uma sistematização de projetos de incentivo à leitura adequada ao campo bem como propostas para integração das bibliotecas e agentes de leitura às escolas, às distintas gerações e gêneros nas comunidades rurais. Ressalte-se que o incentivo à leitura é uma ferramenta para a inclusão social e um elemento básico para o desenvolvimento social, cultural e econômica. Em específico, no contexto das comunidades rurais, concretamente, acrescentará elementos para a convivência com as mudanças socioeconômicas, políticas, culturais e institucionais, do mundo globalizado. Nesse sentido, o Ministério do Desenvolvimento Agrário, por meio da Coordenação Geral de Ação Cultural da Secretaria de Reordenamento Agrário – CGAC/SRA vem contribuindo fortemente para a promoção da leitura e acesso ao livro no meio rural, desde o ano de 2003, com a execução do Programa de Bibliotecas Rurais Arca das Letras. Esta ação está de acordo com a proposta da XIII Conferência IberoAmericana de Chefes de Estado e de Governo, da Organização dos Estados Iberoamericanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), realizada nos dias 14 e 15 de novembro do ano de 2003, em Santa Cruz de La Sierra, em favor do estabelecimento de políticas para o desenvolvimento da comunidade iberoamericano, dentre elas, a do fomento da leitura para garantir a equidade social na região, na qual o Brasil assinou a declaração de Santa Cruz de la Sierra. Assim sendo, o governo brasileiro retomou a luta pelo livro, a leitura, as bibliotecas e a literatura com a necessária perspectiva e escala de política pública. Tornou-se, portanto, primaz para o Arca das Letras, promover a leitura nas áreas rurais por meio da implantação de bibliotecas rurais no meio rural, na perspectiva da inclusão social. Vale salientar, que quando se fala de mundo rural, refere-se a um universo socialmente integrado ao conjunto da sociedade brasileira, conforme afirma 6 Nazareth Wanderley (2001). Mas, ainda há, nesse mundo rural, profundas desigualdades econômicas e sociais que resulta em pobreza e/ou exclusão social da maioria de sua população conforme dados do censo demográfico de 2010 feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tais dados apontam que somente 15,65% da população brasileira reside em áreas rurais. No entanto, do total em extrema pobreza, 46,7% vivem na área rural. Próximo a 1/4 da população rural se encontra na situação de extrema pobreza, concentrados principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Dentro da população rural em extrema pobreza, 59% vivem no Nordeste. A região Norte tem 56,4% de sua população rural nesta condição e a região Nordeste, 52,5%. No entanto, há orientações claras, por parte do governo federal, para reversão da atual situação em que se encontram essa população, definidas na I Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário – I CNDRSS promovida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável - CONDRAF1, baseadas em sete princípios, quais são: democracia, sustentabilidade, inclusão, diversidade, soberania, igualdade e solidariedade. O princípio da inclusão diz respeito à ampliação dos mecanismos de democratização política, social, econômica e cultural da sociedade, atendendo à necessidade de assegurar a participação igualitária de mulheres, jovens, afrodescendentes, populações negras quilombolas e indígenas. Dentre os mecanismos, destaca-se a educação como uma das dimensões do desenvolvimento, na qual a leitura assume um papel importante no sentido de possibilitar o acesso a variados modos de expressão cultural. Implica dizer que o desenvolvimento cultural dos povos e de suas sociedades passa pelo fim das desigualdades políticas, econômicas e sociais (BRANDÃO, 1995) Com o objetivo de apoiar as ações do Programa Arca das Letras, aqui serão apresentados, os projetos de incentivo à leitura adequada ao campo e proposições para integração das bibliotecas e agentes de leitura às escolas, às distintas 1 A partir das conclusões da Conferência o CONDRAF elaborou em 2010 a Proposta de Política de Desenvolvimento do Brasil Rural - PDBR, atualmente transformada em projeto em tramitação no Senado Federal, já aprovada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado como Projeto de Lei Nº 258 de 2010 e encaminhada segue para as comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Agricultura e Reforma Agrária (CRA). Informação disponível no site: http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2012/03/06/cma-aprova-criacao-da-politica-dedesenvolvimento-do-brasil-rural. Acesso em: 26 de março de 2013. 7 gerações e gêneros nas comunidades rurais, conforme dito anteriormente. Contudo, importa ter presente que, no âmbito deste trabalho não foi possível resolver todas as lacunas de informação. As informações acerca desses projetos foram obtidas por meio da consulta a sites oficiais do Governo Federal Brasileiro, programas oficiais, produtos de consultores e em documentos disponíveis na Internet no período em que decorreu o levantamento das informações (junho e julho de 2013) O documento se estrutura em 03 capítulos e finaliza com as considerações finais, sendo que o primeiro é esta introdução. O segundo capítulo com dois subitens trata sobre o incentivo à leitura e, apresenta planos, programas e projetos governamentais de incentivo à leitura no primeiro subitem e no subsequente apresenta exemplos de projetos de incentivo à leitura adequada ao campo no subitem. Conclui que apenas o Arca das letras tem alcance nacional e resultados expressivos a exemplo do numero de bibliotecas implantadas e de agentes de leitura envolvidos. No terceiro capítulo também com dois subitens são apresentadas propostas de integração das bibliotecas e agentes de leitura às escolas às distintas gerações e gêneros nas comunidades rurais. O documento finaliza com as considerações finais onde aponta para a necessidade de ações de integração dos diversos atores envolvidos com o Programa Arca das Letras, entendida como importante estratégia para a viabilização da política de bibliotecas rurais. 8 2. SOBRE O INCENTIVO Á LEITURA Um país se faz com homens e livros (Monteiro Lobato). Ler é melhor que estudar (Ziraldo) Ler é o melhor remédio. (...) Leia a vida! (...) Leia o que lhe der na telha (...) mas leia, e as ideias virão! (Luís Fernando Veríssimo). Na medida, porém, em que me fui tornando íntimo do meu mundo, em que melhor o percebia e o entendia na ‘leitura’ que dele ia fazendo, os meus temores iam diminuindo (Paulo Freire). Nas últimas décadas, a discussão do acesso à leitura como um direito tem-se evidenciado em todo o mundo. Dessa perspectiva, a leitura se relaciona diretamente com o exercício de uma cidadania ativa, uma vez que ela é determinante no desenvolvimento cognitivo, na formação do juízo crítico, no acesso à informação, na expressão e no enriquecimento cultural bem como um dos instrumentos essenciais de aprendizagem (SOARES, 2010). Para Aquino (2000, p.40) leitura “é uma prática social que não se resume á educação institucionalizada, mas centra-se na relação sujeito-conhecimento-mundo (...)”. É definida pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) como sendo “a capacidade de um indivíduo de entender, empregar e refletir sobre textos escritos, para alcançar objetivos, desenvolver conhecimentos e participar da sociedade”. Para este Programa a Leitura é vista como um processo “ativo”, que implica não apenas a capacidade para compreender um texto, mas a capacidade de refletir e de envolver-se com ele, a partir de ideias e experiências próprias. Para Neves, Lima e Borges (2007, p. 12), a promoção da leitura refere-se a uma área de intervenção específica, relativamente autónoma e em franco desenvolvimento, na qual se cruzam diversos setores, especialmente o da Educação e o da Cultura, mas, que se estende a outros setores como o da Saúde e o Social. Ainda segundo o autor e autoras acima citados, a promoção da leitura surge no setor da educação, “de forma paralela e complementar ao sistema de ensino: 9 prende-se essencialmente com o trabalho desenvolvido pelas bibliotecas escolares mas também com atividades desenvolvidas na sala de aula”. No setor da Cultura, ela surge “fortemente ligada ao trabalho desenvolvido pelas bibliotecas (públicas) e às políticas de alargamento do acesso aos diversos suportes de leitura”. Há consenso entre vários estudiosos sobre a importância da formação de leitores, para seu desenvolvimento social e educacional visto que o “o ler torna-se antes de tudo compreender” (SILVA, 1981, p. 2), ou seja, o ato de ler favorece um pensamento mais abrangente e mais elaborado da realidade vivida (FREIRE, 1997). Freire acreditava que o processo educativo não é neutro, mas sim de natureza política, e enfatizava a participação crítica e democrática dos educandos como sujeitos do conhecimento. Para este autor, a leitura do mundo ou da realidade é anterior à leitura da palavra, o que significa estabelecer conexões entre a linguagem e o contexto de quem fala e de quem lê e escreve. Assim, o ato de ler tem o poder de transformar o indivíduo e a sociedade. Diz ele: A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele (...) podemos ir mais longe e dizer que a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo, mas por uma certa forma de “escrevê-lo” ou de “reescrevê-lo”, quer dizer, de transformá-lo através de nossa prática consciente Freire, (1987, p. 11,12, 22). Isto fica evidente no Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, coordenada por Jacques Delors, que sustenta a ideia da necessidade da educação escolar trabalhar, para além da dimensão do saber, as dimensões do ser, do formar-se, do transformar-se, do decidir, do intervir e do viver e conviver com os outros. Nesse relatório a leitura aparece como um dos instrumentos essenciais de aprendizagem no contexto das reflexões sobre educação básica e necessidades educativas fundamentais feitas a partir das conclusões da Conferência de Jomtien, em 1990 (DELORS, 1998). Também, durante a XIII Conferência Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo, da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a 10 Ciência e a Cultura (OEI), em favor do estabelecimento de políticas para o desenvolvimento da comunidade ibero-americano, o fomento à leitura aparece como uma das formas de promoção da equidade social. A conferência reconheceu a leitura como “verdadeiro instrumento de inclusão social e fator básico para o desenvolvimento social, cultural e econômico” dos países ibero-americanos. De acordo com os dados coletados pelo PISA2, no ano de 2009, o Brasil é o 53º colocado em leitura numa lista de 65 países. O país atingiu 412 pontos em leitura sendo que a média sugerida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) é de 492, deixando o Brasil, a exemplo do que aconteceu na última edição, em 2006, numa posição negativa. Para exercer uma cidadania ativa, conforme afirma Soares, (op.cit. p.1) “é indispensável o domínio da leitura, uma vez que ele é determinante no desenvolvimento cognitivo, na formação do juízo crítico, no acesso à informação, na expressão e no enriquecimento cultural”. Ainda segundo essa autora, “para, além disso, só através do domínio desta competência o cidadão pode ser autónomo e tomar consciência de si próprio e dos outros, de forma a poder tomar decisões face à complexidade do mundo do século XXI”. É preciso destacar que o incentivo à leitura no meio rural brasileiro, por meio da implantação de bibliotecas, da formação de agentes de leitura e da distribuição de acervos, assume cada vez mais uma função social transformadora, tornando-se, portanto, condição necessária para seus moradores possa, conforme afirma Paulo Freire, interpretar, escrever, contar, aumentar os conhecimentos que já têm e conhecer o que ainda não conhecem e interpretar melhor o que acontece nas suas realidades. Sem a pretensão de tratar essa temática com a profundidade que merece, focaliza-se, no próximo subitem, as políticas de incentivo á leitura por meio de programas, projetos e campanhas, em específico, os que foram elaborados e implantados após a constituição de 1988. Vale observar, que na década de 1930, quando o cenário no Brasil era de mudanças econômicas, políticas e culturais, a partir de dois acontecimentos 2 As avaliações do Pisa acontecem a cada três anos e abrangem três áreas do conhecimento: Leitura, Matemática e Ciências, havendo, a cada edição do programa, maior ênfase em cada uma dessas áreas. No ano de 2009, a ênfase recaiu sobre o domínio da leitura. O Brasil participa do PISA desde a sua primeira edição, no ano 2000. 11 importantes – a Revolução de 30 e o Estado Novo –, foi institucionalizado o primeiro órgão para efetivar “(...) políticas de bibliotecas públicas, mecanismos institucionais que facultavam o compartilhamento, a difusão e o uso da informação disponível para as comunidades” (OLIVEIRA, 1994, p.17). Também, a partir da década de 1970, o governo brasileiro, iniciou, por intermédio do Instituto Nacional do Livro, projetos de financiamento de obras literárias3. 2.1 PLANOS, PROGRAMAS E PROJETOS GOVERNAMENTAIS DE INCENTIVO À LEITURA. Desde a redemocratização do país nos anos 1980 é possível constatar vários atos governamentais, oriundos do Ministério da Educação (MEC), e também do Ministério da Cultura (Minc), instituindo a elaboração de Planos, Programas e Projetos na área da leitura. Também foi criada uma Lei Federal (n° 10.753) que instituiu a política nacional do livro4, publicada em 31 de outubro de 2003 (Anexo I) e a Lei da Biblioteca Escolar - Lei nº 12.244 de 24 de maio de 2010 (Anexo II). Tais atos estão de acordo com a proposta de democratização do acesso aos bens e direitos, entre eles a educação, reivindicada pelos movimentos sociais. Constata-se, nesses movimentos a existência de uma concepção de incentivo à leitura, alinhada a uma perspectiva emancipatória vinculada ao processo de leitura do mundo numa perspectiva transformadora, conforme a teoria de Paulo Freire que defende a educação como sendo uma prática ético-política, um ato dialógico, onde o ato de conhecer e de pensar estariam diretamente relacionados. Mas, quando se refere aos atos governamentais de incentivo à leitura, o que se percebe é a priorização pela distribuição de livros, especialmente os didáticos, e demais materiais de leitura em escolas e bibliotecas públicas como se pode vê abaixo. 3 Para aprofundamento dessa questão cf. Programas, Projetos e Campanhas de Incentivo à Leitura: uma visão histórica. Copes, R. J; e Saveli E. de L. Disponível em: http://alb.com.br/arquivomorto/edicoes_anteriores/anais16/sem07pdf/sm07ss11_07.pdf. 4 Conhecida como “Lei do Livro”. 12 Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL)5 - instituído pela portaria interministerial n.º 1.442 de 10 de agosto de 2006, do Ministério da Educação e da Cultura. O plano centra-se numa visão política a partir de quatro eixos: (i) democratização do acesso por meio da implantação de bibliotecas públicas; (ii) fomento à leitura; (iii) valorização institucional da leitura e do seu valor simbólico; e, (iv) fomento à cadeia criativa e a cadeia produtiva do livro. Esse plano é composto por diversas ações, projetos, programas e políticas governamentais e da sociedade civil; Programa Nacional de Incentivo à Leitura (PROLER) - é um projeto de valorização social da leitura e da escrita vinculado à Fundação Biblioteca Nacional e ao Ministério da Cultura (MINC). Com o objetivo de incentivar o interesse nacional pela leitura e escrita e, ainda, promover políticas públicas que garantam o acesso ao livro e à leitura, contribuindo para a formulação de uma Política Nacional de Leitura; articular ações de incentivo à Leitura entre diversos setores da sociedade; viabilizar a realização de pesquisas sobre livro, leitura e escrita e incrementar o Centro de Referência sobre leitura; PRÓ-LEITURA - implantado em 1992, pelo Ministério da Educação (MEC) com o objetivo de contribuir com a formação continuada, tanto teórica quanto prática, dos professores, na área da leitura; Programa Nacional de Biblioteca da Escola (PNBE) - criado em 1997, pelo MEC em parceria com a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF) com a proposta de formar acervos básicos das bibliotecas públicas escolares de educação básica das redes federal, estaduais, municipais e do Distrito Federal; Projeto “Sala de Leitura” - Criado em 1988, com o objetivo de distribuir livros didáticos e de literatura para as escolas de Ensino Fundamental de todo o país. Resultado da parceria entre a Fundação de Assistência ao Estudante (FAE) e o MEC a proposta foi a de compra e distribuição dos livros de literatura infantojuvenil aos alunos do ensino público. Projeto Uma Biblioteca em Cada Município, destinado a ampliar a rede de bibliotecas públicas pelo país. Criado no ano de 1995, no âmbito da Secretaria do Livro e da Leitura (SLL), do Ministério da Cultura. Esse projeto foi destinado à 5 A partir do PNLL os governos estaduais e municípios puderam desenvolver seus Planos do Livro e Leitura locais. 13 ampliação da rede de bibliotecas públicas pelo país com a proposta de dar condições de abertura de uma biblioteca pública nas cidades que não possuíssem tal equipamento ou revitalizar bibliotecas com serviços deficitários. (Projeto Uma Biblioteca em cada Município, 2001). Projeto “Literatura em minha casa” teve como objetivo integrar os espaços educacionais e culturais, escola e família, em prol da qualidade de educação. O projeto destinava-se aos alunos matriculados na 4ª e na 8ª séries do Ensino Fundamental. A meta principal do MEC por meio desse programa foi investir diretamente no aluno, formando a sua biblioteca particular. Nesse caso, os livros de literatura seriam entregues aos próprios alunos que levariam as coleções para as suas casas. Tendo em vista a formação de leitores, o plano, os programas e projetos acima descritos, em específico, o PNBE, na sua concepção, pretende estimular a prática da leitura e possibilitar o acesso de alunos e professores da rede pública de ensino à cultura e à informação, a partir da distribuição de acervos de literatura, obras de referências e periódicos com vista a apoiar na melhoria do processo de ensino e de aprendizagem realizados nas escolas públicas. Não se pode, entretanto, afirmar que esses programas e projetos foram pensados para os moradores do meio rural. Isto porque, segundo alguns analistas, há um modelo de políticas públicas relacionadas à leitura e a formação de leitores, marcadas por atos governamentais de criação, redirecionamento, extinção e recriação de estruturas administrativas que vêm ao longo do tempo se ocupando basicamente da mera distribuição de livros, para as escolas formais (CUSTÓDIA, 2000). 2.2 OS PROJETOS DE INCENTIVO À LEITURA ADEQUADOS AO CAMPO Nesse subitem são apresentados exemplos de projetos de incentivo à leitura, adequados ao campo. O primeiro ponto a considerar é que se trata de uma seleção de projetos feita a partir da leitura das propostas de cada um e da verificação da adequação destas, ao meio rural; o segundo ponto a observar é que estes exemplos possam contribuir para a discussão da qualidade da leitura no meio rural, de modo a subsidiar políticas de melhoria da leitura e do acesso aos livros. 14 Muitas são as propostas de incentivo à leitura, elaboradas por governos, instituições privadas, organismos não governamentais, movimentos sociais, ordens religiosas, dentre outros. Tais propostas, em geral, são ações isoladas e localizadas que tentam promover, de alguma forma, práticas de leitura que auxiliem a superação do déficit educacional e oferecer apoio ao sistema de educação e ao desenvolvimento cultural de determinados grupos de indivíduos, em geral, do meio urbano. Assim sendo, são poucos os projetos de incentivo à leitura, adequados ao campo, conforme apresentados abaixo. Programa Arca das Letras - Criado em 2003, o programa Arca das Letras, tem como objetivo incentivar a leitura no meio rural brasileiro, por meio da implantação de bibliotecas, da formação de agentes de leitura e da distribuição de acervos. Atua prioritariamente, junto aos beneficiários do Programa de Crédito Fundiário, assentados da reforma agrária, comunidades tradicionais, pescadores, comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas, extrativistas e casas e escolas familiares agrícolas. O Programa incentiva à leitura no meio rural por meio de parcerias com diferentes esferas governamentais, e não governamentais e movimentos sociais, que tem garantido o acesso aos livros. Consiste em uma das várias políticas públicas voltadas para o desenvolvimento rural sustentável, adotada pelo governo federal, objetivando favorecer o desenvolvimento econômico, social e cultural das populações que vivem em áreas rurais. Desde sua criação em 2003, o Programa implantou 9.673 Bibliotecas Rurais, distribuiu cerca de 02 milhões de livros, atendeu mais de 1,5 milhões de famílias em 2.206 municípios e capacitou mais de 17 mil Agentes de Leitura. Nesta perspectiva, o Arca das Letras emerge como estratégia de apoio ao conhecimento, cultura e lazer, no meio rural brasileiro. Projeto minibibliotecas da EMBRAPA – tem por objetivo disponibilizar aos agricultores familiares, por meio de seus filhos em idade escolar, aos extensionistas e agentes de desenvolvimento rural informações e tecnologias geradas e/ou adaptadas pela Embrapa e por outras instituições parceiras, adequadas às necessidades do campo nas várias regiões do País. O projeto tem como públicoalvo professores de escolas públicas, escolas agrotécnicas e escolas famílias agrícolas por Centros Familiares de Formação por Alternância da rede Ceffas (também conhecidos como Escolas Famílias Agrícolas e Casas Famílias Rurais), que atendam alunos de área rural; filhos de pequenos produtores; juventude rural; 15 agricultores e agricultoras familiares; extensionistas; agentes de desenvolvimento rural; pescadores artesanais; comunidades quilombolas e outros segmentos da comunidade local. Projeto Mala do Livro - projeto denominado “Biblioteca Domiciliar” que está sob a responsabilidade da Secretaria de Cultura e Esporte do Distrito Federal, por meio da Coordenadoria do Programa de Biblioteca. Dentre outros objetivos do Mala do Livro, destacam-se: democratizar o acesso à informação, à cultura e à educação; apoiar e complementar os serviços oferecidos pelas bibliotecas públicas fixas e atuar como catalisador da promoção do livro e da leitura popular; Projeto Mala de Leitura – utilizado no processo de escolarização dos seringueiros, faz parte do Projeto Seringueiro - Programa de Educação do Centro de Trabalhadores da Amazônia, criado em 1981, junto ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, Acre, com a finalidade de mobilizar a sociedade civil e o Estado para levar escolas ao interior da Amazônia. São doze malas - bibliotecas com 30 livros de literatura infantil e juvenil que possibilitam o contato dos alunos com a literatura. São crianças com quase ou nenhum acesso ao livro. A área de atuação do projeto são as escolas que pertencem ao município de Xapuri, 23 ao todo, com 32 professores e o atendimento a cerca de 130 famílias. Projeto barco-biblioteca – trata-se de uma biblioteca itinerante que, desde o ano de 2008, estimula o hábito da leitura em comunidades ribeirinhas do Amapá/Pará e para outras comunidades da Amazônia. O projeto distribui livros, gibis, revistas, brinquedos e material escolar, arrecadados em campanhas permanentes. Projeto "Navegando e Lendo” – tem por objetivo disseminar o hábito da leitura entre os navegantes do rio amazonas, disponibilizando livros infantis, juvenis e adultos; divulgar o livro como fonte de desenvolvimento; incentivar a família ao cotidiano da leitura e seus benefícios; facilitar o acesso e o contato com o livro; conscientizar a população da importância do ato de ler; instruir sobre os cuidados com o meio ambiente e o destino correto do lixo fluvial; acondicionar em sacos especiais todo resíduo sólido (vidro, lata, plástico, borracha, etc) dos barcos da Amazônia. O projeto já está presente em 165 embarcações que trafegam pelos rios do Amazonas. 16 Instituto ler para crescer - tem o objetivo de articular a criação de Bibliotecasbrinquedotecas (pontos do Ler para Crescer), em colaboração com as comunidades e grupos solicitantes, visando a promoção humana e o desenvolvimento das potencialidades do público atendido (crianças, adolescentes e famílias), por meio de atividades culturais, sociais, de incentivo à leitura e cidadania (conforme Estatuto do Instituto Ler para Crescer). Sediado na cidade de Manaus, o Instituto desenvolve o Projeto 'Barco-Biblioteca' que leva literatura e arte às comunidades ribeirinhas do Amazonas. Projeto Biblioteca Barca dos Livros – trata-se de uma biblioteca comunitária, mantida pela SOCIEDADE AMANTES DA LEITURA, com sede na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, que defende a importância da leitura para o desenvolvimento comunitário e individual. O que se pode inferir a partir das informações levantadas sobre estes projetos é que apenas o Arca das letras tem alcance nacional e resultados expressivos a exemplo do numero de bibliotecas implantadas e de agentes de leitura envolvidos, conforme dito anteriormente. 17 3 SOBRE A INTEGRAÇÃO DAS BIBLIOTECAS E AGENTES DE LEITURA ÀS ESCOLAS ÀS DISTINTAS GERAÇÕES E GÊNEROS NAS COMUNIDADES RURAIS Frente aos desafios de se buscar a participação cidadã e a inclusão social nas ações de incentivo à leitura no meio rural, por meio do Programa Arca das Letras, considerando as questões de gênero e geração, há de se ter em conta o papel desses atores nas estratégias de desenvolvimento rural sustentável. Existe uma demanda dos movimentos sociais e organizações de mulheres e da juventude para que o rural apresente alternativas para um espaço de vida, com acesso à educação de qualidade, ao lazer e cultura, oportunidade de postos de trabalho e geração de renda. Uma referência importante para as propostas de integração das bibliotecas e dos agentes de leitura às escolas e às distintas gerações e gêneros é a Política de Desenvolvimento do Brasil Rural (PDRB) que apresenta um conjunto de estratégias e ações capazes de contribuir para a consolidação de uma vida digna às populações que optaram por trabalhar e viver nas áreas rurais do Brasil. As bases dessa politica estão assentadas, nas seguintes propostas: Na manutenção das populações nas áreas rurais com condições dignas de vida; Na valorização da produção familiar diversificada voltada prioritariamente para o abastecimento do mercado interno e para a segurança alimentar e nutricional; Na dinamização das economias territoriais com base numa integração horizontalizada das diferentes atividades econômicas desenvolvidas nos municípios de bases rurais; No incentivo às formas familiares e associativas de produção; No manejo e uso sustentável dos recursos naturais; Na democratização da propriedade da terra; Numa matriz energética menos dependente dos combustíveis fósseis; 18 No uso de tecnologias que respeitem as condições ecológicas e ampliem a autonomia dos sujeitos sociais protagonistas desse modelo de desenvolvimento rural; No protagonismo político de uma diversidade de atores sociais, com suas formas legítimas de organização e de representação de seus interesses coletivos; e, No resgate das formas tradicionais de manifestação e produção cultural. Outra referência importante para esta proposta é a da Política Nacional de Educação do Campo que diz respeito a “toda ação educativa desenvolvida junto às populações do campo e fundamenta-se nas práticas sociais constitutivas dessas populações: os seus conhecimentos, habilidades, sentimentos, valores, modo de ser, de ver, de viver e de produzir e formas de compartilhar a vida” (Art. 2º da Resolução 01 – CNE 03/04/2002 – Diretrizes Operacionais para Educação do Campo). Dentre a diversidade das populações do campo, estão os jovens e as mulheres que no contexto do Programa Arca das Letras tem assumido o papel de agentes de leitura. Esses agentes têm vivenciado processos de capacitação desenvolvidos pela CGAC que objetivam a qualificação dos atores para a gestão social das bibliotecas rurais. De acordo com a CGAC, o Programa Arca das Letras deve investir na consolidação das suas ações e nas perspectivas de integração das bibliotecas às outras políticas e projetos de educação e cultura, tendo como prerrogativa essencial a participação da sociedade civil e dos gestores públicos. 3.1 PROPOSTAS PARA INTEGRAÇÃO DAS BIBLIOTECAS E AGENTES DE LEITURA ÀS ESCOLAS O Brasil não dispõe ainda de bibliotecas públicas em todos os seus municípios e nesse contexto, o Programa Arcas das Letras surge como mecanismo de apoio que segue, promovendo o acesso ao livro e estimulando a leitura no meio rural. Esse Programa, sem dúvida nenhuma, é uma oportunidade de enfrentamento das dificuldades pelas quais passam os moradores do campo, do ponto de vista do acesso ao conhecimento, cultura e lazer. 19 Por um lado, ele atua como espaço estratégico para a efetivação de políticas públicas de inclusão social e cultural. Por outro, apresenta a oportunidade de se fortalecer ao se integrar com as políticas de educação e cultura. Vale salientar, que existe uma Lei de nº 12.244 de 24 de maio de 2010, que dispõe sobre a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do país. No seu parágrafo único, estabelece que “será obrigatório um acervo de livros na biblioteca de, no mínimo, um título para cada aluno matriculado, cabendo ao respectivo sistema de ensino determinar a ampliação deste acervo conforme sua realidade, bem como divulgar orientações de guarda, preservação, organização e funcionamento das bibliotecas escolares”. Segundo o site Universia Brasil, para cumprir essa lei, o Brasil vai precisar construir 130 mil bibliotecas até 2020. Atualmente, na rede pública, apenas 27,5% das escolas possuem uma biblioteca. Considerando que na dinâmica de implantação das bibliotecas rurais a gestão da biblioteca é de responsabilidade do agente de leitura e o seu local de instalação é determinado pela comunidade, sendo que, em geral, essa biblioteca é instalada na casa do próprio agente de leitura. Nessa direção, é que se apresenta a proposta de ações de integração das bibliotecas rurais aos sistemas educacionais dos Estados e Municípios aos quais pertencem. É interessante perceber que a biblioteca rural integra o PNLL, coordenado pelos Ministérios da Educação e da Cultura, e reúne uma ampla rede de parcerias, formada por órgãos públicos de várias áreas e esferas, instituições não governamentais, movimentos sociais e sindicais, editoras, livreiros, escritores que contribui para a chegada das bibliotecas nos espaços rurais. De forma empírica e criativa, essas parcerias criam mecanismos para colaborar com o Programa. A partir das parcerias acima apresentadas e com base nos dados do Sistema Arca das letras, faz-se a proposta dessa integração, propondo ações que envolvam essas parcerias, os agentes de leitura e as escolas locais, para apoiar a politica de educação do campo que destina-se à ampliação e qualificação da oferta de educação básica e superior às populações do campo, definida por meio do Decreto 7.352 de 04 de novembro de 2010. Propõe-se que esta integração seja por meio da implantação de espaços comuns de diversão e arte; do compartilhamento, troca de experiências e 20 informações sobre atividades de leitura, música, dança, artes cênicas e visuais, dentre outras manifestações culturais; de campanhas de arrecadação de livros nas escolas; pela integração entre os projetos politico-pedagógicos das escolas e as bibliotecas rurais. Necessariamente, a integração do Programa às escolas locais, passa, pela inclusão das manifestações culturais e pelo reconhecimento da biblioteca rural como ponto de leitura. Também, por inciativas para fortalecer a participação, a organização comunitária, produtiva, sindical, política, cultural e religiosa, geralmente organizadas pelos movimentos sociais, ONGs, organizações religiosas, instituições de assistência técnica e pesquisa e outras entidades da sociedade civil. Uma proposta que vem sendo articulada desde o ano de 2010 é a de sensibilização dos agentes de leitura para participação na formulação dos Planos Municipais e Estaduais de Livro e Leitura (PELL e PMLL), que representam perspectivas para organizar o setor do livro no Brasil, um movimento que reúne a sociedade civil, o MinC, o MEC, as prefeituras, livrarias e editoras para reduzir os baixos índices de leitura do país. Propõe-se, também uma maior aproximação com os projetos de Educação de Jovens e Adultos do Ministério da Educação, facilitando a integração dos agentes com os alfabetizadores e ampliando as condições de acesso aos livros. 3.2 PROPOSTAS PARA INTEGRAÇÃO DAS BIBLIOTECAS E AGENTES DE LEITURA ÀS DISTINTAS GERAÇÕES E GÊNEROS NAS COMUNIDADES RURAIS No item anterior apresentamos propostas de integração das bibliotecas rurais às escolas. Aqui retomaremos para enfocar a integração do Arca das letras às distintas gerações e gêneros. Gerações e gêneros, como dimensões fundamentais da vida social, correspondem a categorias relacionais e determinantes das relações sociais. O gênero diz respeito à construção social, histórica e cultural das diferenças baseadas no sexo e a geração consiste na posição e atuação do indivíduo em seu grupo de idade, que partilha a mesma experiência histórica, ou seja, diz respeito a um “grupo de pessoas que compartilharam experiências parecidas, que têm idades similares e que seguem tendências” (BUZ DELGADO; BUENO MARTÍNEZ, 2006). 21 Para o MDA o foco geracional está centrado na juventude rural6, pela importância que a mesma assume no processo de sucessão da agricultura familiar, portanto, na sua reprodução social. Em referência a esta categoria, demograficamente está ocorrendo uma inegável diminuição da porcentagem de jovens que vivem nas áreas rurais nas últimas décadas o que pode afetar a reprodução social da Agricultura familiar. Dessa maneira, é consenso em relação à necessidade de uma Política que efetivamente garanta as condições de vida, trabalho e renda, e acesso a direitos como educação, saúde e mobilidade. No I Seminário Nacional da Juventude Rural, que aconteceu de 21 a 24 de maio de 2012, em Brasília-DF, houve uma demanda pelo direito à vivência juvenil no campo e nas florestas com acesso a condições de expressão cultural, desportiva, de lazer, de interatividade nas redes virtuais. Nessa perspectiva, o Arca das letras é um Programa que pode contribuir com esta proposta, haja vista as iniciativas de estímulo à leitura. Sabe-se que esta é um componente importante de apoio à educação no campo e à reforma agrária e da construção da cidadania no campo. Como proposta de integração das bibliotecas às distintas gerações e gênero, há de se considerar a necessidade da criação de espaços, em torno das bibliotecas, de diálogos intergeracionais e de gêneros, compreendendo que cada um desses atores possuem histórias particulares e coletivas, que os gêneros, as gerações, as raças/etnias são diferenciadas. Elaborar e executar projetos e atividades relacionadas à biblioteca e outras atividades artístico-culturais envolvendo esses atores. Também é importante considerar a possibilidade de intensificar a troca de experiências entre estas bibliotecas e ações culturais do campo por meio de apresentações e debates sobre as ações, projetos e programas que desenvolvem e seus resultados, como forma de difundir e disseminar ações e estratégias de estímulo às distintas gerações e gêneros. Considerando que uma das competências da CGAC é articular, desenvolver e promover, em conjunto com outros órgãos e entidades, a realização de projetos artístico-culturais em áreas rurais de atuação da Secretaria, se faz necessário a 6 No ano de 2003 foi criado no âmbito do MDA a Coordenação de Juventude, bem como o lançamento do Programa Primeiro Emprego do Ministério do Trabalho e Emprego, que em alguma medida beneficiou a juventude rural. Nesse período, foi criada a linha “Nossa Primeira Terra” no Programa Nacional de Crédito Fundiário. 22 articulação e integração com as diversas organizações governamentais e não governamentais e entidades que atuam com os gêneros e a gerações no meio rural. 23 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este produto apresentou o documento contendo sistematização de projetos de incentivo à leitura adequados ao campo, e propostas para integração das bibliotecas e agentes de leitura às escolas, às distintas gerações e gêneros nas comunidades rurais, atendendo, dessa forma, o Termo de Referência que orienta o trabalho desta consultoria. A compreensão básica da missão da CGAC de formular políticas culturais para o meio rural, visando o desenvolvimento de atividades artístico-culturais, o acesso ao livro e o incentivo à leitura por meio da instalação de bibliotecas rurais aponta para a necessidade de ações de integração dos diversos atores envolvidos com o Programa Arca das Letras, entendida como importante estratégia para a viabilização da política de bibliotecas rurais. Esta estratégia envolve a realização de acordos que conduzam a iniciativas que possam apoiar os processos de educação para o desenvolvimento, o incentivo à leitura, a disseminação do livro e da informação no campo, contribuindo para a redução das desigualdades educacionais e favorecendo a sustentabilidade econômica, social, política, cultural, a equidade de gênero, racial e étnica. Vale dizer, que propor estratégias de integração das bibliotecas e agentes de leitura às escolas, às distintas gerações e gêneros nas comunidades rurais, é antes de qualquer coisa, compreender as dificuldades dessas populações de acesso aos bens culturais e educacionais e a importância do Programa Arca das Letras na inclusão desse público no universo do livro e da leitura. Recomenda-se que essas estratégias se baseiem nos princípios pedagógicos da educação do campo, em específico, o Princípio Pedagógico da autonomia e colaboração entre os sujeitos do campo e o sistema nacional de ensino. Este princípio considera que para “implementar políticas públicas que fortaleça, a sustentabilidade dos povos do campo, os sujeitos devem estar atentos para o fato de que existem diferenças de ordem diversa entre os povos do campo”. E que o “campo é heterogêneo, muito diverso”. Este princípio possui elementos facilitadores da integração e da aprendizagem, do intercâmbio e da cooperação, que podem expandir e fortalecer as 24 relações de cooperação entre gêneros e gerações. Tendo em conta que a integração das bibliotecas às escolas, aos gêneros e gerações perpassa pela proposta da promoção da leitura no meio rural, que é capaz de formar integralmente o ser humano em toda a sua integridade, reconhecendo suas singularidades, acredita-se que esta integração possa ressignificar a vida, a cultura, o trabalho e a dignidade desses grupos. Mas, uma reflexão se faz necessária ao final deste trabalho que é aquela que diz respeito ao caráter sempre inacabado do conhecimento, visto ser, conforme Bachelard (2004, p.19), “um modo de criação contínua”. Dessa forma, alicerçada a esta reflexão, destaca-se a necessidade de que esta proposta seja “re” construída, complementada de forma coletiva por todos que comunguem de seus objetivos e interesses e resultem numa ação consequente no campo da integração das bibliotecas rurais às escolas, aos gêneros e gerações do meio rural. Vale observar, esta proposta surge na intenção de integrar um conjunto de forças propulsoras do desenvolvimento rural, seja do campo de governo, da iniciativa privada e /ou da sociedade civil, articulado ao redor de uma proposta de integração das bibliotecas rurais às dinâmicas do desenvolvimento rural sustentável, com foco na dimensão social da educação do campo. Por fim, destaca-se a necessidade de uma maior aproximação da CGAC com os diversos atores envolvidos com essa temática, por meio de algumas ações, como: participação em eventos e fóruns de discussão sobre leitura, educação, cultura, mulheres e juventude rural; reuniões com atores envolvidos nas temáticas do livro, da leitura, das bibliotecas, e das áreas governamentais que lidam com educação, juventude e mulheres; realizar visitas de campo às comunidades rurais que receberam bibliotecas para discutir com as lideranças locais e usuários das bibliotecas para fundamentar esta proposta. ________________________________________ Maria Regina Teixeira da Rocha Consultora 25 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS AQUINO, Mirian de Albuquerque. Leitura e produção: desvelando e (re) construindo textos. João Pessoa: Editora Universitária/UFPB, 2000. BACHELARD, Gaston. Ensaio sobre o conhecimento aproximado. Rio de Janeiro: Contraponto, 2004. BRANDÃO, C. R. Em campo aberto: escritos sobre a educação e a cultura popular. São Paulo: Cortez, 1995. BRASIL. Decreto-Lei nº 93 de 21 de dezembro de 1937. Cria o Instituto Nacional do Livro. Disponível em: http://www2.camara.gov.br/legin/fed/declei/19301939/decreto-lei-93-21-dezembro-1937-350842- publicacao-1-pe.html. Acesso em: 24 de jun. de 2013. ______. Ministério da Cultura. Linhas de Ação para a Política Nacional do Livro. Rio de Janeiro: Edições Biblioteca Nacional, 2006. ______. Ministério da Cultura. Mais cultura para mais brasileiros: Governo Federal cria Fundo Pró-Leitura para garantir livros nas mãos de mais brasileiros. Brasília, 26 de nov. de 2009. Disponível em: http://blogs.cultura.gov.br/proleitura/tag/cadeia-produtiva-do-livro/. Acesso em: 24 de jun. de 2013. ______. Ministério da Cultura; Ministério da Educação; PNLL. Plano Nacional do Livro e Leitura. 2006. Disponível em: http://www.vivaleitura.com.br/pnll2/images/pnll_download.pdf. Acesso em:. 24 de jun. de 2013. ______. Ministério da Educação. Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE): leitura e bibliotecas nas escolas públicas brasileiras / Secretaria de Educação Básica, Coordenação-Geral de Materiais Didáticos; elaboração Andréa Berenblum e Jane Paiva. – Brasília: Ministério da Educação, 2008. BUZ DELGADO, J.; BUENO MARTÍNEZ, B. Las relaciones intergeracionales. Informes Portal Mayores, Lecciones de Gerontologia, Madrid, n. 66, 16 out. 2006. Disponível em: http://www.imsersomayores.csic.es/documentos/documentos/buzrelaciones- 01.pdf>. Acesso em: 01 de agos. De 2013. CERLALC; OEI. Agenda de políticas públicas de lectura. Colômbia, 2004. Delors, J. Educação um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. Tradução: José Carlos Eufrázio. Rio de Janeiro: Cortez Editora, 1998. FREIRE, P. A importância do ato de ler: em três artigos que se complementam. 26 São Paulo: Cortez, 1982. _____. Educação e mudança. 25 ed. Trad. Moacir Gadotti e Lílian Lopes Martin. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001. NEVES, J; LIMA, M. J. BORGES, V. Práticas de promoção da leitura nos países da OCDE. Lisboa: Gabinete de Estatística e Planejamento da Educação, 2007. Disponível em: http://www.oei.es/fomentolectura/Leitura_Paises_OCDE.pdf. Acesso em: 31/07/2013 NUNES, J. H. Formação do leitor brasileiro: imaginário da leitura no Brasil colonial. São Paulo: UNICAMP, 1994. OLIVEIRA, Z. C. P. A biblioteca “fora do tempo”: políticas governamentais de biblioteca públicas no Brasil, 1937–1989. 1994. 221 f. Tese (Doutorado em Ciência da Comunicação) – Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1994. ORLANDI, E. P. Discurso e leitura. São Paulo: Cortez, 2006. SILVA, E. T. da. O ato de ler: Fundamentos psicológicos da leitura, São Paulo: Cortez, 1981 SOARES, M. A importância da leitura no mundo contemporâneo. In e- revista Ozarfaxinars, 16, pp. 1-13. Disponível (on line) in http://www.cfaematosinhos.eu/ozarfaxinars.htm. Acesso em: 18 de junho de 2013. Sites consultados: http://hotsites.sct.embrapa.br/minibibliotecas; http://www.institutonatura.org.br/projetos/trilhas/ http://www.navegandoelendo.com.br/ http://www.institutolerparacrescer.org/ http://portal.mda.gov.br/portal/sra/programas/arcadasletras http://tudosobreleitura.blogspot.com.br/2010/02/biblioteca-barca-dos-livros-obarco.html http://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2013/01/23/996051/brasil-precisaconstruir-130-mil-bibliotecas-ate-2020.html 27 ANEXOS 28 ANEXO I POLÍTICA NACIONAL DO LIVRO - Lei nº 10.753, de 30 de outubro de 2003 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO I DA POLÍTICA NACIONAL DO LIVRO DIRETRIZES GERAIS Art. 1 o Esta Lei institui a Política Nacional do Livro, mediante as seguintes diretrizes: I - assegurar ao cidadão o pleno exercício do direito de acesso e uso do livro; II - o livro é o meio principal e insubstituível da difusão da cultura e transmissão do conhecimento, do fomento à pesquisa social e científica, da conservação do patrimônio nacional, da transformação e aperfeiçoamento social e da melhoria da qualidade de vida; III - fomentar e apoiar a produção, a edição, a difusão, a distribuição e a comercialização do livro; IV - estimular a produção intelectual dos escritores e autores brasileiros, tanto de obras científicas como culturais; V - promover e incentivar o hábito da leitura; VI - propiciar os meios para fazer do Brasil um grande centro editorial; VII - competir no mercado internacional de livros, ampliando a exportação de livros nacionais; VIII - apoiar a livre circulação do livro no País; IX - capacitar a população para o uso do livro como fator fundamental para seu progresso econômico, político, social e promover a justa distribuição do saber e da renda; X - instalar e ampliar no País livrarias, bibliotecas e pontos de venda de livro; XI - propiciar aos autores, editores, distribuidores e livreiros as condições necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei; XII - assegurar às pessoas com deficiência visual o acesso à leitura. 29 CAPÍTULO II DO LIVRO Art. 2 o Considera-se livro, para efeitos desta Lei, a publicação de textos escritos em fichas ou folhas, não periódica, grampeada, colada ou costurada, em volume cartonado, encadernado ou em brochura, em capas avulsas, em qualquer formato e acabamento. Parágrafo único. São equiparados a livro: I - fascículos, publicações de qualquer natureza que representem parte de livro; II - materiais avulsos relacionados com o livro, impressos em papel ou em material similar; III - roteiros de leitura para controle e estudo de literatura ou de obras didáticas; IV - álbuns para colorir, pintar, recortar ou armar; V - atlas geográficos, históricos, anatômicos, mapas e cartogramas; VI - textos derivados de livro ou originais, produzidos por editores, mediante contrato de edição celebrado com o autor, com a utilização de qualquer suporte; VII - livros em meio digital, magnético e ótico, para uso exclusivo de pessoas com deficiência visual; VIII - livros impressos no Sistema Braille . Art. 3 o É livro brasileiro o publicado por editora sediada no Brasil, em qualquer idioma, bem como o impresso ou fixado em qualquer suporte no exterior por editor sediado no Brasil. Art. 4 o É permitida a entrada no País de livros em língua estrangeira ou portuguesa, imunes de impostos nos termos do art. 150, inciso VI, alínea d , da Constituição, e, nos termos do regulamento, de tarifas alfandegárias prévias, sem prejuízo dos controles aduaneiros e de suas taxas. ( Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003 ) CAPÍTULO III DA EDITORAÇÃO, DISTRIBUIÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DO LIVRO Art. 5 o Para efeitos desta Lei, é considerado: I - autor: a pessoa física criadora de livros; 30 II - editor: a pessoa física ou jurídica que adquire o direito de reprodução de livros, dando a eles tratamento adequado à leitura; III - distribuidor: a pessoa jurídica que opera no ramo de compra e venda de livros por atacado; IV - livreiro: a pessoa jurídica ou representante comercial autônomo que se dedica à venda de livros. Art. 6 o Na editoração do livro, é obrigatória a adoção do Número Internacional Padronizado, bem como a ficha de catalogação para publicação. Parágrafo único. O número referido no caput deste artigo constará da quarta capa do livro impresso. Art. 7 o O Poder Executivo estabelecerá formas de financiamento para as editoras e para o sistema de distribuição de livro, por meio de criação de linhas de crédito específicas. Parágrafo único. Cabe, ainda, ao Poder Executivo implementar programas anuais para manutenção e atualização do acervo de bibliotecas públicas, universitárias e escolares, incluídas obras em Sistema Braille . Art. 8 o As pessoas jurídicas que exerçam as atividades descritas nos incisos II a IV do art. 5 o poderão constituir provisão para perda de estoques, calculada no último dia de cada período de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, correspondente a 1/3 (um terço) do valor do estoque existente naquela data, na forma que dispuser o regulamento, inclusive em relação ao tratamento contábil e fiscal a ser dispensado às reversões dessa provisão ( Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003 ) § 1 o Para a gestão do fundo levar-se-á em conta o saldo existente no último dia de cada exercício financeiro legal, na proporção do tempo de aquisição, observados os seguintes percentuais: I - mais de um ano e menos de dois anos: trinta por cento do custo direto de produção; II - mais de dois anos e menos de três anos: cinqüenta por cento do custo direto de produção; III - mais de três anos: cem por cento do custo direto de produção. § 2 o Ao fim de cada exercício financeiro legal será feito o ajustamento da provisão dos respectivos estoques. Art. 9 o A provisão referida no art. 8 o será dedutível para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003 ) 31 Art. 10. (VETADO) Art. 11. Os contratos firmados entre autores e editores de livros para cessão de direitos autorais para publicação deverão ser cadastrados na Fundação Biblioteca Nacional, no Escritório de Direitos Autorais. Art. 12. É facultado ao Poder Executivo a fixação de normas para o atendimento ao disposto nos incisos VII e VIII do art. 2 o desta Lei. CAPÍTULO IV DA DIFUSÃO DO LIVRO Art. 13. Cabe ao Poder Executivo criar e executar projetos de acesso ao livro e incentivo à leitura, ampliar os já existentes e implementar, isoladamente ou em parcerias públicas ou privadas, as seguintes ações em âmbito nacional: I - criar parcerias, públicas ou privadas, para o desenvolvimento de programas de incentivo à leitura, com a participação de entidades públicas e privadas; II - estimular a criação e execução de projetos voltados para o estímulo e a consolidação do hábito de leitura, mediante: a) revisão e ampliação do processo de alfabetização e leitura de textos de literatura nas escolas; b) introdução da hora de leitura diária nas escolas; c) exigência pelos sistemas de ensino, para efeito de autorização de escolas, de acervo mínimo de livros para as bibliotecas escolares; III - instituir programas, em bases regulares, para a exportação e venda de livros brasileiros em feiras e eventos internacionais; IV - estabelecer tarifa postal preferencial, reduzida, para o livro brasileiro; V - criar cursos de capacitação do trabalho editorial, gráfico e livreiro em todo o território nacional. Art. 14. É o Poder Executivo autorizado a promover o desenvolvimento de programas de ampliação do número de livrarias e pontos de venda no País, podendo ser ouvidas as Administrações Estaduais e Municipais competentes. Art. 15. (VETADO) 32 CAPÍTULO V DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 16. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios consignarão, em seus respectivos orçamentos, verbas às bibliotecas para sua manutenção e aquisição de livros. Art. 17. A inserção de rubrica orçamentária pelo Poder Executivo para financiamento da modernização e expansão do sistema bibliotecário e de programas de incentivo à leitura será feita por meio do Fundo Nacional de Cultura. Art. 18. Com a finalidade de controlar os bens patrimoniais das bibliotecas públicas, o livro não é considerado material permanente. Art. 19. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 30 de outubro de 2003; 182 o da Independência e 115 o da República. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Márcio Thomaz Bastos Antonio Palocci Filho Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque Jaques Wagner Márcio Fortes de Almeida Guido Mantega Miro Teixeira Ricardo José Ribeiro Berzoini Gilberto Gil 33 ANEXO II Lei da Biblioteca Escolar - Lei nº 12.244 de 24 de maio de 2010. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1o As instituições de ensino públicas e privadas de todos os sistemas de ensino do País contarão com bibliotecas, nos termos desta Lei. Art. 2o Para os fins desta Lei, considera-se biblioteca escolar a coleção de livros, materiais videográficos e documentos registrados em qualquer suporte destinados a consulta, pesquisa, estudo ou leitura. Parágrafo único. Será obrigatório um acervo de livros na biblioteca de, no mínimo, um título para cada aluno matriculado, cabendo ao respectivo sistema de ensino determinar a ampliação deste acervo conforme sua realidade, bem como divulgar orientações de guarda, preservação, organização e funcionamento das bibliotecas escolares. Art. 3o Os sistemas de ensino do País deverão desenvolver esforços progressivos para que a universalização das bibliotecas escolares, nos termos previstos nesta Lei, seja efetivada num prazo máximo de dez anos, respeitada a profissão de Bibliotecário, disciplinada pelas Leis nos 4.084, de 30 de junho de 1962, e 9.674, de 25 de junho de 1998. Art. 4o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 24 de maio de 2010; 189o da Independência e 122o da República. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Fernando Haddad Carlos Lupi Este texto não substitui o publicado no DOU de 25.5.2010