Primer Foro Nacional de Salud de los Pueblos Indígenas San José – Costa Rica 26, 27 y 28 de octubre de 2005 Observações Sobre o Modelo Brasileiro de Atenção à Saúde Indígena Edgard Dias Magalhaes1 O Subsistema de Saúde Indígena do Sistema Único de Saúde está organizado em Distritos Sanitários Especiais Indígenas – DSEI –, considerados como pontos de referência para as atividades de planejamento, organização e operacionalização, baseadas nas necessidades locais de saúde e com diretrizes de desenvolvimento provenientes do nível central. A definição territorial dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas, atualmente, leva em conta os seguintes critérios de organização: • • • • • população, área geográfica e perfil epidemiológico; vias de acesso aos serviços instalados na localidade e à rede regional do SUS; relações sociais entre os diferentes povos indígenas do território e a sociedade de entorno; distribuição demográfica tradicional dos povos indígenas – que não coincide necessariamente com os limites de estados e municípios onde estão localizadas as terras indígenas -; e disponibilidade de serviços, recursos humanos e infra-estrutura nos serviços de retaguarda. A definição territorial dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas ao mesmo tempo que incorpora ao SUS o respeito à diversidade e distribuição espacial dos povos indígenas, cultural e historicamente determinada e diversa da divisão política em unidades federativas, respeita o conceito de regionalização da rede de serviços do SUS, podendo ser útil para a estratégia de consolidação desta Experiências de harmonização dos sistemas de saúde indígena e nacional Atenção básica à saúde nas terras indígenas É garantida atenção básica nas terras indígenas por meio dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas e referência para a atenção à saúde de média e alta complexidade na rede de Serviços dos municípios e estados, com mecanismos de acompanhamento e atenção diferenciada. Casas de Saúde do Índio Promove serviços de apoio aos pacientes encaminhados à rede do Sistema Único de Saúde. Essas casas de apoio deverão estar em condições de receber, alojar e alimentar pacientes encaminhados e acompanhantes, prestar assistência de enfermagem 24 horas por dia, marcar 1 Mestre em Política Social, Antropólogo do Departamento de Saúde Indígena da Fundação Nacional de Saúde. Endereço eletrônico: [email protected] . 20 de outubro de 2005. consultas, exames complementares ou internação hospitalar, providenciar o acompanhamento dos pacientes nessas ocasiões e o seu retorno às comunidades de origem, acompanhados das informações sobre o caso. Formação e desenvolvimento de recursos humanos • • • Formação de agentes indígenas de saúde e saneamento Incentivo à formação superior de índios em ciências da saúde, sociais e afins Especialização em saúde indígena Modelo brasileiro Fortalezas • • • • Institucionalização dos direitos indígenas Movimento indígena organizado e atuante Existência de serviços descentralizados nos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas Existência de diversas instâncias de controle social Debilidades • • • Intersetorialidade Recursos Humanos Infra-estrutura (Comunicação e transporte) Ameaças • • • • Possibilidade de descontinuidade de investimentos e não garantia orçamentária. Não efetivação do controle social. Possibilidade de atuação ineficiente em políticas transversais como meio-ambiente, sustentabilidade econômica, educação, infra-estrutura etc. Existência de projetos econômicos regionais que impactem no ecossistema das terras indígenas. Oportunidades • • • • Grupos de trabalho interministeriais Acordos de Cooperação Técnica Cooperação internacional Sistemas de informação 2 PROBLEMAS PRIORITÁRIOS O desenvolvimento de ações estruturantes, de sustentabilidade econômica culturalmente adequadas é condição determinante sobre os quadros sanitários encontrados. É necessário o fortalecimento de políticas de segurança alimentar e sua ampliação para atingir todas as regiões com insegurança alimentar. É necessário o desenvolvimento de uma política de proteção e recuperação ambiental em áreas indígenas e áreas de influência. Efetividade nas ações de proteção da integridade das terras indígenas (prevenção e correção de invasões por terceiros) é necessário. Deve ser promovida a consolidação dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas como unidades de gestão e autoridade sanitária federal, com a constituição de quadros de recursos humanos com a devida capacidade técnica. Uma política de recursos humanos para a saúde indígena deve ser construída visando a redução da elevada rotatividade de profissionais e a continuidade de programas de desenvolvimento de competências profissionais nos DSEI. A rotatividade de profissionais não indígenas, que não se fixam nas regiões com menos infraestrutura de trabalho e qualidade de vida, coloca a necessidade de um planejamento a médio e longo prazo para formação de profissionais indígenas e fixação de profissionais não indígenas. Devem-se viabilizar uma política de recursos humanos para a saúde indígena, permitindo a existência de um quadro estável e qualificado ao longo do tempo. A forma de execução da atenção à saúde indígena deve ser estudada. Atualmente o Estado brasileiro não executa diretamente com os seus agentes, mas terceiriza a execução via ONG indígenas, não indígenas, universidades e prefeituras. Principalmente se utiliza a pactuação de ações e a transferência de recursos amparados juridicamente por convênios, regidos por legislação não específica e inadequada à relação com entes privados e à prestação contínua de serviços. Em muitos casos, o princípio da legalidade impõe a não aprovação de contas e bloqueia o repasse de recursos, causando prejuízo à continuidade dos serviços, mesmo quando as irregularidades são justificáveis. Deve-se desenvolver capacidade técnica e operacional de acompanhamento e controle das ações terceirizadas e fortalecer a participação comunitária e o controle social. Deve-se ainda buscar maior articulação dos serviços de saúde oficiais com os sistemas tradicionais indígenas de saúde. Todas as sociedades humanas dispõem de seus próprios sistemas de interpretação, prevenção e de tratamento das doenças. Esses sistemas tradicionais de saúde são, ainda hoje, o principal recurso de atenção à saúde da população indígena, apesar da presença de estruturas de saúde ocidentais. Sendo parte integrante da cultura, esses sistemas condicionam a relação dos indivíduos com a saúde e a doença e influem na relação com os serviços e os profissionais de saúde (procura ou não dos serviços de saúde, aceitabilidade das ações e projetos de saúde, compreensão das mensagens de educação para a saúde) e na interpretação dos casos de doenças. Este desafio se faz tanto no sentido da promoção da Interculturalidade no fazer sanitário, com o entendimento, aceitação e articulação de terapêuticas por parte dos profissionais de saúde, quanto no sentido da valorização e fortalecimento das medicinas tradicionais. Humanização dos cuidados em saúde indígena com reforma institucional das Casas de Saúde do Índio - CASAIs, desenvolvimento de estratégias de acolhimento e avaliação de risco do paciente indígena, construção de projetos terapêuticos singularizados dada as necessidades de saúde; reconhecimento e valorização da autonomia dos sujeitos dentre outros; reestruturação física das unidades de saúde, contratualização com as unidades de saúde que recebem incentivos financeiros (envolvendo regulação, centrais de agendamento de consultas e procedimentos, responsabilização quanto aos projetos terapêuticos etc). 3