Candidato à Câmara de Sintra arrisca expulsão do PSD POLÍTICA PÁG. 10 Pedro Pinto (esquerda) foi o homem escolhido pelo PSD para suceder a Fernando Seara. Marco Almeida (direita) arrisca sanção pesada Candidato a Sintra arrisca expulsão do PSD Polémica. Marco Almeida, vice-presidente dente nas próximas autárquicas, de Fernando Seara, vai concorrer como indepenà revelia da decisão da Comissão Política Distrital de Lisboa OCTÁVIO LOUSADA OLIVEIRA do próximo ano já começaram a fazer correr tinta no Partido Social Democrata (PSD) . A corrida à Câmara Municipal de Sintra levantou apolémica e pode mesmo terminar com a expulsão de Marco Almeida, atual vice-presidente do município, que apresentou a sua candidatura no sábado, mesmo sem contar com o apoio do partido. As eleições autárquicas O deputado e vicedos sociais-democratas Pe- do, incorre numa sanção que pode variar entre uma advertência e dro Pinto foi o homem escolhido pela Comissão Política Distrital de Lisboa para a disputa autárquica, mas nem isso demoveu Marco Almeida - que já é militante desde 1992-, que, segundo o regulamento de disciplina do parti- Contactado pelo DN, Pedro Pinto recusou-se a falar sobre o assunto, mas deixou escapar que "qualquer comentário seria interpretado como se estivesse a referir-se a uma sanção". Por sua vez, o líder da distrital de Lisboa, Miguel Pinto Luz, que não se considera "desautorizado", -presidente a expulsão. preferiu recordar que "o partido tem regras" e, como tal, Marco Almeida, "como qualquer outro militante, terá de sujeitar-se a elas". "Encaro a candidatura com naturalidade. Existe liberdade para um cidadão se candidatar. Mas não sou anarquista por natureza. Vivo e defendo o Estado de direito e por isso, tal como a sociedade, o partido tem de ter regras. Mas qualquer decisão pertencerá sempre ao Conselho de Jurisdição Nacional", sublinhou o dirigente social-democrata. Miguel Pinto Luz contrariou ainda as acusações de Marco Almeida de que o partido tenha "virado as costas às pessoas", recordando as medidas de cariz social inscritas no Orçamento do Estado do próximo ano. No entanto, o DN conseguiu apurar, junto de uma fonte próxima da direção do PSD, que a sanção máxima, isto é, a expulsão de Marco Almeida, pode mesmo confirmar-se. O processo disciplinar, esse, só será aberto quando a entrega da lista for formalizada. Àluz dos estatutos dos sociais-democratas, só o Conselho de Jurisdição Nacional tem competências para sancionar Marco Almeida. O documento máximo de regulação do partido prevê que só aquele órgão pode "proceder a inquéritos e instaurar processos disciplinares que considere convenientes ou que lhe sejam solicita- dos pelo Conselho Comissão Nacional, pela Política Nacional ou pelo secretário-geral". Quem também estará dividido neste processo é o atual presidente da Câmara Municipal de Sintra, Fernando Seara. De acordo com Marco Almeida, o autarca apoiou a sua candidatura numa primeira fase, até ser confrontado com a posição da distrital de Lisboa, estando agora de braços atados no que respeita à manifestação pública de apoio a qualquer uma delas. Os casos no PSD Esta disputa, que fica marcada pela "corrida por fora" de Marco Almeida, não é, ainda assim, um caso insólito no seio do PSD. Os últimos têm um denominador comum: processos judiciais. Em 2005, com Marques Mendes na liderança, os sociais-democratas recusaram apoiar a recandidatura de Isaltino Morais à Câmara Municipal de Oeiras e de Valentim Loureiro ao município de Gondomar. Na altura, Isaltino respondia por acusações de corrupção passiva, fraude fiscal, branqueamento de capitais e abuso de poder e cessou a militância para não ficar sujeito à expulsão. Já Valentim Loureiro, envolvido no processo "Apito Dourado", recebeu uma carta de desfiliação do Conselho de Jurisdição e chegou mesmo a apelidar Marques Mendes de "pequeno ditador". Em Lisboa, foi Gabriela Seara nas intercalares de 2007 integrava a lista independente de Carmona - arguido no caso Bragaa renunciar à militância parques para evitar a expulsão. Rodrigues, - Marco Almeida desafiou a distrital e criticou a direção nacional FRENTE A FRENTE a O meu nome foi aprovado na Comissão Política Distrital de Lisboa e vai ser discutido na Comissão Política Nacional do PSD. Até lá, não tenho qualquer comentário afazer, até porque se o fizesse seria sempre interpretado como se estivesse a referir-me a eventuais sanções, e não quero que isso aconteça" PEDRO PINTO CANDIDATO PELO PSD a A candidatura de Pedro Pinto é uma decisão da Comissão Política Distrital. É uma decisão que está tomada e que vai ter de ser ainda ratificada pela direção nacional do partido. É uma decisão da distrital, mas eu já tinha tomado a minha há muito. Esta candidatura não se vai subjugar a qualquer interesse partidário" MARCO ALMEIDA CANDIDATO INDEPENDENTE SANÇÃO Decisão nas mãos do Conselho Ditam os estatutos do PSD que qualquer caso de natureza disciplinar seja resolvido pelo Conselho de Jurisdição Nacional (CJN) . Neles pode inclusivamente ler-se que aquele é o órgão responsável por fazer cumprir "as disposições constitucionais, legais, estatutárias e regulamentares por que se rege o Partido" e que detém competências para "proceder aos inquéritos e ins> de Jurisdição taurar os processos disciplinares que considere convenientes ou que lhe sejam solicitados [...] a qualquer militante, podendo para o efeito designar como instrutores ou inquiridores os militantes que entender". João Calvão da Silva, jurista, professor universitário e antigo secretário de Estado no Governo do Bloco Central, preside o Conselho de Jurisdição desde 2010.