I
Universidade Camilo Castelo Branco
Centro de Engenharia Biomédica
MARIA DE FÁTIMA MARIANO BRICKS
UTILIZAÇÃO DA TÉCNICA DE FLUORESCÊNCIA DO LASER DIODO
655 nm NO MONITORAMENTO DA DESMINERALIZAÇÃO DO
ESMALTE DENTAL EM PACIENTES SUBMETIDOS A TRATAMENTO
ORTODÔNTICO
USE OF FLUORESCENCE TECHNIQUE WITH 655 nm DIODE LASER IN
MONITORING THE DEMINERALIZATION OF DENTAL ENAMEL IN PATIENTS
SUBMITTED TO ORTHODONTIC TREATMENT
São José dos Campos, SP
2010
II
Maria de Fátima Mariano Bricks
UTILIZAÇÃO DA TÉCNICA DE FLUORESCÊNCIA DO LASER DIODO 655 nm NO
MONITORAMENTO DA DESMINERALIZAÇÃO DO ESMALTE DENTAL
PACIENTES SUBMETIDOS À EM TRATAMENTO ORTODÔNTICO
Orientador: Prof. Dr. Aldo Brugnera Júnior
Co-orientador: Prof. Dr. Landulfo Silveira Jr.
Dissertação
de
Mestrado
apresentada
no
Programa
de
Pós-Graduação
em
Bioengenharia da Universidade Camilo Castelo Branco, como complementação dos
créditos necessários para obtenção do título de Mestre em Bioengenharia.
São José dos Campos, SP
2010
III
Ficha Catalográfica
IV
V
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho à minha mãe Cida Bricks, à minha
avó Aparecida Gelmi, aos meus amados filhos Felipe,
Gustavo e Natássia, aos meus irmãos Alfredo e Cristina, à
minha cunhada Hilda, aos meus sobrinhos Mariah e
Douglas pelo amor, apoio e compreensão. Amo vocês!
Dedico ainda àqueles que criaram desafios... Obrigada,
pois, ao tentar superar barreiras, cresci mais ainda.
VI
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS
A Deus, pelo dom da vida, pela proteção, por ter iluminado meu caminho e dado
forças para atingir meus ideais.
Aos meus pais, pelo apoio incondicional em todas as etapas desta jornada. A vocês,
que me ensinaram princípios como honestidade e responsabilidade e sempre
acreditaram em mim, o meu amor e a minha eterna gratidão.
Aos meus irmãos, Alfredo e Cristina, pelo carinho, amizade e incentivo em todos os
momentos de nossas vidas.
À minha cunhada Hilda e meus sobrinhos Mariah e Douglas que eu amo muito.
E um agradecimento mais do que especial e cheio de amor aos meus filhos Felipe,
Gustavo e Natássia, por serem a essência do amor que existe na minha vida e por
serem eles o meu porto seguro.
VII
AGRADECIMENTOS
Ao Magnífico Reitor, Prof. Dr. José Carlos Pettorossi Imparato, da Universidade
Camilo Castelo Branco.
Ao Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa: Prof. Dr. Renato Amaro Zângaro,
Coordenador do Curso de Bioengenharia.
Ao Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Bioengenharia: Prof. Dr.
Landulfo Silveira Júnior.
Ao meu orientador, Prof. Dr. Aldo Brugnera Junior, pela orientação, amizade e pelos
ensinamentos recebidos.
Ao meu co-orientador Prof.Dr. Landulfo Silveira Júnior pelos conselhos e orientação
em várias fases desta jornada.
Ao Prof. Dr. André F. Reis por ter gentilmente aceito o convite para participar da
Banca examinadora.
À responsável pela Secretaria Acadêmica do Centro de Engenharia Biomédica,
Nídia Lucia Domingues de Almeida, pelo competente trabalho.
Ao Prof. Dr. Marcos Maeda, pela realização e esclarecimentos da análise estatística.
À minha amiga Alessandra Aparecida Oliveira, por me entender nos momentos mais
difíceis da minha vida e nunca deixando que o desânimo me dominasse. Muito
obrigada.
VIII
“A maior recompensa para trabalho
do homem não é o que ele ganha com
isso, mas o que ele se torna com isso.”
Jhon Ruskin
IX
UTILIZAÇÃO DA TÉCNICA DE FLUORESCÊNCIA DO LASER DIODO 655 nm NO
MONITORAMENTO DA DESMINERALIZAÇÃO DO ESMALTE DENTAL EM
PACIENTES SUBMETIDOS A TRATAMENTO ORTODÔNTICO
RESUMO
A proposta neste estudo foi avaliar in vivo a importância e a eficácia do
monitoramento a laser DIAGNOdent (KaVo Company - Alemanha) na prevenção da
desmineralização do esmalte dentário ao redor dos bráquetes ortodônticos. O
DIAGNOdent emite uma radiação de comprimento de onda λ = 655 nm proveniente
de um laser de diodo pulsado com potência média inferior a 1 mW. A duração do
pulso é de 0,2 ms, e o período é de aproximadamente 500 Hz (parâmetros obtidos
com detector Ge - germânio - e um osciloscópio). Essa radiação é emitida por meio
de uma ponteira flexível, que, ao ser direcionada para uma superfície dentária
alterada, é refletida, captada e mensurada num visor eletrônico com valores de 0 a
99, havendo uma correlação direta entre o valor medido e a dimensão da lesão.
Esses recursos possibilitaram o monitoramento da desmineralização do esmalte
dental durante 6 meses de tratamento ortodôntico. Foram selecionados 15 pacientes
entre 12 e 17 anos de idade, de ambos os sexos, que apresentassem todos os
dentes permanentes hígidos do 2º pré-molar direito ao 2º pré-molar esquerdo,
superiores e inferiores. Foram examinados 20 dentes de cada paciente, totalizando
uma amostra de 300 dentes examinados em cada uma das seis sessões, com
intervalo de um mês cada sessão. Os pacientes selecionados para a pesquisa
receberam as mesmas orientações a respeito da dieta, da técnica e dos produtos de
higienização bucal. Nas consultas mensais foram realizadas a profilaxia preconizada
e a medição de cada dente em pontos previamente determinados. Ao longo dos seis
meses de experimento, foram feitas 1.800 avaliações. Pode-se afirmar que o
DIAGNOdent é um instrumento de grande valia para os ortodontistas para o controle
efetivo de lesões incipientes de cárie em superfície lisa.
Palavras-chave:
Fluorescência
laser
no
diagnóstico
desmineralização do esmalte dentário; tratamento ortodôntico.
da
cárie
dental;
X
USE OF FLUORESCENCE TECHNIQUE WITH 655 nm DIODE LASER IN
MONITORING THE DEMINERALIZATION OF DENTAL ENAMEL IN PATIENTS
SUBMITTED TO ORTHODONTIC TREATMENT
ABSTRACT
The purpose of this study was to evaluate the importance and effectiveness in vivo of
the laser monitoring DIAGNOdent (KaVo Company - Germany) in preventing
demineralization of the dental enamel around the orthodontic brackets. The
DIAGNOdent emits a λ = 655 nm wavelength radiation from a diode laser pulsed with
an average power lower than 1 mW. The pulse width is 0.2 ms and the period is
approximately 500 Hz (data collected from a Ge - germanium detector and an
osciloscope). Such radiation is projected from a flexible tip which, when directed to
an altered dental surface, is reflected, captured and measured on an electronic
screen in values from 0 to 99, being a direct correlation between the measured value
and the lesion extent. These resources allowed the monitoring of enamel
demineralization during the six-month orthodontic treatment. We selected 15 male
and female patients aged 12 to 17 years presenting all permanent teeth, from second
right to second left premolars, upper and lower. Twenty teeth of each patient were
examined, totaling a sample of 300 teeth examined at each of the 6 visits on a 30day interval basis. The patients selected for research were similarly oriented
concerning their diet and technique, as well as oral hygiene products. Upon each
monthly visit, the preconized prophylaxis was carried out as well as measuring each
tooth at points previously determined. During six months of trials, 1800 evaluations
were made. Therefore, we can assert that DIAGNOdent is a greatly appreciated
instrument for orthodontists to effectively control incipient carious lesions on smooth
surfaces.
Keywords: Laser fluorescence in the diagnosis of dental caries; dental enamel
demineralization; orthodontic treatment.
XI
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1: Primeiro laser a gás constituído por uma mistura dos gases nobres Hélio e
Neônio ...............................................................................................................
15
Figura 2: Laser de diodo modelo DIAGNOdent - Kavo .......................................................
27
Figura 3: Penetração de luz laser ........................................................................................
29
Figura 4: Colocação dos bráquetes .....................................................................................
35
Figura 5: Sonda de laser ......................................................................................................
36
Figura 6: Ponto de aplicação ...............................................................................................
36
Figura 7: Ponta B - superfícies planas vestibulares e linguais ............................................
39
Gráfico 1: Comparação entre os momentos para respostas do Dente 15 ......................
40
Gráfico 2: Comparação entre os momentos para respostas do Dente 14 .........................
41
Gráfico 3: Comparação entre os momentos para respostas do Dente 13 .........................
42
Gráfico 4: Comparação entre os momentos para respostas do Dente 12 .........................
43
Gráfico 5: Comparação entre os momentos para respostas do Dente 11 .........................
44
Gráfico 6: Comparação entre os momentos para respostas do Dente 21 .........................
45
Gráfico 7: Comparação entre os momentos para respostas do Dente 22 .........................
46
Gráfico 8: Comparação entre os momentos para respostas do Dente 23 .........................
47
Gráfico 9: Comparação entre os momentos para respostas do Dente 24 .........................
48
Gráfico 10: Comparação entre os momentos para respostas do Dente 25 .......................
49
Gráfico 11: Comparação entre os momentos para respostas do Dente 35 .......................
50
Gráfico 12: Comparação entre os momentos para respostas do Dente 34 .......................
51
Gráfico 13: Comparação entre os momentos para respostas do Dente 33 .......................
52
Gráfico 14: Comparação entre os momentos para respostas do Dente 32 .......................
53
Gráfico 15: Comparação entre os momentos para respostas do Dente 31 .......................
54
Gráfico 16: Comparação entre os momentos para respostas do Dente 41 .......................
55
Gráfico 17: Comparação entre os momentos para respostas do Dente 42 ......................
56
Gráfico 18: Comparação entre os momentos para respostas do Dente 43 .......................
57
Gráfico 19: Comparação entre os momentos para respostas do Dente 44 .......................
58
Gráfico 20: Comparação entre os momentos para respostas do Dente 45 .......................
59
Gráfico 21: Comparação entre todas as medições feitas nos primeiros pré-molares
superiores e inferiores ....................................................................................
60
Gráfico 22: Comparação entre todas as medições feitas nos caninos superiores e
inferiores ........................................................................................................
61
XII
LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Especificidades e sensibilidades ao laser ................................................................23
Tabela 2: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 15 ..... 40
Tabela 3: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 14 ..... 41
Tabela 4: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 13 ..... 42
Tabela 5: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 12 ..... 43
Tabela 6: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 11 ..... 44
Tabela 7: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 21 ..... 45
Tabela 8: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 22 ..... 46
Tabela 9: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 23 ..... 47
Tabela 10: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 24 ... 48
Tabela 11: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 25 ... 49
Tabela 12: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 35 ... 50
Tabela 13: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 34 ... 51
Tabela 14: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 33 ... 52
Tabela 15: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 32 ... 53
Tabela 16: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 31 ... 54
Tabela 17: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 41 ... 55
Tabela 18: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 42 ... 56
Tabela 19: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 43 ... 57
Tabela 20: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 44 ... 58
Tabela 21: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 45 ... 59
Tabela 22: Comparação entre todas as medições feitas nos primeiros pré-molares
superiores e inferiores ........................................................................................... 60
Tabela 23: Comparação entre todas as medições feitas nos caninos superiores e inferiores 61
Tabela 24: Compilação dos dados obtidos de cada elemento dental ..................................... 62
XIII
LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS
Å
Angstrom
α
alfa
β
beta
λ
comprimento de onda
CO2
dióxido de carbono
DE
densidade de energia
Er: YAG
érbio: ítrio-alumínio-granada
Er: YSGG
érbio: ítrio-escândio-gálio-granada
ErCr: YSGG
érbio-cromo: ítrio-escândio-gálio-granada
GaAlAs
arseneto de gálio e alumínio
h
hora
He-Ne
hélio-neônio
Ho: YAG
hólmio: ítrio-alumínio-granada
Ho: YLF
hólmio: ítrio-lantânio-flúor
min
minuto
Nd: YAG
neodímio: ítrio-alumínio-granada
Nd: YAP
neodímio: ítrio-alumínio-perovskita
Nd: YLF
neodímio: ítrio-lantânio-flúor
nº
número
P
potência
XIV
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 15
2. EFEITOS DO TRATAMENTO ORTODÔNTICO SOBRE O ESMALTE DENTAL .. 18
2.1. Efeitos do tratamento ortodôntico sobre o esmalte dental ......................... 20
2.2. Diagnóstico da cárie por meio da fluorescência induzida por luz ...............20
2.3. DIAGNOdent 2095 ..................................................................................... 26
3. OBJETIVO ................................................................................................................ 31
4. MATERIAL E MÉTODOS .........................................................................................32
4.1. Técnica sugerida para higienização bucal ................................................. 32
4.2. Metodologia ................................................................................................ 34
4.3. Campo de pesquisa .................................................................................... 37
4.4. População ................................................................................................... 37
4.5. Critério de inclusão e exclusão ................................................................... 37
4.6. Coleta de dados ......................................................................................... 38
5. RESULTADOS ......................................................................................................... 39
6. DISCUSSÃO ............................................................................................................ 63
7. CONCLUSÕES ........................................................................................................ 66
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................ 67
ANEXOS .......................................................................................................................72
15
1. INTRODUÇÃO
Albert Einstein foi o primeiro a dizer que um feixe de luz não quer dizer somente uma
onda eletromagnética com suas características usuais de freqüência, amplitude e
fase. Para explicar alguns fenômenos da época Einstein propôs que a luz é feita de
entidades discretas separadas e distintas entre si com uma energia proporcional a
onda de freqüência luminosa: que são os fótons. Então por volta de 1917 Albert
Einstein em seus experimentos descobriu uma teoria de emissão estimulada,
somente faltando a amplificação para conseguir o raio laser.
Antes do laser existia o MASER inventado por Charles que usou moléculas de
amônia como meio ativo. Logo que o MASER foi demonstrado, começou-se uma
busca incessante por um MASER ótico, isso quer dizer, um dispositivo que emitisse
um feixe coerente com freqüência na região da luz visível.
Townes e Arthur Schwlow propuseram um arranjo com uma cavidade
contendo meio ativo e dois espelhos como descrito no laser. Em julho de 1960
Theodor Maimann anunciou o primeiro laser, sendo de Rubi. LASER é na verdade
um acrônimo para Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation Amplificação da Luz por Emissão Estimulada de Radiação (CECCHINI,1995)
Figura 1: Primeiro laser a gás constituído por uma mistura dos gases nobres hélio e neônio.
Fonte: http://www.comciencia.br/reportagens/fisica/imagens/LASERS1peq.jpg
A luz de um laser difere de uma luz de uma lâmpada de filamento
incandescente, pois é mais intensa, é emitida numa só direção e tem uma cor
específica (comprimento de onda único), enquanto a luz de uma lâmpada
incandescente é fraca, é emitida em todas as direções e é formada por muitas cores
16
(radiações de diversos comprimentos de onda) que, somadas, resultam em luz
branca.
Existem muitos tipos de laseres, que variam quanto à intensidade do feixe, ao
tipo “cor” de radiação, à produção do feixe, se pulsada ou contínua, e quanto ao
desenho específico e tamanho da cavidade, esta última podendo ser de dimensões
microscópicas ou atingir vários metros de comprimento.
Os laseres podem ser produzidos em diversos meios, isto é, o meio ativo que
gera a radiação pode ser um sólido, como um cristal ou um semicondutor; ou um
líquido, como um corante ou pode ainda ser um gás ou vapor. O laser a gás é um
dos mais eficientes. Nessa categoria, está, por exemplo, o laser de dióxido de
carbono, cuja radiação, na região do infravermelho, não é visível (VASCONCELLOS,
2001).
Pode-se dividir os principais lasers em duas categorias: os de baixa potência,
ou “soft” lasers, e os de alta potência, “hard” ou “power” lasers, sendo uma tendência
atual, no nosso meio, seguir as abreviaturas HILT (“High Intensity Light Treatment”)
e LILT (“Low Intensity Light Therapy”), quando do emprego de um laser de alta ou de
baixa potência, respectivamente (BRADLEY, 1994).
Os laseres de baixa potência possuem um efeito eminentemente analgésico,
antiinflamatório e bioestimulante, sendo utilizados nos casos de aftas, herpes labial,
queilite angular, trismos, parestesias, hipersensibilidade dentinária, sensibilidade
pós-preparo cavitário, pós-intervenções endodônticas, destacando-se os laseres de
Hélio-neônio (He-Ne) e de Arsenieto de Gálio-Alumínio (GaAsAl) como os mais
usados (SUNDSTRÖM,1995. A laserterapia, com essa finalidade, resulta de um
particular aumento de beta-endorfina, aumento do ATP (adenosina Tri-Fostafo)
endocelular e, portanto, da energia endocelular (STRÖM et al, 1985) Além disso, a
luz provoca um aumento da micro-circulação local, da drenagem do fluido do sulco
gengival e um aumento na velocidade de produção dos fibroblastos e colágeno
(KARU,1989; RIBEIRO,1991).
Os laseres de altas densidades de potência causam, em geral, efeitos
térmicos (corte, vaporização tecidual e hemostasia). Dentre eles, pode-se citar como
os mais empregados, os de Neodímio (Nd:YAG), Érbio (Er:YAG), Hôlmio (Ho:YAG),
Dióxido de Carbono (CO2) e Argônio.
O primeiro trabalho de laser na Odontologia foi realizado por Stern e
Sogannaes, em 1964, utilizando o laser de rubi para a vaporização de esmalte e
17
dentina. .Em experimentos posteriores, sob condições especiais, demonstraram a
possibilidade de aumento da resistência do esmalte à ação de ácidos, o que sugeriu
a possibilidade de uso desses lasers na prevenção da cárie dental (STERN;
SOGNNAES, 1964).
Foi o médico Leon Goldman o primeiro a irradiar um dente vital com um laser
de rubi. Na primeira experiência, o paciente, seu irmão, que era cirurgião dentista,
não se queixou de dor durante ou após a irradiação superficial da coroa dental.
Assim, o primeiro procedimento odontológico com laser foi realizado por um médico,
e o primeiro paciente foi um cirurgião-dentista (BRUGNERA; PINHEIRO, 1998).
As primeiras aplicações do laser de rubi em Odontologia relataram sua
utilização em tecidos dentais duros. Desde então, muitas pesquisas têm sido feitas e
novos laseres desenvolvidos para as mais diversas aplicações, como em preparo de
cavidades, prevenção de cáries, cirurgia e diagnóstico.
A grande variedade de meios ativos existentes atualmente faz com que a
quantidade de equipamentos laser disponíveis no mercado venha crescendo
significativamente. Existe uma gama de laseres usados para os mais diversos tipos
de aplicações. O tipo de laser usado neste trabalho é um laser de diodo 655 nm.
18
2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1. Efeitos do tratamento ortodôntico sobre o esmalte dental
Carvalho e Lascala (1990), relatam que um dos grandes problemas encontrados pelos
ortodontistas diz respeito à higiene bucal de seus pacientes, pois a presença do
aparelho fixo pode dar início ou agravar uma inflamação gengival. O número elevado
de retenções causadas pelo aparelho ortodôntico leva a um aumento de placa
bacteriana e a uma maior dificuldade na higienização, o que fatalmente altera as
condições do meio bucal.
Ogaard, Gjermo e Rolla (1980) descrevem que pacientes ortodônticos têm
mostrado uma definida correlação entre a higiene bucal e a incidência de cárie.
Rosenbloom e Tinanoff (1991), demonstraram que pacientes submetidos à
terapia ortodôntica apresentam mudanças ecológicas bucais, tais como pH baixo no
meio ambiente, sítios de retenção aumentados para Streptococcus mutans e retenção
alimentar, os quais podem ser responsáveis pela desmineralização do esmalte,
freqüentemente observada durante o tratamento. Os autores avaliaram também os
níveis desses micro-organismos antes, durante e após a terapia ortodôntica.
Indivíduos que se encontravam na fase ativa do tratamento tiveram números e
percentuais significativamente maiores; entretanto, 6 a 15 semanas depois da
substituição pelos aparelhos removíveis (fase de contenção), foi observado que os
níveis de S. mutans decresceram quatro vezes, quando comparado à fase ativa do
tratamento, tendendo a retornar aos níveis de pré-tratamento.
Schlein et al. (1991) observaram também que pacientes portadores de aparelho
ortodôntico fixo exibiam bacteremia transitória. Desse modo, os autores alertam para
a necessidade de promover bons hábitos de higiene nesses pacientes, sobretudo
naqueles propensos a desenvolver endocardite bacteriana, pelo fato dessa medida,
além de melhorar as condições gengivais, reduzir a população bacteriana no sulco
gengival e, por conseguinte, na corrente sanguínea, já que essas bactérias são
facilmente transportadas durante a rotina diária de procedimento bucais, como
mastigação, escovação, bochechos etc.
Lehman; Davidson e Duijsters (1981) e Geiger et al. (1988), num estudo sobre
a freqüência de manchas brancas em pacientes ortodônticos, observaram uma
19
distribuição inespecífica entre os indivíduos. As manchas brancas moderadas e
severas ocorreram quando os bráquetes permaneceram por mais de 24 meses.
Toledo e Grecco (1965) concluíram que muitos fatores podem influenciar as
características físicas, químicas e biológicas da placa bacteriana, favorecendo o
desenvolvimento de cáries e doenças periodontais. Um desses fatores seria a
colocação de bandas, braquetes e fios ortodônticos na cavidade bucal, funcionando
como retenções adicionais para o acúmulo da placa bacteriana e estimulando
alterações ambientais na cavidade bucal.
Balenseifen e Madonia (1970) encontraram reduções significantes no pH da
placa bacteriana, aumento na quantidade de lactobacilos e na população de
Streptococcus mutans. A colocação de aparelho ortodôntico fixo resulta em um
número maior de retenções que, conseqüentemente, levam a um aumento desses
micro-organismos.
Horowitz et al. (1980); Lindhe et al. (2005) e Bellini et al. (1981) relatam que o
controle da placa bacteriana por meios mecânicos é considerado um recurso
importante para controlar diretamente os agentes etiológicos das doenças cárie e
periodontal.
Carranza e Newman (1979) mencionam que as alterações ambientais
decorrentes da adaptação dos dispositivos ortodônticos (braquetes, molas, elásticos,
bandas etc.) na superfície dental dificultam o controle e a higienização pelo paciente,
justificando a manutenção profissional diferenciada.
Gorelick, Geiger e Gwinnett (1982) constataram que, após três meses da
instalação do aparelho, em pacientes com má higiene, pode-se constatar desde
desmineralizações até cavitações em volta dos braquetes ou abaixo das bandas
ortodônticas.
Thylstrup e Fejerskov (1988) referem que a aparência da lesão inicial em
esmalte, ou seja, a mancha branca opaca é resultante das diferenças nos índices de
refração de luz entre a hidroxiapatita, a água e o ar. O esmalte que é um sólido microporoso, em condições de desmineralização, torna-se mais poroso, o que conduz a
uma alteração na sua propriedade ótica de tal forma que a luz se dissipa.
20
2.2. Diagnóstico da cárie por meio da fluorescência induzida por luz
O diagnóstico precoce de lesão de cárie é um dos principais parâmetros para a
avaliação do risco e atividade da doença. Como observado nos trabalhos de revisão
de literatura de Angmar-Mansson, Al-Khateeb, Tranaeus (1996) e Stookey et al.
(1999), a fluorescência induzida por luz (LIF) é um método vastamente explorado
pelos pesquisadores no diagnóstico da cárie. Fundamentalmente baseado nas
alterações das propriedades físicas que o tecido cariado exibe, demonstra ser um
promissor recurso auxiliar na prática clínica, por ser um método quantitativo, não
invasivo, objetivo, reprodutível e sem qualquer contra indicação.
Tam et al. (2001) relatam que o laser fluorescente é um sistema não
invasivo.que se baseia no princípio da fluorescência do laser, em que substâncias
duras desmineralizadas e bactérias fluorescem quando excitadas por radiação laser
com comprimento de onda entre 500 e 670 nm.
Para que o fenômeno da fluorescência (LIF) ocorra, uma fonte de excitação
deverá emitir radiação eletromagnética de forma a excitar as moléculas teciduais que
são transferidas a um nível maior de energia. Ao retornarem ao estado fundamental
essas moléculas liberam a energia acumulada sob a forma de luz referida como
fluorescência, cuja frequência corresponde à diferença de energia entre os estados
envolvidos.
König et al. (1983) e Hibst; König e Flemming (1998) concordaram ao afirmar
que é perfeitamente viável diferenciar o tecido cariado do sadio por meio do diferente
comportamento espectroscópico da fluorescência; normalmente a região cariada
exibe maior intensidade que o tecido sadio na região do vermelho.
Lussi (1993) comentou que a cárie tem se tornado um processo de progressão
lenta com a possibilidade de total remineralização de lesões iniciais.
Reich et al. (1998) e Longbottom et al. (1998), avaliando a evolução clínica de
um sistema a laser 655 nm para diagnóstico de cárie, relataram que numa
comparação entre os exames clínicos e os com laser em dentes de 140 crianças (53
meninas e 87 meninos), de 10 a 12 anos de idade, 15% dos valores marcados pelo
laser indicavam uma progressão de cáries que no exame visual não tinha sido
detectada. Existiu, porém, certa quantidade de falso positivo devido à sensibilidade do
sistema a laser para o cálculo. Concluíram que o novo sistema parece oferecer um
21
diagnóstico melhor quando comparado com o exame clínico; ele tem sensibilidade
que permite detectar um grande número de cáries ocultas.
Pinheiro (1998), verificou que os efeitos dos laseres nos diferentes tecidos
estão intimamente relacionados com a distribuição da energia depositada e que a
propriedade óptica de cada tecido determina a extensão e a natureza da resposta
tecidual que ocorre por meio dos processos de absorção, transmissão, reflexão e
difusão da luz laser.
Rigau (1998) relata que toda luz ao incidir numa superfície qualquer se
desdobra; uma parte é refletida e a outra absorvida de acordo com o ângulo de
incidência e das propriedades ópticas da superfície atingida. Em tecidos mineralizados
e polidos como o esmalte dental a reflexão é muito forte, e quanto menor o ângulo
formado entre o raio incidente e a superfície irradiada, maior será a reflexão, sendo
mínima quando o ângulo é de 90º. A luz laser, não sendo absorvida, é utilizada para
fins diagnósticos.
Ferreira et al. (1998), comparando in vitro a fluorescência a laser (LF) e o
exame visual (V) para detecção da desmineralização em fóssulas e fissuras oclusais,
demonstraram que, quando excitado pela luz laser de Argônio, o esmalte cariado
aparece escuro, quando comparado com a luminescência do esmalte sadio. As
imagens DEFL (“Dye Enhanced Laser Fluorescence”) foram obtidas após o dente ser
exposto a uma solução fluorescente (0,75% sódio fluorescente). Resultados indicaram
que DELF foi o melhor método de diagnóstico. O V (visual) e LF (“Laser
Fluorescence”) foram igualmente efetivos, quando a cor das fissuras foram incluídas
como um indicador da desmineralização no exame visual.
Reich et al. (1998) relatam que um sistema de diagnóstico a laser (KaVo
Company, Alemanha) é capaz de detectar a cárie por fluorescência da dentina
cariada. Esse sistema oferece uma detecção melhor das cáries de fissura, quando
comparado com outros diagnósticos clínicos. Alguns materiais restauradores e
selantes são autofluorescentes, indicam um resultado falso positivo com o sistema a
laser. O objetivo nesse estudo foi medir a fluorescência de diferentes materiais dentais
utilizando o sistema de diagnóstico a laser. As leituras do laser numa escala
percentual diferiram com respeito ao material, variando de 3 a 40% com alguns
materiais restauradores, mostrando valores de fluorescência similares ao da dentina
cariada o que interfere na leitura em torno das restaurações. Uma aplicação desse
sistema para detectar cáries secundárias parece questionável.
22
Hibst e Gall (1998) trabalharam no desenvolvimento de um detector de cárie
por fluorescência baseado num laser diodo 655 nm, como uma alternativa para
detecção de cárie por sonda dental ou exame radiográfico.
Zandoná et al. (1998) apresentam resultados de um estudo da fluorescência
quantitativa de luz induzida (QLF) para o diagnóstico da desmineralização inicial de
esmalte. Crianças entre 9 e 12 anos (n=137) foram examinadas, no início, e 4 e 8
meses após a avaliação inicial. O exame clínico da superfície vestibular, lingual e
oclusal foi feito na metade direita da boca, utilizando o ar comprimido e lupa (x2), e na
metade esquerda, usando ar comprimido e explorador. As mesmas superfícies foram
levemente secas antes do exame com a câmera intraoral equipada com a lâmpada de
arco (ALF clin, Inspektor Research Systems, BR). Essa lâmpada emite um largo
espectro de luz que é filtrado para uma pequena faixa de 370 nm. As imagens
fluorescentes filtradas (filtro > 520 nm) foram capturadas por um pequeno ângulo
usando uma câmera CCD colorida e um framer-graber (Comet, matrox, Electronic
System Ltda. Quebec, Canadá). A presença ou ausência de uma lesão foi
determinada nas imagens ao vivo. Para todos os exames QLF combinados,
detectaram-se 9,5 vezes mais superfícies desmineralizadas (significa 12,69) do que o
exame clínico de toda a boca (significa 1,33). Os x pontos indicam somente a
concordância justa entre exame clínico e QLF, o qual apesar de não ser
impressionante, é provavelmente melhor do que se esperava, considerando o
significado da diferença.
Lussi et al. (1999) visaram o desenvolvimento de um sistema de fluorescência
a laser para a quantificação de cáries. Para testá-lo em superfícies intactas e para
destaque dos melhores pontos para os diferentes estágios da cárie, antes da
medição, os dentes foram rigorosamente lavados com água e hipoclorito de sódio
(2,5%, 2 min) e então limpos com pedra-pomes. O sistema foi comparado com a
medição da condutância elétrica (ECM). Após a avaliação de 91 molares* humanos
avulcionados,
os
dentes
foram
preparados
histologicamente,
seccionados
perpendicularmente à face oclusal em série, e avaliadas as extensões das cáries. Os
melhores limites destacados foram determinados, sendo estabelecida qualquer cárie
com mais que a metade da espessura do esmalte (D2), ou cáries envolvendo a
dentina (D3).
*
A nomenclatura de todos os dentes encontra-se no Anexo A.
23
Na Tabela 1 foram encontradas as seguintes especificidades e sensibilidades (%).
Tabela 1: Especificidades e sensibilidades ao laser.
Especificidade
D2
D3
Sensibilidade
D2
D3
Laser no
dente úmido
Laser no
dente seco
ECM
80
86
74
79
63
77
84
64
79
76
84
88
Foi concluído que o novo sistema de fluorescência a laser pode ser um
instrumento útil na detecção de cáries. Contudo, o número indicado no visor deve ser
confirmado em outros dentes. Mais parâmetros, como a influência da placa ou cálculo
na fissura, e reprodutibilidade ainda devem ser avaliados.
Lussi et al. (1999) relataram que um pré-requisito na Odontologia preventiva
moderna é o monitoramento longitudinal do processo de cárie, a fim de decidir se o
tratamento requerido é o curativo ou o preventivo. Somando-se a outros fatores, a
reprodutibilidade de um método é um importante fator em relação a essa questão. O
propósito nesse estudo foi, portanto, testar a reprodutibilidade de um novo sistema a
laser para detecção de cáries. Oitenta e três molares humanos foram rigorosamente
limpos com água e NaOCl (2,5% a 2 min), foram montados em blocos e o estado da
superfície oclusal foi avaliado duas vezes, por 11 cirurgiões-dentistas, com o novo
sistema a laser. Foram dadas aos cirurgiões-dentistas instruções antes da avaliação,
mas nenhum deles tinha prévia experiência com o sistema. A qualidade da
reprodutibilidade entre a primeira e a segunda medida foi calculada com estatística, e
com o coeficiente de correlação de Spearman. O valor x foi determinado utilizando
nível preestabelecido para cáries que se estendem mais do que a metade da
espessura do esmalte (D2), ou cáries envolvendo a dentina (D3). Os resultados
revelaram um valor global total de 0,88 (concordância perfeita) para o nível D2 e 0,90
para nível D3. Foi concluído que em razão de sua boa reprodutibilidade, o sistema a
laser deve ter a capacidade para monitoramento longitudinal dos processos de cárie.
Reich et al. (1998), com base em seus estudos, relataram que o equipamento
laser de 655 nm mede a fluorescência emitida por desmineralização ou por cáries
como resultado da excitação com luz de laser. Devido ao fato de as cores dos dentes
e sua anatomia serem muito variadas, não é possível calibrar o instrumento de modo
24
a fornecer resultados precisos para todos os dentes de todos os pacientes. Por isso, é
necessário para o diagnóstico e monitoramento de cáries, registrar o valor máximo
para a superfície em questão, de modo que possa ser utilizado como referência para
uma medição de teste alguns meses depois. Relatam ainda que o diagnóstico de
cáries tem-se tornado mais difícil nos últimos anos, pois há clinicamente maior número
de cáries ocultas que não são diagnosticadas. Várias abordagens técnicas foram
estudadas numa tentativa de melhorar a detecção dessa doença. Um novo sistema
para o diagnóstico de cáries que usa um sistema de fluorescência a laser
(DIAGNOdent, KaVo, Biberach, Alemanha), foi desenvolvido. O objetivo desse estudo
foi avaliar a precisão desse novo sistema na detecção clínica da cárie. Vinte e quatro
pacientes foram examinados clinicamente, radiograficamente e com sistema a laser.
Eles tinham 55 dentes posteriores com diagnóstico a laser positivo, mas diagnóstico
clínico da cárie duvidoso. As fissuras duvidosas foram cuidadosamente abertas com
uma broca diamantada para avaliação. Duas pontas de laser com angulações
diferentes foram avaliadas com repetidas medições. Treze por cento das lesões foram
restritas ao esmalte, e 87%, em dentina. Para as lesões de esmalte, o laser deu
medições médias de 29% em escala de porcentagem, com mínimo de 15% e máxima
de 47%, e nas lesões de dentina a média foi 56%, com variável de 20 a 99%. Essas
diferenças foram estatisticamente significantes (p < 0,05). A ponta de menor
angulação foi aproximadamente 30% mais sensível do que a maior. Enquanto esse
estudo planejado pôde avaliar somente superfícies classificadas como cárie, o
sistema a laser foi capaz de detectar cáries em todos os casos, e a ponta menor
melhorou a sensibilidade para detecção de cáries, in vivo. Mais dados são
necessários para diferenciar lesões de esmalte e dentina.
Longbotton et al. (1998) comparou, in vivo, o desempenho de um novo
aparelho para detecção de cáries, com o método visual e elétrico em superfícies
oclusais. Dezenove pacientes, com um total de 40 dentes indicados para exodontia,
por razões ortodônticas, participaram desse estudo. A superfície oclusal dos dentes
em questão foi examinada visualmente pela presença de cáries de esmalte (D1) ou de
dentina (D3). Além disso, um novo aparelho a laser (LF, DIAGNOdent, KaVo,
Biberach, Alemanha) foi utilizado nesses dentes e registradas as medições.
Finalmente, as medidas das superfícies dos 40 dentes foram obtidas utilizando creme
dental e um monitor eletrônico de cáries (ECM, Sensor Tecnology, Holanda).
25
Utilizando limiares de medições de cárie para LF e ECM obtidos previamente, in vitro,
os resultados obtidos foram:
Sadio: visual = 18 / LF = 0 / ECM = 8;
Cáries de esmalte: visual = 14 / LF = 4 / ECM = 3;
Cáries de dentina: visual = 8 / LF = 36 / ECM = 20.
Longbotton et al. (1998) têm demonstrado que as medições com o ECM
apresentam mais sensibilidade do que o diagnóstico visual para cáries de dentina e
esmalte. O limiar do ECM foi usado para a validade da LF, enquanto o histológico
estava sendo feito. Quando comparado aos resultados do ECM, o aparelho LF tem
valores de especificidade de 0 (D1) e 27% (D3) e de sensibilidade de 100% (D1 e D3).
Aumentando-se o valor do limiar, in vitro, do LF obtido previamente para cáries de
dentina de 11 para 18 numa escala de 0 - 99 resultou em um valor de especificidade
de 82% (D3) e de sensibilidade de 90%. Foi concluído que o novo aparelho para
detecção de cárie produz resultados promissores, com valores de sensibilidade e
especificidade, in vivo, semelhantes àqueles obtidos do ECM. Mais estudos utilizando
validade histológica são necessários e estão ocorrendo.
Hibst e Paulus (1998) compararam por meio da espectroscopia a fluorescência
do tecido dentário, quando excitado pelo laser de argônio (λ = 488 nm) e pelo laser
diodo (λ = 640 e 655 nm). A excitação do tecido dentário com a luz vermelha (laser
diodo) exibe melhor contraste entre a região cariada e a região sadia, especialmente
quando excitado por λ = 655 nm. Excitando amostras de esmalte dentário com λ =
655 nm os autores observaram maior fluorescência no tecido cariado com pico em
torno de 740 nm.
Klimm et al. (1999), ao examinarem 224 dentes (37 pré-molares e 187
molares), utilizando o método visual, radiográfico e o laser fluorescente no diagnóstico
de cárie oclusal, constataram por meio de dois examinadores e pela validação
histológica sensibilidade alta e especificidade baixa.
Lussi e Francescut (2003), avaliaram o DIAGNOdent em 70 dentes por meio de
validação histológica encontrando uma sensibilidade para o laser de 82% contra uma
especificidade de 74%, com performance similar para o diagnóstico de cárie oclusal
tanto em decíduos quanto em permanentes.
26
2.3. DIAGNOdent 2095
O equipamento a laser utilizado nesta pesquisa mede a quantidade de luz
fluorescente irradiada dos defeitos (desmineralização) do dente, como resultado da
excitação por um laser de diodo. Como o tecido cariado emite maior fluorescência
que o tecido dentário sadio quando excitado por uma luz com comprimento de onda
específico, muitos métodos têm sido desenvolvidos baseados neste fenômeno.
Dentre eles temos no mercado um aparelho baseado em fluorescência a laser DIAGNOdent 2095,que emite um laser diodo com comprimento de onda de 655 nm
e que emite luz vermelha a qual é absorvida por componentes orgânicos e
inorgânicos do tecido dentário, de modo que a região desmineralizada exibe maior
fluorescência que a sadia. Através de um fotodetector, a fluorescência emitida pelas
porfirinas endógenas (fluoróforos) produzidas pelas bactérias cariogênicas é
captada. As porfirinas são uma classe de moléculas orgânicas de pigmento de cor
púrpura e de origem natural. A estrutura em anel da porfirina é a razão pela qual
todos os derivados porfíricos absorvem luz a um comprimento de onda próximo dos
410 nm. Além das lesões de cárie, estudos demonstram que a placa bacteriana
fluoresce fortemente quando excitada e se sugere que essa fluorescência se deva á
presença de porfirinas em bactérias da placa, particularmente as Gran-negativas
anaeróbicas as quais são mais numerosas na placa tardia (LUSSI; FRANCESCUT,
2003; MACHIULSKIENE; NYVAD; BAELUM, 1999).
O DIAGNOdent 2095 apresenta um painel frontal com dois visores que indicam
a fluorescência com escores que variam de 0 a 99 (Figura 2). O visor à esquerda
capta o valor atual, o segundo à direita capta o máximo valor medido. A calibração é
efetuada com auxílio de um padrão externo e um disco cerâmico. Esse padrão
externo pode ser utilizado para calibrar a unidade em intervalos regulares a fim de
garantir a reprodutibilidade dos resultados. O aparelho possui três sondas: duas em
forma de cone truncado (sonda A, exame de áreas oclusais) e uma plana (sonda B,
exame de superfície lisa).
27
Figura 2: Laser de diodo modelo DIAGNOdent - Kavo.
Fonte: http://www.feistdental.com/office.asp
O aparelho emite uma radiação vermelha de comprimento de onda λ = 655 nm
proveniente de um diodo semicondutor pulsado com potência média inferior a 1 mW.
A duração do pulso é de 0,2 ms e o período é de aproximadamente 500 Hz
(parâmetros obtidos com detector Ge - germânio e um osciloscópio).
Esse aparelho foi apresentado, em 23 de janeiro de 1998, durante um
seminário na Clínica Odontológica Universitária de Homburg pelo Prof. E. Reich e
outros participantes do grupo de trabalho do Prof. Lussi, em Berna, na Suíça, e do
conferencista R. Hibst, do “Institute Fül Lashtechnologien in der Medizin und
Messtechnik”, em Ulm, Alemanha.
De acordo com o manual de instrução “DIAGNOdent: princípio de
funcionamento” fornecido pela KaVo Company Germany (1998), foi relatado que
substâncias duras alteradas como concrementos, placa e cáries, quando expostas à
luz com um comprimento de onda de aproximadamente 650 nm, emitem uma luz
fluorescente após serem atingidas pela luz do laser.
O raio laser penetra vários milímetros dentro do dente, e a profundidade de
penetração depende do seu tipo e condição da substância. A luz fluorescente emitida
pelos defeitos é redirecionada ao dispositivo por meio de fibras luminosas adicionais
na circunferência da guia luminosa. Essa informação é processada pelos
componentes eletrônicos no interior do instrumento.
O resultado da mediação aparece no visor, como um valor entre 0 a 99. A
tendência desse valor está em relação direta com o tamanho da lesão.
28
Opcionalmente, a detecção da radiação fluorescente, pode ser indicada por meio de
um sinal sonoro.
O instrumento possui também a função de calibração. Esse recurso é desejável
nos casos em que se quer obter medições exatas por um período de tempo extenso,
por exemplo, ao monitorar cáries por vários meses. A calibração é efetuada com
auxílio de um padrão externo que pode ser utilizado para calibrar a unidade em
intervalos regulares a fim de garantir a reprodutibilidade dos resultados.
A unidade é fornecida com três sondas extras, duas em forma de cone
truncado (sonda A) e uma plana (sonda B). Essas diferentes sondas permitem
exames de áreas como fissuras oclusais e superfícies lisas vestibulares e linguais.
Uma terceira sonda (C) está em desenvolvimento para ser utilizada em superfícies
proximais.
Como norma geral, a substância dental sadia apresenta valores até 5, lesões
iniciais no esmalte produzem valores de aproximadamente 5 a 10, enquanto os
maiores que 20 indicam o início de cárie de dentina. Valores excedendo 25 ou 30 são
indicados para cáries de dentina avançadas (Anexo B). “A partir do score de
fluorescência 21, já se detecta uma lesão na dentina. Mas ainda não é possível
precisar em que terço da dentina está uma lesão com score de 40, 50, ou 60. É
importante saber a partir de que número há segurança para afirmar que a lesão pode
ser inativada” (ZANIN, 1999).
Antes da utilização do laser, a fissura ou superfície a ser diagnosticada deve
ser limpa. A extensão da limpeza depende necessariamente do grau de sujeira. Por
isso, ela pode ir desde a simples secagem (remoção da saliva), até a remoção da
placa e polimento de fissuras ou de outras superfícies dentais, com unidade de
abrasão a pó ou escovas rotativas. A sonda de laser é movida ao longo da fissura ou
de outra superfície dental.
Para a melhor compreensão do método de diagnóstico a laser da superfície
dos dentes, faz-se necessário o entendimento do mecanismo de interação dessa luz
laser com os tecidos em que ela incide.
A propriedade óptica de cada tecido determina a extensão e a natureza da
resposta tecidual que ocorre pelos processos de absorção, transmissão, reflexão e
difusão da luz laser.
Toda luz ao incidir sobre uma superfície qualquer se desdobra, uma parte é
refletida, e a outra, absorvida de acordo com o ângulo de incidência e das
29
propriedades ópticas da superfície atingida. Em tecidos mineralizados e polidos como
o esmalte, a reflexão é muito forte e quanto menor o ângulo formado entre o raio
incidente e a superfície irradiada, maior será a reflexão, sendo mínima quando o
ângulo é de 90°. A luz laser, não sendo absorvida, é utilizada com fins diagnósticos.
Durante a penetração de uma luz laser paralela (Figura 3), em um material com
textura heterogênea, como, por exemplo, o esmalte e a dentina, e por causa de
reflexões múltiplas, o raio perde o seu paralelismo e se expande mais e mais,
resultando em um efeito conhecido como difusão. Também uma parte de luz laser que
incide sobre um tecido pode ser refletida pela superfície sem penetrar ou interagir com
ele. O resultado dessa reflexão, de acordo com a propriedade óptica do tecido
avaliado, reflete em proporções variáveis de maneira que pode ser medida por
sensores eletromagnéticos, podendo ser utilizadas em exames diagnósticos (TEN
CATE, 2001).
Figura 3: Penetração de luz laser.
Fonte: Foto gentilmente cedida pelo Prof. Dr. Aldo Brugnera Júnior
O DIAGNOdent 2095 pela fluorescência do laser de diodo 655 nm consegue
detectar o nível de desmineralizacão que ocorre no esmalte dental.
O laser de diodo é uma pastilha de material semicondutor, um diodo. A região
ativa do diodo é formada por materiais semicondutores; as duas estruturas cristalinas
são dotadas com certa quantidade de material para que possam apresentar
características elétricas diferentes, a saber: uma camada de material condutor de
30
carga elétrica positiva (camada p): AsGa (Arsenieto de Gálio) tipo p - dopado com
zinco (Zn); a outra camada de material condutor de cargas negativas (camada n):
AsGa tipo n - dopado com telúrio (Te). As duas camadas condutoras são separadas
por uma camada não condutora.
Para que o diodo emissor de luz seja formado de radiação laser, é necessário
que sejam adicionadas superfícies refletivas em cada extremidade da junção de forma
a criar uma cavidade ótica. Embora essas cavidades sejam extremamente pequenas,
podem produzir vários watts de potência. Os diodos possuem comprimento de onda
no espectro vermelho e infravermelho (620 a 1.500 nm), os quais são determinados
pelo tipo de material semicondutor utilizado. Assim, o DIAGNOdent 2095 é a primeira
ferramenta de diagnóstico a fornecer resultados reproduzíveis e quantitativos no
exame de substância dura alterada, o que é muito vantajoso para o monitoramento da
condição do dente.
31
3. OBJETIVO
A execução deste trabalho teve por objetivo analisar o grau de desmineralização do
terço cervical do esmalte dental após a colagem de bráquetes em pacientes
submetidos a tratamento ortodôntico com aparelho fixo, utilizando a fluorescência
como indicador do estatus de mineralização dos tecidos dentários. O aparelho laser
DIAGNOdent (Kavo, Biberach, Alemanha) utilizado nesse trabalho permite que a
fluorescência das superfícies dos dentes seja capturada.
32
4. MATERIAL E MÉTODOS
Foram selecionados 15 pacientes, com idade entre 12 e 17 anos, de ambos os
sexos, que apresentassem todos os dentes permanentes hígidos. As medições com
o DIAGNOdent foram realizadas de 2º pré-molar direito ao 2º pré-molar esquerdo,
superiores e inferiores.
Foram assim examinados 20 dentes de cada paciente, totalizando uma
mostra de 300 dentes em cada uma das 6 sessões realizadas, com intervalo de um
mês cada sessão. Ao término das 6 consultas foram então realizadas 1800
medições.
Os pacientes selecionados para a pesquisa receberam as mesmas orientações a
respeito da dieta e técnica de higienização bucal e dos produtos que deveriam ser
usados. Os produtos padronizados foram fornecidos pela autora durante todo o
tratamento ortodôntico.
•
Escova dental macia suave nº 30 (Johnson & Johnson).
•
Escova bi-tufo da para limpeza dos bráquetes.
•
Passa fio (Sani-Fio).
•
Fita dental com cera (Johnson & Johnson).
•
Fluordent para bochecho noturno (Johnson & Johnson).
•
Dentifrício fluoretado (creme dental Colgate Tripla-Ação).
As escovas dentais foram trocadas a cada 2 meses
4.1. Técnica sugerida para higienização bucal
Os pacientes foram orientados para que o início da escovação se desse pela arcada
superior repetindo os mesmos movimentos na inferior.
1.
Limpeza das faces vestibulares e palatinas e/ou linguais. Posiciona-se a
escova em ângulo de 45 graus com as cerdas voltadas para a cervical,
introduzidas no sulco gengival e desliza-se esta escova em direção a superfície
oclusal ou incisa, girando ligeiramente a cabeça da escova, repetindo o
movimento de cinco a dez vezes para cada conjunto de dois dentes. Inicia-se a
escovação na extremidade de uma arcada e segue-se até a outra escovando
33
assim todos os seus dentes. Recomenda-se iniciar pela face lingual ou
palatina, uma vez que esta é sistematicamente esquecida durante o
procedimento de escovação, a seguir repete-se o mesmo procedimento na
vestibular.
2.
Para complementar a limpeza nas faces vestibulares, local mais crítico onde se
localizam os acessórios e arcos ortodônticos, o paciente deve introduzir as
cerdas da escova entre os dentes e o arco vestibular com as pontas voltadas
para a superfície de mastigação. Introduzem-se as pontas das cerdas, com
movimentos de vai e vem, em todos os espaços entre dois dentes adjacentes
de um lado a outro da arcada, nos dois arcos dentários. Após a escovação
com a escova dental, o acabamento da limpeza dos bráquetes e ao redor dos
mesmos foi usada a escova unitufo.
3.
Para higienização das superfícies oclusais, recomenda-se movimentos
anteroposteriores no sentido mesio-distal dos pré-molares e molares.
4.
A superfície distal dos últimos dentes da arcada (2º molar ou 3º molar) deve
ser higienizada com a escova com movimentos de cervical para oclusal.
5.
A escova deve ser passada ao redor de todas as superfícies dos acessórios
ortodônticos. As superfícies proximais já foram limpas quando da introdução
das cerdas da escova nos espaços entre a superfície vestibular dos dentes e o
arco ortodôntico, devendo neste momento higienizar as superfícies voltadas
para a oclusal e a cervical.
6.
Para a limpeza das superfícies inter-proximais, indicamos o uso do fio dental e
do passa fio para facilitar sua introdução. O fio deve penetrar o mais fundo
possível (sem traumatizar) dentro do sulco gengival, deve ser pressionado
contra uma das faces e retirado esfregando-se esta face com movimentos de
vai e vem no sentido vestíbulo-lingual. Volta-se o fio dentro do sulco e repetese o procedimento na outra face e, assim, repetido em todos os espaços interproximais.
34
7.
Finalmente, deve-se escovar a superfície superior da língua, atingindo-se a
parte mais posterior possível. O movimento é realizado de posterior para
anterior, repetindo-se de cinco a dez vezes com a própria escova de dente.
4.2. Metodologia utilizada
O procedimento de limpeza a ser realizado antecedente às leituras com o
DIAGNOdent podem alterar os resultados encontrados. Nesse sentido, algumas
pesquisas relatam a necessidade de uma cuidadosa profilaxia antes do exame.
Previamente à aplicação da sonda laser, a superfície a ser diagnosticada foi
limpa, removendo a placa com o polimento das superfícies dentais.
O polimento foi realizado com pedra-pomes da Dentisply mais água e escova
de Robson com ponta em chama.
Para usar a fluorescência laser no monitoramento de lesões de esmalte, os
dentes devem ser limpos e secos cuidadosamente a fim de aumentar a
reprodutibilidade dos resultados.
A colagem dos bráquetes foi feita usando-se Magic Acid gel condicionador
(ácido fosfórico a 37%), delimitando-se o ataque à região de colagem do acessório.
Os bráquetes foram colados com resina fotopolimerizável Fill Magic
Ortodôntico: BisGMA, Éster do Ácido Metacrílico, Vidro de flúor silicato da marca
Vigodent .
Após a colagem dos braquetes foi realizada a remoção da resina adjacente
ao contorno dos mesmos. (Figura 4)
35
Figura 4: Colocação dos bráquetes.
Para a polimerização da resina foi utilizado o aparelho fotopolimerizador da
Ultralumen, (Sanders do Brasil Ltda).
Os acessórios para colagem em todos os casos foram kits de braquetes
ortodônticos prescrição Roth Standart - Can. Sup. Inf. 13 graus. Ang. Slot 0.22 da
(Morelli - Ref. 1010901).
Para o desenvolvimento deste trabalho foi utilizado um aparelho laser
DIAGNOdent 2095 655 nm (Kavo).
A cada consulta de retorno foi feita uma medição com o aparelho
DIAGNOdent.
A sonda de laser toca a face vestibular dos dentes no ponto selecionado para
pesquisa, conforme Figura 5 a seguir (ponto preenchido em preto). O instrumento
indica o valor máximo como o valor de pico.
36
Ponto de aplicação da sonda do
DIAGNOdent.
Representação do
acessório ortodôntico.
Ponto usado para calibração do
aparelho.
Figura 5: Sonda de laser.
Pelo fato de o instrumento poder ser calibrado, os valores medidos são
reproduzíveis; sua flutuação máxima é de aproximadamente 3%. Durante o
acompanhamento, pode-se determinar se o valor medido permaneceu inalterado ou
se aumentou.
Os valores foram anotados na ficha individual de cada paciente, na qual
consta a data da consulta e o maior valor encontrado no ponto de aplicação, em
movimento pendular, em cada dente (Anexo C).
Figura 6: Laser Diagnodent.
37
4.3. Campo de pesquisa
Os experimentos foram realizados no consultório dentário da autora, situado à Rua
José Mattar, 40, primeiro andar, no Bairro São Dimas, em São José dos Campos SP.
4.4. População
Este estudo foi desenvolvido com pacientes voluntários em início de tratamento
ortodôntico, na faixa etária de 12 a 20 anos de idade. O contato com os pacientes e
os responsáveis foi feito por meio de uma entrevista na qual foram fornecidas
informações a respeito da pesquisa proposta.
Os pacientes selecionados para o trabalho foram aqueles que iniciariam o
tratamento ortodôntico, pois a primeira mensuração com DIAGNOdent teria de ser
feita antes da colagem dos braquetes.
Foi apresentado um termo de comprometimento particular aos responsáveis
(Anexo D), o qual foi assinado pelos que aceitaram participar da pesquisa, sendolhes assegurado o anonimato (Anexo E).
Este projeto foi apresentado à Comissão de Ética da Universidade do Vale do
Paraíba (UNIVAP) para a apreciação e autorização para a efetivação desta
pesquisa.
4.5. Critério de inclusão e exclusão
Foram incluídos na pesquisa pacientes de ambos os sexos, com idade entre 12 a 20
anos, com todos os dentes permanentes hígidos do 2º pré-molar direito ao 2º prémolar esquerdo superiores e inferiores, sem discriminação de raça e condição
socioeconômica.
Os pacientes que, por ventura, não quiseram participar da pesquisa ou foram
excluídos por qualquer motivo foram informados que o seu tratamento ortodôntico
não seria prejudicado.
38
4.6. Coleta de dados
A coleta de dados foi realizada no período de julho a novembro de 2005 pela própria
pesquisadora com indivíduos pré-selecionados que iniciaram o tratamento
ortodôntico em julho de 2005.
Os pacientes que abandonassem o tratamento seriam automaticamente
excluídos do estudo.
Realizaram-se avaliações dos pacientes antes da colagem dos acessórios
ortodônticos, e, mensalmente, após a colagem de acordo com o protocolo citado em
relação à técnica de profilaxia, dentes e faces a serem avaliados.
39
5. RESULTADOS
Os dados obtidos resultaram do exame de 15 pacientes, somando um total de 300
dentes avaliados durante 6 meses de tratamento ortodôntico. Durante a pesquisa
foram realizadas 1.800 medições.
Figura 7: Ponta B - superfícies planas vestibulares e linguais.
Fonte: http://www.kavo.com/Default.aspx?navid=40&oid=002&lid=En&rid=1413
Os resultados são apresentados sob forma de tabelas e gráficos. Os gráficos
a seguir mostram a resposta de cada dente, nas medidas mensais com intervalo de
30 dias (momentos 1, 2, 3, 4, 5, 6) após os procedimentos de profilaxia já descritos.
Na Tabela 2 é apresentada a comparação entre os momentos relativos ás
consultas mensais com intervalo de 30 dias (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente
15. Para tanto aplicamos o teste ANOVA, com nível de significância de 5%. Em caso
de diferença significante, procedeu-se a comparações múltiplas de Tukey.
Tabela 2: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 15.
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Média
4,27
3,27
3,36
3,55
3,55
3,27
Desvio padrão
1,28
0,76
0,95
0,95
1,03
0,85
15
15
15
15
15
15
N
ANOVA p = 0,0028 *
Obs.: Quando o valor de p for menor ou igual a 0,05, dizemos que há diferença significativa. Caso
contrário, dizemos que não há.
Significante por meio de comparações múltiplas de Tukey, obteve-se a
seguinte hierarquia: 1 > 2 = 3 = 4 = 5 = 6.
Para melhor visualizar os resultados apresentamos o Gráfico 1.
40
6,0
5,0
4,0
3,0
2,0
1,0
0,0
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Momentos
Gráfico 1: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 15.
Legenda: média ± 1,96 * (desvio-padrão / √ (n-1)).
Na Tabela 3 é apresentada a comparação entre os momentos relativos ás
consultas mensais com intervalo de 30 dias (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente
14. Para tanto aplicamos o teste ANOVA, com nível de significância de 5%. Em caso
de diferença significante, procedeu-se a comparações múltiplas de Tukey.
Tabela 3: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 14.
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Média
3,93
3,69
2,83
3,00
3,33
3,18
Desv. Padrão
1,22
0,79
0,74
0,93
0,69
0,74
N
15
15
15
15
15
15
ANOVA p =0,0002 *
Significante por meio de comparações múltiplas de Tukey, obteve-se a
seguinte hierarquia: 1 = 2 > 3 = 4 = 5 = 6.
Para melhor visualizar os resultados apresentamos o Gráfico 2.
41
5,0
4,5
4,0
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Momentos
Gráfico 2: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 14.
Legenda: média ± 1,96 * (desvio-padrão / √ (n-1)).
Na Tabela 4 é apresentada a comparação entre os momentos relativos ás
consultas mensais com intervalo de 30 dias (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente
13. Para tanto aplicamos o teste ANOVA, com nível de significância de 5%. Em caso
de diferença significante, procedeu-se a comparações múltiplas de Tukey.
Tabela 4: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 13.
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Média
3,87
3,27
2,93
2,87
3,20
3,00
Desv. Padrão
0,92
0,70
0,80
0,92
0,86
1,00
N
15
15
15
15
15
15
ANOVA p = 0,0030 *
Significante por meio de comparações múltiplas de Tukey, obteve-se a
seguinte hierarquia: 1 = 2 > 3 = 4 = 5 = 6.
Para melhor visualizar os resultados apresentamos o Gráfico 3.
42
5,0
4,5
4,0
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Momentos
Gráfico 3: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 13.
Legenda: média ± 1,96 * (desvio-padrão / √ (n-1)).
Na Tabela 5 é apresentada a comparação entre os momentos relativos ás
consultas mensais com intervalo de 30 dias (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente
12. Para tanto aplicamos o teste ANOVA, com nível de significância de 5%. Em caso
de diferença significante, procedeu-se a comparações múltiplas de Tukey.
Tabela 5: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 12.
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Média
3,87
3,20
2,67
2,73
2,87
3,00
Desv. Padrão
0,83
0,86
0,72
0,88
0,83
0,76
N
15
15
15
15
15
15
ANOVA p = 0,0001*
Significante por meio de comparações múltiplas de Tukey, obteve-se a
seguinte hierarquia: 1 = 2 > 3 = 4 = 5 = 6.
Para melhor visualizar os resultados apresentamos o Gráfico 4.
43
5,0
4,5
4,0
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Momentos
Gráfico 4: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 12.
Legenda: média ± 1,96 * (desvio-padrão / √ (n-1)).
Na Tabela 6 é apresentada a comparação entre os momentos relativos ás
consultas mensais com intervalo de 30 dias (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente
11. Para tanto aplicamos o teste ANOVA, com nível de significância de 5%. Em caso
de diferença significante, procedeu-se a comparações múltiplas de Tukey.
Tabela 6: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 11.
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Média
4,00
3,13
2,60
2,93
3,27
3,20
Desv. Padrão
0,85
0,92
0,83
1,10
0,88
1,08
N
15
15
15
15
15
15
ANOVA p = 0,0002 *
Significante por meio de comparações múltiplas de Tukey, obteve-se a
seguinte hierarquia: 1 > 2 = 3 = 4 = 5 = 6.
Para melhor visualizar os resultados apresentamos o Gráfico 5.
44
5,0
4,5
4,0
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Momentos
Gráfico 5: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 11.
Legenda: média ± 1,96 * (desvio-padrão / √ (n-1))
Na Tabela 7 é apresentada a comparação entre os momentos relativos ás
consultas mensais com intervalo de 30 dias (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente
21. Para tanto aplicamos o teste ANOVA, com nível de significância de 5%. Em caso
de diferença significante, procedeu-se a comparações múltiplas de Tukey.
Tabela 7: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 21.
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Média
4,33
3,33
2,87
3,07
3,27
3,27
Desv. Padrão
0,82
1,05
1,06
1,03
1,16
0,80
15
15
15
15
15
15
N
ANOVA p < 0,0001*
Significante por meio de comparações múltiplas de Tukey, obteve-se a
seguinte hierarquia: 1 > 2 = 3 = 4 = 5 = 6.
Para melhor visualizar os resultados apresentamos o Gráfico 6.
45
5,0
4,5
4,0
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Momentos
Gráfico 6: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 21.
Legenda: média ± 1,96 * (desvio-padrão / √ (n-1)).
Na Tabela 8 é apresentada a comparação entre os momentos relativos ás
consultas mensais com intervalo de 30 dias (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente
22. Para tanto aplicamos o teste ANOVA, com nível de significância de 5%. Em caso
de diferença significante, procedeu-se a comparações múltiplas de Tukey.
Tabela 8: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 22.
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Média
4,13
3,00
2,67
3,07
3,33
3,20
Desv. Padrão
1,41
1,13
1,29
1,34
1,18
0,94
N
15
15
15
15
15
15
ANOVA p = 0,0017*
Significante por meio de comparações múltiplas de Tukey, obteve-se a
seguinte hierarquia: 1 > 2 = 3 = 4 = 5 = 6.
Para melhor visualizar os resultados apresentamos o Gráfico 7.
46
6,0
5,0
4,0
3,0
2,0
1,0
0,0
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Momentos
Gráfico 7: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 22.
Legenda: média ± 1,96 * (desvio-padrão / √ (n-1)).
Na Tabela 9 apresentada a comparação entre os momentos relativos às
consultas mensais com intervalo é de 30 dias (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do
Dente 23. Para tanto aplicamos o teste ANOVA, com nível de significância de 5%.
Em caso de diferença significante, procedeu-se a comparações múltiplas de Tukey.
Tabela 9: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 23.
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Média
4,13
3,00
2,50
3,08
3,15
2,92
Desv. Padrão
0,99
1,07
1,12
0,70
1,06
0,80
N
15
15
15
15
15
15
ANOVA p < 0,0001*
Significante por meio de comparações múltiplas de Tukey, obteve-se a
seguinte hierarquia: 1 > 2 = 3 = 4 = 5 = 6.
Para melhor visualizar os resultados apresentamos o Gráfico 8.
47
5,0
4,5
4,0
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Momentos
Gráfico 8: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 23.
Legenda: média ± 1,96 * (desvio-padrão / √ (n-1)).
Na Tabela 10 é apresentada a comparação entre os momentos relativos ás
consultas mensais com intervalo de 30 dias (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente
24. Para tanto aplicamos o teste ANOVA, com nível de significância de 5%. Em caso
de diferença significante, procedeu-se a comparações múltiplas de Tukey.
Tabela 10: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 24.
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Média
4,13
3,58
3,17
3,33
3,33
3,25
Desv. Padrão
0,99
0,96
0,74
1,09
1,09
1,01
N
15
15
15
15
15
15
ANOVA p = 0,0257*
Significante por meio de comparações múltiplas de Tukey, obteve-se a
seguinte hierarquia: 1 = 2 > 3 = 4 = 5 = 6.
Para melhor visualizar os resultados apresentamos o Gráfico 9.
48
5,0
4,5
4,0
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Momentos
Gráfico 9: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 24.
Legenda: média ± 1,96 * (desvio-padrão / √ (n-1)).
Na Tabela 11 é apresentada a comparação entre os momentos relativos ás
consultas mensais com intervalo de 30 dias (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente
25. Para tanto aplicamos o teste ANOVA, com nível de significância de 5%. Em caso
de diferença significante, procedeu-se a comparações múltiplas de Tukey.
Tabela 11: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 25.
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Média
4,40
3,31
3,00
3,40
3,30
3,30
Desv. Padrão
1,30
0,79
0,76
0,86
0,85
1,00
N
15
15
15
15
15
15
ANOVA p = 0,0005*
Significante por meio de comparações múltiplas de Tukey, obteve-se a
seguinte hierarquia: 1 > 2 = 3 = 4 = 5 = 6.
Para melhor visualizar os resultados apresentamos o Gráfico 10.
49
6,0
5,0
4,0
3,0
2,0
1,0
0,0
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Momentos
Gráfico 10: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 25.
Legenda: média ± 1,96 * (desvio-padrão / √ (n-1)).
Na Tabela 12 é apresentada a comparação entre os momentos relativos ás
consultas mensais com intervalo de 30 dias (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente
35. Para tanto aplicamos o teste ANOVA, com nível de significância de 5%. Em caso
de diferença significante, procedeu-se a comparações múltiplas de Tukey.
Tabela 12: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 35.
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Média
4,07
2,55
2,82
3,09
3,00
3,00
Desv. Padrão
0,96
0,88
0,99
0,70
0,85
0,54
N
15
15
15
15
15
15
ANOVA p < 0,0001*
Significante por meio de comparações múltiplas de Tukey, obteve-se a
seguinte hierarquia: 1 > 2 = 3 = 4 = 5 = 6.
Para melhor visualizar os resultados apresentamos o Gráfico 11.
50
5,0
4,5
4,0
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Momentos
Gráfico 11: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 35.
Legenda: média ± 1,96 * (desvio-padrão / √ (n-1)).
Na Tabela 13 é apresentada a comparação entre os momentos relativos ás
consultas mensais com intervalo de 30 dias (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente
34. Para tanto aplicamos o teste ANOVA, com nível de significância de 5%. Em caso
de diferença significante, procedeu-se a comparações múltiplas de Tukey.
Tabela 13: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 34.
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Média
3,93
3,40
3,20
3,07
3,13
3,07
Desv. Padrão
0,88
2,59
2,34
0,80
0,83
0,80
N
15
15
15
15
15
15
ANOVA p = 0,3791
Não significante por meio de comparações múltiplas de Tukey. Não houve
diferença significante entre os momentos, portanto temos a seguinte hierarquia: 1 =
2 = 3 = 4 = 5 = 6.
Para melhor visualizar os resultados apresentamos o Gráfico 12.
51
5,0
4,5
4,0
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Momentos
Gráfico 12: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 34.
Legenda: média ± 1,96 * (desvio-padrão / √ (n-1)).
Na Tabela 14 é apresentada a comparação entre os momentos relativos ás
consultas mensais com intervalo de 30 dias (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente
33. Para tanto aplicamos o teste ANOVA, com nível de significância de 5%. Em caso
de diferença significante, procedeu-se a comparações múltiplas de Tukey.
Tabela 14: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 33.
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Média
3,60
3,00
2,47
2,73
3,33
3,33
Desv. Padrão
0,91
1,13
0,92
0,88
0,72
0,82
N
15
15
15
15
15
15
ANOVA p = 0,0012*
Significante por meio de comparações múltiplas de Tukey, obteve-se a
seguinte hierarquia: 1 = 2 < 3 = 4 / 1 = 5 = 6.
Para melhor visualizar os resultados apresentamos o Gráfico 13.
52
4,5
4,0
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Momentos
Gráfico 13: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 33.
Legenda: média ± 1,96 * (desvio-padrão / √ (n-1)).
Na Tabela 15 é apresentada a comparação entre os momentos relativos ás
consultas mensais com intervalo de 30 dias (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente
32. Para tanto aplicamos o teste ANOVA, com nível de significância de 5%. Em caso
de diferença significante, procedeu-se a comparações múltiplas de Tukey.
Tabela 15: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 32.
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Média
3,60
3,13
2,47
2,67
3,13
3,07
Desv. Padrão
0,91
1,36
0,92
0,90
0,74
0,88
N
15
15
15
15
15
15
ANOVA p = 0,0061*
Significante por meio de comparações múltiplas de Tukey, obteve-se a
seguinte Hierarquia: 1 = 2 < 3 = 4 / 1 = 5 = 6.
Para melhor visualizar os resultados apresentamos o Gráfico 14.
53
4,5
4,0
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Momentos
Gráfico 14: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 32.
Legenda: média ± 1,96 * (desvio-padrão / √ (n-1)).
Na Tabela16 é apresentada a comparação entre os momentos relativos ás
consultas mensais com intervalo de 30 dias (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente
31. Para tanto aplicamos o teste ANOVA, com nível de significância de 5%. Em caso
de diferença significante, procedeu-se a comparações múltiplas de Tukey.
Tabela 16: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 31.
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Média
3,87
3,27
2,60
3,07
3,27
3,20
Desv. Padrão
0,92
1,10
1,06
1,39
1,10
0,86
N
15
15
15
15
15
15
ANOVA p = 0,0112*
Significante por meio de comparações múltiplas de Tukey, obteve-se a
seguinte hierarquia: 1 = 2 < 3 = 4 / 1 = 5 = 6.
Para melhor visualizar os resultados apresentamos o Gráfico 15.
54
5,0
4,5
4,0
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Momentos
Gráfico 15: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 31.
Legenda: média ± 1,96 * (desvio-padrão / √ (n-1)).
Na Tabela 17 é apresentada a comparação entre os momentos relativos ás
consultas mensais com intervalo de 30 dias (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente
41. Para tanto aplicamos o teste ANOVA, com nível de significância de 5%. Em caso
de diferença significante, procedeu-se a comparações múltiplas de Tukey.
Tabela 17: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 41.
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Média
3,93
2,87
2,33
2,93
3,00
3,27
Desv. Padrão
0,96
1,19
0,82
1,28
1,25
0,80
N
15
15
15
15
15
15
ANOVA p < 0,0001*
Significante por meio de comparações múltiplas de Tukey, obteve-se a
seguinte hierarquia: 1 > 2 = 3 = 4 = 5 = 6.
Para melhor visualizar os resultados apresentamos o Gráfico 16.
55
5,0
4,5
4,0
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Momentos
Gráfico 16: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 41.
Legenda: média ± 1,96 * (desvio-padrão / √ (n-1)).
Na Tabela 18 é apresentada a comparação entre os momentos relativos ás
consultas mensais com intervalo de 30 dias (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente
42. Para tanto aplicamos o teste ANOVA, com nível de significância de 5%. Em caso
de diferença significante, procedeu-se a comparações múltiplas de Tukey.
Tabela 18: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 42.
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Média
4,00
3,07
3,20
2,79
3,07
2,93
Desv. Padrão
1,07
2,12
2,40
1,26
1,16
0,88
N
15
15
15
15
15
15
ANOVA p = 0,0472*
Significante por meio de comparações múltiplas de Tukey, obteve-se a
seguinte hierarquia: 1 > 2 = 3 = 4 = 5 = 6.
Para melhor visualizar os resultados apresentamos o Gráfico 17.
56
5,0
4,5
4,0
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Momentos
Gráfico 17: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 42.
Legenda: média ± 1,96 * (desvio-padrão / √ (n-1)).
Na Tabela 19 é apresentada a comparação entre os momentos relativos ás
consultas mensais com intervalo de 30 dias (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente
43. Para tanto aplicamos o teste ANOVA, com nível de significância de 5%. Em caso
de diferença significante, procedeu-se a comparações múltiplas de Tukey.
Tabela 19: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 43.
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Média
3,53
2,67
2,80
2,80
2,93
3,07
Desv. Padrão
0,99
1,05
1,01
0,86
1,22
0,96
N
15
15
15
15
15
15
ANOVA p = 0,0340*
Significante por meio de comparações múltiplas de Tukey, obteve-se a
seguinte hierarquia: 1 > 2 = 3 = 4 = 5 = 6.
Para melhor visualizar os resultados apresentamos o Gráfico 18.
57
4,5
4,0
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Momentos
Gráfico 18: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 43.
Legenda: média ± 1,96 * (desvio-padrão / √ (n-1)).
Na Tabela 20 é apresentada a comparação entre os momentos relativos ás
consultas mensais com intervalo de 30 dias (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente
44. Para tanto aplicamos o teste ANOVA, com nível de significância de 5%. Em caso
de diferença significante, procedeu-se a comparações múltiplas de Tukey.
Tabela 20: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 44.
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Média
3,47
3,14
3,07
2,67
3,07
3,20
Desv. Padrão
1,06
2,56
2,31
0,90
1,03
1,21
N
15
15
15
15
15
15
ANOVA p = 0,5830
Não significante por meio de comparações múltiplas de Tukey. Não houve
diferença significante entre os momentos, portanto temos a seguinte hierarquia: 1 =
2 = 3 = 4 = 5 = 6.
Para melhor visualizar os resultados apresentamos o Gráfico 19.
58
5,0
4,5
4,0
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Momentos
Gráfico 19: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 44.
Legenda: média ± 1,96 * (desvio-padrão / √ (n-1)).
Na Tabela 21 é apresentada a comparação entre os momentos relativos ás
consultas mensais com intervalo de 30 dias (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente
45. Para tanto aplicamos o teste ANOVA, com nível de significância de 5%. Em caso
de diferença significante, procedeu-se a comparações múltiplas de Tukey.
Tabela 21: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 45.
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Média
3,20
2,38
2,46
2,54
2,85
3,00
Desv. Padrão
1,01
0,89
0,81
0,81
0,74
0,66
N
15
15
15
15
15
15
ANOVA p = 0,0018*
Significante por meio de comparações múltiplas de Tukey, obteve-se a
seguinte hierarquia: 1 < 2 = 3 = 4 / 1 = 5 = 6.
Para melhor visualizar os resultados apresentamos o Gráfico 20.
59
4,0
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
1'
2'
3'
4'
5'
6'
Momentos
Gráfico 20: Comparação entre os momentos (1, 2, 3, 4, 5, 6) para respostas do Dente 45.
Legenda: média ± 1,96 * (desvio-padrão / √ (n-1)).
Tabela 22: Comparação entre todas as medições da resposta feitas nos primeiros pré-molares
superiores e inferiores.
Medições de intensidade da resposta
16-08
Media
Dente 24
20-12
27-01
2,83
3
3,33
3,18
1,223
0,791
0,74
0,926
0,69
0,739
15
15
15
15
15
15
Media
4,13
3,58
3,17
3,33
3,33
3,25
desvio-padrão
0,99
0,961
0,74
1,091
1,091
1,009
15
15
15
15
15
15
3,93
3,4
3,2
3,07
3,13
3,07
0,884
2,586
2,336
0,799
0,834
0,799
15
15
15
15
15
15
Media
3,47
3,14
3,07
2,67
3,07
3,2
desvio-padrão
1,06
2,559
2,314
0,9
1,033
1,207
15
15
15
15
15
15
0,6
0,4
0,4
0,5
0,4
0,4
0,5
0,5
0,4
0,6
0,6
0,5
0,5
1,4
1,2
0,4
0,4
0,4
0,6
1,3
1,2
0,5
0,5
0,6
n
n
desvio-padrão
Dente 44
18-11
3,69
Media
Dente 34
26-10
3,93
desvio-padrão
Dente 14
14-09
n
n
60
Gráfico 21: Comparação entre todas as medições feitas nos primeiros pré-molares superiores e
inferiores.
Tabela 23: Comparação entre todas as medições feitas nos caninos superiores e inferiores.
Medições de intensidade da resposta
16-08
Media
Dente 23
Dente 43
18-11
3,27
2,93
2,87
0,915
0,704
0,799
0,915
15
15
15
15
Media
4,13
3
2,5
3,08
desvio-padrão
0,99
1,069
1,118
0,703
n
15
15
15
15
Media
3,6
3
2,47
2,73
0,91
1,134
0,915
0,884
15
15
15
15
Media
3,53
2,67
2,8
2,8
desvio-padrão
0,99
1,047
1,014
0,862
15
15
15
15
0,5
0,4
0,4
0,5
0,5
0,6
0,6
0,4
0,5
0,6
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
n
desvio-padrão
Dente 33
26-10
3,87
desvio-padrão
Dente 13
14-09
n
n
61
Gráfico 22: Comparação entre todas as medições feitas nos caninos superiores e inferiores.
62
Tabela 24: Compilação dos dados obtidos de cada elemento dental.
MOMENTOS
QUANTIFICAÇÃO DO GRAU DE DESMINERALIZAÇÃO DENTAL
15
14
13
12
11
21
22
23
24
25
35
34
33
32
31
41
42
43
44
45
MÉDIA
01
1
4,27
3,93
3,87
3,87
4,00
4,33
4,13
4,13
4,13
4,40
4,07
3,93
3,60
3,60
3,87
3,93
4,00
3,53
3,47
3,20
3,91
02
2
3,27
3,69
3,27
3,20
3,13
3,33
3,00
3,00
3,31
3,31
2,55
3,40
3,00
3,13
3,27
2,87
3,07
2,67
3,14
2,38
3,10
03
3
3,36
2,83
2,93
2,67
2,60
2,87
2,67
2,50
3,17
3,00
2,82
3,10
2,47
2,47
2,60
2,33
3,20
2,80
3,07
2,46
2,80
04
4
3,55
3,00
2,87
2,73
2,93
3,07
3,07
3,08
3,33
3,40
3,09
3,07
2,73
2,67
3,07
2,93
2,79
2,80
2,67
2,54
2,97
05
5
3,55
3,33
3,20
2,87
3,27
3,27
3,33
3,15
3,33
3,30
3,00
3,13
3,33
3,13
3,27
3,00
3,07
2,93
3,07
2,85
3,17
06
6
3,27
3,18
3,00
3,00
3,20
3,27
3,20
2,92
3,25
3,30
3,00
3,07
3,33
3,07
3,20
3,27
2,93
3,07
3,20
3,00
3,14
MÉDIA
4,25
3,99
3,83
3,67
3,83
4,03
3,88
3,76
4,10
4,14
3,71
3,94
3,69
3,61
3,86
3,67
3,81
3,56
3,72
3,29
Os momentos 1, 2, 3, 4, 5, 6 são relativos às consultas mensais.
63
6. DISCUSSÃO
O esmalte dentário é considerado como a estrutura de maior dureza do corpo
humano, sendo a única estrutura altamente mineralizada visível clinicamente,
desprovida da capacidade regenerativa do osso e da dentina. A composição
heterogênea de cristais sub-microscópicos embebidos em matriz orgânica,
proporciona características biofísicas e micro-morfológicas especiais. Embora os
aparelhos ortodônticos por si só não causem ou aumentem a prevalência de cárie,
os acessórios colados ao esmalte dental dificultam a manutenção da higiene oral
durante a terapia ortodôntica. A motivação do paciente para a higienização bucal
correta é de suma importância.
A quantificação da desmineralização do esmalte, por meio da fluorescência
da luz laser, tem sido relatada como um método útil para o diagnóstico in vitro e in
vivo das lesões incipientes no esmalte (DE JOSSELIN DE JONG et al., 1995;
FEJERSKOV, 2004).
Existe uma relação direta entre a fluorescência e a profundidade da lesão,
que é comparável à correlação entre esta e a perda de minerais (DE JOSSELIN DE
JONG, 1995).
A emissão da fluorescência dos tecidos hígidos é diferente daquela dos
desmineralizados e isso permite a detecção de lesões de cárie (HIBST; GALL, 1998).
A inspeção visual, apesar de ainda ser bastante utilizada, apresenta
deficiências. Quando o método é realizado em superfícies limpas e iluminadas, e a
secagem do sítio examinado é feita de forma satisfatória, é possível realizar uma
detecção relativamente precoce do processo carioso (MACHIULSKIENE; NYVAD;
BAELUM, 1999; ANGMAR-MANSSON e TEN BOSCH, 1993). No entanto, o método
visual é subjetivo. Dessa forma, alterações minerais entre dois exames realizados
em épocas diferentes são detectadas somente após um grande avanço da lesão, e
isso muitas vezes só ocorre depois de um tempo relativamente longo (NYVAD, 2004)
Como o diagnóstico clínico (visual e radiográfico) se faz quando certa
quantidade de mineral já foi perdida, e certo tempo já se passou, é importante a
busca de novos métodos que detectem as primeiras perdas minerais para que
possamos agir o mais cedo possível no processo de reversibilidade, tentando evitar
a progressão da lesão, tornando-a inativa. A busca por métodos quantitativos e
64
reprodutíveis para detecção de cárie que possibilitem detectar pequenas alterações
minerais de forma mais precisa em um curto espaço de tempo, é crescente na
Odontologia.
As observações clínicas e científicas de que os métodos mais usuais para
diagnóstico da cárie carecem de especificidade e sensibilidade são comuns a vários
pesquisadores . As observações feitas apenas refletem a necessidade de otimização
dos métodos de diagnóstico de forma não invasiva e seu perfil dinâmico,
acompanhado quantitativamente, favorecendo as condutas preventivas que regem a
Odontologia do terceiro milênio.
Inúmeros autores têm validado o emprego da fluorescência induzida pela luz
laser no diagnóstico da cárie dentária, como constatado nos trabalhos de AngmarMânson, Al-Khateeb e Tranaeus e Stookey et al.
Ferreira Zandoná et al. (1998), ressaltam a importância da possibilidade de
utilização de um equipamento para diagnóstico de cárie incipiente que seja objetivo,
padronizado e passível de mensuração.
As lesões de manchas brancas desenvolvem-se rapidamente e nos seus
estágios mais avançados tornam-se irrecuperáveis. Portanto, é de suma importância
ressaltar a responsabilidade do ortodontista em diagnosticar as lesões de mancha
branca em estágios iniciais, quando ainda podem regenerar-se por completo. Essas
lesões são passíveis de remineralização, mediante a utilização dos métodos de
aplicação tópico de flúor, contribuindo para formação de depósitos de fluoreto de
cálcio (CaF2) sobre as superfícies de esmalte, atuando assim como um reservatório
de íons flúor controlado pelo pH da saliva.
Para Koulorides e Cameron (1980) a remineralização é a interrupção ou
reversão do processo de uma lesão cariosa sem cavitação macroscópica, por meio
da diminuição do ataque cariogênico, aumento da resistência da superfície do dente
ou de uma combinação de ambos.
A lesão típica de cárie ativa inicial no esmalte exibe uma aparência opaca
esbranquiçada com uma superfície rugosa, enquanto no estágio inativo, elas
adquirem uma superfície lisa e dura.
Observações clínicas sugerem que lesões de cárie podem ser interrompidas
em qualquer estágio do desenvolvimento da lesão, mesmo no nível de cavitação,
contanto que as condições livres de placa sejam mantidas clinicamente. O fato de
essas lesões serem passíveis de remineralização é o que torna a detecção precoce
65
um fator de extrema importância. Isso é particularmente válido no que se refere
àqueles portadores de aparelhos ortodônticos. A aparatologia ortodôntica favorece a
retenção e o acúmulo de placa bacteriana, dificultando o processo normal de
higienização dental. No diagnóstico duvidoso pode-se utilizar a luz laser fluorescente
DIAGNOdent para o refinamento do exame visual.
A detecção e a interceptação da doença cárie devem ser feitas em seus
estágios iniciais, a fim de que se consiga estabelecer o tratamento mais adequado.
Entretanto, o diagnóstico da cárie não exige do profissional apenas habilidade, é
primordial que ele conheça a sensibilidade e especificidade de cada método, pois só
assim poderá escolher os mais adequados às condições singulares de cada
paciente.
No presente estudo, o DIAGNOdent mostrou-se capaz de monitorar o grau de
desmineralização dessas lesões, podendo ser útil para auxiliar no diagnóstico
precoce.
O sistema DIAGNOdent 2095 utilizando laser de diodo apresenta boa
confiabilidade em diagnosticar a cárie, devido à sua alta sensibilidade, o que vai ao
encontro dos estudos de Lussi (1991), Lussi (1993), Emami et al. (1996) e Shi,
Tranaeus e Angmar-Mansson (2001).
Assim, pode-se afirmar que a fluorescência é um método capaz de identificar
as alterações minerais, não sendo necessárias o início das alterações orgânicas na
estrutura do esmalte dental decorrentes do processo carioso para que haja a
mesma.
66
7. CONCLUSÃO
A fluorescência a laser de diodo 655nm foi efetiva para detectar precocemente a
desmineralização do esmalte dentário. O fato do DIAGNOdent através da
fluorescência laser mostrar visualmente num painel a quantificação de perdas
minerais através de números e a partir do escore 10 enviar um sinal sonoro, alerta e
conscientiza o paciente e seus responsáveis que um processo de alteração daquele
sítio examinado está ocorrendo naquele momento, evoluindo para a formação de
uma lesão cariosa se medidas cabíveis não forem tomadas.
As leituras
anotadas nas fichas de cada paciente permitiram um
acompanhamento numérico dos dados de desmineralização do esmalte, mantendo o
paciente num nível aceitável de higienização durante todo o tratamento ortodôntico.
O laser de diodo 655 nm mostrou ser um método capaz quantificar e
monitorar o grau de desmineralização do esmalte dental através da fluorescência,
permitindo o controle da evolução da doença cárie em pacientes submetidos a
tratamento ortodôntico.
67
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Dissertação (Mestrado em Odontologia) - Faculdade de Odontologia, Universidade
Camilo Castelo Branco, São Paulo, 1999.
73
ANEXOS
Anexo A - Nomenclatura dos dentes
DENTE
NOME
15
2º Pré-Molar Superior Direito
14
1º Pré-Molar Superior Direito
13
Canino Superior Direito
12
Incisivo Lateral Superior Direito
11
Incisivo Central Superior Direito
21
Incisivo Central Superior Esquerdo
22
Incisivo Lateral Superior Esquerdo
23
Canino Superior Esquerdo
24
1º Pré-Molar Superior Esquerdo
25
2º Pré-Molar Superior Esquerdo
35
2º Pré-Molar Inferior Esquerdo
34
1º Pré-Molar Inferior Esquerdo
33
Canino Inferior Esquerdo
32
Incisivo Lateral Inferior Esquerdo
32
Incisivo Central Inferior Esquerdo
41
Incisivo Central Inferior Direito
42
Incisivo Lateral Inferior Direito
43
Canino Inferior Direito
44
1º Pré-Molar Inferior Direito
45
2º Pré-Molar Inferior Direito
74
Anexo B - Escala de valores usada nos casos clínicos de acordo com o
fabricante do DIAGNOdent 2095
Valores
0-5
6-10
11-15
16-20
a partir de 21
99
Referência
dente sadio
lesão superficial de esmalte
(desmineralização)
lesão superficial de esmalte
lesão profunda do esmalte
lesão de dentina
comprometimento pulpar
75
Anexo C - Ficha Controle
Nome do Paciente:
Data
Dente
15
14
13
12
11
21
22
23
24
25
35
34
33
32
31
41
42
43
44
45
76
Anexo D - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
Eu,
___________________________________
___________________
abaixo
assinado
portador
autorizo
do
meu
RG
nº
filho
________________________________________, a participar na qualidade de
paciente, do projeto de pesquisa intitulado Utilização do Laser Diodo 655 nm no
Controle da Desmineralização do Esmalte em Pacientes Submetidos a
Tratamento ortodôntico sob a responsabilidade da Dra. Maria de Fátima Mariano
Bricks.
O trabalho consiste em mensurar a desmineralização do esmalte dental após
a colagem de acessórios ortodônticos com o objetivo de avaliar se a colagem desses
acessórios dificulta a higiene dental levando a prejuízo ao dente.
Este trabalho com Laser diodo 655 nm não é nocivo à saúde e não implicará
em interferências nem risco ao tratamento ortodôntico.
Esta medição não terá custo adicional para o paciente e será realizado
durante as consultas de manutenção mensal do tratamento ortodôntico.
Autorizo de forma livre e voluntária a realização do tratamento e mensurações
que me foram apresentadas neste projeto e dos quais recebi explicações claras,
simples e compreendi os propósitos, além de saber que a pesquisa segue princípios
éticos, técnicos e científicos reconhecidos pela Medicina.
Autorizo a realização de fotografia com finalidade científica e didática, desde
que resguardada a identidade do paciente durante todo o tratamento, não devendo
expor o caso clínico desnecessariamente.
Declaro que fui informado de que caso queira abandonar a pesquisa em
qualquer momento do referido projeto não haverá prejuízo algum em relação ao
tratamento proposto.
São José dos Campos ________ de _____________ de 2005.
_______________________________
Assinatura do pai ou responsável
Anexo E - Termo de responsabilidade
77
Eu, Maria de Fátima Mariano Bricks, residente à rua Pedro de Toledo nº 48
Ap. 133, São José dos Campos, São Paulo, portador do RG de número 11.600.951
SP, venho através deste termo de responsabilidade, publicamente comprometer-me
a:
1- Garantir a confidencialidade e privacidade das informações coletadas.
2- Preservar o anonimato dos participantes do estudo, quando de sua
divulgação, quaisquer que sejam os meios utilizados para tal fim.
3- Não utilizar iniciais de nomes, números de registros em instituições, ou
outras quaisquer formas de cadastros, quando de sua divulgação, valendo-se destes
apenas para fim de coleta, identificação e catalogação de dados necessários à
correta condução deste estudo conforme suas proposições e metodologias
constantes do projeto de pesquisa.
Por ser verdade, subscrevo-me
___________________________________
Maria de Fátima Mariano Bricks
Mestrado em Bioengenharia da Universidade Camilo Castelo Branco
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MARIA DE FÁTIMA MARIANO BRICKS UTILIZAÇÃO