MISSÃO INTERNACIONAL RECEBIDA Angola 19/05/2011 DADOS DO VISITANTE: País de origem: Angola Período: 19/05/2011 Membros: Instituição PNUD Angola PNUD Brasil Cargo Nome Coordenador Executivo do Programa Empresarial Angolano (PEA) Especialista em Cooperação Sul-Sul Políticas Sociais (SPU) Glayson Ferrari dos Santos Daniel Augusto Furst Gonçalves Jacinto Ferreira Domingos Tânia Bartolomeu Nicolau Hélder Mauro de Freitas Afonso José Carla Marina VanDúmen Justina Nascimento Ângelo Mendes da Costa João Carlos Bandeira Constância Sousa e Silva Incubadora de Empresas (IEL) Diretor Ministério da Família (MINFAMU) Especialista em Microfinanças BPC (Banco Público) Especialista em Microfinanças BPC (Banco Público) Vice-Diretor de Microfinanças Banco Sol (Banco Privado) Diretora Banco Sol (Banco Privado) Especialista em Microfinanças BMF Coordenador de Microfinanças Kixi Crédito Federação de Mulheres Empresárias (FMEA) Especialista em Microfinanças Especialista em Microfinanças DADOS DA MISSÃO: Missão recebida em: SEBRAE/NA Responsável: Eduardo Golin, Analista Técnico da Unidade de Assessoria Internacional (UAIN) Tipo: Primeiro contato OBJETIVO DA MISSÃO: Prospecção de possibilidades de cooperação internacional nas áreas de microfinanças e economia solidária, envolvendo iniciativas de acesso a serviços financeiros, políticas públicas e desenvolvimento territorial RELATO: A missão angolana ao Brasil corresponde à iniciativa do Programa Empresarial Angolano (PEA) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Angola (PNUD Angola) de construção de plataforma de atuação nacional envolvendo quatro componentes básicos, tais quais microfinanças, políticas públicas, assistência técnica e acesso a mercados. O PEA, ora apoiado pela Agência de Cooperação Espanhola (Aecid), em substituição ao apoio anteriormente concedido pela empresa do ramo energético Chevron, foca-se, principalmente, no desenvolvimento econômico sustentável de micro e pequenas empresas. A construção da respectiva plataforma é vislumbrada pelo PEA como mecanismo fundamental de combate à pobreza e concentração de renda em Angola. Pretende-se, no entanto, que, futuramente, a referida plataforma não se concentre sob a tutela do PNUD Angola, mas que possa ser expandida a novo modelo de governança, privilegiando ações de coordenação coletiva. Verifica-se, neste item específico, o esforço do organismo em formar grupos de trabalho envolvendo os quatro componentes supracitados, de modo a subsidiar modelo coletivo de gestão das iniciativas a serem implementadas. A referida missão foi formada por instituições do governo, setor privado e sociedade civil de Angola. Nesta visita ao Brasil, participaram representantes do componente de microfinanças da futura plataforma nacional. Este componente foi formado por grupo de trabalho selecionado a partir de edital específico. Chief Executive Officers (CEO’s) das respectivas instituições participantes assinaram termo de compromisso, em que se comprometeram, entre outras disposições, a realizar seminários de multiplicação dos conhecimentos adquiridos, de modo a possibilitar ações de spillover para demais instituições angolanas interessadas. A visita ao SEBRAE se refere a apenas uma das atividades desta missão no Brasil. Reuniões com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Agência Brasileira de Cooperação (ABC), PNUD Brasil, Visão Mundial, Banco do Brasil (BB), Caixa Econômica Federal (CEF), entre outras, também compuseram agenda da missão. O Projeto REDES, devido ao seu viés de microfinanças, compunha foco específico de ação de benchmarking da missão. Após reunião, em Recife, em 16/05/2011, para compreensão da estrutura de funcionamento do projeto, na qual o analista da Unidade de Acesso a Mercados e Serviços Financeiros (UAMSF) João Silvério Junior participou em conjunto com representantes da instituição responsável pela gestão do projeto, Visão Mundial, a missão angolana dirigiu-se a Brasília. Realizou-se, em Brasília, encontro específico, na manhã do dia 19/05/2011, para dar seguimento aos entendimentos relativos ao Projeto Redes junto ao BID, parceiro da iniciativa no Brasil, representado pelo Especialista Setorial do Fundo Multilateral de Investimentos Ismael Gílio. Nesta reunião, acompanhado de João Silvério Junior, abordamos a necessidade de estrutura de governança específica para implementação de projeto de transferência de metodologia. Identificaram-se ações semelhantes em vigência em Angola e relativizou-se a necessidade de ação de cooperação conjunta com o SEBRAE nesse eixo. Salientou-se que, uma vez que o SEBRAE não detém a metodologia, embasada no modelo indiano conhecido como Self Help, conhecida como “Grupos de Desenvolvimento Locais e Desenvolvimento (GOLD)” – específica do projeto – e a metodologia de atendimento, outrora baseada no modelo Negócio a Negócio, está sendo reavaliada e será possivelmente substituída, a participação da entidade em projeto de cooperação deveria ser avaliada. Em reunião na sede do SEBRAE/NA, no período da tarde do mesmo dia, estruturou-se agenda de apresentações sobre iniciativas do SEBRAE nas áreas de microfinanças, desenvolvimento territorial e políticas públicas. João Silvério Junior, analista da UAMSF, Helena Rego, analista da Unidade de Políticas Públicas (UPP) e Carlos Eduardo Pinto Santiago, analista da Unidade de Desenvolvimento Territorial (UDT), expuseram, respectivamente, o papel do SEBRAE nas diferentes áreas. Especial ênfase foi concedida ao cenário nacional em que as diversas iniciativas estão concentradas. Ao final das apresentações, possíveis pontos de cooperação internacional foram levantados pelos membros da missão de Angola, tais quais, as possibilidades de o SEBRAE: • Analisar criticamente possível estudo sobre os entraves para o desenvolvimento de ambiente legal favorável aos negócios em Angola, tendo em vista o histórico de atuação do SEBRAE no que se refere a políticas públicas de apoio às MPE; • Transferir a metodologia de Agentes de Desenvolvimento Local, considerando a expertise do SEBRAE no que tange a iniciativas de desenvolvimento territorial; • Capacitar multiplicadores em aspectos relacionados à legislação do Empreendedor Individual, ponderando-se a inexistência de legislação similar em Angola; • Estruturar projeto de transferência de tecnologia na área de assessoria técnica em diversos níveis; • Repassar estratégias do SEBRAE referentes à construção de mecanismos financeiros como o Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (FAMPE). Entende-se que, frente a objetos amplos e heterogêneos, há real necessidade de detalhamento das demandas e priorização de possíveis atividades de cooperação. Sugeriram-se, neste sentido, novas reflexões e a conseqüente formalização de solicitações. Em último contato, acompanhado de Renata Malheiros Henriques, gerente da Unidade de Assessoria Internacional (UAIN), José Marcelo Goulart de Miranda, analista da UAIN (via conference call), e dos respectivos representantes do PNUD Angola, Glayson Ferrari dos Santos, e do PNUD Brasil, Daniel Augusto Furst Gonçalves, temas específicos de cooperação interinstitucional foram tratados. Glayson dos Santos identificou três possibilidades palpáveis de cooperação. A primeira se refere à análise crítica do SEBRAE no que se refere a possíveis estudos sobre o modo de ultrapassar as barreiras burocráticas de Angola. Considerando-se o histórico brasileiro de implementação de iniciativas em prol de MPE e o papel do SEBRAE no que tange à construção de ambiente favorável aos negócios, compreende-se a viabilidade de estruturação de agenda pautada em análises técnicas sobre ações a serem implantadas para incrementar o ambiente legal angolano. Em segundo lugar, o representante do PNUD Angola afirmou a carência de recursos humanos qualificados para capacitar micro e pequenas empresas para o mercado. O interesse em obter contribuição do SEBRAE no que se refere ao treinamento de multiplicadores é demanda palpável, tendo em vista o histórico de cooperação internacional do SEBRAE nesta área, especialmente com instituições africanas. Por fim, verificou-se interesse em replicar metodologias relativas aos projetos do SEBRAE na área de encadeamento produtivo, haja vista, o grande potencial petrolífero e a existência de grandes empresas em Angola. Diante do cenário de diálogo apresentado, o SEBRAE ratificou o interesse em cooperar com o PNUD Angola no sentido de desenvolver projetos de desenvolvimento no país. A gerente da UAIN salientou, no entanto, a necessidade de se verificar a forma como possíveis iniciativas de cooperação serão instrumentalizadas. Examinaram-se a importância de identificação de instituição capaz de dar continuidade aos projetos, o imperativo de análise cautelosa das possibilidades de ação internacional do SEBRAE, haja vista o novo arcabouço normativo vigente, e a necessidade de os projetos de cooperação corresponderem a possibilidades de incremento dos negócios com micro e pequenos empresários brasileiros. Neste ponto específico, Glayson dos Santos salientou a proximidade de relacionamento entre PNUD Angola e Ministério do Comércio do país e a existência de Associação Comercial de Brasileiros em Angola, fatores que poderiam facilitar o viés de negócios de projetos futuros. Novos encaminhamentos deverão se seguir a esta missão. O PNUD Angola tem como responsabilidade a identificação e definição de áreas e possíveis instituições parceiras. O SEBRAE aguardará novos posicionamentos.