SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
CENTRO DE PROCESSOS SELETIVOS
MOBILIDADE ACADÊMICA INTERNA 2009
EDITAL N.º 03/2009
CIÊNCIAS DAS HUMANIDADES III
__________________________________________________
______________________
NOME DO(A) CANDIDATO(A)
N.º DE INSCRIÇÃO
(21 de junho de 2009)
BOLETIM DE QUESTÕES
LEIA COM MUITA ATENÇÃO AS INSTRUÇÕES SEGUINTES.
1
Este BOLETIM DE QUESTÕES contém 40 questões objetivas: 20 de Língua Portuguesa, 10 de Literatura e 10 de Filosofia.
Cada questão apresenta cinco alternativas de resposta, identificadas com as letras (A), (B), (C), (D) e (E). Apenas uma é
correta.
2
Esta prova está redigida conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990).
3
Confira se, além deste BOLETIM DE QUESTÕES, você recebeu o CARTÃO-RESPOSTA destinado à marcação das respostas
das questões objetivas.
4
Confira se a prova está completa e sem falhas. Caso exista algum problema, comunique-o imediatamente ao fiscal de sala.
5
Verifique se o seu nome e o número de sua inscrição conferem com os dados contidos no CARTÃO-RESPOSTA. Em caso de
divergência, notifique imediatamente o fiscal de sala.
6
Após a conferência, assine seu nome no espaço próprio do CARTÃO-RESPOSTA.
7
A marcação do CARTÃO-RESPOSTA deve ser feita com caneta esferográfica de tinta preta.
8
O CARTÃO-RESPOSTA não pode ser dobrado, amassado, rasurado, manchado ou conter qualquer registro fora dos locais
destinados às respostas. Não é permitida a utilização de qualquer espécie de corretivo. O cartão só será substituído se contiver
falha de impressão.
9
O CARTÃO-RESPOSTA é o único documento considerado na avaliação. O BOLETIM DE QUESTÕES deve ser usado apenas
como rascunho e não valerá, sob hipótese alguma, para efeito da correção.
10 Quando terminar a prova, entregue ao fiscal de sala este BOLETIM DE QUESTÕES e o CARTÃO-RESPOSTA e assine a
LISTA DE PRESENÇA. Sua assinatura deve corresponder àquela que consta no seu documento de identificação.
11 O tempo disponível para a prova é de quatro horas, com início às 8 horas e término às 12 horas, observado o horário de
Belém-PA. Se você for portador de necessidades educativas especiais, disporá de 1 (uma) hora a mais para fazer a prova,
desde que tenha comunicado previamente a sua necessidade ao CEPS.
12 Reserve os 20 minutos finais destinados à prova para a marcação do CARTÃO-RESPOSTA.
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EDITAL N.º 03/2009
MARQUE A ÚNICA ALTERNATIVA CORRETA NAS QUESTÕES DE 1 A 40.
LÍNGUA PORTUGUESA
Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 20.
A arte de ser velho
01
02
03
04
05
06
07
08
09
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
É curioso como, com o avançar dos anos e o aproximar da morte, vão os homens fechando portas
atrás de si, numa espécie de pudor de que o vejam enfrentar a velhice que se aproxima. Pelo menos entre nós,
latinos da América, e sobretudo, do Brasil. E talvez seja melhor assim; pois se esse sentimento nos subtrai em
vida, no sentido de seu aproveitamento no tempo, evita-nos incorrer em desfrutes de que não está isenta, por
exemplo, a ancianidade entre alguns povos europeus e de alhures.
Não estou querendo dizer com isso que todos os velhinhos sejam nenhuma flor que se cheire. Temolos tão pilantras como não importa onde, e com a agravante de praticarem seus malfeitos com menos
ingenuidade. Mas, como coletividade, não há dúvida que os velhinhos brasileiros têm mais compostura que a
maioria da velhorra internacional (tirante, é claro, a China), embora entreguem mais depressa a rapadura.
Talvez nem seja compostura; talvez seja esse pudor de que falávamos acima, de se mostrarem em
sua decadência, misturado ao muito freqüente sentimento de não terem aproveitado os verdes anos como
deveriam. Seja como for, aqui no Brasil os velhos se retraem daqueles seus semelhantes que, como se
poderia dizer, têm a faca e o queijo nas mãos. Em reuniões e lugares públicos não têm sido poucas as vezes
em que já surpreendi olhares de velhos para moços que se poderiam traduzir mais ou menos assim:
“Desgraçado! Aproveita enquanto é tempo porque não demora muito vais ficar assim como eu, um velho, e
nenhuma dessas boas olhará mais sequer para o teu lado...”
Isso, aqui no Brasil, é fácil sentir nas boates, com exceção de São Paulo, onde alguns cocorocas ainda
arriscam seu pezinho na pista, de cara cheia e sem ligar ao enfarte. No Rio é bem menos comum,e no geral,
em mesa de velho não senta broto, pois, conforme reza a máxima popular, quem gosta de velho é reumatismo.
O que me parece, de certo modo, cruel. Mas, o que se vai fazer? Assim é a mocidade – ínscia, cruel e gulosa
em seus apetites. Como aliás, muito bem diz também a sabedoria do povo: homem velho e mulher nova, ou
chifre ou cova.
Na Europa, felizmente para a classe, a cantiga soa diferente. Aliás, nos Estados Unidos dá-se, de certo
modo, o mesmo. É verdade que no caso dos Estados Unidos a felicidade dos velhos é conseguida um pouco à
base da vigarista; mas na Europa não. Na Europa, vêem-se meninas lindas nas boates dançando cheek-tocheek com verdadeiros macróbios, e de olhinho fechado e tudo. Enquanto que nos Estados Unidos eu creio
seja mais... cheek-to-cheek. Lembro-me que em Paris, no Club St. Florentin, onde eu ia bastante, havia na
pista um velhinho sempre com meninas diferentes. O “matusa” enfrentava qualquer parada, do rock ao cháchá-chá e dançava o fino, com todos os extravagantes passinhos com que os gauleses enfeitam as danças do
Caribe, sem falar no nosso samba. Um dia, um rapazinho folgado veio convidar a menina do velhinho para
dançar e sabem o que ela disse? – isso mesmo que vocês estão pensando e mais toda essa coisa. E enquanto
isso, o velhinho de pé, o peito inchado, pronto para sair na física.
Eu achei a cena uma graça só, mas não sei se teria sentido o mesmo aqui no Brasil, se ela se tivesse
passado no Sacha´s com algum parente meu. Porque, no fundo, nós queremos os nossos velhinhos, em casa,
em sua cadeira de balanço, lendo Michel Zevaco ou pensando na morte próxima, como fazia meu avô.
Velhinho saliente é muito bom, muito bom, mas de avô dos outros. Nosso não.
Moraes, Vinicius de. Para viver um grande amor. Crônicas e Poemas. 1991.
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O texto “A arte de ser velho” tem como um de seus
propósitos
5 O trecho em que se observa um julgamento
positivo em relação à atitude dos velhos é
(A)
refletir sobre os temores da velhice.
(B)
condenar os relacionamentos na velhice.
(C)
estimular os velhos a relacionarem-se com jovens.
(A) “[...] com o avançar dos anos e o aproximar da
morte, vão os homens fechando portas atrás de
si.” (linhas 01 e 02)
(D)
defender o direito do velho de se relacionar com
jovens.
(E)
comparar os velhos brasileiros aos de outra
nacionalidade.
1
(B) “[...] aqui no Brasil os velhos se retraem daqueles
seus semelhantes que, como se poderia dizer, têm
a faca e o queijo nas mãos.” (linhas 12 e 13)
(C) “[...] em mesa de velho não senta broto.” (linha 19)
(D) “[...] quem gosta de velho é reumatismo.” (linha 19)
2
Da leitura do texto depreende-se que
(A)
na velhice há muita ingenuidade.
(B)
os velhos, de modo geral, sentem-se inferiores aos
mais jovens.
(C)
os velhos são muito infelizes por não ter vivido
como deveriam.
(D)
os homens, mais do que as mulheres, temem
encarar a velhice.
(E)
(E) “[...] o velhinho de pé, o peito inchado, pronto para
sair na física.” (linha 32)
6 Em relação ao trecho abaixo, julgue as afirmativas
apresentadas a seguir.
“Na Europa, felizmente para a classe, a cantiga soa
diferente. Aliás, nos Estados Unidos dá-se, de certo
modo, o mesmo. É verdade que no caso dos
Estados Unidos a felicidade dos velhos é
conseguida um pouco à base da vigarista; mas na
Europa não.” (linhas 23 a 25)
a velhice é um momento muito prazeroso em
países da Europa.
I. O termo “vigarista” refere-se ao modo pelo qual
os velhinhos buscam sua felicidade.
3
A ideia apresentada no segundo parágrafo é a de que
os velhinhos brasileiros são
(A)
mais pilantras do que os europeus.
(B)
mais acomodados do que os chineses.
(C)
mais amargurados do que os americanos.
(D)
mais coerentes do que a velhorra internacional.
(E)
mais ingênuos neste momento da vida do que na
mocidade.
II. A expressão “felizmente” aponta para a condição
de alegria em que se encontra a classe dos
velhinhos.
III. Na expressão “a felicidade dos velhinhos”, o
termo “dos velhinhos” refere-se ao possuidor do
sentimento de felicidade.
IV. No enunciado “Aliás, nos Estados Unidos dá-se,
de certo modo, o mesmo.”, o vocábulo “aliás”
expressa retificação.
Estão corretas as afirmativas
4
De acordo com o texto, é correto afirmar que, no
Brasil, a velhice está intimamente associada ao/à
(A)
I e II.
(A)
enfado.
(B)
II e IV.
(B)
inatividade.
(C)
I, II e III.
(C)
pilantragem.
(D)
I, III e IV.
(D)
enfermidade.
(E)
II, III e IV.
(E)
degradação moral.
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7 O trecho em que NÃO há linguagem figurada é
(A)
“[...] com o avançar dos anos e o aproximar da
morte, vão os homens fechando portas atrás de
si.” (linhas 01 e 02)
(B)
“Temo-los tão pilantras como não importa onde, e
com a agravante de praticarem seus malfeitos com
menos ingenuidade.” (linhas 06 a 08)
(C)
“No Rio é bem menos comum, e no geral, em
mesa de velho não senta broto.” (linhas 18 e 19)
(D)
“Mas o que se vai fazer? Assim é a mocidade –
ínscia, cruel e gulosa em seus apetites.” (linhas 20
e 21)
(E)
10 O segmento em destaque que NÃO restringe o
significado do termo anterior é
(C)
(D)
(E)
(B)
“[...] nenhuma flor que se cheire.” (linha 06)
(C)
“[...] talvez seja esse pudor de que falávamos
acima [...]” (linha 10)
(D)
“[...] não têm sido poucas as vezes em que já
surpreendi olhares de velhos para moços que
se poderiam traduzir mais ou menos assim:
[...]” (linhas 13 e 14)
(E)
“É verdade que no caso dos Estados Unidos
a felicidade dos velhos é conseguida um
pouco à base da vigarista; [...]” (linhas 24 e
25)
11 Em relação aos fatos da língua, é correto afirmar
que
finalidade de evitar a generalização de uma ideia é
(B)
“[...] a velhice que se aproxima.” (linha 02)
“Na Europa, felizmente para a classe, a cantiga
soa diferente.” (linha 23)
8 O termo, em destaque, empregado pelo autor com a
(A)
(A)
(A)
Em “Não estou querendo dizer com isso que
todos os velhinhos [...]” (linhas 06), a palavra
“velhinhos” tem uma conotação irônica.
(B)
Em “[...] quem gosta de velho é reumatismo.”
(linha 19), o vocábulo “quem” tem valor
interrogativo.
(C)
“‘Desgraçado! Aproveita enquanto é tempo
porque não demora muito vais ficar assim como
eu, um velho, e nenhuma dessas boas olhará mais
sequer para o teu lado...’” (linhas 15 e 16)
Em “‘Aproveita enquanto é tempo porque não
demora muito vais ficar assim como eu, um
velho, e nenhuma dessas boas olhará mais
sequer para o teu lado...’” (linhas 15 e 16), o
vocábulo “sequer” reforça a ideia expressa no
enunciado.
(D)
“O “matusa” enfrentava qualquer parada, do rock
ao chá-chá-chá e dançava o fino, com todos os
extravagantes passinhos com que os gauleses
enfeitam as danças do Caribe,[...]” (linhas 28 a 30)
Em “havia na pista um velhinho sempre com
meninas diferentes.” (linhas 27 e 28), o
vocábulo “sempre” limita o espaço físico em
que ocorria o fato expresso pelo verbo.
(E)
Em “Eu achei a cena uma graça só, [...]” (linha
33), se o vocábulo “só” fosse deslocado para
antes do termo “a cena”, não haveria mudança
de sentido.
“[...] vão os homens fechando portas atrás de si,
numa espécie de pudor de que o vejam enfrentar
a velhice que se aproxima. Pelo menos entre nós,
latinos da América, e sobretudo, do Brasil.” (linhas
01 a 03)
“[...] evita-nos incorrer em desfrutes de que não
está isenta, por exemplo, a ancianidade entre
alguns povos europeus e de alhures.” (linhas 04 e
05)
“Porque, no fundo, nós queremos os nossos
velhinhos, em casa, em sua cadeira de balanço,
lendo Michel Zevaco ou pensando na morte
próxima, como fazia meu avô.” (linhas 34 e 35)
12 No trecho em destaque
9 Compreende-se do trecho “homem velho e mulher
nova, ou chifre ou cova” (linhas...) que, no Brasil, os
relacionamentos entre pessoas de diferentes faixas etárias
são
(A)
ilegais.
(B)
inexistentes.
(C)
inaceitáveis.
(D)
degradantes.
(E)
malsucedidos.
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“Eu achei a cena uma graça só, mas não sei se
teria sentido o mesmo aqui no Brasil, se ela se
tivesse passado no Sacha´s com algum parente
meu.” (linhas 33 e 34)
estabelece-se entre as ideias uma relação de
(A)
(B)
(C)
(D)
(E)
4
adição.
condição.
oposição.
conclusão.
concessão.
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13 As expressões em destaque revelam avaliações do
autor em relação ao assunto tratado EXCETO em
(A)
“É curioso como, com o avançar dos anos e o
aproximar da morte, vão os homens fechando
portas atrás de si, numa espécie de pudor de que
o vejam enfrentar a velhice que se aproxima.”
(linhas 01 e 02)
(B)
“Mas, como coletividade, não há dúvida que os
velhinhos brasileiros têm mais compostura que a
maioria da velhorra internacional [...]” (linhas 08 e
09)
(C)
16 Considerando os recursos de coesão, julgue os
itens abaixo:
I. No trecho “Não estou querendo dizer com isso
que todos os velhinhos sejam nenhuma flor que
se cheire. Temo-los tão pilantras como não
importa onde, e com a agravante de praticarem
seus malfeitos com menos ingenuidade.” (linhas
06 a 08), o autor retoma a referência a
“velhinhos” por meio dos pronomes “-los” e
“seus”.
II. Os pronomes “seu” (linha 04) e “seus” (linha 07)
têm o mesmo valor coesivo por referirem-se,
igualmente, a “velhos”.
“No Rio é bem menos comum, e no geral, em
mesa de velho não senta broto,[...]” (linhas 18 e
19)
(D)
“O que me parece, de certo modo, cruel.” (linha
20)
(E)
“Na Europa, vêem-se meninas lindas nas boates
dançando cheek-to-cheek com verdadeiros
macróbios, e de olhinho fechado e tudo.” (linhas
25 e 26)
III. No trecho “Na Europa, vêem-se meninas lindas
nas boates dançando cheek-to-cheek com
verdadeiros macróbios, e de olhinho fechado e
tudo.” (linhas 25 e 26), o vocábulo “macróbio”
refere-se a “velhos”.
IV. A palavra “matusa” no trecho “O ‘matusa’
enfrentava qualquer parada, do rock ao chá-cháchá” (linhas 28 e 29) refere-se a “rapazinho”.
Estão corretas as afirmativas
14 Com relação à sintaxe de regência, o trecho que não
está de acordo com a norma culta é
(A)
I e II.
(A)
“[...] numa espécie de pudor de que o vejam
enfrentar a velhice que se aproxima.” (linha 02)
(B)
I e III.
(C)
II e III.
(B)
“Não estou querendo dizer com isso que todos os
velhinhos sejam nenhuma flor que se cheire.”
(linha 06)
(D)
II e IV.
(E)
III e IV.
(C)
“Mas, como coletividade, não há dúvida que os
velhinhos brasileiros têm mais compostura que a
maioria da velhorra internacional [...]” (linhas 08 e
09)
(D)
““Desgraçado! Aproveita enquanto é tempo
porque não demora muito vais ficar assim como
eu,[...]’” (linha 15)
(E)
“[...] onde alguns cocorocas ainda arriscam seu
pezinho na pista, de cara cheia e sem ligar ao
enfarte.” (linhas 17 e 18)
17 Do trecho em destaque
“Eu achei a cena uma graça só, mas não sei se
teria sentido o mesmo aqui no Brasil, se ela se
tivesse passado no Sacha´s com algum parente
meu. Porque, no fundo, nós queremos os nossos
velhinhos, em casa, em sua cadeira de balanço,
lendo Michel Zevaco ou pensando na morte
próxima, como fazia meu avô. Velhinho saliente é
muito bom, muito bom, mas de avô dos outros.
Nosso não.” (linhas 33 a 36)
15 Entende-se que os parênteses empregados no
segundo parágrafo (linhas 06 a 09) servem ao propósito de
pode-se inferir que o autor
(A)
indicar o discurso de uma outra pessoa.
(A)
reprova a velhice.
(B)
separar uma informação que não merece atenção.
(B)
lamenta a atitude de seu avô.
(C)
inserir uma ressalva sobre o comportamento dos
chineses.
(C)
demonstra preconceito contra os velhos.
(D)
inserir no texto um esclarecimento a respeito da
velhorra internacional.
(D)
questiona ser a velhice um momento de
acomodação.
(E)
realçar a informação sobre o preconceito contra os
velhinhos da China.
(E)
valoriza a atitude de seu avô, por sua
dedicação à leitura.
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18 Segmentos do tipo narrativo e descritivo são
20 Julgue as afirmativas referidas abaixo,
considerando o significado das palavras/expressões do
texto.
empregados pelo autor com o propósito de expressar seu
posicionamento, em relação à velhice, em
(A)
(B)
(C)
(D)
(E)
“E talvez seja melhor assim; pois se esse
sentimento nos subtrai em vida, no sentido de seu
aproveitamento no tempo, evita-nos incorrer em
desfrutes de que não está isenta, por exemplo, a
ancianidade entre alguns povos europeus e de
alhures. (linhas 03 a 05)
“Seja como for, aqui no Brasil os velhos se retraem
daqueles seus semelhantes que, como se poderia
dizer, têm a faca e o queijo nas mãos.” (linhas 12 e
13)
“Como aliás, muito bem diz também a sabedoria
do povo: homem velho e mulher nova, ou chifre ou
cova.” (linhas 21 e 22)
I.
A expressão “com o avançar dos anos” (linha
01) poderia ser substituída, sem prejuízo de
valor semântico por “com o passar do tempo”.
II.
A expressão “os verdes anos” (linha 11)
indica “imaturidade”.
III.
Em “pezinho” (linha 18), o sufixo “-inho” indica
dimensão reduzida.
IV.
A expressão “parada” (linha 28) indica tipo de
dança.
Estão corretas as afirmativas
“É verdade que no caso dos Estados Unidos a
felicidade dos velhos é conseguida um pouco à
base da vigarista; mas na Europa não.” (linhas 24
e 25)
“Um dia, um rapazinho folgado veio convidar a
menina do velhinho para dançar e sabem o que
ela disse? – isso mesmo que vocês estão
pensando e mais toda essa coisa. E enquanto
isso, o velhinho de pé, o peito inchado, pronto
para sair na física.” (linhas 30 a 32)
(A)
I e II apenas.
(B)
II e III apenas.
(C)
III e IV apenas.
(D)
I, II e III.
(E)
I, II e IV.
19 O enunciado em que a forma verbal expressa uma
conjectura é
(A)
“É curioso como, com o avançar dos anos e o
aproximar da morte, vão os homens fechando
portas atrás de si,” (linhas 01 e 02)
(B)
“O “matusa” enfrentava qualquer parada, do rock
ao chá-chá-chá [...]” (linhas 28 e 29)
(C)
“Um dia, um rapazinho folgado veio convidar a
menina do velhinho para dançar [...]” (linhas 30 e
31)
(D)
“[...] se ela se tivesse passado no Sacha´s com
algum parente meu.” (linhas 33 e 34)
(E)
“[...] como fazia meu avô.” (linhas 35)
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22 A obra de Gregório de Matos Guerra (1633-1696),
vinculada fortemente à estética barroca, pode ser
dividida em satírica, lírico-amorosa e lírico-religiosa,
levando-se em conta, sobretudo, aspectos temáticos. A
faceta satírica desse poeta está CORRETAMENTE
exemplificada no seguinte trecho:
LITERATURA
21 Leia atentamente o poema de Estêvão Coelho
(século XIV) transcrito abaixo.
Sedia la fremosa seu sirgo torcendo,
sa voz manselinha fremoso dizendo
cantigas d’ amigo.
(A)
“Já sei, meu Senhor, que vivo / depois que em
meu peito entrastes, / porque logo me
deixastes / ardendo em um fogo ativo:”
Sedia la fremosa seu sirgo lavrando,
sa voz manselinha fremoso cantando
cantigas d’ amigo.
(B)
“Maldade, que encaminha à vaidade, / Vaidade,
que todo me há vencido; / Vencido quero verme, e arrependido, / Arrependido a tanta
enormidade.”
(C)
“Vai-se com temporal a Nau ao fundo /
carregada de rica mercancia, / Queixa-se da
Fortuna, que a envia, / E eu sei, que a
submergiu Deus iracundo.”
(D)
“A cada canto um grande conselheiro, / Que
nos quer governar cabana, e vinha, / Não
sabem governar sua cozinha, / E podem
governar o mundo inteiro.
(E)
“Venho, Madre de Deus, ao Vosso monte, / E
reverente em vosso altar sagrado, / Vendo o
Menino em berço argenteado, / O sol vejo
nascer desse Horizonte.”
— Par Deus de Cruz, dona, sei eu que avedes
amor mui coitado que tan ben dizedes
cantigas d’ amigo.
— Par Deus de Cruz, dona, sei eu que andades
d’ amor mui coitada que tan ben cantades
cantigas d’ amigo.
— Avuitor comestes, que adevinhades.
(In:
CANCIONEIRO
DA
BIBLIOTECA
NACIONAL; leitura [...] por Elza Paxeco Machado
e José Pedro Machado. Lisboa: Revista de
Portugal, 1949-1964. v. 4, p. 15-16.)
Vocabulário:
Sedia = estava; la = a (artigo); sirgo = fio, fita ou obra de seda;
fremoso = formosamente; manselinha = mansa, doce; lavrar =
trabalhar (em lavores femininos); avedes = tendes; dizedes =
dizeis; avuitor = abutre.
23 Gonçalves Dias (1823-1864) representa, na
poesia brasileira do século XIX, o Indianismo. Ao lado
dessa temática, o poeta maranhense cultivou a lírica
amorosa, de que é EXEMPLO o excerto:
Primeira manifestação literária em língua portuguesa, a
poesia trovadoresca apresenta alguns elementos
distintivos como a adoção do paralelismo e o recurso aos
temas do amor cortês. Considerando tais informações, é
CORRETO afirmar que, no poema acima,
(A)
não ocorre o sistema de paralelismo, em função
do número ímpar de estrofes do poema.
(B)
o verso 8 se refere a um “amor mui coitado que
tan ben dizedes”, como expressão do eu lírico
masculino.
(C)
as rimas “torcendo / dizendo” e “lavrando /
cantando” aproximam o trabalho do canto e
indicam um universo poético não cortês.
(D)
(E)
nos versos “[...] fremoso dizendo” e “[...] fremoso
cantando”, o trovador limitou-se a substituir “dizer”
por “cantar”, sem criar estrofes paralelas.
no verso inicial — “Sedia la fremosa seu sirgo
lavrando” —, faz-se o elogio das habilidades
manuais da amada, de acordo com o espírito do
amor cortês.
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7
(A)
“A vida é um fio negro d’amarguras / E de longo
sofrer; / Semelha a noite; mas fagueiros sonhos
/ Pode de noite haver.” (“Espera”)
(B)
“No centro da taba se estende um terreiro, /
Onde ora se aduna [reúne] o concílio guerreiro
/ Da tribo senhora, das tribos servis:” (“I-Juca
Pirama”)
(C)
“Cabe a outros porém que se dor vemos /
Passar, girar no turbilhão dos vivos, / De carne
inda vestidos, / O nada inda encoberto;” (“A
morte é vária”)
(D)
“E o Piaga se ruge / No seu Maracá, / A morte
lá paira / Nos ares frechados, / Os campos
juncados / De mortos são já: / Mil homens
viveram,” (“O canto do guerreiro”)
(E)
“Se tal paixão enfim transborda, / Se tem na
terra o galardão [prêmio] devido / Em recíproco
afeto; e unidas, uma, / Dois seres, duas vidas
se procuram,” (“Se se morre de amor”)
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24 Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805),
25 Em Tarde, publicado postumamente em 1919,
Olavo Bilac (1865-1918) manteve-se fiel à concepção
parnasiana de poesia como minucioso trabalho formal
e ao culto do estilo, conforme demonstrado no seguinte
poema:
dividido entre a estética normativa do Neoclassicismo e as
sondagens abismais, prenunciadoras do Romantismo,
destaca-se como um dos mais importantes sonetistas da
Literatura Portuguesa, tendo escrito quase quatrocentos
textos, segundo a edição de Hernâni Cidade. Leia
atentamente o soneto de Bocage, a seguir:
“A um poeta”
Já se afastou de nós o Inverno agreste,
Envolto nos seus úmidos vapores;
A fértil Primavera, a mãe das flores,
O prado ameno de boninas [flores] veste.
1
2
3
4
Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!
Varrendo os ares o sutil nordeste
Os torna azuis: as aves de mil cores
Adejam entre Zéfiros [personificação do vento] e
Amores,
E toma o fresco Tejo a cor celeste.
5
6
7
8
Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica mas sóbria, como um templo grego.
9 Não se mostre na fábrica o suplício
10 Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
11 Sem lembrar os andaimes do edifício:
Vem, ó Marília, vem lograr comigo
Destes alegres campos a beleza,
Destas copadas árvores o abrigo.
12 Porque a Beleza, gêmea da Verdade,
13 Arte pura, inimiga do artifício,
14 É a força e a graça na simplicidade.
Deixa louvar da corte a vã grandeza:
Quanto me agrada mais estar contigo,
Notando as perfeições da Natureza!
(BILAC, Olavo. Obra Reunida. Rio de Janeiro:
Nova Aguilar, 1997. p. 268.)
(BOCAGE, Manuel Maria Barbosa du. Sonetos.
Lisboa: Bertrand, 1969. p. 12)
Levando em conta o soneto transcrito acima, é
CORRETO afirmar:
Levando em conta este poema, extraído do referido livro
póstumo, é CORRETO afirmar:
(A)
Estabelece-se, no poema, a superioridade da
beleza do campo sobre a “vã grandeza” da corte.
(A)
(B)
A retomada da mitologia greco-romana — “Adejam
[as aves] entre Zéfiros e Amores,” — confere uma
nota de subjetividade ao poema.
Na teoria formal de Bilac, a imagem deve ser
banida da poesia, como se vê no trecho:
“imagem fique nua, / Rica mas sóbria,” (vv. 7-8)
(B)
O soneto em exame deve ser definido como préromântico, dado o predomínio da nota pessoal
sobre o rigor normativo do século XVIII.
O verso 13 indica que, no final da sua carreira
poética, Olavo Bilac abandonou o princípio da
arte pela arte.
(C)
No último terceto, há uma definição de beleza,
apoiada em elementos estranhos à poética
parnasiana, como a arte pura e a busca da
verdade.
(D)
Os versos 5 e 6 condensam a ideia de que o
trabalho poético não deve ficar aparente: “Mas
que na forma se disfarce o emprego / Do
esforço; e a trama viva se construa”.
(E)
O emprego do polissíndeto no verso 4 —
“Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!” —
opõe o labor intelectual do poeta ao trabalho
repetitivo e não criativo de um artesão.
(C)
(D)
(E)
O soneto apresenta diversas irregularidades
métricas, que procuram traduzir, no plano formal,
as inquietações de um eu lírico atormentado pelo
amor.
O poema apresenta nítida valorização do campo,
segundo uma perspectiva mitológica cara ao
Neoclassicismo, como se vê em “A fértil
Primavera, a mãe das flores, / O prado ameno de
boninas veste”.
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26 Cesário Verde (1855-1886), poeta português ligado
(C)
ao Realismo, teve seus poemas publicados em livro
póstumo, organizado por Silva Pinto: O livro de Cesário
Verde. Nesta coletânea, a crítica tem enfatizado o
contraste campo-cidade. Contudo, em alguns poemas
desse livro, como “O sentimento dum ocidental”, há a
percepção de um mal-estar em relação à CIDADE QUE
MURA, que constrange o eu lírico, como se vê em:
“Ulos [Onde] esses namorados? / Desinçada
[livre] é a terra deles! / Olho mau se meteu
neles! / Namorados de cruzados...” (vv. 149152)
(D)
“Raivou tanto, rosmear [resmungar]! / Oh!
Pesar ora da vida! / Está a panela cozida, /
minha dona quer jantar. / Não quereis?” (vv.
267-271)
(A)
“Mas se vivemos, os emparedados,
Sem árvores, no vale escuro das muralhas!
Julgo avistar, na treva, as folhas das navalhas
E os gritos de socorro ouvir estrangulados.”
(E)
“Estas velhas são pesadas! / Santa Maria vai
com a praga! / Quanto os homens mais
afaga, / tanto são mais endiabradas!” (vv.
365-368)
(B)
“Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio; apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas
[vendedoras de peixe].”
(C)
“Por baixo, que portões! Que arruamentos!
Um parafuso cai nas lajes, às escuras:
Colocam-se taipais, rangem as fechaduras,
E os olhos dum caleche espantam-me,
sangrentos.”
(D)
“E eu sigo, como as linhas de uma pauta,
A dupla correnteza augusta das fachadas;
Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas,
As notas pastoris de uma longínqua flauta.”
(E)
28 Acerca da poesia de Mario Faustino (1930-1962),
Benedito Nunes, professor emérito da UFPA, escreveu:
“A segunda matriz da poesia de Mário Faustino, o
erotismo universal, exprime-se num pathos amoroso
dominante. Atração sexual e impulso que governa o
alto mundo, o amor está “Por cima de qualquer muro
de credo, / Por cima de qualquer fosso de sexo”.
(NUNES, Benedito. A poesia de Mário Faustino. In:
FAUSTINO, Mário. Poesia Completa. São Paulo: Max
Limonad, 1985. p. 22.).
Os versos que EXEMPLIFICAM a segunda matriz da
poesia de Mário Faustino, assinalada pelo professor
Benedito Nunes, são:
“A espaços, iluminam-se os andares,
E as tascas, os cafés, as tendas, os estancos
Alastram em lençol os seus reflexos brancos;
E a Lua lembra o circo e os jogos malabares.”
27 A peça O velho da horta (1512), encenada perante o
rei D. Manuel, foi escrita por Gil Vicente (?1465-1536),
autor em que se aliam a tradição dos autos medievais e
um profundo sentido de crítica social. Nesse texto, “as
declarações amorosas do Velho têm um inequívoco sabor
literário. Com efeito, uma leitura atenta do texto revela que
em toda a sua actuação como apaixonado o Velho
assume uma atitude e uma maneira de se expressar que
são típicos, convencionais, da literatura amorosa cortesã
do século XV.” (ZIMIC, Stanislav. O velho da horta. In:
BERNARDES, José Augusto Cardoso et alii. Ensaios
vicentinos. Coimbra: A Escola da Noite, 2003. p. 97.).
A afirmação relativa às declarações de amor proferidas
pelo Velho é CONFIRMADA pelos versos:
(A)
“Já perto sois de morrer. / Donde nasce esta
sandice que / quanto mais na velhice, / amais os
velhos viver? (vv. 111-114)
(B)
“Oh flor da mor [maior] formosura! / Quem vos
trouxe a este meu horto? / Ai de mi[m]! / Porque,
logo que vos vi, cegou minha alma...” (vv. 111114)
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(A)
“Dormia um redentor nos incensados /
Lençóis que a lua póstuma cobria / De mirra e
de açafrões embalsamados;” (“Agonistes”)
(B)
“Inferno, eterno inverno, quero dar / Teu
nome à dor sem nome deste dia / Sem sol,
céu sem furor, praia sem mar.” (“Inferno,
eterno inverno, quero dar”)
(C)
“Vida toda linguagem, / frase perfeita sempre,
talvez verso, / geralmente sem qualquer
adjetivo, coluna sem ornamento, geralmente
partida.” (“Vida toda linguagem”)
(D)
“Onde paira a canção recomeçada / No
capitel de acanto de teu lar? / Onde
prossegue a dança terminada / Nas lajes de
meu tempo de chorar?” (“Onde paira a
canção recomeçada”)
(E)
“O mundo que venci deu-me um amor / [...]
Amor que dorme e treme. Que desperta / E
torna contra mim, e me devora / E me rumina
em cantos de vitória [...]” (“O mundo que
venci deu-me um amor.”)
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29 Leia atentamente o poema abaixo de Carlos
Drummond de Andrade (1902-1987), poeta modernista
mineiro.
30 Leia atentamente o trecho abaixo extraído da
narrativa “Campo Geral”
Quando o Dito falou, aquilo devagar ainda podia
parecer justo, o Dito sabia tanta coisa tirada de idéia,
Miguilim se espantava. Menos agora. Agora, êle
excogitava, cismava que não era só assim, o do Dito,
achava que era o contrário. A ver, com êle Miguilim, era
o contrário. A coisa mais difícil que tinha era a gente
poder saber fazer tudo certo, para os outros não
ralharem, não quererem castigar. De primeiro, Miguilim
tinha medo de bois, das vacas costeadas. Pai bramava,
falava: — “Se um sendo medroso, por isso o gado te
estranha, rês sabe quando um está com pavor,
qualquer receiozinho, então, capaz mesmo que até a
mansa vira brava, com vontades de bater...” Pois isso,
outra vez, Miguilim sabia que a gente não tivesse medo
não tinha perigo, não se importou mais, andou logo por
dentro da boiada, duma boiada chegada, poeira de boi.
Daí, foi um susto, veio Pai, os vaqueiros vieram, com
as varas, carregaram com ele Miguilim pra o alpendre,
passavam muito ralho. — “Menino, diabo, demonim
[demoninho]! Tu entra no meio desse gado bruto, que é
outro, tudo brabeza dos Gerais?! Sei como não
sentaram chifre, não te espisaram [pisotearam]!...” De
em diante, Miguilim tudo temeu de atravessar um
pasto, a tiro de qualquer rês, podia ser brava podia ser
mansa, essas coisas. Mas agora Miguilim queria
merecer paz dos passados, se rir seco sem razão. Ele
bebia um golinho de velhice.
“Noturno à janela do apartamento”
Silencioso cubo de treva:
um salto, e seria a morte.
Mas é apenas, sob o vento,
a integração na noite.
Nenhum pensamento de infância,
nem saudade nem vão propósito.
Somente a contemplação
de um mundo enorme e parado.
A soma da vida é nula.
Mas a vida tem tal poder:
na escuridão absoluta,
como líquido, circula.
Suicídio, riqueza, ciência.
A alma severa se interroga
e logo se cala. E não sabe
se é noite, mar ou distância.
Triste farol da Ilha Rasa.
(In:
ANDRADE,
Carlos
Drummond
de.
Sentimento do mundo. In: Poesia e Prosa. Rio de
Janeiro: Nova Aguilar, 1983. p. 138-139.)
(ROSA, João Guimarães. “Campo Geral”. In:
Corpo de Baile: sete novelas. Rio de Janeiro:
José Olympio, 1956. v. 1, p. 74-75.)
Considerando este poema, extraído da coletânea
Sentimento do mundo (1940), um dos mais importantes
de Drummond, é CORRETO afirmar:
(A)
(B)
(C)
“Campo Geral” é o texto de abertura do primeiro
volume de Corpo de Baile (1956), do autor modernista
Guimarães Rosa (1908-1967). Considerando o trecho
transcrito, é CORRETO afirmar:
O suicídio — “Silencioso cubo de treva: / um salto,
e seria a morte.” — é a única saída para a
angústia vivenciada pelo eu lírico.
O poema apresenta uma reflexão sobre a
existência humana, como se vê em “A alma severa
se interroga / e logo se cala”.
Na terceira estrofe do poema, nega-se o tom
pessimista predominante no poema, como se vê
em “A soma da vida é nula. / Mas a vida tem tal
poder:”.
(D)
A reflexão sobre a linguagem como dimensão
fundamental do poema pode ser identificada em
versos como “Somente a contemplação / de um
mundo enorme e parado”.
(E)
O eu lírico refugia-se na lembrança da infância,
como forma de fuga ao vazio existencial que o
tomou: “Nenhum pensamento de infância, / nem
saudade nem vão propósito”.
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(A)
O trecho “[...] a gente poder saber fazer tudo
certo, para os outros não ralharem, não
quererem castigar.” expressa o temor de Dito
diante do autoritarismo paterno.
(B)
Expressões como “Ele bebia um golinho de
velhice.” traduzem, em termos poéticos, a
experiência do pai de Miguilim diante da
situação de perigo por que passou o filho.
(C)
Adota-se o ponto de vista de Miguilim,
protagonista da história, apesar do uso da
forma verbal em terceira pessoa: “se
espantava”, “excogitava”, “cismava”, “bebia”,
etc.
(D)
O trecho indica, por parte de Migulim, uma
inveja contida em relação ao irmão Dito, como
se vê em: “o Dito sabia tanta coisa tirada de
idéia, Miguilim se espantava”.
(E)
No excerto, o pai de Miguilim comporta-se de
maneira afetuosa, gritando (“bramava”) apenas
para advertir o filho dos perigos de atravessar o
caminho de uma boiada.
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33 Na Crítica da Razão Pura, Kant declara que “a
FILOSOFIA
razão [...] se aproxima da natureza não como um aluno
que ouve tudo aquilo que o professor decide dizer, mas
como um juiz que obriga a testemunha a responder à
questão que ele mesmo formulou”. Com base nessa
declaração, é correto afirmar que
31 Quanto maior a visão em profundidade menor a visão
em extensão. A tendência da especialização é conhecer
cada vez mais de cada vez menos.
De acordo com o texto acima é correto afirmar que
(A)
a razão extrai da natureza
dogmaticamente formula a priori.
(B)
o procedimento racional é uma projeção
indevida do procedimento jurídico.
a especialização é um processo segundo o qual
se produz um conhecimento mais aprofundado de
uma determinada dimensão da realidade estudada
em prejuízo de um conhecimento mais abrangente
da realidade.
(C)
há um determinismo na natureza suscetível de
ser conhecido a priori pela Razão.
(D)
as categorias a priori do entendimento legislam
sobre os fenômenos naturais a serem
conhecidos.
(C)
a especialização é uma tendência acadêmicocientífica de conhecer cada vez menos de uma
determinada dimensão da realidade.
(E)
a realidade se deixa apreender pela razão
porque os fenômenos encerram em si mesmos
uma estrutura idêntica à da razão legisladora.
(D)
é um grande paradoxo do procedimento científico
contemporâneo, que se anula a si mesmo, ao
pretender conhecer cada vez menos de uma
dimensão maior do real.
(A)
(B)
(E)
essa tendência é prejudicial ao procedimento
científico no seu afã de conhecimento cada vez
mais abrangente da realidade, impossibilitando
assim o aprofundamento do conhecimento.
o
que
ela
34 Um dos objetivos básicos da ciência é tornar o
mundo compreensível por meio do controle da
atividade científica sobre os fenômenos naturais. Com
base nessa assertiva, avalie as afirmações abaixo.
a
produção
especializada
produz
um
conhecimento científico mais abrangente do objeto
até então ignorado em prejuízo de um
aprofundamento maior da realidade estudada.
I.
O objetivo do controle da experiência
científica é o isolamento das variáveis com o
propósito de identificar a causa determinante
da ocorrência do fenômeno estudado.
homem.
II.
“Se, com efeito, a existência precede a essência, não
será nunca possível referir uma explicação a uma
natureza humana dada e imutável; por outras
palavras,não há determinismo, o homem é livre, o
homem é liberdade [...]. Estamos sós e sem desculpas. É
o que traduzirei dizendo que o homem está condenado a
ser livre.”
O controle da natureza é um procedimento
científico que visa o impedimento da
ocorrência de catástrofes provenientes dos
fenômenos naturais.
III.
O controle da experiência exercido pelo
cientista tem por objetivo a manipulação do
saber para efeito do reconhecimento de sua
teoria acerca da realidade.
IV.
O procedimento experimental que testa a
validade da hipótese científica deve ser
controlado para que o fator relevante previsto
na hipótese seja destacado na ocorrência do
fato-problema.
32 Leia o seguinte texto com a visão de Sartre sobre o
SARTRE, J.P. “O existencialismo é um
humanismo”. In COTRIN, Gilberto. Fundamentos
da filosofia. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 288289 (Coleção Pensadores).
De acordo com o texto acima, o homem
(A)
está condenado à liberdade em consequência da
queda do pecado original.
(B)
decifra ele mesmo um sinal transcendental sobre a
Terra, sem auxílio de ninguém.
(C)
Estão corretas as afirmações
(A)
I e III.
(B)
I e IV.
apesar de livre não pode ser responsabilizado
pelos seus atos perante a si mesmo.
(C)
II e III.
(D)
II e IV.
(D)
foi criado por Deus e lançado a sua própria sorte,
sem proteção alguma transcendental.
(E)
III e IV.
(E)
está condenado a ser livre porque não se criou a
si próprio; e, no entanto, é livre porque é
responsável por tudo que fizer.
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35 Nos Princípios da Filosofia do Direito, Hegel
37 Leia o texto abaixo de Marilena Chauí, na qual a
autora expressa sua concepção de ideologia.
reconhece que “o indivíduo tem [...] sua liberdade
substancial no sentimento de que ele [o Estado] é sua
própria essência, o fim e o produto de sua atividade [...]
por ser o Estado o espírito objetivo, o indivíduo só tem
objetividade se toma parte dele.”
Com base nesse texto, é correto afirmar que, para Hegel,
o Estado é
(A)
fruto da submissão da vontade particular à
vontade geral do povo, como único soberano.
(B)
formado a partir da vontade geral dos indivíduos
para se protegerem entre si dos males que os
afligem.
(C)
concebido como produto do sentimento de
alienação produzido pela objetivação dos seres
humanos pela máquina estatal.
(D)
(E)
“A ideologia é um conjunto lógico, sistemático e
coerente de representações e de normas ou
regras (de conduta) que indicam e prescrevem aos
membros da sociedade o que devem pensar e
como devem pensar [...] o que devem fazer e
como devem fazer. Ela é, portanto, um corpo
explicativo [...] de caráter prescritivo, normativo e
regulador, cuja função é dar aos membros de uma
sociedade dividida em classes uma explicação
racional para as diferenças sociais, políticas e
culturais, sem jamais atribuir tais diferenças à
divisão da sociedade em classes”.
(CHAUÍ, Marilena. “O que é ideologia”. In
ARANHA,
M.L.A;
MARTINS,
M.H.P.
Filosofando. São Paulo: Moderna, 1989, p.70).
o legítimo fundador da sociedade civil, que concilia
a universalidade humana com os interesses
particulares.
De acordo com essa concepção, é correto afirmar que
uma das funções da ideologia é a
concebido com base na idéia do indivíduo isolado
e que só posteriormente teria se organizado em
sociedade.
(A)
produção de um discurso pleno e concreto a
respeito da realidade social das sociedades de
classe.
(B)
produção consciente e deliberada de uma
maneira de pensar e de agir para subjugar as
classes dominadas.
(C)
de apagar as diferenças de classe e de
fornecer aos membros da sociedade o
sentimento de uma identidade nacional.
(D)
de provocar uma inversão da maneira pela qual
se estabelecem relações entre teoria e prática,
como se esta fosse a condicionante da
concepção teórica.
(E)
reprodução de um ideário que se considera
como representação particular de uma classe
em vez de ser visto como uma representação
que aspira a uma universalidade reconhecida
por todos os membros das classes sociais.
36 Segundo Schiller, “Para se chegar a uma solução,
mesmo em questões políticas, o caminho da estética deve
ser buscado porque é pela beleza que chegamos à
liberdade.”
De acordo com essa passagem, é correto afirmar que,
para o autor,
(A)
o estudo do belo artístico proporciona a
reconciliação da beleza natural da vida em
sociedade.
(B)
a reeducação estética da humanidade deve
coincidir com a liberdade inerente às instituições
políticas vigentes.
(C)
a beleza nos restitui a liberdade graças à
educação da sensibilidade aprisionada pela
educação moral da sociedade.
(D)
a estética é uma instância cujas regras prescritivas
são as únicas capazes de libertar os homens da
sensibilidade desenfreada.
(E)
a atividade artística precisa abandonar a realidade
e elevar-se para além da necessidade, pois a arte
é filha da liberdade e quer ser legislada pela
necessidade do espírito, não pela conveniência da
matéria.
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38 Para o linguista Roman Jakobson, a função poética
40 Afirmar que a linguagem verbal é uma instituição
social equivale dizer que
da linguagem funda-se sobre a própria mensagem. Tendo
por base essa concepção, é correto afirmar que essa
função caracteriza-se por
(A)
enfatizar o significado referencial da própria
mensagem.
(B)
enfatizar os eventuais destinatários da mensagem
enviada.
(C)
enfocar o contexto externo em que a obra se
encontra inserida.
(D)
considerar exclusivamente o conteúdo que a
mensagem vincula.
(E)
evidenciar a forma de estruturação
composição da própria mensagem.
e
(A)
os signos são arbitrários e convencionais.
(B)
a linguagem verbal é uma convenção natural
extraída da própria realidade.
(C)
a estrutura do sistema lingüístico é uma
abstração social da realidade natural.
(D)
as palavras são instituídas por instâncias
sociais reguladoras do código verbal.
(E)
os vocábulos instituídos socialmente guardam
uma relação de semelhança com os objetos
representados.
de
39 Um ato, para que seja considerado moral, deve ser
livre, autônomo, intencional e responsável. De acordo com
essa concepção, é correto afirmar que o ato moral é
(A)
produto do desejo irreprimível da realização
consciente do bem comum.
(B)
oriundo da adesão livre e consciente às normas
prescritas pelo direito positivo.
(C)
obediente ao próprio dever livremente imposto
pela razão prática, compartilhada universalmente.
(D)
responsável pelo cumprimento livre das normas
extraídas do determinismo da ordem natural das
coisas.
(E)
livremente determinado por prescrições morais,
herdadas dos costumes e das tradições de uma
determinada sociedade e/ou de uma civilização.
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