João Miguel Vieira Camões THE ROLE OF PHYSICAL ACTIVITY AND DIET ON THE INCIDENCE OF OBESITY AND HYPERTENSION: A COHORT STUDY Dissertação de candidatura ao grau de Doutor apresentada à Faculdade de Medicina da Universidade do Porto Porto, 2010 Art.º 48º, § 3º “A Faculdade não responde pelas doutrinas expendidas na dissertação.” (Regulamento da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto – Decreto-Lei nº 19337 de 29 de Janeiro de 1931) II Corpo Catedrático da Faculdade de Medicina do Porto Professores Catedráticos Efectivos Doutor Manuel Maria Paula Barbosa Doutor Manuel Alberto Coimbra Sobrinho Simões Doutor Jorge Manuel Mergulhão Castro Tavares Doutora Maria Amélia Duarte Ferreira Doutor José Agostinho Marques Lopes Doutor Patrício Manuel Vieira Araújo Soares da Silva Doutor Daniel Filipe Lima Moura Doutor Alberto Manuel Barros da Silva Doutor José Manuel Lopes Teixeira Amarante Doutor José Henrique Dias Pinto de Barros Doutora Maria de Fátima Machado Henriques Carneiro Doutora Isabel Maria Amorim Pereira Ramos Doutora Deolinda Maria Valente Alves Lima Teixeira Doutora Maria Dulce Cordeiro Madeira Doutor Altamiro Manuel Rodrigues Costa Pereira Doutor Rui Manuel Almeida Mota Cardoso Doutor António Carlos Freitas Ribeiro Saraiva Doutor Álvaro Jerónimo Leal Machado de Aguiar Doutor José Luís Medina Vieira Doutor José Carlos Neves da Cunha Areias Doutor Manuel Jesus Falcão Pestana Vasconcelos Doutor João Francisco Montenegro Andrade Lima Bernardes Doutora Maria Leonor Martins Soares David Doutor Rui Manuel Lopes Nunes Doutor Amadeu Pinto de Araújo Pimenta Doutor António Albino Coelho Marques Abrantes Teixeira Doutor José Eduardo Torres Eckenroth Guimarães Doutor Francisco Fernando Rocha Gonçalves Doutor José Manuel Pereira Dias de Castro Lopes Doutor Manuel António Caldeira Pais Clemente Doutor Abel Vitorino Trigo Cabral III Professores Jubilados ou Aposentados Doutor Abel José Sampaio Da Costa Tavares Doutor Alexandre Alberto Guerra Sousa Pinto Doutor Amândio Gomes Sampaio Tavares Doutor António Augusto Lopes Vaz Doutor António Carvalho Almeida Coimbra Doutor António Fernandes da Fonseca Doutor António Fernandes Oliveira Barbosa Ribeiro Braga Doutor António Germano Pina Silva Leal Doutor António José Pacheco Palha Doutor António Luís Tomé da Rocha Ribeiro Doutor António Manuel Sampaio de Araújo Teixeira Doutor Artur Manuel Giesteira de Almeida Doutor Belmiro dos Santos Patrício Doutor Cândido Alves Hipólito Reis Doutor Carlos Rodrigo Magalhães Ramalhão Doutor Cassiano Pena de Abreu e Lima Doutor Daniel Santos Pinto Serrão Doutor Eduardo Jorge Cunha Rodrigues Pereira Doutor Fernando de Carvalho Cerqueira Magro Ferreira Doutor Fernando Tavarela Veloso Doutor Francisco de Sousa Lé Doutor Henrique José Ferreira Gonçalves Lecour de Menezes Doutor João Silva Carvalho Doutor Joaquim Germano Pinto Machado Correia da Silva Doutor José Augusto Fleming Torrinha Doutor José Carvalho de Oliveira Doutor José Fernando Barros Castro Correia Doutor José Manuel Costa Mesquita Guimarães Doutor Levi Eugénio Ribeiro Guerra Doutor Luís Alberto Martins Gomes de Almeida Doutor Manuel Augusto Cardoso de Oliveira Doutor Manuel Machado Rodrigues Gomes Doutor Manuel Teixeira Amarante Júnior Doutora Maria da Conceição Fernandes Marques Magalhães Doutora Maria Isabel Amorim de Azevedo Doutor Mário José Cerqueira Gomes Braga Doutor Serafim Correia Pinto Guimarães Doutor Valdemar Miguel Botelho dos Santos Cardoso Doutor WalterFriedrichAlfredOsswald IV Ao abrigo do Art.º 8º do Decreto-Lei n.º 388/70 fazem parte desta dissertação as seguintes publicações: Camões M, Severo M, Santos AC, Barros H, Lopes C. Testing an Adaptation of the EPIC Physical Activity Questionnaire in Portuguese Adults: A validation Study that Assesses the Seasonal Bias of Self-report. Ann Hum Biol. 2010 Apr;37(2):185-97. Camões M, Lopes C. Dietary Intake and Different Types of Physical Activity: Full-day Energy Expenditure, Occupational and Leisure-time. Public Health Nutr. 2008 Aug;11(8):841-8. Camões M, Lopes C, Oliveira A, Santos AC, Barros H. Overall and Central Obesity Incidence in an Urban Portuguese Population. Prev Med. 2010 Jan-Feb;50(1-2):50-5. Camões M, Oliveira A, Lopes C. The Role of Physical Activity and Diet on Overall and Central Obesity Incidence. J Phys Act Health. 2010 (In Press). Camões M, Oliveira A, Pereira M, Milton Severo, Lopes C. Physical Activity and Diet on Incidence of Hypertension - a Population-based Study in Portuguese Adults. Submitted. V Esta investigação foi realizada no Serviço de Higiene e Epidemiologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, sob a orientação da Professora Doutora Carla Lopes. Este projecto de investigação de base populacional – estudo de coorte, foi parcialmente financiado por projectos da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (POCTI/ESP/42361/2001; POCTI/SAUESP/61160/2004). No âmbito deste projecto de investigação, foi concedida a bolsa de Doutoramento pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (SFRH/BD/18833/2004). VI Aos meus pais…a quem devo tudo. VII VIII Agradecimentos… Ao Professor Doutor Henrique Barros, por me ter dado a oportunidade de entrar num projecto extremamente ambicioso e integrar um grupo altamente prestigiante. À Carla Lopes… pela sabedoria que me transmitiu, pela confiança que depositou em mim, pela intransigência com que me defendeu e pelas múltiplas oportunidades científicas que me concedeu. Aos “Séniores” do Serviço de Higiene e Epidemiologia,pelo interesse que me incutiram pela Epidemiologia e por tudo o que me ensinaram. A todos os colegas do Serviço de Higiene e Epidemiologia, nomeadamente os que tiveram envolvidos na avaliação da coorteEPIPorto, pela amizade e compreensão demonstrada em momentos chave da minha formação e pelo trabalho de campo árduo de recolha de informação. À Andreia Oliveira. Um exemplo a seguir. Uma “Júnior” com características de “Sénior”…devo confessar publicamente a minha forte admiração por todas as suas qualidades. Tenho orgulho da nossa partilha científica esobretudo da nossa amizade. À “Carlinha”…conselheira e amiga. Representa para mim uma referência, com qualidades profissionais e Humanas inigualáveis. Ao meu suporte - a minha família. Ao meu pai, pelos incentivos construtivos, pelos valores de trabalho e pela clareza com que me ajuda a conjugar o ideal com o real. À minha mãe, por todos os princípios Humanos que me transmitiu. À Joana, Duarte e “Joaninha”… que apesar de longe mantêm-se sempre presentes. IX X Table of Contents 1. Abstract 1 2. Resumo 7 3. General Introduction 13 3.1. Obesity Epidemiology 15 3.1.1. Overweight, Obesity and Central Obesity Measurement and Classification 15 3.1.2. Distribution, Time Trends and Sociodemographic Determinants 17 3.2. Hypertension Epidemiology 21 3.2.1. Blood Pressure Measurement and Classification 21 3.2.2. Distribution, Time Trends and Sociodemographic Determinants 22 3.3. Physical Activity and Diet as Risk Factors for Obesity and Hypertension 3.3.1. Physical Inactivity and Obesity 27 3.3.2. Physical Inactivity and Hypertension 29 3.3.3. Dietary Intake, Food Patterns and Obesity 31 3.3.4. Dietary Intake, Food Patterns and Hypertension 32 3.3.5. Interaction between Physical Activity and Dietary Intake 34 3.4. Aims 4. 5. 25 37 Methods 39 4.1. Participants 41 4.2. Data Collection 43 4.3. Statistical Analysis 45 Papers Paper I 47 Testing an Adaptation of the EPIC Physical Activity Questionnaire in Portuguese Adults: A validation Study that Assesses the Seasonal Bias of Self-report. Paper II 51 Dietary Intake and Different Types of Physical Activity: Full-day Energy Expenditure, Occupational and Leisure-time. 67 Paper III Overall and Central Obesity Incidence in an urban Portuguese Population. 77 Paper IV The Role of Physical Activity and Diet on Overall and Central Obesity Incidence. 85 Paper VPhysical Activity and Diet on Incidence of Hypertension – a Population-based Study in Portuguese Adults. 107 6. General Discussion and Conclusions 129 7. References 137 135 XI XII ABSTRACT 1 2 1. Abstract Objectives We aimed to evaluate prospectively the independent role of different types and intensities of physical activity (PA) as well as nutrient intake and dietary patterns in the incidence of obesity and hypertension. To accomplish our general objective, we performed 5 studies with the following specific objectives: 1. To assess the validity, reproducibility and seasonal bias on usual PA reporting of an adapted version of the EPIC PA questionnaire, designed to measure the different types of PA in Portuguese adults. 2. To describe the relationship between dietary intake and different levels and types of PA. 3. To provide overall and central obesity incidence estimates by gender, age and educational level in an urban Portuguese population. 4. To evaluate the role of different types of PA and diet on overall and central obesity incidence. 5. To evaluate longitudinally the role of PA (type and intensity) and diet (DASH score, nutrient and food intake) on hypertension incidence. Methods Participants are part of a prospective cohort - the EPIPorto study, comprising a representative sample of 2485 Portuguese adults (61.8% females), aged 18-92 years, resident in Porto. Participants were recruited by random digit dialing using households as the sampling unit. The local ethics committee approved the study protocol. Study participants were invited to visit the Department of Hygiene and Epidemiology of the University of Porto Medical School to be evaluated. Participants’ first evaluation was performed between 1999 and 2003 and the re-evaluation of the cohort was done between 2005 and 2008. Regarding the baseline evaluation, a participation proportion of 70% was achieved and 67.7% of the total cohort was re-evaluated by December 2008. Evaluations were done by trained interviewers using a standard structured questionnaire, comprising information on social, demographic, personal and family medical history, and behavioural characteristics. Studies I and II were based on cross-sectional data and the studies III, IV and V used longitudinal information. For exposure measurement, validated questionnaires were used to assess PA and dietary intake during the previous year. PA questionnaire explores all professional, domestic and leisure-time physical activities, detailing the duration and intensity for each activity. To calculate PA energy expenditure, we used standard metabolic energy equivalent task (MET) values. Full-day energy 3 expenditure included energy expended in all activities during the entire day (rest, professional, household chores and leisure-time activities), while occupational activities included professional and household activities. Leisure-time PA included sedentary leisure-time activities and different types of exercise. After having assessed total energy expenditure (TEE) based on the PA questionnaire and considering the individual Resting Metabolic Rate (RMR), we calculated the Physical Activity Level (PAL=TEE/RMR). A food-frequency questionnaire (FFQ) was used to evaluate dietary intake. The FFQ comprises 82 food and beverage-item categories, as well as a frequency section. Participants were asked to indicate the average frequency of consumption during the preceding year, as well as the portion size based on a photograph manual with three size options (small, medium, large) for each food item. Data on different nutrient intake and food consumption were provided and different patterns of intake, defined a priori, were constructed, such as the Mediterranean diet and the Dietary Approaches to Stop Hypertension (DASH diet). The outcomes of interest in this study were obesity and hypertension. To obtain updated information regarding overall overweight/obesity, central obesity and hypertension onset, objective evaluations of weight, height, waist circumference (WC) and blood pressure, were done, according to standard procedures. Overall obesity was defined through Body Mass Index (BMI), and participants were classified as underweight to normal weight (BMI<25.0 kg/m2); overweight (BMI 25.0-29.9 kg/m2); and obese (BMI!30.0 kg/m2); the categorization used for classifying individuals with central obesity was: WC>102 cm for men and WC>88 cm for women. Hypertension was defined as a Systolic Blood Pressure ! 140 mmHg and/or Diastolic Blood Pressure ! 90 mmHg and/or current antihypertensive drug therapy. Results Paper I Correlations between PA questionnaire and the PA diaries (4 x 7 days) were: 0.56, 0.50, 0.88 and 0.78 for total, rest, occupational and leisure-time PA, respectively. The coefficients for the reproducibility of the PA questionnaire (2-3 months interval) ranged between 0.80 for leisure and 0.91 for occupational PA. Visualizing Bland and Altman’s plots, only rest PA revealed a tendency towards an increase in differences with increasing reported rest. Men interviewed in April and August reported the highest and lowest mean of leisure-time PA, respectively. For professional activities, the probability of amplitude (difference between the highest and lowest PA level) being over one-half standard deviation was 33%. 4 Paper II For total PA, men who were active (higher than 10% of energy expenditure with moderate or high intensity level activities (!4 METs)) had significantly higher mean intake of energy (kcal/day) (2570.7 vs. 2336.9, p<0.001) and lower levels of protein consumption (%kcal) (16.9 vs.17.6, p<0.001) when compared to sedentary men. In men, the association between total PA and energy intake remained after adjustment for age, education and body mass index. Similar results were observed when occupational activity was analyzed. Concerning the energy spent in leisure-time PA, in both genders, after adjustment for the previously described variables, a significant positive association was found between PA and intake of vitamin C (mg/day), !=0.12, 99% Confidence Interval (CI): 0.02, 0.21 for women and !=0.13, 99%CI: 0.03, 0.22 for men. Leisure-time activity in women was also positively associated with intake of fibre, vitamin E, folate, calcium and magnesium, and negatively associated with saturated fat. Paper III The age-adjusted incidence rates/100 person-years (and respective 95%CI) of overall and central obesity were respectively: 1.70 (1.34-2.19) and 5.97 (5.09-7.03) in women; 1.08 (0.73-1.64) and 2.38 (1.81-3.20) in men. In multivariate analysis, older women presented a higher risk of overall obesity. Moreover, a significant inverse association was found between obesity and education in women (>11 vs. <5 years: Relative Risk (RR) (95%CI)=0.43 (0.22-0.84), for overall obesity; RR(95%CI)=0.45 (0.29-0.69), for central obesity). Paper IV Significant inverse associations were found between leisure-time PA and obesity incidence, namely among subjects classified into the last third of energy expenditure (!7.0 MET-h/day for women and !8.0 MET-h/day for men), who had approximately a 40% lower risk of developing the disease. Despite higher energy intakes, individuals with a high PAL (PAL>1.60) presented lower risk of obesity development, RR=0.25 (0.09-0.72) and RR=0.47 (0.27-0.94), for overall and central obesity, respectively. No significant associations were found between a Mediterranean dietary score and obesity incidence rates. Paper V In adults from Porto, older than 40 years, the crude incidence rate (95%CI) per 100 person-years of hypertension was 6.23 (5.26-7.20). After adjustment for gender, age, education, BMI and total energy intake, an inverse association, though not significant, was found across increasing thirds of leisure-time PA, Incident Rate Ratio (IRR) (95%CI): 1 (reference); 0.77 (0.51-1.16); 0.74 (0.481.11). No significant effects were found for total or occupational PA. No significant associations between the DASH score and hypertension incidence were observed; however, potassium intake 5 (mg/1000kcal) was shown to be inversely associated with hypertension development upper (>1863.0 for women and >1657.2 for men) vs. 1st third [IRR=0.65 (0.44-0.96), p for trend=0.025]. Additionally, in multivariate analysis, a significantly inverse association between the consumption of fruits/vegetables/pulses and hypertension incidence was found, upper vs. 1st third: [IRR=0.61 (0.40-0.93), p for trend=0.024]. Conclusions • The PA questionnaire is a valid and reproducible instrument for the brief assessment of usual energy expenditure in adults, detailing different types of PA. In males, seasonal bias on reporting leisure-time and professional PA was found. • Higher levels of PA in leisure-time were associated with higher intakes of micronutrients and lower intakes of saturated fat, particularly in females. For total and occupational PA, similar nutrient intake was observed between active and sedentary individuals. • Over time, individuals developed central obesity faster than overall obesity. Our results support that increasing levels of education limit this ongoing development of obesity, particularly among women. • In our population, leisure-time PA was inversely associated with obesity incidence. In both overall and central obesity, PAL above 60% of the resting metabolic rate and moderate energy intake seem to strike the right balance to prevent obesity. • In Portuguese adults, after adjustment for several confounders, the development of hypertension was inversely associated with potassium and fruits/vegetables/pulses intake. A doseresponse is inherent to these inverse associations. 6 RESUMO 7 8 2. Resumo Objectivos Esta investigação pretende avaliar prospectivamente o efeito independente de diferentes tipos e intensidades de actividade física (AF), bem como da ingestão de nutrientes e padrões alimentares na incidência de obesidade e hipertensão. Para atingir este objectivo geral, desenvolvemos cinco estudos com os seguintes objectivos específicos: 1. Avaliar a validade, reprodutibilidade e o viés de sazonalidade ao reportar a AF habitual de uma versão adaptada do questionário de AF do estudo EPIC, desenhado especificamente para medir diferentes tipos de AF em adultos Portugueses. 2. Descrever a relação entre ingestão alimentar e diferentes níveis e tipos de AF. 3. Estimar a incidência de obesidade total e central por sexo, idade e nível de escolaridade numa população urbana Portuguesa. 4. Avaliar o papel de diferentes tipos de AF e da alimentação na incidência de obesidade total e central. 5. Avaliar longitudinalmente o efeito da AF (tipo e intensidade) e da alimentação (índice DASH e ingestão de nutrientes e alimentos) na incidência de hipertensão. Métodos Os participantes integram uma coorte prospectiva – o estudo EPIPorto - que é constituído por uma amostra representativa de 2485 adultos Portugueses (61,8% do sexo feminino), com idades compreendidas entre os 18 e os 92 anos, residentes no Porto. Os participantes foram recrutados por aleatorização de dígitos telefónicos usando como unidade amostral as habitações familiares com telefone. A comissão de ética local aprovou o protocolo de estudo. Os participantes foram convidados a deslocar-se ao Serviço de Higiene e Epidemiologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto para serem avaliados. A primeira avaliação decorreu entre 1999 e 2003 e uma reavaliação decorreu entre 2005 e 2008. A primeira avaliação teve uma proporção de participação de 70% e 67.7% da coorte foi reavaliada até Dezembro de 2008. A informação foi recolhida por inquiridores treinados através de um questionário estruturado que inclui informação relativa a características sociais, demográficas, história pessoal e familiar de doença e comportamentais. Os estudos I e II basearam-se na informação transversal e os estudos III, IV e V na informação longitudinal. 9 Para a medição da exposição, foram utilizados questionários validados para avaliar a AF e a ingestão alimentar do ano anterior. O questionário de AF explora as actividades profissionais, domésticas e de lazer, detalhando a duração e a intensidade com que cada actividade foi praticada. A energia dispendida com a AF foi quantificada em equivalentes metabólicos (MET). A energia diária total incluiu a energia dispendida em todas as actividades durante o dia (repouso, profissionais, tarefas domésticas e actividades de lazer), enquanto as actividades ocupacionais incluíram as actividades profissionais e domésticas. A AF de lazer incluiu actividades sedentárias de lazer e diferentes tipos de exercício físico. Com a estimativa da energia diária total dispendida, obtida através do questionário de AF (TEE), e considerando a energia gasta em repouso (RMR), calculámos o nível de actividade física (PAL=TEE/RMR). Com o propósito de avaliar a ingestão de alimentos e nutrientes, aplicou-se um questionário de frequência alimentar (QFA). O QFA compreende uma listagem de 82 itens de alimentos e bebidas e uma secção fechada de frequências de consumo. Os participantes foram questionados quanto à frequência habitual de consumo durante o ano anterior e a estimativa da porção média consumida foi efectuada com base num álbum fotográfico que apresentava três opções de porção (pequena, média e grande) para cada item alimentar. A informação obtida sobre a ingestão de nutrientes e alimentos permitiu a construção a priori de diferentes padrões de consumo, como a alimentação Mediterrânica e a alimentação DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension). As variáveis outcome de interesse nesta investigação foram a obesidade e a hipertensão arterial. De forma a obter informação sobre excesso de peso/obesidade total, obesidade central e hipertensão foram efectuadas medições objectivas de peso, estatura, perímetro da cintura (PC) e de pressão arterial, de acordo com os procedimentos habituais. A obesidade total foi definida pelo Índice de Massa Corporal (IMC) e os participantes foram classificados como apresentando baixo peso/peso normal (IMC <25,0 kg/m2); excesso de peso (IMC 25,0-29,9 kg/m2) e obesidade (IMC !30,0 kg/m2); a categorização utilizada para classificar os indivíduos como tendo obesidade central foi: PC>102 cm nos homens e PC>88 cm nas mulheres. A presença de hipertensão arterial foi definida por uma pressão arterial sistólica ! 140 mmHg e/ou uma pressão arterial diastólica ! 90mmHg e/ou os indivíduos estarem sob medicação anti-hipertensora. Resultados Estudo I As correlações entre o questionário de AF e os diários de AF (4 x 7 dias) foram: 0,56, 0,50, 0,88 e 0,78 respectivamente para AF total, de repouso, ocupacional e de lazer. Os coeficientes de reprodutibilidade do questionário de AF (intervalo de 2-3 meses) variaram entre 0,80 para a AF de 10 lazer e 0,91 para a AF ocupacional. Pela observação directa dos gráficos de Bland e Altman, apenas a AF de repouso mostrou uma tendência de aumento das diferenças com o aumento da AF de repouso reportada. Os homens inquiridos nos meses de Abril e Agosto reportaram as médias de AF de lazer respectivamente superiores e inferiores. Considerando as actividades profissionais, a probabilidade da amplitude (diferença entre os níveis de AF mais altos e mais baixos) ser superior a metade do desvio padrão foi de 33%. Estudo II Os homens classificados como activos (mais de 10% do dispêndio energético em actividades de intensidade moderada ou vigorosa (!4METS)) na AF total apresentaram uma ingestão energética média significativamente superior (kcal/dia) (2570,7 vs. 2336,9, p<0,001) e consumos inferiores de proteína (%kcal) (16,9 vs.17,6, p<0,001), quando comparados com os homens sedentários. Nos homens, a associação entre a AF total e a ingestão energética manteve-se após ajuste para a idade, escolaridade e IMC. Foram encontrados resultados similares quando a AF ocupacional foi analisada. Em ambos os sexos, após ajuste para as variáveis anteriormente descritas, encontrouse uma associação positiva significativa entre a AF de lazer e a ingestão de vitamina C (mg/dia), !=0,12, intervalo de confiança (IC) a 99%: 0,02-0,21 nas mulheres e !=0,13, 99%CI: 0,03-0,22 nos homens. Nas mulheres, a AF de lazer também se associou positivamente com as ingestões de fibra, vitamina E, folato, cálcio e magnésio, e negativamente com a ingestão de gordura saturada. Estudo III As taxas de incidência padronizadas para a idade (/100 pessoas-ano) (e respectivos IC a 95%) para obesidade total e central foram respectivamente: 1,70 (1,34-2,19) e 5,97 (5,09-7,03) nas mulheres; 1,08 (0,73-1,64) e 2,38 (1,81-3,20) nos homens. Em análise multivariada, as mulheres mais velhas apresentaram um risco superior de desenvolver obesidade total. Também se observou uma associação inversa significativa entre a obesidade e a escolaridade nas mulheres (>11vs.<5 anos: risco relativo (RR)=0,43 (0,22-0,84) para obesidade total; RR=0,45 (0,29-0,69) para obesidade central). Estudo IV A AF de lazer associou-se inversamente com a incidência de obesidade, particularmente em indivíduos classificados no último tercil de AF (!7,0 MET-h/day para as mulheres e !8,0 METh/day para os homens), que apresentaram um risco aproximadamente 40% inferior de desenvolver a doença. Apesar de apresentarem uma ingestão energética superior, os indivíduos com um nível elevado de actividade física (PAL>1,60) um menor risco de desenvolverem obesidade total e central, RR=0,25 (0,09-0,72) e RR=0,47 (0,27-0,94), respectivamente. Não 11 foram encontradas associações significativas entre o índice alimentar Mediterrânico e as taxas de incidência de obesidade. Estudo V Em adultos do Porto, a taxa de incidência bruta de hipertensão foi de 6,23/100 pessoas-ano (5,267,20). Após ajuste para o sexo, idade, escolaridade, IMC e ingestão energética total, encontrou-se uma associação inversa, apesar de não significativa, ao longo dos tercis crescentes de AF de lazer, razão de taxas de incidência (IRR): 1 (referência); 0,77 (0,51-1,16); 0,74 (0,48-1,11). As AF total e ocupacional não tiveram um efeito significativo na incidência de hipertensão. A associação entre o índice DASH e a incidência de hipertensão não se mostrou significativa; contudo, a ingestão de potássio (mg/1000kcal) associou-se inversamente com o desenvolvimento de hipertensão: último tercil (>1863,0 nas mulheres e >1657,2 nos homens) vs. 1o tercil [IRR=0,65 (0,44-0,96), p para a tendência=0,025]. Adicionalmente, em análise multivariada, encontrou-se uma associação inversa significativa entre o consumo de fruta/vegetais/leguminosas e a incidência de hipertensão, último vs. 1º tercil: [IRR=0,61 (0,40-0,93), p para a tendência=0,024]. Conclusões • O questionário de AF é um instrumento válido e reprodutível para avaliar de forma sumária o gasto energético habitual em adultos, detalhando diferentes tipos de AF. Nos homens, encontrou-se um viés de sazonalidade ao reportar as AF de lazer e ocupacional. • Níveis mais elevados de AF de lazer associaram-se a ingestões superiores de micronutrientes e a uma ingestão inferior de gordura saturada, particularmente nas mulheres. Observaram-se ingestões nutricionais similares entre indivíduos activos e sedentários nas AF total e ocupacional. • Ao longo do tempo, os indivíduos desenvolveram mais rapidamente obesidade central do que obesidade total. Os nossos resultados suportam que à medida que o nível de escolaridade aumenta, o desenvolvimento de obesidade diminui, particularmente nas mulheres. • Na nossa população, a AF de lazer associou-se inversamente com a incidência obesidade. Considerando quer a obesidade total quer a central, indivíduos com um nível de AF superior a 60% da taxa metabólica de repouso e uma ingestão energética moderada parecem apresentar o equilíbrio necessário para a prevenção da obesidade. • de Em adultos Portugueses, após ajuste para os potenciais confundidores, o desenvolvimento hipertensão associou-se inversamente com a ingestão de potássio e de fruta/vegetais/leguminosas. Um efeito dose-resposta está inerente a estas associações inversas. 12