1 CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO CEARÁ CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS RIGOBERTO LOURENÇO DE LIMA MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO COMO INSTRUMENTO DE ANÁLISE NAS VENDAS DOS SERVIÇOS DE RESTAURANTES: ESTUDO DE CASO DO RESTAURANTE CARNEIRO DO ORDONES FORTALEZA 2012 2 RIGOBERTO LOURENÇO DE LIMA MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO COMO INSTRUMENTO DE ANÁLISE NAS VENDAS DOS SERVIÇOS DE RESTAURANTES: ESTUDO DE CASO DO RESTAURANTE CARNEIRO DO ORDONES Monografia apresentada à Coordenação do Curso de Graduação em Ciências Contábeis. Orientadora: Profª. Ms. Liana Márcia Costa Vieira Marinho FORTALEZA 2012 3 Monografia apresentada à Coordenação do Curso de Graduação em Ciências Contábeis RIGOBERTO LOURENÇO DE LIMA Aprovada em: ______/______/______ BANCA EXAMINADORA _____________________________________________ Profª. Ms. Liana Márcia Costa Vieira Marinho Orientadora _____________________________________________ Examinador Profa. Dra. Liliana Farias Lacerda _____________________________________________ Examinadora Profa. Aline da Rocha Xavier Casseb AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar agradeço a Deus e a meus pais que me deram a vida, em especial minha mãe, Terezinha Lourenço Machado, que está sempre comigo em toda minha caminhada. À professora Liana Marinho, que sempre foi muito atenciosa e compreensiva ao mostrar competência e profissionalismo. Aos professores que farão parte da banca examinadora. A Luana, minha namorada, pela compreensão e paciência nos dias de minha ausência durante o curso. Ao senhor Claudiano Régis Saraiva, quem me deu a chance de trabalhar na área contábil, ajudando a descobrir minha vocação para contabilidade. E, por fim, a todos os meus amigos especialmente aqueles que contribuíram de forma direta ou indireta para a realização deste trabalho. Epigrafe “O sucesso é um professor perverso. Ele seduz as pessoas inteligentes e as faz pensar que jamais vão cair”. Bill Gates. RESUMO Esta pesquisa visa analisar a margem de contribuição como instrumento para análise das vendas nos serviços de restaurantes. As empresas do segmento alimentício, a exigência para se manter o padrão de qualidade é muito alta, pois é preciso estar todos os momentos com o melhor produto a ser consumido pelo cliente. Trata de um dos segmentos mais complexos, tendo em vista a necessidade de manter padrão de qualidade alto constantemente. Para responder o problema da pesquisa, que foi buscar saber como a margem de contribuição pode ser utilizada na gestão das empresas do segmento de serviços alimentícios, tem-se como objetivo geral analisar a margem de contribuição como instrumento de análise dos preços de venda nos serviços de restaurantes. E objetivos específicos discorrer sobre margem de contribuição; caracterizar a precificação e descrever os custos nos serviços de restaurantes. Para buscar atingir os referidos objetivos, utilizou-se como método para a produção desta pesquisa inicialmente as referências bibliográficas. Ao final, concluiu-se que o ponto de equilíbrio, que pode ser feita a análise prato a prato e o controle na medida em que forem sendo vendidos os pratos, mostrando quanto ainda falta para cobrir as despesas. Palavras-chave: Margem de Contribuição. Ponto de Equilíbrio. Contabilidade de Custo. ABSTRACT This research aims to analyze the contribution margin as a tool for analysis of sales of services in restaurants. Companies in the food industry, the requirement to maintain the standard of quality is very high, because you have to be at all times with the best product to be consumed by the customer. This segment of a more complex in view of the need to maintain consistently high quality standards. To answer the research question, which was how to get the contribution margin can be used in the management of companies in the food service segment, has been aimed at analyzing the contribution margin as an analytical tool in selling prices in services Restaurant. And talk about specific goals contribution margin; pricing characterize and describe the costs of services in restaurants. To search achieve these objectives, was used as method for the production of this research initially references. In the end, it was concluded that the equilibrium point, which can be done the analysis and control plate the dish in that the dishes are being sold, showing how much still needs to cover expenses. Keywords: Contribution Margin. Breakeven. Cost Accounting. 8 LISTA DE QUADROS, FIGURAS, GRÁFICOS E TABELAS Quadro 1.Evolução e mudança da contabilidade gerencial ........................................................ 16 Quadro 2.Diferença entre a contabilidade financeira e a gerencial ............................................ 18 Quadro 3. Exemplo de margem de contribuição ........................................................................ 20 Quadro 4. Exemplo de custos variáveis: materiais diretos ......................................................... 27 Quadro 5. Exemplo de custo fixo: prestação de leasing ............................................................. 32 Quadro 6. Comportamento do custo fixo ................................................................................... 33 Gráfico 1. Comportamento do custo variável ............................................................................. 29 Figura 1. Ponto de equilíbrio contábil ........................................................................................ 36 Tabela 1. Os produtos ................................................................................................................. 47 Tabela 2. Produto A .................................................................................................................... 47 Tabela 3. Produto B .................................................................................................................... 47 Tabela 4. Margem de contribuição ............................................................................................. 48 Tabela 5. Custos fixos ................................................................................................................ 48 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 09 2 A CONTABILIDADE E SUA FUNÇÃO ............................................................................... 11 2.1 A história e evolução da contabilidade ................................................................................. 13 2.2 Contabilidade gerencial: conceito e finalidade ..................................................................... 15 3 MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO: CONCEITO E FINALIDADE ....................................... 20 3.1 Cálculo e análise ................................................................................................................... 23 4 CUSTOS E DESPESAS .......................................................................................................... 25 4.1 Custos variáveis .................................................................................................................... 27 4.2 Despesas variáveis ................................................................................................................ 32 4.3 Custos fixos .......................................................................................................................... 32 5 PONTO DE EQUILÍBRIO ...................................................................................................... 34 6 FUNDAMENTOS DA PRECIFICAÇÃO .............................................................................. 38 6.1 Tipos de preços ..................................................................................................................... 40 6.1.1 Preço de penetração ........................................................................................................... 40 6.1.2 Preço predatório ................................................................................................................. 41 6.1.3 Preço inflacionário ............................................................................................................. 41 6.1.4 Preço cativo ....................................................................................................................... 41 6.1.5 Preço referência ................................................................................................................. 42 6.1.6 Preço de curto prazo .......................................................................................................... 42 6.1.7 Preço de transferência ........................................................................................................ 42 7 CUSTOS NOS SERVIÇOS ALIMENTÍCIOS ....................................................................... 44 7.1 Custos variáveis no segmento alimentício............................................................................ 44 7.2 Custos fixos no segmento alimentício .................................................................................. 45 8 ESTUDO DE CASO DO CARNEIRO DO ORDONES ........................................................ 46 8.1 A empresa ............................................................................................................................. 46 8.2 Margem de contribuição da empresa .................................................................................... 46 CONCLUSÃO ............................................................................................................................ 50 REFERÊNCIAS ......................................................................................................................... 52 9 1 INTRODUÇÃO No mercado global onde a concorrência é extremamente acirrada é preciso que as empresas estejam atentas às demandas mercadológicas de modo que consigam desenvolver estratégias para angariar mais clientes e jamais perdê-los. Obviamente, o objetivo de todo empreendimento é vender o seu respectivo produto, pois será isso que irá garantir o lucro. Desta forma, para que uma empresa possa garantir o sucesso financeiro, ela precisa estar em equilíbrio com suas finanças. A contabilidade, por sua vez, é um setor de uma empresa que auxilia na prestação de contas, bem como no diagnóstico financeiro, de modo que se tornou muito importante para a pequena e grande empresa, pois todas elas precisam gerenciar os custos e a contabilidade pode oferecer informações que poderão ajudar os gestores a gerir os negócios. Os dados que o setor de contabilidade tem condições de oferecer ao gestor representam ferramentas que servirão de auxílio para a tomada de uma série de decisões. Por isso, é de suma importância que a contabilidade faça parte da rotina empresarial de modo que apoie o gestor em todas as etapas da empresa. Afinal, uma empresa só é saudável financeiramente se conseguir obter um equilíbrio entre os setores. Sabe-se que com a alta concorrência imposta pelo mercado, os clientes têm sido cada vez mais exigentes com os produtos e serviços oferecidos pelas empresas. Esta pesquisa se justifica tendo em vista que a precificação é uma tarefa complexa para as empresas por envolver objetivos antagônicos, pois de um lado o cliente quer pagar o menos possível e ter à disposição o melhor produto ou serviço, enquanto do outro, o fornecedor quer receber mais com menos custos. No entanto, é preciso ressaltar que a precificação num mercado competitivo é fator determinante no sucesso da empresa. No caso das empresas do segmento alimentício, a exigência para se manter o padrão de qualidade é muito alta, pois é preciso estar todos os momentos com o melhor produto a ser consumido pelo cliente. Pode-se dizer que se trata de um dos segmentos mais complexos, tendo em vista a necessidade de manter padrão de qualidade alto constantemente. 10 Desta forma, surge como indagação o seguinte problema: como a margem de contribuição pode ser utilizada na gestão das empresas do segmento de serviços alimentícios? Para respondê-lo, esta pesquisa tem como objetivo geral analisar a margem de contribuição como instrumento de análise dos preços de venda nos serviços de restaurantes. E objetivos específicos discorrer sobre margem de contribuição; caracterizar a precificação e descrever os custos nos serviços de restaurantes. Para buscar atingir os referidos objetivos, utilizou-se como método para a produção desta pesquisa inicialmente as referências bibliográficas. Destaca-se como autores que serviram como base para a pesquisa Antony Atikson (2000), Silvio Aparecido Crepaldi (1999), Samuel Cogan (1999), Eliseu Martins (2000) e Clóvis Luis Padoveze (2000). Esta pesquisa está configurada também como um estudo de caso, uma vez que abordou-se o caso do restaurante Carneiro do Ordones, com sede em Fortaleza. Para o estudo de caso, buscou-se informações referentes aos preços fixos e despesas fixas de dois produtos oferecidos pelo restaurante. O objetivo é encontrar o ponto de equilíbrio de ambos os produtos. Para isso, pegou-se o valor dos custos fixos do restaurante e dividiu-se pela margem de contribuição de cada produto. Ao final, somou-se a margem de contribuição dos dois produtos e dividiu-se os custos fixos totais pela mesma. Ao final, encontrou-se o ponto de equilíbrio, ou seja, a quantidade de produtos necessária para cobrir os custos do restaurante. Sendo assim, esta pesquisa contém na sua estrutura oito capítulos: no primeiro apresentam-se os objetivos e justificativa do estudo. No segundo capítulo aborda-se a contabilidade, sua função, conceito e finalidade para as empresas. No terceiro, fala-se sobre a margem de contribuição, conceito, finalidade, cálculo e análise da mesma. No quarto, demonstram-se os custos, despesas, custos fixos e variáveis, despesas fixas e variáveis. No quinto capítulo, demonstram-se o ponto de equilíbrio, conceito e finalidade do mesmo. No sexto, fala-se sobre a questão da precificação. No sétimo, abordam-se os custos dos produtos no segmento alimentício. No oitavo capítulo apresenta-se o estudo de caso. 11 2 A CONTABILIDADE E SUA FUNÇÃO No mundo moderno, onde a concorrência é avassaladora, manter a estrutura econômica da empresa saudável é de suma importância. Neste sentido, contabilidade tem um papel fundamental. Na visão de Iudícibus (1994, p.26) o objetivo da contabilidade é fornecer informação econômica relevante para que cada usuário possa tomar suas decisões e realizar seus julgamentos com segurança. A partir da contabilidade, o usuário possui parâmetros para definir suas projeções, tomar decisões com a segurança necessária e baseada em fatores confiáveis. Ainda segundo o autor, a contabilidade assume seu papel principal, ou seja, o de apoiar o gestor em suas decisões, e dar maior segurança aos seus julgamentos. A contabilidade, como se observa, dá subsídios ao gestor para que ele atue de modo seguro nas ações da empresas, de modo que ele pode planejar ações e com isso prevê eventuais problemas contábeis, o que permite agir antecipadamente para até mesmo evitar esses problemas. De acordo com a Resolução nº 774/94, do Conselho Federal de Contabilidade, que dispõe sobre os Princípios Fundamentais da Contabilidade, a Contabilidade é um ramo que possui objeto próprio, o Patrimônio das Entidades, e consiste em conhecimentos obtidos por metodologia racional, com as condições de generalidade, certeza e buscam das causas, em nível qualitativo semelhante às demais ciências sociais. Segundo os estudos de Crepaldi (2004, p.20), a contabilidade é uma atividade fundamental na vida econômica. Mesmo nas economias mais simples, é necessário manter a documentação dos ativos, das dívidas e das negociações com terceiros. O papel da contabilidade torna-se ainda mais importante nas complexas economias modernas. Uma vez que os recursos são escassos, temos de escolher entre as melhores alternativas, e para identificá-las são necessários os dados contábeis. A contabilidade gerencial pode ser caracterizada, superficialmente, como um enfoque especial conferido a várias técnicas e procedimentos contábeis já conhecidos e tratados na contabilidade financeira, na contabilidade de custos, na análise financeira, se balanços etc. colocados numa perspectiva diferente, num grau de detalhe mais analítico ou numa forma de apresentação e classificação diferenciada, de maneira a auxiliar os gerentes das entidades em seu processo decisório (IUDÍCIBUS, 1986, P.15). 12 Ainda segundo Iudícibus (1986, p.17), o contador deve ser elemento com formação bastante ampla, inclusive com conhecimento, senão das técnicas, pelo menos dos objetivos ou resultados que podem ser alcançados com métodos quantitativos. Ainda segundo o autor, a contabilidade repousa mais na construção de um 'arquivo básico de informação contábil', que possa ser utilizado, de forma flexível, por vários usuários, cada um com ênfases diferentes, porém, extraídos todos os informes do arquivo básico ou 'data-base' estabelecido pela contabilidade. De acordo com os estudos de Silva (2002, p.23), uma empresa sem Contabilidade é uma entidade sem memória, sem identidade e sem as mínimas condições de sobreviver ou de planejar seu crescimento. Da mesma ideia partilha Chér (1991, p.36), ao afirmar que a contabilidade tem sido encarada como um instrumento tão somente para se atender a uma série de exigências legais e burocráticas, e não encarada como um instrumento de apoio à administração. Instrumento de apoio, sobretudo porque permite que o gestor efetue um planejamento financeiro da organização, que ajuda a prevê eventuais dificuldades e agir antecipadamente para evitá-las. Deste modo, a contabilidade no mercado moderno e global é fundamental para todas as empresas, seja ela grande, de médio porte ou pequena. Para se ter uma ideia da importância da análise a partir dos índices financeiros, basta mencionar a quem tal análise interessa. Primeiro interessa ao administrador, na medida em que fornece os instrumentos necessários para verificar o funcionamento da empresa, aplicando, sempre que precisar, medidas corretivas para acabar com eventuais problemas. Interessa também aos credores da empresa, preocupados com a capacidade da mesma em honrar obrigações nas datas de vencimento. Por final, é de interesse de todos aqueles que investem na empresa, preocupados em identificar o grau de risco desses seus investimentos (CHER 1991, p.48). Pode-se considerar que a contabilidade é interesse de todos os setores de uma organização tamanha é a sua importância, pois é ela que pode permitir a estabilidade financeira da empresa que, pois, sem esse quesito, a organização pode não funcionar bem em outros setores. Por isso, desde o seu surgimento, a contabilidade tem sido fundamental. 13 2.1 História e evolução da contabilidade A contabilidade, assim como diversos outros ramos profissionais, não surgiram como hoje se encontram. Obviamente, todos passaram por diversas mudanças que, ao longo do tempo profissionalizou e intensificou suas respectivas importâncias para as organizações modernas. Iudícibus (1997, p.30) relata que a história da contabilidade é muito antiga e explica que alguns historiadores fazem remontar os primeiros sinais objetivos da existência de contas aproximadamente há 4.000 anos a. C.. Segundo Sá (2006, p·g 17), as primeiras inscrições contábeis datam da época pré-histórica, tendo também inscrições no Brasil, o que reforça a fundamentação teórica supracitada. Já para Padoveze (2006, p. 5), a necessidade de um ramo específico da ciência contábil para dedicar-se à questão dos custos nasceu com a Revolução Industrial, no século XVII, com o advento de novas invenções e dos primeiros processos automatizados, quando se iniciou a produção em massa, em contraposição à produção artesanal. O autor segue explicando que naquele momento o setor econômico de comercialização dos produtos passou a conviver com o setor econômico de produção industrial. Por esta razão, pondera Padoveze (2006, p. 6), a contabilidade, que havia desenvolvido excelentes metodologias e sistemas de informação para o ramo comercial, teve de desenvolver metodologias complementares para a gestão do setor industrial. No caso do Brasil, Iudícibus (1997, p.243) diz que a primeira escola a abordar oficialmente a Contabilidade no Brasil foi a Escola de Comércio Álvares Penteado, fundada em 1902, chamada de Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP). Na época, os diplomas foram reconhecidos por meio do Decreto Federal nº 1339 de 09 de janeiro de 1905, sendo declarada através desse decreto de utilidade pública. É preciso ressaltar, no entanto, que ao longo do tempo a realidade econômica das empresas mudou bastante, muito em virtude do mercado globalizado, de modo que se exigiu profissionalismo das pessoas. Por isso, a contabilidade foi se desenvolvendo, de acordo com as necessidades do mercado. 14 Melis apud Sá (1997, p. 13) relaciona o desenvolvimento da Contabilidade em quatro grandes períodos. Vê-se quais são logo abaixo: I. Mundo Antigo: dos primórdios da história até o ano de 1202 da era cristã; II. Sistematização: de 1202, por causa da formação do processo das partidas dobradas, até o ano de 1494; III. Literatura: de 1494, com a publicação da obra de Luca Pacioli, até 1840; IV. Científico: de 1840, com a obra de Francesco Villa, até os dias atuais. No Brasil, Schmidt (2000) diz que a história da Contabilidade pode ser dividida em dois grandes momentos, o período desde o descobrimento do Brasil até o ano de 1964, e o período que se inicia em 1964, quando foi introduzido um novo método de ensino da Contabilidade no país. No entanto, estudos demonstram que a contabilidade nasceu no país por meio da promulgação do Código Comercial Brasileiro, que posteriormente sofreu algumas correções através da lei nº 1083, dentre as principais alterações, segundo Martins e Silva (2007, p. 113) foi revigorado o imposto de 3% sobre os vencimentos e introduzido o imposto de 1,5% sobre os benefícios que as sociedades anônimas distribuíam, anualmente, aos acionistas. No entanto, foi o ano de 1976, um dos mais importantes para a Contabilidade brasileira em virtude da publicação da nova Lei das Sociedades por Ações, em 15 de dezembro. Silva apud Schmidt (2000, p. 213) ressalta que esta Lei incorpora normas e práticas contábeis das mais sadias, representando um dos maiores avanços para a área da Contabilidade, incorporando definitivamente as tendências da Escola Americana, Já na visão de Iudícibus apud Schidt (2000, p. 214), as principais contribuições da referida Lei são: clara separação entre Contabilidade Comercial (Contabilidade ‘Contábil’) e Contabilidade para fins fiscais; aperfeiçoamento da classificação das contas no balanço; introdução da reavaliação a valor de mercado; introdução do método de equivalência patrimonial na avaliação de investimentos; criação da reserva de lucros a realizar; aperfeiçoamento do mecanismo de correção monetária 15 Através do Decreto-Lei 9.295 de 27 de maio de 1946, foram criados os Conselhos Federal e Regionais de Contabilidade, com a determinação de fiscalizar e reger a profissão contábil. Atualmente, segundo Chér (1991, p.36), a contabilidade tem sido encarada como um instrumento tão somente para se atender a uma série de exigências legais e burocráticas, e não encarada como um instrumento de apoio à administração. O que se pode destacar é que desde o seu surgimento, a contabilidade tem se mostrado extremamente importante para as organizações, sejam elas pequenas, médias ou grande, o fato é que todo negócio, se decidir sem bem gerido, precisa atuar no campo contábil. Na atualidade, época em que tantas situações organizacionais mudaram em virtude da globalização, necessidade tecnológica, entre outros, a contabilidade também mudou e evoluiu e sobre isso fala-se no tópico seguinte. 2.2 Contabilidade gerencial: conceito e finalidade O mundo global e competitivo trouxe modernidade às organizações e diversas mudanças. Com isso, os serviços organizacionais também tiveram de abraçar tais mudanças e com a contabilidade não diferente, pois objetivando atender às necessidades informacionais dos usuários, a contabilidade se especializou ao longo do tempo e se subdividiu. Atualmente, a contabilidade é dividida entre contabilidade financeira e contabilidade gerencial. Segundo os estudos de Padoveze (2006, p. 9) a contabilidade gerencial é voltada para a gestão econômica e utilizada para controle dos custos em cima de padrões, metas ou orçamentos, avaliação dos gestores responsáveis pelos custos, departamentos e divisões, além de tomada de decisões envolvendo rentabilidade dos produtos e serviços. O autor explica que antes do século XIX, as organizações conduziam todas as suas transações com outras entidades independentes desempenhando funções individualizadas no processo, ou seja, as transações eram feitas fora das empresas e poucos investimentos de longo prazo eram feitos internamente, o que permitia ao setor de contabilidade fornecer informações suficientes para assegurar a rentabilidade da empresa. O que se percebe é que mesmo quando a contabilidade não possuía a evolução de hoje, ela já se mostrava importante para as empresas. Padoveze (2006, p. 33) segue informando que a origem da contabilidade gerencial pode ser relacionada com as emergentes 16 empresas administradas e hierarquizadas no início deste século, como a indústria de armas e as fábricas de tecido, as quais concentravam, internamente, todos os processos de produção. No entanto, segundo o autor, a maior força para o desenvolvimento da contabilidade gerencial foram as ferrovias, mas as inovações para os sistemas de contabilidade gerencial ocorreram somente nas primeiras décadas do século XX. Da mesma opinião partilham Johnson e Kaplan (1993 p.33) ao afirmarem que além da indústria e do transporte ferroviário, um terceiro de tipo de empresa de única atividade, o distribuidor de grande escala, desenvolveu novos sistemas de contabilidade gerencial. Para entender de que forma ocorreu a mudança e o avanço da contabilidade gerencial tem-se abaixo um quadro 1, que demonstra, tendo com base as datas, a evolução da contabilidade gerencial: Quadro 1 – Evolução e mudança da contabilidade gerencial Período Situação Antes de 1950 o foco era na determinação do custo e controle financeiro, através do uso das tecnologias de orçamento e contabilidade custo Por volta de 1956 o foco foi mudado para o fornecimento de informações para o controle e planejamento gerencial, através do uso de tecnologias tais como analise de decisão e contabilidade por responsabilidade Por volta de 1985 a atenção voltou-se para a redução dos desperdícios de recursos usados nos processos de negócios, através do uso das tecnologias de analises do processo e administração estratégica de custos Por volta de 1995 a atenção passou a ser voltada para a geração ou criação de valor através do uso efetivo dos recursos, através do uso de tecnologias tais como exames dos direcionadores de valor ao cliente, valor organizacional Fonte: Padoveze (2004, p 36) para o acionista, e inovação 17 Como se pode perceber, o quadro acima demonstra a evolução da contabilidade gerencial nos últimos tempos. Percebe-se que o uso das tecnologias foi ficando cada vez mais constante no setor, o que hoje é de salutar importância, pois permite ao profissional emitir informações em tempo real ao usuário. Por esta razão, Padoveze (2004, p.42) diz que a contabilidade gerencial é precipuamente utilizada dentro da entidade, como ferramenta de auxilio à administração, em todas as suas facetas operacionais. A contabilidade Gerencial pode ser caracterizada, superficialmente, como um enfoque especial conferido a várias técnicas e procedimentos contábeis já conhecidos e tratados na contabilidade financeira, na contabilidade de custos, na análise financeira, se balanços etc. colocados numa perspectiva diferente, num grau de detalhe mais analítico ou numa forma de apresentação e classificação diferenciada, de maneira a auxiliar os gerentes das entidades em seu processo decisório (IUDÍCIBUS, 1986, p.15). Na era da contabilidade gerencial, a emissão de informações completas e eficientes tem sido cada vez mais importante. Por isso, Padoveze (2007, p.28) relata que o valor da informação está relacionado com a redução da incerteza no processo de tomada de decisão; a relação custo-benefício gerado pela informação versus o custo de produzi-la e o aumento da qualidade da decisão. No mercado global, a informação é fator primordial para o melhor desenvolvimento de qualquer setor em uma empresa. Com a contabilidade isso não é diferente, pois ela depende de informações corretas para planejar e agir diante de eventuais problemas. Talvez por estas e outras razões que Iudicibus (1986) diz que o contador gerencial deve ser elemento com formação bastante ampla, inclusive com conhecimento, senão das técnicas, pelo menos dos objetivos ou resultados que podem ser alcançados com métodos quantitativos. Para se entender quais são as principais diferenças entre a contabilidade financeira e a contabilidade gerencial, logo abaixo tem-se um quadro que demonstra as características de cada uma delas. 18 Quadro 2 - Diferenças entre a contabilidade financeira e a gerencial CONTABILIDADE CONTABILIDADE FINANCEIRA GERENCIAL Primordialmente o publico Pessoas dentro da Usuários Tipo de informação externo organização Somente medidas Medidas financeiras mais financeiras informações operacionais e físicas Foco do tempo Natureza da Informação Restrição Avaliação de desempenho O que ocorre no momento e voltado ao passado orientada para o futuro Objetividade dos dados Ênfase na relevância dos confiável e auditável dados, subjetiva e flexível Regras definidas por Sistema de Informações princípios contábeis e para autoridades necessidades dos usuários atender ás governamentais Informações agregadas e Informações desagregadas, Escopo resumidas sobre a relatórios sobre produtos, organização como um todo clientes e em qualquer lugar Comportamento Preocupação com o modo Preocupação com o modo como empresa os números irão afetar comportamento externo da como as medidas e os o relatórios irão influenciar o comportamento dos gerentes Fonte: Ching (2006, p. 6) Como se pode perceber, de fato, há algumas diferenças entre os referidos tipos de contabilidade, destaca-se, nesse sentido, o fato de a contabilidade financeira atender, principalmente o público externo, enquanto a gerencial atende as pessoas de dentro da organização. Além disso, a contabilidade gerencial não está preocupada apenas com as medidas financeiras, mas também com as operacionais e físicas, enquanto a contabilidade financeira preocupa-se apenas com isso. Por estas razões, Oliveira (2005, p.36) ressalta em seus estudos que a contabilidade gerencial fornece as informações claras, preciosas e objetivas 19 para a tomada de decisão. Da mesma opinião partilha Atkison (2000, p. 36) ao dizer que a contabilidade gerencial é o processo de produzir informação operacional e financeira para funcionários e administradores, tal processo deve ser direcionado pelas necessidades informacionais dos indivíduos internos da empresa e deve orientar suas decisões operacionais e de investimentos. Na visão de Padoveze (2004, p. 146), pode-se resumir que alguns dos principais objetivos de um sistema de informação contábil são prover informações monetárias e não monetárias, destinadas às atividades e decisões dos níveis operacional, tático e estratégico da empresa e constituir-se na peça fundamental do sistema de informação gerencial da empresa. Ainda segundo o autor, os relatórios que a contabilidade gerencial emite possui elementos e características específicas, entre os quis: a) Adequação das informações e do formato do relatório ao perfil do usuário; b) Indicadores relativos: inserção de indicadores que contemplam os dados de quantidade e valor constantes do relatório; c) Quantidade: inserção de dados quantitativos, sempre que possível, para melhor visualização e potencialização do uso das informações do relatório, com indicação da sua espécie; d) Periodicidade: cada relatório exige uma periodicidade específica; e) Disponibilização: cada relatório sugere o melhor meio de sua disponibilidade. f) Elementos gráficos: sempre que possível, é necessário incorporar recursos adicionais de visualização; g) Informações focadas: aproveitar o relatório para dar informações absoluta ou relativa que mais interessa ao usuário, ou seja, elemento conclusivo. A função da contabilidade em uma empresa, entre outros é prever eventuais problemas financeiros, diagnosticá-los e desenvolver ações para saná-los. O objetivo do setor é buscar o equilíbrio da organização, de modo que as finanças possam existir levando para a empresas a tranquilidade necessária. Para isso, a margem de contribuição é fundamental para buscar essa tranquilidade. 20 3 MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO: CONCEITO E FINALIDADE No mundo globalizado, as organizações precisam estar atentas a todas as movimentações do mercado. Diante da alta concorrência, buscar oferecer bons produtos a preços acessíveis é um grande desafio. Desta forma, é bem possível que surja indagações sobre que meios encontrar para lucrar com preços baixos. Muitos acreditam que isso pode ocorrer por meio da margem de contribuição. Na visão de Garrison e Noreen (2001, p.144), margem de contribuição é o valor remanescente das receitas de vendas após a dedução das despesas variáveis. Esse valor contribui para cobrir as despesas fixas e, em seguida para os lucros do período, pois se a margem de contribuição não for suficiente para cobrir as despesas fixas, verifica-se o prejuízo no produto. Já para Padoveze (2003, p.368), é a margem bruta obtida pela venda de um produto ou serviço que excede seus custos variáveis unitários; em outras palavras, é o mesmo que o lucro variável unitário, ou seja, preço de venda unitário do produto deduzido dos custos e despesas variáveis necessários para produzir e vender o produto. Ele segue afirmando que se trata da diferença entre preço de venda unitário do produto e os custos e despesas variáveis por unidade do produto. A diferença entre o preço de venda unitário de um produto específico e os cursos variáveis por unidade do mesmo produto são fatores que podem mostrar se o caminho percorrido está sendo feito da melhor forma. Ainda segundo Padoveze (2004) a margem de contribuição Destina-se a mostrar o quanto sobrou da receita direta de vendas, depois de deduzidos os custos e as despesas variáveis de fabricação, para pagar (ou cobrir) os custos periódicos e gerar lucro no período. O autor explica que a margem de contribuição representa o lucro variável, pois é a diferença entre o preço de venda unitário do produto ou serviço e os custos e despesas variáveis por unidade de produto ou serviço. Significa que, em cada unidade vendida, a empresa lucrará determinado valor, multiplicado pelo total vendido, teremos a margem de contribuição total do produto para a empresa. Para exemplificar o termo, logo abaixo tem-se um exemplo. 21 Quadro 3. Exemplo de margem de contribuição Custo direto Custo indireto variável variável Produto 1 R$ 700 R$ 80 Produto 2 R$ 1.000 R$ 100 Produto 3 R$ 750 R$ 90 Custo variável total R$ 780 R$ 1.100 R$ 840 Preço de venda R$ 1.550 R$ 2.000 R$ 1.700 Margem de contribuição R$ 770/un. R$ 900/un. R$ 860/un. Fonte: Martins (2008, p. 179) com adaptações Como se pode perceber, cada unidade do produto 1 contribui com setecentos e setenta reais, mas não se pode dizer que isso seja lucro, já que faltam os custos fixos. Trata-se da margem de contribuição, para que, multiplicada pela quantidade vendida e somada à dos demais. Isso é a margem de contribuição. Desse montante, deduzindo os custos fixos, tem-se os resultado, que pode ser o lucro da empresa. Para Garrison e Noreen (2001, p. 168), o tamanho da margem de contribuição terá grande influência sobre os passos que a organização está disposta a dar para aumentar os lucros. Quanto maior a margem de contribuição de um produto, maior valor é o valor que a organização terá que despender com vistas a aumentar em certa percentagem o número de unidades vendidas. Ainda segundo o autor, isso explica porque as organizações com margens e contribuição altas fazem propaganda constantemente, enquanto a tendência das empresas com margens de contribuição baixa é gastar muito menos com esse tipo de divulgação. O tamanho da margem de contribuição terá grande influência sobre os passos que a companhia está disposta a dar para aumentar os lucros. Quanto maior a margem de contribuição de um produto, por exemplo, maior é o valor que a companhia terá que depender, com vistas a aumentar em uma certa percentagem o número de unidades vendidas. Isso explica, em parte, porque as companhias com margem de contribuição alta (como os fabricantes de veículos) fazem propaganda tão maciçamente, enquanto a tendência das empresas com margens de contribuição baixas é gastar muito menos (GARRISON; NOREEN, 2001, p. 168) Os autores ressaltam que é importante conhecer a margem de contribuição, pois ela é pode ser considerada como o aspecto essencial na decisão da combinação mais lucrativa entre custos variáveis, custos fixos, preço e volume de vendas, além do tamanho da margem de contribuição unitária e do percentual ter grande influência sobre os passos que a companhia está disposta a dar para aumentar lucros. A margem de contribuição é o que resta da receita de vendas após a dedução das despesas variáveis, pois ela é o montante disponível para cobrir as despesas fixas e, em seguida, prover os lucros do período. A margem de contribuição é utilizada primeiro para cobrir as despesas fixas e, depois, o que sobra vai para lucros. Se a 22 margem de contribuição não for suficiente para cobrir as despesas fixas, verifica-se prejuízo no período (GARRISON; NOREEN, 2001, p. 164) Como se pode perceber, a margem de contribuição é importante para que o setor contábil possa diagnosticar se a margem será suficiente para cobrir as despesas fixas. Já para Martins (2003, p. 179) a margem de contribuição é a diferença entre o preço de venda e o custo variável de cada produto; é o valor que cada unidade efetivamente traz à empresa de sobra entre a sua receita e o custo que de fato provocou e que pode lhe ser imputada sem erro. Já Lunkes (2004, p. 121) diz que a margem de contribuição é a quantia de receita que permanece depois de deduzir os custos e despesas variáveis. Na visão de Crepaldi, (2004, p. 129) a margem de contribuição é a diferença entre o preço de venda e a soma dos custos e despesas variáveis. A diferença entre a Receita e soma de Custo e Despesas Variáveis, tem a faculdade de tornar bem mais facilmente visível a potencialidade de cada produto, mostrando como cada um contribui para, primeiramente, amortizar os gastos fixos, e, depois formar o lucro propriamente dito (MARTINS, 2008, p. 185) A melhor maneira de se avaliar o grau de sucesso de um empreendimento é calcular o seu retorno sobre o investimento realizado. Para Martins (2008, p. 185), se for preciso entrar em detalhes sobre o referido conceito, definimos como a forma ideal de se avaliar a taxa de retorno a divisão do lucro obtido antes do imposto de renda e antes das despesas financeiras pelo ativo total utilizado para a obtenção do produto, conforme o modelo abaixo: Taxa de retorno = lucro antes do imposto de renda e antes da despesa financeira Ativo total Como se pode ver pela ilustração acima, a taxa de retorno é o lucro antes do imposto de renda dividido pelo ativo total. Martins (2008, p. 208) explica que para o cálculo do retorno, do lucro não devem constar as despesas financeiras, pois a margem de contribuição é a conceituada como a diferença entre o Preço de Venda e a soma dos Custos e Despesas Variáveis. Para se entender mais sobre o assunto, no próximo tópico aborda-se sobre o cálculo e análise. 23 3.1 Cálculo e análise A análise dos dados demonstrativos contábeis de uma organização é de suma importância para o seu gerencial. Isso porque trata-se de um processo de avaliação da empresa, na qual o profissional responsável poderá obter informações relacionadas à situação contábil da organização e, desta forma, buscar meios para garantir a tranquilidade do setor, ou, por outro lado, viabilizar ações para disseminar possível problema. Para Assaf Neto (2002, p. 48), a análise de balanços visa relatar, com base nas informações contábeis fornecidas pelas empresas, a posição econômica atual, as causas que determinam a evolução apresentada e as tendências futuras. Em outras palavras, pela análise de balanços extraem-se informações sobre a posição passada, presente e futura de uma empresa. Ainda segundo o autor, as principais técnicas de análise de balanços são análise horizontal, análise vertical e indicadores econômico-financeiros. Já para Padoveze (1997, p. 46), as técnicas básicas de análise são facilmente incorporadas ao sistema de informação contábil. O importante da incorporação dessas técnicas é a possibilidade de avaliarmos continuadamente o comportamento dos indicadores financeiros da companhia. Um dos principais objetivos da análise financeira é o fornecimento de subsídios para a tomada racional de decisão de concessão de crédito e de investimento, a partir de informações de boa qualidade. Um dos métodos de análise financeira é através dos indicadores financeiros, que proporciona uma posição da empresa em relação à liquidez, endividamento, rentabilidade e solvência (SILVA, 2004, p.68) Como se pode ver, a análise financeira é importante para ajudar a diagnosticar determinada situação financeira da empresa. Trata-se de dados que permite o gestor ter conhecimento sobre importantes informações financeiras da organização, de modo que ele possa agir previamente diante de um problema. Padoveze (2007), o objetivo geral da análise é obter elementos para o processo de avaliação da continuidade financeira e operacional da entidade analisada. O autor segue afirmando que a análise de balanço constitui-se num processo de meditação sobre os demonstrativos contábeis, objetivando uma avaliação da situação da empresa, em seus aspectos operacionais, econômicos, patrimoniais e financeiros. Já Iudícibus (1982, p. 20) conceitua a análise como a arte de saber extrair relações úteis, para o objetivo econômico que tivermos em mente, dos relatórios contábeis tradicionais e de suas extensões e detalhamentos. 24 Para Matarazzo (2003, p.15) ressalta que o objetivo da análise das demonstrações contábeis é extrair informações das demonstrações financeiras para a tomada de decisões. Isso porque no mercado global, a todo o momento os gestores precisam estar aptos a tomares decisões importantes, de modo que a análise das demonstrações contábeis devem dar subsídios necessários para que ele tome as decisões corretas. Para demonstrar de que forma esses cálculos e análises podem ser feitos, nos próximo capítulo aborda-se a questão dos custos e despesas. 25 4 CUSTOS E DESPESAS Os custos e as despesas são, para as organizações no mercado global, de suma importância, pois dizem respeito à administração e a situação financeira da empresa. A forma como se comportam os custos e as despesas podem definir, em muitas situações, a realidade financeira da empresa, além de demonstrar caminhos para que eventuais problemas possam ser solucionados. Segundo os estudos de Wernke (2004, p. 11 e 12), custos são efetuados no processo de fabricação de bens ou de prestação de serviços. No caso industrial, são os fatores utilizados na produção como matérias-primas, salários e encargos sociais dos operários da fábrica, depreciação das máquinas, dos móveis e das ferramentas utilizadas no processo produtivo. Dias (2002, p. 28) diz que a palavra “custo” é o termo genérico utilizado para referir-se a qualquer gasto, seja ou não monetário, aplicado na produção de um bem ou serviço. Segundo o autor, pode-se definir também custo como sendo um esforço econômico despendido na consecução de um produto. Os custos empresariais dizem respeito à administração centra da organização, e geralmente independem do volume de produção. Já os custos de produção são aqueles relacionados com a fabricação do produto, incluindo todos os recursos necessários à sua produção (DIAS, 2002) Tanto os custos empresariais como os custos de produção são de suma importância para a gestão de uma empresa. O comportamento deles podem decidir entre a tranquilidade e a crise financeira. Padoveze (2006, p. 53-54) diz que o comportamento dos custos é um modelo matemático, em que tem-se a variável independente, que é o volume de produção e a variável dependente, que é o valor do custo dos recursos. Segundo Martins (2000, p. 25), custo é o gasto necessário para fabricar os produtos da empresa, é o gasto relativo ao bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços. Já as são despesas são gastos relativos aos bens e serviços consumidos no processo de geração de receitas e manutenção dos negócios da empresa. Ainda segundo o autor, custo é um gasto relativo à bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços. Já Miller (1981, p. 189), define o custo como o valor do recurso em seu melhor uso alternativo. 26 Na visão de Garrison e Noreen (2001, p.28), os custos estão associados a todos os tipos de organizações, comerciais, não comerciais, indústria, varejo ou serviço. De modo geral, as categorias de custos em que incorre e o modo como eles são classificados dependem do tipo de organização a qual são analisados. Ainda segundo os autores, para a contabilidade, os custos do produto são todos os custos envolvidos na aquisição ou na fabricação de um produto. No caso de bens fabricados, esses custos consistem em materiais diretos, mão de obra direta e custo indireto de fabricação. Os custos de produto vão se incorporando às unidades à medida que os bens são comprados ou fabricados, e depois continuam a elas agregados, quando estão em estoque, até o momento da venda. Desse modo, segundo Garrison e Noreen (2001, p.30), os custos do produto inicialmente são lançados em uma conta de estoque no balanço. Quando os bens são vendidos, os custos são baixados do estoque como despesa e confrontados com as receitas de venda. Como os custos do produto são inicialmente atribuídos aos estoques, eles também são conhecidos como custos inventariáveis. Os custos do produto não são necessariamente considerados despesas do período em que ocorrem. Ao contrário, eles são considerados despesas do período em que os produtos a eles relacionados são vendidos. Isso significa que um custo do produto, como materiais diretos ou mão de obra direta, pode ocorrer em um período e não ser considerado despesa até um período subsequente, quando o produto acabado for vendido. Garrison e Noreen (2001, p.30) explicam ainda que os custos, de modo geral, são reconhecidos como despesas na demonstração de resultado no período em que trouxerem benefício à empresa. Toda organização necessita de despesas. Padoveze (2006, p. 17) diz que despesa são os gastos necessários para vender e distribuir os produtos. De um modo geral, são os gastos ligados às áreas administrativas e comerciais. O custo dos produtos, quando vendidos, são transformados em despesas. A grande diferença entre custos e despesas decorre da separação primária entre empresas industriais e comerciais, e que foi adotada universalmente pela contabilidade societária e fiscal. Ainda segundo os estudos de Padoveze (2006, p. 17), custos são gastos para se conseguir o produto e despesas são gastos para vender esses produtos. 27 Como se pode perceber pela linha de raciocínio do autor, as despesas são custos, pois são também recursos e serviços utilizados e têm valor econômico. A visão tradicional de custos e despesas é que, enquanto custos, os gastos são ativáveis e, portanto, têm valor para a empresa. A despesa significa o consumo do custo e, portanto, quando ocorre, é redutora do lucro empresarial, já que o custo ativado é da empresa. 4.1 Custos variáveis Em uma organização, as despesas e os custos podem ter diversos comportamentos. Tudo vai depender de como ocorre o gerenciamento dos setores. Sobre os custos variáveis, Padoveze (2006, p. 56) explica que são aqueles cujo montante em unidades monetárias varia na proporção direta das variações do nível de atividade a que se relacionam. Ainda segundo o autor, são aqueles que, em cada alteração da quantidade produzida ou vendida, terão uma variação direta e proporcional ao seu valor. Logo abaixo tem-se um exemplo dos custos variáveis. Nas demonstrações à base do custeio variável obtém-se um lucro que acompanha sempre a direção das vendas, o que não ocorre com a absorção. Mas, por contrariar a competência e a confrontação, o custeio variável não é válido para balanços de uso externo, deixando de ser aceito tanto pela auditoria independente quanto pelo fisco. É fácil, entretanto, trabalhar-se com ele durante o ano e fazer-se uma adaptação de fim de exercício para se voltar à absorção (MARTINS, 2002, p. 204). Para Crepaldi (2004, p.227), o custeio variável é conhecido também como custeio direto, é um tipo de custeamento que considera como custos de produção de um período apenas os custos variáveis incorridos, desprezando os custos fixos. Ainda segundo ele, não se deve confundir custeio direto com custo direto, que é o nome da soma do material direto mais mão de obra direta. Logo abaixo tem-se uma tabela que demonstra como são os custos variáveis. Quadro 4. Exemplo de custos variáveis: materiais diretos Volume de produção (Qtde) Valor gasto (R$) 0 0 200 4.000 400 8.000 600 12.000 28 800 16.000 1.000 20.000 Fonte: Padoveze (2006, p. 56) Stark (2007, p.169) descreve como as principais características dos custos variáveis os seguintes critérios: origem gerencial; orientado para funções financeiras e de marketing; vendas como elemento gerador de riqueza; só os custos variáveis são imputados aos produtos; custos fixos são despesas do período; margem de contribuição unitária como parâmetro de análise; ênfase na análise da relação custo-volume-lucro Como se viu, são muitas as características dos custos variáveis, entre as quais, pode-se destacar a orientação para funções financeiras e de marketing, setor de grande importância para as organizações modernas, afinal, as empresas têm investido muito em marketing, bem como ações de comunicação para divulgar suas marcas e assim prospectar clientes. Os estudos de Martins (2003, p.204) explicam que nas demonstrações à base do custeio variável obtém-se um lucro que acompanha sempre a direção das vendas, pois para se tomar uma decisão, verificou-se que o custeio variável tem condições de propiciar muito mais rapidamente informações vitais à empresa: também o resultado medido dentro do seu critério parece ser mais informativo à administração, por abandonar os custos fixos e tratá-los contabilmente como se fossem despesas, já que são quase sempre repetitivos e independentes dos diversos produtos e unidades. Como informa o autor, os custos fixos são quase sempre repetitivos e independentes dos diversos produtos e unidades que a empresa trabalha, de modo que ele permite transmitir mais informações vitais à empresa. 29 Para Garrison e Noreen (2001, p. 168) no custo variável, somente os custos de produção que variam com a produção são considerados custos do produto, situação que normalmente abrange materiais direto, mão de obra direta e a parte variável do custo indireto de fabricação. Nesse método, segundo os autores, o custo indireto de fabricação fixo não é considerado custo do produto, mas custo do período e, como as despesas de venda e administrativas, é confrontado inteiramente com as receitas do período. Ainda neste método, o custo de uma unidade do produto em estoque ou em custo dos produtos vendidos não contém qualquer elemento de custo indireto fixo. O custo variável às vezes é denominado custeio direto ou custeio marginal. A expressão custeio direto foi popular durante muitos anos, mas lentamente vai desaparecendo do dia a dia. Já a designação custeio variável descreve melhor o modo como os custos do produto são calculados quando se prepara uma demonstração de resultado segundo o modelo de contribuição. Ainda segundo os estudos de Garrison e Noreen (2001, p. 198), o custo variável combina muito bem com o modelo de contribuição da demonstração de resultado baseado na contribuição, uma vez que os dois conceitos se baseiam na ideia de classificar os custos por comportamento. Para ilustrar mais uma vez como é o comportamento do custo variável, logo abaixo tem-se outro modelo: Gráfico 1. Comportamento do custo variável R$ 30.000 20.000 10.000 0 525 500 750 1.000 30 Como se pode ver por meio do gráfico 1, o custo vai aumentando, ou seja, vaiando, como demonstra a linha pontilhada. Ele não tem uma sequencia exata. A diferença básica entre os métodos de custeio por absorção e variável está no tempo. Garrison e Noreen (2001, p. 206), explica que o custo variável é uma tentativa atraente para os relatórios internos, e as suas vantagens podem ser resumidas da seguinte maneira: os dados exigidos pela análise de custo variável podem ser extraídos diretamente da demonstração de resultado pela abordagem da contribuição; no custo variável, o lucro de um período não é afetado pelas variações dos estoques. Permanecendo constantes todas as demais variáveis, os lucros caminham no mesmo sentido das vendas quando se emprega o custo variável; os gerentes frequentemente supõem que o custo unitário do produto é variável. Isso é um problema no custeio por absorção, pois os custos unitários do produto são uma combinação de custos fixos e custos variáveis; o impacto dos custos fixos sobre os lucros é enfatizado no custeio variável e na abordagem da contribuição. O valor total dos custos fixos é apresentado explicitamente na demonstração do resultado; os dados do custeio variável facilitam a estimativa da lucratividade dos produtos, dos clientes e de outros segmentos dos negócios. No custeio por absorção, a lucratividade é ocultada por alocações arbitrárias dos custos fixos; o custo variável conjuga-se com os métodos de controle do custo, como custos padrões e orçamentos flexíveis; o lucro líquido apresentado pelo custo variável está mais próximo do fluxo líquido de caixa do que o lucro líquido segundo custo por absorção. Da mesma ideia partilha Padoveze (2004, p. 355) ao demonstrar que essas são as principais vantagens do custeio variável: O custo dos produtos é mensurável objetivamente, pois não sofrerão processos arbitrários ou subjetivos de distribuição dos custos comuns; O lucro líquido não é afetado por mudanças de incremento ou diminuição de inventário; Os dados necessários para a análise das relações custo-volume-lucro são rapidamente obtidos do sistema de informação contábil; É mais fácil para os gerentes industriais entenderem o custeamento dos produtos 31 sob o custeio direto, pois os dados são próximos da fábrica e de sua responsabilidade, possibilitando a correta avaliação de desempenho setorial; O custeamento direto é totalmente integrado com o custo-padrão e orçamento flexível, possibilitando o correto controle dos custos; O custeamento direto constitui um conceito de custeamento de inventário que corresponde diretamente com os dispêndios necessários para manufaturar os produtos; O custeamento direto possibilita mais clareza no planejamento do lucro e na tomada de decisões. Além dessas vantagens, Garrison e Noreen (2001, p. 206), diz que os custos fixos de fabricação não são de fato custos de uma determinada unidade de produto, mas pertencem a esses custos para dispor da capacidade de fabricação de produtos durante determinado período, e eles ocorrerão mesmo que nada seja produzido no período. Além disso, quer uma unidade seja produzida ou não, os custos fixos de fabricação serão exatamente os mesmos. Como se pode perceber, o custo variável e o custo por absorção são métodos alternativos de custeio do produto. 4.2 Despesas variáveis Garrison e Noreen (2001, p. 398) diz que o caminho mais fácil para se aumentar a lucratividade é cortar as despesas, por meio de esforços concentrados para o controle das mesmas, pois quando as margens começam a ser comprimidas, essa geralmente é a primeira linha de ataque de um gestor. Os custos fixos são os primeiros a serem examinados, e diversos programas sofrem cortes ou são eliminados, na tentativa de reduzir custos. Contudo, segundo Garrison e Noreen (2001, p. 399) os gerentes precisam ser cuidadosos para não cortarem as despesas essenciais. Da mesma ideia partilha Marion (2005) ao afirmar que as despesas variáveis são gastos com consumo de recursos diretamente relacionados com o volume de vendas, exemplo: comissões, impostos sobre venda, e outros. 32 Como se percebe, cabe ao gestor observar as diferenças entre as despesas variáveis, de modo que os gastos sejam feitos corretamente para não comprometer a situação financeira da empresa. 4.3 Custos fixos No mercado empresarial, qualquer custo pode ser considerado variável, ou seja, sujeito à mudança. No entanto, segundo os estudos de Padoveze (2006, p. 54), um custo é considerado fixo quando o seu valor não se altera com as mudanças, para mais ou para menos, do volume produzido ou vendido dos produtos finais. Mesmo assim, é preciso ressaltar que qualquer custo é sujeito à mudança e variação. No entanto, Padoveze (2006, p. 54) diz que os custos que tendem a manter-se constantes nas alterações do volume das atividades operacionais são tidos como custos fixos. Por isso, de modo geral, são custos e despesas necessários para se manter um nível mínimo de atividade operacional, por isso são também denominados de custos de capacidade. Eles podem aumentar ou diminuir em virtude da capacidade ou intervalo de produção. Para se entender melhor como pode se comportar o custo fixo, logo abaixo tem-se o quadro 5 com a demonstração. Quadro 5. Exemplo de custo fixo: prestação de leasing Volume de produção (Qtde) Valor gasto (R$) 0 2.000 200 2.000 400 2.000 600 2.000 800 2.000 1.000 2.000 Fonte: Padoveze (2006, p. 55) Para Martins (2008, p. 197), os custos fixos existem independentemente da produção ou não de um produto, e acabam presentes no mesmo montante, mesmo que oscilações ocorram no volume de produção. Os custos fixos, ainda na visão do autor, tendem a ser muito mais um encargo para que a empresa possa ter condições de produção do que sacrifício para a produção específica desta ou daquela unidade. 33 Garrison e Noreen (2001, p.37) dizem que o custo fixo é aqueles cujo total permanece constante, independentemente das alterações no nível da atividade. Diferentemente dos custos variáveis, os custos fixos não são afetados pelas alterações da atividade. Em consequência, enquanto o nível da atividade sobe ou desce, o total do custo fixo permanece constante, a menos que seja influenciado por algum fator externo, com variações de preço. Para exemplificar de que forma o custo fixo se comporta, logo abaixo tem-se o quadro 6 para ilustrar. Quadro 6. Comportamento do custo fixo R$ 24.000 16.000 8.000 0 500 1.000 1.5000 2.000 Número de testes de laboratório executados em um mês (com adaptações) Fonte: Garrison e Noreen (2001, p. 37). Pelo que se percebe no quadro 6, o custo permanece o mesmo, como aborda a linha negritada, ou seja, ele é uma sequencia, sem variações. Garrison e Noreen (2001, p. 38) dizem que entre os exemplos de custos fixos, encontra-se a depreciação linear, o seguro, os impostos prediais, os alugueis, os salários da supervisão, a propaganda, entre outros. Como se vê, os custos fixos são voltados para situações que ajudam a manter a qualidade da empresa, como a propaganda, essencial no mercado moderno para atrair, reter e fidelizar clientes, além dos salários dos colaboradores, que não podem jamais atrasar. O que é preciso ainda ressaltar que todos esses são critérios que ajudam a equilibrar as finanças da empresa. 34 5 PONTO DE EQUILÍBRIO Todo empreendimento busca no mercado uma situação confortável com relação aos lucros e despesas. Para se buscar essa situação é preciso ter em mente que as mudanças mercadológicas podem ser constantes e saber lidar com elas é essencial para a considerada “zona de conforto” ou “ponto de equilíbrio”. De acordo com Wernk (2001, p.49) o ponto de equilíbrio representa o nível de vendas em que a empresa opera sem lucro ou prejuízo. Ou seja, o número de unidades vendidas no ponto de equilíbrio é o suficiente para a empresa pagar seus custos fixos e variáveis sem gerar lucro. Crepaldi (2004, p. 364) define que o ponto de equilíbrio é definido como o volume de vendas em que a receita total é exatamente igual ao custo total. Já na visão de Atkinson (2000, p.192) o ponto de equilíbrio representa o nível de produção no qual os custos dos recursos comprometidos é coberto pelos lucros ganhos da produção e vendas de bens e serviços. O autor comenta ainda em outras palavras que Ponto de equilíbrio é o nível em que o volume de vendas cobre os custos fixos comprometidos. Por sua vez, Padoveze (1994, p.281) retrata que o ponto de equilíbrio é o momento em que o total da margem de contribuição da quantidade vendida/produzida Receita de vendas (no ponto de equilíbrio) = Custo para fabricar + Custo para vender se iguala aos custos e despesas fixas. Sendo assim, pelas palavras do autor, pode-se considerar que o ponto de equilíbrio demonstra a capacidade mínima em que a empresa deve operar para não ter prejuízo. Por esta razão, Dutra (1995, p.170) diz que no ponto de equilíbrio, a empresa está produzindo o suficiente para gerar receita que se iguala ao custo. Segundo ele, a empresa não está tendo nem lucro nem prejuízo quando está operando em um nível de produção igual ao seu ponto de equilíbrio, porque ela está gerando recursos suficientes para remunerar os seus fatores de produção. Segundo Martins (2000, p.277) o ponto de equilíbrio de uma empresa será obtido quando a soma das margens de contribuição totalizar o montante suficiente para cobrir todos 35 os custos e as despesas. Por isso, Padoveze (2006, p. 282) ressalta que o ponto de equilíbrio mostra o nível de atividade ou o volume operacional, quando a receita total das vendas se iguala aos custos totais mais ou os custos e as despesas fixas. O conceito do ponto de equilíbrio é também um conceito para a gestão de curto prazo da empresa. É importante ressaltar esse enfoque. Isso é claro porque o ponto de equilíbrio mostra o ponto mínimo em que a empresa pode operar para que tenha lucro zero. Nesse ponto mínimo de capacidade de operação, a empresa consegue cobrir os custos variáveis das unidades vendidas ou produzidas e também todos os custos de capacidade, os custos fixos. Fica evidente que é uma técnica para utilização em gestão de curto prazo, porque não se pode pensar em um planejamento de longo prazo para uma empresa em que ela não dê resultado positivo e não remunere os detentores de suas fontes de recursos (PADOVEZE, 2006, p. 282) Padoveze (2006, p. 282) o ponto em que o lucro é igual a zero, é fácil determinar sua equação, em uma determinada quantidade, utilizando os dados restantes da análise da margem de contribuição. Assim, segundo o autor, a equação do ponto de equilíbrio é desenvolvida a partir da seguinte expressão: Vendas = custos variáveis + custos fixos + lucros Ainda segundo Padoveze (2006, p. 282), como se busca um ponto em que os lucros serão iguais a zero, a equação fica: Vendas = custos variáveis + custos fixos Segundo Santos (2000, p.166) a análise do equilíbrio entre receitas de vendas e custos é cada vez mais importante, pois funciona como instrumento no processo de decisão gerencial. Como coloca o autor, o ponto de equilíbrio é importante para tranquilizar a posição das empresas no mercado e pode significar, inclusive, um fator para o sucesso financeiro de uma organização. Por esta razão, Wernk (2001, p.49) diz que o ponto de equilíbrio representa o nível de vendas em que a empresa opera sem lucro ou prejuízo. Leone (2000, p.427) diz que 36 a utilização e a análise dos conceitos de ponto de equilíbrio, tem como objetivo auxiliar as funções de planejamento e a de tomada de decisões gerenciais de curto prazo da empresa. Segundo Wernke (2001, p.50) dependendo da necessidade da empresa ou do gestor, o ponto de equilíbrio possibilita adaptações que suprem as informações gerenciais não possuídas. Ainda segundo o autor, Wernke (2001, p.50) dependendo da necessidade da informação e da fórmula como é calculado, o ponto de equilíbrio pode receber denominações diferentes. Para exemplificar essa teoria, o autor criou um sistema, no qual vê-se na figura 1: Ponto de equilíbrio financeiro Ponto de equilíbrio econômico Figura 1. Ponto de equilíbrio contábil Fonte: Wernke (2001, p.50) Como se percebe, a figura 1 explica, o ponto de equilíbrio da empresa é dividido entre duas vertentes: o equilíbrio financeiro e o econômico. Ambos buscam um objetivo em comum, que é fornecer ao gestor informações adequadas. Wernke (2001, p.52) explica ainda que no ponto de equilíbrio financeiro calculase o nível de atividades (quer em unidades, quer em valor monetário) suficiente para pagar os custos e despesas variáveis, os custos fixos (exceto depreciação) e outras dívidas que a empresa tenha que saldar no período como empréstimo e financiamentos bancários. O autor também ressalta que a questão de que o uso do ponto de equilíbrio deve auxiliar as questões de curto prazo da empresa. Para o ele, a informação do ponto de equilíbrio, tanto do total global como por produto individual, é importante porque o nível mínimo de atividade que a entidade ou cada divisão deve operar. Ainda segundo Wernke (2001, p.55) a determinação do ponto de equilíbrio subsidia as decisões empresariais relacionadas com: 37 a) Alteração do mix de vendas, tendo em vista o comportamento do mercado; b) Alteração de políticas de vendas com relação a lançamentos de novos produtos; c) Definição do mix de produtos, do nível de produção e preço do produto. Ainda de acordo com os estudos de Wernke (2001, p.56), os gerentes das empresas devem ficar constantemente atentos com relação às limitações apresentadas na utilização do ponto de equilíbrio, pois tal técnica só deve ser utilizada em gestão de curto prazo. Isso se dá porque não se pode pensar num planejamento de longo prazo para empresas que não deem resultado positivo e não remunere os detentores de suas fontes de recursos. De outro lado, Santos (2000, p.174) descreve que na análise do ponto de equilíbrio algumas limitações devem ser consideradas, como vê-se no exemplo logo abaixo: Variação de um componente: considerar mudança no preço sem a influência nos demais componentes; na realidade, quando muda um componente, pode mudar o outro; Custos estruturais fixos e marginais: geralmente, o comportamento do custo fixo não é tão constante como mostra no gráfico do ponto de equilíbrio, e o custo marginal tem certos aspectos que não variam sempre proporcionalmente ao volume; Análise estatística: as próprias dificuldades existentes na montagem dos dados para a análise não levam em consideração todo o dinamismo das empresas e no dia-a-dia dos negócios. O ponto de equilíbrio é de suma importância para a gestão, de modo que forneça os dados necessários para a manutenção ou mudança de atitudes com relação à contabilidade de custos de determinada empresa. Para isso, outro ponto importante é a questão da precificação, item primordial para a mercantilização de qualquer produto ou serviço. Assim como o ponto de equilíbrio, a precificação é um dos critérios mais importante de uma empresa, de um negócio. Isso porque, entre outros, todo e qualquer produto ou serviço precisa ter um preço. 38 6.FUNDAMENTOS DA PRECIFICAÇÃO O preço é um dos requisitos mais importantes para um produto ou serviço, pois é o que determina quanto ele valerá. Por esta razão, o preço é também um dos principais fundamentos do mix de marketing, que envolve ainda produto, ponto, promoção e praça. Tratam-se de itens de salutar importância para o desenvolvimento de qualquer negócio. Na visão de Cobra (2000, p. 21) o preço é taxa ou tarifa é o valor atribuído a um produto ou serviço financeiro prestado a um cliente. Por esta razão, deve-se, com isso, sempre levar em consideração a questão do custo benefício, bem como a concorrência, pois ao decidir o preço de um produto ou serviço, a empresa deve levar em conta a concorrência de outras, afinal, certamente o consumidor irá procurar comprar naquela em que o preço atender às suas necessidades. Por isso, segundo Camargo (2006, p. 23), quando a concorrência chegou a um ponto no qual tecnicamente todos podem oferecer a mesma qualidade, buscou-se então oferecer sempre o melhor custo benefício e diferentes abordagens de precificação. Para Kotler e Keller (2006, p. 153), o melhor método de manter clientes é entregar um alto grau de satisfação a ele. Isso torna mais difícil para os concorrentes ultrapassar as barreiras à mudança oferecendo simplesmente preços mais baixos ou incentivos. Já Alvarez (2008, p. 18) diz que as análises de preço lidarão com aspectos do valor de troca, dos descontos estabelecidos em função de interesses da empresa ou dos clientes, dos prazos de pagamento e das condições gerais que se devem definir para viabilizar a comercialização. É necessário também estudar o preço final junto ao consumidor final e os preços em cada etapa da cadeia de distribuição. Seguindo esta ótica, Martins (2003 p.219) afirma que definir preços não cabe exclusivamente ao setor de custos, mesmo com todo o arsenal de informações de que dispõe, bem como não cabe totalmente ao setor de marketing, com toda sua gama de dados do mercado e suas previsões. Já na visão de Santos (2008, p.117),os preços de um produto ou serviço pode ser formado por meio de vários métodos. Aquele com base no custo pleno utiliza tanto o custo real ou padrão para sua composição e a união dos custos de produção, as despesas de venda e despesas administrativas. Já a formação do custo total, segundo o autor, é calculado o percentual de lucro e representa o custeio por absorção. 39 Já segundo os estudos de Martins (2003 p.218), calcular preço baseado em custos é determinar o preço de dentro para fora, onde o ponto de partida é o custo do bem ou serviço apurado segundo um método de custeio. Sobre esse custo, segundo o autor, agrega-se uma margem, denominada markup1. Neste sentido, cabe ressaltar que ao calcular o preço, a empresa deve levar em consideração fatores demográficos, psicológicos, econômicos e sociológicos dos consumidores. Seguindo esta ótica, Kotler (1994 p. 693) afirma que na estratégia de preços competitivos a empresa não procura manter uma relação rígida entre o preço e seus custos ou a demanda. Seus próprios custos ou demanda podem mudar, mas ela mantém seus preços porque seus concorrentes mantêm os seus. Na visão de Cogan (1999, p. 125), os preços historicamente foram formados adicionando-se o lucro aos custos, ou como no atual paradigma num mundo que cada vez mais caminha para uma competição, o preço é determinado pelo mercado. Por isso, diversas estratégias podem ser levadas em consideração na fixação dos preços de venda. Os estudos de Bernardi (1998 p.249) especificam alguns aspectos positivos para a definição do preço tendo como base os custos, são eles: preço e sobrevivência: os preços podem ser estabelecidos de modo a assegurar o lucro e o retorno, se os objetivos com as vendas forem atingidos; competitividade: o conhecimento dos próprios custos e despesas auxiliam no entendimento dos custos e das estratégias adotadas pela concorrência; rotinização das decisões: uma vez definido o modo de formulação dos preços e os parâmetros que embasam o método, a tarefa de definir os preços pode tornar-se sistemática despendendo menos tempo da administração; estrutura do preço: a formulação dos preços com base em custos é resultante da aplicação de um índice, o markup. Para que seja possível entender com mais segurança o que significa markup, Cogan (1999, p. 133) saliente que é um índice aplicado sobre o custo de um bem ou serviço para a formação do preço de venda. Esse índice é tal que cobre os impostos e as taxas aplicadas sobre as vendas, as despesas administrativas fixas, os custos indiretos fixos de fabricação e o lucro. Na visão de Santos (2005, p. 129) o markup tem for finalidade cobrir as 1 Consiste na aplicação de um índice sobre o custo de um bem ou serviço para formação do preço de venda, com a finalidade de cobrir os custos das contas geradas pela produção. 40 contas de impostos sobre vendas, taxas variáveis sobre vendas, despesas administrativas fixas, despesas de vendas fixas, custos indiretos de produção fixos e lucro. 6.1 Tipos de preço O mercado global é altamente competitivo e um dos elementos mais significativos e determinantes para a afirmação desta concorrência é o preço dos produtos e serviços que as empresas implementam. Os preços podem determinar o sucesso ou fracasso de uma empresa, pois são princípios basilares no momento em que o cliente decide por um produto ou outro. Pode-se considerar que a política de preços de uma empresa é a união de elementos que regulam as decisões que ela vai tomar, bem como as condições em que esses preços serão transferidos ao consumidor. Por esta razão, as empresas utilizam várias estratégias para determinar os preços dos seus produtos de modo a atender a dois básicos princípios: chamar a atenção dos clientes e ganhar lucros. Tendo em vista a salutar importância que os preços têm para o mercado, nos tópicos abaixo se analisa as principais características de alguns tipos de preço. 6.1.1 Preço de penetração Todo produto ou serviço precisa apresentar ao cliente um preço. Para Cogan (1999, p. 127) esse tipo de preço é feito introduzindo um baixo preço introdutório com a intenção de estabelecer rapidamente o produto no mercado. A lógica envolvida é a de que com o baixo preço rapidamente conseguirá grande participação no mercado e seus compradores permanecerão leais ao produto quando mais tarde o preço for aumentado. Ainda segundo o autor, é uma alternativa de desnatação, e pode mesmo resultar em perdas. Esse tipo de preço é aplicado quando a demanda pelo produto é sensível ao preço e quando é possível obter economias substanciais de escala. Para Santos (2001, p. 200) o preço de penetração é uma política utilizada por algumas empresas para facilitar sua entrada num determinado mercado e, desta forma, praticar um preço mais baixo inicialmente. O autor explica que essa estratégia leva em conta dois fatores: a resposta da concorrência e sua meta de rentabilidade de longo prazo. 41 6.1.2 Preço predatório Alguns produtos e serviços têm preço constante, ou seja, que não muda com facilidade. Cogan (1999, p. 127) diz que o tipo de preço predatório é estabelecido por tradição. O autor diz ainda que esses preços costumeiros tendem a permanecer imutáveis por um longo período. Nesse caso, a demanda é elástica acima do preço de percepção tradicionais conduz a uma grande redução nas vendas. Esse tipo de demanda caracteriza mercados oligopolistas onde um pequeno número de fornecedores precisa precificar nos níveis tradicionais para maximizar seus lucros. Já Morris; Morris (1994, p. 139) dizem que o preço predatório são significativas reduções de preço são implantadas e direcionadas para um concorrente ou grupo de concorrentes particular. Ainda segundo os autores, as referidas reduções de preços não pretendem ser permanentes, mas serão mantidas em vigor até que o efeito desejado seja obtido ou fique claro que não há nenhuma chance de sucesso. 6.1.3 Preço inflacionário A econômica é um segmento que pode oscilar bastante em qualquer local do mundo, o que nem sempre é bom pois não dá às pessoas a tranquilidade necessária para que elas efetuem compras diversas. Os estudos de Cogan (1999, p. 128) dizem que esse tipo de preço ocorre quando as taxas de inflação são elevadas. Em essência, assim que o dinheiro passa a valer menos a força de compra declina e a maioria dos consumidores se tornam mais conscientes do preço. Uma estratégia para isso é a de aumentar o preço do produto para tornar possível a introdução de alternativas de menor preço. Outra opção, segundo o autor, é reduzir serviços associados com o produto mantende o mesmo preço. Na visão de Passos e Nogami (2003, p.19) esse tipo de preço diz que o preço de mercado da maioria das mercadorias poderá sofrer alterações ao longo do tempo, alterações essas que poderão ser rápidas. 6.1.4 Preço cativo Cogan (1999, p. 18) diz que é a estratégia onde um produto básico é precificado por baixo, mas os lucros dos produtos associados necessários para o funcionamento do produto básico compensa a falta de lucro no produto básico. Para Passos e Nogami (2003, 42 p.19) esse tipo de preço é aquele que é absoluto, tomados isoladamente, sem comparação com outros. 6.1.5 Preço referência Cogan (1999, p. 129) diz que nesse tipo de preço uma estratégia onde um preço moderado é colocado para uma versão do produto que será mostrado próximo a um modelo de alto preço da mesma marca, ou próximo a uma marca de competitiva. Desta forma, pode-se entender que o preço de referência é aquele em que o comprador considera razoável e justo. 6.1.6 Preço de curto prazo Santos (2001, p. 198) entende que um preço de curto prazo é aquele capaz de permitir o entendimento de um objetivo imediato, seja ele financeiro ou não. Esse tipo de preço atende a uma demanda de curto prazo, mas ainda assim essa estratégia precisará estar inserida numa visão de longo prazo, pois na maior parte do tempo, os preços são praticados para um produto ao longo do seu ciclo de vida são preços de curto prazo. Como exemplo, pode-se citar o fato de uma empresa decidir começar suas operações com uma política de preços reduzidos para serem elevados paulatinamente até um patamar que permita um preço mais expressivo. 6.1.7 Preço de transferência Na visão de Kaplan (1998, p. 155) é o preço de transferência que historicamente tem sido um dos mais difíceis e controversos problemas para serem resolvidos pelas corporações. Cogan (1999, p. 135) diz que já houve quem dissesse que a fixação do preço de transferência, apesar de que já vir sendo estudado por muitos anos, é, ainda, considerado um problema em aberto. Ainda segundo o autor, em muitas organizações grandes, a corporação central não pode monitorar e controlar todos os parâmetros de operação das suas diversas empresas. Por esta razão, diz o autor, as grandes empresas são normalmente estruturadas em divisões, onde cada divisão é uma unidade autônoma onde seus gerentes têm liberdade de tomar todas as decisões necessárias. Cogan (1999, p. 135) diz ainda que os preços de transferência são utilizados principalmente para: 43 ajudar a coordenar as decisões da divisão para alcançar os objetivos da corporação como um todo; dar condições às divisões de tomarem decisões com relação ao preço final do produto; preservar a autonomia das divisões. Neste sentido, Cogan (1999, p. 135) diz que numa simplificação do problema de transferência de preços, pode-se considerar duas divisões, uma que produz um produto intermediário e outra que recebe esse produto e o transforma em produto acabado. O autor diz ainda que o preço de transferência é o valor utilizado na transação entre essas divisões, onde esse valor é considerado como resultado pelo departamento de vendas de uma divisão e como despesa pelo departamento de compras de outra divisão. O preço é fator determinante para qualquer produto e serviço. No serviço alimentício isso não é diferente. Sobre esse assunto aborda-se no próximo capítulo. 44 7 CUSTOS NOS SERVIÇOS ALMENTÍCIOS Segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o índice do Custo de Vida medido em agosto de 2012. A inflação média do mês passado ficou em 0,20%, porém os produtos alimentícios subiram 0,64%, três vezes mais. O Ceará é um dos Estados onde os setores de alimentação são mais promissores do País. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o Estado registra expressiva expansão na abertura de bares e restaurantes. Somente em 2011, foram inaugurados 695 estabelecimentos no setor, o que representa um crescimento de 11,21% com relação às aberturas de empreendimentos no ano anterior, conforme uma pesquisa realizada pela Central Mailing List. O resultado foi o quinto melhor do Nordeste, ficando atrás do Piauí (16,51%), Paraíba (15,29%), Maranhão (14,16%) e Pernambuco (11,50%). Segundo Fonseca (2000, p. 93), não é possível criar um restaurante sem saber qual será a sua composição de custos, seu potencial de receita ou ainda qual é a característica principal de seu negócio. Depois disso é necessário ma boa definição de como serão identificadas as informações importantes para verificar o desempenho de seu negócio, para possibilitar as correções de rumo. E, por último, identificar as possíveis soluções para a readaptação dos planos ou uma modificação dos objetivos iniciais. 7.1 Custos variáveis no segmento alimentício Para Martins (2000, p. 219), a contabilidade de custos está inserida num mundo bem maior do que simplesmente acompanhar os custos de fabricação de cada produto. O Contador de Custos acaba, numa visão estratégica, tendo um papel muito mais amplo e relevante, bem como assumindo responsabilidade bem maior do que a de sua função tradicional. Ele diz que os custos variáveis estão atrelados diretamente ao volume da produção. Para Leone (2000, p. 53), os custos variáveis são aqueles que variam de acordo com os volumes das atividades, que devem estar representados por bases de volume, que são geralmente medições físicas. No caso do segmento alimentício, pode-se considerar que os custos variam sempre, pois dependem de outros fatores como importação e exportação, por exemplo. 45 7.2 Custos fixos no segmento alimentício Leone (2000, p. 55), diz que os custos fixos são custos (ou despesas) que não variam com a variabilidade da atividade escolhida. Isto é, o valor total dos custos permanece praticamente igual mesmo que a base de volume selecionada como referencial varie . Com base no conceito que o autor diz, pode-se dizer que os custos fixos são aqueles que não oscilam conforme os volumes de produção e vendas. No caso do segmento alimentício, podese considerar que os custos fixos existem até determinado momento, pois neste segmento, é inevitável a oscilação, uma vez que é preciso levar em consideração uma série de outros fatores, entre os quais importação, exportação dos produtos alimentícios, bem como a economia local. Segundo matéria jornalística publicada pela Revista Exame em setembro de 2011, “a inflação dos alimentos no atacado e no varejo impulsionou a alta de 0,61% do Índice Geral de Preços Mercado - Disponibilidade Interna (IGP-DI) de agosto daquele ano. No atacado, a alta dos alimentos tornou-se mais intensa (de 0,38% para 2,89%) de julho para agosto, pressionada pelo fim da deflação e aceleração de preços tanto entre os itens in natura (de 2,15% para 1,38%) quanto entre os alimentos processados (de 1,18% para 3,35%). No varejo, os preços dos alimentos mudaram de trajetória (de -0,67% para 0,80%). Na prática, a combinação destas elevações acende um sinal de alerta para a inflação do varejo em setembro”. Para analisar com mais precisão o preço dos produtos alimentícios, no próximo capítulo apresenta-se um estudo de caso de uma empresa do ramo alimentício, cujo estudo demonstrará a margem de contribuição como instrumento da análise de vendas dos serviços alimentícios. 46 8 ESTUDO DE CASO NO CARNEIRO DO ORDONES 8.1 A empresa O Restaurante Carneiro do Ordones foi fundado em 19 de Outubro de 1990 pelo Sr Antonio Ordones Pereira de Souza onde o nome fantasia carneiro do Ordones se originou de seu nome, e por sua esposa a senhora Irismar Furtado Pereira, Inicialmente, o restaurante oferecia como principal atrativo pratos derivados da Carne de Carneiro, atualmente ainda é seu ponto forte, porem existe uma diversidade de outros pratos, massas peixes frutos, do Mar, Sushi, mas de cinquenta pratos de camarão. E atualmente foi inaugurado um self service com um Barzinho. Atualmente, o restaurante conta com 145 funcionários e atende, em média 600 clientes por semana. Ao todo, possui três sede, as três localizadas no bairro Parquelândia na Rua Azevedo Bolão nos números, 570, 571e 621. A empresa e administrada por membros da família Ordones, pais, filhos e nora. 8.2 Margem de Contribuição como instrumento de análise dos preços de venda nos serviços de restaurantes: estudo de caso do Carneiro do Ordones Na visão de Crepaldi (2004), margem de contribuição é um conceito de extrema importância para o custeio variável e para a tomada de decisões gerenciais. O autor acrescenta que no que diz respeito ao produto, a margem de contribuição é a diferença entre o preço de venda e a coma dos custos e despesas variáveis. Neste estudo de caso, buscou-se obter a margem de contribuição tendo como base dois produtos, ou seja, dois pratos oferecidos pelo restaurante objeto desta pesquisa. Para exemplificar, denominam-se os pratos de produto A (camarão ao molho branco) e produto B (sirigado à marinata). Logo abaixo tem-se os custos de cada produto na tabela. 47 Tabela 1. Os produtos PRODUTOS PREÇO Camarão ao molho branco (Produto A) R$ 31,90 Sirigado à marinata (Produto B) R$ 38,00 Fonte: Elaborada pelo autor Após a identificação de cada produto, bem como os respectivos preços, tem-se na tabela 2 a margem de contribuição relacionada ao produto A. Descreve-se os custos variáveis do produto, as despesas variáveis tendo como base alguns impostos. Tabela 2. Produto A PRODUTO A R$ 31,90 Custos variáveis (matéria prima) R$ 13,85 Despesas variáveis (impostos) R$ 2,99 CSLL R$ -0,34 IRPJ R$ -0,38 PIS R$ -0,20 Cofins R$ 0,95 ICMS R$ -1,12 MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO R$ 15,06 Fonte: Elaborada pelo autor Observando os dados na tabela 2, percebe-se que a margem de contribuição do produto A é R$ 15,06. Logo abaixo tem-se as mesmas descrições relacionadas ao produto B. Tabela 3. Produto B PRODUTO B R$ 38,00 Custos variáveis (matéria prima) R$ 15,75 Despesas variáveis (impostos) R$ 3, 57 CSLL R$ -0,41 IRPJ R$ -0,45 PIS R$ -0,24 48 Cofins R$ 1,14 ICMS R$ -1,33 MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO R$ 18,68 Fonte: Elaborada pelo autor Como se nota, a margem de contribuição encontrada do produto B é R$ 18,68. No entanto, a margem de contribuição do produto A mais o produto B é R$ 33,74, como se vê na tabela 4. Tabela 4. Margem de contribuição MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTO A + PRODUTO B = R$ 33,74 Fonte: Elaborada pelo autor Logo na tabela 5 tem-se os custos fixos da empresa ao longo do mês. Na tabela descreve-se a folha de pagamento, o aluguel, FGTS, entre outros custos necessários para o funcionamento do restaurante. Tabela 5. Custos fixos CUSTOS FIXOS Folha de pagamento R$ 41,641,70 Aluguel ref. Mês de julho/2012 R$ 1.242,00 FGTS R$ 3.881,25 GPS R$ 15.752,29 Pró-labore R$ 1.455,15 Contabilidade R$ 1.500,00 Energia R$ 10.888,23 TV por assinatura R$ 485,60 Telefone R$ 1.567,95 Segurança eletrônica R$ 2.500,00 NF Serviços R$ 2.154,00 Total de despesas R$ 84,888,17 Fonte: Elaborada pelo autor 49 Com base nos dados da tabela 5, buscou-se calcular o ponto de equilíbrio de cada produto. Inicialmente extraiu-se os custos fixos totais, ou seja, R$ 84.888,17 e dividiu-se pela margem de contribuição do produto A, que foi R$ 15,60. O resultado por 5.441, o que demonstra que, para alcançar o ponto de equilíbrio relacionado ao produto A, é preciso vender 5. 441 pratos. O mesmo foi feito com o produto B, ou seja, dividiu-se R$ 84.888,17 pela margem de contribuição do produto B, que foi de R$ 18,68. O resultado, no entanto, foi de 4.544. Esse resultado demonstra que, para alcançar o ponto de equilíbrio relacionado ao produto B, é preciso vender 4.544 pratos. Esses dados demonstram que para cobrir os custos e ter lucro zero é necessário vender 5.441 pratos do produto A e 4.554 pratos do produto B. Desta forma, sugere-se que tendo a quantidade de cada prato necessária para cobrir os custos, a medida que forem sendo vendidos, vai se fazendo um controle e verificando quanto já foi coberto, tendo esse controle e possível trabalhar na precificação fazendo promoções, e consequentemente expandindo suas vendas e obtendo mas lucros. Outro cálculo demonstrou o somatório dos dois pratos. Dividiu-se o total das despesas, ou seja, R$ 84,888,17 pela margem de contribuição de ambos os produtos. Ao final, foi obtido que, para encontrar o ponto de equilíbrio relacionado a ambos os pratos, será necessário vender 2.516 pratos. Como se percebe, a margem de contribuição permite a análise de quantos pratos devem ser vendidos para cobrir os custos. Para melhor apresentação das percepções finais que esse estudo trouxe, no tópico seguinte apresenta-se as considerações finais. 50 CONCLUSÃO Após a pesquisa para a realização deste estudo, conclui-se que a margem de contribuição permite a analise de quantos pratos devem ser vendidos para cobrir os custos, ou seja, quanto cada prato está contribuindo para cobrir os custos fixos. Desta forma, foi possível descobrir que para cobrir os custos e ter lucro zero, o Restaurante Carneiro do Ordones precisa vender 5.441 pratos do produto A e 4.554 pratos do produto B. Desta forma, sugere-se que tendo a quantidade de cada prato necessária para cobrir os custos, à medida que forem sendo vendidos, vá se fazendo um controle e verificando quanto já foi coberto para que se possa investir em outros segmentos da empresa. Concluiu-se ainda que para encontrar o ponto de equilíbrio relacionado a ambos os pratos, será necessário vender 2.516 pratos. Assim, entende-se que foi possível alcançar o objetivo geral desta pesquisa, que foi o de analisar através do estudo da margem de contribuição a adequação dos preços utilizados. O mesmo foi possível com relação aos objetivos específicos, que foram discorrer sobre margem de contribuição, caracteriza a precificação e descrever os custos nos serviços de restaurantes. Observa-se também que os preços utilizados no restaurantes são satisfatórios no sentido que estão gerando uma margem de contribuição positiva e os clientes(demanda) tem pago e fidelizado sem reclamações pelo serviços prestados. Percebeu-se ainda que através do estudo do ponto de equilíbrio e margem de contribuição, pode ser feita a análise prato a prato e o controle na medida em que forem sendo vendidos os pratos, mostrando quanto ainda falta para cobrir as despesas. Como resposta ao problema da pesquisa, concluiu-se que a margem de contribuição pode ajudar na gestão dos custos e formação dos preços em um restaurante, identificando quantos pratos serão necessários para cobrir os custos e ter um ponto de equilíbrio. Ressalta ainda que pode ser feito este estudo em cima de todos os pratos, o que pode ser um pouco complexo, e certamente precisará de auxílio de sistemas de informação e planilhas, mas que será de fundamental importância para um acompanhamento combinado, até mesmo para períodos curtos, como por exemplo, por semana, quinzena, entre outros. 51 Desta forma, espera-se que este estudo sirva de base para que outros possam surgir no mesmo sentido, tendo em vista a sua importância para as organizações. Por isso, sugere-se que novas pesquisas em outros períodos ou em outros restaurantes. 52 REFERÊNCIAS ATKINSON, Anthony A., et al. Contabilidade Gerencial. 1.ed. São Paulo: Atlas, 2000. CREPALDI, Silvio Aparecido. 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