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QUALIDADE DE VIDA COMO FORMA ESTRATÉGICA DE MUDANÇA COM ALUNOS
DO ENSINO MÉDIO DE UMA ESCOLA ESTADUAL DE GUAÍBA
Caroline Schneider Brasil1
Lisiane Menezes Pereira, Marcelo da Silva Welausent2
RESUMO
O presente artigo tem como objetivo apresentar uma das atividades realizadas na prática de estágio curricular
em Psicologia e Processos de Promoção e Prevenção da Saúde, através do SEPCOM - Serviço de Pesquisa
Social e Institucional Comunitária. Iremos ilustrar o tema sobre qualidade de vida como forma estratégica de
mudança com alunos do ensino médio de uma escola estadual de Guaíba RS.
Palavras Chaves: psicologia comunitária, práticas de estágio, qualidade de vida.
INTRODUÇÃO
O Serviço e Pesquisa em Psicologia Social Institucional e Comunitária (SEPCOM)
está vinculado ao curso de Psicologia da Universidade Luterana do Brasil, campus de
Guaíba/RS. Fundado no ano de 2007 e, desde então, passou a ser local de estágio curricular
em Psicologia e Processos de Promoção e Prevenção da Saúde. O serviço tem como objetivos,
possibilitar aos alunos (as) um espaço de estágio curricular vinculado à realidade e as
demandas locais, viabilizar a construção de relações teórico-prático de forma a qualificar a
compreensão e os processos de intervenção.
A escolha pelo local de estágio ocorreu em função do mapeamento que foi realizado
na Escola Estadual Otero Paiva Guimarães. Ao realizar esse mapeamento algumas demandas
foram levantadas pela equipe diretiva e logo após, os alunos do segundo ano do ensino médio
1
Psicólogo Mestre em Psicologia Social e Institucional Coordenadora do Serviço e Pesquisa em Psicologia Social
Institucional e Comunitária – SEPCOM.
2
Acadêmicos do curso de psicologia da Universidade Luterana do Brasil – ULBRA e equipe do SEPCOM.
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contribuíram com suas percepções e necessidades de intervenções. Contudo, criou-se um local
para intervenção e comunicação e assim, surge um espaço para estágio curricular em
Psicologia e Processos de Promoção e Prevenção da Saúde.
Com a descrição da demanda relatada pelos alunos da escola em questão, percebeu-se
a necessidade de abordar o tema sobre Qualidade de vida como forma estratégica de
prevenção e intervenção, pois através desses aspectos poderias trabalhar temas sobre à
educação, à economia, aspectos socioculturais e psicológicos.
Foi sugerido pelos alunos, trabalhar aspectos como: Drogas, violência, dica de o que
fazer e não fazer durante entrevista de emprego, como cuidar da escola, segurança,
campanhas de motivação com os alunos, melhores habilidades para os professores, mais
oportunidades para os jovens que estão se perdendo na vida em função das drogas e ações que
tire os mesmos dessa vida, oficinas de música e cursos profissionalizantes.
A partir do levantamento de necessidades, foi elaborado um plano de ação e
intervenções para atender boa parte da demanda descrita por eles.
A realidade do bairro, na qual a escola está inserida é de baixo padrão aquisitivo,
vulnerabilidade social, tráfico de drogas intenso, prostituição infantil e falta de estrutura
familiar e com tudo esse cenário a evasão escolar torna-se conseqüência, pois o uso de drogas,
gravidez, necessidade de trabalhar para ajudar a família e principalmente a violência que esta
impregnada nos espaços e dependências da instituição, por influência do tráfico de drogas,
rivalidades, falta de liberdade, oportunidades e sociedade em geral.
No decorrer do artigo tentaremos ilustrar os conceitos de qualidade devida, resultados
e ainda ressaltar a importância de trabalhos como esse, dentro do espaço comunitário e escolar
para promoção e prevenção com esses alunos.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Umas das principais funções da Psicologia dentro da escola hoje, que consta no
Manual de Psicologia Escolar, propõe ações preventivas e projetos de desenvolvimento
cognitivo, humano e social para toda a comunidade escolar, e assim trabalhar as relações
interpessoais na escola, visando à reflexão e conscientização de funções, papéis e
responsabilidades dos sujeitos e outros assuntos pertinentes ao serviço (CASSINS, 2007).
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QUALIDADE DE VIDA
O conceito de qualidade vida é subjetivo, multidimensional e influenciado por vários
fatores relacionados à educação, à economia e aos aspectos socioculturais, não havendo um
consenso quanto à sua definição. Apesar de não haver consenso quanto à definição de
qualidade de vida, a maioria dos autores concorda que em sua avaliação devem ser
contemplados os domínios físico, social, psicológico e espiritual, buscando-se captar a
experiência pessoal de cada indivíduo. Nesse contexto questiona-se como transformar
informações subjetivas, que envolvem conceitos individuais, em dados objetivos e
mensuráveis e, também, como essas informações podem ser quantificadas e comparadas entre
populações diferentes (PINTO-NETO, 2011).
A expressão qualidade de vida foi empregada pela primeira vez pelo presidente dos
Estados Unidos, Lyndon Johnson em 1964 ao declarar que "os objetivos não podem ser
medidos através do balanço dos bancos. Eles só podem ser medidos através da qualidade de
vida que proporcionam às pessoas." O interesse em conceitos como "padrão de vida" e
"qualidade de vida" foi inicialmente partilhado por cientistas sociais, filósofos e políticos. O
crescente desenvolvimento tecnológico da Medicina e ciências afins trouxe como uma
conseqüência negativa a sua progressiva desumanização. Assim, a preocupação com o
conceito de "qualidade de vida" refere-se a um movimento dentro das ciências humanas e
biológicas no sentido de valorizar parâmetros mais amplos que o controle de sintomas, a
diminuição da mortalidade ou o aumento da expectativa de vida.
O termo qualidade de vida como vem sendo aplicado na literatura médica não parece
ter um único significado, pois pode avaliar as condições de saúde, funcionamento social e
qualidade de vida têm sidos usados como sinônimos e a própria definição de qualidade de
vida não consta na maioria dos artigos que utilizam ou propõe instrumentos para sua
avaliação. Qualidade de vida relacionada com a saúde são conceitos afins centrados na
avaliação subjetiva do paciente, mas não necessariamente ligados ao impacto do estado de
saúde sobre a capacidade do indivíduo viver plenamente (UFRGS, 2011).
Existem muitas interpretações de qualidade de vida, desde o foco clínico da ausência
de doenças no âmbito pessoal até as exigências de recursos, objetos e procedimentos de
natureza gerencial e estratégica no nível das organizações (AMORIM, 2003).
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[...] considerar como qualidade de vida boa ou excelente aquela que ofereça um
mínimo de condições para que os indivíduos nela inseridos possam desenvolver o máximo de
suas potencialidades, sejam estas: viver, sentir ou amar, trabalhar, produzindo bens e serviços,
fazendo ciência ou artes (UFRGS, 2011).
Ainda para o autor: O prolongar a vida é um valor biologicamente desejável, posto
como um valor cultural. Prolongar a vida, hoje, torna absoluta a cronologia, traduzida como
longevidade e esperança de vida, e a falta de cuidados para atingir esse fim é alertada por
campanhas contra seus riscos, pelo valor negativo para as finanças públicas nos gastos com a
saúde. Não faz parte da preocupação atual do movimento da qualidade de vida o que cada um
deve fazer com sua própria vida, bem como na relação que cada um estabelece com a vida da
sociedade.
METODOLOGIA
Relato sistemático sobre o tema qualidade de vida, incluindo pontos relacionados à
empregabilidade, postura, estima pessoal, perspectiva de novos horizontes ou possibilidades,
trabalho em grupo, valorização do espaço escolar e principalmente um canal para expressar a
subjetividade.
Utilizamos técnicas projetivas como desenhos de auto-retrato, dinâmicas sobre
identidade, valores, desejos e trabalho em grupo. Ainda, oportunizamos o diálogo, oficinas e
construções de trabalhos que ilustrassem o assunto qualidade de vida e vários outros,
conforme solicitação dos alunos do segundo ano do ensino médio.
Ainda oferecemos momento de construção, discussão sobre os temas abordados por
nós e estratégias de resolução, sugeridos pelos próprios alunos, pois dessa forma não
determinamos o caminho que cada um deve percorrido e sim auxiliamos na utilização e
conhecimento das ferramentas desconhecidas até então.
OBJETIVOS
O objetivo desse trabalho é o exercício da prática do estágio e paralelamente atuar em
uma comunidade vulnerável, bem como trabalhar o assunto proposto de forma clara,
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preventiva e propor intervenções que possam contribui com os sujeitos ali inseridos,
estimando uma compreensão sistêmica e principalmente o exercício do autoconhecimento.
RESULTADOS
Esperamos atuar de forma preventiva com esses alunos, bem como oportunizar
autoconhecimento, novas habilidades sociais, perspectiva de futuro mais consistente, visão
estratégica para resolução de conflitos, postura e promover reflexão sobre os aspectos de
qualidade de vida em geral.
Os resultados obtidos até o momento podem ser considerados satisfatórios, uma vez
que identificamos o interesse da turma na realização das atividades, maturidade no exercício
das técnicas, desejo de mudança, expectativa em relação às novas possibilidades criadas por
eles, postura diferenciada a partir das intervenções propostas, maturidade na compreensão dos
dados e principalmente uma perspectiva diferenciada em relação ao primeiro dia de
intervenção.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao realizar esse artigo obtivemos mais informações e compreensão sobre o assunto,
bem como tomamos consciência da importância de trabalhar esse tema dentro de uma
comunidade vulnerável que convive com a violência, drogas, prostituição, evasão escolar e
vários outros de cunho social.
Identifica-se a necessidade da psicologia ampliada como forma ativa e preventiva para
atuar em cenários como os da escola em questão e assim, promover novas perspectiva de vida
e ampliar a visão de futuro desses alunos.
Falar sobre qualidade de vida é algo muito subjetivo e envolve pelos menos cinco
características como: Bem - estar, Harmonia, equilíbrio nas relações familiares, laborais e na
comunidade e por esses motivos escolhemos o tema para assim, trabalhar todos os aspectos
mencionados a cima.
Com tudo trabalhar o assunto sobre qualidade de vida com os alunos da escola se faz
essencialmente necessário, pois através do trabalho, podemos revelar novas possibilidades de
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enfrentamento da realidade, visualização das potencialidades e aprimoramentos dos aspectos
que ainda podem ser melhorados.
Ressalta-se a necessidade de compreensão dessas problemáticas por parte do coletivo,
seja professores, familiares e até mesmo os próprios alunos para então caminhar em prol
novas possibilidades e ainda, ampliar as intervenções no decorrer do ano de 2011.
Deixamos como sugestão de um novo estudo os motivos que podem anteceder a
evasão escolar.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AMORIM, Tânia Nobre Gonçalves Ferreira. Vivendo e aprendendo, Recife: Editoria Universitária,
2003.
Definição Qualidade de Vida.
Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Qualidade_de_vida>
Acesso em 15 de junho, 2011.
FURASTÉ, Augusto. Normas Técnicas para o Trabalho Científico. Porto Alegre, ed. 11, 2002.
FLECK, M. P. A. [et al.]. A avaliação de qualidade de vida: guia para profissionais da saúde.
Porto Alegre: Artmed, 2008.
Qualidade de Vida e suas Perspectivas.
Disponível em: <http://www.ufrgs.br/psiq/whoqol1.html#1 >
Acesso em 15 de junho, 2011.
PINTO-NETO, Aarão Mendes; CONDE, Délio Marques. Qualidade de vida. Rev. Bras. Ginecol.
Obstet., Rio de Janeiro, v. 30, n. 11, Nov. 2008. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010072032008001100001&lng=en&nrm=iso>.
Acesso em: 16 de abril de 2011.
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