Avaliação do Impacto Económico da Utilização de
Repetidores Fixos numa Rede LTE
André Martins1,2
1
Instituto de Telecomunicações (IT)
Instituto Superior Técnico (IST)
Lisboa, Portugal
[email protected]
2
Resumo—As redes de nova geração possibilitam a utilização
de novas técnicas, às quais estão associados benefícios para
operadores e utilizadores. Uma das técnicas a ser considerada
será a técnica de Relaying. Para além de ganhos na capacidade
e cobertura da rede, a utilização de repetidores minimiza
consideravelmente os custos associados a este tipo de redes:
custos de instalação (Capital Expenditure (CapEx)) e custos de
operação e manutenção (Operating Expense (OpEx)). Neste artigo
é feita uma comparação, do ponto de vista económico, de um
cenário onde uma rede Long Term Evolution (LTE) é apenas
constituída por Nós B evoluídos (eNB), com outros cenários onde
são utilizados Repetidores Fixos (RF). O artigo tem como objetivo
concluir em que condições um eNB poderá ser substituído por
um conjunto de RF e quais os ganhos para o operador, numa
perspetiva económica, associados a esta alteração.
Index Terms—Comunicações Móveis, LTE, Repetidor Fixo,
CapEx, OpEx, TCO.
I. I NTRODUÇÃO
No passado recente, o tráfego de dados gerado em redes
móveis aumentou pelo quarto ano consecutivo, tendo sido 2.3
vezes superior em 2011 que o verificado em 2010 [1]. Este
aumento deve-se sobretudo ao maior número de smartphones
a operar que, apesar de representarem apenas 12% do total
dos dispositivos móveis, são responsáveis por 82% do tráfego
total gerado.
Estas alterações no volume e/ou tipo do tráfego de dados gerados em redes móveis, provocaram uma alteração
no paradigma deste tipo de redes. Cada vez mais, assistese à coexistência de redes de 2a Geração (2G), 3a Geração
(3G) e 4a Geração (4G). Com a instalação das redes LTE
de nova geração, tem-se verificado um aumento de tráfego,
devido ao aparecimento de novos serviços potencializadores
das características deste tipo de redes. Atualmente, apesar das
ligações 4G representarem apenas 0.2% do total das ligações
móveis, já são a fonte de 6% de todo o tráfego de dados gerado
nas redes móveis.
A introdução de redes 4G tem associada a si novas tecnologias e técnicas para melhorar o desempenho da rede, das
quais se destacam o Multiple-Input Multiple-Output (MIMO),
Cooperative MIMO (CO-MIMO) e a Agregação de Portadoras. Este artigo concentra a sua investigação na técnica de
Relaying, uma variante da técnica CO-MIMO.
O objetivo deste artigo é concluir em que condições um
eNB poderá ser substituído por um conjunto de RF sem que
António Rodrigues1,2 , Pedro Vieira1,3
3
Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL),
Área Departamental de Engenharia de Eletrónica e
Telecomunicações e de Computadores (ADEETC)
Lisboa, Portugal
[email protected], [email protected]
o desempenho da rede seja afetado. Posteriormente, será feita
uma análise económica de modo a quantificar a redução de
custos que um operador pode obter, caso opte pela instalação
de nós de repetição.
O artigo encontra-se organizado da seguinte forma: na
Secção II é feita uma introdução à técnica de Relaying,
seguindo-se a metodologia adotada na Secção III. A Secção
IV é composta pelos resultados e respetiva análise. Por último,
na Secção V, são apresentadas as conclusões.
II. R ELAYING
Segundo [2], os sistemas classificados de CO-MIMO
dividem-se em três categorias diferentes: Coordinated Multipoint Transmission (CoMP), Fixed-Relay e Mobile-Relay.
A técnica Fixed-Relay utiliza RF, que têm como função
receber informação proveniente de um eNB e reencaminhála para um User Equipment (UE), ou vice-versa. De salientar
que, o papel de bridge (ponte) entre o eNB e o UE poderá ser
desempenhado por uma cadeia de RF.
A utilização de RF é uma solução de baixo custo para os
operadores, quando comparados com os custos associados a
um eNB. Para além de possuírem custos de instalação (CapEx)
e de operação e manutenção (OpEx) bastante inferiores, a
instalação de repetidores não exige uma fase de planeamento
tão rigorosa como a que é necessária para a instalação de eNB.
Esta técnica é utilizada principalmente para criar hotspots,
aumentando consideravelmente a Quality of Service (QoS), e
também para aumentar a cobertura da célula. Uma das principais vantagens desta técnica é conseguir tirar partido do ganho
associado à multiplexagem espacial, pois o sinal poderá ser
proveniente do eNB ou do RF. A principal desvantagem desta
técnica está relacionada com o atraso introduzido pelos nós de
repetição, resultante dos processos de recepção, descodificação
e reencaminhamento da informação recebida.
III. M ETODOLOGIA A DOTADA
Esta secção apresenta a metodologia adotada no processo
de substituição de um eNB por um conjunto de RF.
O algoritmo de decisão para a escolha do planeamento mais
adequado segue os seguintes passos:
1) Substituição de um eNB por um conjunto de RF
A substituição de um eNB por um determinado número
de RF, é baseada nos resultados apresentados em [3], [4]
e [5]. A Tabela I mostra o número de RF a instalar, de
acordo com a sua potência de emissão, para se substituir
um eNB a operar com uma potência de emissão de
46 dBm, numa célula com uma Inter-Site Distance
(ISD) de 500 m. Para cada uma das configurações,
a Tabela apresenta também o valor da ISD, calculado
recorrendo ao algoritmo presente em [5]. O valor da ISD
é calculado tendo por base o número de RF utilizados e
sua potência de emissão. O valor de ISD máximo para os
cenários com RF é aquele que garante um desempenho
na fronteira da célula semelhante ao do cenário inicial,
i.e., a operar com eNB.
Tabela I
PARÂMETROS PARA SUBSTITUIÇÃO DE E NB POR RF [3].
Núm. de RF
29
12
9
Pot. Emissão do RF [dBm]
ISD [m]
24
33
38
750
1000
707
A título de exemplo, considerando um RF com uma
potência de emissão de 24 dBm, são necessários 29
RF para substituir um eNB, com a ISD a aumentar de
500 m para 750 m. De salientar que terá que existir um
Nó Central (NC) nas topologias com RF.
2) Cálculo do Total Cost of Ownership (TCO) do sistema
Uma vez que se procura o sistema mais vantajoso a
nível económico, o primeiro critério de decisão para a
escolha do sistema está relacionado com a métrica TCO.
Para calcular este valor, foi utilizado [3]:
T CO = 55%OpEx + 45%CapEx
(1)
Segundo [4], os custos associados à variável OpEx, i.e.,
os custos periódicos de operação e manutenção, podem
ser distribuídos da seguinte forma:
OpEx = 5%P + 10%O&M + 85%A
(2)
, onde P representa os gastos associados à potência
consumida pelos eNB/RF, O&M os custos inerentes ao
funcionamento e manutenção dos nós, e A os custos
derivados do aluguer da gama de frequências utilizada
e valores de arrendamento do local onde são instaladas
as infra-estruturas.
Por sua vez, o valor do CapEx (custos de periodicidade
única) é composto por:
CapEx = P &I + C + E
(3)
, onde a variável P &I representa os custos de planeamento e implementação da rede, C os custos para
aquisição do local para instalação das estações base, e a
variável E diz respeito às despesas com equipamento.
A Tabela II apresenta os custos considerados para o cálculo do OpEx. De salientar que os valores apresentados
são expressos em percentagem, traduzindo a comparação
entre o equipamento e o custo médio de um eNB.
Tabela II
C USTOS PARA OS VÁRIOS NÓS (OpEx) [3].
Nó
Pot. Emissão [dBm]
P [%]
O&M [%]
A [%]
NC
RF
RF
RF
46
38
33
24
100
1
1
1
100
16
13
9
125
6
6
6
A Tabela III assemelha-se à Tabela II, apresentando os
valores para o CapEx.
Tabela III
C USTOS PARA OS VÁRIOS NÓS (CapEx) [3].
Nó
Pot. Emissão [dBm]
CapEx [%]
NC
RF
RF
RF
46
38
33
24
100
3.8
3.2
1.8
IV. R ESULTADOS E A NÁLISE
Nesta seção, é criado um cenário composto por 4 eNB, o
qual será comparado com as três soluções apresentadas na
Secção III. A análise é composta por três fases. Inicialmente,
é feita uma comparação exclusivamente a nível económico
das quatro configurações. Posteriormente, recorrendo a uma
ferramenta de simulação adaptada para o efeito, procede-se
à análise do desempenho da rede para as várias topologias.
Por último, e porque as quatro configurações têm áreas de cobertura distintas, torna-se indispensável normalizar os custos,
tendo por base a área de cobertura, o TCO e os níveis de
débito, pois só assim é possível retirar conclusões credíveis.
O objetivo é passar de um cenário composto por 4 eNB, para
uma só célula com um NC e um conjunto de RF. Assim, os
4 eNB serão substituídos por um nó central e por 3 conjuntos
de RF, tendo sido testadas as três configurações possíveis: 29,
12, e 9 RF por cada eNB.
De salientar que os RF são distribuídos uniformemente ao
longo da fronteira da célula, uma vez que, de acordo com os
resultados obtidos anteriormente [6], a posição ideal para os
nós de repetição se situa próximo da fronteira da célula.
A Figura 1 apresenta o valor do CapEx para os quatro
cenários. De salientar que todos os resultados presentes nesta
secção se encontram normalizados ao custo da rede base, i.e.,
ao custo da rede a operar com 4 eNB.
Verifica-se que o valor inicialmente gasto pelo operador é
sempre menor se optar por utilizar RF, mesmo na solução
com maior número de equipamentos: 88 (NC e 3 conjuntos
de 29 RF). O valor de investimento inicial será tanto menor
quanto menor for o número de RF a instalar. Este resultado
é de extrema importância para um operador que esteja na sua
fase inicial, onde se pretende que o esforço financeiro seja
minimizado.
120,00%
100,00%
80,00%
60,00%
40,00%
120,00%
20,00%
100,00%
0,00%
80,00%
4 eNB
Nó central + 3*29
Nó central + 3*12
Nó central + 3*9
60,00%
40,00% 1.
Figura
Valores de CapEx para o cenário inicial e cenários com RF.
140,00%
20,00%
120,00%
0,00%
Nó central + 3*29 NC
Nó central
Na 100,00%
solução4 eNB
mais económica,
++ 3*12
3 × 9Nó central
RF, + o3*9valor do
CapEx 80,00%
é metade do valor do CapEx verificado para o OPEX
cenário
base, o60,00%
que representa uma poupança no investimentoCAPEX
inicial
140,00%
40,00%
bastante
considerável. Conclui-se que a poupança no valor do
120,00%
20,00%
CapEx
deverá situar-se entre os 35% e 50% comparativamente
100,00%
0,00% base.
ao cenário
4 eNB
Nó central + 3*29 Nó central + 3*12 Nó central + 3*9
80,00%
Observa-se que o CapEx não depende significativamente
do
OPEX
60,00%
CAPEX
número
de equipamentos, uma vez que instalar 4 eNB
é mais
40,00%
dispendioso
financeiramente que instalar 3 conjuntos de 29,
140,00%
12 ou20,00%
9 RF e ainda um NC. Esta diferença está relacionada
120,00%
0,00%
com a100,00%
disparidade
existente
nos custos de instalação de um
4 eNB
Nó central + 3*29 Nó central + 3*12 Nó central + 3*9
eNB e80,00%
de um RF. Para além de toda a cablagem e custo
de mão-de-obra
serem diferentes (muito superiores OPEX
no caso
60,00%
CAPEX
de um
eNB), o local onde as estações são instaladas têm
140,00%
40,00%
características
muito diferentes. Por um lado, os RF podem ser
120,00%
20,00%
instalados
100,00%
0,00% em postes de iluminação, sem grande necessidade
eNB
Nó central
29
12
9
de outros
80,00% equipamentos indispensáveis ao seu funcionamento.
OPEX
Já um
eNB, depende de um conjunto de equipamentos
em seu
60,00%
CAPEX
redor40,00%
para o seu devido funcionamento, sendo instalado, geralmente,
em telhados de prédios no caso de ambientes urbanos.
180,00%
20,00%
160,00%
A instalação
nestes locais obriga à celebração de contratos
0,00%
140,00% eNB
Nó central
12
9
caraterizados
por
valores
de 29
arrendamento
superiores.
O valor
120,00%
do OpEx
está representado na Figura 2.
100,00%
80,00%
60,00%
180,00%
40,00%
160,00%
20,00%
140,00%
0,00%
120,00%
100,00%
4 eNB
Nó central + 3*29
Nó central + 3*12
Nó central + 3*9
80,00%
60,00%
40,00%
20,00%
0,00%
4 eNB
Nó central + 3*29
Nó central + 3*12
equipamentos, uma vez que se trata de um custo de operação
e manutenção. Assim, caso o operador opte pela solução de
29 RF por eNB, por ter um custo inicial menor, terá que ter
em consideração que o valor de operação do seu sistema será
cerca de 60% mais dispendioso do que se optar por um sistema
tradicional composto apenas por eNB. Este resultado deverá
ser tomado em consideração, podendo mesmo ser determinante
na escolha da configuração a adotar. Isto porque, ao contrário
do CapEx que se trata de um custo único, o OpEx é um
valor de operação e manuntenção, o qual o operador terá
que considerar periodicamente. A Figura 3 analisa com maior
detalhe as várias componentes do OpEx.
160,00%
140,00%
120,00%
4 eNB
100,00%
80,00%
NC + 3*29
60,00%
NC + 3*12
40,00%
NC + 3*9
20,00%
0,00%
R
O&M
Figura 3.
P
Componentes do OpEx.
Fazendo uma análise aos custos inerentes aos contratos de
arrendamento para instalação dos equipamentos (A), verificase que são bastante superiores (quando comparados com os
custos do cenário inicial) na solução NC + 3 × 29 RF, devido
ao elevado número de equipamentos. Ambas as soluções de
12 e 9 RF apresentam custos inferiores aos verificados para o
cenário inicial: 13% e 25% menores, respetivamente.
Relativamente aos custos de operação e manutenção
(O&M ), qualquer umas das configurações com RF apresenta
um custo superior, pois trata-se de um custo altamente depen120,00%
dente do número de equipamentos. Assim, quanto maior for
100,00%
o número
de RF, maiores serão os encargos para o operador.
80,00%
Por
último, observa-se que o custo relacionado com a potência 60,00%
consumida (P ) pelos RF é reduzido, para qualquer uma
das 40,00%
configurações. Esta é uma das principais características
deste
tipo de equipamentos, uma vez que a sua potência de
20,00%
emissão é bastante inferior à das estações base convencionais.
0,00%
Por último, é4 eNB
analisado
o +valor
docentral
TCO
4 cenários,
na
Nó central
3*29
Nó
+ 3*12 dos
Nó central
+ 3*9
Figura 4.
Nó central + 3*9
140,00%
Figura 2.
Valores de OpEx para o cenário inicial e cenários com RF.
120,00%
100,00%
Através da Figura 2 conclui-se que as soluções de 9 e 12
RF por eNB têm custos de operação inferiores aos verificados
para o cenário base: 25% e 12% para o caso da primeira e
segunda configuração, respetivamente.
Por outro lado, verifica-se que a solução de 1 NC e 3
conjuntos de 29 RF, apresenta um custo de operação e manutenção 60% superior ao do cenário inicial. A justificação é o
valor do OpEx estar diretamente relacionado com o número de
80,00%
OPEX
60,00%
CAPEX
40,00%
20,00%
0,00%
4 eNB
Figura 4.
Nó central + 3*29 Nó central + 3*12 Nó central + 3*9
Valores de TCO para o cenário inicial e cenários com RF.
140,00%
120,00%
100,00%
80,00%
60,00%
40,00%
OPEX
CAPEX
(b)
50
30
0
[m]
[m]
40
−600
60
−400
50
−200
40
0
30
200
20
20
400
10
500
−500
0
[m]
10
600
500
−500
(c)
0
[m]
500
(d)
60
−500
50
0
30
[m]
40
20
500
−600
60
−400
50
−200
40
0
30
200
20
400
10
10
600
1000
−1000 −500
0
[m]
500
1000
Figura 5.
0
−500
0
[m]
500
SNIR distribution.
A Figura 6 ilustra o débito da célula para três situações
distintas: na fronteira da célula, o valor máximo e o valor
médio.
90
4 eNB
29 RF
12 RF
9 RF
80
70
60
50
40
PARÂMETROS DE SIMULAÇÃO .
30
Parâmetro
Valor
20
Largura de banda
Frequência
Modelo de Canal
Background Noise
Modo de transmissão
CQI
Altura dos telhados
Altura Nó central
Altura dos RF
Altura dos UE
Configuração dos esquemas MIMO
20 M Hz
2.6 GHz
WINNER II (B1 Los/NLoS [8])
−174 dBm/Hz
Transmit Diversity
[1:15]
15 m
25 m
15 m
1.5 m
4 × 2 (eNB-RF) e 2 × 2 (RF-UE)
10
O valor da Signal-to-Noise plus Interference (SNIR) na
célula para o cenário inicial, topologias NC + 3 × 29, 12
e 9 RF, está representado nas Figuras 5(a), 5(b), 5(c) e 5(d),
respetivamente.
Analisando a Figura 5(a), observa-se que o valor da SNIR
atinge o seu valor máximo no centro das células, onde estão
localizados os eNB. Por outro lado, na fronteira da célula, o
valor da SNIR é mínimo. Nos cenários com RF (ver Figuras
5(b), 5(c) e 5(d)) constata-se que na fronteira da célula o valor
da SNIR é superior ao presente entre a área que separa os
RF dos eNB. Comparando as Figuras 5(b) a 5(d), conclui-se
que o valor na fronteira da célula varia, devido às diferentes
potências de emissão utilizadas nas topologias.
0
−1000
[Mbps]
Tabela IV
(a)
−500
[m]
A primeira conclusão a retirar é que o TCO apresenta uma
maior dependência do OpEx do que do CapEx, em parte
explicado pelo modelo apresentado na Secção III. Observa-se
também que as soluções 12 e 9 RF por eNB, são vantajosas
em termos económicos para o operador, o que não acontece
com a solução composta por um nó central e 3 conjuntos de
29 RF. Este resultado suporta o que foi mencionado anteriormente: apesar da solução apresentar um custo inicial menor,
o número elevado de equipamentos pelo qual é composto
faz com que os custos de operação e manutenção aumentem
consideravelmente, tornando-a numa solução pouco atrativa.
Os resultados aqui apresentados comprovam a grande utilidade que os RF podem ter para diminuir os gastos dos
operadores. Neste cenário, o operador teria uma poupança
nos seus gastos totais de aproximadamente 30% e 35% caso
optasse pela solução de 12 ou 9 RF por eNB, respetivamente.
Uma vez concluída a avaliação económica de cada um
dos cenários, é feita uma avaliação ao desempenho da rede,
considerando as várias topologias de rede sugeridas. Para tal, é
utilizado o simulador Link Level Simulator [7]. Na sua versão
original, esta ferramenta apenas suporta ligações do tipo eNB–
UE, tendo, por isso, sido alvo de diversas alterações para
suportar a existência de RF na rede. Assim, foi desenvolvido
um módulo RF, o qual suporta funções de adaptação de Channel Quality Indicator (CQI), mecanismo Hybrid Automatic
Repeat Request (HARQ), bem como processos de recepção,
descodificação, codificação e envio da informação recebida
para o nó seguinte. Na Tabela IV estão presentes os parâmetros
de simulação utilizados.
Fronteira da célula
Figura 6.
Débito máximo
Débito médio
Débito da célula.
Através da Figura 6 verifica-se que as soluções que utilizam
RF têm um desempenho superior ao cenário inicial, em todos
os parâmetros avaliados.
Relativamente ao débito na fronteira da célula, observase que as três configurações com RF apresentam o mesmo
desempenho, sendo este consideravelmente superior ao verificado para o cenário base. Este resultado vai ao encontro com
literatura recente e a justificação para tal prende-se com a
instalação de RF neste local da célula, aumentando assim o
valor da SNIR consideravelmente.
Analisando o débito máximo possível de obter na célula,
constata-se que para os cenários onde são utilizados RF, o
débito máximo conseguido é superior ao do cenário inicial.
A explicação para tal facto deve-se aos resultados alcançados
com a ferramenta de simulação. Recorrendo ao simulador, o
débito da ligação RF–UE, onde é utilizado um esquema MIMO
2 × 2, é superior ao débito da ligação eNB–RF, caraterizada
por um esquema 4 × 2.
0
Outra das diferença entre os cenários está relacionada
com o débito médio da célula, onde as soluções com RF
conseguem alcançar resultados bastante superiores. De entre
as três soluções testadas, a solução de 9 RF por cada eNB
apresenta-se como sendo a mais vantajosa, caraterizada por
um débito médio de 67 M bps. As soluções de NC + 3 ×
12 e 29 RF apresentam um débito de 57 M bps e 55 M bps,
respetivamente. Já o cenário inicial, é aquele que tem um
débito médio mais baixo, estando o seu valor situado nos 51
M bps. A causa desta diferença entre as configurações com RF
está relacionada com a ISD. Na configuração 9 RF por eNB,
a ISD é igual a 700 m, enquanto que na solução de 12 RF
por eNB a ISD é de 1000 m. Como a ISD é menor, os RF e
o NC estão mais próximos, fazendo com que a distância que
separa um utilizador de um dos nós seja, em média, menor e,
por isso, o valor médio de SNIR superior, permitindo valores
de débito também superiores.
Dando por concluídas as duas primeiras fases da análise,
a etapa seguinte relaciona-se com a normalização dos resultados. O facto das várias topologias terem áreas de cobertura
diferentes, faz com que tenha que ser criada uma medida de
comparação, a qual tem em conta o valor do TCO, a área
de cobertura e o débito médio na célula. Assim, CN (custo
normalizado) é expresso em custos/M bps/m2 e dado por:
CN = T CO[%] ×
T hCI [M bps]
ACI [m2 ]
×
2
ARF [m ] T hRF [M bps]
(4)
, onde T CO é o valor do TCO (ver Figura 4), ACI a área
de cobertura do cenário inicial, ARS a área coberta pela
topologia com RF, e T HCI e T HRS representam o valor
médio do débito obtido para o cenário inicial e cenário com
RF, respetivamente.
Na Figura 7 está ilustrado o valor do CN para as quatro
configurações.
[Custos/Mbps/m2]
200
150
100
50
Figura 7.
V. C ONCLUSÕES
Neste artigo foram estudados os benefícios económicos que
o operador pode obter, caso opte pela utilização de RF numa
rede LTE de 4G. Para tal, foram comparados diversos cenários
com RF a desempenharem o papel que era anteriormente
cumprido pelos eNB. Para além de uma análise económica,
foi ainda estudado o desempenho das várias configurações
apresentadas.
As soluções mais vantajosas são as soluções de 12 e 9
RF por eNB. Apesar de ambas apresentarem um desempenho
consideravelmente superior ao do cenário inicial, a primeira
revela-se mais vantajosa em termos económicos. Caso o operador tenha como principal objetivo melhorar o desempenho da
rede, mantendo o mesmo orçamento, deverá optar pela solução
NC + 3 × 9.
Os resultados apresentados mostram que, para um cenário
constituído por 4 eNB, é possível melhorar o mesmo desempenho na fronteira da célula e aumentar o nível máximo e
médio de débito da célula, com a utilização de 3 conjuntos de
12 RF e 1 nó central. Para além disso, a esta alteração está
associada uma poupança na ordem dos 40% no custo total da
rede.
R EFERÊNCIAS
250
0
na fronteira da célula é superior aproximadamente 50 M bps e
o débito médio 14 M bps ao do cenário inicial. Contrariamente
às duas configurações anteriores, a topologia de NC + 3 ×
29 RF não deverá ser adotada. Apesar de ter um desempenho
melhor ao do cenário inicial, o seu TCO é 20% superior, sendo
a sua ISD apenas 200 m maior.
É possível concluir que o operador deverá optar pela solução
12 RF por eNB caso a sua prioridade seja minimizar os
custos da rede, conseguindo, ainda assim, melhorar consideravelmente o desempenho da rede. Caso o objetivo do operador
seja melhorar o desempenho e capacidade da rede mantendo
o mesmo orçamento, deverá optar pela solução NC + 3 × 9.
4 eNB
CN + 3*29 RF
CN + 3*12 RF
CN + 3*9 RF
Custo normalizado para os quatro cenários.
Através da Figura 7, conclui-se que a solução NC + 3 × 12
RF é a solução mais vantajosa. Com a adoção desta topologia,
é possível aumentar o débito médio e na fronteira da célula,
com uma poupança associada na ordem dos 40%. Por outro
lado, conclui-se que optando pela solução NC + 3 × 9 RF,
o operador consegue, com o mesmo orçamento, melhorar o
desempenho da rede consideravelmente, uma vez que o débito
[1] Cisco, “Cisco Visual Networking Index: Global Mobile Data Traffic
Forecast Update, 2011-2016,” Cisco, Tech. Rep., February 2012.
[2] C.-X. Wang, X. Hong, X. Ge, X. Cheng, G. Zhang, and J. Thompson,
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