0 1 UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS UNIDADE ACADÊMICA DE GRADUAÇÃO CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA Révisson Esteves da Silva CONTRIBUIÇÃO DA FORÇA E POTÊNCIA DOS MEMBROS INFERIORES NA PERFORMANCE DA MANOBRA “OLLIE” DO SKATE São Leopoldo 2006 2 Révisson Esteves da Silva CONTRIBUIÇÃO DA FORÇA E POTÊNCIA DOS MEMBROS INFERIORES NA PERFORMANCE DA MANOBRA “OLLIE” DO SKATE Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS – como requisito parcial para obtenção do título de licenciatura em Educação Física Orientadora: Profª. Drª. Cláudia Tarragô Candotti São Leopoldo 2006 3 Dedico este estudo: a todos os skatistas que de alguma forma fizeram parte da história do skate, e principalmente, aos aficionados e “rebeldes” que mantiveram com dignidade a sua prática nos momentos de crise, vencendo pré-conceitos e possibilitando que hoje esta maravilhosa prática esportiva seja uma das preferidas entre os jovens. 4 Agradecimentos Meus sinceros agradecimentos... ....a meus pais, Vilson Renato da Silva e Jussara Esteves da Silva, pelo constante incentivo e apoio; ...a minha irmã Carolina Esteves da Silva, por estar sempre ao meu lado; ...a minha namorada Fernanda Quadros da Silva, por todo carinho, ternura e compreensão; ...ao amigo Régis Lannig, por motivar e possibilitar meu envolvimento profissional com o skate; ...ao amigo Marcelo La Torre, pelas suas valiosas dicas durante todo o curso; ...a minha orientadora Cláudia Tarragô Candotti, por sua força, conhecimento e disposição, diante das minhas limitações; ...aos amigos Gustavo Delwing e Ricardo Teixeira, por motivar e auxiliar neste estudo; ...ao amigo e guru Lingue Wacker, por me ensinar a mágica prática do surfe; ...aos skatistas Guilherme Abe e Giulian da Silva, pela grande solidariedade prestada; ...a todos os skatistas que participaram deste estudo, por possibilitarem a pesquisa. 5 APRESENTAÇÃO Desde a infância, sempre tive atração por esportes radicais, como o surfe e o skate. Aos 7 anos, ganhei um skate dos meus pais, pois eu já não andava mais sentado no triciclo que tinha forma de aviãozinho, e sim em pé, realizando as maiores peraltices que podia fazer. Durante a adolescência tive contato com o surfe e diversas modalidades do skate, entre elas o street, downhill, mountainboard e o freestyle, de modo que meu gosto por esportes com prancha foi cada vez mais sendo fortalecido. Antes de entrar para o curso de Educação Física, sempre tive um maior gosto pelas ciências exatas, principalmente matemática e física. Sendo filho de engenheiro e trabalhando em um escritório de Engenharia, cursei três semestres de Engenharia Civil. Estes semestres e o gosto pelas exatas me foram muito úteis por facilitar o trabalho com cálculos e raciocínios lógicos quando, no final do curso de Educação Física, decidi estudar a Biomecânica do Movimento Humano. Durante o curso de Educação Física, cursei a cadeira de Jogos Alternativos, que entre os três esportes estudados estava o skate. Devido ao interesse e motivação despertada, curiosamente, foi a única cadeira que tirei a nota máxima durante todo o curso. Durante este semestre pude conhecer o colega Régis Lannig que era monitor da cadeira de Jogos Alternativos, e que mais adiante, iria me possibilitar trabalhar com o skate. Quando cursei a cadeira de Ginástica Postural, tive a oportunidade de conhecer a competência e seriedade da Prof.ª Cláudia Tarragô Candotti. Durante esta cadeira, realizei um trabalho de pesquisa sobre dores nas costas em praticantes de surfe, que apesar de trabalhoso foi muito motivante. Seguindo a orientação do amigo e colega Marcelo La Torre, me matriculei na cadeira de Biomecânica, que é uma cadeira optativa do Curso de Educação Física. Esta cadeira possibilitou que eu pudesse aproximar minhas experiências da engenharia com o curso de educação física, o que trouxe uma nova perspectiva para minha carreira. Como já era o sétimo semestre, tinha que iniciar o trabalho de conclusão e escolhi como orientadora a Prof.ª Cláudia, que era justamente a professora de Biomecânica. Ela me sugeriu uma pesquisa para trabalho de conclusão que buscava 6 calcular a força muscular através da eletromiografia, que concordei em realizar. Além disso, ela me convidou para participar do “Grupo de Estudo do Movimento Humano – Biomecânica” da Unisinos (GEMHB). Neste grupo, cada semana um colega apresentava um trabalho científico, expondo todas as metodologias, discussões e resultados de cada artigo. Isto muito enriqueceu minha experiência acadêmica, pois além de exercitar a leitura de textos em inglês, entrar em contato direto com o conhecimento científico, realizar apresentações orais para o grupo, e fazer amizades, vi a oportunidade de aprimorar e aplicar meus conhecimentos. Ainda no meio deste semestre me foi aberta a oportunidade de participar de um outro grupo de pesquisa, que tinha seus encontros no “Laboratório de Pesquisa do Exercício” da UFRGS (LAPEX), que com prazer passei a freqüentar. Também no início do sétimo semestre, o colega Régis Lannig possibilitou a realização de um estágio em sua Escola de Skate (ESB). Este estágio muito me motivou. Montei em conjunto com o Régis uma turma com os melhores skatistas e passamos a realizar um treinamento voltado para competição, com preparação física, técnica, e táctica. Um trabalho pioneiro que teve êxito. Percebi então que poderia aplicar os conhecimentos da biomecânica no skate, e que trabalhar com o skate seria algo de muita satisfação pessoal. Então, percebendo que minha dedicação poderia ser maior e que poderia ser mais producente, segui minha intuição, tomei coragem e decidi trocar o tema do trabalho para algo que me identificasse. Para iniciar uma nova pesquisa, minha dedicação teria de ser dobrada, que teria que deixar de participar do LAPEX e teria que convencer a Cláudia a orientar este novo trabalho. Fiquei muito grato e contente quando soube do apoio que ela daria ao estudo, mesmo não sendo a sua área específica de conhecimento. Durante o desenvolvimento do trabalho, que durou seis meses, trabalhamos com dedicação e espírito investigativo, resultando, no meu entender, em uma pesquisa de qualidade. Atualmente, pretendo apresentar esta pesquisa em congressos e eventos de iniciação científica e aprimorar meus conhecimentos em Biomecânica através do GEMHB e do LAPEX. Também aguardo a construção da nova pista da ESB para dar continuidade as atividades e desejo seguir meus estudos através de outras pesquisas que aproximem os conhecimentos da biomecânica e a prática do skate. 7 RESUMO SILVA, R. E. Contribuição da força e potência dos membros inferiores na performance da manobra Ollie do skate. Trabalho de conclusão. Curso de Educação Física. Universidade do Vale do Rio dos Sinos, 2006. O objetivo deste estudo foi verificar a relação entre a performance da manobra Ollie com a potência dos membros inferiores e a força dos extensores do joelho e quadril em atletas de categorias de base. Este estudo teve delineamento expostfacto, de corte transversal, sendo a amostra intencional, constituída por 10 indivíduos do sexo masculino praticantes de Street skate há no mínimo dois anos. Foram realizados quatro procedimentos de avaliação: (1) teste de contração voluntária máxima (CVIM), (2) teste de salto vertical com contra movimento (CMJ), (3) teste de salto vertical a partir de agachamento (SJ) e (4) teste de altura da manobra Ollie. O teste de CVIM foi realizado em três tentativas, para os extensores do quadril e extensores do joelho, em cada membro inferior, com intervalo de dois minutos entre cada tentativa. Para a aquisição dos sinais de força durante a CVIM, foi utilizada uma célula de carga de 1000 N. O teste CMJ consistiu na realização de um salto vertical, na máxima altura possível, partindo da posição ereta, podendo o atleta realizar um contra movimento, ou seja, uma flexão de joelhos. O SJ consistiu na realização de um salto vertical, na máxima altura possível, partindo da posição estática de agachamento, na qual os joelhos ficavam com 900 de flexão. O teste de altura do salto Ollier consistiu na realização de um salto sobre obstáculo, que permitia graduar as diferentes alturas atingidas. A potência foi predita a partir dos valores dos saltos CMJ e SJ, utilizando as equações de Jonhson & Bahamonde (1996) e Hartman et al (1991), respectivamente. O tratamento estatístico consistiu em um teste de Regressão Linear Simples, o qual tinha a intenção de predizer a probabilidade de participação das variáveis independentes força e potência na performance do salto Ollie. O nível de significância adotado foi 0,05. A avaliação da performance do salto Ollie demonstrou que, em media, os skatistas foram hábeis para saltar um obstáculo de 64,5±9,2 cm. Os resultados demonstram que 83,7% da variância do salto Ollie é explicada pela variável potência, calculada a partir do CMJ, e que 50,6% da variância do salto Ollie é explicada pela variável força dos extensores do joelho do membro dominante. Estes resultados sugerem que para skatistas experientes, na performance da manobra Ollie, as variáveis potência e força muscular parecem ser determinantes. Palavras-chave: skate, potência, força, Ollie 8 ABSTRACT SILVA, R.E. Contribution of the force and power of the inferior members in the performance of the Ollie trick of skate. Final Paper. Undergraduated Course in Physical Education. Universidade do Vale do Rio dos Sinos, 2006. The aim of this study was verify the relationship between the Ollie trick’s performance of the skateboard with muscular power of lower limbs and muscular force of knees and hips extensors in bases athletes. This study had delineated expostfacto; transversal slice; been a intentional subjects, constitute by 10 skateboarders males practitioners of street skate styleat least two years. Four evaluations procedures were carried through: maximal voluntary contraction test (CVIM) (2) vertical jump test (CMJ) from the hack squat position and the test of height of Ollie trick. The CVIM test were realized in three attempts for the hips extensors and knees extensors, in both lower limbs with intervals of two minutes between each attempt. For the signals force acquisitions during the CVIM was used cell load of 1000 N. The CMJ test had constituted in the realization of a bigger highest vertical jump, starting from the erect positions making possible the athlete to exert counter movement, that is, a knee flexion. The SJ test had constituted in the realization of a bigger highest vertical jump, starting from a squat static position, where the knees starting from a 90 o of flexion. The height of Ollie trick. had constituted in the realization of a bigger highest jump over the obstacle, that’s allowed to graduate the different heights. The power was predicted by the values of CMJ and SJ jumps tests, using Jonhson (1996) and Hartman’s (1991) equations respectively. The statistic treatment had constituted in a simple linear regression test, witch had a intention to predict a probability of participation of the independent variable force and power in the performance of the Ollie trick test. The significant level adopted was 0,05. The performance evaluation of Ollie trick test had demonstrated, in average, the skateboarders were capable to jump the barrier of 64,5±9,2 cm. The results had demonstrated 83,7% of variance in the Ollie trick test , explained for power variable, calculated from the CMJ, and 50,6 % of variance in the Ollie trick test is explained for by quadriceps femoral variable force of dominant member. These results suggest that to experienced skateboarders, the performance in the Ollie trick depends on the combination of muscular power and force of the lower limbs. Key-words: skateboard, power, force, Ollie. 9 LISTA DE FIGURAS Figura 1 Fases do Ollie (adaptada de FREDERICK et al, 2006).................. 21 Figura 2 Trajetória do centro de massa do corpo do skatista (adaptada de BRIDGMAN & COLLINS,1992)...................................................................... 22 Figura 3 Variáveis e componentes da força-potente (adaptado de Bürhle & Scmidtbleicher apud WEINECK, 2005)...................................................... 24 Figura 4 Relação entre força-velocidade de extensores das pernas de 20% a 100% da força máxima (adaptado de VERKHOSHANSKY, 1986 apud BADILLO & AYESTARÁN, 2001).......................................................... 30 Figura 5 Relação de força aplicada e velocidade de movimento contra pequenas e grandes resistências (ZATSIORSKY, 1999).............................. 31 Figura 6 Posicionamento do atleta para o teste de CVIM, para mensuração da força dos extensores do joelho. Em destaque, a célula de carga............................................................................................................. 40 Figura 7 Posicionamento do atleta para o teste de CVIM, para mensuração da força dos extensores do quadril. Em destaque, a célula de carga............................................................................................................. 41 Figura 8 Posicionamento do atleta para realizar uma marca de giz na parede, antes dos teste de SV....................................................................... 42 Figura 9 Posicionamento do atleta para realizar o teste SJ......................... 43 Figura 10 Atleta realizando o salto Ollie sobre o equipamento: (1) vara de madeira com as pontas chanfradas; (2) cano de pvc com pequenos furos distantes 5 cm entre si e (3) base de metal para apoio no solo..................... 45 Figura 11 % de contribuição das variáveis potência contra movimento (PCMJ), potência a partir do agachamento (PSJ), força dos extensores do joelho do membro dominante (ExJoe D) e força dos extensores do quadril do membro dominante (ExtQua D) e não-dominante (ExQua ND)................ 49 10 LISTA DE TABELAS Tabela 1 Média e desvio-padrão das características antropométricas dos indivíduos....................................................................................................... 38 Tabela 2 Média e desvio padrão dos valores de saltos (cm), força (kgf) e potência (W). Onde: D significa membro dominante e ND significa membro não dominante................................................................................................ 48 Tabela 3 Ordem de inclusão das variáveis independentes no modelo de regressão linear simples, onde o salto Ollie é a variável dependente........... 49 11 LISTA DE EQUAÇOES equação 1 Cálculo da potência a partir do salto CMJ ................................. 46 equação 2 Cálculo da potência a partir do salto SJ..................................... 46 12 LISTA DE ABREVEATURAS SV – Salto vertcial SJ – Squat Jump. Salto vertical apartir de agachamento CMJ – Counter Moviment Jump. Salto vertical com contra movimento PSJ – Potência calculada através do SJ PCMJ – Potência calculada através do CMJ ExQua – Força do grupo muscular responsável pela extensão do quadril ExJoe – Força do grupo muscular responsável pela extensão do joelho CVIM – Contração voluntária isométrica máxima D – Membro dominante no skate, pé da frente ND – Membro não dominante no skate, o pé de trás 13 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO............................................................................................ 2. REVISAO DE LITERATURA..................................................................... 2.1 O SKATE.................................................................................................. 2.1.1 O skate e suas origens....................................................................... 2.1.2 A modalidade Street Skate................................................................. 2.1.3 O Ollie................................................................................................... 2.2 FORÇA..................................................................................................... 2.3 SALTO VERTICAL................................................................................... 2.3.1 Predição de potência dos membros inferiores................................ 2.4 FORÇA E POTÊNCIA NA PERFORMANCE DO OLLIE......................... 3 SÍNTESE DA LITERATURA....................................................................... 4. OBJETIVOS............................................................................................... 4.1 OBJETIVO GERAL.................................................................................. 4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS.................................................................... 5. FORMULAÇÃO DO PROBLEMA............................................................. 5.1 HIPÓTESE............................................................................................... 5.2. DEFINIÇÃO OPERACIONAL DAS VARIÁVEIS..................................... 5.2.1 Variável dependente........................................................................... 5.2.2 Variável independente........................................................................ 5.2.3 Variável interveniente......................................................................... 6. METODOLOGIA........................................................................................ 6.1 TIPO DE ESTUDO................................................................................... 6.2 AMOSTRA................................................................................................ 6.3 PROCEDIMENTOS DE AQUISIÇÃO DE DADOS................................... 6.3.1 Teste de Contração Voluntária Isométrica Máxima (CVIM)............. 6.3.2 Teste de salto vertical contra movimento (CMJ).............................. 6.3.3 Teste de salto vertical a partir de agachamento (SJ)...................... 6.3.4 Protocolo de avaliação da performance da manobra Ollie............. 6.4 PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE DE DADOS........................................ 6.5 TRATAMENTO ESTATÍSTICO................................................................ 7 APRESENTAÇAO DOS RESULTADOS.................................................... 8. DISCUSSAO DOS RESULTADOS........................................................... 9 CONCLUSÃO............................................................................................. REFERÊNCIAS.............................................................................................. ANEXO A - Termo de Consentimento Informado.......................................... 14 16 16 18 19 20 23 25 26 29 33 35 35 35 36 36 36 36 36 37 38 38 38 39 39 41 42 44 45 47 48 50 54 55 62 14 1 INTRODUÇÃO Nos últimos anos a prática do skateboard, em português, skate, vem se solidificando (HONORATO, 2004; BASTOS & RECKZIEGEL, 2005; BITENCOURT & AMORIN, 2005), sugerindo que este esporte tende a tornar-se, cada vez mais, um esporte de alto rendimento. A maioria dos praticantes de skate, ou skatistas, pratica este esporte por lazer, nas ruas, o que aumenta a popularidade do esporte. Segundo a Confederação Brasileira de Skate (CBSK) existem cerca de dez mil atletas no Brasil que participam de campeonatos. Apesar deste aparente crescimento do skate, existe uma lacuna na literatura de estudos que visem aprimorar a performance dos skatistas. Embora o skate apresente várias modalidades, entre elas Street, Mountainboard, Downhill e Vertical, segundo a CBSK, a que tem maior popularidade entre os atletas é a modalidade Street. O Ollie é a manobra básica do skate, que consiste em um salto onde o skate e o atleta se elevam do solo e retornam em um movimento contínuo (BRIDGMAN & COLLINS, 1992). Esta manobra possibilita subir ou transpor um obstáculo, e a maioria das outras manobras são combinações do Ollie com giros do skate e ou do corpo do atleta (TESLER, 2000; MEIRA, CONCEIÇÃO & MARTINS 2003). Portanto, o movimento da manobra Ollie está envolvido em quase todas as manobras do skate, por isso a importância de se estudar e entender este movimento quando se quer aprimorar a performance dos atletas. O valor das investigações relacionadas aos esportes de maneira geral, começou a ser verdadeiramente apreciado nos anos 90 (BARBANTI, TRICOLI & UGRINOWITSCH, 2004), o que mostra o quanto é recente a influência de pesquisas científicas nos treinamentos de atletas. Porém, para o skate, esta aproximação entre ciência e prática esportiva é mais recente ainda, sendo que poucos skatistas treinam com suporte teórico. A performance de um movimento depende da técnica e da força muscular utilizada. No caso do Ollie, as variáveis para a performance são a potência muscular, a capacidade de utilização das estruturas elásticas, a coordenação de recrutamento muscular, os músculos recrutados, o posicionamento dos pés sobre os skate, os 15 ângulos articulares no momento da impulsão, o tamanho e a angulação do tail1, o peso total do skate e a altura do shape2 em relação ao solo. Porém, como cada uma destas variáveis contribui para a performance da manobra ainda é permanece uma incógnita. Possivelmente, a força muscular, a potência muscular e a capacidade de utilização das estruturas elásticas têm grande participação, mas não se sabe qual a proporção de dependência destas variáveis para a performance do Ollie (FROISLAND, MATSON & STUTZMAN, 2004). Muitas questões encontram-se sem respostas no que diz respeito ao aumento da performance da manobra Ollie, e apenas dois estudos foram encontrados a respeito dos fatores envolvidos em sua performance (TESLER, 2000; FROISLAND, MATSON & STUTZMAN, 2004). Assim sendo, a intenção deste estudo é fornecer subsídios teóricos-técnicos para os treinadores e atletas de skate, no que diz respeito à contribuição da força e da potência muscular dos membros inferiores para a performance do Ollie. 1 2 Parte posterior do skate, também denominada rabeta Prancha de madeira coberta por lixa, onde o skatista se apoia 16 2. REVISAO DE LITERATURA 2.1 O SKATE O skate é popularmente conhecido tanto como um equipamento quanto como uma prática esportiva. Do ponto de vista da pratica esportiva, também conhecida como “andar de skate”, o skatista utiliza prioritariamente os membros inferiores para execução de manobras em equilíbrio e movimento, apoiando o corpo sobre um equipamento formado por uma prancha de madeira (shape), dois eixos (trucks), rolamentos e quatro rodas (BITENCOURT & AMORIN, 2005; BASTOS & PETERSEN-WAGNER, 2005). Do ponto de vista do equipamento, o skate pode apresentar grandes variações quanto ao tipo de material, tamanho e formato, dependendo da modalidade. Atualmente existem diversas modalidades do skate, e a relação do ambiente em que é praticado dá origem a variação dos estilos (BITENCOURT & AMORIN, 2005). A CBSK define as nove modalidades do skate: (1) o "Street" que é praticado nas ruas ou em skateparks (pistas que simulam obstáculos urbanos); (2) o "Vertical" que é praticado em "half pipes" ou em "bowls" (rampas em forma de "U" ou de bacia, respectivamente, com inclinações de 90 graus e no mínimo 3 metros e meio de altura); (3) o "Banks" que é praticado em pequenos bowls (altura geralmente até 2 metros e meio e inclinações inferiores a 90 graus); (4) o "Mini-ramp" que é praticado em pequenos "half pipes" (altura geralmente até 2 metros e meio e inclinações inferiores a 90 graus); (5) o "Mountainboard" que é praticado em montanhas; (6) o "Slalon" que é consiste em desviar de cones; (7) o "Downhill" que é praticado ladeira abaixo em altas velocidades; (8) o "Freestyle" que é praticado em lugares planos e consiste em realizar manobras sem colocar os pés no chão; e (9) o "Longboard" em que o skatista pode praticar as modalidades de "Street", "Banks", "Mini-ramp", "Downhill-speed", "Downhill-slide" e o "Vertical". Hoje, o skate no Brasil está organizado com uma Confederação Brasileira de Skate (CBSK), 8 filiações de federações estaduais e 36 associações de skate espalhadas pelo país. No que se refere ao esporte de alto rendimento, a CBSK 17 aponta 1501 atletas amadores e 272 profissionais. No total, segundo a CBSK, são mais de 10 mil atletas que participam de campeonatos nas categorias de base (Feminino, Juvenil, Iniciante, Amador 2, Amador 1) e veteranos (Master, Grand Master e Legends). O reduzido investimento direto na forma de patrocínio na carreira de atletas infelizmente vem provocando uma evasão nacional e, conseqüentemente uma imigração para paises que valorizem este esporte, em busca de melhores condições de patrocínio e treinamento (BITENCOURT & AMORIN, 2005). Segundo o guia de pistas da Revista 100%, especializada em skate, editado em 2003, existem 721 pistas de skate no Brasil, em mais de 291 municípios, distribuídos em 25 estados, porém menos de 1% com condições de receber campeonatos profissionais (BITENCOURT & AMORIN, 2005). Contudo, o Brasil é considerado hoje a segunda maior potência mundial do skate por possuir o maior número de títulos internacionais acumulados, atrás somente dos EUA (BITENCOURT & AMORIN, 2005). Segundo a CBSK, o Brasil constitui o terceiro mercado consumidor de artigos para skate do mundo e é o único país, afora os EUA, que fabrica peças, vestuários e calçados para esta modalidade; que exporta seus produtos para outros países (BASTOS & RECKZIEGEL, 2005); e que é auto-suficiente em peças para o skate. Não foram encontradas pesquisas que expressem o crescimento econômico do mercado skatista nos últimos anos, porém para a CBSK, a cada ano o skate está mais solidificado e penetrado em todas as regiões do país. O skate é um meio de desenvolvimento sócio econômico para o país e constitui-se em um grande avanço nas ações mercadológicas, de modo que estima-se o faturamento do mercado nacional na ordem de 200 milhões por ano (BITENCOURT & AMORIN, 2005). Bastos e Reckziegel (2005) afirmam que a criação, a manutenção e a expansão de empresas ligadas ao universo skate possibilita a afirmativa de que não se trata apenas de mais uma onda de crescimento passageiro do skate. Bitencourt e Amorin (2005, pág. 420) apresenta uma comparação do skate no Brasil e nos EUA, que hoje é a maior potência do skate mundial: Emissoras de TV que transmitem eventos e programas de skate – BRA (Globo, Sportv, ESPN Brasil) x EUA (ESNP, Fox Sport Net e NBC); praticantes BRA (2,7 milhões em 2003) x EUA (11,6 milhões); movimentação do mercado BRA (US$ 36 milhões) x EUA (US$ 125 milhões). 18 Outro indício da universalização do skate apresentado por Bastos e Reckziegel (2005) é a apropriação que a sociedade faz do estilo dos skatistas se vestirem: as calças masculinas capri e a sobreposição de uma camisa manga curta sobre uma camisa manga longa. O skate desperta grande motivação nas crianças em aulas de Educação Física (CARBINATTO & FREITAS, 2005) e possui um universo ainda inexplorado pelos profissionais da área, necessitando de mais estudos, mais aprofundamentos e mais pesquisas que possam dar conta de toda a sua totalidade (BASTOS, ANJOS & VASCONCELLOS, 2005). Em um estudo recente, Améstica et al (2006) concluiu que o skate deve receber atenção de entidades sociais, e as instituições educativas deveriam se adequar a esta nova realidade juvenil. Atualmente o skate firma-se como uma das práticas mais populares do Brasil. Apresenta contribuição significativa a socialização embora seja uma prática individual, e tem como característica própria a inserção em grupos socialmente organizados. O skate hoje é considerado um dos principais esportes radicais e de aventura do Brasil, e uma pesquisa realizada em 2003 pela prefeitura de São Paulo, na rede pública de ensino, revela o skate como esporte preferido entre os jovens (BITENCOURT & AMORIN, 2005). Não obstante, poucos estudos sobre a prática do skate tem sido conduzidos no meio acadêmico. Portanto, existe a necessidade de que sejam realizados estudos que contribuam para o desenvolvimento deste esporte e de seus praticantes (LAURO et al, 1999; BASTOS & RECKZIEGEL, 2005; BASTOS, ANJOS & VASCONCELLOS, 2005; CARBINATTO & FREITAS, 2005; AMÉSTICA et al, 2006). 2.1.1 O skate e suas origens De acordo com a CBSK, o skate surgiu para o mundo em meados dos anos 60, nos Estados Unidos da América, quando surfistas californianos estavam cansados de ficar esperando por boas ondas para surfar e colocaram rodinhas de patins em uma madeira que imitava uma prancha. 19 No inicio a pratica do skate era chamada de sidewalk surfing, e rapidamente se espalhou por todo os EUA. Em 1965 o sidewalk surfing chegou ao Brasil, e já praticado por um grande número de adolescentes no mundo, criou identidade se desligando do surfe com suas próprias manobras, e assim ganhou seu nome definitivo, Skateboard (CBSK). Nos EUA, a opção por este nome se deu para se diferenciar de patins, pois no inglês significa “skate”. Já no Brasil, o termo foi “abrasileirado”, sendo reduzido de Skateboard para skate. Em 1974 o skate teve sua primeira grande evolução, quando o engenheiro químico Frank Nashworthy descobriu uma composição chamada uretano, um material que deu origem às verdadeiras rodas de skate que garantiam uma grande aderência às superfícies inclinadas. Essa invenção deu ao skate um enorme impulso para que ele definitivamente se consolidasse como um esporte popular (CBSK). Com esta nova descoberta, os skatistas tinham agora a possibilidade de andar em superfícies com grandes inclinações, o que deu origem a modalidade "Vertical". Além disso, ao aproveitar a arquitetura urbana como obstáculos naturais os skatistas impulsionaram o surgimento da modalidade "Street". Assim, graças a paixão dos seus praticantes mais fiéis, o skate venceu diversas crises que o cercavam, compostas por preconceitos e medos da periculosidade de sua prática, e chega a atualidade pontuando uma história com representatividade mundial (BITENCOURT & AMORIN, 2005). 2.1.2 A modalidade Street Skate. O Street é a modalidade com a maior quantidade de adeptos no mundo, e no Brasil, cerca de 95% dos praticantes pertencem a esta modalidade. Existem no mais de 250 competidores profissionais brasileiros nesta modalidade e quase 10 mil competidores nas categorias de base (CBSK). O Street consiste em praticar o skate em obstáculos que podem ser encontrados nas cidades como monumentos, bancos, corrimões, muretas, escadas, rampas na entrada de garagem, palcos, buracos, desníveis no chão, barrancos e superfícies inclinadas. Também pode ser praticado em skateparks onde existem 20 obstáculos que simulam a arquitetura urbana de um modo adaptado ao skate. (CBSK) Uma série de exercícios sobre o skate consiste em intervalos curtos de alguns segundos até 2 minutos, porém cada sessão de treinamento pode levar mais de 2 horas. (LAURO et al, 2000). As manobras no street apresentam uma grande variedade (REED, 2002). A maioria delas envolvem um salto, ou são o próprio salto. As manobras podem conter giros do skate e ou do corpo do atleta. Podem ser realizadas para subir, descer, transpor um obstáculo, ou iniciar uma manobra de slide (MEIRA, CONCEIÇÃO & MARTINS 2003). As manobras de slide envolvem o deslizar do shape ou dos trucks em qualquer superfície que se possa encaixar estas partes do skate, como um corrimão, uma trave, um banco, ou uma guia de calçada (MEIRA, CONCEIÇÃO & MARTINS 2003). O skate é considerado um esporte de alta intensidade que envolve os sistemas de energia aeróbica e anaeróbica (MESTEK, 2001; HUNT, MARTIN & HETZLER, 2003), contudo, a prática do skate é uma atividade física predominantemente anaeróbica (LAURO et al, 2000). 2.1.3 O Ollie O Ollie foi inventado na Flórida no final de 1970 por Alan Ollie Gelfand (REED, 2002). Transformou-se na manobra mais útil e básica que um skatista precisa saber e é considerado o fundamento em que a maioria das outras manobras é baseada (TESLER, 2000; MEIRA, CONCEIÇÃO & MARTINS 2003). De uma maneira simplificada, o Ollie é uma técnica de salto que permite que o skatista transpasse obstáculos e ou suba neles. Muitas pessoas supõem que o shape está unido de algum modo aos pés do skatista, porém isto não é verdade. (TESLER, 2000). Para realização do Ollie é necessário muita habilidade e sincronismo (BRIDGMAN & COLLINS, 1992). Na Figura 1 ilustra-se detalhadamente as fases da manobra Ollie. 21 Figura 1 Fases do Ollie (adaptada de FREDERICK et al, 2006). Observando a Figura 1, nota-se que o skatista se prepara colocando seu pé dianteiro no meio do shape e seu pé traseiro no tail (A). Ao se aproximar do objeto a ser saltado, realiza um agachamento e posteriormente inicia uma aceleração ascendente, estendendo o tronco e os joelhos, e elevando os braços (B-C). Então, empurra o tail para baixo com o pé de trás fazendo com que o skate gire sobre o eixo traseiro elevando o nose3 (C-D). No momento que o tail bate contra o chão aplicando uma força contra o solo, recebe em resposta uma força no sentido contrário, fazendo com que o skate se eleve do chão iniciando a fase de vôo (D). Ao mesmo tempo, o corpo do skatista que já estava em fase ascendente, se eleva do solo em sincronia com o skate, que tem sua trajetória controlada pelo pé dianteiro (E). Na fase final, o skatista amortece a queda flexionando o tronco e as pernas, garantindo uma aterrizagem controlada e segura (F-G). (TESLER, 2000; FREDERICK et al, 2006). Bridgman & Collins (1992) analisaram o Ollie em diversas situações: parado, em movimento e em rampas. Concluíram que o movimento do corpo é similar para as diversas situações, ou seja, o centro de massa do corpo do skatista segue uma trajetória parabólica lisa, apesar de que cada segmento do corpo siga uma trajetória complexa. Os braços se elevam com o objetivo de elevar a altura do salto e o centro de massa das pernas se elevam 55% mais do que o centro de massa total, a fim de transpor o obstáculo (Figura 2). 3 Parte anterior do shape 22 Figura 2 Trajetória do centro de massa do corpo do skatista (adaptada de BRIDGMAN & COLLINS,1992). Segundo Tesler (2000), a altura de todos os saltos do skate é resultado da aceleração ascendente realizada no início do salto (Figura 1, fases B e C). O autor afirma que quanto maior esta aceleração, mais elevados serão os saltos. Sendo assim, um atleta que aprimorar sua performance no Ollie através do aumento da capacidade de aceleração ascendente, estará realizando também um incremento na altura máxima de todas as outras manobras de salto. 23 2.2 FORÇA A força é mecanicamente definida como algo que pode causar o início de um movimento, parar, tornar mais rápido, mais lento ou mudar sua direção (McGINNIS, 2002). No ser humano, a força pode ser entendida como a capacidade de superar resistências externas através de esforços musculares (VERKHOSHANSKI, 2001). Entretanto, na literatura são apresentadas diversas formas de classificação e definição de força devido a suas diferentes formas de aplicação e manifestação (ZAKHAROV, 1992; ZATSIORSKY, 1999; VERKHOSHANSKI, 2001; FLECK & KRAEMER, 2002; PLANOTOV, 2004; WEINECK, 2005;). Segundo Weineck (2005) a força pode ser classificada mais precisamente de acordo com o modo de observação, levando em consideração vários aspectos como: parcela da musculatura envolvida, especificidade da modalidade esportiva, tipo de trabalho muscular, principais formas de exigência motora e relação do peso corporal. Quanto ao aspecto da parcela da musculatura envolvida, a força pode ainda ser classificada em força geral e local; sob o aspecto da especificidade da modalidade esportiva, força geral e especial; sob o aspecto do tipo de trabalho muscular, força dinâmica e estática; sob o aspecto das principais formas de exigência motora, força máxima, força rápida (força-potente) e resistência de força; e sob o aspecto da relação do peso corporal, força absoluta e relativa. Já Platonov (2004) apresenta outra classificação da força no corpo humano, destacando os seguintes tipos de força: força máxima, força-potente e forçaresistente. Para o autor, no contexto da performance esportiva, a força-potente desempenha um papel de grande importância, sendo denominada também como força-rápida ou força-velocidade. Segundo Verkhoshanski, (2001) a força-potente é a capacidade que assegura a velocidade dos movimentos dos atletas, sendo portanto, de grande importância na realização de gestos esportivos em diferentes modalidades. Assim, a força potente pode ser entendida como a capacidade do sistema neuromuscular mobilizar o potencial funcional com a finalidade de alcançar altos níveis de força no menor tempo possível (PLATONOV, 2004). Ainda entende-se por força-potente a capacidade do sistema neuromuscular de dominar resistências com 24 velocidade de contração o mais alta possível (Harre 1976, 124; Frey 1977, 343 apud WEINECK, 2005). A potência mecânica pode ser entendida como a aplicação de uma força por unidade de tempo [P(W) = F (N) x v(m/s)]. O pico de potência pode ser entendido como a potência mecânica máxima gerada em um determinado movimento, que no corpo humano é resultado da força potente do grupo muscular envolvido (STONE et al, 2003). A Figura 3 apresenta as variáveis e componentes que apresentam relação com a força-potente (potência), sendo elas: a força de partida, força explosiva, a força máxima e a capacidade de realização dinâmica . Figura 3 Variáveis e componentes da força-potente (adaptado de Bürhle & Scmidtbleicher apud WEINECK, 2005). A força explosiva é uma outra maneira de se denominar a força-potente quando aplicada contra altas resistências. Compreende-se como a capacidade de se realizar um aumento de força o mais alto possível, contra altas resistências. (WEINECK, 2005; PLATONOV, 2004). A força de partida, uma subcategoria da força explosiva, corresponde a capacidade de se realizar um aumento de força o mais alto possível no início da tensão muscular, ou seja, é determinada pela capacidade de se mobilizar o maior número de unidades motoras no início da contração, alcançando-se uma alta força 25 inicial (PLATONOV, 2004; WEINECK, 2005). A força-potente quando aplicada a baixa ou média resistência pode ser denominada força de partida (PLATONOV, 2004), porém alguns autores (VERKHOSHANSKI, 2001) denominam a força de partida como força de velocidade. A força isométrica máxima pode ser entendida como a tensão que um músculo ou grupo muscular pode exercer arbitrariamente, numa determinada posição, contra uma resistência fixada. Um aumento da força-potente esta sempre ligado a uma melhora da força isométrica máxima, e estas duas forças apresentam estreitas relações (Hollmann & Hettinger, 1980 apud WEINECK, 2005). A força relativa pode ser entendida como a razão entre a força absoluta de um atleta e seu peso corporal (BOMPA, 2002), onde a força absoluta é o valor máximo de força que o atleta pode desenvolver num determinado movimento. Quando um indivíduo deseja mobilizar o seu corpo no espaço, a força relativa assume enorme importância (MOREIRA,1987). Devido ao grande número de termos encontrados na literatura para designar a força potente, neste estudo, optou-se por utilizar o termo potência, conforme definido no item 5.2.2. 2.3 SALTO VERTICAL As técnicas de saltos verticais, amplamente utilizados em estudos, são o "Squat Jump" (SJ) , que consiste em um salto em que o executante parte de uma posição de meio agachamento (90º), e uma segunda técnica de salto é o "Counter Moviment Jump" (CMJ), que corresponde a um salto com contra movimento composto de uma fase excêntrica e uma concêntrica com a utilização do ciclo alongamento e encurtamento (CAE). O CAE é um mecanismo fisiológico que tem a função de aumentar a velocidade em movimentos que utilizam ações musculares excêntricas, seguidas imediatamente por ações musculares concêntricas. O CAE contribui significativamente para o aumento da produção de potência, força e velocidade (ZATSIORSKY, 1999). Kreighbaum e Barthels (1990), citaram que a capacidade de geração de força pode aumentar até 20% com a utilização do CAE. Em relação a diferença de altura obtida nas duas diferentes técnicas de salto 26 vertical, SJ e o CMJ, diversos autores tem apresentado diferentes resultados que variam entre 5% e 20% (apud UGRINOWITSCH & BARBANTI, 1998). As ações musculares durante o salto vertical ocorrem no sentido proximal distal, significando que a articulação do quadril é utilizada inicialmente, seguida da articulação do joelho e logo após o tornozelo (BOBBERT & VAN SOEST, 1994). Em relação a contribuição dos músculos envolvidos no salto vertical, Hubley e Well (s/d apud CARVALHO et al, 2005) mostraram que a contribuição da ativação dos extensores do quadril contribuem com 50% no trabalho envolvido na impulsão vertical. Já Fukashiro e Komi (1987) relatam uma maior contribuição dos extensores do quadril para o CMJ, seguida dos extensores do joelho e dos flexores plantares do tornozelo. Bobbert et al (1986) concluíram que durante a fase de impulsão do corpo a contribuição das articulações do quadril, joelho e tornozelo foram de 38, 32 e 30% respectivamente. Contudo, Selbie e Caldwell (1996) afirmam que alturas similares no alto vertical podem ser obtidas usando várias tipos de posturas corporais iniciais, não existindo um posicionamento exato para uma melhor performance, porem o padrão do torque em cada articulação varia consideravelmente. 2.3.1 Predição de potência dos membros inferiores A potência mecânica realizada pela musculatura é considerada um elemento essencial para o sucesso de performances atléticas. Os testes de salto verticais (SV) são freqüentemente utilizados para estimar a potência da musculatura extensora dos membros inferiores. Através de uma plataforma de força é possível informar com precisão os valores de potência no SV, e o pico de potência registrado pode informar o valor da altura do SV. Porém, devido ao seu alto custo e a dificuldade da utilização de uma plataforma de força fora de laboratórios, varias equações têm sido propostas na literatura para predizer este pico de potência muscular dos membros inferiores através do registro do peso corporal do atleta e da altura do SJ ou do CMJ (HARMAN et al, 1991; JOHNSON & BAHAMONDE, 1996; SAYERS et al, 1999; CANVAN & VESCOVI, 2004; LARA et al; 2006). Hertogh & Hue (2002) compararam os valores da potência de salto medida em uma plataforma de força com os valores preditos pelas equações propostas por 27 Harman et al (1991) e Sayers et al (1999). A amostra era composta por um grupo de jogadores de elite do voleibol e outro grupo de sedentários. Os autores concluíram que para sedentários as duas equações não apresentaram diferenças em predizer a potência, mas para os atletas de elite ambas equações subestimaram significativamente os valores. Por fim, o estudo demonstrou a existência de dificuldade em se escolher uma equação mais precisa para calcular a potência do salto para duas diferentes populações. Sendo assim, alguns cuidados devem ser tomados quando se deseja predizer a potência através de uma equação, ou seja, a equação deve ser especifica para a população e o tipo de salto. A precisão das equações em predizer a potência depende do nível de atividade física da população estudada. Dependendo da performance do salto, cada equação será mais ou menos indicada para predizer a potência. Assim, uma equação específica para cada população, com diferentes performances de salto, possibilitaria o acesso a potência mais precisamente (LARA et al 2004; LARA et al, 2006). Harman et al (1991) determinaram uma equação para predizer o pico de potência estudando uma amostra composta por 17 indivíduos fisicamente ativos e utilizando o SJ. Seus resultados indicaram que sua equação pode ser utilizada para predizer a potência em atletas. Johnson & Bahamonde (1996) avaliaram homens e mulheres atletas universitários de sete diferentes esportes e utilizaram na sua equação de predição além da altura do CMJ, a estatura do indivíduo, o que representa um diferencial em relação às outras equações propostas. Seus resultados sugerem que sua equação pode ser utilizada para predizer a potência em atletas universitários. Sayers et al (1999) ao propor uma equação de potência, avaliaram uma amostra composta por um grupo extremamente heterogêneo de homens e mulheres atletas e não atletas, totalizando de 108 indivíduos. Neste estudo, os autores determinaram duas equações, uma para cada técnica de salto. Considerando que diferentes técnicas e coordenação para o SV são esperadas entre gêneros e entre atletas e não atletas, a equação proposta por Sayers (1999) apresentou uma precisão menor (HARMAN et al, 1991; FATOUROS et al, 2000; HERTOGH & HUE, 2002). Apesar disto, quando a equação foi utilizada em uma equipe de futebol feminino (n=13), nível médio, os resultados da potência predita pela equação de 28 Sayers (1999) foram semelhantes ao mensurados pela plataforma de força (LARA et al, 2005). Canavan & Vescovi (2004), ao avaliarem mulheres universitárias praticantes de basquetebol, determinaram sua equação utilizando o CMJ. Quando utilizaram os valores obtidos nos CMJ nas equações propostas por Sayers et al (1999) e Harman et al (1991), que utilizam o SJ, encontraram diferenças significativas entre os resultados de potência calculados por estas equações com as propostas pelos autores. Os autores concluem, então, que futuras pesquisas poderiam estabelecer critérios que pudessem distinguir entre uma válida e uma não válida técnica de SJ e põem em dúvida os critérios utilizados por Sayers et al (1999) e Harman et al (1991). Lara et al (2006) determinaram a equação de predição com uma amostra composta por mulheres jogadoras de voleibol de nível universitário e o CMJ. Independente da equação utilizada, parece existir uma boa relação entre elas, as quais têm demonstrado capacidade de avaliar a potência, apesar de subestimar ou superestimar os valores quando utilizadas para grupos não específicos (LARA et al, 2004; CANAVAN & VESCOVI, 2004). No quadro 1 são apresentadas as equações de predição de potência (W) propostas pelos diferentes estudos. Quadro 1 Equações de predição apresentadas na literatura autores Harman et al, 1991 Johnson & Bahamon, 1996 Sayers et al, 1999 Canvan & Vescovi, 2004 Lara et al; 2006 equações P = (61,9 ⋅ SJ (cm )) + (36 ⋅ massacorporal (kg )) − 1822 P = (78,5 ⋅ CMJ (cm)) + (60,6 ⋅ massacorporal (kg )) − (15,3 ⋅ estatura(cm)) − 1308 P = (60,7 ⋅ SJ (cm )) + (45,3 ⋅ massacorporal (kg )) − 2055 P = (51,9 ⋅ CMJ (cm )) + (48,9 ⋅ massacorporal (kg )) − 2007 P = (65,1 ⋅ CMJ (cm )) + (25,8 ⋅ massacorporal (kg )) − 1413,1 P = (62,5 ⋅ CMJ (cm )) + (50,3 ⋅ massacorporal (kg )) − 2184,7 29 2.4 FORÇA E POTÊNCIA E SUAS INFLUÊNCIAS NA PERFORMANCE DO OLLIE A melhora da força constitui-se em um fator importante em todas as modalidades esportivas, sendo em alguns casos um fator determinante e tendo um papel decisivo na boa execução da técnica (VERKHOSHANSKI, 2001; PANCORBO SANDOVAL, 2005). No skate, o Ollie é um gesto esportivo determinado pela aceleração ascendente do corpo do atleta, como apresentado na seção 1.4 deste estudo. Em um salto (SV), esta aceleração ascendente é influenciada por fatores como: taxa de aplicação da força, magnitude da força (força), posição corporal e direção de aplicação da força (ZATSIORSKY, 1999). Contudo, o grau de desenvolvimento da força vem sendo apontado como o fator mais importante, pois influencia fortemente a velocidade vertical no momento da decolagem (BOBBERT et al, 1986; VAN INGEN SCHENAU, BOBBERT & HAAN, 1997a,b). A aceleração ascendente do corpo humano depende da força-potente, que pode ser entendida como a aplicação funcional da velocidade e da força. A performance de um salto está diretamente relacionada com o desenvolvimento da massa muscular, da velocidade de contração e da coordenação específica do movimento (BARBANTI, 1989). A velocidade de execução está estreitamente relacionada com a força máxima de um indivíduo (WEINECK, 2005). Na figura 4 pode-se observar que a velocidade dos movimentos decresce à medida que a magnitude da força aumenta. Isto ocorre porque só é possível aplicar grandes forças contra grandes resistências. Experimentos realizados em músculos isolados revelaram a curva de forçavelocidade deste músculo, e que esta pode ser comparada com as curvas de torquevelocidade registradas em movimentos naturais do ser humano com uma precisão aceitável (ZATSIORSKY, 1999). 30 Figura 4 Relação entre força-velocidade de extensores das pernas de 20% a 100% da força máxima (adaptado de CRUZ, 2003). Observando a Figura 4, nota-se que a força máxima é alcançada quando a velocidade é pequena, e inversamente a velocidade é máxima quando a força é pequena. A potência mecânica (força-potente) é máxima quando as magnitudes da força e da velocidade são ótimas, cerca da metade da força máxima e cerca de um terço dos níveis máximos da velocidade na extensão intermediária da curva forçavelocidade (ponto vermelho na figura 4) (ZATSIORSKY, 1999). Quando maior a resistência externa, maior a relação entre força isométrica máxima e velocidade de execução (figura 5a). Porém, contra baixas resistências esta relação não ocorre (figura 5b). Considerando que o peso corporal proporciona uma alta resistência, a relação de força isométrica máxima e velocidade de movimento aumenta (ZATSIORSKY, 1999). quando se deseja mobilizar o corpo verticalmente 31 (a) (b) Figura 5 Relação de força máxima e velocidade de movimento de flexão do ombro com o braço extendido, contra grandes (a) e pequenas (b) resistências (ZATSIORSKY, 1999). Em movimentos tais como a impulsão, a força atingida é cerca de 50% da máxima. A razão disto é a duração muito curta para a fase de desenvolvimento da força. O atleta não tem tempo para realização da força máxima (ZATSIORSKY, 1999). Isto justifica o motivo de que quanto maior a potência, maior a velocidade para o salto vertical, o que não ocorre em movimento onde a resistência é pequena e a força aplicada é inferior a 50% da máxima. Um indivíduo deve possuir uma força de membros inferiores (medida com uma repetição máxima no “leg press”) de aproximadamente duas vezes e meia o seu peso corporal para que apresente uma boa possibilidade de mover-se e manter seu corpo em movimento em altas velocidades (DINTIMAN, WARD & TELLEZ, 1999). Porém, quando o indivíduo apresenta uma força acima deste valor, não apresentará uma melhora no salto vertical devido a limitação que existe na mobilização de grandes forças em pequenos intervalos de tempo (ZATSIORSKY, 1999). Em movimentos como o salto em distância e o salto em altura, os tempos para aplicação da força são aproximadamente em torno de 0,11 e 0,18 segundos, respectivamente. A velocidade para aplicação da força máxima isometricamente é em média cerca de 0,4 segundos. Contudo, a metade da força máxima é alcançada em 0,12 segundos. Isto demonstra como no início do desenvolvimento da força ela é produzida mais rapidamente (ZATSIORSKY, 1999). Contudo, a força máxima representa o principal componente da potência, e além desta, a força explosiva e a força de partida desempenham um importante 32 papel para o grau de expressão da potência (figura 3) (Bürhle & Scmidtbleicher apud WEINECK, 2005). Em resistências menores, domina a força de partida, e com um aumento da resistência e, portanto, com uma utilização mais prolongada da força, domina a força máxima. (Letzelter 1978 apud WEINECK, 2005). As ações de salto verticais que são realizadas dentro da prática esportiva, como o skate, requerem um rendimento muito próximo ao máximo, de modo que um aumento de cinco centímetros na elevação do salto vertical poderia provocar grandes alterações nos resultados das competições e na performance dos atletas (UGRINOWITSCH & BARBANTI, 1998). Ganhos na força muscular têm reportado incrementos no salto vertical de atletas (MARQUES & GONZÁLEZ-BADILLO, 2005; MALISOUX et al ,2006). Porém, alguns autores não reportaram incremento algum no salto vertical com o ganho de força e concluem que possivelmente a velocidade padrão de recrutamento das unidades ativas também precisaria ser treinada. Parece haver um consenso de que o ideal para produzir maiores incrementos na capacidade de salto é a aplicação correta dos dois tipos de trabalho: pesos livres e pliometria (BAUER et al, 1990; ADAMS et al, 1992, BRANDÃO et al, 2003, BOBBERT & VAN SOEST, 1994, CARVALHO et al, 2005, FATOUROS et al, 2000). O ganho de força e da potência muscular pode resultar em uma melhora no rendimento esportivo, desde que sejam aplicadas corretamente: no momento certo, na direção certa e na velocidade necessária. Melhorar a velocidade tem sido uma preocupação de diversos atletas de várias modalidades esportivas, inclusive dos skatistas, de modo que o mundo do esporte está ciente de que com o treinamento apropriado os atletas podem melhorar dramaticamente a velocidade de seus gestos esportivos. A melhora desta velocidade depende de uma abordagem completa de condicionamento, com o treinamento de força, treinamento pliométrico e o aperfeiçoamento das técnicas (DINTIMAN, WARD & TELLEZ, 1999). 33 3 SÍNTESE DA LITERATURA O skate é uma prática esportiva com grande aceitação entre os jovens e existe a necessidade de que sejam realizados estudos que contribuam para o desenvolvimento deste esporte e de seus praticantes. O Ollie pode ser entendido como a manobra mais útil e básica que um skatista precisa saber e é considerado o fundamento em que a maioria das outras manobras é baseada. É uma técnica de salto que permite que o skatista transpasse obstáculos e ou suba neles, e sua performance, a altura, depende da capacidade de aceleração ascendente do corpo do atleta na fase inicial da manobra, o que remete a importância da força para a obtenção desta perfomance (LAURO et al, 1999; TESLER, 2000; MEIRA, REED, 2002; CONCEIÇÃO & MARTINS 2003; BASTOS & RECKZIEGEL, 2005; BITENCOURT & AMORIN, 2005; BASTOS, ANJOS & VASCONCELLOS, 2005; CARBINATTO & FREITAS, 2005; AMÉSTICA et al, 2006). No ser humano, a força pode ser entendida como a capacidade de superar resistências externas através de esforços musculares. Entretanto, para uma definição mais precisa, ela recebe diversas outras classificações de acordo com suas diferentes formas de aplicação e manifestação. A força potente pode ser entendida como a capacidade do sistema neuromuscular mobilizar o potencial funcional com a finalidade de alcançar altos níveis de força no menor tempo possível, e quanto maior a força potente de um indivíduo nos membros inferiores maior será a altura do seu salto vertical (ZAKHAROV, 1992; ZATSIORSKY, 1999; VERKHOSHANSKI, 2001; FLECK & KRAEMER, 2002; PLANOTOV, 2004; WEINECK, 2005). Quando um indivíduo deseja mobilizar o seu corpo no espaço, a força máxima e a força potente estão estritamente relacionadas. Quanto maior for a força máxima de um indivíduo, maior será sua força potente. Porém existe um platô para esta relação: a força máxima ideal para um indivíduo mobilizar o seu corpo em altas velocidades pode ser considerada uma força de membros inferiores capaz de levantar duas vezes e meia o seu peso corporal no aparelho “leg press” (ZATSIORSKY, 1999; DINTIMAN, WARD & TELLEZ, 1999; WEINECK, 2005; BADILLO & AYESTARÁN, 2001). 34 O ganho de força máxima e da potência muscular pode resultar em uma melhora no rendimento esportivo, desde que sejam aplicadas corretamente: no momento certo, na direção certa e na velocidade necessária. O pico de potência realizado pelos membros inferiores durante um salto vertical pode estimar a altura que o corpo irá subir. De acordo com a terceira Lei de Newton, Acão e Reação, quanto maior a força aplicada para baixo, maior será a força aplicada para cima. Portanto, quanto maior o pico de potência, maior a potência dos membros inferiores e maior a velocidade de aceleração ascendente do corpo (HARMAN et al, 1991; JOHNSON & BAHAMONDE, 1996; SAYERS et al, 1999; DINTIMAN, WARD & TELLEZ, 1999; CANVAN & VESCOVI, 2004; LARA et al; 2006). Nos esportes, inclusive no skate, a velocidade dos movimentos é a responsável pela boa performance dos atletas. Por isso, melhorar a velocidade tem sido uma preocupação de diversos atletas de várias modalidades esportivas. A melhora desta velocidade depende de uma abordagem completa de condicionamento, com o treinamento de força, treinamento pliométrico e o aperfeiçoamento das técnicas. A altura de um salto vertical está diretamente relacionada com a velocidade com que o corpo é lançado para cima, e para os esportes que envolvem o salto vertical, um incremento de 5% pode significar grandes alterações nas performances (BAUER et al, 1990; ADAMS et al, 1992, UGRINOWITSCH & BARBANTI, 1998; FATOUROS et al, 2000; BRANDÃO et al, 2003, BOBBERT & VAN SOEST, 1994, MARQUES & GONZÁLEZ-BADILLO, 2005; CARVALHO et al, 2005; MALISOUX et al, 2006). O valor das investigações relacionadas aos esportes de maneira geral, só começou a ser verdadeiramente apreciado nos anos 90 (BARBANTI, TRICOLI & UGRINOWITSCH, 2004), o que mostra o quanto é recente a influência de pesquisas científicas nos treinamentos de atletas. Porém, para o skate, esta aproximação entre conhecimento científico e treinamento esportivo é mais recente ainda, sendo que poucos skatistas treinam com suporte teórico. Muitas questões encontram-se sem respostas no que diz respeito ao aumento da performance da manobra Ollie, e apenas dois estudos foram encontrados a respeito dos fatores envolvidos em sua performance (TESLER, 2000; FROISLAND, MATSON & STUTZMAN, 2004). Assim sendo, a intenção deste estudo é fornecer subsídios teórico-técnico para os treinadores e atletas de skate, no que diz respeito à contribuição das forças dos membros inferiores para a performance do Ollie. 35 4. OBJETIVOS 4.1 OBJETIVO GERAL Verificar a relação entre a performance da manobra Ollie do skate com a potência muscular dos membros inferiores e força muscular dos extensores do joelho e quadril em atletas de categorias de base. 4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS -Buscar referencial da cinesiologia do movimento da manobra Ollie do skate; -Realizar o teste de CVIM nos músculos extensores do joelho e quadril; -Realizar o teste de impulsão vertical, CMJ e SJ; -Mensurar a altura atingida durante a manobra Ollie; -Correlacionar as variáveis condicionais, potência e força, com a performance da manobra Ollie. 36 5. FORMULAÇÃO DO PROBLEMA Qual a proporção de dependência das variáveis força e potência muscular dos membros inferiores para a performance da manobra Ollie? 5.1 HIPÓTESE A performance da manobra Ollie do Skate depende da combinação da potência e força musculares do membro inferior. 5.2. DEFINIÇÃO OPERACIONAL DAS VARIÁVEIS: 5.2.1 Variável dependente: Performance: Altura atingida pelo skatista durante a manobra Ollie. 5.2.2 Variável independente: -Potência: Representa a força potente de um indivíduo, obtida pelo produto da força pela velocidade. É medida através de uma relação da altura atingida durante o teste de impulsão vertical com o peso corporal do atleta e a estatura, fornecendo um valor de potência máxima produzida, o pico de potência. -Força: capacidade de superação da resistência externa e de contra-ação a esta resistência, por meio dos esforços musculares (ZAKHAROV, 1991), medida através de testes de CVIM. 37 5.2.3 Variável interveniente: -Técnica desportiva: estrutura racional de um ato motor para atingir um objetivo terminado e, neste estudo, não será mensurada. -Condição do material: é a qualidade dos materiais (skate e tênis) utilizados pelo atleta e, neste estudo, não será avaliada. -Vivência no desporto: é o tempo total em que o atleta pratica o desporto, desde o seu primeiro contato, considerando a freqüência e a intensidade dos treinos, e, neste estudo, será de no mínimo dois anos. -Condição física: é determinada pelo genótipo e pela pratica esportiva do indivíduo, e, neste estudo, não será mensurada. 38 6. METODOLOGIA 6.1 TIPO DE ESTUDO Este estudo teve delineamento expostfacto, de corte transversal, do tipo descritivo, visando verificar a relação entre a performance da manobra Ollie do skate com a potência e força muscular dos membros inferiores. 6.2 AMOSTRA A amostra desta pesquisa foi intencional, constituída por 10 indivíduos do sexo masculino praticantes de Street skate há no mínimo dois anos e que participam de campeonatos de Street skate nas categoria Iniciante, Amador II e Amador I. A Tabela 1 apresenta as características antropométricas dos indivíduos. Os indivíduos foram informados dos procedimentos da pesquisa e assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), antes da realização da avaliação (Anexo 1). Os indivíduos foram informados que poderiam deixar de participar da pesquisa em qualquer momento, se assim o desejassem. Tabela 1 Média e desvio-padrão das características antropométricas dos indivíduos. Idade (anos) 18,10 ± 3,70 Massa corporal (kg) 62,70 ± 9,50 Estatura (cm) 172,20 ± 10,60 39 6.3 PROCEDIMENTOS DE AQUISIÇÃO DE DADOS Os procedimentos para aquisição dos dados foram realizados no Laboratório de Biomecânica da UNISINOS e em áreas publicas, próximo a suas residências. Todos os indivíduos foram avaliados uma única vez. Foram realizados quatro procedimentos de avaliação: (1) teste de contração voluntária máxima, (2) teste de salto vertical com contra movimento, (3) teste de salto vertical a partir de agachamento e (4) teste de altura da manobra Ollie. 6.3.1 Teste de Contração Voluntária Isométrica Máxima (CVIM) O teste de CVIM foi realizado três vezes para os extensores do joelho e extensores do quadril, em cada membro inferior, com intervalo de dois minutos entre cada tentativa. O membro inferior direito foi sempre o primeiro a ser avaliado. Para a mensuração da força dos músculos extensores de joelho os indivíduos foram posicionados sentados em um banco, com as costas apoiadas, estando as coxas presas ao banco por tiras de velcro, em um ângulo de 900 de flexão de joelho. Os tornozelos foram presos, isoladamente, a uma cinta de couro que por sua vez estava acoplada a uma célula de carga. A célula de carga estava fixada em uma estrutura metálica, de modo a ficar perpendicular ao tornozelo e impedindo qualquer movimento de extensão do joelho (Figura 6). Foi solicitado que o individuo tentasse realizar o movimento de extensão do joelho com a máxima força possível. 40 Figura 6 Posicionamento do atleta para o teste de CVIM, para mensuração da força dos extensores do joelho. Em destaque, a célula de carga. Para a mensuração da força dos extensores do quadril os indivíduos foram posicionados em decúbito ventral sobre um banco, estando o tronco preso ao banco por tiras de velcro na região da coluna lombar, com a articulação coxo-femoral e joelhos flexionados (Figura 7). As coxas estavam presas a uma cinta de couro que por sua vez estava acoplada a uma célula de carga. A célula de carga estava fixada em uma estrutura metálica, de modo a ficar perpendicular a coxa, impedindo qualquer movimento de extensão do quadril. Foi solicitado que o individuo tentasse realizar o movimento de extensão do quadril com a máxima força possível. 41 Figura 7 Posicionamento do atleta para o teste de CVIM, para mensuração da força dos extensores do quadril. Em destaque, a célula de carga. Para a aquisição dos sinais de força durante a CVIM, foi utilizada uma célula de carga de 1000 N (EMG System do Brasil Ltda, São José dos Campos), conectada a um computador Pentium 200 MHz com 64 Mb Ram, dotado de um conversor A/D (EMG System do Brasil Ltda, São José dos Campos). A aquisição dos sinais foi realizada com o software AqDados (Lynx Tecnologia Eletrônica Ltda, São Paulo). A taxa de amostragem foi de 500 Hz. 6.3.2 Teste de salto vertical com contra movimento (CMJ) Inicialmente foi colocado pó de giz nos dedos dos indivíduos e solicitado que se posicionassem ao lado de uma parede, de modo que ao estenderem seus membros superiores a 1800, realizassem uma marca de giz na parede, evidenciando a máxima altura atingida por eles na postura ereta (Figura 8). Após foi solicitado que os indivíduos realizassem um salto vertical partindo da posição ereta, podendo realizar um contra movimento, ou seja, uma flexão de 42 joelhos. Foi solicitado que saltassem o máximo possível. Foi permitido que houvesse movimentação dos membros superiores durante o salto. Os indivíduos deveriam tocar a parede, deixando-a com a marca de giz no momento mais alto do salto. Foram realizadas três tentativas para obtenção de máximas alturas. Antes da realização do teste, os indivíduos foram familiarizados com o protocolo, realizando três tentativas sub-máximas. Figura 8 Posicionamento do atleta para realizar uma marca de giz na parede, antes dos teste de SV. 6.3.3 Teste de salto vertical a partir de agachamento (SJ) Foi solicitado que os indivíduos realizassem um salto vertical partindo da posição estática de agachamento, na qual os joelhos ficassem com 900 de flexão 43 (Figura 9). Foi solicitado que saltassem o máximo possível e que não realizassem qualquer movimento contra-lateral, ou seja, nenhuma flexão de joelhos. Foi permitido que houvesse movimentação dos membros superiores durante o salto. Os indivíduos deveriam tocar a parede, deixando-a com a marca de giz no momento mais alto do salto. Foram realizadas três tentativas para obtenção de máximas alturas. Antes da realização do teste, os indivíduos foram familiarizados com o protocolo, realizando três tentativas sub-máximas. Figura 9 Posicionamento do atleta para realizar o teste SJ 44 6.3.4 Protocolo de avaliação da performance da manobra Ollie Para mensurar a altura obtida durante o salto Ollie foi construído um instrumento, representando um obstáculo a ser saltado, que possibilitava graduar diferentes alturas (Figura 10). Primeiramente o indivíduo deveria estimar a altura máxima que julgava ser capaz de saltar. Para familiarização com o teste o indivíduo realizou um aquecimento no aparelho, que consistia em uma série de 3 saltos a 50% da altura máxima predita pelo skatista. Para o inicio do teste, a altura do equipamento foi regulada de 10 a 20 cm abaixo da máxima altura predita. Foi solicitado que os indivíduos realizassem um salto sobre o instrumento (Figura 10). Para cada salto com êxito a altura do equipamento era novamente regulada, sendo aumentada em 5 cm. Quatro tentativas foram permitidas em cada altura. Quando o individuo não conseguisse realizar o salto em quatro tentativas consecutivas, o teste era interrompido e a última altura com êxito registrada. O indivíduo poderia tomar a distância e a velocidade para o salto que julgasse necessárias e fazia um intervalo de 2 minutos a cada 3 saltos. Este teste foi previamente validado, em um estudo piloto, com procedimento de teste e re-teste, com intervalo de sete dias entre eles, tendo apresentado uma forte e significativa correlação entre os dois dias de avaliação (r=0,96; p=0,000). Estes resultados indicaram a fidedignidade do protocolo de avaliação da performance da manobra Ollie. 45 Figura 10 Atleta realizando o salto Ollie sobre o equipamento: (1) vara de madeira com as pontas chanfradas; (2) cano de pvc com pequenos furos distantes 5 cm entre si e (3) base de metal para apoio no solo. 6.4 PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE DE DADOS O processamento dos sinais de força obtidos no teste de CVIM foi realizado utilizando-se um sistema de aquisição de dados AqDados 7.02 (Lynx Tecnologia Eletrônica Ltda, São Paulo). Foram registrados os maiores valores de força obtidos em cada uma das três tentativas do teste de CVIM e realizada uma média das três tentativas. Tanto no teste de salto vertical contra movimento quanto no salto vertical a partir de agachamento foi considerado o maior valor obtido nas três tentativas para 46 cada teste. No Protocolo de avaliação da manobra Ollie foi registrado o Maximo valor obtido, independente do número de tentativas. Os valores obtidos nos testes de salto vertical foram utilizados para predizer a potência dos membros inferiores. Quando utilizado o valor do teste contra movimento utilizou-se a equação (1) de predição de Jonhson & Bahamonde (1996). P = (78,5 ⋅ CMJ (cm)) + (60,6 ⋅ massa(kg )) − (15,3 ⋅ estatura(cm)) − 1308 (equação 1) onde: P = potência dos membros inferiores (W) CMJ = altura obtida no salto vertical contra movimento (cm) massa = massa corporal do avaliado (kg) estatura = estatura do avaliado (cm) Quando o utilizado valor do teste a partir do agachamento, utilizou-se a equação (2) de predição de Hartman et al (1991). Os dados de força e potência e altura do salto Ollie foram tabelados e submetidos a tratamento estatístico. P = (61,9 ⋅ SJ (cm)) + (36 ⋅ massa(kg )) − 1822 (equação 2) onde: P = potência dos membros inferiores (W) SJ = altura obtida no salto vertical a partir de agachamento (cm) massa = massa corporal do avaliado (cm) 47 6.5 TRATAMENTO ESTATÍSTICO Os dados foram analisados no software SPSS 10.0. Inicialmente a normalidade e a variância dos dados foram verificadas e confirmadas, utilizando os testes de Shapiro-Wilk e Levene, respectivamente. As variáveis independentes força e potência foram submetidas a um teste de Regressão Linear Simples com a intenção de predizer a probabilidade de participação de cada uma destas variáveis na performance do salto Ollie. O nível de significância adotado foi 0,05. 48 7 APRESENTAÇAO DOS RESULTADOS A avaliação da performance do salto Ollie demonstrou que, em media, os skatistas foram hábeis para saltar um obstáculo de 64,5±9,2 cm. A Tabela 2 apresenta os valores de média e desvio-padrão dos skatistas obtidos nas avaliações dos saltos verticais, com contra movimento (CMJ) e a partir de agachamento (SJ), e das contrações voluntárias isométricas máximas, tanto dos extensores do joelho quanto dos extensores do quadril. Pode-se observar que não houve diferença para os valores de força entre o membro dominante e não-dominante e que a potência dos membros inferiores foi maior quando calculada utilizando os resultados do salto vertical contra movimento. Tabela 2 Média e desvio padrão dos valores de saltos (cm), força (kgf) e potência (W). Onde: D significa membro dominante eND significa membro não dominante. CMJ SJ SALTOS 46,7 ± 8,3 ExtJoe D 37,8 ± 8,4 ExQua D ExtJoe ND ExQua ND FORÇA 43,2 ± 9,9 79,2 ± 26,3 44,2 ± 13,8 80,6 ± 27,1 POTÊNCIA PCMJ 3519 ± 1057 PSJ 2776 ± 798 Os resultados do teste de regressão simples estão na Tabela 3, que apresenta as variáveis independentes de acordo com o critério de significância, ou seja, o quanto cada variável contribuiu para explicar o sucesso da variável dependente, no caso, o salto Ollie. Pode-se observar que a força dos músculos extensores do joelho no membro não-dominante não foi significativa para explicar a performance do Ollie. 49 Tabela 3 Ordem de inclusão das variáveis independentes no modelo de regressão linear simples, onde o salto Ollie é a variável dependente. Sig. Variável independente R2 PCMJ PSJ ExJoe D ExQua D ExQua ND ExJoe ND 0,837 0,716 0,506 0,488 0,423 0,358 0,000* 0,002* 0,021* 0,025* 0,042* 0,068 *p<0,05: critério de inclusão A Figura 11 ilustra a ordem da inclusão das variáveis independentes no modelo de regressão linear simples que visa explicar a contribuição das variáveis na performance do salto Ollie. Em suma, os resultados demonstram que 83,7% da variância do salto Ollie é explicada pela variável PCMJ e que 50,6% da variância do salto Ollie é explicada pela variável força dos extensores do joelho do membro dominante. Estes resultados sugerem que a performance da manobra Ollie do Skate depende da combinação da potência e força musculares do membro inferior, de modo que a hipótese previamente formulada é aceita. % de contribuiçao das variaveis independentes no Ollie 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 PCMJ PSJ ExJoe D ExQua D ExQua ND Figura 11 % de contribuição das variáveis potência contra movimento (PCMJ), potência a partir do agachamento (PSJ), força dos extensores do joelho do membro dominante (ExJoe D) e força dos extensores do quadril do membro dominante (ExtQua D) e não-dominante (ExQua ND). 50 8. DISCUSSAO DOS RESULTADOS Este estudo foi conduzido com o propósito de verificar a relação entre a performance da manobra Ollie do skate com a potência dos membros inferiores e da força muscular dos extensores do joelho e quadril em atletas de categorias de base. Em suma, os resultados demonstram que 83,7% da variância do salto Ollie é explicada pela PCMJ e que 50,6% da variância do salto Ollie é explicada pela variável força dos extensores do joelho do membro dominante. Estes resultados sugerem que a performance da manobra Ollie do skate depende da combinação da potência e força musculares do membro inferior, de modo que aceita-se hipótese experimental deste estudo. Baseado nas afirmativas de que a altura do Ollie é depende da aceleração ascendente do corpo do atleta e que é resultado de uma capacidade de geração de força e a habilidade para sua aplicação (FROISLAND, MATSON & STUTZMAN, 2004; TESLER, 2000) uma boa relação entre a performance do Ollie e a potência de atletas experientes já era esperada. Considerando que a utilização do ciclo alongamento encurtamento ocorre tanto no CMJ quanto no Ollie, já era esperado uma maior relação entre a PCMJ do que a PSJ para performance do Ollie. Porém, o valor de 71,6% da PSJ demonstra que a capacidade contrátil e a capacidade dos mecanismos nervosos de recrutamento e sincronização dos músculos também são bem relacionadas com a performance do Ollie. A diferença entre a relação da PCMJ e a PSJ é de 12,1%, indicando que uma melhora na capacidade de utilização das estruturas elásticas pode representar significativos incrementos na performance do Ollie. A velocidade com que um corpo é lançado para cima resulta na altura do salto e esta velocidade depende da força isométrica máxima. A correlação entre a força isométrica máxima e altura do Ollie não foi mais forte, provavelmente, porque a velocidade com que o corpo é lançado para cima depende, também, da força de partida, da força explosiva, de outros grupos musculares e possivelmente somente de fibras do tipo IIB, ao contrário do que ocorre na força isométrica máxima (WEINECK, 2005; PANCORBO SANDOVAL, 2005; PLATONOV, 2004). Porém, os valores encontram-se dentro do esperado, uma vez que Hubley e Well (s/d apud CARVALHO et al, 2005) encontraram que os extensores do joelho 51 contribui com 50% para a performance do SV e o presente estudo encontrou o valor de 50,6% de correlação para este mesmo grupo muscular na manobra Ollie. Os valores dos extensores do joelho e extensores do quadril da perna não dominante apresentaram baixa correlação com a altura do Ollie, sendo que os extensores do joelho não foi significativo. Isto remete a crença de que existe um desequilíbrio do corpo do atleta para frente no momento da impulsão, e ou que a força que o atleta aplica contra o skate é maior na perna dominante. Esta especulação faz sentido, uma vez que se a força aplicada contra o skate fosse gerada pela perna não dominante, a perna de trás, o skate poderia girar sobre o eixo traseiro. Assim sendo, quando se deseja entender qual dos membros tem maior contribuição para a performance do Ollie, pode-se sugerir que é o membro dominante, ou seja, a perna que fica na frente, embora, no presente estudo, não tenham ocorrido diferenças significativas para a força e potência entre os membros. Observando os resultados também pode-se sugerir que na média, os extensores do quadril apresentam maior contribuição para a performance do Ollie do que os extensores do joelho, pois os extensores do joelho, da perna não dominante, apresentaram uma relação não significativa com o Ollie. Estes resultados parecem estar de acordo com Bobbert et al (1986) que concluem em seus estudos uma contribuição de 38% dos extensores do quadril e 32% dos extensores do joelho para o SV, e com Fukashiro & Komi (1987) que afirmam que os extensores do quadril parecem ser os maiores responsáveis pela diferença entre o CMJ e o SJ. Também, em um estudo recente, Nagaro et al (2005), demonstraram através de uma simulação tridimensional do CMJ que os músculos mono articulares apresentam maior potência e trabalho do que os bi-articulares, e que os músculos glúteo máximo, vastos, grastocnêmios, sóleos, e outros flexores plantares representam os atuantes primários no CMJ, o que também traz sentido aos valores de correlação significativas encontrada no presente estudo. Porém, durante as coletas realizadas nesta pesquisa, no teste de extensão do quadril, o ângulo de flexão do joelho não foi constante e nem exatamente o mesmo para todos os indivíduos, fazendo com que a contribuição dos ísquios tibiais para a extensão do quadril fosse levemente diferente entre os indivíduos avaliados. Isto possivelmente subestimou a relação de força dos extensores do quadril com a performance do Ollie e representa uma limitação metodológica deste estudo. 52 Neste estudo, durante os testes de SV o balanceio dos braços foi permitido, superestimando os valores de potência preditos pelas equações que foram determinadas por valores de saltos que não permitiam a movimentação dos braços. O balanço dos braços pode aumentar a altura do salto de 6 a 10% ou mais (LUHTANEN & KOMI, 1979; SHETTY & ETNYRE, 1989; HARMAN et al, 1990). No entanto, o efeito disto sobre a performance do Ollie não ficou claro, ou seja, pode ter tanto superestimado ou subestimado a relação entre potência e altura do Ollie. Pode ter prejudicado a correlação, uma vez que a contribuição da movimentação dos braços para a altura do SV ocorre de forma diferente para cada indivíduo. Por outro lado, pode ter melhorado a correlação, pois no movimento do Ollie também ocorre uma movimentação dos braços. Considerando que a amostra deste estudo é composta por atletas masculinos amadores de diferentes estaturas e idades, se optou por utilizar a equação de Harman et al (1991) para o SJ, pois foi a única opção encontrada para este tipo de salto com uma amostra mais semelhante com aquela do referido estudo, ou seja, indivíduos do sexo masculino e fisicamente ativos. Para o CMJ se optou pela equação de Johnson e Bahamonde (1996), pois foi determinada por uma amostra com 30 indivíduos praticantes de esportes, sendo a única equação encontrada que considera as estaturas dos indivíduos, e se revelou a mais eficaz em predizer a potência de atletas juniores de alta performance do voleibol (TOMPOS, 2003). Porém, os valores de potência preditos através do PSJ são duvidosos, pois o movimento de uma técnica válida de SJ é de difícil controle, e a maneira de controlar e validar um SJ reportada por Harman et al (1991) perece ser pouco precisa (CANAVAN & VESCOVI, 2004). Um fator que possivelmente subestimou significativamente todos os valores de correlação neste estudo, foi a heterogeneidade da amostra, pois além de alguns indivíduos apresentarem fortes dores no joelho e dois indivíduos serem praticantes de musculação, ela foi composta por indivíduos com grandes diferenças entre idade, estatura, peso, nível e tempo de prática. Com isso, entende-se que os resultados apresentariam correlações mais fortes se a amostra do estudo fosse um grupo homogêneo. Observando a prática do skate, o controle do skate no plano, nas rampas, andando para frente, para trás, fazendo curvas para direita e para esquerda, parecem serem os pré-requisitos para o atleta aperfeiçoar suas manobras. As 53 qualidades técnicas que um atleta de Street skate precisa desenvolver em todas as inclinações de terreno e nas duas bases parecem ser o controle do skate, o embalo com velocidade, as manobras de slide e as manobras de salto. Durante este estudo também pode-se observar uma diferente técnica de movimentação dos braços durante o Ollie. Considerando que a movimentação dos braços pode representar vigorosos incrementos em saltos (LESS; VANRENTERGHEM & CLERCQ, 2004), este fato tem motivado a pensar em um próximo estudo, com objetivo de verificar se a existência de uma melhor técnica de movimentação dos braços poderia ser apresentada, expressando numericamente as diferenças de performance através de cálculos biomecânicos. Um estudo dessa natureza possibilitaria verificar se é vantajoso um atleta trocar sua técnica de movimentação de braços para obter melhores performances durante os saltos. 54 9 CONCLUSÃO Os resultados demonstraram que não houve diferença para os valores de força, tanto dos extensores do joelho quanto dos extensores do quadril, entre o membro dominante e não-dominante, apesar do membro dominante apresentar maiores valores de força. Os resultados também demonstraram que a potência dos membros inferiores foi maior quando calculada utilizando os valores do salto vertical contra movimento, em relação aos valores do salto vertical a partir de agachamento. Quanto o grau de contribuição das variáveis potência e força musculares na performance do salto Ollie, os resultados demonstram que 83,7% da variância do salto Ollie pode ser explicada pela variável potência, quando calculada pelo salto contra movimento, e que 50,6% da variância do salto Ollie é explicada pela variável força dos extensores do joelho do membro dominante. Estes resultados sugerem que para skatistas experientes, na performance da manobra Ollie, as variáveis potência e força muscular parecem ser determinantes. 55 REFERÊNCIAS AMÉSTICA, M. C. et al. El skate urbano juvenil: una prática social y corporal en tiempos de la resignificación de la identidad juvenil chilena. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Campinas, v.28, n.1, p.39-53, set. 2006. 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Journal of Applied Biomechanics, v.3, n.4, p.484-96, 1997b. VERKHOSHANSKI, Y. V. Treinamento desportivo. Porto Alegre: Artes Médicas, 2001. WEINECK, J. Biologia do esporte. 7. ed. São Paulo: Manole, 2005. ZAKHAROV, A. Ciência do treinamento desportivo. 1. ed. Rio de Janeiro: Grupo Palestra Sport, 1992. ZATSIORSKY, V. M. Ciencia e pratica do treinamento de forca. 1. ed. Guarulhos: Phorte, 1999. 61 ANEXO A - TERMO DE CONSENTIMENTO INFORMADO Você esta sendo convidado a participar de um estudo sobre a performance do Ollie. Neste sentido, pedimos que você leia este termo e esclareça suas dúvidas antes de consentir, com sua assinatura, a sua participação. OBJETIVO DO ESTUDO Verificar a relação entre a performance da manobra Ollie do skate com a potência muscular dos membros inferiores e força muscular dos extensores do joelho e quadril em atletas de categorias de base. PROCEDIMENTOS DE AQUISIÇÃO DE DADOS Os procedimentos para aquisição dos dados serão realizados no Laboratório de Biomecânica da UNISINOS e em áreas publicas, próximo a suas residências. Serão realizados quatro procedimentos de avaliação: (1) teste de contração voluntária máxima, (2) teste de salto vertical contra movimento, (3) teste de salto vertical a partir de agachamento e (4) teste de altura da manobra Ollie. 1 Teste de Contração Voluntária Isométrica Máxima (CVIM) Para a mensuração da força dos músculos extensores de joelho você será posicionado sentado em um banco, com as costas apoiadas e coxas presas ao banco por tiras de velcro. Os tornozelos serão presos, isoladamente, a uma cinta de couro que por sua vez estará acoplada a uma célula de carga. A célula de carga medirá sua força enquanto você tentará realizar o movimento de extensão do joelho com a máxima força possível. Para a mensuração da força dos extensores do quadril você será posicionado em decúbito ventral sobre um banco, estando o tronco preso ao banco por tiras de velcro na região da coluna lombar, com a articulação coxo-femoral e joelhos flexionados. As coxas estarão presas a uma cinta de couro que por sua vez estará acoplada a uma célula de carga. Será solicitado que o voce tente realizar o movimento de extensão do quadril com a máxima força possível. 2 Teste de salto vertical com contra movimento (CMJ) 62 Você deverá realizar um salto vertical partindo da posição ereta, podendo realizar um contra movimento, ou seja, uma flexão de joelhos, tentando atingir a máxima altura possível, deixando uma marca de giz no momento mais alto do salto em uma parede. Serão realizadas três tentativas para obtenção de máximas alturas. 3 Teste de salto vertical a partir de agachamento (SJ) Você deverá realizar um salto vertical partindo da posição estática de agachamento, na qual os joelhos ficassem com 900 de flexão. Será solicitado que você salte o máximo possível e que não realize qualquer movimento contra-lateral, ou seja, nenhuma flexão de joelhos. Você deverá tocar a parede, deixando-a com a marca de giz no momento mais alto do salto. 4 Protocolo de avaliação da performance da manobra Ollie Primeiramente voce deverá estimar a altura máxima que julga ser capaz de saltar. Para o inicio do teste, a altura do equipamento será regulado de 10 a 20 cm abaixo da máxima altura predita por voce. Será solicitado que realize um salto sobre o instrumento. Para cada salto com êxito a altura do equipamento será novamente regulada, sendo aumentada em 5 cm. Quatro tentativas serão permitidas em cada altura. Quando voce não conseguir realizar o salto em quatro tentativas consecutivas, o teste será interrompido e a última altura com êxito registrada. Você poderá tomar a distância e a velocidade para o salto que julgar necessária. Um intervalo de 2 minutos de descanso a cada 3 saltos será exigido. Riscos e Benefícios do Estudo: Primeiro: Nenhuma das etapas do teste oferece nenhum risco à sua saúde, tão pouco o expõe a situações constrangedoras. Segundo: Este estudo não oferece benefícios diretos para o participante, entretanto, as conclusões advindas deste trabalho auxiliarão em estudos futuros que beneficiarão os skatistas em geral. Confidencialidade: Ficará resguardado ao pesquisador responsável e protegidas de revelação não autorizada o uso das informações recolhidas. 63 Voluntariedade: A recusa do indivíduo em participar do estudo será sempre respeitada, possibilitando que seja interrompido a rotina de avaliação a qualquer momento, a critério do indivíduo participante. Novas informações: A qualquer momento os indivíduos poderão requisitar informações esclarecedoras sobre o estudo, através de contato com o pesquisador. Contatos e Questões: Universidade do Vale do Rio dos Sinos Av. Unisinos, 750 - São Leopoldo 1) Révisson Esteves da Silva [email protected] ou Fone: (51) 34732375 2) Prof. Cláudia Tarragô Candotti [email protected] ou Fone: (51) 590-8191 / 590-3333, ramal 2203 Declaração de Consentimento Eu, ....................................................................................., tendo lido as informações oferecidas acima, e tendo sido esclarecido das questões referentes ao estudo, concordo em participar livremente do presente estudo. __________________________ _____________________ _________ Assinatura Data Nome ________________________________ Prof. Dra Cláudia Tarragô Candotti Profesora Orientadora _________________________ Révisson Esteves da Silva Orientando