0
1
UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS
UNIDADE ACADÊMICA DE GRADUAÇÃO
CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA
Révisson Esteves da Silva
CONTRIBUIÇÃO DA FORÇA E POTÊNCIA DOS MEMBROS INFERIORES NA
PERFORMANCE DA MANOBRA
“OLLIE” DO SKATE
São Leopoldo
2006
2
Révisson Esteves da Silva
CONTRIBUIÇÃO DA FORÇA E POTÊNCIA DOS MEMBROS INFERIORES NA
PERFORMANCE DA MANOBRA
“OLLIE” DO SKATE
Trabalho
de
Conclusão
de
Curso
apresentado à Universidade do Vale
do Rio dos Sinos – UNISINOS – como
requisito parcial para obtenção do título
de licenciatura em Educação Física
Orientadora:
Profª. Drª. Cláudia Tarragô Candotti
São Leopoldo
2006
3
Dedico este estudo:
a todos os skatistas que de alguma forma fizeram
parte da história do skate, e principalmente, aos
aficionados
e
“rebeldes”
que
mantiveram
com
dignidade a sua prática nos momentos de crise,
vencendo pré-conceitos e possibilitando que hoje esta
maravilhosa prática esportiva seja uma das preferidas
entre os jovens.
4
Agradecimentos
Meus sinceros agradecimentos...
....a meus pais, Vilson Renato da Silva e Jussara Esteves
da Silva, pelo constante incentivo e apoio;
...a minha irmã Carolina Esteves da Silva, por estar
sempre ao meu lado;
...a minha namorada Fernanda Quadros da Silva, por
todo carinho, ternura e compreensão;
...ao amigo Régis Lannig, por motivar e possibilitar meu
envolvimento profissional com o skate;
...ao amigo Marcelo La Torre, pelas suas valiosas dicas
durante todo o curso;
...a minha orientadora Cláudia Tarragô Candotti,
por sua força, conhecimento e disposição, diante das
minhas limitações;
...aos amigos Gustavo Delwing e Ricardo Teixeira, por
motivar e auxiliar neste estudo;
...ao amigo e guru Lingue Wacker, por me ensinar a
mágica prática do surfe;
...aos skatistas Guilherme Abe e Giulian da Silva, pela
grande solidariedade prestada;
...a todos os skatistas que participaram deste estudo, por
possibilitarem a pesquisa.
5
APRESENTAÇÃO
Desde a infância, sempre tive atração por esportes radicais, como o surfe e o
skate. Aos 7 anos, ganhei um skate dos meus pais, pois eu já não andava mais
sentado no triciclo que tinha forma de aviãozinho, e sim em pé, realizando as
maiores peraltices que podia fazer.
Durante a adolescência tive contato com o surfe e diversas modalidades do
skate, entre elas o street, downhill, mountainboard e o freestyle, de modo que meu
gosto por esportes com prancha foi cada vez mais sendo fortalecido.
Antes de entrar para o curso de Educação Física, sempre tive um maior gosto
pelas ciências exatas, principalmente matemática e física. Sendo filho de engenheiro
e trabalhando em um escritório de Engenharia, cursei três semestres de Engenharia
Civil. Estes semestres e o gosto pelas exatas me foram muito úteis por facilitar o
trabalho com cálculos e raciocínios lógicos quando, no final do curso de Educação
Física, decidi estudar a Biomecânica do Movimento Humano.
Durante o curso de Educação Física, cursei a cadeira de Jogos Alternativos,
que entre os três esportes estudados estava o skate. Devido ao interesse e
motivação despertada, curiosamente, foi a única cadeira que tirei a nota máxima
durante todo o curso. Durante este semestre pude conhecer o colega Régis Lannig
que era monitor da cadeira de Jogos Alternativos, e que mais adiante, iria me
possibilitar trabalhar com o skate.
Quando cursei a cadeira de Ginástica Postural, tive a oportunidade de
conhecer a competência e seriedade da Prof.ª Cláudia Tarragô Candotti. Durante
esta cadeira, realizei um trabalho de pesquisa sobre dores nas costas em
praticantes de surfe, que apesar de trabalhoso foi muito motivante.
Seguindo a orientação do amigo e colega Marcelo La Torre, me matriculei na
cadeira de Biomecânica, que é uma cadeira optativa do Curso de Educação Física.
Esta cadeira possibilitou que eu pudesse aproximar minhas experiências da
engenharia com o curso de educação física, o que trouxe uma nova perspectiva
para minha carreira.
Como já era o sétimo semestre, tinha que iniciar o trabalho de conclusão e
escolhi como orientadora a Prof.ª Cláudia, que era justamente a professora de
Biomecânica. Ela me sugeriu uma pesquisa para trabalho de conclusão que buscava
6
calcular a força muscular através da eletromiografia, que concordei em realizar.
Além disso, ela me convidou para participar do “Grupo de Estudo do Movimento
Humano – Biomecânica” da Unisinos (GEMHB). Neste grupo, cada semana um
colega apresentava um trabalho científico, expondo todas as metodologias,
discussões e resultados de cada artigo. Isto muito enriqueceu minha experiência
acadêmica, pois além de exercitar a leitura de textos em inglês, entrar em contato
direto com o conhecimento científico, realizar apresentações orais para o grupo, e
fazer amizades, vi a oportunidade de aprimorar e aplicar meus conhecimentos.
Ainda no meio deste semestre me foi aberta a oportunidade de participar de um
outro grupo de pesquisa, que tinha seus encontros no “Laboratório de Pesquisa do
Exercício” da UFRGS (LAPEX), que com prazer passei a freqüentar.
Também no início do sétimo semestre, o colega Régis Lannig possibilitou a
realização de um estágio em sua Escola de Skate (ESB). Este estágio muito me
motivou. Montei em conjunto com o Régis uma turma com os melhores skatistas e
passamos a realizar um treinamento voltado para competição, com preparação
física, técnica, e táctica. Um trabalho pioneiro que teve êxito. Percebi então que
poderia aplicar os conhecimentos da biomecânica no skate, e que trabalhar com o
skate seria algo de muita satisfação pessoal.
Então, percebendo que minha dedicação poderia ser maior e que poderia ser
mais producente, segui minha intuição, tomei coragem e decidi trocar o tema do
trabalho para algo que me identificasse. Para iniciar uma nova pesquisa, minha
dedicação teria de ser dobrada, que teria que deixar de participar do LAPEX e teria
que convencer a Cláudia a orientar este novo trabalho. Fiquei muito grato e contente
quando soube do apoio que ela daria ao estudo, mesmo não sendo a sua área
específica de conhecimento. Durante o desenvolvimento do trabalho, que durou seis
meses, trabalhamos com dedicação e espírito investigativo, resultando, no meu
entender, em uma pesquisa de qualidade.
Atualmente, pretendo apresentar esta pesquisa em congressos e eventos de
iniciação científica e aprimorar meus conhecimentos em Biomecânica através do
GEMHB e do LAPEX. Também aguardo a construção da nova pista da ESB para dar
continuidade as atividades e desejo seguir meus estudos através de outras
pesquisas que aproximem os conhecimentos da biomecânica e a prática do skate.
7
RESUMO
SILVA, R. E. Contribuição da força e potência dos membros inferiores na
performance da manobra Ollie do skate. Trabalho de conclusão. Curso de Educação
Física. Universidade do Vale do Rio dos Sinos, 2006. O objetivo deste estudo foi
verificar a relação entre a performance da manobra Ollie com a potência dos
membros inferiores e a força dos extensores do joelho e quadril em atletas de
categorias de base. Este estudo teve delineamento expostfacto, de corte transversal,
sendo a amostra intencional, constituída por 10 indivíduos do sexo masculino
praticantes de Street skate há no mínimo dois anos. Foram realizados quatro
procedimentos de avaliação: (1) teste de contração voluntária máxima (CVIM), (2)
teste de salto vertical com contra movimento (CMJ), (3) teste de salto vertical a partir
de agachamento (SJ) e (4) teste de altura da manobra Ollie. O teste de CVIM foi
realizado em três tentativas, para os extensores do quadril e extensores do joelho,
em cada membro inferior, com intervalo de dois minutos entre cada tentativa. Para a
aquisição dos sinais de força durante a CVIM, foi utilizada uma célula de carga de
1000 N. O teste CMJ consistiu na realização de um salto vertical, na máxima altura
possível, partindo da posição ereta, podendo o atleta realizar um contra movimento,
ou seja, uma flexão de joelhos. O SJ consistiu na realização de um salto vertical, na
máxima altura possível, partindo da posição estática de agachamento, na qual os
joelhos ficavam com 900 de flexão. O teste de altura do salto Ollier consistiu na
realização de um salto sobre obstáculo, que permitia graduar as diferentes alturas
atingidas. A potência foi predita a partir dos valores dos saltos CMJ e SJ, utilizando
as equações de Jonhson & Bahamonde (1996) e Hartman et al (1991),
respectivamente. O tratamento estatístico consistiu em um teste de Regressão
Linear Simples, o qual tinha a intenção de predizer a probabilidade de participação
das variáveis independentes força e potência na performance do salto Ollie. O nível
de significância adotado foi 0,05. A avaliação da performance do salto Ollie
demonstrou que, em media, os skatistas foram hábeis para saltar um obstáculo de
64,5±9,2 cm. Os resultados demonstram que 83,7% da variância do salto Ollie é
explicada pela variável potência, calculada a partir do CMJ, e que 50,6% da
variância do salto Ollie é explicada pela variável força dos extensores do joelho do
membro dominante. Estes resultados sugerem que para skatistas experientes, na
performance da manobra Ollie, as variáveis potência e força muscular parecem ser
determinantes.
Palavras-chave: skate, potência, força, Ollie
8
ABSTRACT
SILVA, R.E. Contribution of the force and power of the inferior members in the
performance of the Ollie trick of skate. Final Paper. Undergraduated Course in
Physical Education. Universidade do Vale do Rio dos Sinos, 2006. The aim of this
study was verify the relationship between the Ollie trick’s performance of the
skateboard with muscular power of lower limbs and muscular force of knees and hips
extensors in bases athletes. This study had delineated expostfacto; transversal slice;
been a intentional subjects, constitute by 10 skateboarders males practitioners of
street skate styleat least two years. Four evaluations procedures were carried
through: maximal voluntary contraction test (CVIM) (2) vertical jump test (CMJ) from
the hack squat position and the test of height of Ollie trick. The CVIM test were
realized in three attempts for the hips extensors and knees extensors, in both lower
limbs with intervals of two minutes between each attempt. For the signals force
acquisitions during the CVIM was used cell load of 1000 N. The CMJ test had
constituted in the realization of a bigger highest vertical jump, starting from the erect
positions making possible the athlete to exert counter movement, that is, a knee
flexion. The SJ test had constituted in the realization of a bigger highest vertical
jump, starting from a squat static position, where the knees starting from a 90 o of
flexion. The height of Ollie trick. had constituted in the realization of a bigger highest
jump over the obstacle, that’s allowed to graduate the different heights. The power
was predicted by the values of CMJ and SJ jumps tests, using Jonhson (1996) and
Hartman’s (1991) equations respectively. The statistic treatment had constituted in a
simple linear regression test, witch had a intention to predict a probability of
participation of the independent variable force and power in the performance of the
Ollie trick test. The significant level adopted was 0,05. The performance evaluation of
Ollie trick test had demonstrated, in average, the skateboarders were capable to
jump the barrier of 64,5±9,2 cm. The results had demonstrated 83,7% of variance in
the Ollie trick test , explained for power variable, calculated from the CMJ, and 50,6
% of variance in the Ollie trick test is explained for by quadriceps femoral variable
force of dominant member. These results suggest that to experienced skateboarders,
the performance in the Ollie trick depends on the combination of muscular power and
force of the lower limbs.
Key-words: skateboard, power, force, Ollie.
9
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 Fases do Ollie (adaptada de FREDERICK et al, 2006).................. 21
Figura 2 Trajetória do centro de massa do corpo do skatista (adaptada de
BRIDGMAN & COLLINS,1992)...................................................................... 22
Figura 3 Variáveis e componentes da força-potente (adaptado de Bürhle
& Scmidtbleicher apud WEINECK, 2005)...................................................... 24
Figura 4 Relação entre força-velocidade de extensores das pernas de
20% a 100% da força máxima (adaptado de VERKHOSHANSKY, 1986
apud BADILLO & AYESTARÁN, 2001).......................................................... 30
Figura 5 Relação de força aplicada e velocidade de movimento contra
pequenas e grandes resistências (ZATSIORSKY, 1999).............................. 31
Figura 6
Posicionamento do atleta para o teste de CVIM, para
mensuração da força dos extensores do joelho. Em destaque, a célula de
carga............................................................................................................. 40
Figura 7
Posicionamento do atleta para o teste de CVIM, para
mensuração da força dos extensores do quadril. Em destaque, a célula de
carga............................................................................................................. 41
Figura 8 Posicionamento do atleta para realizar uma marca de giz na
parede, antes dos teste de SV....................................................................... 42
Figura 9 Posicionamento do atleta para realizar o teste SJ......................... 43
Figura 10 Atleta realizando o salto Ollie sobre o equipamento: (1) vara de
madeira com as pontas chanfradas; (2) cano de pvc com pequenos furos
distantes 5 cm entre si e (3) base de metal para apoio no solo..................... 45
Figura 11 % de contribuição das variáveis potência contra movimento
(PCMJ), potência a partir do agachamento (PSJ), força dos extensores do
joelho do membro dominante (ExJoe D) e força dos extensores do quadril
do membro dominante (ExtQua D) e não-dominante (ExQua ND)................ 49
10
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 Média e desvio-padrão das características antropométricas dos
indivíduos....................................................................................................... 38
Tabela 2 Média e desvio padrão dos valores de saltos (cm), força (kgf) e
potência (W). Onde: D significa membro dominante e ND significa membro
não dominante................................................................................................ 48
Tabela 3 Ordem de inclusão das variáveis independentes no modelo de
regressão linear simples, onde o salto Ollie é a variável dependente........... 49
11
LISTA DE EQUAÇOES
equação 1 Cálculo da potência a partir do salto CMJ ................................. 46
equação 2 Cálculo da potência a partir do salto SJ..................................... 46
12
LISTA DE ABREVEATURAS
SV – Salto vertcial
SJ – Squat Jump. Salto vertical apartir de agachamento
CMJ – Counter Moviment Jump. Salto vertical com contra movimento
PSJ – Potência calculada através do SJ
PCMJ – Potência calculada através do CMJ
ExQua – Força do grupo muscular responsável pela extensão do quadril
ExJoe – Força do grupo muscular responsável pela extensão do joelho
CVIM – Contração voluntária isométrica máxima
D – Membro dominante no skate, pé da frente
ND – Membro não dominante no skate, o pé de trás
13
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO............................................................................................
2. REVISAO DE LITERATURA.....................................................................
2.1 O SKATE..................................................................................................
2.1.1 O skate e suas origens.......................................................................
2.1.2 A modalidade Street Skate.................................................................
2.1.3 O Ollie...................................................................................................
2.2 FORÇA.....................................................................................................
2.3 SALTO VERTICAL...................................................................................
2.3.1 Predição de potência dos membros inferiores................................
2.4 FORÇA E POTÊNCIA NA PERFORMANCE DO OLLIE.........................
3 SÍNTESE DA LITERATURA.......................................................................
4. OBJETIVOS...............................................................................................
4.1 OBJETIVO GERAL..................................................................................
4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS....................................................................
5. FORMULAÇÃO DO PROBLEMA.............................................................
5.1 HIPÓTESE...............................................................................................
5.2. DEFINIÇÃO OPERACIONAL DAS VARIÁVEIS.....................................
5.2.1 Variável dependente...........................................................................
5.2.2 Variável independente........................................................................
5.2.3 Variável interveniente.........................................................................
6. METODOLOGIA........................................................................................
6.1 TIPO DE ESTUDO...................................................................................
6.2 AMOSTRA................................................................................................
6.3 PROCEDIMENTOS DE AQUISIÇÃO DE DADOS...................................
6.3.1 Teste de Contração Voluntária Isométrica Máxima (CVIM).............
6.3.2 Teste de salto vertical contra movimento (CMJ)..............................
6.3.3 Teste de salto vertical a partir de agachamento (SJ)......................
6.3.4 Protocolo de avaliação da performance da manobra Ollie.............
6.4 PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE DE DADOS........................................
6.5 TRATAMENTO ESTATÍSTICO................................................................
7 APRESENTAÇAO DOS RESULTADOS....................................................
8. DISCUSSAO DOS RESULTADOS...........................................................
9 CONCLUSÃO.............................................................................................
REFERÊNCIAS..............................................................................................
ANEXO A - Termo de Consentimento Informado..........................................
14
16
16
18
19
20
23
25
26
29
33
35
35
35
36
36
36
36
36
37
38
38
38
39
39
41
42
44
45
47
48
50
54
55
62
14
1 INTRODUÇÃO
Nos últimos anos a prática do skateboard, em português, skate, vem se
solidificando (HONORATO, 2004; BASTOS & RECKZIEGEL, 2005; BITENCOURT &
AMORIN, 2005), sugerindo que este esporte tende a tornar-se, cada vez mais, um
esporte de alto rendimento. A maioria dos praticantes de skate, ou skatistas, pratica
este esporte por lazer, nas ruas, o que aumenta a popularidade do esporte. Segundo
a Confederação Brasileira de Skate (CBSK) existem cerca de dez mil atletas no
Brasil que participam de campeonatos. Apesar deste aparente crescimento do skate,
existe uma lacuna na literatura de estudos que visem aprimorar a performance dos
skatistas.
Embora
o
skate
apresente
várias
modalidades,
entre
elas
Street,
Mountainboard, Downhill e Vertical, segundo a CBSK, a que tem maior popularidade
entre os atletas é a modalidade Street. O Ollie é a manobra básica do skate, que
consiste em um salto onde o skate e o atleta se elevam do solo e retornam em um
movimento contínuo (BRIDGMAN & COLLINS, 1992). Esta manobra possibilita subir
ou transpor um obstáculo, e a maioria das outras manobras são combinações do
Ollie com giros do skate e ou do corpo do atleta (TESLER, 2000; MEIRA,
CONCEIÇÃO & MARTINS 2003). Portanto, o movimento da manobra Ollie está
envolvido em quase todas as manobras do skate, por isso a importância de se
estudar e entender este movimento quando se quer aprimorar a performance dos
atletas.
O valor das investigações relacionadas aos esportes de maneira geral,
começou a ser verdadeiramente apreciado nos anos 90 (BARBANTI, TRICOLI &
UGRINOWITSCH, 2004), o que mostra o quanto é recente a influência de pesquisas
científicas nos treinamentos de atletas. Porém, para o skate, esta aproximação entre
ciência e prática esportiva é mais recente ainda, sendo que poucos skatistas treinam
com suporte teórico.
A performance de um movimento depende da técnica e da força muscular
utilizada. No caso do Ollie, as variáveis para a performance são a potência muscular,
a capacidade de utilização das estruturas elásticas, a coordenação de recrutamento
muscular, os músculos recrutados, o posicionamento dos pés sobre os skate, os
15
ângulos articulares no momento da impulsão, o tamanho e a angulação do tail1, o
peso total do skate e a altura do shape2 em relação ao solo. Porém, como cada uma
destas variáveis contribui para a performance da manobra ainda é permanece uma
incógnita. Possivelmente, a força muscular, a potência muscular e a capacidade de
utilização das estruturas elásticas têm grande participação, mas não se sabe qual a
proporção de dependência destas variáveis para a performance do Ollie
(FROISLAND, MATSON & STUTZMAN, 2004).
Muitas questões encontram-se sem respostas no que diz respeito ao aumento
da performance da manobra Ollie, e apenas dois estudos foram encontrados a
respeito dos fatores envolvidos em sua performance (TESLER, 2000; FROISLAND,
MATSON & STUTZMAN, 2004). Assim sendo, a intenção deste estudo é fornecer
subsídios teóricos-técnicos para os treinadores e atletas de skate, no que diz
respeito à contribuição da força e da potência muscular dos membros inferiores para
a performance do Ollie.
1
2
Parte posterior do skate, também denominada rabeta
Prancha de madeira coberta por lixa, onde o skatista se apoia
16
2. REVISAO DE LITERATURA
2.1 O SKATE
O skate é popularmente conhecido tanto como um equipamento quanto como
uma prática esportiva. Do ponto de vista da pratica esportiva, também conhecida
como “andar de skate”, o skatista utiliza prioritariamente os membros inferiores para
execução de manobras em equilíbrio e movimento, apoiando o corpo sobre um
equipamento formado por uma prancha de madeira (shape), dois eixos (trucks),
rolamentos e quatro rodas (BITENCOURT & AMORIN, 2005; BASTOS &
PETERSEN-WAGNER, 2005). Do ponto de vista do equipamento, o skate pode
apresentar grandes variações quanto ao tipo de material, tamanho e formato,
dependendo da modalidade.
Atualmente existem diversas modalidades do skate, e a relação do ambiente
em que é praticado dá origem a variação dos estilos (BITENCOURT & AMORIN,
2005).
A CBSK define as nove modalidades do skate: (1) o "Street" que é praticado
nas ruas ou em skateparks (pistas que simulam obstáculos urbanos); (2) o "Vertical"
que é praticado em "half pipes" ou em "bowls" (rampas em forma de "U" ou de bacia,
respectivamente, com inclinações de 90 graus e no mínimo 3 metros e meio de
altura); (3) o "Banks" que é praticado em pequenos bowls (altura geralmente até 2
metros e meio e inclinações inferiores a 90 graus); (4) o "Mini-ramp" que é praticado
em pequenos "half pipes" (altura geralmente até 2 metros e meio e inclinações
inferiores a 90 graus); (5) o "Mountainboard" que é praticado em montanhas; (6) o
"Slalon" que é consiste em desviar de cones; (7) o "Downhill" que é praticado ladeira
abaixo em altas velocidades; (8) o "Freestyle" que é praticado em lugares planos e
consiste em realizar manobras sem colocar os pés no chão; e (9) o "Longboard" em
que o skatista pode praticar as modalidades de "Street", "Banks", "Mini-ramp",
"Downhill-speed", "Downhill-slide" e o "Vertical".
Hoje, o skate no Brasil está organizado com uma Confederação Brasileira de
Skate (CBSK), 8 filiações de federações estaduais e 36 associações de skate
espalhadas pelo país. No que se refere ao esporte de alto rendimento, a CBSK
17
aponta 1501 atletas amadores e 272 profissionais. No total, segundo a CBSK, são
mais de 10 mil atletas que participam de campeonatos nas categorias de base
(Feminino, Juvenil, Iniciante, Amador 2, Amador 1) e veteranos (Master, Grand
Master e Legends).
O reduzido investimento direto na forma de patrocínio na carreira de atletas
infelizmente vem provocando uma evasão nacional e, conseqüentemente uma
imigração para paises que valorizem este esporte, em busca de melhores condições
de patrocínio e treinamento (BITENCOURT & AMORIN, 2005).
Segundo o guia de pistas da Revista 100%, especializada em skate, editado
em 2003, existem 721 pistas de skate no Brasil, em mais de 291 municípios,
distribuídos em 25 estados, porém menos de 1% com condições de receber
campeonatos profissionais (BITENCOURT & AMORIN, 2005).
Contudo, o Brasil é considerado hoje a segunda maior potência mundial do
skate por possuir o maior número de títulos internacionais acumulados, atrás
somente dos EUA (BITENCOURT & AMORIN, 2005). Segundo a CBSK, o Brasil
constitui o terceiro mercado consumidor de artigos para skate do mundo e é o único
país, afora os EUA, que fabrica peças, vestuários e calçados para esta modalidade;
que exporta seus produtos para outros países (BASTOS & RECKZIEGEL, 2005); e
que é auto-suficiente em peças para o skate.
Não foram encontradas pesquisas que expressem o crescimento econômico
do mercado skatista nos últimos anos, porém para a CBSK, a cada ano o skate está
mais solidificado e penetrado em todas as regiões do país. O skate é um meio de
desenvolvimento sócio econômico para o país e constitui-se em um grande avanço
nas ações mercadológicas, de modo que estima-se o faturamento do mercado
nacional na ordem de 200 milhões por ano (BITENCOURT & AMORIN, 2005).
Bastos e Reckziegel (2005) afirmam que a criação, a manutenção e a expansão de
empresas ligadas ao universo skate possibilita a afirmativa de que não se trata
apenas de mais uma onda de crescimento passageiro do skate.
Bitencourt e Amorin (2005, pág. 420) apresenta uma comparação do skate no
Brasil e nos EUA, que hoje é a maior potência do skate mundial:
Emissoras de TV que transmitem eventos e programas de skate – BRA
(Globo, Sportv, ESPN Brasil) x EUA (ESNP, Fox Sport Net e NBC);
praticantes BRA (2,7 milhões em 2003) x EUA (11,6 milhões);
movimentação do mercado BRA (US$ 36 milhões) x EUA (US$ 125
milhões).
18
Outro indício da universalização do skate apresentado por Bastos e
Reckziegel (2005) é a apropriação que a sociedade faz do estilo dos skatistas se
vestirem: as calças masculinas capri e a sobreposição de uma camisa manga curta
sobre uma camisa manga longa.
O skate desperta grande motivação nas crianças em aulas de Educação
Física (CARBINATTO & FREITAS, 2005) e possui um universo ainda inexplorado
pelos profissionais da área, necessitando de mais estudos, mais aprofundamentos e
mais pesquisas que possam dar conta de toda a sua totalidade (BASTOS, ANJOS &
VASCONCELLOS, 2005). Em um estudo recente, Améstica et al (2006) concluiu que
o skate deve receber atenção de entidades sociais, e as instituições educativas
deveriam se adequar a esta nova realidade juvenil.
Atualmente o skate firma-se como uma das práticas mais populares do Brasil.
Apresenta contribuição significativa a socialização embora seja uma prática
individual, e tem como característica própria a inserção em grupos socialmente
organizados. O skate hoje é considerado um dos principais esportes radicais e de
aventura do Brasil, e uma pesquisa realizada em 2003 pela prefeitura de São Paulo,
na rede pública de ensino, revela o skate como esporte preferido entre os jovens
(BITENCOURT & AMORIN, 2005). Não obstante, poucos estudos sobre a prática do
skate tem sido conduzidos no meio acadêmico. Portanto, existe a necessidade de
que sejam realizados estudos que contribuam para o desenvolvimento deste esporte
e de seus praticantes (LAURO et al, 1999; BASTOS & RECKZIEGEL, 2005;
BASTOS, ANJOS & VASCONCELLOS, 2005; CARBINATTO & FREITAS, 2005;
AMÉSTICA et al, 2006).
2.1.1 O skate e suas origens
De acordo com a CBSK, o skate surgiu para o mundo em meados dos anos
60, nos Estados Unidos da América, quando surfistas californianos estavam
cansados de ficar esperando por boas ondas para surfar e colocaram rodinhas de
patins em uma madeira que imitava uma prancha.
19
No inicio a pratica do skate era chamada de sidewalk surfing, e rapidamente
se espalhou por todo os EUA. Em 1965 o sidewalk surfing chegou ao Brasil, e já
praticado por um grande número de adolescentes no mundo, criou identidade se
desligando do surfe com suas próprias manobras, e assim ganhou seu nome
definitivo, Skateboard (CBSK). Nos EUA, a opção por este nome se deu para se
diferenciar de patins, pois no inglês significa “skate”. Já no Brasil, o termo foi
“abrasileirado”, sendo reduzido de Skateboard para skate.
Em 1974 o skate teve sua primeira grande evolução, quando o engenheiro
químico Frank Nashworthy descobriu uma composição chamada uretano, um
material que deu origem às verdadeiras rodas de skate que garantiam uma grande
aderência às superfícies inclinadas. Essa invenção deu ao skate um enorme impulso
para que ele definitivamente se consolidasse como um esporte popular (CBSK).
Com esta nova descoberta, os skatistas tinham agora a possibilidade de
andar em superfícies com grandes inclinações, o que deu origem a modalidade
"Vertical". Além disso, ao aproveitar a arquitetura urbana como obstáculos naturais
os skatistas impulsionaram o surgimento da modalidade "Street". Assim, graças a
paixão dos seus praticantes mais fiéis, o skate venceu diversas crises que o
cercavam, compostas por preconceitos e medos da periculosidade de sua prática, e
chega a atualidade pontuando uma história com representatividade mundial
(BITENCOURT & AMORIN, 2005).
2.1.2 A modalidade Street Skate.
O Street é a modalidade com a maior quantidade de adeptos no mundo, e no
Brasil, cerca de 95% dos praticantes pertencem a esta modalidade. Existem no mais
de 250 competidores profissionais brasileiros nesta modalidade e quase 10 mil
competidores nas categorias de base (CBSK).
O Street consiste em praticar o skate em obstáculos que podem ser
encontrados nas cidades como monumentos, bancos, corrimões, muretas, escadas,
rampas na entrada de garagem, palcos, buracos, desníveis no chão, barrancos e
superfícies inclinadas. Também pode ser praticado em skateparks onde existem
20
obstáculos que simulam a arquitetura urbana de um modo adaptado ao skate.
(CBSK)
Uma série de exercícios sobre o skate consiste em intervalos curtos de alguns
segundos até 2 minutos, porém cada sessão de treinamento pode levar mais de 2
horas. (LAURO et al, 2000).
As manobras no street apresentam uma grande variedade (REED, 2002). A
maioria delas envolvem um salto, ou são o próprio salto. As manobras podem conter
giros do skate e ou do corpo do atleta. Podem ser realizadas para subir, descer,
transpor um obstáculo, ou iniciar uma manobra de slide (MEIRA, CONCEIÇÃO &
MARTINS 2003). As manobras de slide envolvem o deslizar do shape ou dos trucks
em qualquer superfície que se possa encaixar estas partes do skate, como um
corrimão, uma trave, um banco, ou uma guia de calçada (MEIRA, CONCEIÇÃO &
MARTINS 2003).
O skate é considerado um esporte de alta intensidade que envolve os
sistemas de energia aeróbica e anaeróbica (MESTEK, 2001; HUNT, MARTIN &
HETZLER,
2003),
contudo,
a
prática
do
skate
é
uma
atividade
física
predominantemente anaeróbica (LAURO et al, 2000).
2.1.3 O Ollie
O Ollie foi inventado na Flórida no final de 1970 por Alan Ollie Gelfand
(REED, 2002). Transformou-se na manobra mais útil e básica que um skatista
precisa saber e é considerado o fundamento em que a maioria das outras manobras
é baseada (TESLER, 2000; MEIRA, CONCEIÇÃO & MARTINS 2003).
De uma maneira simplificada, o Ollie é uma técnica de salto que permite que
o skatista transpasse obstáculos e ou suba neles. Muitas pessoas supõem que o
shape está unido de algum modo aos pés do skatista, porém isto não é verdade.
(TESLER, 2000). Para realização do Ollie é necessário muita habilidade e
sincronismo (BRIDGMAN & COLLINS, 1992). Na Figura 1 ilustra-se detalhadamente
as fases da manobra Ollie.
21
Figura 1 Fases do Ollie (adaptada de FREDERICK et al, 2006).
Observando a Figura 1, nota-se que o skatista se prepara colocando seu pé
dianteiro no meio do shape e seu pé traseiro no tail (A). Ao se aproximar do objeto a
ser saltado, realiza um agachamento e posteriormente inicia uma aceleração
ascendente, estendendo o tronco e os joelhos, e elevando os braços (B-C). Então,
empurra o tail para baixo com o pé de trás fazendo com que o skate gire sobre o
eixo traseiro elevando o nose3 (C-D). No momento que o tail bate contra o chão
aplicando uma força contra o solo, recebe em resposta uma força no sentido
contrário, fazendo com que o skate se eleve do chão iniciando a fase de vôo (D). Ao
mesmo tempo, o corpo do skatista que já estava em fase ascendente, se eleva do
solo em sincronia com o skate, que tem sua trajetória controlada pelo pé dianteiro
(E). Na fase final, o skatista amortece a queda flexionando o tronco e as pernas,
garantindo
uma
aterrizagem
controlada
e segura
(F-G).
(TESLER,
2000;
FREDERICK et al, 2006).
Bridgman & Collins (1992) analisaram o Ollie em diversas situações: parado,
em movimento e em rampas. Concluíram que o movimento do corpo é similar para
as diversas situações, ou seja, o centro de massa do corpo do skatista segue uma
trajetória parabólica lisa, apesar de que cada segmento do corpo siga uma trajetória
complexa. Os braços se elevam com o objetivo de elevar a altura do salto e o centro
de massa das pernas se elevam 55% mais do que o centro de massa total, a fim de
transpor o obstáculo (Figura 2).
3
Parte anterior do shape
22
Figura 2 Trajetória do centro de massa do corpo do skatista
(adaptada de BRIDGMAN & COLLINS,1992).
Segundo Tesler (2000), a altura de todos os saltos do skate é resultado da
aceleração ascendente realizada no início do salto (Figura 1, fases B e C). O autor
afirma que quanto maior esta aceleração, mais elevados serão os saltos. Sendo
assim, um atleta que aprimorar sua performance no Ollie através do aumento da
capacidade de aceleração ascendente, estará realizando também um incremento na
altura máxima de todas as outras manobras de salto.
23
2.2 FORÇA
A força é mecanicamente definida como algo que pode causar o início de um
movimento, parar, tornar mais rápido, mais lento ou mudar sua direção (McGINNIS,
2002). No ser humano, a força pode ser entendida como a capacidade de superar
resistências externas através de esforços musculares (VERKHOSHANSKI, 2001).
Entretanto, na literatura são apresentadas diversas formas de classificação e
definição de força devido a suas diferentes formas de aplicação e manifestação
(ZAKHAROV, 1992; ZATSIORSKY, 1999; VERKHOSHANSKI, 2001; FLECK &
KRAEMER, 2002; PLANOTOV, 2004; WEINECK, 2005;).
Segundo Weineck (2005) a força pode ser classificada mais precisamente de
acordo com o modo de observação, levando em consideração vários aspectos
como: parcela da musculatura envolvida, especificidade da modalidade esportiva,
tipo de trabalho muscular, principais formas de exigência motora e relação do peso
corporal. Quanto ao aspecto da parcela da musculatura envolvida, a força pode
ainda ser classificada em força geral e local; sob o aspecto da especificidade da
modalidade esportiva, força geral e especial; sob o aspecto do tipo de trabalho
muscular, força dinâmica e estática; sob o aspecto das principais formas de
exigência motora, força máxima, força rápida (força-potente) e resistência de força; e
sob o aspecto da relação do peso corporal, força absoluta e relativa.
Já Platonov (2004) apresenta outra classificação da força no corpo humano,
destacando os seguintes tipos de força: força máxima, força-potente e forçaresistente. Para o autor, no contexto da performance esportiva, a força-potente
desempenha um papel de grande importância, sendo denominada também como
força-rápida ou força-velocidade. Segundo Verkhoshanski, (2001) a força-potente é
a capacidade que assegura a velocidade dos movimentos dos atletas, sendo
portanto, de grande importância na realização de gestos esportivos em diferentes
modalidades.
Assim, a força potente pode ser entendida como a capacidade do sistema
neuromuscular mobilizar o potencial funcional com a finalidade de alcançar altos
níveis de força no menor tempo possível (PLATONOV, 2004). Ainda entende-se por
força-potente a capacidade do sistema neuromuscular de dominar resistências com
24
velocidade de contração o mais alta possível (Harre 1976, 124; Frey 1977, 343 apud
WEINECK, 2005).
A potência mecânica pode ser entendida como a aplicação de uma força por
unidade de tempo [P(W) = F (N) x v(m/s)]. O pico de potência pode ser entendido
como a potência mecânica máxima gerada em um determinado movimento, que no
corpo humano é resultado da força potente do grupo muscular envolvido (STONE et
al, 2003).
A Figura 3 apresenta as variáveis e componentes que apresentam relação
com a força-potente (potência), sendo elas: a força de partida, força explosiva, a
força máxima e a capacidade de realização dinâmica .
Figura 3 Variáveis e componentes da força-potente (adaptado de Bürhle &
Scmidtbleicher apud WEINECK, 2005).
A força explosiva é uma outra maneira de se denominar a força-potente
quando aplicada contra altas resistências. Compreende-se como a capacidade de se
realizar um aumento de força o mais alto possível, contra altas resistências.
(WEINECK, 2005; PLATONOV, 2004).
A força de partida, uma subcategoria da força explosiva, corresponde a
capacidade de se realizar um aumento de força o mais alto possível no início da
tensão muscular, ou seja, é determinada pela capacidade de se mobilizar o maior
número de unidades motoras no início da contração, alcançando-se uma alta força
25
inicial (PLATONOV, 2004; WEINECK, 2005). A força-potente quando aplicada a
baixa ou média resistência pode ser denominada força de partida (PLATONOV,
2004), porém alguns autores (VERKHOSHANSKI, 2001) denominam a força de
partida como força de velocidade.
A força isométrica máxima pode ser entendida como a tensão que um
músculo ou grupo muscular pode exercer arbitrariamente, numa determinada
posição, contra uma resistência fixada. Um aumento da força-potente esta sempre
ligado a uma melhora da força isométrica máxima, e estas duas forças apresentam
estreitas relações (Hollmann & Hettinger, 1980 apud WEINECK, 2005).
A força relativa pode ser entendida como a razão entre a força absoluta de
um atleta e seu peso corporal (BOMPA, 2002), onde a força absoluta é o valor
máximo de força que o atleta pode desenvolver num determinado movimento.
Quando um indivíduo deseja mobilizar o seu corpo no espaço, a força relativa
assume enorme importância (MOREIRA,1987).
Devido ao grande número de termos encontrados na literatura para designar
a força potente, neste estudo, optou-se por utilizar o termo potência, conforme
definido no item 5.2.2.
2.3 SALTO VERTICAL
As técnicas de saltos verticais, amplamente utilizados em estudos, são o
"Squat Jump" (SJ) , que consiste em um salto em que o executante parte de uma
posição de meio agachamento (90º), e uma segunda técnica de salto é o "Counter
Moviment Jump" (CMJ), que corresponde a um salto com contra movimento
composto de uma fase excêntrica e uma concêntrica com a utilização do ciclo
alongamento e encurtamento (CAE). O CAE é um mecanismo fisiológico que tem a
função de aumentar a velocidade em movimentos que utilizam ações musculares
excêntricas, seguidas imediatamente por ações musculares concêntricas. O CAE
contribui significativamente para o aumento da produção de potência, força e
velocidade (ZATSIORSKY, 1999). Kreighbaum e Barthels (1990), citaram que a
capacidade de geração de força pode aumentar até 20% com a utilização do CAE.
Em relação a diferença de altura obtida nas duas diferentes técnicas de salto
26
vertical, SJ e o CMJ, diversos autores tem apresentado diferentes resultados que
variam entre 5% e 20% (apud UGRINOWITSCH & BARBANTI, 1998).
As ações musculares durante o salto vertical ocorrem no sentido proximal
distal, significando que a articulação do quadril é utilizada inicialmente, seguida da
articulação do joelho e logo após o tornozelo (BOBBERT & VAN SOEST, 1994). Em
relação a contribuição dos músculos envolvidos no salto vertical, Hubley e Well (s/d
apud CARVALHO et al, 2005) mostraram que a contribuição da ativação dos
extensores do quadril contribuem com 50% no trabalho envolvido na impulsão
vertical. Já Fukashiro e Komi (1987) relatam uma maior contribuição dos extensores
do quadril para o CMJ, seguida dos extensores do joelho e dos flexores plantares do
tornozelo. Bobbert et al (1986) concluíram que durante a fase de impulsão do corpo
a contribuição das articulações do quadril, joelho e tornozelo foram de 38, 32 e 30%
respectivamente. Contudo, Selbie e Caldwell (1996) afirmam que alturas similares no
alto vertical podem ser obtidas usando várias tipos de posturas corporais iniciais,
não existindo um posicionamento exato para uma melhor performance, porem o
padrão do torque em cada articulação varia consideravelmente.
2.3.1 Predição de potência dos membros inferiores
A potência mecânica realizada pela musculatura é considerada um elemento
essencial para o sucesso de performances atléticas. Os testes de salto verticais (SV)
são freqüentemente utilizados para estimar a potência da musculatura extensora dos
membros inferiores. Através de uma plataforma de força é possível informar com
precisão os valores de potência no SV, e o pico de potência registrado pode informar
o valor da altura do SV. Porém, devido ao seu alto custo e a dificuldade da utilização
de uma plataforma de força fora de laboratórios, varias equações têm sido propostas
na literatura para predizer este pico de potência muscular dos membros inferiores
através do registro do peso corporal do atleta e da altura do SJ ou do CMJ
(HARMAN et al, 1991; JOHNSON & BAHAMONDE, 1996; SAYERS et al, 1999;
CANVAN & VESCOVI, 2004; LARA et al; 2006).
Hertogh & Hue (2002) compararam os valores da potência de salto medida
em uma plataforma de força com os valores preditos pelas equações propostas por
27
Harman et al (1991) e Sayers et al (1999). A amostra era composta por um grupo de
jogadores de elite do voleibol e outro grupo de sedentários. Os autores concluíram
que para sedentários as duas equações não apresentaram diferenças em predizer a
potência,
mas
para
os
atletas
de
elite
ambas
equações
subestimaram
significativamente os valores. Por fim, o estudo demonstrou a existência de
dificuldade em se escolher uma equação mais precisa para calcular a potência do
salto para duas diferentes populações.
Sendo assim, alguns cuidados devem ser tomados quando se deseja predizer
a potência através de uma equação, ou seja, a equação deve ser especifica para a
população e o tipo de salto. A precisão das equações em predizer a potência
depende do nível de atividade física da população estudada. Dependendo da
performance do salto, cada equação será mais ou menos indicada para predizer a
potência. Assim, uma equação específica para cada população, com diferentes
performances de salto, possibilitaria o acesso a potência mais precisamente (LARA
et al 2004; LARA et al, 2006).
Harman et al (1991) determinaram uma equação para predizer o pico de
potência estudando uma amostra composta por 17 indivíduos fisicamente ativos e
utilizando o SJ. Seus resultados indicaram que sua equação pode ser utilizada para
predizer a potência em atletas.
Johnson & Bahamonde (1996) avaliaram homens e mulheres atletas
universitários de sete diferentes esportes e utilizaram na sua equação de predição
além da altura do CMJ, a estatura do indivíduo, o que representa um diferencial em
relação às outras equações propostas. Seus resultados sugerem que sua equação
pode ser utilizada para predizer a potência em atletas universitários.
Sayers et al (1999) ao propor uma equação de potência, avaliaram uma
amostra composta por um grupo extremamente heterogêneo de homens e mulheres
atletas e não atletas, totalizando de 108 indivíduos. Neste estudo, os autores
determinaram duas equações, uma para cada técnica de salto. Considerando que
diferentes técnicas e coordenação para o SV são esperadas entre gêneros e entre
atletas e não atletas, a equação proposta por Sayers (1999) apresentou uma
precisão menor (HARMAN et al, 1991; FATOUROS et al, 2000; HERTOGH & HUE,
2002). Apesar disto, quando a equação foi utilizada em uma equipe de futebol
feminino (n=13), nível médio, os resultados da potência predita pela equação de
28
Sayers (1999) foram semelhantes ao mensurados pela plataforma de força (LARA et
al, 2005).
Canavan & Vescovi (2004), ao avaliarem mulheres universitárias praticantes
de basquetebol, determinaram sua equação utilizando o CMJ. Quando utilizaram os
valores obtidos nos CMJ nas equações propostas por Sayers et al (1999) e Harman
et al (1991), que utilizam o SJ, encontraram diferenças significativas entre os
resultados de potência calculados por estas equações com as propostas pelos
autores. Os autores concluem, então, que futuras pesquisas poderiam estabelecer
critérios que pudessem distinguir entre uma válida e uma não válida técnica de SJ e
põem em dúvida os critérios utilizados por Sayers et al (1999) e Harman et al (1991).
Lara et al (2006) determinaram a equação de predição com uma amostra
composta por mulheres jogadoras de voleibol de nível universitário e o CMJ.
Independente da equação utilizada, parece existir uma boa relação entre elas,
as quais têm demonstrado capacidade de avaliar a potência, apesar de subestimar
ou superestimar os valores quando utilizadas para grupos não específicos (LARA et
al, 2004; CANAVAN & VESCOVI, 2004). No quadro 1 são apresentadas as
equações de predição de potência (W) propostas pelos diferentes estudos.
Quadro 1 Equações de predição apresentadas na literatura
autores
Harman et al,
1991
Johnson &
Bahamon,
1996
Sayers et al,
1999
Canvan &
Vescovi, 2004
Lara et al;
2006
equações
P = (61,9 ⋅ SJ (cm )) + (36 ⋅ massacorporal (kg )) − 1822
P = (78,5 ⋅ CMJ (cm)) + (60,6 ⋅ massacorporal (kg )) − (15,3 ⋅ estatura(cm)) − 1308
P = (60,7 ⋅ SJ (cm )) + (45,3 ⋅ massacorporal (kg )) − 2055
P = (51,9 ⋅ CMJ (cm )) + (48,9 ⋅ massacorporal (kg )) − 2007
P = (65,1 ⋅ CMJ (cm )) + (25,8 ⋅ massacorporal (kg )) − 1413,1
P = (62,5 ⋅ CMJ (cm )) + (50,3 ⋅ massacorporal (kg )) − 2184,7
29
2.4 FORÇA E POTÊNCIA E SUAS INFLUÊNCIAS NA PERFORMANCE DO OLLIE
A melhora da força constitui-se em um fator importante em todas as
modalidades esportivas, sendo em alguns casos um fator determinante e tendo um
papel decisivo na boa execução da técnica (VERKHOSHANSKI, 2001; PANCORBO
SANDOVAL, 2005). No skate, o Ollie é um gesto esportivo determinado pela
aceleração ascendente do corpo do atleta, como apresentado na seção 1.4 deste
estudo. Em um salto (SV), esta aceleração ascendente é influenciada por fatores
como: taxa de aplicação da força, magnitude da força (força), posição corporal e
direção de aplicação da força (ZATSIORSKY, 1999). Contudo, o grau de
desenvolvimento da força vem sendo apontado como o fator mais importante, pois
influencia fortemente a velocidade vertical no momento da decolagem (BOBBERT et
al, 1986; VAN INGEN SCHENAU, BOBBERT & HAAN, 1997a,b).
A aceleração ascendente do corpo humano depende da força-potente, que
pode ser entendida como a aplicação funcional da velocidade e da força. A
performance de um salto está diretamente relacionada com o desenvolvimento da
massa muscular, da velocidade de contração e da coordenação específica do
movimento (BARBANTI, 1989).
A velocidade de execução está estreitamente relacionada com a força
máxima de um indivíduo (WEINECK, 2005). Na figura 4 pode-se observar que a
velocidade dos movimentos decresce à medida que a magnitude da força aumenta.
Isto ocorre porque só é possível aplicar grandes forças contra grandes resistências.
Experimentos realizados em músculos isolados revelaram a curva de forçavelocidade deste músculo, e que esta pode ser comparada com as curvas de torquevelocidade registradas em movimentos naturais do ser humano com uma precisão
aceitável (ZATSIORSKY, 1999).
30
Figura 4 Relação entre força-velocidade de extensores das pernas de
20% a 100% da força máxima (adaptado de CRUZ, 2003).
Observando a Figura 4, nota-se que a força máxima é alcançada quando a
velocidade é pequena, e inversamente a velocidade é máxima quando a força é
pequena. A potência mecânica (força-potente) é máxima quando as magnitudes da
força e da velocidade são ótimas, cerca da metade da força máxima e cerca de um
terço dos níveis máximos da velocidade na extensão intermediária da curva forçavelocidade (ponto vermelho na figura 4) (ZATSIORSKY, 1999).
Quando maior a resistência externa, maior a relação entre força isométrica
máxima e velocidade de execução (figura 5a). Porém, contra baixas resistências
esta relação não ocorre (figura 5b). Considerando que o peso corporal proporciona
uma alta resistência, a relação de força isométrica máxima e velocidade de
movimento
aumenta
(ZATSIORSKY, 1999).
quando
se
deseja
mobilizar
o
corpo
verticalmente
31
(a)
(b)
Figura 5 Relação de força máxima e velocidade de movimento de flexão do ombro
com o braço extendido, contra grandes (a) e pequenas (b) resistências
(ZATSIORSKY, 1999).
Em movimentos tais como a impulsão, a força atingida é cerca de 50% da
máxima. A razão disto é a duração muito curta para a fase de desenvolvimento da
força. O atleta não tem tempo para realização da força máxima (ZATSIORSKY,
1999). Isto justifica o motivo de que quanto maior a potência, maior a velocidade
para o salto vertical, o que não ocorre em movimento onde a resistência é pequena
e a força aplicada é inferior a 50% da máxima.
Um indivíduo deve possuir uma força de membros inferiores (medida com
uma repetição máxima no “leg press”) de aproximadamente duas vezes e meia o
seu peso corporal para que apresente uma boa possibilidade de mover-se e manter
seu corpo em movimento em altas velocidades (DINTIMAN, WARD & TELLEZ,
1999). Porém, quando o indivíduo apresenta uma força acima deste valor, não
apresentará uma melhora no salto vertical devido a limitação que existe na
mobilização de grandes forças em pequenos intervalos de tempo (ZATSIORSKY,
1999).
Em movimentos como o salto em distância e o salto em altura, os tempos
para aplicação da força são aproximadamente em torno de 0,11 e 0,18 segundos,
respectivamente. A velocidade para aplicação da força máxima isometricamente é
em média cerca de 0,4 segundos. Contudo, a metade da força máxima é alcançada
em 0,12 segundos. Isto demonstra como no início do desenvolvimento da força ela é
produzida mais rapidamente (ZATSIORSKY, 1999).
Contudo, a força máxima representa o principal componente da potência, e
além desta, a força explosiva e a força de partida desempenham um importante
32
papel para o grau de expressão da potência (figura 3) (Bürhle & Scmidtbleicher apud
WEINECK, 2005). Em resistências menores, domina a força de partida, e com um
aumento da resistência e, portanto, com uma utilização mais prolongada da força,
domina a força máxima. (Letzelter 1978 apud WEINECK, 2005).
As ações de salto verticais que são realizadas dentro da prática esportiva,
como o skate, requerem um rendimento muito próximo ao máximo, de modo que um
aumento de cinco centímetros na elevação do salto vertical poderia provocar
grandes alterações nos resultados das competições e na performance dos atletas
(UGRINOWITSCH & BARBANTI, 1998).
Ganhos na força muscular têm reportado incrementos no salto vertical de
atletas (MARQUES & GONZÁLEZ-BADILLO, 2005; MALISOUX et al ,2006). Porém,
alguns autores não reportaram incremento algum no salto vertical com o ganho de
força e concluem que possivelmente a velocidade padrão de recrutamento das
unidades ativas também precisaria ser treinada. Parece haver um consenso de que
o ideal para produzir maiores incrementos na capacidade de salto é a aplicação
correta dos dois tipos de trabalho: pesos livres e pliometria (BAUER et al, 1990;
ADAMS et al, 1992, BRANDÃO et al, 2003, BOBBERT & VAN SOEST, 1994,
CARVALHO et al, 2005, FATOUROS et al, 2000).
O ganho de força e da potência muscular pode resultar em uma melhora no
rendimento esportivo, desde que sejam aplicadas corretamente: no momento certo,
na direção certa e na velocidade necessária. Melhorar a velocidade tem sido uma
preocupação de diversos atletas de várias modalidades esportivas, inclusive dos
skatistas, de modo que o mundo do esporte está ciente de que com o treinamento
apropriado os atletas podem melhorar dramaticamente a velocidade de seus gestos
esportivos. A melhora desta velocidade depende de uma abordagem completa de
condicionamento, com o treinamento de força, treinamento pliométrico e o
aperfeiçoamento das técnicas (DINTIMAN, WARD & TELLEZ, 1999).
33
3 SÍNTESE DA LITERATURA
O skate é uma prática esportiva com grande aceitação entre os jovens e
existe a necessidade de que sejam realizados estudos que contribuam para o
desenvolvimento deste esporte e de seus praticantes. O Ollie pode ser entendido
como a manobra mais útil e básica que um skatista precisa saber e é considerado o
fundamento em que a maioria das outras manobras é baseada. É uma técnica de
salto que permite que o skatista transpasse obstáculos e ou suba neles, e sua
performance, a altura, depende da capacidade de aceleração ascendente do corpo
do atleta na fase inicial da manobra, o que remete a importância da força para a
obtenção desta perfomance (LAURO et al, 1999; TESLER, 2000; MEIRA, REED,
2002; CONCEIÇÃO & MARTINS 2003; BASTOS & RECKZIEGEL, 2005;
BITENCOURT & AMORIN, 2005; BASTOS, ANJOS & VASCONCELLOS, 2005;
CARBINATTO & FREITAS, 2005; AMÉSTICA et al, 2006).
No ser humano, a força pode ser entendida como a capacidade de superar
resistências externas através de esforços musculares. Entretanto, para uma
definição mais precisa, ela recebe diversas outras classificações de acordo com
suas diferentes formas de aplicação e manifestação. A força potente pode ser
entendida como a capacidade do sistema neuromuscular mobilizar o potencial
funcional com a finalidade de alcançar altos níveis de força no menor tempo
possível, e quanto maior a força potente de um indivíduo nos membros inferiores
maior será a altura do seu salto vertical (ZAKHAROV, 1992; ZATSIORSKY, 1999;
VERKHOSHANSKI, 2001; FLECK & KRAEMER, 2002; PLANOTOV, 2004;
WEINECK, 2005).
Quando um indivíduo deseja mobilizar o seu corpo no espaço, a força máxima
e a força potente estão estritamente relacionadas. Quanto maior for a força máxima
de um indivíduo, maior será sua força potente. Porém existe um platô para esta
relação: a força máxima ideal para um indivíduo mobilizar o seu corpo em altas
velocidades pode ser considerada uma força de membros inferiores capaz de
levantar duas vezes e meia o seu peso corporal no aparelho “leg press”
(ZATSIORSKY, 1999; DINTIMAN, WARD & TELLEZ, 1999; WEINECK, 2005;
BADILLO & AYESTARÁN, 2001).
34
O ganho de força máxima e da potência muscular pode resultar em uma
melhora no rendimento esportivo, desde que sejam aplicadas corretamente: no
momento certo, na direção certa e na velocidade necessária. O pico de potência
realizado pelos membros inferiores durante um salto vertical pode estimar a altura
que o corpo irá subir. De acordo com a terceira Lei de Newton, Acão e Reação,
quanto maior a força aplicada para baixo, maior será a força aplicada para cima.
Portanto, quanto maior o pico de potência, maior a potência dos membros inferiores
e maior a velocidade de aceleração ascendente do corpo (HARMAN et al, 1991;
JOHNSON & BAHAMONDE, 1996; SAYERS et al, 1999; DINTIMAN, WARD &
TELLEZ, 1999; CANVAN & VESCOVI, 2004; LARA et al; 2006).
Nos esportes, inclusive no skate, a velocidade dos movimentos é a
responsável pela boa performance dos atletas. Por isso, melhorar a velocidade tem
sido uma preocupação de diversos atletas de várias modalidades esportivas. A
melhora
desta
velocidade
depende
de
uma
abordagem
completa
de
condicionamento, com o treinamento de força, treinamento pliométrico e o
aperfeiçoamento das técnicas. A altura de um salto vertical está diretamente
relacionada com a velocidade com que o corpo é lançado para cima, e para os
esportes que envolvem o salto vertical, um incremento de 5% pode significar
grandes alterações nas performances (BAUER et al, 1990; ADAMS et al, 1992,
UGRINOWITSCH & BARBANTI, 1998; FATOUROS et al, 2000; BRANDÃO et al,
2003, BOBBERT & VAN SOEST, 1994, MARQUES & GONZÁLEZ-BADILLO, 2005;
CARVALHO et al, 2005; MALISOUX et al, 2006).
O valor das investigações relacionadas aos esportes de maneira geral, só
começou a ser verdadeiramente apreciado nos anos 90 (BARBANTI, TRICOLI &
UGRINOWITSCH, 2004), o que mostra o quanto é recente a influência de pesquisas
científicas nos treinamentos de atletas. Porém, para o skate, esta aproximação entre
conhecimento científico e treinamento esportivo é mais recente ainda, sendo que
poucos skatistas treinam com suporte teórico. Muitas questões encontram-se sem
respostas no que diz respeito ao aumento da performance da manobra Ollie, e
apenas dois estudos foram encontrados a respeito dos fatores envolvidos em sua
performance (TESLER, 2000; FROISLAND, MATSON & STUTZMAN, 2004). Assim
sendo, a intenção deste estudo é fornecer subsídios teórico-técnico para os
treinadores e atletas de skate, no que diz respeito à contribuição das forças dos
membros inferiores para a performance do Ollie.
35
4. OBJETIVOS
4.1 OBJETIVO GERAL
Verificar a relação entre a performance da manobra Ollie do skate com a
potência muscular dos membros inferiores e força muscular dos extensores do
joelho e quadril em atletas de categorias de base.
4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
-Buscar referencial da cinesiologia do movimento da manobra Ollie do skate;
-Realizar o teste de CVIM nos músculos extensores do joelho e quadril;
-Realizar o teste de impulsão vertical, CMJ e SJ;
-Mensurar a altura atingida durante a manobra Ollie;
-Correlacionar as variáveis condicionais, potência e força, com a performance
da manobra Ollie.
36
5. FORMULAÇÃO DO PROBLEMA
Qual a proporção de dependência das variáveis força e potência muscular
dos membros inferiores para a performance da manobra Ollie?
5.1 HIPÓTESE
A performance da manobra Ollie do Skate depende da combinação da
potência e força musculares do membro inferior.
5.2. DEFINIÇÃO OPERACIONAL DAS VARIÁVEIS:
5.2.1 Variável dependente:
Performance: Altura atingida pelo skatista durante a manobra Ollie.
5.2.2 Variável independente:
-Potência: Representa a força potente de um indivíduo, obtida pelo produto da
força pela velocidade. É medida através de uma relação da altura atingida
durante o teste de impulsão vertical com o peso corporal do atleta e a
estatura, fornecendo um valor de potência máxima produzida, o pico de
potência.
-Força: capacidade de superação da resistência externa e de contra-ação a
esta resistência, por meio dos esforços musculares (ZAKHAROV, 1991),
medida através de testes de CVIM.
37
5.2.3 Variável interveniente:
-Técnica desportiva: estrutura racional de um ato motor para atingir um
objetivo terminado e, neste estudo, não será mensurada.
-Condição do material: é a qualidade dos materiais (skate e tênis) utilizados
pelo atleta e, neste estudo, não será avaliada.
-Vivência no desporto: é o tempo total em que o atleta pratica o desporto,
desde o seu primeiro contato, considerando a freqüência e a intensidade dos
treinos, e, neste estudo, será de no mínimo dois anos.
-Condição física: é determinada pelo genótipo e pela pratica esportiva do
indivíduo, e, neste estudo, não será mensurada.
38
6. METODOLOGIA
6.1 TIPO DE ESTUDO
Este estudo teve delineamento expostfacto, de corte transversal, do tipo
descritivo, visando verificar a relação entre a performance da manobra Ollie do skate
com a potência e força muscular dos membros inferiores.
6.2 AMOSTRA
A amostra desta pesquisa foi intencional, constituída por 10 indivíduos do
sexo masculino praticantes de Street skate há no mínimo dois anos e que participam
de campeonatos de Street skate nas categoria Iniciante, Amador II e Amador I. A
Tabela 1 apresenta as características antropométricas dos indivíduos. Os indivíduos
foram informados dos procedimentos da pesquisa e assinaram um termo de
consentimento livre e esclarecido (TCLE), antes da realização da avaliação (Anexo
1). Os indivíduos foram informados que poderiam deixar de participar da pesquisa
em qualquer momento, se assim o desejassem.
Tabela 1 Média e desvio-padrão das características antropométricas dos indivíduos.
Idade (anos)
18,10 ± 3,70
Massa corporal (kg)
62,70 ± 9,50
Estatura (cm)
172,20 ± 10,60
39
6.3 PROCEDIMENTOS DE AQUISIÇÃO DE DADOS
Os procedimentos para aquisição dos dados foram realizados no Laboratório
de Biomecânica da UNISINOS e em áreas publicas, próximo a suas residências.
Todos os indivíduos foram avaliados uma única vez. Foram realizados quatro
procedimentos de avaliação: (1) teste de contração voluntária máxima, (2) teste de
salto vertical com contra movimento, (3) teste de salto vertical a partir de
agachamento e (4) teste de altura da manobra Ollie.
6.3.1 Teste de Contração Voluntária Isométrica Máxima (CVIM)
O teste de CVIM foi realizado três vezes para os extensores do joelho e
extensores do quadril, em cada membro inferior, com intervalo de dois minutos entre
cada tentativa. O membro inferior direito foi sempre o primeiro a ser avaliado.
Para a mensuração da força dos músculos extensores de joelho os indivíduos
foram posicionados sentados em um banco, com as costas apoiadas, estando as
coxas presas ao banco por tiras de velcro, em um ângulo de 900 de flexão de joelho.
Os tornozelos foram presos, isoladamente, a uma cinta de couro que por sua vez
estava acoplada a uma célula de carga. A célula de carga estava fixada em uma
estrutura metálica, de modo a ficar perpendicular ao tornozelo e impedindo qualquer
movimento de extensão do joelho (Figura 6). Foi solicitado que o individuo tentasse
realizar o movimento de extensão do joelho com a máxima força possível.
40
Figura 6 Posicionamento do atleta para o
teste de CVIM, para mensuração da força
dos extensores do joelho. Em destaque, a
célula de carga.
Para a mensuração da força dos extensores do quadril os indivíduos foram
posicionados em decúbito ventral sobre um banco, estando o tronco preso ao banco
por tiras de velcro na região da coluna lombar, com a articulação coxo-femoral e
joelhos flexionados (Figura 7). As coxas estavam presas a uma cinta de couro que
por sua vez estava acoplada a uma célula de carga. A célula de carga estava fixada
em uma estrutura metálica, de modo a ficar perpendicular a coxa, impedindo
qualquer movimento de extensão do quadril. Foi solicitado que o individuo tentasse
realizar o movimento de extensão do quadril com a máxima força possível.
41
Figura 7 Posicionamento do atleta para o teste de CVIM, para
mensuração da força dos extensores do quadril. Em destaque, a
célula de carga.
Para a aquisição dos sinais de força durante a CVIM, foi utilizada uma célula
de carga de 1000 N (EMG System do Brasil Ltda, São José dos Campos), conectada
a um computador Pentium 200 MHz com 64 Mb Ram, dotado de um conversor A/D
(EMG System do Brasil Ltda, São José dos Campos). A aquisição dos sinais foi
realizada com o software AqDados (Lynx Tecnologia Eletrônica Ltda, São Paulo). A
taxa de amostragem foi de 500 Hz.
6.3.2 Teste de salto vertical com contra movimento (CMJ)
Inicialmente foi colocado pó de giz nos dedos dos indivíduos e solicitado que
se posicionassem ao lado de uma parede, de modo que ao estenderem seus
membros superiores a 1800, realizassem uma marca de giz na parede, evidenciando
a máxima altura atingida por eles na postura ereta (Figura 8).
Após foi solicitado que os indivíduos realizassem um salto vertical partindo da
posição ereta, podendo realizar um contra movimento, ou seja, uma flexão de
42
joelhos. Foi solicitado que saltassem o máximo possível. Foi permitido que houvesse
movimentação dos membros superiores durante o salto. Os indivíduos deveriam
tocar a parede, deixando-a com a marca de giz no momento mais alto do salto.
Foram realizadas três tentativas para obtenção de máximas alturas. Antes da
realização do teste, os indivíduos foram familiarizados com o protocolo, realizando
três tentativas sub-máximas.
Figura 8 Posicionamento do atleta
para realizar uma marca de giz na
parede, antes dos teste de SV.
6.3.3 Teste de salto vertical a partir de agachamento (SJ)
Foi solicitado que os indivíduos realizassem um salto vertical partindo da
posição estática de agachamento, na qual os joelhos ficassem com 900 de flexão
43
(Figura 9). Foi solicitado que saltassem o máximo possível e que não realizassem
qualquer movimento contra-lateral, ou seja, nenhuma flexão de joelhos. Foi permitido
que houvesse movimentação dos membros superiores durante o salto. Os indivíduos
deveriam tocar a parede, deixando-a com a marca de giz no momento mais alto do
salto. Foram realizadas três tentativas para obtenção de máximas alturas. Antes da
realização do teste, os indivíduos foram familiarizados com o protocolo, realizando
três tentativas sub-máximas.
Figura 9 Posicionamento do atleta para
realizar o teste SJ
44
6.3.4 Protocolo de avaliação da performance da manobra Ollie
Para mensurar a altura obtida durante o salto Ollie foi construído um
instrumento, representando um obstáculo a ser saltado, que possibilitava graduar
diferentes alturas (Figura 10). Primeiramente o indivíduo deveria estimar a altura
máxima que julgava ser capaz de saltar. Para familiarização com o teste o indivíduo
realizou um aquecimento no aparelho, que consistia em uma série de 3 saltos a 50%
da altura máxima predita pelo skatista.
Para o inicio do teste, a altura do equipamento foi regulada de 10 a 20 cm
abaixo da máxima altura predita. Foi solicitado que os indivíduos realizassem um
salto sobre o instrumento (Figura 10). Para cada salto com êxito a altura do
equipamento era novamente regulada, sendo aumentada em 5 cm. Quatro tentativas
foram permitidas em cada altura. Quando o individuo não conseguisse realizar o
salto em quatro tentativas consecutivas, o teste era interrompido e a última altura
com êxito registrada. O indivíduo poderia tomar a distância e a velocidade para o
salto que julgasse necessárias e fazia um intervalo de 2 minutos a cada 3 saltos.
Este teste foi previamente validado, em um estudo piloto, com procedimento de teste
e re-teste, com intervalo de sete dias entre eles, tendo apresentado uma forte e
significativa correlação entre os dois dias de avaliação (r=0,96; p=0,000). Estes
resultados indicaram a fidedignidade do protocolo de avaliação da performance da
manobra Ollie.
45
Figura 10 Atleta realizando o salto Ollie sobre o
equipamento: (1) vara de madeira com as pontas
chanfradas; (2) cano de pvc com pequenos furos
distantes 5 cm entre si e (3) base de metal para
apoio no solo.
6.4 PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE DE DADOS
O processamento dos sinais de força obtidos no teste de CVIM foi realizado
utilizando-se um sistema de aquisição de dados AqDados 7.02 (Lynx Tecnologia
Eletrônica Ltda, São Paulo). Foram registrados os maiores valores de força obtidos
em cada uma das três tentativas do teste de CVIM e realizada uma média das três
tentativas.
Tanto no teste de salto vertical contra movimento quanto no salto vertical a
partir de agachamento foi considerado o maior valor obtido nas três tentativas para
46
cada teste. No Protocolo de avaliação da manobra Ollie foi registrado o Maximo
valor obtido, independente do número de tentativas.
Os valores obtidos nos testes de salto vertical foram utilizados para predizer
a potência dos membros inferiores. Quando utilizado o valor do teste contra
movimento utilizou-se a equação (1) de predição de Jonhson & Bahamonde (1996).
P = (78,5 ⋅ CMJ (cm)) + (60,6 ⋅ massa(kg )) − (15,3 ⋅ estatura(cm)) − 1308 (equação 1)
onde:
P = potência dos membros inferiores (W)
CMJ = altura obtida no salto vertical contra movimento (cm)
massa = massa corporal do avaliado (kg)
estatura = estatura do avaliado (cm)
Quando o utilizado valor do teste a partir do agachamento, utilizou-se a
equação (2) de predição de Hartman et al (1991). Os dados de força e potência e
altura do salto Ollie foram tabelados e submetidos a tratamento estatístico.
P = (61,9 ⋅ SJ (cm)) + (36 ⋅ massa(kg )) − 1822
(equação 2)
onde:
P = potência dos membros inferiores (W)
SJ = altura obtida no salto vertical a partir de agachamento (cm)
massa = massa corporal do avaliado (cm)
47
6.5 TRATAMENTO ESTATÍSTICO
Os dados foram analisados no software SPSS 10.0. Inicialmente a
normalidade e a variância dos dados foram verificadas e confirmadas, utilizando os
testes de Shapiro-Wilk e Levene, respectivamente. As variáveis independentes força
e potência foram submetidas a um teste de Regressão Linear Simples com a
intenção de predizer a probabilidade de participação de cada uma destas variáveis
na performance do salto Ollie. O nível de significância adotado foi 0,05.
48
7 APRESENTAÇAO DOS RESULTADOS
A avaliação da performance do salto Ollie demonstrou que, em media, os
skatistas foram hábeis para saltar um obstáculo de 64,5±9,2 cm. A Tabela 2
apresenta os valores de média e desvio-padrão dos skatistas obtidos nas avaliações
dos saltos verticais, com contra movimento (CMJ) e a partir de agachamento (SJ), e
das contrações voluntárias isométricas máximas, tanto dos extensores do joelho
quanto dos extensores do quadril. Pode-se observar que não houve diferença para
os valores de força entre o membro dominante e não-dominante e que a potência
dos membros inferiores foi maior quando calculada utilizando os resultados do salto
vertical contra movimento.
Tabela 2 Média e desvio padrão dos valores de saltos (cm), força (kgf) e potência (W). Onde: D
significa membro dominante eND significa membro não dominante.
CMJ
SJ
SALTOS
46,7 ± 8,3 ExtJoe D
37,8 ± 8,4 ExQua D
ExtJoe ND
ExQua ND
FORÇA
43,2 ± 9,9
79,2 ± 26,3
44,2 ± 13,8
80,6 ± 27,1
POTÊNCIA
PCMJ 3519 ± 1057
PSJ
2776 ± 798
Os resultados do teste de regressão simples estão na Tabela 3, que
apresenta as variáveis independentes de acordo com o critério de significância, ou
seja, o quanto cada variável contribuiu para explicar o sucesso da variável
dependente, no caso, o salto Ollie. Pode-se observar que a força dos músculos
extensores do joelho no membro não-dominante não foi significativa para explicar a
performance do Ollie.
49
Tabela 3 Ordem de inclusão das variáveis independentes no modelo
de regressão linear simples, onde o salto Ollie é a variável
dependente.
Sig.
Variável independente
R2
PCMJ
PSJ
ExJoe D
ExQua D
ExQua ND
ExJoe ND
0,837
0,716
0,506
0,488
0,423
0,358
0,000*
0,002*
0,021*
0,025*
0,042*
0,068
*p<0,05: critério de inclusão
A Figura 11 ilustra a ordem da inclusão das variáveis independentes no
modelo de regressão linear simples que visa explicar a contribuição das variáveis
na performance do salto Ollie. Em suma, os resultados demonstram que 83,7%
da variância do salto Ollie é explicada pela variável PCMJ e que 50,6% da variância
do salto Ollie é explicada pela variável força dos extensores do joelho do membro
dominante. Estes resultados sugerem que a performance da manobra Ollie do
Skate depende da combinação da potência e força musculares do membro
inferior, de modo que a hipótese previamente formulada é aceita.
% de contribuiçao das variaveis
independentes no Ollie
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
PCMJ
PSJ
ExJoe D
ExQua D
ExQua ND
Figura 11 % de contribuição das variáveis potência contra movimento
(PCMJ), potência a partir do agachamento (PSJ), força dos extensores do
joelho do membro dominante (ExJoe D) e força dos extensores do quadril do
membro dominante (ExtQua D) e não-dominante (ExQua ND).
50
8. DISCUSSAO DOS RESULTADOS
Este estudo foi conduzido com o propósito de verificar a relação entre a
performance da manobra Ollie do skate com a potência dos membros inferiores e da
força muscular dos extensores do joelho e quadril em atletas de categorias de base.
Em suma, os resultados demonstram que 83,7% da variância do salto Ollie é
explicada pela PCMJ e que 50,6% da variância do salto Ollie é explicada pela variável
força dos extensores do joelho do membro dominante. Estes resultados sugerem
que a performance da manobra Ollie do skate depende da combinação da potência
e força musculares do membro inferior, de modo que aceita-se hipótese
experimental deste estudo.
Baseado nas afirmativas de que a altura do Ollie é depende da aceleração
ascendente do corpo do atleta e que é resultado de uma capacidade de geração de
força e a habilidade para sua aplicação (FROISLAND, MATSON & STUTZMAN,
2004; TESLER, 2000) uma boa relação entre a performance do Ollie e a potência
de atletas experientes já era esperada. Considerando que a utilização do ciclo
alongamento encurtamento ocorre tanto no CMJ quanto no Ollie, já era esperado
uma maior relação entre a PCMJ do que a PSJ para performance do Ollie. Porém, o
valor de 71,6% da PSJ demonstra que a capacidade contrátil e a capacidade dos
mecanismos nervosos de recrutamento e sincronização dos músculos também são
bem relacionadas com a performance do Ollie. A diferença entre a relação da PCMJ e
a PSJ é de 12,1%, indicando que uma melhora na capacidade de utilização das
estruturas elásticas pode representar significativos incrementos na performance do
Ollie.
A velocidade com que um corpo é lançado para cima resulta na altura do salto
e esta velocidade depende da força isométrica máxima. A correlação entre a força
isométrica máxima e altura do Ollie não foi mais forte, provavelmente, porque a
velocidade com que o corpo é lançado para cima depende, também, da força de
partida, da força explosiva, de outros grupos musculares e possivelmente somente
de fibras do tipo IIB, ao contrário do que ocorre na força isométrica máxima
(WEINECK, 2005; PANCORBO SANDOVAL, 2005; PLATONOV, 2004).
Porém, os valores encontram-se dentro do esperado, uma vez que Hubley e
Well (s/d apud CARVALHO et al, 2005) encontraram que os extensores do joelho
51
contribui com 50% para a performance do SV e o presente estudo encontrou o valor
de 50,6% de correlação para este mesmo grupo muscular na manobra Ollie. Os
valores dos extensores do joelho e extensores do quadril da perna não dominante
apresentaram baixa correlação com a altura do Ollie, sendo que os extensores do
joelho não foi significativo. Isto remete a crença de que existe um desequilíbrio do
corpo do atleta para frente no momento da impulsão, e ou que a força que o atleta
aplica contra o skate é maior na perna dominante. Esta especulação faz sentido,
uma vez que se a força aplicada contra o skate fosse gerada pela perna não
dominante, a perna de trás, o skate poderia girar sobre o eixo traseiro. Assim sendo,
quando se deseja entender qual dos membros tem maior contribuição para a
performance do Ollie, pode-se sugerir que é o membro dominante, ou seja, a perna
que fica na frente, embora, no presente estudo, não tenham ocorrido diferenças
significativas para a força e potência entre os membros.
Observando os resultados também pode-se sugerir que na média, os
extensores do quadril apresentam maior contribuição para a performance do Ollie do
que os extensores do joelho, pois os extensores do joelho, da perna não dominante,
apresentaram uma relação não significativa com o Ollie. Estes resultados parecem
estar de acordo com Bobbert et al (1986) que concluem em seus estudos uma
contribuição de 38% dos extensores do quadril e 32% dos extensores do joelho para
o SV, e com Fukashiro & Komi (1987) que afirmam que os extensores do quadril
parecem ser os maiores responsáveis pela diferença entre o CMJ e o SJ. Também,
em um estudo recente, Nagaro et al (2005), demonstraram através de uma
simulação tridimensional do CMJ que os músculos mono articulares apresentam
maior potência e trabalho do que os bi-articulares, e que os músculos glúteo
máximo, vastos, grastocnêmios, sóleos, e outros flexores plantares representam os
atuantes primários no CMJ, o que também traz sentido aos valores de correlação
significativas encontrada no presente estudo. Porém, durante as coletas realizadas
nesta pesquisa, no teste de extensão do quadril, o ângulo de flexão do joelho não foi
constante e nem exatamente o mesmo para todos os indivíduos, fazendo com que a
contribuição dos ísquios tibiais para a extensão do quadril fosse levemente diferente
entre os indivíduos avaliados. Isto possivelmente subestimou a relação de força dos
extensores do quadril com a performance do Ollie e representa uma limitação
metodológica deste estudo.
52
Neste estudo, durante os testes de SV o balanceio dos braços foi permitido,
superestimando os valores de potência preditos pelas equações que foram
determinadas por valores de saltos que não permitiam a movimentação dos braços.
O balanço dos braços pode aumentar a altura do salto de 6 a 10% ou mais
(LUHTANEN & KOMI, 1979; SHETTY & ETNYRE, 1989; HARMAN et al, 1990). No
entanto, o efeito disto sobre a performance do Ollie não ficou claro, ou seja, pode ter
tanto superestimado ou subestimado a relação entre potência e altura do Ollie. Pode
ter prejudicado a correlação, uma vez que a contribuição da movimentação dos
braços para a altura do SV ocorre de forma diferente para cada indivíduo. Por outro
lado, pode ter melhorado a correlação, pois no movimento do Ollie também ocorre
uma movimentação dos braços.
Considerando que a amostra deste estudo é composta por atletas masculinos
amadores de diferentes estaturas e idades, se optou por utilizar a equação de
Harman et al (1991) para o SJ, pois foi a única opção encontrada para este tipo de
salto com uma amostra mais semelhante com aquela do referido estudo, ou seja,
indivíduos do sexo masculino e fisicamente ativos. Para o CMJ se optou pela
equação de Johnson e Bahamonde (1996), pois foi determinada por uma amostra
com 30 indivíduos praticantes de esportes, sendo a única equação encontrada que
considera as estaturas dos indivíduos, e se revelou a mais eficaz em predizer a
potência de atletas juniores de alta performance do voleibol (TOMPOS, 2003).
Porém, os valores de potência preditos através do PSJ são duvidosos, pois o
movimento de uma técnica válida de SJ é de difícil controle, e a maneira de controlar
e validar um SJ reportada por Harman et al (1991) perece ser pouco precisa
(CANAVAN & VESCOVI, 2004).
Um fator que possivelmente subestimou significativamente todos os valores
de correlação neste estudo, foi a heterogeneidade da amostra, pois além de alguns
indivíduos apresentarem fortes dores no joelho e dois indivíduos serem praticantes
de musculação, ela foi composta por indivíduos com grandes diferenças entre idade,
estatura, peso, nível e tempo de prática. Com isso, entende-se que os resultados
apresentariam correlações mais fortes se a amostra do estudo fosse um grupo
homogêneo.
Observando a prática do skate, o controle do skate no plano, nas rampas,
andando para frente, para trás, fazendo curvas para direita e para esquerda,
parecem serem os pré-requisitos para o atleta aperfeiçoar suas manobras. As
53
qualidades técnicas que um atleta de Street skate precisa desenvolver em todas as
inclinações de terreno e nas duas bases parecem ser o controle do skate, o embalo
com velocidade, as manobras de slide e as manobras de salto.
Durante este estudo também pode-se observar uma diferente técnica de
movimentação dos braços durante o Ollie. Considerando que a movimentação dos
braços
pode
representar
vigorosos
incrementos
em
saltos
(LESS;
VANRENTERGHEM & CLERCQ, 2004), este fato tem motivado a pensar em um
próximo estudo, com objetivo de verificar se a existência de uma melhor técnica de
movimentação dos braços poderia ser apresentada, expressando numericamente as
diferenças de performance através de cálculos biomecânicos. Um estudo dessa
natureza possibilitaria verificar se é vantajoso um atleta trocar sua técnica de
movimentação de braços para obter melhores performances durante os saltos.
54
9 CONCLUSÃO
Os resultados demonstraram que não houve diferença para os valores de
força, tanto dos extensores do joelho quanto dos extensores do quadril, entre o
membro dominante e não-dominante, apesar do membro dominante apresentar
maiores valores de força. Os resultados também demonstraram que a potência dos
membros inferiores foi maior quando calculada utilizando os valores do salto vertical
contra movimento, em relação aos valores do salto vertical a partir de agachamento.
Quanto o grau de contribuição das variáveis potência e força musculares na
performance do salto Ollie, os resultados demonstram que 83,7% da variância do
salto Ollie pode ser explicada pela variável potência, quando calculada pelo salto
contra movimento, e que 50,6% da variância do salto Ollie é explicada pela variável
força dos extensores do joelho do membro dominante. Estes resultados sugerem
que para skatistas experientes, na performance da manobra Ollie, as variáveis
potência e força muscular parecem ser determinantes.
55
REFERÊNCIAS
AMÉSTICA, M. C. et al. El skate urbano juvenil: una prática social y corporal en
tiempos de la resignificación de la identidad juvenil chilena. Revista Brasileira de
Ciências do Esporte, Campinas, v.28, n.1, p.39-53, set. 2006.
BADILLO, J. J. G; AYESTARÁN, E. G. Fundamentos do treinamento de força :
aplicação ao alto rendimento desportivo. Porto Alegre: ARTMED, 2001.
BARBANTI, V.J. Desenvolvimento das capacidade físicas básicas na puberdade.
Revista Paulista de Educação Física, São Paulo, v.3, n.5, p.31-7, 1989.
BARBANTI, V; TRICOLI, V; UGRINOWITSCH, C. Relevância do conhecimento
científico na prática do treinamento físico. Rev. paul. Educ. Fís, São Paulo, v.18,
p.101-09, ago. 2004.
BASTOS, A. F; ANJOS, J. L; VACONCELLOS, B. Educação Física e esportes
radicais do meio urbano: uma aproximação possível. Revista de Educação Física
UNESP, v.11, n.1, Jan.-Abril. 2005.
BASTOS, B. G; PETERSEN-WAGNER, R. O skate no rio grande do Sul. In: MAZO,
Janice Zarpellon; FILHO, Alberto R. Reppold. Atlas do Esporte no Rio Grande do
Sul: Atlas do esporte, educação física e atividades de saúde e lazer no Rio Grande
do Sul. Porto Alegre, 2005.
BASTOS, B. G; RECKZIEGEL, C. O Skate como cultura a ser estudada: a etnografia
como uma opção. in ANAIS do XIV CONBRACE / I CONICE, Porto Alegre – RS,
2005.
BITENCOURT, V; AMORIN, S. Skate. In: DaCOSTA, Lamertine P. Atlas do Esporte
no Brasil: Atlas do esporte, educação física, atividades físicas de saúde e lazer no
Brasil. Rio de Janeiro: Shape, 2005.
BOBBERT, M. F et al. Biomechanical analysis of Drop and Countermovement
Jumps. European Journal of Applied Physiolog, v. 54. p. 566-573, 1986.
BOBBERT, M. F; VAN SOEST, A.J. Effects of muscle strengthening on vertical jump
heigth: a simulation study. Med. Sci. Sports Exerc, v.26, p.1012-1020, 1994.
56
BOMPA, T. O. Periodização : teoria e metodologia do treinamento. São Paulo:
Phorte, 2002.
BRANDÃO, J. R. M. et al. Comparação entre métodos de treinamento da capacidade
de saltos para atletas infanto-juvenis de basquetebol. Revista Digital Vida e Saúde,
Juiz de Fora, v. 2, n. 3, 2003.
BRIDGMAN, S; COLLINS, J. and D. F. Human body motion in an Ollie. The Physics
Teacher, v.30, Issue 8, p.498-499. Nov, 1992.
CARBINATOO, M; FREITAS, M. Estimativa da maior intensidade onde o Educação
física escolar e os esportes radicais. Revista de Educação Física UNESP, v. 11,
n.1, jan-abril, 2005.
CARVALHO, A. et al. Apresentação de um programa de treino de força associado a
pliometria específica para membros inferiores em jogadores de voleibol. In: Anais do
Actas 3º Simpósio do Treino e Avaliação da Potência e Força da Musculatura.
P. 215-229. Maia, 2005.
CANAVAN, P. K; VESCOVI, J. D. Evaluation of power prediction equations: peak
vertical jumping power in women. Med Sci Sports Exerc; v.36, p.1589-1593. 2004.
Confederação
Brasileira
de
Skate.
CBSK.
<http://www.cbsk.com.br>. Acesso em 22 de set, 2006.
Disponível
em:
CRUZ, E. M. Estudo do Salto Vertical: Uma análise da relação de forças
aplicadas. 2003. Dissertação (Mestrado na área da Ciência do Desporto) Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2003.
DINTIMAN, G. B. et al. Velocidade nos esportes. 2. ed. São Paulo: Manole, 1999.
FATOUROS, I. et al. Evaluation of plyometric exercise training, weight training and
their combination on vertical jumping performance and leg strength. J Strength
Cond Res.;14(4):470-6, 2000.
FLECK, S. J; KRAEMER, W. J. Fundamentos do treinamento de força muscular.
2. ed. Porto Alegre: ARTMED, 1999-2002.
57
FREDERICK, E. C. et al. Biomechanics of skateboarding: kinetics of the Ollie.
Journal of applied biomechanics (1065-8483) J. Appl. Biomech. Feb;22(1):33-40 2006;
FROISLAND, A; MATSON, J; STUTZMAN, M. The Skateboard Ollie-a
biomechanical analysis. Undergraduate Porjects Kins 382: 2004. Disponível em:
<http://www.humboldt.edu/~movement/>. Acesso em: 1 de set. 2006.
FUKASHIRO, S; KOMI, P. Joint Moment and Mechanical Power Flow of the Lower
Limb During Vertical Jump. Journal of Sports Medicine. v. 8.. Suppl 1: p.15-21.
1987.
HARMAN, E. A. et al. The effects of arms and countermovement on vertical jumping.
Medicine and Science in Sports and Exercise, 22,825 – 833. 1990.
HARMAN E. A. et al. Estimates of human power output from vertical jump. J. Appl
Sport Sci Res; v.5, p.116-120. 1991.
HERTOGH. C; HUE, O. Jump evaluation of elite volleyball players using two
methods: jump power equations and force platform. J Sports Med Phys Fitness;
v.42, p.300-303, 2002.
HONORATO, T. Uma História do skate no Brasil: do lazer à esportivização. In: Anais
do XVII Encontro regional de História: o lugar da história. Campinas, Unicamp,
2004.
HUNT, I. K; MARTIN, S; HETZLER, R. K. Metabolic responses to skateboarding.
Medicine & Science in Sports & Exercise, v.35(5), Suppl, p.S155, May. 2003.
JOHNSON, D. L; BAHAMONDE, R. E. Power output estimate in university athletes. J
Strength Cond Res; v.10, p.161-166. 1996.
KREIGHBAUM, E, BARTHELS K. M. Neuromuscular aspects of movement.
Biomechanics; v.2, p.63-92. 1990.
LARA, A. J. et al. Assessment of power output in jump tests for applicants to a sports
sciences degree. J Parasitol, v.92 p.796-802, aug. 2006.
58
LARA, A. J. et al. Jump tests on a force platform in women’s volleyball. (Spanish).
Revista de Entrenamiento Deportivo; v.18, p.11-16. 2004
LAURO, F. A. A. et al. Concentric knee isokinetic strenght and power of brasilian
professional skateboarders. Medicine & Science in Sports & Exercise. V. 31(5)
Suppl. p256, May. 1999.
LAURO, F. A. A. et al. Maximal oxygen uptake of brasilian profissional
skateboarders. Medicine & Science in Sports & Exercise. V. 32(5), Suppl. p209,
2000.
LEES, A; VANRENTERGHEM, J; CLERCQ, D. D. Undertanding how an arm swing
enhances performance in the vertical jump. Journal of Biomechanics v. 37 p.19291940. 2004.
LUHTANEN, P; KOMI, P. V. Mechanical power and segmental contribution to force
impulses in long jump take off. European Journal Applied Physiology v.41, p.267
–274, 1979.
MALISOUX L. et al. Stretch-shortening cycle exercises: an effective training
paradigm to enhance power output of human single muscle fibers, J Appl Physiol,
100, 3, 771-9. 2006.
MARQUES, M. A. C; GONZÁLEZ-BADILLO, J.J. O efeito do treino de força antes e
depois do trabalho técnico-táctico em jogadores de basquetebol. In: Anais do Actas
3º Simpósio do Treino e Avaliação da Potência e Força da Musculatura. p. 326335. Maia, 2005.
MCGINNIS, P. M. Biomecânica do esporte e exercício. Porto Alegre: ARTMED,.
403 p. 2002.
MEIRA, M; CONCEIÇÃO M. V; MARTINS, M. C. M. A física do skate: uma visão
“irada” da mecânica. In: Atas do XV Simpósio Nacional de Ensino de Física - CO1-007. 2003.
MESTEK, M. The physiological responses to skateboarding. Notherm Illinois
University. PH 1811. 2001.
MOREIRA, S. B. Determinação da Força Relativa a Partir de Testes Práticos de
Resistência Muscular Localizada. Artus. v. 22. p. 58-62. 1989.
59
NAGARO, A. et al. Force, work and power output of lower limb muscles during
human maximal-effort contermovement jumping. Journal of Eletromyography and
Kinesiology v.15 p.367-376. 2005.
PANCORBO SANDOVAL, A. E. Medicina do esporte: princípios e prática. Porto
Alegre: ARTMED, 2005.
PLATONOV, Vladimir N. Teoria geral do treinamento desportivo olímpico. Porto
Alegre: ARTMED, 2004.
Skateboarding:
The
Sport,
Explained.
REED,
C.
Disponível
http://skateboarddirectory.com/articles/480283_skateboarding_the_sport.html.
Acessado em 10/9/2006. Postado em set. 2002.
em
SAYERS, S. P. et al. Cross-validation of three jump power equations. Med Sci
Sports Exerc; v. 31, p.572-577. 1999.
SELBIE, W. S; CALDWELLL, G. E. A Simulation Study of Vertical Jumping From
Different Starting Postures. Journal of Biomechanics, v.29. n.9. p.1137-1146. 1996.
SHETTY, A. B; ETNYRE, B. R. Contribution of arm movement to the force
components of maximal vertical jump. Journal of Orthopedic and Sports Physical
Therapy, v.11, p.198 –201. 1989.
STONE, M. H. et al. Power and Maximum Strength Relationships during
Performance of Dynamic and Static Weighted Jumps. Journal of Strenght and
Conditioning Research, v.17(1), p.140-147, 2003.
TESLER, P. Asphalt acrobats. Scientific American Presents, p. 68-73, 6p 5c, 2000.
TOMPOS, G. Predicting power and rate of force development of vertical jumps
in high-performance volleybal players. 2003, 23p. University of Canberra Centre
for Sports Studies, 2003.
UGRINOWITSCH, C; BARBANTI, V. J. O ciclo de alongamento e encurtamento e a
performance no salto vertical. Revista Paulista de Educação Física. São Paulo,
n.12, v.1, 85-94, 1998.
60
VAN INGEN SCHENAU, G. J; BOBBERT, M. F; HAAN, A. Does elastic energy
enhance work and efficiency in the stretch-shortening cycle? Journal of Applied
Biomechanics, v.3, n.4, p.389-415, 1997a.
__________ Mechanics and energetics of the stretch-shortening cycle: a stimulating
discussion. Journal of Applied Biomechanics, v.3, n.4, p.484-96, 1997b.
VERKHOSHANSKI, Y. V. Treinamento desportivo. Porto Alegre: Artes Médicas,
2001.
WEINECK, J. Biologia do esporte. 7. ed. São Paulo: Manole, 2005.
ZAKHAROV, A. Ciência do treinamento desportivo. 1. ed. Rio de Janeiro: Grupo
Palestra Sport, 1992.
ZATSIORSKY, V. M. Ciencia e pratica do treinamento de forca. 1. ed. Guarulhos:
Phorte, 1999.
61
ANEXO A - TERMO DE CONSENTIMENTO INFORMADO
Você esta sendo convidado a participar de um estudo sobre a performance do
Ollie. Neste sentido, pedimos que você leia este termo e esclareça suas dúvidas
antes de consentir, com sua assinatura, a sua participação.
OBJETIVO DO ESTUDO
Verificar a relação entre a performance da manobra Ollie do skate com a
potência muscular dos membros inferiores e força muscular dos extensores do
joelho e quadril em atletas de categorias de base.
PROCEDIMENTOS DE AQUISIÇÃO DE DADOS
Os procedimentos para aquisição dos dados serão realizados no Laboratório
de Biomecânica da UNISINOS e em áreas publicas, próximo a suas residências.
Serão realizados quatro procedimentos de avaliação: (1) teste de contração
voluntária máxima, (2) teste de salto vertical contra movimento, (3) teste de salto
vertical a partir de agachamento e (4) teste de altura da manobra Ollie.
1 Teste de Contração Voluntária Isométrica Máxima (CVIM)
Para a mensuração da força dos músculos extensores de joelho você será
posicionado sentado em um banco, com as costas apoiadas e coxas presas ao
banco por tiras de velcro. Os tornozelos serão presos, isoladamente, a uma cinta de
couro que por sua vez estará acoplada a uma célula de carga. A célula de carga
medirá sua força enquanto você tentará realizar o movimento de extensão do joelho
com a máxima força possível.
Para a mensuração da força dos extensores do quadril você será posicionado
em decúbito ventral sobre um banco, estando o tronco preso ao banco por tiras de
velcro na região da coluna lombar, com a articulação coxo-femoral e joelhos
flexionados. As coxas estarão presas a uma cinta de couro que por sua vez estará
acoplada a uma célula de carga. Será solicitado que o voce tente realizar o
movimento de extensão do quadril com a máxima força possível.
2 Teste de salto vertical com contra movimento (CMJ)
62
Você deverá realizar um salto vertical partindo da posição ereta, podendo
realizar um contra movimento, ou seja, uma flexão de joelhos, tentando atingir a
máxima altura possível, deixando uma marca de giz no momento mais alto do salto
em uma parede. Serão realizadas três tentativas para obtenção de máximas alturas.
3 Teste de salto vertical a partir de agachamento (SJ)
Você deverá realizar um salto vertical partindo da posição estática de
agachamento, na qual os joelhos ficassem com 900 de flexão. Será solicitado que
você salte o máximo possível e que não realize qualquer movimento contra-lateral,
ou seja, nenhuma flexão de joelhos. Você deverá tocar a parede, deixando-a com a
marca de giz no momento mais alto do salto.
4 Protocolo de avaliação da performance da manobra Ollie
Primeiramente voce deverá estimar a altura máxima que julga ser capaz de
saltar. Para o inicio do teste, a altura do equipamento será regulado de 10 a 20 cm
abaixo da máxima altura predita por voce. Será solicitado que realize um salto sobre
o instrumento. Para cada salto com êxito a altura do equipamento será novamente
regulada, sendo aumentada em 5 cm. Quatro tentativas serão permitidas em cada
altura. Quando voce não conseguir realizar o salto em quatro tentativas
consecutivas, o teste será interrompido e a última altura com êxito registrada. Você
poderá tomar a distância e a velocidade para o salto que julgar necessária. Um
intervalo de 2 minutos de descanso a cada 3 saltos será exigido.
Riscos e Benefícios do Estudo:
Primeiro: Nenhuma das etapas do teste oferece nenhum risco à sua saúde,
tão pouco o expõe a situações constrangedoras.
Segundo: Este estudo não oferece benefícios diretos para o participante,
entretanto, as conclusões advindas deste trabalho auxiliarão em estudos futuros que
beneficiarão os skatistas em geral.
Confidencialidade:
Ficará resguardado ao pesquisador responsável e protegidas de revelação
não autorizada o uso das informações recolhidas.
63
Voluntariedade:
A recusa do indivíduo em participar do estudo será sempre respeitada,
possibilitando que seja interrompido a rotina de avaliação a qualquer momento, a
critério do indivíduo participante.
Novas informações:
A
qualquer
momento
os
indivíduos
poderão
requisitar
informações
esclarecedoras sobre o estudo, através de contato com o pesquisador.
Contatos e Questões:
Universidade do Vale do Rio dos Sinos
Av. Unisinos, 750 - São Leopoldo
1) Révisson Esteves da Silva
[email protected] ou Fone: (51) 34732375
2) Prof. Cláudia Tarragô Candotti
[email protected] ou Fone: (51) 590-8191 / 590-3333, ramal 2203
Declaração de Consentimento
Eu, ....................................................................................., tendo lido as informações
oferecidas acima, e tendo sido esclarecido das questões referentes ao estudo,
concordo em participar livremente do presente estudo.
__________________________
_____________________
_________
Assinatura
Data
Nome
________________________________
Prof. Dra Cláudia Tarragô Candotti
Profesora Orientadora
_________________________
Révisson Esteves da Silva
Orientando
Download

- Ciência do Skate