UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA CENTRO DE CIÊNCIAS RURAIS CURSO DE GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA EFEITO DO PROTETOR DIETHOLATE NO DESENVOLVIMENTO INICIAL DE ARROZ TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Carlos Eduardo Prates Gonçalves Santa Maria, RS, Brasil 2011 1 EFEITO DO PROTETOR DIETHOLATE NO DESENVOLVIMENTO INICIAL DE ARROZ por Carlos Eduardo Prates Gonçalves Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Graduação em Agronomia, Área de Concentração em Fitotoxicidade, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS), como requisito parcial para obtenção do grau de Engenheiro Agrônomo. Orientador: Prof. Dr. Luiz Augusto Salles das Neves Santa Maria, RS, Brasil 2011 2 Universidade Federal de Santa Maria Centro de Ciências Rurais Curso de Graduação em Agronomia A Comissão Examinadora, abaixo assinada, aprova o Trabalho de Conclusão de Curso EFEITO DO PROTETOR DIETHOLATE NO DESENVOLVIMENTO INICIAL DE ARROZ elaborado por Carlos Eduardo Prates Gonçalves como requisito parcial para obtenção do grau de Engenheiro Agrônomo COMISÃO EXAMINADORA: __________________________________ Luiz Augusto Salles das Neves, Dr. (Presidente/Orientador) __________________________________ Ana Paula Durand Coelho, Eng. Agrônoma (Aluna Mestrado PPGAGROBIO - UFSM) __________________________________ < nome> Santa Maria, 14 de julho de 2015. 3 RESUMO Trabalho de Conclusão de Curso Curso de Graduação em Agronomia Universidade Federal de Santa Maria Efeito do Protetor Dietholate no Desenvolvimento Inicial de Arroz Autor: Carlos Eduardo Prates Gonçalves Orientador: Luiz Augusto Salles das Neves Data: Santa Maria, 14 de julho de 2015. Atualmente o Brasil é considerado grande produtor e consumidor de arroz. No Rio Grande do Sul a cultura do arroz é a principal atividade econômica da metade sul do estado. Devido à crescente pressão por um aumento de produtividade, é necessária uma busca por soluções para problemas que se relacionam à defesa fitossanitária. As plantas daninhas que são sistematicamente controladas por um só herbicida, como por exemplo, o clomazone, pela pressão de seleção, acabam resistentes a esse herbicida. Para que a seletividade do arroz ao herbicida clomazone continue, tem-se utilizado o protetor de sementes dietholate. Visando esclarecer a interferência ou não do protetor de sementes dietholate no desenvolvimento inicial de arroz, foram feitos cinco tratamentos com doses diferentes, com seis repetições para cada tratamento. Observou-se que o dietholate provoca atraso na germinação. O comprimento da raiz é afetado pela ação do dietholate, e o comprimento da parte aérea não é afetado. A biomassa seca não é afetada pela ação do dietholate. Palavras-chave: herbicidas; mecanismo de ação; Oryza sativa; protetor de plantas. 4 ABSTRACT Course Conclusion Work Graduation Course of Agronomy Federal University of Santa Maria Effect of Safener Dietholate in Early Development of Rice Author: Carlos Eduardo Prates Gonçalves Advisor: Luiz Augusto Salles das Neves Date: Santa Maria, 2011. Currently, Brazil is considered a big producer and consumer of rice. In Rio Grande do Sul, rice cultivation is the main economic activity in the southern half of the state. Due to the increasing pressure to a productivity raise, it is necessary to search for solutions to the problems which are related to plant defense. Weeds which are systematically controlled by a single herbicide, such as the clomazone, because of its selection pressure, they end up resistant to this herbicide. For the keeping of rice’s selectivity to the herbicide clomazone, the safener dietholate has been used. Aiming to clarify the interference, or not, of the safener dietholate at the beginning of rice’s development, five treatments were done with different doses, with six repetitions for each treatment. It was observed that the dietholate causes a delay in germination. The root length is affected by the action of dietholate, and shoot length is not affected. The dry biomass is not affected by the action of dietholate. Key words: herbicides, mechanism of action, Oryza sativa, safeners. 5 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 - Estádios de desenvolvimento da plântula com identificadores morfológicos ......12 FIGURA 2 - Escala fenológica da cultura do arroz .............................................................13 FIGURA 3 - Efeito das concentrações 0; 0,5; 1,0; 1,5 e 2,0 da dose recomendada de dietholate na velocidade germinação de sementes de arroz Puitá INTA CL ..........................25 FIGURA 4 - Efeito das concentrações 0; 0,5; 1,0; 1,5 e 2,0 da dose recomendada de dietholate no comprimento da parte aérea e da raiz das plântulas de arroz Puitá INTA CL .....26 FIGURA 5 - Efeito das concentrações 0; 0,5; 1,0; 1,5 e 2,0 da dose recomendada de dietholate na biomassa seca da parte aérea e da raiz das plântulas de arroz Puitá INTA CL ..28 6 LISTA DE TABELAS TABELA 1 - Ano de introdução de alguns herbicidas e ano da constatação do primeiro caso de resistência de um biótipo de uma espécie antes bem controlada........................................ 19 TABELA 2 - Espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas de ocorrência no Brasil... 20 TABELA 3 - Limites máximos de resíduos (LMR) de agrotóxicos em arroz, conforme o Codex Alimentarius.................................................................................................................. 22 7 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................. 10 2. REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................... 13 2.1 Caracterização botânica e morfológica do arroz ............................................ 13 2.1.1 Ciclo de desenvolvimento do arroz ............................................................. 13 2.2 Visão geral sobre defensivos agrícolas ......................................................... 15 2.2.1 Herbicidas .................................................................................................. 16 2.2.2 Mecanismos de ação de herbicidas............................................................ 16 2.2.2.1 Herbicidas inibidores da ACCase ............................................................ 16 2.2.2.2 Herbicidas inibidores da ALS................................................................... 17 2.2.2.3 Herbicidas inibidores do Fotossistema II.................................................. 17 2.2.2.4 Herbicidas inibidores do Fotossistema I................................................... 18 2.2.2.5 Herbicidas inibidores da Protox ............................................................... 18 2.2.2.6 Herbicidas inibidores da Biossíntese de caroteno.................................... 18 2.2.2.7 Herbicidas inibidores da EPSPs .............................................................. 19 2.2.2.8 Herbicidas inibidores da Glutamina Sintetase.......................................... 19 2.2.2.9 Herbicidas inibidores da divisão celular ................................................... 19 2.2.2.10 Herbicidas mimetizadores das auxinas.................................................. 19 2.2.2.11 Herbicidas inibidores da síntese de lipídios ........................................... 20 2.3 Resistência de plantas daninhas a herbicidas .............................................. 20 2.4 Plantas daninhas resistentes a herbicidas no Brasil ..................................... 21 2.5 Seletividade de herbicidas ............................................................................ 22 2.6 Protetores de plantas ou safeners ................................................................ 23 2.7 Herbicidas e segurança alimentar ................................................................. 23 3. MATERIAL E MÉTODOS ................................................................................ 25 3.1 Tratamentos utilizados e aplicação do produto .............................................. 25 3.2 Avaliação da germinação .............................................................................. 25 3.3 Avaliação de comprimento e biomassa seca ................................................. 26 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO ....................................................................... 27 4.1 Avaliação da germinação .............................................................................. 27 4.2 Avaliação do comprimento da parte aérea e da raiz ...................................... 28 4.1 Avaliação da germinação .............................................................................. 27 4.1 Avaliação da biomassa seca ......................................................................... 29 5. CONCLUSÕES ................................................................................................ 31 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................ 32 8 1. INTRODUÇÃO O arroz é cultivado há tanto tempo que a data e o local da sua origem não são precisos até hoje, o mais aceito entre os historiadores é que ele seja originário da Ásia Sul-Oriental há cerca de 7000 anos. No Brasil os relatos sobre o seu cultivo existem desde o início da colonização, em especial na Capitania de São Vicente (1530-1540) mais tarde o seu cultivo espalha-se por outras regiões como o litoral e o Nordeste do país (FARSUL). No Rio Grande do Sul, nos anos de 1820 - 1821 o francês Auguste de Saint-Hilaire em sua obra “Viagem ao Rio Grande do Sul” já relatava o cultivo do cereal. O Brasil atualmente é considerado grande produtor e consumidor de arroz, produzindo anualmente entre 10 a 11 milhões de toneladas. Essa produção está dividida entre arroz irrigado e arroz de sequeiro (IBGE, 2011). Nas lavouras de arroz irrigado, principalmente no sul do Brasil há necessidade do controle de plantas daninhas que podem reduzir a produtividade do grão em torno de 80 a 90% caso esse controle não ocorra em tempo devido. No Rio Grande do Sul a cultura do arroz é a principal atividade econômica da metade sul do estado, que é o maior produtor da América Latina. A produção na safra 2009/10 foi de 6,8 milhões de toneladas, o quê representa 63% do total da produção brasileira de arroz. A maior parte das lavouras destinadas ao seu plantio tem até 50 há, ou seja, a sua produção é distribuída entre várias propriedades pequenas e não entre grandes latifundiários. A arrecadação de ICMS (Imposto sobre Comércio de Mercadorias e Serviços) relativo ao comércio de arroz no ano de 2009 foi de aproximadamente 514 milhões de reais (IRGA, 2010). A importância econômica e social da produção de arroz é inegável, entretanto o arroz também é importante como fonte de alimento no mundo todo. Nesse sentido a exigência por aumento de produtividade sem ocupar novas áreas de terra é cada vez maior. Devido à crescente pressão por um aumento de produtividade para abastecer a demanda mundial por alimentos, é necessária uma busca por soluções para problemas que se relacionam à defesa fitossanitária. Nesse contexto, tem-se buscado produtividades compatíveis com o máximo potencial da cultura, conseqüentemente há um aumento constante no uso de inseticidas e herbicidas no arroz. 9 Dentre os fatores que limitam a produtividade agrícola está a presença de plantas invasoras nas lavouras, que competem com a cultura por nutrientes, espaço e luz. Um melhor controle das plantas invasoras é desejável, porém para isso não basta apenas um aumento na dose de herbicidas, pois estes podem tornar-se fitotóxicos à cultura ou prejudicar o meio ambiente e a saúde humana. As grandes produtividades buscadas nas lavouras modernas exigem meios como o uso de máquinas pesadas, grandes extensões de terra e o uso de produtos químicos (como herbicidas e inseticidas) para o controle de pragas. As pragas podem ser entendidas como insetos ou doenças que causam danos às plantações. Para controlar as pragas foram desenvolvidos variados tipos de produtos químicos, inseticidas para o controle de insetos, fungicidas para o controle de fungos, herbicidas para o controle de plantas daninhas. O uso desses produtos auxilia muito no aumento de produção, porém o seu uso indiscriminado pode acarretar em danos ambientais e à saúde humana. O controle químico é o intensamente usado devido à sua praticidade e entre os herbicidas usados estão os inibidores de uma enzima da rota de síntese dos carotenóides, protetora da clorofila (SENSEMAN, 2007). O herbicida clomazone, pertencente ao grupo citado é inibidor da biossíntese de carotenóides, sendo usado em pré-emergência ou pós-emergência inicial no controle de várias espécies daninhas na cultura do arroz (ANDRES e MACHADO, 2004). A meia vida do clomazone pode variar de 5 a 117 dias e é menor em solos arenosos do que em argilosos. Sua degradação é mais rápida em condições anaeróbicas do que aeróbicas (SENSEMAN, 2007). Nas áreas de arroz irrigado a aplicação do herbicida é seguida da inundação de forma que os herbicidas, entre eles o clomazone, podem persistir por mais tempo ainda na lavoura ou mesmo ser conduzido para fora da área, contaminando os manciais lindeiros a jusante da lavoura. As plantas daninhas que são sistematicamente controladas por um só herbicida, pela pressão de seleção, acabam resistentes a esse herbicida, tendo o agricultor, a necessidade de aumentar para doses que se tornam fitotóxica, inclusive para a própria cultura do arroz. Para que a seletividade do arroz continue ao herbicida clomazone tem-se utilizado o protetor de sementes dietholate, pois esse produto inibe a enzima citocromo P-450 mono-oxigenase responsável pela ativação do herbicida (FERHATOGLU et al., 2005). Tem sido observado a campo, mas não relatado que o 10 dietholate como protetor de sementes aumenta a seletividade da cultura do arroz, mas provoca atraso na emergência das plantas. Visando esclarecer a interferência ou não do protetor de sementes dietholate no desenvolvimento de arroz, foram realizados tratamentos de sementes com diferentes dosagens do protetor. Foram avaliados os componentes do desenvolvimento inicial das plântulas, tais como: índice de germinação, comprimento de raiz, comprimento de parte aérea e biomassa seca. 11 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1. Caracterização botânica e morfológica do arroz O arroz (Oryza sativa) é uma gramínea anual, classificada no grupo de plantas C-3, adaptada a ambientes aquáticos, esta adaptação é devido à presença de aerênquima no colmo e nas raízes das plantas, possibilitando a passagem de oxigênio do ar para a camada da rizosfera (SOSBAI, 2005). Para expressão de seu potencial produtivo, a cultura requer temperatura ao redor de 24 a 30°C e radiação solar elevada (SOSBAI, 2005). Botanicamente o grão de arroz é um fruto, denominado cariopse, em que o pericarpo está fundido com o tegumento da semente propriamente dita. Este está envolvido pela casca (lema e pálea) (SINDARROZ - SC, 2007). O arroz possui casca, germe, película e endosperma. Os nutrientes como vitaminas e minerais ficam concentrados no germe e na película. O endosperma é fonte de amido (EMBRAPA, 2005). 2.1.1. Ciclo de desenvolvimento do arroz Segundo Oliveira et al. (1995), o ciclo em que se desenvolve a cultura do arroz compreende três períodos: Período vegetativo: Compreende o período que vai da germinação da semente (Figura 1) à diferenciação do primórdio floral (DPF). Neste período observa-se: a emergência da planta, o desenvolvimento de sua estrutura foliar, a emissão de perfilhos. É quando a planta diferencia o número total de folhas, que ocorre uma mudança brusca e rápida na função do ponto de crescimento que se diferencia numa minúscula panícula, diz-se então, que a planta atingiu o estágio de diferenciação do primórdio floral. É nesse estágio que se considera que a planta concluiu o período vegetativo e está iniciando o período reprodutivo. Período reprodutivo: Compreende o período entre a diferenciação do primórdio floral e o florescimento. A sua duração varia de três a cinco semanas. Após a 12 diferenciação do primórdio floral a panícula cresce a taxas elevadas estando envolvida pelas bainhas das folhas. Este período é denominado de emborrachamento. Por ocasião do florescimento, a planta de arroz atinge sua máxima estatura e área foliar. Durante o período de 20 dias antes há 20 dias após o florescimento, condições de plena radiação solar fazem com que a planta utilize mais eficientemente o nitrogênio disponível no solo. Ao final do período reprodutivo está determinado o número de grãos por panícula. Formação e enchimento de grãos: A duração do período que vai do florescimento à maturação fisiológica varia de 30 a 40 dias, em função principalmente das condições de temperatura do ar. Logo após a formação, os grãos passam pelas fases de grãos leitosos, grãos pastosos e grãos em massa dura até atingirem a maturação fisiológica. Teoricamente, o arroz poderia ser colhido nesta fase, desde que fossem dadas condições de secagem imediata, uma vez que a umidade do grão ainda é elevada, na faixa de 30 a 40%. Na maturação fisiológica já está determinado o peso dos grãos. Deficiência nutricional ou ocorrência de pragas ou doenças durante o período de formação e enchimento de grãos reflete-se em menor peso de grãos. Após a maturação fisiológica, a planta pode levar de uma a duas semanas até atingir condições para ser colhida. Figura 1 - Estádios de desenvolvimento da plântula com identificadores morfológicos. Fonte: EMBRAPA, 2007. 13 Figura 2 - Escala fenológica da cultura do arroz. Fonte: Nunes (2010). 2.2. Visão geral sobre defensivos agrícolas Segundo a legislação brasileira, lei 7802/89, defensivos agrícolas ou agrotóxicos são os produtos e os agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou implantadas, e de outros ecossistemas e também de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos (Ministério do Meio Ambiente). O uso de defensivos agrícolas hoje em dia é o principal meio para conter as pragas e doenças em uma plantação comercial, sem a sua utilização é praticamente inviável um aumento de produção. Os defensivos agrícolas são divididos em: herbicidas; fungicidas; inseticidas e nematicidas. 14 2.2.1. Herbicidas Para a obtenção de altos rendimentos em plantações comerciais, o controle de plantas daninhas é de extrema importância. As plantas daninhas constituem-se em um grande problema para qualquer cultivo, pois elas competem por água, nutrientes e luz solar. Os métodos de controle de plantas daninhas são: mecânico, cultural e químico (EMBRAPA, 2004). O uso de herbicidas para controle de plantas daninhas é prática comum na agricultura, pois é um método altamente eficiente e tem um custo compensador. Além de ser um método menos trabalhoso e o seu uso estar profissionalmente desenvolvido (AGOSTINETO; VARGAS, 2009). 2.2.2. Mecanismos de ação de herbicidas Os herbicidas podem agir em um ou mais locais dentro da planta. Os locais onde os herbicidas agem são enzimas, proteínas ou outro local em que o herbicida interfere e prejudica o funcionamento normal da planta (CHRISTOFFOLETI, 2004). A seqüência de eventos desencadeados no contato do herbicida com a planta até o resultado final, que pode ser de morte ou desativação da planta, é denominada modo de ação. O mecanismo de ação diz respeito à forma específica pela qual um herbicida interfere nos processos biológicos da planta. O sítio de ação é o lugar exato onde o agente ativo do herbicida exerce a sua ação (KISSMANN, 1996). 2.2.2.1. Herbicidas inibidores da ACCase Os herbicidas desse grupo apresentam como mecanismo de ação a inibição da ACCase (Acetil Coa carboxilase), que é uma das enzimas responsáveis pela síntese de ácidos graxos, que são constituintes dos lipídios que ocorrem nas membranas de células e organelas. Esses lipídios regulam a permeabilidade seletiva das membranas (KISSMANN, 2003). Os herbicidas deste grupo são inibidores reversíveis e não competitivos da enzima ACCase (VIDAL; MEROTTO, 2001). 15 2.2.2.2. Herbicidas inibidores da ALS Sulfoniluréias (chlorimuron, halosulfuron, metsulfuron, nicosulfuron etc.) e imidazolinonas (imazapyr, imazapic, imazaquin, imazethapyr, imazamoz, etc.). Causam inibição da síntese dos aminoácidos ramificados (leucina, isoleucina e valina), através da inibição da enzima Aceto Lacto Sintase (ALS), interrompendo a síntese protéica, que, por sua vez, interfere na síntese do DNA e no crescimento celular (FERREIRA et al., 2005). A partir do momento em que o herbicida penetra na célula, ocorre a inibição não competitiva pelo herbicida com o substrato, desse modo não ocorre a produção do acetolactato, fundamental para o desdobramento das outras reações que formaram os aminoácidos. Com a interrupção da síntese de aminoácidos a divisão celular e o crescimento da planta também param (KISSMANN, 2003). 2.2.2.3. Herbicidas inibidores do Fotossistema II Esses herbicidas atuam na membrana do cloroplasto, onde ocorre a fase luminosa da fotossíntese, interferem mais especificamente no transporte de elétrons (CHRISTOFFOLETI, 1997). A energia é transferida para o centro de reação chamado de P680, criando um elétron em estado excitado. Esse elétron passa por um percurso, primeiro para a feofitina e então, para uma molécula chamada plastoquinona (QA) ligada a uma proteína (D1). Essa molécula passa o elétron para outra plastoquinona (QB) (ROSS; CHILDS, 1996). A QB é um receptor de dois elétrons que, quando encaixada no local apropriado em D1, recebe os dois elétrons de QA. Ao receber o primeiro elétron fica reduzida (VIDAL, 1997). Quando o segundo elétron passa de QA para QB, a quinona reduzida se torna protonada, formando uma plastohidroquinona ligada (QBH2). A função da QBH2 é a de transferir elétrons entre o FSII e um citocromo que, por sua vez, transfere elétrons para o FSI via plastocianina (ROSS; CHILDS, 1996). Os herbicidas desse grupo também conseguem se encaixar no mesmo local de ligação da quinona QB. As plantas são afetadas apenas quando emergem e começam a fazer fotossíntese. O herbicida obstrui a ligação e consequentemente o processo de transferência fotossintética de elétrons é afetado (MARKWELL et al., 1995). 16 As plantas morrem por outros motivos além da falta de carboidratos, em decorrência da interrupção da fotossíntese. Os herbicidas com esse mecanismo de ação são mais eficientes quando as plantas, depois de pulverizadas, são expostas à luz. A clorofila é fotoxidada e ocorrem rompimentos na membrana citoplasmática celular devido à peroxidação de lipídios causada pela atuação dos radicais tóxicos (FERREIRA et al., 2005). 2.2.2.4. Herbicidas inibidores do Fotossistema I São herbicidas degradadores de membrana, que não se translocam na planta e atuam na fase luminosa da fotossíntese. Estes herbicidas provocam a formação de compostos altamente reativos em um curto espaço de tempo (PETERSON et al., 2001). Paraquat e diquat são representantes desse grupo, do tipo bipiridiluns. O local de ação é a membrana do cloroplasto, responsável pela fase luminosa da fotossíntese. Durante a ação desse tipo de herbicida ocorre a formação de água oxigenada (H2O2) através de reações de redução do herbicida. A água oxigenada é um potente destruidor da membrana, através da peroxidação dos lipídios (CHRISTOFFOLETI, 1997). 2.2.2.5. Herbicidas inibidores da Protox A Protox é uma enzima presente na rota de síntese da clorofila e de citocromos. Esta rota metabólica é responsável pela síntese de porfirinas (VIDAL; MEROTTO, 2001). Através de reações de oxidação das enzimas presentes no plasmídeos forma-se oxigênio “singlet”, que é um radial livre altamente reativo, que provoca a peroxidação dos lipídeos das membranas, destruindo a célula (CHRISTOFFOLETI, 2004). 2.2.2.6. Herbicidas inibidores da Biossíntese de caroteno O caroteno tem como umas funções proteger a clorofila da foto-oxidação. Os herbicidas desse grupo inibem a síntese de carotenóides e provocam um estresse 17 oxidativo, com posterior destruição das membranas das células (CHRISTOFFOLETI, 2004). 2.2.2.7. Herbicidas inibidores da EPSPs O glifosato é o herbicida representante desse grupo. Ele inibe a síntese da enol-piruvil-shikimato-fosfato sintetase (EPSPs), que é responsável pela formação de aminoácidos aromáticos como triptofano, fenilanina e tirosina, esses aminoácidos são essenciais para a produção de proteínas necessárias para o crescimento da planta. Essas proteínas são responsáveis pela formação de hormônios e flavonóides. Quando a síntese da EPSPs é interrompida, a formação desses compostos fica inviável na planta, o quê causa a sua morte (ROSS; CHILDS, 1996). 2.2.2.8. Herbicidas inibidores da Glutamina Sintetase O amônio-glufosinato é um derivado de ácidos fosfínicos, pois contém fósforo (KISSMANN, 2003). Segundo Christoffoleti et al. (2001) seu mecanismo de ação é através da inibição do metabolismo do nitrogênio, a incorporação do nitrato ao glutamato para transformar-se em glutamina é interrompida, pois o amônio glufosinato inibe a glutamina. 2.2.2.9. Herbicidas inibidores da divisão celular O mecanismo de ação desses herbicidas é a inibição da divisão celular, eles impedem a formação de microtúbulos na formação do fuso de divisão celular. Esses herbicidas inibem o crescimento da radícula e das raízes secundárias (CHRISTOFFOLETI et al., 2001) 2.2.2.10. Herbicidas mimetizadores das auxinas Esse é o grupo dos reguladores de crescimento, dentre eles destaca-se o 2,4D, primeiro composto orgânico sintetizado e utilizado como herbicida (OLIVEIRA JUNIOR; CONSTANTI, 2001). Mesmo o amplo tempo de uso do 2,4-D o mecanismo de ação desse herbicida ainda não é completamente conhecido 18 (CHRISTOFFOLETI, 2004). Dentre as ações desencadeadas pelo herbicida destaca-se a inibição da ACC sintase, uma enzima responsável pela síntese de etileno. O herbicida também age sobre a dinâmica do cálcio na planta, alterando a capacidade de expansão e elasticidade da parede celular (CHRISTOFFOLETI, 2004). 2.2.2.11. Herbicidas inibidores da síntese de lipídios Os herbicidas que tem esse mecanismo de ação causam a paralisação da biossíntese de lipídios, nos meristemas das raízes e parte aérea, onde as novas células são formadas. A paralisação da produção de lipídios interrompe a formação de novas células (ROSS; CHILDS, 1996). 2.3. Resistência de plantas daninhas a herbicidas Segundo Kissmann (1996) a resistência de plantas daninhas a herbicidas é definida como “Habilidade hereditária de ocorrência natural, de certos biótipos de plantas de resistir a um tratamento que, em condições normais de uso, controla efetivamente a população de uma espécie”. Para ocorrer o aparecimento de biótipos de plantas daninhas resistentes aos herbicidas é necessário que ocorram mudanças genéticas na população, causada pela pressão de seleção, devido ao uso repetitivo do herbicida na dose recomendada (CHRISTOFFOLETI, 2004). Na Tabela 1 pode-se ter uma idéia do período de tempo em que aparecem plantas resistentes em um determinado local em que se usou repetidas vezes herbicidas com o mesmo mecanismo de ação. 19 Tabela 1 – Ano de introdução de alguns herbicidas e ano da constatação do primeiro caso de resistência de um biótipo de uma espécie antes bem controlada Os herbicidas inibidores da ALS são os que apresentam maiores problemas com plantas daninhas resistentes, devido ao pouco tempo em que estas aparecem. Uma das hipóteses para o rápido surgimento de biótipos resistentes é a elevada taxa de mutações que os inibidores de ALS causam isso favoreceria o aparecimento de plantas resistentes (VIDAL; WINKLER, 2002) A resistência pode apresentar-se em níveis variados. Quando um biótipo resiste ao dobro (ou mais) da dose usual, para plantas suscetíveis, é considerado resistente. Normalmente o aumento da dose do herbicida “quebra” a resistência (LACERDA; FILHO, 2004). 2.4. Plantas daninhas resistentes a herbicidas no Brasil Nos últimos anos têm aparecido vários casos de biótipos de plantas resistentes, tais casos são fáceis de explicar: os biótipos resistentes existem naturalmente em uma determinada população de plantas, a freqüência inicial varia para alguns herbicidas, indo de 10-6 (uma planta a cada 1.000.000 hectares) a 10-20 planta por hectare (Gressel, 1991). Com esses dados podemos constatar que o aparecimento de plantas resistentes leva vários anos, juntamente com o uso prolongado de herbicidas com o mesmo mecanismo de ação. 20 Tabela 2 – Espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas de ocorrência no Brasil GÊNERO/ESPÉCIE NOME COMUM Euphorbia heterophylla Leiteiro Bidens pilosa Picão-preto Bidens subaltermans Picão-preto Brachiaria plantaginea Capim-marmelada Echinochloa crus-galli Capim-arroz Echinochloa crus-pavonis Capim-arroz Sagittaria montevidensis Aguapé Cyperus difformis Junquinho Fimbristylis miliacea Junquinho Raphanus sativus Nabiça Digitaria ciliaris Capim-colchão Eleusine indica Capim-pé-de-galinha Lolium multiflorum Azevém Euphorbia heterophylla Leiteiro (Resistência múltipla) Parthenium Losna-branca hysterophorus Conyza bonariensis Buva Conyza canadensis Buva Bidens subalternans Picão-preto (Resistência múltipla) Euphorbia heterophylla Leiteiro Euphorbia heterophylla Leiteiro (Resistência múltipla) Oryza sativa Arroz vermelho Digitaria insularis Capim-colchão Echinochloa crus-galli Capim-arroz (Resistência múltipla) Fonte: www.diadecampo.com.br ANO MODO DE AÇÃO 1992 1993 1996 1997 1999 1999 1999 2000 2001 2001 2002 2003 2003 2004 Inibidor de ALS Inibidor de ALS Inibidor de ALS Inibidor de ACCase Auxina Sintética Auxina Sintética Inibidor de ALS Inibidor de ALS Inibidor de ALS Inibidor de ALS Inibidor de ACCase Inibidor de ACCase Glifosato Inibidor de ALS/Inibidor PPO Inibidor de ALS 2005 2005 2005 2006 2006 2006 2006 2008 2009 Glifosato Glifosato Inibidor de ALS/Inibidor Fotossistema II Inibidor de ALS Inibidor de ALS/Glifosato Inibidor de ALS Glifosato Inibidor de ALS/Auxina Sintética 2.5. Seletividade de herbicidas A seletividade de um herbicida depende de vários fatores, como características do produto, características das plantas e método de aplicação (OLIVEIRA JR., 2001 apud KARAM, 2003), sendo determinante para a seletividade a tolerância que as plantas apresentam à ação do composto, a existência de obstáculos à entrada do herbicida no sistema, tempo e exposição da planta ao herbicida e também diferenças na metabolização do produto (DEUBER, 1992 apud KARAM, 2003). 21 Alguns herbicidas além de afetar as plantas daninhas também podem afetar as plantas cultivadas, ou seja, causam fitotoxidade às plantas cultivadas. O clomazone é um herbicida que devido às suas características físico químicas tem a sua seletividade limitada ao arroz irrigado, em função da dose aplicada e do cultivar semeado (SHERDER et al., 2004 apud SANCHOTENE et al., 2010). 2.6. Protetores de plantas ou safeners Protetores de plantas ou safeners são produtos químicos, usados nas plantas cultivadas, para promover uma proteção contra fitotoxidade, sem reduzir a eficiência no controle de plantas daninhas. Através do uso de protetores há um aumento na seletividade do herbicida usado (SANCHOTENE et al., 2010). Segundo Karam et al. (2003) o tratamento de sementes com dietholate 0,0diethyl 0 phenyl phosphorothioate) confere às plantas delas originadas tolerância a maiores doses de clomazone. Acredita-se que os protetores de plantas, como o dietholate, atuem inibindo a enzima citocromo P-450 mono-oxigenase, que é responsável pela ativação do herbicida na planta, através da sua oxidação (FERHATOGLU et al., 2005 apud SANCHOTENE et al., 2010). 2.7. Herbicidas e segurança alimentar Com o aumento dos casos de resistência as doses de herbicida são cada vez maiores para controlar as plantas daninhas, isso leva a maiores resíduos do produto no grão final. Em 2002 a FAO (Food and Agriculture Organization) divulgou os limites máximos de resíduos de agrotóxicos em arroz que são seguros para a saúde humana (Tabela 3). 22 Tabela 3 – Limites máximos de resíduos (LMR) de agrotóxicos em arroz, conforme o Codex Alimentarius Nome Técnico LMR (MG. kg-1) 2,4 - D 0,05 Bentazone 0,1 Cabaryl 5,0 Chlorpyrifos 0,1 Chlorpyrifos-Methyl 0,1 Diquat 10 Disulfoton 0,5 Endosulfan 0,1 Fetin 0,1 Glifosate 0,1 Paraquat 10 Fonte: FAO, 2002. Toda nova forma de tecnologia que ajude a diminuir a dose de agrotóxicos utilizada na produção agrícola é um grande avanço para alcançarem-se alimentos mais seguros para consumo e diminuição dos impactos causados ao meio ambiente. 23 3. MATERIAL E MÉTODOS Os experimentos foram realizados no Laboratório de Genética Vegetal do Departamento de Biologia, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em Santa Maria, Rio Grande do Sul, durante o ano de 2011. Foram feitos cinco tratamentos diferentes, o delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com seis repetições para cada tratamento, as médias foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Os tratamentos avaliaram 360 sementes de arroz Puitá INTA CL cada um (sendo que foram distribuídas 60 sementes por repetição) e foram tratados com o protetor dietholate (0,0-diethyl 0 phenyl phosphorothioate), pertencente ao grupo químico éster do ácido fosfórico. 3.1. Tratamentos utilizados e aplicação do produto Os cinco tratamentos consistiram do controle sem o protetor, apenas água (D0); dose 50% menor que a recomendada (D0,5); dose comercialmente recomendada de 600 ml de dietholate/500 ml de água pura para 100 kg de semente (D1); dose 50% maior que a recomendada (D1,5) e o dobro da dose recomendada (D2). A aplicação do produto, por motivos de segurança foi feita em local aberto e arejado, através de sacos plásticos, onde foi feita a mistura com as sementes e a água pura. 3.2. Avaliação da germinação Após a aplicação do protetor as sementes foram semeadas em papel Germitest® e acondicionadas em câmara de desenvolvimento biológico com temperatura constante de 25 °C. No laboratório foi verificada a velocidade de germinação das sementes, para tanto foram contadas diariamente a germinação das sementes de arroz até que esse número ficasse constante. Esses dados foram aplicados na fórmula: V.G. = (G1 – G0)/N1 + (G2 – G1)/N2 + ... +(Gn – Gn-1)/NN onde G0 é a contagem no primeiro dia das sementes germinadas; G1 no segundo dia; Gn 24 no enésimo dia; N1 é o primeiro dia após semeadura; N2 o segundo dia; Nn o enésimo dia. 3.3. Avaliação de comprimento e biomassa seca Após o período de 14 dias, que durou a avaliação da germinação, foram selecionadas aleatoriamente 10 plântulas de cada repetição e foi feita a medida da parte aérea e raiz de cada plântula de arroz. Depois do teste de germinação e da avaliação do comprimento de parte aérea e raiz as plântulas foram colocadas para secar durante 14 dias, depois desse período avaliou-se o peso da biomassa seca de cada tratamento. As médias foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. 25 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 Avaliação da germinação Na figura 1 estão descritos os efeitos das concentrações do dietholate em sementes de arroz Puitá INTA CL após 7 dias da semeadura. Observa-se que houve efeito significativo de todas das concentrações com referência a testemunha até o terceiro dia após semeadura (DAS). O dietholate promoveu atraso na germinação. Todavia verifica-se que após o quarto DAS não houve diferença significativa entre as concentrações. Sementes germinadas 60 50 40 30 20 10 0 1 2 3 4 5 6 7 Velocidade de germinação (dias) DOSE 0 DOSE 0,5 DOSE 1,0 DOSE 1,5 DOSE 2,0 FIGURA 3 – Efeito das concentrações 0; 0,5; 1,0; 1,5 e 2,0 da dose recomendada de dietholate na velocidade germinação de sementes de arroz Puitá INTA CL. No segundo dia de avaliação D0 apresentou germinação de 77,77%; D0,5 apresentou germinação de 54,72%; D1 55% de germinação; D1,5 40,55% de germinação e a germinação de D2 no segundo dia foi de 45%. No terceiro dia D0,5; D1; D1,5 e D2 não tiveram diferença significativa entre si, ficando ao redor de 76% de germinação, já D0 apresentou 83,61% de germinação. No 4° dia após a semeadura a porcentagem de germinação não teve diferença significativa entre os tratamentos, todos ficaram ao redor de 85%. Ao final do 14° dia os tratamentos não diferiram significativamente entre si no parâmetro germinação, os cinco ficaram 26 próximos de 90%. O atraso inicial na germinação promovido pelo tratamento com dietholate é significativo, pois poderá resultar em perdas de produção devido ao maior período de tempo exigido para a germinação e estabelecimento da cultura. Efeitos de atraso na germinação de sementes de arroz com o protetor dietholate ainda não foram relatadas. Entretanto, há na literatura trabalhos que relatam tão somente o uso e o mecanismo de ação nas culturas de milho e algodão, mas nenhum deles refere-se a atraso de germinação. 4.2. Avaliação do comprimento da parte aérea e da raiz Na figura 2 está representados o comprimento de parte aérea e de raiz das plântulas de arroz Puitá INTA CL que foram coletadas no final do teste de germinação (14 dias). Verifica-se que a parte aérea não apresentou diferença significativa com relação ao aumento da dose de dietholate. Entretanto, o comprimento da raiz foi que apresentou significância principalmente na concentração 2,0 da dose recomendada. Nessa concentração houve uma redução no comprimento da raiz. Observa-se igualmente que após a concentração 1,0 o comprimento da raiz está sendo reduzido. Comp. raiz e parte aérea (cm) 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 0 0,5 1 1,5 2 Dose do dietholate (mL/L) Raiz Parte aérea FIGURA 4 – Efeito das concentrações 0; 0,5; 1,0; 1,5 e 2,0 da dose recomendada de dietholate no comprimento da parte aérea e da raiz das plântulas de arroz Puitá INTA CL. 27 O comprimento da parte aérea não apresentou diferença significativa com relação às diferentes doses de dietholate, a dose (0) (testemunha) teve em média 7,8 cm de comprimento; dose (0,5) – 8 cm; dose (1) – 7,8 cm; dose (1,5) – 8 cm e dose (2) – 8 cm. Entretanto, o comprimento da raiz foi que apresentou significância, a dose (0) teve 6,81 cm em média; dose (0,5) – 6,74 cm; dose (1) – 7,5 cm, observou-se que após a dose (1) houve uma redução no comprimento da raiz, dose (1,5) – 6,66 cm; dose (2,0) – 5,5 cm. A raiz na cultura do arroz é de forma fasciculada e permite que haja o perfilhamento da planta a nível de campo. A sua redução provoca dificuldade no perfilhamento, assim como na absorção de nutrientes do solo, reduzindo como conseqüência a produtividade na lavoura. 4.3. Avaliação da biomassa seca Na figura 3 estão representados os efeitos do dietholate sobre a biomassa seca da parte aérea e da raiz das plântulas de arroz obtidas após a conclusão do teste de germinação (14 dias). Nesse caso verifica-se que tanto a parte aérea como a raiz não apresentaram diferença significativa com relação a biomassa seca, apesar de que a parte aérea apresentou pequena redução na concentração 2,0 da dose recomendada. Quanto a raiz observa-se igualmente que houve pequena redução em relação à testemunha, entretanto não significativa. Não há relatos de redução da parte aérea e da raiz com relação ao uso do dietholate em plântulas de arroz. Porém, verifica-se que o herbicida clomazone reduz significativamente as plântulas quando são usadas doses elevadas para controle de plantas daninhas que apresentam certa resistência (Concenço et al., 2006). 28 Biomassa raiz e p. aérea (mg) 25 20 15 10 5 0 0 0,5 1 1,5 2 Dose do dietholate (mL/L) Raiz Parte aérea FIGURA 5 – Efeito das concentrações 0; 0,5; 1,0; 1,5 e 2,0 da dose recomendada de dietholate na biomassa seca da parte aérea e da raiz das plântulas de arroz Puitá INTA CL. Na avaliação da biomassa seca foi constatado que tanto a raiz como a parte aérea não apresentaram diferença significativa, apesar de que a parte aérea apresentou pequena redução na dose (2). Os resultados da pesagem da biomassa seca da parte aérea foram: dose (0) – 0,223667g; dose (0,5) – 0,227833g; dose (1) – 0,235333g; dose (1,5) – 0,221667g; dose (2) – 0,209333. Para o peso de biomassa seca da raiz obteve-se: dose (0) – 0,2085g; dose (0,5) – 0,195667g; dose (1) – 0,188667g; dose (1,5) – 0,1985g; dose (2) – 0,189g. Quanto à raiz observa-se igualmente que houve pequena redução em relação à testemunha, entretanto não significativa. 29 5. CONCLUSÕES O dietholate provoca atraso na germinação de sementes de arroz Puitá INTA CL até o 4º DAS. O comprimento da raiz é afetado pela ação do dietholate, mas o comprimento da parte aérea não é afetado. A biomassa seca da raiz e da parte aérea não é afetada pela ação do dietholate. 30 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGOSTINETTO, D.; VARGAS, L. Resistência de plantas daninhas a herbicidas no Brasil. – Passo Fundo: Bethier, 2009. ANDRES, A.; MACHADO, S. L. O. Plantas daninhas em arroz irrigado. In: GOMES, A. S.; MAGALHÃES Jr., A. M. (Eds) Arroz irrigado no sul do Brasil. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica, 2004. P. 457-546. AUGUSTE DE SAINT-HILAIRE. Viagem ao Rio Grande do Sul (1820 – 1821). São Paulo. 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