Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 JEAN CARLOS DEBASTIANI AVALIAÇÃO DO EQUILÍBRIO E FUNCIONALIDADE EM INDIVÍDUOS COM AMPUTAÇÃO DE MEMBRO INFERIOR PROTETIZADOS E REABILITADOS CASCAVEL 2005 Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 JEAN CARLOS DEBASTIANI AVALIAÇÃO DO EQUILÍBRIO E FUNCIONALIDADE EM INDIVÍDUOS COM AMPUTAÇÃO DE MEMBRO INFERIOR PROTETIZADOS E REABILITADOS Trabalho de Conclusão do Curso de Fisioterapia do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Campus de Cascavel. Orientadora.: Prof.ª Carmen Lúcia Rondon Soares. CASCAVEL 2005 Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 TERMO DE APROVAÇÃO JEAN CARLOS DEBASTIANI “AVALIAÇÃO DO EQUILÍBRIO E FUNCIONALIDADE EM INDIVÍDUOS COM AMPUTAÇÃO DE MEMBRO INFERIOR PROTETIZADOS E REABILITADOS” Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Banca Avaliadora como requisito parcial para obtenção do título de graduado em Fisioterapia, na Universidade Estadual do Oeste do Paraná. .......................................................................................... Orientadora Profª. Carmen Lúcia Rondon Soares Colegiado de Fisioterapia - UNIOESTE ........................................................................................... Co-orientador Prof. Carlos Eduardo Albuquerque Colegiado de Fisioterapia - UNIOESTE .......................................................................................... Profª. Márcia Rosangela Buzanello Colegiado de Fisioterapia - UNIOESTE Cascavel, 22 de novembro de 2005 Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 DEDICATÓRIA Ao meu amor Eloeth, a minha família e a minha querida afilhada Luísa. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 AGRADECIMENTOS A Deus, pois sem este nada é possível. Ao amor da minha vida, Eloeth Kaliska Piva, pelo amor, confiança e dedicação constantes, pois sem seu apoio este sonho jamais se realizaria. A minha querida mãe Loreli Camargo Debastiani, pela preocupação e dedicação sem limites, em todos os aspectos da minha vida, muito obrigado. Ao meu pai Valdemiro Debastiani, agradeço pelo apoio, dedicação e pelo exemplo de amor, honestidade e dignidade inigualáveis, os quais levo como espelho por toda a minha vida. Ao meu irmão Allan Rodrigo Debastiani, pelo companheirismo, compreensão, e conselhos nas horas difíceis, muito obrigado. A amiga e orientadora Carmen Lúcia Rondon Soares, obrigado por todo o auxílio, dedicação e conhecimento compartilhado. Ao amigo e professor Carlos Eduardo Albuquerque, obrigado pela ajuda na formulação do trabalho e por mostrar uma outra forma de ver a vida e a nossa profissão. Agradeço também a profª. Márcia Buzanello, por aceitar participar da banca examinadora. Agradeço aos amigos queridos Carine Morgenstern (Carinets), Claudia Valéria Ferro (Claudinha), João Flávio Guimarães (Sr. Kiwi), Juliana Marques (Rabugento), Mirian Ricci (Mirrrrrrr) e Ronny Carlos Onetta (Volverine), agradeço pela amizade, discussões e carinho, que só nos fazem aprender e crescer mais na vida, como pessoa e profissional. Agradeço a todos os pacientes que participaram do projeto, pois foram de fundamental importância para concretização deste trabalho. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Por fim, agradeço a todos os professores e funcionários, os colaboradores da limpeza, secretárias, o Telmo da manutenção, e a todos que de alguma forma, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste trabalho. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 São fúteis e cheias de erros as ciências que não nasceram da experimentação, mãe de todo conhecimento. Leonardo da Vinci Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 SUMÁRIO RESUMO...................................................................................................................................x ABSTRACT..............................................................................................................................xi LISTA DE FIGURAS.............................................................................................................xii LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS..........................................................................xiii LISTA DE TABELAS............................................................................................................xv LISTA DE GRÁFICOS.........................................................................................................xvi 1 INTRODUÇÃO..................................................................................................................17 1.1 Formulação do Problema...................................................................................17 1.2 Justificativa..........................................................................................................19 1.3 Objetivos...............................................................................................................22 1.3.1 Gerais......................................................................................................22 1.3.2 Específicos..............................................................................................22 2 AMPUTAÇÃO E PROTETIZAÇÃO DE MEMBROS INFERIORES.......................23 2.1 Definição...............................................................................................................23 2.2 História das Amputações e das Próteses...........................................................23 2.2.1 Histórico.................................................................................................23 2.2.2 Amputações da Pré-História e Época Medieval.....................................25 2.2.3 Desenvolvimento Técnico e Científico Pós Guerra...............................27 2.2.4 Cronologia das Inovações Cirúrgicas e Protéticas.................................30 2.3 Etiologia das Amputações...................................................................................30 2.4 Níveis de Amputação para Membros Inferiores..............................................36 2.4.1 Desarticulação Interfalangiana...............................................................37 2.4.2 Desarticulação Metatarsofalangiana.......................................................37 2.4.3 Amputação Transmetatarsiana...............................................................38 2.4.4 Amputação de Lisfranc...........................................................................38 2.4.5 Desarticulação Navicuneiforme e Transcubóide....................................39 2.4.6 Amputação de Chopart...........................................................................40 2.4.7 Amputação de Syme...............................................................................40 2.4.8 Amputação de Pirogoff...........................................................................41 2.4.9 Amputação de Boyd...............................................................................42 2.4.10 Amputação Transtibial.........................................................................42 2.4.11 Desarticulação de Joelho......................................................................46 2.4.12 Amputação Transfemoral.....................................................................46 2.4.13 Desarticulação do Quadril....................................................................48 2.4.14 Desarticulação Sacroilíaca....................................................................49 2.5 Próteses para Membros Inferiores....................................................................50 2.5.1 Tipos de Próteses...................................................................................50 2.5.1.1 Próteses Exoesqueléticas.........................................................50 2.5.1.2 Próteses Endoesqueléticas.......................................................51 2.5.2 Componentes Protéticos.........................................................................52 2.5.2.1 Encaixes ..................................................................................52 2.5.2.2 Joelhos.....................................................................................53 2.5.2.3 Trava Manual...........................................................................54 Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 2.5.2.4 Joelho Livre.............................................................................54 2.5.2.5 Fricção.....................................................................................55 2.5.2.6 Autofreio.................................................................................55 2.5.2.7 Policêntricos............................................................................56 2.5.3 Joelhos Pneumáticos e Hidráulicos........................................................57 2.5.3.1 Sistema Pneumático.................................................................57 2.5.3.2 Sistema Hidráulico...................................................................57 2.5.3.2.1 Joelhos computadorizados........................................58 2.5.4 Pés Mecânicos........................................................................................59 2.5.4.1 Pés Não Articulados................................................................59 2.5.4.2 Pés Articulados........................................................................60 2.5.4.3 Pés Multiaxiais........................................................................61 2.5.4.4 Pés de Resposta Dinâmica.......................................................61 2.5.5 Próteses para Amputações Parciais de Pé e de Tornozelo....................63 2.5.6 Próteses para Amputações Transtibiais.................................................64 2.5.6.1 Regiões para Descarga de Peso...............................................64 2.5.6.2 Regiões de Alívio....................................................................65 2.5.6.3 Tipos de Encaixes....................................................................65 2.5.7 Próteses Para Amputações Transfemorais..............................................66 2.5.7.1 Encaixes...................................................................................67 2.5.7.1.1 Encaixe Quadrilateral................................................68 2.5.7.1.2 Encaixe CAT-CAM..................................................68 2.5.8 Próteses para Desarticulação de Quadril e Sacro-Ilíaca.........................69 2.6 Marcha e Determinantes.....................................................................................69 2.6.1 Fase de Apoio.........................................................................................72 2.6.2 Fase de Balanço......................................................................................73 2.6.3 Variável Tempo e Distância...................................................................73 2.7 A Marcha no Amputado de Membro Inferior..................................................74 2.7.1 Análise da Marcha nos Amputados Transtibiais....................................77 2.7.2 Análise da Marcha nos Amputados Transfemorais................................77 2.8 Complicações.......................................................................................................78 2.8.1 Distúrbios circulatórios..........................................................................79 2.8.2 Aspectos Psicológicos............................................................................80 2.8.3 Dor Fantasma..........................................................................................83 2.8.4 Neuroma.................................................................................................87 2.9 Reabilitação dos Pacientes Amputados de Membros Inferiores.....................87 2.9.1 Reabilitação Preventiva..........................................................................88 2.9.2 Reabilitação Pré-Amputação..................................................................88 2.9.3 Reabilitação Pós-Amputação..................................................................89 2.9.4 Reabilitação Pré-Protetização.................................................................90 2.9.4.1 Tratamento Global...................................................................91 2.9.4.2 Controle Postural.....................................................................92 2.9.5 Membro Inferior Não Amputado............................................................93 2.9.6 Reabilitação Pós-Protetização................................................................93 2.9.7 Equilíbrio e Transferências de Peso.......................................................95 2.9.8 Marcha e Dissociação de Cinturas.........................................................96 2.9.8.1 Marcha em Escadas, Rampas e Terrenos Acidentados...........97 2.9.9 Atividades Esportivas e Recreativas......................................................98 3 EQUILÍBRIO...................................................................................................................100 Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 3.1 Sistema Proprioceptivo.....................................................................................100 3.2 Sistema Vestibular.............................................................................................103 3.3 Sistema Visual....................................................................................................105 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS..................................................................109 4.1 Critérios de Inclusão.........................................................................................109 4.2 Critério de Exclusão..........................................................................................109 4.3 Materiais e Métodos..........................................................................................110 5 RESULTADOS.................................................................................................................115 5.1 Caracterização da População...........................................................................115 5.2 Resultados do “Time Up And Go....................................................................116 5.3 Resultados do Questionário de Funcionalidade Subjetivo............................118 5.4 Resultados da Posturografia............................................................................121 6 DISCUSSÃO……………………………………………………...………………….....125 6.1 Time Up and Go………………………….….……………………….……….125 6.2 Questionário Subjetivo de Funcionalidade.....................................................127 6.3 Posturografia.....................................................................................................131 6.4 Discussão comparativa dos dados....................................................................134 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS..........................................................................................136 REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO.................................................................................137 SUMÁRIO DE ANEXOS E APÊNDICES........................................................................143 Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 RESUMO Apesar de todos os avanços nas áreas biomédicas, a amputação continua sendo utilizada como opção terapêutica em situações traumáticas e de doenças. Insucessos e limitações de transplantes e reimplantes tornam a utilização de próteses uma forma adequada de se proporcionar ao paciente à capacidade de ser independente, readquirindo sua autoestima. Durante o processo de reabilitação, além da marcha em ambientes externos, deverão ser ministrados os ensinamentos necessários a mudanças de decúbito, bem como atividades laborais e da vida diária com o uso da prótese, conferindo ao paciente a autonomia para seu desempenho funcional. Assim, espera-se que a reabilitação do amputado consista, não somente na adaptação de uma prótese, mas, fundamentalmente, na recuperação funcional, readaptação profissional e na reintegração social do indivíduo. Objetivo: este trabalho tem por objetivo verificar a existência de déficit de equilíbrio e de funcionalidade em indivíduos do sexo masculino, com amputações de membros inferiores por etiologia traumática, que sejam protetizados e reabilitados ou que estejam em fase final de tratamento fisioterapêutico, possibilitando apontar dificuldades desses pacientes em relação as suas atividades de vida diária, favorecendo uma reabilitação mais específica e eficaz para estes indivíduos. Metodologia: neste Estudo foram avaliados 6 indivíduos com idades entre 30 e 56 anos, através da Posturografia dinâmica, realizada em seis condições associadas, variando entre olhos abertos e fechados, plataforma móvel e estável, e cabine móvel e estável. Para verificação da funcionalidade da prótese na realização de tarefas, foi realizado o teste “Time up And Go”, e um questionário subjetivo da eficácia na realização das atividades de vida diária. Resultados e Discussão: a análise dos dados revelou um pequeno déficit proprioceptivo, que é compensado pelos sistemas visual e vestibular, e de acordo com o questionário subjetivo de funcionalidade e o teste do time up and go, estes indivíduos sugerem um alto grau de funcionalidade e independência. Conclusão: estes indivíduos em específico apresentam um equilíbrio adequado e um alto grau de funcionalidade e independência na realização das suas atividades de vida diárias. Palavras Chave.: Amputação, Equilíbrio, Reabilitação. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 ABSTRACT Although all the advances in the biomedical areas, the amputation continue being used as therapeutically option in traumatic situations and of illnesses. Failures and limitations of transplants and reimplantation become the use of prosthesis an adequate form of if to provide to the patient to the capacity of being independent, to acquiring its auto-they esteem. During the whitewashing process, beyond the march in external environments, the decubitus changes will have to be given to the necessary teachings, as well as labor activities and of the daily life with the use of prosthesis, conferring to the patient the autonomy for its functional performance. Thus, one not only expects that the whitewashing of the amputated one consists, in the adaptation of one prosthesis, but, basically, in the functional recovery, professional readjustment and in the social reintegration of the individual. Objective: this work has for objective to verify the existence of deficit of balance and functionality in individuals of the masculine sex, with amputations of inferior members for traumatic etiology, that are prothesised and rehabilitated or that they are in final phase of whitewashing treatment, making possible to point difficulties of these patients in relation its activities of daily life, favoring a more specific and efficient whitewashing with respect to these individuals. Method: In this Study 6 individuals with ages between 30 and 56 years had been evaluated, through the dynamic Posturografy, carried through in six conditions associates, varying between open and closed eyes, mobile and steady platform, and mobile and steady cabin. For verification of the functionality of prosthesis in the accomplishment of tasks, Teams was carried through the test "up And Go", and a subjective questionnaire of the effectiveness in the accomplishment of the activities of daily life. Results and Discussion: The analysis of the data disclosed a small deficit proprioception, that is compensated by the systems visual and vestibular contest, and for accord with questioner subjective of functionality and the test of time up and go revel high nível of functionality. Conclusions: where these individuals presents an adequate balance and one high degree of functionality and independence in the accomplishment of its daily activities of life. Key Words.: Amputation, Balance, Rehabilitation. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 LISTA DE FIGURAS Figura 01 – Pintura de um amputado de membro inferior localizado no museu do Louvre.......................................................................................................................................25 Figura 02 – Ilustração de uma amputação transtibial medial..................................................43 Figura 03 – Ilustração de uma amputação transfemoral......................................................... 48 Figura 04 – Pé de alta performace...........................................................................................62 Figura 05 – Pé com sistema de acúmulo de energia................................................................63 Figura 06 – Desenho esquemático de uma prótese para amputação transtibial.......................64 Figura 07 – Desenho esquemático de duas próteses para amputação transfemoral, com mesmo tipo de encaixe, sendo uma com joelho convencional e outra com joelho CLEG...........................................................................................................................................69 Figura 08 – Esquematização das fases realizadas durante a marcha.......................................71 Figura 09 – Esquematização dos movimentos dos pés realizados durante as fases da marcha.......................................................................................................................................74 Figura 10 – Ilustração dos componentes do sistema vestibular.............................................105 Figura 11 – Ilustração do aparelho utilizado na realização da posturografia..........................113 LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 a. C. – antes de Cristo AOM – Análise Observacional da Marcha CAD-CAM – Computer Aided Design – Computer Aides Manufacture CAT-CAM – Contoured Adducted Trochanteric – Controlled Alignment Methord C-LEG – Computer Leg cm – Centímetros COM AUX – Com Auxílio d. C. – depois de Cristo EUA – Estados Unidos da América g – gramas ICIDH – International Classification of Impairments, Disabilities and Handicaps ISPO – International Society for Prothetics and Arthotics KBM – Kondylen Betting Munster min – minutos ml – mililitros mmhg – milímetros de mercúrio Nº - número OMS – Organização Mundial da Saúde PPNET – tumor neuroectodérmico primitivo periférico PTB – Patellar Tendon Bearing PTS – Prothese Tibiale Supracondylienne Rev. - Revista S – Sistema SACH – Solid Ankle Cushion Hell Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 SAFE – Stationary Ankles Flexible Endoskeleton SNC – Sistema Nervoso Central SNP – Sistema Nervoso Periférico SOM - Somatosensorial TF – Transfemoral TT – Transtibial TUG – Time Up and Go V - volume VES – Vestibular VIS – Visual Xe – Xenônio ºC – Graus Celsius % - Percentual LISTA DE TABELAS Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Tabela 01 – Caracterização da população de amputados avaliados.......................................116 Tabela 02 – Tabela completa de resultados do teste Time up and go....................................117 Tabela 03 – Respostas do questionário subjetivo de funcionalidade.....................................120 Tabela 04 – Média percentual dos valores obtidos pelos indivíduos na realização da Posturografia, referentes a capacidade de utilização dos sistemas de manutenção do equilíbrio.................................................................................................................................122 Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 01 – Gráfico ilustrativo de comparação de médias gerais individuais dos indivíduos avaliados no Time up and go....................................................................................................18 Gráfico 02 – Comparação do número de respostas dadas pelos indivíduos por questão................................................................................................... ................................121 Gráfico 03 – Média percentual dos resultados da posturografia............................................123 Gráfico 04 – Gráfico comparativo entre a média geral de cada sistema e sua respectiva referência.................................................................................................................................124 Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 1 INTRODUÇÃO 1.1 Formulação do Problema Amputação é uma palavra derivada do latim tendo o significado de ambi = ao redor de/em torno de e putatio= podar/retirar, sendo definido como a retirada, geralmente cirúrgica, total ou parcial de um membro do corpo, porém, para os pacientes que não possuem um conhecimento mais aprofundado sobre o assunto, entendem o termo “amputação” relacionado a terror, derrota e mutilação, trazendo de forma implícita uma analogia com incapacidade e dependência (CARVALHO, 2003). Torna-se perceptível nesses pacientes alterações psicológicas de grande amplitude e impacto sobre o estado emocional destes, que na sua maioria estão deprimidos e sem vontade de viver, em grande parte, relacionam a perda do membro como motivo de incapacidade de realizar qualquer atividade laboral, até mesmo suas atividades de vida diária dentro do lar, imaginando a necessidade de auxílio de terceiros para solução de problemas corriqueiros ou até mesmo quanto à higiene pessoal, levando a um agravamento progressivo do quadro de depressão, onde o paciente não tem qualquer perspectiva futura, incapacitando o indivíduo para o resto da vida. Na realidade, a amputação deve ser concebida pelo paciente como o início de uma nova fase, sem qualquer patologia ou deformidade séria, as quais poderiam possivelmente, se ainda presentes, incapacitar tais indivíduos. É muito importante dar ao paciente a noção de que as amputações, muitas vezes, propiciam uma qualidade de vida melhor, sem dor e sofrimento antes presentes. Com as guerras, o elevado número de acidentes automobilísticos e o maior Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 acometimento de indivíduos por doenças sistêmicas crônicas, entre outros, e com a evolução das drogas e tratamentos cirúrgicos mais eficazes, a população de amputados aumentou consideravelmente, resultando em uma reformulação dos conceitos sobe amputação, onde experientes cirurgiões ortopédicos e vasculares dedicam-se às amputações para eliminar tecidos moles e ósseos irremediavelmente lesados e, em um segundo momento, reconstruir as partes ósseas, musculares e cutâneas, de modo a propiciar ao coto capacidade adequada de sustentação e mobilidade (CARVALHO, 2003). A duplicação dos movimentos dos membros inferiores por uma prótese é relativamente mais fácil do que ao membro superior (BOCOLINI, 2000). Sendo que as próteses são dispositivos destinados a complementar a ausência de um membro (superior ou inferior) ou parte dele. A complementação visa substituir função, composição e sustentação corporal, sempre que possível primando pela estética (LIANZA, 1995). A função das próteses de membros inferiores é obtida satisfatoriamente, tendo na complementação e sustentação do peso corporal, quanto na marcha, dependendo do nível de amputação, dos componentes utilizados e do alinhamento da prótese durante a confecção e treino, podendo a marcha ser completamente normal (LIANZA,1995). Porém, é possível detectar algumas alterações nesses pacientes, sendo que uma dessas alterações é a alteração do equilíbrio corporal, pois a ausência de um dos membros inferiores, ocasiona a estes indivíduos, um aumento considerável no risco de quedas. O equilíbrio é a capacidade que o ser humano tem de se manter ereto ou executar movimentos de aceleração e rotação do corpo sem oscilações ou queda. O equilíbrio corporal é necessário para que o homem exerça suas atividades de vida diárias (AVD’s). O Sistema Nervoso Central (SNC) recebe informações e controla o equilíbrio através do sistema visual, do sistema vestibular, e do sistema somatosensorial ou propriocepção. Qualquer falha ou alteração de uma destas vias de informação pode prejudicar o recebimento da mensagem, alterando a resposta do SNC e causando desconforto ao indivíduo. Estas alterações Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 geralmente ocasionam piora na qualidade de vida, comprometendo suas atividades profissionais, domésticas e sociais, trazendo prejuízos físicos, psicológicos e financeiros (ROSSI, 2003). No caso do indivíduo amputado, ele irá perder a propriocepção, ou seja, a aferência dada ao SNC pelos diversos tipos de receptores sensoriais presentes em diferentes estruturas, que auxiliam a descrever a consciência da postura, de movimento, e das mudanças no equilíbrio (COHEN, 2001), assim como o conhecimento da posição, do peso e da resistência dos objetos em relação ao corpo, sendo assim o amputado terá somente as informações proprioceptivas ao nível da região do coto, que serão enviadas ao SNC. Por isso a verificação dessas alterações deve ser realizada, para que, se necessário, o tratamento seja direcionado a um melhor controle corporal, visando melhora do equilíbrio, para que dessa forma possibilite ao paciente uma melhor qualidade em suas AVD’s, sem perdas ou prejuízos, e até mesmo propiciar o retorno a atividade laboral do indivíduo, devolvendo a auto-estima e confiança ao paciente, se reincerindo ao convívio social e ao mercado de trabalho. 1.2 Justificativa O perfil das amputações mudou muito nos últimos tempos, devendo-se isso ao advento de novos medicamentos, à quimioterapia e radioterapia, à utilização de fixadores externos e de câmaras hiperbáricas e às técnicas cirúrgicas de revestimento cutâneo entre outros. As amputações de membros superiores raramente são causadas por patologias vasculares, as quais, por outro lado , são responsáveis pelo maior número de amputações de membro inferior. As causas mais freqüentes de amputação de membros superiores são traumáticas e Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 tumorais. Em amputações de membros inferiores as etiologias mais relacionadas são a processos vasculares, traumáticos, tumorais , infecciosos e congênitos (CARVALHO, 2003). O membro residual da amputação é denominado coto. O coto de amputação, agora considerado como um novo membro, é responsável pelo controle da prótese durante o ortostatismo e a deambulação. Para que isso seja possível, ele deve apresentar algumas características, tais como, nível adequado, coto estável, bom estado da pele, ausência de neuromas e espículas ósseas, presença de um bom coxim com mioplastia e miodese, boa circulação arterial e venosa, boa cicatrização e ausência de edema importante. Para que estes pacientes que sofreram amputação de membros inferiores readquiram uma marcha normal, com movimentos rítmicos, alternados e com o mínimo de esforço possível, a reabilitação deve ser realizada o mais precocemente possível. Durante a deambulação, ocorrem alterações de velocidade a cada passo e deslocamentos do centro de massa corpóreo nos planos frontal e sagital (BUKOWSKI, 2002). A marcha só é obtida pelos deslocamentos angulares dos vários segmentos do corpo em torno dos eixos localizados próximos às articulações. Na marcha normal, os músculos contraem e relaxam de modo preciso e orquestrado, já para os amputados de membros inferiores, essa relação íntima é quebrada e alterações são notadas, desse modo é esperado que a marcha resultante seja diferente, produzindo assimetria e maior oscilação do centro de gravidade, acarretando maior gasto energético e aumentando o risco de quedas. A biomecânica dos membros inferiores, suas articulações, movimentos e função são mais fáceis de serem refeitos e supridos por próteses, mesmo em grandes próteses com as usadas na desarticulação do quadril e hemipelvectomia, sendo mais simples à duplicação dos movimentos e aproximação da biomecânica normal da marcha (BOCOLINI, 2000), visando levar ao amputado protetizado, uma marcha mais segura, eficiente, simétrica e indolor, aproximando o máximo possível do normal. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Assim, um dos fatores negativos para o amputado protetizado é o agravamento do risco de quedas durante a realização das suas atividades de vida diária, pois o equilíbrio nestes indivíduos esta alterado uma vez que este é composto pelo sistema visual, sistema vestibular e propriocepção, onde esta última aferência é perdida devido à amputação, obrigando o amputado a adaptar-se a prótese direcionando as informações proprioceptivas ao sistema nervoso central, somente até o nível do coto, elevando assim o risco de queda para estes pacientes, além da possibilidade de associação de patologias, o que dificulta o reconhecimento das causas principais dos problemas, levando a maiores dificuldades durante a reabilitação do paciente. A atuação de uma equipe multidisciplinar junto desses pacientes efetivando uma reabilitação eficaz, pode diminuir essas alterações, através do treino da marcha entre outros exercícios específicos, acarretando uma diminuição significativa no risco de queda destes pacientes, porém pode-se passar despercebidas alterações desta origem, pois são compensadas por outros meios, mas o diagnóstico deste déficit de equilíbrio e suas associações deve ser realizado e se necessário intensificar e direcionar o tratamento neste sentido, oferecendo aos pacientes a plena reabilitação, possibilitando uma vida independente e normal ao paciente amputado. 1.3 Objetivos 1.3.1 Gerais: Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Verificar a existência de alterações de equilíbrio em pacientes com amputação de membros inferiores unilateral, que já tenham sido protetizados e que já foram reabilitados ou que estejam em fase final de tratamento fisioterapêutico. 1.3.2 Específicos: Favorecer a reabilitação completa dos pacientes atendidos; Avaliar as condições físicas e de funcionalidade da prótese em relação as atividades de vida diária realizadas por esses indivíduos, através do teste “Time up and Go” e por questionário subjetivo de funcionalidade. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 2 AMPUTAÇÃO E PROTETIZAÇÃO DE MEMBROS INFERIORES 2.1 Definição Amputação é uma palavra derivada do latim tendo o significado de ambi = ao redor de/em torno de e putatio= podar/retirar, sendo definido como a retirada, geralmente cirúrgica, total ou parcial de um membro do corpo (CARVALHO, 2003). 2.2 História das Amputações e das Próteses 2.2.1 Histórico As amputações de membros são tão antigas quanto à própria humanidade. A evidência mais antiga de amputação, encontrada no Instituto Smithsonian, é um crânio humano de 45mil anos, com os dentes desgastados e alinhados, que indica a presença de membros superiores amputados. Outras evidências são as pinturas encontradas em cavernas da Espanha e França, com aproximadamente 36 mil anos, que mostram mutilações de membros. Outras pinturas também foram descobertas no mesmo período no Novo México, mostrando impressões de práticas de automutilação para acalmar os deuses durante cerimônias religiosas. Porém, a mais antiga referência escrita sobre amputações encontrada é o Rig Veda, um antigo poema sagrado indiano, reconhecido como a primeira referência escrita sobre próteses. O Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 poema escrito entre 3500 e 1800 a.C. (antes de Cristo) conta à história de uma guerreira, a rainha Vishpla, que com um membro inferior amputado por um ferimento de guerra, confeccionou uma prótese em ferro e retornou à batalha (CARVALHO, 2003). O relato mais antigo data de 2300 a.C., quando arqueólogos russos descobriram um esqueleto de uma mulher com um pé artificial, onde a prótese era constituída por um pé-decabra adaptado ao coto, por um encaixe feito com a própria pele dessecada do animal. Esse relato foi noticiado e publicado em janeiro de 1971 em um artigo da agência France Prese, sendo este provavelmente, uma das primeiras próteses de que se tem notícia (CARVALHO, 2003). Também existem dados em relação à “mãos artificiais” que foram encontradas em múmias egípcias datando de aproximadamente 2000 a.C., (LIANZA, 1995). Em cerca do ano de 484 a.C., foi descrita uma prótese por Heródoto, ao registrar as proezas de Hegistratos o qual, quando preso e condenado à morte no ano de 484 a.C., conseguiu escapar cortando o próprio pé preso a correntes, e após cicatrizar a ferida, ele confeccionou um pé de madeira e retornou a servir o exército persa (BOCOLINI, 2000). Um escritor do século V a.C. chamado Aristófanes escreveu uma peça teatral chamada “As Aves” na qual um personagem utilizava prótese em seu membro amputado. Uma prótese romana da Guerra de Samite, datada de 300 a.C., encontrada em Capau, Itália no ano de 1.858, foi restaurada conforme características da época, em madeira, bronze e couro, porém, foi novamente destruída por uma bomba em Londres durante a Segunda Grande Guerra. No museu do Louvre, em Paris, encontram-se alguns vasos dos séculos IV a.C. e II a.C. que mostram a presença de próteses, e várias outras esculturas e desenhos em mosáico e cerâmica fazem-nos perceber como as amputações e as próteses são antigas (CARVALHO, 2003). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Figura 01 – Pintura de um amputado de membro inferior localizada no museu do Louvre Fonte: CARVALHO, 2003. 2.2.2 Amputações da Pré-História e Época Medieval Antigamente as amputações eram causadas por diversos motivos, como deformidades congênitas, que eram bastante comuns, especialmente nos países árabes, onde casamentos entre primos de primeiro grau eram incentivados. E amputações traumáticas ocorriam durante as batalhas, nos momentos de captura dos inimigos ou de punição judicial. Além destes fatores, as amputações desta época também eram causadas por doenças como gangrena, tuberculose e lepra (CARVALHO, 2003). Realizavam-se as cirurgias com ou sem anestesias, analgésicos e instrumentos próprios. Nas punições judiciais, utilizava-se a técnica da guilhotina com machado e sem anestesia, e para os curativos cirúrgicos, usavam-se extratos de plantas como ópio, cânhamo, Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 ciruta e álcool (BOCOLINI, 2000). Fumo, mel e vinagre eram os anti-sépticos e a cauterização era feita com óleo quente, e utilizavam fibras de algodão e os fios de cabelo humano para o enfaixamento e ligaduras. Ainda, materiais de bronze, machados de pedra e ossos de animais serviam de instrumentos cirúrgicos (CARVALHO, 2003). A mais antiga descrição técnica de amputação é de Hipócrates (460–377 a.C.), considerado o pai da medicina científica. Realizavam-se amputações ao nível das articulações com guilhotinas, sempre em tecidos necróticos sem sensibilidade. Para Hipócrates, a gangrena era a única indicação para amputações. Quando necessária, a cauterização era feita com óleo ou ferro quente. A segunda mais antiga descrição é de Celsus (25 a.C. – 50 d.C.), também conhecido pela formulação dos sinais inflamatórios como dor, calor, rubor e tumefação. Celsus realizou amputações em planos mais proximais, com secções ósseas e de tecidos vivos, utilizando ligadura dos vasos por amarria. Para ele, somente em casos de gangrena a amputação era indicada (CARVALHO, 2003). Durante os Anos Negros, período conhecido como Era das Trevas, entre os séculos V e XV, a evolução científica foi ínfima, onde o sistema feudal dividiu todas as regiões Européias em pequenos reinados feudais, isolando-os da política e da ciência. Muitas técnicas cirúrgicas desenvolvidas por gregos e romanos caíram em desuso nessa época, em decorrência da pouca divulgação e aplicação destas técnicas, por isso, os métodos primitivos de amputação voltaram a ser utilizadas nesses anos (BOCOLINI, 2000). As amputações eram realizadas com guilhotinas enquanto a anestesia era provocada por ingestão de bebidas alcoólicas. Tentava-se na época cauterizar a região amputada com óleo ou ferro quente, entretanto, muitas vezes não havia soluções para estancar tais hemorragias e devido a isso, o prognóstico desses pacientes era proporcionalmente pior quanto mais proximal fosse o nível da amputação, levando à morte por choque ou por processos infecciosos (CARVALHO, 2003). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 A maior contribuição em relação as amputações e protetizações desta época foi Ambróise Paré (1510-1590), um cirurgião do exercito francês, que reintroduziu o uso das ligaduras, proposto inicialmente por Celsus e Hipócrates, e Wihelm Fabry, um dos primeiros cirurgiões da Alemanha, descreveu amputações com nível acima do tecido necrótico e o uso de torniquete em 1593 (CARVALHO, 2003). Com a descoberta da anestesia por Merton em 1846 e da anti-sepsia por Lister em 1867, as amputações passaram a ser realizadas com mais cuidado, o que conseqüentemente favoreceu as aplicações protéticas subseqüentes. Antes disto, as desarticulações eram preferidas por serem mais rápidas, menos traumáticas e dolorosas quando comparadas com as amputações realizadas com secções ósseas (CARVALHO, 2003). Na época medieval, os componentes metálicos utilizados para a construção de armaduras começaram a ser utilizados nas confecções de próteses o que as tornava extremamente pesadas, datando deste período as primeiras articulações exoesqueléticas de joelho, além do desenvolvimento de outros sistemas mecânicos para as próteses de membros superiores e inferiores, onde vários inventores e artistas criaram sistemas de próteses com os recursos da época (BOCOLINI, 2000). Ambróise Paré e Leonardo da Vinci constituem dois marcos na construção e desenho de próteses. Os mecanismos de movimentação de dedos, sistema de travas de joelho, articulações do pé e outros artifícios até hoje são capazes de nos deixar estupefatos com a capacidade inventiva destes artistas (BOCOLINI, 2000). 2.2.3 Desenvolvimento Técnico e Científico Pós-Guerra O desenvolvimento técnico-científico das próteses teve início após a primeira Guerra Mundial, quando a comunidade médica deparou-se em curto espaço de tempo com um grande Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 número de pessoas portadoras de amputações de membros, conseqüentes aos danos bélicos causados (LIANZA, 1995). Não somente as guerras tiveram grande influência pela necessidade de atender aos pacientes mutilados, como também, apesar do malefício que causaram, obrigaram a humanidade a desenvolver técnicas cirúrgicas mais avançadas e cuidadosas permitindo que os cotos de amputação fossem mais bem elaborados, com uma conseqüentemente maior facilidade para a aplicação das próteses (BOCOLINI, 2000). Estima-se que na 1ª Guerra mundial, os ingleses tivessem cerca de quarenta mil amputados e na Europa toda cerca de trezentos mil amputados. Foi durante a 2ª Guerra Mundial que se organizaram programas de pesquisas pra membros artificiais, por exemplo os EUA, onde mais de dezessete mil homens necessitaram de próteses. Observando este fato, foram encarregados institutos científicos, tais como universidades americanas, de formar uma comissão de estudos em componentes de próteses, conselhos de pesquisas nacionais e grupos de reunião para estudo. Como resultado de todos estes esforços nasceram membros artificiais absolutamente funcionais, aproveitando princípios de biomecânica que foram exaustivamente pesquisados por engenheiros, médicos e protéticos, o que contribuiu muito para o aperfeiçoamento das próteses (BOCOLINI, 2000). Com a Segunda Guerra Mundial, programas de pesquisas incentivaram novos estudos, dos quais surgiram componentes pré-fabricados com princípios biomecânicos mais funcionais. Essas inovações facilitaram muito o trabalho dos protesistas, os quais passaram a dedicar-se mais aos pacientes amputados, aprimorando a confecção dos encaixes protéticos. Desde então, os componentes pré-fabricados como pés, adaptadores, articulações e materiais como fibras, resinas e termoplásticos têm sido desenvolvidos por grandes indústrias ortopédicas, as quais, na disputa pela hegemonia do mercado mundial, investem em pesquisas científicas e inovações protéticas, proporcionando, desta forma, uma reabilitação mais eficaz e com alta tecnologia (CARVALHO, 2003). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Em junho de 1972, houve em Washington uma reunião de um grupo de especialistas em próteses, constituído por médicos de projeção mundial, técnicos em próteses, engenheiros biomecânicos, todos convocados pela Oficina Pan-Americana de Saúde, com o objetivo de fazer uma revisão no que existia de mais moderno no mundo com a finalidade de recomendar aos governos dos diversos países interessados a adoção de determinados tipos e componentes específicos de próteses (BOCOLINI, 2000). Em ortopedia técnica já é utilizado o sistema CAD-CAM (Computer Aided Design – Computer Aided Manufacture) para confecção de encaixes, no qual medidas do coto do paciente, após uma leitura individual, são enviadas para o computador, e dentro de um programa específico, o protesista, por meio de uma visão tridimensional do molde a ser produzido, realiza modificações conforme a experiência própria, onde esses dados são processados e enviados até uma central de fabricação que esculpe o molde definitivo em blocos de gesso ou espuma expandida, restando ao técnico realizar modificações necessárias no molde, confeccionar o encaixe em resina ou termoplástico e fazer a montagem e o alinhamento da prótese. E como não poderia ser diferente, novas técnicas cirúrgicas, novos medicamentos e novos conceitos de reabilitação, aliados a um trabalho multidisciplinar, também evoluíram e continuam em desenvolvimento, proporcionando uma melhora na qualidade de vida dos amputados, os quais, atualmente, já podem ser encontrados totalmente reintegrados à vida social e profissional (CARVALHO, 2003). 2.2.4 Cronologia das Inovações Cirúrgicas e Protéticas 1815 – Lisfranc, cirurgião francês, descreveu a amputação de mediopé, conhecido pelo seu próprio nome; 1843 – James Syme – inovou com a desarticulação do tornozelo; Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 1854 – Pirogoff, cirurgião russo, descreveu a amputação conhecida com Pirogoff; 1857 – Rocco Gritti descreveu a desarticulação de joelho preservando a patela; 1939 – Técnica de amputação descrita por Boyd, a qual levou seu nome; 1956 – Marcou o desenvolvimento do pé SACH – Universidade da Califórnia/Berkley; 1963 – Marian Weiss, da Polônia, iniciou técnica de protetização imediata; 1964 – Foi desenvolvido na França o encaixe PTS; 1968 – Desenvolvido na Alemanha o encaixe tipo KBM; 1968 – Hans Mauch utilizou sistemas hidráulicos nos joelhos protéticos; 1970 – Fundação da ISPO – International Society for Prosthetics and Orthotics; 1971 – Utilização de próteses endoesqueléticas com cobertura cosmética; 1980 – Pé SAFE (Stationary ankle, flexible endoskeleton) – primeiro pé dinâmico; 1985 – Desenvolvido o encaixe CAT-CAM nos Estados Unidos, por Jonh Sabolich e seus colaboradores; 1986 – Desenvolvido na Islândia o sistema ICEROSS pra transtibiais; 1989 – Fillauer desenvolveu o sistema 3S (Silicon Suction Socket) para próteses abaixo do joelho; (CARVALHO, 2003). 2.3 Etiologia das Amputações O perfil das amputações mudou muito nos últimos tempos, devendo-se isso ao advento de novos medicamentos, à quimioterapia e radioterapia, à utilização de fixadores externos, de câmaras hiperbáricas e às técnicas cirúrgicas de revestimento cutâneo, entre outras técnicas e recursos utilizados para preservação e tratamento (CARVALHO, 2003). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 A Organização Mundial da Saúde (OMS), numa tentativa de abordar as conseqüências das doenças elaborou no início da década de 80 uma classificação denominada International Classification of Impairments, Disabilities and Handicaps (ICIDH), para ser utilizada em pesquisas, assim, na versão atual, a classificação considera que cada uma das dimensões, função e estrutura corporal, atividades e participação, influenciam uma ás outras, devendo ser consideradas de forma holística (BUCHALLA, 2003). A ausência ou perda do membro pode ocorrer por diversas causas, congênitas ou adquiridas. As adquiridas são as mais freqüentes sendo o traumatismo a principal causa de amputação de membro superior e as doenças vasculares periféricas a causa mais freqüente de amputação de membro inferior (BRITO, 2003). Com o passar dos anos, torna-se cada vez mais reduzido o número de amputações devido ao sucesso das revascularizações periféricas e as possibilidades de procedimentos cirúrgicos mais distais (LEITE, FRANKKINI, DEDAVID e HAFFNER, 2004). As amputações de membros superiores raramente são causadas por patologias vasculares, as quais, por outro lado, são praticadas em maior número nos membros inferiores (DE LUCCIA, 2003). As causas mais freqüentes das amputações de membro superior são traumáticas, podendo ser citados como causa os acidentes de trabalho, com explosivos, e por causas tumorais (SANTOS e NASCIMENTO, 2003). Dentre as doenças vasculares, a principal relacionada com as amputações é a arteriosclerose obliterante periférica, doença esta que apresenta fatores de risco irreversíveis, como o envelhecimento, e fatores de risco reversíveis ou passíveis de monitoramento, como a hipertensão arterial sistêmica, o diabetes mellitus, a dislipidemia, o tabagismo, a obesidade e o sedentarismo. O controle nos pacientes diabéticos tem sido sugerido como fator protetor e preventivo em relação ao desenvolvimento da arteriosclerose (BRITO, 2003). Segundo Carvalho, 2003, nas amputações de membros inferiores, pode-se encontrar etiologias relacionadas a processos,vasculares, neuropáticos, traumáticos, tumorais, Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 infecciosos, congênitos e iatrogênicos. As amputações de membros inferiores causadas por doenças vasculares periférica atingem principalmente pacientes com um faixa etária mais avançada, os quais estão mais suscetíveis a doenças degenerativas com a arteriosclerose (CARVALHO, 2003). Atualmente, com o aumento da expectativa de vida das pessoas devido à melhora na profilaxia e tratamento das doenças, pode-se prever uma prevalência maior de pacientes com doença arterial oclusiva crônica de membros inferiores e, conseqüentemente, um número maior de cirurgias para revascularização ou amputação do membro isquêmico (FRANÇA, STAHLKE JR, GARSCHAGEM e PARCHEN, 2004). As amputações associadas às doenças vasculares periféricas são praticadas em grande maioria nos membros inferiores, onde estas amputações de segmentos menores ou maiores dos membros inferiores representam os conceitos nesta área que nem sempre são absolutos, e certas sutilezas devem ser compreendidas para que o binômio preservação de comprimento e funcionalidade sejam alcançados (DE LUCCIA, 2003). Aproximadamente 15% da população de diabéticos desenvolverá úlceras em suas extremidades mais baixas, complicadas geralmente pela infecção e por um nível de cicatrização mais lento, acabando por conduzir a uma eventual amputação da extremidade comprometida (FERREIRA, RODRIGUES e FELS, 2004). Além destes, mais de 20% do grupo de doentes com idade superior a 60 anos são acometidos, aonde destes, 15% dos diabéticos que virão a desenvolver problemas no pé, 2,6 a 3% sofrerão amputação em nível transfemoral ou transtibial, e destes, passados cinco anos, 66% sofrerão uma amputação no membro contralateral, com ou sem protetização do primeiro (HORTA, VILAVERDE, MENDES, GONÇALVES, SERRA, PINTO, ALMEIDA, CARVALHO, DORES, SERRA, 2002). O Diabetes Mellitus é comprovadamente uma entidade complexa que sempre evolui com alterações metabólicas importantes, responsáveis pela comparação do paciente diabético Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 a um verdadeiro imunodeprimido. A neuropatia diabética e a insuficiência vascular periférica são freqüentes nesses casos, representando fatores que certamente favorecem a instalação e o desenvolvimento de enfermidades do tegumento (MINELI, NONINO, SALMAZO, NERNE e MARCONDES, 2003). A pedra angular do tratamento das feridas infectadas consiste no cuidado clínico das infecções e na remoção de tecidos desvitalizados ou necrosados. O sofrimento da perfusão estará intimamente relacionado à patogenicidade do agente infeccioso. Os agentes biológicos correspondem ao grupo clínico mais freqüente e de maior importância, onde pode associar as lesões superficiais da pele à presença de bactérias Gram positivas como Staphylococcus aureus, Streptococcus pyogenes beta-hemolítico. Bactérias Gram negativas são mais patogênicas e portanto responsáveis pelo acometimento mais profundo da pele, como a Escherchia coli, Pseudomonnas aeruginosas, Proteus sp. e Neisseria gonorrheae. Infecções extremamente invasivas e de caráter mionecrótico estão associadas aos anaeróbios Clostridium perfrigens e Bacteróides fragilis, responsáveis por um quadro clínico de prognóstico reservado e amplamente relacionado à amputação dos membros ou segmentos acometidos (SANTOS e NASCIMENTO, 2003). A claudicação intermitente e perda dos pulsos distais são sintomas clássicos de insuficiência arterial. Entre os fatores predisponentes, encontramos a hipertensão, altos níveis de colesterol, trigliceres e tabagismo. A neuropatia periférica também já pode ser considerada como etiologia para amputações. Inúmeras doenças ou processos podem levar à neuropatia periférica, como a diabetes mellitus, um distúrbio nutricional, como o alcoolismo, doenças infecciosas, como o Hansen e a Poli, alterações medulares, como a espinha bífida e o trauma medular (CARVALHO, 2003). Os pacientes com neuropatia diabética apresentam diminuição ou perda da sensibilidade vibratória, térmica, tátil e dolorosa aumentando os riscos de ulceração nos pés diabéticos (HORTA et. al., 2002). Sensibilidade protetora é o termo utilizado pra descrever a Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 autoproteção dos traumas. Esta perda é característica destes pacientes. Os pacientes com neuropática diabética podem, no entanto, apresentar dores noturnas ou em repouso, enquanto que nos pacientes com doenças vasculares, as dores aumentam durante as atividades, momento em que os músculos necessitam de mais oxigênio (CARVALHO, 2003). A alteração motora nos pacientes com polineuropatia acomete os nervos, causando fraqueza dos músculos e deformidades articulares, como por exemplo os dedos em martelo, que podem levar ao aumento de pressões locais durante a marcha. As disfunções do sistema nervoso autônomo podem reduzir a hidratação dos tecidos deixando a pele mais ressecada e vulnerável às fissuras e afetar a regulagem vasomotora, resultando em hiperemia dos tecidos moles e ósseos (CARVALHO, 2003). Normalmente a evolução do pé neuropático é a osteoneuroartropatia de Charcot ou pé de Charcot, onde se observa uma alteração estrutural do pé com altos risco de ulceração por pressões em locais inadequados durante a marcha ou a posição ortostática e quadros de infecção, levando geralmente às amputações (MILMAN, LEME, BORELLI, KATER, BACCILI, ROCHA e SENGER, 2001). As amputações traumáticas acometem principalmente adolescentes e adultos jovens, os quais estão mais expostos aos acidentes de trabalho e acidentes por meios de transporte, frutos da tecnologia moderna. Batalhas e minas perdidas ainda continuam causando amputações em alguns países, e encontramos também amputações ocasionadas por arma de fogo, queimaduras severas e descarga elétrica. Com o advento de técnicas cirúrgicas e a utilização de fixadores externos, o índice de amputações por lesões traumáticas tem diminuído razoavelmente (CARVALHO, 2003). É interessante ressaltar que enquanto as amputações de membros superiores traumáticas são provocadas em sua maioria por acidentes de trabalho, já as de amputações de membros inferiores traumáticas são geralmente causadas por acidentes de trânsito (LEITÃO, 1995). As amputações tumorais, as quais afetam principalmente crianças e adolescentes, Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 também têm diminuído consideravelmente devido aos bons resultados obtidos com o diagnóstico precoce, a radioterapia, a quimioterapia, a utilização de endoprótese, os enxertos e algumas outras modalidades cirurgias conservadoras. O evidente aumento da sobrevida conseguido desde a década passada, faz com que atualmente se obtenha uma cura completa em cerda de 70% das crianças diagnosticadas com sarcoma ósseo que, por sua vez é de alta malignidade. Esse índice era praticamente inatingível até então por tratar-se de uma doença letal. Outros tumores de partes moles. Como o PPNET (tumor neuroectodérmico primitivo periférico), com envolvimento nervoso e de musculaturas adjacentes, também podem levar a amputações de membros (CARVALHO, 2003). As amputações infecciosas também têm sido menos freqüentes em virtude dos grandes avanços laboratoriais e do desenvolvimento de medicamentos mais específicos. A meningite meningocócica é uma amputação infecciosa clássica, caracterizada por lesões cutâneas importantes que podem causar necroses das extremidades. As infecções também podem estar relacionadas a processos traumáticos e vasculares (CARVALHO, 2003).Amputações iatrogênicas estão associadas a complicações adquiridas pelo paciente durante o curso do tratamento. Os pacientes portadores de anomalia congênita os quais apresentam grandes deformidades que impedem uma protetização futura ou dificultar a função do membro residual, normalmente são encaminhados para procedimentos cirúrgicos, estando entre estes procedimentos a amputação do membro (BOCOLINI, 2000). As amputações geralmente ocorrem por indicação eletiva ou de urgência. As amputações eletivas, indicadas para pacientes portadores da seqüelas ou processos mórbidos, visam obter, entre outros fatores, melhora nas condições de vida, como por exemplo os grandes traumas, neoplasias em estágio avançado ou sepses, os quais trazem riscos à vida do paciente (CARVALHO, 2003). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 2.4 Níveis de Amputação para Membros Inferiores A necessidade de se preservar maior quantidade de tecido viável tem exigido um melhor estudo desses membros. O adequado exame clínico do paciente determinara o nível adequado para a amputação. Apesar do arsenal tecnológico disponível e da conscientização dos profissionais da saúde, a definição do nível de amputação não é uma tarefa fácil. Quando mais distal for a amputação, menor será o gasto energético do paciente ao efetuar manobras, sendo que as próteses se adaptam mais facilmente e os custos financeiros serão menores com o retorno ao convívio social e profissional mais rapidamente (SANTOS e NASCIMENTO, 2003). Após a definição do nível de amputação do membro inferior a ser realizado, aspectos gerais referentes aos procedimentos e particulares técnicas, relativas a cada nível, devem compor o armamentário do cirurgião que se dedica ao tratamento destes pacientes, onde aproximadamente 80% das amputações de membros inferiores são realizadas em pacientes com doença vascular periférica e/ou diabetes, sendo então fundamental que o cirurgião vascular conheça os principais fatores cirúrgicos que influenciam a recuperação clínica e a protetização destes indivíduos (DE LUCCIA e SILVA, 2003). 2.4.1 Desarticulação Interfalangiana De modo geral, deve-se tentar preservar o máximo de tecido possível, visando a condição funcional do pé (DE LUCCIA e SILVA, 2003). A desarticulação interfalangiana geralmente não apresenta problemas funcionais e estéticos ao paciente. É causada, na sua Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 maioria, por processos traumáticos ou vasculares, os quais podem levar até a amputações espontâneas, como nos casos de gangrena seca, nos quais observa-se morte tecidual por obstrução venosa ou infecção. Muitas vezes, é preferível realizar uma amputação a permanecer com os próprios dedos não funcionais, rígidos, deformados e dolorosos. Essas amputações não implicam em grandes alterações de equilíbrio e deambulação dos pacientes e, nas amputações do hálux, procura-se manter a base da falange proximal, para preservar a inserção dos tendões extensor e flexor curto (CARVALHO, 2003). 2.4.2 Desarticulação Metatarsofalangiana As causas que levam a uma amputação nesse nível são alterações vasculares, neuropáticas e traumáticas. As amputações isoladas do 2º ao 5º podátilo não causam alterações significativas na marcha, porém uma ressalva deve ser feita na amputação isolada do 2º e do 3º podátilo, pois pode provocar uma deformidade importante em hálux-valgo. A amputação dos podátilos médios irá acarretar desvios dos podátilos laterais, e a do hálux é a mais comprometedora, pois dificulta a marcha especialmente durante a fase de impulso, levando a uma marcha mais lenta, onde não se observam alterações significativas (CARVALHO, 2003). Por se tratar de uma desarticulação, a superfície cartilaginosa deve ser removida e os tendões flexores e extensores devem ser suturados nos metatarsos. Os cirurgiões optam por suturas dorsais para cobrir o coto, oferecendo, desta forma, uma cobertura cutânea mais resistente (DE LUCCIA e SILVA, 2003). 2.4.3 Amputação Transmetatarsiana Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Esse nível de amputação é causado, na sua maioria, por processos vasculares e traumáticos. Nos casos de processos infecciosos, pode-se optar pela incisão somente de um raio deixando o pé funcional, porém assimétrico. As incisões são feitas com o flap plantar maior que o dorsal, visando um coxim mais resistente com tecido plantar, onde os nervos e os tendões são tracionados e seccionados. Nesta amputação, a secção óssea deve ser realizada próxima à cabeça ou à base dos metatarsos, pois sua diáfise cortical é longa e fina, podendo ser reabsorvida ou então provocar desconforto no coxim ou até perfurá-lo. A descarga é realizada distalmente, porém a marcha fica prejudicada principalmente na fase de desprendimento do antepé (CARVALHO, 2003). 2.4.4 Amputação de Lisfranc A amputação de Lisfranc dez respeito à desarticulação dos metatarsos com os ossos cubóide e cuneiformes. As indicações continuam sendo predominantemente vasculares. Esse nível de amputação apresenta como desvantagens as comuns deformidades em flexão plantar, as quais dificultam a protetização, limitam a descarga distal total e podem levar a revisões cirúrgicas (CARVALHO, 2003). No ato cirúrgico é realizada apenas uma simples desarticulação. Pode-se também preservar, se possível, a base do 4º e 5º metatarsiano para evitar a perda de inserção natural do músculo fibular curto. Do ponto de vista funcional o osso cuneiforme medial e a base do primeiro metatarso são vitais para o equilíbrio do médio pé (DE LUCCIA e SILVA, 2003). A sutura, como nos níveis anteriores, continua sendo realizada no dorso do pé, preservando o retalho plantar, o qual apresenta tecido subcutâneo e uma fina camada muscular formada pelos flexores curtos dos dedos. Os nervos devem receber tensão, porém de leve intensidade e serem seccionados a nível mais proximal possível, evitando, desse modo, a formação de Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 neuromas distais superficiais (CARVALHO, 2003). 2.4.5 Desarticulação Navicuneiforme e Transcubóide Este nível não é muito descrito pela literatura, embora na prática possa ser encontrado. Esta amputação encontra-se entre os níveis de Lisfranc e Chopart, com a manutenção de todo osso navicular e a secção parcial do cubóide ao nível da articulação navicuneiforme. Neste nível a articulação talo-navicular é mantida, ajudando a manter o posicionamento do tálus, o que não ocorre na amputação de Chopart (CARVALHO, 2003). 2.4.6 Amputação de Chopart A amputação de Chopart é uma técnica de desarticulação realizada entre os ossos navicular e cubóide com o tálus e o calcâneo, respectivamente, também conhecida como articulação transversa do tarso. Apenas o retropé é mantido, o coto na amputação de Chopart apresenta um predomínio dos músculos flexores plantares inseridos na tuberosidade posterior do calcâneo sobre a musculatura dorsiflexora. A falta de sustentação anterior do calcâneo e do tálus, associado a forte ação da musculatura da panturrilha tende a provocar a deformação em eqüino, sendo a principal complicação tardia deste tipo de desarticulação (DE LUCCIA e SILVA, 2003). A reinserção do músculo tibial anterior ao redor do colo do tálus, juntamente com o alongamento do tendão do calcâneo, geralmente é recomendada, porém nem sempre apresenta bons resultados, o que pode tornar esse nível de amputação não funcional para o paciente. A descarga de peso poderá ser realizada na parte distal do coto, caso o paciente Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 tolere (BOCOLINI, 2000). 2.4.7 Amputação de Syme A amputação de Syme é geralmente causada por patologias vasculares, processos traumáticos, anomalias congênitas, deformidades adquiridas ou quando as amputações transmetatarsianas, de Lisfranc ou de Chopart não são possíveis (CARVALHO, 2003). A amputação de Syme permite descarga distal sobre o coto, e a presença de espaço entre o coto e o solo possibilita uma protetização futura com um pé mecânico. É um excelente nível para amputação, não apresentando grandes complicações (LIANZA, 1995). O ponto desfavorável dessa amputação refere-se à cosmética, em virtude do grande volume encontrado na região distal. A marcha sem prótese é possível, porém por causa da dismetria dos membros e existe claudicação, que pode levar à alterações estruturais (CARVALHO, 2003). Essa amputação é realizada com a desarticulação tibiotársica e posteriormente com uma secção óssea logo abaixo dos maléolos lateral e medial, conservando a sindesmose tibiofibular. O plano de secção das superfícies cruentas da tíbia e da fíbula deve estar paralelo ao solo quando o paciente se encontra de pé. Os nervos são tracionados e seccionados buscando uma retração proximal. Quanto à sutura dos músculos plantares, do tecido subcutâneo e da pele, ela deve estar anteriormente ao nível distal da tíbia, formando o coxim do calcâneo, onde o tamanho do retalho de pele plantar varia de 5 cm a 7,5 cm, dependendo do tipo de tornozelo e se os maléolos serão retirados em primeiro tempo, pois se mantidos para possível intervenção posterior é recomendável que seja mantido um retalho maior (DE LUCCIA e SILVA, 2003). As causas mais comuns de um coto inadequado são a migração do Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 coxim do calcâneo e a deiscência de suturas por manipulação excessiva das bordas (BOCOLINI, 2000). 2.4.8 Amputação de Pirogoff A amputação de Pirogoff é similar à de Syme, porém é tecnicamente mais difícil e mais demorada, pois nesse tipo de amputação ocorre uma artrodese entre a tíbia e o calcâneo, tendo em vista que o calcâneo é seccionado verticalmente, eliminando sua parte anterior e realizando com a parte posterior uma rotação superior a 90º graus até ocorrer um encontro entre as superfícies do calcâneo e da tíbia, sendo que às vezes, a utilização de osteosíntese faz-se necessária para tal fixação. Como resultado, observamos um espaço menor entre o coto e o solo, quando comparado com a amputação de Syme (CARVALHO, 2003). 2.4.9 Amputação de Boyd A amputação de Boyd é bastante similar à amputação de Pirogoff com uma artrodese do calcâneo seccionado com a superfície distal tibiofibular. No entanto, a osteotomia realizada no calcâneo é horizontal e sua fixação com a tíbia/fíbula é realizada após um pequeno deslocamento anterior (CARVALHO, 2003). 2.4.10 Amputação Transtibial Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 A amputação transtibial é realizada entre a desarticulação tibiotársica e a de joelho. Podemos dividi-la em três níveis, ou seja, amputação transtibial em terço proximal, médio e distal. Para esses níveis de amputação, devemos considerar a importância funcional da articulação do joelho na reabilitação e na deambulação dos pacientes amputados (CARVALHO, 2003). As amputações neste nível podem ser causadas por patologias vasculares, processos traumáticos, infecciosos e neoplásicos ou anomalias congênitas. As amputações por patologias vasculares acometem principalmente pacientes idosos enquanto as traumáticas atingem, na sua maioria, pacientes mais jovens, onde ambas levam a um impacto socioeconômico e psicológico com conseqüente diminuição da qualidade de vida (SPICHLER, MIRANDA, SPICHLER e FRANCO, 2004). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Figura 02 – Ilustração de uma amputação transtibial medial Fonte: BLOHMKE, 2002. A descarga de peso, nas amputações transtibiais, independentemente do nível da amputação, deverá ser realizada no tendão patelar, entre a borda inferior da patela e a tuberosidade da tíbia, e nas regiões com tecidos moles localizadas nas faces lateral, medial e posterior do coto. Em alguns casos pode não ser possível a realização de tais pressões, sendo necessário a realização do apoio na musculatura da coxa ou tuberosidade isquiática, entretanto, a descarga de peso distal sempre será contra-indicada em razão da transseção óssea e dos tecidos moles ali localizados, pois os cotos transtibiais apresentam uma tendência à deformidade em flexão do joelho aumentando proporcionalmente a quanto mais proximal for o nível de amputação realizado (CARVALHO, 2003). Em 1971 Burgess e Romano deram início à popularização do retalho posterior, sem retalho anterior, para a amputação transtibial, onde afirmavam que pacientes com doença vascular periférica possuindo um coto de 10 a 12 cm com um longo retalho posterior formado pelos músculos gastrocnêmios e solear ou somente pelos gastrocnêmios, evitaria as necroses das bordas dos retalhos anteriores. Assim, no procedimento cirúrgico deve ser realizada uma secção óssea na face anterior da tíbia com angulação de aproximadamente 15 graus para não causar compressão nos tecidos. A fíbula deve ser seccionada de 1 a 1,5 centímetros acima da tíbia e arestas ou saliências ósseas devem ser evitadas. A musculatura posterior é rebatida de forma a favorecer a mioplastia, ou seja, a sutura dos músculos e fáscias posteriores na fáscia profunda dos músculos anteriores, na qual os músculos antagonistas serão fixados aos agonistas, e também a miodese, em que a musculatura será reinserida ao tecido ósseo, e também a utilização de periósteo pra fixação mais eficiente (DE LUCCIA e SILVA, 2003). Esses procedimentos melhoram o controle do coto, a propriocepção e a circulação Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 local, além de diminuir incômodos como a dor fantasma. Os nervos são seccionados após leve tração para se alojarem entre os grupos musculares, e as suturas localizadas anteriormente são realizadas com certo cuidado para evitar aderências e retrações (CARVALHO, 2003). A amputação transtibial distal apresenta um coto bastante longo, resultando em um grande braço de alavanca possibilitando um bom controle sobre a prótese caso o paciente evoluir para a protetização (CARVALHO, 2003), entretanto, a exemplo dos pacientes vasculares que realizam amputações na região dos pés, a região distal da perna não apresenta um bom suprimento sangüíneo e os tecidos subcutâneos e musculares da região resultam em um coxim escasso, podendo neste nível de amputação apresentar problemas como escoriações e úlceras, onde os pacientes com problemas vasculares terão o risco de evoluir para uma segunda amputação, com elevação do nível de amputação (HORTA, VILAVERDE, MENDES, GONÇALVES, SERRA, PINTO, ALMEIDA, CARVALHO, DORES e SERRA, 2002). A amputação transtibial medial localizada na transição musculotendinosa do tríceps sural é considerada ideal para esse nível, pois possui um bom coxim terminal e bom comprimento do coto, os pacientes não encontrem grandes dificuldades na reabilitação. Antigamente, quando não havia pele suficiente para as suturas nos trauma-ortopédicos, os cirurgiões costumavam sacrificar o comprimento do coto de amputação, realizando amputações mais proximais. Com as técnicas de revestimento cutâneo, já é possível priorizar o comprimento do coto, realizando cobertura cutânea por meio de retalhos. Na amputação transtibial próximas, o nível mais proximal aceito para esta amputação é logo abaixo do tubérculo tibial com preservação do tendão do quadríceps para a extensão. Com o objetivo de preservar a articulação do joelho, algumas técnicas têm sido adotadas, tais como amputações bem proximais, excisões da fíbula, flaps mediais e enxertos cutâneos (CARVALHO, 2003). Dentre as vantagens das amputações transtibiais quando comparadas às amputações mais altas, se refere à manutenção da articulação do joelho, ao menor gasto energético durante Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 a marcha, a facilidade para colocação e remoção da prótese além de possibilitar uma marcha mais fisiológica (BOCOLINI, 2000). A osteomioplastia, também conhecida como ponte óssea, é recomendada para pacientes jovens, especialmente em casos traumáticos, onde fusão entre os ossos é realizada por meio da fixação do periósteo da tíbia contendo lascas de tecidos ósseos à fíbula e sua consolidação (DE LUCCIA e SILVA, 2003). Essa técnica permitirá uma descarga parcial de peso distalmente para o paciente, melhorando a propriocepção do amputado (CARVALHO, 2003). 2.4.11 Desarticulação de Joelho A desarticulação de joelho foi durante muito tempo evitada e substituída pela amputação transfemoral, pois era considerada pelos cirurgiões e reabilitadores como um nível de amputação ruim, principalmente pela dificuldade e pela estética das protetizações. Atualmente sabe-se que esse nível tem inúmeras vantagens diante da amputação transfemoral, sendo que esta amputação é bastante indicada a pacientes com traumatismos ortopédicos irreversíveis, para casos de anomalias congênitas de tíbia e/ou fíbula e para alguns tumores mais distais, onde a amputação transtibial esta impossibilitada (CARVALHO, 2003). No procedimento cirúrgico, os nervos devem ser sepultados em planos profundos e os músculos, reinseridos (MARTINS, SIQUEIRA,TEDESCO-MARCHESE, 2002). No nível da desarticulação de joelho, preconiza-se a preservação da patela A cicatrização localiza-se geralmente na região póstero-inferior do coto. Para esse nível, é indicada a descarga distal, proporcionando maior propriocepção ao paciente amputado. Em virtude do comprimento total do fêmur, o paciente amputado desarticulado de joelho apresenta uma boa alavanca de movimento, resultando em grande controle sobre a prótese, e por não apresentar desequilíbrios musculares, não observamos deformidades importantes, apresentando algumas Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 vantagens em relação à amputação transfemoral, como um maior braço de alavanca, uma força muscular maior, a possibilidade de descarga distal, bom controle rotacional sobre as próteses, um melhor sistema de suspensão protética, facilidade pra colocação e remoção da prótese e um menor gasto energético durante a deambulação (CARVALHO, 2003). 2.4.12 Amputação Transfemoral A amputação transfemoral é realizada entre a desarticulação de joelho e a de quadril, e como nas amputações transtibiais, também pode ser dividi-la em três níveis, ou seja, amputação transfemoral em terço proximal, médio e distal, sendo que as amputações podem ser causadas por patologias vasculares, processos traumáticos, infecciosos e neoplásicos ou por anomalias congênitas (BOCOLINI, 2000). Em relação ao procedimento cirúrgico realizado, os mesmos cuidados com a mioplastia, a miodese, a hemostasia, a secção de nervos e as suturas devem ser tomados, e a cicatrização normalmente encontra-se na região distal ou mais posteriormente na região inferior do membro (DE LUCCIA e SILVA, 2003). O coto de um amputado transfemoral tende a apresentar uma deformidade em flexão e abdução do quadril. Nota-se que quanto mais proximal o nível da amputação, maior a tendência à deformidades (BOCOLINI, 2000). Isso se deve a um desequilíbrio de forças entre os músculos abdutores e adutores, pois o músculo glúteo médio, que e o principal abdutor do quadril, permanece íntegro enquanto alguns músculos adutores são seccionados durante a amputação, assim causando um desequilíbrio, sendo que a redução de músculos com função adutora, atrofia muscular e inadequado mecanismo de fixação irão diminuir a força dos adutores facilitando o desvio postural, podendo causar prováveis alterações na marcha. Quanto à flexão do quadril, atribuímos o encurtamento do psoas ilíaco às posturas adotadas de forma inadequada (BUKOWSKI, 2002). Para os pacientes transfemorais, está totalmente contra-indicada a realização de Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 descarga distal. Para isso, os encaixes protéticos são confeccionados de modo que suportem a descarga de peso em apoio isquiático e/ou em paredes laterais do coto, dependendo do tipo de encaixe utilizado. O nível mais proximal aceito para esta amputação é de um coto ósseo com 8 cm abaixo do trocânter menor, mantendo preservada a inserção de músculo ilíaco. Os cotos mais distais apresentam uma alavanca maior e, conseqüentemente, maior controle sobre a prótese. Os amputados transfemorais apresentam durante a marcha um gasto energético, cerca de 65% maior que indivíduos não amputados (CARVALHO, 2003). Figura 03 – Ilustração de amputação transfemoral Fonte: BLOHMKE, 2002. 2.4.13 Desarticulação do Quadril Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 A desarticulação do quadril consiste na retirada de todo o membro inferior, inclusive da cabeça do fêmur. Esse tipo de amputação é indicado principalmente para traumatismos complexos e processos tumorais. Não apresenta coto ósseo, restando apenas uma cobertura musculocutânea do glúteo máximo (CARVALHO, 2003). A incisão na pele inicia-se anteriormente 1,5 cm medial à espinha ilíaca ânterosuperior, desce paralela ao ligamento inguinal em direção ao tubérculo púbico passando a face medial da raiz da coxa e é colocada a 5 cm abaixo da inserção dos adutores da coxa no osso púbis. Após cuidadosa e leve tração o nervo femoral é seccionado o mais proximal possível, fazendo com que o coto do nervo fique abaixo da aponeurose do músculo oblíquo externo impedindo sua compressão pela eventual prótese a ser utilizada (DE LUCCIA e SILVA, 2003). Entre os músculos anteriores da coxa o sartório, reto femoral, e o pectíneo são seccionados junto a suas origens na espinha ilíaca ântero-superior, espinha ilíaca ânteroinferior e púbis. Os músculos grácil e os adutores longo, curto e magno, são seccionados junto ao púbis, para remoção conjunta com o membro afetado. Os músculos ílio-psoas e obturador externo são desinseridos junto ao trocânter menor e serão utilizados para cobertura e preenchimento do acetábulo (DE LUCCIA e SILVA, 2003). 2.4.14 Desarticulação Sacroilíaca A desarticulação sacroilíaca consiste um uma cirurgia radical, na qual é realizada a remoção de metade da pelve e de todo o membro inferior homolateral (CARVALHO, 2003). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 As indicações desta amputação geralmente estão relacionadas a neoplasias ósseas,sarcoma de tecidos moles como glúteos com invasão para a região pélvica e da porção proximal posterior da coxa, podendo estar associado a metástases regionais (OLIVEIRA, FREITAS, VIEIRA e VIEIRA, 2004). Esses pacientes apresentam como locais para descarga de peso, o ísquio contralateral à amputação e a região torácica (BOCOLINI, 2000). Para este nível de amputação recomenda-se não utilizar a denominação de hemipelvectomia, pois este termo não corresponde à amputação da região da pelve e de todo o membro inferior, podendo corresponder somente à retirada exclusiva de metade da pelve, assim, como por exemplo, a calcânectomia não corresponde à amputação de todo o pé, mas somente do calcâneo (CARVALHO, 2003). 2.5 Próteses para Membros Inferiores 2.5.1 Tipos de Próteses Os tipos de próteses podem ser divididos em dois grandes grupos, observando-se critérios direcionados de acordo com suas características próprias, sendo estes grupos conhecidos como próteses exoesqueléticas e endoesqueléticas. 2.5.1.1 Próteses Exoesqueléticas Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Conhecidas também como próteses convencionais, as próteses exoesqueléticas são confeccionadas com componentes de madeira ou plástico, os quais servem de conexão entre encaixe e pé. Suas paredes proporcionam, além da sustentação, o acabamento estético (LIANZA, 1995). As produzidas com componentes plásticos são geralmente utilizadas pra confecção de próteses de banho e geriátricas. As próteses exoesqueléticas podem ser utilizadas para todos os tipos de amputações, porém, para alguns níveis, preconiza-se o emprego de componentes modulares, podendo essas próteses ser confeccionadas com componentes maciços em madeira ou espuma rígida, sendo colados de acordo com o alinhamento definido. O acabamento é realizado desbastando as paredes externas conforme as medidas do membro não amputado, em seguida, a prótese recebe uma laminação em resina acrílica e fibra de carbono pra melhor acabamento e resistência, onde a parte interna dos componentes é lixada para reduzir a espessura das paredes e, conseqüentemente, o peso da prótese (CARVALHO, 2003). Nas próteses de madeira, esse procedimento é realizado antes da laminação final e, nas de plástico, após a laminação, para se obter próteses ocas (BLOHMKE, 2002). As vantagens do sistema exoesquelético a resistência, a durabilidade e a pouca manutenção das próteses, porém, encontramos como desvantagens uma estética menos agradável, poucas opções de componentes e dificuldades para realinhamento e impossibilidade de intercâmbio rápido de componentes (CARVALHO, 2003). 2.5.1.2 Próteses Endoesqueléticas As próteses endoesqueléticas também são conhecidas como próteses modulares. A conexão entre o encaixe e o pé protético é realizada por meio de tubos e componentes Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 modulares, e o acabamento final é realizado com espuma e meia cosmética, conforme as medidas do membro contralateral à amputação, onde este revestimento estético em espuma pode ser substituído por encaixes coloridos, os quais são bastante utilizados por pacientes jovens. Essas próteses podem ser utilizadas para todos os níveis de amputação, com exceção das amputações parciais de pé e de tornozelo (CARVALHO, 2003). A vantagem dos joelhos modulares é que se encontram em grande número no mercado, com modelos que variam entre os monocêntricos com trava até os policêntricos com unidades hidráulicas e pneumáticas, sendo seus componentes fabricados com diversos tipos de materiais, como aço, titânio e alumínio (LIANZA, 1995). A confecção das próteses é efetuada com a fixação dos componentes modulares ao encaixe e ao pé por meio de parafusos após o alinhamento estático. Os ajustes e as correções de alinhamento podem ser realizados por adaptadores, que são compostos por quatro parafusos, permitem alterações nos planos sagital, frontal, horizontal e também movimentos de translação. Com esse sistema, é possível executar uma troca rápida de componentes sem acarretar a perda do alinhamento (BOCOLINI, 2000). As próteses endoesqueléticas são consideradas superiores às convencionais sob o ponto de vista funcional e cosmético, principalmente nas desarticulações de joelho e de quadril e nas amputações transfemorais. Os adaptadores de rotação e torção podem ser utilizados em próteses endoesqueléticas visando maior liberdade de movimentos e conforto de uso, respectivamente (CARVALHO, 2003). 2.5.2 Componentes Protéticos 2.5.2.1 Encaixes Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 O encaixe é o principal componente de uma prótese, independente do nível de amputação, ele é o elo entre o coto de amputação e a prótese, sendo que a precisão do encaixe influencia o controle da prótese, a qualidade da marcha e o conforto do uso, tendo funções de englobar o volume do coto sem inibir a circulação sangüínea, fixando a prótese ao coto do paciente, possibilitando a transmissão de forças e controle dos movimentos (BLOHMKE, 2002). Para cada nível de amputação, encontramos diferentes tipos de encaixes. Os pontos de pressão para fixação, descarga de peso e suspensão das próteses devem ser criteriosamente definidos e ajustados em cada caso para evitar ferimentos do próprio coto, formação de cinturões de tecidos moles no bordo dos encaixes e movimentos de pressão excessiva entre o coto e o encaixe (CARVALHO, 2003). 2.5.2.2 Joelhos Os joelhos protéticos têm como função proporcionar estabilidade na fase de apoio e controle na fase de balanço durante a marcha (CARVALHO, 2003). Estes controles podem ser realizados através de ajustes mecânicos ou por microprocessador. Os joelhos protéticos são encontrados nos modelos convencionais e modulares (BOCOLINI, 2000). Os joelhos modulares adaptam-se para todos os níveis de amputação, sejam eles transfemorais, desarticulados de joelho ou de quadril. Os convencionais, por apresentarem um bloco superior do eixo de rotação, já são indicados com mais restrições, principalmente por amputados desarticulados de joelho e transfemorais com cotos longos (CARVALHO, 2003). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 2.5.2.3 Trava Manual Os joelhos com trava apresentam um sistema manual de desbloqueio, podendo ser encontrados na versão modular ou convencional. Esses joelhos são extremamente seguros, sendo, portanto indicados somente para pacientes muito inseguros ou debilitados (BLOHMKE, 2002). O joelho é mantido bloqueado em extensão, acarretando um padrão de marcha anormal, o que pode provocar vícios caso futuramente este sistema seja trocado por um outro mecanismo livre (BOCOLINI, 2000). 2.5.2.4 Joelho Livre Os joelhos livre são poucos utilizados atualmente. Eles são compostos por um único eixo (monoeixo) e não apresentam nenhum sistema de controle sobre a fase de balanço, sendo que a estabilidade na fase de apoio fica por conta do controle muscular, ou seja, dos extensores do quadril e do próprio alinhamento com posteriorização do eixo de rotação em relação a linha de carga. Este joelho pode ser encontrado no sistema modular e convencional. Suas vantagens são a simplicidade, pouca manutenção, peso e baixo custo. Dentre as desvantagens estão a instabilidade do sistema e o choque mecânico observado ao final da extensão (CARVALHO, 2003). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 2.5.2.5 Fricção O joelho com fricção permite o controle da fase de balanço através de pressão no eixo do rotação e regulagem do avançador. Pode-se utilizar unidades hidráulicas e pneumáticas associadas, permitindo uma marcha mais harmônica. Não havendo nenhuma fricção, teríamos um joelho livre. O controle da prótese sobre a fase de balanço pode ser realizado, aumentando ou diminuindo a velocidade angular durante o movimento de extensão do joelho na fase de balanço, porém, após o ajuste, a velocidade angular se torna fixa (BLOHMKE, 2002). A estabilidade na fase de apoio fica por conta do controle muscular, ou seja, dos extensores do quadril e do alinhamento através da posteriorização do eixo de rotação em relação à linha de carga. Portanto este joelho também pode ser considerado como um joelho pouco estável (LIANZA, 1995). 2.5.2.6 Autofreio O joelho autofreio ou autobloqueante, pode ser encontrado no sistema modular ou convencional, sendo que o controle da fase de apoio é realizado pela posteriorização do eixo de rotação da linha de carga e pelo auxílio do freio quando é implicada carga sobre o sistema, produzindo oscilação sobre o eixo e conseqüente fricção (BLOHMKE, 2002). Para controle da fase de balanço, podemos ajustar o impulsor dando uma maior ou menor velocidade ao movimento de extensão e também fazer a sua regulagem através de fricção no eixo de rotação (CARVALHO, 2003). Devido este tipo de joelho oferecer uma grande segurança, ele é indicado para pacientes inseguros, que serão protetizados pela Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 primeira vez ou que não apresentam um bom controle muscular sobre a musculatura extensora do quadril (BOCOLINI, 2000). Caso o paciente se queixe de dor na parte interna do coto, a prótese pode estar demasiadamente abduzida, ou caso o paciente referir a dor na parte externa, é possível que a prótese esteja em adução excessiva (LEITÃO, 1995). 2.5.2.7 Policêntricos Os joelhos policêntricos, também conhecidos como quatro barras, são mais fisiológicos e com algumas vantagens biomecânicas em relação aos joelhos monocêntricos, pois realizam durante a flexão do joelho, movimentos de translação e rotação. Nos joelhos monocêntricos o movimento realizado assemelha-se a do tipo dobradiça (BLOHMKE, 2002). Os joelhos policêntricos apresentam um centro de rotação instantâneo, localizado pela intersecção das linhas traçadas sobre os eixos. Durante a extensão total, sua localização é proximal e posterior e durante a flexão sua localização é distal e anterior (CARVALHO, 2003). Esse sistema proporciona uma grande estabilidade na fase de apoio, pois o eixo de rotação instantâneo localiza-se posterior a linha de carga e com maior facilidade na fase inicial da flexão do joelho. É o tipo de joelho mais recomendado para desarticulações de joelho, pois este nível tem vantagens em relação a amputação transfemural, e este tipo de prótese evita a projeção anterior da prótese na posição sentada a qual ocorre através da flexão do quadril com carga axial (DE LUCCIA, 2003). 2.5.3 Joelhos Pneumáticos e Hidráulicos Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Apresentam sistema de controle durante a fase de balanço, buscando uma marcha mais natural mesmo durante as alterações de velocidade, impedindo a flexão excessiva e a extensão brusca, principalmente na fase do contato inicial, tornando a marcha mais suave. Estes sistemas são encontrados em joelhos modulares monocêntricos ou policêntricos e são indicados para pacientes ativos e que apresentam variações de velocidade durante a marcha, porém esses tipos de sistemas apresentam um alto custo e manutenção (BLOHMKE, 2002). 2.5.3.1 Sistema Pneumático Os joelhos pneumáticos são compostos por cilindros controlados por sistema a ar, o qual é compressivo como todos os outros gases. Uma vantagem deste sistema é que o ar não sofre variações com mudanças de temperatura, o que poderia alterar o mecanismo de controle, sendo que a direção durante a fase de balanço é realizado tanto para os movimentos de extensão como de flexão de forma independente, dado através da abertura ou fechamento das válvulas que alteram a resistência dos pistões (CARVALHO, 2003). Os joelhos pneumáticos são indicados para pacientes ativos, devido as variações de velocidade e de marcha possibilitadas pelo sistema, considerado de moderada amplitude (BLOHMKE, 2002). 2.5.3.2 Sistema Hidráulico O sistema hidráulico foi adaptado as próteses nos anos de 1950 por Hans Mauch. O cilindro de controle hidráulico contem óleo. Este líquido viscoso não é totalmente compressivo como os gases encontrados nos sistemas pneumáticos (CARVALHO, 2003). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Estes joelhos são indicados para pacientes com variações de velocidade, classificadas de baixa à alta e permite que os amputados desçam degraus e rampas com passos alternados, onde o controle sobre a fase de balanço também é realizado através do ajuste das válvulas de extensão e de flexão do joelho (BLOHMKE, 2002). 2.5.3.2.1 Joelhos computadorizados O Computer Leg (C-LEG) é um joelho de última geração, cujas características se assemelham às de um membro natural. É a primeira articulação de joelho hidráulica totalmente controlada por um microprocessador (BLOHMKE, 2002). São fornecidos sinais, necessários para a segurança durante a fase de apoio e o controle da fase de balanço, por meio de sensores eletrônicos, que são os responsáveis pela medição do ângulo de flexão do joelho e da velocidade angular da perna, que dependendo do comprimento e da freqüência de cada passo, regula o controle de balanço para o impacto com o solo (BOCOLINI, 2000). Um par de sensores localizados no tubo inferior capta os dados durante a fase de apoio, medindo a força no momento do contato do calcanhar no solo, assim como a carga exercida sobre o antepé. O C-LEG é indicado para todos os tipos de pacientes e oferece máxima segurança durante a fase de apoio e um perfeito controle da fase de balanço, permitindo ao paciente uma marcha natural e um alto conforto de uso, mesmo em situações adversas, como a descida de rampas ou escadas com passos alternados, bem como a deambulação em terrenos acidentados e irregulares. A adaptação automática em cada uma dessas situações proporciona máxima segurança sem a necessidade de o paciente controlar a prótese de forma consciente. As características individuais do C-LEG podem ser preestabelecidas com o auxílio de um computador (CARVALHO, 2003). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 2.5.4 Pés Mecânicos A conexão dos pés às próteses exoesqueléticas é realizada por meio de um tornozelo de madeira, o qual faz a união com a panturrilha. Para as próteses endoesqueléticas, a ligação é feita mediante adaptadores. A escolha do tipo de pé depende do tipo da prótese, do local de trabalho, de moradia, do nível de amputação, entre outros fatores (LIANZA, 1995). 2.5.4.1 Pés Não Articulados Os pés não articulados são compostos por materiais internos de diferentes densidades e características, os quais permitem, durante o choque de calcâneo e a fase de apoio, uma melhor harmonia (BOCOLINI, 2000). O pé SACH (Solid Ankle Cushion Hell), desenvolvido nos anos 50, ainda é muito utilizado pela simplicidade, baixo peso, baixo custo e durabilidade. O pé SACH é um pé que não apresenta movimentos articulares verdadeiros, tendo pouca dinâmica e muita resistência, mas a sua estrutura flexível simula tais movimentos (LIANZA, 1995). O pé é composto por um núcleo de madeira e uma quilha rígida, revestida por uma borracha flexível utilizada como estética, com presença dos artelhos ou não (BLOHMKE, 2002). Esta quilha termina distalmente na região da “articulação metatarsofalangiana” deixando os dedos livres para permitir o movimento de extensão, na fase do impulso (CARVALHO, 2003). O calcanhar, composto por um material flexível com densidades variadas, conforme o peso do paciente, Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 absorve o impacto durante o contato inicial e simula a flexão plantar (BLOHMKE, 2002). O pé dinâmico, apresenta as mesmos características do pé SACH, porém, com um calcâneo mais rígido e uma quilha com pequena flexibilidade e revestida com um material sintético similar a borracha, o qual leva à uma resposta elástica entre a fase de apoio e o impulso. Este pé é indicado pra pacientes que apresentam bom controle motor e realizam atividade moderada (BLOHMKE, 2002). 2.5.4.2 Pés Articulados Os pés articulados apresentam uma articulação monocêntrica que simula a articulação do tornozelo com movimentos no plano sagital. Este pé permite um movimento de flexão plantar de aproximadamente 15º através da compressão de um amortecedor de borracha localizado posteriormente e no mesmo nível da articulação monocêntrica. A densidade deste amortecedor de borracha determina a velocidade da compressão e conseqüente velocidade da flexão plantar. Na fase entre o apoio médio e o desprendimento do retropé, a dorsiflexão de aproximadamente 5º é limitada através de um batente rígido. Uma vantagem deste sistema é o contato total precoce, o que ocasiona maior estabilidade reduzindo o momento de flexão do joelho, principalmente nos pacientes com pouco controle sobre os extensores de quadril. Este pé também contribui com a absorção do choque no momento do contato inicial através da compressão do amortecedor de borracha. As desvantagens deste tipo de pé estão relacionadas ao aumento do peso final da prótese e ao custo da manutenção. O pé articulado é indicado para pacientes desarticulados de joelho, quadril e transfemorais pouco ativos e que necessitam de segurança na fase de apoio (CARVALHO, 2003). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 2.5.4.3 Pés Multiaxiais Os pés multiaxiais (múltiplos eixos), como por exemplo o pé Greissinger (OttoBock), permitem movimentos nos planos frontal (inversão e eversão), sagital (flexão e dorsiflexão) e transversal (movimentos de rotação). Estes movimentos são realizados através da compressão de elementos de borracha. A articulação em forma de “U” e o anel de borracha possibilitam que os movimentos sejam realizados em todas as direções, sendo que o adaptador da articulação é fabricado em aço e titânio (BLOHMKE, 2002). Os pés multiaxiais podem ser utilizados para todos os níveis de amputações, sendo indicados principalmente para pacientes que deambulam freqüentemente sobre terrenos acidentados (BOCOLINI, 2000). 2.5.4.4 Pés de Resposta Dinâmica Os pés de resposta dinâmica, como os da linha Flex Foot e Springlite, apresentam como características próprias uma compressão axial elástica com grande absorção de energia, a qual é transferida para a fase de impulso. Estes pés geralmente são utilizados para amputados ativos ou que necessitam próteses de alta performace (CARVALHO, 2003). Confeccionados em materiais como fibra de carbono e grafite e utilizados com revestimento estético ou não, podem ser encontrados com diferentes designs, dependendo de sua aplicação, levando a uma performace de alto nível, confortabilidade e leveza (BLOHMKE, 2002). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Figura 04 – Pé de alta performace Fonte: BLOHMKE, 2002. Na fase de apoio, o pé aumenta a dorsiflexão à medida que o peso é transferido para o antepé e quando ele retorna a sua posição original, auxilia na fase do impulso através da liberação da energia armazenada (BLOHMKE, 2002). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Figura 05 – Pé com sistema de acúmulo de energia Fonte: BLOHMKE, 2002. 2.5.5 Próteses para Amputações Parciais de Pé e de Tornozelo As próteses utilizadas nesses níveis de amputações, tem como função reequilibrar o pé, restaurar a total capacidade de carga e compensar de maneira funcional o segmento amputado (DE LUCCIA, 2003). Ao nível da amputação, o desequilíbrio é de maior ou menor importância, em princípio, qualquer amputação de pé deve permitir ao paciente realizar uma deambulação sem prótese, porém algumas alterações no coto de amputação podem diminuir essa possibilidade (CARVALHO, 2003). As próteses, em geral, são confeccionadas artesanalmente, visto que o emprego de componentes pré-fabricados é limitado (BOCOLINI, 2000). 2.5.6 Próteses para Amputações Transtibiais Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 As próteses para amputações transtibiais podem ser exoesqueléticas ou endoesqueléticas. Vale salientar que as exoesquéticas ou convencionais não são, necessariamente, mais pesadas que as endoesqueléticas ou modulares, como geralmente é citado. Os encaixes protéticos são responsáveis pelos locais de descarga de peso e pela suspensão da prótese. Em alguns casos, acessórios são unidos aos encaixes para auxiliar a suspensão da prótese ao corpo do paciente, existindo nos encaixes existem regiões de pressão e alívio (CARVALHO, 2003). Figura 06 – Desenho esquemático de uma prótese para amputação transtibial Fonte: BLOHMKE, 2002. 2.5.6.1 Regiões para Descarga de Peso Os tecidos moles podem ser utilizados para exercer pressão e descarga de peso como, Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 por exemplo, no tendão infrapatelar, na região interóssea entre tíbia e fíbula e nos tecidos encontrados abaixo do côndilo tibial medial e na musculatura da região posterior (CARVALHO, 2003). Na região distal do coto não deve existir descarga de peso, porém o contato é de fundamental importância para uma boa propriocepção do paciente e favorecimento do retorno venoso (DE LUCCIA e SILVA, 2003). 2.5.6.2 Regiões de Alívio As áreas com saliências ósseas devem ser poupadas nos encaixes transtibiais, principalmente nos cotos que apresentam musculatura escassa. As regiões mais salientes são os côndilos femorais, borda inferior da patela, côndilos tibiais, tuberosidade tibial, região anterior e extremidade dista da tíbia e cabeça e extremidade distal da fíbula. Os tendões dos músculos bíceps femoral, semitendinoso e semimenbranoso também não devem ser comprimidos (CARVALHO, 2003). 2.5.6.3 Tipos de Encaixes Os encaixes protéticos mais utilizados para amputados transtibiais são o PTB (Patellar Tendon Bearing), que foi desenvolvido em 1959 na Universidade de Berkeley, Califórnia. O encaixe PTB apresenta algumas características com encaixe interno flexível. A borda superior do encaixe cobre anteriormente a metade inferior da patela e lateralmente a borda do encaixe e termina um pouco acima da linha articular do joelho (CARVALHO, 2003). A descarga de Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 peso é realizada no tendão patelar e em tecidos moles e a sua suspensão e realizada por uma correia supracondiliana (BOCOLINI, 2000). No centro de Nancy, em 1964, foi desenvolvido o encaixe PTS (Prothese Tibiale Supracondylienne). Este encaixe é bastante indicado para pacientes transtibiais de terço proximal, mas apresenta uma desvantagem cosmética, pois a borda ântero-superior do encaixe fica extremamente saliente quando o paciente se encontra sentado (CARVALHO, 2003). A KBM (Kondylen Bettung Munster), foi desenvolvida na Alemanha, em 1968, sendo este encaixe o mais utilizado nas amputações transtibiais. Suas características incluem um encaixe interno flexível em polifórnio, silicon liner ou gelliner, borda ântero-superior baixa, deixando a patela totalmente livre (BLOHMKE, 2002). A descarga de peso é realizada no tendão patelar e em tecidos moles e tem a suspensão realizada acima dos côndilos femorais pelas orelhas do encaixe protético, principalmente no côndilo medial (LIANZA, 1995). 2.5.7 Próteses Para Amputações Transfemorais Nas amputações transfemorais não pode ser realizada a descarga de peso distal, uma vez que na região do coto existe tecido ósseo seccionado revestido por tecidos moles, porem o contato total deve ser preservado, onde os encaixes devem ser adequados para suprir essas condições. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Figura 07 – Desenho esquemático de duas próteses para amputação transfemoral, com o mesmo tipo de encaixe, sendo uma com joelho convencional e outra com o joelho C-LEG Fonte: BLOHMKE, 2002. 2.5.7.1 Encaixes Atualmente, existem dois sistemas de encaixe que são utilizados para amputados de membro inferior a nível transfemoral, sendo estes o encaixe quadrilateral e o de contensão isquiática, o CAT-CAM (Contoured Adducted Trochanteric-Controlled Alignment Method) (CARVALHO, 2003). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 2.5.7.1.1 Encaixe Quadrilateral O encaixe quadrilateral é mais antigo e pode ser indicado para todos os tipos de pacientes, principalmente para amputados com musculatura bastante flácida e com amputação de terço proximal, na qual a confecção de um encaixe CAT-CAM não resulta em bons resultados práticos (CARVALHO, 2003). 2.5.7.1.2 Encaixe CAT-CAM O encaixe de contenção isquiática foi desenvolvido em meados de 1980 para manter o fêmur em uma posição mais fisiológica e proporcionar uma marcha mais harmônica e com menor gasto energético nos pacientes transfemorais. O encaixe CAT-CAM apresenta diferentes características, comparado com o quadrilateral, sendo sua medida mediolateral é menor que a antero-posterior, e tem diminuição da dimensão mediolateral forçando o fêmur em adução e mantendo o glúteo médio em tensão. A abertura na dimensão antero-posterior, compensando a redução do diâmetro mediolateral e permitindo a contração dos músculos extensores e flexores. Com o aumento da dimensão antero-posterior, acabam os problemas de pressão sobre o triângulo de escarpa e os tendões dos músculos adutores. A inclinação da região isquiática no plano frontal com aproximadamente 30 graus, aliviando a pressão na tuberosidade isquiática e aumentando o apoio na musculatura glútea, e bordo lateral mais proximal envolvendo o trocânter maior e os tecidos moles abaixo da crista ilíaca (CARVALHO, 2003). 2.5.8 Próteses para Desarticulação de Quadril e Sacro-Ilíaca Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Para pacientes desarticulados de quadril, devemos utilizar próteses endoesqueléticas, principalmente pela complexidade mecânica das articulações do joelho e do quadril e pelo menor peso que pode ser obtido nos componentes utilizados (BLOHMKE, 2002). As articulações de quadril, utilizadas para pacientes com desarticulação de quadril ou sacroilíaca, são fixadas ao cesto pélvico através de uma base de laminação que liga se liga ao resto da prótese. Estas articulações são monocêntricas e podem ser encontradas com trava manual, com impulsor externo e com impulsor interno (BLOHMKE, 2002). A articulação com trava mantém um bloqueio em extensão total, enquanto que as articulações com impulsor externo (elástico de tração) e impulsor interno (mola espiral) limitam o movimento de flexão durante a marcha (CARVALHO, 2003). Por meio do cesto pélvico, o paciente realiza descarga de peso distal sobre o ísquio e a parede lateral. O cesto engloba a região abdominal exercendo uma suspensão acima das cristas ilíacas. A abertura do cesto é anterior, e a fixação é feita por meio de passantes e velcros. Para os pacientes com desarticulação sacro-ilíaca, na qual há retirada de metade da pelve, a descarga de peso é realizada no ísquio do lado não amputado, e o cesto pélvico é mais abrangente, envolvendo a região toracolombar para melhor suspensão (BOCOLINI, 2000). 2.6 Marcha e Determinantes A deambulação pode ser definida em sentido amplo como um tipo de locomoção (do latim lócus,lugar, mais movere, mover, neste caso, mover de um local a outro). Outros tipos de locomoção incluem rastejar ou usar uma cadeira de rodas. Nos humanos, um padrão bípede (do latim bi, dois, mais pes, pé) de deambulação é adquirido ainda na época da lactância. Com Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 a prática, o sistema sensitivomotor torna-se muito competente em controlar automaticamente um conjunto repetitivo de comandos de controle motor para permitir a um indivíduo andar sem esforço consciente (SMITH, WEISS e KUHL, 1997). A marcha, é uma tarefa funcional que exige interações complexas e coordenação entre muitas das principais articulações do corpo, particularmente da extremidade inferior. A análise e o treinamento da marcha de uma forma ou outra são um dos elementos principais da prática fisioterápica e da medicina de reabilitação (NORDIN e FRANKEL, 2003). Os músculos estão confinados agir juntos em um sistema de sinergismo funcional. Este sinergismo ocorre para diminuir o número dos graus de liberdade que devem ser especificados para conseguir uma posição desejada do membro no espaço, modulando desse modo a resposta exacerbada do sistema nervoso. A maioria dos movimentos motores envolve muitos músculos diferentes, incluindo aqueles necessários para produzir os deslocamentos comuns desejados (movimento focal) e aqueles que agem para manter o contrapeso e a postura durante o movimento (MERCER e SAHRMANN, 1999). A locomoção bípede ou marcha é uma atividade cíclica que consiste de duas fases para cada membro, apoio e oscilação. A marcha é mais ou menos simétrica em relação aos movimentos angulares das principais juntas, padrões de ativação muscular e sustentação de carga dos membros inferiores e, em conseqüência disso, é eficiente na translação do centro de massa do corpo na direção global da locomoção. Um ciclo de marcha completo é definido pela ocorrência de uma fase de apoio seqüencial e fase de oscilação por um membro ou um passo. Os limites de um passo podem ser demarcados pela ocorrência de um evento de marcha específico (como o contato inicial) em um membro até a próxima ocorrência daquele mesmo evento no membro ipsilateral (NORDIN e FRANKEL, 2003). Os eventos que ocorrem durante a marcha, são nomeados como o contato inicial do pé, seguido do contato total do pé, o desprendimento do pé oposto, o médio apoio, o Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 desprendimento do retropé, o contato inicial do pé oposto, o desprendimento, o médio balanço e por fim o contato inicial finalizando a passada (HAMILL e KNUTZEN, 1999). Quando os pés estão em contato com o solo ao mesmo tempo, há um período de suporte duplo. Isso ocorre entre a saída do calcanhar e dos dedos do solo de um membro e entre a batida de calcanhar e o pé plano no lado oposto. Um período sem suporte, isto é, um tempo durante o qual os pés não estão em contato com o solo, não ocorre durante a caminhada, contudo, este período pode ser observado durante a corrida. O período de suporte simples ocorre apenas quando um pé esta em contato com o solo. Portanto, dois períodos de suporte simples ocorrem novamente quando o pé esquerdo sustenta o peso (LIPPERT, 2003). Figura 08 – Esquematização das fases realizadas durante a marcha Fonte: SMITH, WEISS e KUHL, 1997. 2.6.1 Fase de Apoio Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 A fase de apoio ocupa 60% do passo e consiste de dois períodos de sustentação dos dois membros (inicial e terminal), quando o pé contralateral está em contato com o chão, e um período intermediário de sustentação com um único membro, quando o membro contralateral está envolvido na fase de oscilação . A fase e apoio pode ser decomposta em seis eventos ou períodos, o contato inicial ou contato do calcanhar é definido como o instante em que o pé faz contato com o chão. A resposta de carga é um intervalo, durante o qual a planta do pé entra em contato com o chão e o peso do corpo é aceito sobre o membro de sustentação. O período de resposta de carga coincide com o final da sustentação inicial com dois membros em aproximadamente 10 a 12% do passo. A fase média de apoio é o período durante o qual a tíbia roda sobre o pé estacionário na direção da locomoção. O início da fase média de apoio coincide com a sustentação em um só membro e dura aproximadamente 10 a 30% do passo. A fase terminal de apoio é o período durante o qual o peso do corpo é transferido das regiões posterior e média do pé para o antepé. Ela ocorre de 30 a 50% de tempo do passo e coincide com o início da sustentação terminal sobre os dois membros e dura aproximadamente 50 a 60% do passo (NORDIN e FRANKEL, 2003). Durante a pré-oscilação, o peso é transferido para o membro contralateral na preparação para a fase de oscilação. O final da pré-oscilação corresponde à elevação dos artelhos, em cujo momento o pé rompe o contato com o chão, demarcando, assim, o início da fase de oscilação (HAMILL e KNUTZEN, 1999). 2.6.2 Fase de Balanço Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 A fase de oscilação ocupa 40% do ciclo da marcha e é decomposta em três períodos. A oscilação inicial dirá aproximadamente 60 a 73% do passo, desde os dedos-fora até que o pé em oscilação fique oposto ao pé em apoio. A fase média da oscilação termina quando a tíbia do membro em oscilação está orientada verticalmente e ocorre em aproximadamente 73 a 87% do passo. A oscilação terminal ocorre nos 87 a 100% finais do passo e termina no momento do contato inicial (NORDIN e FRANKEL, 2003). 2.6.3 Variável Tempo e Distância O tempo de passada refere-se ao tempo gasto para dar um único passo. O comprimento do passo refere-se á distância percorrida por um passo na direção da locomoção. O passo é definido como à ocorrência de um evento em um pé até a próxima ocorrência daquele mesmo evento no outro pé (INFANTINI e RODRIGUES, 2000). A lateralidade é determinada pelo membro em oscilação, por exemplo, o passo direito é delineado pelo contato inicial esquerdo até o subseqüente contato inicial direito. O comprimento do passo refere-se à distância percorrida por um passo da direção da locomoção (HAMILL e KNUTZEN, 1999). A largura do passo refere-se à distância coberta por um passo perpendicular à direção da locomoção, conforme medido a partir dos pontos de contato nos calcanhares. Dois passos seqüenciados correspondem a uma passada (NORDIN e FRANKEL, 2003). A cadência é uma medida da freqüência do passo, que é definida como o número de passos realizados por unidade de tempo e é usualmente expressa em passos por minuto. A velocidade é definida como a distância percorrida na direção da locomoção por unidade de tempo e é geralmente expressa em metros por segundo (NORDIN e FRANKEL, 2003). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Algumas características da marcha podem ser observadas, como, quanto mais rápida a marcha, mais curto o passo do indivíduo se torna, o passo é mais longo quando o indivíduo sobe uma rampa do que quando desce e a marcha com o corpo ligeiramente fletido tem gasto energético menor do que a marcha militar, com o corpo em extensão (LEITÃO, 1995). Figura 09 – Esquematização dos movimentos dos pés realizados durante as fases marcha Fonte: SMITH, WEISS e KUHL, 1997. 2.7 A Marcha no Amputado de Membro Inferior A marcha normal é uma sucessão de desequilíbrios controlados pelo corpo que resultam em progressão com segurança e redução de gasto energético (OLIVER e MIDDLEDITCH, 1998). Uma doença ou lesão do sistema musculoesquelético pode interromper o padrão normal de deambulação (HAMILL e KNUTZEN, 1999). Para os amputados de membros inferiores, essa relação íntima é quebrada e algumas alterações são notadas, porém, é incontestável o quando que a qualidade da marcha dos amputados tem Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 melhorado com os avanços tecnológicos, cirúrgicos e de reabilitação, embora saibamos das dificuldades iniciais encontradas pelos pacientes, que por muitas vezes consideram as próteses empecilhos para a realização da deambulação (CARVALHO, 2003). A amputação não resulta apenas em perda física, mas também na perda de todo um mecanismo integrado entre tronco e membros responsáveis pelo funcionamento harmônico do sistema locomotor. A amputação do membro inferior leva a perda do mecanismo de controle neural aferente e eferente e dos órgãos efetores da marcha (CARVALHO, 2003). As principais dificuldades apontadas pelo indivíduos amputados se relaciona a realização de algumas atividades de vida diária que são dependentes da marcha e apoio bípede, como por exemplo, tomar banho, subir e descer escadas e rampas, realizar exercícios específicos de musculação e permanecer por um longo período na posição ortostática (TONON e ÁVILA, 2001). Uma variedade de mecanismos compensadores podem ser chamados a ação em um esforço para manter a deambulação funcional. Estas compensações manifestam-se sob a forma de padrões anormais de marcha, e são invariavelmente menos eficientes e mais caras, em termos de dispêndio de energia, que os mecanismos normais (HAMILL e KNUTZEN, 1999). As próteses, são aplicadas como objetivo de compensar esta perda funcional e permitir uma função adequada de marcha com baixo gasto energético. As transmissões de forças e movimentos são realizadas através dos encaixes protéticos os quais também são responsáveis pela fixação do sistema mecânico ao membro residual, específicos para os diferentes níveis de amputação. Os sistemas de forças dinâmicas que atuam no amputado durante o uso da prótese estão relacionados com o tipo do cartucho, com o alinhamento da prótese e com o tipo de componentes utilizados (CARVALHO, 2003). O paciente amputado deve ser capaz de substituir as funções do pé, transferindo a obtenção das informações proprioceptivas e de absorção de impacto para os locais de Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 descarga de peso no coto de amputação, através dos encaixes protéticos, a dificuldade na marcha dos amputados se deve à falta de sincronia da atividade muscular que não recebe a informação proprioceptiva adequada. Desde modo é esperado que a marcha resultante seja diferente produzindo assimetria e maior oscilação do centro de gravidade, acarretando maior gasto energético (CARVALHO, 2003). Os amputados transtibiais são beneficiados pela preservação da articulação do joelho. Se o coto tiver um comprimento adequado, haverá boa estabilidade desta articulação e bom controle na fase de balanço. Através do bom controle muscular é possível também controlar os movimentos de flexão e extensão do joelho durante a deambulação. A ação muscular realizada pelos grupos pré tibial e dos flexores plantares deverão ser compensadas pelos pés protéticos e também pela ação dos grupos dos extensores e flexores de joelho. Os grupos dos extensores e flexores do quadril, abdutores e adutores, realizam um importante papel para a realização da marcha com prótese (BOCOLINI, 2000). A marcha em um amputado protetizado deve ser segura, eficiente e simétrica. Quando os desvios ocorrem, as causas podem estar relacionadas a deficiências do próprio amputado, como por exemplo, fraqueza muscular, contratura articular ou presença de hipersensibilidade por neuromas. No entanto problemas protéticos, como alinhamento, encaixe mal adaptado ou escolha de componentes também podem alterar a marcha. Estes desvios podem ser observados em todas as fases da marcha, ou seja, durante o contato inicial, apoio médio, impulso, balanço e fase de duplo apoio, muitas vezes é difícil de ser avaliado e quantificado a partir da observação clínica (CARVALHO, 2003). 2.7.1 Análise da Marcha nos Amputados Transtibiais O contato inicial é o momento de transição entre a fase de balanço e de apoio. Observa-se uma simetria com o comprimento do passo do membro contralateral, se o joelho realiza uma semiflexão no contato inicial e se o pé mantém uma linha de progressão sem Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 desvios rotacionais. Durante o apoio total o joelho mantém alguns graus de flexão para aliviar o impacto e transferir movimento suave para a prótese, o calcâneo deve ser comprimido simulando flexão plantar e não deve ocorrer nenhum movimento do coto de amputação dentro do encaixe (CARVALHO, 2003). No impulso o joelho começa a fletir e o calcâneo se eleva preparando para o impulso enquanto o peso é transferido para o membro contralateral à amputação. Na fase de balanço o movimento de progressão ocorre sem rotações e sem contato com o solo (BOCOLINI, 2000). A integridade da propriocepção no joelho é essencial para o controle neuromotor, sendo sua avaliação, o teste proprioceptivo, um importante método de informação diagnóstico e prognóstico, podendo gerar evidência do nível de eficácia de procedimentos terapêuticos, bem como aumentar a compreensão do grau de disfunção da lesão. (LOBATO, SANTOS, COQUEIRO, ROSA, TERRUGGI JR, GROSSI, SVERZUT, BÉRZIN, SOARES e MONTEIRO, 2005). 2.7.2 Análise da Marcha nos Amputados Transfemorais No contato inicial o joelho mecânico deve estar em completa extensão e o pé durante a transferência de peso, e deve manter contato total com o solo (LIANZA, 1995). Durante a fase de apoio médio e impulso, ocorre a progressão sobre o pé mecânico e preparação para o impulso. O paciente pode realizar uma elevação pélvica excessiva para compensar a progressão sobre o pé. O excesso de flexão plantar pode estar relacionado com este desvio. Se o período de progressão for brusco, poderemos encontrar o pé com excesso de dorsiflexão o que poderá causar instabilidade para o paciente (CARVALHO, 2003). Durante a fase de balanço, o amputado deve iniciar o balanço com flexão do quadril Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 para depois realizar a flexão do joelho mecânico e levar o joelho em extensão se preparando para o contato inicial. Nesta fase poderemos encontrar vários desvios como a hiperlordose, compensação funcional dos amputados transfemorais proximais (BOCOLINI, 2000). A flexão excessiva do joelho durante o balanço, geralmente está relacionada com os ajustes do joelho causados por inadequada resistência à flexão excessiva do joelho ou inadequado auxilio dos extensores. O impacto no final da extensão, observado no plano sagital durante a fase final do balanço, pode ser audível e geralmente está relacionada com os ajustes do joelho mecânico causados por uma insuficiente resistência a extensão ou por um movimento brusco da flexão do quadril na fase inicial do impulso e dos extensores do quadril na fase final do balanço (CARVALHO, 2003). 2.8 Complicações Dentre as complicações mais comuns encontradas nos pacientes amputados de membro inferior, podemos citar as complicações circulatórias, que levam a edema, isquemia e necrose tecidual, complicações de aspecto psicológico, de origem nervosa, como a formação de neuromas e outros sem etiologia bem definida como a dor fantasma. 2.8.1 Distúrbios circulatórios Todos os tecidos necessitam de um suprimento sangüíneo mínimo para se manterem vivos, e quando este princípio básico é desrespeitado, caracteriza a necrose. Esta necrose é Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 variável, e a grau de comprometimento da estrutura depende da trama vascular lesada (PEREIRA e SILVA, 2003). As necroses teciduais são temidas complicações circulatórias devido a comum evolução do quadro para um nova intervenção cirúrgica. Pode se estender desde as falanges distais até extensas necroses de pé e perna por quadro misto isquêmico/infeccioso. Quando a necrose acomete grandes extensões do membro, ou comprometendo segmentos ósseos, existe a necessidade de uma amputação de nível mais elevado, favorecendo um maior número de complicações posteriores (BOCOLINI, 2000). Quando existe necrose ou dor intensa, o risco de morte decorrente de uma cirurgia de revascularização é muito alto, principalmente em virtude de pacientes muito debilitados, com flexo articular ou acamado há muitos anos, com pouca chance de voltar a andar após a revascularização (SANTOS e NASCIMENTO, 2003). A infecção representa uma grande destruição tecidual por processo infeccioso, normalmente associado a micróbios anaeróbios. Esse tipo de infecção exige a retirada de todo tecido desvitalizado, mantendo-se a ferida operatória aberta por mais tempo do que o esperado, levando a uma evolução com um prognóstico mais restrito (DE LUCCIA e SILVA, 2003). As condições clínicas do paciente influenciam muito a decisão de nível de amputação,onde os pacientes com doenças que levam a um estado nutricional muito debilitado também dificultam a cicatrização dos tecidos, tornando as amputações em níveis mais distais nos pacientes isquêmicos ainda mais difíceis de cicatrizar. Também nas pacientes com alto risco cirúrgico, devido a graves problemas cardíacos, respiratórios, renais ou de coagulação a tendência é realizar uma amputação em um nível cuja cicatrização seja mais segura, para se evitar uma possível reintervenção ou a cicatrização por segunda intenção (CARVALHO, 2003). Wagner1 e.t al. apud Carvalho, 2003, demonstraram que a medida da temperatura da pele e a pressão parcial de oxigênio medida no nível da amputação seriam bons exames para 1 WAGNER, W. H. et. al. Noninvasive determination of healing of major lower extremity amputation, J. Vascular Surgery. 8:703 – 10, 1988. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 predizer o sucesso da amputação. A temperatura cutânea no nível da amputação sendo mais de 2ºC acima do que no nível mais inferior e a pressão parcial de oxigênio acima de 40 mmHg indicariam a cicatrização primária do coto em todos os casos. O exame considerado padrão ouro na avaliação da circulação cutânea é a velocidade da eliminação do Xenônio. Este exame da medicina nuclear consiste na aplicação de pequena quantidade de Xenônio na derme ao nível proposto de amputação e a leitura da sua velocidade de eliminação. Alguns estudos demonstram que valores acima de 2,4 ml/mim/100g de tecido estão associados com a cicatrização do coto em todos os casos. 2.8.2 Aspectos Psicológicos O termo complexidade tem a ver com o número de elementos identificáveis num sistema e as relações que se estabelecem entre eles. Assim, pode-se dizer que o comportamento motor é um fenômeno complexo, pois, identificando os domínios que o constituem - cognitivo, afetivo, social e motor – não há como dizer que em um dado comportamento, foi exclusivamente cognitivo ou motor. Esses domínios agem de forma intergrada no comportamento. A especificação deste ou daquele domínio se justifica, no entanto, ao se constatar que, dependendo da intenção do indivíduo e do contexto em que ele age, há uma predominância de um dos domínios sobre os demais (PEROTTI e MANOEL, 2001). A amputação de um membro coloca a pessoa diante de problemas de tal magnitude, que seria negligência permitir que ela os ignore. Todos os esforços devem convergir para explicar honesta e realisticamente, não só a necessidade de cirurgia e verificar a aceitação e compreensão da informação recebida, mas também assegurar os cuidados e suportes Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 necessários para enfrentar as dificuldades que se seguirão (CAVALCANTI, 1994). Há três aspectos centrais do bem-estar subjetivo, o primeiro reside na experiência do indivíduo, o segundo, não compreende somente a ausência de fatores negativos, mas também medidas positivas, e o terceiro inclui, de preferência, uma avaliação global anterior à avaliação de um determinado domínio da vida (DIOGO, 2003). Para evitar que o paciente amputado fique fixado na negação, é necessário que este faça uma auto-reavaliação, desvinculando a perda física de idéias estigmatizantes e preconceituosas que ele já possuía antes da deficiência, em relação à amputação (BENEDETTO, FORGIONE e ALVES, 2002). O período pré-operatório, espaço de tempo compreendido entre a indicação da cirurgia, a aceitação por parte do paciente e o início da operação, comporta uma série de medidas visando avaliar as condições psicofísicas do paciente, os riscos inerentes ao ato cirúrgico, assim como os benefícios e prejuízos que possa trazer. O que se verifica é que ao lado dos rigorosos exames, controle de infecções e de outras condições associadas, não há o mesmo cuidado pelos aspectos emocionais, mantendo-se pouco conhecidos os fenômenos psicológicos envolvidos neste período (CAVALCANTI, 1994). A percepção do corpo para o controle da postura e do movimento é baseada em processar integralmente as múltiplas informações sensoriais, e a perda de um segmento do corpo e sua aferência somatosensorial pode afetar profundamente a representação interna do corpo, requerendo a restauração e adaptação da função sensoriomotora. (KAVOUNOUDIAS, TREMBLAY, GRAVEL, IANCU e FORGET, 2005). A deficiência física, independentemente da sua forma de manifestação, pode afetar a imagem corporal do indivíduo, ou seja, como o nosso corpo se apresenta para nós e como o percebemos, e uma vez alterada essa imagem, de forma brusca ou não se faz necessário a reintegração desta imagem ao novo esquema corporal. Esta reintegração irá repercutir no próprio autoconceito do amputado, e é de fundamental importância que esta conte com uma Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 reconstrução positiva da imagem corporal, caso contrário, quando tal reconstrução é negativa, não condizente com a realidade, o autoconceito do indivíduo também fica negativo, ampliando valores estigmatizantes, preconceituosos, que culminam com sentimentos de inferioridade, baixa auto-estima e depressão (BENEDETTO, FORGIONE e ALVES, 2002). A aceitação da prótese também é uma das fases mais importantes para a reabilitação do paciente, pois com ela, o indivíduo poderá retornar a realizar algumas das atividades que fazia antes da amputação. O paciente amputado muitas vezes aguarda a prótese como quem aguarda a sua perna perdida, com todas as facilidades que ele tinha antes, sem pensar na adaptação inicial a ela. No entanto, junto com a prótese também vêm algumas frustrações. O paciente geralmente não se sente satisfeito, a prótese pode lhe parecer uma carga, as primeiras tentativas de caminhar com ela são pouco efetivas, qualquer defeito no desenho ou na execução de suas partes, assim como sua colocação inadequada, pode causar um funcionamento defeituoso, pouco eficaz e com falhas. O simples ato de andar pode causar desequilíbrios ou quedas, o que acaba aumentando sentimentos de insegurança e fracasso no paciente em processo de reabilitação (BENEDETTO, FORGIONE e ALVES, 2002). Por outro lado, no momento em que o paciente amputado incorpora a prótese ao seu esquema corporal, passa a usa-la de forma automática, portanto muito mais efetiva, o que auxilia o processo de reabilitação, pois o seu estado emocional tem influência direta sobre a reabilitação física (BENEDETTO, FORGIONE e ALVES, 2002). 2.8.3 Dor Fantasma O cérebro humano é o órgão material mais complexo que existe e também o mais frágil, onde a sua superioridade sobre o cérebro animal é o que o torna apto para uma tarefa Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 muito mais delicada, e tem como contrapartida uma maior facilidade de desregulamento. Da mesma forma que a consciência e pensamento normais têm o seu aspecto somático nas estruturações funcionais do cérebro, também as perturbações mentais não são doenças do espírito, mas conseqüências das alterações cerebrais (CHAUCHARD, 1980). A dor fantasma se refere a um fenômeno muito estudado, mas, ainda pouco conhecido, onde o paciente tem a experiência de uma sensação desagradável no membro ou parte deste cirurgicamente removido. A incidência encontrada nos diversos estudos varia de 2% até 97%, sendo que a dor aparece geralmente na 1ª semana após a amputação e persiste por meses ou até anos. Normalmente se localiza distalmente no membro fantasma (dedos, pés e panturrilha), e é referido como uma sensação de aperto (SAKAMOTO, 1995). Quando há a sensação de dor no membro amputado, denomina-se o fenômeno de dor fantasma, que é a conseqüência de dor na extremidade amputada. Assim, a dor fantasma no paciente amputado pode representar uma tentativa de o indivíduo sentir-se ainda intacto, negando a amputação, mas não se mostra uma alternativa adaptada e produtiva, posto que, além de ser uma falsa percepção de si próprio, o que causa danos na reabilitação global do paciente, a amputação mostra-se a todo momento ao indivíduo (BENEDETTO, FORGIONE e ALVES, 2002). A relação entre dor e lesão parece tão evidente que, dificilmente, mesmo na ausência real da lesão não se acredita na possibilidade da dor, ou na ausência do membro, acredita-se no aparecimento da dor. O termo dor é comumente usada em dois critérios diferentes, até certo ponto, divergentes. O primeiro se refere a um sistema de terminações nervosas na periferia do corpo que, quando ativadas pelos estímulos adequados, enviam sinais para a medula dorsal ou para algum local específico co cérebro. O segundo, utiliza o sistema cognitivo, emocional e ações comportamentais, ocorrendo subseqüentemente e estimulação nociceptiva geralmente conceitualizada como emoções, respostas ou reações (TICIANELI e BARAÚNA, 2002). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Uma das dificuldades para a definição do fenômeno ocorre na coleta dos relatos, uma vez que dados fidedignos dependem da postura e da confiança na relação terapeuta-paciente. Algumas pesquisas que descrevem a freqüência da dor fantasma após a amputação, apresentam erros em seus resultados devido o constrangimento de alguns pacientes em apresentarem seus relatos durante a avaliação (TICIANELI e BARAÚNA, 2002). A dor fantasma não é exclusiva dos membros. Pesquisas relatam procedimentos realizados em pacientes, como a toracotomia, a mastectomia, extração de dentes e do tecido nervoso dental, freqüentemente relatam uma dor espontânea que persiste por um longo período de tempo (TICIANELI e BARAÚNA, 2002). Embora muito estudado, os mecanismos etiológicos e fisiopatológicos permanecem desconhecidos. Pelas observações e experiências conseguimos distinguir um mecanismo periférico, espinhal e supra-espinhal (SAKAMOTO, 1995). No mecanismo periférico, na evolução da amputação encontramos no coto uma reinervação caótica com formação de sítios ectópicos de excitação e sinapse anormais que alteram a sensibilidade e a forma sensitiva do coto (SAKAMOTO, 1995). Já na medula espinhal, achados clínicos sugerem que a medula tenha atuação na modulação da dor do membro fantasma, pois lesões da medula espinhal e avulsão de raízes do plexo braquial estão às vezes associados com dor de mesmas características e localização observadas nos pacientes amputados com dor fantasma. Alguns casos de pacientes com hérnia discal, que evoluíram com mielopatia, e fenômenos idênticos ao do membro fantasma foram observados, regredindo após a recuperação da mielopatia (SAKAMOTO, 1995). A explicação possível é que os neurônios do corno póstero-medial, com territórios receptores na pele, localizados em partes distais do membro apresentem atividade espontânea do membro, o que resulta em que estas células possam se dirigir para áreas localizadas mais próximas. Estudos mais recentes mostraram depleção de substância P no corno posterior de animais após a secção do nervo periférico ou de raízes dorsais (SAKAMOTO, 1995). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 O mecanismo supra-espinhal também se baseia em observações e experiências onde a imagem do membro é integrada no cérebro, onde estruturas talâmicas e corticais possivelmente modulam a dor fantasma e a sensação do membro fantasma. Os meios de transmissão do sistema nociceptivo, com seus circuitos modulatórios que aumentam a projeção para a substância rostral nas vias ascendentes torna difícil separar qual o provável mecanismo supra-espinhal que envolvido no desencadeamento e modulação do fenômeno da dor no membro fantasma (SAKAMOTO, 1995). Esta dor fantasma deve ser produzida pela ausência de impulsos nervosos do membro. Quando um nervo é seccionado, produz uma violenta descarga lesional em todos os tipos de fibras. Esta excitação diminui rapidamente e o nervo seccionado torna-se silencioso, até que novas terminações nervosas comecem a crescer. Isto implica que o sistema nervoso central (SNC) dá conta da falta de influxo normal, assim, alguns amputados têm tão pouca dor ou sentem a dor tão esporadicamente, que negam padecer de um membro fantasma doloroso, sendo que outros sofrem dores com periodicidade maior (SOUZA, OLIVEIRA, MAUGIN, OLIVEIRA, MELO, SILVA, DIAS, PARREIRA, SÉRVULO e SANTOS, 1997). Influxos anormais, traumáticos ou não, podem modificar a atividade no próprio sistema nervoso central, de maneira que, padrões anormais de impulsos nervosos são desencadeados por influxos aferentes cutâneos e eferentes simpáticos modulados pela atividade cerebral. Todas as qualidades que nós normalmente sentimos no corpo, incluindo a dor, são também sentidas na ausência de estímulo ao corpo, onde a origem do padrão que está abaixo das qualidades da experiência, encontra-se na rede neural do cérebro e os estímulos podem disparar o padrão, porém não pode produzi-los (TICIANELI e BARAÚNA, 2002). A memória da dor é uma característica interessante de ser observada, uma vez que a relação entre a permanência da dor e o estímulo que pode promover uma reorganização no plano somatosensorial é observado por vários autores ao longo dos anos. A dor pósamputação é bastante freqüente em pacientes que sofreram dor antes do procedimento e a Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 característica desta dor (qualidade, localização e modulação), é bastante semelhante às experiências vividas antes da amputação (TICIANELI e BARAÚNA, 2002). O fato de a dor fantasma ser uma fenômeno não puramente físico, social ou psíquico, mas a integração destes três fatores, nos remete à importância de um tratamento multidisciplinar, em que médico, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, nutricionista, psicólogo, assistente social, educador físico e técnico protesista devem trabalhar em equipe visando o desenvolvimento e a participação ativa do paciente no decorrer do seu treinamento (BENEDETTO, FORGIONE e ALVES, 2002). 2.8.4 Neuroma O neuroma é formação bulbosa que se forma em um nervo lesionado, como resultado de uma regeneração desorganizada de axônios após lesão parcial ou completa. O neuroma torna-se doloroso quando este tecido desorganizado, freqüentemente envolvido por tecido fibrocicatricial, é estimulado por pressão, tensão e ou hipóxia. É uma complicação incomum, porém necessita de uma intervensão cirúrgica para a sua retirada, ocorrendo raramente reincidivas (MARTINS, SIQUEIRA e TEDESCO-MARCHESE, 2002). 2.9 Reabilitação dos Pacientes Amputados de Membros Inferiores Reabilitar um amputado não significa necessariamente protetizá-lo. Porem para pacientes candidatos à utilização de próteses, a reabilitação só chegará ao fim no momento em que eles já estiverem fazendo uso das próteses, com total controle e independência nas Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 atividades diárias, profissionais e recreativas. Para alcançar esse objetivo deve-se atentar para alguns pontos, como conseguir um bom equilíbrio muscular, potencializar os grupos musculares debilitados, recuperar a função muscular prévia, impedir e eliminar contraturas, impedir deformidades secundárias, diminuir e eliminar estados dolorosos, modelar e maturar o coto, colocar uma prótese em perfeitas condições de ajuste e alinhamento, realizar treinamento adequado de marcha e corrigir possíveis defeitos de marcha encontrados (CARVALHO, 2003). 2.9.1 Reabilitação Preventiva Os pacientes portadores de neuropatia diabética periférica e de doença vascular periférica, podem apresentar sérias lesões nos pés, com diferentes graus de deficiência sensorial e motora, as quais se não forem devidamente tratadas, poderão resultar em amputações dos membros, amputações maiores ou revisões cirúrgicas (ORTOLAN, CUNHA, CARVALHO, FRANCA, MARIA, SILVA e CLIQUET, 2001). A conscientização dos riscos de lesões pelo próprio paciente e as orientações quanto aos cuidados a serem tomados, de acordo com o que for orientado pela equipe multidisciplinar, são suficientes para se reduzir os altos índices de amputações. Este trabalho preventivo deve ser realizado por todos os integrantes da equipe multiprofissional, que deve estar empenhada em proporcionar uma melhor qualidade de vida aos pacientes e familiares (CASSEFO, NACARATTO e CHAMLIAN, 2003). 2.9.2 Reabilitação Pré-Amputação Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 A reabilitação realizada anteriormente a amputação nem sempre é possível. Na maioria dos casos, os maiores candidatos a esse tipo de tratamento são os pacientes que já apresentam uma patologia em evolução e ainda realizam tratamentos na tentativa da não amputação do membro, como, por exemplo, os portadores de vasculopatias, neoplasias e processos infecciosos, podendo estar associados à presença de outras patologias ou não (BOCOLINI, 2000). Estes pacientes, em sua maioria, apresentam uma impotência funcional gradativa tanto no sistema cardiorespiratório quanto no musculoesquelético, condição esta que não pode ser esquecida durante a reabilitação (CARVALHO, 2003). 2.9.3 Reabilitação Pós-Amputação No estágio pós-operatório os objetivos principais se resumem em prevenir as contraturas articulares, fortalecer e coordenar o controle muscular do membro amputado, fortalecer e mobilizar a perna não afetada, fortalecer e mobilizar o tronco, controlar edema do coto, estimular independência e estimular a deambulação precoce com auxiliares de marcha. Durante os exercícios, deve haver um cuidado especial como local da sutura. A cicatrização deve ser lisa e livre, mas isso depende muito do procedimento cirúrgico. Deve-se atentar quanto à presença de secreções, deiscências ou processos de necrose local. A necrose na região cicatricial pode ser causada por um ponto excessivamente apertado ou por um nível de seleção impróprio, principalmente nos pacientes com comprometimento vascular (CARVALHO, 2003). A ênfase na prevenção de deformidades é de suma importância, principalmente se o paciente é candidato a protetização. O paciente deve ser orientado em relação à tendência das contraturas e às deformidades das articulações proximais à amputação. Exercícios isométricos e isotônicos ativos devem ser orientados (BOCOLINI, 2000). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 A orientação postural é iniciada através da atenção à posição do paciente no leito. O coto deve permanecer paralelo ao membro contralateral e o paciente deve ser orientado quanto às posições que dificultam ou impedem a instalação de deformidades e o aumento do edema quando na posição vertical, sentada ou deitada em decúbito ventral, lateral e dorsal (SAMPOL, 2000). O paciente deve evitar a imobilidade no leito, a qual contribui com as atrofias por desuso e o aparecimento de úlceras de pressão, principalmente nos locais com proeminências ósseas (LIANZA, 1995). Além do apoio emocional dispensado ao paciente, é preciso atentar para as pessoas que entram em contato com o amputado e seus familiares, para que sejam orientados sob a forma de conduta que devem adotar em relação a sua condição. Inicialmente, recomenda-se evitar as manifestações de lástima ou de apatia que levem o paciente a considerar-se um inválido permanente. O que melhor convém é mostrar as possibilidades de reabilitação e de reinserção no mercado de trabalho (LEITÃO, 1995). 2.9.4 Reabilitação Pré-Protetização Durante o tratamento que precede a protetização deve-se objetivar alguns pontos como proporcionar ao amputado habilidades para a realização de todas as atividades possíveis sem o uso de prótese, além de preparar o coto de amputação para que possa ser protetizado, e desenvolver programas de alongamento, fortalecimento, propriocepção, equilíbrio e coordenação visando uma deambulação independente mais adiante (CARVALHO, 2003). O tratamento deve atentar para alguns pontos específicos como a cicatrização da sutura cirúrgica e eventuais pontos de deiscências devem ser examinados para verificar se não são causados por processos isquêmicos, infecciosos ou por corpos estranhos. A presença de Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 neuromas também deve ser investigada, pois quando superficiais acabam sendo facilmente estimulados e desencadeiam sinais dolorosos aos pacientes. A presença de edema também impossibilita a confecção de um encaixe protético ou torna a vida útil do encaixe muito curta, não sendo viável nem para o paciente, nem para o protesista (CARVALHO, 2003). O enfaixamento correto também deve ser orientado ao paciente, para que esse possa realizá-lo sem auxílio, assim ajudando a evitar a presença de edemas e facilitando uma protetização futura (SAMPOL, 2000). 2.4.9.1 Tratamento Global O tratamento global tem como finalidade conseguir o maior potencial funcional do paciente amputado visando uma futura protetização. Nesta fase, são orientados exercícios de fortalecimento pra membros superiores, tronco e membros inferiores, equilíbrio, coordenação, propriocepção e esquema corporal. Durante os exercícios não é importante prender-se ao número de repetições ou ao tempo de treinamento, mas sim saber dosá-los de forma individual, sempre buscando seu melhor desempenho (CARVALHO, 2003). Nesta fase também se faz necessário a dessensibilização do coto, que é realizada por estímulos que irão levar ao saturamento dos receptores e das vias aferentes sensitivas, visando uma hipoestesia local (SAMPOL, 2000). É fundamental que o tratamento seja realizado sempre na presença de um terapeuta e em um ambiente claro, limpo, alegre e espaçoso composto por alguns elementos básicos, tais como bolas, pesos, rolos, colchonetes, bastões, espelhos, prancha de propriocepção, balança e barra paralela, entre outros. Antes da execução de cada exercício, convém explicar e demonstrar ao paciente o procedimento proposto quantas vezes forem necessárias. Quando Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 tais exercícios estiverem sendo executados corretamente, um programa específico deverá ser formulado para que o paciente realize algumas atividades em casa (CARVALHO, 2003). 2.9.4.2 Controle Postural Uma das variáveis mais importantes que afeta a força de um indivíduo, tanto a estática, quando a dinâmica, é a postura (CHAFFIN e ANDERSSON, 2001). A perda de um membro altera o centro de massa corpóreo, deslocando-o para frente, para trás ou para os lados. O deslocamento dependerá do nível da amputação (BOCOLINI, 2000). Dois fatores estão envolvidos na postura, um biomecânico e outro fisiológico. O fator biomecânico pode ser observado ao se perceber que os músculos esqueléticos agem em torno das articulações para causar o movimento dos segmentos corpóreos adjacentes, assim, a força do músculo age através de braços de alavanca, ou seja, à medida que o ângulo articular se altera, os braços de potência variam (CHAFFIN e ANDERSSON, 2001). Assim, um amputado de Syme sentirá menor dificuldade quando comparado com um transfemoral proximal (CARVALHO, 2003). Exercícios que estimulam respostas de reação postural poderão ser realizados com o paciente sentado ou em pé, através de atividades, como por exemplo, deslocamentos de objetos (BRICOT, 1999). Muitos pacientes utilizam cadeiras de rodas nas fases pósoperatória e pré-protetização. Principalmente nos amputados transfemorais curtos e transfemorais bilaterais, o centro de massa corpóreo encontra-se posteriorizado na cadeira de rodas, deixando-o muito próximo dos eixos de rotação das rodas, pois as características antropométricas das cadeiras de rodas são baseadas em indivíduos adultos sem amputações. Neste caso o risco que os amputados correm em tombar pra trás ao tocar suas próprias cadeiras, é muito grande. A colocação de pesos na região anterior ou a colocação de rodinhas Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 posteriores são indispensáveis (CARVALHO, 2003). 2.9.5 Membro Inferior Não Amputado Deve-se enfatizar nesses pacientes a amplitude de movimento das articulações, bem como o tônus e o trofismo muscular do membro não amputado, pois em muitos casos encontramos alterações, acarretadas principalmente pelo desuso (LIANZA, 1995). Os exercícios de alongamento e de fortalecimento devem ser realizados conforme as necessidades ou as condições físicas de cada paciente, onde os pacientes que fazem uso de cadeiras de rodas irão apresentar maiores dificuldades diante dos que utilizam muletas, por exemplo. Exercícios isométricos e isotônicos resistidos poderão ser realizados precocemente e à medida que o estado geral do paciente for melhorando, deverão ser intensificados. Pode-se trabalhar com esses pacientes em decúbito dorsal, ventral, lateral, sentados ou em pé (CARVALHO, 2003). É interessante que, sempre que possível, estender os exercícios para as barras paralelas, andadores e bengalas canadenses, respectivamente (SAMPOL, 2000). Exercícios de saltitamento devem ser ministrados somente para os pacientes sem problemas cardiorespiratórios. Para os exercícios em pé é realizado, além de fortalecimento do membro inferior contralateral à amputação, exercícios de equilíbrio e de orientação espacial (CARVALHO, 2003). 2.9.6 Reabilitação Pós Protetização Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 A reabilitação pós-protética é classificada como a última etapa do tratamento de um amputado (LIANZA, 1995). Ela será responsável pela independência, pelo sucesso de marcha e pela reintegração social do paciente com a prótese. Defeitos e vícios de marcha adotados durante essa fase dificilmente serão corrigidos posteriormente. Portanto, qualquer paciente, independente do nível de amputação, deverá ser devidamente treinado o orientado (CARVALHO, 2003). A avaliação visual da deambulação é definida como análise observacional da marcha (AOM). A identificação e a graduação dos desvios da marcha dependem da experiência e tendências individuais do observador. O fisioterapeuta é treinado para perceber uma série de eventos da marcha. As anormalidades grosseiras são facilmente observadas e freqüentemente, estas alterações são mais pronunciadas quando solicitado ao paciente a realização de uma marcha em alta velocidade ou sem auxiliares para marcha (LUCARELI, 2002). No tratamento pós-protetização, deve se realizar uma rígida avaliação da prótese em relação aos componentes, alinhamento, acabamento, peso, altura, locais para alívio, descarga de peso e sistema de suspensão. Qualquer observação relatada pelo paciente deve ser verificada. É muito importante o conforto e o ajuste da prótese para o início do tratamento. Alterações nos itens citados acima podem comprometer e dificultar a reabilitação (CARVALHO, 2003). O conhecimento apenas do peso de um segmento corpóreo não é suficiente para realizar uma análise biomecânica. Deve-se ser capaz de localizar o ponto do segmento em que o efeito gravitacional acontece, ou seja, se um segmento corpóreo suspenso por apenas um ponto, onde esse ponto deveria estar localizado de forma que o efeito em cada lado do ponto, independente da orientação do segmento no espaço, sejam semelhantes (CHAFFIN e ANDERSON, 2001). Assim a análise do amputado protetizado deve ser realizada sem falhas e atentando para todos os fatores possíveis, favorecendo a melhor qualidade de deambulação possível (BOCOLINI, 2000). O tratamento deve ser realizado em um local amplo, reservado, claro e limpo, dotado Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 no mínimo por barras paralelas, espelhos, balanças, escadas e rampa. Nesta fase é estabelecido um programa de treinamento em várias etapas, iniciando com a avaliação protética, colocação e retirada da prótese, transferências da posição sentada para a em pé e vice-versa, equilíbrio e transferência de peso, fases da marcha isoladas, marcha e dissociação de cinturas, marcha em escadas, rampas e terrenos acidentados, e atividades esportivas e recreativas (CARVALHO, 2003). 2.9.7 Equilíbrio e Transferências de Peso Para que exista equilíbrio estático, a soma dos torques que tendem a provocar rotação horária, em torno de um ponto qualquer, deve ser igual à soma dos torques que tendem a provocar rotação anti-horária, em torno do mesmo ponto (TIPLER, 1995). Este tipo de treinamento deve ser realizado dentro das barras paralelas em frente de um espelho. O paciente deve ser instruído a posicionar-se com os pés paralelos e afastados e em pé, diante do espelho e com as mãos apoiadas nas barras paralelas, ele deve sentir a relação entre coto e encaixe. Assim que estiver sentindo-se mais seguro, deve-se solicitar a retirada gradativa de apoio dos membros superiores. O paciente sentirá a mudança de pressão entre a interface coto/encaixe e o aumento da descarga de peso (CARVALHO, 2003). Quando o paciente já estiver sentindo-se equilibrado e com mais confiança, é solicitada a retirada total do apoio da barra, onde novamente, ele deve sentir mudanças de peso entre o coto e o encaixe (BOCOLINI, 2000). Na posição ortostática, sem apoio dos membros superiores, é normal a tendência dos pacientes deslocarem o centro de gravidade para o membro não-amputado, aumentando, desta forma, a descarga de peso nesse segmento (KAVOUNOUDIAS, TREMBLAY, GRAVEL, IANCU e FORGET, 2005). Para melhor visualização da Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 distribuição da descarga de peso nos membros inferiores, podemos utilizar duas balanças pequenas. As balanças posicionadas sob os pés nos darão uma referência em relação à descarga de peso em cada membro (CARVALHO, 2003). A transferência de peso deve ser realizada no sentido látero-lateral, ântero-posterior e nas diagonais de acordo com a evolução do treinamento (SAMPOL, 2000). Nos exercícios de transferência, também podemos utilizar as balanças. O paciente, com apoio das mãos nas barras paralelas, deve inclinar o corpo da direita para a esquerda e vice-versa, observando as mudanças de pressão e a descarga de peso na interface coto/encaixe. Por fim, quando estiver realizando os movimentos com segurança, o mesmo trabalho de transferência deve ser realizado sem apoio algum. É importante que o paciente, nesta etapa, comece a familiarizar-se com os componentes protéticos, principalmente o pé e o joelho mecânico, pois são fundamentais na marcha (CARVALHO, 2003). Quando realizadas transferências de peso entre calcâneo e antepé no sentido ânteroposterior e diagonal, o início dos movimentos deve ser de amplitude pequena e, aumentado de forma progressiva. Quanto ao apoio dos membros superiores, ele deve iniciar com duplo apoio, depois com apoio único no membro superior contralateral à amputação e, por fim, sem apoio algum (BOCOLINI, 2000). 2.9.8 Marcha e Dissociação de Cinturas O andar humano é um exemplo de padrão fundamental de movimento aprendido que, em situações normais, é realizado com bastante eficiência e consistência. A principal característica biomecânica do andar humano talvez seja a eficiência. A maior parte dos movimentos ascendentes ou laterais do andar atinge menos de 5 cm, o que minimiza o gasto Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 energético para movimentar o corpo (KNUDSON e MORRISON, 2001). A restauração da locomoção através da deambulação é o objetivo final da reabilitação no paciente amputado, onde a utilização dos diversos recursos disponíveis deve resultar numa melhora significativa na qualidade de vida para o indivíduo amputado (DE LUCCIA, 2003). O treino do paciente inicia entre as barras paralelas e diante do espelho, onde deve ser solicitada uma marcha lenta, com atenção aos exercícios previamente treinados (SAMPOL, 2000). O terapeuta posicionado atrás do paciente deve apoiar as mãos em seus ombros, sendo um apoio posterior no lado são e um anterior no lado amputado, para se iniciar o movimento de rotação do tronco durante a marcha. Quando o paciente estiver realizando uma macha segura, deve ser dada uma resistência para facilitar a marcha futura sem apoio dos membros superiores. Após essa fase, o paciente pode realizar o treinamento somente com apoio do membro contralateral à amputação e, posteriormente, com as mãos livres. O treinamento fora da barra deve iniciar com o paciente apoiando-se nos ombros ou antebraços do terapeuta ou então em bengalas canadenses ou muletas axilares para maior segurança. Posteriormente, uma marcha livre pode ser realizada. Durante essa etapa, devemos observar a rotação do tronco, a rotação pélvica, flexão do quadril, flexão do joelho, o tempo de apoio com a prótese, a velocidade dos passos, o comprimento da passada bilateral e o ajuste da base de suporte (CARVALHO, 2003). 2.9.8.1 Marcha em Escadas, Rampas e Terrenos Acidentados O treinamento para subir e descer escadas e rampas com passos alternados não é possível em todos os níveis de amputações, tais como desarticulados de joelho e de quadril e amputados transfemorais (BOCOLINI, 2000). O método degrau por degrau, ainda é o mais Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 fácil de ser utilizado embora traga aborrecimentos para alguns pacientes por ser lento e nãonatural. Este método pode ser empregado em todos os níveis de amputação, sendo recomendado principalmente para pacientes que utilizam joelhos mecânicos. Para subir um degrau, pacientes com joelhos mecânicos devem realizar descarga de peso sobre a prótese e iniciar a subida com o membro não amputado, colocando-o no degrau superior. Realizando uma inclinação anterior do tronco e uma extensão do joelho, eleva-se o corpo até o nível do degrau superior apoiando a prótese ao lado do membro não amputado. O mesmo procedimento deve ser realizado para cada degrau. Para realizar a descida, os pacientes devem iniciar com a prótese, levando-a em direção ao degrau inferior, ao mesmo tempo em que vão lentamente fletindo o joelho do lado não-amputado. Após o apoio da prótese, o pacientes realiza uma descarga de peso e projeta o membro não amputado no mesmo degrau, sendo que o mesmo processo deve ser repetido a cada degrau (CARVALHO, 2003). Na deambulação em terrenos acidentados, muito irregulares e inclinados, os pacientes podem optar pela marcha em zigue-zague ou passadas laterais, pois para os amputados com desarticulação de quadril ou sacro-ilíaca e transfemorais em nível proximal, a passada lateral em rampas e escadas é a alternativa utilizada mais utilizada e também a mais segura (LEITÃO, 1995). 2.9.9 Atividades Esportivas e Recreativas Atividades esportivas e recreativas como ciclismo, natação, corrida, tênis de mesa entre outras modalidades, devem ser discutidas com os pacientes. A exploração de capacidades físicas individuais valoriza a auto-estima dos pacientes amputados e melhora a qualidade de vida desses indivíduos. Entretanto, não se deve criar falsas ilusões, ou promessas impossíveis, nem compara-los aos atletas paraolímpicos (CARVALHO, 2003). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 3 EQUILÍBRIO O equilíbrio é a capacidade que o ser humano tem em se manter ereto ou executar movimentos de aceleração e rotação do corpo sem que ocorram oscilações ou queda durante esses movimentos e ao retorno estático (ROSSI, 2003). O equilíbrio é a habilidade do sistema nervoso em detectar, tanto antecipada como momentaneamente, a instabilidade e de gerar respostas coordenadas que tragam de volta para a base de suporte o “centro de massa corporal”, evitando a queda. A manutenção eficaz do equilíbrio envolve inúmeras estruturas no sistema nervoso central (SNC) e no sistema nervoso periférico (SNP) (RIBEIRO e PEREIRA, 2005). O equilíbrio depende da integridade do SNC, em reconhecer as posições e movimentos da cabeça em relação a posição do corpo e ao espaço em que esta inserido. Assim, para manter o equilíbrio corporal adequado o SNC depende das informações aferentes do sistema visual, sistema proprioceptivo e do sistema vestibular, que interagem o corpo com o espaço e possibilitam a manutenção do equilíbrio corporal (ROSSI, 2003). Dessa maneira, se deduz que, para que um indivíduo mantenha o equilíbrio em determinada posição, é necessário que o indivíduo receba informações do sistema proprioceptivo, sistema vestibular, e sistema visual, onde todos estes sistemas, bem como o SNC, esteja íntegros e com sua função preservada (DHILLON, LAWRENCE, HUTCHINSON e HORCH, 2004). 3.1 Sistema Proprioceptivo Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 A palavra propriocepção vem do latim: próprio (de si mesmo), ceptive (receber). É a aferência dada ao SNC pelos diversos tipos de receptores sensoriais presentes em diferentes estruturas e descreve a consciência da postura, do movimento e das mudanças no equilíbrio, assim como o conhecimento da posição, do peso e da resistência dos objetos em relação ao corpo (ROSSI, 2003). Os proprioceptores são os receptores que têm, principalmente, funções de regulação motora (EYZAGUIRRE e FIDONE, 1977). Existem receptores especializados que estão presentes nas estruturas articulares, tendões e músculos esqueléticos. Os receptores detectam alterações de tensão e posição das estruturas nas quais os receptores estão situados, e um padrão de impulsos nervosos é gerado no receptor para transmitir a informação a outras partes do sistema nervoso. Como resultado, alterações de momento a momento no ângulo articular, na velocidade do movimento articular, na quantidade de compressão ou tração articular, bem como alterações no comprimento muscular e na força da contração muscular são transmitidas aos centros na medula espinhal e cérebro (SMITH, WEISS e KULH, 1997). As informações fornecidas pelos exteroceptores e proprioceptores possibilitam ao sistema organizar a posição do membro e diferenciar entre movimentos autogerados e impostos (ENOKA, 2000). No SNC, esta informação é integrada com a que vem de outros órgãos sensoriais, tais como a retina do olho e o aparelho vestibular do ouvido interno. Sinais sensitivos integrados então são usados pelos centros de controle motor no cérebro para ajustar automaticamente a localização, tipo, número e freqüência de ativação de unidades motoras, de tal modo que uma apropriada tensão muscular seja desenvolvida para efetuar os movimentos desejados (SMITH, WEISS e KULH, 1997). O adequado controle dos músculos e articulações requer uma comunicação proprioceptiva íntegra (JANWANTANAKUL, MAGAREY, JONES, GRIMMER, MILES, 2003). A maioria dos receptores emitem vários potenciais de ação por segundo sob a forma de Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 uma emissão “de repouso”. O receptor é estimulado ao ser deformado. Dependendo da localização e da magnitude das forças deformadoras atuando sobre a articulação, e da localização do receptor, certos receptores são estimulados e descarregam uma rajada de alta freqüência de impulsos nervosos quando a articulação é movida. Os receptores tipicamente adaptam-se, a freqüência de impulso diminui ligeiramente após o cessar do movimento, e a seguir transmitem uma seqüência constante de impulsos nervosos. Um movimento adicional da articulação pode fazer com que um conjunto de receptores pare de descarregar impulsos e outro conjunto torne-se ativo, assim, a informação a partir dos receptores articulares continuamente fornece informação por feedback ao sistema nervoso para informar ao sistema nervoso a angulação momentânea das articulações e a velocidade de movimento das articulações (SMITH, WEISS e KULH, 1997). Parece haver um princípio geral, tanto nos modelos de engenharia quanto nos sistemas biológicos, de que quanto mais maleável um sistema for, mais feedback será necessário para manter sua estabilidade (ENOKA, 2000). A resposta estática de um aferente fusal é definida como a descarga em qualquer comprimento constante de músculo. Quanto maior o comprimento muscular, maior será o estiramento do fuso e mais elevada será a resposta estática dos aferentes fusais. Tanto os aferentes fusais primários quanto os secundários apresentam respostas estáticas, sensíveis ao comprimento. Já a resposta dinâmica de um aferente fusal refere-se à descarga durante o estiramento do músculo. Se o aferente fusal apresentar uma maior resposta durante um estímulo rápido do que durante um estiramento lento, ou seja, diferente velocidade, porém com a mesma distância de estiramento, dizemos que ele possui um componente dinâmico de resposta. Além disso, quanto maior a sensibilidade do aferente à velocidade de estiramento, maior será sua resposta dinâmica (EYZAGUIRRE e FIDONE, 1977). É reconhecida a importância do treinamento proprioceptivo na reabilitação de pacientes com afecções diversas. No entanto, pouco se conhece a respeito dos princípios Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 fisiológicos e dos métodos de avaliação das alterações proprioceptivas em virtude da complexidade do mecanismo protetor corpóreo (SOARES, COEHN e ABDALA, 2003). Estudos psicofísicos do sistema proprioceptivo humano usualmente concentram-se em três variáveis, sendo estas a percepção da posição, do movimento e da força do membro. Boa parte dessas pesquisas se preocupa em estabelecer a importância relativa das informações sensoriais oriundas de receptores musculares, cutâneos e articulares para a percepção cinestésica. Estes experimentos tentaram eliminar o estímulo de uma população de receptores, por exemplo, anestesiando a pele com um anestésico local ou injetando um anestésico numa articulação para bloquear receptores articulares, ou mensurando as alterações da percepção que ocorrem após essa perda temporária de estímulo sensorial. A percepção é então avaliada fazendo com que o indivíduo testado detecte as direções de movimentos impostos passivamente a uma articulação, ou que coordene as posições de movimento ou forças produzidos por dois grupos musculares correspondentes, nos lados esquerdo e direito do corpo, onde na grande maioria destes estudos a conclusão obtida resulta que nenhuma fonte de informações aferentes pode ser excluída da contribuição para a propriocepção corporal e conseqüente equilíbrio deste (COHEN, 2001). 3.2 Sistema Vestibular O sistema vestibular é inervado pelo Nervo VIII, ou nervo vestíbulo coclear. Este é um nervo sensorial com 2 ramos distintos. O ramo vestibular transmite informação relacionada à posição e aos movimentos da cabeça. O ramo coclear transmite informação relacionada à audição. Os receptores para essa função ficam situados no ouvido interno, no labirinto, o qual é formado pela cóclea e pelo aparelho vestibular (GUYTON, 2002). O ouvido compreende Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 três componentes, os ouvidos externo, médio e interno. Os ouvidos médio e externo são importantes para o sistema auditivo, mas não para o sistema vestibular. No entanto, o ouvido interno, oculto profundamente no osso temporal, atrás da parede medial do ouvido médio, contém um espaço conhecido como vestíbulo, razão do nome sistema vestibular. A cóclea esta posicionada anteriormente ao vestíbulo. Os canais semicirculares ósseos do labirinto vestibular estão localizados posteriormente a ele. Os canais ósseos e o vestíbulo contém o labirinto membranoso com o sensores do sistema vestibular. O vestíbulo contém dois sacos, coletivamente conhecidos como otólitos. Finos tubos conectam um saco, ou sáculo, com a cóclea e com o outro saco, o utrículo. O utrículo conecta-se aos três canais semicirculares membranosos (COHEN, 2001). No aparelho vestibular estão localizados os canais semicirculares, sendo um superior, outro horizontal e um posterior, e são responsáveis em registrar as acelerações angulares, ou seja, os movimentos rotacionais da cabeça no espaço. Também localizados no aparelho vestibular estão o utrículo e o sáculo, que também são referidos como órgãos otolíticos, não sendo sensíveis à rotação, mas respondem à posição da cabeça em relação à gravidade e à aceleração e desaceleração linear (GANAÇA, 1998). Existem células receptoras especializadas localizadas nestes órgãos, chamadas de células ciliadas vestibulares, que são capazes de traduzir deslocamentos em sinais neurais (GANANÇA, 1998). O sistema vestibular assemelha-se ao sistema auditivo por possuir dois tipos de células, tipo I e tipo II. As células ciliadas tipo I têm forma de esfera ou de frasco e foi demonstrada a existência de vários subtipos. As células tipo II têm forma cilíndrica. Em sua extremidade apical, existem vários filamentos finos, denominados ligações apicais, que se conectam aos estereocílios. Num processo conhecido como transdução eletromecânica, o estímulo adequado, isto é, aceleração da cabeça, é traduzida pela deflexão mecânica do feixe Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 piloso numa transmissão eletroquímica clássica na extremidade basal da célula ciliada (COHEN, 2001). Figura 10 – Ilustração dos componentes do sistema vestibular Fonte: Fisioterapia Salgado. Disponível em www.fisioterapiasalgado.com.br O sintoma mais comum de disfunção do sistema vestibular é a vertigem, uma ilusão de movimento. O indivíduo pode ter a ilusão errônea de estar se movendo ou de que tudo que o circunda está girando, favorecendo a ocorrência de desequilíbrios e quedas, dessa forma afetando diretamente o equilíbrio desde indivíduo (ROSSI, 2003). 3.3 Sistema Visual O sistema visual é o mais complexo dos sistemas sensoriais, sendo uma estrutura extremamente especializada. Ele detecta a luz que permite identificar imagens do ambiente Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 que informam sobre a forma, a cor e o movimento de objetos e do próprio corpo (GREGORY, 1979). A visão é um processo cognitivo que envolve a conversão de grupamento de dados visuais em informações significativas. É o instrumento que emite ao indivíduo expandir a percepção além do alcance dos braços, uma projeção vicária de nossa habilidade de sentir e tocar em um mundo espacial conceitual sem limites. A visão é considerada o processo sensorial dominante dos seres humanos. Durante o desenvolvimento ela torna-se integrada com todos os outros processos sensoriais e motores, incluindo a postura e o equilíbrio. Ela compete com a fala em complexidade e passa por fases de desenvolvimento comparáveis. A visão necessita de estimulação da luz para desenvolver-se e estabelecer a mielinização progressiva do nervo óptico (UMPHRED, 1994). As teorias acerca da visão das cores baseiam-se na conhecida observação de que o olho humano consegue detectar quase todas as graduações de cor, quando as luzes monocromáticas vermelha, verde e azul são apropriadamente misturadas em diferentes combinações (GUYTON, 2002) O mecanismo de percepção visual se inicia na retina, onde a luz entra na córnea e é projetada na parte posterior do olho, chegando a retina, onde a luz é transformada num sinal elétrico e é conduzida através do sistema nervoso. O movimento é percebido pelo deslocamento da imagem a qual se observa e pelo movimento conjunto da cabeça e dos olhos. As informações visuais produzem uma referência para a verticalidade e contribuem para manter a oscilação natural distante dos limites da base de apoio, informando o SNC de qual a posição da cabeça e do tronco deve ser mantida ou alterada quando o centro gravitacional é alterado pela translação da superfície de apoio (BUCHANAN e HORAK, 1999). Os axônios das células ganglionares retinianas reúnem-se para formar um tracto conhecido como nervo óptico. Em um ponto denominado quiasma óptico, algumas fibras da retina nasal de cada olho juntam-se as fibras temporais do outro olho. Dessa forma, cada tracto óptico transmite sinais de uma metade do campo visual ao invés dos de um olho. Sendo Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 assim, o tracto óptico esquerdo transmite informações visuais do campo visual direito de ambos os olhos, ao invés de transmitir informações dos campos visuais esquerdo e direito de olho esquerdo. No interior o cérebro, essas fibras aferentes visuais continuam como tracto óptico (COHEN, 2001). É a partir das células ganglionares que as longas fibras do nervo óptico se dirigem para o encéfalo. Por causa da distância envolvida o método eletrônico de condução não é mais adequado, portanto, as células ganglionares transmitem seus sinais por meio de potenciais de ação. Além disso, mesmo quando não estimados, elas ainda transmitem impulsos contínuos, com freqüências variáveis, e as fibras nervosas oriundas das grandes células ganglionares disparam mais rapidamente. Os sinais visuais, por sua vez, são superpostos sobre esse acionamento celular ganglionar de fundo (GUYTON, 2002). O primeiro processamento funcional do estímulo visual resulta do disparo sincrônico das células ganglionares retinianas, as quais disparam de maneira programada quando próximas umas das outras e de forma assíncrona quando distantes umas das outras. Alguns mecanismos de processamento, como a inibição lateral e a adaptação temporal, auxiliam a manter uma alta fidelidade de representação visual e, ao mesmo tempo, a minimizar a quantidade de informações transmitidas. Por conseguinte os padrões de disparo multineural fornecem importantes informações aos centros superiores (COHEN, 2001) As informações visuais são importantes para o controle do equilíbrio, mas não são absolutamente necessárias, uma vez que a maioria dos indivíduos é capaz de manter o equilíbrio de olhos fechados ou em um ambiente escurecido (ENOKA, 2000). Porém, a perda de informação visual ou da habilidade de utilizar a visão é extremamente incapacitante e desorientadora. Epidemiologicamente, a visão diminuída é a terceira razão de limitação das atividades cotidianas, superada apenas pelas cardiopatias e artrites, e 50% das pessoas com redução de visão relatam dificuldades na realização de atividades (COHEN, 2001). Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O presente estudo foi realizado na Clinica de Fisioterapia, pertencente ao Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade do Oeste do Paraná, na cidade de Cascavel PR, no período compreendido entre agosto e novembro do ano de 2005. A coleta dos dados foi realizada entre os meses de outubro e novembro do mesmo ano, durante o período matutino, sendo os dados coletados pelo mesmo pesquisador, fazendo uso dos mesmos materiais de avaliação com todos os indivíduos avaliados. 4.1 Critérios de Inclusão Foram inclusos no presente estudo indivíduos do sexo masculino com amputação de membro inferior por motivo traumático, sendo essas amputações a nível transtibial, desarticulação do joelho e a nível transfemoral, onde esses pacientes possuiam e faziam uso de prótese de membro inferior e já haviam passado por algum processo de reabilitação ou que estivesse em fase final do treino com a prótese, ou seja, em fase final do tratamento fisioterapêutico. 4.2 Critério de Exclusão Sendo assim, os critérios para exclusão do estudo impossibilitaram a participação no Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 projeto, indivíduos do sexo feminino, indivíduos amputados não protetizados, indivíduos com amputação de membros superiores, indivíduos que possuíssem amputação de membros superiores e inferiores, indivíduos com amputação bilateral de membros inferiores protetizados ou não, pacientes protetizados em fase inicial ou intermediária da reabilitação, indivíduos amputados ao nível de desarticulação do quadril ou nível de amputação abaixo da desarticulação do tornozelo. Também foram exclusos do estudo indivíduos com menos de 6 meses de amputação e indivíduos com menos de 3 meses de protetização. Os indivíduos com amputação devido a diabetes mielites ou qualquer outra etiologia que não fosse traumática, também foram exclusos do estudo. E os indivíduos que tivessem idade inferior a dezoito anos ou superior a sessenta anos também não participariam do estudo. Além dos motivos citados acima, pacientes com distúrbios neurológicos, pacientes com distúrbios vestibulares e visuais diagnosticados, pacientes com déficit cognitivo muito baixo que impossibilitasse a compreensão dos testes a serem executados, também foram exclusos do estudo. Para este estudo não foram levadas em consideração diferenças entre os componentes utilizados na confecção das próteses, nem as diferenças entre os sistemas e componentes articulares utilizados na confecção do joelho mecânico, em específico nas próteses utilizadas nas amputações a nível transfemural. 4.3 Materiais e Métodos Após a aprovação do presente estudo pelo Comitê de Ética da Universidade Estadual do Oeste do Paraná , os indivíduos que se enquadraram nos parâmetros para aplicação dos testes foram convidados a participar do projeto, sendo apresentado o termo de consentimento Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 livre e esclarecido, onde este foi apresentado individualmente para cada paciente em um local privado, onde o pesquisador explicava ao paciente todos os itens contidos no termo e esclarecia qualquer dúvida do indivíduo em relação ao conteúdo ali exposto. Assim, após a confirmação de participação no projeto, o paciente passava por uma avaliação clínica através de uma ficha de avaliação elaborada especificamente para indivíduos com amputação de membros inferiores. Em seguida o indivíduo era submetido aos testes específicos, e ao questionário de funcionalidade. A avaliação pelos testes especiais foi realizada através de dois métodos, sendo que o primeiro a ser aplicado foi o “Time Up and Go”, que consiste em o paciente levantar de uma cadeira, percorrer um percurso de três metros, voltar e sentar-se novamente na mesma cadeira, onde era observado o tempo que o indivíduo necessitava para completar o teste. Para a realização deste teste, foi utilizada uma cadeira, a qual possuía encosto, porem não possuía apoio para os braços, e a sua altura era de 45cm. A cadeira ficava firme ao solo, sendo este plano, sem inclinações ou irregularidades, onde o indivíduo iniciava o teste com o dorso apoiado no encosto da cadeira. Para a realização do teste o indivíduo era orientado a realizar a tarefa da forma mais rápido possível, porém de forma segura e confortável. Foi utilizado um cronômetro, que era acionado a partir do comando verbal “já”, no início do teste e interrompido quando o indivíduo sentava-se novamente. O teste foi repetido três vezes com cada paciente e foram realizados intervalos entre um e o outro, para maior confiabilidade dos dados coletados. O segundo teste especial aplicado era a Posturografia, que era realizada através do Foam Laser Dynamic Posturografhy (FLP), consistindo de uma cabine de 1 metro quadrado, com 2 metros de altura, onde se observa uma imagem com conflito visual, dado por linhas horizontais em um fundo branco em toda a região anterior, lateral e superior da cabine. Também foram utilizados uma caneta laser, que é fixada ao paciente na região posterior do corpo na linha da cintura, através de um cinto com regulagem, onde o laser emite Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 um sinal sobre um painel com papel milimetrado na região superior da cabine. Também é utilizada uma plataforma confeccionada em esponja de densidade média para causar instabilidade. Com o indivíduo devidamente posicionado na cabine, é realizado o teste de organização sensorial (SOT), realizado a partir de seis condições utilizadas para testar tarefas dos sentidos visual, auditivo e proprioceptivo, ou seja, a tríade do equilíbrio, sendo as condições.: SOT I – indivíduo de olhos abertos, cabine e plataforma estáveis; SOT II – indivíduo de olhos fechados com plataforma estável; SOT III – indivíduo com os olhos abertos, plataforma estável e cabine móvel; SOT IV – indivíduo com os olhos abertos, cabine visual estável e plataforma móvel; SOT V – indivíduo com os olhos fechados e plataforma móvel; SOT VI – indivíduo de olhos abertos, cabine visual e plataforma móveis. Cada uma das situações ou SOT’s que o paciente é submetido, se mensurou o deslocamento ântero-posterior do sinal laser emitido no papel milimetrado, durante 20 segundos para cada condição, sendo que foram realizados os SOT’s na sua própria ordem numérica, ou seja do I ao VI. Também era mensurado a distância da emissão do laser até o papel milimetrado. O teste foi realizado três vezes para maior confiabilidade dos dados, onde foi dado um intervalo de tempo para o indivíduo avaliado descansar entre a realização das repetições do teste. Todos os dados coletados na realização do FLP foram analisados através de um programa de computador, onde se analisou a capacidade de se utilizar os sistemas somatosensorial, visual e vestibular do indivíduo, para a manutenção do equilíbrio, onde foram considerados como normais, valores maiores que 92% para o sistema somatosensorial, maiores que 88% para o sistema visual e valores maiores que 67% para o sistema vestibular. Abaixo pode-se observar a figura do aparelho utilizado na realização da posturografia, porem não apresenta a plataforma milimetrada e o cinto com a caneta laser. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Figura 11- Ilustração do aparelho utilizado na avaliação da posturografia Fonte: PRÓPRIO AUTOR Por fim, foi apresentado ao indivíduo um questionário com nove questões objetivas, que estavam relacionadas à realização de algumas atividades de vida diária que corroborassem com a funcionalidade da prótese. Assim, o indivíduo tinha três opções de respostas, sendo estas “SIM, NÃO e COM AUXÍLIO”, podendo optar somente por uma resposta, onde a resposta “sim” era referente ao indivíduo conseguir executar uma determinada atividade sem nenhum tipo de auxílio. A resposta “não” correspondia ao indivíduo não conseguir realizar a atividade mesmo que receba algum tipo de auxílio, e a resposta “com auxílio” se refere ao paciente conseguir realizar aquela determinada tarefa, porém, dependendo de algum tipo de auxílio. As questões abordavam, em ordem original do questionário: colocar e remover a prótese sozinho, andar pela casa com a prótese, levantar de uma cadeira e sentar-se novamente, atravessar uma rua de pista simples, andar um quarteirão de 100 metros, andar 5 Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 quarteirões (500metros), subir uma rua íngreme (inclinada), descer uma rua íngreme (inclinada) e andar em terreno com desnível (acidentado). As respostas das perguntas eram dadas de acordo com a vivência e opinião do indivíduo em relação às atividades que ele consegue ou não realizar com a prótese, e se a prótese é eficaz na complementação e satisfação das suas AVD’s, não havendo nenhum tipo de intervenção ou provação por parte do examinador em relação as respostas dadas pelo indivíduo, sendo estas totalmente subjetivas ao entendimento do indivíduo avaliado. Todos os testes realizados, sendo estes, a posturografia , o questionário de funcionalidade e o “time up and go”, bem como a avaliação física que precedia os testes e a apresentação do termo de consentimento, foram realizadas pelo mesmo examinador, evitando assim variações durante a avaliação dos indivíduos. Após a coleta dos dados obtidos com a avaliação, aplicação dos testes e do questionário, os dados foram analisados estatisticamente e utilizados na confecção do trabalho de conclusão do curso, o qual será exposto e publicado, porém não utilizando qualquer dado pessoal dos indivíduos, apenas os obtidos durante a avaliação específica e geral, os quais foram consentidos o uso pelo paciente. Caso fosse observado durante a avaliação, alguma alteração passível de tratamento fisioterapêutico, o paciente, caso não estivesse recebendo tratamento, tinha a possibilidade, se desejasse, de ter seu nome incluso na lista de espera para tratamento fisioterapêutico na Clínica de Fisioterapia da Unioeste. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 5 RESULTADOS 5.1 Caracterização da População Neste estudo foram avaliados um total de 9 indivíduos, onde, devido aos critérios de exclusão e inclusão estabelecidos, foram utilizados, somente, os dados referentes a 6 indivíduos para análise estatística. Estes 6 sujeitos restantes foram classificados de forma aleatória em indivíduos A, B, C, D, E e F, com o objetivo de facilitar a análise dos dados obtidos e preservar suas informações pessoais. Dos 6 participantes deste estudo, 4 possuíam amputação transfemoral e 2 amputação transtibial. O indivíduo A, com 46 anos de idade possuía amputação a nível transfemoral em terço médio à direita, sendo que a amputação do membro ocorreu há 37 anos, por motivo traumático, e a primeira protetização ocorreu há 34 anos. O indivíduo B, com 56 anos de idade, possuía amputação a nível transfemoral em terço médio a direita, por motivo traumático, sendo que a amputação foi realizada há cerca de 18 anos e a protetização há 14 anos. O indivíduo C, de 38 anos de idade, era amputado a nível transfemoral em terço médio à direita, por motivo traumático, sendo que amputação ocorreu há 4 anos e a protetização a 6 meses. O indivíduo D, com 47 anos de idade, possui amputação a nível transtibial em terço proximal a direita, por etiologia traumática, sendo a amputação realizada há 10 meses e é protetizado há 4 meses. O indivíduo E, com 30 anos de idade, é amputado a nível transfemoral em terço médio à direita, pr motivo traumático, sendo há três anos amputado e protetizado há 1 ano. O indivíduo F, de 52 anos, é amputado a nível transtibial em terço proximal à E, por etiologia traumática, amputada há 33 anos e protetizado há 32 anos. Na avaliação física que antecedeu os testes especiais, foi detectado que a prótese do indivíduo C não possuía um alinhamento ideal, porém, não foram encontrados outros fatores semelhantes relacionados aos demais indivíduos avaliados. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 É interessante ressaltar que quatro dos seis indivíduos avaliados exercem algum tipo de atividade laboral, onde os indivíduos A e B são comerciantes, o indivíduo C é supervisor de obras, o indivíduo F é vigia noturno. Na tabela 01 pode-se observar os dados referentes a cada um dos participantes: Indivíduos Idade Nível de amputação Tempo de Amputação Tempo de protetização A 46 Transfemoral 37 anos 34 anos B 56 Transfemoral 18 anos 14 anos C 38 Transfemoral 4 anos 6 meses D 47 Transtibial 10 meses 4 meses E 30 Transfemoral 3 anos 1 ano F 52 Transtibial 33 anos 32 anos Tabela 01 – Caracterização da população de amputados avaliados Fonte: PRÓPRIO AUTOR. 5.2 Resultados do “Time Up And Go” O teste do “Time Up And Go”, como já citado anteriormente, foi realizado três vezes por cada indivíduo, para maior confiabilidade dos dados coletados. Assim observou-se que os valores obtidos no teste pelo indivíduo A, situaram-se abaixo dos 10 segundos, com a média dos três tempos calculada em 9,20 segundos. Já o indivíduo B obteve valores na casa decimal dos 10 segundos, tendo uma média geral de 10,58 segundos. O indivíduo C, teve seus valores situados acima dos 10 segundos, ficando todos seus resultados na casa decimal dos 11 segundos, tendo uma média geral de 11,70 segundos. Já os indivíduos D e E, tiveram um desempenho superior, situando seus valores da primeira tentativa na casa decimal dos 9 Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 segundos e as duas tentativas conseguintes na casa decimal dos oito segundos, sendo suas médias gerais, respectivamente, 8,93 segundos e 8,82 segundos. O indivíduo F foi o único a situar-se na casa decimal dos 7 segundos, tendo obtido todos valores inferiores a 10 segundos, sendo sua média geral de 8,49 segundos. A média geral de todos os participantes ficou estabelecida em 9,62 segundos, sendo que a média da 1ª tentativa foi de 9,94 segundos, a média da 2ª tentativa foi de 9,55 segundos e a média da última tentativa foi de 9,37 segundos. Segue abaixo a tabela 02 com os resultados dos valores obtidos pelos indivíduos em todas as tentativas e as respectivas médias dos valores obtidos: Indivíduos 1ª tentativa 2ª tentativa 3ª tentativa MEDIA A 9.37 9.08 9.16 9.20 B 10.78 10.62 10.35 10.58 C 11.89 11.74 11.47 11.70 D 9.28 8.92 8.61 8.93 E 9.13 8.57 8.78 8.82 F 9.24 8.36 7.89 8.49 MEDIA 9.94 9.55 9.37 9.62 Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Tabela 02 - Tabela completa de resultados do teste Time up and go. Fonte: PRÓPRIO AUTOR. A seguir observa-se o gráfico 01,ilustrando os valores comparativos entre as medias obtidas por cada indivíduo: MÉDIA DE DESEMPENHO NO TESTE DO TIME UP AND GO 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 A B C D E F INDIVÍDUOS Gráfico 01 – Gráfico ilustrativo de comparação das médias gerais individuais dos indivíduos avaliados no “Time Up And Go” Fonte: PRÓPRIO AUTOR. 5.3 Resultados do Questionário de Funcionalidade Subjetivo Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Em relação ao questionário subjetivo de funcionalidade, os indivíduos foram questionados quanto à realização de tarefas, onde, cada indivíduo poderia optar somente por uma resposta em cada questão, optando por SIM, caso conseguisse realizar a tarefa proposta sem nenhum tipo de auxílio, NÃO, caso não conseguisse realizar a atividade proposta mesmo que com auxílio, e opção COM AUXÍLIO, caso conseguisse realizar a tarefa proposta pela questão, porem com algum tipo auxílio. A questão de número 1 consistia em os indivíduos responderem se conseguiam realizar a colocação e remoção da prótese, onde todos os indivíduos responderam SIM a este questionamento. Na questão número 2 se questionava o indivíduo sobre a deambulação dentro da residência, onde novamente todas as respostas dadas pelos indivíduos avaliados foram SIM ao questionamento. A questão de número 3, indagou os participantes quanto ao levantar de uma cadeira e sentar-se novamente, onde todos os seis participantes optaram pela resposta SIM. Já a questão de número 4, questionava o indivíduo em realizar o ato de atravessar uma rua de pista simples, onde novamente todos os participantes afirmaram que conseguem realizar a atividade, optando pela resposta SIM. Na questão de número 5 questionou-se os indivíduos quanto a percorrer uma distância de 100 metros ou 1 quarteirão andando, onde cinco dos seis participantes responderam SIM ao questionamento e somente um dos indivíduos optou pela resposta COM AUXÍLIO. A questão de número 6 questionava os participantes em relação a deambulação por uma distância de 500 metros, ou 5 quarteirões, onde três dos seis indivíduos responderam que conseguiam realizar a tarefa, optando pela resposta SIM. Dentre os outros três participantes, dois optaram pela opção NÃO, e somente um pela opção COM AUXÍLIO. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Na questão de número 7, colocou-se a possibilidade de o indivíduo subir uma rua íngrime, onde três dos seis participantes optaram pela resposta SIM, e os outros três indivíduos optaram pela resposta COM AUXÌLIO. Já a questão de número 8, questionou-se os indivíduos quanto a descer uma rua íngreme, onde dois dos seis participantes optaram pela resposta SIM, sendo que um dos indivíduos optou pela resposta NÃO, e os demais optaram pela resposta com auxílio. Na questão de número 9, questionava-se os participantes quanto a realização da deambulação em terreno acidentado ou com irregularidades, onde quatro dos seis indivíduos optaram pela resposta SIM, e os outros dois indivíduos optaram pela resposta COM AUXÍLIO. Na análise individual, o indivíduo A teve oito respostas SIM, e somente uma vez optou pela resposta COM AUXÍLIO. Já o indivíduo B, optou seis vezes pela resposta SIM, uma vez pela opção NÃO e duas vezes pela opção COM AUXÍLIO. O indivíduo C, teve quatro respostas SIM, uma resposta negativa e quatro respostas COM AUXÍLIO. O Indivíduo D afirmou que consegue realizar todas as tarefas propostas sem nenhum tipo de auxílio, optando pela resposta SIM em todos os questionamentos. Já o indivíduo E, optou cinco vezes pela opção SIM, uma vez pela opção NÃO e três vezes pela opção COM AUXÍLIO. O indivíduo F, optou em todos os questionamentos pela resposta SIM. Na tabela 03 observa-se todas as respostas dadas pelo indivíduos avaliados: QUESTÃO A B Indivíduos C 1 2 SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM 3 4 SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM 5 6 SIM SIM SIM NÃO COM AUX NÃO SIM SIM SIM COM AUX SIM SIM SIM COM AUX COM AUX COM AUX COM AUX COM AUX SIM SIM COM AUX NÃO SIM SIM 7 8 D E F Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 9 SIM SIM COM AUX SIM COM AUX SIM Tabela 03 – Respostas do questionário subjetivo de funcionalidade Fonte: PRÓPRIO AUTOR. No gráfico 02 pode ser observado a comparação do número total de respostas dadas pelos indivíduos avaliados, comparando de forma individual as respostas de cada questão do questionário subjetivo de funcionalidade. QUESTIONÁRIO SUBJETIVO DE FUNCIONALIDADE 100 80 % 60 SIM NÃO COM AUX 40 20 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 QUESTÕES Gráfico 02 – Comparação do número total de respostas dadas pelos indivíduos por questão Fonte: PRÓPRIO AUTOR. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 5.4 Resultados da Posturografia A Posturografia dinâmica foi realizada segundo os parâmetros descritos anteriormente, tendo como objetivo a verificação da eficácia do funcionamento das vias responsáveis pela manutenção do equilíbrio do indivíduo na postura ortostática em diferentes situações. Após a coleta dos dados, os valores encontrados nas três tentativas do teste, foram submetidas a análise da capacidade de utilização de cada via de aferência do equilíbrio, onde, para serem considerados satisfatórios, os valores devem se situar acima de 92% para a via somatosensorial, superior a 88% para o sistema visual e acima de 67% para o sistema vestibular. Após a análise dos dados, observou-se que o indivíduo A obteve 85,68% de média em relação à eficácia na utilização do sistema somatosensorial (SOM), 97,99% no sistema visual (VIS) e 75,41% para o sistema vestibular (VES). O indivíduo B obteve 88,33% para o sistema somatosensorial, 90,05% para o sistema visual e 90,78 para o sistema vestibular. O indivíduo C, obteve 90,90% para o sistema somatosensorial, 98,25% para o sistema visual e 90,78% para o sistema vestibular. O indivíduo D teve 98,32% no somatosensorial, 100% no sistema visual e 84,57% no sistema vestibular. O indivíduo E teve obteve 93,22% no sistema somatosensorial, 98,32% no sistema visual e 84,69% no sistema vestibular. O indivíduo F obteve 91,47% para o sistema somatosensorial, 93,19% para o sistema visual e 86,36% para o sistema vestibular. Na tabela 04 estão relacionadas as médias da porcentagem dos resultados obtidos pelos indivíduos na realização da Posturografia: Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Indivíduo S. SOM S. VIS S. VES A 85,68 97,99 75,41 B 88,33 90,05 83,28 C 90,9 98,25 90,78 D 98,32 100 84,57 E 93,22 98,32 84,69 F 91,47 93,19 86,36 Tabela 04 – Média percentual dos valores obtidos pelos indivíduos na realização da Posturografia, referentes a capacidade de utilização dos sistemas de manutenção do equilíbrio. Fonte: PRÓPRIO AUTOR. No Gráfico 03 obseva-se os valores obtidos por cada indivíduo na análise dos sistemas somatosensorial, visual e vestibular: Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 MÉIDA PERCENTUAL DOS RESULTADOS DA POSTUROGRAFIA 100 90 80 70 60 % 50 40 30 20 10 0 S. SOM S. VIS S. VES A B C D E F INDIVÍDUOS Gráfico 03 – Média percentual dos resultados da posturografia Fonte: PRÓPRIO AUTOR. Na média geral, calculada a partir dos resultados obtidos por todos os indivíduos, observa-se que o sistema somatosensorial teve média de 91,32%, o sistema visual de 96,30% e o sistema vestibular em 84,18%. Abaixo se observa o gráfico 04 com os valores da média geral de cada sistema em relação à referência estabelecida para o nível ideal de funcionalidade de cada sistema respectivamente. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 100 90 80 70 60 % 50 40 30 20 10 0 Médias Referência SOM VIS VES Sistemas Avaliados Gráfico 04 – Gráfico comparativo entre a média geral de cada sistema e sua respectiva referência Fonte: PRÓPRIO AUTOR. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 6 DISCUSSÃO 6.1 Time Up and Go Segundo (MARCIEL e GUERRA, 2005), o teste do “Time Up and Go” (TUG), é um teste freqüentemente utilizado para verificar a mobilidade em idosos, pois com o envelhecimento, há uma diminuição na qualidade e quantidade de informações necessárias para uma mobilidade eficiente, como a propriocepção, força muscular e integridade cápsuloarticular. Porém, neste estudo utilizamos o teste do Time Up and Go, para avaliar a mobilidade e funcionalidade de indivíduos com amputação de membro inferior, por etiologia traumática, que fossem protetizados e reabilitados, onde se espera que possuam um maior grau de funcionalidade e mobilidade devido ao processo de reabilitação pelo qual foram submetidos. Devido ao amputado de membro inferior apresentar algumas características, como a perda da aferência proprioceptiva abaixo no nível de amputação, além de sofrer alterações musculoesqueléticas que influenciam no grau de mobilidade, força muscular e funcionalidade do indivíduo, a inviabilidade de uma análise mais aprimorada em um laboratório de biomecânica, devido ao seu alto custo, tornam o teste do “Time Up and Go” interessante para a análise destes indivíduos. Segundo (MARCIEL e GUERRA, 2005), os valores do teste devem ser mensurados em segundos, onde o escore deve ser categorizado de duas formas, sendo classificado SEM ALTERAÇÃO, quando o indivíduo realiza o teste em um tempo igual ou inferior a dez segundos, e COM ALTERÇÃO, quando o indivíduo leva um tempo superior a dez segundos para realização do teste. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Neste estudo optou-se por cada indivíduo realizar o teste três vezes, assim, assegurando uma maior confiabilidade ao teste. Também foram utilizados os valores centesimais dos dados mensurados, favorecendo desta forma a análise estatística dos dados. Segundo (MARCIEL e GUERRA, 2005), o teste do TUG tem uma confiabilidade entre 80 e 90%. Se analisarmos a complexidade da tarefa, percebemos que o nível de funcionalidade do indivíduo deve ser adequado para realização de tal tarefa, pois o ato de levantar-se de uma cadeira depende de uma intensa atividade muscular de membros inferiores, além do deslocamento do centro de equilíbrio e posterior necessidade de estabilização e controle motor. Na seqüência, o ato de andar, definido como uma sucessão de desequilíbrios, com deslocamento do corpo, também dependem de uma harmoniosa relação dos membros inferiores com o restante do corpo, assim como a desaceleração do movimento até parar, virar o corpo no sentido oposto ao que estava, retornar a deambular, desacelerar o movimento, posicionar-se de maneira adequada e tornar a sentar. O simples ato de levantar e andar, é de uma enorme complexidade, pois depende de uma relação musculoesquelética adequada e capaz de realizar e suportar o movimento, além de uma aferência visual, somatosensorial e vestibular adequadas para manter a relação de equilíbrio durante toda a ação realizada, o que torna a tarefa proposta muito mais complexa quando considerada ao amputado de membro inferior, onde a íntima relação musculoesquelética é quebrada, tendo a protetização do membro a função de suprir todas as necessidades do indivíduo pra a realização da tarefa, onde a aferência proprioceptiva emitida somente até o nível do coto, terá que ser suficiente para fazer os ajustes mecânicos necessários, além da adaptação ao novo centro de equilíbrio do corpo do amputado, uma vez que o tamanho, peso e forma da prótese, apesar de feita a partir da membro contralateral, terá significantes diferenças entre o membro que precedia a amputação. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Desta forma, se observarmos os dados obtidos, percebemos que os indivíduos A, D, E e F, obtiveram valores satisfatórios, podendo ser classificados como sem alteração funcional, uma vez que todas as três tentativas de cada um dos indivíduos situaram-se abaixo dos dez segundos. O indivíduo B, teve suas três tentativas situadas na casa dos dez segundos, valor limítrofe para o teste, porém, apesar dos valores centesimais obtidos, sua classificação é dada como sem alteração, uma vez que não ultrapassou a casa dos dez segundos. Já o indivíduo C, teve todos os seus valores situados acima da referência do teste, obtendo valores na casa de onze segundos, o que lhe acarreta o resultado de com alteração funcional, porém, como já citado, este indivíduo não apresentava um alinhamento ideal da prótese, o que provavelmente pode ter influenciado no resultado do teste. Assim, observando os resultados, percebe-se que cerca de 84% dos indivíduos avaliados obtiveram valores satisfatórios, sendo classificados como sem alteração, e devido a alta confiabilidade do teste, sugere-se que, em geral, os indivíduos com amputação de membro inferior por etiologia traumática, que foram protetizados e passaram por processo de reabilitação, não possuem uma alteração funcional que limite suas atividades de vida diária. Porém, o número de pacientes avaliados não é significante estatisticamente, o que leva a dúvidas quando a afirmar tais valores para toda a população de amputados protetizados de membro inferior. 6.2 Questionário Subjetivo de Funcionalidade O questionário subjetivo de funcionalidade, foi elaborado visando complementar a análise das possíveis atividades de vida diária realizadas por estes indivíduos, onde teria a função de apontar em quais atividades os participantes teriam maior facilidade ou maior Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 dificuldade em realizar, além de facilitar a análise da funcionalidade individual do participante. Em relação as respostas do questionário, elas seriam SIM, caso o indivíduo julgasse ser capaz de realizar a atividade proposta, NÃO, caso o indivíduo não se considerasse capaz de realizar a tarefa, e COM AUXÍLIO, caso o indivíduo conseguisse realizar a atividade proposta, porém com auxílio, podendo ser este auxílio de qualquer origem, como por exemplo uma muleta, o auxílio de uma outra pessoa na realização da tarefa, ou o simples apoio do indivíduo numa parede durante a realização da tarefa. Assim, como era esperado, todos os participantes contemplaram positivamente as questões de número um, dois e três, pois elas se referiam a atividades básicas do amputado, como colocar e remover a prótese, levantar e sentar-se, e deambular pela sua residência, ou seja, em um local familiar e de amplo conhecimento do espaço físico pelo amputado. Além disso, qualquer resposta negativa nestes quesitos tornaria inviável a realização dos demais testes especiais. A questão de número quatro, agrega um maior grau de complexidade para o indivíduo, pois depende de agilidade e controle motor em um local não familiarizado pelo amputado, pois ao propor a necessidade de atravessar uma rua de pista simples, espera-se que o indivíduo julgue se é capaz ou não de calcular o tempo e a distância para atravessá-la em relação a velocidade dos carros que transitam por ela. Sendo assim, todos os indivíduos avaliados se julgaram suficientemente capazes de realizar a tarefa sem necessitar de nenhum tipo de auxílio, o que nos leva a crer que o nível de independência destes indivíduos vai além das atividades domiciliares, ou seja, sugere-se que exista um convívio social por parte destas pessoas dentro do contexto de sociedade e sociabilidade a qual estes homens estão englobados. Na questão de número cinco, se objetiva saber se o indivíduo se considera apto a realizar uma tarefa, mesmo que no próprio domicílio ou em outro local, que exija um certo Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 preparo físico para deambular por um curto período. Desta forma, todos os participantes se julgaram aptos a realizar a atividade, porém o indivíduo C, julgou necessário algum tipo de auxílio. Devemos levar em consideração que este paciente respectivamente, não apresentava um alinhamento ideal da prótese, o que provavelmente leva a alterações da marcha do indivíduo, o que este deve ter levado em consideração. Já a questão de número seis, remete o participante a uma outra situação, onde esperase que o indivíduo imagine que, ao questioná-lo em relação a deambulação por uma maior distância, perceba se este indivíduo é capaz de se deslocar, por exemplo, da sua residência até algum ponto próximo, como uma padaria ou um parque, possibilitando assim, analisar se existe um grau mais elevado de independência, pois desconfortos musculoesqueléticos, dores e falta de condicionamento físico, provavelmente seriam fatores limitantes para esta atividade. Em relação as respostas deste quesito, os indivíduos A, D e F, responderam positivamente, considerando-se aptos a percorrer tal distância sem nenhum tipo de auxílio. O indivíduo E julgou-se capaz de realizar a tarefa, porém necessitando de algum tipo de auxílio. Já os indivíduos B e C, julgaram-se inaptos para tal atividade. As questões de número sete e oito visavam avaliar um fator comumente limitante aos indivíduos amputados. Segundo (CARVALHO, 2003), os amputados de membro inferior a nível transfemoral ou acima, sentem grandes dificuldades para deambular em rampas e calcamentos inclinados, principalmente para descer, devido a falta de informação proprioceptiva e da estabilidade proporcionada pelo joelho durante o movimento. Assim, os indivíduos D e F, ambos amputados a nível transtibial, responderam de forma positiva a este questionamento, pois, como esperado, ainda possuem a aferência proprioceptiva do joelho, o que facilita a realização da tarefa. Os indivíduos B e C responderam que realizam as tarefas propostas nas questões, porém, ambas com auxílio. O indivíduo E julgou-se capaz de realizar a tarefa proposta na questão sete, porém com auxílio, e não se julgou capaz de realizar a tarefa proposta na questão de número oito. As respostas Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 destes indivíduos comprovam o que foi citado anteriormente, mostrando um grande índice de negação para a realização destas tarefas em específico. A questão de número nove, indagava aos participantes em relação à deambulação em terrenos acidentados, ou com desnível, imaginando a deambulação, por exemplo, em terrenos com grama, areia ou calçamento de pedra, onde o senso de posição da prótese em relação ao chão é muito importante para se evitar quedas. Desta forma, os indivíduos A, B, D, e F se julgaram capazes de realizar a tarefa proposta, bem como os indivíduos C e E, porém, estes necessitariam de algum tipo de auxílio. Através deste questionário, percebe-se uma perceptível variabilidade no nível de funcionalidade e independência em relação aos indivíduos com amputações transtibiais e os indivíduos com amputações transfemorais, uma vez que, apesar de um dos amputados transtibiais (indivíduo F), ser protetizado a mais de trinta anos, e o outro indivíduo com amputação transtibial (indivíduo D), ser protetizado a pouco mais de quatro meses, ambos tiveram 100% de respostas afirmativas, diferentemente dos demais indivíduos avaliados, que optaram por respostas negativas ou atividade com auxílio, em alguns dos quesitos. Partindo do princípio de que o questionário subjetivo de funcionalidade, o qual foi submetido aos indivíduos participantes deste estudo, almeje contemplar a maioria das AVD’s destas pessoas, das quais elas dependam ou sejam influenciadas pelo uso da prótese, observase que, dentre todas as respostas, 76% destas foram SIM, onde o indivíduo considera-se apto a realizar a tarefa proposta, e 18,5% das respostas foram afirmativas, porém com a necessidade de auxílio para a realização da atividade, e somente 5,5% das respostas dos indivíduos não os consideravam aptos para a realização das tarefas propostas, nos sugerindo que 94,5% das atividades propostas para estes indivíduos, sejam capazes de ser realizadas, mesmo que alguma parcela com auxílio e, considerando o fato de que quatro dos seis participantes avaliados exercem algum tipo de atividade laboral, deduz-se que, em maioria, os amputados de membro inferior, por motivo traumático, que são protetizados e que tenham passado por Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 algum tipo de processo de reabilitação, possuem um bom nível de funcionalidade para a realização das suas AVD’s. Porém, o questionário subjetivo de funcionalidade, depende da vivência, experiências anteriores, compreensão dos questionamentos e honestidade das respostas dadas pelos indivíduos avaliados, pois não foi realizado um questionário de observação e os indivíduos não foram submetidos as atividades ali propostas, o que torna o questionário um instrumento não confiável em sua totalidade, além do número de pacientes avaliados não ser estatisticamente significativo. 6.3 Posturografia Segundo (ROSSI, 2003), a posturografia dinâmica (FLP), mostra a capacidade do indivíduo em utilizar a tríade do equilíbrio para a manutenção da postura ortostática, onde através da exposição do indivíduo a diversas situações onde são exigidos, em menor ou maior grau de acordo com a situação exposta, os sistemas responsáveis pelo equilíbrio, possibilitando identificar déficits na função destes sistemas. Assim, observou-se que o indivíduo A, obteve um valor de 85,68% de capacidade em utilizar o sistema somatosensorial, significando que este indivíduo tem um déficit proprioceptivo, uma vez que este valor deveria ser superior a 92%,porém é compreensível que, por não possuir a aferência do membro amputado, este sistema esteja alterado. Já os sistemas visual e vestibular deste indivíduo se encontravam em níveis apropriados para a manutenção do equilíbrio. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 O indivíduo B, obteve 88,33% na avaliação do sistema somatosensorial, valor superior ao do obtido pelo indivíduo A, mas ainda situado abaixo do esperado para a normalidade. Porém, os valores obtidos na avaliação do sistema visual e vestibular foram adequados. O indivíduo C, a exemplo dos indivíduos A e B, não obteve valores satisfatórios na avaliação do sistema somatosensorial, porém obteve valores excelentes na avaliação do sistema visual e sistema vestibular, sendo que neste último, obteve o maior valor entre todos os participantes, chegando a 90,78% a sua capacidade de utilização do sistema vestibular. Os indivíduos D e E, ao contrário dos demais participantes, obtiveram valores satisfatórios na avaliação de todos os sistemas, onde os valores encontrados para o sistema somatosensorial foram respectivamente, 98,32% e 93,22%, e para o sistema visual foram de 100% e 98%, sendo que os valores obtidos pelo indivíduo D nestes dois quesitos forma os maiores dentre todos os indivíduos. Os valores da avaliação do sistema vestibular dos indivíduos D e E, foram respectivamente, 84,57% e 84,69%, bem acima dos 67% utilizados como referência. O indivíduo F não obteve um valor satisfatório para a avaliação do sistema somatosensorial, obtendo um valor de 91,47%, situando-se abaixo do esperado, mas bem próximo do normal. Os valores obtidos na avaliação do sistema visual e vestibular foram adequados e dentro da referência de normalidade. Se observado de forma geral, os valores obtidos por todos os indivíduos avaliados não apresentou nenhum valor abaixo da normalidade na avaliação do sistema visual e vestibular, apresentando uma média geral bastante superior a referência de normalidade. É interessante observar que a avaliação somatosensorial apresentou um valor geral de 91,32%, situando-se abaixo da normalidade, porém bastante próximo do valor de referência, sugerindo que os indivíduos amputados, têm na utilização e adaptação com a prótese, um meio bastante eficaz de suprir a necessidade proprioceptiva imposta pela amputação do membro, sendo que a compensação pelos outros sistemas de manutenção do equilíbrio, não Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 são requisitados em grande intensidade, onde o indivíduo consegue realizar a manutenção do equilíbrio enfatizando a aferência proprioceptiva frente a ausência de outra via, porém, os resultados mostram existir uma preferência dos indivíduos avaliados, pela utilização do sistema visual na manutenção do equilíbrio destes indivíduos. A análise também revela uma relativa vantagem dos amputados a nível transtibial em relação aos amputados a nível transfemoral, podendo ser explicado devido a aferência proprioceptiva do joelho estar íntegra nos amputados transtibiais, aferência esta que é perdida na amputação transfemoral. Após a análise dos valores obtidos, é possível sugestionar que os indivíduos com amputação de membros inferiores, por etiologia traumática, tem na utilização da prótese de membro inferior, uma opção viável para suprir as necessidades impostas pela nova condição em que se encontram, onde um tratamento proprioceptivo adequado durante o processo de reabilitação, corrobora com a melhora do equilíbrio do indivíduo pela adaptação funcional com a prótese. 6.4 Discussão comparativa dos dados O indivíduo A, teve um bom desempenho no teste do Time up and go, além de afirmar conseguir realizar, mesmo que com auxílio, 100% das atividades propostas pelo questionário subjetivo de funcionalidade, onde, associando com a pequena alteração proprioceptiva percebida na análise do equilíbrio, sugere-se que este indivíduo possua um bom nível de independência e funcionalidade. O indivíduo B, obteve resultados satisfatórios no teste do Time up and go, e afirmou conseguir realizar cerca de 89% das atividades propostas, o que, relacionado com os Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 resultados positivos obtidos na Posturografia, indica uma boa função geral e independência funcional deste indivíduo. O indivíduo C, não obteve resultados satisfatórios no teste do Time up and go, porém relatou ser capaz de realizar cerca de 89% das atividades propostas, e por ter obtido valores mais satisfatórios na Posturografia dinâmica em relação aos indivíduos A e B, sugere-se que, se um provável alinhamento da prótese fosse realizado, ocorreria melhora significativa no resultado dos testes por este indivíduo, porém, seu nível de funcionalidade pode ser considerado alto. Os indivíduos D e E, foram os que obtiveram todos os valores dentro da normalidade, sendo classificados como tendo um alto nível de funcionalidade e equilíbrio, o que chama a atenção, pois o tempo de protetização destes dois indivíduos estão entre os menores da amostra, sugerindo que, a reabilitação adequada e a adaptação com a prótese, leva a um rápido suprimento do déficit de funcionalidade causado pela amputação. O indivíduo F, a exemplo dos demais indivíduos, tem um bom nível funcional, obtendo valores dentro da normalidade no teste do Time up and go, e relatou ser capaz de executar 100% das atividades propostas, além de obter valores bastante próximos da normalidade na avaliação da Posturografia. Ao analisarmos de forma mais holística os resultados obtidos nos diversos testes realizados, percebe-se que os indivíduos relatam conseguir realizar mais de 94% das atividades propostas, além da grande maioria ter obtido resultados bastante satisfatórios no teste do Time Up and Go, e associando-se aos resultados da posturografia, é perceptível que o nível de funcionalidade destes pacientes é adequado para a realização das suas atividades de vida diária. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS Após a análise e discussão dos dados obtidos neste estudo, pode-se concluir que em geral, indivíduos homens que tenham amputação unilateral de membro inferior por etiologia traumática, com menos de sessenta anos de idade, que sejam protetizados e que tenham passado por processo de reabilitação ou que estejam em fase final do tratamento, apresentam um pequeno déficit proprioceptivo, tendo os sistemas visual e vestibular sem nenhum tipo de alteração, existindo uma preferência pelo sistema visual na manutenção da postura ortostática, não havendo a ocorrência de alterações de equilíbrio significativas nesta população em específico. De forma geral, também podemos dizer que esta população específica, tem um alto nível de funcionalidade e independência, onde a prótese de membro inferior possibilita a realização da maioria das atividades de vida diária destes pacientes. Também podemos concluir que, em vista dos dados obtidos no estudo, fica claro que quando o processo de reabilitação é realizado de forma adequada, com ênfase em pontos como o treinamento proprioceptivo e a realização de tarefas funcionais, favorece a plena reabilitação do paciente e facilita a reinserção do indivíduo no convívio social e atividade laboral. Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO BENEDETTO, K. M.; FORGIONE, M. C. R. e ALVES, V. L. R., Reintegração corporal em pacientes amputados e a dor fantasma, Acta Fisiátriaca 9 (2): 85-89, 2002. BLOHMKE, F.Compêndio Otto Bock – Próteses para o Membro Inferior, 2ª edição, Berlin: Schiele e Schon, 2002. BOCOLINI, F. Reabilitação - Amputados, Amputações e Próteses. 2ª edição, São Paulo: Robe, 2000. BRICOT, B. Posturologia, 1ª edição, São Paulo: Ícone, 1999. BRITO, C. M. M. 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Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 SUMÁRIO DE ANEXOS E APÊNDICES ANEXOS Anexo 01 – Terno de Aprovação do Comitê de Ética...........................................................144 Anexo 02 – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido....................................................146 APÊNDICES Apêndice 01 – Ficha de avaliação específica para amputados de membro inferior...............148 Apêndice 02 – Questionário Subjetivo de Funcionalidade....................................................160 Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Anexo 01 – Terno de Aprovação do Comitê de Ética Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Anexo 02 – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Nome da pesquisa: Alterações do equilíbrio em pacientes com amputação de membros inferiores protetizados e reabilitados. Pesquisador responsável: Carmen Lúcia Rondon Soares Este trabalho tem por objetivo verificar a existência de déficit de equilíbrio devido a alterações da propriocepção (sistema responsável por mandar informações da posição das articulações dos membros para o cérebro), sistema vestibular (sistema envolvido no controle do equilíbrio e posição do corpo) e visual em pacientes com amputação de membros inferiores unilateral ou bilateralmente, protetizados e reabilitados ou que estejam recebendo tratamento fisioterapêutico. Todos os participantes serão submetidos à avaliação para verificar as condições em que se encontram fisicamente, e o nível de independência para realização de atividades de vida diária. Posteriormente será iniciado os testes com Foam-Laser Dynamic Posturografhy (FLP), visando identificar a existência de alterações do equilíbrio, e o Time Up and Go, visando avaliar a funcionalidade da prótese. Estes testes são de aplicação corriqueira na avaliação e acompanhamento da evolução de pacientes, porém deve-se deixar claro que durante a aplicação dos testes poderá ocorrer desconforto do indivíduo avaliado devido às variações de posição em que são aplicados os testes. Caso seja comprovada alguma alteração, os pacientes que não estão recebendo atendimento fisioterapêutico poderão, caso desejarem, ter seu nome incluso na lista de espera para atendimento. Sua participação será muito importante para o sucesso desta pesquisa. Assinatura do pesquisador:________________________________________ Pesquisadora.: Carmen Lúcia Rondon Soares Fone.:30356631 Tendo recebido as informações anteriores e, esclarecido dos meus direitos relacionados a seguir, declaro estar ciente do exposto e desejar participar da pesquisa. A garantia de receber a resposta a qualquer pergunta ou esclarecimento a dúvidas sobre os procedimentos, riscos, benefícios e outros relacionados com a pesquisa; A liberdade de retirar meu consentimento a qualquer momento e deixar de participar do estudo; A segurança de que não serei identificado e que será mantido o caráter confidencial das informações relacionadas com a minha privacidade. Em seguida, assino meu consentimento. Cascavel, _____de __________ de 2005. Nome: ___________________________________________RG___________________ Assinatura: ______________________________ Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Apêndice 01 – Ficha de avaliação específica para amputados de membro inferior Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 UNIOESTE Universidade Estadual do Oeste do Paraná Campus de Cascavel Rua Universitária, 2069, Jardim Universitário – Fone (45) 220 3000 – Fax (45) 324 4566 CEP.: 85819-110 – Cascavel-PR AVALIAÇÃO FISIOTERÁPICA EM AMPUTAÇÃO DE MEMBRO INFERIOR 1. IDENTIFICAÇÃO Data da Avaliação___/___/______ Nome do paciente________________________________________Idade______________ Data de Nascimento___/___/_____ Fone:__________________cel.___________________ Estado Civil_____________________________ Sexo ( ) masculino ( ) feminino CPF:_______________________________________Nacionalidade__________________ Profissão:_______________________Nome da Mãe_______________________________ Endereço:________________________________________Cidade___________________ Diagnóstico Clinico_________________________________________________________ Diagnóstico Fisioterapêutico__________________________________________________ 2. ANAMNESE - Como o paciente chegou a clínica______________________________________________ ___________________________________________________________________________ - HDA______________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - HDP______________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - HF_______________________________________________________________________ Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - Tempo de amputação_________________________________________________________ - Nível de amputação__________________________________________________________ - Peso aproximado __________Kg - altura__________ - Queixa principal_____________________________________________________________ - Expectativa do paciente_______________________________________________________ - Medicamentos utilizados______________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - Realizou cirurgia anterior_____________________________________________________ ___________________________________________________________________________ -Realizou reabilitação anterior___________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - Quais os problemas associados_________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - Fuma ( )Sim ( )Não - quantos cigarros por dia_______ - Alcoólatra ( )Sim ( ) Não - há quanto tempo________ - Há quanto tempo___________ - Condições Sócio-econômicas ( )ruim - Estado emocional durante a avaliação ( )regular ( ) calmo ( )bom ( )agitado ( )misto - Nível de dificuldade para transpor obstáculos arquitetônicos no trabalho ( ) pequeno ( ) médio ( ) grande em casa ( ) pequeno ( ) médio ( ) grande 3. EXAME FÍSICO 3.1 – Inspeção (presença de cicatrizes; local da cicatriz; distúrbios posturais em pé, sentado, supino, prono; algia em alguma posição; manchas na pele; úlceras edemas; deformidades; etc...)_______________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 3.2 Dados Vitais - P. A. ________/_________mmHg - T__________°C - F. C. _________bpm - Respiração - Ritmo Respiratório_____________ ( )abdominal - F.R.______ cpm ( )torácica ( ) mista - Expansibilidade_______________________ - Ausculta Pulmonar_________________________________________________________ 3.3 Palpação - Dor a palpação (local da dor)___________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - Pele (nutrição, vitalização, seca, úmida)__________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - Presença de dobraduras cutâneas (orelha) no coto__________________________________ ___________________________________________________________________________ - Presença de contraturas (local e grupo muscular)___________________________________ ___________________________________________________________________________ - Presença de aderências________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - Presença de quelóides________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - Presença de lesões abertas_____________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - Presença de enxertos (local, tipo de enxerto, grau de cicatrização...)____________________ ___________________________________________________________________________ - Lesões dermatológicas (psoríase, eczema, dermatite, cistos epidernóides...)______________ ___________________________________________________________________________ - Alterações tróficas (brilho, secura, perca de pelos...)________________________________ ___________________________________________________________________________ 3.4 Perimetria Data Estrutura de referência Valor Estrutura de referência Valor em Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 em “cm” “cm” 3.5 ADM movimento 3.7 Sensibilidade 3.8 Reflexos Grau movimento Grau Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 3.9 Testes especiais 3.10 Exames Complementares (exames radiológicos, ultra-som, ressonância magnética, tomografia, etc...) 4. AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA 4.1 Presença de Neuroma ( )sim ( )não - Local_____________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - Sensibilidade_______________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 4.2 Presença de dor fantasma ( )sim ( )não - Local_____________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - Duração___________________________________________________________________ - Tipo da dor ( ) ardência ( ) queimação ( )outro ( ) torcedura ( ) fisgadas Qual.:____________________________________________ 4.3 Presença de sensação fantasma_______________________________________________ 4.4 Estado Mental (alerta, senil, capacidade limitada de compreensão)___________________ Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 ___________________________________________________________________________ 4.5 Controle de Atividades vesicais e intestinais ( )sim ( )não ( )controle parcial 5. ATIVIDADES DE VIDA DIÁRIAS 5.1 Transferências (cama para cadeira de rodas, banheiro, automóvel) ( )dependente ( )independente ( )parcialmente independente 5.2 Deambulação ( ) com muletas ( )andador ( ) com auxílio ( ) sem auxílio 5.3 Risco no domicílio (corrimão de segurança, escada, tapetes, piso escorregadio...)________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 5.4 Cuidados pessoais (envolve cuidados com o membros residual, unhas, pele, calosidades, exercício físico...) ( )dependente ( )independente ( ) parcialmente dependente ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 5.5 Mudanças no ambiente domiciliar (adaptações, mudanças, complicações...)____________ ___________________________________________________________________________ 6. AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA 6.1 Estado Emocional ( ) depressivo ( ) estado de negação ( ) colaborativo ( ) entusiasmado ( ) motivado ( ) desmotivado ( ) indiferente ( ) outro___________________________________ Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 6.2 Relação Familiar ( ) família é interessada ( ) família não é interessada ( ) recebe apoio da família ( ) não recebe apoio da família - nível de compreensão da família sobre o problema: ( ) bom - nível de capacidade de auxílio da família: ( ) bom ( ) regular ( ) regular ( ) ruim ( ) ruim - família recebeu algum tipo de orientação sobre o assunto: ( )sim ( )não 6.3 Atividade Profissional ( ) Trabalha ( ) não trabalha ( ) aposentado ( ) teve oportunidade de trabalhar após o acidente ( ) sofre descriminação quanto a emprego devido à amputação 7 PRÓTESE ( ) paciente já é protetizado ( ) Paciente não é protetizado 7.1 Paciente já protetizado - Tipos de componentes da prótese_______________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - Problemas e desvios quanto a marcha____________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - Equilíbrio, propriocepção, coordenação motora____________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - Compensações devido ao uso da prótese, quais________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 7.2 Tipo de encaixe (descrever função do encaixe)___________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ( ) encaixe quadrilateral ( ) encaixe de continuação isquiático ( ) encaixe de cartucho provisório ( ) encaixe de cartucho permanente 7.3 Adaptação com a prótese ( ) prótese é confortável para realizar descarga de peso ( ) prótese não é confortável para realizar descarga de peso - Sistema de prótese com suspensão - Altura da prótese ( ) adequada ( )sim ( )não ( ) inadequada - Contato do coto com a prótese ( ) total ( ) parcial - Alinhamento (linha de descarga de peso no cartucho) - Distribuição de peso corporal ( ) alinhado ( ) uniforme entre os membros ( ) não alinhado ( ) desigual - Consegue realizar descarga de peso sobre a prótese com maior intensidade: ( )sim ( )não ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - Realiza transferências ( ) com auxílio - Colocação/remoção da prótese ( ) sem auxílio ( ) com auxílio - Realiza atividade física com a prótese ( ) sim ( ) sem auxílio ( ) não 7.4 Análise da marcha com a prótese - vista anterior_______________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - vista posterior______________________________________________________________ Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - vista lateral_________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - dissociação de cinturas_______________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - comprimento da passada______________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - desvios laterais e rotacionais (alinhamento pélvico)_________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - Tempo que o paciente leva para percorrer dez metros (início da contagem na retirada do pé do solo para o 1º passo e fim da cronometragem ao fim do percurso e alinhamento dos pés). _______minutos e ________segundos. - qual da distância que percorre com a prótese sem causar desconforto: ( ) menos de 50 metros ( ) 50 a 100 metros ( ) 500 a 1000 metros ( ) mais de 1000 metros ( )100 a 500 metros - consegue deambular em superfícies com desníveis ou obstáculos ( )sim ( ) não ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ - descarga de peso bilateral sobre balanças esquerdo_________kg direito___________kg 8. OBS. GERAIS ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 9. OBJETIVOS DO TRATAMENTO (Curto, médio e longo prazo) ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 10. TRATAMENTO Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 11. Acadêmico Responsável____________________________________________________ Docente Responsável_______________________________________________________ Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 Apêndice 02 – Questionário Subjetivo de Funcionalidade Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 QUESTINÁRIO SUBJETIVO DE FUNCIONALIDADE PARA AMPUTADOS DE MEMBROS INFERIORES A cada questão escolha uma única alternativa e marque com um X. 1.Colocar e remover a prótese sozinho; ( )SIM ( )NÃO ( ) COM AUXÍLIO 2.Andar pela casa com a prótese; ( )SIM ( )NÃO ( ) COM AUXÍLIO 3.Levantar de uma cadeira e sentar-se novamente; ( )SIM ( )NÃO ( ) COM AUXÍLIO 4.Atravessar uma rua de pista simples; ( )SIM ( )NÃO ( ) COM AUXÍLIO 5.Andar um quarteirão de 100 metros; ( )SIM ( )NÃO ( ) COM AUXÍLIO 6.Andar cinco quarteirões (500 metros); ( )SIM ( )NÃO ( ) COM AUXÍLIO 7.Subir uma rua íngreme (inclinada); ( )SIM ( )NÃO ( ) COM AUXÍLIO 8.Descer uma rua íngreme (inclinada); ( )SIM ( )NÃO ( ) COM AUXÍLIO 9.Andar em terreno com desnível (acidentado); ( )SIM ( )NÃO ( ) COM AUXÍLIO