1 TELMO NAMEN LOPES FILHO AREIA : UM ESTUDO DO APROVEITAMENTO DO PRODUTO BRASILEIRO NO MERCADO DE CONSTRUÇÃO CIVIL AUSTRALIANO Monografia apresentada ao Departamento de Ciências Jurídicas e Gerenciais do Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI-BH como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em Relações Internacionais. Professor orientador: Clégis Dolabela Belo Horizonte 2008 2 TELMO NAMEN LOPES FILHO AREIA : UM ESTUDO DO APROVEITAMENTO DO PRODUTO BRASILEIRO NO MERCADO DE CONSTRUÇÃO CIVIL AUSTRALIANO Monografia apresentada ao Departamento de Ciências Jurídicas e Gerenciais do Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI-BH como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em Relações Internacionais. Professor orientador: Clégis Dolabela Monografia defendida e aprovada em: Prof. Cláudio José Faleiros __________________________________________________________ Prof.ª Sandra Elizabeth de Leão Rodrigues Diniz 3 AGRADECIMENTOS Agradeço a todos aqueles que estiveram comigo durante os momentos mais importantes da minha vida, àqueles que comemoraram nas vitórias e me apoiaram nas dificuldades. Em especial, a minha família, pai e mãe pela dedicação, pela paciência e pelo incentivo à minha formação, não apenas acadêmica, mas também como a de um ser humano digno. Agradeço também aos professores do Curso de Relações Internacionais pela dedicação empregada de forma tão competente e sensata em suas aulas. 4 DEDICATÓRIA Este trabalho é dedicado à meu pai, por seu caráter intocável, por sua perseverança, garra e determinação sempre demonstrada de forma muito clara durante toda a minha vida. Um grande exemplo a ser seguido. Dedico também à minha mãe, por toda sua paciência e infinito incentivo nos momentos mais difíceis, onde o amor materno em seu “papel de mãe” sempre me guiou para o melhor caminho. À minhas irmãs pelo exemplo de responsabilidade e competência, aos primos e amigos pelos momentos de descontração e alegria. Para a Daniela Vecchio, Ana Cristina e Reinaldo, por terem me apoiado quando mais precisei, e a todos os professores do curso de Relações Internacionais que foram de extrema importância para o meu crescimento e amadurecimento, em especial para os professores: Rafael Ávila, prof. Leonardo Ramos, prof. Dawisson Belém, prof. Cláudio Faleiros, prof. Flávio Deláqua e meu orientador neste trabalho, o prof. Clégis.Dolabela. 5 O impossível em geral, é o que não se tentou. Jim Goodwin 6 RESUMO Com a globalização do mercado e da economia, tudo em termos de negócio pode ser pesquisado. Percebe-se que os mais diferentes tipos de comércio vêm se desenvolvendo trazendo benefícios para quem produz, vende e compra. Sendo assim, propôs-se aqui, o estudo do aproveitamento da areia brasileira no mercado de construção civil da Austrália. Como questão, se perguntou: seria de interesse desenvolver um estudo sobre a viabilidade de exportação de areia para o mercado de construção civil australiano? Partindo desse problema, teve-se como objetivo principal o levantamento de dados do país em questão, sua produção e a necessidade do mercado da construção civil. A partir das análises realizadas do material bibliográfico, uma idéia que a princípio parecia inviável, tornou-se uma boa perspectiva comercial, visto que este país já sofre com o fornecimento de área para este setor econômico específico. . 7 LISTA DE SIGLAS ABCC The Australian Brasil Chamber of Commerce ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas ANEPAC Associação Nacional das Entidades de Produtores de Agregados para a Construção APEC Cooperação econômica entre Ásia- Pacífico APEX Agência Brasileira Investimentos CMG Construction Materials Group, DINPR Department Resources EMPRAPA Empresa Brasileira de Agorpecuária FIPE Fundação Instituto de Universidade de São Paulo INB Indústrias Nucleares do Brasil of de Promoção Infrastructure, de Exportações Planning, Pesquisas and Natural Econômicas MERCOSUL Mercado Comum do Sul NUCLEN Minero-Química OCDE Organização para a Cooperaação e Desenvolvimento OMC Organização Mundial do Comércio e da 8 SUMÁRIO pág. INTRODUÇÃO ........................................................................................... 9 1 CARACTERÍSTICAS DA ATUAL ECONOMIA BRASILEIRA .............. 11 2 A AREIA BRASILEIRA COMO PRODUTO DE EXPORTAÇÃO PARA 14 AUSTRALIA ............................................................................................ 2.1 A areia brasileira ................................................................................. 14 2.1.1 Características da areia .................................................................... 15 2.1.2 Produção de areia ............................................................................. 17 2.1.3 Areias para indústria da construção civil .......................................... 19 2.1.4 A importância da areia brasileira para as indústrias ......................... 21 2.1.5 Mercado de areia .............................................................................. 23 2.1.6 Relações comerciais entre Brasil e Austrália .................................... 25 2.2 Características da Austrália .............................................................. 25 2.2.1 Atual relação comercial entre Brasil e Austrália ............................... 30 3 ANÁLISE DE RISCOS E GANHOS ....................................................... 33 3.1 Mecanismos teóricos para a avaliação de análise de risco de mercado .............................................................................................. 33 3.2 Barreiras Comerciais ........................................................................ 36 3.3 Caminhos legais e procedimentos jurídicos exigidos em transações internacionais ............................................................... 38 3.4 Implicações, exigências e adaptações necessárias a esta commodity .......................................................................................... 39 3.5 Documentos de embarque exigidos na Austrália .......................... 40 4 EXPORTAÇÃO DE AREIA PARA AUSTRÁLIA: IMPLICAÇÕES ........ 42 4.1 O serviço ............................................................................................. 42 4.2 Mercado alvo ...................................................................................... 43 4.3 Demanda de areia em Sidney/AUS ................................................... 46 4.4 Características da areia de Sidney/AUS .......................................... 47 4.5 Fatores que impedem a extração de areia em Sidney/AUS ........... 48 4.6 Principais empresas atuantes na região ......................................... 50 5 CONCLUSÃO ......................................................................................... 55 BIBLIOGRAFIA 9 INTRODUÇÃO Brasil e Austrália são membros participantes de acordos de cooperações regionais onde, juntamente com os demais países pertencentes a seus respectivos blocos, são responsáveis à manutenção e aplicação de relevantes acordos e tratados internacionais em diversos setores econômicos. Tanto o Brasil quanto Austrália foram grandes responsáveis e contribuintes para a formação de seus blocos econômicos regionais, sendo o Brasil membro do Mercado Comum do Sul – MERCOSUL, e a Austrália membro participante do bloco de Cooperação econômica entre Ásia- Pacífico, a APEC. Estes são exemplos de que tanto Brasil quanto Austrália não apenas se reconhecem como grandes potências regionais, quanto atuam de forma a acompanhar o processo de globalização de pessoas, empresas e capital. Sendo assim, questiona-se nesta pesquisa: Existe uma semelhança do material utilizado na Austrália com a areia utilizada em construções no Brasil? Existe um mercado na Austrália que poderia vir a ser a base de exportação da areia brasileira para a construção civil australiana? Brasil e Austrália participam também de tratados e acordos de cooperação internacional em diversos outros setores. Dessa forma, tendo como fundamento às relações comerciais em franco andamento e expansão entre os dois países, esta pesquisa tem por objetivo geral verificar a existência da viabilidade da exportação de areia brasileira quanto à suas características físicas para a construção civil utilizadas no mercado australiano, aproveitando possíveis benefícios dessa crescente relação. Como objetivos específicos pretendem-se: a) caracterizar a areia brasileira, bem como a areia australiana utilizadas na construção civil; b). caracterizar o mercado australiano em areias para construção civil; 10 c) identificar quais são as principais empresas australianas fornecedoras de areia como matéria-prima para construção civil. Este estudo se justifica pelo fato da areia brasileira até a última pesquisa publicada pelo Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM – (Valverde, 2006), considerar insignificante a exportação brasileira deste produto, mesmo possuindo o Brasil grande quantidade desta matéria-prima, que poderia vir a ser utilizada em inúmeras finalidades e em diversos setores econômicos. Esta pesquisa se apresenta dividida em introdução e nos seguintes capítulos: capítulo 1: contextualiza a situação econômica brasileira; o capítulo 2: apresenta as características da areia apropriada para a construção civil, os elementos agregados das areias de maior valor mercadológico, areias para indústria e seus produtos finais, e ainda informará sobre os aspectos mercadológicos brasileiros e australianos; o capítulo 3: que identifica os principais riscos e ganhos num processo de exportação, apresentando importantes informações sobre a melhor forma de internacionalização de empresas; o capítulo 4: por sua vez, trata da análise de prospecção para a exportação de areias de construção civil para a Austrália, demonstrando as implicações existentes neste processo, o tipo de serviço utilizado na Austrália, delineando um mercado específico neste país, definindo quais são as principais características das areias mais utilizadas neste mercado e qual a demanda existente deste material, e demonstrando quais são as principais empresas atuantes neste segmento.. 11 1 CARACTERÍSTICA DA ATUAL ECONOMIA BRASILEIRA Nos últimos anos a política econômica brasileira demonstrou uma grande preocupação em reorganizar e reestruturar vários de seus setores produtivos, e como conseqüência destas medidas, vem apresentando um expressivo e positivo desempenho econômico. Há cinco anos atrás as bases estruturais da economia brasileira evidenciavam uma maior fragilidade no que diz respeito à disposição política para lidar com turbulências e crises internacionais. Atualmente, percebe-se uma economia forte, crescente e mais bem preparada para enfrentar os diversos desafios necessários à manutenção do crescimento dos setores sociais brasileiros. Dentre as medidas econômicas adotadas pelo governo Brasileiro a partir de 2003 destaca-se o rígido controle à inflação, que durante muito tempo representou grande influência restritiva e negativa ao consumo de bens por parte da sociedade, afetando de forma direta a vida econômica do Brasil. (VALVERDE, 2006) Valverde (2006, p. 5) afirma que medidas de alto custo social foram realizadas com o objetivo de reduzir e controlar as taxas de inflação. Estas medidas, até o presente momento, têm demonstrado que o governo brasileiro agiu de forma correta sendo bem sucedido nas ações tomadas em sua política econômica interna. Neste mesmo ano, a inflação brasileira foi de “9,10%, em 2004, se reduziu a 7,60%, em 2005 ficou em 5,69% e em 2006 a inflação brasileira atingiu a histórica meta de 4,5 % segundo os dados do Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA)”. O superávit da balança comercial Brasileira em 2005 estabeleceu um novo Recorde, com o montante de US$ 44,7 bilhões pelo quinto ano consecutivo, superando os US$ 33,6 bilhões (2004); US$ 24,8 bilhões (2003); US$ 13,1 bilhões (2002) e os US$ 2,6 bilhões de 2001. As exportações em 2005 atingiram um montante de US$ 118,3 bilhões, 22,6% acima dos US$ 96,4 bilhões de 2004. As importações em 2005 atingiram um montante de US$ 73,5 bilhões, 17,7% acima dos US$ 62,8 bilhões de 2004. Esse desempenho foi obtido apesar da queda da taxa do dólar que era de US$ 1,00 para R$ 2,65 em dezembro de 2004 para R$ 2,33 em dezembro de 2005. O nível de desemprego que atingira 13,1% em abril de 2004, caiu para 10,2 em maio de 2005. E o salário real dos trabalhadores apresentou razoável melhoria desde setembro de 2004 (VALVERDE, 2006, p.5) 12 Já em 2008, com base nas informações do IBGE, o Brasil apresentou neste primeiro trimestre um crescimento do seu PIB de quase “6%, fechando estes três primeiros meses do ano com uma expansão de 5,8% do PIB em relação ao mesmo período do ano anterior” (JORNAL HOJE, 2008, 10 jun.,13:30 h). Ainda segundo o telejornal (2008, 10 jun., 13:30 h), o crescimento ficou acima do esperado pelos economistas mais otimistas que atribuíram a aceleração do ritmo econômico principalmente ao bom desempenho da Indústria da construção civil. Este setor apresentou uma “expansão de 8,8%, comparado ao mesmo período do ano anterior, atingindo o maior crescimento econômico em mais de quatro anos”. Continuando, outro setor que demonstrou grande expansão foi o setor de serviços, que alcançou um crescimento de “5,2% em relação ao mesmo período do ano anterior” (JORNAL HOJE, 2008, 10 jun.,13:30 h). Os principais responsáveis pela expansão do setor se atribuem à facilidade da obtenção de empréstimos por parte da população junto aos bancos, e ao expressivo aumento do crédito interno do país. Esta maior abrangência da economia brasileira reflete diretamente no consumo da população, que aumentou cerca de 6,5% devido à melhor distribuição da renda, ao maior número de empregos formais informais criados e à redução das taxas de juros do país. Entretanto, especialistas econômicos acreditam que a tendência é de desaquecimento da economia brasileira nos próximos meses, devido às medidas tomadas pelo Banco Central Brasileiro de pequeno aumento da taxa de juros do país, pelo receio de criação de uma inflação futura. Contudo, o Brasil vem alcançando níveis de prestígio e relevância no comércio internacional nunca antes presenciados em sua história, no que diz respeito à importantes fatores atrativos ao investimento externo, tais quais o alcance de uma melhor posição em seu nível de investimento (investment grade), diminuição do risco país, taxas de juros atraentes ao investidor externo além de possuir um enorme mercado em potencial. O produto interno Bruto (PIB) do país, tem apresentado taxas expressivas nos últimos anos, demonstrando o bom desempenho da economia brasileira pelo 13 alcance de números superavitários em seu balanço comercial. O aumento tanto do setor de exportação de produtos e serviços brasileiros, quanto às importações de insumos, bens e serviços são essenciais ao desenvolvimento da produção do país. 14 2 A AREIA BRASILEIRA COMO PRODUTO DE EXPORTAÇÃO PARA A AUSTRÁLIA Basta analisar superficialmente a formação geológica da Austrália para verificar que este país se apresenta como um grande produtor de minerais, possuindo vários componentes que são importantes para o desenvolvimento de suas indústrias de agregados como um todo. Por sua vez, o Brasil também possui uma extensa gama de materiais neste setor mineral, obtendo tipos de minerais próprios de suas regiões que são encontrados somente em poucas regiões do mundo. Materiais estes, que não existem na Austrália ou que possuem características distintas dos minerais australianos. Assim como a Austrália também possui uma gama de minerais que são únicos em seu território. Desta forma, faz-se necessária à definição das areias brasileiras em estudo para uma futura comparação com os recursos existentes no Brasil e na Austrália. 2.1 A areia brasileira Pelo fato de ser um material relativamente comum entre a população, e de amplo acesso mercadológico principalmente no setor de construção civil, a areia, na visão leiga da maioria da população, a princípio, não aparenta ter características específicas. Entretanto, vista por intermédio de uma análise mais apurada ou científica, seus aspectos físicos, suas descrições e suas características funcionais se distinguem de material para material, onde cada tipo de formação mineral possui uma definição catalogada por geólogos e especialistas voltados exclusivamente para o estudo deste mineral. 15 Como pode ser observado, este material possui características próprias, apresentando componentes minerais agregados1 que servem utilmente para serviços específicos. 2.1.1 Características da areia As características da areia determinam o seu tipo e onde cada uma será mais bem aproveitada. Segundo Alecrim (1982, p. 79) “a areia é uma substância natural, proveniente da desagregação de rochas, possui a granulometria que varia entre 0,05 e 5 milímetros pelas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)". Assim como Alecrim (1982), o geólogo VALVERDE (2006) também apresenta a importância entre a diferença granulométrica deste material, de acordo com sua utilização e possíveis transformações. Porém, estes dois autores divergem na apresentação de seus trabalhos em relação às especificações granulométricas definidas pela ABNT, como se verifica a seguir: A ABNT fixa as características exigíveis na recepção e produção de agregados, miúdos e graúdos, de origem natural, encontrados fragmentados ou resultantes da britagem de rochas. Dessa forma, define areia ou agregado miúdo como areia de origem natural ou resultante do britamento de rochas estáveis, ou mesmo a mistura de ambas, cujos grãos passam pela peneira ABNT de 4,8 mm e ficam retidos na peneira ABNT de 0,075 mm (VALVERDE, 2006, p.16) ALECRIM (1982) alega que quase todas as rochas podem resultar em areia pela desagregação mecânica, mas, outras que possuem elevados teores de quartzo2, são mais propícias, visto que este material apresenta resíduos após a sua decomposição física e/ou química. O quartzo é um material resistente ao ataque 1 Depósitos de areia podem apresentar componentes como o quartzo, cristais de Limonita, Feldspalto, Ilmenite, areia Zeolítica sedimentar, areia de Zircônio natural, Zircônio micronizado dentre outros importantes componentes para indústrias de vidros, cerâmicas, refratárias, atômicas e siderúrgicas. (ALECRIM, 1982,p.79) 2 O quartzo é um mineral de formula geral SiO2, apresenta grande resistência ao ataque químico e físico. Constitui o arenito originado da desintegração de rochas ígneas. (ALECRIM, 1982, p.79). 16 químico e físico, podendo se acumular em depósitos inconsolidados, ou ainda constituir-se como elemento de rochas sedimentares como o arenito3. Ainda segundo o autor, “as areias são constituídas principalmente por quartzo, um mineral de fórmula geral SiO2, amplamente distribuído na crosta terrestre, constituindo aproximadamente 12% dela”. (ALECRIM,1982, p.79 ) No caso das areias de praia, estas não apresentam as especificações necessárias para a sua utilização na construção civil. Este tipo de areia possui em sua constituição, cristais diminutos de quartzo (0,2 a 0,6 mm), sendo estes arredondados e com baixo teor de impurezas. Entretanto certas areias litorâneas podem apresentar componentes úteis ao desenvolvimento de outros setores da indústria, como descreve SILVA (2001) uma vez que existem reservas de Zircônio reconhecidas e aprovadas pela INB – Indústrias Nucleares do Brasil, que sucedeu a Mínero-Química - NUCLEMON. Estes depósitos de Zircônio estão distribuídos nos Estados da Bahia (Alcobaça e Prado), Espírito Santo (Anchieta, Guarapari e Aracruz) e Rio de Janeiro (São Francisco de Itabapoana e São João da Barra), e referem-se a “6,0 % das reservas brasileiras conhecidas” (SILVA, 2001, p. 3). Pelo baixo poder absorvente de nêutrons, o zircônio é usado, principalmente, na indústria nuclear, para recobrir as barras de urânio nas pilhas nucleares. Na indústria química é usado em equipamento resistente à corrosão, e na indústria eletrônica compõe-se em placas e filamentos. Aplica-se o zircônio, também, em ligas de ferro, estanho e nióbio, e como metal puro, junto com o Afrânio. (SILVA, 2001, p.3) O Zircônio e a Zirconita, são bastante utilizados também nos setores de fundição, cerâmica e de refratários. A indústria cerâmica utiliza a zirconita moída nos opacificantes e cerâmicas, esmaltes vitrificados e materiais cerâmicos especiais. Na indústria de refratários, este mineral é utilizado na fabricação de tijolos para fornos de alumínio, vidro em revestimento de peças para fusão na indústria siderúrgica. [...] No setor de fundição, usa-se o mineral adicionado à confecção de moldes em fundição de ligas especiais devido à alta refratariedade, baixo coeficiente de expansão térmica, boa estabilidade química e elevada 3 Os arenitos são granulômetros de cristais diminutos que compõe as areias. (ALECRIM, 1982, p.79). 17 difusibilidade térmica. Na indústria de vidros, tintas e soldas aplicam-se a zirconita como abrasivo. (SILVA; 2001). As areias extraídas de rios por sua vez possuem granulação diferente das areias de praia, visto que a primeira – dos rios - é mais grosseira do que as de mar, que apresentam “maior teor de impurezas (10 a 20%), além de agregar com maior freqüência os cristais de limonita, fedspalto dentre outros silicatos4” (ALECRIM, 1982, p.79) A granulometria (tamanho dos micros cristais de arenita) da areia e seus agregados definem especificamente em quais setores da indústria estas areias serão melhores utilizadas, seja na fabricação de vidros, cerâmicas e refratárias, ou ainda as que apresentam maiores componentes de sílica5 são aproveitados pela siderurgia, para a fabricação de ligas de ferro-sílico, e as mais finas tem como destino os abrasivos. (SILVA, 2001 p.3) 2.1.2 Produção de areia Os principais locais de produção de areia são várzeas, leitos de rios, depósitos lacustres, mantos de decomposição de rochas, arenitos e pegmatitos decompostos. No Brasil, “70% da areia é produzida em leito de rios através de dragas flutuantes e 30% nas várzeas. No Estado de São Paulo a relação é diferente, sendo 45% proveniente de várzeas, 35% de leitos de rios e o restante de outras fontes” (ALECRIM 1982). Ressalta-se que cerca de 2.500 unidades de extração se dedicam à produção de areia, na sua grande maioria, pequenas empresas, que geram em torno de “50.000 empregos diretos e 150.000 indiretos, e ainda, “60% das unidades extratoras produzem menos de 10.000 t/mês; 35% entre 10.000 e 25.000 t/mês e 5% mais que 25.000 t/mês” (RODRIGUES, 2006, p. 38). 4 Estes componentes são essenciais para produção de vidros, cerâmicas, refratárias, atômicas e siderúrgicas. (ALECRIM, 1982, p.79). 5 Apresenta melhor característica para ligas metálicas, é ideal para fundição de ferro e aço. (ALECRIM, 1982, p.79). 18 No ano de 2005, o setor de extração de agregados produziu o equivalente a “331 Mil/t de agregados, aumentando sua produção em 4,8% em relação a 2004, e totalizando o equivalente a 135 Mt de pedras britadas e 196 Mt de areia” (RODRIGUES, 2006, p. 40). Como pode ser verificado na TAB. 1: Tabela 1 - Principais estatísticas – Brasil Discriminação 6 Produção 10 t. Areia Consumo t. per capita (1) Preço US$/t Pedra britada Produção Consumo Preço(2) Fonte: RODRIGUES, 2006. 2004 187,0 1,1 2,12 2005 196,0 1,1 3,90 ® 2006 212,0 1,1 4,25 (p) 10 t. t. per capita 6 128,7 0,7 135,0 0,8 146,0 0,8 US$/t. 3,75 4,25 4,70 (1) Preço médio líquido FOB- mina para o mercado da Região Metropolitana de São Paulo. (2) Preço médio líquido FOB- mina no mercado da Região Metropolitana de São Paulo (r) revisado (p) previsto O autor (2006), diz ainda que o grande desafio do investidor no setor de extração de agregados, atualmente está relacionado ao aproveitamento das reservas existentes destes minerais, uma vez que o rápido crescimento urbano acaba por inviabilizar a extração de determinados depósitos com relevante demanda destes materiais limitando e até mesmo impedindo a extração destes agregados. Em relação a leis ambientais, estas atuam de forma cada vez mais rigorosa e rígida, onde qualquer descumprimento ou atuação adversa à esperada por parte dos produtores e/ou em caso de exploração irresponsável de leitos de rios, assoreamentos ou desmatamentos, estes serão responsabilizados legalmente por meio de ressarcimento dos danos gerados ao meio ambiente e poderão até ter suas empresas embargadas, suas lavras de extração caçadas e dependendo da gravidade do dano ambiental, responderão perante lei a acusação de crime ao meio ambiente. (RODRIGUES, 2006) Por estes motivos descritos acima pelo autor (2006), as novas áreas de extração se encontram cada vez mais distantes das grandes metrópoles consumidoras, o que acaba por gerar um aumento no preço final dos produtos. 19 Um exemplo pode ser dado em relação à região Metropolitana de São Paulo, uma vez que esta possui a necessidade de importar grande parte de sua areia consumida de locais que geralmente excedem os 100 km de distância. Geralmente são as pequenas empresas e micro-mercados localizados em um raio de até 150 km das metrópoles que, em sua maioria, suprem e fornecem a demanda por agregados dos principais mercados consumidores. (RODRIGUES, 2006) 2.1.3 Areias para indústria de construção civil Para VALVERDE (2006) os agregados mais utilizados em construção civil são as rochas britadas, rochas aplicadas in natura e areias além de substitutivos como resíduos inertes reciclados (desagregação de rochas), escórias, produtos industriais entre vários outros. Estes recursos utilizados na construção civil geralmente são abundantes no Brasil, mas, existem regiões brasileiras que apresentam uma maior escassez. Observa-se também que os maiores centros consumidores (metrópoles comerciais) estão localizados próximas a regiões geologicamente favoráveis à existência de reservas de boa qualidade. As características da areia e do cascalho são elementos fundamentais na escolha do material para a construção civil moderna, sendo estes dois componentes utilizados em argamassas, em pisos, pavimentações e edifícios. As propriedades físicas e químicas dos agregados e das misturas ligantes são essenciais para a vida das estruturas (obras) em que são usados. São inúmeros os exemplos de falência de estruturas em que é possível chegarse à conclusão que a causa foi a seleção e o uso inadequado dos agregados. (VALVERDE, 2006, p.21) Estas diferenças entre tipos de areias existentes implicam na utilização deste mesmo material, sendo a areia de menor granulometria ou mais fina a mais procurada em certas etapas ao desenvolvimento de uma obra como em acabamentos e retoques. A areia mais fina e de maior teor de sílica é a mais 20 indicada para dar liga e maior consistência em massas. Já a areia de maior granulometria, ou, mais grossa geralmente é mais usada em pisos e concretos. A areia possui grande importância no âmbito de construção civil, como verifica o levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo – FIPE: [...] para o projeto Diretrizes para a Mineração de Areia na Região Metropolitana de São Paulo constatou que, em auto- construção, uma unidade básica de 35m² consome 21 toneladas de agregados; em habitações populares, uma unidade básica de 50 m² consome 68 t; um edifício público de 1.000 m², 1.360 t; escola padrão de 1.120 m², 1.675 t; em pavimentação urbana, um quilômetro de via pública de 10 m de largura consome entre 2.000 t a 3.250 t; um quilômetro de estrada vicinal, 2.800 t; uma estrada pavimentada normal, cerca de 9.500 t por quilômetro. (VALVERDE, 2006, p.32) Eventualmente, pode-se substituir a utilização de alguns dos agregados na construção civil. Prédios podem ser construídos utilizando estruturas metálicas em vez do concreto, e a tradicional divisória de argamassa e tijolos pode ser substituída por produtos feitos com gesso, madeira compensada ou plástico, dentre outros mais. Porém, os custos de utilização destes materiais alternativos em uma obra, excedem e muito o valor de uma construção à base de areia e brita. Pontos positivos que podem ser somados à possibilidade de expansão deste mercado ao exterior, estão em primeiro lugar relacionados ao custo de extração deste material no Brasil, que apesar de ter aumentado devido a maiores exigências ambientais, ainda se configura baixo por sua mão de obra barata, se comparado à de países como Austrália e Estados Unidos (WONG; 2007 p.58). Outro ponto importante a ser destacado diz respeito à expansão da economia mundial, que aumenta, assim, a procura por materiais necessários ao desenvolvimento social ao redor do mundo (WONG, 2007, p. 58). A areia brasileira poderia representar uma alternativa ao tipo de processamento utilizado atualmente na Austrália, uma vez que este país utiliza em grande parte de suas construções uma significativa quantidade de componentes necessários à construção civil, provindos da moagem de vidros, rochas sedimentares e reciclagem de concretos (TAPSELL; NEWSOME, 2004). 21 2.1.4 A importância da Areia Brasileira para as indústrias A riqueza da diversidade geológica brasileira traz benefícios ao país em escalas que o projetam internacionalmente, como um dos principais países detentores de determinados minerais presentes em grande escala apenas em seu território. Desta forma as indústrias que possuem seus produtos à base destes minerais, se aproveitam desta abundancia de recursos para desenvolver e aprimorar tais matérias primas, criando à partir destes, produtos que serão comercializados dentro do Brasil e até mesmo exportados a outros países. Um artigo da Gazeta Mercantil (2007),teve como principal título, “O Brasil será plataforma de exportações da americana Momentive” onde neste, diz-se que; A Momentive - segunda maior produtora mundial - comprou em dezembro último a operação de silicones da GE no mundo por US$ 3,8 bilhões. O Brasil representa cerca de 5% do negócio global em faturamento. A partir de agora, a Momentive traça sua estratégia de crescimento na América Latina: expansão de 15% ao ano no Brasil e transformação do País em uma base exportadora. A companhia pretende inserir o silicone em produtos para agricultura, autopeças e também para cuidados com o corpo. Além de outros usos. (GAZETA MERCANTIL, 2007) No Brasil a operação apresentou uma expansão de 15% nos últimos três anos. Enquanto que em outros mercados tradicionais o crescimento da empresa foi de 6% à 7%. A empresa tem por prioridade o foco na América Latina, tendo no Brasil a vantagem deste país ser a plataforma de exportação para o mundo, segundo o presidente da área de Silicones para as Américas, Shaw Williams. [...] O faturamento da Momentive no Brasil foi de US$ 125 milhões em 2006 e sua fábrica recém comprada da GE em Itatiba (SP) recebeu investimentos de US$ 4 milhões nos últimos dois anos. A companhia espera colher a partir deste ano os resultados. (GAZETA MERCANTIL, 2007) O silicone é retirado de minerais existentes em certos tipos de areias ou quartzo, que uma vez submetidos a altíssimas temperaturas, geram matérias-primas para produção destes. Atualmente, um dos usos provindos deste material nas indústrias que representam maior consumo no mercado é o de espalhamento uniforme de insumos agrícolas em folhas. Além disso, o silicone pode ser misturado a selantes, 22 dar reforço à borracha sintética, se aplica em produtos como Shampoos e todo tipo de poliuretanos (espumas) (GAZETA MERCANTIL, 2007). Segundo Romero (2007), representante do setor de Agrobiologia da Embrapa, o Brasil possui uma composição mineral, encontrada em abundância na bacia do rio Parnaíba, no Maranhão, que poderá servir como importante fator de desenvolvimento no setor da agricultura. “Esse tipo de areia zeolítica sedimentar, encontrada em abundância na bacia do rio Parnaíba, tem o mesmo efeito do material importado, mas, com um custo bem inferior”, disse Souza Barros à Agência FAPESP. Com o pedido de patente, começamos a desmistificar a necessidade de importação desse material nobre extraído de jazidas vulcânicas (ROMERO; 2007). Ainda, segundo o autor (2007), o material extraído apresentará um menor custo de mercado às empresas interessadas na comercialização deste, reduzindo a necessidade de importação brasileira destes produtos de países como Estados Unidos e Cuba, e projetando previsões de tornar o Brasil como o principal concorrente no setor de exportação de insumos à agricultura mundial. A outra vantagem desta descoberta é da areia zeolítica nacional ser de fácil extração não agregando altos custos neste processo. Não é necessário fazer grandes buracos e nenhum tipo de mineração sofisticada para extraí-la. Temos uma área extremamente abrangente com esse sedimento. Só na bacia do Parnaíba são mais de 300 mil quilômetros quadrados. (ROMERO, 2007; p.7) Completando, o autor ainda explica que testes realizados por pesquisadores da EMBRAPA SOLOS junto a floricultores de Nova Friburgo, região serrana do Rio de Janeiro, confirmaram a eficácia de esta pesquisa sedimentar em cultivos de rosas. “Os estudos de campo mostraram que as hastes das flores cresceram, em média, 20% a mais do que as rosas não submetidas ao processo” (ROMERO, 2007, p. 9). Nesse caso, chegamos ao extremo de não ter que fazer nenhum tratamento nas rosas. Simplesmente essa areia zeolítica foi jogada com outros fertilizantes ao redor das mudas e as plantas conseguiram absorver mais nutrientes do solo (ROMERO, 2007; p.9). 23 Estes são apenas alguns exemplos da riqueza de componentes minerais existentes nas areias Brasileiras, podendo estas, representarem alguma importância mercadológica ao exterior. A Austrália, por exemplo, apesar de possuir grande variedade mineral, não possui, na maioria de seu território, um solo rico e favorável ao desenvolvimento agrícola, entretanto, este país possui uma alta tecnologia para o desenvolvimento desta área. (GOVERNO AUSTRALIANO, 2007, p. 24) Esta pesquisa, gerou ainda mais de 20 artigos científicos sobre pesquisas com outros produtos agrícolas tais quais, tomate, alface e frutas cítricas. Pelo fato de ter apresentado resultados positivos, as instituições envolvidas com a inovação iniciaram esforços para tornar a tecnologia disponível a produtores rurais e à agricultura, o que poderia favorecer e aumentar as chances de exportação deste segundo tipo de areia descrito na pesquisa e em seu trabalho, Riqueza Mineral (ROMERO, 2007). 2.1.5 Mercado de areia no Brasil Enquanto os Estados Unidos da América consomem, anualmente, por habitante cerca de “7,5 t de agregados para a construção civil e a Europa Ocidental, de 5 a 8t por habitante/ano, no Brasil o consumo está pouco acima de 2 t” (VALVERDE, 2006, p.14 ). Os níveis de consumo de agregados no Brasil têm diferenças significativas. O consumo no Estado de São Paulo, que possui o maior e mais desenvolvido mercado consumidor de agregados do país, chega a 4,5 t/hab/ano, enquanto em regiões metropolitanas como Fortaleza e Salvador não atinge 2 t/hab/ano, o que demonstra que o consumo de agregados tem clara relação com a renda per capita e com a capacidade de poupar e investir. (VALVERDE, 2006, p.15) Outros mercados para a comercialização de areia são as Regiões Metropolitanas de “Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre e as Regiões de Campinas, Sorocaba e Baixada Santista no Estado de São Paulo e Maringá-Londrina no Estado 24 do Paraná” (RODRIGUES; 2006,p.40). Completando, o autor (2006, p. 40) ainda afirma que a “segmentação do consumo de areia no país, verificou-se que 50% da areia produzida foi destinada à produção de concreto e pré-fabricados e os 50% restantes para argamassas em geral”. Estes são dados relativos aos principais centros comerciais brasileiros, e dos produtores deste material agregado, sendo estas regiões descritas anteriormente, como as principais fontes para extração e venda da areia ao mercado estrangeiro, caso este se verifique viável ao setor de construção civil. Outras grandes empresas exercem importante papel em relação ao mercado de areia brasileiro, como é o caso da Sibelco, que é uma empresa brasileira que pertencente ao Grupo SCR Sibelco S.A. (Grupo Sibelco) de origem belga. (SCALOPPE, 2002) O único acionista relevante da Sibelco é a empresa Unimin Canada Ltda, com aproximadamente 99,99% de participação. O faturamento do Grupo Sibelco no Brasil, no exercício de 2000, foi de R$ 27,1 milhões; (SCALOPPE, Luiz Alberto Esteves, ato de concentração n° 08012.001639/2002-55; 2002). A empresa Sibelco atua de forma ampla e exclusivamente no setor de extração e comercialização de areia no Brasil. O grupo SCR Sibelco S.A. atua no setor de produção e comercialização de minerais industriais em várias partes do mundo, e somente no Mercosul as vendas alcançaram o montante R$ 34,92 milhões. A soma dos valores de comercialização com o resto do mundo, alcançou o valor de R$ 2,36 bilhões. (SCALOPPE, 2002) No Brasil, o Grupo tem como subsidiária direta, além da empresa em análise, a empresa Caulim do Nordeste S.A., que tem como objeto a extração e comercialização de argila refinada. No mercosul, o Grupo atua através da empresa Cristamine S.A. de nacionalidade Argentina. (SCALOPPE, 2002, ato de concentração n° 08012.001639/2002-55). Outra empresa que atua na exploração e comercialização de minerais nãometálicos, embalagens, segundo SCALOPPE cerâmicas, plásticos, (2002), produzindo abrasivos, materiais vidros, de isolamentos, construção e 25 encanamentos, dentre outros materiais é a empresa Santa Verônica, que pertence ao Grupo Saint-Gobain, de origem francesa. Seu principal acionista é a Brasilit S.A., com 99,99% de participação. O faturamento do Grupo Saint-Gobain no Brasil, no exercício de 2000, foi de R$ 2,4 bilhões; no Mercosul, as vendas alcançaram o montante de R$ 2,19 bilhões e no mundo, R$ 45,55 bilhões. (SCALOPPE, ato de concentração n° 08012.001639/2002-55; 2002) O grupo Saint-Gobain, é detentor da Jundu, uma empresa que atua no Brasil, onde seu setor de atividade é o de mineração de areia e outros minerais, tais como feldspato, calcário e dolomita. No ano de 2000, a Jundu apresentou o faturamento de R$ 28,7 milhões no Brasil (SCALOPPE, 2002). Estas empresas verificam a importância deste mercado não só no Brasil, mas também demonstram a viabilização de uma hipótese mais consistente sobre a possibilidade de exportação deste produto para a Austrália e outras partes do mundo. 2.1.6 Relações comerciais entre Brasil e Austrália O Brasil e a Austrália já mantêm relações comerciais em diversos setores da economia, sendo assim, faz-se necessário ressaltar aspectos característicos da Austrália para atribuir o contexto deste trabalho. 2.2 Características da Austrália A formação geológica do território australiano está entre uma das mais antigas formações do mundo, sendo esta a maior ilha do planeta, com uma área de 7,69 milhões de quilômetros quadrados. Contudo, a Austrália também se caracteriza por ser um dos menores continentes da terra, com uma extensão “de 3.700 quilômetros de norte a sul e 4.000 quilômetros de leste a oeste. Em termos de superfície a 26 Austrália é o sexto maior país do mundo, depois da Rússia, Canadá, China, Estados Unidos e Brasil” (BRAZILTRADENET, 2003. p.5). Segundo dados do Governo Australiano (2007), a Austrália é uma nação desenvolvida, democrática e independente, possuindo uma sociedade estável e bem diversificada culturalmente. Este país conta com uma especializada força de trabalho, o que possibilita a sua projeção internacional como uma das mais fortes e competitivas economias mundiais. O bom desempenho da economia Australiana nos últimos anos é conseqüência de uma visão global ampla e de políticas inovadoras e transparentes de seu governo, o que gera a possibilidade de expansão e aquecimento do comércio via investimentos externos. Tais investimentos representam uma enorme importância para a prosperidade da economia australiana, onde: [...] pequenas empresas são vitais para a economia australiana visto que há aproximadamente 1,2 milhões delas no país, empregam algo em torno de 3,3 milhões de pessoas, criando cerca de 660.000 novos postos de trabalho durante a ultima década. (GOVERNO AUSTRALIANO; 2007,p.71) A estabilidade econômica australiana é fruto de uma política bem sucedida que por “mais de 15 anos vem apresentando níveis de baixa inflação, na faixa de 2.5% a.a.” (GOVERNO AUSTRALIANO; 2007, p.71). O baixo nível de inflação da Austrália, juntamente com uma política oportunista e inovadora, possibilitou a obtenção de um crédito líquido equivalente a “2,7% do PIB ($ 28,1 bilhões)”, e incentivos ao investimento externo, fortalece o mercado australiano de forma a projetá-lo como um dos mais promissores e alternativos, tanto para grandes empresas multinacionais quanto para pequenas empresas e investidores (ABCC, 2007, p.19) A Austrália possui uma sólida, estável e moderna estrutura institucional que dá segurança aos negócios e oferece um destino atraente para investimentos. O sistema robusto e transparente de governança corporativa atua em conjunto com um regime de regularização corporativa e de falência voltada aos negócios. (ABCC, 2007, p.20) 27 De acordo com dados do setor de Comércio Internacional do Governo Australiano (ABCC, 2007), a economia da Austrália demonstra uma característica adversa das observadas em outros países, no que diz respeito à concorrência interna existente em todos seus setores produtivos. Na Austrália há uma forte concorrência em todos os seus setores econômicos, incluindo áreas importantes como transporte, telecomunicação, eletricidade e gás. Isto ocorre devido aos baixos impostos e o incentivo a concorrência justa entre as empresas, gerando por conseqüência a necessidade de maior especialização dos indivíduos, mais oportunidade de empregos e uma maior volatilidade do preço final dos produtos (ABCC, 2007, p.21). Segundo dados do Governo Australiano (2007), a Austrália é um membro participante da Organização Mundial do Comércio (OMC), que pratica políticas tarifárias e métodos de controle anti-dumping de acordo com as regras da instituição. As tarifas e outras barreiras ao comércio estão em patamares bem reduzidos, chegando a taxa nominal de impostos a 5% ou mesmo à isenção. Só é relativamente alta nos setores de automóveis, têxtil, de vestuário e de calçados. A tarifa de carros importados caiu de 15% para 10% em janeiro de 2005. Mesmo assim, a redução nesses setores está ocorrendo em ritmo lento. As informações, em detalhes, sobre o regime aduaneiro australiano e as normas de importação, inclusive para amostras e mostras promocionais, podem ser obtidas aqui no Brasil. A organização governamental encarregada é a Austrade (Australian Trade Comission), no Consulado Geral da Austrália. (GOVERNO AUSTRALIANO; 2007, p. 77) O Banco Mundial classificou a Austrália em 2007 em segundo lugar na relação de países menos burocráticos do mundo no que diz respeito à abertura de novas firmas: “[...] uma nova empresa pode ser aberta em dois dias, enquanto a média dos países da OCDE é de 20 dias” (GOVERNO AUSTRALIANO; 2007, p.81). O imposto sobre produtos e serviços (chamado GST), equivalente australiano do imposto sobre valor agregado (IVA), é de 10% e taxado em quase todos os produtos e serviços. Não existe imposto nas transações de ações. O imposto corporativo é de 30%. (GOVERNO AUSTRALIANO, 2007, p.81) A Austrália dispõe de uma ampla e moderna infra-estrutura, oferecendo vias domésticas e internacionais de transporte a nível mundial, tanto para pessoas físicas como para empresas. Outros importantes tipos de serviços são característicos deste país, tais quais; sistemas de comunicação, alta tecnologia da informação, ótima distribuição de energia e serviços públicos financeiro (BRAZILTRADENET; 2003). 28 Graças às baixas tarifas comerciais, poucas barreiras quanto à entrada de produtos, incentivos governamentais ao investimento internacional e pequena burocracia institucional, a Austrália vêm conseguindo a cada ano atrair bons investimentos, possibilitando desta forma um expressivo aumento em sua balança comercial. Eventos como feiras e convenções fazem parte do plano de ação promovido pelo governo. Estes encontros ocorrem freqüentemente na Austrália e em países interessados na possibilidade de investir neste mercado. Esta iniciativa tem por objetivo apoiar e incentivar um intercâmbio de informações e investimentos entre empresas e indivíduos, buscando uma maior interação cultural à partir de um estreitamento nas relações entre as partes envolvidas (ABCC, 2007). Com tudo isto, a Austrália vem alcançando números importantes em sua balança comercial como pode ser observado por intermédio dos índices apresentados pelo Departamento de Assuntos e Comércio Internacional da Austrália: A exportação de bens e serviços da Austrália cresceu 16% em 2005-06, atingindo a cifra de $209,5 bilhões, quase 21% do PIB do país. Em termos de valores, significa que cresceu em média 6,5% ao ano durante a última década. Há muito tempo, a Austrália tem sido um grande país exportador de produtos agrícolas, de energia e de minerais. O mais importante setor de exportação da Austrália é o de minerais ferrosos e combustíveis, seguido pelos serviços, manufaturados e produtos agrícolas. Estes setores possuem grande importância nas exportações da Austrália e vêm crescendo em média 7,3% por ano desde 2001. (GOVERNO AUSTRALIANO; 2007, p .83) Em 2005, a Austrália destacou-se em âmbito internacional por ter se configurado como uma das principais fornecedoras de certos produtos mundialmente comercializados, liderando a produção e exportação de carvão de minério de ferro, carne bovina e lã, sendo o segundo maior produtor em cevada e algodão e o terceiro maior produtor de vinho e trigo (GOVERNO AUSTRALIANO; 2007). Segundo WONG, (2007) o mercado da Austrália vem sofrendo a conseqüência da baixa natalidade no país, o que acaba por gerar em seus setores uma maior procura por especialistas de determinadas áreas do setor produtivo, afetando até mesmo a área técnica do país. 29 A falta de mão de obra em setores da construção civil, como o de assentadores de tijolos, por exemplo, faz com que estes trabalhadores ganhem salários quase equivalentes aos de médicos pelo fato de não se encontrar profissionais nesse setor com experiência suficiente para dar conta da demanda (WONG, 2007). WONG (2007) especifica ainda o sistema australiano de leis trabalhistas e sindicatos, onde estes regulam, de forma sufocante as atividades profissionais do país, gerando a necessidade de especialização profissional e técnica. Praticamente tudo que você pensar em fazer profissionalmente terá que estar licenciado especificamente para aquela função ou terá que dividir com outros profissionais. Como exemplo, um técnico em geladeiras, que apesar de entender de compressores e sistemas de refrigeração, não poderá consertar um ar condicionado doméstico caso não tenha feito um curso específico e tenha obtido a licença específica. Esse mesmo técnico não poderá consertar aparelhos de ar condicionado industrial (outro curso seria necessário), mas o fazendo, poderá continuar em crescimento, dobrando ou triplicando seu salário e até mesmo chegar à riqueza. (WONG, p.108, 2007). A principal empresa fornecedora de pó de areias recicladas e de outros agregados de construção civil na Austrália é a CMG - Construction Materials Group, que opera em reprocessamento e transformação de vidro em materiais utilizáveis para construção civil, sendo este, um material que pode substituir a areia em determinados estágios de uma obra (LONDON; KENLEY, 2000). Esta empresa atua também, segundo os autores LONDON e KENLEY (2000), na extração de areias retiradas de barrancos (Topsoils) que são lavadas, armazenadas na região do caçador de cima (Upper Hunter). O foco principal da CMG é no processamento e reciclagem de vidros, criando um pó arenoso que somado à areia processada de vidros, cria a composição para massas e concretos. A empresa por sua vez, não é uma grande extratora de areias para este setor, mas trabalha também com materiais componentes que possuem igual importância para as construções como cimento, granito, extração de rochas e cascalhos, provendo ao mercado australiano de minerais processados como agregados naturais, saibro, selecionados superiores de rocha de Gabion e fontes ornamentais dos cascalhos. 30 Esta empresa é uma grande produtora do cimento Readymix, que misturado aos resíduos de vidro processados por ela mesma, fornecem o concreto que abrange a maior parte das cidades do sul da Austrália (LONDON; KENLEY, R. 2000). 2.2.1 Atual Relação comercial entre Brasil e Austrália Em 1787, navios ingleses fizeram escala no Rio de Janeiro, onde pela primeira vez Brasil e Austrália se relacionaram e interagiram. À partir de então, bons fluidos chegaram ao Brasil, e apesar da atual relação comercial ser ainda modesta frente ao potencial econômico destas duas nações, o Brasil se apresenta como o maior parceiro sul-americano da Austrália. Os principais produtos exportados pelo Brasil à Austrália atualmente são: soja, automóveis, ferro, café, suco de laranja, acessórios para tratores, dentre outros (QUIRÓS, 2007). A Austrália possui certas características sociais semelhantes às brasileiras, por se constituir uma democracia, ser rica em diversidade cultural e em recursos naturais e por obter o histórico de construtivos compromissos regionais e internacionais firmados. Isto corrobora para a importante participação da Austrália no ambiente internacional e em sua participação em acordos e tratados comerciais (QUIRÓS, 2007). O Brasil representa atualmente um interessante destino para variados tipos de investimentos australianos, importando cerca de US$856 milhões em uma gama variada de produtos como carvão mineral, medicamentos, máquinas, veículos, níquel, dentre outros produtos. A exportação Brasileira para a Austrália soma uma significativa quantia de US$859 milhões em produtos como sucos de frutas, calçados, café, produtos químicos, minérios e aparas de papel, e a cada dia que passa, novas parcerias têm sido criadas pelos dois governos, também em setores relacionados ao desenvolvimento de novas tecnologias que visem alcançar soluções as necessidades de ambos os países (GOVERNO AUSTRALIANO; 2007). 31 Para o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos - APEX-BRASIL -, Juan Quirós, o governo brasileiro possui grande interesse em estreitar relações com o país australiano e vem trabalhando para alcançar tal objetivo, visto que; [...] uma empresa de consultoria deve ser contratada em breve para que se faça um grande levantamento de informações sobre o mercado australiano. "O objetivo é indicar quais as principais oportunidades de negócios na Austrália para produtos brasileiros. Eles (os australianos) têm um apego muito grande pelas marcas internacionais, o que nos ajuda muito" (QUIRÓS, 2007, p.7). Os números alcançados atualmente na relação comercial entre os dois países representam significativa importância tanto para a economia do Brasil quanto para a Austrália, mas estes ganhos provindos desta transação comercial poderiam ser muito mais expressivos, visto o potencial mercadológico de ambos os países que estão inseridos na lista das 10 maiores economias mundiais. Todavia, uma importante e crescente aproximação comercial especialmente no setor mineral, vem adquirindo espaço nas relações comerciais entre estes países, visto que empresas brasileiras como a Vale, que é a maior empresa de mineração e metais das Américas, e as empresas australianas Aquila Resources Limited (Aquila) e AMCI Holdings Austrália Pty Ltd (AMCI) assinaram acordo para estudo exploratório do projeto de carvão subterrâneo (Belvedere) na Austrália (IBS: Valor Econômico, 2005). Os recursos estimados desse projeto somam 2,7 bilhões de toneladas de carvão metalúrgico e estão localizados no Estado de Queensland, Austrália. (IBS e Valor Econômico, 2005). [...] Conforme os termos do acordo celebrado, a Vale pagará US$ 2,5 milhões para cada uma das empresas australianas, Aquila e AMCI, e tem o compromisso de desenvolver o estudo do projeto até seu estágio de préviabilidade. (2005). Este investimento é parte do programa de exploração mineral diversificada da empresa Brasileira Vale, no qual busca por meio de pesquisas e levantamentos, um meio de expansão e desenvolvimento de seu setor produtivo, encontrando na Austrália a possibilidade de expansão de seu mercado. (IBS;Valor Econômico, 2005) 32 Um outro bom exemplo de que a Austrália oferece bons negócios é a marca Massey Ferguson, fabricada no Brasil pela AGCO do Brasil e que expandiu seu mercado para a Austrália e vêm obtendo bons lucros com este comércio. De acordo com o gerente de exportações Francisco Delamare, o país da Oceania comprou 200 unidades de tratores no ano passado. "Para se ter idéia do crescimento desse negócio, em 2000, quando iniciamos as exportações para a Austrália, o número de tratores que saíam daqui para lá era 20", diz. Em comparação a 2004, as vendas para a Austrália cresceram 20%. "Trata-se de um mercado muito promissor para nós", afirma Delamare (QUIRÓS, 2007). Os principais problemas para os exportadores brasileiros segundo a (ABCC, 2007), referem-se à logística e à distância entre ambos os países. Há necessidade de melhorias nos transportes marítimo e aéreo entre os dois países devido à longa distância que os separa, entretanto existem medidas do governo australiano, a fim de facilitar a transação comercial visto que: Se o exportador brasileiro quiser verificar a classificação tarifária dos produtos, pode procurar orientação em qualquer porto de entrada da Austrália. É preciso preencher um formulário solicitando a classificação tarifária pela alfândega australiana que emitirá documento oficial sobre o assunto. Assim, a alfândega torna-se a responsável pela classificação, isentando o importador de pagar taxas retroativas e de penalidades enquanto perdurar o período de validade. (ABCC, 2007). De forma geral, verifica-se que os empresários brasileiros que têm interesse na Austrália podem contar com um mercado com grande potencial, uma vez que este não apresenta grandes restrições para internar mercadorias no país. É uma nação que atua de maneira ativa no comércio mundial e encoraja de maneira incisiva o incremento dos negócios internacionais (ABCC, 2007). A cada ano a relação entre Brasil e Austrália melhora, principalmente devido ao intercâmbio e viagens de brasileiros que sonham em conhecer, estudar e até mesmo gerar bons negócios num país que oferece muita diversidade cultural, inovação e simpatia. 33 3 ANÁLISE DE RISCOS E GANHOS Neste capítulo o estudo apresenta os principais elementos para empresas e empreendedores que desejam expandir seus mercados ao exterior de forma a minimizar os riscos e obter maior sucesso nesta ação. As possibilidades de exportação de produtos e serviços, como também a preparação das empresas para este processo de internacionalização, envolve riscos e falhas que poderão afetar no sucesso da empresa. Sendo assim, será verificado por meio da engenharia da exportação, os elementos que favorecem a redução dos riscos e dos custos em uma transação comercial com o exterior, aumentando as possibilidades de ganhos e sustentabilidade neste novo processo. 3.1 Mecanismos teóricos para a avaliação de análise de risco de mercado Segundo Minervini (2004, p. 6) “nenhuma empresa deve tratar de introduzir-se no mercado externo até que esteja preparada”, visto que há vários casos de empresas que tentaram expandir seus negócios no exterior e não foram bem sucedidas, acarretando em prejuízos, desestruturação dos setores produtivos e comerciais e desgaste por parte dos investidores. Para que uma exportação possa ser bem sucedida, faz-se necessário que a empresa ou o indivíduo interessado em enviar seus produtos/serviços ao exterior questionem se seus planos estratégicos atenderão às expectativas do mercado visado. É fundamental que as empresas e possíveis investidores do mercado se armem de algumas precauções essenciais para a tomada de decisão de internacionalização de seus produtos, tais quais: 34 Quem pode exportar? ; Por que exportar? ; para onde exportar? ; quando exportar? Como exportar?; o que exportar?; como não exportar? Deve também buscar informações sobre quais são os erros e falhas mais comuns nesse processo, quais são as principais barreiras à exportação; adaptação do produto, e por fim o funcionamento da engenharia da exportação. (Minervini; 2005, p.5 ). Para Minervini (2005), existem várias motivações que levam milhares de empresas e indivíduos a se aventurarem no mercado internacional, mas o motivo pelo qual cada empresa o faz, pode variar de caso em caso. Na concepção do autor, muitas destas motivações podem ser precipitadas e equivocadas, daí a necessidade de se verificar, antes de tudo, a estrutura e o planejamento de cada empresa. Uma empresa pode ter como desejo de ampliação de seus mercados algumas motivações específicas, tais quais: O desejo de operar em um mercado de maior volume; missões ao exterior (feiras internacionais e exposição de produtos e/ou serviços); o aproveitamento das diferentes zonas sazonais existentes no mundo (um exemplo seria a venda de biquínis brasileiros para países do hemisfério oposto); encontrar melhores possibilidades de lucros e preços de seus produtos no mercado externo. (é caso de produtos artesanatos); exportação de uma menor variação de produtos em maior escala; melhor aproveitamento do ciclo de vida de produtos para outros mercados; divisão de risco de negócio entre mercado interno e externo; criação de uma melhor imagem da empresa no mercado interno; redução do impacto da presença de concorrência interna por meio da exportação do produto; dentre outras motivações. (MINERVINI,2005 p.6) Há empresas que encaram a exportação como uma meta de desenvolvimento e sobrevivência. Ou seja, um planejamento que agregue à exportações uma estratégia de contínua melhoria e expansão de mercado. A menos que seja exigido por parte do importador algum requisito especial para o processo de exportação, a princípio, qualquer indivíduo possui a capacidade de exportar seus produtos, desde que assuma o “compromisso com a qualidade, criatividade e profissionalismo” (MINERVINI, 2005, p. 8). 35 Portanto, é de extrema importância que a empresa tenha a plena consciência da sua “capacidade própria de internacionalização”, para que possa encarar a exportação como uma estratégia de melhoria competitiva de mercado (MINERVINI, 2004, p.7). Geralmente empresas interessadas em internacionalizar seus produtos realizam um levantamento prévio sobre qual seria o melhor mercado a se inserir, levando em consideração para a sua escolha, a minimização de custos e riscos, dentre outros fatores como: a) a proximidade do mercado; b) a potencialidade de expansão deste mercado; c) a similaridade de cultura d) a competição existente e) o tamanho do mercado O autor diz ainda que uma empresa que encontra dificuldades no mercado interno não deve tentar exportar seus produtos como forma de melhorar a situação de crise interna, pois a chance de fracasso na adoção deste procedimento se torna maior, visto que “é mais fácil nadar em uma piscina do que em um oceano” (MINERVINI, 2005 p. 9). Na visão de Minervini (2005), as empresas devem evitar o início de sua exportação para todo o mundo. É melhor que uma empresa adquira experiência em um único mercado tendo como finalidade a menor exposição a riscos aliado a um menor custo. MINERVINI (2005) cita ainda os erros mais comuns ocorridos no processo de internacionalização das empresas: 36 Falta de avaliação da capacidade de internacionalização. Não considerar os aspectos das diferenças culturais. Falta de pesquisa de mercado. Seleção errada do parceiro. Não efetuar pesquisa, registro e monitoramento da marca. Elaboração de contratos sem considerar a legislação e a prática do país estrangeiro. Extrema diversificação dos mercados. Falta de conhecimento das normas de defesa do consumidor Não contar com a estrutura interna adequada para gerenciar a exportação. Falta de presença no mercado (MINERVINI, 2005, p. 12). Para que uma empresa possa exportar seus produtos de forma bem sucedida, ela necessariamente deverá conscientizar-se das barreiras que encontrará no comércio internacional. As barreiras são mecanismos utilizados para inibir ou impedir o comércio entre países, com a finalidade de proteger as indústrias nacionais. Estas barreiras podem ser tarifárias ou não tarifárias (Fragata Internacional, 2008, p. 10). 3.2 Barreiras Comerciais De acordo com o manual criado pela Fragata Internacional (2008) as barreiras comerciais tarifárias são aquelas aplicadas por governos mais protecionistas, que cobram alíquotas de impostos para a importação de determinados bens e produtos. Estes impostos acabam por onerar o preço final do produto e dificultar a importação deste. Já as barreiras não tarifárias se dão de cinco formas distintas: a) por meio de “Cotas e controles”, onde governos limitam e restringem em cotas o número de unidades de certo produto a ser importado, ou ao valor total determinado deste(s) produtos; b) “Políticas de Compra discriminatórias” impostas por governos que possuem como regras e regulamentos de conduta, compras e aquisições que podem ser restritas à determinados países; c) “Procedimentos Alfandegários Restritivos”; são regulamentos que determinam a classificação e avaliação de mercadorias, sendo estas as bases para as tarifas de importação; d) “Controles Monetários Seletivos e Políticas Cambiais Discriminatórias” se referem à oscilações cambiais entre valorizações e desvalorizações da moeda e políticas cambiais que não favoreçam a 37 situação de importadores ao comprar ou remeter divisas ao exterior; e) “Regulamentos Administrativos” tem por principal objetivo a não atração de produtos estrangeiros. Estes regulamentos podem ter como características especificações técnicas, ecológica, burocrática. (FRAGATA INTERNACIONAL; 2008, p. 10) Existem, contudo, outras barreiras que podem dificultar a vida de quem pretende se inserir no comercio internacional. Minervini (2005) descreve algumas barreiras que tanto o país exportador, quanto o país importador e o empresário importador poderão encontrar ao longo deste processo. País exportador: sistema competitivo do país; excesso de regulamentações; Falta de um sistema atualizado de identificação de oportunidades de negócios; falta de cultura exportadora. País importador: Cotas de importações; normas técnicas; localização geográfica (custos elevados de transporte); excesso de regulamentações; diferenças culturais; nível tecnológico; concorrência local; Instabilidade econômica; embargos; moeda não-conversível; custos elevados da promoção do produto; Formas de comercialização diferentes daquelas praticadas no mercado do exportador; dificuldade para conseguir informações confiáveis; excessivo protecionismo na indústria local; poder de pressão dos sindicatos. Impostos de importação; Leis contra dumping; falta de transparência na legislação de importação; falta de confiança no país. Empresário Importador: Falta de estrutura; Falta de profissionalismo. (MINERVINI, 2005, p. 15) Cavalcanti (1997), cita algumas importantes variáveis que também atuam como barreiras às exportações Brasileiras. Pesquisa da FUNCEX (1997), realizada a partir de consultas a 336 empresas exportadoras, aponta os seis principais obstáculos ao incremento das exportações: tarifas portuárias domésticas, taxa de câmbio, frete internacional, ausência de financiamento às exportações, tributos domésticos incidentes sobre as exportações, frete doméstico e "Custo Brasil" em geral, expressão utilizada relativamente a fatores internos que dificultam ou oneram as atividades exportadoras do país (Ferraz Filho e Cavalcanti, 1997). Entretanto, Minervini (2005) diz que existem formas de selecionar um parceiro comercial e minimizar as dificuldades de informações e trabalho em uma exportação, a saber: Os escritórios de promoção comercial das embaixadas do nosso país no exterior; Câmaras de comércio Bilaterais; Empresas de consultoria; Revistas especializadas; Bancos; Consulados e embaixadas de países estrangeiros; Internet; World Trade Center (associações de empresas de comércio exterior); Feiras intenacionais. (MINERVINI,2005, p.15) 38 Uma vez que o exportador escolheu o parceiro comercial no exterior, ele poderá enfrentar ao longo deste novo processo, algumas dificuldades e dúvidas acerca de certos procedimentos a serem seguidos. Existem atualmente algumas instituições especializadas a apoiar e incentivar as exportações Brasileiras e o comércio internacional. Alguns exemplos desta afirmação são: Itamaraty, Câmaras de comércio Exterior (CAMEX); Secretaria de Comércio Exterior(SECEX); Agência de promoção de exportações (APEX); Banco do Brasil; Banco em Geral;Câmaras de comercio bilaterais; empresas de consultoria; Eurocentros; Associações, Transportadores; Organizadores de feiras internacionais; Agentes, World Trade Center entre outros. (MINERVINI, 2001, p.20) 3.3 Caminhos legais e procedimentos jurídicos exigidos em transações internacionais Todos os países que atualmente participam do processo de globalização e trocas comerciais com outras regiões do mundo, possuem tipos de classificações distintas à diversos produtos, sendo este procedimento necessário ao controle, garantia da saúde e soberania de cada país. A classificação de risco dos produtos se dão tanto à produtos que são importados, quanto aos produtos exportados, sendo alguns países mais rígidos e exigentes em suas classificações do que outros. No caso brasileiro os níveis de classificações segundo ABCC, (2007) são: a) “exportação e importação livre”: que é um produto que não possui impedimentos, tratamentos específicos e administrativos para a importação e exportação; b) “exportação e importação livre com tratamento administrativo”: que visa à garantia do interesse nacional. Alguns países sujeitam determinados produtos à regimes especiais, maior controle e restrições; c) “exportação e suspensa”: esta é a modalidade que requisita fatores de controle exigido pelo país, tem por objetivo garantir pontos julgados como de interesse nacional, a garantia de proteção e preservação de espécies; garantia da saúde pública; garantia da segurança nacional; melhoria da receita cambial; ao abastecimento interno prioritário de setores; e também à manutenção de tratados e compromissos nacionais assumidos pelo país com outro(s) país(es); d) “exportação 39 e importação proibida”: que é o modo proibitivo previsto em condição constitucional ou de tratados e acordos do Brasil com outros Estados, visando a garantia dos interesses internacionais. (ABCC, 2007) No caso da legislação Australiana, a classificação de mercadorias (Sistema Geral de Preferâncias), foi reformulada em 1995, com o principal objetivo de atualizar, simplificar e harmonizar o sistema de classificação dos produtos importados. Esta legislação¸ o Customs Tariff Act 1995 (Lei de tarifas alfandegárias de 1995), substituiu o Customs Tariff Act 1987, e incorporou várias novas tarifas que foram introduzidas como resultado de decisões políticas do Governo australiano nos últimos dez anos. Os impostos aplicados sobre mercadorias importadas pela Austrália estão inscritos nos programas 3 e 4 da Lei de tarifas de 1995. (ABCC, 2007) O governo Australiano, formulou exceções na aplicação da tarifa geral para os países considerados países em desenvolvimento, caso em que se enquadra o Brasil. A taxa alfandegária para produtos importados em geral, e sem considerar os produtos sem taxa de importação, é 5%. A aplicação de taxas para países em desenvolvimento reduzirá esse valor para 1 - 5%. No caso dos têxteis, vestuário, calçados e automóveis, as taxas são maiores, embora tendam a diminuir. (ABCC, 2007) 3.4 Implicações, exigências e adaptações necessárias a esta commodity Um dos importantes pontos para avaliação sobre a possibilidade de exportar ou não, deve ser realizado com o foco na adaptação do produto exigida pelas normas e pelo mercado do país importador. Sendo assim, faz-se necessário a verificação do produto sob o aspecto proibitivo no mercado australiano, se ele atende as especificações técnicas exigidas, o tipo de venda mais indicado aos australianos, a modalidade de venda mais indicada para este país- CIF ou FOB, se o preço do produto é competitivo, se o produto atende às necessidades dos australianos, quais são os produtos similares ou substitutos (FRAGATA INTERNACIONAL, 2008) 40 MINERVINI (2005), realiza em seu trabalho uma divisão entre os diferentes parâmetros do mercado importador e quais são as adaptações que melhor atendam A cada um. Quadro 1: Adaptaçõres necessária em produtos passíveis de exportação Parâmetros-chave no mercado importador Mudanças (Adaptações) 1 - Menor nível de competência técnica 2 - Nível de Custo da mão-de-obra 3 - Nível médio de instrução 4 - Nível do poder aquisitivo 5 - Nível da taxa de juros Simplificação do Produto. Automatização ou simplificação. Reformulação ou simplificação. Mudanças na qualidade e preço. Mudanças na qualidade e preço( investimentos na qualidade podem não ser convenientes financeiramente). 6 - Preocupação com a manutenção Mudanças nas margens de tolerância. 7 - Diferenças climáticas Adaptação do produto; por exemplo: um interruptor automático, instalado a 4.500m, deve ter um nível de isolamento maior do que o mesmo interruptor instalado ao nível do mar. 8 - Diferenças de normas Mudanças no produto; por exemplo: um produtor de trajes de banho, de um país tropical, terá de mudar as dimensões dos biquínis a serem exportados para os países europeus, onde as dimensões exigidas (por pudor e medidas das usuárias) são diferentes. 9 – Disponibilidade de outra matéria-prima e Mudanças no produto; por exemplo: um país componentes prima e componentes produtor de muita madeira produzirá artigos em madeira, ao contrário de um país onde a madeira é importada e que, por ser um grande produtor de petróleo (como os árabes), talvez produza componentes não de madeira, mas, por exemplo, de plástico (derivado da indústria petroquímica). 10 - Disponibilidade de energia Em um país produtor de petróleo, a gasolina é barata. Porém, se os fabricantes de automóveis exportam seus modelos para países onde a energia é caríssima, deverão adaptar seus motores ou talvez utilizar diferentes tipos de combustíveis (no Brasil, por exemplo, foi utilizado por muito tempo o álcool). Fonte: MINERVINI, Nicola. 2005, p. 17. 3.5 Documentos de embarque exigidos na Austrália Os documentos de exigência do governo Australiano para importações são indispensáveis à apresentação para a alfândega deste país. A documentação exigida irá variar conforme a caracterização de cada produto, porém, existem 41 aqueles que necessitam de tratamentos e especificações especiais que irão carecer de documentações e exigências específicas. A documentação exigida depende especificamente do produto a ser importado, sendo responsabilidade do importador entregar a documentação corretamente para a alfândega australiana ou ao AQIS. Orientação profissional sobre os documentos necessários para produtos específicos pode ser obtida de empresas especializadas em importação. Com relação às exigências de quarentena, os importadores devem contatar o AQIS a fim de obter os documentos apropriados para cada tipo de produto. Do mesmo modo, as exigências para importação de produtos químicos para consumo humano são definidas em função do tipo de produto e podem ser obtidas junto à Therapeutic Goods Administration. (MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES, Como Exportar, 2003, p.76) 42 4- EXPORTAÇÃO DE AREIA PARA A AUSTRÁLIA: IMPLICAÇOES Para contextualização do estudo de viabilidade de exportação de areia para a Australia é fundamental a análise de pesquisas realizadas por empresas Australianas, relatórios desenvolvidos pelo Departamento de Infra-Estrutura, Planejamento e Recursos Naturais (Department of Infrastructure, Planning, and Natural Resources - DIPNR), além de outras fontes de informação disponibilizadas pela internet, artigos, livros dentre outros. 4.1 O Serviço Como observado anteriormente, por Wong (2007), a Austrália é um país que exige um alto nível de especialização e aprimoramento técnico de seus profissionais em seus diversos setores sociais. Os Australianos zelam por excelência, organização e padronização na prestação de serviços sendo bastante exigentes quanto ao seguimento das normas, prazos e contratos. Desta forma, o famoso “jeitinho brasileiro” não seria bem visto pelos padrões australianos em negociações. Por vez, é importante destacar o tipo de material mais bem aceito nas construções deste país, sendo este tipo de areia o que atenderá melhor as expectativas do consumidor Australiano. A areia mais procurada e utilizada nas construções australianas são aquelas que apresentam um alto teor de sílica sendo este tipo de material mais limpo e possuindo características que definem seu maior valor de mercado tanto para indústria de construção civil quanto na utilização deste material em indústrias como as de refratários e fundição (PAIN; KEELING, 2006). Outro importante ponto a se destacar quanto ao mercado de areia neste país diz respeito à forma como este material é comercializado na Austrália, pois de acordo com Pain e Keeling (2006), este material é vendido por Mt- Metric Ton, ou tonelada 43 métrica. No Brasil a comercialização de areia geralmente é realizada da mesma forma como é comercializado na Austrália, mas podendo variar entre vendas de determinada quantidade de caminhões, pelo metro quadrado de areia (quando é realizada em menor quantidade), por toneladas, vendas fechadas por metro de obra, dentre outras formas, podendo variar de acordo com a quantidade e a representatividade das negociações firmadas entre cliente e fornecedor. O serviço de extração deste material na Austrália é similar ao tipo de extração brasileira, via dragas flutuantes em rios e por meio de extração de depósitos lacustres e lavagem deste material. Porém, o mercado Australiano apresenta materiais alternativos à utilização deste agregado, obtendo empresas que se especificaram na moagem e reciclagem para a criação destes substitutos (DIPNR). Ressalta-se que já “existem países utilizando este material como agregado fino no concreto. A Austrália, por exemplo, utiliza o vidro moído proveniente do lixo em concretos para construção. (TAPSELL; NEWSOME; 2003). Para a extração e comercialização da areia na Austrália, é necessário que as empresas atuantes atendam a uma série de normas e exigências previstas pelo Departamento do Meio Ambiente, pelo Departamento de Infra-Estrutura, Planejamento e Recursos Naturais, que exercem um rígido e bem monitorado controle quanto às atividades deste setor. (DIPNR; 2008). 4.2 O Mercado Alvo O mercado aqui analisado será o da cidade de Sidney e região metropolitana, uma vez que segundo dados do (DIPNR; 2008) esta região da Austrália apresenta atualmente grande expansão no setor de construção civil, e que necessita de exportação de areias de outras regiões para atender a sua demanda interna. Observa-se que este mercado apresenta aspectos que merecem maior atenção no desenvolvimento de projetos comerciais, principalmente, no que se refere à extração de produtos minerais. 44 Atualmente Sidney se preocupa em alinhar o crescimento da população e as mudanças demográficas com amplo investimento em infra-estruturas onde as questões ambientais e culturais são bens definidos e protegidos; A cidade busca alinhar seu desenvolvimento de forma a melhorar utilização da infra-estrutura existente e aumentar investimento nos setores mais importantes onde o orçamento estadual busca alinhar as prioridades estratégicas dos setores mais importantes da indústria local. A cidade busca também aumentar a participação do investimento privado em setores como o de infra-estruturas públicas, com o objetivo de reduzir os gastos públicos e aumentar a participação da população neste processo (DIPNR; 2008). Sidney enfrenta um importante desafio quanto ao desenvolvimento de sua infraestrutura e suas prioridades dos recursos naturais essenciais a este desenvolvimento. Os terrenos e espaços ainda existentes na cidade, estão adquiridos pelo setor privado e/ou estão preservados por órgãos de controle, o que necessariamente requer uma ação de parceria entre o setor privado e Estado quanto à realização de projetos de infra-estrutura propostas para a manutenção dos desafios futuros (DIPNR; 2008). A prospecção futura de desenvolvimento de Sidney, segundo relatórios do Departamento de Infra-Estrutura, Planejamento e Recursos Naturais (DIPNR; 2008) é da necessidade de construção de mais de 600000 habitações nos próximos 25 a 30 anos, fornecendo cerca de meio milhão de novos postos de trabalho. Esta ação garantirá o aumento da criação de oportunidades de negócios, beneficiará o setor de construção civil, garantirá o desenvolvimento e a oferta de infra-estruturas e serviços necessários à manutenção da economia forte, além de elevar a qualidade de vida da população local. Sidney e a Costa Central da Austrália possui uma população de mais de 4,1 milhões de habitantes com perspectiva de crescimento para mais de cinco milhões de habitantes até 2031 e por cerca de seis milhões em 2050. Estas duas áreas abrangem cerca de 63% de toda população de New South Wales , com as regiões de Illawarra e baixa Hunter abrigando cerca de 750000 habitantes e apresentando índices de crescimento populacional (DIPNR; 2008). 45 Sidney e sua região metropolitana agrega cerca de 66% de empregos do Estado, e projeta um crescimento no número de emprego para os próximos 20 anos em cerca de 250000-300000 novos de postos de trabalho. Este número equivale à demanda de cerca de um milhão de metros quadrados de espaço de chão de construção adicional comercial. (DIPNR; 2008) mais de 95% das importações e exportações do comércio de Sidney passam por seus portos marítimos e através do transporte aéreo de carga do Aeroporto Kingsford Smith. O principal desafio desta cidade no futuro será o de alinhar investimento do setor privado e governamental, de forma a antecipar as necessidades do crescimento do comércio, alinhada a uma estratégia global de frete da região central com a Grande Região Metropolitana (DIPNR; 2008). Os fatores determinantes ao destaque e penetração no mercado Australiano, assim como no Brasil, provavelmente, serão definidos pela qualidade do produto e preço. Produtos que possuírem qualidade premium, por exemplo, serão mais bem aceitos neste mercado e provavelmente possuirá um valor maior do que produtos de qualidade média e baixa. Assim como a qualidade da areia, a classificação e a forma deste material influenciarão no seu preço final de mercado (PAIN; VALENTINE, 2000). Outro fator importante, diz respeito à proximidade do mercado consumidor, onde o transporte deste material acarretará maiores gastos conforme a distância e a forma em que este transporte se dará. Em relação às vendas, as empresas extratoras e comercializadoras deste material deverão criar estoques de areias para que não haja a possibilidade de pedidos e encomendas não serem atendidas, criando uma má imagem da empresa. Assim como no Brasil, na Austrália existe uma linha de crédito para compras de maiores valores, podendo desta forma se realizar vendas e compras a longo prazo, porém taxas de juros deverão ser acrescentadas. Geralmente, “os pagamentos à vista recebem desconto de até 15%” (PAIN; VALENTINE, 2000.p.82). 46 4.3 Demanda de areia em Sidney/ AUS A Demanda por areia de construção na Região Metropolitana de Sidney, em 1999/2000 foi 6.73 milhões de toneladas, segundo relatos do Departamento de InfraEstrutura, Planejamento e Recursos Naturais (DIPNR; 2008), que afirma que a produção de areia neste local, em 2003 excedeu 7 Milhões de toneladas. (Mt- metric ton). Estima-se que mais de 57% desse valor foi oferecido à apenas dois segmentos do mercado - os fabricantes de betão pronto (argamassas) (49,4%) e na produção de concretos (7,7%) (DIPNR; 2008). A maior parte da areia consumida pelos fabricantes betão pronto possuem a granulometria de 5 milímetros (agregado fino) sendo estas misturadas com areias grossas proveniente de rios. Este tipo de areia mais fina é proveniente das dunas localizadas nos lagos de Penrith e Kurnell respectivamente (DIPNR; 2008). Já no final do ano de 1999 inícios de 2000, mais de 19% da areia natural consumida pela indústria de construção da cidade de Sidney teve que ser importada de fora da região. Desta forma, a indústria teve que importar mais de 1 milhão de toneladas de areias “naturais” apesar do crescimento substancial na disponibilidade de alternativas, que inclui as chamadas areias fabricadas , proveniente de trituradores de pedras,entulhos de concreto, tijolo, reciclado de escórias, vidros e arenito. Com base nas projeções detalhadas do relatório desenvolvido por Don Reed & Assoc. (2000, atualizado em 2004), a área metropolitana de Sidney deverá esperar por uma escassez no mercado de agregados de: “25% ou de 1,6 Mtpa, no período 2005/06 em 2009/10, de 74% ou de 4,9 Mtpa, e no período 2010/11 a 2015, de 86% ou de 5,95 Mtpa, sendo que no máximo até 2019 todos estes recursos terão se esgotado” (DON REED & ASSOC.; 2004, p12.) A principal procura segundo o relatório desenvolvido por Don Reed & Assoc.(2004) serão por areias limpas, fortes, duráveis, e quimicamente inerte estando estas livre de materiais deletérios. Apesar haver a tentativa de algumas empresas de ativação 47 de novas minas de extração deste material, não existe atualmente nenhuma previsão de que outras empresas possam operar plenamente nestes novos depósitos de areias de qualidade premium para construções na Região Metropolitana de Sidney. 4.4 Características da areia em Sidney A areia mais utilizada em construções em Sidney possui características similares às comercializadas no Brasil. A granulometria da areia está em torno de 2 a 5mm. Areias que possuem um alto teor de Sílica (SiO2) são importantes para as indústrias de construção civil por sua resistência e maior facilidade de ligas em concreto (PAIN; VALENTINE; 2000, p. 77). O modo mais comum de se encontrar este tipo de areia é em ambientes sedimentares como, por exemplo, rios, praias e dunas, ou em antigos ambientes preservados como arenitos. Entretanto como já especificado nos capítulos anteriores, as areias de praias e dunas marítimas possuem a granulometria maior do que as encontradas em outras fontes de extração como em rios e arenitos, não podendo ser aproveitada para construções (PAIN; KEELING, 2006). Areia de sílica é um dos principais ingredientes em concreto e é definida pelo tempo da sua inércia em depósitos e suas propriedades físicas. Sílica (dióxido de silício, SiO 2 ) possui minerais de quartzo,como um dos principais constituintes é encontrada em muitas rochas ígneas e rochas sedimentares, sendo as mais comuns as de mineral detríticas em arenito. Como uma mercadoria, o termo é aplicado a sílica de quartzo em todas as suas formas - como veia ou num recife de quartzo, quartzo rolados, quartzito, fragmentação ou como areia. O consumo mundial aproxima-se de 120 Mt / ano. (PAIN; KEELING,2006) Qualquer areia que possua sílica em suas características físicas, poderá ser aproveitada como agregado, mas o tipo mais utilizado para a fabricação de concreto, deverá possuir a dimensão de suas partículas constituintes(granulometria) finas, sendo este o parâmetro mais importante quanto a escolha do material na Austrália (PAIN; KEELING,2006). 48 O consumo mundial de areia de sílica na indústria da construção é muito grande, cerca de 1 bilhão de toneladas por ano. O consumo deste tipo de areia para outras aplicações é de cerca de 100 milhões de toneladas por ano (PAIN; KEELING, 2006). 4.5 Fatores que impedem a extração de areia em Sidney As principais causas da escassez de areia na região são devidas à denúncias realizadas ao Conselho ambiental Sutherland Shire em maio de 2001, onde o maior grupo de extração de areias da península, o Holt Grup, fora notificado com uma ordem de embargo de suas operações na maior mina de extração de areia da região, localizada sobre a Península Kurnell. A ordem foi relatada baseada no fato de que, segundo o Conselho regional, a empresa estaria retirando areia de áreas pelas quais eles não tinham autorização para fazê-lo. Na verdade, a Comissão Healthy Rivers (Responsável pelo controle e manutenção das operações realizadas em lagos e rios), recomendou em 2000 que um inquérito exaustivo fosse desenvolvido para determinar a quantidade exata de areia existente na Península e presumivelmente o quanto ainda esta mina poderá ser explorada. Isto possibilitaria o fornecimento de informações importantes para ajudar a garantir o controle e regulamentação das atividades, com possibilidade da proibição permanente de reativação das atividades (SSEC, 2008). No final de 2001 uma empresa chamada Rocla apresentou uma proposta de exploração e reativação de extração de areia da mineração Kurnell, entretanto, após uma oposição pública apresentada ao conselho, a proposta da empresa fora rejeitada. A empresa tinha a intenção de apresentar um requerimento de uma mina que realizaria a extração de mais 4.5 milhões de toneladas de areia respeitando as exigências legais e ambientais (SSEC, 2008). Governo do Estado fora novamente requisitado para que cedesse ao consentimento de um novo pedido de EIS- (relativo a um termo de ajustamento de conduta Brasileiro) em 2002, desta vez por uma outra empresa de exploração deste material 49 chamada de Australand. A proposta também foi remetida para o Governo Federal no âmbito da lei da Commonwealth EPBC. Entretanto, esta proposta fora colocada em espera em setembro de 2002 quando o ministro Dr. Andrew Refshauge, de Planejamento do Estado da época, anunciou um outro importante estudo nomeado de estratégia Botany Bay, onde neste incluía-se a impactos ambientais, captação e retorno de água no processo de extração de areia na península Kurnell . Com este anúncio, a moratória à exploração na região se manteve, entretanto um conjunto de normas estritas de desenvolvimento para o futuro da mineração havia sido estabelecido (SSEC, 2008). Em novembro de 2004 a estratégia Botany Bay, tal como tinha sido batizada, existia apenas em forma de projeto, e as explorações nesta mineração segundo o relatório (SSEC, 2008) ainda estão sem prazo ou previsão determinado para retornar. Atualmente, a principal fonte deste material para o atendimento da região de Sidney, são os lagos Penrith e estes apresentam recursos que possuem a expectativa de esgotamento entre os anos de 2010/2011. Desta forma, o esgotamento das reservas destas minerações forçará as empresas a reduzir suas produções em cerca de 1milhão de toneladas e 2.8 milhões de toneladas respectivamente nos próximos anos (SYDNEY CONSTRUCTION MATERIALS, 2008). É esperado que cerca de 2011/12, a única grande fonte de abastecimento existente no restante da Região Metropolitana de Sidney seja o da empresa Maroota onde uma série de questões ambientais e de segurança são esperadas para ver algo limitado a oferta anual da ordem de 0,75 Mtpa (SYDNEY CONSTRUCTION MATERIALS, 2008) Existe a possibilidade da substituição das atuais fontes de abastecimento da região de Sidney por depósitos de areia que podem vir a ser exploradas em regiões onde se verifica este material, como nas planícies Richmond , nas encostas de areias marinhas, na região Stockton Bight, e em Somersby Plateau. Entretanto, segundo o relatório (SSEC, 2008) diz que todas essas áreas irão atrair considerável oposição por parte dos conselhos locais, dos grupos populacionais, de grupos ambientais, e outros, alem da significativa distância entre estes locais de extração e a cidade de Sidney. 50 Atualmente, a escassez de areia para as construções, é e continuará a ser, parcialmente supridos pela oferta de alternativas à este material, sendo os agregados finos utilizados em obras, provenientes especialmente da trituração de hard rocks ou moagem de pedras, à mistura do pó de pedra, à reciclagem de concretos, vidros e tijolo reciclado (PAIN; KEELING, 2006). Ainda segundo os autores (2006), estes materiais continuarão a ser comercializados em um volume considerável na Austrália, entretanto, eles são caracterizados como de menor qualidade no mercado. Eles são utilizados principalmente para preencher os materiais em misturas e de complemento de selantes, na fabricação de materiais de rodovias, em pavimentações, asfalto, etc. A maioria destes materiais alternativos se restringem ao abastecimento de apenas uma parte das necessidades do setor de construção, sendo estes de qualidade e granulometria variáveis. A areia provinda de trituração é importada para a área metropolitana de Sidney das pedreiras localizadas na Costa central (Central Coast), em Southern Highlands, do Illawarra, e das Blue Mountains (PAIN; KEELING, 2006). 4.6 Principais empresas atuantes na região As principais empresas que trabalham com vendas neste setor da construção civil na Austrália são: A Construction Materials Group (CMG), que opera em reprocessamento e transformação de vidro em materiais utilizáveis para construção civil, sendo este, um material substituto da areia em determinadas áreas. (LONDON; KENLEY, 2000). Esta empresa, como já citado anteriormente no trabalho, se destaca pela sua produção de pó de areia reciclado, e pela produção de cimento, não sendo grande extratora deste material. 51 Já a empresa Sydney Construction Materials , atua de forma a compreender 80,2% do total de sua produção à extração e comercialização de areia (SYDNEY CONSTRUCTION MATERIALS, 2008). Esta empresa desenvolveu diversos relatórios juntamente com o Departamento de Recursos Minerais (Department of Primary Industries) de New South Wales, com o objetivo de realizar pesquisa e levantamentos para a exploração sobre o Planalto Newnes, e a base dos resultados de pesquisa que inclui a seguinte declaração: [...] a região de Sidney enfrenta atualmente uma situação de escassez de areias de construção de grânulos médios e areias grossas. A escassez de areia é esperada para se tornar mais crítica, até o final de 2012, quando as fontes existentes estarão esgotadas por completo. A alta qualidade, tamanho e grande quantidade da areia do Planalto Newnes poderão conduzir ao desenvolvimento de um espaço como a principal fonte de abastecimento da região de Sidney no século 21. (DEPARTMENT OF PRIMARY INDUSTRIES OF AUSTRÁLIA; 1996-2008) O Projeto desenvolvido pela empresa SYdney Construction Materials, apresenta números em que demonstra que o Planalto Newnes contém cerca de 21Mil toneladas de areias de qualidade premium que poderá servir de produto agregado após a extração e lavagem. A previsão é de que este depósito de areia seja classificado como um produto equivalente a qualquer outro tipo de material de boa qualidade existente (DEPARTMENT OF PRIMARY INDUSTRIES OF AUSTRÁLIA; 1996-2008). 52 Quadro 1: Mercado de areia de Sidney/Au Mercado Descrição do produto Produto usa Demanda anual de mercado Atuais fontes domésticas de areia Produção arenito friável, quartzose branco (alto teor de sílica). Areia de sílica é um dos principais ingredientes em concreto. Doméstica: ~ 7 milhões tpa em Sydney Internacional:> um bilhão tpa A maior parte da areia consumida pelos fabricantes betão pronto são as areias mais grossas de rio, e as areias finas proveniente das dunas, sendo estas fontes provindas dos Lagos Penrith. Preço de venda, p/metro/ tonelada 30.00 - 34.00 (AUD/t) 30,00 - 34,00 (AUD / t) Prospecção de Vendas (tpa) Ano 1 300.000 Ano 2 400.000 Ano 3 500.000 Ano 4 600.000 Ano 5 800.000 Ano 6 1.123.000 Proporção do Mercado Doméstica: 16,0% em plena produção Fonte: DEPARTMENT OF PRIMARY INDUSTRIES OF AUSTRÁLIA; 1996-2008 Estes depósitos existentes no Planalto Newnes, caso a exploração seja de fato aprovada, não apenas suprirá as necessidades da região de Sidney como excederá em 1.1 Mtpa na produção de areia para diversos setores tendo estas reservas a previsão de esgotamento em 2020. (Department of Primary Industries of Austrália; 1996-2008) 53 5 CONCLUSÃO No decorrer desta pesquisa, importantes dados bibliográficos foram determinantes para a formulação e consideração final deste trabalho, onde levantamentos mercadológicos de ambos os países em questão, Brasil e Austrália se tornaram essenciais. O estudo das características específicas de um produto tão comum e de amplo acesso mundial, a areia, fora justificado por não haver estudos e relatos significativos de exportação deste material. O mercado Australiano foi escolhido por apresentar não apenas características similares ao mercado Brasileiro, mas também por apresentar de forma significativa avanço no que se refere à alternativas ao consumo de areias com a reciclagem de materiais como concretos, vidros, britamento de rochas, dentre outros. Esta prática é também realizada no Brasil, mas não na dimensão e estágio em que se apresenta na Austrália. A pesquisa demonstrou também que, a partir da análise bibliográfica, que estes materiais reciclados não atendem de forma completa as necessidades do setor de construção civil, sendo necessário a participação de areias para o complemento de determinadas fases da construção. Na escolha do mercado alvo, baseado nas informações obtidas, Sidney apresentou uma importante possibilidade de inserção e implementação deste mercado em especial, uma vez que fora demonstrado que em um futuro próximo possivelmente haverá escassez deste material nesta região. É importante deixar claro que a pesquisa não exclui a possibilidade de que novas minas e regiões que contêm estes materiais passem a ser exploradas e atendam a demanda necessária ao desenvolvimento do setor, entretanto, caso as implicações públicas, restrições ambientais e estaduais permaneçam a areia Brasileira respeitando as exigências Australianas, poderia sim ser uma solução a esta iminente falta deste material prevista para os próximos anos em Sidney. Portanto, por apresentar características e substâncias semelhantes, granulometrias similares e possibilidade de obtenção de material de primeira qualidade (inclusive para os padrões Australianos), a areia brasileira poderia surgir como a possibilidade de suprimento das necessidades deste mercado em específico. 54 Vale lembrar que estudos aprofundados sobre custos, documentações, implicações legais e outros encargos à exportação deste material para a Austrália seria de ampla importância para a verificação da rentabilidade e retorno financeiro de uma exportação brasileira para este país, uma vez que verificado a existência de demanda ao produto areia. Um importante ponto que poderá ser determinante quanto à possibilidade de exportação desta commodity para a Austrália está relacionado ao custo de translado e de frete que este material representaria em um processo de comercialização entre Brasil e Austrália. Um estudo mais aprofundado quanto aos custos de transporte, taxações portuárias e alfandegárias desta mercadoria, dentre outros importantes encargos deverão necessariamente ser verificados e definidos em um trabalho específico e aprofundado quanto a este mercado, onde o tempo de transito desta mercadoria, a forma como esta deverá se introduzir na Austrália, formas de pagamentos e prazos em negociações identificarão a rentabilidade da exportação deste produto, verificando se realmente seria interessante para empresas Brasileiras de fato exportar areias para este país. Desta maneira, por meio desta pesquisa , é possível considerar a existência da necessidade de ser realizar futuramente um estudo de viabilidade de exportação de areia brasileira para o mercado da construção civil australiano que privilegie aspectos que estão contidos neste processo 55 BIBLIOGRAFIA ABCC - The Austrália Brazil Chamber of Commerce Inc. Brazilian Consulate and Embassy in Austrália. 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