ASSOCIAÇÃO CULTURAL PÓS-GRADUAÇÃO LATU SENSU EM ENFERMAGEM EM SAÚDE PÚBLICA ELISIANE DA MOTTA RIBEIRO SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM COMO INSTRUMENTO DE CUIDADO AO PACIENTE PORTADOR DE HTLV NA UNIDADE SAÚDE DA FAMÍLIA SALVADOR - BA 2012 ELISIANE DA MOTTA RIBEIRO SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM COMO INSTRUMENTO DE CUIDADO AO PACIENTE PORTADOR DE HTLV NA UNIDADE SAÚDE DA FAMÍLIA Artigo apresentado a ATUALIZA Associação Cultural, como requisito parcial para obtenção do titulo de Especialista em Enfermagem em Saúde Pública, sob orientação do Professor Fernando Reis Espirito Santo. SALVADOR - BA 2012 Dedico este trabalho inicialmente a Deus; Ao meu esposo Sido e meu filho Netinho, pelo amor, carinho e incentivo, e aos meus pais Edmundo e Dulce, pelo apoio e compreensão. AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus, fonte de luz e sabedoria por nos conceder o dom da vida, nos dando força e coragem e estando comigo durante toda a trajetória, por todos os momentos de alegria e boas surpresas, e pelo crescimento pessoal que mim proporcionou durante este período, sem ele nada seria possível. Ao meu orientador Prof. Fernando Reis, pelos ensinamentos, e todo apoio e paciência durante o processo de orientação. Aos meus pais Edmundo e Dulce por me conceder a vida e a minha educação, pelo esforço, determinação, dedicação e compreensão em todos os momentos desta caminhada. Ao meu Esposo Sido e ao meu filho Edmundo “Netinho” por todo carinho e incentivo sempre me dando forças para superar cada desafio. Motivos pelos quais concluo mais uma etapa de um grande sonho com honra e orgulho de ter ao meu lado pessoas únicas e tão especiais que sempre estavam presentes nos momentos difíceis. Aos meus irmãos Edmundo “Junior” e Elísia, pelo apoio, força, carinho e incentivo constante. Aos meus cunhados que sempre torceram pelo meu sucesso, em especial a Jonas e Bira e meu sobrinho João Gabriel pelo apoio, estando sempre de braços abertos em minha hospedagem durante os finais de semana da pós e terem sempre uma palavra de conforto. A todos meus colegas da turma de Pós-graduação em Saúde Pública por todos os momentos que passamos juntas, que com certeza ficarão guardados em meu coração, em especial as colegas Ana Maria e Sandra, pelo carinho e companheirismo que estiveram presentes em diversos momentos desta caminhada me apoiando intensamente e ajudando a enfrentar os obstáculos. Meu muito obrigada pelo fato de vocês existirem e fazerem parte de minha vida e da realização de um grande sonho. “O sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a um objetivo. Mesmo não atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos, no mínimo fará coisas admiráveis." José de Alencar SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM COMO INSTRUMENTO DE CUIDADO AO PACIENTE PORTADOR DE HTLV NA UNIDADE SAÚDE DA FAMÍLIA ¹ Elisiane da Motta Ribeiro ² Fernando Reis Espirito Santo (Orientador) Resumo O presente artigo expõe uma analise sobre a relevância da Sistematização da Assistência de enfermagem para a prestação de uma assistência de qualidade ao paciente portador do Vírus Linfotrópico de células T humanas, buscando o bem estar deste paciente, assim como favorecendo ao profissional uma pratica planejada e fundamentada em conhecimentos científicos. Dentro do contexto da assistência ao paciente portador do HTLV, os profissionais atuantes nas Unidades Básicas de Saúde devem dispor de conhecimentos sobre a aplicação da SAE para contribuir na melhoria da qualidade da assistência. Tem como objetivo evidenciar a importância da utilização da SAE como instrumento de cuidado ao paciente portador de HTLV na unidade saúde da família. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica explicativa de abordagem qualitativa, a partir um levantamento sobre as principais e mais recente literaturas na área para o embasamento teórico, sendo também realizado um levantamento bibliográfico de alguns periódicos nacionais, que permeará todas as etapas do trabalho. Os resultados da presente pesquisa nos mostram que apesar de ser mais utilizado no ambiente hospitalar, a SAE em uma USF representa um importante aspecto para se estabelecer uma assistência de enfermagem de qualidade aos pacientes portadores de HTLV, pois ao utilizar o processo de enfermagem, o profissional adquire um conhecimento individual do paciente, interferindo de forma positiva em seu tratamento, demonstrando que o enfermeiro atuante em uma USF exerce um papel fundamental na continuidade da assistência aos portadores de HTLV, uma vez que parte destes pacientes encontra-se debilitados devido às doenças associadas a este microrganismo. Palavras-Chave: Sistematização, Instrumento, Enfermagem. _______________________________________________________________________________ ¹ Bacharel em enfermagem pela Faculdade Maria Milza ² Dr. em Educação PUC/SP – Professor da UFBA 1 INTRODUÇÃO • Apresentação do objeto de estudo A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é uma atividade utilizada com o objetivo de auxiliar e direcionar o profissional de enfermagem, tornando a pratica da assistência fundamentada em conhecimentos científicos, organizando os serviços nas instituições de saúde e requer do profissional de enfermagem um conhecimento acerca das etapas do processo de enfermagem (MENEZES, PRIEL e PEREIRA, 2011). O Processo de Enfermagem (PE), é o método de apoio utilizado para SAE, organizado em cinco fases ou etapas que envolvem o histórico de enfermagem, o delineamento do diagnóstico de enfermagem, planejamento de enfermagem, a implementação de enfermagem e avaliação de enfermagem ou evolução de enfermagem. O vírus Linfotrópico de células T Humanas (HTLV) retrovírus isolado no ano de 1980 a partir de um paciente com um tipo raro de leucemia de células T. Subdividese em dois tipos principais: HTLV-I, que está implicado em doença neurológica e leucemia, e HTLV-II, que está pouco evidenciado como causa de doença (KROON e PROIETTI, 2006). Em todo o mundo acredita-se que cerca de 15 a 20 milhões de pessoas estejam infectadas pelo HTLV, no entanto grande parte destes portadores são assintomáticos. No Brasil o vírus foi identificado pela primeira vez no ano de 1986, o qual se encontra presente em diversas regiões do país, sendo que a Bahia está entre os estados com o maior índice de prevalência da infecção (SANTOS, ROMANOS e WIGG, 2008) O Programa Saúde da Família, hoje denominado Estratégia Saúde de Família caracteriza-se como uma proposta que foi implantada no Brasil no ano de 1994, utilizando como modelo o sistema cubano de assistência familiar, foi implantado pelo ministério da saúde brasileiro visando reorganizar a assistência prestada á população, tendo como principal objetivo a priorização das ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde, direcionado ao atendimento familiar, e articulando essas ações com as demais políticas existentes na atenção básica. (BETTIOL, 2006). Com o propósito de contribuir para a continuidade da assistência e tratamento da sintomatologia das doenças associadas ao Vírus linfotrópicos de células T Humanas, os profissionais de enfermagem atuantes nas Unidades Básicas de Saúde, devem dispor de conhecimentos sobre a aplicação da SAE para contribuir na melhoria da qualidade da assistência, pois observa-se que a utilização da sistematização da assistência de enfermagem em uma USF apresenta um importante aspecto para se estabelecer uma assistência de enfermagem integral aos pacientes portadores de HTLV. • Justificativa Estudos prévios demonstram um percentual significativo de portadores de HTLV em todo pais, sendo a capital do estado da Bahia está entre os estados onde esse número é mais significativo. Desta forma, observando a prevalência de portadores em nosso estado, a justificativa para a realização desta pesquisa é a identificação da importância da sistematização da assistência de enfermagem como instrumento de cuidado ao paciente portador de HTLV na unidade saúde da família e sua contribuição para um atendimento integral aos pacientes portadores deste vírus. Esta pesquisa justifica-se também pela possibilidade de demonstrar a importância da sistematização da assistência de enfermagem como instrumento de coleta registro e avaliação, utilizada para pratica da equipe como ferramenta de cuidado ao paciente portador de HTLV na unidade saúde da família. • Problema Qual a importância da utilização da sistematização da assistência de enfermagem como instrumento de cuidado ao paciente portador de HTLV na unidade saúde da família? • Objetivo Evidenciar através da literatura, a importância da utilização da Sistematização da Assistência de Enfermagem como instrumento de cuidado ao paciente portador de HTLV na unidade saúde da família. • Metodologia Para atingir os objetivos propostos será utilizada uma pesquisa bibliográfica explicativa de abordagem qualitativa. Por tratar-se de uma pesquisa bibliográfica, inicialmente foi realizado um levantamento sobre as principais e mais recente literaturas na área, para o embasamento teórico, sendo também realizado um levantamento bibliográfico de alguns periódicos nacionais publicados na Biblioteca Virtual em Saúde (BIREME), assim como no Scientific Eletronic Library Online (SCIELO), durante o período de construção do trabalho que permeará todas as etapas de construção do trabalho. Gil (2002) destaca que a pesquisa bibliográfica é produzida exclusivamente a partir de um material desenvolvido anteriormente, composto principalmente a partir de livros e artigos científicos os quais podem ser classificadas em diversos gêneros, permitindo ao pesquisador uma grande quantidade de informações, podendo ser atuais ou a partir de estudos históricos. Marconi e Lakatos (2001, p 43) contribuem informando que: A pesquisa pode ser considerada um procedimento formal com método de pensamento reflexivo que requer um tratamento científico e se constitui no caminho para se conhecer a realidade ou para se descobrir verdades parciais. Significa muito mais do que apenas procurar a verdade: é encontrar respostas para questões propostas, utilizando métodos científicos. De acordo ainda com Gil (2002), numa pesquisa explicativa, a preocupação central é identificar os fatores que determinam ou que colaboram para a ocorrência do acontecimento dos fenômenos, sendo o tipo que mais aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica a razão, o porquê das coisas, caracterizado assim como o tipo mais complexo e delicado. Quanto à escolha pela abordagem qualitativa foi por permitir respostas a questões muito particulares, preocupando-se com um universo que não pode ser operacionalizado, tornando possíveis explicações e compreensões dos fenômenos observados, através da interpretação conforme o ponto de vista do pesquisador. Sobre este aspecto MARCONI e LAKATOS (2001) salienta que o método qualitativo aplica-se ao estudo das relações, das representações, das crenças, dos olhares e percepções do sujeito investigador. Assim, por meio da subjetividade apreendendo os significados que são construídos pelos sujeitos a partir das suas relações de vida. 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Sistematização Sistematização é um conceito que vem sendo utilizado para designar uma forma metodológica de elaboração do conhecimento. Assim, sistematização é mais do que organização de dados, é um conjunto de práticas e conceitos que propiciam a reflexão e a reelaboração do pensamento, a partir do conhecimento da realidade, com o objetivo de transformar educandos e educadores do processo de formação de sujeitos do conhecimento e agentes transformadores em sua localidade. Ao sistematizar, não só se atenta aos acontecimentos, seu comportamento evolução, como também às interpretações que os sujeitos têm sobre eles. Cria-se, assim, um espaço para que essas interpretações sejam discutidas, compartilhadas e confrontadas. 2.2 SAE Florence Naghtingale, a percussora da iniciação cientifica da enfermagem, observando a necessidade da prestação de uma assistência mais integral e sistematizada ao paciente e diferenciando a enfermagem do modelo biomédico, ela estabelece que o cuidar em enfermagem necessita de um direcionamento na assistência (TANNURE E GONSALVES, 2008). Apesar do processo de enfermagem ter sido implantado no Brasil desde a década de 70, adotado por Wanda Horta, somente em 2002 a SAE recebeu apoio legal do COFEN, pela Resolução nº 272, para ser utilizada no Brasil, nas instituições de saúde brasileiras. Observando as dificuldades práticas dessa metodologia nas instituições de saúde atualmente percebe-se que essa resolução talvez não ofereça todo o apoio que a implantação da SAE exige (HERMIDA e ARAÚJO, 2006). Hermida e Araújo, (2006) colaboram ainda afirmando que a sistematização de cuidados de Enfermagem passou a ser obrigatória nas instituições e saúde em agosto de 2002, através da resolução 272 / 2002 do COFEN: artigo 2°- “A implementação da Assistência de Enfermagem deve ocorrer em toda instituição de saúde, publica e privada”. Esse instrumento proporciona não apenas uma melhora na qualidade da assistência aos clientes, mas também confere ao profissional enfermeiro uma maior autonomia em suas ações, um respaldo legal através dos registros de enfermagem, além de promover um maior vinculo entre o enfermeiro e seu cliente e no desenvolvimento de uma enfermagem com característica cientifica. A SAE favorece a enfermagem uma pratica fundamentada em conhecimentos científicos, além de organizar os serviços nas instituições de saúde, e requer do profissional um conhecimento acerca das etapas que constituem esse processo. O Processo de Enfermagem é considerado como a base de sustentação da SAE, constituído por cinco fases ou etapas que envolvem o histórico de enfermagem identificando os problemas de saúde do cliente, o delineamento do diagnóstico de enfermagem, planejamento de enfermagem, a implementação de enfermagem através das ações planejadas e avaliação de enfermagem ou evolução de enfermagem. Brunner & Suddath (2005, p 36), complementa afirmando que: O processo de enfermagem é uma abordagem de resolução de problemas deliberada para atender às necessidades de cuidado de saúde e de enfermagem de uma pessoa. Embora as etapas do processo de enfermagem sejam apresentadas de varias maneiras por diferentes autores, as etapas comuns entre eles são o histórico, diagnostico, planejamento, implementação e evolução. Nessa perspectiva Hermida e Araújo (2006) reforçam que apesar de vários autores apontarem as etapas do processo de enfermagem, estes não descrevem todas as etapas, assim como na sequência sendo estas, o reconhecimento da realidade institucional, sensibilizar toda a equipe de enfermagem para a implantação da SAE, definir a missão, filosofia e objetivos do Serviço de enfermagem da instituição, preparo intelectual (teórico) da equipe de enfermagem, definição do Referencial Teórico, elaboração dos instrumentos do processo de Enfermagem, preparo prático para a implementação da SAE, pois retratam experiências, e estas são particulares, estão permeadas de especificidades e fazem parte de um contexto que também é específico a cada instituição. 2.3 HTLV Vírus isolado pela primeira vez no início da década de 1980 o HTLV-1, caracteriza-se como um vírus oncogênico, sendo o primeiro retrovírus humano a ser descrito, foi inicialmente diagnosticado em um paciente portador de linfoma cutâneo de células T, e depois associado a patologias neurológicas como: paraparesia espástica tropical/mielopatia associada ao HTLV (HAM/TSP) e doenças oncológicas como leucemias de células T. Posteriormente em 1982 o HTLV-2 foi identificado em um paciente portador de leucemia de células pilosas, o qual apresentava diferenças antigênicas ao HTLV 1 (KROON, PROIETTI, 2006). Mais recentemente, em 2005, foram identificados dois novos tipos: denominados HTLV-3 e HTLV-4, sendo estes reconhecidos simplesmente pela definição da sequência do seu genoma por reação em cadeia polimerase (PCR), entretanto sua biologia e associação com doenças até o momento são desconhecidas (SANTOS, ROMANOS, WIGG, 2008) O HTLV pertence à Família Retroviridae, Subfamília: Orthoretrovirinae e ao Gênero: Deltaretrovírus, atualmente se conhece quatro tipos de HTLV (HTLV-1, HTLV-2, HTLV-3 e HTLV-4). Em relação à origem destes vírus, provavelmente devem ter surgido do contato entre o homem e primatas não humanos infectados com STVL (vírus Linfotrópico de células T de símios). A análise da sequência nucleótidica dos dois vírus mostrou um elevado grau de homologia entre o HTLV e o STLV (KROON & PROIEETTI, 2006). Os vírus Linfotrópico de células T humanas (HTLV-1 e HTLV-2) possuem propriedades biológicas semelhantes, apresentando uma preferência pelos linfócitos T. Contudo, o HTLV apresenta e uma associação com raras doenças que estimulam uma proliferação destas células, podendo desencadear a leucemia, que é normalmente fatal. Este microrganismo pode também causar uma síndrome de desmielinizarão conhecida como paraparesia espástica tropical (PET) ou mielopatia associada ao HTLV-1 (SANTOS et al., 2009). Em relação aos dois tipos de HTLVs (HTLV-3 e HTLV-4) identificados mais recentemente em indivíduos da Republica de Camarões que tiveram contato com primatas não-humanos, estes vírus são reconhecidos apenas pela definição da sequência de seu genoma por reação em cadeia polimerase (PCR), no entanto sua biologia e patologia associadas até o momento são desconhecidas. (ROMANOS et al., 2008) O diagnóstico laboratorial do HTLV acontece apenas em grandes centros de pesquisa devido à necessidade de infra-estrutura especial, além dos reagentes e equipamentos ser custódiosos, reduzindo a capacidade diagnóstica (SANTOS, LIMA, 2005). Entretanto desde 1993 após a obrigatoriedade da triagem sorológica para doadores em bancos de sangue são uma das principais formas de diagnóstico desta infecção, contribuindo significativamente para a redução da transmissão através da transfusão sanguínea. Como apresentado no fluxograma a seguir. (TAYLOR, 1996; PROIETTI et al., 2002). Amostra (Soro ou Plasma) Teste de Triagem (Elisa ou aglutinação de partículas) Reagente Indeterminado Não reagente Repetir em duplicada Reagente Não Reagente WB e/ou PCR HTLV-I HTLV-II Ind Neg Fluxograma dos testes diagnósticos para o HTLV-I/II. Adaptado de Proietti et al., 2002. Este patógeno apesar de ser pouco conhecido, encontra-se presente em várias regiões do país sendo que a capital do estado da Bahia destaca-se entre as cidades com maior número de casos de HTLV, tornando imprescindível que os profissionais atuantes nas unidades básicas de saúde deste estado detenham conhecimentos sobre esta patologia (BRITTO, et al., 1998). De acordo com Loureiro (2008), os portadores do HTLV demonstraram uma alta carga viral. Em relação à idade constatou-se um aumento da freqüência viral em relação ao aumento da idade, principalmente a partir dos quarenta anos de idade, assim como houve uma maior prevalência entre pacientes do sexo feminino. Em todo o mundo acredita-se que cerca de 15 a 20 milhões de pessoas estejam infectadas pelo HTLV, no entanto grande parte destes portadores são assintomáticos. No Brasil o vírus foi identificado pela primeira vez no ano de 1986, o qual se encontra presente em diversas regiões do país, sendo que a Bahia encontrase entre os estados com o maior índice de prevalência da infecção (ROMANOS et al., 2008). A infecção causada pelo HTLV encontra-se endêmica em alguns países como Brasil, o sudoeste do Japão, ilhas do Caribe (Jamaica e Trinidad-Tobago), África equatorial, America do sul, entre todos os países o Brasil se destaca apresentando o maior número absoluto de casos de HTLV, sendo que esta infecção encontra-se prevalente em algumas regiões brasileiras, no entanto seu índice encontra-se mais significativo em alguns estados, ou seja, em áreas geográficas definidas, dentre eles Bahia, Pernambuco e Pará (PROIETTI et al., 2002). Proietti et al. (2002) salientam ainda, que a infecção pelo HTLV no Brasil possivelmente tenha se instalado através da miscigenação após a chegada de escravos vindos da África pelo tráfico assim como pela imigração japonesa. Os primeiros diagnósticos foram realizados no estado do Ceará e em São Paulo no ano de 1989, e posteriormente em outras regiões do país, entretanto apesar de ser uma infecção pouco conhecida pela população brasileira, o HTLV está presente em vários estados do país, contudo a falta de conhecimento sobre as características do vírus acaba afetando a prevenção da infecção tornando cada vez maior o número de portadores. 2.4 USF O Brasil passava por várias dificuldades na área da saúde, principalmente em relação ao nível básico de atenção à saúde e, após analisar o modelo de rede básica utilizado pelo governo cubano o MS (Ministério da Saúde) decidiu então reproduzir esta organização como estratégia, tendo em vista uma melhoria do nível de saúde da população brasileira. (GIOVANELLA et al.2009 ) Inicialmente o Programa Saúde da Família foi implantado no município de São Paulo, ao nível experimental, para depois ser implantado em âmbito nacional, esta proposta foi inserida na intenção de modificar o sistema de atenção à saúde da população brasileira, fortalecendo a atenção básica como porta de entrada aos serviços e incentivando as ações promoção, prevenção e recuperação da saúde. (MACHADO, LIMA e VIANA 2008) Assim, em 1994 o Ministério da Saúde implanta no Brasil o programa de Saúde da Família, um modelo de prestação de serviço à comunidade focada na atenção primária, visando prestar assistência realizando ações de nível primário à saúde da população alvo, funcionando como a porta de entrada da população aos serviços de saúde visando assim, a redução da aglomeração de pessoas buscando serviços nos níveis secundários de atenção (MURTA, 2006). Giovanella et al., (2009) evidenciam que se considerando a importância da Unidade Saúde da Família, como centro de atenção básica contribuindo por meio de atividades integrais para constituir a porta de entrada da população aos serviços de saúde, na tentativa de ser o primeiro contato destes usuários aos serviços assim como disponibilizar acompanhamento rotineiro e de continuidade da atenção, efetivando a regulação dos serviços de referências e contra-refêrencias dos níveis de atenção mais complexos. Machado, Lima, Viana (2008) contribuem afirmando que para um eficiente funcionamento desta unidade destaca-se a importância de profissionais capacitados e comprometidos com seu trabalho assim como com a saúde de seus pacientes, existe também a importância em relação ao financiamento desta unidade. Aliado a equipe de enfermagem fazendo o elo USF / comunidade encontra-se o agente comunitário de Saúde caracterizando-se como o principal vínculo de ligação dos usuários com a unidade de Saúde, identificando as necessidades desses usuários, realizando por meio de visitas de acompanhamento das famílias de sua área de abrangência, além de informar aos demais membros da equipe, sobre a real situação destas famílias. Segundo Brasil (2006), a Saúde da Família deve ser entendida como uma estratégia de reorientação do modelo assistencial, operacionalizada perante a implantação de equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde. Dessa forma, esta equipe passa a ser responsável pelo acompanhamento de um número definido de famílias em uma determinada área de abrangência, atuando com diferentes ações de saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais freqüentes, além da manutenção da saúde da comunidade. Segundo Ribeiro (2011), observa-se um desconhecimento significativo dos profissionais atuantes na USF sobre o HTLV, o que dificulta ainda mais a atuação integral a estes pacientes. 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS Com base nas literatura consultada, foi possível concluir que apesar de ser mais utilizado no ambiente hospitalar, a sistematização da assistência de enfermagem em uma USF representa um importante aspecto para se estabelecer uma assistência de enfermagem de qualidade tanto na consulta de enfermagem quanto na assistência prestada durante a visita domiciliar dos pacientes portadores de HTLV. Este estudo também constata que o enfermeiro atuante em uma USF exerce um papel fundamental na continuidade da assistência aos portadores de HTLV, uma vez que parte destes pacientes encontra-se debilitados devido às doenças associadas a este microrganismo, e quanto maior o número de necessidades afetadas do cliente, maior é a necessidade de se planejar a assistência reforçando assim importância da realização do processo de enfermagem, pois a sistematização das ações visa principalmente organização e eficiência da assistência prestada, buscando uma garantia na assistência, assim como a melhoria na qualidade de vida destes pacientes. Portanto, todas as etapas do processo de enfermagem representam grande importância para o acompanhamento de pacientes acometidos por este patógeno, dentre estes cita-se a prescrição de enfermagem, que é caracterizada como um conjunto de medidas determinadas pelo enfermeiro, que direciona e coordena a assistência de enfermagem ao paciente de forma individualizada e contínua, objetivando a recuperação e manutenção da saúde, contribuindo também com o incentivo para o auto cuidado, quando necessário. Neste sentido, verificou-se que o enfermeiro deve dispor de uma visão ampla acerca da utilização da SAE como instrumento para uma melhoria na prestação da assistência a estes pacientes na Unidade que estes pacientes são cadastrados, tornando a assistência mais holística tendo como proposta o cuidar, atuando na promoção da saúde deste indivíduo. Espera-se que a abordagem do tema neste estudo contribua conscientizando enfermeiros atuantes nas USF a iniciarem o processo de implantação e utilização da SAE no cuidado a pacientes portadores de HTLV, pois ao utilizar anotações de enfermagem, o profissional adquire um conhecimento individual do paciente, interferindo de forma positiva em seu tratamento, além de que muitas considerações descritas podem ser utilizadas como o respaldo de seu trabalho, valorização do serviço, contribuição com o trabalho da Equipe de saúde e principalmente com o tratamento do paciente. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília: DAB / Ministério da Saúde; 2006. BETTIOL, Líria Maria. Saúde e participação popular em questão: O programa Saúde da família. São Paulo: Editora Unesp, 2006. BRITTO, Ana Pavlova C. R. et al. Infecção pelo HTLV I/II no estado da Bahia. 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Within the context of patient care carrier of HTLV, professionals working in the Basic Health Units should have knowledge about the application of SAE to contribute in improving the quality of care. Aims to highlight the importance of using the SAE as an instrument of care to patients with HTLV family health unit. We performed a literature search of explanatory qualitative approach, from a survey of the main and most recent literature in the area to the theoretical basis, and also conducted a literature review of some national journals, which permeate all stages of the work. The results of this research show that despite being more used in the hospital environment, the SAE in a USF is an important aspect for establishing a quality nursing care to patients with HTLV, because when using the nursing process, the professional acquires a knowledge of the individual patient, interfering positively in their treatment, demonstrating that the active nurse in a USF plays a key role in the continuity of care to patients with HTLV, since some of these patients are frail due to disease associated with this microorganism. PALVRAS KEY: Systematization, Instrument, Nursing.