ASSOCIAÇÃO CULTURAL
PÓS-GRADUAÇÃO LATU SENSU EM
ENFERMAGEM EM SAÚDE PÚBLICA
ELISIANE DA MOTTA RIBEIRO
SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM
COMO INSTRUMENTO DE CUIDADO AO PACIENTE
PORTADOR DE HTLV NA UNIDADE SAÚDE DA FAMÍLIA
SALVADOR - BA
2012
ELISIANE DA MOTTA RIBEIRO
SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM
COMO INSTRUMENTO DE CUIDADO AO PACIENTE
PORTADOR DE HTLV NA UNIDADE SAÚDE DA FAMÍLIA
Artigo apresentado a ATUALIZA Associação
Cultural, como requisito parcial para obtenção
do titulo de Especialista em Enfermagem em
Saúde Pública, sob orientação do Professor
Fernando Reis Espirito Santo.
SALVADOR - BA
2012
Dedico este trabalho inicialmente a Deus; Ao meu esposo Sido
e meu filho Netinho, pelo amor, carinho e incentivo, e aos meus
pais Edmundo e Dulce, pelo apoio e compreensão.
AGRADECIMENTOS
Primeiramente a Deus, fonte de luz e sabedoria por nos conceder o dom da
vida, nos dando força e coragem e estando comigo durante toda a trajetória, por
todos os momentos de alegria e boas surpresas, e pelo crescimento pessoal que
mim proporcionou durante este período, sem ele nada seria possível.
Ao meu orientador Prof. Fernando Reis, pelos ensinamentos, e todo apoio e
paciência durante o processo de orientação.
Aos meus pais Edmundo e Dulce por me conceder a vida e a minha
educação, pelo esforço, determinação, dedicação e compreensão em todos os
momentos desta caminhada.
Ao meu Esposo Sido e ao meu filho Edmundo “Netinho” por todo carinho e
incentivo sempre me dando forças para superar cada desafio. Motivos pelos quais
concluo mais uma etapa de um grande sonho com honra e orgulho de ter ao meu
lado pessoas únicas e tão especiais que sempre estavam presentes nos momentos
difíceis.
Aos meus irmãos Edmundo “Junior” e Elísia, pelo apoio, força, carinho e
incentivo constante. Aos meus cunhados que sempre torceram pelo meu sucesso,
em especial a Jonas e Bira e meu sobrinho João Gabriel pelo apoio, estando sempre
de braços abertos em minha hospedagem durante os finais de semana da pós e
terem sempre uma palavra de conforto.
A todos meus colegas da turma de Pós-graduação em Saúde Pública por
todos os momentos que passamos juntas, que com certeza ficarão guardados em
meu coração, em especial as colegas Ana Maria e Sandra, pelo carinho e
companheirismo que estiveram presentes em diversos momentos desta caminhada
me apoiando intensamente e ajudando a enfrentar os obstáculos.
Meu muito obrigada pelo fato de vocês existirem e fazerem parte de minha
vida e da realização de um grande sonho.
“O sucesso nasce do querer, da determinação e
persistência em se chegar a um objetivo. Mesmo não
atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos, no
mínimo fará coisas admiráveis."
José de Alencar
SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM
COMO INSTRUMENTO DE CUIDADO AO PACIENTE
PORTADOR DE HTLV NA UNIDADE SAÚDE DA FAMÍLIA
¹ Elisiane da Motta Ribeiro
² Fernando Reis Espirito Santo (Orientador)
Resumo
O presente artigo expõe uma analise sobre a relevância da Sistematização da
Assistência de enfermagem para a prestação de uma assistência de qualidade ao
paciente portador do Vírus Linfotrópico de células T humanas, buscando o bem estar
deste paciente, assim como favorecendo ao profissional uma pratica planejada e
fundamentada em conhecimentos científicos. Dentro do contexto da assistência ao
paciente portador do HTLV, os profissionais atuantes nas Unidades Básicas de
Saúde devem dispor de conhecimentos sobre a aplicação da SAE para contribuir na
melhoria da qualidade da assistência. Tem como objetivo evidenciar a importância
da utilização da SAE como instrumento de cuidado ao paciente portador de HTLV na
unidade saúde da família. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica explicativa de
abordagem qualitativa, a partir um levantamento sobre as principais e mais recente
literaturas na área para o embasamento teórico, sendo também realizado um
levantamento bibliográfico de alguns periódicos nacionais, que permeará todas as
etapas do trabalho. Os resultados da presente pesquisa nos mostram que apesar de
ser mais utilizado no ambiente hospitalar, a SAE em uma USF representa um
importante aspecto para se estabelecer uma assistência de enfermagem de
qualidade aos pacientes portadores de HTLV, pois ao utilizar o processo de
enfermagem, o profissional adquire um conhecimento individual do paciente,
interferindo de forma positiva em seu tratamento, demonstrando que o enfermeiro
atuante em uma USF exerce um papel fundamental na continuidade da assistência
aos portadores de HTLV, uma vez que parte destes pacientes encontra-se
debilitados devido às doenças associadas a este microrganismo.
Palavras-Chave: Sistematização, Instrumento, Enfermagem.
_______________________________________________________________________________
¹ Bacharel em enfermagem pela Faculdade Maria Milza
² Dr. em Educação PUC/SP – Professor da UFBA
1
INTRODUÇÃO
• Apresentação do objeto de estudo
A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é uma atividade
utilizada com o objetivo de auxiliar e direcionar o profissional de enfermagem,
tornando a pratica da assistência fundamentada em conhecimentos científicos,
organizando os serviços nas instituições de saúde e requer do profissional de
enfermagem um conhecimento acerca das etapas do processo de enfermagem
(MENEZES, PRIEL e PEREIRA, 2011).
O Processo de Enfermagem (PE), é o método de apoio utilizado para SAE,
organizado em cinco fases ou etapas que envolvem o histórico de enfermagem, o
delineamento do diagnóstico de enfermagem, planejamento de enfermagem, a
implementação de enfermagem e avaliação de enfermagem ou evolução de
enfermagem.
O vírus Linfotrópico de células T Humanas (HTLV) retrovírus isolado no ano de
1980 a partir de um paciente com um tipo raro de leucemia de células T. Subdividese em dois tipos principais: HTLV-I, que está implicado em doença neurológica e
leucemia, e HTLV-II, que está pouco evidenciado como causa de doença (KROON e
PROIETTI, 2006).
Em todo o mundo acredita-se que cerca de 15 a 20 milhões de pessoas
estejam infectadas pelo HTLV, no entanto grande parte destes portadores são
assintomáticos. No Brasil o vírus foi identificado pela primeira vez no ano de 1986, o
qual se encontra presente em diversas regiões do país, sendo que a Bahia está
entre os estados com o maior índice de prevalência da infecção (SANTOS,
ROMANOS e WIGG, 2008)
O Programa Saúde da Família, hoje denominado Estratégia Saúde de Família
caracteriza-se como uma proposta que foi implantada no Brasil no ano de 1994,
utilizando como modelo o sistema cubano de assistência familiar, foi implantado pelo
ministério da saúde brasileiro visando reorganizar a assistência prestada á
população, tendo como principal objetivo a priorização das ações de prevenção,
promoção e recuperação da saúde, direcionado ao atendimento familiar, e
articulando essas ações com as demais políticas existentes na atenção básica.
(BETTIOL, 2006).
Com o propósito de contribuir para a continuidade da assistência e tratamento da
sintomatologia das doenças associadas ao Vírus linfotrópicos de células T
Humanas, os profissionais de enfermagem atuantes nas Unidades Básicas de
Saúde, devem dispor de conhecimentos sobre a aplicação da SAE para contribuir na
melhoria da qualidade da assistência, pois observa-se que a utilização da
sistematização da assistência de enfermagem em uma USF apresenta um
importante aspecto para se estabelecer uma assistência de enfermagem integral aos
pacientes portadores de HTLV.
• Justificativa
Estudos prévios demonstram um percentual significativo de portadores de HTLV
em todo pais, sendo a capital do estado da Bahia está entre os estados onde esse
número é mais significativo. Desta forma, observando a prevalência de portadores
em nosso estado, a justificativa para a realização desta pesquisa é a identificação da
importância da sistematização da assistência de enfermagem como instrumento de
cuidado ao paciente portador de HTLV na unidade saúde da família e sua
contribuição para um atendimento integral aos pacientes portadores deste vírus.
Esta pesquisa justifica-se também pela possibilidade de demonstrar a
importância da sistematização da assistência de enfermagem como instrumento de
coleta registro e avaliação, utilizada para pratica da equipe como ferramenta de
cuidado ao paciente portador de HTLV na unidade saúde da família.
• Problema
Qual a importância da utilização da sistematização da assistência de
enfermagem como instrumento de cuidado ao paciente portador de HTLV na
unidade saúde da família?
• Objetivo
Evidenciar através da literatura, a importância da utilização da Sistematização
da Assistência de Enfermagem como instrumento de cuidado ao paciente portador
de HTLV na unidade saúde da família.
• Metodologia
Para atingir os objetivos propostos será utilizada uma pesquisa bibliográfica
explicativa de abordagem qualitativa.
Por tratar-se de uma pesquisa bibliográfica, inicialmente foi realizado um
levantamento sobre as principais e mais recente literaturas na área, para o
embasamento teórico, sendo também realizado um levantamento bibliográfico de
alguns periódicos nacionais publicados na Biblioteca Virtual em Saúde (BIREME),
assim como no Scientific Eletronic Library Online (SCIELO), durante o período de
construção do trabalho que permeará todas as etapas de construção do trabalho.
Gil (2002) destaca que a pesquisa bibliográfica é produzida exclusivamente a
partir de um material desenvolvido anteriormente, composto principalmente a partir
de livros e artigos científicos os quais podem ser classificadas em diversos gêneros,
permitindo ao pesquisador uma grande quantidade de informações, podendo ser
atuais ou a partir de estudos históricos.
Marconi e Lakatos (2001, p 43) contribuem informando que:
A pesquisa pode ser considerada um procedimento formal com
método de pensamento reflexivo que requer um tratamento científico
e se constitui no caminho para se conhecer a realidade ou para se
descobrir verdades parciais. Significa muito mais do que apenas
procurar a verdade: é encontrar respostas para questões propostas,
utilizando métodos científicos.
De acordo ainda com Gil (2002), numa pesquisa explicativa, a preocupação
central é identificar os fatores que determinam ou que colaboram para a ocorrência
do acontecimento dos fenômenos, sendo o tipo que mais aprofunda o conhecimento
da realidade, porque explica a razão, o porquê das coisas, caracterizado assim
como o tipo mais complexo e delicado.
Quanto à escolha pela abordagem qualitativa foi por permitir respostas a
questões muito particulares, preocupando-se com um universo que não pode ser
operacionalizado, tornando possíveis explicações e compreensões dos fenômenos
observados, através da interpretação conforme o ponto de vista do pesquisador.
Sobre este aspecto MARCONI e LAKATOS (2001) salienta que o método qualitativo
aplica-se ao estudo das relações, das representações, das crenças, dos olhares e
percepções do sujeito investigador. Assim, por meio da subjetividade apreendendo
os significados que são construídos pelos sujeitos a partir das suas relações de vida.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1
Sistematização
Sistematização é um conceito que vem sendo utilizado para designar uma forma
metodológica de elaboração do conhecimento. Assim, sistematização é mais do que
organização de dados, é um conjunto de práticas e conceitos que propiciam a
reflexão e a reelaboração do pensamento, a partir do conhecimento da realidade,
com o objetivo de transformar educandos e educadores do processo de formação de
sujeitos do conhecimento e agentes transformadores em sua localidade.
Ao sistematizar, não só se atenta aos acontecimentos, seu comportamento
evolução, como também às interpretações que os sujeitos têm sobre eles. Cria-se,
assim, um espaço para que essas interpretações sejam discutidas, compartilhadas e
confrontadas.
2.2
SAE
Florence Naghtingale, a percussora da iniciação cientifica da enfermagem,
observando a necessidade da prestação de uma assistência mais integral e
sistematizada ao paciente e diferenciando a enfermagem do modelo biomédico, ela
estabelece que o cuidar em enfermagem necessita de um direcionamento na
assistência (TANNURE E GONSALVES, 2008).
Apesar do processo de enfermagem ter sido implantado no Brasil desde a
década de 70, adotado por Wanda Horta, somente em 2002 a SAE recebeu apoio
legal do COFEN, pela Resolução nº 272, para ser utilizada no Brasil, nas instituições
de saúde brasileiras. Observando as dificuldades práticas dessa metodologia nas
instituições de saúde atualmente percebe-se que essa resolução talvez não ofereça
todo o apoio que a implantação da SAE exige (HERMIDA e ARAÚJO, 2006).
Hermida e Araújo, (2006) colaboram ainda afirmando que a sistematização de
cuidados de Enfermagem passou a ser obrigatória nas instituições e saúde em
agosto de 2002, através da resolução 272 / 2002 do COFEN: artigo 2°- “A
implementação da Assistência de Enfermagem deve ocorrer em toda instituição de
saúde, publica e privada”. Esse instrumento proporciona não apenas uma melhora
na qualidade da assistência aos clientes, mas também confere ao profissional
enfermeiro uma maior autonomia em suas ações, um respaldo legal através dos
registros de enfermagem, além de promover um maior vinculo entre o enfermeiro e
seu cliente e no desenvolvimento de uma enfermagem com característica cientifica.
A SAE favorece a enfermagem uma pratica fundamentada em conhecimentos
científicos, além de organizar os serviços nas instituições de saúde, e requer do
profissional um conhecimento acerca das etapas que constituem esse processo.
O Processo de Enfermagem é considerado como a base de sustentação da SAE,
constituído por cinco fases ou etapas que envolvem o histórico de enfermagem
identificando os problemas de saúde do cliente, o delineamento do diagnóstico de
enfermagem, planejamento de enfermagem, a implementação de enfermagem
através das ações planejadas e avaliação de enfermagem ou evolução de
enfermagem.
Brunner & Suddath (2005, p 36), complementa afirmando que:
O processo de enfermagem é uma abordagem de resolução de
problemas deliberada para atender às necessidades de cuidado de
saúde e de enfermagem de uma pessoa. Embora as etapas do
processo de enfermagem sejam apresentadas de varias maneiras
por diferentes autores, as etapas comuns entre eles são o histórico,
diagnostico, planejamento, implementação e evolução.
Nessa perspectiva Hermida e Araújo (2006) reforçam que apesar de vários
autores apontarem as etapas do processo de enfermagem, estes não descrevem
todas as etapas, assim como na sequência sendo estas, o reconhecimento da
realidade institucional, sensibilizar toda a equipe de enfermagem para a implantação
da SAE, definir a missão, filosofia e objetivos do Serviço de enfermagem da
instituição, preparo intelectual (teórico) da equipe de enfermagem, definição do
Referencial Teórico, elaboração dos instrumentos do processo de Enfermagem,
preparo prático para a implementação da SAE, pois retratam experiências, e estas
são particulares, estão permeadas de especificidades e fazem parte de um contexto
que também é específico a cada instituição.
2.3
HTLV
Vírus isolado pela primeira vez no início da década de 1980 o HTLV-1,
caracteriza-se como um vírus oncogênico, sendo o primeiro retrovírus humano a ser
descrito, foi inicialmente diagnosticado em um paciente portador de linfoma cutâneo
de células T, e depois associado a patologias neurológicas como: paraparesia
espástica tropical/mielopatia associada ao HTLV (HAM/TSP) e doenças oncológicas
como leucemias de células T. Posteriormente em 1982 o HTLV-2 foi identificado em
um paciente portador de leucemia de células pilosas, o qual apresentava diferenças
antigênicas ao HTLV 1 (KROON, PROIETTI, 2006).
Mais recentemente, em 2005, foram identificados dois novos tipos:
denominados HTLV-3 e HTLV-4, sendo estes reconhecidos simplesmente pela
definição da sequência do seu genoma por reação em cadeia polimerase (PCR),
entretanto sua biologia e associação com doenças até o momento são
desconhecidas (SANTOS, ROMANOS, WIGG, 2008)
O HTLV pertence à Família Retroviridae, Subfamília: Orthoretrovirinae e ao
Gênero: Deltaretrovírus, atualmente se conhece quatro tipos de HTLV (HTLV-1,
HTLV-2, HTLV-3 e HTLV-4). Em relação à origem destes vírus, provavelmente
devem ter surgido do contato entre o homem e primatas não humanos infectados
com STVL (vírus Linfotrópico de células T de símios).
A análise da sequência
nucleótidica dos dois vírus mostrou um elevado grau de homologia entre o HTLV e o
STLV (KROON & PROIEETTI, 2006).
Os vírus Linfotrópico de células T humanas (HTLV-1 e HTLV-2) possuem
propriedades biológicas semelhantes, apresentando uma preferência pelos linfócitos
T. Contudo, o HTLV apresenta e uma associação com raras doenças que estimulam
uma proliferação destas células, podendo desencadear a leucemia, que é
normalmente fatal. Este microrganismo pode também causar uma síndrome de
desmielinizarão conhecida como paraparesia espástica tropical (PET) ou mielopatia
associada ao HTLV-1 (SANTOS et al., 2009).
Em relação aos dois tipos de HTLVs (HTLV-3 e HTLV-4) identificados mais
recentemente em indivíduos da Republica de Camarões que tiveram contato com
primatas não-humanos, estes vírus são reconhecidos apenas pela definição da
sequência de seu genoma por reação em cadeia polimerase (PCR), no entanto sua
biologia e patologia associadas até o momento são desconhecidas. (ROMANOS et
al., 2008)
O diagnóstico laboratorial do HTLV acontece apenas em grandes centros de
pesquisa devido à necessidade de infra-estrutura especial, além dos reagentes e
equipamentos ser custódiosos, reduzindo a capacidade diagnóstica (SANTOS,
LIMA, 2005). Entretanto desde 1993 após a obrigatoriedade da triagem sorológica
para doadores em bancos de sangue são uma das principais formas de diagnóstico
desta infecção, contribuindo significativamente para a redução da transmissão
através da transfusão sanguínea. Como apresentado no fluxograma a seguir.
(TAYLOR, 1996; PROIETTI et al., 2002).
Amostra
(Soro ou Plasma)
Teste de Triagem
(Elisa ou aglutinação de partículas)
Reagente
Indeterminado
Não reagente
Repetir em duplicada
Reagente
Não Reagente
WB e/ou PCR
HTLV-I
HTLV-II
Ind
Neg
Fluxograma dos testes diagnósticos para o HTLV-I/II. Adaptado de Proietti et al., 2002.
Este patógeno apesar de ser pouco conhecido, encontra-se presente em
várias regiões do país sendo que a capital do estado da Bahia destaca-se entre as
cidades com maior número de casos de HTLV, tornando imprescindível que os
profissionais atuantes nas unidades básicas de saúde deste estado detenham
conhecimentos sobre esta patologia (BRITTO, et al., 1998).
De acordo com Loureiro (2008), os portadores do HTLV demonstraram uma
alta carga viral. Em relação à idade constatou-se um aumento da freqüência viral em
relação ao aumento da idade, principalmente a partir dos quarenta anos de idade,
assim como houve uma maior prevalência entre pacientes do sexo feminino.
Em todo o mundo acredita-se que cerca de 15 a 20 milhões de pessoas
estejam infectadas pelo HTLV, no entanto grande parte destes portadores são
assintomáticos. No Brasil o vírus foi identificado pela primeira vez no ano de 1986, o
qual se encontra presente em diversas regiões do país, sendo que a Bahia encontrase entre os estados com o maior índice de prevalência da infecção (ROMANOS et
al., 2008).
A infecção causada pelo HTLV encontra-se endêmica em alguns países como
Brasil, o sudoeste do Japão, ilhas do Caribe (Jamaica e Trinidad-Tobago), África
equatorial, America do sul, entre todos os países o Brasil se destaca apresentando o
maior número absoluto de casos de HTLV, sendo que esta infecção encontra-se
prevalente em algumas regiões brasileiras, no entanto seu índice encontra-se mais
significativo em alguns estados, ou seja, em áreas geográficas definidas, dentre eles
Bahia, Pernambuco e Pará (PROIETTI et al., 2002).
Proietti et al. (2002) salientam ainda, que a infecção pelo HTLV no Brasil
possivelmente tenha se instalado através da miscigenação após a chegada de
escravos vindos da África pelo tráfico assim como pela imigração japonesa. Os
primeiros diagnósticos foram realizados no estado do Ceará e em São Paulo no ano
de 1989, e posteriormente em outras regiões do país, entretanto apesar de ser uma
infecção pouco conhecida pela população brasileira, o HTLV está presente em
vários estados do país, contudo a falta de conhecimento sobre as características do
vírus acaba afetando a prevenção da infecção tornando cada vez maior o número de
portadores.
2.4
USF
O Brasil passava por várias dificuldades na área da saúde, principalmente em
relação ao nível básico de atenção à saúde e, após analisar o modelo de rede
básica utilizado pelo governo cubano o MS (Ministério da Saúde) decidiu então
reproduzir esta organização como estratégia, tendo em vista uma melhoria do nível
de saúde da população brasileira. (GIOVANELLA et al.2009 )
Inicialmente o Programa Saúde da Família foi implantado no município de São
Paulo, ao nível experimental, para depois ser implantado em âmbito nacional, esta
proposta foi inserida na intenção de modificar o sistema de atenção à saúde da
população brasileira, fortalecendo a atenção básica como porta de entrada aos
serviços e incentivando as ações promoção, prevenção e recuperação da saúde.
(MACHADO, LIMA e VIANA 2008)
Assim, em 1994 o Ministério da Saúde implanta no Brasil o programa de Saúde
da Família, um modelo de prestação de serviço à comunidade focada na atenção
primária, visando prestar assistência realizando ações de nível primário à saúde da
população alvo, funcionando como a porta de entrada da população aos serviços de
saúde visando assim, a redução da aglomeração de pessoas buscando serviços nos
níveis secundários de atenção (MURTA, 2006).
Giovanella et al., (2009) evidenciam que se considerando a importância da
Unidade Saúde da Família, como centro de atenção básica contribuindo por meio de
atividades integrais para constituir a porta de entrada da população aos serviços de
saúde, na tentativa de ser o primeiro contato destes usuários aos serviços assim
como disponibilizar acompanhamento rotineiro e de continuidade da atenção,
efetivando a regulação dos serviços de referências e contra-refêrencias dos níveis
de atenção mais complexos.
Machado, Lima, Viana (2008) contribuem afirmando que para um eficiente
funcionamento desta unidade destaca-se a importância de profissionais capacitados
e comprometidos com seu trabalho assim como com a saúde de seus pacientes,
existe também a importância em relação ao financiamento desta unidade.
Aliado a equipe de enfermagem fazendo o elo USF / comunidade encontra-se
o agente comunitário de Saúde caracterizando-se como o principal vínculo de
ligação dos usuários com a unidade de Saúde, identificando as necessidades
desses usuários, realizando por meio de visitas de acompanhamento das famílias de
sua área de abrangência, além de informar aos demais membros da equipe, sobre a
real situação destas famílias.
Segundo Brasil (2006), a Saúde da Família deve ser entendida como uma
estratégia de reorientação do modelo assistencial, operacionalizada perante a
implantação de equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde. Dessa
forma, esta equipe passa a ser responsável pelo acompanhamento de um número
definido de famílias em uma determinada área de abrangência, atuando com
diferentes ações de saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e
agravos mais freqüentes, além da manutenção da saúde da comunidade.
Segundo Ribeiro (2011), observa-se um desconhecimento significativo dos
profissionais atuantes na USF sobre o HTLV, o que dificulta ainda mais a atuação
integral a estes pacientes.
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base nas literatura consultada, foi possível concluir que apesar de ser mais
utilizado no ambiente hospitalar, a sistematização da assistência de enfermagem em
uma USF representa um importante aspecto para se estabelecer uma assistência de
enfermagem de qualidade tanto na consulta de enfermagem quanto na assistência
prestada durante a visita domiciliar dos pacientes portadores de HTLV.
Este estudo também constata que o enfermeiro atuante em uma USF exerce um
papel fundamental na continuidade da assistência aos portadores de HTLV, uma vez
que parte destes pacientes encontra-se debilitados devido às doenças associadas a
este microrganismo, e quanto maior o número de necessidades afetadas do cliente,
maior é a necessidade de se planejar a assistência reforçando assim importância da
realização do processo de enfermagem, pois a sistematização das ações visa
principalmente organização e eficiência da assistência prestada, buscando uma
garantia na assistência, assim como a melhoria na qualidade de vida destes
pacientes.
Portanto, todas as etapas do processo de enfermagem representam grande
importância para o acompanhamento de pacientes acometidos por este patógeno,
dentre estes cita-se a prescrição de enfermagem, que é caracterizada como um
conjunto de medidas determinadas pelo enfermeiro, que direciona e coordena a
assistência de enfermagem ao paciente de forma individualizada e contínua,
objetivando a recuperação e manutenção da saúde, contribuindo também com o
incentivo para o auto cuidado, quando necessário.
Neste sentido, verificou-se que o enfermeiro deve dispor de uma visão ampla
acerca da utilização da SAE como instrumento para uma melhoria na prestação da
assistência a estes pacientes na Unidade que estes pacientes são cadastrados,
tornando a assistência mais holística tendo como proposta o cuidar, atuando na
promoção da saúde deste indivíduo.
Espera-se que a abordagem do tema neste estudo contribua conscientizando
enfermeiros atuantes nas USF a iniciarem o processo de implantação e utilização da
SAE no cuidado a pacientes portadores de HTLV, pois ao utilizar anotações de
enfermagem, o profissional adquire um conhecimento individual do paciente,
interferindo de forma positiva em seu tratamento, além de que muitas considerações
descritas podem ser utilizadas como o respaldo de seu trabalho, valorização do
serviço, contribuição com o trabalho da Equipe de saúde e principalmente com o
tratamento do paciente.
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SYSTEMATIZATION NURSING CARE AS A TOOL OF CARE TO
PATIENTS OF HTLV IN UNITY FAMILY HEALTH
ABSTRACT
This article presents an analysis of the relevance of the Systematization of nursing
assistance for the provision of quality care to patients with the T cell lymphotropic
virus human, seeking the welfare of the patient, as well as encouraging the
professional a planned and practiced based on scientific knowledge. Within the
context of patient care carrier of HTLV, professionals working in the Basic Health
Units should have knowledge about the application of SAE to contribute in improving
the quality of care. Aims to highlight the importance of using the SAE as an
instrument of care to patients with HTLV family health unit. We performed a literature
search of explanatory qualitative approach, from a survey of the main and most
recent literature in the area to the theoretical basis, and also conducted a literature
review of some national journals, which permeate all stages of the work. The results
of this research show that despite being more used in the hospital environment, the
SAE in a USF is an important aspect for establishing a quality nursing care to
patients with HTLV, because when using the nursing process, the professional
acquires a knowledge of the individual patient, interfering positively in their treatment,
demonstrating that the active nurse in a USF plays a key role in the continuity of care
to patients with HTLV, since some of these patients are frail due to disease
associated with this microorganism.
PALVRAS KEY: Systematization, Instrument, Nursing.
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sistematização da assistência de enfermagem como instrumento de