Universidade do Minho Escola de Engenharia PROJECTO DE UMA INSTALAÇÃO FOTOVOLTAICA DE 1,5 MW UMinho|2009 Isidro Nuno Da Cruz Vilaça PROJECTO DE UMA INSTALAÇÃO FOTOVOLTAICA DE 1,5 MW Isidro Nuno Da Cruz Vilaça Outubro de 2009 Universidade do Minho Escola de Engenharia Isidro Nuno Da Cruz Vilaça PROJECTO DE UMA INSTALAÇÃO FOTOVOLTAICA DE 1,5 MW Dissertação de Engenharia Eletronica Industrial e Computadores Trabalho efectuado sob a orientação do Professor Doutor João Luiz Afonso Outubro de 2009 É AUTORIZADA A REPRODUÇÃO PARCIAL DESTA TESE APENAS PARA EFEITOS DE INVESTIGAÇÃO, MEDIANTE DECLARAÇÃO ESCRITA DO INTERESSADO, QUE A TAL SE COMPROMETE; Universidade do Minho, ___/___/______ Assinatura: ________________________________________________ Dedicatória Aos meus pais e irmãos, por proporcionem-me educação e a formação vida, básica necessárias para chegar até aqui; À minha mulher por se privar da minha presença e carinho durante muitas noites e fins-de-semana; i Agradecimentos Indeclinavelmente, as minhas primeiras palavras de agradecimento são dirigidas à administração da empresa Bragalux - Montagens Eléctricas, S.A., que tornou possível a realização deste trabalho, na pessoa do Exmo. Eng.º Bruno Rodrigues pelo apoio concedido durante a elaboração do mesmo. Pelo apoio e ajuda na realização deste trabalho, cumpre-me assim agradecer designadamente aos Exmos. Eng.º Luis Romero e ao Eng. Isidoro Lillo pelo acompanhamento na execução da planta solar. Por último cumpre-me ainda agradecer ao Eng.º António Ferreira, pela disponibilidade e acompanhamento que mostrou em todo o período de execução, nas inúmeras viagens a Sevilha. Gostaria também de agradecer de maneira particular ao Professor Doutor João Luiz Afonso, pela cooperação imprescindível que demonstrou no esclarecimento de dúvidas na elaboração deste trabalho e, por se disponibilizar como orientador deste trabalho na Universidade do Minho. Finalmente, não poderia deixar de agradecer à minha família e à minha mulher, que muito me apoiaram ao longo desta dissertação. A Todos a minha gratidão. iii Resumo O aquecimento global tem vindo a preocupar a comunidade científica cada vez mais, já que o uso de combustíveis fósseis e outros processos a nível industrial, levam à acumulação na atmosfera de gases propícios ao Efeito de Estufa, tais como o Dióxido de Carbono, o Metano, o Óxido de Azoto e os CFCs. Este facto poderá originar graves problemas, com custos naturais e económicos irrecuperáveis e intransponíveis, tornando-se assim necessário tomar medidas drásticas de forma a diminuir as emissões de gases de Efeito de Estufa. Posto isto, urge a necessidade de produzir energia sem que para isso se polua o planeta, contribuindo também para o desenvolvimento da economia do País. Esta dissertação apresenta como objectivo o Projecto de uma Instalação Fotovoltaica para a Produção de Energia Eléctrica, com Potência de 1,5 MW. O presente trabalho tem por base a realização de um Projecto de uma Instalação Fotovoltaica Ligada à Rede, com o objectivo da sua implementação e verificação final, esperando com isto contribuir não só para o desenvolvimento da tecnologia, mas também para a qualidade do meio ambiente. As suas principais características são: Utilização de módulos fotovoltaicos de silício. Utilização de inversores, para converter energia contínua DC em alternada AC1. Utilização de protecções nos equipamentos e linhas de distribuição. Produção de Energia Eléctrica, sem utilização de combustíveis fósseis. Elaboração de um projecto de modo a maximizar a produção, minimizando os seus custos. Após a elaboração do respectivo projecto, foi disponibilizado às entidades certificadoras locais, que depois da sua análise e aprovação, foi dada autorização para a sua implementação. O projecto permitiu a implementação de toda a instalação de uma forma simples e eficaz, uma vez que os cálculos utilizados neste, consistiam em dados muito próximos dos reais. Sendo assim, foi possível implementar todo o Parque Fotovoltaico dentro dos prazos previstos, não permitindo o surgimento de indefinições de projecto que poderiam comprometer todo este investimento. Palavras-Chave: Projecto de Instalação Solar Fotovoltaica, Inversor, Módulos Fotovoltaicos, MPPT (Maximum Power Point Tracker – circuito seguidor do ponto de máxima potência), Radiação Solar, Protecções. 1 AC/DC (Alternating Current / Direct Current): Corrente alternada / Corrente Contínua. v Abstract Global warming has increasingly been concerning the scientific community, since the use of fossil fuels and other processes at industrial level, leading to the accumulation of gases in the atmosphere conducive to the Greenhouse Effect, such as carbon dioxide, methane, nitrogen oxide and chlorofluorocarbon. This may lead to serious problems, with natural and economic costs sunk and impassable, making it necessary to take drastic measures to decrease emissions of greenhouse gases. With that being said, there is an urgent need to produce energy without having to pollute the planet, and also contribute to the growth of the country. This dissertation presents the description of a Photovoltaics Installation for the Production of Electricity, with power of 1,5 MW. The present task is based on the realization of a project of a Photovoltaic Installation attached to a power grid, with the objective of its implementation and final verification, hoping with this not only contribute to the development of technology, but also to the quality of the environment. Its main characteristics are: • Use of photovoltaic silicon models. • Use of inverters to convert DC2 power continuously in alternating AC power. • Use of protective equipment and distribution lines. • Production of Electric Energy, without the use of fossil fuels. • Preparation of a project in order to maximize production while minimizing costs. After the elaboration of the project, it was sent to local certified entities, for their review and approval which after was given permission for its implementation. The project permitted the implementation of the entire installation in a simple and effective way, due to the fact of the calculations used, being accurate and approximate to the real data. Thus, it was possible to implement all the Photovoltaic Park on schedule, not allowing the emergence of project uncertainties that could compromise all this investment. Keywords: Solar Photovoltaic Installation Project, Inverter, Photovoltaic Models, MPPT (Maximum Power Point Tracker - circuit follower from the point of maximum power), Solar Radiation, Protection. 2 AC/DC (Alternating Current / Direct Current): Corrente alternada / Corrente Contínua. vii viii Índice DEDICATÓRIA ................................................................................................................ I AGRADECIMENTOS...................................................................................................... III RESUMO .......................................................................................................................V ABSTRACT ...................................................................................................................VII LISTA DE FIGURAS....................................................................................................... XII LISTA DE TABELAS.......................................................................................................XV CAPÍTULO 1 .................................................................................................................. 1 Introdução ............................................................................................................................................. 1 1.1 Identificação do Problema ........................................................................................................ 1 1.2 Motivações do Trabalho............................................................................................................ 2 1.3 Objectivos e Resultados do Trabalho......................................................................................... 3 1.4 Organização da Tese ................................................................................................................. 3 CAPÍTULO 2 .................................................................................................................. 5 Panorama da Energia Solar Fotovoltaica ................................................................................................ 5 2.1 Situação da Energia Solar Fotovoltaica em Portugal................................................................... 5 2.2 Situação da Energia Fotovoltaica no Mundo .............................................................................. 8 2.3 Custos do investimento........................................................................................................... 10 CAPÍTULO 3 ................................................................................................................ 13 Tecnologia Solar Fotovoltaica .............................................................................................................. 13 3.1 Funcionamento de uma Célula Solar Fotovoltaica ................................................................... 13 3.1.1 Células Solares Fotovoltaicas ......................................................................................... 14 3.2 Características Eléctricas das Células Solares ........................................................................... 15 3.2.1 Circuito Equivalente das Células Solares ......................................................................... 16 3.2.2 Parâmetros e Curvas Características da Célula Solar Fotovoltaica ................................... 17 3.2.3 Rendimento das Células e dos Módulos Solares Fotovoltaicos ........................................ 18 3.2.4 Sensibilidade Espectral .................................................................................................. 19 3.2.5 Massa de Ar (AM) .......................................................................................................... 20 3.2.6 Condições de Teste Standard (CTS) ................................................................................ 21 3.3 Tipos de Células Fotovoltaicas................................................................................................. 22 3.3.1 Células de Silício Monocristalino .................................................................................... 22 3.3.2 Células de Silício Policristalino........................................................................................ 22 3.3.3 Células de Silício Amorfo................................................................................................ 23 3.3.4 Comparação Entre os Diferentes Tipos de Células Solares .............................................. 23 3.4 Tipos de Sistemas Fotovoltaicos .............................................................................................. 24 3.4.1 Sistemas Autónomos ..................................................................................................... 25 ix 3.4.2 Sistemas Ligados à Rede ................................................................................................ 27 3.5 Caracterização da Localização de um Sistema Fotovoltaico...................................................... 28 3.5.1 Equipamentos para Medição da Radiação Solar ............................................................. 29 3.6 Colocação dos Painéis Solares ................................................................................................. 31 3.6.1 Geometria Solar - Declinação ......................................................................................... 31 3.6.2 Posição Solar ................................................................................................................. 32 3.7 Radiação Solar ........................................................................................................................ 34 3.7.1 Distribuição da Radiação Solar ....................................................................................... 34 3.7.1.1 Radiação Solar Directa .......................................................................................... 36 3.7.1.2 Radiação Solar Difusa ........................................................................................... 37 3.7.1.3 Radiação Solar Reflectida...................................................................................... 38 3.7.2 Radiação Solar em Superfícies Inclinadas Fixas ............................................................... 39 3.7.3 Radiação Solar em Superfícies Orientadas ...................................................................... 40 3.8 Sombras ................................................................................................................................. 42 3.8.1 Análise de Sombras........................................................................................................ 42 3.8.1.1 Tipos de Sombras. ................................................................................................ 43 3.8.1.2 Cálculo das Sombras ............................................................................................. 43 3.8.1.3 Sombras Produzidas pela Própria Instalação. ........................................................ 44 CAPÍTULO 4 ................................................................................................................ 47 Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico ................................................................................. 47 4.1 Módulos Fotovoltaicos............................................................................................................ 47 4.1.1 Constituição .................................................................................................................. 47 4.1.2 Parâmetros e Características dos Módulos ..................................................................... 48 4.1.2.1 Parâmetros do Módulo ......................................................................................... 48 4.1.2.2 Características Eléctricas de Módulos Fotovoltaicos Cristalinos ............................. 49 4.1.2.3 Características Eléctricas dos Módulos Fotovoltaicos de Película Fina .................... 50 4.1.2.4 Díodos de Derivação ............................................................................................. 51 4.1.3 Interligação Entre Módulos Fotovoltaicos ...................................................................... 52 4.1.4 Modelo Matemático para a Célula Fotovoltaica ............................................................. 52 4.1.4.1 Pontos de Funcionamento .................................................................................... 54 4.1.4.2 Potência Eléctrica, Rendimento e Factor de Forma................................................ 54 4.1.4.3 Deduções do Modelo Matemático ........................................................................ 55 4.2 Quadro Geral, Díodos de Bloqueio e Fusíveis........................................................................... 57 4.3 Inversor .................................................................................................................................. 59 4.3.1 Funcionamento ............................................................................................................. 59 4.3.1.1 MPPT.................................................................................................................... 59 4.3.2 Tipos de Inversores ........................................................................................................ 60 4.3.3 Parâmetros e Curvas Características dos Inversores ....................................................... 60 4.4 Controladores de Carga .......................................................................................................... 61 4.5 Cabos ..................................................................................................................................... 62 4.6 Interruptor DC ........................................................................................................................ 62 4.7 Equipamento de Protecção e Medida em AC ........................................................................... 63 4.8 Acumuladores......................................................................................................................... 63 4.8.1 Constituição e Funcionamento das Baterias de Ácido de Chumbo .................................. 64 4.8.2 Tipos de Baterias de Ácido de Chumbo........................................................................... 64 CAPÍTULO 5 ................................................................................................................ 67 Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaico com Ligação à Rede Eléctrica ............................................ 67 5.1 Procedimentos Iniciais ............................................................................................................ 67 5.2 Configuração da Instalação ..................................................................................................... 67 5.3 Selecção e Especificação dos Equipamentos. ........................................................................... 68 5.3.1 Inversor ......................................................................................................................... 68 5.3.1.1 Local da Instalação do Inversor. ............................................................................ 70 5.3.2 Módulos Fotovoltaicos................................................................................................... 70 5.3.2.1 Verificação das Características Eléctricas dos Módulos Fotovoltaicos .................... 71 x 5.3.2.2 Influência da Temperatura e da Radiação nos Módulos Fotovoltaicos ................... 71 5.4 Cálculos Justificativos das Instalações Fotovoltaicas ................................................................ 72 5.4.1 Ligação do Sistema Fotovoltaico ao Inversor .................................................................. 72 5.4.1.1 Número Máximo de Módulos Ligados em Série..................................................... 73 5.4.1.2 Número Mínimo de Módulos Ligados em Série ..................................................... 74 5.4.1.3 Número Máximo de Séries de Módulos Ligadas em Paralelo ................................. 75 5.4.2 Constituição do Sistema Fotovoltaico............................................................................. 76 5.5 Dimensionamento dos Cabos .................................................................................................. 76 5.5.1 Dimensionamento do Cabo de Corrente Contínua.......................................................... 77 5.5.1.1 Cabos entre o Sistema Fotovoltaico e os QE 1.1 e QE 1.2....................................... 77 5.5.1.2 Cabos entre os QE1.1, QE 1.2 e os QE 2 ................................................................ 79 5.5.1.3 Cabos entre o QE 2 e o Inversor ............................................................................ 80 5.5.2 Dimensionamento dos Cabos de Corrente Alternada ..................................................... 81 5.6 Selecção das Caixas de Junção do Sistema Fotovoltaico e Dimensionamento do Interruptor DC 82 5.7 Protecção Contra Descargas Atmosféricas, Sobre-Tensões e Ligação à Terra ........................... 83 5.8 Estimativa da Energia Produzida ............................................................................................. 84 5.9 Resultados .............................................................................................................................. 87 CAPÍTULO 6 ................................................................................................................ 91 Conclusões e Sugestões ....................................................................................................................... 91 6.1 Conclusões ............................................................................................................................. 91 6.2 Sugestões de Trabalho Futuro ................................................................................................. 92 BIBLIOGRAFIA ............................................................................................................. 95 ANEXOS ........................................................................................................................ 1 Peças Desenhadas............................................................................................................................... A1 Anexo 1............................................................................................................................................... A3 Anexo 2............................................................................................................................................... A5 Anexo 3............................................................................................................................................... A7 Anexo 4............................................................................................................................................... A9 Anexo 5..............................................................................................................................................A11 Anexo 6..............................................................................................................................................A13 Anexo 7..............................................................................................................................................A15 Anexo 8..............................................................................................................................................A17 Anexo 9..............................................................................................................................................A19 Anexo 10............................................................................................................................................A21 xi Lista de Figuras Figura 2.1 – Células fotovoltaicas em satélites. Figura 2.2 – Potência instalada acumulada em sistemas fotovoltaicos em Portugal no final de 2007. Figura 2.3 – Repartição percentual entre as aplicações isoladas e as aplicações ligadas à rede nos países da IEA-PVPS no final de 2007. Figura 3.1 – Estrutura cristalina do silício e processo de auto-condução. Figura 3.2 – Constituição de uma célula solar cristalina. Figura 3.3 – Balanço energético de uma célula solar cristalina. Figura 3.4 – Curva característica corrente-tensão do díodo de silício. Figura 3.5 – Circuito eléctrico equivalente de uma célula fotovoltaica. Figura 3.6 – Curva corrente - tensão característica de uma célula Solar de silício cristalino. Figura 3.7 – Tensão de circuito aberto e corrente de curto-circuito em função da irradiância. Figura 3.8 – Sensibilidade espectral dos diferentes tipos de células Solares. Figura 3.9 – Valores de AM para alturas solares diferentes. Figura 3.10 – Célula monocristalina. Figura 3.11 – Célula policristalina. Figura 3.12 – Células amorfas. Figura 3.13 – Tipos de Instalações fotovoltaicas. Figura 3.14 – Iluminação Solar para pavimentos. Figura 3.15 – Bicicleta Solar. Figura 3.16 – Princípio de funcionamento de um sistema fotovoltaico autónomo. Figura 3.17 – Estrutura Principal de um sistema fotovoltaico com ligação à rede. Figura 3.18 – Sistema fotovoltaico ligado à rede, instalado num telhado. Figura 3.19 – Grande sistema fotovoltaico com ligação à rede, no Solo. Figura 3.20 – Distribuição global da irradiação Solar em kWh/m² no plano horizontal. Figura 3.21 – Radiação global anual em Portugal – Plano Horizontal e Óptimo. Figura 3.22 – Piranómetro. Figura 3.23 – Sensor radiação Solar. Figura 3.24 – Pireliometro. Figura 3.25 - Medição da radiação difusa. Figura 3.26 – Trajecto do Sol em determinados dias das estações. Figura 3.27 – Representação dos ângulos de inclinação Solar. xii Figura 3.28 – Representação de um painel segundo a latitude do local. Figura 3.29 – Representação de um painel segundo a latitude do local. Figura 3.30 – Ângulo horário. Figura 3.31 – Luz Solar. Tipos de radiação. Figura 3.32 – Ângulo de incidência da radiação Solar sobre um painel virado a sul. Figura 3.33 – Ângulo de incidência da radiação Solar sobre um painel em qualquer posição. Figura 3.34 – Energia incidente diária média para o centro de Portugal (kWh/m²). Figura 3.35 – Sistema de orientação solar. Figura 3.36 – Irradiância para duas situações: situação fixa e orientação a 2 eixos (Para uma instalação com uma potência de 5 kWp). Figura 3.37 – Painel orientável segundo um eixo. Figura 3.38 – Painel orientável segundo dois eixos. Figura 3.39 – Altura solar e do azimute de um obstáculo. Figura 3.40 – Distancias entre filas para evitar sombras. Figura 4.1 – Símbolo para células, módulos ou sistemas solares fotovoltaicos. Figura 4.2 – Constituição de um módulo fotovoltaico. Figura 4.3 – Curvas I-V e Pmáx-V de um módulo para diferentes radiâncias, a 25°C. Figura 4.4 – Comportamento da Voc, Isc para 1.000 W/m² a diferentes temperaturas de célula. Figura 4.5 – Caixa de junção do módulo com díodos. Figura 4.6 – Duas células solares fotovoltaicas ligadas em série. Figura 4.7 – Duas células solares fotovoltaicas ligadas em paralelo. Figura 4.8 – Circuito equivalente de uma célula fotovoltaica. Figura 4.9 – Quadro DC do gerador fotovoltaico. Figura 4.10 – Diferentes tipos de fusíveis DC. Figura 4.11 – Símbolo eléctrico do inversor. Figura 4.12 – Diagrama eléctrico do inversor com MPPT. Figura 4.13 – Curva de rendimento do inversor SB 3800. Figura 4.14 – Controlador de carga/descarga com indicador LCD. Figura 4.15 – Cabos Solares de diferentes cores. Figura 4.16 – Interruptor principal DC. Figura 4.17 – (a) Interruptor; (b) Caixa para contador de Energia AC. Figura 4.18 – Bateria utilizada em sistemas solares fotovoltaicos. Figura 5.1 – Local para a Instalação Solar Fotovoltaica. Figura 5.2 – Inversor IF-100. Figura 5.3 – Inversor IF-100. Figura 5.4 – Painel Fotovoltaico. xiii Figura 5.5 – Radiação média mensal incidente em painéis fixos com inclinação igual à latitude. Figura 5.6 – Temperatura média mensal ambiente. Figura 5.7 – Produção de Energia da Instalação Fotovoltaica. Figura 5.8 – Comparação da Produção / Previsão de Energia. Figura 5.9 – Curva de Produtividade. Figura 5.10 – Produção mensal por cada 100 kW (€). xiv Lista de Tabelas Tabela 2.1 – Potência instalada acumulada em sistemas fotovoltaicos em Portugal no final de 2008. Tabela 2.2 – Potência instalada cumulativa em sistemas fotovoltaicos nos países da IEA-PVPS no final de 2007. Tabela 2.3 – Produção de material fotovoltaico (células e módulos) nos países da IEA-PVPS no final de 2007. Tabela 2.4 – Preços indicativos de sistemas instalados no final de 2007. Tabela 3.1 – Relação entre a irradiação Solar e a altura do Sol. Tabela 3.2 – Máxima eficiência fotovoltaica. Tabela 3.3 – Albedo para diferentes superfícies. Tabela 3.4 – Ângulo de inclinação dos painéis. Tabela 4.1 – Factores de forma típicos de módulos fotovoltaicos Tabela 4.2 – Comparação entre inversores com e sem transformador. Tabela 5.1 – Características do Inversor JEMA 100 kW. Tabela 5.2 – Características do Módulo Sunteck / STP-175M. Tabela 5.3 – Verificação dos parâmetros da instalação. Tabela 5.4 – Queda de Tensão das Filas. Tabela 5.5 – Queda de Tensão entre os QE1.1 e 1.2 e QE2. Tabela 5.6 – Queda de Tensão entre os QE2 e Inversores. Tabela 5.7 – Queda de Tensão entre os Inversores e PT’s. Tabela 5.8 – Resultados obtidos através da radiação, temperatura e módulo seleccionado. Tabela 5.9 – Energia mensalmente produzida por cada 100 kW. Tabela 5.10 – Energia mensalmente produzida por cada módulo (real - ideal). Tabela 5.11 – Produção mensal por cada 100 kW. xv Capítulo 1 – Introdução Capítulo 1 Introdução 1.1 Identificação do Problema Sendo cada vez mais confundido o futuro com a energia, vale a pena parar e pensar no que é necessário para a sociedade. Com o número de consumidores a aumentar e as metas ambientais por cumprir, só resta uma alternativa, produzir energia de uma forma limpa, já que cada vez mais é maior a preocupação em preservar o meio ambiente. Portugal é um país com escassos recursos energéticos próprios, nomeadamente no que respeita às fontes de energia mais vulgares, as chamadas fontes não-renováveis, uma vez que não dispõe de poços de petróleo, minas de carvão ou depósitos de gás. Tal situação de escassez conduz a uma elevada dependência energética do exterior (82,9% em 2007) [1], nomeadamente das importações de fontes primárias de origem fóssil, tornando-se deste modo necessário aumentar a contribuição das energias renováveis, tais como: hídrica, eólica, solar, geotérmica, biogás e lenhas e resíduos. No entanto, e no que respeita às fontes de energia renováveis o país tem um enorme potencial que pode e deve ser explorado, não só numa óptica de reduzir a dependência energética externa mas também do ponto de vista ambiental, no sentido de não aumentar demasiado, ou inclusivamente de reduzir, o consumo de energias que acarretam emissões de gases poluentes, tal como previsto no protocolo de Quioto, de forma a combater as alterações climáticas. Com efeito, Portugal apresenta uma rede hidrográfica relativamente densa, uma elevada exposição Solar média anual, e dispõe de uma vasta frente marítima que beneficia dos ventos atlânticos, o que lhe confere a possibilidade de aproveitar o potencial energético da água, luz, das ondas e do vento. Estas condições únicas permitem ao país o aproveitamento de formas de energia alternativas ao consumo de combustíveis fósseis. Assim, Portugal encontra-se numa posição privilegiada não só para compensar o défice natural de fontes de energia não renováveis mas também para ser pioneiro na diminuição da dependência energética em fontes de energias não renováveis e poluentes, colocando-se na vanguarda da procura de um desenvolvimento sustentável. Consciente das suas potencialidades no que toca à produção de energia a partir de fontes renováveis, o país assumiu um compromisso corajoso perante as demais nações da União Europeia definindo uma meta ambiciosa no que respeita à redução da dependência energética nos combustíveis fósseis. Com efeito, Portugal propôs-se em 2010 atingir as metas Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 1 de 96 Capítulo 1 – Introdução individuais para a produção de energia limpa a partir das diferentes fontes renováveis, objectivos estes que foram revistos em 2005 quando foi apresentada a Estratégia Nacional para a Energia aprovada pela Resolução do Conselho de Ministros nº 169/2005 [2], de 24 de Outubro. Com o intuito de impulsionar o desenvolvimento económico, reduzir a dependência do exterior e combater as alterações climáticas, na referida Estratégia está previsto o reforço das energias renováveis para o seguinte [3]: A produção de electricidade com base em energias renováveis passa de 39% para 45% do consumo em 2010, com uma aposta forte em todas as fontes de energia; Os biocombustíveis utilizados nos transportes aumentam de 5,75% dos combustíveis rodoviários para 10% em 2010; 5 a 10% do carvão utilizado nas centrais de Sines e do Pego será substituído por biomassa ou resíduos até 2010; Até 2015 serão implementadas medidas de eficiência energética equivalentes a 10% do consumo energético. Perante esta situação e face aos compromissos assumidos, as Instalações Solares Fotovoltaicas enquadram-se perfeitamente no auxílio da resolução deste problema, permitindo minimizar a dependência de combustíveis fosseis, e dar-se o exemplo a Europa e o Mundo de como produzir de forma renovável e não poluente. As Instalações Solares Fotovoltaicas apresentam enormes vantagens perante as restantes formas de produção de energia renovável, apresentando uma excelente fiabilidade devido a não possuírem elementos móveis, o que é muito útil em aplicações em locais isolados. Possuem também uma fácil portabilidade e adaptabilidade dos módulos, permitindo montagens simples e adaptáveis a várias necessidades energéticas, podendo ser utilizados em aplicações de alguns miliwatts ou de Megawatts. O custo de operação é reduzido já que a manutenção é quase inexistente, não necessitando de combustível, transporte, nem trabalhadores altamente qualificados. 1.2 Motivações do Trabalho O desenvolvimento do presente trabalho justifica-se pela falta de elementos nesta área, nomeadamente ao nível do Projecto de Instalações Fotovoltaicas de Potência Elevada Ligadas à Rede Eléctrica. O interesse na execução deste trabalho é disponibilizar uma experiência que possa vir a ser utilizada não apenas em grandes instalações fotovoltaicas, mas também em indústrias, prédios e vivendas, para minimizar a dependência de combustíveis fosseis na obtenção de produção da energia eléctrica. Pag. 2 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 1 – Introdução É de salientar que esta energia é produzida quando é mais precisa, ou seja, durante o dia, comparativamente por exemplo com a energia eólica, que a energia é produzida na realidade quando existir vento. 1.3 Objectivos e Resultados do Trabalho O principal objectivo deste trabalho está no desenvolvimento de um relatório para o projecto de um Sistema Fotovoltaico de grande potência, para produção de energia, ligado à Rede Eléctrica, capaz de simplificar o método de cálculo, e que permita uma maior e melhor familiarização com este tipo de tecnologia. Apresentam-se de seguida os principais objectivos estabelecidos para este trabalho: Levantamento da situação fotovoltaica em Portugal e no Mundo. Estudo das características da radiação solar, apresentando formas de a medir, de a estimar e de como utilizá-la para o aproveitamento fotovoltaico. Estimativa da radiação Solar incidente em planos com inclinações distintas. Projecto de uma Instalação Fotovoltaica ligada à Rede Eléctrica. Desta forma, este trabalho tem como finalidade auxiliar o cálculo de instalações eléctricas que utilizem a tecnologia fotovoltaica. Os resultados aqui obtidos poderão ajudar instaladores de sistemas fotovoltaicos, no esclarecimento e aplicação dos equipamentos mais adequados às necessidades da instalação. Esta dissertação tem ainda como propósito poder ser utilizada como um manual de referência, de rápido acesso, voltado àqueles que desejem iniciar-se nesta área temática, ou que necessitem de informações específicas sobre o dimensionamento, instalação e utilização de Sistemas Fotovoltaicos ligados à Rede Eléctrica. 1.4 Organização da Tese O capítulo 1 descreve sucintamente a preocupação existente na procura de novas Soluções para produção de energia, assim como faz a apresentação das motivações e objectivos para o desenvolvimento deste trabalho. O capítulo 2 apresenta a situação nacional e mundial da produção de electricidade através de sistemas fotovoltaicos, isolados e ligados à Rede Eléctrica, assim como os custos que lhe estão associados. No capítulo 3 são apresentados os princípios básicos de funcionamento dos sistemas para produção de energia com recurso à tecnologia fotovoltaica e suas principais características. Faz-se a apresentação dos diferentes tipos de células Solares e respectivas aplicações, na qual as diferentes formas de radiação Solar são também aqui expostos. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 3 de 96 Capítulo 1 – Introdução No capítulo 4 faz-se a apresentação e respectiva descrição dos vários componentes a aplicar numa instalação Solar fotovoltaica. No capítulo 5 é desenvolvido o projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica de 1,5 MW ligada à Rede Eléctrica. São apresentados os cálculos justificados de toda a instalação, nomeadamente as associações de módulos, número de módulos em série e numero de módulos em paralelo, assim como as quedas de tensão existentes nos cabos eléctricos que interligam os diferentes equipamentos da instalação eléctrica. No capítulo 6 são descritas as conclusões mais importantes deste trabalho, obtidas a partir dos estudos, simulações e resultados dos ensaios realizados. Pag. 4 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 2 – Panorama da Energia Fotovoltaica Capítulo 2 Panorama da Energia Solar Fotovoltaica Este capítulo é provido de uma breve apresentação da situação da Energia Solar Fotovoltaica em Portugal e no Mundo, abordando ainda os custos que estão associados a esta tecnologia. 2.1 Situação da Energia Solar Fotovoltaica em Portugal O efeito fotovoltaico foi observado pela primeira vez em 1839 por Alexandre Edmund Becquerel, observou que a tensão que aparecia entre dois eléctrodos imersos num electrólito dependia da intensidade da luz que incidia sobre eles. O mesmo efeito foi observado mais tarde, por volta do ano de 1870, por dois inventores norte americanos, Adams e Day, mas desta vez utilizando um elemento sólido: o selénio. Só em 1954 é que Chapin, produziu a primeira célula solar fotovoltaica de silício [4]. A partir de então, trabalhou-se na obtenção de um sistema realizável e de longa duração para sistemas de alimentação de satélites, já que foi no programa espacial norte-americano que a tecnologia fotovoltaica encontrou a sua principal aplicação, como se verifica na Figura 2.1. Figura 2.1 – Células fotovoltaicas em satélites. Fonte: NASA (http://www.nasa.gov/topics/shuttle_station/) Devido ao seu grande sucesso, as células fotovoltaicas rapidamente passaram a ser a escolha preferida para a alimentação de satélites, permanecendo assim até aos nossos dias. A partir dos anos 70, o preço das células fotovoltaicas para aplicações espaciais tem caído, incentivando a um menor custo para a produção de electricidade em larga escala sobre o planeta. A melhoria da eficiência das células fotovoltaicas tem sido continua e actualmente Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 5 de 96 Capítulo 2 – Panorama da Energia Fotovoltaica situa-se entre os 8 e 19%, entre módulos de película fina, policristalinos e monocristalinos, já para aplicações comerciais. Estudos recentes referem que Cientistas do Laboratório de Energias Renováveis do Estados Unidos apresentaram um dispositivo capaz de converter a luz solar em electricidade com uma eficiência entre 45 – 50% [5], recorrendo à técnica de inverter o processo de crescimento do cristal fotovoltaico, provocando assim uma melhoria na estrutura dos átomos dos materiais utilizados para assim obter os fotões da luz solar e libertar os electrões para gerar a electricidade. Relativamente à situação em Portugal, no que diz respeito a potência fotovoltaica total instalada, pode ser avaliada através de dados estatísticos publicados pela Agencia Internacional de Energia (International Energy Agency - IEA)3. Através da Tabela 2.1, é apresentada a potência instalada em sistemas fotovoltaicos em Portugal desde 1995 até ao final de 2008. Tabela 2.1 – Potência instalada em sistemas fotovoltaicos em Portugal no final de 2008. Fonte: IEA-PVPS (http://www.iea-pvps.org/) Para uma melhor avaliação, a AIE organiza os dados que publica de acordo com a seguinte classificação para os sistemas fotovoltaicos: Sistemas isolados (Off-Grid); Sistemas ligados à rede (On-Grid). Na Tabela 2.1 pode-se observar que em Portugal a potência total instalada em sistemas fotovoltaicos ascendia no final de 2008 a quase 68 MWp4. 3 IEA-PVPS – A PVPS (Photovoltaic Power Systems) é o departamento da IEA (International Energy Agency) para a energia fotovoltaica. 4 Wp (Watt-pico) – unidade que mede a potência de pico, potência máxima nas condições de referência, isto é, radiação incidente igual a 1.000 W/m2 , temperatura da célula de 25 °C e com AM=1,5 (Ver Ponto 3.2.5). Pag. 6 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 2 – Panorama da Energia Fotovoltaica As aplicações fotovoltaicas ligadas à rede eléctrica têm vindo a ganhar cada vez mais importância, como se pode verificar na Figura 2.2. No final de 2007 este tipo de aplicações representava mais de 80% do total das instalações fotovoltaicas. Figura 2.2 – Potência instalada acumulada em sistemas fotovoltaicos em Portugal no final de 2007. Fonte: IEA-PVPS (http://www.iea-pvps.org/) De realçar que em Março de 2007 foi inaugurada em Brinches, concelho de Serpa, uma central fotovoltaica de 11 MWp, com 52.000 módulos dispostos ao longo de uma área de 60 ha (600.000 m²). No final de 2008, entrou em operação da central da Amareleja, concelho de Moura. Esta central terá instalados 45,6 MWp, ocupando uma área de 114 ha. Hoje é considerada a maior central fotovoltaica do mundo. Segundo a Direcção-Geral de Energia e Geologia, foram já aprovados pedidos de informação prévia para instalação de sistemas fotovoltaicos que totalizam cerca de 128 MWp, o que praticamente esgota a meta de 150 MWp estabelecida pelo Governo para o horizonte temporal de 2010. De entre as instalações já aprovadas merecem destaque, para além de Moura, Ourique (2 MWp), Albufeira (10 MWp), Lisboa (6 MWp) e Freixo de Espada à Cinta (2 MWp). Tendo por objectivo fazer um enquadramento do interesse desta tecnologia para Portugal, é de salientar que a seguinte directiva veio fortalecer a implantação desta tecnologia: a Directiva 2001/77/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 27 de Setembro de 2001, constituiu um inequívoco reconhecimento por parte da União Europeia, no que se refere à actual prioridade para a produção de energia eléctrica a partir de fontes de energia renovável (FER) no espaço Europeu. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 7 de 96 Capítulo 2 – Panorama da Energia Fotovoltaica No âmbito desta Directiva, e a título indicativo, Portugal apresentou o compromisso de ter como meta em 2010, 39% de energia eléctrica produzida a partir de fontes de energia renováveis, no contexto do consumo bruto nacional de electricidade. Assim, para 2010, em que é estimado para o Continente um consumo bruto de energia eléctrica da ordem dos 62 TWh, isto implicará que a produção de energia eléctrica a partir de FER deverá ser superior a 24,2 TWh. Por ultimo e através do Decreto-Lei n° 2007/363 de 2 de Novembro de 2007, foi dado um grande impulso, tanto a nível tecnológico como mediático à energia fotovoltaica, estabelecendo-se aqui as bases gerais de organização e funcionamento do Sistema Eléctrico Nacional (SEN), classificando a produção de electricidade em regime ordinário e em regime especial. Ao regime especial corresponde a produção de electricidade com incentivos à utilização de recursos endógenos e renováveis ou a produção combinada de calor e electricidade, designadas por unidades de microprodução, enquanto que o regime ordinário corresponde à produção de electricidade com base em fontes tradicionais não renováveis e em grandes centros electroprodutores hídricos. 2.2 Situação da Energia Fotovoltaica no Mundo A situação dos sistemas fotovoltaicos no mundo, no que diz respeito à potência total instalada, pode ser avaliada através de dados estatísticos publicados pela Agência Internacional de Energia (AIE - IEA-PVPS). A AIE organiza os dados que publica de acordo com a seguinte classificação para os sistemas fotovoltaicos: Sistemas isolados domésticos (Off-Grid domestic): Para pequenas cargas em locais isolados. Sistemas isolados não domésticos (Off-Grid non-domestic): Sistemas que fornecem energia eléctrica a serviços, tais como, telecomunicações, bombagem de água, frigoríficos médicos, navegação aérea e marítima, estações meteorológicas, equipamentos militares, etc. Sistemas distribuídos ligados à rede eléctrica (Grid-connected distributed): Sistemas que fornecem energia eléctrica essencialmente a edifícios (comerciais ou industriais), sendo que a energia excedente é enviada para a rede eléctrica. Sistemas centralizados ligados à rede eléctrica (Grid-connected centralized): Sistemas que fornecem exclusivamente energia eléctrica à rede. Na Tabela 2.2 pode-se observar, que nos países representados na IEA-PVPS a potência total instalada em sistemas fotovoltaicos, ascendia no final de 2007 a quase 7.900 MWp. Pag. 8 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 2 – Panorama da Energia Fotovoltaica Tabela 2.2 – Potência instalada cumulativa em sistemas fotovoltaicos nos países da IEA-PVPS no final de 2007. Fonte: IEA-PVPS (http://www.iea-pvps.org/products/download/rep1_17.pdf) Pode-se verificar a clara predominância da Alemanha e do Japão no quadro acima apresentado. As aplicações ligadas à rede eléctrica têm vindo a ganhar cada vez mais importância, como se pode verificar na Figura 2.3. No final de 2007 este tipo de aplicações representava cerca de 90% do total das instalações fotovoltaicas. Figura 2.3 – Repartição percentual entre as aplicações isoladas e as aplicações ligadas à rede nos países da IEA-PVPS no final de 2007. Fonte: IEA-PVPS (http://www.iea-pvps.org/) Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 9 de 96 Capítulo 2 – Panorama da Energia Fotovoltaica Relativamente à produção de materiais fotovoltaicos, na Tabela 2.3 pode-se verificar mais uma vez a clara predominância da Alemanha e do Japão. Tabela 2.3 – Produção de material fotovoltaico (células e módulos) nos países da IEA-PVPS no final de 2007. Fonte: IEA-PVPS (http://www.iea-pvps.org/) 2.3 Custos do investimento. Os custos do investimento de sistemas fotovoltaicos é normalmente expresso em €/Wp (custo por watt de pico), em que a potência de pico é o valor correspondente à máxima potência que o painel pode fornecer nas condições de referência (STC)5, com uma radiação de 1000 W/m² , temperatura da célula de 25°C e com um espectro de AM 1,56. No custo apresentado (€/Wp) está incluído tanto os módulos propriamente ditos, como também os dispositivos de interface e regulação entre os módulos fotovoltaicos e a carga ou a rede. Estes equipamentos são tipicamente os módulos e a respectiva estrutura, as baterias, o regulador de carga, a caixa com protecções, a cablagem e o inversor, no caso de existirem cargas AC ou de se tratar de sistemas ligados à rede eléctrica. Segundo a IEA como se verifica na Tabela 2.4, em Portugal pode-se considerar como um custo de referência os seguintes valores: 5 €/Wp para sistemas ligadas à rede, 9 €/Wp para instalações isolados. 5 6 STC – Standard Test Conditions AM – Air Mass – Ver Ponto 3.2.5 Pag. 10 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 2 – Panorama da Energia Fotovoltaica Tabela 2.4 – Preços indicativos de sistemas instalados no final de 2007. Fonte: IEA-PVPS (http://www.iea-pvps.org/) Relativamente à repartição dos custos inerentes a uma instalação fotovoltaica completa, pode-se afirmar que cerca de 60% destes custos referem-se aos módulos fotovoltaicos, enquanto que a restante instalação representa 40%. Os custos de operação e manutenção (O&M) pode estimar -se que se situem, em média, em cerca de 1 a 2% do investimento total, durante a vida da instalação. O período de vida de uma instalação fotovoltaica é normalmente considerada como tendo 20 a 25 anos de vida útil. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 11 de 96 Capítulo 2 – Panorama da Energia Fotovoltaica Pag. 12 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica Capítulo 3 Tecnologia Solar Fotovoltaica Neste capítulo é abordado o funcionamento atómico das células solares fotovoltaicas, assim como a sua constituição e principais características. Também aqui são apresentados os vários tipos de sistemas solares fotovoltaicos, os diversos tipos de radiações solares e respectivas sombras. 3.1 Funcionamento de uma Célula Solar Fotovoltaica Para que uma célula solar fotovoltaica produza energia eléctrica a partir da radiação solar é necessário que aconteça 3 efeitos físicos intimamente ligados e simultâneos, sendo eles, a absorção da luz pelo material, a transferência de energia dos fotões (luz) para as cargas eléctricas e a criação de corrente eléctrica. O semicondutor mais usado para o efeito é o silício que é caracterizado por possuir átomos com quatro electrões. Ao adicionarem-se átomos com cinco electrões de ligação, como o fósforo por exemplo, haverá um electrão em excesso que não poderá ser emparelhado e que ficará "sozinho", fracamente ligado ao seu átomo de origem. Isto faz com que, com pouca energia térmica, este electrão se livre, indo para a banda de condução. Diz-se assim, que o fósforo é um dopante doador de electrões e denomina-se dopante n ou impureza n. Na Figura 3.1 poderá ser visualizado o principio de funcionamento de um célula solar fotovoltaica. Figura 3.1 – Estrutura cristalina do silício e processo de auto-condução. Fonte: engineering (http://www.engineering.com) Se, por outro lado, introduzem-se átomos com apenas três electrões de ligação, como é o caso do boro, haverá falta de um electrão para satisfazer as ligações com os átomos de silício. Esta falta de um electrão é denominada buraco ou lacuna e mesmo com pouca energia Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 13 de 96 Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica térmica, um electrão próximo pode passar para esta posição. Diz-se portanto, que o boro é um aceitador de electrões ou um dopante p. Se, partindo de um silício puro, forem introduzidos átomos de boro numa metade e de fósforo na outra, será formado o que se chama junção p-n. O que ocorre nesta junção é que os electrões livres do lado n passam ao lado p onde encontram os buracos que os capturam; isto faz com que sejam acumulados electrões no lado p, tornando-se negativamente carregados levando a uma redução de electrões do lado n, que os tornam electricamente positivos. Estas cargas dão origem a um campo eléctrico permanente que dificulta a passagem de mais electrões do lado n para o lado p; este processo alcança um equilíbrio quando o campo eléctrico forma uma barreira capaz de parar os electrões livres remanescentes no lado n. Se esta junção for exposta a fotões com energia capaz de vencer o equilíbrio alcançado, as cargas serão aceleradas, criando assim, uma corrente através da junção, originando uma diferença de potencial ao qual chamamos de Efeito Fotovoltaico. Se os dois lados forem interligados fisicamente por um condutor, existirá uma circulação de electrões [6]. 3.1.1 Células Solares Fotovoltaicas Os materiais capazes de converter a energia contida num fotão7 em tensão e corrente eléctricas são os semicondutores. Para esta conversão são normalmente utilizados materiais semi-condutores tais como, o silício, o arsenieto de gálio, telurieto de cádmio ou disselenieto de cobre e índio. Actualmente, cerca de 95 % das células solares cristalinas fabricadas são de silício, já que este apresentam uma disponibilidade quase ilimitada, sendo o material mais abundante na crosta terrestre, depois do oxigénio. Para a obtenção do silício, em primeiro lugar é necessário separar o oxigénio não desejado do dióxido de silício, processo que se baseia no aquecimento da areia de sílica, fundida num recipiente, junto com pó de carvão. Durante este processo é criado o silício metalúrgico, com uma pureza de 98%. No entanto, 2% de impurezas no silício é demasiado para aplicações electrónicas, sendo apenas admissível um bilionésimo por cento. Por este motivo, o silício em estado bruto é ainda purificado através de um processo químico. Este último é destilado em várias e sucessivas etapas, durante as quais é reduzida a percentagem de impurezas em cada etapa da destilação. Chegado a este ponto, o silício de elevada qualidade está em condições de ser utilizado em diferentes aplicações, como por exemplo para produzir células monocristalinas ou células policristalinas. Através da Figura 3.2 pode-se aferir as diferentes camadas constituintes de uma célula solar fotovoltaica, onde a camada mais externa, normalmente do tipo n, deve ser muito mais 7 Os fotões são geralmente associados à luz visível. Pag. 14 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica fina que a camada interna, de modo a permitir que toda a luz seja absorvida pela camada do tipo p. Contacto frontal (-) Camada anti-reflexo Camada tipo n Junção p-n Camada tipo p Contacto posterior (+) Figura 3.2 – Constituição de uma célula solar cristalina. Fonte: engineering (http://www.uni-chem.net/en/photovoltaic/pv_value_chain.asp) Quando a célula solar fotovoltaica é exposta à luz solar, para além de gerar uma corrente eléctrica, padecerá também de perdas ocasionadas pela recombinação, pela reflexão e pelo sombreamento provocado pelos contactos frontais. Para além disso, uma grande proporção da energia de radiações de onda longa e curta não pode ser aproveitada, como exemplo, as perdas de transmissão conforme é ilustrado na Figura 3.3. Figura 3.3 – Balanço energético de uma célula solar cristalina [7]. 3.2 Características Eléctricas das Células Solares Neste ponto será apresentada a resposta das células Solares fotovoltaicas em vários cenários, assim como a respectiva análise gráfica e circuito equivalente. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 15 de 96 Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica 3.2.1 Circuito Equivalente das Células Solares Tal como já apresentado no ponto 3.1, uma célula solar fotovoltaica é composta por camadas de silício contaminado por impurezas do tipo p e do tipo n, tendo como princípio de funcionamento o mesmo de um díodo comum de silício. Quando o díodo é ligado de modo a que o potencial seja positivo no ânodo e negativo no cátodo, o díodo está directamente polarizado e a curva característica corresponde ao 1° Quadrante representada na Figura 3.4. No entanto, a corrente só circula quando a diferença de potencial entre o cátodo e o ânodo atingir a tensão limiar de condução de cerca de 0,7 V aproximadamente, já que se trata de silício. Quando o díodo é polarizado inversamente, a corrente é impedida de circular nesta direcção. Neste caso aplica-se a curva característica do 3° quadrante. O díodo apenas se torna condutor quando se ultrapassar a tensão de bloqueio, que no caso deste díodo corresponde a 150 V, tal como pode verificar na Figura 3.4. Figura 3.4 – Curva característica corrente-tensão do díodo de silício. Fonte: ifent (http://www.ifent.org/lecciones/diodo/curva.asp). Portanto, AB é a zona de condução enquanto que em OC ocorre a corrente inversa de condução, sendo que a partir de C o díodo poderá ficar destruído. O circuito eléctrico equivalente de uma célula fotovoltaica é representado na Figura 3.5. Figura 3.5 – Circuito eléctrico equivalente de uma célula fotovoltaica. A maior parcela de Rs é causada pela resistência de corpo da junção P-N que compõe a célula e pela resistência dos contactos eléctricos entre os terminais e o semicondutor. Já Rp é resultado da dificuldade criada à circulação de corrente através dos defeitos do material. Estes Pag. 16 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica defeitos são consequências das impurezas presentes na região próxima à junção. Quanto maior for o valor destas resistências, maior será a diminuição do factor de forma (FF) 8 [4]. 3.2.2 Parâmetros e Curvas Características da Célula Solar Fotovoltaica A Figura 3.6 representa a curva característica onde é reflectida segundo o eixo da tensão. Esta parte da curva característica é, então, denominada curva característica da célula solar fotovoltaica. Figura 3.6 - Curva corrente - tensão característica de uma célula Solar de silício cristalino. Fonte: engineering (http://www.engineering.com) Se a luz incidir sobre uma célula Solar desligada da carga, é criada uma tensão aproximada de 0,6 V. Esta tensão pode ser medida como a tensão de circuito aberto a partir dos dois contactos da célula. Se ambos os contactos estiverem em curto-circuito através de um amperímetro, a corrente do curto-circuito poderá ser medida. No intuito de registar completamente a curva característica da célula Solar, será necessária uma resistência variável (derivação), um voltímetro e um amperímetro. A curva é caracterizada basicamente pelos três pontos seguintes: MPP, Maximum Power Point (Ponto de Máxima Potência, Wp). Para este ponto estão especificadas a potência P (MPP), a corrente I (MPP) e a U (MPP). A corrente do curto-circuito, Icc. A tensão do circuito aberto, Uoc. Os parâmetros e as curvas características das células de película fina desviam-se, em certos casos substancialmente, dos equivalentes para as células de silício cristalino. Nas células amorfas, o ponto MPP está localizado nos 0,4 V e a curva característica é em geral mais espalmada, já que devido à sua menor eficiência, a corrente produzida é menor. Para atingir a mesma potência das células cristalinas, é preciso uma maior superfície celular, e como também 8 FF – Verificar ponto 3.2.3. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 17 de 96 Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica possuem uma menor delimitação do ponto MPP, exige um melhor controlo tecnológico do inversor e do controlador MPP. A corrente de curto-circuito depende linearmente da irradiância. Se a irradiância duplicar, a corrente também duplica. Este facto justifica a linha recta do gráfico que a seguir é apresentado. A tensão de circuito aberto mantém-se relativamente constante enquanto a irradiância muda. Apenas quando a irradiância desce abaixo dos 100 W/m², a tensão sofre uma quebra acentuada. Estas variações estão graficamente representadas na Figura 3.7. Figura 3.7 – Tensão de circuito aberto e corrente de curto-circuito em função da irradiância. Fonte: Instalaciones Fotovoltaicas, Manual para uso de Instaladores. DGIEM [vi]. 3.2.3 Rendimento das Células e dos Módulos Solares Fotovoltaicos O rendimento, , das células solares fotovoltaicas é o resultado do quociente entre a potência de pico entregue pela célula solar, PMPP (Wp), e a irradiação incidente, G (W/m²), pela área da superfície, A (m²), da célula solar, conforme expressão 3.1. PMPP A.G (3.1) Nas fichas técnicas dos módulos fotovoltaicos o rendimento é especificado sempre sob condições de teste standard (STC), sendo, o rendimento dos módulos fotovoltaicos para STC determinado pela expressão 3.2. PMPP(STC) A.1000W/m 2 (3.2) O rendimento das células Solares depende da irradiância e da temperatura, sendo que decresce com o aumento de temperatura. O factor de forma (FF) é um indicador da qualidade das células solares, cujo UMPP (V) e IMPP (A) correspondem respectivamente à tensão e corrente no ponto de máxima potência. A UOC (V) e ICC (A) são obtidos através das folhas de características dos fabricantes e correspondem à tensão de circuito aberto e corrente de curto-circuito, respectivamente. O factor de forma é definido pela expressão 3.3. Pag. 18 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica FF UMPP .IMPP UOC .ICC PMPP UOC .I SC (3.3) [8] Para as células cristalinas Solares fotovoltaicas, o factor de forma possui normalmente um valor entre 0,75 e 0,85, enquanto que para as células Solares amorfas este valor situa-se entre 0,5 e 0,7. 3.2.4 Sensibilidade Espectral Conforme o material e a tecnologia utilizada, a célula solar fotovoltaica é mais ou menos eficaz na conversão das diferentes bandas de cor da luz solar em electricidade. A sensibilidade espectral define a faixa da radiação solar para a qual a célula solar fotovoltaica funciona de modo mais eficaz, e influência preponderantemente a eficiência sob as diferentes condições de radiação a que está exposta. A maior parcela de aproveitamento da energia solar está concentrada na faixa da luz visível entre 400 nm e 900 nm. Enquanto que as células solares cristalinas são particularmente sensíveis à radiação solar de onda longa, situando-se entre os 600 nm e 900 nm, as células de película fina utilizam melhor a luz visível ao absorver a radiação de onda curta com maior eficácia, disponível entre os 400 nm e 600 nm, como se pode verificar através da Figura 3.8. Figura 3.8 – Sensibilidade espectral dos diferentes tipos de células Solares. Fonte: Spectra – PVCDROM (http://pvcdrom.pveducation.org/APPEND/Am1_5.htm). Os fotões são caracterizados por duas grandezas: Comprimentos de onda ou frequências; Energia. Estas grandezas são relacionadas pela expressão 3.4. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 19 de 96 Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica c E h.v h.c Sendo : c velocidade da luz (3x10 8 m/s) v frequência (Hz) comprimento de onda (nm) E energia do fotão (J) (3.4) h constante de Plank (6,626x10 - 34 J.s) Posto isto, pode-se verificar qual é o comprimento de onda máximo que deve ter um fotão para criar um par electrão-lacuna no silício pela expressão 3.5. h.c E 6,626x10 34 (J.s).3x10 8 (m/s) 1,12(eV).1,6x10 19 (J/eV) 1,11x10 6 m (3.5) Onde a correspondente frequência mínima é: v c 2,7x10 14 Hz (3.6) Posto isto, pode-se concluir que todos os fotões com comprimento de onda, > 1,11 µm, correspondem a energia desperdiçada e apenas servem para aquecer a célula fotovoltaica. Os fotões com < 1,11 µm têm energia a mais para excitar um electrão para a banda de condução e toda a energia a mais do 1,12 eV é também desperdiçada. 3.2.5 Massa de Ar (AM) A luz solar toma o percurso mais curto através da atmosfera, quando a posição do Sol é perpendicular à superfície da Terra. Antes de atingir o solo, as características da radiação Solar (intensidade, distribuição espectral e angular) são afectadas por interacções com a atmosfera devido aos efeitos de absorção e difusão. Estas modificações são dependentes da espessura da camada atmosférica (Massa de Ar - AM), e, portanto, do ângulo de azimute do Sol, bem como da distância Terra-Sol e das condições atmosféricas e meteorológicas. A Massa de Ar (factor AM) está relacionada com a posição do Sol ( ) e o Zénite (eixo vertical da Terra), sendo definida pela expressão 3.7. AM 1 cos (3.7) Neste contexto, AM = 1 quando a posição do Sol é paralela (0°). Isto corresponde à posição solar no equador ao meio-dia, na Primavera ou no Outono. Como média anual para a Europa, utiliza-se um valor de Massa de Ar de 1,5 (48,2°), como se pode verificar na Figura 3.9. Pag. 20 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica Figura 3.9 – Valores de AM para alturas Solares diferentes. Fonte: laserfocusworld (www.laserfocusworld.com/articles/286515). A radiação Solar no espaço, que não é influenciada pela atmosfera, é designada espectro AM = O. No seu percurso através da atmosfera, a irradiância é reduzida por: Reflexão atmosférica. Absorção pelas moléculas da atmosfera (02, H20, CO2). Dispersão de Rayleigh (dispersão molecular). Dispersão de Mie (dispersão por partículas de pó e poluição do ar). Na Tabela 3.1 mostra a dependência da irradiância com a altura do Sol ( S). A absorção e a dispersão de Rayleigh, aumentam com a diminuição da altura Solar. A dispersão devida à poluição do ar (difusão de Mie), varia consideravelmente conforme a sua localização, sendo maior nas áreas industriais. Influências climatéricas locais como as nuvens, a chuva ou a neve, levam a uma maior redução da radiação. Tabela 3.1 – Relação entre a irradiação Solar e a altura do Sol. 3.2.6 Condições de Teste Standard (CTS) Por forma a se poder comparar diferentes células ou mesmo diferentes módulos fotovoltaicos, foram criadas condições universais para execução de testes. Deste modo, todos os dados e curvas características apresentadas dos equipamentos, estão de acordo com as CTS “Standard Test Conditions”, que são as seguintes: Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 21 de 96 Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica Irradiância E de 1.000W/m², Temperatura T na célula de 25°C, com uma tolerância de +- 2°C, Espectro de luz para uma massa de ar AM = 1,5. 3.3 Tipos de Células Fotovoltaicas Para além dos variados estudos e desenvolvimentos mundiais nesta área, serão aqui retratados os principais tipos de células fotovoltaicas comercializas pelo mercado. 3.3.1 Células de Silício Monocristalino O silício monocristalino é o material mais utilizado na composição das células solares fotovoltaicas, perfazendo cerca de 60% do mercado. A uniformidade da estrutura molecular das células de silício monocristalino resultante da utilização de um cristal único, é ideal para potenciar o seu rendimento, atingindo em laboratório os 25%, mas no entanto na sua utilização comercial esta é reduzida para cerca de 18%. A produção de silício monocristalino é cara, sendo esta a principal desvantagem deste tipo de célula solar fotovoltaica. A Figura 3.10 demonstra a homogeneidade da célula de silício monocristalino. Figura 3.10 – Célula monocristalina. Fonte: Wikipédia (http://es.wikipedia.org/wiki/Energ%C3%ADa_Solar_fotovoltaica). As células de silício monocristalino contem uma estrutura homogénea e um aspecto azul-escuro para preto. 3.3.2 Células de Silício Policristalino O silício policristalino é constituído por um número elevado de pequenos cristais extremamente finos, utilizado por cerca de 30% do mercado. A descontinuidade da sua estrutura molecular dificultam o movimento de electrões, estimulando à recombinação com as lacunas, afectando a sua potência e respectivo rendimento. Por esta razão os rendimentos em laboratório e em utilização comercial não excedem os 20% e 13%, respectivamente. Em contrapartida, o processo de fabrico é mais barato do que o do silício monocristalino. Possui uma cor azul (com Anti-Reflexão) ou cinza prateada (sem Anti-Reflexão). A Figura 3.11 demonstra a descontinuidade da estrutura da célula de silício policristalino. Pag. 22 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica Figura 3.11 – Célula policristalina. Fonte: Wikipédia (http://es.wikipedia.org/wiki/Energ%C3%ADa_Solar_fotovoltaica). 3.3.3 Células de Silício Amorfo As células de silício amorfo não possuem uma estrutura cristalina, apresentando defeitos estruturais que em princípio, impediriam a sua utilização em células solares fotovoltaicas, uma vez que estes defeitos potenciam as recombinações dos pares electrão lacuna. No entanto, se ao silício amorfo for adicionado hidrogénio, por um processo chamado de hidrogenização, os átomos de hidrogénio combinam-se quimicamente de forma a minimizar os efeitos negativos dos defeitos estruturais. Este processo de fabrico é ainda mais barato do que o do silício policristalino. Os equipamentos solares domésticos são habitualmente feitos com células de silício amorfo, representando cerca de 4% do mercado. Em laboratório é possível obter rendimentos da ordem de 13%, mas as propriedades conversoras do material deterioram-se em utilização prática, pelo que os rendimentos descem para cerca de 7%. As células de silício amorfo contem uma estrutura homogénea e um aspecto castanho avermelhado a preto. [9] Na Figura 3.12 é possível visualizar várias formas e aplicações de células de silício amorfo. Figura 3.12 – Células amorfas. Fonte: Alwitra –UniSolar (http://alwitra.org). 3.3.4 Comparação Entre os Diferentes Tipos de Células Solares Para os sistemas Solares fotovoltaicos com ligação à rede eléctrica geralmente são utilizadas células Solares de silício monocristalino e policristalino, sendo que, a menor eficiência do silício policristalino é contrabalançada pelas vantagens que oferece em termos do preço final. Os módulos de silício amorfo usam-se fundamentalmente em aplicações de lazer (pequenas aplicações, campismo, barcos). Recentemente, os resultados conseguidos com testes Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 23 de 96 Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica demonstraram que as reservas referentes à sua estabilidade e ao seu comportamento ao longo do tempo eram infundadas, pelo que os módulos amorfos poderão tornar-se cada vez mais comuns nos grandes sistemas. Mas o futuro passa pela descoberta de novos materiais, mais baratos e eficientes. Prova disso é o facto de grande parte dos grandes fabricantes de células fotovoltaicas terem já abandonado a investigação com base no silício, começando a desenvolver células com novos materiais. Os materiais mais promissores são o Disselénio de Índio e Cobre e o Telúridio de Cadmium. A BP, líder mundial no fabrico de células fotovoltaicas, optou pelo Telúridio de Cadmium, que, embora não seja o material mais promissor, é bastante mais fácil de trabalhar. Esta tecnologia foi desenvolvida na Universidade da Califórnia do Sul. Existem também em desenvolvimento células com múltiplas junções, sendo cada tipo para capturar diferentes comprimentos de onda do espectro Solar. Os fotões mais energéticos são capturados pelas camadas do topo e os restantes passam para a camada seguinte, sendo capturados pela próxima junção, e assim sucessivamente, capturando cada junção os fotões mais energéticos que consegue, deixando os restantes para a camada seguinte. Na Tabela 3.2 são apresentados os valores de eficiência para alguns tipos de células fotovoltaicas. Tabela 3.2 – Máxima eficiência fotovoltaica. 3.4 Tipos de Sistemas Fotovoltaicos Os sistemas fotovoltaicos isolados ou em associação com outras fontes de energias renováveis, são competitivos para alimentação de certos locais onde as soluções alternativas convencionais (gerador diesel ou rede eléctrica) são claramente inferiores do ponto de vista económico, para além de apresentarem variados inconvenientes ambientais. Já no modo de ligação à rede de energia eléctrica, a situação é diferente, os sistemas fotovoltaicos estão ainda longe de ser competitivos, quer com as fontes de produção convencionais, quer principalmente com outras fontes de energia renovável. O elevado investimento e a baixa utilização anual da potência instalada são as principais razões para a fraca penetração que se verifica nos sistemas ligados à rede. Contudo, com a evolução diária que esta tecnologia está a sofrer, com o grande aumento da produção mundial de módulos Pag. 24 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica fotovoltaicos, com o aumento quase exponencial da concorrência, com a redução do custo do Wp, com tarifas ainda mais competitivas e com a preocupação ambiental sempre presente em cada projecto que se execute, é de prever que esta tecnologia venha a ser olhada de outra forma. De realçar, é que a energia produzida por este tipo de sistema é fornecida à rede quando ela mais necessita, ou seja, durante o dia. Sendo assim, os sistemas fotovoltaicos podem ser divididos em dois grandes grupos: Os sistemas ligados à rede; Os sistemas autónomos. A Figura 3.13 apresenta os diferentes tipos de ligações das instalações fotovoltaicas, e as suas variáveis. Figura 3.13 – Tipos de Instalações fotovoltaicas. 3.4.1 Sistemas Autónomos Os sistemas autónomos constituíram o primeiro campo de aplicação da tecnologia fotovoltaica. A aplicação deste tipo de sistemas autónomos, observa-se onde o fornecimento de energia através da rede pública de distribuição de energia eléctrica não se verifica por razões técnicas e/ou económicas. Nestes casos, os sistemas fotovoltaicos autónomos podem constituir alternativas com uma vertente económica de elevado interesse. Este cenário vem ao encontro do grande potencial para a implementação dos sistemas autónomos, nos países que possuem grandes áreas sem o fornecimento de energia eléctrica. No campo das pequenas e notáveis aplicações Solares de fornecimento de energia eléctrica, também podemos observar consideráveis aplicações: calculadoras electrónicas, carregadores de pilhas, lanternas e rádios, são alguns dos exemplos conhecidos que utilizam Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 25 de 96 Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica células solares de reduzida dimensão. As Figuras 3.14 e 3.15 apresentam algumas aplicações de sistemas autónomos. Figura 3.14 – Iluminação Solar para pavimentos. Fonte: Decoralis (www.decoralis.com). Figura 3.15 – Bicicleta Solar. Fonte: The Electrobike Pi, Warren McLaren (www.treehugger.com). Nos sistemas autónomos, o aproveitamento da energia solar precisa ser ajustado à necessidade, uma vez que a energia produzida não corresponde na maior parte das vezes à necessidade pontual de energia do consumidor, tornando-se assim fundamental considerar um sistema de armazenamento (baterias) e meios de apoio complementares de produção de energia (sistemas híbridos). Em geral, a utilização de acumuladores obriga a que se torne indispensável a utilização de um regulador de carga adequado que faça a gestão do processo de carga, de forma a proteger e garantir uma elevada fiabilidade e um maior tempo de vida útil dos acumuladores. Assim sendo, pode-se identificar na Figura 3.16 os diferentes equipamentos constantes num sistema autónomo típico: Fonte Fotovoltaica: Um ou vários módulos fotovoltaicos. Regulador de Carga: Efectua a gestão da carga de forma a obter perfis compatíveis com a radiação disponível e com a capacidade das baterias. Acumulador: Baterias asseguram o abastecimento nos períodos em que a energia produzida pela fonte fotovoltaica é insuficiente ou não está disponível; as baterias são Pag. 26 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica carregadas quando o recurso disponível permite obter uma potência superior à potência de carga. Inversor: Requerido caso haja cargas alimentadas em AC. Cargas. Regulador de Carga Carga Gerador Fotovoltaico Acumulador Figura 3.16 – Princípio de funcionamento de um sistema fotovoltaico autónomo. 3.4.2 Sistemas Ligados à Rede Nos sistemas ligados à rede de energia eléctrica, que entregam toda a energia que produzem à rede, é necessário um inversor que serve de elemento de interface entre o painel fotovoltaico e a rede, de modo a transformar a corrente contínua (DC) do painel fotovoltaico, em corrente alternada (AC) exigida pela rede. Um sistema fotovoltaico com ligação à rede é composto geralmente, pelos seguintes componentes: Gerador fotovoltaico: constituído normalmente por vários módulos fotovoltaicos dispostos em série e/ou em paralelo em estruturas de suporte. Caixa de junção: equipada com dispositivos de protecção e interruptor DC. Inversor. Mecanismo de protecção e contagem. A Figura 3.17 mostra a estrutura principal de um sistema fotovoltaico com ligação à rede eléctrica. Módulos Fotovoltaicos + Estrutura Protecções Inversor Contador de Energia Figura 3.17 – Estrutura Principal de um sistema fotovoltaico com ligação à rede. Fonte: Lassothesun (www.lassothesun.ca). Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 27 de 96 Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica Inicialmente, o local preferencial para a instalação fotovoltaica foi no topo dos telhados dos edifícios, como apresentado na Figura 3.18, mas a integração dos sistemas fotovoltaicos em diferentes tipos de prédios (apartamentos, escolas, centros comerciais), tem vindo a ganhar um espaço cada vez maior na sua aplicação. Figura 3.18 – Sistema fotovoltaico ligado à rede, instalado num telhado. Fonte: Labeee (www.labeee.ufsc.br). Actualmente, os grandes projectos fotovoltaicos que são construídos à superfície do solo estão em franca expansão, formando grandes centrais fotovoltaicas ligadas à rede eléctrica. Tal como exposto na Figura 3.19, este tipo de projecto fotovoltaico tem vindo a ser promovido por empresas operadoras do sector eléctrico e por investidores particulares. Figura 3.19 – Grande sistema fotovoltaico com ligação à rede, no solo. Fonte: Serpa (http://energiasrenovaveis.wordpress.com). 3.5 Caracterização da Localização de um Sistema Fotovoltaico Para maximizar o rendimento de uma célula fotovoltaica, a escolha do local para uma instalação solar fotovoltaica é fundamental, já que os níveis de radiação solar e condições de temperatura são pontos preponderantes para uma instalação deste tipo. Na Europa existe uma grande diferença entre os níveis de radiação solar em função da estação do ano, com valores extremos no verão e inverno: 1.900 kWh/m² e 700 kWh/m², respectivamente. Na Figura 3.20 pode-se apreciar a distribuição global de irradiação solar, em Portugal e no resto da Europa. Pag. 28 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica Figura 3.20 – Distribuição global da irradiação solar em kWh/m² no plano horizontal. Fonte: JRC (http://re.jrc.ec.europa.eu/pvgis/). Em Portugal, estes valores poderão situar-se entre os 1.800 kWh/m² no verão e os 1.300 kWh/m² no inverno. As diferenças da irradiação solar em Portugal são apresentadas na Figura 3.21, evidenciando a radiação no plano horizontal e radiação no plano com inclinação óptima, respectivamente. Figura 3.21 – Radiação global anual em Portugal – Plano Horizontal e Óptimo. Fonte: Joint Research Centre (JRC - http://re.jrc.ec.europa.eu/pvgis/). 3.5.1 Equipamentos para Medição da Radiação Solar A medição da radiação Solar pode ser efectuada com piranómetros, com sensores fotovoltaicos, ou indirectamente através da análise das imagens de satélite. Os piranómetros são instrumentos de medição de elevada precisão, que medem a radiação solar num plano horizontal. Compõem-se principalmente de duas semi-esferas de Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 29 de 96 Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica vidro, um prato de metal preto, que é usado como superfície absorvente, por termo elementos e por uma concha de metal branco, disposta na Figura 3.22. A radiação solar atravessa o vidro semi-esférico, incidindo perpendicularmente sobre a superfície absorvente, aquecendo-a. Uma vez que o aquecimento depende directamente da irradiação, esta pode ser calculada recorrendo à diferença de temperatura entre o metal branco e a superfície absorvente. A tensão de saída vai ser proporcional à radiação global. Figura 3.22 – Piranómetro. Fonte: isr (www.isr.uc.pt). Por razões de custo e por simplicidade de utilização, também se aplicam com frequência os sensores fotovoltaicos. Na maioria dos casos, são utilizados sensores de silício cristalino, que basicamente consistem numa célula solar, que fornece uma corrente eléctrica proporcional à irradiância solar. Contudo, certas partes da radiação solar não são medidas com total precisão devido à sensibilidade ao espectro. Alcança uma precisão média de medida de 2% a 5% por ano, conforme a calibragem e a estrutura do sensor. Pode-se atingir uma precisão abaixo de 4% com a calibragem e a utilização de sensores de radiação laminados para compensar a variação da temperatura. Os sensores solares fotovoltaicos são muitas vezes instalados como um instrumento operacional de controlo nos sistemas fotovoltaicos de maior dimensão, semelhantes ao da Figura 3.23, permitindo assim avaliar o desempenho do sistema solar fotovoltaico através da sua comparação. Neste contexto, deve-se salientar que um sensor do mesmo tipo (amorfo, silício monocristalino e policristalino), aumenta a precisão e simplifica a avaliação. Figura 3.23 – Sensor radiação solar. Fonte: Logotronic (www.logotronic.at). Um pireliometro, como se pode verificar na Figura 3.24, é o instrumento que serve para medir a intensidade da radiação Solar directa numa superfície perpendicular aos raios Solares. Pag. 30 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica Figura 3.24 – Pireliometro. Fonte: isr (www.isr.uc.pt). Conhecendo o valor da radiação global e da directa, pode-se obter o valor da radiação difusa, no entanto esta pode ser mensurada utilizando um piranómetro, já anteriormente apresentado. Para isso coloca-se uma tela semicircular que se opõe à radiação directa, produzindo sombra durante todo o dia sobre o piranómetro, conforme Figura 3.25. Esta recebe então a radiação difusa. Figura 3.25 - Medição da radiação difusa. Fonte: isr (www.isr.uc.pt). 3.6 Colocação dos Painéis Solares Para a correcta instalação dos módulos fotovoltaicos, é necessário antecipadamente conhecer o funcionamento do sistema solar. 3.6.1 Geometria Solar - Declinação Devido à declinação do eixo da Terra, o Sol não a atinge sempre da mesma forma para a mesma hora do dia. A Terra descreve uma trajectória elíptica anualmente em torno do Sol num plano inclinado de aproximadamente 23,45° em relação ao plano equatorial. Esta declinação é responsável pela variação da elevação do Sol no horizonte em relação à mesma hora, ao longo dos dias, dando origem às estações do ano, tal como representado na Figura 3.26. Figura 3.26 – Trajecto do Sol em determinados dias das estações. Fonte: isel (www.isel.pt) [10]. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 31 de 96 Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica O ângulo que os raios solares fazem com o plano equatorial ao meio dia solar é chamado ângulo de inclinação, representado na Figura 3.27 que pode ser determinado através da expressão 3.8. Este ângulo varia de 23,45° em 21 Junho a -23,45° em 21 de Dezembro, sendo igual a zero nos dias 21 de Setembro e 21 de Março. Estes dias correspondem ao início de cada estação do ano. 23,45.sen 360 n 81 365 , n 1,2,3, ..., 365 (3.8) Figura 3.27 – Representação dos ângulos de inclinação solar. Fonte: isel (www.isel.pt). A Figura 3.28 apresenta a melhor inclinação para colocar um painel solar fotovoltaico, com o objectivo de maximizar a radiação solar. Normalmente este coloca-se com uma inclinação igual à da latitude do local. Figura 3.28 – Representação de um painel segundo a latitude do local. Fonte: isel (www.isel.pt). Isto significa que no hemisfério Norte os painéis são colocados virados para sul. Se desejarmos aproveitar mais radiação no Inverno, devemos colocá-los com uma inclinação maior do que L e no Verão com uma inclinação inferior a L. 3.6.2 Posição Solar A posição do Sol pode ser conhecida a qualquer hora do dia em termos do ângulo de altitude e o ângulo do seu azimute S (onde o índice s significa relativo ao Sol), que é o ângulo compreendido entre a projecção do Sol sobre o plano do horizonte e a mesma projecção ao meio-dia local, tal como representado na Figura 3.29. Pag. 32 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica Figura 3.29 – Representação de um painel segundo a latitude do local. Fonte: isel (www.isel.pt). Para determinar o ângulo de altitude , pode-se utilizar a expressão 3.9. sen cos L.cos H Para determinar o ângulo do seu azimute sen S S sen L.sen (3.9) , pode-se utilizar a expressão 3.10. cos cos H (3.10) Onde H é o chamado ângulo horário. Este ângulo representa o número de graus que a Terra tem de girar até chegar ao meio-dia do seu meridiano local. Na Figura 3.30 está representado o ângulo horário em função do numero de horas. H 15 x nº de horas que faltam até ao meio dia solar (3.11) Figura 3.30 – Ângulo horário. Fonte: isel (www.isel.pt). Para o local do projecto, Sevilha (L = 37°), o ângulo de altitude S e o ângulo de azimute para as 12:00 no Solstício de Junho (n = 172), são determinados pela expressão 3.8. 23,45.sen 360 172 81 365 23,45 H 15 . 0 0 sen cos 37 .cos 23,45.cos 0 sen S cos 23,45.sen 0 cos 76,45 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica sen 37 .sen 23,45 S 76,45 0 Pág. 33 de 96 Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica 3.7 Radiação Solar É a designação dada à energia radiante pelo Sol, em particular aquela que é transmitida sob a forma de radiação electromagnética. Cerca de metade desta energia é emitida como luz visível na parte de frequência mais alta do espectro electromagnético, e o restante na banda próxima do infravermelho e como radiação ultravioleta. A radiação electromagnética solar é constituída por partículas designadas por fotões, que transportam o campo electromagnético. Contudo, o próprio campo electromagnético em propagação é um fenómeno ondulatório, ou seja, é a propagação de uma onda no espaço. As ondas electromagnéticas são uma combinação de um campo eléctrico e de um campo magnético que se propagam através do espaço transportando energia. O Sol fornece energia na forma de radiação, que é a base de toda a vida na Terra. No centro do Sol, a fusão transforma núcleos de hidrogénio em núcleos de hélio, em que durante este processo, parte da massa é transformada em energia. Devido à grande distância existente entre o Sol e a Terra, apenas uma mínima parte da radiação solar emitida atinge a superfície da Terra. Esta radiação corresponde a uma quantidade de energia de 1,5 x 1018 kWh/ano. De acordo com a evolução da exploração das reservas de petróleo e de gás, é previsto que as reservas se esgotem nas três primeiras décadas deste século. Mesmo no caso de serem descobertos novos depósitos, apenas se prolongará a dependência da energia fóssil por mais algumas décadas. A quantidade de energia solar que atinge a superfície da Terra corresponde, aproximadamente, a dez mil vezes à procura global de energia. Assim, para satisfazer a procura energética total da humanidade tinha-se apenas de utilizar 0,01% desta energia. 3.7.1 Distribuição da Radiação Solar A intensidade da radiação solar fora da atmosfera, depende da distância entre o Sol e a Terra, que durante o decorrer do ano pode variar entre 1,47 x 108 km e 1,52 x 108 km. Devido a este facto, a irradiação varia entre 1373 W/m² e 1353 W/m², segundo a World Meteorological Organization (WMO) e a NASA. O valor designado por constante Solar da irradiação é E0 = 1.367 W/m². No entanto, apenas uma parte da quantidade total da radiação solar que chega à Terra atinge a superfície terrestre. A atmosfera reduz a radiação solar devido a: Reflexão (nuvens); Absorção (ozono, vapor de água, oxigénio, dióxido de carbono); Difusão (partículas de pó, poluição). Pag. 34 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica O nível de irradiância na Terra atinge um total aproximado de 1.000 W/m² ao meio-dia, em boas condições climatéricas. A radiação disponível à superfície terrestre é formada por três componentes: Directa: A que vem directamente desde o disco Solar; Difusa: A proveniente de todo o céu excepto o disco Solar (principalmente das nuvens); Reflectida: A proveniente da reflexão no chão e dos objectos circundantes. Os diferentes tipos de radiação solar estão apresentados na Figura 3.31. Figura 3.31 – Luz Solar. Tipos de radiação. Fonte: Raplus (www.raplus.pt). A radiação solar que chega à Terra depende, como já foi visto, da hora e dia do ano em que se encontra. A expressão 3.12 é usada para a determinar. I0 E 0 . 1 0,034.cos 360 .n , onde E 0 365 1367W/m 2 e n 1,2,3, ..., 365 (3.12) [11] Os raios solares ao passar pela atmosfera são em grande parte absorvidos de modo que menos de metade da radiação que chega à atmosfera atinge a superfície da Terra. Com a expressão 3.13 pode-se determinar a radiação incidente num plano normal ao dos raios incidentes. IB A.e k.m (3.13) Onde, A 1160 75 . sen k 0,174 m 1 sen 360 . n 275 ,W/m 2 365 0,035.sen Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica 360 . n 100 365 (3.14) Pág. 35 de 96 Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica Através das expressões 3.14 são determinadas as diferentes variáveis para o local da instalação, considerando os dados acima apresentados. 90 - L 90 37 1160 75 . sen k 0,174 0,035.sen 1 sen 76,45 360 . 172 275 365 A m 23,45 360 . 172 100 365 1 sen 76,45 (3.15) 1087 W/m 2 0,21 1,029 Logo a radiação incidente é: IB 3.7.1.1 A.e k.m 0,21.1,029 1087.e 876W/m 2 (3.16) Radiação Solar Directa A radiação directa é aquela que alcança a superfície directamente desde o Sol. Nos dias claros, a componente da radiação directa prevalece, mas no entanto, na maioria dos dias cobertos de nuvens (especialmente no Inverno), a radiação solar é na sua maioria difusa. Em Portugal, a proporção da radiação solar difusa durante um ano, é cerca de 40% para 60 % de radiação directa. Se o painel não estiver colocado perpendicularmente à direcção dos raios incidentes, a radiação é dada em função do ângulo de incidência , conforme a Figura 3.32. Figura 3.32 – Ângulo de incidência da radiação Solar sobre um painel virado a sul. Fonte: isel (www.isel.pt). I BC I B .cos sendo : I BC radiação directa IB (3.17) [ix] radiação incidente Na Figura 3.33 é apresentado o ângulo de incidência , na qual é dado em função da orientação do painel e dos ângulos de altura e azimute solar S, como demonstra a expressão 3.18. cos Pag. 36 de 96 cos ( S C ).sen sen (3.18) Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica Figura 3.33 – Ângulo de incidência da radiação Solar sobre um painel em qualquer posição. Fonte: isel (www.isel.pt). A radiação directa para o local do projecto, considerando os dados acima determinados assim como o ângulo de elevação do painel de n = 30°, C=2° sudeste, é a seguinte: 172 360 172 81 365 23,45.sen H 15 . 0 sen sen cos 23,45 0 cos 37 .cos 23,45.cos 0 cos 23,45.sen 0 cos 76,45 S cos 76,45 .cos (0 sen 37 .sen 23,45 S (3.19) 76,45 0 2 ).sen30 sen 76,45 .cos 30 16,4 A radiação directa é: I BC 3.7.1.2 I B .cos 876.cos16, 4 840 W/m 2 (3.20) Radiação Solar Difusa A radiação solar difusa é aquela que é recebida indirectamente, resultante da acção das nuvens, nevoeiro, poeiras em suspensão e outros obstáculos na atmosfera. O calculo desta radiação é bastante mais complexa, devido ao facto de ser mais difícil de estimar. Os modelos usados para a determinar consideram que esta depende da radiação solar directa. Considerando C o factor de difusão, a radiação difusa pode ser calculada pela expressão 3.21. I DH C C.I B 0,095 0,04.sen 360 n 100 365 ,n 1,2,3, ..., 365 (3.21) [ix] sendo : I DH radiação difusa Com isto, pode-se conhecer quanto desta radiação difusa atinge o painel, que é quando realmente interessa. A expressão 3.22 determina esse valor para um painel colocado com um ângulo de inclinação . Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 37 de 96 Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica I DC C.I B . 1 cos 2 (3.22) sendo : I DC radiação difusa que atige o painel A radiação difusa para o local do projecto, considerando os dados acima determinados, é a seguinte: C 0,095 0,04.sen 360 172 100 365 (3.23) 0,133 A radiação difusa é: I DC 3.7.1.3 C.I B . 1 cos 2 0,133.876. 1 cos 30 2 109 W/m 2 (3.24) Radiação Solar Reflectida A radiação solar proveniente de tudo o que rodeia uma instalação fotovoltaica é a radiação reflectida, ou seja, é a radiação reflectida pelo solo (albedo) e todos os outros objectos circundantes. Entre outros modelos, a radiação solar reflectida pode ser determinada através de um índice de reflexão , tomando em consideração o local onde o módulo fotovoltaico está instalado. A radiação solar reflectida incidente num painel colocado num determinado ângulo de altura é dada pela expressão 3.25, mas quando o painel está na horizontal, = 0, correspondendo a IRC = 0. I RC B . sen C. 1 cos 2 (3.25) [ix] sendo : albedo IB radiação incidente A radiação reflectida é: I RC B . sen C. 0,25.876. sen 76,45 1 cos 2 1 cos 30 0,133 . 2 (3.26) 16 W/m 2 O albedo varia de acordo com a composição da superfície terrestre, sendo que quanto maior for o albedo, maior é a reflexão da luz solar (pelo que mais brilhantes ficam as zonas adjacentes) e a respectiva radiação difusa. Trata-se de um dado inicial Solicitado por alguns programas de simulação, que pode-se assumir um valor geral de 0,25 para o albedo. No entanto, na Tabela 3.3 são apresentados alguns valores típicos do albedo para diversas superfícies. Pag. 38 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica Tabela 3.3 – Albedo para diferentes superfícies. Fonte: Oke, 1998. Superfície Pastos Relva Terra Asfalto Betão liso Areal Neve fresca Neve velha 3.7.2 Albedo 0,16 - 0,26 0,18 - 0,23 0,17 0,15 0,3 0,15 - 0,45 0,95 0,40 Radiação Solar em Superfícies Inclinadas Fixas A radiação solar numa superfície perpendicular à direcção da sua propagação é sempre maior que para a mesma superfície colocada em qualquer outra posição. Como o azimute e a altura solar varia ao longo do dia e do ano, o ângulo de incidência da radiação solar óptimo também varia. Para demonstrar este aspecto pode-se verificar na Figura 3.34 a irradiação solar média que incide numa área de um metro quadrado, em função do azimute e da altura solar. Figura 3.34 – Energia incidente diária média para o centro de Portugal (kWh/m²). Fonte: Solterm (www.ineti.pt) A orientação da instalação solar tem por resultado diferentes níveis de irradiação. Em Portugal, a orientação óptima de uma instalação é a direcção Sul, com um ângulo de 35° de inclinação. Neste caso, o nível de irradiação é quinze por cento maior do que para uma área horizontal. A instalação de instalações solares fotovoltaicas em telhados inclinados, com orientações diferentes à da posição óptima, traduz-se numa menor produção de energia eléctrica devido à redução da radiação. Uma orientação dos telhados para Sudoeste ou Sudeste, ou uma inclinação entre 20 e 50 do painel fotovoltaico, implicam uma redução de energia eléctrica produzida de aproximadamente 10%. Para inclinações e orientações com uma variação superior Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 39 de 96 Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica aos valores referidos, a construção da instalação solar fotovoltaica deverá ser repensada, já que muito dificilmente esta amortizará o seu investimento. Desta forma, para um sistema fotovoltaico autónomo de utilização apenas no Verão, deve ser considerado um pequeno ângulo de inclinação para que se possua um maior rendimento, enquanto que para sistemas fotovoltaicos ajustáveis, pode-se tomar em consideração ambas as posições solares ideais, a posição diária e a posição sazonal. 3.7.3 Radiação Solar em Superfícies Orientadas Normalmente um sistema que siga o Sol é designado por seguidor solar. Este sistema, conforme ilustração da Figura 3.35, permite aproveitar melhor a radiação solar visto colocar os painéis solares com uma orientação no sentido de receber os raios solares sempre na perpendicular. Podem obter-se ganhos consideráveis de radiação através deste movimento. No verão, nos dias sem nuvens estes ganhos podem atingir 50%, enquanto que no Inverno pode atingir 30%, quando comparados com uma superfície fixa. Figura 3.35 – Sistema de orientação solar. Fonte: Soltec (http://soltec-renovables.com). Há dois tipos de seguidores solares que permitem o movimento dos painéis de acordo com a deslocação do Sol: os seguidores que têm dois eixos e os seguidores que têm apenas um eixo. Os seguidores com dois eixos focam sempre o Sol na melhor posição, permitindo variar a regulação da orientação e da inclinação, obtendo com isso um maior aproveitamento da radiação solar, conduzindo obviamente a uma maior produção de energia eléctrica (Figura 3.36). Este sistema é muito mais caro e possui maiores custos de manutenção, comparativamente com o sistema fixo. Os seguidores com um eixo podem ser executados de forma a permitir a regulação da orientação ou da inclinação, conforme o local e aplicação, conduzindo a uma menor produção de energia eléctrica relativamente ao sistema com dois eixos. Requer um sistema de controlo eléctrico mais simples e com menores custos de manutenção. Pag. 40 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica Figura 3.36 – Irradiância para duas situações: situação fixa e orientação a 2 eixos (Para uma instalação com uma potência de 5 kWp) Fonte: Joint Research Centre (JRC - http://re.jrc.ec.europa.eu/pvgis/). O seguidor solar normalmente é equipado com um sistema de controlo eléctrico, cuja alimentação de energia eléctrica terá de ser garantida, reduzindo a eficiência energética global do sistema. Caso o sistema de orientação e comando deixe de funcionar correctamente, o sistema fotovoltaico pode ficar estagnado numa posição desfavorável, o que conduz a uma diminuição considerável da radiação captada durante o período de estagnação, capaz de produzir bastante menos energia que um sistema fixo devidamente orientado e inclinado. A orientação do painel segundo apenas um eixo é normalmente implementada no sentido Leste – Oeste (E-W), idêntico ao da Figura 3.37. Figura 3.37 – Painel orientável segundo um eixo. Fonte: isel (www.isel.pt). A radiação directa, difusa e reflectida em planos orientáveis segundo um eixo podem ser determinadas pelas expressões 3.27. I BC I B .cos I DC C.I B . I RC B 1 cos 90 2 . sen C. 1 cos 90 2 (3.27) [9] sendo : albedo I B radiação incidente Sendo, Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 41 de 96 Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica 804 W/m 2 I BC 876.cos23,45 I DC 0,133.876. I RC 0,25.876. sen 76,45 1 cos 90 76,45 23,45 2 1 cos 90 0,133 . (3.28) 105 W/m 2 76,45 2 23,45 24 W/m 2 A orientação do painel segundo os dois eixos é mais complexa e é feita no sentido E-W e N-S, idêntico ao da Figura 3.38. Figura 3.38 – Painel orientável segundo dois eixos. Fonte: isel (www.isel.pt). As radiações directa, difusa e reflectida em planos orientáveis segundo dois eixos podem ser determinadas pelas expressões 3.29. I BC IB I DC C.I B . I RC B 1 cos 90 2 . sen C. (3.29) 1 cos 90 2 Sendo, 3.8 I BC 876 W/m 2 I DC 0,133.876. I RC 0,25.876. sen 76,45 1 cos 90 2 76,45 0,133 . 115 W/m 2 1 cos 90 2 76,45 (3.30) 3 W/m 2 Sombras Num sistema fotovoltaico é fundamental conhecer as consequências do sombreamento de um modulo fotovoltaico, e que medidas se podem tomar no sentido de evitar a diminuição drástica da energia produzida. 3.8.1 Análise de Sombras. As sombras interferem muito mais sobre a produção de uma instalação solar fotovoltaica do que sobre as instalações solares térmicas. Numa instalação solar térmica uma sombra de 30% reduz a produção de energia na ordem dos 30%, enquanto que um sombreamento de 30% numa instalação solar fotovoltaica, pode diminuir a produção de energia na ordem dos 80% a 90% [12]. Pag. 42 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica 3.8.1.1 Tipos de Sombras. As sombras podem-se dividir em sombras temporais, sombras devido à localização e sombras devido ao próprio edifício. Sombras temporais As sombras temporais são causados, por exemplo, devido à neve, ás folhas de árvores, a excrementos de pássaros, ao pó e a demais sujidades. Em qualquer uma das circunstâncias, estas sombras não podem ser ignoradas. A auto-limpeza significa que os elementos que provocam a sombra, dissolvem-se devido à água da chuva, ou à inclinação dos painéis fotovoltaicos ou à acção do vento. Quando a inclinação dos painéis é menor que 20°, a auto limpeza é baixa, enquanto que para maiores inclinações a auto limpeza pela chuva e vento é maior. Numa instalação com uma inclinação superior a 25°, as perdas por sujidade são da ordem de 2 – 5%. Em regiões onde neva muito, devem-se colocar os módulos na horizontal para que se reduza as perdas devido ás sombras. Sombras devido à localização São sombras ocasionadas por edifícios redundantes, árvores, linhas aéreas e também por edifícios que se encontram entre o horizonte e a instalação. Há que destacar que as sombras devidas a objectos que se situam muito perto do gerador fotovoltaico são mais prejudiciais que as devidas a objectos que se situam mais longe. Sombras devido ao edifício São devidas ao próprio edifício, por isso são muito próximas e muito prejudiciais. São originadas por chaminés, pára-raios, antenas, parabólicas, ressaltos do próprio telhado, etc. Estas sombras podem ser atenuadas com a alteração da localização dos painéis fotovoltaicos ou com a alteração do elemento causador da sombra. 3.8.1.2 Cálculo das Sombras Para se conhecer quando é produzido o sombreamento é necessário analisar o local da instalação em função do meio ambiente, tais como, a queda neve, pó, queda de folhas, arvores, etc, conforme exemplificação na Figura 3.39. Figura 3.39 – Altura solar e do azimute de um obstáculo. Fonte: Instalaciones Fotovoltaicas, Manual para uso de Instaladores. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 43 de 96 Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica A sombra é geralmente determinada relativamente a um ponto médio do painel solar fotovoltaico. A altura solar calcula-se a partir da diferença entre a altura da instalação fotovoltaica, h1, a altura do objecto que provoca a sombra, h2 e da sua distancia d. tan 3.8.1.3 h2 h1 (3.31) d Sombras Produzidas pela Própria Instalação. Em várias situações as instalações fotovoltaicas são montadas sobre superfícies planas. Em princípio podia-se montar os módulos na horizontal, já que desta forma não se produziam sombras. Contudo, visto que na maioria das situações interessa dispor os módulos com uma certa inclinação sobre a superfície horizontal, então há que procurar que as filas de módulos não façam sombras umas ás outras. Geralmente em Portugal utiliza-se para instalações de ligação à rede eléctrica um ângulo de inclinação de 35°, já que é o ângulo que maximiza a radiação incidente anual. No caso de instalações desligadas da rede eléctrica, pode-se utilizar uma inclinação na ordem dos 55–60°, já que favorece a captação nos meses de menor radiação (inverno). Se a necessidade da produção é para o verão, então a inclinação óptima é da ordem dos 15°–20°. Para instalar o painel fotovoltaico é necessário estimar a distância entre as estruturas, pelo que na Figura 3.40, demonstra as variáveis que são usualmente utilizadas. Legenda: a – altura do módulo d – distancia entre filas d1 – distancia entre estruturas h – altura da estrutura - inclinação dos módulos - ângulo de altura Solar Figura 3.40 – Distancias entre filas para evitar sombras. Fonte: Instalaciones Fotovoltaicas, Manual para uso de Instaladores [7]. A distância entre as filas de módulos depende da altura destes assim como da sua inclinação, , e do ângulo da altura solar, , no local da instalação dada pela expressão 3.32. d Pag. 44 de 96 a. sen 180º sen (3.32) Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica Em 21 de Dezembro, o ângulo de altura solar, , corresponde ao seu menor valor. Em Portugal, a distancia mínima entre estruturas, d1, deve ser da ordem de 2,5 vezes a altura h, já que o ângulo solar ás 12 h do dia 21 de Dezembro é da ordem de 25°: d1 2,5 . h (3.33) Como se pode verificar, a orientação óptima de um painel fixo não é obvia. Na prática recomenda-se que sejam orientados de modo a que a sua parte frontal fique virada para o Sul geográfico (ou Norte, quando instalados no hemisfério Sul). Quando o Sol alcançar para o ponto mais alto da sua trajectória (meio-dia), a sua posição coincide com o Sul geográfico. Para se conseguir um melhor aproveitamento da radiação solar incidente, os módulos deverão estar inclinados em relação ao plano horizontal num ângulo que variará com a latitude do local da instalação, onde se recomendada a tabela 3.4 para a selecção dos ângulos de inclinação. Tabela 3.4 – Ângulo de inclinação dos painéis. Utilização Verão Inverno Anual Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Inclinação dos Painéis Latitude do Local - 15° Latitude do Local + 15° Latitude do Local - 5° Pág. 45 de 96 Capítulo 3 – Tecnologia Solar Fotovoltaica Pag. 46 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 4 – Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico Capítulo 4 Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico Este capítulo faz referência aos diferentes equipamentos constituintes de uma instalação solar fotovoltaica, que se poderão encontrar nos sistemas isolados da rede eléctrica e nos sistemas ligados à rede eléctrica. 4.1 Módulos Fotovoltaicos O módulo fotovoltaico é composto por várias células. A célula é o elemento mais pequeno do sistema fotovoltaico, produzindo tipicamente potências eléctricas da ordem de 1,5 Wp (correspondentes a uma tensão de 0,5 V e uma corrente de 3 A). Para se obter potências maiores, as células são ligadas em série e/ou em paralelo, formando módulos (tipicamente com potências da ordem de 50 a 200 Wp) e painéis fotovoltaicos (com potências bastante superiores). O símbolo da Figura 4.1 é representado para identificar uma célula solar fotovoltaica, uma série de células solares, um módulo fotovoltaico, uma fileira de módulos fotovoltaicos ou um campo fotovoltaico. Figura 4.1 – Símbolo para células, módulos ou sistemas solares fotovoltaicos. 4.1.1 Constituição As células fotovoltaicas, após serem soldadas, são encapsuladas com a finalidade de isolá-las e protegê-las das intempéries, assim como para assegurar uma maior rigidez ao módulo. O módulo, como mostra a Figura 4.2, é constituído pelas seguintes camadas: Vidro de alta transparência e temperado, Acetato de etil vinila (EVA), Células, EVA, Filme de fluoreto de polivinila (Tedlar) ou vidro. A seguir, é colocado o caixilho em alumínio, para fechar, proteger e facilitar a instalação. A durabilidade destes módulos é superior a 30 anos e actualmente está determinada pela Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 47 de 96 Capítulo 4 – Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico degradação dos materiais usados no encapsulamento, ou seja, a durabilidade das células Solares de silício cristalino é bastante superior. Figura 4.2 – Constituição de um módulo fotovoltaico. Fonte: pucrs (www.pucrs.br/cbsolar/ntsolar/energia.php). 4.1.2 Parâmetros e Características dos Módulos Serão apresentados de seguida os principais parâmetros e comportamentos dos módulos fotovoltaicos. 4.1.2.1 Parâmetros do Módulo Os parâmetros eléctricos dos módulos fotovoltaicos são determinados pelos fabricantes nas condições de referência CTS (apresentadas no ponto 3.2.6): A corrente de curto-circuito ISC, A tensão de circuito aberto UOC, O índice máximo de potência Pmax ou PMPP, são especificados para os módulos solares com uma margem de tolerância inferior a 3% aproximadamente. Estas condições ocorrem muito raramente, já que só em muito poucas circunstâncias existe uma irradiância de 1000W/m² e uma temperatura igual ou inferior a 25°C. Por este motivo é muitas vezes especificada a temperatura nominal de funcionamento da célula do módulo (NOCT) 9. Esta temperatura da célula é determinada para um nível de irradiância de 800 W/m², uma temperatura ambiente de 20°C e para uma velocidade do vento de 1 m/s. Nos módulos standard o valor do NOCT está compreendido entre 42°C e 47°C. Junto das características nominais (CTS), são frequentemente especificados nas fichas técnicas dos módulos fotovoltaicos, os coeficientes da tensão e da corrente em função da temperatura (mV ou mA por °C). Isto permite calcular o desempenho eléctrico para qualquer temperatura. De salientar que as fichas técnicas devem contemplar as seguintes normas: DIN EN 50380: Descrição das fichas técnicas e informação da placa dos módulos fotovoltaicos, que entre outras tem de ser de classe 2; 9 NOCT - Normal Operating Cell Temperature - Temperatura normal de funcionamento da célula. Valor dado pelo fabricante e que representa a temperatura atingida pela célula nas condições normais de funcionamento Ta =20°C e I=800 W/m². Pag. 48 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 4 – Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico IEC 62145: Características eléctricas para baixos níveis de radiação (para condições NOCT, com 800 W/m² e 20 °C) e corrente inversa máxima admissível. 4.1.2.2 Características Eléctricas de Módulos Fotovoltaicos Cristalinos O desempenho e as curvas características dos módulos fotovoltaicos dependem fundamentalmente da temperatura das células e da irradiação incidente. A intensidade da corrente que atravessa o módulo é praticamente proporcional à variação da irradiância ao longo do dia. Por outro lado, a tensão MPP permanece relativamente constante com as variações da radiação solar, considerando que a temperatura se mantém constante. Na Figura 4.3 pode-se observar como a diminuição da irradiância afecta a diminuição da tensão no MPP, supondo que a temperatura do módulo se mantém constante. Para um módulo de 175 Wp a diminuição da irradiância de 1000 W/m² para 600 W/m² provoca uma alteração da tensão no MPP em cerca de 2 V. Figura 4.3 – Curvas I-V e Pmáx-V de um módulo para diferentes radiâncias, a 25°C. Fonte: Suntech (http://www.suntech-power.com/products/docs/STP175S_24Ab-1BLK.pdf). Pode-se concluir que quando a irradiância desce para metade, a energia eléctrica produzida reduz-se também para cerca de metade. A temperatura do módulo varia constantemente ao longo do dia devido à influência de factores tais como, a irradiância incidente, a temperatura ambiente, a velocidade e direcção do vento, as propriedades térmicas do módulo e das condições do local. Ao aumentar a temperatura do módulo reduz-se a tensão de circuito aberto e a tensão de máxima potência, enquanto que a corrente permanece praticamente constante. No dimensionamento de instalações fotovoltaicas, deve-se ter em atenção as tensões máximas e mínimas que se produzem à saída dos painéis fotovoltaicos, devido às temperaturas que se alcançam no local da instalação. De forma a minimizar a perda de potência por temperatura, os módulos fotovoltaicos devem ser instalados de modo a que possuam uma boa ventilação natural pela parte frontal e posterior, tal como se pode verificar através da Figura 4.4. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 49 de 96 Capítulo 4 – Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico Figura 4.4 – Comportamento da Voc, Isc para 1.000 W/m² a diferentes temperaturas de célula. Fonte: Suntech (http://www.suntech-power.com/products/docs/STP175S_24Ab-1BLK.pdf). Em resumo, pode-se afirmar que em face das diferentes condições de irradiância e de temperatura um sistema fotovoltaico raramente produz a sua potência nominal, sendo que na maioria das ocasiões fornece uma potência muito menor (na ordem dos 20%). Em conclusão pode-se ainda afirmar que com a variação da irradiação varia a corrente, com a variação da temperatura varia a tensão. 4.1.2.3 Características Eléctricas dos Módulos Fotovoltaicos de Película Fina Para além da eficiência, os módulos cristalinos e de película fina diferem em termos da dependência à intensidade da radiação e à temperatura, da resposta espectral e da tolerância ao sombreamento. O processo de degradação do material amorfo por acção da radiação solar provoca a redução da eficiência do módulo durante os primeiros 6 a 12 meses de operação, mas decorrido esse período, estabiliza no valor especificado pelo fabricante como sendo a potência nominal. Isto significa que os módulos de silício amorfo são na realidade fornecidos com uma potência superior à potência nominal. Este facto deverá ser tido em conta durante o período de dimensionamento de determinados equipamentos do sistema, tais como os inversores. Há que realçar que a curva de corrente-tensão dos módulos de película fina é mais plana, o que leva a uma menor definição do MPP na implica a necessidade de uma regulação mais precisa. O abatimento das curvas I-U dos módulos de película fina resulta em menores factores de forma do que para os módulos cristalinos. Na Tabela 4.1 pode-se encontrar alguns valores dos Factor de Forma, para alguns tipos de módulos. A qualidade do módulo solar fotovoltaico pode ser avaliado pelo valor do factor de forma que apresenta, já que quanto maior for, melhor é o módulo. Pag. 50 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 4 – Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico Tabela 4.1 – Factores de forma típicos de módulos fotovoltaicos No entanto, os módulos de película fina são geralmente mais flexíveis em termos de dimensões geométricas. Nos módulos cristalinos, as dimensões do módulo são determinadas pela geometria da pastilha de silício usada, em que a tensão nominal do módulo é por sua vez um múltiplo das tensões das células individuais ligadas em série. Na tecnologia de película fina, as células consistem fundamentalmente em tiras de células. Os fabricantes de células e módulos de película fina têm maior liberdade de escolha no que respeita ao comprimento e número de tiras celulares interligadas, pelo que é o desenho do módulo que determina a potência e, consequentemente, a corrente e tensão do mesmo. Em comparação com os módulos cristalinos, os módulos de película fina comportam-se melhor na presença de sombras. Nos módulos standard de pastilhas individuais de silício, o facto de existir uma célula completamente sombreada acarreta a falha de metade do módulo. Pelo contrário, a forma das células individuais dos módulos de película fina, permite evitar que as células fiquem completamente sombreadas. Consequentemente, a potência apenas é reduzida de forma proporcional à área sombreada, pelo que as perdas ocasionadas pelo sombreamento são frequentemente muito menores do que aquelas que ocorrem com módulos de silício cristalino. Normalmente, os módulos de película fina não são sensíveis aos aumentos de temperatura, isto faz, que a tecnologia de película fina, apresente um bom comportamento nas aplicações de integração em edifícios onde normalmente é difícil garantir uma boa ventilação do módulo e um sombreamento mínimo. 4.1.2.4 Díodos de Derivação A necessidade da colocação de díodos de derivação numa instalação fotovoltaica ocorre fundamentalmente para reduzir o efeito do sombreamento sobre os módulos fotovoltaicos. Na Figura 4.5 são assinalados os díodos de derivação, assim como a sua disposição no interior da caixa de derivação integrada no módulo solar fotovoltaico. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 51 de 96 Capítulo 4 – Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico Díodos Figura 4.5 – Caixa de junção do módulo com díodos. 4.1.3 Interligação Entre Módulos Fotovoltaicos Para conhecer o funcionamento de um módulo fotovoltaico, é necessário ter presente que estes são formados por associações de células. Portanto, o comportamento eléctrico do módulo vai depender do comportamento que cada uma das células possuírem e de que forma estejam associadas. Nesse sentido temos duas possibilidades, a interligação de células em série ou em paralelo. O número de módulos ligados em série perfaz a tensão do sistema, que por sua vez determina a tensão de entrada do inversor. Nesta associação deve-se ter bastante atenção à tensão de circuito aberto da fileira de módulos, já que poderão ser ultrapassadas as tensões de entrada admissíveis dos inversores. O número de módulos ligados em paralelo perfaz a corrente do sistema, que por sua vez determina a corrente do inversor. Na Figura 4.6 e na Figura 4.7, estão representadas as associações série e paralela de 2 células, respectivamente. Figura 4.6 – Duas células solares fotovoltaicas ligadas em série. Figura 4.7 – Duas células solares fotovoltaicas ligadas em paralelo. 4.1.4 Modelo Matemático para a Célula Fotovoltaica O modelo representado na Figura 4.8 esquematiza o circuito eléctrico equivalente de uma célula fotovoltaica, como um díodo de três parâmetros. A fonte de corrente IS, representa a corrente gerada pelo feixe de radiação luminosa constituída por fotões. Esta corrente eléctrica unidireccional é constante para uma dada radiação incidente. A corrente ID, Pag. 52 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 4 – Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico representa a troca de electrões na junção P-N, que pode ser representada por um díodo, devido a ser uma corrente interna unidireccional, que depende da tensão V aos terminais da célula. Figura 4.8 – Circuito equivalente de uma célula fotovoltaica. A corrente no díodo, ID é traduzida pela expressão 4.1, ID I0 . e V m.VT (4.1) 1 Onde, ID – Corrente unidireccional IO – Corrente inversa máxima de saturação do díodo VT – Tensão aos terminais da célula m – factor de idealidade do díodo (díodo ideal m = 1, díodo real m > 1) Através da expressão 4.2,determina-se o valor da tensão aos terminais da célula, K.T q VT (4.2) Onde, K – Constante de Boltzman (1,38x10-23 J/°K) T – Temperatura absoluta da célula em Kelvin (0°C = 273,16°K) q – Carga eléctrica do electrão (1,6x10-19) A corrente na carga é, I IS I0 I I s - I0 . e V m.VT 1 (4.3) Pode-se observar o valor do factor de idealidade (díodo ideal m = 1 e díodo real m > 1) explicitando-o na expressão 4.4 indicada. V r max - V r ca m V r T .ln 1 onde, m ' I r max I r cc m NSM (4.4) , sendo : NSM - o nº de células ligadas em série V r max V r ca Tensão max de referência da célula fotovoltaica Tensão de circuito aberto de referência da célula fotovoltai ca Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 53 de 96 Capítulo 4 – Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico 4.1.4.1 Pontos de Funcionamento Existem dois pontos de funcionamento para a célula fotovoltaica: Curto-circuito: V I0 0 0 I (4.5) Is I CC A corrente de curto-circuito, ICC, é o valor máximo da corrente de carga, igual à corrente gerada por efeito fotovoltaico. O seu valor é característico da célula, sendo um dado fornecido pelo fabricante para as condições STC. Circuito aberto: V VCA I 0 V 0 I s - I 0 . e m.VT V Is I0 ln 1 e m.VT Is I0 VCA (4.6) 1 1 Is I0 m.VT .ln 1 A tensão de circuito aberto VCA é o maior valor que a tensão toma aos terminais da célula, o seu valor é característico da célula e é fornecido pelo fabricante para condições standard de radiação e temperatura. 4.1.4.2 Potência Eléctrica, Rendimento e Factor de Forma Sendo a potência para uma célula fotovoltaica dada pela expressão 4.7. V P V.I V. I CC - I 0 e m.VT (4.7) 1 A potência máxima obtém-se para dP/dV = 0. Então igualando a zero e derivando a expressão 4.7, tem-se: V dP V. I CC - I 0 e m.VT dV V m.VT I CC I0 . e 1 I CC I 0 . 1 - e m.VT V. I 0 .e V Pag. 54 de 96 1 0 V m.VT . m.VT m.VT 2 0 (4.8) V . V .e m.VT m.VT 0 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 4 – Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico A solução da equação 4.8, estando na forma implícita em V, só pode ser obtida recorrendo ao uso de métodos iterativos, como por exemplo, Newton-Raphson. O ponto de potência máxima, corresponde a: Vmax .Imax (4.9) Pmax Ao considerar a expressão 4.9, tem-se para as condições de referência: r r r r r V = V max ; I = I max e P = P max r Sendo os valores de V ca ; I cc e P max característicos da célula e fornecidos pelo fabricante. r r Normalmente a maioria dos fabricantes também fornece os valores de V max e I max. De acordo com o exposto o rendimento da célula fotovoltaica, será dado pela expressão 4.10. r P r max A.G r (4.10) Onde, r P max – Potência máxima (W) r G – Radiação incidente (W/(m2) A – Área da célula (m2) Para outro ponto de funcionamento da célula solar fotovoltaica o rendimento é dado pela expressão 4.11. Pmax A.G (4.11) O Factor de Forma da célula solar fotovoltaica é dado pela expressão 4.12. FF P r max (4.12) V r CA . I r CC r r Para células do mesmo tipo os valores de V ca e I cc são praticamente constantes, mas a forma da curva I – V pode variar consideravelmente. Os painéis em uso comercial apresentam factores de forma que variam entre 0,7 e 0,85. 4.1.4.3 Deduções do Modelo Matemático Na situação mais comum os fabricantes de células fotovoltaicas fornecem os valores de r r r V ca ; I cc e P max, onde desta forma se pode definir o factor de idealidade do díodo, m e a r corrente inversa de saturação I 0. 10 V I I s - I r 0 . e m.V 10 r T 1 (4.13) Fonte: isel (www.isel.pt) [3]. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 55 de 96 Capítulo 4 – Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico Curto-circuito: I I r CC Is (4.14) Circuito aberto: I r CC Ir0 (4.15) V r CA r e m.V T 1 Com as expressões 4.13, 4.14 e 4.15 e substituindo na corrente I que percorre a carga do modelo, tem-se a expressão 4.16. V -V r CA I I r r CC (4.16) . 1 e m.V T Pode-se observar que, m, factor de idealidade, constitui um parâmetro de ajuste da curva característica corrente-tensão. r r Ao conhecer-se os valores de V max e I max, fornecidos pelos fabricantes das células, podese considerar três pontos de funcionamento do circuito: circuito aberto, curto-circuito e potência máxima (todos nas condições de referência STC). Curto-circuito: Ir s I r CC (4.17) Circuito aberto: V r CA 0 I r s r -I 0. e m.V r T 1 (4.18) Ponto de potência máxima: V r max I r max I r s r r - I 0 . e m.V T 1 (4.19) r r Se na expressão 4.19 forem substituídos os valores de I S e I 0, obtidos através dos pontos de funcionamento em circuito aberto e em curto-circuito, obtém-se a expressão 4.20. V r max -V r CA I r max I r CC .1 e m.V r T (4.20) Onde se pode observar o valor do factor de idealidade, explicitando-o na expressão 4.21. m m' Pag. 56 de 96 V r max - V r ca I r max V r T .ln 1 I r cc (4.21) m NSM Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 4 – Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico Assim, obtido o valor do factor de idealidade do díodo, pode-se agora obter o valor da corrente inversa de saturação, nas condições de referência, através das equações 4.17 e 4.18, correspondentes aos pontos de circuito aberto e curto-circuito. I r CC Ir0 (4.22) V r CA r e m.V T 1 A corrente inversa de saturação pode ser calculada, tendo em conta as propriedades do material de que a célula é fabricada, por exemplo o silício. 3 T I 0. r T r I0 .e 1 1 . m ' VTr VT (4.23) Onde, IO – Corrente inversa máxima de saturação do díodo D – Constante – Hiato do silício (1,12 eV) m’ – factor de idealidade equivalente m – factor de idealidade do díodo (díodo ideal m = 1, díodo real m > 1) NSM – nº de células ligadas em série VT – Tensão aos terminais da célula T – Temperatura absoluta da célula em Kelvin (0°C = 273,16 K) A tensão máxima que se poderá atingir em cada instante é dada pela expressão 4.24. I ccr Vmax r I max . m.VT .ln Ir 0. T Tr 3 .e m' G Gr . 1 1 VTr VT (4.24) No que respeita à determinação das correntes de referência, podem-se utilizar as seguintes deduções matemáticas. r Vmax Vcar I r max I 4.2 I r cc . 1 e max m.VTr G r I max Gr (4.25) (4.26) Quadro Geral, Díodos de Bloqueio e Fusíveis As fileiras individuais são ligadas entre si no quadro geral do gerador fotovoltaico, assim como o cabo principal DC para ligação ao Inversor. Normalmente no quadro geral do gerador fotovoltaico pode-se encontrar, aparelhos de corte, fusíveis, díodos de bloqueio, descarregador de sobre tensões, interruptor principal DC, Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 57 de 96 Capítulo 4 – Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico barramentos, bornes de ligação e condutores. Este deve possuir IP 54, ser de classe II, e possuir os terminais positivos e negativos claramente separados e identificados no interior da caixa. Na Figura 4.9 está representado um quadro DC, equipado com os seus respectivos aparelhos de corte e protecção. Descarregador Sobretensões Interruptor Seccionador Fusível Figura 4.9 – Quadro DC do gerador fotovoltaico. Para proteger os módulos e os cabos das séries de sobrecargas, são colocados fusíveis em todos os condutores activos (positivos e negativos). Deve-se garantir que estes fusíveis são concebidos para funcionar em DC, tais como os representados na Figura 4.10. (a) (b) (c) Figura 4.10 – Diferentes tipos de fusíveis DC. Para além dos díodos colocados nas caixas de junção dos módulos fotovoltaicos, pode-se também encontrar em projectos, díodos no Quadro Geral. Estes díodos tem por finalidade promover o desacoplamento entre as séries dos módulos, para que caso ocorra um curtocircuito ou o sombreamento de uma fileira, as restantes possam continuar a funcionar normalmente. A tensão de bloqueio destes díodos deverá ser igual ao dobro da tensão de circuito aberto da fileira fotovoltaica sob condições STC. Devido a ser mais um elemento inserido na instalação, este díodo, para além de provocar perdas na ordem dos 0,5 – 2,0 % na produção de energia, devido à sua queda de tensão, também poderá provocar a falha de toda a fileira associada se um díodo for danificado. Isto poderá ser problemático, já que a sua detecção e reparação não será imediata. Por este motivo, nos sistemas sombreados, a produção energética para sistemas que usem díodos de bloqueio, não é substancialmente maior à dos sistemas que não possuem díodos de bloqueio. As perdas devido às correntes inversas são compensadas pelas perdas originadas pelas quedas da tensão aos terminais dos díodos. Por esse motivo, os díodos de Pag. 58 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 4 – Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico bloqueio de cada série não são necessários, mas deve-se ter em consideração os seguintes aspectos: Os módulos devem ser do mesmo tipo; Os módulos devem ter protecção de classe II; Os módulos devem ser certificados para suportar 50% da corrente nominal de curtocircuito quando polarizados inversamente; A tensão de circuito aberto entre as diferentes fileiras do campo fotovoltaico não deve ser superior a 5 %. 4.3 Inversor O inversor é normalmente representado conforme a Figura 4.11, tendo como principal tarefa converter a corrente contínua do gerador fotovoltaico em corrente alternada, ajustando para a frequência e o nível de tensão da rede eléctrica a que está ligado. Figura 4.11 – Símbolo eléctrico do inversor. 4.3.1 Funcionamento Enquanto que nos sistemas isolados a necessidade de um inversor só existe caso haja cargas AC, nos sistemas fotovoltaicos ligados à rede essa questão não se coloca, já que o inversor é fundamental para entregar à rede toda a potência que produz em cada instante. Para além da principal função do inversor que é converter a potência produzida de DC em AC, normalmente também está equipado com um MPPT11 (item 4.3.1.1), como representado no diagrama da Figura 4.12. Figura 4.12 – Diagrama eléctrico do inversor com MPPT. Fonte: SMA (www.sma.de). 4.3.1.1 MPPT A potência máxima produzida pelo sistema fotovoltaico varia com as condições ambientais tais como a temperatura e a radiação, sendo naturalmente desejável o 11 MPPT - Maximum Power Point Tracker - Seguidor do Ponto de Potência Máximo. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 59 de 96 Capítulo 4 – Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico funcionamento sempre à máxima potência. De forma a colocar o módulo fotovoltaico no ponto de operação correspondente à potência máxima (MPP)12, os inversores fotovoltaicos são equipados com um sistema electrónico designado por seguidor de potência máxima. O MPPT consiste num conversor electrónico DC/DC que, de acordo com as condições ambientais de temperatura, radiação e as condições impostas pela rede, ajusta a tensão de saída do painel de modo a que o seu ponto de tensão corresponda à máxima potência gerada. Relativamente ao rendimento do MPPT, existe no mercado múltiplas soluções que apresentam valores acima dos 94% [13]. 4.3.2 Tipos de Inversores Dependendo da aplicação, custo e regulamentação, existem no mercado inúmeros modelos de inversores, que essencialmente se diferenciam pela sua aplicação, existindo os inversores utilizados nos sistemas com ligação à rede (inversores de rede) e nos sistemas autónomos (inversores autónomos). Inversores de Ligação à Rede: Inversor Comutado pela Rede; Inversor Auto-Controlado; Inversor Sem Transformador. Inversor Autónomo: Inversores de onda sinusoidal; Inversores trapezoidais; 4.3.3 Parâmetros e Curvas Características dos Inversores A eficiência da conversão caracteriza as perdas originadas pela conversão da corrente DC em AC. Nos inversores, estas perdas compreendem as perdas ocasionadas pelo transformador (nos que possuem transformador), pelos comutadores electrónicos, pelo controlador, pelos dispositivos de registo de dados operacionais, etc. CONV PAC PDC (4.29) Sempre no intuito de transformar a máxima potência solar num sinal AC, o inversor tem de fixar e controlar automaticamente o ponto de máxima potência (MPP), conforme curva de rendimento apresentada na Figura 4.13. 12 MPP - Maximum Power Point - Ponto de Potência Máximo Pag. 60 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 4 – Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico Figura 4.13 – Curva de rendimento do inversor SB 3800. Fonte: SMA 3800 (www.sma.de). A qualidade da capacidade de ajuste do inversor ao ponto de máxima potência é traduzida pela eficiência do seguimento (MPPT), segundo a expressão 4.30. PDC PPV MPPT (4.30) O rendimento total do inversor é obtido pelo produto da eficiência de conversão e de controlo apresentada em 4.31. CONV . MPPT (4.31) Ou por: PAC U max .I max Os inversores autónomos normalmente (4.32) apresentam rendimentos inferiores relativamente aos inversores de ligação à rede eléctrica, podendo variar entre os 80 a 95% [14]. 4.4 Controladores de Carga Num sistema autónomo, o controlador de carga como o da Figura 4.14, é o equipamento mais importante entre o módulo fotovoltaico e a bateria. Este tem a responsabilidade de manter a bateria carregada em qualquer momento, de forma eficiente e segura. Figura 4.14 – Controlador de carga/descarga com indicador LCD. Fonte: ISOLER D, ISOFOTON (http://www.isofoton.com/). Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 61 de 96 Capítulo 4 – Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico Quando uma carga é ligada, a quantidade de energia armazenada na bateria vai diminuindo durante o período de ligação. Para evitar que a bateria seja demasiadamente descarregada nos longos períodos sem radiação e de grande consumo, é necessário instalar um controlador de carga/descarga. Este equipamento faz a monitorização da carga da bateria e impede que a mesma descarregue completamente, aumentando assim a sua vida útil. Em períodos de grande radiação e pouco consumo de energia, o controlador desliga os módulos fotovoltaicos, para evitar que as baterias sejam carregadas em excesso, reduzindo a sua vida útil. Para prevenir a descarga da bateria através do sistema fotovoltaico, quando a tensão fotovoltaica é inferior à tensão da bateria, são utilizados díodos de bloqueio no sistema fotovoltaico, normalmente integrados no controlador de carga. 4.5 Cabos Na instalação eléctrica de um sistema solar fotovoltaico apenas devem ser usados cabos que cumpram os requisitos para esta aplicação. Devem ser utilizados cabos denominados como “cabos solares”, já que possuem características que, entre outras se destacam a resistência aos raios ultra-violetas, a temperaturas extremas, ao ozono e à absorção de água, semelhantes ao da Figura 4.15. Por razões associadas à protecção contra falhas de Terra e curto-circuitos, é recomendável o uso de cabos mono condutores isolados para as linhas positivas e negativas. Figura 4.15 – Cabos Solares de diferentes cores. Fonte: General Cable (www.generalcable.pt/). 4.6 Interruptor DC Todos os quadros eléctricos a prever na instalação solar fotovoltaica, deverão estar providos de um interruptor DC, não só para ser utilizado como corte da energia eléctrica, mas também para serem operados em trabalhos de manutenção e de reparação. Através do interruptor principal DC podemos isolar o inversor dos painéis fotovoltaico, como exemplo da Figura 4.16. Figura 4.16 – Interruptor principal DC. Pag. 62 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 4 – Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico O interruptor principal DC deve ter suficiente poder de corte para permitir a abertura do circuito DC, em boas condições de segurança. Deve estar também dimensionado para a tensão máxima em circuito aberto do gerador fotovoltaico (à temperatura de -10°C), bem como para a corrente máxima de curto-circuito (em condições CTS). 4.7 Equipamento de Protecção e Medida em AC Para protecção da instalação AC, normalmente são utilizados os seguintes equipamentos: Disjuntor - Para caso ocorra uma sobrecarga ou um curto-circuito. Estes dispositivos automáticos são frequentemente usados como interruptores AC. Disjuntores diferenciais - Para analisar a corrente que percorre os condutores do circuito eléctrico. Este dispositivo disparará se ocorrer uma falha de isolamento, ou um contacto directo ou indirecto à terra. Relativamente aos aparelhos de medida, estes devem permitir a contagem bidireccional de toda a energia eléctrica produzida para ser entregue à rede eléctrica pública. A contagem bidireccional é estritamente necessária para evitar e prevenir que o Distribuidor de Energia seja lesado na alimentação de equipamentos de consumo. Este contador não só regista toda a energia que é vendida à rede pública, mas também regista toda a energia que o campo fotovoltaico poderá consumir. Na Figura 4.17 pode-se visualizar os equipamentos referidos. (a) (b) Figura 4.17 – (a) Interruptor; (b) Caixa para contador de Energia AC. 4.8 Acumuladores O armazenamento de energia eléctrica é um tema central no aproveitamento da energia solar fotovoltaica nos sistemas autónomos, dado que a produção e o consumo de energia não coincidem, quer ao longo do dia quer ao longo do ano, sendo por este motivo necessário armazená-la. Nas instalações de energia solar fotovoltaica, as baterias de ácido de chumbo, são os elementos mais comuns para os armazenamentos de curta duração. Estas baterias têm a melhor relação custo–benefício, e podem assegurar elevadas ou reduzidas correntes de carga com uma boa eficiência. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 63 de 96 Capítulo 4 – Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico Outros tipos de baterias actualmente comercializadas são as baterias de níquel-cádmio, hidreto metálico de níquel e de iões de lítio, com preços ainda nada competitivos. 4.8.1 Constituição e Funcionamento das Baterias de Ácido de Chumbo As baterias de ácido de chumbo compreendem várias células individuais, cada uma delas com uma tensão nominal de 2 V. Quando são instaladas, são ligadas entre si em série ou em paralelo, criando diferentes níveis de tensão e capacidades. Na Figura 4.18 é mostrado um modelo de bateria utilizada nos sistemas solares fotovoltaicos. Figura 4.18 – Bateria utilizada em sistemas solares fotovoltaicos. Fonte: Tudor (www.tudor.pt). Quando o sistema fotovoltaico recarrega a bateria com uma tensão superior à tensão dos terminais da bateria, os electrões circulam na direcção contrária (do pólo positivo para o pólo negativo). Verifica-se então a inversão do processo químico que ocorreu durante a descarga. O processo não é completamente reversível, já que pequenas quantidades de sulfato de chumbo não se voltam a dissolver (sulfatação). Em resultado do processo de carga/descarga, a capacidade da bateria diminui. Esta perda de capacidade é maior quanto maior for a profundidade da descarga. Se for utilizada apenas uma parte da capacidade da bateria, então a diminuição é relativamente pequena, pelo que a vida da bateria aumenta, assim como o seu número de ciclos. 4.8.2 Tipos de Baterias de Ácido de Chumbo As baterias de ácido de chumbo podem ser divididas em diferentes tipos, de acordo com a tecnologia da placa e o tipo de electrólito que utilizam. Nas instalações Solares são normalmente utilizadas baterias húmidas de electrólito fluido (conhecidas por baterias Solares), baterias de gel, baterias estacionárias de placa tubular e baterias de bloco. Baterias Húmidas É a bateria mais comum nas instalações solares fotovoltaicas, já que devido ao seu intenso uso como bateria de arranque nos automóveis, é fabricada em largas Pag. 64 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 4 – Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico quantidades, conseguindo-se com valores inferiores. Atinge em média um ciclo de vida de apenas 400 ciclos para uma profundidade de descarga até 50% Baterias de gel (Baterias VRLA) 13: 14 A bateria de gel de chumbo constitui uma versão melhorada da normal bateria de ácido de chumbo. Para as baterias de gel de chumbo é possível obter um número de 1.000 ciclos de carga/descarga, para uma profundidade de descarga máxima de 50 %. As baterias de gel têm um maior período de vida, mas são mais caras do que as baterias húmidas. O campo de aplicação para estas baterias vai, claramente, no sentido de uma utilização permanente, para vários anos de vida útil. Baterias estacionárias com placas tubulares (tipo OPzS e OPzV): Para operações permanentes em grandes instalações fotovoltaicas autónomas, as baterias estacionárias são a escolha acertada. Estas baterias são uma das mais robustas soluções de armazenamento de energia, com uma tecnologia comprovada em utilização á varias décadas em aplicações que requerem uma bateria fiável com um longo período de vida útil O menor peso, volume, e custo da instalação, bem como os preços comerciais que podem ser duas a três vezes superiores aos restantes tipos de baterias, são as principais características desta solução. O ciclo de vida das baterias OPzS e OPzV é significativamente maior do que nos restantes tipos de baterias. Para uma profundidade de descarga até 50 %, as baterias OPzS e OPzV têm um ciclo de vida útil de aproximadamente 3.500 ciclos, atingindo os 5.000 ciclos quando a profundidade de descarga não ultrapassa 45 % da sua capacidade nominal [15]. 13 VRLA - Valve-regulated lead-acido 14 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 65 de 96 Capítulo 4 – Componentes de um Sistema Solar Fotovoltaico Pag. 66 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede Capítulo 5 Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaico com Ligação à Rede Eléctrica Depois de apresentados os vários equipamentos e suas principais características nos capítulos anteriores, neste capítulo será levado à pratica todas essas demonstrações e apresentações. Este capítulo apresenta um projecto de um sistema solar fotovoltaico com ligação à rede eléctrica, onde expõe a configuração geral da instalação solar fotovoltaica, selecções e especificações dos equipamentos, assim como os respectivos dimensionamentos. 5.1 Procedimentos Iniciais Durante a visita ao local da instalação do sistema fotovoltaico deve-se especificar o sistema quanto à orientação, inclinação, área disponível, tipo de montagem, sombreamento, comprimento de cabos e localização do inversor, segundo a Figura 5.1. Com estas especificações, será determinado posteriormente o número de módulos que podem ser instalados na área disponível. Este número permitirá determinar de forma aproximada a potência total do sistema fotovoltaico, que aproximadamente equivale a 1 kWp por cada 10 m² de área fotovoltaica. Figura 5.1 – Local para a Instalação Solar Fotovoltaica. 5.2 Configuração da Instalação O presente trabalho tem como objectivo o projecto de todas as instalações e obras necessárias para uma planta solar fotovoltaica, com uma configuração de um campo Solar de 1,848 MWp no sistema fotovoltaico em condições standard e de 1,5 MW nos inversores, de acordo com o RD 661/2007, que regula a actividade de produção de energia eléctrica em regime especial em Espanha. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 67 de 96 Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede O projecto proposto está composto por 15 instalações de 123,2 kWp de potência sistema fotovoltaico em condições standard e 100 kW de potência nominal no inversor, sito em Sevilha. A razão pela qual existe 15 inversores de 100kW para perfazer os 1,5MW atribuídos, é que a tarifa fotovoltaica em Espanha é mais atractiva para instalações até 100kW. Esta instalação será ligada a uma subestação junto da mesma, por meio de uma linha aérea de média tensão (MT), através de 5 transformadores de 630 kVA. As 15 instalações fotovoltaicas serão iguais, com potência de 123,2 kWp no sistema fotovoltaico, compostas por 704 módulos fotovoltaicos de 175 Wp cada um, todos eles em posição fixa, inclinados 30° relativamente à horizontal e orientados a Sul. As 15 instalações distribuem-se da seguinte forma: 6 Instalações de potencia de 123,2 kWp no sistema fotovoltaico estão ligadas a dois transformadores de 630 kVA (plantas 10 a 15), no lado Este do terreno, 9 Instalações de potencia de 123,2 kWp no sistema fotovoltaico estão ligadas a três transformadores de 630 kVA (plantas 1 a 9) no lado oeste do terreno. Os valores acima apresentados serão todos calculados e justificados nos itens apresentados a seguir. 5.3 Selecção e Especificação dos Equipamentos. Este ponto será talvez o mais controverso e complexo de toda a instalação fotovoltaica, não pela escolha per si, mas pela pesquisa de preços e prazos de entrega dos fornecedores que se adequassem ao pretendido. 5.3.1 Inversor Relativamente aos inversores, serão instalados 15 inversores de 100 kW da marca JEMA, com seguimento do ponto de máxima potência e protecção contra sobretensões. Disporão de transformador de isolamento e protecções da saída contra a variação de tensão (entre 0,85 e 1,1 vezes a tensão nominal) e variação de frequência (entre 49-51 Hz), com certificado acreditado. Este está homologado para funcionamento em instalações de ligação à rede eléctrica. Foram seleccionados estes inversores devido ás suas características se adequarem ao pretendido, assim como também prescreverem os requisitos mínimos que se impuseram, que foram os seguintes: Inversor de potencia nominal de 100 kW. Homologado para ligação à rede em Espanha. Potência máxima recomendada de 120 kWp. Rendimento mínimo de pelo menos 90%. Funcionamento correcto entre as temperaturas -5 °C +45 °C. Pag. 68 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede Interruptor de rearme automático, por variação da tensão e frequência, segundo RD1663/00 15. Função de seguimento do ponto de máxima potência (MPPT) e ligação directa à rede. Vigilância de isolamento da média tensão (MT), com desligamento automático. Transformador de isolamento. Possibilidade de desligamento manual da rede. Ecrã LCD de 2 x 16 caracteres e teclado para monitorização frontal. Protecção contra sobretensões na entrada e saída. Cada inversor e as suas protecções, sistema de Terras e queda máxima de tensão, cumprem com a ITC-BT-40 16. Os inversores serão instalados em edifícios pré-fabricados, podendo ser comuns às outras instalações. A temperatura no interior dos edifícios pré-fabricados não excederá os 45°C, às quais serão equipados com ventilação forçada controlados através de um termóstato instalados no interior destes e um isolamento térmico adicional na cobertura. No mínimo, devem ser dadas a conhecer as seguintes informações: Curva de rendimento do Inversor para vários níveis de tensão. Curva de rendimento do inversor relativamente à temperatura. Protecções do inversor relativamente às sobrecargas. Corrente máxima de entrada do inversor. As características dos inversores seleccionados para cada instalação solar fotovoltaica são as apresentadas na Tabela 5.1. Tabela 5.1 – Características do Inversor JEMA 100 kW. Fonte: JEMA (www.grupojema.com). Fabricante Tipo Máx. Potência DC Potência Nominal DC Máxima Eficiência Eficiência Europeia Min. Tensão Umpp Max. Tensão Umpp Max. Tensão Uoc Max. Corrente DC JEMA IF-100 125 kW 100 kW 96,15 % 95,12 % 410 V 750 V 900 V 250 A O aspecto exterior do inversor IF-100 [16] é apresentado na Figura 5.2, onde se pode visualizar o painel de visualização e comando, interruptor geral e botoneira de corte geral. 15 RD 1663/00 - Real Decreto, de 29 de Setembro, sobre a ligação de instalações fotovoltaicas à rede eléctrica de baixa tensão. 16 ITC-BT-40 – Regulamento das Instalações de baixa tensão. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 69 de 96 Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede Figura 5.2 – Inversor IF-100. 5.3.1.1 Local da Instalação do Inversor. As distâncias entre o sistema fotovoltaico, o inversor e o contador devem ser as mais curtas possíveis, com o objectivo de reduzir as perdas de energia que ocorrem através dos cabos principais DC, assim como para reduzir os custos de instalação. É necessário que o inversor esteja protegido em relação ás condições ambientais desfavoráveis, como a temperatura, chuva e a radiação solar directa. O ruído electromagnético produzido pelo inversor deverá ser tido em atenção quando instalado numa zona habitacional, já que este não é desprezável. 5.3.2 Módulos Fotovoltaicos Os módulos fotovoltaicos seleccionados para a instalação fotovoltaica, possuem todos eles 175 Wp, sendo do tipo STP-175M da SUNTECH, possuindo as características da Tabela 5.2. Tabela 5.2 – Características do Módulo Sunteck / STP-175M. Fonte: Sunteck (www.suntech-power.com). Fabricante Tipo Potência Tecnologia Umpp Impp Uoc Isc Coef. de temperatura (Isc) Coef. de temperatura (Uoc) Tensão máx. do sistema Dimensões NOCT Suntech Power STP-175M 175W (+- 3%) Silício monocristalino 36,2 V 4,85 A 43,9 V 5,30 A 0,053%/°C -156mV/°C 1000 V 1580x808mm 45+- 2°C Na Figura 5.3 pode-se visualizar o módulo solar fotovoltaico seleccionado [17], onde é possível visualizar as suas 72 células solares monocristalinas assim como a sua distribuição. Pag. 70 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede Figura 5.3 – Inversor IF-100. 5.3.2.1 Verificação das Características Eléctricas dos Módulos Fotovoltaicos Considerando o módulo fotovoltaico escolhido para a instalação, verificam-se de seguida as características eléctricas fornecidas pelo fabricante, para condições STC, onde: O rendimento máximo é dado pela expressão 5.1: r P r MPP A.G r 175 1,277.1000 0,137 13,7% onde, A c.l 1,580.0,808 1,277m 2 Parâmetros apresentados no Capitulo 2. (5.1) O factor de forma é dado pela expressão 5.2: FF 5.3.2.2 P r MPP U r OC .I r SC 175 43,9.5,3 0,75 75% (5.2) Influência da Temperatura e da Radiação nos Módulos Fotovoltaicos Tal como já referido no item 3.5, a radiação solar e a temperatura da célula são factores que influenciam de forma determinante o funcionamento da célula fotovoltaica. Apresenta-se de seguida a forma como as grandezas características da célula fotovoltaica são afectadas pela temperatura e radiação. Temperatura Com o aumento da temperatura da célula fotovoltaica constatam-se as seguintes alterações: A potência de saída da célula decresce; A tensão em vazio, VCA, decresce; A corrente de curto-circuito, ICC, varia muito pouco. Radiação Com o aumento da radiação Solar incidente no modulo constatam-se as seguintes alterações: A potência de saída da célula aumenta. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 71 de 96 Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede A tensão em vazio, VCA, varia muito pouco (desprezável). A corrente de curto-circuito, ICC, varia linearmente. 5.4 Cálculos Justificativos das Instalações Fotovoltaicas Dentro deste item serão abordados todos os cálculos necessários para execução do projecto e respectiva instalação fotovoltaica. 5.4.1 Ligação do Sistema Fotovoltaico ao Inversor Conhecendo as tensões de entrada do inversor, dadas pelo circuito do seguimento do ponto de máxima potencia, e que neste caso se situam entre os 410V e 750V para o inversor de 100 kW, determina-se o Número de Módulos em Serie (NMS), onde, para qualquer que seja a situação, nunca estes parâmetros devem ser ultrapassados: VMAX > NMS > VMIN Ou seja, (5.3) 750 V > NMS > 410 V Onde VMIN e VMAX são as tensões mínimas e máximas que um painel poderá alcançar em Sevilha. As temperaturas máximas e mínimas dos módulos observadas em Sevilha, ocorrem para temperaturas ambientais de 45°C e -10°C, é determinada para os níveis de irradiância de 1000 W/m² e 100 W/m². Nestas condições, a temperatura do módulo é determinada mediante a expressão aproximada 5.4: TP Ta I. TONC 20 800 (5.4) Onde TP é a temperatura do módulo (°C), Ta é a temperatura ambiente (°C) e I é a irradiância (W/m²). Posto isto, e depois de consultar o valor do NOCT17, pode-se determinar a temperatura máxima e mínima do módulo para as temperaturas ambientais de 45°C e -10°C respectivamente, de acordo com as expressões 5.5 e 5.6: TMod min TModmax 10 45 45 20 .100 800 6,88º C (5.5) 45 20 .1000 800 76,25º C (5.6) 17 NOCT - Temperatura normal de funcionamento da célula. Valor dado pelo fabricante e que representa a temperatura atingida pela célula nas condições normais de funcionamento Ta =20°C e I=800 W/m². Pag. 72 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede 5.4.1.1 Número Máximo de Módulos Ligados em Série O valor máximo da tensão de entrada do inversor corresponde à tensão de circuito aberto do sistema fotovoltaico, quando a temperatura do módulo é mínima. A temperatura mínima do módulo ocorre com a temperatura ambiente mínima, que pode corresponder ao inverno e que para climas como o de Sevilha, pode chegar a -10°C, para uma irradiância mínima de 100 W/m². Caso o inversor seja desligado num dia com Sol e frio, a tensão do circuito aberto poderia ser demasiadamente elevada para se poder voltar a ligar o sistema em segurança. Desta forma, esta tensão deve ser menor do que a tensão DC máxima admissível do inversor, caso contrário este inversor poderá ficar danificado. Desta forma, o número máximo de módulos ligados em série, à temperatura de -10°C, é dada pela expressão 5.7: nmax UmaxDC(INV) UOC(Módulo (5.7) 10ºC) A tensão de circuito aberto dos módulos à temperatura de -10°C, nem sempre vem especificada nas fichas técnicas fornecidas pelos fabricantes. No seu lugar é especificada a variação da tensão U (%/°C). Este coeficiente de temperatura é sempre acompanhado de um sinal negativo, visto que quanto maior a temperatura menor é a tensão. A expressão seguinte permite calcular a tensão de circuito aberto do módulo fotovoltaico à temperatura de -10 °C, nas condições de referência CTS ( UOC (STC)): Quando o U é dado em %/°C, utiliza-se a expressão 5.8 ou 5.9: UOC( 1 10º C) UOC(T mod min) 1 100 .UOC(CTS) (5.8) (TMod min 25). U .UOC(CTS) (5.9) 100 Quando o U é dado em mV/°C, utiliza-se a expressão 5.10: UOC(T mod min) UOC(STC) U UOC(T mod min) UOC(STC) (TMod min 25). U Sendo : UOC(T mod min) Tensão circuito aberto para temperatura do modulo minimo UOC(STC) Tensão circuito aberto para STC TMod min Temperatura do modulo minimo (5.10) Para o módulo seleccionado, o U é dado em mV/°C, portanto: UOC(T mod min) 43,9 (-6,88 25).(-156m) 38,93V (5.11) Posto isto, pode-se calcular o número máximo de módulos em série através da expressão 5.12: Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 73 de 96 Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede UmaxDC(INV) nmax UOC(Módulo 10º C) 750 38,93 19,26 (5.12) Logo, no máximo serão utilizados 19 módulos em série. 5.4.1.2 Número Mínimo de Módulos Ligados em Série O numero mínimo de módulos por fileira está limitado pela tensão mínima da entrada do inversor, que é conseguido quando a temperatura do módulo é máxima. Através de um bom sistema de ventilação, pode-se estimar uma temperatura máxima de 70°C para os painéis solares fotovoltaicos em Sevilha. Para os elevados níveis de radiação do Verão, um sistema fotovoltaico terá uma tensão aos seus terminais inferior àquela que se verifica para as condições de referência CTS, devido às elevadas temperaturas a que está sujeito. A expressão 5.13 permite calcular o número mínimo de módulos (à temperatura de 70°C) que é possível ligar em série numa fileira: UminDC(INV) nmin (5.13) UMPP(Módulo70ºC) Se a tensão do módulo no MPP a 70°C não for especificada na folha de dados do fabricante, esta poderá ser calculada a partir da tensão no MPP nas condições de referência CTS (UMPP (STC)), como se segue: Quando U é dado em %/°C, utiliza-se a expressão 5.14 ou 5.15: U MPP(70º C) U MPP(70º C) 1 1 100 .UMPP(CTS) (5.14) (TMod max 25). U .UMPP 100 (5.15) Quando o U é dado em mV/°C, utiliza-se a expressão 5.16 ou 5.17: U MPP(70º C) U MPP(70º C) U MPP(CTS) UMPP(CTS) (5.16) (TMod max 25). (5.17) - Para o módulo seleccionado, o U é dado em mV/°C, portanto: U MPP(70º C) 36,2 (76,25 25).(-156m) 28,2 V (5.18) Posto isto, pode-se calcular o número mínimo de módulos em série pela seguinte expressão: nmin Pag. 74 de 96 U minDC(INV) U MPP(70º C) 410 28,2 14,5 (5.19) Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede Ou seja, 15 NPS 19 Logo, segundo o resultado do item 5.4.1.1. e este, pode-se concluir que através das tensões e temperaturas máximas e mínimas, o numero máximo de módulos em série será 19 e o numero mínimo de módulos em série será 15. 5.4.1.3 Número Máximo de Séries de Módulos Ligadas em Paralelo O número máximo de fileiras deverá ser igual ao quociente entre os valores máximos da corrente do inversor e da série de módulos, sendo que a corrente do sistema fotovoltaico nunca poderá ultrapassar o limite máximo da corrente de entrada do inversor. NMP Imax(INV) N Fileiras N Fileiras (5.20) I SC (mod) 250 5,3 47 (5.21) Para determinar a configuração final dos painéis em Número de Módulos em Paralelo (NMP) e Número de Módulos em Série (NMS), devem ser considerados números inteiros e cumprir as seguintes equações: 15 NMS 19 NMP 47 Sendo esta instalação solar fotovoltaica localizada numa planície, as sombras que poderão existir são bastantes conhecidas e facilmente calculadas. Posto isto, é o momento de seleccionar a série de máximo rendimento que corresponde ao número máximo de módulos em série que se possam colocar. Então, NMS 16 Onde, o número total de painéis é calculado da seguinte forma: NTM NTM NMS.NMP 16.44 704 módulos NMP = 44, para 100 kW A Figura 5.4 demonstra a disposição dos módulos solares fotovoltaicos sobra a estrutura metálica. Figura 5.4 – Painel Fotovoltaico. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 75 de 96 Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede 5.4.2 Constituição do Sistema Fotovoltaico Concluídos os cálculos, pode-se verificar a composição final do sistema fotovoltaico para cada 100 kW, do seguinte modo: N° Módulos: 704 N° Módulos em serie: 16 N° Filas em paralelo: 44 Potencia total dos painéis solares: 123,20 kWp Umpp: 579,20 V (tensão do ponto de máxima potência) Superfície de painéis: 899 m2 Temperatura máxima: 85°C Temperatura mínima: -40°C Os parâmetros da instalação fotovoltaica, podem ser verificados na Tabela 5.3, onde se constata que foram cumpridos todos os valores limites dados pelo fabricante do inversor. Tabela 5.3 – Verificação dos parâmetros da instalação. Parâmetros Máx. Tensão MPP Mín. Tensão MPP Max. Tensão em Curto Circuito Máx. Potência DC Mín. Potência DC Máx. Corrente DC Máx. Tensão sistema Instalação 579,2 V 451,2 V 702,4 V 123,2 kW 123,2 kW 233,2 A 702,4 V Limites 750 V 410 V 900 V 125 kW 80 kW 250 A 1000 V Resultado OK OK OK OK OK OK OK Posto isto, e dentre outras Soluções possíveis, a disposição dos equipamentos vai ser constituída por 44 painéis com 16 módulos cada, que serão divididos por 4 filas. Assim temos 11 painéis por cada fila. Devido à distância de cada fila, vão ser instalados dois quadros eléctricos (QE1.1 e QE1.2 em anexo) por fila de modo a que as perdas pelo comprimento dos cabos seja o menor possível. Ao QE 1.1 vão ser ligadas as filas 1 a 6 e ao QE 1.2 vão ser ligadas as filas 7 a 11. Para fazer a associação destes quadros eléctricos (QE) (quatro QE 1.1 e quatro QE 1.2), temos necessidade de criar mais um QE, sendo denominado por QE 2. Este vai ser ligado directamente ao Inversor. 5.5 Dimensionamento dos Cabos O dimensionamento da instalação eléctrica foi efectuado tendo em conta o Regulamento de Baixa Tensão e Instruções Técnicas Complementares, aprovado pelo Real Decreto 842/2002, de 2 de Agosto, e especialmente foram seguidas as instruções marcadas pela ITC-BT-30: Instalações em locais húmidos, e pela ITC-BT-40. Conforme a ITC-BT-40, os cabos de ligação serão dimensionados para uma intensidade não inferior a 125% da intensidade do sistema produtor de energia. As máximas quedas de tensão permitidas para os diferentes troços são as seguintes: Entre o Sistema Fotovoltaico e o Inversor: < 1%. Pag. 76 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede Entre o Inversor e o Quadro de Saída: < 0,5%. Entre o Quadro de Saída e a Rede de Distribuição: < 1%. 5.5.1 Dimensionamento do Cabo de Corrente Contínua Para calcular a secção dos cabos respeitantes à corrente contínua, tem-se que garantir que a queda de tensão máxima seja inferior a 1% da tensão nominal. Com a expressão 5.22, pode-se calcular a secção dos cabos, considerando 1% para cada ramal: S DC 2.LDC .I CC(STC) 1%.U PMP(STC) .k Sendo : (5.22) LDC - Comprimeno do cabo ICC(CTS) - Corrente de curto circuito em STC U PMP(STC) - Tensão no ponto de máxima potência STC k - Resistivid ade do tipo de cabo Os cabos de corrente contínua estendem-se, entre os módulos fotovoltaicos e o respectivo inversor. 5.5.1.1 Cabos entre o Sistema Fotovoltaico e os QE 1.1 e QE 1.2 Concluída toda a implantação dos equipamentos, pode-se medir todos os troços para determinar a secção da cablagem para a respectiva ligação, pela expressão 5.23. S DC 2.LDC .I CC(CTS) 1%.UPMP(CTS) .k (5.23) Sendo 36 m a distancia entre o painel 1 e o QE 1.1, e depois de consultar a ficha de características do módulo pode-se considerar que, UMPP = 36,2 . 16 = 579,2 V, ICC = 5,3 . 125%= 6,625 A e k = 56 (cobre), então: S DC 2.36.6,625 e%.579,2.56 (5.24) Como os módulos fotovoltaicos já são fornecidos com cabos de ligação com uma secção de 4 mm2, propõe-se inicialmente também a mesma secção, verificando-se se esta secção cumpre com o previsto. Então: e% 2.36.6,625 S DC .579,2.56 2.36.6,625 4.579,2.56 0,37% 1% (5.25) Posto isto, pode-se concluir que está cumprido o limite da queda de tensão para este troço. Para os restantes troços, apresenta-se a tabela 5.4. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 77 de 96 Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede Tabela 5.4 – Queda de Tensão das Filas. GENERADOR FOTOVOLTAICO DE 100 KW 2 De Para L (m) I (A) Id(A) 125% Sadop (mm ) e(%) Série 1 – Fila 1 QE1.1 36 5,3 6,625 4 0,3677 Série 2 – Fila 1 QE1.1 33 5,3 6,625 4 0,3370 Série 3 – Fila 1 QE1.1 18 5,3 6,625 4 0,1838 Série 4 – Fila 1 QE1.1 21 5,3 6,625 4 0,2145 Série 5 – Fila 1 QE1.1 33 5,3 6,625 4 0,3370 Série 6 – Fila 1 QE1.1 36 5,3 6,625 4 0,3677 Série 7 – Fila 1 QE1.2 31 5,3 6,625 4 0,3166 Série 8 – Fila 1 QE1.2 28 5,3 6,625 4 0,2860 Série 9 – Fila 1 QE1.2 18 5,3 6,625 4 0,1838 Série 10 – Fila 1 QE1.2 21 5,3 6,625 4 0,2145 Série 11 – Fila 1 QE1.2 28 5,3 6,625 4 0,2860 Série 1 – Fila 2 QE1.1 36 5,3 6,625 4 0,3677 Série 2 – Fila 2 QE1.1 33 5,3 6,625 4 0,3370 Série 3 – Fila 2 QE1.1 18 5,3 6,625 4 0,1838 Série 4 – Fila 2 QE1.1 21 5,3 6,625 4 0,2145 Série 5 – Fila 2 QE1.1 33 5,3 6,625 4 0,3370 Série 6 – Fila 2 QE1.1 36 5,3 6,625 4 0,3677 Série 7 – Fila 2 QE1.2 31 5,3 6,625 4 0,3166 Série 8 – Fila 2 QE1.2 28 5,3 6,625 4 0,2860 Série 9 – Fila 2 QE1.2 18 5,3 6,625 4 0,1838 Série 10 – Fila 2 QE1.2 21 5,3 6,625 4 0,2145 Série 11 – Fila 2 QE1.2 28 5,3 6,625 4 0,2860 Série 1 – Fila 3 QE1.1 36 5,3 6,625 4 0,3677 Série 2 – Fila 3 QE1.1 33 5,3 6,625 4 0,3370 Série 3 – Fila 3 QE1.1 18 5,3 6,625 4 0,1838 Série 4 – Fila 3 QE1.1 21 5,3 6,625 4 0,2145 Série 5 – Fila 3 QE1.1 33 5,3 6,625 4 0,3370 Série 6 – Fila 3 QE1.1 36 5,3 6,625 4 0,3677 Série 1 – Fila 1 QE1.2 31 5,3 6,625 4 0,3166 Série 2 – Fila 1 QE1.2 28 5,3 6,625 4 0,2860 Série 3 – Fila 1 QE1.2 18 5,3 6,625 4 0,1838 Série 4 – Fila 1 QE1.2 21 5,3 6,625 4 0,2145 Série 5 – Fila 1 QE1.2 28 5,3 6,625 4 0,2860 Série 6 – Fila 1 QE1.1 36 5,3 6,625 4 0,3677 Série 7 – Fila 1 QE1.1 33 5,3 6,625 4 0,3370 Série 8 – Fila 1 QE1.1 18 5,3 6,625 4 0,1838 Série 9 – Fila 1 QE1.1 21 5,3 6,625 4 0,2145 Série 10 – Fila 1 QE1.1 33 5,3 6,625 4 0,3370 Série 11 – Fila 1 QE1.1 36 5,3 6,625 4 0,3677 Série 1 – Fila 2 QE1.2 31 5,3 6,625 4 0,3166 Série 2 – Fila 2 QE1.2 28 5,3 6,625 4 0,2860 Série 3 – Fila 2 QE1.2 18 5,3 6,625 4 0,1838 Série 4 – Fila 2 QE1.2 21 5,3 6,625 4 0,2145 Série 5 – Fila 2 QE1.2 28 5,3 6,625 4 0,2860 Pag. 78 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede Onde, L é o comprimento do cabo I é a intensidade de cada série Id é a intensidade calculada para 125%, segundo o regulamento Sadop é a secção adoptada para o condutor e é a queda de tensão em % de cada fila A tensão de cada fila é de 579,2 V e a potencia é de 2800 W. Todas as filas serão interligadas com condutores RZ1-K 0,6/1 kV de cobre (www.generalcable.pt/), instalados em calha de PVC. 5.5.1.2 Cabos entre os QE1.1, QE 1.2 e os QE 2 Para uniformizar a cablagem a aplicar é calculada a queda de tensão no ponto mais desfavorável da instalação. Para esta determinação utiliza-se o QE1.1, sendo o que suporta mais séries e o que está mais distante do QE 2. Para esta situação tem-se os seguintes parâmetros: Distancia: 52 m UMPP = 36,2 . 16 = 579,2 V (16 módulos em série) P = 16800 W ( 6 séries de 16 módulos de 175 W) I 16800 . 1,25 579,2 36,26 A (6 séries afectadas com 125%, conforme regulamento) Conforme a situação exposta e substituindo na expressão 5.23, tem-se: S DC 2 . 52 . 36,26 e% . 579,2 . 56 (5.26) Depois de várias tentativas para diferentes tipos de secções, optou-se por utilizar a secção de 25 mm2 para o troço em questão. Como se pode verificar, a secção seleccionada cumpre com o previsto. Desta forma, e% 2 . 52 . 36,26 S DC . 579,2 . 56 e 2 . 52 . 36,26 (5.27) 25 . 579,2 . 56 0,46% 1% Posto isto, pode-se concluir que está cumprido o critério para a queda de tensão para este troço. Para os restantes troços, apresenta-se a Tabela 5.5. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 79 de 96 Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede Tabela 5.5 – Queda de Tensão entre os QE1.1 e 1.2 e QE2. QE1.1 e Q1.2 ao QE 2 De QE1.1 - Fila 1 Para QE2 L (m) 52 P(W) 16.800 I (A) 29,01 Id(A) 125% 36,26 Sadop (mm2) 25 Iadm (A) 196 e(%) 0,4650 QE1.2 - Fila 1 QE2 52 14.000 24,17 30,21 25 196 0,3875 QE1.1 - Fila 2 QE2 42 16.800 29,01 36,26 25 196 0,3756 QE1.2 - Fila 2 QE2 42 14.000 24,17 30,21 25 196 0,3130 QE1.1 - Fila 3 QE2 35 16.800 29,01 36,26 25 196 0,3130 QE1.2 - Fila 3 QE2 35 14.000 24,17 30,21 25 196 0,2608 QE1.1 - Fila 4 QE2 25 16.800 29,01 36,26 25 196 0,2236 QE1.2 - Fila 4 QE2 25 14.000 24,17 30,21 25 196 0,1863 Todos os quadros serão interligadas com condutores RV 0,6/1 kV de cobre, instalados em valas e tubos de PEAD18 de 90 mm. 5.5.1.3 Cabos entre o QE 2 e o Inversor Enquanto que até aqui todas as distâncias e respectivas secções eram idênticas, nesta interligação isto já não acontece. A distância entre as diversas 15 instalações varia consoante a sua localização no terreno. Assim sendo, calculou-se a queda de tensão para o ponto mais desfavorável de todas as 15 instalações. Para esta situação tem-se os seguintes parâmetros: Distância: 385 m UMPP = 36,2 . 16 = 579,2 V (16 módulos em série) P = 123200 W ( 4 associações de 6 séries de 16 módulos de 175 W e 4 associações de 5 séries de 16 módulos de 175 W) I 123200 . 1,25 579,2 265,9 A Conforme a situação exposta e substituindo na expressão 5.23, tem-se: S DC 2 . LDC . I CC(CTS) 1% . U PMP(CTS) . k S DC (5.28) 2 . 385 . 265,9 e% . 579,2 . 56 Depois de várias tentativas para diferentes tipos de secções, optou-se por utilizar 4 cabos em paralelo com uma secção de 240 mm2 para o troço em questão. Como se pode verificar, a secção seleccionada cumpre com o previsto. Dessa forma: e% 2 . 385 . 265,9 S DC . 579,2 . 56 e 2 . 385 . 265,9 (4 . 240) . 579,2 . 56 (5.29) 0,66% 1% Posto isto, pode-se concluir que está cumprida a queda de tensão para este troço. Para os restantes troços, apresenta-se a Tabela 5.6. Pag. 80 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede Tabela 5.6 – Queda de Tensão entre os QE2 e Inversores. QE2 aos INVERSORES 2 De Para L (m) P(W) I (A) Id(A) 125% Ncond Sadop (mm ) Iadm (A) e(%) QE2 - FV1 Inversor 1 70 123.200 212,71 265,88 1 240 355 0,4782 QE2 - FV2 Inversor 2 70 123.200 212,71 265,88 1 240 355 0,4782 QE2 - FV3 Inversor 3 149 123.200 212,71 265,88 2 240 355 0,5089 QE2 - FV4 Inversor 4 149 123.200 212,71 265,88 2 240 355 0,5089 QE2 - FV5 Inversor 5 228 123.200 212,71 265,88 2 240 355 0,7788 QE2 - FV6 Inversor 6 228 123.200 212,71 265,88 2 240 355 0,7788 QE2 - FV7 Inversor 7 306 123.200 212,71 265,88 3 240 355 0,6968 QE2 - FV8 Inversor 8 306 123.200 212,71 265,88 3 240 355 0,6968 QE2 - FV9 Inversor 9 385 123.200 212,71 265,88 4 240 355 0,6575 QE2 - FV10 Inversor 10 295 123.200 212,71 265,88 3 240 355 0,6717 QE2 - FV11 Inversor 11 215 123.200 212,71 265,88 2 240 355 0,7343 QE2 - FV12 Inversor 12 215 123.200 212,71 265,88 2 240 355 0,7343 QE2 - FV13 Inversor 13 136 123.200 212,71 265,88 2 240 355 0,4645 QE2 - FV14 Inversor 14 136 123.200 212,71 265,88 2 240 355 0,4645 QE2 - FV15 Inversor 15 61 123.200 212,71 265,88 1 240 355 0,4167 Todas estas interligações serão executadas com condutores RV 0,6/1 kV de cobre, instalados em valas e tubos de PEAD de 200 mm. 5.5.2 Dimensionamento dos Cabos de Corrente Alternada Para o cálculo da secção dos cabos de alimentação AC assume-se uma queda de tensão máxima admissível de 3% relativamente à tensão nominal da rede. A secção é calculada da seguinte forma: S AC 3 . L AC . I nAC . cos 3% . Un . K (5.30) , onde K é a condutividade (Cu= 56, Al=34), Un é 400V e cos entre 0,8 e 1. Como 9 instalações vão ser ligadas aos postos de transformação do lado Oeste e 6 instalações vão ser ligadas do lado Este, vai-se determinar a queda de tensão para o ponto mais desfavorável das duas. Para esta situação tem-se os seguintes parâmetros: Distancia: 198 m U = 400 V P = 100000 W (Inversor) - P I P 3 . U . cos 3 .U.I.cos 100000 3 . 400 . 0,8 180,42 A Conforme a situação exposta e substituindo na expressão já apresentada, depois de várias tentativas com diferentes tipos de secções, optou-se por utilizar 2 cabos de alumínio em 18 PEAD - Tubo Corrugado, em Polietileno de Alta Densidade. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 81 de 96 Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede paralelo, com uma secção de 240 mm2 para o troço em questão. Como se pode verificar, a secção seleccionada cumpre com o previsto. Então: 3 . L AC . I nAC . cos S AC . Un . K e% e% (5.31) 3 . 198 . 180,42 . 0,8 (2 . 240) . 400 . 34 0,76% 1% Posto isto, pode-se concluir que está cumprido o critério para a queda de tensão para este troço. Para os restantes troços, apresenta-se a Tabela 5.7. Tabela 5.7 – Queda de Tensão entre os Inversores e PT’s. Inversor ao PT 2 De Para L (m) P(W) I (A) Ncond Sadop (mm ) Iadm (A) e(%) Inversor 1 PT 1 198 100.000 180,42 2 240 467,7 0,7583 Inversor 2 PT 1 198 100.000 180,42 2 240 467,7 0,7583 Inversor 3 PT 1 198 100.000 180,42 2 240 467,7 0,7583 Inversor 4 PT 2 198 100.000 180,42 2 240 467,7 0,7583 Inversor 5 PT 2 198 100.000 180,42 2 240 467,7 0,7583 Inversor 6 PT 2 198 100.000 180,42 2 240 467,7 0,7583 Inversor 7 PT 3 198 100.000 180,42 2 240 467,7 0,7583 Inversor 8 PT 3 198 100.000 180,42 2 240 467,7 0,7583 Inversor 9 PT 3 198 100.000 180,42 2 240 467,7 0,7583 Inversor 10 PT 4 168 100.000 180,42 2 240 648 0,6434 Inversor 11 PT 4 168 100.000 180,42 2 240 648 0,6434 Inversor 12 PT 4 168 100.000 180,42 2 240 648 0,6434 Inversor 13 PT 5 168 100.000 180,42 2 240 648 0,6434 Inversor 14 PT 5 168 100.000 180,42 2 240 648 0,6434 Inversor 15 PT 5 168 100.000 180,42 2 240 648 0,6434 Todas estas interligações serão executadas com condutores RV 0,6/1 kV de alumínio, instalados em valas e tubos de PEAD de 200 mm. 5.6 Selecção das Caixas de Junção do Sistema Fotovoltaico e Dimensionamento do Interruptor DC O sistema fotovoltaico dispõe de vários tipos de caixas de ligação, sendo no projecto apresentado denominadas por QE 1.1 e QE 1.2, permitindo a ligação dos pólos positivos e negativos das diversas séries, assim como o QE 2 que tem por função fazer a associação de todos os QE 1.1 e QE 1.2 de uma instalação de 100 kW. As principais características que as caixas de junção devem possuir são as seguintes, ter um IP 54, resistentes aos raios ultravioletas (UV) e possuir um grau de protecção de classe II. Para além de possuírem tais características, para a instalação das caixas de junção recomenda-se a escolha de um local que as proteja da chuva e da irradiação Solar directa. Para Pag. 82 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede a protecção contra sobre-tensões, os descarregadores de sobre-tensões são ligados na caixa de junção. No que concerne ao interruptor DC, deve-se dar especial atenção ao seu dimensionamento, já que este tem por função isolar o cabo DC e prevenir a ocorrência de contactos directos devido a uma activação acidental do aparelho de corte. Este deverá ser dimensionado para a tensão máxima de circuito aberto do sistema solar à temperatura de -10°C (UOC (PV -10°C)) e para 125% da corrente máxima do sistema (ICCPV), conforme é exigido na norma europeia IEC 60364-7-712. Conforme se pode verificar no item 5.4.2.2, a UOC(T mod min) = 38,93 V, portanto a tensão máxima estimada aos seus terminais é (com 16 módulos em série): U DC 16 .UOC(T mod min) 16 . 38,93 622,9 V (5.32) Relativamente à corrente que se pode esperar a percorrer o interruptor, é dada pela expressão 5.33. I DCIC I DC 1,25 . ICC(PV) 1,25 . 123200 579,2 (5.33) 265,9 A Findas as diversas suposições e determinações, conclui-se que é necessário aplicar um interruptor capaz de operar com estas duas premissas. Sendo assim, é aplicado um interruptor geral de 400 A e 1000 V num quadro eléctrico denominado no esquema do Anexo 1, como Q.E.3. Findas estas deduções e conclusões, estão criadas todas as condições para efectuar a implantação de todos os equipamentos em projecto. 5.7 Protecção Contra Descargas Atmosféricas, Sobre-Tensões e Ligação à Terra No presente projecto estão disponíveis 3 sistemas de ligação à Terra, sendo que uma interliga as partes metálicas do lado AC, outra interliga as Terras da parte DC, e outra interliga o neutro de saída do inversor. O neutro do inversor estará ligado ao condutor do neutro da instalação eléctrica do distribuidor. As estruturas metálicas dos módulos fotovoltaicos, o aro do módulo, os envolventes dos quadros DC, os bornes de Terra de protecção DC do inversor, etc, serão ligados à rede de Terras de corrente continua, para evitar descargas de origem atmosférica e falhas de isolamento. O valor da resistência de terra deverá ser inferior a 83,3 para a instalação relativa à corrente alternada, já que a tensão limite convencional de contacto está limitada a 25 V e será aplicado um diferencial de 300 mA, assim como deve ser inferior a 200 para a instalação relativa à corrente contínua, já que a tensão limite convencional de contacto está limitada a 60 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 83 de 96 Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede V, conforme previsto no regulamento [18]. Em obra deve-se aumentar ou diminuir o número de chapas de cobre utilizadas para o sistema de ligação à terra, até que seja atingido um valor de resistência inferior a este. As terras das cabines prefabricadas dos inversores e postos de transformação serão independentes das anteriores. As ligações à Terra serão efectuadas através de chapas de cobre, devido ás condições do terreno. Todos os inversores devem ter protecção à sua entrada e saída contra sobretensões, mediante descarregadores. Todos os condutores serão de cobre nu de 35 mm2 de secção. 5.8 Estimativa da Energia Produzida Para que seja possível determinar a estimativa da energia produzida pelos módulos fotovoltaicos, é necessário dispor dos valores da radiação incidente e da temperatura ambiente do local da instalação. Para o calculo da estimativa da energia produzida durante um intervalo de tempo t), é utilizada a expressão 5.34. E Para o local em Pmax G, questão e . t Wh através (5.34) do site disponível na Internet, http://re.jrc.ec.europa.eu/pvgis/19, obtiveram-se os valores para a radiação incidente e para a temperatura ambiente. A Figura 5.5 apresenta a distribuição da radiação média mensal incidente em painéis fixos com inclinação igual à latitude, obtida através site acima indicado para a local da instalação solar fotovoltaica. Figura 5.5 – Radiação média mensal incidente em painéis fixos com inclinação igual à latitude. Fonte: JRC (http://re.jrc.ec.europa.eu). 19 http://re.jrc.ec.europa.eu/pvgis/ - Joint Research Centre European Commission Photovoltaic Geographical Information System: Centro de Investigação da Comissão Europeia. Pag. 84 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede Na Figura 5.6 pode ser visualizado a distribuição da temperatura média mensal ambiente ao longo do ano, obtida através site acima indicado para a local da instalação solar fotovoltaica. Figura 5.6 – Temperatura média mensal ambiente. Fonte: JRC (http://re.jrc.ec.europa.eu). Depois de obtidos os valores para a radiação solar apresentados na Figura 5.1 e para a temperatura ambiente apresentados na Figura 5.2, será possível estimar a energia anualmente produzida pelos módulos seleccionados. Para determinar a energia máxima que o módulo seleccionado poderá produzir para os valores de radiação e temperatura locais, foram utilizadas as expressões apresentadas no item 4.1.4, originando a potência máxima constante na Tabela 5.8. Tabela 5.8 – Resultados obtidos através da radiação, temperatura e módulo seleccionado. Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov G(w/m2) 385,00 411,00 524,00 503,00 580,00 576,00 571,00 565,00 527,00 479,00 360,00 Qa 11,24 12,88 16,37 18,41 21,99 26,76 28,91 28,64 25,05 20,87 15,28 Qc 23,3 25,7 32,7 34,1 40,1 44,8 46,8 46,3 41,5 35,8 26,5 VT 0,02557 0,02578 0,02638 0,02650 0,02702 0,02742 0,02759 0,02755 0,02714 0,02665 0,02585 VT ref 0,02572 0,02572 0,02572 0,02572 0,02572 0,02572 0,02572 0,02572 0,02572 0,02572 0,02572 m 121,4091 121,4091 121,4091 121,4091 121,4091 121,4091 121,4091 121,4091 121,4091 121,4091 121,4091 Io ref 4E-06 4E-06 4E-06 4E-06 4E-06 4E-06 4E-06 4E-06 4E-06 4E-06 4E-06 Vmax 33,55 33,29 32,73 32,34 31,67 30,78 30,37 30,42 31,09 31,86 32,72 Imax ref 4,856436872 4,847319757 4,821018587 4,815788857 4,793128371 4,775435859 4,767841233 4,769591511 4,787810166 4,809336848 4,844299746 Imax 1,87 1,99 2,53 2,42 2,78 2,75 2,72 2,69 2,52 2,30 1,74 Pmax 62,73 66,32 82,68 78,33 88,05 84,66 82,69 81,99 78,46 73,39 57,06 Dez 333,00 12,21 22,6 0,02551 0,02572 121,4091 4E-06 33,22 4,85885863 1,62 53,76 Afectando os valores da Tabela 5.8 pelas diferentes perdas nos troços da instalação, já apresentados no item 6.5.1, obteve-se a Tabela 5.9, onde NDM o número de dias do mês e NMP o número total de módulos por 100kW. As perdas entre os módulos fotovoltaicos e o Q.E.1 (Mod – QE1), as perdas entre os Q.E.1 e Q.E.2 (QE - QE), as perdas entre os Q.E.2 e o inversor (QE - Inv) e as perdas do Inversor (Inv) estão também apresentadas na Tabela 5.9. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 85 de 96 Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede Tabela 5.9 – Energia mensalmente produzida por cada 100 kW. Pmax Perdas HSP QE – QE 0,9968 QE - Inv 0,9952 Inv 0,9512 NDM Ereal(Wh) NMP Ereal total(Wh) Jan 62,73 Mod – QE1 0,9970 9,2 31 15.161,4 704 10.673.650,3 Fev 66,32 0,9970 0,9968 0,9952 0,9512 10,2 28 16.051,2 704 11.300.010,2 Mar 82,68 0,9970 0,9968 0,9952 0,9512 12 31 26.066,4 704 18.350.730,2 Abr 78,33 0,9970 0,9968 0,9952 0,9512 12,3 30 24.495,5 704 17.244.843,5 Mai 88,05 0,9970 0,9968 0,9952 0,9512 13 31 30.072,4 704 21.170.971,0 Jun 84,66 0,9970 0,9968 0,9952 0,9512 13,2 30 28.410,4 704 20.000.898,1 Jul 82,69 0,9970 0,9968 0,9952 0,9512 13,2 30 27.750,1 704 19.536.090,2 Ago 81,99 0,9970 0,9968 0,9952 0,9512 13 31 28.001,1 704 19.712.767,7 Set 78,46 0,9970 0,9968 0,9952 0,9512 12,2 30 24.335,4 704 17.132.119,7 Out 73,39 0,9970 0,9968 0,9952 0,9512 10,5 31 20.243,8 704 14.251.629,9 Nov 57,06 0,9970 0,9968 0,9952 0,9512 10 30 14.506,5 704 10.212.600,1 Dez 53,76 0,9970 0,9968 0,9952 0,9512 9,5 31 13.416,7 704 9.445.353,5 Total 189.031.664,4 A partir da expressão 5.34, determinou-se a energia anualmente produzida por cada instalação de 100 kW. E Pmax G, . HSP . NDM . NMP 189 MWh (5.35) Para avaliar a qualidade da instalação é determinada a razão de produção PR pela expressão 5.36, onde relaciona a energia realmente produzida pelo sistema fotovoltaico (Ereal) e a energia teoricamente expectável (Eideal). PR E real E ideal (5.36) Através desta razão pode-se comparar diferentes instalações fotovoltaicas em distintos locais. O PR de produção de uma instalação fotovoltaica convencional, sem sombras, pode variar entre 0,6 e 0,95. Os valores representados na Tabela 5.10, indicam a energia idealmente produzida por cada módulo, assim como a energia real produzida por cada módulo mensalmente. Tabela 5.10 – Energia mensalmente produzida por cada módulo (real - ideal). Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total Pag. 86 de 96 Ereal (kWh) 15,2 16,0 26,1 24,5 30,1 28,4 27,8 28,0 24,3 20,2 14,5 13,4 268,5 Eideal (kWh) 17,9 18,9 30,8 28,9 35,5 33,5 32,7 33,0 28,7 23,9 17,1 15,8 316,8 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede Através da expressão 5.36, pode-se determinar o PR previsto para a instalação em causa. PR 5.9 E real E ideal 268 . 5kWh 316 . 8kWh 0,85 (5.37) Resultados O Parque Solar Fotovoltaico começou a produzir energia a partir do inicio de Outubro de 2008, mas devido a vários problemas na linha de ligação à rede eléctrica, só a partir de Janeiro serão apresentados, conforme Figura 5.7. Produção de Energia Mensal 25.000 20.000 15.000 10.000 5.000 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Mês Produção Mensal Figura 5.7 – Produção de Energia da Instalação Fotovoltaica. Através dos valores apresentados na tabela 5.9 e na Figura 5.7,é determinado o gráfico da Figura 5.8, sendo a comparação entre os resultados obtidos da produção mensal e previsão mensal. Figura 5.8 – Comparação da Produção / Previsão de Energia. Com estes dados é possível determinar a produtividade mensal do sistema fotovoltaico, que é dado por kWh/kWp. Os valores da produtividade são apresentados na Figura 5.9. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 87 de 96 Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede Produtividade 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Mês Produtividade Real Produtividade Prevista Figura 5.9 – Curva de Produtividade. Sendo a produtividade a quantidade de energia eléctrica produzida em função da potência instalada, existe uma real variação entre a potência produzida e a potência prevista, em que as principais causas para esta diferença poderão ser: O desempenho dos módulos pode não ser o descrito pelo fabricante ao nível da potência nominal e do desempenho quando sujeito a altas temperaturas. Os valores da irradiação fornecidos não corresponderem aos valores reais. O rendimento do inversor poderá ser inferior ao apresentado pelo fornecedor. Contudo, de um modo geral pode-se deduzir que os resultados obtidos estão dentro das expectativas criadas. No que respeita a resultados económicos, pode-se verificar na Tabela 5.11 a produção mensal inerente a cada 100 kW da instalação solar fotovoltaica, na qual servirá de base de cálculo para a Tabela 5.11. Tabela 5.11 – Produção mensal por cada 100 kW. Ereal Total (kWh) Pag. 88 de 96 Eideal Total (kWh) Jan 10700,8 12601,6 Fev 11264,0 13305,6 Mar 18374,4 21683,2 Abr 17248,0 20345,6 Mai 21190,4 24992,0 Jun 19993,6 23584,0 Jul 19571,2 23020,8 Ago 19712,0 23232,0 Set 17107,2 20204,8 Out 14220,8 16825,6 Nov 10208,0 12038,4 Dez 9433,6 11123,2 Total 189024,0 222956,8 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede Com o produto dos dados da tabela 5.11 com a tarifa actualmente aplicada de cerca de 0,40 €/kW, pode-se determinar o gráfico da Figura 5.10. Figura 5.10 – Produção mensal por cada 100 kW (€). Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 89 de 96 Capítulo 5 – Projecto de um Sistema Solar Fotovoltaicos com Ligação à Rede Pag. 90 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 6 – Conclusões e Sugestões Capítulo 6 Conclusões e Sugestões 6.1 Conclusões No momento em que o mundo se encontra vulnerável face à crise do petróleo, com preços do barril a aumentarem todos os dias, a necessidade de estudar e implementar fontes de energia alternativas tornou-se urgente. Com a realização desta dissertação, nomeadamente no que respeita à situação geral das energias renováveis em Portugal e no Mundo, é de salientar que muito já foi executado mas ainda falta fazer muito mais, tendo em vista as fontes de energias renováveis disponíveis que não estão a ser aproveitadas ou transformadas, para que possamos estar cada vez mais independentes do petróleo e dos seus derivados. Paralelamente ao desenvolvimento do principal objectivo, além das questões sociais, técnicas e económicas, também foi apresentada uma visão geral do contexto mundial da energia solar fotovoltaica através de diferentes análises, nas quais foram apresentadas as evoluções da tecnologia e panoramas futuros. Assim, este relatório propôs-se demonstrar a viabilidade técnica e a facilidade de instalação de sistemas fotovoltaicos com ligação à rede eléctrica, consolidando que a forma limpa de produção de energia eléctrica é o caminho a seguir. Esta consolidação é facilmente visível por análise aos dados da União Europeia que, no ano de 2007, a potência total instalada em sistemas fotovoltaicos ascendia a quase 7.900 MWp. Esta dissertação, teve como principal objectivo o desenvolvimento de um manual de fácil utilização no dimensionamento adequado de um sistema fotovoltaico ligado à rede, com a execução de um projecto de 1,5 MW, constituído por 15 inversores de 100 kW e 10560 módulos fotovoltaicos. Foi apresentado uma sequência de passos visando o projecto de um sistema solar fotovoltaico com ligação à rede, utilizando módulos fotovoltaicos monocristalinos. Para que o dimensionamento de um sistema fotovoltaico seja mais preciso é necessário não somente avaliar o índice de radiação solar local, mas também levar em bastante consideração a temperatura que a instalação solar fotovoltaica estará sujeita. Relativamente à especificação dos equipamentos, deve-se ser bastante rigoroso e criterioso nos contractos que são assumidos perante ambas as partes, já que o mercado fotovoltaico assim como muitos outros, são muito versáteis. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 91 de 96 Capítulo 6 – Conclusões e Sugestões No desenvolvimento da dissertação verificou-se que a avaliação do equipamento é fulcral na verificação da viabilidade de se implantar num determinado local um sistema solar fotovoltaico, tendo em conta fundamentalmente o comportamento dos equipamentos ás condições ambientais do local. Estes dados podem ser conhecidos através de equipamentos de medição ou obtidos através mapas de insolação, obtendo-se assim as características necessárias para estudar o desempenho dos módulos fotovoltaicos, assim como efectuar os cálculos necessários para dimensionar os equipamentos a utilizar, de modo a minimizar que os efeitos ambientais afectem de um modo comprometedor o funcionamento de todos os equipamentos da instalação solar fotovoltaica. No que respeita à implementação e execução da instalação fotovoltaica, deve-se registar que aposta em condutores de boa qualidade e secção adequada, é um óptimo investimento numa instalação deste género, já que são responsáveis por evitar perdas excessivas dependendo da secção utilizada. Relativamente à decisão dos equipamentos a instalar, nunca se deve vulgarizar qualquer décima no valor do seu rendimento em detrimento de outro, devido a interesses económicos ou de marcas, mas sim deve-se optar pelo que apresenta melhor condições e garantias de produção, já que é um investimento de longo prazo e todas as decisões são muito importantes. Ao longo deste trabalho, foi demonstrada evidência suficiente para que cada vez mais o investimento na produção de energia através de painéis fotovoltaicos não seja uma miragem mas sim uma realidade. Os sistemas fotovoltaicos têm potencial suficiente para criar uma nova realidade no contexto da nacional e mundial. Esta dissertação apresenta um resumo das principais características da utilização energética da radiação rolar e da sua transformação fotovoltaica, dando ênfase à instalação de sistemas fotovoltaicos ligados à rede. 6.2 Sugestões de Trabalho Futuro Com a elaboração desta dissertação, apurou-se que algumas tarefas ficaram por concluir, podendo servir como sugestão para futuros estudos. Na elaboração do Capítulo 2, foi verificada a existência de poucos estudos realizados sobre o comportamento da radiação solar em Portugal, sugerindo-se que sejam realizados estudos sustentados em leituras reais através das estações meteorológicas ao longo do pais, disponibilizando-as na Internet. Acompanhamento de uma instalação solar fotovoltaica com o intuito de maximizar a sua produção, através do levantamento da influência das variações climatéricas e sujidade na produção de energia eléctrica. Pag. 92 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Capítulo 6 – Conclusões e Sugestões Fazer o levantamento da eficiência média mensal dos inversores por meio da medição da produção diária de energia eléctrica, comparando-as com os valores obtidos através de um Piranómetro. e caso sejam encontrados valores discrepantes, verificar a sua causa. Fazer a medição da irradiância e comparar com os valores utilizados nesta dissertação e, se necessário, recalcular os valores previstos. Verificar a necessidade e frequência da limpeza dos módulos fotovoltaicos, que possa influenciar a produção de energia eléctrica. Verificar a viabilidade económica na implementação de um sistema fotovoltaico isolado com o auxilio de baterias, para a alimentação dos serviços comuns do parque fotovoltaico. Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Pág. 93 de 96 Capítulo 6 – Conclusões e Sugestões Pag. 94 de 96 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Bibliografia Bibliografia [1] Direcção Geral de Energia e Geologia - Estratégia Nacional para a Energia , disponível em www.dgge.pt, Julho de 2009. [2] DIÁRIO DA REPÚBLICA—I SÉRIE-B, Resolução do Conselho de Ministros nº 169/2005, de 24 de Outubro de 2005. [3] Ministério da Economia, Inovação e Desenvolvimento, Livros de Energia, Política Energética, Estratégia Nacional para a Energia, disponível em http://www.mineconomia.pt/document/Energia_Alteracoes.pdf, Abril de 2009. [4] Antonio Marti, Fundamentos de la Conversión Fotovoltaica: La Célula Solar, Instituto de Energia Solar, Universidade Politécnica de Madrid, CIEMAT, pag. 4-5, 2004. [5] Consulta em http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=celula-Solarmais-eficiente-ja-fabricada-atinge-50-eficiencia&id=010115090729, Julho de 2009. 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Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica A.- 1 Anexos A-2 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Anexos Anexo 1 IE-01 - Planta de Implantação Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica A.- 3 Anexos A-4 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Anexos Anexo 2 IE-02 - Trabalhos de Construção Civil Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica A.- 5 Anexos A-6 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Anexos Anexo 3 IE-03 - Planta Tipo – 100 kW Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica A.- 7 Anexos A-8 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Anexos Anexo 4 IE-04 - Esquema Eléctrico – Planta Tipo 100 kW Esquema Unifilar Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica A.- 9 Anexos A - 10 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Anexos Anexo 5 IE-05 - Esquema Eléctrico – Planta 1,5MW Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica A.- 11 Anexos A - 12 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Anexos Anexo 6 IE-06 - Esquema Eléctrico – Planta 1,5MW Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica A.- 13 Anexos A - 14 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Anexos Anexo 7 IE-07 - Iluminação de Segurança e Sistema de CCTV Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica A.- 15 Anexos A - 16 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Anexos Anexo 8 IE-08 - Ramal de Baixa Tensão Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica A.- 17 Anexos A - 18 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Anexos Anexo 9 IE-09 - Prefabricados para Inversores e Centro de Comando Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica A.- 19 Anexos A - 20 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica Anexos Anexo 10 IE-10 - Pormenor Construção Civil - Portinholas Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica A.- 21 Anexos A - 22 Projecto de uma Instalação Solar Fotovoltaica