Cinza no céu da cidade, azul no coração dos jovens. Por Eliane Valente, RC Campinas Tensão, nervosismo, ansiedade, emoção e alegria. Ainda que fortes essas palavras nem de longe descrevem o clima do evento de Escolha de Países organizado pela Expro Brasil no último dia 07 de novembro de 2015 no Colégio Rio Branco, em São Paulo. Só estando lá para sentir. Bem antes do horário marcado pela organização os jovens e suas famílias foram chegando, se identificando, assinando a lista de presença e se acomodando no anfiteatro. Era um burburinho saudável, daqueles que não incomoda os ouvidos. Rostos com sono por não terem conseguido dormir direito, alguns com olhos arregalados, despertos e tensos... Fruto da ansiedade que dominava as jovens almas. A apresentação feita pelo Vinícius - Rotex e Interactiano do Clube de Vila Carrão, São Paulo, que brilhantemente falou sobre a Colômbia, pais de seu intercâmbio 2014-2015 – ajudou na descontração. O companheiro Robson Guimenez, protocolo do evento, começa a compor a mesa de trabalhos: sinal que ia começar. “Ai meu Deus, começa logo!” era possivelmente um pensamento comum na assembleia. Os participantes da mesa (diretoria e contatos internacionais da Expro, governadores e seus representantes), com muita experiência e sabedoria, encurtaram as suas falas de boas-vindas o máximo que puderam. As regras da escolha foram explicadas de maneira clara e rápida – todos colaborando para que o batimento cardíaco dos jovens e de seus pais aumentasse ainda mais um pouquinho. Um pouco antes de tudo isso acontecer, alguns depoimentos foram colhidos: 1 Paulo Couto, presidente da Expro, comenta que esse evento sempre gera uma expectativa positiva. Entende ser um momento de ansiedade dos jovens e das famílias porque começa oficialmente o intercambio para eles. “Temos postergado esse evento para depois de todas as conferências internacionais do PIJRI- Programa de Intercâmbio de Jovens do Rotary Internacional - justamente para chegarmos aqui munidos do maior número de vagas possíveis”, ressalta Couto. Descreve o evento como emocionante porque os jovens foram orientados para terem uma lista de países, sendo interessante observar a torcida de cada um deles para que o seu país predileto não seja escolhido por outros jovens. “Conforme vão sendo preenchidas as vagas, eles torcem pelo não preenchimento das vagas do próximo país de suas listas”, relata. Finaliza contando que sempre existe a possibilidade de aparecer algumas vagas a mais depois desse evento porque alguns parceiros internacionais procuram a Expro para abertura de novas vagas no Brasil, oferecendo as suas vagas em contrapartida. Rodrigo Vieira Campos, 16 anos, foi classificado em 35º lugar no programa de longa duração. Com sua lista pronta, comenta que se não conseguir vaga para a sua primeira opção, não terá problema algum em escolher outra. “Na Feira das Nações mudei minha cabeça. Tirei aquele foco de ‘se não for esse país eu não quero nenhum outro’. O jovem comenta que seu intercâmbio começou desde que procurou o Rotary Clube de Itapira, que está bem focado em seu objetivo e que sempre vai ter essa historia de todo o processo para contar. “Intercambio é pra vida toda”, completa. Floriano e Gedilaine Campos, pais do Rodrigo, já estão muito familiarizados com todo o processo. Rodrigo é o filho caçula de quatro irmãos. Todos fizeram intercâmbio pelo PIJ do Rotary Internacional. Comentam que para cada filho sentem uma emoção diferente ao participarem do evento de escolha de países. “Eu também fui intercambista desse programa em 1980 e fui para os Estados Unidos”, relembra Floriano. O casal é absolutamente convicto que se trata de uma experiência extraordinária na vida dos filhos. João Pedro, que chegou de seu intercâmbio no Canadá nesse ano, diz que veio para o evento acompanhar o irmão com sentimento de tranquilidade. “Não importa o país que ele vai escolher. Vai valer a pena de qualquer forma porque todos os países têm seus pontos positivos”, finaliza. Cesar Augusto Amorim da Silva é presidente do Interact Clube de Campinas Sul. Foi inscrito no programa pelo RC Campinas Alvorada. Classificado em 107º no programa de longa duração, espera conseguir vaga para algum país de sua lista. “Quando penso que posso sair daqui com meu país escolhido, sinto uma emoção chocante!”. Seus pais não estavam muito convencidos de que qualquer país de sua lista seria um bom país. Então usou a estratégia de convencer uma tia querida, mostrando para ela as vantagens de cada país. “Juntos mudamos a cabeça deles!” comemora. 2 Para a jovem Isabela Pereira de Jesus, do RC Itaquera, São Paulo, escolher um país é importante porque pensa ser esta a sua única oportunidade. No ano que vem completa 17 anos. Foi classificada em 61º lugar. “Meus pais me apoiarão em qualquer escolha, porque acreditam que minha cabeça é o meu guia e que tenho que aprender com as minhas escolhas”. Isabela pensa em se preparar psicologicamente, aprender ao menos o básico do idioma falado no país e desfrutar bastante de seu tempo livre com os amigos e família. Por fim, agradece o Wiliam, Oficial de Intercâmbio de seu Clube, por todo o apoio dado aos três jovens inscritos. Nicolas Góes, 16 anos, inscrito pelo RC Rio Claro Cidade Azul, foi classificado em 28º lugar. Com sua lista de países pronta, espera conseguir um deles. Suas escolhas foram baseadas primeiramente em pesquisas que realizou. “A Feira das Nações me fez colocar na lista países inimagináveis como Índia e Turquia. O leste europeu, por exemplo, muitos dizem que é feio e pobre, mas eu tenho certeza que não é assim”, relata. Comenta que sente as pessoas preocupadas e tensas nesse momento. “Eu me sinto tranquilo porque vai chegar a minha vez de escolher e todas as opções são boas”, finaliza o jovem. A jovem Carolina Okumura Marins de Paulo, 15 anos, de Jundiaí (RC Serra do Japi) era a 46ª na classificação e estava com todos os países em sua lista. Obviamente que tem as suas preferências, mas acredita ser um bom sinal não ter excluído nenhum. “Não pude participar da Feira das Nações, mas participei de outra feira promovida pelo trabalho do meu pai em que estudantes universitários de 35 países mostraram seus trabalhos na área de empreendedorismo. Conversei bastante com eles e pude fazer a minha lista com tranquilidade”, explica. Carolina deseja cursar relações internacionais em nível superior e acredita que a experiência de intercâmbio vai contribuir bastante para a sua futura carreira. Era chegada a hora Para a escolha dos países em todas as modalidades de intercâmbio – novas gerações, curta e longa duração – foi organizada uma fila por ordem de classificação. O nome do candidato era chamado e ele deveria dirigir-se a um microfone e declarar a sua opção de país. Primeiramente os candidatos a vagas de Futuras Gerações fizeram as suas escolhas. Comemorações, abraços apertados, votos de sucesso , alegria e emoção – tudo junto e misturado! 3 A jovem Nuria Baptista, 18 anos, inscrita pelo RC Campinas, cursa o segundo semestre de Direito. Ela ficou em 7º lugar na classificação. Ressalta que o intercâmbio vai lhe proporcionar uma oportunidade única de conhecimento na área pessoal e profissional. Ela pretende seguir carreira em âmbito internacional e essa experiência irá lhe abrir muitas portas e será essencial nesse aspecto. “Além disso, eu amo conhecer novas culturas e visitar lugares históricos,” comenta. “Estava muito nervosa, achei que não fosse conseguir uma boa vaga. Eu havia gostado apenas de 5 países, e como fiquei em sétimo, estava aborrecida achando que não iria conseguir realizar meu intercâmbio em algum lugar desejado.” Um pouco antes de começar a escolha, foram abertas 3 novas vagas para o México, uma delas era para Cancún. A jovem então se animou novamente e queria muito escolher essa vaga. Mas um jovem melhor classificado a escolheu, o que a deixou bem decepcionada novamente. Por fim, escolheu México para o 2º semestre de 2016. “Eu queria México desde a minha inscrição, mas não havia esta opção no começo. Dentre os países da minha lista, pensei que fosse ficar com o que me sobrasse pela classificação ruim. Bem na minha vez de escolher, havia 4 países Argentina, Chile, México e Equador - o que foi bem confuso, e me fez ser impulsiva na hora de ir ao microfone e escolher o México”, relembra. A jovem relata que ficou muito feliz com a sua escolha: “Não tenho como descrever a sensação. Eu me apaixonei pelo México durante a Feira das Nações, e a decepção foi muito grande quando saiu a lista de países e o México não se encontrava lá. É incrível saber que eu consegui a vaga que eu queria desde o principio depois de ficar tão aborrecida por não ter a vaga, por ter achado a minha classificação ruim e por pensar que não iria conseguir nenhum dos países listados. Falando a verdade, a ficha ainda não caiu, parece bem surreal”. Agora a expectativa da jovem é grande porque ainda vai demorar um pouco para saber em qual região do México acontecerá o seu intercâmbio, pois o país possui uma diversidade grande de culturas. “Até a viagem eu pretendo fazer um curso intensivo de espanhol para trabalhar mais a parte escrita da língua”. A jovem relata que muitos a criticam por ter escolhido o México frente a opções como a Argentina e o Chile. “Estou mais do que satisfeita com minha escolha e venho recebendo muito incentivo por parte dos meus pais e dos companheiros Rotarianos do meu clube, que é o mais importante. E o México irá me proporcionar tudo o que eu quero e preciso”, arremata. 4 Na sequência foram chamados os candidatos do programa de curta duração. Outra dose choros, comoções e comemorações...haja coração! A candidata Diana Pelegrini, do RC Campinas, chegava a bater o queixo e tremer de tanto nervoso na fila formada por ordem de classificação. Sua classificação era 18º e ela havia entendido que seriam 6 vagas para o país que estava no topo da sua lista. Ao chegar ao evento viu que eram apenas duas vagas. Os jovens a sua frente foram escolhendo outros países e na sua vez falou em alto e bom tom ao microfone: “Bom dia! Eu vou para a Índia!”. A jovem Maria Fernanda Mercadante Ferreira é de Araras e tem 14 anos. Sua escolha foi Botswana, país africano que entrou esse ano no roll de países oferecidos. “Sempre pensei em um país africano onde a natureza é exuberante. As lembranças que vou ter de lá ficarão em minha memória pela vida toda”, festeja a jovem. Seus pais ficaram muito contentes e apoiaram sua escolha. “Imagine as experiências em cultura totalmente diferente da nossa que nossa filha vai viver”, comemora a mãe. Terminada essa etapa de escolha, chegava a hora dos candidatos a intercambistas de longa duração. A fila foi formada de 20 em 20 jovens, por ordem de classificação. Mais nervosismo, choros, abraços, emoções e também frustrações. Sim, frustrações daqueles jovens que não se viam em outro país a não ser o seu predileto e preferiram ficar em uma lista para vagas remanescentes. Isso faz parte de um evento como esse. A jovem Ana Luisa da Cunha Almeida, 16 anos, primeira colocada, candidata do Rotary Clube Ferraz de Vasconcelos chega diante do microfone chorando muito. Pensou que ficaria calma, que seria fácil chegar ao microfone e escolher um país. “Com a lista toda na minha frente eu fiquei feliz e nervosa ao mesmo tempo. Eu nunca tive um país predileto, então qualquer escolha que eu fizesse naquele momento seria uma boa escolha. Escutei meu coração e falei: Alemanha!”. Comenta que seus pais a apoiariam em qualquer escolha que fizesse, mas sabe que estão muito contentes com a escolha feita. Com o coração aliviado e alegre ao ver todos os seus amigos decidindo onde vão passar o melhor ano de suas vidas, ela finaliza: “Vou estudar alemão numa escola de idiomas na minha cidade e me preparar para o intercâmbio”. 5 Manuela Pozo Griecco inscrita pelo Rotary Clube de Mogi das Cruzes foi a 7ª classificada a escolher o país. Tremia de emoção porque o país escolhido oferecia apenas uma vaga. “A torcida para que os seis anteriores não escolhessem o meu país era tão grande que eu fui ficando nervosa e ansiosa. Mas deu tudo certo: eu vou para a França!”, comemora feliz. Estudar francês tornou-se a prioridade das prioridades. E os jovens do início da reportagem? O que aconteceu com eles? Vamos lá: Rodrigo e Nicolas vão para os Estados Unidos, Carolina e Isabela vão para Taiwan e Cesar para o México (com direito a explosão no microfone: México, lá vou eu!”). Todos estão muito felizes com suas escolhas. O Secretário da Expro Brasil e também contato internacional para a Europa e África do Sul, Adilson Bonatto, agradece a todos os companheiros e companheiras que estão envolvidos no Programa de Intercâmbio de Jovens do Rotary Internacional. “São mais de 350 pessoas de todos os clubes dos distritos 4590 e 4430. Sem esse pessoal de frente certamente não realizaríamos um evento bonito e emocionante como este. O Rotex também é de grande importância e nos ajuda muito, principalmente no evento da Feira das Nações e neste aqui também”, reflete. Agradece ainda toda a diretoria da Expro, especialmente ao companheiro Robson Gimenez que com a dedicação de muitas horas ao trabalho faz toda a diferença na secretaria da Expro. E assim transcorreu o evento. E a repórter que se emocionou junto com todos e com cada um, agradece a oportunidade de ter podido contar um pouco do que se passou nesse dia chuvoso e cinza na cidade de São Paulo. 6 Números Candidatos a vagas de longa duração: 124, vagas de longa duração: 96 Candidatos a vagas de curta duração 24, vagas de curta duração: 25 Candidatos a vagas de novas gerações: 11 novas , vagas de gerações: 13 Países: longa duração: 22, curta duração: 13, novas gerações: 8 Jovens que saíram do evento com países definidos: Longa duração: 93, curta duração: 21, novas gerações: 09 Jovens que escolheram tentar vaga remanescente: longa duração: 20, curta duração: 03, novas gerações: 02 Aumento/diminuição de vagas desde o ano passado: longa duração: aumentou de 92 vagas para 96 curta duração: aumentou de 22 vagas para 25 novas gerações: diminuiu de 17 vagas para 13 Países novos: longa duração: NOVA ZELÂNDIA curta duração: BOTSWANA novas gerações: vaga específica para CANCÚN (MÉXICO) 7