Soares CMB, et al • Higienização das mão: opinião de enfermeiros e técnicos...
artículo original/artigo original
Higienização das mãos: opinião de enfermeiros
e técnicos de enfermagem de um hospital
universitário de Minas Gerais
Hand hygiene: opinion of nurses and technicians from an university
hospital of Minas Gerais
Caroline Mari Brandão Soares1
Natália Mendonça de Miranda1
Simone Mota de Carvalho1
Cláudia Alessandra Pereira Paixão2
Acadêmicas do 8° Período do Curso de Graduação em Enfermagem da Escola de Enfermagem Wenceslau Braz, Itajubá, MG.
2
Mestre, Docente do Curso de Graduação em Enfermagem da Escola de Enfermagem Wenceslau
Braz, Itajubá, MG.
1
Rev Panam Infectol 2012;14(1):17-21.
Conflicto de intereses: ninguno
Recibido en 21/11/2011.
Aceptado para publicación en 22/2/2012.
Resumo
Trata-se de um estudo Survey, descritivo, de abordagem
quantitativa. Objetivos: Identificar os profissionais de enfermagem
quanto às características pessoais, tempo e local de atuação
profissional; averiguar com que frequência os profissionais de
enfermagem realizam a higienização das mãos; identificar quais
produtos os profissionais de enfermagem utilizam com maior
frequência para higienizar as mãos; identificar a opinião dos
profissionais de enfermagem sobre sua adesão à higienização
das mãos e conhecer a opinião dos profissionais de enfermagem
sobre os fatores que facilitam e dificultam a adesão à higienização
das mãos. Métodos: A amostra foi composta por 11 enfermeiros e
22 técnicos de enfermagem. Os dados foram coletados por meio
de um questionário preenchido pelas pesquisadoras. Resultados:
Apenas 90% das enfermeiras relataram que higienizam as mãos
frequentemente; 82% afirmaram utilizar água, sabão e álcool gel
70%, e 18% utilizam apenas água e sabão; 64% aplicam a técnica correta; 18,2% relataram encontrar dificuldades para aderir
à técnica; quanto aos técnicos de enfermagem, 75% higienizam
as mãos frequentemente; 10% afirmaram utilizar água e sabão,
90% água, sabão e álcool gel 70%; 30% seguem corretamente
a técnica frequentemente; e 80% relatam não ter dificuldades
para aderir à técnica; para ambas as categorias, os fatores facilitadores mais frequentes para adesão foram a disponibilidade
de materiais e sua proximidade em relação ao posto de trabalho.
Palavras-chave: Infecção hospitalar, lavagem das mãos, prevenção, enfermagem.
Abstract
This is a Survey, descritive study with a quantitative approach.
Objectives: To identify the personal characteristics of nursing professionals, seniority and place of work; to identify which are the most
used products by nursing professionals to sanitize their hands; to
identify the opinion of nursing professional about their adherence
to hand hygiene and also their opinion about the factors that facilitate and hinder adherence to hygiene hands. Methods: The sample
17
Rev Panam Infectol 2012;14(1):17-21.
consisted of 11 nurses and 22 nursing technicians. Data
was collected through a questionnaires completed by the
researchers. Results: Only 90% of nurses reported that they
sanitize their hands frequently; 82% said they use water,
soap and alcohol gel 70% and 18% use only soap and
water; 64% apply the correct technique; 18,2% reported
that they do not have difficulties to adhere the technique;
for both categories, the factors that frequently facilitate the
adherence are the availability of materials and its proximity
to the workplace.
Key words: Cross infection, handwashing, prevention,
nursing.
Introdução
A higienização das mãos, nos programas de prevenção e controle das infecções hospitalares, é uma
prática prioritária, considerando ser a ação isoladamente
mais importante para reduzir as taxas de infecções
nosocomiais. A diminuição dos micro-organismos da
pele e mucosa pode processar-se em diferentes níveis,
dependendo dos processos empregados de limpeza ou
antissepsia. O procedimento de limpeza remove a microbiota transitória humana que coloniza as camadas
superficiais da pele e também a oleosidade, o suor e
células mortas, bem como retira sujidade propícia para
permanência e multiplicação de micro-organismos.(1)
Entretanto, apesar da existência de fortes evidências de
que a adequada higienização das mãos é uma das medidas
mais importantes para a redução da transmissão cruzada
de micro-organismos e das taxas de infecção hospitalar, a
adesão a esta prática permanece baixa entre os profissionais de enfermagem, com taxas que variam de 5% a 81%,
sendo, em média, em torno de 40%.(2)
A lavagem das mãos tem efeito desejável em áreas de
atendimento de alto risco. Além de proteger o paciente,
os processos de higienização representam uma importante barreira de biossegurança contra a disseminação
de micro-organismos.(3)
O objetivo da higienização das mãos é reduzir a
transmissão de micro-organismos pelas mãos, visando
à remoção da maioria dos micro-organismos da flora
transitória, de células descamativas, de pelos, de suor,
de sujidades e oleosidades. Relata-se também que com
isso é interrompida a transmissão de infecções veiculadas ao contato, prevenindo e reduzindo as infecções
causadas pelas transmissões cruzadas.(2)
As infecções hospitalares podem ter vários fatores
predisponentes e todo o processo para reduzi-las, intervir
em situações de surtos e manter o controle deve ser resultado de um trabalho de equipe. Dentro das instituições
hospitalares, cada trabalhador da área da saúde deve ter
um papel definido e cumprir seriamente suas obrigações. A
enfermagem tem uma grande responsabilidade na prevenção e controle de infecções, suas ações são dependentes e
18
relacionadas. Com a educação continuada, a enfermagem,
a partir de sua capacitação profissional, deve conscientizar
os profissionais para que os mesmos adiram às medidas de
controle e prevenção de infecções, destacando a higienização das mãos, como uma norma a ser cumprida.(4)
O estudo teve como objetivos: identificar os profissionais de enfermagem quanto às características pessoais,
tempo e local de atuação profissional; averiguar com que
frequência os profissionais de enfermagem realizam a
higienização das mãos; identificar quais produtos os profissionais de enfermagem utilizam com maior frequência para
higienizar as mãos; detectar a opinião dos profissionais de
enfermagem sobre sua adesão à higienização das mãos
e conhecer a opinião dos profissionais de enfermagem
sobre os fatores que facilitam e dificultam a adesão à
higienização das mãos.
Métodos
Foi realizado um estudo Survey de abordagem
quantitativa, delineamento descritivo, em um hospital
universitário de um município do Estado de Minas
Gerais, Brasil, o qual possui aproximadamente 150
leitos, sendo 82% dos seus atendimentos destinados
aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), 15%
por meio de convênios e 3% a pacientes particulares,
atendendo a vários tipos de especialidades. A pesquisa
ocorreu nos seguintes setores da referida instituição:
clínica médica, clínica cirúrgica, maternidade, pediatria, centro de terapia intensiva (CTI) e pronto-socorro.
A equipe de enfermagem do hospital é composta por 25
enfermeiros e 110 técnicos de enfermagem, distribuídos
nos setores citados. A amostra foi constituída por dois
enfermeiros de cada setor, perfazendo um total de 12
profissionais e uma amostra de 50% desta categoria
profissional. Quanto aos técnicos de enfermagem, a
amostra foi composta por 22 profissionais (amostra de
20% para esta categoria profissional). Optou-se por
porcentagens de amostra diferentes para as categorias
profissionais devido à grande diferença do número total
de profissionais de cada categoria. Os auxiliares de enfermagem não foram incluídos nesse estudo, haja vista
que essa categoria profissional não atua em todos os
setores da instituição. Após a aprovação do projeto de
pesquisa pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de
Enfermagem Wenceslau Braz, sob protocolo de número
487/201, foi iniciada a coleta dos dados.
Os dados foram coletados em dois dias, nos períodos
da manhã, tarde e noite, por meio de um questionário a
ser preenchido pelas pesquisadoras, o qual abordou os
seguintes itens: idade, gênero, profissão, tempo de atua­
ção na profissão, setor em que atua, além de questões
referentes à higienização das mãos.
Os critérios de inclusão desta pesquisa foram: ser
enfermeiro ou técnico de enfermagem que atua há pelo
Soares CMB, et al • Higienização das mão: opinião de enfermeiros e técnicos...
menos seis meses no hospital em que ocorreu o estudo;
e concordar em participar do estudo. A amostragem
foi do tipo intencional.
Os dados foram tabulados e armazenados no programa Microsoft Office Exccel, no qual foram calculados frequências, médias, medianas e desvio padrão
das variáveis estudadas.
Resultados
Os resultados obtidos demonstraram que a idade
média das enfermeiras pesquisadas foi de 33 anos,
com desvio padrão (DP) de ± 13,33 anos, enquanto os
técnicos de enfermagem apresentaram idade média de
30 anos e DP ± 7. O gênero feminino prevaleceu entre
as enfermeiras (100%) e técnicos de enfermagem: 18
(90%) de mulheres e 2 (10%) homens.
O tempo médio de atuação profissional das enfermeiras foi de 9,4 anos (DP ± 12,39) e dos técnicos
de enfermagem igual a 6,2 (DP ± 6,7).
Em relação às enfermeiras, 10 (90%) relataram
que higienizam as mãos frequentemente, enquanto
apenas uma enfermeira (10%) informou realizá-la às
vezes. Entretanto, ao responderem quando costumam
higienizar as mãos, as profissionais citaram as seguintes ocasiões apresentadas na tabela 1.
Além da frequência e ocasião da higienização das
mãos, o estudo investigou os produtos de higienização
utilizados com maior frequência pelas enfermeiras, os
quais estão apresentados na tabela 2.
Entretanto, o ato de higienizar as mãos requer técnica específica, a qual também foi investigada nesse
estudo e apresentada na tabela 3.
Ao relatarem quais são os fatores que dificultam
a adesão à higienização das mãos durante o trabalho,
81,8% dos enfermeiros (9) assinalaram apenas uma
alternativa, relatando não encontrar dificuldades para
aderir à higienização das mãos no trabalho, e 18,2%
(2) assinalaram duas alternativas, sendo a sobrecarga
de trabalho e a falta de material para a higienização das
mãos nos postos de trabalho os fatores dificultantes.
Ao responderem quais os fatores que facilitam a
adesão à higienização das mãos durante o trabalho,
27,3% (3) dos enfermeiros assinalaram apenas uma
alternativa, afirmando que os recursos disponíveis e
adequados para a higienização das mãos nos postos
de trabalho facilitam a adesão; 18,1% (2) assinalaram
duas alternativas, sendo a mais frequente: os locais que
oferecem material para higienizar as mãos próximos
dos postos de trabalho; 36,4% (4) assinalaram três
alternativas, sendo os recursos disponíveis e adequados
para a higienização das mãos nos postos de trabalho e
treinamento sobre o tema as mais recorrentes; e 18,2%
(2) assinalaram quatro alternativas, sendo os fatores
facilitadores a escala com número de pacientes ade-
Tabela 1. Ocasiões em que as enfermeiras costumam
higienizar as mãos. Itajubá, MG - 2011 (n = 11)
Ocasiões
Antes e depois do contato com pacientes
Quando “muda” de paciente
Número de vezes que foram
citadas pelas enfermeiras
2
5
Antes da administração de medicação
Antes de preparar medicação
Antes de realizar procedimentos
Após procedimentos
Após contato com paciente
Antes das refeições
Ao entrar em um quarto
1
1
3
2
2
2
1
Tabela 2. Produtos de higienização das mãos utilizados
pelas enfermeiras. Itajubá, MG - 2011 (n = 11)
Produto
Água e sabão
Álcool gel 70%
Água, sabão e álcool gel 70%
Total
N (%)
2 (18%)
0 (0%)
9 (82%)
11 (100%)
Tabela 3. Aplicação da técnica de lavagem das mãos
pelas enfermeiras. Itajubá, MG - 2011 (n = 11)
Aplicação da técnica
de lavagem das mãos
Sim
Não
Às vezes
Total
N (%)
Justificativa
7 (64%)
Não se aplica
1 (9%)
Sobrecarga de trabalho
3 (27%)
Sobrecarga de trabalho e falta de tempo
11 (100%)
Tabela 4. Ocasiões em que os técnicos de enfermagem
costumam higienizar as mãos. Itajubá, MG - 2011 (n = 20)
Ocasiões
Antes e após preparo de medicação
Quando “muda” de paciente
Número de vezes que foram
citadas pelas enfermeiras
2
5
Antes de preparar medicação
5
Após administrar medicação
Ao cuidar do paciente
Após procedimentos
Depois de usar luvas
Antes das refeições
Appós utilizar sanitário
Antes e após procedimentos
1
8
3
1
1
1
1
quada à prática, recursos disponíveis e adequados para
a higienização das mãos, proximidade dos locais que
oferecem material para higienizar as mãos em relação
aos postos de trabalho e treinamentos sobre o tema.
Em relação aos técnicos de enfermagem, a maioria
19
Rev Panam Infectol 2012;14(1):17-21.
Tabela 5. Produtos de higienização das mãos utilizados pelos
técnicos de enfermagem. Itajubá, MG – 2011 (n = 20)
Produto
Água e sabão
Álcool gel 70%
Água, sabão e álcool gel 70%
Total
N (%)
2 (10%)
0 (0%)
18 (90%)
20 (100%)
Tabela 6. Aplicação da técnica de lavagem das mãos pelos
técnicos enfermagem. Itajubá, MG - 2011 (n = 20)
Aplicação da técnica de
N (%)
lavagem das mãos
Sim
6 (30%)
Não
5 (25%)
Às vezes
9 (45%)
Total
20 (100%)
Justificativa
Não se aplica
Sobrecarga de trabalho e falta de tempo
Sobrecarga de trabalho, falta de tempo
e falta de costume
15 (75%) relatou que higienizam as mãos “frequentemente”, enquanto 4 (20%) relataram que “às vezes”, e apenas um técnico (5%) informou realizá-las
“raramente”. Entretanto, ao responderem quando
costumam higienizar as mãos, os profissionais citaram
as ocasiões apresentadas na tabela 4.
Analisando as respostas dos técnicos de enfermagem, em relação aos produtos de higienização
utilizados com maior frequência, foram encontrados
os seguintes resultados, apresentados na tabela 5.
E quanto à aplicação da técnica correta, foram encontrados os seguintes resultados, apresentados na tabela 6.
Quanto aos fatores dificultadores da higienização
das mãos, 16 (80%) dos técnicos de enfermagem
assinalaram apenas uma alternativa, relatando não
encontrar dificuldades para aderir à higienização das
mãos; 2 (10%) assinalaram duas alternativas, apontando como fatores dificultantes a sobrecarga de trabalho
e a falta de material para a higienização das mãos nos
postos de trabalho; e os outros 2 (10%) assinalaram
três alternativas, sendo as mais frequentes a falta de
material para higienização das mãos nos postos de
trabalho e falta de treinamento sobre o tema.
Em relação aos fatores facilitadores, 10 (50%) dos
técnicos de enfermagem assinalaram apenas uma alternativa, sendo a mais frequente os locais que oferecem
material para higienizar as mãos próximos dos postos
de trabalho; 8 (40%) assinalaram duas alternativas,
apontando como fator facilitador os locais que oferecem
material para higienizar as mãos próximos dos postos
de trabalho, e treinamentos sobre o tema; o restante,
correspondente a 2 (10%), assinalou três alternativas,
as mais frequentes foram: recursos disponíveis e adequados para a higienização das mãos e treinamento
sobre o tema.
20
Discussão
A participação das mulheres na enfermagem é predominante, devido ao fator histórico. Apesar de haver uma
afinidade histórica das mulheres com o cuidar, reconhecese que preconceitos de gênero restringiram a participação
dos homens na profissão. Mas, embora a enfermagem seja
construída culturalmente como prática sexuada feminina,
os homens na profissão são uma realidade cada vez mais
presente, representando rupturas importantes com estereótipos de gênero relacionados à prática do cuidado.(5)
Observa-se que apesar de as enfermeiras, na maioria,
relatarem que aplicam a técnica correta da higienização
das mãos, um número significativo relatou que “às vezes”, ou que não aplicam a técnica. Corroborando com a
presente pesquisa, em um estudo sobre a adesão correta
da técnica de higienização das mãos, comprovou-se que
a média de profissionais que realizaram todos os passos
corretos da técnica foi muito baixa: apenas 14% dos
profissionais aderiram a esta técnica.(6)
Um estudo identificou que para os profissionais
de enfermagem, os fatores dificultadores para adesão
à higienização das mãos são: água e sabão e a fricção
das mãos com álcool 70%, na prática diária foram o
esquecimento, seguido da falta de conhecimento da
sua importância, distância da pia, irritação da pele e a
falta de materiais.(3)
Em relação aos fatores facilitadores para adesão da
higienização das mãos, foi encontrada uma outra contradição nas respostas dadas pelas enfermeiras, pois as
mesmas relataram os recursos disponíveis e adequados
para higienização como fator facilitador prevalente. Foi observado um fato semelhante em um estudo no qual foram
apontados como fatores facilitadores pelos profissionais
de enfermagem a disponibilidade de recursos materiais
(87,8%), estrutura física (42,8%), recursos materiais
adequados (35,5%) e educação continuada (7%).(7)
O presente estudo revelou diversas contradições nas
respostas das enfermeiras, fato também encontrado em
uma outra pesquisa que relata parecer existir na prática diária, entre os profissionais da área da saúde, um
descompromisso entre o que se fala e o que se faz; é
necessário que todos os esforços sejam implementados
com o objetivo de incentivar os profissionais, em ritmo
crescente, a aderirem às praticas de higiene das mãos e
se conscientizarem da importância que ela representa.(7)
Percebe-se que há uma maior adesão à prática de higienização das mãos por parte das enfermeiras pesquisadas,
apesar de os técnicos terem menor tempo de atuação. Fato
semelhante foi encontrado em um estudo no qual se observou
a frequência de higienização das mãos entre profissionais
de enfermagem: antes dos procedimentos, os técnicos de
enfermagem tiveram adesão de 2,95% e os enfermeiros, de
15,93% de higienização das mãos; após os procedimentos,
as adesões foram 6,34% e 17,70%, respectivamente.(8)
Soares CMB, et al • Higienização das mão: opinião de enfermeiros e técnicos...
Pode-se observar que houve uma maior adesão à
técnica correta de higienização das mãos por parte das
enfermeiras. Tal resultado também foi encontrado em
outra pesquisa, na qual se afirmou que há uma elevada
porcentagem de lavagem correta das mãos por profissionais de enfermagem em relação às demais categorias,
fato que pode estar relacionado ao maior treinamento
com estes profissionais e à maior vigilância, visto que é
recomendado fazer a fricção de cada região da mão por
cinco vezes com água e sabão, por ser isso necessário
para a remoção da microbiota transitória, e posteriormente aplicar o álcool 70%.(9)
Ao analisar as respostas de ambas as categorias profissionais, foram encontradas algumas contradições. Enquanto
uma parcela importante das duas categorias afirma que
nem sempre respeitam a técnica de higienização das mãos
devido à sobrecarga de trabalho e falta de tempo, ambas
afirmam que lavam as mãos com água e sabão e logo em
seguida utilizam o álcool gel a 70%. As incoerências encontradas na presente pesquisa levam à reflexão sobre questões
relacionadas aos motivos que causam divergências entre
a prática e o ideal preconizado. A discrepância dos relatos
de profissionais da saúde sobre a higienização das mãos
também foi identificada em um estudo conduzido em um
hospital universitário japonês. A pesquisa ocorreu em dois
momentos, sendo o primeiro a aplicação do questionário
“Cinco momentos da higienização das mãos”, elaborado
pela Organização Mundial da Saúde, e o segundo por meio
da observação do comportamento dos profissionais em
relação à técnica. O resultado demonstrou que a aderência
observada foi menor quando comparada aos resultados do
questionário respondido pelos profissionais.(10)
Essas divergências têm relação direta com o comportamento humano no tocante ao conhecimento, motivação,
intenção, percepção, expectativas e pressão social. Sendo
assim, a implementação de estratégias para adoção da higienização das mãos deve levar em consideração elementos
do comportamento humano e organizacionais para atingir
mudanças significativas e duradouras.(11) Outrossim, um estudo conduzido em um hospital universitário sobre os fatores
determinantes da aderência à higiene das mãos demonstrou
que esse comportamento é muito mais decorrente da pressão
social do que pelas questões relacionadas à prevenção de
infecções hospitalares. As crenças normativas identificadas no
estudo foram a pressão que o paciente exerce sobre o profissional, citada por 73,3% dos profissionais da saúde, a pressão
dos superiores (66,8%) e a pressão dos colegas (68,8%).(12)
A higienização das mãos é uma medida para a prevenção de infecções hospitalares e sua importância vem
sendo enfatizada desde o século XIX com os postulados de
Ignaz Semmelweis e a teoria de Florence Nightingale.(13,14)
Apesar de ser simples e antiga, a aderência a essa técnica
por parte dos profissionais de enfermagem parece que
ainda não atingiu sua totalidade.
Agradecimentos
Marcelo Ricardo de Moraes e Waldere Fabri Pereira
Ribeiro.
Financiamento
Declaramos que não há conflito de interesses.
1.
Referências
Valle ARMC, Feitosa MBF, Araújo VMD, Moura MEB, Santos AMR,
Monteiro CFS. Representações Sociais da Biossegurança por
Profissionais de Enfermagem de um Serviço de Emergência. Am
Rev Escola Anna Nery Revista de Enfermagem 2008;304-309.
2. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Segurança
do Paciente em Serviços de Saúde. Higienizações das Mãos.
2009; 4-8.
3. Oliveira AC, Cardoso CS, Mascarenhas D. Precauções de contato em Unidade de Terapia Intensiva: fatores facilitadores e
dificultadores para adesão dos profissionais. Am Rev Escola de
Enfermagem USP 2010;161-165.
4. Pereira MS, Souza ACS, Tipple AFV, Prado MA. A infecção
hospitalar e suas implicações para o cuidar da enfermagem.
Am Rev Texto e Contexto 2005;250-257.
5. Coelho EAC. Gênero, saúde e enfermagem. Am Rev Brasileira
de Enfermagem 2005;345-348.
6. Felix CCP, Miyadahira AMK. Avaliação da técnica de lavagem
das mãos executada por alunos do Curso de Graduação em
Enfermagem. Am Rev Revista Escola de Enfermagem USP
2010;139-145.
7. Tippple AFV, Mendonça KM, Melo MC, Souza ACS, Pereira
MS, Santos SLV. Higienização das mãos: o ensino e a prática
entre graduandos na área de saúde. Am Rev Acta Scientiarum.
Health Sciences 2007;107-114.
8. Barreto RASS, Rocha LO, Souza ACS, Tipple AFV, Suzuki K,
Bisinoto AS. Higienização das mãos: a adesão entre os profissionais de enfermagem da sala de recuperação pós-anestésica.
Am Rev Eletr Enf 2009;334-340.
9. Mendonça AP, Fernandes MSC, Azevedo JMR, Silveira WCR,
Souza ACS. Lavagem das mãos: adesão dos profissionais de
saúde em uma unidade de terapia intensiva neonatal. Am Rev
Acta Scientiarum. Health Sciences 2003;147-153.
10. Watanabe T. Discrepancy between self-reported and observed
hand hygiene behavior in nurses and physicians. BMC Proceedings 2011;5(6):120. Disponível em: http://www.biomedcentral.com/content/pdf/1753-6561-5-56-P120.pdf
11. Kretzer EK, Larson EL. Higienização de mãos: 20 anos de divergências entre a prática e o idealizado. In: Almeida ED et al.
Behavioral Interventions to improve infection control pratices.
1998. Ciencia Y Enfermeria XV, 2009;33-38.
12. Sax H, Uçkay I, Richet H, Allegranzi B, Pittet D. determinants
of good adherence to hand hygiene among healthcare workers
Who have extensive exposure to hand hygiene campaings. Infect
Control Hosp Epidemiol 2007;28(11). Disponível em:http://
www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17926278.
13. Miranda CM, Navarrete TL. Semmelweis y su aporte científico a La medicina: um lavado de manos salva vidas. Rev
Chil Infectol 2008;25(1):54-57. Disponível em: http://
www.scielo.cl/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S071610182008000100011&lng=es.
14. Santana AP, Paixão CAP, Jesus MR. Teoria Ambientalista de
Florence Nightingale. Em: Braga CG, Silva JV. Teorias de Enfermagem. São Paulo: Iátria. 2011, p. 104-116.
Correspondência:
Cláudia Alessandra Pereira Paixão
Av. Cesário Alvim, 566, Centro,
CEP 37501-059 - Itajubá, MG, Brasil.
e-mail: [email protected]
21
Download

Higienização das mãos: opinião de enfermeiros e técnicos de