PROJETO ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA EM DEBATE OFICINAS RECONHECIMENTO PROFISSIONAL Marlete Pereira Stella Gregorio Arlette Saddy Samara Crancio Celina Oliveira RELATÓRIO Gestão Articulação e Atitude: ampliando conquistas Dezembro de 2013 PROJETO ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA EM DEBATE OFICINAS RECONHECIMENTO PROFISSIONAL "Ao nos depararmos com novas situações, recuamos e avançamos em nossas opiniões e nossos princípios, revisando cada um deles à luz dos demais. Essa mudança no nosso modo de pensar, indo e vindo do mundo da ação para o mundo da razão, é no que consiste a reflexão moral. (...) A reflexão moral não é uma busca individual, e sim coletiva. Ela requer um interlocutor - um amigo, um vizinho, um camarada, um compatriota. Às vezes o interlocutor pode ser imaginário, como quando discutimos com nossa consciência. Mas não podemos descobrir o significado de justiça ou a melhor maneira de viver apenas por meio da introspecção." (Michael Sandel) CONSELHO REGIONAL DE NUTRICIONISTAS - 4ª REGIÃO RJ - ES PROJETO ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA EM DEBATE OFICINAS RECONHECIMENTO PROFISSIONAL RELATÓRIO Introdução Em 2012, o Conselho Regional de Nutricionistas 4ª Região (CRN-4) foi informado de que o Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) disponibilizaria verba no valor de R$ 50.000,00 para ser utilizada em atividades fins de fiscalização, mediante apresentação e aprovação de projeto. No entendimento de que esta oportunidade abria possibilidades que extrapolam o cotidiano das ações fiscais, o CRN-4 reuniu as Coordenadoras das Comissões de Fiscalização e Formação Profissional, Marlete Pereira e Stella Gregorio; as Coordenadoras Técnica e de Fiscalização, Arlette Saddy e Samara Crancio e a Fiscal Celina Oliveira para elaboração de projeto. A definição da proposta de trabalho se deu a partir das percepções da Fiscalização em encontros realizados com nutricionistas de diversas áreas de atuação, inclusive docência. Em visitas fiscais, reuniões e no atendimento técnico, a Fiscalização toma conhecimento de múltiplas necessidades e desafios no exercício profissional, que geram altas expectativas de intervenção do CRN-4 e demais entidades da categoria. A Comissão de Fiscalização entendeu que seria oportuno, portanto, considerar a análise das avaliações dos Roteiros de Visita Técnica (RVT) sobre as atribuições obrigatórias do nutricionista, que demonstra resultados insatisfatórios no que tange ao desempenho profissional. Fica explícita a 3 não apropriação do saber advindo do curso de formação, quando o profissional não aplica em seu cotidiano o conteúdo técnico-científico e não utiliza ferramentas e metodologias que agreguem valor ao exercício de suas funções e o torne indispensável em seu ambiente de trabalho. Por sua vez, a Comissão de Formação Profissional encontrava-se envolvida com o planejamento dos fóruns “A ética na formação profissional: desafios do mundo contemporâneo” e das oficinas “Qualidade da formação e exercício profissional: presente e futuro”, a serem realizados nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Nos debates iniciais foram apontados: escassez de campos adequados para estágios; resistência de nutricionistas para receber e orientar os alunos; e o não cumprimento das normas estabelecidas na Res. CFN 418/08, que dispõe sobre a responsabilidade do nutricionista quanto às atividades desenvolvidas por estagiários de nutrição. Assim, foi concebido o projeto “Atuação do nutricionista em debate” com os seguintes objetivos: Despertar a reflexão e percepção crítica da realidade e sensibilizar o nutricionista para sua importância como um agente de mudança no seu espaço de trabalho; Contribuir para efetivar sua autonomia técnica profissional; Debater a atuação do nutricionista e seu importante papel no âmbito do sistema de saúde e como facilitador do processo de aprendizado de estagiários de nutrição e/ou outros nutricionistas. O projeto foi aprovado pelo CFN com a determinação de que os recursos financeiros fossem utilizados ao longo de 2013, assim como a prestação de contas com apresentação de relatório. Métodos A imersão da equipe na proposta, a elaboração de material didático e a divulgação ocorreram entre os meses de agosto e novembro. Durante o planejamento, optou-se pelo nome 4 “Reconhecimento profissional”, considerado mais atraente e que melhor traduziria os objetivos almejados. A partir da escolha do nome e da essência do projeto, foram concebidos a logo e os materiais (Anexo 1). Para a seleção dos profissionais, utilizou-se como critério a atuação nas áreas de nutrição clínica e alimentação coletiva por apresentarem, na jurisdição do CRN-4, conflitos éticos relevantes e desmotivação abrangente. Priorizou-se os nutricionistas que orientam estagiários de nutrição e/ou nutricionistas residentes, em especial de instituições públicas municipais, estaduais e federais. Quanto à divulgação, é importante ressaltar que foram consideradas particularidades dos grupos inicialmente convidados. Em razão de experiências anteriores, eram esperadas dificuldades inerentes à adesão dos profissionais, que precisariam se ausentar durantes dois dias inteiros das atividades laborais. Por esse motivo, foram traçadas estratégias específicas de acordo com o perfil de cada grupo, tais como: Reunião preliminar com a coordenadora de Nutrição da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, que prontamente aderiu à proposta; Reunião preliminar com a diretora do Instituto de Nutrição Annes Dias – Inad, órgão normativo e regulador do município do Rio de Janeiro para ações de alimentação e nutrição; Participação em reunião promovida pelo Inad com os responsáveis técnicos das unidades hospitalares do município do Rio de Janeiro; Promoção de reunião com representantes legais e responsáveis técnicos de concessionárias registradas no CRN-4 no Rio de Janeiro, ocasião em que um dos pontos de pauta foi a divulgação e o compromisso de liberação de dois profissionais por empresa; Realização de contatos telefônicos com responsáveis técnicos de hospitais municipais, estaduais, federais, universitários e de ensino, Vigilâncias Sanitárias (Visa) estadual e 5 municipal, restaurantes universitários, populares, Polícia Militar e Secretarias de Educação e de Administração Penitenciária do Estado do Rio de Janeiro e concessionárias; Realização de contatos telefônicos com responsáveis técnicos de hospitais municipais, estaduais, privados, universitário e de ensino, Visa estadual e municipal, restaurante universitário, secretarias de Educação, Saúde, Justiça, Assistência Social de vários municípios da Grande Vitória, concessionárias, creches, escolas e instituições de longa permanência; Encaminhamento de ofícios às instituições convidadas após contatos telefônicos; Retorno das ligações após envio dos ofícios para confirmação e efetivação das respectivas inscrições; Encaminhamento de ofícios para liberação dos profissionais mediante constatação da dificuldade quanto à dispensa das atividades laborais; Para composição dos grupos foram consultadas diferentes fontes de pesquisa, a saber: 1ª oficina no Rio de Janeiro (G1RJ) – voltada para nutricionistas que atuam em nutrição clínica nos hospitais estaduais, universitários e de ensino e secretaria de saúde estadual: página oficial do Governo do Estado na internet, páginas eletrônicas dos hospitais, lista de hospitais fornecida pela Coordenação de Nutrição da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro e sistema de informações do CRN-4. 2ª oficina no Rio de Janeiro (G2RJ) – voltada para nutricionistas que atuam em nutrição clínica nos hospitais municipais e federais e Visa estadual: listagem recebida do Inad, sistema de informações do CRN-4, páginas eletrônicas dos hospitais federais e da Visa. 3ª oficina no Rio de Janeiro (G3RJ) – voltada para nutricionistas que atuam em alimentação coletiva em concessionárias de alimentação, alimentação escolar pública e privada, restaurantes populares e universitários, sistema penitenciário e Visa municipal: profissionais envolvidos nas ações da Delegacia do Consumidor, informações obtidas em visitas fiscais e com as conselheiras e sistema de informações do CRN-4. 6 4ª oficina no Espírito Santo (G4ES) – voltada para nutricionistas que atuam em nutrição clínica nos hospitais públicos e privados: lista de hospitais estaduais obtida na página oficial do Governo do Estado na internet, Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – Cnes e sistema de informações do CRN-4; 5ª oficina no Espírito Santo (G5ES) - voltada para nutricionistas que atuam em alimentação coletiva em concessionárias de alimentação, alimentação escolar pública e privada, restaurantes universitários, sistema penitenciário e Visa de quatro municípios da Grande Vitória: informações obtidas em visitas fiscais e com as conselheiras e sistema de informações do CRN-4. Foram realizadas cinco oficinas de trabalho com nutricionistas responsáveis técnicos e integrantes do quadro técnico, sendo três no Rio de Janeiro e duas no Espírito Santo. Cada oficina contou com a carga horária de 14 horas, distribuídas em dois dias de sete horas. Os locais para realização das oficinas foram escolhidos em função das características do trabalho e do número previsto de participantes. A ambientação foi cuidadosamente preparada utilizando-se as logos do projeto e do CRN-4, de modo que os profissionais se sentissem acolhidos. Estes receberam pastas contendo bloco de anotações, caneta, legislação sobre o exercício profissional gravada em CD e revista CRN-4. Para desenvolvimento das oficinas, o CRN-4 contratou as nutricionistas Lúcia Andrade e Marília França e as psicólogas Ana Tereza Camasmie e Simone Monteiro para abordarem conteúdos específicos. A equipe técnica representada por Arlette Saddy, Samara Crancio e Celina Oliveira participou integralmente das cinco oficinas orientando as discussões relativas ao exercício profissional, esclarecendo dúvidas e contribuindo com a experiência adquirida na área de fiscalização. 7 Resultados e Discussão A realização das oficinas ocorreu nos meses de outubro e novembro de 2013 conforme calendário a seguir: G1RJ G2RJ G3RJ G4ES G5ES As imagens capturadas ao longo das cinco oficinas e que ilustram o desenvolvimento do trabalho encontram-se no Anexo 2. Quanto ao número de participantes: Pretendeu-se contemplar de 100 a 125 nutricionistas (20 a 25 por grupo). A média por grupo foi de 34,2, totalizando 171 participantes (Quadro 1). Este quantitativo demonstra que a meta máxima foi superada em 37%. As oficinas voltadas para nutricionistas que atuam em alimentação coletiva foram as que receberam mais profissionais, tanto no Rio de Janeiro como no Espírito Santo. Quadro 1 – Número de participantes Oficinas Número de participantes G1RJ 22 G2RJ 37 G3RJ 40 G4ES 24 G5ES 48 Total 171 8 Quanto à abrangência: No Rio de Janeiro havia a possibilidade de contemplar, em duas oficinas, representantes da totalidade de unidades hospitalares da rede pública. A proposta despertou interesse da maioria, o que contribuiu para a disseminação para as demais instituições, considerando que fazem parte de um mesmo universo (estaduais, municipais, federais, universitário/ensino). Nas oficinas voltadas para nutricionistas que atuam em nutrição clínica no Rio de Janeiro (G1RJ e G2RJ), do total de 67 hospitais públicos convidados, 46 (68,6%) estiveram presentes. Os hospitais federais e universitários foram os de melhor representatividade (100%), seguido pelos hospitais estaduais (63,1%) e municipais (51,72%). Quadro 2 – Abrangência Unidades Hospitalares Públicas – RJ Oficinas do RJ Segmentos de atuação Convidados Presentes G1RJ Hospitais estaduais 19 12 G1RJ Hospitais universitários e de ensino 7 7 G2RJ Hospitais federais 12 12 G2RJ Hospitais municipais 29 15 Quanto ao conteúdo: Três abordagens foram consideradas essenciais para atingir os objetivos do projeto: a) Psicológica – visando ao fortalecimento do profissional como agente de mudança no seu espaço de trabalho e enfrentamento de desafios que prejudicam sua autonomia técnica profissional. As percepções das consultoras psicólogas, assim como extrato de conteúdo trabalhado encontram-se nos Anexos 3 e 4. b) Técnico-científica e incentivo à atuação como sujeito político – apresentação de ferramentas aplicáveis às respectivas áreas de atuação que facilitassem a percepção e visualização das ações que congregam a administração do trabalho, função precípua dos nutricionistas, prevista 9 nas diretrizes da regulamentação da profissão. As percepções das consultoras nutricionistas encontram-se no Anexo 5. c) “Legislação e exercício profissional” – percepções da Fiscalização sobre o desenvolvimento das atribuições obrigatórias e debate sobre os conflitos éticos por área de atuação. Durante as discussões, muitas dificuldades vivenciadas no cotidiano foram relatadas, tais como entraves à autonomia técnica, condições de trabalho inadequadas e desvalorização perante profissionais de outras categorias. Ao final do segundo dia, reservou-se um momento para registro dessas informações em subgrupos para que os profissionais unidos buscassem novas possibilidades de intervenção (Anexo 6). Considerou-se importante reforçar a ideia de que o CRN-4 e as demais entidades são parceiras e não instituições que os substituem em sua ação profissional, fortalecendoos como autores da sua própria trajetória e dos destinos da profissão. Quanto às expectativas dos nutricionistas: Sempre no início de cada oficina, as expectativas foram identificadas e ao final do evento foi verificado se foram atingidas, o que ocorreu em todos os grupos. Ordenando-se as expectativas por semelhança (Quadro 3), observou-se que havia cinco demandas bem claras: pertencimento, reconhecimento profissional e melhores condições de trabalho, presença do Conselho, programação da oficina e atualização técnica. Quadro 3 – Expectativas dos nutricionistas Eixos/pontos Pertencimento Expectativas dos profissionais Trocar as experiências Receber motivação para continuar Conversar sobre dificuldades Desabafar “tsunami” e receber apoio Ajuda para resolver problemas cotidianos Ter um ombro amigo para chorar Acolhimento Compartilhar problemas Ver a luz no fim do túnel Lugar para aflições Esperança de melhorar Conhecer outros profissionais para se sentir pertencendo ao grupo Integração União da categoria Melhorar nossas relações profissionais Frequência absoluta (n) Frequência relativa (%) 5 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 17,2 6,8 3,4 3,4 3,4 3,4 3,4 3,4 3,4 3,4 3,4 3,4 3,4 3,4 3,4 10 Reconhecimento profissional e condições de trabalho Presença do Conselho Programação da oficina Atualização técnica Se sentir incluída Fazer parcerias Criar rede Contribuir com a minha experiência Passar adiante o que foi vivido aqui Contato social – fazer novos amigos Matar saudade Sentar e trocar ideias Encontrar amigos antigos Total Valorização/reconhecimento Pensar em como podemos nos valorizar Reconhecer importância da classe Como a categoria pode ser representada junto a outras Conversar sobre melhoria salarial Conversar sobre a melhoria das condições de trabalho Fortalecimento Melhorar a autoestima no trabalho Como ocupar espaços novos sem perder seu compromisso ético e de profissional de saúde Conversar sobre limites de atuação Pensar nos espaços de atuação Total Conhecer melhor o CRN-4 Trazer o CRN-4 mais perto Aproximar-se do CRN4 Sentir a presença do CRN-4 Resposta à sensação de distância Esclarecer dúvidas em relação ao CRN-4 Liberdade de ação com o apoio do CRN-4 Tirar dúvidas Feedback Dar sugestões para o CRN-4 agir no reconhecimento da profissão Total Curiosidade Novas propostas Conhecer coisas novas Sair da rotina Respirar Sair do conforto tedioso Que o grupo possa se entregar ao trabalho Viver algo diferente Surpresa em receber o convite – como será? Total Reciclar e reciclagem Atualizar e nos atualizar Receber conteúdo para enriquecimento Receber atualização técnica – novas ideias para o trabalho Aperfeiçoamento Como ocupar o lugar de nutricionistas sem ter tido uma formação específica (coordenar, liderar, formar...) Pensar na formação dos alunos Receber atualização técnica – novas ideias para o trabalho Total 1 1 1 1 1 1 1 1 1 29 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 12 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 10 2 1 1 1 1 1 1 1 1 10 2 2 1 1 1 1 1 1 10 3,4 3,4 3,4 3,4 3,4 3,4 3,4 3,4 3,4 100 16,6 8,3 8,3 8,3 8,3 8,3 8,3 8,3 8,3 8,3 8,3 100 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 100 20 10 10 10 10 10 10 10 10 100 20 20 10 10 10 10 10 10 100 Dentre as expectativas elencadas, observou-se que o eixo pertencimento apareceu com mais frequência, o que provavelmente decorre do quadro de isolamento do nutricionista em seu ambiente 11 de trabalho. Mesmo quando trabalha em equipe, devido ao acúmulo de tarefas administrativas e ao quadro técnico insuficiente, raramente há oportunidade para reflexão coletiva sobre o cotidiano profissional. Os eixos reconhecimento profissional e melhores condições de trabalho e presença do Conselho demonstram que os profissionais sentiam-se despotencializados para o enfrentamento das adversidades e conflitos éticos em um cenário de precarização do exercício profissional e da prestação de um serviço digno à sociedade. Quanto à avaliação: O Projeto Reconhecimento Profissional foi avaliado por meio da aplicação das metodologias quantitativa, considerando os critérios de organização, local do evento, conceito e ferramentas, divulgação, duração e palestrantes e qualitativa, contemplando os objetivos de troca de experiências, aplicabilidade dos conceitos e ferramentas, reflexão coletiva, contribuição para mudança no ambiente de trabalho e construção de protocolos coletivos para o desenvolvimento de atribuições obrigatórias. Aos participantes foram distribuídas fichas de avaliação (Anexo 7) para preenchimento espontâneo e os dados obtidos foram compilados nas estatísticas que se seguem: 1ª oficina no Rio de Janeiro (G1RJ): Na avaliação quantitativa os critérios organização, local do evento, conceitos aplicados e palestrantes receberam ótima avaliação, enquanto os critérios de divulgação e duração receberam avaliação boa. Na avaliação qualitativa, os objetivos estabelecidos foram plenamente contemplados. Nos comentários gerais, os participantes destacaram a importância da troca de experiências comuns com os colegas e apontaram a questão salarial como elemento de reivindicação. 12 2ª oficina no Rio de Janeiro (G2RJ): Na avaliação quantitativa os critérios organização, local do evento, conceitos aplicados e palestrantes receberam ótima avaliação, enquanto os critérios de divulgação e duração receberam avaliação boa. Na avaliação qualitativa, todos os objetivos foram plenamente atingidos. Nos comentários gerais, os participantes sugeriram a realização periódica de eventos como este, em razão, principalmente, do crescimento pessoal e profissional, fruto da interação e da troca de conhecimento. Também apontaram a importância de discutir coletivamente questões convergentes relativas às condições de trabalho, experiências e desafios comuns, assim como o aprimoramento de conceitos e o amadurecimento da relação entre o nutricionista e as entidades representativas da classe. 3ª oficina no Rio de Janeiro (G3RJ): Na avaliação quantitativa todos os critérios receberam ótima avaliação, exceto o item divulgação, que recebeu avaliação regular. Durante as oficinas, evidenciou-se que, a despeito dos esforços envidados, vários entraves de natureza hierárquica faziam com que a informação custasse a chegar aos profissionais interessados, os Responsáveis Técnicos nas unidades de alimentação. Na avaliação qualitativa todos os objetivos estabelecidos foram atingidos. Nos comentários gerais, os participantes elogiaram a equipe de palestrantes formada por consultores nutricionistas e psicológicos e sugeriram a realização periódica de eventos, mesmo que em pequenos grupos, a fim de permitir a discussão de problemas comuns. Uma observação importante diz respeito à construção da imagem da entidade de classe para o profissional, facilitada pela realização de projetos desta natureza. Registram-se muitos comentários que sinalizam a importância de cursos regulares de aprimoramento e troca de experiências, fato que entendemos compreender uma parceria com a Associação de Nutricionistas do Estado do Rio de Janeiro (Anerj) estabelecida em todas as etapas deste trabalho. 13 Representações gráficas referentes às oficinas do Rio de Janeiro: a) Avaliação quantitativa: b) Avaliação qualitativa – compilação das respostas às seis questões constantes da ficha de avaliação (Quadro 4): 14 Quadro 4 – Extrato da ficha de avaliação 4ª oficina no Espírito Santo (G4ES): Na avaliação quantitativa os critérios organização, local do evento, conceitos aplicados e palestrantes receberam ótima avaliação, o critério de duração recebeu avaliação regular, provavelmente pela dificuldade de se ausentar do trabalho. O critério divulgação foi comparado equitativamente com os conceitos ótimo e bom. Na avaliação qualitativa todos os objetivos estabelecidos foram atingidos. Nos comentários gerais, os participantes elogiaram a iniciativa do CRN-4 e sugeriram a realização periódica de eventos como este. 5ª oficina no Espírito Santo (G5ES): Na avaliação quantitativa os critérios organização, local do evento, conceitos aplicados e palestrantes receberam ótima avaliação, o critério de duração recebeu avaliação regular e o critério divulgação foi comparado equitativamente com os conceitos ótimo e bom. Na avaliação qualitativa todos os objetivos estabelecidos foram contemplados. 15 Nos comentários gerais, os participantes, em sua maioria, sugeriram a realização periódica de eventos com esta natureza, ressaltaram a importância do compartilhamento de experiências, a troca de ideias, a relação do nutricionista e sua entidade representativa. Comentários importantes referem-se à sugestão de uma oficina voltada especificamente para a área de saúde pública, com foco em atenção primária. Representações gráficas referentes às oficinas do Espírito Santo: a) Avaliação quantitativa: b) Avaliação qualitativa: compilação das respostas às seis questões constantes da ficha de avaliação (Quadro 4): 16 Quanto aos desdobramentos das oficinas: A proposta de continuidade do trabalho ocorreu de maneira espontânea e prazerosa com troca de contatos, fotos e reuniões agendadas. Quatro encontros já foram realizados, dos quais destacamos alguns produtos: Compilação de protocolos técnicos existentes e, em parceria com a Anerj, elaboração de proposta para aqueles que não dispõem deste instrumento; Construção de um diagnóstico sobre desenvolvimento das atribuições obrigatórias previstas nas Resoluções CFN 380/05 e 465/10 e condições de trabalho para desenvolvê-las; Levantamento dos tipos de vínculos de trabalho nas instituições públicas com vistas à manutenção da qualidade do trabalho independentemente da gestão política; 17 Considerações Finais Ponderando as análises das fichas de avaliação e do atendimento às expectativas, os objetivos estabelecidos foram alcançados. Agradecemos ao CFN pelo investimento na área de fiscalização que oportunizou o desenvolvimento de tão rico trabalho. Enaltecemos que o envolvimento de conselheiras do CRN-4 nas oficinas foi importante, pois além de participarem das dinâmicas, contribuindo com suas vivências, obtiveram subsídios que enriquecerão as discussões nas diferentes comissões e câmaras técnicas. A parceria da Anerj e o apoio da Associação de Nutrição e do Sindicato do Estado do Espírito Santo foram fundamentais para o sucesso da iniciativa. A participação de funcionários de diversos setores, que foram os primeiros a acreditar na proposta e a empenharem-se em sua concretização foi imprescindível. O brilho nos olhos e o calor da voz de cada um sensibilizaram os nutricionistas de que valia a pena vencer os obstáculos e se afastar de seu local de atuação por dois dias. Este projeto propiciou à categoria e às entidades a oportunidade de debates amadurecidos e responsáveis que não seriam possíveis em ações ordinárias e isoladas e que não só marcou profissionais que participaram das oficinas, como também a equipe envolvida. Por fim, aproveitamos a oportunidade para compartilhar reflexão da consultora psicóloga Ana Tereza Camasmie que traduz um dos maiores aprendizados do CRN-4 com esta iniciativa. Esperamos que seja tão proveitoso para o Sistema CFN/CRN como foi para nós e que possa contribuir para melhorar as relações do nutricionista e seu Conselho. 18 O Conselho não faz nada por nós? A expressão “o Conselho não faz nada por nós” foi muito ouvida nas oficinas. Uma frase que era dita de várias maneiras: pela voz, pelos olhares, pela ausência, pelo desânimo. O que será que os nutricionistas queriam dizer, ou melhor, que “fazer” era este tão esperado por eles, e que tornava o Conselho tão devedor, apesar de se considerar um “fazedor”? E quanto mais o Conselho mostrava que “faço sim! Vocês é que não veem”, mais severo ele se tornava. Mais alto ele precisava falar para ser ouvido por sua categoria e mais surda ela ficava. “Como eles não estão vendo o que fazemos?” Sentimento de injustiça pela crítica que vinha justamente daqueles que não leem a revista, nem acessam o site para ver o que está sendo feito por eles, para eles... Mas a severidade não adiantava muito, pois ao invés de aproximar, de ganhar respeito, só promovia afastamento e desconfiança. O Conselho, como se fosse um pai severo diante do filho rebelde que não reconhece seu esforço, reclamava da paralisia, da dependência, da cobrança indébita feita por eles. Do outro lado, os nutricionistas com olhares de: “Pois sim! Faz o que? Só isso?” Sentiam-se desamparados. E impotentes pareciam perguntar: onde está aquele que deveria nos proteger contra os males do mundo? Das injustiças? O Conselho não vê o que está acontecendo? Desejavam um olhar onipresente, que estivesse em todos os espaços, que punisse os maus e premiasse os bons. Que o Conselho fosse lá à casa da Dilma dizer para ela que os salários dos nutricionistas por vezes são menores ou iguais ao de uma empregada doméstica e que há poucos concursos públicos que garantam estabilidade na vida. Afinal, “bons alunos de Nutrição não merecem recompensa pelos seus esforços acadêmicos?”, “Será que escolhemos a profissão errada?” E mergulhavam num mar de queixas de si mesmos, da profissão, do Conselho, do governo... E queixosos perdiam força e, principalmente, visão de futuro. Não conseguiam perceber que o futuro depende de hoje, que já é o futuro de ontem... Não viam a força que os fez chegarem até aqui. 19 Desencontros de expectativas... nutricionistas querendo receber soluções prontas e o Conselho querendo dar... conselhos! Nada mal, pois esse é o papel mesmo de quem tem mais experiência de vida, mas ainda não era isso o que este grupo estava precisando. O caminho que se mostrava possível era algo ainda a se fazer, a ser construído, coletivamente, mas em qual direção? Era preciso também pensar juntos. E assim, consultoras, Conselho e nutricionistas desistiram de suas primeiras expectativas, de olhar somente para si mesmos e suas necessidades. Construção coletiva requer mudança de olhar, ampliação da visão para que haja encontro de pontos de vista. Nenhum dos três tinha a verdade absoluta. Mas havia algo em comum, a vontade de encontrar um modo melhor de viver. A verdade que se fazia presente é que todos queriam reconhecimento. E para reconhecer é preciso ver. Não é possível tomar conhecimento daquilo que não é visto com respeito. E assim, respeitosamente, num olhar conjunto, o reconhecimento mútuo deu passagem para soluções coletivas. Através de voz que cada um pôde articular e ser ouvido, e da escuta atenta que se deu, todos puderam criar outras possibilidades de atuação no seu cotidiano. Isso é reconhecimento profissional: conhecer de novo, de uma nova maneira, o profissional que cada um é, para poder assim conquistar seu lugar legítimo junto aos outros. E agora, com esse novo olhar que dá reconhecimento, poderíamos retomar a frase dos nutricionistas: “o Conselho não faz nada por nós” e refazê-la: o que nós, que somos o Conselho, podemos fazer por nós? 20 Referências Bibliográficas 1. Congresso Nacional. Lei 8234, de 17 de setembro de 1991. Regulamenta a profissão de nutricionista e determina outras providências. 2. Conselho Federal de Nutricionistas. Resolução nº380/05. Dispõe sobre a definição das áreas de atuação do nutricionista e suas atribuições, estabelece parâmetros numéricos de referência, por área de atuação e dá outras providências. 3. Conselho Federal de Nutricionistas. Resolução nº334/04. Dispõe sobre o Código de Ética do Nutricionista e dá outras providências. 4. Conselho Federal de Nutricionistas. Resolução nº378/05. Dispõe sobre o registro e cadastro de pessoas jurídicas nos conselhos regionais de nutricionistas e dá outras providências. 5. Conselho Federal de Nutricionistas. Resolução nº419/08. Dispõe sobre critérios para assunção de responsabilidade técnica no exercício das atividades do nutricionista e dá outras providências. 6. Conselho Federal de Nutricionistas. Resolução nº360/05. Dispõe sobre a Política Nacional de Fiscalização (PNF) no âmbito do Sistema CFN/CFN e dá outras providências. 7. Conselho Federal de Nutricionistas. Resolução nº465/10. Dispõe sobre as atribuições do Nutricionista, estabelece parâmetros numéricos mínimos de referência no âmbito do Programa de Alimentação Escolar (PAE) e dá outras providências. 8. Brasil. Ministério da Saúde. ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 216, de 15 de setembro de 2004 dispõe sobre Regulamento Técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação. 9. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 1428, de 26 de novembro de 1993 dispõe sobre Diretrizes para o Estabelecimento de Boas Práticas de Produção e de Prestação de Serviços na Área de Alimentos; Regulamento Técnico para o Estabelecimento de Padrão de Identidade e Qualidade (PIQ) para Serviços e Produtos na Área de Alimentos. 21 10. Brasil. Presidência da República. Casa Civil Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispões sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. 11. Freire, Paulo. Educação e Mudança. Editora Paz e Terra, 34ª edição, 2011. 12. Brasil. Presidência da República. Casa Civil Emenda Constitucional nº 64 de 04 de fevereiro de 2010 – Altera o art. 6º da Constituição Federal, para introduzir a alimentação como direito social. 13. Hellinger, B. Êxito na Vida, êxito na profissão: como ambos podem ter sucesso juntos. Goiânia: Atman, 2013. 14. Mendes, R. Luzes no Caminho – Compreensões vindas do alto. Rio de Janeiro: Iralem, 2013. 15. Bolen, J.S. Las brujas no se quejan: manual de sabiduria concentrada. Kairos, 2004. 16. Krznaric, R. Como encontrar o trabalho da sua vida. Rio do Janeiro: Objetiva, 2012. 17. Sandel, Michael J. Justiça – o que é fazer a coisa certa. 6ª Edição, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012, 349 páginas. 22 Comissão Organizadora Hospitais Universitários e Estaduais Oficina 1 Participantes Dinâmicas Linha da Vida Crenças Crenças Crenças Crenças Crenças Crenças Crenças Hospitais Federais e Municipais Oficina 2 Participantes Dinâmicas Quebra de azulejos Quebra de azulejos Reconstrução Reconstrução Construção coletiva Construção coletiva Alimentação Coletiva Oficina 3 Participantes Dinâmicas Linha da Vida Linha da Vida Linha da Vida Linha da Vida Linha da Vida Linha da Vida Nutrição Clínica - ES Oficina 4 Participantes Linha da Vida Dinâmica em grupo Dinâmica em grupo Dinâmica em grupo Alimentação Coletiva - ES Oficina 5 Participantes Árvore da vida Dinâmica em grupo Dinâmica em grupo Debate Dinâmica em grupo Dinâmica em grupo PERCEPÇÕES DA EQUIPE DE CONSULTORAS PSICÓLOGAS As oficinas superaram nossas expectativas em todos os sentidos, não só pelo aproveitamento que os participantes demonstraram nas atividades propostas, como também pelos desdobramentos que surgiram a partir das mesmas. Para que o trabalho alcançasse tal resultado contamos com a eficiência estrutural do Conselho, que foi de alta qualidade. Refiro-me ao grupo técnico e administrativo que nos ofereceu as condições necessárias para que tudo acontecesse de modo organizado e adequado à proposta central do trabalho, que era o de reconhecimento. Quanto aos grupos propriamente ditos, encontramos cinco perfis diferentes, o que nos requereu bastante flexibilidade em adequar o planejamento às necessidades que cada um apresentou. As equipes de consultores e técnica se dispuseram a realizar reuniões diversas vezes, antes e durante as oficinas, a fim de ajustar e/ou criar novas estratégias que alcançassem, de modo mais eficaz, os objetivos propostos. A decisão de agrupar os profissionais por área de atuação se mostrou muito positiva, pois possibilitou que compartilhassem dificuldades e soluções em comum, o que estimulou a confiança em ações coletivas. Parece que essa experiência deu condições para que se sentissem desejosos em continuar a discutir e planejar ações em conjunto, com o apoio do Conselho. De um modo geral encontramos dois perfis: - Havia os queixosos, vitimados, decepcionados. Mostravam-se impotentes diante das situações de adversidades profissionais, com ausência de recursos para resolvê-las. Esse grupo esperava uma solução pronta por parte do Conselho, como se a hierarquia já fosse suficiente para suprir o que falta. Esses tinham dificuldade em refletir, elaborar perguntas ou debater um tema. Comportamento passivo, de espera, mas desejosos de receber qualquer caminho. - Havia os raivosos, ressentidos, defendidos. Mostravam-se desrespeitados com as condições de trabalho, referiam-se às situações difíceis de modo inaceitáveis e assim queriam um posicionamento de defesa por parte do Conselho. Queriam saber o que esta entidade estava fazendo por eles, e por isso pareciam muito desconfiados diante das propostas dos consultores. Duvidavam que o Conselho pudesse ajudá-los, como se este já estivesse na dívida, por ser um órgão superior aos profissionais. Apesar da dúvida, estavam ali dando uma pequena chance para eles mesmos e para o Conselho. Comportamento reativo, de pouca entrega, mas atentos ao que estavam recebendo do Conselho. O caminho escolhido pela consultoria foi o de acolher esse clima e junto com os participantes tecer uma confiança mútua para que houvesse a responsabilização de todas as partes envolvidas. Desistir da idéia de que “alguém tem que nos salvar” possibilitou reconhecer forças individuais e coletivas já existentes a fim de dar os primeiros passos na direção do reconhecimento profissional. Psic. Ana Tereza Camasmie e Psic. Simone Monteiro EXTRATO DE CONTEÚDO TRABALHADO PELAS PSICÓLOGAS DINÂMICA “CRENÇAS” Hoje nosso encontro é especial porque vocês estão aqui conosco e apostaram nessa proposta d e seu Conselho profissional. E nós estamos aqui também no mesmo desejo de que nossas expectativas mútuas se encontrem. Viemos aqui para olharmos juntos o caminho profissional de vocês. Um caminho tem muitas coisas. Tem coisas boas, tem conquistas, tem lugar a chegar, tem gente pra compartilhar e tem também as dificuldades inerentes a ele. Viemos olhar tudo isso, sem privilegiar nenhum dos aspectos, pois isso seria recortar algo de nós mesmos. Mas para quê viemos olhar isto? Porque andamos na vida apressadamente, quase que sempre atrasados e não temos tempo de olhar por nós, andando. Isso faz com que muitos machucados aconteçam desnecessariamente, ou até mesmo quando não nos machucamos, corremos tanto que não usufruímos a delícia do caminho. Por isso, a nossa intenção nesses dois dias é nos dedicarmos a olhar os nossos passos, o nosso modo nutricionista de caminhar. Eu gostaria de começar pelas dificuldades do caminho. Pelas pedras que nos impedem de nos alegrar com nossa escolha profissional. O que será que nos impede de seguir apesar das dificuldades que já sabemos existirem? O que será que nos deixa paralisados mesmo quando sabemos o que poderia nos mover? O que será que nos enfraquece? Diante das várias dificuldades que todos os trabalhadores brasileiros enfrentam no seu cotidiano profissional, há aquelas que os nutricionistas enfrentam... Essas dificuldades comuns, que às vezes parecem que “é só comigo”, são, na verdade, de todos nós. E quanto mais eu resisto olhar para o que existe e dirijo-me para aquilo o que deveria ser, mais intenso se torna meu incomodo. E me torno queixoso, indignado, eternamente insatisfeito. Mas não foi sempre assim... Como será que eu fiquei desse jeito? Tudo isso que nos acontece hoje vem sendo construído ao longo do tempo. E nossas insatisfações decorrem de nossas crenças não cumpridas, crenças essas que estabelecemos como sendo essenciais ao nosso equilíbrio e vontade de viver. Por serem tão fortes, essas crenças se tornam verdades absolutas. Perdem o caráter de transformação e fluxo que nossa vida tem. Esse engessamento forja comportamentos. Vamos ver do começo então? Como se formam as nossas verdades? Quando somos crianças, nossa possibilidade de compreender o contexto das situações em que vivemos é muito reduzida. Principalmente porque é o momento da vida em que nos ocupamos muito de nós mesmos, pois há a necessidade do desenvolvimento cognitivo, emocional, que precisam de nosso tempo e dedicação. Mas a despeito da nossa idade, é justamente na infância que nossas percepções vão tomando corpo e se tornando verdades que nos auxiliam a entender o que acontece a nossa volta. Muitas vezes tomamos dos adultos essas verdades prontas, muitas outras são construídas a partir das nossas experiências, dolorosas ou não. Pelo fato delas serem construídas nessa fase da vida, são dotadas de algo muito importante: brotam de nossa ingenuidade, e assim, elas são profundamente ideais. Só seriam possíveis e exequíveis se nosso mundo fosse perfeito como na imaginação da gente. Na medida em que a vida vai caminhando, inúmeros acontecimentos vão nos mostrando que aquelas verdades não são tão verdadeiras assim, e nossa tendência é de nos agarrarmos àquelas compreensões precárias mais ainda. E quando isso não é possível, principalmente diante de algo muito intenso, como uma dor muito profunda, ou uma percepção inquestionável, modificamos nosso comportamento, reativamente; ou seja, com a mesma força, com a mesma importância que a nossa crença é para nós; isso é como reagimos. E para não sofrer mais como antes, para nos defendermos desse estado dolorido, adotamos uma nova crença, só que reativa, defensiva, a fim de lidar com a realidade que insiste em ser diferente do que gostaríamos que fosse. CRENÇA IDEAL CRENÇA REATIVA (defensiva) Embora a defesa seja boa, porque nos torna mais cautelosos, menos ingênuos, ainda assim, nos restringem, nos limitam os movimentos, fortalecem nossos bloqueios de agir. Por isso, sabemos o que precisamos para sair do lugar... Mas não conseguimos ir. Parece que falta algo, e pensamos que alguém deveria suprir o que falta, para que nós finalmente pudéssemos andar. Enquanto isso não acontece, ficamos mergulhados na insatisfação paralisante. Ou numa reclamação que nos exaure como se reclamar promovesse modificações efetivas. Mas somente quando nosso incomodo é máximo, é que nossas crenças encontram a possibilidade de se modificarem. Nosso convite hoje é olhar para elas, compreensivamente, e nesse reconhecimento de nossas crenças, podermos afrouxar um pouco essa ligação, a fim de retomarmos nossa força de volta e olhar o que nos rodeia de modo mais livre. Quem sabe assim, a partir de nossas crenças ideais e das nossas crenças reativas, não possamos encontrar crenças reais? As que nos fortalecem para lidar com o que nos acontece aqui e agora? Psic. Ana Tereza Camasmie PERCEPÇÕES DA EQUIPE DE CONSULTORAS NUTRICIONISTAS A reunião de profissionais de diversos segmentos de atuação propiciou um espaço para maior aproximação e identificação entre os pares. A troca de experiências e relatos do seu dia a dia pode oferecer novas possibilidades e maior visibilidade profissional. O conhecimento da atuação e dos diferentes papéis das entidades da categoria possibilitou que os nutricionistas se sentissem pertencentes e não como entes isolados. Ficou claro que a superação dos obstáculos cotidianos, que paralisam e fazem o profissional se distanciar de seus princípios e desmotivar-se só será possível com a conjugação de esforços. No decorrer do trabalho, foram apresentados instrumentos direcionados à administração do trabalho, tais como: Instrumentalizar-se para alcançar autonomia profissional; Conhecer e aplicar os conteúdos da legislação profissional como respaldo para o pleno desenvolvimento das atribuições privativas e complementares por área de atuação, com enfoque na proteção e defesa do consumidor; Utilizar instrumentos para o desenvolvimento de pessoas, com destaque para necessidade de melhor orientação para estagiários, conforme previsto no código de ética; Conhecer as instâncias de participação e controle social, as casas legislativas, os órgãos de proteção e defesa do consumidor e o Ministério Público, que atuam em defesa dos interesses sociais; Multiplicar os conceitos abordados na oficina nas suas unidades de trabalho e atua como agente de motivação de suas respectivas equipes; Tornar o reconhecimento e a valorização profissionais visíveis. Resultados alcançados: Formação de grupos técnicos de trabalho para elaboração de instrumentos de diagnóstico, controle e avaliação e desenvolvimento de programas para o aprimoramento e visibilidade da ação do nutricionista; Cronograma organizado para cada um dos grupos técnicos com pauta definida de discussão; Trocas de experiência com abertura de novas possibilidades; Possibilidade de promoção de cursos específicos nas unidades de trabalho pelas associações; Foram desenhadas diretrizes para diversos protocolos de orientação do exercício profissional por área de atuação que subsidiarão temas a serem discutidos pelos grupos técnicos formados, além da criação de novos; Organização de base de dados com vistas à troca de informações entre os serviços de nutrição e as associações quanto à orientação e organização do trabalho com estudantes e estagiários. Nutricionistas Lúcia Andrade e Marília França ANEXO 6 FORMULÁRIO DIAGNÓSTICO Diagnóstico situacional Quantitativo de nutricionistas, apontando os principais nós críticos. Comparar a estimativa de necessidades com a oferta disponível. Consequências para a saúde da Ações necessárias para solução do clientela atendimento/superação da deficiência prestacional Responsável(is) pela solução Quadro operacional (quantitativo e qualificação). ANEXO 6 FORMULÁRIO DIAGNÓSTICO Existência de apoio técnicoCondições de trabalho (sala do(s) administrativo e recursos para Nutricionista(s), instalações desenvolvimento da unidadeede equipamentos) negócios (ex.: recursos oferecidos pelo setor contábil-financeiro etc). Autonomia técnica (impossibilidades para concretização de metas). AVALIAÇÃO DA OFICINA Dia(s) em que participou do evento: ____________________ Avalie os itens abaixo, pontuando: 5- ótimo; 4- bom; 3- regular; 2-insatisfatório; 1- ruim. Organização: Local do evento: Conceitos e ferramentas: Divulgação: Duração: Palestrantes: Quanto aos objetivos da oficina, assinale: Número 1 Objetivos SIM NÃO Possibilitou a troca de experiências com outros profissionais? Os conceitos e ferramentas apresentados parecem aplicáveis por você e/ou sua equipe de trabalho? Despertou reflexão sobre sua relação com outros profissionais 3 e/ou estagiários? Modificou a percepção sobre o valor/sentido de seu trabalho? 4 Contribuiu para apropriação de seu papel como agente de 5 mudança no ambiente de trabalho? A proposta de construir coletivamente protocolos que 6 possibilitem o desenvolvimento de atribuições obrigatórias o estimulou? NA – Não de aplica 2 Deixe seus comentários e/ou sugestões. Caso queira, identifique-se: ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ NA