PROJETO ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA EM DEBATE
OFICINAS RECONHECIMENTO PROFISSIONAL
Marlete Pereira
Stella Gregorio
Arlette Saddy
Samara Crancio
Celina Oliveira
RELATÓRIO
Gestão Articulação e Atitude: ampliando conquistas
Dezembro de 2013
PROJETO ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA EM DEBATE
OFICINAS RECONHECIMENTO PROFISSIONAL
"Ao nos depararmos com novas situações, recuamos e avançamos em nossas
opiniões e nossos princípios, revisando cada um deles à luz dos demais. Essa mudança no
nosso modo de pensar, indo e vindo do mundo da ação para o mundo da razão, é no que
consiste a reflexão moral.
(...)
A reflexão moral não é uma busca individual, e sim coletiva. Ela requer um
interlocutor - um amigo, um vizinho, um camarada, um compatriota. Às vezes o interlocutor
pode ser imaginário, como quando discutimos com nossa consciência. Mas não podemos
descobrir o significado de justiça ou a melhor maneira de viver apenas por meio da
introspecção."
(Michael Sandel)
CONSELHO REGIONAL DE NUTRICIONISTAS - 4ª REGIÃO
RJ - ES
PROJETO ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA EM DEBATE
OFICINAS RECONHECIMENTO PROFISSIONAL
RELATÓRIO
Introdução
Em 2012, o Conselho Regional de Nutricionistas 4ª Região (CRN-4) foi informado de que o
Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) disponibilizaria verba no valor de R$ 50.000,00 para ser
utilizada em atividades fins de fiscalização, mediante apresentação e aprovação de projeto.
No entendimento de que esta oportunidade abria possibilidades que extrapolam o cotidiano
das ações fiscais, o CRN-4 reuniu as Coordenadoras das Comissões de Fiscalização e Formação
Profissional, Marlete Pereira e Stella Gregorio; as Coordenadoras Técnica e de Fiscalização, Arlette
Saddy e Samara Crancio e a Fiscal Celina Oliveira para elaboração de projeto.
A definição da proposta de trabalho se deu a partir das percepções da Fiscalização em
encontros realizados com nutricionistas de diversas áreas de atuação, inclusive docência. Em visitas
fiscais, reuniões e no atendimento técnico, a Fiscalização toma conhecimento de múltiplas
necessidades e desafios no exercício profissional, que geram altas expectativas de intervenção do
CRN-4 e demais entidades da categoria.
A Comissão de Fiscalização entendeu que seria oportuno, portanto, considerar a análise das
avaliações dos Roteiros de Visita Técnica (RVT) sobre as atribuições obrigatórias do nutricionista,
que demonstra resultados insatisfatórios no que tange ao desempenho profissional. Fica explícita a
3
não apropriação do saber advindo do curso de formação, quando o profissional não aplica em seu
cotidiano o conteúdo técnico-científico e não utiliza ferramentas e metodologias que agreguem
valor ao exercício de suas funções e o torne indispensável em seu ambiente de trabalho.
Por sua vez, a Comissão de Formação Profissional encontrava-se envolvida com o
planejamento dos fóruns “A ética na formação profissional: desafios do mundo contemporâneo” e
das oficinas “Qualidade da formação e exercício profissional: presente e futuro”, a serem realizados
nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Nos debates iniciais foram apontados: escassez de
campos adequados para estágios; resistência de nutricionistas para receber e orientar os alunos; e o
não cumprimento das normas estabelecidas na Res. CFN 418/08, que dispõe sobre a
responsabilidade do nutricionista quanto às atividades desenvolvidas por estagiários de nutrição.
Assim, foi concebido o projeto “Atuação do nutricionista em debate” com os seguintes
objetivos:

Despertar a reflexão e percepção crítica da realidade e sensibilizar o nutricionista
para sua importância como um agente de mudança no seu espaço de trabalho;

Contribuir para efetivar sua autonomia técnica profissional;

Debater a atuação do nutricionista e seu importante papel no âmbito do sistema de
saúde e como facilitador do processo de aprendizado de estagiários de nutrição e/ou outros
nutricionistas.
O projeto foi aprovado pelo CFN com a determinação de que os recursos financeiros fossem
utilizados ao longo de 2013, assim como a prestação de contas com apresentação de relatório.
Métodos
A imersão da equipe na proposta, a elaboração de material didático e a divulgação
ocorreram entre os meses de agosto e novembro. Durante o planejamento, optou-se pelo nome
4
“Reconhecimento profissional”, considerado mais atraente e que melhor traduziria os objetivos
almejados.
A partir da escolha do nome e da essência do projeto, foram concebidos a logo e os
materiais (Anexo 1).
Para a seleção dos profissionais, utilizou-se como critério a atuação nas áreas de nutrição
clínica e alimentação coletiva por apresentarem, na jurisdição do CRN-4, conflitos éticos relevantes
e desmotivação abrangente. Priorizou-se os nutricionistas que orientam estagiários de nutrição e/ou
nutricionistas residentes, em especial de instituições públicas municipais, estaduais e federais.
Quanto à divulgação, é importante ressaltar que foram consideradas particularidades dos
grupos inicialmente convidados. Em razão de experiências anteriores, eram esperadas dificuldades
inerentes à adesão dos profissionais, que precisariam se ausentar durantes dois dias inteiros das
atividades laborais. Por esse motivo, foram traçadas estratégias específicas de acordo com o perfil
de cada grupo, tais como:

Reunião preliminar com a coordenadora de Nutrição da Secretaria de Saúde do
Estado do Rio de Janeiro, que prontamente aderiu à proposta;

Reunião preliminar com a diretora do Instituto de Nutrição Annes Dias – Inad, órgão
normativo e regulador do município do Rio de Janeiro para ações de alimentação e nutrição;

Participação em reunião promovida pelo Inad com os responsáveis técnicos das
unidades hospitalares do município do Rio de Janeiro;

Promoção de reunião com representantes legais e responsáveis técnicos de
concessionárias registradas no CRN-4 no Rio de Janeiro, ocasião em que um dos pontos de pauta
foi a divulgação e o compromisso de liberação de dois profissionais por empresa;

Realização de contatos telefônicos com responsáveis técnicos de hospitais
municipais, estaduais, federais, universitários e de ensino, Vigilâncias Sanitárias (Visa) estadual e
5
municipal, restaurantes universitários, populares, Polícia Militar e Secretarias de Educação e de
Administração Penitenciária do Estado do Rio de Janeiro e concessionárias;

Realização de contatos telefônicos com responsáveis técnicos de hospitais
municipais, estaduais, privados, universitário e de ensino, Visa estadual e municipal, restaurante
universitário, secretarias de Educação, Saúde, Justiça, Assistência Social de vários municípios da
Grande Vitória, concessionárias, creches, escolas e instituições de longa permanência;

Encaminhamento de ofícios às instituições convidadas após contatos telefônicos;

Retorno das ligações após envio dos ofícios para confirmação e efetivação das
respectivas inscrições;

Encaminhamento de ofícios para liberação dos profissionais mediante constatação da
dificuldade quanto à dispensa das atividades laborais;
Para composição dos grupos foram consultadas diferentes fontes de pesquisa, a saber:
1ª oficina no Rio de Janeiro (G1RJ) – voltada para nutricionistas que atuam em nutrição
clínica nos hospitais estaduais, universitários e de ensino e secretaria de saúde estadual: página
oficial do Governo do Estado na internet, páginas eletrônicas dos hospitais, lista de hospitais
fornecida pela Coordenação de Nutrição da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro e
sistema de informações do CRN-4.
2ª oficina no Rio de Janeiro (G2RJ) – voltada para nutricionistas que atuam em nutrição
clínica nos hospitais municipais e federais e Visa estadual: listagem recebida do Inad, sistema de
informações do CRN-4, páginas eletrônicas dos hospitais federais e da Visa.
3ª oficina no Rio de Janeiro (G3RJ) – voltada para nutricionistas que atuam em alimentação
coletiva em concessionárias de alimentação, alimentação escolar pública e privada, restaurantes
populares e universitários, sistema penitenciário e Visa municipal: profissionais envolvidos nas
ações da Delegacia do Consumidor, informações obtidas em visitas fiscais e com as conselheiras e
sistema de informações do CRN-4.
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4ª oficina no Espírito Santo (G4ES) – voltada para nutricionistas que atuam em nutrição
clínica nos hospitais públicos e privados: lista de hospitais estaduais obtida na página oficial do
Governo do Estado na internet, Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – Cnes e sistema
de informações do CRN-4;
5ª oficina no Espírito Santo (G5ES) - voltada para nutricionistas que atuam em alimentação
coletiva em concessionárias de alimentação, alimentação escolar pública e privada, restaurantes
universitários, sistema penitenciário e Visa de quatro municípios da Grande Vitória: informações
obtidas em visitas fiscais e com as conselheiras e sistema de informações do CRN-4.
Foram realizadas cinco oficinas de trabalho com nutricionistas responsáveis técnicos e
integrantes do quadro técnico, sendo três no Rio de Janeiro e duas no Espírito Santo. Cada oficina
contou com a carga horária de 14 horas, distribuídas em dois dias de sete horas.
Os locais para realização das oficinas foram escolhidos em função das características do
trabalho e do número previsto de participantes. A ambientação foi cuidadosamente preparada
utilizando-se as logos do projeto e do CRN-4, de modo que os profissionais se sentissem acolhidos.
Estes receberam pastas contendo bloco de anotações, caneta, legislação sobre o exercício
profissional gravada em CD e revista CRN-4.
Para desenvolvimento das oficinas, o CRN-4 contratou as nutricionistas Lúcia Andrade e
Marília França e as psicólogas Ana Tereza Camasmie e Simone Monteiro para abordarem
conteúdos específicos. A equipe técnica representada por Arlette Saddy, Samara Crancio e Celina
Oliveira participou integralmente das cinco oficinas orientando as discussões relativas ao exercício
profissional, esclarecendo dúvidas e contribuindo com a experiência adquirida na área de
fiscalização.
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Resultados e Discussão
A realização das oficinas ocorreu nos meses de outubro e novembro de 2013 conforme
calendário a seguir:
G1RJ
G2RJ
G3RJ
G4ES
G5ES
As imagens capturadas ao longo das cinco oficinas e que ilustram o desenvolvimento do
trabalho encontram-se no Anexo 2.
Quanto ao número de participantes:
Pretendeu-se contemplar de 100 a 125 nutricionistas (20 a 25 por grupo). A média por grupo
foi de 34,2, totalizando 171 participantes (Quadro 1). Este quantitativo demonstra que a meta
máxima foi superada em 37%.
As oficinas voltadas para nutricionistas que atuam em alimentação coletiva foram as que
receberam mais profissionais, tanto no Rio de Janeiro como no Espírito Santo.
Quadro 1 – Número de participantes
Oficinas
Número de participantes
G1RJ
22
G2RJ
37
G3RJ
40
G4ES
24
G5ES
48
Total
171
8
Quanto à abrangência:
No Rio de Janeiro havia a possibilidade de contemplar, em duas oficinas, representantes da
totalidade de unidades hospitalares da rede pública. A proposta despertou interesse da maioria, o
que contribuiu para a disseminação para as demais instituições, considerando que fazem parte de
um mesmo universo (estaduais, municipais, federais, universitário/ensino).
Nas oficinas voltadas para nutricionistas que atuam em nutrição clínica no Rio de Janeiro
(G1RJ e G2RJ), do total de 67 hospitais públicos convidados, 46 (68,6%) estiveram presentes. Os
hospitais federais e universitários foram os de melhor representatividade (100%), seguido pelos
hospitais estaduais (63,1%) e municipais (51,72%).
Quadro 2 – Abrangência Unidades Hospitalares Públicas – RJ
Oficinas do RJ
Segmentos de atuação
Convidados
Presentes
G1RJ
Hospitais estaduais
19
12
G1RJ
Hospitais universitários e de ensino
7
7
G2RJ
Hospitais federais
12
12
G2RJ
Hospitais municipais
29
15
Quanto ao conteúdo:
Três abordagens foram consideradas essenciais para atingir os objetivos do projeto:
a)
Psicológica – visando ao fortalecimento do profissional como agente de mudança no
seu espaço de trabalho e enfrentamento de desafios que prejudicam sua autonomia técnica
profissional. As percepções das consultoras psicólogas, assim como extrato de conteúdo trabalhado
encontram-se nos Anexos 3 e 4.
b)
Técnico-científica e incentivo à atuação como sujeito político – apresentação de
ferramentas aplicáveis às respectivas áreas de atuação que facilitassem a percepção e visualização
das ações que congregam a administração do trabalho, função precípua dos nutricionistas, prevista
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nas diretrizes da regulamentação da profissão. As percepções das consultoras nutricionistas
encontram-se no Anexo 5.
c)
“Legislação e exercício profissional” – percepções da Fiscalização sobre o
desenvolvimento das atribuições obrigatórias e debate sobre os conflitos éticos por área de atuação.
Durante as discussões, muitas dificuldades vivenciadas no cotidiano foram relatadas, tais
como entraves à autonomia técnica, condições de trabalho inadequadas e desvalorização perante
profissionais de outras categorias. Ao final do segundo dia, reservou-se um momento para registro
dessas informações em subgrupos para que os profissionais unidos buscassem novas possibilidades
de intervenção (Anexo 6). Considerou-se importante reforçar a ideia de que o CRN-4 e as demais
entidades são parceiras e não instituições que os substituem em sua ação profissional, fortalecendoos como autores da sua própria trajetória e dos destinos da profissão.
Quanto às expectativas dos nutricionistas:
Sempre no início de cada oficina, as expectativas foram identificadas e ao final do evento foi
verificado se foram atingidas, o que ocorreu em todos os grupos.
Ordenando-se as expectativas por semelhança (Quadro 3), observou-se que havia cinco
demandas bem claras: pertencimento, reconhecimento profissional e melhores condições de
trabalho, presença do Conselho, programação da oficina e atualização técnica.
Quadro 3 – Expectativas dos nutricionistas
Eixos/pontos
Pertencimento
Expectativas dos profissionais
Trocar as experiências
Receber motivação para continuar
Conversar sobre dificuldades
Desabafar “tsunami” e receber apoio
Ajuda para resolver problemas cotidianos
Ter um ombro amigo para chorar
Acolhimento
Compartilhar problemas
Ver a luz no fim do túnel
Lugar para aflições
Esperança de melhorar
Conhecer outros profissionais para se sentir pertencendo ao grupo
Integração
União da categoria
Melhorar nossas relações profissionais
Frequência
absoluta
(n)
Frequência
relativa
(%)
5
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
17,2
6,8
3,4
3,4
3,4
3,4
3,4
3,4
3,4
3,4
3,4
3,4
3,4
3,4
3,4
10
Reconhecimento
profissional e
condições de
trabalho
Presença do
Conselho
Programação da
oficina
Atualização
técnica
Se sentir incluída
Fazer parcerias
Criar rede
Contribuir com a minha experiência
Passar adiante o que foi vivido aqui
Contato social – fazer novos amigos
Matar saudade
Sentar e trocar ideias
Encontrar amigos antigos
Total
Valorização/reconhecimento
Pensar em como podemos nos valorizar
Reconhecer importância da classe
Como a categoria pode ser representada junto a outras
Conversar sobre melhoria salarial
Conversar sobre a melhoria das condições de trabalho
Fortalecimento
Melhorar a autoestima no trabalho
Como ocupar espaços novos sem perder seu compromisso ético e de
profissional de saúde
Conversar sobre limites de atuação
Pensar nos espaços de atuação
Total
Conhecer melhor o CRN-4
Trazer o CRN-4 mais perto
Aproximar-se do CRN4
Sentir a presença do CRN-4
Resposta à sensação de distância
Esclarecer dúvidas em relação ao CRN-4
Liberdade de ação com o apoio do CRN-4
Tirar dúvidas
Feedback
Dar sugestões para o CRN-4 agir no reconhecimento da profissão
Total
Curiosidade
Novas propostas
Conhecer coisas novas
Sair da rotina
Respirar
Sair do conforto tedioso
Que o grupo possa se entregar ao trabalho
Viver algo diferente
Surpresa em receber o convite – como será?
Total
Reciclar e reciclagem
Atualizar e nos atualizar
Receber conteúdo para enriquecimento
Receber atualização técnica – novas ideias para o trabalho
Aperfeiçoamento
Como ocupar o lugar de nutricionistas sem ter tido uma formação
específica (coordenar, liderar, formar...)
Pensar na formação dos alunos
Receber atualização técnica – novas ideias para o trabalho
Total
1
1
1
1
1
1
1
1
1
29
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
12
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
10
2
1
1
1
1
1
1
1
1
10
2
2
1
1
1
1
1
1
10
3,4
3,4
3,4
3,4
3,4
3,4
3,4
3,4
3,4
100
16,6
8,3
8,3
8,3
8,3
8,3
8,3
8,3
8,3
8,3
8,3
100
10
10
10
10
10
10
10
10
10
10
100
20
10
10
10
10
10
10
10
10
100
20
20
10
10
10
10
10
10
100
Dentre as expectativas elencadas, observou-se que o eixo pertencimento apareceu com mais
frequência, o que provavelmente decorre do quadro de isolamento do nutricionista em seu ambiente
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de trabalho. Mesmo quando trabalha em equipe, devido ao acúmulo de tarefas administrativas e ao
quadro técnico insuficiente, raramente há oportunidade para reflexão coletiva sobre o cotidiano
profissional.
Os eixos reconhecimento profissional e melhores condições de trabalho e presença do
Conselho demonstram que os profissionais sentiam-se despotencializados para o enfrentamento das
adversidades e conflitos éticos em um cenário de precarização do exercício profissional e da
prestação de um serviço digno à sociedade.
Quanto à avaliação:
O Projeto Reconhecimento Profissional foi avaliado por meio da aplicação das metodologias
quantitativa, considerando os critérios de organização, local do evento, conceito e ferramentas,
divulgação, duração e palestrantes e qualitativa, contemplando os objetivos de troca de
experiências, aplicabilidade dos conceitos e ferramentas, reflexão coletiva, contribuição para
mudança no ambiente de trabalho e construção de protocolos coletivos para o desenvolvimento de
atribuições obrigatórias.
Aos participantes foram distribuídas fichas de avaliação (Anexo 7) para preenchimento
espontâneo e os dados obtidos foram compilados nas estatísticas que se seguem:
1ª oficina no Rio de Janeiro (G1RJ):
Na avaliação quantitativa os critérios organização, local do evento, conceitos aplicados e
palestrantes receberam ótima avaliação, enquanto os critérios de divulgação e duração receberam
avaliação boa. Na avaliação qualitativa, os objetivos estabelecidos foram plenamente
contemplados.
Nos comentários gerais, os participantes destacaram a importância da troca de experiências
comuns com os colegas e apontaram a questão salarial como elemento de reivindicação.
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2ª oficina no Rio de Janeiro (G2RJ):
Na avaliação quantitativa os critérios organização, local do evento, conceitos aplicados e
palestrantes receberam ótima avaliação, enquanto os critérios de divulgação e duração receberam
avaliação boa. Na avaliação qualitativa, todos os objetivos foram plenamente atingidos.
Nos comentários gerais, os participantes sugeriram a realização periódica de eventos como
este, em razão, principalmente, do crescimento pessoal e profissional, fruto da interação e da troca
de conhecimento. Também apontaram a importância de discutir coletivamente questões
convergentes relativas às condições de trabalho, experiências e desafios comuns, assim como o
aprimoramento de conceitos e o amadurecimento da relação entre o nutricionista e as entidades
representativas da classe.
3ª oficina no Rio de Janeiro (G3RJ):
Na avaliação quantitativa todos os critérios receberam ótima avaliação, exceto o item
divulgação, que recebeu avaliação regular. Durante as oficinas, evidenciou-se que, a despeito dos
esforços envidados, vários entraves de natureza hierárquica faziam com que a informação custasse a
chegar aos profissionais interessados, os Responsáveis Técnicos nas unidades de alimentação.
Na avaliação qualitativa todos os objetivos estabelecidos foram atingidos.
Nos comentários gerais, os participantes elogiaram a equipe de palestrantes formada por
consultores nutricionistas e psicológicos e sugeriram a realização periódica de eventos, mesmo que
em pequenos grupos, a fim de permitir a discussão de problemas comuns. Uma observação
importante diz respeito à construção da imagem da entidade de classe para o profissional, facilitada
pela realização de projetos desta natureza.
Registram-se muitos comentários que sinalizam a importância de cursos regulares de
aprimoramento e troca de experiências, fato que entendemos compreender uma parceria com a
Associação de Nutricionistas do Estado do Rio de Janeiro (Anerj) estabelecida em todas as etapas
deste trabalho.
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Representações gráficas referentes às oficinas do Rio de Janeiro:
a) Avaliação quantitativa:
b)
Avaliação qualitativa – compilação das respostas às seis questões constantes da ficha
de avaliação (Quadro 4):
14
Quadro 4 – Extrato da ficha de avaliação
4ª oficina no Espírito Santo (G4ES):
Na avaliação quantitativa os critérios organização, local do evento, conceitos aplicados e
palestrantes receberam ótima avaliação, o critério de duração recebeu avaliação regular,
provavelmente pela dificuldade de se ausentar do trabalho. O critério divulgação foi comparado
equitativamente com os conceitos ótimo e bom. Na avaliação qualitativa todos os objetivos
estabelecidos foram atingidos.
Nos comentários gerais, os participantes elogiaram a iniciativa do CRN-4 e sugeriram a
realização periódica de eventos como este.
5ª oficina no Espírito Santo (G5ES):
Na avaliação quantitativa os critérios organização, local do evento, conceitos aplicados e
palestrantes receberam ótima avaliação, o critério de duração recebeu avaliação regular e o critério
divulgação foi comparado equitativamente com os conceitos ótimo e bom. Na avaliação
qualitativa todos os objetivos estabelecidos foram contemplados.
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Nos comentários gerais, os participantes, em sua maioria, sugeriram a realização periódica
de eventos com esta natureza, ressaltaram a importância do compartilhamento de experiências, a
troca de ideias, a relação do nutricionista e sua entidade representativa.
Comentários importantes referem-se à sugestão de uma oficina voltada especificamente para
a área de saúde pública, com foco em atenção primária.
Representações gráficas referentes às oficinas do Espírito Santo:
a) Avaliação quantitativa:
b) Avaliação qualitativa: compilação das respostas às seis questões constantes da ficha de
avaliação (Quadro 4):
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Quanto aos desdobramentos das oficinas:
A proposta de continuidade do trabalho ocorreu de maneira espontânea e prazerosa com
troca de contatos, fotos e reuniões agendadas. Quatro encontros já foram realizados, dos quais
destacamos alguns produtos:

Compilação de protocolos técnicos existentes e, em parceria com a Anerj, elaboração
de proposta para aqueles que não dispõem deste instrumento;

Construção de um diagnóstico sobre desenvolvimento das atribuições obrigatórias
previstas nas Resoluções CFN 380/05 e 465/10 e condições de trabalho para desenvolvê-las;

Levantamento dos tipos de vínculos de trabalho nas instituições públicas com vistas
à manutenção da qualidade do trabalho independentemente da gestão política;
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Considerações Finais
Ponderando as análises das fichas de avaliação e do atendimento às expectativas, os
objetivos estabelecidos foram alcançados.
Agradecemos ao CFN pelo investimento na área de fiscalização que oportunizou o
desenvolvimento de tão rico trabalho.
Enaltecemos que o envolvimento de conselheiras do CRN-4 nas oficinas foi importante, pois
além de participarem das dinâmicas, contribuindo com suas vivências, obtiveram subsídios que
enriquecerão as discussões nas diferentes comissões e câmaras técnicas.
A parceria da Anerj e o apoio da Associação de Nutrição e do Sindicato do Estado do
Espírito Santo foram fundamentais para o sucesso da iniciativa.
A participação de funcionários de diversos setores, que foram os primeiros a acreditar na
proposta e a empenharem-se em sua concretização foi imprescindível. O brilho nos olhos e o calor
da voz de cada um sensibilizaram os nutricionistas de que valia a pena vencer os obstáculos e se
afastar de seu local de atuação por dois dias.
Este projeto propiciou à categoria e às entidades a oportunidade de debates amadurecidos e
responsáveis que não seriam possíveis em ações ordinárias e isoladas e que não só marcou
profissionais que participaram das oficinas, como também a equipe envolvida.
Por fim, aproveitamos a oportunidade para compartilhar reflexão da consultora psicóloga
Ana Tereza Camasmie que traduz um dos maiores aprendizados do CRN-4 com esta iniciativa.
Esperamos que seja tão proveitoso para o Sistema CFN/CRN como foi para nós e que possa
contribuir para melhorar as relações do nutricionista e seu Conselho.
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O Conselho não faz nada por nós?
A expressão “o Conselho não faz nada por nós” foi muito ouvida nas oficinas. Uma frase
que era dita de várias maneiras: pela voz, pelos olhares, pela ausência, pelo desânimo. O que será
que os nutricionistas queriam dizer, ou melhor, que “fazer” era este tão esperado por eles, e que
tornava o Conselho tão devedor, apesar de se considerar um “fazedor”? E quanto mais o Conselho
mostrava que “faço sim! Vocês é que não veem”, mais severo ele se tornava. Mais alto ele
precisava falar para ser ouvido por sua categoria e mais surda ela ficava. “Como eles não estão
vendo o que fazemos?” Sentimento de injustiça pela crítica que vinha justamente daqueles que não
leem a revista, nem acessam o site para ver o que está sendo feito por eles, para eles... Mas a
severidade não adiantava muito, pois ao invés de aproximar, de ganhar respeito, só promovia
afastamento e desconfiança. O Conselho, como se fosse um pai severo diante do filho rebelde que
não reconhece seu esforço, reclamava da paralisia, da dependência, da cobrança indébita feita por
eles.
Do outro lado, os nutricionistas com olhares de: “Pois sim! Faz o que? Só isso?” Sentiam-se
desamparados. E impotentes pareciam perguntar: onde está aquele que deveria nos proteger contra
os males do mundo? Das injustiças? O Conselho não vê o que está acontecendo? Desejavam um
olhar onipresente, que estivesse em todos os espaços, que punisse os maus e premiasse os bons. Que
o Conselho fosse lá à casa da Dilma dizer para ela que os salários dos nutricionistas por vezes são
menores ou iguais ao de uma empregada doméstica e que há poucos concursos públicos que
garantam estabilidade na vida. Afinal, “bons alunos de Nutrição não merecem recompensa pelos
seus esforços acadêmicos?”, “Será que escolhemos a profissão errada?” E mergulhavam num mar
de queixas de si mesmos, da profissão, do Conselho, do governo... E queixosos perdiam força e,
principalmente, visão de futuro. Não conseguiam perceber que o futuro depende de hoje, que já é o
futuro de ontem... Não viam a força que os fez chegarem até aqui.
19
Desencontros de expectativas... nutricionistas querendo receber soluções prontas e o
Conselho querendo dar... conselhos! Nada mal, pois esse é o papel mesmo de quem tem mais
experiência de vida, mas ainda não era isso o que este grupo estava precisando. O caminho que se
mostrava possível era algo ainda a se fazer, a ser construído, coletivamente, mas em qual direção?
Era preciso também pensar juntos. E assim, consultoras, Conselho e nutricionistas
desistiram de suas primeiras expectativas, de olhar somente para si mesmos e suas necessidades.
Construção coletiva requer mudança de olhar, ampliação da visão para que haja encontro de pontos
de vista. Nenhum dos três tinha a verdade absoluta. Mas havia algo em comum, a vontade de
encontrar um modo melhor de viver. A verdade que se fazia presente é que todos queriam
reconhecimento. E para reconhecer é preciso ver. Não é possível tomar conhecimento daquilo que
não é visto com respeito.
E assim, respeitosamente, num olhar conjunto, o reconhecimento mútuo deu passagem para
soluções coletivas. Através de voz que cada um pôde articular e ser ouvido, e da escuta atenta que
se deu, todos puderam criar outras possibilidades de atuação no seu cotidiano. Isso é reconhecimento profissional: conhecer de novo, de uma nova maneira, o profissional que cada um é,
para poder assim conquistar seu lugar legítimo junto aos outros.
E agora, com esse novo olhar que dá reconhecimento, poderíamos retomar a frase dos
nutricionistas: “o Conselho não faz nada por nós” e refazê-la: o que nós, que somos o Conselho,
podemos fazer por nós?
20
Referências Bibliográficas
1. Congresso Nacional. Lei 8234, de 17 de setembro de 1991. Regulamenta a profissão de
nutricionista e determina outras providências.
2. Conselho Federal de Nutricionistas. Resolução nº380/05. Dispõe sobre a definição das áreas
de atuação do nutricionista e suas atribuições, estabelece parâmetros numéricos de referência, por área
de atuação e dá outras providências.
3. Conselho Federal de Nutricionistas. Resolução nº334/04. Dispõe sobre o Código de Ética do
Nutricionista e dá outras providências.
4. Conselho Federal de Nutricionistas. Resolução nº378/05. Dispõe sobre o registro e cadastro
de pessoas jurídicas nos conselhos regionais de nutricionistas e dá outras providências.
5. Conselho Federal de Nutricionistas. Resolução nº419/08. Dispõe sobre critérios para
assunção de responsabilidade técnica no exercício das atividades do nutricionista e dá outras
providências.
6. Conselho Federal de Nutricionistas. Resolução nº360/05. Dispõe sobre a Política Nacional
de Fiscalização (PNF) no âmbito do Sistema CFN/CFN e dá outras providências.
7. Conselho Federal de Nutricionistas. Resolução nº465/10. Dispõe sobre as atribuições do
Nutricionista, estabelece parâmetros numéricos mínimos de referência no âmbito do Programa de
Alimentação Escolar (PAE) e dá outras providências.
8. Brasil. Ministério da Saúde. ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução
RDC nº 216, de 15 de setembro de 2004 dispõe sobre Regulamento Técnico de Boas Práticas para
Serviços de Alimentação.
9. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 1428, de 26 de novembro de 1993 dispõe sobre
Diretrizes para o Estabelecimento de Boas Práticas de Produção e de Prestação de Serviços na Área de
Alimentos; Regulamento Técnico para o Estabelecimento de Padrão de Identidade e Qualidade (PIQ)
para Serviços e Produtos na Área de Alimentos.
21
10. Brasil. Presidência da República. Casa Civil Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispões
sobre a proteção do consumidor e dá outras providências.
11. Freire, Paulo. Educação e Mudança. Editora Paz e Terra, 34ª edição, 2011.
12. Brasil. Presidência da República. Casa Civil Emenda Constitucional nº 64 de 04 de
fevereiro de 2010 – Altera o art. 6º da Constituição Federal, para introduzir a alimentação como direito
social.
13. Hellinger, B. Êxito na Vida, êxito na profissão: como ambos podem ter sucesso juntos.
Goiânia: Atman, 2013.
14. Mendes, R. Luzes no Caminho – Compreensões vindas do alto. Rio de Janeiro: Iralem,
2013.
15. Bolen, J.S. Las brujas no se quejan: manual de sabiduria concentrada. Kairos, 2004.
16. Krznaric, R. Como encontrar o trabalho da sua vida. Rio do Janeiro: Objetiva, 2012.
17. Sandel, Michael J. Justiça – o que é fazer a coisa certa. 6ª Edição, Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2012, 349 páginas.
22
Comissão Organizadora
Hospitais Universitários e Estaduais
Oficina 1
Participantes
Dinâmicas
Linha da Vida
Crenças
Crenças
Crenças
Crenças
Crenças
Crenças
Crenças
Hospitais Federais e Municipais
Oficina 2
Participantes
Dinâmicas
Quebra de azulejos
Quebra de azulejos
Reconstrução
Reconstrução
Construção coletiva
Construção coletiva
Alimentação Coletiva
Oficina 3
Participantes
Dinâmicas
Linha da Vida
Linha da Vida
Linha da Vida
Linha da Vida
Linha da Vida
Linha da Vida
Nutrição Clínica - ES
Oficina 4
Participantes
Linha da Vida
Dinâmica em grupo
Dinâmica em grupo
Dinâmica em grupo
Alimentação Coletiva - ES
Oficina 5
Participantes
Árvore da
vida
Dinâmica em grupo
Dinâmica em grupo
Debate
Dinâmica em grupo
Dinâmica em grupo
PERCEPÇÕES DA EQUIPE DE CONSULTORAS PSICÓLOGAS
As oficinas superaram nossas expectativas em todos os sentidos, não só pelo
aproveitamento que os participantes demonstraram nas atividades propostas, como
também pelos desdobramentos que surgiram a partir das mesmas.
Para que o trabalho alcançasse tal resultado contamos com a eficiência estrutural
do Conselho, que foi de alta qualidade. Refiro-me ao grupo técnico e administrativo que
nos ofereceu as condições necessárias para que tudo acontecesse de modo organizado e
adequado à proposta central do trabalho, que era o de reconhecimento.
Quanto aos grupos propriamente ditos, encontramos cinco perfis diferentes, o
que nos requereu bastante flexibilidade em adequar o planejamento às necessidades que
cada um apresentou. As equipes de consultores e técnica se dispuseram a realizar
reuniões diversas vezes, antes e durante as oficinas, a fim de ajustar e/ou criar novas
estratégias que alcançassem, de modo mais eficaz, os objetivos propostos.
A decisão de agrupar os profissionais por área de atuação se mostrou muito
positiva, pois possibilitou que compartilhassem dificuldades e soluções em comum, o
que estimulou a confiança em ações coletivas. Parece que essa experiência deu
condições para que se sentissem desejosos em continuar a discutir e planejar ações em
conjunto, com o apoio do Conselho.
De um modo geral encontramos dois perfis:
- Havia os queixosos, vitimados, decepcionados. Mostravam-se impotentes
diante das situações de adversidades profissionais, com ausência de recursos para
resolvê-las. Esse grupo esperava uma solução pronta por parte do Conselho, como se a
hierarquia já fosse suficiente para suprir o que falta. Esses tinham dificuldade em
refletir, elaborar perguntas ou debater um tema. Comportamento passivo, de espera, mas
desejosos de receber qualquer caminho.
- Havia os raivosos, ressentidos, defendidos. Mostravam-se desrespeitados com
as condições de trabalho, referiam-se às situações difíceis de modo inaceitáveis e assim
queriam um posicionamento de defesa por parte do Conselho. Queriam saber o que esta
entidade estava fazendo por eles, e por isso pareciam muito desconfiados diante das
propostas dos consultores. Duvidavam que o Conselho pudesse ajudá-los, como se este
já estivesse na dívida, por ser um órgão superior aos profissionais. Apesar da dúvida,
estavam ali dando uma pequena chance para eles mesmos e para o Conselho.
Comportamento reativo, de pouca entrega, mas atentos ao que estavam recebendo do
Conselho.
O caminho escolhido pela consultoria foi o de acolher esse clima e junto com os
participantes tecer uma confiança mútua para que houvesse a responsabilização de todas
as partes envolvidas. Desistir da idéia de que “alguém tem que nos salvar” possibilitou
reconhecer forças individuais e coletivas já existentes a fim de dar os primeiros passos
na direção do reconhecimento profissional.
Psic. Ana Tereza Camasmie e Psic. Simone Monteiro
EXTRATO DE CONTEÚDO TRABALHADO PELAS PSICÓLOGAS
DINÂMICA “CRENÇAS”
Hoje nosso encontro é especial porque vocês estão aqui conosco e apostaram
nessa proposta d e seu Conselho profissional. E nós estamos aqui também no mesmo
desejo de que nossas expectativas mútuas se encontrem. Viemos aqui para olharmos
juntos o caminho profissional de vocês.
Um caminho tem muitas coisas. Tem coisas boas, tem conquistas, tem lugar a
chegar, tem gente pra compartilhar e tem também as dificuldades inerentes a ele. Viemos
olhar tudo isso, sem privilegiar nenhum dos aspectos, pois isso seria recortar algo de nós
mesmos. Mas para quê viemos olhar isto?
Porque andamos na vida apressadamente, quase que sempre atrasados e não temos
tempo de olhar por nós, andando. Isso faz com que muitos machucados aconteçam
desnecessariamente, ou até mesmo quando não nos machucamos, corremos tanto que não
usufruímos a delícia do caminho. Por isso, a nossa intenção nesses dois dias é nos
dedicarmos a olhar os nossos passos, o nosso modo nutricionista de caminhar.
Eu gostaria de começar pelas dificuldades do caminho. Pelas pedras que nos
impedem de nos alegrar com nossa escolha profissional. O que será que nos impede de
seguir apesar das dificuldades que já sabemos existirem? O que será que nos deixa
paralisados mesmo quando sabemos o que poderia nos mover? O que será que nos
enfraquece?
Diante das várias dificuldades que todos os trabalhadores brasileiros enfrentam no
seu cotidiano profissional, há aquelas que os nutricionistas enfrentam... Essas
dificuldades comuns, que às vezes parecem que “é só comigo”, são, na verdade, de todos
nós.
E quanto mais eu resisto olhar para o que existe e dirijo-me para aquilo o que
deveria ser, mais intenso se torna meu incomodo. E me torno queixoso, indignado,
eternamente insatisfeito. Mas não foi sempre assim... Como será que eu fiquei desse
jeito?
Tudo isso que nos acontece hoje vem sendo construído ao longo do tempo. E
nossas insatisfações decorrem de nossas crenças não cumpridas, crenças essas que
estabelecemos como sendo essenciais ao nosso equilíbrio e vontade de viver. Por serem
tão fortes, essas crenças se tornam verdades absolutas. Perdem o caráter de transformação
e fluxo que nossa vida tem. Esse engessamento forja comportamentos. Vamos ver do
começo então?
Como se formam as nossas verdades?
Quando somos crianças, nossa possibilidade de compreender o contexto das
situações em que vivemos é muito reduzida. Principalmente porque é o momento da vida
em que nos ocupamos muito de nós mesmos, pois há a necessidade do desenvolvimento
cognitivo, emocional, que precisam de nosso tempo e dedicação. Mas a despeito da nossa
idade, é justamente na infância que nossas percepções vão tomando corpo e se tornando
verdades que nos auxiliam a entender o que acontece a nossa volta. Muitas vezes
tomamos dos adultos essas verdades prontas, muitas outras são construídas a partir das
nossas experiências, dolorosas ou não.
Pelo fato delas serem construídas nessa fase da vida, são dotadas de algo muito
importante: brotam de nossa ingenuidade, e assim, elas são profundamente ideais. Só
seriam possíveis e exequíveis se nosso mundo fosse perfeito como na imaginação da
gente.
Na medida em que a vida vai caminhando, inúmeros acontecimentos vão nos
mostrando que aquelas verdades não são tão verdadeiras assim, e nossa tendência é de
nos agarrarmos àquelas compreensões precárias mais ainda. E quando isso não é possível,
principalmente diante de algo muito intenso, como uma dor muito profunda, ou uma
percepção inquestionável, modificamos nosso comportamento, reativamente; ou seja,
com a mesma força, com a mesma importância que a nossa crença é para nós; isso é
como reagimos. E para não sofrer mais como antes, para nos defendermos desse estado
dolorido, adotamos uma nova crença, só que reativa, defensiva, a fim de lidar com a
realidade que insiste em ser diferente do que gostaríamos que fosse.
CRENÇA IDEAL
CRENÇA REATIVA (defensiva)
Embora a defesa seja boa, porque nos torna mais cautelosos, menos ingênuos,
ainda assim, nos restringem, nos limitam os movimentos, fortalecem nossos bloqueios de
agir.
Por isso, sabemos o que precisamos para sair do lugar... Mas não conseguimos ir.
Parece que falta algo, e pensamos que alguém deveria suprir o que falta, para que nós
finalmente pudéssemos andar. Enquanto isso não acontece, ficamos mergulhados na
insatisfação paralisante. Ou numa reclamação que nos exaure como se reclamar
promovesse modificações efetivas. Mas somente quando nosso incomodo é máximo, é
que nossas crenças encontram a possibilidade de se modificarem.
Nosso convite hoje é olhar para elas, compreensivamente, e nesse reconhecimento
de nossas crenças, podermos afrouxar um pouco essa ligação, a fim de retomarmos nossa
força de volta e olhar o que nos rodeia de modo mais livre. Quem sabe assim, a partir de
nossas crenças ideais e das nossas crenças reativas, não possamos encontrar crenças
reais? As que nos fortalecem para lidar com o que nos acontece aqui e agora?
Psic. Ana Tereza Camasmie
PERCEPÇÕES DA EQUIPE DE CONSULTORAS NUTRICIONISTAS
A reunião de profissionais de diversos segmentos de atuação propiciou um
espaço para maior aproximação e identificação entre os pares. A troca de experiências e
relatos do seu dia a dia pode oferecer novas possibilidades e maior visibilidade
profissional.
O conhecimento da atuação e dos diferentes papéis das entidades da categoria
possibilitou que os nutricionistas se sentissem pertencentes e não como entes isolados.
Ficou claro que a superação dos obstáculos cotidianos, que paralisam e fazem o
profissional se distanciar de seus princípios e desmotivar-se só será possível com a
conjugação de esforços.
No decorrer do trabalho, foram apresentados instrumentos direcionados à
administração do trabalho, tais como:

Instrumentalizar-se para alcançar autonomia profissional;

Conhecer e aplicar os conteúdos da legislação profissional como respaldo
para o pleno desenvolvimento das atribuições privativas e complementares por área de
atuação, com enfoque na proteção e defesa do consumidor;

Utilizar instrumentos para o desenvolvimento de pessoas, com destaque
para necessidade de melhor orientação para estagiários, conforme previsto no código de
ética;

Conhecer as instâncias de participação e controle social, as casas
legislativas, os órgãos de proteção e defesa do consumidor e o Ministério Público, que
atuam em defesa dos interesses sociais;

Multiplicar os conceitos abordados na oficina nas suas unidades de
trabalho e atua como agente de motivação de suas respectivas equipes;

Tornar o reconhecimento e a valorização profissionais visíveis.
Resultados alcançados:

Formação de grupos técnicos de trabalho para elaboração de
instrumentos de diagnóstico, controle e avaliação e desenvolvimento de programas para
o aprimoramento e visibilidade da ação do nutricionista;

Cronograma organizado para cada um dos grupos técnicos com pauta
definida de discussão;

Trocas de experiência com abertura de novas possibilidades;

Possibilidade de promoção de cursos específicos nas unidades de
trabalho pelas associações;

Foram desenhadas diretrizes para diversos protocolos de orientação do
exercício profissional por área de atuação que subsidiarão temas a serem discutidos
pelos grupos técnicos formados, além da criação de novos;

Organização de base de dados com vistas à troca de informações entre os
serviços de nutrição e as associações quanto à orientação e organização do trabalho com
estudantes e estagiários.
Nutricionistas Lúcia Andrade e Marília França
ANEXO 6 FORMULÁRIO DIAGNÓSTICO Diagnóstico situacional Quantitativo de nutricionistas,
apontando os principais nós críticos.
Comparar a estimativa de
necessidades com a oferta disponível.
Consequências para a saúde da Ações necessárias para solução do clientela atendimento/superação da deficiência prestacional Responsável(is) pela solução Quadro operacional (quantitativo e
qualificação). ANEXO 6 FORMULÁRIO DIAGNÓSTICO Existência
de apoio técnicoCondições de trabalho
(sala
do(s)
administrativo
e recursos
para
Nutricionista(s), instalações
desenvolvimento
da unidadeede
equipamentos)
negócios
(ex.: recursos oferecidos
pelo setor contábil-financeiro etc).
Autonomia técnica (impossibilidades
para concretização de metas).
AVALIAÇÃO DA OFICINA
Dia(s) em que participou do evento: ____________________
Avalie os itens abaixo, pontuando: 5- ótimo; 4- bom; 3- regular; 2-insatisfatório; 1- ruim.
Organização:
Local do evento:
Conceitos e ferramentas:
Divulgação:
Duração:
Palestrantes:
Quanto aos objetivos da oficina, assinale:
Número
1
Objetivos
SIM
NÃO
Possibilitou a troca de experiências com outros profissionais?
Os conceitos e ferramentas apresentados parecem aplicáveis
por você e/ou sua equipe de trabalho?
Despertou reflexão sobre sua relação com outros profissionais
3
e/ou estagiários?
Modificou a percepção sobre o valor/sentido de seu trabalho?
4
Contribuiu para apropriação de seu papel como agente de
5
mudança no ambiente de trabalho?
A proposta de construir coletivamente protocolos que
6
possibilitem o desenvolvimento de atribuições obrigatórias o
estimulou?
NA – Não de aplica
2
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