UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO – UFPE CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO – CAC DEPARTAMENTO DE DESIGN PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DESIGN MESTRADO EM DESIGN “ Gestão do Design: um estudo sobre os impactos da inserção do design na performance empresarial da Light Design Iluminação” Cecília dos Santos Silva | Mestranda Prof. Dra. Virgínia Pereira Cavalcanti | Orientadora Recife, Agosto de 2012 UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO – UFPE CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO – CAC DEPARTAMENTO DE DESIGN PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DESIGN MESTRADO EM DESIGN Gestão do Design: um estudo sobre os impactos da inserção do design na performance empresarial da Light Design Iluminação Cecília dos Santos Silva | Mestranda Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Design da Universidade Federal de Pernambuco como parte dos requisitos para a obtenção do título de mestre em design. Recife, Agosto de 2012 Catalogação na fonte Andréa Marinho, CRB4-1667 S586g Silva, Cecília dos Santos. Gestão do Design: um estudo sobre os impactos da inserção do design na performance empresarial da Light Design Iluminação / Cecília dos Santos Silva. – Recife: O Autor, 2012. 106 f.: il.: 30 cm. Orientador: Virgínia Pereira Cavalcanti. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Pernambuco, CAC. Design, 2012. Inclui bibliografia e anexos. 1. Design. 2. Planejamento empresarial. 3. Inovação. I. Cavalcanti, Virgínia Pereira (Orientador). II. Titulo. 745.2 CDD (22.ed.) UFPE (CAC 2012-107) Primeiramente, dedico este trabalho aos homens mais importantes da minha vida: meu pai e meu marido, incentivadores incondicionais do meu potencial. Dedico também à minha mãe: apoio e exemplo maior de dedicação e superação. E aos meus irmãos, aqueles que completam os alicerces da minha vida. | AGRADECIMENTOS Primeiramente gostaria de agradecer à Deus, por ser minha força e meu guia na busca pela realização dos meus sonhos; À Eniedson e Mônica, por terem me fornecido a base de carinho, conhecimento e educação que me trouxe até aqui; À Rodrigo, por estar sempre ao meu lado, me dando suporte e consolo, vivenciando cada momento de angústia e alegria, compartilhados na construção do nosso lar; À Professora Virgínia, pela dedicação, conhecimento compartilhado e, principalmente, paciência, que ao longo desses dois anos foi necessária para me orientar no meu tortuoso caminho da pesquisa; À Lú, Quésia, Marilinha, Gabi e Bárbara, por tornarem o dia a dia das disciplinas mais agradável e compartilharem dos mesmos medos e conquistas; À Light Design, pela disponibilidade e confiança mais uma vez depositada em mim, para estudar a sua trajetória como empresa; À Diogo, Thiago, Natália e Mateus, por constituírem a família que tanto amo; Aos meus sogros, cunhada, cunhado e amigos, que também estão sempre presentes no momentos mais decisivos de minha vida; À todos, meus sinceros agradecimentos – meu muito obrigada. Cecília | RESUMO Economia criativa, industrialização flexível, capacitação tecnológica, competitividade, era do conhecimento, recursos humanos, criatividade e inovação, orientação para o usuário, diferenciação de mercado, experiência, emoção. Estes e muitos outros são conceitos que permeiam os modelos contemporâneos de gestão para empresas produtoras de produtos de uso. O contexto de incertezas, rápidas mudanças tecnológicas, comunicação através de redes sociais, crises econômicas e o acirramento da competitividade traz para a organização a necessidade de estar a cada minuto se reinventando e aprendendo. Com habilidade em integrar diferentes fatores em uma visão holística nos seus projetos, o design desponta como forte aliado na concepção e prática de estratégias organizacionais que favoreçam a realização de inovações. Não se pode, porém, introduzir o design na empresa sem conceber uma forma de gerir sua atuação e suas contribuições. O estudo da gestão do design torna-se necessário para tirar o melhor aproveitamento da integração design-empresa. A literatura da área explora diversos modelos de integração do design na empresa, porém, poucos tratam de avaliar empiricamente esta integração. O presente trabalho utiliza o estudo de caso da Light Design Iluminação do Brasil, empresa do ramo da iluminação residencial e comercial, que declara o apontamento para o design em sua visão, para fazer uma avaliação de como a gestão do design e os investimentos em design realizados pela empresa durante um determinado período de tempo impactaram em sua performance, através do uso do modelo de avaliação proposto por CHIVA & ALEGRE (2009), modelo conclusivo de que não adianta um alto investimento financeiro em design se a empresa não possui a capacidade e a habilidade de gerenciá-lo bem. Através de envio de questionários, entrevistas, pesquisas documentais e o confrontamento com a teoria da área, este trabalho aponta direcionamentos para uma gestão do design mais efetiva na empresa em estudo e com possíveis desdobramentos para outras empresas diversas, contribuindo para uma melhoria na capacidade inovativa das empresas brasileiras. Palavras-chave: design; gestão do design; performance empresarial; inovação. | ABSTRACT Creative economy, flexible industrialization, technological capability, competitiveness, knowledge era, human resources, creativity and innovation, user orientation, market differentiation, experience, emotion. These and many others are concepts that permeate contemporary management models for companies producing products for use. The context of uncertainty, rapid technological change, social networks communication, economic crisis and intense competition brings to the organization the need to be reinventing itself and learning at every minute. With ability to integrate different factors in a holistic view on their projects, the design emerges as a strong ally in the conception and practice of organizational strategies to promote the implementation of innovations. It can not, however, enter the design in the company without conceiving a way to manage their performance and their contributions. The study of design management becomes necessary to make the best use of the integration design-company. The design management literature explores different models of the integration of design in the company, but few studies empirically evaluate this integration. This paper uses the case study of Light Design Iluminação do Brasil, branch company of residential and commercial lighting, that declares the appointment to the design in it's view, to make an assessment of how the design management and the investments in design made by the company for a certain period of time impacted on their performance through the use of evaluation model proposed by CHIVA & ALEGRE (2009), a model that concludes that does not help a high financial investment in design if the company does not have the ability to manage it effectively. By sending questionnaires, interviews, documentary research and confrontation with the area theory, this work points out directions for a more effective design management in the company and possible ramifications for several other companies, contributing to an improvement in the innovative capacity of Brazilian companies. Keywords: design; design management; company performance; innovation | SUMÁRIO INTRODUÇÃO ________________________________________________________ | 15 Objetivos da pesquisa e Objeto de estudo | 20 Metodologia Científica | 21 1. GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA, INOVAÇÃO & DESIGN E PERFORMANCE EMPRESARIAL ___________________________________ | 23 1.1 Evolução histórica | 24 1.2 A organização criativa | 26 1.3 Inovação & Design | 27 1.4 A relação entre os gerentes de design e os gerentes de negócios | 31 1.5 Performance empresarial e desempenho econômico-financeiro | 32 2. A GESTÃO DO DESIGN ___________________________________________ | 37 2.1 Origem histórica | 38 2.2 A evolução da gestão do design | 39 2.3 Contribuições do design e da gestão do design | 41 2.4 Os níveis da gestão do design | 45 2.5 Modelos de gestão do design | 48 3. METODOLOGIA _________________________________________________ | 61 3.1 A escolha do caso | 62 3.2 Eleição do “modelo-base” | 63 3.3 Adaptação do modelo | 63 3.4 Protocolo de pesquisa | 66 4. ESTUDO DE CASO – LIGHT DESIGN ILUMINAÇÃO ___________________ | 69 4.1 Histórico da empresa | 70 4.2 Construção da linha do tempo da Light Design | 75 4.3 Apresentação dos dados da pesquisa | 77 4.4 Análise dos resultados | 79 5. CONCLUSÕES __________________________________________________ | 91 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS | 97 OBRAS CONSULTADAS | 101 ANEXOS | 102 12 | LISTA DE TABELAS Tabela 01 – Etapas da pesquisa. | 22 Tabela 02 – Transição do modelo analítico para o modelo criativo de gestão. | 26 Tabela 03 – Comparação entre posturas dos designers e gerentes de negócios. | 31 Tabela 04 – Desenvolvimento histórico da Gestão do Design. | 40 Tabela 05 – Percentual de empresas que confirmam os impactos realizados pelo design nos aspectos relacionados. | 41 Tabela 06 – Comparação entre o design como vantagem competitiva e o design como competência central. | 50 Tabela 07 – Adaptações feitas ao modelo-base eleito para a pesquisa. | 64 Tabela 08 – Protocolo de pesquisa. | 66 Tabela 09 – Avaliação da Light Design realizada por seus gestores. | 77 Tabela 10 – Características da gestão do design na Light Design. | 87 13 | LISTA DE FIGURAS Figura 01 – Quadro cronológico comparativo das classificações relacionadas à gestão empresarial e do design. | 41 Figura 02 – A contribuição do design dentro da empresa. | 42 Figura 03 – Modelo Disco Integrador da gestão do design. | 49 Figura 04 – Modelo de gestão do design como competência central. | 51 Figura 05 – Síntese gráfica do modelo para design de mudanças sísmicas. | 52 Figura 06 – Modelo baseado no BSC para gestores de design. | 54 Figura 07 – Modelo conceitual. | 57 Figura 08 – Classificação das empresas segundo resultado da pesquisa. | 58 Figura 09 – Modernização gráfica e simplificação do modelo-base. | 65 Figura 10 – Linha do tempo da Light Design. | 76 Figura 11 – Síntese gráfica dos dados da pesquisa. | 85 Figura 12 – Proposta de adaptação do modelo para avaliações futuras em países em desenvolvimento. | 93 14 | LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 01 – A evolução do investimento em design durante o período avaliado. | 79 Gráfico 02 – A evolução da gestão do design na Light Design durante o período avaliado. | 80 Gráfico 03 – A evolução da performance empresarial da Light Design durante o período avaliado. | 83 15 | INTRODUÇÃO Apesar dos tempos de crise econômica mundial, que teve seu estopim com a chamada “grande recessão” no ano de 2008, com origem nos Estados Unidos, o Brasil, juntamente com os países emergentes do então chamado “BRIC” (Brasil, Rússia, Índia e China), tem conseguido manter sua economia em crescimento. A elevação dos preços de produtos primários1 exportados pelo país e o crescimento do mercado interno tem levado o mercado nacional a uma euforia de consumo, sustentando a visão otimista de que o “gigante adormecido despertou”2. Recentemente, no ano de 2011, em publicação realizada pelo Banco Mundial, o Brasil ganhou uma posição no ranking das economias mundiais, atingindo a 6ª colocação, equiparando-se a Inglaterra (juntamente com Itália, França e Rússia). Porém, como tem alertado os especialistas, este crescimento não tem se dado de forma sustentável. O Anuário Brasil Global (2011), relatório que envolve a consulta de mais de 50 especialistas, coloca a importância do investimento em diversas áreas do país para que o mesmo possa aproveitar o bom momento econômico para continuar crescendo, porém de forma sustentável. Intitulado de “8 passos para ganhar o mundo”, o relatório destaca oito pontos que devem ser evidenciados, como o investimento em educação e novos talentos, melhoria da eficiência do Estado, infraestrutura de transporte interna e externa, reforma da estrutura fiscal e trabalhista, perseguição da competitividade e redução de custos, entre outros. O setor industrial do país possui papel fundamental para o avanço da economia, assim como o desenvolvimento da nação e a melhoria da qualidade de vida da população. Portanto, como coloca o Anuário Brasil Global, investir em competitividade e redução de custos da indústria deve ser uma das prioridades do país. O crescimento do mercado interno do Brasil atrai também indústrias dos países 1 Produção através da exploração dos recursos da natureza. Os produtos primários são frutos de atividades como a agricultura, pecuária, mineração, pesca, extravismo vegetal e caça. 2 Em analogia ao termo veiculado pela mídia de que o Brasil seria um gigante adormecido. 16 desenvolvidos, pois, por estarem atravessando um momento atual de crise econômica e financeira, as empresas destes países estão tendo dificuldade para escoar a totalidade de sua produção em seu mercado interno. Deste modo, exportar seus produtos para países emergentes, ou transportar suas fábricas para tais, torna-se uma solução bastante viável e rentável, pois, no caso do Brasil, encontram uma linha de crédito ao consumo bastante ampla, uma baixa qualidade de processo produtivo local e, muitas vezes, baixa qualidade dos produtos, favorecendo a competitividade dos produtos importados, além da cultura do povo brasileiro de “valorização do que é estrangeiro”. Assim, a indústria nacional vive um momento de hipercompetitividade, onde é preciso superar não apenas a competitividade local, mas também a global, ainda mais acentuada com a crise econômica mundial. Dentro deste contexto, o design ganha cada vez mais importância, sendo que hoje é considerado por pesquisadores da área como “um ativo para o desempenho empresarial”3 (MOZOTA,2010), impactando na competitividade da indústria e na taxa de exportações, tendo participação em questões macroeconômicas, influenciando no nível de inovação e do consumo de um país. A competitividade em escala global vem tornando o papel do design cada vez mais complexo, não sendo este restringido à simples configuração de produtos, mas à configuração de sistemas, serviços, experiências, em um cenário cada vez mais fluido e dinâmico, como sugere Moraes (2010): “A simples abordagem projetual objetiva e linear, então praticada para a concepção dos produtos industriais no passado, não é mais suficiente para garantir o sucesso de uma empresa e, mesmo, para atender à expectativa do usuário atual. A complexidade hoje existente fez com que houvesse uma desarticulação entre as disciplinas e os instrumentos que orientavam o processo de concepção e de desenvolvimento dos produtos durante a solidez moderna.” 3 A expressão ativo está relacionada ao termo contábil utilizado no relatório contábil balanço patrimonial, que se divide em ativo e passivo. Ao ativo, cabe as contas que representam os bens e direitos econômicos e financeiros das empresas. Este assunto será abordado no item 1.5 do capítulo 1 deste documento. 17 No entendimento contemporâneo, o design rompe a barreira do simples “projetar o objeto” para projetar todos os “momentos de experiência” do usuário para com o objeto e também com a empresa a qual ele representa, tornando a atividade projetual do design cada vez mais complexa. Na década de sessenta, essa complexidade começa a tomar forma dentro das empresas, quando surge então o conceito de “gestão do design”, como uma forma de estudar as diversas maneiras de gerir as novas atribuições do design. O termo gestão do design (ou Design Management) tem sua origem no ano de 1966, na Grã-Bretanha, como “uma atividade que compreende ações dirigidas a possibilitar a comunicação entre os designers externos e as empresas” (FARR, apud MOZOTA,2010). Neste momento começa a se discutir a interação entre design e economia, evidenciando as contribuições advindas do papel do design na empresa como ferramenta gerencial. Em 1975 é criado o Design Management Institute, em Boston, EUA, fundado por Bill Hannon e pelo Massachussetts College of Arts, sendo hoje considerado o órgão mais atuante na área. De maneira resumida, segundo o DMI, “design management is the business side of design” (a gestão do design é o lado comercial do design – em tradução livre). Com esta definição já se estabelece para a gestão do design a união entre práticas do design e práticas gerenciais, reposicionando o papel do design a um patamar mais amplo dentro da empresa, antes restrito apenas à configuração de produtos. Ainda segundo o DMI, “em uma análise mais profunda, a gestão do design busca unir design, inovação, tecnologia, gestão e clientes para proporcionar vantagens competitivas nos âmbitos econômicos, sociais/culturais e ambientais. É a arte e a ciência de capacitar o design a melhorar a colaboração e sinergia entre design e negócios, aprimorando a eficácia do design” . (tradução livre, DMI, 2010) A contribuição em diferentes áreas da empresa agrega ao design um caráter 18 multidisciplinar, onde o designer passa a ter a necessidade de comunicar-se e atuar junto a diversos profissionais dos diferentes setores. Segundo DUMAS et al (1989), o design pode contribuir em diversos aspectos da empresa, como qualidade, estratégia e planejamento, criatividade e inovação, mudanças organizacionais e competitividade. Diversas pesquisas em gestão do design veem ratificando a importância do design para o sucesso corporativo, porém, as fontes teóricas sobre gestão do design ainda são escassas e concentradas em pesquisas realizadas nos países desenvolvidos4, que possuem industrialização mais madura, onde há uma abertura maior a modelos flexíveis de gestão. Esta concentração pode ser vista também como reflexo do gap em termos de industrialização que separa os países desenvolvidos dos países em desenvolvimento. Voltando ao contexto nacional, atualmente, a busca pelo aprimoramento da competitividade passou a ser uma necessidade brasileira emitente, favorecendo a atividade do design no país, uma vez que tais investimentos são apontados como um caminho para a diferenciação dos produtos nacionais frente aos importados, provenientes de indústrias onde a cultura do design já encontra-se em boa parte consolidada. No Brasil, apesar de ainda incipiente, é cada vez mais crescente o número de empresas que investem em design e gestão do design, estando a sua grande maioria concentradas nas regiões sul e sudeste, onde a industrialização se deu de forma mais intensa e já possui um maior amadurecimento. O caso a ser apresentado nesta pesquisa foge desta concentração geográfica, estando a indústria estudada na região nordeste, uma região historicamente importante para o desenvolvimento do país no período da colonização, mas que viu seu poder econômico decair durante o império, quando a corte portuguesa se estabeleceu na região sudeste. Nas últimas décadas, porém, em especial durante a crise econômica mundial mais recente, o Nordeste vem apresentando um crescimento econômico acima da média nacional, sendo considerado um dos fatores que contribuíram para “segurar o Brasil” na crise (BARCELAR, 2011). Este crescimento tem sido sustentado pelo aumento de crédito à 4 Entende-se por países desenvolvidos aqueles que possuem alto nível de desenvolvimento econômico e social, que possuem economia predominantemente baseada nos setores terciários e quartenários. 19 população de classes D e E, através do aumento real do salário mínimo, programa de incentivos do governo, como o “Bolsa Família”, e o aumento da oferta de empregos trazido pela instalação de novas indústrias na região. Assim, o aumento do consumo do mercado interno vem dinamizando a economia e atraindo investimentos por partes de indústrias. Recortando ainda mais o contexto desta pesquisa, dentro desta região, o Estado de Pernambuco se destaca em termos de crescimento econômico e concentração de investimentos de grande porte. Para especialistas, Pernambuco vive nesta década um momento crucial para o seu desenvolvimento, estando diante da “melhor oportunidade de desenvolvimento do Estado das últimas cinco décadas”, tendo a seu favor forças como a tradição em empreendedorismo e seu capital intelectual, porém, sendo ameaçados pelo acirramento da concorrência vinda de fora e um ambiente empresarial adverso, com alta carga tributária, pouco financiamento disponível, infraestrutura deficiente e falta de mãode-obra técnica capacitada (INTG, 2011). Assim como em todo o Brasil, uma das prioridades a serem dadas é ao investimento em competitividade empresarial, onde a inserção do design pode desempenhar papel fundamental. Dentro deste contexto, esta pequisa visa contribuir para o crescimento do conhecimento sobre a importância do design para o aumento da competitividade da empresa e suas contribuições a nível gerencial, tomando como estudo de caso uma empresa local, a Light Design Iluminação, sendo esta uma das poucas empresas pernambucanas que possui experiência na inserção da gestão do design em suas atividades. 20 OBJETIVOS DA PESQUISA E OBJETO DE ESTUDO Objetivo Geral Analisar como a implementação da gestão do design ao longo dos anos impactou na performance empresarial da empresa Light Design Iluminação. Objetivos Específicos Representar graficamente a evolução histórica da gestão do design dentro da empresa, identificando marcos importantes para o desenvolvimento da empresa proporcionados direta ou indiretamente pelo design. Avaliar a implementação da gestão do design e suas relações com o desempenho da empresa durante o período compreendido entre 2004 e 2010. Objeto de Estudo A gestão do design na Light Design. 21 METODOLOGIA CIENTÍFICA Por seu caráter científico, o desenvolvimento desta pesquisa segue modelos e técnicas reconhecidos pela comunidade acadêmica como balizadores de pesquisas científicas. A escolha do método de abordagem, de procedimento, do tipo de pesquisa, das técnicas e ferramentas utilizadas neste estudo busca potencializar o uso racional e eficiente de aspectos como o tempo disponível, os recursos financeiros, a eficácia da pesquisa, assim também como a confiabilidade das informações aqui apresentadas. Este trabalho pode ser então enquadrado dentro das seguintes classificações quanto aos métodos científicos: • Método de abordagem dialético – proposto por Hengel, este método interpreta a totalidade da realidade, não considerando os fatos de maneira dissociada de fenômenos sociais, econômicos, culturais e outros, que formam o contexto onde está inserido o objeto de estudo. Torna-se adequado a esta pesquisa, em função do cenário dinâmico e fluido em que se insere o setor de indústrias de produtos de uso e a atividade do design. • Método de procedimento monográfico – também conhecido como “estudo de caso”, este método visa entender os fatos a partir da análise de casos isolados ou determinados grupos, que possam representar a realidade de casos semelhantes (GIL,1999). A empresa Light Design Iluminação desempenha o papel de entidade única a ser estudada em profundidade nesta pesquisa. • Método de procedimento comparativo – este método permite o estabelecimento de diferenças e compatibilidades entre fenômenos, indivíduos ou grupos estudados através do estudo comparativo, possibilitando a criação de leis e correlações entre as partes comparadas. Nesta pesquisa, os dados serão comparados em grupamentos realizados através do tempo. • Método de procedimento histórico – procura, a partir do conhecimento de fatos passados, compreender a construção contemporânea. Através de análises da evolução da construção histórica, podemos gerar perspectivas futuras. Em relação à classificação do tipo de pesquisa, este trabalho pode ser classificado segundo os diferentes aspectos, da seguinte forma: 22 • Qualitativa – o objeto de estudo é indissociável do contexto em que está inserido, sendo submetido à uma análise subjetiva, impossível de ser traduzida em números, onde o pesquisador torna-se instrumento-chave. • Descritiva – com visão de descrever as características do objeto estudado, estabelecendo relações entre as variáveis que influem nos fatos analisados. Para auxiliar a pesquisa foram escolhidas as seguintes técnicas: • Pesquisa bibliográfica – utilizada para o levantamento de informações do campo onde está inserido o objeto de estudo e consolidação da fundamentação teórica; • Pesquisa documental – utilizada para buscar informações pertinentes à pesquisa nos documentos organizacionais, com foco no departamento de design da empresa; • Entrevistas – fonte de informações sobre a trajetória não documentada da entidade estudada, através de entrevistas com os gerentes responsáveis pelos departamentos da empresa. A pesquisa atendeu às seguintes etapas: ETAPA FERRAMENTAS Fundamentação Teórica - Desempenho empresarial, inovação e design - Fundamentação em Gestão do Design Escolha de modelo - Escolha e adequação do modelo a ser utilizado como ferramenta no estudo de caso. Análise histórica do design na LD - Pesquisa histórica através dos registros da empresa. - Entrevistas com profissionais da empresa que presenciaram a evolução do design. Escolha dos métodos de coleta de dados Aplicação de questionário - Elaboração de entrevista baseada no modelo - Organização de questionário de avaliação da empresa - Aplicação de questionários aos gerentes detentores do poder decisório na empresa Organização dos dados - Organização dos dados coletados na pesquisa Construção da linha do tempo - Construção de quadro visual com síntese dos dados obtidos Análise dos dados - Análise dos resultados sob a luz do modelo escolhido Conclusão - Conclusão acerca do impacto do design no desempenho da empresa. Tabela 01 – Etapas da pesquisa. A metodologia aplicada ao estudo de caso e suas etapas serão mais detalhadamente abordadas no capítulo deste documento que trata especificamente da metodologia utilizada para realizar a pesquisa. GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA, INOVAÇÃO & DESIGN E PERFORMANCE EMPRESARIAL |1 24 1. GESTÃO EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEA, INOVAÇÃO & DESIGN E PERFORMANCE EMPRESARIAL Este capítulo aborda as questões relacionadas à gestão empresarial sob a ótica das ciências administrativas e suas relações com o design. 1.1 Evolução histórica Em uma análise do futurista americano Alvin Toffler (1980), a humanidade passou pelo que ele chamou de “três grandes ondas” - uma analogia utilizada para “classificar” as formas de trabalho da sociedade e as mudanças em seus contextos históricos. Segundo o autor, a “primeira onda” foi a chamada “Revolução Agrícola”, onde o sustento da sociedade era proveniente das atividades relacionadas à terra. A predominância desta onda durou até cerca do ano de 1750 D.C., quando se esbouçou o início da “segunda onda”, junto com o despertar do mercantilismo inglês e da indústria, em um período histórico que ficou conhecido como Revolução Industrial. A primeira e a segunda Revolução industrial marcam a consolidação desta onda, denominada de “Revolução Industrial” e marcada pelas novas formas de organização do trabalho, mecanização de mão de obra e surgimento dos movimentos sociais sindicalistas. A “terceira onda”, chamada de “Revolução da informação”, forma-se a partir do advento da tecnologia da informação, com os avanços da eletrônica, telecomunicações e a popularização da internet. Através de redes sociais virtuais, o cidadão, que antes era apenas o receptor das informações veiculadas pelos meios de imprensa tradicionais, passa a ser também veiculador de informações, tudo isto sem sair de casa. A fluidez e a velocidade da informação vem mudando a sociedade desde a década de 70 até os dias de hoje, sem previsão das transformações que ainda estão por vir. MARANALDO (1989) classifica a forma de gerir as empresas em “eras empresariais”, identificadas a partir da 2ª Revolução Industrial, quando modelos de gestão se sucedem na forma de gerir as empresas ao longo das transformações históricas e tecnológicas da sociedade. As eras foram classificadas da seguinte forma pelo autor: 25 • 1920 | Era da produção em massa: modelos tradicionais de gestão baseados na administração científica e administração das relações humanas. Introdução da linha de montagem e foco na produção. • 1950 | Era da eficiência: enfoque na burocratização da administração e na excelência profissional. Predominam os modelos de administração burocrática e outros modelos tradicionais de gestão. • 1970 | Era da qualidade: nesta época a satisfação do cliente passa a ser o enfoque dos novos modelos de gestão, tomando como referências o modelo industrial japonês, modelos de gestão participativas, holísticas que buscavam aumentar a motivação dos funcionários a fim de obter melhores resultados no desempenho empresarial. • 1990 | Era da competitividade: esta fase continua a utilizar os modelos de gestão utilizados na era da qualidade, com o aperfeiçoamento da gestão através da tecnologia da informação. Satisfazer o cliente tornou-se um requisito básico, enquanto que a diferenciação passa a buscar a superação das expectativas do cliente. A valorização dos recursos humanos e o estabelecimento de parcerias com fornecedores passam a ser cruciais para a criação de vantagem competitiva nas empresas. • 2000 | Era do conhecimento: neste momento, o maior valor da empresa está em seu capital intelectual. A valorização dos recursos humanos e a flexibilização da estrutura organizacional tornam-se fundamentais para o incentivo à inovação. A chamada “industrialização flexível” é a proposta da gestão empresarial contemporânea, que se baseia na construção do conhecimento coletivo, participativo e menos hierárquico – uma organização incapaz de dissociar os elementos que compõem o complexo contexto social e econômico atual. Uma empresa que se relaciona estrategicamente com outras, através da cooperação, compartilhamento de projetos e capacidade produtiva, terceirização e outras formas de parcerias. A redução de níveis hierárquicos está baseada na busca por resultados, e não por especialidades, onde as áreas de competências são reestruturadas. A linha de montagem se volta para a redução de tempos de processamento e dos estoques, aumentando o giro do capital. O projeto de novos produtos visa facilitar a intercambialidade5 de peças, aumentando a modularidade6 dos 5 Padronização de peças para que possam se ajustar a qualquer produto que a necessite. Característica perseguida pelo Toyotismo, para padronização da produção e redução de custos. 6 “Mesmos componentes para produtos diferentes”. SÍCSU, 1995 26 componentes ainda que para produtos distintos. O trabalhador multiqualificado7 passa a ser valorizado, pois agrega ao conhecimento coletivo diferentes repertórios. (SÍCSU, 1995). 1.2 A organização criativa Reforçando a concepção da “era do conhecimento”, KONNO (2009), coloca que estamos em meio à transformação de uma “sociedade da informação” em uma “sociedade do conhecimento”, onde incorporar a criatividade passa a ser o maior desafio, onde “o valor do produto ou serviço situa-se na experiência, significado ou na descoberta do que o consumidor extrai desse produto.”. Para o autor é necessário que as empresas mudem de um “modelo analítico” para um “modelo criativo” de gestão, conforme comparado na tabela abaixo: TRANSIÇÃO DO MODELO ANALÍTICO PARA O MODELO CRIATIVO Paradigma Analítico Paradigma Criativo Mercado estável Desaparecimento e fusão das fronteiras do mercado Mudanças ambientais dentro do âmbito do mercado Mudanças dramáticas além do âmbito do mercado Posição de mercado baseado em vantagem competitiva Visão orientada para o futuro Concorrência definida Concorrência imprevisível Acumulação e proteção de recursos Desenvolvimento e internacionalização de recursos Eficácia no compartilhamento do conhecimento Necessidade de criação de conhecimento Inovação descontínua ou gradual Rotina de inovação, inovação sustentável e sistemática Importância de uma abordagem analítica, lógica e estrutural Importância de uma abordagem de raciocínio baseado em hipóteses e experiências Tecnologia da gestão para exploração (utilização da tecnologia e recursos) Tecnologia da gestão para desenvolvimento (criação e inovação de tecnologias e recursos) INOVAÇÃO CENTRADA NA CIÊNCIA E TECNOLOGIA INOVAÇÃO CENTRADA NA EXPERIÊNCIA E NO USUÁRIO Tabela 02 – Transição do modelo analítico para o modelo criativo de gestão. KONNO (2009) ROWE (apud KONNO, 2009), coloca a capacidade do design de alinhar diferentes 7 Trabalhador passa a ter uma formação diversificada, agregando em uma única tarefa conhecimentos de diversas áreas. 27 fragmentos do conhecimento simultaneamente com sistemas estéticos, culturais, sociais e tecnológicos de forma tácita. As empresas precisam então assimilar esta característica como uma de suas forças. “Como a sociedade industrial precisou de um design industrial, a sociedade do conhecimento, precisa de um design de conhecimento”. (KONNO,2009) Dentro do escopo do “design do conhecimento” o design assume o papel de mediador, conector e constituidor: mediador entre uma perspectiva social, gestão e tecnologia; conector de diferentes elementos, entre produtos, sistemas, negócios e serviços; e, constituidor de uma visão e de uma forma intuitiva de negócio, de gestão e de mercado. “O design do conhecimento não se trata de coisas ou de materiais ou de produtos, mas de eventos, fenômenos e experiências” (KONNO,2009). No paradigma da organização criativa, o talento individual dos trabalhadores é valorizado como capital intelectual. A força criativa de seus líderes, suas experiências e suas habilidades em transpor novas ideias para a realidade tornam-se a chave da produção da organização. Os acionistas podem manter o poder sobre os ativos tangíveis, mas o capital intelectual, como maior bem intangível de sua empresa, não pode ser mantido se não pela valorização de seu pessoal. Por isso a assertiva de que atualmente o maior bem de uma empresa está nos seus recursos humanos – à sua criatividade compete o papel essencial da inovação. 1.3 Inovação & design Segundo SCHUMPETER (1982), para manter o funcionamento do sistema econômico capitalista é preciso manter as economias das nações em constante desenvolvimento – produzindo e consumindo – com disponibilidade de crédito e acúmulo de riquezas. Ainda segundo o autor, um dos mais influentes economistas da primeira metade do século XX, o desenvolvimento de uma economia é definido pela realização de inovações. O desenvolvimento de inovações está intimamente relacionado com a geração de competitividade de uma economia. O entendimento desta afirmativa é visualizado através da criação de programas nacionais de fomento à inovação, estabelecidos pelos governos 28 que entendem que a inovação de uma indústria depende de uma rede de atores interligados e mutualmente afetados – produtores, usuários, fornecedores, instituições de ensino e pesquisa, organizações públicas e privadas e movimentos sociais. À chamada inovação, está atribuída a característica da realização de novas combinações produtivas ou mudanças nas funções de produção. Estas inovações podem ser classificadas em cinco diferentes formas: (1) a inovação pode ocorrer a partir da introdução de um novo bem ou de uma nova qualidade de um bem; (2) a partir de uma nova forma de produção, antes nunca utilizada no ramo em questão ou na forma em questão; (3) a partir da abertura de um novo mercado, ainda que este já existisse, mas não estava submetido a um determinado ramo de produção agora entrante8; (4) a incorporação de uma nova fonte de matéria-prima ou de um produto semi-manufaturado antes não existente no ramo da indústria em questão; e, por fim, (5) a partir do estabelecimento de uma nova organização de qualquer indústria, como a criação ou a ruptura de uma posição de monopólio. (SCHUMPETER, 1982) À classificação schumpteriana é possível estabelecer a seguinte relação: a introdução de um novo bem ou de uma nova qualidade de um bem está relacionada com o desenvolvimento de novos produtos; a inovação na forma de produção está relacionada com o desenvolvimento de novos processos; a abertura de um novo mercado e o estabelecimento de uma nova organização está relacionada com a inovação no âmbito estratégico; e, a incorporação de uma nova fonte de matéria-prima relaciona-se tanto com o desenvolvimento de novos produtos como com o de novos processos. É importante ressaltar, no entanto, que a realidade de viver sobre a linha da inovação para manter o desenvolvimento retrata a realidade de países com tecnologias altamente desenvolvidas, os chamados “países de primeiro mundo”. Para países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, é preciso falar não somente em inovação, mas também em modernização, uma vez que seu parque tecnológico, em grande parte, ainda encontra-se aquém dos pertencentes aos países desenvolvidos (SÍCSU, 1995), tornando a falta de tecnologia em um fator dificultador para o desenvolvimento de inovações. 8 Uma empresa é considerada entrante quando passa a atuar em um mercado no qual não realizava atividades posteriormente, caracterizando-se como um novo concorrente ao mercado já estabelecido. 29 Segundo a publicação “Brasil: o estado de uma nação” (IPEA9,2005), o processo de mudança técnica dos países em desenvolvimento, em geral, “se restringe à absorção e ao aperfeiçoamento de inovações geradas em outras economias”, condicionando sua vantagem competitiva a um cenário já não tão lucrativo quanto àquele que estiveram condicionadas as vantagens geradas pelos países originadores da inovação, pois “as margens de lucro iniciais foram corroídas pela expansão da produção e pela entrada de imitadores”. Para compensar essa desvantagem, as indústrias nacionais que não possuem tecnologia de ponta ou até a possuem, mas não conseguem fazer o uso eficiente dela devido à falta de conhecimento, recorrem à utilização de recursos para manter-se lucrativas, como o pagamento de baixos salários aos seus colaboradores, os benefícios de subsídios e proteções estatais de seus produtos ou o uso não sustentável de recursos naturais para a obtenção de matéria-prima a um custo mais baixo. A utilização destes recursos resultam em uma baixa qualidade de vida da sociedade local, que precisa submeter-se às condições criadas pela sua economia. Por isso, a extrema importância de aliar um programa de inovação a um programa de modernização tecnológica nos países em desenvolvimento10 – para que possam concorrer em equidade com os países desenvolvidos é preciso alcançá-los tecnologicamente ao mesmo tempo em que seu potencial intelectual e criativo é aprofundado. No Brasil, como resultado dos debates entre a comunidade científica, acadêmica, empresária e governamental, a instituição da Lei da Inovação (Lei nº 10.973, de 02/12/2004), traz como seus principais objetivos o estímulo à criação de parcerias estratégicas entre os principais atores da inovação (órgãos de pesquisa, empresas, universidades, institutos, etc.) do setor público e privado, com foco na geração de inovações; o incentivo da transferência de tecnologia gerada em instituições públicas para o setor privado, a fim de viabilizar a sua melhor exploração comercial; e estimular a geração de inovações nas empresas de todo o país. 9 Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada 10 Países que possuem uma base industrial e economia em desenvolvimento, porém grande parte de sua população possui padrão de vida entre baixo e médio. 30 Para o IPEA (2005), a principal dificuldade do Brasil na geração de inovações está na falta de capacitação tecnológica, ou seja, na falta de “usar o conhecimento disponível no processo decisório, na produção doméstica, na transferência, na difusão ou em qualquer outro mecanismo que traga incrementos à produtividade e à qualidade dos produtos e serviços” segundo definição do Centro Paula Souza, centro de capacitação técnica do Estado de São Paulo, para o termo “capacitação tecnológica”. A capacidade tecnológica é constituída então pelo conhecimento e habilidade em “know how” (saber como fazer), em “know why” (saber o porquê), “feeling” (ter sensibilidade) e “skill” (ter habilidade para fazer). É “o conjunto de competências envolvidas na transformação de insumos em produtos ou serviços, e desenvolver tecnologia significa, em suma, desenvolver formas de organizar o conhecimento para o atendimento de necessidades” (CEETEPS, 1999) É justamente neste gap11 que o design pode assumir um papel de extrema importância na geração de inovação em uma empresa: o papel inerente à atividade do design – o de mediador entre tecnologia e produto, entre empresa e usuário, entre conhecimento e prática, produção e custos. Confirmando esta importância, A IDEO, empresa líder em consultoria de design, realizou uma pesquisa com 30 projetos realizados para empresas e destacou as contribuições do design como acesso tecnológico, como processo de aprendizagem, como armazenamento e extração de ideias e como resultados. (MOZOTA,2010) Integrar o design ao processo de capacitação tecnológica traz outro benefício para o sucesso da inovação: fazer com que o mercado a aceite e adapte-se a ela. O designer possui as habilidades para integrar o consumidor ao desenvolvimento de novos produtos. “O fator-chave da inovação é a identificação e consideração das exigências do cliente em todas as funções da empresa. (…) O design é valorizado porque, por meio de suas produções (esboços, esquemas, simulações e protótipos), concretiza informações sobre o cliente e facilita a participação de todos os níveis da empresa na criação de uma cultura 11 Diferença entre. 31 voltada para o mercado”. (MOZOTA,2010) É bastante claro e evidente que o design pode contribuir em todos os níveis da empresa para a geração de inovações (as contribuições do design para a empresa serão mais profundamente relatadas no capítulo 2 deste trabalho). Porém existe uma dificuldade de relacionamento entre os gerentes de negócios e os gerentes de design que prejudicam a ascensão do design na organização, privando-a dos benefícios que esta integração pode lhes trazer. É preciso entender o motivo destas dificuldades a fim de trabalhá-las de forma a gerar resultados positivos para a empresa e, consequentemente, para a indústria, fortalecendo a economia do país. 1.4 A relação entre os gerentes de design e os gerentes de negócios A origem da dificuldade do entendimento entre os gerentes de design e os gerentes de negócios está na natureza de suas formações. Enquanto os gerentes designers trabalham sob uma perspectiva qualitativa, com foco no usuário, os gerentes de negócios orientamse através de uma perspectiva quantitativa, centrada em indicadores de desempenho. O quadro abaixo compara a postura da área do design com o da área administrativa em relação a determinados aspectos: DESIGN Assuntos Subjacentes Experiência subjetiva; realidade construída socialmente Método Experimentação baseada na iteração em busca de uma “melhor” resposta Processo Ação Orientação de decisões Emoção; modelos experimentais Valores Busca pela novidade; não gostam de um 'status quo' Nível de foco ADMNISTRAÇÃO Racionalidade, objetividade; realidade fixada e quantificável Análises com objetivos de provar “a melhor” resposta. Planejamento Lógica; modelos numéricos Busca pelo controle e estabilidade; desconforto com a incerteza Movimento ente o abstrato e Abstrato ou particular o particular Tabela 03 – Comparação entre posturas dos designers e gerentes de negócios. LIEDTKA (2010) 32 Quando se compara a postura de cada área frente aos mesmos aspectos, pode-se perceber o quanto díspares elas se apresentam. Essas diferenças não necessariamente significam um aspecto negativo para a construção da gestão bem sucedida de uma empresa, elas se fazem necessárias. O modelo analítico, como mencionado anteriormente, funcionou muito bem enquanto a informação não fazia parte do cotidiano dos consumidores e o comportamento do mercado era mais facilmente previsível. Porém, no cenário atual de incertezas, é preciso lidar com mais do que números: é preciso lidar com as pessoas. Por outro lado, não é possível simplesmente deixar ser tomado pela emoção, pois para uma organização manter-se saudável é preciso que ela gere números, mais precisamente, lucros. A mudança para um modelo criativo de gestão não sugere o abandono dos métodos precisos de avaliação dos gerentes de negócios, mas de um relacionamento emparelhado entre essas duas forças, com o propósito de criar sinergia em pró da performance da empresa. O design concretiza ideias, entende os usuários, provoca experiências, constrói protótipos e hipóteses de realidades futuras. O design produz inovação. Porém a inovação não necessariamente cria valor, e mesmo quando o faz, pode não ser suficiente para obter o sucesso. A inovação precisa ser “executável” a um custo possível, de onde possam obter retornos que justifiquem o investimento (LIEDTKA, 2010). Retratando-se a relação entre designers e gerentes, DREWS (2009) coloca que “ninguém quer que os CEO's12 façam os projetos de seus próprios produtos, nem que todos os designers cursem um MBA13. Mais importante que isto, as pessoas precisam superar antigos estereótipos e trabalhar em condições equitativas”. 1.5 Performance empresarial e desempenho econômico-financeiro Para estabelecer a relação design-negócios, sendo esta pesquisa realizada dentro da área 12 Sigla em inglês para designar Chief Executive Officer (Diretor Executivo) utilizada em sua forma original no Brasil. 13 Sigla em inglês para designar Master of Business Administration, traduzido no Brasil e Portugal como Mestrado em Gestão Empresarial, porém enquadrado como “pós-graduação Lato Sensu” não podendo ser conferido o título de “mestre” proveniente da “pós-graduação Strictu Sensu”. 33 do design, é preciso entender alguns conceitos que permeiam a linguagem administrativa e são necessários ao entendimento da avaliação da performance empresarial. Como ressaltado no tópico anterior, não só de valores intangíveis e bom design se constrói uma empresa. O maior objetivo da atividade empresarial é o de gerar lucro – sem ele todo o esforço de garantir a eficiência e a eficácia em todas as áreas da empresa terá sido em vão. Este objetivo muitas vezes é deixado em segundo plano pelos designers, que acabam entrando em conflito com os gerentes financeiros, quando um projeto é recusado por ter sido avaliado como não rentável. A falta de compreensão por partes dos designers de conceitos relacionados à avaliação contábil e financeira de uma empresa os torna limitados em termos de compreensão do todo que envolve o desenvolvimento e a introdução de um produto no mercado e o que este irá trazer de retorno para a empresa. Não se trata, no entanto, de se fazer necessário que os designers saibam como calcular todos os índices utilizados pelo setor financeiro, mas de que haja uma compreensão da função e da importância desses índices para que o poder de argumentação seja equiparado. A situação econômica e financeira de uma empresa está documentada através de seus relatórios contábeis, sendo cinco deles os principais: (1) o balanço patrimonial, que mostra a situação econômica e financeira de uma empresa em um determinado período (este período é comumente chamado de exercício), através da explicitação de todas as transações realizadas pela empresa que envolve seus bens, direitos e obrigações; (2) a demonstração de resultados do exercício (DRE), que retrata o confronto entre receitas, custos e despesas; (3) a demonstração das mutações do patrimônio líquido, que relata as mudanças ocorridas ao patrimônio líquido da empresa, assim como suas causas e efeitos; (4) a demonstração do fluxo de caixa, onde está registrada a movimentação e o saldo da conta caixa da empresa; e, por fim, (5) demonstração de valor adicionado, sendo este relatório de publicação obrigatória em caso de empresas que possuem o capital aberto (suas ações são comercializadas na bolsa de valores), pois indica o valor da riqueza gerada pela empresa e a distribuição desta riqueza entre todos os que contribuíram para a geração da mesma. (LIMEIRA, 2008) 34 Todas as empresas precisam elaborar seus relatórios contábeis para a prestação de contas junto aos governos responsáveis, porém, apenas as empresas denominadas “S.A.” (sociedade anônima) possuem a obrigatoriedade de tornar tais relatórios públicos. Como colocado anteriormente neste tópico, conhecer todas as contas e relatórios contábeis de uma empresa não é objetivo do gerente de design, portanto o presente trabalho não pretende detalhar todas as informações contábeis, mas colocar aquelas interessantes aos gerentes de design – as que demonstram o desempenho empresarial geral, relacionados à rentabilidade e lucratividade da empresa – aspectos em que o design pode impactar diretamente. Antes de conhecer os indicadores, a seguir serão listados alguns conceitos básicos que permeiam os relatórios contábeis de uma empresa e precisam ser entendidos para melhor compreensão das informações contábeis: • Gastos: todo o dispêndio financeiro realizado pela empresa – custos, despesas, perdas investimentos, gastos operacionais e não-operacionais. • Custos: gastos efetuados para realizar sua atividade-fim – diretamente relacionados com a produção dos produtos ou serviços comercializados pela empresa. • Despesas: gastos necessários para a geração de receita, mas que não estão diretamente associadas ao produto ou serviço comercializado – despesas administrativas, comerciais, gerais e financeiras. • Investimentos: gastos realizados com o intuito de expandir a atividade da empresa. • Perdas: gastos não previstos e não comuns efetuados pela empresa em um determinado período. • Gastos Operacionais: gastos relacionados ao ciclo operacional da empresa – os custos, despesas e investimentos. • Gastos Não-Operacionais: gastos não relacionados ao ciclo operacional da empresa – as perdas. • Receitas: montante gerado pela venda de bens e serviços realizados pela empresa ou pelo rendimento de aplicações financeiras. Para avaliar o desempenho final da empresa são utilizados os índices de rentabilidade e 35 lucratividade, encontrados no balanço patrimonial e no relatório de demonstração de resultados do exercício (DRE). “A rentabilidade é o reflexo das políticas e das decisões adotadas pelos administradores, expressando objetivamente o nível de eficiência e o êxito econômico-financeiro atingido” (LIMEIRA, et al, 2008). Para efeito de avaliação destes índices, quanto maiores forem os seus resultados, melhor para empresa. O balanço patrimonial retrata a estrutura patrimonial da empresa, através da apresentação da distribuição do capital da empresa. Ele está estruturado na divisão ativo – passivo. No ativo encontram-se as contas que representam os bens e direitos da empresa, ou seja, tudo o que ela possui (saldo em caixa, estoques, bens imobilizados, etc) e o que ela tem a receber por direito (duplicatas a receber, vendas a prazo, etc). Já o passivo, é constituído pelas obrigações da empresa para com seus investidores e instituições credoras que lhes forneceram algum tipo de crédito. O relatório de demonstração de resultados do exercício, o DRE, apresenta o resultado econômico da empresa, através da apresentação de deduções de receitas e despesas, evidenciando lucros ou prejuízos acumulados no exercício. (LIMEIRA, et al, 2008) A seguir serão apresentados os índices de rentabilidade mais comumente utilizados, encontrados no BP e no DRE, de acordo com LIMEIRA, et al (2008): • RPL – Rentabilidade do Patrimônio Líquido: é considerado o índice mais importante do ponto de vista dos investidores, pois avalia a rentabilidade do capital próprio investido na empresa em determinado período. Este índice é importante para estabelecer a comparação com demais formas de aplicação de capital, como a caderneta de poupança, ações da concorrência, aluguéis, entre outros, auxiliando a avaliação de qual opção é mais rentável para o investimento. Este índice é expresso através do percentual de remuneração obtida sobre o capital líquido investido. • ROI – Return On Investments ou RI - Rentabilidade dos Investimentos: é o índice que mede o “poder de ganho” da empresa, ou seja, quanto a empresa está obtendo de retorno sobre os seus investimentos totais. Através deste índice pode ser medido também o “tempo de pagamento” do investimento, ou seja, em quanto tempo o capital total investido será retornado em forma de lucro para a empresa. 36 • GA – Giro do Ativo: é o índice que indica se o faturamento gerado no período foi suficiente para cobrir o investimento total. Ele expressa a quantia vendida para cada unidade monetária investida. Os indicadores de lucratividade mais comumente utilizados, ainda segundo LIMEIRA et al (2008) são: • Margem Bruta: expressa a lucratividade gerada pelo produto ou serviço comercializado pela empresa, revelando o percentual restante do faturamento líquido para pagar as despesas operacionais e gerar lucros. • Margem Operacional: avalia o ganho operacional da empresa em relação ao seu faturamento. Mede a eficiência operacional da empresa, exclusivamente em função de suas operações normais para a manutenção da atividade-fim da empresa. • Margem Líquida: demonstra o retorno líquido da empresa sobre seu faturamento, deduzindo do lucro operacional o resultado não-operacional e os impactos do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. Entender um pouco o que os relatórios contábeis demonstram traz ao designer a compreensão do desempenho empresarial através da ótica administrativa, baseada em resultados precisos e facilmente identificáveis. Afinal, como avaliar o impacto do design nestes resultados se estes não forem conhecidos? Conhecer tais índices é de extrema importância para qualquer gerente, pois o papel de processar os dados cabe à controladoria da empresa, porém, para utilizá-los em suas tomadas de decisões cabe a cada gerente a interpretação dos mesmos. A GESTÃO DO DESIGN |2 38 2. A GESTÃO DO DESIGN Os modelos administrativos de gestão das organizações, como visto no capítulo anterior, vem evoluindo para modelos cada vez mais caracterizados pela flexibilidade, dando uma maior abertura para o posicionamento do design junto ao poder decisório da empresa. Diante desta situação, passa a ser necessário ao gerente de design incorporar aos seus conhecimentos não apenas aspectos inerentes à atividade projetual, mas também o conhecimento dos aspectos gerenciais do design e da empresa. Em paralelo aos modelos de gestão administrativos, a gestão do design vem evoluindo desde o momento em que a necessidade de gerenciar a atividade do design foi formalmente identificada. Este capítulo trata desta evolução histórica e destaca modelos de gestão do design utilizados na atualidade, que buscam consolidar a inserção do design nas diversas áreas da empresa. 2.1 Origem Histórica O aumento da concorrência e a necessidade de diferenciação de produto nos países industrializados levou um aumento da demanda aos escritórios de design, que, cada vez mais precisavam gerenciar mais projetos e estreitar as relações com as empresas contratantes. Em meados da década de 60 do século XX, na Grã-Bretanha, a função do gerente de design começa a ser identificada como necessária para o gerenciamento da comunicação entre o escritório de design e a empresa, função esta, propagada por Michael Farr. (MOZOTA,2010) Na Grã-Bretanha, surge então o conceito de Gestão do Design, quando o designer e o design começam a ser reconhecidos como fator crucial para o bom desempenho de uma indústria e de uma economia. O London's Royall College of Art e o Departamento da Gestão do Design da London Business School, chefiado por Peter Gorb, tiveram uma atuação importante na consolidação do conceito, sendo Perter Gorb considerado hoje o “pai” da Gestão do Design pelos pesquisadores da área. 39 Em 1975, é fundado o Design Management Institute, por Bill Hannon, no Massachusetts College of Art, em Boston, EUA, com o objetivo de “melhorar as organizações do mundo inteiro por meio de uma gestão do design eficaz buscando o crescimento econômico” e a missão de “ser a autoridade, o recurso e o defensor internacional da gestão do design” (DMI, 2010). Em 1986, o DMI já era reconhecido como líder de atuação na área, uma entidade independente e sem fins lucrativos, realizando trabalhos em cooperação com a Havard Business School. Hoje, o instituto continua sendo referenciado como principal centro de pesquisas na área e propagador da gestão do design, responsável pela publicação do Design Management Journal, do Design Management Review, além de conferências e seminários que promove por todo o mundo, tendo como membros os grandes exponentes da pesquisa na área. Apesar do pouco tempo do surgimento desta área, as pesquisas na gestão do design vem ganhando cada vez mais pesquisadores em diversas instituições do mundo, muito em parte graças à atuação do DMI e ao reconhecimento do valor econômico e financeiro da gestão do design por grandes empresas. Pelo seu caráter multidisciplinar, as pesquisas em gestão do design não se limitam às escolas de design, sendo muito abordada também, principalmente, em escolas de gerenciamento de negócios. 2.2 A evolução da gestão do design A compreensão da competência da gestão do design dentro das organizações vem evoluindo junto com o amadurecimento da industrialização e acompanhando as mudanças dos modelos de gestão propagados pela ciência da administração. Assim como aconteceu com as formas de produção e com os modelos de gestão das empresas, mencionadas no capítulo 1 deste documento, o papel do design foi sendo modificado ao longo das transformações ocorridas no contexto sócio-econômico pela introdução de novas tecnologias e novas teorias. Apesar das controvérsias entre os autores sobre a origem exata do design (não é intuito desta pesquisa entrar nesta discussão), é consensual dizer que o design (e o designer) passa a ter seu papel definido com o surgimento da linha de produção, na Primeira 40 Revolução Industrial e vem se modificando desde então. A tabela a seguir, mostra como o design e a gestão do design, na percepção de MOZOTA, evoluiu ao longo do tempo: Período Principal Perspectiva Papel do Design Foco da Gestão do Design Casos 1940-1950 Design como função Qualidade do produto nenhum AEG, Olivetti 1960-1970 Design como estilo Percepção de qualidade Gestão de Projeto Alessi, Braun 1980-1990 Design como processo Inovação Gestão da Inovação no Desenvolvimento de Novos Produtos (NPD) Philips, Sony 1990-2000 Design como liderança Estratégia criativa Marca Apple 2000atualmente Design Thinking Novo modelo de negócio Organização criativa IDEO Tabela 04 – Desenvolvimento Histórico da Gestão do Design, (MOZOTA,2009), tradução livre. Os dados desta tabela podem ser visualizados em comparação com a evolução dos movimentos historicamente relacionados à gestão empresarial, conforme a figura à seguir: Figura 01 – Quadro cronológico comparativo das classificações relacionadas à gestão industrial e do design. A gestão do design surge na década de 60 com o foco na gestão de projetos, quando os modelos de gestão empresariais estão focados na eficiência e na qualidade da empresa. Ainda na “era da qualidade”, a gestão do design passa a focar os processos produtivos, como forma de busca de inovações tecnológicas para o desenvolvimento de seus produtos. Em seguida, na década de 80, a gestão do design se abre para a gestão da inovação no desenvolvimento de novos produtos, uma abordagem crucial para as 41 empresas garantirem a diferenciação dos seus produtos. Na década de 90, a chamada “era da competitividade”, a gestão do design passa a atuar com o foco na marca e se eleva ao nível estratégico das organizações, onde o design é reconhecido como competência central no mais alto nível da organização, até chegar ao momento, a partir dos anos 2000, em que é proposto um “novo modelo de negócio” onde o design é instrumento de realização de mudanças dentro e fora da empresa, estimulando criação de “organizações criativas” - dando origem ao conceito de “design thinking”. Apesar da divisão didática, o processo da evolução da gestão do design não se deu de forma “anulativa”, onde uma nova perspectiva abordada anularia uma antiga perspectiva, levando ao abandono das antigas práticas. Podemos dizer que esta evolução se deu de forma cumulativa, onde uma nova perspectiva traz a ampliação da área de atuação, sendo todas elas coexistentes e necessárias para a implementação da gestão do design no mais alto nível organizacional, como veremos ainda mais adiante neste capítulo. 2.3 Contribuições da Gestão do Design Em 2001, o Britsh Design Council, da Grã-Bretanha, realizou uma pesquisa entre diversas empresas do país para verificar quais benefícios a inserção do design, da inovação e da criatividade eram reconhecidos pelas mesmas. A tabela abaixo lista o percentual de empresas que acreditam que esta inserção teve impactos positivos nos seguintes aspectos: Pontos impactados pelo design, inovação e criatividade Percentual de empresas que confirmam Aumento da rotatividade 51% Melhor imagem da empresa 50% Aumento dos lucros 48% Aumento de emprego 46% Melhor comunicação com os clientes 45% Melhor qualidade dos serviços/produtos 44% Aumento da participação do mercado 40% Desenvolvimento de novos produtos 44% Melhor comunicação interna 28% Redução de custos 25% Tabela 05 – Percentual de empresas que confirmam os impactos realizados pelo design nos aspectos 42 relacionados. British Design Council, 2001 (apud MOZOTA, 2010) Com a contribuição para o desempenho empresarial, por consequência, o design contribui para o desenvolvimento dos mais diversos setores da indústria, tendo seus impactos refletidos na economia dos países. Para MOZOTA (2010) “o design tem alguns efeitos indiretos sobre indicadores de concorrência internacional – tais como tecnologia, pesquisa e desenvolvimento (P&D) e equilíbrio comercial de negócios – mas também sobre o equilíbrio social, o bem-estar coletivo e os níveis de consumo de um país”. Isto justifica o investimento que governos de países que possuem uma indústria competitiva fazem na promoção do design em suas nações, com políticas de fomentos ao design e sua inserção na industria. Países como Grã-Bretanha, Dinamarca e Alemanha possuem fortes políticas de propagação do design em seus territórios. No Brasil, o Programa Brasileiro de Design, atua desde 1995, em uma iniciativa do Ministério do Comércio, Indústria e Exterior, promovendo a inserção do design nos diversos setores produtivos do país. A inserção do design requer uma gestão que compreenda o seu valor. Para DUMAS, et al (1989), “se a gestão do design deve permanecer como um conceito significante da gestão – e não ser descartado como uma moda passageira – ele deve causar um impacto duradouro nos interesses da administração”. Para tanto, é preciso identificar com clareza em que pontos da empresa o design pode contribuir com os resultados da performance empresarial. O autor destaca as áreas onde o design pode impactar e contribuir dentro da empresa, como ilustrado na figura abaixo: Figura 02 – A contribuição do design dentro da empresa. (DUMAS, et al, 1989) 43 Como ilustrado na figura, o autor destaca seis pontos críticos da indústria onde o design pode contribuir significativamente, sendo: (1) na qualidade, (2) no fomento à criatividade e a inovação, (3) na competitividade, (4) tecnologia, (5) na mudança organizacional e (6) na estratégia e planejamento empresarial. 1 – Qualidade: um dos pontos onde a contribuição do design fica mais evidente é na qualidade dos produtos. O princípio de que a qualidade deve ser “projetada” pelo design e não “inspecionada” pelo operador é hoje incontestavelmente aceito em todo o mundo. Já no conceito de “qualidade total” – onde todos os envolvidos na organização devem estar continuamente comprometidos com a melhoria da qualidade – ou na qualidade dos serviços – onde questões como cortesia, cordialidade e atitude são indicadores de qualidade – o papel do design não é tão óbvio quanto na qualidade dos produtos industriais. Porém, se tais características forem tomadas como questões a serem consideradas para o melhoramento do comprometimento do pessoal e cultura organizacional, o link com o design já fica mais evidente, sob o argumento de que a identidade corporativa deve estar relacionada com a cultura organizacional. 2 – Criatividade e Inovação: a atividade do design está intimamente relacionada com a criação e a produção de inovação. Toda a formação do designer está atrelada a conceber uma ideia criativa e a concretizá-la em forma de projeto, através de métodos da teoria do design. O autor coloca a criatividade como a concepção da ideia e a inovação como a concretização da mesma. Ele destaca que “o design não detém o monopólio da criatividade dentro da empresa, mas como profissionais treinados através de um pensamento criativo, os designers tem muito a contribuir para o ambiente corporativo”. 3 – Competitividade: a grande maioria dos estudos na área da gestão do design apontam a efetividade do design na melhoria da competitividade da empresa. Para KOTLER (1984), “o bom design pode engrandecer produtos, ambientes, com unicação e a identidade corporativa”. 4 – Tecnologia: a tecnologia está diretamente ligada às mudanças organizacionais e à inovação. Os gestores buscam criar uma cultura corporativa que facilite a absorção de 44 novas tecnologias. O design tem o papel mediador entre a tecnologia e a sua aplicação nos produtos, portanto, o design responsável pela adequação das necessidades do mercado às novas tecnologias e vice-versa, produzindo vantagens competitivas para empresa em um ambiente de rápidas mudanças tecnológicas. 5 – Mudança organizacional: a palavra “mudança” está presente hoje nos mais diversos estudos sobre organizações competitivas. A globalização, os acelerados avanços tecnológicos e a comunicação instantânea global caracteriza um cenário de constantes mudanças econômicas e sociais. Grandes pesquisadores afirmam que hoje, a única certeza que podemos ter, é a certeza da mudança. Então, uma empresa que não consegue acompanhar as mudanças externas e também não consegue promover mudanças internas, quando partes de um cenário competitivo, dificilmente conseguirão manter um bom desempenho empresarial. O design, como mediador entre tecnologia, inovação e identidade corporativa, possui papel fundamental na incorporação de mudanças dentro da empresa, quer seja na cultura organizacional ou na atenção de seus produtos às novas necessidades do mercado. 6 – Estratégia e Planejamento: o método do design se caracteriza pelo projeto de soluções que atendam às diversas necessidades envolvidas em um produto, desde suas especificações técnicas, como materiais e processo de produção, até projeção de custos, adequação ao usuário, tendências de mercado, etc. Então, faz parte da atividade do designer a visão global de um projeto que envolve um produto. Esta visão do todo com foco no objetivo (no caso, o produto) é a visão ideal para a formulação de estratégias e execução de planejamentos, tornando o designer capacitado para colaborar com a formulação de estratégias empresariais. Além disso, colocar o design a nível estratégico na empresa garante a penetração dos benefícios trazidos pelo design em todos os segmentos da organização, garantindo um melhor aproveitamento da gestão do design. Ainda segundo Dumas et al, a contribuição do design nestes pontos críticos da empresa se manifestam através do design de produtos (afeta o valor do produto ofertado no mercado), do design de ambientes (ambientação organizacional, design de displays promocionais e design do ponto de venda, mobiliário organizacional, etc.), do design da informação (design das formas de comunicação que a empresa usa para comunicar-se 45 externa e internamente) e através do design da identidade corporativa (“a gestão explícita de todas os meios onde a organização se apresenta através de experiencias e percepções para todas as suas audiências” (OLINS, W. 1995)). Para que estas contribuições do design sejam efetivas dentro da empresa, é necessário implementar a gestão do design de forma adequada à realidade organizacional, maximizando os benefícios gerados por esse tipo de gestão. Pesquisadores da área, dividem a implementação da gestão do design na empresa em três níveis organizacionais: a gestão do design em nível operacional, nível tático ou funcional e em nível estratégico, como veremos a seguir. 2.4 Os níveis da Gestão do Design Para uma melhor implementação e controle da gestão do design na empresa, é comum que esta seja estratificada em três níveis: o nível operacional, o nível tático ou funcional e o nível estratégico. Para MOZOTA (2010), o nível operacional é o primeiro passo para a integração do design na empresa, sendo seguido pelo nível funcional, onde há a criação de uma função do design na empresa e, em um nível mais alto, o nível estratégico, quando o design integra-se a empresa transformando e unificando a sua visão. Nível Operacional Em geral, esta é a forma por onde o design começa a ser inserido na empresa. Trata-se da natureza mais básica do design: a elaboração de projetos de design com objetivo de solucionar um problema específico. Todas as empresas possuem demandas por design, o que vai definir qual será a demanda são os objetivos da empresa. Por exemplo, para uma empresa que está iniciando suas atividades, existe uma demanda imediata pelo design gráfico, na criação de uma logomarca que identifique a empresa. Para lançar um novo produto, existe a demanda pelo design de produtos, na elaboração do projeto. Se o objetivo for diversificar em um novo mercado, existe a demanda pelo design de produto e extensão de marca (MOZOTA, 2010). Para DUMAS et al (1989) o nível operacional da gestão do design engloba os seguintes 46 aspectos: - é a natureza do processo e projeto de design; - são propostas de projetos de design dentro da empresa; - é necessário a seleção de designers a executarem tal projeto, quer seja internamente ou externamente à empresa; - é a ligação entre a gestão e o time de projeto; - implementação de sistemas de controles e documentação do projeto; - implementação de soluções de design; - avaliação de projetos de design. Neste nível, não há uma necessidade de haver um departamento de design dentro da empresa, muitos projetos podem ser executados por escritórios de design que atuam em forma de parceria com a empresa, o que “é válido para a diminuir os riscos quando se está fazendo design pela primeira vez” (MOZOTA,2010). Porém, deve haver sempre alguém “encarregado” pelo design dentro da empresa, ainda que seja apenas para fazer a ligação entre o escritório externo e a organização. Nível Tático ou Funcional Neste nível, o design não mais se limitará a projetos específicos, como no nível operacional, mas o design ganha um departamento dentro da organização que passa a atuar de forma significativa dentro da empresa, gerindo toda a demanda do design. O design então passa a ser tratado no alto nível da administração, pois é preciso garantir recursos financeiros, recursos humanos e recursos tecnológicos para o funcionamento e evolução do departamento. DUMAS et al coloca os seguintes aspectos para este nível: - garantia de recursos para o design: humanos, físicos, internos, externos, etc.; - desenvolvimento de habilidades em design; - treinamento em design; - gestão do design para processos, procedimentos e diretrizes; - departamento de design com uma localização específica, serviços, visão e objetivos próprios. 47 Nível estratégico “Neste nível de gestão do design, o gerente deve, essencialmente, criar uma relação entre design, estratégia e a identidade e cultura da empresa.” (MOZOTA, 2010). Trata-se do mais alto nível da gestão do design, quando o design está presente no mais alto escalão da empresa, auxiliando na definição da missão e visão da empresa e no planejamento estratégico, tornando a empresa em uma organização orientada pelo design. É quando ganha força o termo “design thinking”, que estabelece um novo “modelo de negócio” voltado para a cultura do design. Os aspectos que este nível engloba, foram divididos em três categorias, segundo DUMAS et al: • Fatores ambientais: - Tendências de mercado que possam impactar o design; - Tendências do design; - Legislação; - Padrões. • Manifestações físicas do design: - Identidade organizacional; - Padrões de design corporativos; - Produtos; - Ambientes; - Comportamentos; - Comunicação; • Questões internas: - Design de estratégias e políticas organizacionais; - Consciência e compreensão do design e o desenvolvimento de habilidades em gestão do design; - Integração, centralização e posicionamento na organização; - Liderança e responsabilidades do design; - Elaboração de introdução de sistemas de gestão do design; - Auditorias na gestão do design dentro da organização; 48 - Avaliação dos investimentos, impactos e contribuições do design; - Fundo para as atividades do design. Este nível requer de todos os gerentes a real compreensão do valor do design, para que as atividades sejam realizadas com seriedade e compromisso de todos os envolvidos. 2.5 Modelos de Gestão do Design Na literatura da área, podem ser encontrados diversos modelos teóricos que buscam auxiliar a implementação da gestão do design na prática das empresas. Muitos modelos possuem as mesmas características, trabalhando com variáveis semelhantes e divergem apenas na forma de abordagem ou apresentação. Os modelos apresentados a seguir foram selecionados com o objetivo de abranger diferentes perspectivas da inserção do design na empresa, expondo a pluralidade de práticas e conceitos existente na gestão do design. Os modelos foram reunidos em dois grupos distintos, sendo eles: (1) o grupo de modelos de implementação e estruturação – que agrupa três modelos que auxiliam na introdução do design na empresa e na estruturação da mesma para uma eficiente gestão do design; e (2) o grupo de modelos de avaliação e mensuração – reunindo dois modelos que auxiliam na avaliação, controle e medição do impacto do design e da gestão do design no desempenho da empresa. 2.5.1 Modelos de implementação e estruturação Neste item serão apresentados três modelos: o modelo número 1, que é bem citado nas pesquisas sobre gestão do design no Brasil; o modelo número 2, que foi publicado recentemente por Brigitte Borja de Mozota e Bo Young Kim – sendo Mozota, uma respeitável pesquisadora em gestão de design a nível mundial, conselheira do Design Management Institute, e sua obra acerca do tema citada em uma maioria absoluta das pesquisas realizadas no Brasil; e o modelo número 3, publicado no Design Management Review, que apresenta a gestão do design em uma perspectiva mais ousada. 49 MODELO 01 | Disco Integrador da Gestão do Design | MARTINS, 2004 Proposto por MARTINS (2004), o modelo do disco integrador da gestão do design foi construído com base na figura “Roda da Estratégia Competitiva” de Porter (1986) e na teoria da “Formulação de implementação da estratégia” de MINTZBERG E QUINN (2001) e é representado pela figura a seguir: Figura 03: Modelo Disco Integrador da Gestão do Design. MARTINS, 2004 Trata-se da apresentação de um modelo estratégico que coloca em foco o cliente, tanto interno quanto externo, onde o design assume o papel mediador entre os departamentos da empresa e estes clientes. 50 As variáveis internas e externas influenciam diretamente no design, sendo necessário o conhecimento e monitoramento dessas variáveis, a fim de que estas norteiem o direcionamento do design na empresa. MODELO 02 | Gerenciando o Design como Competência Central | MOZOTA, et al, 2009 Através deste modelo, MOZOTA, et al (2009) propõe a mudança de uma gestão do design como vantagem competitiva para a gestão do design como competência central da empresa. O quadro abaixo compara estas duas perspectivas da gestão do design: Do que se trata “design como competência central”? Design como Vantagem Competitiva DESIGN GESTÃO DO DESIGN QUESTÕES PRINCIPAIS Design como Competência Central . Diferenciação de produto e marca . Habilidades internas, processos e conhecimentos . Gestão do design centralizada . Dirigido por grandes empresas de produtos . Administração do design pelo CEO . Implementação de um sistema de gestão do design . Melhorando o processo liderado pelo design . Gestão do design pelo diretor de design ou diretor de criação . Construção de liderança por design tangível . Desenvolve inovação através do design . Design aproximado do branding ou P&D . Time estratégico de design para uma organização criativa . Desenvolve o design em nível de diretoria . Construção do design como valor intangível . Design como uma função independente. Tabela 06 – Comparação entre o design como vantagem competitiva e o design como competência central. (MOZOTA, et al, 2009) O modelo parte da concepção de que o design pode aprimorar os recursos capitais da empresa, através de ações de implementação específicas para cada tipo de capital, como nos mostra o gráfico que representa o modelo: 51 Figura 04 - Modelo de gestão do design como competência central. MOZOTA, et al, 2009 Para as autoras, “se o design precisa ser pensado como um recurso antes de ser uma vantagem competitiva externa, a liderança em gestão do design implicará em um aumento dos valores intangíveis da empresa, através do aprimoramento de seu capital humano, capital intelectual, capital cultural e capital tecnológico.” MODELO 03 | Design de Mudanças Sísmicas | YAMASHITA, et al, 2002 Este modelo destaca a importância do design e da comunicação no estabelecimento de estratégias para empresas, em um contexto de mudanças rápidas, bruscas ou até mesmo induzidas interna ou externamente à organização. O termo “mudanças sísmicas” foi adotado em referência aos tremores relacionados a terra, que a depender de sua intensidade, podem provocar profundas transformações no território, em uma analogia às mudanças que os avanços tecnológicos, a internet e toda a dinamicidade da era contemporânea provocam na sociedade. A figura a seguir representa o modelo gráfico proposto: 52 Figura 05 - Síntese gráfica do “Modelo para Design de Mudanças Sísmicas”. YAMASHITA, et al, 2002 O entendimento do modelo é explicado da seguinte forma: “O comportamento dos líderes de sucesso em face da adversidade pode ser capturado em um modelo composto por cinco partes. Este 'modelo para design de mudanças sísmicas' consiste em visão, comunicação, cultura, marca e experiência do usuário, e liderança. Pense nestas perspectivas como cinco lentes pela quais devem ser vistas cada meta ou desafio de uma reinvenção da organização.” YAMASHITA, et al, 2002 O modelo apresentado é pautado no importante papel da liderança como grande agente estimulador da organização, por isto a mesma está centrada no gráfico e permeia todas as áreas. A visão fica acima, pois é colocada como “ponto de partida” para todas as demais. “Design e comunicação são críticos para dar vida à uma visão, tornando-a ao mesmo tempo aspirante e concreta” (YAMASHITA, et al, 2002). A comunicação eficiente é colocado como essencial para a condução de mudanças – ela pode ser projetada para conduzir a organização ao entendimento das novas realidades. Na cultura o design e a comunicação auxiliam a visualização da estratégia, para que as pessoas possam agir de acordo com ela e assim tornar novos comportamentos tangíveis. Com uma visão clara, uma comunicação eficiente e uma cultura consolidada de acordo com a estratégia da empresa , expressar estes valores através da marca e levar os usuários a experimentarem 53 de tais valores fecha o diagrama sustentado pela liderança coordenadora de todos esses aspectos. 2.5.2 Modelos de avaliação e mensuração Muitos são os estudos encontrados sobre a forma de implementação da gestão do design dentro da empresa – a pesquisa na área fornece diversos estudos de casos que levam ao apontamento dos benefícios que a inserção da gestão do design traz para a empresa, como já relatado nos tópicos anteriores. Porém, poucos modelos atualmente se encarregam de avaliar e medir o tamanho destes impactos. Para ALEGRE et al (2009), “não há suportes empíricos sobre o impacto da gestão do design na performance empresarial”. Esta escassez, a princípio, se dá pela dificuldade de mensurar com exatidão a atuação do design e da gestão do design, e, também, pelo fato de as empresas preferirem manter o sigilo empresarial, quando se tratando de questões como decisões estratégicas e dados financeiros (para aquelas que não constituem uma sociedade anônima – SA). A seguir, serão apresentados dois modelos que tem como objetivo avaliar a gestão do design na empresa, porém com propósitos diferentes: o modelo 1, proposto por MOZOTA, utiliza a ferramenta do Balanced Score Card, para avaliar se a gestão do design na empresa e mantê-la em acordo com a visão empresarial; já o segundo modelo, proposto por CHIVA e ALEGRE, avalia o impacto dos investimentos em design sobre a performance empresarial, mediado pela gestão do design. MODELO 01 | Modelo baseado no BSC (Balanced Score Card) | MOZOTA, 2006 Criado por Robert Kaplan e David Norton, o Balanced Scorecard (BSC) trata-se de uma ferramenta de avaliação da performance empresarial, amplamente conhecida pelos gerentes empresariais, que através de quatro perspectivas permeadas pela visão estratégica do negócio, abrange objetivos de curto e longo prazo, em um entendimento holístico da criação de valor econômico de uma empresa. O sistema é colocado de forma genérica, onde cada empresa deve eleger os indicadores de desempenho mais adequados para representar cada perspectiva: a perspectiva financeira, a perspectiva dos clientes, a 54 perspectiva dos processos e a perspectiva do conhecimento. MOZOTA (2006), faz uma relação entre as quatro perspectivas do BSC com o que ela chama de “as quatro forças do design”, sendo elas: (1) design como diferenciador – design como fonte de vantagem competitiva; (2) design como integrador – design como recurso que melhora o desenvolvimento de novos produtos através da integração de grupos e atividades; (3) design como transformador – design como recurso para criar novas oportunidades de mercado e melhorar a capacidade da empresa de lidar com mudanças; e (4) design como bom negócio – design como fonte de alavancagem de vendas e margens de lucro, valor de marca, participação do mercado e melhor retorno sobre investimento (ROI). A figura abaixo demonstra este modelo: Figura 06 - Modelo baseado no BSC para gestores de design. MOZOTA, 2006 Assim como no tradicional BSC, o modelo proposto por MOZOTA mantém as quatro 55 perspectivas relacionando-as com as quatro forças do design e destaca possíveis indicadores a serem analisados dentro de cada perspectiva, salientando que tais indicadores devem ser propostos de acordo com a realidade de cada empresa. “Medir o impacto do valor do design é o fator-chave para o sucesso de designers que pretendem implementar uma estratégia de design” (MOZOTA,2006). Assim, este modelo torna comum a linguagem entre os gestores e os designers, facilitando a comunicação e o entendimento do valor do design dentro de uma empresa, facilitando a transição de uma gestão baseada em projetos para uma gestão baseada no conhecimento. MODELO 02 | Modelo de avaliação do investimento em design na performance | CHIVA, et al, 2009) Este modelo avalia como os investimentos em design impactam na performance empresarial e como esta relação é mediada pela gestão do design. Para os autores, a forma como os investimentos em design impactarão a empresa pode ser variável, estando condicionados às habilidades e talentos dos designers envolvidos. O modelo é sustentado no modelo de DICKSON et al. (1995), que conceitualiza a gestão do design “como uma grande ordem, composta por cindo fatores de primeira ordem” (CHIVA et al., 2009). Estes fatores são o resultado do agrupamento das habilidades necessárias para garantir a eficiência da gestão do design, que foram empiricamente sustentadas através de uma pesquisa entre diversos CEO's de pequenas e grandes empresas. As habilidades foram agrupadas nos seguintes fatores: • Habilidades Básicas – habilidade de gerenciar atividades básicas do processo de design, como a qualidade dos produtos, o alinhamento com a produção, adequação de custos e o aprimoramento no desenvolvimento de novos produtos, tornando mais rápida o lançamento de novidades. • Habilidades específicas – habilidade de gerenciar atividades específicas requeridas pelo processo de design, como a estimativa de custo de um novo produto, a capacidade de 56 utilizar com eficiência as mais avançadas ferramentas CAD (projeto auxiliado por computador), execução de testes de produção durante o projeto de novos produtos e captação de recursos humanos para o design com excelência em habilidades de design. • Envolvimento de terceiros – habilidade de envolver clientes e fornecedores no processo de design, atraindo novas ideias para o desenvolvimento de novos produtos. • Mudança organizacional – a habilidade de gerenciar mudanças, tanto internas quanto externas, tornando à organização flexível e facilmente adaptável à mudanças de cenários e novas realidades. • Habilidades em inovação – a habilidade de gerenciar a inovação, de forma a se antecipar ao concorrente com novas ideias ou ser capaz de reagir rapidamente à uma mudança no mercado, sem se limitar à apresentação imitações dos concorrentes. Os fatores listados por DICKSON (1995), coincidem com muitas características elencadas por MOZOTA (2009, 2003), YAMASHITA et al (2002), entre diversos outros autores da área. Estes fatores foram utilizados como base para a formulação das hipóteses que nortearam a pesquisa de CHIVA et al., resultante no modelo aqui explanado. Foram formuladas três hipóteses: 1 – A relação entre investimento em design e performance empresarial é mediado pela gestão do design; 2 – Investimento em design está positivamente relacionado com a gestão do design; 3 – Existe uma relação positiva entre a gestão do design e a performance empresarial. O gráfico a seguir ilustra o modelo propostos pelos autores: 57 Figura 07 – Modelo Conceitual. CHIVA, et al, 2005 As hipóteses foram testadas entre indústrias do mesmo setor, o de telhas cerâmicas. Segundo CHIVA, et al (2005) os maiores produtores de cerâmica em ordem decrescente são, em primeiro lugar, a China, seguida pela Espanha, Itália, Brasil e Turquia. Porém, os maiores exportadores de telhas são Espanha e Itália, em função da alta qualidade e valor agregado dos seus produtos, alcançados através da enfase em design, tecnologia e imagem corporativa. A produção destes dois países se assemelham em tamanho (setor formado em maioria por pequenas e médias empresas) e forma produtiva, formando condições ideais para a aplicação do modelo proposto e evitando variáveis estranhas a uma empresa que poderiam influenciar no resultado final da pesquisa. A pesquisa foi realizada com os gerentes das empresas espanholas e italianas do setor de telhas cerâmicas, entre Junho e Novembro de 2004, coletando informações através da aplicação de um questionário que utilizou escala de Likert de sete pontos. Os gerentes de design, foram responsáveis por responder pelas questões relacionadas à gestão do design, e, os gerentes gerais, responderam sobre o desempenho da empresa. As perguntas foram classificadas segundo os três eixos da pesquisa: investimentos em design, gestão do design e performance empresarial. A gestão do design foi analisada a partir das cinco 58 habilidades de proposta por Dickson, conforme colocado anteriormente. No eixo da performance empresarial foram levados em consideração a lucratividade da empresa, o crescimento, o tamanho e a localidade. A análise dos dados foi feita utilizando um modelo de equação estrutural, que “envolve o desenvolvimento de modelos de mensuração para definir variáveis latentes e, em seguida, estabelecer relações ou equações estruturais entre as variáveis latentes” (CHIVA et al 2005). O processamento dos dados chegou à resultados que validam as hipóteses da pesquisa. A figura abaixo sintetiza os resultados, distribuindo a classificação das empresas pesquisadas dentro do quadrante proposto: Figura 08 – Classificação das empresas segundo resultado da pesquisa. CHIVA, et al, 2005 As três hipóteses apresentadas pelos pesquisadores foram empiricamente validadas, enfatizando a importância de confrontar a gestão do design ao investimento em design, pois, para os autores, não é uma questão de quanto se investe em design, mas de como se investe. 59 A pesquisa ainda ressalta suas limitações, em função da falta de dados precisos e do curto espaço de tempo que durou a pesquisa. METODOLOGIA DA PESQUISA |3 62 3. METODOLOGIA Após o momento de caráter exploratório da pesquisa, onde foi realizada a revisão bibliográfica que consolidou a fundamentação teórica, foi dado início ao delineamento do plano de pesquisa que veio a guiar a coleta de informações com foco nos objetivos a serem atendidos. A escolha da empresa a ser estudada como caso, o modelo de avaliação escolhido como base para a realização da pesquisa, bem como as adaptações necessárias à aplicação do modelo serão detalhadas nos itens à seguir. 3.1 A escolha do caso A escolha da empresa Light Design Iluminação como caso único nesta pesquisa se deu por suas características favoráveis à realização da mesma, tais como: - A empresa atua no setor industrial de iluminação brasileira, atuando nos grupos setoriais de Iluminação Comercial e Iluminação Decorativa e Residencial, segundo classificação da ABILUX14; - A empresa possui fábrica sitiada no estado de Pernambuco e possui showroom de seus produtos em 16 estados do país e também no exterior, nas capitais europeias Lisboa e Londres; - A empresa é pioneira no Estado em inserção do design, possuindo departamento próprio de design; - A empresa possui produtos com selos de prêmios nacionais e internacionais; - A pesquisadora possuiu vivência como colaboradora da empresa dentro do departamento de design por um período de 1 ano e 8 meses, facilitando o entendimento da cultura organizacional, conhecimento de pessoal e o acesso às informações. Tais fatores favoreceram a escolha da empresa atendendo aos objetivos propostos desta pesquisa e ao desejo da pesquisadora de contribuir para o conhecimento da indústria local. 14 Associação Brasileira da Indústria de Iluminação 63 3.2 Eleição do “modelo-base” Para atender ao objetivo de avaliar a inserção do design e da gestão do design dentro de uma empresa, foi eleito o modelo de avaliação proposto pelos autores CHIVA e ALEGRE (2009) como “modelo-base” para a elaboração da pesquisa. Como retratado no capítulo anterior, este modelo possibilita resultados mais precisos em termos de avaliação da gestão do design, gerando dados que podem ser utilizados para justificar o investimento em design dentro da empresa. Ao relacionar investimento em design, gestão do design e performance empresarial, este modelo traz informações relevantes não apenas para os gestores diretamente ligados ao design, mas para todos os gerentes, inclusive a alta direção e o setor financeiro. Em comparação aos demais modelos expostos, este modelo é o que melhor atende aos objetivos da pesquisa, pois é o único que inclui a performance empresarial e seus indicadores como uma das variáveis a serem consideradas na avaliação dos impactos da gestão do design na empresa. Para a utilização do modelo nesta pesquisa, foi necessário realizar adaptações para que o mesmo se adequasse a realidade da disponibilidade de dados da empresa, resultando em uma simplificação do modelo. A restrição em relação aos dados contábeis realizado pela empresa em estudo, minimiza a precisão de parte dos resultados, porém não invalida o modelo simplificado, uma vez que o modelo referência de CHIVA e ALEGRE (2009) também obteve resultados imprecisos devido à não disponibilidade dos dados contábeis reais por parte das empresas estudadas. Esta dificuldade será expressa nesta pesquisa, porém, as empresas podem se beneficiar deste modelo aplicando-o internamente, sem que haja publicação de dados, para alcançar uma avaliação precisa. 3.3 Adaptação do Modelo-base O modelo de CHIVA e ALEGRE (2009) tomado como base para o modelo de avaliação da 64 empresa Light Design foi adaptado ao contexto desta pesquisa, de forma que o objetivo principal do modelo fosse mantido – o de avaliar o papel mediador da gestão do design entre a relação dos investimentos em design e a melhora da performance empresarial. O quadro abaixo lista as diferenças existentes entre os dois contextos: Modelo CHIVA, ALEGRE (2009) Adaptação ao modelo Considerado um curto espaço de tempo, apenas 1 período Considerado um largo espaço de tempo, compreendendo 7 anos Pesquisa setorial – realizada com diversas empresas do setor Pesquisa interna – realizada com apenas uma empresa Foco: validar as hipóteses propostas Foco: avaliar a evolução da empresa em relação às hipóteses Tabela 07 - Adaptações feitas ao modelo-base eleito para a pesquisa. A tabela 07 mostra as principais diferenças que justificam as adaptações ao modelo-base, para que ele sirva como instrumento eficaz diante da realidade desta pesquisa. A principal diferença encontra-se na mudança de foco, quando, consideradas as hipóteses propostas pelos autores do modelo tomadas como validadas, o foco passa a ser o de utilizar tais hipóteses para avaliar a evolução da prática e do desempenho da empresa. O período escolhido para a avaliação da pesquisa está compreendido entre os anos de 2004 e 2010. Esta escolha foi realizada ao constatar-se que este período foi representante significativo da atuação do design dentro da empresa, quando o departamento já pertencia oficialmente ao organograma da empresa como departamento independente do marketing. Por falta de dados precisos para o preenchimento do questionário de avaliação (não há índices de controle para todas as variáveis na empresa), a avaliação foi baseada na percepção e experiencia de seus gestores. Dessa forma, os resultados analisados não representam fatos comprovados e mensurados, mas tendências observadas pelos gestores hora mencionados. O modelo adaptado foi graficamente expresso conforme a figura a seguir: 65 Figura 09 – Modernização gráfica e simplificação do modelo-base. Adaptado de CHIVA, et al, 2005 O gráfico foi modernizado e simplificado, com apenas uma alteração funcional: as variáveis “localização” e “tamanho” foram representadas por uma marcação tracejada, pois, apesar de influenciarem diretamente na performance empresarial da organização, elas não foram avaliadas de forma periódica na pesquisa, como as demais variáveis, uma vez que não houve possibilidade de estabelecer uma comparação com a concorrência devido à falta de dados. Ainda assim, estas variáveis foram levadas em consideração para realizar alguns pontos da análise da pesquisa de uma forma geral. A análise histórica da inserção do design na empresa e dos marcos da gestão do design, foi representada graficamente através de uma linha do tempo, construída com o objetivo de facilitar a visualização e compreensão da trajetória da empresa. Em seguida, foi realizada a construção de gráficos de linha, traçando a evolução de cada variável apresentada no modelo, baseada no questionário de avaliação enviado aos gerentes da empresa. Por fim, à linha do tempo, foi adicionado o gráfico de linha que apresenta a evolução dos três eixos da pesquisa, durante o período o período estabelecido, compreendido entre os anos de 2004 e 2010, finalizando este trabalho com a síntese gráfica de todas as informações obtidas e analisadas sobre a empresa, tendo assim sido geradas as conclusões e direcionamentos conclusivos. 66 3.4 Protocolo de Pesquisa O protocolo de pesquisa seguiu o modelo escolhido para a avaliação da gestão do design, tomando como base o questionário proposto por CHIVA e ALEGRE (2009), realizando pequenas alterações necessárias à adaptação do modelo, como descrito no tópico anterior deste trabalho. A tabela abaixo demonstra os itens a serem analisados dentro dos três eixos do modelobase: gestão do design, investimento em design e performance empresarial, avaliados anualmente entre o período dos anos de 2004 e 2010. EIXO CARACTERÍSTICA Capacidades Básicas Capacidades Específicas GESTÃO DO DESIGN Envolvimento de Pessoal Mudança Organizacional Capacidade de Inovação Garantia de recursos para o design INVESTIMENT O EM DESIGN FERRAMENTA DE AVALIAÇÃO Qualidade do produto .Reclamações do cliente .Devoluções Qualidade da produção .Desperdício .Retrabalho .Tempo Baixo Custo .Desperdício .Retrabalho .Tempo . Projeto .Tempo . Investimento Rapidez no projeto e lançamento de novos produtos Estimativa de custo de novos produtos Habilidade em novas ferramentas de CAD Teste de produtos em desenvolvimento Seleção de profissionais capacitados em design Envolvimento de pessoas de diferentes áreas no processo de design com colaboração de idéias Envolvimento de fornecedores . Treinamentos . Área de testes . Tempo . Profissionalismo .Capacitação .Abertura .Parcerias Capacidade de gerenciar mudanças Estrutura organizacional favorável Comunicação entre os departamentos Habilidade em gerenciamento de inovação (capacidade de reagir e ser proativo em relação à concorrência) Conhecimento constante da empresa e de seus concorrentes Estímulo à criatividade . Liderança Investimentos em processo . Tecnologia de produção . Novos materiais . Contratação . Capacitação Investimentos em pessoal Investimento em estrutura . Organograma . Comunicação .Novos produtos .Posicionamento estratégico no mercado . Benchmarketing . Equipamentos . Ambiente de trabalho LOCAL DA INFORMAÇÃO 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 67 Lucratividade Crescimento interno PERFORMANC E EMPRESARIAL Economia Local Tamanho . Lucro anual . Crescimento de produção . Crescimento (tamanho) . Evolução da economia do setor . Tamanho da empresa Tabela 08 – Protocolo de pesquisa A coleta de dados foi realizada através de entrevistas pessoais com os gerentes diretamente relacionados à atividade do design na empresa, tendo como base o protocolo de pesquisa. Também foi enviado o questionário de avaliação segundo o modelo (Anexo I) aos gerentes que compõem o poder decisório dos departamentos e da empresa. ESTUDO DE CASO – LIGHT DESIGN ILUMINAÇÃO |4 70 4. ESTUDO DE CASO – LIGHT DESIGN ILUMINAÇÃO 4.1 Histórico da empresa Fundada em 1974, no Rio de Janeiro, pelo lighting designer Nils Ericson, a Light Design do Brasil surgiu da necessidade de criar equipamentos de iluminação que atendessem as demandas de projetos de iluminação do mercado. Trazendo como elemento central em seu conceito os benefícios da iluminação indireta (luz de rebatimento) a marca é voltada para o que foi denominado de “iluminação arquitetural”, onde o efeito da luz no ambiente é priorizado em relação à construção formal da luminária. No início da década de 1990, os irmãos pernambucanos Marco Caetano e Sílvia Caetano integram-se à sociedade da empresa e transferem a unidade fabril para a capital pernambucana, Recife, beneficiando-se de incentivos fiscais oferecidos pelo Estado na época. O sócio Marco Caetano, engenheiro, fica então responsável por todo o setor de produção da empresa, enquanto os demais sócios atuam na área de projetos e ficam à frente das lojas Light Design nos estados do Rio de Janeiro e Brasília. Quando iniciou suas operações em Recife a empresa contava com um quadro de 21 funcionários e um sóciodiretor atuando diretamente em sua unidade fabril. A princípio, os projetos de produtos eram executados baseados na experiência do sócio fundador da empresa, que contava apenas com seu senso apurado e olhar observador para identificar as necessidades dos projetos luminotécnicos. O organograma da empresa contava com uma estrutura enxuta, dividida nos seguintes departamentos: Administrativo, Comercial, Produção e Marketing & Design, todos ligados diretamente pelos seus gerentes à alta direção da empresa. Em 1997, um escritório de design brasiliense foi contratado para desenvolver novos produtos, introduzindo-nos na linha de produção ainda no mesmo ano. No ano seguinte, em 1998, a Light Design contratou o primeiro designer a fazer parte do quadro da empresa, ainda mantendo a parceria com o escritório de Brasília, que durou até o ano de 1999. Ainda neste ano, com o incentivo financeiro do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), montou-se uma estrutura embrião do que hoje 71 é denominado Departamento de Design. O designer efetivo da empresa, juntamente com o escritório de design externo, conquistou, em 2001, o Prêmio CNI em Gestão do Design, oferecido pelo Confederação Nacional da Indústria, em reconhecimento ao processo de desenvolvimento de novos produtos praticados pela empresa. O principal motivo para o investimento em design declarado pela empresa foi o da busca pelo desenvolvimento de produtos próprios com qualidade e para obter uma redução de custos de produção. Em 2002, com a contratação de dois estagiários do curso de design da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o grupo era chamado apenas de “Design”, sendo ainda parte integrante do departamento de marketing da empresa. Em 2004, com a contratação efetiva dos estagiários como designers profissionais, foi consolidado no organograma da empresa o Departamento de Design, separando-o do departamento de marketing, passando a ter gestão e recursos próprios. As atribuições iniciais do departamento de design eram de adequar os desenhos elaborados pelo escritório de Brasília para a produção adequada à tecnologia de produção da fábrica. Em seguida, passou-se a criar produtos atendendo à demanda exclusiva da loja de Brasília, atendendo às necessidades identificadas pela sócia residente da capital federal Sílvia Caetano. No ano de 2008, o departamento de design deu início a um processo de treinamento para adequação do desenvolvimento de produtos à normatização ISO 2008. O objetivo é o de garantir e documentar o processo de desenvolvimento de novos produtos de forma uniforme dentro da empresa. A princípio, a adequação à ISO começou a ser realizada pelos designers e estagiários do departamento, que reservavam parte de suas horas de trabalho para dedicar-se à construção conjunta do Manual SGQ (Sistema de Gestão da Qualidade do Departamento de Projeto). 72 É importante ressaltar a denominação “departamento de projeto” presente no manual, diferindo da denominação declarada por gerentes e apresentada no histórico de “departamento de design”. Esta discordância será abordada no item 4.4 deste documento. Em 2010, foi contratada uma estagiária do curso de design que ficou encarregada exclusivamente de dar andamento ao processo de normatização, porém, este processo ainda não foi concluído. Há uma previsão da integração de um estudante do curso de administração para atuar nesta área, em substituição à estagiária de design, hoje desligada da empresa. Esta posição reforça o objetivo de perseverar na busca pela normatização dos processos por parte da gestão do departamento. Atualmente, o departamento desenvolve produtos baseados em pesquisas de necessidades do mercado, estudos de viabilidade e retorno de investimento de novos produtos, além de investir também no treinamento dos envolvidos em todo ciclo do produto, desde a linha de produção até o cliente lojista, que estabelece o contato direto com o usuário. Os gerentes da empresa reconhecem que após a criação do departamento de design a empresa avançou no desenvolvimento de produtos e na qualidade, ampliando o mix de produtos e conquistando maiores fatias de mercado com foco em um público exigente, competindo no segmento de alto padrão da iluminação. Diante da breve análise histórica da empresa, é possível identificar como foi o processo de inserção do design e da gestão do design na empresa, destacando o papel incentivador do Estado, que através de políticas públicas, incentivam as empresas a investirem em design e a produzir inovação. Para MOZOTA (2010), “O governo pode desempenhar um papel proativo no estabelecimento de um sistema que sustente o desenvolvimento do design na economia”. Esta relação é de extrema importância para ambos os interessados: o governo, que através do design aumenta sua taxa de exportação e o desenvolvimento da competitividade de sua indústria; o empresário, que pode aprimorar a qualidade de seus produtos e aumentar a sua rentabilidade; o designer, que consolida a sua profissão e abre cada vez mais campos de atuação para o segmento; e, o cliente, que passa a dispor de 73 produtos cada vez melhores, mais competitivos e mais acessíveis. Estabelecendo o paralelo com a literatura da área da gestão do design, o caminho adotado pela empresa para inserir as práticas do design foi feito através da parceria com um escritório de design externo, prática preconizada como a mais barata e segura para empresas não conhecedoras de design (MOZOTA,2010). Em seguida, houve um período de transição, com a contratação de um designer interno e a manutenção da parceria com o escritório externo, até que o grupo responsável pelo design consolidou-se dentro da empresa, passando ele próprio a gerir todas as atividades do design, tornando-se independente do escritório externo e aprimorando suas práticas de gestão do design até hoje. Semanalmente, o departamento de design realiza a reunião multidisciplinar, onde representantes de todas as áreas que se relacionam com o produto dentro da empresa se reúnem para acompanhar e discutir problemas relacionados ao funcionamento de produtos, defeitos em linha de produção, dificuldades em montagem, projetos de novos produtos, prazos, testes, etc. Nesta reunião estão presentes: o coordenador de design, juntamente com todos os designers e prototipistas, o coordenador do departamento comercial, o encarregado pelos custos dos produtos, o coordenador do departamento e o encarregado da inspeção da qualidade dos produtos da empresa. A interação de diferentes áreas da empresa em pró do desenvolvimento e acompanhamento de produtos é uma fortemente defendida pela literatura em gestão do design (MOZOTA, 2010; KIM, et al, 2008; LEE, et al, 2007). Desde a inserção do design, a Light Design veio adquirindo reconhecimento nacional e internacional através das premiações conquistadas por seus produtos e por seu sistema de gestão. Luminárias como o Sistema Delta, Sistema St5, Trama, Linear, entre outras, foram reconhecidas por prêmios locais, como o Pernambuco Design15, e nacionais, como o Idea Brasil16. Já as luminária Arind, Orus e o sistema Inside, foram premiadas internacionalmente pelo If Product Design Award17, premiação respeitada considerada o 15 III Salão Pernambuco Design, 2008. Sistema St5 recebeu troféu destaque na categoria “utensílios e pequenos objetos”. A luminária tipo balizador Thor, também foi selecionada para a mostra. 16 Prêmio Idea Brasil, edição de 2010. A luminária tipo pendente Space recebeu a medalha de bronze. 17 If Product Design Award, sediado na Alemanha, é considerado a premiação mais importante do design de produtos industriais do mundo. As luminárias Arind, Orus e a linha Inside receberam o selo da premiação na 74 “oscar” do design mundial. Estes e outros prêmios conquistados reconhecem a seriedade com que o design é tratado no desenvolvimento de produtos. O design não está apenas presente nos produtos – através da definição de sua missão18, que é “oferecer soluções de iluminação com qualidade e design” a Light Design coloca o design explicitamente em seus objetivos estratégicos. A visão19 da empresa foi, por todo o período avaliado, norteada pela meta de “ser referência de empresa brasileira que oferece soluções de iluminação para o mercado interno e externo”, tendo sido recentemente modificada para “ser a referência de iluminação no Brasil”. A visão e missão da empresa são direcionadas através dos valores propagados pela mesma. LOBATO, et al (2009), define os valores de uma organização como “crenças básicas para a tomada de decisão na empresa. (…) que precisam ser transformados em comportamentos específicos e atitudes”. A Light Design declara como valores a ética, a valorização do ser humano, a sustentabilidade ambiental, a qualidade, a lucratividade e a inovação. Em se tratando de inovação, os gerentes dos departamentos, em entrevista concedida para a pesquisa, avaliam a empresa como inovadora, pois desenvolvem seus próprios produtos, e já foi reconhecida como tal, através de premiações já mencionadas. Porém, como grande parte da indústria brasileira, a Light Design não está à frente das inovações em seu setor devido à sua limitação tecnológica20. O design dos produtos precisa ser adaptado à tecnologia disponível na unidade fabril, limitando assim a criatividade na realização de inovações. Para alcançar a sua nova visão de futuro, “ser a referência de iluminação do Brasil”, vencer a barreira da limitação tecnológica será o grande desafio da empresa, que atualmente está buscando sanar este ponto fraco através de uma fusão com a fabricante de luminárias portuguesa, Exporlux, detentora de um parque tecnológico muito superior ao da Light edição de 2008. 18 “Uma declaração de propósitos ampla e duradoura que individualiza e distingue a organização em relação a outras no mesmo ramo de negócio”. LOBATO, et al, 2009 19 “Expressa a maneira pela qual a organização deseja ser reconhecida no futuro, uma espécie de sonho que deve ser viável na implementação e ter um conteúdo altamente inspirador e positivo, que motive toda a organização em torno da construção do futuro almejado. (…) É a imagem projetada para longo prazo.” LOBATO, et al, 2009 20 Ver capítulo 1, item 1.3 deste documento. 75 Design, mas não possui o know-how21 em design de produtos que a brasileira traz consigo. 4.2 Construção da linha do tempo da Light Design Com base na coleta de dados sobre a evolução histórica da Light Design apresentada no item anterior, foi desenvolvida uma síntese gráfica em forma de “linha do tempo” para estabelecer uma melhor visualização dos fatos relatados em ordem cronológica. A construção da linha do tempo tem por objetivo, também, auxiliar na compreensão da evolução histórica da inserção do design e da gestão do design na empresa. A seguir, a linha do tempo elaborada pela autora desta pesquisa: 21 Experiência. Figura 10: Linha do tempo da Light Design. 76 77 A linha do tempo está dividida em três partes: antes da criação oficial do departamento de design (1974-2004), o período que compreende o avaliado pelo questionário (2004-2010) e, o período mais atual, do ano de 2011 até a atualidade. Ligados diretamente à linha que faz a marcação cronológica, quadros relatam a ocorrência de fatos importantes que contribuíram para a construção da gestão do design. Abaixo da linha, eventos externos, como incentivos fiscais e prêmios conquistados por produtos, foram dispostos de forma alinhada com o ano de ocorrência. Os fatos externos foram de extrema importância para a inserção e a consolidação do design e da gestão do design na Light Design. A quantidade de funcionários participantes do quadro da empresa foi apresentada no ano de 1990, ano em que a fábrica se estabeleceu no estado de Pernambuco, e em 2012, retratando o quadro atual da empresa, destacando o crescimento físico da Light Design. A visão e a missão ficaram acima da linha, por serem as norteadoras dos objetivos da empresa. 4.3 Apresentação dos dados da pesquisa As informações a serem apresentadas foram obtidas através do envio de questionário (Anexo I) aos gestores dos departamentos da Light Design. Cada gestor respondeu sobre o item a que estava dentro de suas competências. A tabela a seguir apresenta o resultado das avaliações realizadas pelos gestores sobre a empresa: 1. INVESTIMENTO EM DESIGN NOTAS Investimento em Design 2. GESTÃO DO DESIGN HABILIDADES BÁSICAS Design da qualidade dos produtos 2004 7 3,9 2004 4,5 4 2005 7 2006 7 2007 7 2008 6 2009 7 2010 5 4,35 2005 5,75 5 4,7 2006 6 6 5,05 2007 6,5 6 5,27 2008 6,5 6 5,62 2009 6,5 6 5,75 2010 6,5 6 78 Design para fácil produção Design para baixo custo Design para velocidade de novos lançamentos HABILIDADES ESPECÍFICAS Uso de ferramentas CAD com eficiência Estimativa de custos de novos produtos próximos ao real Captação de pessoal com excelência em habilidades de design Teste de produtos durante o processo de design ENVOLVIMENTO DE TERCEIROS Envolvimento de clientes no processo de design Envolvimento de fornecedores no processo de design Captação de novas ideias através dos clientes MUDANÇA ORGANIZACIONAL Mudança de formas tradicionais de realizar tarefas Variedade de funções, trabalho colaborativo Substituição contínua com projetos simultâneos HABILIDADES EM INOVAÇÃO Encontrar novas ideias de design, não apenas imitações Rapidez no conhecimento de inovações ou imitações dos concorrentes 4 6 6 7 6 7 7 7 7 7 7 7 7 7 4 5 5 6 6 6 6 4 4 4,5 4,75 5 5,25 5,25 6 6 7 7 7 7 7 3 3 4 4 5 5 5 3 3 3 3 3 3 3 4 4 4 5 5 6 6 3 3,67 3,67 4,67 5 5,67 5,67 2 3 3 4 5 5 5 4 4 4 5 5 6 6 3 4 4 5 5 6 6 4 4,33 4,33 4,33 4,33 4,67 5,33 4 5 5 5 5 5 6 4 4 4 4 4 5 5 4 4 4 4 4 4 5 4 4 5 5 5,5 6 6 4 4 5 5 5 6 6 4 4 5 5 6 6 6 4,5 4,67 4,84 4,84 4,84 5 5,17 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 DIMENSÃO DO CRESCIMENTO 4 4,33 4,67 4,67 4,67 5 5,33 Posição de vendas em relação à concorrência 2 3 4 4 4 5 6 Satisfação com a taxa de crescimento das vendas 5 5 5 5 5 5 5 Ganho de mercado em relação aos concorrentes 5 5 5 5 5 5 5 DIMENSÃO DA LUCRATIVIDADE 5 5 5 5 5 5 5 Satisfação com retorno de investimento 4 4 4 4 4 4 4 Lucro líquido em relação aos concorrentes - - - - - - - Posição do ROI em relação aos concorrentes - - - - - - - Satisfação com retorno de vendas 6 6 6 6 6 6 6 Posicionamento da liquidez financeira - - - - - - - 3. PERFORMANCE EMPRESARIAL 79 em relação aos concorrentes Tabela 09 – Avaliação da Light Design realizada por seus gestores. As notas foram dadas com base na escala Lickert apresentada para cada eixo, conforme texto que pode ser consultado no Anexo I. Os valores podem variar entre 1 e 7, sendo a avaliação positiva elaborada de forma crescente, onde o numero 7 representa os melhores resultados e o número 1, os piores. 4.4 Análise dos resultados Primeiramente, os resultados obtidos através do questionário de avaliação foram analisados separadamente por eixo, apresentados a seguir. Posteriormente, uma comparação do questionário de avaliação em confronto com a linha do tempo relaciona os dados aos fatos ocorridos, favorecendo a uma compreensão holística do impacto da gestão do design no desempenho da Light Design. Investimento em Design O gráfico abaixo apresenta a curva de evolução do investimento em design realizado pela Light Design no período compreendido entre os anos de 2004 a 2010: Gráfico 01 – A evolução do investimento em design durante o período avaliado. 80 Como é possível visualizar, a curva que representa o histórico de investimento em design ao longo desses sete anos se manteve sempre acima dos 5 pontos da escala Lickert, demonstrando a preocupação da empresa em estar sempre investindo em design. Nos quatro primeiros anos, o investimento se deu de forma intensa, o que pode ser justificado pela necessidade de investimentos iniciais para estruturar o departamento. No ano de 2008, a curva do investimento começa a oscilar. Em 2010 o nível de investimento em design atinge sua marca mais baixa, que pode ser caracterizado pelo desvio de investimento para outras áreas, ou, uma adequação de investimentos, já que o departamento de design/projeto já alcança uma consolidação de suas atividades. Gestão do Design O gráfico abaixo representa a evolução das habilidades em gestão do design defendidas por DICKSON (1995), sob a avaliação do gerente de design da Light Design. Gráfico 02 – A evolução da gestão do design na Light Design durante o período avaliado. De uma maneira geral, é possível observar que o conjunto de variáveis que caracterizam a gestão do design apresentou melhoras significativas com o passar do tempo, saindo de uma média de 3,9 pontos na escala, no ano de 2004, para uma média de 5,75 pontos no 81 ano de 2010. Esta melhoria pode estar relacionada com a experiência e o aprendizado acumulados ao longo do período, bem como resultado dos investimentos em design realizados. A variável que apresentou o maior crescimento no período foi a que mede o envolvimento de terceiros no processo de design de produtos da empresa. Esta melhora se deu devido ao estreitamento do relacionamento com fornecedores para o desenvolvimento de novos produtos, em forma de parceria – um exemplo foi o desenvolvimento dos difusores para a luminária pendente Space, premiada com medalha de bronze pelo Idea Brasil. O envolvimento de clientes na concepção de novos projetos, também apresentou melhora significativa dentro desta variável. “No começo, a gente apenas satisfazia as necessidades da loja de Brasília, atendendo as solicitações da dona da empresa. Hoje realizamos pesquisa de mercado, identificação de novas necessidades de produtos e atendemos de forma diferenciada o cliente”, relata o diretor comercial da empresa em entrevista. As habilidades básicas, que envolvem o design da qualidade do produto, o design para baixo custo, a facilidade na linha de produção e o desenvolvimento de novos produtos de maneira mais rápida apresentou uma melhora de dois pontos na escala de avaliação. A melhoria destas habilidades está diretamente ligada ao relacionamento entre o departamento de design e o departamento de produção, que facilita o desenvolvimento de produtos adequados à tecnologia disponível dentro da empresa. Outra variável que também apresentou uma melhoria de dois pontos em sua avaliação foi a de habilidades em inovação. A melhoria nesta variável está atrelada à melhoria em todas as demais variáveis que representam as características da gestão do design. A captação de novas ideias e o conhecimento das novidades da concorrência foram aprimorados juntamente com a maior participação de terceiros no processo de design e com o incremento de habilidades básicas e específicas, assim como também o favorecimento de novas ideias estimulado pelas mudanças organizacionais. Porém, a barreira tecnológica ainda exerce um forte poder de contenção na capacidade de inovação da empresa. A avaliação das habilidades específicas do design apresentou uma melhora inferior em relação às demais variáveis já analisadas, apresentando melhoria de um pouco mais de um 82 ponto na escala. À primeira vista, é difícil compreender uma melhora na capacidade de inovação, nas habilidades básicas e no envolvimento de terceiros sem que as habilidades específicas acompanhassem esse crescimento. Porém, em uma análise mais detalhada, é possível perceber que uma característica que compõe esta variável foi responsável pela contenção de seu crescimento – a captação de pessoal com excelência em habilidades de design. Podemos relacionar esta dificuldade com recursos humanos capacitados a diversos fatores. O primeiro deles é a falta de capacitação técnica dos profissionais designers da região, que possuem uma formação acadêmica pouco voltada para a produção industrial nas instituições de ensino superior da região. O segundo fator que contribui para esta dificuldade é o elevado tempo de treinamento necessário para que um novo designer ou estagiário de design contratado obtenha o domínio da ferramenta CAD utilizada no desenvolvimento de projetos do departamento – o software Solid Edge, bastante eficiente, porém pouco utilizado pela indústria local. Um terceiro fator que pode ainda influenciar nesta dificuldade é a falta de estímulo à construção de carreira dentro da empresa, devido à falta de prospecção de crescimento profissional e o pagamento de baixos salários, dificultando a retenção de capital intelectual na empresa – revelando um grande ponto fraco em tempos de valorização dos recursos humanos. A variável da mudança organizacional obteve um crescimento semelhante a das habilidades específicas. Por se tratar de uma empresa familiar, a gestão da Light Design esteve sempre sobre a égide da cultura empresarial propagada pelos sócios diretores, pertencentes a uma única família. Durante o período avaliado, como efeito da contratação de consultorias externas, a Light Design começou a passar por um processo de profissionalização da gestão, dando abertura ao que pode gerar uma nova cultura organizacional, menos centrada nas figuras dos familiares donos da empresa. É possível observar que as maiores variações positivas na avaliação da gestão do design ocorreram entre os anos de 2004 e 2007, justamente o período inicial da formação oficial do departamento de design e o tempo necessário para a sua consolidação. Entre os anos de 2009 e 2010, a variação na avaliação permaneceu praticamente inalterada, o que pode ser apontado como uma tendência à estabilização do departamento de design em relação 83 às habilidades avaliadas. Performance Empresarial A evolução da performance empresarial é medida pela avaliação de duas dimensões: a dimensão do crescimento e a dimensão da lucratividade. Fazer a avaliação da performance empresarial é dificultada pela falta de acesso a informações sobre os concorrentes, pois a performance de uma empresa precisa ser medida em relação às suas concorrentes (ALEGRE, et al, 2009). Abaixo é apresentado o gráfico que representa a evolução da performance empresarial na Light Design: Gráfico 03 – A evolução da performance empresarial na Light Design durante o período avaliado. Diante da dificuldade de obtenção de dados, alguns itens que compõem as variáveis não foram avaliados pela empresa, o que já caracteriza uma parcela de desconhecimento da concorrência. Em relação a dimensão do crescimento, houve uma melhora significativa de quatro pontos na escala para o item “posição de vendas em relação à concorrência”, que pode ter sido diretamente influenciada pela melhoria na gestão do design, causador de produtos de 84 melhor qualidade e maior reconhecimento no mercado. Já os itens que avaliam a “satisfação com o crescimento” e “ganho de parcela de mercado em relação aos concorrentes” foram avaliados como acima da média, porém permanecendo inalterados ao longo de todo o período avaliado, demonstrando que, apesar de considerar um bom posicionamento em relação aos concorrentes, a empresa não conseguiu melhorar neste item avaliado. Em relação à dimensão da lucratividade, apenas os itens sobre a “satisfação com retorno de investimentos” e a “satisfação com retorno de vendas” foram avaliados. Ambos mantiveram-se estáveis durante todo o período avaliado, sendo que o primeiro item se manteve com quatro pontos na tabela e o segundo com seis. A empresa se considera bastante satisfeita com o retorno de vendas durante todo esse período, porem não conseguiu chegar a um patamar superior, considerado o ótimo. A mesma satisfação não parece ocorrer da mesma forma em relação a satisfação com o retorno sobre investimentos, que pode estar relacionado ao maior tempo de retorno que investimentos em bens intangíveis, como é o caso do design, levam para retornar na forma de lucro. As demais variáveis que avaliam a performance empresarial não são conhecidas pela empresa, demonstrando uma dificuldade de conhecimento da concorrência característica do mercado composto por empresas de capital fechado – aquelas que não precisam publicar seus resultados. Diante desta dificuldade, é preciso sempre estar investindo em pesquisa de mercado e benchmarking22, para conhecer da melhor forma possível a concorrência e o seu posicionamento em relação a ela. Análise Geral Para estabelecer o relacionamento entre os investimentos em design, a gestão do design e a performance empresarial da empresa é preciso ter uma visão holística de todos os dados coletados na pesquisa. Desse modo, optou-se por integrar o gráfico de linha que representa a evolução da avaliação da empresa à linha do tempo construída com base nos dados históricos coletados através de entrevistas e pesquisas documentais, resultando em uma síntese gráfica da pesquisa, como veremos à seguir: 22 Estudo e reconhecimento das melhores práticas utilizadas pela concorrência para fazer igual ou superá-la. (BASTA, et al, 2006) Figura 11 – Síntese gráfica dos dados da pesquisa. 85 86 Diante da síntese gráfica dos dados da pesquisa, podemos relacionar de forma mais completa as variáveis avaliadas pela pesquisa. Durante o período avaliado, podemos perceber um forte investimento em design entre os anos de 2004 a 2007, período este onde a gestão do design apresenta melhoras constantes. No ano de 2008, a empresa recebe o selo de excelência em design de maior importância no design mundial, o If Design Product Award, em três de seus produtos – uma forma de retorno pelo investimento em design realizado. É durante este mesmo período que a performance empresarial da empresa apresenta o maior crescimento de sua avaliação. Neste mesmo ano, a empresa é ainda premiada pelo Prêmio de Competitividade para Micro e Pequenas Empresas – o MPE BRASIL – promovido pelo SEBRAE e Grupo Gerdal, que reconheceram a boa prática de gestão na Light Design como destaque no mercado pernambucano. O ano de 2008 representa então um grande marco de reconhecimento do investimento em design realizado desde os anos que antecederam a criação oficial do departamento de design, e, especificamente a partir do ano de 2004, enfatizando um amadurecimento da gestão do design dentro da empresa. A partir do ano de 2008, o índice de investimento em design começa a apresentar oscilações em seu comportamento. O que pode indicar uma certa “acomodação” dos investimentos e o desvio para realização de investimentos em outras áreas. A decisão de diminuir os investimentos em design pode estar relacionada com a satisfação do reconhecimento obtido no ano de 2008, levando a uma impressão de que o design chegou a um patamar de excelência dentro da empresa. Esta interpretação pode trazer o risco da estagnação do design dentro da empresa, limitando-o ao desenvolvimento de produtos, quando na verdade, as pesquisas na área da gestão do design afirmam que o desenvolvimento de novos produtos é apenas a contribuição mais básica que o design pode trazer para a empresa, podendo ir muito além da atividade projetual23. 23 Ver capítulo 2 deste documento. 87 A partir do ano de 2008 é possível visualizar uma tendência à estagnação do progresso na gestão do design na empresa, assim como também na performance empresarial da mesma. Esta tendência à estagnação da gestão do design dentro da empresa pode estar relacionada à compreensão da atividade do design pela mesma. Para um melhor entendimento do papel do design dentro das práticas da empresa, foi elaborada uma tabela que compara as atividades do design nos níveis de gestão do design apresentados no capítulo dois deste documento, com as atividades avaliadas e observadas dentro da Light Design. Características da gestão do design na Light Design Atividades relacionadas pela teoria em Gestão do Design Nível Operacional Atividades realizadas pelo departamento de Design na Light Design . processo e projeto de design; . processo e projeto de design; . propostas de projetos de design dentro da empresa; . propostas de projetos de produtos dentro da empresa; . seleção de designers a executarem tal projeto, quer seja internamente ou externamente à empresa; . dificuldade de seleção de designers com habilidades específicas; . ligação entre a gestão e o time de projeto; . reuniões multidisciplinares de projeto . implementação de sistemas de controles e documentação do projeto; . SGQ Departamento de Projeto da Light Design . implementação de soluções de design; . implementação de soluções de design para produtos e embalagens . avaliação de projetos de produtos . avaliação de projetos de design. Nível Tático . garantia de recursos para o design: humanos, físicos, internos, externos, etc.; . garantia de recursos para o design junto à alta direção; . desenvolvimento de habilidades em design; . desenvolvimento em habilidades de projeto de produto; . treinamentos voltados à área de 88 . treinamento em design; . gestão do design para processos, procedimentos e diretrizes; projeto. Pouco treinamento em design. . gestão do design para processos e procedimentos. . departamento de design com . departamento de design com localização física, serviços, visão e uma localização específica, objetivos serviços, visão e objetivos Nível Estratégico Fatores ambientais: . Preocupação com legislação futura . Tendências de mercado que possam impactar o design; . Tendências do design; . Legislação; . Padrões. Manifestações físicas do design: . Identidade organizacional; . Padrões de design corporativos; . Produtos; . Ambientes; . Comportamentos; . Comunicação; Questões internas: . Design de estratégias e políticas organizacionais; . Consciência e compreensão do design e o desenvolvimento de habilidades em gestão do design; . Integração, centralização e posicionamento na organização; . Liderança e responsabilidades do design; . Elaboração de introdução de sistemas de gestão do design; . Auditorias na gestão do design dentro da organização; . Avaliação dos investimentos, impactos e contribuições do design; . Fundo para as atividades do design. . Identidade organizacional é realizada por profissional externo à empresa. . Não há gestão de padrões de design corporativos, de ambientes, comportamentos e de comunicação. . Design representado na alta-direção . Compreensão de projeto e processos do design de produtos; . Não há uma avaliação quantitativa dos impactos do design na performance empresarial. Tabela 10 – Características da gestão do design na Light Design. Através da comparação realizada na tabela 10, é possível perceber que a gestão do design 89 na Light Design possui atividades realizadas no três níveis da gestão do design, porém, há uma concentração nas atividades do nível operacional. O nível operacional da gestão do design na empresa pode ser considerado bastante amadurecido, com uma compreensão clara dos processos de design neste nível, ainda que apresente dificuldades pontuais. Nos níveis tático e estratégico se inserem algumas práticas observadas dentro da empresa, porém, sempre com o foco no projeto de produtos. Assim, a gestão do design na Light Design pode ser considerada focada para a gestão de projetos e processos do design de novos produtos. CONCLUSÕES |5 92 5. CONCLUSÕES Sobre a pesquisa Fica evidente durante as pesquisas realizadas para a construção deste documento de que o design, quando bem gerenciado, é considerado uma força competitiva que impacta diretamente a produção de inovações dentro de uma empresa e, consequentemente, a sua performance empresarial. A pesquisa em gestão do design, ainda considerada recente no meio científico, já começa a consolidar conceitos validados por diversos estudos empíricos, ainda que esteja aquém de ser amplamente compreendida pelos profissionais da área de negócios. O intercâmbio de conhecimento entre os gerentes designers e os gerentes administrativos é colocado no centro de estudos que buscam encontrar uma linguagem comum para potencializar os benefícios do design como competência gerencial. Como ferramenta essencial ao desenvolvimento de inovações, e devido à suas inúmeras formas de contribuição dentro da empresa, diversos modelos de gestão do design podem ser encontrados na literatura da área, cada um servindo a propósitos estratégicos diferentes, determinados pela organização. Assim, não existe um modelo absoluto de gerenciamento do design, mas diretrizes consensuais que apontam meios e caminhos por onde o design pode atuar no contexto interno e externo da organização. O modelo escolhido para a avaliação do estudo de caso se mostrou adequado para medir a relação do design com o desempenho empresarial de forma clara e objetiva, desde que sejam adaptados à realidade contextual da empresa. No caso de países em desenvolvimento, como o Brasil, onde a indústria ainda não está amadurecida em relação aos países desenvolvidos, uma variável relacionada à tecnologia poderia ser inserida como impactadora direta da performance empresarial por onde a gestão do design também pode atuar intensificando seus benefícios. O modelo sugerido para futuras pesquisas poderia ser estabelecido conforme a figura a seguir: 93 Figura 12 – Proposta de adaptação do modelo para avaliações futuras em países em desenvolvimento. O gestão do design está condicionada à sua relação com a tecnologia disponível na empresa, para o melhor aproveitamento da mesma em seus produtos. Assim, o conhecimento da tecnologia disponível assim como a capacitação tecnológica da empresa sob a ação do design pode impactar fortemente na performance empresarial. Sobre o caso Documentar de forma cronológica os fatos relacionados à inserção do design permitiu uma compreensão mais ampla de como o design foi inserido dentro da empresa e como suas atividades trouxeram retornos ao longo do período relatado. Compreender os fatos ajudou a entender os dados da avaliação realizada pelos gestores da própria empresa, acerca de suas habilidades em design, a realização de investimentos na área e a relação que estas podem ter com a performance empresarial. A pesquisa revelou um amadurecimento forte no nível operacional da gestão do design dentro do departamento, com documentação de processos e procedimentos, e um apontamento futuro para a normatização dos mesmos. Como apresentado nos resultados, a gestão do design melhorou bastante desde o ano de 2004, mas já apresenta tendências à estagnação nos anos de 2009 e 2010. Melhorias pontuais, ainda em nível operacional, como a captação e a retenção de capital 94 intelectual na empresa e treinamentos internos e externos em design podem ser aprimorados. Para que a gestão do design não deixe de crescer dentro da empresa, é preciso compreender o papel do design fora da tarefa de concepção de novos produtos, e abrir-se para novos modelos de gestão do design, mais favoráveis à capacidade inovadora. O departamento de design possui algumas práticas relacionadas aos níveis táticos e estratégicos da gestão de design, porém precisam compreende-los de forma mais profunda a fim de aprimorar as habilidades em design da empresa. É possível constatar que os investimentos realizados em design pela empresa impactaram de forma positiva em sua performance empresarial, sendo este impacto mais claramente perceptível no avanço da gestão do design durante o período de avaliação. Como a empresa não possui dados mais precisos sobre a sua concorrência, determinar a sua performance torna-se mais difícil e impreciso. Assim, é recomendado que a Light Design intensifique o conhecimento de seus concorrentes e, mesmo que não hajam índices padrões conhecidos, como o ROI, que a mesma possa estabelecer parâmetros próprios de comparação, facilitando a compreensão de seu desempenho dentro do mercado no qual está inserida a empresa. Um fato recente que acarretará em profundas mudanças para a empresa e não está compreendido dentro do período avaliado por esta pesquisa é a fusão da Light Design com a empresa portuguesa Exporlux. Com tecnologia bastante superior à encontrada na unidade fabril pernambucana, a Exporlux já domina novas tecnologias, como o desenvolvimento de luminárias para uso de LEDs, porém não possui em sua empresa a experiência em design acumulada pela Light Design. Esta fusão é uma oportunidade para a empresa sanar as dificuldades em termos de tecnologia defasada e expandir a capacidade inovadora da empresa. Para tanto, é preciso não arrefecer os investimentos em design. Treinamentos serão 95 necessários para compreender a nova tecnologia disponível, que trará novas possibilidades para seus produtos. Com duas empresas antes distintas, agora fundidas em uma só, a comunicação e a disseminação de uma cultura organizacional para ambas as unidades torna-se fundamental para o entendimento da nova empresa pelo mercado. Dessa forma, trabalhar o design fora do nível operacional é fundamental para auxiliar nas mudanças que estão por vir. O design será fundamental para o sucesso desta nova entidade Light Design + Exporlux. Considerações finais Através da pesquisa é possível afirmar que a inserção do design na Light Design trouxe impactos positivos em sua performance empresarial como resultado de investimentos em design mediados pela gestão do design dentro da empresa. Outros impactos podem ser identificados, principalmente no tocante aos bens intagíveis da empresa, como o fortalecimento de sua imagem e da confiança de mercado, em consequência do reconhecimento externo a ela atribuído. O modelo se mostrou eficiente para realizar uma avaliação objetiva do design na empresa, podendo ser utilizado por quaisquer empresa que considere o design como uma de suas forças competitivas, desde que adaptado de forma coerente ao seu contexto. Mensurar constantemente os dados relacionados às variáveis presentes no modelo traz para a empresa uma forte ferramenta de controle, sendo um auxilio poderoso na tomada de decisões estratégicas. Assim, através do estudo de caso aqui apresentado, é possível ratificar o papel da gestão do design de mediador entre os investimentos em design dentro da empresa e sua performance empresarial. 97 | REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AHIRE, S.L.; DREYFUS,P. The Impact of Design Management and Process Management on Quality: an Empirical Investigation. (2000) Journal of Operations Management. 18, 549-575. ANUÁRIO BRASIL GLOBAL. Análise Editora, 2011 BASTA, D.; MARCHESINI, F.R.A.; OLIVEIRA, J.A.; SÁ, L.C.S. Fundamentos de Marketing. 7 ed – Rio de Janeiro. FGV, 2006 BERTOLA, P.; TEIXEIRA, J.C. Design as a Knowledge Agente: How Design as a Knowledge Process is Embedded Into Organizations to Foster Innovation. (2003) Design Studies. 24, 181-194. BROWN, K.; SCHMIED, H.; TARONDEAU, JC. Success Factors em R&D: A Meta-analysis of the Empirical Literature and Derived Implications for Design Management. (2002) Design Management Journal. 2, 72-87 CEETEPS (Assessoria para Assuntos de Educação Superior). 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INVESTIMENTO EM DESIGN Atribua uma nota, compreendida entre a escala de 1 a 7, ao volume de investimento em design realizado pela sua empresa para cada ano compreendido entre o intervalo de 2004 a 2010. Adote 7 como nota para o maior investimento e 1 para o menor investimento. NOTAS Investimento em Design 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2. GESTAO DO DESIGN Atribua uma nota, compreendida entre a escala de 1 a 7, à avaliação que você dá a cada item de gestão listado abaixo para cada ano entre o intervalo de 2004 a 2010. Adote 7 para considerar “muito bem gerenciado” e 1 para “pobremente gerenciado”. NOTAS 2004 Habilidades Básicas Design da qualidade dos produtos Design para fácil produção Design para baixo custo Design para velocidade de novos lançamentos Habilidades Específicas Uso de ferramentas CAD com eficiência Estimativa de custos de novos produtos próximos ao real Captação de pessoal com excelência em habilidades de design Teste de produtos durante o processo de design Envolvimento de Terceiros Envolvimento de clientes no processo de design Envolvimento de fornecedores no processo de design Captação de novas idéias através dos clientes Mudança Organizacional Mudança de formas tradicionais 2005 2006 2007 2008 2009 2010 104 de realizar tarefas Variedade de funções, trabalho colaborativo Substituição contínua com projetos simultâneos Habilidades em Inovação Encontrar novas idéias de design, não apenas imitações Rapidez no conhecimento de inovações ou imitações dos concorrentes PERFORMANCE EMPRESARIAL Atribua uma nota, compreendida entre a escala de 1 a 7, à performance da sua empresa em relação à concorrência nos itens listados abaixo, para cada ano do intervalo de 2004 a 2010. Considere 7 como “melhor performance da concorrência” e 1 como “pior performance da concorrência”. NOTAS 2004 2005 2006 Dimensão do Crescimento Posição de vendas em relação à concorrência Satisfação com a taxa de crescimento das vendas Ganho de mercado em relação aos concorrentes Dimensão da Lucratividade Satisfação com retorno de investimento Lucro líquido em relação aos concorrentes Posição do ROI em relação aos concorrentes Satisfação com retorno de vendas Posicionamento da liquidez financeira em relação aos concorrentes | 2007 2008 2009 2010 105 Anexo 2 Reportagem sobre a Light Design veiculada pela revista Negócios PE 106