dezembro 2004 a fevereiro 2005
www.sp.senac.br
0800 883 2000
ILUSTRAÇÃO ADÃO ITURRUSGARAI
René Burri • Zeca Camargo • Centro de Convenções • Design gráfico
PARA ONDE VAI
A TECNOLOGIA?
TV perde espaço para a
Internet, robôs domésticos
tornam-se realidade, gadgets
se unem em plataformas
únicas, produtos de
supermercado ganham
chips que guardam do
preço à data de validade:
veja para onde caminha
a tecnologia do dia-a-dia
Num campo habitualmente associado a carências como é
o da educação no Brasil, uma das conclusões do Censo da
Educação Superior, divulgado recentemente pelo governo federal, pode surpreender. Segundo o levantamento, não apenas há capacidade suficiente no ensino superior para todos
os alunos que concluem o ensino médio hoje como ainda
registra-se uma ligeira folga – há vagas para 4 milhões de
universitários, quando são 3,9 milhões os recém-habilitados
para ocupá-las. Os números, em parte, confirmam a fase de
expansão e diversificação do ensino superior brasileiro. Mas
não se pode deixar de notar que o mesmo recenseamento
aponta a ocorrência de ociosidade de vagas e evasão, além
de alguma distorção geográfica na oferta de cursos.
O número de matrículas no ensino superior também vem
tendendo a cair na comparação ano a ano. Longe de significar crise, é preciso ver o índice como sintoma de uma fase
de estabilização e depuração. O censo ainda inclui, pela primeira vez, um dado importante: o número de serviços prestados pelas instituições de ensino superior às comunidades
nas quais estão inseridas. Isso resultou em totais volumosos, como mais de 179 milhões de atendimentos na área de
saúde. Será no varejo da atuação de cada faculdade, no entanto, que se conhecerá quais são as instituições que realmente cumprem sua função social e atendem com qualidade as demandas de seu público.
Luiz Francisco
de Assis
Salgado
é Diretor
Regional do
Senac-SP
No Mundo
Museu resgata a
arte negra do Brasil
4
Entrevista
Jornalista cria a volta
ao mundo interativa
6
Capa
Para onde caminha a
tecnologia do dia-a-dia
8
Fotografia
René Burri, da Magnum,
e o futuro da fotografia
16
Livros
Mário de Andrade
e a música brasileira
20
Ex-aluno
Criatividade é fundamento
para designers gráficos
22
Televisão
Programa mapeia
o mundo do forró
23
Acontece
Senac oferece 11
novos cursos superiores
24
Passo-a-passo
Uma luminária
feita com bastidores
30
Esta revista fala de cidadania,
ecologia, tecnologia, qualidade
de vida, educação, cultura, trabalho
Fase de estabilização
Abram
Szajman
é Presidente
do Conselho
Regional do
Senac-SP
FOTO EVERTON BALLARDIN
Há um país na Ásia que não é grande e populoso como a
China ou a Índia, mas cujo êxito econômico merece ser analisado com mais atenção por países como o Brasil, que vagam à deriva em busca de um modelo que lhes assegure o
tão sonhado desenvolvimento sustentado. Trata-se da Coréia do Sul, que, a partir de 1953, quando a península coreana se dividiu entre o norte comunista e o sul capitalista, descreveu uma trajetória original rumo à industrialização e à
condição de líder, entre os países emergentes, na exportação de produtos com alto valor agregado.
A etapa mais importante desse caminho foi a revolução
educacional. O ensino público se universalizou e os jovens
em idade escolar passaram a estudar por 12 ou mais anos,
em período integral, sendo vedado o trabalho aos menores
de idade.
A estrutura universitária da Coréia do Sul, pautada pela disciplina e por rígidos padrões de cobrança, acabou por viabilizar, no curto período de uma geração, a formação de uma população educada e preparada para desfrutar os benefícios da
tecnologia. O que diferencia hoje a Coréia do Sul de outros
países de desenvolvimento industrial tardio como o Brasil é
que ela aprendeu a valorizar a pesquisa privada, enquanto
entre nós gasta-se menos que 1 % do PIB em investigação
científica e tecnológica. Só uma combinação de esforços que
envolva educação, pesquisa e atividade produtiva pode permitir um salto como o que a Coréia do Sul empreendeu.
FOTO GABRIEL CABRAL
O exemplo coreano
5
Cinema falado
Bettina Lenci
A surpresa da transformação sempre fez parte
da minha vida. Com pouco mais de 20 anos e
dois filhos, fui surpreendida pela morte de meu
primeiro marido. Transformei-me em presidente
de uma grande empresa de transportes do dia
para a noite – literalmente. Com o Agente Cidadão foi da mesma forma. A convite de meu sobrinho Ike Moraes, assumi a presidência da entidade assim, do nada. Aceitei porque já fazia
tempo que vinha sentindo a necessidade de ajudar a comunidade onde vivo, mas, como a maioria das pessoas, não sabia de que forma. O convite veio a calhar: eu poderia colocar a serviço de
quem precisa toda a experiência que acumulei
como empresária do ramo de transportes.
Explico: o Agente Cidadão é uma organização
do Terceiro Setor que trabalha como uma empresa de logística, transformando os bens que sobram de um lado da sociedade – e, às vezes, não
têm mais função para quem os possui – em matérias de primeira necessidade para quem não
tem nada. A entidade nasceu de outra, chamada
Roupa Velha, que recolhia roupas usadas na casa
de doadores e as entregava para quem precisava.
Depois das roupas, vieram os móveis e hoje a organização faz a distribuição de tudo o que se
pode imaginar: de camas, sofás e vestimentas até
computadores e aparelhos de ginástica (que, sim,
podem ser úteis em entidades para adolescentes
ou que trabalham com fisioterapia).
Enfim, cá estou novamente à frente de uma
empresa de transportes, que nos últimos dois
anos entregou 70 mil itens. Acho a idéia da
ONG genial, pois veio justamente da observação do que acontece na maioria das casas (inclusive na minha!): o acúmulo de coisas que
não nos servem mais.
Trabalhar com o Agente Cidadão me transforma a todo o momento. Perceber que necessidades básicas de outro ser humano não são atendidas me faz, naturalmente, repensar as minhas.
Posso dizer que trabalhar na organização me
ajuda a entender quem merece mesmo ser valorizado e, de fato, aplaudido.
Uma iniciativa quer aproximar os deficientes auditivos do
cinema brasileiro. Graças à parceria entre o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), a Associação de Reabilitação
e Pesquisa Fonoaudiológica (Arpef) e o Centro de Produção de Legenda (CPL), os filmes Central do Brasil, Deus É
Brasileiro, Lisbela e o Prisioneiro, Carandiru (foto), O que
É Isso Companheiro, Janela da Alma e Cidade de Deus
ganharam legendas em português e estão sendo exibidos
em sessões gratuitas nas sedes carioca e brasiliense do
CCBB. “A idéia é que o projeto se espalhe por todo o país
no próximo ano”, diz Helena Couto Dale, fonoaudióloga e
coordenadora da Arpef. “Afinal, até aqui, esse público só
tinha como referência o cinema americano.”
Museu Afro-Brasil
Inaugurado em outubro em São Paulo, o Museu Afro-Brasil
quer contar a história do país pela ótica de alguns de seus
maiores artistas negros. Para isso, coloca em exposição permanente um acervo de 1100 peças, que abrange desde pinturas e esculturas de nomes fundamentais dessa trajetória,
como o pintor Estevão Silva, do século 19 (na foto, Natureza Morta), e o escultor Mestre Didi, até documentos que
registram a presença do negro na vida brasileira nos últimos
200 anos. Entre esses, é destaque uma coleção de fotografias de Militão Augusto de Azevedo (1840-1905), retratista
da sociedade paulistana na virada do século 19 para o 20. À
frente do projeto do museu está o escultor e curador baiano
Emanoel Araújo, a quem pertencem as peças do acervo, cedidas em regime de comodato. Araújo foi diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo por oito anos. O novo museu
ocupa uma área de 9 mil metros quadrados do Pavilhão Manoel da Nóbrega, dentro do Parque do Ibirapuera. Financiado com recursos da Petrobras e montado com apoio da Prefeitura de São Paulo, abrigará, além do acervo, exposições
temporárias de arte contemporânea brasileira e africana.
Garrafa-foguete
De acordo com a Terceira Lei de Newton, se um corpo A aplica
uma força sobre um corpo B, o corpo B aplicará sobre o corpo
A uma força de igual intensidade e direção, mas em sentido
contrário. Para explicá-la a seus alunos de oitava série, o professor de física Valdir de Oliveira, do Colégio Albert Sabin, em São
Paulo, fez com que criassem foguetes com garrafas Pet, que depois foram lançados no ar com a ajuda de um compressor de
ar. “Gosto de mostrar a física de um jeito lúdico”, conta Oliveira.
800
Bettina Lenci,
59, é presidente da
ONG Agente Cidadão
(www.agentecidadao.org.br).
mil é o número estimado de queimadas ocorridas no
Brasil este ano. É um aumento de 15% em relação
a 2003, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (Inpe). O fogo destrói a fauna e a flora, empobrece o
solo, reduz a penetração de água no subsolo e polui o ar. “No
contexto planetário, o Brasil entra como grande poluidor devido
às queimadas e não às emissões industriais e de veículos”, explica
o pesquisado Alberto Setzer, da Divisão do Meio Ambiente do Inpe.
Sol faz bem
FOTOS PATRICIA PANZA (BETTINA LENCI); MONIQUE SCHENKELS (PRAIA); DIVULGAÇÃO (MUSEU AFRO, CARANDIRU, TERAPIA)
NO MUNDO 4
Energia para transformar
O sol virou remédio: se a exposição excessiva da pele a
seus raios ultravioleta (UVA) pode levar ao envelhecimento precoce e ao câncer, a administração regrada dos mesmos raios ajuda a tratar psoríase, vitiligo e até alguns linfomas. Conhecido como Puva, o tratamento já está sendo
utilizado no Hospital do Fundão (RJ), na Santa Casa (RJ)
e no Instituto do Câncer (Inca). “Pacientes com doenças
mais graves entram numa cabine com lâmpadas emissoras do raio. Em outros casos, utiliza-se exposição ao sol
combinada com medicação específica”, explica Luiz Bandeira, chefe do Serviço de Imunologia da Santa Casa de
Misericórdia do Rio de Janeiro. Em junho, o médico apresentou no 12º Congresso Internacional de Imunologia, no
Canadá, os resultados promissores que obteve tratando
pacientes com linfoma cutâneo com raios UVA. “Eles destroem as células malignas e impedem que elas se proliferem e migrem para outros órgãos. E isso sem os efeitos
colaterais da quimioterapia e da radioterapia”, afirma.
Famílias em terapia
Sentados em roda e supervisionados por um terapeuta,
grupos de famílias discutem problemas como desempenho escolar, brigas conjugais, desemprego e dificuldades
financeiras. A cena tem se tornado freqüente nas comunidades pobres dos bairros de Brasilândia, Cachoeirinha
e Tremembé, em São Paulo, graças a um projeto que reúne o Instituto Terapia Familiar de São Paulo e a prefeitura da cidade. Desde julho, 17 mil famílias já foram atendidas por mais de cem profissionais. Os encontros acontecem em salões paroquiais ou salas cedidas pelas escolas ou unidades básicas de saúde, e reúnem de 20 a 30
pessoas. “Discutimos os temas que eles nos levam, de carências afetivas a problemas relacionados à precariedade
da região onde vivem”, diz Tai Castilho, do Instituto Terapia Familiar, uma das coordenadoras do projeto. O retorno tem sido positivo: “Tem gente que vem nos contar que
o relacionamento com o marido ou os filhos melhorou”.
7
ENTREVISTA 6
Quais as diferenças entre a viagem de volta ao mundo e a que visitou as regiões em
que se fala português, em 1998? A primeira grande diferença é que desta vez o
público ajudou a decidir o itinerário. Interatividade é uma coisa que o Fantástico preza
bastante como um caminho para a TV. As pessoas gostam de participar e as escolhas
nunca são óbvias. Por exemplo, nós demos a opção de escolher entre Bali, que é notoriamente conhecida como um paraíso, e Cingapura, que é uma cidade industrial. Deu Cingapura. A outra grande diferença é que em 1998 a gente viajou, voltou e editou tudo antes de pôr no ar. Desta vez a reportagem ia para o ar enquanto ainda estávamos no país.
FOTOS ROCHELLE COSTI (ZECA CAMARGO); ARQUIVO PESSOAL
Como isso foi possível, tecnicamente? Internet. Mas mesmo com banda larga e uma
boa conexão, a operação durava horas, literalmente. Para enviar mais ou menos um minuto de imagem gravada demorava uma hora. Essa era a parte mais sacrificada, porque
a gente podia estar num lugar fascinante, como Siem Reap, onde ficam as ruínas de
Angkor, no Camboja, mas tinha que ficar dentro de um cybercafé. Por outro lado, não
há nada mais moderno do que isso. Há dois anos esse projeto não seria possível, porque não havia tantos cybercafés, nem conexões boas em todos os lugares. Tomara que
daqui a dois anos já exista tecnologia para enviar imagens bem mais rapidamente.
Turista profissional
Os prazeres e as dificuldades de levar o público para conhecer
o mundo, segundo o jornalista Zeca Camargo _ Por Márcio Ferrari
Zeca Camargo já se habituou a ouvir que tem o emprego dos sonhos de todo mundo. Sua imagem de jornalista está associada a viagem e aventura. O próprio apresentador (agora oficial) do Fantástico, da TV Globo, não
nega que gosta muito do que faz e tem uma fórmula simples para explicar por que a maioria de suas missões
jornalísticas de além-mar dá muito certo: “Quando você conhece gente legal, todo lugar é legal”. Neste ano, ele
encarou o que considera o maior desafio de sua carreira, a Fantástica Volta ao Mundo, uma maratona de quatro meses (de maio a setembro), 22 países, 36 cidades e 54 vôos. Durante a viagem, nem ele nem o cinegrafista Guilherme Azevedo sabiam onde iam estar na semana seguinte – quem decidia era o público e sempre algumas horas antes da partida para o próximo destino. Além da série de reportagens, a volta ao mundo deu origem
a um blog e a um livro. Não foi a primeira viagem longa de Zeca para o Fantástico. Há seis anos ele já tinha visitado, numa só viagem, todas as regiões do planeta em que se fala português.
Curiosamente, Zeca chegou ao jornalismo um pouco por acaso. Formado em Administração de Empresas pela
Fundação Getúlio Vargas e depois de alguns anos dedicados à dança, começou na profissão como repórter do
jornal Folha de S.Paulo graças ao convite inesperado de uma amiga. A televisão surgiu como conseqüência.
A seguir, ele fala de viagens e jornalismo.
Você foi com quantas pessoas? A grande equipe era formada por mim e um câmera.
Normalmente o ideal são quatro pessoas, para incluir um produtor e um assistente de
câmera. Mas esse esquema inviabilizaria o projeto, porque ficaria muito caro. Dentro
do orçamento do Fantástico a proposta foi essa. E a gente aceitou fazer em condições
que nunca tinham sido tentadas.
Que retorno você recebe do público? Tem uma projeção absurda. Quando eu volto,
o comentário mais comum é: viajei com você. E a idéia era exatamente essa. Uma coisa
maravilhosa foi receber e-mails de professores de Geografia dizendo que estavam
pautando suas aulas conforme o roteiro da viagem. Os alunos viam o programa e estudavam aquele lugar durante a semana. A intenção inicial é só oferecer entretenimento, mas conseguir despertar um interesse educacional foi a maior recompensa.
Você teve vontade de ficar em algum lugar? Istambul, na Turquia. É um lugar barato, a comida é boa, a cidade é linda, as pessoas são legais. Naquela semana eu cheguei
a pensar em sugerir que o público pudesse escolher mais uma semana em Istambul.
Mas não era possível. Um lugar para onde eu gostaria de voltar, mas sei que não vou,
é o Uzbequistão, com cidades antigas que fizeram parte da Rota da Seda, como
Bukhara e Samarkand, mas é uma viagem muito complicada para o turista normal.
Qual foi o prato mais estranho que você experimentou? Disparado uma iguaria das
Filipinas que se chama balot. É um ovo de pato fecundado e cozido – horrível não só
no gosto como na consistência. Morde-se um feto, com peninha e ossinho. Mas eu
também comi muita coisa boa. Na Índia eu fiquei hospedado na casa de um amigo
meu. Cada refeição era um banquete.
Como foi trabalhar no primeiro reality show da Globo, No Limite? E como você vê o
gênero? Teve um impacto inacreditável. O reality show toca em alguma coisa, provavelmente o prazer de ver outras pessoas comuns na tela. Em televisão nada é empurrado
goela abaixo. Eu tenho isso claríssimo. Se o público não gostar, o programa sai do ar ou
nem entra. Talvez os critérios editoriais desse ou daquele reality show não atinjam um padrão de qualidade, mas o sucesso é inegável e vai continuar. O maior termômetro disso
é o Big Brother, que já está na quinta edição. No início havia uma corrente que dizia que
era um fenômeno que não ia durar. Acho que se provou justamente o contrário.
Quantas milhas você já viajou durante a vida? Não sei. Eu viajo desde moleque, era
mochileiro. Viagem é meu sonho de consumo. Na volta ao mundo, eu percorri 105 mil
quilômetros, o que, na verdade, são duas voltas e meia em torno da Terra. Calculo que,
na minha vida toda, eu tenha viajado no mínimo uns 500 mil quilômetros. Qual é a
distância até a Lua? [Nota da redação: a distância é de 384 mil quilômetros.]
Volta ao mundo: a partir
do alto, Zeca Camargo em
Atenas, na Grécia; Angkor,
Camboja; Istambul, Turquia;
Meteora, Grécia; e Kandy, Sri
Lanka. Na página à esquerda,
em casa, em São Paulo
9
CAPA 8
Popularizada há dez anos, Internet
se desdobra em novos usos e
faz com que o computador ameace
a TV no posto de centro do lar
Por _ Flavio de Carvalho Serpa
Ilustrações _ Adão Iturrusgarai, Allan Sieber,
Caco Galhardo, Fernando Gonsales e Laerte
Fundador do laboratório de mídia do Massachusetts Institute of Technology e considerado um dos
gurus da nova era, Nicholas Negroponte previu há dez anos, no livro Vida Digital, que da nova tecnologia emergeriam dois conceitos-chave para a nova economia: segmentação e customização. Em
outras palavras, graças à sua capacidade de transportar, processar e reordenar dados, áudio e vídeo
à velocidade da luz, a tecnologia digital mudaria para sempre a comunicação, o entretenimento e a
vida diária, permitindo arranjos atrelados ao gosto e à vontade do indivíduo, e não mais das grandes
massas. Com a mesma acuidade, imaginou que estaríamos enfrentando, a esta altura, abuso de propriedade intelectual, vandalismo digital, pirataria de software e roubo de dados – “e, pior que isso, a
perda de muitos empregos para sistemas totalmente automatizados”. Desde então, o uso da Internet
cresceu e se desdobrou em música distribuída pela rede, sistemas de socialização virtual e até dispositivos que permitem monitorar a casa a distância. Ainda não se tornou o centro do lar, papel que
coube à TV nos últimos 50 anos, mas caminha obviamente para isso. Veja como.
Comunicadores e “glocalizadores”
O escritor francês Gustave Flaubert, autor de Madame Bovary, escreveu também
o menos popular Dicionário de Idéias Feitas, em que zombava dos lugares-comuns
sem imaginação da classe média da época. Em 1852, registrou com sarcasmo no
dicionário o verbete “estradas de ferro”,
novidade futurista da época: “Extasiar-se a
respeito da sua invenção e dizer: aqui
onde me vê estive pela manhã em X, fiz
lá todos os meus negócios, etc. E às tantas horas estava de volta!”. Para evitar o
constrangimento – e, sobretudo, o prejuízo – de subestimar grosseiramente invenções revolucionárias que surgem de repente e enaltecer modismos que somem
com o vento, empresas e grupos como
Hewlett-Packard, Time-Warner, Sony e Microsoft financiam uma pesquisa da Universidade do Sul da Califórnia que há quatro anos mapeia o real impacto da chamada era digital sobre a vida diária dos americanos. O último relatório mostra que a
tendência à interatividade perdura: os
usuários da Internet, 75 % dos americanos, vêem 4,6 horas menos de TV por semana que os não-internautas.
O dado mostra que Nicholas Negroponte estava certo ao sugerir que a TV de alta
definição, aperfeiçoamento do conceito
tradicional de TV, faria menos sucesso que
a TV interativa, que abre infinitas possibilidades de utilização. A diversão passiva de
hoje perde espaço para o computador conectado, que é, ao mesmo tempo, estação de entretenimento, de trabalho, de
comunicação e de serviço. Segundo o relatório, no décimo ano de existência da
Internet, 93 % de seus usuários mandam
e-mails, 84 % usam serviços de busca e
44 % postam algum tipo de material na
rede (fotos, MP3, páginas pessoais). Os
serviços on-line se ampliam: entre 2000 e
2002, os bancos on-line cresceram
164 %, os sistemas de reserva de passagens, 90 %, e o e-commerce, 78 %.
Comunicação é e continuará sendo função primordial da Internet – e o e-mail mantém o posto de
principal atividade dos navegantes. Os últimos anos
produziram um concorrente: os comunicadores instantâneos, utilizados por 42 % dos internautas nos
Estados Unidos, segundo pesquisa da Pew Internet
& American Life Projects. O pioneiro ICQ, criado em
1986 por uma empresa israelense, atingiu há pouco a marca de 300 milhões de downloads. Como
seus similares, ganha do e-mail na preferência de
24 % de seus usuários. No Brasil, segundo o Ibope/
Netratings, 52,71 % dos internautas usam esses
programas. Mais do que mania de adolescentes,
eles tornaram-se tendência ao invadir o local de trabalho: nos Estados Unidos, 40 % dos usuários
acham que aumentam a produtividade. Se parte
das empresas ainda os proíbe, por questões de segurança ou por causar dispersão, a IBM incentiva o
uso do Sametime, versão proprietária, para economizar tempo e telefone.
Desde os mensageiros, a novidade mais ruidosa
da Internet são as redes de relacionamento, mecanismos de socialização virtual que ajudam a organizar comunidades por interesse. A mais famosa é
o Orkut. Para alguns observadores, elas reforçam a
tendência ao isolamento do usuário. Já o sociólogo Barry Wellman criou até um neologismo – “glocalização” – para definir sua capacidade de nos
ajudar a encontrar, a qualquer distância, pessoas
que compartilham nossos interesses. Para 26 %
dos usuários americanos ouvidos pela Pew, essas
redes ajudaram a aumentar ligações não-virtuais.
Nem todo mundo é tão otimista. “Há um ano,
quando as redes começaram a pipocar em toda parte, a idéia parecia interessante”, escreveu na PC Magazine John C. Dvorak, um dos mais respeitados colunistas da área. “Comecei a receber convites quase
diários para me juntar a um ou mais desses serviços.
Relutei, mas acabei aderindo a alguns e meu círculo começou a crescer. Logo estava recebendo convites de pessoas completamente obscuras. Os usuários começaram então a transferir seus contatos de
uma rede para outra (...). Ou então simplesmente
não trocavam mensagens e depois de adicionados,
viravam fantasmas. De repente, os convites para todos esses sistemas pararam completamente...”
11
CAPA 10
Menos TV, mais Internet
Alô, é do microondas?
Barato, afetivo, inteligente e sem fio, o cachorro Aibo conectase à Internet e deixa o dono ver a distância, por seus olhos-câmera, o que acontece em casa. O cachorro-robô japonês é o prenúncio de uma era. Segundo conclusão recente da Comissão Econômica da ONU para a Europa, o robô doméstico vai invadir o mercado até o fim da década, com preços competitivos. “O mercado de robôs domésticos decola”, anuncia o relatório da ONU.
No Natal passado, nos Estados Unidos, foram vendidas 200
mil unidades de um robô que aspira o pó da casa sem ajuda.
Mas a gama de tarefas que poderão ser executadas por esses
dispositivos inclui levantar peso, detectar vazamentos de gás,
enfrentar invasores, limpar a casa e controlar a temperatura.
Honda, Mitsubishi e o Instituto Coreano de Ciência e Tecnologia projetam modelos mais específicos, como o robô-enfermeiro, que ajudará a locomover e alimentar idosos.
Desastroso para a mão-de-obra humana menos qualificada,
esse desdobramento inevitável das tecnologias atuais é altamente promissor para os desenvolvedores de aplicativos e serviços.
Na indústria, os robôs já são 800 mil no mundo todo. Entre 2002
e 2003, as encomendas cresceram 26 %; de 1990 para cá, os
preços caíram 80 %. Nas montadoras de carros na Alemanha, Itália e Japão, eles representam mais de 10 % da força de trabalho.
Por mais largas que sejam, as
infovias nas quais a informação
digital trafega padecem de uma
limitação: o número de endereços IP (Protocolo Internet) disponíveis são insuficientes para
abrigar todos os usuários e dispositivos que elas terão de conectar em um futuro bem próximo. Já está em curso uma mudança que vai multiplicar a
quantidade de números disponíveis. Além de dar à rede uma capilaridade sem precedentes, o
endereçamento ampliado deve
torná-la mais segura, dificultar o
caminho do spam e dar eficiência à transmissão de sons, imagens e dados. Vai permitir operar
eletrodomésticos inteligentes a
distância, baratear o custo das
conexões entre cidades e será
um salto sideral na prestação de
serviços segmentados via Internet, reforçando a tendência à
entrega de entretenimento e comunicação customizados.
O Protocolo Internet usado
hoje usa 32 bits para gerar cada
endereço único, possibilitando
que se criem 4 bilhões deles. O
novo protocolo, o IPv6, vai permitir gerar números de identidade únicos não só para todos os
habitantes da Terra – mas também para cada um de seus telefones celulares, torradeiras, fornos de microondas, geladeiras,
televisões, etc. Isso vai permitir,
por exemplo, que se ordene ao
forno de microondas, do carro,
que ele comece a descongelar o
jantar. Ou que um fabricante
mantenha contato com o aparelho que produziu, para saber se
está na hora da manutenção.
Produtos que falam
Uma nova etapa na história do comércio começa no primeiro
dia de 2005. Se tudo der certo, os clientes da Wal-Mart, cadeia
mundial de hipermercados, vão notar a partir dessa data que o
funcionário do caixa não passa mais as compras pelo leitor de
código de barras. Como por mágica, os preços serão somados
pela máquina à medida que os produtos rolarem pela esteira. Explica-se: desde 2003, os 100 maiores fornecedores da rede se
preparam para uma revolução maior do que a deflagrada pela introdução do código de barra, nos anos 70. Em vez dele, os produtos trarão agora uma etiqueta de identificação por radiofreqüência (RFID), chip da Phillips quase invisível a olho nu.
Mais do que desafogar a fila do caixa, a nova tecnologia muda
tudo no controle de estoques, no rastreamento das compras, na
identificação das preferências do consumidor e, sobretudo, na
quantidade de informação que o produto é capaz de carregar.
Com o chip, agrega um dispositivo de inteligência ativa, e passa
a conter, além do que cabia no código de barras (nome e preço), dados como o fabricante e a data de validade, além de um
número único, que funciona como identidade. Quando as geladeiras tiverem leitores compatíveis com esses dispositivos, elas
poderão avisar, por exemplo, se o iogurte que você se prepara
para comer está vencido.
13
CAPA 12
A década dos robôs
15
CAPA 14
Todos os aparelhos em um
Celulares, computadores de mesa e de mão, câmeras fotográficas digitais, impressoras, TV, som,
GPS: qual indústria seria capaz de apostar na multiplicação ilimitada de dispositivos eletrônicos como
tendência duradoura? Gigantes como Microsoft e Intel trabalham para que a maior parte desses dispositivos incorpore-se aos PCs, o que possivelmente acontecerá com os sistemas de comunicação
e entretenimento caseiro, que pedem tela grande e som de qualidade. As últimas feiras mundiais de
tecnologia apontam para uma frente de convergência que se torna cada vez mais familiar. Comunicações, computação e lazer devem continuar convergindo para os celulares, que já incorporam câmeras digitais, jogos, agendas eletrônicas e acesso à Internet. Com o avanço da miniaturização, os
telefones móveis tendem a oferecer também jogos simples em rede, players de MP3 e de videoclipes e livros e jornais on-line, convertendo-se em dispositivos multiuso dos quais se desfruta em qualquer lugar ou situação – no metrô a caminho do trabalho, por exemplo. Nesses novos eletrônicos
portáteis, os comandos de voz substituirão os teclados, periférico que tende a desaparecer.
O jogo não acabou
Música e imagem: carregando
De um lado, ruas cada vez mais perigosas.
Do outro, uma forma de lazer moderna, emocionante e relativamente barata. Acrescente
pais ocupados demais para inventar alternativas de lazer para crianças e adolescentes e está
composta a fórmula que fez dos games o centro da diversão caseira nos lares de classe média para cima mundo afora – e um dos maiores negócios da atualidade. Partindo na década
de 1980 de brinquedos pioneiros como o Space Invader, que era jogado em monitores monocromáticos, os games devem chegar a 2006
com faturamento global acima de US$ 31 bilhões. Nada mau, até para a bilionária indústria
do entretenimento: sem contar as receitas geradas pelo mercado caseiro (DVDs), Hollywood
fatura com sua produção de cinema, por ano,
em média, US$ 19 bilhões.
Para 35 % dos jovens americanos, o videogame já é a primeira forma de entretenimento, seguida pela TV. A fim de responder à demanda, um mercado oligopolizado de jogadores pesos pesados (Nintendo, Sony, Microsoft)
despeja no mercado safras e safras de novos
títulos para computador e consoles, como o
Play Station. Nos próximos anos, os jogos para
celulares também crescem: perto de 6 % dos
1,3 bilhão de usuários já usam as opções disponíveis. A próxima geração de telefonia móvel oferecerá banda suficiente para disputas
on-line. Em 2007, o valor das vendas de jogos
para celular pode chegar a US$ 3,8 bilhões.
A comodidade da distribuição de filmes e música on-line veio para ficar, mas acarreta tal revolução
que ainda será preciso algum tempo até que esses
negócios se organizem. No primeiro caso, o obstáculo é tecnológico: os estúdios já têm modelos de
negócio e bancos de dados prontos. Mas, para entregar o filme que o consumidor quer ver na hora
adequada, dependem da capilarização das redes
de fibra óptica e da regularização das bandas de
alta freqüência, o que deve tomar cinco anos de
trabalho. Na música, o entrave é só um: como a indústria vai faturar com a venda on-line.
Há um ano, parecia que as gravadoras seriam devastadas pelas redes piratas gerenciadas por programas como Napster e Kazaa, que permitem localizar,
copiar e compartilhar arquivos de música em formato MP3 sem que se pague direitos autorais. A RIAA,
que representa as principais gravadoras do mundo,
saiu processando quem fosse flagrado baixando
músicas ilegalmente. A intimidação funcionou e a indústria recuperou mais de 10 % das vendas de discos em relação a 2003. Os 4 % de internautas conectados que, em média, ocupam-se em baixar música da rede caíram para 1 %.
Colaborou para a mudança de cenário, ainda, um
sistema híbrido espertamente desenvolvido pela
Apple e pela Real, entre outras. Elas lançaram serviços que oferecem o download legal de faixas de
música ao custo unitário de US$ 1. A iTunes, loja virtual da Apple, abiscoitou 70 % da venda de música
via Internet entre dezembro de 2003 e julho último,
segundo o NPD Group MusicWatch Digital.
17
FOTOGRAFIA 16
A imagem
emocionada
Membro da agência Magnum
há 40 anos, o fotógrafo
René Burri diz que o equipamento
mais importante são os olhos,
o coração e a mente
Por _ Everton Ballardin
Fotos _ René Burri | Magnum
São Paulo, Brazil,
1960: o centro da
cidade visto por Burri,
da Magnum, na
primeira visita ao país
Fotógrafo, suíço, 71 anos, um filho de 7, René
Burri conhece os cinco continentes, mas gosta mesmo é de estar onde está. Nos anos 60, com sua Leica, fotografou personalidades como Picasso, Giagometti, Le Corbusier, Mao Tsé-tung e Ingrid Bergman,
além do jovem Che Guevara com seu inconfundível
charuto. Verdadeiro “globetrotter”, esteve na Guerra
do Vietnã, em conflitos no Camboja e em Beirute,
e publicou mais de uma dezena de livros, como
Gaúchos (1968), com prefácio de Jorge Luis Borges,
sobre a vida e a cultura do gaúcho da fronteira Brasil–Argentina. Há mais de quatro décadas, integra a
mítica agência fotográfica Magnum, da qual já foi
vice-presidente. Uma grande retrospectiva de suas
fotos viaja pela Europa e retorna à Escola de Artes de
Zurique, onde inciou, há 50 anos, seus estudos de
composição, cor e design.
Em outubro, Burri esteve no Brasil para fazer uma
palestra no Senac São Paulo e um workshop para
fotógrafos a convite da Leica Akademie Brasil.
“Agora vocês têm um presidente otimista”, comenta.
“Mas, após 50 anos de combate, de lutas, tudo ainda está para ser feito.” Numa chuvosa manhã de primavera, em um hotel em São Paulo, ele recebeu a
revista senac.sp e, entre cafezinhos e charutos, falou
do que chama de “momento magnífico”, do futuro
da fotografia e da necessidade de “continuar tentando ver utopias”. Leia a seguir trechos da entrevista:
Ninguém mais se deixa fotografar, as pessoas acham
que alguém está ganhando dinheiro à custa delas.
Como vê a comunicação intensa entre as artes
e a fotografia? Essa comunicação já existia. Os pintores no final do penúltimo século usaram a fotografia
para fazer retratos. A foto nos deu, de repente, algo
que podíamos chamar de verdade. Mas a verdade não
existe. Eu dizia: vamos mudar o mundo com a imagem. Absolutamente! O que conseguimos mudar foi a
visão de algumas pessoas. Espero que ainda existam
pessoas que nos ajudem a tentar ver utopias. Quando
era jovem, tínhamos revistas. Hoje, fazemos produtos
culturais, livros, exposições. Antigamente, não pensávamos em enquadrar uma foto e expô-la em um museu. Mas, às vezes, para sugerir outra maneira de ver,
galerias e museus são um bom caminho.
Na fotografia, o uso da cor é tido como forma de
conexão com a realidade. No entanto, sua geração de documentaristas fotografou basicamente em preto-e-branco. Por quê? Sempre fiz minhas
pinturas e a cor está lá. Mas não sei se consigo mostrar o mundo com fotografias coloridas. Quando fui à
Jamaica, me disseram que teria de usar cor. Respondi
que não tinha tempo para bancar o artista. Mas a fotografia em cores pode nos dar mensagens subjetivas
da realidade. O inglês Martin Parr é um bom exemplo.
Mas Martin Parr é um fotógrafo relativamente
recente. O que quero dizer é que o que é realmente
Militar durante
parada no Egito,
em foto de Burri,
e o autor na
visita a São Paulo,
em outubro:
momento magnífico
magnífico, o momento em que tudo está organizado,
distribuído, focado, esse momento é preciso registrálo rápido porque zum… E ele se foi.. É o que CartierBresson chamava de momento decisivo. Eu sempre
disse a ele que o momento decisivo não existe, o que
existe é quem olha esse momento. É o olhar. Minha
geração usou a disciplina do branco e preto para exercitar sua apreensão do real. Com o filme preto-e-branco nós tínhamos essa rapidez. Nós mesmos revelávamos. Não tínhamos tempo a perder.
Fotografar hoje não é fácil porque há muita poluição visual. Você concorda? É verdade, vemos
muita poluição. Mas para fazer uma fotografia é preciso que eu a dirija, o que significa ter idéias. É preciso
pensar, formular propostas, se emocionar. Fotografar
não é um ato passivo. Isso tudo faz com que eu interaja com a poluição visual, incorporando-a ou não.
Quem são os bons fotojornalistas, na sua opinião? Não te darei nomes. Ocorre que uma certa geração de jovens fotógrafos quer ser reconhecida rapidamente. No lugar de se retirarem, eles se plantam
dentro da cena, e então não vêem mais nada.
Como foi seu início no fotojornalismo na Europa
do pós-guerra? Lançaram-me na água e tive de nadar.
Em situações quase de guerra, procurava sempre preservar uma liberdade anárquica, para não ter de mostrar o
mundo como determinado governo quer.
Os fotojornalistas atuais preservam essa liberdade? Os fotógrafos de hoje não são cultivados o bastante. É preciso atualizar-se.
No início, meus interesses eram a cultura,
os artistas e, é claro, a foto emocionada, o
momento magnífico.
Na década de 50 e 60 você realizou
inúmeras fotos de Pablo Picasso. Como
foi conhecê-lo? Tinha interesse pelo que
ele fazia e quis fotografá-lo, o que me custou seis longos anos. Como não podemos
esperar o acaso, é preciso trabalhar. No momento certo, as coisas aconteceram e eu estava pronto. Meu pai era camponês, tinha
um chapéu de caubói. Com ele, aprendi a
sacar rápido e atingir o alvo.
Se fosse possível, qual situação gostaria de reviver? Uma vez estive num
hotel, em um certo lugar do mundo, e
comi camarões que alguém me preparou.
Esse momento foi perfeito. Tentei voltar ao
Magnum aproximou
arte e reportagem
A Agência Magnum foi fundada em 1947 por quatro
dos mais prestigiosos fotógrafos do período: Henri Cartier-Bresson, Robert Capa, George Rodger e David Seymour. A cooperativa de fotógrafos refletia a natureza independente de seus criadores e contrariava a fórmula do
fotojornalismo praticado na época. Buscando aproximar
reportagem e arte, os fotógrafos da Magnum escolhiam
seus assuntos e como mostrá-los. Achavam fundamental ter um ponto de vista que transcendesse o imaginário coletivo e se dispunham a reformular a documentação contemporânea. Aproveitando o fato de ainda haver
na época regiões nunca antes mostradas do planeta, os
fundadores dividiram a cobertura fotográfica do mundo
entre eles. A Seymour caberia a Europa; a Bresson, Índia,
Japão e China; a Rodger, a África; e a Capa, os EUA.
Com o tempo, a agência passou a incorporar jovens
fotógrafos. Pela equipe orquestrada por Bresson passaram Bruce Davidson, Susan Meiselas, Gilles Peres,
Sebastião Salgado, Raymond Depardon, Eugene Richards e Alex Webb. Agora, a nova geração de fotógrafos da Magnum enfrenta um sério desafio: como se diferenciar em um mundo com excesso de informação
visual? A solução talvez venha das palavras de CartierBresson (1908-2004): “Viva a revolução permanente!”
mesmo lugar algumas vezes mas nunca mais foi tão
bom. Então, retornar a certos lugares por causa de
um amor ou de boa comida é arriscado. Pode nos
decepcionar. E isso prova, talvez, que é preciso colocar intensidade em tudo o que fazemos, para
aproveitar a totalidade do momento. É evidente que
não podemos viver 24 horas por dia em êxtase, mas
é preciso administrar isso.
Como vê o futuro da fotografia? Os últimos dez ou
15 anos transformaram e revolucionaram a fotografia,
uma linguagem que durante 150 anos permaneceu
constante. Talvez daqui há 50 anos não exista mais filme, tudo seja digital. Mas isso não muda nada. Não
podemos retroceder. Acredito que é preciso esquecer
a técnica. Acredito no ofício que tenho. Com ele pude
alimentar a mim e a minha família. Mas minha aspiração é evidentemente ir mais longe, cutucar o diabo.
Qual é o equipamento ideal? Meus olhos, meu coração e minha mente. E se eu tiver uma câmera e, de
quando em quando, fazer uma foto, nada mau.
Qual é a foto mais importante? A foto de meus filhos e de minha mulher.
Qual é o melhor lugar do mundo para viver? O
lugar onde estou. O momento em que estou é sempre o melhor momento.
19
FOTOGRAFIA 18
Você é um fotógrafo privilegiado, conhece todos
os cantos do mundo... Conheço 160 países, até perdi a conta. Quando olho para trás, digo, como pudemos fazer isso por tantos anos? Voar era magnífico!
Quando vim para cá em 1960, tivemos de parar em
Lisboa. Dançamos a noite toda e só no dia seguinte
fomos para Recife. Hoje, quando chego a um aeroporto,
tem sempre um motorista me esperando; sinto-me
um criminoso que retorna ao local do crime.
O mundo ficou menor? Tudo mudou. Quando comecei, era um jovem suíço que
saiu das montanhas porque
queria outra coisa. Era curioso. Aos 10 anos fiz uma coleção de potes com água de
todos os lagos e rios na Suíça onde coloquei os pés. Fiz
até etiquetas.
Como foi sua primeira foto? Foi em 1946, com 13
anos. Fotografei Winston Churchill em Zurique durante a Segunda Guerra Mundial. Meu pai me deu uma
pequena câmera e me disse para ir fotografar a vinda de um homem importante. O interesse propriamente dito não era a foto. Como hoje também não
é a foto, mas a vida.
E qual a diferença dessa época para nossos
dias? Hoje há muito mais amadores, que fazem fotos de todos os acontecimentos. Todo mundo tira fotos o tempo todo.
Isso é uma liberação para nós, que
podemos fazer outras coisas. Ao fotografarmos, consagramos coisas. É
claro que é preciso testemunhar as
coisas terríveis, mas não podemos
bombardear as pessoas o dia inteiro
com essa violência. Ou isso se torna
tudo o que vemos. É preciso fotógrafos que narrem um pouco as mudanças do mundo.
Há ética na foto digital? Mesmo
antes da câmera tradicional, já se trapaceava. Precisamos recuperar a credibilidade. Não sabemos mais se uma
imagem é verdadeira. Os americanos fazem fotojornalismo com ar de
Hollywood. É preciso que haja jovens
que se aventurem a fazer outra coisa.
Livro cataloga os discos que Mário de Andrade
ouvia e comentava para tentar compreender a
gênese da linguagem musical brasileira
Poeta, romancista, musicólogo, historiador da arte e jornalista, além de compulsivo escrevedor de cartas e arquivista,
Mário de Andrade (1893-1945) deixou tesouros para a posteridade, a maior parte deles reunidos em acervo no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. A catalogação de seus discos de música popular brasileira, realizado pela especialista Flávia Camargo Toni, com a reunião de todas as referências a ele feitas por Mário em escritos e conferências, estende uma rede em que se cruzam as várias atividades do intelectual paulistano.
Essa rede está exposta em A Música Popular Brasileira na Vitrola de Mário de Andrade, que a Editora Senac São Paulo lança em parceria com o Sesc São Paulo. O
livro inclui a descrição técnica dos 161 discos de MPB guardados por Mário, com a
reprodução de suas anotações, feitas em capas de cartolina que ele punha no lugar
das originais. Nelas se encontravam comentários sobre intérprete e gênero e detalhes a serem ressaltados em referências que o escritor viesse a fazer, em palestras,
artigos ou em suas aulas no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo.
“Nas anotações, ele quer entender o tempo todo de que maneira foi construída
uma linguagem musical brasileira, assim como na literatura ele procurou uma fala
brasileira”, diz Flávia Toni. O livro traz textos introdutórios – um deles do historiador José Ramos Tinhorão – e 11 apêndices que ilustram a ligação de Mário com a
música focalizada na pesquisa. Flávia chama a atenção para a atividade sempre
apaixonada do escritor, apontando como exemplo a carta (transcrita no livro) ao
jornalista Moacir Werneck de Castro em que se refere ao samba “Praça XI”, confessando ter tido “um ataque sentimental danado” ao ouvi-lo. “A audição dessa música amplia a dimensão da arte da MPB para ele”, diz Flávia.
Mário de Andrade:
anotações que ajudam
a entender as origens
da música brasileira
Atividade a que o senso comum atribuiu tanto glamour quanto preconceito,
o trabalho de modelo raramente é visto
como profissão, o que implica direitos,
deveres e conhecimento do ofício. A publicitária e ex-modelo Margareth Libardi
escreveu Profissão Modelo sob esse
ponto de vista e com a intenção de
constituir um guia, o primeiro do gênero
no Brasil. Nele se encontram informações
históricas, conceitos básicos e dicas de
conduta, além de entrevistas com gente
do meio e ex-modelos dos anos 80,
como Marcos Pantera e Lívia Mundi. O
público a que se destina é o de mulheres e homens que
estão na profissão,
aspirantes e aqueles
que já abandonaram
a carreira, por definição efêmera. Para a
autora, o livro não
pretende oferecer fórmulas de sucesso,
mas “recursos suficientes para que cada
profissional siga seu
caminho da melhor maneira”. Esse caminho, cada vez mais, é o de um grande
número de pessoas comuns que ganham a vida numa atividade ao mesmo
tempo árdua e divertida, entre os quais
bem poucos chegam a top models.
Lançamentos
Plantas do desejo
Inteligência e educação
Cozinha criativa
O ensino da saúde
Racismo revelado
A ordem da metrópole
No Rastro de Afrodite é uma panorâmica
de fôlego sobre as plantas que têm o poder ou a fama de despertar a libido. O botânico Gil Felippe e a aquarelista Maria Cecília
Tomasi mostram quais espécies são, à luz
da ciência, realmente afrodisíacas. O livro é
uma co-edição com a Ateliê Editorial e inclui receitas.
A teoria do conhecimento do psicólogo romeno-israelense Reuven Feuerstein e sua
aplicação no campo pedagógico são analisadas pelas especialistas Ana Maria Martins
de Souza, Léa Depresbiteris e Osny Telles
Marcondes Machado em A Mediação como
Princípio Educacional, uma das primeiras
obras brasileiras sobre o assunto.
A intenção da jornalista Renata Bottini ao
escrever Receitas que Impressionam foi
preparar um guia para tornar especial a trivialidade da cozinha do dia-a-dia. O livro
reúne mais de 200 receitas em que um toque de criatividade faz a diferença. Seus 16
capítulos abrangem os itens básicos das refeições, dos pães às carnes.
A relação educacional na área de saúde se
diferencia das demais por não se restringir
a professor e aluno. Envolve também a figura do paciente. Dezenove autores, em 17
ensaios, discutem questões relacionadas
ao assunto em Docência em Saúde, organizado pelos professores Nildo Alves Batista e
Sylvia Helena Batista.
O momento da abolição da escravatura no
Brasil coincide, ironicamente, com um período de racismo em São Paulo, onde se difundiam projetos de “branqueamento” da
sociedade e crescia a tensão entre brancos e ex-escravos. É esse o cenário de
Uma História Não Contada, de Araújo
Correia Lacerda e José Maria Almeida.
Em parceria com a Prefeitura Municipal de
São Paulo, a Editora Senac São Paulo publica
em livro o Plano Diretor da cidade – o terceiro de sua história, aprovado em 2002. O volume é fonte de informação para urbanistas,
historiadores e todos os que se interessem
pela organização de um espaço urbano com
mais de 10 milhões de pessoas.
21
Os ouvidos de Mário
FOTO DIVULGAÇÃO
EDITORA SENAC SÃO PAULO 20
PARA SABER MAIS, ACESSE O SITE www.sp.senac.br/editora
Profissionalismo na passarela
O designer gráfico José Victor Calfa da Silva, 23 anos, sempre adorou desenhar. Na adolescência, descobriu
as histórias em quadrinhos e os mangás japoneses, sua maior paixão. Optou por se graduar em design gráfico pelo Senac São Paulo porque acreditava que o curso ampliaria o arsenal de ferramentas de que dispõe
para fazer o que gosta: criar. Tinha razão: do papel e lápis, pulou para os sofisticados softwares de desenho
que usa para inventar e produzir rótulos, cartazes e produtos fictícios a pedido da equipe de cenografia da
novela Seus Olhos, do SBT, onde trabalha. Enquanto não realiza o sonho de ver publicados os mangás que
desenha, vai exercitando o gosto pela criação. “Só saindo do clichê o designer se destaca”, afirma.
Como você chegou ao Senac?
Estava insatisfeito com o curso de publicidade que fazia. Optei por ele porque
queria trabalhar com criação. Mas percebi,
na faculdade, que minha vocação era a
de designer. Então vi um anúncio do curso de design gráfico do Senac e decidi
prestar o vestibular.
Como foi sua trajetória a partir daí?
De cara, adorei o curso. Além do ótimo
conteúdo, as aulas são sempre muito dinâmicas, com trabalhos práticos que funcionam como desafios pra alguém que,
como eu, gosta tanto de criar. Também ganhei ótimas noções de produção gráfica,
algo que se usa muito no dia-a-dia de trabalho: é a fase da impressão do material,
de finalizar o que se criou. O curso ainda
me abriu muitas portas. Consegui meu
primeiro emprego, desenhar páginas em
um jornal de bairro, por causa de um
anúncio feito na faculdade. Em seguida, o
próprio Senac me chamou para criar ilustrações e peças de publicidade para o
evento Mundo dos Quadrinhos. Também
criei capas de livros e logotipos para uma
editora antes de começar a trabalhar com
programação visual nas novelas do SBT,
onde estou até hoje.
Como é seu dia-a-dia?
Entro entre 9h e 10h e saio entre 19h e
20h. Ajudo a compor o cenário da novela, criando cartazes, rótulos e embalagens de produtos fictícios, de um refrigerante a uma marca de biscoito, de
um outdoor a um rótulo. Quem decide
o que vou fazer é o pessoal da cenografia, mas tenho liberdade para criar em
cima do que eles me pedem. Gostaria
de poder ter mais tempo para desenvolver a criação, mas preciso produzir,
em média, um trabalho por dia.
Que conselhos você dá a quem começa na profissão?
Se a idéia é se destacar naquilo que se faz, não dá para ter medo
de criar. Meu conselho é sair do clichê. Para isso é preciso ler, estudar muito e se habituar a buscar referências em livros e revistas de
design. Com o tempo, só quem sabe o que faz consegue se manter no mercado. O lado bom da profissão é que a área de atuação
do designer é ampla. Você pode trabalhar numa editora, num jornal ou num processo industrial, criando logotipos para uma empresa, por exemplo. Mas é preciso ser flexível. Nem sempre há emprego fixo, com carteira assinada. Boa parte da oferta de trabalho é
para free lancers. Para começar na área, fique de olho nas propostas de trabalho nos quadros de anúncios de sua faculdade.
José Victor e página de
um mangá que desenhou:
área de atuação do
designer é ampla
Para quem busca formação superior na área de design gráfico, o
Senac oferece o novo curso de
Bacharelado em Design com habilitação em Comunicação Visual,
que prepara o aluno para criar soluções gráficas e de programação
visual (impressos, revistas, livros,
rótulos, logomarcas, projetos de
identidade visual). Trabalhos práticos estimulam o uso inovador
de ferramentas e conhecimentos.
O mesmo curso oferece duas outras habilitações, em Interfaces
Digitais e em Desenho Industrial.
Outra opção para quem quer se
graduar na área é o curso de Tecnologia em Design Multimídia,
que forma designers para atuar
em mídias eletrônicas (CD-ROM,
Internet, games). Para saber mais
sobre os cursos superiores do Senac, ligue 0-800-883-2000 ou
acesse www.sp.senac.br.
Série revisita expedição que escritor conduziu
em 1938 para registrar folclore do Nordeste
Ritmo típico do Nordeste brasileiro, o forró conquistou enorme popularidade entre universitários do eixo Rio de Janeiro–São Paulo nos últimos dez anos. O programa Gerações apresenta, em 2005, o episódio
Forró, que lembra as raízes da música e dança nordestina, tradicionalmente sustentadas pelo trio triângulo-zabumba-sanfona. O programa
também mostra estilos correlatos, como xote, baião, xaxado e coco, e
reúne imagens e músicas de forrozeiros clássicos, como Luiz Gonzaga,
e renovadores do gênero, como o grupo Falamansa, que conquistou
enorme sucesso fonográfico com o estilo “pé de serra”. Forró, de 30 minutos, traz depoimentos de entusiastas – Oswaldinho do Acordeon,
com mais de 30 anos de forró, e Walter Garcia, músico e professor de
canção popular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, entre
outros – e tem apresentação do poeta Ferreira Gullar.
A obra de Cretti
Paraense radicado em São Paulo há quatro décadas, o artista plástico
Claudio Cretti ganha episódio do programa O Mundo da Arte, que aborda sua trajetória profissional, suas referências artísticas e seu processo
de criação. O episódio mostra exemplos de produções recentes do artista, como as esculturas de mármore com formato orgânico que expôs
no Paço das Artes, em São Paulo, e a instalação com lençóis e toalhas
de banho que criou para o Lord Palace Hotel, também na cidade, este
ano, além de peças e desenhos de seu acervo pessoal. O crítico de arte
e curador Tadeu Chiarelli comenta o trabalho de Cretti, que foi aluno de
artistas como Lenora de Barros, Cássio Michalany e Guto Lacaz.
Pais na prisão
O drama dos filhos de presidiários – que muitas vezes não têm com
quem ou onde morar – é o tema de Filhos, série que vai ao ar no começo de 2005. Produzida pela Rede Sesc Senac de Televisão, ela dedica um
episódio à convivência das crianças com seus pais e mães dentro do sistema penitenciário. Parte das cenas foram gravadas na entidade filantrópica Movimento de Assistência aos Encarcerados do Estado de São Paulo e em seu projeto Minha Casa, abrigo que cuida de 60 filhos de detentos, entre crianças e jovens de até 18 anos. A série aborda as dificuldades
de adaptação dessas crianças à vida fora de casa e as adversidades enfrentadas pelos projetos que buscam suprir uma lacuna criada pelo próprio sistema penal. O jornalista James Capelli apresenta o programa.
REDE SESCSENAC DE TELEVISÃO 23
Para quem quer se destacar na área do design gráfico, referências,
treino e ousadia são fundamentais, diz jovem profissional
Isto é forró
A PROGRAMAÇÃO COMPLETA ESTÁ NO SITE www.redestv.com.br
Senac oferece
graduação em Design
FOTOS ROCHELLE COSTI (JOSÉ VICTOR CALFA DA SILVA); DIVULGAÇÃO (TV)
EX-ALUNO 22
“Não dá para ter medo de criar”
25
CIÊNCIAS DA SAÚDE
Bacharelado em Administração:
Habilitação em Gestão de Serviços de Saúde
Forma profissionais especializados na gestão de hospitais,
clínicas, seguradoras de saúde e bancos de sangue. Busca
dar ao aluno visão de mercado e capacidade de análise
econômica e financeira. Parcerias com empresas do setor
garantem a vivência de situações reais de trabalho.
Tecnologia em Radiologia Médica
Prepara os estudantes para trabalhar em serviços de radiologia médica, radiodiagnóstico (tomografia computadorizada,
ressonância magnética, medicina nuclear e mamografia) e
radioterapia. Além dos conhecimentos técnicos, enfatiza processos educacionais e gestão de serviços de saúde.
Senac cria 11 novos cursos de graduação nas áreas de Tecnologia,
Comunicação e Artes, Ciências da Saúde, Ciências Ambientais e Turismo
A partir de fevereiro de 2005, o Centro Universitário Senac amplia sua carteira de cursos
de graduação com 11 novos títulos em Tecnologia, Comunicação e Artes, Ciências da Saúde,
Ciências Ambientais e Turismo. A oferta, afirma
Maria Tereza Franzin, diretora de graduação, resulta “da constante prospecção da instituição
junto à sociedade e ao mercado de trabalho, visando formar profissionais em áreas contemporâneas e, portanto, carentes de especialistas”.
A expansão foi possibilitada pelo credenciamento do Centro Universitário Senac pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), em setembro, que deu à instituição autonomia para criar
cursos de graduação. Antes de receber o aval
do CNE, o conjunto das Faculdades Senac obteve conceito máximo na avaliação do Ministério da Educação, que levou em conta a consistência do projeto pedagógico, a qualidade do
corpo docente e a infra-estrutura.
Para o processo seletivo 2005, com provas
nos dias 5 e 6 de dezembro, o Centro Universitário Senac disponibilizou 1560 vagas em 21
cursos de graduação. Destas, 550 são em cursos novos. Veja quais são eles:
TURISMO
Bacharelado em Turismo
Montar e dirigir empreendimentos, implantar
processos de qualidade e avaliar o impacto de
uma atividade turística estão entre as competências do bacharel em turismo. Com conhecimentos teóricos, operacionais e administrativos, ele
pode atuar na pesquisa, planejamento, organização e execução de ações na área do turismo, ecoturismo e turismo rural. É o primeiro curso superior em São Paulo que dá ao aluno a qualificação
de Guia de Turismo, certificado pela Embratur.
CIÊNCIAS AMBIENTAIS
Bacharelado em Gestão Ambiental
O gestor ambiental é o profissional capaz de conceber e gerir projetos
que promovam o desenvolvimento sustentável e preservem o meio
ambiente. Pode atuar no governo e em ONGs, empresas, consultorias
e institutos de pesquisa, entre outros. O curso incentiva a ação interdisciplinar e a vivência prática, nos laboratórios da Faculdade (Cartografia,
Biologia, Informática e Geoprocessamento) e nas atividades de campo.
Bacharelado em Ciências Biológicas – Ênfase em Meio Ambiente
Forma profissionais capazes de planejar e implantar políticas públicas
para o meio ambiente, desenvolver produtos a partir de pesquisas biotecnológicas e gerir recursos naturais. O curso prevê atividades práticas em laboratórios especializados e o desenvolvimento de projetos
de biologia, com enfoque em situações reais.
Bacharelado em Engenharia Ambiental
O engenheiro ambiental pode trabalhar adequando processos produtivos às normas ambientais, fazendo diagnósticos e prognósticos ambientais e propondo políticas de intervenção. O curso tem quatro eixos: capacitação tecnológica, estímulo à postura empreendedora, desenvolvimento de trabalhos multidisciplinares e formação ética e humanística.
ILUSTRAÇÕES ZED
ACONTECE 24
Centro Universitário
expande oferta de cursos
TECNOLOGIA
Bacharelado em Sistemas da Informação
Prepara profissionais capazes de identificar as
necessidades tecnológicas das organizações e de
criar soluções para sistemas informatizados. O
estudante aprende a gerenciar equipes, organizar
fluxos de informação, aperfeiçoar sistemas e produzir planos diretores de automação. Pode trabalhar como analista de sistemas e de processos
empresariais, programador e criador de sistemas
de informação. “Hoje, praticamente todas as atividades econômicas demandam automação de
seus processos para melhorar o desempenho”,
diz o coordenador Elias Roma Neto.
Tecnologia em Banco de Dados
O tecnólogo em Banco de Dados desenvolve soluções para empresas que precisam armazenar e
manipular dados; constrói e administra gerenciadores de informações; e cria recursos de recuperação e segurança de dados. O curso oferece formação técnica e humanística, e, além das aulas
convencionais, envolve os alunos em monitorias,
projetos de iniciação científica, estágios e outras
atividades práticas.
COMUNICAÇÃO E ARTES
Bacharelado em Design
Flexível, o curso se reparte em três habilitações,
mas garante a todos os alunos técnicas específicas, reflexão sobre o papel do designer e projetos que demandam conhecimento diversificado da área. “Eles serão estimulados a buscar soluções inovadoras, e não apenas reproduzir modelos”, explica o coordenador Alécio Rossi Filho.
Bacharelado em Design
com habilitação em Comunicação Visual
Forma um designer capaz de criar soluções
gráficas e de programação visual a partir de
ferramentas e conhecimentos culturais.
Bacharelado em Design
com habilitação em Interfaces Digitais
O designer sai preparado para criar soluções
de comunicação digital e projetos em mídias
eletrônicas e novas tecnologias.
Bacharelado em Design
com habilitação em Desenho Industrial
Dá ênfase à formação de desenvolvedores de
produtos e objetos adequados às demandas
contemporâneas de funcionalidade e desenho.
Campus Santo Amaro ganha complexo de auditórios e salas
multiuso equipado para receber de palestras a grandes congressos
Complexo de salas e auditórios com infra-estrutura para
abrigar diversos tipos e formatos de eventos, o Centro de
Convenções do Campus Santo Amaro foi inaugurado em
setembro pelo presidente da Federação do Comércio,
Abram Szajman, e pelo diretor regional do Senac São Paulo, Luiz Francisco de Assis Salgado. O secretário de Estado de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento e Turismo,
João Carlos de Souza Meireles, representou o governador
Geraldo Alckmin. O novo espaço, que fica dentro do
Campus Santo Amaro, tem capacidade para abrigar mais
de 800 pessoas em seus quatro auditórios e cinco salas
multiuso. Dispõe de paredes com isolamento acústico,
equipamentos de som, iluminação e tradução simultânea, camarins, copas equipadas com fogões industriais e
um saguão de entrada de 915 metros quadrados decorado com sofás e mesas. Comporta de palestras a congressos internacionais, além de encontros acadêmicos, apresentações artísticas, exposições e outras atividades organizadas pelo Senac ou por instituições parceiras. Logo
após a inauguração, o Centro de Convenções recebeu o
Seminário Internacional de Educação Empreendedora,
que reuniu mais de 470 pessoas no auditório principal.
Núcleo dinamiza trocas acadêmicas Brasil–EUA
Com o propósito de promover intercâmbios educacionais, atividades culturais, parcerias institucionais e
pesquisas envolvendo alunos e professores do Senac
São Paulo e universidades dos Estados Unidos da
América, está funcionando desde setembro o Centro
de Estudos Brasil–Estados Unidos. Localizado dentro
da Biblioteca do Campus Santo Amaro, o centro terá
um banco de dados para pesquisas sobre a América
do Norte, com livros, periódicos e informações que
poderão ser acessadas não apenas por professores,
estudantes e funcionários do Senac, mas por toda a
comunidade. Na abertura do centro, Donna Hrinak,
ex-embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, fez
uma palestra sobre as relações entre os dois países. A
diplomata elogiou a consolidação do sistema democrático brasileiro, ressalvando que o país ainda precisa promover prosperidade. A solução, afirmou, está
no incentivo à educação e no trabalho conjunto entre
governos e universidades pelo desenvolvimento local.
“Na guerra contra a fome, a educação é a arma mais
importante”, disse Hrinak.
Refugiados aprendem
português no Senac
Uma das primeiras vítimas da guerra civil que
assolou Serra Leoa, na África, por mais de dez
anos, Baimba Conteh está entre os alunos do
curso de português oferecido gratuitamente
pelo Senac e pelo Sesc a refugiados de guerra exilados no Brasil. Baimba teve o pai verdadeiro e os pais adotivos assassinados por
fazerem oposição ao governo. A guerra terminou em 2002 com um saldo trágico de 30 mil
mortos, mas os conflitos envolvendo rebeldes e o exército local não cessaram. Foi quando Baimba decidiu fugir de Serra Leoa escondido em um navio. “Deixei meu país para salvar a vida”, diz.
Cerca de 1500 refugiados como ele vivem
hoje em São Paulo, a metade do total estimado dos que estão no Brasil. A maioria tem
o seu perfil: são homens negros, entre 20 e
30 anos, vindos de nações africanas em conflito. Em geral, chegam ao país clandestinamente, em navios que aportam em Santos
(SP) ou em Paranaguá (PR). Nos últimos
quatro anos, 205 deles freqüentaram as aulas de língua portuguesa e mais de 220 passaram pelos cursos técnicos e profissionalizantes que o Senac São Paulo e o Sesc oferecem gratuitamente a refugiados políticos
desde 1995 (no foto, alunos do curso de português). O programa nasceu de um convênio
com a organização católica Cáritas Arquidiocesana, que representa o Alto Comissariado
das Nações Unidas para os Refugiados, e inclui atividades culturais e refeições servidas a
preços abaixo do custo (R$ 1,96). Para a professora Rosângela Portela, a proposta do curso de português vai além de transmitir noções
básicas do idioma. “Pretendemos promover
a integração dos refugiados, oferecendo subsídios para que possam entrar em contato com
outros brasileiros”, explica.
A importância da educação na construção de uma sociedade empreendedora e a relação entre cultura do empreendedorismo e desenvolvimento foram alguns dos
tópicos de debate do Seminário Internacional de Educação Empreendedora, realizado pelo Núcleo de Empreendedorismo do Senac e pela Diretoria de Extensão do
Centro Universitário Senac no Centro de Convenções do
Campus Santo Amaro. “O empreendedorismo exige conhecimento e, por isso, ele deve estar presente em todos
os níveis do sistema educacional”, afirmou o pesquisador
canadense Louis Jacques Filion, professor da H. E. C. Montreal Business School, um dos convidados. Fernando Dolabela, criador dos principais programas de educação
empreendedora brasileiros, enfatizou que o empreendedorismo deve gerar valores humanos e sociais, e não
apenas econômicos. “A sua finalidade é o combate à miséria, bem como a geração e distribuição de renda, conhecimento, poder e riqueza”, disse.
Senac mostra ecodesign
na 18ª edição da Casa Cor
Madeiras de reflorestamento, telhas de fibra vegetal, tecidos feitos com garrafas PET recicladas, tijolos fabricados sem queima, pisos antiderrapantes de borracha reaproveitada: soluções de design e decoração ecologicamente sustentáveis foram o tema da mostra Casa Consciente – A Moradia do Futuro Já Começou, organizada
pelo Senac São Paulo para a 18ª edição da Casa Cor
(foto). Ao todo, 12 produtos, desenvolvidos a partir
do conceito de ecodesign, ocupavam a Galeria
Senac, instalação de 150
metros quadrados projetada pela decoradora
Ricky Dayan e pelo arquiteto Samy Dayan. De acordo com Alessandra Stoll,
curadora da mostra, o objetivo é “conscientizar as
pessoas da importância
do consumo responsável
de produtos ecologicamente adequados”. A Casa Cor é a maior exposição de arquitetura, decoração e design de interiores da América Latina. A
18ª edição aconteceu entre os dias 30 de setembro e 2 de novembro.
27
Seminário discute educação
e sociedade empreendedora
FOTOS ROCHELLE COSTI (CENTRO CONVENÇÕES E IDIOMAS); DIVULGAÇÃO (CASA COR)
ACONTECE 26
Campus abre Centro de Convenções
Olhos de Sentir, desenvolvido pelos alunos do curso Oficina de
Roteiro, marcou a inauguração do novo laboratório de vídeo do
Senac em Campinas. Investimento de R$ 500 mil, o espaço tem
equipamentos de última geração de captação de imagens, edição linear e não-linear e gravação em DVD.
Senac Moda
Informação
Um dos mais completos acervos bibliográficos especializados em fotografia do país, com 2 mil livros e 90 periódicos, foi doado pela Casa da Fotografia Fuji à biblioteca universitária da Faculdade de Comunicação e Artes do Senac São Paulo. A Casa da Fotografia Fuji surgiu em 1990
para incentivar o desenvolvimento da fotografia no Brasil.
A coleção abrange história da fotografia e livros dedicados
à obra de grandes fotógrafos, além de teoria e técnicas de
Ecoeficiência ganha
prêmio ambiental
Criado pelo Senac São Paulo, o Programa Ecoeficiência conquistou o terceiro lugar no 2º Benchmarking Ambiental Brasileiro, prêmio oferecido
às instituições que desenvolvem os
melhores programas de responsabilidade e segurança ambiental. O Ecoeficiência busca racionalizar o uso de
recursos naturais em todas as unidades, além de “otimizar os recursos financeiros por meio do aumento da
eficiência no uso de insumos”, segundo Yuri Nogueira Feres, um dos responsáveis pelo projeto. Desde que
começou, a coleta seletiva de lixo foi
implantada em 100% das 60 unidades e houve redução no consumo de
energia elétrica, copos descartáveis e
papel. Além disso, o Senac está encaminhando para tratameno todas as
suas lâmpadas fluorescentes usadas,
um material especialmente tóxico.
captação, revelação e tratamento de imagens. A biblioteca,
agora com 4 mil livros e 200 periódicos, está à disposição
da comunidade, além dos professores, alunos e funcionários do Senac. “Com a transferência do acervo para o Senac, o acesso será mais amplo”, diz Flávio Takeda, gerente de marketing da Fujifilm. A biblioteca fica na rua Scipião, 67, tel. (11) 3866-2517, Lapa, São Paulo, e funciona
de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.
Fórum discute uso de células-tronco
Especialistas em hemoterapia, biologia molecular e genética discutiram as implicações éticas e legais das pesquisas com células-tronco durante o Fórum de
Aplicações da Biotecnologia em Saúde, organizado pela Faculdade de Ciências da Saúde do Senac. Capazes de gerar cópias idênticas, entre outras propriedades, as células-tronco são objeto de pesquisa no mundo inteiro. Debate-se sua utilização na recomposição de tecidos lesionados e no tratamento
de doenças como diabetes e mal de Alzheimer. Parte desses usos é controversa, como a clonagem de células para fins reprodutivos. O fórum fez parte da
programação da sexta edição da Jornada de Hemoterapia, que reúne anualmente profissionais do setor para participar de palestras e mesas redondas.
FOTOS ROCHELLE COSTI (BIBLIOTECA E XILOGRAVURA); MÁRCIA PINTO (CASAS MARCADAS); DIVULGAÇÃO (CÉLULAS-TRONCO, LABORATÓRIO DE VÍDEO)
Biblioteca incorpora acervo de fotografia
A moda da temporada
outono/inverno 2005
verá um retorno aos
clássicos das décadas
de 1920 a 1950. “A estação define uma elegância madura”, diz a
consultora Luciana Parisi. Essa é uma das direções apontadas pelo
Caderno de Tendências
do 24ª Senac Moda
Informação, entregue
no evento. O material
está à venda pelo tel.
(11) 3865-4888.
Prêmio Top Hospitalar
O Senac São Paulo está entre os três finalistas do prêmio Top Hospitalar 2004, na categoria Instituição de Ensino.
A premiação resulta de uma pesquisa com mais de 100 mil profissionais
da área e busca destacar as principais marcas do mercado médico-hospitalar brasileiro. O resultado será divulgado em dezembro.
Casas Marcadas A unidade Guarulhos do Senac São Paulo abrigou
em outubro uma mostra fotográfica com 60 imagens de bairros que podem
ser extintos pela ampliação
do Aeroporto Internacional
de São Paulo. Batizada Casas
Marcadas, a exposição é resultado de duas caminhadas fotográficas promovidas por jornalistas, fotógrafos, artistas e
ambientalistas de Guarulhos.
DIA-A-DIA
Alunos de Design aprendem xilogravura
Fazer com que o aluno experimente técnicas de expressão artística e compreenda os princípios que envolvem a produção gráfica
é o objetivo das aulas de gravura que integram o curso superior
de Design Gráfico do Senac São Paulo. A disciplina é ministrada
no terceiro semestre do curso, no Atelier de Processos Gráficos do
Campus Santo Amaro. Além de abrigar as aulas, o espaço fica à
disposição dos alunos em horários alternativos. Quando a imagem ao lado foi feita, o estudante Jaime de Ulhôa Cintra preparava uma xilogravura. Depois de escavar uma matriz de madeira
com uma goiva para produzir uma imagem em relevo, aplicou tinta preta sobre a peça para gravar o desenho no papel. O procedimento, que já era empregado pelos egípcios, indianos e persas na
estampagem de tecidos, foi resgatado no século 20 por artistas
como o espanhol Pablo Picasso e o francês Henri Matisse. O curso fala ainda de monotipia, gravura em metal, litografia, serigrafia
e fotogravura. “Também realizamos atividades externas de desenho de observação e visitas técnicas a outros ateliês, gráficas, museus e galerias de arte”, diz o docente Ernesto Bonato.
REGISTRO 29
ACONTECE 28
Laboratório de vídeo A exibição do curta-metragem
1. Recorte um pedaço de 53 cm de filme.
2. Lixe os aros menores dos dois bastidores.
3. Aplique fita dupla face na face externa dos dois aros menores.
Corte o excesso de fita com o estilete.
4. Cole a base do filme em volta de um dos aros menores,
aplicando-o sobre a fita. Corrija as “bolhas” que se formarem
no filme empurrando suavemente a parte colada ao aro.
Cole a outra extremidade do filme em volta do outro aro.
5. Encaixe os aros maiores dos bastidores sobre os menores.
6. Corte os dois espetos de churrasco na medida do diâmetro
dos bastidores. Cole os espetos paralelos sobre os bastidores
na parte de cima da luminária.
7. Instale o fio no soquete.
8. Passe o fio com o soquete por entre os espetos.
1
Régua
2
Filme decorativo para fundo
de aquário, encontrado em
lojas de pesca, aquarismo
ou produtos para animais
Estilete
3
Fio elétrico e
1 soquete
4
Lâmpada
5
2 bastidores simples
para bordado, nº 16
(cada bastidor é
composto por dois
aros, um maior
e um menor)
6
Fita dupla face
1 chave de fenda
7
8
2 espetos de madeira para churrasco
Cola epóxi
Lixa fina para madeira
Entenda o Senac
O que é o Senac? O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial é uma instituição educacional privada,
sem fins lucrativos, que investe seus recursos na qualificação e formação de profissionais para as áreas de comércio e serviços.
Quantos cursos o Senac São Paulo oferece?
Mais de 2 mil, entre cursos livres, técnicos, de extensão,
de graduação e pós-graduação (lato sensu e stricto sensu),
além de eventos especiais, em áreas como Administração e Negócios, Comunicação e Artes, Design de Interiores,
Educação Ambiental, Gestão Educacional, Idiomas, Informática, Moda, Saúde, Tecnologia Aplicada, Terceiro Setor
e Turismo e Hotelaria.
O que é o Centro Universitário Senac? O Centro Universitário Senac foi credenciado pelo Conselho
Nacional de Educação (CNE), em setembro, que dá à instituição autonomia para criar cursos de graduação. Ele
reúne os campi de Águas de São Pedro, Campos do Jordão e São Paulo (Santo Amaro).
Onde estão as unidades do Senac? CAPITAL
E GRANDE SÃO PAULO: 24 de Maio (R. 24 de Maio, 208/
1º, 2º e 3º), Água Branca (Av. Francisco Matarazzo, 249),
Bela Vista (R. Plínio Barreto, 285/4º), Consolação (R. Dr.
Vila Nova, 228), Itaquera (Av. Itaquera, 8266), Jabaquara
(Av. do Café, 298), Lapa (R. Faustolo, 1347, R. Scipião, 67
e R. Tito, 54), Luz (Av. Tiradentes, 822), Penha (R. Francisco Coimbra, 403), Santana (R. Voluntários da Pátria, 3167),
Santa Cecília (Al. Barros, 910), Santo Amaro (R. Dr. Antônio Bento, 393), Tatuapé (R. Cel. Luiz Americano, 130), Vila Prudente (R. do Orfanato, 316), Idiomas – Anália Franco (R. Eleonora Cintra, 137), Santana (R. Alfredo Pujol, 369),
Vila Mariana (Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 180),
Centro Universitário Senac – campus Santo Amaro (Av.
Eng. Eusébio Stevaux, 823), Guarulhos (R. Padre Celestino, 108), Osasco (R. Dante Batiston, 248), Santo André
(Av. Ramiro Colleoni, 110) INTERIOR: Araçatuba, Araraquara, Barretos, Bauru, Bebedouro, Botucatu, Campinas, Catanduva, Franca, Guaratinguetá, Itapetininga, Itapira, Jaboticabal, Jaú, Jundiaí, Limeira, Marília, Mogi
Guaçu, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto,
Rio Claro, Santos, São Carlos, São João da Boa Vista, São
João do Rio Preto, São José dos Campos, Sorocaba, Taubaté, Votuporanga e Centro Universitário Senac – campus Águas de São Pedro e campus Campos do Jordão.
O que mais a rede Senac São Paulo oferece?
Dois hotéis-escola: o Grande Hotel Campos do Jordão e o
Grande Hotel São Pedro; a Editora Senac São Paulo; a Rede
SescSenac de Televisão (NET, Sky, DirecTV, Tecsat e Vivax);
Educação a Distância; e Atendimento Corporativo.
Informações sobre programas, cursos e endereços de
unidades: acesse o site www.sp.senac.br ou ligue
0800 883-2000.
31
Senac – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial » Administração Regional no Estado de São Paulo » Conselho Regional » Presidente: Abram Szajman » Efetivos: Akira Kido, Argemiro de Barros Araújo, Arlette Cângero
de Paula Campos, Carlos Eduardo Gabas, Garabed Kenchian, Haroldo Silveira Piccina, José Carlos Buchala Moreira, José Camargo Hernandes, José Domingues Vinhal, Nelson Tavares, Paulo Fernandes Lucania, Pedro Zidoi Sdoia,
Rubens Torres Medrano, Ruy Pedro de Moraes Nazarian, Wilson Hiroshi Tanaka » Suplentes: Alaor Augusto Cruz, Alberto Weberman, Antonio Henrique Medeiros Duarte, Arnaldo Augusto Ciquielo Borges, Assis de Andrade Vieira,
Atílio Carlos Daneze, Frednes Correa Leite, Gener Silva, George Assad Chahade, José Antonio Scomparin, Ludgero Migliavacca, Luiz Armando Lippel Braga, Michel Jorge Saad, Oswaldo Bandini, Ramez Gabriel, Roberto Arutim »
Representantes junto ao Conselho Nacional » Efetivos: Abram Szajman, Marcio Olívio Fernandes da Costa, Marco Aurélio Sprovieri Rodrigues » Suplentes: Dario Miguel Pedro, Edson Gaglianone, Felícia Aparecida de Souza Areias
» Diretor Regional: Luiz Francisco de Assis Salgado » Superintendente Administrativo: Clairton Martins » Superintendente de Desenvolvimento: Luiz Carlos Dourado » Superintendente de Operações: Darcio Sayad Maia »
Gerente de Comunicação: Gilberto Garcia da Costa Junior » Supervisão: Liliana L. S. Penna, Renata da Silva Hernandes » Conselho Editorial: Caco Galhardo, Gilberto Garcia da Costa Junior, Isabel Maria Macedo Alexandre, Luiz
Carlos Dourado, Maria Ester Martinho, Monique Schenkels » Editora Responsável: Maria Ester Martinho (mtb 2444) » Diretora de Arte: Monique Schenkels » Editora de Arte: Dagmar Rizzolo » Editora de Fotografia: Rochelle
Costi » Editor Assistente: Márcio Ferrari » Reportagem: Rodrigo Martins » Assistente de Arte: Desi Alessandrini » Estagiária de Arte: Mariana Veronezi » Colaboradores: Adão Iturrusgarai, Allan Sieber, Ana Holanda, Caco Galhardo,
Carlos Christofani, Everton Ballardin, Fernando Gonsales, Flavio de Carvalho Serpa, Laerte, Mariana Sgarioni e Zed » Fotógrafos: Everton Ballardin e Rafael Quintino » Revisor: Jorge Cotrin » Produção Gráfica: Jairo da Rocha
(Finale) » Fotolito e Impressão: Atrativa » Edição trimestral » Tiragem 25.000 exemplares. Rua Dr. Vila Nova, 228, 8º andar, CEP 01222-903, Vila Buarque, São Paulo, SP. Tel. (11) 3236-2000, fax (11) 3255-4487 » Fale com a
revista. Mande suas críticas e sugestões para o e-mail [email protected]
Um filme decorado com motivos marinhos
e um par de bastidores se transformam em
luminária pendente. Por Carlos Christofani
Material
Como fazer
FOTOS RAFAEL QUINTINO
PASSO-A-PASSO 30
Luminária
aquário
Download

desta edição