UNIVERSIDADE TIRADENTES DIREÇÃO DA ÁREA DE SAÚDE CURSO DE ENFERMAGEM MANUEL FERNANDO MACÊDO NETO MYRIAM PAES DANTAS PACHECO A ARTE DO LÚDICO NO TRATAMENTO DE CRIANÇAS HOSPITALIZADAS – PROJETO BAÚ DA CONTAÇÃO ARACAJU 2015 MANUEL FERNANDO MACÊDO NETO MYRIAM PAES DANTAS PACHECO A ARTE DO LÚDICO NO TRATAMENTO DE CRIANÇAS HOSPITALIZADAS – PROJETO BAÚ DA CONTAÇÃO Artigo apresentado à disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, do curso de enfermagem da Universidade Tiradentes – UNIT, como um dos pré-requisitos para a obtenção do grau de Bacharel em Enfermagem. Orientadora: Prof. Esp. Sheila Jaqueline Gomes Santos Oliveira. ARACAJU 2015 MANUEL FERNANDO MACÊDO NETO MYRIAM PAES DANTAS PACHECO A ARTE DO LÚDICO NO TRATAMENTO DE CRIANÇAS HOSPITALIZADAS Artigo apresentado à disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, do curso de enfermagem da Universidade Tiradentes – UNIT, como um dos pré-requisitos para a obtenção do grau de Bacharel em Enfermagem. Data de Aprovação: ___/___/___ BANCA EXAMINADORA: _____________________________________________________ Profª. Esp. Sheila Jaqueline Gomes S. Oliveira Orientadora _____________________________________________________ Profª. Flávia Resende Diniz 1ª Examinadora _____________________________________________________ Profª. Teresinha Silva Dias 2ª Examinadora ARACAJU 2015 AGRADECIMENTOS Agradecemos a Deus, por sempre olhar por nós e estar conosco em tudo que fazemos. Aos nossos familiares, pelo incentivo, auxílio e compreensão com nossos momentos de ausência. Aos amigos, pelo companheirismo vivenciado em todo curso. Agradecemos a todos os integrantes do Projeto Baú da Contação, vocês foram fundamentais para a construção deste trabalho. À Mabel Mendes pelo começo de tudo, inclusive o nome do Projeto. À Derijuliepor toda assistência. À nossa orientadora, Sheila por aceitar o desafio deste trabalho, pela dedicação e crença em nosso potencial. À Flávia Diniz e Teresinha Dias por todo carinho e dedicação. À coordenação de Extensão pela oportunidade, apoio e credibilidade. À coordenação de Enfermagem por entender e acreditar na proposta sempre apoiando incondicionalmente. A ARTE DO LÚDICO NO TRATAMENTO DE CRIANÇAS HOSPITALIZADAS Manuel Fernando Macêdo Neto1 Myriam Paes Dantas Pacheco2 Sheila Jaqueline Gomes Santos Oliveira3 RESUMO Trata-se de uma pesquisa descritiva, com abordagem qualitativa cujo objetivo foi descrever a visão dos profissionais de enfermagem sobre o Projeto Baú da Contação e sua influência no comportamento da criança na unidade de internamento pediátrico do Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE). Foram entrevistados 28 funcionários, durante os meses de abril e maio de 2015 mediante uma entrevista individual semiestruturada. Para o processo de tratamento dos dados utilizamos a análise de conteúdo segundo Bardin. Os resultados foram codificados através das categorizações; das interferências e, por fim, da informatização da análise das comunicações.Encontramos as seguintes categorias: A influência da ludoterapia frente a hospitalização da criança; satisfação da criança frente ao Projeto Baú da Contação. A maioria dos funcionários conhecem o projeto e já presenciaram apresentações e notam diferenças comportamentais nas crianças durante e após o contato com os integrantes do projeto. Os entrevistados relataram sentimentos como alegria para descrever a vivência da criança junto ao Projeto Baú da Contação, tal sentimento auxilia no processo de recuperação e aceitação da doença, o que afirma a importância da atividade lúdica no ambiente hospitalar. Concluímos que o Projeto Baú da Contação consegue transmitir alegria e esperança para as crianças hospitalizadas, mostrando a importância de projetos que abordem a ludoterapia como forma de tratamento. Comumente a isso, também observamos a percepção positiva da equipe de enfermagem diante da atividade. PALAVRAS-CHAVE: Criança, criança hospitalizada, ludoterapia, humanização e equipe de enfermagem. 1 Graduando do Curso de Enfermagem pela Universidade Tiradentes, [email protected] Graduanda do Curso de Enfermagem pela Universidade Tiradentes, [email protected] 3 Enfermeira. Especialista em UTI. Docente do Curso de Enfermagem da Universidade Tiradentes, [email protected] 2 THE ART OF ENTERTAINING IN THE TREATMENT OF HOSPITALIZED CHILDREN ABSTRACT It is a descriptive research with a qualitative approach aimed to describe the view of nursing professionals on the Chest of storytelling project and its influence on child behavior in the pediatric inpatient unit of the Emergency Hospital of Sergipe (HUSE). 28 employees were interviewed during the months of April and May of 2015 through a semi-structured individual interview. For data treatment processes, we used content analysis according to Bardin. The results were coded through the categorization; of interference and eventually the computerized analysis of communications. We have found the following categories: The influence of play therapy against child hospitalization. Child satisfaction across the Chest of storytelling project. Most employees know the project and has witnessed performances and notice behavioral differences in children during and after contact with project members. Respondents reported feelings such as joy to describe the experience of the child with the Chest of storytelling design; this feeling helps in the recovery process and acceptance of the disease, which affirms the importance of play activity in the hospital. We conclude that the Chest of storytelling project manages to convey joy and hope for the hospitalized children, showing the importance of projects that address the play therapy as a treatment. Commonly to this, we also observed the positive perception of the nursing team before the activity. KEYWORDS:Child, hospitalized children, play therapy, humanization and nursingstaff. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 8 2MATERIAIS E MÉTODOS .................................................................................................. 9 3RESULTADOS E DISCUSSÕES ....................................................................................... 11 4CONCLUSÃO....................................................................................................................... 17 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 19 APÊNDICE A –Entrevista Semi-Estruturada para Coleta de Dados ............................... 21 8 1 INTRODUÇÃO A infância é a fase em que o corpo produz mais energia para o desenvolvimento de inúmeras atividades e onde mais se usa a criatividade e a sabedoria. Adoecer durante esse período é um processo bastantetraumáticopara a criança, pois ela se priva de suas atividades diárias e isso afeta não somente a sua integridade, mas também o seu desenvolvimento emocional (NASCIMENTO, 2013). Segundo os dados do Departamento de Informações de Saúde do SUS (DATASUS), o estado de Sergipe registrou no ano de 2008 um total de 9.638 internações infantis em crianças de um a nove anos de idade.Em 2014,houve uma redução significativa no número de internações pediátricas nessa mesma faixa etária para 5.486 internações (BRASIL, 2014). A criança hospitalizada saide sua rotina e tem seu desenvolvimento comprometido. Neste novo ambiente que lhe foi imposto, o hospital, além das práticas dolorosas, tem que aprender a conviver com as dificuldades que acompanham sua enfermidade. Para amenizar este quadro e procurar reverter esta situação entra em cena a atividade lúdica no ambiente hospitalar, o objetivo é aproximar a criança da sua rotina habitual, buscando de alguma forma trazer de volta seu dia a dia, diminuindo os sintomas negativos do tratamento hospitalar e auxiliando no reestabelecimento da saúde (BRITO et al. , 2009). Giardinetto (2011) em um trabalho de extensão desenvolvido em uma enfermaria pediátrica utilizou a contação de histórias como recurso para amenizar sintomas negativos decorrentes dos tratamentos hospitalares e auxiliar no processo educacional da criança. Jansen (2010) cita, que quando brinca a criança se distancia do cotidiano da internação e se envolve num mundo mágico e fantasioso, sendo um indicativo de como se sente, assim, com as atividades lúdicas a criança tem um meio de pensar, desenvolvendo a capacidade de entender a necessidade de se esforçar, ter paciência sem fraquejar diante de seus problemas. A arte lúdica viabiliza a comunicação e auxilia na renovação da autoestima e individualidade da criança, aspectos que não são vistos durante o período de internação. O lúdico caracteriza a infância e deve se tornar uma prescrição de enfermagem com o objetivo de promover a saúde (LEMOS et al. , 2010). Diante da realidade vivenciada com as crianças hospitalizadas e visando uma melhora no bem estar durante o período de internação, umaacadêmica do curso de 9 enfermagem da Universidade Tiradentes, elaborou um projeto para atender as necessidades da criança frente à hospitalização, intitulado Baú da Contação,com o objetivo delevar o lúdico para o ambiente hospitalar através da contação de histórias com a participação direta e efetiva das crianças para colaborar na melhoria do quadro clínico e emocional e também promover a humanização. As atividades desenvolvidas pelo projeto têm como base a educação em saúde, unindo diversão e aprendizagem, ajudando aos pais e responsáveis a melhorar a formação e o conhecimento da criança, bem como alertar a equipe de enfermagem sobre a importância de um ambiente e atendimento humanizado. A saúde é o bem-estar do ser humano e tê-la a todo o momento valoriza a autoestima, principalmente para a criança que está hospitalizada e deseja recuperá-la o mais rápido possível. A doença e a hospitalização afetam o emocional da criança, gerando stress, pelo fato de impedir que ela desenvolva suas atividades cotidianas, como brincar, comer o que gosta e estar ao lado da família (MURAKAMI, CAMPOS, 2011). A pesquisa tem como objetivodescrever a visão dos profissionais de enfermagem sobre o Projeto Baú da Contação e sua influência no comportamento da criança na unidade de internamento pediátrico do Hospital de Urgências de Sergipe, verificando se os profissionais de enfermagem conhecem o projeto bem como, constatar a influência da ludoterapia no estado emocional da criança sob a ótica dos profissionais de enfermagem. 2MATERIAIS E MÉTODOS Trata-se de uma pesquisa de campo, qualitativa e descritiva. A Pesquisa de Campo tem por objetivo buscar informações ou conhecimentos sobre um problema, questionamento ou hipótese. Ela consiste na observação dos fatos e de que forma eles acontecem. Constituída por três fases: pesquisa bibliográfica sobre o tema em questão; determinação da amostra e técnica de coleta de dados; definição das técnicas de registro e análise dos dados (MARCONI E LAKATOS, 2011). A pesquisa qualitativa tem como objetivo, analisar e interpretar dados mais consideráveis, apresentando a multiplicidade comportamental do homem e ainda permitindo proporcionar análises mais detalhadas sobre as investigações, atitudes e tendências de comportamento (MARCONI E LAKATOS, 2010). 10 Já a pesquisa descritiva, por sua vez, tem por objetivo descrever fenômenos ou estabelecer relações entre as variáveis. Contribuindo para uma boa compreensão e visão geral sobre determinado fato. Faz-se necessário manter conhecimento prévio sobre as variáveis que podem influenciar o problema em questão (NETO, 2012). Para o processo de tratamento dos dados utilizamos o programa IBM SPSS Statistics Editor de Dados versão 22 e a análise de conteúdo que segundo Bardin (2009) tratase de quatro fases propostas: a pré-análise, que consiste na fase de organização dos dados, além da escolha dos documentos a serem submetidos à análise; a exploração do material, que na análise, resulta de testes de associação de palavras (estereótipos e conotações); e a terceira e quarta fase, aprofunda-se na questão de métodos e técnicas respectivamente: a organização da análise; a codificação de resultados; as categorizações; as interferências e, por fim, a informatização da análise das comunicações. Da análise dos relatos contidos nas entrevistas, emergiram informações que foram condensadas em duas categorias: a primeira referente ao perfil da equipe de Enfermagem do internamento pediátrico e a segunda, referente a visão da equipe de Enfermagem. A presente pesquisa foi encaminhada ao Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Tiradentes (CEP – UNIT), apresentado e aprovado no Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE), submetido à Plataforma Brasil, para atender as recomendações da resolução de n° 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde do Ministério de Saúde, Brasília/DF, sendo aprovado sob número do CAAE: 41905315.0.0000.5371 e parecer de número:1.002.629. Todos os direitos e a identidade dos participantes serão resguardados e os voluntários assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) em duas vias, com garantia de recusa em qualquer etapa do seu desenvolvimento, sem sofrer qualquer dano. A primeira via assinada foi entregue ao participante da pesquisa e a segunda arquivada pelos pesquisadores. Foram considerados os princípios éticos da autonomia, beneficência, não maleficência, justiça e equidade. Os participantes foram informados sobre o conteúdo e objetivos da pesquisa, bem como, identificados os riscos provenientes da participação na mesma. Para que não ocorra a quebra de sigilo os participantes também foram identificados por números. Foi realizada na unidade de internamento pediátrico do HUSE, localizado na Avenida Tancredo Neves, S/N, bairro Capucho, CEP: 49080-470, Aracaju/SE. A amostra compõe 28 profissionais da equipe de Enfermagem, sendo estes: Enfermeiros, técnicos e auxiliares de Enfermagem. 11 Como critérios de inclusão foram considerados os profissionais de Enfermagem: Enfermeiros, técnicos e auxiliares de Enfermagem, que estivessem alocados na unidade de internamento pediátrico da instituição em estudo, nos turnos da manhã e tarde e que aceitaram participar da pesquisa através da assinatura do TCLE. Já como critério de exclusão consideramos os profissionais de Enfermagem que estivessem de férias, licença médica e atestado médico durante o período de coleta de dados, ou ainda, aqueles profissionais que se negaram a participar da pesquisa. Foi utilizada para a coleta de dados, uma entrevista individual semiestruturada (APÊNDICE A), realizada a partir de um roteiro previamente elaborado pelos pesquisadores e que segundo Manzini (2012), caracteriza esse tipo de estudo como sendo um roteiro com perguntas abertas utilizadas para estudar um fenômeno com uma população específica. É necessário que haja uma flexibilidade na sequência da apresentação das perguntas ao entrevistado e o entrevistador tem a possibilidade de realizar perguntas complementares para que fique mais bem compreendido o fenômeno em questão. May (2004), acrescenta que cabe ao pesquisador não permitir que seja perdido o foco do assunto em questão durante a aplicação da entrevista semiestruturada. A entrevista semiestruturada foi composta por 07 itens, sendo alguns de múltipla escolha, outros de respostas restritas a “sim” ou “não” e o restante, por questões objetivas que foram respondidas pelo entrevistado. Os questionamentos foram delineados com o objetivo de descrever a visão da equipe de enfermagem diante do projeto Baú da Contação no ambiente hospitalar. Além disso, as questões norteadoras permitiram o confronto com o que a literatura científica trata acerca do tema. A coleta dos dados ocorreu conforme os meses de abril e maio de 2015, onde foi aplicada a entrevista semiestruturada na unidade de internamento pediátrico. As entrevistas foram realizadas através de instrumento próprio e impresso, que eram entregues aos participantes pelos pesquisadores, após respondida a entrevista e assinado o TCLE, os dados foram transcritos e agrupados sob forma de tabela, contendo a descrição real do que foi dito pelo entrevistado para uma melhor análise e interpretação dos dados, objetivando a preservação da identidade do entrevistado, esses questionários foram identificados por números. 3RESULTADOS E DISCUSSÕES 12 A pesquisa foi realizada com 28 funcionários onde, 14,3% tinham entre 21 e 30 anos, 32,1% tinham entre 31 e 40 anos, 21,4% tinham entre 41 a 50 anos e 32,1% tinham entre 51 a 60 anos.Quanto a função 17,9% eram enfermeiras, 35,7% técnicas de enfermagem e 43,4% auxiliares de enfermagem; onde 7,1% trabalham na unidade a menos de 12 meses, 10,7% entre 1 e 3 anos, 14,3% entre 4 e 10 anos e 53,6%superior a 10 anos. Cerca de 53,3% da equipe de enfermagem do turno da manhã participaram da pesquisa e 43,4% do turno da tarde. Em relação ao conhecimento acerca do Projeto Baú da Contação, percebemos no gráfico I que 85,71% da amostra afirmam conhecer o projeto e 14,29% afirmam não conhecer. Ver gráfico I. No gráfico II, observamos quantos da amostra já presenciaram apresentações do Projeto Baú da Contação, destes 85,71% afirmam já ter assistido e 14,29% afirmam nunca ter participado das atividades do projeto. 13 Quando nos referimos a percepção da influência da ludoterapia durante e após o contato das crianças com os integrantes do Baú da Contação, vimos que 92,86% dos entrevistados notam diferenças comportamentais e apenas 7,14% não percebem. Ver gráfico III. 14 Categorização Influência da ludoterapiafrente a hospitalização da criança. Brincar é um dos fatores mais importantes da vida na fase infantil, pois é brincando que a criança desenvolve suas emoções, suas imaginações, viajando para um mundo longe de toda a realidade. Esse direito deve ser continuado dentro do ambiente hospitalar, o lúdico não caracteriza apenas a diversão, mas também uma forma de educar, desenvolver o social, o emocional e o intelectual, diminuindo todos os sentimentos negativos vividos dentro do hospital (KICHE, ALMEIDA, 2009). Quando se questionou as entrevistadas sobre o conhecimento acerca do Projeto Baú da Contação, obteve-se uma diversidade de conceitos que vinculados afirmam a importância e benefícios do projeto. Uma grande parte afirmou ser um projeto educativo, pois há troca de conhecimentos. Outras comentaram sobre a dedicação e interesse dos participantes do projeto confirmando nas falas abaixo. 15 “Bastante criativos, educativos, muito bom” (E02) “É um projeto muito interessante que além de divertir as crianças, traz também a parte educativa (...) ” (E09) “Durante a atuação dos integrantes do Baú da Contação acontece troca de conhecimentos com as crianças, proporciona alegria aprendizado para as crianças e acompanhantes” (E14) “É importante a dedicação dos integrantes, percebe-se o capricho, o interesse deles e o amor pelo que fazem (...)” (E04) Os Doutores da Alegria são utilizados na referência para a arte lúdica e humanização em ambientes hospitalares, levando alegria para as crianças, familiares e funcionários da instituição. Acredita-se que o lúdico auxilia a criança a adaptar o ambiente de hospitalização com sua realidade, o que viabiliza a superação da doença de forma mais prazerosa (OLIVEIRA, OLIVEIRA, 2008) A maioria das entrevistadas relatam a mudança do ambiente de internação, o que auxilia na melhora do estado emocional da criança resultando a recuperação, afirmando que a ludoterapia faz com que a criança se distancie do foco da doença, esquecendo a dor. “São atividades lúdicas que contribuem para a melhoria no quadro clínico das crianças pois trazem alegria e felicidade, fazendo com que sua estadia se torne melhor” (E08) “O baú da contação é um excelente projeto onde propicia as crianças internadas momentos de descontração, lazer e interação, tirando o foco da doença” (E06) “Com a atuação do projeto as crianças internadas passam por momentos de descontração, interagem e se desligam do ambiente hospitalar” (E21) “Incentiva a recuperação do paciente” (E25) “É um bom projeto para ajudar na recuperação da criança internada (...)” (E20) “(...) gostei acho positivo para os pacientes no caso as crianças eles esquecem um pouco da dor (...)” (E19) Houve relatos sobre o auxílio das atividades do projeto nas rotinas do setor, bem como o aprendizado por parte dos acompanhantes. “É um grupo de orientação de boas práticas de forma lúdica dessa forma facilita todo o serviço, pois orienta tanto as crianças como os acompanhantes” (E11) “(...)Orienta as mães quanto a higienização” (E09) Houveram duas entrevistas que disseram não conhecer o Projeto Baú da Contação, “Não” (E05) 16 “Não tive a oportunidade de assistir” (E17) Satisfação da criança frente ao Projeto Baú da Contação Sabendo o quanto a experiência do internamento é traumática, muitos autores discutem os efeitos do processo de hospitalização sobre o desenvolvimento infantil, a fim de tornar o hospital um local agradável e propício para diminuir os efeitos negativos e ainda buscar a humanização no atendimento em pediatria (CERIBELLI, 2009). A elaboração de espaços mais humanizados para o paciente, ajuda no desenvolvimento pessoal do mesmo, bem como na melhora de suas relações psicológicas trazendo-lhes a sensação de acolhimento. (BERGAN et al. , 2009). Na amostra houve relatos de que através da formação de um ambiente mais acolhedor e harmonioso, com o uso da ludoterapia a criança consegue expressar seus sentimentos psicológicos percebido nas afirmações abaixo: “Geralmente elas ficam alegres, felizes” (E01) “Mais alegre e feliz” (E07) “Alta estima, ficam alegres” (E09) “Percebo uma melhora no humor da criança” (E13) “Ficam mais alegres, demonstrando através do sorriso” (E15) “Após a apresentação as crianças ficam empolgadas, comentam as historinhas sorriem mais, é perceptível a mudança” (E21) “ (...) ficam mais alegres, tranquilas e melhora a recuperação” (E22) “Alegria, descontração, bem-estar (...)” (E23) Outras relataram que a ludoterapia auxilia na relação profissional-cliente, fazendo com que a criança aceite o tratamento de forma mais prazerosa. “As crianças tornam-se mais acessíveis interagem melhor com a equipe, diminuem o stress ocasionando pelo longo período de internação” (E06) “As crianças ficam menos estressadas com a hospitalização, além de colaborarem mais com o tratamento e procedimentos” (E10) Relações entre profissionais e clientes são fatores que afirmam a qualidade do cuidado de enfermagem, com crianças estas relações são mais complexas, pois se trata de um paciente que necessita muito mais de atenção e para desenvolvê-la são necessários recursos que facilitem a relação (PEÑA, JUAN, 2011; MOURA et al. , 2014). 17 Para a equipe de enfermagem, humanizar, significa cuidar da criança não somente como um paciente, realizando procedimentos; mas sim, como um ser humano que precisa de carinho e atenção O cuidado não é somente realizar a cura através de técnicas, mas também através do amor, carinho e amizade. (GOMES et al. , 2011). Houve um relato afirmando quecom a arte lúdica o atendimento se torna mais humanizado, reforçando a ideia de que não é exclusivamente através de técnicas que se constitui o cuidar. “Eles ficam mais tranquilos no ambiente hospitalar e ver que não é só remédio, furadas de agulhas, que também tem brincadeiras, diversão, alegria e o mais importante influência no tratamento mais positivo do paciente que é nosso objetivo” (E19) Muitas afirmam que o lúdico auxilia na socialização, na comunicação, na relação interpessoal. “Eles se comunicam, ficam mais soltos” (E02) “As crianças ficam mais alegres, dispostas, melhora o diálogo com outras crianças e profissionais do setor, fica mais participativo e confiantes, esquecem por momento a dor, a maldade” (E14) Autores discutem a ideia de que o lúdico deve ser introduzido no ambiente hospitalar, pelo fato de que o brincar modifica o ambiente em que a criança se encontra, além de ter um efeito terapêutico, pois estimula os sentimentos e promove uma melhora, além de promover a socialização com as outras crianças, evitando o isolamento (MUSSA, MALERBI, 2008). Houve apenas um relato que afirmou não perceber a reação da criança após contato com o Projeto Baú da Contação. “O trabalho na unidade é tão corrido que não temos tempo para observar o comportamento da criança após essa terapia. ” (E 20) 4CONCLUSÃO O estudo nos proporcionou identificar o conhecimento dos funcionários do internamento pediátrico do HUSE sobre o Projeto Baú da Contação, descrevendo o que presenciaram nas apresentações e a satisfação das crianças hospitalizadas diante das atividades lúdicas. 18 A atuação dos acadêmicos de enfermagem, através do Baú da Contação em levar o lúdico para o ambiente hospitalar promove a melhora emocional das crianças internadas, através da opinião da equipe de enfermagem que acompanham efetivamente o paciente antes e após as atividades desenvolvidas pelo gruponoHUSE. A pesquisa nos mostrou que o conhecimento acerca do projeto bem como os benefícios que suas atividades proporcionam, influenciam e auxiliam no tratamento das crianças hospitalizadas, aprimoram o conhecimento e desenvolvem as relações interpessoais, que foram identificadas através dos relatos da amostra, respondendo o objetivo do estudo. Concluímos que o Projeto Baú da Contação consegue alcançar o objetivo de transmitir alegria e esperança para as crianças hospitalizadas, mostrando a importância de sua continuidade e da elaboração de novos projetos que abordem a ludoterapia como forma de tratamento e a percepção positiva por parte da equipe de enfermagem. 19 REFERÊNCIAS BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Martins Fontes, 2009. BERGAN, Carla et al.Humanização: representações sociais do hospital pediátrico.Rev.Gaúcha Enfermagem [Online], Porto Alegre, v 30, n.4, pp 665-61- dezembro 2009. Acesso em 06 de setembro de 2014. BRASIL.Departamento de Informações de Saúde do SUS-DATASUS. Disponível em http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sih/cnv/niuf.def. Acesso em 28 de maio de 2015. BRITO, Tábatta Renata Pereira de et al.As Práticas Lúdicas no Cotidiano do Cuidar em EnfermagemPediátrica.Escola Anna Nery[Online], Rio de Janeiro, v. 13, n.4, pp 802-08 dezembro 2009. Acesso em: 06 de setembro de 2014. CERIBELLI, Carina et al.A mediação de leitura como recurso de comunicação com crianças hospitalizadas.: Apoio para a humanização da assistência de enfermagem.RevistaLatinoAmericana de Enfermagem[Online], Ribeirão Preto, v. 17, n.1, pp 81-87 fevereiro 2009. Acesso em 06 de setembro de 2014. GIARDINETTO, A. R. dos S. B.; ALVES, P. V.; SILVA, M. das N. F. da; ZANCO, A. H. A Contação de histórias em enfermaria pediátrica: leitura, aprendizagem e entretenimento. Revista Ciência em Extensão v.7, n.167, p. 1, 2011. Disponível em: http://ojs.unesp.br/index.php/revista_proex/article/view/636/591. Acesso em: 06 de setembro de 2014 GOMES, Ilvana Lima Verde et al . Humanização na produção do cuidado à criança hospitalizada: concepção da equipe de enfermagem.Trabalho, educação e saúde [Online], Rio de Janeiro, v. 9, n. 1, pp 125-35, Junho 2011 JANSEN, Michele Ferraz; SANTOS, Rosane Maria Dos; FAVERO, Luciane. Benefícios da utilização do brinquedo durante o cuidado de enfermagem prestado a criança hospitalizada.Revista Gaúcha de Enfermagem[Online]2010, v 31, n 2, pp 247-53. Acesso em: 07 setembro de 2014. KICHE, Mariana Toni; ALMEIDA, Fabiane de Amorim. Brinquedo terapêutico: estratégia de alívio da dor e tensão durante o curativo cirúrgico em crianças.Acta paulista de enfermagem [Online], São Paulo , v. 22, n. 2, pp 125-130. 2009.Acessos em 11 setembro de 2014. LEMOS, Lígia Mara Dolce et al . Vamos cuidar com brinquedos?Revista brasileira de enfermagem.[online] Brasília, v. 63, n. 6, pp 950-5, 2010. Acesso em 07 setembro de 2014. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia científica. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Científica. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2011. 20 MANZINI, Eduardo José. Uso da entrevista em dissertações e teses produzidas em um programa de pós-graduação em educação. Revista Percurso – NEMO, Maringá, v. 4, n. 2 , p. 149- 171, 2012. MAY, Tim. Pesquisa social: questões, métodos e processos. Porto Alegre: Artmed, 2004. MOURA,Flávia Moura de et al. Intervenção lúdica a crianças com doença crônica: promovendo o enfrentamento. Revista Gaúcha de Enfermagem. Porto Alegre, v.35, n 2, pp 86-92, junho 2014. MURAKAMI, Rose; CAMPOS, Claudinei José Gomes. Importância da relação interpessoal do enfermeiro com a família de crianças hospitalizadas. Rev. bras. enferm.[Online], Brasília. v. 64, n. 2, pp 254-260. 2011.Acesso em 07 setembro de 2014. MUSSA, C. &MALERBI, K. E. F. O impacto da atividade lúdica sobre o bem-estar de crianças hospitalizadas.Revista Psicologia: Teoria e prática. [Online] São Paulo. V 10, n 2, pp 83-93, 2008. Acessado em 12 de setembro de 2014. NASCIMENTO, Cíntia C. Neto do.A criança hospitalizada: influências sociais e emocionais decorrentes da doença e da hospitalização. Contribuciones a lasCienciasSociales. 2013. Disponível em http://www.eumed.net/rev/cccss/23/crianzahospitalizada.html. Acesso em 12 de setembro de 2014. NETO, José AntonioChehuen. Metodologia da Pesquisa Científica: dagraduação à pósgraduação. 1 ed. Curitiba: CRV, 2012. PEÑA, Ana LucíaNoreña;CIBANAL Juan, Luis.A Experiência de Crianças hospitalizadas sobre suainteração com os profissionais de Enfermagem.Rev.Latino-Am.Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 19, n.6, pp 1429-1436, 2011. Acesso em 20 de setembro de 2014. OLIVEIRA, Roberta Ramos de; OLIVEIRA, Isabel Cristina dos Santos. Os Doutores da Alegria na unidade de internação pediátrica: experiências da equipe de enfermagem.Esc. Anna Nery, Rio de Janeiro, v. 12, n. 2, pp 230-6. 2008. Acesso em 08 de setembro de 2014. RODRIGUES, Auro de Jesus; GONÇALVES, Hortência de Abreu; MENEZES, Maria Balbina de Carvalho; NASCIMENTO, Maria de Fátima. Metodologia cientifica. 4. ed. Aracaju: Unit, 2011. 21 APÊNDICE A –Entrevista Semi-Estruturada para Coleta de Dados 22