RELATÓRIO FINAL DA LICENCIATURA
EM BIOLOGIA DA UNIVERSIDADE DA MADEIRA
O presente relatório foi discutido e aprovado pela Comissão de Avaliação Externa das
Licenciaturas em Biologia (2º Ciclo), que tem a seguinte constituição:
Presidente:
Prof. Doutor Luís Jorge Peixoto Archer
Vice-Presidentes:
Prof. Doutor João Maria Amorim Cerqueira Machado Cruz
Prof. Doutor Martim R. Portugal Vasconcelos Ferreira
Prof a. Doutora Maria Cecília de Lemos Pinto Estrela Leão
Prof a. Doutora Isabel Maria Spencer Vieira Martins
Vogais:
Dr. José Manuel Pereira Alho
Prof. Doutor Jorge Quina Ribeiro de Araújo
Dr. Augusto Manuel Teixeira Cardoso
Prof. Doutor Claudio Enrique Sunkel Cariola
Prof. Doutor Fernando Pereira Mangas Catarino
Prof a. Doutora Maria Manuela Coelho Cabral Ferreira Chaves
Prof a. Doutora Maria João Ivens Collares-Pereira
Prof. Doutor Manuel Maria Godinho
Prof. Doutor Fernando Manuel Pereira Noronha
Engº Gaspar de Castro Pacheco
Prof. Doutor Jorge Américo Rodrigues de Paiva
Prof. Doutor José Alberto de Oliveira Quartau
Dr. Bernardo J. F. Reis
Prof. Doutor Roberto Salema de Magalhães Faria Vieira Ribeiro
Prof a. Doutora Maria Susana Newton de Almeida Santos
Secretária: Doutora Isabel Maria dos Santos Leitão Couto
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UNIVERSIDADE DA MADEIRA
LICENCIATURA EM BIOLOGIA
ÍNDICE
1 - INTRODUÇÃO
1.1 - Constituição da Subcomissão
1.2 - Método de trabalho
1.3 - Termos de referência das visitas institucionais
1.4 - Breve resumo da avaliação
2 - Organização da Avaliação
2.1 - Enquadramento da Unidade Científica de que depende o curso no Ensino
Superior
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2.2 - Breve descrição dos Departamentos
2.3 - Inserção do curso na unidade científica
2.4 - Comissões relevantes para o funcionamento do curso
3 - PROGRAMA DE ENSINO
3.1 - Objectivos
3.2 - Organização
3.3 - Conteúdo do curso e evolução
3.4 - Natureza e métodos de ensino
3.5 - Métodos de avaliação
4 - ALUNOS
4.1 - NÚMERO DE ESTUDANTES
4.2 - Requisitos de acesso
4.3 - Carga horária
4.4 - TAXAS DE CONCLUSÃO E DESISTÊNCIA
4.5 - MÉDIA DE TEMPO DE ESTUDO
4.6 - Aconselhamento de alunos
5 - PROFESSORES E MEIOS HUMANOS
5.1 - Composição dos corpos académico, técnico e administrativo
5.2 - Responsabilidade pedagógica
5.3 - Gestão dos meios humanos
6 - ESTRUTURAS
6.1 - EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA
6.2 - Orçamento e fontes, custos
6.3 - Infra-estruturas físicas
6.4 - Outros apoios
7 - Gestão da Qualidade
7.1 - Política de acompanhamento
7.2 - Controle interno da qualidade
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7.3 - Relacionamento com a investigação
7.4 - Procedimentos para a inovação
8 - Relações Externas
8.1 - Contactos com a indústria, instituições e serviços
8.2 - Contactos com outras instituições de Ensino Superior, nacionais e estrangeiras
8.3 - Programas europeus
9 - CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES FINAIS
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UNIVERSIDADE DA MADEIRA
LICENCIATURA EM BIOLOGIA
1 - INTRODUÇÃO
1.1 - Constituição da Subcomissão :
A avaliação da licenciatura em epígrafe foi distribuída, dentro da Comissão de Avaliação
Externa de Biologia, à 3ª subcomissão, constituída do seguinte modo:
Presidente:
Doutor João Maria Amorim Cerqueira Machado Cruz, professor catedrático
jubilado do Departamento de Zoologia -Antropologia da Faculdade de Ciências da
Universidade do Porto
Vogais:
Doutor Jorge Américo Rodrigues de Paiva, investigador principal aposentado do
Departamento de Botânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade
de Coimbra
Doutor José Alberto de Oliveira Quartau, professor catedrático do Departamento
de Zoologia -Antropologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
Dr. José Manuel Alho, Director do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros
Secretário:
Doutor Nuno Eduardo Malheiro Magalhães Esteves Formigo, professor auxiliar do
Departamento de Zoologia -Antropologia da Faculdade de Ciências da
Universidade do Porto
1.2 - Método de trabalho
Para cada uma das 3 licenciaturas atribuídas a esta Subcomissão foi designado um relator que
elaborou o primeiro anteprojecto de relatório, sucessivamente ampliado ou modificado de
acordo com os elementos colhidos no decurso de todo o processo de avaliação, inclusive com os
provenientes da visita institucional, da audição dos diferentes corpos ligados a cada uma das
licenciaturas e de todas as discussões e análises feitas dentro da própria Subcomissão.
1.3 - Termos de referência das visitas institucionais
Nas visitas e nas próprias discussões e análises efectuadas, foram tidos em conta os termos de
referência elaborados para as visitas institucionais, que a seguir se transcrevem:
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1.
Modelo conceptual e duração da licenciatura (peso relativo de disciplinas básicas e
diferenciadas, peso relativo e tipo de aulas: teóricas, teórico-práticas e práticas;
seminários, projectos e estágios). Selecção de temas e locais de estágio com
responsabilidade da Escola;
2.
Actualização da licenciatura na perspectiva do que se pretende de um biólogo /
professor de ensino básico ou secundário, no contexto internacional, em face da
evolução dos métodos de ensino, conhecimentos e tecnologia utilizada nesta área
científica;
3.
Acesso à licenciatura. Explicação do perfil de formação ao aluno - candidato;
4.
Programa das disciplinas, respectiva carga horária semanal e creditação;
5.
Articulação da licenciatura com ensino pós – graduado ( cursos de especialização,
mestrados, doutoramentos) intra e inter-universitário;
6.
Complementaridade de formação cultural;
7.
Metodologias de ensino – aprendizagem (introdução de hábitos de estudo,
organização e disciplina no trabalho);
8.
Condições de estudo dos alunos, em regime de acompanhamento (incluindo estudo
interactivo, resolução de problemas, acesso à internet);
9.
Racionalização da quantidade e qualidade dos processos de avaliação;
10.
Taxas de sucesso e retenção. Razões para taxas de retenção e de abandono
exageradas;
11.
Prescrição e precedências (obrigatoriedade ou recomendação);
12.
Coordenação pedagógica da licenciatura num contexto inter e pluridisciplinar;
13.
Valorização relativa das componentes pedagógica e investigacional na progressão
na carreira docente. Como melhorar o desempenho pedagógico dos docentes;
14.
Estrutura curricular, em função do perfil profissional desejável e não de outros
factores circunstanciais;
15.
Grau de intervenção dos vários docentes (em função das suas especialidades) no
ensino das disciplinas que o justifiquem;
16.
Adequação das estruturas físicas e recursos à licenciatura, com valorização da
componente experimental;
17.
Custo do licenciado e aluno / ano, segundo algoritmo uniforme;
7
18.
Qualificação, motivação e vínculo do corpo docente;
19.
Prestação de serviços à comunidade e peso relativo;
20.
Adequação da licenciatura, na sua flexibilidade, às solicitações das saídas
profissionais;
21.
Identificação de formas eficazes de interacção com o Ensino Secundário.
1.4 - Breve Resumo da Avaliação
O relatório de Auto-Avaliação apresentado é bem elaborado, sucinto e objectivo o que facilita a
consulta e análise da equipa de avaliação externa e responde em linhas gerais à proposta do
guião de avaliação definido pelo CNAVES.
A visita decorreu de forma satisfatoriamente participada pelos diferentes agentes, salvo no que
respeita à presença de entidades extra-universitárias que, naturalmente, se desejaria maior.
Compreende-se, todavia , a dificuldade desta participação, mas não deixa de referir-se como
objectivo a ser alcançado futuramente.
Nas diversas sessões de trabalho, foi possível colher os necessários esclarecimentos
complementares e confirmar a informação constante do relatório de Auto-Avaliação.
Da análise efectuada, resultou um conjunto de impressões que, na oportunidade, foram
apresentadas junto das Autoridades Académicas da Universidade da Madeira e são apresentadas
no capitulo próprio deste Relatório.
2 - ORGANIZAÇÃO DA AVALIAÇÃO
2.1 - Enquadramento da unidade científica de que depende o curso no ensino superior
A Universidade da Madeira é a Universidade pública mais jovem, com apenas 13 anos
(Decreto-Lei nº 319/88), embora tivesse sido precedida pelo Instituto Universitário da Madeira.
É, pois, uma Universidade muito jovem e que serve uma população insular não muito numerosa
(c. 300.000 habitantes), com cerca de 2200 alunos universitários.
2.2 - Breve descrição do Departamento de Biologia e Geologia
O Departamento de Biologia e Geologia foi criado em 1991, e possui actualmente 5 Secções:
•
Biologia Funcional
•
Biologia Marinha e Oceonografia
•
Bioquímica e Biotecnologia
•
Citogenética e Biologia Molecular
•
Ecologia e Sistemática
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2.3 - Inserção do curso na unidade científica
A coordenação do Curso é da responsabilidade do Departamento de Biologia e Geologia,
através das suas 5 secções, sendo a leccionação efectuada também por docentes de outros
Departamentos com áreas científicas específicas.
2.4 - Comissões relevantes para o funcionamento de curso
A licenciatura em Biologia é objecto de direcção e gestão próprias, através do Conselho de
Curso e do seu Director de Curso.
3 - Programa de ensino
3.1 - Objectivos
Segundo o relatório de Auto-Avaliação, a licenciatura tem como objectivos fundamentais
proporcionar formação nas áreas da Biologia mais relevantes, com especial atenção para os
recursos específicos da fauna e da flora da Região Autónoma da Madeira, rica em
neoendemismos e com a respectiva laurisilva classificada como “Património Mundial”. São,
também, objectivos a inserção profissional dos licenciados em diferentes áreas, desde o ensino,
à preservação da Natureza e do Ambiente até à investigação tecnológica e científica. Tem,
ainda, como objectivos formar especialistas qualificados, com conhecimentos não só científicos
e tecnológicos, como também culturais de forma a que se tornem elementos activos conscientes
e participantes nas transformações sociais, económicas e culturais da sociedade contemporânea.
3.2 - Organização
O curso tem a duração de 4 anos inteiramente de leccionação convencional, no ramo ensino, e
de leccionação convencional e estágio, no ramo científico.
Segue-se um 5º ano, de estágio e seminários no ramo ensino.
No entanto, o ramo de ensino deixou de funcionar, desde o ano lectivo 1996/1997, por ter sido
encerrada a inscrição de alunos neste ramo devido à saturação das Escolas da Região com
professores de Biologia e por negociação com a Secretaria da Educação do Governo Regional
da Madeira.
O curso tem um tronco comum com a duração de 2 anos e cadeiras obrigatórias de formação
geral e básica em Matemática, Física, Química e em várias áreas de Biologia.
De realçar a eliminação da disciplina de Inglês, tal como fora recomendado pela Comissão de
Avaliação Externa.
A partir do ano lectivo 2000/2001 o curso passou a ter um menor número de disciplinas, 38
(120 unidades de crédito), no ramo de ensino e 28 (135 créditos), no ramo científico.
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3.3 - Conteúdo do Curso e evolução
Os conteúdos das disciplinas do curso objecto da avaliação (ramo científico 1998/1999 e ramo
de ensino 1996/1997) estão, na generalidade, devidamente actualizados e com metodologia
adequada. No geral, os docentes das disciplinas do 3º e 4º ano (muito poucas do 2º) queixam-se
da falta de bases dos alunos em matérias de outras disciplinas (ex.: Bioestatística e Biologia
Comparada dos Vertebrados), o que resultará da falta de uma lista de precedências
recomendadas ou da inadequada localização da disciplina no plano do curso. Alguns professores
(ex.: Genética) queixam-se de grande falta de cultura geral dos alunos, mas isso resultará do
sistema educacional da actual sociedade de consumo e economicista em que estamos integrados.
A bibliografia apresentada como basilar e secundária para cada disciplina é, no geral, suficiente
e actualizada. Na cadeira de Ecologia poderá dizer-se mesmo exagerada pois, certamente, os
alunos não consultarão bibliografia tão vasta.
Nota-se a ausência dos dados das disciplinas ministradas por docentes de outros Departamentos
(Matemáticas, Física e Química), com excepção da Bioestatística.
A licenciatura em Biologia, criada em 1991, sofreu grandes alterações, passando de um
primitivo plano de estudos que previa 5 ramos (Ensino, Biologia Evolutiva, Biologia Marinha,
Parasitologia e Biotecnologia) para um novo plano, em vigor a partir de 2000/2001, que prevê
apenas dois ramos: o de Ensino, com 4 anos de escolaridade e mais um de estágio, e o
Científico, com 4 anos de escolaridade e sem áreas de especialização.
Sobreleva, neste novo plano, uma redução do número de ramos de especialização, do número de
disciplinas e da carga horária semanal dos alunos.
Por outro lado, há sempre que não esquecer que as licenciaturas são constituídas para os alunos
e futuros licenciados, e para a sua necessária inserção na sociedade que os espera.
Assim, e tendo presente a auscultação de entidades extra universitárias, entende-se que as
licenciaturas em Biologia ficariam enriquecidas não esquecendo a possível informação nas áreas
de Biologia Humana, Controle de Qualidade, Impactos Ambientais, e mesmo de Gestão de
Empresas.
Não parece ajustado ao momento presente que o biólogo possa pensar apenas em ser um
investigador ou um professor, mas também um profissional livre, ou mesmo um empresário.
3.4 - Natureza e métodos de ensino
As aulas teóricas têm habitualmente a duração de 1 hora, ou, quando muito, 1,5h. Existem,
todavia, algumas cadeiras com aulas teóricas de 2 horas, e até há uma, (Entomologia), com
aulas teóricas de 3 horas. Os alunos não têm capacidade de atenção contínua para aulas teóricas
com duração tão longa e, assim, estas aulas não são, seguramente, rentáveis para os estudantes.
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Quase todas as aulas práticas têm a duração de 3 horas.
Em algumas disciplinas deveria haver saídas de campo de longa duração (ex.: Ecologia,
Entomologia, Plantas Avasculares e Plantas Vasculares), como, aliás, houve noutras disciplinas
(ex.: Geologia Ambiental e Geologia Geral), mas tais aulas não puderam realizar-se por falta de
meios. Assim, os docentes de Anatomia e Organogénese Vegetal, por exemplo, consideram que
é fundamental uma saída de campo, no início do curso, para colmatar a falta de conhecimentos
temáticos dos alunos, falta esta que os leva a terem muitas dificuldades na compreensão das
matérias ministradas na cadeira.
Os estágios científicos e as instituições onde decorrem (todas universitárias, algumas
estrangeiras) parece serem escolhidos pelos respectivos docentes e estarem conectados com a
área de investigação dos respectivos docentes. Não se indicam estágios efectuados em qualquer
empresa, pelo que se tem a sensação de que a Biologia não está aberta ao tecido empresarial e
industrial, ou este não está sensibilizado para o interesse da Biologia.
3.5 - Métodos de Avaliação
Os métodos de avaliação são, aparentemente, adequados. Nota-se que nas cadeiras mais
específicas dos últimos 2 anos do curso, particularmente naquelas com um pequeno número de
alunos, há uma boa percentagem de aprovações (ex.: Etologia 93,2%, Fisiologia Animal 88%,
Biossistemática 86,4%, Entomologia 82,6%), por vezes, uma percentagem máxima, 100% (ex.:
Biologia Marinha II e Metabolismo Secundário). Os estágios científicos mostram uma
percentagem de aprovação de 100%. Nas disciplinas com muitos alunos ou que acumularam
alunos dos dois planos de estudo (1996/1997 e 1998/1999) a percentagem de aprovação foi,
todavia, muito baixa, chegando mesmo a valores inferiores a 50% (ex.: Anatomia e
Organogénese Vegetal 44%, Biologia Celular 36%) o que, naturalmente, motiva adequada
reflexão.
Em algumas disciplinas, há uma elevada percentagem de alunos que deixa de frequentar a
cadeira e não se apresenta às provas de avaliação (ex.:Anatomia e Organogénese Vegetal - de 83
alunos inscritos apenas foram avaliados 45 e aprovados 20; Biologia Comparada dos
Vertebrados - de 49 inscritos apenas foram avaliados 24 e aprovados 16). Torna-se necessário
procurar as razões deste facto e encontrar soluções para as causas que venham a ser detectadas.
4 - ALUNOS
4.1 - NÚMERO DE ESTUDANTES
A Universidade da Madeira tem cerca de 2200 alunos. O curso tem cerca de 160 alunos,
ingressando anualmente cerca de 40. Os alunos são maioritariamente do sexo feminino (c.62%),
com uma idade média relativamente elevada (23 anos). A idade de ingresso é, igualmente,
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relativamente elevada, pois, normalmente, é superior aos 20 anos, atingindo, por vezes, médias
elevadas (25-29 anos), havendo, assim, alunos que terminam a licenciatura com idade superior a
30 anos (por vezes, com mais de 45 anos).
Isto significará que se tratará, certamente, de pessoas que só tiveram possibilidade de entrar no
Ensino Superior quando este passou a existir na Madeira.
4.2 - REQUISITOS DE ACESSO
O regime de ingresso faz-se através do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior (44
alunos no ano objecto de avaliação); Regime de Reingresso, Mudança de Curso e Transferência
(9 alunos no ano objecto de avaliação) ou através de Concursos Especiais (0 alunos no ano
objecto de avaliação).
É discriminatória a cláusula que obriga a que 50% das vagas sejam obrigatoriamente
preenchidas por alunos procedentes da Região Autónoma da Madeira. Muitos dos alunos
procedentes de outras regiões do país acabam por conseguir transferência ao fim do 1º ano.
Assim, cerca de 53% dos alunos do curso são oriundos da Região.
A gestão do 1º ano do curso é dificultada pelo ingresso tardio de um número relativamente
elevado de alunos através, particularmente, do Regime de Reingresso, Mudança de Curso e
Transferência (9 no ano objecto de avaliação, sendo o numerus clausulus 40).
As provas específicas são de Biologia e de Química. A maioria dos alunos (33) que ingressaram
no ano objecto de avaliação tinham classificações entre 12,5 e 14,5 valores. A maioria dos
alunos escolheu o curso como primeira opção (52%).
.3 - CARGA HORÁRIA E HORÁRIOS
Actualmente (ano lectivo 2000/2001), o curso tem 28 disciplinas (todas obrigatórias) e envolve
um total de 135 unidades de crédito. No ano objectivo do relatório de auto-avaliação
(1998/1999) o curso tem 35 disciplinas obrigatórias, com algumas disciplinas opcionais, em
número não exagerado, envolvendo 117,5 créditos (82, segundo pág. 192 do relatório de AutoAvaliação), tendo funcionado, em simultâneo, disciplinas de dois curricula , as correspondentes
à estrutura do curso que vigorou até 1997 e as da estrutura que vigorava no ano lectivo alvo da
avaliação (1998/1999). Neste plano de transição entre os dois curricula, alguns alunos,
particularmente os do 4º ano, optaram pela permanência no curriculum que vigorava no ano
lectivo 1996/1997. Assim, algumas disciplinas funcionaram apenas para exame.
É omissa a organização dos horários. No relatório de auto-avaliação apenas se informa
que a carga horária passou de uma média de 24,8 para 24,0 horas semanais, no ano lectivo
2000/2001.
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Como já foi referido, algumas cadeiras têm aulas teóricas de 2 horas e até há uma
(Entomologia) com teóricas de 3 horas, o que não é, evidentemente, recomendável, pois os
alunos não têm capacidade de atenção contínua para aulas teóricas com duração tão longa.
A efectiva capacidade de atenção de um aluno na parte final de uma aula teórica de 90
minutos é, naturalmente, duvidosa. Este facto não deverá deixar de ser tido em conta na
organização dos horários, e tal duração de aulas teóricas deverá, pelo menos, evitar-se.
4.4 - TAXAS DE CONCLUSÃO E DE DESISTÊNCIA
É muito baixa a média do número total de licenciados (ramo científico e ramo de ensino) (12,4)
em relação à média dos alunos que ingressam anualmente (35,4).
Há, assim, uma elevada percentagem de alunos que ingressam no curso, mas não o terminam
(52,2%).
A razão deste facto merece ser esclarecida.
4.5 - MÉDIA DE TEMPO DE ESTUDO
Como já foi referido, é muito baixa a média do número total de licenciados (ramo científico e
ramo de ensino) - 12,4 - em relação à média do número de alunos que ingressam anualmente 35,4. Há, assim, uma elevada percentagem de alunos que ingressam no curso, mas não o
terminam - 52,2%.
No ramo científico, é muito baixa a percentagem de alunos (21%, segundo o relatório de AutoAvaliação) que termina o curso no tempo curricular (4 anos). No ramo de ensino, a maioria dos
licenciados conclui o curso no tempo curricular (5 anos). No ramo científico há uma maior
percentagem de alunos que leva 2 ou mais anos a terminar a licenciatura, do que no ramo de
ensino.
Estes factos estarão, possivelmente, ligados às condições sociais dos próprios estudantes, mas
não deverão deixar de motivar a atenção da Universidade no sentido de esclarecer as respectivas
causas.
4.6 - ACONSELHAMENTO DOS ALUNOS
Segundo o relatório de Auto-Avaliação, os alunos têm representantes no Conselho
Directivo do Departamento, no Conselho Pedagógico-Científico do Departamento e no
Conselho de Curso, aqui com elevada representatividade.
O referido relatório é, porém, omisso no que se refere a estruturas de aconselhamento aos
alunos.
No entanto, a Universidade da Madeira activou, no ano 2000, um Gabinete do Aluno, com
função de “ligar” os ex-alunos à Universidade e manter registos do respectivo sucesso
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profissional. Além deste Gabinete ser de criação muito recente e, portanto, ainda não ter dados
significativos, está fora de apreciação no âmbito do ano objectivo do relatório de auto-avaliação
(1998/1999).
5 - PROFESSORES E MEIOS HUMANOS
5.1 - COMPOSIÇÃO DO CORPO ACADÉMICO, TÉCNICO E ADMINISTRATIVO
Aumentou a percentagem de docentes com grau de doutor (47,5%) em relação ao período de
avaliação anterior (35%).
Diminuiu, significativamente, o recurso à colaboração de docentes universitários do continente.
Estes passaram de 12 para 2 e, segundo o relatório de Auto-Avaliação, “somente contratados
para colmatação de dispensas de serviço ou outras impossibilidades dos docentes da casa”.
No entanto, aumentou o número de disciplinas que se encontram a ser regidas por assistentes,
tendo passado de 5 para 9 (Plantas Avasculares, Plantas Vasculares, Embriologia e Histologia
Animal, Bioestatística, Ecologia, Biologia Comparada dos Invertebrados, Geologia Ambiental,
Geologia Geral, Mineralogia e Petrologia).
5.2 - RESPONSABILIDADE PEDAGÓGICA
Existe um Conselho de Curso, constituído por 5 alunos (um por cada ano curricular) e por
um número igual de docentes, indicados pelas unidades que participam na leccionação do
curso (5 na licenciatura), cujo Director é um professor do Departamento. Os alunos estão,
igualmente, representados no Conselho Pedagógico-Científico de Departamento (2),
Assembleia de Representantes (2) e Conselho Directivo (1). O Conselho CientíficoPedagógico é constituído por duas Comissões: Científica e Pedagógica. Os alunos estão
unicamente representados na Comissão Pedagógica (2), o que está de acordo com as
recomendações da Comissão de Avaliação Externa anterior, que propunha a eliminação de
representantes de alunos no Conselho Científico e no Conselho Directivo. No entanto, a
presença de alunos nestes Conselhos está consignada nos Estatutos da Universidade da
Madeira.
As atribuições pedagógicas bem como funciona o Conselho de Curso, são omissas, assim
como as da Comissão Pedagógica.
Não deixa de se reiterar a citada recomendação quanto à composição dos conselhos acima
referidos.
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5.3 - GESTÃO DOS MEIOS HUMANOS
Sobre gestão dos meios humanos, os únicos elementos que o relatório de auto-avaliação
apresenta são, como anexos, o Estatuo da Universidade da Madeira e o Regulamento do
Departamento de Biologia.
Não se detectaram, todavia, especiais problemas a este nível.
6 - ESTRUTURAS
6.1 - EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA
O relatório de auto-avaliação é omisso no que se refere à eficiência administrativa. Apresenta
apenas, sem comentários, a lista do pessoal não docente do Departamento, que é marcadamente
exígua, pois são apenas 8 pessoas, das quais apenas uma tem funções administrativas
(Assistente Administrativa Especialista).
Com tão pouco pessoal, deve ser difícil uma boa eficiência administrativa.
6.2 - ORÇAMENTO E FONTES
O relatório de Auto-Avaliação indica os recurso financeiros orçamentais da Universidade da
Madeira e os do Departamento de Biologia que, como é habitual, são exíguos (14 mil contos
para o Departamento, não incluídos os salários do pessoal). Desta verba, 8 mil contos
destinaram-se às despesas correntes do Departamento, 5 mil contos ao Curso de Biologia (ramo
científico) e mil contos ao que ainda funcionou do ramo pedagógico do Curso de Biologia.
Interessaria entrar em contas com o que se dispende em pessoal e calcular o custo por que fica
cada licenciado, mas isso deverá ser feito com um mesmo algoritmo para todas as
universidades.
6.3 - INFRAESTRUTURAS FÍSICAS
Desde que o Departamento passou para os novos edifícios da Penteada, construídos de raiz para
a Universidade, as novas instalações são, no geral, consideradas boas, não só pelo corpo
docente, como também pelos alunos.
Os equipamentos didácticos, audiovisuais e informáticos, assim como os equipamentos
laboratoriais e biblioteca e respectivos horários, parecem funcionais e suficientes, se bem que
alguns melhoramentos nesta última sejam de implementar.
6.4 - OUTROS APOIOS
Como é habitual, há outros apoios, mas sobretudo através de Projectos de Investigação,
particularmente os inseridos no CCBG (Centro de Ciências Biológicas e Geológicas da
Universidade da Madeira) e do CICA (Centro de Ciências Agrárias da Universidade da
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Madeira). É evidente que algumas das verbas têm influência didáctica, pois utilizam-se, como é
usual, para apoio de estágios científicos, de que resulta, por outro lado, uma mão de obra barata
utilizada nesses projectos.
A prestação de serviços à comunidade na área judicial mostrou-se em perspectiva, e isso
poderá ser muito benéfico, não só para a Universidade, como para a comunidade Madeirense.
7 - GESTÃO DA QUALIDADE
7.1 - POLÍTICA DE ACOMPANHAMENTO DO CURSO E MEDIDAS ADOPTADOS
Já foi referido o Conselho de Curso, cujas funções são de estimular.
7.2 - CONTROLO INTERNO DA QUALIDADE
Não existem referências a uma actividade específica nesta área.
Algo será, com certeza, exercido pelo Conselho Científico-Pedagógico.
7.3 - RELACIONAMENTO COM A INVESTIGAÇÃO
Alguns professores utilizam, nas suas aulas, experiências e resultados das suas próprias
investigações. Como se trata de uma Universidade pequena e com poucos alunos, é possível
manter estes em contacto com a investigação científica produzida nos respectivos
Departamentos.
7.4 - PROCEDIMENTO PARA A INOVAÇÃO
Não existem referências a este propósito.
Entende-se não dever esquecer-se, para apreciação o mais rapidamente possível, o Sistema
Europeu de Transferência de Créditos (ECTS).
8 - RELAÇÕES EXTERNAS
8.1 - CONTACTOS COM A INDÚSTRIA, INSTITUIÇÕES E SERVIÇOS
Há bastante cooperação com instituições públicas externas, regionais, nacionais e estrangeiras.
Porém, são praticamente inexistentes relações com a indústria, que se julga poderem ser de
extrema importância, inclusive com a indústria turística.
8.2 - CONTACTOS COM OUTRAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR
Há cooperação e alguns projectos conjuntos com instituições universitárias nacionais e
estrangeiras.
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8.3 - PROGRAMAS EUROPEUS
Houve mobilidade estudantil, através dos programas ERASMUS e SOCRATES, com a França,
Espanha, Itália e Reino Unido e, também, de docentes que efectuaram alguns estágios
científicos, ou parte deles, em instituições estrangeiras.
9 - Conclusões e recomendações finais
As seguintes conclusões e recomendações resultam, naturalmente, da visita efectuada e da
análise do relatório de auto-avaliação. Constituem um conjunto de pontos que, no entender da
Comissão, merecem uma reflexão, com o objectivo de reconhecer e melhorar os padrões de
qualidade já verificados.
Assim:
1. Confirma-se a pertinência dos objectivos enunciados para a criação do curso.
2. É de realçar a existência de um tronco comum no plano de estudos, que abre a
possibilidade de existência de eventuais ramos de especialização.
3. Existe um leque de opções que, na realidade, só funcionam em número reduzido, o que
tem a vantagem de aumentar o número de alunos por disciplina, não sobrecarregando os
custos da licenciatura.
4. Regista-se, como bastante satisfatório, o esforço desenvolvido para implementar as
recomendações referidas na última avaliação.
5. Existe necessidade de reforçar o acervo bibliográfico da biblioteca, especialmente em
publicações periódic as, assim como potenciar o período e funcionamento da mesma,
nomeadamente com recurso às novas tecnologias.
6. É de realçar, pela positiva, e de felicitar a Universidade da Madeira, pelo aumento
significativo do número de Doutores ocorrido entre os dois ciclos de avaliação.
7. É de estimular e ampliar a prestação de serviços à comunidade, bem como o incremento
de estágios externos à Universidade, pois que ambos serão vias importantes para a
inserção dos próprios licenciados na sociedade que os espera.
8. O clima de relacionamento entre docentes e alunos é referido como bom, assim como a
cooperação com os diversos agentes das comunidades regional, nacional e
internacional, com uma gradual afirmação institucional quer do Curso quer da
Universidade da Madeira.
9. As taxas de conclusão de licenciatura são baixas assim como a inserção dos recémlicenciados no mercado de emprego regional, o que é naturalmente preocupante e
desejável ver-se alterado.
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10. Salienta-se a existência de um corpo docente jovem e empenhado, com uma forte
motivação e expectativas potenciadas por uma proximidade real entre docentes e
discentes, assim como por uma real articulação entre as propostas do curso e o
enquadramento natural da Região Autónoma da Madeira.
11. Apresenta -se de estimular a implementação, de forma regular, de acções de pósgraduação dirigidas à qualificação dos seus licenciados para áreas específicas,
aproximando-os, o mais possível, do processo de formação contínua ao longo da vida e
de temas de real interesse para a sociedade portuguesa.
12. Afigura-se de estimular a promoção de cursos ou acções destinadas a melhorar a
formação pedagógica dos docentes universitários.
13. Constata-se que um número significativo de recém-licenciados em Biologia desenvolve
actividade de investigação principalmente mediante a atribuição de bolsas, no país ou
no estrangeiro. Esta não é, obviamente, uma situação estável e deve levar a reflectir-se
na necessidade de procurar alterar-se o leque de saídas profissionais.
14. Considerar, o mais rapidamente possível, a implementação da aplicação do Sistema
Europeu de Transferência de Créditos (ECTS) e da orientação sobre duração dos cursos
da licenciatura.
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