UMA REFLEXÃO SOBRE A METODOLOGIA APLICADA NO ENSINO DE LIBRAS NO CENTRO ESPECIAL ELYSIO CAMPUS Daniel Carvalho da Silva (UFG) [email protected] Luatane Cardoso do Nascimento (UFG) [email protected] Orientadora: Profª. Drª. Neuma Chaveiro (UFG) [email protected] Palavras-chave: LIBRAS; metodologia de ensino; educação; surdez. Introdução:O Centro Especial Elysio Campos é uma instituição de ensino bilíngue (Português/Libras) locada dentro do espaço da Associação dos Surdos de Goiânia (ASG) e conveniada com a Secretaria de Educação do Estado. Ele oferece cursos de ensino fundamental de 1° ao 9° ano, educação de jovens e adultos, atendimento educacional especializado, e formação Inicial para o trabalhador. O objeto de nossa comunicação é a metodologia do ensino de Libras (Língua Brasileira de Sinais) – que, de acordo com a lei 10.436 e o decreto 5.626 é a segunda língua oficial brasileira. O presente trabalho é fruto do relatório final da disciplina de Estágio I do curso de Letras-LIBRAS da Universidade Federal de Goiás. Material e métodos: A pesquisa baseou-se na observação de campo: assistiu-se aulas com os alunos e vistoriou-se o espaço físico da instituição; fez-se também uma entrevista. O material utilizado foi caneta e papel.Resultados: Verificou-se a complexidade do trabalho docente e a necessidade de se estabelecer metas para o seu progressivo aperfeiçoamento. A disciplina de Libras no currículo escolar é algo novo e transformador, tanto para a educação de surdos quanto para o reconhecimento desta língua. Por isto, é necessário refletir sobre as práticas de ensino que se adéquam as diferentes necessidades dos alunos conjecturando sobre os métodos utilizados e a necessidade da criação de novos métodos, materiais didáticos e conteúdos que se adéquem ao perfil dos alunos inseridos na escola. Todas as metodologias de ensino possíveis de serem aplicadas dependem, em primeiro lugar, da forma como o professor efetiva a mediação entre o aluno e o conhecimento, tal qual afirmara Figueiredo (1997). Por isso, é preciso incentivar, capacitar professores e fornecer espaço adequado para que o aprendizado atinja a todos. Existe um pressuposto de que para ensinar LIBRAS basta saber. Porém, o ensino deve conter conhecimentos teóricos e práticos, como no ensino de qualquer outra língua adicional. Sem formação específica não é possível ensinar; dominar uma língua não é capacitação suficiente para ensiná-la.Em consonância com Gesser (2012), Basso, Strobel e Masutti (2009), a pesquisa em campo fez perceber, nitidamente, que a junção de alunos surdos, que aprendem Libras como L1 (primeira língua), com alunos ouvintes, que aprendem Libras como L2 (segunda língua) numa mesma sala, não contribui com a aprendizagem. Por outro lado, a pesquisa reafirmou o fato de o ensino de LIBRAS para o surdo dever partir de um referencial de cultura, identidade e comunidade, o que inviabiliza o ensino por meio de abordagens comuns ao ensino de L2, baseado em diálogos, vocabulário, gramática e etc. Discussão: Compreende-se que aulas de Libras no ensino regular é algo novo e, por isso, mais sujeito a falhas, mas, por outro lado, é preciso interesse da parte professores em aliar estudos teóricos à prática de ensino, tal como afirmara Freire (2006), criando e disseminando novas metodologias de ensino desta língua tão diferente, que necessita da criação de materiais didáticos (MASHHARA; TONLINSON, 2005) e capacitação dos professores. Cabe à escola ofertar a estes profissionais cursos, oficinas voltados para o ensino bilíngue. Não obstante, nesta trajetória de consolidação da Libras como parte integrante do currículo haverão muitas falhas, mas crê-se que estes são os primeiros passos para a construção de uma educação de qualidade para os surdos no Brasil. Conclusão: A Libras é uma língua natural (QUADROS; KARNOPP, 2004, p. 30-31; GOLDFELD, 1997, p. 28) que, atualmente, ganha todo o espaço destinado à educação de surdos. Faltam profissionais habilitados na língua para o mercado de trabalho e há pouquíssimo material bibliográfico que aborde os métodos, abordagens e técnicas de ensino de Libras. Portanto, afirme-se, é urgente a necessidade de se propor alternativas. Na mesma direção, a experiência da pesquisa no estágio contribuiu aguça a consciência crítica acerca do ensino de LIBRAS em si. Logicamente, o exercício da docência que em nós vai tomando corpo também é atingido, uma vez que nos impele a práticas reflexivas, avaliadas constantemente e muito bem planejadas, com atividades lúdicas, interativas e realísticas, o que, naturalmente, conduz qualquer profissional da educação à busca de arcabouços estruturais para a sua prática e o seu desenvolvimento. Referências BASSO, Idavania Maria de Souza; STROBEL, Karin Lilian; MASUTTI, Mara. Metodologia do Ensino de Libras L1. Florianópolis: UFSC, 2009. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2006. GESSER, Audrei. O ouvinte e a surdez: sobre ensinar e aprender LIBRAS. São Paulo: Parábola Editorial, 2012. MASHHARA, Hitomi; TONLINSON, Prian. A elaboração de materiais para cursos de idioma. São Paulo: Book Service, 2005. FIGUEIREDO, Francisco José Quaresma de. Aprendendo com os erros: uma perspectiva comunicativa do ensino de línguas. Goiânia: Editora da UFG, 1997. QUADROS, R. M.; KARNOPP, L. B. Língua Brasileira de Sinais: estudos linguísticos. Porto Alegre: Artmed, 2004. GOLDFELD, M. A criança surda: linguagem e cognição numa perspectiva sócio-interacionista. São Paulo: Plexus, 1997.