UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE A DISTRIBUIÇÃO URBANA DE MERCADORIAS NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO Por: Fernando de Lima Ribeiro Orientador Prof. Carlos Cereja Rio de Janeiro 2011 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE A DISTRIBUIÇÃO URBANA DE MERCADORIAS NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO Apresentação de monografia à Universidade Candido Mendes, Instituto A Vez do Mestre como requisito parcial para obtenção especialista em Gestão Empresarial Por: Fernando de Lima Ribeiro. do grau de 3 AGRADECIMENTOS A Toda equipe de funcionários e dirigentes da American Beverage Company (AMBEV) de São Cristóvão, que tiveram a paciência e boa vontade de ceder informações para enriquecer este trabalho. Aos Coordenadores da CESA Logística que colaboraram com documentos que incrementaram minha pesquisa. Ao professor Paulo Ambrosio pelos ensinamentos e sabedoria. Aos meus professores dos Ensinos Fundamental e Médio (alguns in memoriam) que tanto contribuíram para minha formação acadêmica. Aos colegas de turma que entenderam minhas dificuldades em determinados momentos, especialmente a colega Flávia Estill presente na minha vida desde o início da minha graduação. Aos meus amigos que foram compreensivos quanto a minha ausência em algumas celebrações. As minhas irmãs Elenita e Isabel, que na ausência de minha mãe cuidaram de mim tal qual um filho. Aos irmãos Graziano e Gabriel Louzada que entraram na minha vida e me assumiram como se eu fosse de sua família. 4 EPÍGRAFE “... não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu” Westphal, Sarah (2004) 5 DEDICATÓRIA Dedico a minha mãe Antonia Silva, nordestina guerreira que não satisfeita em colocar no mundo nove filhos ainda teve a coragem e o amor de adotar outros três. Mulher vitoriosa responsável pelo homem que me tornei. 6 RESUMO A logística tem como principal objetivo um fornecimento de um maior nível de serviço ao consumidor, garantindo, a competitividade através da otimização dos custos operacionais. Nesse contexto, a distribuição urbana de mercadorias compreende as atividades da cadeia logística que interagem mais intensamente com os núcleos das cidades.Duas características principais dessa atividade logística devem ser destacadas: o nível de exigência e a representatividade do mercado alvo. Nessa atividade, coexistem hoje, no cenário nacional, operadores de transporte e logística em diferentes fases de desenvolvimento organizacional e tecnológico. Tais diferenças e a carência direcionada desse mercado foram os principais motivadores do presente trabalho, a necessidade da exposição de algumas das dificuldades existentes no campo da distribuição urbana de mercadorias, especificamente bebidas, onde o operador logístico precisa cumprir todas as necessidades sociais legais, sem deixar de garantir o melhor nível de serviço ao cliente final considerando sempre o custo total e a saúde da operação. Conclui-se que os diferentes níveis de desenvolvimento organizacional e tecnológico, bem como a terceirização da logística nos canais de distribuição influenciam diretamente na forma como os indicadores de desempenho são projetados, gerenciados e implantados.Palavras – Chave:Logística, distribuição, terceirização e painel de metas. 7 METODOLOGIA A elaboração deste trabalho teve como base consultas bibliográfica de importantes pensadores da área da Logística, como BALLOU, BOWERSOX e CLOSS entre outros. Contei também com o apoio de livros de alguns ex professores como MÁRIO MANHÃES e PAULO AMBROSIO, dos quais tive a honra de ser discente durante meu período de graduação. Foi preciso fazer uma pesquisa bem ampla tendo em visto que não há muita literatura publicada que fale especificamente de distribuição urbana, assim sendo, foi necessário endurecer um filtro para não fugir ao foco da pesquisa. Além do apoio bibliográfico, tive a oportunidade de acompanhar dois dias de operações na filial São Cristovão da multinacional AMBEV (American Beverage Company), onde foi possível vivenciar informações concretas e reais de toda a operação e das dificuldades encontradas em rota, pelas equipes que efetuam as entregas dos produtos da empresa. Parte do material postado em anexo é proveniente do arquivo digital da AMBEV (American Beverage Company) e me foi cedido pelo Gerente de Distribuição FELIPE WERNER BRANDÂO. Constatei em conversas informais com alguns membros da Companhia, expectativas frustradas quanto ao que se esperava da operação de distribuição, basicamente insatisfações quando ao alto nível de complexidade de operar dentro da cidade, muitas limitações legais e burocráticas. 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 09 CAPÍTULO I A LOGÍSTICA 12 CAPÍTULO II AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO 20 CAPÍTULO III A OPERAÇÃO 26 CONCLUSÃO 35 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 37 ÍNDICE DOS ANEXOS 39 ANEXOS 40 FOLHA DE AVALIAÇÃO 60 INTRODUÇÃO 9 As operações integradas de armazenagem, transporte e fluxo de informações são chamadas de cadeia de suprimento, ou do inglês Supply Chain Management. As organizações têm assumido esta visão buscando melhorar sempre o nível de serviço de seus respectivos clientes. A proximidade cada vez maior na relação empresa-cliente, aliado as particularidades operacionais e administrativas de cada comprador, agrega cada vez mais a importância que se deve dar aos canais de distribuição. Como forma de especializar essas atividades e garantir economia de escala, além da vantagem da aplicação intensiva de tecnologia, algumas empresas industriais optam em delegar com maior ou menor intensidade suas operações fiscais, de distribuição e informacionais, caracterizando a terceirização destas atividades. A distribuição urbana de mercadorias no centro da cidade do Rio de janeiro compreende as atividades da cadeia logística. Essa função assume complexa relevância, pois neste local encontramos grande parte da demanda por produtos industriais. Assim a logística assume a missão de vencer as barreiras impostas pela soma dos diversos entraves presentes neste local, como o transporte publico de pessoas, o transito de carros particulares, a falta de infra-estrutura de descarregamento e recebimento, as vias repletas de transeuntes, a omissão de várias esferas governamentais responsáveis por suprir favoráveis condições estruturais além da restrição de horário de circulação estabelecida pela prefeitura, também conhecida como Lei Cesar Maia. (Decreto Nº 29231 de 24 de Abril de 2008). No atual cenário de distribuição de mercadorias no centro da cidade do Rio de Janeiro, temos hoje coexistindo diversos operadores logísticos e de transporte em diferentes fazes de desenvolvimento organizacional e tecnológico. Todos atuam em um ambiente altamente competitivo e predatório repleto de fatores externos, com clientes exigindo cada vez mais um maior nível de serviço. 10 Este trabalho propõe expor de forma macro, as dificuldades encontradas por um operador logístico para atuar dentro do centro da cidade do Rio de Janeiro. Considerando todos os entraves operacionais, burocráticos e de infra-estrutura presentes neste ambiente. O presente trabalho tem como objetivo apresentar as dificuldades de operacionalização existentes no campo da distribuição urbana de mercadorias, além de discutir as possíveis soluções logísticas para amenizar o transtorno deste tipo de operação na sociedade. É proposto também estudar e descrever os conceitos associados à Logística, ao gerenciamento da cadeia de abastecimento e a distribuição urbana de mercadorias. Os atuais modelos logísticos de distribuição foram desenvolvidos para atender uma demanda, que sugere um campo operacional plano e com abrangente espaço para atuação. Porém dentro de cada seguimento de produtos, existem sazonalidades que impedem a aplicação específica de um único modelo para o desenvolvimento geral de sua distribuição. Dentro da cidade do Rio de janeiro temos diversos fatores que delimitam o campo de atuação dos Operadores Logísticos, especialmente em datas em que a cidade se encontra repleta de visitantes, tais fatores obrigam ao cumprimento de determinadas regras sociais que foram implantadas na intenção de ajustar o sistema de distribuição ao fluxo de transeuntes na cidade. O sistema urbano precisa ser suprido de suas necessidades materiais. Os órgãos governamentais e reguladores precisam garantir a ordem dentro e fora da cidade. Os Operadores Logísticos devem se adequar as necessidades de cada área e não desrespeitar as normas estabelecidas 11 pela sociedade. Esses conflitos de interesses movimentam o fluxo urbano de distribuição e aquecem a competitividade do mercado. As principais limitações estão relacionadas a pouca quantidade de obras publicadas sobre o tema, destaca-se também a dificuldade de acesso a informações de cunho estratégico. A abrangência deste trabalho se limitou a estudar as ações e as dificuldades possíveis na distribuição de bebidas da multinacional Ambev, no perímetro que compreende ao Centro da cidade do Rio de Janeiro. Este trabalho é constituído de introdução, três capítulos e conclusão organizados da seguinte forma: • Capítulo 1 e 2 – Base teórica: Apresentando uma revisão da literatura sobre Logística Geral. • Capítulo 3 – Fluxo operacional, complexidade da entrega e metas: Descrição dos processos operacionais, as contraditórias sociais e exposição de metas produtividade. CAPÍTULO I A LOGÍSTICA 1.1 - O conceito e sua evolução: de acompanhamento de 12 Certamente um dos grandes desafios empresaria da atualidade, de uma forma geral, consiste na busca da redução de custos e obter sempre melhores resultados nas operações, bem como adequar seu nível de serviço aos seus clientes. A logística representa uma linha de atuação nas empresas com grande impacto nos resultados e na sociedade. A logística não pode ter seu conceito considerado estático, segundo BOWERSOX e CLOSS (2001), não havia teoria ou conceito formal sobre logística integrada antes da década de 50. Naquele tempo, funções hoje aceitas como atividades logísticas eram meramente consideradas operações de apoio ou de suporte. A ineficiência era freqüente, pois não havia coordenação entre as funções. Não se compreendia os benefícios da integração das atividades logísticas, logo a razão por não haver coordenação entre estas operações. O Council of Logistics Management modificou sua definição de gerenciamento da distribuição física em 1976, passando a definir o conceito de logística da seguinte forma em 1991: Logística é a parte da cadeia de suprimento que se encarrega dos processos de planejamento, implementação e controle de maneira eficiente do fluxo e da armazenagem de produtos, bem como dos serviços e informações associadas, cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender aos requisitos do consumidor. Aqui já temos a existência da preocupação de contextualizar à logística dentro do Supply Chain. Segundo BALLOU (2001): A logística empresarial trata de todas as atividades de movimentação e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria-prima até o 13 ponto de consumo final, assim como dos fluxos de informação que colocam os produtos em movimento, com o propósito de providenciar níveis de serviço adequados aos clientes a um custo razoável. Indo ao caminho da concepção de logística integrada, temos o conceito de CHRISTOPHER (1997), bastante parecido com o de BALLOU ele diz: A logística é o processo de gerenciar estrategicamente a aquisição, movimentação e armazenagem de materiais, peças e produtos acabados (e o fluxo de informações correlatas) através da organização e seus canais de marketing, de modo a poder maximizar as lucratividades presente e futura através do atendimento dos pedidos e baixo custo. BALLOU (2001) ultrapassa seu próprio conceito propondo a definição da missão da logística, enquanto BOWERSOX e CLOSS (2001) apresentam a missão lembrando que a logística “...existe para satisfazer as necessidades do cliente, facilitando as operações de produção e marketing”. Seguindo a evolução conceitual da logística, inclui-se a seguinte definição (BALLOU, 2001): A organização logística são as pessoas, as empresas e as demais entidades que, juntas, são responsáveis pelo projeto, planejamento, execução e controle de determinada operação logística, visando o atendimento das necessidades de determinados grupos de clientes a um custo adequado. 1.2 - Na atualidade: Não é de hoje que se ouve falar em Globalização, este processo trouxe como conseqüência o aumento da competição empresarial. Foi preciso repensar suas atitudes e filosofias de trabalho caso a empresa ainda quisesse 14 se manter no mercado. Uma das principais mudanças diz respeito a configuração das relações entre cliente-fornecedor, administradas agora de forma mais integrada e estratégica. A natureza da empresa vai definir seu desenho logístico e sua importância. Embora cada empresa desenvolva operações logísticas em algum grau, a singularidade dos processos é ampla e se encaixam em cada seguimento. O ambiente diferenciado em que cada organização logística estar inserida vem se modificando no decorrer dos anos, sendo que podemos delimitar um quadro geral composto por aspectos como satisfação dos clientes, aumento do valor da informação, competição, pressão dos concorrentes internacionais, aumento de alianças estratégicas, preços mais competitivos, fatores políticos e econômicos, gerenciamento da cadeia de suprimentos e mudanças no mercado como o e-commerce. Neste ambiente em plena mutação é inegável que a terceirização se apresente como uma saída adequada para algumas situações enfrentadas pelas empresas. Organizações especializadas em determinadas áreas da logística, surgiram em um cenário cada vez maior com disputas bastante acirradas. 1.3 – A força da terceirização: É bastante comum na atualidade se ouvir falar em operador logístico, este termo é decorrente da “nova organização logística” que em sendo motivo de estudo recente no ambiente acadêmico e empresarial. Segundo NOVAES (2001) operador logístico é um prestador de serviços logísticos que tem competência reconhecida em atividades logísticas desempenhando funções que podem englobar todo o processo logístico de uma empresa ou somente parte dele. 15 Desconsiderando os avanços tecnológicos e operacionais que dão sustentabilidade ao moderno termo Supply Chain Management, o termo prestador de Serviços Logísticos engloba todo tipo de atividade deste tema, por mais simples que seja. Alguns fatores pontuais servem como alavancas da terceirização, e embora exista um “ponto ótimo” teórico onde a partir do qual o seu aprofundamento pode apresentar perdas de produtividade e eficiência, tais como: • Crescente burocratização das organizações. • Alta concentração em seus respectivos core business. • Novos processos de trabalho, com conseqüente diminuição dos níveis hierárquicos. • Necessidade de geração de caixa para manter as atividades Na hora de decidir se deve ou não terceirizar algum serviço são levado em consideração diversos fatores, é possível citar alguns desses fatores e algumas perguntas que precisam ser feitas: • Necessidade da empresa. • Valores tangíveis. • Comprometimento da gerencia. • Capacidade do operador • O que se deve ganhar com a contratação? • Que característica o meu operador precisa ter? • Quais instrumentos gerenciais devemos estabelecer? • Como avaliar o sucesso da operação / apuração dos resultados? A terceirização possui suas vantagens e desvantagens, este negocio estar se tornando cada vez mais global. A combinação da complexidade operacional e os sofisticados meios tecnológicos vêm contribuindo cada vez mais para aumentar a procura por operadores logísticos. Esta procura se deve 16 ao potencial que estes operadores tem de executar com menores custos e oferecer melhores serviços do que operações executadas internamente. Segundo FELIPE WERNER BRANDÃO, Gerente de Operação de Distribuição da filial São Cristovão da multinacional AMBEV, uma das desvantagens da terceirização é o chamado risco comercial de ter sua marca vinculada a uma empresa de serviços. Ainda segundo o executivo a empresa mantém analistas de logística próprios, em uma forma ofensiva de não perder a identidade da companhia junto aos seus respectivos clientes. Os analistas estão diariamente no mercado auditando o nível de serviço do operador logístico, garantindo também a presença da identidade AMBEV e a satisfação dos seus clientes. Segundo CHARLES MENDONÇA, Coordenador de Distribuição da CESA Logística, uma das empresas detentora da conta de distribuição urbana dos produtos da AMBEV na cidade do Rio de Janeiro, outra grande dificuldade é o descompasso entre as percepções do contratante e do operador contratado sobre os objetivos de cada empresa. No dia a dia as empresas são obrigadas a fazer escolhas entre objetivos competitivos, como por exemplo, custos, flexibilidade, consistência, confiabilidade, inovação e velocidade. Ainda segundo VITOR DE CASTRO PINHEIRO, Coordenador de Operações de Armazenagem da filial São Cristovão da multinacional AMBEV, um terceiro problema potencial é a incapacidade do operador logístico de cumprir as metas combinadas com o contratante. Muitas vezes baseado apenas em previsões sobre volumes e na ânsia de conquistar o negócio, o operador promete mais do que é realmente possível alcançar. 1.4 – A parceria: 17 Tida como uma relação de confiança mutua, recompensas e cumplicidade de riscos, este elemento é muito utilizado na hora de negociar qualquer alteração contratual, acordo bilateral, tratamento de exceções e ou qualquer possível forma de favorecimento. Embora não haja um relacionamento ideal para todas as situações, muitas parcerias compartilham elementos comuns e características. Segundo LAMBERT (1996) é possível dividir a parceria em três tipos: Tipo I As organizações envolvidas se reconhecem como parceiras e, em limites básicos, coordenam as atividades e planejamento. A parceria usualmente tem foco no curto prazo e envolve apenas uma divisão ou área funcional em cada organização. Tipo II As organizações progridem alem da coordenação das atividades, para a integração das atividades. Apesar de não esperarem que dure para sempre, a parceria tem um horizonte de longo prazo. Múltiplas divisões e áreas funcionais são envolvidas na parceria. Tipo III As organizações compartilham um nível significante de integração operacional. Cada parte enxerga as demais como uma extensão de sua própria empresa. Tipicamente não existe uma data final de término da parceria. 1.5 – A distribuição: 18 Logística de distribuição é o ramo da logística empresarial que trata da movimentação, estocagem e processamento de pedidos dos produtos finais da firma. BALLOU (2001). A Logística de distribuição define como devem ser os canais de comercialização, ou canais de distribuição, da empresa perante o seu mercado consumidor. A logística mantém responsabilidade sobre as mercadorias desde o momento em que sua produção é finalizada até a tomada de posse do comprador, assim podemos afirmar que a distribuição física preocupa-se principalmente com bens acabados ou semi-acabados, ou seja, com mercadoria que a companhia oferece para vender e que não planeja executar processamentos posteriores. No mundo do marketing a escolha do canal de distribuição é fundamental, pois o tipo de canal escolhido afeta todas as outras variáveis de no mix de marketing. Não podemos esquecer que a escolha do canal compromete a empresa, sendo uma decisão estratégica e de compromisso. Questões de marketing e canais de distribuição devem ser consideradas em conjuntos, aja visto que uma interfere diretamente na outra. Segundo BOWERSOX & CLOSS (2001) canais de distribuição são: “sistemas de relacionamento entre entidades que participam do processo de compra e venda de produtos e serviços”. Consideramos a classificação em dois grupos entre os membros participantes de um canal de distribuição, são eles os primários e os especializados. A diferença mais marcante entre ambos é que os primários participam diretamente no canal assumindo o risco financeiro pela posse do produto (fabricantes, atacadistas e varejistas). Os especializados participam de forma intermediária no canal, basicamente por meio de prestação de serviços 19 aos membros primários, não assumindo o risco financeiro pela posse dos produtos. CAPÍTULO II Avaliação de desempenho Quando se fala em avaliação de desempenho o primeiro conceito que devemos considerar é o da qualidade. Tanto embora não haja um conceito definido para qualidade, podemos resumir como o atendimento as necessidades dos clientes. É preciso um sistema de acompanhamento permanente que nos diga se estamos seguindo na direção certa, na velocidade adequada. É preciso um sistema de avaliação de desempenho. 20 Ter indicadores de desempenho é fundamental, pois eles servem não apenas como instrumento de gerência propriamente dito, mas também como forma de motivação pessoal, pois traduzem a visão do futuro e suas respectivas metas em objetivos claros. Existem três tipos de indicadores e cada um deles possui suas necessidades diferenciadas, são eles: • Estratégico: Indicador macro, grande abrangência e pouco detalhe, receitas, índices, lucros, relações. • Gerencial: Indicador intermediário, resumos, mercados, linhas de produtos, unidades da organização. • Operacional: Pequena abrangência e muito detalhe, unidades tecnológicas de medidas. Existem dois grupos de indicadores, os financeiros e os físicos, o desafio principal é encontrar superação na lacuna existente entre ambos. É extremamente importante direcionar a informação correta ao tomador de decisões certo. Possuir um sistema de controle que possa fornecer informações essências para o entendimento e aperfeiçoamento das atividades realizadas pelas empresas é de suma importância, em função principalmente pelo aumento da concorrência. O ambiente de negócios atual, caracterizado pela globalização, bem como pela integração funcional e setorial tem fator determinante no projeto e uso de medidas de desempenho, tais medidas tem como objetivo, entre outras coisas, integrar diferentes áreas de atuação da empresa. Muitas são as variáveis que podem ser analisadas, por isso é preciso saber distinguir quais são as essências, isso vai depender da complexidade do processo que se deseja avaliar, da sua importância em relação às metas e sua expectativa de uso gerencial posterior destes dados. 21 2.1 Controle Planos logísticos, sozinhos, não garantem o atendimento dos seus objetivos, para tanto precisamos considerar outra função primária do processo de gestão. O controle é o processo no qual o desempenho planejado é direcionado, ou mantido em linha, com os objetivos desejados. Este processo compara o desempenho esperado com o real, e caso necessário inicia ações de aproximação entre os dois. Sua necessidade básica concentra-se nas incertezas futuras que alteram o desempenho dos planos. Além dessas incertezas é possível que ocorram mudanças significativas no ambiente logístico, que podem provocar alteração nos desempenhos planejados, neste caso o controle funciona como um monitoramento podendo antecipar as ações necessárias para o realinhamento do desempenho real com o planejado. Um sistema logístico eficaz requer informação exata, relevante e oportuna sobre o desempenho da função ou atividade. As principais fontes dessa informação são auditorias e os variáveis relatórios das atividades logísticas. Seu elemento final é a ação corretiva que deve ser empreendida quando a diferença entre as metas do sistema e o desempenho real não são mais toleráveis. 2.2 – A abordagem de BOWERSOX e CLOSS / NORTON e KAPLAN 22 Segundo BOWERSOX e CLOSS (2001), o sistema de avaliação de desempenho logístico estar baseado em três objetivos: Monitorar, controlar e direcionar as operações. Esses autores propõem um conjunto de ações: • Medidas de monitoramento. Indicadores de desempenho histórico do sistema logístico, dentre estas: nível de serviço e os componentes dos custos logísticos. • Medidas de controle. Acompanham um desempenho e são utilizadas para controlar um processo logístico de modo a colocá-lo em conformidade com padrões de controle. • Medidas de direcionamento. Duas perspectivas de medição devem ser avaliadas e determinadas: medidas baseadas em atividades e medidas de processo. As medidas são definidas pela sua origem podendo ser de desempenho interno e externo. O monitoramento interno estar geralmente voltado a comparação de atividades e processos, usualmente classificados em cinco categorias: Custo; Serviço ao cliente; Produtividade; Mensuração de ativos; Qualidade. Já as medidas de desempenho externo estão voltadas para a avaliação organizacional melhor detalhada, onde são necessárias para monitorar, entender e manter o foco no cliente. Para estas os autores sugerem duas abordagens: Mensuração de percepção do cliente e Benchmarking das melhores práticas. Segundo os autores, o modelo ideal de medidas de desempenho tem quatro níveis de informações, podendo ser usadas de acordo com as pretensões de cada empresa. São eles: 23 • Direcionamento: A avaliação e o fluxo da informação referem-se à execução do plano operacional. • Variação: As medidas de variação são compreendidas como desvios acumulados em relação ao desempenho planejado e resultam na identificação de tendências que podem se tornar problemas ou inconformidades. • Decisão: Aqui as exceções e ou problemas encontrados nos dois níveis anteriores são avaliadas dando suporte às mudanças no plano de operações. • Política: O campo de abrangência passa a ser toda a empresa, aqui se trata de um menor número de informações, porém com um maior grau de importância destes resultados para a satisfação interna e melhor desempenho da empresa. No início da década de 90, o instituto de pesquisa Nolan Norton patrocinou um estudo entre diversas empresas, intitulado de “Measuring Performance in the Organization of the Future”. Esta pesquisa originou-se do pensamento de que os métodos existentes para avaliação de desempenho empresarial estavam se tornando obsoletos. Na visão de NORTON e KAPLAN (1997): Balanced Scorecard é um novo instrumento que integra as medidas derivadas da estratégia. Sem menosprezar as medidas financeiras do desempenho passado, ele incorpora os vetores do desempenho financeiro futuro. Esses vetores, que abrangem as perspectivas dos clientes, dos processos internos, e do aprendizado e crescimento, nascem de um esforço consciente e rigoroso 24 de tradução de estratégia organizacional em objetivos e medidas tangíveis. O Balanced Scorecard é mais do que um sistema de indicadores. Empresas inovadoras o utilizam como a estrutura organizacional básica de seus processos gerenciais. O verdadeiro poder do Balanced Scorecard ocorre quando ele deixa de ser um sistema de medida e passa a ser um sistema de gestão estratégica. O mundo atual dos negócios baseado na era industrial cedeu lugar a era da informação. O modelo de medição de desempenho baseado em indicadores de financeiros precisa ser complementado com outras medições para proporcionar o suporte informacional necessário às empresas (NORTON e KAPLAN, 1997). Os principais benefícios obtidos através da implantação do BSC são os seguintes: • Fornecer controle de informações estratégicas gerenciais. • Comunicar qual a contribuição individual de cada funcionário para com a organização. • Discutir como os investimentos relacionados com o desenvolvimento de competências, relacionamento com cliente e tecnologias da informação resultarão em benefícios futuros. • Criar oportunidades para um aprendizado sistemático a partir de fatores importantes para o sucesso da organização. 25 • Criar consciência sobre o aspecto de que nem todas as decisões e investimentos realizados pela empresa resultarão em resultados imediatos de aumentos dos lucros ou redução dos custos. • Achar maneira de mostrar o que a empresa é, e o que pode fazer de forma complementar ao usualmente divulgado em relatórios financeiros. Os funcionários da linha de frente precisam compreender as conseqüências financeiras de suas decisões e ações e os altos executivos precisam conhecer os vetores de sucesso a longo prazo. O Balanced Scorecard deixa claro que as medidas financeiras e não financeiras devem fazer parte do sistema de informações para funcionários de todos os níveis da organização. CAPÍTULO III A Operação A distribuição de alimentos e bebidas é um dos problemas mais relevantes no abastecimento de uma população. Houve na ultima década uma mudança no patamar de consumo no país, refletindo o lançamento de produtos e a melhora das condições econômicas da população. A Transferência entre fábricas e Centros de Distribuição, bem como a distribuição urbana são realizadas normalmente através do modal rodoviário. A Transferência é operacionalizada por empresas terceirizadas em caminhões abertos ou siders. A distribuição urbana de cerveja utiliza veículos especialmente desenvolvidos, com baias adequadas para o condicionamento dos produtos 26 Para distribuir mercadorias no centro do Rio de Janeiro, é preciso considerar diversos fatores contrários a qualquer boa operação logística, tais fatores como transito, restrição de horário de circulação, capacidade de escoamento de veículos nas vias, tempo limite de entrega, inflexibilidade de horários, legislação local entre outros. Mesmo com todas as adversidades possíveis, o mioma precisa ser suprido de vários tipos de mercadorias para poder continuar existindo. Para atender as necessidades de seus respectivos clientes, as empresas organizam verdadeiras operações de guerra. A AMBEV possui contrato com a operadora CESA Logística, esta empresa dispõe de uma frota fixa contratada que varia entre 60 a 110 carros dependendo da época do ano. Além de contar com uma estrutura de apoio de 20 spots que na deficiência de sua frota fixa acabam suprindo as áreas de maior necessidade. 3.1 – Dimensionamento da frota: O dimensionamento da frota varia de acordo com a perspectiva de vendas, anualmente é rodado um simulador que prevê a tendência de vendas para cada mês, este simulador considera dados de vendas dos anos anteriores e as datas festivas na cidade como o carnaval e réveillon, onde é sabido que sãos os períodos em que a empresa vende mais. Do início do verão até o final do carnaval a AMBEV chega a trabalhar com um estrutura de entrega de 30 carros de frota fixa, mais 3 Kombi de apoio e 5 caminhões 608T apenas na área do centro da cidade do Rio de Janeiro, contando com uma equipe de 98 funcionários entre ajudantes de distribuição e motoristas. A estrutura completa da empresa para atendimento verão, dentro da unidade do CDD São Cristovão, compreende um total de 110 carros fixos, 7 Kombi de apoio, 16 caminhões 608T, 5 TRUCKs e 2 TOCOS. Esta estrutura é dividida para atender todo o perímetro de atuação da unidade São Cristovão, 27 uma área compreendida do bairro da Ilha do Governador, passando por toda a Zona Portuária da cidade, pegando ainda um trecho da zona norte (Tijuca, Vila Isabel, Grajaú, Méier) até a Gávea na zona sul. Totalizando um perímetro de x kilômetros de atuação. 3.2 - Fluxo operacional: Segundo o Gerente de Operações de Distribuição da AMBEV, FELIPE WERNER BRANDÃO, olhando de uma forma macro as atividades de distribuição da equipe que atende o Centro do Rio iniciam-se as 05h30min da manhã, porém paralelo a este trabalho existe também as atividades da equipe de vendas que inicia o processo que vai gerar as entregas do dia seguinte. Pontualmente as 05h30min da manhã a equipe de distribuição formada por 27 Motoristas, 70 Ajudantes de Distribuição, 1 Supervisor de Rota e 1 Analista de Rota se reúnem para expor os indicativos de desempenho e produtividade do dia anterior, focando também a perspectiva de atendimento do dia, dando ênfase aos recados de segurança e as principais rotas críticas da célula. Após esta reunião que dura cerca de 15 minutos as equipes saem da célula cada uma com seu respectivo caminhão e segue para iniciar as entregas. Durante a rota qualquer anomalia é relatada em tempo real pelo motorista do caminhão para o seu Supervisor, via celular ou através do computador de bordo presente em cada veículo, esta informação é controlada pela central de monitoramente que repassa para todos os principais envolvidos. Ao retornar a da rota o motorista segue para a prestação de contas financeira e os ajudantes seguem para o Armazém, onde efetuarão junto ao conferente a prestação de contas do ativo de giro presente no veículo. Após a prestação de contas tanto física quanto financeira das entregas, os funcionários são liberados. A operação de distribuição propriamente dita se 28 encerra neste momento, porém a dinâmica do processo continua até o dia seguinte. Exatamente ás 17hs o link de vendas é cortado e a partir deste momento não é mais possível importar pedidos de vendas, salvo alguma grande exceção, os arquivos são enviados via ERP para uma central de roteirização que irá processar e gerar os mapas de entregas do dia seguinte. Este mesmo arquivo é retransmitido, agora já roteirizado, para a central de faturamento local, que realizará as emissões das notas fiscais que seguirão com as mercadorias no dia seguinte. Por volta das 22hs os mapas são entregues para a equipe de conferentes do armazém que dará inicio ao carregamento dos veículos, este carregamento termina geralmente por volta das 05hs do dia seguinte. 3.3 – A complexidade da entrega e as contraditórias sociais: O sistema urbano precisa ser suprido de suas necessidades materiais. Os órgãos governamentais e reguladores precisam garantir a ordem dentro e fora da cidade. Os operadores logísticos devem se adequar as necessidades de cada área e não desrespeitar as normas brasileiras estabelecidas pela sociedade. Esses conflitos de interesses movimentam o fluxo urbano de distribuição e aquecem a competitividade do mercado. Ao dia 25 de Abril de 2008 a prefeitura da cidade do Rio de Janeiro publicava um decreto que restringia a circulação de veículos de cargas em determinados horários do dia. O texto do decreto em seu artigo 1º é bem claro: (Vide mapa explicativo no Anexo I) “Fica proibida a circulação de veículos de carga e a operação de carga e descarga nos períodos compreendidos entre 06h às 10h e 17h às 20h, de 29 segunda a sexta feira, em dias úteis, no interior da área delimitada pela orla marítima nas seguintes vias: 1 – Av. Francisco Bicalho. 14 – Estrada Intendente Magalhães. 2 – Rua Francisco Eugênio. 15 – Largo do Campinho. 3 – Av. Bartolomeu de Gusmão. 16 – Rua Cândido Benício. 4 – Rua visconde de Niterói. 17 – Largo do Tanque. 5 – Praça Guilhermina Guinle. 18 – Av. Geremário Dantas. 6 – Rua Senador Bernardo monteiro. 19 – Praça professora Camisão. 7 – Rua Largo de Benfica. 20 – Estrada de Jacarepaguá. 8 – Av. Dom Helder Câmara. 21 – Av. Engenheiro Souza Filho. 9 – Viaduto de Cascadura. 22 – Estrada do Itanhangá. 10 – Praça José de Souza Marques. 23 – Estrada da Barra da Tijuca. 11 – Rua Ângelo Dantas. 24 – Ponte Nova. 12 – Rua João Vicente. 25 – Praça Euvaldo Lodi. 13 – Estrada Henrique de Mello. 26 – Av. Ministro Ivan Lins. E assim foi criada a conhecida “Lei Cesar Maia”, que formava uma catraca na distribuição carioca nos horários em que a cidade tem a sua maior movimentação e circulação de pessoas. Para atender a Lei as empresas que executam operação de carga e descarga no Centro do Rio de Janeiro precisaram aumentar sua estrutura para poder cumprir as exigências legais, gerando custos não planejados e encarecendo estas operações. A AMBEV tomou ações emergenciais para atender a restrição, dentre elas podemos destacar: • Revisão da estrutura de entrega: 30 Contratação e fidelização de freteiros DropDown para incremento de frota; Redimensionamento da estrutura de equipes das principais rotas críticas; Aumento do número de ajudantes em rotas críticas; Revalidação de QLP da transportadora; Estrutura de apoio (2 kombi’s no Centro e 2 na Zona Sul); Validação de pontos de apoio/estacionamento nos principais pontos de parada; Criação de rotas/equipes noturnas. • Revisão dos horários de saída: Rotas táticas zona Sul e Centro com saída do CDD ás 05:30; Rotas da área da Tijuca com saída do CDD ás 07:15; Rotas da área da Ilha com saída do CDD ás 07:15; Demais rotas Zona Sul e Centro com saída do CDD ás 09:45. • Ações de curto prazo: Analistas de rota participando ativamente e diariamente da roteirização; Análise rota a rota da estratégia de atendimento; Mudança de horário de trabalho dos Analistas de Rota; Mapeamento dos impactos na remuneração das equipes e trabalho motivacional. (Vide Anexo figura ilustrativa das áreas mais críticas atendidas pela AMBEV). Com as rotas críticas mapeadas a empresa pode visualizar o tamanho do descontrole financeiro que seria necessário para não prejudicar o atendimento. 31 A AMBEV passou a adotar também a criação de rotas noturnas de atendimento. Para tanto foi mapeado os principais clientes com potencial de recebimento no turno da noite. Segundo FELIPE WERNER BRANDÃO, Gerente de Operação de Distribuição da unidade AMBEV São Cristovão, este era um sonho que já vinha sendo amadurecido há tempos, criar um programa de entregas noturnas similar ao já existente na capital de São Paulo, porém seria preciso que algo extraordinário acontecesse (como por exemplo a Lei Cesar Maia), para que houvesse a liberação definitiva da sua diretoria de logística. Os principais objetivos vislumbrados por esta iniciativa seriam os seguintes: • Aumentar o nível de serviço oferecido aos clientes da empresa; • Manter os clientes potenciais sempre abastecidos; • Encher os vasilhames dos clientes antes da concorrência, bloqueando dessa forma a entrada ou a permanência dos concorrentes nestes PDV’s; • Reduzir o custo de entrega; • Reduzir a jornada de trabalho das equipes de entrega. Cinco meses após a sua criação, o programa de rotas noturnas foi cancelado, pois segundo a diretoria de logística da AMBEV para a cidade do Rio de Janeiro aquela era uma operação que não pagava seus custos, não atendia um número considerável de clientes chaves, colocava em exposição de risco a equipe e carga e dificultava o atendimento de metas de produtividade da empresa. 3.4 – Metas de Produtividade: 32 A AMBEV é conhecida mundialmente por ter entre suas características chaves a exaustiva cobrança para o alcance de metas, todas as funções acima de técnico da empresa possuem seus planos de metas definidos anualmente, estas metas são para todas as áreas e segue na mesma direção, que basicamente giram em torno do sonho da empresa de ser a maior empresa de bebidas do mundo em um mundo melhor. No campo da Logística a AMBEV mantém metas arrojadas que exige de suas equipes intensa dedicação, tais metas são avaliadas diariamente por uma equipe de analista de cada regional e ranqueadas para toda a empresa ter visibilidade de quem são seus melhores e mais produtivos funcionários. Mensalmente é divulgado o prêmio TOP AMBEV, onde são expostos e premiados financeiramente os melhores resultados. Com um programa salarial agressivo a AMBEV oferece prêmios que chegam até 10 vezes o salário do funcionário dependendo do seu alcance e desempenho. A seguir estratificação de algumas das principais metas da diretoria de Logística da Companhia: • DEVOLUÇÃO 1,5% Isso significa dizer que somente será aceito a devolução de no máximo 1,5% de tudo que foi vendido, ou seja, bate meta quem tiver seu percentual de devolução de volumes vendidos abaixo de 1,5%. • TEMPO EM ROTA 60% É preciso ter o mínimo de 60% de sua frota cumprindo o tempo previsto para permanecer em rota de entrega, período esse calculado através de tempo de permanência em rota estipulado pela a equipe de roteirização através de sistema informatizado (Roadshow). • TEMPO INTERNO 80% 33 Considerar que no mínimo 80% da frota consigam efetuar a prestação de contas física e financeira, dentro das dependências do CDD em um período máximo de 30 minutos após sua entrada na unidade. • JORNADA LÍQUIDA 85% Considerar que no mínimo 85% da frota do dia consigam efetuar uma jornada máxima de trabalho de 10h20min, considerando desde sua chegada pela manhã na unidade até o momento de sua liberação ao final do dia. • TRACKING EM ROTA 85% Alcance mínimo de 85% de utilização no dia do aparelho de monitoramento tracking rota instalado nos veículos, ou seja, o mínimo de 85% das entregas do dia deve ser sinalizado no MDT através do aparelho de monitoramento presente em cada caminhão. • CAIXA CAMINHÃO ROTA 90% Capacidade mínima de ocupação dos veículos não pode ser inferior a 90%, é preciso otimizar ao máximo a utilização do espaço disponível em cada caminhão de acordo com a viabilidade e criticidade de cada rota. • ACA / ASA ACA – Acidente com afastamento. ASA – Acidente sem afastamento. Única meta de alcance anual, que garante a premiação de bônus salarial ou não dependendo de seu resultado. Cada célula de distribuição possui o mínimo de 5 ACA’s e 15 ASA’s anuais. No caso de ACA fatal, ou seja, acidente com morte toda a unidade perde o direito a concorrer ao bônus anual. • SAV / SAC 34 SAV – Serviço de Atendimento ao Varejo. SAC – Serviço de Atendimento ao Consumidor. Meta de alcance mensal que considera o número máximo de 7 ocorrências de reclamações por célula, de diversos motivos, formalizados através dos canais de comunicação da empresa. CONCLUSÃO A logística tem assumido importante papel nas empresas. O comportamento do cliente final e suas demandas crescentes por nível de serviço, assim como as oportunidades de negócio geradas com a aproximação deste, têm ampliado a importância do gerenciamento do canal logístico de distribuição nas organizações. A globalização do mercado mundial, o fortalecimento dos blocos econômicos, as diferenciações de produções regionais e as quedas das barreiras econômicas fazem com que seja possível adquirir qualquer tipo de produto, antes inacessível em qualquer parte do globo. A importância da logística nesse panorama está em fazer com que a movimentação de mercadorias seja efetuada cada vez mais rapidamente e a custos mais acessíveis. A utilização estratégica da logística faz com que as empresas atinjam mercados antes inatingíveis 35 A terceirização das atividades logísticas e transporte decorrem da necessidade de garantir ganhos de escala e da aplicação intensiva de tecnologia nessas operações. As grandes indústrias perceberam a vantagem de delegar, através de parcerias estratégicas, essas atividades para empresas especialidades. Essas empresas são chamadas de Operadores de Logística e Transporte. A distribuição urbana de mercadorias compreende as atividades da cadeia logística com os núcleos urbanos das cidades. Essa função assume importante relevância, devido a grande parte da demanda desses produtos industriais se encontrar nestes centros. No cenário nacional de distribuição urbana de mercadorias, coexistem hoje, operadores de transporte e logística em diferentes fases de desenvolvimento, tanto em termos organizacionais quanto tecnológicos. Garantir a execução de uma operação de distribuição em um perímetro tão complexo quando o centro da cidade do Rio de Janeiro é um trabalho bastante exaustivo e caro, as empresas que precisam ter seus produtos nestes locais pagam valores elevados e dispõe de uma equipe que precisa estar bem treinada e motivada. Durante o estudo obteve-se acesso as instalações da filial São Cristovão da empresa AMBEV, além de material de caráter estratégico, alguns expostos em anexo, porém pode-se perceber em vivência em seus processos e rotinas alguns gargalos principalmente do âmbito da armazenagem que influencia diretamente nas metas da área de distribuição, são painéis contraditórios que a princípio parecem concorrer entre si, porém após uma avaliação mais profunda é possível entender que giram em torno sempre do mesmo objetivo, otimizar ao máximo todas as operações e garantir o atendimento ao mercado não perdendo o foco no controle dos custos. 36 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. BALLOU R. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos 4. Ed, São Paulo; Editora Brookman, 2001. 2. BALLOU, Ronald H. Logística Empresarial: Transportes, administração de materiais e distribuição física. São Paulo: Atlas, 1993. 3. BOWERSOX D. & CLOSS D. Logística Empresarial – O processo de integração da cadeia de suprimentos. São Paulo: Atlas, 2001. 4. CHRISTOPHER, Martin. Logística e Gerenciamento de Cadeias de Suprimentos: estratégias para a redução de custos e melhoria dos serviços. São Paulo: Pioneira,1997. 5. Código de ética AMBEV. WWW.portalambev.com.br 6. DORNIER, Phellippe P. Logística e Operações Globais: textos e casos. São Paulo: Atlas, 2000 37 7. KAPLAN, Robert S. NORTON, David P. A estratégia em ação: Balanced Scorecard. Rio de Janeiro: Campus, 1997. 8. MOSSO, Mário Manhães. Transportes – gestão de serviços e de alianças estratégicas. Rio de Janeiro, HP Comunicação Editora, 2007. 9. RIO DE JANEIRO, Decreto Nº 29.231, 24 de Abril de 2008. Diário oficial da cidade do Rio de Janeiro. 10. RODRIGUES, Paulo Roberto Ambrosio. Introdução aos sistemas de Transporte no Brasil e à Logística Internacional, Rio de Janeiro, Aduaneiras, 2009. 38 ANEXOS Índice de anexos Anexo 1 Figuras 01 e 02 área de restrição de circulação ..40 Anexo 2 Rota CATETE........................................................42 Anexo 3 Rota LAPA..............................................................43 Anexo 4 Rota RIACHUELLO.................................................44 Anexo 5 Rota PRAÇA CRUZ VERMELHA............................45 Anexo 6 Rota PRAÇA TIRADENTES....................................46 Anexo 7 Rota LARGO DE SÃO FRANCISCO.......................47 Anexo 8 Rota CINELÂNDIA...................................................48 Anexo 9 Rota PRAÇA XV......................................................49 Anexo 10 Rota RUA DO ACRE..............................................50 Anexo 11 Rota PRAÇA MAUÁ................................................51 Anexo 12 Rota CENTRAL..................................................... 52 Anexo 13 Decreto Lei 29231...................................................53 Anexo 14 PCD diário................................................................55 39 ANEXO 1 Figura 01: Área de restrição de circulação de veículos de carga na cidade do Rio de janeiro Fonte: Decreto Nº 29231 de 24 de abril de 2008. 40 Figura 02: Mapeamento das principais áreas críticas de restrição do perímetro do Centro da cidade do Rio de Janeiro. Fonte: Arquivo AMBEV do projeto de atendimento a restrição. 2008 (Vide Anexo). 41 ANEXO 2 42 Estratificação das rotas críticas do CDD São Cristovão na cidade do Rio de Janeiro atendida pela AMBEV, com seus índices de produtividade e metas. ROTA 1 - CATETE ANEXO 3 43 ROTA 2 – LAPA ANEXO 4 ROTA 3 – RUA DO RIACHUELO 44 ANEXO 5 ROTA 4 – PRAÇA DA CRUZ VERMELHA 45 ANEXO 6 ROTA 5 – PRAÇA TIRADENTES 46 ANEXO 7 ROTA 6 – LARGO DE SÃO FRANCISCO 47 ANEXO 8 ROTA 7 – CINELÂNDIA 48 ANEXO 9 ROTA 8 – PRAÇA XV 49 ANEXO 10 ROTA 9 – RUA DO ACRE 50 ANEXO 11 ROTA 10 – PRAÇA MAUÁ 51 ANEXO 12 52 ROTA 11 - CENTRAL ANEXO 13 Decreto Nº 29231 de 24 de Abril de 2008. 53 Dispõe sobre horário de circulação de veículos de carga e operação de carga e descarga. Rio de Janeiro decreta restrição à circulação de veículos de carga Decreto publicado em 7 de maio endurece restrições proibindo a circulação e a carga e descarga, inclusive por Vans, Kombis e Camionetas. Decreto N.º 29231 de 24 de abril de 2008, do Prefeito Cesar Maia, proibe a partir do dia 5 de maio próximo a circulação de veículos de carga, assim como as operações de carregamento e descarregamento, nos horários de 6 às 10 horas e das 17 às 20 horas, nos dias úteis, na orla marítima e em diversas vias de grande movimentação da cidade do Rio de Janeiro. A medida terá a fiscalização especial da Guarda Municipal e da CET-Rio. Além da orla de Copacabana, Leblon e Ipanema, a restrição inclui, entre outras vias, a Avenida Francisco Bicalho, a Estrada Intendente Magalhães, as avenidas Geremário Dantas e Dom Hélder Cãmara, o Viaduto de Cascadura, o Largo do Tanque e a Rua Candido Benício. De acordo com a Secretaria Municipal de Transportes, cerca de 30 mil caminhões trafegam pela cidade diariamente. DECRETO N.º 29231 DE 24 DE ABRIL DE 2008. Dispõe sobre horário de circulação de veículos de carga e operação de carga e descarga na forma que menciona. Publicado no DOM-RJ de 25 de abril de 2008 O PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, no uso de suas atribuições legais, e considerando o disposto no inciso II do artigo 24 da Lei Federal n.º 9.503, de 23 de setembro de 1997 (Código de Trânsito Brasileiro);considerando que o estabelecimento de horários especiais de tráfego de veículos de transporte de cargas nas vias de intensa circulação de veículos é um dos objetivos da política de transporte do Município do Rio de Janeiro, conforme o art. n.º 169, inciso VIII da Lei Complementar n.° 16, de 04 de julho de 1993;considerando que o aumento recente do número de veículos nas vias da Cidade, vem provocando congestionamento impondo à população gastos adicionais consideráveis no tempo de deslocamentos; DECRETA: Art. 1.° Fica proibida a circulação de veículos de carga e a operação de carga e descarga nos períodos compreendidos entre 06h às 10h e 17h às 20h, de segunda-feira a sexta-feira, em dias úteis, no interior da área delimitada pela orla marítima e nas seguintes vias, conforme representação no Anexo Único: I - Av. Francisco Bicalho; II - Rua Francisco Eugênio; III - Av. Bartolomeu de Gusmão; IV - Rua Visconde de Niterói; 54 V - Praça Guilhermina Guinle; VI - Rua Senador Bernardo Monteiro; VII - Rua Largo de Benfica; VIII - Av. Dom Hélder Câmara; IX - Viaduto de Cascadura; X - Praça José de Souza Marques; XI - Rua Ângelo Dantas; XII - Rua João Vicente; XIII - Estrada Henrique de Melo; XIV - Estrada Intendente Magalhães; XV - Largo do Campinho; XVI - Rua Cândido Benício; XVII - Largo do Tanque; XVIII - Av. Geremário Dantas; XIX - Praça Professora Camisão; XX - Estrada de Jacarepaguá; XXI - Av. Engº Souza Filho; XXII - Estrada do Itanhangá; XXIII - Estrada da Barra da Tijuca; XXIV - Ponte Nova; XXV -Praça Euvaldo Lodi; XXVI - Av. Ministro Ivan Lins. § 1.º A área delimitada neste Artigo, conforme Anexo Único exclui as vias limítrofes. Art. 2.º As restrições deste Decreto não se aplicam: I - aos veículos de socorro e emergência previstos no art. 29, inciso VII do Código de Trânsito Brasileiro; II - aos veículos de transporte de valores; III - aos veículos destinados a transporte de mudança residencial; IV - aos serviços essenciais de utilidade pública, em caráter excepcional, desde que autorizados previamente pela Coordenadoria de Regulamentação e Infrações Viárias da Secretaria Municipal de Transporte, por ato próprio; e, V - aos veículos de transporte de combustíveis e lubrificantes que abastecem os aeroportos da Cidade. § 1.º A Companhia de Engenharia de Trafego - CET-RIO terá cento e oitenta dias para acompanhar, avaliar e elaborar relatório técnico sobre o desempenho do tráfego na Cidade, a partir da data de publicação deste Decreto, de modo a subsidiar sua revisão, se necessário. § 2.º A Empresa Municipal de Vigilância - Guarda Municipal e a Companhia de Engenharia de Trafego - CET-RIO priorizarão nestes horários as fiscalizações do disposto neste Decreto aplicando o previsto no Art. 3.º, assim como intensificando o uso de reboques em qualquer caso. Art. 3.º Aos infratores dos dispositivos deste Decreto serão aplicadas as penalidades previstas no art. 187, inciso I, e art. 181, incisos XVII, XVIII e XIX do Código de Trânsito Brasileiro. 55 Art. 4.° Este Decreto entra em vigor na data da sua publicação, revogadas as disposições em contrário, produzindo seus efeitos a partir de 05 de maio de 2008. Rio de Janeiro, 25 de abril de 2008 - 444º ano da fundação da Cidade. CESAR MAIA. 56 ANEXO 14 PCD diário com relação das rotas a serem atendidas pelo CDD São Cristovão, AMBEV. Placa JSU1620 JOZ6573 JOZ6590 JSU8379 JSU7595 JSU0190 JST6966 NYH0067 Mapa 307797 307798 307799 307800 307801 307802 307803 307804 Celula Centro Centro Centro Centro Centro Centro Centro Centro JSU2605 307805 Centro JSU7168 JSZ5240 JST1765 JSU5761 JSU8555 JSU6746 JOZ5988 JOZ6483 NTV1622 JSU9212 JOZ6472 JSZ1238 307806 307807 307808 307809 307810 307811 307812 307813 307814 307815 307820 307821 Centro Centro Centro Centro Centro Centro Centro Centro Centro Centro Centro Centro Rota Lapa Santa Teresa Sao Carlos Rio Comprido Cidade Nova Pc Cruz Vermelha Rua do Riachuelo I Pc Tiradentes Largo de Sao francisco Cinelandia Cinelandia Pca XV Rua do Acre Pca Maua Central Central Santo Cristo Santo Cristo Gamboa Chopp Centro I Chopp Centro II Entrega 30 24 22 24 26 26 10 32 Duzias 687 610 573 778 670 718 756 673 Tempo 6:44 5:38 5:15 6:47 5:46 6:25 4:17 7:14 Ocupação 88% 99% 102% 99% 85% 92% 96% 86% KM 25 27 18 24 17 25 14 25 26 533 6:25 68% 19 22 21 31 29 22 18 6 16 12 17 32 36 553 447 438 675 695 757 731 379 355 773 680 447 5:23 5:05 6:21 6:25 5:26 7:17 5:23 3:27 2:55 4:50 5:36 5:44 71% 89% 56% 86% 89% 97% 93% 105% 85% 99% 45% 100% 29 26 25 22 19 16 13 12 23 16 33 28 57 INDICE INTRODUÇÃO 09 CAPÍTULO I - A logística 13 1.1 – O conceito e sua evolução 13 1.2 – Na atualidade 15 1.3 – A força da terceirização 16 1.4 – A parceria 18 1.5 – A distribuição 19 CAPÍTULO II - Avaliação de desempenho 21 2.1 – Controle 23 2.2 – A abordagem de BOWERSOX e CLOSS / NORTON E KAPLAN 23 CAPÍTULO III – A operação 28 3.1 – Dimensionamentos da frota 29 3.2 – Fluxos operacional 29 3.3 – A complexidade da entrega e as contraditórias sociais 30 3.4 – Metas de produtividades 34 CONCLUSÃO 35 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 37 ÍNDICE DE ANEXOS 39 ANEXOS Rotas críticas com restrição de circulação 40 FOLHA DE AVALIAÇÃO 58 58 FOLHA DE AVALIAÇÃO Nome da Instituição: UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES Título da Monografia: A DISTRIBUIÇÃO URBANA DE MERCADORIAS NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO Autor: FERNANDO DE LIMA RIBEIRO Data da entrega: Avaliado por: Conceito: