ATA DA REUNIÃO DO GRUPO DE TRANSPORTES DO ARCO ATLÂNTICO LISBOA, 24 DE JUNHO DE 2010 PARTICIPANTES: Nome Instituição Josu Benaito Coordenador do GTAA Governo Vasco - Diretor Transportes Javier Rivas Governo Vasco – Técnico de transportes Fabien Mesclier CRPM - Secretário Técnico Teresa Lameiras Autoridade de Gestão do POCT Espaço Atlântico Maria Teresa Mourão de Almeida Presidenta de la Región Lisboa e Vale do Tejo Fernando Nogueira Diretor de Serviços de Desenvolvimento Regional – CCDR Lisboa e Vale do Tejo Carlos Pina Diretor de Serviços de Ordenação do Território – CCDR Lisboa e Vale do Tejo Fátima Malheiro Chefe de Divisão de Inovação, Competitividade e Cooperação – CCDR Lisboa e Vale do Tejo João Afonso Coordenador do Centro de Observação das Dinâmicas Regionais - Lisboa Francisco Sabino CCDR Alentejo Joaquim Colaço CCDR Alentejo Carlos González Lozano Diretor Geral do Consórcio de Transportes de Astúrias José Manuel Caldevilla Suárez Coordenador de Gestão de Autorizações de Transportes da D.G. de Transportes e Assuntos Marítimos do Principado de Astúrias Arantza Lopez de Munain Zulueta Euskadi - Responsável de estudos e projetos do CES Vasco Arantza Iturbide Plataforma Logística Aquitania-Euskadi - Técnico Mário Alves Consultor de Transportes e Mobilidade do CCDR Lisboa e Vale do Tejo Rossend Bosch Assistência Técnica Ata da reunião do Grupo de Transportes do Arco Atlântico / Lisboa, 24 de Junho de 2010 / 1 A senhora Maria Teresa Mourão de Almeida, Presidente do CCDR de Lisboa e Vale do Tejo, abre a sessão dando as boasvindas aos participantes do Grupo de Transportes da Comissão Arco Atlântico (GTAA) e recordando a última reunião do grupo em Lisboa: no ano de 2005. A Presidente manifesta sua satisfação ao poder apresentar hoje o modelo territorial da região Lisboa Vale do Tejo, e recorda a contribuição ao mesmo do projeto europeu MARE (mobilidade e acessibilidade nas regiões do Sul da Europa) executado entre as regiões de Liguria, a Comunidade Valenciana e Lisboa e Vale do Tejo. Josu Benaito, coordenador do GTAA se une às boasvindas da senhora Almeida, excusa a assistência das regiões de Aquitania, País da Loire, Basse-Normandie, Cantabria, Galicia e Gloucestershire, e cede a palavra a Mário Alves para que exponha os últimos avanços no modelo territorial de Lisboa e Vale do Tejo. APRESENTAÇÃO: O MODELO TERRITORIAL DE LISBOA E VALE DO TEJO Mário Alves apresenta as linhas mestres do modelo territorial de Lisboa e Vale do Tejo: • A localização de um novo aeroporto internacional na área metropolitana de Lisboa • A construção de uma terceira conexão sobre o estuário do Tajo, tanto ferroviária como viária • A conexão ferroviária de alta velocidade com Madrid • A dinâmica demográfica: perda de peso demográfico do centro urbano de Lisboa e forte crescimento populacional na periferia (Lisboa é como um “donut”) Segundo Mário Alves, este último aspecto está gerando graves problemas para a região: existência de muitas casas abandonadas no centro, problemas políticos (a periferia governa o centro), problemas de mobilidade… Historicamente, a construção da primeira ponte sobre o Tajo supunha uma explosão demográfica da costa oposta (bairro de Almeida) ao centro da cidade tradicional de Lisboa: a realidade ultrapassou todas as previsões. O mesmo ocorreu com a construção da segunda ponte. Com os carros elétricos (que utilizarão uma energia ainda mais barata que o petróleo), Mário Alves predisse que o desenvolvimento urbanístico da periferia seguirá crescendo e que não se deterá o problema da mobilidade centro-periferia. Para demonstrar sua tese, Mário Alves apresentou os seguintes dados, que falam por si: Ata da reunião do Grupo de Transportes do Arco Atlântico / Lisboa, 24 de Junho de 2010 / 2 DIVISÃO MODAL VIAGENS AO CENTRO CIDADE LISBOA 1991 2001 Carro: 25% Carro: 45% Transporte público: 50% Transporte público: 30% Outros meios: 25% Outros meios: 25% Para os próximos anos, propõe dar mais importância à acessibilidade (relacionada com a qualidade) que a mobilidade (relacionada com a quantidade), do mesmo modo que deveríamos pensar mais em termos de incremento da “satisfação vital” do que em termos de incremento do PIB: • …nos últimos anos, ainda que o PIB tenha aumentado, com a “satisfação vital” não aconteceu o mesmo, mas o contrário… • …cada vez precisamos de mais kilometros para ir a menos lugares (mais mobilidade, porém menos acessibilidade)… • …devemos mudar o paradigma, a tendência… • …a política deve dominar acima da demanda Para ilustrar sua opinião, Mário Alves apresenta alguns dos projetos, dos quais participou dentro do Plano Geral de Ordenação Metropolitana de Lisboa: • Metrô e bonde de Lisboa • Mobilidade de pedestres (elevadores urbanos) • Veículos elétricos Josu Benaito inicia um breve debate com Mário Alves lhe perguntando sobre o processo de abandono do centro. Mário Alves menciona diversas razões para este despovoamento: o baixo preço da energia (as pessoas tem preferido trocar m2 por litros de gasolina), o congelamento dos aluguéis no centro de Lisboa e o não reinvestimento na reabilitação dos edifícios (desta forma, a maioria ficou fora do mercado)… A pesar disso, confirma que já existem indícios de uma volta ao centro. Por sua parte, Maria Teresa Mourão de Almeida explica que estão trabalhando para criar condições favoráveis para a reabilitação do centro e para atrair jovens (estudantes estrangeiros de ERASMUS, por exemplo) que queiram residir nele. Para isto, criaram novas estações integradas dos meios de transporte público, tal como prevê o Plano Geral de Ordenação Metropolitana. Ata da reunião do Grupo de Transportes do Arco Atlântico / Lisboa, 24 de Junho de 2010 / 3 Apesar disso, os municípios e bairros exteriores também querem crescer, desenvolver-se, mais serviços (como linhas de ônibus de bairro: sem paradas fixas, para fomentar uma mobilidade de trajetos curtos)… por isso, deve-se buscar um equilíbrio. Deste modo, a Presidente encerra esta primeira apresentação e faz passar ao seguinte ponto de ordem do dia. ATUALIDADE COMUNITÁRIA DOS TRANSPORTES Rossend Bosch, da Assistência Técnica, apresenta dentro da atualidade comunitária de transportes três blocos temáticos: • Parecer do Comitê Econômico e Social Europeu (CESCE) sobre a política européia de transportes Este parecer apresenta até quatro elementos conclusivos: 1. A competitividade, confiabilidade, fluidez e rentabilidade do transporte são necessárias para a prosperidade econômica européia 2. É necessário apoiar os esforços para uma comodalidade eficaz: otimização e colocação em rede dos distintos modos de transporte para obter um sistema integrado e fluido 3. Não se deve abandonar a ambição de favorecer a transferência modal, pois, sem ela, o desenvolvimento dos modos de transporte sem emissões de carbono ficará estancado e aumentará o congestionamento e a contaminação 4. O fomento de meios de transporte com baixas emissões de carbono, a eficiência energética, a segurança e independência do abastecimento energético e a luta contra o congestionamento do tráfego devem ser os objetivos prioritários da política de transportes O CESCE propunha um acordo internacional sobre redução de emissões de gases de efeito estufa e a adoção de medidas concretas desde a UE, os estados membros e as entidades locais. • Regulamento da Comissão para otimizar o uso do espaço aéreo europeu Regulamento relativo à gestão do tráfego aéreo (dentro do pacote legislativo Espaço Único Europeu II) cujo objetivo é otimizar a utilização do espaço aéreo na UE: com respeito aos procedimentos de gestão do tráfego aéreo da OACI; o regulamento marca a obrigação de planejar os vôos e o uso do espaço aéreo, e de melhorar o intercâmbio de informação. Ata da reunião do Grupo de Transportes do Arco Atlântico / Lisboa, 24 de Junho de 2010 / 4 • Estudo da Comissão sobre a situação e perspectivas do mercado ferroviário A Comissão Européia apresentou, em março de 2010, o informe final sobre a situação e perspectivas do mercado ferroviário europeu de viajantes: a evolução da demanda, o mercado nacional frente ao internacional (de pronta liberalização), os obstáculos técnicos aos tráfegos internacionais, a regulação do mercado internacional de serviços regionais financiados com contratos de serviços públicos, a necessidade de contratos entre fronteiras de serviços públicos, a não aplicação completa da legislação européia… ESTRATÉGIA ARCO ATLÂNTICO Fabien Mesclier anuncia que o Conselho da União Européia decidiu, este mês de junho, convidar a Comissão Européia a apresentar: … em estreita colaboração com os Estados membros interessados, uma estratégia da UE para a região atlântica, baseada em uma perspectiva de valor acrescido claro, antes do final de junho de 2011, para abordar os desafios comuns com que se enfrentam os países da região, incluídos a investigação marina, a vigilância marítima e os desafios ambientais e econômicos… Segundo Fabien Mesclier, esta estratégia se enquadra dentro da política marítima integrada e estará centrada em aspectos como a segurança, a economia, o meio ambiente... Com relação a Estratégia Integrada para o Arco Atlântico que a Comissão Arco Atlântico vem preparando, na Assembléia Geral celebrada em Rennes no último 17 de Junho foi apresentada uma proposta de orientações. A partir do próximo mês de Julho, deveria ser aberto um período de consulta e reflexão, que se encerraria em 2011, com a organização de um seminário. A GTAA é convidada a participar deste processo. Arantza Lopez de Munain aborda a urgência dos períodos de consulta, como o que está aberto atualmente, em relação à revisão da RTE-T (que se encerrará em 15 de setembro próximo). Fabien Mesclier confirma este problema e anuncia que o período de consulta para a Estratégia Integrada do Arco Atlântico também será, infelizmente, curto. Após breve pausa, Rossend Bosch, da Assistência Técnica, expõe os conceitos teóricos sobre os quais o GTAA vem trabalhando para poder contribuir com a consulta sobre a Estratégia do Arco Atlântico. Após haver consultado as regiões, embora com baixa participação, o GTAA articulou uma série de propostas estratégicas sobre cinco pilares chave no contexto do transporte europeu: Ata da reunião do Grupo de Transportes do Arco Atlântico / Lisboa, 24 de Junho de 2010 / 5 Europa 2020 Estrategia Cambio Climático Revisión RTE-T Política Transportes Cooperación Territorial post 2013 Após detalhar a estratégia subjacente a cada um dos cinco pilares, a apresentação do trabalho do GTAA foi concluída com a abordagem de uma série de prioridades políticas e operacionais, relativas à futura estratégia. O GTAA continuará trabalhando nessa linha, para contribuir com as próximas consultas sobre a Estratégia Atlântica. INICIATIVAS RELATIVAS À REVISÃO DA RTE-T Desde a última reunião do GTAA, foi realizada uma reunião do grupo de especialistas da CRPM para tratar da revisão da RTE-T (Zaragoza, 7 de junho de 2010) e dos TEN-T Days 2010 (Zaragoza, 8-9 de junho de 2010, www.ten-t-days-2010-zaragoza.eu). Foram obtidas as seguintes conclusões de ambas as reuniões: • Foi decidido impulsionar o modo ferroviário • É proposto que o projeto prioritário no 3 (Eixo ferroviário de alta velocidade do Sudeste da Europa) seja mantido após a revisão. • Após os cortes orçamentários que são esperados, o projeto prioritário no 16 (Eixo ferroviário de mercadorias Sines/Algeciras-Madri-Paris: travessia pirenaica central) pode ficar em segundo plano • É proposto incluir o corredor mediterrâneo na nova RTE-T. Diante destas conclusões, os representantes da região de Alentejo, que havia apostado no projeto prioritário no 16 (travessia pirenaica central), se perguntam como vão ficar o projeto e sua decisão. Ata da reunião do Grupo de Transportes do Arco Atlântico / Lisboa, 24 de Junho de 2010 / 6 Josu Benaito, como coordenador do GTAA, comenta que ainda é cedo para se falar em decisões definitivas. Deve-se esperar que sejam tornados conhecidos os cortes orçamentários das diferentes administrações para se poder prever o futuro infraestrutural. E acrescenta esperar que os projetos ferroviários e de transporte de mercadorias sejam os menos afetados pelos cortes finais. ESTRATÉGIA CORREDOR FERROVIÁRIO ATLÂNTICO Dado que foi impossível contar com um representante português para a apresentação sobre o desenvolvimento das Autopistas del Mar em Portugal, prevista na ordem do dia, Josu Benaito - com o apoio da Assistência Técnica do GTAA - passou a apresentar a estratégia do Corredor Ferroviário Atlântico, que o Governo Basco está impulsionando. Esta apresentação já fora difundida na reunião anterior do GTAA em Bruxelas e, como naquela ocasião, discorreu brevemente sobre os seguintes aspectos: • Características geográficas e socioeconômicas do corredor • Objetivo • Estratégia • Plano de ação • Membros potenciais • Como aderir à iniciativa Josu Benaito expôs o desejo do Governo Basco de conseguir a adesão do número máximo de entidades públicas e privadas à iniciativa do Corredor Ferroviário Atlântico, para que este se torne um corredor de mercadorias competitivo: Ata da reunião do Grupo de Transportes do Arco Atlântico / Lisboa, 24 de Junho de 2010 / 7 PROJETO EFFIPLAT No próximo segmento da reunião, Rossend Bosch expõe os últimos avanços do projeto de cooperação transnacional EFFIPLAT: • Atualização orçamentária do projeto • Edição da última versão do projeto em espanhol, inglês e francês • Envio específico da proposta do projeto para as regiões de Portugal, Reino Unido e Irlanda (com o objetivo de completar um consórcio plenamente transnacional) • Acompanhamento, diante da Autoridade de Gestão, do calendário das convocatórias futuras Como próximos passos para consolidar o projeto, são citados os seguintes: • Validar os prazos/condições técnicas e financeiras do projeto com a Autoridade de Gestão • Eleger um líder entre as regiões do Arco Atlântico, interessadas no projeto • Definir um calendário para a apresentação do projeto a possíveis participantes (operadores, plataformas logísticas, portos, empresas ferroviárias, regiões…) da França, Espanha, Portugal e Reino Unido para, desta forma, poder fechar o consórcio • Acompanhamento das possíveis convocatórias Foi manifestado aos assistentes que, dado o ambiente de crise econômica que impera na Europa e a falta de um calendário para a realização do projeto, fechar o consórcio de sócios para a realização do projeto estava se revelando uma tarefa muito difícil. Uma vez terminada a apresentação, aproveitando a presença, em reunião, da senhora Teresa Lameiras, da Autoridade de Gestão do POCT Espaço Atlântico, Josu Benaito lhe solicitou uma avaliação. Teresa Lameiras tomou a palavra e, embora assegurasse que o documento descritivo do projeto EFFIPLAT não havia sido por completo, expôs as seguintes orientações, com o objetivo de melhorar a proposta: • Considera que o projeto se adequa ao objetivo 3.1 do Programa de Cooperação ESPAÇO ATLÂNTICO 2007-2013, para o qual ainda há fundos disponíveis e para o qual se deveria abrir uma convocatória brevemente (embora não esteja definido o calendário da convocatória: deverá ser no final de 2010 ou no início de 2011). Ata da reunião do Grupo de Transportes do Arco Atlântico / Lisboa, 24 de Junho de 2010 / 8 • Elogia a intenção de conseguir uma colaboração público-privada, mas a considera difícil. • Tem a impressão de que algumas partes do projeto já poderiam estar realizadas em outros projetos europeus e, por isso, solicita que sejam aproveitados estes resultados. • Nessa mesma linha, exige uma maior dose de criatividade e inovação. • Também solicitou o uso de resultados tangíveis, inclusive depois de acabado e encerrado o projeto: o quê vai ficar depois do projeto? Como continuará? • Com relação ao período de execução e ao orçamento, sugeriu que fosse mais ambicioso (mais tempo e maior orçamento). O coordenador do GTAA, Josu Benaito, agradeceu à Teresa Lameiras por sua avaliação e garantiu que se trabalhará intensamente para poder melhorar o projeto em todos os aspectos indicados. Teresa Lameiras ofereceu todo o seu apoio, o apoio da Autoridade de Gestão e dos coordenadores nacionais para completar a elaboração e a organização do projeto EFFIPLAT, especialmente no que diz respeito à busca de sócios. PRÓXIMA REUNIÃO Completados todos os pontos da ordem do dia, da reunião, Josu Benaito agradeceu pela participação das regiões portuguesas e lhes pediu que continuassem participando do GTAA. Nesse sentido, propôs reunir-se mais amiúde em Portugal ou experimentar fórmulas de participação mais virtuais e menos presenciais. Em seguida, agradeceu ao CCDR de Lisboa e Vale do Tejo pela organização do ato e propôs que a próxima reunião seja realizada no País Basco após o verão, coincidindo com a apresentação pública e oficial da iniciativa do Corredor Ferroviário Atlântico. A data e o local serão comunicados em breve. Maria Teresa Mourão de Almeida, Presidente do CCDR de Lisboa e Vale do Tejo, encerrou o ato agradecendo pela presença do GTAA em Lisboa e de todos os assistentes, garantindo a divulgação das conclusões da reunião para contribuir com a superação do momento crítico pelo qual passa a economia europeia. Ata da reunião do Grupo de Transportes do Arco Atlântico / Lisboa, 24 de Junho de 2010 / 9