Software livre como estratégia de inclusão digital: O caso da UFRB. Free software as a strategy for digital inclusion: The case of UFRB. Janaina Evangelista de Oliveira; Graduando; Universidade Federal do Recôncavo da Bahia; [email protected] Laila Suelen Jorge; Graduando; Universidade Federal do Recôncavo da Bahia; [email protected] Cleidson Santos de Jesus; Graduando; Universidade Federal do Recôncavo da Bahia [email protected] Alessandra B Azevedo; Doutora; Universidade Federal da Bahia; [email protected] Resumo Baseado em pesquisa de campo realizada com alunos ingressante dos cursos noturnos da UFRB do campus de Cruz das Almas - BA em 2009 e 2011, este artigo discute a inclusão digital através do software livre e quais ações a Universidade tem realizado para contribuir para um maior acesso dos seus alunos a tecnologia da informação e comunicação - TIC e a utilização ativa e consciente do ciberespaço. Palavras-chave: Software livre; inclusão digital; cibercultura. Abstract Based on field research conducted with students of UFRB evening classes of Cruz das Almas campuses in 2009 and 2011, this paper discusses the digital divide through free software, and what actions the university has done to contribute to greater access for their students to information technology and communication (ICT) and active and conscious use of cyberspace. Keywords: Free software; digital inclusion; cyberculture. Introdução As tecnologias da informação e comunicação possibilitam e convidam a uma atuação mais ativa e participativa. Contudo, é preciso ter acesso às ferramentas do ciberespaço e saber como manuseá-las. As estatísticas apontam que apesar de todas essas tecnologias disponíveis, são poucas as pessoas que usufruem, constroem, produzem e participam de maneira ativa no ciberespaço independente da faixa de renda que estejam. É sabido também que essa apropriação das ferramentas do ciberespaço se agrava mais nas classes mais baixas. Apresentando como reflexo é um enorme analfabetismo tecnológico que dificulta a inserção desse jovem na universidade e no mundo do trabalho. O controle da tecnologia da informação é fundamental e define as possibilidades de desenvolvimento e inclusão digital, não só do cidadão, mas da região e do país. Segundo a Agência de Publicidade, F/Nazca Saatchi & Saatchi em 2001, o número de pessoas com acesso a Internet no Brasil tem crescido em ritmo acelerado, atingindo 81,3 milhões de internautas (a partir de 12 anos). De acordo com a Fecomercio -RJ/Ipsos (2011), o percentual de brasileiros conectados a internet aumentou de 27% para 48% entre 2007 e 2011. O principal local de acesso ainda é a lan house (31%), seguido da própria casa (27%) e da casa de parentes e amigos 25%. 1 A desigualdade social, infelizmente, também atinge o mundo digital no Brasil: entre os 10% mais pobres, apenas 0,6 tem acesso a Internet; entre os 10% mais ricos esse número é de 56,3%. Somente 13,3% dos negros usam internet, mais de duas vezes menos que os da raça branca (28,3%). Segundo dados do IBGE 2008: As regiões Sudeste (40,3%), Centro-Oeste (39,4%) e Sul (38,7%) registravam os maiores percentuais de usuários, e as regiões Norte (27,5%) e Nordeste (25,1%), os menores. Segundo dados do IBGE 2007, o Brasil é o 5° país do mundo com maior número de conexões á internet e o primeiro da América Latina. Em 20111, 46,3 milhões de usuários acessam regularmente a Internet. 38% das pessoas acessam a web diariamente; 10% de quatro a seis vezes por semana; 21% de duas a três vezes por semana; 18% uma vez por semana. Somando, 87% dos internautas brasileiros entram na internet semanalmente. O Software livre tem sido grande aliado das políticas públicas de inclusão digital, por ser colaborativo, seguro, barato, ter o código aberto permitindo o desenvolvimento e aperfeiçoamento contínuo. Silveira (2003:445) afirma que “a morfologia das redes é uma fonte drástica de reorganização das relações de poder e que tem um vínculo claro entre o combate a exclusão digital e o movimento do Software livre”. O artigo tem o objetivo apresentar o debate sobre inclusão e exclusão digital analisar o papel do software livre como uma ferramenta ideal para promover a inclusão digital ativa do cidadão. Também apresenta a pesquisa realizada nos anos de 2009 e 2011 na UFRB com os alunos ingressante dos cursos noturnos do campus de Cruz das Almas. As pesquisas foram realizadas através da aplicação de questionários semi estruturados, foram aplicados um total de 149 questionário que visavam identificar o grau de conhecimento das TICs - Tecnologias da Informação e Comunicação e o nível de acessibilidade a Internet. O que é ser excluído digital? Segundo Abraão (s.d), o termo exclusão digital foi mencionado pela primeira vez num artigo de Jonathan Webber e Amy Hamon no jornal Los Angeles Time em 1995: “De acordo com a OCDE, a exclusão digital refere-se à distância entre indivíduos, famílias, empresas e regiões geográficas em diferentes níveis sócio-econômicos com respeito, simultaneamente, às suas oportunidades de acesso às tecnologias de informação e comunicação (TCI´s) e o uso da Internet para ampla variedade de ações e atividades”. Nota-se que o conceito de acesso, já explorado num contexto semelhante por Jeremy Rifkin (2001), serve de metáfora entre os passwords computacionais e as senhas simbólicas da vida social, expressas pelo acesso. Trata-se, aqui, do uso do computador e das tecnologias informático-comunicacionais como metáforas do mundo social, em grande medida, regida pela lógica matemático-formal dos “sistemas eletrônicos-digitais”. 1 (http://tobeguarany.com/internet_no_brasil.php, consultado em 15/02/2012) 2 A exclusão digital não está restrita ao fator renda (apesar de ser limitada por ela); algumas pessoas, ainda que com renda compatível ao acesso e uso da Internet, não fazem uso das novas tecnologias por opção ou até mesmo por desconhecimento e repulsa. Elas podem ter computador e internet em casa, sem jamais utilizá-los. Existem alguns outros fatores que fortalecem o não acesso às tecnologias da informação, e à Internet particularmente: 1) O desconhecimento da língua inglesa2, visto que boa parte das informações presentes na internet é em inglês; 2) a infraestrutura necessária para o acesso à internet (linha telefônica3, computador e provedor) e 3) o custo de acesso4 (preço dos computadores, custo das tarifas telefônicas e despesas com o provedor de acesso) (CABRAL, 2003). Assim, como a exclusão social, a exclusão digital é um conceito mais amplo e problemático do que se comumente se pensa. Então, numa outra lógica, o que seria o incluído digital? Aquele que tem acesso constante e regular a um computador? Ter uma conta de e-mail e navegar por alguns sites? Uma grande maioria dos internautas subtiliza a internet, pois simplesmente navega por páginas de relacionamento, bate-papo, dentre outros e timidamente produzem conteúdo. O slogan de que a internet seria o veículo de comunicação mais democrático que a humanidade já teve, esbarra na mesma restrição que se fez anteriormente ao rádio e à TV: instrumentos de emancipação, de difusão de informações, podem converter-se facilmente em meios de controle e desinformação. À par dessas contradições, creio que podemos considerar a difusão das tecnologias de comunicação e informação um caminho sem volta; daqui a alguns anos existirá vida sem internet? É neste sentido que a discussão em torno da exclusão digital torna-se relevante. No mundo acadêmico, cada dia mais os pesquisadores utilizam-se das TICs para o desenvolvimento das pesquisas, além delas possibilitarem uma maior integração entre vários grupos de pesquisas em diversos lugares do Brasil e do mundo. Ferramentas de pesquisa em bancos de dados, periódicos eletrônicos, plataformas de pesquisa, utilização de ambientes como o moodle dentre outros, exige do pesquisador e do discente que estejam atualizados sobre as TICs da agenda atual da sua área. Segundo Cabral (2003), para que haja a inclusão na perspectiva tecnológica, é preciso apreender o discurso da tecnologia; não basta saber os comandos de determinados programas ou qualificar pessoas para o mundo do trabalho. É preciso capacitá-las para influir na decisão sobre a importância da tecnologia digital na política pública e na construção da cidadania. Não basta consumir e assimilar um conhecimento já estruturado e direcionado para determinados fins, é preciso participar ativamente dessa escolha. Portanto, o conceito de inclusão digital é mais amplo que ter acesso à internet, é necessário redimensioná-lo em seu real papel político e social. 2 Cerca de 80% dos sites da Internet estão escritos em inglês, sendo esse idioma compreendido por apenas 10% da população mundial e 43% da população on-line ( MARTIGNAGO. s.d). 3 O telefone é um meio de comunicação que está ao alcance, segundo a ONU, de pouco mais de 20% da população mundial. (MARTIGNAGO, s.d). 4 Há tentativas de barateamento dos computadores, os chamados “computadores populares”; a maioria dos acessos residenciais é feita via modem e também existem provedores gratuitos. Mas, a qualidade destas inovações é bastante discutível. 3 Fomentar o exercício da cidadania, para dar voz às comunidades e setores que normalmente não têm acesso à grande mídia e para apoiar a organização e o adensamento da malha de relações comunitárias entre os atores da sociedade civil que constituem a Esfera Pública (SAMPAIO, 2003). Segundo o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT – em 2007, afirmou como resultado da pesquisa de seu Observatório de Políticas Públicas de Inclusão5 10, que o país possuía 108 programas de Inclusão Digital, atuando em quase 3.000 municípios do país, via 16.722 pontos de inclusão digital – PIDs. Desse total, 43 correspondem a iniciativas do terceiro setor – e o restante estava ligado a instituições ou programas de instituições públicas. Mas nem sempre estão de fato funcionando e o tipo de acesso que a população faz, muitas vezes não contribui para real inclusão digital. Outro problema dos espaços públicos para uso da internet é a manutenção das máquinas. No que se refere à informatização em escolas públicas a pesquisa apontou sérios problemas. “Pelos dados da PNAD 2005, só 11,6% dos alunos do Ensino Fundamental tiveram condições de ter acesso à Internet em suas escolas, caindo para 8,5% quando desagregadas as escolas públicas”. Contudo a pesquisa aponta algumas medidas que vão ao sentido de modificar a realidade, mas vale destacar que não basta somente oferecer as máquinas, junto é preciso a manutenção e as condições de infra-estrutura necessárias para o bom funcionamento do espaço e profissionais capazes de estimular a inclusão digital. A proposta, contida no recente Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE – do Ministério da Educação, de dotar com Laboratórios de Informática todas as escolas públicas do país até 2010, além de conexão de banda larga para as 17 mil escolas de Ensino Médio. No mesmo Plano, a intenção de priorizar o desenvolvimento educacional dos 2000 municípios de menor Índice de Desenvolvimento Humano. As propostas que circulam no Legislativo em vias de aprovação, entre elas a de dotar escolas com um computador para cada 10 alunos. A recente designação de uma Coordenação Nacional das Políticas de Inclusão Digital, visando superar a fragmentação e a setorização e tornar mais eficientes as políticas de inclusão digital (mapa da inclusão digital, 2007). O que queremos apontar é, simplesmente, que tais esforços estão sendo insuficientes para superar as desigualdades principalmente quando nos voltamos para o interior dos estados do nordeste. Contudo, há experiência positivas que mostram os benefícios da inclusão digital, como é o caso das experiências realizadas desde 2002 pelo Programa de Inclusão Digital da Escola Aberta de Pernambuco, utilizando mais de 100 laboratórios escolares para ministrar cursos gratuitos de informática básica e acesso gratuito a computador e à Internet, possibilitaram verificar o enorme impacto de inclusão, dada a capilaridade e localização das unidades escolares selecionadas e os custos enormemente baixos de implementação. 5 (http://inclusao.ibict.br/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=162&Itemid=527, consultado em 19/07/2007). 4 São muitas as evidências que indicam, de forma clara e convincente, que é pela via de uma proposta inclusiva e democrática que se poderá garantir que as novas tecnologias da informação e da comunicação cumpram seu papel social, gerando melhor qualidade de vida para o conjunto da população. Um reflexo claro que as tentativas de inclusão digital não estão alcançando os estudantes do ensino fundamental é que eles chegam no terceiro grau com grandes dificuldades de interagirem com o ciberespaço. O que hoje em dia para um profissional de qualquer área é fundamental. Software Livre O software livre tem sido uma ferramenta utilizada para conceder mais liberdade as pessoas que utilizam o ciberespaço de uma maneira ativa. Iniciou-se o movimento do software livre com a criação do Free Software Foundation, que reunia e distribuía programas e ferramentas livres com o código fonte aberto, no ano de 1985, a partir da indignação de Richard Stallman contra a proibição de acessar o código fonte de um software. Desta forma todas as pessoas poderiam acessar aos programas e aos códigos em que foram escritos. (AMADEU, 2001). Logo após foi criada a Licença Pública Geral (GPL), como forma de garantir a proliferação do software livre e seus derivados. Ela utiliza a mesma lei que garante os direitos autorais, usados para limitar o acesso à alteração e a distribuição de uma obra. (SILVEIRA, 2003) Em entrevista para a revista Agência Dinheiro Vivo, Sergio Amadeu (2001) apresenta define Software livre como sendo: O software livre é um novo modelo de uso, baseado nas práticas colaborativas entre comunidades de desenvolvimento, que possibilita que qualquer indivíduo tenha acesso ao código-fonte do software, podendo estudá-lo e alterá-lo. Sua tecnologia é aberta. A inteligência do software é inscrita no texto, o códigofonte, que diz quais são suas rotinas e que vai junto com o código-executável. Então, a qualquer momento, qualquer usuário de software livre, seja ele uma pessoa física ou uma empresa, pode ter acesso completo, vendo o que o software tem nele, o que ele pode fazer ou deixar de fazer. Ele é completamente transparente e permite compartilhamento total do conhecimento sobre ele. Com a popularização da internet, o movimento de Software livre ganhou força e conseguiu produzir um sistema operacional livre, denominado GNU/Linux. No ano de 1992, Linus Torvald compilou todos os programas e ferramentas do GNU em um núcleo central, viabilizando o sistema operacional Linux. Existem mais de 400 mil desenvolvedores espalhados pelos continentes e em mais de 90 países, enquanto a Microsoft, considerada a maior empresa de software do planeta, produz o sistema operacional Windows com aproximadamente 30 mil funcionários. (SILVEIRA, 2001). Um software é considerado livre caso possua as quatro liberdade: A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito; a liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades. O acesso ao código fonte é um pré-requisito para esta liberdade; a liberdade de redistribuir cópias de modo que possa beneficiar o próximo e a liberdade de aperfeiçoar o programa, e 5 liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie. O acesso ao código-fonte também é um pré-requisito para esta liberdade. (SILVEIRA, 2003) O percussor destas liberdades foi Richard M. Stallman no início da década de 80, com a criação do Free Software Foundation asseguradas por um instrumento jurídico chamado GPL ( Licença Pública Geral). Essa lei é a mesma que rege os direitos autorais e garante a expansão e proliferação do Software Livre e de suas derivações – o copyright, permitindo assim os direitos que antes estariam restritos ao autor, passam a ser de toda a comunidade, pois ao invés de proteger os direitos dos indivíduos esta protege os direitos coletivos. Observa-se também que um software para ser livre, não é necessariamente gratuito, e sim é uma liberdade de poder modificar e melhorar seu funcionamento. Software Livre e Inclusão digital Programas de desenvolvimentos de TI orientado especialmente para a inclusão digital, educação e capacitação pode ser uma alternativa para consolidar uma indústria de hardware e software que acrescente valor a economia nacional com embasamento em software não proprietários. (SILVEIRA, 2003) Um dos argumentos para utilização de software livre nas políticas de inclusão digital é a importância de unir a política de inclusão digital, a informatização de escolas e bibliotecas públicas e a adoção de TI como um instrumento didático- pedagógico para uma tática de desenvolvimento tecnológico nacional (SILVEIRA, 2003). Outro argumento é o custo para o Estado, já que as soluções não proprietárias são mais baratas. A utilização do software livre nos programas de inclusão digital motiva uma grande economia por causa do não pagamento de licenças. Esses recursos podem ser aproveitados para a formação e capacitação, treinamento e educação digital, apostando assim numa inteligência coletiva (SILVEIRA, 2003). Um terceiro argumento, é que o software livre tanto quanto o proprietário necessitam de suporte e manutenção. O uso do software livre nos telecentros e unidades de inclusão digital pode ser um grande incentivo ao surgimento de inúmeras empresas locais capacitadas a configurar e até a desenvolver soluções adequadas aos interesses das empresas e órgãos públicos locais. As duas vantagens mais destacadas no uso do software livre para o desenvolvimento econômico social local são o código fonte aberto e a inexistência do pagamento de royalties pelo seu uso. O código aberto permite que qualquer programador habilidoso crie soluções que melhor atendam as necessidades do seu cliente. A inexistência de royalties permite que toda a renda gerada pela empresa local de suporte e desenvolvimento fique com ela. (SILVEIRA, 2003, p. 442) O último argumento é que não se deve utilizar dinheiro público para formar e nem alfabetizar digitalmente as pessoas em uma linguagem proprietária de um monopólio privado, mesmo que as licenças sejam doadas para os programas de inclusão digital, porque o Estado estaria pagando na verdade os professores ou monitores/instrutores, para treinar usuários para aquela empresa (SILVEIRA, 2003). 6 O Brasil vem investindo em diversos programas de abangência municipal, estadual e federal que estimulem o uso e o desenvolvimento do software livre. O Sergio Amadeu destaca que o modelo livre traz benefícios econômicos ao país. No mundo, o software proprietário tem pouca força. O Brasil recentemente ganhou prestígio porque começou a desenvolver plataformas abertas. O software livre é o caminho pra que se possa construir empresas que se relacionem com empresas de outros países e usem a capacidade de trabalhar a inteligência coletiva para fazer ações, serviços de TI em outros lugares. Agora, se a gente for vender licenças de propriedades, isso já não deu certo antes e não dará agora. O caminho é exatamente o de incentivar a rede de software livre, em código aberto, e apostar na nossa inteligência coletiva, na nossa capacidade de prestar serviços.(SILVEIRA, 2007). Entretanto, essas políticas não estão alcançando o objetivo que buscam. No estado da Bahia em 2005, somente 6,3% dos domicílios possuem Internet e deles 12,9% utilizam a Internet. (mapa da desigualdade digital, 2007:17). Contudo é preciso continuar investindo na inclusão digital da sociedade brasileira, buscando formas mais eficientes de apresentar o potencial do ciberespaço. As leis da Cibercultura estão em total harmonia com a proposta do software livre. Hoje podemos encontrar todos os tipos de programas em software livre desde um processador de texto, um programa de editoração de imagem, jogos, buscadores, sites de compras, até programas de segurança de grandes bancos, etc... Para Lemos (2005) a nova configuração cultural que vem alterando a forma dos processos de comunicação, produção, criação e circulação de bens e serviços desde o final do século XX chama-se “cibercultura-remix”. Esse novo movimento técnico social, propõe segundo o autor não uma novidade, mas uma radicalidade. Uma proposta diferente que possibilita que qualquer indivíduo possa emitir e receber informações em tempo real, sob diversos formatos e modulações para qualquer lugar do mundo. Construir, e divulgar de forma individual e/ou participativa informações de interesse de uma tribo ou da sociedade. A cibercultura se caracteriza por três leis fundadoras: a liberação do pólo da emissão, o princípio de conexão em rede e a reconfiguração de formatos midiáticos e práticas sociais. Os três pilares que alimentam essa revolução social que vem acontecendo no mundo, possibilitando que a voz da expressão popular chegue a tempo real em qualquer parte do planeta. A primeira lei, liberação do pólo da emissão, ao liberar o pólo de emissão, dá voz a população, possibilitando que além de receber informações, produza, analise, compartilhe e emita opiniões produzindo novas informações que podem ter um alcance antes jamais alcançado. “tem de tudo na internet”, “pode tudo na internet”. A segunda lei é o princípio de conexão em rede, “tudo em rede”. Lemos (2005:2) chama a segunda lei “de lei de princípio de conectividade generalizada”, pois a rede está em todos os lugares. Atualmente, tudo está conectado em rede desde o pagamento de um remédio na farmácia à emissão de uma carteira de motorista. O mundo está conectado através da internet. Já não é possível pensar em fazer uma 7 pesquisa científica sem usar a internet ou interagir com pares em várias partes do mundo sem estar na internet. As empresas gerenciam seus negócios utilizando a rede. A forma de comprar, de se relacionar vem ganhando um espaço cada vez maior no ciberespaço. A terceira é a lei da reconfiguração. Segundo o autor, a máxima dessa lei é “tudo muda, mas nem tanto”. A possibilidade de recriação a partir de uma base já existente sem a substituição de seus respectivos antecedentes. Para ele “a idéia de reconfiguração vai, além da remediação de um meio sobre o outro (por exemplo, o cinema nos jogos eletrônicos e vice-versa)”. (Lemos, 2005:03). A reconfiguração também vem modificando as estruturas sociais, e sua forma de se comunicar e se comportar. Donas (2010:15) aponta para a importância que a cidadania e redes digitais tem entorno das TIC (tecnologias de informação e comunicação) para redefinir, o comportamento da sociedade atual. O autor afirma que essas redes “são o campo de batalha onde se travam algumas das lutas mais significativas pelos direitos humanos”. Ressalta que não é possível falar de liberdade de expressão nem de direito à informação se não for considerada as possibilidades que as ditas redes oferecem aos cidadãos menos favorecidos. Uma nova lógica está em vigor. Já é possível quebrar a hegemonia dos meios de comunicação como o radio, o jornal e a Tv. Os meios de comunicação de massa se caracterizam por sua natureza profundamente assimétrica: um fala, muitos escutam. Um aparece, muitos contemplam. O conhecimento flui hierarquicamente do centro para a periferia. Os países se dividementre importadores e exportadores de produtos audiovisuais. Tudo parece estar desenhado para que a nova exclusão digital reproduza as velhas desigualdades sociais. (BUSTAMANTE, 2010:15). Dentre os elementos que Donas (2010:19) destacou sobre cidadania digital cabe elencar alguns para contribuir com o debate: § a apropriação social da tecnologia, o que supõe empregá-la para fins não só de excelência técnica, mas também de relevância social; § a utilização consciente do impacto das TIC sobre a democracia, avançando desde suas atuais formas representativas até novas formas de democracia participativa; § a promoção de políticas de inclusão digital, entendendo como inclusão não o simples acesso e compra de produtos e serviços de informática, mas o processo de criação de uma inteligência coletiva que seja um recurso estratégico para inserir uma comunidade ou um país em um ambiente globalizado; § a aposta no software livre, no conhecimento livre e no desenvolvimento de múltiplas formas de cultura popular, com o objetivo de consolidar uma esfera pública interconectada. (Bustamante,2010:19). Não é possível ignorar a força que as TICs possuem na sociedade. A universidade precisa estar inserida nesse debate contribuindo para o despertar desses jovens que irão entrar no mercado de trabalho competitivo onde os diferenciais muitas vezes girarão em torno das TICs. 8 Programa de Inclusão Sócio Digital da Bahia Um exemplo de programa que tem o objetivo de promover a inclusão digital no Estado da Bahia é o Programa de Inclusão Sócio Digital (PISD) que é coordenado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti); esse programa busca com a democratização das tecnologias de informação e comunicação atender as pessoas de baixa renda de todas as regiões do estado, possibilitando a elas o desenvolvimento humano e social. O programa tem entre os seus objetivos: capacitar a população de baixa renda para que aprendam a usar os softwares e a internet; aumentar a geração de renda através dessa capacitação e assim contribuir para a melhoria da qualidade do ensino e também do seu contexto social. Segundo dados do Cidadania Digital6, o Programa de Inclusão Sócio Digital está presente em 268 municípios baianos, através de uma rede de 362 centros digitais de cidadania (CDC). Esses centros possibilitam aos usuários acesso às tecnologias de informação e comunicação através de uma rede de computadores, todos com sistema de software livre (o que dar maior independência aos usuários, já que o software não possui proprietário) e todos são conectados à internet. Segundo o Observatório Nacional de Inclusão Digital (2010), o número de telecentros no Brasil vem crescendo a cada ano que passa, tivemos no ano de 2008 a quantia de 4.879 telecentros e atualmente esse numero já chega a 5.993 telecentros. Temos na Região Nordeste 1.578 telecentros, que estão divididos da seguinte forma: Nº de telecentros na região Nordeste do Brasil ESTADO Nº de Telecentros 1º BAHIA 694 2º CEARÁ 285 3º RIO GRANDE DO NORTE 155 4º PERNAMBUCO 122 5º PARAÍBA 84 6º PIAUÍ 83 7º MARANHÃO 82 8º ALAGOAS 41 9º SERGIPE 32 Fonte: Elaboração a partir de dados extraídos do site: www.onid.org.br Os Centros Digitais de Cidadania (CDC) podem ser instalados em escolas publicas (municipais e estaduais), Universidades estaduais, bibliotecas públicas e também espaços cedidos pelas prefeituras. Para facilitar a administração e coordenar as atividades dos CDCs, todos utilizam o sistema Berimbau Linux, que é um conjunto de softwares livres desenvolvidos pela própria equipe técnica do programa. O sistema se encaixa perfeitamente no conceito de software livre no qual a Associação do Software Livre Brasil define como sendo software livre todo sistema que respeita as quatro liberdades: liberdade de poder utilizar o programa; liberdade de poder estudar o programa; liberdade de poder modificar o programa; e liberdade de poder redistribuir o programa. 6 Projeto Cidadania Digital. Site institucional. http://www.cidadaniadigital.ba.gov.br/inclusaodigital.php?pgid=1 9 A Inclusão Digital na UFRB A UFRB é uma universidade com cinco anos de criação e tem atraído alunos da região do Recôncavo e do estado da Bahia. Em pesquisas feitas com alunos no semestre ingressam na UFRB dos cursos noturnos (Tecnólogo em Gestão de Cooperativas e Licenciatura em Biologia) tem apresentado dificuldades no acesso as TICs. O desafio de incluir digitalmente esses alunos tem sido grande, pois é possível identificar muitos alunos que não tinham tido acesso ao uso do computador antes de ingressarem na universidade. Em 2009, foi realizada uma pesquisa com os discentes do Curso noturno Tecnólogo em Gestão de Cooperativas da UFRB sobre o acesso à Internet e foi confirmado o que as disciplinas de informática e redação científica vinham apontando: a existência de um grande número de pessoas que não sabiam nem ligar o computador. A pesquisa que foi realizada em 2009 teve a participação de 64 estudantes; 13 ingressaram no segundo semestre de 2008 e 51 ingressaram no segundo semestre de 2009; já em 2011 a pesquisa foi reaplicada, contando com a participação de 85 estudantes, mas agora de dois cursos noturnos: Tecnólogo em Gestão de Cooperativas e Licenciatura em Biologia. A pesquisa realizada em 2009 mostrou que quase metade dos estudantes não acessam a internet em suas residências, já em 2011, mas da metade dos alunos entrevistados tinham computador em suas casas com acesso à internet. Vale destacar, que quando foi perguntado onde realizam os trabalhos demandados pelos professores, para os que não têm computador em casa, o uso das lan houses ou a casa de amigos e parentes, resposta dada em ambas as pesquisas. Como quarta opção, está o acesso em outros locais, sendo o principal deles o trabalho. Poucos estudantes realizavam seus trabalhos na UFRB, em sua maioria aqueles que participavam de algum projeto de extensão ou pesquisa. Sobre a possibilidade de acesso à internet na UFRB, através de um laboratório de informática. Em 2009 do total de pesquisados, 86% utilizariam o laboratório, sendo que 46% usariam 3 horas ou mais semanalmente; já em 2011, somente 47% da amostra utilizaria o laboratório, sendo que a maior parte deles usariam até 3 horas semanais. Contudo, em 2009 a quantidade de laboratórios de informática ainda era insuficiente para suprir a demanda crescente dos alunos, havia um laboratório no pavilhão de aula – PVA1 e um laboratório no prédio da Biblioteca. Em 2011, contamos com 138 computadores, sendo que 86 deles estão nos pavilhões de aula, 40 no laboratório da Biblioteca e 12 no laboratório de inclusão digital e metarreciclagem. Outro aspecto detectado nas pesquisas é que os alunos não têm domínio de ferramentas básicas para o bom desenvolvimento da vida acadêmica, como bancos de pesquisa, planilhas, editor de textos, programas estatísticos, utilização do ambiente moodle, plataforma Lattes. Diante dessa realidade, o colegiado do curso de Tecnólogo em Gestão de Cooperativas criou o laboratório de inclusão digital e metareciclagem com o objetivo de proporcionar aos alunos um espaço para suprir deficiências além de ser um espaço onde o software livre, o debate sobre as TICs, as escolhas tecnológicas e suas conseqüências estivesse presente. O laboratório conta com a parceria do 10 Grupo LINKLIVRE7 e com a colaboração de vários professores do CETEC e do CCAAB CAHL. Vale ressaltar que todos os softwares são software livres e as oficinas ofertadas todas utilizam software livre. A UFRB tem dado passos interessantes no caminho da inclusão digital. Há vários professores que pesquisam as novas mídias, existem diversas disciplinas nos vários campi que abordam a temática da democratização da informação por diversos aspectos e a criação do laboratório de inclusão digital e metareciclagem foi um passo importante, pois se tornou um espaço para o desenvolvimento de oficinas e reflexão sobre o tema. Algumas disciplinas utilizam o laboratório de inclusão digital como espaço de suas práticas em parceria com o projeto “inclusão digital para que?” que vem sendo desenvolvido desde 2010. Quando algumas das oficinas oferecidas pelo projeto atendem as necessidades da disciplina como, por exemplo, formatação de textos científicos e busca em bases de e dado, etc.s os monitores atuam de maneira mais ativa, quando não, eles participam dando apoio ao docente. A metodologia desenvolvida pelo projeto “inclusão digital para que?” é inovadora e busca criar um efeito multiplicador entre os estudantes e desenvolver um grau de autonomia e estimulo para pesquisas no ciberespaço. As oficinas primeiramente são ministradas por professores. Quando o aluno se inscrever nas oficinas, é oferecida a ele a possibilidade de se tornar multiplicador. Cada turma tem em média 03 multiplicadores. Na segunda oficina, com o mesmo tema, quem ministra a oficina é o grupo de monitores. O docente/funcionário assiste a oficina como forma de apoio. A partir da terceira oficina, os monitores ministram as oficinas sob a supervisão da coordenação do projeto. O resultado da pesquisa realizada em 2009 apontou a necessidade de envolver no próximo projeto as escolas de ensino fundamental, para que os alunos cheguem à universidade mais preparados. Assim, em 2011, foi aprovada pelo edital da PROEXT a continuação do projeto com uma proposta expandida, além dos discentes da UFRB foram incluídos estudantes do nono semestre das escolas da zona urbana de Cruz das Almas. No desenvolvimento do projeto em curso foi possível verificar que existe uma grande deficiência, em relação à tecnologia da informação, enfrentada na maioria das escolas públicas brasileiras, a de não existirem pessoas capacitadas para mediar o conhecimento necessário para os jovens. O que foi encontrado foram laboratórios em perfeitas condições, com computadores conectados à internet, mas sem uso, justamente por falta de profissional competente na área. Essa é a realidade que encontrada no município de Cruz das Almas – BA, onde das quatro escolas 7 Grupo de Estudos e Práticas Laboratoriais em Plataformas e Softwares Livres e Multimeios (Linklivre) abriga atividades de pesquisa e extensão que envolvem o papel da tecnologia na sociedade contemporânea, sua relação com a comunicação, multimeios, tecnologias e produção artísticas, formação, produção de subjetividades e cibercultura. As relações entre tecnologia, comunicação, arte e sociedade, baseadas na cultura digital, pautada por conhecimento, informação, produção cooperada, interatividade, criatividade, inovação, plataformas e softwares livres, tecnologias sociais, cultura libertária, creative commons etc. Atividades de pesquisa, capacitação e disseminação do uso do software livre; colaboração com redes de desenvolvimento e ativismo; produção em comunicação e design, desenvolvimento de produtos experimentais em arte e multimídia a partir do uso de ferramentas livres. O Linklivre está localizado fisicamente no Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), na cidade de Cachoeira/BA. 11 municipais visitadas, três tem infocentros, funcionamento por falta de pessoal capacitado. mas nenhum deles está em É necessário que se forme profissionais capacitados para trabalhar com a inclusão digital, e que o conteúdo a ser passado aos alunos se torne mais amplo do que somente ensinar sobre internet e edição de textos; que os profissionais envolvam os alunos e a comunidade como um todo e busquem através das tecnologias de informação, soluções para melhorem as condições de vida. Na maioria das vezes as tecnologias da informação são passadas de maneira mecânica e não estimulando o estudante a se tornar um ator ativo no ciberespaço. É preciso ensinar a interpretar os conteúdos tecnológicos de forma rápida e inteligente para que eles possam buscar através dessas tecnologias atenderem as suas necessidades sociais e econômicas. Hoje em dia o que os jovens mais utilizam na internet são as redes sociais, como mostra a pesquisa feita no campus da UFRB em 2011, que apontou que dos 85 questionários aplicados, 66% dos alunos utilizam as redes sociais, mas a utilização da ferramenta está restrita a relacionamentos pessoais, não há outros usos das redes sociais para fins acadêmicos e profissionais. É importante que a inclusão digital faça parte do contexto de ensino (fundamental e médio), para isso é necessário se ter uma alfabetização digital como parte do currículo escolar, capacitando os alunos há utilizar as ferramentas tecnológicas ao seu favor e atendendo aos seus interesses pessoais, sociais e profissionais. Conclusão O artigo buscou levantar reflexões sobre o que é ser incluído ou excluído digitalmente e mostrar que a exclusão digital não é meramente não ter acesso a um computador com internet. A cidadania digital passa por outros aspectos mais sutis que tem um efeito emancipador e includente enorme. Os diversos movimentos mundo a fora aonde através de redes sociais, blogs, sites a população vem lutando por uma democracia mais participativa e mais inclusiva estão mostrando a força e a importância que as tecnologias da informação tem. È fundamental que o sistema educacional (escolas de nível médio, as universidades) façam parte dessa nova era da cibercultura preparando os seus alunos e docentes para integrarem-se e serem atores ativos na construção de uma cidadania mais participativa, onde o uso das ferramentas tecnológicas possibilite a quebra de vários paradigmas como expandir os canais de emissão da comunicação, a construção de conhecimento a partir da colaboração como a filosofia do software livre e a cultura haker propõe. Políticas públicas tanto a nível federal como estadual buscam através de programas e projetos levar o acesso as TICs para a população mais carente, mas não basta ter a proposta é preciso ao concretizar através dos laboratórios também fornecer formação para os trabalhadores para que possam ser agentes multiplicadores não somente de uso de software, mas que também contribuam para o despertar das 12 potencialidades que o uso das TICs tem para a organização e luta das comunidades. Ainda estamos no início para tornar a UFRB uma universidade de fato incluída digitalmente, mas já é possível notar que a quantidade de discentes, técnicos e docentes que estão dispostos a refletir sobre a questão da democratização da informação e desenvolver práticas que melhorem o acesso ao uso das tecnologias informacionais vem crescendo a olhos vistos. Referências ABRAÃO Martignago, Angelo Marcel, Seilor Bonâncio Junior, Rodrigo Bortolon, Orlei José Pombeiro - Exclusão Digital - Grupo de Pesquisas em Informática, Bacharelado em Sistemas de Informação Sociedade Paranaense de Ensino e Informática - Faculdades SPEI. Adriana Brendler. Repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro. Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2007-03-23/brasil-ocupa-62%C2%AAposicao-no-mundo-em-relacao-ao-uso-da-internet. Acesso em 01 de março de 2012. ALMEIDA, L. B. ; PAULA, L. G. ; CARELLI, F. C. ; OSORIO, T. L. G. ; GENESTRA, M. . O Retrato da Exclusão Digital na Sociedade Brasileira. 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