MARIA LUÍSA BRANCO EXPLICA PORQUE LISBOA ESTÁ NA MODA
Nº 144 › Mensal › Setembro 2014 › 2.20# (IVA incluído)
Francisco Freitas
Administrador e fundador
da Volter
João Ribeiro
Managing Partner da Mercal
José Maria Zanocchi
Presidente da Câmara Portuguesa
no Ceará
Queremos
liderar
a logística
em Portugal
Paulo Salgado, CEO da Olicargo,
empresa com sede em Perafita,
mas que se vai mudar para
a Trofa, está a revolucionar
a logística em Portugal,
especializando-se em projetos
especiais como os que levaram
as coberturas dos estádios de
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 1
Manaus e Jeddah
› HEAD
Ficha Técnica
Editorial
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2 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
Pequenas vias de
acesso às indústrias
podem fazer sentido
1 – Uma entrevista concedida ao semanário Expresso pelo administrador com a
área financeira da multinacional alemã Continental foi muito elucidativa. Apesar
de ser uma das maiores empresas exportadoras de Portugal, as acessibilidades
rodoviárias à sua fábrica de Lousado, no concelho de Famalicão, ainda são deficientes, apesar de algumas melhorias pontuais que a autarquia local promoveu
nos últimos anos. Falta uma via estruturante que ligue a fábrica diretamente à autoestrada, o que facilitaria de sobremaneira a capacidade da produção da empresa
de capitais alemães sair da unidade industrial e chegar aos mercados externos.
Como acontece no caso da fábrica da Continental em Lousado, existem muitas zonas industriais e importantes indústrias em vários pontos deste país, que, apesar
da sua importância e peso nas economias local, regional ou nacional, continuam
a padecer de ligações rodoviárias (e em alguns casos ao nível ferroviário) bastante
deficientes, que as tornam menos competitivas.
Portugal já não precisa efetivamente de novas autoestradas – a não ser acabar
os casos de algumas inacabadas e onde já se investiram muitas dezenas de milhões de euros – mas precisa, em muitos casos de forma urgente, de pequenas
ou médias vias de acesso a essas unidades industriais, que elevariam a sua competitividade e capacidade de mais rapidamente chegar aos mercados externos. É
preciso conhecer esses casos e resolvê-los. É para isso que deverá servir realmente
o investimento público.
2 – Portugal voltou a registar uma escalada preocupante no domínio das importações, enquanto as exportações parecem patinar e não conseguir manter uma
progressão consistente. Neste caso, para além da necessidade de precisarmos de
mercados que queiram comprar cada vez mais produtos portugueses, afigura-se
necessário olhar para a capacidade produtiva nacional, ou seja, para as condições
em que as empresas estão a laborar. Em muitos casos, as empresas portuguesas
precisam de novos investimentos que possibilitem a sua modernização e melhoria da capacidade de inovação, qualidade e produção.
Mas, para além das condições de acesso ao mercado financeiro continuar reduzido e difícil, é também de salientar que o nível dos impostos para as empresas
em Portugal, continuam extremamente elevado. E quando governantes ameaçam
poder aumentar a carga fiscal a breve prazo, poderão estar criadas condições cada
vez mais difíceis para as empresas investirem no nosso país. Com todos os prejuízos para a competitividade e capacidade das empresas em produzirem e em
exportarem.
JORGE GONÇALVES ALEGRIA
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 3
Índice
Grande Entrevista
Paulo Salgado é o CEO da Olicargo, a empresa de
serviços logísticos com sede em Perafita (Matosinhos), mas que se vai mudar no próximo ano para
o novo centro logístico da Trofa, onde investirá
cerca de 15 milhões de euros. Assumindo a ambição de chegar ao primeiro lugar no ranking das
empresas de logística em Portugal, o responsável
da Olicargo apostou numa estratégia diferenciadora no setor ao investir na especialização na capacidade de servir em projetos especiais, como aqueles
que permitiram levar desde Portugal as coberturas
dos estádios de futebol em Manaus (Brasil) e Jeddah (Arábia Saudita).
pág. 16 a 21
Ainda nesta edição…
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Grande Plano
Efapel reforça na exportação
Sonae Sierra vai gerir shopping em Moscovo
Renova e Galp Energia estabelecem parceria ibérica
Skyna será o primeiro investimento hoteleiro angolano em Lisboa
Terminal XXI em Sines recebe novos pórticos
Portos de Setúbal e Leixões crescem
Mafavis é referência na construção
Nautilus expande-se em África e na América Latina
Maria Luísa Branco mostra-nos Lisboa
Academia do Bacalhau de Paris jantou no Algarve
Hotelaria portuguesa vai mostrar-se em Paris
Jetclass apresenta-se no Dubai
4 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
Os estados do nordeste brasileiro voltam novamente a apostar em Portugal para captarem investimentos e parcerias para desenvolverem os
seus territórios. Exemplo dessa estratégia será
a visita de uma Missão Empresarial do Ceará
já em Novembro próximo a Portugal, com o
presidente da Câmara de Comércio Portuguesa
no Ceará a conceder uma entrevista exclusiva
à PAÍS €CONÓMICO. Realce também neste
espaço para o acordo que o ministro português
da Educação, Nuno Crato, estabeleceu com o
seu homólogo brasileiro para criar uma rede de
escolas portuguesas no Brasil. A primeira será
construída brevemente em São Paulo.
pág. 06 a 13
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 5
› GRANDE PLANO
José Maria Zanocchi, Presidente da Câmara de Comércio Brasil-Portugal no Ceará,
quer aumentar relações entre os dois lados do Atlântico
O Ceará é a porta
de entrada no Brasil
Em novembro deste ano, uma missão de empresários do estado brasileiro do Ceará
virá a Portugal com o objetivo de firmar parcerias e convidar mais empresários
portugueses a investir na terceira principal economia do nordeste brasileiro. José Maria
Zanocchi, Presidente da Câmara de Comércio Brasil-Portugal no Ceará, em entrevista
exclusiva à PAÍS €CONÓMICO, traça um panorama favorável do atual estado de
desenvolvimento da economia do Ceará, e sublinha as condições muito favoráveis para
a realização de investimentos estrangeiros ou em joint-venture no estado, colmatando
assim as elevadas pautas aduaneiras que subsistem para os produtos que pretende
entrar no mercado brasileiro. O líder da câmara de comércio luso-cearense mostra-se
muito otimista com as capacidades das empresas portuguesas, referindo que poderão
contribuir de forma muito expressiva para a modernização do Ceará, apontando
nomeadamente o setor ambiental como detendo inúmeras oportunidades.
TEXTO › JORGE ALEGRIA | FOTOGRAFIA › CEDIDAS PELA CÂMARA DE COMÉRCIO PORTUGUESA NO CEARÁ
A Câmara de Comércio Brasil-Portugal
no Ceará vai levar em novembro uma
missão empresarial a Portugal. Quais as
razões que levaram a Câmara a que preside a organizar essa missão para esta
altura?
Desde o ano passado temos realizado diversos encontros empresariais e institucionais e, como resultado disto, algumas
oportunidades de negócio foram identificadas.
A conclusão é que há certas complementaridades entre as economias brasileira e
portuguesa que precisam ser melhor exploradas, em particular no Nordeste brasileiro e, especialmente, no Ceará.
O Ceará é hoje a 3ª Economia do Nordeste, com um PIB de R$ 105,7 bilhões
(2013). O Estado apresenta um crescimento econômico acima da média nacional,
dispondo de uma população residente de
mais de 8 milhões e meio de habitantes;
um importante mercado consumidor.
Mais do que isso: o Ceará tem realizado
diversos investimentos em infraestrutura
que só agora se materializam, além de ofe-
6 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
recer diversos incentivos para a atração
de novos investimentos. Um bom exemplo disso é a recém inaugurada Zona de
Processamento de Exportação (ZPE) - a
primeira do Brasil - localizada no Complexo Industrial e Portuário do Pecém; o que
pode alavancar o Estado como plataforma
de exportação não só para a Europa, como
também para a África e América Latina.
Por outro lado, entendemos que as exigências do mercado europeu conduziram
a um processo de modernização e diversificação da economia portuguesa nas últimas décadas – com destaque para a indústria transformadora e a exportação de
serviços – que hoje dispõe de um alto nível de qualificação e capacidade instalada.
Nesse sentido, a transferência de tecnologias, bem como o emprego de mão de
obra qualificada em Portugal, mediante
parcerias luso-brasileiras, podem contribuir para a almejada modernização da indústria no Brasil - com a elevação dos seus
índices de produtividade - ao mesmo tempo em que permitem a rentabilização dos
investimentos já realizados em Portugal e
o acesso a novos mercados consumidores
a partir daqui.
O arrefecimento da economia europeia
e as necessidades do mercado brasileiro
parecem oferecer condições únicas para a
formação de joint ventures entre empresas
dos dois países para melhor explorar essas oportunidades.
Relações têm muito espaço
para crescer
Como avalia o estado atual das relações
económicas e empresariais entre o Ceará e Portugal?
Ainda há muito por fazer nesta seara.
Recentes estudos demonstraram que há
mais de 2 mil investidores portugueses
em empresas cearenses e as trocas comerciais têm se expandido aos poucos favoravelmente a Portugal.
Contudo, o comércio ainda está concentrado em produtos tradicionais e a alta
carga tributária sobre as importações
impostas pelo Governo Federal constitui
uma barreira muito forte para a entrada
de outros produtos e serviços de origem
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 7
› GRANDE PLANO
portuguesa. As expectativas por um acordo regional entre União Europeia e Mercosul têm esbarrado nas difíceis relações
entre Brasil e Argentina.
Diante deste cenário, acreditamos que a
solução reside no transplante de fatores
produtivos portugueses para o Estado do
Ceará (tecnologias, serviços, máquinas e
equipamentos), nomeadamente em setores de maior valor agregado.
A qualificação da indústria nacional é
uma prioridade no Brasil e os portugueses podem contribuir sensivelmente neste
processo em parceria com empresas brasileiras, potencializando os investimentos
já realizados nos últimos anos e aproveitando os incentivos oferecidos pelos governos locais, sobretudo no Nordeste do
país, além do mercado consumidor em
expansão.
Durante vários anos, o Ceará constituiu
Existem razões históricas e culturais por
trás destes indicadores que não podem
ser ignoradas. A comunidade lusófona no
Ceará tem demonstrado ser muito dinâmica e unida por aqui. Um bom exemplo
disto é a íntima sinergia entre entidades
como o Vice-Consulado de Portugal em
Fortaleza, a Câmara Brasil Portugal, a Beneficência Portuguesa, a Academia do Bacalhau; para além das relações familiares,
empresariais, culturais, de cooperação técnica, educacional ou institucional.
Em especial, destaca-se a presença da TAP
em Fortaleza, que, desde a década dos
anos 2.000, com voos diários, constitui um
fator decisivo para a presença constante
de investidores portugueses por estas
margens, sobretudo os pequenos e médios que desempenham um fator fundamental na dinamização de determinados
setores da indústria, comércio e serviços.
um dos principais destinos dos invesestá no presente a posição do Ceará
Ceará é a principal porta
de entrada no Brasil
como recetor de empreendimentos lusos
Quais são as potencialidades e os princi-
no Brasil?
pais fatores competitivos do Ceará para
Os investimentos portugueses ainda são
um dos principais no Ceará. Em quantidade de investidores, permanece em primeiro lugar, perdendo apenas para a Espanha em volume de investimentos; mas
por pouco.
atrair investimento estrangeiro, e con-
timentos portugueses no Brasil. Como
cretamente, português?
O Ceará é um Estado único no Brasil. Além
da posição geográfica privilegiada e o clima
favorável, o Governo brasileiro, seja a nível
Federal, Estadual ou Municipal, oferece di-
versos incentivos para a implantação, ampliação ou modernização de projetos aqui
localizados, principalmente no interior e
em iniciativas de base tecnológica.
O Estado também cresce a níveis superiores da média nacional, tendo realizado investimentos estruturantes que
permitem o acesso a insumos básicos e
matéria-prima, assim como a mão de obra
básica, qualificada em programas de capacitação profissional como os realizados
pelo Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial (SENAI) e o Programa Nacional
de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego
(Pronatec).
Quais seriam as indicações (conselhos)
que apontaria ao empresário português
com interesse em investir no Ceará?
A experiência tem demonstrado que
mercados alternativos como aqueles localizados no Nordeste brasileiro, como o é
o Ceará, oferecem uma alternativa viável
à internacionalização de empresas portuguesas – sobretudo as pequenas e médias
– em oposição a economias mais consolidadas ou saturadas do Sul ou do Sudeste;
estas mais frequentemente miradas por
empresários portugueses pela sua pujança econômica.
Economias emergentes são normalmente
mais receptivas a investimentos produtivos, além de contar com um mercado
consumidor em expansão. O interior do
Nordeste, por exemplo, ainda demanda
fortemente vários produtos, serviços e investimentos; é um celeiro de oportunidades que podem ser exploradas por empresários experientes com apoio institucional
adequado.
Contudo, é sempre muito importante se
cercar de bons profissionais e parceiros;
daí a importância das Câmaras de Comércio no apoio e orientação de iniciativas
como estas.
mento ou iniciativa empresarial. Portugal
tem bons exemplos de práticas ambientais bem sucedidas que podem ser replicadas no Brasil com relativa facilidade. As
indústrias ambientais – a economia verde
– a meu ver, são o futuro e o momento é
agora.
Quais os setores empresariais cearenses
ximos anos?
que estarão representados na missão
Certamente, o Brasil vive um período de
incertezas que afetam diretamente a confiança de empresários e consumidores, sobretudo com os recentes eventos desconcertantes da corrida eleitoral. Aliás, como
diria Tom Jobim: “o Brasil não é para principiantes”.
Todavia, o Brasil é uma potência de dimensões continentais, com mais de 200
milhões de habitantes, além de ser uma
liderança regional emergente, independentemente de orientação governista.
Recentemente, em Fortaleza, foi realizado
o encontro dos BRICS, quando ficou evidente o papel do Brasil nas relações internacionais alternativas ao G7. Projeções do
Banco Mundial indicam que a economia
É preciso diversificar
a pauta das trocas comerciais
que virá a Portugal? Que resultados es-
As trocas comerciais entre os dois lados
No contexto apresentado, vislumbramos
maiores oportunidades nos setores metalomecânico, construção, agroalimentar,
calçadista, ceramista e ambiental, dentre
outros.
Pessoalmente, acredito que o setor ambiental, em particular, tem um potencial
enorme. A Política Nacional de Resíduos
Sólidos brasileira, instituída pela Lei Federal nº 12.305/10, estabeleceu diversas
metas ambientais extensíveis a toda a sociedade brasileira que dificilmente serão
cumpridas nos prazos fixados; seja por
falta de conhecimento técnico, financia-
do Atlântico são pouco expressivas. O
que é preciso ser feito para incrementar
esse relacionamento?
É preciso inovar e olhar para novas oportunidades para romper a mesmice. Não
há como avançar sem pensar diferente ou
insistir nos modelos já esgotados.
O Governo português tem se sensibilizado
com esta perspectiva e apoiado iniciativas
institucionais que possam potencializar
as relações bilaterais entre Brasil e Portugal, nomeadamente através do Ministério
de Negócios Estrangeiros e a AICEP.
8 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
A diplomacia política tem afirmado que
as relações entre as nações não são mais
ditadas pela solidariedade, mas por um
espírito de cumplicidade. Pois é isto mesmo que temos a transcender nas relações
econômicas e empresariais. Falamos a
mesma língua e dividimos uma história
comum; devemos transcender as relações
bilaterais para elevá-las a todo o universo
lusófono aproveitando-se as vantagens
comparativas de cada país e suas regiões.
pera obter com esta missão?
As eleições federais e estaduais que se
realizam em outubro deste ano no Brasil,
poderão alterar as políticas econômica e
monetária seguidas pelo Brasil nos pró-
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 9
› GRANDE PLANO
Ceará na dianteira dos investimentos
de cidadãos estrangeiros
do mundo irá crescer a um ritmo anual
de mais de 3% até 2050, dobrando seu tamanho em 2032 e dobrando novamente
em 2050. Esses estudos sugerem que os
países emergentes do E7 (China, Índia,
Brasil, Rússia, Indonésia, México e Turquia) serão 50% maiores que os países do
G7 (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido,
França, Itália e Canadá), além da Austrália, Coreia do Sul e Espanha, em relação ao
PIB em termos de taxas de câmbio, e apro-
10 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
ximadamente 75% maiores em termos de
poder de compra.
Embora o cenário político possa influenciar no desempenho econômico do Brasil,
não há como ignorar a relevância econômica deste país e a importância das suas
gerações futuras; não só como tradicional
fornecedor de matérias-primas, mas também na perspectiva do seu crescente mercado consumidor e sua influência sobre
toda a região americana; ao menos latino
americana.
Como vê o futuro relacionamento empresarial entre o Ceará e Portugal?
Temos espectativa que poderemos continuar incrementando as relações econômicas e empresariais entre Ceará e Portugal
através de iniciativas como a missão empresarial que realizaremos em novembro
a Portugal, a exemplo de tantas outras
ações que empreendemos no âmbito da
nossa CBP-CE; ou, porque não dizer: da
Federação das Câmaras Portuguesas de
Comércio no Brasil.
Contudo, disto tudo depende o entusiasmo, o empreendedorismo e a sensibilização de empresários portugueses e cearenses. Em verdade, falando sinceramente,
não podemos nos abalar com as intempéries do tempo ou as oscilações dos ciclos
econômicos.
Precisamos unir trabalho, inteligência e
perspicácia para contornar as eventuais
dificuldades que sempre virão, mas sempre mirando no futuro. Afinal, se fosse
fácil, todo mundo o faria. Precisamos fazer diferente – inovar – e, com isto, gerar
emprego e renda para nossos concidadãos
num ambiente de cooperação econômica
em todos os níveis. ‹
O estado do Ceará foi o que maior grau de
investimentos recebeu de pessoas que investiram pessoalmente no Brasil no primeiro trimestre do corrente ano, superando o próprio
estado de São Paulo. Os estrangeiros que mais
investiram em termos pessoais no país foram
os italianos, seguidos pelos espanhóis, chilenos, portugueses e franceses.
Já no que respeita à posição dos nove estados
brasileiros da região nordeste, é de destacar
que o Ceará foi que mais arrecadou, seguindo-se a Bahia, Rio Grande do Norte e Pernambuco.
Já no que respeita à autorização de licenças
de trabalho no Ceará, sobressai os trabalhadores sul-coreanos, em virtude da construção
da obra da Siderúrgica do Pecém, seguindo-se
os italianos, os portugueses, os espanhóis e os
norte-americanos. ‹
Vinhos portugueses
promovem-se no Brasil
A ViniPortugal e a Academia Vinhos de Portugal, acabaram de realizar novos
roadshows e degustações de vinhos portugueses em várias cidades brasileiras.
No caso da ViniPortugal, a mostra dos vinhos lusos começou na cidade de São
Paulo, onde também se realizou um seminário sob o tema “Vinhos de Portugal
– Colheitas Antigas”, seguindo depois para apresentações nas cidades de Florianópolis, Curitiba, Ribeirão Preto e Vitória. Já no que respeita à Academia Vinhos de
Portugal, promoveu os néctares lusos nas cidades de Natal, Porto Alegre, Recife,
Brasília, Belo Horizonte e Florianópolis. ‹
Brasil outra vez com
superavit comercial
O Brasil voltou a ganhar terreno na balança comercial com Portugal, atingindo
no acumulado dos primeiros sete meses do corrente ano um superavit de 45,5
milhões de dólares, ou seja, a diferença entre os 737 milhões de dólares exportados nos primeiros sete meses de 2014 pelo Brasil para Portugal, em comparação
com os 691,5 milhões de dólares que Portugal exportou no mesmo período para
o Brasil. As exportações brasileiras neste período subiram 35,7% face ao período
homólogo do ano passado, enquanto as exportações portuguesas para o mercado
brasileiro apenas cresceram apenas 26% no mesmo período. As principais exportações portuguesas para o Brasil foram gás natural liquefeito (18,5%), azeite
(16%), bacalhau (7%), componentes de aviões e helicópteros (6,8%) e fornos industriais (5,9%). ‹
Escola
Portuguesa
vai nascer
em São Paulo
O ministro português da Educação, Nuno Crato, assinou com o seu homólogo brasileiro um
memorando de entendimento com vista à constituição de escolas portuguesas no Brasil. Neste
momento está já prevista a construção de uma
primeira escola na cidade de São Paulo, mas o documento abre caminho para que possam no futuro ser criadas escolas noutros estados brasileiros.
Articulado com a visita do ministro português,
também o próprio secretário de Estado português do Ensino e da Administração Escolar, João
Casanova de Almeida, assinou em São Paulo com
o secretário Estadual da Educação um protocolo
que dará início aos procedimentos para a criação
da escola portuguesa em São Paulo.
Na sua visita ao Brasil, Nuno Crato, encontrou-se
também com o ministro brasileiro para a Ciência, com quem discutiu a realização do Centro
Unesco-Comunidade dos países de Língua Portuguesa. ‹
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 11
› LUSOFONIA › Brasil
Galp Energia
faz nova descoberta no Brasil
Mota-Engil ganha
obras no Brasil
O grupo português de construção Mota-Engil ganhou a
obra da duplicação da BR-101 num trecho no estado da
Bahia, um contrato cujo valor para a componente participada pelo grupo português ascende a 70 milhões de euros.
A Mota-Engil possui 48,75% do valor da obra adjudicada
ao consórcio, que terá uma extensão de 83,58 quilómetros.
Recorde-se que em Agosto do ano passado, a Mota-Engil
tinha já obtido no Brasil a obra de construção de um projeto rodoviário em Minas Gerais, no valor de 165 milhões
de euros.
Para além do projeto na Bahia, o grupo construtor nacional anunciou também que venceu outras obras na América Latina, nomeadamente um contrato de 230 milhões
de euros para a construção do metro de Guadalajara, no
México, bem como um contrato de obras de modernização do Porto de Talara, no Perú, no valor de 20 milhões
de euros. ‹
Vista Alegre cria loja online
A Vista Alegre Atlantis, empresa portuguesa produtora de peças de porcelana e de
cristal, decidiu criar até Abril do próximo ano uma loja online virada especialmente
para o mercado brasileiro, mercado que já constitui presentemente um dos de maior
importância para a companhia portuguesa.
No primeiro semestre deste ano, a Vista Alegre Atlantis faturou 9,6 milhões de euros
em Portugal, 3,8 milhões de euros na Alemanha, 3,4 milhões de euros em Espanha,
1,55 milhões de euros na Holanda, e 1,5 milhões de euros no Brasil. No mercado
brasileiro, as vendas da empresa cresceram 29% face ao período homólogo. Em termos globais, as vendas da empresa aumentaram 9,7% face ao mesmo período do
ano passado. ‹
Teixeira Duarte
cresce no Brasil
A construtora portuguesa Teixeira Duarte anunciou que duplicou o seu volume de
negócios obtido no primeiro semestre deste ano no Brasil, gerando receitas neste
mercado na ordem dos 75,7 milhões de euros, um crescimento de 114% face ao
mesmo período do ano anterior.
O mercado brasileiro foi o que mais cresceu nos negócios globais da Teixeira Duarte,
mas o Brasil ainda representa apenas 10% do volume global de negócios da construtora portuguesa, superado pela importância dos mercados português, angolano e
venezuelano, respetivamente.
De referir, que o volume de negócios consolidado da Teixeira Duarte no primeiro
semestre foi de 758,7 milhões de euros, um aumento de 3,3% face ao período homólogo. Já os resultados líquidos atingiram os 42,5 milhões de euros, bem superiores
aos 8,9 milhões de euros atingidos em 2013. ‹
12 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
Semapa vai
inaugurar
fábrica
de cimento
no Paraná
O grupo brasileiro Supremo, participado
em 50% pelo grupo português Semapa (que
detém a Secil) vai inaugurar até ao final do
presente ano, uma nova fábrica de cimento
situada em Adrianápolis, no estado do Paraná (sul do Brasil).
Representando um investimento de quase
241 milhões de euros, a nova unidade produtora de cimento elevará a capacidade produtiva do grupo Supremo no Brasil para cerca
de 1,5 milhões de toneladas.
De referir que a Semapa informou no seu relatório semestral de atividade que o volume
de negócios globais do grupo no primeiro semestre deste ano atingiram os 977 milhões
de euros, sendo provenientes em 80% fora
de Portugal. O lucro liderado por Pedro Queiroz Pereira obteve neste período um resultado líquido de 47,8 milhões de euros, mais
21,8% do que em igual período de 2013. ‹
A Galp Energia, parceira do consórcio para a
exploração do Bloco BN-S-24, informou que
os resultados preliminares efetuados no poço
conhecido como Apollonia confirmaram a
presença de hidrocarbonetos e a extensão da
descoberta de Júpiter no pré-sal da bacia de
Santos.
Apollonia é o quarto poço a ser perfurado na
área de Júpiter, localiza-se em águas ultraprofundas, a uma profundidade de 2.183 metros,
distando 296 quilómetros do litoral do Rio de
Janeiro.
A Galp Energia, através da sua subsidiária
Petrogal Brasil, detém uma participação de
20% no consórcio que explora este bloco BMS-24, cabendo 80% à Petrobras. A petrolífera
portuguesa detém também participações em
outros três blocos, respetivamente, no BM-S11 (10%), BM-S-8 (14%) e BM-S-21 (20%). ‹
Gema participou
no Museu Pelé
Sagres
‘ataca’ Brasil
A tecnológica portuguesa Gema foi a responsável pela componente interativa do recém inaugurado Museu Pelé, na cidade de Santos, litoral do estado
de São Paulo. Segundo explicou em comunicado Luís Agrellos, partner da
Gema, “o Museu Pelé é um projeto ambicioso, liderado por uma equipa que
tenciona que esta seja uma das principais atrações da cidade de Santos”.
Para além deste projeto no brasil, a Gema esteve associada em Portugal com
a sua participação no Museu do Chocolate, em Viana do Castelo, e no “World
of Discoveries”, no Porto. A empresa conta com 35 trabalhadores e registou
no ano passado uma faturação de dois milhões de euros, tendo escritórios
em São Paulo e em Luanda. ‹
A Sociedade Central de Cervejas (portuguesa) e a Heineken Brasil iniciaram a laboração de uma cerveja
Sagres especificamente criada para o mercado brasileiro. Segundo um comunicado da empresa portuguesa, esta refere que “está já a produzir no Brasil, numa
unidade da Heineken Brasil, para ser comercializada
para já no Rio de Janeiro”. Essa cerveja, adianta a fonte, será a “cerveja premium Sagres Clássica” e que foi
desenvolvida “pelo mestre cervejeiro da SCC e pelo
seu homólogo brasileiro da Heineken Brasil”. ‹
Carbon by Gold cresce no mercado brasileiro
A Carbon by Gold, marca da empresa BOLD International e especialista no desenvolvimento de soluções mobile, acabou de cimentar
a sua posição no mercado brasileiro através do desenvolvimento da solução mobile “Clube do Assinante” para a revista CARAS Brasil.
Segundo avançou Carlos Gamito, Business Manager da Carbon by Gold, «este projeto apresenta um potencial de 2 milhões de utilizadores no Brasil e acompanha a diversificação da nossa operação neste mercado onde a mobilidade está em franca expansão». Ainda
segundo aquele responsável da empresa, «a exportação de tecnologia para o mercado da América do Sul tem permitido não só o crescimento do negócio, mas também a possibilidade de exportar experiências e casos de sucesso que permitem a prestação de um serviço de
excelência aos nossos clientes».
De referir que a BOLD International é uma consultora em Tecnologias de Informação e Telecomunicações, com sede em Lisboa e em São
Paulo, possuindo também um escritório em Aveiro. A empresa conta atualmente com 250 colaboradores. ‹
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 13
› NOTÍCIAS
› A ABRIR
Subindo
na Pirâmide
Nuno Campos
É o novo responsável da Saphety para o
mercado mexicano, onde a tecnológica
ANTÓNIO PIRES DE LIMA
portuguesa acabou de ser seleccionada
O Ministro da Economia tem sido um
dos principais arautos da resistência
ao aumento de impostos que setores
do governo pretendem lançar. Seria
um agravamento das condições de
funcionamento da economia nacional e
tornaria mais difícil a vida das empresas.
O responsável da pasta da economia
também desenvolve um verdadeiro
trabalho de formiga na captação de novos
investimentos para Portugal. ‹
pela GS1 México para implementar as
soluções de sincronização de dados
através do SaphetySinc. O negócio, é
válido para cinco anos e representará dois
milhões de euros de receitas, consolidação
do processo de internacionalização da
empresa portuguesa, que entrou também
recentemente na Rússia. ‹
João Pais
É o novo IT Executive Adviser Manager
da IDC, empresa líder mundial na área de
Market Intelligence, serviços de consultoria
e organização de eventos para os
mercados das Tecnologias de Informação,
Telecomunicações e Eletrónica de Consumo.
O novo elemento terá a responsabilidade
pela introdução em Portugal de um novo
conjunto de serviços de consultoria e
research. ‹
Efapel vai construir nova fábrica na Colômbia e melhora
resultados no primeiro semestre
Exportações contribuíram
para os resultados
A Efapel, maior fabricante português de aparelhagem elétrica de baixa tensão, e líder de
mercado em Portugal no setor registou no primeiro semestre deste ano uma faturação
de 12.9 milhões de euros, o que representou um crescimento de 3,4% face ao período
homólogo de 2013.
As exportações, que representam 30% do volume de vendas da empresa de Serpins
(Coimbra), contribuíram para os resultados positivos alcançados com um aumento de
cerca de 4%, com um mais forte contributo do mercado intracomunitário, que ajudou as
vendas da empresa ao exterior a crescer 9%. Os mercados russo e ucraniano, ao contrário,
contribuíram para uma diminuição na ordem dos 3,6% nas vendas extra-comunitárias.
A Efapel continua a investir em novos produtos e equipamentos, pelo que ao longo do
presente ano, a empresa liderada por Américo Duarte investirá nessa matéria cerca de 3
milhões de euros.
Por outro lado, a empresa portuguesa também se prepara para investir numa unidade
industrial de raiz na Colômbia, onde investirá cerca de 7 milhões de euros. ‹
Sonae Sierra
chega a Moscovo
Nuno Oliveira
É o novo Diretor de Recursos Humanos da
seguradora Zurich em Portugal. O novo
responsável da seguradora suíça no nosso
país sublinha tratar-se de um grande
desafio passar a trabalhar num grande
grupo internacional, e que em Portugal já
desenvolve a sua atividade desde 1918. ‹
14 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
A Sonae Sierra assinou um acordo de ‘joint-venture’ com a imobiliária russa OST Development para o fornecimento de serviços no país, sendo que o primeiro empreendimento que a empresa liderada por Paulo Azevedo vai gerir será o shopping Mozaica, em
Moscovo.
Com abertura prevista para o final deste ano, o Mozaica terá mais de 210 lojas, e contará
com 2.500 lugares de estacionamento. Os serviços será feitos pela EMEA Sierra Services,
uma participada da Sonae Sierra, e segundo José Falcão menos, diretor da empresa portuguesa, «este contrato com a OST Development é um passo importante para o crescimento
da nossa atividade de prestação de serviços no mercado russo, e confirma a procura de
serviços exclusivos especializados no país». ‹
Renova e Galp Energia
estabeleceram parceria
em Espanha
A Renova e a Galp Energia estabeleceram uma parceria ibérica que procura sinergias na
utilização conjunta das duas marcas. Presentes em Portugal e em Espanha, há já mais de
duas décadas, ambas as marcas foram gradualmente caminhando para a iberização, o que
acarretou importantes desafios na resposta a esta nova dimensão de mercado.
Nesta parceria, as duas empresas vão atuar em novas decorações nas casas de banho de
áreas de serviço em Portugal e Espanha ou expositores com uma seleção de produtos da
gama mais recente da Renova – Red Label – criados para a rede de lojas Tangerina, da
Galp Energia, numa iniciativa que atingirá 15 áreas de serviço, nos eixos rodoviários mais
importantes que ligam os dois países ibéricos.
A parceria foi apresentada na presença de Paulo Pereira da Silva, presidente da Renova,
e por Luís Palha da Silva, vice-presidente da Galp Energia. A petrolífera dispõe de cerca
de 600 postos em Espanha e 700 em Portugal, enquanto no que respeita à Renova, neste
momento cerca de 50% do seu volume de negócios provém dos mercados externos. ‹
JOÃO FRANCO
O Presidente da Administração dos Portos
de Sines e do Algarve continua a consolidar
e expandir as infraestruturas do maior
porto português (Sines), de que é exemplo
a colocação de novos pórticos no Terminal
XXI, o terminal de contentores que ajuda a
colocar o porto do litoral alentejano entre os
trinta maiores portos da Europa. ‹
Certif aumenta
carteira de clientes
A Certif – Associação para a Certificação, líder de mercado em Portugal na certificação
de produtos e serviços, aumentou no primeiro semestre deste ano o número de clientes,
alargou as suas áreas de reconhecimento internacional, e iniciou também a primeira avaliação para uma Declaração Ambiental de Produto. Os setores da construção e elétrico e
telecomunicações foram os que mais contribuíram para o dinamismo na procura ao nível
de esquemas de certificação disponíveis. A atividade da Certif estende-se já a 25 países, e
a faturação fora de Portugal representa 45% do total. É de sublinhar que neste primeiro
semestre, a Certif foi avaliada e reconhecida ao nível dos Emirados Árabes Unidos para a
certificação de vários produtos no âmbito da segurança contra incêndio. ‹
AMÉRICO DUARTE
O Presidente da Efapel prossegue a
estratégia de consolidação da componente
internacional da empresa de Serpins
(Coimbra), o que tem permitido aumentar as
exportações bem como será futuramente
materializada com um investimento
industrial na Colômbia para atender a todo
o mercado latino-americano. ‹
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 15
› GRANDE ENTREVISTA
Paulo Salgado, CEO da Olicargo, cresce em Portugal e nos mercados internacionais
«Queremos ser
o número um da
logística em Portugal»
Sustentabilidade constitui talvez a palavra-chave para descrever o percurso da Olicargo,
empresa que já é presentemente um dos principais operadores logísticos em Portugal.
Com sede em Perafita (Matosinhos), a Olicargo abriu já este ano na Covilhã e adquiriu
uma nova plataforma logística em Póvoa de Santa iria (Lisboa). Paulo Salgado, CEO
da Olicargo, recebeu a PAÍS €CONÓMICO na sede da empresa, e traçou o percurso,
ainda breve, mas já muito significativo da nova gestão à frente dos destinos da Olicargo.
A expansão em Portugal vai passar pela nova plataforma logística de 20.000 m2 da
empresa na Trofa, mesmo junto à A3, um investimento de quase 15 milhões de euros a
realizar até ao final de 2017. Em termos internacionais, a Olicargo possui uma presença
já significativa em África, com empresas em Angola, África do Sul e em Moçambique.
Consolidar estas presenças é a estratégia a seguir no continente, embora a empresa
não descarte a possibilidade de acompanhar algum dos seus clientes noutro país
africano. Estar em França, como está a Olicargo, é estar no centro da Europa e do país
que possui um forte historial ligado ao setor petrolífero, justamente um setor onde a
Olicargo desenvolveu especiais competências, aliás reconhecidas pelos seus inúmeros
clientes no setor. Este ano, o grupo deverá em termos consolidados ultrapassar os 30
milhões de euros de volume de negócios, mas Paulo Salgado que adquiriu conjuntamente
com Miguel Silva a Olicargo em Janeiro de 2012 pretende prosseguir o crescimento da
empresa e não tem dúvidas em proclamar que o objetivo a médio/longo prazo é ser o
O
número um da logística em Portugal.
TEXTO › JORGE ALEGRIA | FOTOGRAFIA › RUI ROCHA REIS E CEDIDAS PELA OLICARGO
transporte de todas as peças
metálicas produzidas pela empresa portuguesa Martifer para
as coberturas dos estádios de futebol de
Manaus (Brasil) e Jeddah (Arábia Saudita)
constituíram dois momentos marcantes
da atividade desenvolvida pela Olicargo
em 2013 e que contribuíram para o crescimento contínuo e sustentado da empresa
com sede em Perafita.
A realização destas duas operações, «assim como várias de grande complexidade,
só puderam acontecer porque a Olicargo
16 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
traçou uma estratégia em que uma das
nossas principais componentes foi o desenvolvimento de competências específicas no que designamos como projetos
especiais. Ou seja, pouco depois de entrarmos na empresa, o que ocorreu em Janeiro de 2012, verificámos a existência um
conjunto de clientes com necessidades logísticas bastante especializadas e que a generalidade das empresas portuguesas do
nosso setor nunca desenvolveu enquanto
área estratégica da sua atuação. A Olicargo
interessou-se e desenvolveu esse segmen-
to de negócio, dotando-se de um departamento específico denomindado “Cargo
Project”, com recursos humanos, fisicos e
tecnológicos para prestar esse tipo de serviços aos nossos clientes. As operações de
transporte que mencionou relativamente
às estruturas e equipamentos para as coberturas dos estádios de futebol nas cidades de Manaus e de Jeddah, que foram
muito complexas, mas correram de forma
perfeita, corresponde justamente ao perfil
estratégico concebido e implementado na
Olicargo», sublinhou Paulo Salgado.
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 17
› GRANDE ENTREVISTA
A aquisição da Olicargo
No entanto, o empresário e gestor aproveitou para relembrar o período de aquisição
da empresa, que aconteceu em Janeiro
de 2012. «A Olicargo era uma pequena
empresa de logística com 30 anos de existência, com instalações em Perafita, e com
mais um pequeno escritório em Lisboa.
Antes da nossa entrada tinha apenas 13
colaboradores e faturava anualmente cerca de três milhões de euros. Mas, gostaria
de frisar esse aspeto, era uma empresa
conhecida e bastante respeitada no mercado, por isso tomámos a decisão de a
adquirir».
Prosseguindo, Paulo Salgado refere que
investiram 2,5 milhões de euros na aquisição da Olicargo, e que «praticamente
nos primeiros seis meses procedemos à
reorganização completa da empresa, que
passou entre outros aspetos pela sua completa informatização, além naturalmente
de termos estabelecido uma nova estratégia de desenvolvimento e crescimento
da Olicargo, tanto em Portugal como no
domínio da internacionalização, onde
avançámos em Setembro desse mesmo
ano quando decidimos corresponder aos
desafios de alguns dos nossos clientes e
apresentámos na ANIP em Angola o nos-
so processo de investimento na criação da
Olicargo Angola».
A entrada no mercado angolano, assim
como noutros mercados africanos – África do Sul e Moçambique – deveu-se sobretudo aos clientes que a Olicargo possui no
setor da energia, com destaque natural
para o segmento petrolífero, onde somos
especialistas.
Angola é um mercado em crescimento «e
a nossa presença tem crescido de uma forma notável e sustentada, acompanhando
o crescimento da economia e dos nossos
clientes.
No presente, temos escritórios em Luanda
e no Lobito, onde prestamos todo o apoio
às operações de logística e transporte em
que nos envolvemos no país, nos seus fluxos de inbound e outbound. Estar junto
com os nossos clientes é a missão traçada
pela Olicargo e para onde nos chamam,
nós estamos presentes», enfatizou Paulo
Salgado.
A expansão em África
E se assim aconteceu em Angola, o mesmo se passou depois na África do Sul,
com escritório na Cidade do Cabo) e em
Moçambique, onde a empresa possui escritórios nas cidades de Maputo, Beira e
Nacala. A estratégia seguida nestes dois
países foi similar à prosseguida em Angola, isto é, seguiu o trilho empreendido por
clientes do setor petrolífero que estabeleceram atividades em ambos os países da
África Austral.
Questionado se a Olicargo pondera avançar para algum outro país de África, o responsável executivo da empresa portuguesa admite essa possibilidade «se para tal
formos solicitados pelos nossos clientes»,
mas prefere sublinhar que nesta altura
a prioridade estratégica passa essencialmente pela consolidação e expansão da
18 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
atividade nos três países onde a marca
Olicargo já está implantada.
Outro pilar essencial no domínio da internacionalização aconteceu com a criação do
escritório em Paris (França). «Como sabe,
a França sempre desempenhou um papel
muito relevante na indústria petrolífera
mundial, o que aliás continua a acontecer,
além de que o posicionamento do território francês no contexto europeu favorece
as operações que se realizam neste setor.
Portanto, para nós, estar em França constituía também um elemento estratégico na
visão e na assunção das operações globais
da Olicargo no que ao setor petrolífero
diz respeito, e devo salientar que estamos
bastante satisfeitos com a opção tomada»,
referiu Paulo Salgado.
Todavia, se é certo que o mercado externo
já será responsável por cerca de 50% do
volume de negócios da Olicargo, o mercado português continua a constituir um
elemento essencial não apenas no presente, mas também no futuro da empresa.
Crescimento em Portugal
Um presente que assenta num passado
recente de forte expansão de infraestru-
turas e de aumento de negócios. Já este
ano a empresa abriu a delegação da Covilhã, onde conquistou um conjunto de
clientes da área têxtil, setor económico
predominante naquela zona da Beira Baixa. «O setor têxtil é muito forte na região,
aliás, a própria Inditex possui ali vários
fornecedores, e a Olicargo com as suas
competências logísticas veio acrescentar
valor aos nossos clientes, tendo sido de
fundamental importância estarmos fisicamente próximo deles. Constituímos uma
equipa profissional e com muitos anos de
experiência na Covilhã e o negócio possui
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 19
› GRANDE ENTREVISTA
todas as condições para se afirmar e crescer», mencionou Paulo Salgado.
O CEO da Olicargo aponta igualmente
para o «forte processo de crescimento da
nossa operação em Lisboa. Lembro o que
referi atrás de que quando comprámos a
Olicargo, a empresa possuía apenas um
pequeno escritório no Prior Velho, em
Lisboa.
Entretanto, surgiu a oportunidade de adquirirmos em Póvoa de Santa Iria uma
plataforma logística moderna e dotada do
que há melhor no mercado, o que veio a
acontecer em Maio deste ano, transferindo todas as nossas operações na zona sul
possibilitando um crescimento exponencial da atividade da Olicargo na região sul
do nosso país. As novas instalações estão
funcionais desde Maio do presente ano,
possuem uma área de elevada dimensão
e onde a empresa pretende alargar os
serviços logísticos disponibilizados aos
clientes.
Nova Plataforma Logística
na Trofa
Mas, se houve crescimento no interior e
no sul do país, a Olicargo prepara-se para
revolucionar as suas instalações no norte
de Portugal. Segundo Paulo Salgado, a empresa adquiriu uma área de 72,000 m2 na
nova zona logística da Trofa e aí já está a
construir as suas novas e principais instalações em Portugal.
O presidente executivo da Olicargo espera
que até ao final do presente ano estejam
finalizadas as obras de construção da 1ª
fase da nova plataforma logística da empresa, num investimento estimado entre
os 14 e os 15 milhões de euros até final
de 2017. A obra está a cargo da Martifer,
«que consideramos um grande parceiro
da Olicargo, pois não só é nosso cliente
em operações de grande importância,
precisamente como aquelas que mencionou no início desta entrevista, ou seja, o
transporte completo das estruturas para
os estádios de futebol que a empresa construiu em Manaus no Brasil e em Jeddah
na Arábia Saudita, entre outros, como estendemos agora essa parceria com a adjudicação da nossa parte para a Martifer
construir as nossas novas instalações na
Trofa, que ocuparão uma área com 300
metros de frente para a Autoestrada Porto-Valença (A3)».
Deste modo, se tudo correr como o previsto, a partir do início do próximo ano,
toda a operação da Olicargo na zona norte
do país será transferida de Perafita para a
Trofa, onde a empresa espera criar cerca
de novos 50 postos de trabalho, «muitos
deles naturalmente de pessoas da própria
região onde passaremos a laborar», refere
Paulo Salgado.
Recursos humanos
altamente qualificados
Aliás, os recursos humanos sempre estiveram na preocupação da empresa, «pois
sentimos uma enorme responsabilidade
sempre que convidamos pessoas para se
juntarem ao projeto da Olicargo. A nossa
empresa está a desenvolver um projeto
sustentado e de desenvolvimento, e desejamos sempre os melhores profissionais para trabalharem connosco. Por isso,
praticamente temos contratado três ou
20 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
quatro pessoas por mês, e sublinho que
quando contratamos um colaborador ele
entra para os quadros da empresa. A Olicargo possui hoje contratos globais mais
de 150 colaboradores, dos quais cerca de
50 em Angola, e como referi anteriormente, contamos contratar outros 50 para a
nossa nova plataforma da Trofa. A Olicargo está comprovadamente a contribuir
para a geração de emprego em Portugal,
fruto do nosso crescimento sustentado e
da importância que damos às pessoas enquanto fator fundamental para podermos
prestar um serviço da mais alta qualidade
aos nossos clientes», enfatizou o CEO da
empresa.
Crescimento que tem sido exemplarmente expresso no próprio volume de negócios registado pela Olicargo.
Em 2013, só em Portugal, as receitas consolidadas atingiram os 20 milhões de euros e este ano, contando com o reforço da
operação em Angola «deveremos ultrapassar os 30 milhões de euros», informou
o gestor.
No entanto, a empresa não quer ficar por
aqui e pretende manter um ritmo de forte crescimento. «Os contratos já firmados
com importantes empresas para os próximos três anos, assegura-nos uma perspetiva consolidada de crescimento para os
próximos anos. A Olicargo pretende vir
a ser o número um da logística em Portugal, o que não será fácil pois operamos
num mercado altamente competitivo e
com boas empresas no setor, mas a nossa ambição, assente na visão estratégica
implementada, nas competências desenvolvidas e sobretudo na riqueza dos recursos humanos altamente qualificados de
que dispomos, então, estamos seguros de
que o caminho que estamos a trilhar nos
levará a um patamar cada vez de maior
sucesso e de criação de riqueza para a
empresa e para o próprio país», finalizou
Paulo Salgado. ‹
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 21
› LUSOFONIA › África
Portugal é o principal investidor
em Moçambique
O
Vice-Primeiro Ministro Paulo Portas visitou no final de
Agosto 50ª edição da Facim, o principal certamente empresarial que se realiza em Moçambique, no qual estiveram representadas 50 empresas no Pavilhão de Portugal, embora
a representação portuguesa no certame se elevasse a quase 150
empresas. Esta representação empresarial lusa, segundo Paulo
Portas, aponta para o facto de «Moçambique ser cada vez mais
um país decisivo nas relações económicas de Portugal», lembrando de seguida que existem cerca de 2.700 empresas portuguesas a
trabalhar no mercado moçambicano.
Lembrando também que o país da África Austral de língua portuguesa vive um momento de forte expansão económica «com
crescimento acima dos 7%», o governante sublinhou que «nós
Portugal
coopera com
S. Tomé e Príncipe
O Governo português aprovou o acordo de cooperação
entre Portugal e São Tomé e Príncipe no domínio da
fiscalização conjunta de espaços marítimos que estejam
sob a jurisdição de São Tomé. Segundo comunicado do
governo português, “este acordo estabelece as bases das
acções de patrulhamento conjunto dos espaços marítimos sob soberania ou jurisdição da República Democrática de São Tomé e Príncipe, e tem por objetivo contribuir para a segurança e o combate às referidas ameaças
nesses espaços”.
22 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
portugueses queremos ser parte desse desenvolvimento, podemos auxiliar e estabelecer parcerias muito relevantes em muitos
domínios», adiantando que em 2013 as exportações portuguesas
para Moçambique aumentaram 13%, sendo certo que as importações também cresceram.
Sobre a sua presença na Facim, Paulo Portas aproveitou para referir que «considero muito importante dar apoio às muitas empresas portuguesas e luso-moçambicanas presentes, sendo a maior
representação externa nesta grande feira que é a Facim», para
ainda adiantar que «é essencial para a economia portuguesa continuar a crescer o ritmo das exportações e da internacionalização
para mercados que lhe são próximos, mas também tão competitivos, como é o caso de Moçambique». ‹
Skyna Hotels
vai chegar a Portugal
A Skyna Hotels, cadeia hoteleira com presença em Angola, escolheu Portugal como o primeiro país para iniciar o seu processo de internacionalização, estando prevista a inauguração da primeira unidade em Lisboa no
mês de Março do próximo ano.
Pertencente ao Grupo Socinger, o Skyna Hotel Luanda surgiu em 2009, e
em 2015 surgirá o Skyna Hotel Lisboa, uma moderna unidade de quatro
estrelas, e que apostará como um espaço privilegiado no aprofundamento
das relações estratégicas, comerciais e de negócios entre Portugal e Angola, embora esteja naturalmente aberto a todos os clientes de qualquer
nacionalidade. Segundo o grupo, o hotel em Lisboa será um elemento
importante no “intercâmbio cultural e de negócios privilegiado entre Angola e Portugal”. ‹
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 23
› EMPRESARIADO
João Ribeiro, Managing Partner da MERCAL Consulting Group
«Ajudamos as empresas
a serem mais fortes
e competitivas»
Criada em 20 de março de 1996, a Mercal tem vindo a afirmar-se como um grupo de
consultoras internacionais especializados nas áreas de Consultoria Estratégica, Gestão
e Marketing, e Fusões e Aquisições, desenvolvendo relações continuadas com os seus
inúmeros parceiros, assentes na confiança e num trabalho altamente qualificado,
capaz de promover o crescimento dos seus negócios, a nível nacional e internacional.
Em entrevista que concedeu à PAÍS €CONÓMICO, João Ribeiro, Managing Partner e
também fundador da Mercal, referiu que, desde a sua fundação, esta empresa tem tido
uma atitude de adaptação às necessidades que as empresas e organizações revelam
ao nível de recursos, capacidades e competências. «Ao longo destes dezoito anos, a
nossa atividade ajustou-se um pouco às características do mercado e do crescimento
económico. Tivemos que nos que adaptar à evolução do próprio mercado, no ponto
de vista das exigências que foram surgindo e, simultaneamente, providenciar uma
evolução ao nível da nossa oferta em termos de serviços, para conseguirmos ser cada
vez mais atrativos nos mercados onde estamos presentes», sublinhou João Ribeiro
que reconheceu, nesta entrevista, existir hoje um espírito muito aberto da parte dos
empresários portugueses para a internacionalização. «Este é, nos tempos que decorrem,
um imperativo das nossas PME».
S
TEXTO › VALDEMAR BONACHO
egundo João Ribeiro, o percurso da
Mercal tem vindo a ser marcado
por vários períodos. «Entre 1996 e
2000, por exemplo, a Mercal estava muito
orientada para os investimentos diretos
dos seus clientes. Isto é, apoiava as empresas nacionais na identificação e receção de
parceiros com vista à internacionalização,
que nos primeiros anos visava essencialmente os designados PALOP, incluindo
o Brasil. Na altura, Moçambique e Angola viviam períodos conturbados devido
à guerra civil, e a nossa preocupação era
promover mercados como a Guiné-Bissau
(que na altura não estava sujeita aos efeitos da guerra) e Moçambique (que já estava a dar alguns sinais de recuperação), nomeadamente no âmbito das privatizações
24 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
| FOTOGRAFIA › RUI ROCHA REIS
das empresas que até então estavam sob a
alçada do Estado. Reconhecemos que este
foi um período interessante para a Mercal,
porque entre outros desenvolvemos grandes projetos na área das infraestruturas,
dos transportes aéreos e marítimos, agricultura, turismo, e também na deslocalização de empresas», referiu o Managing
Partner da Mercal, que após uma breve
pausa, prosseguiu o seu esclarecimento.
Apoiar as empresas nacionais
nas exportações
«Entretanto, chega-se a 2000 e nós pensámos um pouco em capitalizar as nossas
referências no âmbito do segmento das
PME, e aqui, como eu digo, muitas vezes
estas empresas exibem diversas lacunas
ao nível da gestão e, da nossa parte, houve sempre uma preocupação em ajudá-las
na sua modernização, de forma a torná-las mais aptas e competitivas. E foi a
partir daí que desenvolvemos, não só no
âmbito deste novo posicionamento, uma
atuação mais alargada junto destas empresas, e simultaneamente começámos a
dar resposta a todas a necessidades que
as empresas apresentavam. Em 2004
abrimo-nos a um grupo internacional, a
Independent Management Consultancies
Nerwork (IMCN), porque a Mercal precisava muito de apoiar as empresas nacionais ao nível da exportação, o que nos
permitiu estabelecer e deter escritórios
associados em todos os países da União
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 25
› EMPRESARIADO
Europeia, e também estabelecer relações
com empresas que já tinham e têm ainda vários processos noutros continentes,
nomeadamente na América do Norte e na
China. Esta medida permitiu-nos prover
o apoio ao nível da exportação (mais de
80 por cento das nossas exportações e do
nosso comércio internacional era intracomunitário), e simultaneamente ganhar
know-how, experiência, e implementar
procedimentos que todas estas consultoras detêm, no sentido de garantir uma
uniformização na prestação dos serviços»,
refere João Ribeiro, acrescendo que, nesse
mesmo ano, e por esta razão, a Mercal foi
certificada pela Norma da Qualidade NP
26 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
EN ISO 9001, «isto com vista a nos tornarmos uma empresa ainda mais organizada e prestadora de melhores serviços a
preços mais baixos», realçou o Managing
Partner desta prestigiada consultora.
Oferta formativa do Instituto
da Empresa - Mercal
No entender de João Ribeiro, a conquista
da ISO 9001 pela Mercal representou uma
mais-valia para a empresa, mas importante foi também o facto de a empresa ter obtido em 1999 a acreditação como entidade
formadora, junto do IQF – Instituto para
a Qualidade da Formação (atual DGERT),
tendo deste modo sido criado em 2009 o
Instituto da Empresa, que tem permitido
à Mercal desenvolver de uma forma autónoma e independente, a oferta de programas de formação profissional, educação
empresarial, coaching e Interim Management. Através do Instituto da Empresa e
ao nível académico, a Mercal coloca atualmente à disposição um extenso leque de
cursos, licenciaturas, MBA e mestrados, e
ministrados, sob o regime de formação à
distância e que são promovidos por prestigiadas universidades inglesas. «Dentro
do nosso espírito inovador, esta foi mais
uma área que decidimos criar de forma
a separá-la um pouco da consultoria, porque a formação tem de ser cada vez mais
especializada. Como nós desenvolvemos
sobretudo processos de planeamento estratégico e fazemos ainda a implementação nas organizações, a formação destina-se sobretudo ao alinhamento da gestão e
dos seus colaboradores, assegurando o reposicionamento junto dos seus mercados
alvo de atuação», sublinhou João Ribeiro.
As áreas fundamentais
da Mercal
Neste momento a Mercal é chamada a intervir em três áreas fundamentais como:
Consultoria em Estratégia e Gestão;
Apoio à Internacionalização; e Fusões
& Aquisições. «A área de apoio à Interna-
cionalização foi dimensionada em função
das necessidades dos clientes e da necessidade da cobertura ao nível dos mercados, através da nossa rede internacional,
e, portanto, está patente nos mercados
onde nós estamos presentes e também
nos mercados onde os nossos associados
estão presentes», referiu João Ribeiro que
justificaria a seguir a existência no seio da
Mercal da área de Fusões & Aquisições.
«Há alguns mercados onde o molde de
entrada não é criar uma empresa de raiz,
mas entrar via aquisição de empresas já
existentes. Porquê? Porque todas as formalidades que são necessárias até que a
empresa reúna as condições para exercer
a sua atividade, faz com que a empresa tenha uma entrada mais fraca face à
aquisição de uma empresa local. E para
isto nós tivemos também que desenvolver a metodologia associada à compra e
venda de empresas, e com vista ao futuro
começámos igualmente a desenvolver em
Portugal ações que visem captar parceiros
estratégicos para as empresas nacionais,
a fim de, também, optar-se pelo financiamento desejado para que possam desenvolver os seus planos de negócio», precisou o Managing Partner da Mercal, que a
propósito da área de Consultoria e Gestão
se prontificou a alguns esclarecimentos
muito pertinentes.
Disse João Ribeiro que o objetivo fundamental da área da Consultoria Estratégica
é orientar a atividade das empresas e organizações, identificando oportunidades e
aproveitando opções de desenvolvimento,
enquadrando as suas áreas de atuação, e
definindo a estrutura e princípios de uma
estratégia empresarial rentável no mercado onde se insere.
«A Mercal, conhecedora dos diversos setores de atividade e das potencialidades de
cada mercado, ajudará as empresas e organizações na orientação e tomada de decisões com base na informação considerada
necessária e fundamental», referiu ainda
para acrescentar, que a Mercal atua em
parceria estratégica com os seus clientes,
garantindo também o acompanhamento
na implementação de planos estratégicos
definidos por cada empresa e por cada
organização, bem como a monitorização
e avaliação de ações ou planos específicos
de forma interativa.
Um ano depois de se ter constituído, em
1997, a Mercal apontou as suas baterias
para os PALOP, criando a sua estrutura de
escritórios associados em quase todos estes
países, nomeadamente em Angola, Cabo
Verde e Moçambique. Vista esta tomada de
posição a uma distância de dezassete anos,
perguntámos a João Ribeiro as razões desta
prioridade da Mercal. A resposta foi pronta
e esclarecedora. «Porque na altura era uma
área especializada, onde havia bastantes
empresas nacionais que queriam deslocalizar as suas operações para os PALOP,
principalmente para Angola, Cabo Verde
e Moçambique. A nossa opção pelo Brasil
surgiu mais tarde».
João Ribeiro não vê na internacionalização um risco para as empresas portuguesas. «Antes pelo contrário. A internacionalização é benéfica não só para as empresas
como também para o próprio país.
A recuperação da economia deve ser sempre feita do lado da oferta e não do lado
da procura», enfatizou o fundador da
Mercal que reconhece também o esforço
que as empresas portuguesas têm vindo
a realizar no sentido de se modernizarem
de modo a poderem melhor enfrentar os
desafios da globalização. «Somos uma
empresa que acompanha muito de perto
esta mudança de atitude das empresas
portuguesas, e direi que essa preocupação
existiu sempre.
Há obstáculos e restrições que impedem
essas mesmas empresas nesta mudança,
sobretudo obstáculos de índole económica e financeira.
E é aqui que a Mercal procura apoiar. Procuramos não só desenvolver sob o ponto
de vista daquilo que é o negócio não só em
termos nacionais, mas sobretudo internacionais, identificando os mercados mais
atrativos para as empresas e, simultaneamente, prever-lhes o tal financiamento
ou o tal capital que elas necessitam». A
Mercal está e estará sempre disponível
para apoiar estas empresas, destacou João
Ribeiro, Managing Partner da Mercal Consulting Group. ‹
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 27
› EMPRESARIADO
Francisco Freitas, Administrador da Volter
«Há mais de 50 anos
que contribuímos
para o crescimento
económico do País»
Fundada em 1960 por Francisco Freitas, a Volter é uma empresa que tem sabido
construir o seu percurso com imaginação, trabalho e persistência. Tem a sua sede em
Viseu, emprega cerca de 90 pessoas e fabrica e comercializa uma gama alargada de
produtos nas áreas dos Equipamentos para Água, Eletrobombas, Termoacumuladores
Elétricos e Sistemas de Energia Solar. Em entrevista que concedeu à PAÍS €CONÓMICO
Francisco Freitas diz-se muito orgulhoso com o percurso sustentável que a Volter
tem conseguido manter ao longo de todos estes anos e refere que «uma prioridade
irreversível» na vida da sua empresa é agora a internacionalização. «A Volter exportou
em 2013 cerca de 1,1 milhões de euros para ao PALOPS e estamos a ultimar uma
estratégia com a finalidade de exportarmos para outros mercados», sublinhou este
prestigiado empresário, que deseja ardentemente que a sua empresa continue a
contribuir para o crescimento da economia portuguesa. «Ao longo destes mais de 54
N
anos, esse tem sido sempre o nosso sentimento».
TEXTO › VALDEMAR BONACHO | FOTOGRAFIA › RUI ROCHA REIS
os tempos difíceis que vivemos é muito gratificante encontrarmos uma empresa, como a Volter, com mais de
cinquenta anos de presença no mercado e com o percurso sustentável que ela tem.
Tínhamos conhecimento que a Volter era uma empresa vanguardista no «core business» que desenvolve, que era um projeto de
grande dinâmica e construído como muita Paixão. Estes fatores
pesaram bastante para que desafiássemos Francisco Freitas para
uma entrevista à PAÍS €CONÓMICO.
Que pilares fundamentais ajudaram a sustentabilidade da Volter
através dos tempos? Francisco Freitas não hesitou em responder
de forma direta à nossa pergunta. «Os pilares que contribuíram
para a consolidação da Volter - no mercado há mais de 50 anos -,
foram sem dúvida a imaginação, o trabalho e a persistência», referiu para logo de seguida se debruçar um pouco sobre a história
da sua empresa. «É uma história muito extensa, mas vou tentar
resumi-la. A Volter foi fundada por mim em 1960, apenas com
três ou quatro colaboradores. Atualmente, esta empresa tem cerca
de 90 trabalhadores efetivos. E como é natural, desde a sua fun-
28 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
dação até hoje, passou por fases difíceis que foram ultrapassadas,
nessa altura, com a ajuda do então Banco Português do Atlântico,
hoje BCP, e do BES. E quanto à presença da Volter no mercado há
mais de 50 anos, deve-se também (e muito) à capacidade profissional dos bons colaboradores», destacou Francisco Freitas.
Para além da prestigiada marca Volter, representam outras
marcas nacionais e internacionais?
Francisco Freitas foi muito preciso na sua resposta. «Há um ponto
que convém realmente esclarecer. A Volter não é bem uma marca,
ela é utilizada mais como nome de estabelecimento. A Volter comercializa principalmente Equipamentos para Água, Eletrobombas, Termoacumuladores Elétricos e Sistemas de Energia Solar
Térmica, e detém a 100 por cento a Marvol, uma fábrica destes
produtos situada na Zona Industrial de Repeses, em Viseu. A Volter possui várias marcas registadas em Portugal, na União Europeia e em Países Africanos, como são os exemplos das marcas
Marvol, Termar, Prate, Combinox, Solaqua e Supremo, e também
representa marcas internacionais de prestígio», sublinhou o administrador e fundador da Volter.
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 29
› EMPRESARIADO
A Volter está integrada num grupo de empresas fabricantes de
Equipamentos Hidráulicos e Produtos Eletrodomésticos e de Sistemas de Energia Solar Térmica para a Construção Civil, Usos
Domésticos, Agricultura e Indústria e, segundo nos confidenciou
Francisco Freitas «sentimo-nos aptos em todos os produtos que
fabricamos e comercializamos, temos conhecimentos muito profundos de todas estas áreas», para lembrar ainda que nos Sistemas de Energia Solar Térmica a Volter foi uma empresa pioneira
em Portugal.
Francisco Freitas aproveitaria o ensejo para referir que a Volter
tem uma queda muito especial para os negócios relacionados com
Água. «Praticamente temos todos os produtos e equipamentos
para Água, desde as eletrobombas às bombas elétricas, sistemas
de abastecimento de água, passando também pelos sistemas de
energia solar térmica. Na Volter o cliente encontrará tudo o que
necessita em todos estes domínios».
Enfrentar a crise com imaginação
e muito trabalho
A crise que ocorreu e está de certo modo a ocorrer na Construção
Civil afetou o regular desenvolvimento dos negócios da Volter?
«A crise que ocorreu na Construção Civil afetou os negócios de todas as empresas que dependiam deste setor de atividade. E a Volter não foi exceção…», justificou Francisco Freitas que, a propósito
do modo como enfrentou esta mesma crise, teve uma resposta no
mínimo muito curiosa.
«A crise de que tanto se fala, faz-me recordar um verso que escrevi após o “25 de Abril” para um cartaz que mandei fixar numa
montra da Volter que dizia: “Em tempos de crise e de mudança,
Sonhemos um futuro com Esperança”. A Esperança mantêm-se, mas não nos podemos esquecer que para se atingir um bom
objetivo é também indispensável imaginação e muito trabalho.
A volta que demos à situação, com o objetivo de compensar a
quebra de vendas e evitar despedimentos, foi implementar diversos projetos, entre os quais a criação de produtos inovadores, e
a abertura de uma nova sucursal em Alcabideche (Cascais), que
30 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
nos permitiram manter os postos de trabalho e admitir até mais
quatro funcionários», enfatizou Francisco Freitas.
O nosso entrevistado reconhece que esta crise no setor da Construção Civil afetou um número considerável de empresas, tendo
muitas baixado os braços e indo mesmo para a falência. «Algumas empresas de que estamos a falar desapareceram do mapa e
antes até eram reconhecidas como empresas estáveis, que chegaram mesmo a ser boas empregadoras», lembra Francisco Freitas
que aproveitou o ensejo para recordar as razões que levaram a
Volter a suportar esta mesma crise e manter-se viva e bem viva
pelos anos fora. «Soubemos encarar esta crise na Construção Civil com muita imaginação, muita vontade, muita garra e muita
persistência. Estes fatores seguraram nessa altura a Volter e continuam ainda hoje a ser fatores determinantes no seu processo de
consolidação», deixou claro Francisco Freitas.
Estávamos na altura de falar sobre o comportamento atual do
mercado nacional, e também aqui o administrador e fundador
da Volter, foi incisivo. «O mercado continua a viver uma fase difícil, ocasionada por diversos fatores. É verdade que nesta altura
se nota alguma melhoria no seu comportamento, mas a grande
instabilidade que os mercados internacionais estão a atravessar,
também afetam o nosso país. E em relação às expectativas do
mercado, acho que esta não é a melhor altura para se fazer uma
previsão em relação ao seu futuro», declarou o homem forte da
Volter.
Com a Construção Civil ainda em crise, começam a aparecer sinal positivos nos setores da Reabilitação e Edificação Urbana,
segmentos que começam a ser acompanhados de perto por alguns municípios portugueses que, por esta via, tentam recuperar
o património edificado como tentativa de fazerem regressar as
pessoas às cidades.
Francisco Freitas disse aos jornalistas da P€ que já pensou nesta
oportunidade, mas que ainda não tem uma ideia muito clara e
consistente sobre ela. «No meu entender, a Reabilitação Urbana
é uma boa alternativa, mas não resolve completamente a crise
que desabou sobre o setor da Construção Civil. Reconheço que ela
possa apaziguar um pouco essa mesma crise e que para a Volter
venha também a ser uma boa oportunidade de negócios. Vamos
continuar a estar atentos e esperar que tudo se desenvolva melhor para que possamos tirar as ilações mais corretas», referiu o
administrador da Volter quando questionado sobre esta matéria.
Volter está presente nos PALOPS
À semelhança de muitas empresas, também a Volter está atenta
às oportunidades que advém do mercado externo. Demos a palavra a Francisco Freitas para se referir à caminhada da sua empresa na internacionalização. «A Volter está no mercado externo há
cerca de 3 ou 4 anos. Iniciamo-nos e estamos ainda nos PALOPS,
nomeadamente em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau e para
este mercado a Volter exportou em 2013 cerca de 1,1 milhões de
euros. Por outro lado estamos a ultimar uma estratégia com a finalidade de exportarmos para outros mercados, por exemplo para
a União Europeia e para os países da América Latina. O mercado
brasileiro por enquanto não consta da nossa agenda. A internacionalização pode ser um fator que permita à Volter recuperar a
quebra de vendas motivada pela crise na Construção Civil», esclareceu Francisco Freitas.
A Volter em 2013 faturou cerca de 8 milhões de euros. «Se a crise
na Construção Civil não tivesse existido, teríamos faturado pelo
menos mais 20 por cento», afirma, sem hesitar, o administrador
da Volter, adiantando que a sua empresa procurará através de iniciativas inovadoras e eficazes, como por exemplo o lançamento
de novos produtos atrativos e de elevada qualidade, recuperar o
que perdeu com a crise na Construção. Mas o mercado externo
será sempre a nossa principal baliza na ajuda a essa recuperação»,
destacou Francisco Freitas para dizer que faz parte integrante da
estratégia da Volter promover no seio da empresa uma constante atualização a todos os níveis, «principalmente na Gestão
de Recursos Humanos, porque entendemos que o sucesso das
empresas depende fundamentalmente do profissionalismo e do
empenhamento dos seus colaboradores», sublinhou convicto o
administrador e fundador da Volter.
Quando a Volter começou a dar os seus primeiros passos como
empresa, esse inicio de atividade teve lugar num estabelecimento
que tinha apenas 100 metros quadrados. «Construímos novos armazéns, uma fábrica e escritórios, que têm atualmente uma área
coberta de 15 mil metros quadrados. E temos muito mais espaço
para nos expandirmos», revelou Francisco Freitas, que voltaria a
referir-se ao esforço que a Volter faz na formação dos seus Recursos Humanos. «Os quadros da Volter e demais colaboradores,
recebem formação profissional com frequência, que vai muito
além das 35 horas exigidas legalmente. Por outro lado somos uma
empresa que não prescinde de ferramentas essenciais ao seu desenvolvimento, como é o caso da ISO 9001, certificação que aconteceu há cinco anos atrás. Dizer também que todos os produtos
que comercializamos são certificados», lembra Francisco Freire,
com tempo ainda para dizer que o universo Volter dispõe nesta
altura de duas sucursais: uma em Viseu e outra em Alcabideche,
Cascais. «A abertura da nossa sucursal em Cascais faz parte de
uma estratégia que estamos a imprimir com o objetivo de enfrentar a atual conjuntura».
A entrevista com o fundador da Volter estava praticamente no
fim, mas ainda com tempo para Francisco Freire se referir ao interesse e oportunidade de investimentos como aquele que a Volter
fez com a sua sucursal de Cascais. «Em minha opinião investimentos desta natureza podem e devem ser feitos em qualquer
altura, se estiverem enquadrados num projeto que contribua para
o desenvolvimento sustentado da empresa, criação de postos de
trabalho e crescimento económico do país, que é afinal o que a
Volter fez e continua a fazer ao longo da sua existência de mais de
50 anos», concluiu Fernando Freitas, o cérebro e grande obreiro
da Volter. ‹
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 31
› EMPRESARIADO
Plexus
Domínio na área da integração
de sistemas industriais
A PLEXUS tem a sua sede em Sines e é considerada uma empresa especialista que
domina a área da integração de sistemas industriais. É também líder nacional em
mediação legal de combustíveis líquidos, instalando e montando sistemas de mediação
e de transferência de líquidos para camiões, atividade que no entender de David Pires
e João Pires, administradores desta empresa, exige uma qualificação técnica muito
apreciável.
C
TEXTO › VALDEMAR BONACHO
om a economia a dar mostrar de algum crescimento, é natural que esse fator tenha alguma influência numa empresa com as características da Plexus que domina diversas
áreas tecnológicas: a Eletricidade, a Instrumentação, a Automação
e o Controlo Processual e a Fibra Ótica.
David Pires, sócio e que a seu cargo tem os serviços administrativos da Plexus reconheceu que algo está a começar a mudar. «Começam-nos a chegar alguns pedidos urgentes que nos dão a ideia
de que a crise neste setor já não está tão acentuada, e isso traz-nos
algum ânimo. Havia obras onde a Plexus estava empenhada, que
estavam a ser feitas e que foram concluídas, e atividade parou um
pouco, mas parece-nos que a situação está a querer mudar, o que
para uma empresa pequena como a nossa é uma boa notícia»,
comentou, para dizer que a Plexus «come as migalhas que são
deixadas pelas empresas grandes, e que são as obras de pequenas
melhorias que são feitas em instalações que nos mantêm. Mas
falando de recuperação, devo reconhecer que os números que dispomos deste ano, são números mais favoráveis para nós, se os
compararmos com 2013».
Por sua vez, João Pires, que é responsável pela área de projetos técnicos da Plexus, assegura que a empresa está a fazer um trabalho
rigoroso na busca de novos clientes e de novos parceiros.
Lembrámos João David que as pequenas estruturas – como David Pires classificou ser a Plexus – em situações de crise e em
| FOTOGRAFIA › ARQUIVO
situações de recuperação, são as sofrem menos e as que se sentem
melhor. João David reagiu a esta questão, lembrando: «Há sempre que levar em conta o problema de dimensão, e hoje em dia a
uma empresa como a Plexus é-lhe exigido que tenha um técnico
de segurança quando está em causa uma obra de 50 mil euros,
tem de ter gente no escritório para tratar de todas as burocracias
existentes à volta destes processos. Portanto, uma empresa como
a nossa consegue um nível de faturação que lhe permita manter
essa estrutura mínima capaz de manter este tipo de serviços, ou
então a dificuldade é grande. Estamos a falar de um mercado exigente como é o da indústria petrolífera. Estamos a falar de gente
muito exigente…», sublinhou João David.
Este responsável da Plexus referiu por outro lado que as exigências fiscais que são impostas às empresas com a dimensão da
Plexus, são imensas, retirando-lhes competitividade. «Dentro do
cenário em que vivemos as dificuldades são imensas. A atividade
fiscal nesta altura em quer o país está mal, é quase cruel…», referiu
João Pires. Entretanto, e apesar de este ser um setor que tem pela
frente um desafio que não é nada fácil, os responsáveis da Plexus recusam-se em deitar a toalha ao chão e prometem trabalhar
afincadamente para que esta empresa de Sines mantenha –por
exemplo - a sua liderança a nível da mediação legal de combustíveis líquidos, e continue a prestar com a qualidade reconhecida os
serviços para que foi destinada. ‹
Terminal XXI
já recebeu o 7º Pórtico
No âmbito do projeto de expansão do Terminal XXI que se
encontra em curso, esta infraestrutura portuária em Sines
recebeu recentemente o 7º pórtico de cais.
O novo pórtico possui dimensão para operar os ULCV –
Ultra large Container Vessel, o pórtico super post-panamax
iniciou os testes de aceitação e entrará em funcionamento a
curto prazo. Esta geração de pórticos possui um alcance útil
de lança de 70 metros, o que permite operar até 24 filas de
Porto de Setúbal
cresce nos
contentores
O Porto de Setúbal cresceu 75% no segmento de contentores,
de Janeiro a Julho deste ano, por comparação com igual período do ano anterior, tendo movimentado nestes primeiros sete
meses de 2014, um total de 60,6 mil TEU.
Este dado foi referenciado numa recente visita do ministro da
Economia, Pires de Lima, ao Porto de Setúbal, onde o governante pode visitar o terminal de contentores do porto sadino,
em cujo terminal se realizam operações que servem a região
de Lisboa e de Espanha, neste caso, até à zona de Madrid, para
os tráfegos Shortsea Atlântico e África. O Porto de Setúbal
possui atualmente sete linhas de serviços regulares, com destaque para as ligações com outros portos europeus, mas igualmente com portos localizados na África e no Médio Oriente. ‹
32 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
contentores a bordo dos navios. Em operação tem de altura
90 metros acima do cais e 133 metros em posição de estacionamento.
Entretanto, a PSA Sines, entidade que opera o Terminal
XXI, já iniciou a construção do 8º pórtico na zona de parque, à qual se seguirá a posterior movimentação para o cais.
E é ainda de referir que a montagem do 9º pórtico deverá
também ocorrer até ao final do presente ano. ‹
Porto de Leixões
acelera crescimento
O movimento de mercadorias no Porto de Leixões, entre Janeiro e
Julho do corrente ano, cresceu 4%, com forte impulso da carga contentorizada, que aumentou 9%. De referir que nos primeiros sete
meses de 2014, o movimento no maior porto do norte do país atingiu
as 10,5 milhões de toneladas, um recorde que compara com os 10,1
milhões de toneladas atingido em igual período de 2013.
A carga conteorizada registou um crescimento de 9% para um novo
máximo de 3,9 milhões de toneladas. A ajudar estiver também o movimento da carga ro-ro, que totalizou 202 mil toneladas, um salto
de 748%. Já a carga fraccionada superou as 585 mil toneladas, um
crescimento de 3% em termos homólogos. Ao invés destes resultados positivos, os granéis líquidos registaram uma diminuição de 1%,
com um movimento de 4,6 milhões de toneladas, enquanto os granéis sólidos também decresceram no porto leixonense em 4%, com
um movimento de 1,3 milhões de toneladas. ‹
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 33
› EMPRESARIADO
Manuel Silveira, Administrador do Grupo Mafavis
«Há retoma no setor
imobiliário,
mas a Banca tem
de acompanhar
essa evolução»
Está localizado a Norte do País, mais precisamente em Valongo, um dos mais
emblemáticos empreendimentos imobiliários concebidos em Portugal. Referimo-nos ao
“Varandas Residence”, mandado construir pelo Grupo Mafavis, com sede em Gondomar,
e que assinalou uma nova fase na vida desta prestigiada organização. Em entrevista que
concedeu à PAÍS €CONÓMICO, Manuel Silveira, Administrador do Grupo Mafavis diz-se
muito orgulhoso por ter conseguido construir e colocar no mercado imobiliário aquele
que ele próprio considera o ex-líbris da sua empresa e, em relação ao futuro do seu setor,
responde em discurso moderado que «existem agora alguns indicadores que fazem crer
que o mercado imobiliário está com alguma retoma, mas não estou assim tão otimista
C
porque a banca ainda não está acompanhar devidamente o mercado imobiliário».
TEXTO › VALDEMAR BONACHO | FOTOGRAFIA › RUI ROCHA REIS
omo já foi referido o Empreendimento “Varandas Residence”,
localizado no centro da cidade de
Valongo, junto às escolas onde se instalou
recentemente o “Campus de Justiça”, é o
verdadeiro ex-libris do Grupo Mafavis
Para além das luxuosas habitações de tipologia “T2” e “T4”, o Empreendimento “Varandas Residence” compreende também
11 lojas. «É uma construção de grande
requinte que orgulha a Mafavis, até pela
altíssima qualidade da sua arquitectura,
pelo esmero utilizado na escolha e utilização dos materiais, pela conceção e harmonia dos espaços interiores e exteriores»,
sublinhou Manuel Silveira, que desde
que assumiu o cargo de administrador do
Grupo Mafavis, trouxe para o seio desta
organização uma dinâmica e um espírito
novos.
34 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
Contrariamente a 2010, que foi um ano
que deixou algumas feridas no setor imobiliário, 2014 começou a trazer algum
otimismo ao setor. E foi por aqui que iniciámos a entrevista a Manuel Silveira, que
teve lugar na sede da Mafavis em Gondomar.
Será que 2004 tem tudo para ser visto
como um ano de esperança para o setor
imobiliário? Manuel Silveira não hesitou:
«Há, de facto, alguns indicadores que nos
dizem que o setor imobiliário está com
uma certa retoma. Agora, eu não estaria
assim tão otimista, porque a banca ainda não está a acompanhar devidamente
o mercado imobiliário. É verdade que a
banca começa agora a ter alguma liquidez,
mas fruta dos erros que cometeu no passado, agora embora tenha de emprestar, o
grau de exigência por parte da banca está
de tal forma que eu não sei até que ponto ela vai acompanhar as necessidades do
mercado, para que o crescimento satisfaça
as necessidades das empresas», alertou o
administrador do Grupo Mafavis.
40% do “Varandas Residence”
já foi vendido
Manuel Silveira aproveitaria para esclarecer a P€ que «A Mafavis é um grupo que
integra três empresas: A Mafavis – Sociedade Imobiliária, SA, com uma história
de 30 anos, que é a casa-mãe e onde começou todo este negócio na área imobiliária e que atualmente se dedica mais à
gestão patrimonial, ou seja gestão de ativos vocacionada para os investidores; a
Tecnigom Construções, SA que explora a
área da recuperação imobiliária, portanto
o restauro, as pequenas obras e que pode-
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 35
› EMPRESARIADO
da Mafavis, para acrescentar que «se eu
tivesse construído o “Varandas Residence”
no Porto ou em Lisboa já o teria vendido
na totalidade, e quase pelo dobro do preço
que estou a vender atualmente», reforçou
Manuel Silveira.
rá beneficiar com a litoralização da cidade
do Porto; e a Mafavis Real Estates, que
embora seja a empresa mais jovem do
grupo, já conta com 18 anos de presença
no mercado imobiliário. Esta é a empresa
que atualmente se dedica aos projetos novos de promoção imobiliária e que neste
caso lançou o “Varandas Residence. O edifício foi concluído há cerca de cinco meses
e, felizmente, já vendemos cerca de 40 por
cento, o que nesta altura do ano é uma notícia muito importante para nós», referiu
o administrador do Grupo Mafavis, que
ainda a este propósito referiu que «este é
um projeto que demonstra bem as nossas
capacidades de inovação e de adaptar os
hábitos de consumo que têm atualmente
os nossos clientes, e a forma como vamos
ao encontro das exigências das pessoas, e
por um preço muito equilibrado».
Manuel Silveira disse, a propósito, que
o edifício do “Varanda Residence” reúne
dentro de si “os 3 B” (BOM, BONITO e
BARATO). «Estamos a falar de uma construção médio, médio alta, uma construção
que está equipada com painéis solares,
robótica, cofre e que é no fundo uma
construção moderna onde o fator inovador está presente em todo o lado. É um
projeto que é feito â base de vidro e betão
e cujas manutenções são zero. Por outro
lado, em termos de custos este é também
um edifício com custos muito baixos, um
edifício com uma eficiência energética
muito elevada», ilustrou o administrador
36 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
A Mafavis tem o financiamento
garantido
A Mafavis, pela voz do seu administrador
Manuel Silveira, pretende atingir os 80
por cento das vendas deste edifício até
finais de 2014. «Esse é o meu objetivo e
tudo farei para o concretizar», sublinhou,
para referir em jeito de explicação que o
“Varandas Residence” é composto de 30
apartamentos e uma área comercial composta por 11 lojas. «Estou otimista em
relação àquilo que poderei vender até ao
fim do ano, até porque a procura tem sido
bastante grande. O único problema que se
coloca aqui passa pelo nível financeiro das
pessoas. Uma maioria recorre ao crédito
a 100 por cento, e tem algumas dificuldades e algumas limitações. A Mafavis tem
o financiamento garantido, em condições
melhores que na maioria dos casos, mas
o problema é que nem sempre quem nos
procura está ao nível do edifício que visita. «Eu posso querer um bom carro, mas
não ter dinheiro para comprá-lo», exemplificou.
Para além do “Varandas Residence” a Mafavis possui no Porto o Edifício Palatino,
um prédio muito mais pequeno, que teve
as suas obras paradas, mas que estão agora em curso.
«Este foi um terreno que nós tínhamos no
Porto, entre a Rua Fernando de Magalhães
e a Praça das Flores, com vista para o rio
Douro, que foi por nós demolido e onde
fizemos uma construção de raiz. São só
apenas 11 apartamentos e 1 loja. Com isto
quero referir que as nossas atenções estão
viradas atualmente para o “Varanda Residence” e para pequenas obras de restauro.
Posso-vos dizer que iniciámos recentemente o restauro da Capelo de Stº Isidoro,
em Gondomar, que é uma obra camarária,
e o restauro de várias moradias», referiu
Manuel Silveira, que após umas breve
pausa, lembrou.
Dar nova imagem
à Tecnigom Construções
«A Mafavis é uma empresa de raiz familiar e a Tecnigom – Construções, SA era
uma empresa que estava mais vocacionada para as manutenções que nós tínhamos dar às garantias dos nossos clientes.
Entretanto, em 2008 assumi definitivamente a liderança das empresas do grupo, e comecei de imediato a dar um novo
rumo à Tecnigom Construções, que era
uma empresa que estava praticamente
estagnada, operando apenas em pequenas
reparações de assistência junto dos nossos
clientes, já que tínhamos que prestar garantias das habitações por nós vendidas.
Hoje em dia, a Tecnigom dedica-se já a pequenas obras, e tem capacidade para construir pequenos edifícios ou moradias. Mas
estamos a falar essencialmente de obras
de restauro», deixou claro o administrador do Grupo Mafavis.
Tem sido bem evidente o trabalho de dinamização que Manuel Silveira incutiu
nas empresas do grupo. É bem notória a
mudança (para melhor) que ele tem vindo
a levar a cabo. Mas é o próprio a reconhecer «que se eu estivesse num grupo financeiro maior, provavelmente a Mafavis
teria tido um sucesso ainda maior». Nova
pausa no discurso, para lembrar logo de
seguida que «Felizmente ou infelizmente,
tenho-me vindo a debater com algumas situações menos fáceis, incluindo o problema que a banca e o mercado me criaram,
que são situação que não me desmotivam
nem me derrubam, mas que criam um
certo desânimo. Eu não sou uma pessoa
de desânimos, e a prova disso é que quando assumi por completo a administração
do grupo Mafavis, comecei de imediato a
reestruturar essa empresa de obras para
ter uma alternativa ao mercado imobiliário. Nos últimos cinco ou seis anos praticamente não construímos para podermos
escoar a grande quantidade de stocks que
possuíamos e, entretanto, um pouco contra a vontade do meu pai (que fundou a
Mafavis) avancei com o “Varandas Residence», um projeto que na altura já estava
estimado em 4 milhões de euros e de que
tanto nos orgulhamos». ‹
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 37
› EMPRESARIADO
Vítor Barbosa, Presidente da Nautilus, líder nacional no fabrico de mobiliário e tecnologia escolar
Ser uma referência
no mobiliário
e tecnologia educativa
na Europa
Está a cerca de 10 quilómetros da cidade do Porto, com o rio Douro praticamente aos
seus pés. Em Esposade, concelho de Gondomar, fomos recebidos por Vítor Barbosa,
Presidente da Nautilus, empresa líder em Portugal no fabrico de equipamento escolar
e de soluções tecnológicas para o ensino. Distinguida mundialmente por três vezes
sucessivas pelas soluções tecnológicas aplicadas ao ensino, o líder da Nautilus quer
acelerar o desenvolvimento da empresa e a sua capacidade de inovar e de produzir.
Atualmente com três unidades industriais, duas no concelho de Gondomar, e uma em
Castelo de Paiva, a Nautilus já exporta cerca de 51% para os mercados externos, no qual
Angola já vale cerca de 20% do total exportado. Alargar nos mercados africanos, chegar
à América Latina e atingir o Leste europeu, estão entre os objetivos estratégicos da
empresa para os próximos, que legitimam a ambição de nos próximos anos crescer em
média cerca de 30% em termos anuais.
E
TEXTO › JORGE ALEGRIA
m 2010 a Nautilus entrou no
mercado angolano ao estabelecer
parcerias com empresários locais
para assim poder mais eficazmente servir
o emergente mercado de Angola que já
registava, e continua a registar, um assinalável crescimento na criação de infraestruturas escolares, tanto públicas quanto
privadas. A Nautilus já exportava algum
mobiliário escolar para Angola, mas a
partir desse primeiro ano da presente década, as exportações cresceram exponencialmente, representando já cerca de 20%
do total das exportações da empresa com
sede no concelho de Gondomar.
Segundo Vítor Barbosa, «a língua constitui um fator importante na área a educação, e a Nautilus, enquanto líder no mercado português entendeu que poderia ter
uma palavra a dizer no equipamento de
várias escolas nos países africanos de lín-
38 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
| FOTOGRAFIA › RUI ROCHA REIS
gua portuguesa. Por isso, enquanto antes
de 2010 já exportávamos algum material
para Angola, após a nossa entrada de forma mais direta no mercado angolano, as
exportações para o continente africano
disparam, sobretudo para Angola, mas
também numa determinada fase para
Moçambique, pois participámos no Plano
Tecnológico da Educação, que espero que
possa ter futuramente continuidade. Em
Angola colocamos o nosso mobiliário e soluções tecnológicas educacionais sobretudo em colégios e universidades privadas,
embora também já tenhamos fornecido
alguns estabelecimentos públicos de ensino, mas em menor quantidade».
Exportando presentemente para mais
de 20 países, onde para além de Angola,
Moçambique e Argélia, em África, sobressaem países como Espanha, França, Itália
e Reino Unido, a Nautilus pretende alar-
gar o seu leque de clientes na África, mas
também chegar à América Latina. Neste
momento, as exportações valeram em
2013 cerca de 51% das vendas totais da
Nautilus, e a tendência será para crescer.
No ano passado, a empresa de Exposade
faturou cerca de 7 milhões de euros, sendo de referir que nos últimos 10 anos cresceu a uma média anual de 20%.
Mas, Vítor Barbosa, nesta entrevista à
PAÍS €CONÓMICO mostra ambição
em acelerar o crescimento da empresa
ao sublinhar esperar que «nos próximos
anos possamos crescer em média cerca de
30% ao ano, reforçando a nossa presença
no mercado interno, que para nós é todo
o território da Península Ibérica, mas
sobretudo no acelerar das exportações,
como referi anteriormente, tanto em África, bem como chegar e nos implantar na
América Latina, além de queremos igual-
mente chegar à Europa de Leste», enfatiza
o empresário.
A tecnologia é fundamental
na escola do século XXI
No fundo, como salienta Vítor Barbosa,
«para atingirmos uma posição cada vez
mais relevante no mercado europeu do
mobiliário e da tecnologia escolar, temos
de prosseguir cada vez mais numa aposta na excelência, na qualidade e sobretudo na inovação. É óbvio que chegarmos
ao ponto a que chegámos, e queremos ir
mais longe, tem muito a ver com a visão
que desenvolvemos pouco depois da entrada deste século, onde conseguimos de
alguma forma antecipar algumas das tendências evolutivas do sistema educativo,
na certeza de que as ferramentas do ensino no século XXI não poderiam ser iguais,
nem sequer semelhantes, às que existiam
no século XIX», salienta.
É por isso que o empresário refere que os
produtos que a Nautilus exporta para o
continente europeu são sobretudo os produtos de cariz tecnológico, com destaque
para as Estações Interativas Netboard e
as linhas de mobiliárias diferenciadoras,
como a Ergos e a Mais. Já no caso dos
países designados emergentes, a empresa
exporta essencialmente mobiliário escolar mais tradicional, embora as componentes tecnológicas também comecem a
ganhar um espaço interessante. De referir
que no ano passado as vendas de mobiliário representaram 59% das vendas da
Nautilus, enquanto a parte da tecnologia
já valeu 41%. Em 2011, o peso das soluções tecnológicas nas vendas da empresa
representavam apenas 22%, ao passo que
em 2012 tinham subido para os 26%. O
salto registado em 2013 (41%) é deveras
significativo.
A entrada e desenvolvimento das soluções tecnológicas para o ensino por parte
da Nautilus já valeram o reconhecimento
nacional e internacional da empresa gondomarense. No plano nacional, a Nautilus
foi sucessivamente reconhecida como
PME Líder e PME Excelência. No plano
internacional é de destacar que a empresa
foi distinguida por três vezes sucessivas
com o Prémio Worlddidac (Prémio Mundial para a Inovação na Educação), respetivamente em 2006, 2008 e 2010.
A Nautilus conta atualmente com três
unidades industriais, duas no concelho de
Gondomar, dedicadas à marcenaria e à serralharia, respetivamente, e uma terceira
no concelho vizinho de Castelo de Paiva,
onde desenvolve a área da metalomecânica. Vítor Barbosa lembra a importância
da empresa ter decidido criar o Núcleo
de Investigação Tecnológica, cuja equipa
está muito focada no desenvolvimento
de ideias para criar novos produtos. Aliás,
adianta o gestor, «numa empresa como a
Nautilus que está muito focada no desenvolvimento de novos produtos e novas soluções de base tecnológica, a criatividade e
a inovação é muito importante, não sendo
por acaso que a nossa empresa investe
anualmente cerca de 200 mil euros em
Investigação & Desenvolvimento». Com
esta atenção e focalização na inovação não
admira que a empresa siga o Sistema de
Gestão da Investigação, Desenvolvimento
e Inovação, certificado pela NP 4457:2007.
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 39
› EMPRESARIADO
Aliás, no que respeita a matéria de certificações a Nautilus é uma autêntica líder
no nosso país.
Para além de ser a única empresa do setor a possuir o Certificado de Qualidade
segundo a NP EN:9001 e a Certificação de
Inovação segundo a NP 4457, desde Março do corrente ano, a Nautilus começou o
processo tendente ao reconhecimento e
40 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
implantação do Sistema de Gestão Ambiental segundo a NP EN:14001, passando
desse modo a ser a única empresa europeia do setor a possuir as três normas referidas em simultâneo.
A introdução e crescimento das soluções
tecnológicas no ensino em Portugal foram significativamente aceleradas pelo
arranque do chamado Plano Tecnológico,
uma iniciativa do governo liderado pelo
anterior Primeiro-Ministro José Sócrates.
O presidente da Nautilus reconhece a importância do programa na disseminação
das novas tecnologias de informação e de
educação nas escolas portuguesas, mas refere que quando esse plano surgiu no nosso país «já a Nautilus tinha desenvolvido
as soluções tecnológicas que vieram a ser
aplicadas no plano. Aliás, quando ele foi
apresentado no Centro Cultural de Belém,
foi uma das nossas soluções que serviu
para demonstração nesse evento, embora por questões laterais não tenhamos
sido devidamente reconhecidos quanto
à importância da nossa contribuição para
as soluções apresentadas nesse evento
de apresentação do Plano Tecnológico.
Enfim… mas, o que é importante é que o
plano tinha ido em frente e que tenhamos participado nesse esforço coletivo de
desenvolvimento das nossas escolas e do
próprio país».
Aliás, segundo Vítor Barbosa, esse esforço
da Nautilus não acabou, pois, como relata
nesta entrevista, «nós formámos cerca de
1.500 professores, com um investimento
completo da nossa empresas, de modo a
facilitar o seu entrosamento com as soluções tecnológicas que desenvolvemos
e a sua posterior aplicação nas escolas
portuguesas por esses mesmos professores. Estamos muito gratificados com essa
iniciativa que a empresa desenvolveu em
Portugal», manifesta com evidente orgulho Vítor Barbosa.
Quanto ao futuro da empresa, o seu líder
reforça a esperança da Nautilus vir a crescer nos próximos anos a um ritmo anual
médio de cerca de 30%, sublinhando que
para atingir esse objetivo, a empresa está
a investir ao nível do reforço dos meios
produtivos na fábrica de Castelo de Paiva, «onde muito recentemente alargámos
em mais 4.000 metros quadrados a área
coberta de que já possuíamos, pelo que
também demos emprego a mais pessoas.
Tudo para reforçar a capacidade da Nautilus em inovação, qualificar e desenvolver
produtos de referência para os mercados
globais onde queremos cada vez mais estar presentes», finalizou Vítor Barbosa. ‹
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 41
› TURISMO
Maria Luísa Branco, escritora e fundadora do blog “MyLisbonBliss”
Lisboa tem cada vez
mais encanto
Licenciada em Gestão, foram sempre as relações sociais, nomeadamente, o “saber
receber” e o “saber fazer” associado à identidade de cada comunidade com os seus
costumes e tradições, os factores de motivação sempre que desenvolve um projecto.
Nasceu em Coimbra, viveu em Alcobaça, mas veio estudar para Lisboa, e aqui radicouse e criou uma relação quase siamesa com a cidade. Maria Luísa Branco é uma visitante
constante das ruas de Lisboa e sublinha que disfruta de cada espaço, cada recanto, cada
esquina, no fundo, cada beleza da capital portuguesa, ao mesmo tempo que salienta
que a cidade está cada vez mais qualificada e interessada em receber bem os visitantes
de todo o mundo que diariamente acorrem a apreciar a badalada luminosidade que
brota do seu ar limpo e ensolarado. Maria Luísa Branco refere, no entanto, que a par
da requalificação que se assiste no âmbito dasinfraestruturas da cidade, denotando-se
uma maior harmonia entre os espaços, Lisboa precisa de estar mais atenta às questões
da limpeza urbana «um factor de grande importância na sustentabilidade de imagem
da cidade além-fronteiras e consequente capacidade de atrair novos nichos de mercado
e novos públicos». Para estes dois últimos aspetos, considera igualmente importante
a manutenção do aeroporto na Portela, pois «ter um aeroporto praticamente no
centro da cidade constitui um fator de competitividade e atratividade absolutamente
L
fundamentais», deixa como nota final a escritora e fundadora do blog “MyLisbonBliss”.
TEXTO › JORGE ALEGRIA | FOTOGRAFIA › RUI ROCHA REIS
isboa é uma cidade cada vez com
maior encanto. Nos últimos anos
a cidade sofreu uma evolução positiva em termos de reabilitação do seu
património histórico e cultural, mantendo como preocupação a preservação da
identidade de cada bairro, inovando e recriando produtos turísticos que têm como
base as tradições da cidade. Lisboa tem
vindo a apostar na qualidade dos serviços e infraestruturas que disponibiliza a
quem nos visita. Veja-se o Porto de Lisboa
que acolhe com regularidade cruzeiros de
várias partes do mundo, a reabilitação da
Praça do Comércio, o Posto de Turismo
na mesma Praça, o passeio pedonal na
zona ribeirinha e os inúmeros edifícios
que foram recuperados e transformados
em unidades hoteleiras, restauração e habitação na Baixa da cidade. Apontamen-
42 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
tos que trazem cor e dinamismo, a zonas
que estavam quase “mortas”. A par destas
transformações, é a simpatia genuína da
população “Alfacinha” associada a uma
gastronomia rica que faz com que quem
nos visita se sinta bem e queira voltar,
para além de recomendarem a amigos
Lisboa como próximo Destino Turístico.
Lisboa é uma “manta de retalhos”, onde
os retalhos são as colinas com os seus
bairros, e as muitas escadinhas, ruelas
estreitas e elevadores, cozem bairro com
bairro, formando uma manta colorida,
representada pelos muitos cheiros, cores,
luz, texturas e pessoas com formas de estar diferentes.
Há alguns anos, após mudança de circunstância na sua vida, sentiu necessidade de
calcorrear as ruas de Lisboa, para conhecer melhor as vivências da cidade, pois
«até aí circulava essencialmente de carro
ou em transportes públicos, o que nos faz
memorizar os corredores por onde passa
o trânsito, mas não propriamente conhecer as ruas e fundamentalmente as pessoas que habitam e trabalham na cidade»,
salienta a escritora.
“MyLisbonBliss”
Então, Maria Luísa Branco decidiu criar
um blog na internet a que deu o sugestivo nome de “MyLisbonBliss”, tendo por
objetivo dar a conhecer uma cidade feliz
traduzida nessas vivências que passou
a viver e a absorver no seu dia-a-dia de
caminhadas e estadas nos mais diversos
pontos da cidade.
Maria Luísa reconhece que Lisboa está na
moda, surgindo cada vez mais nas páginas de muitas revistas e jornais de várias
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 43
› TURISMO
partes do mundo, tendo também recebido
diversos prémios, com destaque para os
que colocam a capital portuguesa como
o melhor destino europeu para estadias
de curta duração (short breaks). «É, aliás,
uma distinção muito justa, na medida em
que Lisboa tem desenvolvido um assinalável esforço de divulgação internacional,
acompanhada por medidas de reabilitação, criação de eventos internacionais e
incentivos à criação de projectos inovadores no âmbito do Turismo, o que empresta
uma sustentabilidade cada vez mais nítida para receber esse crescente fluxo turístico que tem demandado a capital portuguesa», sublinha Maria Luísa Branco.
A criação e alargamento da rede de hostels, uma nova forma de hotelaria mais
económica que tem surgido crescentemente um pouco por toda a Europa, e que
Portugal e mais concretamente Lisboa
também acolheu de forma intensa, «tem
contribuído de forma assinalável para
uma maior demanda de turistas, e devo
referir que alguns dos nossos hostels têm
sido considerados dos melhores a nível
europeu e mundial, mas atrevo-me a referir igualmente para a importância de não
descurar outros modelos de empreendimentos turísticos, pois a nossa cidade ainda possui um espaço significativo para a
consolidação de outros mercados, nomeadamente o Turismo de Negócios, Turismo
Residencial e Goden Age», deixa como
nota subliminar.
A juntar ao reforço da capacidade de
alojamento desenvolvido em Lisboa, a
escritora é defensora da manutenção do
aeroporto nos atuais terrenos da Portela,
na medida em que «possuir um aeroporto
praticamente no centro da cidade constitui uma vantagem competitiva e diferenciadora muito assinalável e que nós não
deveremos desperdiçar», diz Maria Luísa
Branco.
44 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
Dar prioridade à limpeza
urbana
Todavia, existe um aspeto que mereceu
um reparo no estado ambiental do burgo
alfacinha e que se prende com a limpeza
urbana. «A limpeza das ruas funciona
como um cartão-de-visita e como bons anfitriões a nossa casa deve estar limpa» As
entidades responsáveis deveriam ter um
maior cuidado no que concerne à limpeza
do espaço público, «sobretudo logo após a
realização de grandes eventos ou de festejos populares».
Aliás, «posso dar um exemplo que testemunhei recentemente, em que percorria
as ruas de um dos Bairros mais antigos
da cidade com potenciais investidores estrangeirosque se desinteressaram da zona
em questão, perante o estado pouco asseado das ruas, alterando o seu foco de investimento para outras áreas da cidade. Os
próprios moradores também se queixam
desta situação, especialmente a seguir às
festas. É preciso atuar com maior rapidez
e eficácia para manter a nossa cidade limpa. Isso faz toda a diferença para quem
nela vive e para quem nos visita», enfatizou a escritora nascida em Coimbra, mas
lisboeta por adoção.
Equilíbrio na expansão urbana
dos bairros históricos
Quando falamos de reabilitação não falamos só na recuperação do edificado, falamos também na melhoria da qualidade de
vida das populações locais, preservando a
tradição e cultura de cada bairro. A capital
precisa de manter o melhor da tradição
de cada zona da cidade, «e sobretudo não
massificar alguns dos designados bairros
históricos com demasiados hotéis, demasiados turistas, demasiados apartamentos,
porque se assim for, a prazo, a vivência
autóctone de cada bairro acabam por de
lá saírem e perde-se o autêntico, também
com prejuízos assinaláveis para o turismo
e os turistas, que pretendem naturalmente contatar com aquilo que é genuíno em
cada lugar. Por isso, considero da maior
importância manter o que é genuíno em
cada bairro, e passa também obviamente
por trazer mais pessoas para esses bairros,
mas assente numa lógica de inclusão e desenvolvimento de atividades comerciais,
artísticas e culturais para o interior dessas
zonas de Lisboa, numa lógica de Turismo
Responsável», defende a escritora.
As vivências muito próprias, muito intrínsecas de cada bairro de Lisboa, constituem
aspetos que importa preservar pois são
eles que diferenciam a cidade de Lisboa
face a outras cidades internacionais.
Aprofundar os (seus) olhares sobre a cidade no sentido global, mas sobretudo conhecer cada vez mais os encantos e recantos, «a sua história, os seus interesses, as
suas vivências, é algo de que me interesso
cada vez mais. Temos coisas fantásticas
em Lisboa, como é o caso do Miradouro
de Santa Catarina e a sua Praça, cheia de
edifícios românticos e uma vista soberba
sobre o Tejo. Alfama, com as suas ruelas,
praças e igrejas. Um museu a céu aberto
onde painéis de azulejos do séc XVIII nos
contam histórias de encantar. Uma aldeia
dentro da grande cidade, onde se ouvem
as gaivotas, se sente o cheiro a roupa lavada, o rio espreita, as laranjeiras perfumam
o ar e ainda se ouvem pregões no meio
do silêncio.
Existem outros locais naturalmente, que
me fazem gostar cada vez mais da cidade,
porque aprendi a apreender os seus significados e as suas vivências. Lisboa é uma
cidade com uma luz intensa que assume
diferentes tonalidades ao longo do dia,
como é comumente elogiada. Lojas seculares contrastam com lojas novas, muitas
delas são de jovens que apostam na tradição, criando produtos novos de excelente
qualidade.
Mas para conhecer todos os encantos da
cidadedas 7 Colinas é preciso caminhar
e falar com a população. É isso que me
fascina e atrai. Por isso quero conhecê-la
cada vez mais e se possível dar a conhecer ao mundo os seus encantos e os seus
lugares, sempre associados às pessoas que
neles residem ou visitam. Porque são as
pessoas que emprestam as vivências que
aqui mencionei e que transformam aqueles lugares em lugares especiais. Lisboa
é especial, Lisboa é Bliss», finaliza Maria
Luísa Branco. ‹
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 45
› LAZER
A
Academia do Bacalhau de Paris esteve em Portugal e prestou uma solidariedade activa
Vilamoura e Vidago
receberam os
compadres parisienses
Aproveitando a presença de uma grande quantidade dos seus membros em período de
férias em Portugal, no mês de Agosto, cerca de duas centenas de membros da Academia
de Bacalhau de Paris juntaram-se ao jantar, primeiro no Vidago, depois no dia 15 do mês
passado em Vilamoura. A PAÍS €CONÓMICO foi convidada para assistir ao repasto
ocorrido no Algarve, onde teve a oportunidade para assistir in loco não apenas às
manifestações de profunda amizade entre todos os que participaram no evento, mas
igualmente ao acto de profunda solidariedade que consistiu na angariação de fundos
que se destinaram ao Refúgio Aboim Ascensão, instituição localizada em Faro e que
se dedica ao acolhimento e tratamento de crianças até aos seis anos de idade. Falámos
com Carlos Ferreira, presidente da Academia do Bacalhau de Paris, que nos assegurou
que o acto que presenciámos constituía um entre vários nas iniciativas de solidariedade
com instituições ou pessoas que necessitam do apoio dos compadres portugueses que
residem em Paris.
Academia do Bacalhau de Paris
nasceu em 1998, sob o signo
daqueles que são os princípios
de base de todas as academias, ou seja,
a amizade, a portugalidade e a solidariedade. Neste momento, pagando quotas e
assistindo aos jantares mensais da academia parisiense, são cerca de 130 compadres, mas a que acrescem cerca de mais
duzentos, que são aqueles que pontualmente também comparecem nos repastos
da organização que celebra a imagem do
“fiel amigo”.
Carlos Ferreira sublinha que a Academia
do Bacalhau de Paris tem pautado a sua
intervenção por acções de grande generosidade e solidariedade para quem precisa,
tanto em França como em Portugal, pois
como sublinha, «um dos nossos mais sagrados princípios é o da portugalidade,
ainda mais nestes tempos difíceis que o
país tem vivido, e que a nossa academia
tem desenvolvido um conjunto significativo de acções para apoiar algumas instituições ou pessoas carenciadas e que a
nossa instituição, dentro das nossas possibilidades, vamos ajudando a ultrapassar
e a resolver».
O presidente da academia parisiense chamou a atenção para o nobre propósito
que levaram as duas centenas dos seus
membros a Vilamoura para ali apoiaram
o Refúgio Aboim Ascensão, instituição de-
dicada a acolher crianças até aos seis anos
e que tem tido um desempenho «social
em Faro e no Algarve a todos os títulos
louvável», salienta Carlos Ferreira. Antes,
no primeiro dos jantares realizados em
Agosto em Portugal, realizado no Vidago,
foi uma instituição de Chaves a merecer a
solidariedade dos compadres portugueses
de Paris.
Curiosamente, como foi anunciado em
Vilamoura, e Carlos Ferreira reafirmou
à nossa reportagem, no dia seguinte (16
de Agosto) os responsáveis da Academia
do Bacalhau de Paris deslocaram-se à vila
da Moita, no distrito de Setúbal, para entregarem uma cadeira para o infortunado
forcado Nuno Carvalho Mata, fruto da
angariação de 24 mil euros para adquirir
a referida cadeira. E muitas obras, realizações e acções de solidariedade tem sido
levadas a cabo pela Academia do Baca-
lhau de Paris, tanto em Portugal como em
França, como sublinha Carlos Ferreira. O
presidente da instituição francesa de inspiração portuguesa aponta que a Academia quer continuar a celebrar essa solidariedade, mas reforçar também a amizade
e a portugalidade. «Porque celebrar o bacalhau é justamente celebrar essa portugalidade no seu melhor, que é simbolicamente associada à gastronomia, e nesta ao
bacalhau. Aliás, é muito gratificante verificarmos que os produtos alimentares portugueses em França já não chegam apenas
à diáspora portuguesa, mas atingem cada
vez mais os próprios franceses e outras
comunidades residentes em terras gaulesas. Vamos continuar esse caminho de
divulgar essa maravilha que é o bacalhau
e que é também um símbolo de Portugal.
E do quanto amamos e nos orgulhamos
do nosso país», finaliza Carlos Ferreira. ‹
Primeira Academia do Bacalhau
nasceu em Joanesburgo (África do Sul)
Foi no dia 10 de Julho de 1968 que nasceu a primeira academia do bacalhau, precisamente por iniciativa de quatro portugueses residentes na cidade sul-africana de Joanesburgo.
Neste jantar da Academia do Bacalhau de Paris, realizado em
Vilamoura, pudemos entrevistar Durval Marques, justamente
um dos quatro fundadores da Academia do Bacalhau de Joanesburgo.
46 anos depois desse acto fundador, são já 55 as academias
do bacalhau espalhadas pelos cinco continentes, pois além das
que existem em África, na Europa, nas Américas e na Ásia,
recentemente foi fundada a Academia do Bacalhau de Perth,
na Austrália, a primeira da Oceânia.
Durval Marques é o Presidente Honorário das academias do
bacalhau a nível mundial e informa-nos que em Outubro decorrerá em Nova Iorque o Congresso das Academias do Bacalhau em todo o mundo. Só nos EUA existem 10 academias,
refere-nos Durval Marques, salientando que a última a ser fundada foi a Academia do Bacalhau de Londres, em Inglaterra.
«Não existe nenhuma organização na diáspora portuguesa no
mundo que se consigo comparar às academias do bacalhau.
Somos uma instituição única, e com inegável capacidade para
promover Portugal e o melhor que Portugal leva ao mundo,
como é o caso desse fantástico símbolo que é o bacalhau», enfatizou Durval Marques. ‹
TEXTO › JORGE ALEGRIA
46 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 47
› ECONOMIA IBÉRICA
EDITORIAL
Um dos setores mais dinâmicos e de
maior relevância quer em Espanha quer
em Portugal é, sem dúvidas, o têxtil. A
qualidade dos produtos e a reputação internacional das marcas constituem plataformas privilegiadas para a exportação ou
para a presença direta em novos mercados, ajudando muitas vezes a dar a melhor
imagem de ambos os países.
Por isso devemos congratular-nos da
iniciativa tomada pela Comunidade de
Trabalho Galiza-Norte de Portugal para
desenvolver conjuntamente o setor. A
cooperação empresarial é um instrumento que deverá cobrar cada vez mais imAndaluzia *
auditório “Palacio de Congresos Mar de Vigo”. As jornadas estão
organizadas pela Ordem de Engenheiros Industriais, a Fundação
Faimevi e o Concelho de Vigo.
portância no futuro, permitindo construir
melhores estratégias e beneficiar dos recursos comuns. Esperemos que não constitua um ato isolado.
O IMT EM ESPANHA
Uma das grandes questões quando compramos um imóvel diz respeito à fiscalidade, e aí o IMT surge como a primeira
grande “fatura” que se deve pagar.
Em Espanha existe um imposto semelhante, chamado “impuesto de transmisiones patrimoniales” (ITP), embora o momento de pagamento é após a escritura de
Baleares
compra e venda, não antes como acontece
em Portugal.
Outra diferença relevante tem a ver com
as taxas do imposto. Em Espanha são as
regiões (“comunidades autónomas”) as
que podem legislar sobre a matéria, o que
dá lugar a variações significativas. Convém, por isso conhecer quais são as taxas
antes de tomar qualquer decisão. Vamos
analisar o imposto, região por região, por
ordem alfabética:
Antonio Viñal Menéndez-Ponte
Antonio Viñal & Co. Abogados. Lisboa
[email protected]
Estremadura
PREÇO DE VENDA (€)
TAXA (%)
PREÇO DE VENDA (€)
TAXA (%)
PREÇO DE VENDA (€)
TAXA (%)
0 – 400.000
8
0 – 400.000
8
0 – 360.000
8
400.000,01 – 700.000
9
400.000,01 – 600.000
9
360.000,01 – 600.000
9
Mais de 700.000,01
10
Mais de 600.000
10
Mais de 600.000
11
Astúrias
Castilla La Mancha
PREÇO DE VENDA (€)
TAXA (%)
0 – 300.000
8
300.000,01 – 500.000
9
Mais de 500.000
10
Taxa única
Catalunha
Taxa única
6,5 (%)
Taxa única
Cantábria
La Rioja
Taxa única
Taxa única
8 (%)
8 (%)
Taxa única
7 (%)
Múrcia
10 (%)
Taxa única
II.- APOIOS E SUBVENÇÕES
AJUDAS ÀS EMPRESAS DO SETOR TÊXTIL – MODA – CONFEÇÃO PARA ATUAÇÕES E ESTRATÉGIAS DE PROMOÇÃO
INTERNACIONAL
PRAZO: Até 29 de Agosto de 2014
OBJETIVO: Incentivar o desenvolvimento de atuações e estratégias de difusão, promoção e acesso aos mercados geradores de
vantagens competitivas que incidam no projeto e posicionamen-
10 (%)
Taxa única
País Basco
7 (%)
Taxa única
EVENTO
LUGAR
1 – 3 Outubro
IBERFLORA
Feria internacional de plantas y flores, la tecnología y jardinería
Valência
1 – 3 Outubro
EUROBRICO
Salón profesional del bricolaje
Valência
1 – 3 Outubro
LIBER
Feria internacional del libro
Barcelona, Catalunha
2 – 3 Outubro
EGURTEK
Feria internacional de arquitectura de madera
Barakaldo, Vizcaya,
País Basco
3 – 5 Outubro
GIRONA CUPCAKE
Feria de repostería creativa
Gerona, Catalunha
3 – 5 Outubro
EXPOBODAS
Feria para las bodas y comuniones
Barakaldo, Vizcaya,
País Basco
7 Outubro
SIMO NETWORK
Feria internacional de informática, multimedia y comunicaciones
Madrid
7 – 9 Outubro
MRO EUROPE
Feria internacional para el mantenimiento y la reparación de la aviación
Madrid
9 – 12 Outubro
FIRATAST
Feria de degustación
Gerona, Catalunha
15 - 17 Outubro
LNG TECH GLOBAL SUMMIT
Simposio de gas natural licuado
Barcelona, Catalunha
16 – 18 Outubro
SIF & CO
Feria internacional de franquicia
Valência
16 – 19 Outubro
CRÉATIVA
Feria de artes y oficios
Madrid
7 (%)
Comunidade Valenciana
6 (%)
Taxa única
10 (%)
* Se o imóvel custar € 700,000, o valor do ITP será € 59,000: € 32,000 pelo primeiro escalão (€ 400,000 * 8%); € 27,000 no segundo (€ 300,000 * 9%).
I.- GALIZA E EURO-REGIÃO GALIZA-NORTE DE PORTUGAL
PROTOCOLO TÊXTIL GALIZA-NORTE DE
PORTUGAL
No passado dia 18 de Julho, a Comunidade de Trabalho Galiza-Norte de Portugal assinou um protocolo de colaboração em matéria têxtil transfronteiriça com a Associação Têxtil e Vestuário de
Portugal e a Confederação de Indústrias Têxteis da Galiza, através
do qual foi constituída uma “Plataforma Luso-Galaica para o de-
48 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
senvolvimento do Cluster Têxtil Moda”. O Cluster permitirá dar
maior visibilidade ao setor da euro-região criando uma marca própria e atrair novos compradores.
CONGRESSO SOBRE CIDADES INTELIGENTES
Nos dias 25 e 26 de Novembro, a cidade de Vigo celebrará as jornadas técnicas “Smart Cities & Communities” que terão lugar no
PRAZO: Até 28 de Agosto de 2014
OBJETIVO: Incentivar a posta em marcha de promoções no exterior de modo conjunto entre as empresas da Galiza.
BENEFICIÁRIOS: Organismos intermédios da Galiza, clusters
empresariais, associações e centros tecnológicos.
VALOR DA AJUDA: Será de 90 % sobre os custos passíveis de
subvenção com um limite de 100.000 € por beneficiário.
DATA
8 (%)
6,5 (%)
AJUDAS AOS ORGANISMOS INTERMÉDIOS PARA
A REALIZAÇÃO DE ATUAÇÕES E ESTRATÉGIAS
DE PROMOÇÃO E INTERNACIONALIZAÇÃO DAS
EMPRESAS DA GALIZA
EVENTOS E FEIRAS
Navarra
Madrid
Castilla León
Taxa única
8 (%)
Galiza
Canárias
Taxa única
Taxa única
Aragão
GALIZA: LÍDER DE GRANITO
Espanha está na quinta posição a nível mundial como produtora
e exportadora de granito, e a Galiza representa 80% do setor espanhol. Até 99% do granito elaborado na Galiza destina-se à exportação e, no ano 2013, o seu movimento portuário foi em aumento
passando de 72.000 toneladas a 207.000.
to das empresas da Galiza do setor têxtil-moda-confeção nos mercados internacionais.
BENEFICIÁRIOS: Empresas de âmbito privado pertencentes ao
setor têxtil-moda-confeção e que tenham a sua sede social na Galiza.
VALOR DA AJUDA: A bonificação máxima será de 45.000 € por
beneficiário.
Setembro 2014 | PAÍS €CONÓMICO › 49
› A FECHAR
Equip’Hotel em Paris atrai empresários portugueses
Missão vai ‘vender’ hotelaria
portuguesa em França
A Câmara de Comércio e a CIEP, em parceria com a Câmara de Comércio e Indústria
Franco Portuguesa, organizam uma Missão Empresarial portuguesa à Feira Equip’Hotel,
que se realizará entre os dias 17 e 20 de Novembro, em Paris. Na capital francesa estarão representadas empresas portuguesas dos setores hoteleiro, restauração, alimentação
e bebidas.
Com cinco setores em exposição e cerca de 111 mil visitantes no ano passado, dos quais
18,4% de fora da França, a Feira Equip’Hotel é o principal evento para todos os profissionais do canal Horeca, oferecendo uma gama completa de produtos e serviços dos setores
de hotelaria e catering.
Com a realização desta missão empresarial portuguesa a um dos principais certames
mundiais do setor, as organizações empresariais portuguesas assim como a Câmara Franco Portuguesa pretendem contribuir para uma maior divulgação do setor da hotelaria e
restauração portuguesa, podendo encontrar um espaço apropriado para divulgar internacionalmente a hotelaria portuguesa, logo, captar mais turistas e potenciais investidores
estrangeiros para apostarem em Portugal. ‹
BICMINHO associação ao
fomento do empreendorismo
O BICMINHO – Centro Europeu de Empresas e Inovação, juntou-se à Portugal Ventures
numa iniciativa onde o empreendorismo constitui o elemento-chave, consubstanciado
no Programa +Inovação +Indústria. O programa foi apresentado no dia 8 de Setembro,
nas instalações da AEP, em Leça da Palmeira (Matosinhos), tendo assistido à cerimónia o
ministro da Economia, António Pires de Lima.
O programa constitui uma iniciativa da Portugal Ventures, à qual se associou a BICMINHO, e tem como principais destinatários as PME e empreendedores nacionais. Orientado para o produto e para mercados globais, o Programa + Inovação + Indústria tem como
objetivo reforçar a respetiva capacidade de inovação em termos de equipamento, produto
e processo, possibilitando a sua rápida progressão nas cadeias de valor e incentivando a
cooperação com o sistema científico e tecnológico nacional através do investimento de capital de risco na criação de novas start-up’s e lançamento de spin-off’s. As candidaturas
ao programa decorrem de 15 de Setembro a 15 de Outubro.
De referir que desde 2001 que o BICMINHO já apoiou a criação de 171 empresas com
uma taxa de sucesso de 93%, e prestou serviços de aconselhamento à modernização de
532 PME. ‹
50 › PAÍS €CONÓMICO | Setembro 2014
Jetclass
no Dubai
A nova marca do Grupo Jetclass, Snip,
vai ser uma das estrelas da exposição que
decorrerá no Hotel Dubai Show, que decorrerá de 28 a 30 de Setembro. O grupo
liderado por Agostinho Moreira está em
permanente estado de inovação e acaba
de criar uma nova marca meticulosamente desenvolvida para a hotelaria, onde as
linhas modernas se cruzam com a melhor tradição do mobiliário de alto luxo
português, que um dos principais grupos
produtores de mobiliário em Portugal já
habituou os seus clientes internacionais e
nacionais. Em declarações à PAÍS €CONÓMICO, Agostinho Moreira sublinha
que a presença no Hotel Dubai Show «é
fruto da nossa aposta reforçada que estamos a realizar no Médio Oriente, onde
continuam a construir-se diversas unidades hoteleiras de alta categoria, e onde a
Jetclass pretende ter um papel a desempenhar com as nossas linhas de mobiliário,
especialmente a que concebemos para o
setor hoteleiro, como será o caso da nossa
nova marca Snip, que certamente a todos
surpreenderá e deverá ser uma referência
na hotelaria internacional». ‹
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