Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 275 PETRÓLEO E DESIGUALDADES EM MACAÉ: ELEMENTOS PARA UMA ANÁLISE POLÍTICO-FINANCEIRA Brasilmar Ferreira Nunes (coord) Cândido Francisco Duarte dos Santos e Silva Carolina Weiler Thibes Daniel Moraes Tatiana Calandrino Tiago Magaldi Granato Silva 1. Introdução O presente trabalho foi realizado no âmbito da disciplina “Conflitos Socioambientais e Urbanos”, sendo fruto de parceria entre alunos e professor. Utilizando a teoria estudada para melhor compreender a realidade empírica do Município de Macaé, pretendeu-se construir uma análise crítica da realidade social, expressa nos indicadores econômicos e sociais levantados. Tendo em vista o notório aumento das receitas municipais nos últimos anos e a não-correspondência deste crescimento nas estatísticas sociais levantadas pelas pesquisas realizadas, questionamos as possíveis raízes desta disparidade. Neste sentido, o estudo da organização política foi fundamental para o entendimento acerca dos fatores que estruturam a dinâmica urbana local, na medida em que permite relacionar a distribuição desigual dos recursos econômicos a mecanismos de acesso aos recursos políticos. O objetivo, porém, não é esgotar o entendimento sobre o assunto, pelo contrário, apenas contribuir para uma leitura mais atenta da relação entre política urbana e crescimento econômico, na tentativa de identificar alguns dos elementos que determinam a distribuição dos recursos locais, sem retirálos de sua complexidade. Como fontes para a análise que ora apresentamos, utilizamos dados disponibilizados pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, Prefeitura de Macaé, IBGE, bem como outras pesquisas científicas publicadas. Em relação ao quadro político geral, foram utilizadas informações disponíveis Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 276 na página do TRE sobre os cargos eminentemente municipais - vereador e prefeito. Selecionamos as eleições ocorridas nos anos de 2000, 2004 e 2008, com base no notável aumento da arrecadação do município a partir do ano 2000. Partindo de informações primordialmente quantitativas sobre a região, a proposta do presente trabalho é levantar alguns questionamentos mais aprofundados através do cotejo debates dados com as teorias sociais sobre o tema do acesso à cidade, construindo uma leitura qualitativa e crítica dos dados analisados. A sociologia pode contribuir para o entendimento dos processos de mudança social ocorridos em Macaé, na medida em que tem por objeto as relações que constituem as formas de organização de uma determinada sociedade ou grupo social. A sociologia urbana, pioneiramente a Escola de Chicago, consolidou a importância de uma análise da dimensão espacial enquanto fator que exerce forte influência nas modalidades de interação social. Através da análise dos fenômenos sociais como expressão das relações sociais constituídas em determinados espaços territoriais, a sociologia urbana busca decodificar os elos que indivíduos e grupos criam para a vida em sociedade. Um dos autores escolhidos sobre o tema das migrações urbanas foi Paul Singer. Em seu livro Economia Política da Urbanização, o autor fornece contribuições que são de extrema importância para um adequado estudo das transformações urbanas, chamando a atenção para as causas sociais que determinam os movimentos migratórios. Principalmente baseado em seus trabalhos, buscamos compreender os arranjos institucionais como parte dos processos de mudança social, analisando quais mecanismos explicam a restrição do acesso aos recursos almejados por todos a apenas alguns, não obstante o aumento da receita municipal. Paul Singer (1975) entende que dois fatores são determinantes nesse caso: as migrações e a implantação da indústria. Historicamente os movimentos migratórios internos, aliados à indústria, são responsáveis pela urbanização, onde a indústria é o elemento transformador capaz de produzir mudanças de territórios. Através dela tem-se a mudança das técnicas de Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 277 produção, o emprego da tecnologia aliada ao trabalho. Como resultado tem-se a diversificação de produtos oferecidos, uma maior divisão do trabalho e a expansão do processo de acumulação de capital. Importante destacar que a divisão social do trabalho se caracteriza pela constituição de pontos de produção social, enquanto que a divisão técnica do trabalho se caracteriza pela delegação de funções, onde quem trabalha em uma grande linha de produção, sequer sabe quem construiu as demais peças da grande engrenagem chamada indústria. Em outros termos, “divisão social do trabalho” se refere à expansão de postos de trabalho no setor produtivo, enquanto “divisão técnica do trabalho” diz respeito à distribuição das tarefas dentro de uma unidade de produção específica; a primeira se passa no mercado e a segunda no espaço interno da fábrica. À luz do pensamento de Singer as cidades se tornam importantes, pois seria a partir das já citadas migrações que formam um circulo virtuoso entre cidade e indústria. A indústria vai se localizar onde exista seja matéria prima, seja força de trabalho, seja mercado para seus produtos. È em áreas urbanas que estas vantagens locacionais se manifestam com mais facilidade e se tornam o ambiente propício para a implantação das indústrias. A teoria econômica vai chamar esse fenômeno de “economias de aglomeração” ou “economias de urbanização”. Em geral, tem-se a transformação da matéria prima em bens de consumo de forma facilitada quando se tem água, energia e serviços obtidos com menor esforço, e toda a gama de infra-estrutura que constituem os chamados serviços coletivos urbanos. Assim, a implantação das cidades e a fixação da indústria se processa dentro da lógica do mercado, que através da oferta de empregos e de uma remuneração relativamente superior funciona como um mecanismo de atração de força de trabalho para atender à demanda industrial. Logo, na visão de Singer, tem-se uma espécie de racionalidade utilitarista, onde cidade e indústria andam lado a lado. Destaca-se que em uma sociedade capitalista, o mercado não funciona sem o Estado, é insuficiente sem o Estado. Neste diapasão, a cidade se torna uma unidade coletiva de reprodução de força de trabalho, onde em tese se busca salários justos, onde o capitalismo atinge sua essência básica, ou seja, quem produz mais recebe Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 278 melhores salários e em conseqüência tem-se um maior consumo. A busca pela felicidade se faz presente numa racionalidade estratégica, calcada no utilitarismo. O utilitarismo propugnado por John Stuart Mill (2000) é conhecido como a ética do capitalismo, mas será que existe ética no capitalismo? O utilitarismo se baseia na busca pela felicidade como a essência do homem, o que gera a idéia de acumulação de bens, o consumismo, a produção em larga escala, a busca pelo lucro; os efeitos nefastos dessa lógica se manifestam, por exemplo, na falta de políticas que objetivem o desenvolvimento mais igualitário, na medida em que a concorrência é quem define a dinâmica do sistema. A ética utilitarista na esfera empresarial pode denotar, efetivamente, a idéia do “levar vantagem a qualquer preço”, por parte das empresas em relação aos seus empregados como em relação à sociedade como um todo. De fato, essa lógica alcança tanto os empresários como a própria força de trabalho, numa lógica concorrencial onde as partes interessadas estão sempre à procura de melhorar seus ganhos, dada a produtividade alcançada no sistema produtivo. A famosa luta pela absorção de maior parcela da mais-valia gerada gera um movimento de contínua mudança dentro do sistema produtivo, onde os capitalistas procuram sempre poupar trabalho e os trabalhadores sempre procurando absorver mais daquilo que produzem. Dentro desse nosso raciocínio e trazendo essa questão para o nosso objeto de analise (o município de Macaé) podemos supor que a dinâmica de crescimento da cidade se faz a partir de uma visão utilitarista. Em outros termos, as migrações, iniciadas na década de 1970, com o advento da indústria petrolífera, passa a ser vista como fonte de enriquecimento pessoal de determinados indivíduos ou grupos locais. Nesta perspectiva, o presente trabalho é resultado de uma leitura interdisciplinar dos dados coletados, com vistas a ampliar a discussão acerca das transformações ligadas ao aumento da receita dos Municípios da região Norte Fluminense, em razão dos royalties advindos da exploração do Petróleo, questionando se as mudanças ocorridas com o aumento das receitas são refletidas no desenvolvimento social e quais fatores determinam e estruturam Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 279 a dinâmica social observada. Estamos, portanto, considerando que o excedente recuperado pelo Estado, através de impostos e taxas, é parte de uma riqueza gerada socialmente e há a expectativa de que seriam recursos a serem aplicados na melhoria das condições gerais da produção e da reprodução da força de trabalho. Sua distribuição entre assalariados e capitalistas, tem a função primeira de garantir a operacionalização das atividades econômicas, e, desta forma, assegurar melhores condições de vida e de geração de emprego e renda. 2. Estrutura Econômico-Financeira do Município de Macaé Com o fito de darmos início à discussão sobre a estrutura financeira do Município Macaé faremos uma rápida passagem pelas informações da dinâmica populacional local. Conforme apontado no gráfico abaixo, nota-se um crescimento populacional de 56% (cinqüenta e seis por cento) em dez anos, ocasionado por fatores de atração gerados pela indústria petrolífera ali instalada. Fonte: Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (2009) Crescimento Populacional de 2000 à 2010 500.000 Macaé 56% 450.000 Campos dos Goytacazes 14% 400.000 350.000 Cabo Frio 47% 300.000 250.000 200.000 150.000 100.000 50.000 0 2000 2010 Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 280 Todavia, o crescimento populacional que Macaé experimentou nos últimos anos ultrapassa a média regional e esse fenômeno merece alguma explicação. A melhor maneira de se perceber o crescimento acelerado da população municipal é compará-la com os municípios vizinhos que formam a micro-região do Norte fluminense. Ao compararmos o crescimento populacional de Macaé com os municípios de Campos dos Goytacazes e Cabo Frio, as duas maiores cidades da área, observamos uma desproporção no crescimento de Macaé. Esta disparidade pode ser justificada pela chegada da indústria do petróleo neste município. Podemos, no entanto, questionar por que Campos dos Goytacazes, distante cerca de 110km de Macaé1, não foi tão afetado pelo fenômeno das migrações, visto que também dispõe de farta indústria petrolífera. Uma das possíveis justificativas é ser o pólo petrolífero macaense mais recente do que o campista, já que a Lei do Petróleo2 data de 1997, quando se acelera a exploração local do petróleo. Campos dos Goytacazes é reputado como município petrolífero desde 1976, quando a Petrobrás perfurou o primeiro poço de petróleo na Bacia de Campos3, enquanto Macaé tem sua economia beneficiada com o incremento da arrecadação de royalties4 no período entre 2000 – 2010, justamente quando tem seu crescimento populacional impulsionado. Assim, uma de nossas hipóteses é de que Macaé se privilegia do fato de ter sua indústria petrolífera ainda recente o que impacta com mais vigor as taxas de crescimento populacional na cidade. O município de Cabo Frio, assim como o de Campos dos Goytacazes, possui também razões consideráveis para um crescimento populacional relevante, pois têm suas atividades turísticas bastante desenvolvida, além 1 2 3 4 Conforme informações constantes no site: http://www.clickmacae.com.br/?sec=90&pag=pagina&cod=58; acesso em 01 de fevereiro de 2011. Lei do Petróleo: lei ordinária n° 9.478 de 06 de agosto de 1997, que marca o fim do monopólio estatal do petróleo da União nas atividades relacionadas à exploração, produção, refino e transporte do petróleo no Brasil, o qual era exercido pela Petrobras até aquela data Conforme informações constantes no site: http://pt.wikipedia.org/wiki/Petr%C3%B3leo#O_petr.C3.B3leo_no_Brasil; acesso em 01 de fevereiro de 2011. Royalties: terminologia utilizada para designar um valor que deve ser pago ao proprietário de um território pela exploração dos recursos ali existentes, ou ao detentor de uma patente pela exploração industrial de sua invenção Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 281 de também se beneficiar da arrecadação de royalties. No entanto, verificamos um aumento da população cabofriense de 47% nos últimos dez anos, ou seja, 9% menor do que o de Macaé. Tais estatísticas evidenciam o crescente e intenso dinamismo deste município, apontando para a consolidação de um novo pólo de crescimento urbano na região. De início, bastaria apontar que Macaé teve no ano de 2009 uma arrecadação total de R$1.113.363.121,615 (um bilhão, cento e treze milhões, trezentos e sessenta e três mil, cento e vinte e um reais, e sessenta e um centavos), o que corresponde a um crescimento em sua receita de mais de 683% (seiscentos e oitenta e três) em menos de 10 anos. Da análise do gráfico abaixo, percebe-se claramente que até o ano de 2005 a maior fonte de renda do Município era proveniente dos Royalties, que correspondia a mais de 50% da receita total, englobando receitas próprias (tributos municipais) e receitas correntes (transferências constitucionais – FPM, ICMS e Royalties). CRESCIMENTO ECONÔMICO 1.200.000.000,00 1.000.000.000,00 Título do Eixo 800.000.000,00 600.000.000,00 400.000.000,00 200.000.000,00 0,00 Receita arrecadada 2000 162.905.167,96 Despesas realizadas 142.248.234,07 Royalties 86.219.323,80 2002 343.006.233,04 2005 664.269.079,66 2009 1.113.363.121,61 246.242.432,05 621.310.928,89 1.055.171.636,47 189.410.248,83 358.732.976,02 355.889.013,19 Fonte: Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro Entretanto, a partir de 2003 iniciou-se uma mudança radical na arrecadação do município, não mais ocasionada pela transferências dos Royalties, que estabilizou a partir de 2005 em torno de R$ 350.000.000,00 (trezentos e cinqüenta milhões de reais) anuais, mas sim pelo crescimento do Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 282 mercado formal de apoio ao petróleo (industrias, comercio, empresas terceirizadas, etc) para atender as novas demandas do local. Essa constatação é significativa pois aponta para o fato de que a industria petrolífera tem efeitos multiplicadores positivos evidentes e pode garantir uma expansão econômica sustentável a médio e longo prazo. Acerca da influencia das grandes industrias na dinâmica local, Rosélia Piquet explica que: É nesse segmento que se concentram os maiores efeitos multiplicadores, e onde a escala e a especificidade dos materiais e serviços necessários são tantas que raro paises podem oferecer, competitivamente, a totalidade desses bens e serviços. (...) Desse modo, para atender à petroleiras nas atividades de exploração e produção, geralmente ocorre uma divisão de mercado em que as tarefas mais sofisticadas e mais rentáveis permanecem nas mãos das grandes empresas (nacionais ou transnacionais), enquanto os serviços e equipamentos de baixo conteúdo tecnológico são encomendados a empresas menores, de âmbito local6. O vertiginoso crescimento do setor formal das indústrias de apoio e comércio local pode ser constatado pela explosão na arrecadação anual do Imposto Sobre Serviços e na transferência de receita decorrente do ICMS. Tamanho foi o crescimento do setor de apoio à indústria de petróleo que, em 2009, as divisas geradas pela prestação de serviços e pela circulação de mercadorias e serviços foi de R$ 394.503.460,00 (trezentos e noventa e quatro milhões, quinhentos e três mil e quatrocentos e sessenta reais), ultrapassando a transferência dos Royalties, ou seja, as maiores receitas não são mais diretamente provenientes do petróleo. O principal responsável por essa superação foi a prestação de serviços no Município, que arrecadou em 2009 R$ 207.545.425, 06 (duzentos e sete milhões, quinhentos e quarenta e cinco mil, quatrocentos e vinte e cinco reais e seis centavos). Tomando-se como base a alíquota de 5% (cinco por cento) sobre o serviço prestado, constata-se que no setor formal de prestação de serviços circulou em Macaé a astronômica quantia de R$ 4.150.908.501,20 (quatro bilhões, cento e cinqüenta milhões, novecentos e oito mil, quinhentos e um reais, e vinte centavos). Estes dados apontam que Macaé não sofre do 6 Petróleo e região no Brasil: o desafio da abundancia / Rosélia Piquet e Rodrigo Serra, organizadores – Rio de Janeiro: Garamond, 2007, pág. 24. Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 283 maior problema enfrentado pela totalidade dos municípios brasileiros, qual seja, a falta de recursos. Então é de se questionar: se o quadro econômico em Macaé é favorável, quais são os fatores que a inviabilizam ser uma referência nacional em desenvolvimento urbano? Para se chegar a possíveis indicadores, passa-se à análise das despesas realizadas pelo Município. Seguindo o crescimento da arrecadação, as despesas cresceram absurdamente em mais de 740% (setecentos e quarenta por cento) em menos de 10 (dez) anos, chegando em 2009 ao montante de R$ 1.055.171.636,47 (um bilhão, cinqüenta e cinco milhões, cento e setenta e um mil, e quarenta e sete centavos). Poder-se-ia argumentar que os investimentos em infra-estrutura, educação, saúde, não permitem um incremento nos índices sociais. Entretanto, estas hipóteses parecem não serem confirmadas pelas contas públicas. Destas constata-se que as maiores despesas com o município é com sua folha de pagamento. Em 2000, a despesa com pessoal foi de 50.232474,61 (cinqüenta milhões, duzentos e trinta e dois mil, quatrocentos e setenta e quatro mil, e sessenta e um centavos). Já em 2009, a despesa com pessoal foi de R$ 455.365.516,73 (quatrocentos e cinqüenta e cinco milhões, trezentos e sessenta e cinco mil, quintos e dezesseis reais e setenta e três centavos), crescendo quase 1000% (um mil por cento) em menos de 10 anos, para um crescimento populacional de 56%. E o que justifica tais gastos? Caberia esclarecer que despesa com pessoal corresponde a pagamento dos salários, gratificações e diárias do quadro do funcionalismo municipal. Dessa forma, os dados não confirmam a hipótese de que os investimentos e a estruturação da máquina pública são os fatores responsáveis pelo aumento dos gastos públicos e pelo impedimento de um maior desenvolvimento urbano em Macaé. Parece, sim, apontar para uma outra hipótese: em razão da disponibilidade de recursos e dos gastos com pessoal constatados haveria uma irracionalidade no processo decisório sobre a aplicação das receitas municipais. Como a decisão de gastos públicos tem um forte componente político, seria estratégica uma análise crítica da situação político-administrativa, para se investigar a representação política de Macaé nos últimos 10 (dez) anos. Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 284 3. População urbana e rural na região do petróleo fluminense Nos gráficos abaixo, compara-se o crescimento da população urbana e rural nos municípios de Macaé, Campos dos Goytacazes e Cabo Frio, nos anos 2000 e 2010. Constata-se que Macaé foi o município em que a população urbana teve maior crescimento (95%-98%) dentre as três consideradas aqui. Esta migração para a zona urbana certamente advém do aumento dos royalties, graças à Lei do Petróleo sancionada em 1997. O incremento na arrecadação refletiu diretamente no crescimento do setor formal de prestação de serviços, que como mostrou o gráfico de Crescimento Econômico, teve um aumento exponencial, superando inclusive a arrecadação anual do Imposto Sobre Serviços e na transferência de receita decorrente do ICMS. O município de Campos dos Goytacazes também apresenta um leve crescimento urbano (89%-90%), levando-nos a concluir que a atividade petrolífera produz impactos sobretudo urbanos. Essa tendência à urbanização máxima, no entanto, não é regra para os municípios limítrofes como Cabo Frio, cuja população rural cresceu em relação à urbana (16%-25%) no período de 2000-2010. Embora não estejamos tratando dessa cidade especificamente não seria estranho que Cabo Frio se especialize ainda mais nas atividades turísticas (beneficiando-se da renda familiar dos municípios petrolíferos vizinhos) como também na produção agrícola para um mercado urbano em expansão. Fonte: Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (2009) Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 285 Fonte: Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (2009) Fonte: Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (2009) Fonte: Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (2009) Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 286 Fonte: Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (2009) Fonte: Tribunal de Contas do Rio de Janeiro Apesar de Macaé, Campos dos Goytacazes e Cabo Frio serem beneficiados com a arrecadação de royalties, seus índices educacionais não condizem com tal rendimento. Os gráficos abaixo mostram a oscilação de concluintes dos Ensinos Fundamental e Médios nestes três municípios. Em Macaé observamos um aumento de quatrocentos mil concluintes do Ensino Médio entre 1998 e 2000, mas que a partir de 2001 até 2007 tende a se estabilizar. Este “boom” no Ensino Médio macaense pode ser uma resposta à Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 287 demanda por mão de obra mais qualificada no setor formal, impulsionado pela Lei do Petróleo de 1997. 4. Alguns elementos para a análise da situação política de Macaé Conforme estamos percebendo ao longo do texto, o município dde Maca[e dispõe de elevadas receitas e portanto capacidade financeira para atender as demandas sociais. Entretanto, a seguinte pergunta pode ser levantada: o que impede que a cidade de Macaé realize as obras de infraestrutura necessárias a toda a sua população, uma vez que dispõe de recursos para tal? Se voltarmos aos dados apresentados no início deste trabalho, notaremos que, a partir do ano 2000, as despesas, assim como a arrecadação, disparam em proporções quase idênticas. Mas, se parte da população segue sem equipagem urbana, qual o destino desse vultoso montante? Essa parte do trabalho se propõe a enfrentar o problema sob o viés da estrutura política local. Sabemos das infinitas variáveis a serem analisadas quando se trata de discutir política – notadamente as inter-relações políticas entre os âmbitos municipais, estaduais e federais – ainda mais em uma região estratégica para a economia nacional -, mas procuraremos nos ater à flutuação política local e às conclusões (limitadas) que podemos tirar de sua análise. Inicialmente, procuraremos estabelecer um quadro político geral. Para tal, nos utilizaremos dos resultados eleitorais dos pleitos para a vereança e prefeitura nas eleições de 2000, 2004 e 2008. Como a pesquisa ainda se encontra em seus primeiros estágios, decidimos escolher os pleitos mais significativos quanto ao momento da explosão na arrecadação do município: como vimos na análise da estrutura econômico-financeira, ela acontece a partir do ano 2000. Temos, portanto, um “antes” e um “depois” da explosão da arrecadação. Conseqüentemente, teremos também um fluxo migratório, como já demonstrado. Entretanto, um olhar atento aos resultados eleitorais nesse período indica que não houve mudanças significativas na estrutura política Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 288 local7. Tanto os números das eleições para a prefeitura quanto os para a vereança contam a história 1) da ascensão e declínio total do PSDB na cidade, ainda que suas principais figuras sigam sob a sigla do PMDB; e 2) da ascensão deste como hegemônico. Num certo sentido, a estrutura político partidária local repete a dinâmica estadual e nacional com a perda de importância do PSDB e a consolidação do PMDB. A chamada “esquerda” não pode ainda ser considerada representativa a nível local. Observando a evolução das tabelas de vereadores e prefeitos eleitos de Macaé, podemos notar uma clara mudança na hegemonia política: se em 2000 o prefeito era tucano e contava com cinco companheiros de partido na câmara mais um vereador do PST eleito em coligação, contra quatro peemedebistas, em 2008 o quadro muda completamente: teremos um prefeito do PMDB com 5 vereadores mais 1 vereador petista. A mudança partidária parece não significar, entretanto, uma mudança nas pessoas que efetivamente exercem o poder. Temos nesse sentido o exemplo do atual prefeito, Riverton Mussi. Eleito vereador pela primeira vez em 1992, foi reeleito por duas vezes. Em 2004 fez-se prefeito e em 2006 filiou-se ao PMDB. A mesma migração PSDB-PMDB ocorreu nas eleições de 2008, com os três vereadores mais votados: George Coutinho Jardim, Julio César de Barros e Paulo Fernando Martins Antunes. Some-se a esses mais um, Teodomiro de Carvalho, eleito vereador pelo PSDB em 2000, reaparecendo em 2008, eleito pelo PMDB. Outro dado interessante, que consolida o quadro da (ausência de) fidelidade partidária na cidade: com exceção de 3 vereadores de primeiro mandato, todos os atuais vereadores de Macaé trocaram de partido pelo menos uma vez entre as eleições de 2000 e 2008, sendo que a maioria dos que foram reeleitos em 2008 trocaram de partido mais de uma vez nesse período, passando pelo PSDB e chegando ao PMDB. O auge da hegemonia tucana se dá nas eleições de 2004, quando o PSDB faz 6 vereadores. Nesse ano não foi eleito nenhum peemedebista e 2 petistas. Mas é na legislatura de 2004 que o quadro parece mudar a favor do PMDB. Podemos levantar a hipótese de que esta mudança de ventos está diretamente 7 As tabelas contendo os resultados das eleições municipais 2000, 2004 e 2008, utilizadas para esta análise, se encontram no Anexo Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 289 relacionada à ascensão de Rosinha Garotinho, do PMDB, ao governo do estado do Rio de Janeiro. É bem provável que a ascensão do PMDB ao governo do estado tenha precipitado uma “corrida” aos seus quadros durante a legislatura de 2004-2008, o que explicaria a imigração dos três vereadores mais votados em 2008, entre outros, do PSDB para o PMDB, além da migração do próprio prefeito, em 2006. Observamos ainda nessa análise de médio prazo que a “dança das cadeiras” típica da política nacional se repete também a nível local, tudo indicando que os partidos políticos são siglas simplesmente de hospedagem de candidatos, não refletindo uma consciência ideológica da política. Escolhe-se o partido em razão de conveniências mais pessoais do que necessariamente Políticas. Podemos agora observar a evolução dos votos nas eleições para prefeito. O PSDB foi eleito para a prefeitura em 2000 (Sylvio Lopes Teixeira) e 2004 (Riverton Mussi). Em 2006 Mussi se filia ao PMDB. Nas eleições de 2008, Sylvio Lopes disputa novamente a prefeitura pelo PSDB mas, diferentemente de 2000, quando obteve 46% dos votos e foi eleito, dessa feita obteve apenas 18%, o que lhe deu o 3º lugar na disputa. Em segundo lugar ficou Aluízio dos Santos, do PV, que havia participado da gestão de Mussi – ou seja, cria do governo peemedebista. O PSDB foi, então, de 46,6% na eleição pra prefeitura em 2000 para 50,5 % em 2004 e 18,1% em 2008; na câmara, foi de 12,7% dos votos totais (mais de um terço dos votos dos vereadores eleitos somados) em 2000 para 14,8% em 2004, caindo para 2,5% nas eleições de 2008. Uma história paralela ao de nossos antagonistas - PMDB e PSDB - é a da extinção eleitoral do PDT e do PFL, atual DEM. Esses partidos, apesar de terem feito, em coligação, quatro vereadores em 2000, sumiram em 2004 e assim ficaram nas eleições de 2008. Apenas dois vereadores desses 4 se mantiveram desde 2000. Mas hoje encontram-se, ambos - Paulo Fernando Martins Antunes (ex-PFL) e Eduardo Cardoso Gonçalves da Silva (ex-PDT) -, no PMDB. Não escaparam ao “magnetismo eleitoral” do PMDB. Todos os vereadores atuais, à exceção de três, que cumprem 1º mandato, estão atualmente em partido distinto do qual tenha sido eleito em 2000 e 2004. Exemplo ideal da lógica política local parece ser o atual Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 290 vereador George Coutinho Jardim. Eleito em 2000 pelo PST, em 2004 pelo PSDB e, finalmente em 2008 pelo PMDB, tendo sido o mais votado do pleito. Em suma, as siglas mudam, mas os personagens são os mesmos. Dos atuais doze vereadores, independentemente de mudança de partido, oito já tiveram mandato em 2000 ou 2004. Ou seja, são os partidos que centralizam as possibilidades de eleição, e os candidatos flutuam de acordo com o que imaginam ser a melhor posição para serem eleitos. In casu, o PMDB parece ser para onde tendem os candidatos. Provavelmente isto está relacionado com a ascensão do PMDB-PT ao governo do estado (Anthony Garotinho de 1999 a 2002, Benedita de 2002 a 2003 e Rosinha Garotinho de 2003 a 2007), ainda mais sendo o Norte Fluminense o berço político do casal Garotinho. Delineado o quadro político, cabem algumas considerações. Podemos notar como seria escorregadio analisar o quadro político levando em consideração os partidos políticos como atores principais. O quadro eleitoral parece ser definido em função da atuação de pequenos grupos, cujo centro de gravidade são os próprios candidatos, que flutuam de acordo com as possibilidades eleitorais. Atualmente, o PMDB é o partido que mais atrai candidatos. Mas essa descrição, por si só, não é suficiente para jogar luz sobre nossa pergunta inicial: o que impede que a cidade de Macaé realize as obras de infra-estrutura necessárias a toda a sua população, uma vez que dispõe de recursos para tal? Uma hipótese sobre a qual podemos trabalhar é a de que a estrutura política local não é permeável aos anseios das áreas periféricas, recémformadas pelo fluxo migratório originado em função da explosão da atividade econômica. Mesmo tendo sua população aumentada em 56% de 2000 a 2010, levando a uma acumulação de problemas urbanos, o panorama político não mostra sinais de mudanças no exercício do poder: os mesmos grupos se mantêm. Portanto, ou um) os atuais atores políticos incorporaram as demandas da população periférica em seus discursos, mas pouco realizando na prática, ou 2) nega-lhe a participação no debate público, não incorporando suas demandas e não abrindo outros canais de participação. Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 291 Assim posto, começamos a clarear a questão. Mais revelador, entretanto, sendo fundamental na linha de raciocínio que aqui se segue, é observar, como citado acima, o crescimento das despesas realizadas em comparação com o investimento em infra-estrutura urbana: os dados revelam que grande parte do montante é gasto com pessoal. Se isso é fato, comprova uma cultura política interiorana no Brasil onde pequenos grupos monopolizam certos partidos e recursos institucionais, conseguindo reproduzir uma elite pouco progressista, não havendo uma distribuição mais democrática dos recursos urbanos. Cai-se assim num círculo vicioso de fazer política onde as desigualdades sustentam uma dinâmica urbana extremamente segmentada e excludente. Analisando as contas, verificamos que o maior fator de crescimento das despesas foi com gastos com pessoal (ou seja, folha de pagamento). Isto derruba a argumentação de que a Administração de Macaé tem investido muito em equipamento urbano para atender as novas demandas do Município. 5. Alguns elementos conclusivos preliminares Nos quadros de nossa análise não tivemos oportunidade de aprofundar uma serie de aspectos que seriam esclarecedores da situação urbana de Macaé. O município é rico, diríamos mesmo “milionário”, sobretudo se comparado aos demais municípios de mesmo porte seja no Estado do Rio de Janeiro, seja mesmo no Brasil. Estamos habituados à lamúria dos administradores municipais sobre a carência de recursos para investimentos urbanos, um argumento que se repete rotineiramente no Brasil todo. Entretanto, quando nos deparamos com uma situação como essa de Macaé, onde as receitas municipais são absolutamente adequadas e verificamos a carência generalizada de serviços básicos para parcelas importantes da população, é o momento para levantarmos algumas suposições. Nosso enfoque aqui foi sobre a estrutura político-partidária que governa o município nesses últimos anos. Estamos considerando que a alocação de recursos de políticas públicas é uma decisão política que envolve tanto o poder executivo como o legislativo local. Se assim o é, estaria ali talvez uma Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 292 das explicações dessa situação aparentemente contraditória: há recursos financeiros, não há ações de melhoria geral das condições de vida da população, sobretudo a da periferia da cidade. Sabemos que houve uma explosão demográfica no município, uma população que se dirigiu sobretudo para sua área urbana, pressionando tanto o mercado de trabalho quanto a capacidade de atender às novas demandas por serviços e equipamentos urbanos. Esse descompasso entre oferta e demanda (regra geral em situação com intenso crescimento populacional) pode ser entendido como um fenômeno conjuntural: demanda cresce exponencialmente e a oferta cresce aritmeticamente gerando os déficits. Pelas rápidas informações sobre a estrutura político partidária, vimos que a cidade se caracteriza pela sua cultura política tradicional, num evidente descompasso com a sua atividade econômica moderna e atual. A ausência de canais de expressão de demandas sociais que poderia relacionar a administração local e as populações do município talvez seja o principal fator de entrave na modernização da prática política local. Ao mesmo tempo, o domínio de oligarquias políticas tradicionais na região de certa forma restringe as possibilidades de inovação nas praticas que regulam a relação poder público versus comunidade. A democracia pressupõe códigos formais de gestão e de relacionamento. É necessário dominá-los para poder jogar o jogo. Na medida em que tais códigos fiquem restritos a uma elite política tradicional, não havendo formas de ampliar a sua difusão entre os grupos interessados, criam-se o ambiente propicio para uma cultura clientelística, onde gastos com pessoal justifica toda e qualquer ação por mais irracional que possa parecer. Teríamos que ter tido condições de trabalhar mais com informações sobre os movimentos sociais que certamente ocorrem fora da esfera da política partidária local. Estaria talvez aí o gargalo que legitima estas práticas e reproduz num dos municípios mais ricos do país um cenário de déficits e atrasos nas condições gerais de vida de sua gente. Tudo está apontando para uma realidade peculiar onde o acesso a um emprego (de preferência bem remunerado) acalma as demandas por melhores condições, repassadas para um futuro incerto. Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 293 Tais aspectos são importantes, sobretudo porque se discute muito hoje no Brasil o destino dos royalties do petróleo e fica difícil justificar a sua atual distribuição quando não temos o impacto positivo das atuais medidas sobre a vida cotidiana dos moradores. A questão é, portanto, muito mais complexa do que aparenta. 6. Bibliografia consultada ARAÚJO, Faber Paganoto. Migrantes ricos e migrantes pobres: a herança da economia do petróleo em Macaé/RJ. IV Encontro Nacional Sobre Migrações, 2005, Rio de Janeiro. Anais do IV Encontro Nacional Sobre Migrações, 2005. CONSÓRCIO RIONOR/PETROBRÁS. Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte do Estado do Rio de Janeiro – Análise Situacional, Volume I, 2 parte (2010). GIDDENS, Anthony. As conseqüências da modernidade. São Paulo, Editora UNESP, 1991. MILL, John Stuart. Utilitarismo. São Paulo: Martins Fontes Editora, 2000. PARK, Robert Ezra. A cidade: sugestões para investigação do comportamento humano no meio urbano in VELHO, Otávio (Org.). O fenômeno urbano. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editora, 1979. SINGER, Paul. Migrações internas: considerações teóricas sobre o seu estudo in Economia Política da urbanização. São Paulo, Editora Brasiliense, 1975. TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Estudos Sócio-Econômicos dos Municípios do Estado do Rio de Janeiro (2009) – Macaé. Consultado no dia 10/11/2010, em www.tce.rj.gov.br. Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 294 ANEXO – Tabelas Eleitorais • Eleições para prefeitura de 2000 a 2008 UF RJ Município Cargo MACAÉ Prefeito RJ MACAÉ Prefeito RJ MACAÉ Prefeito RJ MACAÉ Prefeito RJ MACAÉ Prefeito UF Município Cargo RJ RJ Macaé Macaé Prefeito Prefeito RJ Macaé Prefeito RJ Macaé Prefeito UF Município Cargo RJ Macaé Prefeito RJ RJ Macaé Macaé Prefeito Prefeito RJ Macaé Prefeito RJ Macaé Prefeito • ELEIÇÕES PREFEITURA MACAÉ 2008 Candidato Nr Partido Situação RIVERTON MUSSI RAMOS 15 PMDB Eleito ALUIZIO DOS SANTOS Não JUNIOR 43 PV eleito Não eleito SILVIO LOPES TEIXEIRA 45 PSDB ANTONIO DE SOUZA Não FRANCO 21 PCB eleito ALEXANDRE ELIAS DA Não SILVA 16 PSTU eleito QtVN %VV 41.026 41,64 38.072 38,64 17.815 18,08 1.295 1,31 321 0,33 ELEIÇÕES PREFEITURA MACAÉ 2004 Candidato Nr ANTONIO DE SOUZA FRANCO 26 RIVERTON MUSSI RAMOS 45 MIRIAM SANTOS MANCEBO REID 25 CARLOS FREDERICO KOHLER 15 Partido Situação QtVN %VV NÃO PAN ELEITO 2992 3.805 PSDB ELEITO 39726 50.518 NÃO PFL ELEITO 0 0 NÃO PMDB ELEITO 35919 45.677 ELEIÇÕES PREFEITURA MACAÉ 2000 Candidato DARLAN CÉZAR SIMÕES PINHEIRO MIRIAM SANTOS MANCEBO REID SYLVIO LOPES TEIXEIRA PÉRICLES VELLOSO DE ASSIS PAULO JOSÉ TAVARES LESSA Partido Situação QtVN NÃO PL ELEITO 825 NÃO PDT ELEITO 25322 PSDB Eleito 30246 NÃO PRN ELEITO 210 NÃO PMDB ELEITO 8245 Eleições para a vereança Macaé – 2000 Nr 22 12 45 36 15 %VV 1.272 39.048 46.641 0.324 12.714 Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 295 Justiça Eleitoral - Eleições Municipais 2000 Consulta de Resultados Eleitorais - Resultado da Eleição UF (RIO DE JANEIRO) - Município (MACAE) - Cargo (VEREADOR) - Situação (ELEITO E ELEITO POR MÉDIA) - Partido (TODOS) 03/12/2010 - 01:15:53 - Dados sujeitos a alteração Última atualização em: 27/10/2005 UF Município Cargo Candidato CARLOS FREDERICO KOHLER RIVERTON MUSSI RAMOS PAULO ROBERTO PAES DE OLIVEIRA PAULO NOVAES JÚLIO CÉSAR DE BARROS GILSO PESSANHA MACHADO GEORGE COUTINHO JARDIM JOSÉ CARLOS DE SOUZA CRESPO TEODOMIRO BITTENCOURT FILHO EDUARDO CARDOSO GONÇALVES JOÃO SÉRGIO DE LIMA LUCIANO ANTÔNIO DINIZ CALDAS RAMON MENA DE OLIVEIRA PAULO FERNANDO MARTINS ANTUNES RONALDO GOMES PEREIRA MÁRCIO RODRIGUES BARCELOS WALDECI BRANDÃO WILLEMEN EDINALDO CARMO SILVA DE OLIVEIRA IZAQUEU DA CUNHA MARTINS RJ MACAÉ RJ MACAÉ Vereador Vereador RJ MACAÉ RJ MACAÉ Vereador Vereador RJ MACAÉ Vereador RJ MACAÉ Vereador RJ MACAÉ Vereador RJ MACAÉ Vereador RJ MACAÉ Vereador RJ MACAÉ RJ MACAÉ Vereador Vereador RJ MACAÉ Vereador RJ MACAÉ Vereador RJ MACAÉ Vereador RJ MACAÉ Vereador RJ MACAÉ Vereador RJ MACAÉ Vereador RJ MACAÉ Vereador RJ MACAÉ Vereador RJ MACAÉ Vereador ELIO TAVARES LESSA ANTÔNIO FRANCO DE Vereador CARVALHO RJ MACAÉ Nr Partido Situação QtVN %VV Coligação 45630 PSDB 45699 PSDB Eleito Eleito 1723 2,581 PSDB / PST 1560 2,337 PSDB / PST 45658 PSDB 25125 PFL Eleito Eleito 1500 2,247 PSDB / PST 1402 1,402 PDT / PFL / PPB 33613 PMN Eleito 1386 2,076 PMN / PRP 45677 PSDB Eleito 1288 1,93 PSDB / PST 18654 PST Eleito 1268 1,9 PSDB / PST 33660 PMN Eleito 1152 1,726 PMN / PRP 45620 PSDB Eleito 1108 12668 PDT 15690 PMDB Eleito Eleito 1098 1,645 PDT / PFL / PPB 1091 1,635 PMDB / PTB 13650 PT Eleito 1065 1,596 15963 PMDB Eleito 1056 1,582 PMDB / PTB 25120 PFL PT do 70369 B Eleito 986 1,447 PDT / PFL / PPB Eleito 893 1,338 PTdoB / PSL 12456 PDT Eleito 880 1,318 PDT / PFL / PPB 15111 PMDB Eleito 839 1,257 PMDB / PTB 23633 PPS PT do 70670 B PT do 70123 B Eleito 806 1,208 PPS / PSDC Eleito 606 0,908 PTdoB / PSL Eleito 601 41234 PSD Eleito 497 0,745 1,66 PSDB / PST 0,9 PTdoB / PSL Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 296 • Eleições para a vereança Macaé – 2004 Justiça Eleitoral - Eleições Municipais 2004 Consulta de Resultados Eleitorais - Resultado da Eleição UF (RIO DE JANEIRO) - Município (MACAE) - Cargo (VEREADOR) - Situação (ELEITO E ELEITO POR MÉDIA) Partido (TODOS) 02/12/2010 - 18:51:47 - Dados sujeitos a alteração Última atualização em: 06/03/2008 UF Município Cargo Candidato PAULO ROBERTO PAES DE OLIVEIRA PEDRO REIS PEREIRA PAULO FERNANDO MARTINS ANTUNES MARIA HELENA DE SIQUEIRA SALLES GEORGE COUTINHO JARDIM LUIZ FERNANDO BORBA PESSANHA JULIO CESAR DE BARROS FRANCISCO ALVES MACHADO NETO EDUARDO CARDOSO GONÇALVES DA SILVA RJ MACAÉ RJ MACAÉ Vereador Vereador RJ MACAÉ Vereador RJ MACAÉ Vereador RJ MACAÉ Vereador RJ MACAÉ RJ MACAÉ Vereador Vereador RJ MACAÉ Vereador RJ MACAÉ Vereador RJ MACAÉ Vereador JORGE DE JESUS DA SILVA Nr Partido Situação QtVN %VV Coligação 45658 PSDB 45123 PSDB Eleito Eleito 3,373 4,162 Sem coligação 3,055 3,77 Sem coligação 45615 PSDB Eleito 2,921 3,604 Sem coligação 45601 PSDB Eleito 2,833 3,496 Sem coligação 45678 PSDB Eleito 2,571 3,172 Sem coligação 36789 PTC 45613 PSDB Eleito Eleito 2,51 3,097 PSC / PTC 2,429 2,997 Sem coligação 19611 PTN Eleito 2,218 2,737 PTN / PSDC 23668 PPS Eleito 22222 PL Eleito RJ MACAÉ Vereador MARILENA PEREIRA GARCIA 13123 PT Eleito RJ MACAÉ Vereador MAXWELL SOUTO VAZ Eleito 2,062 2,544 PDT / PPS PP / PMDB / PL 1,437 1,773 / PMN PT / PTB / PSL 1,135 1,4 / PSB / PCdoB PT / PTB / PSL 1,1 1,357 / PSB / PCdoB 13456 PT Impactos sociais, ambientais e urbanos das atividades petrolíferas: o caso de Macaé Cap. 3-1: Brasilmar Nunes e cols. - Pag 297 • Eleições para a vereança Macaé – 2008 Justiça Eleitoral - Eleições Municipais 2008 Consulta de Resultados Eleitorais - Resultado da Eleição UF (RIO DE JANEIRO) - Município (MACAE) - Cargo (VEREADOR) - Situação (ELEITO E ELEITO POR MÉDIA) - Partido (TODOS) 02/12/2010 - 18:51:47 - Dados sujeitos a alteração Última atualização em: 06/03/2008 UF Município Cargo Candidato RJ MACAÉ Vereador GEORGE COUTINHO JARDIM RJ MACAÉ Vereador JULIO CESAR DE BARROS PAULO FERNANDO MARTINS RJ MACAÉ Vereador ANTUNES LUIZ FERNANDO BORBA RJ MACAÉ Vereador PESSANHA EDUARDO CARDOSO RJ MACAÉ Vereador GONÇALVES DA SILVA TEODOMIRO BITTENCOURT RJ MACAÉ Vereador FILHO ANTONIO FRANCO DE RJ MACAÉ Vereador CARVALHO FRANCISCO ALVES RJ MACAÉ Vereador MACHADO NETO PAULO ROBERTO PAES DE RJ MACAÉ Vereador OLIVEIRA FILHO JOSÉ CARLOS DE SOUZA RJ MACAÉ Vereador CRESPO LÚCIO MAURO DA SILVA RJ MACAÉ Vereador JUNGER RJ MACAÉ Vereador DANILO FUNKE LEME Nr Partido Situação QtVN %VV 15678 PMDB Eleito 4.298 4,35 15613 PMDB Eleito 4.130 4,18 15615 PMDB Eleito 3.610 3,66 15789 PMDB Eleito 3.520 3,56 23668 PPS Eleito 3.447 3,49 15620 PMDB PT do 70234 B Eleito 3.054 3,09 Eleito 2.897 2,93 23611 PPS Eleito 2.604 2,64 45658 PSDB Eleito 2.448 2,48 19660 PTN PT do 70870 B 13333 PT Eleito 2.205 2,23 Eleito Eleito 2.045 1.891 2,07 1,91